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bagunça

  • Ando lendo muitos livros ultimamente

    Uma árvore pega fogo
    E
    Dois párias se matam em um bar enquanto eu leio um livro
    Nada acontece pelas próximas duas páginas
    Mesmo assim me convenço que não é a aposta que torna a vida suportável
    Um gato é atropelado
    E vento solar atinge o polo norte criando uma aurora boreal
    Nada acontece na próxima página
    Mudo a posição das pernas, é tudo que eu faço
    Agora estão esticadas


    As pessoas caminham e tentam não pisar nas minhas pernas
    Enquanto isso uma mãe golfinho dá à luz pela primeira vez
    E algum artista cria uma música lendária que nunca será gravada
    Estamos perto de descobrir quem é o assassino
    Viro mais uma página
    O sinal bate
    Mais uma geleira se parte formando um iceberg
    O livro acaba
    Olho para o teto e penso
    Que seres ridículos nós somos
    Um velho morre na Pensilvânia
    Fecho os olhos e seguro um grito de agonia.
     
  • Apenas um sonho

    Descobri meu refúgio em você
    Vivemos o melhor que a vida tem,juntos
    Contra todos,vencemos
    Mas,onde você foi?

    Sinto que não posso te encontrar
    E a solidão aumenta a cada segundo
    Lembro de cada sorriso seu
    Não pode ter ido embora

    Foi tudo apenas um sonho?
    Não posso acreditar
    Foi tudo apenas um sonho?
    Não posso acreditar

    Nosso amor não se perdeu
    Quero cada segundo da minha vida com você
    Só te encontro nos retratos
    A sua espera a toda hora

    Minha vida virou uma escuridão
    Talvez ainda exista no meu sonhos os seus sorrisos
    Não posso ter te perdido

    Foi tudo apenas um sonho?
    Não posso acreditar
    Foi tudo apenas um sonho?
    Não posso acreditar
  • Apogeu

    Somos todos compostos de rachaduras,
    Profundas, permeáveis, constantes. 
    Somos a chegada em outubro, a despedida em fevereiro,
    Sem avisos, mediações, atos. 
    Somos a estrutura remanescente que se despedaça, corrói e despenca. 
    Somos auditórios vazios e assombrados por fantasmas,
    Melancólicos, cansados, voláteis. 
    Talvez eu só saiba escrever poemas em guardanapos e você talvez só saiba ler eles quando colados na sua geladeira. 
    Entregas, intensidades e fios que escorrem dos dedos. 
    Eu prendi a linha em meu mindinho, mas não cobrei a responsabilidade de tu fazer o mesmo. Seria desumano, seria desleal,
    Do mesmo modo que os nós emaranhados se acumulavam no teu peito "desprendido, desconstruído". Todos somos resumidos por traumas, passado, expectativa,
    O ato não feito, o olhar dolorido, a palavra não dita.
    (Minha intuição é boa, mas eu deveria praticar mais a telepatia)
    Somos as paranóias que mantemos debaixo da cama,
    O sentimento engolido, a acidez que mata as borboletas no estômago. 
    Somos os ventos frios, o gosto do novo que se torna rotina, a presença inusitada no dia agitado, o Sol aquarelando as nuvens. 
    Do meu olho para o teu. 
    Onde quer que esteja. 
    Somos o verão,
    Quente, laranja, de planetas de fogo. 
    Mas também somos o inverno,
    Frio, distantes, de montanhas esquecidas. 
    Há mais alguns guardanapos abaixo de meus dedos. Não vão ser deixados em tua geladeira e muito menos em teu balcão. 
    Não naquele onde jogou tuas migalhas esperando que preenchessem minha caixa torácica. 
    Elas não eram nem suficientes para meu estômago. 
    Desejo bons batimentos cardíacos à você! 
    Somos feitos da mesma matéria, 
    Física, emocional, etérica. 
    Somos feitos das manifestações que em nosso corpo permitimos. 
    Permitir, permitir-se, além das dobras moleculares, do lógico, do controle que escapa dos teus dedos. 
    Somos feitos de quantas vezes morremos por algo, 
    Renascemos por direito de sentir,
    Na pele, no sangue, na alma. 
    Talvez sejamos feitos de medo,
    De tentar, romper, permanecer. 
    Recolho meus poemas, fecho as janelas, tranco a porta. 
    Tu me encarando na escada. 
    Não sou mais o que eu era,
    Apresente-se novamente.
  • Batalha à beira-mar

    Vivíamos uma batalha,
    À beira mar,
    De pés na areia,
    De espadas nas mãos 
    Tentávamos decidir nosso futuro
    Demos golpes baixos, 
    Mas também dávamos vantagem, 
    A luta era justa, 
    Entre dois amantes 
    Mas no final nenhum resistiu,
    O mar se tornou vermelho com o sangue dos nossos corações destroçados.
  • Blefe Mortal

    O suor escorria pelo seu rosto, porém a feição séria e amedrontadora distraía seus oponentes naquele momento, exceto por Louie.
    Louie era um homem negro e Grisalho, com trajes finos,uma bengala que não apresentava marcas de uso e um olhar vil, porém cativante.
    - Você tem certeza, garoto? Indagava o velho homem com um tom extasiado.
    - Nunca tive certeza de nada, e sempre apostei tudo... E só cheguei aonde estou porque minha vida foi feita de apostas e vitórias...então...é, tenho.
    Enquanto o jovem prolifera as palavras em cima do dinheiro que já não tem, lembra-se da pacata cidade onde nasceu, o calor dos pães já murchos a pouco tirados do forno e o afago materno que o acolhia; Também se lembra de sua primeira viagem para os Estados Unidos onde conseguira sua bolsa em Harvard, seu primeiro emprego, seu primeiro carro, casa, barco, relógio de ouro e claro, de Clarice...
    Ah Clarice... Um verdadeiro anjo caído, mais sedutora que o próprio demônio e mais cruel que Deus, seus lábios vívidos e suculentos rapidamente tiravam nosso protagonista de órbita, mas algumas palavras o fizeram aterrisar novamente na realidade.
    -Showdown!- Afirma o crupiê.
    A confiança do jovem o faz baixar rapidamente as cartas, mostrando um  Flush bem desenhado.
    A própria lógica do poker dizia para Patrick, naquele momento, que era quase impossível uma combinação maior, exceto por um Royal Flush, mas esse era totalmente improvável; Seus cálculos eram precisos e sua mente aguçada o suficiente para apreciar o gosto da vitória de uma forma extremamente precoce, porém, a felicidade de seu oponente começava a deixá-lo em desespero, o velho homem, ao se preparar para mostrar as cartas, solta as seguintes palavras:
    -Parabéns garoto - afirma mantendo o sorriso e baixando as cartas viradas para baixo - Você ganhou.
    O suor que antes era de nervosismo agora virou em felicidade contida atrás daquela máscara; Ao recolher as fichas de seu devido prêmio, a voz rouca e suave do idoso gesticula uma tentadora proposta:
    - Eu tenho mais... Muito mais, quer ver?
    Patrick, em profundo êxtase responde:
    -Quero, quero não só ver, mas tomar, quero dinheiro, quero poder,quero ter o sangue de todos aqueles que me humilharam, quero...Quero...
    Antes de terminar a frase o jovem homem vê seu reflexo no espelho, seu cabelo desarrumado, seu olhar vidrado e expressão diabólica o assustam, e logo atrás de si, através do espelho, vê a sombria criatura que cochicha:
    -Que assim seja.
    O semblante que forma à sua retaguarda toma uma forma demoníaca, o jovem desesperado salta á frente aterrorizado derrubando as fichas e a mesa.
    A criatura medonha se curva, rindo, quase gargalhando.
    - Ora...Por que tanto medo? Não era você que queria sangue a pouco tempo atrás?
    As presas cravam, o corpo esfria,
    e no chão se destaca a sequência mais nobre do Pôker: Um Royal Flush carmesin.
    "A vida é um jogo, que quanto mais você aposta, mais emocionante fica."
  • Caminhos perdidos

