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bagunça

  • A morte do eu

    “After a year in therapy, my psychiatrist said to me: ‘maybe life isn’t for everyone’.” 
    O inferno está vazio e todos os demônios estão na minha cabeça. Conjecturo vozes que, no desabrochar da vigília, anunciam-me um transtorno psicótico. Hoje eu tranco o curso, tranco a vida. Cheguei a vasculhar, um dia, a possibilidade do suicídio ser apenas o enterro, mas não a morte em si; todavia, certifico-me, nessa náusea amorfa, que a angústia se infiltra na teia neurossucumbidora antes de incinerarmos a nós mesmos. Conto os dias, odiando o teísmo onipotente, para encontrar o que acredito ser minha alforria: o psiquiatra. Há de ser minha muleta metafísica. Dispneia. Se enlouquecer-me novamente, tenho clonazepam. Vinte gotas; vinte e sete, se precisar. Alivio-me com esse meu novo deus volátil. 
    Sento-me à beira da cama; meus pés desmaiam sobre o chão. Penumbra. Nada me daria mais prazer do que nunca ter de acordar novamente. Sinto na alma a enfadonha arte de vestir-se. Fico apreensivo com minha sanidade dúbia diante das aulas anavalhadas que vagarei hoje. Degusto o Escitalopram com um café áspero. Lembro – fitando um eterno nada – a face sem sentença da minha psicanalista, e esbravejo-me; quero que suba no telhado e grite quem sou eu, pois já me foge essa concepção. Deposito o frasco de benzodiazepínico no bolso; esqueço o celular em casa. 
    Ao longo dos sertões da manhã, o medo do pânico se empodera como um fascista. Claustrofobia. Perscruto que na selva da minha psique não reino como Zumbi Dandara, mas apenas sou uma marionete do caos. Convenço-me da morte iminente: seja por um edema de glote, seja por um cataclismo pneumológico. Vendaval de sinapses. Minha mitral esperneia-se, regurgita-se, fibrila-se; almejo fugir-me; visto a entropia desajustada; balbucio uma filosofia sórdida. Subunidade beta da Proteína G, Guanosina Difosfato Inativa, Adenilato Ciclase: importantíssimo para vocês, futuros médicos. Cronograma de Caim. Quinquilharia. Pandemônio.
    Comprei uma aliança para essa miséria de vida, mas não prometo a monogamia – resmungo ao asilo que concerne minha consciência. Permuto as desvantagens e vantagens de ser um amontoado de átomos; aquelas me logram. Perambulariam como os nômades que nutrem sentimentos por mim? Por mais que sejam escassos, não me ousa denegrir a árvore-mãe que doou suas raízes à fruta empobrecida de alma. Aproveito o anticlímax dessa patologia arruaceira para ler o DSM: tenho todas as anarquias possíveis: transtorno de ansiedade generalizada, síndrome do pânico, depressão, desconexão com o divino, apatriotismo sem-terra. 
    Como um cadáver maquiado, encargo-me da polidez pós-morte: metáfora para os primórdios da tarde. Sobre o alcoolismo: eternizara – não que deguste a ideia, porém era a morfina que varria minhas esquinas neurais; era, senão, o hospício que tratava meu cansaço insuportável de gente. Olho-me: identifico em cada dobramento da minha organogênese os assassinos da minha jornada. A tarde, porém, caminha de forma taciturna; enrosca nos galhos, tropeça nas ironias machadianas, vivencia a chaga de Édipo, mas caminha. Adentro um elevador eremita: coercitivamente controlo a respiração: minhas cavernas pulmonares ecoam desespero.
    Palmilhando os arredores do abismo, pondero em relação ao futuro notívago: ou a insônia reluzirá novamente ou uma bala perfundirá meu encéfalo – entrará por um ouvido e sairá no outro, nada menos. Sinto meus passos derradeiros nesse morro cascalhado. Cairá sequer uma lágrima desse meu rosto surrado diante da morte de meu pai? Meu recinto ainda tem o cheiro de vazio. Insisto em deleitar-me na água que escorre do chuveiro, mas em vão. Pressuponho que dentro da gaiola do meu peito habite um pássaro que almeja voar, todavia se debate nas grades costais, depena-se e desiste da vida. Perfumo o ar com sobriedade: irrita-me o anseio acalentador das pessoas. Recebo, ainda que caquético, no toante dessa noite, uma visita: meu humor sacoleja como um cão solto na praia. Lê-me: você parece ótimo. Não se esqueça, minha cara, que os buquês, por mais que sejam sorridentes e carinhosos, são feitos de flores mortas. 
  • A solidão me remete paz.

    Eu posso me acostumar com sua presença, mas eu prefiro ficar só. É meu espaço, e eu não gosto de visitantes. Eu sou tão acostumada com a ausência de pessoas que eu nem sinto falta. Não sinto falta de algo que eu sempre tive, solidão. Não acho a solidão tão ruim quanto todo mundo, eu até gosto. Eu gosto de me ter por inteira e não por partes, precisei ficar só para conseguir me amar e notar que eu só tenho, que eu só posso contar com uma pessoa na minha vida. Eu.
  • Acefalia aguda

               Muitos adolescentes brasileiros nascidos na primeira década deste século, e outros tantos jovens adultos da década de 90, se portam como verdadeiros doutores em História e Ciência Política. Pseudocríticos baseando suas vagas opiniões em velhos preconceitos, medos sepultados já há muito tempo e memórias deturpadas por pessoas que nem sequer puderam estudar História. Sem fundamentos empíricos e teóricos, não há História.
                Essa História, ciência da reconstrução do passado através dos vestígios deixados pelo homem no tempo e no espaço, é diferente da história, sucessão de eventos humanos em ordem cronológica e assimilável. O infante — geralmente aquele que filava as aulas de humanas, por considerarem-nas muito chatas ou irrelevantes para a formação profissional —, não saberá defini-la, pois não tem formação na área.
                Não saberá dizer também: Como se deu a conjuntura político-econômico de 1964? O que é uma Ditadura Militar? O que é um golpe de Estado? Como o Tenentismo contribuiu para a formação do “Superleviatã”? Qual o papel da extrema-esquerda na radicalização nas alas golpistas? Você já leu os atos adicionais e institucionais promulgadas pelo Executivo centralizador? O que é um político biônico? Etc.
                Você, que provavelmente deixará um ataque nos comentários desse texto e não uma crítica racional, não tem formação na área de História ou qualquer das Ciências Humanas. Não leu nem sequer um livro de História do começo ao fim e não viveu entre 1964 e 1985.
                Você caro leitor(a), provavelmente não viveu num período onde o salário diminuía na mesma proporção em que banqueiros enriqueciam com empréstimos bilionários com dívidas internas e externas. À censura. Uma época onde democracia se resumia a um bipartidarismo forçado onde o governo controlava ambos os partidos, seja com ideologia ou o braço forte da lei. A inflação galopante que elevava o preço dos alimentos. A precarização e privatização do ensino com a Lei nº 5.692, de 11 de agosto de 1971. Onde homossexuais não podiam servir ao Exército, considerados doentes mentais. Época em que prisões arbitrárias, sem amparo legal tinham o aval do Estado. Onde assassinos são heróis. Golpistas democratas. Submissos das potências estrangeiras patriotas. Um tempo e que tortura era política pública e terrorismo de Estado ação de legalidade constituinte. Você, é um mero produto desse período.
                Antes que venham as acusações, eu não sou filiado a partido político. Não sou sindicalista. Não milito em quaisquer ONGs. Nem pratico esportes radicais!
                Minha legitimidade para falar de Ditadura Militar? Bem, digamos que sou graduando em História. Tenho mais legitimidade do que você, ou um youtuber, um blogueiro, qualquer influencer ou “personalidade da mídia”. E o melhor de tudo, meu argumento se fundamenta em princípios teóricos e empíricos, de pessoas que estudaram décadas para chegar à conclusão de suas pesquisas, sejam elas quais forem.
                Mais que uma crítica, lanço aqui um desabafo. Eu tenho muita vergonha de pertencer a uma geração que tem como único objetivo viver em alucinado egotismo. Pessoas que tem como única preocupação adquirir curtidas de pessoas tão acéfalas quanto aqueles que postam fotos entupidas de Photoshop. Crianças mimadas carentes de atenção.
                Sinto nojo de uma nação que escolheu candidatos conservadores, que acusam os próximos dos crimes que eles mesmos praticam nas surdinas como os bons hipócritas que o são. De um país que trocou o seu desenvolvimento para ver o seu processo de conquista ruir como um castelo de cartas marcadas. Uma pátria que tem como único objetivo devorar os seus sonhos de seus filhos e filhas. Se incitar o ódio de héteros contra LGBT+, de homens contra mulheres, de jovens contra adultos, de sulistas contra nortistas, de brancos contra negros... de brasileiros contra brasileiros.
    Vou deixar aqui referências o suficiente para aqueles que cultivam a ignorância, amorteça o seu despreparo perante a realidade:
    LEI Nº 4.024, DE 20 DE DEZEMBRO DE 1961
    Disponível em: <https://www2.camara.leg.br/legin/fed/lei/1960-1969/lei-4024-20-dezembro-1961-353722-publicacaooriginal-1-pl.html>  acesso dia 26/03/2019 às 23:29 Hrs
    LEI Nº 5.692, DE 11 DE AGOSTO DE 1971
    Disponível em: <https://www2.camara.leg.br/legin/fed/lei/1970-1979/lei-5692-11-agosto-1971-357752-publicacaooriginal-1-pl.html>   acesso dia 26/03/2019 às 23:40 Hrs
    Reforma tornou ensino profissional obrigatório em 1971
    Disponível em: <https://www12.senado.leg.br/noticias/materias/2017/03/03/reforma-do-ensino-medio-fracassou-na-ditadura>    acesso dia 26/03/2019 às 23:48 Hrs
    Os currículos de História e Estudos Sociais nos anos 70: entre a formação dos professores e a atuação na escola
    Disponível em: <http://snh2007.anpuh.org/resources/content/anais/Elaine%20Louren%E7o.pdf > acesso em 26/03/2019 às 00:02 Hrs
    "O desafio de ensinar História durante o regime militar"
    Disponível em: <https://www.gazetadopovo.com.br/educacao/o-desafio-de-ensinar-historia-durante-o-regime-militar-ehc3qh8l0viwed9l42wawrz9q/>  acesso dia 27/03/2019 às 11:25 Hrs
    OS ESTUDOS SOCIAIS E A REFORMA DE ENSINO DE 1º E 2º GRAUS: A “DOUTRINA DO NÚCLEO COMUM”
    Disponível em: <http://www.snh2015.anpuh.org/resources/anais/39/1439700335_ARQUIVO_OSESTUDOSSOCIAISEAREFORMADEENSINODE1E2GRAUS.pdf> acesso dia 27/03/2019 às 11:43 Hrs
    Disponível em: <http://portal.inep.gov.br/documents/186968/485895/Estudos+sociais+no+1%C2%BA+grau/4e96a598-50ec-491d-ab72-4ce2c50a9f3d?version=1.3> acesso dia 27/03/2019 às 12:00 Hrs
    Decreto nº 66.600, de 20 de Maio de 1970
    Disponível em: <https://www2.camara.leg.br/legin/fed/decret/1970-1979/decreto-66600-20-maio-1970-408046-publicacaooriginal-1-pe.html> acesso dia 27/03/2019 às 12:07 Hrs
    ARNS, Dom Paulo Evaristo. Brasil: nunca mais. Petrópolis, RJ: Vozes, 1985.
    BANDEIRA, Moniz. O governo João Goulart e as lutas sociais no Brasil (1961-1964). Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1983.
    BRITO, Maurício. Capítulos de uma história do movimento estudantil na UFBA (1964- 1969). Salvador: EDUFBA, 2016.
    CARDOSO, Lucileide Costa. Criações da memória: defensores e críticos da ditadura (1964-1985). Cruz das Almas-BA: UFRB. 2012.
    DANTAS NETO, Paulo Fábio. Tradição, autocracia e carisma: a politica de Antonio Carlos Magalhães na modernização da Bahia (1954-1974). Belo Horizonte; Rio de Janeiro: Ed. UFMG; IUPERJ, 2006.
    DREIFUSS, René Armand. 1964: a conquista do estado, ação política, poder e golpe de classe. Petrópolis-RJ: Vozes, 1987.
    FERREIRA, Jorge; DELGADO, Lucilia de Almeida Neves (org.). O Brasil republicano: volume 4: o tempo da ditadura: regime militar e movimentos sociais em fins do século XX. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2003.
    _____; REIS, Daniel Aarão (org.). Nacionalismo e reformismo radical (1945-1964). Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2007. (As Esquerdas no Brasil, v. 2).
    _____; GOMES, Angela de Castro (org.). 1964: o golpe que derrubou um presidente, pôs fim ao regime democrático e instituiu a ditadura no Brasil. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2014.
    FICO, Carlos. Além do golpe: versões e controvérsias sobre 1964 e a ditadura militar. Rio de Janeiro: Record, 2004.
    _____. Versões e controvérsias sobre 1964 e a ditadura militar. Revista Brasileira de História, São Paulo, v. 24, no. 47, p. 29-60, 2004. Disponível em: <http://www.scielo.br/pdf/rbh/v24n47/a03v2447.pdf>. Acesso em: 13 mar. 2019.
    _____. O golpe de 1964. Rio de Janeiro: Ed. Fundação Getúlio Vargas, 2014.
    _____. Ditadura militar brasileira: aproximações teóricas e historiográficas. Tempo e Argumento, Florianópolis, v. 9, n. 20, p. 05 ‐ 74. jan./abr. 2017. Disponível: <http://revistas.udesc.br/index.php/tempo/article/view/2175180309202017005>. Acesso em: 13 mar. 2019.
    FIGUEIREDO, Argelina Cheibub. Democracia ou Reformas? Alternativas democráticas à crise política: 1961-1964. São Paulo: Paz e Terra, 1993.
    GASPARI, Elio. A ditadura escancarada. São Paulo: Companhia das Letras, 2002.
    JOSÉ, Emiliano; MIRANDA, Oldack. Lamarca: o capitão da guerrilha. São Paulo: Global, 2004.
    LEME, Caroline Gomes. Ditadura em imagem e som: trinta anos de produções cinematográficas sobre o regime militar brasileiro. São Paulo: Ed. UNESP, 2013.
    LIMA, Thiago Machado de. Pelas ruas da cidade: o golpe de 1964 e o cotidiano de Salvador. Curitiba: CRV, 2018.
    MENDONÇA, Sônia Regina de; FONTES, Virgínia Maria. História do Brasil recente: 1964- 1992. São Paulo: Ática, 1994.
    MOTTA, Rodrigo Patto Sá. As universidades e o regime militar: cultura política brasileira e modernização autoritária. Rio de Janeiro: Zahar, 2014.
    NAPOLITANO, Marcos. O regime militar brasileiro: 1964-1985. São Paulo: Atual, 1998.
    _____. O golpe de 1964 e o regime militar brasileiro. Revista Contemporánea: história y problemas del siglo viente. Montevideo, v. 2, p. 209-218, 2011. Disponível em: <http://www.geipar.udelar.edu.uy/wp-content/uploads/2012/07/Napolitano.pdf>. acesso em: 13 mar. 2019.
    _____. 1964: História do regime militar brasileiro. São Paulo: Contexto, 2014.
    PAES, Maria Helena Simões. A década de 60: rebeldia, contestação e repressão política. São Paulo: Ática, 2001.
    REIS FILHO, Daniel. Ditadura militar, esquerdas e sociedade. São Paulo: Jorge Zahar: 2000, p. 33-73.
    _____. Ditadura e democracia no Brasil. Rio de Janeiro: Zahar, 2014.
  • Ando lendo muitos livros ultimamente

