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Aventura

  • Provações de um Elfo

    Mesmo universo, mas espécies diferentes e características desiguais. Uns manipulam elementos da natureza, outros objetos ou até mesmo pessoas, mas outros apenas a escuridão. As ideologias se divergem entre si, formando assim uma guerra entre povos. Mas, num belo dia de primavera, um garoto chamado Leonard nasceu. Mal ele e o mundo em que vive sabia que um dia este garoto daria um fim a este confronto.
    Leonard, um garoto que agora tem 10 anos, alto, cabelos brancos, curtos e lisos, olhos claros, da cor do céu, orelhas um pouco pontiagudas… um elfo. Mas não um elfo comum como aqueles que vemos em histórias e filmes de fantasia que atiram flechas com seus arcos exuberantes, mas sim um manipulador de elementos naturais. Conseguem facilmente controlar esses elementos, pois vivem em harmonia com a natureza.
    Existem diferentes tribos em seu mundo, existem os elfos, como Leonard, existem os anões, seres baixinhos, astutos e bem assustadores para sua altura, existem os “liffens”, que são criaturas com pequenas asas, não conseguem voar, mas conseguem planar de grandes altitudes até o chão, orcs, que são seres carrancudos, grandes e fortes, mas nem um pouco inteligente, costumam guardar portas de casas de pessoas mais ricas ou, até mesmo, castelos de pessoas importantes, como era o caso do imperador de Kartan, cidade onde morava.
    Leonard não tem irmãos, mora com sua mãe, que também controla elementos naturais e é uma eximia professora de manipulação, em uma cidade rica, Kartan, com boas pessoas, sua maioria elfos e anões e outras não muito agradáveis. O rapaz estuda na melhor escola da região e lá ele tem vários amigos, mas dois deles são seus melhores companheiros, Kirling, um anão não tão baixo como a maioria de sua espécie, cabelos castanhos, olhos escuros e barba, mas bastante bonito, e uma amiga, Katerine, uma elfa inteligentíssima, com cabelos semiloiros e olhos castanhos claro.
    O pai de Leonard, Zern, está na liderança do exército batalhando contra seres que vieram das províncias do norte, chamados “trubbiens”. Os “trubbiens” são especialistas no controle de seres vivos, como manipulação de seres celestiais (seres fortes que vivem em abundância nas províncias do norte, mais especificamente na floresta mais escura e sombria que pode se encontrar em seu mundo. Por serem espécimes grandes e robustas, conseguem sobreviver ao clima e obstáculos dessa tal floresta conhecida como Escuris). Vários homens desta espécie são pessoas boas, que vivem em harmonia com outras espécies, mas não por opção e sim por terem ideologias diferentes das de seu imperador, Arizoff.
    Um garoto inteligente, mas também levado. Utiliza de sua esperteza e genialidade não apenas para pregar peças em pessoas que não gostava, mas também para aprender outras formas de manipulações e magia. Leonard, todos os dias após a janta, vai para seu quarto, alimenta seu bichinho de estimação, um “zentere”, denominado como Áscon (criatura única, com asas e uma longa cauda, é um animal dourado com pelugem brilhante, nunca se viu uma espécie igual aquela). Ele havia achado este animal num bosque perto de sua casa, estava caminhando, voltando da escola, quando percebeu um barulho entre as moitas, com medo, mas decidido, foi até lá e tirou um ovo que estava rachando, pegou o animalzinho indefeso que saiu dentre as cascas e cuidou dele.
    Após isso, ele arranca um livro de sua estante da mais bela madeira dos vales, uma madeira clara com riscos vislumbrantes. Tal livro é pesado, devia ter por volta de milênios de anos. Na capa dizia: Manipulações Especiais, era restrito em muitos lugares pelo mundo por ter segredos obscuros tanto sobre controle de seres vivos, que era ilegal, exceto nas províncias do norte, quanto sobre como manipular a água e outros elementos. Leonard, o lia escondido todos os dias, tentando aprender mais sobre sua arte preferida: invisibilidade.
    Passados 10 anos, o garoto agora com 20, se inscreveu para participar do exército de Kartan, junto com seus melhores amigos, Kirling e Katerine. Fizeram o teste e, com sucesso, entraram para ajudar seus companheiros a deterem os trubbiens. Leonard, que vinha aprendendo sobre invisibilidade, teve grande sucesso em sua primeira batalha para a tomada da ponte Cerpenter, que passava por cima do maior rio que já vira. Seu pai estava comandando uma equipe diferente dá de seu filho. Infelizmente não conseguiu ficar invisível, mas com treinamento e disciplina, é certeza que um dia será capaz de tal ato.
    Numa manhã, que até o momento era feliz, uma tragédia acontece, o pai de Leonard, o grandioso Zern, acaba morto pelo imperador e líder do exército trubbiniano. Cheio de ódio e desejo por vingança, o jovem rapaz atravessa a ponte sozinho e se esconde em meio as árvores de uma densa floresta. Após horas procurando um acampamento inimigo, ele finalmente avista uma luz fraca. Era um acampamento de tropas inimigas. Cerca de 10 trubbiens guardavam sua entrada, Leonard, que não conseguira utilizar sua invisibilidade da última vez, tentou novamente, se infiltrou entre os guardas e chamou a atenção de um deles. Tal guarda foi imobilizado por Leonard, que, rapidamente agiu, pegando suas vestes e voltou ao posto do soldado trubbiniano como se nada tivesse acontecido, fingindo ser um deles. Após um tempo, os soldados foram convocados para uma reunião de emergência no castelo de seu líder, Arizoff, um ser grande, musculoso empunhando uma espada enorme, parecia ser jovem, mas ninguém sabe da sua verdadeira idade. Os trubbiens estavam sendo atacados a oeste pelas tropas élficas e anões. Todos os soldados foram ordenados para irem até o local. Leonard estava em uma enrascada, como seria capaz de lutar contra seu próprio povo? Qual seria o plano do elfo para destruir a vida do líder trubbiniano e vingar seu pai?
    Usando sua engenhosa cabeça, o elfo conseguiu dar uma enrolada nos outros soldados do exército inimigo, dizendo que estava indo acordar outras tropas para ajudar na batalha. Ao chegar no acampamento, se deparou com seus companheiros destruindo-o e matando os soldados na surdina. Chegaram a Leonard e o renderam, pedindo informação sobre o amigo desaparecido. Leonard, então, pediu calma e tirou o elmo trubbiniano da cabeça. Explicou a situação e como poderiam chegar até o castelo do imperador inimigo. Era uma passagem subterrânea primitiva, tinha 1,80 metro de altura e se estendia por mais de 10 quilômetros. Ao chegarem no alçapão do castelo, eles ouviram vozes, e pisadas fortes, e descobriram que, na verdade, seu pai não estava morto, mas sim preso na mais alta cela da mais alta torre do castelo. Leonard encarava a situação tranquilamente, pois tinha a capacidade de se tornar invisível, mas seus companheiros de equipe não estavam tão calmos quanto soldados treinados deveriam estar.
    Montaram um plano, e elegeram como líder da equipe, o mais esperto entre eles, que, obviamente, era Leonard. Ficaram esperando por mais um tempo, parados, quando ouviram o imperador comentar algo sobre “conversar a sós com o prisioneiro”, pensaram todos na mesma hora: “nos aproveitamos que estarão sozinhos e então o atacamos por trás e acabamos com essa história”.
    Saíram do alçapão, não havia se quer um movimento por perto, então, começaram a andar separadamente em pequenos grupos para encontrar Zern, pai de Leonard. Combinaram um chamado, um assovio estranho que nunca tinham ouvido antes na vida, mas o rapaz já, todos os dias na verdade, pois havia tal animal em sua casa. Usaram o barulho que Áscon fazia para informar os companheiros que encontraram o que estavam procurando.
    Muito tempo depois, cansados de tanto procurar, acharam, finalmente encontraram Zern, mas com uma companhia não muito legal, Arizoff estava em sua cela, mal cabia la dentro, ou de tão pequena que era a cela ou de tão grande que era o trubbien. A pior notícia não era a presença de Arizoff, mas sim que eles não estavam sozinhos, 2 soldados guardavam a cela, mais 4 nas principais entradas dos corredores e outros 2 fazendo rondas para prevenirem invasões. Leonard, que guardara o segredo de que podia ficar invisível, finalmente agiu, explicou aos companheiros de equipe sobre sua invisibilidade, mas não como a adquiriu. Usou seu poder, estava agora imperceptível a olho nu, apenas esperando um soldado vacilar para chamar a atenção dos outros e acabar com essa raça nojenta que prendera seu pai.
    Conseguiu, derrotou os 8 guerreiros inimigos e, finalmente, podia ter sua vingança, mas usou a cabeça e raciocinou: “para que matá-lo, sendo que ele não matou meu pai? Não faz sentido algum tirar a vida deste ser horrendo, seria um presente para ele. Melhor seria se eu o capturasse e levasse à prisão das prisões, Luvar, a maior e melhor prisão élfica que existe, lá ele terá o que merece”. Então, sem chamar sua equipe, lá foi Leonard, invisível atrás do grande, literalmente, imperador trubbiniano. O elfo chegou à cela de seu pai e enfrentou um dos mais assustadores seres que já vira em toda sua vida.
    Uma luta que ninguém nunca tinha visto antes, como se fosse um mestre contra um aprendiz, mas ambos tinham vantagens. Ao ficar invisível, Leonard escapava da manipulação mental de Arizoff, pois este não o via. Por ser grande, era mais fácil de ser atacado pelo elfo, mas era tão forte que as tentativas do jovem de machucá-lo mal faziam efeito. Se, por algum descuido, o garoto sofresse um golpe do imperador trubbiniano podia ter certeza que seria o fim de sua vida. Durante esta batalha, muito frenética por sinal, não é possível ver quem estava ganhando. Era possível ver pedras e rajadas de vento saindo das mãos do elfo e golpes vindos da gigantesca espada de Arizoff rasgando o ar e quebrando rochas com tanta facilidade que poderia se comparar com um cortar de papel. Após 10 minutos de intensa luta e ameaças algo aconteceu, o jovem elfo foi pego pelo líder trubbiniano pelo pescoço, poderia tê-lo matado naquele instante, mas com um gesto de honra não o matou na frente do pai, mas o mandou para uma cela, não era uma cela comum, nem se quer em um lugar comum, era uma cela especial, 3 portas do mais duro material conhecido naquele mundo (5 vezes mais duros que o diamante) com cadeados do tamanho do próprio prisioneiro, tornavam o lugar uma jaula impenetrável para quem não tinha a posse das chaves.
    Sem saber do que estava acontecendo, Kirling e Katerine se separarão dos companheiros de equipe e fora procurar o amigo. Encontraram a cela de Zern, mas não havia nem vestígios de Arizoff ou de Leonard. Entraram e perguntaram ao pai do jovem elfo o que havia acontecido, ele, cabisbaixo, respondeu com um tom sério e com um toque de tristeza falou o que tinha acontecido e explicou que o trubben havia levado seu filho para outro castelo do outro lado do mundo para a mais protegida cela que fora construída naquele mundo.
    Cerca de 10 horas após o acontecido, Leonard levanta na cela sem entender o que havia acontecido, com uma dor enorme no pescoço, nas constas e um calombo na cabeça. Ficou sentado, sem conseguir pensar em nada, quando ouviu vozes muito baixas vindas de trás, se levantou e foi em direção ao barulho. Gritou perguntando o que estava acontecendo e onde se encontrava, mas não obteve resposta de imediato, gritou novamente o mais alto de pôde e ouviu um barulho de portas se abrindo e engrenagens girando, se afastou alguns passos para trás e então Arizoff entrou em sua cela com um aspecto de vitória.
    – Ora, ora, ora. Um elfo, filho de Zern, tentou enfrentar o maior dos maiores líderes trubbiniano!? Bem ousado garoto. Pena que o que aconteceu não foi nenhuma surpresa para mim.
    – Onde estou? O que está acontecendo? E o que fez com meu pai?
    – Bem, você está em um castelo nas províncias do sul, na mais bem construída e protegida cela trubbiniana.
    Houve um silêncio após a resposta, quando este foi quebrado pelo elfo:
    – Acho que te fiz outras pergunta! – disse o elfo com rispidez – O que você fez com meu pai?
    – Como ousa falar assim comigo, moleque?
    – Responda minha pergunta que eu respondo a sua.
    – Seu pai está no meu castelo, preso também, foi sentenciado à morte, mas ainda não executamos ele. Quer ver seu papai morrer?
    – E você quer alguns óculos 3D para ver sua morte com efeitos?
    Então Arizoff fez um movimento de ataque com sua poderosa espada, mas foi interrompido por um guarda, que cochichou algo em seu ouvido que o fez bufar e gritar e raiva, virou as costas e saiu da cela, antes de fechá-la olhou para o garoto com um olhar misterioso, que não fez sentido para ele.
    Preocupado com seu pai, Leonard estava desesperado para encontrar um jeito de escapar daquele lugar, quando percebeu uma rachadura na parede. Aquela cela fora construída em cima de uma entrada de uma antiga passagem secreta que dava para uma floresta, para fora do castelo, mas o elfo não estava se importando aonde a passar daria, só queria dar o fora do lugar e salvar seu pai da morte.
    Passou horas e horas cavando para tirar a terra que tampava a entrada da passagem, mas finalmente conseguiu abrir um buraco e passou por ele, escapando da melhor prisão trubbiniana, pensou ele com um tom sarcástico.
    A passagem era ainda pior da que havia usado anteriormente. Para poder passar teria que andar ajoelhado, pois tinha apenas 1,50 metro de altura. Andou o que parecia dias sem parar, com o mesmo pensamento em sua cabeça: “não podem matar meu pai”, “vou matar todos antes que matem meu pai”, e então chegou a uma escada, não estava enxergando direito, pois não havia iluminação, mas elfos têm uma visão aprimorada, que os permite enxergar no escuro, não detalhadamente, mas conseguia ver a silhueta de objetos a sua frente. Subiu as escadas, eram no total 56 degraus, sem mudar se quer de direção, quando de repente bateu a cabeça num no teto, demorou um pouco para perceber que era um alçapão, pois não avisa maçaneta, mas, depois de horas dentro do túnel estreito da passagem, ele finalmente conseguiu sair do castelo. Estava de dia, os sóis brilhando no céu, um dia muito bonito, se não fosse a preocupação do garoto.
    Sem saber que rumo tomar para encontrar o castelo onde estava aprisionado seu pai, saiu andando sem rumo, por sorte, na direção correta. Estava, agora, no topo de uma colina que lhe permitia enxergar o castelo no qual estava preso. E continuou andando, mal ele sabia que estava muito longe de onde estava seu pai, quase do outro lado do mundo.
    Andava, corria, prestando atenção em tudo que acontecia em sua volta, mas estava tudo tão calmo que, para um soldado experiente, chegava a ser algo estranho. Leonard não comia faz 2 dias, com esperanças de encontrar um vilarejo e um ser de boa alma e coração para lhe dar um pouco de comida e água. Cerca de alguns metros de distância dele havia algo grande, parecia uma torre, esperançoso, saiu correndo e foi em direção à possível torre. Chegando mais perto viu que não era uma torre, nem de perto era uma construção artificial, era uma árvore gigantesca, era chamada de Fructisc. Pelo nome já é possível perceber que produzia frutos, mas não eram frutos de apenas uma espécie como as árvores que vemos por aí, esta originava mais de cem tipos diferentes de frutas, a maioria Leonard conhecia, mas outras nunca tinha ouvido falar. Comeu, bebeu os sucos dos alimentos da árvore e prosseguiu em sua jornada.
    A noite se aproximava, parecia que o dia tinha passado em minutos. Estava em dúvida em escolher, ou se continuava a andar, para não perder tempo, ou se buscava um abrigo para ficar durante a noite para restaurar as energias. De repente escutou o quebrar de um graveto, olhou para o lado e viu um vulto grande e assustador, com medo do animal, ou do que aquela coisa seja, pegou uma pedra para se prevenir, estava assustado, olhando para todos os lados para tentar ver o que era, aflito, ouviu novamente o barulho, desta vez tinha certeza de onde vinha, se virou, pois o barulho havia vindo de suas costas, olhou bem e se surpreendeu, era uma criatura enorme, com 2 metros de comprimento e cerca de 1,5 de altura, tinha asas, 4 metros de envergadura e uma longa calda, pelugem dourada avermelhada e brilhante, no início não reconheceu o que era, ou melhor, quem era, mas percebeu que era um zentere, seu zentere, Áscon, que, depois de anos longe de casa, havia crescido muito. Leonard se surpreendeu, abraçou o animal, mas ainda estava com uma dúvida, ia perguntar ao animal, mas exitou, pois sabia que não seria respondido. Áscon fez um sinal ao elfo para subir em suas costas, o rapaz subiu e voou, nunca imaginara que um dia ele voaria em cima de seu animalzinho de estimação, que antes cabia numa gaiola e que agora nem em sua casa conseguia entrar.
    Voaram durante toda a noite, disse ao animal onde queria ir e partiram em uma viagem muitíssimo longa, mas, como Áscon viajou muito para encontrar seu dono e este não comia havia, agora, 4 dias, decidiram encontrar frutos para se alimentarem. O zentere sobrevoou uma floresta, não muito densa, e analisou as árvores para ver se encontrava uma que produzia frutos. Finalmente acharam, eram duas árvores, não muito grandes, do tamanho de um elfo normal, produziam um alimento grande, amarelo-esverdeado, não tinham sementes, mas seu gosto era divino, não sabiam seu nome, mas apanharam vários para se alimentarem de noite.
    A ave voava a uma velocidade impressionante, Leonard mal via as coisas a sua volta, não podia ficar de olhos abertos por causa do vento e de pequenos insetos que poderiam machucá-lo. Exaustos após viajarem quilômetros e quilômetros desde seu ponto de encontro, pararam numa clareira e lá montaram uma fogueira e passaram o resto do dia lá. A noite chegou, o elfo deitado debaixo das asas do zentere, estava pensativo, e se seu pai estivesse morto naquele momento? E se o exército de Kartan tivesse perdido a guerra? E se seus melhores amigos, Kirling e Katerine, tivessem sido capturados ou coisa assim? Mas, algo o distraiu, ouvia passos perto deles, se levantou, apagou a fogueira e se escondeu junto com Áscon, mesmo gigante, o animal conseguiu entrar entre um amontado de árvores que havia perto da clareira onde estavam. Leonard, atento a cada movimento, viu que era 2 guardas trubbenianos, tentou ouvir o que estavam falando, não entendeu muito bem o que diziam, mas escutou 3 palavras chaves: Leonard, seu nome, fugitivo e encontrar. Tremendo, olhou para o enorme animal e este devolveu o olhar ao dono, ambos pularam do meio das árvores e atacaram os dois solados inimigos. Os desmaiaram, tiraram suas roupas para se protegerem do frio e/ou usarem como lenha para uma futura fogueira, quebrou o meio de comunicação deles, que era uma espécie de pulseira, um tipo de binóculo, bastante básico, e saíram de lá o mais rápido possível.
    Leonard analisava a situação, se tinham dois trubbens por lá, sua base estaria por perto, e sim, ele estava certo, montou em Áscon, que alçou voo poucos metros acima do solo, pegou o binóculo que havia furtado dos guardas e olhou, com um pouco de dificuldade pela falta de luz. Viu uma fortaleza enorme a cerca de 10 quilômetros de onde estavam, continuou olhando, viu o rio, no qual venceram a batalha, uma enorme de fila de solados estavam rodeando o castelo, provavelmente a procura do elfo fugitivo. Traçou um plano inteligente, contou ao zentere o que fariam e o animal fez um sinal positivo com a cabeça.
    Antes do dia clarear estavam de pé, organizando e retomando o plano para não ocorrer erros. Então foram pelo lateral em direção ao castelo.
    – Áscon, vou ficar invisível agora e me infiltrar dentre eles, e você faz sua parte do plano, okay?
    O zentere concordou com um movimento rápido de asas, e um segundo depois não era mais possível ver o elfo. O plano era bem simples, mas difícil de ser executado, enquanto o animal distraia os soldados, Leonard entrava no castelo, invisível, e procurava por seu pai.
    Passaram-se alguns minutos e lá foi o animal, não sabia muito bem como chamaria a atenção dos guardas, mas, rapidamente, traçou um plano: destruiria as paredes das torres do castelo, seguindo o plano do elfo a risca.
    Mas algo que eles não esperavam aconteceu, armados, os soldados atacaram o zentere, Leonard viu o que aconteceu da janela da escadaria da mais alta torre, onde se encontrava Zern. Gritou e começou a chorar, o animalzinho que fora seu por toda a vida estava agora morto no gramado ao redor do castelo, lançou um último olhar ao elfo e, incrivelmente, piscou um olho para seu dono e então fechou-os. O elfo, com uma fúria e ódio, mas, ao mesmo tempo, abalado, continuou sua missão. Encontrou 3 guardas na entrada principal do corredor, matou os sem dó nem piedade, e então avistou seu pai, que, novamente estava na companhia de Arizoff. Sem medo agora, o elfo chegou atrás da gigantesca criatura trubbiniana e o cutucou.
    – Ha ha ha, olha quem está aqui, veio se despedir do seu pai? Hoje ele será executado e, pelo visto, você também.
    – Na verdade não. É melhor você começar a rezar que apenas um morrerá aqui hoje, além de… Se prepare.
    – Vamos ver se realmente aprendeu a lut…
    Leonard nem o deixou terminar de falar, lançou pedras enormes em cima do imperador, que mais parecia um monstro do que um trubben, se bem que os trubbens são monstros. Devolveu o golpe com um soco forte, mas o elfo desviou, então aí veio o que Arizoff não esperava, o garoto começou a flutuar, seus olhos se tornaram prateados e, a sua volta, surgiram ventos que poderia carregar toneladas, e então lançou-os contra a criatura que estava lutando contra. O trubben voou metros, quebrando paredes da torre e desestabilizando-a e caiu desmaiado no chão. O elfo andou, lentamente, em direção a Arizoff, este abriu os olhos com dificuldade. Leonard o olhou profundamente e disse as seguintes palavras:
    – Hora de seu fim… monstrengo.
    Ia matá-lo, quando, de repente, seu pai gritou:
    – PARE! Meu filho, não é isso que você quer, ele nã…
    – Você não sabe o que eu quero – disse ele com frieza.
    – Tem razão, não sei o que você quer, mas o elfo que criei toda minha vida não mataria nem seu pior inimigo.
    – Ele quase te matou pai, ele quase me matou, ELES MATARAM ÁSCON!
    – Mas não estou morto e nem você. Sinto muito pelo seu animalzinho filho, mas não é assim que as coisas funcionam. Você decide se quer ser o herói ou o vilão da história.
    Os olhos de Leonard voltaram a ser azuis como sempre foram, mas deferiu um soco, com toda a sua força, na cabeça de Arizoff, que desmaiou.
    Resgatou seu pai, missão concluída. Estavam na porta do castelo, quando lembraram que ainda estavam em guerra. Eram os dois contra centenas de soldados trubbinianos, se olharam e disseram junto um para o outro:
    – É hora do show!
    Leonard se transformou novamente, criou rajadas de ventos como antes e as lançou contra muitos guardas inimigos, derrubando-os no chão. Zern, lutava como nunca tinha lutado antes, deferia socos e lançava todos os tipos de elementos naturais que estavam a sua disposição, aniquilando os soldados trubbinianos e assim acabando com esta guerra, que perpetuava entre esses dois povos durante séculos.
    Leonard foi correndo em direção a Áscon, estava chorando e abraçou o pescoço do animal, quando, inesperadamente, o corpo do zentere se desintegrou, virando nada mais nada menos que cinzas. O rapaz sem entender nada, olhou para o pai, que sorria:
    – Pai, o que está acontecendo? Por que está sorrindo?
    – Filho, parabéns, você tem o animal mais inteligente que já vi em toda a minha vida. Mesmo muitos nunca tendo ouvido falar em zenteres eu sei o que eles são. Zenteres são seres divinos, eles nunca morrem filho, sempre renascem de suas cinzas. E antes de te encontrar, ele veio até mim, me encontrou aqui e eu me comuniquei, me assustei quando o vi, se tornou uma ave belíssima e crescei bastante.
    – Mas, como ele soube que…
    Antes de terminar de falar, o elfo viu o pequeno animal que encontrara dentro de um ovo cerca de trinta anos atrás, lembranças felizes vieram a sua cabeça, pegou o filhotinho de zentere e o abraçou. Áscon deu um pio, baixo e desafinado. Leonard começou a chorar, mas dessa vez de alegria.
    – Por isso ele sabia onde me encontrar. Você o contou tudo.
    – Exato filho.
    – Mas pai, uma boa pergunta por sinal, como voltaremos para casa?
    – É filho… esta é realmente uma bela pergunta.
    Os dois deram rizadas e foram andando para casa.
  • Recordações - Velho Brasil Boiadeiro.

    Bom dia meus amigos, o tempo esfriou, as costas estão meio doloridas. As mãos que antes seguravam rédeas, manuseavam laços, pegavam bois pelas guampas e cavalo redomão pelas orelhas, hoje estão meio "intanguidas", "encarangadas", travando! É a tal da idade que vai chegando…
    Mãos essas que também foram habilidosas em acariciar um belo corpo macio, cheio de curvas e reentrâncias. Peles morenas, negras ou alvas. Cabelos lisos, crespos ou encaracolados… Dos mais diversos locais, espalhados de maneira caprichosa, pelas vastidões dos campos férteis que só as mulheres possuem.
    Hoje vou contar o causo de como foi que o índio Miguelito veio a trabalhar para o meu pai. E se tornou um grande amigo e uma espécie de anjo da guarda. 
    Aquela boa alma, foi mais que um companheiro de viagens em campanhas. Levando boiadas e buscando. 
    Era um belo sábado ensolarado nas terras do velho Mato Grosso. 
    Voltando de uma campanha com sua comitiva, meu velho avô contava com a ajuda de meu pai, tio, e outros 3 peões.
    Voltavam da compra de uma boiada nas regiões do pantanal do Rio Negro, lá pras bandas da Nhecolândia.
    O ano era 1965, e como tudo naquela época, os dias passavam lentos para meus amados familiares. 
    Meu velho avô, estava em maré de aquisição de gado, e como vivia mais no lombo dos burros, que com os pés no chão de suas terras, volta e meia chegava aos seus ouvidos uma proposta de negócio. 
    E assim, partiu com a comitiva na busca dos pantaneiros bravios. Me contavam que a coisa não era fácil naqueles tempos. Haviam muitos perigos nessas empreitadas, e o sujeito tinha que ser de opinião, ou, vendia tudo e montava um Secos e Molhados em alguma das muitas vilinhas que se espalhavam como capim, às margens das linhas férreas que serpenteavam rasgando o mapa do nosso amado Estado de São Paulo. 
    Mas quem nasceu pro caco do arreio, fincar raiz (financeira) em comércio de porta aberta, em beira de rua, era o fim da picada. Coisa pra velho ou doente das juntas.
                                  *   *   *   *   *   *
    Atravessaram no Porto Epitácio, entrando pelas terras do Bataguassu, seguindo para Passo do Lontra, pras bandas do Corumbá velho, bem lá pra cima no mapa das geografias (assim falava meu avô).
    Para aquele tipo de campanha, meu velho avô andava preparado pro que desse e viesse. Carregava uma soma grande em dinheiro, espalhados pela guaiaca e capanga de viagem (tipo de bolsa pequena de couro). Eram as notas do Santos Dumont de 10 mil Cruzeiros. Para pagar pelos bois e para algumas despesas dos marchantes. Diziam que naquela época, o preço do boi havia sofrido uma queda. Então, meu avô, muito vivo, cobres sobrando, foi aumentar seu rebanho, para aguardar uma melhora nos preços, sem muita pressa. 
    Armas sempre azeitadas. Revólveres, rifles winchester 44 - 13 tiros, facas, facões e punhais afiados igual língua de sogra. As munições de reserva, viajavam fixadas nos cinturões, e outras mais (muitas) em uma bolsa de couro cheia de arroz (para evitar umidade nas espoletas). 
    Segundo o gaiato do meu tio, fosse o caso, fariam uma festa de final de ano sem rojão, só com balas que iam nos sobressalentes.
    Naquela empreitada, o velho levou um carroção. Pois o ano estava pra chuva, e ele não tinha pressa no ir, tampouco no vir. Na carroçona levava uns panos de acampar (encerados), cordas, paus, ferramentas diversas, água pros cantis, matulas dos peões, roupas, botinas, munições… tudo zelado com muita atenção por um mulatão cozinheiro, o seu Zico, pai do mulato Simão, que anos depois, virou cozinheiro do meu pai.
    Me contavam que o preto velho Zico era mandingueiro, neto de escravos, sabia muito das coisas dos sertões. E tinha uma mão abençoada para temperar as comidas. (Talento que foi herdado por seu filho Simão, e tive a sorte de poder comprovar)
    As 5 mulas cargueiras que iam atreladas na carroça, levavam em seus lombos as bruacas carregadas com todo tipo de mantimentos necessários para as os marchantes. 
    Arroz, feijão, carne de charque (preferência pelos traseiros), cebola, muito alho, banha de porco e carne na lata, farinha de mandioca biju tostadinha, café, açúcar cristal, rapaduras, pingas, conhaque ,muitas palhas cortadas e fumo bem meladinho, daqueles que se sentia vontade de naquear e comer um pedaço, querosene pras lamparinas...
    As montarias eram bem zeladas, tratadas com esmero, afinal, os cascos eram os meios de transporte naquela época esquecida de nossa história. 
    Meu avô tinha um carinho especial por uma égua castanha que utilizava como madrinha de tropa. A castanha ia sem arreios, e ostentava em seu pescoço um polaco (sino de pescoço) de alpaca, todo trabalhado em desenhos de flores. Era fixado por uma tala de couro curtido em vaqueta, bem sovado e macio, e fivela em formato de folha. Era para não pisar (esfolar) o pescoço da "mocinha castanha". Assim me contaram da forma como meu avô se referia a sua égua castanha, mestra e madrinha de tropas.
    Acredito que muitos que lêem meus causos desconhecem alguns termos utilizados pelos boiadeiros e tropeiros. 
    No caso da égua madrinha, ela serve como guia para os burros e mulas. Uma vez que burro e mula, é um híbrido do cruzamento de um asinino (jumento) com um eguideo (eguá). Dessa maravilha da genética animal, muito explorada no passado por nós, viajantes e estradeiros, nascem os muares. As famosas mulas e burros. Animais formidáveis, quase incansáveis, chegando a cobrir, em marcha, o dobro de léguas ou mais que um cavalo ou égua!
    Assim sendo, onde a égua madrinha ia, a burrada e mulada seguiam atrás, zurrando e murchando as longas orelhas, trocando mordidas e coices, enciumados da madrinha, que toda elegante, troteava despreocupada, balançando o polaco que de longe se ouvia o seu "blém blém blém".
    Ahh que saudade!!!!
    Já as tralhas de montaria eram um capricho só. Hoje se tem aquele esmero com os carros, aparelhagens de som estéreo e os tais gps, rodas em ligas metálicas e pneus finos e achatados, igual barriga de jacaré.
    Naqueles tempos esquecidos, um bom cavaleiro levava a tralha engraxada e limpa. Se utilizava óleo de mocotó para lubrificar as partes de couro das tralhas de arreio. As argolas, que tinham função de juntas e quinas nos courames das cabeçadas e burçais, eram de alpaca, sempre escovadas para tirar o azinhavre causado pelo suor salino dos animais.
    Nos arreios de cabeça, geralmente se usava uma chapa na frente, todo entalhado com botões de rosa e cabeças de cavalos. Era uma formosura. Uns mais abastados de guaiaca cheia, por capricho, revestiam suas tralhas com ouro e prata. 
    Aquilo sim era ostentação.
    Estribos salva-vidas, daqueles que o peão se safava com vida, em caso de uma rodada (tombo). 
    Os laços de couro, quase sempre em duplas, pois os velhos boiadeiros sempre diziam: - quem carrega dois laços, vai seguro. 
    Estes eram tratados com resinas de folhagens. A preferida dos laçadores era a guanxuma branca. Essa abençoada erva deixava os tentos de couro do laço bem lubrificados, macios e flexíveis. Conferindo uma aparência esverdeada ao utensílio do cavaleiro laçador. Por essa semelhança com uma rama do mato, apelidaram em tempos idos, as tais manufaturas sertanejas, de cipó.
    Naqueles tempos, se enfeitavam bestas e cavalos, mas hoje, os bestas se enfeitam com correntões de ouro e vestimentas dos debaixos deixando as ceroulas aparecendo, demonstrando um total desmazelo em sua apresentação, e por vezes, seus imundos regos nadegais estão de fora. 
    É uma tragédia!!!
    Ostentação na nossa época, era um calhamaço de notas de Flor de Abóbora (um mil cruzeiros) na guaiaca, bois espalhados pelas invernadas, pastando e berrando. 
    Fartura na mesa. Muita linguiça defumando perto dos picumãs do telhado logo acima do fogão à lenha. Uma horta de canteiros bem adubados, terra negra, onde os alfaces cresciam a ponto de uma criança sozinha não dar conta de carregar, de tão frondosa. Almeirões, berinjelas, cenouras, pepinos, tomates (os caríssimos cerejas de hoje em dia, eram pragas), rúcula, abóboras, morangos, espinafre, abacaxis, couve (todas)...
    Pomar com laranjeiras frondosas, mexeriqueiras, limoeiros, goiabeiras, mangueiras, jaqueiras, cajueiros, caramboleiras, coqueiros, mamoeiros, pitangueiras…
    Ribeirão potável, infestado dos sagrados peixes, das mais diversas qualidades.
    Poço caipira com lâmina de 5 ou 6 metros de água abundante, fresca e límpida.
    Paiol de milho lotado, que de tão entupido, se colocava fueiros (tábuas) de contenção nas portas, até o alto. Capados rolando de gordos nas cevas do chiqueiro, leitoas parideiras, que a cada parto, eram de 12 a 18 leitões que nasciam sadios. 
    Quando se matava um capão ou mais, as gorduras eram fritas em tachos, e a carne guardada nas latas. Durava pra mais de dois anos estando bem selada.
    Freezer com as carnes de um boi dentro.
    Galinha, cheguei a ver chocando 20 ovos. Era aquele bando de aves que ciscavam pelo terreiro. Era bonito de se ver, quando ia se jogar o milho. Juntava pra mais de 500/600 cabeças, de galo a pintinhos.
    Lembro-me, que certa vez, minha mãe se desfez de uma grande parte das galinhas. Pois eram muitas, e não se dava conta de comer aquilo tudo de ovo e asa frita. Sei que juntou dinheiro que dava para comprar um cavalo bom, raçudo. 
    Sem contar as bondades que minha amada mãezinha fazia, sem alarde, distribuindo leite, queijo, doces, ovos e galinhas às famílias de alguns colonos de fazendas vizinhas. Tudo na moita. Mas todos nós sabíamos dessas atitudes da italianinha.
    Doces de goiaba, manga, carambola, licores de jabuticaba e geleias...as cocadas cremosas, caldeirões de 18 litros com doce de leite apurando em fogo brando, queijos e requeijões… pães doces e salgados, salames, linguiças...
    Aquilo pra nós, os caipiras ignorantes, sem educação, sem classe… era o luxo ostentado. Isso e a barriga cheia. Mãos calejadas igual uma casca de jatobazeiro, e as cadernetas das contas nos armazéns, lojas agropecuárias e posto de gasolina, PAGOS!
    Hoje o povo come bexiguinha de mortadela miuda, e arrota o melhor dos filés. Vivem pendurados nos cartões de crédito, pagando juros que o próprio satanás calculou, parcelando roupas e sapatos em 8,10,12,18 meses, "sem juros"... Óbvio. Quando terminam de pagar a bíblia sagrada, nem existem mais, os tais objetos de suas vaidades.
    Como diria meu velho amigo meu, quando algum garçom perguntava a ele se queria efetuar o pagamento em cartão de crédito, por conta do valor das despesas:
    -Meu fio, pagá no prazo um trem que vô cagá daqui a pôco… é pra doido isso!
    E batia a mão na algibeira e pagava tudo à vista. 
    Aprendi da seguinte forma, que se a coisa não dá para o café com mistura, coma rapadura, afinal, tudo que é doce, é bom!
    Enfim, aquela era a nossa forma de viver… barriga cheia e rosto feliz. Era a nossa "ostentação".

                           *   *   *   *   *   *   *   *   *
    No caminho de ida, meu avô e sua comitiva passaram por Campo Grande, Terenos, Cachoeirão, Piraputanga, Aquidauana… era tudo picada e boiadeiras sem fim.
    Assim me contaram, em uma das milhares de histórias e causos, que me hipnotizava, fazendo minha jovem mente viajar para longe. 
    Meu avô comprou 505 reses, era uma boa boiada. Todos tourinhos em ponto de canivete (castração). Alguns com 36 meses de vida, outros um pouco mais erados. 
    O nelore ainda não dominava o cenário do mercado pecuarista no Brasil, eram poucos que criavam os boizões brancos vindos lá da longínqua Índia. Uma terra que se sabia existir,  por ouvir de algum dos caixeiros Salins Nagib's viajados, ou dos leitores de almanaques, que a tal terra indiana era infestada de uns tipos de gatões listrados, que colocavam a temida onça pintada na carreira sem olhar para trás, era o tal de tigre... Assim diziam!
    E comentavam: se o tal nelore nasce, cresce e se reproduz em um lugar cheio desses bichos, como não será o temperamento de tal bovino. 
    A boiadeirada ficava receosa. O que se sabia,era que nos tempos do 1800 e guaraná com rolha, nas épocas do Dom Pedro II, havia chegado um casal desses nelores na Bahia, depois subiu pra Capital do Império no Rio de Janeiro, das fazendas fluminenses, foram parar nas distantes Minas Gerais e terras Paulistas. Mas a coisa só ferveu mesmo, a partir dos anos 60. Quando a nelorada começou a branquear as invernadas das milhares de fazendas pelos sertões sem fim desse Brasil lindo.
    Mas naquela ocasião, meu avô comprou gado cruzado. Eram basicamente curraleiros, alguns gir e caracus. Mas a maioria era de Pantaneiros, os famosos e temidos bois "Cuiabanos". Tudo colorido. Pelagens das mais variadas cores. Malhados, pintados, chuviscados (mouros), lisos, tostados e brazinos (os araçás). Longos chifres pontudos, afiados igual agulha negra de sacaria. Eram animais sismaticos, muito desconfiados, também, pudera!
    Tudo onça braba, cria dos invernistas do bravio chão matogrossense. Aqueles bois, desde o rompimento da placenta, lutavam contra toda sorte de perigos, que só o velho Mato Grosso poderia lhes oferecer. Onças (das pintadas grandes, às pardas), sucuris imensas com mais de 6 ou 7 metros, que se encontravam igualmente capim pelas beiradas das muitas lagoas de águas esverdeadas, corixos, corgos e rios. Esses últimos, sempre infestados  com piranhas vermelhas e jacarés do papo amarelo (dos grandes açús, só mais acima, pro norte). Quando não, algum bugre querendo sentir o gosto de uma "caça" diferente, atirava suas flechas certeiras no guampudo, que era carneado e virava refeição em alguma oca perdida no meio daquelas matas altas de um verde escuro magnífico.
    Aquilo era o Mato Grosso, com sua tendência natural pecuarista, em seus primórdios!
    Saíram da fazenda com o gado pago, e recibo assinado no bolso. Meu avô ia na culatra da boiada. Meu tio ia de ponteiro repicando o berrante, meu pai como afiador, ajeitando e alinhando o gado na rotina do estradão. 
    Faltava um ano para meu pai conhecer minha mãe, e o bicho era danado. Ele e meu tio não perdiam a oportunidade de se deitar com uma moça de vida fácil, e sempre que possível, amarravam os cavalos na frente de alguma zoninha, assim, aliviando as tensões e desejos carnais fervilhantes, de seus instintos mais primitivos. Queriam sentir um corpo macio de mulher !!!
    Meus velhos nunca me contaram, mas segundo relatos, meu avô não participava dessas incursões pecaminosas em casas de vadiagens. Porém, o velho, meu avô, visitava um sem tanto de comadres e viúvas lá pras bandas da Dracena e terras dos Junqueiras, a Junqueirópolis.
    Como de costume, o fazendeiro alertou meu avô para se alertar com dois bois que seguiam com a manada. Era um preto com uma pinta branca nas ventas, e um brazinão com uma das guampas quebrada. Eram dois capetas. Tanto que marchavam no meio da boiada, sozinhos, com os demais mantendo distância segura de suas raivas e ódios, remoídos e distribuídos em guapassos mortais. Era um perigo.
    Meu pai dizia que foi uma das viagens mais tensas que fez na sua vida de buscar-e-levar bois.
    Meu tio, sempre lambão, despreocupado, não estava nem aí pra paçoca. 
    Sentado no lombo do burrão, repicava o berrante a todo instante, sempre alegre, olhar esperto e a qualquer sinal de coisa estranha, bambeava o 38 no coldre da guaiaca e baixava o chapeuzão na testa, de modo a esconder seus grandes "faróis" azuis.
    Pouco mais de semana que vinham balanceando os cuiabanos, lá pras bandas da Bodoquena, descendo pras terras de Miranda, meu tio encontrou com um cozinheiro de outra comitiva, e foi alertado que estariam topando com outra boiada em algumas poucas horas. Eram momentos tensos aqueles.
    Já que o berrante repicou na corneta de alerta, deixando todos de orelha em pé. O cozinheiro da outra comitiva se espremeu no meio dos pantaneiros e quando rompeu na culatra, avisou meu avô para ficarem espertos, pois de lá, vinha gado de primeiras soltas (sem costume de estrada), e a coisa vinha "bagunçada".
    Meu avô mandou um peão manter o ritmo dos bois no coice (os que iam sempre atrás, mais lerdos), e riscando sua mula nas esporas, foi ter com meu tio lá na guia da boiada.
    A conversa foi curta, e por ser caminho batido por eles, aqueles chãos, seguiram por mais meia légua, e logo estavam em frente a uma fazendona grande, que segundo os velhos, havia um grande corredor que levava à sede e curralama do lugar. 
    Assim que chegaram em passo um pouco mais acelerado, meu pai foi à galope pedir para falar com um dos chefes da fazenda, para pedir permissão de encostar a boiada no corredor boiadeiro das invernadas. 
    Não gastou 20 minutos, e já que meu pai chegou com notícias da permissão concedida. 
    Meu tio já repicou a buzina (berrante) em alerta de rebatida, meu pai cercou o corredor do estradão, um peão que chaveava pelos meios da manada se adiantou com meu tio, e foram empurrando os marrucos (bois erados) porteira adentro. 
    Era um corredor largo, cabia umas 2000 cabeças de uma vez, com folga. 
    Assim que os últimos bois quebraram a esquerda e subiram troteando calmos pelo areião, meu pai recuou rédeas e ficou tampando a boca do corredor. 
    Meu tio, avô e pai ficaram na beira do estradão esperando passar a gadaria arisca. 
    Demorou uma meia hora, e logo ouviram um som que vinha ecoando de lá dos longes. Era o ponteiro da outra comitiva que repicava sem parar a buzina. Aquilo só acontecia quando o gado estava arisco. 
    Quando se conseguiu enxergar a cor do lenço do peão ponteiro, meu tio devolveu acordes em toque de corneta. A boiada do meu avô, pressentindo outra boiada se agitou, mas por sorte, os mourões de aroeira, ficandos de 1 em 1 metro, aguentaram bem o repuxo com os cuiabanos, que seguiriam para terras bandeirantes.
    Assim que o ponteiro veio se aproximando, acenou chapéu e veio encostando:
    -Aoo paulistada, lá vem onça e vem quente nas brasa… agradecido por vânceis alimpá o corredor pra nois meus irmãos. Topêmo vosso cozinheiro, um mulatão forte indo de carroça, puxando uma mulada cargueira… o preto avisô que vancêis invinha trazêno uns pantaneiro la das banda do rio Negro… 
    Meu avô respondeu ao moreno que vinha na guia daquela comitiva:
    -Apôis moço, sorte nois num topá antes...nois tá com os boi na rotina mansa já, mai tem dois malino no meio, que ia dá trabaio querêno intrevera (misturar) nos bois d'ocêis…ia de sê estorô na certa. Deus Pai acudiu nois (todos retiravam o chapéu e se benziam com sinal da cruz) , e os homi dexô nois encosta nessa entrada da fazenda.
    O rapaz antes de seguir com a viagem finalizou fazendo outro alerta:
    -Oia seus moço, nois vai travessá mili boi (mil cabeças) que vem du Aquidauana, tamo na rotina c'oesses bicho a mai de semana corrida, e tão cá peste...custêmo arranca dos pau baixo (pasto sujo, com muitos paus caídos no meio das moitas e ramas) os turuna (tipos de boi), dois fico pá trais de arribada (bois que fugiram, rês desgarrada), e tem dois peão que tão de arribadô pra dexá nas corda as onça… adispois o patrão vê que faiz! Até mai vê meu povo...Que o São Sebastião vai c'ocêis, e a Santa Bárbara segura os aguacêro lá em riba…
    E saiu repicando o berrante no baixão estradeiro, acelerando o passo dos bois que ficavam querendo olhar para seus irmãos de espécie que meu avô havia comprado em preço justo e pago à vista.
    Segundo meu pai, tirando o simpático ponteiro da comitiva, que geralmente eram homens alegres e de boa convivência (tiro por mim que fui ponteiro), o restante era de cara amarrada, tipo de jagunço, povo mal humorado. 
    Meu tio que não deixava por menos, já sacou o revólver e ficou rodando no dedo fazendo graça, mostrando aos maus encarados que se quisessem topar confusão, fariam fumaça sair do cano furado. 
    Meu avô teve que mandar meu tio, rapagão sem juízo, parar com aquela demonstração de poderio bélico, evitando alguma rusga sem necessidade. 
    Meu pai só observava, não dizia nada, mas pelo que me contavam, brabo mesmo era meu pai, mesmo demonstrando calma e tranquilidade nos olhos. 
    Do meio para o fim, aquela outra boiada ia mais calma, alguns bois passavam berrando e olhando para eles, como se pedindo para ir embora para terras paulistas. Coisas de boi.
    Contaram 12 peões naquela comitiva, coisa meio sem propósito, uma vez que ainda tinham dois de arribada atrás dos bois fugidos. Então eram 14 peões para 1000 bois! Se admiraram.
    Meu avô, velho de trecho e sabido nas coisas da vida, matou o mistério.
    A maioria não era peão, e sim, jagunços contratados pelo boiadeiro que havia mandado buscar o gado. Podia ser algum acerto de contas, ou desacerto...e naquela época a coisa era daquele jeito naquelas bandas de um Brasil sem leis. Ninguém perdia tempo com bacharéis das leis faladores com seus cabelos ensebados, gravatas pretas e pastinha de couro embaixo do braço. A coisa era resolvida na bala!
    Estava esclarecido o mistério dos tais peões mal encarados e armados até os dentes, parecendo bandoleiros. E eram!
    Esperaram uma meia hora, e assim que olharam os culatreiros daquela comitiva pelas costas, meu avô ordenou meu pai ir ligeiro agradecer as gentes daquela fazenda pelo ajutório ofertado a eles. 
    Assim que viu meu pai rompendo pras bandas da sede, ordenou meu tio repicar o berrante e dar a solta na boiada. 
    Como de costume, rodaram o gado, tiraram a égua castanha madrinha no corredor, e logo que meu tio saiu repicando o berrante pelo estradão, os pantaneiros foram saindo calmos, ao contrário dos burros e mulas, que faltavam se matar para chegar no rabo da madrinha. Coisas de tropas!
    E seguiram viagem com meu pai e avô na culatra da boiada, meu tio na guia com mais um peão, gado calmo, passos lentos, como tinha que ser uma viagem. Mas nem sempre era assim meus amigos e amigas. Nem sempre!!!
    E foram seguindo viagem, o sol já ia alto, quase meio dia. Agora falo por mim. Nessas horas que o sujeito tinha que ter fibra de aço. A sede apertava, a água estava choca de quente no cantil. Mas tinha que cobrir légua em légua, sempre atento com tudo. Boi, se você descuidar, toma ponteira da guia e adeus Mariana!
    Foram topar o velho Zico preto, cozinheiro de mãos cheias, era pra base das 15:00 hs. O Zico era lampino (ligeiro) nos condimentos à base das pimentas que só ele sabia preparar. Rindo, sempre brincalhão, dizia: Segredos dos cativeiros!
    Ele era neto de escravos, o Zico.
    Contavam que o Zico havia chegado na região trabalhando como braçal da companhia de linhas férreas. Depois descobriram seus talentos para as panelas, e o negro nunca mais assentou dormente. Serviço pesado, para caboclo braçudo e sacudido na marreta. Havia ido para São Paulo, vindo de Minas Gerais logo após a revolução de 1932. Da capital paulista, foi contratado para trabalhar na expansão das malhas ferroviárias do Estado Paulista. Contava o tal Zico, quando estavam sentados em volta da fogueira, que, quando era menino, na fazenda onde nasceu e viveu até os 15 anos, na zona da Mata mineira, ficava doido para montar no lombo de um burro e conhecer terras. Em tais momentos, ele presenteava a todos com um sorrisão dos mais largos, mostrando a brancura dos seus dentes, e falava todo orgulhoso:
    -Nêgo tamém gosta de batê perna pros mundo, uai.
    E o tal Zico foi se embrenhando cada vez mais para o oeste, até parar na beira do rio Paraná. Naquela época, não faltava serviço para um bom cozinheiro nas incontáveis comitivas, que rasgavam caminho com os cascos de suas tropas e boiadas. Em uma dessas, firmou contrato e amizade com meu avô, e viajaram juntos por mais de 15 anos. As vezes, levava seu filho, o Simão, passando as manhas e ensinando os segredos dos atalhos das boiadeiras paulistas, matogrossenses, goianas, mineiras e paranaenses. 
    Boiadeiras essas, cheias de histórias pra contar, hoje, chamadas rodovias, pavimentadas em negro asfalto, sinalizadas e enfeitadas de tal forma, que nem de longe lembram aqueles velhos corredores boiadeiros. Corredores esses, onde a maleita (malária), cobras venenosas, onças, lobisomens e mal assombros nas encruzilhadas, estouros de boiadas e tocaias, escreveram a história, por vezes esquecida, dos nossos heróis sem medalhas, chamados no glorioso passado, de BOIADEIROS.
    Eram momentos de alegria que meu pai guardava em suas memórias, assim como eu guardo as minhas e tantas outras. 
    Assim que encostaram a boiada perto de uma aguada onde o Zico fez o pouso, pelo adiantado da hora, resolveram encerrar a viagem, pois ainda teriam que atravessar um rio no outro dia. O caudaloso rio Miranda e sua precária ponte de madeira.
    Durante os descansos do antes da janta, o Zico comentou com meu avô o quanto eram suspeitos aqueles peões mal encarados da comitiva que havia passado por eles. Meu avô o inquiriu sobre os dois peões que estavam na arribada atrás de dois bois. O Zico não soube responder.
    Meus heróis descansavam com um olho aberto e outro fechado, aquela cisma do gado estourar, ou alguma onça pular em algum dos bois. Eram noites como aquela que meu pai e tio dormiam sentados, um de costas para o outro. Carabinas nas mãos, e sempre alertas com tudo. 
    Por sorte, naquela noite, as onças pressentindo haver coisa mais perigosa que elas, não se atreveram a perturbar a boiada do meu avô. 
    As histórias eram das mais horripilantes. E contavam que quando bandos, isso mesmo, bandos de onças famintas atacavam uma boiada no pouso, era um Deus nos acuda. Mesmo que hoje saibamos, por advento dos canais de documentários, que os felinos onças são territoriais, e costumam se encontrar só para os momentos dos cios reprodutivos. 
    Mas nos tempos em que até lobisomem dava cria para aquelas bandas, as onças sentindo a coisa fácil, atacavam sem misericórdia as comitivas. Meu tio contava, que uma vez, lá pras bandas do Barra do Garças, viu um peão que fora atacado por uma dessas panteras. O homem estava com o pescoço em tiras, e o feltro do chapéu estava enterrado no couro cabeludo por conta da força da unhada, que o gatão pintando deu na cabeça do finado. Era peão de comitiva. 
    São histórias que ninguém conta mais. Mas eu sei o que os pioneiros sofreram para levar o alimento para as mesas daqueles, que morando nas cidades, viviam caçoando e os chamando de atrasados, grosseirões, chucros, rudes, povo sem modos. 
    Meu compadre Dr. Wagner (Guinão) pode contar o que a italianada da família dele enfrentou, tirando toras de matas fechadas com auxílio de bois carreiros, enfrentando o diabo nas febres e nas bocas das onças, surucucús pico de jaca, cascavéis, jararacas, jararacusus, corais e urutus. Dos encantamentos das matas, nem falo então. Quantos se viram perdidos, vagando dias e dias sem rumo no meio das frondosas árvores que subiam aos céus como edifícios silvestres.
    Mas diante de tudo isso, homens como aqueles, corajosos pioneiros, bandeirantes modernos do século XX, os quais me orgulho em saber que tenho o mesmo sangue, não se deixavam abater. Diante dos perigos, chumbo na moita, de muitos calibres, em quantidade bastante!
    No romper da alvorada, meu pai se lembrava muito daquele dia. Anhumas faziam uma sinfonia bonita e triste, muitas garças brancas voavam, os pica-paus e bentevis estavam serelepes, pegando besouros e importunando abelhas. Diziam os antigos, que, quando os pica-paus ficavam naquele assanhamento, era chuva certa. 
    Meu avô, por alguma superstição ou sei lá o que, pediu para o velho Zico acompanhar a comitiva de perto por aqueles dias. Não se alongar muito não. 
    O Zico obedeceu meu avô, e saiu uns 10 minutos na frente, e o encontraram antes de atravessarem para Miranda.
    A boiada ia tranquila, atravessaram sem problemas. Os velhos contavam que era momento de muita atenção, e muitos morreram durante travessias em pontes. Não havia guarda-corpo como nas pontes de hoje em dia. Se peão desviava atenção, podia ser empurrado com sua montaria e uns tantos bois, para dentro d'água. E de lá, ninguém nunca mais ouviria falar do pobre coitado. 
    Caminharam no passo lento da tropa, meu tio, habilidoso, ainda moço, mas muito decidido, ia acalmando os bois, brincando e cantarolando alguma moda, mas sempre tocando o berrante, sempre.
    O Zico ia com a carroça e as mulas cargueiras a distância de 500 metros da comitiva, e em determinado ponto, meu pai e tio perceberam que ele havia parado. Meu tio já repicou o berrante na corneta, deixando todos em atenção. 
    Conforme se aproximavam de um capão de mato aberto, sem cercas de arame ou madeira, meu tio pediu com um toque no berrante, mais um peão na frente, para conter os bois, e não deixar se embrenharem no sujo (mato de capoeira fechada), segurando a dianteira.
    O velho Zico estava em pé na carroça olhando para o mato, para o tio e meu pai:
    -Tem uns peão falano aí dentro da capoeira...iscuita ismininu! 
    Meu pai pediu para meu tio esperar ali com a boiada, que ele ia ver o que estava acontecendo.
    Adiantou a montaria, passou adiante do Zico, que pedia para ele tomar cuidado. O velho cozinheiro era de paz, só mexia com as panelas,  mas naquela hora, estava com o cabo do 38 para fora da camisa e uma papo amarelo 44 carregada nas mãos.
    Meu pai me contou que ao se aproximar do mato, ouviu um homem falando em tom de súplica, voz fraca, como se tivesse machucado. 
    A folhagem das moitas encobriam a visão de quem passava por aquele local, e naquele momento, meu pai sentiu um arrepio na espinha, e um revirar na boca do estômago, como que pressentindo alguma coisa ruim prestes a acontecer. E estava acontecendo! 
    Meu velho com a agilidade da casa dos 20 anos, saltou do burro, entregou as rédeas pro Zico segurar, pegou a carabina, soltou a trava do coldre, engatilhou uma munição na papo amarelo e foi entrando devagar, meio abaixado, e depois rastejando, coisa que aprendeu quando fora servir o Exército. 
    Segundo ele, deve ter rastejado uns 10 metros, quando avistou um peão caído embaixo de um burro, e ao que tudo indicava, o animal estava morto. 
     Levantou-se devagar, e ficou escorado em um pé de gabiroba, e então pode assuntar tudo quando estava acontecendo. Era o peão da comitiva que encontraram no dia anterior!
    Havia um outro peão mais afastado, que não se parecia nada com peão boiadeiro, pois estava com aquelas roupas e capa de jagunço.
    Meu pai aguçou os ouvidos e pela conversa, soube que o peãozinho franzino que estava preso debaixo do burro tinha laçado um dos bois arribados e o deixara preso mais para dentro do mato, e o outro, que parecia ser jagunço, queria matar, carnear e vender os bois para algum açougueiro. Era venda certa, e com o dinheiro, o sujeito cairia no mundo.
    Meu pai ouviu o bugre magrelo preso debaixo do burro morto resmungar que aquilo era errado, o patrão ia ficar sabendo e se não mandasse prender, os mataria por aquela desavença desrespeitosa. Uma vez que aquele gado era objeto de disputa por um acerto mal feito, entre o patrão e o antigo dono da boiada.
    O tal jagunço pegou o rebenque (tipo de chicote) e bateu no bugrinho magro, mostrando crueldade, e falou que o mataria, assim como matou o burro. Que ele era um índio safado, merecia ficar ali, e virar comida de lagarto e urubu.
    O sujeito dos diabos levou a mão no revólver, meu pai saltou da moita igual uma onça, apontou a carabina pra cabeça dele e advertiu o malfeitor:
    -Se triscar a mão no revólver, minha cara é a última coisa que vai ver na puta da tua vida, seu vagabundo… 
    Meu velho, que ainda era moço e cheio de vitalidade, igual um puro sangue, mandou ele tirar o revólver bem devagar e não dar nem um peido, do contrário, ficaria ali morto, junto com o burro que ele matou na mais pura maldade.
    O homem teve juízo e obedeceu meu pai, que ao sentir segurança em dar um passo, gritou por meu tio e pelo Zico. Mas nem precisava, pois meu tio e o Zico, estavam acabando de chegar igual duas esteiras D9 no meio da capoeira. 
    Meu tio perguntou espantado,vendo o bugre debaixo do burro morto, e meu pai escorando outro, ainda vivo, mas na mira do rifle:
    -Que diabo é isso meu irmão?
    Quando meu pai contou, meio por cima, o que estava acontecendo, o velho Zico, ex marreteiro assentador de pinos de dormentes em linha férrea, com aquele bração grosso e mãos igual uma pata de onça, deu um soco tão forte na cabeça do jagunço, que o homem desmontou por cima dos calcanhares, e caiu igual uma jaca madura. Meu pai achou que o homem tinha morrido, e foi cutucar ele. 
    O velho negro Zico, com olhar sério, disse que só tinha colocado ele pra dormir, que coisa ruim não morre matada de mão limpa: -Não sinhô!
    Meu pai, o tio e o velho Zico foram acudir o peãozinho magrelo. Que estava preso com as argolas dos loros e estribos esmagando suas canelinhas finas. 
    Meu tio e o Zico, tal qual duas pás carregadeiras, pegaram o pobre burro baleado na testa pelas pernas e torceram o bicho pelo lado contrário, possibilitando meu pai agarrar o índio pelas axilas e arrastá-lo para fora daquela cilada. 
    O índio estava meio zonzo, e demonstrando muito nervosismo, falava tudo embolado, pouquíssimas coisas em português, tudo no dialeto guarany.
    Já o Zico pegou ele no colo, igual um boneco, e foi saindo com ele carregado, pelos meios da capoeira, até alcançarem a estrada, onde estava a carroça. 
    Meu avô havia deixado dois peões na culatra e outro na ponteira, e estava aflito com a demora deles. Quando viu meu pai, e o Zico carregando o índio no colo, queria saber do que se tratava.
    Meu pai contou às pressas para meu avô a situação, logo o velho deu falta do meu tio. 
    Agora foi meu avô que apeou da montaria e foi correndo atrás do maluco do meu tio. 
    E quando chegou no local onde o burro estava morto, viu meu tio levantando o sujeito, que mal se firmava nos calcanhares, e soltando um murrão na cara do sujeito, que rodopiou e caiu igual um saco de batatas no chão.
    Meu avô segurou ele e mandou largar mão daquilo, mas meu tio estava furioso pela covardia do jagunço maldoso.
    O vô acalmou meu tio, e sugeriu manear (amarrar as mãos) o sujeito e tirar ele no limpo do trecho. 
    E assim que o malvado recobrou os sentidos, com os dois olhos inchados das pancadas e botinadas desferidas pelos delicados 44 bico largo que o tio calçava nas patas traseiras, foi amarrado com maestria em nó de porco (um tipo de laçada em que se faz um 8 dobrado na corda, e quanto mais se tenta escapar, mais o nó aperta).
    E de onde estavam, meu tio levou o jagunço de arrasto. Meu pai falava que meu tio parecia uma mulona xinxadeira, das derradeiras mesmo! O rapaz era bruto igual um arado de meia tomba.
    Nesse meio tempo, o bondoso Zico deu água para o peão índio, um pouco de paçoca de carne seca com farinha, café, mas o que ele mais queria, era a rapadura. O coitado do índio parece que nunca tinha comido doce na vida.
    E ficaram uma hora parados naquela beira de boiadeira, que hoje deve ser asfaltada, e quase ninguém mais deve contar causos daquela época em que o Mato Grosso era um só, onde as onças eram rainhas das matas altas de um verdume absurdo, as sucuris cresciam e engordavam com dietas à base de jacarés e capivaras roliças.
    O peão índio, estando mais calmo, de barriga cheia, esboçando um sorrisinho com aquele rostinho estreito, cabelos lisinhos, e olhos apertados, parecendo até um japonês, alisou e apalpou a perna machucada, e olhando pro meu pai, seu salvador falou:
    -Má tá doeeendo essa perna..êh...má tô beeeem bão já êh…
    E sorrindo pediu se alguém podia emprestar uma palha e um fumo, que ele estava doido pra pitar.
    O Zico velho, deu um risão daqueles que só ele tinha no mundo, passou a mão na cabeça do bugre, e enquanto foi pegar os apetrechos de fumar, falou todo alegre:
    -Eita índio, que num fosse o nêgo Zico tê as oreia boa, ocê ia tá avuano no bico do urubu inda hoje mêmu… hoje mêmu, sim sinhô!
    O índio falou alguma coisa que meu pai e os demais não entenderam, olhou pro céu, ergueu as mãos, depois deu umas batidas no peito, chamou meu pai e assim que meu velho se achegou nele, o bugre tirou seu chapéu e alisou seus cabelos, erguendo as mãos e alisando seus cabelos. A única palavra que souberam entender da língua engraçada e enrolada que o índio falava, era TUPÃ!
    O Zico havia feito um cigarrão igual um charuto pro bugre, que assim que acendeu, fez fumaça e dançou, pulou da carroça que nem parecia ter sofrido um acidente. 
    Dançou na frente dos bois, do meu avô, do meu pai, tio e do Zico.
    Só perdeu a alegria quando parou na frente do jagunço que o teria matado, caso o Zico não tivesse cismado com alguma coisa no mato, e meu pai não fosse tão lampino em uma lida de espreita e emboscada, bem ao modo dos soldados das infantarias do Exército.
    Ergueu a cara toda inchada do malfeitor, e falou umas coisas estranhas, rosnando e dando sibilos igual aos das cobras.
    E cuspiu no chão e soltou muita fumaça na cara do sujeito.
    Voltou-se para a comitiva do meu avô e pediu para soltarem o homem no mato. Bem ali mesmo. E sorriu malicioso. 
    Foi até a carroça, pediu licença, pegou mais um naco de rapadura e foi perguntando se a comitiva precisava de mais um peão.
    Meu avô olhou pro meu pai, que olhou pro tio, que olhou pro Zico… e por uma unanimidade, estampada nos olhos de todos os presentes, ele acabava de ser contratado!
    Meu avô perguntou se aquele burro morto era dele, e o índio disse que só as tralhas eram.
    Já veio a ordem do velho, que ficou segurando o jagunço e mandou meu pai e tio buscar os arreios do índio.
    Não gastaram 10 minutos, e já voltavam com as tralhas todas e o revólver do matador. 
    Meu tio foi entregar o 38 para o índio, mas esse torceu a cara, mandou tacar no meio do mato, e lá deixar os crimes que aquela arma maldita tinha cometido.
    Então, tudo certo, índio ajustado na comitiva do meu avô, o bugre pediu para soltarem o homem. 
    Meu avô receoso revistou o sujeito, e encontrou um punhal dentro do cano das longas botas. Esta também foi atirada bem longe no meio do mato. 
    E assim que soltaram o sujeito, ele saiu correndo para dentro do mato, e o índio sorria, todo satisfeito e falava:
    -É já que elas pegam ele..é jáh…
    E riu muito mascando um torrão de rapadura.
    Quiseram saber quem eram "elas" que pegariam o jagunço, e como resposta, o bugre magrelo fez um movimento com as mãos, iguais às de uma cobra serpenteando.
    Também disse que havia deixado um dos bois arribados amarrado mais pra dentro do mato. E riu ainda mais quando contou que o jagunço não encontraria nunca mais o seu burro. Não ia dar tempo!
    Meu pai disse que se arrepiou na hora.
    Então, meu avô perguntou se ele estava bem para montar, ou se preferia ir na carroça aquele dia. 
    O índio olhou pro saco de rapadura, sorriu igual criança e disse:
    -Atcho que vô beeeem aqui mêmu mio patrón…
    Todos riram demais da tara do bugre pela rapadura!
    Meu tio ainda estava de ouvido no mato, mas já ia longe o homem, que enfeitiçado pelo bugre, corria como se fosse perseguido pelo próprio diabo.
    Todos montaram, meu avô ia se encaminhando para a culatra dos cuiabanos pantaneiros, quando de súbito esbarrou a montaria e perguntou:
    -Ôh índio, me desculpa a falta de educação, mais com essa baruiada toda, nem perguntei a vossa graça, e com tuda certeza, num há de sê índio!
    O bugre guarany, fazendo cara de moleque malino sorriu, abriu a boca mascando a rapadura e respondeu ficando em pé e reverenciando a todos:
    -Ôh mio patrón e todos os xamiiigo aqui… me llamo Miguel, más...llamame Miguelito…y soy bueno atando y domesticando (sou bom no laço e na doma).
    Aquele foi um momento de muita alegria para todos que participaram daquele aventura.
    Meu avô acenou com a mão, deu a ordem, meu tio foi repicando o berrante, o Zico tocou a carroça adiante, já que a madrinha castanha foi pegando lado na estrada, e lá do alto da carroça, o recém resgatado da morte certa Miguelito, ia dando aqueles gritos, que os que ouviram, nunca se esqueceram:
    -Yuuuááá...Yiiipi...Yiiipi...Ai Ai Ai Ai Ai…
    Índio Miguelito, "un buen amigo" como ele mesmo diria. Nasci e cresci e fui salvo muitas vezes pelo misterioso Miguelito! 
    Um homem bom, Índio Guarany, peão boiadeiro, laçador e domador, curandeiro e um comedor de rapaduras e cocadas cremosas, que igual ele nunca teve! Acho que nem nos estrangeiros.
    Mais duas semanas de viagem, e chegaram em terras de Campo Grande. O índio Miguelito ia feliz, contou que não tinha família nem paradeiro, e seguiria com eles para onde fossem. Era como uma folha ou tal. Onde o vento soprava, lá ia o índio Miguelito, de peito aberto, sem medo de nada, ou quase nada!
    E assim foi mostrando seus talentos com os animais, bom laçador, e muito simpático. 
    O defeito do índio, era o despreparo em assuntos de rabos de saia. 
    Meu avô pousou a boiada em uma das muitas chácaras que haviam no trecho que trazia boiadas à Campo Grande, e liberou a peonada para uma fornicação em cama de moças. 
    Pagou todos, e deu um extra pro índio se divertir. Era merecido. Bom peão, alegre, responsável e muito esforçado. E havia escapado das garras da morte por pouco.
    Meu heróis carregaram o índio que os havia cativado. Meu pai e tio, faltaram se mijar de tanto rir, lembrando da cara dele, quando entraram em uma das muitas zonas que existiam naquelas épocas esquecidas do velho Mato Grosso.
    Meu pai se enrabichou com uma morena, meu tio com uma paraguaia, o Miguelito ficou só olhando sem graça, mas por insistência dos dois, pegou uma gordinha. O índio gostava de mulher mais carnuda! 
    Ele ria e dizia, que de magra, bastavam suas canelas e costelas. E olha que o bicho comia igual uma lima nova! 
    Depois de uma hora de saliência, meu pai e tio estavam bebendo uma cerveja, enquanto esperavam o Zico e o Miguelito.
    Já que o bugre apareceu todo amolecido pela gineteada com a moça cheia de curvas volumosas. 
    O Miguel não era de beber, e só aceitou um meio copo de cerveja, e quando ia pedir um pouco de bebida falava mostrando com os dedos magros:
    -Só um gulinhu..um tiquito anssim óh!
    E enquanto fumavam e aguardavam despreocupados, logo a coisa virou piada e risos dentro da casa de safadezas.
    A jovem quenguinha que foi aliviar as tensões do velho Zico Marreta, chegou apressada no salão, segurava e comprimia o abdômen com as mãos, com a cara aflita, e foi se queixar com a cafetina, que bebia e fumava bem ao lado de onde estava meu pai, tio e Miguelito:
    -Nunca mais...nêgo féla da puta…quase me mata...aquilo não é um pinto, é um toco preto queimado…aquilo é um JUMEEEENTO!!!
    E ficou a lamentar-se pelas estocadas violentas que o velho e bem dotado Zico Preto lhe infringiu.
    Meu tio muito gaiato, antes de cair na gargalhada, cutucou o Miguelito e disse com a maior cara de rapariga:
    -O Miguelito, vai de novo na carroça do Zico...vai besta… Ele tá cevando ocê na rapadura, igual galinha no milho… vai sentado do lado dele…vai denovo!
    Nisso aparece o Zicão preto atrás do Miguelito, que sem saber que falavam dele, colocou a mão de maneira inocente e amistosa no ombro do índio. 
    Esse quando sentiu aquela mão pesada sobre seu ombro magricela, olhou e se deparou com os 1:85 do velho Zico, arregalou os olhos puxados,  soltou um grito e arrancou do lugar, colando sua bundinha magrela no balcão do bar:
    -no no no mi amigo…
    Riram de quase rolar no chão! 
    Apelaram por muitos dias com o Miguelito, e sempre que paravam para almoçar ou jantar, o Zico batia no banco da carroça e falava:
    -Senta aqui com o Zico Preto,índio Miguelito...nois é amigo ô nun é, uai?!
    E todos riam demais de tudo aquilo, até o próprio Miguelito. 
    E cresci ouvindo essas e tantas outras histórias dos meus velhos e amados entes queridos.
    Relatando esse causo, sem as habituais safadezas, confesso a vocês que ri e chorei. Mais chorei do que ri!
    Esses eram meus amados familiares, meus amigos. Todos queridos, muito amados, que carrego no coração.
    Assim era aquele Brasil, quando o Mato Grosso era um só, o Goiás alcançava as divisas do Pará e do Maranhão, as onças rosnavam assustando os boiadeiros, lobisomens existiam e assombravam viajantes nas sextas-feiras de lua clara, as muitas cobras se misturavam as folhas pelos chãos das matas altas de um verdume absurdo de tão lindas.
    E vindos lá de longe, os sons dos polacos em pescoços cansados das madrinheiras, e um habilidoso ponteiro de comitiva, fazia o som do seu berrante manhoso encantar a tudo e todos naqueles sertões. 
    Bicho e gente!
                                       🐂     🐎
  • Respiro da minh'alma

    Papel e caneta nas mãos. Chegou a hora de colocar para fora esse turbilhão aqui de dentro. 
    Uns chamam de dom, outros de criatividade. Eu chamo de aconchego, faço dos meus pensamentos minha arte. É como se a caneta seguisse um caminho conhecido, já traçado, tipo aqueles trabalhinhos de escola em que tínhamos que formar palavras acompanhando o pontilhado. 
    É o respiro da minha alma. O momento em que ela senta num balanço preso por uma corda frágil, bem perto do precipício. 
    Aquele misto de liberdade, adrenalina, medo e frio na barriga, sabendo que aquele pode ser seu último impulso. A corda pode arrebentar, você ser engolido por aquele buraco e nunca mais acharem seu corpo. Mas também pode ser um impulso que te dá a sensação mais gostosa do mundo. 
    Seus pés não tocam o chão, você se sente livre como um pássaro... como se você tivesse asas e voasse, vendo tudo pequenininho lá embaixo. 
    Não tenho roteiro, não tenho tema predefinido. Meus textos são como meus dias, nunca sei como vão começar, nem como vão terminar.
    Às vezes é um pedido de socorro. Às vezes faço dos meus sonhos um conto. Descobri que sou melhor com as palavras, colocando tudo aqui, do que com pessoas, que você compartilha suas angústias e depois elas espalham por aí ( sim, foi uma alfinetada📍).
    Os textos nunca me decepcionam. Já as pessoas, não posso falar o mesmo. 
    Deve ser por isso que S.O.S também se escreve "sós".
    Sozinha. Na minha. Eu, meu papel, minha caneta e minh'alma no balanço!
  • Sangue e fúria da caçadora das planícies

              O carioca Fábio Kabral já conquistou o seu espaço no coração dos leitores com seus romances afrofuturistas. Mas em A cientista guerreira do facão furioso, vemos uma enorme expansão em Ketu Três. Nesse romance narrado em primeira pessoa, seguimos a trajetória de uma personagem que nos foi apresentada anteriormente em O caçador cibernético da Rua 13, a jovem Jamila Olabamiji.
              Embora no primeiro romance que dá início a saga, a adolescente tenha feito apenas uma aponta, em seu livro solo, a narrativa parece se conectar com tramas mais profundas do universo kabraliano. O livro apresenta grandes diferenças com o seu anterior, seja pelo olhar inexperiente de Jamila, seja pela sua recepção aos acontecimentos que envolvem a sua pessoa.
              Na obra, Kabral nos mostra uma narração pouco linear, mas, precisa e aprofundada. Jamila vive com seu pai Agenor Olabamiji em um dos setores mais pobres de Ketu Três. Seu sonho é ser inventora e mudar o mundo com suas máquinas movidas a fantasma. Ela estuda num dos poucos colégios de elite da região. Os dramas de Jamila se tornam maiores após sofrer perseguição e violência de um colega de classe: Pedro Olawowo.
              Nem só de violência escolar vive o cotidiano de Jamila. Ela namora a Fernanda Adaramola, uma jovem que tem ligações com as grandes corporações que controlam o mundo de Ketu Três. O relacionamento entre as duas tem seus altos e baixos, seja pela diferença de personalidades ou da diferença de classe entre as duas. Apesar de ambas serem muito jovens, Fernanda demonstra uma maturidade que falta à Jamila.
              Assim como no livro protagonizado por João Arolê, vemos o encontro do caçador com Jamila Olabamiji, e apesar de repetirmos algumas situações e diálogos, vemos os acontecimentos pelos olhos dela. A narração em primeira pessoa cravou isso. Apesar da autoconfiança da moça, ela ainda é curiosa como uma criança e orgulhosa demais de suas capacidades, o que ao longo do tomo gerou muitas piadas legais.
              A adolescente, após o acidente no Parque das Águas Verdes, acaba se relacionando com o grupo rebelde Ixoté. O que me leva a conclusão de que existe uma trama ainda maior por trás de todos esses personagens, e que me parece reservar um futuro trágico para todos eles. Foi um romance cheio de revelações e que me deixou aflito para adentrar cada vez mais nesse mundo afrofuturista.
              Apesar de todos os ganhos que esse livro trouxe, algumas coisas acabaram me incomodando. Uma delas é a repetição. Nem condeno a parte da Jamila e do Arolê, estou falando da repetição de diálogos, descrições, às vezes, no mesmo capítulo. Achei desnecessário. Outra coisa pouco conveniente é a enorme quantidade de exposição, soaram com excesso de didática e produziu conversas artificiais.
              A escrita apela para o excesso de reticências, o que na minha opinião só trava a leitura, ao mesmo tempo em que parece que o autor não gosta muito de vírgulas. Pulei parágrafos inteiros devido a repetição, as benditas reticências e a falta de vírgulas. A leitura se apresenta descontínua e muito arrastada devido a esses artifícios de escrita do autor. Achei O caçador cibernético da Rua 13 mais maduro nessas questões.
              O livro nos apresenta os meandros do corporativismo de Ketu Três. Em um dos diálogos, Jamila diz: “Deus me livre viver num mundo governado por homens”, ou algo que o valha. Algo até comum nos discursos do movimento feminista em geral. O que a personagem talvez não tenha se dado conta, é que mesmo na sociedade onde ela vive, governados por empresárias-sacerdotisas, a desigualdade social, o preconceito, o terrorismo de Estado e a necropolítica se fazem presente. O próprio caso da Jamila já poderia nos ajudar a levantar questões sobre a bioética em Ketu Três.
              Para que aja opressão não é necessário patriarcado ou machismo, visto que, Ketu Três é uma sociedade matriarcal e matrilinear — as crianças e os esposos recebem o nome das mães, por exemplo —, e a violência e opressão se dá em nível igual ou maior do que em qualquer uma de nossas sociedades reais e patriarcais. A ideia de sociedade hierarquizada pela idade, embora seja um dos elementos constituintes de Ketu Três, não se configura como tal. Por fim, o que quero dizer é que para que aja opressão em uma sociedade, basta termos estruturas hierárquicas.
              Jamila, Fernanda e Pedro emulam conflitos ancestrais entre Ogum, Oxum e Xangô, respectivamente. A obra quebra paradigmas ao colocar um romance lésbico como condutor romântico. O amor é crível e até meigo em alguns sentidos. Ao longo da trama, senti que os sentimentos de uma delas não eram tão verdadeiros quanto pareciam ser. O que pode gerar muitas reviravoltas no futuro.
              A questão da violência escolar é abordada, mas foge do sentido maniqueísta com vários questionamentos de Jamila sobre a tradição social e sua situação de mulher vulnerável, sofrendo violência e perseguição de um colega de classe. A omissão dos professores e o prazer que Pedro tem em violentar sua colega causa espanto e também agonia. Parece que todos já naturalizaram a violência entre crianças e adolescentes, julgando tais atos menores. Esquece a sociedade que um dia as crianças irão crescer e se tornarem adultas.
              Senti falta das ilustrações internas. Elas foram substituídas por uma imagem padrão de uma placa de circuitos. Algo pouco criativo, na minha opinião. Jamila merecia mais. Existe metatextos dentro do livro, configurando uma poética da ancestralidade. O autor também colocou citações da Mãe Presidente Ibualama no fim de alguns capítulos. Mas como ela não participa da história, a coisa ficou com um tom de lição de moral. As metáforas e analogias que o autor usou durante o livro, me pareceram bem elaboradas, porém, em algumas partes, foram malsucedidas ao longo da narrativa.
              O livro é rico em questionamentos existenciais e representatividade, sem que isso provoque fissuras narrativas. Todos ali têm seu papel, personalidade e objetivos. Jamila tem contrastes, e é nisto que consiste seu carisma. Seu desenvolvimento me lembrou os de mangás shonen. Tínhamos “uma ninguém”, e no fim do livro terminamos com uma heroína com objetivos ainda mais nobres que os anteriores.
              O livro tem orelhas e contracapa de Kênia Freitas, Doutora em Comunicação e pesquisadora do afrofuturismo. Ilustração de capa do Rodrigo Cândido, com a Jamila Empunhando o Facão de Ogum. O livro tem mais de 280 págs., e foi publicado pela Editora Malê, sendo o segundo livro da saga afrofuturista criado pelo carioca Fábio Kabral. O livro conta com um glossário de termos iorubanos no fim do livro.
  • Sene I

