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  • A Bruxa da Arruda e o Sagrado de Tudo

    A manhã estava carinhosamente refrescante em um dia de verão calmo, que precedia o calor do seco e ensolarado tempo impermanente. Acordou às cinco horas da manhã como de costume, e já não tinha mais a necessidade do despertador do seu smartphone para tal feito. Simplesmente os olhos automaticamente em uma só expressão se abriram, o corpo em um só impulso na cama se sentou, e mergulhado nos seus pensamentos do que fazer com o novo dia de quarentena que auto se apresentava, meditava… claro! Aqueles dias eram por demais incomuns, de um lado tinha o dia todo pela frente sem a rotina acinzentada do levantar, correr e trabalhar, e, por outro lado, teria que ser criativo ao esforço máximo, em táticas incomuns e altruístas para não deixar que o tédio com toda sua improdutividade o arrebatasse, sequestrando a sua proposital impulsionada momentânea e intencionada alegria.
    Essa intencional alegria era a Poderosa Presença do Sagrado em sua vida. E apenas se baseava, por incrível que pareça, as coisas e recordações mais simples e singelas da sua tenra infância. Principalmente as lembranças delicadas e afetuosas de sua bisa, a Bruxa da Arruda, D. Darluz. Pelo qual, todas as manhãs, dedicava em um cantinho do seu oratório (em culto aos antepassados) uma vela sentada em um pires repleto de azeite de oliva misturado a sal grosso e mel, um pote de água que diariamente derramava seu líquido em uma específica planta de Arruda (Ruta graveolens), trocando a água do recipiente todas as manhãs, além de oferendas de flores silvestres, como: Cenoura-brava (Daucus carota subsp. Maximus); Centaurea Nigra (Centaurea nigra subsp. rivularis); flor Leopardo (Belamcanda chinensis); flor de Laranjeira (Citrus × sinensis); flores de Onze-horas (Portulaca grandiflora) e Calêndulas (Calendula officinalis). Tudo isso para se manter em conexão permanente com o espírito de sua querida bisavó. Sendo esta, em vida, sua sacerdotisa. E em morte carnal sua guia espiritual. Pelo que lhe prometera em vida terrena, que ao desencarnar nunca o abandonaria e o vigiaria de cima. Dando-lhe inúmeros conselhos e severas instruções ritualísticas de como manter o contato espiritual com sua alma e coração depois de sua partida.
    Para a Bruxa da Arruda, sua bisa, tudo era Sagrado…
    E do Sagrado… e unicamente, pertencendo ao Sagrado!
    Tudo era vivo! E tinha em si um grande e puro significado.
    Tudo era mágico!
    Tudo era místico!
    Tudo era encantado!
    Tudo era rico!
    Sua constante alegria não se baseava em emotivos momentos.
    Era como o constante balançar das árvores que bailavam se animando, apenas, com o tocar dos ventos.
    O seu grande sorriso em sua face iluminada, transmitia a qualquer um que olhava um manancial inesgotável de pleno contentamento.
    As pessoas que iam ao seu encontro de amor se preenchiam, automaticamente renovando esse sublime sentimento.
    Sua bisa lhe dizia que o Sagrado é um estado a ser sustentado constantemente. Um estado de bons hábitos e boas disciplinas que você mesmo se coloca a praticar. Um estado de Amor, de estar amando e de se sentir amado a toda hora e em todo momento, independente das circunstâncias, posses, pessoas, relacionamentos e virtudes materiais ou espirituais. Um estado de simplicidade e humildade, e cumplicidade no serviço devocional, na prática da caridade e solidariedade. Vivendo em perfeita gratidão e sendo gentil não só com as pessoas, mas a tudo em que os nossos sentidos intentar, aplicar e perceber. Lhe dizia que o segredo para vivenciar o Sagrado na prática, estava na gratidão e valorização da vida em todas as suas formas, não diferenciando uma pepita de ouro de uma simples pedra do rio, um ser-humano de uma formiga, a mais iluminada estrela do céu noturno de um singelo grão de areia das praias do mar. E essa valorização é ver a beleza oculta no amago de todas as coisas, sua Energia Divina e Intenção Criativa. Dizia-lhe que para realização de tal feito era preciso se livrar das amarras da má educação de si mesmo, que degenerou os nossos sentidos na elaboração de conceitos e preconceitos, a partir das inúmeras errôneas percepções externas a nossa Linhagem Sagrada, deteriorando e adulterando o nosso pensar, o nosso sentir, o nosso olhar, o nosso ouvir e o nosso falar. E explicou-lhe, que devido a tudo isso, o porquê das manifestações artísticas, arquitetônicas, filosóficas e religiosas de hoje estarem tão feias, rudes, cinzentas, frias, quadradas, embaraçadas e amontoadas, repetitivas e sem coração.
    D. Darluz dizia que por nos desconectarmos das sabedorias dos nossos ancestrais, o nosso sentido do novo e a capacidade do espanto e da novidade assombrosa de olhar tudo de maneira nova, no sublime estado de encantamento e percepção de alerta alegria, se perdeu no mundo. Dizia que o mal das futuras gerações estava na comparação e associação de capturar as impressões, sem a capacidade madura de traduzi-las, sendo essa maneira uma errônea tentativa de interpretar o novo sem a compreensão do velho, desassociando as consequências presentes e futuras das ações passadas. Daí, como ensinava a Bruxa da Arruda, eis a importância de se cultuar os antepassados, pois, uma árvore não pode florir e gerar bons frutos sem o bom cuidado para com suas raízes.
    Voltando ao momento presente, e na cama em que se encontrava sentado, vira como era difícil traduzir a vivência de infância que tivera com sua bisa para o moderno, virtual, tecnológico e competitivo dias de hoje. Sabia que as redes sociais virtuais, ao contrário do que se pensava, alimentava mais as más ações do ego do que o conhecimento (pelo qual era a sua proposta inicial). E que esse contato virtual se tornou uma máquina alimentadora dos nossos mais animalescos instintos, provocando mediante as imagens, sons, cores e palavras as mais variadas sensações emocionais para a satisfação dos nossos mais carnais e individuais desejos de ter ou ser. Não medindo as consequências de um super ego (‘eu’ pluralizado), que busca sempre aquelas ilusórias sensações que lhe possam dar a tão almejada satisfação momentânea, em uma falsa privacidade de no ato de estar solitário cometermos as maiores torpezas, em que julgamos erroneamente não impactar o nosso mundo externo. Vira que a internet, ao contrário do que fora a sua proposta de unir as pessoas, se tornou um luxurioso baile de máscaras, em que as redes sociais eram essas enfeitadas e coloridas máscaras.
    Assim, contudo, preferia estar no seu jardim. Na companhia das lembranças de sua bisa, a Bruxa da Arruda, D. Darluz. Que o lembrava que o mundo ainda era envolvido por uma aura de Novidade Mística, Alegria Mágica e Amor Divino. E que só poderia vivenciar o Sagrado da Vida observando, compactuando, comungando e se relacionando com o Mundo Natural em toda sua essência ecológica. O seu pequeno jardim era totalmente dedicado ao Sagrado e a memória de sua bisavó. Ali… dedicando-se a colocar as mãos e os joelhos na terra, se sentia uma Pessoa Superior em toda sua humildade, dividindo-se entre o observador e o observado, conhecendo a si mesmo na observação dos pequenos seres vegetais, minerais e animais. Se perdendo em um mundo desconhecido de encanto e nostalgia, que o elevava e fazia distante das miseráveis catastróficas vivências de traumas e barbaridades da bestialidade e ignorância humana.
    Ao regar suas plantas em pleno final de tarde, se via quando pequeno sentado no colo de sua bisa em uma balança pendurada a um tronco da árvore de Tipuana (Tipuana tipu (Benth.) Kuntze), em que juntos no crepúsculo vespertino se divertiam olhando as inúmeras nuvens no céu a tomar formas inusitadas de rostos, silhuetas, animais e objetos. E sua bisa, também, instigava a sua imaginação a ver essas formas nas plantas, flores, objetos e coisas. Dizendo que as mensagens dos seres naturais (Elementais) vêm a nós nas formas que a nossa consciência pode reconhecer, por eles falarem uma linguagem desconhecida aos nossos sentidos e dimensão.
    E, lembrou-se das manhãs ensolaradas ao correr pelo terreno da Chácara Celeste (que na verdade era um pedaço do céu na terra) logo ao acordar, indo de encontro a sua querida bisa nos campos abertos, vendo-a colher flores para o seu ritualístico culto matinal. E chegando ofegante até ela, gritava: “Bisaaaaa!”. E D. Darluz respondia com a mesma intensidade: “Meu Miúdo!”. E ela o carregando, abraçava forte e o cobria de beijos, até ele dizer basta. E, D. Darluz lhe dizia: “Olha meu Miúdo, não existe nada neste mundo que é mais adorável que uma flor, nem nada mais essencial que uma árvore e planta, sem elas não conheceríamos o belo, não poderíamos respirar e nem comer, nem nos curar. E, ocultamente a esses benefícios que elas nos trazem ao nosso corpo de carne e seus sentidos, tem ainda a sua função mística, que é a mais relevante, algo divino em que as pessoas comuns e materialistas não têm a capacidade de ver. Uma força mágica e espiritual, eterna e imutável.”
    A Bruxa da Arruda sempre o alertara a valorizar todas as coisas… de uma simples pedra a um pequeno objeto. Como um brinquedo, um utensílio ou algo do tipo. Dizia que tudo tem um propósito e que nada é obra do acaso. Alertara que todas as coisas por serem criações foram pensadas e intencionadas a se manifestarem. Tudo tinha um espírito, mesmo as coisas inanimadas. Pois, sempre afirmará: “O que tem corpo, tem espírito. Tudo é vivo! Toda criação é fragmento do seu Criador, contendo em si uma determinada energia que por mais pequena e singular que seja, é viva em si mesma, presa e magneticamente sustentada nesse corpo, é consciente especificamente para executar tal função, e depois de executada por si só se decompõe e desaparece”. E afirmava que a evolução desses corpos inanimados tinha a ver com a evolução humana, de acordo com seu grau evolutivo. Assim, o inorgânico Elemental podia se manifestar numa pedra, numa mesa, em um relógio de pulso, nos objetos que mais amamos e desejamos, e ainda mais nos brinquedos das crianças, por serem carregados de sentimentos. E que por isso, para seus Rituais da Magia Elemental necessitava dos objetos e minerais… das pedras… das cascas de árvores… dos restos de corpos dos seres vivos e seus derivados, onde se continha ainda preservada a energia Elemental necessária para tal e específica magia.
    Assim, Maria da Piedade…, moradora e proprietária da Chácara Celeste, que se localizava em algum lugar escondido na região nordeste do Brasil…, a Bruxa da Arruda: agricultora, queijeira, azeiteira, parteira, rezadeira, curandeira, e feiticeira portuguesa…, de origem dos antigos povos celtas das terras europeias mediterrâneas da Península Ibérica…, apelidada como D. Darluz…, afirmava que quando nos damos conta da existência do Poder Criativo em tudo que existe ao nosso redor e no nosso viver, quando descobrimos que tudo tem coração e inteligência, que tudo é intenção, e que a toda intenção foi aplicada uma específica atenção, e que a tudo que damos atenção doamos uma determinada fração de nossa energia vital, que se torna um fragmento de vida em si, independente por si próprio e evolutiva em si mesma… Tudo se torna Divino! Tudo se torna Sagrado! A ordem da Grande Espiral do Eterno e Permanente Contínuo.
  • A Cabeça de Malu

    Ele seguia andando pelas ruas escuras e frias(à noite é fria na cidade,apesar de ter um sol escaldante em sua rotina-um clima de deserto) da cidade de Feira de Santana-conhecida como a Princesa do Sertão-, na região conhecida por Estação Nova (Feirinha);estava bastante nervoso.Tinha a brasa do cigarro barato,que levava entre o dedo indicador e o médio,de lanterna.Passou por lúdicas prostitutas juvenis(fruto de um país que não se importa com sua juventude,nem com a ascensão vertiginosa do sexo pago,ou com o crescimento da pedofilia).Era uma cena dantesca,mas tinha o seu lado poético,de uma estória noturna, sinistra,algo assim,bem sombrio(uma narração digna de mais um dos escritos da mente doentia de um tal Leônidas Grego,intitulado pelo autor Júlio Fenegon, como o Mago dos Contos de Terror-o escritor que se diz inspirado pelos fantasmas que o acompanham e o inspiram contando sombrias estórias).Muitas lhes ofereceram os corpinhos juvenis,pequenos e magros ,de fome,ou pelo consumo de Crack-a droga que escraviza e mata rápido.O crack é uma droga resultada da mistura de cocaína, ainda em pasta, sem o refino e misturado com bicarbonato de sódio. Pequenas pedras tem o seu formato providencial, e pode ser até cinco vezes mais potente que a cocaína. A droga foi criada intencionalmente para alterar o estado mental do usuário,e pelo jeito,também os levar à ruína. A denominação CRACK...Sempre me perguntava o por que de tal denominação. Surgiu do som que faz quando está sendo consumido,com a brasa do isqueiro.
    -Por dez Reais posso te fazer bem feliz.-Disse uma das meninas.Tinha um batom vermelho nos lábios finos.Exibia dentes amarelos,pela nicotina dos cigarros consumidos a cada cinco minutos.Não pesava mais de 45 kg,se quer devia ter 1,50 m de altura.Vestia-se com uma saia de tecido preto,calçava uma bota de fazenda,bico fino( a preferida das prostitutas das grandes cidades).Tinha os braços curtos,pernas finas.Rosto pequeno.Ostentava uma farta cabeleira ruiva,ondulada.
    -Meu Deus,em que mundo estamos?O que está acontecendo com a juventude desse país?-Ele seguiu abrindo o grupo de meninas em dois .Passava pelo meio,com passos firmes,nervosos.Elas se afastavam,prudentes para que não as arrastassem,com violência.Exibia em seu rosto um sorriso silencioso.Sonhava em ser um escultor famoso.Dedicava-se com fervorosa paixão.Fazia bustos com as mais diversas técnicas.Seguia da argila aos metais,e até mesmo a madeira.Gostava de atuar no mercado do teatro infantil-era assim que sobrevivia-fazendo espetáculos infantis para as crianças nas escolas.A frase que mais pronunciava,por onde chegava:" eu sou escultor... em seguida cumprimentava as pessoas, ou o visitado dizendo o seu nome."
    Chegou em casa e abriu a porta da frente.Subiu as escadas,sem pressa.Deixou que a luz da lua entrasse primeiro,antes de acender a lâmpada artificial do ambiente.Tirou o casaco negro,de couro.Passou uma das mãos por sobre os cabelos,em desalinho.Soltou um sopro de respiração nervosa,e de alívio emocional e físico.
    Tirou o cinto escuro, de couro.O suor lhe escorria pelo cenho.O coração palpitava.Sentia-se cansado,exausto.Sentou-se,de forma abrupta na poltrona encardida da sala que ficava de frente à televisão antiga,bastante danificada,empoeirada.Figou aliviado,sentia-se mais protegido.Não tinha fome,apenas um pouco de sede.A respiração estava ofegante.Ouviu ao longe o ronco de motor de um carro ,junto à sirene barulhenta da polícia.As mãos estavam trêmulas,tinha as pernas bambas.O silêncio retornou.Foi total.Ficou mais tranquilo.
    "Eles vão retornar. Sempre fazem isso.Passam,depois retornam.O carro com o motor roncando e a maldita sirene anunciando que alguém vai preso,ou vai morrer."Ele desejava ardentemente,que não voltasse.A polícia em bairro pobre nunca é um bom presságio.O tráfico de drogas está pelas ruas,vielas.Assaltantes se escondem nas esquinas,ficam à espreita.Olhou no relógio que ficava na parede:12 h.Meia-noite.
    "Eu não resisto.Eu vou até à geladeira..."disse num timbre de voz embargado-como falasse para outra pessoa,mas era um solilóquio empardecido,sem vergonha." O desejo incontrolável de ir até à cozinha e abrir a porta da geladeira..."
    O relógio anunciava numa melódia sombria,com badaladas sonoras o firmar-se da meia-noite.Ele abriu a porta da geladeira,de forma vagorosa,tenso.
    "Está perfeita.Linda..."-Disse ao ter nas mãos a cabeça de Malu.O batom vermelho permanecia desenhado nos lábios firmes,carnudos.Permaneciam entre-abertos,como se aguardassem o próximo beijo.Os olhos estavam semi-cerrados..
    " A sua pele conserva o último bronzeado...adquirido na última praia daquele longo feriado..."
    Retirou a cabeça de Malu do freezer e a colocou em cima da mesa,e ficou por longo tempo admirando os contornos das linhas do seu rosto.
    "Eu te amo."
    Falou assim,quase sussurrando.Tinha uma das mãos em seu rosto.Conservava uma expressão doentia em sua face.Suava.
    "Eu não estou ficando louco,é sério.Eu te amo."
    Repetia a frase seguidas vezes.Acariciava os cachos da cabeleira.Não ouviu o ronco do carro que parecia aproximar de sua casa.A sirene soava roubando o silêncio da noite.
    "Eu te amo."
    Dizia assim,de forma compulsiva para a cabeça de Malu.Exibia uma expressão sofredora.Linhas lhes cortavam o cenho.Ergueu a cabeça de Malu com ambas as mãos.Aproximou-a do seu rosto e a beijou na boca.Um longo beijo,bem demorado.
    Cinco policiais arrombaram a porta de sua casa,com chutes e berros.estavam bem armados.Pareciam nervosos.Disse um deles:
    -Muito bem,mocinho;te pegamos com as mãos na massa,quer dizer,na cabeça.Larga isso na mesa e ponha as mãos na cabeça.Eu sou um policial nervoso e gosto de apertar o gatilho.-O policial apontava uma .40(pistola).Era baixinho,careca e barrigudo.
    -Eu não disse que um dia iríamos pegar o desgraçado?Eu não disse?Eu não dizia isso?Desvendamos esse intrincado caso...
    -Na imprensa o caso ficou conhecido como "A Cabeça de Malu".Um corpo havia aparecido na via pública,na Estação ,mais conhecida como A Feirinha ,ali,onde nos fins de semana a moçada "come água que passarinho não bebe."O corpo da mulher estava completamente perfurado pela a ação de um objeto contundente,perfuro-cortante. O principal suspeito,depois da identificação da vítima,o seu namorado,e colega de montagens teatrais.Era um casal de atores da cidade.Faziam teatro infantil nas escolas,à noite faziam peças eróticas para o público adulto.O corpo fora identificado pela leitura das impressões digitais e por uma longa tatuagem que exibia na região lombar, um escorpião.
    A imprensa teve um prato cheio naquele caso.O único jornal da cidade esgotava as edições quando abordava o caso,que sempre tinha uma foto e uma chamada sensacionalista estampada na capa.
    " A cabeça de Malu foi encontrada no freezer do suspeito em excelente estado de conservação e ostentando um farto batom vermelho."
    -Eu sou um escultor...
    A imprensa não lhe dava a devida importância. Exibia uma foto chocante e uma chamada instigante.A família da vítima se recusava a opinar,ou a visitar o preso." Não queremos opinar,ou saber dele...so queremos que a justiça seja feita..."
    -Eu sou inocente.Eu sou um escultor...
    A cabeça esculpida ficara famosa.A mesma que estivera em suas mãos no momento da prisão.Fora adquirida pelo museu do Louvre,em Paris.Este foi a sua principal obra de arte em toda sua carreira.Como não havia indício da participação de um culpado e as investigações não evoluíram,de forma que o incriminassem,em definitivo,com provas cabais.Restava a imprensa local apontá-lo como culpado( o jornal atravessava um momento financeiro difícil,mas foi salvo pelo caso,vendia milhões de exemplares.A justiça fazia o mesmo( o delegado adquiriu bastante prestígio em sua medíocre carreira).A família da decapitada sofria, e não queria saber de mais nada( curtia os louros em Euros da exibição da cabeça de Malu.A cabeça de Malu saíra de uma simples cidade( a Princesa do Sertão-a cidade de Feira de Santana),e era exibida no museu do Louvre.Ali, estava,e exibindo um farto batom vermelho nos lábios carnudos.Quando a imprensa o procurava ele só lhe dizia uma frase:
    -Eu sou apenas um escultor...eu sou inocente...eu juro...
    Ninguém acreditava nele. Os presos gritavam e pediam que se calasse-faziam uma algazarra ralando canecas de metal nas grades.Ele se sentava no chão e chorava copiosamente.
  • A canção que fiz

    cancao de amor e
         Como começar esta canção? Tem que ter o mar, o som do mar num dia claro para o inicio, no meio o barulho de alguém pulando neste.
         Tampei os ouvidos para não escutar tal musica depois de pronta, me trazia solidão. Mas por quê? Se é tão bom e belo o convite do mar as suas águas.
         A música deve falar de amor, de uma mulher a quem se teve amor e este se desfez por algum ato final.
         Não sendo uma novela daquelas que um morre no fim, mas sendo mais ou menos assim, pois a de morrer de amor um dia.
         O refrão tem que ter gritaria, mas uma boa gritaria para os ouvidos, gritos de amor e não de desespero ou medo.
         Tem que sentir alguém lhe apertar o pescoço de tanto amor que tem para te dar e não sabe como fazê-lo.
         Como terminar esta canção? Já o fim... O fim tem que terminarem juntos porque de tanto brigarem acabam se amando e perdoando.
         Esta é a novela musical de muitos amantes e atrizes, esta é a canção que vai tocar lhes o coração.
         Somos amantes do mar, amantes no mar, amantes da paixão que penetra em nossos corações e nos faz sentir.
         Ao terminar esta musica saio pela porta e após dormir acordo me perguntando se a fiz.
         Por fim quebro o violão, para me dar mais inspiração e terminar dizendo assim:
         -Uma canção que me faça esquecer, esquecer-se de ti e recomeçar aqui, da mesma forma que antes começamos e agora esperando um novo fim!
         Então começo uma nova canção, se no caderno, novas paginas rabisco e nelas eu acredito.
         O vento vem para me dizer:
         -Vá me ouvir no mar! E é assim que eu vou compondo. E é assim que sua vida vai se juntando, a mim, ao me ouvir depois da musica pronta a cantar.
         Cantando para vocês a quem nem conheço, mas me faz ter endereço, um caminho longo a seguir cantando e encantando, encantado por tudo a seguir.
         Obrigado por lerem, a canção que eu fiz, desta outra nova fiz e aqui se fez ler para depois você ouvir.
         Oh, querida.
  • A carta de Edgar (Londres 1851)

