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Aventura

  • Efebo I

    “Todas as manhãs de todos os dias não seriam sequer comparativo para a beleza de um único sorriso seu”

    No meio da noite e da chuva fria o jovem estranho caminhava, o chão daquelas terras era rochoso e de pouca vegetação, era mesmo um solo firme, mas que devido a fraqueza de seus passos parecia desaparecer debaixo de seus pés. Por vezes ele tinha de usar suas mãos para evitar cair ao pisar numa pedra solta ou depressão imprevista. Apenas uma luz guiava sua jornada, uma fagulha ao longe que finalmente se mostrava ao alcance do jovem estranho, ele deveria sentir alívio, mas já estava há horas caminhando às cegas. Quando a noite caiu escurecendo seu caminho ele já estava entre as trilhas da montanha, nenhum abrigo próximo e voltar não era uma opção. Voltar, aliás, era tudo o que ele não queria, melhor morrer congelado no meio do nada do que voltar para aquele lugar, ademais não haveria ninguém lá e a culpa era dele.
    Caminhando então, fugindo então, o jovem estranho seguiu, guiado apenas por uma pequena luz que ele tinha de admitir, talvez não fosse real. O frio fazia sua pele arder e causava tremores tão fortes que ameaçavam derrubá-lo tornando sua caminhada uma agonia arriscada. A luz parecia mais perto a cada passo, mas a cada novo passo ele estava mais perto de cair, estava completamente encharcado pela chuva constante, já quase não sentia seus pés descalços, nem suas orelhas geladas e os dedos que escondia debaixo dos braços ele usava para apertar suas costelas como se o fato de controlar aquela dor menor em sua pele ajudasse a combater a dor maior em seus ossos. Fosse como fosse o sofrimento físico não era totalmente indesejado, pois servia para distraí-lo dos horrores em seu coração. Nos passos finais a distância parecia muito maior e ele tomava conhecimento de cada movimento que fazia, pois era como vencer barreiras invisíveis, aquela luz era de fato uma conquista, ainda mais quando pensava que todo um dia já havia se passado de quando começou tão longe dali, sem nem mesmo saber para onde estava indo, tudo que ele queria era se afastar daquelas florestas e da sensação horrível que lhe causava.
    A luz era uma fogueira numa casa solitária. Quando o jovem estranho se deu melhor conta percebeu que o local era bem maior do que imaginava antes de chegar. Passando por um alto portal ele concluiu que se tratava de uma construção antiga. Aquilo poderia ser um templo, mas não havia adornos no interior, poderia ser uma fortificação ou abrigo, mas não havia portas ou outros cômodos além daquele. Com quatro paredes altas, erguidas de enormes blocos rochosos em encaixe perfeito, o misterioso prédio antigo bem descrito como bruto não mostrava outra utilidade senão para abrigar parcialmente o jovem estranho da chuva. Parcialmente de fato, pois o teto que era parte em troncos e parte galhos secos de pinheiros daquela terra, falhava em cobrir alguns pontos do abrigo. Por essas aberturas no teto a chuva adentrava umedecendo o ar com suas gotas e criando poças geladas no chão que era composto por largas pedras cinzentas selando a construção onde ao centro reinava o objeto de desejo, a fogueira grande e providencial crepitando seus estalos e aquecendo o ar.
    Ainda que o jovem tivesse desconfiado de quem ou por que alguém teria acendido aquele fogo, o frio e o cansaço o iludiram a esquecer qualquer cuidado e se render ao conforto. Ele chacoalhou suas vestes, e buscou se livrar de toda a água que podia antes de sentar-se junto à fogueira. Mesmo com todo esforço ele ainda estava molhado e tremendo suas mãos hora iam ao calor do fogo, hora junto à face onde recebiam o ar quente que saia da sua respiração. Sensações variadas entre dores e dormência, atacavam seu corpo. Acalmando sua respiração enquanto se perdia na falta de detalhes daquelas paredes o jovem pensava se seria sensato ficar tão perto do fogo, pois o calor das chamas já começava a arder em sua pele.
    O jovem estranho se preparava para mudar sua posição quando sentiu uma vibração correr seu corpo, foi apenas um instante, um arrepio frio que terminou mesmo antes de poder imaginar o motivo, ele olhou para cima e viu algo grande sair das sombras e se projetar para dentro daquelas paredes. Paralisado o jovem estranho observou a entrada lenta e constante da sombra imensa que conquistava o espaço em sua direção. A figura era alta, tanto que sua cabeça pouco faltou para acertar o topo do portal de pedras, a figura tinha olhos cinzentos e ameaçadores que encaravam o jovem sem desviar a atenção nem por um instante, com mão enorme empunhava a arma parte cortante e parte rígida como uma clava com lâmina.
    Na luz ardente da fogueira a figura então se mostrava por completo, era um gigante apontando sua arma na direção do jovem que por instinto se arrastou movendo rapidamente suas mãos e pernas até bater suas costas contra a parede atrás. Temendo o que estaria por vir, temendo por sua vida e sem a possibilidade da fuga o jovem estranho parou. O gigante então apontou para ele com a mão livre e falou em voz de trovão, mas nenhuma resposta veio do jovem que era incapaz de compreendê-lo. Se aproximando um pouco mais o gigante falou novamente e sua voz foi ainda mais ameaçadora dando ordens que o jovem simplesmente não entendia mesmo quando pronunciadas mais pausadamente. Assustado o jovem estranho não reagia e o silêncio era a única resposta que ele podia oferecer enquanto o gigante se posicionava mais para o lado.
    A fogueira então podia iluminar por completo e o macabro jogo de luzes e sombras deu mais gravidade as formas do enorme guerreiro cuja voz grave soava imperativa novamente, os olhos do gigante eram cor de aço polido e, mesmo sendo pequenos em relação ao seu rosto, o jovem podia ver que estavam apertados de raiva, afinal ninguém gosta de ser ignorado. Dizer que o gigante era ruivo não fazia justiça, estava mais para um tom enferrujado, ele todo. Uma finíssima camada de pelos cor de cobre cobria todo seu corpo, incluindo o rosto, seus traços eram alongados no nariz como numa exótica mistura de homem e urso. Além da pelagem animal ele tinha a fronte rústica como rocha mal lapidada, o sinal mais marcante em seu rosto era a cicatriz recente que cobria o olho esquerdo forçando se manter ligeiramente mais fechado que o direito. Cobrindo o largo queixo quadrado sua barba era num tom mais escuro e na mesma cor eram os cabelos longos que fundidos aos pelos da testa estavam presos por uma bandana de couro negro forçando-os para trás. Do mesmo couro negro eram os braceletes nos punhos e nos bíceps do gigante. Sobre o torso e cintura grossas peles cobriam suas partes, das mesmas peles eram feitas as longas botas que ele usava.
    Outro esbravejo do gigante assustou o jovem estranho, estava claramente furioso o enorme guerreiro, mas se controlou ao menos o suficiente para falar mais uma vez, dessa porém, já se mostrando pronto a atacar se não houvesse resposta, o jovem estranho então decidiu tentar.
    _ Não entendo o que diz...
    Erguendo suas mãos com as palmas a vista o jovem estranho tentava ilustrar sua fala. O gigante respondeu com poucas palavras e um aceno de entendimento antes de mudar seu tom.
    _ Certo, a língua dos alfros...
    Disse o gigante e o jovem estranho finalmente pôde compreendê-lo, ainda que superficialmente, já sendo um grande avanço o jovem usou a oportunidade para dizer que não queria problemas e certamente não representava ameaça, mas foi interrompido.
    _ Então o que quer aqui alfro?
    Falou o gigante e causou nova impressão no estranho que se espantou com a calma em sua voz, entendo que parte do tom ameaçador desapareceu quando o gigante passou a usar a linguagem comum. O jovem estranho então lutando contra os tremores que voltaram a acometê-lo respondeu.
    _ Estava perdido, congelando lá fora…
    Disse apontando para a chuva que ainda caía na escuridão.
    _ Ei! Devagar alfro! Antes mostre os objetos que carrega. Devagar já disse!
    Exasperando por não ser acreditado, mas obediente o jovem estranho ergueu seu casaco ensopado até a altura do peito, mostrando que nada mais havia em sua posse ele ergueu suas mãos vazias e aguardou. O gigante pareceu satisfeito com aquilo, mas não menos desconfiado, enquanto sua matinha firmeza sobre o cabo da arma apontava a mão direita e ordenava para que o jovem estranho ficasse onde estava. Sem dar de costas em nenhum instante o gigante se retirou para fora do abrigo. O jovem estranho ficou sem entender e passou a olhar para cima, ao mesmo tempo se perguntando por que uma criatura tão grande desconfiava tanto de alguém muito menor como ele. A chuva continuava a cair e o que passava pelo buraco no teto atingia em cheio o rosto do jovem ele se aproveitava para engolir algumas gotas, já temendo o frio que retornava para seus ossos.
    Não muito depois o gigante apareceu carregando de um lado uma enorme bolsa feita de peles e do outro alguns troncos partidos de madeira. Os troncos ele deixou junto da fogueira e após se acomodar, sentando-se com as costas na parede, deixou a bolsa de lado enquanto sua mão direita descansava sobre o joelho dobrado e a outra ajeitava sua arma repousava sobre o colo.
    _ Saia daí alfro...
    Disse o gigante na sua voz grave, ainda que com tom calmo, então apanhou um dos troncos que em sua mão enorme mais parecia um galho e depois de juntá-lo ao fogo apontou para cima.
    _ Vamos saia daí ou vai morrer congelado…
    Insistiu o gigante, mas ainda sem efeito.
    _ Não é minha intenção causar transtorno de qualquer natureza, se preferir volto para o meu caminho imediatamente.
    Disse o jovem estranho enquanto seus olhos hora iam para a arma, hora para a chuva na escuridão fora do abrigo e hora para o desconfiado gigante. Com uma certeza cada vez menor de seu destino o jovem aguardou enquanto o gigante o analisava com seus olhos cinzentos e sem desviar falou em tom neutro.
    _ Se sair lá fora…
    Com o dedo o gigante indicou a chuva.
    _ Morrerá congelado, o deus da montanha não aponta olhos piedosos para os pequenos como você, e já que não quero sua morte assombrando minha consciência...
    Demonstrando inusitada gentileza o gigante indicou o ponto exato em que o jovem estranho estava antes, ele concordou com a cabeça e voltou a sentar-se lá, dessa vez sem se preocupar em livrar-se da umidade acumulada. Outro período de silêncio se instalou em que o jovem sentia as gotas correndo seu corpo e o calor do fogo contra sua pele. O gigante ruivo ainda o encarava e parecia tentar confirmar teorias dentro de si, mas sem chegar a alguma conclusão.
    _ De onde vem alfro? Onde fica sua terra?
    _ Não sou isso que você chama de alfro.
    Respondeu imediatamente o jovem estranho, ainda que cabisbaixo.
    _ Não? E o que você é?
    Sou um monstro, pensou o jovem estranho, mas logo responder diferente.
    _ Não tenho certeza, minha memória antes de hoje está vazia…
    Disse ele ainda olhando para baixo.
    _ Se não tem certeza, como sabe que não é? E se não é um alfro como fala essa língua? Sabe que ainda tem sangue em você?
    O jovem estranho ergueu seus olhos, assustado com a afirmação, antes de procurar em suas roupas por alguma mancha.
    _ A chuva não lavou o cheiro de morte das suas mãos alfro...
    Incerto do que dizer, mas imaginando que demorar para responder pudesse trazer mais malefícios o jovem mentiu.
    _ Foi nessa manhã, em matas longe daqui, fui atacado, eram vários. Homens estranhos acompanhados de estranhas criaturas…
    Nem tudo que o jovem dizia era mentira e de mais a mais o gigante pareceu não se importar, mas se fosse para arriscar o jovem estranho diria que uma certa fúria foi se instalando no gigante após ouvir a história. Confirmando suspeitas a mão esquerda do gigante apertou o cabo da clava descansando em seu colo até produzir sons de atrito. O jovem estranho então também teve a certeza de que se necessário aquele enorme guerreiro seria capaz de matá-lo e mesmo à distância não levaria mais que um golpe, fugir não seria opção e enfrentá-lo seria impossível.
    _ E você, sozinho, matou todos eles?
    Era uma pergunta que não pedia resposta, após ouvir o relato do jovem estranho o gigante mergulhava mais e mais em seus próprios pensamentos parecendo analisar tanto a veracidade no que o jovem estranho dizia quanto a própria existência daquele ser magro e molhado. Decido de alguma forma o gigante relaxou um pouco a postura caindo para o lado.
    _ Então diga-me como você se chama alfro?
    O Jovem estranho primeiro não entendeu a mudança no tema. Depois ele não entendeu por que ele próprio demorava a responder, enquanto engolia seco ele sentia que o céu de sua boca estava mais áspero a cada minuto. Qual era seu nome? Por que estava em dúvida? Após o breve instante alguém retornou a sua memória. Quem seria essa pessoa ele não sabia, mas sabia a resposta.
    _ Meu nome é Efebo…
    _ Efebo?
    Disse o gigante tomando cuidado na pronúncia, que certamente lhe parecia errada, pois ele tentou várias vezes antes de continuar.
    _ Um nome estranho, mas parece como você mesmo. Sou Donner filho de Tanner do clã Baro.
    Efebo fez um gesto acanhado de cumprimento e Donner respondeu levantando e abaixando a mão direita ainda repousando sobre o joelho.
    _ Dias atrás…
    Começou o gigante sem motivo aparente.
    _ Precisamente três dias atrás, houve um ataque...
    Donner fez breve pausa para ter certeza que tinha total atenção de Efebo então continuou.
    _ Estávamos reparando a muralha quando ouvimos gritos, na verdade acho que ele já tinha gritado por um longo tempo, mas fraco como ele estava sua voz demorou a chegar até nós. Largamos tudo e corremos ao seu encontro. Não o reconheci de imediato, todo cortado como estava, era Iotem do clã Aega, um lavrador, uma boa pessoa sabe. Me lembrava do seu nome, pois recentemente havia visitado sua terra, mas o homem que conheci em nada parecia a coisa que vimos se arrastando sobre a grama despejando suas estranhas que já não podia conter dentro da barriga. Quando efetivamente tentamos falar com ele as forças já lhe faltavam, imagino que além de todo sangue que perdeu, apenas a dor das feridas seria o suficiente para tirar-lhe a consciência, ele não gritou mais, apenas repetiu a mesma coisa até morrer, “nos pilriteiros, elas estão nos pilriteiros”. Não podíamos ajudá-lo então corremos para a família dele. Quando vimos até onde ia trilha de sangue deixada por Iotem refiz minha opinião sobre a força que tem o coração de um pai.
    Donner fez um movimento com o pescoço como se tentasse forçar a descida de algo amargo por sua garganta e apenas após mostrar seus dentes pontudos num rosnado silencioso numa tentativa de suprimir as memórias ele continuou.
    _ Como esperado fim da trilha nos levou para a fazenda. Entramos antes na casa, mas além dos óbvios sinais de batalha e estragos por toda parte, não havia ninguém. No depósito encontramos os primeiros corpos, eram dois jovens membros do clã Aega, acho que serviam como ajudantes na fazenda, mas não me lembro seus nomes. Sem muito o que pensar procuramos entre os arbustos pilriteiros que Iotem tanto tinha repetido, elas realmente estavam lá, juntas a esposa de Iotem, e a filha deles, em pedaços e também não me lembro seus nomes.
    No fim das frases Efebo podia ver claramente as contrações nos músculos das mandíbulas do gigante ruivo mostrando o quanto aquela situação o afetava. Sem precisar de estímulo Donner prosseguiu.
    _ Enquanto olhávamos entre o pilriteiros avistamos os cavaleiros ao longe, eram ao menos oito grandes montarias de caudas longas e ao menos uma delas carregava dois, sem tempo para planejar algo melhor decidimos que um de nós retornaria para avisar os clãs e os demais tentariam perseguição. Assim por dois dias seguimos as trilhas deixadas pelas grandes montarias, mas ficamos mais e mais para trás até que a chuva veio e decidimos descansar por hoje.
    Terminando seu relato Donner direcionava seus olhos cor de aço para a chuva fora do abrigo.
    _ Então Efebo, ou seja lá como se pronuncie seu nome, essa é a história de como chegamos aqui...
    Continuou Donner ainda olhando para a chuva lá fora.
    _ Honestamente de início achei que você era um deles, mas logo mudei de ideia, analisando que você está vindo de uma direção oposta, e mesmo tendo os visto apenas num relance, digo que você não se parece com aqueles guerreiros.
    Por um breve instante os olhos do gigante ruivo se fecharam em reflexão.
    _ Conhecer seu inimigo…
    Disse Donner antes de retomar o foco e concluir.
    _ Muitos mistérios e muitas dúvidas, esse não é um bom caminho, mas que escolha temos…
    Quando Efebo estava por dizer que também tinha suas próprias dúvidas ele foi surpreendido por Donner que urrou duas vezes em sequência. Talvez não fossem exatamente urros, mas aqueles sons graves e curtos vindos de sua voz metálica arrepiavam a pele do jovem estranho. No meio tempo Donner mantinha os olhos para fora do abrigo levando Efebo a fazer o mesmo, de lá dois outros gigantes entraram. No susto Efebo tentou se levantar e imediatamente sofreu cãibras, não apenas suas roupas estavam ainda muito grudadas em seu corpo, mas seus músculos estavam esgotados e sem forças. Domando sua respiração ele se concentrou nas enormes figuras entrando com suas cabeças baixas, também estavam molhados pela chuva ainda caindo sem parar. Os dois pareciam discutir entre si, numa discussão que faltava pouco para levar a uma luta aos olhos de Efebo, após arrumarem suas coisas dentro do abrigo eles somaram Donner à conversa prestes a saírem se mordendo como numa disputa por território. De fato havia algo de animalesco naqueles seres. Livres das capas molhadas os dois gigantes tomaram melhor conhecimento do jovem estranho sentado diante de Donner logo uma inquietude se instalou nos novos abrigados, mas bastaram umas poucas palavras do gigante ruivo, claramente o líder, para que a tensão diminuísse e os dois se sentassem perto da porta. Enquanto os dois novos gigantes cochichavam e encaravam Efebo notou que ambos usavam roupas parecidas. Suas vestes eram feitas principalmente de couro curtido e tecidos rústicos em tons mais claros que as de Donner, notou também que debaixo das roupas os novos gigantes eram completamente distintos entre si. Ainda que o primeiro deles tivesse as mesmas feições ursídeas de Donner, sua pelagem era clara como mel, seus olhos eram escuros, ele não tinha barba além dos pelos naturais, seus cabelos eram mais longos e domados numa única trança revelando orelhas arredondadas, Donner provavelmente exibiria um par parecido se estivessem à mostra. A figura do segundo estava mais para a de um cão que a de um urso, com finos pêlos castanhos sobre sua pele exceto abaixo do queixo onde eram claros, seus olhos eram redondos em cor de âmbar, sua barba era curta e quase negra, nesse mesmo tom escuro eram seus cabelos que curtos e armados pareciam uma juba deixando à mostra parte das longas, pontudas e peludas orelhas. Com um pouco mais de atenção Efebo notou que esse último tinha ainda uma pequena cauda a qual movia de vez em quando. O jovem estranho se perdia nos detalhes e nas peculiaridades daqueles gigantes enquanto Donner fazia as apresentações em sua maneira rústica.
    _ Efebo não é? Este aqui é Latran filho de Roh do clã Cano, e aquele é seu irmão mais novo Thalas.
    Disse o gigante ruivo apontando primeiro para o de pelos castanhos e de depois para o mais claro. Efebo não entendia como dois seres tão diferentes poderiam ser irmãos, mas sem qualquer conhecimento daquela raça de gigantes ele não se sentia hábil para julgar. Mais algumas conversas se deram entre os três, Efebo que não entendia a língua dos gigantes permanecia em silêncio. Os assuntos terminaram quanto Latran, o castanho, retirou de sacos de tecido algumas tiras de carne seca. Mantendo uma porção para si e entregando outras para seus companheiros. Após partir em duas a porção que recebeu, Donner atirou uma das metades sobre o fogo atingindo o colo de Efebo que, surpreso, apanhou e observou a tira escura de carne salgada.
    _ Não diga que não está com fome…
    Disse Donner saboreando sua parte que mesmo sendo igual a de Efebo parecia muito menor entre seus dedos.
    _ Perdoe-me por perguntar, mas você tem água?
    Donner falou áspero na direção dos outros dois, num segundo depois Thalas, o de pêlo claro, atirou para ele uma bolsa de couro invertido. Donner mediu o peso da bolsa antes de entregá-la a Efebo.
    _ Aqui, beba o quanto quiser, água da montanha te fará bem...
    Disse Donner logo atendendo a questões dos outros dois gigantes, claramente mais novos que ele. Quando os assuntos pareceram não importar tanto o líder ruivo retornou seu olhar para Efebo.
    _ Então?
    _ Eles ficaram lá fora por minha causa?
    Perguntou Efebo ainda bebendo a água gelada em pequenos intervalos, tomando cuidado para não contrabalançar a grande bolsa e desperdiçar.
    _ Não, e não se preocupe com isso, eles estavam olhando por aí, sabe já tem algum tempo que não venho aqui. São terras antigas e o deus da montanha é vasto permite muito segredos, então segurança entende? Mas como disse não se preocupe. Coma! Vamos, não desperdice nossa oferta alfro...
    Ao som da chuva ainda presente Efebo mordia um pequeno pedaço de carne e imaginava que provavelmente os três haviam percebido sua chegada muito antes e, talvez incertos do tipo de perigo que ele poderia representar, os gigantes decidiram se colocar à postos para um ataque surpresa, ou algo como… O pensamento não se completava, Efebo começou a tossir e tentar engolir ao mesmo tempo, percebendo o esforço do jovem os gigantes começaram a rir.
    _ Ha! Ha! Haaa! Aye! É boa não é? Não seja tímido coma mais...
    Disse Donner e na pausa de sua afirmação falou em tom de alegria com o de pelos castanhos que deu-lhe um olhar de desaprovação antes de entregar um chifre. Donner sorriu falando algo em sua língua antes de abrir a parte mais fina do chifre e beber um gole, logo disso ofereceu o chifre a Efebo, mas antes que o jovem pudesse pegá-lo Donner recuou um pouco e avisou.
    _ Só não beba demais, é tudo o que temos, dê um bom gole apenas para ajudar a descer.
    Após o aviso o jovem estranho concordou, apanhou e contemplou o chifre que parecia muito maior nas suas mãos, se impressionou também com o peso. Tendo então certeza que não seria capaz de tomar todo aquele volume mesmo que quisesse, Efebo abriu o fecho com cordão na parte mais fina e imitando o gigante ruivo. De imediato foi atingido por um aroma adocicado que muito agradou seus sentidos, guiado pelo cheiro agradável ele bebeu do líquido um pequeno gole que teve efeito imediato. Mais do que ajudar a engolir a carne salgada a bebida parecia derreter tudo por dentro incluindo suas entranhas, o líquido era quente demais e evaporava para as narinas enquanto queimava sua boca. Tossindo, abaixando sua fronte e incapaz de falar o Efebo devolveu o chifre.
    _ Ha! ha! haa! Aye! Muito melhor agora não é? Ei! Também não precisa ser tão tímido, pode beber mais se quiser Ha! ha! ha!
    Riam os gigantes em uníssono, notando o esforço de Efebo para manter o conteúdo de seu estômago sobre controle, quando pareceu que ter recuperado a fala o líder ruivo parou sua gargalhada para oferecer novamente.
    _ O segundo costuma ser mais fácil, quer tentar novamente?
    _ Não…
    Efebo falou entre tossidos roucos.
    _ Não obrigado, afinal o que isso?
    Donner respondeu dizendo uma palavra, provavelmente o nome da bebida na língua dos gigantes e então continuou.
    _ Fica melhor com o tempo e é um bom remédio contra o frio também...
    Enquanto os gigantes bebiam e se ocupavam com animadas conversas Efebo mergulhava dentro de si, e de fato tentava consumir mais da carne seca em suas mãos, mais da metade inicial ainda restava. O líquido amoleceu seus sentidos e deixou sua visão turva, uma onda de calor se instalou em seu peito e em seu rosto, tanto que suas roupas molhadas já não incomodavam mais e ele se afastou do fogo caindo levemente para trás. Não era algo bom, mas pela primeira vez em um longo tempo não se sentia mal e nesse instante uma imagem se formava. Como se pensar no que mais poderia haver de bom no mundo para ele levasse a uma única resposta, ele não sabia o nome dela, mas o verde mais belo do mundo dentro de olhos cercados de luz sem dúvida era uma memória, era uma direção. Quando Efebo se deu conta seus olhos estavam fechados, a intensidade do fogo diante dele estava muito menor e o sono então parecia uma força grande demais para resistir, percebendo isso Donner interveio.
    _ Devia tentar descansar Efebo, parece destruído.
    Thalas e Latran faziam comentários ininteligíveis. Donner parava sua fala para beber outro longo gole do líquido no chifre, e deixando de observar a chuva passava a encarar diretamente o jovem estranho. No seu equivalente de sorriso o gigante ruivo produziu um arroto e deixou as costas da mão esquerda sobre os lábios por um instante em que pareceu engolir o que sobrava da carne para então tentar continuar.
    _ Durma, vamos permanecer aqui esta noite, amanhã…
    Escuridão, ele nem mesmo foi capaz de ouvir o final da frase de Donner. Várias sensações atacavam seu corpo além do cansaço, de fato sentia como se algo estivesse enfraquecendo suas fibras, algo estava destruindo suas forças. Escuridão, talvez ele não devesse confiar naqueles gigantes, era certo que não queriam matá-lo, pois se quisessem não teriam qualquer dificuldade. Escuridão, talvez os gigantes o abandonassem à própria sorte, mas se fosse o caso não seria diferente de outro dia, além do mais já haviam lhe dado água e comida, calor e conversas, fortunas para qualquer andarilho. Escuridão e dentro da escuridão Efebo ouviu uma voz.
    _ Estou mais próxima de você agora...
    Escuridão, a voz foi substituída por algo triste como o lamento por alguém que morreu recentemente. O lamento passou e ele começou a ouvir gritos, agudos gritos de agonia, então veio o cheiro impregnante de sangue, um gosto adocicado e metálico que ia acumulando no ar. Um borrão vermelho passou por seus olhos e ele podia ver, era um corpo se abrindo e liberando seus fluídos pelo ar antes de cair inerte ao chão. Efebo tentou fugir, não podia.
    _ Por que não posso me mover?
    Seu corpo não o obedecia, mas as cenas diante de seus olhos não eram estáticas, todas as coisas se moviam ao redor, abaixo e acima dele, levando ele hora para longe, hora para junto dos corpos, estranhos corpos sendo mutilados por ele. Tentou parar, não podia.
    _ Por que estou lutando?
    Estava cercado e estava sozinho, ataques vinham de todas as direções, mas ninguém atendia seus chamados. Efebo sentiu algo horrível, como uma enorme pressão na parte de trás da sua cabeça, mas antes que pudesse interpretar a escuridão havia surgido novamente. Forçando seu corpo com espasmos Efebo finalmente acordou. Ainda estava no abrigo e de fato estava sozinho, nem mesmo a chuva caia mais.
    Ainda atordoado ele olhou diretamente para a fogueira e um pensamento absurdo de que tudo aquilo havia sido um sonho o atormentou por um instante. Efebo voltou-se para a porta e viu uma coisa sinuosa e coberta de escamas cinzentas que atravessava balançando no ar, sentiu medo, pois sentiu que era uma coisa familiar. Urros romperam seus ouvidos, feras e bestas gritando raivosas. Sons de batidas potentes acompanhavam os urros, ele se pôs de pé olhando para a entrada do abrigo, nada além de escuridão. No mesmo instante em que ele se perguntava o que estaria acontecendo, uma explosão no seu lado direito o empurrou para longe e quase em cima da fogueira. Sobre a pilha de pedras que se formou da parede escalava um enorme réptil. Coberto por escamas cinzentas a criatura quadrúpede era esguia e servia de montaria para um cavaleiro. Olhando para baixo ele conduzia as rédeas e apenas os olhos completamente escuros eram visíveis no rosto do guerreiro, sobre a boca e nariz havia uma máscara branca. A luz da fogueira havia diminuído, mas ainda permitia ver que o cavaleiro em cima do réptil feroz também tinha a pele coberta por escamas, suas roupas eram claras e metais pálidos lhe serviam de armadura, se não estivesse montado o cavaleiro seria um pouco mais baixo que Efebo, mas da maneira como se portava empunhando uma lança na mão destra ele se mostrava uma figura ameaçadora, prova disso era Latran caído debaixo do réptil. Parte do corpo do gigante castanho estava coberta, mas pelas caretas de dor que fazia Efebo concluía que estava vivo.
    O tempo pareceu correr lento quando o cavaleiro coberto de escamas ergueu sua lança, olhar fixo em Latran. Efebo agiu sem pensar, abaixou-se apanhando uma pedra do tamanho de seu punho e com toda sua força atirou no focinho do grande réptil. O dano causado foi insignificante, mas o movimento de reflexo da montaria desviou a lança do cavaleiro que errou por pouco a cabeça de Latran. Enquanto o cavaleiro preparava um novo ataque o réptil virou-se para encarar Efebo e emitiu um som sibilante, em seguida a montaria gritou num som rouco enquanto era arrastada para trás e o cavaleiro que virava seu rosto procurando um alvo foi atingido por uma clava pesada.
    _ Alfro! Ajude Latran…
    Disse Donner enquanto golpeava várias vezes a cabeça do grande réptil e gritava outras coisas em sua própria língua. Efebo correu até Latran, com certo esforço empurrou para longe as pedras maiores sobre o gigante castanho, sabendo que não seria capaz de movê-lo ele chamou o nome do gigante algumas vezes antes de entender que não fazia sentido já que seus gritos eram abafados pelos urros e choques da batalha. Sem pensar em outro recurso ele se pôs sobre o peito do gigante.
    _ Só não me morda…
    Temendo ter sua mão arrancada Efebo segurou o pescoço de Latran, debaixo dos pelos ele sentia o sangue do gigante ser bombeado. Forte, pensou Efebo e com toda a força que pode ele acertou um tapa na face do gigante. Era como bater contra uma rocha, a dor em sua mão foi imediata, mesmo assim ele armava outro golpe quando os olhos cor de âmbar se abriram e Efebo assustado caiu para trás. Enquanto Latran se levantava esbraveja algo em sua língua que Efebo não tinha dúvidas eram xingamentos. O gigante castanho estava fraco e mal se colocava em pé, Efebo correu para ajudá-lo, mas recuou após receber um rosnado a curta distância.
    _ Como quiser…
    Disse Efebo com mãos para cima afastando-se um passo, Latran rastejou para dentro do abrigo e tentou caminhar, mas seu lado direito não estava respondendo bem, ele bufou duas vezes, ergueu suas orelhas ouvindo gritos de Thalas e Donner. Certamente lamentando não encontrar melhores opções Latran erguer seu braço esquerdo e encarou Efebo, o jovem estranho atendeu prontamente se colocando debaixo e sustentando parte do peso do gigante. Após um passo servindo muleta Efebo viu que Latran apontava para a porta, seguiram mancando o mais rápido que puderam. Fora do abrigo tudo era escuridão, e sons repentinos, frases, gritos urros, impactos e encontros de metálicos. Não havia chuva, mas o frio voltou a incomodar Efebo, afinal suas roupas ainda estavam molhadas. Latran falou algo em tom médio, possivelmente para Efebo, mas como não conseguiu entendê-lo o jovem apenas continuou apoiando seu peso no meio da escuridão.
    Efebo demorou um pouco para perceber que haviam parado seu progresso, apenas deixando de servir de apoio quando Latran murmurou algo e virando a frente para a direção do abrigo sentou-se. Com seus braços esticados Efebo notou que haviam chegado a uma das encostas da montanha, olhando para o abrigo ele tentava usar a luz que escapava pelas frestas para identificar as sombras que certamente estariam lutando ao redor da construção, mas sem muito sucesso, apenas sabia que estavam lá. Latran gritou frases rápidas e seguidas, instantes depois várias batidas e choques metálicos se deram. Outro gigante gritou, era Thalas, Latran respondeu com mais frases rápidas. Efebo sentou-se ao lado do gigante castanho, imaginando que seria melhor afinal ele não podia ajudar em nada, os céus escuros demais não forneciam qualquer luminosidade e ele realmente não conseguia ver, mas...
    _ Você está vendo…
    Disse Efebo para si mesmo enquanto Latran ditava mais de suas rápidas instruções. Mesmo concluindo que o gigante castanho de fato era o único que conseguia enxergar no escuro, além do inimigo é claro, Efebo permaneceu alerta, e foi bom que o fez, pois logo viu uma sombra alta ofuscar a luz da fogueira. O coração de Efebo disparou ao ouvir o galope em sua direção. Tão rápido quanto pode o jovem se levantou tentando assumir uma postura, mas a coisa já estava sobre eles. Um som de impacto e algo grande e peludo empurrou Efebo para lado, tentando manter o equilíbrio Efebo agarrou às cegas o braço do gigante castanho e pode ver. Foi apenas por um instante e em tons cinzentos, mas Efebo viu Latran segurando a mandíbula do enorme réptil bem em frente ao seu rosto, viu também que acima algo reluzente descia. Efebo abaixou sua cabeça e desviando do golpe do cavaleiro e sentiu o vento deslocando pelo movimento da espada. Suas costas bateram contra o chão e a escuridão retornou, antes que ele se movesse ouviu outro som de impacto, imaginando que Latran havia se livrado do réptil ou sido arremessado por ele.
    _ E agora?
    Uma trombeta soou longa e metálica. Todos os outros sons pareceram parar naquele instante, então a trombeta soou novamente, vários gritos seguiram, mas esses diferentes eram ordenados e geravam vários outros sons de movimentação. Efebo rastejou procurando por Latran, mas não o encontrava, desespero há muito já dominava o jovem estranho.
    _ Donner!
    Gritou Efebo.
    _ Donner eles pegaram…
    Uma mão enorme interrompeu os gritos de Efebo, tampando sua boa e pressionando-o contra o chão. O jovem estranho instintivamente tentou se livrar, mas por mais que se debatesse o punho era forte demais, nesse esforço instantes se passaram, mais calmo ele abandonou as tentativas de resistências e apenas aguardou buscando respirar entre os enormes dedos. Vozes soaram acima dele na língua dos gigantes. Quando Efebo foi finalmente liberado havia luzes flutuando no ar.
    _ Aqui meu amigo…
    Donner abaixou-se entregando-lhe uma tocha improvisada com galhos e tecidos, todos os outros seguravam equipamentos semelhantes, exceto por Latran que contrário ao que Efebo pensou não foi levado, mas sua postura indicava estado precário, ao lado seu lado estava Thalas que parecia reclamar. Efebo levantou-se lentamente, usando sua tocha Efebo verificou seu corpo por ferimentos, se ignorada toda a lama que o cobria, tudo parecia em ordem.
    _ Eles se foram, mas fique atento.
    Disse o gigante ruivo sem perder tempo liderando o grupo por uma trilha que passava pela lateral do abrigo. Efebo seguiu os dois gigantes a sua frente, numa descida que passava por pedras, pedregulhos e trechos alagados a trilha era estreita mesmo para ele. Uma boa distância era mantida entre Donner que liderava e Thalas que o seguia, Efebo logo depois e Latran cuidava da retaguarda. O silêncio também era constante e impedia que Efebo tirasse suas dúvidas, tentando não se distrair ele cuidava para manter viva a chama de sua tocha, vez ou outra ameaçada pelo vento da montanha. Quando podia usava sua chama para identificar os arredores, pelo que Efebo percebia eles já haviam deixado para trás as grandes rochas, pois as texturas abaixo e acima deles mostravam vegetação, possivelmente alta. Pouco depois e era uma certeza, o caminho então de dava por árvores de raízes que passavam do seu peito e cujas copas eram altas demais para sua pequena tocha iluminar. Efebo sentia que o ar estava cada vez mais frio, suas roupas geladas não apenas grudavam em seu corpo, mas nas partes em que a lama era mais espessa crostas rígidas se formavam. Quando finalmente algumas luzes pareciam surgir nos céus, os gigantes pararam sua caminhada conversando entre si em tom médio.
    _ Como está?
    Perguntou Donner enquanto recebia a tocha de Thalas e usava-a para iniciar uma fogueira.
    _ Como está Latran? ele parecia ferido...
    Disse Efebo também entregando sua tocha que, aliás, estava praticamente apagada, enquanto os irmãos vasculhavam a área Donner tentava aumentar as chamas.
    _ Não se preocupe ele está bem.
    Antes que Efebo pudesse questionar o gigante ruivo levantou-se. Com o fogo entre eles, Efebo tinha de olhar para cima para encará-lo, Donner estendeu-lhe a mão.
    _ Você foi bem meu amigo…
    Era o nascer do sol e Efebo levava sua mão para a do líder ruivo, mas Donner, em vez, agarrou seu antebraço dando-lhe um cumprimento de guerreiro. Olhando para baixo Efebo via o quanto ele era magro em relação a enorme mão do gigante. Seu antebraço tremeu subitamente e um som quebrado estalou no ar. O fogo abaixo deles subiu alto demais afastando os dois. Recuperando-se para não cair Efebo olhou para Donner e logo então todos estavam olhando para a mão do gigante ruivo.
    _ Bruxaria…
    Disse Latran olhando para a mão direita de Donner.
    _ Aye, coisa de bruxo…
    Disse Thalas e num acordo mudo os irmãos sacaram suas lâminas. Donner mantinha sua mão à altura da face parecendo admirar o brilho dos pelos azuis em sua mão direita, ele flexionava dedos abrindo e fechando o punho. Sem aviso e num ato ríspido Donner empunhou a clava até então presa ao seu cinto. Noutro sinal predeterminado Latran e Thalas agarraram os braços de Efebo que não ofereceu resistência, estava claro que bastaria apenas um comando para que os gigantes mais jovens terminassem com sua vida. Donner ainda se mantinha em silêncio, os olhos cinzentos fixados em sua mão direita. Relutante o líder ruivo transferiu a clava para a mão marcada de azul e apertou com força o cabo de madeira, fechando os olhos logo em seguida ele falou em tom baixo, estranhamente sereno para a situação.
    _ Grandioso Und…
    O gigante ruivo elevou o rosto para os céus que traziam o amanhecer entre as árvores. Sua mão aos poucos perdeu o brilho frio, mas manteve a cor azul, inclusive nos pelos azuis, criando marcas que pareciam crescer como raízes até desaparecerem na altura do antebraço. Respirando profundamente e retornando a sua seriedade característica Donner ordenou aos mais jovens que soltassem Efebo, a ordem que foi cumprida com certa hesitação. Ainda olhando para sua mão azul, Donner sorriu como se jamais tivesse visto coisa mais bela.
    _ Sabe, Tanner…
    Disse Donner e limpou a garganta exasperando antes de continuar.
    _ Tanner, meu pai, era tão grande que mesmo se ele estivesse agachado teríamos de virar para cima para olhar para ele. Maiores ainda foram seus feitos, por isso quando ele morreu deixou uma sombra grande demais para viver debaixo. Minha mãe Barea morreu pouco depois. Então minha vida sem eles... Meu papel para com meu povo...
    Donner mergulhava em lembranças e sua expressão era de alguém que mais que presenciar um milagre, era a de alguém que recebera um milagre. Sem desviar o contato de seus olhos acenou como se concordasse, então encheu seus pulmões novamente com o ar frio da manhã e seu olhar se elevou.
    _ E quando mais jovem, numa dessas tentativas estúpidas de provar meu valor acabei perdendo boa parte dos movimentos da minha mão direita, ela se tornou fraca, dormente para os sentidos e inútil para batalha, até agora. Esse é um presente que não posso retribuir e que honestamente não sei se fiz por merecer.
    _ Fez por merecer quando me chamou de amigo.
    Disse Efebo na língua dos gigantes. A expressão na face dos irmãos Latran e Thalas era de novo espanto como esperado.
    _ Ele fala… É um feiticeiro... Não escutem nada do que ele diz ou vai nos amaldiçoar.
    Disse Thalas e ao perceber que a cicatriz de Donner havia sumido, passou a apontar para a testa do gigante ruivo.
    _ Veja! Bruxo, vamos matá-lo antes que infeste nossas mentes.
    Disse Latran acompanhando os gestos de seu irmão. Donner interveio firme.
    _ Já basta! Guardem as armas, fiquem calmos e se tiverem tempo livre troquem essas suas cabeças vazias por umas com cérebro dentro, agora silêncio, aliás, já que estão tão animados arrumem-se e vamos, ele vem conosco.
    _ Ele vem junto?
    Entre si os irmãos murmuravam essas e outras questões enquanto apagavam o fogo e revisavam seus equipamentos. Efebo seguia na frente e ao lado de Donner.
    _ E para onde vamos?
    Perguntou Efebo na língua dos gigantes, então natural para ele.
    _ Vamos para casa meu amigo...
  • Elleanor - conto/ficção

    elleanor02
    natal
    A traição será Vingada!

    ano:2019
    gênero: Fantasia / ebook
    autor: Marcos dos Santos
  • Enredo de Occulta

    Eu estava naquele lugar novamente, em uma sala sem portas e nem janelas, somente um espelho que refletia um pouco de mim, mas muito pouco, andei ate ele como sempre e me olho, olho para os meus pés e uma coisa escura estava subindo neles, tento tirar meus pés de la, mas eles estavam presos,começo a puxar mais forte e a entrar em panico ela não queria soltar, a sombra estava subindo mais, minha cintura já estava totalmente tapada, não via nada abaixo dela, cada vez que eu tentava fazer força para eu sair, mais meu corpo ficava preso e mais ela subia, meus braços já estavam tapados, a sombra para no meu pescoço mais foi só na parte da frente do meu corpo, atras ela continuava,meu cabelo que já era preto foi tapado pela escuridão, quando eu olhava para o espelho só tinha como ver meu rosto, olho para o espelho novamente e em vez do meu reflexo, estava a silhueta de uma mulher, a silhueta literalmente brilhava, ela estende a mão para mim, tento segurá-la dela mas a sombra estava mantendo meus braços presos,a mão dela vai saindo do espelho e quase encostando no lugar onde era para estar meu braço e a sombra sai daquela parte mostrando meu braço novamente, ela me puxou e a sombra foi cada vez saindo do meu corpo, eu estava ficando aliviado por não estar mais com aquela coisa, quando eu atravesso o espelho no outro lado estava aquela silhueta da mulher que brilha, mas do lado dela estava uma silhueta negra de um homem, os dois estendem a mão para mim e eu........







    Querem que eu continue?Comentem se sim ou o que pode melhorar
  • Entre Lobos - (conto-romance) 2/9

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    NÃO SE SINTA PERDIDO(A) Leia o capítulo anterior! Tenha uma ótima leitura!

    28 de setembro 1939

                John estava dormindo quando acordou com o barulho da velha motocicleta de Derek estacionando em frente a sua casa. Nem se deu ao trabalho de saber que horas eram, de qualquer forma tinha a completa certeza de que era cedo de mais para estar despertando. Sonolento, sentou sobre a borda da cama por um breve tempo e depois deixou o quarto sem calçar seus chinelos. Ligou as luzes da cozinha e serviu uma doze de whisky que tomou em apenas um gole. Serviu-se novamente. A porta de entrada foi aberta.

    — Mas que droga é essa gora, Dek? – com sua voz rouca, soltou antes mesmo que seu filho pudesse dizer qualquer coisa. — O que deu em você?!

    — Não foi nada de mais! – o outro respondeu em seguida.

    — Nada de mais? – riu-se. — Olha só pra essa tua cara! Um belo estrago, não?! – reparou ainda.

    — Garanto que a do outro não ficou tão linda assim! – defendeu-se indo em direção ao velho sofá onde deixou que seu corpo caísse depois de por seu capacete em um canto qualquer ali perto.

    Ficaram em silêncio por alguns segundos até começarem a rir juntos da situação.

    — Tome. – John estendeu o copo. — Quem sabe isso ajude a amortecer a situação. – pausa. — Hansly? – então soltou tentando identificar quem fora o oponente daquele embate.

    — O filho da mãe sempre cruza o meu caminho. – Derek respondeu confirmando.

    — Vocês têm de resolver isso de uma vez! – o homem sugeriu. — Não podem ficar se atracando toda vez que se encontram. Não são mais moleques, droga! – ainda acrescentou.

    — Dessa vez não provoquei nada. Mark está de prova – defendeu-se. — Só o que fiz foi revidar. – explicou antes de tirar um gole da bebida.

    — Mark. – o homem soltou descredibilizando o valor da testemunha. — Tanto pior. – acrescentou. — Só espero que esteja em pé amanhã pra podermos trabalhar. – comentou afastando-se. — Tony Mayer anda impaciente com a entrega da caminhonete. Precisamos entrega-la de uma vez. – John comentou.