         “ No meu caminho encontrei um jovem que estava sentado olhando para os próprios pés descalços, o jovem tão triste fazia tanta questão de não existir que para as pessoas à sua volta de fato ele parecia não estar lá, tive pena dele. Como são estranhas essas criaturas que andam pelo mundo em dor e sofrimento, os chamados homens dos novos tempos. Mais tarde e já muito longe lembrei-me do jovem e, por minha vez, me entristeci ao perceber o quanto ele se parecia comigo”
         O Velho estava em uma cabana ou ao menos no que parecia ser uma cabana, modesta, era feita de pedras e troncos, antiga, tanto que musgo e plantas cresciam sem impedimento pelos cantos e nas paredes, talvez houvesse mais que não podia ver devido a escuridão, talvez fosse noite. O que de fato podia ver, graças a uma fogueira que do canto irradiava luz, era uma cena desconcertante, ali junto aos pés do Velho uma mulher seminua estava deitada. Ao que o Velho podia concluir se tratava de uma jovem de cabelos vermelhos e de pele branca como a neve, seu rosto estava coberto pelos mesmos panos claros que também escondiam partes de seu corpo, debaixo de todo aquele pano ela estava nua, isso era certo. Sem emitir nenhum som a moça diante do Velho se revirava debaixo dos tecidos e ele notava que havia outras pessoas formando um círculo ao redor dela, todos vestiam túnicas de desenho simples e cor clara, todos a olhavam, mas ninguém se movia.
         A cena era de fato mórbida, a jovem se contorcia demonstrando claramente sofrer dores horríveis, mas ninguém se movia para ajudá-la, o Velho também permaneceu hipnotizado até que em dado momento e sem aviso a moça expeliu uma criança de entre suas pernas. Ainda na morbidez da cena o Velho viu que além de não haver sangue a criança era escura, como se coberta por pêlos negros, espantado, mas incapaz de falar ele olhou para as outras pessoas que se mantinham imóveis, sem encontrar nelas qualquer ajuda ele então retornou o olhar para o recém-nascido que como sua mãe não mais se movia. Com melhor atenção o Velho observou a pele do bebê descolorir para um tom claro, talvez até um pouco pálido, já se parecendo então como uma criança perfeitamente normal o bebê chorou.
         O choro era alto, longo num único fôlego, e foi respondido por um som de trovão, apenas com arrepio do susto o Velho foi capaz de se virar e voltar-se para a entrada da cabana onde a luz de uma manhã cinzenta era presente o bastante para delinear a figura de um monstro. A criatura estava exatamente em frente a porta da cabana e dela o Velho via apenas da cintura para baixo, era alta corpulenta e escura como a noite, seus braços terminavam em garras e passavam das coxas, estava em pé como um homem, mas era grande como uma casa. Um novo som de trovão riscou o ar e o Velho entendeu que se tratava da criatura falando, mesmo desconhecendo o significado ele sabia que era uma linguagem de fúria, por mais duas vezes a criatura falou e ameaçou entrar na cabana.
         Um Sopro foi tudo que o Velho ouviu quando a criatura raptou a criança, veloz demais para ser impedida o monstro apenas esticou seu longo braço apanhando o bebê de perto da mãe e correu. O Velho se surpreendeu quando ao sair da cabana já se viu cercado por árvores, eram todas escuras e estavam todas secas, por efeito da fina chuva que caia um brilho oleoso se formava nas cascas e nos galhos nus. Com exceção da mãe que provavelmente ficou na cabana o Velho notou também que todos os outros ocupantes correram para fora, provavelmente procurando pela criatura e a criança, mas foi o Velho quem primeiro viu.
         A criatura não estava tão longe, numa clareira entre árvores estava parada e com sua altura imensa segurava junto ao peito a criança que cabia inteira em sua mão. O Velho parado ouvia a respiração forte, mas não via a cabeça da coisa, pois a neblina escondia. Antes que ele pudesse interagir a criatura apontou para trás do Velho que virou-se o suficiente para ver os outros, eram os quatro, ainda vestidos em suas batas claras, estavam parados exatamente atrás dele e encaravam a criatura cujas falas faziam tremer o ar. Sem notar ação neles o Velho retornou sua visão para a criatura que falava mais e mais rapidamente. Aos poucos os outros que antes estavam atrás do Velho passaram então a cercar o monstro. Mesmo sem entender por que uma figura tão grande mostraria temor diante de seres tão menores o Velho também se aproximava lentamente da criatura, que apesar de seu tamanho avantajado parecia encurralada.
         Os quatro que cercavam a criatura passaram a realizar movimentos idênticos e emitir murmúrios harmônicos como uma reza ou mantra, em resposta a criatura parecia sofrer com aquilo, um momento de grave tensão se instalava e o Velho sabia que um mal estava por vir quando a criatura juntou suas mãos para segurar a criança como se quisesse forçá-la para dentro do peito. Os quatro brancos caminhavam corajosos e aumentavam o volume de seus murmúrios a medida que a criatura gritava de dor. Incapaz de resistir mais o monstro se rendeu e no mesmo instante como se o tempo se tornasse mais lento o Velho observou a criança caindo do alto quando a criatura a soltou das mãos e desapareceu entre as árvores, desesperado e estendendo os braços para amparar o bebê que caia o Velho acordou.
    _ E é bom mesmo que acordou!
         Disse a voz em sua cabeça, mas o Velho não respondeu, estava suando e seu corpo doía como se tivesse sido espancado. O céu acima dele produzia infinitas estrelas brilhantes, era uma noite quente por isso achou de se deitar poucos passos da estrada, ergueu sua cabeça apenas o bastante para analisar seus arredores, mas quando pensava em continuar seu sono a voz retornou.
    _ Não vai conseguir dormir, levante-se e continue caminhando.
         O Velho pensou em mentir de alguma forma, mas seria impossível, a voz sabia tudo o que ele pensava, mais ainda sabia como ele pensava. Então por mais que quisesse continuar deitado até o nascer do dia propriamente dito, ele respirou fundo rolou para o lado e se pôs de joelhos. A voz sem som em sua cabeça continuava a repreendê-lo, como sempre fazia. Enquanto ele não cumprisse a ordem dada a voz iria insultá-lo, ofendê-lo e mesmo ameaçá-lo.
    _ Não é fácil ser um doente mental…
         Disse o Velho na sua voz naturalmente baixa e em tom de lamento. Sua jornada havia começado há muito tempo, mas por mais que tentasse se convencer de que os demônios em sua alma não o perturbavam mais ele sabia a verdade, que ele jamais estava bem, jamais estava em paz, que ele era perturbado e um dia a loucura custaria sua vida, sua sanidade já tinha.
    _ Por que demora tanto?
         Ele não respondeu a provocação, os motivos seriam vários, era madrugada, seus ossos doíam, suas pernas e braços simplesmente não tinham forças para levantar tão rapidamente, mas não havia sentido em explicar, só daria mais armas para a voz atormentá-lo ainda mais. Como o Velho não precisava comer nem se hidratar, ou assim pensava, afinal ele jamais teve provas, mas de fato ele conseguia ficar longos períodos sem água ou comida, e por mais que houvesse desconforto ele não sentia fome ou sede como antes, ele não carregava nenhum pertence consigo. Era como se fosse uma vela mesmo que fraca estava acesa e enquanto houvesse algo para queimar sua luz serviria. Atravessando então entre árvores e a folhagem que batia contra seus joelhos ele retomou à estrada. Suas roupas eram tão simples e estavam sujas a tanto tempo que ele não se preocupou em retirar as folhas ou a poeira delas, simplesmente caminhou.
         Por aquela estrada de gramas baixas e pedras soltas não seria fácil seguir, não com pés tão cansados após uma pausa tão breve, afinal seu descanso durou apenas o tempo do pesadelo e ao acordar foi presenteado com uma dor aguda nos seus ossos, por vezes algumas pessoas que o encontravam lhe questionavam ou pareciam querer perguntar como ele suportava tanto sem fraquejar sem mesmo às vezes mudar sua expressão, e o Velho na maioria das vezes gostaria de responder:
    _ Sou teimoso.
         E de fato era, teimoso com a vida, com sigo e com tudo mais que pudesse, então mesmo que as fibras de seu corpo estivessem por se quebrar, seu espírito era forte, ainda assim caminhar com sandálias velhas entre pedras e capins de nó não era fácil e para tornar tudo pior era noite sem lua.
    _ Sabe quanto mais até chegarmos?
         Perguntou o Velho rouco já sabendo que tipo de resposta receberia.
    _ O quanto tiver de ser, que resposta gostaria de receber? Apenas caminha Velho, mais e com menos tempo chegará.
         Sem ânimo para outras farpas ele continuou em silêncio por horas numa caminhada que para evitar tropeços e quedas se fazia muito mais lenta. Quando sua solidão começava a incomodá-lo o suficiente e ele já sentia vontade de tentar conversar com a voz atormentadora o Velho notou que chegava o fim da noite. Algumas luzes já coloriam o horizonte com claros azuis e rosados graciosos.
    _ Aurora é mesmo uma deusa para os vivos, promovendo a magia de um novo dia, de uma nova chance, e quem não gostaria de ter mais uma chance para tentar?      Para fazer hoje o que ontem não pôde? O amanhã é de fato o presente generoso de uma deusa pura, o mal dos homens é achar que sempre haverá outro.
         Disse o Velho exasperando, e como não havia dito para ninguém em particular não houve resposta em vez ele ouviu o canto de pássaros provando que já era manhã. Um tanto mais animado pelo sons das muitas aves, e ansioso pelo calor do sol que logo chegaria seu passo se tornou mais firme. De fato a estrada também parecia querer ajudar na caminhada que antes se dera em tantos morros, se fazia então mais plana e mais rochosa sem muitos dos irritantes capins de nó que o forçavam a erguer seus pés. De fato ali o trecho era reto por tão longo que uma única figura estática chamava mais atenção que as demais, era uma árvore. Postada no caminho de modo que a estrada se curvava levemente ao redor dela, a árvore estava seca o que o remeteu momentaneamente ao pesadelo que teve, mas perdeu completamente essa impressão ao chegar aos pés dela, parado ele ficou abismado observando.
    _ Uma árvore é uma árvore apenas, qualquer que seja…
         Disse a voz tentando forçá-lo a seguir pelo caminho.
    _ Não, esta é diferente…
         Sussurrou o Velho enquanto olhava todos os detalhes que podia, se aproximando do tronco ele via como ela se dobrava sobre a estrada e em direção ao vale, sentia que a árvore queria apontar ou até mesmo caminhar para a parte mais baixa daquelas terras. Seu tronco não era tão largo nem tão forte inda mais pela torção que dava sua curvatura, contudo era singular a aura emanando dela, mais ainda o Velho podia ouvir algo, algo doce, como uma poesia ou…
    _ Música…
         Uma voz soou ao lado do Velho, tão absorvido pela figura da árvore ele demorou a reagir e perceber que não era a voz em sua cabeça, era uma voz com som. Assustado pelo fato ele virou e antes da luz do sol nascente ofuscar seus olhos pensou ter visto um homem no vale, mas quando recuperou o poder da visão nada havia, menos alarmado voltou-se para o pé da árvore e notou a formação das raízes era ideal para que uma pessoa se encostasse nela, tanto que sem alguém ali a figura toda parecia incompleta.
    _ Realmente diferente…
         Antes de qualquer reprimenda vir de sua consciência que certamente iria ordenar que continuasse sua caminhada, o Velho se pôs no caminho, afastando-se daquele lugar, seguiu pelo trecho. Após umas curvas e já na plena manhã subiu por um ou dois morros antes de avistar uma vila. Eram casas de aspecto amistoso que se enfileiravam no alto para onde era mais plano, logo que chegou à primeira delas o Velho se deparou com uma Primeira senhora usando um apanhado de folhas secas para varrer a varanda rústica de sua morada.
    _ Bons dias…
         Disse o Velho tentando mostrar o melhor de sua aparência a fim de que tivesse boa resposta, não custou muito para a Primeira senhora percebê-lo.
    _ Bons dias senhor! Que sejam de paz...
         Contente por essa Primeira Senhora conhecer os bons costumes e grato por sua sorte o Velho se pôs a perguntar sobre aquele local e arredores, mas quando o assunto chegou na árvore torta que tanto lhe havia intrigado, a senhora não ofereceu como resposta mais do que uns acenos negativos antes de se virar e entrar em sua humilde morada.
    _ Hospitalidade tem seus limites ao que vejo…
         Constatou o Velho, logo então seguindo a linha das casas ele encontrou, cumprimentou, trocou ditos de crenças e bons costumes com outras quatro mulheres de meia idade, tudo para quando perguntar da árvore obter as mesmas respostas evasivas quando não de silêncio total. Incerto se de sorte ou azar, ele se deparou com outras três mulheres reunidas e já que estava quase no fim da vila, achou bem de tentar novamente, afinal que mal poderia haver?
    _ Olha senhor!
         Disse-lhe a então Sexta Senhora antes mesmo de ouvir seu bom dia.
    _ Aqui não vai encontrar ouvidos para suas histórias nem moedas para os seus bolsos…
         Com as mãos erguidas o Velho se pôs explicar que sua passada ali não tinha interesse comercial de qualquer tipo, pelo fato de aquelas três terem idade em menor quantia que as anteriores ele não julgou necessário percorrer os ritos cordiais, explicou o motivo de suas inquirições anteriores, já perturbado com o fato de haver apenas mulheres do vilarejo, e partiu para o caso da árvore.
    _ Por certo! Não está a contar casos, mas vem atrás de histórias que não são de sua conta, não acha que com sua idade já deveria saber melhor do que…
         Nesse momento a mulher restante ergue a mão parando então a fala dessa Sétima, e um breve silêncio se instalou, com olhar sério fixado no Velho a então Oitava concluiu.
    _ Ninguém aqui vai te falar nada senhor, seja lá qual for seu nome, porque ninguém aqui sabe nada desse assunto, e os poucos que podem sabem que não é bom de se falar.
    _ Entendi...
         Com a fronte voltada para baixo o Velho passeava para seguir jornada adiante, quando a mesma Oitava mulher lhe falou, e havia certa dor na voz dela, mesmo seu olhar passou de seriedade para pena naquele instante.
    _ Mas se quiser tentar a sorte, ela sabe…
         Disse a Oitava apontando para a uma casa que fugia completamente do alinhamento da vila e beirava suspeitosamente o mato. Após agradecer com aceno de cabeça o Velho cortou de lado as três moças e seguiu na direção da casinha. Como teve de circundar para dar na entrada, apenas depois de certa volta o Velho avistou a apontada senhora e essa, que realmente era idosa, depenava uma galinha enquanto cantarolava e balançava em sua cadeira, onde há música a vida interior pensou o Velho antes de falar.
    _ Perdoa interromper?
    _ Hum? Ah Não, não interrompe nada menino.
         Desconcertado pelo balançar da cabeça da galinha morta no colo da Nona senhora e levemente ofendido ao ser chamado de menino, o Velho se aproximou forçando um sorriso fechado e foi recebido por outro sorriso sem dentes da Nona que se mantinha acenando com a cabeça em afirmação, já que as mãos estavam ocupadas demais para o convite.
    _ Bons dias…
         Disse o Velho pedindo suas licenças.
    _ Bons dias menino, que sejam de paz.
         Mais uma vez, menino, com novo esforço o Velho se conformou em outro sorriso amargo, já a Nona sem demonstrar nenhuma mudança em seu bom humor sugeriu ao Velho que se aproximasse, pois seus ouvidos já não eram tão bons como antes e após breves conversas irrelevantes para ele já se via sentado no corrimão da cerca da casa quando perguntou sobre a árvore do caminho. Antes de mais nada a Nona tentou dissuadi-lo dizendo que aquilo era coisa finada, que o próprio tempo deu conta de apagar. Por um tempo o Velho deixou o assunto de lado e perguntou mais sobre aquele lugar, ele aprendeu então que os homens estariam trabalhando longe, soube também numa versão resumida que o vilarejo sofreu o mesmo destino de muitas colônias rurais, uma breve expansão seguida de decréscimo populacional e por fim abandono de grande parte de seus habitantes. O Velho ouviu tudo com atenção e educação, mas sua alma parecia arder como uma alergia quando pensava na árvore da estrada.
    _ Pode ao menos me dizer que espécie de árvore é aquela? Jamais vi igual.
         Questionou o Velho já se preparando para seguir antes que a manhã terminasse.
    _ Essa história já era antiga quando me contaram e ouvi com meus ouvidos inda de menina. Acho que o nome dela era Lóra ou algo assim, e a árvore que tanto te interessou morreu no mesmo dia que ela, e mesmo tanto tempo depois ela está lá para lembrar dessa história triste, pois era o local favorito dessa moça, mas não tenho certeza se foi isso mesmo, não sou mais tão mocinha sabe...
         O Velho acenou várias e várias vezes positivamente, enquanto a Nona lhe provia com mais detalhes que de alguma forma iam desviando completamente do assunto que de fato lhe interessava. Assim o dia foi passando e a galinha já desprovida de suas penas estava mergulhada em molho quente quando o Velho achou por bem desistir de sua busca, sem jeito e realmente como um menino ele se levantou esfregando seus joelhos e ajeitando suas vestes com olhar cabisbaixo.
    _ Ora por que não tenta perguntar ao peixe?
         Interveio a Nona com seu característico sorriso aberto demais.
    _ Peixe?
         Questionou o Velho sem saber outra forma de continuar.
    _ É, o peixe, o peixe da árvore, o peixe da história…
         Enquanto a Nona ia e vinha falando de peixe o Velho se perguntava se havia desperdiçado mais uma tarde de sua vida com uma desvairada, simpática há que se dizer, mas desvairada ainda assim. E aquele sorriso sem dentes que não desaparecia por nada, como uma mexerica encontrada estações depois da colheita e aquelas rugas só tornavam tudo mais engraçado, mesmo assim o Velho estava frustrado.
    _ Essa coisa gritando dentro da sua cabeça te fez desconfiado não é menino?
         Disse a senhora virando-se com uma tigela fumegante de caldo de galinha, com dois acenos de cabeça e um gesto de mão ela fez que o Velho se sentasse entregando-lhe a tigela com o caldo e um pedaço de pão duro, o Velho recebeu boquiaberto, mas temendo sua própria insanidade não confirmou nada.
    _ Bom, vamos comendo enquanto isso não é? Não adianta ir cedo mesmo por que ele só sai na noite. E tem que ser noite de lua ainda…
         O Velho admirou por um instante a delicadeza daquela tigela, esculpida numa madeira escura era fina e desenhada como se imitasse uma folha, antes mergulhar o pão e provar o caldo cujo cheiro já governava seus sentidos o Velho pensou no que de fato a Nona estava dizendo e não vendo maldade, além de se convencer de que ela provavelmente estava em mais um de seus devaneios decidiu continuar.
    _ Então…
         Disse o Velho entre mordidas.
    _ Apenas em noites de Lua?
    _ Shimm, Shimmmm…
         Disse a Nona produzindo sons como uma cobra ao sorver o caldo quente, o pão ela ignorava, sem dúvida duro demais para sua falta de dentição. Achando a coisa toda cada vez mais engraçada o Velho estava animado quando deixou a cabana da Nona no entardecer. Tanto que quando se deu conta estava indo em direção a árvore.
    _ Lembra menino, se você se virar ele vai embora…
         O Velho continuou caminhando erguendo apenas uma de suas mãos em sinal de despedida. Menino? Pensava o Velho, mas que dia estranho. O Velho notou que a noite já era formada quando terminou por cruzar de volta todas as casas do vilarejo. Notou com ainda mais espanto que a voz em sua mente estava estranhamente quieta, os bons efeitos de um caldo quente concluiu, e como aquela Nona parecia gentil, claro, num jeito enlouquecido de ser, mas um doce mesmo assim e parecia saber tanto. Fosse como fosse antes do fim de seus questionamentos o Velho estava no local e sem saber ao certo o que fazer sentou-se à beira da estrada no lado oposto ao da bela árvore torta. Ainda estranhando a ausência da voz em sua mente o Velho já havia deixado que um bom tempo se passasse quando olhou para cima onde a luz da lua começava a clarear o céu, entre as estrelas algo como um véu prateado deslizou para o lado de sua visão.
         Tomado por um arrepio frio o Velho não se moveu, nem falou, pois temia espantar a criatura que sabia estar atrás dele, mais ainda temia o que tal coisa poderia lhe fazer.
    _ Parece mais leve senhor…
         Era a mesma voz que ouviu naquela manhã, sem saber ao certo como responder o Velho murmurou por longo, em que nem mesmo sua cabeça ele movia, lembrando as palavras da Nona.
    _ Sabe que não precisa ficar aí parado como uma estaca, ao ponto de quebrar o pescoço, nessa sua idade não te fará nenhum bem…
         A voz era claramente a de um jovem rapaz, não era grossa ou grave, nem inspirava poder ou força, era uma voz suave, gostosa de se ouvir, como a de alguém que compreende e tem sempre um bom conselho a dar, um tanto mais calmo o Velho respondeu.
    _ Fui alertado que não me virasse, pois…
    _ Sim, sim,
         Interrompeu o jovem.
    _ Mas sabemos que não é o caso, seu destino é outro, então por favor não seja tímido...
         Completou o jovem, aceitando o Velho pediu licença e se levantou virando-se lentamente. Antes de ter sua visão nublada pelo vento da noite o Velho flagrou o que a Nona nomeou como peixe, de fato talvez fosse, mas seria um que flutuava no ar com corpo comprido e esguio de cor prateada como a lâmina de uma faca nova, grande que era e dada a magia envolvida o Velho o percebeu mais como um dragão que um peixe. E tudo se deu num instante, pois logo que o vento da noite passou pelos olhos do Velho no lugar do suposto peixe estava um rapaz, um belo rapaz aliás. De pele em tom de canela, de cabelos longos e negros caindo sobre sobre seus ombros, de olhos firmes traídos apenas por uma dor que o Velho arriscava descrever, era mesmo um belíssimo jovem, vestido com tecidos escuros que as vezes reluziam brilhos prateados assim como as misteriosas escamas de um peixe.
    _ Nesta forma teremos menos distrações e a conversa fluirá melhor.
         Disse o jovem rapaz, de lábios volumosos que não mostravam qualquer emoção boa ou má.
    _ Tem experiência em lidar com minha espécie ao que vejo.
         O jovem de cabelos negros respondeu com um aceno confiante, e fez convite ao Velho para lhe seguisse, mesmo no meio da noite era fácil seguir descendo pelo campo em direção ao vale tão clara era a luz da lua.
    _ Estou certo em afirmar que não é de fato um homem? Se fosse para arriscar diria que forma que vejo é apenas uma ilusão...
         Comentou o Velho, cuirioso e já temendo pecar em educação…
    _ Duvido que faça diferença para você…
         Disse o jovem com um pouco mais de frieza como se para encerrar a conversa, mas então continuou.
    _ Entretanto, se está buscando ser cavalheiro poderia começar dizendo-me seu nome, advirto que não posso oferecer-lhe o meu, pois já não me lembro.
         O Velho respondeu prontamente incapaz de esconder um breve sorriso.
    _ Chamo-me Sene, mas agora desconfiando de quem você é imagino que você já sabia…
         O jovem não respondeu, mas em sua face o Velho viu nascer algo como um sorriso de canto, mesmo que breve esteve lá.
    _ A árvore…
         Iniciou o Velho ao perceber que já estavam próximos demais do riacho e logo não teriam mais tempo para perguntar.
    _ Quer saber o que tinha nela de especial? Quer dizer além de ser uma árvore? Uma forma de vida tão doce e tão gentil que suporta a existência de tantas formas, que fornece nutrientes, acômodos, abrigos e tantas coisas mais, uma criação de deuses inocentes que eram bons demais para esse mundo. Se visto assim toda árvore é especial não acha? Inda assim além de suas qualidades inatas aquela árvore em questão nada tinha de especial. Talvez uma lembrança…
         O Velho não comentou, já confirmadas as suas suspeitas, se limitou a acompanhar o jovem até a beira do riacho que cortava o vale. Quando o Velho começava a fazer sentido dos contornos das pedras cortadas por águas volumosas a voz do jovem soou dolorosa ao dizer um único e belíssimo nome feminino. Antes que o Velho pudesse repetir o nome outro sopro do vento da noite fechou os seus olhos, ao abrí-los era dia. Apenas por não conhecer outra palavra o Velho descreveu-a como uma moça, mas sem dúvidas era muito mais que aquilo, muito mais do que ele podia ver. Ela esta sentada aos pés da árvores que exibia suas milhares de folhas em formato de gota, mas linda que toda fora a moça irradiava luz e beleza, estava vestida com brancos e verdes, seus cabelos tão longos produziam ondas e ondas com cor de madeira, os olhos dela ele não via, estavam fechados para acompanhar a delicadeza das mãos dela correndo dentro das águas do grande rio que cobria todo o vale.
    _ Não saberia dizer quantas vezes revivi essa memória…
         Disse o jovem ao lado Velho, e o som da voz dele se modulava gentil de maneira a não atrapalhar a melodia que vinha da moça com ar de sonhadora.
    _ Foi ela quem me encontrou, como se viver no mesmo mundo que ela não fosse presente grande o bastante, minha primeira visão foi ela, e ela também me reencontrou muitas vezes mais, mesmo depois de tudo…
         O jovem tinha tanta tristeza em sua voz que o Velho achou por bem interrompê-lo, esperando que não fosse ofensa à alguém como ele.
    _ Mesmo antes de ouvir sua história já poderia saber que haveria tragédia.
         O jovem ponderou por um instante e então ao virar-se de frente para o Velho o sopro do vento da noite retornou desfazendo a ilusão e tudo se fez em escuridão novamente salvo o prateado da lua.
    _ Será que ainda há sabedoria nos homens? Posso perguntar como soube?
         Perguntou o jovem de cabelos negros.
    _ Poderia dizer que foi a tristeza imensa que senti no seu olhar, mas o fato é que se está aqui sozinho é porque seu romance não aconteceu, ou se aocnteceu já terminou, afinal estaria ao lado dela se…
    _ Realmente…
         Interrompeu o jovem, já iniciando caminhada em direção a estrada com o Velho ao seu lado, durante toda a subida nenhuma frase foi trocada, o Velho não sabia como falar diante do olhar do jovem que caía para baixo numa tristeza tão evidente que poderia ser ouvida, ao perceber isso o Velho concluía que se aquele ser com aparência de um jovem fosse capaz de chorar, todo o universo ouviria seus gritos. Casualmente olhando as estrelas que cortejavam a lua os dois já estavam perto da estrada quando o Velho finalmente encontrou sua pergunta.
    _ E como terminou sua história?
         De certa forma não houve resposta, mas a mudança de humor naquele ser foi tão grande que o Velho concluiu tudo o que precisava na luz dos olhos daquele jovem desaparendo com o sopro do vento da noite. Terminando então o pouco que faltava da subida o Velho sentou no mesmo local de antes, contente em apenas observar o céu de estrelas.
         Um bom tempo já havia se passado quando ele se levantou e diante da árvore fez uma reverência antes de seguir pela estrada. Lá na frente depois de ter passado pelos morros da vila e toda aquela terra já estava distante dele na nova madrugada o Velho se deu conta da melodia em sua mente, era tão bela, algo sobre estrelas brancas em diferentes pedaços do céu.
    _ Todas as histórias são iguais, tudo já foi dito, escrito ou pensado, por que a história dele é melhor que a sua ou qualquer outra?
         Disse a voz em sua mente interrompendo seus assobios.
    _ Não é melhor…
         Respondeu o Velho.
    _ Por que então perder tempo contando ou ouvindo?
         Questionou a voz em sua consciência, ainda tentando atormentá-lo, mas sem sucesso, pois havia uma força renovada no espírito do Velho, a inegável força de amores grandes demais para se acabar.
    _ Ninguém mais seria capaz de contar minha história além de mim mesmo, e ninguém ouviria um conto da mesma maneira que ouço. Então conto e ouço porque simplesmente gosto de histórias, inclusive da minha…
         Disse velho retomando a melodia e seguindo seu caminho.
  • Sentimentos - Capitulo 01

    01 – Um jovem historiador, Dr. Vitor Hugo Bernardi acaba de chegar à cidade Katovice na Polônia. O mesmo foi convocado pelo Agente Especial Superior Braun, por terem encontrado uma sala secreta em um dos centros de concentração, e eles querem sua avaliação. Ele é recebido pelo agente Josef que o leva até o centro de concentração Auschwitz. Local está todo isolado e cheio de agente da FBI. Agente Braun junto com o agente Josef dão algumas instruções, uma delas que é extremamente restrito e que as informações não podem sair daqui. Levando até uma das câmaras desativadas, mostram um dispositivo que faz a parede deslizar e mostra uma porta de ferro, observando vê que estava trancada a correntes. Logo após passar pela porta, tem um hall onde mostra que porta de elevador, na qual não funciona, mas os agentes montaram outra forma de descer. Após descerem através de elevadores modernos, eles andam pelos corredores, vê que eram salas de experimentos, porem bem diferente dos outros, salas que demonstram ter tido teste de força e arma, muito acima do normal. Uma das salas desvendadas está guardada por dois seguranças no porta, dentro dela estão mais quatro seguranças e um cientista e algumas cápsulas, a maioria estão destruídas. Nota-se que houve algum tipo de batalha na sala, pois alem de vários objetos quebrados tem sangue seco espalhado por todo canto, e alguns ossos e roupas de soldados nazistas.  Ao se aproximar da única que está inteira, vê através do vidro, uma mulher acorrentada, com camisa de força e mordedor. Dr. Vitor Hugo fica surpreso e questiona se ela está viva, o cientista Dr. Vagner informa que está viva, mostrando que os cabos estão ligados há alguns tambores que contem alguns tipos de gás e alguns deles são oxigênio e sonífero. Dr. Vagner mostra algumas anotações da época pro Dr. Vitor Hugo, nessas anotações tem nome dos experimentos e quais foram feitos neles. Fascinado com tanta informação, Dr. Vitor Hugo informa que ira ajudá-los a desvendar os mistérios deste local, pois tem muitas anotações em latim. No dia seguinte a sala é preparada para despertá-la da mulher, Agente Braun e Josef, Drs. Vagner e Vitor ficam do lado de fora, enquanto os quatro seguranças, mais uma equipe médica e outra de enfermeiros tentam abrir a cápsula, todos estão usando roupas especiais, pois não sabem que tipo de ar está dentro da cápsula. Ao abrirem, eles fazem os primeiros exames, e informam que ela está ótima, eles a tiram da cápsula, colocando-a numa maca, amarrada, para a própria segurança dela e de todos. Informam também que ela poderá acordar dentro de 4h ou 5h. Enquanto isso eles avaliam ela, morena, sem marcas de cicatrizes, mostra-se ser jovem de ter entre 20 ou no máximo 25 anos, cabelo é liso e comprido até o cóccix, suas pernas são longas, sua altura é de 1,75 cm e tem uma tatuagem com o símbolo do nazismo em sua escapula esquerda. Eles colocam uma roupa cirúrgica, pois a mesma estava nua na cápsula. Dr. Vitor Hugo, ficam fascinado pela sua beleza, seus traços são delicados, chamando bastante atenção de todos em sua volta, Agente Superior Braun concorda com todos os comentários que o doutor faz. No seu quarto, ele faz pesquisa tentando achar algo sobre essa câmara de concentração, sem sucesso, acaba pegando no sono, dormindo em cima do notebook. Durante a madrugada, a jovem tem um ataque epilético e sua pressão sobe, a equipe medica entra em ação imediatamente, com muito esforço e precisão, eles conseguem salva-la, a mesma continua desacordada. A sala está trancada e isolada, na porta tem dois seguranças, e a cada hora dois enfermeiros entram para avaliar a moça. Neste período de uma hora, ela acorda, ainda sonolenta, ela tenta abrir os olhos, mas a luz incomoda, vem um flash dos cientistas que estavam fazendo experimentos com ela, no desespero, ela arrebenta as cordas e fica sentada na maca, olhando para o ambiente que é totalmente diferente da sala de ela foi adormecida. Mais flash vem em sua mente, dos abusos sexuais que sofreu, os experimentos que fizeram, as torturas físicas e mentais, e entre outros horrores. Ela fica em transe, ficando presa a essas lembranças. Dois enfermeiros entram, e tomam o maior susto de vê-la acordada e ainda sentada na maca. Enquanto um enfermeiro sai para avisar os superiores, e o outro tenta conversar com ela, fazendo perguntas, mas a mesma está paralisada olhando para o chão. Ao chegar perto dela, nota que esta em transe, ele tenta acordá-la colocando sua mão no ombro dela dando pequenas mexidas. Ao sentir o toque, ela passa a olhar para ele com raiva, deixando-o com medo. Ele tira a mão do ombro dela, e pega um sedativo para sedá-la. Ela percebe e antes mesmo dele conseguir chegar perto, ela da uma cabeçada nele, fazendo-o cair desorientado e pede socorro. Ela começa apertar o pescoço dele com muita força, quebrando a coluna cervical, levando-o a morte. Ouvindo o pedido de socorro os dois seguranças entram, e o vê morto no chão, e a jovem de pé olhando para ele com um olhar frio. Um deles pede reforço e o outro parte para cima dela, tentando nocautear com sua arma, ela desvia, dando um soco na boca do estomago dele. Enquanto o soldado cai desmaiado, ela pega a arma dele no ar, dispara nele e no soltado que está na porta. Seu tiro é certeiro, um no coração e no outro no cérebro. O alarme é acionado, uma equipe com seis soldados aparecem no corredor para impedi-la, infelizmente alguns são mortos, mas consegue disparar alguns sedativos, fazendo-a cair dormente no corredor. Dr. Vitor comparece na sala onde estão os agentes Braun e Josef por ter ouvido o som do alarme, na qual ela está amarrada com correntes de ferro numa maca, desacordar, ele faz questionamentos ao agente Josef sobre ocorrido, ele informa que a mesma matou cinco pessoas em menos de uma hora, sua força e agilidade são foram dos padrões normais de um ser humano e pede para o mesmo se manter no quarto até ao amanhecer. Algumas horas antes do amanhecer, um dos seguranças fica olhando para ela com raiva, por ter perdidos alguns colegas, e vai até ela e cospe. A mesma abre os olhos, e fica olhando para ele com olhar de deboche, deixando o mais irritado, os outros dois seguranças tentam acalmá-lo, o mesmo não conseguem, e vai para dar outro soco nela. Ao se aproximar para dar o soco nela, ela levanta o tronco, desviando do soco, conseguindo chegar perto do pescoço, mordendo com força, rasgando a veia jugular. Um chama o reforço, enquanto o outro tenta socorro o colega que não para de sangrar. Ela se aproxima do segurança que tenta tirar seu colega da sala, mas ela gira sua cabeça matando-o na hora, o outro que chamou mais reforços tenta fugir, mas ela o segura pelo punho, pegando as chaves e a arma do seu bolso. Ele da uma cabeçada, mas só ele sente a dor da pancada. Ela arranca o braço dele e o deixa na sala junto com o outro que já está entrando em coma. Ela aciona uma porta secreta no corredor, e entra, antes dos soldados chegarem, mas as câmeras de segurança pega sua, logo avisam os soldados para adentrarem na passagem secreta. Dr. Vitor, acorda assustado por causa do alarme, ele vai para a janela e vê agitação dos soldados, ao se virar, se depara com a moça saindo por uma porta secreta do seu quarto. Assim que o vê o agarra pelo pescoço, desesperado, ele começa falar em latim, dizendo que ele não é uma ameaça e que ele quer ajudá-la, ela entende o que ele diz, o faz desmaiar e foge do quarto pela janela. Os cachorros sentem o cheiro dela. Ela corre pela floresta, tentando se afastar  dos soldados, ao se deparar com um rio bravo, não pensa duas vezes e se joga para despistar seu cheiro. Os cachorros perdem seu cheiro ao chegarem no rio...

  • Sinopse Princess Magic - The Adventure

    Prévia da Capa

    SINOPSE:
    -Por que eu tinha que me apaixonar por ela? -Pensa Simon,ao ver Mirella beijando Brain... 

    Mirella Miller,uma garota simpática e humilde,tem os cabelos loiros e lindos olhos azuis,ela é a melhor amiga de Simon desde pequena. Ela e sua irmã,Miranda,eram muito próximas a ele,os três vivam juntos,um ajudando o outro. Mas com o passar dos anos,Mirella teve muitos problemas e não aguentava mais viver daquele jeito,então resolveu fugir. Foi para uma floresta,bem longe de todos,mas acabou encontrando um novo amigo,seu nome era Brain Carter. Ele a ajudou,e os dois começaram a se aproximar... 
    Miranda e Simon precisavam encontrá-la e trazê-la de volta,mas ela não aceitou. Agora,eles irão ficar por lá,mas por quanto tempo? Ninguém sabe ao certo. 
    Simon e Brain,não se deram muito bem,e o triângulo amoroso se formou entre eles,e agora,Mirella está em dúvida. Quem é o seu verdadeiro amor? Simon ou Brain? 

    -Ela só te vê como um amigo,não percebe? -Provoca Brain. 

    -Eu não acredito em você! 

    -Continue negando,mas o coração dela pertence a outro...
  • Sobre mim

    Sobre mim....


    A história de uma garota perturbada.













    “Há muita escuridão há minha volta. Tanto que não conseguia ver, mas agora sei que posso encaixar as peças do quebra-cabeça que é minha vida, e que as respostas irão interferir em muitas outras histórias.” Thaís M.


    Essa história é baseada em fatos reais.


    Se não está preparado para mergulhar no mundo, de uma

    mente insana, pare agora, ou

    certamente irá se arrepender.





    Introdução 




    Tudo começou quando era muito nova...Como toda criança vivia dentro do meu mundo mágico, mas diferente do sentimento que muitos tem, acreditava mesmo que a magia era real, e estava disposta a lutar para achar algo que provasse isso. Aos 11 anos , estava na 5° série, e após viver uma das histórias mais bizarras de minha infância, precisava de respostas. Certo dia quando estava a fazer um de meus rabiscos, coisa em que era viciada, percebi que sempre pegava, o mesmo livro azul para servir de apoio para os meus papéis. Como se houvesse um imã poderoso, que me puxava para ele, em vez de os outros livros que haviam na biblioteca de minha avó. E então me perguntei por quê, e resolvi me aventurar na leitura do mesmo. Minha avó disse que era muito jovem, para entender seu conteúdo tão “pesado”, e me proibiu de voltar a pegá-lo. É claro que como todo bom curioso, não me contive, e as escondidas o li. Não foi difícil, pois minha família vivia ocupada com os negócios, e por uma tarde inteira, ficava fora de suas vistas. O conteúdo era bastante sombrio, haviam : feitiços de São Cipriano para o bem ou o mal,  profecias de Nostradamus, rituais sanguinários, como criar a própria varinha mágica, ver o futuro com a conhecida bola de cristal, vodoo, e superstições Seu nome? Era Ciências Ocultas da Iavisa, e o volume que tanto me fascinava era o IV da coletânea. Haviam outros que tratavam de: Cartomancia, quiromancia, grafologia, significado dos sonhos, hipnose...Enfim diversos assuntos de interesse ocultista. Mas por alguma razão, desde que nem me entendia por gente, era levada para o quê se aprofundava em magia negra. Após ler toda a história da magia, e seus segredos obscuros, me interessei por hipnose. No entanto o volume II desapareceu antes mesmo que pudesse ver a sua capa. No começo, fiquei fascinada pelo poder, e ainda mais pelas possibilidades de pertencer a uma família de bruxos, e no ano seguinte me joguei de cabeça na ideia de me tornar uma bruxa. Naquela época não era tão simples quanto é hoje, era necessário ter o verdadeiro poder de mudar o mundo a sua vontade. E pelo que li, todos precisavam de um mestre, e este chegaria se você fosse o escolhido para fazer parte deste mundo. O meu nunca chegou, mas não desisti, e aprendi tudo o quê pude por conta própria. No ano seguinte, estava na 6°, havia acabado de perder alguém que eu gostava, para uma suposta amiga que sempre conseguia tirar de mim, tudo com o quê me importava. Ninguém respeitava meu sofrimento, pelo contrário todos riam, e ainda fofocavam sobre o meu fracasso. Já cansada de sempre ser tratada como fraca, resolvi usar meus recursos para mostrar que o melhor a se fazer, era "não se meterem comigo", e então peguei o meu livro, e espalhei seu conteúdo em sala de aula. Criando a minha frase de efeito que só viria usar no ano seguinte: É melhor não fazer nada contra mim, se não vou te fazer ficar doente, e nem os melhores médicos poderão encontrar a cura. O engraçado é que ninguém ficou com medo, estavam curiosos demais por verem um livro de magia real, para o temerem, e por um tempo todos seguiram a risca seu conteúdo, quando se tratava de evitar malefícios. Mas apesar de ser divertido no começo, depois isso me trouxe revolta, porquê meus coleguinhas sempre me viam como uma santa, incapaz de praticar os ritos de Cipriano, e ser uma garota boa, para mim se tratava de pura fraqueza. Detestava esta imagem, pois meus segredos obscuros, provavam o contrário. Era hora de lhes mostrar o meu verdadeiro eu, e assim o fiz. Com 13 anos...abandonei os cachos naturais, e alisei o cabelo para me tornar um digno fantasma. O batom rosa, foi substituído pelo preto, algo que caiu bem para minha pele anêmica, e fiquei conhecida como a aluna mais vaidosa da classe, aquela que jamais saia da frente do espelho. Ainda não era o suficiente, e devido a acontecimentos que só serão revelados no devido momento, criei gostos estranhos, e me entreguei as trevas. Num dia era apenas a aluna que dormia em sala de aula, no outro era uma automutiladora, que desenhava cruzes na pele, com cacos de vidro, e batia fotos, assustando a maioria das pessoas ao meu redor. Era divertido, não sentia dor, apenas prazer, e o sabor do sangue, me fazia sentir viva. É claro que para os professores e orientadores, minhas práticas eram abomináveis. Por isso muitas vezes ia para diretoria, e lá mentia sobre ter um acompanhamento psicológico,  lhe entregando números falsos, quando tentavam entrar em contato com meus pais. Minha mãe até tentou me levar ao psicólogo naquela época, mas fui uma vez e decidi não voltar, pois não queria ir parar na camisa de força, se no fundo não me sentia tão anormal, quanto queriam que eu acreditasse. Só que me aprofundarei mais nisso, quando chegar a hora. Aprontei bastante, e não são apenas dois ou três parágrafos que poderão servir para elucidar esta biografia.













    Capítulo I 

    Meu mundo


    Queria dizer que minha vida é feliz, e só possuo coisas mágicas e maravilhosas para compartilhar, mas seria mentira. Isso aqui não é um conto de ninar, mas sim uma história repleta de lições, que por hora nem eu mesma consigo compreender.


     A criatura que aqui escreve, sempre foi estranhamente diferente, como? É o quê mostrarei agora...Toda criança tem um amigo imaginário certo? Mas eu não tive, bom pelo menos não apenas um. No seu lugar criei um mundo, cheio de criaturas bizarras de bom coração, e seres belos com almas sujas. Não me leve a mal, tinha 6 anos, e vivia trancada num terreno com um muro gigante, precisava de amigos, só que não podia sair de casa, pois minha mãe temia os perigos que a rua podia oferecer. Mal sabia ela que estas coisas terríveis se encontravam na minha escola, e até mesmo dentro de casa. No entanto, ainda não é hora de falar deste assunto. Bem, retomando...Sem amigos, e com uma família sempre ocupada, usei minha criatividade, e não fiquei sozinha. Toda tarde depois da escolinha, ia para o fundo do enorme quintal da casa da minha avó, e lá me comunicava com minha amiga Layla. Uma moça ruiva de pele clara, que carregava uma coroa de flores no topo da cabeça, e vivia de branco. Só eu a via, mas ela me levava para um reino, onde seres aparentemente malignos como: o bicho papão, lobisomens, morcegos, e sapos me protegiam, dos ataques da elite, contra quem lutava bravamente para salvar meus amigos da morte. Eram inúmeras batalhas, só que o foco permanecia sendo o mesmo: Nem todos que são belos são bons, e nem todos os que por fora parecem monstros, o são. Não sei ao certo, quando abandonei este universo em particular, mas me recordo perfeitamente das tantas vezes que mencionei a Layla. Eu nem sabia se este era o seu verdadeiro nome, todavia sabia que quando algo é sua criação, tem o direito, ou o dever de lhe nomear. Layla, era o nome da minha segunda Winx favorita, a primeira era a Bloom, com quem me identifiquei desde o primeiro episódio, por ser uma humana que ia estudar no colégio das fadas, e minha personalidade era bastante parecida na época. Só que por alguma razão, preferi lhe chamar de Layla, mesmo sem minha criação se parecer com a personagem. Com o tempo, fui me desvinculando deste mundo, e passei a desenhar enquanto vivenciava as aventuras de minhas novas criações, inspiradas em outros desenhos de fantasia e ficção. Ficava sentada no sofá, e após desenhar algo, mergulhava na página, e dava voz aos meus personagens. Muitas vezes fui pega por meus familiares paternos, que me olhavam com repulsa, e fingiam não ter visto nada, como se quisessem dizer “Não, não temos uma aberração entre nós, e se for o contrário vamos ignorar o fato”, e pela minha avó materna, que dizia que estava me comunicando com demônios. Eu não me importava, era feliz sendo solitária, e aqueles olhares não me serviam para nada mesmo. Só que de alguma forma, esse mundo interferia no meu, e por isso acabei vivenciando meus primeiros momentos sobrenaturais. Sempre que ia aprontar algo, saia ilesa do local antes que me percebessem, pois conseguia ouvir passos a uma distância tão grande, que antes mesmo do barulho chegar a dimensão física, eu já havia saído dali. Até hoje não consigo explicar, mas creio que há  teorias científicas, que possam fazê-lo, ao descrever a audição infantil. Tudo seria muito lindo e perfeito, se minha infância se resumisse apenas a esta parte, porém infelizmente não termina aqui, e é agora que meu mundo se torna sombrio. Como já mencionei antes, passava muito tempo sozinha, e apesar de não ser tão bela, este era um prato cheio para os predadores... Algumas vezes quando ia para o fundo do quintal, meu avô me fazia companhia, me carregando de um lado para o outro pelo nosso galinheiro, e quando ninguém estava olhando, o quê ocorria com frequência, colocava seus dedos de unhas grandes, por dentro de minha calcinha, pegando em minhas partes íntimas, e mais tarde me entregava algumas notas de dinheiro, como se o papel compensasse seu crime. Não que me machucasse, mas dentro de mim, sabia que algo estava errado, só não tinha ideia do quê, já que na idade em que isso aconteceu tinha 3 para 5 anos. Hoje há estudos que supostamente comprovam, que nossas memórias antes dos 6 anos são falsas, então não sei se estou certa ao culpar meu avô de abuso, mas minha lembrança do fato é muito nítida para duvidar, talvez seja porquê não sou normal. Infelizmente não para por aí, e desta lembrança me recordo com exatidão. Era de tarde, como sempre meu pai tinha esquecido me buscar na escola, e já ia da 1 hora. Foi quando resolvi ir para sala de TV escola, onde as outras crianças estavam vendo desenho, e me sentei perto do meu amável professor de balé, em quem minha mãe após muito vigiar, agora confiava. Quando me sentei com as pernas cruzadas, na frente dele, este colocou uma pasta cor de rosa de plástico, diante da minha coxa, cobrindo-a, e ali no meio de tanta gente, este sussurrou em meu ouvido: “Pensa numa coisa bem boa” e então colocou sua mão dentro da minha calcinha, e começou a massagear meu pequeno grelinho. Não me recordo de quando parou, contudo assim que o fez me levantei, e sai correndo. Nunca mais quis ir ao balé, pouco a pouco fui inventando desculpas, até que deixei de comparecer aos ensaios. Pra ser sincera, nunca gostei das aulas de dança, sempre fui fã de luta, mas meus pais nunca quiseram me colocar numa academia, porquê achavam que : 1-Não era para meninas e 2-Não tinha mente para ser lutadora. Pelos argumentos nem preciso dizer que o primeiro vinha de minha mãe, e o segundo do meu pai. Poderia ter sido pior, hoje tenho a consciência disso, mas dentro de mim, preferia que não tivesse acontecido, pois isso liberou minha sexualidade e maturidade cedo demais, e não pude ser criança. No maternal, já tinha tido experiências de masturbação em grupo, e beijo homossexual, até hoje me pergunto com quem foi meu primeiro beijo, porquê esse momento que devia ser importante, não teve significado algum. E pior, como se já deve saber, o agredido repete os atos do agressor, por isso fui responsável por diversas iniciações sexuais de garotos e garotas mais jovens, quando tinha apenas 9 anos. Na época me sentia bem ao praticar o mal, roubando de inocentes o mesmo que me foi roubado, seus primeiros beijos, sua ingenuidade, e até a virgindade das  meninas. Antes de praticar certos atos, ia para frente de qualquer espelho, e sorria para mim mesma, com gosto. Aqui sim, admito que fui um monstro, tão cruel, quanto os que me fizeram assim, e hoje de certa forma me arrependo, pois tenho ciência, de que aquelas crianças não tinham culpa, e não mereciam esse destino. Por conta de meu sofrimento, criei uma dupla face: Uma que apresentava para os que queriam me conhecer, e outra que só as vítimas de minha perversão conheciam.  Isso associado ao fato de que tinha um pai, quase ausente, que pouco tinha apreço por mim, uma mãe sempre presa no trabalho, que lutava para estar comigo, e me dar o quê não teve, e amigos que só estavam por perto, por causa da minha mesada proibida, e outros bens materiais. Fez de mim, uma pessoa amargurada, sem simpatia pelo próximo, e quando vieram me forçar a ir para a igreja, eu simplesmente disse não. Pois apesar de errar constantemente, e cometer muitos pecados, sempre pedi perdão com o coração pesado, mas Deus nunca me ouviu, e me abandonou quando mais precisei de proteção. É claro que como bons católicos, meus pais não entenderam, e por isso me obrigaram a estudar a bíblia, todo sábado com uma testemunha de jeová. O cômico é que antes de fazer tais estudos, era temente ao Diabo, e só o chamava por seus diversos nomes, em momentos de raiva, mas depois de descobrir o significado do nome, e estudar sobre as origens do mais famoso anjo caído, passei a ficar fascinada por ele, sentindo-me como se fosse a encarnação do mesmo, por sermos parecidos. E é aí que minhas outras antigas experiências paranormais, se tornam mais significativas. Enquanto sofria com a falsidade humana, e o trauma do abuso que suportei calada, evitando o agressor de todas as maneiras possíveis, também vivi duas experiências magníficas, que jamais poderei esquecer. A primeira ocorreu na escola que se localizava no canto do cemitério do centro, e a segunda no pátio da casa de minha avó. Era uma tarde como qualquer outra, e como em todo canto próximo as lápides, falava-se de um fantasma no banheiro feminino.  Como todo bom estudioso, preferia não crer em tais ladainhas, todavia no fundo queria saber se o fato era verídico, e por isso fui desvendá-lo. Certo dia, fui ao banheiro, apenas para averiguar, e provar que aquele medo era bobagem. Peguei minha coragem e entrei no local assombrado, para lavar as mãos, e foi quando fui surpreendida. Todas as torneiras giraram juntas, como se minhas mãos as controlassem. Tomada pela adrenalina, fui até o vaso sanitário para ver se o mesmo agora continha a água da cor do sangue, só que isso sim era falso, e quando sai a luz se apagou. Não ficou tudo escuro, ainda podia se ver algumas coisas, devido ao reflexo da luz solar, e por esta razão fui capaz de vê-lo. Um ser, todo coberto por uma mortalha negra, que não tocava os pés chão, estava parado no fundo, e antes que fizesse algo para me ferir, eu sai as pressas do seu caminho. Se pensa que fiquei conhecida como a “louca que via vultos”, por ter gritado de medo, está muito enganado, eu corri sem olhar pra trás, mas quando me aproximei da sala, respirei fundo e fingi que nada tinha acontecido. Cheguei a comentar com alguns coleguinhas, sem muito entusiasmo, e terminou aí. A escola era estranha, sempre se ouvia vozes detrás dela, que não se sabia de onde vinham, então o fato de existir um fantasma ali não era nada incomum. Essa experiência paranormal, foi a mais marcante de  minha vida, só que não foi a primeira. Quando menor, não me recordo da idade, via as sombras tomarem formas de pessoas, antes de dormir, e dormia pensando em quem eram aqueles homens e mulheres nas paredes. Além disso tinha sonhos que previam o futuro, não de forma significante, mas que me servia de maneira útil, ao tentar achar objetos perdidos, era realmente fascinante. E por falar em sonhos, há um do qual não conseguirei esquecer, o muro dos mortos. Não sei quando aconteceu, só me lembro do quê houve, em alguma noite, tive acesso ao terreno dos meus avós , de forma onírica, e vi que atrás do pequeno muro, que nos separava do vasto mato, tinham várias lápides. Não me assustei, naquela época tinha uma coragem de ferro, apenas achei esquisito, e quando fiz 15 anos se tornou ainda mais, pois minha mãe me disse que o nosso antigo lar, era um cemitério de índios. Talvez por isso Layla, fosse tão parecida com os índios norte- americanos, pensei, contudo este era um mistério que só viria a ser resolvido mais tarde. O segundo grande e inacreditável fato sobrenatural, não foi tão obscuro. Na verdade, eu diria que é mais digno de uma ficção-científica, do quê do terror. Mas para me aprofundar nisso teremos que falar de uma das motivações, para ter determinado, que há mais chances de encontrar um ser humano ruim, do quê alguém que me queira bem, e parte de minha desconfiança se resume a uma pessoa, uma garota que claramente tinha problemas de personalidade, pois adorava imitar minhas frases e projetos criativos, e tal coisa seria adorável, se ela não agisse como se o quê inventei era seu. Seu nome é Elly, e os que são próximos de mim, saberão a quem me refiro. É, querida, não me esqueci do quanto foi oportunista, assim como também me recordo, que mesmo te conhecendo bem, preferi que não se afastasse. Porquê meus familiares gostavam de você, e bem era a minha primeira amiga, após uma amiguinha do maternal ter se juntado a detestável Ivana, me levando a me misturar com os meninos, e as promiscuas mirins que iniciaram minha descoberta da  sexualidade. Não queria te perder, apesar de você sempre competir comigo sem razão alguma, roubar os meus pretendentes, só porquê o seu cabelo era melhor, era mais magra, e todos me achavam baranga, e ainda sim mesmo me detonando, no fim eu era a vencedora desta batalha mortal. Porquê com o meu jeito de ser, tinha muito do quê você queria: Pais liberais, para quem apresentei o meu novo namorado, coisa com a qual você nem podia sonhar, senão sua mãe te esganava. Poder contar de verdade sobre o meu dia, tinha uma mesada, que esta altura era apenas a forma do meu avô se desculpar, por sua doença. Sair, pra onde eu quisesse. E sobre o namorado, ainda que eu fosse pior que você, ele te largou para ficar comigo, e eu o larguei porquê me apaixonei por outro garoto, então isso fala por si só. Você lembra que não quis ir para a mesma escola no último ano? Bem foi por isso, por isso, e ter dito a todos que o tema “Água” era ideia sua. Sendo que nós duas sabemos a quem pertencia, pois ao contrário de você, quando se tratava de salvar o mundo, as aulas tinham toda a minha atenção. Porém apesar de tudo, foi com você que esse episódio aconteceu, e a nossa competição, se tornou a chave para destrancar a porta dos limites físicos. Num final de semana, resolvemos colocar as roupas de banho, e fomos brincar com o balão cheio d’água. O jogo era simples, quem o deixasse cair perdia, e de tanto ser derrotada por ti, não iria entregar a vitória de bandeja. A luta se iniciou, cada uma dando o seu melhor para não perder. Logo atiramos com mais velocidade que o normal, e quase nos tornamos vultos, dentro dos limites do possível. Só que algo fugiu do controle, e o tempo ficou tão lento, que quase parecia está se congelando. A bexiga rasgou no ar, e vimos a água cair como se fosse uma cachoeira, como se cada momento tivesse sido cronometrado. Falamos muito daquele momento, e ambas achamos fantástico, foi um dos poucos momentos em houve amizade verdadeira entre nós, e já se dizia o velho ditado: Tudo que é bom dura pouco. Naquele mesmo ano, uma de nossas colegas deu uma festa do pijama, para qual todos foram convidados, e a maioria ficou, infelizmente meu pai não deixou, e fez pior disse que da próxima vez diria sim. Por quê ele usou aqueles termos? Por quê?! É o quê me pergunto hoje. Houve sim a tão esperada chance, mas preferia não ter que não tivesse acontecido, pois apenas eu fui, e isso se fez o momento perfeito, para ser pega numa armadilha. Numa tarde de sexta-feira, a mãe dessa colega veio buscar a filha, então conversou com meu pai, que ligou para minha mãe, e todos acertaram que eu poderia ir dormir na casa dela. Meu pai proprôs que fôssemos a Top Game, a minha locadora favorita, para pegarmos as fitas, mas eu disse não, insistir para ir, porquê todos ficaram naquele dia, e eu não, e então fui para a casa da menina. No caminho a mãe desta fez uma pausa no supermercado do bairro, e falou que não tinha dinheiro para mais nada além do necessário. Eu entendi a mensagem, só que a filha não, e foi assim que o desastre aconteceu. Ao entrar no lugar, Estela (A minha colega de classe) teve a brilhante ideia de roubar a barra de chocolate, e assim o fez, passou pelo caixa na frente do guarda, pegou uma barrinha de chocolate, de marca pouco popular, e me puxou pelo pulso ao correr para o banheiro. O vigia bateu na porta em poucos segundos, e nos levou para fora. A menina me implorou para não dizer que tinha culpa, e como toda idiota, tomei a responsabilidade para mim. As pessoas me olhavam com repulsa, como se eu tivesse matado alguém. Eu chorei, disse que pagaria depois, porquê dinheiro não me faltava, e ninguém acreditou em mim, porquê andava sempre como uma mendiga, já que grifes e sapatos bonitos não me atraiam, era como a Hanover do filme Meninas Malvadas 2. Ao chegar na casa dela, sua mãe, uma mulher que parecia viver de drogas e álcool, me deu vários sermões, como se eu fosse a má influência. Entrei em desespero, e cheguei ao ponto de dizer que sofria de cleptomania, por causa da novela das 9, só para proteger aquela garota. Alguns dias se passaram, e a mãe da menina que descobrir se chamar de Eldora, foi falar tudo ao meu pai, que é claro não duvidou dela nem por um minuto. Afinal de contas vivia pegando as coisas de minha avó sem permissão, quebrava objetos, e era a maior fofoqueira, uma cobra como ele mesmo dizia, então só podia ter roubado mesmo. Ouvi muito naquele dia, até meu pai se calar, e agir com frieza, só que foi a noite que não pude suportar a mentira, não quando ele falou a minha mãe, que fazia de tudo por mim. Contei-lhes a verdade, e logo o drácula (apelido que dei ao papai, por ter o cabelo igual ao do vampiro) mudou sua postura, e tudo teria acabado bem se Estela, não continuasse com sua versão falsária, e falasse a todos da escola. Discutimos muito sobre isso, e os outros apenas riram, dizendo que aquilo era uma verdadeira novela. Novamente, ninguém acreditou em mim, e talvez por isso tenha perdido a cabeça. Numa tarde qualquer, as meninas foram para a casa de minha avó, e todas ficaram do lado inimigo na hora de outra discussão. Me enfureci tanto, que fui ao fundo do terreno, e soltei os cachorros para devorarem-nas. Não senti pena de seus gritos, nem tive compaixão, só desejei destruí-las, meu pai veio socorrê-las, e me deu aquele olhar de “Você é uma aberração”. Mas não me senti como errada, só tive a sensação de mostrar minha força. Este não foi o primeiro episódio de traços psicopatas, acho que a solidão me fez monstruosa, pois nem minha prima escapou. Só que para retratar melhor essa história, teremos que esclarecer como era a minha relação com os parentes. Antes de minha prima nascer, achava que era hábito da família de meu pai serem tão frios, e pouco afetuosos, interessados apenas no quê se podia ganhar, e sempre negarem a derrota, e os sentimentos mais profundos.  Frases como “Você tem que colocar o dinheiro na frente do amor” e a “Família e a amizade acima de seu companheiro” eram bastante repetidas por minha família de sangue. Então achava compreensível, que sempre exigissem muito de mim, e não houvesse uma gota de reconhecimento, por tudo que alcançava. Até que um nascimento, mudou a minha opinião a respeito deles. Das migalhas que recebia, o pão de amor e atenção era todo da minha prima, que viera depois de mim. Dizem que o primeiro é sempre mais paparicado e querido, mas hoje estou aqui provando o contrário. Se tirava uma nota boa, havia apenas o mais gélido parabéns, só que se a menina aprendia a amarrar os sapatos, tinha de haver um almoço para comemorar. Se surgia uma personagem feia, gorda e nariguda, minha avó fazia questão de enfatizar que “era a minha cara”, mas se tinha uma atriz bela, ela dizia que era igual a Melinda, a sua favorita. Como se não bastasse, eu tinha que lavar a louça, arrumar a casa, e servir de empregada para as visitas, enquanto a princesa ficava vendo TV, sendo que ali tinha muitas empregadas, era humilhante. Para piorar a “mimadinha”, adorava entregar meus planos, e nem mesmo com meus dons, podia sair ilesa quando aprontava algo. Ao chegar na sala, trocava os programas , para por desenhos estúpidos sobre como contar  “1,2, e 3”, e a maioria aprovava suas tolices. Minha vida era um inferno, como se não fosse o suficiente, não ter amigos na escola, não tinha paz em casa, nem isso, nem carinho. Era sempre culpada por tudo de errado, e a minha mãe, a única pessoa que me amava e me apoiava, estava sempre presa no trabalho, e eu só a via a noite. Era horrível, sim, eu tinha inveja do amor, que minha família paterna direcionava inteiramente a aquela garota, e tal coisa me consumia tanto, que chegava a desenhar a todos que me machucavam, morrendo esquartejados, pelas minhas próprias mãos. Quando não, pegava velas, e ia para o galpão onde desenhava no escuro, pois em meio a tanta solidão, me sentia melhor ao ficar isolada. Porém houve um tempo, que acabei explodindo, e sobrou para ela. Tinha 12 anos, e havia acabado de chegar  da aula, com a mochila nas costas, e uma rejeição cravada no peito. Como de costume, coloquei na Playtv, o melhor canal de entretenimento na época, e então aumentei o volume, pois como num passe de mágica, só estavam tocando músicas sobre amor platônico. Estava devastada, era rejeitada pelas amizades, pelos meus familiares e pelo amor, não tinha paciência para as asneiras de uma criança, que tinha tudo o quê queria. Mas ao contrário de mim, Melinda estava animada, feliz, radiante, e como poucos lhe diziam não, ficou pulando no sofá, e puxou a folha do meu caderno. Acho que perdi a noção depois disso, já que tudo do quê me recordo em seguida, é das minhas mãos no seu fino pescoço, pressionando-o sem parar, pronta para cortar o mal pela raiz, e eliminá-la para sempre. No entanto, quando tive um momento de lucidez, pensei que poderia ir parar na cadeia, e só por este motivo, não fui até o fim. Ela contou ao meu pai, que novidade, me tratou como um monstro, só que naquela altura após ser tão maltratada, nem ligava mais, e menti com gosto, alegando não ter feito nada. O mesmo veio a acontecer, quando tinha 14 anos, desta vez com um gato que tentei sacrificar, só que ao ver seus olhos azuis, fiquei tocada, e decidi que não mataria nenhum animal doméstico, eles não mereciam essa tortura gratuita. Com o tempo cansei das migalhas dos Marinos, e passei a ir direto para casa dos meus pais, onde ficava sozinha o dia todo, mas livre daqueles lobos devoradores de alma. Foi nessa época, que fiz minha primeira amizade que valeu a pena, pois foi com ela, que aprendi o significado das minhas experiências paranormais, e com quem pude ter a segurança, de compartilhar sobre os garotos de quem gostava, sem ter medo dela me tomar um deles. Seu nome era Giulia, e ela era bem diferente das patricinhas hipócritas, com quem tentei desenvolver a amizade, e dos nerds inocentes que levei a perdição, por ser um pouco pervertida para a minha idade. Meus pais não gostavam da nossa amizade, minha mãe porquê qualquer uma que se afastasse de ser uma Barbie, era malvista, e meu pai, porquê éramos de classes sociais diferentes, o quê na sua visão implicava em ser só uma interesseira. Mas eu preferia ter alguém digna de compartilhar as minhas coisas, do quê uma enchedora de saco, que era uma pedra enorme no meu sapato, e ele não entendia isso. Aliás ele nunca entendia nenhuma das minhas escolhas, como quando terminei meu namoro com o garoto dos seus sonhos, e ficou falando para voltarmos. Pouco antes de conhecer quem viria a ser a minha melhor amiga, eu andava com os veteranos do colégio, junto ao povo da 6° série, minha turma com quem tentava ter uma boa relação, apesar de tudo. Adorava ir pra sala deles na hora do recreio, pois sempre me dava bem com os mais velhos. Todo dia íamos comprar tip-top, um chopp, ou  sacolé como alguns conhecem, que era vendido por alguns centavos na época. Catávamos moeda por moeda e íamos até a loja, com as nossas bandanas amarradas na testa, uma marca registrada do grupo, que fora inspirada no anime Naruto, e por isso nosso nome era  “Naruteiros”. Enfim...Pouco a pouco todos iam para casa, e ficava apenas eu e Luan, um nerd veterano, muito bonito, que lembrava o Fred do programa ICarly, amigo de minhas duas amigas Ariadine, uma Naruteira nata, e Nora, uma quase anti-anime, que estava no grupo pelas conversas de meninas. Ele era um cavalheiro, que fazia questão de me esperar, para poder partir. Conversávamos bastante, sobre os interesses em comum, e as minhas tristezas, que se resumiam a rejeição do seu melhor amigo, um idiota, que só teve minha atenção porquê tive um péssimo pai. Ao vê-lo todos dias, meu pai sempre brincava que o rapaz estava interessado em me namorar, e eu achava que não. Até que ele revelou gostar de mim, e começamos a namorar, com direito a ir conhecer sua família, e tudo mais que é importante, para provar que o relacionamento é sério. Muitas meninas ficaram chateadas, pois por ele ser bonito, era bastante popular entre as garotas. Eu não ligava, o achava legal, por ser parte do grupo, e como tal me conhecia bem. Sabia até que eu era a responsável por mostrar aos Naruteiros, a versão erótica do anime que nos uniu, e não me tratava como uma vadia por isso, então tinha motivo para me orgulhar. Só que por mais que eu tentasse, não conseguia gostar dele, tanto quanto ele gostava de mim, tinha dificuldades em expressar meus sentimentos, porquê eram quase nulos, e por isso na primeira besteira terminei nosso relacionamento. Por alguma razão, ele quis voltar, mas eu não, e pior o humilhei perante seus amigos, ao gritar que gostava de outro, e esse outro era o seu melhor amigo. Sim, fui uma idiota, e hoje me arrependo, não porquê acabou, mas sim pela forma que o tratei, ele era um cara legal, e não merecia que eu despejasse todo meu ódio interno nele. Apesar de saber tudo isso, meu pai nunca aceitou o fim, e até hoje anos depois diz que aquele era o cara certo, assim como acredita que minha amiga, foi má influência. 



    Capítulo II

    Conhecendo o oculto


    “Portas se movem com o vento, não se sabe o quê há lá dentro. Palavras rimadas, podem ter consequências desastrosas. Cuidado com o anjo que agora virou o demônio”


    Após terminar com Luan, e levar outro fora do babaca, que por pouco não apanhou da Giulia. Vivi uma das épocas mais felizes de minha adolescência, pois finalmente tive com quem compartilhar minhas dores e segredos. Nós duas sempre levávamos foras, só que tendo o  ombro uma da outra, qualquer fato ruim se tornava alegre. Mas minha vida com minha amiga, não era tão comum, ela tinha uma amiga fantasma chamada Laura, e sem querer fiz uma amiga também, que se chamava Samara. Algo que no começo me deixou com muito medo, porquê ela escreveu seu nome na parede, e havia um filme de terror de sucesso denominado de “O chamado” no qual a personagem Samara Morgan saia de dentro da TV, para matar todos os que viam a fita da sua morte. Detestava aquele filme, pois como ficava muito tempo só, a TV era a minha única companhia, e temia que algo acontecesse comigo. Inicialmente,  fugi de casa com medo da fantasma, e fui pra casa da minha amiga, que ficava há uma rua de distância da minha. Nós tentamos confrontá-la, só que parecia pior, faltava luz a noite, as rajadas de vento eram intensas, e víamos pessoas nos quadros de paisagens. Exatamente como num filme de terror, ela riscava as paredes, escrevendo mensagens bem agressivas. Eu chorava de medo, pois via muitos programas sobre assombrações, e o fim era sempre trágico. Não queria morrer tão cedo, até que um dia, Giulia me ensinou  a fazer o tabuleiro oija, usando o meu fio de cabelo, papel e caneta, e me comuniquei com a visagem. Ela não era um espírito da casa, tinha vindo comigo de nossas andanças pelos cemitérios. Apesar de zombeteira, não queria me machucar, só queria companhia tanto quanto eu, e logo nos tornamos amigas. Minha família não aprovou nossa amizade, tinham medo demais dela, e só me criticaram pelo laço estabelecido. Como estavam enganados, ter a Samara por perto foi a melhor coisa, pois sabendo que tinha uma amiga do outro mundo, me sentia mais segura, quando voltava para casa, ou andava pela rua. E tudo deu certo até que um dia, num domingo adormeci no sofá, e vi uma esfera de luz branca vindo até mim. Era a minha amiga se despedindo, disse que nossa amizade havia lhe levado de volta para a luz, e agora precisava partir, nunca mais a senti desde então. O quê me levou á procurar por uma nova amizade, mas isso não acabou tão bem, um espírito nada gentil se apresentou no tabuleiro. Ele tinha 37 anos, não fazia questão de ter novos amigos, e após o chamado, coisas terríveis começaram a acontecer. Facas caíram de dentro do armário, sempre que íamos pegar algum utensílio. Vultos passaram a nos assombrar, e a segurança se reverteu em medo. No entanto apesar do perigo eminente, algo nos protegia, pois quando a lâmina chegava perto do pescoço, desviava para o lado oposto, evitando um acidente. Pra ser sincera, mesmo assustada, aquilo era incrível, e me motivava a estudar e pesquisar sobre o mundo paranormal. Todo dia lia livros espíritas, e ia para a lan house, uma casa de acesso a internet, e perguntava a amigos como proceder, para comprovar a teoria dos fatos, e foi assim que realizei meu primeiro banimento. O processo foi simples, a casa era minha, e nela o espírito não podia habitar, sem permissão. Então eu literalmente o expulsei do meu lar. Nesta época, estava num relacionamento conturbado, com um suposto mago, que me achava “trevosa demais”, por ter ideias bem distantes do moralismo. Este sempre me criticava, aliás o conheci numa discussão, por ter vindo brigar comigo em um chat, nem sei como isso se tornou um namoro virtual. É, eu era solitária, e como toda pessoa sem autoestima, vivia na internet, a procura do par ideal, pois acreditava que ninguém da cidade, poderia ser o homem dos meus sonhos. Bobagem, eu sei, mas tinha 14 anos, nada sabia sobre a vida, apesar de achar que sim. Entrei nessa onda, depois que minha tentativa de conhecer o par perfeito, por um cadernos de perguntas, pareceu ser a maior farsa de todos os tempos, e aí que se inicia outra parte da história... Certo dia, as meninas começaram um jogo em sala de aula, no qual faziam várias perguntas, num caderno, e entregavam para os outros assinarem. Assim se fazia novos amigos, ou encontrava-se um par, e como eu era tímida demais, vi que esta era a oportunidade perfeita, para conhecer as pessoas. De alguma forma, o meu caderno foi parar nas mãos de um amigo de Giulia, que se chamava Charles, e este havia lido as minhas respostas, e supostamente teria se interessado por mim. Começamos a escrever cartas, estilo romeu e julieta, e marcamos de nos encontrar em vários lugares, mas em nenhum deles ele foi, e a única vez que acho que o vi, foi no show da Pitty, que teve na minha cidade natal Macapá-Ap. Só que como estava sem comer pra ficar em forma, acho que foi parte de um delírio. Após algum tempo, comecei a duvidar de sua existência, podia ser muito bem a minha melhor amiga escrevendo as cartas, já desgastada de tanto de me ver chorar, por babacas que me faziam sofrer. Foi quando conheci Dante, o pseudônimo do tal mago, e acabei por “trair” esse fantasma, uma boa razão para terminar, contudo segundo minha amiga, ele vivia o mesmo dilema, dizendo que fora inventada, e após o termino com o ocultista da luz, ele queria voltar, só que eu temia que se vingasse e me deixasse, por isso recusei a proposta. Depois do fim com Dante, por causa do meu conto incestuoso, que era na sua visão, terrivelmente grotesco, me envolvi com um fantasma, que se chamava Yuri, e acredite em mim, foi o fim da picada levar um fora de um espírito! O engraçado é que com tantos fracassos no amor, sempre me recuperava rapidamente de um término, num dia chorava, e no outro voltava a luta. Todavia, há um dia que merece ser lembrado, não me lembro com quem terminei, só de ter ido até o fundo do quintal da casa de minha avó, onde me sentei numa construção de madeira, e a mesma se encheu de pássaros negros, que ficaram envolta de mim em plena 18 horas, sob o céu parcialmente nublado. Foi estranho, e não consigo me esquecer desse dia. Mais tarde, por sugestão de um amigo, comecei a conhecer o satanismo moderno de Anton La vey, e adorei cada página da bíblia satânica, porquê suas regras se tratavam de responsabilidade, e não obrigações como a Wicca, religião para qual anos antes tentei entrar , mas não deu certo, porquê parecia uma forma de cristianismo disfarçada com magia, e não me manteve atraída. Por conta disso, aos 15 anos  passei a procurar por um parceiro adepto do satanismo, e assim passei a andar com o namorado de minha amiga Luana, que me garantia que ia me encontrar alguém. Seu nome era Rogério, e o cara se considerava o maior satanista da cidade. Era um babaca completo, falava mal dos que pouco compreendiam Satã, e adorava zombar, principalmente dos que se diziam “filhos de Lúcifer”. Por ser conhecido como “sinistro” se achava o tal. Uma vez, me apresentou a um amigo, mas este se encontrava abaixo das minhas expectativas, bem abaixo por sinal.  Certa vez, me chamou para sair, e eu aceitei, porquê fazia tempo que Luana, o jogava para mim, criando situações para nos deixar a sós. Desta saída, virou um namoro, que para a minha surpresa, foi um choque para Luana, e quando o mesmo não deu certo, porquê Rogério mentiu para mim, fiz o meu primeiro ritual de magia negra. Era halloween, meu namorado idiota, disse que estava doente para ir a festa comigo, mas mais tarde, uma amiga veio alegar que ele foi ao evento, e isso me deixou furiosa. Ás 5:00 da manhã respirei fundo, e pensei na minha vingança. Quando deu 6:00, peguei um papel e caneta, e escrevi com detalhes, canalizando minha ira de que algo terrível lhe aconteceria. Selando o papel queimado nas beiras, com meu nome escrito com sangue, junto dos nomes dos príncipes do inferno, na ordem de seus elementos. Naquele mesmo dia fui visitá-lo, este estava “quebrado”, mal conseguia andar, seus olhos amarelados e murchos, tinha ido ao médico, e este atestara suspeita de pneumonia. Contei-lhe sobre o quê havia feito, e este implorou para que eu desfizesse meu ritual,  assim o fiz, tinha lhe dado uma lição e isso bastava. É claro que o relacionamento não durou, um dia brigamos, e eu joguei o anel que me dera na sua cara, diante dos amigos. Mas este não foi o único  motivo para dar um basta. No mesmo ano, entrei no jogo dos espíritos, e fui ameaçada de morte, para terminar com ele, no dia 10 de uma determinada data, acho que era outubro ou novembro, do ano de 2010. Se foi em 10/10/10 é uma enorme coincidência, pois só vim saber dos chamados portais, em 11/11/11, no entanto, não posso afirmar nada, pois não tenho certeza. Retomando, após receber a tal ameaça, mantive o relacionamento, apenas para irritar as entidades, e a Luana, que vivia me atacando com paus e pedras , através de mensagens na rede social Orkut. A vida era minha, e um bando de gente morta, e uma garota, não devia se intrometer. Mas isso aconteceu após fundar a minha própria seita chamada Sees, então eu e as componentes do grupo quase morremos, aliás em um dos  encontros, nós 4 quase fomos atropeladas, e para acabar com as “quase mortes”, tive de largar o canalha, a pedido das meninas. Não foi difícil, há semanas vivia sonhando que ele e Luana voltariam, e como minhas previsões oníricas, quase nunca erravam, preferi deixar pra lá. Ele já tinha cumprido seu propósito, tirar minha virgindade, e ficar uns meses comigo, para não ser como as outras otárias, que o cara desvirgina, e no dia seguinte some. Eu não o amava, só dizia isso pra iludi-lo, meu “amigo”( cara em quem fui interessada por um tempo, mas não deu em nada, por me achar muito vadia) Moraes sabia disso. Tudo o quê eu gostava nele, era o fato de ser satanista, fora isso nada mais lhe era atraente. Falava errado, não era elegante, se misturava com qualquer um, e ainda se achava no direito de comandar, as diretrizes de um verdadeiro satanista. Quando acabou foi libertador, nunca me senti tão bem por me  ver longe de um fardo. Na mesma semana, fui atrás de um encontro, e mudei meu pseudônimo para Carry Manson, dizendo a mim mesma que seria diferente, e finalmente acharia alguém digno de mim. Era sábado a noite, fui a uma casa de acesso, enquanto minha mãe estava no trabalho. Lá entrei na rede do MSN, onde fui bater um papo com um garoto, que desde a época das cartas do garoto misterioso, me chamava para sair, e eu dizia sim, mas não ia, temendo que fosse um maníaco, ou pior, alguém que não me atraísse. Seu nome na rede era Nightmare BK, havia o conhecido, por ser um dos amigos de Giulia, ele não tinha foto, mais um motivo para não confiar, e sempre que conversávamos, mandava exclamações, o quê me levava a crer que era um rapaz alegre, e eu sempre preferi os solitários aos palhaços. Mas pensei: Quem sabe não tenha um amigo que faça o meu tipo? É claro que só quer sair comigo, por me achar bonita, não tô ferindo os sentimentos de ninguém. Enviei a mensagem, e perguntei se a gente tinha brigado , porquê realmente eu me focava tanto no satanismo, e nas minhas desilusões, que mal lembrava do porquê a gente não se falava mais. Ele disse que não, então fui direto ao ponto. Assim ele falou-me que tinha um amigo e ia ver, depois voltou e disse que não dava, mas que ele estava disponível, por alguma razão aceitei e peguei seu número. Ficou claro que ele estava interessado, e tinha inventado um amigo, então por quê não? Até onde sabia podia ser minha alma gêmea. Realmente não sei, como o pensamento de “ele é um louco” foi para “Minha nossa é o meu futuro ex-namorado”(Depois explico) mas aconteceu. No domingo a noite, liguei para ele, e rapaz como me enganei! A sua voz era melancólica e profunda, bastante séria. Me apaixonei, mas para saber se seria amor, ele precisaria responder as mesmas questões do meu caderno de perguntas da 8° série. Eram 100 questões, com tudo o quê eu queria agora de alguém, e ocorreu que ele era compatível comigo em 99%, algo que nos rendeu uma ótima conversa de horas, antes do nosso encontro na segunda-feira, para o qual iria com Giulia e Elly, só por precaução. Que garoto fascinante, acreditava em eventos paranormais, tinha histórias com fantasmas para contar, era um satanista nato, que ainda desconhecia sua vocação diabólica, não gostava muito de peixe, rock era o seu estilo favorito, mas não menosprezava os outros, e arrancar um sorriso seu era complicado. Ele era perfeito! Tão perfeito, que naquela noite fui dormir pensando nele, e sonhei que namoraríamos, e isso seria motivo de grande festa, entre minhas amigas. Aliás no sonho, eu estava feliz e tinha o olhar de realizada, dizendo: Eu tô namorando o Nightmare! (essa parte cantava que nem o início da música Nightmare do Avengend Sevenfold) Fui ao encontro, de botas dizendo que levaria a “Death people” escondida na mesma, minha faca de estimação, e o conheci. Nos apresentamos, e fomos andar pela Fortaleza de São José, o antigo  point jovem da pequena cidade. Segurei sua mão logo de cara, e conversei com ele, estava de boné, e usava os fones de ouvido, me senti um pouco tímida e desajeitada. Nos sentamos, e ele me deu um dos fones, ouvimos a Hollywood Worm do Papa Roach, e ele me contou sobre o clipe, de como o rosto da moça se despedaçava neste. Só que o danado, gesticulou, tocando meu rosto, e fiquei corada. O encontro foi bom, mas não durou muito, meu pai, agora separado de minha mãe,  queria “me ver”, e nos interrompeu. Ficou furioso ao saber que estávamos no morrinho escuro, mas minha felicidade era tanta, que nem me importava. Já me via namorando o Nightmare, e só faltei ter dito “acho que tô apaixonada por você”, quando mandei um SMS, mas ele achava cedo demais, e por isso lhe dei um gelo, e fui dormir. No dia seguinte tinha algumas mensagens suas, respondi com frieza em dobro, se seria só um fica , eu nada mais queria. Foi então que marcamos o segundo encontro, agora na praça da bandeira, neste definimos o quê queríamos, e porquê queríamos. Juntos cometemos o mesmo erro, falamos dos ex’s para enfatizar as razões dos términos, e tínhamos a mesma opinião: Queríamos algo sério. Como ele mesmo disse “eu não gosto de relacionamentos de 1 segundo” e eu gostava menos ainda. Após nos resolvermos, fomos para um banco, e ali ele me roubou um beijo. Foi o meu primeiro beijo roubado, eu acho, não consigo me lembrar de mais ninguém fazendo isso comigo, antes dele. Deve ser por isso que foi tão mágico, e ao mesmo tempo cheio de tesão. Ele tinha uma pegada na cintura, que ficava entre safado e santo, na medida certa. Depois disso fui pra casa, outra vez feliz da vida, finalmente alguém que era exatamente o meu tipo, estava comigo, e isso era o máximo. Agradecia aos deuses, mentira, somente a Satã, pelo tal amigo dele não poder ter ido. Naquele ano... Passamos o natal juntos, foi a primeira vez que não estive com aqueles abutres dos Marinos, ou com os santos dos Cavalcantes, e isso me deixou super feliz. Fui logo para o quarto dele, e lá nos “pegamos” e as coisas foram esquentando, pois estava com um sexy vestido de veludo. Numa hora estava por cima o beijando, outra por baixo, e sentia seu corpo colado ao meu. Mas apesar do evidente fogo, decidi que só iria pra cama com ele, depois de 1 mês, para garantir seu interesse em mim por algum tempo. O quê tá pensando que é só vim e me levar pra cama? Era uma vadia mas não a esse ponto. No natal perguntei se podia mudar o meu status do Orkut para " namorando", sim fui bem direta, e a resposta foi sim, e mudamos o status, era oficial estávamos namorando, só que segundo ele na sua visão nosso namoro começara no segundo encontro. Certa vez ele foi na minha casa, e eu o enrolei até não ter mais ônibus, fazendo-o ficar para dormir. Desgraçada como só eu sou, coloquei a camisola mais curta que tinha, e dormi de costas para ele.  Faltava pouco para fazer um mês, e eu queria deixá-lo louco para nossa primeira vez. E quando a hora chegou foi um desastre, achei que tinha deixado de ser virgem, e quando o senti, parecia que não. Ele logo parou, não forçou a barra, até que no dia seguinte, estávamos vendo TV, e começou a tocar a Sweet Dreams na versão do Marylin Manson, fiquei excitada na hora, e tentamos de novo, desta vez deu certo. O engraçado é que na minha suposta primeira vez, tive de parar tudo, para colocar essa música. Enquanto que com o Nightmare, foi tudo tão natural, que quase parecia surreal. Após a nossa primeira transa, houve uma intensa maratona de sexo proibido, já que meu pai nem sonhava que eu não era mais virgem, e vivia no quarto com minha mãe, naquele lenga lenga de volta ou não volta. Quando lhe contei sobre, Drácula culpou o Nightmare, dizendo que eu tinha dito que era o outro, para protegê-lo, mas me senti super responsável, e fiquei tranquila, era o mínimo que podia fazer, estava quase completando 16 anos. O tempo foi passando, e cada vez mais estava perdidamente apaixonada por Nightmare, cujo o nome real era Bernardo Silva. Mesmo com toda a minha insegurança, ele estava lá, apesar de tentar me matar, ele me queria, ele me parava, ele me fazia sorrir, e não era tão bom moço, para querer me afastar da magia, o quê o tornava ideal. Aliás ele foi o meu escolhido, o único que poderia ser chamado de rei no Sees. Ah o Sees, o meu primeiro grande fracasso mágico, como poderia esquecer? Seu nome era uma sigla para “Seguidores da Estrela”. É claro que a estrela a qual me referia era Lúcifer, a famosa estrela da manhã, e tinha escolhido este nome de madrugada, enquanto estudava a bíblia satânica, exatamente as 3 horas da manhã. Alguns anos mais tarde, vim descobrir que a sigla SEES, também servia para identificar ao “ Senhores da escuridão”, um livro espírita  pertencente a trilogia Reino das Sombras, da qual só me interessara o livro “A marca da besta”, por ter lido um breve artigo numa revista do mesmo tema. Isso me interessou bastante, pois depois de estudar em artes sobre mensagens subliminares, fiquei obcecada por conspirações, e toda conspiração tinha um cunho religioso. Mas foi apenas um acaso, o Sees, não servia para dominar o mundo, e sim atingir metas pessoais, apesar de que no fundo acreditava que seríamos grandes, (não fomos). Mesmo sem conhecer a fundo a maçonaria, sabia que nela se  aceitava todos os tipos de religião, tudo o quê bastava era crer em algo, logo no SEES se aceitava até mesmo cristãos. Já que após estudar muito e testar, havia concluído que: A fé era como uma chave, que destrancava o potencial da mente humana, gerando assim efeitos incríveis, que podiam mudar o ambiente, criando o quê se entende por “Magia”. Tínhamos algumas regras, naturalmente, mas a principal era “jamais destruir o círculo”, senão do contrário, espíritos iriam nos atormentar.  Como em todo bom culto diabólico, instituir um contrato, no qual os membros ofereciam suas almas a Lúcifer, e eu me responsabilizaria de guardá-las. O quê? Pensou que eu iria realizar ambições de graça? Não era agora chamada de “o demônio” ou “a bruxa” a toa. Apesar do pacto explícito, consegui 3 membros, (Giu, Rosa, e Elly) de quem bebia o sangue, por saber que eram saudáveis naquele tempo. Não foi complicado, separadamente iniciei cada uma, e as fiz ler o contrato em voz alta, que as impedia de voltar atrás. Foi maldoso de minha parte, e me senti revigorada por minha astúcia demoníaca. Nosso símbolo, era uma maçã com um pentagrama dentro, representando o caos, e o conhecimento proibido. Nossas reuniões, eram cheias de carne ,doces, e bebidas, representando o oposto do jejum cristão. Tivemos poucas reuniões, pois pouco a pouco o grupo foi se desfazendo, mesmo depois de termos unido o nosso sangue, por causa da regra de que “cada uma era uma estrela.” Que dizia: Cada uma é uma estrela, mas juntas formam uma constelação. O quê significava que o quê uma sentir, a outra sentirá, até alcançar todas, formando um efeito dominó”. Apesar de ter funcionado bem no começo, o quê quase nos quase nos destruiu, pois fui ameaçada de morte, no fim cada uma seguiu o seu caminho. Afinal de contas, sempre colocamos o coração no lugar da razão, e foi assim que tudo desandou. Giu se afastou do Sees, porquê seu namorado era contra. Elly porquê começar a ver sombras lhe assustava. Rosa, porquê se sentiu incomodada, com a nossa queda, e eu porquê não teve jeito mesmo de continuar sozinha. Todas pagamos o preço, mas chegarei lá. Num de nossos encontros, eu e Rosa vimos algo que bem, drogas serviriam para explicar, mas não usávamos isso. Fomos para o cemitério do bairro Santa Rita, o lugar onde mais me encontrava com meus amigos. (Sim agora tinha amigos) Ao chegarmos lá um homem saiu do mato, coberto por um chapéu e nos perguntou: Estão aqui a passeio ou a trabalho? Respondemos a passeio, que tínhamos ido visitar nossa tia, o sujeito riu, e falou “cuidado com as visagens” antes de partir. Rosa logo retrucou: “Tenho medo dos vivos, não dos mortos” e eu bradei com satisfação “A morte é só uma escapatória para os covardes” (O quê houve com essa garota?! Sinto falta dela.) O estranho pareceu contente com a resposta, e se foi dentro do mato. Começamos a nos sentirmos tontas, e as sombras das árvores, ganharam forma de pessoas. Vimos os rostos de 5 mulheres e 2 homens, ou 3 homens, isso até hoje é incerto. Era como se o representasse o Sees, em outra época, dava para perceber pelas vestimentas. Mas isto não foi o mais impressionante, naquele dia tive uma visão da minha outra vida, ou pelo menos é o quê parecia. Vi uma dama enforcada por cipós cheios de espinho no topo de uma árvore, prática comum na eliminação de bruxas no século XV, tempo ao qual suas roupas se remetiam. Teria sido eu uma bruxa? Não tinha certeza, afinal de contas até ali, nunca tinha tido um mestre, para me ajudar a desvendar este mistério, no seu lugar, só vieram guias. Pessoas que não me conheciam, e diziam coisas enigmáticas, e as vezes pessoais. Como: “Você é especial sabia? Não desista do quê tanto quer, você vai conseguir, um dia vai brilhar” (Vai por mim, não parecia clichê de autoestima, principalmente porquê esse guia sofria de problemas mentais) ou “Quando te vi, sabia que você mudaria este lugar”. Foi então que a imagem se tornou ainda mais tenebrosa, o meu corpo caiu, e um ser meio homem, meio besta, de chifres de touro, veio recolher o meu corpo. Ele não arrastou minha alma a força, como dizem que seres assim fariam. Pelo contrário, me pegou no colo, como se fosse sua noiva, e desapareceu comigo numa névoa densa. Ao chegar na casa da Rosa, eu desmaiei na sua rede, mesmo sem está cansada, e quando entrei no meu quarto, me vi rodeada de seres chifrudos, tão reais, que cheguei a ver um próximo do meu rosto. Quando contei ao Bernardo, este achou interessante, mas não era um ocultista, para entender a profundidade da visão, uma realidade que fazia questão de mudar. Com ele não trapaceei, lhe disse exatamente como era o contrato, e ainda sim este fez o pacto. O pacto era diferente do das meninas, com ele me uniria para ser alma e carne. Tornando-o uma alma gêmea sintética, com a qual uni o meu espírito, através do sangue e o meu primeiro sexo mágico. No qual nós invocamos os 4 príncipes do inferno, para concretizar nossa união. E assim foi feito, ele se tornou o meu rei, e eu sua rainha no tabuleiro da magia. Após a entrada do primeiro dos 2 ou 3 homens, que completariam minha visão da vida passada, me animei para chamar mais integrantes, até consegui alguns, porém nunca mais houve uma reunião desde então, e o Sees acabou. No entanto, não era porquê tinha se findado, que eu desistiria de saber sobre porquê coisas estranhas ocorriam comigo. Precisava de respostas, e iria obtê-las, nem que para isso tivesse de ir ao Inferno.(Sério, cadê essa garota?!) Como? Através de viagens astrais, coisa que dentro de uma semana, já conseguia realizar. Mesmo que algumas vezes perdesse a consciência, quando falava que ia viajar ao mundo astral, minha mãe sempre via um vulto de uma garota correndo na casa, onde realizava os meus testes. Era tão simples, bastava me concentrar, que ia exatamente para o lugar que desejava. Desta forma, acreditava que seria fácil ir ao Inferno e voltar. Certa vez, cheguei em casa, exausta, porém pronta para a minha viagem. Tirei o uniforme, e fiquei apenas de calça jeans e sutiã, adormeci centrada em ir até o lar de Satã, e acordei na escola em que estudava. (Seria a escola o meu Inferno?) Estava chovendo, comecei a caminhar por ali, até que Catarina, outra satanista declarada do colégio, me viu e disse: “Ele quer falar com você, está lá na frente. Mas não vá com ele.” E sem entender nada, fui até o local por curiosidade. Foi quando um ser de chifres e asas de morcego, humanoide de rosto belo, veio até mim e ergueu sua mão, eu a segurei, e este me carregou em seu colo, levantando voo para longe, enquanto uma tempestade se aproximava, e vinha destruindo tudo pelo caminho. Ao passar ao lado de Catarina, esta me olhava furiosa por ser deixada para trás, dentro de um carro que iria se desfazer com facilidade, ao se esbarrar no enorme tornado. Foi um sonho e tanto, que me levou a pesquisar sobre quem era aquele demônio, e tudo indicava que era o próprio Satã. Fiquei surpresa,  com quem tinha vindo me visitar, e fui em todos os grupos do Orkut, procurar por alguém, que pudesse me explicar, o quê de fato isso significava. Porquê o maior dos demônios, estava a me proteger, eu era uma soldada do inferno? Não sabia dizer, e as coisas se tornaram ainda mais estranhas. Na noite seguinte sonhei com uma pop up, que me fazia várias perguntas, mas a única da qual me lembro é você perdoaria a traição de um amigo? Na qual cliquei que me vingaria, e depois surgiu uma congratulação, por ter passado no teste, e me vi no meio de um rancho, onde se via a imagem de Jesus Cristo, sendo puxada para ser erguida, e mostrada aos fiéis, mas eu cortava a sua corda, impedindo-a de chegar ao topo. Este ocorrido me fez pensar que, havia sido convocada para o exército do Inferno, e agora era uma soldada infernal. Na escola, por onde passava com meus trajes extravagantes, causava o fascínio e o temor nas pessoas, uns faziam o sinal da cruz, outros me chamavam de Dark Barbie, e uma pessoa não parecia nada feliz com minhas descobertas, e esta era Catarina. Ela se aproximou de mim do nada, até hoje não sei o porquê, provavelmente era uma amiga de Luana, mas quando aconteceu, isso nem se passou por minha cabeça, quer dizer já tinha terminado com o Rogério, e se era isso o quê queria, o quê ganharia me perturbando? Ela era jovem, me contava as suas histórias sobre o oculto, e eu lhe contava as minhas. Se declarava poderosa, tendo o dom da palavra, ou seja o quê dizia se realizava, e eu era só uma mera aprendiz. Certa vez ela me contou sobre os filhos dos demônios, e quando lhe perguntei se eu também poderia ser, dado a algumas semelhanças entre nossas experiências, esta disse com agressividade: Não! Você não! Aceitei aquilo, porém isso desencadeou uma suspeita, se eu não poderia ser, por quê responder de forma tão abrupta? Será que a realidade era que ela não queria que eu fosse? É uma dúvida que ficou a pairar. Certa vez fui visitá-la em sua sala, apesar dos atritos, era bom poder falar com alguém sobre satanismo sem ser julgada. Mas a jovem começou a se afastar de mim, alegando que minha energia a deixava com dor de cabeça. Não achei que poderia ser mentira, pois depois de sua resposta hostil, ficava sempre com o sentimento de desconfiança, e como não sabia me controlar, acabava lhe atingindo. Aliás, isto não era incomum, toda vez que me chateava muito, provocava dores no corpo das pessoas. Minha mãe era a maior vítima, pois quando me rebelei contra o seu cristianismo, ela tentou me matar alegando que eu era um demônio, e nunca a perdoei por isso. Não sei exatamente se era um ataque astral dessa menina, ou se eram entidades, mas todas as noites batalhava contra ela tentando me vencer e eu a vencia. No mundo dos sonhos, era atormentada por pessoas me perseguindo, como quando era criança, e lutava ao lado dos monstros imaginários. Só conseguia vencer, porquê neste plano meus poderes eram