    Em fevereiro de 1851 recebi em minha residência na rua St.. Tooley 123,uma carta escrita por meu amigo e escritor Edgar A. Relatando em detalhes o infortúnio de ver o chalé em Boston,onde tinha sua biblioteca ser consumido totalmente pelas chamas.
    Após tomar conhecimento do lamentável acontecimento, descrevo com muito pesar,palavra por palavra o seu conteúdo:
    Prezado amigo Lawford...
    Depois de restabelecido do calamitoso incêndio que transformou em cinzas minha moradia,escrevo-lhe retratando neste compêndio minha imensa aflição.
    Já era madrugada de terça feira quando o coche  conduzia-me de retorno a minha casa no número 103 da rua Dorchestes,em Boston,após uma noite de frivolidades e bebidas no Le Chat Blanc Club.
    O clarão que iluminava quase todo o quarteirão,e os estalidos das madeiras do chalé já denunciavam que algo de muito terrível estava acontecendo.Ao aproximar-me percebi o local que onde tinha,por algum tempo,escolhido para ser meu domicílio,estava sendo engolido pelas labaredas.
    Tal foi minha tão grande angústia que esmorecido,sente-me ao chão, do lado oposto da rua.Ainda sob o efeito do que havia consumido durante a noite e tomado de grande aflição pelo que presenciava,veio-me um riso débil,uma hilaridade descontrolada,minhas pernas infirmes não  deixavam erguer-me.As árvores,a rua,o céu escuro,os bombeiros que corriam desordenadamente,tudo estava diferente,tremeluzindo em imagens difusas.Minha mente estava extremamente perturbada,e o  riso inadequado em um trágico momento,transformou-me em pândego em meio ao caos.
    Perder tudo nos dá um certo censo de liberação.No início lamentamos,depois sentimo-nos desnorteados,mais tarde faze-se um inventário das perdas e imaginamos como a vida será empobrecida daí em diante.Passamos então a lastimar pelas coisas que foram repentinamente tiradas  de nós,e sabemos que muitas delas jamais as teremos novamente.Sem mais ter o que sempre tivemos tornamo-nos outra pessoa,tornamo-nos qualquer pessoa.É a máscara da liberdade escondendo a face do abandono.
    Aos pouco a Dorchester foi ficando vazia,apenas a fumaça acinzentada que vinha dos escombros e entrava em minhas narinas como fogo,e uma gaiola que milagrosamente foi salva das chamas,faziam-me companhia naquele cenário de desolação .
    Restava-me agora uma gaiola com um pequeno pássaro e um grande alívio,por não mais precisar preocupar-me com nada a não ser escrever.
    Um abraço.. Edgar A.
  • a casa da estrada velha

    Todos tinham medo de passar pela estrada velha, também conhecida pelo nome de Rua das Hortênsias. Passar por lá no meio da noite, nem pensar. É um local deserto, apesar de ser um lugar muito bonito e de uma beleza natural fantástica. Tem hortênsias em ambos os lados da estrada; em toda a sua extensão, tornando a rua um lindo corredor enfeitado de flores. Um cenário digno de ser exibido como uma pintura em um quadro.
    Nessa estrada, existe uma casa abandonada com uma única árvore na frente; um pé de Cipreste, a árvore símbolo da morte. Na casa hoje abandonada e caindo aos pedaços, morou uma solitária senhora chamada Valquíria. Reza a lenda que a dona Valquíria caiu no lago que fica atrás da casa e o seu corpo jamais foi encontrado. Outro fato bastante curioso é o significado do nome Valquíria: “aquela que escolhe os que vão morrer” ou “aquela que escolhe os mortos”.
    Dizem que após a morte da senhora Valquíria, a estrada velha se tornou um lugar assombrado; como se estivesse sido amaldiçoado.  As pessoas que passavam por lá afirmavam que sentiam calafrios e sensações desagradáveis. Por esse motivo, nenhuma casa foi construída naquela rua; apesar de tanta beleza no local. Nunca deixou de ser uma bonita estrada, com uma única casa antiga abandonada e com um solitário guardião na frente da residência; o pé de Cipreste.
    Certo dia, um padre foi até a casa abandonada da senhora Valquíria com a intenção de fazer algumas orações nos arredores da propriedade. O religioso queria trazer a paz Divina, lançando suas bênçãos. Porém, ao circundar o macabro pé de Cipreste, a porta da frente da casa abandonada se abriu e de lá, saiu o cadáver putrefato e desfigurado de dona Valquíria, caminhando na sua direção. Uma aparição horripilante. O padre saiu em desespero e logo, a notícia do que presenciou já havia se espalhado por toda a cidade. O santo padre só confirmou o que as pessoas já desconfiavam.
    Depois disso edificou-se a lenda de que, a pessoa que chegar à casa da estrada velha, Rua das Hortênsias e caminhar ao redor do pé de Cipreste, será perseguida pelo horrendo cadáver da dona Valquíria. Dizem que diversas pessoas desapareceram na região próxima a funesta propriedade. Acredita-se que a senhora Valquíria afoga suas vítimas no lago atrás da sua casa. Teriam essas pessoas, caminhado ao redor do pé de Cipreste? Teriam sido essas pessoas, vítimas do apavorante cadáver de dona Valquíria? Você teria coragem de passar pela estrada velha no meio da noite? Eu não.
  • A casa de trás

    Estrada para a Praia da Solidão, onde os pais do Gabi têm uma casa de veraneio. É a minha primeira viagem com meu novo namorado e, pelo que dizem, a tal “casa de praia” está mais para “palácio real de verão”. Sim, o cara é de família rica, mas antes que me julguem uma interesseira ou algo assim, eu explico: nós mantivemos uma amizade virtual por mais de um ano, antes de nos conhecermos pessoalmente. Fui saber que a família dele era abastada só depois do nosso segundo encontro, afinal ele não é daquele tipo que gosta de ostentar. É rico, porém simples, porque sempre teve grana. Minha mãe diz que ostentação é coisa de “novo rico” e, nesse caso, ela tem razão.
    Então aqui estamos nós, dentro do carro, em direção à praia, onde meus novos sogros estão nos esperando para me conhecer. Como é de meu costume em longas viagens, no meio do caminho eu apaguei. Só acordei com o Gabi me chamando, dizendo que tínhamos chegado e reclamando de ter virado alguma coisa na mochila dele.
    Os pais do Gabi já estavam aguardando nossa chegada e, assim que descemos do carro, eles vieram nos cumprimentar:
    - Você então é a famosa Lisa, hein? Estávamos ansiosos para te conhecer. Eu sou Cecília, a mãe do Gabi, mas pode me chamar de Ceci.
    - E eu sou o Antônio, o pai dele. É um prazer conhecer você, querida!
    - O prazer é todo meu, e agradeço pelo convite.
    Dados os cumprimentos formais, fomos em direção a casa. Realmente, era incrível: à beira-mar, dois andares, janelas de vidro enormes, varanda maior ainda, com uma rede bem convidativa. A suíte dos meus sogros tem uma sacada com vista linda para o horizonte.
    Como se trata de um balneário afastado da cidade, a Praia da Solidão é um lugar tranquilo e vazio, fazendo jus ao nome. Contei apenas quatro casas ao redor: a que estávamos e mais três, duas a leste e uma a oeste; mas sei que existe outra, localizada no terreno de trás da casa deles, cujos proprietários são amigos da família. Parece que ninguém aparece por ali há dois anos, com exceção de um caseiro que vai a cada quinze dias. Depois da morte da Rafaela, filha caçula dos donos da casa, os parentes não colocaram mais os pés por lá. A pobre menina morreu afogada aos oito anos, naquela praia. Uma tragédia total, que desestabilizou a família toda.
    Eu e Gabi largamos nossas coisas e fomos dar uma volta antes da hora do almoço. Ele queria me mostrar a parte de trás da casa, onde fica a piscina e o pergolado. Deitamos nas espreguiçadeiras e deixamos a energia do sol tomar conta do momento. Era um lindo dia de primavera e estávamos muito felizes por aquele fim de semana juntos. De olhos fechados e mãos dadas, ficamos curtindo aquela brisa maravilhosa e o cheiro de maresia que invadia o ambiente. Foi quando escutamos um barulho e, agora de olhos abertos, percebemos uma movimentação na casa de trás.
    - Deve ser o Chico, o caseiro.
    - Não é não Gabi, parece uma mulher, está até com uniforme de empregada doméstica, olha...
    E era mesmo uma mulher. O Gabi a reconheceu: era a Rose, empregada da família dos vizinhos da casa abandonada. Ele levantou para cumprimenta-la, aproximando-se do muro que dividia as duas residências e, ao chamar por Rose, ela olhou rapidamente para nós e disse:
    - Se afastem. Pelo bem de vocês.
    O Gabi achou a reação da mulher muito estranha, afinal ele me contou que ela sempre foi um amor de pessoa, simpática e prestativa, mas, enfim, todo mundo tem seus dias difíceis, né? Logo nos esquecemos da situação, pois já estava na hora do almoço e voltamos para casa. Só lembramos um tempo depois, na conversa do fim da tarde, quando contamos para a Ceci sobre o ocorrido e ela, surpresa, respondeu:
    - Que estranho, porque ninguém está lá. Eu achei que, depois da morte da Rafinha, a Rose havia até se demitido. Era ela quem estava cuidando da menina quando tudo aconteceu e, pelo que os vizinhos me contaram, a coitada da empregada se culpou muito.
    A noite chegou. Depois de um lindo passeio pela praia, eu e Gabi decidimos ir novamente para as espreguiçadeiras. Era nosso primeiro momento realmente a sós desde a nossa chegada, visto que o passeio de antes do almoço foi curto... E um tanto quanto perturbador. Deitamos juntinhos em uma espreguiçadeira e começamos a nos beijar. Foi quando uma luz muito forte nos atingiu, tipo um holofote, vindo da casa de trás.
    - Mas então tem alguém ali! Disse o Gabi.
    - Não vai lá não, pois pelo jeito, nós não somos bem-vindos! Respondi.
    Não adiantou eu advertir. Terminei de falar e ele já estava pulando o muro. Fiquei preocupada e segui em sua direção. Ao invadir a casa vizinha, algo muito estranho aconteceu: o pátio da casa - que conseguíamos ver um bom pedaço da sacada do nosso quarto – parece que havia mudado: era mais estreito, de pedra cinza claro e levava a uma escadaria que, ao topo, tinha uma casinha pequena, tipo uma guarita, com uma cruz no telhado. Se não estivéssemos em uma casa de praia, até poderia definir aquilo como um jazigo, ou algo do tipo.
    Decidimos subir as escadas, pois, se algo incomum acontecia por ali, Rose podia estar correndo perigo. O estranho é que, quanto mais subíamos, mais longe da chegada parecia que estávamos. A escuridão tomava conta do local, depois que aquela luz forte se apagou, e contávamos somente com as luzes dos nossos celulares. Confesso que a partir desse momento, comecei a me assustar.
    Um pouco antes de chegarmos ao topo da escada, aquela luz misteriosa acendeu e apagou novamente, olhamos para trás e vimos Rose à distância, no pátio da misteriosa casa, olhando em nossa direção, séria e... Molhada? Sim, era o que parecia. Rose estava encharcada.
    - Quer descer? Perguntou Gabi.
    - Não, agora vamos até o fim. Respondi.
    Ao seguirmos para o fim da subida, percebemos um vulto na janelinha da casa-jazigo. Subimos os últimos lances mais rapidamente e foi nesse momento que escutamos uma voz de criança chorando, dizendo:
    - Foi ela, Rose me matou!
    Mesmo assustados – e ambos ouvindo aquele estranho apelo infantil – forçamos a porta da casinha, para verificar o que tinha ali. Estava emperrada, porém, juntos, fizemos força e conseguimos abrir.
    Se lá fora estava escuro, a escuridão era ainda maior no interior da casinha. O estranho é que, do lado de fora, conseguíamos ver pela janelinha onde o vulto apareceu. Agora no interior, parecia que não tinha mais janelas. Novamente, a voz falou:
    - Ela me matou.
    - Ela me afogou.
    - A minha hora chegou.
    - Agora é a hora de vocês.
    Assustados, nos direcionamos à porta para sair dali. A porta também havia sumido. Com a luz do celular, procuramos desesperadamente a saída. A voz ficou mais alta, porém menos infantil.
    - Ela me matou.
    - Ela me afogou.
    - A minha hora chegou.
    - Agora é a hora de vocês.
    Mesmo tateando todos os locais, não encontrávamos a saída.
    - Ela me matou.
    - Ela me afogou.
    - A minha hora chegou.
    - Agora é a hora de vocês.
    Sem sinal para ligar ou avisar alguém pelo celular, começamos a gritar por socorro. O pavor tomou conta de mim.
    - Socorro, alguém nos ajuda!
    - Não adianta gritar, desgraçados, vocês são meus agora!
    - SOCORROOOOOOOOO...
    - Acorda gata, chegamos! Essa é a casa de praia dos meus pais!
    - Gabi, GABI! Ah, meu Deus, eu tive um sonho tão horroroso...
    - Ah não, minha loção pós-barba virou toda dentro da mochila, olha!
    - Eh, Gabi...
    - Espera aí, amor, olha aqui, sujou até meu notebook!
    - Você então é a famosa Lisa, hein? Estávamos ansiosos para te conhecer. Eu sou...
    - Cecília, mas eu posso chamar a senhora de Ceci. E o senhor é o Antônio, não é?
    - É... Isso mesmo querida, mas...
    Olhei em volta, e a casa era a mesma do meu pesadelo: à beira-mar, dois andares, janelas grandes, varanda enorme, rede e a sacada da suíte com vista linda para o horizonte.
    - Gabi, amor, precisamos ir embora. AGORA!
    FIM
  • A CHUVA DOURADA

    Dizem que no passado era comum se ouvir falar da Chuva Dourada. A lenda de um tesouro que repentinamente surgia na vida de algumas pessoas, oferecido como um presente vindo do além. Volta e meia se ouvia histórias e relatos de pessoas que enriqueceram após ter a sorte grande de presenciar esse fenômeno espetacular. Meu tio e meu avô viram de perto a mágica deslumbrante da Chuva Dourada.
    Antes de contar a história do meu tio e do meu avô, eu preciso esclarecer o que é esse fabuloso fenômeno; um acontecimento sobrenatural oriundo de outro mundo. Os antigos contavam que a Chuva Dourada era uma chuva abundante de moedas de ouro que caíam do alto; como se estivessem vindo do “céu”. Era um espetáculo lindo de se ver. Isso mesmo. Do nada, pessoas afortunadas se deparavam com uma torrente de luminosas moedas de ouro, que caíam do alto.
    A Chuva Dourada poderia acontecer em qualquer lugar; na rua, dentro de casa, etc. De acordo com os que conheciam bem a lenda, assim que as moedas surgiam e iam caindo, elas se acumulavam no chão. Para garantir o mágico bônus, era preciso que o abençoado sortudo colocasse as mãos sobre o ouro e fizesse uma oração em agradecimento. Caso contrário, o valioso tesouro desaparecia como em um passe de mágica; da mesma maneira como tinha aparecido, poderia sumir.
    Meu avô contava que certo dia, estava sozinho em casa com o filho (meu tio), que naquela época era só uma criança. Não tinha energia elétrica na casa e meu avô havia preparado o banho do meu tio, em uma grande bacia de alumínio, com água quentinha e a luz de velas. O banho de bacia costumava ser em um pequeno quarto da casa, e não no banheiro. Hoje, meu tio conta que lembra bem daquela noite, conta que estava tomando o seu banho quando de repente, ele levou um susto que o fez gritar pelo pai.
    O quartinho se iluminou com intensa luz e aparentemente do teto, começou a despencar milhares de moedas de ouro que caíam e se amontoavam no chão. Aquilo mais parecia uma cachoeira dourada; cintilante. Quando ouviu o grito do filho, meu avô imediatamente correu até o quartinho do banho e ao chegar à porta, não podia acreditar no que os seus olhos viam; ficou paralisado, observando hipnotizado.
    Segundo o relato do meu tio, o meu avô ficou assistindo aquela incrível cascata de ouro que caía barulhenta e formava uma pilha de moedas de ouro no chão. Meu tio, ainda pequeno, também assistia em choque o que estava acontecendo; assim como o meu avô, que via aquela cena sem entender nada. Olhos arregalados, espelhando o brilho da riqueza. Porém, o meu avô deveria ter corrido em direção ao ouro, se ajoelhado no chão, colocado as suas mãos sobre o tesouro, como quem se apossa de um desejado presente e ter feito uma oração em sinal de gratidão.
    Mas o meu avô não fez isso. Acho que ele não se lembrou da lenda, ou não a conhecia naquela época. Ao invés disso, ficou na porta do quartinho; extremamente assustado com aquela oferta espectral que se manifestava diante dele e do meu tio. Não dá para culpa-lo. Quem não ficaria paralisado de medo ao ver uma coisa dessas? Qualquer um ficaria no mínimo confuso. É bem provável que inconscientemente, os dois foram imobilizados pela dúvida; pois naquele momento, eles não souberam definir se aquele fenômeno era uma coisa do Bem ou do Mal.
    A Chuva Dourada durou alguns segundos, uma enorme quantia em moedas de ouro se acumulou no chão e como um passe de mágica, desapareceu diante deles. O quarto voltou a ficar como estava antes, iluminado apenas pela luz das velas. Meu tio e meu avô se olharam, boquiabertos. Naquele momento, meu avô se deu conta de que poderia e deveria ter feito alguma coisa para garantir o recebimento do presente que lhe fora ofertado, e como não fez nada, havia perdido uma fortuna. Ele nunca se perdoou por aquela especial oportunidade perdida.
  • A Colecionável

    Ela estava voltando da faculdade. Infelizmente tinha que andar aqueles duzentos metros à pé, no escuro, para chegar em casa. Sentiu um toque suave no ombro direito e antes que pudesse virar, uma mão enluvada pressionou um pano úmido e fétido sobre seu nariz. Por alguns instantes ela tentou lutar, mas uma letargia avassaladora tomou conta. Sentiu ser colocada em um pequeno espaço acarpetado, e uma porta de metal sendo fechada com violência. E então, foi só escuridão.

