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confusão

  • Tolice

    Criança tola
    Não sabe por acaso
    Que o arraso
    Vem do fazer caso?

    Criança tola 
    Sonha com espaço
    Mas se permite só o raso
    Por medo do descaso
  • Trancafiados Vol.1

      Lembro-me muito bem, em que em janeiro de 1945, estava eu com a minha família em casa ainda morávamos em Desden na Alemanha, eu meu pai e minha mãe, em meio a guerra estávamos economizando uma quantidade significativa de comida e água.. porém em meio a guerra, a comida e bebida iriam acabar alguma hora sem dúvidas, todas as manhãs eu acordava e sempre olhava para minha janela que estava na esquerda da minha cama, sempre olhava e ficava pensando até quando aquela guerra iria durar, levariam, anos.. meses... décadas? Essa era uma das perguntas que eu não conseguiria responder, meios os dias iriam passando.... no fim de janeiro de 45 meu pai ficou extremamente doente, ardia a febre, ficava de cama o dia inteiro sem ter forças pra nem sequer levantar um copo, fiquei muito preocupado com ele e sabia que deveria tomar alguma ação rapidamente... então me lembrei que havia antes do início da guerra uma espécie de farmácia no final do meu bairro, porém em tempos de guerra era extremamente proibido e perigoso sair nas ruas, porém não pensei duas vezes em tentar pegar algum remédio, peguei o mínimo de coisas possíveis para ir até a farmácia, saindo de casa a rua está totalmente vazia, algumas casas destruídas ou abandonadas por suas famílias, não muito longe da farmácia escuto um barulho de alguma coisa batendo.. então percebo que está vindo da casa na minha direita, poderia simplesmente ignorado e ter ido até a farmácia, mas fiquei intrigado com o barulho, entrei na casa que aparentava estar abandonada, abri a porta e o barulho continuou, subi no 2° Andar e vi que o barulho estava vindo da porta no fim do corredor, me aproximei e perguntei.. "Oi?... Tem alguém aí?". Então uma voz respondeu.. "Olá!! Por favor me ajude.. estou presa aqui!!". Com um pouco de receio perguntei.. "O'que aconteceu aqui?". Ela um pouco mais calma me explicou.. "Eu estava aqui em casa, quando derrepente escutei alguém batendo na minha porta, quando olhei pelo olho mágico para ver quem era.. percebi que eram 2 soldados nazistas que estavam fazendo uma varredura em todas as casas". Muito preocupado perguntei se ela estava ferida, porém ela me disse que estava muito bem... então tentei pegar um pé de cabra que havia na garagem da mulher e arranquei as tábuas que a impediam de sair, então ela me agradeceu e perguntou se poderia me ajudar de alguma forma, então respondi; "Na verdade tem uma coisa... meu pai está muito doente gostaria de saber se você teria algum remédio..?". Ela me respondeu; "Infelizmente não tenho remédios mas eu sou médica, e trabalhava na farmácia no fim do bairro, se quiser posso lhe emprestar a chave da farmácia, você vai, pega os remédios e trás pra mim para podermos tentar ajudar seu pai.." eu muito agradecido aceitei a oferta e fui até a farmácia, chegando lá eu abri a porta e percebi que estavam com poucos remédios porém já conseguiria pegar apenas o necessário para ajudar meu pai... peguei o Último medicamento e quando olhei para a porta da farmácia, vi um soldado nazista entrando, totalmente armado, sem dúvidas se ele me visse, atiraria primeiro e perguntaria depois, então com muito cuidado me aproximei da porta dos fundos e consegui sair de lá..... Chegando em casa com a médica, ela olhou meu pai e me disse que se esperasse mais algumas horas meu pai provavelmente não teria sobrevivido, foi uma das coisas mais terríveis que aconteceram comigo naquele ano, isso que eu nem sabia por oque estava por vir..



  • TUDO COMO ANTES

    Como sonhar não se paga, então eu sonho. Estava eu, sonhando um sonho muito sonhado, não sei, não lembro o lugar, mas era presente e passado.
    Sonhei que ser gente era coisa trabalhosa, mas, para aqueles que conseguiam, era ação muito honrosa.
    Então, eu sonhando, fui também achando que gente ia se criando, sem muita dificuldade, assim como os bichinhos, e nisso não via maldade.
    Seu moço, fiquei surpreso nesse meu sonho sonhado, quando um dia vi gente  por ali, que nunca havia encontrado. Perguntei logo ao dono do sonho: Pode isso?
    O que havia acontecido com o moço, estava todo atado, dos pés ao pescoço. Se dizia vestido…
    Seu cabelo estava lambido, os dentes luzidos, o pé atolado num calçante.
    Aquilo, enrolado numa coisa, seu cheiro era tão forte, que toda venta ardia, 
    até os mosquitos por ele não tinham  simpatia. Parecia com gente, mas era diferente.
    Eu, acostumado com fala de gente, achava que conhecia de tudo, mas era inocente.
    Fiquei todo arrepiado, quando aquilo começou a bradar: pega, pega, temos que domesticar!! 
    Era eu, que ele queria pegar, o meu nicho ele queria dominar.
    Saí correndo, fui minha família avisar, que aquela coisa estranha, estava vindo pra cá.
    Com o passar dos tempos, entre mortes e açoites, invasões e opressões, fomos nos acostumando com os ferrões e porões. Nós cuidando da vida, eles por aí matando.
    Veja só que situação, nós cuidamos da vida, mas eles é que são cristãos, eles de pés calçados e nós de pés no chão. 
    Como não podia ser diferente, minha gente começou a se misturar, com gente que não era como a gente.
    Trouxeram  costumes, e com o olhar fixo em nossa nudez estavam. Diziam que por estar nu,  meu povo e eu pecava.
    Aqui tudo natural, combatia a morte, mas não era imortal. Gente e natureza, união perfeita, eles civilizados, olhando nossos corpos, com seus pensamentos bestas, logo começaram a dizer, que não tínhamos religião, mas uma seita.
    Ele e seu povo, que se diziam gente, trouxeram pra essa terra pano colorido,
    pau-de-fogo e aguardente.
    Com isso vestiram minha gente, domesticaram os leões e mataram TUPÃ.
    Trouxeram outra fé e outros ritos, mataram a tudo com doenças, com fogo, com balas, nos cansaram de tanto correr, correr pela vida, correr para viver. 
    Então sonhei que era um morto-vivo, mataram aquilo pelo qual sobrevivo, minha fé, minha forma de vestir, ou não vestir… fui ci-vi-li-za-do.
    Acordado, não consigo  me sentir vivo, é sempre um bate e apanha. Alguém enganando alguém, pra ver se arrebanha.
    Sempre há alguém cultuando a morte pela revolta, não há entendimento, falam em igualdade, mas no fundo o oprimido quer sobrepor-se ao  opressor, busca eterna por poder, às vezes por um favor.
    Sonhava que era fácil ser gente.
    Olha só, disseram que era pecado viver nu, adorar a Deus, com o nome de TUPÃ.
    Pensei em meu sonho, ponderando sobre onde estava o erro de viver nu ou vestido, mostrar o… ou o umbigo. Fato é que ficar vestido em dia de frio é bom, e livre em época de calor é divino, ambas as culturas têm suas vantagens, não sei por que a briga por essa bobagem. Queriam vestir, agora brigam pela nudez, terão que voltar no tempo. Quero viver outra vez.
    Eu nunca sonhei em impor o meu querer, ou ceder a outra vontade.
    Não sonho mais, pois vejo um mundo neoliberal, hipócrita. Pregam direitos e não prega dever, fala de igualdades, mas quer ensinar religião, isso faz mal ao meu coração.  Parem o barco que eu quero descer! ,
    REFERÊNCIAS
    Foto01
    https://st3.depositphotos.com/3711911/13044/i/950/depositphotos_130447640-stock-photo-diversity-and-tolerance.jpg
    Acesso em 28/05/2020
    SILVA, Jailton José da- Texto tudo como antes- https://www.webartigos.com/artigos/tudo-como-antes/153724 acesso em 28/05/2020
  • TUDO COMO ANTES