    maiores, e assim podia gerar tempestades e raios, fortes o suficiente para destruir meu oponente. Certo dia , essa garota veio até mim, e contou-me sobre um pesadelo que tivera comigo. Segundo a mesma, eu havia assassinado várias pessoas numa casa de altos e baixos, e saia do pentagrama para ir atrás dela, deixando-a assustada. Todavia para ter utilizado o termo "pesadelo", é porquê com certeza o final não lhe agradou. Talvez sua seita particular estivesse mesmo em guerra comigo, e isso se tornaria mais suspeito mais tarde...Antes do Sees se desfazer, houve uma notícia que nos deixou boquiabertas. Justo no cemitério onde praticávamos nossos ritos, foi encontrado um bode morto, túmulos destruídos, e alguns outros itens que fizeram as pessoas desconfiar de magia negra. É claro que um lugar assim, seria utilizado para tal fim. No entanto, foi muita coincidência acontecer, quando passamos a ir com mais frequência a aquele lugar. Era como se algo quisesse nos impedir de prosperar, (e conseguiu) já que devido a este fato, a vigilância se tornou maior, e assim ficou difícil de entrar lá. O quê me trouxe muita tristeza, porquê costumava ir com meu melhor amigo Benício, e Rosa (uma das minhas melhores amigas) para lá.  Aquele espaço, era fúnebre, mas cheio de lembranças doces de pequenas coisas erradas que fizemos como: A primeira vez que Benício bebeu. Quando Elly cuspiu num túmulo, e o morto disse a Giu para lhe passar o recado. Quando fizemos o jogo dos espíritos, após muito tempo. Os roubos das doces frutas dos mortos. As reuniões do Sees. Enfim essas preciosidades, na vida de uma garota demoníaca. Lembra que eu disse que agora tinha amigos? É hora de apresentá-los, creio eu que não será tão absurdo quanto parece. A primeira continua sendo a Giu. A segunda é a Rosa, que sempre me acompanhou nas minhas loucuras, e foi minha namorada de plástico, para afastar alguns carinhas no colegial, e após os 18 anos. O terceiro é o Benício, um garoto que conheci na 6° série, por dizerem que "queria me conhecer", mas só veio se tornar meu melhor amigo mais tarde, quando ingressei no ensino médio. O quarto é o Moraes, um baixinho sagaz, que despertava meu interesse, por entender bastante do mundo obscuro, mas foi uma amizade que durou por pouco tempo. A quinta é a Ana, alguém que chegou de mansinho, e conseguiu um lugar no meu coração. A quarta é a Natasha, mas falarei dela lá na frente, então fica o spoiler. E o sexto e último é o Renato, um ex-evangélico, que pegava no meu pé por ser satanista, e dizia ter aulas de exorcismo. Rosa foi alguém que conheci por intermédio de Giu, já que ambas estudavam juntas. Era no começo uma amizade por associação, que logo virou uma amizade para todas as horas. Foi a amiga que mais vivenciou meus dramas, e minhas atitudes loucas. Com ela dancei no meio de uma multidão, andei tranquilamente de preto. Faltei algumas aulas, apenas para andar pelos corredores, fugindo dos monitores, conheci novas pessoas. E apesar de meus pais desaprovarem-na naquele tempo, foi quem salvou minha vida, quando cheguei perto de um coma alcoólico. Ainda no colegial, me casei com o Bernardo, e fui viver por algum tempo na casa de sua mãe, um mês ou mais, isso não vem ao caso. Um dia implorei para não ir a aula, pois apesar de ter amigos, ainda detestava aquele lugar, mas ele sabia, o quanto era importante pra mim terminar o Ensino Médio, então insistiu para eu ir. Fui furiosa, sentindo que algo daria errado, e quando cheguei lá, não teve aula, e Elly me chamou para beber. Aceitei, não perdia a oportunidade de encher a cara, e chamei Rosa para vim comigo, porquê era outra papuda. No caminho, nos separamos, eu e ela sentimos que algo daria errado, e fomos por um caminho diferente. Ao chegarmos no poerão, compraram Vodka, detestava essa bebida, preferia vinho, mas sendo o quê tinha, não reclamei. Havia muita gente lá, que nem sequer conhecia, e começaram a ouvir funk, para se animarem. Odiei está ali, e gritei para tocar Lady Gaga, pois na época, era a única cantora pop, que ouvia. ("Porquê será?") Rosa rebolou até o chão, não tinha tanta frescura quanto eu, então bebi meia garrafa sozinha, só virando sem parar, e fiquei tonta. Comecei a ver anjos ao meu redor, e me desesperei, porém em vez de pedir "Socorro", gritei algo como "Eu vou matar vocês!". O dia que estava ensolarado, sem qualquer sinal de chuva,  nublou, e a água pingou do céu. Todos foram embora, com exceção de Rosa, que ficou comigo, enquanto eu vomitava espuma, na minha primeira camisa de banda, que o meu marido tinha me dado. Não me lembro de muita coisa, só de ter encontrado Tonya, uma conhecida do colegial, que me comprou água, e ter ido parar num bar, onde ligaram para o SAMU. Dali só me vem a mente, ter bancado a boazinha, e ter agradecido pela ajuda a  uma paramédica, enquanto Rosa segurava minha mão, e ligava para o meu marido, pois a beira da morte, ele era a última pessoa que precisava ver, e que eu não parava de perguntar se havia o traído, pois este era o meu maior medo. No banco do hospital desmaiei, e tudo ficou preto, só me lembro de ver de longe aos meus pais chegando, muito mais chateados que preocupados, antes do meu corpo pesado cair. Fiquei furiosa com o Bernardo, mas mais tarde vim descobrir, que ele tinha tentado chegar lá de bicicleta, sendo que eram 30 minutos até de ônibus, e não demorei tanto, por isso o perdoei por não está lá. Algum tempo depois, graças a esse fato, me usei como um exemplo de "ética amoral “numa apresentação de Ética, que fiz com o Benício. Não tinha vergonha, e todos sabiam do quanto eu tinha bebido naquele dia, porquê era a maior má influência daqueles corredores. E por causa deste dia, minha amizade com Rosa, se tornou ainda mais forte, ao ponto de dizer que eu, ela, e Giulia formávamos um trio.Com o Benício conversava todos os dias, sobre todas as coisas, mas principalmente magia, que era a minha grande paixão. Foi a pessoa que por mais quieta, e calada que fosse, me ajudou muito no decorrer do meu caminho no colegial,  não apenas nas provas e trabalhos, como também em coisas pessoais, pois sempre estava por perto, quando a linha entre a realidade e o místico se misturava. Uma vez tentei salvar a vida de um inseto, mandando-o para fora de nossa sala, e para a minha surpresa, o enviei para morte, pois devorado por um passarinho, e ele viu tudo, aliás foi até quem brincou sobre meu dom fatal. Além disso, com ele testei se tinha o dom da palavra,   falei que num determinado dia ele morreria, e no dia seguinte, o pobre chegou pálido, e assustado, pois um caminhão quase o atropelou ao voltar para casa. Não sei se tenho algum "dedo" envolvido nisso, mas quando lhe conheci ia para igreja, festejar com os jovens corretos, e mais tarde entrou para a wicca, a religião mágica que mais o agradou, por ser mais distante das trevas satânicas, e graças a isso, me conseguiu uma pista importante, para a definição de minha identidade futura. Interessado em magia wiccana, ele procurou uma amiga de sua mãe, que fazia parte de um coven, e lhe contou sobre mim, e a bruxa disse-lhe que no meu caso tinha de fazer uma escolha, e no dele ainda precisava estudar bastante. É na magia, eu era a aluna universitária, enquanto que na escola mesmo, parecia pertencer a 4° série. Só ia por obrigação, e passava, quando sozinha, apenas por ter um espírito muito forte, capaz de me dá as respostas certas, mesmo sem prestar atenção. Ele foi o amigo que esteve mais presente, em minhas aventuras absurdas. Com Moraes a amizade não durou muito, porquê fiz a besteira de transformá-lo em um dos meus interesses, antes de me casar, e isso gerou um clima estranho entre nós, que perdurou até o último ano, quando já tinha seguido em frente, e estava feliz com a pessoa certa para mim. Acho que em seu mais alto grau de arrogância, uma qualidade que compartilhávamos, ele acreditou que aquilo duraria para sempre, e preferiu se afastar. No entanto no inicio era a melhor amizade do mundo, pois ambos tínhamos atração pelas trevas, e sempre trocávamos curiosidades, a respeito de coisas que para os outros eram bizarras, e assim nos apoiávamos, na luta contra a hipocrisia do mundo normal. Era divertido, e aprendi muito sobre a literatura proibida, despertando assim minha atenção aos autores hereges, iniciando minha leitura através de Edgar Allan Poe. Além de que nos meus piores momentos, ele esteve lá para dizer "Levanta essa cabeça e acaba com eles!" quando estava mergulhada em lágrimas. Não acho ruim que tenha se findado, pois graças a isso, passei a ficar mais perto do Benício,  alguém que só teve o meu interesse num dia, e foi no desespero mesmo. Não que não fosse bonito, ele era, mas não era nada o meu tipo, o quê colaborou para a amizade durar por anos, e jamais se quebrar.  Com Ana tive uma amizade comum de garotas. Sempre que podia falava com ela, sobre tudo o quê me afligia, já que era o tipo que lhe faz querer confiar nas pessoas outra vez, sendo assim nos sempre nos apoiamos em tempos difíceis. No entanto apesar de ser bastante normal, ela sabia como eu era, e o quê fazia, por isso não precisava lhe esconder minhas anormalidades. Uma vez os meninos da minha sala, fizeram uma algazarra, que terminou com a janela quebrada, um deles sangrou, e ao ver aquele líquido escarlate me deu muita sede, comecei a me morder, porquê parecia está em abstinência, enquanto a Diana (como a chamava, para me destacar dos outros) me dizia "Calma. Se controla. Você consegue!" Além disso dois desses mesmos meninos, vieram a praticar bullying comigo mais tarde, e como resultado lhes lancei uma maldição, apenas com o olhar, de que algo terrível iria lhes acontecer. Estava furiosa, e sem paciência para aturar gente comum, que tem a mente fechada, e não respeita o estilo dos outros, por isso não me contive, e canalizei meu ódio neles. Algum tempo depois, Diana veio me contar que a mãe de um faleceu, e o pai do outro também, tornando-os órfãos, e estranhamente aconteceu de eles pararem de mexer comigo após esse fato. Ela e eu sabíamos quem era a culpada, mas preferimos acreditar que foi coincidência, e até nos dias atuais, é melhor deixar assim. A ela influenciei com minhas músicas favoritas, animes, livros, filmes enfim tudo o quê me deixava mais feliz, e hoje ela é uma das madrinhas de minha amada filha Raviera. E por fim vem o Renato, que completa a cota dos 6 amigos para a vida toda.(6 com Natasha que será apresentada lá na frente, com Moraes perdi o contato) Com Renato a amizade parecia impossível, ele era evangélico, e ainda dizia ter aulas de exorcismo, sempre pegava no meu pé por ter orgulho de ser satanista, e algumas vezes suas brincadeiras me deixavam para baixo. Todavia

    era a única pessoa com quem conversava muito, já que diferente das outras meninas, não tinha vergonha de piadas impróprias, ou mesmo fotos de garotas nuas, e como se dizia parte do exército da salvação, era interessante dialogar, com alguém que tinha o pensamento diferente do meu, e descobrir mais sobre o lado inimigo. Graças a ele e seu grupo, fui muitas vezes salva de ser reprovada de vez. Já que na época que o conheci, estava mergulhada numa depressão profunda, após ter passado por um término, com um sanguessuga que me afastou todos, e desta forma preferia passar mais tempo trancada no quarto, do quê fora de casa. Era um amigo para quem podia contar, e que fazia da sala menos sombria, com suas histórias infames. Embora muitas vezes, acreditasse que algumas delas fossem falsas, por causa de nosso colega Jaques que sempre gesticulava, que era mentira, quando ele contava suas façanhas.  O colegial foi uma época conturbada mas teria sido pior, se não os tivesse conhecido. Outra de minhas grandes memórias mágicas, ocorreu quando era jovem e rebelde, porém esta não tinha a ver com a escola, mas sim com meu marido. Num sábado qualquer este resolveu sair, mesmo demonstrando que era totalmente contra, e para o seu azar, ele era casado com uma neurótica, que também era bruxa. Furiosa dancei a canção Mother Earth do Winthin Temptation, com toda minha desenvoltura e ira, concentrando-me nele. Quando chegou, ele me contou que quase não achou a casa de evento, e ao achá-la quase foi morto na hora da roda punk. Não satisfeita, ainda me centrei em seu coração, e imaginando-o bater, comecei a apertá-lo lentamente, deixando-o com uma sensação de frio no peito, mesmo que minha mão estivesse vazia. Novamente não fui até o fim, parei porquê só queria lhe dá uma lição, senão acabaria com ele para sempre. Ainda sim, mesmo com meus surtos, e as capacidades ocultas mortais, Bernardo nunca deixou de me amar, já eu sempre tive o sentimento de que me abandonaria, porquê ninguém me suportava por muito tempo, hora ou outra as pessoas me deixavam, e foi assim que nosso relacionamento afundou. Numa noite também de sábado, combinamos de nos vermos, mas já era tarde demais, e o último ônibus havia passado, por isso não daria para ele ir me ver. Fiquei desolada, como se fosse o fim do mundo, porquê se passou pela minha mente que este era o sinal de que ia acabar, e seria mais um relacionamento fadado ao fracasso. (Neurótica lembra?)  Por esta razão, antes de me magoar, fiz o encantamento para esquecer um amor impossível, e o entoei com todas as minhas forças. Mais tarde...Bernardo apareceu, tinha vindo andando de seu bairro até o meu, e eu fiquei feliz em vê-lo. O efeito não foi instantâneo, como pensei, então acreditei na frase dos Padrinhos mágicos "A magia não pode interferir em amor verdadeiro",(Qual é, se usam a mídia para nos doutrinar, por quê não seria real?) e o abracei com todo meu amor. Pouco a pouco a chama foi arrefecendo, o fato dele sempre está ali para mim, já não era o bastante, e com sua mãe, e meu pai tramando para nos separar, a situação estava cada vez mais difícil. Quando chegava em casa, e o via alegre, lembrava-me das palavras de meu pai. "Você quer alguém que caminhe contigo, ou que tenha de carregar nas costas?" E isso me chateava. Todo dia era o mesmo inferno na minha cabeça, e eu enfrentava todos por ele, porquê me achava forte o suficiente, para valer por dois, e que poderia mudar a situação. Então sempre antes de dormimos, lhe explicava que tinha de ir atrás de um emprego, já que não queria estudar, por considerar o diploma apenas um pedaço de papel, ao qual era atribuído muito valor, e  minha mãe já não suportava mais sustentar a nós dois, e era justo, porquê não éramos crianças. Mas em vez de me ajudar, ele só se levantava para ir procurar emprego, quando já não tinha opção, e se tornava muito cansativo, viver pedindo por seu auxílio. Assim como era um moleque, preferia deixá-lo, e colocava a culpa no meu pai, por me pressionar ao extremo.  E eu ouvia minha figura paterna, pois algumas vezes, parecia possuído pelo próprio Satã. Não de forma cruel, mas sim de maneira que me fazia questionar, qual espírito estava em seu corpo. Uma vez lhe disse que haviam me dito para não ingressar na magia, por não ser boa o suficiente, e ele respondeu irado: "Quem ousou dizer isso?!" Como se estivesse totalmente enfurecido. Sendo que meu pai Alexander, nunca foi a favor da magia, pra ele quanto mais eu estivesse longe do caminho esotérico melhor, já que meu tio Thales havia falecido muito jovem, por ter se envolvido com os mortos. Então se o meu DeuS, era contra meu relacionamento, deveria ouvi-lo, por mais que algumas vezes parecesse mesmo ser obra do Xande, e não de Satã. O problema foi logo resolvido, pela mãe do meu marido, que lhe conseguira um emprego em outra cidade, que ficava a horas de distância da minha. Não era fácil arranjar trabalho em Macapá, mas outra cidade? Isso não me agradava nem um pouco, só que era tudo o quê tínhamos, então tive de engolir e aceitar. Toda quarta-feira de folga Bernardo vinha me visitar, se deslocava de uma cidade para outra, apenas para me ver, e ainda sim meu amor por ele só ia diminuindo. Eu queria mais da vida, queria alguém poderoso e sedutor, não apenas um apaixonado, sendo forçado a trabalhar, por não ter ambição. A relação estava desgastada, e para piorar ele ainda veio me dizer que numa semana passada, tinha conversado com sua Ex Amora, que fez referência ao fato dos relacionamentos de Bernardo terem o prazo de validade de um ano. Eu odiava essa garota, tinha sido sua primeira namorada, era a favorita de sua mãe, a qual vivia trocando nossos nomes de propósito, para defender sua queridinha, que era cristã, então isso me subiu a cabeça. Após ele partir, me envolvi com uma pessoa na internet, e tive um caso virtual, que durou uma semana, porquê não era tão vadia, quanto pensava. Sim, foram só palavras, mas para mim ter dito tais coisas, significava o mesmo que ter a coragem de fazê-las. Significava que já não tinha mais amor, e logo cometeria uma terrível traição, ainda maior que esta. Era hora de dar um fim a tudo. Na outra visita de meu marido, este me contou que em uma das suas visões, me via trocando-o por uma pessoa da internet. O quê era estranho, pois sabia bem como apagar meus rastros, e não tinha deixado evidências. Passava no máximo 1 hora online, quando estava em sua presença, então não tinha como desconfiar. Foi quando me certifiquei de que ele era mesmo um vidente, como havia me dito na nossa primeira conversa. Neste mesmo dia, ele teve uma espécie de surto psicótico, ao me ver diante da tela do notebook, saiu para a cozinha, e começou a bater as portas dos armários, sem parar. Depois voltou para o quarto, retirou o Soul,(seu canivete de estimação) e colocou a ponta do mesmo, sob a minha garganta, com um sorriso macabro, alegando que as vozes lhe diziam para me matar. Entrei em pânico na hora, e abracei o computador portátil, até que o larguei, e comecei a me forçar a chorar, para alcançar alguma parte sua que estivesse sã, da mesma maneira que impedi minha mãe, de me matar a facadas aos 14 anos. Isso pareceu tocá-lo, por alguma razão me sentia muito mais segura no escuro, e isso me levou a apagar luz, e lhe dá as costas. "Se essas vozes te ordenam a me matar, é porquê não são boas para nós" disse-lhe lamuriada, até que me abraçou, e dormimos. Na madrugada me levantei, e lhe contei sobre o caso que estava tendo, ele para minha surpresa, me perdoo logo de cara, e quis continuar comigo, mas eu quis terminar, não achava justo permanecer com ele, depois de enganá-lo. O tempo passou, terminamos, e voltamos, porém agora estava comprometida com uma garota, chamada Fabrícia, que apesar da distância, era a minha namorada, e não mentia para ela, e nem para ele, estando ambos cientes de suas existências aceitaram os termos, mesmo que para Bernardo, fosse triste, já que agora não podia dizer sua frase favorita "Minha. Só minha". Faby foi uma amiga a distância, de São Paulo, por quem me apaixonei, devido a sua personalidade cativante, e seu jeito doce de lidar comigo. Era a melhor namorada que alguém podia ter, e por ela quase fui expulsa de casa, já que minha mãe ficou furiosa ao me ouvir que agora namoraria meninas. Chamou-me de aberração, monstro, e vários outros insultos. O quê me levou a terminar com a Faby, bem no dia que a pobre sofreu um acidente, mas ela era tão doce e perfeita, que entendeu minhas razões para findar o nosso relacionamento. 

























    Capítulo III

    Novas frustrações


    “Verdade, mentira não sei dizer, antes achava ser real. Hoje acredito

    que não passa de uma fábula.”


    Bernardo e eu fomos nos afastando. Toda vez que vinha me encontrar, estava namorando uma pessoa diferente, porém nem assim conseguia o deixar ir. Não importava quantos novos "amores" tivesse, não estava pronta para vê-lo sair da minha vida, mesmo sabendo que estava errada. Até que um dia veio alguém, que me ajudou a mandá-lo para bem longe mim.  Seu nome era Douglas, e eu o conheci por obra do acaso. Ele realmente não fazia o meu tipo, pois chorava o tempo todo, era doce, e educado, como um príncipe da Barbie, o único desenho de menina que não suportava. Mas por trás de tanta falsidade, havia alguém que não aguentava mais ser pisado, e estava prestes a explodir, e eu queria muito puxar o pino dessa mina. Não me leve a mal, naquele tempo estava obcecada com psicologia, e ver alguém tão vulnerável, me fez querer estudar a sua condição, e entender o quê se passa na mente de um louco. Precisava de algo novo na minha vida, após cometer um grande erro, e por esta razão, deixei que o único homem que me amava fosse embora. Ele o fez sem pestanejar, e até me ajudou a me conectar com esse estranho, mesmo com todos os sinais indicando que devíamos nos 

    afastar. Pois quando esse garoto começou a demonstrar sentimentos por mim, meu computador parou de funcionar, e como esta era a única maneira de nos falarmos, isso significava que os astros estavam dizendo "não" para o quê viesse. No entanto Bernardo era tão bom comigo, que fazia qualquer coisa para me ver feliz, e por isso ia até contra o universo, mesmo que lhe machucasse mais, do quê lhe trouxesse alegria. Um estranho relacionamento se iniciou entre esse garoto e eu, baseado em passar a maior parte do tempo, tentando trazer o seu pior lado a tona, porquê o seu estado normal me entediava. Ele era sempre gentil demais, e gente assim não é digna de confiança, porquê sua bondade é obrigatória, e não genuína, e eu preferia falar com o seu pior lado, porquê me parecia mais sincero. Quando explodia, podia perceber o quanto estava insatisfeito, e falar abertamente sobre qualquer assunto, para entender melhor sua mente tão perturbada. Entretanto quando estava sob controle, parecia um robô, programado para dizer "eu te amo", quando tinha vontade de dizer "eu te odeio". Com o tempo, fiquei tão fascinada pela insanidade de sua mente, que acabei gostando dele, mas de acordo com o próprio, por mais que estivéssemos juntos, ainda estava apaixonada pelo meu ex-marido. Ele acreditava nisso provavelmente, porquê quando se tratava de Bernardo, sempre pensava nos melhores momentos, e falava que seu único ponto contra era não ter ambição. Sempre fui o tipo de garota, que só mencionava as razões do término dos relacionamentos, mas com o Bernardo, era diferente, pois tinha sido a única pessoa, com que estive por um ano, e ele tinha me dado os melhores momentos, apesar de toda a escuridão em que vivíamos. Não conseguia esconder, o quanto era especial para mim, e isso o deixava furioso, só que eu não sabia o quanto. Até que um dia, ele me fez bloqueá-lo, e eu o fiz mesmo contra minha vontade, para respeitar o código de ética do namoro. Não satisfeito, Douglas me fez crer que Bernardo podia ser um demônio, que utilizava suas coisas para me atormentar, e por isso tinha de destruir e me livrar de tudo o quê fora dele, e agora estava comigo. Já deve saber que o fiz, com bastante relutância, não é? E me pergunto até hoje, porquê diabos não deixei aquele babaca, e voltei para o meu grande amor. Como já disse antes, alguém como ele não era digno de confiança, e após alguns meses de namoro tive certeza disso. Pouco 

    a pouco, ele foi me afastando de todos que se importavam comigo, só porquê eram meninos. Primeiro foi o Bernardo, depois foi o Benício, e quando vi fiquei totalmente sem amigos, e não entendi porquê. Com Benício, ele usou uma manobra diferente, em vez de dizer que era um demônio, me fez crer que estava se aproveitando de mim, e ganhando em cima das minhas custas. Lembra que Benício escrevia sobre minhas aventuras no mundo mágico? Aconteceu que ele transformou-as numa web série, na qual eu era uma das personagens principais, e assim ganhou grande destaque, tornando-se um sucesso nos blogs de séries. O problema é que antes dele escrever, eu já o fazia, e também estava criando a minha própria estória naquele tempo. Mas se assemelhava mais a American Horror Story, do quê Charmed, então era bem mais difícil de agradar o público. Isso então o fez parecer um oportunista como Elly que sempre roubava minhas ideias, e levava o crédito. Vendo isso os chifres de diabo, cresceram na  cabeça de Douglas, e ele intensificou meu sentimento de desgosto, até me fazer explodir, e afastar Benício  da minha vida de vez. Tudo isso por quê? Por ter ficado uma vez com o meu melhor amigo, logo depois de ter terminado meu casamento. Também tinha um amigo chamado João naquele tempo, e ele era um aspirante a maçom, não só isso, tudo indicava que estávamos ligados pela alma, e este jurava que a ligação era romântica. Meu namorado o detestava, tanto quanto ao Bernardo e o Benício. Só que este era muito mais difícil de tirar do seu caminho, porquê de alguma forma, ele via o seu espírito podre, e por esta razão não queria me deixar em suas mãos. Como se não bastasse todo esse drama, nesta época estava sendo bombardeada por informações do mundo místico, e todo mundo que se comunicava comigo, parecia ficar possuído. Como sabia? Lembra do surto psicótico de meu ex-marido? Ele na verdade foi caracterizado como possessão, por uma bruxa satânica, que me elogiou por ter sabido lidar com isso, e me deixou um enigma, que levei tempo para responder. “Agora entendo. Sua mãe foi apenas o ovo, você sempre pertenceu a Satã.” Ao falar com os possuídos sempre vinham novos enigmas, uns simples, outros não, mas alguns deles chamaram a minha atenção. “Você tem um futuro extraordinário na magia”, “Você é filha de Lilith e Lúcifer”, “Você é a herdeira do Inferno”, “Você é forte por ter luz e trevas”, “Você nunca vai conseguir reinar”, “Você tem o dom de manipular mentes”, coisas assim. É claro que duvidei de ser possessão, acreditava mais que aquelas pessoas tinham sérios problemas mentais. Mas o fato de não terem ligação entre si, e dizerem o mesmo texto, me fez acreditar que podia ter um fundo de verdade, por isso fui até o único bruxo que acreditou em mim. Seu nome era Agares Fragoso, um senhor de idade, que estudava magia há muito tempo,  e havia criado uma nova vertente do Satanismo, que era destinado a abrir a mente das pessoas, para a verdade de Satã. Ele tinha sido quase como um mestre para mim, e foi o primeiro que deu significado ao meu sonho com Satã. Ele confirmou, o quê estava acontecendo, e isso me mostrou que sim era filha de Lúcifer. Tal coisa me trouxe alegria? Não, nenhuma na verdade, pois a primeira coisa na qual pensei foi “Isso é o ápice da poseragem satânica, serei uma piada se falar nisso.” E depois, filha de Lúcifer? Sério? O CDF do ocultismo, que detesta a massa e seu conteúdo?! Por quê não de Satã? Ele sim é um exemplo de como sou, um nerd descolado, cheio de si! Eu não tenho nada a ver com Lúcifer. Talvez você não entenda o contexto, mas li no manual do Satanista de Lex Satanicus, que Lúcifer e Satã são os gêmeos negros. Então embora muitos confundam e digam que Lúcifer e Satã são o mesmo ser, esta é uma alegação distante da verdade. Aquilo era horrível, e para piorar ainda vivia tendo visões estranhas sobre o paraíso, conhecido como Éden. Via um anjo e uma mulher transando na copa de uma árvore, com paixão e furor, e não sabia o porquê. Também via o inferno, como um reino semelhante a Terra, com a diferença de que continha magia, e estava anos luz a sua frente. E via como minha vida tinha sido lá. Diferente da minha vida neste mundo, ali era querida, popular, e um sucesso na escola de magia, tinha vários amigos, e “pegava” tantos demônios, que fazia jus ao meu título de mini Lilith. Todos diziam que era a cópia perfeita de minha mãe, e que assim como ela seduzia a quem quisesse. Até que um dia me apaixonei, e abri mão desta vida descarada, da mesma maneira que ocorreu com ela, quando se encontrou com Lúcifer. Naquele tempo dava minha cara a tapa, de que estava eternamente casada com aquele mentecapto, e isso me deixava sem reação. Mas apesar de achar tal coisa, uma possuída, irmã por parte de Lilith  chamada Maysa me disse que estava enganada. Só que não a ouvi, porquê achava que ela era afim do meu namorado, e só queria me tirar do jogo. Não tardou para confirmar minhas desconfianças, pois mais tarde essa mesma irmã, me disse que ele era seu noivo infernal, e que eu o tinha roubado na outra vida. Se casamos ou não, eu não sabia, todavia como o desgraçado que ele era, me fez acreditar que sim. De alguma maneira, depois de confirmar que era filha de Lúcifer, fui de mortal inútil para “você é o amor da minha vida”. (O quê uma coroa não faz) Após ser bombardeada com informações, sobre quem era no meio de toda essa loucura. Vieram vários rapazes alegando amor por mim, e tudo no quê pude pensar foi “Só me querem, para subir na hierarquia infernal”. Minha vida virou um inferno, e não tive para quem correr. Foi quando Bernardo apareceu na minha porta, o único com quem tinha me juntado, de uma maneira, que jamais poderia me separar. Eu não sabia como reagir, mas também não tinha certeza se o Douglas era ou não, o ser com quem estive por tanto tempo, o demônio que me pegou nos braços em minhas visões. Por isso apenas fui fria, e fiz o possível para que meu ex-namorado fosse embora. Aquilo me destruiu, ainda tinha sentimentos por ele, mas alguém tão conformista como ele, não podia ser o meu marido das visões. É claro que um relacionamento abusivo desses, não durou tanto tempo, em novembro soube que meu lindo namorado tinha me traído com sua amiga, e ainda usou sua insanidade para justificar o ato. Fiquei furiosa e paguei na mesma moeda, porquê sempre lhe avisei, que se fizesse algo assim pra mim, iria me vingar. Só que no momento que beijei o outro cara, quase fui estuprada, e por isso entrei em pânico depois. Por mais chateado que tivesse, e o quanto babaca fosse, ele foi atrás do cara e o ameaçou de morte, e isso me fez lhe dá algum crédito. Nos preparamos então para nos conhecer, mas algumas semanas antes, tive um desmaio, e isso trouxe mais uma revelação. No sonho fui parar em um cemitério, e ali fiquei rodeada de espíritos histéricos, que repetiam sem parar algo como “Morte, dinheiro, e falsidade”. Não entendi o porquê daquela viagem astral, até que aconteceu. Nunca fui boa em lidar com o fantasma traição, como bem sabem, deixei o homem mais perfeito para mim, porquê tinha lhe traído. Então quando estive do outro lado da moeda, só pensava numa coisa: Terminar. Todo dia Douglas vinha com a mesma choradeira, seguida de outra tentativa de suicídio, que já não me comovia mais. Só me vinha a mente voltar para Bernardo, que tinha sido a melhor pessoa que conheci em toda minha vida, e ouvir as músicas do cd que deixou pra mim, não ajudava nem um pouco. Sentia apenas raiva de Douglas, raiva por tudo o quê me fez passar, e ainda ter que suportar o fato de receber seus chifres, por isso na noite de natal, 2 dias antes de viajar para minha cidade, eu lhe dei um fora, sem pensar duas vezes. Na noite seguinte, sonhei com ele muito magro, me abraçando no escuro, enquanto dizia “por quê está fazendo isso comigo? Eu te amo” e fiquei preocupada. Fui procurá-lo, querendo conversar, não podia deixar tudo o quê passamos, e acabar assim, mas foi como se eu não existisse para ele, e no mesmo dia, meu avô faleceu. Não fiquei chocada com aquilo, estava triste demais, por ser ignorada por alguém que dizia preferir a morte, do quê me perder. Pensava no que tinha feito de errado, para que agora nem lembrasse de mim, e não viesse me socorrer, num momento tão delicado. Cheguei até a acreditar que havia sido vítima de um despacho astral, e ele estava enfeitiçado, assim como no romance Os imortais, que estava lendo, mas nem assim voltou a falar comigo. Me senti sozinha, abandonada, sem suas milhares de SMS por dia, e assim entrei numa depressão profunda, na qual as minhas tentativas de suicídio, se tornaram diárias. Eu não tinha mais ninguém, nem amigos, nem namorado, e os que ficavam por perto, pareciam torcer pelo meu sofrimento. Parece que estava perdidamente apaixonada certo? É aí que se engana, ele criou condições para isso, e o quê me fazia sofrer, não eram os sentimentos, e sim a dependência que se fez ter. O ano de 2012 terminou assim sombrio, e o de 2013 se iniciou ainda pior. Em 15 de Fevereiro, fiz 18 anos, e apesar de ter muitos motivos para comemorar, nesse dia estava desanimada. Parte de mim sentia-se feliz por chegar a maior idade, e a outra parte torcia para que tudo se ajeitasse, e como não era de perder uma festa e bebedeira, resolvi comemorar no sábado, e tratei aquele dia como outro qualquer. O Papa já havia renunciado recentemente, e um raio tinha caído na basílica, no mês que atingiria a maior idade, então nada mais poderia acontecer certo? Errado, como em 11/11/2011, algo veio a tona. Ah não contei? Bem, não é tarde demais! Em 11 de novembro de 2011, sabia que algo grande ia acontecer, já que devido ao meu fascínio por conspirações, tinha lido sobre a importância do número 11 para elite, que significava 1 número a frente de Deus, e minha melhor amiga Gíulia concordara comigo, só que concluiu, que o fato passaria despercebido pelos leigos. Naquela noite adormeci, e então tive um sonho. Era de noite, e havia uma enorme passarela de granito, acima de uma cachoeira cristalina, com um pilar no final. Eu estava com uma túnica ritualística preta, e caminhava descalça em linha reta, até o final da ponte de pedra. Ao chegar no meu destino, encontrava um painel, com símbolos exóticos que pareciam de outro mundo, e de alguma forma eu os entendia. Ajeitava-os em ordem, passando os dedos entre eles, e então olhava para o céu, e via um cometa sair do vazio e voar por ali. No dia seguinte, contei sobre este sonho para a minha mãe, e esta me falou que saiu no jornal, que um astro passou mesmo no céu aquela noite, e não só isso, segundo os estudiosos, este tinha sido igual ao meteoro, que passou pela Terra,  antes do dilúvio bíblico no passado.  Isso sim me deixou surpresa, e me fez questionar, se de alguma forma eu tinha causado aquilo. Como disse antes, esta não foi a única experiência que tive, e foi no meu aniversário que a outra veio a acontecer. Em pleno dia 15/02/2013, data em que fiz 18 anos, um meteorito caiu na Rússia, deixando vários feridos, e servindo como um dos sinais do Apocalipse. Por conta deste fato, alguns satanistas defenderam que eu era mesmo filha de Lúcifer, e de fato o anticristo destinado a reinar na Terra. Isso me deixou animada, era uma prova, quase incontestável do meu suposto destino grandioso, e mesmo que não tivesse ninguém, imaginava que minha vida iria melhorar, pois estava no caminho pelo qual devia seguir, e a mão esquerda logo me reconheceria. No dia que comemorei meus 18 anos, tirei uma foto com os metaleiros, e o brilho dos meus olhos saiu verde, algo quase inumano. Como se isso não bastasse, em março daquele ano fui surpreendida com uma aparição, bem peculiar. Sai com os meus “amigos” para o formigueiro, uma pracinha que ficava atrás da igreja São José, onde os roqueiros se reuniam para beber. Como sempre me sentei num canto afastado dos demais, e fiquei conversando com a Rosa. O céu estava nublado, haviam muitas pessoas, e eu estava com o ar de soberania, que só uma princesa infernal tem, pois tinha certeza de que era filha de Lúcifer. A primeira, a inabalável, a princesa das sombras, o anjo que servia o inferno, entre outras bobagens. Um homem de idade, todo vestido de preto se aproximou, usando um hexagrama, e carregando um livro preto. Cumprimentou a todos, com um sorriso, simpático e gentil, enquanto ouvia-se o boato de que era um pedófilo. Por razões mais do quê óbvias, eu realmente odeio esse tipo, mas ainda sim dancei sua música, e fui cordial com ele. Ao tocar minha mão, ele alegou que eu era do signo de leão, por ter um espírito muito forte, esta não era a primeira vez que ouvia sobre meu poder espiritual, mas o erro do signo me fez sorrir com pura arrogância. E no momento que meus dentes foram expostos, este largou minha mão, assustado como um cordeiro que acabara de ver um lobo. Por trás das lentes negras de seus óculos, pude ver o pânico se instalar, era como se soubesse quem estava ali, e por não ser uma mortal frágil, ele decidiu fugir. Sem dizer nada, e a passos rápidos, se afastou dali, como quem viu o olho de Sauron, deixando de cumprimentar os demais. Eu ri e me gabei para Rosa que viu tudo, mas a aventura não terminou aí. Quando deu 17 horas, o grupo decidiu mudar de lugar, e saímos para a praça da bandeira, quando 3 frades da entidade Capuxinhos chegaram ali. Ao passar por mim, estes evitaram olhar em meus olhos, pareciam temorosos, e seguiram para a igreja com rapidez. Não liguei, afinal de contas eram religiosos, é claro que ficariam assustados, com qualquer um, que não fosse o sinônimo do divino, então segui o meu caminho. Quando escureceu, uma das meninas avistou novamente o grupo de frades, mas desta vez não eram apenas 3, e sim 12 ou 13, que marchavam pela rua como se fossem soldados caçando algo, e este algo certamente era eu. Após este fato me tornei paranoica, pois era muita coincidência, ter muitos frades, no mesmo lugar em que se encontrava a filha do inimigo deles não? E por medidas de segurança, comecei a postar “Se eu desaparecer, me procurem no Vaticano!” Por quê? Oras todos dizem que anjos não fazem mal, ou que as entidades católicas, são apenas para a caridade, mas isso é um fato quase falso. Pois em 1500, quando muitos se recusaram a seguir a fé em Cristo, estes foram jogados na fogueira, sem dó, nem piedade, por entidades que pertenciam a santa fé, ou quando Sodoma e Gomorra caíram no pecado, todos foram aniquilados pelos anjos. O quê significa que eles só não matam e torturam, quem segue as suas regras, e como eu não só não as seguia, como carregava o sangue demoníaco, certamente seria um alvo, numa guerra que estava prestes a começar. Por conta de tudo o quê sabia, e sentia ser real, vivia tendo pesadelos, nos quais um anjo de olhos brancos me perseguia, tentando me destruir a qualquer custo, como se de fato fosse a chave do Armagedom, do qual Agares havia  falado, mas enquanto um anjo tentava me matar, outro descia dos céus para me defender, assim como quando sonhava com cobra, uma avançava em mim, e a outra me protegia. Nessa época passava muito tempo dormindo, era melhor que viver rodeada de gente, que torcia pra eu me acabar em depressão, por isso tive todo tipo de sonho bizarro, que se possa imaginar, mas isto fica para um próximo livro. Em 13 de julho de 2013, fui ao dia do rock com Rosa, ela estava caindo de bêbada, e como cuidou de mim lhe devia uma. Nesse dia, por alguma razão Douglas mandou mensagem, algo que era bem comum naquela época, pois após o término e fingir que eu não existia, passou a aparecer de vez em quando, só para me atormentar. A gente ficou discutindo, não me lembro porquê , mas por causa disso, fiquei tirando e colocando o celular de dentro da bota, até que um moleque veio e o roubou de mim. Mas já era de se esperar, estava longe da multidão, numa construção deserta, porquê Rosa não queria vomitar em público. No começo ri, não acreditei que aquilo estava acontecendo comigo, e quando fui ameaçada de morte, corri atrás do assaltante, mas este foi mais rápido naturalmente. Ao contar para a policial, esta me olhou com desdém, como se eu fosse uma menor, que estava infringindo a lei. Não aguentei e gritei com ela, foi preciso que o grupo de meninos com o qual Rosa viera, me segurasse, para me acalmar, e no meio da confusão, ainda haviam dois meninos brigando para ver quem me consolava. Mas estava com tanta raiva na hora, que nem liguei. Senti meu corpo pulsar, como se meus pés não tocassem a sola da bota, e fiquei com medo de flutuar ali na multidão, por isso abracei um dos rapazes. Ao chegar em casa, fiquei fora de mim, e gritei com um rugido de leão, sobre ser fraca, chutando tudo ao meu redor. Estranhamente, na hora que surtei, os cães e gatos ficaram loucos, latindo e miando sem parar, como se eu estivesse possuída, e esta foi a mesma conclusão da vizinhança, que mais tarde vim saber, que acreditavam que eu estava com o satanás no coro. Ainda naquele ano houve mais um fato, eram 6 horas da manhã, noutros tempos estaria indo para a escola, mas naquela época tinha me formado no ensino médio, então só estava vagando na internet, procurando por respostas como “qual era meu nome infernal” e se haviam mais pessoas que acreditavam na minha existência. Sim a esta altura, tinha embarcado no trem da loucura, e não ia descer na estação da razão. Pra piorar haviam muitos fanáticos de diversas igrejas, que não só acreditavam na existência da filha de Satanás, como também a temiam. Uns diziam que hoje em dia era velha por ter habitado a Terra, muito antes do homem caminhar por ela. Outros alegavam que era uma jovem, e que quem se casava com ela, trilhava o caminho da escuridão. Mas a que me deixava de queixo caído, era a que falava sobre ela ter sido expulsa do paraíso, pelo próprio Deus, que não queria dividir suas glórias. Por quê me deixava assim? Devido a minha visão do anjo e a mulher copulando no paraíso. Além disso consegui desvendar qual era o meu nome, mas isto será explicado adiante. Em meio a todo este turbilhão de ser ou não ser, algo ainda mais fantástico aconteceu. Numa manhã qualquer, estava diante do meu computador, falando com uma das milhares filhas de Lúcifer, que ao contrário de mim, eram super bem recebidas pelo público satânico, enfim...sem muito ânimo, porquê vi que o fato de ser da realeza infernal, não mudaria nada na minha vida, poucos acreditavam em mim, e minha popularidade continuava baixa então de que adiantava ter uma coroa?. De repente a luz começou a piscar, como em um filme de terror, e pensei “ah ótimo, lá vem uma assombração encher o saco!”, mas com um pouco de animação, resolvi falar sobre. Foi quando o sinal caiu, e ouvi o barulho de algo no lado de fora de casa, parecia uma nave especial, e por isso corri para abrir a janela do meu quarto. Para a minha tristeza, não tinha nada lá fora, mas o barulho permaneceu, e me lembrei do O galinho Chiken little, onde as naves podiam se disfarçar entre as nuvens. Se havia ido parar no cinema, é porquê queriam que  a humanidade soubesse, do potencial das naves extraterrestres, não? Entrei para o cômodo, e me deparei, com uma esfera dourada flutuando diante de meus olhos. Por incrível que pareça, não surtei, apenas fiquei fascinada pelo fato e sorri. No entanto, assim que percebeu que estava sendo vista, a bolha de energia foi rapidamente para a parede, e então desapareceu, deixando tudo normal outra vez.Na semana seguinte, fui para o meu primeiro estágio, pois precisava de dinheiro, para ajudar na casa. Era 14 de agosto de 2013, e o dia foi estranho do começo ao fim, naquela noite sonhei que fugia de um lugar semelhante ao cenário do primeiro jogos mortais, e ao escapar me deparava com a rua de minha casa, onde recebia uma facada no útero, mas não sentia dor, apenas me dissolvia em energia até desaparecer. Acordei sem vontade de ir para o trabalho, e como minha mãe na maioria das vezes dizia sim, para o quê eu pedia, pensei que fosse me deixar ficar em casa. Para minha surpresa, ela não deixou, e fui para o escritório do jornal, do qual o amigo de meu pai era o dono. Lá foi interessante, até divertido, e senti que devia voltar, pois queria seguir a área do jornalismo, para expor estes fatos estranhos na mídia, e abrir os olhos dos mais céticos. Só que quando cheguei em casa veio o abalo, logo que entrei na ladeira, vi que houve um incêndio, e brinquei com minha mãe dizendo "Desta vez não fui eu.", já que neste tempo, toda vez que ficava furiosa, algo pegava fogo do nada, o quê fazia eu me sentir uma verdadeira mutante da geração X. Todavia da mesma forma que o sorriso brotou, ele foi derrubado, quando notei que a janela de casa estava aberta, até briguei com minha mãe, lhe dizendo que tinha esquecido, mas esta percebeu logo, que sofremos um assalto. Outra vez fiquei fora de mim, sai chutando a porta, e quando o marginal do meu vizinho passou por mim com o ar de satisfação, quase lhe desferi um golpe. A porta foi fechada por dentro, e quando abrimos, apenas o meu quarto estava revirado, totalmente bagunçado cheio de sacolas, e vazio. Meu primeiro pensamento foi "levaram meu notebook! Justo onde estava digitando o meu livro, e onde tinha metade da minha vida!" Fiquei em choque, e quando fomos a polícia registrar o roubo, tudo se tornou ainda mais esquisito, pois eles pareciam zumbis, programados para agir de uma maneira robótica, sem qualquer consciência. Citei sobre o tal incêndio da casa de baixo, e a única resposta que tive foi que ele não foi criminoso, e quando a perícia chegou, concluiu que o roubo ocorreu sim, na hora que a residência da vizinha pegou fogo. Minha fé em Lúcifer foi totalmente abalada, me senti só e desprotegida, como nunca antes, e isso me deixou mergulhada em trevas. Naquela tarde, tentei entrar na minha conta Carry Manson do Facebook, onde tinha uma página, que estava a crescer, tanto pelos meus contos, quanto por minha vida real, mas a senha foi alterada, e me tornei um fantasma virtual, como se nunca tivesse existido. Sim, tudo no mesmo dia. Após perder tudo, tive de recomeçar do zero, e passei a ler mais, tentando usar o fato da forma mais positiva que pudesse. Criei uma nova conta, e continuei a expor minhas visões, porém parte de mim ficou temerosa, pois tinha me envolvido com algo muito sério pelo visto, e provavelmente sabia mais do quê deveria, e queriam me calar. Pouco tempo depois minha fé foi restaurada, porquê ás 19:15 da noite, o meu professor de balé foi preso, com exatas 11 acusações de abuso, e mandado para o pior presídio do Estado, e assim soube que Lúcifer ainda estava ali por mim, pois me trouxe a justiça, que o povo de Deus, passa anos e anos esperando, mas nunca vem, e as vezes o cara ainda é perdoado por se converter. Ainda neste ano, tentei realizar meus sonhos, e comecei indo para a aula de canto, pensando ser a rainha soprano, até ser descartada e taxada de mezzosoprano lírico. Por quê é relevante? Bem porquê quando voltei da aula, minha mãe viu fantasmas. Era sábado a tarde, e ela me pediu para comprar pão, fui até a padaria, e quando voltei, esta me disse que tinha visto um homem torturando uma mulher, na janela da cozinha, e achava que isso se dava, porquê meu professor impôs que cantássemos um hino de igreja, mas ignorei. Até que no domingo a noite, passamos por um carro, e este ligou os faróis , admito que fiquei com medo, e deduzi que tinha alguém no carro, até que minha mãe me empurrou, e vimos que não havia ninguém ali. Pouco tempo depois de ter sido transformada num pó virtual, saiu nos jornais que os E.U.A estavam vigiando o Brasil, e todos ligados a presidente Dilma, o quê era estranho, pois vivia tendo sonhos com ela, nos quais esta vinha na forma do cavaleiro guerra e conversava comigo, e eu contava a minha mãe, que ficava de queixo caído, e acreditava em mim, o quê me dava forças para evitar remédios, apesar de achar que estava a beira da loucura. E o quê me fez duvidar ainda mais da minha sanidade, foi esse fato que contarei a seguir. Eram 18:30 da tarde, meu quarto estava todo escuro, quando me deitei, e ouvi o Apocalipse sendo recitado por várias vozes, de forma tão perfeita que não parecia vim de mim, eles mencionavam sobre a Marca da Besta, e eu não sabia porquê, até que contei a uma amiga, e esta me mostrou a imagem de um contrato, assinado pelo Barack Obama, onde este aceitava o chip 666 mondex no país, que era um apetrecho tão pequeno que servia para colocar na mão ou na testa exatamente como nos textos bíblicos. Foi quando passei a me dedicar aos estudos da bíblia, percebendo que estávamos mais longe do quê eu pensava. Achava que o Apocalipse se iniciaria logo, não que já estava acontecendo. Não sei porquê ouvi essas coisas, justo quando a marca foi instalada, mas sei que tem alguma razão para isso, e não é a loucura. Neste ano me perdi de vez, não via com quem contar, não tinha bons amigos que me entendessem, e os que ficavam ao meu redor, sempre "curtiam" ao meu sofrimento. Por isso me tornei cruel e dura, e desta maneira quase perdi para todo o sempre, o amor da minha vida. Estava tão entorpecida pelo veneno destilado por Douglas, que nem sequer via, que tinha alguém que de fato me amava. Era um dia de maio, quando eu e Bernardo voltamos a nos ver, e dormimos juntos, mas o clima não foi de romance no fim das contas, pois no dia seguinte lhe disse a seguinte frase: "isso não quer dizer que te amo, nem que vamos voltar!" e este partiu sem dizer nada. Não achei que o machucaria tanto, porquê para mim, ele já tinha aceitado o nosso fim, e aquilo era uma recaída, mas hoje acredito que foi o pivô de sua destruição. Dando continuidade aos fatos, lembra-se do ódio mortal que senti do menino que roubou meu celular? Bem, ele foi tão grande que me fez lhe ameaçar de morte por sms, deixando

    claro que não sabia com quem estava se metendo. E alguns meses depois em outubro

    daquele ano, cheio de fatos incríveis, houve o grande incêndio do maior ninho de bandidos

    de Macapá, o bairro Perpétuo Socorro. Lugar que por coincidência se localizava a igreja favorita de minha mãe, e foi nesta que ela fez a promessa, de me colocar um sobrenome

    ridículo, por causa de um "milagre". É, minha vida tem mais eventos paranormais ainda, e estes ocorrem desde que nasci. Enfim praticamente o bairro inteiro pegou fogo, e as chamas eram tão intensas que teve uma repercussão nacional. O quê me deixou por um lado feliz, pois me senti vingada, e temerosa porquê alguém estava atraindo os holofotes exatamente para onde eu morava, e eu não queria ser descoberta, não pelo inimigo, não sem guardas demoníacos para me ajudar. Depois desse fato houve outro, eu e minha mãe brigamos por religião, porquê esta uma vez puxou uma faca de carne para mim. É impossível esquecer, era véspera da  véspera de natal, eu tinha 14 anos, e estava animada para a data, imaginando como seriam os cartões virtuais dos meus amigos obscuros. Seus olhos ficaram  amarelos, bem claros, e ela pulou em cima de mim, após eu lhe provocar. Me chamando de monstro, de demônio, e tentou me matar. Eu só sobrevivi, por ser muito boa em manipulação de pessoas, que são excessivamente emocionais, além de ter tido tanta adrenalina, que fui capaz de lhe imobilizar com facilidade. Do contrário hoje não estaria aqui, contando a história, como resultado houve um desastre num evento religioso da nossa cidade, e alguns se

    foram.  Como sempre, toda vez que eu estava por perto, ou remotamente envolvida, algo bem devastador acontecia.  O ano de 2013 terminou com todas as desgraças, e o ano de 2014 se iniciou diferente dos outros. Em janeiro daquele ano, sai com um rapaz, que era tão conspiracionista quanto louco, e logo nós começamos a namorar. Nosso primeiro encontro foi inesquecível, porquê mais uma vez fui assaltada, mas desta vez foi ainda melhor, porquê enfrentei o assaltante, e se meu pretendente Ronny não me puxasse, teria tomado uma facada na garganta. Mas o relacionamento não durou nem uma semana, porquê o idiota do meu único amigo Rodolfo, que estava tão na pior quanto eu, porquê tinha magoado a minha melhor amiga Marisol, resolveu se declarar, e como eu já estava gostando dele desde novembro de 2013, fiz o quê meu coração mandou, fui sincera com o meu par, e terminamos numa boa. Meu coração era burro, ele não gostava tanto assim de mim, e já era de se esperar. Viramos amigos porquê depois de tanto pegar no meu pé, por eu dizer a Mari que ele devia respeitá-la, viu a chance de se reaproximar da ex maravilhosa que perdeu, mas infelizmente na mesma época nós perdemos o contato, porquê devido a minha obsessão com o fato de ser filha de Lúcifer, acabei brigando com Mari por ter mais destaque que eu, mas antes  fiz de tudo para que voltassem, achando que ele tinha mudado, e estava pronto para um recomeço, com a melhor pessoa do  mundo. Como não restou mais ninguém, a

    gente se aproximou, e com ele conheci umas novas bandas bem legais de rock, além de conhecer o Howard Philips Lovecraft, o autor de O chamado de Cthulhu. Aquele que deu origem a ficção científica, envolvendo aliens, com uma obra que influenciou na criação do filme Doom a porta do Inferno, e muitos outros que seguiam a mesma temática. Fora isso, Rodolfo era um tremendo babaca, dava em cima de todas, e vivia tirando onda comigo, então foi outro relacionamento curto. Como tudo deu errado em 2013, não vi outra escolha senão entrar na faculdade, e escolhi Ciências Biológicas e Enfermagem, mas só passei para o primeiro, em 11° lugar. As aulas começaram, e logo no primeiro dia, me deparei com um nerd, que de imediato me atraiu, mas como não sabia qual era a dele, evitei seus olhares. Na hora de responder o porquê da escolha do curso, eu disse logo que estava ali, para estudar a vida alienígena, sem me importar se viraria a "louca dos ets" afinal de contas, não conhecia ninguém, então não tinha nada a perder. A minha resposta foi a melhor na qual pensei, pois seria pior dizer que graças a panspermia cósmica, não cometi suicídio. A esta altura tinha novos problemas para resolver, como provar que não só filhos de demônios e anjos existiam, como também podiam ser encontrados através dos genes, e enquanto lutava para ter sucesso, minha nova irmã de Lúcifer e Lilith Isabela, o obtinha sem mover um dedo. Será que o segredo está na idade? Quanto mais jovem mais chances de brilhar? Bem não sei, mas admito que é o quê parece. Pra piorar, ela vinha se destacando tanto, que era impossível não sentir raiva, pois até os meus amigos a admiravam. Outra vez alguém mais jovem, roubando o meu lugar, então não andava lá muito feliz. Certo dia o garoto que achei bonitinho, levou uma revista sobre os vilões, e por esta razão me aproximei. Descobri que seu nome era Thomaz, e falei sobre ir pro curso, para poder dissecar sapos, e ele me mostrou que dissecou um rato, ali me apaixonei. Nós começamos a conversar, e o fato de ser tão inteligente me deixava fascinada. Que belo intelecto, que bela pessoa, será que tinha tirado a sorte grande? Claro que não, ou então hoje em dia não seria casada outra pessoa. Mas voltando , ele parecia está na minha também, vivíamos grudados, e uma vez acho até que tentou me beijar mas desviei, por medo, por fidelidade a Rodolfo, ou sei lá o quê. No entanto dei uma festa, bebi demais, levei um fora dele, e isso terminou comigo me cortando no pescoço. Eu sei, parece que não tenho maturidade, só que foi mais uma coisa que deu errado, e pra piorar as cartas de tarô que sempre acertaram sobre meus fracassos românticos, pareciam ter errado sobre o meu sucesso no amor. Não tive cara para reagir, só soube mais tarde que ele confessou a minha mãe, que gostava muito de mim, e não queria que eu fizesse isso. Depois veio falar comigo, e as coisas foram ficando estranhas, na semana seguinte soube que não ficou comigo porquê tinha namorada, pior sua namorada era amiga de uma das minhas melhores amigas, a Ana, e eu a conheci. A menina foi  gentil comigo, e nos demos muito bem, me senti culpada, e por essa razão decidi ir me afastando. Quer dizer se a garota fosse uma megera, iria lutar até tirar o cara dela, mas alguém tão gente boa, não merecia isso, logo voltei pro Rodolfo, com quem tinha terminado para não trair. Algum tempo depois da festa do desastre, ele e a namorada terminaram por algum motivo, se não me engano, problemas com o horário, e como Rodolfo era um idiota, novamente fui a luta, mas as coisas ficaram estranhas entre a gente, ele parecia cada vez mais próximo de sua amiga , como se estivesse apaixonado por ela, e suas ideias toscas sobre ateísmo, pois se tornou ateia apenas porquê Deus, não lhe deu nada do bom e do melhor, para piorar mais suspeito ainda, notei que meu livro de magia negra de São Cipriano, foi marcado na página "como obrigar alguém a te amar", e isso me fez questionar se ela não o enfeitiçou. Novamente fiquei sem amigos, a popularidade, estava relativamente em alta, só que pra mim não era o suficiente, e foi assim que fiz amizade com , uma evangélica, que além de bonita, era uma CDF de primeira que me ajudava com minha autoestima.  Porém vez ou outra ainda via o menino e seu grupo, que não parava de crescer, só que ele me fazia de trouxa tipo 100%, por isso fui criando raiva, mas não me afastei por completo. Levou tempo até entender que a Cláudia, não o enfeitiçou, mas sim deve tê-lo envenenado dizendo que provavelmente eu o fiz, afinal de contas todos sabiam que eu era satanista, e por isso esperavam o pior de mim. A faculdade virou um inferno, era um joguinho chato, que não dava para suportar de maneira alguma, porquê enquanto eu falava que era filha de Lúcifer, e tinha muito a ensinar a este mundo, como uma princesa alien, ele preferia a mulher do "foda-se Deus e o sobrenatural que faz parte dele!". Falei, falei, fui insultada de burra, até que resolvi me calar, as pessoas creem no que bem desejarem, e se querem ser idiotas, que sejam. Achei que nada podia piorar, já tinha cometido grandes falhas, me apaixonar por um idiota, ter ido pra casa de um estranho, onde quase participei de uma orgia, depois de ficar com as garotas, ter dormido com o dono da casa, ter dormido com o namorado, da sobrinha da minha tia, e por fim ter partido o coração de um rapaz, muito legal que se chamava Fred. Ele é marcante porquê graças a sua forma de agir perante a minha traição, mesmo sem ter certeza que a gente estava num relacionamento, percebi que estava me tornando uma vadia fria, e não me senti nada bem com isso. Queria mais da minha vida, do quê me tornar uma Elly, por isso senti um alívio, quando Bernardo reapareceu, e estava namorando. Todas as minhas amigas falavam que ele não tinha

    me esquecido, mas o fato de está com alguém, provava o contrário. Agora podíamos

    ser amigos, como teria acontecido, se Douglas não tivesse interferido, eu podia lhe pedir desculpas, pelo mal que causei, e tudo iria dá certo, até me ajeitar com alguém também. Só

    que quando testamos essa amizade, as coisas ficaram fora de controle, ele tentou se afastar

    , mas me aproximei, até beijá-lo de surpresa, o pior é que foi ótimo, teve ardor e magia, e por

    esse encontro de bocas, toda a minha perspectiva mudou. Na semana seguinte tudo no quê eu pensava era em voltar com o B, ele sabia que eu gostava de Thomaz, mas aceitou me ajudar quanto a isso. Houve uma nova reunião na minha casa, dessa vez com vinho e um cigarro de maconha, esta era a terceira e última vez que fumaria isso na minha vida, as outras ocorreram na faculdade, junto da minha paixão platônica. B e eu voltamos, e de alguma forma, tínhamos uma química inegável, que dava inveja nos mais próximos. Quem eram os convidados? Claúdia, Thomaz, e o resto do nosso grupo, e o ciúme daquele que segundo o próprio Thomaz, só tinha desejos carnais por mim, era bem evidente. Ele tentava se aproximar, e eu só jogava meu charme, não queria ferir a ninguém, mas também estava cansada de ser pisada. Nesta noite houve algo que nunca antes tinha acontecido, de alguma forma eu acabei no meio dos meus possíveis pares. B estava confiante, até mesmo conversava com T, que estava claramente inseguro, e eu me sentia no topo. Até que fui pra fora de casa fumar um beck, e fiquei abraçada ao B, T viu, e seu olhar de fúria foi tão perceptivo, quanto o brilho de uma estrela a noite. Este me encarou, eu sorri com muita satisfação, e ele tentou literalmente me queimar viva, tacou fogo no meu cabelo. Mas a noite não acabou aí, Cláudia vendo que eu estava ganhando terreno, tentou levá-lo embora mas o garoto não queria ir, como se quisesse ter certeza de que B fosse embora antes. Só que como Cláudia, é uma papa anjo como minha mãe, ela sabia como virar o jogo, ela era a carona dele, por isso ameaçou ir embora, e quando todos foram nem me levantei para abraça-lo. Foi épico, e naquela noite eu ri muito ao lado do B, porquê conquistei uma vitória bem ao estilo Carry the Devil. Porém não deu em nada, a não ser no fato de T, começar a demonstrar mais os seus sentimentos, sem confessar alguma coisa, e vendo que isso irritava um pouco o B, fui deixando de ir as aulas. Pra uma coisa que era meramente carnal, ele agia bem diferente do padrão, e acho que cheguei perto de ter algo mais, porém desisti no último minuto. Já tinha tido muitas lutas como essa, por amores que não valeram a pena, por isso resolvi acabar de vez, com esse sentimento. Pouco a pouco fui sumindo da faculdade, até tomar a decisão de abandonar de vez, porquê não tinha mais jeito. Eu joguei, foi divertido, todavia só valeu a partida, pois no fim das contas ninguém venceu. Ele me perdeu de vez, mesmo demonstrando que quisesse que eu ficasse, voltou com a ex, terminou com a ex, me procurou no Facebook, mas eu o recusei depois de muito deliberar. Eu e B voltamos, tentei parecer feliz, mas não me sentia lá muito realizada. Ele agora era mesmo o babaca que havia me dito, que se tornara por causa da sua ex Odette Pinto. Graças a ela, segundo o mesmo, ele agora tinha dormido com quase que a cidade inteira, tudo porquê esta se recusou a ir pra cama, e disse que esperava o pior dele. Eu não me importava, achava que o amor de B era maior por mim, e que não me sacanearia, com a primeira que aparecesse. Afinal de contas sexo não era um problema, e nenhum cara  topa te ajudar a por ciúme em alguém, se não gostar de você de uma maneira diferente não é? Acreditava que Bernardo, era o tipo de pessoa que ia até o fim do mundo, para me buscar um remédio, caso estivesse doente, por isso seu passado não o condenava. Passei muito tempo, presa a esta paixão platônica sem futuro, tentando me ajeitar com o B, pois achava que ele sim me amava, porquê já tínhamos um compromisso, estava registrado, todos sabiam, ele tinha me assumido, então por quê perder tempo com uma pessoa, que não teve essa coragem? Nessa época, conheci novas pessoas, e por conta do meu histórico escolar da noite, todos me conheceram pelos elogios dos professores, que me consideravam muito inteligente. Primeiro me juntei a Ária, mas a amizade não deu certo, porquê ela me trocou por Melissa, a melhor amiga de Natasha que vivia pegando no meu pé, por praticamente respirar, e esbanjava popularidade, coisa que para Ari, era claramente mais importante do quê me ter por perto. Natasha ficou sozinha, após Ária dá um jeito de separar as duas, e como eu não tinha valor, nos tornamos amigas. Tudo estava muito bem, até que finalmente com a ajuda de Melissa, consegui tomar a minha decisão sobre ficar com um ou lutar pelo outro. Disse "Não importa se o T é gato, é o Bernardo que me ama de verdade!" E por uns meses fui feliz por ter o B por perto, porquê ele me fez voltar a gostar

    de anime, de jogar, e enfim me achar outra vez. Até que no ano seguinte aconteceu, a pior coisa de todos os tempos da minha vida, uma semana antes do meu aniversário em 2016 ás 15:40 da tarde, eu fui ver suas mensagens, e descobri que ele andava arrastando uma asa, para uma tal de Thaís Lobato. Você não diz "tenho saudade de quando me mordia, pois faz tempo que não o faz" para uma amiga. Nem que assiste um anime romântico com sua namorada, e lembra da amiga, porquê deu para o seu par o mesmo apelido que pertence a ela, no caso Kuriyama Mirai. Você não a chama para ir ver um filme, sozinho com ela, se não quer transar. E por fim você não diz que sonha com ela, em vez da mulher da sua vida. Aquilo me devastou, tanto que lembro do mês, ano, e hora, que aconteceu.  É, se você pensou que vilões podem ser felizes, está bem enganado, as coisas sempre dão errado pra gente, e aqui não é diferente. Eu abri mão do Thomaz, e dos pretendentes da reserva, ele não. Se for homem, deve está feliz por ver minha desgraça , porquê provavelmente alguém também partiu teu coração, mas vai ver que com mulher, jamais deve dá o troco. Primeiro fiquei tão fora de mim, que eventualmente quebrei o amado PC dele. Segundo o expus para todos que o achavam o máximo, e por fim fiz da sua vida um inferno. Porquê comigo não se brinca, ou joga o meu jogo, ou morre. Infelizmente numa vez que ficamos em paz engravidei, e como no dia que tomei a pílula do dia seguinte, bebi vódica, o efeito foi cortado, e assim fiquei com um barrigão, e um evidente chifre na cabeça. Nesse tempo, eu voltei a falar com Douglas, porquê assim como Kuriyama fazia o B se lembrar da Thaís, o novo Flash da DC era a cara dele, e eu queria muito me vingar. Entretanto Douglas era tão doente, que queria que eu abortasse, sendo uma gravidez que ao contrário das outras vezes, foi confirmada, e mesmo odiando está grávida de um tremendo filho da puta, não queria matar uma criança inocente. Que ele tinha me enganado e manipulado tudo bem, mas pedir pra destruir meu bebê era demais, por isso desde então cortei todos os laços de vez. A gravidez era horrível, vivia em hospitais, sofrendo com dores muito intensas, de parto prematuro, mas por alguma razão o bebê ficava protegido. Torcia pra ser um menino, porquê sabia que se fosse menina, a história da  Melinda e repetiria, e eu perderia todo o amor de todos. Como sempre, como minha vida é uma merda gigante, o sexo do bebê era feminino, e por isso muitas vezes odiei carregar esse ser dentro de mim. Outras vezes superprotegia, e conversava, mas na maior parte do tempo, só pensava que ia roubar meu lugar, assim como a Melinda fez, e todas as outras jovens depois dela. Em meio a esse inferno , ainda tinha que conviver com a dúvida se tinha sido traída ou não, bem que fui traída é óbvio, mas precisava saber se tinha sido como com Odette Pinto. E por falar nessa puta,  descobri que B não era tão ruim como namorado pra ela. Sempre falava bem, e o medo que tinha de perdê-la, enquanto que de mim, só falava que estava comigo pra suprir sua carência e por sexo. Uma vez ele falou que quando voltou comigo, não me amava mais, não acreditei até ver com os meus próprios olhos. É cara, comigo as declarações eram toscas, ele fazia como Rodolfo, me xingava de menina chata, e com ela era te amo pra sempre minha centelha de felicidade. Então fica a questão...Quem ele amou mesmo? Exatamente, ela, só que não assume, como se fosse crime dizer que você amou mais a quem mais se dedicou. Isso me deixou bem puta, daí ele tentou se desenrolar, dizendo que fui mais importante, porquê o quê fez por mim, não se comparava ao mínimo que fez por ela. Ah nossa, fez muito, falou mal de mim, não teve um pingo de respeito, e ainda pôs uma foto de perfil ridícula com ela. Com certeza, ai que amor. Segundo ele, ela só se tornou gótica, porquê eu era gótica, e gostou do meu estilo, adotando-o como se fosse uma cópia barata de mim, e que enquanto estava com ela, dormia ouvindo minha canção chamada Suicida. Ah que prova de amor! Uhul ele guardou a merda de uma canção idiota! Grande coisa! Minha filha Raviera  nasceu, e por um tempo me senti realizada com seu nascimento, até perceber que de fato ela veio pra roubar o meu lugar, e me afastar dessa ideia estúpida de ser mãe. Minha mãe me jogou logo 4 pedras, porquê não quis amamentar, devido ao fato de meu peito está em carne viva, e muitas vezes falou pra eu colocar a menina pra adoção. Algo que me deixava irritada pra caramba, como se não me bastasse o chifre, ainda tinha que ouvi desaforo, sobre ser uma péssima mãe. Eu estava tentando, fingindo que estava tudo bem em não ter mais os holofotes, só que nada do quê fazia era bom o suficiente, e pra piorar Natasha ficava dizendo que a minha filha seria apegada a avó, que lhe dava mais cuidados, do quê a mim, porquê eu estava claramente despreparada. Era fácil falar tudo de ruim, afinal de contas ser mãe era o sonho dela, e por isso o fato de me manter afastada da bebê, era visto como um crime, mesmo que eu a alimentasse, desse carinho, e lhe protegesse. Sim, nunca foi a minha vontade ser mãe, bem nunca é um forte exagero, mas naquele tempo certamente não o era. Douglas destruiu meus instintos maternais, quando veio dizer que se tivéssemos um filho, este seria mais poderoso que nós dois, e por esta razão deixei de sequer pensar no assunto. Já tinha provado a sensação de ser dona de um pequeno reino, e perder tudo para a próxima geração, e não desejava ter um pouco mais disso. Infelizmente gerei um ser na minha barriga, e os deuses disseram sim para a sua vinda a Terra, então não tive escolha se não ser mãe. Porém se coloque no meu lugar, eu me vi sempre ficando para trás por causa do novo, e fui doutrinada para acreditar que "as crianças são o futuro" , não foi fácil manter essa decisão. Como se não bastasse ainda tinha o fantasma da minha prima, atormentando a memória, com aquela cena clássica de um filme de terror, em que eu por pouco não a matei. Não me sentia segura, com a ideia de manter o bebê perto de mim, só me via cometendo atrocidades, e por medo de machucá-la, preferia deixá-la com a avó, que certamente só tentaria matá-la, quando esta crescesse, e seguisse meus passos. Ninguém me entendia, com exceção do Bernardo que ficava ao meu lado, e me defendia dos ataques da minha mãe, porquê sabia o quê eu estava passando, e não queria piorar a situação, mas ainda sim eu o odiava, estava dividida entre amá-lo e desprezá-lo, e isso me enlouquecia.Já cansada de meus surtos, resolvi ir ao psicólogo, não aguentava mais tanta tristeza. Lá recebi o apoio, e fui encaminhada para a psiquiatria, porquê como já deve imaginar, o meu caso é grave, tenho uma depressão profunda. É, também fiquei surpresa, achei que tinha personalidade esquizotípica, mas não, e olha que falei sobre tudo, principalmente sobre defender que os deuses são aliens. Fui a vários médicos depois disso, e me conectei profundamente a Amélia, uma  psicóloga, que me ajudou a perceber que só atraio destruição pra minha vida, quanto pior, melhor, pois assim me dá coragem pra acabar de vez com tudo. Ela está certa, todo relacionamento me leva para o fundo do poço, sendo um relacionamento ou platônico, quanto pior, melhor. Já exausta de ficar em duvida, fui atrás da amante fixa de Bernardo, Briana , descobri se ele tinha me traído com ela, mas tudo o quê soube é que ele se sentia culpado por trair a odiada Odette. Fui atrás dessa sirigaita também, mas a mesma disse que nunca ouviu falar de mim, e me tratou com  ignorância, rindo da minha desgraça, como se me odiasse, mas concordávamos numa coisa Bernardo era um mentiroso. Tentei falar diretamente com o pivô disso tudo, mas nunca dava certo, até que um dia Bernardo foi pra Goiânia procurar emprego, e me conseguiu um encontro com ela. Eu a conheci, numa praça pública, conversamos bastante, e fui bem direta sobre a traição, mas esta demonstrou que não aconteceu, tudo ficou no campo da emoção, o quê não isenta ninguém de culpa. Era fácil saber quando estava mentindo, pois ficava bem nervosa, sabia disso porquê quando falei sobre gostar do Bernardo, ela negou repetidas vezes, e desviando o olhar, como quem comete um pecado. Só que sobre traição parecia ter a sua consciência tranquila, falou até que gostou mais de mim, do quê da vadia ladra de legados, e juntas chegamos a conclusão de que B, a manteve por perto porquê se assemelhava muito a mim no passado, quando era muito mais satisfeita com a vida, e só a deixou lá para substituir o vazio, que eu deixei em sua vida ao ir embora. Ela até falou que eles tinham conversado depois de muito tempo, e que nunca o tinha visto gostar tanto assim de alguém, e que se ele pisasse na bola comigo, era para lhe dizer pra ela tacar uma pedra nele. A menina era gente boa, senão fosse o fato de ser amante do meu marido, teríamos sido amigas facilmente. E tudo pareceu se resolver, assim também fiz as malas, e viajei para Goiânia, com a intenção de deixar o passado no seu devido lugar. Todavia é impossível, não dá pra construir nada, num lugar em completa ruína, porquê o passado sempre vai contar, pois sem passado não há presente.
