    Acordou tempos depois sobre uma cama macia e cheirosa. Parecia que tinha dormido por séculos, mas ainda sentia o corpo cansado e dolorido. Bastante confusa levantou-se e observou o lugar. Onde estava? Um quarto amplo, cuidadosamente decorado com papel de parede rosa, móveis de qualidade, tudo novinho. Uma estante com centenas de livros, escrivaninha para desenho, frigobar, um bar cheio de garrafas de suas bebidas favoritas e finalmente um closet enorme com mais roupas e sapatos do que ela jamais sonhou em ter. Estava deslumbrada com tudo, mas não pôde deixar de lembrar que havia sido sequestrada.

    Em sua exploração pelo quarto recheado de surpresas ela nem reparou na porta. Foi só quando a euforia arrefeceu que ela pensou que talvez não fosse uma prisioneira. Experimentou a maçaneta e surpresa: a porta abriu. Do outro lado havia um pequeno cômodo, com uma mesa de centro e mais nada. Na outra extremidade outra porta, e essa sim estava trancada. A moça experimentou um sentimento estranho, pois concluiu que estava, de fato, encarcerada. Sobre a mesa ela notou um envelope do qual tirou uma carta que dizia o seguinte: "Minha princesa. Meu grande amor. Sinto como se nos conhecêssemos desde o princípio dos tempos. Vivo e respiro a cada segundo por você. Tenho a esperança de que se sentirá em casa no quarto que preparei especialmente para você com todo o carinho do mundo! Tudo que quiser será seu, basta escrever e deixar o pedido sobre a mesa nesta sala. Com amor... seu admirador secreto".

    Estava sob o domínio de um louco que a conhecia nos mínimos detalhes, sabia de seus desejos e podia até antecipar suas necessidades. Os dias se passaram, as semanas e depois os meses. Ela já não sabia quanto tempo estava ali, mas sabia com absoluta certeza de que seu captor a amava mais do que podia compreender, pois tudo ali realmente satisfazia suas mais profundas vontades. Nunca em sua humilde vida ela poderia ter tais roupas, nunca poderia comprar os perfumes e jamais comeria iguarias tão deliciosas enquanto estivesse por si só. Mas mesmo assim, ela não passava de uma prisioneira.

    Ao longo dos anos ela aceitou o conforto, aceitou que tinha tudo que poderia querer e por isso não precisava querer o que não tinha. A vida se encaixou, não da forma que ela tinha planejado, mas se encaixou. Cabia a ela agradecer e continuar existindo, linda, plena e boazinha para que a vida que tinha conquistado pudesse continuar a ser do jeitinho  que sempre sonharam para ela.
  • A conta

    Eu estou morrendo. Sei que todo mundo está, mas eu tenho enfisema pulmonar. Não consigo mais fumar e minha vida é um inferno por causa disso. Tenho que passar o dia na cama, ligado à respiradores e monitores, morrendo. Nunca me importei muito com como seriam esses tempos, mas sabia que eles iam chegar. Você desenvolve uma certa consciência depois de passar 30 anos fumando dois maços de cigarro por dia. Sabia o que ia acontecer. Assim como quando aceitei ser governador, sabia no que estava me envolvendo. Quando disputei minha primeira eleição para vereador era porque eu queria me envolver. Não é só fazer política ou filantropia, é um estilo de vida. Tem haver com manter tudo como esta: bom para todo mundo. Nem de longe imaginei que as coisas poderiam se desenvolver desta forma. O que você tem que entender é que sempre fiz o que achei que era certo para manter o nosso estilo de vida. Eu tenho esposa, filhos, netas. Sempre achei que quando este dia chegasse seria o fim de um outro começo. Sei que isso não me absolve dos meus pecados, mas eu estou morrendo de enfisema pulmonar. E todo mundo que esta morrendo merece alguma compaixão. Porque todo mundo fez alguma coisa de bom para alguém um dia no vida, e quando se esta numa cama, ligado à respiradores e monitores, morrendo, é isso que tem que ser lembrado.

    Quando vi a Fernanda pela primeira vez ela estava começando o estágio na Assembleia Legislativa. Era uma jovem estudante de direito, linda. Os longos, e encaracolados, cabelos morenos, o olhar penetrante, as coxas grossas. O conjunto da obra era hipnotizador. Ninguém conseguia resistir aos seus encantos. Admito que quando convidei ela para assumir um cargo em meu gabinete eu já tinha tudo planejado. Sempre fui daqueles que não faz nada sem ter pensado em tudo. Ela não era a primeira, nem eu. Todo mundo faz assim. Acontece. Eu tenho esposa, filhos, netas. Quando ela aceitou o cargo ela sabia o que estava fazendo. Porque o cargo também incluía um apartamento no centro, com cartão de crédito e carro na garagem. Então, se você aceita tudo isso, você sabe que seu trabalho não será exatamente no escritório. E durante dois anos tudo foi uma maravilha. Nós nos víamos de duas a três vezes por semana. A vida pública exige que algumas coisas sejam realmente privadas. Eu não ia no apartamento dela para não ser visto. Nunca éramos vistos juntos. Se você usa uma aliança no dedo anelar esquerdo, e ocupa um cargo público, você não quer que as pessoas te vejam fazendo o que elas fazem. Elas votam em você exatamente porque elas acham que você não faz como elas fazem. Elas votam em você para poderem continuar fazendo o que elas acham que só elas fazem. Se todo mundo soubesse o que todo mundo fez e faz, o que seria desse mundo? E agora, que estou numa cama, ligado à respiradores e monitores, morrendo, agora isso vai ser importante?

    O que você tem que entender é que jamais imaginei que aquilo ia terminar como terminou. Eu tenho esposa, filhos, netas. Não teria feito o que fiz se não julgasse que havia extrema necessidade. Era muita coisa que estava em jogo. Todos os meus grandes feitos não podem ser ignorados por um incidente. Eu também construí escolas, creches, hospitais. Toda uma história não pode ser questionada por causa de uma estagiária num momento de devaneio. Não é porque estou numa cama, ligado à respiradores e monitores, morrendo, que estou contando tudo isso. É porque a imprensa vai fazer um escarcéu, vai supervalorizar tudo. Eu tenho esposa, filhos, netas. Não vão respeitar elas e elas não merecem isso. Não estou aqui pedindo absolvição, é só que vejam que fiz o que fiz porque precisava manter outras coisas, que eram boas para todos. Pode não ter sido a melhor escolha, mas era a única que eu tinha. Quando ela apareceu grávida, na casa da minha família, vociferando que eu era um monstro, ela mesmo não deu valor a tudo isso. Em tudo que eu representava, em tudo que eu era. Ela não me deu opções. A questão não é quem é a vítima, é como se reage as coisas. Ninguém é santo. O mundo é muito maior que uma pessoa só, e exitem os seus problemas e os do mundo, e perto dos do mundo, o seu sempre vai ser pequeno. Uma coisa que pode parecer pequena para você, pode ser grande para o mundo. Não era só a minha honra que ia ser atingida, era a honra de todo mundo.

    Quero deixar claro que antes de matar ela asfixiada, e incinerar o corpo numa pilha de pneus, tentei todos os outros meios ao meu alcance para evitar que as coisas terminassem dessa forma lastimável. Não foi fácil fazer o que fiz. Eu não queria. Eu chorei, pedi, implorei. Mas ela tinha vídeos, fotos, conversas. Eu poderia ter dado tudo que ela jamais imaginou ter. Hoje ela poderia estar vivendo bem em qualquer lugar que quisesse. Tentei garantir, com todas as palavras possíveis, que ela e a criança jamais passariam nenhum tipo de necessidade. Muito ao contrário, viveriam sem nunca terem que se preocupar com dinheiro. Teriam até direito a herança. Eu reconheceria o filho quando deixasse a vida pública. Mas ela queria causar um escândalo. Queria usar uma criança para acabar com tudo. O que ela queria era ver tudo que eu tinha construído destruído. Eu fiz o que qualquer um no meu lugar faria. Eu tive que matar ela asfixiada, e incinerar o corpo numa pilha de pneus, para garantir que tudo continuasse como estava, porque estava bom para todo mundo. Eu tenho esposa, filhos, netas, e estou numa cama, ligado à respiradores e monitores, morrendo.
  • A cusparada

    O fato abominável deu-se aproximadamente às três e quarenta de cinco da tarde, numa quarta-feira. Uma instituição de ensino tão distinta como era a Escola Municipal Casimiro de Abreu, no Mendanha, Rio de Janeiro, viu sua honra ameaçada quando, após o recreio, um aluno traquinas cuspiu num degrau da escadaria, enquanto subia para a sala de aula, no segundo andar. Eu tinha, então, onze anos, e, até hoje, aquele dia não me sai da lembrança, pois, nessa idade, fatos escabrosos assim criam marcas indeléveis na nossa mente.
    Passaram-se alguns minutos desde que nos assentamos em nossas carteiras, e o professor não apareceu. Esperamos por mais um bom tempo, e nada. De repente, desponta sala adentro, não o professor, mas o diretor da escola. Estacou-se, sério e mudo, diante da turma.
    - Alguém cuspiu na escadaria - disse ele, fazendo uma varredura com um olhar rasante por sobre as cabeças dos alunos.
    O silêncio era total nesse momento e, se não exagero, paramos também de respirar.
    - Vamos! Estou esperando! Qual foi o engraçadinho?
    A classe permaneceu tão interativa quanto um exército de cera.
    - Já sabemos que foi alguém desta sala. Não adianta esconder! - o diretor começou a andar de um extremo ao outro da sala a passos largos, as mãos às costas, e eu me lembrei de uma figura de Hitler que tinha visto há poucos dias numa Enciclopédia Juvenil.
    Era a penúltima aula do dia, e ficamos até o final desta sem olhar para outro lugar senão para o ir e vir do diretor. Tocou a sirene para iniciar-se a última aula. Atravessamos estoicamente mais cinquenta minutos, e o culpado manteve-se no firme propósito de não abrir o bico. Depois dos tediosos minutos de mutismo e indiferença de nossa parte, ouvimos a sirene soar pela última vez. Que alívio!
    - Ninguém sai! - vociferou o diretor, estendendo os braços, com as palmas postas à frente, frustrando, desse modo, o levantar precipitado das trinta e quatro nádegas que se desprendiam das cadeiras. - Sentados! Onde pensam que vão? Todos comigo para a minha sala lá embaixo, e já!
    A agonia continuou na sala do diretor. Ele assentado em sua cadeira majestosa, as unhas vergadas a capirotar no tampo oco de madeira da mesa, sem falar um “a”, e, nós, mumificados.
    - É muito simples pôr um fim a este martírio. Basta que o culpado apareça - apelou o diretor, a certo ponto da tortura, em que ele próprio parecia não mais aguentar.
    Passou-se o tempo equivalente a mais um período de aula quando, finalmente, assistimos à cena constrangedora de um menino levantar-se e confessar:
    - Foi eu... senhor diretor...
    E, assim, foi o fim do holocausto.
    “Esse cara tá morto”, pensei. E deve ter sido esse o pensamento de todos ali.
    Sem permitir que saíssemos ainda, o diretor chamou o réu confesso à sua mesa e o advertiu de uma forma surpreendente:
    - Cuspir na escadaria é contra as normas da casa. Você sabe disso, não sabe?
    O menino estava com a cabeça mergulhada entre as clavículas e a voz bloqueada na garganta.
    - Sabe ou não sabe?
    - Sim... eu... sim, senhor diretor.
    - Você cometeu um erro, certo? Reconhece, diante da turma, que cometeu um erro? Diga que reconhece!
    - Sim... eu reconheço, senhor diretor.
    - Pois bem, filho. Espero que nunca mais repita esse ato deplorável. Não quer passar por essa vergonha de novo, quer?
    O menino meneou a cabeça negativamente.
    - Aprenda: Daqui em diante você observará melhor sua conduta na escola. E é muito feio não assumir quando se comete um erro. Errar é natural do ser humano, mas não assumi-lo é covardia, é desonroso. E veja que prejuízo pode causar: se você tivesse se levantado e assumido a culpa na primeira vez que perguntei, todos os seus colegas já estariam em casa há muito tempo. Nunca mais faça isso de novo, nunca mais! Agora, podem sair.
    Anos se passaram e, não mais como aluno, mas como professor, e não mais no Rio de Janeiro, mas em Espera Feliz, Minas Gerais, entrava eu na sala dos professores do colégio em que lecionava, e deparei-me com uma professora, colega de trabalho, que acabava de chegar esbaforida, tensa, com uma cara vermelha de quem comeu meia dúzia de acarajés quentes. Perguntei-lhe o que havia acontecido, e ela me respondeu com os olhos arregalados de espanto:
    - Meu Deus do céu... aconteceu uma coisa absurda comigo agorinha mesmo na sala de aula onde eu estava. Sabe o Michael Jackson, aquele garoto de dezoito anos do 3º 2? Pois então, abaixei-me um pouco sobre a carteira dele para lhe chamar a atenção por ter xingado o colega ao lado de “filho da puta”, e ele cuspiu na minha cara! Você acredita que ele teve essa petulância?
    A professora, aviltada até os ossos, não conseguiu entrar naquela sala novamente naquele dia, tomou um Rivotril, passou o caso à Direção da escola e foi embora de ônibus, pois não estava em condição de dirigir. E o que fez a diretora? Aplicou um corretivo no cuspidor? Enquadrou-o no Artigo 331 do Código Penal, que prevê punição para quem ofende, humilha ou espezinha funcionário público no exercício da função? Chamou o meliante para uma lição de moral, assim como fizera o saudoso diretor da Casimiro de Abreu, nos idos de 1981? Dera-se pelo menos ao trabalho de conversar qualquer coisa com o rapaz, qualquer coisa mesmo: uma miudeza de duas ou três palavras de protesto, só para não deixar que ficasse tão evidente a verdade de que ela estava pouco se lixando para o caso? Não. Em vez disso, a professora recebeu uma intimação judicial 20 dias depois, para comparecer ao Fórum 30 dias depois, sendo condenada a três meses de prestação de serviços comunitários por 180 dias depois, e, porque o juiz julgou como bem grave a denúncia que Michael Jackson apresentou contra a professora, dizendo que ela havia sido preconceituosa e o constrangera muito ao dizer que a saliva dele era suja - ora, onde já se viu, só porque ele era “preto”? -, teve seu diploma cassado 181 dias depois
  • A dama da kitnet

    Era tão óbvia a certeza de encontrar o mesmo anúncio na seção de imóveis do jornal de bairro que os pretensos compradores nem sequer o olhavam mais. Os dizeres, curtos e precisos, anunciavam a venda de uma kit em ótimo estado e localização igualmente privilegiada. Tais atributos, no entanto, não tinham sido suficientes a ponto de a proprietária fechar negócio, ainda que as ofertas estivessem longe de escassear.
    Os corretores da região gostavam de ser prestativos não exatamente pelos atributos do imóvel propriamente dito, mas pelas particularidades estéticas da moradora. Já as corretoras preferiam compor um quadro pouco lisonjeiro às atitudes da moça. Permita-me às leitoras discorrer um pouco mais sobre os, diríamos, dotes da respectiva dona. Depois de feito isso, prometo dar a mesma oportunidade narrativa à visão feminina das profissionais da corretagem imobiliária, embora, digo de antemão, que eu a ache, a visão, severa e até por demais corrosiva.
    Pois bem, Fernanda é o nome da proprietária. Jovem, porém vivida, não costuma se prender aos detalhes dessas negociações que envolvem compra e venda. Ao interlocutor, fala com o olhar, vívido e penetrante, geralmente desmonta-o sem precisar usar quase nenhum argumento, mesmo porque ninguém se interessa pelas palavras que sai da sua boca, mas, sim, pela própria boca. Carnuda, pulsante, atrativa, uma perfeição da natureza.
    Se a boca não fosse suficiente para desnortear qualquer tipo de sisudez masculina, certamente as curvas do seu corpo levam quem quer que seja a nocaute. Busto, cintura e quadril formam um triunvirato capaz de tornar pagão o mais impedernido cristão. Aliás, há quem diga que os olhares femininos também rondam por aquelas paragens, provavelmente por motivos outros, que só as mulheres podem explicar.
    Muito bem, as mulheres... Estas definitivamente não gostam da Fernanda. Os homens têm uma explicação simples e pragmática para isso: dor na parte meridiana dos membros superiores. O curioso é que na avaliação feminina esse tipo de comentário é irrelevante, na maioria das vezes, pois elas possuem, e sabem disso, um modo particular de analisar o mundo objetivo. E no caso do mundo de Fernanda, as coisas funcionam mais ou menos assim: ela seduz os pretendentes, toma-lhes o dinheiro, geralmente pago como entrada na compra do imóvel, e ainda os deixam na vã ilusão de que conseguiram conquistar um puta mulherão.
    Se para as corretoras esse comportamento repulsivo é flagrantemente identificado, para os corretores trata-se apenas de uma mulher em dificuldades financeiras e certa dose de carência afetiva. Nada que não possa ser resolvido pela conhecida generosidade masculina.
    Então, vamos aos fatos. Número um: dentre os muitos interessados no negócio, e eu me refiro ao imobiliário, constava que Gerson Libório, um consultor de finanças, procurava um imóvel para “investimento”. Versado na técnica de aplicações quase sempre rentáveis em derivativos de ações*, Gerson queria “sentir” o comportamento do setor imobiliário, que o levou diretamente aos braços, digo, à oferta de Fernanda. Considerando que o consultor era o tipo de investidor classificado pelos pares como “conservador”, nada mais lógico que começar seus novos investimentos aplicando-os numa kit. Depois de constatar que valia a pena o esforço financeiro, Gerson aplicou uma importância muito ao gosto de Fernanda, a título de “sinal”. Sinal, diga-se de passagem, prontamente captado, ou melhor, aceito.
    Até o presente momento, não há informações disponíveis quanto ao retorno da aplicação financeira. Especula-se com certo grau de certeza que o tal retorno veio de forma pouco convencional, se é que me entendem.
    Fato número dois: A kit de Fernanda foi visitada pela última vez por Dedé Terribile, uma figura andrógina de aparência delgada e elegância incomum. Até onde se apurou, uma mulher fina, consumidora de roupas e fragrâncias produzidas para serem vistas. Mesmo se não tivesse entrado na kit, Dedé seria notada por Fernanda até numa arquibancada lotada para assistir a Corinthias e Palmeiras.
    Ela vistoriou cada pedaço do imóvel, fez perguntas pertinentes (se comparadas a tantas como “onde estaria o quarto da empregada?”, respondidas por pura educação) e antes de apresentar qualquer proposta, aproximou-se de Fernanda, agarrou-lhe a cintura, inebriou seus sentidos com uma mistura inapelável de sensualidade aromática e olhar hipnotizador e sugou-lhe os lábios com volúpia pornográfica. A reação de Fernanda foi de êxtase, entregando-se aos braços de Dedé, clamando para mais um beijo, ou coisa mais caliente.
    Nunca mais foram vistas. A kit está fechada à visitação, e os anúncios cessaram de figurar na seção de Imóveis.
     