    — O senhor pode ficar tranquilo. – Derek tentando despreocupar seu pai. — Estarei lá! – respeitoso, completou vendo John sumir no corredor.

    Derek trabalhava na oficina mecânica de seu pai, por conta disso, tinha conhecimento o suficiente para dar cabo de alguns trabalhos. No tempo em que estava de folga, mexia em sua motocicleta e até fazia alguns ajustes na moto de Mark, seu grande companheiro de noitadas. John e ele estavam finalizando alguns reparos na caminhonete de um cliente quando o rapaz apareceu.

    — Vai, Dek. – John avisou concentrado no motor a sua frente. Seu filho deu a partida e tudo pareceu estar em ordem, finalmente. — Ok! Está bem, pode desligar! – ergueu a mão. Desceu o capô. — Esse deu trabalho! – comentou dando duas batidas sobre a lataria do veículo. — Finalizamos por hoje. – satisfeito.

    — Quando Mayer vem pegá-lo? – Derek perguntou.

    — Bem... – limpava-se em um pano que parecia ainda mais sujo que as suas próprias mãos. — Eu poderia muito bem ligar, mas quero que você faça esse favor pra mim.

    Mark aproximou-se.

    — Já que a sua namorada chegou – provocou os dois. — Vá até a casa dele e peça pra que venha dar uma olhada nessa situação.

    — Claro! Mas preciso de um dinheiro. – falou sem rodeios. — Estou sem cigarros e...

    — Você é um grande mercenário é isso que você é. – jogou o pano sugo contra seu filho antes de ir até um balcão onde abriu uma gaveta e retirar uma pequena quantia em dinheiro. — Mas olha – Derek aproximou-se. — Vê se não vai se meter em confusão novamente... Um olho roxo já lhe basta. – debochou.

    Derek apenas assentiu com o semblante devolvendo o trapo sujo e enfiando o que recebera no bolso da calça suja. Saíram os dois em direção a saída do galpão.

    — A propósito!  – Mark já passos distante virou-se para o senhor. — Eu sou o homem da relação. – referiu-se a brincadeira feita anteriormente pelo senhor.

    — Caiam fora daqui! – John respondeu achando graça.

    Depois de passarem na casa de Tony, Mark e Derek foram para um local conhecido onde costumavam tomar cerveja e ficar jogando conversa fora. Derek comprou uma cerveja e um maço de cigarros enquanto ouvia o deboche do amigo sobre o estado que ficara sua cara depois da noite passada.

    — Ora, vê se cala essa boca! – Derek — Sabe muito bem que fui eu quem se saiu bem nessa. – tomou um gole no bico da garrafa. — Mas que droga de amigo você, hein!

    — Fato, é fato! – o outro de mãos estendidas. — E ele está bem estampado na sua cara. – completou a provocação.

    — Ei! – chamou a atenção do rapaz atrás do balcão. — Dê mais volume! – pediu apontando para o rádio. — Qualquer coisa é melhor do que ouvir essa tua voz! – voltou-se novamente para Mark.

     Então, aos poucos dentro doe estabelecimento as vozes foram se calando e por fim, todos puderam ouvir sobre o ataque massivo que havia sido feito sobre a Polônia. Tanto a Alemanha quando a União Soviética haviam investido forças para tomar o país. Finalmente, Varsóvia, capital da Polônia, havia se rendido ainda no dia anterior.

    — Dane-se essa droga! – um grandalhão soltou atravessando o bar depois de acabar com sua bebida.

    Grande parte dos que estavam por lá o miraram.

    — Essa DROGA! – Mark falou chamando a atenção do rapaz que passou ás suas costas. — Pode muito bem vir a acontecer aqui! Na nossa casa.

    — Dane-se o que você acha também sobre isso! – o rapaz respondeu apontando o dedo em direção a Mark que de imediato pôs-se em pé.

    — Ei! – Derek tocou-lhe o ombro mostrando que não valia apena criar caso.

    — Isso mesmo! – o rapaz continuou. — Escute o teu amigo ou vai acabar ficando com o rosto igual ao dele! – advertiu.

    — Seu filho da mãe! – Mark então perdeu a paciência.

    Os dois embolaram-se entre socos e empurrões, Mark obviamente não daria conta do grandalhão sozinho e até mesmo o dono do estabelecimento pediu para que Derek intervisse naquele embate que, possível e provavelmente lhe daria algum prejuízo. Antes de obrigar-se a dar apoio ao amigo, Derek tomou o restante de sua bebida e no mesmo instante em que pôs-se ereto viu Mark ser projetado para fora do bar como se fosse um mero saco de lixo sobre a calçada. Indo de encontro ao rapaz, deu lhe um murro no estômago que a princípio não mostrou qualquer efeito e o soco no rosto pareceu apenas deixa o outro ainda mais irritado. No lado de fora, enquanto se recuperava, Mark era acudido por duas belas moças.

    — Mas que filho da... – Derek vendo em que se metera afinal de contas.

    — Vamos terminar logo com isso! – o outro a sua frente disse armando-se para uma nova investida.

    CONFIRA também - Meu querido Manequim
                                 Humanos
  • Entrevista com Jazi Almeida – autor de Two Sided

    1- Quais as maiores dificuldades que um mangaká nacional enfrenta?
    R- Então, creio eu que seja a “falta de tempo” por que temos que trabalhar, estudar, cuidar de casa e fazer o mangá em si. E isso tudo é muito corrido (pelo menos pra mim).
    2- Com novas editoras investindo em artistas e obras nacionais, podemos vislumbrar um cenário mais positivo?
    R- Sim! Creio eu que sim, o Brasil tá passando por uma nova fase digital no mundo dos quadrinhos, e com tantos concursos internos surgindo, tá na hora de botar a mão na massa e fazer valer.
    3- A crise editorial parece não ter afetado a publicação de mangás no país, vide o número maciço de novas publicações, logo, o brasileiro não está lendo tanto como deveria ou as editoras não estão sabendo investir de modo adequado?
    R- Com tantas obras surgindo, fica difícil acompanhar todas elas ao mesmo tempo, além de termos mangás de fora que acompanhamos, temos que lidar com os nossos e tudo isso vira uma bola de neve que as vezes nos perdemos e nem sabemos mais o que estamos lendo.
    4- Como a internet está te auxiliando na publicação de mangás?
    R- Ajudando muito o cenário brasileiro, tanto em divulgação quanto em levar o mangá a pessoas que nem sabiam da existência disso no Brasil, então a nossa maior arma é a internet em si.
    5- Nos fale um pouco sobre a trajetória de Jazi Almeida, quem é Jazi Almeida?
    R- (risos) Bom, eu sou um garoto/adulto simples, tenho 23 anos e sempre sonhei em ser um mangaká ou pelo menos um ajudante, desenho desde sempre, o estilo oriental sempre esteve presente na minha vida. E a quem diga que não sou fã de carteirinha de obras de fora, assim como apoio muito as nacionais. Sou natural do Ceará e atualmente resido em Goiânia.
    6- Os concursos parecem ser uma porta aberta para o sucesso, como você enxerga essa possibilidade?
    R- Sim eles estão aí para serem aproveitados, eu sempre gostei dessa ideia, inclusive participei de um ano passado, mas não era muita coisa. Não dei o melhor de mim, mas não façam isso, se forem participar, deem o melhor de si.
    7- Como você definiria Two Sided e qual personagem você se identifica mais?
    R- Como todos já sabem, Two-Sided é bem clichêZÃO, tem todo esse universo de lutas, espadas, amizades, poderes especiais. O personagem que mais de identifico é o protagonista o Yui, por ser uma pessoa nova num lugar novo, enfrentou e enfrenta muitas dificuldades, sem falar que ele tem um conflito interno ao qual não consegue se livrar e o melhor, uma facilidade pra fazer amigos. Ah! Eu amo ele!
    8- Você participa de eventos? Nos conte alguma experiência sobre eles?
    R- Bastante! MESMO! Mas não levo Two-Sided pra vender, eu vou pelos amigos e pelos cosplays (risos), atualmente to nesse hobbies e já foram quase 20 cosplays no currículo...
    9 – Qual a maior dificuldade na criação dos capítulos dos seus mangás?
    R-A única dificuldade é só a falta de tempo, se eu trabalhasse só no mangá, conseguiria lançar um por semana. Mas minha vida é muito corrida e sempre sobra pouco tempo pra arte.
    10 – Quais os seus projetos para o futuro?
    R –Eu vou encerrar essa primeira fase de Two-Sided e dar uma parada de 1 mês pra respeitar, foram quase 3 anos seguidos sem parar haha, e logo retorno com um One-Shot (ainda surpresa) para então retomar a parte 2 de Two-Sided. Para mais novidades se liguem na página do Estúdio Armon e na Action Hiken, lá tem todo conteúdo novo e prévias dos capítulos da galera. Obrigado e até mais!
  • Eternas aventuras de meninos

    O que torna um livro clássico universal? Faço minhas as palavras de Ariano Suassuna quando diz que o livro universal é tão singular que pode retratar a vida do homem em qualquer lugar do mundo. Por mais paradoxal que isso seja, quando lemos Tom Sawyer de Mark Twain, não é tão difícil ver aquele garoto da nossa rua ou da nossa escola, se envolvendo em confusões, que para ele, não passam de grandes aventuras.
                Mark Twain é um famoso escritor norte-americano. Nascido sob o nome de Samuel Langhorne Clemens em 1835, numa cidade as margens do rio Mississipi, teve uma infância humilde. Com muito bom-humor e vontade de viver, começou a escrever sobre a vida cotidiana, as paisagens e as pessoas de sua cidade. Quando se deu conta, já era um escritor aclamado pelo público e pela crítica estadunidense.
                Na obra mais famosa do autor, vemos a trajetória de Tom Sawyer, um vívido garoto da pequena cidade de São Petersburgo. O cotidiano de um garoto levado é rico em sentimentos e emoções. Um menino em sua infância é um herói, todos os dias reencarna uma epopeia, seja como um pirata, Robin Hood ou um caçador de tesouros. Seus medos e seus amores são palpáveis, pois são intensos, verdadeiros.
                O menino vive com sua tia amável Polly, seu meio-irmão, o astuto Sidney e sua irmã Mary. O dia a dia de Sawyer é o sonho de qualquer criança: poder andar a esmo pela cidade e seus arredores sem ser importunado ou correr perigo, brincar e se sentir o que são, crianças. Ele usufrui disso da melhor forma. Com irreverência e traquinagens, consegue transformar um castigo num favorável momento de negócios.
                Tom é um garoto inteligente, mas também sensível, vide o seu tratamento com Huckleberry Finn (personagem tão maravilhoso que protagonizará o seu próprio livro logo depois). O garoto selvagem, pária da pequena cidade interiorana. Filho de um alcóolatra, de comportamento agressivo e de famosa má educação. É com o segregado de São Petersburgo que ele viverá uma das maiores aventuras de sua vida, se tornando melhores amigos a partir daí.
                Os heróis também amam, e quando o percebem, já é tarde! Se apaixonar pela filha do juiz da cidade tem lá seus empecilhos e suas emoções. Se a beleza de Becky Thatcher não lhe tivesse capturado o coração, talvez ele não tivesse tomado “aquela” honrosa atitude. É com pequenos atos de amor que o menino conquista a sua amada. Nunca a entrega de uma maçã foi tão romântica, sem ser piegas.
                Para movimentar a trama, logo no início da obra, Tom Sawyer e seu amigo Huck Finn vão ao cemitério realizar uma cura a verrugas, com direito a gato morto e versos mágicos. Mas o que deveria ser uma noite de diversão, acabou se tornando uma noite de terror. Muff Potter e Índio Joe acompanham o doutor da cidade, que deseja resgatar o corpo de Willians Cavalão da cova e estudá-lo.
                Mas, algo dá errado o doutor acaba morto na confusão. Tom e Huck se tornam testemunhas de um terrível crime. Durante todo livro vemos de modo dramático, e também divertido, como os garotos tentam lidar com a situação e quais as consequências do crime na vida de Muff Potter e do terrível Índio Joe. Como clássico da literatura universal, deve ser lido, relido, trelido, comprado, emprestado e dado de presente.
  • Financiamento coletivo – 10º símbolo

    A internet democratizou a publicação e o acesso à cultura de modo geral. Esse é o seu lado mais positivo. Artistas independentes puderam se expressar. O Catarse, com a proposta de financiamento coletivo veio só a contribuir com isso. Possibilitou a capitação de recursos e a distribuição de muitas obras. Dentre as que estão em financiamento coletivo atualmente, apresento a vocês o mangá nacional 10º símbolo.
              No futuro, na segunda metade do século XXI, conflitos levaram a humanidade a viver em cenários pós-apocalípticos. Novas espécies surgiram. Genocídios varreram 3/4 da população mundial. Aumentando ainda mais as mazelas dos seres humanos, uma força externa subjugou o planeta. As sombras rastejam nas esquinas do caos. Ruínas de cidades inóspitas, é impossível distinguir amigo de inimigo.
              As lendas, antes esquecidas nas areias do tempo acabaram por reviver um sentimento que ninguém mais conhecia: a esperança. Os Clãs dos 10 Símbolos, guardiões-guerreiros que apreenderam a usar os poderes que emana da criação, ainda estão na Terra. Nessa jornada, vamos acompanhar o jovem guardião-guerreiro Jono-zo-el Rai-Ohei, Joe para os íntimos. Ele ainda desconhece seu potencial. Mas os seus inimigos sim.
              É um mangá de distopia, com fantasia e aventura na medida certa. O traço apresenta muita qualidade, bom trabalho de retículas e hachuras, sem contar o sombreamento impecável. O mangá lembra muito as obras oitentistas, uma bela homenagem a obras dos anos 80 como Hokuto no ken e Jojo Bizarre Adventure. O autor já declarou que a obra terá 60 páginas e será lançada como trilogia. Futuramente serão lançados spin-offs acrescentando mais elementos e desenvolvendo personagens da série.
              O financiamento coletivo vai durar até 17 de março de 2021. São dez recompensas diferentes, com preços muito acessíveis. Todas elas já com correio incluso. A campanha está na modalidade Flex, ou seja, independentemente do valor arrecadado, você receberá sua recompensa. São várias formas de pagamento, como boleto e cartão, e ainda você pode parcelar.
              O autor dessa magnífica obra é o Alexandre Soares Ribeiro, morador de Urubici -SC. O cara tem muito amor pelo que faz, já fazia seus primeiros rabiscos com três anos de idade. Graduado em comunicação, tem 10 anos de experiência voltada para propaganda e comunicação visual. Desde os vinte anos ilustra profissionalmente. Publicou seu primeiro fanzines com 16 anos de idade. Esse é o tipo de artista que me esforço em ajudar. Ajude como puder, inclusive, divulgando.
    Para mais informações, acesse:
  • Humanos - A Retomada (cap.1)

    humanos copia

          Por anos, foi discutida as reais chances de existir vida fora do nosso planeta. Os flagras registrados nunca nos pareceram o suficiente para que pudéssemos acreditar, de fato, na existência alienígena. Talvez, o que chamávamos de tecnologia, não apenas havia nos levado para um rumo diferente, mas também nos cegado, pois nos tornamos incapazes de discernir com clareza o que estava acontecendo a nossa volta. E junto com o passar dos séculos, como uma lenda que tornara-se apenas um leve sussurro, os rumores de vida alienígena foram sendo esquecidos, reduzidos a conto de fadas. Como é de nossa natureza, seguimos dissecando o planeta Terra, usufruindo de todos o seus recursos e sem que percebêssemos, ele estava próximo a dar seu último suspiro. Então, como muito havia se falado a dez vezes cem séculos atrás, eles surgiram.

         Os mais velhos contam velhas histórias sobre brechas que simplesmente abriram-se no ar e as figuras nasceram dali; pavorosas e estranhas, munidas de armas nunca antes vistas e determinadas com sua invasão. Sem que pudessem entender o que estava havendo, objetos com formas diversas surgiram no céu e desceram para dar início ao que alguns chamam hoje de Recolonização. Ouvi dizer também sobre a existência dos grupos extintos que uniram-se para impedir o avanço dos invasores, mas que não resistiram por muito tempo. Grupos esses, que até hoje especula-se ainda existirem, mas nunca passou de um mero boato... As tais Nações. “Fomos dominados!” Assim conta um senhor: “... Não houve escapatória!” Mulheres, homens, crianças, negros e brancos... Todos subjugados como animais e tomados como objeto. Hoje, o planeta Terra não passa de uma grande fazenda, onde nós, humanos, somos identificados por um carimbo micro localizador que nós é dado quando nascemos. Sem nome, somos reconhecidos como Servidores, vivendo em imensos pavilhões conhecidos como Estábulos e existindo única e exclusivamente para suprir as necessidades de nossos colonizadores.

          — Esse velho sempre com essa conversa! – disse o rapaz na fila ao meu lado esquerdo esperando para receber sua higienização. — Nações, diz ele! – soltou um suspiro menosprezando o assunto. — Provavelmente essa coisa nunca existiu! Quem já ouviu falar disso?!

          — Pois, está enganado! – defendeu-se o senhor. — Elas existiram e foram a nossa última chance! – deu uma breve pausa. — E talvez ainda sejam...

         — Acho que está trabalhando demais nos campos, velho! – o outro ainda zombando jogou contra ouvindo a risada contida dos demais. — Eu nasci Servidor, assim como meus pais e meus avós e assim sempre foi até antes deles. – breve pausa. — Isso tudo o que você diz é coisa de sua cabeça... Devaneios por causa da idade! – finalizou antes de adiantar-se e entrar na câmara transparente que logo foi preenchida por vapor onde ele desapareceu.

          Por um instante eu fiquei vago, longe, então ouviu o velho dirigir-se a mim novamente perguntando, na verdade quase afirmando que eu concordava com o Servido que ainda banhava-se na cabine. Eu dei de ombros. A verdade é que para mim pouco importava o que havia acontecido séculos atrás. A única coisa que realmente havia de importante estava a minha frente, meu filho, o que restara de minha falecida companheira.

          — Bons tempos deviam ser aqueles. – o senhor soltou esperando que a câmara a sua frente também abrisse. — Bons tempos. – repetiu. — Já imaginou você poder ter um nome, filho? – agora falava com meu garoto que o olhava curioso. — Maravilhosos, não? – sorriu e então entrou no lavabo a sua frente e também sumiu nu no vapor.

          Meu filho, intrigado com a conversa do senhor questionou-me se aqueles fatos seriam realmente verdade. Os demais, calados, esperando também por sua vez, faziam-se passivos à conversa, mas atentos à resposta. Eu respondi que se aquilo realmente aconteceu, já não faria diferença, e que o que importava de verdade é que estávamos juntos e nada mudaria isso. Dito isso, a passagem abriu-se para que fizéssemos também a nossa higienização.

    “Essa madrugada acordei de um pesadelo. Havia fogo e sangue. Não entendi exatamente o que estava acontecendo, mas fiquei aliviado por ter sido apenas um sonho. Acho que as conversas daquele velho Servidor estão me afetando mais do que eu poderia ter imaginado. Preciso me acalma!. Não seria nada bom que meu filho me visse desse jeito. Sou tudo o que ele tem e não posso me deixar levar por histórias sem fundamento.”

          Antes que a corneta desse seu primeiro toque, eu já estava acordado. Meu filho dormia tranquilamente, mas já era hora de ir para os campos. Como percebi que ele não acordou resolvi despertá-lo antes que viessem intervir. Aos poucos foi abrindo os olhos, mas precisei apressá-lo, pois, ouvi passos se aproximando. Logo em seguida surgiu um Feitor, tão obscuro quanto qualquer outro.

          Por serem responsáveis por nossa vigilância, nós os chamamos de Capatazes e desde que me lembro, não houve se quer, um só Servidor que  conseguiu escapar de sua atenção. Todos os que tentaram coloca-los à prova, não voltaram para o Estábulo.

          Esse, agora em frente a nossa tenda, possuía, como a maioria deles, o rosto animalesco, negro e encoberto por uma espécie de elmo. Trazia com sigo, também, um bastão o qual apontou para dentro de nossa tenta. Rapidamente puxei meu filho para perto de mim e o vigilante manteve-se ereto observando o nosso dormitório. Tive certeza de que não era só apenas impressão minha, ele estava a procura de alguém. Então, repentinamente ele afastou-se e seguiu em frente. Respirei aliviado, e surpreso, percebi que meu filho parecia absurdamente tranquilo.

          — Todo bem? – perguntei buscando uma reação dele, mas nada me disse.

          Logo, ouvimos claramente junto com a confusão que cresceu instantaneamente os berros de um grande número de Servidores. “Coletores! Coletores!”. Meu filho, então, deixou transparecer seu desespero abraçando-se em mim com força. A nossa frente, surgiu como um fantasma pálido envolto por seu manto ainda mais branco, um Coletor e suas Lentes.

          — Não são pra você! – lhe garanti. — Não são! – eu repeti, mas dessa vez para que eu mesmo acreditasse.

          Levei meu filho para o fundo da tenda e o encobri novamente e me sentei o mantendo seguro junto a mim, mas isso não impediu que ele ouvisse os gritos, berros de uma Servidora que, em desespero, não conseguia impedir que levassem sua filha. Seu companheiro, tentando interferir, acabou sendo contido violentamente pelas Lentes.

          — Não são pra você! – voltei a dizer para meu filho. — Não vieram por sua causa. – tentei acalmá-lo.

          — Mas eles virão! – ele respondeu tremendo.

          — Não! Não irão... Só tenho você! – expliquei.

         O sistema de controle populacional é o que garante a ordem nos Estábulos. Quando um casal alcança o numero dois de Servidores-filhos, o mais velho é retirado deles. Eu mesmo quando era garoto, presenciei o momento em que vieram buscar meu irmão mais velho. E assim como meus pais, optei, junto com minha falecida companheira, que evitaríamos ter mais do que um Servidor. Nunca me perguntei para onde são levados. A verdade é sempre evitei especular essa pergunta, muitos de nós sabe que ela tira o sono. “Mas e se vierem?”. Meu filho ainda insistiu. A verdade é que me vi engasgado ao aceitar aquela ideia, mas a verdade era uma só. Eu mataria quem tentasse.

    Confira também.... Meu querido Manequim!
  • Janela

    Há pelo menos uma coisa que todos os humanos, sem distinções, fazem com frequência: dormir. Isso é algo bom, saudável e almejado, principalmente depois de um dia longo de trabalho. Entretanto, tudo isso tem um problema. Afinal, como saber como é não estar dormindo?
    A maioria das pessoas acredita saber quando está acordada por simplesmente terem nascido sabendo. Há aqueles que acreditam inclusive que conseguem controlar o sonho, então, se não podem controlar outra realidade, logo não é um sonho. Entretanto, não pode ser possível que a pessoa esteja em um sono tão pesado que ela simplesmente tenha perdido o controle sobre o seu subconsciente?
    João não pensava muito nessas possibilidades. É claro, já estava dormindo menos de três horas pelo quarto dia seguido quando finalmente terminou o seu projeto para a faculdade, então não pensava em muitas coisas fora isso. Não se lembrava ao certo de como acordou, se passou desodorante ou se escovou os dentes, mas isso era normal já que essas eram somente partes corriqueiras do dia e não estavam incluídas na ação do cotidiano. Uma ação que era monótona, mas que movimentava intensamente os seus sentimentos e causava tanta agonia em certos momentos que chegava a se assemelhar a um pesadelo.
    Assim que enviou o arquivo com o seu trabalho para o e-mail do professor, foi dormir. Não queria pensar em mais nada por umas doze horas seguidas e, por isso, somente se jogou na cama, se cobriu com um cobertor que não estava cheirando tão bem e fechou os olhos. Não precisou se dar ao trabalho nem de relaxar os músculos ou ficar pensando em algo para pegar no sono, simplesmente dormiu.
    Quando acordou, não se lembrava de ter sonhado algo. Tudo ao seu redor estava escuro, mas estava sonolento demais para se importar. Ele estava se sentindo bem mais relaxado e totalmente renovado, embora ainda sentisse a preguiça de ter acabado de acordar. No momento exato em que se levantou, todas as luzes acenderam. Não estava mais no quarto em que foi dormir, mas em uma cabine com paredes totalmente brancas. Não havia portas ou janelas, somente as quatro paredes que o confinavam em um espaço minúsculo. A sua respiração se encurtou com o medo e começou a pensar rapidamente nas possibilidades da causa de estar onde estava. Pensou desde abdução até um teste ilegal do governo e só depois disso pensou na possibilidade de ser um sonho. Essa era a resposta, tinha que ser isso. Mas, ao pensar mais um pouco, não parecia ser um sonho. Afinal, tudo parecia real demais, tanto que sentia a textura lisa e macia das paredes ao tocá-las.
    Não conseguia entender nada com total certeza e isso o frustrava. Com os olhos cheios de lágrimas que se recusavam a descer, ficou rodando o minúsculo lugar em que se encontrava para tentar solucionar o maldito quebra-cabeças em que estava. Quanto mais rodava, mais se esquecia dos detalhes daquela realidade que julgava ser a real. Toda a sua família, embora conseguisse ver com clareza o rosto de todos, parecia ser uma lembrança distante e quase tudo que pensava saber sobre eles não parecia totalmente certo. Sobre o seu irmão mais novo, por exemplo, ele se lembrava de ter ido na formatura dele da faculdade, mas agora, por algum motivo, sentia que ele era muito mais novo do que isso. Por não saber mais se poderia confiar na sua memória, a raiva gerada pela frustração começava a aflorar.
    No momento em que pensou que não sabia mais quem era, percebeu que o eu dessa realidade também não se lembrava de muitas coisas. Isso não era muito animador já que podia haver diversos motivos para ter tido perda de memória e aquilo ter sido o subconsciente tentando lembrá-lo de algo por meio de um sonho. Mas, de algum modo sútil, indicava que não podia confiar em nenhuma das duas realidades já que ambas podiam ser verdadeiras, nenhuma delas ou somente uma delas.
    O único jeito de saber no que confiar era testando a realidade em que estava. Não podia saber se o primeiro cenário era real porque agora só estava em suas memórias, mas ele estava no segundo cenário. Buscou em sua mente todas as lembranças sobre coisas que falaram de sonhos, embora não conseguisse saber nem quando, onde ou quem havia dito essas coisas. Lembrou-se de diversas coisas e por elas sabia que era difícil ler em sonhos por tudo estar embaçado e mudar de repente, que normalmente se sonha com locais conhecidos, e que, quando se percebe que está sonhando, é fácil de controlar o que acontece a sua volta. Infelizmente, só restava a última possibilidade já que não tinha nada para ler e com certeza não conhecia o local em que estava.
    Decidiu sentar em cima dos seus joelhos porque sabia que essa era uma das posições de meditação e com certeza iria necessitar da máxima concentração possível nessa hora. Fechou os olhos e imaginou aquelas paredes brancas explodindo e uma ilha paradisíaca surgindo a sua volta. Abriu os olhos estando mais calmo e relaxado. Quando terminou, a decepção caiu sobre a sua mente uma vez que tudo estava exatamente igual. Tentou repetir todo o processo e de diversas maneiras: olhos abertos, em pé, deitado e em mais umas outras dez posições. Nada. Absolutamente nada. Tentou também mudar a realidade dentro do quarto branco ao imaginar objetos e diversos possíveis superpoderes que queria ter. O máximo que conseguiu foi se sentir como uma criança de oito anos após assistir ao x-men e acreditar que talvez também pudesse ser um mutante.
    Todas as tentativas o deixaram exauridos mentalmente e sentimentalmente. A combinação gerou a raiva e essa fez ele começar a esmurrar as paredes com total ferocidade. Depois de uns vinte minutos socando o chão, o teto e cada uma das quatro paredes, atingiu um local que não havia nem encostado até aquele momento. Seria na altura de um interruptor e longe o suficiente da quina formada no encontro das duas paredes para que fosse construída uma porta se essas coisas existissem no quarto.
    No exato momento que atingiu esse suposto interruptor, uma das paredes começou a se levantar. João correu até ela pensando que podia ser uma saída. Entretanto viu que se tratava de um vidro cuja espessura não conseguia identificar. Assim que a parede parou de subir ao atingir o teto, uma vista surgiu através do vidro. Nunca tinha visto uma imagem como aquela. Estava na beira de um penhasco num dia ensolarado, talvez no meio da manhã, e de lá via um rio que vinha atrás de onde aquele quarto branco estava, passando distante o suficiente à sua direita para não simbolizar um perigo. Descia o penhasco em uma alta cachoeira e lá embaixo se tornava uma rápida corredeira até que entrava em uma floresta como um rio calmo e de correnteza não tão forte. Essa floresta não era muito densa, sendo composta principalmente por pinheiros. No fim de um mar verde de árvores, havia uma cordilheira de montanhas com um tom levemente azulado e com neve no topo da maioria delas.
    Ficou admirando aquela paisagem durante alguns minutos. Era extremamente reconfortante enxergar aquilo tudo depois de passar sabe-se lá quanto tempo somente vendo a cor branca. Depois de se acalmar, começou a encostar em cada parte do quarto em busca de algum outro botão. Afinal, se existia uma janela poderia existir uma porta. Provavelmente horas se passaram, mas a única coisa que conseguiu foi o fracasso. Deve ter percorrido todo o quarto umas cinco vezes antes de desistir sem achar nada.
    Após desistir, ficou muito tempo sentado na extremidade oposta a janela encarando a paisagem. Novas questões começaram a atormentar a sua mente: será que isso é mesmo uma janela? Não pode ser uma televisão? Essa seria a saída? Se fosse um sonho, durante a queda ele acordaria? Se não acordasse e morresse no sonho, morreria na sua outra vida? E se essa fosse a realidade, acabaria por se suicidar sem querer? A cada nova pergunta e possibilidade que surgia, abaixava a cabeça e colocava as mãos nos ouvidos os pressionando. Sentia o tormento de ter que tomar uma decisão importante. Então, esperaria para tentar recuperar pelo menos mais um pouco da memória e achar uma outra saída ou se jogaria contra o vidro esperando não se machucar e essa ser a solução para todo o seu tormento?
    Hesitava em tomar uma decisão. Sabia que não tinha como voltar atrás no momento em que pensou nas possiblidades que tinha. Nesse exato instante, soube que a sua mente iria atormentá-lo com as possibilidades que tinha de maneira eterna, principalmente se tomasse a decisão mais errada. E é claro que ele também sabia que não tomar uma decisão também seria somente a escolha de uma possibilidade. Não havia nenhuma chance de escapar disso, pelo menos não depois de ter pensado.
    Infelizmente, quando se tem que escolher por um caminho, não é possível ver o seu interior e também não é possível retornar. Também não se pensa muito no ter que escolher, se focando nos caminhos mais atraentes a sua frente. Talvez seja por isso que João não percebeu que ficou somente encarando aquele vidro e, por um longo tempo, escolheu involuntariamente ficar parado enquanto se perdia em seus pensamentos.
    No meio da bagunça da sua mente, encontrou uma trilha que o levou a uma afirmação. Ele percebeu que não valia a pena ficar parado em sua prisão sem fazer nada e que talvez ir na direção da morte valeria mais a pena do que viver muito em um cárcere agoniante. Embora nem sempre fosse assim, nessa situação tinha convicção de que o risco valia muito mais que a certeza. Por isso, se levantou lentamente e, assim que terminou de ficar em pé, gritou o mais alto que pôde para afastar os seus demônios. Se sentiu mais aliviado e gritou uma segunda vez, mas nessa começou a correr o mais rápido que pode. Atingiu o vidro com o máximo de sua força e usou o ombro como ponta de lança. Cacos de vidro se espalharam para todos os lados e começaram a cair de uma altura gigantesca junto com o corpo de João. Ele sentia o vento frio que entrava em contato com a sua pele quente e a sensação de liberdade que isso criava o fazia crer que podia voar, embora caísse em uma velocidade extremamente alta. Via rapidamente diversas partes da paisagem, tendo rápidas visões do verde da floresta e da queda d’água que estava ao seu lado. Talvez por ter simplesmente se livrado do peso de ter que tomar a decisão ou por algum outro motivo que ele nem sequer entendia, João gritava ao mesmo tempo em que tentava esboçar um sorriso. Com certeza estava feliz nos últimos segundos antes de acordar.
    Abriu os seus olhos lentamente, ainda confuso com tudo o que estava acontecendo. Só conseguia ver luzes e paredes brancas, o deixando com o coração acelerado. Os seus movimentos estavam limitados, mas não entendia o porquê disso. Ouvia vozes que pareciam estar muito distantes e que foram lentamente se aproximando. Depois de um tempo, conseguiu ver uma imagem ainda um pouco desfocada que conseguiu identificar como um médico.
    Aos poucos conforme os seus sentidos melhoravam, as notícias começaram a ser dadas. Depois de umas duas horas que havia enviado o trabalho, o professor havia respondido com as diversas mudanças necessárias. João foi acordado com o aviso do computador de recebimento de e-mail e, como o prazo era curto, resolveu acordar, ir até alguma loja que estivesse aberta e comprar energético, café e qualquer outra coisa que o deixasse acordado. Ele foi de carro, pois a única loja aberta durante a madrugada era a de um posto de gasolina que ficava muito distante. No fim, bastou uma batida para deixá-lo em coma por cinco anos e meio.
    Era difícil não deixar de pensar que podia ter saído do coma a qualquer momento desde que aquela janela apareceu. É claro que ele não tinha total certeza da relação entre as duas coisas já que pode ter tido muitos sonhos e esse ter sido somente um deles, mas os seus instintos tinham a certeza. Talvez muito tempo pudesse não ter sido desperdiçado e o seu corpo não definhado tanto se tivesse feito uma outra escolha. Ele não sabia na época que às vezes o tempo não tinha tempo para se ficar pensando nas escolhas.
  • Jornada a Herudish

    Julian levantou-se um pouco mais cedo que o comum. O segundo ciclo solar ainda estava para se iniciar. Olhou para dentro do quarto uma última vez antes de se preparar para sair.
    Embora, ainda uma criança, sabia se cuidar muito bem e conhecia bem a floresta de Kurd, na qual sempre saia para caçar e coletar seus alimentos que suas árvores lhe proviam.
    Porém, hoje era um dia diferente. Julian iria fazer uma caminhada até o templo no monte Herudish.
    Tinha um objetivo em mente. Enfrentaria o frio intenso que fazia no topo do monte. Apanhou uma pequena caixa de madeira talhada com pequenas inscrições, checou seu interior e a guardou no bolso de sua jaqueta violeta, a jaqueta possuía inscrições que eram bem semelhantes com as que estavam na pequena caixa de madeira.
    Colocou a mochila nas costas, que já havia a preparado na noite anterior. Julian a equipou com alguns mantimentos, um pequeno cristal pirofórico vermelho, uma grande ampola para armazenar água ainda fazia, que encheria assim que começasse a caminhada, e vestimentas grossas, embora o clima estivesse agradável, Julian sabia que o frio no monte Herudish era castigador a qualquer um.
    Ao chegar na porta de sua casa, pôs sua mão esquerda sobre seu pequeno cristal invocador branco. Fechou os olhos, respirou profundamente, então os abriu e começou a seguir pela pequena escadaria de pedras, e então entrou na floresta por um caminho estreito.
    No caminho, apanhou algumas lêmbiras, frutas de cor azulada e bem doces, comeria uma agora e uma depois, precisa ter ao menos duas, uma para a oferenda no templo e uma para comer na volta.
    Algumas horas se passaram, e o segundo ciclo solar já estava bem iniciado. Chegou a um pequeno rio de águas cristalinas. Descansou e encheu sua ampola, percebeu que apesar do segundo ciclo solar iniciado, o ar já estava esfriando, era sinal de que já estava a uma boa altura, no monte Herudish, vestiu um casaco mais resistente ao frio e retomou a caminhada, que a essa altura já era uma caminha íngreme.
    Mais algumas horas de caminhada, a neve já estava cobrindo seus pés a cada passo. Seu cristal pirofórico estava agora, pendurado junto com seu cristal invocador em seu pescoço.
    Logo, Julian chegou a passagem que o levava por dentro de uma grande rocha. Porém, a passagem estava bloqueada, uma grande quantidade de neve havia deslizado junto com arvores mortas e fechado a passagem. Usar um cristal pirofórico seria uma boa ideia para derreter a neve que o impedia de passar, entretanto, o cristal que Julian carregava, não possuía calor o suficiente para derreter aquela enorme quantidade de gelo. Julian conhecia outra passagem, porém, era muito perigosa, vários acidentes haviam acontecido ali, mas tinha que seguir em frente. Havia prometido à si mesmo que o faria, e à Maria também. Maria.
    Fez então um desvio por entre as árvores secas e sem folhas, chegou ao paredão, o paredão responsável por diversa mortes. O paredão era virado para uma queda imensa, dando apenas um estreito caminho para quem se atrevesse a atravessar, qualquer escorregão, seria fatal. Antes de prosseguir, Julian abriu sua mochila e apanhou a ampola de água, que agora estava congelada. Retirou o cristal pirofórico e aqueceu a água que logo derreteu e Julian pôde solver um gole, recolocou o cristal em seu colar, e ao pôr a ampola no fundo da mochila, um forte vento gélido castigou a grande parede.
    Julian se assustou e logo colocou-se de pé, tinha que seguir em frente, colocou-se frente a frente com a grande parede se segurando firmemente em frestas que nela haviam. A passos lentos e cuidadosos, Julian seguiu lentamente, com o vento gélido ainda a castigar a parede.
    Ofegante e tomado por um grande medo, ele se manteve forte. Quando se aproximando do outro lado da parede, Julian de repente escorregou seu pé esquerdo, e de súbito se agarrou firmemente as frestas. Respirou fundo e continuou tremendo não só de frio mas também de medo.
    Mantendo seu objetivo em mente, ele foi lentamente e finalmente chegou ao outro lado da parede agora aliviado.
    Restava apenas escalar uma parede para seguir por um caminho e chegar a estrada que leva ao templo. Agarrou-se as raízes de árvores que desciam pela parede, porém quando próximo do topo da parede uma das raízes se rompeu e Julian caiu. Ao cair no solo, deslizou para a borda da imensa queda, entretanto, umas das lêmbiras e seus demais mantimentos, com exceção da ampola de água, haviam saído da mochila que estava aberta, pois Julian se distraiu com o vento gélido antes de começar sua travessia e não a fechou.
    Logo pensou, que com uma lêmbiras a menos, teria que fazer a oferenda no templo, mas não teria o que comer durante a volta. Ele se levantou, se recompôs e recomeçou a escalada. Dessa vez, já no topo da parede, ele então seguia pelo caminho que irá de encontro com estrada que o levaria até o templo.
    A essa altura, após muito frio, cansaço, Julian estava exausto. Ao caminhar pela estrada, ele podia ver o templo, feito de pedras escuras e ornamentado com cristais de diversos tipos de cores.
    Nada naquela paisagem, era atraente, exceto pela beleza do templo. Ao chegar na porta do templo, uma senhora de idade bem avançada veio até ele, a sacerdotisa era pouco vista, Julian nem sabia ao menos se a veria.
    Frente a frente a ela, elea disse:
    -Olá. Eu vim fazer uma oferenda no altar, senhora.
    -Ó, sim, meu jovem. Entre. Deve estar com muito frio e cansado. Mas ao entrar, estará bem melhor.
             Quando Julian entrou no templo, percebeu que o clima dentro do mesmo, era agradável, e quente, o frio não entrava ali, logo imaginou que seria resultado do efeito dos diversos cristais pirofóricos espalhados nas paredes do templo durante sua construção.
             Retirou suas vestimentas para o frio, retirou a lêmbira restante de sua mochila. Estava cansado e faminto, porém, aquilo era uma oferenda, e ele teria que se manter firme contra a fome. Ao ver o recém chegado levando a lêmbira, ficou maravilhada e expressou seu contentamento:
    -Ah, uma lêmbira. Uma ótima oferenda, jovem. Basta se dirigir ao altar e colocar sobre ele. Se a Senhora dos cristais a aceitar, os portões adiante se abrirão para você.
             Julian então chegou ao altar, colocou a lêmbira sobre o mesmo. Afastou-se e fechou os olhos, ajoelhou-se e ergueu suas mãos para o alto. Passou-se alguns instantes e então a lêmbira começou a esvanecer em pequenos pontos de luz. Logo, os portões atrás do altar começaram a se abrir. Julian se ergueu e começou a ir em direção ao novo lugar agora revelado. Ao passar pelos portões, ele se perdeu, pois parecia não estava mais no templo. Estava em lugar ao céu aberto, com o ciclo solar em pleno esplendor, com árvores de diversos tipos e folhas, animais sortidos, e em sua frente, uma árvore em frente a um lago. Julian retirou sua caixinha de madeira, e a abriu, revelando um pequeno cristal invocador verde. O cristal invocador de Maria. Como ele gostaria que ela estivesse ali com ela. Sentiu uma tristeza profunda por não estar em sua companhia.
             Ele pôs a caixinha de madeira com o cristal invocador verde em seu interior, sobre a água do lago. E então a empurrou lentamente para que ela chegasse o mais longe possível da margem do lago. E Julian então recitou em voz ala:
    -Senhora dos cristais. Receba de volta esse cristal invocador que de suas profundas cavernas lhe foi retirado.
             Ao terminar su recital, a pequena caixa de madeira, agora mais afastada da margem, afundou no lago. Em seguida, uma luz de tons esverdeados emergiu do lago e subiu em direção aos céus e lá se desfez. Julian, ao ver que seu objetivo fora cumprido, sentou sobre a raiz da árvore ao lado. Ficara observando aquela bela paisagem, imaginando como Maria gostaria de presenciar aquilo. O ocou seu cristal invocador em seu colar. Uma pequena luz violeta emanou de seu cristal, e uma forte fonte de luz cor violeta surgiu ao seu lado, logo essa luz tomou uma forma de um animal quadrúpede de porte médio, com uma cauda ligeiramente alongada e orelhas pontudas e pelugem violeta e branca. O animal se acomodou ao lado de Julian.
             Julian o acariciou, e disse ao seu amigo:
    -Está feito. Fiz o que tinha que ser feito, infelizmente, sem ela.
    -Ela entenderia, Julian. Não é sua culpa, mas era algo que nós saberíamos que podia acontecer.
    -Eu sei, porém é difícil de aceitar.
    - Bom, ela adoraria estar aqui com você. E adoraria que não ficasse assim e que voltasse pra casa, sem olhar para trás e se entristecer.
             O ser invocado, retornou ao colar de Julian, na mesma forma de luz violeta de antes. Julian se levantou, encheu sua ampola com água novamente e ao tomar o caminho de volta pelo portão que usou para chegar até esse lugar, viu uma bela árvore com frutos rosados, mariescos, e que pareciam bem apetitosos, talvez mais ainda por conta da fome que sentia. Apanhou algumas frutas e seguiu de volta ao templo. Atravessou a passagem, que o poder de levar alguém até aquele santuário a céu aberto ainda lhe era desconhecido, e apanhou sua mochila e se vestiu com suas roupas para o frio. A sacerdotisa se aproximou e lhe perguntou:
    - É uma paisagem e tanto não acha?
    - É sim, senhora. Onde fica?
    - Não se sabe ao certo. Dizia-se que era acessível a caminhos comuns, porém, caminhos comuns que levasse até o santuário nunca foram encontrados. Podem ser apenas lendas.
    - Espero poder ir lá outra vez. Pois é bem agradável.
    - Sim, volte quando quiser, mas lembre-se sempre de trazer uma oferenda à Senhora dos cristais. Já que está seguindo seu caminho de volta, quero saber se precisa de algo, algo que precise para a viagem de volta.
    - Bom, a passagem sob a rocha está bloqueada por neve e árvores mortas. Deslizamento. Eu tenho um cristal pirofórico, mas seu poder não seria forte o suficiente para derreter todo aquele gelo. Eu precisaria de algum cristal mais forte para isso.
    - Ora, leve um cristal do templo.
    A sacerdotisa se dirigiu até um grande mostruário de cristais ao lado do altar e de lá trouxe um cristal pirofórico igual ao de Julian, porém, maior e mais quente.
    - Leve este com você, e use-o para liberar a passagem novamente.
    - Muito obrigado, senhora. Agradeço pela ajuda.
    Julian então guardou o novo cristal em uma pequena bolsa de couro, com pequenos cristais cinza entalhado nela. Ele se despediu da velha sacerdotisa e seguiu caminho pela estrada para casa. Parou para descansar um pouco algumas vez e logo chegou a passagem bloqueada pelo deslizamento.
    Retirou da mochila a pequena bolsa, recitou algumas palavras mágicas e o cristal se ativou, grandes labaredas emergiram de súbito do cristal, mas sem ferir Julian, as labaredas então se dirigiram rapidamente a passagem, derretendo o gelo e queimando as velhas árvores que também o impediam de passar, as labaredas aumentaram de tamanho e assim que o gelo se fora, o fogo também se extinguiu, uma nuvem de vapor subiu da passagem, e o cristal que estava sobre a mão de Julian, estava agora, frio e cinza, não representado perigo algum. Julian o guardou e retomou a caminhada.
    Depois de longas horas, agora em um clima muito mais agradável que o do monte Herudish, Julian estava caminhando na floresta, ouvindo aves a cantar por ali, o vento agora era confortante e não mais ameaçador. Folhas azuis, verdes e vermelhas no chão sob seus pés, era um tapete tricolor, a paisagem em volta era de alegrar os olhos mais sensíveis às core vibrantes daquele paraíso.
    Parou diante a pequena escadaria de pedras em frente à sua casa. Respirou profundo. Maria estava em sua mente. Hesitou em dar mais um passo, mas tomou coragem e começou a subir lentamente. Quando na metade do caminho, Julian levantou seu olhar para a porta de sua casa, e então, seus olhos se encheram de lágrimas, porém de felicidade, e não de perda.
    Maria estava o olhando, com a expressão de menina que o deixava bobo, talvez pelo fato de ela ainda ser uma. Ela o olhava da porta de sua casa, com seu vestido amarelo com fitas azuis na cintura. Ela o olhava com serenidade e com um sorriso que respondia ao sorriso de Julian. Ele então começou a subir correndo em direção a Maria, e ela a fazer o mesmo, terminado aquela corrida em um longo abraço apertado e duradouro.
    O segundo ciclo solar estava se encerrando, as luas Dvergi e Roh já estavam no céu, do lado geometricamente oposto da estrela do segundo clico solar, Arfoss, que logo se juntaria as suas demais companheiras estrelas, que estarão em harmonia, por receber sua amiga Arfoss, na escuridão do espaço. E não só as estrelas haviam recebido uma visita aquele dia. Os cristais haviam recebido uma visita de um velho amigo, e o recebido pela própria senhoras dos cristais. O cristal invocador esverdeado que Julian a devolveu mais cedo. O cristal que fora de Maria.
  • Jornada do Herói - Monomito