    Se a vida é feita de escolhas, escolha; pense na consequência e então não hesite! Uma noite pode ser tão clara quanto o dia, e uma chuva pode ser tão intensa quanto o sol.
    Escolha ser perfeito ou escolha ser feliz...
    Tais dias são difíceis, a dor aumenta e cada palavra ouvida não adianta. A gente corre, corre pra qualquer lugar mas a linha de chegada está tão longe que não se veria nem com um par de binóculos.
    Linhas de papéis não são suficientes para tanta bagunça, da mente  e do coração, onde colocar?
    Praia, sol, festa, nada.
    Estrelas, paz, noite, pessoa, felicidade.
    Sentir e sorrir; há uma diferença. Você escolhe apenas sentir ou sorrir? Sorrir pode ser espontâneo, realístico, ou falso. Sentir é ardor, interno, e privado, é preso. O que escolher?
    Lutar e cansar. Desistir e chorar, depois rir.
    Café quente, frio ou água?
    Adiar, fazer acontecer ou estravazar? 
    Confusão e calmaria. Como podem as duas serem amigas? Romantismo não é amor e amor não é fantasia e ilusão não é deserto.
    Sujeito é você que tem uma história, sou eu, é nós. Histórias são contos, passados e repassados, alterados ou reinventados, vividos e esquecidos, novos e antigos. Noivos ou amigos?
    Juntos e parados. No tempo ou na atmosfera? Esquecer é missão e andar é querer, eis aqui minha pergunta o que vai ocorrer...
    Vento ou calor, encarar ou estacionar, alguma resposta onde procurar?
  • Cansaço

    Tô cansado de me sentir demais
    pros outros ser
    coisas surreais
    e de dentro
    não me conhecer mais.
    Tô cansado de ser de menos
    de menos interessante
    de menos compreensivo
    de menos amante.
    De esperar do mundo de mais
    de mais cor
    de mais sabor
    de mais fervor.
    De mim dar de menos
    menos compreensão
    menos paixão
    menos intenção.
    Afinal esse é mais um poema
    de alguém que quer ajuda
    de um cara as vezes contente
    escrevendo sobre gente
    a qual nunca muda.