    Como sonhar não se paga, então eu sonho. Estava eu, sonhando um sonho muito sonhado, não sei, não lembro o lugar, mas era presente e passado.
    Sonhei que ser gente era coisa trabalhosa, mas, para aqueles que conseguiam, era ação muito honrosa.
    Então, eu sonhando, fui também achando que gente ia se criando, sem muita dificuldade, assim como os bichinhos, e nisso não via maldade.
    Seu moço, fiquei surpreso nesse meu sonho sonhado, quando um dia vi gente  por ali, que nunca havia encontrado. Perguntei logo ao dono do sonho: Pode isso?
    O que havia acontecido com o moço, estava todo atado, dos pés ao pescoço. Se dizia vestido…
    Seu cabelo estava lambido, os dentes luzidos, o pé atolado num calçante.
    Aquilo, enrolado numa coisa, seu cheiro era tão forte, que toda venta ardia, 
    até os mosquitos por ele não tinham  simpatia. Parecia com gente, mas era diferente.
    Eu, acostumado com fala de gente, achava que conhecia de tudo, mas era inocente.
    Fiquei todo arrepiado, quando aquilo começou a bradar: pega, pega, temos que domesticar!! 
    Era eu, que ele queria pegar, o meu nicho ele queria dominar.
    Saí correndo, fui minha família avisar, que aquela coisa estranha, estava vindo pra cá.
    Com o passar dos tempos, entre mortes e açoites, invasões e opressões, fomos nos acostumando com os ferrões e porões. Nós cuidando da vida, eles por aí matando.
    Veja só que situação, nós cuidamos da vida, mas eles é que são cristãos, eles de pés calçados e nós de pés no chão. 
    Como não podia ser diferente, minha gente começou a se misturar, com gente que não era como a gente.
    Trouxeram  costumes, e com o olhar fixo em nossa nudez estavam. Diziam que por estar nu,  meu povo e eu pecava.
    Aqui tudo natural, combatia a morte, mas não era imortal. Gente e natureza, união perfeita, eles civilizados, olhando nossos corpos, com seus pensamentos bestas, logo começaram a dizer, que não tínhamos religião, mas uma seita.
    Ele e seu povo, que se diziam gente, trouxeram pra essa terra pano colorido,
    pau-de-fogo e aguardente.
    Com isso vestiram minha gente, domesticaram os leões e mataram TUPÃ.
    Trouxeram outra fé e outros ritos, mataram a tudo com doenças, com fogo, com balas, nos cansaram de tanto correr, correr pela vida, correr para viver. 
    Então sonhei que era um morto-vivo, mataram aquilo pelo qual sobrevivo, minha fé, minha forma de vestir, ou não vestir… fui ci-vi-li-za-do.
    Acordado, não consigo  me sentir vivo, é sempre um bate e apanha. Alguém enganando alguém, pra ver se arrebanha.
    Sempre há alguém cultuando a morte pela revolta, não há entendimento, falam em igualdade, mas no fundo o oprimido quer sobrepor-se ao  opressor, busca eterna por poder, às vezes por um favor.
    Sonhava que era fácil ser gente.
    Olha só, disseram que era pecado viver nu, adorar a Deus, com o nome de TUPÃ.
    Pensei em meu sonho, ponderando sobre onde estava o erro de viver nu ou vestido, mostrar o… ou o umbigo. Fato é que ficar vestido em dia de frio é bom, e livre em época de calor é divino, ambas as culturas têm suas vantagens, não sei por que a briga por essa bobagem. Queriam vestir, agora brigam pela nudez, terão que voltar no tempo. Quero viver outra vez.
    Eu nunca sonhei em impor o meu querer, ou ceder a outra vontade.
    Não sonho mais, pois vejo um mundo neoliberal, hipócrita. Pregam direitos e não prega dever, fala de igualdades, mas quer ensinar religião, isso faz mal ao meu coração.  Parem o barco que eu quero descer! ,
    REFERÊNCIAS
    Foto01
    https://st3.depositphotos.com/3711911/13044/i/950/depositphotos_130447640-stock-photo-diversity-and-tolerance.jpg
    Acesso em 28/05/2020
    SILVA, Jailton José da- Texto tudo como antes- https://www.webartigos.com/artigos/tudo-como-antes/153724 acesso em 28/05/2020
  • Última

    A dor que me alimenta da fadiga dá minha existência ,no limite
    Sufocado por desejos de melhorar
    Mais sei que sou fraco para tal valor
    Insuficiente a minha força de caminhar
    E penso qual será o dia que eu cairá
    Não tenho ninguém para me apoiar
    Sou covarde para me apresentar
    E com tamanho peso entre as minhas costas vou cambalhiando pensando o dia que vou cair.
  • Ultimo dia na terra

          O vento noturno soprava de forma tão violenta que tudo que eu podia ouvir era um zunido estridente que impedia até o mais recluso de meus pensamentos. A lua brilhava, pálida e fantasmagórica no céu, parecia agora tão distante quanto qualquer outra alma naquele deserto que parecia não ter fim. Vagava já pelo quinto dia na imensidão árida que um dia já tinha sido o estado do Mato Grosso. Há cinco dias, havia partido de minha cidade natal, Sorriso, em direção a capital, levando três cantis de água e uma mochila de enlatados para sobreviver no que agora era conhecido como “o vazio”. A cada passo que dava, uma pegada se formava, e, logo era apagada pelo vento. Aos poucos, o deserto apagava todos os rastros de minha existência. Sabia que no fim, o vazio acabaria por engolir-me.
        - Este é meu último dia na terra- digo a mim mesmo, mas quase não posso ouvir por conta do vento ensurdecedor. – Ou será, se não chegar ao meu destino.
           Tateio o lado esquerdo do meu grosso casaco de pele em busca do bolso. Quando encontro a fissura, deslizo os dedos para dentro dela e retiro os dois recortes de jornal que carreguei comigo pelos últimos 31 anos. O primeiro continha a foto de dois homens de terno apertando as mãos calorosamente, logo abaixo, havia uma matéria intitulada “projeto de lei 6.299/2002 é finamente aprovado, inicia nova era para os defensivos agrícolas”. A matéria datava do ano 2019. O ano em que passamos a nos alimentar de veneno, a nos banhar em veneno e a respira-lo também. Os campos morreram e o grande potencial agrícola do país sucumbiu, levando consigo toda nossa esperança. As fontes de água foram comprometidas e o ar era carregado de tóxicos. A natureza pereceu diante de nossos olhos e não pudemos fazer nada.
            O grande estado do Mato Grosso, referência em desenvolvimento agroindustrial, tornou-se o vazio. As enfermidades apareciam aos montes, o veneno era perspicaz, matava o corpo lentamente e só depois de causar sérios danos a sanidade. Lutas começaram pela sobrevivência e as pessoas fugiram para o deserto. Eu, entretanto, fiquei. Fiquei, na esperança de que a ajuda chegasse, o governo talvez, mas perdemos contato com o resto do território então imagino que não haja mais nada além do vazio.  A última notícia do mundo velho estava contida no outro recorte de jornal que carregava comigo há tanto tempo, este dizia “Centro de refugiados aberto na grande Cuiabá, começa o processo de desintoxicação”. Era para lá que estava indo. Minha última esperança.
              Os dias eram insuportavelmente quentes e as noites faziam congelar até a mais profunda fibra de meu corpo. Todas as noites, quando o frio atravessava os grossos casacos de pele, eu cogitava incendiar os recortes para me aquecer, mas sempre descartava a ideia. Mesmo tão antigos, eles eram minha única ligação com o mundo velho, e agora, mais uma vez, me fizeram seguir em frente. Enquanto andava, o pacote que estava no meu bolso direito balançava e fazia barulho. Dentro do invólucro, havia sementes, de todas as cores e tamanhos. Esperava que quando encontrasse a última esperança no deserto, pudesse devolver ao vazio a antiga beleza do mundo velho, talvez houvesse alguém lá que soubesse como. As sementes eram a relíquia de um não mais tão jovem colecionador, assim como a arma que eu carregava na cintura. Esta, estava carregada com o que eu havia apelidado de anti-sementes, quando eu tivesse que plantar uma, algo morreria. Se o vazio acabasse por vencer minha fibra, eu alimentaria o solo seco com meu sangue.
              No final do quinto dia, me sobrava apenas meio cantil de água e uma pequena quantidade de comida e eu não fazia ideia de quando encontraria algum recurso novamente. Como em tantas outras ocasiões, a ideia de desistir espreita em meus pensamentos. Cerro os olhos com força e minhas pernas fraquejam. As lagrimas não aparecem, meu corpo estava carente de água. 
    - Não posso mais seguir em frente- digo como em tantas outras vezes- esta viagem não tem sentido. Assinei minha sentença quando resolvi deixar o abrigo.
    Mesmo contra a vontade, abro os olhos outra vez e o que vejo me deixa em choque. Havia uma figura encapuzada parada em pé a menos de 20 passos de mim. Fico receoso, as pessoas no vazio não eram mais confiáveis, o veneno podia fazer coisas inimagináveis com a mente. A figura então tira o capuz e revela seu rosto, era um senhor. Além das queimadoras do sol, o homem não aparentava nenhuma enfermidade visível, tampouco parecia representar alguma ameaça. Resolvo então aproximar-me com cautela, todo cuidado ainda era pouco. Quando estou a cinco passos do homem, posso ver seu olhar vazio e não posso deixar de imaginar que o meu rosto deve estar exibindo a mesma expressão. 
      - De onde veio, meu senhor? – grito para a figura- E para onde vai?
    O velho fixa seu olhar vazio no meu e a resposta arrasta-se para fora de sua boca com dificuldade.
      - Eu venho do grande cemitério. Parti tem uma noite e busco um lugar onde possa sobreviver.
    Reparo que o homem parece estar realizando grande esforço para responder ao meu questionamento, penso em oferecer-lhe um pouco de minha água, sua viagem também não era fácil. Mas, antes que pudesse dizer qualquer coisa, o velho cai ao chão bem em frente aos meus pés. Desesperado viro seu corpo para cima e vejo que o homem não consegue mais manter os olhos totalmente abertos, o vazio o havia alcançado, não lhe restava muito tempo. Eu, contudo, precisava da informação que o senhor tinha.
    - O que é o grande cemitério? – pergunto
    Aproximo meu rosto ao do velho e ouço seu último sussurro.
    -A grande capital cinza, agora é só uma enorme lápide no deserto. Nenhuma alma vive.
    Ao desferir essas palavras, o senhor fecha os olhos pela última vez. O choque daquela informação acertou meu peito em cheio. 
    - Não há nada além da areia e do veneno- digo fazendo com que as palavras ecoem no vazio. Agora os ventos estavam já mais calmos. – FOI TUDO EM VÃO.
    Tiro as sementes do bolso fundo e as deposito na areia ao lado do corpo do velho.
    - Meu último dia na terra- digo outra vez, agora sentindo o peso dessas palavras.
    Deito ao lado do cadáver e das sementes e sinto a areia fina se moldar ao formato do meu corpo. Minhas costas relaxaram ao toque da superfície macia. Retiro a arma do coldre em minha cintura e coloco-a em frente aos meus olhos. O Brilho da lua reflete no cano do revólver e eu entendo a mensagem. Olho para o céu e percebo que a aurora começa a pintar-se em um tom avermelhado.
    -Meu último dia na terra.
    Engatilho a arma e aponto-a para meu queixo com a mão direita. Com a mão esquerda, pego um punhado de areia e deixo-a escorrer entre os dedos. A terra estava morta e eu logo iria me juntar a ela. Vislumbro as estrelas mais uma vez e penso se existe algo lá em cima observando, esperando algo de mim. Com certeza estava decepcionado. Cerro os olhos com força e respiro fundo. Em um último ato desesperado, vou de encontro a paz que tanto buscava. O estrondo da arma ecoa pelo deserto e se dissipa no vento, levou consigo minha alma. Meu sangue regou a solo, morto há tanto tempo. Havia plantado a última semente, e o fruto agora alimentaria a terra por muito tempo.
  • Um barulho