    Capítulo IV

     “Como lidar com os fantasmas do passado, se eles parecem mais vivos do quê eu?”


    Antes de ontem, enviei uma carta a Odette na qual tomei o cuidado de lhe expor, e destruir sua mentira descarada. É claro que a odeio, tanto quanto a Elly, ou Lisa, e as tantas outras que apareceram na minha vida, apenas para estragá-la. Falei toda a verdade, como esta é, e a bloqueei porquê meu único objetivo, era trazê-la para o meu Inferno particular. Citei o fato de quê as fotos dela são parecidas com as minhas, e o estilo também, e que isso só começou, depois que namorou o meu marido. Falei que era estranho carregar um nome como Odette que se parece tanto com o som do meu pseudônimo Carry, e que foi mais esquisito ainda adotar o  sobrenome Moura, sendo que antes usava o Barros, que tanto lembra o Manson, meu sobrenome falso, e que eu vim antes dela. Falei que até o Bernardo lhe chamava de cópia barata de mim, e que se não sabia sobre minha existência, por quê então dizia que tudo que era romântico, ele postava para outra pessoa? Citei o fato da música que B ouvia, entre outras coisas como só conseguir declarações românticas por fechar as pernas, enquanto que eu tinha ido pra cama com ele, e o mantive por 8 anos. Tempo que é contado até como a época, em que estiveram juntos, mas fui a amante, porquê não o queria de volta. Enfim disse tudo o quê pensava dela, sem esquecer nada, deixarei a carta nos anexos, e você pode ler depois. Meu objetivo foi concluído, como a bloqueei, ela veio atrás de mim, através de um fake, acho que do namorado, e a única coisa que soube dizer foi que sou covarde, e não tem medo de mim. Deveria ter querida, porquê sou uma jovem autora, com muito talento, e logo serei famosa o suficiente pra seu nome ficar na boca do povo. Eu fui traída, mas tudo bem, porquê ele não dormiu com ninguém, só que ela levou tanto chifre que o namoro, mais parecia um carnaval. Sei que fiz o certo, a carta ácida foi perfeita, o suficiente para deixá-la tão irritada, que arranjou meios de revidar, sei que doeu, doeu tanto que precisou se defender. Pena que quando se vende milhares de cópias da sua vergonha, não dá pra esconder, e fazer tudo parecer perfeito, porquê já é tarde demais. Tenho noção de que estou me expondo, e desmascarando muitas pessoas com essa biografia, e sinto prazer em mostrá-los, para que assim percebam o quanto vocês, que fingem ter a vida perfeita, são piores do quê eu, e olha que sou satanista.  O problema é que não me sinto bem, eu quis machucá-la, porquê além de ter dela tudo o quê eu queria, teve a audácia de mentir para mim, sendo que a verdade está ali, estampada no seu Facebook, e quem me conhece há anos vai perceber. Eu sou a rainha dark Barbie de Macapá, não ela, nem nunca será. Parte de mim, se sente revigorada por colocá-la no devido lugar, e a outra parte nem sequer quer lutar. Não vale a pena lutar, porquê ela é uma cópia do Douglas mal, ou “Lord Dark” como ele se autodenominava. Vai sorrir e atacar sem parar, porquê no fundo se sente destruída, e acha que se fazer de forte vai disfarçar a sua dor. Sei bem como é, já convivi com alguém assim, e acredito que quanto mais mente pra si mesmo, mais isso te corrói, e te faz se sentir culpado. Ela e ele são claramente almas gêmeas, seria lindo se por acaso se encontrassem, se juntassem, e acabassem se destruindo. Eu poderia providenciar esse encontro, mas sinceramente, sei que o destino cuidará disso, e não vai demorar tanto. O problema é que as mentiras dela, me fazem duvidar duas vezes mais de Bernardo, que jura que ela só faz isso, porquê ele a usou para me substituir e não conseguiu. Mas duvido muito disso, porquê se foi assim, eu ganhei no fim das contas, afinal ele está comigo, e segundo o mesmo, e todos ao meu redor ele é louco por mim. Há novas informações que talvez façam sentido, sobre porquê ele supostamente me traiu com a outra Thaís, só que ainda não consigo processar isso. De acordo com a conversa que tive com meu marido, pude perceber que ele ficou bem chateado comigo, não tanto pela traição na web, e sim pelo fato de ter partido com Douglas, e ainda ter o levado a voltar comigo, quando claramente gostava do Thomaz. Chateado o suficiente, para falar coisas que mais tarde me machucariam, e agir feito um idiota, por causa do ciúme e a insegurança. Uma coisa típica dos homens, do tipo “machão” quando se sentem ameaçados. Além disso como se não bastasse, numa coisa ele tinha razão, a conta do Facebook dele estava salva com a senha no Notebook, por isso era perfeito usar essa conta para me provocar ciúmes, pela suposta competição na qual o coloquei, já que como sou curiosa, hora ou outra iria fuçar a sua conta. Me diz como pode ser uma competição, se o outro cara nem sequer ligava pro fato de eu existir? Meu marido diz que nós dois sabemos que não era assim, só que o próprio garoto assumiu pra mim, que seu interesse era carnal, então essa conclusão dele é errônea. No entanto como ele acreditava fortemente nisso, a insegurança não tão aparente, e o ciúme pouco evidente, o fizeram errar comigo. Está bem, voltamos para o marco zero, porquê novamente eu sou culpada, por suas atitudes, outra vez sou a vilã, e ele apenas o cara apaixonado, que não sendo correspondido da maneira que queria, se deixou levar pela raiva e o medo da derrota. Sinceramente pode até está certo, isso explica porquê há tanta coisa ruim sobre mim, disseminada por ele, só que não serve para corroborar o fato de que amou mais a ex dele, afinal de contas, aquela garota é uma idiota, e deve ter feito bem pior, com os seus tantos pretendentes, e sua maneira fria e ao mesmo tempo estúpida de lidar com as coisas. Ele diz que o quê ela fazia não importava, já que não estava nem aí, só queria dormir com ela mesmo, não ficar para sempre, mas ainda sim tenho minhas duvidas, porquê como o próprio disse, foram as palavras erradas que ela falou, que o fizeram se tornar um lixo em forma de homem. Para isso, este explica que meras palavras não o afetariam, se já não estivesse machucado antes, com a minha perda. Também soube que os meus “amigos”, em vez de lhe contar a verdade sobre meu relacionamento com Douglas, sempre diziam que estava tudo bem, e que quando este ia averiguar pensava exatamente isso, porquê via alguma coisa boa no meu feed, e parava de pesquisar sobre mim. Se tivesse um pouco de coragem, teria ido até o fim, e veria que aquilo era uma relação entre manipulador e monarca, aliás se estivesse um pouco em si, teria dito para não ficar com ele, em vez de dizer que não deveria deixá-lo depois de tudo. Ah se eu tivesse a minha conta antiga, o meu velho orkut, e as outras provas para lhe fazer entender, que não me salvou porquê não quis. Infelizmente não tenho nada, só lembranças, que na hora do debate não servem, assim como suas declarações sobre nunca ter me esquecido, não são provas, se não há alguma consistência, é tudo circunstancial. Ele diz que o fato de ter guardado a minha música, é uma prova concreta, mas para mim não serve, o fato de manter minha obra, só prova que sou uma boa artista, ou que ele não apaga as músicas do seu computador, aliás a segunda é uma alternativa perfeita, dado ao fato de que tinha mais de 5 mil músicas guardadas. Nesse julgamento as únicas coisas que podem lhe favorecer são: A) Amigos novos saberem que namoramos em 2011, coisa que ainda não foi comprovada, com exceção de uma amiga que se lembrou, e perguntou “se apareci de novo”  B) Conversas antigas registradas em seu Facebook, nas quais mencione que não me esqueceu, e me ama. Algo que para o seu azar, também não pode ser comprovado, dado ao fato de que o nome “Carry” não indica nada na pesquisa, e “Thaís” serve de indicativo para a outra moça, e coisas bem ruins sobre mim, abrindo exceção apenas para o fato, de que deixou de sair com os amigos, para cuidar de mim porquê estava doente. E C) o milagre da única pessoa que viveu isso na carne, parar de mentir, e vim me contar a verdade, sobre ele não ter me esquecido. Milagre pois dificilmente uma pessoa que não é nobre, aceita a derrota, e confessa seu crime. É bem difícil para mim aceitar, mas acho que meu psiquiatra o doutor Átila está certo, a paixão que ele sentiu por ela, foi muito maior do quê teve por mim, por isso se tornou romântico, de uma maneira que jamais fora comigo antes. E o motivo é bem óbvio meus caros leitores, eu fui fácil, forcei a barra para casar duas vezes, o empurrei para responsabilidades, e quis que fosse uma versão melhor de si mesmo. Algo que é claramente insuportável para os homens, porquê se uma garota já o deixou levá-la para cama, dá-se a entender que esta perdeu o seu valor, para eles significa que não há o quê ser conquistado, considerando que são movidos por sexo, e o amor é praticamente uma coisa puramente feminina. Uma invenção da mulher, para fingir que o ritual de procriação, representa uma ligação única com o parceiro. Como se não bastasse ter esperado apenas um mês, o fiz escolher entre o mundo ou eu, mostrando que logo perderia esse corpo quentinho, se não se casasse comigo imediatamente. Não o bastante, também impus que procurasse um rumo na vida, e após tudo isso, terminamos, e ele perdeu o fabuloso sexo que tanto lhe importava, pelo menos por um tempo, depois nos vimos outras vezes, e sempre aconteceu algo, no entanto  continuei a privá-lo de mim, e isso deve ter lhe enfurecido, porquê precisava do amor da outra, e do meu corpo, mas não podia ter os 2 em uma só, já que a pobre virgem Maria, se recusava a ir pra cama, mesmo permitindo-lhe algumas preliminares bem sacanas, que certamente o deixavam louco, ao ponto de fazer tudo pra conquistar seu glorioso objetivo de levá-la pra cama. Devia eu ter sido mais puritana então? Acho que sim, afinal de contas fechando as pernas, fez com ele dissesse muita coisa boa dela, e com as minhas pernas abertas, fui tratada como vadia, mesmo o acolhendo dentro de minha casa, ou o obrigando de novo? Ele diz que isso não significa nada, que tais palavras foram ditas só para que se espalhassem, mas amigos, temos aqui a prova de que o sexo faz o homem mover montanhas, então não importa o quanto ame certo? Mantenha-se pura e imaculada como a virgem Maria, porquê se fizer como Lilith, ninguém te dará valor, e se der será depois de já ter considerado que nenhuma puritana, está no mercado, porquê a primeira impressão é que você é uma vadia. Não importa se sente livre, dona do próprio nariz, ou ame o cara como a ninguém amou antes, feche a porra das pernas, se não quiser se arrepender. É incrível como a influência da doutrina cristã, continua a atrapalhar a evolução do mundo, e aqui é uma batalha clássica entre um anjo do submundo, e uma humana submissa a fé, na qual aquela que se mantém ligada a velhos costumes, sai vencendo, enquanto a que é futurística se vê incompreendida e humilhada. Eu sou o demônio dessa história, e como tal, me entreguei aos prazeres carnais, mesmo que de forma moderada, dado ao meu pequeno histórico de apenas 4 pessoas, em 9 anos desde que deixei de ser virgem. Nunca me senti envergonhada por minhas decisões antes, afinal de contas tem humanas que já fizeram com muito mais homens, mas hoje me sinto totalmente errada, como se gostar de quebrar regras sutilmente, só me trouxesse desgraças. Não ser uma ovelha, no meio de tantas delas, é bem doloroso, porquê apesar de serem dóceis, em grandes quantidades elas fazem um demônio ficar louco. Porém não é de mim que estou falando, e sim do meu marido, que após se afastar da magia, se juntou a uma ovelha, e seguiu os costumes banais de sua espécie retrógrada. O Bernardo que conheci no passado, jamais ligaria para esses costumes, se uma garota lhe dissesse “não”, partiria para outra, porquê seres de gênero feminino não faltam no mundo, e o único “não” que o fez lutar por um “sim” era o meu, porquê há muito tempo gostava de mim, apesar dos infinitos “bolos” que lhe dei. Mas essa mulher o fez mudar, ou a dor o fez mudar, só sei que se fez tudo aquilo para dormir com ela, estava obcecado com a ideia, e se estava assim é porquê gostava dela. Não sei como alguém pode gostar daquilo, ela é razoável no padrão de beleza admito, só que a sua personalidade, é horrível. É de fato um ser desprezível, e ao contrário do Douglas, não tem momentos de compaixão, só dá coice atrás de coice. Contudo me parece que mais um “não” valeu a pena, porquê o motivou a lutar por longos 2 anos, e isso sim fere demais. Eu não consigo descansar sabendo que uma filha de Eva, me tomou o quê era meu por direito, que perdi o quê mais me importava para ela. Me pergunto se foi porquê era popular, ou o preço do seu corpo. Todos me dizem que ela não me superou em nada, pois o Bernardo me escolheu, e é comigo que tem uma família de verdade. Todavia como posso ir descansar, sabendo que disse pro amigo que a amava, não queria perdê-la, e que ia mudar por ela, enquanto que de mim, só falou que não me ama, que sou um suprimento de carência, e que “adorava quando o chupava”?  Ele explica que disse tais coisas na raiva, só que duvido que aquela japonesa do Paraguai, não o tenha o irritado uma vez se quer, aí se justifica dizendo que no caso dela, nada dizia, apenas fazia, que ele a traia, e blá blá blá. E daí que ele a traia? Sério que significado tem isso, se ficava dizendo que a amava, e jamais a tratava mal em status compartilhado? Era literalmente só sexo, o sentimento ficava para ela, então não vejo tais traições como algo ruim. Vou te dizer o quê é ruim, porquê eu sim, já namorei um canalha, e seu nome era Rodolfo. Todo dia me lembrava o quanto Mari era maravilhosa, e acredite em mim, ela era mesmo, mas doía porquê eu gostava dele, e este me remediava com “mas eu gosto um pouco de você”. Daí arranjava namorada, e me pedia pra ajudar, sabendo que eu tinha sentimentos, embora pequenos em comparação ao que já senti por outra pessoa. Status? Sempre me perseguia em postagens, para zombar do tamanho do meu seio, ou dizer que era “feia”. Aí terminava vinha pra mim, e dava em cima das minhas amigas peitudas, apoiando-as sem implicar por seus gostos “emos”, ou erros gramaticais. Quando namoramos, foi para o status, e na primeira briga o tirou. Quando arranjei um namorado, ficou furioso, e ficou falando um monte de coisa só pra me seduzir. Esse sim meu bem, é o canalha do ano, mas até o cara mais desgraçado que conheci na minha vida, nunca me expôs dessa forma, e ainda me ajudou a dar um belo troco na Jezebel, uma outra garota que também tentou roubar meu lugar, como filha de Lúcifer. Isso aí de namorar, trair e fazer declaração de amor o tempo todo, não é ser cafajeste, no mínimo canalha, mas não é uma coisa terrível, ao ponto de dizer “minha nossa pobre Odette da Silva Pinto que foi traída, o Bernardo é o pior namorado do mundo pra ela”, ele estava apenas sendo homem, um homem que não presta, mas só isso. Humilhação foi saber que estava comigo por carência, foi ser lembrada de que era pior do quê as outras. Tadinha da Odette é o caralho, coitada é de mim, que tive de aturar o pior desses dois homens. No entanto não foi de todo o mal, porquê apesar de tudo, todos esses idiotas sempre vem atrás de mim, já que os conquistei de verdade, entretanto apenas um deles fica, porquê eu ainda permito, e este alguém é o Bernado. Não sei se estou jogando outra vez o meu orgulho no lixo, por alguém que não fez metade dos meus sacrifícios, só que tenho de admitir, se o B realmente sofreu com a minha perda, e fez de mim um fantasma que assombrava o seu relacionamento com a “bruxa” Kéka, talvez seja o único a merecer as segundas, terceiras e quintas chances que já me esforcei para lhe dá. Já que até o momento, ninguém mais me amou, ao ponto de atrapalhar toda a sua nova vida. Tenho que encerrar esse capítulo, não apenas porquê é um drama bem patético para quem o lê, quer dizer eu o deixei, eu o trai, enfim foi tudo eu não é? Mas voltando ao assunto, porquê esse passado me machuca muito. Sei que estou errada, os mais próximos de mim, fazem questão de me encher o saco com isso, até os psicólogos, dizem que não estou vendo o quanto ele me ama, e que parte das minhas teorias estão distantes da realidade. Só que depois de ter visto, o quanto ele dedicava a ela, e a amava, fico me perguntando se não seria melhor, ter o mantido longe, e deixado seguir sua vida. O quê fazia de bom por ela, nunca fará por mim, foi besteira pensar que sim, que todas as mulheres independente de suas falhas, merecem o tratamento “vip”. Não que não faça nada por mim, ele o faz, trabalha para me sustentar com os meus luxos, cuida de mim, e de nossa filha, e dificilmente me abandona, só o faz quando vê que nosso relacionamento, mais faz mal que bem pra mim, é, ele diz que me ama também, mas será que isso vale alguma coisa? Depois de tudo o quê aconteceu, não consigo acreditar em mais nada dele, acho que foi assim que se sentiu quando fui eu a traí-lo, mas ele não é de todo o mal, não é bom demais como o Charles, nem mau ao ponto de ser como o crápula do Douglas, é uma espécie de equilíbrio, entre o cara certo, que é agora, e o cara errado que foi antes, e não sei como agir diante disso. Mas não vamos estender esse assunto mais do quê o necessário, esse livro não é sobre os fracassos românticos de Thaís, e sim a respeito da história de um anjo caído, que há muitos séculos foi calado, pelo pecado de ter nascido no Paraíso, quando anjos supostamente não podiam ter filhos, e é sobre isso que vou me aprofundar agora. Não é de hoje que tenho visões sobre o mundo acima da Terra, e seus seres. Começou simples com imagens de outra dimensão, onde era perseguida por belas criaturas, que de majestoso só tinham o rosto, pois suas almas eram podres. Nunca soube ao certo, a razão de ter isso tão bem delimitado em minha mente, acreditava que 

    se tratava apenas de imaginação, ou mesmo pela influência midiática, mas com o tempo esses devaneios se provaram úteis na minha descoberta, sobre quem realmente sou, e o quê estou fazendo aqui. Sempre tive orgulho de dizer a minha mãe, que não tinha problemas de identidade, pois mesmo sendo filha de Lúcifer, não deixava de ser “Thaís”, e por um longo tempo isso foi verdade, até que um dia passei a questionar, qual das duas era real. Se você não crê em nada, além do material, e ainda sim chegou até aqui, certamente dirá que apenas Thaís é real, e o resto não passa de ficção. Um conto que criei, para fugir da minha dura realidade, de fracassada social, derrotas românticas, e a ausência da figura mais importante da vida de uma mulher, o próprio pai. Estou ciente dessa versão dos fatos, não se dê o trabalho de me xingar de insana. Contudo como o termo sugere é apenas uma versão dos fatos, que por sinal não pode ser comprovada, enquanto há relatos  concretos de que nem tudo, está apenas na minha cabeça. Você pode está entrando em contato com o próprio anticristo, sinta-se honrado, ou assustado, a escolha é sua. Deve está pensando agora, "Não pode ser o anticristo, se está falando nisso abertamente, pois este jamais se revelaria." E eu digo é mesmo? E qual seria o propósito de ter que me esconder, se não cometi nenhum crime? Se sou esta figura majestosa, posso afirmar que apesar de todo o mito que envolve a minha existência, não sou nada do quê acreditam. Não estou aqui para trazer morte e destruição a humanidade, apesar de que em alguns momentos me sinta tentada a isso, vim só para lutar pelo meu povo, e ajudá-los nestes tempos sombrios que continuam a se aproximar. Não são os religiosos que serão perseguidos mais a frente, mas sim nós, porquê nossas ideias são uma afronta a velhos dogmas, que deveriam ser esquecidos, pois não passam de versões deturpadas dos conhecimentos antigos. Mas abordarei sobre esta época no devido momento, outra vez fugi do assunto principal que são as minhas visões extradimensionais, e peço perdão, é que são tantos assuntos a serem tratados, que me perco num turbilhão de informações. É de conhecimento de todos que desde criança vejo a outros mundos, o quê não se sabe, é que muitas vezes mergulhei de fato nestes universos. Era como se fizesse parte daquele cenário de luta e sangria, podia ouvi-los, senti-los, e me ver literalmente em outro campo universal, e quando voltava a este mundo, demonstrava habilidades sobrehumanas. A questão é que após chegar perto da idade adulta, isso se tornou ainda mais intenso, era como está hipnotizada, para alcançar os níveis mais profundos da consciência, onde enxergava aparentemente com mais clareza. No começo me via sempre como um ser de Órion, onde vi que a batalha entre os anjos e os demônios ocorreu, exatamente em Rigel. Contudo por razões de desconfiança do destino, nunca aceitei que ali era de fato o meu lar, pois as características do meu corpo real, e com real quero dizer primeira casca, não se assemelham as deles, sou ruiva de olhos violetas, e eles tem olhos amarelos,

    com aspectos de felinos, sendo que eu me

    assemelho mais aos pássaros e cobras, simplesmente não batia, por isso fui investiguei com mais precisão, e descobri que na verdade há grandes chances de pertencer a Andrômeda, o lugar dos seres mais evoluídos da galáxia, aqueles que deram origem ao termo "iluminado". De fato, os aspectos se encaixam, no entanto não completamente, e é daí que surgiu uma nova peça deste quebra-cabeça. É hora da história, a história de minha outra vida, sente-se e pegue um copo de uma deliciosa e gelada Coca-Cola, pois há muito a ser dito. Já tentei levar uma vida normal, sabe? Ignorar as notícias do jornal, e fantasiar que a vida é boa, e o mal não existe, só que sempre alguma coisa me puxa de volta, para esse planeta de alucinações, e acho que está na hora de parar de lutar contra isso. Eu amo não ter uma vida normal, e projetar futuros que acontecem figurativamente, então porquê negar que estou satisfeita com minha suposta loucura? Não o farei mais, e por isso vou lhes contar sobre o passado que não me deixa cair no sono, uma época que soará como parte de um bem elaborado filme de ficção científica. Todavia os que sabem da minha existência, sentirão no fundo dos seus corações, que esta é a verdade, a minha versão fatídica, o lado oculto da moeda de Luciféria Lilith II, primeira princesa do reino do ar, conhecido como o Inferno. Há milênios atrás, houve um reino que era supostamente perfeito, todo branco com criaturas pálidas e inteligentes, que mais tarde seriam conhecidas como "anjos", estes jamais questionavam o seu criador, o pai de todos conhecido por Uno. Neste lugar tinha várias regras, e quem não as seguia era mandado para o calabouço celestial, de onde nunca mais sairia. Mas a maior das ordens era que tais seres não podiam se relacionar entre si, não de forma imprópria, pois o contato físico levava a impureza da sabedoria, que resultava numa prole imperfeita, que não deveria habitar este mundo. Por quê? Ninguém sabia ao certo,

    só que preferiam não arriscar, afinal de contas descer, era o pior dos seus temores. Certo dia um serafim resolveu se rebelar contra tais mandamentos, e se apaixonou por Layla a protetora dos partos, um lindo anjo de cabelos de fogo e olhos claros, que pertencia a um segredo obscuro. Layla era parte de um ambicioso empreendimento celestial, e por esta razão não tinha tantas asas, quanto os outros andromedanos, e só pôde ser liberada para andar em sociedade, porquê não  apresentava riscos ao projeto principal. O serafim não sabia do passado de sua amada, mas aceitava vê-la todas as noites, embaixo da gigantesca árvore, onde realizavam atos de pura luxúria, conhecendo aos seus corpos, e encantando um ao outro. Desta união nasceu uma criança, que mudaria todo o conceito sobre a vida, até então conhecido, pois até aquele momento ninguém acreditava que os "anjos", podiam ter o dom de dar a vida, e isso era um tapa no rosto de Uno, que odiou descobrir que seus filhos, também podiam procriar. Ao saber das novidades, o grande pai de todos, rebaixou o serafim para anjo, e o mandou para Órion, para cuidar da nova geração de seguidores, de Veneno de Deus, este passou a se chamar de Lúcifer, pois seu ato ousado, trouxe uma luz para os estudos do criador, que estava a inventar novas espécies para povoar o universo, que se encontrava vazio de seres racionais,  como uma selva exótica gigantesca, que mais tarde se tornaria uma nova cidade de pedra. Uno era severo é verdade, mas reconhecia as proezas do filho mais velho, e por isso não o exilou do plano celestial. Com o novo nome e missão, Lúcifer continuou a respeitar os desejos do pai, e seguiu sua vida junto de Layla e a filha recém-nascida, a quem batizou de Luciféria, por acreditar que ela era uma extensão da sua luz. O mais forte guerreiro, agora era o senhor das virtudes, e este não se importava com a mudança de patamar, pois onde quer que fosse, sempre conseguia ser o melhor no que fazia. No entanto com o tempo, o agora anjo passou a detestar sua tarefa, porquê percebeu que as leis ditadas por seu pai, não atendiam aos outros, e sim aos seus próprios desejos, e por esta razão este declarou guerra a hipocrisia de Uno. Não tardou para surgir aliados da causa, e pouco a pouco, todos que viviam em Rigel se juntaram a Lúcifer, na batalha pela liberdade de escolha, que os homens chamariam de livre arbítrio. A primeira batalha foi sanguinária, e houveram tantas baixas, que apenas um terço das áreas paradisíacas, foi mandado para a área fria e tenebrosa, que os fiéis seguidores de Uno mais tarde chamariam de Inferno. No começo todos os prisioneiros daquele submundo, detestaram Lúcifer, porquê alguns deles estavam lá por sua causa, mas não tardou para este conquistar a simpatia dos demais, e ser reverenciado como um rei. O pior lugar do universo, literalmente, se tornou um lar para aquele que um dia foi um serafim, mas este não conseguiu descansar, porquê sua mulher e sua filha, foram tomadas pelo grupo inimigo, e ele conhecia todos os métodos de tortura que usariam nelas, por isso planejou uma rebelião. A esta altura Luciféria não era mais uma criança, estava na adolescência, e por ser tão bela quanto sua mãe, era um prato cheio para os pervertidos que de tanto negar suas vontades, agora tinham desejos insanos e sádicos. Por carregar o DNA de seu pai e sua mãe, ela conseguia se defender, usando suas habilidades paranormais, mas não era capaz de lutar contra um anjo, protegido de seu tio Mikael, chamado Arakiel, que invadia a sua mente, e fazia o quê bem entendesse com o seu corpo, obrigando-a a assistir todo o próprio sofrimento. Por isso todo dia implorava pela ajuda de seu pai, para sair daquele lugar terrível. Layla continuava desaparecida, provavelmente tinham retomado o projeto no qual fora inserida, desde o princípio da criação, e nada podia se fazer. Após muito pensar, Lúcifer e seus velhos e novos seguidores saíram do mundo que ficava abaixo, e foram em busca das garotas, com a ajuda de mapas que marcavam os laboratórios dos andromedanos. Só que mesmo com toda a chacina, não conseguiram encontrar os anjos, até que as duas foram abandonadas nos portões da entrada, em estado deplorável. A mãe abraçava a filha, ambas cobertas de  vermelho, com os olhos vazios, e ferimentos tão profundos, que o líder dos renegados, tinha certeza de que a tortura fora além do físico, e isso o deixava furioso. Todavia naquele momento tinha de ser racional, e por isso pegou as duas em seus braços, e as levou para dentro de uma nave espacial enorme, na qual abrigou todos que lhe ajudaram na guerra contra seu pai, e zarpou para o desconhecido. Por fazer parte do esquadrão de Andrômeda, quando carregava o seu nome de nascença, Lúcifer conhecia bem as terras que não foram

    mapeadas por Andrômeda, e por isso acreditava que podia dar um novo lar a todos que foram injustiçados, principalmente a sua doce amante e a filha, que precisavam de cuidados específicos. Foi assim que aterrissaram na Alfa-Draconis, um ponto do mapa que se assemelha "ao triângulo das bermudas" na linguagem humana, ou seja praticamente impossível de rastrear. Era um lugar totalmente novo, selvagem, e inóspito mas com o olhar esperançoso e visionário, Lúcifer sabia que podia fazer dali o seu novo lar. No início, Layla continuava distante, mas depois de alguns meses, foi se aproximando das criaturas, com as quais percebeu que

    tinha enorme semelhança. Havia gene de serpentes e dragões em seu DNA, que tinha sido encontrado em laboratório, após uma profunda análise. Layla era filha da Alfa

    Draconis, e isso estava bem evidente, ela era o ser racional preparado pelos próprios andromedanos, para colonizar o novo mundo, e percebendo este fato, Lúcifer viu uma ótima oportunidade de ajudar sua amada, e também aumentar o seu exército. No entanto antes de criar projetos, precisava saber se esta aceitaria se juntar ao confronto, depois do triste ocorrido. Para sua sorte, sua parceira estava tão fora de si, que aceitou participar da sua empreitada, e se aproximou dos seres que habitavam o local. Vendo o quanto seus pais estavam se empenhando, Luciféria começou a estudar genética para poder ajudá-los, só que sua mãe queria que fosse além, por isso lhe ensinou sobre a reserva de energia oculta, que mantinha Uno vivo, a qual os outros chamariam de magia. Nesta época a bela e dedicada filha de Lúcifer, se juntou a um dos injustiçados, um ser antigo, porém não tão  velho quanto os outros, cujo o nome não sou capaz de lembrar, mas lembra bastante a Asmodeus. Este foi o primeiro dos rebeldes que se juntou a causa de Lúcifer, e era um dos seus favoritos, na escolha para a nova dinastia, por essa razão o mais belo de todos os alados,

    tinha gosto em fazer desse jovem, pretendente da sua garotinha. É claro que no início, a dama angelical nem ligava para o compromisso, não importava em que posição o companheiro se encontrasse, estava mais interessada em lutar contra aqueles que destruíram sua mente, por isso se casou com o amigo de seu pai, sem questionar se sentia, ou poderia sentir algo pelo seu companheiro. Ele não era apenas um seguidor de seu pai. Graças a sua lealdade, era dono de um reino completo, e o responsável pelo bem estar dos dragões na Alfa. A união era benéfica por motivos exopolíticos, pois este ser tinha uma linhagem poderosa, gerada por Uno em laboratório, que lhe dava direito as terras de outro plano da via láctea. Mas amor, era algo que nenhuma das novas criaturas conhecia, com exceção de Layla e Lúcifer, que o descobriram por acaso. Os primeiros dias foram estranhos, dormir ao lado de alguém que mal conhece, não é fácil, principalmente se a única vez que te tocaram foi para abusar de você, e por isso Luciféria se manteve distante do par, como se fosse virgem. O quê a bela e violada moça alada não sabia, é que seu marido sentia-se impelido a cuidar dela, e lhe fazer todo o bem que fosse possível. Já havia lhe notado a distância, e toda vez que seus olhos se encontravam, uma carga de energia percorria-lhe o corpo, e ele não conseguia explicar a razão, sabia que eram os elétrons, através dos seus neurônios, porém não entendia porquê apenas com ela, era capaz de sentir tal coisa. Sim, ele a amava, e não estava consciente disso, até Lúcifer lhe fazer perceber, pois o quê se passava com ele, também acontecia com seu sogro, quando via a linda ruiva de olhos claros, mãe de sua filha. Sabendo do quê sentia, o pobre demônio, tentou esquecer aquilo, se entregando a orgias e perdições, recém descobertas pelos "anjos", estava claro que Luciféria não sentia o mesmo, então o melhor a se fazer, era não perturbá-la com algo, que só lhe dizia respeito. Ele estava certo, o primeiro fruto angelical, não tinha espaço na sua vida, para vivenciar tais tolices, que segundo a mesma, só os que nunca viram a verdadeira escuridão, poderiam sentir. Sem poder se aproximar do foco do seu interesse, o nobre guerreiro andromedano, viu que a única forma de fazer parte da vida dela, era sendo seu mentor em cientomagia, uma união dos conhecimentos esotéricos ligada aos saberes científicos, matéria na qual era expert. Mas a abordagem falhou, e este teve de procurar outro papel para ser notado, o de conselheiro, da nova princesa dos dragões. Assim pode andar ao seu lado, como um dragão de guarda, só que mesmo assim não se destacou. Para a sua tristeza, tudo o quê a dama sabia sobre ele, é que era inteligente e o braço "direito" de seu pai, que tinha sido escolhido a dedo, para ajudar-lhe com as questões do novo reino. Uma pequena mentira inventada pelo seu mentor, que torcia para que a sua filha escolhesse o seu aprendiz como  companheiro num futuro próximo. O demônio era poderoso e influente o suficiente, para ser parte de conselho dos 9 reis, todavia preferia se passar por plebeu, para ficar perto da moça. Certo dia uma notícia mudou toda a sua perspectiva, percebendo que a filha jamais iria escolher o ser, Lúcifer lhe impôs que casasse com outro demônio, um traidor que o rei dos condenados, sabia que o jovem apaixonado seria capaz de expor, o quê obrigaria este falso nobre, a tirar sua máscara, e sair das terras sagradas, matando dois coelhos com uma cajadada. Ele não merecia está ali, com aqueles que estavam decididos a segui-lo de coração, se tudo o quê queria era poder, e o monarca não deixaria barato. Azerath era o nome do perjuro, e este estava disposto a tomar Luciféria para si, apenas para matá-la, mas o pai dela não sabia a que nível iam os delírios do príncipe sem coroa, por isso permitiu a união. Ao vê-la prestes a cair nas garras de um canalha, o demônio colocou em prática todas as artimanhas que tinha em mente para lhe expor. Não acreditava que da noite para o dia, tinha deixado de ser o primeiro na lista de melhores pretendentes para a princesa, e quando ouviu dos lábios de seu mestre, que era fraco e impotente, isto o fez sentir-se exasperado, ao ponto de querer provar que era muito mais do quê um covarde.

    Desesperado para recuperar o respeito que achava ter perdido, o demônio raptou a dama no quarto de noiva, e a levou para as montanhas, onde a escondeu, alegando que era para a sua própria segurança. Luciféria ficou confusa, não sabia porquê o mentor estava tão estranho, por isso em vez de ouvi-lo foi ver o noivo, e acabou voltando para casa numa maca, a beira de uma overdose. O ser que já estava com raiva, ficou possesso, e em vez de ir atrás do traiçoeiro, o atraiu para dentro do castelo, conduzindo-o a uma armadilha que resultou numa confissão. Ao ver o quanto o seu pupilo cresceu com o confronto, Lúcifer sorriu, sabia que o rapaz tinha talento, e assim baniu o traidor, entregando a mão de Luciféria, para o único que era digno dela. Após o ocorrido, a bela não lembrava de nada, com exceção do fato de que seu noivo tinha tentado matá-la, e o ser  preferiu manter segredo sobre seu ato de heroísmo, queria que ela casasse com ele por amor, e não por lhe dever, todos em Alfa concordaram com os termos, e a menina dos cabelos de fogo, andou pelas vilas, sem saber o quê acontecera. Ele não conseguiu, e a moça disse-lhe o tão esperado sim, de forma tão robótica e fria, que os moradores a odiaram por desprezá-lo, mesmo que não soubesse o quê este tinha feito, para ser tão adorado pela maioria. O relacionamento não foi como um conto de fadas, apesar de dormirem juntos, eles mal se conheciam. Ela permitia que fossem adiante no ato de acasalamento, no entanto era tão monótono, que o próprio quase evitava o contato, tratando-a como intocada. Muitas vezes se via tentado a cair na farra, e se encher de substâncias psicoativas, mas quando passava da sedução, preferia retornar para o lar, antes que se envolvesse com outra. Não que a infidelidade fosse um crime,  ela não era, porém eles respeitavam muito a honestidade, e se esta fosse quebrada, sim era uma traição, muitas vezes mal vista pela sociedade. O ser conhecido por ter sido preso apenas por impurificar seu corpo, e destruir as suas habilidades de controle, agora tinha de voltar para o lar, junto de uma criatura frígida que nem sequer o valorizava, da maneira que queria. Ela fazia o básico para tratá-lo bem, só que não havia ternura em seus atos, e isso deixava claro que sua compostura, se dava por educação, e não amor a ele, o quê o entristecia muito. Tinha a mulher de seus sonhos, mas esta estava se afogando em trevas, e não podia respirar o ar da paixão. Certa vez este tomou tantas doses de uma bebida forte, que não segurou a lingua perante a esposa, e esta ficou tão chateada com sua visão da verdade, que partiu para a floresta, onde foi morar com os pais, junto dos dragões, os seus únicos amigos. Ele não foi atrás dela, estava exausto de tentar manter um relacionamento, que para ela não passava de um acordo feito por seu pai, após acordar. Grahan o dragão branco acinzentado, então cuidou da moça, e abriu-lhe os olhos, com a habilidade telepática, mostrando os sacrifícios que o seu admirador secreto fez, apenas para está ao seu lado. Fazendo-a notar que sua raiva tão intensa, a tornava cega para aqueles que lhe desejavam o bem, e lhe causava tanto asco que acabava sendo tão cruel, quanto os que queria destruir. Sentindo-se estranha, ela regressou para o lar do marido, e finalmente lhe contou sobre como tinha sido machucada, e porquê não podia retribuir seus sentimentos, ele ficou triste, mas entendeu, e permaneceu do seu lado. Na manhã seguinte, parou de planejar as suas saídas, e passou a criar projetos para tentar lhe devolver a alegria de existir, e assim seguiu por vários meses, até fazê-la sorrir, e depois do primeiro riso, vieram outros, que logo se tornaram comuns. De alguma forma, ele a deixou radiante, e todos do reino puderam perceber, e foi aí que a inveja das ninfas surgiu. Elas podiam ter o ser que desejassem, só que jamais teriam o quê a princesa tinha, e por isso tramaram para que desaparecesse. Com a ruiva distante, seria mais fácil de conseguirem ter a atenção do demônio, que antes frequentava as suas rodas lunares de perdição. Infelizmente para elas, o casal se amava tanto, que podia sentir quando um precisava da proteção do outro, e desta maneira sempre atrapalhavam o esquema. E tudo teria terminado bem, mas se assim fosse hoje não lhes contaria essa história, então não, não houve um final feliz, e este casal ingênuo, ainda teve muito mais o quê enfrentar. A existência de Luciféria, era um erro grave nas projeções de Uno, que ansiava esconder mais um segredo, para não perder o controle dos fiéis, por isso este mandou todas as suas tropas para caça-la, e foi assim que ela desapareceu de Alfa Draconis. O quê quase ninguém sabia, é que a moça agora carregava mais uma parte da linhagem de Lúcifer, assim como sua mãe. O demônio ficou louco sem a esposa, e a procurou por todos os cantos, temia que esta tivesse enlouquecido, pois depois de tantos sorrisos, voltara a agir com desconfiança e medo, e o pai e a mãe dela também organizaram grupos de busca, mas ninguém a achou.  Sem saber o quê fazer, o novo senhor dos injustiçados, lançou mão de uma nova artimanha, para tentar resgatar a filha, que claramente tinha sido raptada. Reuniu os moradores, e lhes mostrou a sua nova empreitada.Se queriam ajudar a tirar a menina das garras da federação intergalática, teriam de deixar de ser andromedanos, para serem uma nova espécie, algo adaptado ao

    seu novo lar. A premissa trouxe temor a comunidade, e por isso Lúcifer foi o primeiro a deixar de ser um anjo, para se tornar algo novo e mais poderoso, e ao vê-lo tão bem com as suas novas habilidades, todos seguiram adiante com a mutação, e assim surgiu a raça draconiana híbrida, a qual só Layla era pura. Com seus olhos e asas de dragão, os seres foram a batalha prontos para trazer uma das suas. Lúcifer e Layla ficaram felizes com a união dos demônios, e ambos se tornaram dragões gigantescos, para fazer os outros os seguirem. Assim entraram na nave, e se dirigiram para o primeiro lar das criaturas pensantes do universo, onde sabiam que iriam encontrar a jovem princesa alada, que ainda não tinha sofrido mutações. A invasão foi um sucesso, desta vez as baixas foram maiores para o lado inimigo, e quando Luciféria se reencontrou com os outros, ficou surpresa com o quê se tornaram, mas foi com estes de volta para o lar. A Alfa draconis não era mais a mesma, todos eram metade humanoide, metade dragão, e a dama se recusava a ter mais do quê os 13% de gene draconiano em seu sangue, por isso a maioria a detestava.

     Acreditavam que o fato de manter suas asas de pena, era um crime hediondo, já que aquilo representava a ditadura de Uno. O quê não tinham noção, é que Luciféria mantinha as suas asas, apenas para não esquecer dos que lhe destruíram, e se lembrar de que voltaria a Andrômeda, para um dia se vingar. O demônio a apoiava, mesmo sem saber porquê a sede de sangue da moça tinha retornado com tanta força. Até que um dia esta lhe contou, e ele ficou furioso, juntando-se imediatamente a causa, pois Andrômeda, tinha lhe tirado muito mais do quê o seu sossego e o da esposa, aqueles desgraçados agora tinham posse de sua filha, e eles não sabiam para onde ela seria mandada. Cansada de ser sempre salva por seu pai, Luciféria foi atrás do general Belial, e pediu para ser treinada, para que num futuro próximo não fosse mais uma vítima dos iluminados celestiais, e sim uma guerreira pronta para destruí-los. O treinamento não foi nada fácil, o general esperava o pior dela, por não querer evoluir como os outros, mas a dama superou suas expectativas, e se tornou uma ótima lutadora, ficando como segunda no comando do grupo de batalha, que ficava atrás dos seus amigos draconianos, que a seguiam para onde quer que fosse. Desta forma de anjo fraco, a moça ficou conhecida como princesa dos dragões, guerreira da luz violeta. Sua mãe ficou tão orgulhosa, que lhe ofereceu a guarda de um grupo de dragões, para serem apenas seus. Só que apesar das suas vitórias, a menina mulher dos cabelos de fogo, não se sentia completa, não sem o bebê que lhe roubaram, por isso aguardava ansiosamente pelo futuro 

    confronto. O dia D chegou, e todos foram a luta, para impedir que os andromedanos viessem a destruir o novo lar, e no meio da briga, Luciféria acabou entrando num portal para um novo mundo, que em breve se chamaria Tiamat, e viu que ao contrário do quê Uno impôs, a vida podia sim existir sem sua intervenção sagrada. Outra vez a bela sabia demais, por isso lhe mandaram um assassino, conhecedor da geomancia, que lhe dava calafrios e mexia com a sua mente, atormentando-a de todas as maneiras. Luci teve de lutar contra o seu carrasco, só que ao contrário das outras vezes não padeceu, ficou de pé, e conseguiu arrancar -lhe jorros de sangue, até derrubá-lo, e correu para procurar a filha na nave inimiga, onde a reconheceu de imediato, e a levou para longe da guerra.  Ao se juntar aos seus dragões, a moça entregou o lindo querubim para as criaturas, e pediu para que a protegessem, e mantivessem-na oculta de toda Alfa-Draconis, com exceção do marido e seus pais, pois temia que houvesse algum outro traidor, entre os moradores. Averiguando com cuidado, Luciféria voltou para o castelo, e quando chegou ali, se deparou com um ser de olhos vermelhos, e cabelos negros, que a empurrou num precipício, conhecido como o penhasco das almas, no qual a bela mergulhou numa substância verde, onde sentiu toda a angustia dos espíritos que ali se encontravam, até acordar outra vez em Tiamat. No entanto ao contrário do outro momento, não tinha uma passagem de volta, e isso a deixou assustada, ao ponto de encolher as asas, e se esconder entre as árvores daquele lugar selvagem. Seus olhos violetas, como os de seu pai antes da transformação, observaram aqueles seres tão imperfeitos, que mais tarde se chamariam de homens, caminhando em direção a água, com seus pés tortos e sobrancelhas unidas. Quem eram, ela nem sequer imaginava, mas tinha certeza de que Uno estava envolvido com eles, e queria salvá-los antes que fosse tarde demais. Preocupada com aquelas criaturas feias e desengonçadas, Luciféria se infiltrou numa das naves de Andrômeda, e estabeleceu contato com a Alfa Draconis, contando sobre aquele novo espécime, e atraiu a atenção de seus pais para a terra desconhecida. Ao chegarem naquele planeta, Lúcifer e Layla ficaram maravilhados com a diversidade de animais que ali viviam. Era como um gigantesco campo de pesquisa, cheio de possibilidades, e só tinham a agradecer a sua pequena, que agora estava focada apenas em cuidar da sua família, e conhecer os seres novos.  Como já era de se esperar, os andromedanos e os draconianos um dia se encontraram, e os seus interesses entraram em conflito. De um lado tinha Uno, que tinha sido batizado de Enlil pelos terráqueos, e queria escravizá-los por serem menos sábios, que a sua espécie. Do outro tinha Lúcifer, carinhosamente chamado de Enki, que desejava ver aquelas criaturas primitivas, alcançando o seu limite, com toda a liberdade, da mesma forma que os andromedanos, que se juntaram a ele, e se transformaram em algo maior. Uma nova batalha começou, e jogando sujo, fazendo Lúcifer parecer um monstro, por saber muito de diversos assuntos, Uno conseguiu que o expulsassem junto dos seus. O quê o senhor celestial não sabia, é que o seu antigo e mais forte brigadeiro, deixara para trás uma cápsula injetável, que provocava mutações, nas mãos do líder de um pequeno grupo, que acreditava nele, garantindo a continuação da linhagem draconiana, neste novo mundo. Apesar da maioria cair nas ladainhas de que Uno, tinha criado tudo o quê existia, haviam aqueles que ouviam a voz da razão, e acreditavam na versão de seu querido Enki, a quem deviam todo o  conhecimento que agora possuíam. Assim surgiu o povo de Atlântida, que foi destruído para dar espaço aos Maias e os Egípcios. Como sei de tudo isso? Eu não sei, mas creio que nós andromedanos, temos a capacidade de ver e ouvir, de forma onipresente, através da projeção astral, por isso sei tanto sem participar diretamente da história. Sim, eu sou Luciféria, e é um prazer conhecê-los, mas essa jornada não acabou com a nossa expulsão, por isso continuarei a contar sobre a minha vida. Certa vez retornei a este plano depois de muito tempo, e fui para um lugar chamado Babilônia, onde meus pais realizavam encontros com seus seguidores, e lá dei auxílio a todos que queriam saber sobre a verdade, a respeito do criador. E de tempos em tempos, continuei a voltar como porta voz dos que eles chamaram de "deuses" que na nossa linguagem, significava apenas "seres superiores". Eles também acreditavam que eu era uma deusa, por andar com dragões, e lhes mostrar minhas habilidades telecinéticas, mas eu os via, sempre como meus iguais, assim como meu pai me ensinou. Acreditava que nós éramos irmãos do cosmos, e não havia necessidade de nos tonar maiores ou menores que eles, mas eles se sentiam melhores assim, então não os privava de me chamar como tal. Era bom ser querida, e necessária, por isso vim a esse planeta, que antes se chamava Tiamat, me trazia enorme alegria. Infelizmente como nada que é bom dura para sempre, nem mesmo para nós, quando veio a primeira guerra mundial, eu fui capturada por um grupo de Judeus, que achava que era mais uma arma nazista, por causa de minhas asas negras, e estes me levaram ao seus anjos, que destruíram meu DNA, desativando as partes que me davam habilidades, e me tornando uma humana, frágil e incapaz de me defender, como quando tinha poderes e Belial não tinha me treinado. Tentei me juntar aos homens, principalmente aos nazistas, mas acabei por ser internada num hospício dirigido por Mikael, ou Miguel como os humanos chamavam agora .Onde sofri todas as torturas que se possa imaginar. Outra vez os abusos aconteceram, contudo não podia fazer os agressores sangrarem pelos olhos, e por mais que fosse uma boa lutadora, com o corpo que tinha, não podia sequer arranhar, os enfermeiros, que eram parte do plano de super soldados. Não tinha mais provas de que era do outro mundo, a não ser pelo fato de ser quem era, e graças a isso, os humanos que me adoravam, deixaram de me seguir, e se juntaram a Andrômeda, com medo de perderem seus poderes também. Fui resgatada, não era a primeira vez que tentavam me capturar. No entanto das outras vezes, não me colocavam em laboratórios, mas sim tentavam me mandar pra fogueira, ou ser enforcada no topo de uma árvore, só que como tinha as minhas capacidades extras, isso  não era o suficiente para me deter. Luciféria não existia mais, e por isso não quis voltar para Alfa-Draconis. Sem minhas características fora do comum, era realmente igual aos outros humanos, por isso não podia voltar para o meu lugar de origem, aliás nem sequer podia respirar o ar cheio de carbono, então o melhor a se fazer era ficar aqui. Após ter tido tantos nomes dignos de uma deusa, agora tinha adotar uma nova identidade. Tal como minha mãe, quando foi capturada, e obrigada a ser esposa Adão, que supostamente seria a sua outra metade, e com quem tinha de repovoar o planeta, após a terrível explosão, que dizimou todos os fiéis de Uno, deixando apenas os que seguiam Enki no planeta, enquanto fundavam a Atlântida. Para o azar de Uno, Lúcifer nunca desistiu do seu primeiro amor, e a tomou de volta para si, ao apresentar-se usando o primeiro nome que Uno lhe deu, tirando-a do controle mental em que lhe colocaram. Eu tinha que adotar um nome comum, e por isso escolhi ser chamada de Isabel, haviam chances de alterar o meu DNA ao seu estado original, mas com o nível de tecnologia deles, levariam muitos anos, por isso tive de levar uma vida normal, como fugitiva também dos nazistas. Sendo apenas humana, fui bem recebida pelos judeus, que me deram um lar, até surgirem os soldados, prontos para o massacre. O nazismo em si, não era um partido político, que estava caçando  os  judeus, gays, e africanos. Este órgão governamental, era uma força tarefa de Andrômeda, para eliminar os remanescentes da Atlântida, antes que o mundo descobrisse sobre a existência real deste povo. Sim, essa história de serem Arianos, é uma farsa, eles eram na verdade Andromedanos, e estavam dispostos a sacrificar os seus, para eliminar de vez todos os resquícios de Lúcifer do planeta.

    Nunca achou estranho, o fato de perseguirem com maior intensidade os africanos e os gays, ambos os grupos que representam a liberdade, tanto religiosa, quanto sexual? "Ah mas os judeus morreram em maior quantidade!" Assim te ensinaram meu bem. No exército de Hitler tinha judeus, que o seguiam, por acreditar nas hipocrisias de Uno, achando que estavam perante o seu próprio Deus. Mas essa guerra nunca acabou, em algum momento fizeram deste planeta uma prisão, um gigantesco campo de concentração, para esconder todos os extraterrestres traidores de Andrômeda, e as falhas do plano supostamente perfeito do criador. Não é a toa que existe uma ordem secreta, com propósitos claramente religiosos, dominando o mundo, e movendo a vida das pessoas, como se tivessem no The Sims, eles são os carcereiros, e precisam garantir que não saiamos daqui. Aliás este foi plano secreto de Uno desde o começo, por isso precisava da total submissão dos homens, para garantir que seus fracassos, jamais se lembrassem de quem eram. Lúcifer queria que este planeta , fosse o lar do aprendizado e a sabedoria, enquanto que o criador, apenas desejava usá-lo para aumentar o espaço do Submundo de Andrômeda, já que depois da revolução Luciferiana, o número de prisioneiros não parava de subir. De certa forma somos perigosos demais para andar pela galáxia, portanto é mais fácil apagar nossas memórias, e tirar nossos poderes, do quê nos dá qualquer chance de nos defendermos. Infelizmente não sei em que momento o " lago da liberdade" se tornou "as profundezas da condenação", 

    mas tenho certeza de que nós aliens, não cometemos um crime terrível, para estarmos aqui, e que os humanos, agora são joguetes de Uno, existem só para tornar nossa estadia um verdadeiro Inferno. Se meu pai é imperador do Inferno, ele está aqui em algum lugar, tentando nos tirar desta prisão sem grades. Porquê quem precisa de grades, depois de lobotomizar e tornar o criminoso impotente? Este lugar poderia ser o lar da justiça, igualdade e a fraternidade draconiana, mas agora está distante de o ser, é apenas um buraco imundo de sofrimento constante, e nós não podemos fazer nada para mudar, se não lutar contra os "policiais galácticos". Os humanos sempre vão ouvir as palavras de Uno, não importa o quanto lutemos para acordá-los, isso é parte da bio-programação deles, então não podemos contar com a sua ajuda. Seus familiares terráqueos, serão os primeiros a tentar te fazer abandonar a ideia de fugir, por isso não confie neles, apenas os que carregam o sangue e a consciência cósmica, é que podem te acudir. Você tem o direito de conhecer novos mundos, não há nada errado com o seu DNA. Não é obrigado a seguir as regras deles, é um deus adormecido, que foi posto no sono pelo pecado de questionar, ou como o meu, o de existir. Estas lembranças são muito confusas, porém perfeitamente nítidas, o quê me faz pensar que pode ser excesso de informação, misturado a imaginação. É claro que questiono meu estado de suposta iluminação, pois apesar de se encaixar perfeitamente, enquanto não surgem provas concretas, de que realmente sou, o quê tenho 85% de certeza ser, tudo não passa de teoria uma louca e criativa teoria, maior do quê o quê se encontra em sites de conspiração. Nestes tudo o quê verá é que os humanos, os terríveis e cruéis humanos, estão aprisionados nesta prisão, por serem perigosos para o resto do universo. Estamos em 1500 outra vez? A Terra não é o centro do Universo! Um humano não é capaz de machucar as infinitas espécies que existem, fora do planeta, e até deste sistema. Há algo mais, e este mais, é que dentro de alguns seres humanos, existem essências alienígenas, ou criaturas cobertas com a carne humana, presas a este corpo e

    seu organismo subdesenvolvido. Condenadas, sem memória, ou quando se recordam são obrigadas a esquecer, porquê sem saberem quem são, acabam confiando nos bonecos de Uno, que os chamam de loucos, porquê temem perder o posto de espécie suprema da cadeia alimentar, algo que na verdade nunca lhes pertenceu, pois este topo é das bestas gigantes, criaturas que estiveram no planeta, e em outros mundos, antes do surgimento de uma espécie capaz de raciocinar. Estes são os chamados Deuses e monstros de Lovecraft, sim são reais, e extremamente perigosos. São verdadeiros demônios, como nos livros de ficção fantástica, ou o mais famoso deles, a bíblia. Estes sim, são devoradores, cruéis, e sem escrúpulos, porquê esta é a sua natureza, e embora se acredite que a mesma pode ser alterada, a verdade é que o natural é concreto, e pode até mudar sua forma, mas a essência, o material e seus componentes sempre serão o mesmo. Então se anseia ser um membro do Culto ao Cthulhu ou Nyarlahtotep pense bem, 

    pois realmente estará se colocando em risco, não importa se é humano ou de outra raça,

    eles são os seres mais antigos e assustadores que existem, desde que o universo era apenas o Caos. Uno foi a primeira e única criatura, que nasceu com a capacidade de pensar, e por isso teve de criar sinteticamente outra espécie, que pudesse receber os traços do seu DNA. Foi assim que nasceu Duo, a sua contraparte feminina, que seria utilizada apenas para a procriação, e repasse dos genes do primeiro ser. Não é a toa que os do gênero masculino, se sentem superiores aos seres femininos, eles vieram de quem veio primeiro, mas a verdade é que sem sua metade, ele não poderia gerar outros seres, então é por isso que as fêmeas, são bem mais importantes, e glorificadas por seus óvulos. A história de Uno e Duo, não é nada romântica, ele a desenvolveu, apenas por um propósito, e não era o medo de ficar sozinho. A solidão para Deus nunca foi um problema, mas precisava de outros para aprisionar suas primeiras criações, os violentos antigos. Por isso ele não a respeitava, era apenas um pouco das suas células, nem mais, nem menos, e como tinha sido criada por ele, tinha a obrigação de servi-lo de todas as maneiras. Como sua guerreira, ou escrava sexual, na tentativa de testar se tinha capacidade de se reproduzir com ela. Duo era constantemente humilhada, como algo sem valor. Teve 7 filhos com Uno, e nem um deles, soube de sua existência, até o dia da Revolução Luciferiana, todos acreditavam que Uno havia os feito, e ele poderia mesmo, só que preferiu verificar outras formas de reprodução, que não envolviam a síntese. Não tinha mencionado Duo antes, porquê a história de Uno e suas injustiças, é o quê tem perturbado minha mente, mas ela é importante para toda a história, não só a minha, como a de todos os mundos. Após a grande guerra entre os anjos do senhor e os caídos, ela se tornou a maior autoridade, a qual os seres dispostos a lutar pela justiça procuraram. Seu nome na Terra foi modificado para Tiamat, uma homenagem ao seu poder de criação instantânea, que vinha dos 50% de DNA de Uno compartilhado com ela. Duo é a minha avó, como os terráqueos chamariam, devido a sua ilusão de tempo, criada por uma corrupção dos telômeros. Ela é doce e bondosa, uma verdadeira luz diante da escuridão de Uno, mas a sua natureza amável, é facilmente manipulada por interesses esdrúxulos, e por mais que tente abrir seus olhos, ela assim permanece, por isso não me dou bem com ela. Ela é a deusa Cerridween dos Wiccanos, a Maria dos Católicos, e certamente me protege, mas eu não tenho intimidades com este ser tão poderoso, que de Deusa da criação, tem sido a reduzida a humana, que supostamente deu a luz a um dos filhos de Uno, digo Jeová, sem o contato sexual, e mesmo assim não levanta a sua espada, e luta para ter o seu nome respeitado. Duo é incrivelmente forte, apesar de sua maior característica ter ligação com o amor, ela tem dons que poderiam facilmente devastar todo o universo, e parte do multiverso. Eu herdei alguns dos seus dons, devido aos 13% de DNA divino que corre em minhas veias. Por isso certas coisas acontecem, quando fico com raiva, nunca consegui controlar minhas habilidades, e pra ser sincera nem tentei, queria lutar por ter o necessário para a guerra, e não ser uma arma sem intelecto. Como minha mãe, ela também foi uma criação, porém diferente dela, Lilith foi fervorosamente amada pelo filho mais velho

    de Uno. Duo e Lilith são semelhantes, como se fossem mãe e filha, ambas são ruivas, tem a pele clara, e os olhos brilhantes, no entanto Duo é pura energia em sua forma real, só que se pode ter uma ideia do seu físico, porquê ela consegue facilmente se materializar, fazendo juiz ao seu status de Deusa Suprema. Peço perdão, mas não sou capaz de continuar a falar de Duo, porquê nunca a admirei, é por causa dela que estou aqui, e isso não me faz nem um pouco feliz. Em algum momento vim pra cá, numa missão suicida, mas ela me tirou da morte, e me colocou neste corpo, deixando o seu sinal, para que eu tivesse certeza de que era a responsável. Eu literalmente devo esta vida a ela, então não há porquê agradecer, meu marido está aqui, junto de mim, e a minha filha também, mas ela não fez nada para impedir Uno, de tornar minha estadia neste lugar um inferno. Coisas ruins aconteceram comigo, e ela com certeza estava tão focada nos seus seguidores, que nem sequer soube, ou me deixou sofrer, porquê nunca quis seguir o seu lema de amor incondicional. Ela é boa, mas em seus atos de bondade, acaba sendo igual ou pior que Uno, então me perdoem queridos leitores, não dá pra continuar a falar da deusa, sem descer ao nível da escrita, e parecer uma lunática ainda maior xingando-a. Por isso, esta parte se encerra aqui. Posso não está lúcida sobre meu papel no universo, mas de uma coisa tenho certeza, isso daqui é apenas uma plataforma de dor e sofrimento, e os humanos contribuem inconscientemente para piorar

    essa situação. Disto estou certa, e também me mantenho na posição de entidade extraterrestre, em carne humana, pois tenho certeza das minhas memórias. Á única coisa que não se encaixa é, como vim parar aqui depois que a Terra, foi enfim tomada pela escuridão, conhecida como Jeová. Eu fui presa? Nosso reino foi atacado? Isso faz sentido, porquê já tive memórias, antes mesmo de descobrir que era filha de Lúcifer, as quais usei para criar uma personagem chamada Samaelith, pois acreditava que era filha do anjo da morte, que tinha vindo para a Terra com seus familiares adolescentes, porquê o reino de Samael havia sido atacado, pelas tropas angelicais. Talvez não tenhamos fugido, e sim fomos capturados, drogados e atordoados, para achar que viemos por vontade própria. Eu não sei, só sei que hora ou outra vou me recordar, no momento certo provavelmente. “A prisão tem seus dias contados, e os carcereiros já estão em pânico!” Há pouco mais de 3 dias, meu amigo Benício, se que é posso chamar alguém de amigo naquela ilha de cobras, que é Macapá, me enviou um vídeo intrigante de Chico Xavier, sobre a data limite. Tal profecia nem sequer me abalou, afinal de contas, sou obcecada por esses assuntos, mas ela serviu para manter a minha teoria da Terra prisão. De acordo com o próprio Chico, a humanidade teve um prazo de 50 anos, para garantir um mundo sem guerra, e violência, que se iniciou em 1969 quando o homem pisou na lua, e se encerra em 2019. O prazo foi proposto pelas entidades superiores, (dou minha cara a tapa, que foram os andromedanos), porquê segundo as mesmas, do momento que o homem foi capaz de sair do planeta, ele se tornou um perigo para o sistema solar. Caso a "humanidade" cumpra o acordo, em breve este lugar se tornará o "paraíso", onde não haverá sequer uma doença. Parece maravilhoso não é? A Terra um paraíso...Mas lembrem-se de como me recordo de Andrômeda, e saibam como lutar contra isso. Eles nos querem dóceis e amáveis, depois de tudo o quê nos fizeram passar, e sim me refiro a nós aliens ou demônios se preferir dentro de humanos. Tenho certeza de que se você está lendo meu relato até aqui, também sofreu bastante, deve ter sido estuprado, humilhado, rejeitado, torturado, entre outras coisas, e provavelmente nem se deu conta de que teve o desprazer de ter mente lavada. Eles nos destruíram, tomaram nossas esperanças, aniquilaram nossos sentimentos, e ás vezes até tiraram nossos entes queridos. Para nos intimidar, e agora querem ter a certeza, de que vamos baixar a cabeça. Desculpe desapontá-los mas eu não vou, tô pouco me lixando para o seu milagre curativo, porquê sei que foram vocês mesmos, que criaram tais doenças, então não percam o seu tempo. Sei que não sou a única desperta, então se preparem pois logo vamos guerrear. Entidades de outro planeta vieram pra cá? É claro que sim, eles já estão aqui, e trabalham pra nos torturar dia a dia, com todo o requinte de crueldade, porquê não seguimos Uno. Tenho lido constantemente em sites, que o mundo é um lugar terrível, por causa de gente satanista, que a devastação se dará porquê é plano do diabo, que o Illuminati, é uma ordem secreta, que serve para propósitos satânicos, etc. O quê isso tem a ver? Chegarei lá. Primeiro há sim ordem secretas e satânicas, trabalhando mundo a fora, mas não se engane, eles não são estupradores, ou comedores crianças, são gente de bem, disposta a fazer parte da iluminação, e lutar por um mundo melhor, seguindo fielmente os princípios luciferianos. A Illuminati já foi uma das nossas ordens, principalmente no período renascentista, mas hoje é corrompida, e pertence puramente a igreja, a mais famosa de todas, o sagrado Vaticano, e não, não é o código da Vinci, é a realidade, eles precisam de fiéis dispostos a seguir com o plano de Uno, por isso garantem que estes façam o trabalho sujo, enquanto supostamente "lutam para salvar almas". E sim a devastação se dará porquê é um plano do Diabo, e ela já começou. Sim, este planeta está sendo destruído, por nossa culpa, mas não da forma que lhe fizeram acreditar. Ele está sendo destruído sistematicamente. Já deve ter ouvido falar em Bitcoin, não é? Com certeza sim, é uma moeda que foi criada com o intuito de derrubar os bancos tradicionais, ou o seu futuro e provável investimento. O quê ela tem a ver? Calma, tudo a seu tempo. Tenho me envolvido com o universo das criptomoedas, e estou extremamente fascinada com as mesmas. Achei que seria impossível, dado ao fato de que tentaram me afastar delas, usando a Odette como pretexto, mas agora estou de volta, e não me importo se ela fez um curso de técnica em informática, que a propósito se escreve com "ca" e não "k", como a anta escreveu. Isso foi em 2013, e duvido que alguém tão ignorante, e sedenta por superioridade tenha se dado ao trabalho de se atualizar. Não, certamente deve ter perdido o seu tempo, estudando para se tornar advogada, porquê é uma profissão que supostamente lhe dará o status almejado. Po rquê é um tempo perdido? Simples essa profissão em breve deixará de existir, já que com a capacidade de se infiltrar em memórias, não haverá porquê defender alguém, se tiver a prova da própria pessoa cometendo o crime, além disso antes da profissão falir, terá certamente sido presa por ser envolver em um escândalo de corrupção. Ela é do tipo “passo por cima de qualquer um pra ganhar”, então seu futuro não pode ser próspero, isso não é profético, é apenas ação e reação. Mas voltando ao que interessa, a tecnologia, a robótica, o futuro sempre foi a minha grande paixão, depois da magia é lógico. Porquê ler sobre aventuras que se passam num período longínquo, me fazia me sentir mais próxima de casa, e ás vezes até lembrar de onde vim.  Por isso estou cada vez mais envolvida com o mundo binário, e tenho entrado em sites para me especializar neste assunto. Tenho passado madrugadas inteiras, apenas procurando ex-changes, e faucets, para entrar neste mercado com o pé direito. E numa das minhas "viagens pela dimensão de Thaís", como meus colegas da faculdade costumavam chamar, percebi que a criptomoeda é muito mais do quê um novo ativo financeiro, representa o início da queda do velho mundo. Pense comigo, o quê tem movido a sociedade há séculos? Nem precisa de alguns segundos, para saber que o dinheiro não é? É como dizem sem dinheiro ninguém "vive", e com isso o sistema tem nos controlado para andar de mansinho, seguindo sua linha reta, sem fazer curvas. Mas o quê acontece quando esse dinheiro perde a valia, e outro objeto é colocado em seu lugar? Ele sai de circulação. Os carcereiros tem nos dito através de todos os seus recursos midiáticos que "não há dinheiro para todos", por causa da quantidade de papel que se gasta, mas e quando, não precisa mais de papel, e os outros conseguem criar uma boa quantidade financeira literalmente do nada? O sistema deles quebra, e todos ficam livres para fazerem o quê quiserem de suas vidas. Seu sonho é ser pintor, mas não tem condições para isso? Procure na internet como ganhar bitcoins, e troque-os por dinheiro, para conseguir realizá-lo!  É como um sonho não? Não precisar mais trabalhar para um chefe grosso, e estúpido, que não te valoriza, por um salário que nem compensa, o seu suor e lágrimas. Chega desse inferno, e alcance as folhas desta árvore da vida. Crowley uma vez disse, que há espaço suficiente para todos, só não para a ganância, e acho que ele se referia ao Bitcoin. É claro que a moeda foi criada por alguma ordem secreta, para favorecer os seus, pois muita gente que não tinha absolutamente nada, agora está bem de vida. Quando dizem que esta é a moeda do Diabo, eu digo deve ser mesmo, porquê meu pai a introduziu neste mundo, para desbancar o sistema político-religioso aqui instalado. Se eu sou a messias dos demônios, só tenho a agradecer ao Satoshi, por aceitar ser o rosto da moeda que foi desenvolvida pelo meu pai. E fico feliz, de ter a chance, de também melhorar minha vida financeira, com este invento. Infelizmente, ou talvez felizmente, os nossos governantes, já estão cientes de que o seu sistema econômico está falindo, e em breve o dinheiro de papel será apenas uma lembrança. Está preparado para o meu reinado, e usar a marca da besta? Eles tem usado todos os artifícios para destruir as criptomoedas.De proibições, a banimentos, e discursos desnecessários de alguém que deseja manter o seu lugar no céu. É bastante óbvio, e isso é uma verdadeira guerra, entre os gênios satanistas ou "ateus", e os velhos e carrancudos senhores de empresas, que sem o papel valioso, podem conhecer a miséria como nós já conhecemos. Eu estou do lado dos entusiastas bitcoin, o mundo tradicional e suas regras patéticas, já deu o quê tinha dá. As taxas de banco são altas demais, o preço das coisas chega a ser grotesco, as pessoas se matam de trabalhar, para não conseguirem nada mais que o necessário. Enquanto que os outros, os seus senhores, ficam no topo só a rir e observar sua desgraça. Com o Bitcoin isso não será mais necessário, pois há formas de ganhar frações do mesmo, totalmente de graça, ou caso não consiga, tente outras moedas. O Bitcoin abriu as portas da revolução Luciferiana na Terra, mas não é o centro de tudo, ele é o Sol, só que há outros planetas, então procure explorar isso. Se você é satanista, um louco, ou os dois que está lendo isso, certamente ficará animado com minhas projeções, e fico feliz por mostrar o caminho dos tijolos amarelos, porém tenho que te alertar, se quer entrar neste universo, pode ter certeza que é bem vindo, só que antes de colocar todo o seu dinheiro na moeda, lembre-se de duas coisas. 1 o mundo antigo ainda está de pé, e 2 há formas de se conseguir moedas de graça, então pra quê gastar, se pode apenas ganhar? Com as criptomoedas tudo é possível. Os senhores do velho mundo, vestidos com seus ternos e gravatas, estão furiosos com as enormes demandas de criptomoedas, por isso não se assuste se aparecer algum artigo indicando que um órgão obscuro, usava  bitcoin pra financiar o tráfico de crianças. É uma jogada deles, para fazer da moeda ilegal, e perder o seu valor, nunca se esqueça que eles sempre terão gente, pronta para fazer o serviço sujo, e manchar a reputação de algo que os ameaça. Mas trata-se apenas disso, uma ameaça, portanto não se preocupe, assim como há gente de poder no topo do lado deles, há no nosso, e estes não deixarão que a utopia da criptomoeda seja destruída facilmente.