    Rio de Janeiro, Dez de Fevereiro de Dois Mil e Vinte
  • Ceifador de momentos

    Exato sete horas e trinta minutos de uma sexta feira, levantei da cama, troquei o pijama e fui escovar meus dentes, e conseguinte fui tomar café. A cada mordiscada que dava na torrada caramelada pousava a refletir sobre o que iria fazer no sábado. Nada. Essa foi a palavra que definiu aquele momento; simplesmente nada vinha na minha mente como subterfúgio a monotonia rotineira que vinha passando ultimamente. Após o rápido café, peguei o carro e me dirigi ao trabalho às pressas. Foi um sonho talvez, nem sequer cheguei ao trabalho, só me lembro de ter entrado no carro e de está dirigindo pela avenida. Acordei em uma estrada de terra, sem carro, sem dinheiro, sem roupa. Foi um momento de muita dúvida e incômodo; não sabia sequer para que lado ir. Já era em torno das dezoito horas e o sol estava ligeiramente se afogando na escuridão. Lembro que estava com frio e, pela primeira vez desde a minha infância, com medo. Na estrada, um vazio: sem carros nem casas. Mato e terra. O crocitar das corujas acrescido a uma aragem levemente fria me causava um arrepio incômodo. Por sorte não chovia, mas clima não era ameno, era aterrorizante. Estava profundamente átono. Pensei que tudo aquilo não se passava de um sonho, e então, fui ao encontro de um pedra levemente grande próximo a onde eu estava, e, impiedosamente, pontapeei-a. O sangue brotou acrescido de uma dor tônica, e assim, gritei bem alto. Nada abalava a atonicidade da minha confusão. Nem o eco respondia. Sentei na injuriada, cruzei meus dedos e tentei refletir forçosamente para obter alguma ideia do que acontecera. Novamente o “nada” exsurgia, e o momento de temor me consternava. Comecei involuntariamente a pensar no passado. No motivo das minhas perdas, decepções e desafetos. 
    Vi que tinha criado uma clausura emocional em minha vida, cujo motivo datava a morte da minha querida Jully. De lá para cá, a morte me acariciava com frequência. Pensei em me desfazer desta vida, talvez assim conseguiria reencontrá-la. No entanto, de tanto pensar, cheguei a conclusão de que se eu me matasse correria um grande risco de ir a um mundo diferente de Jully. Ou ainda, talvez os homens são os únicos que devam ir a algum lugar pós-vida. Foi assim que apreendi. Nessa lógica, passei a evitar qualquer menção do passado e tentei buscar formas de preencher o vazio que me envolvia. Não obtive melhoras; cada vez meu quadro depressivo estava se tornando um grande impasse nas minhas relações pessoais. 
    O silêncio local foi possuído por um som agudo que estava me incomodando, foi então que acordei. Era um sonho. Estava no mesmo lugar, só que já era dia e não vi barulho agudo, apenas o cantarolar dos pássaros. Que merda! Foi assim que acordei: irritado, sem roupas, com frio e agora para variar, com fome. Peguei alguns matos e me revesti e rumei ao desconhecido. A cada passo que dava, sentia um frio na barriga, escutava o batuque do coração— era o silêncio gritando. O sol matinal agora não me dava boas vindas; estava me fritando aos poucos. Lá ao monte avistei uma casa velha, depreciada e possivelmente abandonada. Acresce que uma ventania de poeira me fez apertar os passos e assim cheguei a casa. Gritei, procurei alguém e não obtive respostas. Então, decidi invadir a casa —não diria invadir, diria reabitar—, vi que estava realmente abandonada e que provavelmente não morava ninguém a décadas. Nesse momento, senti um conforto tênue e que me fez relaxar um pouco. A casa só apresentava dois cômodo: uma espécie de cozinha-sala e um quarto sem cama, mas com um colchão extremamente imundo. Talvez aí seja um bom lugar para recomeçar em detrimento do relento. Encontrei uma calça infantil, alguns utensílios domésticos e nada mais que uma coberta empoeirada. Na parede tinha um quadro bastante curioso, a foto de uma vaca com asas. Peguei o quadro e comecei a refletir como seria uma vaca de asas, foi então que um papel caiu detrás do quadro. Achei a situação deveras inusitada, peguei o quadro e repus, apanhei o papel, desdobrei-o, e então intentei a ler. Ler o que? Nada! Exclamei com tremendo espanto, e novamente o “nada” veio me troçar. Apenas tinha uma figura bem pequena de uma vaca com asas no centro. Comecei a rir. Entretanto, o momento engraçado foi transmutado ao ar melancólico do abandono e do medo. Estava muito confuso, antes eu tinha uma vida consideravelmente medíocre, um trabalho, não passava fome e não tinha medo algum da vida. Agora, senti os fantasmas do passado me atemorizando, as lembranças me fustigando, e a solidão companheira me azucrinando. Foi um delírio cruel, não saber onde estar, como foi parar neste lugar e, acima de tudo, não saber o que fazer. Pensei: se eu for morrer agora ou depois não me fará mais diferença, entretanto, quero viver para entender o porque disto tudo. Depois desses ínterins, fui vasculhar em derredor a casa. Uma forte luz brandou no horizonte, pensei naquele momento que talvez estava morto e aquilo seria o arrebatamento celestial. Estava enganado era o sol que antes se escondia atrás das nuvens e agora dardejou seus raios intensamente que me ofuscou. 
    Após algumas caminhadas fastidiosas, encontrei de baixo de um juremal uma pedra sepulcral com algumas fissuras e bastante empoeirada. Ligeiramente limpei o túmulo e tive um tremendo espanto; pensei que estava sonhando, pois o que estava grafado no sepulcro foi a mesma figura da vaca com asas que vi antes. Não sabia se ria ou se chorava, simplesmente fiquei extático. Saí correndo de volta ao casebre e mais uma surpresa se verticalizou a porta estava fechada. Pensei que alguém estava lá; chamei alto e nada obtive como retorno, foi quando eu peguei um porrete e escrupulosamente caminhei até a porte e chutei-a. A porta se chocou com a parede e acabou se rompendo. Ao entrar ninguém estava lá, nem sequer um animal e assim conclui, que provavelmente foi o vento que fez essa peripécia. 
    Um mês após esse castigo, eu já estava até me acostumando a sobrevivência nesse lugar. Alimentava-me de roedores, alguns frutos de arbustos, de cacto, de insetos, e raramente, pássaros. Durante esse tempo de adaptação e questionamentos, não obtive nenhuma respostas. Às vezes tentei seguir a trilha de onde eu surgi, isto é a estrada de terra, e mesmo assim não cheguei a lugar algum; diante disso preferi não ir tão longe para não perder de vista o abrigo no qual me refugiava. Aos poucos, o que era um motivo de pânico e medo, virou um motivo de conformidade e liberdade. Pela primeira vez me senti livre, sem preocupações. Cheguei a pensar frequentemente que ali era o paraíso pós-vida, não era realmente o paraíso que eu imaginava, mas para quem vivia uma monotonia urbana, voltar a perspectiva paleolítica não era mal. A cada dia eu ia me esquecendo do passado e de todo fragalho de tristeza. O sol podia ser um grande castigo naquela terra estéril, mas mesmo assim não me incomodava mais; o verdadeiro castigo era viver preso a uma rotina monótona de uma cidade, por mais que esta tenha formas de se entreter, uma hora acaba esgotando a sua perspectiva de mundo e limitando a vida a uma coerção social inimaginável. Assim eu era. Vivia preso ao trabalho, a vida urbana, ao capital e ,de fato, eu não vivia, eu apenas seguia o fluxo da vida. Algumas folhas seguem o fluxo da correnteza, as únicas perspectiva dessas são seguir o fluxo incessantemente até reduzirem ao pó ou afundarem e no final terem o mesmo destino. No entanto, esse lugar de exílio brandou como uma terceira via. Mesmo as folhas sendo da mesma fonte que as sementes, elas não têm a capacidade de renascer e perpetuar a vida, elas apenas rumam a decomposição. Por mais que eu fosse uma folha, eu me vi como uma semente naquele lugar, sabia que não iria renascer, mas iria persistir e continuar vivo, adiando assim, a decomposição. 
    Certa vez, estava coletando alguns frutos em uma moita, quando avistei em outra moita um bicho, fiquei assustado com o suposto animal, peguei uma vara e cautelosamente fui andando até uns dois metros próximo ao animal, catuquei-o com a vara, não com a intensão de machucá-lo, mas com a intensão de vislumbrá-lo. Era um filhote de raposa, vi que estava muito magro, e provavelmente abandonado, talvez sua mãe tenha morrido procurando comida ou coisa do tipo; pelo estado que estava, não via comida a dias. Ao resgatá-lo, levei-o até a minha casa ou cabana, como preferir; Tinha alguns pedaços de roedores e algumas castanhas, alimentei-o e decidi ficar cuidando dele até quando se fortalecer. Ao analisá-lo, notei que era uma fêmea. Lembro-me, de ter chorado ao ver que era uma fêmea, acabei lembrando de Jully. 
    “Oh Jully, quanto tempo já faz desde que a tive em meus braços. A imagem de Jully não saia da minha cabeça ao ver aquela raposinha. Toda amargura até então esquecida, voltava como uma chuva torrencial, que inesperadamente devastou meus sentimentos. Jully era uma cachorrinha que ganhei da minha mãe, prometi a ela que iria cuidá-la, mas devido a um acidente imprudente de carro, eu a perdi. Desde então sofri muito com a única lembrança que tive da minha mãe. Ela, anos antes, falecera de câncer, e daí em diante, prometi amar e cuidar de Jully como se fosse minha mãe. Fracassei em tudo na vida. Fui um verdadeiro fracassado nesta vida e eu não sei porque ainda estou vivo, se é que estou vivo. Tudo isso é real de mais para ser um sonho.” 
    Essa raposinha cresceu rápido, em torno de um ano e meio, já estava caçando roedores e algumas aves. Ela virou minha verdadeira companheira, chamei-a de Susy. Nós brincávamos muito, eu até conversava com ela, e esta parecia me entender. Realmente foi um verdadeiro paraíso aquele momento, me senti livre, feliz, e além do mais, Susy lembrava minha mãe. Parecia que Susy era a minha mãe, me acordava, caçava e perscrutava comigo por aí e, sabia voltar para casa, coisa que se eu tentasse, certamente me perderia. Desde quando estive nesse lugar, nunca peneirou uma gotícula de chuva, realmente muito escasso; tinha algumas lagoas por perto que acabaram secando e, isso me forçava a ir a procura de novas fontes de água. Em uma manhã calma, decidi abandonar aquele abrigo, talvez me aventurando poderia solucionar algumas dúvidas e também os recursos estavam escassos. 
    Eu e Susy rumamos ao desconhecido, cruzamos matas, prados, pântanos, montanhas, vales a procura de sentido para vida. O sentido para vida, assim eu descobri: é para o lado que você desejar seguir. Dias e noites nos aventurando, caminhando, navegando pelas florestas; isso tudo me trazia uma grande felicidade. 
    Dois meses de retirada, em uma tarde calma, o sol se desprendia do horizonte, e eu acabei avistando um casa ao longe, no monte em que estava, e isso me causou uma grande euforia. Decidi, passar a noite onde estava mesmo. Susy me trouxe algumas guloseimas campestre e assim fomos descansar ao som dos grilos e a vista da lua. No dia seguinte, tive uma surpresa abalável, a casa que avistei ontem não estava mais lá. Pensei que o que vi ontem tenha sido algum fenômeno ótico e assim, seguimos em frente. Algumas horas mais tarde, Susy começou a rosnar para um grande moita, e eu meticulosamente atentei a jogar uma pedra na moita, e nada se mexeu, fazendo com que eu fosse fuçar os matos a procura de algo; não achei nada e simplesmente dei de ombros. 
    Durante o entardecer deste mesmo dia, colhi algumas amoras e repousei meu corpo sobre o gramado. Questionei-me se eu talvez estivera em coma e tudo isso não se passava de uma retração alegórica do cérebro. Passei esse momento refletindo e Susy fielmente ao meu lado tentando me entender, afaguei a cabeça dela e assim nos despedimos do dia. No dia seguinte, procurei Susy e não a encontrei, achei muito estranho o sumiço dela, ela nunca tinha sumido assim e isso me causou preocupações. Passei o resto do dia procurando ela e não achei. Fiquei muito triste. Passei uma semana procurando ela pelas redondezas e não obtive resultado. Se passaram meses e mais meses, e não vi mais Susy. A tristeza desta vez me perfurou a alma. Fiquei muito desesperado. Não consegui conter as emoções, o desânimo e isso afetou profundamente na minha visão sobre esse suposto paraíso. Acabei gritando bem alto: Que inferno é esse que vim parar. De tanto se desesperar, acabei me esgotando, não me alimentei mais, não tive a menor intensão de obter comida ou de me aventurar mais. Preferi então me ausentar das necessidades do corpo e deixar que a fraqueza, o delírio e por fim a morte me consumir. Este foi meu prognóstico: a morte. 
    Não lembro mais de nada, só sei que após isso acordei em uma cabana no interior do agreste, no domingo a tarde, sentado em uma cadeira de balanço, com aquela mesma carta com a foto da vaca com asas. Meu carro estava na frente da cabana, pelo visto passei dois dias nela. E até hoje, não sei como fui parar lá, talvez meu cérebro tenha me induzido a ir até lá. Hoje já faz 13 anos desde que passei por esse momento. Às vezes, fico sem acreditar, mas no fundo sei que aquilo tudo foi muito realista para ter sido apenas um sonho. De lá para cá, resolvi construir uma família; a mulher que tangenciou minha vida, por incrível que pareça, chama-se Susy. Ainda tenho a foto da vaca com asas na geladeira de casa. Passei esse tempo todo omitindo toda esta história porque ainda estava sendo vítima das minhas indecisões e dos meus transtornos emocional; só então resolvi expor. Talvez possa parecer uma história fictícia, mas para mim retraz um significado muito profundo, algo que realmente fez minha vida mudar. Eu diria, encontrei o verdadeiro sentido da minha existência. Foi o melhor final de semana que tive.
  • Chá das Cinco



    Peço às visitas que entrem
    Entrem, mas apenas se forem ficar
    Pois, senão, que sozinha me deixem
    Basta de ir embora antes de chegar.