    Uma árvore pega fogo
    E
    Dois párias se matam em um bar enquanto eu leio um livro
    Nada acontece pelas próximas duas páginas
    Mesmo assim me convenço que não é a aposta que torna a vida suportável
    Um gato é atropelado
    E vento solar atinge o polo norte criando uma aurora boreal
    Nada acontece na próxima página
    Mudo a posição das pernas, é tudo que eu faço
    Agora estão esticadas


    As pessoas caminham e tentam não pisar nas minhas pernas
    Enquanto isso uma mãe golfinho dá à luz pela primeira vez
    E algum artista cria uma música lendária que nunca será gravada
    Estamos perto de descobrir quem é o assassino
    Viro mais uma página
    O sinal bate
    Mais uma geleira se parte formando um iceberg
    O livro acaba
    Olho para o teto e penso
    Que seres ridículos nós somos
    Um velho morre na Pensilvânia
    Fecho os olhos e seguro um grito de agonia.
     
  • Apenas um sonho

    Descobri meu refúgio em você
    Vivemos o melhor que a vida tem,juntos
    Contra todos,vencemos
    Mas,onde você foi?

    Sinto que não posso te encontrar
    E a solidão aumenta a cada segundo
    Lembro de cada sorriso seu
    Não pode ter ido embora

    Foi tudo apenas um sonho?
    Não posso acreditar
    Foi tudo apenas um sonho?
    Não posso acreditar

    Nosso amor não se perdeu
    Quero cada segundo da minha vida com você
    Só te encontro nos retratos
    A sua espera a toda hora

    Minha vida virou uma escuridão
    Talvez ainda exista no meu sonhos os seus sorrisos
    Não posso ter te perdido

    Foi tudo apenas um sonho?
    Não posso acreditar
    Foi tudo apenas um sonho?
    Não posso acreditar
  • Apogeu

    Somos todos compostos de rachaduras,
    Profundas, permeáveis, constantes. 
    Somos a chegada em outubro, a despedida em fevereiro,
    Sem avisos, mediações, atos. 
    Somos a estrutura remanescente que se despedaça, corrói e despenca. 
    Somos auditórios vazios e assombrados por fantasmas,
    Melancólicos, cansados, voláteis. 
    Talvez eu só saiba escrever poemas em guardanapos e você talvez só saiba ler eles quando colados na sua geladeira. 
    Entregas, intensidades e fios que escorrem dos dedos. 
    Eu prendi a linha em meu mindinho, mas não cobrei a responsabilidade de tu fazer o mesmo. Seria desumano, seria desleal,
    Do mesmo modo que os nós emaranhados se acumulavam no teu peito "desprendido, desconstruído". Todos somos resumidos por traumas, passado, expectativa,
    O ato não feito, o olhar dolorido, a palavra não dita.
    (Minha intuição é boa, mas eu deveria praticar mais a telepatia)
    Somos as paranóias que mantemos debaixo da cama,
    O sentimento engolido, a acidez que mata as borboletas no estômago. 
    Somos os ventos frios, o gosto do novo que se torna rotina, a presença inusitada no dia agitado, o Sol aquarelando as nuvens. 
    Do meu olho para o teu. 
    Onde quer que esteja. 
    Somos o verão,
    Quente, laranja, de planetas de fogo. 
    Mas também somos o inverno,
    Frio, distantes, de montanhas esquecidas. 
    Há mais alguns guardanapos abaixo de meus dedos. Não vão ser deixados em tua geladeira e muito menos em teu balcão. 
    Não naquele onde jogou tuas migalhas esperando que preenchessem minha caixa torácica. 
    Elas não eram nem suficientes para meu estômago. 
    Desejo bons batimentos cardíacos à você! 
    Somos feitos da mesma matéria, 
    Física, emocional, etérica. 
    Somos feitos das manifestações que em nosso corpo permitimos. 
    Permitir, permitir-se, além das dobras moleculares, do lógico, do controle que escapa dos teus dedos. 
    Somos feitos de quantas vezes morremos por algo, 
    Renascemos por direito de sentir,
    Na pele, no sangue, na alma. 
    Talvez sejamos feitos de medo,
    De tentar, romper, permanecer. 
    Recolho meus poemas, fecho as janelas, tranco a porta. 
    Tu me encarando na escada. 
    Não sou mais o que eu era,
    Apresente-se novamente.
  • Batalha à beira-mar

    Vivíamos uma batalha,
    À beira mar,
    De pés na areia,
    De espadas nas mãos 
    Tentávamos decidir nosso futuro
    Demos golpes baixos, 
    Mas também dávamos vantagem, 
    A luta era justa, 
    Entre dois amantes 
    Mas no final nenhum resistiu,
    O mar se tornou vermelho com o sangue dos nossos corações destroçados.
  • Blefe Mortal

    O suor escorria pelo seu rosto, porém a feição séria e amedrontadora distraía seus oponentes naquele momento, exceto por Louie.
    Louie era um homem negro e Grisalho, com trajes finos,uma bengala que não apresentava marcas de uso e um olhar vil, porém cativante.
    - Você tem certeza, garoto? Indagava o velho homem com um tom extasiado.
    - Nunca tive certeza de nada, e sempre apostei tudo... E só cheguei aonde estou porque minha vida foi feita de apostas e vitórias...então...é, tenho.
    Enquanto o jovem prolifera as palavras em cima do dinheiro que já não tem, lembra-se da pacata cidade onde nasceu, o calor dos pães já murchos a pouco tirados do forno e o afago materno que o acolhia; Também se lembra de sua primeira viagem para os Estados Unidos onde conseguira sua bolsa em Harvard, seu primeiro emprego, seu primeiro carro, casa, barco, relógio de ouro e claro, de Clarice...
    Ah Clarice... Um verdadeiro anjo caído, mais sedutora que o próprio demônio e mais cruel que Deus, seus lábios vívidos e suculentos rapidamente tiravam nosso protagonista de órbita, mas algumas palavras o fizeram aterrisar novamente na realidade.
    -Showdown!- Afirma o crupiê.
    A confiança do jovem o faz baixar rapidamente as cartas, mostrando um  Flush bem desenhado.
    A própria lógica do poker dizia para Patrick, naquele momento, que era quase impossível uma combinação maior, exceto por um Royal Flush, mas esse era totalmente improvável; Seus cálculos eram precisos e sua mente aguçada o suficiente para apreciar o gosto da vitória de uma forma extremamente precoce, porém, a felicidade de seu oponente começava a deixá-lo em desespero, o velho homem, ao se preparar para mostrar as cartas, solta as seguintes palavras:
    -Parabéns garoto - afirma mantendo o sorriso e baixando as cartas viradas para baixo - Você ganhou.
    O suor que antes era de nervosismo agora virou em felicidade contida atrás daquela máscara; Ao recolher as fichas de seu devido prêmio, a voz rouca e suave do idoso gesticula uma tentadora proposta:
    - Eu tenho mais... Muito mais, quer ver?
    Patrick, em profundo êxtase responde:
    -Quero, quero não só ver, mas tomar, quero dinheiro, quero poder,quero ter o sangue de todos aqueles que me humilharam, quero...Quero...
    Antes de terminar a frase o jovem homem vê seu reflexo no espelho, seu cabelo desarrumado, seu olhar vidrado e expressão diabólica o assustam, e logo atrás de si, através do espelho, vê a sombria criatura que cochicha:
    -Que assim seja.
    O semblante que forma à sua retaguarda toma uma forma demoníaca, o jovem desesperado salta á frente aterrorizado derrubando as fichas e a mesa.
    A criatura medonha se curva, rindo, quase gargalhando.
    - Ora...Por que tanto medo? Não era você que queria sangue a pouco tempo atrás?
    As presas cravam, o corpo esfria,
    e no chão se destaca a sequência mais nobre do Pôker: Um Royal Flush carmesin.
    "A vida é um jogo, que quanto mais você aposta, mais emocionante fica."
  • Caminhos perdidos