    Capítulo V

     “Este é o fim, sem novos recomeços desta vez”

    Se cada capítulo fosse nomeado de alguma forma, este seria certamente o final. Não há nada de assustador ou surpreendente aqui, com tudo o quê já passei, e foi expressado por pensamentos distópicos, já deveria se imaginar que acabaria assim. Minhas crises só tem piorado, não queria encerrar este livro desta forma, mas parece que este é o único fim  aceitável, dado a condição em que me encontro. Tenho refletido todos os dias, parando apenas para trabalhar com criptomoedas, e cheguei a conclusão de que em pouco tempo, estarei totalmente pronta para o suicídio. Não será difícil, motivos é o quê não falta, só preciso ter um pouco mais de força para encerrar o serviço, e isto é algo que tenho adquirido a cada dia. Chega de gigantescas doses de remédios, ou copos cheios de veneno, isso não resolve nada, e apenas debilita o organismo, provocando assim uma morte lenta e agonizante, e eu não quero morrer amanhã, ou aguardar a velhice, anseio por isto agora, de imediato, pois sei que esta é a única maneira de me libertar de vez. Se vou voltar para cá ou não, é algo terrível, mas pelo menos tenho a certeza de que não me lembrarei de nada, então sim, morrer vale a pena. Queria terminar minha história com “Eu venci na vida, superei a existência da bruxa Kéka, e agora sou feliz de novo!” Porém este é um sonho distante da realidade. Eu nunca vou superar aquela virgem japonesa do Paraguai, ela foi muito mais impactante na vida do meu marido, e eu tenho que aceitar isso. Tenho que entender que algumas mulheres, são feitas para brilhar, e serem a estrela do show, enquanto outras como eu, estão fadadas ao fracasso e as trevas. Nunca serão para mim aquelas doces palavras de amor, nem do Bernardo, nem de ninguém, porquê a realidade é que eu sou um lixo em forma de gente, e sendo assim ninguém nunca vai me dá o devido valor, porquê nem eu mesma me dei. Eu abri as pernas cedo demais, o abandonei por um mentecapto, e ainda o fiz achar que estava competindo com alguém, quando claramente o tal “oponente” nem mesmo estava jogando. Eu não sou digna de respeito, compaixão, e muito menos amor, por isso que o amor só veio depois da humilhação. É difícil pra mim assumir, porém como estas são as minhas últimas palavras, tenho que confessar.2013 foi o pior ano da minha vida, porquê quando Douglas me deixou, se é que este é o seu nome mesmo, eu fiquei sem ninguém, já que ele me fez ver o pior das pessoas, com mais intensidade do que já via. Naquele ano, não tinha ninguém ao meu lado. Os que se diziam meus amigos, pareciam apenas querer a minha desgraça, e os que eram meus amigos sofriam o pior, porquê um homem que tentou me enganar, os enfeitiçou. Só que isso não vem ao caso, estes tem sido os meus últimos dias, e tudo está sendo fácil demais. Minha mãe vive saindo, Bernardo tem que ir trabalhar, então fica apenas eu e minha filha, que é a única a ver os meus surtos, e espero que isso só continue até os seus 2 anos, porquê será horrível demais, ver-me sofrer e não poder fazer nada. Para a pobre é tudo brincadeira, então algumas vezes ela ri achando que é piada, o quê é bom, porquê assim não chora, e não percebe a cruel realidade. Sabe não quero continuar aqui, para no futuro ser a mulher que diz “Ah mas eu não sou o grande amor da vida do seu pai, houve outra mulher, alguém que ele foi capaz de dizer pro amigo que amava muito, ao contrário de mim, que só servia pra suprir  sua  carência” Prefiro ser a mulher que faleceu, antes de ser ainda mais uma megera mal amada. Foi trágico, foi, no entanto não estarei aqui para presenciar essa pouca vergonha, e com sorte nem lembrarei que  Odette da Silva Pinto um dia existiu. Mulheres como ela, que são pessoas horríveis se dão bem, mulheres como eu que fogem da própria natureza bondosa, acabam sempre como amigas, ou opções menos tentadoras. Ela pisa e esmaga sem dó nem piedade, por causa do ego ferido pela falta de sexo, tem que ser conquistada, tratada como uma lady, e apresentada para amigos e família. Ela cuida de mim, me apoia, me deixa livre para escolher meu caminho, se entrega, se importa, e é extremamente romântica, apesar de parecer meio fria, não merece nada, é só uma porra de lembrança, que precisa ser esquecida, porquê se desviou, e deixou de ser submissa a mim. É simples assim, se deu a buceta, não me importo com o seu coração, então se quer ser puta, lembre-se de abrir as pernas, mas jamais a alma. É assim que me sinto, ela é a imaculada intocável, que fica nas preliminares, e eu sou a vagabunda que não tá nem aí pra essa regrinha de merda. Infelizmente este é um mundo extremamente machista, por isso ela é quem ele “amou”, e eu sou um lindo objeto sexual. Por causa destas afirmações, e certezas, porquê ele não é o único que veio até mim por desejo, não tenho tido mais prazer em me cuidar, vou fazer isso para quê? Pra vim mais uma merda de uma virgem, e sair ganhando? Pra ser olhada e desejada na rua, contudo não ter sentimentos reais ? Eu tô cansada de ser uma boneca de porcelana, não ter imperfeições físicas, não me trouxe nada de bom. Minhas amigas me odiavam, os homens só me queriam para sexo, e até a minha mãe tinha inveja, então prefiro não ter nada disso. Meu rosto está marcado? Que fique. Meu cabelo está caindo aos montes? Que caia! Minhas pernas estão peludas? Não, porquê meus pelos são extremamente finos, porém tem uma pequena penugem, que não pretendo tirar. Eu me cuidei, alisei cabelo, perdi peso, e me sacrifiquei diante do mundo, por todos que gostei ou amei, e tudo o quê ganhei com isso foi...Nada! Não sou uma mulher inesquecível, muito menos marcante. Sou como a própria virgem em forma de tábua descreveu: “totalmente insignificante”, e ela está certa. Nem um dos meus ex veio me procurar, após o fim, acho que nem mesmo eram capazes de saber o meu nome, porquê eu não sou tão bonita, quanto muitos insistem em afirmar. O B não veio me procurar...Ele simplesmente agarrou o primeiro rabo de saia, saído de um anime, e foi ser feliz, assim como o Douglas, o Rodolfo, Dominic, e tantos outros fizeram. O B não tem nada de diferente dos outros, com exceção ao Ronnie, porquê o cara era legal, só não tínhamos química. O B falhou comigo também, não soube me esperar, nem me valorizar, e ainda diz que foi otário pra mim. Otário ele foi para a vagabunda, lambendo suas botas e sabe-se lá mais o quê, enquanto ela o tratava como um cachorrinho na rédea curta. Ele não sabe o quê é ser otário. Otário, é esperar dia após dia que a pessoa reconsidere, é contar as horas para receber uma mensagem que nunca vem, é se fechar para o mundo, porquê acredita em finais felizes, é declarar morte, mesmo sabendo que agora é insignificante, é aguardar para ser a namorada, enquanto o mundo inteiro é opção, menos você, é aguentar insultos constantes, só para ficar perto, é aceitar que suas amigas são muito mais que você, é dar mais uma chance, para um relacionamento que só existe na sua cabeça, é ajudar a pessoa a conquistar outra de braços abertos, é sorrir e acenar, enquanto a pessoa nem olha pra você, é lutar por algo que já perdeu, ou que nem sequer foi seu, é ficar feliz e acreditar que há chances, apenas por um abraço, é perdoar uma mentira grave, e fingir que aceita a amizade, apenas porquê não quer perder o contato, é largar tudo, só porquê não aguenta mais ficar perto, por ser fraca demais, é aceitar uma traição, mesmo que isso custe a sua sanidade, é ser desprezado publicamente, e achar que a pessoa te ama acima de tudo, por gestos que só podem ser vistos por você, porquê diante dos outros a história é outra, é tentar seguir em frente apesar da humilhação, é saber que em algum momento a pessoa teve a intenção de magoar, e fingir que esta jamais seria capaz disso, é acreditar que é o grande amor, quando até uma conhecida sabe que o verdadeiro grande amor não é você, é se desgastar dia após dia mantendo um relacionamento que não tem mais futuro. É obrigado rapazes, eu fui o nível mais humilhante de otária por vocês, todos vocês, de formas diferentes, mas fui. Não há mais ou menos culpados da minha desolação, vocês tem uma parcela de culpa, e o engraçado é que nenhum de vocês deve lembrar que existo, isso é uma hipótese, meu marido eu sei que não lembra, afinal de contas em um ano de relacionamento, ele nunca nem falou meu nome, pro seu casinho com a outra Thaís, e vocês não são diferentes. A Hadassa  soube da sua coleguinha de classe? A Lara soube da sua amiga? A Juana soube da sua ex namorada maluca? Eu tenho certeza que não. Nenhum de vocês me mencionaria, porquê tenho o perfil de amante, uma mulher bonita e fácil de ser enganada,  ao contrário de uma esposa, que em seu extremo ciúme, sempre impõe o seu lugar. Nunca terão falado de mim, nunca sequer terão mencionado meu nome, sou o tipo que vocês se divertem e jogam fora. B, R, D e J sabem do quê estou falando, não precisam nem mesmo transar comigo, basta se aproximarem para inflar o ego, e algumas vezes brincar com a minha cabeça como se eu fosse marionete, ou quando brincar com a cabeça não funciona, é só brincar com os sentimentos, que ficam satisfeitos, e vão para os braços de suas Odettes, abro apenas uma exceção para Hadassa ela era uma boa pessoa, mas as outras são todas como ela. Nenhum de vocês quis ficar comigo de verdade, criaram barreiras para me afastar de propósito, porquê um contrato a longo prazo comigo era loucura, para R, eu estava longe demais, para D eu era uma vadia louca, para J era imatura e não podia manter relacionamentos, e para B era só suprimento de carência. B pode ter sido o único a não abandonar o barco no fim, mas isso não faz dele um santo, ou o senhor da persistência, é apenas o soldado que se escondeu numa ilha, e voltou depois da guerra, para saborear a vitória, nada mais que isso, e pior achou que o prêmio não era digno, e por isso o jogou no lixo, e agora tenta reciclar. Vocês são idiotas, nunca serão capazes de encontrar boas mulheres, porquê quando uma mulher apaixonada aparece, dão seus corações para megeras, salvo apenas a Hadassa. Poderia dizer não sei onde deu errado, mas cometi o mesmo erro com os 4, eu dei muito de mim pra vocês, enquanto que os cavalheiros, não me deram nem mesmo um terço. Eu fui amorosa, tentei acreditar nas suas mentiras, da maneira mais compreensível, estive lá pra vocês, sempre esperando por cada um em seu tempo, enquanto se divertiam, e minha existência nem se passava por suas cabeças. Algum de vocês pensou em algum momento nas suas ações antes de me magoar? Seria bom se tivessem me contado que tinham namorada, assim eu me impediria de me apaixonar. Seria fantástico se deixassem claro que não queriam absolutamente nada comigo, em vez de dizer que sentiam algo por  mim. Seria ótimo se parasse de fingir que gostava de mim, para eu ir atrás de quem me amava. Seria estupendo se você tivesse se afastado, antes de me apunhalar, quando estava comigo B. Cada um de vocês deixou sua marca em meu espírito, D por sua causa deixei de ser eu mesma, R por sua causa duvidei da minha beleza, J você abalou meu intelecto, e B por você eu deixei de acreditar no amor. Falando assim pode soar como se você fosse minha última opção, mas é apenas a ordem cronológica dos fatos, você é minha única opção, mesmo sendo o pior dos 4, se fosse realmente para escolher, eu te escolheria. Eu te amo muito, porém não dá mais, o fantasma daquela menina de olhos gigantescos, me persegue, e não consigo esquecer. Já senti certa raiva de outras ex’s, mas essa é a que me faz ter ódio e rancor, é a pior de todas. Só de ver a letra “o” ou qualquer palavra com som de “Ode”, eu surto. Não tem sido nada fácil pra mim, e com ela sendo o tipo de pessoa que só sabe xingar mandado “lavar uma louça”, é ainda mais complicado. Como pode ter amado alguém que trata um depressivo como “desiquilibrado” ou “louco que tem que ser internado”, como se fosse os anos 60, quando problemas mentais eram tratados como monstruosidade, imitando os ritos da era medieval? Ela é uma carrasca, típica peregrina que teria mandado um inocente para a fogueira, e você é o tipo de homem que gosta do mundo anormal, então como?! O quê nessa crueldade dela que te deixou tão louco de amores?! Gente como ela é detestável! Deveriam ir pra fogueira, no lugar daqueles para quem apontavam seus dedos sujos! Bom talvez a melhor explicação seja que é sua alma gêmea, por isso os opostos se atraíram, e neste caso só estou atrapalhando uma união sagrada. Algo que me deixaria bem feliz noutros tempos, contudo hoje não deixa, porquê sei que está lutando contra o destino, apenas pela merda de uma compatibilidade que não existe mais. Nós mudamos, e eu mudo a cada dia. Já não ouço tanto rock n’roll, odeio anime porquê me lembra daquela puta, e a sua conversinha, ver filme ou série, não é o suficiente pra saciar o tédio, jogar vídeo game não tem mais graça, te morder ou fazer sexo com você, já não me atrai. Não tem porquê continuar com isso, é bobagem, deve pegar suas coisas, e correr pros braços do seu grande amor, que te faz ser o quê nunca foi pra mim, um idiota romântico. Se não fizer, pior será pra você, pois em breve vou está morta, ontem risquei o pescoço, hoje cortei um pouco, e de forma gradativa, tomo coragem para chegar a artéria, e parti-la ao meio, destruindo minhas chances de viver em questão de minutos. É , o fim se aproxima, e já posso ouvir o tick-tack do relógio, apontando para as horas da parada do meu coração.  A cada dia que essa questão não se resolve, é mais um minuto adiantado no relógio da vida, e como sei que o parece é, logo formarei 1 hora, e depois mais 1 hora, até enfim completar o ciclo. Sinto que estou perto de enriquecer, e me tornar uma mulher de extremo poder, mas não estou feliz com isso. É claro que precisamos de dinheiro para viver, mas é preciso bem mais para existir. Tenho minerado muitas moedas, com grande potencial, e sei que se aguardar um pouco logo estarei bem de vida, no entanto não me importo com isso. Sempre tive dinheiro e alguém pra me dá tudo o quê queria de material, e isso nunca me trouxe felicidade de verdade. Muitos podem me chamar de mimada ou mesmo egoísta, porém continuarei a afirmar que dinheiro não é tudo, é apenas 75% da coisa, e os 25% restantes é que são preciosos, pois são eles que fazem cada respiração valer a pena. Sei que muito em breve vou acumular uma pequena fortuna, sinto isso dentro de mim, e deveria ser o suficiente para sorrir, e acreditar que venci na vida, todavia não estarei com um enorme brilho no olhar de bonança, quando isto acontecer. Eu lutei por longos 13 anos pelo meu sucesso, e agora que vai se concretizar simplesmente não faz sentido algum. Eu serei rica, extremamente influente, e chegarei ao topo onde alguns jamais foram, finalmente terei o poder em minhas mãos. Esse é o sonho brasileiro, sair da pobreza, de um jeito efetivamente fácil, tenho a chave na minha palma, e deveria bastar, mas não basta. Nada é bom o suficiente, absolutamente nada, é capaz de me fazer feliz. Vejo minhas moedas crescendo de forma substancial, e penso na minha futura casa, e o quê há de bom reservado para mim, e no segundo seguinte lembro que só sou digna de riqueza material, e pego a mesma faca de cortar carne, e passo sua lâmina no meu pescoço. Tenho muitas marcas próximas da garganta, e poucos sabem de minhas tentativas, para a maioria minto na maior cara de pau, apenas B e Rá estão a par da situação. Rá nem sequer imagina os horrores com os quais convive, porquê como já disse antes, para a baixinha é só uma brincadeira. Meus gritos e comportamento auto-violento, não passam de maneiras de lhe animar, cortar o pescoço é divertido, gritar como uma lunática é pura palhaçada, e ela apenas ri como se nada fosse realmente me ferir. B já está tão acostumado com meus “dramas”, que nem  mesmo é capaz de ligar, e mais ainda diz que eu tenho medo, e jamais seria capaz de acabar com minha vida, sei que isso soa grosseiro, no entanto não é assim, ou talvez seja exatamente o quê parece. Se me amasse tentaria me impedir, dizendo o quanto lhe machuca me perder, mas sente tanto por mim, que só consegue me abraçar forte em silêncio, sem pedir mesmo que por um segundo, para que eu fique por ele ou por nossa filha. Acho que ele não é capaz de sentir amor por ninguém, por isso não sabe se expressar tão bem, ah não espera ele sabe se expressar sim, só não por mim, porquê não é que não saiba amar, é apenas que não sente absolutamente nada por mim. É tudo tão lógico, que não sei porquê perco o resto do meu tempo, com alguém para quem sempre fui só um rosto bonito, que não merecia uma gota de valor. É como voltar a 2012, quando me questionava dia após dia, se o meu namorado me amava, e se o quê sentia era real, por quê então tinha o prazer de me sofrer com seus jogos de falsa personalidade? Terminou, estava na cara que seria assim, e o próprio um dia veio confessar, que tudo não passou de um jogo, uma vingança por não ter cedido aos seus avanços estúpidos. D e B não são tão diferentes, a falta de caráter é uma marca dos dois, e tenho certeza que um dia B e eu terminaremos, e ele vai ser o próximo a dizer “Eu só estava com você por vingança, e foi muito bom te fazer agonizar”, ainda por cima irá completar com “Você estava certa, Odette era mesmo minha alma gêmea, e hoje somos muito felizes juntos.” Sei que vai acontecer, e não há nada para mudar isso, porquê no destino não deve se mexer. Eu era destinada ao D, isso é óbvio, não porquê temos uma ligação espiritual, ou essas bobagens que só os humanos tem direito, e sim porquê desde sempre, sou sua vítima, e estamos fadados a nos encontrar, para que continue a me matar, como das outras vezes. Pra ser sincera não sei o quê fazer, tempos sombrios estiveram tomando conta dos meus dias, e percebi o quanto sou desnecessária. Minha mãe, nem sequer se importa comigo, como foi registrado aqui, venho tentando me matar mesmo, há uma semana, e quase ninguém notou, mas o quê dói mesmo é ela não ter visto, e ter saído em um passeio romântico com o namorado patife, me deixando sozinha em casa, dando-me mais oportunidades de me matar, e se acontecesse duvido que choraria pela minha perda, já que eu sou só mais um problema para deixar para depois, como todos os outros. Minha filha adoeceu recentemente, ficamos todos preocupados, e a levamos para o hospital três vezes, temendo que fosse alguma dessas doenças, do tipo H1N1 ou Dengue, fiquei aflita só até os resultados em mãos, depois me acalmei, mas a vovó Sol não, ficou toda cuidadosa, amorosa, e presente para a neta, como se esta fosse morrer por uma gripe, se fosse mesmo acontecer, acredite em mim eu sentiria, só que não senti, então não fiquei tão abalada. Sou taxada de cruel todos os dias, de péssima mãe, entre outras coisas, mas a verdade é que detesto todo esse carinho para com ela, porquê sei que quando mais precisar que se importem, não vai ter ninguém lá. “Você é grande, sabe se cuidar!” É o quê lhe dirão, quando necessitar de um abraço, ou um beijo de boa noite, seguido de um “eu te amo, e você é preciosa pra mim”. De que adianta ser ótimo pra uma criança de 1 ano, e péssimo para um filho de 23? O bebê não lembrará de nada, não saberá do seu esforço ou a falta dele, enquanto que a criança, adolescente, e o adulto sim terão acesso a essas informações. Como se isso não bastasse, ainda vem a falsa da minha sogra, a mocinha de uma certa vaca, encher o saco com seu teatrinho barato. Se ela ama a neta, ótimo, só não me envolva nisso. Sinceramente estou cansada de tudo isso, das mentiras, dos teatros, e toda hipocrisia que me rodeia. B não me ama, minha mãe não me ama, e tenho quase certeza de que Ravenna será uma decepção, pois desde já, apresenta gostos controversos aos meus, e mais próximos da idiota da minha mãe. Ela não será minha Wandinha, mas sim uma beata que também fecha as pernas, porquê não se garante num relacionamento, e talvez admire a mal amada número 2, por sua “coragem diante da pressão da sociedade”. Que coragem?! De não ter personalidade própria? De precisar segurar com alguém com sexo, por ser tão insuportável?! Belo exemplo a ser seguido. Melhor ter uma noite de prazer, que termina no dia seguinte, do quê uma vida de falsidade, para segurar alguém que, se quisesse realmente está junto de ti, ficaria mesmo depois de o entregar o “ouro feminino”, porquê se você é boa o bastante, faz com que te amem pelo que é, e não pelo que tem no meio das pernas. Há a quem estou enganando? Homem nenhum fica com uma mulher,  depois de levá-la pra cama, os meus só ficaram porquê institui pactos de compromisso, que me garantiam não ser trouxa como as outras, mas enfim por amor mesmo nenhum permaneceu. Ninguém fica comigo por amor, vai ver que de tanto ser insuportável, acabei achando que todo mundo era, incluindo a moça. Ela não tem culpa de nada, nada daquele tempo, eu fui embora, e ele achou alguém para amar, fim da história. A única otária a pensar que não seria esquecida aqui, fui eu, por acreditar que ele não acharia nada melhor, mas achou, e foi feliz. Eu deveria ficar feliz por ele não? Esse seria o certo. No entanto se você chegou ao capítulo final, deve saber que estou pouco me lixando para as regras de certo ou errado. Eu a odeio, porquê ela sempre será lembrada como o amor da juventude dele, enquanto eu serei eternamente a garota com quem passou um tempo, o suprimento de carência, e outras coisinhas “açucaradas”. Poderia dizer posso conviver com isso, e vamos deixar para trás o passado, mas apesar de ter sido uma vadia, acredito que eu merecia muito mais aquele “eu amo ela, não quero perdê-la, vou mudar por ela”, do quê uma beata de merda, que finge ser das trevas, mas não passa de uma cristã inversa. Não, não posso conviver com isso. Estou cansada de sempre vim alguém lá da puta que pariu, e realizar os Meus Sonhos! É Melinda! É Elly! É Isabela! É Claudia! É Odette! Chega! Chega de aguentar essas parasitas! E vê-las se dando bem! A justiça vem para gente um dia? Engraçado para mim nunca chegou! Melinda é linda, tem o cabelo maravilhoso, uma família que a ama, e amigos de verdade. Elly? É e sempre será vadia oferecida mais gostosa do pedaço! Isabela foi para a esquerda e fez ainda mais seguidores pro rebanho! Crueza deve ter emagrecido, e se tornado bonita, de acordo com o meu azar! E Odette? Ah essa é a pior, ela será sempre o “anjo” que salvou o Bernardo da morte, para a qual a minha sogra, acha que eu mandei o filho dela. Faça-me o favor! Se ele estivesse ao ponto de se matar, teria se declarado e lutado por mim, e não criado planos para comer a buceta da madre Teresa! E eu o quê tenho? Nada! Não tenho um cabelo bonito, ou traços divinos! Minha família? Eu tenho família? Acho que não! Sou uma vadia sim mas não do tipo rainha das atenções, e sim daquelas que se envolvem no escuro, e ninguém nunca descobre, sou uma piranha descartável! Seguidores? Há-há-há! Não tenho nenhum. Meu azar é tão grande que a gordinha de 27 anos, deve está melhor do quê eu. E por fim sim sou mesmo um demônio destruidor, que atacou o pobre e indefeso psicopata, que tentou me matar! Ah não sabia sogrinha? Pois é, seu filho é um perturbado! Tanto ou pior do quê eu! Esse é o fim... e como disse antes, sem mais recomeços, pois desta vez estou realmente disposta a me matar. Adeus, obrigado a todos que leram essa história estúpida, sobre alguém tão insignificante, que jamais será um best seller, ou sequer algo digno de venda. Sim você  perdeu tempo, e não foi difícil enganar, afinal de contas, fiz isso parecer interessante, porém o fato é que não há nada extraordinário aqui, nunca houve. Não menti sobre nada, só que não faz diferença, porquê no fim  não importa o quê tenha acontecido, eu continuo sendo ninguém. Não tô nem aí pra ideia de contar isso aos meus netos, porquê a verdade é que só me importo com sucesso e poder, uma vez quis associar isso junto do amor, mas percebi que me desviar dos meus objetivos, foi um erro, por isso retornei ao meu estado inicial. Sim sou egoísta, sou detestável, essa sou eu, e gente assim deve morrer não concorda? Sei que sim, então não chore pela minha morte, lembre-se de que não fui digna de sequer uma boa declaração de amor, de manter os amigos, ou mesmo permanecer como filha do conde Drácula. Também não sou digna de suas lágrimas, sou desprezível, e satânica, o quê quer mais para sorrir pela minha desgraça? Até nunca mais.





















    Anexos


    Carta prometida


    13/03/2018

    Olá novamente, em todas as vezes que vim 

    até você, porquê não sou uma covarde, vim com um tratado de paz, mas como a sem classe que é, você simplesmente me tratou mal, só para sair de superior. Engraçado nunca ter ouvido falar de mim, mas justo depois de começar a namorar o meu marido, adotar esse estilo tão característico da única Carry Manson que existe, outra coincidência estranha Kássia, Carry...ambas com o som de K, mas advinha quem veio primeiro? Isso mesmo, eu sou o ovo, você é apenas a galinha. Suas fotos são tão semelhantes as minhas, que entendo porquê o Bernardo te chama de cópia barata de mim. E ah se você nunca ouviu falar de mim, porquê então escrevia nas postagens românticas que aquilo não era pra você? Sabia que ele esteve com você por 2 anos, e nesses 2 anos guardou uma música que cantei, e a ouviu antes de dormir? Taí o quanto é superior queridinha. Ah que ele falava de mim pros amigos, como a única perfeita pra ele, e   só estava com você porquê queria te levar pra cama, cê foi dura na queda hein? Tão típico de virgens indesejadas. Calma tem mais. Quando você foi pra casa dele, ele nunca teve a intenção de te apresentar pra mãe. Ele te traiu com Macapá inteira, incluindo sua amiguinha Bruna, que você tanto detesta, e sabe a Thais Lobato que quase destruiu o namorico idiota de vocês? Bem ela nos dá total apoio, e comigo percebeu que a derrota era garantida, porquê eu mostrei quem realmente manda. Ah o nome da melhor amiguinha dele era Thaís e ela curtia animes, filmes, desenhos, e pintava o cabelo de colorido? Bem advinha por quê?! Por lembrar de você é que não era monamour. Sei que se falaram recentemente, e que você continuou a negar os fatos, porquê quer ser superior, mas meu bem você é tão superior, quanto essa tua popularidade de merda, que se restringe aos teus amigos. Quem é Odette  Pinto? Se você não tivesse namorado o cara que eu deixei, eu nunca saberia, mas anda por Macapá, todo mundo sabe quem é Thaís Marino, e joga no google, e todos vão saber quem é Carry Manson. Se acha especial por falsas declarações, que só conseguiu por fechar as pernas? Grande coisa, quero ver dormir com o cara, e segurá-lo por 8 anos. Ah é desculpe em março de 2013, ele não esteve com você, porquê estava na minha casa, e só não ficou lá porquê eu garanti que não voltaria pra ele. Triste não acha? Saber que a pessoa em quem você quis pisar, te superou em tudo. Sim porquê se com 3 meses de namoro, ele saiu pra te trair, com 3 meses de namoro eu o fiz sair de casa, pra se casar comigo. Bom é isso, foi um prazer não falar com você, e quer saber ? Isso não acaba aqui. Se sente humilhada agora, é porquê não sabe o quê te aguarda. Ps: Deixa de se fazer de dark,

    todo mundo sabe que você escuta apenas

    nxzero, fresno, e strike!




    Obs: Sim fui arrogante e metida, mas isso é apenas um mecanismo de defesa, para esconder minha tristeza e total insatisfação diante dos fatos. Não tenho nada contra as bandas de rock citadas, apenas acho ridículo alguém escutá-las, e querer bancar  um ser das trevas, quando está claro que tem coração mole. Eu já as escutei, mas isso foi há muitos anos, quando acreditava em amor, e que podia ser feliz. Pra mim quando alguém escuta tais canções e gosta do quê ouve, significa que é uma pessoa de coração mole, que tem esperanças e alegrias, algo bem distante da persona de alguém soturno, por isso fica fora de contexto, é como ter o coração de manteiga, e fingir que é de pedra, só para ter atenção, o quê para mim é um ultraje. Porquê o quê importa é ser você mesmo, e não outra pessoa para agradar a todos, pois se tem que ser outra pessoa pra gostarem de ti, é porquê os sentimentos dos que te rodeiam não são reais.










    Fim.

  • The Angel In Earth

    Lux Burnns
    Sumário
     Prólogo............................ 3
     Capítulo 1- 1995............... 4
     Capítulo 2- 2006...............12
     Capítulo 3- 2011...............23
     Capítulo 4- 2013...............44
     Capítulo 5- 2015...............55
     Capítulo 6- 2018...............72
     Referências......................88
    Prólogo
    Escrevo livros desde os 11 anos, foi uma alternativa, quando vi que meus desenhos tinham os próprios traços, e jamais mudariam. Fui autora de muitos projetos não reconhecidos, que podem ser encontrados em meio a vasta internet, para quem quiser ver, como foi que a minha escrita mudou de redundante para encantadora. — Não é presunção, se há uma gama de leitores que concordam. 
    Minhas obras sempre foram voltadas, para o quê seria no futuro, ou as aventuras mágicas, de uma mente, muito, muito perturbada. Então definitivamente, não é fácil iniciar um projeto, que retrate quem eu sou, sem o uso de alegorias, e extremos ao retratar sobre fatos que me assombram, ou aconteceram.
    A jornada não será simples, pois meus problemas não se resumem somente a eventos comuns. Já me encontrei com o sobrenatural várias vezes, e sei que há mistérios, que fazem a insanidade se tornar um refúgio, diante da realidade nefasta. – Vi coisas que preferia esquecer, e que me fazem cogitar a ideia de juntar a banca ateísta.
    Como se isso não fosse o suficiente, tive minha saúde mental degradada com o decorrer do tempo, e isto me levou a conhecer o pior que existe da natureza humana. – Já teve medo de entrar no hospício? Eu sim. Não por achar que viraria minha casa, mas por acreditar que seria aprisionada ali, por causa dos meus pensamentos, e a ausência de sentimentos em determinados momentos.
    Tentei escrever o Sobre Mim, narrando somente os fatos, sem fazer uma análise profunda e detalhada de minhas ações, e acabou por ser concluído como um ensaio suicida, nem um pouco convincente. – Eu estava a beira de um surto, e o livro serve ao menos para o estudo psicológico, ou a expressão mais pura da loucura de uma mulher.
    Espero que esta tentativa seja diferente, ( darei o meu melhor para que seja). Então busque pela sua bota mais resistente, e a capa mais quente, pois a caminhada será longa, e ela começará agora.
    Capitulo 1- 1995
    Meus pais eram o típico exemplo, da história de amor, mais estranha do mundo. Minha mãe era um pouco namoradeira, e meu pai aparentemente um stalker, pois ficava lhe esperando voltar dos encontros, e a vigiava através da casa da vizinha dela. – Se isso não é perseguir, então não imagino nem um outro sinônimo para substituir a palavra.
    Minha mãe, talvez por ter sido criada de forma conservadora, não viu em seus atos nada de absurdo, por isso se apaixonou pelo jovem que vivia de cara amarrada e pouco ria, e que estava sempre na sua porta.
    Anos mais tarde, eles me geraram dentro de um carro, ouvindo a música Black da banda de rock Pearl Jeam, que basicamente fala de um amor dependente, que um homem tem por uma mulher, que não acreditava que poderia tê-la para sempre.
    Um romance com claros sinais de quê não era para acontecer, não poderia resultar em boas coisas, por isso, creio eu que minha mãe sofreu de rubéola na gravidez. – Isto ou o fato de ter abortado a sua primeira criança antes, por uma motivação bem adolescente, que quase custou a sua vida.
    O médico foi bem sincero para a minha mãe, disse que o melhor a ser feito era abortar, antes dela se colocar num risco maior. Contudo devido ao pecado anterior, e o peso que isso lhe trouxe, ela seguiu com a gravidez, e usou a sua fé para me proteger. Foi até a igreja Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, e lhe fez uma promessa. – Por causa disso, hoje carrego o odioso nome da Santa, que volta no Apocalipse, como a Prostituta Montada na Besta. (Leia sobre A Virgem Maria na perspectiva de Aleister Crowley.)
    Nasci no dia 15/02/1995, exatamente ás 10:51 da manhã, em Macapá- Ap. Mas minha mãe deu entrada no hospital, a noite, depois de ter tido um ataque de ciúmes, que a fez cair da escada, e assim foi as pressas para a maternidade, com medo de acabar me perdendo. – Nascida do desamor, com uma trindade de quinzes presente na data do aniversário, isto não é pura coincidência. 
    Meu nome humano é Thaís, em homenagem ao falecido tio Thales, que parecia o gêmeo do meu pai, apesar de ser um ano mais novo. – Por anos só soube que ele morreu, aos 17 anos, num acidente de moto, após se meter, com o quê meu pai chamou de “magia dos mortos” (Necromancia?) Porém quando fiz 19 anos, o irmão vivo me contou que Thales não apenas se foi, ele apareceu para o irmão estranho e sempre recluso, e lhe disse “Vou embora porquê esse lugar é pequeno demais para mim”. O quê era intrigante, pois eles eram ricos na época, e tinham um ótimo apartamento em São Paulo – Sp. (O curioso é que se Thales não tivesse morrido, eu não teria nascido.)
    A maldição começou desde cedo. Quando recém nascida – contam meus pais – que vivia no hospital, e o pior é que de alguma forma me lembro, do meu pezinho engessado, dentro de um quarto verde, com algumas lajotas. Como se não bastasse, toda noite era visitada, por uma poderosa entidade, que de acordo com minha mãe, era capaz de acionar o meu andajá eletrônico de madrugada. – O evento se repetiu tanto, que meu pai chegou a literalmente queimar o objeto, por medo do quê tinha por trás dele.
    Infelizmente o problema não estava no andajá, e sim em mim. Meus cabelos negros e lisos caíram, sendo substituídos por cachos marrons acobreados. – Diz minha mãe, que foi culpa do óleo Johnson, mas acho improvável, pois se fosse, minha pele pálida como papel, teria continuado da mesma forma. – É claro que a genética pode explicar isso, mas o fato em si, é comum entre as “crianças mágicas” (Leia Ciências Ocultas da Iavisa, para maior compreensão.)
    Minha infância não foi formada somente por doces e caramelos. Embora hajam memórias açucaradas, também existem as amargas que gostaria de esquecer, não pelo mal que me foi causado, e sim pelo quê me tornei por tal intervenção.
    Aos 5 anos fui molestada por meu avô, que me levava para o fundo do quintal, onde tinha um galinheiro, e quando me colocava para andar por lá, também enfiava seus dedos em minhas partes. – É horrível ter dons, que te fazem lembrar de tudo. – E mais tarde, aos 7 anos – por total negligência do meu pai, que me esquecia até 13 horas na escola – O meu professor de balé, o Junior, fez o mesmo. Só que numa sala cheia de crianças, focadas na TV, enquanto sussurrava em meu ouvido “Pense numa coisa bem boa.” 
    No primeiro momento achei que não tinha me afetado, mas hoje em dia percebo que sim. – Aos 2 anos, costumava matar pintinhos os sufocando, sob o pretexto de quê os colocava para dormir, e aos 8 desenvolvi desprezo pela cor rosa, que era exatamente a mesma que usava nas aulas de dança, por uma obrigação imposta por meus pais. – Que queriam me forçar a ser uma criança normal, o quê particularmente era impossível.
    Eu tinha sentido na pele, literalmente, o quanto o mundo é doentio, e como não quis contar a ninguém. – Para não perder as minhas regalias, dadas pelo meu avô, em troca do perdão por sua atrocidade. – Segurei aquele segredo comigo, e fui me tornando cada vez mais sombria.
    Para meus pais e coleguinhas era uma menina boa. Sozinha, me tornava outra pessoa. – Alguém que não merece nem ser citada. – Pois seus pecados são tão profundos, que até um padre cético, acreditaria se tratar de possessão infantil, ou algo ainda mais nefasto. – Vivia envolvida em clubes secretos da escola, me masturbando com meninas da minha idade – Isso com 6 anos, e até hoje me pergunto com quem foi o meu primeiro beijo, mas creio que quem o conseguiu, foi a minha coleguinha Vivi. –  Gostava de desenhar, só que no lugar de coelhinhos, flores e corações, minhas obras amadoras, expressavam a morte, sob o esquartejamento, e uma enorme poça de sangue. – Who’s bad? ( Michael Jackson – Bad – 1987.)  – Com 10 anos, acertei uma pedra na cabeça da minha vizinha, porquê ela fez amizade com outra menina, e me deixou de lado. – Eu mirei, vi se não tinha ninguém na rua, e puxei o elástico do estilingue. A cabeça da menina sangrou, e lembro-me do quanto fui falsa, ao ponto de pedir-lhe desculpas sem me importar.
    Ainda no mesmo ano, como era muito solitária, acabei por cair numa armadilha cruel. – Lembre-se que para os meus coleguinhas, eu era um anjinho. – Uma menina me chamou para ir dormir na sua casa, e como da outra vez – quando todos foram – Não me deixaram ficar, fiz de tudo para ir. Inclusive negociei ir com a menina, no lugar de alugar fitas de N64 na Top Game – Era muito manipuladora, desde pequena. A mãe da menina fez um drama, (ou para mim parecia assim, devido a boa vida que levava) sobre não ter dinheiro para nada mais que o necessário. Eu naturalmente entendi, mas a própria filha não, e assim esta se envolveu no roubo, e me puxou junto, enquanto fugia do guarda. Entramos no banheiro, e ela me implorou para assumir a culpa. – Naquela hora queria ter sido má, e dito surtou é? Mas não foi o quê houve – Sai do lugar, tomando a responsabilidade para mim, o supermercado estava cheio, todos me olhavam com repulsa, por andar mal vestida, e não acreditaram, quando disse que voltaria para pagar. – Apesar de ser da classe média alta, me vestia como mendiga, e aparência é o quê importa.
    No lugar da menina, quem recebeu a bronca fui eu, e como não tinha formas de me defender, usei a novela como argumento, para quê me deixassem em paz. – Alegando  sofrer de cleptomania. 
    Ouvi muito do meu pai, e mais tarde dos meus colegas, pois somente eu sabia a verdade daquele dia. A menina, mentia para se safar da vergonha, e fazia de mim, o seu bode expiatório. 
    Já cansada de tais afrontas, contei a verdade ao meu pai, que antes achava somente o pior de mim, mas depois agradeceu a Deus, pela ludibriadora ser a menina. – E armei para ferrar as garotas que se juntaram a ela. – Mesmo que de forma inconsciente.
    “A Thaís é boa. A Thaís é uma santa. Não faz nada de errado.” Diziam sobre mim. Então por causa da minha cara de sonsa, não desconfiaram de nada, quando as chamei para assistir Van Hellsing na casa da vovó, através do paperview recém comprado.
    As recebi no meu lar, com um sorriso, brincando, e quando dei por mim, outra vez elas faziam aquelas terríveis acusações a meu respeito. – Isso me encheu de ódio, e tudo o quê me lembro em seguida, foi de soltar meus 5 cachorros de grande e médio porte, para cima delas. (Literalmente.) Papai ficou horrorizado pela minha conduta, eu segui com o nariz empinado. – Ainda sim continuaram a me chamar de santa.
    Naquele ano, a menina que roubou o meu projeto da água, e o tratou como seu, tentou fazer as pazes comigo, e isto resultou numa história inacreditável. – De tardinha, resolvemos brincar de jogar a bexiga d’água uma para a outra, e se caísse a perda era evidente. Só que no meio da competição, o balão se partiu em câmera lenta, e vimos o tempo praticamente congelar, enquanto a cachoeira saia de dentro da borracha vermelha. – Até hoje me pergunto que tipo de alucinação foi esta.
    Mais tarde quando tinha 11 anos, levei um fora muito ruim, do garoto que eu gostava, por causa de uma falsa amiga, que fez a minha caveira pra ele. Estava muito abalada por isso, e tudo o quê queria era ouvir minhas músicas, sem interferências.
    Todavia minha prima de 5 anos, não respeitou o meu espaço. – Afinal o pai dizia que ela podia tudo, e a família reforçava tal autoridade, por isso a menina era terrível. – Eu pedi para me deixar em paz, mas ela ficou pulando no sofá e gritando, bem na hora da música que queria ouvir. Não aguentei, e acabei por pegá-la pelo pescoço e erguê-la. 
    Lembro-me de olhar em seus olhos, que estavam amedrontados, e só parar por medo de ir parar na cadeia. – Eu era criança, mas sabia bem o quê significava o xilindró.
    Meu pai ficou uma arara comigo, e falou um monte, mas eu apenas mantive a mentira de quê nada fiz, só que ele não acreditou e por isso apanhei. – Novamente o ódio subiu a minha cabeça, e tentei não manifestar de forma física, foi quando por coincidência, senti um cheiro de queimado, proveniente do quarto onde minha avó dormia. O ventilador tinha se aquecido, ao ponto de iniciar um incêndio, e a chama azul e amarela já se formava. – Ela era a principal responsável pelo meu sofrimento, pois devido a sua xenofobia, tratava minha prima como se fosse Jesus, e eu o próprio Lúcifer.
    Naquela época coisas bem incomuns ocorriam. Costumava ver uma mulher de cabelos de fogo, que nunca me dizia o nome, e que decidi chamar de Layla. – Sempre que Layla estava comigo, eu me deslocava do corpo para outra dimensão, onde os belos eram maus, e os feios bons, comigo ao menos. – Quando a mídia defendia o oposto, com obras como Abracadabra da Disney (que aliás era um dos meus filmes favoritos)
    Sempre que ia para o outro lado, me esquecia daqui, e por isso muitas vezes era encontrada sob o estado de transe, falando “sozinha”.  (Minha avó materna até me acusava de falar com demônios por sinal.) – Quando não era com Layla, também dava voz aos personagens que criava, e acabava por fugir dessa realidade. (Por isso até hoje me questiono o quê ela é)
    De forma gradual, passei a notar que tinha habilidades, e elas estavam aumentando. Mas junto do meu “poder”, também vinham os “demônios internos” que não paravam de se formar.
    Talvez devido ao trauma provocado pela moléstia, tive de escolher entre dois caminhos: Ser a vítima da situação, ou me tornar ainda pior do quê quem me feriu. – Optei pela segunda opção, e assim me entreguei aos meus desejos mais obscuros, ainda na infância.
    Beijos e masturbação com garotas, aos 6 anos, agressão violenta com 10 e 11, não se comparam, ao pior dos meus crimes. – Eu seduzia garotos, os fazia querer me tocar, para torturar-lhes, segurando-os pelos testículos, ou dando-lhes tapas humilhantes na face. – E quando contava a versão as minhas amiguinhas, por vergonha, dizia que a culpa era deles, mesmo sabendo que era minha.
    Somente a minha santa protetora, conhecia meus piores segredos, pois preferia conversar com uma estátua, a fazer confissão para um padre. – Sempre pedia perdão pela minha conduta, de coração, pois tinha medo do castigo divino, mas as únicas vezes que meus desejos eram atendidos, envolvia uma força totalmente oposta a igreja.
    Devido a devoção da minha mãe, aprendi desde cedo sobre a figura do Diabo, e seus outros nomes, que segundo a mesma, jamais devia falar. – Mal sabia ela, que em meus momentos de ira, me sentia impelida a me isolar, e falava “Diabo, Diabo, Diabo, Satanás, Lúcifer!” – E magicamente meus problemas eram resolvidos.
    Tinha tanta afinidade com as trevas, que quando ganhei um cachorrinho, quis batizá-lo de Satanás, por achar o nome bonitinho. – Não importava se isso impunha medo, nos personagens do programa Chaves. – Mas jamais consegui ter um cãozinho com esse nome.
    Minha ligação com as terras debaixo era tão forte, que meu feriado favorito era o Halloween, e em vez de me fantasiar de princesa ou anjo (embora no pré tenham me obrigado a me vestir como tal), costumava ir de vampira, diabinha, ou bruxa. – A figura da bruxa muito me encantava, por isso tive uma vassourinha na infância, e até mesmo um pentagrama. – Do qual tive de me desfazer, por ser o símbolo do Diabo, já que a estrela representava um poder, e o círculo a sua influência sob o mesmo, segundo o meu avô.
    Pode se dizer que tinha uma forte atração pela magia e os seus mistérios, e que desde criança, parecia pertencer a parte mais profunda dos infernos. – Não que as minhas maldades me orgulhem, mas elas servem como prova, do quê sou ao menos.
    A escuridão em mim, se fortaleceu bastante quando mal sabia que era gente, e com isso desenvolvi habilidades notáveis. – Como toda pequena capeta, adorava aprontar. Era muito quieta, gostava de ler e vê TV, mas na hora de causar o caos, me superava. – Ao contrário das outras crianças, conseguia ouvir passos a metros de distância, e isso me ajudava muitas vezes, a sair ilesa da cena do crime.
    Cansei de contar as vezes, que sai do lugar, minutos antes de alguém aparecer para me abordar. Só que como mencionei antes, tinha muito mais que uma habilidade. Além de ouvir a Terra, e provocar focos de incêndio com minha ira, também fazia com quê os objetos caíssem, somente por me chatear, sem mover um dedo, e meu choro focado em algum desejo, realizava até consertos de eletrônicos aparentemente queimados. – Esta foi a minha predisposição. 
     No meu tempo, definitivamente estava longe de ser uma criança normal. Era sádica, má, e pior consciente dos meus atos, pois tinha uma noção de quê tais praticas eram erradas. 
    Não me admira já ter me encontrado com a morte. – Interessado? Pois bem. – Vamos voltar uns anos. Estava na quarta série, e ouvia sobre os relatos do fantasma do banheiro. Ria disso, pois para mim era como a lenda urbana da “Maria Sangrenta”. Porém como a escola Guanabara ficava na esquina com o cemitério, era algo que devia averiguar.
    Estudava a tarde naquele tempo, e como havia luz do sol, não pensava que algo pudesse aparecer, por isso sem avisar a ninguém, fui até o banheiro feminino, onde a suposta entidade era vista. 
    Entrei, e lavei minhas mãos, de acordo com o quê ia girando a torneira, as outras se abriam em sincronia. – Admito que isso me assombrou, mas não o suficiente, para ver se a água da privada, ficava vermelha sem motivo. – Todavia quando abri a porta e fui averiguar, a luz se apagou, e só restou a claridade solar do espaço fechado. Meu coração bateu acelerado, e quando olhei para o fundo do local, lá estava a criatura, com a sua mortalha negra, cujos os pés não tocavam o chão. Sai de lá na hora, correndo pelo corredor, e depois respirei fundo, e tentei demonstrar que não tinha medo, afinal se contasse ninguém acreditaria, e não queria ser taxada de louca.
    Fora a experiência com Layla, A Morte, e outros fatos incomuns, há também uma história, que foge dos limites da alucinação. – Até aqui só falei do quê foi visto, não o quê foi sentido. Então lá vamos nós. – Era de noite, e eu estava brincando com a vizinhança de pira esconde (A versão Amapaense do Pique-Esconde) Fui até uma casa, que parecia abandonada, e fiquei atrás dela. Então no meio da penumbra ouvi um cachorro, que me mordeu por trás do joelho. Nem sequer vi de onde o animal apareceu, mas a marca que ficou no meu corpo, foi bem real. Questionei o resto da garotada, só que nem mesmo eles sabiam, qual era a raça, ou se era vacinado. – Torci para que fosse, tinha muita campanha sobre o perigo da raiva na época. –Outro fato incomum é que quando feri o meu joelho, formou-se o número 7, e na vez que me queimei no antebraço com a borda da bandeja, a marca ficou semelhante a um triângulo ascendente.
    Há muito mais segredos, e sinais concretos, de um sério transtorno de personalidade, associado a aventuras fantásticas do mundo oculto, mas por hora encerraremos por aqui. – Bruxa Natural? Quem sabe. Algo mais?  Certamente, mas se quiser saber, terá que virar a página. Estarei no aguardo, e parabéns por ter chegado até aqui.
    Capitulo 2 - 2006
    Que tenho sérios problemas, já está claro pelo capítulo anterior, mas o quê sou? Já está evidente também? De certa forma sim, mas isto é somente a ponta do iceberg.
    O ano de 2006, foi marcado pelo fora, e o quase assassinato da minha prima – Causado por minhas mãos. – Mas também por algo que mudou a minha vida para sempre. 
    Era um final de semana em junho, eu acho, quando estava sentada diante da TV, fazendo o meu passatempo favorito que era desenhar. Desde que tinha começado a esboçar minhas expressões sombrias, sempre pegava um livro azul. Era como um imã invisível, que me atraia para ele, mesmo sem conhecer o conteúdo, e por isso me senti motivada a abri-lo. 
     – Foi quando vi pela primeira vez, um livro de magia, que se chamava Ciências Ocultas da Iavisa. 
    O quê mais me interessava, o livro 2, sobre hipnose, infelizmente desapareceu, e nunca pude o lê. Só me restou os livros que continham ao todo: Queromancia, Grafologia, Horóscopo, Bola de Cristal, Varinha Mágica, Búzios, Cartas, Vodu, a história de São Cipriano, e Segredos da Magia Negra em geral. – É, a primeira vez que toquei num grimório, já li logo sobre os sacrifícios mais absurdos, para o “demônio” Adonai. (Que hoje sei que é a face obscura de Yaweh.)
    Fiquei de imediato fascinada pelo mesmo, e o interesse aumentou ainda mais, quando minha avó me repreendeu, e disse que era uma leitura pesada para a minha idade. 
    Como ela tinha constantes ocupações, por causa do motel, a tapeçaria, e a lanchonete, mal parava na sua casa. – Assim sendo quando saia, corria para a sua biblioteca, e pegava o manuscrito proibido. – Me deliciava com o saber obscuro, e passava horas entretida com o mesmo.
    De fato era um livro pesado, e hoje não deixaria uma criança da minha idade ler, mas por alguma razão, estava preparada para estudar, e praticar somente o quê estava ao meu alcance. – Só as famosas benzuras, por isso soube lidar muito bem com tamanho poder.
    Porém depois de muito sofrer, passei a usar o livro em si, como uma ameaça aqueles que me machucaram. – Parafraseando a parte que diz “Ele adoeceu, mas nenhum dos médicos conseguiu encontrar a cura.” (Só que lógico usando a minha linguagem adolescente.)
    Meus coleguinhas ficaram divididos entre os que temiam, e os que queriam conhecer o aprendizado antigo, e a minha rival temeu que lhe roubasse o namorado com amarrações, por isso bateu foto da benzura “Para manter o namorado.” – Eu poderia ter usado amarração, estava ao meu alcance. Mas apesar de ser um monstro, sempre valorizei o amor como algo sagrado. Portanto se o fizesse, estaria quebrando muito mais que as leis divinas, trairia ao meu próprio código moral. – E também o fato de causar calafrios, em todos aqueles que me chamavam de anjinho, já foi uma vingança e tanto.
    Pouco a pouco a minha escuridão saiu, e tal como a borboleta, sai da versão de lagarta gorda e baranga, e ganhei as minhas asas. – Mas elas não eram cor de arco íris, e sim negras, como a noite mais pavorosa, o sinal o apocalíptico. 
    Apesar de sofrer bullying por conta dos meus cachos, não era nada ruim, pois me fazia sentir parte da galera. – Além do mais, se alguém te chama de algo, você sempre pode dá a volta por cima. – Eles me chamavam de leão, e eu dizia que era a rainha da selva, e os mesmos garotos mais tarde me elogiavam.
    Devido a grandes fatores, me desenvolvi muito cedo. – O meu primeiro dia na 5° série, foi marcado por ser o exemplo, do uniforme que não deveria ser usado na escola. – Nada de saias, bota e blusa colada de manga curta, e advinha como eu estava?
    Entrei na adolescência com 11 anos, e muito dos meus dilemas daquela idade, hoje são parte da vida de gente que acabou de atingir a maior idade.  – Então atualmente com 24 anos, creio que a minha mente seja mais próxima, de quem tem 30 ou 40.
    Portanto não me adaptava aos meus colegas de turma. – Assim acabei por fazer amizade com os veteranos, que para a minha felicidade, compartilhavam dos mesmos gostos que eu.
    No início éramos apenas um grupo, mas mais tarde, nos tornamos Os Naruteiros, com direito a comunidade no Orkut e bandanas, fabricadas a mão. – E desta forma nos tornamos bastante conhecidos, e a escola se tornou um lugar bom para se viver, pois mesmo que tivesse de conviver, com os – em sua maioria -mentecaptos da minha turma, a 612, tinha um refúgio entre os que já estavam na sétima série.
    É dito que são sempre os mais velhos, que influenciam os jovens a tomarem o caminho errado. Mas comigo não era assim, a maldade não tem uma idade específica, por isso fui eu quem apresentou aos outros, o subgênero de anime Hentai, logo depois de conhecer. – Se você sabe qual é, poderá ter certeza de que sou uma peste.
    A amizade durou muito tempo, até fazer a besteira de aceitar namorar com o nerd da turma, – que ao contrário do quê diz a cultura popular, era bonitinho, e lembrava o Fred da série Icarly. – Eu somente gostava da sua companhia, cavalheirismo, e a personalidade forte de um leonino, mas estava apaixonada pelo seu melhor amigo, e ainda sim cedi aos meus impulsos de pequena Lilith, e usei o coitado. – Me arrependo bastante disso, não por ter sentimentos, mas pela minha falta de humanidade, na hora que terminamos. 
    Perdi a todos por ser tão estúpida, só que felizmente, conheci outra veterana, que parecia me entender ainda mais que os outros. – Com ela não era popular, mas nem precisava disso, pois era feliz, por finalmente encontrar alguém com quem pudesse me abrir, e lhe contar sobre os meus interesses no ocultismo. – Como sinto falta daqueles tempos, tão simples e cheios de aventuras.
    Sabe aquela dupla imbatível? Éramos nós. Ela era o Batman da minha Robin, a Estelar da minha Ravena, A Chelsea da minha Raven, a Jody da minha Juniper. Mas dizíamos mesmo que éramos Carly e Sam da série, pois a persona da Carly lembrava a minha, e a da Sam a dela. 
    A gente vivia se metendo em confusão, e gazetava (matava) aula, para ficar andando pelo colégio, desafiando a lei mundana estabelecida. – Nos sentíamos donas do Antônio João, o pior pesadelos dos alunos, e a nossa coordenadora. – Eu amava demais  isso. 
    Mas meu pai detestava. – Tudo o quê me fazia ter um propósito, o irritava. Para ele, garotas de classe média, tinham que andar com gente equivalente, ou acima disto. Nunca os pobres. – Como se dinheiro fosse a identidade do caráter. – Eu era a prova viva, de quê a lógica dele era falha, pois já era má, muito antes de encontrar a menina.
    Perdi as contas de quantas vezes me levantei contra ele, para defender a minha melhor amiga, e da vergonha que era, ter que mandá-la ir pra casa, porquê ele torcia o nariz para a moça, e o clima se tornava gélido com a sua presença . – Isso porquê vivíamos numa casinha de alvenaria, mal feita. Mas o reizinho, sempre queria manter a sua majestade forçada, e me tratar como se fosse uma princesa, saída dos filmes da Barbie.
    Felizmente ele trabalhava o dia todo, e a minha mãe também. Então quando voltava da escola, tinha a casa só para mim, e aproveitava para chamá-la, pois a vida tinha sido tão maravilhosa, que ela morava na ladeira de baixo, e éramos praticamente vizinhas.
    Num ponto de vista meu pai estava certo, o fato de sermos de “mundos diferentes” pesava um pouco, pois isto a fascinava, e lhe fazia roubar alguns dos meus pertences. Só que eu não ligava, o quê era material não tinha tanto significado para mim, a sua lealdade, o seu respeito, e a forma como me protegia dos demais, fazia dela a melhor ladina do mundo, por isso tinha vezes que até abria mão dos meus objetos, somente para fazer a sua felicidade, já que para ela tinha mais significado, do quê para mim.
    Como ambas éramos estudantes de paranormalidade, gostávamos muito de testar as lendas urbanas, e foi por isso que aconteceu. – Numa tarde qualquer eu, e ela e nossas outras amigas, nos reunimos na minha casa, para fazer o Jogo da Caneta (Que é uma mistura de Charlie Charlie com Ouija). Uma menina se apresentou no tabuleiro, e quando pedimos para nos dar o seu nome, estava aberta a aceitar qualquer um, menos Samara, pois este também era o nome da entidade, do único filme de terror que não aguentava, porquê ficava só em casa, e a minha única companhia era a TV, de onde a criatura saia no filme, para atacar as suas vítimas. – Nem Freddy vs Jason, me deixava tão apavorada, e olha que quando assisti com 10 anos, fiquei 4 dias sem dormir. – Não sei se foi o meu medo, mas o nome era exatamente o quê mais temia, por isso comecei a chorar, e implorei para aquilo terminar.
    A menina não queria sair do jogo, então literalmente rompemos o círculo. – Esta foi a pior atitude, pois com isso libertamos-a para fazer o quê desejasse. – Inicialmente faltou luz, e ninguém queria ir a cozinha pegar as velas, porquê já eram 19 horas. Tive de virar o Coragem, e me levantei do sofá, para fazê-lo, ou continuaríamos no escuro. Fomos em fila, comigo liderando, e quando alcançamos as velas, uma forte rajada de vento derrubou o pirex, que estava na janela. O medo bateu, e corremos para o sofá, com as velas em mãos. Ao olhar para os quadros de paisagens, víamos rostos de pessoas, e o temor nos fazia ficar congeladas. As meninas foram cada uma para as suas casas, e eu fiquei lá, sozinha com a Samara, e a minha mente, que não parava de me lembrar, das histórias com o final trágico, que minha mãe e minha tia contaram, para me fazer evitar participar de tais jogos. – “A mãe da minha amiga morreu porquê fizemos o jogo do copo” Dizia a minha mãe na memória. “Quem são vocês, e por quê me tiraram do meu corpo?!” Dizia a minha tia. – O pânico me consumia, e quando meus pais chegaram, agradeci aos deuses por ter só um quarto para todos.
    Voltar para a minha residência, sabendo que o meu pior pesadelo me aguardava, não era algo agradável. Chegava, tomava banho do pescoço para baixo, somente para não fechar os olhos, e ouvia músicas, pois cantar me ajudava a esquecer, que tinha uma menina gravemente perturbada ali. Só que quando ia assistir a Playtv, via mensagens espalhadas nas paredes, sobre querer me matar. Por isso abandonava o lugar, e ia para casa da minha amiga, na qual ficava até a hora mais próxima dos meus pais chegarem.
    Só que houve um tempo que precisei parar com isso. Tinha me colocado nessa, e precisava sair, por isso a convoquei para conversar. – Gradualmente fui lhe tirando respostas, e descobri que ela somente gostava de assustar, não queria me fazer mal de verdade, pois se sentia tão sozinha quanto eu. Assim sendo nos tornamos amigas, e para onde eu ia, apresentava ela aos outros, com o uso do tabuleiro. – A maioria ficava assustada, mas ter uma polterguiest como protetora, era bom demais, me fazia me sentir segura. – Pena que um dia ela encontrou a luz, e partiu. Até hoje sinto a sua falta. Nem todas eram como a Laura a amiga da minha Bff, que ficou perambulando por aqui por um bom tempo.
    Mas infelizmente o mesmo destino que nos uniu, também nos separou mais tarde, pois ela teve de ir embora da cidade, e eu acabei sozinha, com os meus demônios, que sem ela foram me consumindo aos poucos, desde o momento da sua partida. – Não podia culpá-la, só que na hora de ir, eu não derramei nenhuma lágrima, mesmo que sentisse muito. Meu coração, já estava começando a endurecer, e só pude abraçá-la forte e torcer pelo melhor no Pará, para onde iria se mudar.
    Como tinha de voltar a maldita normalidade que detestava, e não podia contar com meus colegas de classe, acabei por me tornar uma criatura obscura de novo, e quando dei por mim, tinha abandonado os emos, e havia me tornado uma gótica, de cabelos negros, pele amarelada, de batom preto, bastante transtornada, que não apenas se cortava, como batia foto daquilo, por achar que a imagem da  cruz sangrando, era uma verdadeira obra de arte da natureza.
    Quando ela voltou, era tarde demais para mim, pois grande parte das minhas sombras tinha me consumido, e eu já não controlava nem um dos meus impulsos. – Vivia criando desculpas para encher a cara, e ir a cemitérios, somente porquê era chocante para os demais, e isso me trazia paz.
    Acho que foi por isso que ela fez, o quê considerou necessário. – Criou um par para mim, e forjou cartas – pois por me conhecer, sabia que a única coisa que poderia trazer ao normal, era amar alguém.
    Dessa forma começou a mais doce das ilusões que vivi, e que realmente me ajudou, a recuperar um pouco do controle. – Infelizmente não o suficiente, para que a nossa amizade sobrevivesse.
    Tudo começou com uma troca de cartas, que deveria resultar num encontro, mas sempre que ia conhecer o meu suposto par perfeito, ele nunca estava lá, e a única vez que supostamente nos vimos, eu tinha deixado de comer, para não aparecer gorda no encontro, que era um show da Pitty na minha cidade. – Então as chances de ser alucinação eram muito altas, por isso fui me desligando do ser, até encontrar outra pessoa, numa rede social. – Típico de gente solitário não é?
    Assim conheci um novo par, e me juntei a este. Algo que supostamente trouxe muita dor ao ser fictício criado por minha amiga, e o quê obviamente resultou no fim do relacionamento, e como preço. – Nem eu entendo essa. – Acabei por ser traída pelo outro, ou ao menos foi o quê pensei, já que algum tempo depois, foi tudo esclarecido, e não era nada do quê havia imaginado.
    Nesse tempo os computadores eram de mesa, e como tinha a minha mesada – Regalias pelo silêncio, lembra? – Me deslocava da casa da minha avó, até a Lan House mais próxima, que ficava a quase 1 km de distância.
    Tudo o quê me lembro do dia, é que eram 18 horas, e me livrei da aliança de compromisso. – Meu deus como era trouxa! – Então enquanto ficava sentada, no quê seria o próximo galinheiro do vovô, vários corvos pousaram na goiabeira, que estava acima da minha cabeça.
    Esse cara era o típico mago puritano, e perdê-lo foi bem fácil, pois alguém que não me achava digna da real magia, e me mandava praticar magia wiccana, merecia realmente o pior. – Chorei um pouco, e no dia seguinte estava pronta para tentar com o próximo, a fila anda era o meu ditado popular favorito.
    Iniciei um namoro de curta duração, com um amigo na época, pois achava mesmo, que o quê acontecia nos filmes de romance, podia funcionar na vida real, e com isso aprendi que os filmes, não são fiéis ao retrato da realidade.
    O puritano e eu voltamos, mas ele concluiu que era muito mais obscura, do quê podia suportar. – Só porquê descrevi um romance sanguinário entre irmãos diabólicos, muito antes disso ser aceito pela sociedade. 
    Tinha completado 15 anos na época, e levar um fora foi bem complicado, por isso passei a procurar por alguém, que pelo menos pudesse me aceitar como aberração que era, e assim parei de ser tão exigente. – O quê viesse era lucro. – Só que o puritano, era tão idiota, que queria continuar a manter a amizade comigo, só para me alfinetar, pela a sua preferência, por japonesas. – Que pra mim, eram criaturas patéticas, que existiam para dizer “sim senhor” para os seus parceiros, ou seja meninas submissas, que não mereciam uma gota de valor. – E sigo pensando assim. Parece que tá no sangue, de quem tem a descendência asiática, ser uma Eva da vida, like a Lúcifer 4° temporada, que a retratou da maneira, que sempre acreditei que fosse: Superficial, submissa, e sem cérebro.
    Perto do meio do ano, passei a andar com uma outra gótica, com a qual costumava encher a cara, e me fazia sair de casa toda quarta e sexta-feira. – Ela estava namorando na época, com um cara gótico satânico, que supostamente a glorificava, e só o fato de ter góticos na cidade, já fazia os meus olhos brilharem, pois o quê imperava naquele tempo eram os emos, e ele poderia ter algum amigo, que também fosse satanista.
    A novela se repetiu, sempre que marcávamos para conhecer o rapaz, ele nunca aparecia, e quando veio, era ainda pior que ele mesmo, por isso fui destruindo a linha da ilusão. – E para piorar, a Srta Peitão, vivia me deixando a sós com o namorado, e colocando-lhe chifres constantes. O quê eu achava um absurdo, por isso colocava lenha na fogueira, de tal forma, que um dia ele a deixou para ficar comigo.
    Apesar de claramente ser uma fura-olho, não quis seguir como errada, e a menina soube de tudo pela minha boca. – É óbvio que ela me odiou, e a guerra se iniciou.
    De um lado estava ela, a carismática, sedutora cheia de fartura peitoral, do outro estava eu, a estranha, aparentemente certinha, que pouco se importava com as suas acusações, e gostava de discutir nas redes sociais, somente por prazer.
    Houve uma vez, que ela bebeu demais, e se reuniu com as amigas, para me cercar. Falou um monte de coisas, que não consigo me recordar, pois não parava de rir do seu estado deplorável. – Se aquilo foi para me intimidar, não funcionou, pois estava acostumada a lidar com muitos me olhando torto.
    Fora a vida agitada de vilã adolescente, como se fosse uma Blair Waldorf menos afortunada, também segui fazendo meus estudos místicos, e procurando entender cada vez mais, sobre o satanismo, e quanto mais lia a Bíblia Satânica de La Vey, menos encantada ficava pelo meu atual namorado, que apesar de ser conhecido por sua prática oculta, me parecia um verdadeiro merda.
    Pois toda vez que lhe contava, as coisas que ocorriam comigo, ele tentava distorcer como alucinação, como se somente o quê vivia fosse real. – Certa vez na véspera da véspera do natal (23/12) de 2009, sofri um ataque de fanatismo terrível. – Tinha acabado de entrar para o submundo, e enquanto tomava banho, tentava conversar com a minha mãe, perguntando como seria que meus novos amigos me felicitariam na data natalícia, estava feliz, me senti renovada, animada pelo quê estava por vir. Mas quando sai do banheiro, minha mãe olhou para mim, e disse “Você é um monstro!” Não entendi o porquê da acusação, se nada tinha feito para ela. – Talvez fosse por ter deixado de ser virgem recentemente, e ainda entrar pro lado negro da força. Talvez fosse demais para ela suportar, e eu no meu egoísmo não tinha percebido. – Aquilo me doeu profundamente, e por isso lhe falei coisas, que destruíram de vez o seu psicológico. “Tão monstruosa quanto você, que tirou a vida de um pobre bebê, ao fazer aquele aborto!” Respondi com o ar desafiador, e ela desapareceu. Achei que ia se recolher, para chorar por seu pecado, mas em vez disto, a mulher pegou uma faca de cortar carne, e veio para cima de mim. Seus olhos castanhos, naquele momento pareciam amarelos. “Demônio!” Ela gritou, tentando empurrar a faca no meu peito. E não sei como, mas tive forças para contê-la, de tal maneira, que o seu impulso parecia pertencer a uma criança de 4 anos. Eu escapei, e sabendo da sua maior fraqueza, comecei a chorar, com o intuito de sensibilizá-la. Não lembro o quê disse a seguir, porém isto a fez voltar a si. Ela saiu se sentindo culpada, e caminhei para frente do espelho, onde sequei as lágrimas e sorri de forma maléfica. – Todavia o ser não acreditava que era algo oculto, e dizia que aquilo era normal. (Provavelmente para ele.)
     – Mas houve outro fator, para aceitar na minha vida, alguém que valia tão pouco. – Após muita bebedeira, acabei por beijar a minha melhor amiga, e isso se repetiu quando ela dormiu na minha casa. Eu me apaixonei por ela, só que como a mesma passou me evitar, não tive escolha, senão abraçar o quê viesse, para que aquilo não crescesse ainda mais. 
    Acho que a rejeição, foi o quê destruiu o meu fascínio por ela, e me fez ficar cada vez menos empática, ao ponto de brigarmos praticamente por tudo. – Só que nunca quis lhe contar, que a verdadeira razão para me magoar era essa, e não as futilidades relacionadas as roupas e sapatos, que compartilhávamos, porquê  na época morava comigo.
    De tanto ler as palavras de Anton, resolvi fundar a minha própria seita, que de acordo com o meu talento de criar nomes, se chamava Sees, e significava seguidores da estrela.
    Uma a uma das minhas amigas, recitou o poema de aceitação, e quando se deram conta, tinham me dado o poder de governar as suas almas, e agora eu as guardava em nome de Lúcifer, que era o verdadeiro dono delas. – Ainda me lembro das faces de pânico, após perceberem que tinham se vendido para mim, e o quanto ri pela minha conquista.
    A primeira reunião foi na minha casa, preparei tudo com cuidado, para simbolizar uma verdadeira comunhão com Lúcifer, e outros demônios a favor da carnificina. – A cidra era de maçã, e a comida em si, se formava de alimentos, que poderiam ser comidos crus.
    Nada saiu como o esperado, pois estava um pouco nervosa, e as meninas não parava de zoar umas as outras, o quê atrapalhava na minha concentração, porquê me divertia junto. – Uma verdadeira brincadeira de criança, que jamais pensei, que pudesse resultar em coisas tão graves mais tarde. – É claro eu admirava Satã, de todo o meu coração, e de alguma maneira me sentia ligada a ele, só não pensava que tinha realmente tais capacidades.
    O quê deveria ser uma reunião séria, acabou por atender dos requisitos do livro da Lei de Aleister Crowley – Que foi algo que vim ler, anos mais tarde  e dizia que os favoritos de Hadit e Nuit, eram os que tinham o riso frouxo, e que viviam para valer.
    Mas no fim das contas foi um sucesso, pois consegui citar todas as 9 regras, e esclareci que os espíritos das trevas, eram livres para castigar aos que traíssem ao círculo. Além disto, também fizemos o pacto da estrela, que figurativamente veio a nos transformar numa constelação de 4 estrelas, pois logo após nos unirmos, fatos interligados começaram a ocorrer. – Se uma sentia dor de cabeça, as outras também sentiam. Se uma caísse, as outras caíam. Um verdadeiro efeito dominó mágicko.
    A segunda reunião foi no cemitério do Santa Rita, para onde eu, e uma das meninas, costumávamos ir para beber, sem que nossos pais soubessem. – Calma, nenhum animal foi sacrificado, assim como as tumbas permaneceram intactas. Nós somente conversávamos, bebíamos, e devorávamos as frutas suculentas, adubadas com os restos mortais, dos quê já tinham partido.
    Lembro-me de como foi. Entrei no jogo dos espíritos, e sem querer recebi uma mulher, bastante irada, que queria me obrigar a desistir do meu namorado. Seu nome era Isabel e parecia disposta a me ferir. – Como a boa aquariana que sou, logicamente me opus, somente porquê era a vontade dela. Tive 5 dias para desfazer os laços com o cara, ou morreria, e como estava ligada as outras 3, a ameaça também valia para elas.
    A pressão foi grande, mas não tomei uma decisão, até atravessarmos a rua, e quase sermos atropeladas. 
    Terminar com o “satanista” foi algo fácil, apenas porquê me trouxe mais paz do quê continuar, com um verme inteligente, que me tirou tanto do sério com as suas mentiras, que em 4 meses de namoro, eu literalmente tentei matá-lo usando magia. – Era 31 de outubro para 1 de novembro, quando fui ver se ele iria para as festividades, mas ele alegou está indisposto.  Fui compreensiva, e decidi ir com a minha mãe, mas sem uma galera para me divertir, sai cedo, após nos encontrarmos com o meu pai, que estava saindo com uma garota de aparentemente 19 anos. – Santa crise de meia idade Drácula! – Caso não tenha entendido, meu pai se parece demais com o Bella Lugosi, e por isso sempre o chamei de Conde Drácula.
    Por volta das 1:45 da manhã, uma das meninas do Coven, me contou que o viu no evento, e tal atitude desleal, me deixou tão furiosa, que decidi usar a força do meu ódio para atingi-lo. – Só não sabia que era tão grande.
    Derramei meu sangue num papel, e com o mesmo fiz um pentagrama invertido, no qual uni meu pseudônimo Siath com o nome de Lúcifer, e lhe roguei várias desgraças, por praticamente uma hora, das 6 até as 7 da manhã, e fui dormir. – Quando deu 16 horas, ele me ligou, dizendo que mal conseguia andar, e tinham lhe atestado possível pneumonia.
    Eu ri, e lhe contei a verdade, que tinha feito algo para o machucar. O tal tenebroso homem mais temido da pequena cidade, implorou para mim, como um garotinho para desfazer o quê quer que fosse. – E claro que desfiz, só queria lhe punir pela mentira, não matá-lo oras.
    Então quando acabou, para mim foi alívio, e isso me trouxe uma sensação de liberdade muito grande. Por isso decidi mudar o meu pseudônimo para Carry Manson, e Carry jamais seria como Thaís.  – Assim em dezembro de 2010, decidi que procuraria por um par, que tivesse coisas em comum comigo, independente da religião ou aparência.
    Foi então que conheci o amor da minha vida, mas isto fica para o próximo capítulo, em quê abordarei não só minha vida pessoal, como também o destino do Sees.
    Capitulo 3- 2011
    Narcisista, egocêntrica, manipuladora, e o demônio com rosto de anjo. – Isto certamente me definia, pois até aqui, já deve ter percebido, o quanto  era desumana em muitos aspectos da minha vida. Mas a maioria das pessoas não conseguia enxergar, não importava o quê fizesse, para mostrar a minha verdadeira natureza. Sempre me achavam uma linda menininha inofensiva. –Só que o meu amado não, ele me amava com todos os meus defeitos, e não me obrigava a ser uma bonequinha de porcelana, que nunca podia levantar a voz.
    Nightmare, era um dos amigos da minha melhor amiga, e eu o conhecia pela rede social do orkut, desde que tinha terminado com o nerd. – Sempre marcávamos de nos ver, mas eu nunca ia, pois nem foto de perfil ele tinha, e eu prezava bastante pela minha segurança.
    Num sábado entrei no MSN, outra rede social quente da época, e decidi lhe mandar mensagem, perguntando se a gente tinha brigado por alguma razão, que não conseguia me lembrar. – Memória seletiva é complicada. Mas ele deixou claro, que tudo estava bem, e por isso insinuei que me arrumasse um encontro. Só o quê amigo dele estava passando por problemas, e por esta razão se ofereceu para ir em seu lugar.
    Eu aceitei, só que para ter certeza de quê era o cara certo, pedi para trocarmos telefones, e nos falarmos antes de nos vermos. – Até aquele momento não estava nas nuvens, para conhecê-lo, afinal o cara vivia mandando exclamações, sempre que falava comigo, e isso me fazia pensar que era mais dos homens felizes, que dificilmente aceitaria a plenitude das minhas trevas, e minha vida de pecados intensos. Só que quando ouvi a sua voz profunda e mórbida, a situação mudou.
    Não era o palhaço como o Coringa, nem o bom samaritano como o Super Homem, seu timbre sombrio, lembrava bastante o Batman, que era o meu personagem favorito desde menina.
    Conversamos por horas a fio, sobre os mais diversos assuntos, de ocultismo a cultura pop, e quando não tínhamos mais o quê falar, brinquei exatamente como fazia com a minha amiga, pois como não sabíamos xavecar, para criar afinidade com os garotos, usávamos até questões fúteis, para que o silêncio não imperasse. – Como por exemplo “Qual é o seu biscoito favorito?”
    Conversar com o rapaz foi tão maravilhoso, que cheguei a sonhar um dia antes do encontro, que ele tinha entrado na minha vida para me fazer feliz. – No sonho entrava no quarto com o meu coven, e dizia-lhes que estava namorando o Nightmare! – Alongando o nome com as notas da música do Avegend Sevenfold. – E a gente comemorava como uma grande conquista. Isto antes de saber se tinha física também, pois só a química não era o suficiente. – Já tinha tido outros sonhos que previam o futuro, mas na maioria das vezes, eram coisas boas, que depois se tornavam ruins, e o presságio não mostrava, por isso seguia em 60%, não 99.
    O encontro foi num dia semana, numa segunda senão me engano, dia 13 de dezembro. Fui com mais duas amigas, a melhor e a ladra de pretendentes, que decidiram me acompanhar pela minha segurança, antes de me deixar a sós com ele.
    Nós caminhamos pelo lugar bonito, na praça beira rio, e nos sentamos abaixo da Fortaleza de São José. Ele usava um boné, e estava ouvindo Papa Roach, uma das bandas que gostava bastante na época. Aos nos ajeitarmos, ele me ofereceu um lado do fone, e quando a música tocava, falou sobre o clipe da mesma, onde o rosto da moça se despedaçava, e quando seus dedos tocaram a minha face, fiquei corada como nunca antes. – Era como se fosse o meu primeiro amor, e ninguém tivesse sequer me abraçado antes.
    Naquele dia meu pai apareceu, e como estava no escuro com um estranho, ele o detestou. – Como tudo mais que me fazia bem. 
    Nós trocamos mensagens, e após conhecê-lo ele queria ir devagar, e eu praticamente queria casar, como se fosse do signo de peixes no primeiro encontro, segundo o Vitor Dicastro. Contudo do momento que recuou, a frieza aquariana se tornou presente, e parei de lhe responder as mensagens, para ir dormir.
    Nosso segundo encontro foi na mesma semana, na quarta-feira daquele mês. Neste cometemos o erro n° 1 da paquera. “Em hipótese alguma fale dos exs.” Mas nós o fizemos, e ele esclareceu que se fosse adiante, não seria um relacionamento de um segundo. – Já tinha desabafado várias vezes com ele antes, e posso admitir que tinha problemas, para manter um relacionamento sério. Só que tudo deu certo, e fomos para um banco na frente do CCA, no qual ele me roubou um beijo, e depois veio o segundo, e assim por diante. – A física era excelente, ô pegada boa!
    O relacionamento foi se tornando cada vez mais sério, passávamos quase 24 horas trocando mensagens, pois havia a escola, e outras coisas.  – Como o Sees, que começava a se desfazer, por causa que a mais patricinha tinha começado a ver espíritos, e a minha amiga, havia iniciado um relacionamento com um cara, que não era a favor das nossas práticas, apesar do ótimo gosto musical.
    Só restou eu e aquela que tinha abandonado a igreja, por isso tentamos de todas as formas manter o quê sobrou do grupo, e fizemos algumas reuniões, entrevistas, e até chamamos alguns rapazes que conhecíamos, mas poucos estavam disponíveis para praticar. – E assim o Sees enfim desmoronou, porém antes de entrar para as lembranças, trouxe uma experiência única.
    Era sábado a tarde, quando eu e a antiga beata fomos para o cemitério do Santa Rita. Nós chegamos lá, cumprimentamos o guarda, e ficamos por ali mesmo, quando de repente um homem moreno, de chapéu branco e camisa vermelha surgiu. 
    –Estão aqui a trabalho ou a passeio?
    _A passeio. (Respondi)
    _É, viemos visitar uma tia nossa.
    _(Risos) Cuidado com as visagens!
    _Eu só temo aos vivos! (A minha amiga disse)
    _A morte é uma escapatória para os covardes.
    Disse com um sorriso. O homem colocou a mão na aba, como uma reverência, e sumiu em meio a mata alta. – Ele era o quê eu chamava de guia, seres que aparecem ao acaso, para te auxiliar, dando-lhe as respostas que perguntou ao universo, e nunca mais são vistos.
    Assim que desapareceu de nossa visão, nos deitamos nas lápides, e nos focamos nas sombras. A menina teve uma visão, e eu também. Na minha vi a silhueta de uma mulher, cujos os cabelos eram enrolados como os meus, mas parecia uma camponesa, que havia sido enforcada no topo de um pinheiro, por cipós cheios de espinhos. – O quê me fez concluir que aquela era a minha vida passada, e estava comprovando, que havia mesmo sido uma bruxa.
    Seu corpo despencou, provavelmente já faziam dias desde a sua morte, e o cipó tinha apodrecido. Um ser meio homem, meio touro, veio até a bruxa, e a recolheu. – O calafrio me percorreu a espinha, pois estava claro que ia para o inferno, e não sabia se isso era bom ou ruim. – Meus olhos se encheram de espanto, pela forma como ele a pegou. Não a punha em seu ombro , como um pedaço de carne de açougue, nem a puxava pelos cabelos. Apenas a segurou no seu colo, como se fossem recém casados, e desapareceu com a mesma na densa névoa. Então 7 ou 8 rostos se formaram, sendo 5 de mulheres, e o restante de homens, ambos vestidos como nobres do período renascentista. 
    No caminho de volta para casa da menina, me senti um pouco mais cansada do quê deveria, e desmaiei na rede dela. – Onde tive um sonho, do qual não consigo me recordar.
    A noite conversei com o meu amado, e lhe contei sobre a visão que tive entre as tumbas. Enquanto nos falávamos, notei que meu quarto começou a escurecer, por isso desliguei, e vi que todas as sombras que estavam ali, tinham chifres, e apontavam para mim. – Senti um enorme calafrio, e decidi dormir fora dali, pois tive a impressão de que eles sairiam das paredes.
    O relacionamento com Nightmare, se tornava cada vez mais sério, por isso o escolhi para ser iniciado no Sees, mas ao contrário do quê fiz com as meninas, lhe avisei que tomar-lhe-ia a alma caso entrasse, e ele aceitou as condições. – No outro sábado, de madrugada enquanto a minha mãe dormia, abri-lhe os caminhos do mundo oculto de vez.
    Acendi as velas negras, lhe cortei o dedo, uni o seu sangue ao meu, então fizemos a magia sexual, evocando os 4 príncipes infernais, e no fim o  declarei como o meu rei. – Afinal ele tinha me ensinado a jogar xadrez, e nos víamos como o rei e a rainha do jogo.
    O sees em si virou pó, mas as suas consequências, puderam ser sentidas, mesmo após acabar. Uma vez no domingo, a minha melhor amiga apareceu em meu lar, e me contou algo que me assombrou por muito tempo. – Por alguma razão a pobre ficou possuída de tal forma, que tentou machucar o seu amado, e os pais dele chamaram um padre para exorcizá-la. Mas a criatura era tão poderosa, que rezava os versículos com o homem santo. 
    Eu tinha dito que haveriam consequências, que os espíritos das trevas iriam punir, quem traísse o círculo. Mas me referia a seres inferiores, jamais uma criatura de tal porte. – Assim sendo quando a moça saiu, fui até a frente do espelho, que sabia que era um portal, e me vi. Minha pele era azul, e de alguma maneira me refletia como um monstro horrendo. Chorei bastante por isso, pois era um sinal de quê as trevas estavam outra vez, tomando posse de mim.
    Todavia a situação ficou ainda mais estranha. Certa vez enquanto estava no banheiro da escola, uma menina entrou ali, e me disse “Você realmente veio para revolucionar esse lugar.”, e confessou que era satanista, por isso me senti mais a vontade na sua presença.
    Desenvolvemos uma boa convivência de imediato, mas infelizmente, haviam segredos que ela escondia de mim, e que pareciam bem ruins. – Era hora do intervalo, nós conversávamos sobre os filhos dos demônios, e vendo que a maioria tinha as mesmas habilidades que eu, lhe questionei. “Será que não sou uma também?” e ela disse com veemência “Não! Você não!” e isto me deixou bastante intrigada, ao ponto de conversar com o Conde Drácula, que parecia entender os mistérios, mas não queria me dizer diretamente.
    Estávamos no carro, voltando para casa, após um longo dia, e lhe falei “As pessoas não me acham digna da magia sabe?” Fui bem sincera, e eis que o céu escureceu, e ele disse “Quem ousou dizer isto?!” – Foi o quê chamo de impressão, (termo retirado da HQ Hellblazer) que é quando uma entidade aparece rapidamente num corpo.
    Os fatos incomuns não paravam de se acumular, por isso me entreguei a leitura do espiritismo, que me parecia uma religião bem evoluída, em relação as outras. – Ser satanista é conhecer o inimigo e tê-lo na palma da mão baby –  e decidi fazer uma projeção astral em rumo ao Inferno, para encontrar respostas, para as minhas grandes questões daquele tempo.
    Após passar muito tempo sem dormir, e projetar dentro de casa, decidi tentar o grande feito. – Cheguei exausta da escola, e me joguei na cama, somente de calça jeans e sutiã vermelho, me focando em chegar ao reino infernal.
    Acordei do outro lado, dentro da minha escola, vestida exatamente como dormi. Já era de se esperar, que o meu inferno pessoal, fosse justo aquele maldito lugar. A menina que me abordou no banheiro estava lá. “Ele quer falar com você, mas não vá com ele” Disse-me com raiva, e sem entender, caminhei até a recepção.
    Ao chegar lá, encontrei um lindo homem de rosto grego, meio cinza, com chifres vermelhos, e asas de morcego, que trajava apenas uma calça negra, solta, como a dos samurais. Ele me estendeu a sua mão, e eu a segurei. Então este levantou voo, comigo no seu colo, e tudo ali começou a se destruir, por conta dos inúmeros tornados. – A menina que me levou até o demônio, se trancou num carro antigo, e foi consumida pela catástrofe, enquanto me fitava dominada pelo ódio.
    Acordei daquela viajem, e fiquei curiosa sobre quem era o meu salvador, por isso me joguei na internet, e comecei a pesquisar em diversas fontes. Mas todas indicavam que era o próprio Satã, e isso fez meus olhos brilharem, ao ponto de crer que era uma dos seus soldados. – Só que levantou a duvida, o quê eu era, para ter alcançado tamanha glória?
    Segui meus dias, entrando nas comunidades ocultistas, tentando entender a mensagem que recebi no astral, mas as respostas de muitos, eram genéricas demais  como “você leu demais e sonhou com isso”. – Só que não era um sonho, e sim uma projeção em terras infernais, mas a falta de compreensão era tanta, que preferiam crer em coisas tão simplórias. Eu sabia do fundo do meu coração que era algo mais, sentia isso em mim, por isso quando um sacerdote de 40 anos apareceu, e me disse que Satã havia me escolhido, decidi conversar com ele, e outra moça, que parecia compreender sobre as insanidades, que aconteciam na minha vida, por também ser uma bruxa satânica.
    Só que quanto mais ia ao astral, mais ataques recebia, e todos vinham da menina da minha escola, que no campo de batalha, tentava me aplicar algo, com uma seringa cheia de um liquido viscoso. Mas eu sempre a vencia, usando todas as minhas habilidades ligadas aos elementos, que por alguma razão, lá me permitiam até controlar o tempo, como a deusa Ororo de Xmen.
    Como sempre considerei as palavras, que não me agradavam, refleti bastante sobre meu encontro com Satã, e até aceitei que podia mesmo ser um sonho. – Só que o conceito mudou, tão rápido quanto surgiu, pois encontrei a minha atacante, que me chamou no corredor, e me revelou que andava tendo pesadelos comigo. Neles eu saia de um pentagrama, e ao meu redor estavam várias pessoas, que supostamente havia matado, e ia para cima dela. Por isso a mesma pediu para nos afastarmos. – Foi ela que declarou guerra, quando misteriosamente o cemitério que adorava frequentar, virou notícia por conta de um culto brutal, no qual um bode foi assassinado, e disseram ser obra de “satanistas.” – Por causa de tal fato, os guardas começaram a pegar no pé, de quaisquer pessoas suspeitas. E uma menina de batom escuro vestida todo de preto, era certamente um bom alvo para isso.
    Queria saber separar a vida pessoal da mágicka, mas creio que o quê fez sagrada, foi o fato de ser totalmente oposto. – Minha reserva de energia oculta, conhecida como Satã, estava crescendo cada vez mais, e toda vez que me sentia desafiada, usava meu poder para provar o meu valor.
    Num dia qualquer disse a um amigo que seria atropelado, e mais tarde, o mesmo veio falar comigo. Estava mais pálido que o normal, e me pediu para jamais brincar daquela forma outra vez, pois na tarde daquele dia, um caminhão quase o atropelou. – Naquela época, pensei ter a ver com minha capacidade oculta, mas hoje vejo que foi apenas a lei da atração agindo. – Você atrai aquilo que teme.
    O menino que era um santo, ia a acampamentos da igreja e tudo mais, começou a voltar-se para as práticas da magia. – E de alguma forma me sentia responsável pelo feito, pois vivia lhe contando sobre as minhas aventuras. 
    Graças a ele, descobri mais uma pista a respeito de quem era, pois este encontrou uma bruxa mais velha, e lhe contou sobre mim, para que pudéssemos descobrir o quê tudo o quê vinha acontecendo significava. – Era como se fosse uma universitária de ocultismo, pois a mulher lhe disse, que tudo o quê precisaria em breve era fazer uma escolha. Enquanto ele, teria que estudar bastante para se desenvolver.
    Isto me parecia muito verdadeiro, pois em 11/11/11 aconteceu uma coisa, que literalmente testou os limites da minha razão. – No dia anterior a abertura do portal, a minha amiga foi na minha casa, e nós debatemos sobre o quê o 11/11/11 significava. No meio da conversa ela soltou “Algo grande irá acontecer, mas passará despercebido por todos.” E seguimos falando a respeito, focando principalmente no símbolo do Anticristo, pelo qual nós éramos apaixonadas, e que apesar da narrativa do filme a profecia – Que me fez ter um sonho com o menino da trama-Achava que era uma mulher. Naquele tempo para mim, um portal era algo que só podia ser aberto pela elite, que já tinha atingido o limite máximo dos seus poderes sobre-humanos. – Por isso não consegui entender o quê veio adiante. Dormi tranquilamente, nos braços do meu amado, e despertei numa passarela de vidro, que ficava acima das águas, localizada entre enormes montanhas marrons, das quais podia-se ver a cachoeira cristalina. Estava coberta por uma túnica negra, e caminhei até o fim da ponte, onde encontrei um monólito, no qual se encontrava uma tábua de pedra, semelhante aos 10 mandamentos, mas com símbolos alienígenas, que brilhavam na cor verde, e de alguma forma reconhecia, e alinhava. Feito isto um asteroide passava entre as nuvens, e em seguida apareciam vários nomes de lápides de presidentes, e o ano 1999. – Por quê é assustador? Minha mãe falou que um colega lhe contou, que no dia em questão, um astro passou próximo a Terra, e o mesmo era também responsável pelo dilúvio lá no passado. ( A coisa mais estranha, é que um objeto celeste realmente passou naquele mês, mas eu não tinha conhecimento disto.)
    Saber destas coisas, foi me tornando uma criatura cada vez mais mesquinha, pois tamanho poder, influência e beleza, só me fazia ter cada vez mais ambição na vida, e enquanto eu lutava para alcançar o topo, meu par apenas se confortava com uma existência vazia de pouco luxo. – O quê irritou muito o meu pai, pois a gente morava junto na época, e o rapaz não tinha ânimo para ir procurar um rumo na vida.
    Eu tentava ser compreensiva, porquê sabia como se sentia perante os demais, mas no fundo me sentia tão incrédula, quanto o próprio Drácula. – Por isso, quando a mãe lhe conseguiu um emprego em outra cidade, preferi que fosse, pois concordava com o meu pai. – Precisava de alguém que caminhasse comigo, não que ficasse nas minhas costas, me atrapalhando a chegar na parte mais íngreme da montanha. – Não entenda errado, ele suportava todos os meus dramas, tínhamos muito em comum, só que a sua falta de prazer em ascender na vida, pesava demais para mim. Eu fiz de tudo para quê dessemos certo, abri mão até mesmo da minha vida de luxo, para ir viver com ele, e isto resultou numa das minhas experiências mais assombrosas. – Viver na casa de Nightmare, era um enorme desafio, principalmente porquê a sogra, me odiava tanto quanto o meu pai ao filho dela, e como ele não queria que pensassem ainda pior a seu respeito, não me deixou faltar na escola naquele dia, mesmo lhe dizendo que não queria ir mesmo.
     Ao chegar lá, não teve aula, e a patricinha ladra de projetos, nos chamou para beber com os colegas. – Cachaceira como eu e a ex-beata éramos, aceitamos na hora, tomar uma Vodca com suco de laranja. Eles foram na frente, e nós duas tomamos o caminho do sol quente, para chegar ao “Poeirão”, porquê ela teve um mal pressentimento. – É incrível como o simbolismo surge no dia-a-dia, pois literalmente estávamos seguindo por um caminho diferente, por não sermos como eles. – Ela não era como eles Blutengel- Lúcifer.
    Chegamos no local, e iniciamos a bebedeira. O povo tinha um péssimo gosto musical, e eu não conseguia tolerar isso. “Coloca a Lady Gaga” dizia, mas eles continuavam a ouvir funk carioca. Minha amiga não era tão elitista, por isso foi rebolar até o chão, e eu virei meia garrafa num gole.Tinha comido antes, mas do mesmo jeito o álcool me subiu a cabeça, e entrei num daqueles transes, só que consciente desta vez. – Era como se estivesse no meio das nuvens, e haviam vários anjos entorno de mim. Isso me deixava apavorada, ao ponto de ameaçá-los de morte, caso se aproximassem. 
    Do nada o céu escureceu, e a chuva começou, todos incluindo a patricinha saíram correndo, e a ex-beata ficou para me ajudar, enquanto eu vomitava sem parar, ao ponto de espumar pela boca. – É nesta hora que se vê quem são os seus amigos de verdade.
    Ela me levou até um bar, onde pediu que ligassem para o Samur, e nos confundiram como irmãs. Dentro do veículo agradeci a paramédica por me ajudar, e pedi pra ex-beata ligar para o meu amado. No banco de espera, desmaiei, e ficava oscilando entre este mundo e o outro, até que me estabeleci aqui. – Lembro-me que fiquei furiosa porquê ele não apareceu, mas mais tarde, soube pela sua mãe, que tinha pego uma bicicleta para chegar lá, quando percebeu que não tinha um tostão no bolso, para pagar a passagem, e eram 40 minutos do seu bairro até o hospital, e eu fiquei menos tempo que isso, após diagnosticarem a minha melhora súbita, do quase coma alcoólico. 
    Certa vez logo após ele ir para Ferreira Gomes, eu fiquei até de madrugada na internet, conversando com um gótico metido a ocultista, que só reforçou uma ideia presente em minha mente. – Eu merecia mais do quê aquilo, e por um pensamento tão egocêntrico, dado a minha natureza, acabei por me envolver com este cara, por apenas uma noite. Mas depois que acabou, deixei claro que não se repetiria, e de imediato quis terminar meu relacionamento. – Mesmo que fossem somente palavras, não tinha cara para continuar, como se nada tivesse acontecido, eu não era a Srta Seios Fartos.
    Meu companheiro me ligava sempre do outro lado. Só que eu lhe dava patadas, dizia que não o amava mais, e tentava fazê-lo me esquecer a qualquer custo, pois o quê fiz, não perdão. – No entanto era persistente, e esconder o meu pecado contra ele, estava se tornando cada vez mais difícil, já que quando nos conhecemos, o mesmo me disse que via o futuro, e agora fazia juiz a isto.
    O amante de uma noite, não me deixava em paz, entrava nos grupos em quê me encontrava, e fazia dramas, por tê-lo bloqueado do MSN, mas eu não deixava os rastros da traição, portanto não sabia como meu marido, poderia ter previsto tudo com exatidão. – Numa noite qualquer, estávamos deitados no quarto da minha mãe, e em meio a penumbra ele disse “Você vai me deixar por alguém da internet.” E eu fiquei apavorada, dizendo que era impossível. – E era mesmo, o amante era um canalha, e nem em sonho planejava ter um relacionamento sério com ele. – Contudo meu par usava o argumento, de quê havíamos nos conhecido na internet, e isto ia se repetir. – Mas duvidei porquê na época tínhamos um relacionamento a distância, e já não aprovava tal coisa.
    Naquela noite ele surtou, saiu batendo portas, e então pegou o seu canivete Soul, que ficava junto da minha faca Deathpeople. Com um sorriso diabólico, disse que as vozes o mandavam me matar, e eu fiquei abraçada ao meu notebook, sem saber o quê fazer, sentindo a lâmina na minha garganta. Foi então que tive um estalo, e decidi manipulá-lo da mesma forma, como fiz com a minha mãe lá em 2009. – Apaguei as luzes, porquê sabia que o escuro o acalmava, e lhe abracei forte entre lágrimas “Se as vozes dizem para fazer isso, elas não são boas, então por favor para de ouvi-las!” Disse abraçando-lhe enquanto ficávamos deitados na cama.
    Contei a bruxa satânica, com ainda mais detalhes, do quê agora sou capaz de dizer, e esta concluiu que era uma possessão, e que soube lidar bem com o demônio. – Além disto na mesma conversa, lhe contei sobre o meu passado, e eis que ela disse algo enigmático. “Agora entendo tudo. Sua mãe foi apenas o ovo, você sempre pertenceu a Satã.” E depois sumiu sem deixar algum rastro.
    Contei a verdade para o meu companheiro, e ele me perdoou imediatamente. – Provavelmente porquê a gota d’água, foi ter conversado com a detestável ex, uma semana antes da traição, e não ter me contado. O quê pode se dizer como o verdadeiro pivô, pois a minha insegurança, era tanta, que só pensava o pior.
    Nós tentamos seguir adiante, só que acabei me encantando por uma moça de São Paulo, e ela por mim, e assim acabei casada com um, e namorando-a a distância. – Mas todos as partes envolvidas sabiam, e até mesmo se davam bem. – Viva a fidelidade satânica!
    É claro que não deu certo, e o trio se desfez. Depois disso voltei a caça, gostei de um rapaz, de outro, e nunca me decidia se continuava ou não com o meu rei. – Que entre uns e outros, era agora o meu amante, e com ele me sentia a vontade para trair aos outros.
    Quando finalmente estávamos nos ajeitando, numa amizade colorida, o pior veio. – Conheci um rapaz, que me disse que juntaria cada caco do meu coração, e lhe disse friamente para que entrasse na fila. Ele parecia ter 15 anos, e eu realmente detestava gente mais nova. Só que era outro persistente, que ficava por perto, tentando me conquistar, mas eu não dava a mínima, para cavalheirismo forçado. – Lembre-se que deixei até o nerd, que era um amor de pessoa, porquê a química não batia.
    Porém numa madrugada isso mudou. De garoto insuportável metido a príncipe, eis que surgiu a sua outra face, a demoníaca, que não era um lambe botas, e isto me despertou o interesse. – Vivia assistindo documentários sobre maníacos, psicopatas, e assassinos no Discovery Chanel, e o History. Então quando alguém supostamente perturbado apareceu, quis estudá-lo. 
    Infelizmente a versão de plástico, continua a me encher o saco, e eu só estava focada na sua real essência. – Está bem, o meu gosto para homens era péssimo, mas é preciso que entenda, que a minha natureza não é benevolente, por isso me juntar a alguém, que fosse normal estava fora de cogitação, porquê me entediava.
    O menino e meu ex-marido, começaram a competir, mas a minha atenção no novo, acabou por resultar na vitória deste, e assim meu antigo par teve de partir. – Não foi uma despedida dolorosa, pois até transamos antes, e ele mesmo abriu caminho para o outro, ao me ajudar a restabelecer a conexão da internet, quando a CPU, aparentemente parecia ter queimado, e não podia falar com o rapaz.
    O amor da minha vida se foi, e aquele que desgraçaria de vez a minha mente, foi o quê ficou. – Como em o Alienista, a verdade mais dura ficou clara, conviva demais com os loucos, crie uma ligação com o mesmos, e será o próximo a ir para o hospício.
    O rosto malévolo do garoto, as coisas que supostamente dizia ser capaz de fazer, mas que me parecia romântico demais para tais atos, me deixava fascinada admito. – Eu estava me tornando obcecada pelo ser que criou, e queria provar-lhe que a suposta mortal inútil, tinha mais valor do quê imaginava.
    Logo que iniciei o relacionamento, tirei o arcano 15 no tarô, e em vez de ver a clara mensagem negativa, preferi abraçar aquilo como “destino”.   – Nem eu sei o quê aconteceu ao certo para ficar assim, só lembro que foi pouco depois, dele ter dito que teve um apagão, e se encontrou diante de um pentagrama, derramando gotas de sangue no mesmo.
    Conviver com o mesmo não era fácil, e por isso eu costumava reclamar bastante, exaltando o relacionamento que um dia tive. – Isto o tirava do sério, da mesma forma, como possuir inúmeros contatos de garotos, com os quais flertava, quando me fazia raiva. 
    Finalmente tinha entrado num relacionamento abusivo, e ao menos desta vez, não era quem pisava nos outros. – A sensação era terrível, e isso me atrapalhou bastante, na hora de aceitar a descoberta sobre quem era.
    Um dos rapazes com o qual me envolvi, mas me joguei para escanteio, falou para o meu amigo, que eu era herdeira do inferno, e este me repassou o fato, como se fosse algo dele. – O quê não gostei inicialmente, e o fato de ter beijado ele e mais dois num fim de semana, tinha abalado a nossa amizade. Pois assim como odiava traição, não queria que ninguém mais sofresse com isso, e quando aconteceu, ele namorava a minha colega de turma da 211, para quem tive de contar tudo, e esclarecer que foi um erro. – Eu sei é hipócrita da minha parte, mas quando se é jovem, dificilmente se dá conta das besteiras que faz.
    “Herdeira do Inferno.” Uma frase tão curta, que me trouxe tanta dor e sofrimento. – Após a descoberta, vários caras se aproximaram de mim, alegando que eram o meu marido demoníaco da outra vida, e isso me deixou bem frustrada, pois sentia como se quisessem me usar, para subir na escala infernal, e mesmo que parecesse grande coisa, para mim aquilo era pouco. – São palavras. Não é porquê alguém disse que automaticamente, iria abraçar tal destino sem mais nem menos. 
    Precisa questionar o fato, analisá-lo, antes de tomar como verdade. Por essa razão, sai novamente em busca de provas, que me fizessem de fato, a futura rainha do inferno.
    Na época conversava com um De Molay, que antes tinha me dado o fora, e depois que nos tornamos amigos, veio com a besteira de se apaixonar. Mas apesar de tudo, ele me protegia do outro, e parecia ter bastante conhecimento oculto, logo era uma boa alternativa, pergunta-lhe a respeito de tal novidade. – Ele não só não discordou, como esclareceu que eu era filha de Lilith, e em muito lembrava a minha mãe.
    É claro que duvidei. – Lilith a poderosa, dotada de seios fartos, e cabelos perfeitos? Impossível! Só que gradualmente, fui encontrando provas, que me ligassem a ela. No retrato de John Collier de 1887, a bela era retratada com seios pequenos como maçãs nem excessivamente magra, muito menos gorda, com madeixas douradas e crespas. – Semelhante as minhas, cujas as quais, a minha mãe terrestre, dizia que era “cabelo de surfista”. Além disso o nome Lilith, terminava com o mesmo Th, presente no meu, e por mais idiota que hoje pareça, não acreditava que era uma coincidência. – O resto dos traços como criatura lasciva e cruel, já devem ter ficado claro.
    Saber que tinha a essência de Lilith, a rainha do Inferno, era algo maravilhoso para mim. – Tudo começava a fazer sentido, as visões, as situações escabrosas, a minha persona obscura, e por isso quando soube da segunda parte , foi um choque para mim. 
    Através de uma bruxa wiccana, soube que o Deus que deu origem ao mito do Diabo, e a Deusa virgem desavergonhada, a qual odiava, me amavam e me protegiam. – E não era uma benção comum do grupo, apesar do quê possa parecer. Ela literalmente tirou nas cartas para saber. – Terrivelmente, não soube apenas me auxiliar, ao descobrir quem era, de imediato ficou furiosa comigo, e disse que Ela quem era a filha de Lúcifer e iria reinar. Algo que era complicado, pois não tinha tido uma vida tão ligada ao Inferno, para quê outra viesse tomar o lugar, que parecia me pertencer. – Estranhamente depois da afronta, por causa do seu namorado cafajeste, que alegava que eu era poderosa, regente do bem e do mal, e que podia transitar entre o céu e o inferno por ser filha de Lúcifer e Maria Padilha. – A mesma bruxa disse sob o estado de “mensageira”, que o meu futuro seria extraordinário. Só que o sucesso mundano, já não me parecia o suficiente, por isso lhe perguntei se era normal ou mágico, e o tal ser respondeu que era mágico. – Ainda estou no aguardo sobre isso.
    Como tudo estava ficando cada vez pior, recorri ao mago de 40 anos, que inicialmente me disse que fora escolhida por Satã. Este me revelou que no ano do fim do mundo, descobria algo importante, e que era uma das peças chave, para os planos de Satã na Terra. – O quê seria conclusivo, mas logo após a descoberta, tive um sonho do qual jamais esquecerei. Estava correndo na chuva, tentando fugir de um homem encapuzado, e quando pulava do penhasco para o outro lado, uma voz de trovão dizia “Cuidado com aquele que diz querer ajudar o teu pai, pois o mesmo, apenas está procurando meios de destrui-lo!” Naturalmente pensei em Arikiel, porém quando o magista de 40 anos, fez uma proposta indecente, sabendo que o via como um pai, e que eu tinha 16 anos, ficou claro de quem se tratava o comunicado. – Filho de Satã é? Engraçado pois meu pai jamais aprovaria a sua conduta para comigo.
    Por fim, naquele mesmo ano uma menina me enviou mensagem, e achei bastante incomum, porquê nem a conhecia, e a outra moça que era a sua amiga, pouco sabia ao meu respeito. – Mas ainda sim esta deixou claro que éramos irmãs, por termos a essência de Lilith, e sua prima que também era uma bruxa, me disse que eu era pura. Algo que odiei de imediato, e acho que por isso ela completou com “Pura...Pura maldade.”
    Eu era a princesa infernal não é? Ia herdar o trono do Inferno, e governar os outros. Então me diga como quê diabos, foi me mostrado que tinha sangue de anjo?! –  Como já deve ter percebido até aqui, não sou de aceitar as coisas, antes de muito questionar. “Anjo, anjo, anjo” Era o quê ficava na minha cabeça. Como é que podia ser filha de Lúcifer e Lilith, e ter uma essência tão terrível?! Isso me devastava, e para piorar, o meu namorado, reforçava que meu poder era ainda menor, por possuir as malditas asas de penas. – Eu nunca comemorava pelas descobertas. Primeiro Filha de Lúcifer? Isso era uma piada entre os satanistas da cidade! Além do mais, até naquele tempo havia tanta gente se denominando como tal, que me doía o peito, pensar com quantos teria que competir para sentar-me ao lado do meu “pai”. Segundo anjo?! Pura?! Que porcaria era essa?! Depois de tudo o quê tinha aprontado na vida, não havia razão, para crer que era uma celestial. – Só que era, e uma pequena seita de fanáticos, que para minha infelicidade desapareceu do Google, me mostrou a extensão do problema. – Logo após eu ter tido uma visão, de um anjo de asas negras, copulando com uma linda mulher ruiva, num lugar que parecia o Éden. – Eles esclareceram que Satanás tinha uma filha, e que esta foi expulsa do paraíso, junto com o pai. Contudo não era a única a falar a respeito, tinha uma outra, que era mais específica, dizia que a filha levava todos a perdição, e os que se casassem com ela, teriam que servir ao seu pai. Não sei se sumiram também, mas juro em nome do Cosmos, pareciam falar de mim, só estavam errados numa coisa, eu não uma senhora, nem nunca seria, pois tenho problemas para envelhecer fisicamente. – Tenho 24 anos, mas pareço ter 16, por conta dos problemas hormonais.
    As imagens do passado pareciam se tornar claras, vez ou outra entrava em transe na escola, e via a minha outra vida. – Tinha estudado numa instituição mágicka, em uma outra dimensão, cuja a tecnologia era mais avançada do quê este mundo. Mas não era só isso, lá era a pior das piores, por isso todos me chamavam de mini Lilith. Era tão ruim, que havia até mesmo roubado o noivo da minha irmã, o anjo Alakiel, que do momento que fui para a guerra, quando os celestiais nos acharam, acabou por me abandonar em um carro. – Calma, eu sei que Alakiel é pura imaginação, só que a semelhança entre Alakiel e Arakiel o anjo caído, responsável pelos sinais na Terra, é bastante clara. O quê comprova que a minha visão era turva, mas ainda sim era uma visão. – Ás vezes o transe era tão profundo, que literalmente acordava na sala errada, e nem sabia como havia chegado lá.
    Arakiel era o nome do ser que influenciava, o falso príncipe, ou talvez fosse o próprio, isso não ficou claro,  mas parecia realmente haver uma força sobrenatural por trás de tudo. – Sempre que eu discutia com o rapaz, minhas tentativas de suicídio, traziam a tona a existência do ser, que de alguma maneira, batalhava com o outro, para ficar em seu lugar, e se juntar a mim. Ele batia o pé, dizendo que era um demônio, e eu dizia que era um anjo disfarçado de demônio, que viera para me confundir. – É, vergonhosamente entrei no jogo do sociopata, mas não o suficiente para crer que eram dois seres distintos, pois na minha concepção na época, o bom, gentil e amoroso, era a máscara, que escondia quem ele realmente era, ou seja o Arakiel, que nunca queria me dá o nome, e se chamava de Lord Dark.
    O outro lado existia apenas para me confrontar, por causa da minha conduta, de mulher sirigaita, que estava pronta para deixá-lo se fosse preciso. Só que as discussões filosóficas, sobre o céu e o inferno, anjos e demônios, me fazia querer estar sempre com a versão do rapaz que me machucava, mas que também atraia a minha atenção, e muitas vezes me ajudava a sair das crises existenciais, que ele mesmo me colocava. – Eu sabia que era tóxico, para nós dois, pois também o feria de propósito, só que definia como um relacionamento em que, os dois se xingavam, porém se outros fizessem o mesmo, que nos aguardassem, pois um cuidava do outro.
    Sempre que me metia em confusão, Lord estava lá, e costumava humilhar quem ousasse me ferir. – Isso para mim era importante, porquê embora o meu ex-marido tivesse sempre me aceitado como era, nunca fora capaz de levantar a voz a ninguém por mim, e isto me fazia ter a impressão, de quê era eu contra todos, e não nós.
    Era uma droga viciante, alucinante, que estava me destruindo sem perceber. Pois assim que me conquistou, fiquei na palma da sua mão. Não via os sinais, como: mensagens enviadas por 24 horas, ás vezes que tentou se matar, e me enviou o vídeo, a forma como me envenenava sobre os outros, dizendo que não tinha amigos de verdade, e só podia contar com ele. – Neste ponto tive de concordar, só restou uma ou duas pessoas, das quase vinte, com quem mantinha contato naquele tempo, porquê quando afundei de vez, a maioria torceu para que morresse mesmo.
    Em outubro daquele ano tive um sonho com o meu ex, ele estava vestido de laranja, não me parecia mais consciente de seus demônios, e entrava na minha casa. Eu parecia drogada, não conseguia comer, e pegava com as mãos o macarrão do prato de plástico azul. Só que meu corpo pesava bastante em seguida, e ele me carregava para a cama. – Aquele sonho sombrio, me preocupou bastante, por isso falei para o Lord, que agora tinha “tomado” o corpo de vez, e este me falou que ele parecia o cara do seu sonho, e que tinha de me livrar de todas as coisas que ele me deu, pois isto nos mantinha ligados, e não acabaria bem. 
    Aterrorizada, coloquei a camisa do System of a Down para a doação, e quebrei a estatueta favorita dele, que tinha me dado para provar o seu amor. Uma porcelana marrom em forma de lobo, que ele adorava, por ser fã de tudo ligado ao animal. – Ainda me lembro daquela tarde, me recusava a fazê-lo, mas o garoto ficava sussurrando em meus ouvidos “Quebre, quebre, quebre!” e o fiz entre lágrimas, sentindo como se quebrasse algo em mim.
    Depois do sonho e todo o resto, Nightmare que agora atendia pela alcunha de Soul Ripper, tentou manter contato comigo, mas por medo, eu o evitei, achando que os seus demônios o tinham consumido de vez. Assim sendo o bloquei nas redes sociais, e por isso ele veio na porta da minha casa, só que o tratei com frieza, e ele partiu cabisbaixo. – Eu entendo que queira me dá um soco, pois se eu pudesse faria como Yuno Gasai, e tomaria o meu lugar no passado, para impedir esse erro.
    Gradualmente fui perdendo amigos, e quando somente restou eu e o garoto da web, ele me pediu em casamento, e aceitei. Sabia que tinha um marido vindo do Inferno, e achava que podia ser ele, pois nunca havia sido tão trouxa para alguém antes. – Entretanto tudo mostrava o contrário, e até mesmo a minha irmã, recebeu a mensagem de Lilith, de quê ele não era o meu par, que Lúcifer o tinha escolhido por um propósito, e tomar Arakiel com tal era um erro. – A aquela altura, tinha mergulhado na mais profunda insanidade, e não ouvia nem sequer os deuses, estava convencida de quê era meu, e nada nem ninguém, poderia mudar isso. – Será? 
    Num dia qualquer briguei com o rapaz, e fiz a coisa que ele mais detestava, para atrair o seu outro lado. Bebi até perder a consciência, mesmo sabendo o quão arriscado aquilo podia ser, já que a barreira entre o físico e o espiritual, ficava cada vez mais fina , de acordo com a quantidade de álcool ingerida. – Lembre-se do trágico episódio de 2011.
    Acabei por desmaiar, enquanto conversávamos no celular, pois não me aguentava em pé. Despertei no meio de uma praça, onde as freiras de branco passaveam. Parecia o paraíso, mas as faces daquelas mulheres não me inspiravam confiança, por isso apressei os passos. Foi então que vi uma freira de preto, esfaqueada a sangue frio no piso cheio de quadradrinhos, e decidi correr. As senhoras já estavam entorno de mim, com sorrisos dotados de mania, por isso fiz um grande esforço para despertar, chamando pelo anjo que se disfarçava de demônio. Ele estava desmaiado também, por isso o despertei ligando inúmeras vezes. “Durma, não vou deixar nada te machucar, sabe que basta me chamar se algo acontecer.” Disse-me enquanto eu estava em estado de pânico, só que o efeito da bebida era muito forte, por isso cai no sono de novo. O sonho me pareceu bem normal desta vez. Estava na antiga casa da minha avó materna, enquanto esta ajeitava a cama, bastante sorridente, mas de alguma forma eu sabia que não era ela, por isso disse “Você não é a minha avó! Revele-se!” Então ela parou de dobrar os lençóis, e me olhou com um sorriso assustador, enquanto a sua pele morena, começava a empalidecer, e as unhas ficavam pretas. “Tem certeza de que quer saber?” Perguntou, e eu me preparei para lutar, só que uma força maior, me puxou de volta para o corpo contra a minha vontade. – Nunca soube o nome da criatura, e até hoje isso muito me intriga.
    Em novembro de 2012, me caracterizei como Alerquina, por notar que tínhamos um rosto bem semelhante, e me preparei para ir ao evento de Cosplay, mas quando cheguei na porta, senti uma tontura e desmaiei. – Meu espírito foi levado para o cemitério do Santa Rita, e lá fiquei rodeada por espíritos zombeteiros que diziam “Morte, Dinheiro, Mentira!” repetidamente, e gargalhavam como loucos.
    Tudo estava preparado, para quê eu e Arakiel nos encontrássemos, nossas mães tinham conversado, e a dele havia aceitado a união, pois o rapaz tinha dito que preferia a morte, a ficar sem mim. Dia 28 de dezembro ele chegaria na cidade, só que infelizmente – ou felizmente –  Descobri que tinha me traído em novembro, e a raiva por ele, era maior do quê qualquer coisa que sentisse, por isso fiz o quê ele sempre detestou, sai com a minha amiga ex- beata, e bebi com estranhos. O problema é que o garoto em estado de bebida, tentou me estuprar na praça, e se não fosse pela minha amiga, e o amigo dele, a noite não teria acabado bem, pois morder forte a sua língua, somente o excitava ainda mais.  – Contei tudo ao anjo, disfarçado de demônio, e ele ameaçou o cara de morte, caso voltasse a se aproximar de mim. Só que “pagar em dólar”, não tinha sido o suficiente, eu ainda o odiava por ter me enganado, e por isso decidi terminar em 25 de dezembro daquele ano, após ter tido um estranho presságio, de quê estavam tentando me matar. – Gente de outra escola foi até a minha, e ficou a me olhar estranho, como se tivessem desejos insidiosos. Depois enquanto dormia o teto se abriu um pouco, em meio a chuvarada, e se não saio a tempo do quarto, teria morrido eletrocutada.
    Acabou. Fui dormir, só que naquela noite tive um sonho, de quê ele estava muito magro em meio a escuridão, e escalava meu corpo chorosamente, dizendo “Eu te amo, porquê está fazendo isso comigo?!” Então quando acordei recebi a notícia, meu avô tinha falecido, e o menino nem sequer respondia as mensagens, no início fiquei preocupada, depois soube que estava bem, e entrei num profundo estado de depressão. – Não comia, não dormia, e só sabia falar dele, achava até mesmo que tinha sido separado de mim, por um kimbandista, com o qual puxou briga, porquê o mesmo havia dito que eu era filha de um cachorro de rua, mas nunca de Satã.
    Tentei namorar o DeMolay, mas este me deixou por causa da ex, e acabei fazendo amizade com um garoto detestável, que fez minha amiga sofrer, e que estava arrependido. Vamos chamá-lo de o Geminiano. – O geminiano era de Rio de Janeiro, e costumava implicar comigo por qualquer coisa, mas como era o único que me entendia, sobre querer voltar para a pessoa que havia deixado, só me restava falar com ele.
    Os pesadelos eram bastante frequentes na época, sonhava que estava grávida, e Arakiel – que apesar de parecer ter pouca idade, era um ano mais velho que eu – tinha alguma relação com isso.
    Vivia vendo zumbis, guerras, e o fim do mundo eminente. – Provavelmente pelo bombardeio de mensagens midiáticas a respeito. 
    Meus amigos só sabiam me apoiar com “likes”, em coisas que me faziam me sentir um lixo, e eu sentia raiva disso. – O canalha estava certo? Eu estava sozinha mesmo?
    No ano de 2013, fiz 18 anos, mas foi o pior dos meus aniversários, pois de quem eu queria os parabéns nunca veio. Como se isso não bastasse, um meteorito caiu na Rússia, logo após a renúncia do Papa, e temia que isso de alguma forma fosse associado a mim, afinal era supostamente A filha de Lúcifer, e os religiosos sempre buscam por um bode expiatório. – Lembro-me que não pude comemorar no dia, mas o fiz no sábado, e quando bebi, meus olhos brilharam de forma inumana, ao ponto de ficarem verdes, e isso foi capturado pela câmera.
    Em março daquele ano, resolvi sair de dia, com a ex-beata, queria me destruir sabe? Beber até não aguentar mais. Nós fomos até o Formigueiro, uma praça que ficava atrás da igreja de São José, onde os roqueiros costumavam se reunir.
    Lá encontramos um homem, que usava uma camisa preta, e o símbolo da estrela de Davi, e este não parava de cumprimentar a todos. Até aí tudo bem, só que um dos meninos, me falou que se tratava de um pedófilo, e quando este veio até mim, minha energia cresceu mais que o normal, pois detesto o tipo. – Ele disse “Você tem um espírito forte, tenho certeza que é de leão.” Disse-me, e sorri de forma maldosa, negando, enquanto apertávamos as mãos. Os olhos dele se engradeceram, e o medo ficou presente, ele literalmente saiu andando de depressa, sem falar com o resto do povo.
    Decidimos sair andando pela cidade, e nos estabelecemos na praça da bandeira, onde fiquei no escuro. Então uns 30 minutos após sair do Formigueiro, um grupo de frades a caráter, tão grande que nem deu para contar, surgiu andando pelo centro, e a menina que estava conosco até brincou, dizendo que pareciam ser um grupo de Jedis. – Se era “caçavam pela filha de Darth Vader”.
    Coincidência ou não, até hoje não sei explicar, mas o medo foi tão grande, que me manifestei nas redes sociais, dizendo que se sumisse, que me procurassem no Vaticano. – Fanatismo, loucura, pode chamar do quê desejar, só  que é no mínimo estranho.
    Mais coisas aconteceram naquele ano terrível, e quando Soul/Nightmare reapareceu, eu definitivamente não estava pronta para voltar. Já tinha dado errado uma vez, e no momento só queria me destruir, por isso não podia arrastá-lo para o fundo comigo, só que isto tudo fica para o próximo capítulo.
                             