    A porta está sempre aberta e espera
    Espera muito, se precisar
    Até que finde a primavera,
    Não há problema em demorar.

    Leve muito tempo, mas venha certo
    Certo que ao puxar a cadeira
    Ficará do outono ao próximo inverno
    Ou até que floresça a última videira.

    Pois quero viver uma vida inteira
    Inteira, de verdadeiros sentimentos
    Da lua cheia ao raiar da aurora,
    Não apenas de breves momentos.
  • Corrosão

    A tristeza vem me corroendo cada vez mais por dentro, a falta de carinho me mata a cada pequeno segundo que se passa, minha mente que grita a todo momento me atormenta mais que uma mãe em estado de parto, minha vida vai se encolhendo cada vez mais, e meu coração batendo cada vez mais forte, só queria dizer para que não bata tão forte assim, porque mesmo com todos os problemas que tento enfrentar, quero viver, pois minha missão ainda desconhecida ei de enfrentar e entender, os bons combates ainda hei de combater, sem derramar uma gota, uma gota de sangue, aquela que também passa e faz bater forte esse mesmo coração...
  • Desabafo

    Recentemente baixei um aplicativo para ajudar na ansiedade. Minha ansiedade não é tão forte a ponto de se manifestar fisicamente de forma muito evidente (exceto por uma pequena mania automutiladora e insônia antes de algum evento importante), mas mesmo assim incomoda. Esse aplicativo disse que escrever pode ajudar a organizar os pensamentos, por isso estou escrevendo isso. Quando era criança sempre tentei ter diários, mas nunca consegui escrever todos os dias. Sempre fui assim, não sou muito boa em começar e terminar coisas. Geralmente começo e digo que um dia termino. Acaba que eu tenho pelo menos cinco livros que comecei a escrever e não acabei, além de um livro de poesias em que só falta terminar os desenhos (que sou eu quem faço, por isso faz um ano que está atrasado). Tem várias outras coisas que comecei e não terminei, mas não vêm ao caso.
    Ultimamente parece que o mundo está tentando me cobrar uma resposta acerca de uma coisa. Eu gosto de cantar e tocar violão. Um sonho que eu tinha quando criança era ser cantora igual a Avril Lavigne. Já participei de festivais, tentei fazer uma banda e a minha tentativa mais recente foi uma dupla com meu namorado. Dos três festivais que participei, ganhei um (acredito que ganhei por falta de concorrência, embora tentem me dizer o contrário), a banda não deu muito certo também. Eu quis dar um tempo para a nossa dupla faz quase um ano. Fizemos só uma apresentação, que foi uma participação no show de um amigo. Acho que as pessoas gostaram. Mesmo assim, tenho problemas para enxergar que somos bons nisso. Meu namorado disse que é coisa da minha cabeça, porque às vezes eu acho que está muito ruim e ele diz que isso fica maior do que parece pra mim. Gosto de tocar e cantar com ele, embora eu fique meio ranzinza quando ensaiamos, e dependendo do lugar que ensaiamos eu começo a ficar incomodada. Se for um lugar onde passa muita gente, eu começo a achar que as pessoas não estão gostando ou estão rindo da gente, aí eu começo a ficar triste. Parece que o mundo quer saber de mim se eu vou ou não continuar nisso. Apesar do meu medo, eu adoraria cantar pras pessoas e saber que elas gostam do que eu faço. Só que minha cabeça não para de me dizer o contrário.
    Eu faço faculdade de manhã e vou pra lá de van, porque meu pai não pode me levar e é mais tranquilo. Além de mim, tem um pessoal que está no ensino médio que também vai comigo. Eles são legais na maioria, mas tem tido um problema essa semana que me incomodou, mas acho melhor não falar disso. Acho que vou ficar irritada. Só queria dizer que está me incomodando e estou desanimada de ir nessa van. 
    Meus pais também estão me deixando meio maluca. Eu sei que se você que está lendo tiver mais ou menos minha idade, vai concordar com isso, e que se não, vai dizer que é uma fase. Eles não me deixam maluca porque não gosto deles. Pelo contrário. Eles me deixam assim porque eu gosto muito deles, então eu fico em dúvida se devo fazer o que eu quero ou o que eles querem. Sei que eles querem o melhor pra mim, mas porque eu iria querer o contrário? Acho que nesse ponto vejo o mundo mais simplificado do que eles. Pais sempre pensam no pior que poderia acontecer, enquanto nós pensamos nas coisas boas. Eu tenho quase 18 anos e tenho medo de continuar com essa dúvida. Principalmente meu namorado, porque o que está nos atrapalhando um pouco é o fato de eles não quererem que eu namore agora (ou até minha formatura (ou até eu ter 30 anos)) e ele está muito incomodado com isso. Tudo isso me deixa muito chateada. Não gosto de ter que escolher entre meus pais e meu namorado. Não deve ser tão difícil assim ter os dois. Acho que as coisas estão se complicando além do necessário.
    Agora que já acabei de incomodar você que está lendo, pode continuar a ler outros textos. Eu precisava desabafar e foi bom contar com você para ler. Desculpe se essa leitura não te agregou conhecimento útil ou diversão. Mesmo assim, obrigada por ler.
  • Desintoxicação.

    Eu preciso me desintoxicar de você, do seu toque, do seu cheiro, de cada célula sua que encostou na minha, eu preciso esquecer o seu sorriso, sua gargalhada e o modo que suas sobrancelhas se juntavam quando ficava bravo, eu preciso tirar do meu sistema cada momento compartilhado, as mais doces memórias que com a sua partida não são mais tão doces, são amargas assim como as lágrimas que insistem em cair mesmo eu sabendo que você já seguiu em frente, já provou outra boca, já elogiou outras pintas ate mesmo já segurou outra nos braços alguém que não era eu, seria egoísmo da minha parte pensar que seria diferente, mas o sentimento não me machuca menos por isso, parando pra pensar eu preciso te deletar de mim, o calor das suas mãos entrelaçadas nas minhas, do seu olhar, do seu abraço no momento de crise, e do nosso último beijo, que foi tão perfeito e lembrar dele faz meu coração perder uma batida, não deveria, o seu com certeza não o faz, a única pessoa que se perdeu fui eu, que se jogou em um rio com uma correnteza perigosa, achando que poderia controlar meu barwhinhb nas suas águas tempestuosas, me deixei levar, e provei da adrenalina do sentir, essa mesma que o meu organismo implora as 4 da manhã, não deveria, já deveria estar saindo, cada vestígio seu, todos eles deveriam ter partido... Junto contigo.
  • Dores da Alma.