    Gostaria de compartilhar com companheiros candidatos a autores algumas notas que utilizo na minha própria criação de histórias. Aqui será a primeira parte, sobre o Monomito, uma espécie de roteiro chefe que guia as principais e mais bem sucedidas narrativas que conhecemos. Adianto que podem haver leves spoilers de One Piece, Naruto, Harry Potter, Star Wars (trilogia clássica) e algumas características de outras histórias como As Crônicas de Nárnia, O Senhor dos Anéis, Demon Slayer e Dragon Ball. Utilizarei essas histórias como exemplos. Resumindo bem:

    O antropólogo Joseph Campbell identificou, a partir de um padrão narrativo percebido em lendas, mitos e histórias clássicas e/ou de sucesso, um modelo padrão de estrutura de história. Em outras palavras, para simplificar, é um passo a passo que pode ser seguido por autores que queiram contar histórias, especialmente de ficção, que sejam naturalmente atraentes ao público. Diria mais, é muito difícil uma história prosperar sem levar em consideração ao menos um terço dos passos. Trata-se do Monomito, também conhecido como A Jornada do Herói. Existem algumas variações, com mais ou menos etapas, mas todas elas tendem a um padrão de três fases. Seriam essas as fases e etapas: 

    1- Partida, Separação: compreende a primeira fase, que vai desde a escolha de um indivíduo do mundo comum para ser o herói, seja essa escolha do destino ou de alguém consciente, até o início da aventura em si. 
    1.1 - Mundo Cotidiano: aqui é a construção da empatia. O protagonista, ainda uma pessoa comum, apresenta características humanas que levem o leitor a se identificar com ele. Por isso, é recomendado que o mocinho (ainda não herói) seja uma pessoa com qualidades e defeitos comuns, incertezas e fraquezas. Frodo, Harry Potter, Naruto, Luke... todos eles já foram crianças ou adolescentes simples e até mesmo passíveis de bullying. Aqui também há a apresentação do mundo, sendo ele semelhante ao mundo real (aumentando ainda mais a empatia do leitor) ou um mundo diferente, fantasioso ou em época e lugar remotos (apresentando ao leitor as premissas da história). Caso o autor escolha a opção de um mundo diferente da realidade do leitor, isso exige mais habilidade descritiva, para que facilite o processo imaginativo dele.
    1.2 - Chamado a Aventura: este é o ponto de mudança, quando o protagonista é confrontado com um problema que deve solucionar. Pode ser o Mentor (mestre, sábio, eremita ou afins) que o chame para resolver um problema ou mesmo um acontecimento problemático ou ameaça que se suceda ao protagonista, aos seus entes queridos ou a seu mundo amado. A carta de Hogwarts, Gandalf chamando Frodo ou Bilbo para uma aventura, Bulma mostra as Dragon Ball a Goku. Aqui é necessário convencer o leitor de que é necessário agir, mesmo que o problema exija alguém com mais habilidades ou capacidade do que ele.
    1.3 - Recusa do Chamado ou Reticência do Herói: o protagonista se recusa a agir para resolver o problema ou impedí-lo, geralmente por medo, por se considerar fraco demais ou por apego ao mundo cotidiano citado anteriormente. Ele se considera uma pessoa comum, se pergunta por que ele e não outra pessoa precisa fazê-lo. Eis o principal motivo de o mocinho ter sido apresentado no primeiro passo como uma pessoa fraca e com incertezas. Todo protagonista passa por isso, seja em um parágrafo apenas, seja em um arco inteiro.
    1.4 - Ajuda Sobrenatural ou Encontro com o Mentor: se o mentor apareceu na 1.2, aqui ele se apresenta melhor. Se não, aqui ele aparece. Kakashi/Jiraiya, Gandalf, Mestre Kame. Recomenda-se que ele seja experiente e sábio (Dumbledore, Obi Wan Kenobi, Jiraiya, Gandalf, Mestre Kame), ainda que de início ele possa se mostrar como alguém comum (Gandalf), bronco (Obi Wan) ou um personagem cômico (Kakashi, Mestre Kame, Jiraiya). O mentor, nessa parte, se oferece ou aceita treinar o mocinho para se tornar herói. O aprendizado aqui não é completo, mas deve dar toda a base necessária para a jornada, tanto em relação a habilidades úteis como a treinamento moral, intelectual e/ou espiritual. O autor precisa ser mais sábio do que o protagonista da história e, com isso, tentar ensinar ao leitor algo novo. O mentor é, muitas vezes, mais carismático do que o protagonista, já que não precisa demonstrar fraquezas, e pode ser retratado como alguém admirável. Na verdade isso é altamente recomendável. 
    1.5 - Travessia/Cruzamento do Primeiro Portal/Limiar: o agora herói abandona o mundo comum para entrar no mundo mágico (Hogwarts, Sereitei, Narnia) ou na aventura (busca das esferas, atravessar meio mundo com um anel). Note que, nem sempre ele entra em um mundo de fato, fisicamente, mas as vezes ele simplesmente sai do interior para a cidade grande, ou sai da cidade para a floresta, qualquer coisa do tipo que o tire do cotidiano. Aqui há a descrição de uma nova realidade, antes desconhecida do herói e do leitor. Habilidades descritivas necessárias. 
    1.6 - Barriga da Baleia ou Provações, Aliados e Inimigos: essa parte é o decorrer da história. O herói encontra novos aliados, personagens diferentes, inimigos e enfrenta seu novo cotidiano, recheado de enfrentamentos. Ele demonstra as habiliades e a nova personalidade, aprendidas com o mentor, e começa a compreender melhor os ensinamentos que recebeu, quando vence desafios usando os conhecimentos que adquiriu na parte 1.4. A dica é que, quanto aos personagens que se apresentam aqui, uma boa variedade e alguma profundidade deles seria interessante. Muitas vezes são formados times, em geral com dois ou três homens e uma mulher, talvez duas, por algum motivo. Em algumas histórias o time se forma automaticamente (Naruto) ou casualmente de forma rápida (Harry Potter, Nárnia, Senhor dos Anéis), de forma mais demorada (Demon Slayer, Star Wars) ou até mesmo ao longo da história (One Piece).

    2- Descida, Iniciação e/ou Penetração: é o ápice da história. A parte 1.6 encontra uma evolução aqui, levando o herói gradativamente até o desafio final, contra o vilão. Aliás, caso não tenha sido apresentado antes, é um bom momento para ele aparecer. Afinal, no final dessa fase haverá o confronto com ele. 
    2.1 - Estrada de Provas: aqui a parte 1.6 torna-se um crescente. Desafios mais difíceis dão uma nova evolução ao personagem. Como depende muito do tipo de história para dar dicas, minha unica dica aqui é que o personagem já está meio desenvolvido pelo mentor, mas como ele não está completo, pode ser desenvolvido lentamente a cada novo desafio. Esse desenvolvimento gradual é muito popular em animes, também está presente em Harry Potter, por exemplo. 
    2.2 - Encontro com a Deusa: essa parte é importante, apesar de nem sempre existir. O herói encontra alguém, em geral uma criatura sobrenatural (Yoda, Galadriel, Aslam, todos os professores de Harry Potter que não são vilões, Senhor Kaio, etc), que lhe dá ferramentas que lhe possibilita vencer o vilão. Aqui ele pode já estar totalmente desenvolvido e preparado para o confronto ou receber um novo treinamento (Monte Myoboku, treinamento com Snape), muitas vezes com um time skip (One Piece, Fairy Tail), uma passagem de tempo, que o deixe assim.  
    2.3 - A Mulher como Tentação: complicado explicar essa parte. Principalmente por haver uma miríade de possibiliades. Pode ser uma tentação (lado negro), um acontecimento traumático (Ace, Jiraiya) que o afaste de seu objetivo, algo que abale sua fé ou autoconfiança, uma traição... se você for permitir que o vilão mate o mentor, essa é a hora (Jiraya, Obi Wan, Dumbledore). Caso vá fazer isso, crie uma relação entre os dois. Ultimamente, em muitas histórias, essa relação é feita como o vilão sendo um antigo candidato a herói que se corrompeu (Naruto tem boas referencias disso, tanto com Pain quanto com Orochimaru), que foi treinado pelo mesmo mentor mas por algum motivo (às vezes um erro do próprio mentor, falarei mais sobre isso em outro texto) ele tenha se desviado. 
    2.4 - Encontro com o Pai: o herói vê que precisa confrontar um elemento que exerce poder sobre sua vida. Pode ser a descoberta de uma relação pessoal com o vilão, por exemplo. Darth Vader é o pai de Luke, Pain foi treinado por Jiraiya, Harry Potter descobre que Valdemort é semelhante a ele de alguma forma. Isso o abala, em algumas histórias quase o corrompe, podendo ser mesclado com o ponto 2.3, e em algumas é deixado claro qual é a diferença fundamental entre o vilão e o herói que os fez tomar caminhos opostos, mesmo que eles tenham surgido de forma semelhante (é um elemento clássico a semelhança entre os dois). A dica é que essa diferença seja uma virtude que o herói tenha e o vilão não. 
    2.5 - Apoteóse: significa, literalmente, a consolidação do herói como tal. Para os mais puristas, o mocinho somente se torna herói agora.  É um bom momento para redimir aquele seu anti-herói preferido através de colaboração com o herói na batalha final. O herói enfrenta o vilão de igual pra igual, sendo a unica esperança para salvar a todos. 
    2.6 - A Grande Conquista: é o fim da missão. O vilão foi preso, morto ou retirado de circulação por outro meio. É a vitória, quando o herói salva o mundo, derrota o vilão ou atinge o objetivo de toda a história até então. Algumas histórias tem vários ciclos desde o 1.5 ou 1.6 até o 2.6 (animes e seriados). Outras contam apenas um ciclo desse fechado (filmes e a maior parte das trilogias). 

    3- Retorno: a aventura acabou, o herói voltará a seu mundo cotidiano, mas agora sendo outra pessoa, reformada por toda a sua jornada. Pode ter reconhecimento pela vitória ou não. Esse retorno nem sempre é tão bem detalhado como a seguir, sendo muitas vezes representado por apenas um capítulo breve. 
    3.1 - Recusa do Retorno: agora, por ser uma nova pessoa, o herói não se contenta com o retorno a seu mundo original, que certamente acarretará no abandono de seus amigos de jornada. 
    3.2 - Voo Mágico: é a viagem de retorno, através de tudo o que o herói passou naquele mundo, relembrando e revendo suas experiências. 
    3.3 - Resgate Interior: o herói recebe apoio para o retorno, pra fazer a travessia de volta para seu mundo. Apoio moral, mostrando que deveria estar feliz em voltar, ou apoio físico, uma chave do portal de passagem ou algo do tipo.
    3.4 - Travessia do Limiar de Retorno: o herói finalmente volta ao mundo comum, agora tendo sabedoria que adquiriu durante a viagem, e percebendo que poderá utilizá-la em seu mundo. 
    3.5 - Senhor de Dois Mundos: o herói atinge o equilíbrio entre suas duas vidas, entre os dois mundos. Ele pode ser reconhecido como o salvador de ambos os mundos. 
    3.6 - Liberdade para Viver: a sabedoria do herói atinge o ápice, fazendo com que ele possa se tornar um sábio. Aqui o herói pode se tornar um mentor em potencial de um novo herói no futuro. Isso iniciaria um ciclo.

    Bem, sobre esse ciclo, bem como sobre a jornada do vilão, a jornada do mentor e a jornada do anti-herói, eu pretendo abordar em um ou mais próximos textos. Adianto que o texto acima é uma análise de um estudo que já existe e é amplamente conhecido, mas os próximos serão de minha própria autoria. Fazem parte de um padrão que estou utilizando para escrever minhas histórias. Creio que possam fazer bom proveito deles. Até breve.

  • Kidnapped - Sequestrada.

    POV'S Alessa Katherine Kendrick.
        - Se alguém tem algo contra este casamento, fale agora ou cale-se para sempre. - Disse o padre.
       - Amiga é agora! - indagou Courtney que estava sentada ao meu lado. E ao lado dela estavam Hanna e Babi. Éramos as damas de honra, e que honra. Sorri com meu pensamento.
        Olhei do outro lado e em outro banco estavam sentados os meninos que iriam nos ajudar. Meninos que estudaram conosco. Os olhei e pisquei.
       Um deles se levantou e veio até mim. Estendeu sua mão e eu segurei na mesma. Me pus de pé e estalei os dedos, como se fosse um sinal. Logo uma música começou a tocar. Uma música romântica. O que fez todos olharem maravilhados achando que aquilo faria parte do casamento. Meu pai olhou sorrindo achando que aquela era uma surpresa que eu havia preparado para seu grande dia. E realmente era!
       Logo a música ficou mais sensual. Soltei meus cabelos. Agora sim o jogo começou.
       Eu me movimentava conforme a música, subia e descia de costas para Daniel, o garoto que estava dançando comigo. Passei minha perna em volta de seu quadril e o mesmo segurou ela ali, fazendo com que meu vestido subisse mostrando parte de minha bunda. Pude ouvir vários murmúrios o que me fez sorrir.
        - Alessa! - advertiu meu pai.
        - Sim Papai? - o olhei com cara de desentendida.
        - Sente-se imediatamente! - disse mais vermelho que o normal.
        - Garota mimada! - retrucou a vadia petulante do altar.
        - Claro. - disse e realmente me sentei. Mas em cima do colo de Daniel, logo após deita-lo no chão. Comecei a rebolar e Daniel começou a se soltar, não pelo plano, mas sim porque o mesmo estava ficando excitado de verdade.
       Me levantei e fiquei em prontidão, logo as outras garotas se encontravam do meu lado. Ficamos paradas, imóveis, os outros garotos se levantaram e nos rodearam. Agora tocava “Love Me” de Lil Wayne. Os garotos continuavam a nos rodear. Eles colocaram as mãos nas nossas nucas e puxaram os fios amarrados do vestido, fazendo os mesmos caírem ao chão revelando nossas lingeries vermelhas idênticas e totalmente provocante. Caminhamos até os meninos que estavam parados uns do lado dos outros. Nos abaixamos em perfeita sincronia e puxamos as calças dos mesmos revelando as cuecas box idênticas, também na cor vermelha, logo puxamos o smoking e revelou seus peitorais muito bem definidos e com a gravata borboleta no pescoço. Podíamos ouvir vários "Óhh" das senhoras sentadas tapando os olhos de seus maridos. Logo começou a tocar “Side To Side” da Ariana Grande. Começamos a fazer a coreografia com os meninos. Havia as senhorinhas que nos encaravam e não sabiam o que fazer, umas até foram embora passando mal. Pude até ouvir uma delas dizer: “Barbaridade, no meu tempo não existia esse tipo de coisa”.
        Nos deitamos no chão e os meninos se deitaram por cima, se esfregando em nós, invertemos as posições e ficamos por cima, rebolando o mais que conseguíamos ou pensávamos estar sensual, sem parecer um bando de virjonas, tentando ser vadias só para estragar o casamento do pai.
       Com a música logo no final, olhei para o altar e a vadia tentava acudir meu pai que estava muito vermelho, a mesma abanava o rosto dele com um envelope. O padre estava estático.
       Peguei o vinho que eu deixei preparado na taça onde eu estava sentada e caminhei até ela, beberiquei o mesmo e ela já podia imaginar o que eu ia fazer.
        - Se você ousar... - joguei todo o líquido na cara dela, manchando todo seu vestido.
        - Ah... sua... insolente! – reclamou, passando as mãos pelo vestido branco, desesperada.
       A igreja se pôs de pé, comentando minha audácia, alguns jovens na flor da idade, com os hormônios à flor da pele, nos aplaudiam e assobiavam. Já os mais velhos estavam indignados, provavelmente achando que eu era uma filha ingrata e mal criada.
       Ouço o grito da vadia e olho para trás e vejo meu pai caído no chão. Droga! Isso não estava nos planos.
        - Aí, Alessa, fodeu vem! - disse Hanna me puxando para a saída.
       Saímos correndo e descemos as grandes escadas da igreja, todos da rua nos olhavam, por conta de nossas lingeries. Um garoto que estava de bicicleta, deu de cara no poste após prender sua atenção em nós.
        Nós, meninas, corremos para meu carro que era um Audi R8, que acabara de ganhar do meu pai de presente antecipado de aniversário. Iria fazer 18 anos daqui quinze dias e os meninos entraram no Porsche de Daniel logo atrás de nós.
        - Mano, isso não estava nos planos. - Comentou Babi.
        - É o meu pai. Preciso voltar! - disse com lágrimas nos olhos.
        - Aí Kath, deixa de ser dondoca! Ele apenas desmaiou. Se voltarmos agora, vai ferrar para todas nós! Conseguimos o que queríamos, agora é só esperar. O casamento não aconteceu.
        - Está certa! Está certa! Está certa! - dizia tentando confirmar a mim mesma.
        Parei em frente a uma praça.
        Logo quebramos o silêncio constrangedor com nossos risos escandalosos.
         - Meu, vocês viram a cara da vadia quando você jogou o vinho na cara dela?! - dizia Courtney nos fazendo rir ainda mais.
         - Aí, Alessa - chamou Babi -, depois dessa acho que seu pai vai te deserdar. - rimos de novo.
         - A essa altura nem me importo com grana. Sem contar que ele me deixou disponível na minha conta 5 milhões de dólares, mas eu só posso mexer daqui 15 dias quando fizer 18 anos. Além do mais, tem a fortuna da minha mãe que diferente daquela vadia, ela não se escorava em meu pai. É uma mulher independente! - disse orgulhosa.
         - Realmente. A tia é mó fodona. Admiro muito ela. Ainda mais os vestidos que ela faz. - disse Hanna se lembrando do vestido lindo de 15 anos que minha mãe havia dado de presente à ela a três anos atrás.
         Fomos para minha casa e já estávamos vestidas novamente com os sobretudo que havíamos levado de reserva no carro.
         Abri a porta de casa e adentramos a mesma.
        - Mas já estão de volta meninas? - disse minha mãe alegre. Quem olhasse para ela jamais diria que a mesma fora traída e abandonada pelo marido. Minha mãe era uma mulher que eu admirava muito, não demonstrava fraqueza, mas eu sabia que a noite ela chorava por falta de meu pai.
        - Mãe, foi maravilhoso! - sorri largamente pra ela.
        - É tia, fizemos tudo direitinho! - disse a bocão da Babi.
        - O... O que? - disse direcionando seu olhar para mim - Alessa! O que você aprontou? - disse autoritária.
        - Então... Sabe o que é mãe... - disse olhando feio para Babi - Bom...
        - Bom?... - disse me incentivando a continuar.
        - Ah mãe, qual é! Você aceitou esse casamento, mas eu não! E estou em todo meu direito de fazer um show e acabar com tudo. Não é só por você, é por mim, pelo papai e pela família que tínhamos e ele nem se quer levou isso em consideração. Não adianta nada ele depositar milhões de dólares na minha conta, me presentear com um Audi R8, me visitar e me tratar como princesa se no final do dia, ele vai voltar para aquela vadia, vai jantar com ela, se deitar com ela e acordar com ela! Pronto para construir uma família nova e eu vou estar pronta para me considerar órfã de pai se isso acontecer! - disse transbordando raiva.
         - Ah filha... - ela sorriu e me abraçou - puxou meu temperamento. Me conta todos os detalhes, derrubou vinho no vestido dela? Isso não pode faltar em nenhum lugar!
         - Sim mãe, joguei bem na cara dela! Olha como ficamos na igreja... - disse abrindo o sobretudo e revelando a lingerie vermelha. A mesma arregalou os olhos e soltou um gritinho histérico, logo nos puxando para o sofá e nos fazendo contar cada detalhe.
  • MAGIK

  • Marciano Inocente - Obrigado música

    "A música é o melhor remédio para a minha alma
    Sinto um amor tão profundo, uma alegria que me acalma
    Ela me entende e me consola
    É minha companhia perfeita em toda ocasião
    Ao tocar, cantar e dançar sou levado pela emoção
    E esqueço todas as tristezas desse mundo
    Obrigado música por tocar em mim tão profundo
    Agora eu sei que com você eu tenho talento
    Quero estar contigo em todos os momentos"
  • mundo de escuridao

    Em uma sexta-feira de sol, Pedro Marchel trabalhava em seu escritório. Tudo ocorria bem, porém, toda tranquilidade que ele sentia, estava preste a acabar.  
    Enquanto terminava de assinar papeis importantes do escritório, o chefe de Pedro entra em sua sala e liga a televisão, deixando em canal onde passava um noticiário importante:
    “Acaba de acontecer uma grande tragédia nos Estados Unidos. Um terremoto de magnitude 5,5 aconteceu no deserto de Las Vegas, causando uma explosão nuclear em um centro de pesquisas atômicas. Danos já foram registrados, entre eles milhares de mortes. Geólogos e cientistas que estão estudando o local, pedem a todos que, até terem resultados conclusivos, não saiam de casa, suspeita-se que a radiação possa ter sido levada pelo vento. Fique atento a mais notícias. “
     Todos no escritório ficaram abalados com a notícia, porem voltaram aos seus respectivos trabalhos. No final da tarde, todos voltaram para suas casas. Pedro foi um dos primeiros a sair, andou até seu carro com o coração na mão, preocupado em como a sua filha poderia estar. Estaria ela com medo? Isso ele só saberia quando chegasse em casa.  Ele morava apenas com sua filha, pois sua esposa havia morrido em um terrível acidente alguns anos atrás, na época, Pedro era policial, porem parou após o acidente de sua esposa, imagens que estavam guardadas no fundo de sua mente vieram à tona:  “ele perseguia um bandido quando este por sua vez, perdeu o controle do carro e bateu em outro automóvel logo a frente. O impacto acabou fazendo com que o outro automóvel capotasse no meio da pista. Foi então, naquele momento que ele reconheceu o carro e quem estava dentro dele... Sua esposa havia sido maravilhosa, ela o amava, tantos os defeitos quanto as qualidades, ele só queria ter abraçado ela, e não ter sido a causa de sua morte...”  Depois de sua morte ele parou de seguir a carreira de policial e voltou a ser um simples contador.
    Assim que entrou em casa, foi recepcionado por sua filha Luísa, ela era tão parecida com sua falecida esposa que às vezes doía olha-la. Era tão inteligente e esperta para uma menina de 15 anos, conversava com adultos e não hesitava em questiona-los ou corrigi-los quando erravam alguma coisa. Às vezes tinha que ficar de olho nela, era uma menina muito bonita para seus 1,57.
    - Olá papai!
    Exclamou a menina enquanto abraçava seu pai.
    - E ai pequena!
    Ele bagunçou os cabelos da menina que estavam presos em um coque muito bem arrumado em cima da cabeça, porém, este se desmanchou, deixando cair os escuros e longos fios de sua filha que ria com a bagunça que seu pai fez em seu cabelo.
    Depois de jantar os dois foram dormir, bom, ela foi dormir. Pedro não conseguia dormir, aquela tragédia e seus danos ocupavam inteiramente a sua mente. Ele levantou, foi para a sala e ligou a televisão para ver se haveria mais notícias, não demorou muito e sua filha se sentou ao seu lado no sofá, alegando não estar conseguindo dormir.   Estavam quase voltando para seus quartos quando ouviram uma notícia sobre o desastre, ao que parecia, a notícia era ao vivo. Uma mulher começava a dizer as consequências do desastre -que poderiam ser incontáveis- quando soldados começam a atirar, e algo parece atingir a jornalista pois, nesse momento, aparece: erros técnicos.
    O pai e a filha não acreditaram no que haviam acabado de ver, ambos sempre gostavam de ver filmes    sobre isso, de algum modo sabiam muito bem que seria inevitável que algo como isso acontecesse. Pensaram em se proteger. Primeiro, pegaram mochilas e colocaram uma muda de roupa, alimentos, agua, algumas facas, lanternas e outras coisas. Por legitima defesa, ele guardava algumas armas de sua época de policial que estavam guardadas em um alçapão que tinha embaixo da casa. Eles desceram ao alçapão, se equiparam, e por segurança, pregaram taboas de madeira nas portas e janelas de sua casa, ao acabarem, se trancaram no alçapão e passaram a noite por lá.
    Quando amanheceu, eles subiram para ver como estava lá fora. Com muito cuidado, à menina colocou os olhos por entre as tábuas de madeira que tampava as janelas e espiou lá fora.
    - Pai...venha aqui... acho que precisa ver isso...
    Luísa sussurrou ao seu pai enquanto dava espaço para que seu pai visse o que queria. Havia duas motos pretas com homens armados, logo atrás, passava uma caminhonete, dois caminhões e um carro cheios de homens armados, todos os automóveis tinham um grande símbolo branco. Logo passou duas motos jogando panfletos. Um tempo após isso, Pedro com a arma na mão, saiu e pegou o panfleto, conseguiu fazer isso com êxito, e logo se voltou para dentro da casa com sua filha. O panfleto era preto e as escritas eram brancas, a cartografia de quem escreveu era péssima, com muito esforço, Luísa conseguiu pegar a carta da mão do pai, já que este não entendia nada do que estava escrito.
    -“ Um mundo de escravidão cai sobre quem é vivo, os mortos se levantarão, o julgamento decisivo”...
    Ao acabar de ler, escutaram um barulho, logo uma voz grossa e rouca se fez ouvir.
    -Estamos com níveis de radiação, não saiam de suas casas.
    Viram um carro e um caminhão do exército passando, havia caixas de som no caminhão. Alguns militares estavam recolhendo os panfletos.
    Eles se esconderam rapidamente, pegaram o computador e foram ver as notícias. Havia muitas coisas dizendo sobre pessoas virando “zumbis”, mas as imprensas desmentiram tudo. Como não queriam correr riscos, eles decidiram que ficar em casa seria melhor e mais seguro.
    Em dois dias tudo mudou, a cidade estava vazia e havia muitos casos de zumbis na internet, ate vídeos de grandes ordas de zumbis no próprio país . Na segunda-feira a televisão estava ligada, quando em um jornal o apresentador se assusta com a entrada de zumbis na sala onde gravava...
    se quiserem que eu continue digam ai, e falem oque estão achando
  • mundo de escuridao

    Em uma sexta-feira de sol, Pedro Marchel trabalhava em seu escritório. Tudo ocorria bem, porém, toda tranquilidade que ele sentia, estava preste a acabar.  
    Enquanto terminava de assinar papeis importantes do escritório, o chefe de Pedro entra em sua sala e liga a televisão, deixando em canal onde passava um noticiário importante:
    “Acaba de acontecer uma grande tragédia nos Estados Unidos. Um terremoto de magnitude 5,5 aconteceu no deserto de Las Vegas, causando uma explosão nuclear em um centro de pesquisas atômicas. Danos já foram registrados, entre eles milhares de mortes. Geólogos e cientistas que estão estudando o local, pedem a todos que, até terem resultados conclusivos, não saiam de casa, suspeita-se que a radiação possa ter sido levada pelo vento. Fique atento a mais notícias. “
     Todos no escritório ficaram abalados com a notícia, porem voltaram aos seus respectivos trabalhos. No final da tarde, todos voltaram para suas casas. Pedro foi um dos primeiros a sair, andou até seu carro com o coração na mão, preocupado em como a sua filha poderia estar. Estaria ela com medo? Isso ele só saberia quando chegasse em casa.  Ele morava apenas com sua filha, pois sua esposa havia morrido em um terrível acidente alguns anos atrás, na época, Pedro era policial, porem parou após o acidente de sua esposa, imagens que estavam guardadas no fundo de sua mente vieram à tona:  “ele perseguia um bandido quando este por sua vez, perdeu o controle do carro e bateu em outro automóvel logo a frente. O impacto acabou fazendo com que o outro automóvel capotasse no meio da pista. Foi então, naquele momento que ele reconheceu o carro e quem estava dentro dele... Sua esposa havia sido maravilhosa, ela o amava, tantos os defeitos quanto as qualidades, ele só queria ter abraçado ela, e não ter sido a causa de sua morte...”  Depois de sua morte ele parou de seguir a carreira de policial e voltou a ser um simples contador.
    Assim que entrou em casa, foi recepcionado por sua filha Luísa, ela era tão parecida com sua falecida esposa que às vezes doía olha-la. Era tão inteligente e esperta para uma menina de 15 anos, conversava com adultos e não hesitava em questiona-los ou corrigi-los quando erravam alguma coisa. Às vezes tinha que ficar de olho nela, era uma menina muito bonita para seus 1,57.
    - Olá papai!
    Exclamou a menina enquanto abraçava seu pai.
    - E ai pequena!
    Ele bagunçou os cabelos da menina que estavam presos em um coque muito bem arrumado em cima da cabeça, porém, este se desmanchou, deixando cair os escuros e longos fios de sua filha que ria com a bagunça que seu pai fez em seu cabelo.
    Depois de jantar os dois foram dormir, bom, ela foi dormir. Pedro não conseguia dormir, aquela tragédia e seus danos ocupavam inteiramente a sua mente. Ele levantou, foi para a sala e ligou a televisão para ver se haveria mais notícias, não demorou muito e sua filha se sentou ao seu lado no sofá, alegando não estar conseguindo dormir.   Estavam quase voltando para seus quartos quando ouviram uma notícia sobre o desastre, ao que parecia, a notícia era ao vivo. Uma mulher começava a dizer as consequências do desastre -que poderiam ser incontáveis- quando soldados começam a atirar, e algo parece atingir a jornalista pois, nesse momento, aparece: erros técnicos.
    O pai e a filha não acreditaram no que haviam acabado de ver, ambos sempre gostavam de ver filmes    sobre isso, de algum modo sabiam muito bem que seria inevitável que algo como isso acontecesse. Pensaram em se proteger. Primeiro, pegaram mochilas e colocaram uma muda de roupa, alimentos, agua, algumas facas, lanternas e outras coisas. Por legitima defesa, ele guardava algumas armas de sua época de policial que estavam guardadas em um alçapão que tinha embaixo da casa. Eles desceram ao alçapão, se equiparam, e por segurança, pregaram taboas de madeira nas portas e janelas de sua casa, ao acabarem, se trancaram no alçapão e passaram a noite por lá.
    Quando amanheceu, eles subiram para ver como estava lá fora. Com muito cuidado, à menina colocou os olhos por entre as tábuas de madeira que tampava as janelas e espiou lá fora.
    - Pai...venha aqui... acho que precisa ver isso...
    Luísa sussurrou ao seu pai enquanto dava espaço para que seu pai visse o que queria. Havia duas motos pretas com homens armados, logo atrás, passava uma caminhonete, dois caminhões e um carro cheios de homens armados, todos os automóveis tinham um grande símbolo branco. Logo passou duas motos jogando panfletos. Um tempo após isso, Pedro com a arma na mão, saiu e pegou o panfleto, conseguiu fazer isso com êxito, e logo se voltou para dentro da casa com sua filha. O panfleto era preto e as escritas eram brancas, a cartografia de quem escreveu era péssima, com muito esforço, Luísa conseguiu pegar a carta da mão do pai, já que este não entendia nada do que estava escrito.
    -“ Um mundo de escravidão cai sobre quem é vivo, os mortos se levantarão, o julgamento decisivo”...
    Ao acabar de ler, escutaram um barulho, logo uma voz grossa e rouca se fez ouvir.
    -Estamos com níveis de radiação, não saiam de suas casas.
    Viram um carro e um caminhão do exército passando, havia caixas de som no caminhão. Alguns militares estavam recolhendo os panfletos.
    Eles se esconderam rapidamente, pegaram o computador e foram ver as notícias. Havia muitas coisas dizendo sobre pessoas virando “zumbis”, mas as imprensas desmentiram tudo. Como não queriam correr riscos, eles decidiram que ficar em casa seria melhor e mais seguro.
    Em dois dias tudo mudou, a cidade estava vazia e havia muitos casos de zumbis na internet, ate vídeos de grandes ordas de zumbis no próprio país . Na segunda-feira a televisão estava ligada, quando em um jornal o apresentador se assusta com a entrada de zumbis na sala onde gravava...
    se quiserem que eu continue digam ai, e falem oque estão achando
  • mundo de escuridao

    Em uma sexta-feira de sol, Pedro Marchel trabalhava em seu escritório. Tudo ocorria bem, porém, toda tranquilidade que ele sentia, estava preste a acabar.  
    Enquanto terminava de assinar papeis importantes do escritório, o chefe de Pedro entra em sua sala e liga a televisão, deixando em canal onde passava um noticiário importante:
    “Acaba de acontecer uma grande tragédia nos Estados Unidos. Um terremoto de magnitude 5,5 aconteceu no deserto de Las Vegas, causando uma explosão nuclear em um centro de pesquisas atômicas. Danos já foram registrados, entre eles milhares de mortes. Geólogos e cientistas que estão estudando o local, pedem a todos que, até terem resultados conclusivos, não saiam de casa, suspeita-se que a radiação possa ter sido levada pelo vento. Fique atento a mais notícias. “
     Todos no escritório ficaram abalados com a notícia, porem voltaram aos seus respectivos trabalhos. No final da tarde, todos voltaram para suas casas. Pedro foi um dos primeiros a sair, andou até seu carro com o coração na mão, preocupado em como a sua filha poderia estar. Estaria ela com medo? Isso ele só saberia quando chegasse em casa.  Ele morava apenas com sua filha, pois sua esposa havia morrido em um terrível acidente alguns anos atrás, na época, Pedro era policial, porem parou após o acidente de sua esposa, imagens que estavam guardadas no fundo de sua mente vieram à tona:  “ele perseguia um bandido quando este por sua vez, perdeu o controle do carro e bateu em outro automóvel logo a frente. O impacto acabou fazendo com que o outro automóvel capotasse no meio da pista. Foi então, naquele momento que ele reconheceu o carro e quem estava dentro dele... Sua esposa havia sido maravilhosa, ela o amava, tantos os defeitos quanto as qualidades, ele só queria ter abraçado ela, e não ter sido a causa de sua morte...”  Depois de sua morte ele parou de seguir a carreira de policial e voltou a ser um simples contador.
    Assim que entrou em casa, foi recepcionado por sua filha Luísa, ela era tão parecida com sua falecida esposa que às vezes doía olha-la. Era tão inteligente e esperta para uma menina de 15 anos, conversava com adultos e não hesitava em questiona-los ou corrigi-los quando erravam alguma coisa. Às vezes tinha que ficar de olho nela, era uma menina muito bonita para seus 1,57.
    - Olá papai!
    Exclamou a menina enquanto abraçava seu pai.
    - E ai pequena!
    Ele bagunçou os cabelos da menina que estavam presos em um coque muito bem arrumado em cima da cabeça, porém, este se desmanchou, deixando cair os escuros e longos fios de sua filha que ria com a bagunça que seu pai fez em seu cabelo.
    Depois de jantar os dois foram dormir, bom, ela foi dormir. Pedro não conseguia dormir, aquela tragédia e seus danos ocupavam inteiramente a sua mente. Ele levantou, foi para a sala e ligou a televisão para ver se haveria mais notícias, não demorou muito e sua filha se sentou ao seu lado no sofá, alegando não estar conseguindo dormir.   Estavam quase voltando para seus quartos quando ouviram uma notícia sobre o desastre, ao que parecia, a notícia era ao vivo. Uma mulher começava a dizer as consequências do desastre -que poderiam ser incontáveis- quando soldados começam a atirar, e algo parece atingir a jornalista pois, nesse momento, aparece: erros técnicos.
    O pai e a filha não acreditaram no que haviam acabado de ver, ambos sempre gostavam de ver filmes    sobre isso, de algum modo sabiam muito bem que seria inevitável que algo como isso acontecesse. Pensaram em se proteger. Primeiro, pegaram mochilas e colocaram uma muda de roupa, alimentos, agua, algumas facas, lanternas e outras coisas. Por legitima defesa, ele guardava algumas armas de sua época de policial que estavam guardadas em um alçapão que tinha embaixo da casa. Eles desceram ao alçapão, se equiparam, e por segurança, pregaram taboas de madeira nas portas e janelas de sua casa, ao acabarem, se trancaram no alçapão e passaram a noite por lá.
    Quando amanheceu, eles subiram para ver como estava lá fora. Com muito cuidado, à menina colocou os olhos por entre as tábuas de madeira que tampava as janelas e espiou lá fora.
    - Pai...venha aqui... acho que precisa ver isso...
    Luísa sussurrou ao seu pai enquanto dava espaço para que seu pai visse o que queria. Havia duas motos pretas com homens armados, logo atrás, passava uma caminhonete, dois caminhões e um carro cheios de homens armados, todos os automóveis tinham um grande símbolo branco. Logo passou duas motos jogando panfletos. Um tempo após isso, Pedro com a arma na mão, saiu e pegou o panfleto, conseguiu fazer isso com êxito, e logo se voltou para dentro da casa com sua filha. O panfleto era preto e as escritas eram brancas, a cartografia de quem escreveu era péssima, com muito esforço, Luísa conseguiu pegar a carta da mão do pai, já que este não entendia nada do que estava escrito.
    -“ Um mundo de escravidão cai sobre quem é vivo, os mortos se levantarão, o julgamento decisivo”...
    Ao acabar de ler, escutaram um barulho, logo uma voz grossa e rouca se fez ouvir.
    -Estamos com níveis de radiação, não saiam de suas casas.
    Viram um carro e um caminhão do exército passando, havia caixas de som no caminhão. Alguns militares estavam recolhendo os panfletos.
    Eles se esconderam rapidamente, pegaram o computador e foram ver as notícias. Havia muitas coisas dizendo sobre pessoas virando “zumbis”, mas as imprensas desmentiram tudo. Como não queriam correr riscos, eles decidiram que ficar em casa seria melhor e mais seguro.
    Em dois dias tudo mudou, a cidade estava vazia e havia muitos casos de zumbis na internet, ate vídeos de grandes ordas de zumbis no próprio país . Na segunda-feira a televisão estava ligada, quando em um jornal o apresentador se assusta com a entrada de zumbis na sala onde gravava...
    se quiserem que eu continue digam ai, e falem oque estão achando
  • mundo de escuridao

    Em uma sexta-feira de sol, Pedro Marchel trabalhava em seu escritório. Tudo ocorria bem, porém, toda tranquilidade que ele sentia, estava preste a acabar.  
    Enquanto terminava de assinar papeis importantes do escritório, o chefe de Pedro entra em sua sala e liga a televisão, deixando em canal onde passava um noticiário importante:
    “Acaba de acontecer uma grande tragédia nos Estados Unidos. Um terremoto de magnitude 5,5 aconteceu no deserto de Las Vegas, causando uma explosão nuclear em um centro de pesquisas atômicas. Danos já foram registrados, entre eles milhares de mortes. Geólogos e cientistas que estão estudando o local, pedem a todos que, até terem resultados conclusivos, não saiam de casa, suspeita-se que a radiação possa ter sido levada pelo vento. Fique atento a mais notícias. “
     Todos no escritório ficaram abalados com a notícia, porem voltaram aos seus respectivos trabalhos. No final da tarde, todos voltaram para suas casas. Pedro foi um dos primeiros a sair, andou até seu carro com o coração na mão, preocupado em como a sua filha poderia estar. Estaria ela com medo? Isso ele só saberia quando chegasse em casa.  Ele morava apenas com sua filha, pois sua esposa havia morrido em um terrível acidente alguns anos atrás, na época, Pedro era policial, porem parou após o acidente de sua esposa, imagens que estavam guardadas no fundo de sua mente vieram à tona:  “ele perseguia um bandido quando este por sua vez, perdeu o controle do carro e bateu em outro automóvel logo a frente. O impacto acabou fazendo com que o outro automóvel capotasse no meio da pista. Foi então, naquele momento que ele reconheceu o carro e quem estava dentro dele... Sua esposa havia sido maravilhosa, ela o amava, tantos os defeitos quanto as qualidades, ele só queria ter abraçado ela, e não ter sido a causa de sua morte...”  Depois de sua morte ele parou de seguir a carreira de policial e voltou a ser um simples contador.
    Assim que entrou em casa, foi recepcionado por sua filha Luísa, ela era tão parecida com sua falecida esposa que às vezes doía olha-la. Era tão inteligente e esperta para uma menina de 15 anos, conversava com adultos e não hesitava em questiona-los ou corrigi-los quando erravam alguma coisa. Às vezes tinha que ficar de olho nela, era uma menina muito bonita para seus 1,57.
    - Olá papai!
    Exclamou a menina enquanto abraçava seu pai.
    - E ai pequena!
    Ele bagunçou os cabelos da menina que estavam presos em um coque muito bem arrumado em cima da cabeça, porém, este se desmanchou, deixando cair os escuros e longos fios de sua filha que ria com a bagunça que seu pai fez em seu cabelo.
    Depois de jantar os dois foram dormir, bom, ela foi dormir. Pedro não conseguia dormir, aquela tragédia e seus danos ocupavam inteiramente a sua mente. Ele levantou, foi para a sala e ligou a televisão para ver se haveria mais notícias, não demorou muito e sua filha se sentou ao seu lado no sofá, alegando não estar conseguindo dormir.   Estavam quase voltando para seus quartos quando ouviram uma notícia sobre o desastre, ao que parecia, a notícia era ao vivo. Uma mulher começava a dizer as consequências do desastre -que poderiam ser incontáveis- quando soldados começam a atirar, e algo parece atingir a jornalista pois, nesse momento, aparece: erros técnicos.
    O pai e a filha não acreditaram no que haviam acabado de ver, ambos sempre gostavam de ver filmes    sobre isso, de algum modo sabiam muito bem que seria inevitável que algo como isso acontecesse. Pensaram em se proteger. Primeiro, pegaram mochilas e colocaram uma muda de roupa, alimentos, agua, algumas facas, lanternas e outras coisas. Por legitima defesa, ele guardava algumas armas de sua época de policial que estavam guardadas em um alçapão que tinha embaixo da casa. Eles desceram ao alçapão, se equiparam, e por segurança, pregaram taboas de madeira nas portas e janelas de sua casa, ao acabarem, se trancaram no alçapão e passaram a noite por lá.
    Quando amanheceu, eles subiram para ver como estava lá fora. Com muito cuidado, à menina colocou os olhos por entre as tábuas de madeira que tampava as janelas e espiou lá fora.
    - Pai...venha aqui... acho que precisa ver isso...
    Luísa sussurrou ao seu pai enquanto dava espaço para que seu pai visse o que queria. Havia duas motos pretas com homens armados, logo atrás, passava uma caminhonete, dois caminhões e um carro cheios de homens armados, todos os automóveis tinham um grande símbolo branco. Logo passou duas motos jogando panfletos. Um tempo após isso, Pedro com a arma na mão, saiu e pegou o panfleto, conseguiu fazer isso com êxito, e logo se voltou para dentro da casa com sua filha. O panfleto era preto e as escritas eram brancas, a cartografia de quem escreveu era péssima, com muito esforço, Luísa conseguiu pegar a carta da mão do pai, já que este não entendia nada do que estava escrito.
    -“ Um mundo de escravidão cai sobre quem é vivo, os mortos se levantarão, o julgamento decisivo”...
    Ao acabar de ler, escutaram um barulho, logo uma voz grossa e rouca se fez ouvir.
    -Estamos com níveis de radiação, não saiam de suas casas.
    Viram um carro e um caminhão do exército passando, havia caixas de som no caminhão. Alguns militares estavam recolhendo os panfletos.
    Eles se esconderam rapidamente, pegaram o computador e foram ver as notícias. Havia muitas coisas dizendo sobre pessoas virando “zumbis”, mas as imprensas desmentiram tudo. Como não queriam correr riscos, eles decidiram que ficar em casa seria melhor e mais seguro.
    Em dois dias tudo mudou, a cidade estava vazia e havia muitos casos de zumbis na internet, ate vídeos de grandes ordas de zumbis no próprio país . Na segunda-feira a televisão estava ligada, quando em um jornal o apresentador se assusta com a entrada de zumbis na sala onde gravava...
    se quiserem que eu continue digam ai, e falem oque estão achando
  • mundo de escuridao

    Em uma sexta-feira de sol, Pedro Marchel trabalhava em seu escritório. Tudo ocorria bem, porém, toda tranquilidade que ele sentia, estava preste a acabar.  