    * Papéis que derivam de outros papéis financeiros, e, no mundo do faz de conta, serve para proteger o capital de eventuais oscilações negativas do mercado. No mundo real, este que a gente vive, os derivativos servem mesmo é para especular, ganhar muito dinheiro sem produzir coisa nenhuma.
  • A Descoberta

                Numa manhã ensolarada a Lisa acorda empolgada para enfrentar mais um dia rotineiro. Descendo as escadas toda energética, não deixa de notar que há um convidado em sua mesa! É o tommy, seu amigo de longa data, ele é policial da cidade e veio fazer uma surpresa para ela.- Bom dia dorminhoca! - Olha só quem resolveu aparecer. - Você gostou da minha farda? - Muito bonita.
             Lisa ainda mora com seus pais Bone e Lucy elas já são de idade, as mesmas se amam independente das situações. Correndo contra o tempo Lisa chega em seu local de trabalho, o seu chefe Paul aperreado pois tinha um cliente de suma importância que precisava  fechar negócio; Reparando que a Lisa havia chegado, foi imediatamente na sala dela para informá-la, e já com todos os documentos do cliente em mãos lhe repassou tudo o que seria necessário para negociar. Quando Lisa olhou o nome do cliente, achou familiar pois já havia escutado de algum lugar, mesmo assim continuou a verificar toda a papelada. Entrando na sala já chamando pelo nome dele Marson Boos ele ao se virar ficou surpreso com a semelhança dela com a falecida esposa, Dora, ele ficou tão balançado que não ficou calado e disse:  - Nossa como você é linda, me fez lembrar da minha falecida esposa. - Sério! por que? Perguntou Lisa - Seus traços são bem parecidos com os dela.
             Fechando negócio com o Marson o um dos homens importantes da cidade ela retorna para casa  e conta sobre o seu dia para suas mamães, mencionando também que conheceu um homem chamado Marson Boos. Lucy ao ouvir esse nome fica em silêncio e olha assustada para Bone e Lisa percebe o estranhamento e pergunta o'que está acontecendo, umas das mães se pronuncia para explicar a situação: - Querida temos que conta -lá. disse Bone - NÃO! ela não pode saber. - Meu bem ela já pôde saber da verdade. Afirma Bone - Por Favor alguém pode me explicar o que está acontecendo. Fala Lisa aos prantos
              Filha, eu e a Lucy trabalhávamos no pequeno orfanato que se chamava ''Luz do Sol''  eu era apenas funcionária do local e a Lucy gerente do estabelecimento. No tempo ainda não havia me definido pois estava em descoberta do que eu queria ser e, foi daí que houve aproximação entre mim e a Lucy pois já nos gostávamos na época mas continuamos amigas; desde pequena me inspirei mulheres de personalidade como a whitney Houston, Beyoncé, são tantas mas a melhor delas era a que estava dentro de mim e quando decidir colocar tudo isso para fora a Lucy estava do meu lado em todos os momentos apoiando-me em tudo e dando forças para que eu não desistisse de quem eu queria ser. Daí conseguir a mudança que tanto esperei e desejei, hoje sou um transsexual, mudei de homem para mulher sua mãe sempre teve uma quedinha por mulheres então foi fácil ela me aceitar (RISOS); para completar a nossa felicidade foi quando você chegou, chegasse bem pequena em nossos braços. E tudo isso ocorreu quando um casal desesperado entrou pela porta do orfanato pedindo ajuda e pediu para que tomássemos conta de você e na sua perna estava a pulseirinha de maternidade onde tinha o nome da sua verdadeira mãe Dora Boos Patterson e daí eles foram embora e desde o acontecimento não deram noticias. Porém quando te vimos em nossos braços sabíamos exatamente o que fazer, vimos tanta doçura em você que não foi difícil te levar para casa e desde sempre se tornou tudo para nós. - Ah como eu amo vocês. Se expressou Lisa
               No dia seguinte Lisa foi a cafeteria de costume e encontrou o seu amigo Tommy que estava fazendo ronda por perto, na qual deu uma parada pra um café. - Tommy como está sendo seu dia? Já prendeu alguns bandidões? (RISOS) - Estamos na espera de pôr alguém na viatura. (RISOS) Respondeu Tommy
           Quando o sino de segurança toca, entra um rapaz misterioso e Lisa não deixa de reparar nele. Ele  vai até o caixa fazer o seu pedido: - Bom dia! Quero um café meio amargo. - Custa 15$. Respondeu a atendente. A garçonete vai até a mesa da Lisa e pergunta se precisam fazer algum pedido: - Gostaria de um capuccino. Disse Tommy - Apenas um suco de laranja. Disse Lisa - Trago já.
            Tommy termina o capuccino se despede dela e volta para o seu posto. Procurando uma mesa para sentar-se o rapaz misterioso viu uma vazia logo ao lado da Lisa, caminhando até ela sentou-se, e, ao olhar para o rapaz não percebeu que ele também a olhava; com vergonha Lisa abaixou a cabeça, em seguida ele puxa assunto com ela: - O que acha da cidade? - Eu adoro! Tem muitos lugares legais para se divertir. Respondeu Lisa - Sou novo na cidade! Seria ótimo ter alguém que à mostra-se para mim.  Ah que falta de educação a minha! me chamo Christian. - Muito prazer! Sou a Lisa. - Esse é o meu número caso esteja interessada +555888xxxx. - Ok! Respondeu Lisa
             A única coisa  que Lisa não sabia era que ele é um dos inimigos de seu pai, e o mesmo já tinha arquitetado todo esse plano para começar a executá-lo. Lisa  sai da cafeteria e vai em direção ao seu carro entrando nele ela percebe que está sendo seguida e imediatamente acelera em pânico liga para Tommy que é seu amigo da polícia e ele dá instruções do que fazer; Lisa chega em casa com segurança e diz tudo o que aconteceu para sua mãe que estava em casa. Lucy aos prantos liga para a Bone que larga tudo para ir pra casa encontrar a filha. Já anoitecendo Tommy bate na porta de Lisa e Lucy o atende. - Oi Tommy entre, você já soube do ocorrido? -  Sim por isto vim vê-la. Respondeu Tommy. Entrando na residência, Tommy já vai em direção as escadas para ver Lisa e bate na porta do seu quarto: TOC TOC __ Sou eu o Tomy. - Pode entrar. Responde Lisa - Como você está? Fiquei tão preocupado. - Estou com tanto medo. Diz Lisa e chora.
         Tommy em seguida a abraça e a beija em sua testa ela olha em direção aos seus olhos e se beijam lentamente na boca ao passar a mão na sua cintura ela aperta seus braços fortes e desse para seu peito e abre sua camisa e ele a puxa pela cintura pra cima dele. Bone acaba de chegar em casa e sobe as pressas as escadas para ir ver a sua filha, e ao bater na porta logo à abre e se depara com toda a cena do casal que imediatamente para o beijo e Lisa fala: __ MÃE … - Filha estava tão preocupada. Disse  Bone. - Agora estou bem mãe. - Olá Senhora Bone. Cumprimenta Tommy. - Oi Tommy, vou deixar vocês mais a vontade. Respondeu Bone
         Bone desce as escadas e prepara o jantar junto com a Lucy. Tommy fala para Lisa o quanto ela é importe para ele e em seguida eles descem para o jantar; - Que jantar bom! Comenta Tommy. - Foi a Lucy quem fez a maior parte. Responde Bone
          Tudo se acalmou e Tommy se despediu de todas e foi para casa. Lisa foi para o seu quarto e em seguida pegou no sono, já Lucy e Bone dormiram na sala. As duas horas da manhã chega uma mensagem anônima na sua caixa de mensagem ''Gostou de ser seguida''? Lisa ainda não havia se acordado. Ao se acordar Lisa recebe uma mensagem do Christian a convidando para jantar, ela se arruma toda e espera ele busca-lá em casa; já dentro do carro dele eles seguem para o restaurante local onde são bem recepcionados e são atendidos pelo garçom que despeja o vinho nas taças. Antes de ingerir a bebida Lisa vai ao toalete checar sua maquiagem Christian vê a oportunidade e coloca o líquido de ''Boa noite cinderela'' na bebida dela, Lisa volta para a mesa e toma um gole do vinho que aparentemente estava delicioso. -  O que está achando do restaurante? Pergunta Christian. - Está tudo adorável. Depois de algumas palavras Lisa percebe que não está se sentindo bem e fala para o Christian. - Não tô me sentindo bem! e em seguida desmaia ele a pega em seus braços e a coloca dentro do carro e a leva para sua casa. Chegando na casa dele ele a leva para o seu porão e a deixa acorrentada; Lisa acorda lentamente e percebe que não está em casa e se desespera pois não reconhece o local e começa a gritar: - SOCORRO, SOCORRO, ALGUÉM ME AJUDA!! E repetia inúmeras vezes, até ficar cansada de tanto gritar; Lisa já em silêncio Christian dá as caras e a oferece o café da manhã e a cumprimenta: - Bom dia! vejo que já está acordada. - Onde estou? Que lugar é esse? Perguntou Lisa. - Essa é a sua nova casa. - Por que estou acorrentada? Perguntou Lisa. - É o seu novo lar. - Quero ir para casa! Deixe-me ir! Pede Lisa. - Não é assim que funciona mocinha! Tome o seu café. - Não quero comer! Disse Lisa. - Você não está facilitando, quando eu chegar espero que tenha comido tudo.
            Christian era o melhor amigo do Marson o'que  fez de uma bela amizade virar rivalidade foi a ''traição'' do pai da Lisa. Os dois trabalhavam juntos para o império Qing a dona da organização Bland deu  a eles uma missão onde iria custar um cargo de ''sócio'' e quem conseguisse realiza-lá com toda a precisão iria assumir. Logo eles já fizeram. Atravessaram uma mercadoria pela fronteira do país, eram vários tipos de esculturas valiosas que dentro contém quantidades absurdas de produtos ilícitos. Chegando no destino haviam pessoas no local os esperando  para receber as mercadorias. os homens pegaram as encomendas, quebraram e retiraram de dentro as drogas, totalmente surpreso com o que estava vendo, Marson percebe a emboscada e sem pensar duas vezes liga para Bland e pede satisfação : - Bland você armou pra gente. - Seu amiguinho sabia de tudo, ele não te contou?. Bland o responde ironicamente. Cheio de ira desliga o celular e parte pra cima  do Christian e o agride fisicamente e verbalmente. E todos escutam o barulho da viatura chegando no lugar.todos vêem a polícia e desesperadamente fogem deixando seu amigo para trás esse é motivo     que o mesmo  tem sede de vingança. Lisa se viu encurralada nessa situação e não pensou duas vezes em arquitetar algo para sair daquele lugar horrível; Christian voltou ao porão onde havia esquecido o seu celular e ela já aproveitou para cativá-lo: - É... você está indo pra onde?. -  Ué agora está interessada? Respondeu Christian Vai demorar? não quero morrer de fome. - Grr... já já volto com a sua comida. Disse Christian. - SANDUÍCHE por favor.
            O rapaz misterioso estava indo ao encontro do seu amigo que irá executar todo o plano de emboscada para o Marson Boos. Chegando no galpão ele conversa com ele: - Taurus?. - Estou aqui! Respondeu Taurus. -  Estou com a mercadoria no meu porão é uma belezinha. - Deixe comigo, irei adorar fazer ele sofrer junto com a isca. (Risos). Disse Taurus. - Isso mesmo! Quando iremos fazer aquela ligação para o pai dela?. - Só mais alguns dias.  Respondeu Taurus. Já se passaram um dia e meio e as mães da Lisa começaram a se preocupar pois ela não havia dado notícias. Porém não era do feitio dela passar muito tempo sem avisar e sem demora ligaram para o Tomy pois além de ser amigo da família era também policial: - Alô… - Oi Tommy, você teve notícias da Lisa? Pergunta Lucy - Não, o que houve?. - Desde ontem ela não nos dá notícias. Disse Lucy -  Sério? Mais tarde chego ai.
            Christian se apressa e chega em casa e leva o lanche da Lisa, a mesma pede para retirar as correntes para poder comer melhor: - Nossa que fome estou, está um delícia! Você deveria provar.  - Não quero! Disse Christian. - VAI por favor. Ao colocar o sanduíche na boca dele Lisa olha fixamente para Christian e o beija e ele a empurra: - O que você está fazendo?. - Vai dizer que não pensou nisso? Respondeu Lisa. - Nisso o quê? Perguntou Christian. -  Em me beijar! Só está nos dois aqui não é?. - Sim, você está na minha casa. Disse Christian. - Por que não aproveitar então?
            Os dois se olham e se beijam com um beijo intenso  que o fizeram tirar a roupa e não pensaram duas vezes em sentir o calor do corpo um do outro. Cada toque, cada beijo, cada pegada deixava tudo bem mais gostoso; estava tudo conectado que apenas suspirava de prazer que durou a tarde toda. Christian logo após adormece, Lisa dá continuidade ao seu plano  se levanta às presas para acorrentá-lo e pega o telefone de Christian e liga para casa.
                                                                                                                                            
    Continua...
  • A era da reprodutibilidade técnica avançada

    Mirela, Mari, Evandro e Neto estavam ensaiando há semanas. O roteiro era da Mari e do Evandro, e nunca estava fechado. Eles não aceitavam começar a gravar enquanto tudo não estivesse completamente finalizado. Equipe de produção, pós-produção, técnica, tudo definido. Não basta só ter uma super-câmera “D qualquer coisa”, para gravar em HD a beleza de uma pombo cagando em cima de um careca engravatado na Berrini. Tem que ter o som das asas do pombo, tem que ter o barulho da bosta se espatifando na careca lustrosa, dividido em quadros sincronizados com um som angustiante e em ângulos jamais imaginados por Hitchcock. Tem que ter brilho, luz, câmera, ação!
    - Vamos fazer um piloto.
    - E quem vai editar?
    - Eu e a Renatinha.
    - Onde? No Movie Maker? Não…
    - Ela tá com um canal no You Tube….tudo bem, é sobre moda…..mas são legais, e ela tem mais de mil visualizações em um vídeo já….
    - Para com isso…..ela que seja feliz, mas a gente quer fazer uma coisa diferente………..
    - Ela disse que topa, é só pôr o nome dela nos créditos…….e ela divulgaria no canal dela também………..a gente faz, se não ficar bom a gente não sobe na net…….
    - Tudo bem, mas ainda temos o problema do microfone…...só com o da câmera não dá……
    - Para de colocar dificuldade em tudo……...é só um curta de menos de cinco minutos!........você dois estão achando o que?.........que….que….sei lá……..aqui não é o NetFlix!
    - Calma……
    - Um monte de gente grava com uma câmera pior que a nossa, sem microfone, edita no Movie Maker, ou nem edita, e faz umas coisas muito legais……..faz quase um mês que a gente esta ensaiando, já temos o figurino, a maquiagem, tudo…….vamos fazer!
    - Tudo bem, a gente faz um piloto no próximo ensaio.
    Cena 1
    Resumo - Dois caras estão numa mesa de bar no meio da noite. O número um é um taxista (Mari) e o número dois (Evandro) é um jornaleiro. Eles estão tomando suco e comendo um pedaço de bolo enquanto conversam. A balconista (Mirela) fica no fundo mascando um chiclete e fumando um cigarro vendo TV.
    {Som de copos tilintando, pessoas conversando, barulho de televisão e carros passando de fundo.}
    [Câmera em plano médio com os dois sentados na mesa em primeiro plano e a garçonete em segundo plano aparecendo no fundo.]
    (Taxista) - “Sei que não temos muita intimidade, mas eu precisava conversar com alguém…….é que…..sei lá……ultimamente eu tenho visto tanta coisa……..me faz pensar…...que…...sei lá………...essa cidade…..”
    (Jornaleiro) - “Acho que estou entendendo o que você quer dizer……...um tipo de depressão……..todo mundo é feliz menos eu…….algo assim………”
    (Taxista) - “Não sei……..acho que as pesso…”
    (Jornaleiro) - “O que você precisa é se divertir cara………..pega umas minas fáceis, toma um porre, faz uma merdas……..aqui é a democracia……...curte, se diverte……”
    (Taxista) - “Estas foi uma das maiores merdas que eu já ouvi….”
    CORTA! CORTA!
    - Esta ficando bom……….Mirela, eu preciso que você masque esse chiclete como a Sally Sanders na cena do parque de diversões naquele filme com o John Travolta……você esta no fundo, desfocada, tem que ser bem performático para sair bem………..Mari, seja mais deprimida e menos malandro……..você esta bem Evandro, mas não olha para Mari quando você responde, fala meio de boca cheia, olhando para a direção do barulho da televisão……..você não esta se importando muito com o que ele esta falando……..falem mais alto que não temos mic aqui……...vamos continuar da onde parou……..
    Cena 1…...continuação…...ação…….
    (Jornaleiro) - “É isso que os homens fazem…….”
    (Taxista) - “Esse é o problema……...não aguento mais essa sujeira, essa merda de lugar…….essas vagabundas na rua não percebem que são parasitas?........”
    (Jornaleiro) - “Você vive num país livre cara…...se você gosta de homem procure um e seja feliz……..
    (Taxista) - “Cala essa boca seu animal…..não sei porque estou perdendo meu tempo com você……..”
    Fim da Cena 1
    - Talvez tenha ficado legal galera…...vamos arrumar tudo para a próxima……...
    Cena 2
    Resumo - O taxista (Mari) esta na sala da casa de um vendedor de armas (Mirela). Ele tira uma mala debaixo de uma abertura escondida atrás do sofá e os dois começam a negociar.
    [Câmera em plano geral, pegando toda a sala e mostrando toda movimentação dos personagens.]
    {Sons de crianças brincando no quintal do vizinho e adultos gritando.}
    (Vendedor de armas) - “Eu tenho tudo que você precisa…...armas, munição, coletes a prova de bala……..”
    (Taxista) - “Eu quero uma Magnum 44 com seis balas……”
    (Vendedor de armas) - “Esta aqui esta belezinha……..robusta, pesada…….1,3kg de pura destruição…….o que ela acertar ela derruba……..”
    (Taxista) - “Quanto é?”
    (Vendedor de armas) - “Um barão e meio…….”
    (Taxista) - “Com as balas?”
    (Vendedor de armas) - “A primeira é sempre na faixa…….o que você esta pensando em fazer com isso……….”
    (Taxista) - “Nada demais……..aqui esta o dinheiro…….”
    (Vendedor de armas) - “O Tito disse que você era taxista……..que só queria se proteger……..se seus amigos também quiserem posso vender para eles também……...mas nada de falar por telefone, a gente combina e você traz eles aqui……e se alguém me perguntar você nunca me viu……..e é isso que vou falar se alguém perguntar de você……..”
    (Taxista) - “Entendi, eu sei como funciona…….”
    Fim da cena 2
    - Não sei isso esta dando certo. Nessa cena a câmera ficou muito longe de vocês……...acho que não esta legal o som……..
    - Roda aí na câmera mesmo pra gente ver como ficou………
    [Filme rodando]
    - O som esta horrível……..parece que é um banheiro…….
    - Vamos terminar de gravar……..a Renatinha vai melhorar o som no computador e colocar os efeito……..eu estou achando ótimo……..vou arrumar tudo para a próxima cena………..
    Cena 3
    Resumo - O taxista (Mari) esta sentado numa cadeira na cozinha escrevendo um bilhete. A arma esta do lado do papel na mesa.
    [Câmera em plano americano mostrando o taxista escrevendo o bilhete e a arma. Ele acaba de escrever, coloca a caneta do lado do papel, pega a arma e da um tiro na própria cabeça. A cabeça cai do lado do papel, sangrando, e a câmera vai fechando até focalizar o papel em detalhe.]
    {Nenhum som, só o barulho do taxista escrevendo o do tiro.}
    (Recado do bilhete) - “Eu não sou viado”
    Fim da cena 3
    - Adorei!
    - Acho que ficou uma merda.
  • A escolha