    Capitulo 4- 2013
    Não dá para duvidar da persistência de Soul. Mesmo depois que terminamos, e tê-lo afastado, a pedido de Arikiel, sob circunstâncias estranhas, ele ainda continuava ali, sendo um amigo para todas as horas, porém apesar de não ter me esquecido, preferia que o fizesse. – Meu coração não lhe pertencia mais, então para quê iria continuar torturando-o? Ele não merecia esse destino cruel, portanto quando reapareceu, e por acidente, acabamos por dormir juntos, por volta de maio daquele ano – O quê faz de mim um monstro, pois era o mês do seu aniversário – Eu lhe disse em definitivo “Isso não quer dizer que te amo, e nem que vamos voltar!” , ele pareceu entender, e também falou que não era o quê queria. – Contudo mais tarde soube, que tinha ido embora cabisbaixo.
    Me perdoe querido leitor, mas não poderia continuar segurando o rapaz ao meu lado, por puro egoísmo. – Tudo o quê tinha passado com o Arakiel, havia feito a minha concepção mudar. – Sem contar que na época estava me envolvendo com o Geminiano, e não queria iniciar outro relacionamento com o pé esquerdo.
    Estava cada vez mais perdida, e apesar de ter o Geminiano ao meu lado, me sentia cada vez mais sozinha, por isso vivia entrando em sites de Creepypastas. – Já havia tentado inúmeras formas de me matar, como : Morrer afogada aos 6 anos, mas não deu certo, a professora me salvou. Morte por acidente automobilístico, só que os carros paravam antes. Morte por ingestão de caixas de remédio, todavia somente dormia, e voltava nova em folha. Morte por envenenamento, que me fazia vomitar sem parar, porém bastava um copo de leite, e tudo voltava ao normal. Morte por corte da artéria, no entanto parecia nunca rasgar a carne o suficiente, pois no dia seguinte, já estava como se estivesse se cicatrizando. – Então como os métodos tradicionais, estavam sempre falhando, procurei por entidades místicas, para me destruírem de uma vez. – Claramente não funcionou, senão não estaria aqui agora.
    Caminhava pelo mundo, como se fosse uma zumbi, sem vida, sem motivação, sem acreditar em nada. – Se Lúcifer era meu pai, então por quê as coisas estavam dando tão errado? – Fui perdendo a minha fé nele, e abracei a linha de fanatismos sobre o fim do mundo, pois saber que o lugar onde estava seria destruído, me trazia paz. – Poderia ser “imortal”, só que se o planeta inteiro fosse destruído, não creio que iria sobreviver.
    Por isso quando a mensageira Maria, foi tomada pela presença de Lúcifer, que me mandou tomar cuidado, pois coisas terríveis iriam acontecer, eu questionei bastante, porquê seria literalmente o meu maior desejo.
    Os dias seguiram, e enquanto estava imersa em escuridão, passava grande parte do meu tempo, digitando um dos meus romances sombrios, chamado Psychosocial The Game of Larry Coltown, que nunca teve um final. Mas deixou claro que a minha relação com Arakiel, era como uma lavagem cerebral, na qual literalmente perdia a noção de mundo, e sobre quem realmente era. – Na trama, Corelle era raptada por um Doutor sanguinário, denominado Michael Kovat, que fazia dela uma máquina destruidora, para servir a cruel Ordem de Cristo, que existia somente para matar os demônios, e todos os seus filhos. – Em alguns pontos eu e Corelle éramos semelhantes, noutros ela tinha as próprias características. Contudo era inegável que ela me representava, e por isso é perceptível que muitos dos seus desafios, são parte da minha dissociação da realidade, que era extrema naquele tempo. 
     Todavia não chegava ao ponto, daqueles com quem tentava estabelcer laços. Maria tinha um grupo no Facebook, com um monte de jovens perturbados, que conseguiam superar até a mim. – Foi ali que aprendi a separar a fantasia da realidade de vez. Pois ver um homem dizendo que era um arcanjo, e uma mulher dizendo que era o próprio Asmodeus, era demais para mim. – Asmoday parecia ser uma garota inteligente, que sabia bastante do oculto, só que em algum momento da vida perdeu a sanidade, e ficou presa entre a Terra e o outro lado. Ela era bonita, mas se disfarçava de feia, tinha 27 anos, e aparentava 16, foi a única bruxa satânica, que conheci, que fazia aniversário no dia 15/02 também. Ela vivia implicando comigo, me chamando de princesa mimada, porquê supostamente não tinha sofrido o suficiente, e mesmo que acontecesse, continuaria sendo uma “santa”. Apesar do conflito, eu a admirava, queria fazer-lhe recuperar a consciência, pois tinha muito a oferecer a este mundo, de tal forma, que nem me importava se fosse ela a verdadeira princesa infernal, em vez de mim, mas seu caso era complicado. Asmoday  tinha uma personalidade semelhante a da Maze de Lúcifer, e como alegava ter estado em uma clínica psquiátrica, preferi aceitar o seu mundo como ele era.
    Em 13 de julho daquele ano, Arakiel voltou a aparecer. Ele tinha essa mania de ir e voltar, sempre que começava a esquecê-lo, e enquanto ajudava a ex-beata, cuidando dela após beber demais, por quê lhe devia uma, o meu celular foi roubado. – Eu não podia deixá-la sozinha, não depois de ter me salvo de um estupro, e da minha consequência, por fechar o círculo do Sees. – Não podia deixar a minha amiga, não depois de tudo o quê tinha feito por mim, portanto quando ela ficou mais porre que o normal, no dia do rock, tive lhe de socorrer. 
    Só que no meio disso, Arakiel ficou mandando mensagens, e como nunca resisti a uma boa discussão, fiquei tirando e colocando o meu celular da bota, até que um bandidinho veio e tomou-o da minha mão, lembro de ter segurado em seu braço, rindo sem parar, não acreditava que aquilo estava acontecendo comigo, e ele me chamou de patricinha. O nervosismo tomou conta de mim, e ele saiu andando, mas tentei correr atrás, porém o sedentarismo venceu. – O meu ódio foi gigantesco naquele momento, e quando fomos falar as autoridades, a mulher só sabia torcer o nariz, como se eu tivesse me drogado por causa da vestimenta, foi preciso que uma galera me segurasse, para não ir para cima dela. Estava tão enfurecida, que sentia meus pés saírem da sola da bota, e tentava me controlar, para não levantar voo ali mesmo, e acabar de fato como prisioneira do Vaticano.
    Dois rapazes literalmente competiam pela minha atenção, e isso me deixaria feliz, só que aquele projeto de ser, tinha levado muito mais que o meu aparelho, ele havia levado a minha honra, e como uma criatura guerreira, não podia deixá-lo ficar impune. – Foi então que lhe enviei a mensagem ameaçadora Você não sabe com quem se meteu, criatura inferior, e pagará caro por isso!
    Arakiel apenas se preocupava com a minha vida, e por isso o mandei para o raio que o parta. Ao chegar em casa, fiquei sozinha, fingi está bem, porquê não queria que minha mãe, deixasse de se divertir com as amigas por minha causa, mas quando ela saiu, toda a fúria deixou de ser contida. – Não me lembro ao certo, mas chutei portas, gritei sem parar, e isso resultou na visita da minha vizinha, que alegava que eu estava possuída. – Possuída de ódio, isso sim!
    Mais tarde naquele ano no dia 14 de agosto, tive um sonho estranho, nele saia de uma espécie de jogos mortais, e ao pular o muro, ia parar na rua da frente da minha casa, onde um homem de casaco preto, me dava uma facada no estômago, mas não sentia dor, nem saia sangue. Nesta data em questão, iria começar a trabalhar no jornal do amigo do meu pai, e pedi para ficar em casa, mas minha mãe, apesar de dizer poucos nãos, me barrou desta vez. Fui para o diário do povo, lá parecia um lugar perfeito para trabalhar, pois se me formasse como jornalista, poderia enfim provar que os deuses eram aliens, e que já haviam estado na Terra. – Lembra das coisas boas do Soul? Esta era uma delas, pois graças a sua fixação por Et’s, acabei assistindo muitos documentários do History, que abriram a minha consciência, para fora da filosofia de Anton Lavey, de quê Satã era uma alegoria a psique humana. – Tudo tinha sido maravilhoso, só que como naquele ano, estava pagando todos os meus carmas,  é claro que o dia não terminaria assim.
    Ao chegar em casa, vi um monte de gente amontoada, no fim da rua, por causa de um incêndio, e brinquei com a minha mãe. “Desta vez a culpa não foi minha, nem estava aqui para causar isso.” E tudo pareceu normal, só que quando aparecemos na entrada do portão, notei que a janela estava aberta. “Mãe você saiu e não fechou a janela!” Disse-lhe, e ela saiu catatônica. “Eu não... Thaís nós fomos roubadas!” Falou assim que atravessou para dentro do quintal. “Mas o quê mais eles poderiam me roubar?... Meu notebook!” Berrei entrando logo atrás, e quando um dos vizinhos passou ao meu lado, com um sorriso de vitória, quase fui para cima dele. – Por conta da surra que tinha dado na sua irmã, eles colocaram fezes no cadeado de casa, então como não poderia esperar o pior?! 
    A casa estava intacta, o quarto da minha mãe também, somente o meu fora invadido, e revirado de cabeça para baixo. Levaram meu note, minha câmera digital, e o playstation 2, que valia pouco na época, e parecia ser apenas uma desculpa, pois no mesmo dia, o meu Facebook foi cancelado, e a minha página de conspirações, que só tinha 167 pessoas, desapareceu como se nunca tivesse existido. – Depois que postei que as pessoas no futuro, viveriam em casebres, a mercê de gente ruim, que lavaria as suas mentes, para que ficassem na miséria, enquanto viviam como reis, caçando pessoas geneticamente modificadas, que acusavam de serem demônios, sem saber que os verdadeiros eram poucos, e que tudo aconteceria, após um grupo de fanáticos pela Era de Aquário, fizessem um ataque terrorista, pior que o da H1N1. – Fomos a delegacia, todavia de novo fui destratada, e desta vez os homens na sala, pareciam zumbis. A perícia foi até o local, e concluiu que o assalto ocorreu na hora do incêndio, e apesar do quê parecia, o mesmo era de causas naturais, ninguém tinha o provocado.
    Fui desplugada da Matrix, e tive diversos sonhos mais tarde, que me fizeram ficar preocupada. Naquele tempo haviam muitas manifestações contra a presidente Dilma, e o país mergulhava em violência, e isto me fazia pensar que os cavaleiros do Apocalipse tinham sido libertados, e ela era o próprio Guerra. – Pois seu partido era representado pelo vermelho, e desde que assumira o poder, o nível de conflitos se elevou. 
    Talvez por causa da teoria de quê Guerra era a Dilma, Fome estava na África, Morte era o Bashar Al Assad, e a Peste em breve se manifestaria, tive esse devaneio onírico. No qual falava com ela, e a defendia dos demais, somente para chegar até os seus guardas, e lhe dizer “Eu sei quem você realmente Guerra, fale comigo!” Esta me dizia que não teria com o quê me preocupar, pois quando o mundo acabasse, teria um lugar para mim na Arca – Como no filme 2012 – e em seguida aparecia no jornal nacional, várias manchetes sobre o fim do mundo, incluindo uma de mesmo título, que retratava a queda da estátua da liberdade, que era derrubada por uma enchente de água suja.
    Só me restava a TV para saber dos acontecimentos do mundo, e quando saiu a notícia de Edward Snowden, vazando documentos, que alegavam que os E.U.A, estavam vigiando o Brasil, me deu um enorme calafrio na espinha, pois de alguma maneira, tudo o quê tinha acontecido agora fazia sentido. – Estavam tentando me proteger, não sei quem, mas do quê tinha certeza.
    Pouco a pouco, as coisas foram voltando ao normal. Ganhei um note e um celular novo. Me mudei por tempo para Porto velho, até a poeira baixar, e lá tive vários sonhos, que se hoje tivesse o meu caderno lhes contaria, mas eu me livrei dele tempos depois. – Tudo o quê me lembro agora, é que tinha relação com me apaixonar por um lobisimen, um ser careca chamado Samael, que queria ser o meu par. – Hoje sei que este é um dos nomes de Lúcifer, e não faz sentido algum, a não ser o de quê acessei o consciente coletivo. – e com a lua que se dividia em 4 partes.
    Em outubro daquele ano, o homem que me molestou quando criança foi preso com exatas 11 acusações ás 19:15, e foi jogado no  IAPEM, que era como uma amostra grátis, do Inferno para gente como ele.  – Também em outubro, o círio fluvial resultou em tragédia, e muitos morreram quando o barco afundou. – Até hoje me pergunto se tenho algo a ver com isso, pois o sincronismo foi harmônico, como se um demônio passasse por ali, e punisse o meu professor, mas matasse os religiosos também.
    Em novembro, o bairro Perpetuo Socorro sofreu um terrível incêndio, que chegou a ser noticiado no jornal nacional, e que os grandes conspiradores, encontraram a evidência de um círculo no meio do fogo. O mesmo lugar era considerado um antro de bandidos, que se escondiam ali.  – “Criatura inferior, não sabe com quem se meteu e pagará caro por isso!” Lembra? 
    Ainda neste tempo, também houve um súbito tremor em Santana, como se algo se movesse abaixo das águas. – Só não lembro a data. – e lá vivia o menino de quem eu gostava, mas tinha desistido de mim, apesar de ambos sermos satanistas, que ao concentrarmos nossas energias, conseguimos interferir no rádio, por não gostarmos da música.
    Já não aguentava mais carregar esse fardo de ser filha de Lúcifer, por isso decidi fazer algo mundano para variar. – Entrei em aulas de canto, só que no primeiro dia, nos obrigaram a cantar um hino da igreja, o fiz meio relutante, e ainda sim a situação foi desagradável.
    Ao voltar para casa, minha mãe parou numa panificadora, e quando eu voltei de lá, me falou que viu a sombra de uma mulher sendo esfaqueada na cozinha, e entrou em pânico, ao ver que ninguém fazia nada.
    Um dia depois, no domingo a noite, nós fomos até a frente da igreja do Novo Horizonte, comprar umas guloseimas, e quando passamos ao lado de um carro, o farol se ascendeu. Minha mãe ficou com medo, e eu tentando acalmá-la lhe disse “Deve ter alguém lá.” Só que ela insistiu em passar do lado, e quando olhamos para dentro do veículo, não havia ninguém.
    Em 27/12/2013 , tive um sonho do qual jamais vou esquecer. – No plano onírico o filho de Belzebu vinha para me matar, mas acabava por não fazê-lo, e deixava claro que eu era o último impedimento, para quê o Senhor das Moscas, alcançasse o trono de Lúcifer. – No dia em questão formou-se uma tromba d’água na cidade, e não creio que tenha sido coincidência.
    Não me lembro da virada de 2013 para 2014, mas o ano seguinte não seria completamente normal, pois acabara de fazer 19 anos, e pretendia entrar para a Faculdade FAMA, onde estudaria ciências biológicas, no turno noturno, (o dos meus sonhos). – Nos resultados da prova fiquei em 11° lugar, e mesmo que não fosse uma federal o resultou me trouxe felicidade. – Até porquê eu detestava o padrão do Enem, que tinha me classificado, para a lista de espera em Artes no ano anterior.
    No primeiro dia de aula faltou luz, e comemorei sem parar, pois odiava instituições de ensino, fui para lá apenas por um propósito e nada mais. – Naquele dia me tornei conhecida, por causa das mechas cor de rosa, e o cabelo alisado, que me fazia parecer a Draculaura, por isso me chamavam sempre de Monster High. – Bullying? Eu adorava aquele apelido.
    Na hora de explicar as minhas motivações, para entrar na escola de ensino superior, deixei bem claro que estava ali, apenas para estudar sobre os extraterrestes. – A razão ficou clara agora? – Então percebi que havia um garoto, semelhante ao Finn de Strange Things, interessado em mim, e logo o evitei, apesar de achá-lo bonitinho.
    Neste ano, a minha conexão com as entidades superiores, era bastante forte. – Certa vez desenhei o circumponto numa sexta, e quando foi na semana seguinte, na segunda, surgiu um agroglifo semelhante em Curitiba. – Em tal tempo mantinha contato por e-mail com um doutor, que fazia parte da maior ordem ocultista conhecida, que havia aberto vagas, e dentre os 300 que se inscreveram, eu tinha ficado entre os poucos aceitos.
    Lhe expliquei sobre as minhas motivações para querer entrar, e que era filha de Lúcifer, e depois de mais ou menos um mês, o meu mentor, foi coroado como Imperador da filial brasileira. – Tão grande foi a minha surpresa quando aconteceu, pois este havia me escolhido como uma dos seus filhos, e me prometeu proteção. – Porém depois de um tempo, fiquei temerosa, vivia tendo pesadelos com ele, de quê poderia acabar sendo morto, e quando vi, o ser realmente desapareceu misteriosamente. – Se era a ordem mesmo não sei, mas antes dele sumir, me deixou alguns livros de Crowley, enviados somente ao meu endereço. – Além disso parecia ter uma força oculta atrás de mim, pois nas fotos podia-se ver seres de chifres, ou mãos inumanas sob a minha cabeça.
    Deveria ter ido a universidade, somente para estudar, estava enrolada com o Geminiano, e certamente o aparecimento de alguém do meu tipo, abalaria a minha força para me manter fiel. –Principalmente quando meu par , era mais um mulherengo, que não merecia nem o meu “oi”.– Só que advinha? O menino era outro persistente. – Não sei o quê há em mim, que encanta esse povo.
    Conversamos bastante, ele era o nerd universitário, e o quê realmente havia me encantado a seu respeito, é que tinha me mostrado um vídeo dissecando um rato, e que tinha levado uma edição da Mundo Estranho. – Parecia o esquisito dos meus sonhos, e tal coisa me deixou confusa, surtada, obcecada. – Até ali o amor mais saudável que tinha tido era com o Soul, que em 2013 tinha assumido um relacionamento com uma garota, que nunca tinha ouvido falar, e que minha mãe ,falava que era a favorita da minha ex-sogra, que me detestava por ser uma bruxa de Satã. – Só recentemente vi o filme O rei da água, que retrata a mesma situação. 
    O nerd universitário, era amoroso, atencioso, arrogante, mas ajudava a todos, incluindo a mim, que queria proteger dos outros. – Como não me apaixonar por alguém assim? Eu o fiz. Só que depois de umas mordidas no pescoço, soube que tinha namorada, e não podia ir adiante com isso. O meu transtorno bateu, e tentei me matar, porquê as cartas falavam que um grande amor ia aparecer, e o Astral Online, onde fazia minhas consultas, era sempre certeiro, por isso jurava que ele era o Rei, só que estava mais para Valete. O coitado se sentiu culpado, não entendeu a minha reação, disse que gostava muito de mim, e com tal atitude semelhante a Atração Fatal. – Outro filme que assisti recentemente, por conta da suspeita de ser Bordeline. – O fiz se afastar de mim.
    Contudo era isso, ele se afastava, mas não queria que outros gostassem de mim, e como se não fosse o suficiente, a namorada dele era amiga, de uma das poucas amigas de verdade que tinha. – Eu havia falado com ela, a menina era um amor, sagaz, e não podia trair a sua confiança assim, destruindo um relacionamento de 5 anos. Por isso mesmo gostando demais dele, fui me afastando, evitando-o, até que ele passou a fingir que não estava ali, e isto me devastou.
    Vez ou outra nos falávamos, e o abraçava forte, sem poder fazer algo mais, mas não era o suficiente. No meu tempo livre, resolvi sair com outros garotos, até conheci um cara legal, que apesar de ser de igreja, me compreendia, e tinha uma mente interessante, além de ser atraente. No entanto o quê para mim era um fica, para ele era um relacionamento, e quando beijei outro garoto, o clima ficou bastante tenso. – O garoto santo, me fez perceber, que estava me tornando uma vadia sem coração, mesmo que não me dissesse com estas palavras.
    Marquei um encontro com o segundo, mas o garoto não apareceu, e no seu lugar encontrei o Soul, que perguntou se poderia ganhar um abraço, e eu deixei. – Ao menos na rua, não corríamos o risco de acabar pelados. – Todas as meninas falavam que ele não tinha me esquecido, mesmo que estivesse namorando, e eu sempre ignorava tal coisa, exatamente porquê já tinha seguido em frente.
    Por causa deste dia Soul reapareceu, e me senti muito bem ao conversar com ele pelo WhatsApp, enquanto brincava sobre o quê ele tinha feito de errado, para ter resultado no fim do relacionamento. Porém ele saiu, e foi discutir com a menina que estava a sua porta. – Aceitei aquilo numa boa, não era mais uma prioridade na sua vida. O quê era muito bom, pois podíamos enfim sermos amigos, sem cores no meio. 
    Marcamos de nos ver, um pouco depois do meio do ano, para ele instalar uns jogos no meu computador. – Não sei se foi armação da minha mãe, só que ela sugeriu ir para o quarto, onde era mais frio. – Ele se encolheu todo, como uma criança, com medo de apanhar, e por algum motivo, eu literalmente me joguei em seus braços e o beijei. – A física continuava a mesma, e quando ele foi embora, me dispus a reconquistá-lo, pois somente ele tinha me feito feliz de verdade.
    Nesta brincadeira acabamos voltando a nos ver com frequência. Isso não agradou nada o nerd universitário, que numa noite de grupo de estudos, literalmente colocou fogo no meu cabelo para quê parasse de abraçar o Soul. – Lembro-me de seus olhos assustados por tal atitude, e ter perguntado se eu estava bem. – No mesmo dia Soul e eu amarmos para que o Nerd universitário, visse o quanto ele me fazia feliz, e por consequência, acabei sentada no sofá, entre os dois. Soul estava confiante, até conversava com o rapaz, e o outro estava inseguro, não queria ir embora, antes do meu ex, que ficaria em meu lar para dormir. – Foi uma sensação maravilhosa, ver o seu sofrimento, desprezá-lo como fez comigo, mesmo que agora estivesse solteiro.
    Lentamente fui deixando de ir a faculdade, após a ex beata, que se chamava Rose, ter me dito que o Nerd havia insinuado, que eu não tinha estrutura mental, para manter um relacionamento sério. Só que quando apareci, ele me abraçou forte demais, e disse que ainda havia chance de passar no bimestre, se estudasse um pouco mais. Todavia lhe falei que sabia, mas não queria mais ficar lá. – Se pensou que era um blefe, acabou por se enganar feio, pois realmente larguei a faculdade depois. – Realmente eu não tinha condição mental para nada, e ficar vendo-o todos os dias, com a amiga que o envenenou contra mim, provavelmente falando que o amarrei, só piorou o meu estado.
    Soul voltou a viver comigo, deixando de morar em Ferreira Gomes, e apesar de termos feito um acordo, – e ter lhe dito que gostava dos dois – Ele nunca encenava para ninguém a nosso respeito, por isso mesmo juntos, não tinha como esfregar na cara do Nerd, que estava melhor sem ele. – O quê era uma mentira, porém não queria que tanta gente, que torcia pela minha desgraça soubesse oras.
    Soul saia, dizia que ia voltar no domingo, e aparecia na segunda. Tinha mania de ignorar as minhas postagens, e só vivia no computador. Havia coisa errada, porém eu achava que era porquê ele lia as minhas conversas, que falavam a respeito do quanto ainda pensava no Nerd. – Ele não era mais o mesmo homem de antes, tinha se tornado um cafajeste, e me deixado a par disso, logo quando assumimos um compromisso de status na rede social.
    O Geminiano que do nada tinha se apaixonado por mim, não me deixava em paz, e Soul com medo de haver um terceiro na jogada, me dizia para me afastar dele. – E como a boa aquariana que era, fazia exatamente o oposto.
    No livro anterior o culpei por ter me traído, como se fosse uma santa imaculada, mas aqui fica totalmente claro, que as suas motivações eram fortes, afinal se ele não fizesse nada. – Seria o cara perfeito. Brincadeira! Mas dificilmente o respeitaria tanto quanto agora, pois a sua falha, me fez perceber que era somente humano, e não um deus da alto estima, que suporta tudo sem jamais se vingar.
    O início era um relacionamento de amizade colorida, para todos tínhamos voltado, mas entre nós era apenas uma parceria estratégica, que nos servia como alicerce, para não acabarmos sozinhos. 
    Mais uma virada da qual não me recordo bem, e o ano seguinte prometia mais fatos esquisitos, que talvez não fosse capaz de suportar. – 4 luas de sangue foram anunciadas, e o frio na barriga, de quê o momento tinha chegado me tocou. Só que isto fica para o próximo capítulo. 
    Capitulo 5- 2015
    O ano de 2015 foi marcado pela presença de Óvnis. – Algo que me trouxe alegria, pois lá em 2013, tive a minha primeira experiência de 3° grau com eles. – Eram 7 horas da manhã, ainda tinha um notebook, e estava no Facebook, quando de repente, tudo se desligou, a luz começou a piscar, e senti uma atmosfera extraterrestre, causada por uma forte pressão no ar, e um som semelhante ao de uma nave espacial midiática. Eu não fiquei assustada, porém quando uma esfera amarela flutuou a minha frente, fiquei fascinada pela mesma. – Isto ocorreu uma semana antes da invasão da minha casa. – Até hoje me pergunto se foi uma alucinação, pois não costumava dormir a noite, e sabia os efeitos que isso podia provocar.
    Os meus 20 anos, foram simbolizados pela festa, com direito a globo e tudo. Embora houvessem poucos para comemorar, foi algo realmente único. Bebemos até as 4 da manhã, dançamos, confessamos pecados. Esta é de longe uma das melhores festas da minha vida. Contudo quanto a segunda veio, o número 27092015 surgiu na tela do meu celular, e me senti como o Neo em Matrix. – Achava que meus poderes enfim atingiriam o nível máximo, e que a guerra entre anjos e demônios sairia do oculto, fazendo com quê todos despertassem. – Por isso decidi pesquisar sobre os fatos do dia 15/02 daquele ano, e o horror me preencheu, quando vi que o exército de fanáticos, que literalmente pareciam jovens de mentes lavadas, postou um video se revelando no dia do meu aniversário. – Eles se chamavam de Gladiadores do Altar, e eram bem semelhantes as visões que tive ao escrever o romance Psychosocial, na parte da Guerra, mas na minha obra, eram conhecidos como Executores. – Um nome apropriado para aqueles que se dispunham a caçar bruxas e demônios. Coisa que os Gladiadores já andavam fazendo de forma ilegal.
    O tão aguardado setembro vermelho chegou. Eu estava extremamente animada, achando que finalmente o mundo, teria o véu removido. Por isso não parava de falar na lua de sangue, afinal de contas tinha previsto-a em 2013, muito antes de anunciar as 4 luas que viriam. – Quando se sonha demais, a decepção pela queda é muito grande. Nada aconteceu, o mais estranho daquele dia, foi apenas ter ouvido jovens que riam como maníacos, passando na frente da minha casa de madrugada.
    No fim, lá em novembro, aconteceu uma coisa bizarra, enquanto conversava com uma amiga, sobre as creepyspastas para o Halloween, começamos a ouvir interferências na ligação, como se algo tentasse falar conosco. – Graças aos deuses ela gravou, e hoje tenho como provar o quê aconteceu. – Poderia ser somente a presença da ejeção de massa solar, no entanto foi muito esquisito, devido ao contexto em quê nos encontrávamos. – Além do mais quando me reuni com ela e a minha outra amiga, batemos uma foto, na qual o número 7 surgiu na minha testa, o 8 na dela, e o 6 na última, e quando fomos ler o livro de Salomão, os versículos bateram perfeitamente conosco.
    O ano de 2016, foi simbolizado pela traição. Poucos dias antes do meu aniversário, descobri que Soul andava falando com uma moça chamada Thaís, e as brincadeiras de que a amante se chamava assim, se tornaram algo real diante das evidências do flerte. – Saber disso literalmente partiu o meu último fio de sanidade, a menina tinha 18 era popular, ingênua, e claramente gostava dele, portanto não foi fácil encarar tal episódio.
    Sabe o quê mais detesto? Não ser única, não ter algo próprio, e comparada a outras pessoas. – Ele cometeu os 3 atos em um ano. – Aquilo me doeu bastante, porquê tinha excluído o Nerd que após meses longe, tinha mandado solicitação para mim, e ainda havia bloqueado o Geminiano, deixando claro que não tinha mais volta mesmo. Então quando vi que ele cedeu, enquanto me esforcei muito para não ser infiel uma segunda vez, não consegui perdoar. – A minha sanidade foi para o espaço, e quebrei o seu pc a base de pancadas intensas com o controle, o expus para as pessoas, e ainda o fiz se humilhar em público pedindo o meu perdão.
    Eu sou egoísta, cruel, e de péssima índole, mas se meus limites são ultrapassados, me torno a própria Lilith na hora da vingança. – Todo dia era uma briga diferente, acertava-lhe tapas na cara, lhe mordia  até ficar roxo, o mandava embora, e não conseguia deixá-lo ir até a porta.
    Na vã tentativa de me distrair, chamei algumas amigas para irem me visitar, mas todas as fotos se perderam. – Meus 21 anos foram comemorados com muitas teorias da conspiração, e docinhos. – E os compartilhei com uma das meninas, que fazia aniversário no dia 14, data para qual foi transferido o dia dos namorados, por causa dos ritos do dia 15 de fevereiro. Não lembro se algo aconteceu neste dia.
    Pode-se dizer que neste ano toda a minha fúria foi liberada, e quando Arakiel reapareceu, pedindo ajuda, é claro que me dispus a fazê-lo, somente para atingir o Soul, porquê sabia que o outro o deixava inseguro. – Por uma conversa, ou sabe-se lá mais o quê, pois ninguém confessou ainda, eu o fiz chorar, implorando o meu perdão.
    Em maio, a vida mundana se separou de vez da vida mística. Creio até mesmo que fui parar em Sete Além. – Era de manhã, apesar do desgaste emocional fui para a faculdade, pois estudar e tentar manter uma vida fora de casa, me ajudava a tentar controlar os meus impulsos agressivos. Cheguei no bloco D, tudo estava desertíco. Pensei que fosse pelo horário, pois tinha ultrapassado o limite de tolerância 8:15. Subi as escadas até o andar da minha sala, e quando cheguei lá, a mesma estava vazia. Fiquei emputecida, e até gravei um vídeo para provar que tinha ido, e ninguém havia me avisado, que não teria aula. Desci e fui pegar um ônibus para chegar ao centro, onde entraria em outro para chegar em casa. Ao sair, fui atravessar a rua, e um carro branco antigo quase me atropelou, e quando cheguei ao meu destino, vi o mesmo modelo que agora era preto. Estranhei aquilo, só que ao chegar em casa, adormeci, e tive um sonho esquisito, em que tinha entrado noutro mundo, através de um corredor vermelho, e que quando voltava, as pessoas diziam que tinha havido aula sim, eu que não estava lá. Então pegava o Goiabal, o ônibus conhecido por sempre se encontrar vazio, – o quê o tornava alvo de suspeitas, como “entrou morreu”– e nele ouvia a música Deja Vu da Pitty.  Quando acordei fui no grupo da minha panelinha, e soltei os cachorros para todos, afinal aquilo era um sonho, eu tinha ido para aula, e não havia ninguém lá, mas os meus colegas, – que já me achavam estranha, pelos fortes impulsos nervosos, que faziam a minha caneta girar violentamente, em meio ao tabuleiro manual dos espíritos – Ficaram sem reação, e disseram que “Houve sim aula, e eu não apareci na sala.” – Teria sido este um surto? Ou havia voltado a ter as minhas habilidades de me transportar entre os mundos? Admito não ter dormido bem na noite anterior, então isso pode ter provocado a alucinação, mas onde exatamente eu estava? 
    Em abril estava pronta para deixá-lo, veio a notícia de quê estava grávida, e sabia bem quando a criança havia sido feita. – Ela fora gerada 3 dias antes do evento, no qual faltou luz na hora que cheguei, e me recordo de minha mãe ter me perguntado se não queria voltar para casa, mas fiz uma escolha, que mudaria a minha vida para sempre, quando disse “não”, pois lá bebi um copo de vodca, que deve ter cortado o efeito da pílula do dia seguinte, que tomei quase beirando as 72h, ( ou o óvulo já havia se instalado em meu útero, devido a posição do coito). Independente de ser um menino ou menina, queria abortar, e Soul compreendia o porquê. Se lá em 2015, que nem imaginava as coisas que fazia, já tinha abortado um, pra quê manteria o próximo, naquelas circunstâncias?
    Palavras ácidas saiam da minha boca, eu implorava a Lilith que me atendesse, como da outra vez, porquê não queria trazer uma criança ao mundo para sofrer. – Contudo depois que comecei a falar, com a minha barriga, Soul percebeu que poderia ser uma boa mãe, e entrou para o Time bebê.
    Arakiel não ficou feliz com a gravidez, e me disse para matar, o quê me fazia infeliz. – Logo após lhe falar que não queria ter a criança, num momento de desespero, e depressão pré-parto. – Eu finalmente passei a ter desprezo por ele, assumir que Lord era apenas uma máscara, e que tinha me torturado de propósito era aceitável, porém ceifar a vida do meu bebê?! Isso era imperdoável, e dessa forma acabei por cortar o contato de vez.
    Como em 2015 ninguém despertou na última lua de sangue, perdi a minha fé na magia, e ao saber da realidade terrível em 2016, toda a minha esperança se foi. – O vazio cresceu em mim. Nada do quê o Soul fizesse era o suficiente, para perdoá-lo, pois verdade seja dita, nunca perdoei ninguém que me magoasse. – Normalmente os cortava da minha vida, e cada um seguia o seu caminho, só que agora tinha um laço com ele, que jamais poderia ser rompido.
    Aquilo me assustava de tal forma, que falava muita coisa ruim sobre a maternidade, e parecia sofrer de bipolaridade, ou mania mesmo. – E saber que carregava uma menina, somente piorou tudo, porquê isso era o meu pior pesadelo, temia que o caso com a minha prima se repetisse, e todos voltassem a sua atenção para ela. – Para piorar minha mãe me deixava ainda mais paranoica, dizendo que o melhor para a criança, era colocá-la para a adoção, pois uma mulher que nunca poderia ter filhos, iria amá-la muito mais. – Minha mãe tinha trauma da maternidade ruim, pois a minha avó, havia lhe criado a base de humilhações, tão desumanas, que quando criança, a mesma lhe fez comer o próprio dejeto, para que nunca mais aprontasse. Além de lhe bater sempre que bebia, ou se envolvia com o pai de santo da gira de esquerda. – Novamente eu era vista como um monstro, e me sentia muito mal. Não queria me desfazer da menina, porquê sabia que ela herdaria a minha maldição, e uma pessoa comum não iria aceitá-la, e lhe trataria como uma aberração. Eu a amava, só não suportava a ideia de sair dos holofotes, dos poucos que me viam. – Soul e mãe  viviam discutindo, mas o fato de se opor a algo, depois da minha gravidez, me fazia sentir ainda mais raiva dele.
    Em 23 de junho de 2016, algo estranho aconteceu, tive um sonho de quê era uma das cabeças da besta do Apocalipse, e enquanto estava estressada, e focada numa prova, um tornado passou destruindo a cidade, em pontos que se relacionavam a mim, e os que haviam me feito mal como: Buritizal onde vivem os Marianos, o trabalho da minha mãe, uma boate onde tinham gays de faxada, o Paulo Conrado onde perdi no volêi, e a cidade de uma suposta satanista, descrente dos meus poderes. – Tal fato foi citado junto de uma profecia, que se referia a 7° exintição em massa, sendo que 7, é o número que mais aparece marcado no meu corpo. Ainda no mesmo mês, sangrei após sentir muita dor na gestação, e por isso segui a tradição da família, de colocar o nome da santa no sobrenome. – Como se não bastasse, também vivia sendo atormentada por entidades, que chegaram a tentar me empurrar de barriga no chão, e toda lua cheia eu sentia dores gigantescas, que me faziam berrar.
    Em outubro tive 3 presságios ruins. O primeiro foi em 24/11/2016. Nele uma força me puxava para o palco, mas eu não queria ir, em seguida me via chorando e dizendo “2017 é um ano sombrio, tudo o quê pensei que aconteceria em 2013, está acontecendo em 2017.” e “Pois é, pra quê diabos quis prever o futuro? Foi a pior coisa que poderia desejar.” Então despertei as 1 horas da manhã, e notei em meu braço a marca de um brasão de time de futebol, que até postei na minha antiga página. O foi em 29/11/2016 e acabou marcado pela presença de vozes que diziam “Você é a escolhida, isso não quer dizer que é a mais forte, mas pode se tornar.” E a presença de Lúcifer, que estava envolvendo o mundo numa cúpula de trevas, quando naves espaciais tentavam invadir a Terra. O terceiro se deu em 30 /11/2016, neste o grande símbolo era uma enorme onda, que vinha na direção do Cristo Redentor, onde eu estava pousada, e dizia “Isso não é um bom presságio! Não pode ser!” – O golpe no estômago foi intenso, quando soube que ocorreu o acidente da Chapecoense, exatamente no dia 29/11/2016, por volta das 1 h da manhã, que coincidia perfeitamente com a marca e a hora do primeiro presságio
    Em dezembro daquele ano, tive um sonho, no qual vi um reino mágico, onde vivia junto de Lúcifer, que era loiro como um elfo do Hobbit, e havia me mandado para a Terra num dragão. Eu vivi entre 4 bruxas, e estas resolveram trancar o meu espírito imortal numa boneca russa, por exatamente 500 anos, quando voltaria para cumprir o meu destino junto da minha filha. – Olha o Aprendiz de Feiticeiro aí gente! – Na época achei algo místico, por isso fiz um cálculo numérico, em que subtraia do ano do meu nascimento, o número presente no devaneio. O resultado me direcionou para a Itália, e isso me fez me dar conta, que tudo sobre a minha natureza luciferiana vinha de lá. – Em 2013 por exemplo, recebi o sopro de quê meu nome real era Luciféria, e quando fui pesquisar, somente tinha um conto descrito como “Histórias de não se crer”, e menções nas letras da banda italiana de vampiric metal Theatres des Vampires, que me descreviam como bruxa com o poder do inferno, detentora do livro de Macabria, que em meu sonho aos 17 anos, tinha conhecido como o livro do Diabo, e este me concedia o poder de controlar os mortos, logo depois de ver uma peça do xadrez, que hoje não lembro qual é, mas a única certeza que tenho é que não era o “peão”. Além do mais, meus dois sobrenomes são italianos, mas meus avós tinham me contado, sobre os parentes que tinha na Itália. – Então após o presságio onírico, pensei “Por quê não pesquisar sobre a magia ligada ao meu sangue?” O espanto preencheu os meus olhos, quando vi que lá era o único país, que cultuava Lúcifer como um Deus, que tinha uma filha, que foi enviada a Terra, para ensinar a magia aos humanos. – Tal coisa era surpreendente, pois no livro O Último Portal de 2012, me descrevi como uma bruxa babilônica, que havia aberto um dos “9 portais da destruição”, que libertariam Lúcifer, e os outros demônios, e numa dessas aventuras, era responsável pelo culto gerado pela Ordem da Lua, que era o símbolo de Diana a mãe da menina, que em muito lembrava Lilith, pois era a virgem deflorada. – O nome da filha era Arádia, denominação semelhante a Áquila que minha mãe queria me dá, mas como meu pai era um bunda mole, não permitiu. – Ela nasceu em 13 de Agosto, eu em 15 de Fevereiro, ambas tínhamos conhecidos números diabólicos no nascimento. – Ela parecia ter Sol em Leão Lua em Aquário, já eu sou Sol em Aquário Lua em Leão. – Era conhecida como o Equilíbrio entre luz e trevas, era boa e má ao mesmo, tal como eu mesma, que apesar dos pesares tinha um código ético. – Ela tinha estado na Terra há muito tempo, assim como sentia que eu também. – Ela era visitada por uma mulher, que era a própria Diana, e lhe ensinava sobre a magia, semelhante a mim com Layla. – Ela escapou várias vezes da morte, eu também. – Ela foi perseguida por religiosos, eu também. – Ela tinha afinidade com o Arcanjo Miguel, eu também. (Michael Kovat era inspirado nisso) – Ela estava na Terra, como mensageira de seu pai. Eu também. – Ela defendia a natureza, e dizia que a natureza era a grande professora da magia. Eu havia entrado em ciências biológicas, acreditando no mesmo conceito, e pelo fascínio pela diversidade natural. –Ela era a primeira filha, eu também. – Ela era Arádia de Toscano. Eu sou Thaís Mariano. – Isto por si comprovou que éramos a mesma pessoa, em tempos e localidades totalmente diferentes. 
    O parto de Rá, foi totalmente normal, mas dias antes de acontecer, sonhei que dava luz a um menino, que queria roubar o seu lugar, e era bastante cruel. – O dia se iniciou como qualquer outro, mas o tampão se distendeu,  e tive certeza de quê naquele dia deixaria de ser uma gata buchuda. Ás 8 da manhã, fui para o Hospital São Camilo, onde foi feito o detestável exame de toque, e ainda não tinha dilatado nada. Voltei para casa, as dores foram se intensificando quanto mais andava, e por isso pedir para irmos ao Poeirão (pois era próximo a maternidade) , no qual fiquei andando, seguindo o conselho do médico, para ter um parto rápido.
    Soul de canalha maldito, voltou a ser o meu príncipe do cavalo negro, e me ajudou bastante nestas horas, me dando apoio ao caminhar. Quando deu 13 horas, resolvi ir almoçar, mas as contrações aumentaram, e tive de correr para o S.C. – Pedi para o meu marido entrar, porquê esse era o nosso momento.
    Ficamos na espera, e as 14 horas tinha dilatado 4 cm apenas, por isso decidi continuar caminhando, até fazer os 10. – Queria muito uma Cesária, mas apesar da menina ter 3,77 kg, eles me colocaram para o parto natural.
    Sofri para caramba naquele dia, e não pude receber anestesia. – Eu tentava não gritar, não chorar escandalosamente, mas era impossível, quando demorava tanto para dilatar. 
    Soul me dava apoio, chamava as enfermeiras, e tudo mais, e até tentava me acalmar, só que aquilo era horrível demais. – Era como as cólicas que me faziam parar no hospital, quando tinha 16 anos.
    As 16 horas, após uma caminhada na sala, a placenta se rompeu, e quando isso aconteceu, urrei “A minha bolsa estourou!” Exames foram feitos, e já estava com 8 cm agora, só precisava de um banho quente, para me abrir de vez. Soul me ajudou, me molhando nas costas, e quando sai de lá, senti mais uma dor, que quase acabou comigo. – De alguma forma sabia a hora exata, pois pedi para chamar a enfermeira, que trouxe o médico, e após mais um exame de toque, ficou claro que estava pronta para dar a luz.
    Deitada naquela cama, via nos pés o meu marido e a atenciosa enfermeira, que fazia uma torcida estilo – Vai torta vai Dos Padrinhos mágicos. – Eu pressionava demais a minha garganta, e ela me mandava direcionar a minha força no útero, pois já podia ver a cabeça do bebê, e o meu marido confirmava. 
    As 18:10 de 9 de Janeiro de 2017, Rá nasceu, e até a minha bunda foi costurada, pois me rasguei todinha, mas nem senti na hora. Aquele rostinho roxo, igual a um zumbi do Dead Space 2, me conquistou tanto, que beijei a sua cabeça toda suja de restos de parto, e mandei tomarem cuidado com a minha princesa. Soul me agradeceu por aquele momento único, me abraçou, me beijou, e até cortou o cordão umbilical dela, assim que esta passou a respirar pelo nariz.
    Passei 3 dias no hospital, e os 2 últimos foram ruins, pois ela chorava de fome, e eu achava que não estava dando leite o suficiente, por ter seios pequenos. – As peitudas reforçavam meus temores, enquanto o meu marido tentava me acalmar, me dizendo para não ouvir as palavras delas, pois grande parte de quem estava ali, não estava recebendo a atenção que eu tinha, com praticamente a família inteira vindo visitar.
    Quando saímos de lá, e fomos para casa, a Rá ainda não mamava direito, e vivia sugando o bico do meu peito até sangrar, de tal forma que chegou num momento, em que me neguei a amamentá-la. Minha mãe falou logo que ia matar a criança de fome, e comprou um pote de leite, que servia apenas para crianças de 6 meses, o quê resultou numa diarreia na minha pequena, tão brava, que me senti culpada, ao ponto de ir ao banco de leite, para ela ser alimentada.
    Não era como eu pensava, outras mulheres providas de leite, não iriam lhe dá o peito, pelo contrário, somente nos ensinavam a amamentar, e ainda ficavam com o leite que era ordenhado. Tive de ir 2 dias para pegar o jeito, porquê aquela sem dente, só ficava cheia quando tinha uma enfermeira para me ajudar, a achar a pega certa. – A minha falta de instinto materno era um horror.
    Na última ida, de tarde a pequena criatura cabeluda, fez um berreiro antes do teste do pezinho, e tive de lutar contra o meu temor, lhe servindo o meu peito. – Fui louvada como uma heroína pela minha mãe, e desde então a bebê passou a se alimentar da devida forma. 
    Infelizmente depois que a tive, fomos as duas atormentadas por uma entidade, e o namorado fanático da minha mãe, sugeriu que ela precisava ser batizada. – É claro que me opus, mas depois da extensa pesquisa que fiz, sobre a razão do batismo, concordei, e ela foi abençoada na mesma igreja, onde a minha mãe fez a promessa, que supostamente me trouxe a este mundo. – Na hora que disseram “Você nega as armadilhas e as forças de Satanás...” Soul e eu dissemos não, mas como tinha muitas crianças, nem perceberam. Rá odiou receber a água benta, ela não costumava chorar muito, só que quando o padre lhe benzeu o fez.
    Quase um mês depois de dá a luz, eu ainda sentia dores intensas, por isso o médico me passou exames para ser assistida corretamente. O resultado foi, que sofria tais dores, por conter restos de parto no útero, que estavam apodrecendo, e poderiam me matar. – Fui imediatamente para o hospital da mulher, onde fiquei 3 dias na cadeira, antes de ser atendida. – Algo que só aconteceu, porquê a minha madrinha mexeu o pauzinhos, e me encaixou logo na próxima turma para a cirurgia.
    Fazer a operação foi a coisa mais bizarra do mundo. Entrei na sala do hospital, conversei com o médico, e desmaiei de tal maneira, que assim que o efeito do sonífero passou, fui uma das primeiras a acordar, e tive a sensação de que era uma zumbi, recém acordada do necrotério. – Rá não parava de chorar, nem mesmo com a mamadeira cheia de NAN, e quando cheguei, ela se ajeitou no meu colo, agarrou o meu peito, e adormeceu comigo. – Quase não saio de lá, antes do meu aniversário de 22 anos, pois desta vez fiquei internada por mais dias. 
    Ter um bebê em casa não é fácil, principalmente quando pensamentos sádicos se passam pela sua cabeça, por quase ter matado a sua prima antes. – Com medo de machucar o meu bebê, como via a maioria das mulheres mal-amadas fazer, decidi ir buscar um tratamento psiquiátrico adequado. Só que o quê achei que seria uma enxurrada de preconceitos, acabou por me deixar muito feliz, porquê apesar dos insultos do Nerd, minha inteligência era acima da média, e isto foi testado pelos especialistas, que notaram também alguns traços de manipulação. – Eu lhes contei tudo de ruim que fiz, e conseguia me lembrar, além das visões de céu e inferno, mas não deu nada demais, somente que sofria de depressão profunda. – Todavia quando meu marido e minha mãe ficaram a sós, lhes contaram que precisava de um tratamento psicoterápico urgente, ou desenvolveria um mal patológico, devido aos prováveis apagões.
    Fui para a terapia por meses, conversar com a Anelise, uma psicóloga excelente, que notou que grande parte dos meus relacionamentos eram destrutivos, e que isso precisava ser corrigido, tinha que ficar com quem me amasse, e o Soul por mais bizarro que possa parecer, realmente era o cara, que deveria me ajudar. – Houve uma vez que tentei usá-la para o analisar, e saber se tinha me traído,  mas ela era tão excepcional, que descobriu tudo, e desarmou a minha bomba. 
    Naquele ano recebi um ataque, após ter tido um sonho esquisito com o arcanjo Gabriel me caçando, e me chamando de filha de Satanás. – Exatamente como em 2013, quando o vi como meu inimigo pela primeira vez. Acordei acorrentada, num lugar semelhante ao cenário do Jogos Mortais I. Me soltei imediatamente, e corri para o portal que estava aberto, em direção ao Parque do Forte. Procurei por uma moto, e subi na mesma, dirigi tentando escapar de um homem moreno. Ele me perseguiu pelo centro, numa viajem frenética sob duas rodas, que resultou num acidente, em quê fui atirada contra a quina de uma escada de ferro, que fez a minha cabeça se partir ao meio. Eu morri, pela primeira vez em sonho, só que meu corpo virou energia, e a mesma se massificou, fazendo-me voltar. As roupas estavam rasgadas, mas a pele intacta, então sai caminhando meio abatida, pelas escadas do Teatro das Bacabeiras, e lhe disse “Você até tentar. Mas nunca conseguirá me destruir Gabriel!” – Despertei do segundo ataque, e a música Man in the box não saia da minha cabeça, por isso voltei a ouvir Alice in Chains. Tudo parecia comum, quando do nada comecei a vomitar a noite, depois senti uma dor infernal na costela inteira, e sem saber como parar, pedi pra minha mãe me levar ao pronto socorro, e quando sai do carro vi a data, que era 27/03/2017 então disse “Hoje é dia 27 algo importante vai acontecer”. – A UPA estava fechada, e tive de ir no posto, no qual coloquei tudo para fora, e recebi 3 injeções, para aliviar a dor. – Achava que era consequência do anticoncepcional, por isso não liguei, só que era ruim demais. Após receber o remédio, dormi, e quando deu 3 horas da manhã do outro dia, a dor voltou com tudo. Até liguei para ambulância, só que eles não vieram, e fiquei por conta. Soul então sugeriu colocar a toalha morna no meu tórax. Entretanto para realmente cessar o meu sofrimento, precisei colocar o ferro no nível ardente, de tal maneira que minha barriga ficou vermelha, quando coloquei o bendito tecido. – Então algum tempo depois, saiu a notícia de quê o menino do Acre, tinha misteriosamente desaparecido. A coincidência foi tanta, que Soul não me permitia ficar a par do caso, porquê tinha receio do rapaz ser minha alma gêmea. – Calma, ele não era, o máximo que poderia ser era outro Índigo, por isso havia uma conexão.
    Naquele ano precisei fechar de vez a história da traição, pois as palavras da minha mãe, ressoavam na minha mente “A gente transmite para os filhos, o quê sentimos por nossos parceiros.” – E eu ainda me sentia muito magoada por causa do Soul.
    Fui atrás de cada uma das envolvidas, saber até onde a história ido, pois sem um desfecho final, não conseguia seguir em frente. – A amante com quem traiu a japonesa do Paraguai, era gentil, só que não tinha ouvido falar de mim. A japonesa virgem e ignorante, e a minha xará era tranquila. – A questão é que não conseguia perdoar, depois de tudo o quê vivemos, quase ninguém sabia ao meu respeito, somente se lembravam da maldita virgem, e isso me doía bastante, pois significava que falava a respeito dela, e quem dera que fosse mal, mas eram coisas como “Preciso mudar por ela.” e outros romantismos insuportáveis da TV. A xará também não sabia de nada, somente que ele ia parar de fazer certas brincadeiras, porquê estava começando a gostar de uma garota, e que nunca tinha o visto gostar tanto de alguém assim, o amigo dizia que fui a garota com quem ele passou um tempo. O melhor amigo era o único que dizia que nunca o tinha visto tão feliz, quanto como quando Soul estava ao meu lado. Por ironia da vida, o melhor amigo que me detestava no passado, por conta da minha conduta like a Yuno Gasai de Mirai Nikki. Mas foi o primeiro a me estender a mão, quando surtei entre os outros, e hoje me sinto ainda mais culpada pelo acidente do círio fluvial, porquê a mãe dele se foi ali.
    Além do mais, Soul sempre falava comigo, e tinha guardado a minha música “Suicida” em vez dos vídeos eróticos, e enquanto ele falava palavras vazias sobre a outra, por mim realmente mudou. – Para ser sincera, até atualmente ainda sigo com dúvidas sobre o quê aconteceu, só que verdade seja dita ele suportou muita coisa, antes de aprontar para mim. Lógico que o ideal era não ter havido nada, mas isso só seria possível, se partíssemos do principio de  quê sou perfeita, o quê sabemos que não sou.
    As crises alternavam bastante, está com ele não me fazia bem, por isso decidi que o melhor era nos separarmos, e ele ir morar com a Rá, junto da sua mãe em Goiânia- GO. – A notícia chegou como uma explosão nos ouvidos do Drácula, que falou um monte de coisas para mim, mas as piores foram “Não importa o quê você quer da vida, mas estamos falando da Minha Neta!” “Você é mente fraca mesmo!” “Depressão é frescura!”  Não consegui me aguentar, ele mandou o Soul calar a boca, e eu ordenei que saísse da minha casa. – “Essa casa só é tua por quê eu te dei!” ele disse. “Não me importo, deu por quê quis agora vai criar a tua filha favorita e me deixa em paz!” Gritei estridente, e no mesmo dia, decidi que ia para Goiânia também, e não ficaria mais nem um minuto naquela cidadezinha, na qual poderia dar de cara com ele.
    Soul foi na frente, e assim percebeu logo o tipo de cobra, que era o namorado da minha mãe, pois o cara queria praticamente tomar a guarda de Rá, para ele e a minha mãe. – A nova guerra se iniciou, por quê ela me colocava depois do moleque, que se chamava Ren, e tinha o mesmo jeito do Arakiel, só que a diferença, é que não fingia ter dupla personalidade.
    Quando Soul estava em Goiânia, decidi deixá-lo, após ter chegado ao ponto de tomar minha caixa de comprimidos de cloridrato de sertralina. – Senti apenas a minha mão formigar, e quando cheguei ao hospital, completamente normal, os médicos brincaram a respeito da minha resistência. “A gente devia chamá-la para beber conosco. Tomou uma caixa inteira, e ainda nem desmaiou!” A consulta foi feita, nos deslocamos do interior para a cidade a toa, pois outra vez não conseguia morrer.
    A minha despedida foi muito boa, reencontrei uma velha amiga, e o meu amigo que quase morreu para um caminhão. – Eu realmente senti alegria por poder me despedir deles, pois eram pessoas maravilhosas, que não colocariam “medos” na minha cabeça.  
    Deveria ter chegado solteira a Goiânia, mas a verdade é que com todos os meus transtornos, não conseguia ficar longe do Soul. Não importava quem aparacesse agora, por isso quando cheguei em Goiás, prometi a mim mesma, que faria de novo o quê estivesse ao meu alcance, para sermos felizes.
    A presença de Ren, fortaleceu muito a minha união com o Soul, pois juntos tínhamos o propósito de proteger a nossa filha daquele moleque insolente, que não só não queria nada da vida, como também era um verdadeiro fifi, cheio de leva e traz, algo que me dava nos nervos, pois estava ajeitando a minha situação com a sogra, e ele criava atritos, sempre que eu brigava com o Soul, dizendo que a mulher o mandava me deixar, que eu não o amava, que era melhor ir atrás de outra. – O quê provavelmente foi dito, para ele encontrar a virgenzinha odiosa, que na visão da mãe de Soul, supostamente o salvou de cometer suicídio por minha causa. É? Mas ela fez ele arranjar emprego? Terminar os estudos? Virar um homem em vez de um cafajeste? Não fez.
    Goiânia era o lugar perfeito para recomeçar, mas a teoria de quê o problema não era o ambiente, e sim eu, se fortalecia bastante. – Queria mesmo esquecer, fazer fotos maravilhosas, e esfregar na cara da menina, o homão da porra que ela perdeu, mas bater fotos românticas, me dava calafrios, porquê tudo me lembrava, a foto dos dois que tinha estado no perfil, coisa que ele nunca fizera por mim, e que o Dr. Arthur meu psiquiatra, entendeu como uma paixão que foi muito mais forte do quê por mim, algo que me fez surtar ali mesmo, pois não queria ser mulherzinha de amorzinho, preferia ser a vadia destruidora de corações, do quê mais uma trouxa que cedeu ao amor. – Algo que me levou a procurar pela “puritana inquisidora” para lhe dizer umas verdades. Infelizmente não tinha forças para aguentar a briga, por isso ler a mensagem de que ela se dava bem com a minha sogra, e que esta “sempre seria a sua mocinha” Não foi algo fácil de tolerar.
    As crises voltaram com intensidade, e por isso comecei a usar meus poderes contra mim. – Nesta altura tinha me dado conta, de quê tudo o quê escrevia se tornava real, por isso passei a descrever a minha morte, em um dos meus projetos, e então no dia seguinte um homem armado, passou na rua de casa, e por pouco não morri. – Tudo se realiza menos a minha morte, como se jamais fosse descansar em paz. Dádiva? Ou Maldição? 
    Certa vez, após discutir com a virgiranha, fugi de casa, queria me matar, mas acabei no Capes, pedindo ajuda, porquê a vontade de me destruir, e destruir os outros não passava. – A puritana era como uma pessoa tóxica, mentirosa, e sem escrúpulos, que me fazia parecer um anjo de tão má que era.
    Lá contei as psicólogas, sobre ser filha de Lúcifer, e encarar isso como um problema, que precisava ser resolvido, pois como alguém como eu, poderia acreditar em tal coisa? Mas elas me aconselharam a não abandonar a minha crença, e que cada um seguia, a filosofia que lhe cabia melhor. – E vendo o quanto tentava ser racional , mesmo quando minha consciência estava prestes a se dissolver, disseram que deveria continuar a escrever o livro da minha história de vida, pois  quando lhes contava sobre os fatos, não sabiam se era alucinação, ou se algo sobrenatural havia mesmo acontecido, já que parecia-lhes inteligente demais, para aceitar algo, que não pudesse ser legítimo. – Impressionado? Brincadeira!
    Como se não bastassem os problemas mundanos, ainda haviam inimigos do passado, que voltavam como amigos. – Certo dia fiz uma projeção forçada, e me deparei com uma enorme cobra negra, de cabeça triangular, que se rastejava por cima do guarda-roupa, até chegar a borda do colchão, onde se ajeitava para saltar de boca aberta para cima de mim. Acordei trêmula, mesmo que a esta altura, já não conseguisse ser assustada por qualquer coisa.– Minha protetora era um polterguist lembra? – No mesmo dia, a mensageira Maria enviou mensagem, e bem devido ao fato de quê ela trabalhava com o Kimbandista, que me fez muito mal, apenas porquê fui fria com ele, havia cortado laços com a mesma. Todavia quando o comunicado de quê meu antigo mentor – O mesmo do qual a voz de trovão me afastou – andava matando todos os antigos membros da seita, e que Asmoday e Solomon haviam partido por sua intervenção, tive de ouvir, e aceitar uma trégua por sobrevivência. 
    O centro-oeste é considerado por alguns conspiradores, como o berço da sétima raça, e em Goiânia, há uma estátua representando 3 das 7. – E isto foi uma enorme surpresa para mim, pois me mudei para GO, por puro intuito, de ficar o mais longe que pudesse do Drácula. A quem jamais perdoarei. – Ao acaso acabei por ficar numa das cidades, onde há o maior número de avistamento de Óvnis.