    .: Eu estava na minha cama, encostado pra não dormir, porque dormir é pior.
    .: Ouvi o barulho noutro comodo, olhei pro lado e o escuro lá parecia maior
    .: Então levei minha melhor arma, a coragem, e meu melhor escudo o medo
    .: Pra ver o que tinha ali, tocar com meus dedos
    .: Ela estava no chão, deitada de lado
    .: Respirava rápido, nariz entupido, batom borrado
    .: - Ei moça, eu não sei como mas ouvi o som do seu coração partindo
    .: - Não queria incomodar, já vou indo
    .: - Mas saiba que eu estou no outro quarto, e o problema se resolve mais fácil dividindo.
  • Um conselho:

    Não deixe para fazer as coisas de última hora.
    E não, eu não estou falando daquele trabalho que você está enrolando a meses, 
    Nem daquelas compras do supermercado das quais você tem tanta preguiça.
    Eu estou falando dos seus sentimentos.
    Isso mesmo, não deixe para demostrá-los de última hora,
    Não deixe para dizer o quanto você ama no momento final, 
    Porque talvez, a última hora, seja tarde demais.
  • Um Karma de esquina

    Gaguejo a cada instante

    Importante são todas as palavras

    Os olhos trêmulos e caídos meus

    Vibrantes são as artérias e alma

    Amor será apenas um telos

    Nada de sentimentos agora

    "Nós" nunca existiremos

    Amada, sem nome, tu és melhor

     