    1
    Jeff morava sozinho, gostava de sua privacidade. Deixara seus pais no interior há muitos anos e fora para a cidade grande estudar e testar sua sorte. Era um belo rapaz de cabelos loiros, muito inteligente e dedicado, que encontrou o amor em Barbara, amiga de infância, cinco anos mais nova, com quem sempre dividiu todos os seus momentos preciosos e queridos.
    Barbara ainda morava com os pais, que se mudaram para a mesma cidade de Jeff, três anos depois dele. Foi uma benção para aquele rapaz perdido, pôde retomar seu romance com seu eterno amor. Seus pais foram vizinhos por mais de 30 anos.
    - Oi amor, estou indo para sua casa sim, vou só acabar de limpar as coisas por aqui e pego meu carro.
    - Tudo bem, te espero amor. Meus pais não estão hoje, só que chegam da praia de madrugada. Sabe que, infelizmente, é melhor ir embora antes deles voltarem, não?
    - Claro. Adoro a Suzy e o Neil, mas acho que poderiam ficar sem gasolina ou algo do tipo e dizer que vão ficar mais um dia na praia, eles precisam relaxar mais – Diz ele rindo.
    - Não seja ruim, amor, eles vão trabalhar amanhã. Praticamente direto da praia. Acho que voltam de madrugada para nos dar tempo, mesmo dizendo que não podemos nos ver sem eles.
    - Tudo bem. Vou acabar as coisas aqui e logo menos estou por ai. Beijos meu amor.
    - Beijos, paixão.
    Jeff olhou à sua volta e viu a desgraça que era sua casa. A pia lotada de louça da semana inteira. O colchão não via uma roupa de cama desde a última vez que Barbara esteve lá (talvez por isso ela preferisse que os encontros fossem na casa dela, afinal, ela que teve que colocar aquela roupa), as contas vencendo, pois ele estava “entre empregos” havia dois anos, conseguindo só alguns bicos pequenos. A internet era a única conta que pagava no vencimento, o cabo ele conseguiu puxar do vizinho com ajuda de seu pai. Para as roupas sujas ele aguardava, ansiosamente, a próxima visita de sua mãe, ou um final de semana prolongado para ir visitá-la com sacos de suas vestimentas.
    Apesar da sujeira, era um bom apartamento, não muito grande, do tamanho ideal. Tinha apenas um quarto, com sua cama, uma escrivaninha e um armário fixo na parede. Um banheiro entre o quarto e a sala, sendo que este cômodo era pequeno, apenas com um sofá-cama e a televisão, com uma cozinha acoplada. Ele não precisava de muito mais do que isso, só que via nos olhos de Barbara que ela queria. E tinha certeza de que ela merecia.
    “Hoje vou arrumar tudo isso”
    O pensamento contagiou Jeff, inflando-o de energia. Tirou uma camiseta do chão (havia completado uma semana naquela mesma posição) e imaginou que poderia arrumar toda aquela casa antes de sair. Esse pensamento durou até o primeiro prato lavado.
    “Não tenho tempo para isso. A Barbara está me esperando, se não fosse por isso eu arrumaria tudo.” – sempre havia uma desculpa...
    Pegou seu carro ligou o som no máximo, seu celular mostraria o caminho (usava o aplicativo do celular principalmente para ver as câmeras de trânsito), colocou o cinto de segurança e dirigiu freneticamente ao som de Bitting Elbows, Limp Bizkit, Three Days Grace e qualquer outra banda barulhenta que lhe fizesse esquecer que não tinha um emprego digno, nem nada em sua vida que valesse a pena, a não ser o amor daquela garota encantadora.
    A rua Heitor Penteado tinha um trânsito intenso, como sempre pra aquele horário, e ele só pensava em acelerar, sua pressa era mais importante do que a de todos os outros. Recebeu uma mensagem de sua namorada “Estou te esperando” e, anexo, uma foto nua. E outra. E outra. Agora Jeff tinha pressa e um pau duro. Com aquele sangue a menos no cérebro, começou a fazer manobras mais arriscadas e atravessou um farol vermelho. Por sorte ninguém passou junto com ele.
    Quinze minutos depois chegou à casa de Barbara. Tocou a campainha e a porta se abriu. Subiu as escadas para aquela bela casa rosa de quintal vasto, em que passou tantos finais de semana felizes com aquela garota. Ela abriu a porta, vestia apenas uma calcinha. Não teve um “oi”, apenas um “uau” e transaram ali no sofá.
    Depois foram para o quarto, transaram mais duas vezes e pararam para se hidratar. Jeff não havia almoçado ainda, foi só quando pararam que a fome apertara. Ele sabia cozinhar, ela não. Então preparou um almoço para ambos. Nada muito rebuscado, apenas um macarrão rápido à bolonhesa, era o que tinha na dispensa da casa. Ficou excelente. Ela dizia que ele deveria ser Chef ou algo do tipo, ele dizia que as longas horas não compensavam e que cozinhava só por prazer, não queria que virasse um estresse.
    Conversaram sobre o trabalho dela, como ele subia na carreira e já falavam em outra promoção. Jeff tinha muito orgulho daquela garota e, às vezes, achava que ela era boa demais para ele. Talvez se não fossem vizinhos, com tanto tempo pela frente e sonhos infantis, ela nunca tivesse gostado dele. Isto não era verdade, embora ele tenha sido o primeiro namorado dela, ninguém nunca a tratou tão bem. Ele a mimava de uma maneira boa e a apoiava em todos os seus planos. Mudou-se para a cidade grande quando brigaram e terminaram, ele sentiu que não haveria mais nada para ele naquela cidadezinha. A verdade é que ele passou anos deprimido até tê-la de volta.
    Ela também ficou arrasada com o término, não soube lidar com ele, assim como ele não soube lidar com ela. Hoje, isso mudou e já não se preocupava com o fato dele nunca ter um emprego fixo. Não se importava se precisasse sustentar aquele homem, pois sabia que seu coração era puro e que só tinha amor por ela.
    2
    - Já é tarde amor, melhor ir embora antes que seus pais cheguem.
    - Queria que ficasse mais.
    - Não podemos deixá-los bravos, já faz algum tempo que eles não gostam tanto de mim. Vou melhorar, você vai ver. Conseguirei um emprego decente. Serei tudo aquilo que você merece.
    - Você já é, amor.
    Eles sorriram e se beijaram. Fizeram amor uma última vez no chuveiro, Jeff nunca se sentiu tão bem. Então, pegou seu carro.
    Não tinha pressa, sua casa não era tão longe, vinte minutos no trânsito da madrugada, eram 3h da manhã, os pais de Barbara deveriam chegar em uma hora mais ou menos. Conseguiu sair com tempo de sobra e não tinha nenhum bico para o dia seguinte. Talvez arrumasse a casa, talvez cumprisse suas promessas de ser uma pessoa melhor e mais esforçada...
    Não Jeff, você não iria fazer nenhuma dessas coisas.
    Todas as ruas estavam vazias sob a escuridão daquela noite, de poucas estrelas e sem luar. Aqueles momentos agradavam o sonolento Jeff. Como sempre, seu som tocava alto, desta vez era Moves Like Jagger.  Uma eterna ironia que as últimas palavras que ouviu em vida foram "I got the moves like Jagger".
    Em seu retorno, percorreu a Heitor Penteado, parou em todos os faróis e respeitava, razoavelmente, os limites de velocidade. Foi então que na altura do 1700, ouviu um estrondo, algo parecido com um tiro.
    Não teve muito tempo para uma reação, apenas olhou para o lado, com cara de susto, e viu uma Fiorino desgovernada. Seu pneu havia estourado. Aquela moça que corria na faixa contrária perdeu completamente o controle, atravessou para a faixa de Jeff e colidiram de frente. Tudo ficou branco na mente daquele rapaz. No impacto seu carro se contorceu o suficiente para espremer todos os ossos de seu motorista, muito além de qualquer reconhecimento. Os dois carros se mesclaram em um obra de arte urbana caótica, com líquidos negros, dourados e vermelhos escorrendo livremente. Não sobrou nada de Jeff para contar a história. Pelo menos, todos acharam que ele não sofreu.
    3
    Jeff acordou em um lugar apertado e escuro, um pouco maior que o interior de um armário. Não enxergava nada além de um totem com tela touch que dizia “Por favor, retire sua senha aqui”. Ele não entendia o que acontecia, lembrava apenas do barulho daquela batida e da dor de morrer. Mesmo que sentida apenas por um segundo, a dor de ter seu corpo esmagado por toneladas de aço retorcido fora excruciante. Decidiu apertar o botão “senha” no console. Conseguiu “M-14”.
    Quando retirou aquele pequeno pedaço de papel da máquina, viu a parede atrás dela se abrir, dando acesso a uma ampla sala de espera. Suas paredes eram todas brancas, a pintura parecia recente, contudo não havia cheiro de tinta. Observou em volta e não via quadros, nem janelas, reparou que o chão também era branco. Embora o piso fosse de azulejo, muito bem encerado e brilhante, a aderência era boa. O teto seguia a cor de todo o cômodo, com a limpeza impecável. Não era possível ver lâmpadas (então de onde vinha toda aquela iluminação?). Não lembrava de como chegara até ali. Não havia porta de entrada, não havia porta de saída. Apenas quatro paredes instransponíveis e o pequeno “armário” de que saíra não existia mais. Viu um pequeno monitor à sua frente rodando números e escrito “agora atendendo as senhas C-38, D-19, M-11, I-158, R-35”.
    Olhando ao seu redor, reparou cerca de 40 cadeiras. Eram pequenas e verde florescente. Imaginou que alguma pessoa mais gorda não poderia sentar ali, deu uma risadinha e sentou. Olhou no painel novamente, parece que o atendimento do número 11 não acabara. Novamente, olhou para os lados e não viu ninguém. A senha mudou para 12. Preferiu esperar. Como não tinha relógio imaginou que se passara cerca de 40 minutos até aquela senha mudar para 13.
    (Que porra está aconteceu?)
    Uma hora depois seu número foi chamado. E na parede à sua frente surgiu um corredor. Seu piso era negro e pegajoso. Decidiu que era a única saída dali e seguiu seu caminho. Ao final do corredor havia uma abertura à esquerda. Fez menção de virar e a abertura se fechou.
    - Desculpe o equívoco. – disse uma voz que parecia ter vindo de um auto falante inexistente.
    - O que?
    -...
    Não houve respostas, mas agora havia uma abertura à sua direita. Ali incontáveis cubículos cinzas se espalhavam pelo horizonte. Um barulho ensurdecedor de “Tec, tec, tec” assombrava aquele lugar. Um painel à sua frente dizia “Por favor, siga a faixa iluminada no chão”. Então, surgiu uma faixa amarela brilhante à sua frente. Jeff a seguiu, achou mais sensato apenas seguir as ordens naquele lugar. Não conseguia espiar dentro de nenhum cubículo, eles não tinham entrada ou saída. Tentou pular para vê-los de cima, apenas para ver tetos cinzas e baixo. Uma pessoa não poderia ficar de pé ali. Andou por 15 minutos, até que a faixa virou a direita. 50 metros depois virou a esquerda e o cubículo à frente tinha uma entrada e não tinha teto.
    - Seja bem-vindo, Jeff. Por favor, sente-se. – disse seu interlocutor com um sorriso amigável.
    Naquele cubículo havia uma mesa onde repousava uma máquina de escrever negra, brilhante, de aparência antiga, contudo, sua conservação era primorosa. O papel dela começava em uma pequena fissura no piso, seguia para dentro da máquina e terminava em outra fissura ao lado da primeira. Não parecia ter fim. As paredes do cubículo cinza, eram adornadas com fotos de 12 garotas diferentes, só que se vestiam de uma maneira peculiar, antiga, como Jeff vira em filmes de época, antes da primeira guerra mundial, tinha certeza, poderiam ter sido cortesãs da época. Aquele homem escrevia freneticamente na máquina, não parava mesmo enquanto conversava com Jeff.
    - Quem é você? Que lugar é esse?
    - A sim, você é novo. É sua primeira vez aqui, imagino. Sou conhecido como Jack e vamos direto ao ponto. Jeff, você está morto.
    - Imaginei. Eu lembro de morrer e sei que não foi um sonho.
    - Que bom, você é mais inteligente do que os outros. Podemos prosseguir mais rápido.
    Jeff se concentrou naquela figura pálida à sua frente. Usava um bigode curioso, claramente pertencia a outra época. Seu sotaque parecia britânico, não reconhecia se natural ou de alguém que morou muito tempo por lá. O cabelo era bem arrumado e suas feições positivas acabavam por ai. Vestia um terno surrado e gravata, que não escondiam sua magreza, era um sujeito claramente subnutrido (se estamos mortos, por que ele é assim?), sua postura torta, quase como um gancho. E o que viu de mais tenebroso foram aqueles longos dedos tortos, de uma cor negra intensa como se necrosados, sangrando perenemente na máquina de escrever.
    - Eu digito nessa máquina há mais de 100 anos. Por isso meus dedos ficaram assim. E eles doem, cada vez que movimento eles a dor é intensa e incessante.
    - Desculpe, eu não queria encarar.
    - Não se preocupe, eu faria a mesma coisa se visse essas coisas nojentas pela primeira vez. – ele não conseguiu segurar uma risada – eu apertaria sua mão, mas como pode ver, elas estão bem ocupadas e não tenho permissão para tirá-las daqui.
    - Permissão de quem?
    - Eu não sei. Apenas não consigo parar de digitar, imagino que tenha algo como permissão aqui.
    - Mas você não parece sentir dor.
    - Bom, antes de explicar isso, acho que preciso responder sua outra pergunta. Onde estamos. Este lugar, para mim, é o inferno. Quando morri, vim parar aqui onde fui desprovido de todo livre arbítrio. O que me mandam fazer eu faço, mandaram eu nunca expressar minha dor aos outros, então sigo a ordem, ou gritaria sem parar, acho que todos aqui gritariam, ai seria o inferno de todos, não apenas nosso. – ele riu novamente, agora de uma forma um tanto maníaca - Os sentimentos que não tinha em vida, como empatia, voltaram de forma acentuada. Vê essas garotas na parede? Eu matei todas elas e há mais de 100 anos. Observo essas fotos na minha frente e choro constantemente. Lembro de cada instante e de tudo que fiz com elas. Pobres garotas, não mereciam, não importa a profissão delas ou o que elas fazia da vida. Mary foi a primeira, ainda sinto a vida dela se esvaindo por minhas mãos e todo o resto que fiz depois, para meu deleite. Eu até ria enquanto fazia, tinha esse vazio em mim, sabe? E nunca fui pego por esses crimes.
    - Entendo – responde Jeff com uma expressão se assemelhando ao pavor.
     - O meu arrependimento é profundo e sincero, também não consigo mentir aqui, fui ordenado a nunca mentir, então só posso obedecer. Sei que pedir desculpas não vai me livrar deste inferno, sei que sofrerei por toda a eternidade. Imagine, usar essa máquina de escrever pesada, com teclas duras que não funcionam direito, atendendo pessoas que estragaram suas vidas de alguma forma e escrevendo suas histórias para sempre, sem descanso algum. Eu também sinto fome e sede o tempo inteiro, mas algo me faz atender todos de bom humor, foi outra ordem que recebi. De tempos em tempos trazem comida, uma vez por mês eu acho, a noção de tempo é confusa aqui. Jogam a comida no chão como se fossemos animais enjaulados ou algo do tipo. Não consigo me controlar e ataco aquele prato. Como tudo rápido demais, meu corpo não consegue processar a quantidade de comida tão rápido, então vomito logo em seguida. O pior é que ainda tenho essa fome incontrolável, então como o vômito do chão. O processo se repete uma segunda vez. Então, mandam eu ficar parado contra a parede e obedeço, ai eles limpam a sujeira. Sabe, eu sei o que fiz e sei que durante toda minha vida não me arrependi e sai impune. Não posso reclamar de minha punição agora, acho que ainda pegaram leve comigo. Nada de fogo e tridente aqui – diz Jack c com um riso histérico entre lágrimas.
    - Quer dizer que eu vim parar no inferno? Minha vida não foi tão ruim assim, sempre tentei fazer o bem aos outros.
    - E aquelas formigas que matou? Aquela barata que pisou para ajudar Barbara, acha que elas não contam? Aquele alface que comeu, afinal, plantas são seres vivos também. Quanto churrascos você já não foi?
    - Meu Deus! Mas todo mundo faz isso, eu nunca parei para pensar sobre esses insetos....
    - Calma, Jeff, estou brincando. Não estou nem ai para esses insetos ou o que você come. E acho que o pessoal lá de cima, ou de onde quer que façam as regras, também não ligam.
    Jeff riu de maneira nervosa. Não se sentia confortável ali e não queria ficar tão próximo de uma assassino em série.
    - Não, Jeff. Como lhe disse, é o MEU inferno, não o seu. Para você é apenas um local de instrução. Pense na sala que entrou quando saiu do quarto escuro. Aquela sala estava cheia, você não vê as almas, nós vemos. Ela está cheia. Na sua cadeira, por exemplo, haviam 5 pessoas sentadas. É uma cena curiosa, talvez um dia veja, se morrer e lhe for escolhido esse inferno. Acho que existem outros, não tenho muitas informações, ninguém conversa comigo, só as almas que atendo, os outros só dão ordens que não posso discutir, apenas acatar. Muitos também reencarnam, deve ser bonito ter uma vida nova sem se lembrar de nada. Eu só lido com esses dois tipos, os que reencarnam e os que precisam fazer uma escolha. Você, e lamento dizer isso, é do tipo que fará uma escolha. Mesmo assim eu queria muito o que você vai ter. Uma segunda chance. Digamos que é um teste. Faça direito, só terá uma chance.
    - Então qual a instrução? O que eu devo fazer? Qual a escolha que devo tomar?
    - Eu não sei. Isso só você pode saber. Algo causou a sua morte e você tem que mudar isso. Voltará para o seu dia, assim que acordar. Só que não se lembrará de nada do que aconteceu aqui, a não, isso é proibido, completamente proibido, ninguém pode se lembrar daqui. Se um dia voltar para o cubículo de Jack lembrará, antes não, você foi indicado ao Jack, Jack sempre te atendera...
    - Jack, você está divagando.
    - Desculpe, às vezes isso acontece comigo. – ele diz chacoalhando a cabeça - Tente digitar em uma máquina de escrever vendo fotos de garotas mortas por 100 anos e veja se não solta alguns parafusos também! – ele dá uma gargalhada histérica.
    Jeff ficou com medo de interrompê-lo. Não sabia o que poderia acontecer, então esperou a risada de seu novo colega medonho acabar.
    - Onde eu estava? A sim, você não lembrará de nada. Mas no seu íntimo terá um pressentimento incontrolável, ao qual não poderá negar. Isso vai acontecer no momento em que poderá mudar a sua história... para sempre, Jeff. Vai mudar para sempre e vai salvar a sua vida! Isso, salvará sua vida! A vida que você tinha será salva! E você só terá uma chance nova. Se cometer um erro voltará para cá mais rápido do que a primeira transa de um adolescente e não acho que irá embora. Se acertar, poderá viver uma vida longa, eu acho. Não tenho muita certeza se as regras são assim, mas imagino que esteja certo. É, talvez esteja certo. Tem que estar certo. Acho que é isso mesmo. Sim, é isso, essas são as regras. Só que posso ter errado alguma parte.
    - E você já viu muitas pessoas voltando?
    - A maioria volta, pode demorar, mas voltam. A maioria toma a decisão errada. Alguns tomam a decisão certa. Já vi dois que chegaram a reencarnar como prêmio. Foi divertido vê-los após a morte da reencarnação, eles lembram de tudo, já me chamam pelo nome. Eu gostaria de reencarnar e tentar de novo. Talvez me livrasse desse inferno. Será que um dia terei essa chance? Será que nesse inferno eu posso me redimir de alguma forma? Seria interessante, eu iria adorar, não iria matar mais. Não senhor, não, Jack não mataria mais uma formiga se tivesse uma segunda chan...
    - Pare de divagar e apenas instrua, número 587.476 – disse o auto falante inexistente
    - Verdade, eu tenho um número também. Às vezes esqueço isso. É tudo muito organizado por aqui.
    - Jack, foco! Por favor. O que eu preciso fazer agora?
    - A sim, claro. Você não lembrará de nada. Eu já disse isso não? Então tudo o que precisa fazer agora, é fechar os olhos... e acordar.
    4
    Jeff acordou com uma sensação estranha. Levantou da cama meio zonzo e cambaleou até o banheiro para escovar os dentes, já eram 11h da manhã. Quando saiu dali seu telefone tocou. Era Barbara.
    - Oi amor... – ele teve a sensação estranha de novo - poderíamos ficar aqui em casa hoje? Não estou me sentindo muito bem, acho melhor não dirigir hoje.
    - Tudo bem, estou indo pra ai daqui a pouco, amor. Meus pais não estão hoje, só que chegam da praia de madrugada. Sabe que preciso voltar para minha casa antes deles voltarem, não?
    - Claro. Adoro a Suzy e o Neil, mas acho que poderiam ficar sem gasolina ou algo do tipo e dizer que vão ficar mais um dia na praia, eles precisam relaxar mais – Diz ele rindo.
    - Não seja ruim, amor, eles vão trabalhar amanhã. Praticamente direto da praia. Acho que voltam de madrugada para nos dar tempo, mesmo dizendo que não.
    - Tudo bem. Vou acabar as coisas aqui, deixar tudo arrumadinho pois sei que prefere minha casa assim. Beijos meu amor.
    - Beijos, paixão.
    Jeff se esforçou para arrumar a casa. Depois do primeiro prato lavado teve preguiça do segundo. Lutou bravamente contra isso e em 20 minutos toda a louça brilhava. Recolheu a roupa suja do chão e só não a lavou porque não sabia como usar a máquina de lavar. Procurou um pouco na internet, só que achou melhor arrumar a cama (a Barbara pode me ajudar com isso depois, espero). Ele levou 1h30 para arrumar toda a casa e foi tomar banho. Sua namorada tinha a chave do apartamento e foi entrando. Viu Jeff saindo do banheiro de toalha enrolada na cintura.
    - Não achei que estaria vestindo tudo isso quando eu chegasse. – ela diz com olhar libidinoso.
    - Eu já falei que te amo hoje? – ele diz deixando a toalha cair.
    - Não sei, mas pode repetir.
    - Eu te amo Barbara, você é o melhor ser humano que já conheci neste mundo.
    - Também te amo. O que deu no seu humor hoje? Está tão romântico.
    - Não sei. Tenho a sensação de fazer a coisa certa, sabe? Estou feliz.
    - Então fique feliz, dentro de mim – disse ela empurrando-o contra a parede.
    Transaram ali mesmo, depois foram para o quarto e depois na pia, que não tinha nenhuma louça suja, enquanto preparavam o almoço tardio. Passaram o resto do dia assistindo televisão, conversando e transaram mais uma vez na sala.
    5
    Já era madrugada quando lembraram que Barbara precisava ir para casa.
    - Já é tarde amor, melhor ir embora antes que seus pais cheguem.
    - Queria ficar mais.
    - Não podemos deixá-los bravos, já faz algum tempo que eles não gostam muito de mim. Vou melhorar, você vai ver, vou conseguir um emprego decente. Serei tudo aquilo que você merece.
    - Você já é, amor.
    Eles sorriram e se beijaram. Fizeram amor uma última vez no chuveiro, Jeff imaginou que se sentira tão bem apenas uma outra vez, mas talvez em outra vida. Barbara pegou seu carro e foi embora. Não tinham pressa, ela saiu de lá às 3h da manhã e seus pais chegariam em casa dali uma hora ainda.
    Jeff sentiu-se pleno por ter arrumado a casa e pela mulher maravilhosa que tinha em sua vida. Decidiu que iria se exercitar regularmente, buscar um emprego de verdade. Não começaria a ser mais esforçado amanhã. Começaria hoje, agora.
    Antes de dormir decidiu ouvir uma música para relaxar, a rádio passava “Moves like Jagger”, era uma boa música, bem divertida, mas lhe trouxe algum pesar, não entendeu o porquê, também não entendeu porque não conseguia mudar de música. Mesmo assim, foi dormir feliz.
    Por volta das 4h30 da manhã recebeu uma ligação que o acordou. Era Suzy.
    - Jeff. Bateram no carro da Barbara. Ela estava na Heitor Penteado, na altura do 1.700. Ela voltava da sua casa. Não era? Parece que uma Fiorino vinha no sentido contrário, o pneu estourou e o rapaz que dirigia em alta velocidade perdeu o controle. A Barbara não sobreviveu. – sua voz falhou nesse final e foi possível ouvi-la chorar.
    O telefone desligou. Jeff ficou paralisado, sentado em sua cama quente e confortável, com o cobertor em cima de si. Imaginou aqueles últimos momentos que passaram juntos, todo o amor que sentiam. Como ela merecia mais do que aquilo, muito mais. Ela não podia morrer daquele jeito. Seu estado era de choque, até que finalmente balbuciou algumas palavras.
    - Deus, se pudesse fazer algo para mudar isso, eu faria....
    Colocou as mãos nos rosto e deitou chorando. Quando as retirou estava naquela sala de espera, vazia, sua senha era R-39.
    6
    - Jack, que porra!? Ela morreu, que merda que aconteceu?
    - Como acho incrível já me conhecerem na segunda visita – disse Jack com um sorriso sincero no rosto - A sim, eu esqueci de te avisar esse pequeno detalhe. Onde uma vida é recuperada, outra é perdida, nas mesmas condições. Eu tive uma alma de um homem que morreu com o pênis arrancado por um cachorro. Nunca descobri se a contraparte dele era uma mulher e como ela morreu, seria curioso. Mas ele nunca mais voltou aqui, então acho que ainda está vivo. Não sei quanto anos fazem que isso aconteceu.
    - Mas que merda de escolha é essa? Ou eu morro ou ela?
    - Agora você sabe as duas opções. Cabe a você escolher, sem se lembrar. Deve tomar a decisão agora e irá voltar uma última vez. Você pediu por isso, chorando em sua cama, Jeff. Agora decida. Deveria ter falado “por favor, Jack”, não ajudaria em nada, só que seria engraçado por aqui. Enfim, ou sua vida acaba, ou a dela. De uma forma ou de outra um dos dois irá morrer. A escolha é sua. De novo não irá se lembrar, mas seu pressentimento lhe guiará para a resposta que escolher.
    7
    - Oi amor, estou indo para sua casa sim...
  • À espreita do insólito