    Enquanto terminava de assinar papeis importantes do escritório, o chefe de Pedro entra em sua sala e liga a televisão, deixando em canal onde passava um noticiário importante:

    “Acaba de acontecer uma grande tragédia nos Estados Unidos. Um terremoto de magnitude 5,5 aconteceu no deserto de Las Vegas, causando uma explosão nuclear em um centro de pesquisas atômicas. Danos já foram registrados, entre eles milhares de mortes. Geólogos e cientistas que estão estudando o local, pedem a todos que, até terem resultados conclusivos, não saiam de casa, suspeita-se que a radiação possa ter sido levada pelo vento. Fique atento a mais notícias. “

     Todos no escritório ficaram abalados com a notícia, porem voltaram aos seus respectivos trabalhos. No final da tarde, todos voltaram para suas casas. Pedro foi um dos primeiros a sair, andou até seu carro com o coração na mão, preocupado em como a sua filha poderia estar. Estaria ela com medo? Isso ele só saberia quando chegasse em casa.  Ele morava apenas com sua filha, pois sua esposa havia morrido em um terrível acidente alguns anos atrás, na época, Pedro era policial, porem parou após o acidente de sua esposa, imagens que estavam guardadas no fundo de sua mente vieram à tona:  “ele perseguia um bandido quando este por sua vez, perdeu o controle do carro e bateu em outro automóvel logo a frente. O impacto acabou fazendo com que o outro automóvel capotasse no meio da pista. Foi então, naquele momento que ele reconheceu o carro e quem estava dentro dele... Sua esposa havia sido maravilhosa, ela o amava, tantos os defeitos quanto as qualidades, ele só queria ter abraçado ela, e não ter sido a causa de sua morte...”  Depois de sua morte ele parou de seguir a carreira de policial e voltou a ser um simples contador.

    Assim que entrou em casa, foi recepcionado por sua filha Luísa, ela era tão parecida com sua falecida esposa que às vezes doía olha-la. Era tão inteligente e esperta para uma menina de 15 anos, conversava com adultos e não hesitava em questiona-los ou corrigi-los quando erravam alguma coisa. Às vezes tinha que ficar de olho nela, era uma menina muito bonita para seus 1,57.

    - Olá papai!

    Exclamou a menina enquanto abraçava seu pai.

    - E ai pequena!

    Ele bagunçou os cabelos da menina que estavam presos em um coque muito bem arrumado em cima da cabeça, porém, este se desmanchou, deixando cair os escuros e longos fios de sua filha que ria com a bagunça que seu pai fez em seu cabelo.

    Depois de jantar os dois foram dormir, bom, ela foi dormir. Pedro não conseguia dormir, aquela tragédia e seus danos ocupavam inteiramente a sua mente. Ele levantou, foi para a sala e ligou a televisão para ver se haveria mais notícias, não demorou muito e sua filha se sentou ao seu lado no sofá, alegando não estar conseguindo dormir.   Estavam quase voltando para seus quartos quando ouviram uma notícia sobre o desastre, ao que parecia, a notícia era ao vivo. Uma mulher começava a dizer as consequências do desastre -que poderiam ser incontáveis- quando soldados começam a atirar, e algo parece atingir a jornalista pois, nesse momento, aparece: erros técnicos.

    O pai e a filha não acreditaram no que haviam acabado de ver, ambos sempre gostavam de ver filmes    sobre isso, de algum modo sabiam muito bem que seria inevitável que algo como isso acontecesse. Pensaram em se proteger. Primeiro, pegaram mochilas e colocaram uma muda de roupa, alimentos, agua, algumas facas, lanternas e outras coisas. Por legitima defesa, ele guardava algumas armas de sua época de policial que estavam guardadas em um alçapão que tinha embaixo da casa. Eles desceram ao alçapão, se equiparam, e por segurança, pregaram taboas de madeira nas portas e janelas de sua casa, ao acabarem, se trancaram no alçapão e passaram a noite por lá.

    Quando amanheceu, eles subiram para ver como estava lá fora. Com muito cuidado, à menina colocou os olhos por entre as tábuas de madeira que tampava as janelas e espiou lá fora.

    - Pai...venha aqui... acho que precisa ver isso...

    Luísa sussurrou ao seu pai enquanto dava espaço para que seu pai visse o que queria. Havia duas motos pretas com homens armados, logo atrás, passava uma caminhonete, dois caminhões e um carro cheios de homens armados, todos os automóveis tinham um grande símbolo branco. Logo passou duas motos jogando panfletos. Um tempo após isso, Pedro com a arma na mão, saiu e pegou o panfleto, conseguiu fazer isso com êxito, e logo se voltou para dentro da casa com sua filha. O panfleto era preto e as escritas eram brancas, a cartografia de quem escreveu era péssima, com muito esforço, Luísa conseguiu pegar a carta da mão do pai, já que este não entendia nada do que estava escrito.

    -“ Um mundo de escravidão cai sobre quem é vivo, os mortos se levantarão, o julgamento decisivo”...

    Ao acabar de ler, escutaram um barulho, logo uma voz grossa e rouca se fez ouvir.

    -Estamos com níveis de radiação, não saiam de suas casas.

    Viram um carro e um caminhão do exército passando, havia caixas de som no caminhão. Alguns militares estavam recolhendo os panfletos.

    Eles se esconderam rapidamente, pegaram o computador e foram ver as notícias. Havia muitas coisas dizendo sobre pessoas virando “zumbis”, mas as imprensas desmentiram tudo. Como não queriam correr riscos, eles decidiram que ficar em casa seria melhor e mais seguro.

    Em dois dias tudo mudou, a cidade estava vazia e havia muitos casos de zumbis na internet, ate vídeos de grandes ordas de zumbis no próprio país . Na segunda-feira a televisão estava ligada, quando em um jornal o apresentador se assusta com a entrada de zumbis na sala onde gravava...
    se quiserem que eu continue digam ai, e falem oque estão achando
  • mundo de escuridao

    Em uma sexta-feira de sol, Pedro Marchel trabalhava em seu escritório. Tudo ocorria bem, porém, toda tranquilidade que ele sentia, estava preste a acabar.  
    Enquanto terminava de assinar papeis importantes do escritório, o chefe de Pedro entra em sua sala e liga a televisão, deixando em canal onde passava um noticiário importante:
    “Acaba de acontecer uma grande tragédia nos Estados Unidos. Um terremoto de magnitude 5,5 aconteceu no deserto de Las Vegas, causando uma explosão nuclear em um centro de pesquisas atômicas. Danos já foram registrados, entre eles milhares de mortes. Geólogos e cientistas que estão estudando o local, pedem a todos que, até terem resultados conclusivos, não saiam de casa, suspeita-se que a radiação possa ter sido levada pelo vento. Fique atento a mais notícias. “
     Todos no escritório ficaram abalados com a notícia, porem voltaram aos seus respectivos trabalhos. No final da tarde, todos voltaram para suas casas. Pedro foi um dos primeiros a sair, andou até seu carro com o coração na mão, preocupado em como a sua filha poderia estar. Estaria ela com medo? Isso ele só saberia quando chegasse em casa.  Ele morava apenas com sua filha, pois sua esposa havia morrido em um terrível acidente alguns anos atrás, na época, Pedro era policial, porem parou após o acidente de sua esposa, imagens que estavam guardadas no fundo de sua mente vieram à tona:  “ele perseguia um bandido quando este por sua vez, perdeu o controle do carro e bateu em outro automóvel logo a frente. O impacto acabou fazendo com que o outro automóvel capotasse no meio da pista. Foi então, naquele momento que ele reconheceu o carro e quem estava dentro dele... Sua esposa havia sido maravilhosa, ela o amava, tantos os defeitos quanto as qualidades, ele só queria ter abraçado ela, e não ter sido a causa de sua morte...”  Depois de sua morte ele parou de seguir a carreira de policial e voltou a ser um simples contador.
    Assim que entrou em casa, foi recepcionado por sua filha Luísa, ela era tão parecida com sua falecida esposa que às vezes doía olha-la. Era tão inteligente e esperta para uma menina de 15 anos, conversava com adultos e não hesitava em questiona-los ou corrigi-los quando erravam alguma coisa. Às vezes tinha que ficar de olho nela, era uma menina muito bonita para seus 1,57.
    - Olá papai!
    Exclamou a menina enquanto abraçava seu pai.
    - E ai pequena!
    Ele bagunçou os cabelos da menina que estavam presos em um coque muito bem arrumado em cima da cabeça, porém, este se desmanchou, deixando cair os escuros e longos fios de sua filha que ria com a bagunça que seu pai fez em seu cabelo.
    Depois de jantar os dois foram dormir, bom, ela foi dormir. Pedro não conseguia dormir, aquela tragédia e seus danos ocupavam inteiramente a sua mente. Ele levantou, foi para a sala e ligou a televisão para ver se haveria mais notícias, não demorou muito e sua filha se sentou ao seu lado no sofá, alegando não estar conseguindo dormir.   Estavam quase voltando para seus quartos quando ouviram uma notícia sobre o desastre, ao que parecia, a notícia era ao vivo. Uma mulher começava a dizer as consequências do desastre -que poderiam ser incontáveis- quando soldados começam a atirar, e algo parece atingir a jornalista pois, nesse momento, aparece: erros técnicos.
    O pai e a filha não acreditaram no que haviam acabado de ver, ambos sempre gostavam de ver filmes    sobre isso, de algum modo sabiam muito bem que seria inevitável que algo como isso acontecesse. Pensaram em se proteger. Primeiro, pegaram mochilas e colocaram uma muda de roupa, alimentos, agua, algumas facas, lanternas e outras coisas. Por legitima defesa, ele guardava algumas armas de sua época de policial que estavam guardadas em um alçapão que tinha embaixo da casa. Eles desceram ao alçapão, se equiparam, e por segurança, pregaram taboas de madeira nas portas e janelas de sua casa, ao acabarem, se trancaram no alçapão e passaram a noite por lá.
    Quando amanheceu, eles subiram para ver como estava lá fora. Com muito cuidado, à menina colocou os olhos por entre as tábuas de madeira que tampava as janelas e espiou lá fora.
    - Pai...venha aqui... acho que precisa ver isso...
    Luísa sussurrou ao seu pai enquanto dava espaço para que seu pai visse o que queria. Havia duas motos pretas com homens armados, logo atrás, passava uma caminhonete, dois caminhões e um carro cheios de homens armados, todos os automóveis tinham um grande símbolo branco. Logo passou duas motos jogando panfletos. Um tempo após isso, Pedro com a arma na mão, saiu e pegou o panfleto, conseguiu fazer isso com êxito, e logo se voltou para dentro da casa com sua filha. O panfleto era preto e as escritas eram brancas, a cartografia de quem escreveu era péssima, com muito esforço, Luísa conseguiu pegar a carta da mão do pai, já que este não entendia nada do que estava escrito.
    -“ Um mundo de escravidão cai sobre quem é vivo, os mortos se levantarão, o julgamento decisivo”...
    Ao acabar de ler, escutaram um barulho, logo uma voz grossa e rouca se fez ouvir.
    -Estamos com níveis de radiação, não saiam de suas casas.
    Viram um carro e um caminhão do exército passando, havia caixas de som no caminhão. Alguns militares estavam recolhendo os panfletos.
    Eles se esconderam rapidamente, pegaram o computador e foram ver as notícias. Havia muitas coisas dizendo sobre pessoas virando “zumbis”, mas as imprensas desmentiram tudo. Como não queriam correr riscos, eles decidiram que ficar em casa seria melhor e mais seguro.
    Em dois dias tudo mudou, a cidade estava vazia e havia muitos casos de zumbis na internet, ate vídeos de grandes ordas de zumbis no próprio país . Na segunda-feira a televisão estava ligada, quando em um jornal o apresentador se assusta com a entrada de zumbis na sala onde gravava...
    se quiserem que eu continue digam ai, e falem oque estão achando
  • MYSTICA STATERA por Lux Burnns O tomo para iniciantes

    Sumário
     Agradecimentos..........................3
     Introdução......4
     Capítulo 1- O nascer e o torna-se.....5
     Capítulo 2-Realizando a magia.......12
     Capítulo 3- A magia é vida, mas não é um ser 
    vivo....20
     Capítulo 4- O mundo sem o véu..........26
     Capítulo 5- O fanatismo, o grande o veneno mágicko......33
     Capítulo 6 - A verdade liberta, mas é dolorosa....39
     Capítulo 7 - DIY mágicko.............47
     Capítulo 8 - A bruxa que vive entre os santos e os pecadores............ 54
     Capítulo 9 – Os Deuses, e o Fim da farsa da Realidade Dualística...... 59

    Agradecimentos
    Minha gratidão é voltada para o meu companheiro Soul, que me apoiou desde o início desta caminhada, me ajudando a melhorar ainda mais como ocultista, e jamais desistir das minhas convicções, mesmo quando o mundo inteiro, parecia discordar das mesmas. Também deixo minhas graças aos meus amigos: Lua Negra, Srtoa Gamab, Milliato, Rivendell, Srta Rabbith, Mandy, Tha, a Witch born on fire, e Isa, que me ajudaram a perceber quê este tomo poderia ser útil as próximas gerações. Por fim reconheço também o auxílio de minha mãe Silvana, que apesar dos pequenos atritos pelas crenças diferentes, sempre acreditou em mim e nos meus ideais. Obrigado a todos vocês, que me deram ânimo para chegar até aqui, e terminar este projeto. Não sei o quê me aguarda depois disso, mas certamente é um feito e tanto, e me orgulho por plantar esta semente, que vocês com carinho e paciência regaram.

    Introdução 
    É válido mencionar, que jamais tive a intenção de escrever um livro voltado para o aprendizado dos demais. Afinal há muitos autores, infinitamente melhores do quê uma velha bruxa, em um corpo não tão jovem. 
    Mas devido ao grande número de desinformados, que se acham conhecedores do mistério, e tudo o quê mesmo representa, vejo que é hora de assumir o meu manto de ocultista outra vez, e trazer-lhes algumas verdades nada convenientes. 
    Não estou aqui para lhes ensinar fórmulas, que vão mudar as suas vidas num estalar de dedos. Muito menos sobre como devem adorar seus deuses, ou o quê é o certo e o errado. Não sou uma bússola moral para tomar tal partido, apenas viajo de mundo em mundo, para libertar aqueles que aceitam o preço da liberdade. A ignorância pode ser uma benção, mas é a coragem que determina quem tem a chave do tudo. O inimigo é astuto, logo devemos ser justos, mas isto não significa dissociar, e se abster, e sim que devemos está preparados. Você pode não compreender estas palavras no momento, mas logo entenderá o quê cada frase significa.
     Se escolheu decifrar este livro, é porquê ouviu o chamado, mas não estou falando dos filhos do sol, e sim de algo mais amplo e intrigante.
    Há memórias de um mundo que querem te fazer acreditar que não existe. Há poderes que um ou nenhum dos seus parentes consegue explicar. Há mistérios em teu íntimo, que quer desvendar.
    As respostas estão presentes aqui, mas está pronto para ouvir o quê a primeira causa tem a dizer? Não será um caminho fácil, por isso é necessário que esteja pronto para esta jornada, que saiba no mínimo o quê é a espada e o escudo, e como usá-los. Do contrário será devorado pelos teus demônios, antes mesmo de ouvir a palavra da força geradora.
    Eu sei, parece o roteiro de algum filme de ficção científica bizarro, porém tudo o quê for mencionado aqui, será focado na minha experiência real como bruxa, e no aprendizado que isto me trouxe no decorrer do tempo. Está preparado? Então vire a página, pois a aventura o aguarda jovem peregrino.
    Capítulo 1
    O Nascer e o Tornar-se 
    Vivemos numa sociedade cheia de liberdade, que acredita bastante no ideal de igualdade, e que todos podem entrar no mundo da magia, sem discriminações de espécie. 
    Não estou aqui para me impor sobre tal coisa, porém acredito -e é o quê devia ser ensinado- que há aqueles que nascem com a predisposição para a magia, e os que infelizmente, não foram agraciados pelas divindades.
    Isso faz com que estes sejam mais fracos? Não. Eles devem ser escorraçados, e friamente criticados ? Também não. Apenas devem ter consciência de quê a sua busca, certamente será mais trabalhosa e longa – ou não se souber usar os meios certos, mas não vem ao caso – Por isso jamais devem se comparar aos que possuem habilidades naturais, pois tal atitude culmina em desencontro com o propósito inicial, de descobrir-se neste caminho.
    Não pense em nenhum momento, que o fato de ser somente humano te faz inferior, isso não significa muita coisa, quando você sabe que há meios de melhorar as suas habilidades.
    Já os predispostos, deveriam entender que o fato de terem recebido dons da natureza, não os faz automaticamente deuses, apenas lhes dá alguma vantagem em relação aos outros. Mas uma vantagem, não significa uma vitória garantida, portanto devem estudar e se preparar, tanto quanto os que não foram agraciados, para superar suas limitações, que sim existem.
    Não importa o quê são capazes de fazer - se levitam, se incendeiam, se preveem, manifestam, projetam, e tudo mais-  isto não os faz bruxos, apenas são detentores de habilidades especiais. Tanto o filho de um deus, quanto o filho do homem, precisam de treinamento, e conhecimento, para poder serem dignos de tal alcunha.
    É nos ensinado desde o começo, que precisamos andar em grupos, para poder obter o grau de bruxo, mago, ou feiticeiro. A sociedade mágica insiste em seguir essa premissa, mesmo nos tempos atuais, e isso atrasa bastante a vida de um novato.
    Grupos, como: Ordens e Covens, Podem até servir para ajudar no entendimento de certos assuntos, mas a realidade é que se queres realmente o poder, não deve seguir com ninguém mais, além de ti mesmo.
    Afinal de contas, o ocultismo no fim é apenas uma forma de encontrar-se, e não é no meio da multidão, com suas ideias diversificadas, que conseguirá te achar, no máximo ficará ainda mais confuso e perdido.
    Você se encontrará apenas quando não houver ninguém por perto, quando estiver sozinho num quarto escuro ou claro, questionando-se sobre o quê é, como, e o porquê das coisas.
    Por isso não acredite em líderes, que fazem questão de impor que precisa deles, acredite em ti mesmo, e naquilo que vai de acordo com a tua personalidade, e o quê tu consideras certo ou errado.
    E este tópico nos leva a outra questão. A magia tem se tornado um grande alvo do entretenimento. Para onde olhar  há “bruxos” ou “seres místicos”. O quê é uma coisa boa, mas somente para a diversão, pois tudo o quê se encontra nos filmes, seriados, desenhos e afins, são apenas fragmentos de textos ocultistas, e qualquer um de bom senso sabe, que não dá para entender o texto com apenas um verso, pois o mesmo pode servir para expressar diversas possibilidades, e se apenas escolher ler tal parte, jamais entenderá o contexto para que foi criado, por isso não use tais meios para aprender sobre o caminho. 
    A verdadeira magia, influencia o ambiente, mas o ambiente não influencia a magia. Logo uma obra midiática pode ser inspirada em algo oculto, só o quê o oculto, não pode advim de uma obra midiática, do contrário todo o entendimento se perde, e em vez de formar a sua inteligência divina, apenas a degrada e a transforma em loucura vã.
    Um bruxo de verdade- homem ou ser mágico- Sabe disto por instinto próprio. Entretanto com tantos jovens adotando posturas erradas, por conta do quê assistiram, é sempre bom frisar tal fato.
    Como disse antes são verdades inconvenientes, por isso não espere que eu vá apoiar uma conduta tão inapropriada para o ocultista.
    Queres ser um bruxo? Então leia, pesquise, estude, questione-se, e faça-se um. 
    Não espere que apenas porquê mudou o caminho, e deixou de seguir com as ovelhas, tudo será mais fácil. Verdade seja dita, se quer conforto, e evitar desafios que podem te fazer desmoronar, seu lugar não é aqui. Não importa se tem o sangue, sem essência jamais conseguirá sair do lugar.
    A magia não é um caminho simples, nunca foi. Apenas os que se encantam por sua versão comercializada de luzes e pó brilhante, acreditam nesta falácia.
    O agraciado deve aprender a controlar seus dons, para não ferir os que não merecem receber tal castigo, e o humano deve procurar meios, de melhorar seu espírito, ou DNA cósmico, para garantir que conseguirá manifestar alguma habilidade.
    Só que ambos precisam passar pelo mesmo processo árduo e cansativo. O agraciado, que nasceu com poderes sobrenaturais, precisa torna-se aquele que tem controle de si, e o humano que tem o controle da sua mente, precisa destruir todas as barreiras impostas, para então nascer como um ser sobrenatural.
    Ambos são como a metade um do outro, mas precisam focar em suas limitações, pois o primeiro poderá sofrer consequências desagradáveis, e o segundo precisa achar meios, de fazer-se tão forte quanto o outro, mas no fim os dois se encontram no mesmo patamar, por isso seus caminhos, ou o quê são , não interessa.
    É dito que para ser um bruxo, é necessário uma iniciação, canalizada por sacerdotes e sacerdotisas, que receberam o chamado dos deuses, e toda aquela parafernália, que estamos cansados de ouvir.
    A iniciação é um processo necessário sim, mas não precisa vim das mãos de alguém que diz ter sido “tocado” pelos deuses. 
    Haverão aqueles que certamente discordarão de mim, pois são tão tradicionalistas quanto os cristãos ortodoxos, contudo esta é uma verdade inegável.
    Não estou dando pontos a favor de rituais de meia tigela, encontrados na vasta rede, que fique claro. Apenas acho justo mencionar, que tais postos – sacerdotes- não torna os homens e as mulheres detentores da verdade, pois para aqueles que podem ver, a mesma   é revelada dia após dia, fora dos templos “sagrados”. 
    Aliás creio que o grande segredo, é apenas um pedaço de papel vazio, que nada diz, pois o axioma está no vento, na água, na terra e no fogo, não nas palavras ditas por um mestre.
    Você é o quê acredita ser, não o quê os outros impõem sobre ti.
    A iniciação nada mais é que um processo psicológico, no qual você condiciona o teu cérebro, para se abrir a possibilidades, que por anos foram lhes ensinadas como impossíveis.
    É importante pois o poder, embora se manifeste em nossos genes, vem da mente. 
    É um fato científico, pois por mais que muitos duvidem, a magia é sim ciência, pois pode ser estudada, verificada e comprovada.
    Os neurônios são responsáveis por tudo o quê fazemos, seja bom ou ruim. Assim se você acredita firmemente, que ao chegar do outro lado de uma rua, vai acabar caindo, esses impulsos químicos captam a mensagem, e fazem com quê sofra o acidente, porquê os manipulou para isso.
    Este é um caso simples, mas há situações ainda mais “inexplicáveis”, nas quais as pessoas sofrem de males mentais, que podem provocar sintomas físicos, mesmo que não haja aparentemente nada para causar dor, são as chamadas doenças psicossomáticas.
    É por isso que um bom bruxo, precisa ter um ótimo preparo mental, ou a sua magia não obterá resultados.
    Não adianta nada você nascer com a predisposição, ou procurar pela essência sem acreditar nelas, pois em ambos os casos, não conseguirá despertar suas verdadeiras habilidades.
    Já viu que pode levitar, ou incendiar as coisas por exemplo, só que na hora de provar os teus poderes, há um bloqueio.
    Sozinho chega ao teto, queima a toalha da mesa. No entanto na presença de amigos, é visto como louco, pois seus pés não saem do chão, ou acreditam que usou o isqueiro, para forjar provas.
    Isso te faz achar que enlouqueceu, que os outros estão certos, e que é melhor evitar as suas “habilidades imaginárias”. Não é?
    Esse certamente é o caminho mais fácil, mas como disse antes o caminho é difícil, não adianta fugir no primeiro obstáculo.
    Esta é apenas a prova, de quê precisa tornar-se aquele que controla a si mesmo, para poder provar aos outros, do quê realmente é capaz.
    É a evidência de quê a predisposição, não é o suficiente, se em nada acredita – Principalmente se duvida de si.
    Já no caso dos humanos, a situação é um pouco diferente, pois este ainda não manifesta nada, mas precisa se desamarrar das correntes de concreto da sociedade, na qual foi inserido.
    De outra maneira, achará apenas os que lhe oferecem um lugar, servindo aos deuses, mas jamais um acento do lado dos mesmos.
    O ser humano, está acostumado a ter tudo nas mãos, e a seguir sempre aquilo que o torna o maior dos maiores, e é isso que tem que acabar.
    Há uma hierarquia no mundo mágicko, que deve ser respeitada. Só que o fato de hoje ser apenas homem, não implica que amanhã também será, então é preciso que aprenda a aceitar as suas limitações, e a conhecer melhor as possibilidades.
    Seu mundo é pessimista demais, ou exacerbadamente otimista, você não tem equilíbrio, vive mergulhado em caos, engolindo os ideais daqueles que supostamente estão acima de ti, sem nunca levantar a voz.
    É preciso que entenda que você tem sim voz, que o quê sente importa, que há muito mais do quê somente um planeta abrigando a vida, e -comprovado por Galileu Galilei- A Terra não é o centro do Universo.
    Desse modo, quase tudo o quê lhe ensinaram até o momento, pode ser mentira, ou uma verdade mergulhada em mentiras, ou seja há fatos que são claramente falsos, e outros embora pareçam como tais, são verdadeiros.
    É preciso que entendam suas limitações, ou a magia nunca funcionará.
    A iniciação além de expandir a sua mente e elevá-la, é também o  desenvolvimento de uma conexão mental do seu eu e o cosmos, e por isso deve ser considerada “sagrada.” 
    Assim sendo quando for realizá-la, não vá procurar por “receitas de bolo” prontas, como se houvesse alguma nova bruxa, que fosse a Ana Maria Braga da Magia, pois não há - se houvesse todos teriam poderes e entendimento, e não é o que acontece.
    Somos todos mestres e aprendizes de nós mesmos, mas devemos sempre procurar sermos a melhor versão. - É importante frisar, porquê se tu é o teu mestre, logo irá crer que pode fazer o quê quiser, como se ser um mestre, significasse que é Deus, e pode mandar e desmandar. Mas não é bem assim.
    Ser o teu próprio mestre, significa melhorar-se nos aspectos necessários. Crescer, e desenvolver-se, para alcançar os teus objetivos, não interessa se são bons ou ruins, pois bem e mal é relativo -O quê é bom para mim, pode não servir para ti.
    A iniciação, mesmo que realizada por tuas mãos, ainda é um ritual, e por isso dependendo do Deus que escolher seguir, deve respeitá-la como tal.
    Se queres obter sucesso e expandir teus pensamentos, é preciso que ouça a tua voz interior. Mas esta voz não nasce do nada, ela não é uma ideia absurda que lhe vem ao pensamento, e tu executas, isso se chama criatividade, não o chamado interno.
    Para realizar uma iniciação de sucesso, é necessário, que conheça os cultos anteriores dedicados ao Deus com o qual escolheu aprender. É uma forma de honrá-lo, e a ti mesmo também, para quê não passe vergonha entre os outros ocultistas, e consiga calar a boca dos iniciados.
    Eu escolhi aprender com Satã, logo me utilizei de velas negras,  símbolos profanos, e materiais de corte, para realizar a minha auto-iniciação.
    Sou uma predisposta, nasci numa família, que embora hoje sirva a Yaweh sob a luz, um dia serviram ao seu lado negro, conhecido como Adonai.
    Por isso consegui aprender muita coisa, sem a interferência de mestres e iniciados. Já tive a oportunidade de andar com grupos. Mas os “mestres” que apareceram em meu caminho, mais me atrasavam, do quê me ajudavam a entender a minha verdade.
    Entendo muitos conceitos místicos, por intermédio dos deuses do abismo. Eles me ensinaram a ser mais forte, e me indicaram o quê procurar, para achar as respostas, por isso sou muito grata a eles, e defendo minha versão da veras mística. (Ou verdade mística)
    É significativo mencionar que os deuses, embora nos guiem pelo caminho, eles jamais podem andar por nós, sendo assim não espere que o Deus escolhido, te entregue todo o material, que precisa para alcançar o teu objetivo, eles te darão a chave, mas a porta quem procura é você.
    Outra coisa, se teus caminhos se abrem com facilidade, há apenas duas explicações: O teu papel é pequeno, logo suas limitações são fáceis de superar, ou já sofreu o suficiente, para entender como alcançar aquilo que mais deseja.
    Após passar pela iniciação, e receber sinais – isso mesmo sinais, e não sinal- de quê o Deus escolhido te acolheu entre os seus, você agora vai definir como deve estudar, e mensurar o teu aprendizado, por isso precisará de um caderno, e uma caneta, para registrar, cada coisa incomum que te ocorreu, com data, hora, condições mentais, respostas plausíveis, e tudo o quê for necessário, para provar que teu relato é verídico.
    Se é um predisposto, poderá medir a melhora do controle de teus dons, se é o primeiro da tua linhagem, poderá transmitir isso para o próximo que colocar o manto, que certamente vai aparecer, podendo ser um filho seu, ou algum outro parente.
    Coisas incomuns vão acontecer, é inevitável, faz parte da jornada. Como lidarão com elas, é que vai definir se são ou não bruxos, magos, ou feiticeiros de verdade.
    Ou acreditaram mesmo que bastava um ritual, para se tornarem algo?
    Não, não é tão simples. Se fosse, se chamaria cristianismo, e não paganismo.


    Capitulo 2 – Realizando a magia

    Poderia encher as páginas com vários sistemas mágickos, como: Herméticos,  Satânicos, Caoístas, Streghes, Célticos, Gregos, Egípcios etc. Alguns conheço a fundo, outros apenas de maneira superficial, mas não o farei. 

    Se queres conhecer cada um deles, sugiro que faça uma pesquisa, extensa e detalhada, para entender o conceito apresentado, por estas filosofias de maneira profunda.

    Como disse antes não estou aqui para ensiná-los, como adorar os seus deuses, até porquê o ato de “adoração”, é algo que me dá nó estômago, mas vai de cada um.

    Então você escolhe com o quê quer trabalhar, minha função é apenas te ensinar, a realizar o ato mágicko. (Note que há um k extra, é proposital, para separar magia de ilusionismo, e foi proposto por um famoso ocultista.) 

    Primeiramente lembre-se sempre: O poder vem da mente, e com a linguagem certa pode programá-la. Sendo assim os resultados mágickos (como respostas, questões, ou atos) são genuínos, mas o processo para se realizar o ato, pode ser provocado pela mídia. 

    Não estou me contradizendo, a magia sempre influencia, mas a mídia não deve fazê-lo, pois faz do entendedor um tolo. No entanto, se souber usá-la, pode ser bastante benéfica, na hora de preparar a sua mente, para desbravar a Terra Oculta e suas maravilhas.

    Você Não deve aceitar a verdade escrita no roteiro, pois é uma meia verdade, e toda meia verdade é uma mentira.

    Todavia se for esperto o suficiente, fará bom uso de tais artifícios, e em vez de acabar mergulhado nas trevas da insanidade, será um exímio ocultista.

    O tolo irá ouvir a música milhares de vezes, e se deixará ser controlado por ela, tornando-se mais dos zumbis da cultura popular. O astuto utilizará a mesma música, para domar a si mesmo, pois tem conhecimento dos seus efeitos e que a própria serve para controlar a mente, por isso sabe como programar a canção, para atingir o seu objetivo.

    O ingênuo assistirá um filme, e criará diversas histórias em sua mente, acreditando que aquela é a sua realidade, sem de fato ser. O desperto verá na mesma obra, aspectos que condizem com a sua jornada, e os quê também contradizem seu aprendizado. – A magia estará presente ali mas o verdadeiro ocultista, saberá sobre o quê se trata o seu contexto.

    O hipócrita utilizará lendas urbanas, para validar as suas experiências “mágicas”, e recuará quando for abordado. O consciencioso saberá que a verdade sobre as lendas urbanas, é tão pequena que passa despercebida, por isso fará o possível para detalhar o seu relato, de maneira que coincida com o quê tal criatura realmente é, pois tem o entendimento de quê lendas nascem da má interpretação dos povos sobre determinados seres. Lobisomens por exemplo podem ser criaturas provindas de Sirius B, Vampiros podem ser membros da constelação de Alfa Draconis, e por aí vai.

    A voz do coletivo precisa ser ignorada, até que se faça necessário ouvi-la, ou seja o conhecimento empírico tem de ser esquecido, até que haja uma explicação científica para o mesmo, ou uma forma de validá-lo de maneira, que não seja uma experiência pessoal.

    Encontrar-se a si mesmo é importante, contudo depois de achar-se, deve focar-se em descobrir se realmente é o quê acredita ser, pois é a mente é uma caixinha de surpresas.

    No mundo em que vivemos, o ceticismo doentio é louvado, por isso devemos dançar de acordo com a música, para poder criarmos nossos passos. Isto é necessitamos abraçar o conhecimento concreto, antes de realizar a magia. Porquê embora o espírito preceda ao corpo, a mente funciona como nossa alma, e quando a mesma é atingida, nossos resultados mágickos podem falhar.

    Não adianta tentar empregar a magia pela magia, numa sociedade que te obriga a ter respostas para tudo. 

    Foi-se o tempo que não havia explicações para os fatos naturais, e bastava curva-se para os deuses para conseguir as suas graças.

    Não é mais a Era de Ouro, os Deuses não estão mais entre nós, eles abandonaram este planeta há muitos anos, e até os seus filhos estão por conta, por isso conectar-se com os mesmos não é tão simples.

    É imprescindível que o predisposto tenha consciência disto, pois muitos filhos dos deuses, acreditam do fundo de seus corações, que nossos pais cuidam de nós, por 24 horas, como se fossem como os humanos que nos acolheram em suas casas, mas a realidade é outra.

    É, eu lamento, lamento de verdade. Mas os deuses tem seus próprios afazeres, e embora nos visitem algumas vezes, deixando rastros incontestáveis de sua presença, eles não ficam ao nosso lado todo o tempo.

    Novamente estou ciente de quê muitos tentarão me “apedrejar” por isso. Só que como disse antes, as verdades são inconvenientes, e trago a liberdade para os que aceitam o seu preço, e neste caso o preço é abandonar a carência de seus coraçõezinhos, e aceitar que o pai, a mãe, ou ambos nem sempre podem ficar presentes.

    Se vocês os veem, ou os ouvem constantemente, é porquê ainda estão acordando, e as memórias da vida passada, estão se manifestando, de acordo com a forma com a qual eles se comportavam com vocês, no outro mundo.

    Eles nunca aparecem por nada, sempre há uma motivação para realmente virem ao nosso encontro, e quando vem, fazem com que saibamos que estiveram conosco.

    Lúcifer e Lilith são meus pais, sou a primeira de sua linhagem, e isso pode ser confirmado no meu site antigo, que disponibilizarei no fim deste livro. Por quê digo isto? Bem uma famosa série, retratou tal fato recentemente, só que antes do mesmo acontecer, já havia escrito no meu site, que esta primeira era eu. Então pode ir conferir na prática, que o oculto influencia mídia mas a mídia não interfere no aprendizado místico.

    Quando Lúcifer me visita, sempre há todo um contexto por trás disto, ou é para me dá um alerta, como em 2013 quando me mostrou que Belzebu é um traidor, que quer o seu trono. Para me proteger de alguma criatura nociva, que tentou me destruir, enquanto caminhava pelo mundo inferior. Ou me convocar para alguma reunião importante. - Eu sei parece cômico, mas já fui chamada uma vez, para ir com o mesmo no conselho celestial.

    Como sei que de fato era ele? Eu jamais tinha visto Belzebu como um traidor. Mas após este sonho e outros nos quais fui perseguida pelo Senhor das Moscas,  fiz uma extensa pesquisa, e encontrei relatos de pequenos ocultistas, que defendiam a mesma teoria. Alguns que falavam que Belzebu se opõe a rebelião de Satanás, outros que ele era como um exorcista, mencionado na bíblia.  Mas pareciam tão dissociados da realidade, que me desanimei e aleguei insanidade.

    Contudo algo em meu interior, me levou a pesquisar ainda mais, e acabei encontrando um belo artigo dedicado ao mesmo, no site da Penumbra Livros, onde faço grande parte dos meus estudos esotéricos atualmente, devido a enorme fonte de conteúdo gratuito disponível ali.

    De fato não só Belzebu era traidor, como já tinha conquistado o trono do Inferno uma vez, fazendo com quê 49 dos 72 demônios que caminhavam com Lúcifer o servissem, e isto já tinha até se tornado o roteiro de uma revista em quadrinhos da Vertigo inclusive.

    Até aquele momento eu nada sabia, mas Lúcifer veio e me mostrou um fato, que não era uma fantasia, e podia ser comprovado.

    Além disso no dia do dito sonho, ocorreu um evento quase cataclísmico em minha cidade, ligado ao vento, que é um dos elementos que o representa, e minha mãe literalmente viu um anjo dentro do nosso lar, muito bonito segundo a mesma.

    Já na outra vez, foi como se ele enviasse uma mensagem através de uma médium, na qual me mandou tomar cuidado, pois coisas terríveis iriam acontecer em breve. 

    É claro que duvidei, para mim a possessão, é apenas um processo psicológico, no qual o “possuído”, na verdade é um predisposto, que desconhece seus dons, e acaba manifestando habilidades sobre-humanas, que fazem com os quê os padres interpretem de maneira errônea, e na época, achava que se tratava de uma insanidade maior que a minha, só que ainda sim, é no mínimo suspeito tudo o quê aconteceu depois.

    Minha casa foi saqueada, e levaram todo o meu material de registro de eventos sobrenaturais, os homens reviraram o meu quarto todo, e deixaram o da minha mãe arrumado. Procuraram pelo notebook, onde tinha fotos, teorias, e vídeos, sobre a minha caminhada oculta, levaram a minha câmera, e até o quê eu usava para me distrair do mundo, o meu playstation 2, que já não valia muita coisa na época, e acreditei ser o disfarce perfeito, para o quê realmente fizeram.

    Foi como se declarassem guerra a mim, e a minha sanidade, pois eu analisei os fatos, bati cabeça dando explicações para mim mesma, e a verdade é que até hoje não consigo ver como um mero assalto, pois o mesmo começou, segundo a perícia no momento do incêndio da rua debaixo, que havia começado por causas naturais, e não por intervenção humana.

    Isso não foi a única coisa, naquele ano e até o inicio do outro fiquei muitas vezes a beira da morte. Escapando de acidentes por muito pouco, ou sobrevivendo as tentativas de suicídio, mesmo sem querer continuar de pé, porquê não suportava mais o fardo de ser filha de Lúcifer e Lilith. – Ou achou que somente o não agraciado sofreria? 

    Não foi fácil, e depois que tudo o quê era meu foi levado, fiquei isolada do mundo, e saiu a notícia de quê as contas estavam sendo vigiadas pelos americanos, e como se isto não bastasse, a minha página com apenas 150 curtidas, tinha sido apagada da rede, como se o link estivesse quebrado. O quê convenhamos, é no mínimo suspeito.

    Mas Lúcifer havia me avisado, e eu não dei ouvidos.

    Já Lilith sempre foi mais sutil, aparecia em corpos bonitos, e transmitia mensagens de importância sentimental, que me impediriam de me meter em furadas - Entretanto eu não ouvia, e por isso me machucava sem necessidade.

    No meu primeiro contato com a mesma, esta me revelou que o meu namorado na época, não era digno, nem me pertencia, e que era um erro tomar posse do mesmo, pois este era infantil e malévolo, e não era o quê tinha escolhido para mim.

    Duvidei de imediato, pois a moça que me disse, parecia ter sentimentos pelo rapaz. Só que anos mais tarde, vim saber que as suas predições estavam corretas, e que o cara era realmente um traste.

    Não haviam sinais plausíveis, que nos ligassem de fato, somente aqueles que vinham da sua capacidade de me estudar, para saber o quê eu queria - como um sociopata adolescente - e que o fato de me juntar a ele, não trouxe nada mais que:  Desentendimento, culpa, tristeza, e desespero. Como se o mesmo tivesse sido colocado na minha frente, somente para atrasar a minha descoberta, sobre quem e o quê de fato era, pois tal informação certamente tinha grande valia, e lá na frente falarei sobre isto.

    Por estas e outras que digo, eles só vão se manifestar em casos de extrema importância, por isso não espere que apareçam apenas por quê é a tua vontade.

    É preciso entender que a linha da realidade e a ficção por vezes se cruzam, mas a ficção é apenas uma expressão exagerada da realidade. Se não compreender isso, certamente não vai suportar os desafios, e acabará por enlouquecer. – Foi o quê quase aconteceu comigo, depois de 6 anos no caminho.

    Por isso use os artifícios midiáticos apenas para controlar a ti mesmo, para atingir o teu objetivo, ou por diversão. Mas jamais faça uso dos mesmos, para o teu aprendizado. Eu sei deve ser a 3° ou a 4° vez que repito, mas é para que entre em suas cabeças.

    O preparo mental é o primeiro e mais importante nível, porquê é através deste que vai destravar todo o teu potencial oculto, e trazê-lo para a luz.

    Por isso é necessário cuidar da tua mente, como se fosse o teu corpo, absorvendo somente aquilo que é capaz de suportar, e que favoreça o teu entendimento, ou a realização do teu propósito.

    Dias antes de fazer o ritual, faça uma boa playlist de músicas, que te ajudem a se sentir mais forte e capaz, de filmes que te façam crer no mundo oculto, de games e quadrinhos que seguem o mesmo roteiro, e quebram o padrão do impossível, tornando-o possível.

    Pois assim é criada a atmosfera mística mental, e isto te ajuda a ficar pronto para realizar o teu ato místico.

    Feito isto, agora é hora de seguir para o segundo nível.

    A atmosfera mental já foi desenvolvida, você se sente pronto para fazer o seu primeiro ritual, e não há nada que te faça duvidar de suas capacidades.

    Então agora deve expressar isso de maneira física, desenhando símbolos em teu altar, utilizando as velas certas, o incenso necessário, e o ambiente favorável ao teu rito.

    Por isso precisará conhecer cada símbolo que for utilizar em teu ritual, do contrário pode acabar libertando uma coisa, que deveria ficar no outro mundo- Falo por experiência, passei 9 anos sob a influência de Carreau, por ter o libertado em um dos meus rituais, e só há pouco tempo me livrei do mesmo. Então tome muito cuidado, com os símbolos que vai utilizar, pois cada um tem significado específico, e não é o teu desejo de alterá-lo, que vai promover a mudança de uma egrégora que está presente neste planeta há anos.

    Feito isto, agora é colocar em prática o teu aprendizado, então vá adiante.

    Já estudou, já conheceu os símbolos, e leu tudo a respeito dos cultos dedicados ao deus que tu escolhestes, então porquê não se arriscar com um rito próprio? 

    Você já aprendeu a respeito do ser escolhido, sabe o quê pode, ou não fazer, o quê o honra ou desonra, então dê asas a tua imaginação, pois uma imaginação sem recursos é criatividade, mas quando a mente foi preenchida com conteúdo, a imaginação pode abrir as portas, para quê consiga ouvir a tua voz interna. Quer dizer que se você apenas fizer um ritual, seguindo a tua imaginação por nada, pode falhar e cometer erros graves, mas se souber moldá-la, pode servir de ponte entre você e o deus que te aceitou entre os seus.

    Os predispostos precisam está preparados, pois quando a sua voz interna surgir, vários fatos intrigantes vão acontecer, inclusive coisas de origem sobrenatural, que parecem obra de um poltergeist, mas provavelmente virão deles mesmos. 

    A forma de saber se vem de si mesmo, é medindo sua temperatura corporal, pois o excesso de energia, fará com quê a mesma suba bastante, independente do seu elemento, mesmo os que tem afinidade com o gelo, poderão sentir a sensação de calor intenso.

    Ou tentando mensurar o seu comportamento psicológico, pois se estiver sob o estado de muita adrenalina, também poderá acabar por influenciar o ambiente com a tua força oculta.