    Se a vida é feita de escolhas, escolha; pense na consequência e então não hesite! Uma noite pode ser tão clara quanto o dia, e uma chuva pode ser tão intensa quanto o sol.
    Escolha ser perfeito ou escolha ser feliz...
    Tais dias são difíceis, a dor aumenta e cada palavra ouvida não adianta. A gente corre, corre pra qualquer lugar mas a linha de chegada está tão longe que não se veria nem com um par de binóculos.
    Linhas de papéis não são suficientes para tanta bagunça, da mente  e do coração, onde colocar?
    Praia, sol, festa, nada.
    Estrelas, paz, noite, pessoa, felicidade.
    Sentir e sorrir; há uma diferença. Você escolhe apenas sentir ou sorrir? Sorrir pode ser espontâneo, realístico, ou falso. Sentir é ardor, interno, e privado, é preso. O que escolher?
    Lutar e cansar. Desistir e chorar, depois rir.
    Café quente, frio ou água?
    Adiar, fazer acontecer ou estravazar? 
    Confusão e calmaria. Como podem as duas serem amigas? Romantismo não é amor e amor não é fantasia e ilusão não é deserto.
    Sujeito é você que tem uma história, sou eu, é nós. Histórias são contos, passados e repassados, alterados ou reinventados, vividos e esquecidos, novos e antigos. Noivos ou amigos?
    Juntos e parados. No tempo ou na atmosfera? Esquecer é missão e andar é querer, eis aqui minha pergunta o que vai ocorrer...
    Vento ou calor, encarar ou estacionar, alguma resposta onde procurar?
  • Ceifador de momentos

    Exato sete horas e trinta minutos de uma sexta feira, levantei da cama, troquei o pijama e fui escovar meus dentes, e conseguinte fui tomar café. A cada mordiscada que dava na torrada caramelada pousava a refletir sobre o que iria fazer no sábado. Nada. Essa foi a palavra que definiu aquele momento; simplesmente nada vinha na minha mente como subterfúgio a monotonia rotineira que vinha passando ultimamente. Após o rápido café, peguei o carro e me dirigi ao trabalho às pressas. Foi um sonho talvez, nem sequer cheguei ao trabalho, só me lembro de ter entrado no carro e de está dirigindo pela avenida. Acordei em uma estrada de terra, sem carro, sem dinheiro, sem roupa. Foi um momento de muita dúvida e incômodo; não sabia sequer para que lado ir. Já era em torno das dezoito horas e o sol estava ligeiramente se afogando na escuridão. Lembro que estava com frio e, pela primeira vez desde a minha infância, com medo. Na estrada, um vazio: sem carros nem casas. Mato e terra. O crocitar das corujas acrescido a uma aragem levemente fria me causava um arrepio incômodo. Por sorte não chovia, mas clima não era ameno, era aterrorizante. Estava profundamente átono. Pensei que tudo aquilo não se passava de um sonho, e então, fui ao encontro de um pedra levemente grande próximo a onde eu estava, e, impiedosamente, pontapeei-a. O sangue brotou acrescido de uma dor tônica, e assim, gritei bem alto. Nada abalava a atonicidade da minha confusão. Nem o eco respondia. Sentei na injuriada, cruzei meus dedos e tentei refletir forçosamente para obter alguma ideia do que acontecera. Novamente o “nada” exsurgia, e o momento de temor me consternava. Comecei involuntariamente a pensar no passado. No motivo das minhas perdas, decepções e desafetos. 
    Vi que tinha criado uma clausura emocional em minha vida, cujo motivo datava a morte da minha querida Jully. De lá para cá, a morte me acariciava com frequência. Pensei em me desfazer desta vida, talvez assim conseguiria reencontrá-la. No entanto, de tanto pensar, cheguei a conclusão de que se eu me matasse correria um grande risco de ir a um mundo diferente de Jully. Ou ainda, talvez os homens são os únicos que devam ir a algum lugar pós-vida. Foi assim que apreendi. Nessa lógica, passei a evitar qualquer menção do passado e tentei buscar formas de preencher o vazio que me envolvia. Não obtive melhoras; cada vez meu quadro depressivo estava se tornando um grande impasse nas minhas relações pessoais. 
    O silêncio local foi possuído por um som agudo que estava me incomodando, foi então que acordei. Era um sonho. Estava no mesmo lugar, só que já era dia e não vi barulho agudo, apenas o cantarolar dos pássaros. Que merda! Foi assim que acordei: irritado, sem roupas, com frio e agora para variar, com fome. Peguei alguns matos e me revesti e rumei ao desconhecido. A cada passo que dava, sentia um frio na barriga, escutava o batuque do coração— era o silêncio gritando. O sol matinal agora não me dava boas vindas; estava me fritando aos poucos. Lá ao monte avistei uma casa velha, depreciada e possivelmente abandonada. Acresce que uma ventania de poeira me fez apertar os passos e assim cheguei a casa. Gritei, procurei alguém e não obtive respostas. Então, decidi invadir a casa —não diria invadir, diria reabitar—, vi que estava realmente abandonada e que provavelmente não morava ninguém a décadas. Nesse momento, senti um conforto tênue e que me fez relaxar um pouco. A casa só apresentava dois cômodo: uma espécie de cozinha-sala e um quarto sem cama, mas com um colchão extremamente imundo. Talvez aí seja um bom lugar para recomeçar em detrimento do relento. Encontrei uma calça infantil, alguns utensílios domésticos e nada mais que uma coberta empoeirada. Na parede tinha um quadro bastante curioso, a foto de uma vaca com asas. Peguei o quadro e comecei a refletir como seria uma vaca de asas, foi então que um papel caiu detrás do quadro. Achei a situação deveras inusitada, peguei o quadro e repus, apanhei o papel, desdobrei-o, e então intentei a ler. Ler o que? Nada! Exclamei com tremendo espanto, e novamente o “nada” veio me troçar. Apenas tinha uma figura bem pequena de uma vaca com asas no centro. Comecei a rir. Entretanto, o momento engraçado foi transmutado ao ar melancólico do abandono e do medo. Estava muito confuso, antes eu tinha uma vida consideravelmente medíocre, um trabalho, não passava fome e não tinha medo algum da vida. Agora, senti os fantasmas do passado me atemorizando, as lembranças me fustigando, e a solidão companheira me azucrinando. Foi um delírio cruel, não saber onde estar, como foi parar neste lugar e, acima de tudo, não saber o que fazer. Pensei: se eu for morrer agora ou depois não me fará mais diferença, entretanto, quero viver para entender o porque disto tudo. Depois desses ínterins, fui vasculhar em derredor a casa. Uma forte luz brandou no horizonte, pensei naquele momento que talvez estava morto e aquilo seria o arrebatamento celestial. Estava enganado era o sol que antes se escondia atrás das nuvens e agora dardejou seus raios intensamente que me ofuscou. 
    Após algumas caminhadas fastidiosas, encontrei de baixo de um juremal uma pedra sepulcral com algumas fissuras e bastante empoeirada. Ligeiramente limpei o túmulo e tive um tremendo espanto; pensei que estava sonhando, pois o que estava grafado no sepulcro foi a mesma figura da vaca com asas que vi antes. Não sabia se ria ou se chorava, simplesmente fiquei extático. Saí correndo de volta ao casebre e mais uma surpresa se verticalizou a porta estava fechada. Pensei que alguém estava lá; chamei alto e nada obtive como retorno, foi quando eu peguei um porrete e escrupulosamente caminhei até a porte e chutei-a. A porta se chocou com a parede e acabou se rompendo. Ao entrar ninguém estava lá, nem sequer um animal e assim conclui, que provavelmente foi o vento que fez essa peripécia. 
    Um mês após esse castigo, eu já estava até me acostumando a sobrevivência nesse lugar. Alimentava-me de roedores, alguns frutos de arbustos, de cacto, de insetos, e raramente, pássaros. Durante esse tempo de adaptação e questionamentos, não obtive nenhuma respostas. Às vezes tentei seguir a trilha de onde eu surgi, isto é a estrada de terra, e mesmo assim não cheguei a lugar algum; diante disso preferi não ir tão longe para não perder de vista o abrigo no qual me refugiava. Aos poucos, o que era um motivo de pânico e medo, virou um motivo de conformidade e liberdade. Pela primeira vez me senti livre, sem preocupações. Cheguei a pensar frequentemente que ali era o paraíso pós-vida, não era realmente o paraíso que eu imaginava, mas para quem vivia uma monotonia urbana, voltar a perspectiva paleolítica não era mal. A cada dia eu ia me esquecendo do passado e de todo fragalho de tristeza. O sol podia ser um grande castigo naquela terra estéril, mas mesmo assim não me incomodava mais; o verdadeiro castigo era viver preso a uma rotina monótona de uma cidade, por mais que esta tenha formas de se entreter, uma hora acaba esgotando a sua perspectiva de mundo e limitando a vida a uma coerção social inimaginável. Assim eu era. Vivia preso ao trabalho, a vida urbana, ao capital e ,de fato, eu não vivia, eu apenas seguia o fluxo da vida. Algumas folhas seguem o fluxo da correnteza, as únicas perspectiva dessas são seguir o fluxo incessantemente até reduzirem ao pó ou afundarem e no final terem o mesmo destino. No entanto, esse lugar de exílio brandou como uma terceira via. Mesmo as folhas sendo da mesma fonte que as sementes, elas não têm a capacidade de renascer e perpetuar a vida, elas apenas rumam a decomposição. Por mais que eu fosse uma folha, eu me vi como uma semente naquele lugar, sabia que não iria renascer, mas iria persistir e continuar vivo, adiando assim, a decomposição. 
    Certa vez, estava coletando alguns frutos em uma moita, quando avistei em outra moita um bicho, fiquei assustado com o suposto animal, peguei uma vara e cautelosamente fui andando até uns dois metros próximo ao animal, catuquei-o com a vara, não com a intensão de machucá-lo, mas com a intensão de vislumbrá-lo. Era um filhote de raposa, vi que estava muito magro, e provavelmente abandonado, talvez sua mãe tenha morrido procurando comida ou coisa do tipo; pelo estado que estava, não via comida a dias. Ao resgatá-lo, levei-o até a minha casa ou cabana, como preferir; Tinha alguns pedaços de roedores e algumas castanhas, alimentei-o e decidi ficar cuidando dele até quando se fortalecer. Ao analisá-lo, notei que era uma fêmea. Lembro-me, de ter chorado ao ver que era uma fêmea, acabei lembrando de Jully. 
    “Oh Jully, quanto tempo já faz desde que a tive em meus braços. A imagem de Jully não saia da minha cabeça ao ver aquela raposinha. Toda amargura até então esquecida, voltava como uma chuva torrencial, que inesperadamente devastou meus sentimentos. Jully era uma cachorrinha que ganhei da minha mãe, prometi a ela que iria cuidá-la, mas devido a um acidente imprudente de carro, eu a perdi. Desde então sofri muito com a única lembrança que tive da minha mãe. Ela, anos antes, falecera de câncer, e daí em diante, prometi amar e cuidar de Jully como se fosse minha mãe. Fracassei em tudo na vida. Fui um verdadeiro fracassado nesta vida e eu não sei porque ainda estou vivo, se é que estou vivo. Tudo isso é real de mais para ser um sonho.” 
    Essa raposinha cresceu rápido, em torno de um ano e meio, já estava caçando roedores e algumas aves. Ela virou minha verdadeira companheira, chamei-a de Susy. Nós brincávamos muito, eu até conversava com ela, e esta parecia me entender. Realmente foi um verdadeiro paraíso aquele momento, me senti livre, feliz, e além do mais, Susy lembrava minha mãe. Parecia que Susy era a minha mãe, me acordava, caçava e perscrutava comigo por aí e, sabia voltar para casa, coisa que se eu tentasse, certamente me perderia. Desde quando estive nesse lugar, nunca peneirou uma gotícula de chuva, realmente muito escasso; tinha algumas lagoas por perto que acabaram secando e, isso me forçava a ir a procura de novas fontes de água. Em uma manhã calma, decidi abandonar aquele abrigo, talvez me aventurando poderia solucionar algumas dúvidas e também os recursos estavam escassos. 
    Eu e Susy rumamos ao desconhecido, cruzamos matas, prados, pântanos, montanhas, vales a procura de sentido para vida. O sentido para vida, assim eu descobri: é para o lado que você desejar seguir. Dias e noites nos aventurando, caminhando, navegando pelas florestas; isso tudo me trazia uma grande felicidade. 
    Dois meses de retirada, em uma tarde calma, o sol se desprendia do horizonte, e eu acabei avistando um casa ao longe, no monte em que estava, e isso me causou uma grande euforia. Decidi, passar a noite onde estava mesmo. Susy me trouxe algumas guloseimas campestre e assim fomos descansar ao som dos grilos e a vista da lua. No dia seguinte, tive uma surpresa abalável, a casa que avistei ontem não estava mais lá. Pensei que o que vi ontem tenha sido algum fenômeno ótico e assim, seguimos em frente. Algumas horas mais tarde, Susy começou a rosnar para um grande moita, e eu meticulosamente atentei a jogar uma pedra na moita, e nada se mexeu, fazendo com que eu fosse fuçar os matos a procura de algo; não achei nada e simplesmente dei de ombros. 
    Durante o entardecer deste mesmo dia, colhi algumas amoras e repousei meu corpo sobre o gramado. Questionei-me se eu talvez estivera em coma e tudo isso não se passava de uma retração alegórica do cérebro. Passei esse momento refletindo e Susy fielmente ao meu lado tentando me entender, afaguei a cabeça dela e assim nos despedimos do dia. No dia seguinte, procurei Susy e não a encontrei, achei muito estranho o sumiço dela, ela nunca tinha sumido assim e isso me causou preocupações. Passei o resto do dia procurando ela e não achei. Fiquei muito triste. Passei uma semana procurando ela pelas redondezas e não obtive resultado. Se passaram meses e mais meses, e não vi mais Susy. A tristeza desta vez me perfurou a alma. Fiquei muito desesperado. Não consegui conter as emoções, o desânimo e isso afetou profundamente na minha visão sobre esse suposto paraíso. Acabei gritando bem alto: Que inferno é esse que vim parar. De tanto se desesperar, acabei me esgotando, não me alimentei mais, não tive a menor intensão de obter comida ou de me aventurar mais. Preferi então me ausentar das necessidades do corpo e deixar que a fraqueza, o delírio e por fim a morte me consumir. Este foi meu prognóstico: a morte. 
    Não lembro mais de nada, só sei que após isso acordei em uma cabana no interior do agreste, no domingo a tarde, sentado em uma cadeira de balanço, com aquela mesma carta com a foto da vaca com asas. Meu carro estava na frente da cabana, pelo visto passei dois dias nela. E até hoje, não sei como fui parar lá, talvez meu cérebro tenha me induzido a ir até lá. Hoje já faz 13 anos desde que passei por esse momento. Às vezes, fico sem acreditar, mas no fundo sei que aquilo tudo foi muito realista para ter sido apenas um sonho. De lá para cá, resolvi construir uma família; a mulher que tangenciou minha vida, por incrível que pareça, chama-se Susy. Ainda tenho a foto da vaca com asas na geladeira de casa. Passei esse tempo todo omitindo toda esta história porque ainda estava sendo vítima das minhas indecisões e dos meus transtornos emocional; só então resolvi expor. Talvez possa parecer uma história fictícia, mas para mim retraz um significado muito profundo, algo que realmente fez minha vida mudar. Eu diria, encontrei o verdadeiro sentido da minha existência. Foi o melhor final de semana que tive.
  • Chá das Cinco