    Dentre as diversas antologias das quais participei, a Insólito do selo Cavalo café foi uma das publicações mais aguardadas. A chamada do edital para a coletânea de contos dava prioridade a histórias ambientadas no Brasil, e que se servissem da temática da nossa cultura e folclore para a escrita dos contos. O conceito de insólito abrangia diversos gêneros narrativos da ficção especulativa.
              O livro foi publicado em e-book, e foi disponibilizado para ser baixado gratuitamente no site da Editora Porto de Lenha, de Gramado - RS. Mas como sempre aguardei a versão impressa para ler. Nessa antologia eu publiquei um conto intitulado Angelis Gloria, que conta a história de um nefilim (híbrido de humano e anjo) sendo assediado por demônios, que eu curti muito em escrever. O organizador foi o Maurício Coelho, contista e antologista de primeira qualidade, muito atencioso e profissional. O livro tem capa e ilustrações de Sophya Pinheiro, que mescla bem influências regionais e mangá.
              O Prefácio ficou a cargo de Flávio García, Doutor em Letras. Confesso que o texto não instiga a leitura, é técnico, acadêmico, hermético demais e até maçante para leitores casuais. O autor perde mais tempo fazendo estudo epistemológico e citando outros autores famosos do que tratando da coletânea que ele foi convidado a analisar. Pule e vá logo para o primeiro conto. Mas se você estiver estudando Teoria da Literatura, pode usar esse texto como referência bibliográfica sem medo, afinal, o “Esboço à moda de prefácio” é um rascunho de tese de doutora na área.
              São mais de quarenta contos, de autores das mais diversas idades e regiões. Homens e mulheres que expressaram os seus sentimentos, as suas ideais e suas memórias através da literatura. A coletânea varia muito em ritmo, qualidade dos textos e modos de narrativa. Alguns contos apresentaram bons temas, mas pecaram na abordagem ou na execução. Alguns autores já são meus conhecidos, outros ainda estão amadurecendo a sua escrita. É um livro para explorar os novos autores, esse é o seu maior atrativo. Abaixo eu citarei os três contos que eu mais gostei no livro.
              O primeiro conto que eu mais gostei de ler foi Caixa de Pandora, do autor Gabriel Mascarenhas. Se aproveitando do contexto atual, o escritor explora temas como as bombas midiáticas, as fake news e a alienação para escrever uma fábula contemporânea. Assustadora em seu todo. Nesse texto, uma jovem jornalista descobre da pior forma como a população brasileira é dominada através de recursos que deixarão o leitor assustado.
              Evolução é escrito pelo J. F. Martignori. O conto é ambientado na Ditadura Civil-Militar (1964-1985), mais especificamente em 1966. A trama é sombria e nos remete a incertezas quanto ao relato que estamos lendo. Carlos e Pedro trabalham fazendo cargas num caminhão, e antes de chegarem ao seu destino, são envolvidos em uma nuvem que os lançam em uma realidade surpreendente. Ótimo conto.
              O conto da Margarete Prado, intitulado No escuro da noite, de maneira assustadora, relata uma das nossas maiores mazelas. Kaloana Fernandes está voltando para casa às altas horas da noite. Totalmente vulnerável. Ela escuta uma voz interior que manda ela ir para o hotel. De quem seria essa voz? O que ela estaria alertando? Quem põe a vida de Kaloana em risco?
              Confesso que das obras que adquiri em que o Maurício Coelho organizou, essa é a de menor desempenho. Mas ainda assim guarda boas surpresas, algumas histórias são bem inspiradas. As ilustrações do miolo são muito bem-feitas e ambientam bem os textos. Só acho que os autores deveriam ter polido mais o texto na hora da revisão, ficou notável os erros de ortografia e gramática, além da escrita de alguns textos terem um ritmo inadequado para a narrativa proposta.
              O livro conta com mais de 260 págs. Possui duas orelhas com bibliografia e biografia do organizador. O miolo conta com minibiografia dos participantes da antologia. O papel do miolo é offwhite. É como disse anteriormente, é um livro para você explorar novos autores e se inebriar de contos fantásticos ambientados no Brasil.
              Para adquirir acesse aqui:
              https://www.portodelenha.com.br/produto/464277/insolito
  • A Extinção dos Gatos

    Três gatos morreram e fizeram a tristeza de uma família se juntar à tristeza de milhões de pessoas no mundo que passavam pelo mesmo. Os gatos estavam morrendo por uma doença misteriosa, transmitida pelo ar e que aparentemente os matava sem muita dor, os deixando tontos e cambaleantes por alguns poucos minutos, terminando com um súbito e fatal desmaio. Mas a família ainda sentia muita dor mesmo após semanas em que os três se foram.
    Obviamente os cientistas estavam interessados em achar alguma cura ou vacina já que isso também significava milhões em lucros, mas muitos não demonstravam muito otimismo com a velocidade que a doença se espalhava e o tempo necessário para as pesquisas. Enquanto isso, há cada vez mais relatos de coisas sobrenaturais acontecendo. Aqueles mais ligados ao mundo sobrenatural afirmam que os gatos são guardiões do submundo e por isso esses eventos estão acontecendo. Já os mais céticos falam que tudo isso não passa de um monte de desocupados que espalham desinformação para sustentar uma teoria da conspiração.
    Nicolas, que acabou de perder os seus três gatos, era um dos céticos, enquanto os seus pais eram crentes no sobrenatural. Eles moravam há mais de duas gerações em uma fazenda a uns dez quilômetros de estrada de chão da cidade mais próxima. Quando criança, Nicolas brincava nas árvores que seus avós plantaram em suas infâncias e desde cedo aprendeu os trabalhos na roça, além do respeito aos animais. Cada bicho tinha uma função, seja prática ou espiritual, e por isso tinham que ter a constante presença de todos eles. Por mais difícil que fosse, os gatos tinham que ser substituídos assim que partiram deste plano, então os pais de Nicolas fizeram uma viagem até a cidade para adotar uns gatos de sua tia, castrá-los e comprar alguns suprimentos pra casa. Pela primeira vez, Nicolas ficaria alguns dias totalmente sozinho e seria o responsável por manter toda a plantação e animais vivos. Mas é claro que, depois de acompanhar o seu pai todos os dias por mais de 8 anos, não seria uma tarefa muito difícil. A rotina já estava bem definida há anos e só mudava quando um novo equipamento chegava, então sabia que tinha que acordar bem cedo e ficar alternando entre cuidar dos animais e da plantação. Era algo bem cansativo e até chato em alguns pontos, mas necessário se quisesse sobreviver.
    O lado bom é que quando chegava a noite estava tão cansado que só queria esquentar a janta, que não passava das sobras do almoço, e deitar. O cansaço era tanto que sempre se recusava a acender a luz da cozinha para lavar o seu prato, usando a pouca claridade da sala em suas costas como guia. Assim que levantou a cabeça para abrir a torneira, viu uma sombra humana se formar na parede e se aproximar de suas costas até que não houvesse mais luz e a parede estivesse completamente preta. A sua respiração parou momentaneamente, a barriga se contraiu e os olhos vidrados se esforçaram ao máximo para piscar. Assim que piscou, tudo estava como antes e a luz da sala continuava a iluminar fracamente a cozinha. Nesse instante, soltou de uma vez só todo ar que tinha segurado e respirou fundo algumas dezenas de vezes para se acalmar enquanto a água escorria na sua frente. O seu lado racional tentava convencer o emocional de que tudo não passava da obra do cansaço, afinal não estava acostumado a fazer todo o trabalho sozinho. E, mesmo que não fosse cansaço, não tinha outra alternativa a não ser tentar descansar já que o próximo dia estava perto de começar.
    Como sabia que não ia conseguir simplesmente tirar isso da cabeça e dormir, decidiu deitar no sofá, colocar os fones de ouvido e esperar o sono o pegar desprevenido. É estranho como não se percebe a transição entre estar acordado e dormindo. Sem nem lembrar em qual parte da música dormiu ou até mesmo qual era a música, Nicolas foi para o mundo dos sonhos e se distanciou completamente de sua realidade. Pelo menos até abrir os olhos e perceber que não conseguia mexer nem sequer um dedo. O medo que sentia era perceptível em sua breve respiração e que foi ficando mais curta ao perceber pela sua visão periférica que uma sombra vinha se aproximando. Quando ficou de frente pra ele, percebeu pelo corpo que era um homem alto, mas bem franzino e com uma aparência de que tinha sofrido muito. O corpo todo do homem parecia envolto de uma sombra a não ser pelo chapéu que uma vez já tinha sido bege, mas agora estava preto de tão sujo. Aquele homem sombra ficou encarando Nicolas por alguns segundos, parecendo saborear o medo que ele sentia e que transparecia pelo seu suor, lágrimas e respiração. Nicolas tentava falar, gritar e implorar, mas não conseguia abrir seus lábios. Enquanto batalhava contra o seu corpo, o homem sombra avançou pra cima dele e começou a sufocá-lo com uma força incompatível com o corpo que apresentava. A respiração curta de Nicolas tinha ficado inexistente. No desespero da busca pelo ar, piscou o olho, caiu no chão e começou a tossir. Por alguns minutos ficou olhando de relance para todos os lados tentando achar o homem sombra enquanto revezava entre respirar e tossir. O medo ainda estava em seus olhos e só queria fugir, mas os seus pais haviam levado o único carro que tinha na propriedade. Então, ignorando o cansaço, decidiu andar até a propriedade vizinha a uns três quilômetros e pedir o carro deles emprestado.
    Ele queria e tentava se convencer de que tudo tinha uma explicação. Já tinha tido uma vez paralisia do sono e talvez fosse só isso, embora ela não explicasse a marca vermelha de dedos em seu pescoço. Mas mesmo que de algum modo conseguisse uma explicação racional para tudo isso, não iria adiantar. O medo que sentia era muito grande e, por mais que quisesse, não poderia ignorar isso. Então pegou uma lanterna, a identidade e um pouco de dinheiro, trancou a porta e fugiu em plena escuridão.
    A lanterna ia da direita para esquerda e da esquerda para a direita em uma meia lua interminável, indo ocasionalmente para trás para ver se não havia nada lá. A vista das estrelas já começava a acalmá-lo nesse longo caminho, o que era bom. Já havia pensado na desculpa que usaria com os seus vizinhos: uma pessoa invadiu a casa e o agrediu, mas conseguiu fazer com que ele sumisse. Como tinha medo que ele voltasse sozinho ou acompanhado, queria passar a noite na cidade. Não era a verdade, mas também não era uma mentira. Com tudo isso planejado, podia continuar admirando as estrelas e afastando a imagem do homem sombra de seus pensamentos.
    Tinha acabado de direcionar a lanterna para trás, visto que não tinha nada lá e voltado a mirá-la para a frente quando sentiu um enorme impacto em sua perna esquerda que o fez cair e soltar diversos xingamentos. A dor parecia sair de seu joelho e ir ardendo até a sua mente. Quando olhou para o chão, viu uma pedra do tamanho de um melão banhada em sangue. Tentou se levantar, mas a dor não permitia que o seu joelho sustentasse o seu corpo.
    Devia faltar mais uns quinhentos metros até a casa vizinha, então, como não tinha outra escolha, decidiu começar a se arrastar. Logo depois dos primeiros centímetros percorridos, sentiu uma forte puxada em sua perna machucada que levou a uma nova irradiação de dor. Embora tentasse, não conseguia gritar e, por mais que se esforçasse, só soltava uns grunhidos baixos. Quando começava a se acostumar com a dor, olhou para a frente e viu o chapéu na sombra de um homem. Não conseguiu encarar por muito tempo, pois, cada vez que a dor ficava um pouco mais tolerável, ele puxava com força para dar um tranco na perna e irradiar mais dor para o corpo. Sabia que estava sendo levado de volta para a sua casa. Tentava piscar e se debater para escapar, mas o homem sombra era muito forte.
    A família de Nicolas chegou dois dias depois dessa noite com seis filhotes de gatos, bastante comida e fertilizante. A mancha de sangue na estrada já se confundia com o vermelho do barro e nem foi percebido pelos seus pais. E mesmo que percebessem, provavelmente acreditariam que algum animal tinha caçado e arrastado a carcaça de sua presa. Não estariam certos, mas também não estariam errados. Chegando em sua casa, viram o corpo de Nicolas empalado com o suporte de uma antena e deixado com os braços abertos como se fosse um espantalho bem na escada que dava acesso a porta principal da casa.
    A polícia investigou o caso que teve uma repercussão nacional, mas nunca chegaram a algum suspeito. Segundo os legistas, Nicolas foi empalado vivo, morrendo lentamente de hemorragia enquanto a antena ia atravessando os seus órgãos até chegar ao seu estômago, o fazendo engasgar lentamente com o seu próprio sangue. Mesmo demorando horas para morrer, pela distância entre as propriedades ninguém deve ter conseguido ouvir os seus gritos de dor. Já os seus pais nunca souberam o que o atormentou já que se mudaram antes dos seus novos gatos morrerem pela doença.
  • A fé & a fé 2 sinopses

    A fé e A fé 2

    A fé
    A triste história de um vampiro

         Vampiros ultimamente estão acompanhados ou sendo gays. Esta é uma história que trás este tema. Um caçador que odeia vampiros. O que será dele ao se tornar um? Acordar como num pesadelo, onde tem que descobrir o que realmente aconteceu que fez seu mundo virar de cabeça para baixo.
         Perder tudo? Encontrar um caminho a seguir!
         Cachie é um caçador, eficiente, prestativo, mas num certo dia acorda como um daqueles ao qual tanto se acostumou a matar. Ódio será que sua percepção, seus sentimentos para com vampiros irá mudar ao se tornar um? Como tudo pode acontecer assim tão rápido?
         Até que ponto uma amizade pode chegar a se tornar algo mais? Mais que bons amigos ou amigas?
         Em um mundo onde o submundo, as magias se tornaram realidade. Vampiros, lobisomens, fadas tudo veio a se misturar. Humanos e vampiros juntos e separados.
         Onde a fé dos que lhe rodeiam pode chegar a influenciar sua vida?
         Porque ter fé? A fé move montanhas, já diziam alguns.
         Cachie acorda no escuro fechado, começa a tentar sair desta escuridão e sai, percebendo ao ver que está em um tumulo, o seu certamente e que não dormiu, não esteve morto por muito tempo, foram horas. Agora ele tem que se proteger do sol, este queima sua pele. Conclui que se tornou um vampiro, se pergunta como e não lhe vem na memoria. Então se esconde até escurecer, só então sai atrás de resposta. Revê sua namorada e sua mãe ao ir para casa. Elas dizem que o amigo Carlos tem que estar presente para a verdade ser contada então quando todos que devem estar presentes estiverem ele saberá o que aconteceu.
         É a vida de um vampiro que ele tem para viver agora e terá que aprender a ser assim verdadeiramente o que era para ele um monstro.  