    Sem ar
    Não se perca
    Ou tente se encontrar
    Respira
    Expira
    Não pira
    Ou grite sem fim
    Segura o choro
    Seja forte
    Ou se jogue no chão
    Talvez não seja agora
    Talvez não seja depois
    Mas essa agonia?
    Essa que queima seus ossos
    E paralisa seus músculos?
    Resista
    Lute de volta
    Mande-a embora
    Se não for possível
    Deite e chore
    Não sinta culpado
    Até o mais forte dos seres
    Sucumbem as dores da alma
  • Duvida cruel

    Cada dia que se passa eu me pergunto. Por que de a vida ser como ela é? Será que nós somos eternos? ou somos apenas passageiros? Tantas questões e indagaçõe que se parar para pensar ficamos loucos.  Sabendo a resposta não é diferente disso. Que nem no dia que piramos ao pensar no fim de tudo,mas ele está tão distante é tão perto ao mesmo tempo que sinto como se minha pele estivesse a se desintegrar. 
    Cada pedaço de mim,e daqueles que sabem o que muitos não sabem. Mas qual o sentido de ficar assim ao invés de seguir a vida feliz? Essa é a grande dúvida. Assim como é aquela dúvida do amor,será que estou apaixonado apenas por sentir aquela pele tão macia na minha,apenas por sentir o cheiro maravilhoso de seu perfume e ouvir suas lamurias por uma única noite.Será? 
    Nos nunca sabemos pois se soubéssemos não tinha dificuldade nenhuma na vida,por isso a dúvida, por isso a dor, por isso as noites em claro pensando e pensando apenas isso. Mas não é isso que acaba com a gente,o que acaba e ver que muitos que não tem a resposta que querem acabam se destruindo com todo tipo de coisa ruim que o mundo nos proporciona. Dai vem a preocupação,dai vem a dor eterna que não sai do peito machucado de alguém que mesmo jovem já passou e viu muitas coisas.
    Por isso mesmo não tendo esperança mais, aqui estou eu,me expressando de uma forma nunca antes feita por mim para ver se eu alcanço aqueles que precisam ouvir algo que os façam pensar,o que estão fazendo de suas vidas,pois o ser que somos nós,é algo eterno então não tenham duvida de que essa vida e só mais um caminho,o último, para cessar as duvidas e trazer a paz para aqueles que se indagam assim como eu.
  • Ego Virtual

    Comidas, cachorros, viagens.
    Praias, bares, mares.
    Segunda, quarta, sexta-feira.
    Apenas querem ser vistos
    Bebidas, copos na mão, noite.

    Parques, praças, hotéis.
    De dia, de tarde, de noite.
    Café, almoço, jantar.
    Quer apenas ver, os que querem ser vistos.

    Rindo, chorando, cantando, dançando.
    No carro, no ônibus, trabalhando.
    No cinema, no baile, bailando.
    Os que veem, também querem ser vistos.

    Fingem que são não são.
    São, mas fingem que não são.
    Tudo falso, tudo mentira.
    Só querem alimentar o ego
    Vivem assim
    Para isso, em torno disso.

    Está tudo errado, estranho, esquisito.
    É o mundo atual, o mundo moderno, vivem disso.
    Elas apenas estão vendo e querendo ser vistos
    Eu sou estranho, diferente.
    Ás vezes, me descuido, participando de tudo isso
    Por um impulso, fico iludido, com o falso encanto de tudo isso.
    Mas no fundo, não quero ver, nem ser visto.

    Só quero fugir de tudo isso
  • Ele

    Ele cansou. Está exausto de correr atrás do presente. Cansou do cheiro de coisas novas e preferiu usar o tato para encontrar conforto. Ele engoliu litros e mais litros de gritos acorrentados que hoje pesam dentro de seu estômago. Ele está tentando evitar essa ânsia que bate em sua porta todos os dias. Ele sobe as escadas até o vigésimo andar só pra olhar pela janela e assistir o presente visto de cima. Ele caiu na inércia. Entrou em piloto automático. Ele adotou o padrão e expulsou os devaneios da sua própria boca. Ele quebrou os próprios dedos pra não conseguir escrever sobre o peso dos gritos que arranham suas pregas vocais. Ele ficou diante de todos os caminhos e vendou os olhos para entrar no mais dolorido. Ele não está aqui. Ele está no seu próprio mundinho pedindo socorro por dentro e forçando um sorriso por fora. Ele pediu ajuda aos remédios e se viu com um punhado de fragmentos da própria morte em suas mãos. Pensou em por pra dentro também. Mas os gritos ocuparam todo o espaço. Cheio. Transbordando. Fechado.
  • Entre Lobos - cap. 7 (conto-romance)

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    Não se sinta perdido...LEIA os capítulos anteriores! Tenha uma ótima leitura e Obrogado a a tenção!!
    Katherine estava em seu quarto no segundo andar quando de sua janela os viu chegar. Não soube ao certo o que estava acontecendo afinal de contas Mark não os visitava com frequência, mas o que a deixou incomodada foi a presença de Derek.
    — Mark querido! – sua tia os recebeu. — Mas que ótima surpresa!
    — Olá titia! – a cumprimentou.
    — Mas o que o trás aqui a essa hora? – já era final de tarde. — Espero que nada...
    — Não, não! Eu vim por que...bem... – fitou Derek ao seu lado. — Precisamos...
    — Gostaria de falar com a senhora e o seu marido. – Derek interveio.
    Mark o mirou surpreso, de fato, não imaginava que seu amigo estivesse disposto a “encarrar” aquela situação de forma tão decidida.
    — Você é...? – a mulher então o fitou. – Oh, claro! – lembrou-se do almoço de outro dia. — O amigo de Mark.
    – Derek! – apresentou-se estendendo a mão para a senhora que respondeu ao gesto.
    — Derek, isso! – ela falou ainda recordando do assunto que envolveu ambos aquele dia. — Sim! Alan está na sala, mas o que há? – perguntou buscando a face dos dois a sua frente.
    — Gostaria de falar com vocês sobre Katy. – Derek respondeu.
    Ainda antes que acabasse de falar veio a voz rouca do homem de dentro da casa indo em direção a saída.
    — Mas que conversaria é essa afinal de contas? – falou e em seguida surgiu ao lado da mulher ao escancarar ainda mais a passagem. — Mark? O que está acontecendo?
    A mulher, com o olhar pedido sobre Deck, ainda tentava entender qual era a situação.
    — Esse rapaz – então voltou dizendo. — Veio nos falar sobre Katy. – sem tirar o olhar de cima dele foi direto ao ponto.
    — Katherine? – soltou franzindo a testa e quase que instantaneamente flechando Derek com um olhar desgostoso.
    — Sim! – ele posicionou-se.
    — E oque exatamente você teria para dizer sobre nossa filha? – adiantou-se colocando-se a frente de sua esposa que recuou obrigando-se a observar a conversa por um espaço que lhe sobrara.
    Nenhum deles havia reparado, mas não muito distante de onde estavam, Katherine, atrás de um pilar os observava com atenção. Assim que ela percebeu ser a razão daquela visita sentiu um certo desconforto, seu coração acelerar como nunca antes. Sim, a verdade é que reprovara Derek no primeiro instante em que o conheceu... Sua rebeldia, suas roupas desgastadas, aqueles olhares audaciosos, intrometido sobre ela, mas reconhecia também que algo havia mudado com a aproximação que tiveram outro dia no parque. Agora ele estava ali, falando com seus pais e ao mesmo tempo em que aquilo lhe parecia um absurdo, foi algo que mexeu ainda mais com seus sentimentos.
    — Espera. O que você está me dizendo?! – Alan. — Sentimentos por Katherine?
    — Não quero que o senhor me entenda mal – Derek se explicando. — Tenho as melhores intenções por Katherine e acredito que ela...
    — Filho! – Alan intrometeu-se e depois deu uma pausa fechando a porta para que ele e os dois rapazes ficassem a sós na varanda.
    Assim que viu a entrada ser fechada, Katherine resolveu deixar a sala, foi então que sua mãe a enxergou.
    — Querida! O que está fazendo aqui? Achei que estivesse em seu quarto. – aproximou-se de sua filha.
    — Ouvi, o que estavam, dizendo. – Katherine respondeu pausadamente.
    — Oh, sim! Mas não se preocupe, está bem? Seu pai vai resolver tudo. Esses jovens rapazes sempre confusos com as ideias. – concluiu sorridente em quando seguia com ela para o segundo andar.
    Do lado de fora.
    — Você não sabe o que está dizendo e eu entendo, afinal de contas você não deve imaginar o que realmente se passa com Katy, então vou ser franco com você.
    — Pelo contrário! Sei exatamente o que está acontecendo e isso não interfere no que sinto por ela, Senhor.
    — Você sabe?! – fitou Mark. — Então entende que já temos muito com o que nos preocupar aqui e não precisamos ainda ter que sondar um relacionamento que certamente não tem possibilidade de ir muito longe – pausa. — Talvez, sim, você tenha boas intenções... Derek, não é mesmo? – puxou o nome da memória. — Mas Katy não tem que passar por esse tipo de decepção.
    — O senhor me desculpe! Entendo que queira mantê-la segura, mas como pode ter tanta certeza de que não teremos um ótimo relacionamento? Acredito no amor que sinto por ela se Katherine estiver disposta a...
    — Amor! – Alan repetiu a palavra com certo desdém. — Acredite filho. Não é exatamente o “AMOR” que mantém um relacionamento ou até mesmo um casamento por anos. Em condições normais temos que saber provir a família de tantas formas que você ainda – o fitou por completo. — Desconhece. Com a condição de Katy a situação é ainda mais exigente.
    — Não estou descartando dificuldades Sr. Alan, mas tenho certeza de que Katherine e eu nos ajustaríamos a nossa maneira.
    — E que maneira seria essa?! – o homem então disse em um tom mais duro. — Levá-la para suas farras onde vocês brigam e bebem a noite inteira? – ficou Mark que mirava um canto qualquer enquanto ouvia. — Minha filha não vai ser mais uma de suas diversões, rapaz!
    — Mas senhor... – Derek insistiu.
    — Não há mais o que ser discutido sobre isso! – o homem concluiu. — Katherine está bem do jeito que está e espero que não se aproxime dela. – estendeu a mão indicando o caminho da estrada. — E você, Mark, faça o favor de não ficar instigando essa bobagem.
    — O senhor está errado! – Derek segui falando mesmo com seu amigo o empurrando para fora da varanda. — Todos vocês estão errados! Estão sufocando ela. Impedindo que ela tenha a própria vida!
    Sem dar atenção Alan fechou a porta.
    Já no andar de cima, da janela, Katherine viu seu primo e o amigo embarcarem em suas motos. Ainda antes de dar partida Derek a viu entre as brechas da cortina e foi embora.
  • Entre Lobos (conto-romance) 3/9