    Peço às visitas que entrem
    Entrem, mas apenas se forem ficar
    Pois, senão, que sozinha me deixem
    Basta de ir embora antes de chegar.

    A porta está sempre aberta e espera
    Espera muito, se precisar
    Até que finde a primavera,
    Não há problema em demorar.

    Leve muito tempo, mas venha certo
    Certo que ao puxar a cadeira
    Ficará do outono ao próximo inverno
    Ou até que floresça a última videira.

    Pois quero viver uma vida inteira
    Inteira, de verdadeiros sentimentos
    Da lua cheia ao raiar da aurora,
    Não apenas de breves momentos.
  • Corrosão

    A tristeza vem me corroendo cada vez mais por dentro, a falta de carinho me mata a cada pequeno segundo que se passa, minha mente que grita a todo momento me atormenta mais que uma mãe em estado de parto, minha vida vai se encolhendo cada vez mais, e meu coração batendo cada vez mais forte, só queria dizer para que não bata tão forte assim, porque mesmo com todos os problemas que tento enfrentar, quero viver, pois minha missão ainda desconhecida ei de enfrentar e entender, os bons combates ainda hei de combater, sem derramar uma gota, uma gota de sangue, aquela que também passa e faz bater forte esse mesmo coração...
  • Desabafo

    Recentemente baixei um aplicativo para ajudar na ansiedade. Minha ansiedade não é tão forte a ponto de se manifestar fisicamente de forma muito evidente (exceto por uma pequena mania automutiladora e insônia antes de algum evento importante), mas mesmo assim incomoda. Esse aplicativo disse que escrever pode ajudar a organizar os pensamentos, por isso estou escrevendo isso. Quando era criança sempre tentei ter diários, mas nunca consegui escrever todos os dias. Sempre fui assim, não sou muito boa em começar e terminar coisas. Geralmente começo e digo que um dia termino. Acaba que eu tenho pelo menos cinco livros que comecei a escrever e não acabei, além de um livro de poesias em que só falta terminar os desenhos (que sou eu quem faço, por isso faz um ano que está atrasado). Tem várias outras coisas que comecei e não terminei, mas não vêm ao caso.
    Ultimamente parece que o mundo está tentando me cobrar uma resposta acerca de uma coisa. Eu gosto de cantar e tocar violão. Um sonho que eu tinha quando criança era ser cantora igual a Avril Lavigne. Já participei de festivais, tentei fazer uma banda e a minha tentativa mais recente foi uma dupla com meu namorado. Dos três festivais que participei, ganhei um (acredito que ganhei por falta de concorrência, embora tentem me dizer o contrário), a banda não deu muito certo também. Eu quis dar um tempo para a nossa dupla faz quase um ano. Fizemos só uma apresentação, que foi uma participação no show de um amigo. Acho que as pessoas gostaram. Mesmo assim, tenho problemas para enxergar que somos bons nisso. Meu namorado disse que é coisa da minha cabeça, porque às vezes eu acho que está muito ruim e ele diz que isso fica maior do que parece pra mim. Gosto de tocar e cantar com ele, embora eu fique meio ranzinza quando ensaiamos, e dependendo do lugar que ensaiamos eu começo a ficar incomodada. Se for um lugar onde passa muita gente, eu começo a achar que as pessoas não estão gostando ou estão rindo da gente, aí eu começo a ficar triste. Parece que o mundo quer saber de mim se eu vou ou não continuar nisso. Apesar do meu medo, eu adoraria cantar pras pessoas e saber que elas gostam do que eu faço. Só que minha cabeça não para de me dizer o contrário.
    Eu faço faculdade de manhã e vou pra lá de van, porque meu pai não pode me levar e é mais tranquilo. Além de mim, tem um pessoal que está no ensino médio que também vai comigo. Eles são legais na maioria, mas tem tido um problema essa semana que me incomodou, mas acho melhor não falar disso. Acho que vou ficar irritada. Só queria dizer que está me incomodando e estou desanimada de ir nessa van. 
    Meus pais também estão me deixando meio maluca. Eu sei que se você que está lendo tiver mais ou menos minha idade, vai concordar com isso, e que se não, vai dizer que é uma fase. Eles não me deixam maluca porque não gosto deles. Pelo contrário. Eles me deixam assim porque eu gosto muito deles, então eu fico em dúvida se devo fazer o que eu quero ou o que eles querem. Sei que eles querem o melhor pra mim, mas porque eu iria querer o contrário? Acho que nesse ponto vejo o mundo mais simplificado do que eles. Pais sempre pensam no pior que poderia acontecer, enquanto nós pensamos nas coisas boas. Eu tenho quase 18 anos e tenho medo de continuar com essa dúvida. Principalmente meu namorado, porque o que está nos atrapalhando um pouco é o fato de eles não quererem que eu namore agora (ou até minha formatura (ou até eu ter 30 anos)) e ele está muito incomodado com isso. Tudo isso me deixa muito chateada. Não gosto de ter que escolher entre meus pais e meu namorado. Não deve ser tão difícil assim ter os dois. Acho que as coisas estão se complicando além do necessário.
    Agora que já acabei de incomodar você que está lendo, pode continuar a ler outros textos. Eu precisava desabafar e foi bom contar com você para ler. Desculpe se essa leitura não te agregou conhecimento útil ou diversão. Mesmo assim, obrigada por ler.
  • Desintoxicação.

    Eu preciso me desintoxicar de você, do seu toque, do seu cheiro, de cada célula sua que encostou na minha, eu preciso esquecer o seu sorriso, sua gargalhada e o modo que suas sobrancelhas se juntavam quando ficava bravo, eu preciso tirar do meu sistema cada momento compartilhado, as mais doces memórias que com a sua partida não são mais tão doces, são amargas assim como as lágrimas que insistem em cair mesmo eu sabendo que você já seguiu em frente, já provou outra boca, já elogiou outras pintas ate mesmo já segurou outra nos braços alguém que não era eu, seria egoísmo da minha parte pensar que seria diferente, mas o sentimento não me machuca menos por isso, parando pra pensar eu preciso te deletar de mim, o calor das suas mãos entrelaçadas nas minhas, do seu olhar, do seu abraço no momento de crise, e do nosso último beijo, que foi tão perfeito e lembrar dele faz meu coração perder uma batida, não deveria, o seu com certeza não o faz, a única pessoa que se perdeu fui eu, que se jogou em um rio com uma correnteza perigosa, achando que poderia controlar meu barwhinhb nas suas águas tempestuosas, me deixei levar, e provei da adrenalina do sentir, essa mesma que o meu organismo implora as 4 da manhã, não deveria, já deveria estar saindo, cada vestígio seu, todos eles deveriam ter partido... Junto contigo.
  • Dores da Alma.

    Sem ar
    Não se perca
    Ou tente se encontrar
    Respira
    Expira
    Não pira
    Ou grite sem fim
    Segura o choro
    Seja forte
    Ou se jogue no chão
    Talvez não seja agora
    Talvez não seja depois
    Mas essa agonia?
    Essa que queima seus ossos
    E paralisa seus músculos?
    Resista
    Lute de volta
    Mande-a embora
    Se não for possível
    Deite e chore
    Não sinta culpado
    Até o mais forte dos seres
    Sucumbem as dores da alma
  • Duvida cruel

    Cada dia que se passa eu me pergunto. Por que de a vida ser como ela é? Será que nós somos eternos? ou somos apenas passageiros? Tantas questões e indagaçõe que se parar para pensar ficamos loucos.  Sabendo a resposta não é diferente disso. Que nem no dia que piramos ao pensar no fim de tudo,mas ele está tão distante é tão perto ao mesmo tempo que sinto como se minha pele estivesse a se desintegrar. 
    Cada pedaço de mim,e daqueles que sabem o que muitos não sabem. Mas qual o sentido de ficar assim ao invés de seguir a vida feliz? Essa é a grande dúvida. Assim como é aquela dúvida do amor,será que estou apaixonado apenas por sentir aquela pele tão macia na minha,apenas por sentir o cheiro maravilhoso de seu perfume e ouvir suas lamurias por uma única noite.Será? 
    Nos nunca sabemos pois se soubéssemos não tinha dificuldade nenhuma na vida,por isso a dúvida, por isso a dor, por isso as noites em claro pensando e pensando apenas isso. Mas não é isso que acaba com a gente,o que acaba e ver que muitos que não tem a resposta que querem acabam se destruindo com todo tipo de coisa ruim que o mundo nos proporciona. Dai vem a preocupação,dai vem a dor eterna que não sai do peito machucado de alguém que mesmo jovem já passou e viu muitas coisas.
    Por isso mesmo não tendo esperança mais, aqui estou eu,me expressando de uma forma nunca antes feita por mim para ver se eu alcanço aqueles que precisam ouvir algo que os façam pensar,o que estão fazendo de suas vidas,pois o ser que somos nós,é algo eterno então não tenham duvida de que essa vida e só mais um caminho,o último, para cessar as duvidas e trazer a paz para aqueles que se indagam assim como eu.
  • Ego Virtual

    Comidas, cachorros, viagens.
    Praias, bares, mares.
    Segunda, quarta, sexta-feira.
    Apenas querem ser vistos
    Bebidas, copos na mão, noite.