    Já os humanos não precisam se preocupar, também podem empregar a sua energia oculta num ato mágico, sem ter alcançado o poder divino. É claro que no caso dos mesmos, coisas sobrenaturais serão raras, e provavelmente se acontecer, dificilmente virão dos mesmos. Contudo isso não significa que não há nada que possam fazer.

    O poder dos homens está em sua mente, um pouco mais que no caso dos predispostos, e os humanos podem usar a sua força, para realizar sonhos típicos da espécie, como: Ganhar muito dinheiro, um bom emprego, atrair o amor de suas vidas, melhorar a aparência etc.

    Não será algo instantâneo pois são limitados, por serem a imagem de seu Deus Jeová, mas mesmo assim, com o método certo, e os 2 níveis mental e físico, eles certamente atingirão as suas metas.

    Pois há uma energia oculta poderosa, que está disponível para todos, inclusive os humanos, e é através desta que podem inclusive, abandonar a condição de homens, para se tornar algo mais próximo dos predispostos, ou ainda mais poderosos que alguns.

    Capitulo 3- A Magia é vida, mas não é um ser vivo.

    A magia não é feminina, nem masculina, ela está acima de teorias tão mundanas.

    Atualmente vemos constantemente que a magia é algo especificamente feminino, que a mulher é detentora de uma enorme energia oculta, porquê somente a mesma é capaz de produzir a vida, e todo aquele blá, blá, blá feminista, do qual até mesmo Lilith já está por aqui.

    Ou pior ainda que o homem, por conta de seu intelecto voltado para o modelo mais racional da realidade, é naturalmente aquele que manifesta as forças de um verdadeiro deus, ou outras besteiras machistas que nos fazem entender, porquê o feminismo existe para se opor a tal pensamento.

    Nem o homem ou a mulher são os provedores de tal energia. Não separados pelo menos. Pois a mulher embora tenha o ambiente perfeito para gerar a vida, não pode fazê-lo sem a semente que existe dentro do homem.

    É totalmente desnecessário provar a sua superioridade através do seu sexo. Isto não é coisa de um bruxo real, mas sim de alguém que tem sérios problemas consigo, e precisa validar-se pelo quê tem no meio das pernas.

    No caso das mulheres, é como adotar uma postura semelhante ao machismo, que supostamente desprezam. No caso dos homens é apenas seguir sendo como os outros, quando, como ocultista , deveria ser melhor que os demais.

    Baphomet representa a união do feminino e masculino, e é uma das figuras mais poderosas do ocultismo, pois não expressa apenas a dualidade, mas a totalidade, que é o uno. A união  do céu e o inferno, do sagrado e o profano, e provavelmente é a imagem perfeita, de como a primeira causa seria, se a mesma se manifestasse em forma física, portanto aprenda a lição mostrada por esta imagem.

    A Magia não tem Religião.

    Muitos defendem abertamente que bruxaria cristã não existe, porquê a igreja perseguiu inúmeros bruxos na santa inquisição. – Até os 16 anos acreditava no mesmo, mas hoje tenho 24 anos, e sou obrigada a desiludi-los mais uma vez.

    O conceito amplamente defendido é que a magia pertence ao paganismo, e logo não pode ser praticada dentro das igrejas, ou por seus fiéis.

    Quem faz tal defesa, provavelmente se encontra no inicio da caminhada- Mas se já passou vários anos, e ainda acredita nisso, precisa urgente deixar de seguir a “massa mística” (O quê é irônico, pois nem deveria haver uma.) e conectar-se  com os deuses, pois apesar do quê imaginam, não estão nem os servindo, nem caminhando com os mesmos.

    Eles sentem como se a nossa cultura estivesse sendo saqueada dos templos sagrados, e entregues aos cristãos.

    E não estão errados, pois isto é o quê de fato aconteceu, antes da chegada de Cristo. – A bíblia sagrada cristã é um mosaico de textos ocultistas de outras culturas.

    Portanto o “roubo” já aconteceu há muito tempo, não é algo novo, e desta forma muitos fiéis já tiveram tempo suficiente para desenvolver os seus cultos. Existe até mesmo uma linha do cristianismo, voltada para os misticismos, então a bruxaria cristã não é algo novo, aceite isso.

    Além disto os grandes ocultistas conhecidos, estudaram as mesmas filosofias criadas por estes fiéis, antes de fundar as suas escolas de pensamentos. É o caso de Aleister Crowley - conhecido como “To Mega Therion”, a  “Besta 666”, “O homem mais cruel do mundo” - que ingressou na Ordem da Aurora Dourada, antes de criar seus Libers. Porém o quê poucos sabem, é que embora o mesmo tenha sido expulso da escola dominical, a Ordem que o recebeu, foi fundada através do ensinamentos distorcidos de Agrippa, que era um grande homem, e devoto do divino.

    Então não há necessidade de espancar e cuspir naqueles que descobriram tal possibilidade, pois pode até servir para contribuir em alguma coisa.

    Há tanta coisa que merece mais tal ódio, que realmente me dói a vista, ler tanto desgosto voltado para os que resolveram seguir um caminho diferente do nosso.

    Do momento em quê erguemos nossa espada para os homens apenas por conta da sua religião, estamos sendo tão sujos e hipócritas, quanto os inquisidores, que apenas apontavam o dedo para aqueles que discordavam da sua versão do mundo. – E eu sei que você não quer ser comparado com o teu rival, então não haja como tal.

    É importante frisar, que a magia supostamente foi trazida aos homens por aqueles que desceram dos céus, por isso a mesma não pertence a humanidade, e logo não deve ser julgada como se fosse.

    Lúcifer e os caídos ensinaram as mulheres, e lhes deram o poder, para realizar os próprios intentos. Mas de onde Lúcifer veio e onde a magia residia antes? Isso mesmo no plano celestial, ou a Deusa Desceu a Terra para ensinar os humanos a praticar a magia, e os guiar para o seu mundo. Quando não mais pôde ficar enviou a sua filha, para continuar o seu trabalho. Mas é sempre seguindo a premissa de quê a magia foi transportada de outro reino, que não é o quê vivemos.

    Então por favor, pare de usar esse contexto absurdo, de quê a magia pertence somente a um grupo, pois até nos textos antigos, pode ser comprovado, que “não é assim que a banda toca”. Hermes Trismegisto já dizia: O quê está acima, é o quê está abaixo. Entenda de uma vez por todas este conceito.

    A magia não tem política.

    Se você é de : direita, esquerda, liberal, fascista, socialista, ou qualquer outro partido conhecido, não importa.

    Novamente é algo mundano, que deve ser deixado em seu devido lugar.

    Não traga suas convicções partidárias para dentro da sociedade ocultista, pois não é bom misturar as coisas.

    Hitler e o Vrill estão aí para provar. 

    Ele obteve um grande sucesso ao realizar a sua missão, mas a sua mensagem real jamais foi ouvida, e pior ainda acabou por ser distorcida, com o decorrer dos anos. Sendo tratada como um massacre desnecessário, ou desumano, ou o grito de horror de inocentes, que nem eram tão inocentes assim. – A sua luta não era contra os judeus, e sim os sionistas, que supostamente queriam dominar o mundo, mas conseguiram fazer parecer que esta era a vontade de Adolf.

    Esta é a versão da verdade que conheço e acredito, pois a filosofia sionista e illuminati, em muito coincidem.

    Mas é algo em quê Eu acredito. Não significa que você é obrigado a crer no mesmo. Por isso saiba que há um espaço para a magia, e outro para a política, não é porquê um influencia o outro, que devemos misturá-los.

    O Tudo é o Todo, e o Todo é Um. Só que é preciso compreender suas metades, para poder entender como se complementam.

    A Magia não tem etnia.

    Não importa se tu és negro, branco, hispânico, índio, ou qualquer outra raça conhecida. Todos são humanos, ou ao menos meio-humanos, no caso dos predispostos. Assim sendo devem respeitar uns aos outros.

    Se o branco quer fazer parte da gira, deixe-o entrar. O mesmo vale para o negro que anseia entrar num sistema mais elitista como o luciferianismo ou o satanismo.

    Salvo apenas exceções para filosofias voltadas para o racismo como a Skull and Bones por exemplo. Porém creio que tais ideais são como feminismo e machismo, e precisam ser abolidos da face da Terra, pois só servem para validar a vontade, de gente tão pequena que se define por sua cor ou sexo.

    A magia não tem estilo.

    Vocês encontrarão gente de todo tipo no caminho. Mulheres com roupas provocantes, homens maquiados, moças de turbante, rapazes de dread, gente de preto, gente de branco, e isso não significa absolutamente nada.

    A roupa que a bruxa veste, não representa o seu poder, apenas expressa a sua mais forte emoção, aquilo que mais gosta, e tem alguma afinidade.

    Ou seja não é porquê uma bruxa veste preto, que ela trabalha para Satã, ou porquê uma bruxa usa vestes coloridas, que esta serve a deusa e o deus.

    A diversidade neste meio é muito grande, logo nem tudo o quê aparentemente é, de fato é. Quer dizer há casos de bruxos que se vestem como anjos, mas trabalham com energias bem densas, e o mesmo ocorre com aqueles que se vestem como demônios, mas praticam magias menos pesadas, pois é o quê podem suportar.

    Há bruxos que pouco estudam, mas conseguem obter grandes resultados. – Embora mais tarde acabem achando que o hospício é o lar doce lar.

    Há ocultistas que procuram estudar mais do quê necessário, e quê embora criem barreiras no seu desenvolvimento, se sentem mais confortáveis, em suas limitações.

    Então não adianta ditar que a magia é um estilo de vida, pois cada um é livre para encontrar o tipo de vida que o mais o agrada. – É claro que adotar a prática diariamente, certamente vai te ajudar a obter bons resultados, pois condiciona o cérebro a destruir o empecilho do impossível. Entretanto isso não é uma obrigação, nem uma regra. Você decide o quê se adequa a tua condição. - Até porquê há aqueles que compartilham seu lar com outras pessoas, que não apoiam as suas práticas, e por isso precisam de outros meios, de gerar uma boa atmosfera mágica, que não implique em desrespeito aos que lhe oferecem um teto, e seja viável para executar.

    A magia é uma energia.

    A magia é formada de átomos de energia positiva e negativa, e você é o nêutron que rege tais forças. 

    A magia não tem voz, ela apenas te ajuda a encontrar a sua. A magia não pode ser um corpo, mas te ajuda a moldar o teu. A magia não ouve, mas te faz ouvir. A magia não vê, mas te ilumina para enxergar. A magia não sente, mas te impulsiona a sentir. A magia não pensa, só que intervém em teus pensamentos.  

    A magia é uma força gigantesca, que se bem canalizada, pode criar ou destruir a vida, mudar ou colocar as coisas no lugar, alterar o fluxo ou mantê-lo, incendiar ou apagar o incêndio. É a mais perfeita expressão da linguagem divina, proveniente da Primeira Causa. É a matriz de onde tudo nasce, da qual pode beber de sua energia.

    A magia é vida, pois é movimento, e ausência do mesmo, é luz, é sombra, é claro e escuro, é impulso, é neutra, é causa e efeito, mas não é um ser vivo.

    Consequentemente não pode ser tratada como tal. A vista disto não lhe atribua as características de um humano, fazendo-a ter: sexo, política, etnia, ou estilo, pois esta é muito maior que tais convicções.

    Capitulo 4- O Mundo sem o véu.

    Já trabalhamos em cima da atmosfera mística , e a importância do aspecto mental, para criar tais condições, e portanto aplicar a energia mágicka. Mas como é que o mundo se torna, após quebrar a barreira do impossível? 

    Primeiramente o mundo de concreto, continuará o mesmo, são seus olhos e o olhar que se tornarão diferentes. 

    Provavelmente deve ver diariamente a batalha entre os céticos e os ocultistas. “Só confie na ciência pois há como comprová-la e a magia é apenas crendice.” Dizem os apaixonados pela ciência. “Abra seus olhos, há um mundo mágico por trás deste, e somente a fé nele é o suficiente para manifestá-lo. A ciência é uma tolice, um insulto as forças divinas.” Dizem os aficionados a magia.

    Você pode de imediato concordar com a segunda visão, mas ambas estão erradas. – Embora a parte do conceito metafísico (o mundo por trás do mundo) seja correta.

    Quando se encontra de fato com o oculto, você percebe que magia e ciência, servem para dar as mãos e não se destruírem, como se fossem inimigos velados.

    Essa rivalidade trivial, não é digna de um ocultista, pois o mesmo tem consciência, de quê muito do quê temos hoje antes era visto como místico.

    Imagine-se em 1500 com um celular em suas mãos, certamente as pessoas do tempo, ficariam maravilhadas, e depois iriam temê-lo, ao ponto de queimá-lo vivo, sob a declaração de prática de bruxaria. – Mas nos tempos em que vive, sabe que se trata de ciência, e isto o faz rir.

    Essa perspectiva a princípio pode deixá-lo desnorteado, só que é um fato. Eles nem parariam para estudar a respeito, pois naquela época a Terra era movida pelo medo.

    Muitos cientistas foram tidos como hereges no seu tempo, e jogados no fogo purificador dos santos, então tentar separar o inseparável é bobagem. – Todavia é significativo que saiba que não basta compreender as metades, é necessário entendê-las a fundo.

    A ciência é um meio de comprovar se um fato é real ou falso. Embora seus métodos, pareçam servir somente para desbancar a existência de seres maiores que a humanidade. Eles também podem ser usados, para por exemplo separar, quem realmente viveu uma experiência sobrenatural, e os que apenas precisam de tratamento psiquiátrico. – Lembrando que alguns eventos de natureza mística, podem ser tão devastadores, que causam este efeito de estresse pós-traumático.

    Logo se a ciência serve para medir o evento, o esoterismo é o evento– Uma manifestação nua e crua da natureza, que para muitos foi esquecida, e que tem mistérios a serem desvelados.

    Desta forma o primeiro ponto é esse: A inexistência de um padrão dualista, e percepção de que o universo é realmente um, cujas as metades unidas, o fazem completo.

    Além disso, quando você se conecta de fato com o cosmos, ele também se junta a ti, e assim desenvolve o quê é conhecido como inteligência divina. – Não que vá conseguir resolver cálculos matemáticos complicados em segundos, como no filme Transformers, mas certamente libertará uma sabedoria, bem diferente da dos demais, e que vai te ajudar a se compreender melhor.

    No caso daqueles que tem a predisposição, poderão descobrir mais sobre a linhagem, através das memórias dos deuses, que vão lhes transmitir informações sobre a sua missão, e o nível dela. – Se será fácil ou cheia de obstáculos.

    Já os humanos, terão como resolver as suas grandes questões, a respeito de quem são, e de onde vieram de fato, podendo inclusive conhecer o criador da sua espécie, e lhe pedir a dádiva divina. – Mesmo que tenha um preço alto a se pagar.

    E este é o segundo ponto: Saberá sem ter visto nada antes. – Mentalize a seguinte situação: Você é um estudante de médio conhecimento sobre a Deusa Afrodite. Tudo o quê sabe é que é a Deusa do Amor, e que seu par é Hefestos, o ferreiro do Olímpo, e outras pequenas coisas. Do nada seu corpo se desliga, e você tem a visão de Afrodite na cama de Ares, o Deus da Guerra dos Gregos, e Hefestos quer provar a sua traição. Você retorna, acha aquilo estranho, e decide pesquisar sobre isso, então lá está o quadro que retrata a sua visão. É o quê vai acontecer, quando libertar este tipo específico de aprendizado.

    Novos mundos irão se apresentar a ti, mas eles não serão físicos. Sempre que meditar, terá visões do teu verdadeiro lar, que não é este planeta, e ao fazer a viagem astral irá sentir, como  são as outras civilizações.

    Há chances de prestigiar o mundo, em que o Deus que te acolheu habita, e assim receber dele algumas direções, para te ajudar a cumprir o teu propósito.

    É quando começará a entender a teoria de Giordano Bruno, sobre os milhares de planetas, que existem além da Terra, e a diversidade presente nos mesmos.

    Deixará de crer em filosofias como criacionismo ou evolucionismo, e aceitará o design inteligente, que lhe parecerá a resposta mais plausível, para a origem das espécies existentes.

    Verá que a panspermia cósmica, é uma ideia incompleta, pois a vida não se forma do nada, é preciso de uma causa que a gere, e esta é ninguém menos que o próprio Uno, que você conhece como Universo.

    Ao entrar no plano invísivel , começará a duvidar se está vivo, ou preso em um sonho, do qual acorda todas as noites, e retorna para casa. – É lindo, porém se você criar afinidade com apenas o outro lado, esquecerá que não habita nele, e isto te trará consequências terríveis, como buscar o abraço gélido da morte por exemplo, e ao fazê-lo, se levará a dimensões sombrias, que deram origem ao termo adotado como Inferno, o quê atrasará ainda mais a sua volta.

    É preciso que se lembre sempre, de quê embora a sua casa seja a anos luz daqui, há pessoas que precisam de você, e tu tens uma missão a cumprir, antes de retornar para aquele lugar que te faz tão bem. – Quando fizer a projeção, tenha ciência de quê está fazendo uma visita, e não se mudando pra lá.

    Alguns rapidamente encontram o caminho de volta para as estrelas, outros demoraram, pois não estão prontos para aceitar, que aquele canto maravilhoso, o aguarda, mas ainda não é o momento certo. – Ou pior, devido as espécies superiores e inferiores, que vem se aniquilando há milênios, não há pra onde ir, e só pode aprender com o quê restou, da sua civilização materna.

    Outra coisa, é importante também ter conhecimento de quê, tudo o quê tem no outro mundo, não pode trazer para o físico. O máximo que conseguirá, é uma versão fantasma da coisa em questão.

    Portanto se atravessar o mundo dos dragões para este, montando em um deles, o mesmo não vai se materializar em teu quarto, como se fosse um animal comum, e somente os que desenvolveram A Visão, poderão enxergá-lo, (ou nem isto, pois há os que escolhem com quem interagir).

    Há muitas críticas no meio sobre o quê os bruxos já viram ou experimentaram.  Qualquer magista que tenha  visto duendes ou dragões, e se juntado a estes numa experiência mística, é friamente julgado. Então mesmo que adentre no outro lado, é preciso que não fale isto para quem não presenciou o mesmo, pois dificilmente vão compreender. – Salvo exceções aos que se dizem ocultistas, mas precisam de substâncias alucinógenas para adentrar no outro mundo. Estes realmente possuem pouca credibilidade sobre o quê presenciaram, pois as drogas não te ajudam a conhecer a outra dimensão, no máximo consegue refletir o teu interior. Isto não significa que me oponho ao seu uso, pois cada cabeça tem uma sentença, e sabe o quê é melhor para si. No entanto quando se trata de experiências extra-sensoriais, o uso de tais artifícios pode lhe ofuscar A Visão.

    Não estou falando da visão física, mas sim do terceiro olho, o olho que tudo vê, o olho que não enxerga somente o concreto, mas os átomos que o compõem, e vibram na mais baixa frequência, para torná-lo pesado.– É o olho que desmembra a realidade, para que conheçamos cada um dos seus mais profundos mistérios, e certamente você não querer perder essa capacidade. Pois uma vez que encontra o plano místico, os seres do plano místico te encontram também, e nem sempre isso é algo positivo, pois a maioria detesta os seres esquecidos na Terra, e anseia destrui-los, para que não retornem ao mundo deles, com medo de serem “infectados” por ideias humanas.

    E aqui é que a situação piora, pois os seres que odeiam os meios- terrestres, e terrestres em sua totalidade, fazem de tudo para que  os bruxos, não consigam atravessar a ponte do astral, para o Etérico – O plano acima do astral, (que também pode ser reconhecido como o Consciente Coletivo de Jung) terão as respostas necessárias, para evoluírem suas consciências, sobre quem são.

    Eu sei parece o roteiro de algum RPG, e se quer saber a realidade, o mundo invisível não é tão diferente do mesmo. Então se anseia entender a respeito, sugiro que comece a jogar, e estude todo o sistema, para quê saiba de suas limitações.

    Aliás creio que quando disseram que Deus jogava com dados, se referiam a isto, pois tudo depende das circunstâncias. Deus lhe oferece alternativas, e você no início, quer seguir adiante, e derrotar o monstro com um golpe de misericórdia. Contudo Ele no poder de mestre do jogo, prefere que lute contra o monstro, da forma mais humilhante que há, e perca teus braços e pernas. Ambos atiram seus dados no tabuleiro. O resultado dele é 7 o seu é 2, sua vontade é alterada para que a dele seja atendida, e você nobre peregrino, acaba por perder teus membros na batalha contra o gigante.

    Pois não importa o quanto digam que A Tua Vontade é A Lei, seus artigos podem ser alterados pela diretoria, que foi gerada pela Lei Imutável dos Antigos. 

    A sua vontade, não é o suficiente para alterar algo monumental, principalmente quando se trata do seu encontro com o Mestre do plano Superior. Pois naquele lado há uma egrégora poderosa, que foi alimentada por milhões, e a diferença do milhão para um é muito grande.

    Você certamente deve está pensando, se é assim que graça tem em praticar magia? A mesma de jogar. Pois quando você segue dentro dos padrões sociais, apenas está sendo parte do cenário, e não tem controle das próprias ações.

     Mas quando modifica o rumo, ao menos tem a chance de escolher, ou seja está pegando os seus dados, e se preparando para alcançar a glória do verdadeiro livre- arbítrio.

    Porém assim como para jogar um RPG, você precisa muito do quê o dado, na magia não é diferente. É necessário escolher um personagem, ou no caso do ocultismo, uma vertente, como a magia draconiana por exemplo.

    Feito isto, não basta apenas manter o personagem, é preciso fortalecê-lo, para encarar o mundo que o aguarda. No RPG com armaduras, joias, e outros apetrechos. Na magia com sigilos, círculos, linguagens desconhecidas, etc.- E mesmo que seu personagem esteja no nível máximo, sempre haverão aprimoramentos, para torná-lo cada vez mais capaz de alcançar os objetivos, que lhe são apresentados na jornada.

    Portanto antes de adentrar de vez no mundo translúcido, ou tentar remover o véu do mundano, se prepare devidamente, pois nem sempre o mestre vai com a cara do seu personagem, e no seu caso essa potência é ninguém menos que o próprio Deus. - Não o Deus dos Ocultistas, que é a força ilimitada e geradora. Mas sim o quê foi criado por uma egrégora de humanos ambiciosos, e mal intencionados, que conheceram um ser, que achou que poderia tomar a coroa cósmica de quem o gerou, e o fortaleceram o suficiente para ser aquele que hoje comanda muitos mundos. É, eu sei parece a história de Lúcifer, mas este é um clássico caso, em quê o vilão se denuncia pela sua versão deturpada dos fatos, e quem tem o bom senso consegue perceber as entrelinhas. – Leia o Antigo Testamento, como um livro comum, e verá que o Deus do Amor, é na verdade uma expressão do mais puro Ódio. 

    Além destas alegorias, há muitas outras, então fique atento, e aprenda a jogar, ou siga como a massa permitindo que o mestre controle o seu destino, sem jamais se opor a tudo o quê te acontece, e ficando grato pelo pão e o vinho na mesa, assim como pela morte dolorosa de toda a sua população, porquê este quis assim.

    Capítulo 5 - O fanatismo, o grande veneno mágicko.

    No capítulo 4, abordei sobre o outro mundo, mas primeiro expliquei sobre o maior dos empecilhos para chegar lá, pois é importante que esteja ciente, de quê nem tudo são flores.

    Posso ter passado a impressão de quê estou em cima do muro, sobre Deus e o Diabo. Mas o fato é que, quando se conhece ambos os lados, fica claro que a ideia do preto e branco, não serve para nada.

    É claro Jeová é cruel, é o Deus dos homens, dos pecadores. Contudo é um verdadeiro Ares da religião judaico-cristã, não há quem duvide da eficácia de suas estratégias, e isto é admirável. – Apenas discordo de algumas metodologias dele.

    O mesmo ocorre com Lúcifer, ele é meu pai, e certamente me orgulho disto. Porém não concordo em evitar a massa. Apesar de não pertencer a ela, seus tipos de entretenimentos são bem agradáveis.

    Então é aqui que se percebe, a razão para não apoiar fanatismos. Se fosse obcecada por Lúcifer, concordaria com tudo o quê dissesse, mesmo que fosse contra aquilo que gosto, somente para ser o quê ele supostamente espera de mim.

    Isso é errado. Além da grande falta de amor próprio, há também o risco de ser manipulado por entidades maléficas, que não caminham nem com a luz, nem com as trevas, apenas servem a si mesmos. – O quê não é errado, mas do momento que atrapalha a vida do outro, se torna prejudicial.

    São seres que passaram grande parte da sua vida, sob a sombra dos senhores, e que jamais conseguiram ascender como eles, e por isso na primeira oportunidade, os apunhalaram pelas costas, e assim foram jogados num mundo caótico, de onde vez ou outra saem para atormentar, sob a forma de fantasmas, que sussurram coisas em nossos ouvidos. – É como se fossem os empregados que se dedicaram a empresa, sem terem recebido uma proposta de aumento, e mesmo assim esperaram subir de cargo, e quando nada aconteceu, começaram a destruir o prédio para que ninguém mais trabalhasse. 

    Uns os chamam de demônios, mas isto é um insulto aos seres do mundo inferior. Então prefiro seguir com o conceito da umbanda, de espíritos obsessores, e embora grande parte diga que se tratam apenas de seres humanos, poucos sabem que não são apenas os homens, que tem problemas para evoluir.

    São criaturas que em vez de terem visto alguma oportunidade, abraçaram as limitações como desculpa, para concentrar a sua ira em algum foco.

    E porquê estou falando nelas? É bem simples na verdade. Porquê tais seres encarnados ou desencarnados, costumam se aproveitar da fé alheia, para que cumpram seus objetivos atrozes, de destruir a base das filosofias, que supostamente os abandonaram.

    Portanto quando você se entrega demais a fé, não consegue perceber as armadilhas dos mesmos.

    Imagine duas situações: Primeiro há um padre de uma cidade pequena, cheia de gente analfabeta, mas com muita fé em compensação.

    Eles acreditam que apenas a palavra de Deus, proferida por seu padre, é a verdade imutável da vida.

    Contudo tal líder, pouco se importa com as palavras divinas, apenas as estudou, para ter poder sobre as pessoas, e assim usá-las como bem entender.

    Ele tira das mesmas: o seu dinheiro, os seus filhos, a sua liberdade, e os faz segui-lo cegamente, em rumo a completa perdição, pois sabe que está condenado, e quer levar quem puder junto.

    Como se não bastasse, para garantir-se, diz que é a vontade de Deus, toda vez que o questionam, e pior ainda, faz com que seus seguidores, repudiem qualquer figura pública, que pode desmistificar a sua falácia. – E se a tática funciona, mostra as suas garras, é quando por exemplo reúne os mais devotos, e os influencia a matar alguém, alegando que a pessoa está sob possessão demoníaca. (Não que discorde da existência da mesma, mas creio que eu, que o quê parece palhaçada para quem entende, é assustador para o ignorante, e o medo, sempre gera caos, se mal empregado) 

    No segundo caso, a mentira é um pouco mais articulada. O sacerdote diz que você é livre, que não precisa mais seguir nenhuma regra do “Nazareno”, que a vida começa agora, e os pecados não passam de uma bobagem.

    No início nenhum centavo é tirado, eles apenas promovem festas de orgia. – O quê não é ruim se for solteiro, mas o verdadeiro preço, que vem depois sim.

    Você se envolve nas palavras do sacerdote: Não há Céu, Não há Inferno, somente o aqui e agora, então façam valer a pena do jeito que o diabo gosta!

    Assim como o padre, tal sacerdote não está interessado no crescimento do seu grupo, somente quer arrastá-los para o fundo do poço, para que precisem dele, e é aqui que o golpe se torna mais evidente.

    Pois toda vez que a pessoa quer sair da tristeza por sua vida vazia, surge um novo motivo para deixá-la em tal estado. – É, o sacerdote, não carrega tal acunha, sem ser praticante de magia.

    Após fazer com que a vítima de seu magnetismo ( e alguns espíritos), comece a enlouquecer, vem as ofertas absurdas. “Mate um bebê para Satã, e ele te libertará destas correntes.” Diz o mesmo. Mas convenientemente, esquece de contar que a criança escolhida, é filha da ex com o atual - que percebeu o bosta que ele era, e o deixou.

    Eu sei parece inacreditável, mas a situação somente se agrava, pois no fim das contas, o padre e o sacerdote, se encontram longe dos olhos de todos, e assumem que suas jogadas, estão sendo bastante eficazes. Pois se os cristãos ficarem longe da magia, que os levam a questionar, e os satanistas evitarem o sentido de certo e errado, nunca conseguem atingir o estado da iluminação, para descobrirem a quem de fato servem, e que não é nem ao Diabo, nem a Deus.

    Estas criaturas são ainda mais inescrupulosas que Jeová, pois enquanto o mesmo ainda recompensa os seus, estes seres apenas fazem os demais afundarem, e nunca reconhecem os seus esforços, porquê como disse antes, sentem-se injustiçados, e que todos merecem a sorte que tiveram, por serem tão tolos ao acreditarem neles.

    Então não deixe que a sua fé te domine, mesmo que seja parte do plano superior. – Ela pode abrir portas, mas se não souber onde pisa, acabará indo para uma selva, e mergulhará em areia movediça.

    Somente a fé, nos faz ficar cegos. Da mesma forma como seguir somente a ciência, nos faz deixar de perceber, o tamanho da plenitude do universo, e que nem tudo se resume ao que é “concreto”. – A verdade mística não pode ser medida por filosofias dualistas da humanidade, pois esta se perdeu há muito tempo.

    Então como nos impedir de chegar a esse ponto? 

    Não há um método certo, e que tenha 100% de eficácia. Mas após várias pesquisas de campo, com base em observação, percebi algumas formas, que listarei a seguir:

     Evite defender a sua fé com paixão. – Não estou dizendo que não deve amar o quê faz, mas sim que precisa saber a diferença, entre o amor e a paixão. Amor é uma chama pequena, que serve para nos aquecer numa caverna. Paixão é um incêndio, que se alastra, destruindo toda a floresta, e se não ficou claro Paixão é um caso de amor intenso, impulsivo, e descontrolado. Amor é quando duas pessoas completas, compartilham uma vida juntas, sem desistir de quem são, pois escolheram andar com o par, e não dominá-lo.

     Estude tanto o seu opositor, quanto aqueles a que apoia. – Não estou dizendo que precisa se tornar um cdf de magia. Todavia é preciso sim ter conhecimento do quê faz. Então antes de julgar o inimigo, tente descobrir sobre as suas motivações para agir de tal forma. Concordar ou não, está fora do caso, mas é importante ver até onde o boato relatado é real.

     Haja como cético. – Apesar da correlação com o item anterior, é importante nos focarmos no fato, pois ser cético, é duvidar bastante da história, antes de aceitá-la como verdade, e é esta postura que deve tomar, sempre que uma coisa, que desconhece, surge na tua porta.

     Procure informações imparciais – Se o bruxo diz que a sua deusa é santa, e a religião a condena como “demônio”, é bom evitar ouvir ambos, e buscar por uma voz, que trabalha todos os aspectos da deusa, desde os puros, aos mais pecaminosos.

     Não fale sobre sua filosofia com eles. – Um fanático não tem nada para acrescentar na sua busca por conhecimento, a não ser, que queira estudar sobre transtornos de personalidade, ligados a estresse pós- traumático. Mais terrível ainda, pode te levar pro fundo do poço junto com ele, pois te faz crer no mesmo mundo maravilhoso, em que os seus superiores o colocaram. Então se tem um(a) amigo(a) que sofre disto, fale sobre qualquer assunto, menos deste.

     Rejeite as palavras do fanático – Não precisa humilhar a pessoa, por conta do seu fascínio. Afinal o fanático em si, é apenas uma pessoa apaixonada, sendo controlada por terceiros. Então sempre que notar os traços de fanatismo, lembre-se de que ela é apenas o papagaio repetindo o quê ouviu, e não sabe o quê fala.

     Conheça os traços de fanatismo. – Um ser tomado por esta paixão doentia, manifesta alguns sintomas como: 

    Palavras vazias. – O(a) sujeito (a) fala como se entendesse do assunto, mas ao ser confrontado, e obrigado a defender os interesses, com ideias próprias, fica mudo, ou tenta alterar o rumo da conversa. Fingem sensatez e calmaria. – Frases como “O mundo é injusto, por causa de...” são bem comuns no seu vocabulário, pois estes conhecem o Uno, mas são incapazes de entendê-lo.

    III. São agressivos. – Se mudar o rumo da conversa, não funcionar, eles começam a se irritar bastante, e por isso se tornam violentos.

    Não suportam a verdade. – Diga-lhes que Satã é bom, ou que Deus é engenhoso, e verás o fanático demonstrar, a escuridão mais profunda daquilo a que serve. São iludidos. – Não conseguem extrair a verdade de um material fabricado para entretenimento, e pior ainda, tomam para si o todo como verdade absoluta. (Depois saem matando hereges ou sacrificando virgens porquê o programa ensinou.) Veem sinais onde não há nada. – Que há sinais no universo, todos nós sabemos, porém achar que tudo é sinal de alguma coisa, sem antes avaliar os aspectos psicológicos, entorno de tal possibilidade, é sim um erro. Se você sonha com um homem te perseguindo, após ter assistido um filme de terror, ou vários, isto certamente comprova que no fundo, não suportou tão bem quanto pensava. Agora se você sonha com anjos te ajudando, quando a sua vida, é totalmente voltada pro satanismo, é bom avaliar o quê significa.

    VII. Carregam olhos vazios, e parecem está sob efeito de drogas pesadas. – Eles podem tentar forçar o riso, para demonstrar que estão 100% satisfeitos, mas se olhar bem, verá sinais físicos, que denunciam a sua infelicidade como: Olhos de quem foi vítima de hipnose, sorriso que não condiz com os mesmos, magreza ou gordura extrema, tremedeira, e fala lenta, cheia de pausas excessivamente longas, (mesmo que não condiga, com a sua regionalidade) ou discurso caloroso e agitado demais.

    VIII. São ativistas do templo. – Que há fiéis enjoados dentro das igrejas voltadas para o culto cristão, já estamos cansados de saber. Mas sim, também há fanáticos no templo pagão. São bruxos e bruxas, que vivem querendo impor a sua crença, mesmo que isto não seja bom para a própria imagem.

    Não tem noção do quê fazem – São como crianças de 3 anos, que repetem os gestos dos líderes. Nunca questionam os seus superiores. – Nem conseguem, pois a lavagem cerebral intensa, os tornou submissos.  Te amam, somente enquanto concorda com eles. – Discorde de uma ideia sobre a sua conduta, e eles te queimam vivo (literalmente ás vezes).

    Em algum momento da vida, podemos apresentar, alguns destes sinais, já que independente do caminho que seguimos, nós o amamos, não importa o quão complexo seja. Mas é bom lutar contra tais atitudes, pois elas só servem para nos envergonhar, e também nos distanciam dos deuses, e consequentemente do quê é real e falso.

    Capítulo 6 – A verdade liberta, mas é dolorosa

    É, nobre forasteiro, se a vida tem sido fácil, e as verdades que descobriu até o momento, não lhe trouxeram nenhum problema, ou representaram tudo aquilo que sempre quis, sem algum esforço, e nem sangue ou suor foi derramado. – Significa que a parte boa está acabando, e é melhor está preparado, ou você é vítima da sua própria mente.

    No segundo caso, é algo muito comum atualmente. É o quê chamo de iluminação de holofote. Trate-se de uma pessoa, que sai dizendo que é superior aos demais, ou força transparecer que já atingiu o nível máximo da evolução cósmica. – Mas antes dos beijos de luz, deixa subentendido que te quer “queimando no inferno”.

    A verdade nunca é aquilo que serve para compensar uma perda, mas sim confrontar a existência do ser, por ter sido pré-estabelecida há muito tempo, e isso nos leva a um tópico interessante: Os bonecos que pensam ser filhos dos deuses.

    Hoje em dia tem muitos filhos de Lúcifer e Lilith por aí. Se for contar nos grupos de magia do Brasil, há mais ou menos “mil” deles. – Razão pela qual, prefiro me manter em silêncio a respeito disto, pois me sinto envergonhada.

    Assim como há também as crianças Percy Jackson – Jovens entre 11 e 18 anos, que se encantaram pelos programas, que são focados na visão etérica (e distorcida) do mundo, e saíram mundo a fora, batendo no peito, e dizendo eu sou um (a) semideus!

    Em ambos os casos é algo bastante incômodo, pois se for falar com tais seres, muitos são vítimas do fanatismo midiático, e não só não possuem habilidades, como também mentem, para dar a impressão de quê são “especiais.”

    Chego a sentir dó dessas crianças, pois o tempo que gastam tentando provar o quê não são, poderiam usar para adquirir conhecimentos, que os levassem a encontrar os deuses, e dependendo do contexto, serem abençoados por eles, ao ponto de desenvolverem algum dote.

    Não seriam semideuses, mas e daí? Quantas lendas maravilhosas serão necessárias, para que entendam, que nascer humano, não significa morrer como tal?

     Olhem o exemplo do conde Vlad III, o turco, que empalava os seus inimigos vivos, e deu origem ao vampiro mais famoso das décadas. Ele iniciou como humano, mas hoje, para muitos, é visto como um Deus Noturno.

    Então novamente o quê você é no momento não importa, o quê pode vim a se tornar, após a caminhada sim, portanto pare de perder tempo, forçando ser o quê não é, e abrace quem é de fato.

    A verdade, não é aquilo que deseja, e sim o quê necessita.

    Você pode morrer gritando aos 4 ventos, que é filho (a)  de um deus (a) mas se não for, sempre haverão ausências de sinais legítimos, e a magia não vai se manifestar, mesmo que a sua fé seja grande, pois haverá um forte bloqueio em teu caminho.

     Porém quando realmente é algo, até as coincidências, serão ligadas ao deus com o qual sente a conexão.

     É o meu caso. Quando me foi revelado que era filha de Lúcifer, me opus a isso, com toda fibra do meu ser. – Tinha acabado de ler Lex Satanicus, e via Lúcifer e Satã como seres distintos. Sendo Lúcifer, o belo e inteligente, que tem repulsa ao mundano, e Satã um charmoso nerd, que se divertia em qualquer lugar.

    Jamais pensei em Lúcifer, como sequer meu semelhante, pois apesar de ter problemas para me socializar, não desprezava a sociedade, como ele, e isso foi um grande baque para mim.

    Como se não bastasse, além de ser filha do ser mais inteligente e cheio de conquistas, também me foi revelado que eu era um anjo, e foi a gota d’água, porquê detestava celestiais, e todo o plano superior na época. – Tinha 17 anos, e os hormônios agiam com grande potência em meu organismo.

    Não foi da noite  para o dia, que consegui aceitar. Receber a notícia de que era filha de Lilith foi fácil, pois já tinha notado traços de personalidade, bem semelhantes aos da deusa antiga, que ao contrário do quê a maioria pensa, não nasceu de um mito Judeu, mas sim Sumério, sob o nome de Kiskill-Lila, a filha legítima da deusa Terra, ou Antu, também conhecida como Tiamat, pelos Babilônicos. – Então sei que Lilith não é a deusa suprema, e também que não foi criada para o Adão.

    Lilith era uma deusa lasciva, hipersexualizada, que seduzia os homens, para torturá-los. Tinha ódio da humanidade, por ter sido substituída, por uma mulher inferior. Gerava abortos, para não mandar suas crianças sagradas, para este buraco conhecido como planeta Terra.

    Eu a admirava, me sentia como ela, sentia seu poder em minhas veias, e gostava muito da sensação. Mas como disse antes a verdade não é algo que tapa buracos, por isso tinham aspectos negativos, sobre ter o seu sangue.

    Meu impulso agressivo era muito forte, meu desejo sexual também, ás vezes manipulava as pessoas para o benefício próprio e nem percebia, e pior fui inclinada a uma vida pecaminosa de traição, que por muito esforço, não foi física. – Com exceção ao homem com o qual sou casada, mas ele era meu amante, e não o traído.

    Além disto, como carrego duas naturezas divinas em meu DNA cósmico, tenho peso de consciência sempre que pratico atos de maldade, com aqueles que não deveriam receber a escuridão de mim. – Mas os que a merecem, ou esqueço, ou me vanglorio da vitória.

    Saber destas e outras coisas, foi um enorme desafio, principalmente porquê não entrei no caminho, achando que era um ser celestial ou demoníaco. Apenas o fiz para entender, porquê minha família toda, possuía um passado de histórias fantásticas ou sombrias, e coisas estranhas aconteciam comigo desde criança.

    Quando bebê, meu andajá  se ligava sozinho de madrugada, e isto causou tamanho pavor nos meus pais, que estes queimaram o objeto. Já um pouco mais velha, quando me irritava as coisas caíam sem tocar, se sentia muito ódio, os eletrônicos pegavam fogo perto de quem me magoou, ouvia passos há metros de distância, encontrava objetos perdidos através de sonhos, e literalmente deslocava  meu espírito de um mundo para o outro. – Na infância entrava numa espécie de transe, que me levava para uma dimensão, onde os belos eram maus, e os seres horrendos me protegiam, mas não sabia o porquê. Assim como costumava dizer que o bicho papão era meu amigo, muito antes de lançarem filmes sobre o tema ( quando o entretenimento era voltado para bom é bonito, e mal é feio.) Tal capacidade assustava a minha avó materna, que me pegava falando “sozinha”, e acusava que eu conversava com demônios.

     Como se isso não fosse o suficiente, quando estava na quarta série, e estudava numa escola de esquina para o cemitério, chamada Guanabara, cheguei a me deparar com o mundo sobrenatural, e creio eu que a própria morte, pois era um ser de mortalha negra, que apareceu em meio a penumbra, iluminada por pequenos raios de sol, depois de ter me encontrado com torneiras, que se abriram sem o auxílio de mãos alheias. Não fiquei lá para conversar, tinha 10 anos na época, por isso sai correndo, e ao entrar em contato com meus colegas, tentei não parecer que tinha medo, ou visto algo. Dentre outras histórias, que vieram depois, mas que se eu citasse seria difícil de crer, então vou parar por aqui.

    Quando me abri para o satanismo, não tinha a intenção de ser uma das filhas de Satã, ansiava apenas por ser uma soldada, que guiaria as pessoas para os seus devidos caminhos.

    Por isso ao ser confrontada com visões, e gente muito mais surtada do quê eu mesma, acabei por duvidar de tudo. – “Ah tah eu sou filha de Lúcifer e Lilith, e a herdeira do Inferno, Aham, acredito” ou “Este é o cúmulo da infâmia”. “Tanta gente lá fora, querendo isso, e eu aqui apenas seguindo a minha jornada sem acreditar que sou eu.” “Por quê Lúcifer e não Satã?” – Relembrando que na época via-os como gêmeos negros, não uma totalidade de opostos complementares.

    Não foi algo simples, e pra piorar fiz uma cota de inimigos, que achavam que eu não era digna. – E não ligava muito, pois também concordava com isso, só brigava quando se tratava de mim, não da minha suposta “herança”.

    Até hoje sigo duvidando, mesmo que bem lá no fundo, saiba que é verdade, e que aceitar isso é o melhor caminho. Só que sou muito cética, para abraçar tal fé sem provas mais consistentes, e outra eu nunca quis sentar no lugar de Lúcifer, só de está na sua presença, com meus dragões, e meus aliados, já me sentiria feliz. –Apesar das reservas, que tenho, por ele ter interferido para que soubesse, como era ser a ovelha negra da família, e iniciar uma conquista, com apenas as asas e a essência. Todavia há sinais de quê sou da sua linhagem, e vou citá-los, para quê fique claro, quando alguém é um filho, e quando não é. São eles: 

     Nascimento que parece milagroso, mas é maldito: Quando minha mãe engravidou, ela teve rubéola, e o caso foi tão grave, que o médico mandou-lhe me abortar, mas ela se opôs a isto, e fez promessa a uma santa, para garantir minha segurança, e vim saudável. — A igreja Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, quase pegou fogo em 2013, quando houve um incêndio de grandes proporções em Macapá- AP, que foi inclusive noticiado no jornal nacional, mas a causa por muito tempo, foi um mistério insolúvel.

     O meu número da sorte ligado a data do meu aniversário: 15/02/1995 foi quando nasci, e 15 é o meu número da sorte desde criança. – Afinal ganhava festas e presentes. O mesmo dígito é considerado o número do Diabo no Tarot. Além disto se somar todos os algarismos de maneira cabalística, resultará em 5, que lembra o pentagrama, um símbolo bastante comum na magia, e o 1,5 é uma das partes presentes da Deusa Babalom, de Aleister Crowley, representada em sua totalidade por 156.