    O relacionamento abusivo em quê minha mãe vivia, estava se tornando vergonhoso e insuportável, e a situação somente piorou, depois que invoquei demônios no seu quarto, para quê caçassem o Ren, porquê eu já tinha colocado até uma faca no pescoço do infeliz, e minha protetora, continuava a ser humilhada por ele. – O problema é que por causa dele, ela me fazia mal, dizendo que tudo o quê acontecia de ruim na sua vida, era obra do demônio, e vivia colocando hino de igreja para a minha filha. Algo que me irritava muito, pois detesto fanatismos, e sei que a música tem o poder de alterar a consciência, e literalmente lavar uma mente despreparada. – Todo dia ela esfregava Deus na minha cara, e apesar de não ter muito a reclamar dele, porquê me deu um sinal sobre o Apocalipse em 2013, estava voltando a odiá-lo.
    Meus demônios se vingaram de ambos, e por causa disso, a minha mãe surtou de vez, ao ponto de ouvir vozes, fazer papelões, alegando que tinha levado chifre, e eu não a aguentava mais, porquê era óbvio que estava alucinando, e pior ainda que o meu título de Louca da família, agora era totalmente seu. – Eu já tinha surtado, me tornado violenta, mas neste ponto em quê literalmente saia realidade, e não tinha controle jamais.

    Sempre ouvia gritos e mais gritos, e aquilo me envergonhava. Por isso quando ela quis mudar de casa, aceitei de imediato, porquê queria mesmo aqueles shows acabassem. – Era ridículo demais, vê-la chorando aos 4 ventos, por um cara que tinha dito, que preferia que a mãe tivesse lhe abortado. Ela tinha apanhado. Tinha sido humilhada, e ficava “lambendo as botas do cara” A onde estava seu amor próprio?! O quê tinha ocorrido com a mulher que me criou? A gerente, a promotora de vendas, a diretora do DAF, a que trabalhava na SEMA? Agora tinha sido reduzida a uma mulher qualquer, incapaz de se livrar de um relacionamento bosta, e por isso foi perdendo o meu respeito. – Eu a amava, mas apesar do episódio com Arakiel, jamais tinha baixado a minha cabeça, permitindo que um homem me pisasse daquela forma.

    Capitulo 6- 2018
    Em 2018 fiz 23 anos, e como presente, ganhei mais uma seita que afundou, por conta do descaso dos participantes. – Seu nome era Ludac e significava Luz do Amanhacer Cósmico. A ideia a príncipio era minha e de Maria, com quem fui desenvolvendo alguns laços, tentando me opor a minha natureza vingativa e cruel.
    O propósito era reunir todos os filhos cósmicos, que se encontravam perdidos, e precisavam encontrar a iluminação, antes que fizessem parte do exército do anticristo brasileiro. – O meu antigo mentor, que criou um enorme grupo de fanáticos e covardes, que temem os demônios, e abraçaram o satanismo, somente para fugir de suas vidas miseráveis. – Acho que exagerei.
    É claro que falhou, pois o homem tem o aporte de verdadeiros demônios, que precisam do fanatismo para sobreviver. – Por quê são ainda mais inferiores do quê a gente, e precisam da adoração cega, para sentirem-se deuses.
    O grupo era composto por mim, Maria, Lua Negra, Felipe, e a Pleiadiana. Maria usava Felipe, para me atingir, pois pouco antes do seu aparecimento, havia lhe dito que logo me encontraria, com um velho amigo dos meus pesadelos, que era um arcanjo. – Não, não era Gabriel, mas sim o outro de quem já falei.
    Ela sabia que a presença do arcanjo me afetava, por conta de um sombrio passado da outra vida, em que tinha sido torturada pelo mesmo. Por isso sugeria que era um arcanjo, só não o quê iria surgir. – Por ter ciência de quê odeio não ter razão. Mas pelo contexto das conversas, lhe entregava pistas do meu passado. Já que o sujeito supostamente escrevia poemas, sobre uma pequena Lilith, sendo esta a minha fama no inferno, e que a mensageira sabia. – Eles jogavam com a minha sanidade, e me faziam sofrer.
    Porém com a ajuda de Lua Negra – um rapaz que notei ser nobre de imediato, por ser o único com o qual podia debater, sem descer o nível a humilhações. – Acabei por conhecer uma moça, que chamarei de vampira, apenas por ser o seu nick no WhatsApp.
    De imediato reconheci a minha irmã doutro tempo, que lá se fazia de boa, mas era extremamente ruim, como sou nesta vida, só que sem escrúpulos mesmo. – No meu lugar entre matar ou não minha prima, ela teria ido adiante, mesmo que isso lhe fizesse parar no Inferno como criminosa.
    Quis manter distância dela, pois Maria dizia que a mesma me machucaria. – Não acreditei, por conta das suas armações, mas ainda sim, devo admitir que não estava errada. Ficar perto da garota, me deixava doente, ao ponto que a crueldade, que lutei para manter sempre presa, começava a sair, e eu sentia prazer nisso.
    vampira no ínicio parecia mesmo ser uma boa pessoa, e para ser sincera, seria bom se assim continuasse. Porém depois que ela se tornou namorada de Felipe, que apesar de mal falar comigo, vivia perguntando a meu respeito, ela se tornou uma outra mulher. – Todo tempo ela mencionava o quanto o namorado era “lindo”, e esta parecia ser a sua única qualidade, pois de resto nada tinha. 
    Como eu já havia namorado alguns garotos fora da esfera virtual, beleza não me parecia muita coisa. –Sou casada com um cara semelhante ao Pen Badgley, então não tenho do quê reclamar. – Só que ainda sou uma ex patinho feio, e ver tanta superficialidade, me dava nos nervos. –Posso não está com o tal “deus grego” mas o quê importa para mim, é que meu marido me ama, me aceita, e me ajuda a ser uma pessoa melhor.
    Agora jogavam com nós duas. Onde já se viu um cara ignorar uma mensagem de morreria por você, para atender o choro de outra? Foi exatamente o quê aconteceu, quando tive o presságio terrível, de quê o menino Felipe, iria se tornar a casca de Belzebu, se tatuasse o sol negro em seu corpo. – Afinal tinha umas contas para acertar com o deus, desde 2013, e não queria que fosse ali.
    Ao tocarmos no nome da criatura, comecei a receber manifestações fortes da sua presença. Em casa as brigas entre a minha mãe e o Ren só pioravam,  apesar deste está longe. Chegou num ponto que tivemos de mudar de casa, porquê a minha progenitora jurava que tinham câmeras, e caixas de som por todo canto. – Ela tinha surtado, e eu não conseguia fazê-la voltar a realidade.
    Na casa verde, as coisas deveriam melhorar, mas só pioravam. Minha mãe não conseguia nem mesmo ficar sozinha no quarto, que ficava de frente para o meu. – A presença de Belzebu tinha crescido na minha vida, e o ouvia como uma terceira voz, ou extra consciência.
    Não era como o caso da minha mãe, que ouvia vozes xingando-a através de aparelhos mecânicos. tinha a impressão de quê estivesse dentro de mim, como uma terceira personalidade se manifestando.
    Bael dizia coisas como ser a sua 4° esposa, que o mito de Samael como o próprio escuro, era uma farsa. Ele era o diabo, e as 4 esposas eram dele. – É claro que eu duvidava. Mas a filha plediana, que me odiava por ser alvo de interesse de Michael, o amava, e vampira achava que estava incluída na jogada, por conta do seu par.
    Certa vez num domingo ouvi Bael dizer “Felipe não mantém contato contigo porquê não quer ser mal interpretado.” E então mais tarde, vampira me enviou um print do seu par, no qual o mesmo dizia “Eu não posso manter contato com ela, ela é casada, e isso não é certo”. – Meus olhos se engrandeceram com isso, pois eu não tinha acesso a tal informação, e ainda sim, havia acertado em cheio.
    Bael era real? Ou somente uma forte alucinação, de uma bruxa que era filha de Lúcifer? Isto era o quê me preocupava dia após dia, mas quando ele disse que em breve apareceria, e nunca chegou, tive certeza que estava enlouquecendo. – Se fosse verdade teríamos nos visto não é? Porém nunca aconteceu.
    Já teve a impressão de quê o Inferno, está dentro da sua própria cabeça? Era assim que me sentia ao embarcar na fé da vampira, de quê os nossos piores medos iriam se manifestar. – Os medos dela eu não sei, mas os meus se concretizaram.
    Naquele ano foi lançado o filme Luciferina. Que me parecia bastante familiar. O filme contava sobre a história de uma freira, que após perder a mãe, embarcava numa aventura, para saber porquê a mesma havia se matado. Spoiler: Natalia (a freira) tinha um poder sobrenatural, que a deixava cega por segundos, e assim a mesma enxergava a luz ou escuridão nas pessoas. – Após as inúmeras tentativas de suicídio, as consequências vieram. Comecei a perder a visão, e por isso em 2016 resolvi me consultar. Só que no dia em questão, logo após sair do consultório ás 7 da manhã, a rua estava deserta, e um homem meio bêbado me abordou. Eu estava com muito medo, por conta das notícias que havia lido sobre estupros. – Como pareço uma garotinha adolescente, sempre sou um alvo perfeito para eles. – Ele estava começando a se aproximar, quando olhou através de mim, e ficou frustrado. Olhei para a mesma direção, e tinha um homem parado ao lado do lixo. Ele era musculoso, com dreads amarrados num rabo de cavalo, vestido de camisa verde e calça preta, como se fosse um guerreiro africano. O moreno ficou parado ali, como se esperasse o bêbado se retirar, e como resultado o mesmo seguiu o seu rumo. Quando me virei outra vez, o sujeito havia sumido, como se tivesse aparecido somente para me ajudar. Por isso decidi caminhar para onde houvesse movimento, e quando encontrei uma mulher da vida, me agarrei a ela, pois apesar de sua profissão sentia nela tanta segurança, quanto quando o moço de verde apareceu. – Essa capacidade de ver quem é bom ou ruim, condiz muito comigo. 
    A freira supostamente era virgem, mas tinham cenas quentes, em quê ela se masturbava, exatamente como eu fazia, antes de me entregar a um homem. Além do mais, apesar de não ser intocada, nunca ultrapassei o limite de 4 homens, e até hoje não sou casada por cerimônia. ‐Sempre algo dá errado, quando estou prestes a virar a mulher do Soul, então não sou pertecente a um homem.
    O namorado da sua irmã, é um idiota, e isto fica claro depois que eles fazem o ritual na ilha de Índios, onde a mesma tem diversas visões infernais. – Macapá- Ap é uma ilha de índios também, embora possua uma civilização, e você sabe das visões que tive lá.
    O par dela é o Abel, um rapaz magro de cabelos enrolados, que é conhecido entre os amigos por ser o esquisito como ela, já que tem apagões. Ambos são virgens, e é o destino deles se unir. – Soul em muitos aspectos se compara ao mesmo, principalmente pela falta de memória, já que tem inclusive tendência a Alzheimer. Os virgens na magia, são aqueles que não são casados, e que nunca praticaram a magia sexual. – Ele foi o único com quem pratiquei este ato em específico.
    Abel tinha problemas para lembrar, porquê era a verdadeira casca do diabo, que queria gerar uma criança mágicka com a freira, usando a sua alma gêmea para seduzi-la. – Medo. É só o quê tenho a dizer.
    É descoberto que a mãe de Natalia, foi escolhida por uma seita satânica, para dar a luz a filha de Lúcifer, mas a mulher mesmo sabendo do destino sombrio, pede ajuda as freiras para proteger a criança. – Alegoria ao aborto que minha mãe se recusou a fazer, e o pedido que fez a santa?
    No fim a única forma de exorcizar o demônio, era literalmente copulando com o mesmo, e o quê deveria ser um abuso, acaba por se tornar erótico, e desta forma Natália salva alma de Abel, mas ele morre, e o filme termina com ela grávida de outra criança mágicka, indo a igreja para protegê-la. – Nem preciso dizer nada.
    A príncipio quis passar a bola para vampira, afinal ela é a virgem de hímen, mas o próprio contexto do filme retrata, que é a virgem sob a ótica do ocultismo, e não a cristã. Sendo assim embora decretem a virgindade santificada, é santificada de acordo com o olhar de Crowley, não de Constantino. – Luciferina é o nome satânico da freira, e ela diz que o significado é “A portadora da luz”.  Sendo o meu Luciféria, “A luz que parte”. – Fim dos Spoilers.
    vampira se identificou de imediato, porém ela olhou apenas para o meio das suas pernas, e só isto não era o suficiente para preencher os requisitos. – Um filme assim, tão estranhamente ligado as minhas particularidades, me deixou preocupada, principalmente porquê foi lançado no dia 15 de março. – Seria um sinal de quê a extra consciência falava sério? Nem eu sabia.
    O ano seguiu-se de maneira comum, mas o entusiasmo de vmpira pela suposta aparição do seu grande amor, me fazia ficar em alerta para o Senhor das Moscas. – Houve uma vez que me senti vigiada, pois enquanto fazia amor com o meu marido, ouvi o barulho de um carro, que só saiu da porta, depois que paramos.
    Se tinha segurado as pontas até ali, certamente agora perderia o fio da meada. – Lembranças de sonhos com o anticristo se tornavam frequentes, sempre que tentava ver alguma fraqueza do demônio. – Aos 14 anos tive o sonho com o menino da profecia. Aos 21 havia sonhado que nos encontraríamos diante de um anjo, ele agora estava mais velho, mas mesmo assim se tornava o meu par. – E é lógico que tinha ignorado tais coisas, pois onde já se viu? Eu sou a mulher do Soul, mesmo sem cerimônia. É a ele que meu coração pertence.
    Tentei seguir ignorando sequer a possibilidade, mas a situação somente se tornou mais evidente. – Não importava o quê fizesse, a sua chegada era cada vez mais fácil de provar.
    Num dia qualquer uma barata avançou na minha direção, mas quando ergui a palma em defesa, ela abaixou as asas. – Isso seria totalmente natural, se não fosse pela presença das moscas, que seguiam a minha mãe, não importava o quanto mantivesse a sua assepsia intacta.
    Fingi que não era nada, usei veneno para afastar os insetos, nada melhor do quê boa e velha ciência não é? – Não quando se trata do paranormal. – Certa vez o ralo entupiu, e a água começou a transbordar acima do piso alto. Para resolver o problema, Soul abriu o buraco, com a ajuda de um ferro, e várias baratas ficaram a flutuar entre as ondas.
    Ignorei mais uma vez, embora estivesse em alerta agora, e algo ainda maior aconteceu. A mente da minha mãe se degradou de vez. A sua insanidade era tanta, que todos os dias alegava ver Óvnis, mas depois de ler um estudo, que relacionava a aparição dos mesmos, como resultado de um intenso abuso emocional, eu acabei deixando de acreditar nela. – Todavia houve um fato que mudou a minha perspectiva. 
    Eram 7 horas da manhã, minha mãe estava se entretendo com a Rá, quando de repente me chamou. Sai do quarto com preguiça para as suas teorias malucas, e achei que ela tinha gritado, apenas porquê estava passando uma matéria sobre aliens na TV. Mas quando cheguei a tela estava congelada, e era como se alguma vida inteligente, interagisse através dos sons do aparelho. – Eu gravei a última parte, só que não foi o suficiente, por isso torci para que retornassem em breve.
    Levou algum tempo para o fato se repetir, mas quando ocorreu gravei. – Eram 3 horas da manhã, quando Rá se encaminhou até a tela da TV, de onde saiam vozes distorcidas como a intro da Iron Man do Black Sabbath. – Depois de tudo o quê passei, não era qualquer coisa que me assustava, por isso assim que notei tal presença, fui logo filmar.
    No final daquele ano, vários pássaros pousaram na árvore ao lado da minha casa, e começaram a grasnar sem parar. – Realmente não há nada certo? É tudo normal, ou ao menos é para mim, devido a cada desafio que já enfrentei.
    As perturbações não pararam, nem mesmo quando minha mãe se mudou. A luz da cozinha onde mais conversava com a extra consciência – por quê a água funcionava como um portal entre os mundos – entrou em curto, e os demônios começaram a fazer uma rave em casa. – Sendo que me recusei a ir para uma, por causa de um mal pressentimento, que tive assim que os novos vizinhos chegaram, e não fui a única, Soul falou para evitar contar as minhas experiências em voz alta, pois também estava se convencendo, de quê eu era o alvo de Belzebu. Meus maus pressentimentos, não eram por acaso, pois alguns dias depois, acordei de madrugada, e quando foi de manhã, soube que o comércio que ficava a frente da nossa casa, foi roubado após ser arrombado. “Eu sacrifiquei uma família para salvar a sua.” A voz disse. Então fiquei sem reação, era como se tivesse sendo protegida pelo mal, e embora me garantisse a sobrevivência, não me sentia bem com isso.
    Somente eu e vampira sabíamos que Bael agora era o meu protetor, mas ainda sim Maria apareceu amedrontada, porquê do nada sofreu a paralisia do sono, e viu o próprio diante dela, totalmente dominado pelo ódio. – Seria pelo quanto ela me artomentou antes?
    Tinha a impressão de quê não era qualquer uma para Bael. Portanto não iria me deixar em paz tão facilmente, e tive de me precaver. – Se o garoto Felipe, iria ser a sua nova casca, não podia falar com o mesmo, por isso o bloquiei, e pensei que seria o suficiente. Mas um vigarista que queria saber sobre o quê eu escrevia apareceu. – Ele era estranho, dizia ter sido amigo de um maçom, e quê conhecia sobre Goétia e os Druídas, em seguida me enviou um pdf de Cipriano, mesmo que eu tenha deixado claro, que Cipriano para mim é um covarde, fanático, e farsante. O homem se aproximou de minha mãe, e no fim depois levar o seu dinheiro, soubemos que o mesmo estava sob ameaça de morte, e era totalmente insano, ao ponto de repetir as palavras do meu avô “Eu vou para o Inferno para comandar.” Algo que me fiz rir, pois Lúcifer é o meu pai, e nunca deixou uma pessoa que tenha me feito mal, passar impune. – E quando não é ele, é o Belzebu, então me pareceu cômico.
    A entrada do ano de 2019 foi diferente, em 21 de janeiro houve uma lua de sangue, que caiu no eixo Aquário (sol) e Leão (lua) como no meu mapa, e perto do meu aniversário de 24 anos. – Sendo que vez ou outra algo grandioso (e catastrófico) ocorre neste dia. – Minha filha teve de ser levada ao hospital, porquê a dias não evacuava, mesmo com as frutas que lhe dávamos para facilitar.
    Sai as pressas, e deixei uma mensagem para a vampira, não me lembro qual, mas me recordo da resposta que tive. – A menina estava convencida, de que era a escolhida do Anticristo, que teriam um filho, e entraria para a história. – Não preciso falar da minha reação não é? Alegria por ela ser alvo dele, mas raiva por quê quem sempre quis entrar para a história era eu, e pelo amor dos deuses do abismo, se chegou até aqui, é porquê acredita no meu destino também. É inegável que tenho um significado único dentro desta sociedade.
    15 de fevereiro estava se aproximando outra vez, e como vampira parecia disposta a roubar o meu lugar, tive o prazer de reunir 10 fatos associados a data, e por quê isto me tornava a perfeita filha de Babalom.
    Em 10° lugar – A atriz que fazia a Huntress, a minha primeira personagem favorita da série Arrow, dividia o aniversário comigo.
    Em 9° lugar – O Eniac o pai dos computadores modernos, foi revelado neste dia, e trouxe uma Nova era computacional.
    Em 8° lugar – A intérprete de Gabrielle em Xena, que deu a luz a Hope, com um ser das trevas, também era minha xará de data de nascimento.
    Em 7° lugar – Outra referência a DC comics, O César Romero, o primeiro Coringa da TV fazia aniversário neste dia.
    Em 6° lugar – O primeiro esboço do genoma humano, foi publicado pela revista Nature.
    Em 5° lugar – A primeira nebulosa a ser vista, e batizada de “olho de gato” foi descoberta neste dia em 1786, e ficava localizada na Constelação de Draco. – Fato interessante em 2013, encontrei uma das minhas irmãs, e como os demônios a amavam ao ponto de me ignorar,  larguei o satanismo, para me dedicar a magia draconiana, por ter uma enorme afinidade com dragões, desde os 9 anos. – Quando sonhava que sobrevoava uma cidade em ruínas, montada num dragão ocidental, branco azulado, que se chamava Graham. – Por quê acreditava que somente eles me aceitariam.
    Em 4° lugar – Galileu Galilei nasceu neste dia, e ele foi responsável por inúmeras descobertas, além de ter sido tratado como herege, por defender a teoria heliocêntrica.
    Em 3° lugar – Matt Groening o criador dos Simpsons e Futurama, é do dia 15. – O gênio incompreendido, hoje é visto como um dos grandes profetas da atualidade, pois a sua série mais conhecida, previu diversos acontecimentos.
    Em 2° lugar – O meteorito que caiu na Rússia, logo após a renúncia do papa. – Aos meus 18 anos.
    Em 1° lugar– A Lupercália, evento dedicado ao deus Lupercus, que é tido como uma faces do Deus Lúcifer na Itália, e a fundação de Roma por Rômulo e Remo. O evento funciona como o Dia dos Namorados pagão, mas deixou de ser divulgado há muito tempo, por quê a igreja tentando sufocar a tradição, criou o dia de São Valetim, que é comemorado no dia 14, para quê o 15 passe em branco. – É nestas horas que o desprezo pela igreja cresce.
    Algumas coisas são bobas, outras tem enorme significado para mim, e ao analisar tais fatos, tenho a forte impressão de quê a data foi propositalmente escolhida. – Afinal de contas 15 é o arcano do Diabo original.
    Tudo isso deveria me animar, mas quanto mais o dia se aproximava, menos feliz eu ficava. Mais um ano estava ficando mais velha, e Lúcifer não tinha aparecido, quase ninguém sabia quem era, então como este tão falado destino poderia me pertencer? A tristeza invadia o peito, talvez a resposta fosse esta, todo o meu sofrimento, e vida paranormal por nada mais, que ter entrado no caminho mais denso, ou ainda não estava pronta, para ser reconhecida. Será que agora é a hora? Em breve saberemos.
    Duas séries seriam lançadas em 15/02, e elas eram do meu gênero favorito super heróis, e apesar de parecer um presente, não sentia ânimo para assistir. Só que um comunicado, mudou a minha perspectiva, Lua Negra disse “Assista-as. Se é exatamente do jeito que gosta, pode ser que tenha uma mensagem para ti lá.” Então me preparei para fazê-lo, mas no dia mesmo, fui tirada de casa, para ir no Escape Room, onde tive de resolver um crime satânico junto de Soul, mas nós falhamos e rimos sem parar na hora de “morrer”. – Foi um dos melhores dias da minha vida. Eu sei sou estranha, mas você já deveria saber.
    A série lançada pela Netflix se chamava The Umbrella Academy, e pertencia a editora Dark Horse, a premissa era simples: Mulheres deram a luz a 7 bebês, mas antes do dia começar elas não estavam grávidas. As crianças cresceram, mas apenas 6 delas desenvolveram dons, e se tornaram super-heróis. O foco da trama? Era o Apocalipse, e eles precisavam impedir.
    Spoiler: A série tratava a número 7, como uma inútil violinista, que tinha de viver tomando remédios, para não comprometer a sua saúde mental. Seus 6 irmãos eram deuses, por onde iam tinham reconhecimento, e ela sempre era jogada no canto, sendo lembrada apenas por escrever um livro, sobre como era a vida deles, por trás das câmeras. – 7 é o número que estava na minha testa, no meu joelho, eu era a 7, a mensagem era esta, eu era a única criança, que jamais atingiria aos palcos, como Asmodeus, Mammon, Belzebu, Caim, Azazel, e alguma irmã qualquer. Pois todas nascem com um forte apelo sexual, e poucas herdam o cérebro como eu – Continuo sendo ácida.
    Assisti até o fim somente por causa do número 5, o homem preso no corpo de um menino, e Klaus o rapaz que tinha poder de falar com os mortos, mas temia as suas habilidades de tal forma, que preferia se drogar para não ver os fantasmas. – A destruição mundial era obra de um grupo seleto, que queria proteger um rapaz, que apesar de nascer no dia dos heróis, não tinha poder algum, mas era um sociopata de mão cheia, bastante interessado na número 7. – Claro para ser a vítima dele pensei.
    Mas no fim, foi mostrado que 7 era a mais poderosa dos irmãos, e o pai não a deixou desenvolver seus dons, porquê temia que a mesma matasse os outros. O tratamento desumano que ela recebeu do homem, a deixou transtornada, ao ponto de desenvolver uma extra consciência maléfica, dominada pelo ódio, que lhe disse as mesmas coisas, que costumava dizer em momentos de raiva, sobre jamais ir para o palco. – É isso. Nesta peça de teatro, eu sou aquela que nunca sai de trás das cortinas. – Coincidência? Quem sabe.
    Fim dos spoilers. 
    A outra série se chama Doom Patrol, e é da DC comics. A premissa é bem diferente, não se trata de heróis, mas fracassados, que foram escondidos do mundo, porquê o Cliff não achava que os aceitariam. Sua estética é abstrata e dadaísta, o quê a torna revolucionária em relação as outras obras da DC. 
    Mas não assisti de imediato, apenas esses dias, depois de fatos estranhos que aconteceram comigo. – Novidade não é? – Sei que ao ler a minha história, irá comparar com uma série conhecida, por isso embora o livro “Sobre mim” seja uma vergonha nacional, deixarei disponível, apenas para quê tenha certeza de quê é um relato legítimo. – Aquele final me deixou assustada, pois parecia condizer com o meu destino, porém não com o Senhor das trevas, e sim Das Moscas. Por isso num sábado tive de fazer um ritual para Tiamat, para saber o significado disto. – Me senti nua diante do mundo, como se algo estivesse contando 70% da minha história, através da famosa personagem. Não foi uma sensação agradável, só me vi assim quando fizeram Luciferina.  – Tiamat me enviou um presságio onírico, no qual eu tinha um marido monstruoso, que tentava me afastar do Soul. – Pelos deuses! De novo essa história? – Mais tarde ainda no mesmo sonho, aparecia um crítico de arte, vestido de terno, para o qual queria vender um cd chamado 1574, que havia sido feito em 1574. Eu tinha vários cds originais em mãos, e somente um falso. Mas o quê me chamava a atenção era o 1574, ao qual o crítico não me permitia vender, pois na visão deste era algo valioso, que me faria falta no futuro. Acordei e enviei o sonho para uma amiga bruxa, e quando foi de tarde Notredame apareceu queimada nas notícias, era o dia 15, do mês 4, e talvez o 7 no sonho, tivesse alguma ligação comigo. (Afinal o 7 estava sempre presente.) No dia 17 tive um outro presságio, nele estava numa festa de luxo, onde recebia uma proposta indecente, que recusava, e uma mulher invejosa, me chamava de gorda. Até aí tudo bem, mas quando sai do local, o alarme soou alto, então avisaram que os animais tinham fugido do zoológico. As portas de aço se fecharam, senti como se estivesse na série Zoo. Eu me bati contra as mesmas, e então alguém soltou cachorros raivosos na minha direção, mas um vigilante me salvou, e acordei dentro da sua cabine, enquanto ele dizia em desespero “Escreva! Escreva! E eles vão parar!” então me deu uma caneta, e uma caixa para apoiar o papel, onde iniciei a escrita com “A”. – Conclui após muito analisar, que os animais no zoológico, eram demônios saindo do inferno, mas não sei quem era o meu salvador. Ao apresentar o sonho para um novo amigo, – Que estuda magia desde os 10 anos, e para o qual somente revelei a meu respeito, porquê as cartas disseram “Comunica-te com aquele que fala com a divindade.” – Ele chegou ao mesmo resultado, muito antes de lhe mostrar a minha conclusão.
    Certo dia estava online, comentando que não tenho medo dos demônios, afinal já tive o desprazer de conhecer os piores, e estou claramente sendo cogitada para algo. Foi então que uma mulher veio e disse: “Você é como eu, é uma escolhida.” Achei aquilo incomum, por isso resolvi conversar com a mesma. Foi uma total perda de tempo, embora seja médium, é ainda mais louca do quê transpareci nestas páginas. Falou-me coisas como “Sou a filha de Lúcifer e Lilith, meu irmão é Mammon,  sou Asherah a deusa perdida, e Bael é o meu marido.” Tentei lhe explicar a impossibilidade de assim ser, mas ao mesmo tempo me questionei também, estaria eu inerte na loucura como ela? Preciso voltar a terapia! Ela me chamava de a irmã mais nova, filha de Maria Padilha, não um demônio como a própria. Mas esta me parecia a sua realidade, não a minha. Em algum ponto da vida, ela teria acabado por libertar muitos demônios, e os mesmos agora dominavam o seu corpo. Era como se andasse com uma legião, pois a sua fala era desconexa, fanática, e imprecisa. – Isso é um roteiro de filme de terror Nammu? É como se eu fosse o rapaz de Dagon tentando viver a vida de 0 e 1, e o deus antigo me atraísse para a sua cidade. A mulher diz que é rica, mas pelo grau da sua insanidade, fica difícil saber se é de fato ou é mais uma alucinação. 
    Como se não fosse o suficiente, uma bruxa me alertou para tomar cuidado, com qualquer feiticeira que oferecesse dinheiro em troca de dinheiro. Então quando fiz uma evocação a Marbas, o demônio leonino, que tem me dado uma força quando piso no Inferno, e é responsável pela revelação de segredos ocultos. Descobri que meu nickname “Carry” era semelhante a “Carreau”, a potestade que “endurece o coração dos homens”, e fui atrás de uma bruxa que parecia humilde. 
    Ao contrário da outra “princesa”, ou – como chamarei a partir daqui – Legião. Esta não era perturbada, e quando lhe mandei a mensagem, explicando que era filha de Lúcifer e Lilith, mas não me opunha a religiões, e sim aos líderes ambiciosos. Ela me falou logo “Você está assustada por causa de visitantes em sua casa.” e eu enviei sobre “Carreau” ela falou para chamar-lhe no Whatsapp, pois era a escolhida para isso.
    Conversamos, e ela disse que Luciféria não é real, é tudo manipulação de Carreau, que toda a minha vida foi uma mentira, mas sou uma bruxa poderosa por conseguir libertá-lo. No início propôs viajar a minha cidade, mas não tinha dinheiro para tal, por isso ofertou entregar a conta, para lhe enviar o dinheiro da passagem. Depois conversamos mais, e ela falou coisas esquisitas, como a forma de um anjo de asas rosas, é a minha verdadeira, e que para me livrar de Carreau, teria de invocar a Mikael, e agiu dizendo “é eu sei que sabe bem quem é”. Então ela abriu um portal, e supostamente tirou Carreau, mas seu celular caiu mais tarde, e ela precisava de 30 reais na conta, para fazer um banimento completo, não era grande coisa, mas eu realmente só tinha 10 reais. Ela parou de responder, ficou bem, e minha filha voltou a surtar, tinha lhe pedido para libertar o ser, pois convivi 9 anos com ele, saberia lidar. Então quando disse que ele voltou, ela me bloquiou sem mais nem menos. – O quê mais tem acontecido é fazerem isso. Falar, criar amizade, e sumirem.
    Por sorte havia seguido os meus instintos, e preparado um ritual, para me livrar de Carreau. – Eram 3 horas da manhã, não havia sinal da lua minguante no céu, e eu estava com um portal aberto, sob o uso do mesmo símbolo que o trouxe, enquanto ouvia a música Sitra Ahra da banda Therion, porquê queria mesmo me conectar com o outro lado. Comecei a meditar chamando Lilith, então quando a senti ali, chamei o demônio para fora de mim, e o peguei pelo pescoço, enquanto usava a minha linguagem Lovlicos. – Com a qual fiz um símbolo a esquerda, e no dia seguinte apareceu a direita. – Meditei para transferi-lo para o portal de Apsu, e chegou num momento, que nem sequer consegui ouvir a melodia, era somente eu e ele. Senti uma verdadeira onda de energia brigar em mim, tentava levantar a cabeça, mas ele não deixava, e quando consegui, e senti meu corpo mais leve, fechei o portal. Achei que 7 minutos tinham se passado, mas na verdade foram 47. Por 40 minutos estive do Outro lado, e não sabia se tinha o vencido, até que olhei para o céu, e a lua tinha deixado de ser encoberta pelas nuvens. – A noite voltou a brilhar – Titans Go.
    Esses tempos enfim assisti Doom Patrol. No início pensei que a mensagem para mim, se relacionava a Crazy Jane, pois a mesma tem 64 personalidades, e o meu último relatório psiquiatrico, resultou em transtorno de personalidade com instabilidade emocional, podendo ser boderline ou impulsiva. Spoiler: Jane não é a personalidade matriz, assim como a minha atual persona, mais justa e sensível, também não é a minha original.
    Mas de acordo com que a série segue, há uma mensagem sobre o Anticristo, que é um garoto depressivo, por ter que destruir o mundo, e é socorrido pela Rita Farr, uma mulher cuja a habilidade, lhe transforma num monstro, apesar de não envelhecer. – Esta mensagem não ficou clara, mas o fato do menino ser chamado de “o livro nunca lido” me deu um frio no estômago. Fim dos Spoilers.
    Recentemente tentei entrar numa audição de talentos do Projeto Passarela, e consegui passar, mesmo sem o treinamento exemplar de teatro. – O número final da minha inscrição chamou-me a atenção, pois terminava em 777, um número significafivo para Crowley.
    Lá também soube que tinha de falar inglês se quisesse o sucesso mundial, algo que me deixou intrigada, pois desde o ínicio do ano tenho estudado a lingua, porquê a extra consciência me prometeu, que o meu tão sonhado sucesso víria, após aprender exatamente essa expressão. – Eu sei que é a lingua universal, mas quando ouvi a voz, ainda nem sabia da iniciativa. Além do mais fui até lá, apenas para realizar sonhos mundanos, de enfim ter algo que será visto por todos, e entrará para a história seja como heroína ou vilã.
    Há algum tempo passei a desenvolver um livro de magia para iniciantes, e estou muito feliz com a obra. Vai servir para os filhos dos cosmos, que realmente tiveram experiências paranormais, e quê precisam de um manual, para não libertarem seres perigosos neste mundo. – Entendeu a referência?
    Lá estou me focando apenas no aprendizado dos demais, e de forma bem superficial, retratei um pouco das minhas experiências como filha de Lúcifer e Lilith.  – Apenas porquê o contexto era adequado.
    Mas estes dias vi uma sequência de números inesquecível. Fui deixar Soul no laboratório, e quando olhei para o ônibus a minha frente, tinha o número “20290”. 02 – Fevereiro 90 – Década que nasci. Tudo bem é uma linda coincidência, por isso segui meu rumo. Um ônibus passou ao meu lado, com o número “011” na placa, e devido a um rapaz que chamarei de Art, soube recentemente que 11/11, é o portal dos “Humanos angelicais”.  – Obrigado força oculta, por me lembrar das minhas asas de penas. Tudo bem, mas em seguida vi uma placa com o fim 33. – 33, o grau mais elevado da maçonaria, o numero sagrado. – Legal ué. A próxima placa era 5888, e este é um mistério, contudo no livro descrevo que é preciso haver a repetição de presságios, para se iniciar uma investigação sobre os sinais. Então próximo de casa, apareceu um carro de placa 93, próximo a um lava rápido de carros, com o número 1515 pintado na parede. – 93,93,93, 15, o meu número. – Coincidência? Espero que sim.
    Esses dias estava terminando o relato de 2017, e tentei não mencionar a ex de Soul, mas só de lembrar das coisas que ela dizia, era impossível não sentir a minha real natureza sair, por isso tentei me controlar. Mas toda a raiva que contive, foi para o ambiente. Enquanto a minha mãe cozinhava, o fogo se alastrou na boca do fogão, e por pouco não iniciou um incêndio. Então quando cheguei para almoçar, ela falou para mim, que tenho de mandar o meu Pai lá parar de perturbá-la, pois o espírito imundo que lhe castiga, é o meu protetor. – Quase deixei o prato cair de minhas mãos, e fiquei catatônica. Não é de Lúcifer que ela estava falando, mas sim de Bael.
    O quê isto significa? Nem eu sei, e para ser sincera, prefiro continuar sem entender, pois as possibilidades, são todas negativas. – Eu entrei em alguma realidade alternativa de Terror? Aqui ainda é Sete Além? Não sei. 

    Mas sei de uma coisa, se a mente humana é poderosa, imagine a mente de um anjo? Por isso vou continuar seguindo a minha vida, como se nada estivesse acontecendo. – Tudo o quê vi é real ou Eli estava certa? O quê é a realidade? Apenas o quê pode ser tocado? Ou o quê é sentido através de outras percepções? O concreto é verdadeiro? Ou é apenas um aglomerado de energia densa, que limita o olhar sobre o mundo? Você me verá nos palcos, e ficará surpreso por conta da minha história? Ou morrerei como oculta? Em breve saberemos, e teremos todas as respostas. Se a minha realidade caótica, é apenas um filme, a única coisa que posso afirmar, é que está perto do próximo ato, e nas últimas cenas, terei certeza do quê tudo isto se trata. Se viver para contar história, terei o prazer de lhes escrever um segundo livro, se não, obrigado por terem lido até aqui, e por me guardarem em seus inconscientes, mantendo a minha lembrança viva. Até a próxima, Lux Burnns.
  • Thoth capitulo 1

    Em algum lugar de Bornholm um jovem pastor de ovelhas é encontrado vadiando por um lago, impressionado com algumas servas se banhando naquele lago, o jovem pastor se perde de suas ovelhas para ''expressar sua adolescência''.
    De repente um grito vem das garotas que saem correndo do lago, o garoto se impressiona, porém apenas acha apenas que foi descoberto e percebe sua idiotice ao se perder de seu rebanho, as consequências começam a pesar pela sua cabeça.
    _. Por todos os deuses meu pai vai me matar, tenho que começar a procurar agora. - Exclama o garoto preocupado
    O garoto sagaz acostumado a andar por aquelas colinas vai achando as ovelhas, acha uma depois outra e depois outra, aos poucos vai encontrando todas as ovelhas. Conta todas as ovelhas e da falta de uma, sua preferida entra todas as do pasto Siggy a ovelhas negra.
    O garoto passa o dia a procurando e quando a noite se aproxima ele vê de relance a ovelha de pelugem negra adentrando a uma caverna, o garoto corre em direção a ela cegamente somente com seu cajado meio curto e fino, ele no meio do caminho vê um lobo indo em direção a ovelha o garoto chama a atenção do lobo em uma atitude desesperada, talvez pelo gosto que ele tinha por Siggy ou pela consequência que perder a ovelha negra rara e cara de seu pai, ele ataca o lobo com seu cajado, o lobo cai desacordado, o garoto por um momento comemora até perceber que lobo não estava sozinho.
    Três outros lobos se aproximam do garoto e ignoram a ovelha que ignora os lobos e entra na caverna.
    _Heeeeeey Siggy não entre aí. - Grita o garoto para a ovelha como se ela pudesse entende-lo perfeitamente.
    Os riscos para o garoto aumentam, não é, mas uma surra que está em jogo, o perigo para sua vida ativa a adrenalina e o garoto se dá conta que ele é um adolescente contra 3 lobos raivosos e percebe suas diminutas chances de vitória, o garoto em mais uma atitude impulsiva corre em direção a caverna, desviando de alguma forma dos lobos que correm atrás dele.
    De repente em meio ao céu limpo um relâmpago cai entra o garoto e os lobos, o jovem já na porta da caverna se assusta com a situação e cai dentro da caverna, sai rolando até encontrar um chão, tudo é escuro, apenas uma luz azul e fluorescente ilumina a caverna a frente.
    O garoto segue a luz por duas horas inteiras, sem chegar a canto algum, começa a sentir sede já que só beberia depois de trazer as ovelhas de volta e fome já que só comeria se trouxesse todas as ovelhas vivas e bem, o garoto desmaia.
    Acorda um dia depois em frente a um lago, Siggy dorme ao seu lado. Ao olhar para a frente o garoto se impressiona com o que vê, em meio ao lago uma espada negra presa a uma pedra emite uma luz azul tão brilhante que quase cega o garoto.
    O jovem pastor meio entontecido pela luz segue para a espada, como se fosse atraído para aquilo anda pelas águas sem afundar, como se uma ponte invisível estivesse entre ele e a espada.
    Em meio a rocha uma espada de lâmina negra, em meio ao seu punhal uma caveira prata com safiras em seus olhos, safiras estas que brilham a luz que ilumina toda a caverna, o garoto controlado pelo poder da espada coloca a mão em seu cabo. Uma voz grossa como um urro vem da espada, de seu punhal sai uma fumaça negra que se transforma na figura de algo parecido com uma Harpia de asas negras.
    A forma põe sua mão sobre a mão do fazendeiro e pergunta.
    _Jovem qual é seu nome?
    _Froki o pastor- Responde o garoto acuado e amedrontado.
    _O pastor é seu sobrenome? Responde de forma irônica a estranha forma
    _. Eu não tenho sobrenome, meu senhor, sou apenas um servo.
    _posso sentir sua ganância, é muito que um servo, ou pelo menos almeja ser.- Indaga o pássaro estranho
    _. Eu não posso ter ganância, meu senhor, ela não me serve de nada, se meu pai é um servo eu serei um servo meu filho será um servo, assim funcionam as coisas. Responde o garoto como se tivesse uma resposta pronta.
    _Não me trate feito estupido eu sei como a servidão funciona, nada que me digas vai acabar com o cheiro de ganância que vem de você, posso sentir a mensagem que quer passar ao mundo, e eu Thoth o deus mensageiro posso ajudar a passa-la.
    _Você não me parece Ratatosk, aquele passa as mensagens dos deuses.- Responde o garoto um pouco mais tranquilo.
    Ao ouvir isso um silêncio momentâneo se espalha pela caverna, a forma meio-ave meio homem se mostra confusa.
    _. Não tenho a mínima ideia do que está falando meu garoto, pertenço a outro lugar, permaneceria dormindo se não tivesse sentido o cheiro da sua mensagem, tão pura e simples, alguém que almeja ser mais do que pode, isso é tão antigo meu garoto, o sentimento de querer ser mais forte, mais ágil, ter mais poder do que lhe é possível, isso antecede a vida e se estica até a morte. Discursa o nobre pássaro.
    _O que quer dizer com isso, você vem de que lugar? eu não te entendo, o que quer de mim?- Froki confuso  muito com a  sua situação, e curioso como é indaga sobre a vida de Thoth e acaba por insultar o antigo deus.
    _Ora desconfias de mim, te dei motivos para tal? ; sou de um reino a sudeste daqui muito a sudeste, um reino de antes verdes colinas, agora de amarelas dunas, cheguei até aqui através de um enterro pomposo pelo mar, onde os nobres de minha corte inconsequentemente me mataram e me jogaram ao oceano, ou pelo menos minha forma humana, agora sem poder se comunicar com os deuses suas colheitas antes fartas agora se encontram mortas, consequência do ato impulsivo daqueles que queriam ser mais, por isso sua mensagem me cativou.- Tentando se mostrar poderoso Thoth se abre para o garoto, conta sua história espera mais respeito da criatura franzina em sua frente.
    _Ora Thoth, achas que sou como aqueles que te traíram? Então porque queres passar minha mensagem? isso não faz o mínimo sentido- Responde o garoto confuso, se impondo um pouco mais agora que sabe que esse deus a sua frente, já é um deus morto.
    _. Ora meu jovem, tens um pouco de personalidade em suas palavras, interessante..., não tenho raiva daqueles que me traíram o desejo deles me cativava, até por que os traidores tiveram o que mereciam.
    _. Me desculpa pela minha imprudência, mas qual é o sentido desse falatório, a situação está muito estranha, você me atraiu até aqui? E se fez isso por quê? - Curioso o garoto indaga a forma estranha na sua frente.
    _Orá você veio aqui sozinho, foi inconsequente e isso te atraiu até a mim, estou tão confuso quanto você, essa situação para mim é tão estranha quanto é para você, a última coisa que eu me lembro é de ter dormido nessa caverna depois de muito tempo no mar, agora estou aqui conversando com um franzino pastor de ovelhas de uma época distante da minha. - Mas uma vez Thoth se abre para o garoto, como se confiasse nele.
    _olha eu te garanto que não é não, mas serio você se abre assim para cada pessoa que profana seu tumulo? Você é bem estranho, não basta ser um corvo feio em uma caverna brilhante, ainda diz ser um antigo deus mensageiro de um lugar morto, a situação para mim não podia ser mais estranha.
    _Está bem esse não um concurso para saber quem está estranhando mais a situação eu só estou dizendo que estamos em pé de igualdade aqui, mesmo com a minha forma estranha sendo tão diferente da sua agora, eu já fui como você de carne e osso, agora sou apenas um espírito preso a está espada, um reflexo do que eu costumava ser antes, mesmo fraco, ainda tenho muito poder comigo e se quiseres posso te ceder esse poder para alcançar seus objetivos em vida.
    _. Está me propondo um pacto?
    _Sim eu estou, um pacto de cavalheiros que tal, a proposta é: você ora a mim todas as noites e se possível repassa minha antiga religião para aqueles mais chegados, para me dar poder, e com esse poder você chega até onde quer chegar, não precisa abrir mão de sua reza para seus deuses, eu só preciso de fiéis para me manter vivo e poderoso, um fiel só me basta porém quanto mais, mais poder eu vou ter, e vou usar esse poder para te manter no topo você e seus possíveis descendentes, você só tem a ganhar meu jovem, e então o que achas de minha proposta?
    Ao ouvir a proposta de Thoth, Froki se põe a pensar, pela primeira vez em sua vida Froki vê a chance de ser mais do que ele já é, ser mais do que um ninguém, ser mais um pastor de ovelhas qualquer. Froki tinha muitos irmãos e irmãs, dentre eles todos se destacavam em alguma coisa dando orgulho ao seu pai, alguns guerreiros fortes, outras costureiras prendadas ou cozinheiras exemplares, ele tinha até uma irmã que usava o arco e flecha como ninguém, enfim, todos menos Froki tinham um talento algo pelo que se destacavam, por isso, diferente de Froki seus irmãos não almejavam ser mais do que já eram, e talvez por isso quase todos os outros o tratassem com o desprezo de só quem não entende o que outro sente pode tratar. Thoth naquele momento dava a Froki uma chance de se destacar acima de todos seus irmãos, acima até de seu pai, acima até de quem sabe o próprio rei daquele condado, talvez por isso Froki tenha dado uma resposta tão rápida sem pensar nas consequências ou em sua religião.
    _sim, eu aceito- Responde rapidamente o garoto. _ O que eu tenho que fazer para selar esse contrato, eu faço o que quiser Thoth.
    _. Ora meu garoto apenas puxe a espada da pedra, e terá o meu poder.
    O garoto sem pensar duas vezes puxa espada da pedra e...
  • Titã: O Mundo de Hene

    Há muitos anos, Tétis, pai de Deve, derrotou o exército dos darkianos liderados por Hene, que queria apagar a luz do sol e fazer o sistema solar se tornar em pura escuridão, e poder assim reinar absoluto em todo o sistema, Após derrotar os darkianos, Tétis os prende em um local profundo de Plutão.
    Nos dias de hoje, depois de escapar de seu exílio, Hene reúne seu exército de darkianos e partem para Nosgard em busca de vingança e também de concluir seu antigo plano de espalhar as trevas em todo o sistema solar, em Nosgard, Jápeto é condenado à prisão perpétua por Deve após invadir a Terra, Titã está muito abatido por ver a situação do irmão, em Sidney, a astrofísica Dra. Natalia Greene, que não vê Titã desde 2008, faz uma pesquisa sobre alinhamento de planetas, ela está na companhia de sua assistente Anna Kyle e do Professor paleontólogo Ross Geller, que estava estudando alguns foceis na Austrália e divide o mesmo laboratório com Natalia, quando de repente Titã aparece, Titã e Natalia conversam e Titã pede desculpas por todo esse tempo sem ir vê-la, mas esses cinco anos foram difíceis para os Nosgardianos, Titã leva Natalia para conhecer Nosgard, e apresenta Natalia para seus pais que a acolhem bem, Hene envia um darkiano hiperdesenvolvido chamado Dug e entra escondido em Nosgard, derrubando suas defesas e facilitando a entrada de outros darkianos em Nosgard, Henê invade o palácio real e mata a rainha Lyly mãe de Titã e Jápeto enquanto procurava por Deve, mas quando Titã chega eles fogem, Titã quer reunir um exército e ir atrás de Henê, mas Deve ordena que seu filho permaneça em Nosgard para velar sua mãe e proteger o reino em vez de partir em busca de vingança, depois do comovente funeral de Lyly, Titã vai falar com Jápeto e oferece uma chance de vingar a morte da mãe, Jápeto aceita e os dois escapam de Nasgard junto com Natalia por uma passagem secreta para não serem visto pelos guardas real, e chegam em Plutão, na Australia, Anna Kyle e o Professor Ross Geller estão no laboratório de Natalia, ela vê uma foto da familia de Ross.
    Anna pergunta quantos filhos ele tem e Ross responde que tem dois um garoto chamado Ben e uma garota Emma e  sua esposa chamada Rachel.
    Ross diz que não vê a hora de tudo isso acabar pra ele voltar pra Nova York junto de sua família.
    Em seguida soa um sinal em um computador e os dois descobrem uma nave vindo em direção a Terra, enquanto isso, em Plutão Titã, Natalia e Jápeto confrontam Hene, Jápeto corta o pescoço de Titã e entrega seu corpo a Hene, mas era tudo um truque para surpreende-lo e tirar sua atenção, Titã apunhala Hene que cai ferido no chão, muito ferido e a beira da morte, Hene começa a rir e diz que já é tarde pois uma nave cheia de darkianos hiperdesenvolvidos liderados por Dug esta indo para a Terra e que Titã e Jápeto não chegaram a tempo, Hene pega uma arma escondida e atira em Titã, mas Jápeto pula na frente e é atingido, Jápeto usa sua magia uma última vez criando um portal para a Terra, Jápeto pede perdão a Titã e pede para ele e Natalia irem para a Terra, depois de uma emocionante despedida Titã e Natalia partem para a Terra, Jápeto detona uma bomba que estava com ele, se sacrificando e matando Hene junto, em Sidney, a nave mãe dos Darkianos pousa, os Darkianos pretendem usar o poder das trevas para apagar a luz do sol e trazer as trevas para o sistema solar, Titã e Natalia chegam em Sidney, enquanto Titã vai em direção dos Darkianos, Natalia liga para sua assistente Anna Kyle que estava com Ross próximo ao local, Titã encontra os Darkianos e começam a lutar, Natalia encontra Ana e Ross e diz que precisa entrar em contato com Nosgard e pedir ajuda para Titã, Titã luta com os Nosgardianos, mas ele está em desvantagem numérica e encontra dificuldades, é quando alguns guerreiros nosgardianos aparecem para ajuda-lo, agora com a batalha mais equilibrada, os nosgardianos vencem a batalha, Titã vence Dug que é esmagado pela própria nave, de volta a Nosgard, Titã recusa o convite de seu pai para ser rei, dizendo que prefere continuar trabalhando para o reino fora do trono, Deve aceita, mas diz que mais cedo ou mais tarde Titã terá que assumir o trono.
    Criado por Mi Rodrigues
    Titã e Natalia se reencontram na Terra, os dois se beijam e Titã diz que ficará na Terra, por um tempo para protege-los de possíveis novas ameaças.
    Titã retornará em, Salvadores da Terra: Era do Mundo Sombrio
    Personagens 
    Titã – Príncipe e guerreiro de Nosgard
    Dra. Natalia Greene – cientista astrofísica
    Jápeto – Príncipe de Nosgard irmão de Titã 
    Hene – Rei dos darkianos
    Deve – rei de Nosgard e pai do príncipe Titã e Jápeto
    Lyly – rainha de Nosgard e mãe de Titã e Jápeto
    Dug – Guerreiro darkiano
    Anna Kyle – assistente de Natalia
    Ross Geller – Professor amigo de Natalia
    Em um local desconhecido na Terra em um grande castelo um homem conversa com algumas pessoas dizendo que a partir de agora todos ali terão que se curvar em sua presença e adora-lo, todos concordam mas parece que estão vivendo em transe, o homem pede para que todos saem e o deixe só, em seguida ele senta em um trono e muda de forma revelando sua verdadeira identidade, Jápeto.
    Em breve
    Capitão Pindorama: E O Androide de Kim – outubro
    Os Defensores da Galáxia #1 – novembro
     Salvadores da Terra: Era de Sky Dark – dezembro
    Uma breve história dos heróis #1 – dezembro 

     

  • Titulo ainda não desenvolvido (Fantasia-épica-magia) -em atualização-

    Caro leitor ,antes de ler peço gentilmente que perdoe erros de diagramação ou estruturação, sou um escritor amador que começou a escrever recentemente por incentivo de parentes e amigos ,peço que façam criticas construtivas e me ajudem a entender desse fantástico mundo da literatura que me cativara muito.
    Aqui vou postar meu primeiro livro que está em desenvolvimento, ainda não fiz um titulo apropriado ,estou esperando o desenvolver da história para da-lo um que corresponda corretamente o seu conteúdo ,tentarei atualiza-lo sempre que possível, conto com vocês meus novos amigos internautas :D
    PRÓLOGO
    Há vinte anos, quando estudava em uma pequena escola de ensino fundamental , conheci um jovem muito intrigante, veja bem o garoto era excluído das outras crianças por não se dar muito bem com outras pessoas. O menino aparentava ser um pouco tímido, curioso e muito confuso, não entendia o porquê das outras crianças não brincarem com ele, de modo que ele começou a tentar se enturmar com os outros garotos e por mais que tentasse a professora sempre o colocava de lado, pois não queria que ele se misturasse com os demais. Em uma dessas tentativas de se comunicar com alguém que não fosse a mesma, ele falou comigo, tenho noção que também não sou uma das melhores pessoas do mundo , sou muito teimoso e indiferente quanto a maioria das pessoas e não desejo me envolver com muitas pessoas. Sempre mantive meu leque de relações limitado a minha família e meu irmão, que era dois anos mais velho que eu. Por fim o garoto que muito era isolado dos outros meninos, se aproximou e com um olhar de medo e ao mesmo tempo de felicidade (disse felicidade, no caso seu leve sorriso e semblante que trazia uma certa paz e tranquilidade, denotava um certo sentimento de felicidade) , -Oi... , disse ele com uma voz bem fraca mas ao mesmo tempo tranquila. Ficamos algum tempo se olhando , estava encarando-o , pensando se ele ia falar mais alguma coisa, com uma cara de incerteza e duvida, enquanto ele me encarava com uma cara de esperança, quase que abrindo um sorriso, a professora apareceu e retirou ele do ressinto, achei estranho pois estávamos no intervalo , por tanto , ela não poderia ter interrompido, mas do mesmo jeito ela o fez e o garoto ficou com uma cara de decepção porem com um ar cômico como se tivesse graça no ato da professora, e assim ele foi meio que quase rindo, por que quase conseguira conversar com alguém.
    Fui para minha casa aquele dia pensando no quão engraçado era aquela pequena figura do qual conheci na escola. Enfim quando estava voltando para meu doce lar, eis que vejo o tal menino em um carro muito elegante e grande, todo preto, como se fosse a noite, me espanto com o tamanho sentimento de solidão que aquela cor mostrava, porém continuei andando no sentido da praça que ficava ao lado da escola. Fiquei observando o carro e o garoto, até eles irem embora, achei muito estranho, pois no para-choque do veículo havia desenhado um “S” dentro de um “V” , como se fosse uma sigla de uma família , desenhei ele no meu caderno , queria saber o que ele significava por que agora , de fato, estava interessado a saber mais sobre aquele garoto. Chegando em casa, como mais um dia normal, fui ao meu quarto , subi as escadas correndo, virei a esquerda , a segunda porta , entrei e joguei-me na cama, abrindo um sorriso de satisfação e ali fiquei por um bom tempo pensando na vida, tenho muitas coisas a pensar, não por necessidade , mas sim por que gosto , tinha minhas dúvidas quanto a minha família, dito que ela sempre foi muito unida, mas desde que meu avô materno morreu, as coisas ficaram meio diferentes, digo, meus pais estavam muito apreensivos e cautelosos com as decisões que influenciariam na casa e na família , enquanto minha mãe trabalhava muito , cuidando do seu trabalho doméstico e dos filhos, meu pai estava preocupado com a segurança e deve com a casa, como pagar as contas e ao mesmo tempo dar atenção a mim e ao meu irmão, até aí era o que eu sabia, tinha muito mais , porém não me contavam, não havia necessidade de dividir problemas que eles diziam de assunto de “adulto” com uma criança de apenas 10 anos.
    Quando me preparava para levantar, meu irmão , em uma fração de segundos seguiu do chão , seguido de um pulo, se jogou em cima de mim, fazendo cócegas e gritando ,
    -te peguei!!! -disse meu irmão
    -okay , okay , você me pegou, hahaha , -disse a ele
    -vamos garoto, se troca, o jantar já está pronto
    -okay...
    Até onde pensava era só mais um dia normal, será que eu perdi algo? Ou me esqueci, já não sei mais, as memorias que tenho sobre esse dia estão confusas. Já faz algum tempo que não consigo lembrar de certas coisas da minha vida, deve-se ao fato de ter sofrido algumas alterações em meu corpo e reações a algumas substancias...bom essa parte deixarei para depois.
    Algo que tive certeza sobre esse dia, de fato, não foi um dia normal.
    Hoje tenho 30 anos, e vou me apresentar corretamente agora, já que não deixei muito claro alguns pontos, meu nome é David Alvarez, tenho uma estatura média, 1,80 metros de altura ( acho importante dizer isso) , cabelos castanhos liso, olhos verdes e cor de pele pardo. Sou um mercenário junto com meu melhor amigo Daniel Von Sigvid, vivemos de pequenos contratos de seguranças particulares e as vezes aparece um trabalho mais intenso, ao decorrer da minha vida passei por várias situações que nunca imaginei que teria passado, contarei detalhadamente a minha visão sobre esses fatos ocorridos , certo que, estou no momento a beira da morte, uma ponte, dois lados, prontos para se atacar, a ponte de cimento maciço apresentava múltiplas rachaduras, além de grandes nevoeiros , não muito densos, de pólvora , o ar estava pesado, dois grandes rastros de nevoa luminosos estavam apontando em direções contrarias, o que representava a cor azul apontava para o sul, iluminando um grupo de cinco jovens guerreiros que diziam estar lutando por algo que acreditam , seus ideais eram muito fortes e pareciam não se abalar com o adversário, o que representava a cor vermelha apontava ao norte , iluminando os combatentes e soldados da divisão Leste-Patria , montados em seus cavalos ornamentados com grandes e maciços equipamentos dignos de uma cavalaria profissional, soldados com suas lanças e espadas tão afiadas e leves que só se ouvia o balançar quando se chocava com algum objeto, todos os guerreiros portavam em suas armaduras o símbolo da justiça e ordem , da divisão, equipamentos adequados ao seu estilo de combate, cada um com feito sob medida para cada integrante daquela equipe de soldados.
    Lá estava eu , desprovido de qualquer meio de defesa, abraçado a um medalhão que ganhará de uma pessoa muito especial, tudo que tinha passado e como tinha chegado ali era unicamente culpa desse único individuo , o motivo de toda essa batalha, seu nome era Ward.
    “A verdade sobre a ignorância que escolhemos não saber, se faz real novamente. ”
    MEMÓRIAS
    1
    Certo de que não tenho muitas lembranças do meu passado, até confundo várias delas , por causa do fato de eu ter passado uma experiência , um tanto que desagradável , portei por cerca de dois meses um amuleto que emitia um poder estranho e ele causou sérios problemas e me concedeu alguns atributos. Algumas memórias que tenho sobre meu passado estão constantemente em mudança, mudando coisas básicas , distorcendo o que realmente era, por exemplo, uma vez, minha casa, eu lembrava dela como uma casa de tijolos, com alguns vitrais e um grande jardim , porém, ela estava debaixo d’agua, e quando me esforçava para tentar lembrar de mais algo, ela mudava, para uma casa na arvore ou nas montanhas , sempre tinha alterações, nunca repetia o mesmo tipo de estrutura, desde o mais rustico até o mais singelo e simples, nunca consegui entender esses fatos. Estranhamente o amuleto também me deu algumas habilidades que há certo tempo faziam o ser humano questionar seu lugar e sua função, por que com o poder vem a “justiça” daqueles que se intitulam os patronos e únicos soberanos sobre tudo que existia. Eu possuo o poder de conjurar e invocar certo tipos de magias, invocar alguns guerreiros ou até mesmo conjurar feitiços de criação de itens, como equipamentos, armamentos ou até mesmo veículos , mas isso já exige muito de mim, já que não nasci com esse dom, ele me foi transmitido, não que desejava esse poder, mas ajuda bastante com meus afazeres. Entretanto, receio que minhas lembranças continuem sendo distorcidas, cada vez que uso alguma habilidade, sinto que cada vez mais vou transformando meu passado em algo que não aconteceu causando um caos em minha cabeça.
    O fato de não poder me lembrar corretamente o que aconteceu comigo no passado me assusta e me assombra, a única pessoa que sabe o que aconteceu corretamente foi meu caro amigo Daniel. Ele me contou o que sabia, certa vez, há 10 anos, ele me encontrou em escombros de uma estação de treinamento de cadetes da Facção Vexer , uma das melhores três melhores organizações contra o governo da Leste-Patria. No momento que ele me encontrou eu estava inconsciente em estado de coma sob alguns escombros no que parecia ser a ala de testes de equipamentos, só sobrevivera pois estava dentro de uma das armaduras da classe “Wallholder” são armaduras extremamente reforçadas que chegam a limitar o movimento do usuário, o equipamento se destaca por aparentar como um rinoceronte por ser bem robusto e denso além de ser possuir um único chifre de fibra de Litian , que é um material capaz de resistir a grandes impactos , em seu máximo, uma bala de 170 milímetros de espessura. Por esse motivo não sofri nenhum dano critico, apresentava apenas alguns hematomas e contusões ao longo do tórax e na região da cabeça, nada muito grave, porém o suficiente para induzir a um coma. Não conseguira entender o que aconteceu com a estação, o local estava totalmente destruído e era de se impressionar, já que a instalação era do tamanho de um campo de futebol, o que nos atingiu tinha que ser poderoso, fui o único sobrevivente, só restara cadáveres dos soldados, todos com grandes buracos no meio peito, em volta do buraco, ainda era possível se enxergar as brasas como se algo muito quente e rápido tivesse o acertado. O grande campo de treinamento estava todo coberto por uma fuligem preta com várias crateras do tamanho de carros no chão e nas construções, todos os outros edifícios como os dormitórios, praças de alimentação e garagem estavam completamente em ruínas , com destroços queimados e esburacados, todo o assentamento se encontrava em plena destruição, deixando com uma sensação de dor e desespero, o céu estava preto deixando o rastro de destruição mais visível aos demais, o ar que circulava o ambiente era pesado e difícil de respirar, um grande símbolo de esperança para aqueles que lutam pelo que acreditam e contra aqueles que controlam os ideais e ícones dos padrões atuais, mantendo todos sobre uma única ordem , uma única força e uma única pátria opressora, P.A.T.R.I.A. (Peaceful Accord Tenas Ran Inther Aegis) essas são as divisões do país.
    Quando Daniel me tirou da armadura e me levou para a aeronave (bem estilizada, com formato de um drone de quatro hélices e dois propulsores na parte traseira, com detalhes dourados nas arestas e traçados do veículo que era composto pela cor cinza, aparentava ser de uso das forças de elite da Leste-Patria, tirando o nome “ALL IN , FOR THE HOUSE” ,esteticamente era bem chamativo, pois contava com uma tinta especial que absorvia a luz e gerava eletricidade , com detalhes em dourado nas extremidades de cada letra com um plano de fundo azul). Me colocara na enfermaria, deitado na maca, inserindo soro enriquecido com vitaminas especiais que aceleravam a regeneração celular, assim que decolara, se deparou com uma cena que tirou seu sono por muitas noites, uma pintura feita com sangue que envolvia todo o complexo, como se fosse um tipo de ritual com a cabeça de um Kraken onde seus tentáculos formavam uma espiral que envolvia as principais torres da estação em suas pontas. Se assustara porque nunca tinha visto algo parecido ou de ter lido em algum livro sobre tal ato, assim se distanciou com a aeronave e voltou para sua base.
    A base ficava perto da antiga cidade de Domes, que se tornou um vilarejo, cerca de uns 30 quilômetros de distância do centro, em uma zona ampla e repleta de arvores com uma cachoeira que desaguava na represa San Dearly , era bem escondida e quase impossível de se detectar, já que os radares e sensores não captavam a atividade térmica ou ondas de rádio de lá, tudo graças a mãe natureza. Chegando na base, ajeitou a enfermaria para que eu pudesse me recuperar e em três semanas eu tinha acordado, muito cansado e abalado psicologicamente, sem muita noção do tempo e bem confuso com tudo aquilo, quando ele chegara do vilarejo onde foi para comprar suprimentos , ele me encontrou e me contou onde tinha me encontrado, e que infelizmente fui o único sobrevivente , já que a armadura me salvara. Tentei me acostumar com a ideia de que tudo tinha acabado, e fui aos poucos recuperando os sentidos, e questionei muito o que havia acontecido, pois n lembrara de nada, normal devido ao fato de ter sofrido muitas contusões na cabeça, ao caso tenho serio problemas com isso, acho que deveria usar um capacete, algo do tipo, talvez.
    Demorei para aceitar minha situação porém não tinha mais nada que pudesse fazer, estava em um lugar desconhecido até aquele momento , não tinha como contatar meus amigos, pois estavam todos mortos. Só lembrava que fui parar naquele campo de treinamento por que ofereceram um emprego , um salario e um motivo nobre para se orgulhar de fazer parte. Não me levem a mal , eu era um zé ninguém, um fudido, estava perdido, de novo que novidade...Acabei me alistando por que não tinha outra opção de redenção, seja lá o que tivesse acontecido comigo ou que tenha feito, já que não consigo lembrar com clareza e sanidade sobre os primórdios de minha vida , apenas sabia que tinha que fazer algo para me redimir.
    Daniel me propôs uma oportunidade de sobreviver neste país com o ideal de justiça e ordem equivocados, eu poderia sair pela porta e viver minha vida como quisesse ou me juntar a ele e virar um mercenário realizando pequenos contratos e vivendo como um “aventureiro”. Optei por seguir com ele o caminho, já que não tinha a menor condição de viver sozinho, sou um medroso quando estou sozinho, não tenho forças ou muito menos vontade de realizar algo, além do mais, tinha que retribuir o favor de ter sido salvo por ele, ao menos sempre gostei de uma boa aventura, como meu amigo diz até hoje.
    “O que você busca parado em frente a essa caixa? Conquiste o mundo que você apenas imaginou”
    INTHER, A PENUMBRA DO VALE DA TEMPESTADE
    2
    Após a minha reabilitação, graças algumas sessões de fisioterapia e junto com uma dieta de nutrientes dos quais estavam escassos no meu corpo. Agora tenho um quarto que fica perto da sala de comando, nosso quartel general era dentro de uma caverna abaixo da floresta, era um tanto que úmida, mas tinha um clima bem agradável, não muito quente e nem muito frio, era totalmente aberta por dentro, sem muitas portas ou trancas, de qualquer lugar conseguia-se acessar o hangar com facilidade, já que ficava embaixo de toda a estrutura.
    Naquele dia fui recolher alguns suprimentos essenciais pois teríamos nossa primeira missão juntos, fui até o vilarejo da antiga cidade de Domes, fui com a Zt-720 , que é uma moto de uso militar, porém estava bem diferente de sua forma original, já que Daniel modificara ela, possuía dois faróis afrente do guidão, totalmente cinza com detalhes em dourado, com um porta armas muito eficaz, onde escondia duas pistolas calibre 12 na sua proteções do tanque de gasolina, blindada e não muito veloz por causa do seu peso.
    Durante o caminho encontrei um dispositivo de armazenamento de dados, ou como vocês chamam, pen-drive, preso a chave do veículo, coloquei ele no capacete para ver o que tinha dele, um único arquivo “Registro: Domes”, era um arquivo de áudio, quando reproduzi o áudio, era Daniel falando sobre a cidade, de acordo com o registro, Domes foi construída para ser um polo comercial, com várias empresas de todos os ramos do comercio, desde armas, munições, equipamentos até roupas e alimentos. Vários anos se passaram e a cidade começou a ser atacada por diversos grupos de bandidos nômades por ter sido construída ao pé de uma montanha , não se tinha muito por onde fugir, foi saqueada e destruída enumeras vezes ao decorrer de 50 anos, até não aguentar e sucumbir, sendo abandonada pelo governo e esquecida pelas pessoas, nos últimos 10 anos, um grupo de comerciantes encontrou o lugar abandona e construiu um pequeno vilarejo comercial ocupando um terço da área da cidade, porém agora possui paz e tranquilidade para quem deseja reabastecer seus suprimentos para seguir viajem para outros lugares do país, voltou a ser um polo comercial , porém de viajantes.
    Segui meu caminho direto pela estrada de terra, uma trajetória longa e retilínea que me ajudou a esquecer um pouco dos meus problemas, já que agora tenho companhia novamente, tenho alguém para me ajudar, fica bem mais fácil, aceitar e fazer da minha vida proveitosa, ainda não tinha certeza das intenções quanto a Daniel, mas ele se mostrou ao decorrer desse tempo uma pessoa confiável com boas intenções.
    Ao chegar no vilarejo, olho em minha lista e vejo o que preciso comprar
    -30 Pentes de pistolas 10 milímetros
    -300 Gramas de amônia
    - 2 Litros de cloreto de sódio
    -4 Latas de sevens (bebida favorita de Daniel)
    -10 Metros de corda feitas com fios de fibra de Litian
    -dois Escudos de campo magnético (para repelir balas)
    -8 Quilos de sabão em pó (por que as roupas não se lavam só com água)
    Assim que entrei no vilarejo procurando pelos itens da lista me deparei com uma grande via de lojas, como camelos e algumas tão grandes que possuíam sacadas, era um ambiente bem árido, para uma região que a 10 quilômetros a norte se encontrava grandes florestas. O ar seco entrava no corpo e causava uma sensação de fome e cansaço, as colunas que cercavam a praça principal estava destruídas, algumas sobreviveram e estava parcialmente ereta, um estilo muito simples e humilde do ambiente mostrando todo o lado rústico e real do comércio bem movimentado do local, grandes edifícios empresariais corroídos pelo tempo e destruído pelos saqueadores, eram iluminados com algumas lâmpadas em torno de sua estrutura afim de caracterizar antiga cidade como um vilarejo. Possuía grandes corredores longos e largos com diversas lojas distintas, todas sobre aquele ambiente empoeirado e árido. Quando terminei de comprar os itens da minha lista, fui em direção da saída, que era a mesma da entrada, porém fui por um caminho diferente. Nesse caminho encontrei um quadro de notícias de uma banca e nele estava alguns avisos de variação climática das regiões sul e oeste, e uma destacada das demais, que me chamou muito a atenção, que era tinha haver com a minha primeira missão “Amélia, a filha do Lord Inther é encontrada morta as vésperas de seu casamento”. Fiquei surpreso em ler a notícia por que nossa próxima missão era fazer parte do grupo de seguranças do casamento da filha do Lorde Inther, e acho que agora não teremos mais o contrato. Enquanto voltava para a base, fiquei me indagando sobre o que faria agora, já que falhamos na nossa primeira missão que nem tinha começado, sei que aquela era uma boa chance de fazer mais trabalhos, o contratante disse que haveria mais serviços, caso tivéssemos sucesso em nossa função.
    Chegando na base, coloquei sobre a mesa três sacolas com os itens que Daniel me pedira para comprar e o questionei sobre a missão
    -Ei, Daniel, eu li que a filha do Lorde está morta...e ago..., falei bem preocupado com o contrato e com uma certa tristeza pela perda do Lorde, mas antes mesmo de eu ter terminado de falar ele corta com uma notícia.
    -Não, não, fique tranquilo, não perderemos nosso contrato, acabei de falar com o Senhor Schultz e ele me confirmou que vamos receber adiantado e que temos um novo trabalho. Vamos proteger uma pousada, cujo o dono é próprio Sr.Schultz, já que os outros foram descartados por terem falhado no teste de confiança. Então arrume suas malas e seus equipamentos, pois vamos para Inther , o vale da tempestade, partiremos amanhã de manhã, o caminho é longo e cansativo, iremos com a Big-H0US3. Já que explodi o sistema de propulsão da ALL IN.
    -Okay , aceitei de forma que fiquei bem confortável. Afinal proteger uma pousada não é muito difícil.
    Nas próximas horas organizei minhas malas e equipamentos e os coloquei sobre a mesa da sala principal, após isso fui para meu quarto e me deitei , para descansar, já que o dia seguinte ia ser bem longo. E como foi longo...
    No dia seguinte, levantei bem cedo e fui para sala e acabei encontrando Daniel ,muito ocioso por causa da viajem.
    -Vamos David, temos um longo caminho adiante, disse ele com um tom de ansiedade e empolgação.
    -Estou pronto, podemos ir!!!, fiz um gesto de positivo com a mão direita.
    -Beleza, me ajude a colocar os tanques de gasolina no carro e poderemos ir, disse Daniel.
    Assim que terminamos de guardar toda a bagagem que levaríamos para a missão, saímos da base em direção leste por uma estrada de terra, durante alguns quilômetros até chegarmos estrada LT-120 e seguimos ela por boa parte do caminho. Ao decorrer da viagem, comecei a reparar por cada lugar que passamos, afinal a LT-120 era uma estrada de umas duas vias bem largas e asfaltadas que cruzava a divisão leste com o ponto final no vale de Inther, enquanto admirava a paisagem das tundras e grandes cordilheiras das quais adentrávamos por tuneis, Daniel e eu conversamos sobre a missão e sobre outros assuntos.
    -Já que é nossa primeira missão juntos, tenho que te contar algumas coisas importantes antes de chegarmos na pousada. No incio quando te encontrei eu pensei que você era um soldado vagabundo qualquer e iria te deixar para morrer lá, não sou um cara altruísta e definitivamente não gosto de dividir alguma missão com alguém, muito menos com uma pessoa que não confio e não conheço muito bem. Porém você me chamou muita atenção, essa marca da sigla “SV” que você tem na sua nuca é da família Voen Sarte ,é a família que comanda a facção mais poderosa contra o governo da Leste-Patria, a Days of Sun , sem dúvida é única facção que tem alguma chance de derrubar o Lorde de Inther. Sei que é ela por que já trabalhei como protetor da caçula da família, não sei ao certo como e nem o motivo de você ter essa marca, mas com certeza não poderia ter te abandonado ali, sendo de alguma importância a essa família.
    -Daniel, se eu estivesse em seu lugar não teria salvo minha vida. Não lembro como consegui essa marca, até onde me lembro ela sempre esteve ali, não o culpo por pensar assim, mas agradeço por ter salvo minha vida, e agora para te retribuir trabalharei para você e seguirei esse caminho com você, se assim me permitir. Disse um com um pouco de receio pensando que ele me largaria à deriva na estrada.
    -Não sei bem ao certo, mas você me parece ser uma pessoa confiável, digo isso, pois sei que não pareço ser um, desconfio de muitas pessoas e outras prefiro não me envolver muito, porém quando tenho uma missão a cumprir ,preciso agir de forma que não comprometa o andamento do contrato. Então essa missão é um teste para ver se nos daremos bem como uma dupla, espero que você consiga me acompanhar, afinal se há uma possibilidade de você ser um Voen Sarte já pode ser útil em varias situações. Só peço que deixe essa marca disfarçada, por que o lugar que vamos é o coração e cérebro da Leste-Patria, e não seria bom para o governo de ter um integrante da principal família que é contra o governo perambulando por suas terras como cidadão normal.
    -Okay, darei um jeito de disfarçar essa marca, tentarei ser útil a você já que você me salvou e cuidou de minha saúde, não o desapontarei. Afirmei com um toque de leve em seu ombro como se fossemos amigos a um bom tempo.
    -Sem contato físico. Disse Daniel com o tom severo.
    -Entendido capitão!!!, disse com colocando a mão sobre o supercílio fazendo um gesto de obediência.
    -Também não precisa ser assim. Daniel falava como se quisesse rir , mas não conseguia
    Daniel era um jovem de 26 anos alto e moreno, tinha a cabeça raspada com uma barba que deixara por fazer, olhos azuis e com um porte físico de um verdadeiro super soldado. Sempre vestia uma calça militar cinza com vários coldres de arma e uma jaqueta cinza bordada com linhas douradas , tinha um aparelho multifuncional eletrônico que ele adaptara para seu uso expedicional durante as missões, portando diversas funções e usos.
    Ao chegarmos no portão da pousada, nos identificamos pelo interfone, adentrando na propriedade que ficava as margens de um rio e uma montanha, vemos o grande e extenso jardim com sua praça central bem ornamentada como um grande campo aberto com colunas gregas formando um arco bem alinhadas e decoradas com a vegetação, um grande chafariz que se destacava muito por parecer com um arcanjo, com grandes azas feitas de mármore branco e estilizadas com runas em sua base e cada pena detalhada como se fosse real, era tão viva e tão maravilhosa que fazia você se sentir como se estivesse sendo levado ao céus, logo atrás coberto por uma névoa bem fraca mas ainda visível, estava a grande pousada do Sr.Schutlz, totalmente decorada com a vegetação que crescera e subia pelas longas e bem rusticas paredes deixando a mansão mais linda e diferenciada das outras que já tinha visto. Assim que paramos o carro em frente à praça , as portas se abriram e apareceu um senhor com uma certa idade, um 50 a 60 anos, de cabelos grisalhos escorridos até o ombro , com um traje formal preto e bem destacado por sua cor, com uma singela bengala preta com a ponta branca , seus olhos eram cinzas, sua pele branca como a neve porem um pouco enrugada devido o tempo, ele estende os braços e fala em voz alta demonstrando felicidade.
    -Bem-vindos jovens guerreiros, a pousada Versa Lange, eu sou o Hendrick Schultz Andreas, muito prazer em conhece-los pessoalmente!!!
    (o capitulo dois está incompleto ainda, mas estou trabalhando nisso o mais rapido possivel, estava mesmo muito ansioso em postar aqui que acabei esquecendo disso ) :D
  • Trancafiados Vol.1