    Karma de proporções tremendas

    Aquilo que sempre odiei

    Me invade em uma esquina distraído

    Instantes estes miseráveis

    Matam-me um pouco a cada dia

    Um por um, por completo e em pedaço

    Rasgam minhas vísceras no espaço

    Amada, tu nunca terá nome

  • Um Pouco De Tudo Que Vivi

    Um Pouco De Tudo Que Vivi
    O Surgimento
    Com o tempo você começa a perceber que as coisas não são com realmente parecem ser, ou realmente são daquela forma e você enxerga de forma diferente.
    O que tenho para falar aqui realmente não sei, talvez seja apenas mais uma história de uma pessoa falando de sua vida sofrida ou coisa do tipo, a única certeza que tenho é que estou fazendo porquê quero.
    Ignorância: aquilo que salvou minha vida.
    Posso dizer por mim que enfrentei várias dificuldades na vida, provavelmente para você isso nunca terá importância, mas sempre tive que mudar para poder me livrar de dificuldades que a vida me arranjava, todas nossas decisões tendem a ter efeito bons e ruins independentemente da situação.
    Vejo muitas pessoas dizerem que pessoas inteligentes tendem a ser tristes ou depressivas, mas acredito que não é ser inteligente que te deixa triste ou deprimido, mas sim a quantidade de informação que você carrega com si, quanto mais informações temos, mas desacreditados todo mundo ficamos.
    A pessoas mais geniais do mundo sempre tinham algo em comum, a tristeza, e muitas recorreram ao suicídio.
    Depois de toda essa dissertação, irei falar um pouco de mim e dizer como a ignorância me ajudou até agora, começando pelo começo do começo.
    Em 29 de outubro de 2001 nascia um pequeno garoto, interior do estado de São Paulo, morou em apartamento nos seus 2 primeiros anos de idade, depois foi morar na chácara pertencente ao seu avô, que foi onde sua vida deu início.
    La existia 2 cachorros, Pastores-Alemães, King e Spike, um de pelo mais claro e um mais escuro respectivamente, eram seus grandes companheiros em sua jornada de descoberta pela chácara. Dessa maneira o pequeno garoto cresceu em meio a natureza, e animais, afastado da cidade e das pessoas, e a partir daí começou a formação das pessoas que ele é hoje.
    Seu avô: um senhor de idade que contava incríveis histórias e divertias todos com elas, porem era uma pessoa que tinha vários problemas de saúde, como o câncer que foi o que levou a vida dele em junho de 2011, próximo ao seu aniversário.
    Eu acho engraçado como as pessoas na maiorias dos casos veem a falecer perto de seus aniversários, talvez engraçado tenha sido a palavras errada já que se trata da morte de alguém, mas sinto-me indagado diante a isso, o por que tanto dessas coincidências, é como se as pessoas já nascessem com data de validade.
    Voltando a minha “incrível” história melancólica, 2008/2009, meus cachorros que tanto gostava havia morrido, mas outros apareceram para “substituir” eles, seus nomes eram Nike e Tico.
    Tico era um cachorro mais bravo que os outros mais nunca causou mal algum, apenas era um cachorro ciumento, ficava na dele e não era muito de brincar, pra nossa infelicidade, ele teve um tumor em uma das suas pernas dianteiras que teve que ser amputada, hoje ele vive normalmente com apenas três patas.
    Nike foi um dos melhores que cachorros que já convivi, cresceu praticamente junto a mim, brincávamos, sempre que voltava da escola, ele era um cachorro muito atencioso, obediente e divertido.
    Infelizmente faleceu em 2 de abril de 2018 por causa da idade avançada, eu não tive a chance de me despedir dele da maneira correta, o que me trouxe muito tristeza, não ter passado seus últimos dias junto a ele.
    Desde o princípio o ensino era particular, do pré ao primeiro do fundamental em um colégio, após isso mudou-se de cidade por motivos familiares que no caso era a separação dos pais (é nisso que acredito pelo menos).
    Foi morar na casa de sua tia junto a sua mãe que era na cidade do lado, com isso mudou-se de colégio, ainda particular, fez o segundo e o terceiro do fundamental nesse.
    Em 2011, voltou a chácara, e com isso mudou de escola novamente. Apenas depois alguns anos fiquei sabendo o real motivo de ter voltado, que era passar os últimos meses de vida junto ao meu avô que estava com câncer no fígado.
    Me recordo bem do dia da morte dele, eu estava na escola, mais ou menos no horário de almoço, naquele dia eu tinha prova de português, minha mãe veio me buscar, que felicidade ir embora mais cedo e não fazer uma prova, como fui ingênuo, era tudo para receber a notícia que ele havia falecido. Em um mesmo dia perdi uma prova e meu avô.
    A vida seguiu em frente até 2015, que definitivamente sai da chácara com minha mãe e fomos morar em um apartamento alugado, era eu e ela, mais nada.
    Para mim era muito difícil fica mudar de casa “toda hora” porque eu realmente gostava muito da chácara.
    Em abril de 2016 arranjei um cachorro para ficar comigo no apartamento, e anular um pouco da minha solidão.
    Sempre tive problemas com amizades ao decorrer da vida, provavelmente meu segundo e terceiro ano do fundamental tenha sido os piores, era eu e minha cabeça seguindo em frente sem saber quando aquilo ia acabar.
    Novas Concepções
    No quarto ano as coisas começaram a tomar um rumo diferente, estavam fluindo melhores, consegui arranjar uma matéria na escola que me satisfazia e colegas de classe que eu gostava, a matérias era Ciência, quantos os amigos deixa para outra hora.
    Enquanto eu estava no quarto ano descobri que ao passar para o quinto eu teria aulas de robótica, eu vi minha vida tendo um rumo mesmo sendo tão novo, mesmo no quarto ano já estudava livros de Biologia do segundo do ensino médio. Adorava inventar e tentar criar coisas novas, tinha apelido como cientista maluco ou coisas do tipo, principalmente pelo cabelo sem desarrumado, algo que não mudou até hoje.
    Depois de alguém tempo comecei a perceber que as pessoas eram “controladas” ali na classe por um outro aluno que acabei de sendo muito amigo dele por um tempo já que a gente tinha os mesmos ideias da ciência e tecnologia.
    Conforme os anos passavam a classe crescia, e as pessoas continuavam sobe esse controle, mesmo que fosse imperceptível eu conseguia ver ele de alguma forma, era incrível o poder que ele tinha de fazer as pessoas seguirem ele ou sua opinião, e acho que isso contribuiu com minha perda de vontade de fazer as coisas ali dentro.
    Um Destino Não Tão Esperado
    Chegou o oitavo ano em 2015 e eu já tinha visto muita coisa acontecer na minha frente, mesmo que eu me divertisse ali eu sentia que algo estava errado, me parecia mais que eu tinha falsas amizades ali dentro, mesmo que tenha sido por tantos anos, ali naquele ano percebi que não dava mais pra mim e que provavelmente eu iria repetir, mesmo nas matérias que amava eu estava muito mal.
    Eu não queria mais viver ou querer saber dos outros, pra mim não importava mais o rumo do universo, eu sentia que ele conspirava contra mim e não havia nada a ser feito, eu apenas tinha me tornado um pedaço de carne que vagava por aí sem direção.
    Esse foi um ano em que me senti traído pelos meus colegas de classe, eu realmente percebi quem poderia ser meus amigos e quem não poderia. Pelo fato do meu desempenho nas notas não serem das melhores as pessoas automaticamente começaram a me excluir, bom, foi isso que senti pelo menos. Dificilmente eu tenho algum tipo de comunicação com as pessoas de lá.
    No final o resultado já era o esperado, repeti de ano e mudei de escola novamente, lá estava eu pela primeira vez em uma escola pública que na maioria das vezes não era bem vista pelas particulares.
    Hoje acredito que ter repetido de ano foi uma ação tomada pelo meu inconsciente para me livrar daquilo que eu vivia no momento, talvez você ache que é loucura, mas eu não ligo, estou acostumado em pensar em loucuras mesmo, e escutar isso dos outros.
    Minha decisão nessa nova vida, foi me isolar dos outros, esquecer dos antigos e seguir em frente, fingir que eles nunca fizeram diferença nenhuma, foi assim que escolhi fazer para ter sucesso.
    E fazendo isso realmente consegui o sucesso, eu isolado sem ter com quem conversar minha única alternativa era passar de ano sem mais nem menos. Passei o oitavo sem muitas dificuldades, no nono ano, fiz uma nova estratégia, fazer todas a lições necessárias e me esforçar menos nas provas, tive resultado, passei de ano sem dificuldades, talvez eu tenha aprendido com a vida, a não fazer decisões, mas sim, criar novas.
    Em 2017 que foi meu último ano no fundamental conheci um garoto pela internet que era de outro colégio, ele fazia o primeiro ano do médio, já que eu não tinha amigos a quem me prender ali eu logo quando terminei o nono fui para a escola dele ao mesmo tempo que mudei de apartamento, e foi onde minha vida começou a mudar outra vez.
    Eu ainda era isolado dentro de classe, eu realmente evitava em ter qualquer tipo de relações com as pessoas da classe, porem eu me dava muito bem com as pessoas das outras classes do mesmo ano.
    E no final daquele ano, um cara do terceiro do médio me confundiu com um travesti da internet a fora ai, e por mais bizarro que pareça acabamos nos tornando amigos, e ele me propôs um incrível ideia de montar um grupo, de pessoas confiáveis, para formar uma “família”, o grupos tinha membros, só faltava sairmos, nos encontrarmos, eu era o mais desconhecido dali, não sai nem de casa direito na época, fazíamos encontros nos finais de semana para todos se conhecerem melhor, até cheguei a perder minha timidez que tanto me ferrou ao longo da vida.
    O Atual
    2018 terminou e passei para o segundo médio que é onde me encontro agora, 2019 começou, a escola mudou, tudo mudou, porém, eu tinha amigos, os alunos das outras classes que eu conversava nos intervalos do ano passado agora eu tinha dentro da minha classe.
    Do lado de dentro eu estava muito bem, mas aquele grupo do lado de fora foi desaparecendo com o tempo até se tornar nada.
    Com sorte daquele grupo ainda converso com três pessoas que considero muito importantes para mim, e quero que continue assim por bastante tempo, eu percebi que mesmo em situações ou decisões ruins eles nunca me abandonaram.
    Meu maior medo atualmente é que tudo se repita novamente, eu sinto que as vezes estou cada vez mais próximo disso, minhas notas caindo, eu me afastando das minhas amizades.
    A conclusão que tenho sobre minha vida hoje é que ela só está dando certo por que eu fiz uma decisão que foi: ignorar.
    Sempre fui alguém muito orgulhoso de mim mesmo, na maiorias das vezes eu consigo meu colocar em um nível acima de alguém, recentemente fiz uma frase para representar esse orgulho que tenho, ela foi : “O único fato que me torna superior aos outros é que eles não podem ser eu”.
    Eu sempre penso comigo mesmo que se eu quisesse ser melhor que alguém eu conseguiria sem dificuldades, talvez eu nunca tenha me esforçado de verdade para ser o que sou e saber o que sei.
    Outro grande fator que mudou minha vida foram as piadas, porquê me fez divertir as outras pessoas e isso me fazer rir junto, talvez não das piadas contadas, mas sim da cara dos outros ao ouvir elas.
    Fazendo isso descobri que as piadas necessitam de regras para o comediante ter sucesso, como, estar preparado para ser criticado pelos outros, conhecer a cultura em que se vive, porquê piadas são baseadas na cultura conhecida, sem cultura sem risos, você sempre deve manter um posição neutra diante do assunto usado, e nunca fazer piadas focadas em atingir um determinado grupo de pessoas. Uma dica tambem é fazer piadas autodepreciativas, são piadas que funcionam muito bem e apenas usam você.
    Fazendo tudo isso aprendi a ser ignorado e a ignorar as coisas que aconteciam a minha volta, aprendi a não ter preocupações.
    Família
    Sem se quer pensar consigo dizer quem foi a pessoa mais importante para mim, meu avô, mas já falei dele aqui. Não vim de família rica, mas tambem não éramos pobres, tínhamos o suficiente para o necessário.
    Meu pai é uma pessoa que sempre tentou me montar de alguma forma, modo de vestir, ideias, formas de pensar e agir, acredito que isso tenha me afetado da maneira mais brusca possível durante a vida. Eu tenho que agir assim, me vestir assim, ser assim, eu tenho que ser alguém que não condiz comigo. “Se você falar assim as pessoas vão achar que você é gay, pare já com isso”, “As pessoas não ficam perto de você por causa disso”, “Você precisa se vestir igual gente”, “Se estiver de capuz vão achar que você é ladrão, isso você não é”, “Esse seu amigo parece estranho meio gay, cuidado”. “Não ligue para sentimentos”, “Aja igual homem”.
    Isso foram algumas coisas que ouvi ao longo do tempo e ouço até hoje, eu não queria alguém me controlando, nunca gostei de ordens ou pessoas que tentavam impor algo para mim, minha alternativa era agir de certa forma com ele e de outra com o resto, tudo para me adaptar e ser quem eu queria ser.
    Pode parecer difícil, viver assim, mas de alguma forma eu consigo, eu saio com ele hoje em dia e consigo me divertir e me distrair, por mais que em alguns momentos isso ainda acontece.
    Minha mãe foi a pessoa com que provavelmente passei mais tempo durante minha vida, sempre saia com ela, eu praticamente escolhia ela para tudo. Mas era a pessoa que mais brigava comigo, sempre me batia e apanhei muito quando criança, meu pai era quem me salvava dessas situações.
    Sem dúvida alguma meus cachorros foram uma das coisas mais importantes na minha vida para mim, estavam comigo sempre e não me criticavam, brincavam comigo, se divertiam comigo, me entendiam, se necessário me protegiam, se pudesse eu estaria ao lado deles nesse momento.
    Quanto ao resto da família, uma parte é da capital de São Paulo e o resto do interior do Paraná, então não tive muita convivência com eles por causa da distância, nem mesmo troco mensagens ou algo do tipo.
    Algo longo do tempo me isolei do mundo, das coisas, minha vida acontece na frente de um computador na maioria do tempo, conhecer as pessoas na internet e conversar com elas, jogar com elas é o que me diverte nos dias atuais.
    Conclusões
    Acredito que escrevi tudo isso para mostrar a mim mesmo como eu cresci na vida.
    Não me importei com a qualidade do texto, sua ordem cronológica ou coisas do tipo.
    Mas acredito que tudo isso tenha dado um aspecto diferente a ele, fazendo com que as pessoas juntem os fatos e os tempos para chegarem a uma conclusão.
    Escrevendo essa pequena parte da minha vida percebi que talvez eu seja a pessoa que menos me conheço mesmo tendo convivido comigo esse tempo todo, talvez tenha ignorado tanto que eu não sei quem eu realmente sou ou o que me tornei, cheguei em um nível que não me recordo de ter tantas lembranças dos últimos anos vividos. Talvez minha mente tenha se habituado a mesmice e ter parado de registrar a vida.
    Uma nova ideia que esta flutuando em minha mente é a impossibilidade de viver momentos felizes sem ter vivido momentos tristes, é como ser um dependesse do outro, porquê você não vai saber  o que é felicidade sem ter vivido algo triste antes, um depende do outro para acontecer, como saber a sensação contraria daquilo sem realmente ter sentido?
    Provavelmente é muito difícil a vida de uma pessoa com depressão, mas já parou para pensar que talvez a depressão tambem sofra com a vida da pessoa.
  • Um Resquício de Esperança