     Os fenômenos de 15/02: O dia é marcado por grandes eventos históricos, ligados a Nova Era, e ao mesmo a antiga. É no dia 15 por exemplo, que comemora-se a Lupercália, o “dia dos namorados pagão”, em que se celebra Lupercos – que é tido como uma das faces de Lúcifer na Itália – e o dia da fundação de Roma. Foi também no dia 15, que logo após o Papa renunciar, um meteorito caiu na Rússia, e muitos acharam que era um sinal apocalíptico. Desde então no mesmo dia: O exército de fanáticos, chamados de gladiadores do altar se levantou – Estes são responsáveis pela destruição ilegal de terreiros.  Até o material midiático foi direcionado para o caos do fim do mundo. Procure pela série mais assistida por quase um mês: The Umbrella Academy que foi baseada na HQ da Dark Horse, e Doom Patrol, um dos poucos sucessos da DC comics. – Que a propósito, fazem parte do meu gênero favorito de programação, e soou como um presente. Mas você já deve saber, afinal o oculto influencia a mídia... e o resto já deve ter gravado não é?

     Sinais físicos: “Os olhos são a janela da alma”, já dizia o ditado popular. – Embora tenha nascido sem uma alma, meu espírito segue me precedendo. Portanto vez ou outra, os olhos se alteram de maneira expressiva, (quase inumana em alguns casos).

     A minha descendência física: É evidente que carrego uma grande herança Africana, mas o quê poucos percebem, é que a minha forte ligação é com a Itália, inclusive meu sobrenome é dessa origem, e tenho parentes originalmente italianos. Por quê é um sinal? Lá é único lugar onde as bruxas cultuam, e aceitam que Lúcifer teve uma filha enviada a Terra, e também o primeiro local do mundo, onde ouviu-se o nome do Deus Romano. – E eu não sabia disto até 2016. Quando tive um sonho, sobre ter ficado adormecida por 500 anos, que me levou até um conflito na terra da minha descendência de sangue, onde até mesmo encontrei, uma música relevante ao meu nome secreto em 2013. Mas nunca tinha pesquisado mais a fundo, até aquele dia, quando tive o estalo “E se eu focasse na minha magia hereditária para me desenvolver?”.

     A falta de empatia satânica: Lúcifer não é aquele que se diverte entre os demônios, é o quê os mantém na linha, então é normal, que muitos demônios, ou espíritos perturbados, tenham aversão a mim, pois sou filha do “carcereiro da prisão cósmica”.

     Poderes, que podem ser terríveis ás vezes: Odeio ferir pessoas inocentes, mas por vezes a minha ira, se manifesta de tal forma, que consigo interferir neste plano. – Se você é um de nós ou dos nossos, sabe bem a que me refiro.

     A ausência de Lúcifer e Lilith: Eles são deuses, tem seus afazeres, não podem ficar me mimando a cada 24 horas, só porquê vim deles. – A não ser que eu necessite exclusivamente de sua proteção. No entanto é mais fácil enviarem guardiões, antes de tomarem partido, pois querem filhos fortes e dispostos a lutar.

     Loucura racional: Não pertenço a um lado, estou ligada ao todo. Conceitos separativos pertencentes a humanidade, me parecem antiquados. “Magia não pode se unir a Religião” é o tipo de frase que me faz rir por exemplo.– Mas sigo respeitando cada crença, assim como quero, que a minha seja respeitada.

     Relatos autênticos: Devido ao conhecimento sobre os grimórios – e a grande quantidade de gente cética sobre quem sou – registrei tudo datado num site, que serviu como meu diário por um tempo. O nome do mesmo é: Os pensamentos infernais de Carry Manson. – Tenha em mente que na época eu tinha 18 anos, havia acabado de aceitar que era a primeira filha de Lúcifer, e meus textos soavam completamente insanos (e até vergonhosos.) Além disso há os livros Sobre mim de 16/05/2018 e The Angel In Earth de 28/05/2019 no site da Autores, onde podem ler melhor sobre a minha história, e tirarem as suas conclusões. – Os conceitos apresentados acima, são apenas para diferenciar a fantasia do verdadeiro.

    Queria dizer que a verdade é o máximo, um conto de fadas, ou tudo o quê aparece na TV, em quê do nada os esquisitos se tornam legais, e imediatamente são reconhecidos como os maiorais da história da Terra. Mas não é assim que funciona.

    Diga que é filho de um Deus, e prepare-se para as risadas, insultos, e pessoas que imediatamente se acham melhores que você.

    Levante-se contra aqueles que não tem consciência, e eles vão apontar o dedo, achando que surtou, e se por acidente acabar os machucando, farão a tua caveira.

    Estou revelando sobre mim, não para que venham tirar satisfações mais tarde. – Mas se quiserem tenho muito mais material para provar quem sou.  – E sim para lhes mostrar, que há sim semideuses entre os humanos, e que nem todos pertencem ao 90% dos mergulhados em mentiras, somente para aparecer.

    Vocês não estão sozinhos. Eu posso ouvi-los, e acreditar em suas histórias, se forem sinceros sobre o quê houve. – Quem realmente é, percebe as inconsistências dos fatos, por isso é mais fácil saber, quem carrega a mesma dádiva ou maldição.

    Cada de nós tem uma missão, seja ela grandiosa, ou parte de um grande plano, e seria bom que nos apoiássemos, pois o universo é grande o suficiente para quê todos consigamos, alcançar a merecida glória. – E isso vale para humanos e predispostos.

    Acham que apenas por ser filha de Lúcifer e Lilith, sou uma criatura suprema e imbatível? Não, não é por aí. Há os filhos que nasceram da própria Tiamat ou de Apsu, e outros Titãs, que são muito mais poderosos. – No entanto ter muita energia, não significa  automaticamente, que sabe usá-la.

    Capítulo 7 – DIY MÁGICKO

     DIY é um conceito em inglês que significa Do it Youself, ou Faça você mesmo, e foi adotado por alguns grupos dos E.U.A que preferem fabricar seus materiais, e se abstém do uso das grandes marcas conhecidas. É claro que tal ideal parece implícito para muitos, e embora haja uma corrente chamada Magia do Caos,  que foi desenvolvida Austin O. Spare, e trabalha com isso de maneira bem expressiva, é importante que saiba como praticar.

    Você pode naturalmente criar feitiços, rituais, e cerimônias, para cultuar o teu deus, e lhe mostrar a sua devoção. Mas infelizmente há leis que por hora são permanentes.

    Não adianta por exemplo usar um baphomet para fechar um portal, quando o mesmo é usado a décadas por diversas seitas satânicas, para invocar os príncipes infernais.

    Assim como não adianta tentar invocar um demônio, atribuindo energias negativas ao pentagrama, que há muito tempo é considerado pelas bruxas, como um símbolo de proteção. – Pode até funcionar devido o grande descaso da sociedade, que segue achando que é o símbolo do Diabo, mas a entidade em questão vai rir de você.

    Sempre crie meios de se proteger, mesmo que seja na hora de criar um servidor – No caso da Chaos Magic. – Você pode ter a linhagem dos demônios, sem saber, e atrair um ser de luz, que tenta te destruir, somente porquê tu nascestes como determinado herdeiro. – E vá por mim, luz não significa ausência de combate violento.

    Verifique as condições ideais para realizar a prática mágicka. – Não só a atmosfera mística, como a física também.

    Se a lua é negra, e não condiz com o teu objetivo, evite-a, ou vibre de acordo com o instrumento, de onde saiu o acorde.

    Se o tempo está ruim, (e você não foi responsável), vivem te perturbando, e tudo parece dá errado no dia em questão, já tem a resposta para o teu intento, que é: Não. O universo está se manifestando contra, então fica por sua conta e risco. – Caso queira ir adiante.

    Procure conhecer os presságios. O chamado do universo é comum, por seguir um padrão lógico de repetições, que foge do binário computacional 0 e 1, e passa a ser 0,0,0 ou 1,1,1 – Quanto mais frequente, mais chances há de ser o Cosmos falando de maneira silenciosa. – Será um alerta, se Todos os itens estiverem presentes:

     Números: Números iguais, são portais de consciência – e energia mágicka – se abrindo. Mas quando surgem várias vezes, em conceitos diversos, é bom avaliar o quê significam através do estudo da numerologia, cabala, e gematria em geral.

     Sonhos : O plano onírico é um dos mais interessantes, pois revela sobre o mundo, que há dentro do ser. – Freud estudava os sonhos, para compreender melhor seus pacientes, e você também pode, embora o método não seja recomendado, pois dificilmente será objetivo para ter resultados plausíveis. Além disto, se o indivíduo está conectado com o oculto, tem a capacidade, de prever as linhas dos próximos acontecimentos. Assim sendo deve-se avaliar, quando um sonho, é apenas sonho, ou um sinal. 

    Por ex: Se você tem tido sonhos com elementos semelhantes isolados. Como: a presença constante de pregos em evidência. O resto do contexto se aplica a ti, mas a presença dos pregos é um comunicado. – Como se fosse um código morse do Universo.

     Frases incomuns: Sejam de ameaças, ou que transmitam segurança. – Devem ser avaliadas, se sentir algum tipo de calafrio na espinha, quando as ouvir. Não importa se é da boca de um estranho, na tela do pc, ou em uma canção, pesquise sobre a questão, e tente decifrar o quê significa.

    É relevante salientar que o Padrão Ressoante é a chave, e que embora tenha citado apenas 3 exemplos, o fato de o presságio acontecer 3 vezes, não é o suficiente para se definir como um sinal. Será um sinal, se houver persistência do oculto em te mostrar a mesma mensagem, do contrário pode ser somente uma bela coincidência. A(o) Bruxa (o) saberá intuir a partir disso, e definirá se quer seguir tal caminho, ou optar por outro.

    Respeite as Leis Antigas, apenas atribua algo condizente a tua personalidade no Culto a teu Deus.

    Se lá no teu grimório diz que deve usar a violeta, use a violeta, não o  eucalipto – Com exceção a sacrifícios humanos e de animais, sem razão lógica. Como por ex: Mate um carneiro para o deus, e se livre do cadáver. (Se for para matar um bicho, que seja para deleitar-se da sua carne, ou trazer alívio para alguma dor.)

    Siga os antigos, estude-os, respeite-os, mas adore somente aos deuses. – Não trate grandes nomes da vertente da magia, como se fossem a entidade a que te dedica. – Por ex: Aleister Crowley Não É Um Deus Supremo. Em vista disso não haja como se fosse. ( Leia seus escritos, mas sempre com a consciência crítica, do quê condiz com a tua realidade.)

    Você pode imitar alguns rituais, feitiços, e poções. Mas o ocultismo é o campo da criatividade, então quando estiver pronto, inove, entregue-se, e DIY (Faça você mesmo) – Não é porquê fulana usa sempre os métodos 100% tradicionais, que tu devas utilizar também, afinal para ela pode ser fácil, arrancar a cabeça de um cervo, e para ti não.

    Como é errado falar de um ideal, sem aplicá-lo na vida, a experiência que lhes trago é a minha própria língua, que batizei de Lovlicos, pois me baseei em escritos de H.P Lovecraft, e nos sinais da linguagem cósmica, e ela consiste em: 

    Alfabeto tradicional  português- BR. 3 Palavras abreviadas com 3 siglas no total.

    III. Formação de frases, com no máximo 3 sentenças.

    Dicção forte, com acentos ocultos, que somente 

    quem já presenciou os mistérios do universo, 

    consegue aplicá-los.

    Timbre doce para o uso benéfico, timbre

    sombrio, beirando o demoníaco para o

    maléfico.

    Ex: 

    Em português é: 

    A lua brilha sem parar

    Em Lovlicos é: 

    Alub separ

    Em português é:

    Sim e não, talvez

    Em Lovlicos é:

    Sie nata

    Em português é:

    Não vou

    Em Lovlicos é:

    Navo

    Parecem palavras de uma raça antiga de alienígenas – ou com os Enn’s demoníacos que conheci ano passado. Mas é apenas um sistema simples, que apliquei aos meus rituais, e até agora rendeu bons resultados. – Ainda que alguns fatos tenham me assombrado, pois apesar de não ter uma egrégora forte (por ser minha criação) é uma expressão muito poderosa. – A melhor explicação, é que o cérebro se impressiona com coisas estranhas, e o uso das mesmas, intensifica o poder mágicko.

    A intenção aplicada nela pode variar, mas pelo que percebi com as minhas experiências e análises, é uma força que mexe com a ordem mundana, e traz a tona o quê é considerado impossível. – Tanto pro bem, quanto pro mal.

    Fora a Lovilicos, também realizo meus próprios rituais, baseados na filosofia com a qual tenho mais afinidade. – Uma qualidade, que me fez inclusive criar uma seita chamada Sees- Seguidores da Estrela, que obviamente representava Lúcifer, mas para acessá-la bastava acreditar em algo. -  Através dela introduzi algumas pessoas no mundo místico, após comprar-lhes a sua alma. – Quando acreditava em tais falácias.

    O Sees tinha um propósito comum: Realizar desejos, sejam eles nobres ou atrozes. Assim como também gerava consequências, para aqueles que traíssem o círculo.

    No total formávamos 4 componentes. Todos os membros eram femininos, e a nossa crença no poder oculto, era tão grande, que quando nos tornamos A constelação – O quê uma sente, as outras também. – O efeito foi imediato.

    Da mesma maneira que quando uma das moças, escolheu um homem, em vez do círculo. Acabou possuída, e tentou matar o seu amado, diante dos familiares. – Tinha 16 anos na época, e até chorei, me sentindo culpada, por um demônio tomar-lhe posse. – Nem sempre ter poder, é um sonho, na maioria das vezes parece mais um pesadelo. (Ao menos para mim.)

    Nossos rituais incluíam derramamento de sangue, como prova de lealdade, e devorar as doces frutas do cemitério, onde nos reunimos para realizar nossas práticas ocultas. – Que fique claro, não tolerava sacrifício de animais, o fluído da vida, vinha das moças, que faziam parte do círculo.

    Era pura brincadeira de criança, como uma versão da vida real de jovens bruxas. – Mas não cheguei a me tornar uma maníaca como a Nancy, apesar de me vestir como tal.

    Tivemos poucas reuniões, pois após chegarem as consequências, duas garotas, queriam pular fora. Uma perdeu o namorado, e a outra começou a ver as sombras, e isso lhe fez ter medo de onde colocava o pé. Então só restou eu e outra garota, que me apoiou por um bom tempo. – E até me ajudou quando minha vida ficou em risco, após romper o círculo de vez.

    Lembro-me do nosso último encontro. Foi o mais marcante de todos, pois ali tive o primeiro vislumbre da vida passada. – Fomos até o cemitério, e lá um estranho homem de chapéu branco, e camisa vermelha nos recebeu, fazendo perguntas interessantes, a respeito de estarmos ali para passeio ou trabalho, e nos avisou para tomar cuidado com as visagens (termo para espíritos) minha companheira riu, disse temer só os vivos, e eu disse que a morte era uma escapatória para os covardes, frase esta que não saia da minha cabeça.

     Ao ouvir a minha resposta, ele fez uma reverência, e sumiu no meio do matagal. Após a sua partida, as sombras começaram a ganhar forma, e tanto eu, quanto a menina vimos coisas. Primeiro vi uma mulher enforcada no topo de um pinheiro, por um cipó cheio de espinhos, e logo deduzi que era uma bruxa. Em seguida seu corpo sem vida caiu, e um ser de chifres meio homem meio touro, veio para recolhê-lo. Tão grande foi a minha surpresa, ao ver como ele a pegava nos braços. Não a arrastava para o inferno, nem levava como um pedaço de carne, parecia mais que era a sua noiva, e tinha um aparente carinho por ela. – Conseguia sentir que aquela imagem, era um retrato da minha vida passada, e aquela conexão era fantástica. – Ambos desapareciam na névoa, e 7 ou 8 rostos, não lembro ao certo, apareceram, sendo 5 femininos e os restantes masculinos. Nós voltamos para a causa da minha amiga, e acabei por desmaiar sem razão aparente.

    Mais tarde a noite, quando estava sozinha em meu quarto, vi que haviam várias sombras chifrudas ao meu redor, e as mesmas pareciam que iam sair das paredes. – Isso me deu um calafrio tão grande, que naquela noite, resolvi dormir no sofá. – Neste tempo nem imaginava que era a herdeira de Lúcifer, então não tem como ser algo influenciado por tal descoberta, que veio acontecer no ano seguinte, e só foi aceita, quase 2 anos depois, pois precisei analisar toda a gama de fatores, para poder aceitar tais fatos.

    Então tome muito cuidado com o quê aplica no seu DIY mágico, pois tudo o quê fizer, expressará a sua real natureza. – É por isso que estou lhe dando estes conselhos de maneira direta, pois apesar de ser uma conhecedora dos mistérios, com grandes saberes, por ter estudado sempre sozinha. Queria que alguém tivesse me dito estas palavras, para evitar todos os desastres que aconteceram.

    A magia independente do quê faça, sempre trará consequências. Mas não é como colher o quê plantar, e sim por causa do valor que atribui a tua responsabilidade pelos atos. Portanto sempre pratique, somente aquilo que a sua consciência é capaz de suportar, do contrário além de ser taxado como louco pela sociedade, vai realmente acabar como um. – Ouça esse conselho de quem foi recentemente diagnosticada com transtorno de personalidade, após inúmeras tentativas de suicídio e agressão, antes de conhecer formas de lidar com a própria escuridão.

    Capitulo 8 – A bruxa que vive entre os santos e os pecadores.

    Viver em sociedade é uma tarefa difícil para um bruxo. Sabemos de tantas coisas maravilhosas, e verdades indizíveis, que nos sentimos criaturas superiores, que precisam interferir na jornada dos demais, para que experimentem de toda a beleza ou conhecimento que adquirimos. – Isso é inegável, mesmo que sirva a luz da magia, e diga que acredita que todos são iguais, a igualdade não é a resposta para o quê quer.

    Imagine que todos no mundo são lagartas, e que algum dia se tornarão lindas borboletas. – Se você interferir no processo, eles certamente morrerão, antes de conseguirem sair do casulo. Este é um exemplo que li em Lex Satanicus, e achei algo absurdo na época, mas hoje percebo que é o melhor a ser feito.

    Assim como as pessoas, podem ser simbolizadas como insetos majestosos, também podem ser descritas como música, e cada uma tem um ritmo ou melodia própria, que pode ou não agradar os nossos ouvidos. – Portanto procure sempre andar, com aqueles que tem um ideal em comum contigo.

    É lindo abraçar as diferenças, mas uma coisa é aceitar o outro, outra bem diferente, é querer ser como ele. – A verdadeira beleza do mundo, não está em rostos padronizados e iguais. Mas sim em suas peculiaridades. O quê quero dizer com isso? Seja fiel a ti mesmo, e se aceite acima de tudo, não tente se adequar aos demais, somente porquê eles não te aceitam. Procure pelo teu próprio nicho, pois não importa qual seja, sempre há um espaço para ser ouvido. 

    Evite se expressar em sociedade, se não aceitam a tua crença mística. – Não é porquê você respeita os outros, que eles farão o mesmo por ti. – “Mas Lux você falou para não me adequar aos demais!” Sim, e não se adequar, significa ser leal aos teus ideais, não importa o ambiente em que se encontra. – Eu sou bi, e mesmo em meio aos héteros, continuarei sendo, não importa o quê digam. E se encontrar aqueles que me apoiam, me abrirei e direi a verdade, se não, seguirei em silêncio, pois o mundo é um lugar perigoso, e há aqueles que em seu fanatismo, apenas precisam de um “A”, para virem para cima. – E não quero mais responsabilidades por danos aos outros. É uma questão de sobrevivência.

    Enfiar nossas crenças na goela alheia, é como forçar a pessoa a aceitar nossas filosofias. – Eu sei que funcionou para os cristãos, mas o medo é tão eficaz, que hoje os fiéis se uniram a outras crenças, por não aceitarem a intolerância religiosa. Então o temor, embora funcione, não se compara a força do amor pelo quê se faz. Por isso se quer mesmo trazer, alguém para o seu lado – Vá na mãe de santo mais próxima, e coloque o nome da pessoa numa roda. Brincadeira!

    Tente explicar-lhes sobre a sua fé, e quando for confrontado, apenas faça comparações, que o ajudem a perceber que no fim seu amor pela divindade, não é tão diferente, do quê o quê sentem por Cristo. – Sua vida está tão difícil por quê não larga dessa tal magia e abraça o nosso senhor? Já me disseram e respondi Da mesma forma que você ama o seu senhor, apesar das dificuldades, eu também amo a Lúcifer, e assim como tu se identificas com Cristo, eu me sinto mais confortável andando com o deus romano. Foi o suficiente para seguir em paz, nunca mais tocou-se no assunto, e a amizade seguiu  a mesma.

    Não tente humilhar ninguém, a não ser que a pessoa realmente mereça tal castigo. – Eu pessoalmente odeio “lacrações”, porquê é algo desnecessário para sociedade, e trata-se de gente, que quer “arrasar” apenas repetindo o discurso alheio, como se fosse uma verdade absoluta. A pessoa aparentemente refletiu sobre algo, mas no fundo não se deu o trabalho de questionar, e apenas uniu a ideia do autor, a coisas que ouve no cotidiano. Chega a ser – me perdoe pela expressão – Patético, pois a preguiça intelectual se torna mais do quê evidente. – Por isso fica a seu critério Expor a sua ideologia ou não–  Mas lembre-se Bruxos (a) de verdade, não tomam os problemas da sociedade como seus. – Eu sei soa frio, todavia é assim que funciona, pois devido a enorme gama de poder, que um ser desses possui, se ele coloca as suas emoções em jogo, certamente isso traz consequências, que dificilmente são agradáveis. Hoje destrói um ditador, amanhã impede o seu país de prosperar, e todos acabam na miséria por exemplo.

    Não estou dizendo,  que não deve defender aquilo em quê acredita, estou apenas esclarecendo, que precisa ter noção do quê defende, antes de ir as ruas ou redes sociais. – Não seja mais um papagaio da fé, e somente parta para a guerra, se o conceito do outro, realmente te ferir, de uma forma, que precisa colocar todo o ácido para fora. – Este livro não é para passivos, ou atacados, mas sim guerreiros que sabem quando devem erguer a voz.

    Isto nos leva a um tópico interessante. Não ataque a tudo e todos, apenas porquê não te aceitam. Aprenda a si amar, e não ligar para opiniões repulsivas. – Não ligar mesmo, ou seja ouvir, e entrar por um lado e sair pelo outro, sem sair por aí dizendo “Eu não ligo! Não adianta tentar me atingir! Pois não vai conseguir!” já que se o fizer, estará claramente agindo de maneira contrária, ao que disse.

    Aprenda a controlar a sua raiva, ou ela te controlará. – Não haja por impulsos, pois isto pode custar muito caro para você, ou os seus colegas. – A ira nos faz ter pensamentos num segundo, cuja responsabilidade pesa por uma década.

    Haverão muitos grupos, que exaltarão a fúria, e te dirão para destruir tudo e todos. Mas não te falarão, que você pode ferir alguém gravemente, ou até mesmo matar o alvo escolhido. – Porquê a maioria que venera estas forças, não se dá ao trabalho de conscientizar os seus do perigo.

    Aprender a controlar a sua raiva interior, não te fará mais fraco. Mas sim capaz de realmente arrancar o coração, de um inimigo velado, sem sequer se importar se isto pesa ou não na consciência, pois terá ciência, de quê se chegou a tal ponto, foi algo necessário, e será mais difícil de se arrepender. Só que se o fizer, apenas por causa de um segundo de raiva, a culpa mais tarde vai te consumir, e caso isto não aconteça, sugiro que vá urgente ao psiquiatra, pois a sua falta de empatia, é algo assustador.

    Aceite a natureza, e a proteja, não tente modificar a ordem das coisas. – Nós somos carnívoros, está no nosso DNA, desenvolvemos caninos para devorar carne. Se você quer cuidar da natureza, comendo apenas frutas e vegetais, tudo bem, mas não venha tentar obrigar os outros a seguirem a tua doutrina. – Cada um em seu nicho lembra?.

     “Um leão pode devorar um ser humano, mas o ser humano não pode devorar o leão”? A onde isto é natural na cadeia alimentar? Por quê o leão tem que ser superior ao homem, em vez de haver um termo de igualdade entre ambos? A ciência não tem dito a anos, que o homem tem parentesco com os primatas, e logo é um animal também? – Eu sei isso pode ser desagradável, mas o natural não se baseia em veados e leões, andando lado a lado como amigos, da mesma forma, não pode acontecer com os humanos e os seus irmãos animalescos. Não importa se é racional. A falta do instinto caçador, nos torna dóceis, e mais fáceis de sermos manipulados por entidades obsessoras. – É claro esta é a minha opinião, escolher seguir ou não é de você, mas antes de sair levantando bandeiras a favor do meio-ambiente, pelo menos conheça o quê defende.

    Isto significa que eu, Lux Burnns, sou um monstro, a favor da caça por diversão, e outros meios de entretenimento humano, que humilham os animais? Não, o preto e branco, não se encaixa a mim. Uma coisa é respeitar a natureza, outra é usá-la como posse, da maneira que bem entender. – Por mim as fábricas de comida, deveriam promover o abate misericordioso, semelhante aos dos banquetes de festividades africanas.

    Sempre respeite a crença alheia. Você ama Odin e seu parceiro a Lúcifer. Mas e daí? Cada um segue a divindade que desejar, e aprende com a mesma. – Novamente lembre-se da metamorfose da borboleta, se mexer no casulo, ela morre.

    O mesmo vale para os seus pais. Se você vive com eles, lhes deve muito, por te darem um teto, comida, e as vezes até roupa lavada. Então não os desafie, ou os desmereça por causa de crenças diferentes. Vocês são de tempos diferentes, foram colocados juntos, para aprenderem uns com os outros, não se destruírem. – Seja maduro, saiba argumentar, e lutar como um nobre, pelo seu ponto de vista. Se agir assim, eles provavelmente verão, que a tua filosofia está te tornando alguém melhor, e que não precisam se preocupar. Agora se sair berrando, quebrando os móveis da casa, batendo a porta do quarto, mesmo que eles só queiram conversar, tudo o quê vai ganhar com isso, é mais abordagens, que demonstrem medo do caminho que está tomando. – Falo por experiência. Iniciei minha vida mágica da pior forma, e só depois que adotei esta postura, por causa de Anton Lavey, a guerra em casa acabou. Rebeldia com causa é algo louvável, mas rebeldia por rebeldia, nada mais é que tolice. – Se eles  ainda sim, não permitirem que faça os cultos dentro de casa, vá para fora, se for ruim, procure algum canto seguro, onde possa praticar, sem causar problemas em seu lar. – Nem sempre será um método efetivo, mas é melhor ter aliados dentro de casa, do quê inimigos.

    Por fim sempre tenha em mente, que sentir-se superior, não significa ser superior. Para torna-se assim, terá que ter atitudes que condizem com tal postura. – Não me mande beijos de luz, se a sua única intenção é me queimar. GsolitaryDevil.

    Capitulo 9 – Os Deuses e o Fim da farsa da realidade dualística.

    Este é o fim da sua jornada comigo, e o ínicio de algo ainda maior. Como disse lá no início, há autores infinitamente melhores, e não estou aqui para me apropriar dos seus cargos ou teorias. – Apenas estou apresentando-as com uma linguagem mais direta, para que saibam exatamente o quê praticam, de acordo com a interpretação aceita por outros ocultistas. 

    Até aqui temos trabalhado sobre as grandes causas sociais, que afligem a comunidade mística, e muitas vezes defendi que a realidade não é dualística. Mas para fechar este pequeno guia, me aprofundarei nesta questão com uma explicação mais extensa. – É neste ponto que você vai decidir, se quer continuar sendo ocultista, ou prefere tomar o caminho mais simples, adotando alguma religião por exemplo.

    Desde que éramos jovens, nos ensinaram a dividir o mundo entre homens e mulheres, bem e mal, fogo e gelo, guerra e paz. Nossos pais – na maioria das vezes – nos diziam “No mundo há Deus que é o bem, e há Satanás que é o mal. Deus é luz, Satanás escuridão. Deus é água, Satanás é chamas.” 

    Apesar de não discordar, dos conceitos acima apresentados – com exceção a Deus ser luz, mas é pessoal – creio continuarmos a segui-los é errado. Já aprendemos muito sobre as duas metades, então por quê deveríamos continuar trabalhando-as de maneira separada? 

    Está certo, a iluminação é importante, mas as sombras também são. É preciso que haja um ou o outro, para quê o todo exista. Não adianta tentar tirar um dos números da equação, senão dificilmente encontrará o valor de X ou Y.

    Devido a minha conexão cósmica, estudei não somente astrologia, como astronomia, física, e biologia. Pensei a príncipio, como muitos magos, que era apenas uma imposição social, para nos manter ignorantes perante a verdade do universo. Mas foi então que percebi, que a culpa da divisão não era dos cientistas, em sua maioria religiosos, e sim dos novos filósofos da internet, que empregam o conhecimento científico, apenas para atender os seus próprios conceitos mesquinhos.

    “Deus não existe.” Dizem todos os ateus, que esqueceram-se de questionar, adotando uma conduta massificada, e muitas vezes tomam como prova inconstetável, as palavras de grandes pensadores, que foram queimados como hereges. Oras meus amigos, se Deus não existe, naturalmente nada mais do mundo místico é real também. Inclusive Lúcifer, Odin, Hel, Osíris, Ísis, Seth, Zeus, Deméter, Amon, Baal, Krishina, e vários outros deuses, pois se o suposto supremo não é real, o resto dificilmente pode ser considerado como tal. O velho barbudo de sandálias que conhecemos, nada mais é do quê uma imagem criada por homens, que compilaram antigos escritos, num livro chamado bíblia sagrada. – Então quando se entrega a crença, de adorar o Deus do impossível, você indiretamente está se conectando com alguma destas divindades do velho mundo, por isso o uso de versículos, para atingir determinados objetivos.

    Espera Lux Burnns, filha de Lúcifer e Lilith, neta da gigante Tiamat, você está sugerindo que devo me converter? Calma! Não, isso jamais. Alimentar a ideia de quê este deus é supremo, é o quê torna ainda mais forte, não lembra? 

    Só que também não se pode descartar o inegável, de quê esse grande mosaico mal feito, também é parte da nossa cultura, e que desprezar alguns dos seus fatos, é o mesmo que massacrar a própria doutrina. – Por isso se prender ao lado A ou B, é errado. 

    “Ah mas a deusa x é maior que o deus y.” ou “O deus y é maior que a deusa x” Já chega de se prender a isso. Queres realmente acessar o poder máximo, nesta realidade limitada? Então pare de abraçar apenas a causa que te convém, e aceite que o quadrado é feito de dois triângulos, ou o círculo é formado pela união dos mesmos. – O quê isto significa? Que a realidade não se resume, a deuses C e D, e que não é necessário comprar as suas brigas, para que adquira o seu respeito, ou realizem os seus objetivos.

    Nem mesmo estes deuses são originários do príncipio feminino ou masculino, mas sim da união de ambos, que nasceram do verdadeiro ser supremo, que não é Jeová, Cerridween, ou nem mesmo Tiamat, apesar do quê muitos acreditam.

    Se você é iniciante, será um choque, mas a realidade precisa mostrada desde aqui, para que entenda a perda de tempo, que é lutar apenas de um lado. Então prepare-se, pois a origem do universo, de acordo com os antigos, lhe parecerá absurda, se ainda continua abraçado apenas a positivos e negativos:

     Mitologia súmeria

    Cosmogonia

    “Antes de todos os antes, nada existia, a não ser Nammu, o abismo sem forma. Um dia, Nammu resolveu espreguiçar-se, e novamente voltou a enrolar-se. Com esse gesto, ele criou Ki e Anu, respectivamente a Mãe Terra e o Firmamento. Deles nasceriam todos os demais deuses, o tempo e, no futuro, o homem, que seria feito de argila.”

    Superinteressante 28/05/2019

     Mitologia Egípcia: 

    Cosmogonia 

    Neterus Primordiais:

    São os deuses mais importantes os quais estão associados com o mito de criação (origem do universo):

    • Nun (Nu ou Ny): simbolizava a água ou o líquido cósmico que deu origem ao Universo.• Atum (Atum-Rá, Tem, Temu, Tum e Atem): representa a transformação de Nun, sendo considerado aquele que deu origem a explosão do Universo (semelhante ao Bing Bang) e que gerou os diversos corpos celestes, separando assim, o céu e a Terra.• Amon (ou Amun): esposa de Mut, ele é considerado o rei dos deuses.• Aton (Aton ou Aten): relacionado ao sol, ele foi o deus do atomismo que estava relacionado com o disco solar.• Rá (ou Ré): deus da criação, sendo um dos principais deuses do Egito.• Ka: força mística que representava a alma dos deuses e dos homens.• Ptah: marido de Sekhmet e de Bastet, representava o deus criador e protetor da cidade de Mênfis. Além disso, era considerado deus dos artesãos e arquitetos.• Hu: representava a palavra de criação do Universo.

    Toda Matéria 28/05/2019

     Mitologia Hindu

       Comosgonia 

    A Mitologia Hindu está fundada nos Vedas, que são os livros sagrados dos hindus. Segundo a crença, o próprio Brahma os  escreveu. Brahma é o Deus supremo da tríade hindu. Seus atributos são representados pelos três poderes: criação, conservação e destruição, que formam a Trimuri ou trindade dos principais deuses: Brahma, Vishnu e Shiva, respectivamente, da criação, da conservação e as destruição.

    Brahma é o deus criador de todo o universo e de todas as divindades individuais e por ele, todas serão absorvidas. Ele se transformou em várias coisas, sem nenhuma ajuda externa e criou a alma humana que, de acordo com os Vedas, constitui uma parte do poder supremo, como uma fagulha pertence ao fogo.

    Infoescola 28/05/2019

     Mitologia Grega

    Cosmogonia

    No princípio de todos os mitos, houve um tempo em que nada existia no Universo além do Caos – a mais antiga, a mais inexplicável, a mais absurda das divindades. Nenhum poeta e nenhum filósofo grego imaginava o que teria existido antes dele: era o primeiro dos deuses, a sombra de loucura e confusão que está nas profundezas de tudo o que existe.

    O Caos ocupava todo o espaço do Universo. Nele, estavam misturadas as sementes de todas as coisas futuras: mas não havia ordem alguma, apenas um turbilhão sem sentido e sem fim. No poema As Metamorfoses, escrito no século 1 a.C., o poeta romano Ovídio descreve assim a terrível divindade que deu origem a tudo: “Antes que a terra, o mar e o céu tomassem forma, a natureza tinha apenas uma única face, chamada Caos: uma massa crua e desestruturada, um conglomerado de matéria composta por elementos incompatíveis… Nenhum elemento estava em sua forma correta, e tudo estava em conflito dentro de um mesmo corpo: o frio com o quente, o seco com o molhado, o pesado com o leve”.

    O Sol não iluminava o dia, e a Lua não brilhava à noite. Não havia chão para firmar os pés, nem mar para se nadar – todos os elementos estavam misturados num caldo primitivo. E as coisas, embora sempre em convulsão, não saíam do lugar: pois não havia sequer direita e esquerda, em cima ou embaixo, Norte ou Sul, dentro ou fora. O Caos era tudo e, ao mesmo tempo, nada.

    Superinteressante 28/05/2019

     Mitologia Nórdica

    Cosmogonia

    A narrativa das Edas conta que, no princípio, não havia nem céu nem terra, apenas uma enorme abismo sem fundo e um mundo de vapor, no qual flutuava uma fonte. Dessa fonte surgiram doze rios que, após longa viagem, congelaram-se e com o acúmulo das camadas de gelo umas sobre as outras, o abismo se encheu.

    Ao sul desse mundo de vapor, havia um mundo de luz, que soprando vapores quentes, derreteu o gelo que havia se formado. Esses vapores, ao elevarem-se no ar, formaram nuvens e destas surgiu Ymir, o gelo gigante e sua geração. Surgiu, também, a vaca Audumbla, que alimentou o gigante com seu leite e alimentava-se da água e sal contidos no gelo. Certo dia, quando a vaca lambia o gelo, surgiu o cabelo de um homem; no segundo dia, a cabeça e no terceiro, todo o corpo, com grande beleza, força e agilidade.

    O novo ser era um deus e dele e de sua esposa surgiram Odin, Vili e Ve, que mataram o gigante Ymir. Com o corpo do gigante morto, fizeram a terra, com o sangue, os mares, com os ossos ergueram as montanhas, dos cabelos fizeram as árvores, com o crânio fizeram o céu e o cérebro tornou-se as nuvens carregadas de neve e granizo. A moradia dos homens foi formada pela testa de Ymir e ficou conhecida como Midgard ou terra média.

    Infoescola 28/05/2019

    Notou uma semelhança? É novato, e A e B nada mais são que A+B, que resulta em AB, que é a resposta sobre o quê o cosmos é. Eu detesto matemática, mas é um cálculo aceitável. Só que esta presença de uma força, que é a soma de partes, não se encontra presente apenas no misticismo, ou em algebra.

    Na física por exemplo um átomo, é formado por prótons e elétrons, que significa respectivamente o positivo e o negativo trabalhando juntos. Isto é algo caiu para mim na sexta-série, mas estava tão focada em renegar o aprendizado mundano, que não pude perceber, o quanto isto podería me ser útil.

    Na biologia há os casos de partogênese, quando uma espécie assexuada, gera uma prole. Mas isto só é possível, porquê as mesmas carregam tanto os genes xx quanto o xy. 

    Esta é a natureza meu caro, esfregando em sua face, que as espécies não são definidas por machos ou femêas, e sim por aqueles que são dotados de capacidades, para dominar o reino em quê habitam. – No reino dos insetos a louva deus fêmea, fica no poder, porquê o ambiente a tornou capaz. No reino felino, especificamente dos leões, é o leão quem comanda, e assim por diante.

    Os humanos, pré-dispostos ou não, continuam sendo animais, por isso também são livres, para definir quem é apto ou não para determinado cargo, desde que estejam cientes, de quê os gêneros feminino e masculino, atuam como formas da valor equivalente, não desigual. Já que novamente, um sem o outro, tem poder, mas os dois juntos, geram a perfeita união que representa o nosso Universo.

    Portanto não se entregue a falácias dualístas, que só agregam valor a determinado grupo. Abrace o todo, entenda-o, e perceba que a união de muitos, é o quê realmente faz a força.

    Por fim guarde isto em sua mente: Bem e mal é relativo sim. Mas uma conduta, realmente correta, pode ser alvo de piada entre os demais. Não importa, se tu segues a luz ou as trevas. Sempre que resolver pensar fora da caixa, haverão aqueles que tendem a te “apedrejar” ou “queimar na fornalha ardente”, por sua postura nobre.

    Um satanista pode sim ser amigo de um cristão. Um bruxo pode sim ser amigo de um mundano. A única coisa que me parece imperdoável, é que ambos continuem, a tentar se destruir, por comprar a briga de seres, que claramente andam de mãos dadas.

    Sem o Inferno não há quem puna os criminosos pelos seus pecados terríveis, da mesma maneira que sem o Paraíso não tem recompensas maravilhosas. Sem a Guerra, não há razão para o Amor existir. Sem a luz não dá para ver na escuridão, assim como sem um pouco escuro, é impossivel enxergar na luz. Sem o fogo para aquecer, o frio nos congela. Sem o frio para nos aliviar, o calor nos queima. Sem a lança para atacar, o escudo pode não ser mortal. Sem o escudo, não há como se defender da espada. A magia branca nos ajuda a alcançar nossos objetivos, mas a magia negra, nos ajuda a sobreviver. O tudo é o todo, e o todo é a junção de todas as metades.

    Agora a sua jornada se encerra comigo, nobre peregrino, e espero ter te ajudado a encontrar o teu cálice dourado. Pegue-o, encha-o do vinho do saber, e embriague-se de conhecimento, pois como pôde ter notado, não importa o caminho que tomares, o destino sempre será o mesmo, mas é a perspectiva do conceito, que te trará paz ou desespero.

    Com muito carinho, Lux Burnns.

  • NAVEGANTE DESTEMIDO

    Eu não temo a morte 
    Eu não temo a vida 
    Tenho arte atrevida 
    Não posso negar 
    Eu sou homem de sorte 
    E eu vivo sem norte 
    Navego sozinho 
    Por todo lugar
  • Nilfa e mochileiro

     
    Sobre a imensidão do triângulo estelar Mineiro
    O menino, mochileiro, transporta novos amores.
    Carangola, princesinha da mata; zona proibida.

    Quem por ventura ousou desbravar-te?
    Sereia em Minas, como podes?
    Terra ausente de mar....aqui te vejo Ninfa!
    Compreendo “nem faz falta o mar”¹

    Tú cantas às margens do Carangola
    Onde me vejo naufragar agora!
    Como fecunda o amor entre mochileiro e Ninfa?
    Que não seja eu infeliz como Apolo.
    Não se transforme perante mim em Loureiro.

    Carrego-te hoje em meu peito, com afago
    Não permitas, que caiamo-nos sobre Gaia
    Sem antes tê-la em flama, ardor, gozo.
    Pois será pelo apreço e infantil desejo
    Que te espero com arquejo a dar-lhe um beijo.