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    Não sinta-se perdido LEIA os capítulos anteriores! Tenha uma ótima leitura!

          Mary e Katherine vinham caminhando sobre a calçada quando viram, surpresas, seu primo alçando voo de dentro de um estabelecimento poucos metros a sua frente. O rapaz caiu completamente desengonçado e por esse motivo tiveram razões o suficiente para crer que ele não teria condições de erguer-se novamente, mas ainda mais incrédulas, viram ele, ainda meio zonzo, pôr-se em pé. Correram dar-lhe suporte.

    — Mark! – Mary assustada sem entender o que estava acontecendo. — Meu Deus! O que foi isso?! – o investigava de cima a baixo como se buscasse a certeza de que não lhe faltava qualquer pedaço.

    — Varsóvia! – o outro disse ofegante apoiando-se sobre os joelhos. — Maldito desgraçado! – soltou usando o restante do fôlego.

    — O que?! – no primeiro instante a única coisa que conseguiu pensar foi que se ele estivesse bêbado ou  provavelmente estava delirando por causa da queda.

    — Varsóvia foi rendida – continuou falando. — E aquele filho da mãe – mirou para dentro do bar. — Acha que está seguro. – sacudiu a cabeça negativamente. — Não hoje!

    — Mas do que você está falando?

    — Cuidado! – então advertiu afasto-as da entrada antes que fossem atropeladas pelos dois rapazes que agora saíam porta a fora socando-se.

    Sobre a calçada, depois de apartarem-se, Derek e o grandalhão passaram a se espreitar, um estudava o outro esperando o primeiro equívoco, um simples deslize para aquele embate chegar ao fim.

    — Nem sei bem ao certo o porquê de estarmos fazendo isso, cara! – Derek de punhos cerrados, fixo no oponente.

    — É um bom motivo pra você se arrepender de ter entrado nessa, então! – o outro respondeu.

    Então, todos ouviram a sirene soar e a viatura policial encostar rente a calçada.

    — Mas o que está havendo aqui? – o oficial falou sem deixar o veículo.

    Ambos se recompuseram, mas ainda se encarando.

    — Desculpa, chefe. – Mark adiantou-se. — Foi só um desentendimento entre... amigos. – buscou o semblante de Derek e o outro.

    — Mas olhem só... – o policial reconheceu Derek. — Parece que a confusão da noite passada não foi o suficiente, hein rapaz! Por que não me admira que você esteja no meio desse tumulto?

    — Eu...

    — Foi por minha causa! – Mark novamente. — Me desentendi com o... amigo – indicou com a face o grandalhão. — E... cá estamos nós. – soltou sem de fato explicar a situação. — Mas não foi nada de mais, já estamos... resolvidos, certo? – fitou o rapaz novamente que não respondeu, apenas ergueu mais o rosto mostrando superioridade.

    — Então é melhor que todos se acalmem. – o oficial falou com autoridade. — Ou vão acabar encrencados de verdade! Todos vocês. – completou antes de dar partida na viatura.

    O grandalhão passou uma das mãos sobre o lábio e sentiu o gosto do próprio sague. Sorriu.

    — Nada mal! – começou a recuar lentamente e por fim dando as costas para todos e indo embora.

    — Mas afinal de contas o que foi tudo isso?! – Mary completamente confusa. — Não acredito que você anda se envolvendo em confusão, Mark! – reprovou. — Titia não iria gostar nem um pouco de saber que...

    — Não se preocupe. – disse num tom calmo. — A propósito esse é Derek! – apresentou o amigo. — E obrigado, cara. – agradeceu em seguida.

    — Por ter levado uns socos por você? – o outro descontraiu. — Como eu poderia ter recusado!

    — Bem, me parece que os dois valentões estão satisfeitos, não? – Mary ainda tentou repreende-los.

    — Não muito! – Mark. — Ser jogado daquela forma foi humilhante. – completou vendo o sorriso machucado do amigo. — Me senti menosprezado, droga!

    Derek se ria ouvindo o amigo desgostoso quando passou a reparar na demasiada indiferença de uma das moças sobre tudo o que estava acontecendo. De fato, a garota ser quer havia dito uma única palavra desde que elas apareceram por lá. Talvez fosse tímida ou simplesmente, assim mostrou seu delicado e refinado modo de se vestir, ele a enojava. A verdade é que dificilmente se saberia ao certo e, de qualquer forma, aquele rosto doce com olhos claros lembrando dois diamantes azuis sutilmente lapidados, já havia aguçado a atenção dele. Como provavelmente aconteceria, a moça percebeu o olhar descarado e persistente sobre ela. Tentou desvencilhar-se buscando pontos que o tirassem de sua mira, mas obtinha sucesso por poucos segundos. Não demorou muito para que Mary reparasse no que estava acontecendo.

    — Bem... – Mary continuou. — Eu e Katy já estamos indo e aconselho a você a ir para casa também antes que arrume mais confusão. – sugeriu.

    — Estamos bem. – Mark declarou. — Foi só um imprevisto. – completou.

    — Você não tem mais jeito mesmo, Mark! – adiantou-se dando passagem para Katherine. — Não tem! – reforçou.

    Derek encontrava-se com as ideias distantes.

    — Ei! – Mark chamava o amigo. — Dek! – próximo a entrada do estabelecimento chamava o amigo. — Acho que merecemos tomarmos outra, não?

    — Por que nunca me falou sobre ela? – Derek então soltou.

    — O que? – voltou-se para o amigo.

    — Nunca me falou sobre essa sua prima... Kathy, não é?

    — Não! Não, não, não. Esquece! – o outro já cortando o assunto. — Nem pense nisso, cara. Vai encontrar problemas, ali!

    — E acaso não estou acostumado com isso? – abriu os braços mostrando sua situação. — Maldita hora que resolvi me envolver na tua confusão Mark! Ela deve estar me achando um animal.

    — Coisa que você não é, certo? – o amigo debochando.

    — Pro inferno! – cruzou por ele. — Você me deve essa e sabe disso! – deixou claro.

    — Pois bem! – Mark seguiu dizendo vendo o amigo entrar no bar. — Te pago uma cerveja, então!

    — Não! Não é o suficiente. – voltou a sentar-se de aonde havia saído. — Mas já é um começo. – acomodou-se dizendo por fim.
  • Entre Lobos (conto-romance) 4/9

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    Não se sinta perdido. LEIA os capítulos anteriores! Tenha uma ÓTIMA leitura!