    A fé 2
    O fim para história de um vampiro

         Cachie agora não luta contra monstros e sim para ter o amor de sua filha e neta. Uma luta constante, onde elas o receberiam?
         Em tempos de lobisomens em forma de lobo, não como monstros em mistura de homem e lobo. A fé 2, trás este tema. As feras se complementam, e o que era lobisomem monstro no primeiro livro se torna lobisomem em forma de lobo neste segundo.
         Cachie que passou a viver na escuridão encontrará luz em sua família? Carlais o perdoou? Que mais questões se podem levantar?
         Com a neta sendo sequestrada Cachie sai das sombras e se revela trazendo escuridão e desgraça.
         -O que ouve?
         A neta de Carlais foi sequestrada!
         -Ela foi levada.
         -Ninguém sabe pra onde nem por quem.
         -Ou por que.
         -Minha neta, o que está acontecendo, não pode ser verdade. Deixou escapar o minha neta e assim um dos homens falou assustado:
         -Você é o vô dela? O vampiro que a muito apavorou cidades? Cachie saiu preocupado tinha que encontrar uma maneira de salvar sua neta. Ele não percebeu, mas ficaram novos boatos, que diziam:
         -O vampiro está de volta!
         -Ele retornou a escuridão nos cercará!
         Uma família que Cachie acreditava não merecer agora precisa dele e ele será capaz de ser o que esperam que ele seja? Carlais aceitará a ajuda dele?
         Veja a aventura de Cachie, a triste história de um vampiro e o fim para história de um vampiro!

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  • A fé 2 O fim para história de um vampiro capítulo 1 de 12

    Capítulo 1
         Cachie ficou nas sombras, escuridão por um tempo. Até que em uma de suas visitas escondidas ao que era sua família ouviu boatos, as conversas seguiam. Desesperado com a notícia ele se revelou perguntando em meio a um grupo:
         -O que ouve?
         A neta de Carlais foi sequestrada!
         -Ela foi levada.
         -Ninguém sabe pra onde nem por quem.
         -Ou por que.
         -Minha neta, o que está acontecendo, não pode ser verdade. Deixou escapar o minha neta e assim um dos homens falou assustado:
         -Você é o vô dela? O vampiro que a muito apavorou cidades? Cachie saiu preocupado tinha que encontrar uma maneira de salvar sua neta. Ele não percebeu, mas ficaram novos boatos, que diziam:
         -O vampiro está de volta!
         -Ele retornou a escuridão nos cercará!
         Em casa Carlais não podia ou não queria acreditar.
         -São falsos boatos, agora temos uma busca a fazer por uma garotinha. Amigos dela diziam.
         A filha preocupada não sabia o que fazer e Carlais sabia que com Cachie presente tudo daria certo, ele voltou na hora certa em que precisam do seu apoio e amor à filha que tanto o desejava.
         Carlais entrou no quarto da criança e cheirou as roupas dela. Saiu em busca de encontrá-la, ligaria para a filha dizendo onde estava.
         É noite, chegou à igreja da praça, que lhe trazia más lembranças, foi na praça desta igreja onde contou a seu amado que tinham o matado sem dizer adeus em palavras. Enviou uma mensagem para filha. Entrou, a porta por trás dela se fechou. Três homens que estavam cientes de que ela era uma mulher loba a cercaram.
         -Caindo em nossa armadilha assim tão fácil!?
         -Entregue minha neta, o que querem de nós? Ela daria o que fosse para ter a neta de volta.
         -Estamos com nosso objetivo e você com o seu, porem agora, aqui, morrerás pelo que amou!
         -Seus bandidos, onde ela está? Carlais chutou um dos acentos do lugar. É então que um dos homens mostra uma arma e diz:
         -Está carregada com balas de prata!
         -Como sabem sobre minha vida? Não responderam, um dos homens deu um golpe que a fez cair.
         -Sem lua cheia você não é de nada. Nosso recado é que sua família de antigos caçadores está chegando ao fim.
         -Só uma correção, nós ainda caçamos, mas tentamos ajudar aqueles que querem... E gritando disse: -Vocês não passam de humanos. Eles disseram que eram caçadores também e pediram meio que ordenando:
         -Deixe um recado para sua querida filha humana, diga que sobre um cadáver daqui desta igreja, que de fato será o seu, estará uma pista para que ela possa tentar encontrar a filha! Carlais pensou:
         -Então eles estão com algo que pode ajudar a encontrar minha querida neta, tenho que matá-los, mas como, minha filha já deve estar chegando, porque vim armada apenas com uma faca e sozinha? Eu e meus hábitos de ser imprudente. Ela mostrou a faca: -Vou matar você primeiro.
         Em gargalhadas um disse:
         -Solte esta arma delicadamente! E sorriu. Ela jogou no ombro do que estava armado e o chutou a retirando, os demais a rodearam. Um chutou a mão dela que soltou a faca. Foi então que o que caiu se ergueu dizendo:
         -Hora, hora... Disse um palavrão e apontou para Carlais:
         -É seu fim, morra! Carlais fecha os olhos.
         É então que um vulto avança erguendo a mão do homem armado o golpeia na barriga com algo, nisto toma a arma. Ele diz:
         -Estas balas também servem contra humanos, oh que coisa heim!? Carlais abre os olhos ao reconhecê-la. Ouve dois tiros e o homem que tinha caído vai atacá-lo por trás, porem recebe um novo golpe e cai morto.
         O vulto é de um homem, ele fica de costas para Carlais e é então que se vira após ouvir da agora velha senhora Carlais:
         -Você continua IDEM! Cachie olha nos olhos da senhora, sem saber que reação devia ter ou ela demostrar. Demoraram um instante como a pausar o tempo e relembrar das boas e más lembranças.
         A sena é de três humanos mortos, uma mulher loba e um vampiro. Ela se aproxima e dá uma tapa na cara dele.
    Fim do capítulo 1, a seguir o segundo capítulo.
  • A fé 2 O fim para história de um vampiro capítulo 10 de 12

    Capítulo 10
         -Preparados para ultima batalha de suas vidas? Cachie fica na frente das garotas em seguida os dois se atacam, Claus com uma estaca o tempo todo tentando dar o fim desejado aquilo, e o que seria depois da vingança? Ninguém sabia. Já para o vampiro o que importava era a família que agora tinha, porem desistiria delas por Claus, se este decidisse não levar a vingança a família que também era dele, esta vingança de um para o outro apenas, mas parecia que Claus não entendia, ou estendia o ódio a todos.
         Cachie leva um soco e cai para trás, é então que a filha entra em ação com a espada voltada para o marido e dizendo:
         -Pare ou não respondo por mim. E segue as palavras: -Esqueça está vingança, vamos ser felizes! Ela ainda tenta, mas ouve:
         -Você não tem coragem! E uma risada feroz. Em seguida golpeia a mão de Cara fazendo esta se soltar e cravar em pé ao chão. Mais um golpe, este no rosto da esposa e ela cai ouvindo a filha gritar por ela.
         -Sua vingança é contra mim, eu deixarei você concluí-la se me prometer amá-las. Ouviu-se risos de apenas um.
         -Não preciso de nada de você nem delas e minha vingança está concluída. E gritou avançando a Cachie que se sentia culpado por aquele ódio, apenas abriu os braços ouvindo em berros: -Agora... Morra! E a estava se crava no peito de Cachie.
         -Não! Grita a filha e a neta chora.
         -Eu não desejava viver sem vocês como um vampiro vagando pela eternidade. Ele que já havia perdido duas pessoas que amava, Carlos e Carlais. Já o livro anuncia:
         -Que se abra o portal! Os relógios batiam zero hora e um brilho forte se fez e em seguida a aparição de um portal. Poeiras subiram com o vento que se fez descontrolado por um breve período.
         Com o portal aberto e Cachie deixando-se ser vencido, com uma estaca ao peito diz que a felicidade dele é ver a filha passar o portal com a neta, assim viverem felizes!
         -Você concluiu sua vingança, vá com elas para outra dimensão elas o perdoarão e sejam felizes! Insistia em vão o inimigo se curvou um pouco para pegar a espada:
         -Elas nunca serão felizes! Cachie enfraquecido se ajoelhou, não queria morrer antes de ver as garotas passarem pelo portal. Mas Claus estava no caminho. A neta se aproximou do pai e disse:
         -Pai pare com isso, não vê que seremos felizes.
         -Filha se afaste! Foi tarde demais.
         -Criança maldita, nunca te desejei! Laischi tenta se proteger levantando o braço e este é cortado pela espada afiada que passou em sua frente.
         Um braço cai ao chão.
         -Filha! A garota começa a gritar de dor. Tentando acalmá-la e dar um fim a batalha Cachie profere:
         -Leve sua mão lá tem tecnologia para colocá-la de volta. Claus se vira para ele e se aproxima dizendo:
         -Você já está morto e assistirá a morte de sua família, a quem você nunca quis! Quando se vira para filha Cachie com um golpe derruba a espada da mão de Claus, daí o segura:
         -Entrem no portal! Gritou desesperado. Então o inimigo o derruba e fica sobre ele:
         -Vou arrancar sua cabeça e sentir este prazer! Cachie apenas diz em seguida ao que ouviu:
         -É seu fim! Pois tinha visto a filha pegar a espada, ela diz:
         -Agora sei por que você tinha tanto medo de minha espada! Ela corta pelo pescoço a cabeça do marido. Como a exímia caçadora que era ela sabia que arrancando a cabeça os imortais morrem. Então dois morrem felizes com seus objetivos concluídos. Cara se apreça a entrar no portal para salvar a filha, pega o braço dela no chão e leva:
         -Pai, obrigado por tudo! Cachie fecha os olhos após ver a filha e a neta entrarem no portal para felicidade.
         O tempo de trevas no mundo, podia-se dizer que existiam pessoas felizes, mas tanto aquelas que não eram. A lua coroava o céu, as nuvens passavam, a noite sempre brilhava tanto quanto o dia para alguns. A lua indo dormir no escuro horizonte também é belo de se ver.
         Ergue-se uma mão, saindo de um tumulo no cemitério da cidade grande. São quase amanhecer e um corpo consegue sair do tumulo e areia que o cobria. Segundos atrás:
         -Está tudo escuro! Uma batida: - Estou sem folego! Outra batida: - Estou num lugar fechado! E começa a bater desesperadamente.
         -Não sei se eu tinha folego, mas o ar me veio depois que consegui erguer a mão. Um homem sai coberto de areia, cambaleando ele cai sentado.
         -Quando eu me ergui, minha memoria voltou, ou parte dela, eu fiquei tonto. Olha-se no espelho que tem pregado ao lado do possível seu nome na escritura do tumulo.
         -Não me vejo ainda sou vampiro! Olhou para o lado: - Reside aqui, Cachie, o ano estava apagado, este sou eu!
         O sol nasce Cachie olha para o horizonte e sente sua mão queimar: - Que droga, o sol está me queimando! Vou ao deposito ao lado, porem este deposito não existe. Sua pele queimando. Ele começa a gritar e o fogo a consumir seu corpo e ele se desintegra em brasas.
    Este é o fim do capítulo 10, siga lendo a seguir o capítulo 11.
  • A fé 2 O fim para história de um vampiro capítulo 11 de 12

    Capítulo 11
         Um homem acorda em um hospital. Olha para os lados:
         -O que aconteceu? Tenta se lembrar rapidamente e a mente parece não funcionar, ele vê uma garota a seu lado que estava dormindo e acordou:
         -Vovô! O homem antes confuso recupera a memoria, mas não entende o que aconteceu, como findou ali. Cachie então vê Cara entrar havia ido pegar um café. O vendo confuso olha para filha que diz:
         -Está se perguntando o que aconteceu!? E explica: -Mãe voltou para te pegar!
         -E seu braço, está tudo bem? Laischi mostrou o braço dizendo:
         -Os médicos colocaram no lugar, não fica nem cicatriz! Cara por fim minuciou:
         -O portal ficou esperando a terceira pessoa passar, eu voltei e te arrastei para este e aqui estamos!
         -E como estou vivo? A estaca... Cara entrou no portal porem volta e leva o pai para a outra dimensão e descobre que a estaca não acertou o coração. Ele ouviu:
         -A estaca não acertou seu coração, você se sentiu paralisado porque a estaca tinha sido molhada na água que continha alho. Esta se espalhou pelo seu coração. Os médicos disseram que agora está limpo e você está bem!
         Cachie sorriu e as garotas o abraçaram juntas.
         O tempo passou, neves caíram, depois chuva. Repetiu-se e passou.
         O perigo de vir pessoas do mal pela dimensão em que eles viviam. Uma pessoa deve se sacrificar junto do livro. Foi o que descobriram pessoas com más intenções estavam tentando entrar nesta dimensão de paz e trazer ódio.
         -Eles estão usando magia para atrair minha magia e assim uni-las e acabar tendo poder sobre mim, será inevitável! Explica o livro e continua: -Só existe uma saída, fechar definitivamente o portal, sendo assim, me matar e quem fizer isto pelas magias em mim, morrerá também!
         -Como Jefrei me ensinou e me deixou com o livro eu devo e vou me sacrificar, por todos e por minha família! Estava decidido, não tinha outra escolha a se fazer era o fim para o livro e para o vampiro.
         Cachie vai ao tumulo de Carlos.
         -Estou de volta, você não sabe o que descobri... Ele continua: -Deixei uma família lá que agora estão aqui comigo. Carlais ficou, queria desfrutar em seus últimos dias da vida de lobo, há essas horas ela já deve ter partido, o tempo dela acabado ou não, estamos indo um a um, como se é rotineiro. E continuou a lançar palavras ali ao vento ou a Carlos: -Como você viu já me acostumei a ser notívago. Minha filha e neta ainda pegam no sono, mas às vezes ficam acordadas comigo. Eu prefiro que elas sejam como as outras pessoas, pois a parte da noite em que se é comum também, como o resto do dia de estar disposto.
         Cachie reflete sobre as coisas que aconteceram:
         -Movido pelo sentimento de ódio podemos fazer muitas coisas. Referiu-se a Claus. E movido por outros sentimentos também podemos fazer muitas coisas. Referiu-se a Carlos agora.
         Ele se senta e recorda dos momentos com Carlos nas duas dimensões. Dos dias em que ficaram ele, Carlos e a fada Moná num celeiro de uma fazenda a espera do tempo passar. Ele lembra das palavras de Carlos para com ele. Dos dias felizes já nesta dimensão. Estes pensamentos e palavras eram um desabafar silencioso antecedente a queima do livro.
         Uma rosa se abre no tumulo de Carlos.
         Ele foi para casa aproveitar o tempo que restava e se despedir da família, que esta continuasse sempre feliz, suas crianças. Faltavam poucos dias para o fim. Eles conversam:
         -Eu tenho fé que vocês vão continuar sempre felizes!
         -É duro ter que nos separar, sei que você faz isto pela posição que tem sobre o portal, por nós, por todos, mas me pergunto se não haveria outro jeito, como enfrentar o mal que vier?
         -Seria um risco muito grande de uma improvável vitória. Cachie abraçou a neta. –estais crescendo. Sorriram, se despediram, choraram. E Cachie seguia seu destino.
         O dia da queima chega, o fim do portal, o final de Cachie e do livro. Cachie subirá num palco montado, todos ali, uma multidão rezava e veria tudo. Cara e Laischi eram também espectadoras. Todos aplaudiram quando um homem com o livro entrou e o colocou no centro sobre uma estrutura na altura do peito daquele que o deixou ali:
         -Obrigado a todos! Disse o livro. Em seguida o outro protagonista do ato que aconteceria no palco aparece e também é exaltado. Após agradecer como o livro falar reservado com este:
         -Está pronto? Mostra o isqueiro que tira do bolso.   
         -Vamos nessa! O livro tinha coragem.
         Cachie estende a mão direita aberta para o povo, despedindo-se, e com a outra mão acende o isqueiro. Para o termino de tudo e a entrega de um mundo de paz para os que ali estão.            
         Ele queima o livro!
         O livro começa a pegar fogo lentamente.
         Cachie acende o isqueiro e queima o livro, daí um buraco como um portal aparece para suga-lo e mata-lo, então inesperadamente uma fada voa e se torna do tamanho humano e se agarra a ele, eles são consumidos pelo portal negro, fica a pergunta da filha e todos:
         -Quem é ela e o que fez ao agarrar-se a ele que salvou a todos nós da maldade de outras dimensões?
          O que aconteceu? Foi apenas um abraço para o fim? E ninguém mais soube deles.
    Este é o termino do capítulo 11, veja a seguir o capítulo 12 que é o ultimo.
  • A fé 2 O fim para história de um vampiro capítulo 12 FINAL

    Capítulo 12 (Final)
         Uma velhinha termina de ler para o neto e fecha o livro: -Esta é a história de um vampiro em nossa família.
         -Você não quis ser vampira? Parece tão legal, seria incrível. Ela sorri e diz:
         -Meu pai era um vampiro bom! Cara já com idade contava das suas histórias e da família para o filho de Laischi, seu neto.
         -E lobisomens? Ela perguntou a fazendo cocegas e ouviu:
         -Deste eu tenho medo! Cara lembra-se das histórias que sua mãe contava sobre seu pai, de como ele tinha sido mordido por um vampiro e se tornado um vampiro sem querer. Dos momentos que teve com ele, de ser salva das explosões de sua casa quando tudo pegava fogo. Voltando ao neto:
         -Esta é a história de meu pai. Salvou este lugar do mal. O garoto pergunta se ela sente falta dele e ouve: -Sim, se ele estivesse ainda conosco poderíamos passear juntos, mas só pela noite. Ela sorriu e continuou: -Vampiros ainda não podem andar sobre a luz do sol, talvez algum dia possam, mas até lá.
         -Deixa a janela aberta! Pede o menino e Cara vai abri-la. Abre e olha para as estrelas pensando no pai. No momento em que se cortou num prego e teve que fugir dele, coisa que o deixou preocupado, mas tudo acabou bem, como ela tinha o dito. Disse para si mesma:
         -Pai, fui e sou feliz como você tanto lutou para que isto acontecesse. Cara tinha se casado de novo e vivia com um homem que era muito bom para ela e para família. Ele não era nem vampiro nem lobisomem, sorriu. Um humano normal a quem compartilha a vida. Como o conheceu? Não tinha sido em uma situação de perigo como conheceu o pai, e sim num momento de comemoração. Laischi estava muito bem, morava em uma casa própria um pouco longe dali, o neto tanto quanto a filha visitavam-na muito, por isso o tinha a seu lado para contar lhe tantas histórias. Para fazê-lo dormir como um vampiro fez a neta nos dias em que estiveram juntos ali.
         O vento entrou forte fazendo um friozinho. Ela agarrou-se braço a braço tentando esquentar-se. Voltou à cama do neto.
         -Você tem a quem puxar tendo medo de lobisomens! O neto sorriu dizendo:
         -Quando eles viram cachorros o medo diminui. Foi a vez de Cara sorrir. Lembrou-se da mãe, tinha fé que ela também foi feliz, e também aproveitou os últimos dias como uma grande loba.
         -Por hoje as histórias terminaram, é hora de dormir, você não é vampiro pra passar a noite acordado!
         Por fim o garoto pergunta o que aconteceu com ele e a vó responde: -Diz a lenda dos livros que se uma fada for no fim de um livro e entrar junto ao destruidor deste no portal negro, que eles vivem felizes para sempre. E a velha senhora vai novamente à janela e conclui olhando a lua cheia: - E como meu pai era vampiro ele se renderia fácil aos encantos de uma fada! Volveu para o neto: -Bom, é hora de dormir. Cara olha para o neto que finge já ter pego no sono. Então cutuca seu calcanhar:
         -Esse menino dormiu?
         -Ainda não, ainda não. Repetiu rindo com cocegas em baixo do pé onde a vó passou a fazer lhe cocegas.
         -Durma bem! O deu um beijo na testa, ajudou-o a cobrir-se.
         -Bom descanso pra você também. Cara sai e apaga a luz. Deixa a porta meio fechada, entrando um feche de luz. O neto fecha os olhos. Em seguida este tem impressão de ter duas pessoas perto dele, da cama:
         -Vó, mãe? Olha e pensou ver vulto, diz: -Ah, não é ninguém! Agarra-se ao pano e volta a dormir.
         Lá fora uma estrela cadente passa pela frente da lua cheia.
         Fim.
    Este é o fim! Agradeço a leitura.
  • A fé 2 O fim para história de um vampiro capítulo 2 de 12