    Parques, praças, hotéis.
    De dia, de tarde, de noite.
    Café, almoço, jantar.
    Quer apenas ver, os que querem ser vistos.

    Rindo, chorando, cantando, dançando.
    No carro, no ônibus, trabalhando.
    No cinema, no baile, bailando.
    Os que veem, também querem ser vistos.

    Fingem que são não são.
    São, mas fingem que não são.
    Tudo falso, tudo mentira.
    Só querem alimentar o ego
    Vivem assim
    Para isso, em torno disso.

    Está tudo errado, estranho, esquisito.
    É o mundo atual, o mundo moderno, vivem disso.
    Elas apenas estão vendo e querendo ser vistos
    Eu sou estranho, diferente.
    Ás vezes, me descuido, participando de tudo isso
    Por um impulso, fico iludido, com o falso encanto de tudo isso.
    Mas no fundo, não quero ver, nem ser visto.

    Só quero fugir de tudo isso
  • Ele

    Ele cansou. Está exausto de correr atrás do presente. Cansou do cheiro de coisas novas e preferiu usar o tato para encontrar conforto. Ele engoliu litros e mais litros de gritos acorrentados que hoje pesam dentro de seu estômago. Ele está tentando evitar essa ânsia que bate em sua porta todos os dias. Ele sobe as escadas até o vigésimo andar só pra olhar pela janela e assistir o presente visto de cima. Ele caiu na inércia. Entrou em piloto automático. Ele adotou o padrão e expulsou os devaneios da sua própria boca. Ele quebrou os próprios dedos pra não conseguir escrever sobre o peso dos gritos que arranham suas pregas vocais. Ele ficou diante de todos os caminhos e vendou os olhos para entrar no mais dolorido. Ele não está aqui. Ele está no seu próprio mundinho pedindo socorro por dentro e forçando um sorriso por fora. Ele pediu ajuda aos remédios e se viu com um punhado de fragmentos da própria morte em suas mãos. Pensou em por pra dentro também. Mas os gritos ocuparam todo o espaço. Cheio. Transbordando. Fechado.
  • Entre Lobos - cap. 7 (conto-romance)

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    Não se sinta perdido...LEIA os capítulos anteriores! Tenha uma ótima leitura e Obrogado a a tenção!!
    Katherine estava em seu quarto no segundo andar quando de sua janela os viu chegar. Não soube ao certo o que estava acontecendo afinal de contas Mark não os visitava com frequência, mas o que a deixou incomodada foi a presença de Derek.
    — Mark querido! – sua tia os recebeu. — Mas que ótima surpresa!
    — Olá titia! – a cumprimentou.
    — Mas o que o trás aqui a essa hora? – já era final de tarde. — Espero que nada...
    — Não, não! Eu vim por que...bem... – fitou Derek ao seu lado. — Precisamos...
    — Gostaria de falar com a senhora e o seu marido. – Derek interveio.
    Mark o mirou surpreso, de fato, não imaginava que seu amigo estivesse disposto a “encarrar” aquela situação de forma tão decidida.
    — Você é...? – a mulher então o fitou. – Oh, claro! – lembrou-se do almoço de outro dia. — O amigo de Mark.
    – Derek! – apresentou-se estendendo a mão para a senhora que respondeu ao gesto.
    — Derek, isso! – ela falou ainda recordando do assunto que envolveu ambos aquele dia. — Sim! Alan está na sala, mas o que há? – perguntou buscando a face dos dois a sua frente.
    — Gostaria de falar com vocês sobre Katy. – Derek respondeu.
    Ainda antes que acabasse de falar veio a voz rouca do homem de dentro da casa indo em direção a saída.
    — Mas que conversaria é essa afinal de contas? – falou e em seguida surgiu ao lado da mulher ao escancarar ainda mais a passagem. — Mark? O que está acontecendo?
    A mulher, com o olhar pedido sobre Deck, ainda tentava entender qual era a situação.
    — Esse rapaz – então voltou dizendo. — Veio nos falar sobre Katy. – sem tirar o olhar de cima dele foi direto ao ponto.
    — Katherine? – soltou franzindo a testa e quase que instantaneamente flechando Derek com um olhar desgostoso.
    — Sim! – ele posicionou-se.
    — E oque exatamente você teria para dizer sobre nossa filha? – adiantou-se colocando-se a frente de sua esposa que recuou obrigando-se a observar a conversa por um espaço que lhe sobrara.
    Nenhum deles havia reparado, mas não muito distante de onde estavam, Katherine, atrás de um pilar os observava com atenção. Assim que ela percebeu ser a razão daquela visita sentiu um certo desconforto, seu coração acelerar como nunca antes. Sim, a verdade é que reprovara Derek no primeiro instante em que o conheceu... Sua rebeldia, suas roupas desgastadas, aqueles olhares audaciosos, intrometido sobre ela, mas reconhecia também que algo havia mudado com a aproximação que tiveram outro dia no parque. Agora ele estava ali, falando com seus pais e ao mesmo tempo em que aquilo lhe parecia um absurdo, foi algo que mexeu ainda mais com seus sentimentos.
    — Espera. O que você está me dizendo?! – Alan. — Sentimentos por Katherine?
    — Não quero que o senhor me entenda mal – Derek se explicando. — Tenho as melhores intenções por Katherine e acredito que ela...
    — Filho! – Alan intrometeu-se e depois deu uma pausa fechando a porta para que ele e os dois rapazes ficassem a sós na varanda.
    Assim que viu a entrada ser fechada, Katherine resolveu deixar a sala, foi então que sua mãe a enxergou.
    — Querida! O que está fazendo aqui? Achei que estivesse em seu quarto. – aproximou-se de sua filha.
    — Ouvi, o que estavam, dizendo. – Katherine respondeu pausadamente.
    — Oh, sim! Mas não se preocupe, está bem? Seu pai vai resolver tudo. Esses jovens rapazes sempre confusos com as ideias. – concluiu sorridente em quando seguia com ela para o segundo andar.
    Do lado de fora.
    — Você não sabe o que está dizendo e eu entendo, afinal de contas você não deve imaginar o que realmente se passa com Katy, então vou ser franco com você.
    — Pelo contrário! Sei exatamente o que está acontecendo e isso não interfere no que sinto por ela, Senhor.
    — Você sabe?! – fitou Mark. — Então entende que já temos muito com o que nos preocupar aqui e não precisamos ainda ter que sondar um relacionamento que certamente não tem possibilidade de ir muito longe – pausa. — Talvez, sim, você tenha boas intenções... Derek, não é mesmo? – puxou o nome da memória. — Mas Katy não tem que passar por esse tipo de decepção.
    — O senhor me desculpe! Entendo que queira mantê-la segura, mas como pode ter tanta certeza de que não teremos um ótimo relacionamento? Acredito no amor que sinto por ela se Katherine estiver disposta a...
    — Amor! – Alan repetiu a palavra com certo desdém. — Acredite filho. Não é exatamente o “AMOR” que mantém um relacionamento ou até mesmo um casamento por anos. Em condições normais temos que saber provir a família de tantas formas que você ainda – o fitou por completo. — Desconhece. Com a condição de Katy a situação é ainda mais exigente.
    — Não estou descartando dificuldades Sr. Alan, mas tenho certeza de que Katherine e eu nos ajustaríamos a nossa maneira.
    — E que maneira seria essa?! – o homem então disse em um tom mais duro. — Levá-la para suas farras onde vocês brigam e bebem a noite inteira? – ficou Mark que mirava um canto qualquer enquanto ouvia. — Minha filha não vai ser mais uma de suas diversões, rapaz!
    — Mas senhor... – Derek insistiu.
    — Não há mais o que ser discutido sobre isso! – o homem concluiu. — Katherine está bem do jeito que está e espero que não se aproxime dela. – estendeu a mão indicando o caminho da estrada. — E você, Mark, faça o favor de não ficar instigando essa bobagem.
    — O senhor está errado! – Derek segui falando mesmo com seu amigo o empurrando para fora da varanda. — Todos vocês estão errados! Estão sufocando ela. Impedindo que ela tenha a própria vida!
    Sem dar atenção Alan fechou a porta.
    Já no andar de cima, da janela, Katherine viu seu primo e o amigo embarcarem em suas motos. Ainda antes de dar partida Derek a viu entre as brechas da cortina e foi embora.
  • Entre Lobos (conto-romance) 3/9

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    Não sinta-se perdido LEIA os capítulos anteriores! Tenha uma ótima leitura!

          Mary e Katherine vinham caminhando sobre a calçada quando viram, surpresas, seu primo alçando voo de dentro de um estabelecimento poucos metros a sua frente. O rapaz caiu completamente desengonçado e por esse motivo tiveram razões o suficiente para crer que ele não teria condições de erguer-se novamente, mas ainda mais incrédulas, viram ele, ainda meio zonzo, pôr-se em pé. Correram dar-lhe suporte.

    — Mark! – Mary assustada sem entender o que estava acontecendo. — Meu Deus! O que foi isso?! – o investigava de cima a baixo como se buscasse a certeza de que não lhe faltava qualquer pedaço.

    — Varsóvia! – o outro disse ofegante apoiando-se sobre os joelhos. — Maldito desgraçado! – soltou usando o restante do fôlego.

    — O que?! – no primeiro instante a única coisa que conseguiu pensar foi que se ele estivesse bêbado ou  provavelmente estava delirando por causa da queda.

    — Varsóvia foi rendida – continuou falando. — E aquele filho da mãe – mirou para dentro do bar. — Acha que está seguro. – sacudiu a cabeça negativamente. — Não hoje!

    — Mas do que você está falando?

    — Cuidado! – então advertiu afasto-as da entrada antes que fossem atropeladas pelos dois rapazes que agora saíam porta a fora socando-se.

    Sobre a calçada, depois de apartarem-se, Derek e o grandalhão passaram a se espreitar, um estudava o outro esperando o primeiro equívoco, um simples deslize para aquele embate chegar ao fim.

    — Nem sei bem ao certo o porquê de estarmos fazendo isso, cara! – Derek de punhos cerrados, fixo no oponente.

    — É um bom motivo pra você se arrepender de ter entrado nessa, então! – o outro respondeu.

    Então, todos ouviram a sirene soar e a viatura policial encostar rente a calçada.

    — Mas o que está havendo aqui? – o oficial falou sem deixar o veículo.

    Ambos se recompuseram, mas ainda se encarando.

    — Desculpa, chefe. – Mark adiantou-se. — Foi só um desentendimento entre... amigos. – buscou o semblante de Derek e o outro.

    — Mas olhem só... – o policial reconheceu Derek. — Parece que a confusão da noite passada não foi o suficiente, hein rapaz! Por que não me admira que você esteja no meio desse tumulto?

    — Eu...