    Naquela manhã de sábado Mark ligara para Derek pedindo para que o amigo viesse dar uma olhada na sua Formosa, apelido carinhoso que dera a sua motocicleta. Ainda perto do meio dia, ele apareceu por lá. Mark já o esperava disposto a dar cabo de tudo sozinho.

    — Ela não liga, Dek. – adiantou o problema. — Não está dando partida. – explicou ainda.
    — Vamos ver. – o outro disse depois de aproximar-se e cumprimentar o amigo que se mostrava preocupado com a situação.

    Já haviam se passado alguns minutos desde que Derek procurara desvendar o problema quando um automóvel escuro estacionou sobre o gramado em frente a casa. Sem dar atenção, ele continuou fixo no que estava fazendo, diferente de Mark que ao perceber quem chegara lgo  foi recepciona-los.

    — Mãe! – disse indo em direção ao carro. — Eles chegaram. – avisou.
    — Mark! – um senhor falou depois de desembarcar Do vveículo. 
    — Tio. – cumprimentou o homem com aperto de mão e um abraço.
     
    Em seguida uma mulher desembarcou acompanhada de suas duas filhas.

    — Ajude sua tia, sim. – sugeriu ao sobrinho. — Trouxemos algo para o almoço.
    Mark contornou o veículo e deu auxílio a Dna. May.

    — Deixe que eu levou tia. – adiantou-se pegando uma bandeja larga. — Olá Mary... Katy. – cumprimentou suas primas também.

    Então, Derek, voltou-se para trás e viu Katherine deixar o veículo. Mark, acompanhado pelos demais veio em direção a residência.

    — O que houve? – o homem parou por um segundo ao ver o que estava acontecendo.
    — Minha princesa não está bem. – Mark respondeu pelo amigo. — E esse é meu anjo da guarda – referiu-se ao amigo agachado — Dek esse é meu tio Alan e tio Alan esse é Dek. – os apresentou.
    — Me desculpe, senhor. – Derek pôs-se em pé. — Eu o cumprimentaria, mas... – estendeu as mãos mostrando o quanto estavam sujas.

    O rapaz não soube se seria muito educado cumprimentar o senhor daquela forma. Deixou de ter dúvidas quando percebeu que o homem lhe estendera a mão. “É o melhor.” Ouviu Mark falar logo ao lado do senhor.

    — Deixe disso, rapaz. – o homem disse. — Mãos como essas representam o progresso.

    A poucos passos as costas dos dois cruzou Katherine que o fitou discretamente. Mary o ignorou completamente assim como Dna. May. Na entrada da casa surgiu Sofya, mãe de Mark, uma mulher simpática e sorridente que agora as esperava calorosamente. Mark, juntamente com seu tio, seguiu para dentro de casa.

    — Já volto, Dek. – avisou e a verdade é que realmente não levou muito tempo até que estivesse de volta. — E então... como está indo? – pediu com certa preocupação.

     Sem responder, Derek prendeu novamente a mangueira a uma pequena saída do motor e pediu para que o outro tentasse dar partida novamente. Como por um milagre, a motocicleta respondeu imediatamente.

    — Eu sabia! – Mark contente. — Você daria um jeito, Dek!
    — Coisa simples...
    — Bem... Como minhas economias andam...escassas. – agora o outro explicava-se. — Não tenho como te pagar, mas – desligou a moto. — O que acha de almoçar com nós.
    — Não acho que seja uma boa ideia. – respondeu. — Me parece uma reunião íntima. – referiu-se ao encontro dele com os familiares.
    — Não, não! Deixa disso! – o convidou com um movimento de mão. — Meu tio provavelmente te interrogue, mas é uma boa pessoa. Pelo visto ele gostou de você.
    — E isso é bom?
    – Depende do quanto você corresponda as expectativas dele. – riu-se.

    Percebendo que não existiria uma maneira de impedir que aquele convite se desfizesse seguiu o amigo para dentro da residência.

    Derek sentiu-se um pouco acuado sentado à mesa. Diferente dos demais, ele usava uma vestimenta mais informal. Até mesmo Mark que entre todos era o que mais se assemelhava a ele, estava ou lhe pareceu aquele momento, especialmente bem alinhado.

    — E então... Derek. – o senhor dirigiu-se a ele. — Tem dom para concerto?

    Mark, então, o fitou como se lhe dissesse “Falei que isso podia acontecer”.

    — Bem... Trabalho na oficina de meu pai. – explicou objetivamente. — Ajudo a...resolver algumas coisas.
    — E vejo que se sai muito bem, não. – referiu-se a moto do sobrinho.
    — Obrig...
    — Ainda que se evolva em problemas nas horas vagas. – Mary soltou num sussurro, mas que claramente pode ser ouvido por todos.
    Mark posicionou-se.
    — Aquele dia foi apenas um... Equívoco.
    — Chame como quiser, Mark. – Mary. — A meus olhos vocês não passavam de dois baderneiros.

    Então, estalou-se um certo desconforto a mesa. Derek arrependeu-se no mesmo instante em ter aceitado aquele convite. Não tinha sido o suficiente ter passado a impressão errada na primeira vez, ainda teria que ser exposto ante a família inteira de Katherine, que tanto quanto a última vez, mantinha-se calada. Tanto ele quanto Mark foram envolvidos pelas desaprovações de todos.

    — Mas Dek não teve culpa. – Mark esclareceu. — Tudo o que fez foi ajudar.
    — Uma confusão sempre será uma confusão! – o homem colocou fitando os dois. — E não tolero baderneiros, Mark! São um atraso. E em respeito a memória do grande homem que foi teu pai, não vou tolerar ou permitir que você se torne um. – completou apoiado por sua irmã Sofya.
    — Obrigado, Mary. – então Mark dirigiu a prima. — Finalmente estou conseguindo ser visto como um delinquente. – debochou ao mesmo tempo em que abocanhava um pedaço de carne.

    Ela apenas ergueu as sobrancelhas lembrando algo do tipo “Não há de que”.
  • Era falta de ar

    A angústia me exaspera
    Faz-me querer afundar
    Num ritmo que acelera
    Faz-me querer gritar

    Meu coração não mais tolera
    Sua voz a me instigar
    Saudade de mim se apodera
    Sua voz a me molestar

    Espero que essa era
    Venha logo a se cerrar
    Tudo volte ao que era
    Venha logo me buscar
  • Eu não sigo a ordem das Páginas

    Eu parei de escrever. Cansei de pausar a vida e vomitar palavras doloridas. Eu parei de escrever porque eu parei de tirar de mim letras agudas que machucam minha alma. Eu parei de escrever porque é só isso que sai das minhas mãos.
    Eu parei de tentar forçar um gosto doce em uma fruta azeda. Parei de puxar um prédio na direção do abismo. 
    Eu parei. 
    Parei pra respirar e esqueci de voltar.
    Eu parei de acreditar.
    Eu parei e continuo parado, sem nem pensar em voltar.
    Eu não sei se quero voltar.
    Mas essas letras que arranham minha carne por dentro continuam gritando na minha garganta.
    Eu parei de querer controlar.
    EU NÃO SIGO A ORDEM DAS PÁGINAS DO MEU LIVRO FAVORITO.
    Eu não mereço ter que seguir uma linha na qual eu não acredito e não me encaixo. Eu mereço desenhar a minha própria linha, isso se eu quiser desenhar.
    Eu mereço.
    Eu me mereço.
    E eu voltei a escrever.
    Porque eu voltei a vomitar o que está dentro de mim.
    Porque eu acredito que esse vômito um dia vai acabar e só vai sobrar
    flores.
  • Eu Te Amo Tanto