    Capítulo 2
         -Isso é pela sua escolha no passado! Cachie não reclamou, poderia merecer aquilo, não sabia ao certo.
         -Como você esta? Este tempo todo. Ela o interrompeu dando resposta:
         -Eu, bem, casei-me, separei-me e você? Carlos cadê ele?
         -faleceu há algum tempo. Ela o viu triste, ele o fazia falta, talvez por isto ela não quis aprofundar no assunto:
         -Meus pêsames.
         -Só uma coisa, eu não me alimentei, enquanto conversamos você se importa de eu beber um pouco?
         -Claro que não, não sendo de meu sangue é o que importa. Carlais continuou: -Está a quanto tempo aqui?
         -Tempo de saber que não sei se mereço, mas tenho uma família.
         -Não se preocupe com isso, eu criei as meninas as fazendo te admirarem. Cachie ficou naquela de calado e chupou sangue de um dos corpos.
         -Você envelheceu, mas continua a mesma. Ela sorriu e complementou:
         -Nós lobos ficamos velhos, mas não sentimos o peso da idade como os humanos. Ela torce e ele ri perguntando se ela estava tossindo feito uma velhinha e ela explica: -É que entrou um mosquito em minha boca enquanto eu falava. E sorri também. Ele continua a deleitar-se com a bebida: -Eu senti sua falta, tinha fé que você voltaria, não mais para mim, mas para suas crianças e você está aqui.
         -Eu também pensei em você, voltei sem saber que reação teria ao me ver, se matar-me-ia como a antiga caçadora que era. Uma pausa em silêncio e continuou: -Você foi feliz com seu marido?
         -Sim, mas ele me deixou ao descobrir que eu era loba, eu o deixei ir na opção que ele tinha, o medo dele. Olhou Cachie atento as palavras e seguiu:- Ainda temos contato, mas passou e seguimos. Cachie diz:
         -sei que em noites de lua cheia es amarrada e alimentada como um animal.
         -Foi uma das coisas que o falecido padre me ensinou, assim ninguém se machuca. Ele sabia que ela não estava certa, pois via cicatrizes em seus pulsos.
         -Estes homens disseram ter uma pista de onde está nossa neta, vamos revistá-los. Olharam celulares, e Carlais abriu uma das bolsas e viu um quadro com uma foto Cachie logo pós os olhos e disse:
         -É o livro de magias que leva para outra dimensão! Pensaram, então o que eles queriam talvez fosse que revelassem como partir dali, logo também questionaram: -Ou talvez algo comigo. Não estavam certos de nada. –Precisamos de tempo para pensar e termos ideias e suspeitos. Vereemo-nos amanhã pela noite em tua casa!
         -Tudo bem, temos que entendê-los para poder descobrir o porquê a levaram. Eles voltam assim a trabalharem juntos, as lembranças de um passado e momentos que não voltariam. Para os dois a presença de um era o bastante para conforto do coração.
         -Temos que sair daqui antes que chegue mais alguém. Cachie disse e ouviu:
         -Vamos esperar nossa filha, ela vai adorar finalmente poder conhecer-te.
         -Não posso, ela vai rejeitar, não a mereço.
         -Como assim, eu contava histórias sobre você para ela, dizia sempre que você era uma pessoa boa, ela vai achar incrível! Cachie se negava com um aperto no coração. –Até amanhã, é melhor assim, deixar como está, para as crianças sou apenas um conto, uma lenda.
         -Que coisa. Carlais viu a filha entrar e ficou esperançosa, mas ao olhar para onde Cachie estava ele já não mais está, ela apenas vê um vulto de morcego a sair por uma das aberturas das vidraças da igreja.
         A filha com uma espada pergunta:
         -Oi mãe, o que ouve aqui, você está bem?
         -Sim, seu pai chegou a tempo de me salvar destes aliados dos sequestradores.
         -E onde ele está, quero vê-lo!
         -Vai ter que ficar para outro momento, ele saiu há pouco. A filha fez uma careta. –Logo vocês vão ter tempo de conversar! E usando as mesmas palavras do pai a filha diz que devem sair dali e saem.
         Os boatos corriam:
         -É uma desgraça, a escuridão está de volta.
         -Já havia, mas realmente a violência chegou com uma pitada maior dos vampiros.
         -A noite não é segura, se tranquem em suas casas, fechem as portas e não saiam por nenhum motivo se querem viver.
         E alguns tinham esperanças:
         -Tenho fé que caçadores também virão e darão assim um jeito nestes monstros!
    Este é o fim do capítulo 2, veja o capítulo 3 a seguir.
  • A fé 2 O fim para história de um vampiro capítulo 3 de 12

    Capítulo 3
    Você que ainda não leu os capítulos anteriores, não perca tempo, basta encontrá-los em meu perfil. E também você que ainda não leu o primeiro livro desta serie, também pode ver em meu perfil, o primeiro livro já está postado completo. Continue lendo. Segue abaixo o capítulo 3. Boa leitura!
         O dia seguinte chega, depois à tarde, o crepúsculo vem alaranjando tudo, deixando rosas peles, e a noite vem ainda em tempos de monstros e caçadores.
         Uma gritaria ao longe, Cachie estava chegando à casa de Carlais.
         Carlais é retirada da casa por um desconhecido.
         -O que ouve?
         Ao ver Cachie o diz:
         -Nossa filha, ela queria te conhecer e veio aqui. Não precisou ela falar, uma amiga da família gritou:
         -Sua filha ainda está lá dentro! Dirigiu a palavra a Carlais, mas o receptor foi Cachie.
         A casa estava em chamas, fogo intenso por toda parte. Cachie confortou Carlais:
         -Não se preocupe vou salvá-la!
         -Ela talvez esteja no segundo quarto, à porta da esquerda da cozinha. Ele não perde tempo, uma explosão quebra parte da vidraça da janela, Cachie corre e salta quebrando o que faltava assim entrando na casa.
         Mais uma explosão e carlais grita apavorada.
         Cachie andando pelos corredores da casa:
         -Cara! Gritava o nome dela que ela sabia muito bem em suas idas secretas a visitá-la. Foi a primeira vez que disse o nome dela. –Cara! Chegando ao quarto a porta está trancada, ele chuta a primeira vez, precisando de mais dois chutes a derruba. Tinha muita fumaça ele grita mais uma vez o nome da filha.
         -Pai é você? O desejo de vê-lo era imenso a fazendo querer que fosse ele ali presente. Cara vê um vulto e quando Cachie a vê de trás da cama ao chão, então ela desmaia.
         -Filha! Ele vai até ela: -Estou aqui! Levanta-a nos braços e se encaminha em saída.
         Mais explosões e a casa é consumida pelo fogo, mas da fumaça surge Cachie levando Cara nos braços e por trás deles a explosão definitiva, a casa é completamente destruída.
         -Filha, filha você está bem? E olhando para Cachie continua as palavras: -Ela está bem? Todos ali os olhavam e Cachie toca na face da filha a acordando:
         -Ela respirou muita fumaça, deem espaço. As pessoas respeitavam.
         Cara abre os olhos:
         -Mãe, pai! E os abraça feliz. –Você é idêntico a fotos de muito tempo atrás! Ela sorria e Cachie definia:
         -É que como você sabe sou um vampiro. Foi a vez de ele sorrir ao ver que a filha estava bem. Ela que esta com uma espada amarrada à cintura o mostra dizendo:
         -Olha é sua espada. Cachie lembrou que era a primeira espada que sua mãe lhe deu quando ele se tornou caçador, ele gostava dela. Carlais tinha pegado em suas coisas quando a mãe dele disse para ela pegar o que quisesse e guardou dando de presente à filha que anda sempre com ela, uma bela e afiada espada.
         -É sua! Ele diz e recebe outro abraço.
         Eles conversam sobre uma árvore a olhar o horizonte:
         -Será que este incêndio foi provocado pelos sequestradores ou foi por terceiros? Carlais estava em duvida.
         -Quem poderia querer matá-la? Referiu-se Cachie a Carlais que respondeu:
         -Não sei de ninguém.
         -Talvez estejam atrás de ir para outra dimensão e por isto querem nos levar a entregar o acesso em troca da liberdade de nossa neta. Cachie tentava explicar e concluía: -Ou isto teria haver com meu retorno?
         -Parece muito difícil decifrar o que os sequestradores querem, eles nem fizeram um contato, além da foto do livro. Comentou a filha.
         Pensando um pouco Cachie diz:
         -Eu não conheço seu ex marido, por isso suspeito que ele seja o sequestrador.
         -Meu pai dois, ele não seria capaz disso!
         -Bernar é um homem bom! Referiam-se elogiando o ex marido de Carlais que se chama Bernar, este com bonomia.
         -Este é meu suspeito, deveríamos confrontá-lo. Cachie insistiu, também desejava saber quem teve parte na vida de sua família, além de desejar desvendar o mistério do sequestro.
         -Se você acha, poderíamos ir vê-lo se assim você se sentirá melhor. Foram a casa do ex de Carlais.
         O friozinho da noite se fazia presente, as nuvens não estavam pesadas, a lua se esforçava para iluminar os cantos. A casa de Bernar estava iluminada, soaram a campainha. Após cumprimentarem a irmã dele que os recebeu e mandou entrarem. A irmã de Bernar é muito amiga de todos da família que a fazia uma visita. Ouviram:
         -Meu irmão está desaparecido!
    Fim do capítulo 3 veja o capítulo 4 em seguida.
  • A fé 2 O fim para história de um vampiro capítulo 4 de 12

    Capítulo 4
         A irmã de Bernar estava preocupada, carregada de choro quando recebeu Carlais e a família que estavam a procura dele, porem receberam a má noticia de que ele é mais um desaparecido, tão quanto a neta da amiga, Bernar havia sumido quase ao mesmo tempo dizia a irmã dele:
         -Antes de desaparecer ele dizia que encontraria sua filha. Dirigiu-se a Cara. Sobre escrivaninha Cachie curiava retratos.
         -É este Bernar?
         -Sim! E você é Cachie voltou de tanto tempo. O que pretende?
         -Saber se seu irmão é quem está com minha neta! Cara o interrompeu:
         -De certo, você não está vendo, Bernar é um homem bom e não seria capaz, eu repito, agora que sabemos que ele saiu com pretensão de resgatá-la, tire está tese ruim de sua cabeça. A filha em defesa do ex de sua mãe, isto fez Cachie perceber que este homem poderia ou fez o papel de pai enquanto a ausência dele causava melancolia a uma pequena criança. -Vou ligar para o celular dele. Ela deixou um recado: -Pai dois responda! Cachie viu que a filha estava preocupada com o sumiço.
         -Desculpe estou errado mesmo em duvidar de uma pessoa que as ama e que vocês amam. A dona da casa conclui:
         -Acredite meu irmão não as faria mal.
         A campainha tocou junto a pancadas na porta como alguém que tinha pressa em ser atendido, a passos largos a irmã de Bernar foi ver quem era. Enquanto os demais conversavam:
         -Voltamos ao zero.
         -Talvez o jeito seja esperar por algum contato dos sequestradores, se fizeram o primeiro ameaçando mãe, farão mais!
         A dona da casa volta correndo dizendo:
         -São caçadores, vão invadirem, saiam pelos fundos rápido!
         Era hora de seguir em busca de novos planos. Cachie tem uma carta na manga.
         Mais um dia de preocupação passa e a noite chega, o sol escaldante golpeia a lua fortemente. Carlais já está amarrada, presa a correntes. É noite de lua cheia. Cara entra para alimentá-la como de costume, porem desta vez tem a presença do pai e do feiticeiro livro. Eles conversam:
         -Ainda bem que não precisarei desta vez de carne crua.
         -Se tudo der certo você não vai mais ter que se preocupar com isso, tenho fé que conseguiremos.
         -Pelo que eu entendi, após a magia que você vai lançar em mãe, ela vai ser capaz de chegar a minha filha. Estas palavras eram para o livro que dizia:
         -Sim, os lobos de minha dimensão se desenvolvem e sendo completamente lobos conseguem se controlar e viver normalmente.
         -Os lobisomens tendem com o tempo completar um ciclo de transformação, apenas alguns conseguem naturalmente, na dimensão em que eu estive são assim, completam a mutação e se tornam lobos por completo, mas ainda humanos, ou seja, ficam com razão. Cachie quando entrou arregalou os olhos esta enfrentando um medo terrível, mas esta ali por sua família. A filha notou o pavor, mas nada falou, viu que mesmo com este ele esta bem.
         Carlais esta a ponto de devorá-los se não fosse as correntes. Foi então que Cachie abriu o livro e começou a ler ouvindo a filha:
         -Será que vai dar certo? A magia começou:
         -Vim aqui para acabar com seu sofrimento.
         Então ele diz palavras de ordem para o livro executar a magia.
         -Que leve este lobo a ser verdadeiramente um, chegando a se formar por completo. Cachie falava e o livro repetia quase ao mesmo tempo.
         O livro brilha começa a sair estrelinhas do chão. Carlais começa a se contorcer:
         -Que o animal em si se complete! A mulher lobo fica de quatro, em instantes a forma lobo está completa. As luzes sessam e ela se torna humana.
         -O que ouve? Carlais olha a lua cheia por uma das brechas da pequena janela no alto e grita: -É lua cheia, corram!
         -Acalme-se! Cachie se aproxima dela que estava nua a cobrir os seios com as mãos, ele está com um lençol e a cobre explicando: -Agora você completou o ciclo de um lobisomem em meio a magia do livro, agora você não precisará se preocupar com a lua cheia, além de você se transformar a hora que quiser, não vai mais precisar se preocupar em ficar despida, pois por meio de magia você se transforma e quando volta ao normal suas roupas voltam para você sem estar rasgada. Concluiu dizendo: -Só tem um problema, você atrai alcatéia. Tinha medo nos olhos de Cachie ao dizer tais palavras para ele o que elas significavam era um pessadelo.
         -Você e o livro feiticeiro fizeram esta magia, deveria fazer uma para que possas andar no sol. Ele sorrindo a ajudou a levantar e disse, antes:
         -Quem sabe. Cara concluiu ao mesmo tempo em que ele:
         -Vamos temos que encontrar nossa criança.
    Acabou aqui o capítulo 4, a seguir o capítulo 5.
  • A fé 2 O fim para história de um vampiro capítulo 5 de 12

    Capítulo 5
         Agora com a nova forma da mulher lobo pode sendo lobo encontrar a neta através do cheiro que é mais apurado. Está é a ideia de Cachie, que segue em ação.
         Observam o lugar em que Carlais os leva como loba, não é um lugar muito grande, mas deve ter muitos cômodos, ou mais certo, cárceres.
         -Tem três guardas eu vou na frente como morcego para ver se algum deles é vampiro, pois se for irá me seguir.
         -Caso não nós entramos em ação! Cachie dá um gritinho de susto:
         -Você fala! E falou mais: -Eu não sabia que como mulher loba você falaria.
         -Não é assim na outra dimensão?
         -Na realidade não tive contato com lobisomens. Agora ele tinha que se acostumar a andar ao lado de um lobisomem.
         -Vai! Cara ordenou a seguirem o plano. Cachie vai e sobrevoa os três homens, descobre que um destes que achava ser três homens uma é mulher, nenhum o segue, um salta e o segura dizendo:
         -Opa, morcego ninguém entra. Cachie se tornou normal e mordeu o pescoço deste sugando-o o sangue.
         Rapidamente Carlais salta na cabeça do outro mordendo e gira torcendo o pescoço dele que cai. A mulher prepara para atirar com uma arma, porem antes que agisse Cara entra em ação a dando uma paulada na cabeça por trás e a vê desabar desacordada.
         Eles invadem o lugar. Dão de cara com um vampiro que os mostra os dentes em recepção, este diz:
         -Você é Cachie, tem alguém que espera por encontrá-lo há muitos anos.
         -O que vocês querem de nós?
         -Estou aqui apenas para não deixar que ninguém leve a menina! E completou: -Daqui vocês não passam, o que um vampiro, uma simples humana e um cachorro podem fazer contra mim que sou o vampiro mais poderoso. Gabou-se e mostrou uma estava dizendo que estava preparado, Cara mostra também revidando aos atos do vampiro.
         -É perigoso pra você, vá e encontre nossa neta, nós duas daremos um jeito neste vampiro metido.
         Cachie não discutiu disse para que tivessem cuidado e correu para dentro ao corredor. O vampiro queria enfrentá-lo e ia atrás dele, porem Carlais o mordeu na perna o segurando ali, coisa que ele a fez soltar e dizer:
         -Se vocês preferem morrer primeiro, morrerão!
         -Não vamos perder tempo. Disse Cara e pegando seu revolver deu um tiro no vampiro o distraindo para a mãe o atacar numa outra distração que pretendia por fim enfiá-lo a estaca, mas não deu certo.
         Cachie para na frente de uma porta, pois escutou um barulho dentro do lugar, vê que está trancada, então chuta e chuta, até arrombar:
         -Vim salvá-la! E ver que era um rato, não tinha ninguém.
         Carlais é jogada contra parece, sente dor e vê que sua pata está machucada. Mais uma tentativa. Cara atira varias vezes contra o inimigo, então Carlais o ataca, ele tenta se defender dela é neste momento que Cara acerta a estaca no peito do vampiro que geme e cai no chão morto.
         Cachie vê um homem sentado de vigia na frente de um espelho grande de parede. Cachie faz barulho ao se aproximar, mas o homem olha pelo espelho e não vê ninguém. Despreocupado continua relaxado, o descuidado faz barulho mais uma vez, o despreocupado olha novamente para o espelho e nada é então que Cachie o agarra pelo pescoço num mata leão e o homem se debate, depois sem forças desmaia ou morre Cachie não soube ao certo. Observando ouve barulho vindo do chão e vê uma entrada pra possivelmente o porão. Ele se baixa para abrir, abrindo entra.
         A menina fica com medo ao ver ele se aproximar, porem diz:
         -Eu te conheço de algum lugar, você é celebridade?
         -Estou aqui para lhe salvar! Cachie estava alegre por em fim ter a encontrado, é então que uma mão o toca no ombro.
         Cachie olha e vê que é a filha e ao lado dela a mulher lobo, se sente aliviado por as vê-la bem:
         -Laischi! Pela primeira vez se ouve o nome da menina, fácil perceber que Cara a deu este nome como uma homenagem aos pais.
         -Filha! Elas se deixam num longo abraço.
         Não era hora para uma pausa familiar, Cara diz a filha:
         -Este é seu vovô!
         -Ele voltou, enfim! E saltou nos braços de Cachie. A emoção foi forte em olhar aqueles olhinhos chorosos e ao mesmo tempo contentes.
         -Como você está?
         -Eles me batiam para saber onde você estava e eu dizia que não sabia. Perceberam que era por causa dele que a haviam sequestrado.
         -Agora está tudo bem! A acalmaram e ela disse mais.
         -Escutei a voz de pai falando com os sequestradores. Ninguém entendeu, a mãe dela como todos ouvintes acham estranho, o que ele faria ali? Estaria negociando algo para salvar a filha? Seria ele? Talvez ela tivesse desejando ver o pai e acabou pensando tal coisa, Cara tentou explicar dizendo isso, então a menina disse mais:
         -Pai Bernar está aqui! Cachie achou estranho ela o chamar de pai. Bastou um olhar e explicaram:
         -É que o pai dela não dá a atenção que devia a ela, Bernar lhe é como um pai! Definitivo, Cachie tinha duvidado de uma pessoa boa.
         -Vamos atrás dele!
         Não andaram muito e se ouviu:
         -Que confusão é está que está acontecendo aí fora? Tem alguém aí? É Bernar com a mania de falar bastante que ele tem, ele viu o rosto de Carlais pela abertura na porta e sorriu ouvindo:
         -Viemos resgatá-los! Ele ficou contente em saber que Laischi estava à salva. Ninguém mais os viu, eles saíram com cuidado. Finalmente Cachie conheceu Bernar, não se falaram muito, mas estavam dividindo agora uma família e se deram bem, não ouve queixas nem de um nem doutro.
         Cachie ficou para trás:
         -Vou matar todos que estão e aparecerem por aqui! Pegou a bolsa de armas da filha.
         -E tentar buscar uma explicação, mandante ou culpado pelo sequestro. Especificou Carlais sabendo que não o convenceria de não ficar.
         Foi então que ele notou o machucado no braço dela:
         -Você se machucou!
         -Sim, por quê? Ela pergunta e ele se lembrou de dizer um detalhe e agora falou:
         -Esqueci-me de um detalhe, agora que es como um animal completo você pode morrer como um, apesar de seus ferimentos se recuperarem rápidos, não é mais apenas a bala de prata que pode te matar, estais vulnerável. Ela completou dizendo que o espera na casa da filha.
         Assim todos seguiram no caminho oposto ao de Cachie que enfrentaria todos para proteger sua família.
    Final do capítulo 5, segue o capítulo 6.

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