      Autoria: D`souza Gabriel
     ¹“Nem faz falta o mar” Musica, Minas das violas. Cesar Menotti e Fabiano.
  • O ANJO DO JULGAMENTO

    Prólogo
    A maldade silenciosa.
    Vivo num mundo cruel e sem salvação. Onde monstros se disfarçam de homens, e crianças são tratadas como adultos. Sigo por ruas pavimentadas, pagas com o sangue dos trabalhadores, e a dor dos inocentes. Criminosos crescem como pragas, e andar por qualquer cidade, já não é mais seguro. Ligo minha TV para esquecer que a perversão cresce lá fora, e me deparo com materiais doentios direcionados aos menores. A maior rede social de vídeos do mundo, proíbe minhas denúncias, garantindo que o material não chegue aos adormecidos. Mas minhas palavras não podem ser caladas. Há uma inútil luta na sociedade, para saber qual religião é melhor que a outra, ou se o homem é maior que a mulher, e vice e versa. Enquanto todos dão atenção para assuntos tão triviais, verdadeiros males ocorrem em torno do mundo com um único objetivo: manter a dominância de uma Elite doentia, que tem pervertido a magia, desde que o homem era somente um projeto de uma raça superior. Não me diga que ainda acredita, que os demônios vivem abaixo dos seus pés, e que Deus não é uma inteligência magnânima, que deu origem a isto tudo. Não, não me confunda como uma religiosa fanática, pois estou bem longe de ser. Não, também não me chame de satanista, este é um nome que não cabe a mim. Estou muito além destes rótulos, para ser definida somente por eles, por isso peço que me respeite, e me chame apenas por anjo do julgamento. Já que estou acima do bem e do mal, e apta para determinar a sentença dos seus homens e mulheres. Vim para este mundo, como uma de vocês, nasci de uma barriga humana, embora fique cada vez mais claro, que não sou deste mundo. Cresci como uma criança normal, sem saltos no tempo, ou perseguições de um grupo secreto. Porém sempre carreguei comigo, uma maldade gigantesca, que me levava a manipular, me aproveitar, e torturar os outros. Talvez tenha sido uma menina psicopata, talvez somente acima da média, mas uma coisa é muito clara, esta crueldade frívola nunca me abandonará, e dado as atuais circunstâncias, é melhor que assim seja. Na minha fase adulta, o meu destino ficou cada vez mais claro, quando seres poderosos, entraram em contato comigo através de pensamentos obscuros, e sinais nos céus, que jamais cessariam, até eu aceitar a minha conduta. Em janeiro de 2020, fui seguida por um grupo de frades tradicionais, após ter tido vários pesadelos, com inúmeras mortes causadas pelas minhas mãos. Eu senti medo, pois após tantos anos de terapia, enfim tinha descoberto que sofria de um mal psicológico, que poderia me transformar numa assassina de uma hora para a outra, o quê para mim, era cruel e demoníaco, e eu precisava controlar, senão vidas inocentes iriam pagar pelo meu problema. Eles me chamaram por um nome, que tentei esconder debaixo do tapete, todavia evitar o quê era, não foi o suficiente para me deixarem em paz, e assim tive de seguir com eles. Muito antes de evitar as minhas asas negras, já havia imaginado que um grupo viria até mim, e me levariam a algum lugar sombrio, por isso implorei aos deuses para me protegerem, ou me deixarem escapar. Infelizmente cheguei ao meu destino, e ninguém me salvou. Eles eram assustadores, e tentaram me atacar, mas o meu desejo insaciável por sangue, me levou a ficar viva e ilesa. Manchada de vermelho, me afastei do monte de cadáveres, pronta para me entregar a polícia. Só que dois padres surgiram, e aplaudiram o meu desempenho. “Ela é perfeita.” Concordaram entre si, e fiquei desconfiada, esperando que me dessem uma explicação. Eles pestanejaram, e me vi obrigada a puxar a faca. “Digam quem são, e o quê fazem aqui.” Perguntei sentindo a adrenalina fluir. “Somos os filhos de Jesus. Pertencentes a ordem sagrada de Cristo.” Eles me responderam, e eu gargalhei. Afinal o quê uma ordem de tamanho poder religioso, iria querer com um anjo caído, que negava a própria alcunha? Eles me disseram que precisava ir com eles ao mosteiro de Santa Marta, e que lá receberia explicações mais detalhadas. Naturalmente opinei por não ir, contudo cedi a minha curiosidade, e com eles eu segui. Muitas horas se passaram, até me levarem ao topo de uma montanha rochosa. Outra vez o medo de ser destratada, e sofrer torturas preencheu o meu ser, até que o vi. Era um homem loiro, de cabelos escuros, olhos penetrantes e claros, que intercalavam entre o rio e o mar, muito bonito , que vinha em minha direção. “Minha filha.” Ele disse, e eu não segurei o riso. Até ali tinha noção que de quê havia conhecido o paraíso, porém filha daquela figura bíblica? Era cômico demais. “Preferes desta forma?” Disse ao fazer chifres de bode crescer em sua cabeça, enquanto o corpo mudava. “Não pode ser.” Fiquei catatônica, e acabei por desmaiar em seus braços. Ao acordar ele me explicou tudo, e pude reagir de outra maneira, o abraçando forte, por saber que estava diante do meu verdadeiro pai. Assim me tornei uma dos seus seguidores, e me dediquei a cumprir a minha missão, de destruir os ímpios, e iluminar a terra, com a minha chama sagrada. Pois ele só havia voltado, para que o julgamento se iniciasse, e o mesmo só poderia ser feito com o poder da sua amazona, e filha mais velha, a própria morte, ou seja eu. No início senti culpa pelas vidas que ceifei, no entanto bastou ver a lista dos culpados, para que o arrependimento se transformasse em paz. Não estava tirando aqueles homens e mulheres de suas famílias, e sim devolvendo demônios de volta para o inferno, do qual nunca deveriam ter saído, e seguiria fazendo isso até limpar o planeta, desta maldita escória de covardes.
    Capitulo 1- Verdades
    Inconvenientes
    A MORTE NARRA:
    Um dia eu tive uma amiga, que acreditei que seria para sempre, mas agora era somente outra neblina de inveja e prepotência, que precisava se dissipar. Ela era bonita, e de corpo desejável, mas embora tivesse tais atributos, não era feliz ou satisfeita consigo mesma, por mais que escondesse isso, através de um sorriso tão vazio quanto a sua cabeça sonhadora. Sei que parecem sinais de ódio, todavia posso assegurar-lhes que é somente mágoa. Eu confiei nela, depositando em suas mãos todos os meus sonhos, medos, e anseios, como se fosse a única confidente que tive na vida, e o quê achei que duraria até o Armagedom, hoje era apenas um motivo de dor e tristeza. Ela seguiu uma vida criminosa sem retorno a cidadania de bem. Algo que tentei lhe alertar, que não teria um fim nobre. Já eu me juntei a Ordem secreta, que conhecia as duas faces do demônio, e passei a julgar os meliantes que trucidavam inocentes. Desde sempre estava claro, que éramos o lado diferente da moeda. Só que para a minha surpresa, não fui eu, a servir as trevas, cometendo iniquidades, apesar dos demônios que sempre me acompanharam, nas profundezas da minha mente. “Thamara.” Meu superior me chama, enquanto sigo pelo escritório, olhando os relatórios da empresa, com um par de óculos, que por intervenção divina, não mais necessitava, porém precisava para manter as aparências. “Seu desempenho foi excelente neste mês. Logo se formará com louvor.” Ele me elogia, e o olho sem muito interesse nas finanças. “Que bom. Não vejo a hora de terminar o curso, e voltar a trabalhar em casa.” Deixo escapar, e isso o magoa, já que acha que eu não valorizo seus esforços para me sentir bem ali. Não me importo muito, pois após ter conhecido tantos que usavam a máscara de bons moços, para esconder seus crimes. Gentilezas não mais me atraem. “Tha.” Ouço a voz do meu amado, e sorrio ao ver o belo moreno de terno que vem na minha direção. Ao chegar o abraço com todas as minhas forças, pois ele é a minha luz, neste mundo sombrio. Nós terminamos as simulações de compra e venda de ações, e descemos pela escadaria. Ao entrarmos no carro, nossas feições de alegria mudam, e ele segura a minha mão. “Sei que não será fácil. Mas é preciso.” Diz tentando me dá forças, e eu aceno com a cabeça, me preparando para tempestade que há de vir. Ele estaciona o carro, eu desço com o cabelo amarrado, num coque para trás, luvas, e tudo o quê é necessário para cometer um crime. Estamos numa floresta densa e escura, e o cheiro de morte impregna o ar. “Ela esteve aqui.” Aviso, ao o seguir sem fazer muito barulho. “De fato.” Meu marido pega duas cabeças de recém-nascidos, mortos, que tiveram seus olhos arrancados, e pela quentura do sangue, percebo que o infanticídio foi praticado a poucas horas. “Droga!” Esbravejo furiosa, e nós abandonamos o local do sacrifício. Assim me livro das vestimentas que nos ligam aos assassinos, exatamente como os filhos de Jesus me ensinaram, e seguimos como inocentes. Meu celular toca, e o atendo com grande desgosto.
    _Thamara.
    _Não chegamos a tempo de capturá-la.
    _Eu sei. Sua irmã pode ser uma
    cabeça oca, mas ordem a qual ela
    serve, é cheia de membros
    perigosos.
    _Para uma menina, ela tem me
    causado uma bela dor de cabeça.
    _É porquê tem sentimentos por ela,
    e no fundo se sente culpada pelo
    caminho que tomou.
    _Pai. Eu sou o monstro da família.
    Se tivesse controlado meu ego,
    talvez pudesse salvá-la.
    _Não, não poderia. Ela tinha o livre
    arbítrio, e optou por seguir para
    as trevas.
    _Ela não é tão má. Eu sei, porquê
    na hora das mortes...
    _Thamara. Você desliga as emoções
    , para julgar os que merecem. Ela o faz
    para sorrir, se divertir, e você já viu.
    Não há comparação.
    Meu pai estava certo. Minha irmã, e antiga melhor amiga, agora era um monstro imparável, que não se preocupava com o dia de amanhã, e já tinha cometido mais de 10 assassinatos, em nome da Ordem das Corais. Uma seita religiosa que tem planos malignos para o planeta, e precisa ser detida, pois apesar de seu número ser pequeno, a mesma é responsável por todo o serviço sujo, da ordem piramidal dos Iluminados. Algo terrível, que me trouxe memórias cruéis... “Katherine!” Gritei ao vê-la arrancar a cabeça de uma criança, mas ela me ignorou, tinha se entregado a escuridão, e nada poderia ser feito para regressar. “Ela nunca vai parar.” Conclui retornando aos tempos atuais. Era hora de matá-la, mas não sabia se teria a mesma frieza que desenvolvi ao exterminar os outros.
    A viagem de volta para casa foi longa e silenciosa. Bartolomeu sabia o quanto aquela situação me afetava. Ao chegarmos, notei que os portões da minha luxuosa casa estavam abertos, então coloquei um dos pares de luvas, e amarrei os cabelos. “Thamy.” Meu marido segurou o meu pulso, assim que coloquei o pé para fora, já com a adaga na mão. Meus olhos subiram, e vi a silhueta de minha mãe Lina, brincando com minha filha e cópia Ramona. “Não traga os seus trabalhos para casa. Seu pai jurou que manteria sua identidade protegida, e enviaria os melhores guardas para cuidar do nosso lar. Confie na palavra dele.” Ele me disse, porém não quis ouvir, andava tendo visões de que a casa seria invadida pela Ordem das Corais, e seria arrastada pelos Iluminados para dentro de um abismo, e não podia abaixar a guarda. A noite...Jantamos lasanha, com muito refrigerante, agindo como a família normal que não éramos, para manter a mente de Ramona sã. Um acordo que firmei com Bart, para garantir que a menina tivesse a infância que não tivemos, e somente mais tarde viesse a saber O quê nós somos. A pequena sempre carinhosa, nos deu beijos de boa noite, e foi para o seu quarto, ler seus contos favoritos dos irmãos Grimm. Apesar de sua doçura, ela sempre teve inclinações para assuntos obscuros, pois as histórias contadas para outras crianças, lhe davam sono. Era uma prodígio, e por isso eu ficava cheia de dores de cabeça, quando minha mãe vinha em casa. “Thamy você tem que colocá-la numa escola especializada.” Disse minha mãe, enquanto eu colocava os pratos na lava louça. “Já falamos sobre isso. Nem eu, nem Bartolomeu gostamos da ideia. O mundo não é seguro para uma garota gentil como ela.” Respondi esperando o furacão Lina, derrubar todos os objetos da cozinha, mas a idade a deixou mais calma, e isso me surpreendeu. “Filha você sempre reclamou por não termos explorado o seu potencial quando criança. Nós não fizemos isso, porquê não percebemos, seu pai não percebeu, mas você e Bart veem, não acha justo lhe darem a oportunidade?” Usou o velho argumento irritante, de quê fui um prodígio não reconhecido, por culpa do meu pai terrestre, e isso me chateou muito, contudo respirei fundo, e sentei a mesa, ligando o meu notebook. “Venha aqui.” Chamei-a, e a mulher baixinha e empinada, se juntou a mim, com seus óculos fundos. “Está vendo estas notícias?” Mostrei o novo sistema de pesquisa inteligente, conhecido como SIP-I. O programa que substituiu o Google em 2022, quando a Deep Web, deixou de ser uma rede subterrânea, para se tornar superficial, devido a grande popularidade de materiais distribuídos como inofensivos. Ao contrário do programa do Bill Gates, o SIP-I, era controlado por uma inteligência artificial, criada por um gênio e pai de família, que a desenvolveu exclusivamente para garantir que os filhos, ficassem longe dessas mídias danosas. O Google ainda existe, porém é uma ferramenta usada por criminosos, que agora podem agir a olho nu, graças a intervenção da Elite, para satisfazer seus desejos doentios. A policia, os guardas, os seguranças, os advogados, e todas as ferramentas para se fazer a justiça, não passam de teatros financiados pelo grupo piramidal, para fingir que ainda há um meio de salvar a todos. Sim, o mundo está um completo Caos, e não posso colocar a minha preciosa herdeira do verdadeiro Novo Mundo, nas garras dos monstros do atual. Não tive todo o cuidado de filtrar a sua programação, lhe formar em cursos a distância, para agora entregá-la de mãos beijadas ao sistema deles. “Menina de 10 anos, é estuprada em banheiro unissex por garotos da mesma idade. -Menina desaparece em escola, sem deixar rastros- Menina é agredida ao voltar para casa sozinha- Meninas tendem a sofrer 75% das agressões e abusos no país -Professor é preso por molestar as alunas. Preciso ler mais?!” Disse ao configurar o SIP-I com a minha biometria, para conteúdo adulto no meu computador portátil. “O mundo não é só isso Thamara.” Ela tenta me convencer, e eu acabo rindo, pois praticamente todo mês tenho que matar muitos, por conta da perversão que se expandiu. “Pode até não ser. Mas tudo o quê vejo é esse descontrole, e enquanto Ramona não for capaz de matar, em vez de ser morta, ela fica em casa.” Disse com frieza, e minha genitora se calou. A conversa que tive com a Dona Lina, me deixou bastante apreensiva, e trouxe de volta demônios, que há anos não me perturbavam. “Cuidado em casa.” Disse uma das vozes de minha consciência. “Você não deve confiar em nenhum homem.” Repetiu, e o medo se apoderou de mim. A passos lentos segui pelo corredor do quarto da minha menina, a porta estava entreaberta, e o meu bebê de 10 anos dormia totalmente embrulhado em sua coberta lilás, que por meu intermédio havia se tornado a sua cor favorita, desde que era menor. Entrei no cômodo, e me sentei ao seu lado, fiquei lhe fazendo cafuné, e vi o seu sorriso. “Você é a coisa mais importante do mundo para mim.” Disse-lhe, e ela me abraçou forte. Foi então que ouvi ruídos, e me vi obrigada a me esconder. Como não tinha para onde ir, usei um dos poderes da morte, a invisibilidade. Bart apareceu ali, e sem perceber acabei por deixar a menina descoberta, com o seu pijaminha de short curto. Respirei fundo, se algo ruim fosse acontecer, teria que ser naquele momento, pois meu marido pensava que eu ainda estava a conversar com a sua sogra. Ele a observou sorridente, e a cobriu, dando-lhe um beijo no rosto. “Sua mãe e você, são tudo para mim.” Falou com ternura, e eu não consegui me conter. Meu corpo tremulou entre o intangível e tangível, e acabei por surgir no canto da parede. “Thamara? Mas o quê faz aqui?” Disse já incomodado. “Eu precisava ver se a Ramona estava bem.” Foi o meu primeiro impulso a dizer. “Se era só isso, por quê se escondeu atrás da cortina?” Questionou com o ar de inteligência, sabendo no fundo o quê aquilo significava. “Nem precisa dizer.” Concluiu me deixando para trás, e sai atrás dele, pronta para me explicar.
    _Bart.
    _Thamy. Você lida com o mal o tempo todo.
    Como é que ainda pensa isso de mim?
    _É só que você é todo liberal, e gosta muito
    de mim, sendo que pareço uma menina
    de 14 anos.
    _15. Mas você tem 24, há diferença.
    _Até o dia que envelhecer...
    _Primeiro se envelhecer, sempre será a minha
    mulher. Segundo você não envelhece, é
    parte de ser a morte.
    _Mas se não consigo julgar nem a Katherine,
    que é minha irmã, imagine a você que é
    o amor da minha vida?
    _Eu não sou a Katherine. Tenho prazer de matar
    pela mesma razão que você. Pra limpar o mundo
    dessa escória maldita, que se tornou uma
    epidemia!
    “Tem prazer de matar? Pela mesma razão que ela?” Ouvi uma terceira voz na discussão, e meus olhos se arregalaram, lá estava a minha mãe na porta do quarto da minha filha, que se escondia atrás da sua longa camisola azul. “Ah! Fantástico!” Explodi, e ele lutou para se manter calmo. “Agora todos os meus planos para a Ramona foram por água abaixo. Está feliz?!” Deixei fluir o ódio. “Espera, vai me culpar? Foi você que iniciou a discussão!” Ele rebateu, e embora tivesse razão, preferi negar a culpa, e inspirei “todo o ar do ambiente”, até me tranquilizar, para explicar tudo o quê tinha acontecido, pois embora tivesse o dom de tirar a vida das pessoas, não tinha a capacidade mudar seus rumos. O tempo nunca volta para a morte, isto se dá por uma força maior que a minha, e até mesmo a de meu pai.
    Nos sentamos a mesa, a mesma onde deveriam haver conversas comuns e entediantes, em vez do grande “elefante” que estava entre nós. Ramona ficou a me observar com seus olhinhos negros, que estavam esperando uma explicação, enquanto minha mãe tremia como um rato diante do gato, achando que minha doença, tinha enfim chegado ao estágio final, e agora eu matava sem ter um código de conduta. “Eu poderia mentir para vocês, e acreditem em mim quando digo: Adoraria fazer isso. Mas esconder a verdade, as levariam a pesquisar por conta, e tirarem conclusões mais absurdas que o próprio axioma, por isso vou lhes contar tudo.” Tentei soar culta e fria, mas por dentro temia que não me entendessem, e me jogassem numa casa de apoio emocional e psicológico, um nome bonito para hospício do século XXI. Bart mesmo magoado pela acusação, segurou a minha mão me dando apoio, e apesar de meus demônios o odiarem, por me fazer tão fraca, uma pequena parte de mim, se sentiu segura por tê-lo ali, e assim ambos sorrimos sem vontade, um para o outro. “Lembram-se quando sumi por mais de 6 meses, quando estava perto de fazer 28 anos?” Iniciei o meu relato, com uma pergunta, para adaptá-las ao ambiente do passado. “E que Bart lhes disse que tínhamos tirado um ano de férias longe da Ramona, que tinha se tornado cada vez mais pestinha?” Conclui, e a velha conservada Lina, revirou os olhos, já se recordando do fatídico tempo. “É claro que sim, foi o seu ato mais egoísta em relação a pobrezinha.” Resmungou seca, e isso me fez sorrir com satisfação, pois agora ela se calaria com a verdadeira razão do meu sumiço. “A verdade é que eu tinha sido recrutada por uma antiga Ordem que...” Tentei terminar mas a avó, já veio atropelando a minha narrativa. “Você entrou para os Iluminados?! Depois de tudo o quê me falou sobre eles e sua maldade e...” Desta vez eu atropelei suas palavras. “Não! Eu entrei para a Ordem de Cristo. Na qual os verdadeiros devotos da luz celestial, ou estrela da manhã, são treinados pelo filho de Deus, para limpar o mundo de tamanha crueldade, provocada pela má interpretação das Escrituras Sagradas, que foram corrompidas pelo homem, para atender suas ambições.” Respondi quase automaticamente, e ela ficou emudecida. “Mas você é má. Como o filho de Deus, a aceitaria em seu rebanho?” Inquiriu desapontada com o seu grande ídolo divino. “Eu sou má, porquê preciso ser, e Jesus me escolheu porquê sou a filha dele e Madalena.” Disse com desgosto. Após ter entrado em tantas casas, para matar homens merecedores desta sorte, não gostava de ser associada a maldade diabólica, pregada por palavras vãs, de homens loucos por poder. “Mas você não é filha de Lúcifer?!” Ela ficou ainda mais confusa. “Tive a mesma reação ao descobrir. Mas sim Lúcifer e Jesus são o mesmo ser.” Esclareci, e ela cuspiu a água que tinha começado a beber. “Meu pai cometeu muitos erros mãe. Um deles foi tentado introduzir neste mundo, virtudes para os quais não estava preparado.” Baixei a cabeça, lamentando pelo surgimento da outra face, do príncipe do mundo. “Seu pai é o Alexandre! Esse homem que a induz a matar é um blasfemo!” Gritou como uma fanática, e com o meu dedo indicador apontei minha energia para a planta no meio da sala, que por “mágica" começou a secar, enquanto meus olhos mudavam de castanho para violetas. “Tudo é um, e o um é tudo.” Disse ao abrir a palma, e soprar a vida de volta para a flor, que brotou ainda mais linda e brilhante.
    _Como fez isso? Esse Homem. Esse homem é um alien?!
    _Não, bom é, mas não da forma que está pensando.
    Eu sou o cavaleiro do Apocalipse mãe, eu sou
    a Morte.
    _Mas como isso é possível? Sua gestação foi normal,
    embora houvessem complicações!
    _E você rezou a Nossa Senhora do Perpétuo Socorro,
    para que eu não morresse, e me chamou de seu
    milagre.
    _Minha filha. É um peso tão grande para carregar.
    _Eu sei que é mãe. Sei que posso ficar louca. Mas pela
    primeira vez na vida, tudo realmente faz algum sentido,
    e principalmente, eu não preciso mais ficar de braços
    cruzados, vendo o mundo ruir.
    _Mas você é tão jovem, bonita, e inteligente.
    Ele não pode escolher outra em seu
    lugar?
    _Eu tenho 666 irmãos. Mas nenhum deles tem o
    meu poder mãe.
    _Eu sabia que um dia isso ia acontecer.
    _Não tá planejando me colocar no hospício não é?
    _Não, não minha filha. Apenas espero que saiba
    o quê está fazendo, pois um erro e...
    _Mamãe eu não morro.
    _Mas pode se ferir, e depois de tudo o quê já passou, não
    quero que se machuque ainda mais.
    Ela me abraçou, e Ramona ficou calada, ponderando sobre tudo o quê sabia a respeito de Cristo e Lúcifer. Naquela madrugada tive de falar tudo a minha pequena, de uma forma que ela pudesse entender, e acabamos por adormecer.
    O MISTERIOSO MARIDO NARRA:
    Thamara dormiu junto de nossa filha, e eu fiquei a mesa, arrumando os pratos, cheio de doces que devoramos ao ouvir as palavras da minha esposa. Lina não conseguia dormir, por isso ficou sentada no sofá com o olhar vazio. Embora quisesse transmitir confiança a filha, ainda não tinha aceitado os fatos, e suas mãos tremulantes, alegavam que estava a beira de um surto. Olhei-a por cima dos ombros, e respirei fundo. Se não a ajudasse agora, a Thamy iria sofrer as consequências mais tarde, e não podia deixar isso acontecer. Como quem não quer nada, sentei-me ao seu lado, e ela como que por desespero virou-se para mim, dando-me um baita susto, com seus grandes olhos vermelhos e enrugados, marcados pelo pânico do desconhecido.
    _Bart.
    _Eu mesmo Lina.
    _Thamara não me contou como você foi envolvido
    nessa matança.
    _Ah, é simples. O par da Morte, sempre será
    o Peste.
    _Espera você também acredita que é um dos Cavaleiros
    do Apocalipse?
    _Mas é claro que sim. Fui treinado junto com
    a Thamy.
    _Isso é loucura Bart!
    _Não, não é. Basta parar de ver a Thamy como somente
    sua filha, que verá os sinais entorno dela.
    _Vocês tomaram alguma droga, quando conheceram
    esse guru que acha que é Cristo?!
    _Lina. Se acalma. O tal “guru" salvou sua filha de ficar
    cega.
    _Então é um alien! Um alien maldoso!
    _Lina. Ele é realmente Cristo, sua filha é a Morte, e
    eu sou o Peste. Precisa aceitar isso.
    _Por quê?!
    _Porquê com você como nossa aliada, podemos
    iniciar o quanto antes, os treinos de Ramona para
    esta seguir o destino que lhe foi escrito.
    _E seria?
    _Herdar nossos poderes e manter o mundo
    em equilíbrio.
    A conversa com Lina, não me pareceu muito proveitosa. Era evidente que Thamara tinha puxado a cabeça dura dela. Todavia obtive algum êxito, e por isso pude dormir em paz naquela noite. “Você tem que matá-la.” O sussurro de minha própria voz passou pelos ouvidos. Minha esposa não estava de todo errada, haviam demônios na minha mente, só que ao contrário do quê ela pensava, não representavam perigo algum a nossa filha, não da forma que com veemência me acusava, pelo menos. Meus pensamentos eram mais piedosos, me falavam sobre matar a família inteira, e depois a mim mesmo, não torturá-las com maldade, como fazia com minhas “vítimas”, ou de maneira sexual, como algumas das “vítimas” faziam com terceiros.
    Mergulhado no vazio obscuro dentro de mim, eu os vi. Eram vários de mim, cada um com uma ideia de diferente, e como eu sou o rei deste Inferno mental, caminhei lentamente entre eles, mostrando-lhes a minha força e imponência. O meu eu assustado se recolheu de imediato, ou meu eu raivoso, saltou na minha direção, e por isso o peguei pelo pescoço. “Ela nunca vai te amar! Não é capaz de amar a alguém!” Ele gritou e isso me fez sorrir, ao puxar seu crânio ensanguentado para fora do esqueleto. “Eu que mando aqui, e se não respeita a minha amada deusa, deve morrer como todos os outros.” Esclareci, e o frio e calculista veio até mim. “Ela não é controlável como a Célia. Não é um bom negócio, seguir com aqueles que estão além dos fios de nossa manipulação.” Olhou para mim, e eu lhe acertei com um machado que projetei. Não tinha tempo para ouvir as asneiras, de partes minhas, para as quais somente a Thamara ainda dava vida. “Ele seguiu por aquela direção.” Disse o meu eu viciado em violência, e por isso segui cautelosamente até a escuridão, que crescia da direção em que aquele demônio tinha se enraizado. “Ela te deixou uma vez.” Foram as suas primeiras palavras. “Ela seguiu com Dave, e te ignorou. Só retornou porquê Dave não a ama.” Continuou com seu monólogo de mágoa. “Só há uma razão para odiá-la tanto. Sr. Tristeza.” Brinquei ainda atento ao ataque dele. “É Sr. Melancolia.” Ele gritou enfurecido. “Pra mim parece mais o bebê chorão. Aquele tempo se foi Bart Melancólico.” O alfinetei, e depois recobrei o sentido, se somos o mesmo, não cairia numa provocação barata. “Não para mim. Eu ainda a vejo nos braços do outro, exatamente como ela desenhou.” Respondeu com mais intensidade, e pude chegar até ele, porém ao pisar no topo de uma colina, iluminada pela luz da lua, percebi que aquela voz vinha do meu inconsciente. “Ela nos ama. Me ama, e é só o quê importa.” Disse ao olhar para baixo. “Não é tão simples.” Suas sombras se materializaram, agarrando meus pés como tentáculos, e me arrastando para dentro do breu. Uma vez disse a Thamara que eu tinha entrado em depressão quando me deixou, mas eu menti, ela tinha criado algo muito pior dentro de mim, pois nunca havia amado tanto alguém antes dela, e agora esse mesmo monstro queria me puxar para o fundo, com o intuito de se tornar o 70% de mim, que controlava os meus outros demônios. Isso já tinha acontecido uma vez, e até hoje sofro com consequências do Bart Melancólico, que me levou a trair a minha esposa, mesmo que só emocionalmente, e ela nunca me perdoou. “Ela irá fugir com o primeiro homem bonito que aparecer.” Ele disse tentando me desnortear, mas desde que tinha completado 30 anos, não era o garoto de antes, o emprego e pequenas intervenções de Thamy, tinham me tornado atraente o suficiente, para não me sentir ameaçado, caso surgisse mais um novo rival, na batalha pelo coração da minha companheira. Por isso concentrei raios de luz na minha palma, e cortei os braços da criatura, antes de chegar na ponta do precipício. “Eu não entendo por quê você ainda existe. Eu já superei o passado, então faça o mesmo. Não importa as batalhas que perdemos, e sim que vencemos a guerra, e teremos a Thamara para sempre.” Disse iluminando o meu corpo ao máximo, para ser intocável pelo poder obscuro, do ser que habita as profundezas da minha cabeça. “Dave, Thomy, e outros, não foram os últimos.” Ele me disse, e retornei ao meu estado ativo.
    Já eram 7: 30 da manhã, e Thamara já havia iniciado suas negociações com o Robô da Ibov. “Me atrasei?” Brinquei com o meu sorriso mais sem graça, e ela seguiu com os seus olhos vazios, procurando por algo que nem a mesma sabia. “Está atrasado em 15 minutos, e só não perdeu 140 USD, porquê entrei em seu Login.” Respondeu seca, e isso me preocupou bastante. Se ela soubesse a luta que vivo toda noite, para continuarmos juntos, talvez valorizasse o meu amor, ou não. Conhecendo a senhorita “Não te amo há muito tempo.” Certamente não. “Obrigado meu peixe.” Agradeci citando o nosso apelido próprio, na intenção de alcançar as suas emoções. Só que ela seguiu inerte, me ignorando, e isso fez com quê o pesadelo da noite passada, parecesse bem real. Sentei-me do seu lado, meio desarrumado, tinha apenas escovado os dentes, e lavado o rosto. Sua pequena e delicada mão procurou pela minha, e isso me fez sorrir. “Não Bart Melancólico estava errado. Ela me ama sim.” Pensei tentando esconder o riso de alegria, e sem dizer nada ela se encostou no meu ombro, ainda focada na tela da FT. Era o seu jeito de dizer Eu te amo, sem o uso das palavras, e eu adoro isso, pois depois do carinho silencioso, sempre vem o beijo, e neste sinto toda a sua energia amorosa fluir com bastante gosto.
    A MORTE VOLTA A NARRAR:
    Ainda estava enfurecida pela noite passada, ele me traiu com uma garota mais jovem, de 18 anos, quando tinha 22. O quê quer que eu pense? Que é um homem digno que não se interessa por garotinhas? É difícil. Pois achei que o fato de ser 2 anos mais nova, me dava uma vantagem que as outras não podem ter. Afinal desde nova, sempre sofri muita rejeição dos caras da minha idade, e recebi bastantes pretendentes mais velhos. Assim conclui que meu par teria de ter sempre um ou dois anos acima de mim, do contrário sempre seria sempre um fracasso. Meus planos caíram por terra! Mesmo sendo mais nova, ele procurou por uma ainda mais nova, 4 anos mais nova. O quê me levou a concluir que se tivesse 17, teria um relacionamento com uma menina de 13 anos, algo tão patético, quanto o quê Roger, o lixo que me desvirginou fez. Depois de tal fato, nunca mais o vi com os olhos do encanto, porém ainda sim, mesmo ferida, e quebrada por dentro, não deixei de amá-lo. Só que como ele nunca valorizou os meus esforços, para manter longe os abutres que queriam destruir o nosso relacionamento, sempre que esse rancor crescia dentro de mim, acabava por dizer que não sinto mais nada, pois a verdade é que não queria sentir, mas por alguma razão era o único que não era capaz de deixar de amar totalmente. Talvez fosse o pacto que fizemos, quando ele tinha 18 e eu 16, ou quem sabe somos almas gêmeas. Já não sei mais, pois cansei de fazer inúmeros rituais para nos desamarrar, e continuarmos voltando aos dias de intensa paixão da juventude, e nos amando ainda mais. Como uma maldição sem fim, da qual nunca poderia escapar. Karma também é uma opção, consequência por desafiar a ordem divina. Contudo poderia ter me prendido a um homem cachaceiro, que me bateria, ou não me reconheceria nem mesmo com magia. Porém acabei junto dele, e apesar de ter sido o maior dos idiotas, foi a melhor opção, entretanto se pudesse voltar no tempo, eu teria impedido essa união de todas as formas, e com certeza me espancaria até desmaiar, antes de juntar nossas gotas de sangue, e transformá-las numa só, envolvendo o nome de Lúcifer e Lilith. Talvez fosse melhor ter invocado a própria Afrodite e o seu Adônis endeusado, mas isso é duvidoso, pois muitos no círculo dos magistas alegam que Lilith é Vênus, e se isso é verdade, então Lúcifer seria Áries ou será que era o pobre Efestos? Aquele que foi expulso do Olimpo pela própria mãe, e se tornou um Deus por sua cruel astúcia, ao descobrir as fraquezas daqueles que um dia o humilharam. Tanto faz. Só sei que rezei aos deuses errados, pois mesmo que a minha vítima cedesse, passamos por vários problemas ligados a este bendito ritual diabólico. O amo muito, ele é a minha vida, não vivo sem ele, parece que quem se amarrou fui eu. É duro sentir tal coisa, sendo que nunca tive tal emoção, por nenhum outro homem antes, e pior ainda é gostar dele deste forma, depois de tudo o quê aconteceu. Eu piso, humilho, chuto como se fosse outro psicótico a ser julgado, e na hora de partir o agarro forte, e faço o quê estiver ao meu alcance para não deixá-lo ir. Meus médicos dizem, que é culpa do meu mal, que não o amo de verdade, só gosto de sua submissão, e de torturá-lo friamente. É tudo tão simples para eles, que chega a me dar raiva. Não é que não o ame, pois se assim fosse, não perderia a cabeça só de imaginar ele com outra. “E isso se dá porquê o trata como sua posse, e acredita que ninguém mais pode tocá-lo.” Já até ouço o Doutor Fernand dizer, e reviro os olhos. Oras se não quero que ninguém toque nele, é porquê é importante para mim, e as mãos impuras de terceiros não devem corromper o meu imaculado amado.
    _O quê está pensando Thamy?
    _Nada.
    _Olha lá a mentira patológica gente.
    _Não importa.
    _Ainda é sobre aquele assunto irritante?
    _Em parte sim.
    _Hm.
    _O quê quer para o café?
    _Nada.
    _Isso só funciona comigo. Deixa de graça.
    _Eu realmente estou sem fome.
    _Então vou fazer bolinhos de queijo
    , presunto, salsa, e recheio de
    requeijão.
    _Quero 2.
    _Ótimo. Vou aguardar você terminar
    aqui.
    Sorri da maneira mais cínica, e isso o contagiou. É nessas horas que percebo o quanto me ama. “Eu vou. Mas só porquê me garantiu 140 dólares ainda pouco.” Fez a face de senhor da razão, e eu gargalhei. Está querendo enganar a quem querido? É evidente que expande a quantidade de oxitocina no seu organismo por mim. Tomamos o café-da-manhã, já em clima de harmonia, sorrindo como se por alguns minutos todos os males tivessem ido embora. Uma perfeita relação abusiva, na qual para surpresa de todos, era a mulher que estava pisando de salto alto nos sentimentos do homem. O telefone tocou, e fechei a cara, pois não era Lúcifer que estava me ligando, e sim a minha irmã que tinha se bandeado pro lado dos Iluminados.
    _Luciféria.
    _Pai!
    _Precisa vim a Santa Marta o quanto antes.
    _O quê? Por quê?
    _Sua irmã despertou da lavagem cerebral
    das Corais, e está a beira da morte!
    _Ela... O quê?
    _Venha ao mosteiro, e explicarei tudo.
    _Está bem.
    Ele desligou, e eu olhei para Bart. Nós entramos no carro, e dirigimos até o monte dourado. Katherine estava totalmente desidratada, caída no piso, como se implorasse pelo seu último suspiro. Sem dizer nada, afastei todos os frades, e me ajoelhei diante dela. Concentrando minhas energias na palma, vi ambas se tornarem esferas de luz radiante, e soprei para dentro da sua boca, infelizmente minha irmã não estava só morrendo, e sim tinha sido acometida por um vírus, e somente o sangue do Peste, poderia curá-la. “Vai em frente.” Disse ele estendendo o pulso, e com minha unha de energia, perfurei sua pele rasgando-a, até pingar gotas vermelhas na língua da moça, que pouco a pouco se restabeleceu de sua doença.
    Passadas algumas horas...Caminhei pelo mosteiro, e fumei um cigarro de maconha para me acalmar. Meu pai viu, e sorriu, erguendo a mão, para tirá-lo da minha. Sem questionar o entreguei, e para a minha surpresa, ele o levou aos lábios, e puxou toda a fumaça com gosto. “Parece que o lado Lúcifer segue aí dentro.” Brinquei, e ele olhou para o céu. “Lúcifer nunca irá embora, Magda.” Respondeu com calmaria. “É Luciféria, Luciferiel.” O corrigi. “Luciféria no céu, Magda na Terra, Arádia na Magia, Matheuccia na Religião...São apenas nomes. O quê importa é a sua essência, pequena princesa.” Citou meus “20 nomes", e me fez entender o seu propósito. “De fato. Lúcifer no céu, Jesus Cristo na Terra, Agrippa na Magia e na Religião.” Devolvi na mesma moeda, e ele riu com compaixão. “Então reconheceu minhas palavras, até mesmo através de um homem? A eduquei direito pelo visto.” Olhou para o lado, e ergui os ombros. “Quando falou que o Ar não era um elemento, e sim uma cola que unia os outros 3, como se o mesmo fosse o mais poderoso dos elementos, ficou bem óbvio na verdade.” Completei, e ele seguiu a fumar a erva sagrada, que aos olhos do sistema, era maldita, pois fazia o cérebro trabalhar mais rápido, e se tornar menos passivo ao controle. “Pena que nem todos os meus filhos aprenderam direito a respeito da palavra sagrada.” Olha para a frente, e a silhueta de violão da Coral, surge querendo se aproximar de nós. “As deixarei a sós.” Ele de imediato se retira. “Espera, ela é sua filha. A minha está em casa lendo e aprendendo.” Resmunguei colocando minha mão em seu peito, não o deixando passar. “Mas quando sua mãe criou ódio dos homens, você cuidou dela, como se fosse sua. Queria uma chance de se redimir? É esta.” Me relembrou, e acabei por ficar sem argumentos. Como uma criança, a morena veio até mim, e eu segui com a postura fria de mágoa.
    _Lucy.
    _É Thamara.
    _Pra mim sempre será Lucy, a minha irmãzinha
    mais velha.
    _Irmã mais velha, não venha com diminuitivos
    para despertar meus sentimentos.
    _Como sempre fria como gelo não é?
    _Diria mais fria como a Antártica.
    _Não vai querer saber como te encontrei?
    _Você sempre se fez de lesa, mas é inteligente.
    Não há nada surpreendente em ter chegado
    até aqui.
    _Eu ouvi um elogio da Sra. Crítica?
    _O quê quer aqui Katherine? Já não nos traiu
    o suficiente, ao se misturar as Corais?
    _Isso está além do quê pode compreender
    Thamara Mary.
    _Que você tinha sede de poder, e se meteu
    com as pessoas erradas? Não, é bem
    fácil.
    _Se me ver como a velha Lilá, sim, é só isso.
    Mas entrei na Ordem das Corais, para vigiá-las,
    e te entregar constantes relatórios sobre os
    crimes.
    _É Agarath e disso eu me lembro. Então num fatídico dia, simplesmente me levou para uma armadilha, e por pouco não morri.
    _Eu me apaixonei Lucy, e assim como você
    e Bart, ele era o meu parceiro de outras
    vidas.
    _Outro loiro de olhos claros com o rosto
    de uma estátua grega?
    _Guarde o seu sarcasmo. Ele era moreno,
    de olhos castanhos, e sem um gigante
    porte físico.
    _Deixe-me adivinhar, era o líder das Corais?
    _Não. Era outro subalterno como eu, e quando as
    Corais descobriram que tinha traído elas, juraram
    matá-lo, e me entregar o seu coração numa
    folha.
    _Então por um amor de verão traiu
    alguém de seu próprio sangue.
    Interessante.
    _Ele não era um amor de verão Lucy!
    Estávamos juntos, desde que me infiltrei
    na Ordem das Corais!
    _E já se passou pela sua cabecinha infantil,
    que ele pode ser o vigia delas, para testar
    a sua lealdade queridinha?
    _Já! É claro que já! Você me treinou lembra?
    _Então como ainda pode me trair?
    _Porquê ele era diferente do John. Me ligava,
    Mandava flores, fazia planos comigo, e me
    fazia ver que Bart não era o único homem
    na face da Terra, a amar uma mulher.
    _Não te usava? Não te ignorava? Não
    pisava em você? Não dava sinais claros
    de manipulação, e que não estava
    afim?
    _Não. Havia tanta devoção da parte dele,
    que várias vezes as Corais tentaram o matar,
    somente por me proteger.
    _Então te amava mesmo.
    A conversa prosseguiu, e vi os olhos de Katherine. Apesar dos sinais de um amor realmente recíproco, estava claro que aquela história não tinha tido um final feliz.
    A MEMBRO CORAL NARRA:
    Quando entrei no clube das Corais, que até aquele momento não era uma ordem reconhecida pelo mundo, tinha apenas um objetivo, orgulhar a minha mestra, irmã, e segunda mãe que já tinha conhecido. A tarefa era simples, apenas observar os relatórios através do Whatsapp e repassá-los para a minha superior, que havia praticamente retornado dos mortos. Contudo praticamente da noite para o dia, o Clube das Corais, ganhou destaque, e passou a ser notado por diversos países. Assim em vez do pequeno grupo que só tinha conversas online, agora os membros ganhavam passagens, para se encontrarem pessoalmente. Entrei num lugar com estátuas de Gárgula, cheio das mais diversas artes clássicas e góticas. Quem tivesse conhecido a líder antes, não acreditaria, que Ane Marrie agora era uma das mulheres mais ricas do Brasil. Mas isso tinha um preço, que era caro demais para pagar. “Olá meus filhos. Eu sou a deusa. Lúcifer não virá, mas os homens de Cristo, bateram a nossa porta, e não podemos deixá-los esperando.” Disse Ane, enquanto os 9 membros principais, se aproximavam de seu trono de mármore, uma regalia necessária, oferecida por ninguém menos que os iluminados. “Luz é o quê este mundo precisa, e é a ela que agora serviremos, sem perder a nossa autonomia.” Prosseguiu, sentindo-se a dona do mundo. “Se Lucy assistisse a essa cerimônia, teria revirado os olhos, e cochichado algo sarcástico.” Pensei ao me ajoelhar perante os pés da “deusa Marrie". A festa foi bastante recatada, até o momento em que ela pediu que nos despíssemos. Tremi um pouco, pois só havia eu e mais uma garota, chamada Pauline, e um dos homens veio até mim. Seu nome era Timothy, e o olhar cheio de desejo, me fez ter repulsa, por achar que era um pervertido qualquer. Porém quando segurou minha mão, e a beijou, soube que mesmo sendo um tarado, era um cavalheiro. “Não é bem o lugar para ser educado.” Joguei verde, para ver se era um teatro e ele riu. “Com alguém tão bela quanto você, é sempre hora de ser educado.” Ele me olhou com os seus escuros olhos penetrantes, e sem graça deixei meu riso escapar. Após o evento, em que por nome dos deuses tivemos de copular, Ane Marrie notou uma conexão entre nós, e nos fez um par, segundo ela éramos deuses antigos, que agora tinham reencarnado para clarear a sociedade. Novamente se Lucy ouvisse tal coisa, iria surtar, pois parecia uma cópia malfeita da historia dela e do marido, e se saísse da minha boca, certamente brigaríamos, pois ela iria pensar que a ideia teria sido minha, por conta dessa “mania de poder". Timothy andava pela cidade, sentindo-se o Senhor das Ruas, por conta do título que a “deusa" lhe proporcionou. Eu seguia ignorando isso, minha deusa era outra, e a mesma dizia que eu só me tornaria como ela, no dia em que finalmente despertasse, de maneira tanto física quanto intelectual. Só que o meu parceiro achava mesmo que Ane Marrie, era alguma entidade poderosa, por isso tentava fazer a minha cabeça para ver a sua grandeza, e jamais seguir a renegada filha de Lúcifer, que não fazia parte das Corais, por ser uma egocêntrica, metida, que achava ter mais poder que a “nossa" majestade. “Sempre não é Lucy?” Mas estes embora pareçam ser defeitos, no fim eram suas qualidades, e eu admirava esse desempenho frio e turrão de ser. Percebendo que a glória da Rainha Cobra, não me tocava o coração, ele desistiu de falar de seus feitos, e passou a mudar de assunto. “Obrigado Satã por sinal.” Foi então que vi que Timothy, não era só um ingênuo seguidor da “deusa nada virgem", como Lucy costumava chamar, e pouco a pouco, meus pensamentos sempre focados na minha irmã, foram desaparecendo, e sendo substituídos por todos os segundos e minutos que ficava perto dele. É claro cometíamos muitos crimes hediondos, em nome dos Iluminados, por intermédio da majestosa Marrie. Mas tudo o quê ficava na minha mente, eram os milk-shakes com hambúrguer que comíamos na volta para casa. Os meses se passaram, e a minha aproximação com ele, se tornou cada vez maior. O quê deveria ser somente uma parceria de negócios, logo se tornou um romance, e quando dei por mim estávamos vivendo juntos, no apartamento simples dele, que nós chamávamos de ninho do amor. Mesmo que um filho de Eva morresse em minhas mãos todos os dias, tudo o quê importava, era o calor do seu colo no final da noite, pois nada mais era importante além de nós dois, ou assim pensei.
    Certa noite cheguei em casa, e Timothy não estava lá. Somente o nosso cachorro Vlad, se encontrava no apartamento. Logo o medo de algo ter acontecido invadiu o meu pensamento. Liguei em seu telefone, e o mesmo estava desligado. Estaria ele aprontando sem mim? Questionei. Só que o meu amor, me deixou um pouco mais lúcida, e por isso decidi verificar os meus recados. “Amor. O Vlad tá com saudades.” Foi a primeira mensagem, as 7:30. “Amor hoje vai ter pizza na janta, quer escolher o sabor?” Foi a segunda, na hora do almoço. “Amor trouxe sua pizza favorita, com muito queijo e...” A ligação caiu as 19:45. “Merd...!” Deixei escapar, e fui para a próxima e última mensagem. “Sabemos de sua conexão com a deusa renegada, e se quiser ouvir outra declaração patética do seu amado, vai ter que fazer o seguinte...” Anotei as instruções com a mão trêmula. Sabia que Thamara jamais me perdoaria, pelo que ia fazer. Contudo Timy era o amor da minha vida, e eu não me perdoaria se algo acontecesse a ele. Precisava tomar uma decisão, que mudaria a minha vida sempre, e tinha apenas alguns minutos para cruzar a linha da traição. Foi então que segui o plano delas, e enviei uma falsa localização para a minha irmã, que a enviaria direto para o abate. Ela não havia despertado ainda, mas assim como eu tinha alguém que me amava, ela também tinha, e certamente ele iria resgatá-la, e caso isso falhasse, havia uma força celestial disposta a mudar o tempo, para salvá-la, e sendo assim ela era importante o suficiente para o universo intervir. Ao contrário do Timothy que tinha menos de 2 horas de vida, e poderia desaparecer para sempre, pois era um criminoso, e mesmo sendo um filho do Inferno como eu, ficaria preso ali, por sua afronta a ordem natural, ao seguir as leis erradas. Era o fim da minha parceria com a minha irmã, e por isso não conseguia aguentar as lágrimas, mas mesmo assim, eu segui em frente, e entrei naquele depósito. Timy estava preso dentro de um vidro cheio de água, acorrentado até o pescoço, com panos brancos que estavam vermelhos de sangue. Só haviam 7 minutos de vida agora, e eu precisava encontrar o painel. Corri de um lado para o outro, tentando achá-lo, até que notei os olhos do meu amado, e segui na direção indicada por estes. Quando o líquido já tinha ultrapassado o queixo, eu consegui desligar, e sem pensar duas vezes, entrei no tanque, e usei a chave que me entregaram, após mandar minha irmã para a morte. Ao nos encontrar nos abraçamos mais forte do quê nunca, e nos beijamos ali dentro. Mas após ter comprometido toda a Ordem das Corais, eu mesma paguei o preço. O tanque se fechou, na parte de cima, e a própria Ane Marrie, veio nos executar. Pensei que ia morrer, pois agora não só subia água, e sim um liquido verde, que segundo a mesma estava contaminado, com um vírus que tinha ficado adormecido há 7 mil anos. Eu gritei, e me debati, enquanto Timothy ficou parado. Não entendi a razão, até ver a enorme e gosmenta criatura na sua nuca, que brilhava mais que neon, e que seus olhos estavam vazios. “Este? É um presente da nossa bióloga renegada, que antes de sair me ensinou sobre todos os poderes da ciência... e seus malefícios.” A rainha sorriu, e entrei em desespero. Sem saber o quê fazer, passei a me empurrar na ordem contrária ao apoio do tanque. A queda poderia me machucar, só que era melhor que morrer. Empurrei várias vezes, impulsionando o meu corpo, até que a cúpula caiu no piso e se partiu. Me arrastei entre os cacos, e peguei a mão do meu namorado. Sabendo que não éramos mais bem vindos, sai correndo até a saída mais próxima. Nós dois corremos até a floresta, e quando vi um frade passar por ali, gritei pedindo por ajuda. “Eu sou Úrsula, a outra irmã de Thamara a filha mais velha de Cristo!” Foi tudo o quê pude pronunciar, antes de desmaiar. Se falasse meu nome verdadeiro, eles não nos ajudariam, Thamara tinha deixado isso bem claro, na sua “doce” carta de despedida, por isso fui obrigada a mentir. Mas ainda bem que fiz isso, pois me trouxe até o único lugar, em que Timothy pôde ser curado, para que possamos iniciar uma nova vida, longe dos crimes da Ordem das Corais. Sei que somos dois ímpios, mas se meu pai é mesmo Cristo, ele ensinou os outros a perdoarem, e certamente não negaria uma segunda chance, para uma das suas filhas, e o sobrinho, filho de seu irmão Belial.
    _Então mentiu para chegar aqui?
    _É só o quê ouviu?!
    _Não, foi apenas a parte mais marcante, pois pensei
    que tinha me rastreado de alguma maneira, algo mais
    inteligente, do quê apenas sorte.
    _Foi inteligente, do contrário Timothy teria morrido.
    _E agora espera que a Ordem de Cristo os abracem
    , e ofereçam um banquete pela sua chegada?
    _Queremos somente redenção Thamy.
    _Sem coroas, deuses, ou as velhas regalias que
    foram ofertadas por Marrie, para tentá-los ?
    _É claro que sim.
    _Estão prontos para o trabalho duro,
    que lhes confere alguma nobreza
    entre nós?
    _Se tiver um quarto, comida boa, e bons
    livros.
    _Acha que está no direito de exigir?
    _É o mínimo para um ser humano.
    _Então terá de se dirigir ao pai.
    Ele quem lida com essas
    coisas.
    Thamara era bastante firme em suas palavras, porém era evidente o alívio que sentia no peito, por me ter de volta ao seu comando. Uma vez irmã, sempre irmã, e mesmo com toda a frieza, ficava claro que se importava do contrário, não teria feito o seu marido “O Peste" me dá o sangue da cura.
    A MORTE NARRA:
    A volta da minha irmã mais nova deveria me trazer alegrias, mas por mais feliz que estivesse pela sua volta, não podia me esquecer dos males que tinha causado, e de quê nem Ramona escapou das suas teias diabólicas. Inspirei fundo, e caminhei para longe dela, deixando-a sem respostas. Tudo sempre foi muito fácil para Katherine, então não me admira a sua “cara de pau”, de vim até Santa Marta em busca de perdão. Nosso pai poderia lhe perdoar, afinal ele sempre foi o cara que perdoo as faltas do mundo, mas eu neste sentido, era tão implacável quanto minha mãe Madalena Lilith.
    A noite... Timothy e Katherine ficaram agarrados um ao outro, sorrindo, ao beberem a sopa do nosso chefe e padre João. Quem os visse ali, pensaria que eram almas gêmeas, puras e inocentes, entregues aos desejos da juventude. Fiquei com o cotovelo apoiado na mesa, pousando a mão abaixo do queixo. Os observando com cautela e fúria. Vendo o meu estado, Bart deitou sua cabeça no meu ombro, dando-me beijinhos no pescoço, até me fazer rir, e sussurrou para nos afastarmos de todos. De mãos dadas, nós seguimos até a beira do rio cristalino, e nos sentamos na ponta da terra, deixando a água cobrir os nossos pés. “Não gostei da volta dela.” Ele iniciou, e dei graças aos deuses, por não ser a primeira a dizer. “Ela é minha irmã, mas eu também não estou satisfeita com isso.” Concordei, e ele se deitou no meu colo, deixando a água fria cobrir metade do seu corpo, já que a fenda estava rasa, e “secando”.
    _Por pouco você e Ramona não morreram
    naquele dia. Não é algo fácil de se perdoar.
    _Se Ele não tivesse parado o tempo...
    _E ainda tem essa. Graças a ela o Arcanjo voltou.
    _Ciúmes, bonitinho?
    _Sempre terei ciúmes de você. É o amor da
    minha vida.
    _Você também é o amor da minha...
    _Mas?
    _Você sabe...
    _Está muito magoada comigo, para sentir
    alegria por isso.
    _Olha, não é que é esperto?
    _Engraçadinha.
    _Sou mesmo.
    _Eu te amo Thamy. Sei que falhei feio contigo, como marido,
    mas não vai se passar um dia da minha vida, que não deixarei
    de lutar para ser digno do seu perdão.
    Ele ergueu a face para cima, e pude vê as estrelas se refletirem nos seus olhos. Aquelas íris brilhantes, e a pupila tão dilatada ao olhar para mim, me fizeram entender porquê mesmo depois de tantos anos, sofrendo por ser incapaz de dar uma segunda chance a alguém, ainda seguia ao seu lado, e afastava todos os possíveis pretendentes, tornando-o minha primeira e única opção. “Também te amo Bart. É difícil pra mim perdoar, qualquer pequena falha que seja. Mas por você estou tentando.” Me esforcei para me declarar. Escrever é fácil, porém falar dos meus sentimentos, sempre foi algo complicado, pois é como se eu não fosse capaz de amar, ao ponto de literalmente esquecer de mim, e levar um tiro para proteger alguém que não está dentro desse corpo. Contudo Bart era o único por quem eu realmente me esforçava para ser melhor, e por mais que o Dr. Fernand ou o Dr. Augusto dissessem o contrário, isso para mim, era o mais perto do amor que podia conhecer. Sem que percebesse, meus dedos fizeram carinho em sua cabeça, e meus lábios foram até os seus. Talvez amar, não fosse algo que trouxesse somente felicidade e satisfação, e sim a caminhada longa e tortuosa, na qual os dois enfrentam todas as barreiras para continuarem juntos.
    O PESTE NARRA:
    Outra vez seus impulsos românticos a traíram, era óbvio por causa da sua face corada de vergonha, ao afastar o rosto depois de me beijar, e praticamente criar alguma distância emocional, ao se recostar para trás. Ainda bem que tínhamos voltado a brigar por nosso relacionamento, não queria me lembrar, do dia em que quase perdi a mulher da minha vida, e o fruto desse amor que nunca se apaga. Droga. Estou começando a lembrar outra vez...Já ouço o som do temporal que caia, e a voz dela ao telefone. “Bart por favor me ajude.” Foi tudo o quê ouvi, antes de ligar sua localização, e seguir até o meio da mata escura. A mesma em que há poucos dias, havíamos encontrado sacrifícios infantis, em nome dos “ofídios em forma de humanos”. O sangue estava espalhado por toda parte, - ao contrário do quê fizeram com Marcele, outra membro que abandonou as corais, antes da mesma se transformar numa ordem mundialmente famosa, por suas atrocidades. – Eles queriam mesmo executar a Thamara, sem fazer parecer suicídio. Minha respiração era calma, porém a cada passo que dava, o medo crescia dentro de mim, e os suspiros pouco a pouco se aceleravam. As folhas se quebraram abaixo dos meus pés, mesmo tentando ser sorrateiro, e isso fez meu coração subir até um pouco acima das costelas. Um pouco trêmulo, me aproximei das árvores, para observar o ambiente. Sentindo a força de Gaia fluir pela copa, ganhei energia para enfrentar os monstros que tinham levado a minha amada, e a minha filhinha. Minha áurea obscura cresceu, e por alguns segundos o Bart viciado em violência, tomou 70% do controle do meu corpo, pois estava pronto para me “banquetear” com a carne de certas corais. Meus dedos arranharam o tronco, como se fossem obsidianas, e por um momento senti que meus olhos queimaram, e se tornaram amarelos como ouro, dando-me o poder de ver no escuro. Foi então que a vi, nos braços dele, e minhas íris se tornaram vermelhas como rubi, pois o Bart melancólico quem assumiu. “O quê faz aqui?” Perguntei ao ver o homem de longos e cacheados cabelos negros, que segurava a minha esposa, e ficava ao lado da minha filha, me encarando com seus olhos azuis, que brilhavam de maneira tão inumana quanto os meus. “Se soubesse cuidar dela. Eu não precisaria intervir.” Ele me respondeu, e isso me fez rir de raiva, pois jamais deixava de salvaguardar a minha amada. “O quê aconteceu?” Perguntei lentamente, pronto para matá-lo com todos os requintes da maldade, assim que me entregasse a minha companheira. “As corais vieram atrás dela.” Disse sem parecer se importar, e ela despertou. “Você?” Perguntou para ele, com certa mágoa, e este sem querer sorriu. “Estou fazendo hora extra.” A colocou no piso, e levantou voo. “Ela precisa de proteção. Não importa quem você seja, sabe que somente o Pai tem tal poder.” Disse ao passar por mim. Apesar de ser um engomadinho celestial, ele estava certo, porém conhecendo a mulher que tinha, havia a certeza de quê ela não seria a favor de tal intervenção, por isso só deixei escapar um barulho de lata de refrigerante sendo aberta.
    No caminho de volta para casa...Thamara ficou em completo silêncio, segurando Ramona que tinha dormido em seus braços. Pelo retrovisor pude vê-la. Seu olhar era vazio, tinha marcas de garras nos ombros, o lábio estava roxo, como se tivessem torturado e depois a forcassem a beber veneno. Eu queria saber o quê tinha acontecido, mas ela parecia sem reação. Ao passar pela entrada de casa, ela pulou no meu colo e me abraçou forte. “Ela saiu. Eu preciso ir embora.” Foram as suas palavras. Sem pensar, a segurei contra o meu peito. “Não.” Foi tudo o quê consegui sussurrar, e ela me deu um beijo no rosto, seguido de um beijo na boca, que pareceu sugar as minhas energias. Era como se ela fosse a Hera Venenosa das revistas em quadrinhos, mas seus olhos ficavam violetas e vítreos, quando minha vida era engolida por sua boca roxa. “Eu te amo muito. De verdade. Mas meu ódio pode te machucar, então adeus.” Ela disse e dei o meu último suspiro, caindo desmaiado no piso.
    Os dias se passaram...Minha sogra entrou em desespero, e veio para dentro da nossa casa, me oferecer ajuda para cuidar de Ramona, enquanto eu procurava por minha esposa. Cheguei a voltar a beber e fumar, coisa que só fiz na adolescência após termos terminado por conta dos seus inúmeros pretendentes, e querer vivenciar todos os prazeres da juventude. Ela certamente diria que o fez, pra ficar com o tal Dave, porém anos mais tarde, vim saber que não tinha só o babaca, outros estavam aos seus pés. Não acho isso negativo, porquê eu também era o homem de muitas, após termos nos afastado. Pra mim isso só significava que a separação nos tornou duas criaturas frias e maldosas, que deixaram um rastro de destruição por onde passaram, mas se reencontraram mesmo nas trevas, pois eram perfeitos um para o outro. Infelizmente acho que ela não via assim, e por isso tinha partido de vez. Ela, seu outro Eu sempre saia em momentos de adrenalina. Então isso pra mim, era uma desculpa mais do quê esfarrapada. O sino da porta do bar tocou, e foi tudo muito rápido. Um grupo de mascarados, com uma braçadeira vermelha, jogaram um frasco ovalado no piso, que se partiu e deixou todos doentes.
    No meio daquela névoa verde, eu via mulheres e crianças gritando, ao chorarem lágrimas de sangue, enquanto os homens vomitavam sem parar pelos cantos, e alguns tremiam como se sofressem o efeito colateral de um remédio psiquiátrico. O quê quer que seja, era mortal, mas me sentia normal, por isso caminhei por ali, até chegar a saída, onde encontrei um grupo de homens de túnica branca. “Eis que o filho do nosso senhor enfim aparece entre as sombras, iluminando-as com a sua luz.” Disseram em coro, e ergui uma sobrancelha de incredulidade. “Saudamos-te ó grande cavaleiro iluminado, que deve acompanhar a amazona negra que com a sua mortalha e foice limpará o mundo.” Eles se ajoelharam diante de mim, com itens em suas mãos. “Eu sonhei que muitas pessoas morriam por minhas mãos.” Me recordei, com a voz dela. “Não podia ver o rosto, mas andava a cavalo com um guerreiro de armadura prata, que me levava até os outros dois. Era como se eu fosse a Morte” Foi o segundo lampejo. “E se um dos cavaleiros, não for apenas uma corrupção machista, e a Morte na verdade é uma amazona?” Foi o quê me fez ter certeza que era dela que se tratava. “Onde ela está?!” Peguei um deles pela túnica, e ergui contra a parede, pronto para destrui-lo caso tivesse feito mal a minha amada. “Está em Santa Marta, porém assim como a mesma está treinando, você deverá fazê-lo, para terem controle dos seus poderes, e não serem controlados por eles.” Me respondeu aquele ficava ao lado do outro. “Olha pra minha cara. Vê se eu me importo com isso? Só quero achá-la.” Disse com impetuosidade. “Se quiser ver a minha filha. Terá de ser merecedor dela.” O quarto e último homem impôs, e quando olhei para trás, vi seus olhos brilhantes como uma lâmpada no escuro. “Lúcifer?” Questionei desconfiado. “É apenas um dos meus nomes, meu filho rebelde.” Me respondeu. “Ela está bem? Não estão abortando seus filhos, e lhes dando o feto para comer não é?” Inqueri me recordando das terríveis visões da minha companheira. “Não somos Os Iluminados. Nosso treinamento é mais rigoroso e evolutivo. Ela está aprendendo a controlar o poder da Morte, e não se tornar o próximo grande Demônio, já temos você pra isso.” Respondeu e brincou no final. “Do quê está falando?” Perguntei sem entender a razão de tal acusação. “Então o bloqueio de memória foi um sucesso.” Se aproximou de mim, e pousou a mão no meu ombro direito. “Infelizmente Baal Hadad, não poderá viver para sempre nesta mentira, de quê só Thamara Mary, viveu no Inferno, e tem o meu sangue.” Tais palavras me deixaram um pouco receoso. “É hora de enfrentar o seu grande demônio, e fazer juiz ao fato de ser o príncipe deste mundo.” Ele prosseguiu. “Esse não é o teu título?” Perguntei com certa curiosidade. “Eu sou o novo Deus, meu filho, o título de Diabo é, e sempre será seu.” Ele me respondeu, e meus olhos se engrandeceram. “Isso não seria uma blasfêmia para o Altíssimo?” Notei os aspectos bíblicos dos quais Thamy sempre falava. “Seria, se ele não tivesse concedido esta glória, para se tornar o sucessor do seu bisavô.” Outra vez ele respondeu algo de quê não tinha muito conhecimento, a não ser pelas aulas da minha linda descendente dele.
    _Eu tenho um bisavô?
    _É muito para explicar. Mas sim. Você é parte da terceira
    gerações dos deuses.
    _Então este bisavô é o Caos da mitologia nórdica?
    _Sim, e dele nasceram os primeiros deuses supremos,
    que são os seus avós.
    _É muito para processar...
    _Ficará mais fácil depois que desbloquearmos sua memória.
    _Não.
    _O quê? Por quê?
    _Se sou mesmo o Diabo, não quero machucar Thamara
    ou minha filha, é melhor deixá-lo adormecido.
    _Isso é um excelente sinal. Porém embora tenha machucado
    muitos com a sua frieza e sadismo, tenho certeza que não
    praticou algum mal contra elas.
    As palavras de Lúcifer me acalmaram, e por isso segui com os frades, para receber o devido treinamento de meu poder, e ver a minha amada outra vez. Foram 6 meses de teorias e práticas, sobre o meu porte físico e espiritual. Os cientistas da ordem diziam, que minha saliva era uma fonte de doenças nocivas, que se transformava no quê minha mente desejasse, e que o meu próprio sangue, continha antígenos praticamente sobre-humanos para cada um desses males. Por vários meses fui estudado numa estufa, ás vezes dentro de um tanque, outras numa maca, para definir o limite dos meus poderes, que faziam de mim, uma bomba biológica, com a cura para as mesmas doenças que causava, por isso me chamaram de Peste. Contudo embora fosse parte das minhas habilidades, ter esses vírus vivendo em meu corpo, e os curar, não era todo o meu poder, pois graças aos seres microscópicos, poderia modificar o meu DNA, para me tornar qualquer ser existente na galáxia...Mas não vem ao caso, como dizia...No sexto mês finalmente pude encontrá-la, ela continuava linda e radiante como a lua. Como tanto gostava, estava usando um vestido preto longo e decotado, sendo seguida por homens e mulheres cobertos por capuzes amarelos. Ao contrário dos costumeiros olhos vazios, parecia tão serena quanto na adolescência, e sorria com a confiança, que nós dois acreditávamos que tinha morrido.
    _Bart?
    _Thamara...
    _Como chegou até aqui?
    _Digamos que nossos caminhos se cruzaram.
    Você não é a única filha cósmica.
    _Sério? Eu sabia! Você é meu par eterno!
    _Não, não sou. Sou apenas o deus que ficou
    louco de amores por você, e não te deixou
    viver na solidão.
    Eu segurei em sua face e a beijei com carinho. Ao sentir o seu corpo no meu, meu coração pulsou com muita intensidade. Foi assim que as memórias do passado tomaram conta da minha mente... Eu era somente um garoto loiro, semelhante um viking, quando nos reencontramos. Ela era somente uma menina de cabelos vermelhos, com olhos violetas e vítreos. Nós discutimos no começo, pois a figura baixinha, tinha contas para acertar comigo. Mas como sempre fomos estranhamente um atraído pelo outro, acabou por me contar a verdade. Sentia-se vazia, e nem sempre do nada, nascem as melhores coisas, por isso ela tomou a pior decisão. Com o uso dos seus poderes, ela abriu a porta da minha cela, e me soltou no universo. Então o quê Deus havia decretado como um caso resolvido, voltou para lhe assombrar. Pouco a pouco me infiltrei no paraíso, e fiz com quê os anjos ficassem encolerizados. Os fracos pereceram diante de meu poder, e o caos se fez no cosmos. Para mim, era como uma festa sem fim, com muitos gritos, sangue, e desespero. Mas para ela, era como uma falha grotesca, que precisava ser corrigida antes que descobrissem o quê fez. Eu espalhei entre as multidões, todo o sofrimento possível para me fortalecer, e ela veio com a sua foice, para lhes dá paz mesmo no Inferno, entre os seres materializados. Seu pai tinha sido o anjo que tirava a vida dos vivos. Porém após o seu nascimento, ele foi coroado como príncipe celestial, e outro teve de assumir o seu posto. Muitos dos seus bravos filhos, lutaram para provar que eram dignos de tal glória. Assim eles limparam a galáxia, ceifando todas as almas que pudessem, com suas armas especiais. Contudo foi na única menina, que o poder se manifestou, e por isso esta que recebeu a sorte grande. Ao contrário dos irmãos, ela não matava somente para se provar merecedora da foice de seu pai, mas sim de acordo com o seu código de conduta, no qual os culpados eram friamente punidos, e os justos levados cuidadosamente para o outro lado. Seus irmãos só se focavam em quantidade, ela não, e esta era a virtude secreta do seu pai, quando ele atuava como tal. Eu a admirava, tanto pela sua impetuosidade violenta com os ímpios, quanto pelo cuidado que tinha com os inocentes. Por isso também tomei a pior decisão. Certa vez a Morte, estava a tomar banho no rio sagrado, e eu entrei na água, infectando-a, para lhe tornar inofensiva. Ela lutou com valentia, usou seus poderes para tentar curar a água, mas por algum mistério da natureza, a pobrezinha não tinha forças para vencer a mim, pois eu era a própria doença, era o vírus que carregava outros dentro de mim, era a própria Peste, em forma humanoide. Ela não suportou a enfermidade que lhe provoquei, e caiu em meus braços. Estava fraca, e bastante vulnerável, quase irresistível. Passei a mão por sua face pálida, ela me olhou preocupada, quase dizendo "não" para a minha proximidade, porém mesmo assim a beijei, e a tomei para mim. Por alguns anos, ela desapareceu, e os homens deixaram de respeitar o poder celestial, assim como acreditaram que não havia punição para os seus crimes, pois eu também não atuava. "Vou beber até cair hoje, pois o meu fígado não mais adoce vadia!" Disse um bêbado ao espancar a esposa, que segurava o símbolo dos celestiais. "Deus porquê não me permite morrer, e me deixa sofrer? Não pequei tanto para acabar assim!" Chorou com a boca toda ensanguentada. Ela não era a primeira a perder a fé. Outros estavam em níveis mais avançados, chegando até mesmo a acreditar, que Deus os tinha abandonado a mercê do mal, do qual tinha lhes prometido proteção. Inúmeras criaturas iam as ruas, protestar contra as iniquidades divinas, e haviam os que tentavam assumir o papel, da única juíza consagrada pelos deuses, deste universo. “Então você queria encontrar a paz, depois de tudo o quê me fez?" Um homem num plano de vingança, apontou a arma para a cabeça de outro. "Eu lamento te informar, mas não existe mais morte, e por isso sou livre para estourar a tua cabeça, quantas vezes desejar." Atirou na testa do culpado, várias e várias vezes, com um sorriso cada vez maior, que o tornava pior do quê aquele que ele julgava. Este não era um caso isolado, os assassinatos se expandiam mais do quê as doenças, que costumava espalhar. Para uns era um parque de diversão macabra, e para os que não tinham tal coragem, parecia a visão mais do quê realista do Inferno dos mortais. Cabeças decepadas, gritavam pelas ruas, e os sádicos lhe perfuravam os olhos, e chutavam-nas para a lama, afogando-as sem parar. Pessoas que tinham perdido o corpo na briga para sobreviver, se arrastavam pelos cantos, para tentar se livrar daquela tortura sem fim. As mulheres se uniam em instalações, para cuidarem uma das outras, já que nesta realidade sem final ou consequência, os pervertidos também ganhavam espaço, e se sentiam no poder de abusar das mesmas. Nem mesmo as crianças, conseguiam manter a inocência, e por isso ficavam divididas: Entre aquelas que matavam, e as que corriam. Meu ato egoísta, tinha feito da galáxia, o próprio Tártaro dos Gregos, e o Inferno dos Católicos, pois eu os privei de manter a bondade, e de receber a devida a punição, ao levar a nossa Morte, para o único lugar, no qual somente o seu Eu daquela realidade, tinha a permissão de julgar, e esta era somente como qualquer criatura que habitava aquele Cosmo. Como desde cedo trabalhei para o céu, como o auxiliar do meu pai, o veneno de Deus. Sabia de todos os pontos fracos da Morte, desde a sua jurisdição, até o quê poderia prendê-la para sempre. Acorrentada no fundo do universo, ela brigava para sair, amava o seu trabalho, e não queria ver ninguém lhe substituir. Só que nunca me dirigia a palavra, e evitava até olhar em meus olhos, devia me odiar bastante. Todavia eu não conseguia deixá-la ir, pois só o fato de tê-la por perto, era o suficiente para me sentir bem, e não me importava com quantos sofreriam no processo. "Já não basta o quê fez?" Ela finalmente disse, com seus braços presos ao aço, banhado com a luz do buraco branco, que sintetizei para imitar o poder supremo, do pai do príncipe celestial. "Foi culpa de nossa mãe, e você sabe." Respondi de imediato. "É só o quê sabe dizer. Mas se fosse forte, teria dito não." Ela retrucou. "Você não pode me culpar por aquilo para sempre. Se soubesse lutar, também teria impedido.” Rebati, e ela ficou indignada. “Vai culpar a vítima? É sério?” Sua voz era alegre, mas cheia de raiva. “Eu sou o Peste. O quê esperava? Que eu me arrependesse? Fui treinado para ser impiedoso!” Mostrei a minha ira, e ela voltou ao silêncio. “Ao menos sentiu algo por mim?” Aquele tom me deixou desnorteado, parecia triste, quase magoada. “Você sabe que sim. Haviam dois destinos naquela noite: te possuir, ou te fazer desaparecer para sempre da minha realidade.” Desabafei com tristeza, quase me encolhendo de vergonha. “Eu não podia ficar sem você.” Segurei em sua face, erguendo seu queixo, e olhei no fundo daquela neve, coberta pela luz do rouxinol. “Mas você sempre foi o pior dos filhos. O Forte, O Implacável por ser incapaz de amar.” Argumentou, sem acreditar. “Parece que a única fraqueza da Peste é a própria Morte.” A beijei, e mesmo com as mãos acorrentadas, ela me puxou para a si. Aquela atração mortal e doentia, tomou conta de nós dois, e a boca mais fria que existe, pareceu quente por uns minutos. Com suas pernas salientes e fatais, ela montou em mim e me arranhou, se entregando a enfermidade do amor. Logo arranquei a sua mortalha, e tirei a sua armadura, enquanto ela me despiu as vestes de cavaleiro. Minhas mãos desceram pela sua costa frágil e nua, a sua boca não quis desgrudar, e quando o fez, foi somente para me beijar o corpo inteiro, e voltar ao meio das coxas, onde fez vários movimentos de vai e vem, deixando sua doce saliva escorrer por meu membro. Contudo não a deixei somente me satisfazer. A deitei no piso, segurei seus pulsos, e passei a minha língua por entre os seios delicados, descendo, até chegar no ponto do prazer, do qual bebi todo o júbilo com gosto, até escorrer pelo canto dos lábios, e quando vi que praticamente implorava, para que a completasse, sorri maldosamente. “Você realmente me deseja ?” Beijei-lhe a virilha, e ela corou de vergonha. “Sim.” Respondeu com sua voz doce como chocolate amargo, o meu favorito. “Então peça por mim.” Impus, e ela relutou, até que se deu conta de quê só havia nós dois, como na segunda vez, em que estivemos juntos, e cedeu a sua vontade. “Me possua Peste.” Aquelas palavras me deixaram eletrizado, e por isso entrei dentro dela com ímpeto, arrancando-lhe suspiros tão intensos, que foi capaz de suar. Aquele rosto, aquele sorriso, aquelas bochechas rosadas de prazer, seguido de seus gemidos, me deixaram louco. Por dias repetimos o feito, e creio que a Morte, foi a primeira a desenvolver a Síndrome de Estocolmo, por isso esta doença é vista de maneira tão mórbida. Mas ela não mais se importava, nem sequer ligava para o quê fazia, só com quem fazia. Se ela me amava, eu não sabia, acreditava que estava usando seu charme fatal somente para ganhar a liberdade. Porém no dia que enfim a libertei, esta saiu voando para fora do cativeiro, e se deparou com a luz de uma das luas do planeta em que estávamos. Estava tão feliz, que pensei que nossos momentos de amor doente, ficariam para trás, assim que retornasse, para impor a ordem ao nosso “mundo". “Vamos?” Segurou em meu pulso, e fiquei paralisado. “Quer que eu vá? Eu o Peste, o demônio, o...” Me silenciou com o dedo indicador. “Nem tudo é preto e branco Peste. Você causou sim muito sofrimento, mas graças a ti famílias se mantém unidas, homens mudam a conduta, e mulheres valorizam a felicidade.” Seus olhos eram de uma criatura sã, contudo suas palavras me pareciam insanas. “Se isso é verdade, por quê sempre atrapalhou a minha tarefa? Como se quisesse me corrigir, após ter me libertado?” Questionei incrédulo, e ela sorriu. “Porquê tua execução é tão sombria e implacável, que mesmo as vítimas dos criminosos, se apiedavam destes. Que de acordo com o meu dever, mereciam uma punição ainda mais severa, por toda a eternidade.” Ela explicou. “O meu erro foi te libertar, mas você quem escolheu atender o meu pedido. Portanto é só você que pode corrigir isso. O quê já se passou, não dá para voltar atrás, sem alterar todo o equilíbrio já existente. ” Ela completou, e eu percebi que estava errado, não era uma falha grotesca que tentava controlar. Nós retornamos para a nossa galáxia natal, tudo estava destruído, e muitos imploravam por seu regresso, enquanto me destetavam mais do quê nunca. Pouco a pouco, ela fez o seu trabalho, não haviam muitos para receber o atestado de óbito, por isso eliminou os executores com punhos de ferros e sem piedade, e trouxe enfim o descanso para os que tinham temido, que aqueles dias jamais teriam fim. Nosso pai quis julgá-la, porém eu assumi a responsabilidade por tê-la raptado, e assim a livrei de perder o manto que tanto adorava. Achei que após a confissão, voltaria para a cela, contudo por ter me provado um pouco mais maduro, o pai decidiu me tornar o segundo juiz consagrado, que auxiliaria a Morte em seu trabalho. Tão grande foi a minha alegria, ao ouvir tal coisa, pois em vez de me afastarem dela, nos juntaram como a metade oposta e complementar da mesma moeda. Desde então, as duas criaturas mais perigosas do universo, seguiram de mãos dadas por toda a eternidade, se amando de uma maneira que os mortais não seriam capazes de compreender. Já que onde Morte fosse, a Peste certamente ali estava... “Bart?” Ouvi a voz dela dizer, e outra vez estávamos a beira do rio. Todavia enquanto me perdia em lembranças passadas, já havíamos trocado de lugar, e agora ela tinha se sentado em meu colo, e ficava a olhar para os peixes na água, ao entrelaçar seus dedos aos meus. “Oi...” Falei olhando para as nossas alianças, próximas uma da outra, por causa da união das palmas. “Promete nunca me deixar?” Disse se encolhendo, quase sem voz, e a luz da lua brilhou sob o aço dos anéis. “É claro que sim meu amor. Não importa o quê os astros digam, sempre seremos um do outro.” Beijei sua cabeça, e ela retribuiu beijando as minhas mãos.
  • O arrepio mais frio do inverno - Capítulo III