    — Foi por minha causa! – Mark novamente. — Me desentendi com o... amigo – indicou com a face o grandalhão. — E... cá estamos nós. – soltou sem de fato explicar a situação. — Mas não foi nada de mais, já estamos... resolvidos, certo? – fitou o rapaz novamente que não respondeu, apenas ergueu mais o rosto mostrando superioridade.

    — Então é melhor que todos se acalmem. – o oficial falou com autoridade. — Ou vão acabar encrencados de verdade! Todos vocês. – completou antes de dar partida na viatura.

    O grandalhão passou uma das mãos sobre o lábio e sentiu o gosto do próprio sague. Sorriu.

    — Nada mal! – começou a recuar lentamente e por fim dando as costas para todos e indo embora.

    — Mas afinal de contas o que foi tudo isso?! – Mary completamente confusa. — Não acredito que você anda se envolvendo em confusão, Mark! – reprovou. — Titia não iria gostar nem um pouco de saber que...

    — Não se preocupe. – disse num tom calmo. — A propósito esse é Derek! – apresentou o amigo. — E obrigado, cara. – agradeceu em seguida.

    — Por ter levado uns socos por você? – o outro descontraiu. — Como eu poderia ter recusado!

    — Bem, me parece que os dois valentões estão satisfeitos, não? – Mary ainda tentou repreende-los.

    — Não muito! – Mark. — Ser jogado daquela forma foi humilhante. – completou vendo o sorriso machucado do amigo. — Me senti menosprezado, droga!

    Derek se ria ouvindo o amigo desgostoso quando passou a reparar na demasiada indiferença de uma das moças sobre tudo o que estava acontecendo. De fato, a garota ser quer havia dito uma única palavra desde que elas apareceram por lá. Talvez fosse tímida ou simplesmente, assim mostrou seu delicado e refinado modo de se vestir, ele a enojava. A verdade é que dificilmente se saberia ao certo e, de qualquer forma, aquele rosto doce com olhos claros lembrando dois diamantes azuis sutilmente lapidados, já havia aguçado a atenção dele. Como provavelmente aconteceria, a moça percebeu o olhar descarado e persistente sobre ela. Tentou desvencilhar-se buscando pontos que o tirassem de sua mira, mas obtinha sucesso por poucos segundos. Não demorou muito para que Mary reparasse no que estava acontecendo.

    — Bem... – Mary continuou. — Eu e Katy já estamos indo e aconselho a você a ir para casa também antes que arrume mais confusão. – sugeriu.

    — Estamos bem. – Mark declarou. — Foi só um imprevisto. – completou.

    — Você não tem mais jeito mesmo, Mark! – adiantou-se dando passagem para Katherine. — Não tem! – reforçou.

    Derek encontrava-se com as ideias distantes.

    — Ei! – Mark chamava o amigo. — Dek! – próximo a entrada do estabelecimento chamava o amigo. — Acho que merecemos tomarmos outra, não?

    — Por que nunca me falou sobre ela? – Derek então soltou.

    — O que? – voltou-se para o amigo.

    — Nunca me falou sobre essa sua prima... Kathy, não é?

    — Não! Não, não, não. Esquece! – o outro já cortando o assunto. — Nem pense nisso, cara. Vai encontrar problemas, ali!

    — E acaso não estou acostumado com isso? – abriu os braços mostrando sua situação. — Maldita hora que resolvi me envolver na tua confusão Mark! Ela deve estar me achando um animal.

    — Coisa que você não é, certo? – o amigo debochando.

    — Pro inferno! – cruzou por ele. — Você me deve essa e sabe disso! – deixou claro.

    — Pois bem! – Mark seguiu dizendo vendo o amigo entrar no bar. — Te pago uma cerveja, então!

    — Não! Não é o suficiente. – voltou a sentar-se de aonde havia saído. — Mas já é um começo. – acomodou-se dizendo por fim.
  • Entre Lobos (conto-romance) 4/9

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    Não se sinta perdido. LEIA os capítulos anteriores! Tenha uma ÓTIMA leitura!

    Naquela manhã de sábado Mark ligara para Derek pedindo para que o amigo viesse dar uma olhada na sua Formosa, apelido carinhoso que dera a sua motocicleta. Ainda perto do meio dia, ele apareceu por lá. Mark já o esperava disposto a dar cabo de tudo sozinho.

    — Ela não liga, Dek. – adiantou o problema. — Não está dando partida. – explicou ainda.
    — Vamos ver. – o outro disse depois de aproximar-se e cumprimentar o amigo que se mostrava preocupado com a situação.

    Já haviam se passado alguns minutos desde que Derek procurara desvendar o problema quando um automóvel escuro estacionou sobre o gramado em frente a casa. Sem dar atenção, ele continuou fixo no que estava fazendo, diferente de Mark que ao perceber quem chegara lgo  foi recepciona-los.

    — Mãe! – disse indo em direção ao carro. — Eles chegaram. – avisou.
    — Mark! – um senhor falou depois de desembarcar Do vveículo. 
    — Tio. – cumprimentou o homem com aperto de mão e um abraço.
     
    Em seguida uma mulher desembarcou acompanhada de suas duas filhas.

    — Ajude sua tia, sim. – sugeriu ao sobrinho. — Trouxemos algo para o almoço.
    Mark contornou o veículo e deu auxílio a Dna. May.

    — Deixe que eu levou tia. – adiantou-se pegando uma bandeja larga. — Olá Mary... Katy. – cumprimentou suas primas também.

    Então, Derek, voltou-se para trás e viu Katherine deixar o veículo. Mark, acompanhado pelos demais veio em direção a residência.

    — O que houve? – o homem parou por um segundo ao ver o que estava acontecendo.
    — Minha princesa não está bem. – Mark respondeu pelo amigo. — E esse é meu anjo da guarda – referiu-se ao amigo agachado — Dek esse é meu tio Alan e tio Alan esse é Dek. – os apresentou.
    — Me desculpe, senhor. – Derek pôs-se em pé. — Eu o cumprimentaria, mas... – estendeu as mãos mostrando o quanto estavam sujas.

    O rapaz não soube se seria muito educado cumprimentar o senhor daquela forma. Deixou de ter dúvidas quando percebeu que o homem lhe estendera a mão. “É o melhor.” Ouviu Mark falar logo ao lado do senhor.

    — Deixe disso, rapaz. – o homem disse. — Mãos como essas representam o progresso.

    A poucos passos as costas dos dois cruzou Katherine que o fitou discretamente. Mary o ignorou completamente assim como Dna. May. Na entrada da casa surgiu Sofya, mãe de Mark, uma mulher simpática e sorridente que agora as esperava calorosamente. Mark, juntamente com seu tio, seguiu para dentro de casa.

    — Já volto, Dek. – avisou e a verdade é que realmente não levou muito tempo até que estivesse de volta. — E então... como está indo? – pediu com certa preocupação.

     Sem responder, Derek prendeu novamente a mangueira a uma pequena saída do motor e pediu para que o outro tentasse dar partida novamente. Como por um milagre, a motocicleta respondeu imediatamente.

    — Eu sabia! – Mark contente. — Você daria um jeito, Dek!
    — Coisa simples...
    — Bem... Como minhas economias andam...escassas. – agora o outro explicava-se. — Não tenho como te pagar, mas – desligou a moto. — O que acha de almoçar com nós.
    — Não acho que seja uma boa ideia. – respondeu. — Me parece uma reunião íntima. – referiu-se ao encontro dele com os familiares.
    — Não, não! Deixa disso! – o convidou com um movimento de mão. — Meu tio provavelmente te interrogue, mas é uma boa pessoa. Pelo visto ele gostou de você.
    — E isso é bom?
    – Depende do quanto você corresponda as expectativas dele. – riu-se.

    Percebendo que não existiria uma maneira de impedir que aquele convite se desfizesse seguiu o amigo para dentro da residência.

    Derek sentiu-se um pouco acuado sentado à mesa. Diferente dos demais, ele usava uma vestimenta mais informal. Até mesmo Mark que entre todos era o que mais se assemelhava a ele, estava ou lhe pareceu aquele momento, especialmente bem alinhado.

    — E então... Derek. – o senhor dirigiu-se a ele. — Tem dom para concerto?

    Mark, então, o fitou como se lhe dissesse “Falei que isso podia acontecer”.

    — Bem... Trabalho na oficina de meu pai. – explicou objetivamente. — Ajudo a...resolver algumas coisas.
    — E vejo que se sai muito bem, não. – referiu-se a moto do sobrinho.
    — Obrig...
    — Ainda que se evolva em problemas nas horas vagas. – Mary soltou num sussurro, mas que claramente pode ser ouvido por todos.
    Mark posicionou-se.
    — Aquele dia foi apenas um... Equívoco.
    — Chame como quiser, Mark. – Mary. — A meus olhos vocês não passavam de dois baderneiros.

    Então, estalou-se um certo desconforto a mesa. Derek arrependeu-se no mesmo instante em ter aceitado aquele convite. Não tinha sido o suficiente ter passado a impressão errada na primeira vez, ainda teria que ser exposto ante a família inteira de Katherine, que tanto quanto a última vez, mantinha-se calada. Tanto ele quanto Mark foram envolvidos pelas desaprovações de todos.

    — Mas Dek não teve culpa. – Mark esclareceu. — Tudo o que fez foi ajudar.
    — Uma confusão sempre será uma confusão! – o homem colocou fitando os dois. — E não tolero baderneiros, Mark! São um atraso. E em respeito a memória do grande homem que foi teu pai, não vou tolerar ou permitir que você se torne um. – completou apoiado por sua irmã Sofya.
    — Obrigado, Mary. – então Mark dirigiu a prima. — Finalmente estou conseguindo ser visto como um delinquente. – debochou ao mesmo tempo em que abocanhava um pedaço de carne.

    Ela apenas ergueu as sobrancelhas lembrando algo do tipo “Não há de que”.
  • Era falta de ar

    A angústia me exaspera
    Faz-me querer afundar
    Num ritmo que acelera
    Faz-me querer gritar

    Meu coração não mais tolera
    Sua voz a me instigar
    Saudade de mim se apodera
    Sua voz a me molestar

    Espero que essa era
    Venha logo a se cerrar
    Tudo volte ao que era
    Venha logo me buscar
  • Eu não sigo a ordem das Páginas

    Eu parei de escrever. Cansei de pausar a vida e vomitar palavras doloridas. Eu parei de escrever porque eu parei de tirar de mim letras agudas que machucam minha alma. Eu parei de escrever porque é só isso que sai das minhas mãos.
    Eu parei de tentar forçar um gosto doce em uma fruta azeda. Parei de puxar um prédio na direção do abismo. 
    Eu parei. 
    Parei pra respirar e esqueci de voltar.
    Eu parei de acreditar.
    Eu parei e continuo parado, sem nem pensar em voltar.
    Eu não sei se quero voltar.
    Mas essas letras que arranham minha carne por dentro continuam gritando na minha garganta.
    Eu parei de querer controlar.
    EU NÃO SIGO A ORDEM DAS PÁGINAS DO MEU LIVRO FAVORITO.
    Eu não mereço ter que seguir uma linha na qual eu não acredito e não me encaixo. Eu mereço desenhar a minha própria linha, isso se eu quiser desenhar.
    Eu mereço.
    Eu me mereço.
    E eu voltei a escrever.
    Porque eu voltei a vomitar o que está dentro de mim.
    Porque eu acredito que esse vômito um dia vai acabar e só vai sobrar
    flores.
  • Eu Te Amo Tanto