    Quando eu te vi pela primeira vez, era numa tarde ensolarada, eu estava dentro do ônibus e você subiu. Me encontrei parlisada por alguns segundos quando bati o olho em você, senti minhas mãos frias e eu não sabia o porquê disso, desde então, eu não parei mais de te procurar em todos os rostos que eu via.
    Foi assim por uns longos anos, até que tivemos nossa primeira conversa através de um amigo em comum, eu logo me senti conectada, nossas ideias sempre bateram, nossas idiotices faziam os dois darem gargalhadas gostosas juntos.
    Foi então que depois de alguns meses tivemos o nosso primeiro beijo, sinto a sensação até hoje. Meu Deus! não poderia ser melhor. Foi dali que comecei a sentir que era você.
    Assim que nossos lábios se tocaram eu senti uma coisa surpreendente vindo de dentro de mim, é uma mistura de sentimentos, todos sentimentos bons possíveis que um ser humano pode ter, uma coisa tão louca que eu não sei explicar, mas que sinto toda vez que nossos lábios se encontram novamente.
    Toda vez que bato os olhos em você, andando, sorrindo, distraído, de qualquer forma, eu fico maravilhada, como se fosse a primeira vez que eu te vi.
    É como se eu me apaixonasse por você toda vez que eu te encontro em algum lugar, como se fosse a primeira vez novamente, e eu amo isso.
    Aliás, eu amo tudo em você: amo seu jeito distraído, amo como sua risada soa, amo as curvas do seu sorriso, amo suas mãos, amo seus dedos tortos, amo seu timbre, amo seus olhos, amo seu nariz, amo o seu carinho, amo toda sua personalidade, amo suas olheiras escuras e profundas, assim como meu sentimento por você é: profundo! Tão profundo que eu quase me perco nele, de tão grandioso que consegue ser. Tão profundo que as vezes eu não sei como demonstrar ele, e eu tento de todas as formas botar ele pra fora pra você saber o quão amado é! 
    Eu te amo tanto.
    Por mais que eu queira que nós dois dessemos certo, a minha prioridade é te ver feliz, mesmo que nos braços de outra, minha prioridade é você está bem.
    Mas... Eu te amo tanto.
  • Guia Politicamente Incorreto da Terra Plana

    Livro: Guia Politicamente Incorreto da Terra Plana

    Autor: Óvulo de Cavalo

    Editora: Não Cogito

    Biografia do autor: Óvulo de Cavalo nasceu em Taubaté (SP), mas passou muitos veraneios em Atibaia. Reza a lenda que ele abandonou o Ensino Superior por razões intelectuais. Dizem que o seu cérebro é tão grande que quando espirra, sai uma teoria. É graduado em Histeria, mestre em Histeria Social, e possui doutorado em Histeria Coletiva com a tese Tudo que você não deve saber para continuar um idiota completo. Bacharel em Filosofada na FDP. Mestre em Parapsicologia pela Universidade Tautológica das Falácias Agudas (UTFA). Especialista em Ciência Apolítica. Especialista em Egolatria. Especialista em Enpistemologia da Histeria. A bibliografia do autor é muito vasta, mas indicamos os seguintes livros O que é Pseudocrítica Cultural?, Democracia do Discurso Único, Enpistemologia Histérica, Defesa do Criancionismo, A Terra é um Beiju de Tapioca e outros ensaios, Sejamos todos Terra-planistas!.

    Fonte: Wikifake

  • Iludido por uma estrela

    Em uma certa noite de luar, sentei em uma cadeira na varanda da minha casa, pousei a refletir sobre as minhas decepções amorosas e os meus desafetos. A brisa era suave e me acariciava mansamente. O silêncio da noite, o momento de exclusão, estavam conformes ao meu estado de meditação. Coloquei meu pescoço sobre o aresta da cadeira e dardejei o meu olhar para a imensidão celeste. Eu descavava lentamente, ao passo das reflexões, as minhas suposições sobre a crueldade do destino. Era um momento de dúvidas e inquirições infindáveis que me causava um desânimo profundo e, irresolvivelmente, me deixava vazio e abjeto às incomensuráveis suposições e conjecturas, sob a ótica de um limitado ser humano que navega no mar da vida temendo as ondas da morte. As dúvidas era uma espécie de doença incurável, que abrandava e reaparecia, intensa às vezes, às vezes fraca, mas sempre insolúvel. Em uma certa noite de luar, sentei em uma cadeira na varanda da minha casa, pousei a refletir sobre as minhas decepções amorosas e os meus desafetos. A brisa era suave e me acariciava mansamente. O silêncio da noite, o momento de exclusão, estavam conformes ao meu estado de meditação. Coloquei meu pescoço sobre o aresta da cadeira e dardejei o meu olhar para a imensidão celeste. Eu descavava lentamente, ao passo das reflexões, as minhas suposições sobre a crueldade do destino. Era um momento de dúvidas e inquirições infindáveis que me causava um desânimo profundo e, irresolvivelmente, me deixava vazio e abjeto às incomensuráveis suposições e conjecturas, sob a ótica de um limitado ser humano que navega no mar da vida temendo as ondas da morte. As dúvidas era uma espécie de doença incurável, que abrandava e reaparecia, intensa às vezes, às vezes fraca, mas sempre insolúvel. Naquele momento, fiquei átono diante da ausência de respostas e, assim, preferi aceitar a minha limitação cósmica. Por mais que eu fosse um grão de areia na imensidão do infinito, me senti um grão que vibrava inconformado com o fluxo irrevogável do destino. Era mais sadio e viável aceitar o silêncio como resposta e deixar que o influxo à morte me conduzisse ou à plena consciência, ou à inconsciência eterna. Após alguns minutos perscrutando o além, um brilho singular que resplandecia no horizonte celeste me assaltava inexplicavelmente revogando as minhas reflexões. Era uma bela e encantadora estrela, que lá estava amainando a minha solidão momentânea. Achei impressionante a magnificência do seu brilho —era surreal a forma como despendia seus traços luminosos. Fiquei tão fascinado com a sua unicidade que resolvi chamá-la de Bella. Durante vários dias, passava horas apreciando a  singularidade de sua performance. Nos dias chuvosos e nublados eu ficava chateado por não desfrutar da celsa visibilidade. Eram momentos de reflexão ascendente, que singelamente me levavam a um sentimento de ternura celeste, de abraço cósmico, e sobretudo, de compreensão da incompreensão do infinito. Bella era tão cordial e acariciadora, que eu via nela um verdadeiro amor, e por mais que intangível fosse, era-o correspondido por sua presença. Foram momentos inexplicáveis e deveras prazeroso. Toda noite, sentia-me abraçado com sua presença. Seu brilho era tão consistente que o luar perdia a sua excentricidade. Sem dúvidas, encontrei o amor, cuja essência é pura e cuja presença é única. Entre nós não havia dúvidas e sim, uma única e regojiza certeza, eu nunca iria sentir abandonado ou desprezado novamente, pois eu encontrara o Amor da minha Vida. Por mais longe que estivesse, a nossa  ligação era decerto íntima, e daquele dia em diante, luz de Bella iria iluminar as minhas noites vazias e lúgubres. 
    Ledo engano! Essa foi a minha conclusão após passar inúmeras noites lamentando o sumiço de Bella. Ela sumiu do mesmo jeito que apareceu em minha vida: inusitadamente. Descobri que não era uma estrela comum (fixa no céu), era uma estrela cadente. Sua cadência fora lenta e ao mesmo tempo rápida, no entanto, a sua presença será eterna na minha memória. Talvez ela tenha me desamado, ou quem sabe enjoado de mim e foi procurar outro para admirá-la. Talvez ela nunca tinha sido minha, e o ego fora o único que me forçou a acreditar na correspondência amorosa. Eu, mais uma vez me senti iludido, e desta vez, iludido por uma estrela.
  • Impasse

    Qual a certeza que você têm? 
    Será essa a decisão certa? 
    Depois de tudo o que aconteceu, 
    Você realmente ainda me ama? 
    Ainda quer me dar outra chance? 
    Tenho medo,
    De estarmos enganados.
    Será possível trazer todo aquele amor de volta? 
    Conseguir me sentir segura em seu abaraço de novo? 
    Você não acha q as coisas já não estão muito quebradas? 
    Devemos ter fé de que uma cola milagrosa consiga grudar novamente todos os pedaços dos nossos corações? 
    Ou devemos desistir e deixar que o tempo cure? 
    Não tenho certeza, 
    Você têm?

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