      Ela sabia bem que podiam ser os homens de antes, havia visto quatro deles antes de perder Glad, o menino disse que dois morreram para os seregs, mas desejou que todos eles tivessem um fim semelhante. Aquela conversa a deixou tensa e temerosa, queria mudar de assunto o mais rápido possível, olhou para a entrada da caverna.
      - É ali que vamos dormir? – perguntou ela, Kael fez que sim -, não vejo a hora de dormimos agarradinhos lá dentro.
      Ele fez que não abanando levemente o ar com o rosto em total reprovação ao que ela havia dito.
      - Antes – falou ele -, me diga, sem mudar de assunto, o que está fazendo nas Caninas?
      Aquela pergunta ainda caia pesada para Su, da forma que ele as disse, pareceu ser mais velho do que seus poucos dez anos de idade. Sentiu querer agarra-lo aos abraços e toma-lo para si, mas apenas deliciou-se com a ideia.
      - Tudo bem, eu digo. Mas antes terá de me dizer a verdade de como afugentou os felinos.
      O menino encolheu os ombros, mas sua postura tornou-se de completo acordo ao dar de ombro logo após.
      - Primeiro você, depois eu.
      - Direi então – Suilane resfolegou no ar gelado da noite escolhendo as palavras para tentar ser o mais direta possível e então continuou -, eu não sou daqui como seve imaginar. Sou do país chamado Tessalanto, no estado de Verdiati, vivo... vivia, na capital, Luntana – olhou para Kael, este apenas observava sem muita expressão. – Sabe onde fica?
      - Verdiati fica a sudeste da Tessália, fazem fronteira, creio – disse ele calmamente, deu de ombros e continuou -, não sei muito sobre a capital Luntana – mesmo com a pouca claridade da fogueira, podia perceber os olhos penetrantes do menino sobre ela, ele continuou -, você fala bem a língua daqui, seu sotaque é semelhante ao do norte deste país.
      Suilane ficou espantada, o menino nem ao menos gaguejou em pronunciar aqueles nomes e os disse com naturalidade.
      - Sim. Sim e sim, seu espertinho lindo – disse ela sorrindo admirada. – Você é muito inteligente, uma gracinha de menino.
      Um sorriso de satisfação desenhou-se nos belos lábios rosados de Kael, mas logo voltou a seriedade de sempre fitando o vacilar do fogo.
      - Diga mais sobre Luntana – falou ele.
      Su fez que sim, buscou na memoria sua bela cidade e disse então.
      - Luntana é uma cidadezinha bem religiosa, muitas pessoas do país vizinho, Fulgura, iam visita-la. O idioma predominante em Fulgura é o mesmo daqui, sabia?
      - Sim – respondeu adicionando mais lenha na fogueira, realçando a claridade dando uma melhor visão o rosto e dos olhos dele que pularam para os dela. -  Continue – falou Kael.
      - Para atender os clientes da pousada onde eu trabalhava e como depois servi de guia turístico, aprendi o idioma na prática, mas também estudava em casa afim de melhorar. Entende?
      - Sim. Vá em frente.
      - Você inteligente como é, sabe que Ramnúsia invadiu o meu país, tomou Verdiati, está tudo destruído, pessoas que eu conhecia há anos morreram ou desapareceram. Tudo, água, alimentos, tudo, tornou-se escasso. Então eu soube que no Sul, a fronteira gelada para as Montanhas de Caninas eram a saída para aquele sofrimento. Juntei todas as minhas economias e vim para tentar a sorte, eu e uma centena de outras pessoas. Este país, Glaucano, é a terra da oportunidade, eu sei falar o idioma daqui, sabia que seria uma travessia difícil, mas não imaginava que sofreria tanto pelo caminho, quase morrer, quase ser violentada, quase virar caça de gatos gigantes, perder tanta gente.
       Uma lágrima, depois outra e outras mais rolaram, até conter-se, respirou fundo para se acalmar, o peito estava dolorido e na garganta havia um nó. Sentada em um tronco de árvore gelado, a luz e o crepitar do fogo, a calmaria do vento, a atenção do pequeno Kael. Uma mistura de sensações que nunca imaginou sentir. Estava viva e isso a deixava cada vez mais confiante, ou era para estar. Sentia-se fraca e vulnerável, não conseguia ver o que futuro faria com ela no dia seguinte e no outro, de lá a há uma semana ou um mês. Respirou pesadamente, seu hálito morno se condessou no ar frio parecendo vapor.
      - Não precisa continuar – disse o menino, os olhos dele refletiram a luz do fogo. – Melhor será se mudar o assunto.
      Su, limpou a umidade do rosto e forçou-se a sorrir.
      - Tudo bem. Agora é sua vez de contar o seu segredo. Usou algum tipo de apito? – disse ela, Kael fez que não. – Você não atirou realmente, não é? – Ele fez que não novamente. – Você pequeno desse jeito, tem que haver alguma explicação.
      - E há – disse Kael. - O que resultou na fuga dos seregs foi minha kinesis.
      - Você é um kinezista? – Ela sabia que os kinezistas eram cientistas que tinham de se especializar levando anos de prática e estudos para se formar. – Mas você tem apenas dez anos de idade.
      - Não sou um kinezista, eu nasci com a kinesis, é diferente e ao mesmo tempo a mesma coisa.
      Tirou os olhos dela e puxou seu rifle o apoiando nas coxas, manejava bem a longa arma grande demais para o pequenino, os cabelos cobriram parte do rosto e apenas com a luz do fogo iluminando, não dava para decifrar que expressão ele tinha no rosto.
      - Para a religião daqui sou um demônio – disse ele, a fitou e voltou para seu rifle, assoprou um buraco do objeto e talvez pó voou em seu rosto. Fungou e cuspiu.
      - Não fique triste, não é um demônio e sim um anjo.
      - O que, como assim? – falou ele, Su adorava o seu forte sotaque.
      - Você disse que era um demônio, eles são seres malignos. Todos têm medo deles.
      - Está equivocada – disse Kael abanando a cabeça em plena desaprovação -, na religião daqui os demônios são neutros como a natureza, eles são poderosos e mantém o bem e o mal em pé de igualdade. Pessoas nascidas com kinesis eram chamadas de demônio ou enviados dos deuses.
      - Mas é? – Suilane riu -, vou me acostumar com isso um dia. Demônios do bem – riu mais.
      - A kinesis é tão antiga quanto os primórdios da civilização humana. No final descobriu-se que qualquer um podia aprender a kinesis e a mágica foi quebrada.
      Depois de fazer o que estava fazendo, Kael sugeriu irem dormir finalmente. Ele bloqueou a entrada da caverna com uma porta de madeira grossa e dois pedaços de tronco de arvore moldados por ele eram o que mantinha a porta no lugar, uma lamparina a óleo clareava fortemente com sua luz alaranjada de ponta a ponta da caverna. Se alguém ou animal tentasse forçar para entrar, no mínimo teria de fazer uma barulheira possível ser ouvido do outro lado do mundo. Sentir que a entrada estava rigidamente trancada proporcionou a Su, uma noite de sono tranquila como nunca antes.
      No dia seguinte. Suilane acordou de um sono tranquilo. O local onde Kael havia ajeitado para dormirem era bem espaçoso, ele tinha pelo menos cinco cobertores de lã bem grossa e quase a mesma quantidade de cobertores de pele de pelagem castanha e cinza. Desde que pôs o pé em Caninas, não dormira aquecida como naquela noite. O melhor foi dormir abraçada a Kael, que não estava ali naquele momento. Quando saiu da caverna para olhar o céu, o ar frio da manhã lhe abraçou a face. O menino estava preparando o desjejum, ele parecia tenso enquanto ela o observava.
      - Bom dia, Kael.
      O olhar penetrante dele pesou sobre ela como sempre.
      - Da próxima vez que me agarrar durante a noite, controle onde suas mãos tocam.
      - Desculpe – riu Su -, é que minhas mãos estavam geladas e procurei um lugar quente para aquecê-las.
      - Pode não saber, – ele ajeitou uma mecha de cabelo castanho atrás da orelha avermelhada -, mas neste país temos leis de proteção infanto-juvenil, lembre-se disso.
      Ela não pôde se conter em soltar uma gargalhada, Kael estava vermelho e de cara emburrada.
      - Desculpe, vou lembrar.
      Depois de ter feito o desjejum, sentia-se totalmente pronta para pegar estrada acima com Kael, que havia descido para averiguar algumas armadilhas que fizera, caso houvesse logrado alguma coisa logo comeriam alguma carne sem ser a salgada e seca que tinha em demasia em seu acampamento.
      Ele disse que não demoraria e pôde ouvir alguns ruídos ali por perto semelhantes a eco de vozes de alguém gritando ao longe, desceu com cuidado o estreito caminho onde ficava a caverna.
      O dia estava límpido e sem nuvens, um profundo céu azul claro inspirava boa viagem, o sol ainda acariciava o topo de montanhas negras a oeste. Desceu em segurança e aliviada por não se espatifar morro abaixo, onde pisava agora mais parecia uma estrada larga de cascalho e pedras grandes como melões, maçãs e tudo quanto era tamanho, todos alisados como se houvessem sidos polidos, um a um, por mãos rudes. Imaginou que água fluía por ali de tempo em tempo, e com toda razão por ali a neve e gelo derretido fluía até desaguar no rio ao sopé de algumas das Caninas. Continuou a caminhar na direção dos ruídos. Quando chegou finalmente perto o suficiente, espiou por entre algumas pedras altas e pôde ver a forma de três pessoas, Kael e mais distante do outro lado de uma longa poça de água escura, funda o suficiente para engolir os pés até os tornozelos, estavam dois homens esfarrapados. Suilane pôde reconhecer aqueles dois no mesmo momento, sentiu-se encolher por completo e chegou a pensar em correr para longe da li. Mas se acalmou e analisou a situação mais uma vez e viu nas mãos do menino o que parecia ser um coelho cinza escuro abatido.
       Um dos homens era corpulento com dentes faltando-lhe na boca, com os olhos fundos e nitidamente faminto. O outro não estava diferente, nariz achatado que mais parecia uma batata mergulhada em gordura e os olhos também fundos sorrindo de forma hedionda apontando para o animalzinho nas mãos de Kael. O menino atirou o coelho no ar em direção aos dois homens e o bicho caiu bem no meio da longa poça, os dois se entreolharam e correram aos empurrões para pegar o alimento. Quando o homem gordo se agachou para pegar o coelho, o outro o empurrou e antes de cair segurou no braço no narigudo, os dois acabaram estatelando-se na água. Kael que apenas observava tirou a luva de couro escuro da mão direita e a ergueu na altura da cabeça, pôde ver faíscas roxas, azul e violetas dançarem por sua mão, ele agachou sentando-se nos calcanhares e aproximou os dedos da água. De repente ouviu-se um estalo forte seguido de estalidos fracos, mais dois estalos e estalidos. O menino ficou de pé e pôde perceber que os homens estavam caídos na água, sujos de lama negra, um deles deu uma rápida estremecida e ali ficaram. Uma ventania começou de repente, alisando as rochas pontiagudas em um zunido leve e alongado, as folhas de árvores pontiagudas também cantavam em meio a estalos e rangidos de seus troncos castanhos. Kael voltou a vestir a luva e quando deu as costas para os homens, não percebeu Su de imediato, ele fez uma careta como se tivesse derrubado uma tigela de sopa e temia levar uma bronca. Sorriu aproximando-se, ela se esforçou para sorrir, o coração batia forte e as pernas estavam bambas.
     - Você está bem? – Perguntou ele, Su se esforçou para ficar ereta depois de tanto tempo agachada naqueles instantes que pareceram horas. – Seu rosto está da cor da neve. Está a salvo. – disse o menino.
      - Obrigada! – sorriu, respirou fundo e foi até Kael e o abraçou forte. – Meu herói, você é de fato kinezista.
      - Não sou kinezista algum.
      Ele estava escarlate até as orelhas.
      - Mas aquilo que fez foi magnifico – disse ela. Ele deu um de seus raros sorrisos e deu de ombros.
      - Não é para tanto – disse ele com uma olhadela de soslaio na direção dos homens caídos e continuou -, mas acho que exagerei. Eles são os que tentaram viola-la?
      - Sim, ambos. Eram seis, no entanto você viu dois sendo mortos pelos gatos, agora esses dois... faltam mais dois.
      - Se eles não souberem falar o idioma daqui como o desses dois ali na água, sem documentos não durarão nada neste país – ele a perscruto -, no seu caso terá apenas de trocar estas roupas.
      - Fico feliz em saber disso – olhou por cima do ombro de Kael. – Vamos deixá-los desta forma?
      - Esqueci – disse ele como se tivesse lembrado de algo, correu até onde os dois estavam e tirou o coelho da água e retornou balançando o animal para sair um pouco da lama. – Pronto, é o nosso jantar.
      Suh riu, Kael pareceu não entender.
      - Eu me referia aos dois ali atrás. Estão mortos?
      - Talvez. Mas morrerão de fome e frio no final. Deixe-os, daqui a um tempo o d’gelo vai arrasta-los para o rio, ou algum bicho virá comê-los. – Fez um gesto em direção ao norte. – Vamos embora de uma vez.
      Não demorou para estarem prontos para partir. Dividiram a carga de provisões para duas pessoas, Su se sentia feliz ao ponto de querer chorar de emoção a cada passo de distância que tomavam para longe daquelas montanhas. Imaginar que tudo aquilo iria terminar a deixava com tanto ânimo que seus passos eram largos e ágeis, Kael deu-lhe uma bronca por duas vezes que se afastou dele.
      - Está querendo testar minha paciência? – reclamou ele quando ela se afastou demasiadamente pela terceira vez. – Não se esforce.
     Su como sempre achou aquilo tudo uma gracinha, a cara emburrada do menino a fez sentir uma vontade irresistível de abraça-lo e aperta-lo. Mas imaginou que o faria zangar-se ainda mais.


    (Por não ser um texto definitivo e completamente de teste, estou aceitando críticas, sugestões e comentários sobre qualquer dúvida. Obrigado.)

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