    Quando eu te vi pela primeira vez, era numa tarde ensolarada, eu estava dentro do ônibus e você subiu. Me encontrei parlisada por alguns segundos quando bati o olho em você, senti minhas mãos frias e eu não sabia o porquê disso, desde então, eu não parei mais de te procurar em todos os rostos que eu via.
    Foi assim por uns longos anos, até que tivemos nossa primeira conversa através de um amigo em comum, eu logo me senti conectada, nossas ideias sempre bateram, nossas idiotices faziam os dois darem gargalhadas gostosas juntos.
    Foi então que depois de alguns meses tivemos o nosso primeiro beijo, sinto a sensação até hoje. Meu Deus! não poderia ser melhor. Foi dali que comecei a sentir que era você.
    Assim que nossos lábios se tocaram eu senti uma coisa surpreendente vindo de dentro de mim, é uma mistura de sentimentos, todos sentimentos bons possíveis que um ser humano pode ter, uma coisa tão louca que eu não sei explicar, mas que sinto toda vez que nossos lábios se encontram novamente.
    Toda vez que bato os olhos em você, andando, sorrindo, distraído, de qualquer forma, eu fico maravilhada, como se fosse a primeira vez que eu te vi.
    É como se eu me apaixonasse por você toda vez que eu te encontro em algum lugar, como se fosse a primeira vez novamente, e eu amo isso.
    Aliás, eu amo tudo em você: amo seu jeito distraído, amo como sua risada soa, amo as curvas do seu sorriso, amo suas mãos, amo seus dedos tortos, amo seu timbre, amo seus olhos, amo seu nariz, amo o seu carinho, amo toda sua personalidade, amo suas olheiras escuras e profundas, assim como meu sentimento por você é: profundo! Tão profundo que eu quase me perco nele, de tão grandioso que consegue ser. Tão profundo que as vezes eu não sei como demonstrar ele, e eu tento de todas as formas botar ele pra fora pra você saber o quão amado é! 
    Eu te amo tanto.
    Por mais que eu queira que nós dois dessemos certo, a minha prioridade é te ver feliz, mesmo que nos braços de outra, minha prioridade é você está bem.
    Mas... Eu te amo tanto.
  • Fantasia

    Eu fantasiei. Fantasiei muita coisa a respeito do que estava rolando entre nós. Finalmente, depois de tanto tempo, identifiquei que também fui parte do problema. Tudo aquilo era tão novo, tão excitante, aquela sensação de perceber que o cara pelo qual sempre tive uma queda estava claramente na minha, me corria! Isso fudeo com o meu psicológico. Literalmente. Você fazia as coisas mais simples e esperadas de um cara que está afim de alguém, mas, simplesmente pelo fato de ser você, eu me sentia incrível, a grande contemplada; me contentando com migalha. Afinal, desde o início, lá atrás, sequer cogitava a hipótese de te atrair, pois, não me enquadrava nem um pouco com as mulheres que você costumava sair.

    Não foi assim que te vi. Não, definitivamente não foi, apesar de ter chamado fortemente a minha atenção de primeira. Foi de modo gradual, com decorrer do tempo, quando passei a conhecê-lo realmente [ou melhor, quando acreditei que o conhecia], que me encantei por você. Confesso, inicialmente, me recusei a aceitar já que aquilo parecia o cúmulo do absurdo, cheguei a passar por toda aquela fase de negação que, aliás, foi relativamente longa. No entanto, reconheci que mentir para mim mesma não fazia sequer sentido, como poderia sentir vergonha por ser capaz de me cativar por alguém antes mesmo de tocá-lo?

    Mas, o problema não estava nisso, jamais fora o sentir. A grande questão era o receio de não ter o meu interesse correspondido, como já mencionado, ao meu ver eu não fazia “o seu tipo”. Esse pensamento me inibiu por um tempo considerável, até que, em meio às brincadeiras da galera, você passou a dar sinais favoráveis a mim. Mas, para a garota que no 6°ano do fundamental havia sido um dos alvo de chacota entre os garotos da turma, antes seus amigos, tudo aquilo não passava de mais gozação. Aliás, acabou por ser um dos principais motivos da minha insegurança e baixa auto-estima, qual até hoje percebo seus reflexos. Não era capaz de acreditar. No entanto, por incrível que pareça, aos poucos eu cedi à medida que você pareceu tão confiável, claro e franco. Você não era como eles.

    Não é novidade, sempre há um “porém”, você agia diferente comigo em detrimento das demais garotas da classe, com uma espécie timidez, acanhamento. Não faz ideia do quão isto deturpou a minha mente. Eu precisava encontrar um porquê. Cheguei ao ponto de identificar uma espécie de padrão nas garotas que você curtia; e, pior ainda, me rotular como não interessante e/ou atraente como elas. Que apesar de sentir-se atraído por mim, jamais seria na mesma intensidade que elas o atraíam. Eu não podia competir. Sinto vergonha em assumir que tive tal pensamento esdrúxulo, como se nós, mulheres, estivessemos numa competição; ou que pelo fato de uma mulher ser para ti atraente e eu não possuir as mesmas características que ela me diminuísse de alguma forma. Além do mais, tola, por ter sido tão ingênua e deter uma visão distorcida sobre “conquista”, já que ainda não compreendia sobre “reciprocidade” e “leveza”.

    Sei bem o que me levou a isto. Sabe o que? Minha tentativa fútil de justificar a razão pela qual as coisas aconteciam lentamente entre agente. Não, eu nunca fui e não sou apressada, a real era que você me enrolava e eu não conseguia compreender o seu porquê. Você agia diferente comigo, não tinha atitudes negativas, ao contrário, tinha medo e eu só não sabia do que. De agir? Pois, chega a ser curioso, eu estava apta a me deixar levar e isso não era possível quando reconhecia que apesar de sentimentalmente a coisa ser mútua, você ainda assim não tomava atitude consonante. Havia algo sim, medo, receio ou sei lá o que, você não era assim e isto me fazia reconhecer que era por causa de mim, eu causava essa reação em ti. Era por isso que eu viajava. Não conseguia entender o que te embasava. Porque não me chamava logo pra sair? Demorou, mas, depois finalmente compreendi.

    A sensação que vigora entre nós era a de estar pisando em cascas de ovos, a todo instante evitando deslizes, constantemente tendo cautela exagerada em tudo para não estragar o pouco conquistado em tanto tempo. Mal sabíamos que isso nos impedia de sermos nós mesmos. Fazíamos o possível para manter a boa impressão e não afugentar o outro; eu, por exemplo, chegava a ficar minutos pensando em como responder uma mísera mensagem; você, por hora, corava ao falar comigo em nossa roda de amigos, ficava sem graça e ao invés de conversar se afastava. Justamente o zelo e o desejo de que “fluísse naturalmente”, sem colocar pressão ou sequer expectativas no que acontecia, de modo a não fazermos projeções para evitar a temida frustração, tornava tudo ainda mais embaraçoso. Mal sabíamos que só em pensar dessa forma, estávamos os dois concomitantemente implorando para dar certo. Expectativa. Não chegamos a falar isto, mas, era evidente dos dois lados. Eu dançava conforme os seus passos. Mesmo não concordando com o lance da demasia, isso me consumia. Mas, ainda assim, continuei a dança, persisti naquilo, afinal, eu também queria que desse certo.

    Em virtude do anteposto, é evidente, não deu certo. Recordo os detalhes, consigo explicar conjunto de fatores externos de uma forma lógica que inibiram o que desejávamos, mas não sei bem explicar como isso pôde ser maior que a intensidade e pureza do sentimento avassalador que havia ali, aparentemente, a magia da primeira paixão de adolescência não era tão forte assim.

    Alguns verões depois, em tese “maturos”; se comparado a nossa, ou melhor, a minha - em especial -, falsa percepção de conquista, idealização de amores e nula experiência quanto a mãos, bocas e perfumes, nos esbarramos novamente. Destino? Universo? Coincidência? Não sei, não importava. A minha única convicção era de que jamais cometeria o mesmo erro que anteriormente. Desta vez, não havia um sentimento antecessor, paixão ou seja lá o que, para complicar as coisas ou até mesmo postergá-las. Em contrapartida, havia ainda forte interesse e, claro, lembranças. Isso deixava tudo inflamado, quente. No início, estávamos jogando e o flerte não só era excitante; mas também, escancarado, haja vista que a turma inteira não só desconfiava - como antes -, desta vez eles sabiam. Além de tudo, a minha percepção de mundo havia mudado, já não mais existia aqueles fantasmas de baixo autoestima ou qualquer coisa atrelada a me taxar como insuficiente. Naquela época, eu não me sentia menos que inteira. Aquele seria o meu ano e me permitiria viver e sentir o mundo, nada iria me impedir.

    Estava decidida e isso foi ótimo. Sim, “foi” enquanto ainda tínhamos tudo sobre controle. As coisas são imprevisíveis. Sou emotiva demais. Perdi o controle. Aos poucos criei um vínculo muito forte e só pude perceber quando me peguei implorando para isso se desfazer, pois, eu me magoei demais. Como alguém pode insistir permanecer com algo que acabou por tornar-se mais motivo de decepção do que satisfação, por julgar que é melhor ter aquilo do que perdê-lo? “Melhor pouco do que nada”? “A frustração ao abrir mão seria maior”? O que havia acontecido com a história da “reciprocidade”?.

    Cara, você fez eu me sentir especial. Não como se não existisse nenhuma outra garota aos seus olhos; mas, como se dentre tantas mulheres encantadoras, você pudesse escolher uma, ainda sim desejaria e preferiria estar comigo, jamais por me achar melhor do que elas, mas por ter zelo à nossa troca de energia. Porque, no meu ponto de vista colorido e bem elaborado, você estava apaixonado [novamente] por mim. Como eu disse, fantasiei, ou melhor, acreditei. Ou será que apenas não fui capaz de discernir as coisas?

    Mas, o problema foi que sim, talvez eu tenha fantasiado. No entanto, você colaborou fortemente para isso. É mais que óbvio quando um cara chega para sua amiga, dizendo que desejava mais que tudo que fosse você quem estivesse ali e ainda a questiona sobre o que ela pensa a respeito da possibilidade dele te namorar, com o intuito de aferir se a sua vontade era essa também. Caramba. Quando ela me contou, eu surtei. Cheguei ao ponto de ter CERTEZA que teríamos um relacionamento. Eu sentia mais que o suficiente. Eu queimava em intensidade.
    Ah, você acabou com o meu psicológico. Mas, estranhamente, por um longo período, foi um dos motivos que mais fez bem a ele. Sabe, a única coisa que realmente me faz ter saudade era em como estar com você fazia eu me sentir ainda melhor. Gostava de ti, logo, ter-te por perto era gostoso. No início, cheguei a te dar todo o crédito pelo “bum” da minha auto felicidade, pela minha autoestima, pela minha calmaria, pelo meu bom humor - que se fez tão marcante naquela época -, pela minha inteligência e demais atribuições e características; eu definitivamente me sentia incrível. Não que eu não fosse nada disso anteriormente, apenas não havia percebido e você reconheceu, me mostrou. Porém, durante muito tempo fui equivocada e acreditei que você havia me dado tudo isso. No entanto, não sou egoísta ao ponto de não assumir que adorava saber que você me via daquela forma, da maneira que eu gostava, do jeito que eu era.

    Tínhamos uma troca muito gostosa, havíamos decidido encarar a situação da melhor maneira. A regra era clara, não cometer os mesmos erros. Mergulhariamos. Sim, mergulhariamos, profundo, desde que aquilo que nos motivasse fosse puro, sincero, espontâneo. Intrínseco. Não magoariamos um ao outro. Justamente por tal, por proposta sua, conversamos, nada ficou a cegas, expomos o nosso interesse e a partir disso surgiu o acordo: o lance deveria ficar entre nós, seria “a nossa coisa”; a melhor maneira para nos conhecemos definitivamente era sem a ciência dos colegas para não haver qualquer tipo de pressão ou algo correlato; inicialmente, sem nenhuma cobrança sentimental, já que não havia sentimento pré-existente para ambos, diferente de outrora; porém, como consequência de se conhecer, impossível seria descartar a possibilidade, consiste em algo qual não detemos controle, logo, nessa hipótese seriamos francos e claros um com o outro. Um pacto perfeito para nós dois.