    Enterrar aqueles pensamentos,aqueles sentimentos não é tão fácil.Eu ainda choro de noite,mas não na mesma intensidade.Ainda penso naquele dia,mas não com tanta frequência.Depois que as decisões estão tomadas sofrer não é uma opção.Quando fecho os olhos todas as coisas voltam.Meus pensamentos assassinos matam qualquer resquício de esperança.Esperança de não pensar nisso...naquele dia.Onde um coração se tornou dois.Partido.Sou um ser partido.Em dois ou em mil?
  • Uma Carta para Alguém Amado

    Eu poderia mentir. Poderia te dizer que estou sempre bem e que sempre sei o que estou fazendo, além de estar sempre feliz e tenho absoluta certeza do que quero. Como disse, eu poderia mentir.
    A verdade é que tenho muito medo de onde estou. Eu sei que grande parte dos problemas não sou eu quem causo, mas mesmo assim me afetam. Me sinto insegura e nem sei o que estou fazendo. Tenho tantas dúvidas de quem eu deveria ser ou do que deveria fazer.
    Estou assustada de verdade. Sei que existem muitas expectativas sobre mim e eu juro que não queria desaponta-las, mas infelizmente sinto que esse molde que montaram para mim, não me cabe. Não consigo me conter no que me limitaram a ser. Não que estejam errados, entendo que as expectativas vêm com suas vivências e aprendizados. E pra falar a verdade, me sinto errada e deslocada grande parte das vezes. Lágrimas escorrem pelo meu rosto enquanto escrevo porque não me sinto certa de nada e estou sempre em dúvida de tudo.
    É errado desejar coisas que sei que são impossíveis? Não quero que vão embora, mas não posso segurá-los aqui. Não posso forçá-los a algo que já não faz bem a ninguém. Tenho boas lembranças, mas as ruins estão tomando grande parte da memória. Me sinto desgastada e cansada todo o tempo. Não é um desgaste físico e sim mental. “Você não pode fazer nada”, “Cuide de si mesma”, “Eles te amam independente de tudo”, “Mesmo separados sempre vão estar com você”. São frases das quais tento me convencer e me agarrar o mais forte que posso, como uma crença de que tudo vai dar certo. Mesmo assim tenho muito medo do que pode mudar. Mudanças são boas, podem melhorar as coisas, e eu quero que tudo melhore… De verdade!  
    Talvez eu esteja sendo egoísta, tenho sentimentos ruins pelas coisas que aconteceram e acontecem e eu não queria. Não queria ser assim. Queria simplesmente não ligar mais para nada, seria mais fácil, doeria menos. Só que eu já estive desse lado também e sei que quando se deixa de se importar, também se perde todo o sentindo de viver. Qual a graça de uma vida sem sentir absolutamente nada? Nada é o suficiente, nada me satisfaz, nada parece bom. Não quero ficar assim, não de novo.
    É como caminhar em uma ponte sem encosto, preciso seguir em frente sem cair. Não posso me perder no caminho.  
    Anoiteceu novamente e continuo aqui na janela, sentada no parapeito. A rua está vazia e está ventando. Um vento para apaziguar o calor do verão. A lua parece mais forte esta noite e eu consigo sentir sua energia, assim como o vento no meu rosto e som das folhas que são beijadas por ele. Por um momento todos os problemas parecem tão pequenos e eu pareço tão mais forte do que realmente me sinto. É como se estar perdido não fosse um grande problema, porque todos estão.
    Desculpe estar gastando seu tempo com meus medos e inseguranças. Desculpe gastar seu tempo com um texto tão bobo e descuidado. Eu precisava dizer.  
    Engraçado pensar que só tenho uma escolha sendo que sou tão nova e o que mais tenho nessa vida são escolhas. As vezes pelo comodismo ou por me falarem, posso pensar que não consigo ser melhor e nem chegar onde quero. A cada palavra de malgrado que me disseram, desejo confiança em si mesmo, porque estar perdido consigo é a pior das perdições. A cada ato ruim, desejo bondade, porque uma vida de tristeza é muito dolorosa. A cada sentimento odioso, desejo beijos e abraços sinceros, porque a solidão é uma dor insuportável. E a cada pessoa que te afasta mais de nós, desejo que se é da sua vontade, que sejam felizes, porque meu amor por ti é maior do que qualquer coisa que possa ter feito.
    Posso ter crescido, mas na maioria das vezes me sinto uma garotinha de cinco anos aprendendo o que é o mundo. Toda descoberta me encanta e é isso que faz eu querer continuar. Muitas vezes me pergunto se vai dar certo e quando vou dormir, fico pensando se estou seguindo o caminho certo. O que minha eu do passado pensaria dessa versão de hoje? Não acho que me tornei a pessoa da qual queria ser, me tornei melhor e acho que ela teria orgulho do que vai conquistar e das pessoas que vai conhecer.
    Algumas, confesso que se foram, mas foram importantes no momento em que deveriam ser. Até mesmo as que foram ruins para mim, elas me mostraram como não ser. E que ser negativo e maldoso é tóxico para si mesmo, além dos outros ao seu redor. Quero estar fazendo a coisa certa, me sentia tão vazia antes. Mas não mais. Mesmo não sabendo ainda que caminho seguir e mesmo estando assustada com o rumo que as coisas então tomando, no fundo sei que tenho que escolher o melhor pra mim. Posso pensar nos outros, mas não posso tomar seus problemas para mim. Posso tentar ajudar, mas caso não, devo aceitar que fiz o que pude. E isso é o difícil, aceitar que não tenho total controle sobre todas as coisas e que na verdade, a ideia de controle é ilusória, você pode até dominar uma situação, mas não terá total controle para sempre. E está tudo bem. Aceite isso.
    Aceite que as coisas não vão acontecer como planejadas. Eu tento aceitar que fiz o que pude para te manter aqui, mas vi que forçar isso nos fez mal e que com o tempo eu fui ficando diferente. Me perdi de algumas maneiras e encontrei o caminho de volta por bem pouco. Chegamos até aqui e acho que é o máximo que podemos fazer. Não quero que se sinta obrigado a algo por mim. Eu me liberto disso e o deixo livre também, sei que o universo age para as coisas ocorrerem da melhor forma, mesmo que agora pareça muito ruim e desesperador, mesmo que eu sinta faltar o ar e uma dor no peito, mesmo que meus olhos ainda se encham de água quando tenho essas amargas lembranças, sei que são para eu aprender a ficar mais forte. São para eu melhorar e não me deixar abater como tanto quis fazer. Não desisti e caso você ainda esteja lendo quero que também não desista.
    O tempo faz parecer com que nossos sonhos tenham se esvaído nos anos passados, só que a verdade é que eles ainda estão lá. Quem se esvai somos nós, a cada vez que fazemos uma escolha por parecer mais fácil e não porque realmente queremos. Parece um passo a frente, mas pode ser um desvio de dez passos, a curto prazo pode não parecer grande coisa, “depois recupero”, mas a cada dez passos de desvio o tempo começa a correr e você se vê sem chance de voltar. Foi um pouco do que aconteceu com a gente né? Não podemos recuperar aquelas noites que você ficou fora ou as datas comemorativas as quais comemoramos sem você. Você está presente em um ponto, mas tão ausente no que deveria ficar, não nos conhecemos mais, acho que nunca o conheci realmente. E conforme os dias passam é como se estivéssemos um passo de distância um do ouro. Me sinto errada, só que já tentei me aproximar, é sempre momentâneo e depois é como se fosse nada de novo. E eu fico sem saber como me comportar ou falar, não posso ser eu mesma, porque você não gosta de como posso ser. Você quer me padronizar e me colocar naquele molde de expectativas a qual não me encaixo.  
    Desculpe ser assim. Desculpe pensar que isso é errado. Não é minha culpa, nem sua, nem de ninguém, é só a vida. E nem sempre ela é gentil e legal com todos.
  • Uma onda me salvou

    Uma onda me levou
    Tão fria, 
    Tão triste.

    O sal nos meus olhos ardia 
    E as lágrimas escorriam,
    Incontrolávelmente.

    Por uma viagem infinita ela me levou
    E o balanço constante me acalmou 
    Até que a minha risada rimou.

    E para um mundo novo ela me trouxe
    Tão quente, 
    Tão feliz.
  • Vários Leões Por Dia

    Hoje acordei com um pensamento, que na verdade, anda me cercando a um tempo, "Como lidar com gente, é difícil", nossa quase que um inferno diário. Mas como Deus é bom também acordei com outros pensamentos mais positivos que esse primeiro. 
    Nada, absolutamente nada é para sempre, se Deus não fez nem a nossa vida infinita, por que faria nossa dor, nossa angustia, nossos medos, nossas raivas, nossos desesperos?! A não claro para os que passam a vida causando tudo isso pra os demais, ai talvez sim mereçam tal castigo. Mas para as pessoas de bem acredito na paz, no paraíso de felicidade e bondade que Deus prepara para cada um. E acho que foi por acreditar nisso que nunca desabei de vez.
    Faz algum tempo que a depressão, o panico, e tudo de ruim vem tentando me abraçar com todas as forças, faz tempo que vejo as forças negativas da vida pairarem sobre mim, sugando minha fé, minhas energias, minha força de vontade, minha alegria, minha paciência, tudo, tirando tudo de mim. Acho interessante que nessa luta diária tenho algumas pessoas junto a mim que muito fazem pensar ainda mais.
    Algumas pessoas vejo que estão ali por estar, não cheiram nem fedem, só estão ali. Não ajudam, mais também não atrapalham, não falam, mais também não se calam. Pessoas que até gosto, não tenho nada contra, mas as vezes caem no conceito, por as vezes parecerem gostar muito de reclamar e nada fazer para algo mudar, pessoas acomodadas talvez, de corpo, pois a linguá nunca de cansa.
    Outras vejo a presença delas em minha vida como se fossem de minha família, cuidam, mimam, se preocupam. Pessoas que julgo serem amigos de verdade, companheiros para qualquer momento, qualquer situação. Pessoas nas quais posso contar sempre, mesmo que seja só para falar besteiras. Me ouvem, me aconselham, brincam comigo, tudo que acho essencial em um relacionamento.
    Mas dai vem os dementadores, monstros que se disfarçam de pessoas para apontar o dedo em seu rosto, para lhe caluniar, lhe prejudicar. Ficam de olho em cada passo seu para que possa perceber qualquer vacilo, para então golpear. Monstros que não tem vergonha na cara, que na frente de alguns, são pessoas maravilhosas, doadoras de palavras bonitas, e de boas atitudes, compreensivas e chegam a ser até carinhosas. Mas longe desses alguns, são bueiros podres e fedorentos, cheios de merda e insetos asquerosos, distribuindo mentiras, e histórias mal contadas, como diz uma amiga "Dissimulando" e "Manipulando" as presas por onde passa.
    A gente se depara com tanta coisa na vida, que as vezes é difícil acreditar que vamos ter força para vencer tudo. Mas não é só de força que vive o homem, precisamos de fé, precisamos de sabedoria, de amor, de paciência. Paciência não para esperar pela justiça do homem, essa é falha e as vezes nem existe. Mas esperar pela justiça de Deus, pois ele sim vê, o que cada ser aqui faz, e quem pratica o mal contra seu irmão, esse sofrerá as consequências e pagará pelos seus atos.
    Não é fácil acordar pela manhã com um sentimento que só te faz querer continuar na cama, pra mim sempre fui de pensar que quem tem que estar na cama é doente, então porque estou ali naquela situação?! Sem vontades, sem folego, sem forças. Talvez esteja doente, mas não uma doença no corpo, que pode ser detectada em uma consulta de emergência. Mas uma doença na alma, nos sentimentos. Eu não entendia, por muito tempo não entendi, o porque do desanimo, da falta de paciência, o porque de ter emagrecido quase 4 kilos.
    Mas depois, com o tempo fui começando a enxergar o que estava acontecendo comigo, estava doente, sim eu estava, pois pessoas saldáveis não choram noites inteiras, não pensam em suicídio, não pensam em sumir, não pensam em só ficar deitadas esperando tudo passar. Pessoas saldáveis se arriscam, enfrentam os problemas, lutam contra o desanimo, e querem viver, querem estar.
    Me toquei que só estava existindo, não era feliz, não fazia meu marido feliz. O sorriso no rosto era um disfarce para evitar perguntas, o coração quase saindo pela boca, na eminencia de um infarto, para alguém que já sofre de ansiedade e tem picos de batimentos, eu saberia bem como é, não seria a primeira vez que iria parar no hospital por problemas cardiorrespiratórios. Me recordo a ultima vez, o que o médico disse: "Você é muito nova para tanto stress, se acalme ou poderá ter uma parada!".
    Depois disso passei tanto tempo me controlando para não surtar, mas de uns tempos pra cá, algo vem me atormentando tanto, é um pouco aqui, outro pouco ali, no fim um bola de neve e construída e você descobre que simplesmente está cansada. Cansada de pessoas reclamando em seu ouvido e não agindo, cansada de gente passando dos limites e te desencorajando a fazer algo, cansada de ser parada na porta das oportunidades, cansada de várias pequenas situações, que no final podem até algumas delas fazer parte da vida, mas não deveriam ser tão persistentes na vida da gente.
    Mas fui tomando decisões e me afastando das preocupações que não eram minhas, de coisas e pessoas que diziam estar comigo mas não estavam. Me afastei das fofocas, das piadinhas, das chatices. Me apeguei em quem eu vi estava realmente ao meu lado. Em quem quando notou que eu precisava me estendeu a mão, quando outros nem se quer notaram.
    Como a vida é uma professora maravilhosa, hoje ando bem mais observadora, ando um pouco mais pisando em ovos. Um amiga diz que não devo endurecer, e acho que não vou, mas a vida já me ensinou muito, endurecer não vou, mas hoje sei que estou numa selva, e a noite gatos dormem nas arvores para não ser atados por outros bichos e esse vacilo eu não farei mais.
    Acho que é quase impossível não misturar vida pessoal com a profissional, pelo simples fato de ser um ser humano, é impossível você se sentir bem, confortável, ao lado de quem já tentou te prejudicar, ou alguém que já lhe deu as costas. Mas a linha do respeito pode permanecer, afinal como diria meu pai e minha mãe, um bom dia, boa tarde e boa noite não mata ninguém, e eu ainda completo que com um sorriso na boca, você ainda deixa o inimigo deprimido. Aquele velho tapa na cara da sociedade.
    Hoje eu decidi sorrir mais, viver minha vida e deixar essa gente pra lá, tentar viver um pouco a parte apesar de estarem bem ali, fazer meu melhor, e viver minha vida. Me incomoda? sim, muito! mas sabe eu sei o que Deus tem pra mim, eu sei que pra ele ter me colocado aqui é porque ele sabia que eu daria conta, e não vou desaponta-lo de forma alguma.
    Não vou ficar mas me expondo sozinha, quando não sou somente eu que penso assim, as pessoas tem medo, tem vergonha, e nada acontece, nada muda, e não posso ir para uma guerra sozinha, então é melhor orar, porque nessa guerra eu sei que não ficarei só. Sei que Deus vai dar sabedoria, discernimento, paciência para cada dia. Sim não pedirei nada mais além disso, pois é somente disso que precisamos. Precisamos saber lidar com as dificuldades, ter discernimento das bombas que nos jogam pois algumas podem nos destruir mas outras podem nos favorecer, paciência para pensar antes de agir, de falar e de julgar. 
    Se a justiça do homem acontecer fico grata e aliviada, porém espero a de Deus pois sei que somente essa vai doer no coração dos dementadores. 
  • Vazio

    A cada dia que passa me torno mais vazio, me sinto como um pote sem conteúdo. As vezes eu penso sobre a vida e me bate uma saudade, do tempo em que apenas vivia, não tinha preocupações e muito menos desamores. Minha cabeça nunca esteve tão "fodida", meus problemas estão gritando como loucos no manicômio, mas não sei, não consigo demonstrar minhas emoções. Realmente estou me tornando vazio, mas isso pode ser algo bom! Se me fazer parar de pensar nela. No mundo existem várias formas de se decepcionar, mas se eu não transparecer vou parecer forte,  um ser humano decidido! Mesmo que por dentro eu esteja destruído.
  • Versões

    O triste do ontem é saber que hoje um outro eu tomou posse da minha mente.
    A alegria de hoje é saber que amanhã eu não serei o que sou hoje.
    Evolução.
    Os dias tem sido confusos,mas ainda assim sou eu...ou não.
  • Viva como quiser

    E meu amor,não entristece não
    Porque a emoção é capaz de ser mais forte que a razão
    Liberte-se,como sempre quis
    E viva como quiser

    O futuro é um sonho que ainda não foi sonhado,não tenha medo
    Suas ações que te fizeram assim
    Jogue tudo pro alto,pare de ser tão racional
    A vida é mais bela do que você pensa
    Aproveite nosso amor e não tema.