    Tu não é capaz de imaginar o quão uma simples mensagem sua, inesperada, me alegrava, muito menos sequer compreender tamanha euforia que suas frases curtas quando acompanhadas pelo famoso sorriso mútuo, já que os seu olhos sorriam também, de “te quero” [como intitulei] me causavam. Algo florescia, era quente, pulsava, dominava; minha respiração ficava desregulada, sentia uma leve palpitação e por uma fração de segundo eu entrava em transe enquanto um calor percorria ferozmente o meu corpo; no mesmo instante podia sentir meu rosto aquecer, momento em que tinha certeza da nova cor que minhas bochechas haviam ganhado, me via envergonhada só em cogitar a possibilidade de você perceber todo o alvoroço que causava em mim. Afinal, acreditava que tu estava sendo sempre franco (de acordo com o nosso combinado), chegando até a ficar frustrado nas poucas vezes que eu ironizava suas falas, pois, era encantador demais ouvir-te pronunciá-las, quase que surreal, não me restava saída que não a brincar com a sua frase na fútil tentativa de não te deixar perceber o embaraço que você provocava em mim.

    Sua companhia realmente me fazia muito bem. Não imagina o quão eu me sentia incrível por saber que era por ti admirada, desejada; em sentido amplo. Como se eu tivesse te conquistado. Reciprocidade. Sim, reciprocidade, uma vez que que eu sentia o mesmo por você. Achava um máximo que apesar do seu jeito, sarcástico, charmoso e safado, nos instantes mais inesperados, involuntariamente, você me falava coisas tão bonitas e logo após ficava sem graça, como fuga, caçoava ao se dar conta que estava sendo “romântico pra caralho”. Frases que jamais esperava ouvir de qualquer cara, muito menos de você. Além do mais, me tratava de uma forma que me surpreendia. Me surpreendia realmente, ternura. Lembro detalhadamente de cada borboleta no estômago, cada instante de aceleração dos meus batimentos cardíacos, de cada respiração ofegante, do desejo em te ver todo dia, de cada troca de olhar, dos joguinhos, dos teus sorrisos maliciosos, do seu olhar profundo me fitando com o famoso sorriso de “te quero”. Sempre lembrarei. Confesso que, por esses instantes, eu sou grata a você.

    Foi sim perfeito, no começo. Ao decorrer do tempo, o tratado já havia sido parcialmente descartado, ignorado, seja lá como queira chamar. Descumprido, já que víamos sentimento surgindo, ou melhor, metamorfoseando-se para ambos e estávamos gostando daquilo; não que essa parte não tenha sido prazerosa, só que não fomos específicos, não conversamos a respeito, que seria o ideal já que devíamos ter honrado o pacto. Justamente isso acarretou, a longo prazo, um problema no quesito “intensidade”. Mas, ainda assim, estava no ar, era evidente, límpido e posso afirmar com convicção que não tratava-se de um ponto de vista exclusivo meu; para ti também estava óbvio, como já mencionei, tu chegou a expor para nossa amiga a possibilidade de me namorar. Não obstante, conforme anteposto, sermos silente e não tratar do assunto ocasionou uma confusão, na verdade, uma teia, graças a você, que foi cínico o suficiente ao ponto de utilizar tal argumento, um tanto quanto fraco, como justificativa ao me ver te questionar sobre o que possuíamos e o que seria do depois (quando pude perceber que estávamos mais uma vez fadados a não ficarmos juntos). Me vi cercada, sem saída, sem argumentos e, de certa forma, traída.

    Tudo parecia maravilhoso demais pra ser verdade, aí reconheci os vacilos. Que na época eu não enxergava dessa forma, sempre acreditava nas suas explicações e razões, que hoje, reconheço como as mais idiotas possíveis, coisas que para com quem você afirmava “ter uma história”, partiam o coração na hora e logo depois, antes mesmo de você arranjar uma desculpa escrota, eu acabava criando uma razão lógica para tal atitude me culpando. As estações tinham mudado, mas eu havia estagnado o tempo, queria eternizar o que possuíamos. Cai na real apenas quando não só o ritmo, mas a canção era outra. A letra dessa vez era difícil pra caramba, eu não apreendi. Sinceramente não tenho como apontar um motim, sequer compreendo o que aconteceu. Me vi imersa numa situação qual eu sozinha jamais seria capaz de mudar. Estava surtando com o seu vai e vem.

    Recordo claramente a primeira vez que me disse “perdi o interesse”, na verdade, contou-me uma série de coisas quais se resumiam nesta curta frase, a única que assimilei. Foi cortante, me senti péssima, pois, jamais cogitara nosso distanciamento. Porém, eu prezava pela reciprocidade. Aceitei. Não o questionei ou pedi uma explicação, mesmo tendo certeza de que merecia um mísero “porque”. Jamais iria me humilhar dessa maneira, fazer questão de alguém que já não quer ficar. Havia tomado sua decisão, respeitei. Decidi encarar isso da melhor forma e não era de modo algum negando a sua existência, muito menos me martirizando para te esquecer. Por incrível que pareça, estava me saindo bem, daria certo. Exatamente, “daria” se você não se aproveitasse do meu método para se aproximar aos poucos e tentar reestabelecer o vínculo que eu ainda não havia cortado. Não posso mentir para mim mesma, te vi chegar, não convidei, mas te permiti entrar. Afinal, eu não havia cortado o vínculo e ao ver-te tomar tal atitude, me equivoquei ao interpretar como um “me enganei”. Acreditei que aquilo não iria mais se repetir. Tudo se restabeleceu como se nada tivesse acontecido, como se o seu vínculo jamais fora rompido.

    Na realidade, eu é que me enganei. Me enganei ao crer que aquilo não mais aconteceria. Aconteceu, infelizmente, mais de uma vez. Está aí o problema, quero dizer, parte dele; ou melhor, um deles, percebeu? Hora você me fazia pirar de tanto desejo; Outrora, me fazia ficar mal, ao te ver tratando-me como um tanto faz, como se só me quisesse por perto apenas nos momentos em que eu te convinha. Isso era péssimo, sentir-se uma pessoa que apenas convém e não alguém com a qual se tem zelo.

    A sua indecisão me corroia, era doloroso ficar no meio termo. Tu sabia que o meu sentimento era mais forte quando comparado ao teu e se aproveitou disso. Evidente era que eu queria estar contigo, mas, desde que você quisesse o mesmo; jamais cogitei a possibilidade de implorar ou desejar que você permanecesse aqui sem querer ficar, não sou do tipo que era egoísta consigo mesmo ao ponto de mendigar reciprocidade. Porém, infelizmente, eu ficava naufragando e emergindo, hora você era a boia que me salvava, ora a água gélida que invadia minhas narinas e estranhamente queimava. Não, eu não mendiguei reciprocidade, mas aceitei migalha. Você estava sempre indo e vindo. Sinto-me mal em falar, mas, apesar de não pedir para você voltar ou ficar; ainda assim, estava sempre a disposição, afinal, era melhor estarmos juntos quando você queria do que eu te dar um fora e não poder sequer sonhar com a possibilidade do que possuíamos dar certo. De qualquer maneira, fui sim egoísta comigo. Eu, que sempre odiei meios termos, me submeti a um por causa de você. Identifico-me integralmente com aquela frase da Clarice Lispector “Não suporto meios termos. Por isso, não me doo pela metade. Não sou sua meio amiga nem o seu quase amor. Ou sou tudo ou sou nada!”.

    Fui tão cruel comigo, me senti impotente e mais uma vez, tentei jogar o peso da situação para mim “Como pude deixar você escapar pela segunda vez?”. Errando comigo pela enésima vez, eu não havia deixado nada. Ao contrário, você mudou comigo completamente e eu, sinceramente, não estava mais aguentando me submeter a tentar resgatar a “nossa história”. Fui cruel ao me culpar por colocar um ponto final no seu vai e vem. Hoje, reconheço que jamais estarei sendo egoísta por me colocar em primeiro lugar.

    Viajei, pra caramba. Viajei ao pensar que aquele seria o nosso ano. Óbvio que você também não ajudou muito, quando me disse a data e o horário em que iria me pedir em namoro, confiei e ansiei já que naquele dia tínhamos um compromisso único e extremamente importante para nós dois. Sabe o que é mais impressionante? Na época eu tinha plena certeza que você estava sendo sincero, todo mundo já reconhecia a gente como um casal. Pior que isso, eu. EU via você apaixonado por mim. Pesado, não é? Me questiono se tudo isso que eu via em você era real ou apenas fantasia. Tudo foi tão intenso.
    A minha intensidade. A brisa nostálgica do passado. Como eu posso ter inventado; ou melhor, fantasiado aquilo? Foi a única conclusão a qual cheguei, fantasia. Sabe porquê fantasia? Não consigo encontrar um explicação lógica para ti de uma hora para outra jogar fora, ou melhor, abrir mão do que demoramos para constituir (tratar como tanto faz). Lembra? Eu, que não me permitia se fascinar ou me entregar, me apaixonei duas vezes por você e, na última, esperando um resultado diferente, mergulhei completamente nesse teu mar agitado, porque tu me fazia ver-te águas cristalinas de uma atraente calmaria, te permiti me conduzir, te daria um voto de confiança e passei a acreditar que me desejavas como se necessitasse de mim. Fantasia.

    Pra ser sincera, se fantasiei, eu não sei. Já não consigo decifrar o que eu criei [inventei para mim mesma] do que realmente aconteceu. Será que cheguei a fantasiar algo? Idealizei ao ponto de perder a percepção da realidade? Francamente, esses sentimentos e as lembranças são tão vivas em mim que chego a duvidar. Resta, agora, um turbilhão de emoção e lembranças com uma pitada de confusão. Sim, confusão, uma vez que não sei o motivo de você ter se afastado de modo tão repentino. Me arrisco a dizer que foi quase como se tivesse renegado o que ousou um dia chamar de “nossa história”. Renegado não somente isto, mas o que nos permitimos sentir. Não compreendo o porquê, se aquele foi o sentimento mais incrível que tinha despertado, até então, por um cara. Justamente por isso, ainda não consigo colocar nenhum outro acima de você. Que, aliás, já não é mais merecedor do posto que ocupa e, aqui dentro, travo uma batalha pra te destituir.

    E por falar em fantasias, nas madrugadas após as conversas mais gostosas contigo, que mexiam tanto comigo e me causavam até insônia, esperando o sono chegar ao longo do resto da noite eu fantasiava, idealizava, momentos ao teu lado. Momentos simples e intensos de uma vida que eu torcia tanto pra acontecer. Você também já fantasiou momentos comigo? Creio veementemente que sim, pois, nas madrugadas era tu que me mandava mensagens criando um roteiro de uma vida comigo, aliás, roteiro qual seguiu por um breve momento. Não faz ideia do quando ansiei para que seguisse o roteiro completo daquele verão. Fantasia. Incrível como uma palavra se faz tão presente. Fantasias quais eu ainda, em meio a madrugadas de verão movidas por uma brisa nostálgica, me pego memorando. Viajando. Então, eu levanto, coloco pra tocar um indie, me sirvo uma taça de vinho, e fico ali, no escuro da sacada debruçada no parapeito, dispersa em devaneios enquanto observo o quão deslumbrante pode ser a cidade sob o negro do céu. Espero profundamente que isto não seja um sintoma de saudade.

    Estou mais confusa do que nunca, não sei se desejo me afastar ou ficar junto de você. Sou incapaz de concluir isso. Novamente, sendo ainda mais egoísta comigo. Tu não faz ideia do que é sofrer de amor. Será que já não sei diferenciar a fantasia da realidade? Ao dizer fantasia, me refiro ao fato de ter atribuído mais emoção e importância a tudo que acontecia. Isso não seria apenas intensidade? Afinal, eu queimava em intensidade. Sempre queimei. E se eu não tiver fantasiado? Talvez seja o que tenha acontecido, ou não. Mas, e se tiver? Será que me apaixonei pelo que inventei de você?

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