    Um sonho pode ser mais libertador do que você pensa
    Sonhe,acredite,se emocione e viva!
    Estou do seu lado a todo momento
    Acalmasse meu amor,vou te proteger
    Me de a mão que te mostro o melhor lado da vida

    Libera a mente e experimente
    O que a vida tem a te oferecer
    Posso te mostra isto da melhor forma
    Só basta acreditar em mim
    Que transformo qualquer desilusão em um arco-íris infinito
    E te levo pra conhecer o pôr do sol mais bonito

    E meu amor por você supera qualquer obstáculo
    Minha felicidade está em cada sorriso que você dar
    Coragem,pois é uma das mais belas coisas que você tem a oferecer
    Você é mais forte do pensa,prove
    Pode ser a felicidade em pessoa
    Então erga-se,você é muito mais do que pensa.
  • Viver a vida

    Como a vida pode ser tão intensa
    Para alguém que a sente
    Tão profunda e imensa 
    Eu sou alguém que sente
    A tristeza se transformar em desespero
    A felicidade ser magia
    Eu sou alguém que sente
    A dor, destrói
    O amor, consome
    Eu sou alguém que pode dizer
    Tão profunda e imensa
    Como a vida pode ser tão intensa
    E como meu coração
    Eu o sinto em profunda escuridão
    Mas com a alma intacta
    E se ela acaba
    Ela não quebra, estralhaça
    Eu não sou alguém que sente
    Eu sou alguém que vive
    Tão intensa, profunda e imensamente.
  • Viver o quê? Viver de quê? Viver porquê?

    O mundo é tão complicado
    As pessoas são tão confusas
    Felicidade!
    Todos buscam, todos buscam...
     
    A vida é tão curta
    Os dias passam rápido
    O tempo é escasso
    Não temos tempo a perder
    O tempo não para
    Vamos viver!
     
    Viver o quê? Viver de quê? Viver porquê?
    Vamos me fale! Pra quê viver?
     
    Viver a ignorância predominante do nosso país?
    Viver a miséria e a violência que deixa o nosso povo infeliz?
    Viver a deficiência do ensino público?
    Viver com fome, demente e imundo?
    Viver num país de terceiro mundo subdesenvolvido?
    Viver a blasfema “de um mundo melhor” na boca dos políticos?
    Viver jogado nas praças, debaixo dos viadutos, marquises e vielas?
    Viver a vida bastante iludida de uma novela?
     
    Viver o quê? Viver de quê? Viver porquê?
    Vamos me fale! Pra quê viver?
     
    Vamos viver o que há para viver
    Viver o momento presente
    Deixar que o coração e a mente ame incondicionalmente
    Vamos nos preencher do mais infinito amor por todas as criaturas
    Praticar a benevolência para com o mundo todo
    Porque somente quando amamos é que percebemos a importância do viver
     
    Vamos me fale! O que há para amar?
     
     
    Amar é ter respeito
    É sentir dentro do peito
    É abster-se de todas as facetas do preconceito
     
    Amar é cuidar do bem estar de todas as coisas
    É não possuir, mas, de ser possuído
    É olhar para uma árvore e não vê só uma árvore
    Vê raízes, folhas, tronco, chuva, solo e Sol
    Em um relacionamento contínuo e a árvore aflorando dessa relação
     
    Amar é olhar para si mesmo e para outra pessoa e vê a mesma coisa
    Árvores e animais, humanos e insetos, pedra, flores e pássaros
    Todos unidos na mais perfeita harmonia
    Dando origem a todas as coisas vivas
     
    A pessoa que ama é compreensiva com sua gente infantil
    Em seu olhar não há malevolência
    Quando é agredido e ofendido escreve na área
    Para que o rancor e o ódio do seu coração
    Sejam apagados facilmente pelas ondas do mar
    E os benefícios que recebe escreve na pedra
    Para que sejam lembrados para todo o sempre
     
    Amar é saber que a Terra é um ser vivo
    Um gigantesco ser consciente
    Sujeito às mesmas forças que nós
    É saber que este grande ser é a nossa mãe, e assim, respeitá-la
     
    Sabendo disso!
    Sabe-se que todas as coisas vivas são irmãos
     
    Cuidando delas!
    Estaremos cuidando de nós mesmos
    Dando a elas!
    Estaremos dando a nós mesmos
    Ficando em paz com elas!
    Estaremos sempre em paz, em paz com nós mesmos
     
    Vamos viver o que há para viver
    A felicidade brota do agora
    O entendimento está no momento presente
    Na nossa vida cotidiana
    Caminhando passo a passo ao nosso lado
     
    Viver cada minuto como se fosse o ultimo minuto de nossas vidas!
     
    Não importa o lugar
    Não importa a condição
    Viva! Viva o momento presente!
     
    Porque a vida é curta
    Os dias passam rápido
    O tempo é escasso
    Não temos tempo a perder
    O tempo não para
    Vamos viver!
     
    Sem “o quê?”, sem “de quê?”, sem “porquê?”
    Sem se perguntar “pra quê viver?”
  • Você Tem.

    Mas você tem.
    Tem que ir
    Tem que viver
    Tem outra opção?...
    Diga-me você.
    Você tem.
    Tem um coração
    Bombeando sangue
    Coração não serve para sentir nenhum tipo de emoção
    É a verdade, não se zangue.
    Você tem.
    Tem que ir naquela festa
    Você nunca sai
    Se quer ou não, não interessa.
    Você tem.
    Tem cortes nos pulsos
    Tão idiota, tão adolescente
    Acha o mundo injusto
    Você tem.
    Tem tudo o que quiser
    Pare com essa cara feia
    Faça o que a sociedade requer
    Você tem.
    Tem uma corda no pescoço
    Foi tão de repente, tão sem motivo
    Sempre estava com o sorriso no rosto
    Você não tem
    Não tem mais vida
    O que aconteceu?
    No mínimo
    Alguém lhe entristeceu
    Coisa de adolescente
    Só não sabe direito
    O que sente...
  • Yume Nagashi - capitulo 02

    Yume acorda, se arruma para ir à sua nova escola, ao ir para cozinha sua madrinha já tinha montado o café da manha, inclusive o lanche para ela levar para escola. Yume fica sem graça, mas coloca o lanche na mochila. Kanna informa que devido à correria, ela só conseguiu colocar ela numa escola publica, mas que ano que vem colocará numa escola particular. Ao ouvir em estudar numa escola publica, começa a pensar no pior, tantos nos estudos como infra estrutura. Kanna informa que levará Yume até a escola, à mesma fica sem jeito e tenta desconversa, mas sua madrinha insiste, pois a mesma ainda não sabe andar na cidade.  Na porta da escola, Kanna a abraça e fala um monte de coisas fofas, fazendo Yume ficar constrangida na frente de outros alunos, inclusive vê alguns rindo da situação. Yume sai do abraço e fala que não precisa disso, entra na escola sem olhar para trás. Kanna fica sem entender a atitude dela, e volta pra casa. Chegando em casa, ela vê que Yume não guardou suas coisas, então decide guardar para ajudá-la, nisso encontra alguns álbuns de fotos, algumas dela com amigos, somente dela e com os pais também, ela pega a foto do seu irmão Shinobu, e fica lembrando de como eles eram próximos, unha e carne, era o irmão que ela mais se dava bem, sempre focado em estudos, trabalho e sucesso financeiro e a inspirava em ser igual, mas depois que ela começou a namorar o Hakkai e o mesmo teve que voltar pro Brasil por causa dos pais doentes, mesmo sem aprovação da família, apenas do seu irmão Shinobu, foi pro Brasil e nunca mais voltou ao Japão. Na escola, Yume pede orientação à inspetora sobre qual é a sua sala, a mesma acompanha até a sala. Ao entrar na sala, da uma olhada na turma e não vai com a cara de ninguém, ela decide sentar perto da janela. Um rapaz sentado na cadeira atrás dela, se apresenta como Jose e do lado Kauan, fazem um monte de perguntas, sem paciência, os corta dizendo que quer prestar atenção na sala. A professora tenta dar aula, mas os alunos não ajudam, pois alem de falarem demais são arteiros. Yume percebe que será difícil de estudar. No intervalo, ela senta em cima da toalhinha na escada, na qual é zuada por alguns alunos que passam por ali, Yume se sente desconfortada, pois estava acostumada com seus amigos do Japão Sae, Naru, Yukina e o Shinji. Agora ela não tem ninguém para conversar e se distrair.  De volta para sala, entra à professora de matemática, Naomi, dizendo que hoje terá uma prova referente à matéria dada durante a semana, Yume se apresenta dizendo que é nova na sala e não sabe da matéria. Professora informa que ela tem uma aula para aprender, que a prova será dada com ou sem estudo, e desejou boa sorte para ela. Yume fica frustrada na cadeira, ao mesmo tempo desesperada, pois só tem uma aula para aprender. Ela se concentra na aula. Terminando a primeira aula que foi revisão, logo em seguida começa a prova. Yume consegue fazer todas as questões, mas não sabe se foi bem, entregando a prova com cara emburrada para a professora. Após termino da aula, descendo a escada, Jose e Kauan perguntam onde ela passou o intervalo, pois os mesmos estavam brincando de pega pega que queriam chamá-la para brincar, ela acha engraçado deles brincarem disso, e pergunta se não tem nenhum problema com os outros alunos, os mesmos disseram que não. No porta da escola está Kanna, que faz uma festa ao ver Yume, fazendo-a passar vergonha entre os alunos. Kanna está em horário de almoço, ela pede pressa da Yume para chegar em casa. Chegando em casa, Kanna coloca o almoço na mesa, servindo Yume primeiro, ela puxa assunto perguntando da aula, professores e matéria. Yume não se sente a vontade desconversando falando da comida. Kanna sai correndo para voltar ao serviço, acaba trancando Yume dentro do apartamento. Yume termina de comer, e vai lavar a louça, mas acaba esbarrando num copo que derruba outros dois que estavam secando, que caem no chão e se quebram. Ela tenta juntar as peças, mas acaba se cortando com alguns vidros. Faz um pequeno curativo, pois o corte foi pequeno, ela coloca tudo num saco com cuidado. Frustrada e irritada com tudo que aconteceu, ela vai para o seu quarto e vê que todas as suas malas foram esvaziadas e que as roupas estão dentro do armário e cômoda, e as que não couberam ficou em cima da escrivaninha. Ela vê que está tudo bem organizado, inclusive na escrivaninha tem dois porta retrato, um dela com os pais e toda família no ultimo natal, e a outra é com seus amigos no seu ultimo aniversario. Ela fica sentada na cadeira da escrivaninha admirando as fotos, lembrando um pouco da sua vida no Japão. Vendo que sua madrinha fez tudo com maior boa vontade e carinho, ela decide fazer um bolo de chocolate, apesar de não ter um celular, ela tenta lembrar dos ingredientes. Sem perceber acaba fazendo a maior bagunça, sujeira na mesa, pia e chão.  Hakkai chega e vê a bagunça, chamando atenção da Yume sobre a sujeira. Yume informa que vai limpar, assim que terminar de enfeitar o bolo. Hakkai fala que é agora, pois ele quer tomar o café dele na mesa limpa, nisso gera uma leve discussão entre eles. Yume para de enfeitar e limpa a mesa, pia e chão.  Decidi terminar de enfeitar, depois dele tomar o café, pois não quer ficar no mesmo ambiente. No quarto, ela fica jogada na cama ouvindo musica no seu walkman, fica lembrando a época da escola. Hakkai está tomando seu café, ao levar sua xícara a pia, vê um caco de vidro pequeno no chão. Ele pega a vassoura e começa a varrer toda a cozinha e acha mais, ao ir à área de serviço vê um saco com vários cacos, inclusive a mesma está um pouco rasgada. Irritado com isso tudo, ela senta na sua poltrona e fica assistindo TV, esperando a Kanna chegar. Yume termina de escutar seu CD, e abre um pouco da porta, vendo que Hakkai está na sala, vai para cozinha continuar enfeitar o bolo com confete colorido, nisso chega sua madrinha. Hakkai já começa a reclamar dos copos quebrados, como eles estavam colocados e a sujeira que estava na cozinha, Yume escuta e vai até a sala se explicar, que foi sem querer, ela apenas queria ajudar, limpando a louça e acabou quebrando dois copos. Hakkai chama atenção dela por ser desastrada, e também pela limpeza mal feita, tanto dos pedaços de vidro como sujeira do bolo. Com isso gera uma discussão entre eles, Kanna tenta acalmá-los, Yume vai pro quarto e Hakkai volta a sentar no sofá. Kanna conversa com Hakkai, tentando fazê-lo entender que tudo é novo pra ela, e que faz um mês que os pais dela faleceram, pedindo para ele ter paciência com ela. Yume está no quarto chorando com o rosto no travesseiro. Kanna vê o bolo no forno que a Yume fez, cheio de confete e letrinhas, e em japonês está escrito “obrigada por tudo”, ela mostra pro Hakkai que fica comovido, mas não demonstra. Kanna entra no quarto e fala do bolo, mas Yume fala que não quer falar com ninguém e que pode comer o bolo sem ela, sua madrinha tenta convencê-la do contrario, mas sem sucesso. Kanna vai tomar banho chateada. Hakkai corta o pedaço de bolo e come, apesar de não estar macio, o sabor está ótimo, ele vai até a porta do quarto de Yume e fala “apesar de toda a bagunça que você fez em casa, saiba que o bolo está uma delicia, obrigado, mas se demorar para comer, irei come-lo sozinho”. Yume vai para a cozinha, pega um pedaço e vai para o quarto. Na porta, Hakkai informa que ninguém come fora da cozinha e que ela pode comer em paz, pois o mesmo já vai pra cama mais cedo. Kanna sai do banheiro e vê Yume comendo o bolo sozinha na mesa da cozinha. Ela faz companhia e anima Yume dando umas dicas de bolo e de como fazê-lo sem sujar muito a cozinha...

  • Zelizeu (primeira parte)

    Filho de Josué Bonsucesso Bem-Aventurado, mecânico falido de aeronaves marítimas, e da pobre, ingênua e póstuma Josefina Beatrice Eldervina Arnalda, nasce, em um hospital semiprivado em uma tenebrosa tarde tipicamente invernal de verão, o nosso objeto contemplativo Zelizeu.
    Mas, meu caríssimo, devo deixar claro de antemão que não há romances ou surpresas na história de Zelizeu, então, por obséquio, não espere com esperança descabida tais eventos.
    Zelizeu, órfão de mãe já de parto, foi criado somente pelo seu pai, e desde pequeno sempre demostrou aptidões para a metalurgia, coisa que rapidamente foi notado pelo seu progenitor que não tardou em arranjá-lo um oficio no bairro industrial da cidade. Assim Zelizeu, aos nove anos de existência, já era uma pequena peça de minimíssima importância dentro da indústria metalúrgica, coisa que não muda nos dezenove anos posteriores.
    Claro que agora você deve estar pensando: “Mas então quer dizer que a verdadeira história (aquela que realmente importa ser contada, aquela que ficará guardada em nossos corações e mentes, como algo verdadeiramente extraordinário) só se inicia com seus vinte e oito anos?”
    Não, meu caríssimo...
    Acontece que Zelizeu, aos seus vinte e oito anos, quatro meses e um dia de existência, torna-se sozinho no mundo triste em que nasceu, pois seu pai sofre um mal súbito e falece enquanto fazia devotadamente suas necessidades fisiológicas matutinas diárias. Com tal acontecimento e saboreando de uma epifania inigualável Zelizeu sente-se livre para largar o oficio determinado pelo seu, agora finado, progenitor  e seguir o seu verdadeiro sonho; ser auxiliar de cozinha em um uma empresa multinacional de fast food, todavia tamanha sensação momentânea termina tão subitamente quanto iniciou-se e ele não se encoraja o suficiente para pedir demissão, assim continua sendo apenas mais uma peça de insignificante importância dentro da indústria metalúrgica do bairro industrial da cidade. Não que eu queira dizer que ele teria mais significância vital atuando como auxiliar de cozinha ou qualquer outro honrado trabalho, a existência de Zelizeu já estava fardada em apenas ser uma minúscula quase insignificante peça nessa colossal engrenagem cósmica em que habitamos.

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