      Lembro-me muito bem, em que em janeiro de 1945, estava eu com a minha família em casa ainda morávamos em Desden na Alemanha, eu meu pai e minha mãe, em meio a guerra estávamos economizando uma quantidade significativa de comida e água.. porém em meio a guerra, a comida e bebida iriam acabar alguma hora sem dúvidas, todas as manhãs eu acordava e sempre olhava para minha janela que estava na esquerda da minha cama, sempre olhava e ficava pensando até quando aquela guerra iria durar, levariam, anos.. meses... décadas? Essa era uma das perguntas que eu não conseguiria responder, meios os dias iriam passando.... no fim de janeiro de 45 meu pai ficou extremamente doente, ardia a febre, ficava de cama o dia inteiro sem ter forças pra nem sequer levantar um copo, fiquei muito preocupado com ele e sabia que deveria tomar alguma ação rapidamente... então me lembrei que havia antes do início da guerra uma espécie de farmácia no final do meu bairro, porém em tempos de guerra era extremamente proibido e perigoso sair nas ruas, porém não pensei duas vezes em tentar pegar algum remédio, peguei o mínimo de coisas possíveis para ir até a farmácia, saindo de casa a rua está totalmente vazia, algumas casas destruídas ou abandonadas por suas famílias, não muito longe da farmácia escuto um barulho de alguma coisa batendo.. então percebo que está vindo da casa na minha direita, poderia simplesmente ignorado e ter ido até a farmácia, mas fiquei intrigado com o barulho, entrei na casa que aparentava estar abandonada, abri a porta e o barulho continuou, subi no 2° Andar e vi que o barulho estava vindo da porta no fim do corredor, me aproximei e perguntei.. "Oi?... Tem alguém aí?". Então uma voz respondeu.. "Olá!! Por favor me ajude.. estou presa aqui!!". Com um pouco de receio perguntei.. "O'que aconteceu aqui?". Ela um pouco mais calma me explicou.. "Eu estava aqui em casa, quando derrepente escutei alguém batendo na minha porta, quando olhei pelo olho mágico para ver quem era.. percebi que eram 2 soldados nazistas que estavam fazendo uma varredura em todas as casas". Muito preocupado perguntei se ela estava ferida, porém ela me disse que estava muito bem... então tentei pegar um pé de cabra que havia na garagem da mulher e arranquei as tábuas que a impediam de sair, então ela me agradeceu e perguntou se poderia me ajudar de alguma forma, então respondi; "Na verdade tem uma coisa... meu pai está muito doente gostaria de saber se você teria algum remédio..?". Ela me respondeu; "Infelizmente não tenho remédios mas eu sou médica, e trabalhava na farmácia no fim do bairro, se quiser posso lhe emprestar a chave da farmácia, você vai, pega os remédios e trás pra mim para podermos tentar ajudar seu pai.." eu muito agradecido aceitei a oferta e fui até a farmácia, chegando lá eu abri a porta e percebi que estavam com poucos remédios porém já conseguiria pegar apenas o necessário para ajudar meu pai... peguei o Último medicamento e quando olhei para a porta da farmácia, vi um soldado nazista entrando, totalmente armado, sem dúvidas se ele me visse, atiraria primeiro e perguntaria depois, então com muito cuidado me aproximei da porta dos fundos e consegui sair de lá..... Chegando em casa com a médica, ela olhou meu pai e me disse que se esperasse mais algumas horas meu pai provavelmente não teria sobrevivido, foi uma das coisas mais terríveis que aconteceram comigo naquele ano, isso que eu nem sabia por oque estava por vir..



  • Transformando os mangás

              Quando vi o resultado do primeiro concurso de mangá Brazil Manga Awards (BMA) em 2014, vi na JBC uma iniciativa inspiradora para quadrinistas nacionais. A editora já tinha uma história com esse tipo de publicação, tanto é que o primeiro quadrinho publicado pela editora foi o kodomo Combo Rangers, sátira dos super sentais japoneses, escrito e desenhado pelo Fábio Yabu.

              Eu adquiri o a coletânea Henshin! Vol. 1 e Henshin! Vol. 2 na Comix Book Shop, e trarei aqui a resenha do primeiro tomo. Foram reunidas cinco one-shots de autores nacionais e ganhadores do concurso BMA, tendo como jurados Fábio Yabu, Arnaldo Oka e Cassius Medauar. O mangá ainda conta com extras como análise dos jurados, comentários doa autores, posfácio da especialista em quadrinhos Sonia Luyten prévias de obras do selo Ink Comics. A obra tem mais de 170 págs., em papel offwhite, que mais parece papel jornal de tão transparente que é.

              Eu vou analisar cada one-shot aqui, levando em consideração minha experiência de leitura, começando do que eu mais gostei até o que menos gostei, e não pela ordem do concurso. A crítica, por mais técnica que seja, deve também levara em consideração os critérios pessoais de quem avalia. Isso em hipótese nenhuma deve se tornar a última palavra acerca de uma obra, e não substitui a leitura do quadrinho.

              A obra que eu mais gostei foi Starmind, da dupla Ryot e Toppera-TPR. Foi a obra com a maior versatilidade de traços. Para uma história de humor, com aquela simpatia enganosa de quem quer divertir, mas acaba trazendo grandes reflexões. A obra é nonsense, e pode ser dividida em três atos: Arthur Proto Lux é um garoto que é considerado burro devido ao mau desempenho escolar, ele acaba recebendo poderes de uma estrela cadente e fica superinteligente; ele se auto impõe o objetivo de distribuir inteligência por aí, mesmo que seja nos tabefes; por fim, ele encontra sua antítese, sua nêmese, o Hobo, um mendigo que se vangloria de ser desprovido de inteligência. Quem triunfará: a inteligência opressora ou a burrice conformista? Acho que o autor deveria ter escolhido um desses três argumentos e tê-lo desenvolvido a contento.

              A segunda obra que eu mais gostei foi Entre Monstros e Deuses de Pedro Leonelli e Dharilya. A história é dividida em dois momentos, o mundo real, sombrio e melancólico, e o mundo onírico, gótico e fantástico, isso transparece na narrativa e nos desenhos. O desenho em remeteu automaticamente ao Flávio Colin, um traço característico, mas que causou boa impressão na trama. Só achei o final abrupto, o ato do Louvre no fim do one-shot, protagonista da história, não me convenceu, não achei a relação entre os personagens crível até esse ponto.

              O terceiro título que comento aqui é o famoso Quack, atualmente publicado pela Editora Draco. A série já conta com mais de quatro volumes impressos. Kaji Pato se utiliza de muito humor com piadas escatológicas e metanarrativas. Engraçado é ver que a capa não remete a nada que se passa na história. Baltazar é um jovem piloto de um monomotor, semelhante aos usados pelos aviadores no início do século XX. Seu copiloto é um pato chamado Colombo, um bicho irritante, boca-suja e brigão que o trata como um inferior. As pataquadas seguem em ritmo de bom humor. Só achei que falou um objetivo mais bem definido na trama, sobreviver a queda de um avião numa terra desconhecida e sair por aí como se nada estivesse acontecendo, foi meio frustrante. O traço agrada e muito, caricato e hachurado.

              [Re]Fábula é uma ousada releitura de uma lenda chinesa pelas mãos de Nameru Hitsuji, pseudônimo da dupla de autores Ivys Danillo e Breno Fonseca. Deus encarregou o imperador chinês de formular um desafio aos animais: a travessia de um rio, os doze primeiros que lá chegassem, se tornariam zodíacos, e teriam um ano dedicado à sua honra. Na primeira corrida, o Rato trapaceou e fez o Gato perder seu espaço no Zodíaco. Tempos depois, uma nova corrida foi anunciada. Os animais participantes e representante de cada espécie estariam em forma humana e lutariam para executar a travessia, tudo no modo sobrevivência. O argumento é bom, a releitura shonen é adequada, porém, porque é que o Tubarão não está em forma humana? Por mais caudaloso que seja o rio, não é um pouco exagerado o colocar como uma grande prova? O que seriam o pacto dos animais? Gatos não existem no Oriente? O drama do Gato é crível e a rivalidade dele com o Rato também. A luta de ambos é muito empolgante, ambos usando sua habilidade animais. A arte é simpática, mas algumas páginas pareceram poluídas aos meus olhos. A última página poderia ser apresentada de forma mais criativa.

              Crishno: O Escolhido, como os próprios autores Francis Ortolan e Lielson Zeni é uma grande tiragem de sarro com o clichê do “o escolhido”, muito comum em tramas de ficção especulativa e usadas a exaustão nos mangás B-shonen. A arte é a mais cartuncesca de todas, mas tem lá seus quadros inspirados. A obra é aquela de “uma piada só”, então, é divertida como one-shot, mas ler uma série disso, não sei.

  • Trigun e o pacifismo

     “Bem-aventurados os pacificadores,
    porque eles serão chamados filhos de Deus”.
    Mateus 5:5.
              Quando falavam o seu nome, os populares tremiam. Era praticamente um sinal de mal agouro. A lenda e o medo se misturavam numa demoníaca criatura: cabelos aloirados, alto e com um sobretudo vermelho. Sua mira nunca errava os alvos, e por onde passava, deixava um rastro de destruição e morte. A catástrofe encarnada. O “Tufão Humanoide”. Esse demônio tinha um nome, Vash “O Estouro da Boiada”.
              Se você já entrou em contato com Trigun, com certeza você deve ter se encantando pela sua história. A obra foi criada Yasuhiro Nightow, no ano de 1995, publicado na revista Monthly Shonen Capitain, Editora Takuma Shoten, originalmente em 3 volumes, que depois foram compilados em uma bilogia. Trigun Maximun, continuação direta, foi publicado na revista Young King OURs, Editora Shonen Gahousha, compilados em 14 volumes entre os anos de 1998-2008.
              O anime foi produzido pelo famoso Estúdio Madhouse, e foi veiculado no ano de 1998, contendo ao todo 26 episódios. A fabulosa trilha sonora ficou a cargo de Tsuneo Imahori, trazendo country, rock, industrial e música clássica. O anime difere em história e personagens, mas respeita a personalidade dos personagens e os objetivos do mangaká. Esse ensaio tratará especificamente do anime.
              A história inicia com a chegada de duas agentes de uma empresa seguros chamada Bernardelli, a enérgica Meryl Strife e a ingênua Milly Thompson. A dupla tem uma terrível missão: encontrar Vash “O Estouro da Boiada”, e pará-lo, se possível. É uma grande surpresa quando, no primeiro episódio, me deparei com o provável Tufão Humanoide. É inevitável não se apaixonar pelo personagem.
              Diferente dos cartazes de procurados e dos registros históricos, Vash é totalmente diferente. É gentil, ingênuo, mulherengo, altruísta e o mais importante, pacifista. Seu lema “Amor e Paz” é repetido em vários capítulos do anime, deixando claro que aquele sujeito jamais poderia ser o diabo que pintavam. É desconcertante ver alguém tão legal envolvido em tantos casos de violência, e o pior, ser acusado injustamente de todos os crimes.
              Minha empatia pelo pistoleiro da triste figura só cresceu ao longo da série. Mas algumas coisas me fizeram desconfiar da intenção daquele sujeito: quem quer paz e amor usa armas de fogo? Porque alguém que é pacifista se envolve em tantos conflitos? Quem é a pessoa com quem Vash deseja acerta as suas contas? Esses são os questionamentos que vão movendo o protagonista e alimentando as dúvidas do expectador.
              Para entendermos essa história de maneira mais profunda, é necessário apreender o contexto histórico e social, o lugar onde ocorre os eventos, e um pouco da biografia de Vash. O planeta denominado de Gunsmoke (fumaça de revólver em inglês), fica no sistema estelar binário Delta Trianguli. O planeta também é chamado Terra de Ninguém, devido ao seu alto índice de violência.
              É um planeta árido, com pouca flora, fauna hostil e ondas de calor insuportável. Mas porque as pessoas vivem num planeta dessas condições? Ao longo da obra é explicado a origem dos seus habitantes. Todos descendem dos sobreviventes da Grande Queda, evento em que dezenas de naves espaciais se chocaram com o planeta Gunsmoke. Esses colonos espaciais eram participantes do Projeto Sementes.
              O programa foi desenvolvido para encontrar planetas habitáveis e garantir a sobrevivência da espécie humana. Entretanto, antes de encontrar um lar semelhante ao Planeta Terra, houve uma sabotagem. E o sabotador foi, nada mais nada menos que Million Knives, irmão-gêmeo mais velho de Vash. Apesar de ambos serem humanoides, pertenciam a uma outra raça, responsável por gerar a energia dos reatores.
              No anime, Million Knives sofreu abusos de um dos tripulantes da nave e se tornou um sociopata logo na infância. O seu agressor era alcoólatra e o tratava com desumanidade. Knives adquiriu um ódio mortal pela humanidade devido aos seus traumas, contraindo uma visão de mundo radicalmente utilitarista e fatalista. Para ele, os seres humanos eram uma espécie de praga que deveria ser extirpada do cosmos.
              Já Vash, ingênuo e altruísta, além de muito sensível. Era muito apegada a Rem Severen, tripulante que cuidavam de dele e de Knives. Desde a infância ele absorveu integralmente a ideologia de Rem: pacifismo. O amor que Vash sentia por ela estava num estranho limiar entre um amante e um filho, simulando um complexo edipiano que iria acompanhá-lo durante toda a sua vida.
              Após Knives danificar os controles das naves e matar Rem, ele e Vash — mesmo a contragosto — continuam a singrar pelos mares de areia daquele planeta desértico. A cada dia que passava, Vash ia se tornando mais consciente do perigo que Knives estava se tornando, e acabaram se dividindo após um conflito. A partir daí se tornariam inimigos mortais. Knives nunca perdoou Vash por preferir a companhia dos humanos a dele.
              Esse conflito representa mais do que duas posturas idealistas, é a repetição arquetípica da luta entre Caim e Abel. No livro de Gênesis, Caim e Abel eram filhos de Adão e Eva, os primeiros. Um dia, ambos fizeram sacrifícios a Deus. Abel, irmão mais novo, ofertou uma ovelha de seu rebanho, e isso agradou ao Senhor. Já Caim, ofereceu seu plantio, e sua oferta foi rejeitada por Deus, o que acabou o tornando invejoso.
              Assim, Caim mata Abel, é expulso da presença dos pais e passa a vida toda sendo perseguido pelo remorso e culpa. Embora haja outro desdobramento no anime, é nítido as referências judaico-cristãs na obra. Mas o nosso Caim, ou melhor, Knives, persegue Vash e tenta destruir a sua humanidade se utilizando de todos os recursos sórdidos. Ele até cria uma companhia de pistoleiros para persegui-lo, as Armas Gung-Ho.
              Vash caminha em um mundo marcado pela violência, o que acaba se tornando um dos argumentos prediletos de seu irmão para dobrar a vontade do Tufão Humanoide. Essa violência não nasce de uma geração espontânea. Como elabora o filósofo Jean-Paul Sartre, ela nasce da luta contra a escassez, nesse caso, o fim de recursos básicos como a água e terras agricultáveis.
              Dois capítulos são emblemáticos acerca desse sentido. No Ep. 2 – A Verdade do Erro, vemos uma cidade inteira que migrou para outra região após um grave desabastecimento de água. Um único homem monopolizava o comércio do líquido, lucrando com a sede de milhares de pessoas. No Ep. 14 – A Pequena Arcádia, um latifundiário se utiliza do conflito de geração em uma família para se apropriar de um vasto terreno fértil. Esses são apenas alguns exemplos.
              Quando há uma violência provocada pela escassez, alguns grupos formam latifúndios e monopólios numa busca por segurança, mas ocorre uma concentração de riqueza na mão de poucos e uma vasta marginalização das camadas populares. A propriedade privada é com certeza um crime. A concentração gera e/ou acirra as desigualdades socioeconômicas.
              Nesse mundo, assim como no nosso, estar alheio a violência é algo quase impossível: ou se ocupa o lugar de opressor ou de vítima. Vash caminha numa linha tênue, evitando sempre matar, e acabando sempre à beira da morte. Apesar de pacifista, anda com uma arma na cintura. Armas de fogo são feitas para matar, escudos é que são feitos para proteger. Mesmo com um revólver, ele usa sua mira quase sempre para causar o mínimo de dano possível nos seus inimigos.
              Geralmente faz disparos não-letais ou imobilizadores. Nosso protagonista é reativo, ou seja, age sempre para evadir e evitar o conflito, mesmo que os tiroteios o esperem em cada esquina, em cada cidade, em cada beco. Essa atitude acaba nos levando a indagar: essa omissão não acabaria ampliando a violência? E se Vash apertasse o gatilho e matasse os seus inimigos, isso diminuiria a violência no mundo?
              Como a violência precede os indivíduos e grupos sociais, não é possível estar imune a esse fenômeno. Mas como nos mostra Vash, existe outras formas de resolução de conflito que não exigem o derramamento de sangue. Pacifismo não é passividade, é parcimônia. O problema é que Vash doura a pílula. Mesmo quando a sua própria vida corre risco, hesita.
              O único personagem que ele mata com as próprias mãos é o Legato Bluesummers, fiel seguidor de Knives e Arma Gung-Ho, e só o faz no último minuto quando a vida de Meryl e Milly estão em risco. Às vezes, por autodefesa ou numa situação-limite, nos tornamos um agressor para defender a nossa vida, ou de alguém que amamos. As consequências são sempre destrutivas para todos.
              Vash é um protagonista que foge ao estereótipo do Homem. Mas que seria ser homem no senso comum, ora, “o homem não chora”, “o homem deve ser machão”, “homem não sente dor”, “homem não leva desaforo para casa”, “homem não conversa, dá porrada” etc. Ou seja, o ideal de masculinidade é a supressão da sensibilidade e monopólio da violência.
              O protagonista é totalmente o oposto disso: é gentil; meigo; altruísta, até imaturo; é alguém que prefere ser ferido a ferir o seu semelhante; ama crianças; e o mais chocante, chora copiosamente. Sim, Vash chora em várias ocasiões. E não são lágrimas qualquer ele realmente sente a dor do outro, mesmo a de seus inimigos jurados. Não guarda mágoa ou rancor, e por vezes, é acometido de uma grande solidão.
              A dublagem e a adaptação brasileira do anime ficou a cargo da Som de Vera Cruz, Rio de Janeiro. Fizeram um trabalho de excelência. O dublador do Vash foi Alexandre Moreno, ele conseguiu dar todas as nuances ao complexo personagem. Com as várias paletas de cores escuras e terrosas utilizadas pela direção de arte do Madhouse, e a ambientação perfeita da trilha sonora, obtemos todos os matizes dramáticos dessa trama.
              Atormentado pelas suas escolhas, muitas vezes culminando na morte de alguém — mesmo acidental —, Vash “O Estouro da Boiada” ainda tem um papel a cumprir para encerrar a cadeia de mortes envolvendo ele e as Armas Gung-Ho. Para isso, o protagonista terá que puxar o gatilho contra o sangue do seu sangue: Million Knives. O final do anime mantém o clima melancólico.
              Assim como Vash, me dei o direito de chorar em alguns episódios desse anime, afinal, ser um homem não é ser insensível a dor própria dor e ao sofrimento alheio, é ser capaz de se responsabilizar pelas suas escolhas e entender que elas interferem na sociedade. O pacifismo não é uma resposta pronta para acabar com a violência, é um dos meios. Não pode ser vista como passividade, e nunca deve se tornar omissão.
  • Tudo começou na Rua 13...

    Considero que cada século deveria produzir os seus próprios clássicos. Infelizmente, às vezes, para grupos minoritários, é necessário que se passe um milênio para que possam adquirir espaços, produzir e alcançar o grosso do público, se tornando os clássicos de que necessitamos. E só assim, em pleno século XXI que posso ler um livro que me fez mergulhar em uma experiência de leitura, sendo possível encontrar pertencimento e se sentir representado em meus dilemas.
              O caçador cibernético da Rua 13 é escrito pelo carioca Fábio Kabral. Publicado pela Malê. A obra faz o papel de inserir leitores nacionais no afrofuturismo. Mais que um dos troçentos subgêneros de ficção especulativa, é um movimento artístico, estético e cultural que visa quebrar paradigmas, trazer novas experiências, discursos e projeções de futuro, sem intermediação de pessoas brancas ou depender da visão europeísmo.
              Em suas mais de 200 páginas, o romance nos leva a Ketu Três, megalópole ultra tecnológica; cidade de conflitos e contradições. Nosso protagonista é o caçador ciborgue João Arolê. Na infância, ele desejou ser um astronauta. Mas ao descobrir os seus poderes espirituais, acabou sendo recrutado pelas forças de segurança coorporativas da urbe. A partir daí seu maior sonho se distancia e seus questionamentos se aprofundam.
              O autor utiliza sua experiência de iniciado no candomblé, através do terreiro Ilê Obá Axé Ogodô, e se apropria muito bem dos conceitos e das imagens míticas da sua religião. São várias referências direta ou indiretas, a maioria de possível origem iorubá. O orixá patrono de Ketu Três é mais conhecido entre o público não candomblecista como Oxóssi, por isso, a temática do caçador é tão ressaltada na trama.
              O texto foge totalmente do processo narrativo e das representações tradicionais, que segregam e discriminam negros e povos africanos. Tanto o autor quanto João Arolê protagonizam suas histórias. No Novo Mundo, só há o povo melaninado, forma poética e menos óbvia de dizer que são negros. São muitas as metáforas de conflito étnico-racial, como os “alienígenas” e sua “religião estranha”, falar demais é estragar a surpresa do leitor.
              A sociedade é matriarcal e matrilinear. Não existe regulação ou pressão moralista acerca da sexualidade alheia. Bissexuais, lésbicas e homossexuais podem apenas ser, sem correr o risco de pretensos julgamentos sociais. Religião, economia e política não são distantes, ao contrário, possuem uma relação orgânica e menos formalista. O Estado é coorporativo, quase oligárquico.
              A urbanização evita a geometrização através da racionalização espacial do quadrado, única forma geométrica criada pelo ser humano. A cidade é formada por círculos, ligados em seu interior pela Rua 13. A tecnologia não é baseada na extração predatória dos recursos naturais, mas sim da força dos espíritos. Ao invés da técnica, recorrem a tradição e usam a espiritualidade como força motriz das máquinas. Magia e tecnologia, fé e razão, esses falsos binômios são extintos aqui.
              Apesar de todo o avanço tecnológico e da homogeneidade étnico-racial dos nativos de Ketu Três, aspectos como corrupção, necropolítica e desigualdade social continuam uma constante nessa sociedade de nova composição. O Isote, um movimento mais transgressor que revolucionário, parece não ter fixado raízes ideológicas muito profundas. Espero ver seu retorno em obras futuras.
              A trama ou melhor, as tramas se unem ao longo do livro. Uma narrativa cíclica, com vários eventos simultâneos. O mote é a sincronicidade, onde o que se repete com constância é o trauma. É só no fim da obra que as histórias se unificam numa espécie de catarse, onde a redenção do protagonista se inicia, abrindo sua trajetória a novas possibilidades.
              A ancestralidade aqui não é um fardo, mas uma base sólida de conhecimento e sabedoria viva e acessível. Um motivo de orgulho, criando redes de sociabilidade. Uma compreensão da realidade baseada na relação entre presente e passado. Joao Arolê também não pode ser identificado apenas como uma continuação de forças anteriores, ele é a sua superação.
              O livro tem uma narrativa enxuta, com períodos curtos. Todos os personagens e subtramas possuem desfecho satisfatórios. Uma das mais destacadas é a Jamila Olabamiji, que por sua vez, terá um livro próprio descrevendo sua história e A cientista guerreira do facão furioso.
              Senti falta de alguns conectivos durante a leitura. Houve confusão em alguns parágrafos, por exemplo: o personagem falava, mas não começava com travessão; em alguns parágrafos onde o narrador descrevia as acenas, havia travessão como se fosse diálogo de personagem. Não atrapalhou a leitura, mas precisa de nova revisão. Na capa, o nome do autor aparece sem acento agudo no a, fica Fabio, mas é Fábio.
              O livro possui orelha de capa com análise do Vagner Amaro, editor da Malê, e orelha de contracapa com biografia do autor. A ilustração de capa e miolo ficam a cargo do ilustrador Rodrigo Candido. A fonte do corpo do texto é African Serif, o que possibilitou a acentuação de muitos termos estrangeiros. O papel é o Pólen 80g. Edição com boa encadernação, edição e preço acessível.
    Link 1 – https://www.editoramale.com.br/product-page/o-ca%C3%A7ador-cibern%C3%A9tico-da-rua-treza
  • Um dragão rugindo o nosso talento

              Quando a grande maioria do mercado literário brasileiro torcia o nariz para os quadrinhos e literatura nacional, a Editora Draco silenciou a todos os pseudocríticos sobrevivendo da publicação de autores nacionais. Esse feito não foi conseguido com magias e sortilégios, mas com planejamento, e divulgação eficiente, e é claro, profissionalismo ímpar, isso fez toda a diferença na hora H.
              Dracomics Shonen é uma coletânea de mangás shonen que se está relacionada com a política editorial da Draco e, ao mesmo tempo, se beneficia do amadurecimento do mercado voltado a publicação de mangás. Desde o fim do século XX os quadrinhos japoneses — ou com estilo de desenho e narrativo em mangá — não viam um espaço tão consolidado no país.
              A obra reúne oito títulos diferentes, selecionados em um edital específico para a Dracomics Shonen. Originalmente, seriam seis one-shots, mas no foram selecionados dois a mais. Muitos dos mangakás envolvidos tinham larga experiência e, muitas obras ganharam continuações, sejam de modo independente ou pela própria Editora Draco. A coletânea foi publicada em 2016, e foi organizada por Erick Santos Cardoso e Raphael Fernandes.
              Geralmente em coletâneas ou antologias que possuem menos de dez títulos, eu analiso as obras pela que eu mais gostei até as que eu menos gostei. Esse meu critério e particular e não irá interferir na relação do leitor com a obra, é apenas o relato de minha experiência com a leitura do livro, não se preocupem. Eu sempre recomendo a leitura da obra original, independendo de meu gosto particular.
              Divisão 5 é escrita pelo Rafa Santos, ganhador em 3º lugar no Concurso “Seja O Novo!” da revista Ação Magazine com a obra Star Trash, feita em parceria com Wagner Elias, que também cuida de Divisão 5. O mangá ganhou um volume tempos depois, e realmente, foi o melhor one-shot da coletânea. A trama une humor e suspense com toque de sobrenatural. Tudo gira no entorno de Ritchie, um jovem especializado em aplicar golpes. Pro azar dele, após visitar uma lanchonete, ele acaba se envolvendo numa investigação de uma agência sobrenatural após se identificar como o portador do codinome Rosa Serena. Depois disso surgem gralhas antroporformizadas — ou seriam corvos? —, um herói que me lembrou Siney Magal, e uma garota parda. A trama envolve pelo mistério e cativa pelo humor nonsense. Bom uso de retícula e acabamento, diagramação e enquadramento muito dinâmicos.
              A segunda, Necrônibus, obra que eu mais gostei é a desenhada pelo João Eddie, e roteirizada pelo Jun Sugiyama. Eu sempre acho os one-shots do Eddie muito criativos e com uma arte rústica, mas que é eficiente na narrativa. Uma outra história sobrenatural, só que distinta da anterior, pois, está mais voltada para o drama do protagonista, um vendedor de balinhas, daqueles que surgem no ônibus com voz estridente. Apesar de ter uma criança como protagonista, a história trata tudo de modo melancólico e até cru. Morte, solidão e sentimento de culpa surgem aqui como metáforas oníricas dignas das obras do Tim Burton. A arte é obscura, investindo em capados de preto e hachuras, como só o bom Eddie faz.
              Battle Fantasy é aquele B-shonen com B maiúsculo. Gabriel RS cuida do roteiro enquanto Jonas Luiz cuida dos traços. É aquele shonen de luta, com desenho influenciado por Akira Toriyama, e a influência do Toriyama é sempre bem-vinda. Na trama, Sr. Trumpinks usa um livro mágico, chamado Era uma Vez para controlar diversos personagens dos contos de fadas e fazê-los lutar até a morte como entretenimento da TV. Num primeiro momento, nada soa original, mas essa não é uma releitura pop dos contos de fada, é uma releitura shonen, e isso faz toda a diferença! Em algum momento, Eddy Pig, um dos três porquinhos, inicia uma revolta para que todos pudessem voltar o mundo dos contos de fadas. A obra é cheia de referências visuais e poderia render uma ótima série. Nessa obra tivemos um erro com os nomes dos personagens Windwolf, o lobo que luta com o Eddy Pig, e Badwolf, que havia sido derrotado na luta anterior pelo Capitão Gancho, um grande erro de continuidade na obra.
              Maneki Knight era uma obra que eu não estava esperando muita coisa, porém, o Raoni Marqs me impressionou com seu one-shot. O protagonista é o Salem Yakan, o último sobrevivente de uma vila destruída pelo xogum. Graças aos poderes de uma entidade sobrenatural chamada Maneki Neko, ele usa seus poderes para desafiar o governante. É uma história de vingança, mas que acaba sendo mais voltada para exploração das habilidades do protagonista, que devido ao Maneki Neko, acaba adquirindo características de gato e poderes relacionados a isso. É uma história que investe em humor, com um traço caricato e com poluição de hachuras, e onomatopeias em japonês? Não entendi o porquê dessa opção, sendo que a obra seria publicada no Brasil.
              Eu poderia dizer que Physics e Arquipélago dos Espíritos estão empatados, mas são histórias tão distintas que não poderíamos sustentar essa posição. O primeiro é uma história que começa, se desenvolve, mas não começa, a outra, começa, mas não se desenvolve. Physics é do Eudetenis, um casal de criadores, sendo que o roteiro fica a cargo de Paulo Moraes e desenhada pela Giovana Leandro. A história tem um argumento muito bom com técnicas de luta envolvendo conceitos de química e física. Eu achei genial! Porém, o que emperra a história de vingança da Haruki Ichirou é o Nicolas, personagem aleatório, pouco cativante e que se ampara no clichê da amnésia para gerar suspense. O desenho é lindo, o mais bonito da coletânea, ao menos, para mim.
              Arquipélago dos Espíritos é escrita pelo Dulcelino Neto e arte de Heitor Amatsu. Achei que o Amatsu deu uma simplificada no traço dele para casar com a história. Eu gosto muito de ação sobrenatural, e gostei muito do protagonista ser um indígena, mas eu acho que a trama peca por apresentar um conflito raso em que mal vemos o protagonista se mexer. Faltou ação. O roteiro anêmico não conseguiu fazer a arte do Amatsu brilhar aqui. Apesar de trazer argumentos interessantes, eles acabaram sendo descartados por uma precocidade do próprio roteiro.
              Rei dos Elementos é um one-shot escrito pelo soteropolitano Henrique S. Ribeiro, um talentoso ilustrador que acumula premiações em sua jovem carreira. Foi ganhador do Primeiro Concurso de Mangá Nacional, organizado pela NHQ, como um one-shot intitulado Elemental King’s. Essa obra me parece o prólogo de sua série Elemental Kings do que um one-shot. Não achei crível alguém tão jovem protagonizar uma trama tão complexa e ter tanta maturidade para lidar com um fardo tão grande. O Haylen Ishiro não é nada cativante, sem contar que sua atuação na trama é pífia. Foi um banho de água fria, espero que a série do Ribeiro seja mais dinâmica e interessante.
              Mestre da Morte foi escrita pelo contista Rodrigo Ortiz Vinholo, autor com quem já dividi páginas de algumas antologias de contos, e desenhado pelo Ericksama, o editor e organizador dessa coletânea. E acho o Vinholo um dos nossos melhores contistas da ficção especulativa, mas seu roteiro deixou a desejar com seu didatismo, abordar conceitos muitos complexos em poucas páginas e de forma expositiva, o que acabou me cansando. Ter animais antroporformizados como protagonistas também não ajudou, não que seja possível criar uma história sombria e complexa com essa técnica, vide Cat Shit One e Yojimbo, mas é que o traço cartunesco e pouco elaborado não ajuda a deglutir uma história que se pretende tão filosófica e questionadora.
              Eu recomendo a leitura por ser uma ótima iniciativa em relação as obras nacionais, mais que isso, são obras muito bem escritas e desenhadas, mostrando uma pitada do talento de nossos autores. São oito histórias, divididas em mais de 160 páginas, em papel offwhite, miolo em preto e branco. Possui minibiografia dos autores. Só senti falta mesmo foi das capas dos one-shots.
              Para adquirir seu exemplar, tem versão impressa e em e-book, acesse aqui:
              Link 1 – https://editoradraco.com/produto/dracomics-shonen-v-1/
              Link 2 – http://www.comix.com.br/dracomics-shonen-vol-01.html
  • Um Final Feliz...

    Essa é a história de uma menina que nunca se encaixou em nenhum lugar do mundo…
    Desde pequena ela se sentia diferente das outras meninas de sua idade. Enquanto as outras gostavam de se arrumar, de serem aceitas nos grupinhos mais populares da escola, essa garota usava moletom de cactos, as “amigas” diziam que era pijama, mas ela considerava um elogio ser diferentes das pessoas ao seu redor (ela sempre gostou disso).

    Ela também gostava de caminhar mata a dentro com sua irmã e algumas colegas, brincar de escolinha, (odiava bonecas, queria aventura) sonhava em ser bruxa, dormia na sala escondida da mãe pra assistir os filmes do Harry Potter, amava os animais, até roubou um gato uma vez. A vida inteira morou pertinho do mar, numa casa velha, na rua da cachoeira, gostava de cantar. Reunia as amigas no quintal para contar histórias de terror, subia em goiabeiras, corria de medo de borboletas gigantes, mas vivia procurando cobra coral no meio das pedras da cachoeira. Ela era estranhamente interessante.

    Na adolescência começou a estudar a Bíblia, afinal, ela amava aprender sobre tudo, sempre acreditou em Deus e amava toda a sua criação. Mas também acreditava em alienígenas e fadas, passava horas olhando para o céu em busca de naves, mas só via aviões e ainda assim tentava imaginar que eram realmente óvnis.
    Seu primeiro beijo foi aos 13 anos com o garoto da escola que ELA escolheu. Os pais surtaram quando souberam, a proibiram de ver o garoto, afinal ela era nova demais, e sua família era muito cristã. Foi a primeira vez que sofreu por alguém.

    Com o tempo ela se tornava mais questionadora, curiosa sobre tudo, sobre o mundo, sobre as pessoas, não se contentava com respostas curtas, queria saber o porque de tudo! Se revoltava quando não tinha a resposta que queria, foi uma adolescente rebelde, e ao mesmo tempo tímida, mas sempre em busca dos seus sonhos. Agora ela queria cantar numa banda de rock, e é claro que ela conseguiu, apesar de não ter durado muito tempo, ela conseguia quase tudo o que queria.

    A partir daqui, a história vai começando a ficar um pouco triste e pesada. Aos 16 anos ela se apaixonou pelo baixista da banda, que também se apaixonou por ela, e começaram a namorar, escondido, porque seus pais ainda a achavam nova demais pra isso, até que descobriram e os chantagearam dizendo: -“ou ele te assume e te leva pra morar com ele, ou não queremos mais que vocês se vejam.” Já imaginam né, ela foi morar com ele e sua família, e assim ficaram por dois anos, até que ela fez dezoito anos e seus pais a aceitaram de volta em sua casa, até seu namorado foi junto, e assim ficaram mais um ano, até que certas atitudes de ambos, fizeram com que essa história chegasse ao fim, só que não…

    Ele voltou a morar com os pais e ela decidiu ir morar sozinha pela primeira vez. Ela até tinha algumas amigas, e queria aproveitar a vida, saía, bebia, curtia o que podia, mas nada a satisfazia. No fim do dia, ela só queria acordar com alguém ao seu lado, mas nem sempre era quem ela queria, e tudo voltava a rotina, festa, amigas, bebedeira e mais insatisfação. Ela se perdeu, conheceu o inferno, mas nunca perdeu a esperança nas pessoas, no amor. Ela levou um longo tempo para esquecer a história com o baixista, até que desistiu e decidiu recomeçar a vida.

    Abandonou tudo e todos que se diziam amigos, foi morar no interior, para poder ficar perto dos pais e cuidar melhor de si mesma, conheceu pessoas incríveis e um lugar mais incrível ainda. Ela teve algumas crises de ansiedade até se acostumar com o novo estilo de vida, ela partiu alguns corações (quem nunca), mas ela encontrou alguém na pequena cidade que a fizesse feliz da forma que ela sempre sonhou, e hoje estão juntos.

    Hoje ela faz 25 anos, e diz com toda a certeza que se encontrou, que encontrou seu lugar no mundo. Ela é fotógrafa, registra com amor os momentos de amor, ela tem as pessoas mais importantes ao seu lado, ela é grata todos os dias pelos amigos que fez, pela beleza da natureza, pela magia encontrada em cada cachoeira. Ela é feliz, ela sou eu!

  • Um lugar melhor

    Sinopse:

    Marianne foi criada pela mãe, esta última era uma pessoa cruel, que esperava que a filha seguisse seus passos. No entanto, em Marianne havia algo diferente, ela não era uma pessoa mundana como sua mãe, mas no seu interior havia bondade. Com isso, ela decide fugir. Na sua fuga, acaba encontrando uma casa. Que acaba se tornando seu lar. O Lugar era como uma casa de repouso, em que tarefas comunitárias e orações tomavam conta de seu dia e sua mente, as coisas por lá eram muito diferentes de tudo antes visto por Marianne. Cada dia que a garota passa lá, ela sente que se fortalece, que melhora, não sabe exatamente o que a trouxe aquele lugar. Mas com o tempo irá perceber que foi Deus que tinha planos maiores para sua vida do que ela poderia sequer imaginar. É uma história de superação de traumas, aprendizado e perdão. Mas ela não irá encarar todas essas coisas sozinha, além dos céus, ela ainda vai ter a ajuda dos moradores dessa casa, que a tão bem acolheram desde o início, cada um com sua história a contar e com tanto a ensinar, e a garota disposta a aprender.



    Um lugar melhor



    Capítulo 1- Encontrando a casa


    Caminhava pelas estradas, sozinha, havia finalmente tomado uma decisão definitiva. Não iria mais ficar naquela casa! Tinha seus ideias e o que era forçada a fazer sobre ordens de sua mãe não era o que ela queria, não era quem ela era.
    Mariane já estava mais do que cansada de tanto andar, se ela gastasse suas economias em hotel de beira-estrada temia ficar sem para se alimentar.
    Em meio ao cansaço, havia decidido subir em um pequeno morro da estrada de terra e dormir em meio as árvores, a sonolência extrema e o cansaço eram tantos que ela cochilou duas vezes enquanto subia o morro e capotara em ambas. A segunda vez serviu para acordá-la de vez, e se forçou mais a subir aquele morro tão íngreme. Enquanto subia, viu pelo reflexo um farol de carro ao longe, a noite estava começando a cair, as primeiras estrelas já apareciam, e o pôr-do-sol estava recém terminado. A garota gostaria de tê-lo assistido, como nos outros fins de tarde, mas dessa vez passou a tarde completamente indisposta, isso era porque havia dormido mal, o último hotel fora terrível. Em meio a uma boa reflexão, decidira que as árvores agora pareciam um ótimo lugar.
    Estava tão concentrada em sua tarefa de subir o morro-barranco, que não percebera que o carro que seguia pela estrada havia estacionado e um homem havia saído de lá.
    Ao vê-lo, ela tratou de agarrar a vegetação que a ajudava subir com mais força e acelerar o passo o quanto podia. O medo teria despertado uma corrente de adrenalina pelo seu sangue e o seu cansaço agora era nulo.
    O homem lá em baixo, vendo o desespero da garota, diz para acalmá-la:
    - Eu não vou te fazer nenhum mal!
    Não obteve resposta, Mariane só pensava em subir aquela coisa o mais rápido possível.
    - Hey! Cadê a sua mãe? Quantos anos você tem? Vem! Eu vou te levar para casa...
    - Eu não quero ir para casa – Diz Mariane com a raiva expressa na voz.
    - Sabe... não é seguro para uma garota como você sair andando por essas estradas sozinha desse jeito.
    Por algum motivo a voz dele parecia mais próxima, então Mariane se vira para verificar. O homem agora subia o morro, ela não tivera tempo para analisá-lo, só vira sua silhueta e isso fora o suficiente para jogar sua mochila para cima, ela nem hesitou, e sua força não fora suficiente para chegar no topo da colina e a mochila descera todo caminho à baixo.
    Ela praguejou enquanto a situação ocorria, agora iria morrer de fome, todo dinheiro estava lá. Não teve tanto tempo para reclamar da situação já que seu plano no momento era apenas fugir.
    Quando chegasse no topo talvez pudesse dar um pontapé em seu perseguidor e sair correndo ou talvez confundir ele, roubar seu carro, pegar a mochila e vazar.
    Se fosse na segunda opção estaria colocando o estilo de vida que passou com a sua mãe em prática mais uma vez, o que a revoltava, mas ela precisava daquela mochila.
    Já sentia remorso pelos próximos passos, mesmo aquele homem não o merecendo.
    Tinha o futuro planejado em sua mente quando coloca o primeiro pé no solo plano.
    Mas o que avista a uns quinhentos metros de onde estava a surpreende. Uma casa enorme, com algumas pessoas dependuradas na janela. Poderia pedir ajuda. Corre em direção à casa rezando, não sabia exatamente como já que nunca fora ensinada, mas fizera de sua própria maneira. Sentia uma boa harmonia com o local, muito diferente do que sentia em sua própria casa ou ao ouvir a voz do homem à alguns metros atrás dela.
    Quando sente que pode ser ouvida grita por ajuda. Repetidas vezes até sentir que teria um grande problema com a sua garganta no dia seguinte.
    À essa altura conseguia ver melhor às pessoas na janela que a olhavam curiosa, eram todos adolescentes, com mais ou menos a sua idade. O que era aquele lugar?
    - Por favor! – implorou mais um pouco – estou sendo perseguida.
    Eles se olham enquanto ela caminha até as escadas que levavam até a porta.
    Um deles faz um sinal afirmativo com a cabeça após uma breve discussão silenciosa entre eles. Na espera Mariane se vira e vê o seu perseguidor recuando, provavelmente se acovardou ao ver a casa e as pessoas na janela.
    Não gostava nem de pensar o que teria acontecido caso ele tivesse chegado até ela.
    Quando ela escutou o barulho da chave abrindo a porta uma onda de alívio a tomou e ela agradeceu mentalmente, olhando para o céu.
    Uma mulher adulta de meia idade que atendeu, ela tinha seus cabelos presos em um coque desgrenhado e usava pijamas compridos com pantufas.
    Ela olha em volta antes de se voltar à menina.
    - Entre querida. – a mulher diz, ela não pergunta nada, não exige nada.
    Mariane não pensou que seria tão fácil conseguir abrigo.
    Quando entram, a garota sente o calor do ambiente. Só percebeu o quanto deveria estar frio do lado de fora quando o fez, a adrenalina e a corrida estavam-na aquecendo.
    A mulher pede o casaco seu casaco para pendurá-lo. Ao entregá-lo, começa a se explicar e pedir para passar a noite ali.
    - Se não for muito incomodo eu gostaria de dormir aqui hoje, mas prometo que pela manhã eu vou embora.
    - Pode ficar o tempo que quiser. – responde gentilmente a moça. – mas temos regras para visitantes.
    - Claro.
    Mariane sabia que não estava em posição de negar nada. Sentia uma enorme gratidão por ser acolhida naquele lugar.
    - Nós oramos todos os dias, cultivamos plantas e meditamos. Cada um tem a sua tarefa e a sua rotina.
    A garota só balança a cabeça em afirmação. Achava tudo muito estranho. A mulher nem perguntara quem ela era. Só sabia que era uma garota precisando de ajuda e a acolheu.
    Sentia que precisava de mais informação, nunca havia se deparado com uma situação como aquela. Não estava acostumada à pessoas tão dóceis e acolhedoras.
    -  O que é aqui? – pergunta enquanto observa o lugar.
    As paredes eram de um azul bem claro, a pintura estava um pouco descascada, tinham alguns quadros pendurados ao redor. Eram pinturas agradáveis e que transmitiam energias positivas, assim como todo o local.
    Elas estavam em uma sala de jantar, nesta, havia uma longa escada de madeira, onde Mariane deduziu que levaria aos quartos.
    Pelo tamanho da mesa de jantar a garota também concluiu que moravam muitas pessoas lá. Mas o que faziam? Por que estavam lá?
    A mulher rapidamente responde as dúvidas que rondavam pela mente de Mariane:
    - É um lugar que recebemos pessoas em busca da salvação. Aqui buscamos entender os valores da vida, por meio de ensinamentos e atividades. Acreditamos que quem vem aqui foi mandado por Ele. – diz ela olhando para os céus. Fazendo Mariane logo entender que ela estava se referindo ao Senhor.
    - Certo. E qual o seu nome?
    - Se você desejar ir embora pela amanhã eu te digo o meu nome agora, mas se não, temos uma cerimônia de apresentações e eu gostaria que participasse.
    Mariane pondera por um instante. Não tem realmente para onde ir. Perdeu o todo o dinheiro. Precisava mais estar lá do que havia pensado.
    - Eu vou ficar. – diz segura.
    A mulher só sorri como resposta.
    - Está com fome?
    Ao ouvir essa palavra seu estômago roncou. Todo o cansaço e adrenalina haviam enganado sua fome mas agora ela vinha com tudo.
    A mulher sem nem precisar de uma resposta se dirigiu ao cômodo à esquerda e trouxe de lá uma cesta de frutas.
    - Pode escolher.
    A garota pegou a que estava mais próxima. Não queria abusar então pegou duas bananas de um cacho.
    - Obrigada.
    - Por nada. Agora eu vou te levar até o banheiro e te conseguir umas roupas novas.
    Mariane foi levada até um banheiro no lado oposto de onde ela estava na casa. Lá ficou esperando a entrega das roupas.
    A fora entregue pijamas brancos de malha, simples, portanto pareciam bem confortáveis. Estes juntamente com um kit banho.
    A garota agradece mais uma vez por tudo antes de se fechar no banheiro e começar a se despir. Havia um pequeno espelho lá e ela consegue ver o quão suja e acabada ela parecia. Seria estranho se ela não parecesse assim depois do dia que teve.
    Ela entra no chuveiro simpatizando-se com a água quente, toma um banho pouco reflexivo já que toda sua concentração ia para tentar se manter em pé devido ao sono excessivo.
    Mariane desliga o chuveiro, se seca e se veste após organizar o banheiro.
    A moça havia lhe dado direções até o seu quarto, lhe deixando bem claro que os outros no dormitório estavam dormindo e que a garota deveria ser silenciosa.
    O que já levou Mariane a pensar que ela não ficaria no quarto dos outros adolescentes que ela viu na janela.
    Bom ela estava errada tanto Mariane quanto a mulher.
    Um garoto e uma garota ainda estavam em pé e conversavam sussurrando.
    Apenas uma fraca luz vinda de uma luminária iluminava o local, então Mariane só via as silhuetas.
    A garota parece notar a sua presença e a orienta em direção a sua cama em meio a um sussurro quase não audível.
    Ela vê que na parte de cima de uma beliche tem um travesseiro e uma coberta grossa reservados à ela. Ela cai no sono no exato momento em que ela se apruma.
    Ela sonha com a sua antiga casa, sua mãe diz que ela deve ir pegar o que é dela. Mariane não entende muito bem o que ela quer dizer. Então sua mãe lhe entrega um objeto cortante, Mariane não consegue identificar o que é. A mulher, lhe dá orientações de matar um homem, dizendo que a vida dele à pertence. Mariane está muito assustada ela não sabe o que fazer. Portanto ela recebe forças e se nega. Quando ela se rejeita, sua mãe se dirige à ele com a mesma intenção que fora ordenada a Mariane. A garota grita, chorando e pedindo para ela parar.

    Capítulo 2- O primeiro dia

    Seus próprios gritos a acordam. Algumas pessoas a olhavam. Ela logo se sentiu desconfortável. Não sabia o que fazer.
    O quarto fica em silêncio por alguns instantes até que um deles, talvez o garoto acordado de ontem à noite, não sabia ao certo, lhe disse:
    - Se apresse, daqui à cinco minuto o sino toca.
    - Sino?
    - Café da manhã! – uma garota loira responde, um tanto animada demais para o humor atual de Mariane, que ainda tentava se recuperar de seu pesadelo.
    Mariane se levanta e vai fazer sua higienes matinais, indo para o único banheiro da casa que ela conhecia. Na fila do banheiro tinha uma senhora que parecia muito gentil assim como os outros naquela casa.
    Ela sorri para Mariane assim que a vê.
    - Bom dia. – cumprimenta a garota.
    - Bom dia criança! Olhe o sol nasceu tão lindo esta manhã! – diz a senhora enquanto aponta para a vidraça frontal. – Você já viu as flores como estão? Os botões estão pertinho de desabrochar.
    - Não vi. Na verdade, eu ainda não tive oportunidade de conhecer o lugar. – afirma a menina um pouco tímida.
    Nisto a porta do banheiro se abre saindo uma mulher morena lá de dentro que poderia muito bem ser uma modelo, ela deseja um Bom dia para a senhora e depois um para Mariane seguido de um cumprimento com a cabeça, esta retribui o cumprimento.
    A senhora se volta para Mariane estendendo o braço em direção ao banheiro.
    - Você ainda tem a muito a conhecer, pode ir na frente, é melhor não ter tempo à perder.
    A menina até tentou recusar de início mas a senhora insistia que ela fosse.
    Então ela foi e tentou fazer tudo o mais rápido possível para não atrasar tanto a senhora para o café.
    O garoto havia dito que o sino tocaria em cinco minutos, portanto Mariane não havia escutado nada, assim, chegou à conclusão que provavelmente haviam atrasos no preparo do café.
    Ao ver uma garota correndo com uma cesta de beterrabas confirmou sua teoria. Esta esbarrou em Mariane e gritou um pedido de desculpas. Ela deveria ter uns doze anos, tinha um sotaque pesado que não parecia ser do país.
    O lugar a intrigava, estava curiosa sobre tudo aquilo, já estava fascinada sem nem mesmo conhecer ou entender aquela comunidade.
    Resolveu dar uma volta, o cheiro da cozinha era ótimo, ela não conseguia reconhecer os aromas ao certo, mas já sabia que era um dos melhores que havia sentido.
    - Bom dia! – escuta alguém a dizendo logo atrás dela. Ela a mulher de ontem, ela estava sorridente e com uma aparência renovada.
    Mariane nem tem tempo de responder antes que uma folha fosse entregue à ela
    Ela dá uma breve olhada no papel e já entende de que se trata da rotina que ela deveria seguir, ela se lembrou que a mulher tinha falado algo sobre isso no dia anterior.
     - Bom dia. Parece que me livrei de ajudar no café da manhã de hoje. – diz em meio a um sorriso. Conhecia a mulher em pouco tempo e conseguia se sentir confortável perto dela.
    A vida que teve sempre a fez ter dificuldades em confiar nas pessoas e ver sempre o lado ruim delas. Mas com essas pessoas era diferente e ela ainda não conseguia entender o porquê. No momento nem queria, o que procurava era absorver as energias positivas que transbordavam daquele lugar. Ela se perguntou se um dia transmitiria tanta paz quanto as pessoas que ela já havia conversado dali transmitiam. Ela sentiu que havia achado o lugar certo.
     - Ainda há tempo, vejo que estamos atrasados hoje. – diz após analisar o andamento do trabalho. – Uma mãozinha a mais cairia bem. Duas na verdade, vou ajudar também!
    - Esse tipo de ajuda sempre é bem-vindo! – diz uma garota mais velha. Ela se assemelhava muito com a garotinha que passara correndo por Mariane, com um sotaque muito parecido, porém muito mais carregado.
    Mariane estava curiosa e já estava começando a refletir e criar teorias sobre as histórias de vida das pessoas que ali estavam.
    Quando se aproximou da pia em que o café estava sendo preparado um moço ruivo lhe estende uma beterraba e uma faca.
    Ela pega e começa na jornada de tentar descascá-la, a verdade é que nunca havia feito isso anteriormente, portanto, achou que havia arrasado para uma primeira vez.
    Mesmo superando suas expectativas com a sua habilidade de descascar, foi repreendida pelo mesmo moço que a entregou a beterraba.
     - Não toleramos desperdício aqui. – disse severo. Ele aparentava realmente ser um chefe de cozinha.
    Mariane não achava realmente que havia desperdiçado tanto assim, mas de qualquer forma se desculpou.
    O chefe após ouvir as desculpas da garota a pede para ir ao armazém pegar algum tipo de tempero que a garota não sabia realmente como era, até pensou em perguntar, portanto não queria irritá-lo ainda mais e também concluiu que poderia se virar.
    Chegando lá ela encontra uma garota perto dos armários com um bloquinho em mãos analisando as comidas.
    Aproveitando a oportunidade Mariane pediu auxílio com os temperos, a outra lhe atendeu de bom-grado. Mariane ainda não sabia ao certo se o negócio de não dizer os nomes era uma regra, então arriscou:
    - Obrigada... Hum... qual seu nome?
    - Eu tenho quase certeza que essa é a primeira vez que eu vejo seu rosto por aqui, então antes de responder eu tenho que ter certeza que você passou pela cerimônia de apresentação.
    - Não ainda. Eu posso saber o que é essa cerimônia e quando irá acontecer?
    - Não sei se posso dar muitos detalhes mas acho que vai ser no café da manhã. De qualquer forma seja Bem-vinda!
    - Obrigada.
    Mariane estava começando a ficar curiosa e um pouco confusa. Por que as pessoas não poderiam simplesmente anunciar seus nomes de uma maneira casual?
    De qualquer forma não teria muito tempo para teorizar, já que o chefe não estava pegando leve com a garota.
    De qualquer jeito, quando Mariane começou a ajudar, não faltava tanto para o fim da realização do café, então logo eles terminaram.
    Ela iria ajudá-los a colocar tudo na mesa, quando é abordada pela mulher que a acolheu lá, ela parecia ser quem comandava o local, então enquanto Mariane não tinha uma nome para ela escolheu chamá-la de dona. Não sabia realmente se era a dona de lá, mas o apelido era provisório.
    - Vejo que está usando as mesmas roupas de ontem.
    - Pois é. – isso despertou um clique na mente da garota, ela havia se esquecido completamente da mochila. A estrada em que ela estava andando não era lá muito movimentada, o que ainda lhe dava esperanças de reavê-la. – preciso voltar na estrada para verificar se a minha mochila ainda está lá, eu meio que a derrubei no barranco.
    - Certo. Me informaram que você estava fugindo de alguém ontem, por segurança vou pedir para alguém ir com você.
    - Certo, muito obrigada. – Ela se sentia muito grata pela preocupação e maneira que estava sendo tratada. Não achava nem que poderia chegar a se acostumar.
    - De qualquer forma, eu vim falar com você pois aqui nós nos disponibilizamos para fornecer roupas que se adequam ao nosso estilo de vida. Devido as variadas atividades físicas que serão aqui realizadas uma roupa confortável é sempre bom.
    - Seria ótimo. Obrigada.
    Não conseguia parar de agradecer. Será que eles exigiam algum tipo de pagamento pela estadia ali? Ela resolve saciar sua dúvida, já que, mesmo se encontrasse a mochila não teria muito dinheiro.
    - Eu vou ter que pagar para ficar aqui? Digo...
    - Saber que estamos ajudando pessoas e as orientando para o caminho da fé já um pagamento suficiente, e aqui ninguém fica na preguiça, temos tarefas a realizar, então se quiser usar isso como forma de pagamento, sinta-se à vontade. – diz, fazendo a garota nem precisar de terminar a sua fala.
    Mariane só balança a cabeça diante das afirmações.
    - Bom. Eu acho melhor você ir buscar a sua mochila primeiro, antes de tudo. Vou chamar uma pessoa para ir com você, ela também é nova aqui. Mas já conhece o local e pode apresenta-lo a você.
    - Ok. Obrigada mais uma vez. Quero que saiba que sou muito grata pelas coisas que está fazendo por mim.
    - Não me agradeça, agradeça ao senhor.
    Mariane pensou um pouco sobre o que ela falou e mentalizou um: “Obrigada Senhor. Pelo recomeço.”
    Não sabia se estava fazendo tudo corretamente, mas o agradecimento foi de coração.
    A garota indicada para ajudar Mariane apareceu. Dava para saber que ela nova ali, sua energia era diferente, parecia uma rebelde e sua aparência contrastava com o local.
    - Oi. – cumprimenta Mariane um pouco receosa.
    Sabia que era errado julgar por aparências, mas o estilo da garota lembrava as pessoas de sua antiga vida.
    - E aí? Bora rodar? – seu vocabulário era estranho, o sotaque era nacional, mas a garota não sabia de onde era.
    Mariane ficou uns minutos em silêncio ponderando. Achava que conhecia a garota de algum lugar, sua feição era familiar.
    - Ei, eu não mordo. Relaxa! Só porque não me rendi aquelas roupas cafonas que você deve se assustar.
    Mariane hesita um pouco, mas concorda com a cabeça e elas seguem em silêncio. Quando estão no lado de fora Mariane pondera se é mesmo seguro ir até a estrada com essa garota. Várias incertezas rondam sua mente: “E se esta não for a garota que a Dona pediu para vir e sim uma espiã que sua mãe mandou para lhe raptar de volta?”.
    “Não”. Pensou racionalmente. A mulher não se daria o esforço. Estava sendo paranoica.
    Tirada suas conclusões Mariane diz:
    - Eu esqueci uma mochila na beira-estrada. Gostaria de vir comigo tentar recuperá-la?
    - A uma hora dessas a mochila já deve ter dançado, mas já que você faz questão.
    - Não custa nada tentar.
    - Uhum, e qual o seu nome?
    Mariane havia acabado de se convencer que a garota não era nada do que ela estava pensando, mas todos ali sabiam que era regra não saber o nome até o dia da apresentação, ao ouvir a pergunta ela gelou na hora. Provavelmente não era sua mãe que haveria enviado essa garota, Mariane havia feitos inimigos ao decorrer de sua vida. Poderia ser alguém procurando vingança contra a sua mãe, ficariam frustrados ao saber que ela nem se atingira se soubesse que a filha foi ferida.
    A garota achou mais seguro não responder. Não queria mentir, não queria fazer nada das coisas que um dia fora forçada a fazer. Não se sentia bem consigo mesma e ela havia finalmente achado um lugar que a acolheu, um lugar repleto de paz, harmonia, um mistério ainda para garota, mas acima de tudo um lugar onde ela não era forçada a fazer mal à ninguém.
    Ponderou um pouco. Se voltasse correndo provavelmente a garota levaria a sua mochila e iria embora. Se continuasse a garota poderia matá-la ao chegar lá em baixo. Poderia fingir uma queda e checar suas botas a procura de alguma faca ou pistola, se ela a encontrasse, desarmaria a garota e correria até o barranco, pegaria a mochila e depois tentaria contornar o morro. Odiou o plano. Quando o bolava em sua mente percebeu que era mais um dos planos, os quais sempre envolviam enganar e trabalhar sozinha. Olhou em sua volta e percebeu a quantidade de pessoas que ali estavam, não se sentiu tão sozinha, começou a achar que não precisava fazer tudo sozinha.
    Talvez pudesse convidar algumas pessoas para uma caminhada, seria uma boa oportunidade e assim a outra garota não a machucaria na frente de bastante gente e também poderia conhecer as pessoas dali.
    - Então você é do clubinho do não posso falar meu nome. Minha apresentação é hoje também e finalmente essa palhaçada vai acabar. – disse a outra resmungando ao não obter uma resposta.
    Mariane não estava comprando o seu teatrinho e iria colocar o seu plano em prática.
    - Poderíamos convidar algumas pessoas para andarem por aí com a gente, certo? Pessoas mais experientes, nós duas somos novas aqui afinal, poderíamos fazer amigos.
    - E a gente vai sair por aí perguntando se as pessoas querem dar um passeio? Sai dessa.
    Isso só aumentou mais as suspeitas da garota.
    - É e qual é o problema?
    - Eu acharia estranho se alguém que eu nunca vi na vida me chamasse para “passear”, é muito desespero.
    - As pessoas daqui são legais elas provavelmente vão querer. Quem não gosta de um passeio pela manhã?
    - Sim gênia. A única coisa que você esqueceu é que daqui alguns minutos será o café da manhã todo mundo está com fome e eu também então vamos logo.
    - Se isso é um problema para você então vá comer, eu me viro.
    - Ok, se vira. – ela disse bufando e indo embora.
    Então se ela foi embora é porque não planejava fazer nada com Mariane na estrada. Estava sendo paranoica. Sentiu raiva. De si mesma, da vida que levou, de sua mãe.
    Enquanto a garota se afastava Mariane a gritou:
    - Espera! – disse enquanto corria de encontro a garota.
    - Qual o seu problema garota? – perguntou a outra confusa e irritada.
    - Eu estava te testando. – disse controlando a respiração.
    - O que? – perguntou irritada. – e eu passei no seu teste?
    - Eu estava errada sobre você.
    - É? Que ótimo eu não ligo, tchau.
    Segundos depois o sino tocou. Mariane decidiu que teria que se desculpar mais tarde já que a mochila corria perigo e não queria perder a apresentação.
    Correu até o barranco e voilá, não é que a mochila ainda estava lá?
    Após recuperá-la se colocou na tarefa de subir todo aquele morro novamente. A verdade é que não estava tão cansativo e complicado como da última vez. Ainda estava com pressa e planejava chegar à tempo. Mas o desespero com certeza era menor.
    Chegou ao topo já ofegante mas mesmo assim não parou de correr e só desacelerou quando passou pela porta. As pessoas ainda estavam comendo.
    Mariane sentou em uma das cadeiras aliviada por ter chegado à tempo, alguém a passou um pão, a qual o pegou e o devorou agilmente, estava ótimo.
    Enquanto terminava de devorar o seu pão a dona a repreendeu.
    - Você perdeu a oração. Então deve fazer uma prece silenciosa antes de comer.
    - Eu não sei como na verdade... – disse um pouco triste.
    - Não tem problema. Todos sabemos internamente como fazer, mas depois nós poderemos te ensinar.

    Capítulo 3- A cerimônia dos nomes
    Mariane deu uma revirada pelo pensamento sobre os últimos dias, nunca havia se sentido tão livre e com força de vontade para fazer algo. As coisas que antigamente ela teria que fazer de nenhuma maneira eram coisas que ela fazia por querer. Soube no momento em que colocou os pés naquele lugar, ou melhor, no momento em que avistou o lugar que ela havia sido enviada lá por Deus. Estava segura disso. Sentia-se protegida. Expressou seus agradecimentos por meio das sensações e para depois tentar: “Só estou aqui hoje por conta do Senhor, que me livrou daquela antiga vida, sou muito agradecida por tudo, pela comida maravilhosa que estou aqui provando e pelas também maravilhosas pessoas que estou cercada. Obrigada, obrigada e mais uma quantidade absurda de obrigadas impensáveis.”
    Após tê-lo feito pegou o pão da mesa e terminou de comê-lo, desta vez de maneira menos gulosa.
    Terminou o pão e quando ela estendeu a mão em direção à uma fruta, a Dona se dirige à ela:
    - Já que as duas recém chegadas estão aqui seria uma boa hora para começarmos as apresentações.
    As pessoas que conversavam alegremente se silenciaram todas, isso era algo realmente importante para as pessoas dali.
    Dona pigarreia e começa:
    - Conforme nossa estadia aqui vamos nos descobrindo e revelando o nosso melhor lado e vivendo e trabalhando com ele e apenas com ele. Nisso vamos descobrindo no que mais contribuímos para uma vida de pureza e em comunidade. Eu por exemplo sou a harmonia. Ele é a união. Ela é a esperança. Ela a luz. Ele a força. Ela a sabedoria. Ela a natureza.  Ela a alegria – dizia enquanto apontava para as respectivas pessoas. – quando descobrirem seus nomes ou em que contribuem me falem. Nem sempre o que você escolher será aceito e nem sempre concordaremos que estão prontos para terem seus nomes, mas por enquanto vocês podem usar os seus nomes verdadeiros, ou, se sentirem mais à vontade, um codinome qualquer da preferência de vocês.
    Mariane havia achada a ideia de um codinome interessante. Pensou em algum nome que gostava. Teve um relance de memória de sua infância, uma melhor amiga que ela nunca mais viu, seu nome era Ayla.
    Foi o que Mariane teve que era mais perto de um laço verdadeiro resolveu fazer uma homenagem à garota que ela não fazia ideia de como estava.
    Mariane havia ponderado um pouco sobre seu nome mas a outra garota havia sido rápida:
    - Sou Alexa. – Mariane, ou Ayla agora, achava que o nome combinava com ela, com a sua personalidade.
    - Eu sou Ayla.
    Muitos cumprimentos vieram em seguida de várias outras apresentações, com vários nomes ou codinomes, ninguém sabia ao certo.
    Depois da tão falada apresentação eles teriam um período de descanso, o qual Ayla pensou que seria um bom tempo para explorar o lugar por si só, já que havia espantado a última guia.
    Saiu da sala de jantar até o exterior contornando a casa, o lado traseiro era gigante. Ao longe ela avistava uma paisagem de plantações bem diversificada.
    Mais próximos à ela os botões citados pela senhora da fila do banheiro. Alegria, tinha quase certeza que era esse seu nome.
    Foi tomada pela curiosidade de explorar o lugar se atendo aos detalhes. Os botões estavam lindos e ela se informaria quando seria o desabrochar, não poderia perder.
    A natureza estava ótima, inabalável. Transmitia uma energia boa, o cheiro era puro, natural.
    Sentou-se na grama e sentiu-a com as mãos, era tudo tão inocente. Tão bom.
    Saiu de seu estado de êxtase por um instante. Ainda não deixava de estar tão admirada com tudo. Mas agora tinha outra pessoa sentada ao seu lado. Era Alexa.
    - Foi mal. – disse Alexa.
    - Não, tudo bem. Eu que desconfiei de você sem motivos válidos.
    - Eu, mais do que a maioria, deveria entender sobre paranoias e coisas do tipo. Também não tive uma vida fácil.
    Ayla só balançou a cabeça em afirmação. No momento queria ficar à sós com a vegetação. Porém não achava legal perder uma oportunidade de se reconciliar com a nova hóspede, sua potencial futura amiga.
    - Eu vim aqui para tentar um novo recomeço. E eu sei que não quero rixa com ninguém daqui, quero gostar das pessoas ao meu redor, eu sempre soube que não era feita para estar no lugar onde estava no passado.
    - Onde estava? – perguntou Ayla numa conversa casualmente.
    - Éramos parte do tráfico, eu já tinha nascido no meio disso, odiava tudo, um dia uma mulher do conselho tutelar me encontrou e me deixou com uma família, a minha primeira família, a biológica, tinha todos os seus problemas, mas pelo menos eu sentia que eles me amavam, os outros só me quiseram por conta da pensão que receberiam do governo. Eles eram péssimos, estava envolvida em muitas coisas quando fugi, coisas da qual não queria fazer parte, me fazia de durona, mas na verdade não tinha muita voz para fazer o que eu realmente queria. Então eu finalmente juntei uma grana e me mandei. Fiquei em uma outra cidade, na casa de uma “amiga” – diz ela fazendo cara de nojo junto com uma vozinha enquanto diz amiga. – ela era bem falsa, por eu estar ficando na casa dela me fez de empregada, me arrumou um emprego em período integral, até aí tudo bem, mas ela não lavava um prato e nem trabalhava legalmente, só fumava e não fazia nada o dia inteiro. Um dia ela me fez pagar todas as contas dizendo que estava em dívida e depois me chutou. Então eu, na pobreza, desolada, encontro, em uma padaria aonde eu clamava por emprego, após ter sido demitida do outro lugar por ter sido vista dormindo na rua, uma mulher que disse que tomaria conta de mim e arranjaria algo que poderia ser considerado um emprego. Não fazia ideia do que ela se referia com isso, parecia confiável, mas não sou assim tão fácil de se confiar. Ela explicou tudo de maneira razoável e eu fui, não tinha muitas opções e sabia que precisava ser salva. Ainda assim, só me conformei quando vi a casa, as pessoas e tudo que acontece aqui.
    - Já é um meio caminho para a superação. – disse sorrindo. – digo, vir aqui se desculpar, está entrando no clima. Querendo mudar.
    - Sim. Espero muito que esse lugar não seja nenhuma furada.
    - Você não acredita realmente nisso... – diz Ayla, afirmando em um tom de pergunta.
    - Não, eu não acredito. – diz Alexa sorrindo. Era a primeira vez que a garota a via fazê-lo. – Olha essa energia toda!
    - Eu sei bem do que você está falando. – responde Ayla contagiada pela felicidade repentina da outra.
    Elas continuam apenas observando a natureza até Ayla se lembrar de suas tarefas cotidianas e começar a colocar a mão na massa.

    Capítulo 4- Conhecendo o Alegre
    A primeira tarefa é no celeiro. Se havia um celeiro, haveria cavalos lá, Ayla nunca havia cavalgado. Portanto, ainda achava-os majestosos e seria uma realização algum dia poder.
    Sua tarefa era carpir o celeiro, tirando as palhas velhas e trocando-as por novas. Não parecia tão difícil e realmente não era, mas era deveras cansativo, ainda mais sobre o pensamento de que ainda teria diversas outras coisas pela frente.
    Apenas Ayla habitava o celeiro no momento, então estranhou quando ouviu um barulho. Quando ao longe vê um cavalo se assusta. Não tinha experiência nenhuma com eles. Se ele fosse atacá-la qual seria melhor opção de defesa? Ayla pensou melhor e respirou fundo. O animal não parecia que iria atacá-la, muito pelo contrário, a encarava com um olhar até muito soturno. Ayla arriscou e foi chegando perto. Pegando um pouco de palha em um bloco pelo caminho e foi diminuindo o passo enquanto chegava mais perto. Com a proximidade Ayla foi tentar acariciar o cavalo, que de início relutou, mas depois se deixou levar.
    - Parece que conheceu Alegre! – escutou uma voz masculina vindo de algum lugar atrás dela.
    Ela se vira e encontra um homem de meia-idade com um chapéu-caubói, camiseta de flanela e botas.
    - Sim. – responde ela. – ele é adorável.
    - A maioria gosta dele. Ele fica bastante no celeiro, gosta bastante de comer. Mas é um bom cavalo.
    - Anotado. Se der eu der comida para ele então talvez consiga mais credibilidade com ele. – diz em tom brincalhão.
    - Então lá vai mais um dica, cavalos comem palha, mas o alegre adora maçãs em específico, então se conseguir umas ele com certeza vai querê-las.
    - Obrigada pela dica! Será que um dia eu posso montar nele?
    Ele ponderou por alguns instantes.
    - Não costumamos prender nossos animais, à rédeas ou qualquer coisa que possa o machucar, então você estaria se colocando em risco se quisesse montá-lo, pois não teria qualquer controle. Se você quiser mesmo isso, tem que saber dos perigos, e antes de mesmo tentar é melhor ter uma conexão com o cavalo antes.
    Ayla ficou um pouco relutante e decidiu que esperaria um pouco para montá-lo, provavelmente até se tornarem amigos.
    - Certo. Vou dar o meu melhor para isso acontecer o quanto antes.
    - Qual a sua tarefa de agora? – perguntou o homem.
    - Já estou terminada com o celeiro, agora estou indo para as plantações.
    - Gostaria de trocar comigo? Assim você conseguirá mais intimidade com o Alegre.
    - Qual a sua tarefa?
    - Alimentá-lo, levá-lo ao estábulo, escová-lo e depois soltá-lo.
    - Seria uma ótimo. Obrigada, o senhor é muito gentil!
    Ele só sorriu e me deu uma breve explicação de como realizar as tarefas com êxito.
    Após ter escutado às instruções atentamente, Ayla se dirige ao estábulo e o alimenta ao mesmo tempo, já que o cavalo se recusava a ir por boa vontade a garota ia deixando uma trilha de feno até o estábulo. Quando chegaram lá, ela foi escovar o seu pelo, um tanto quanto sedoso para um cavalo.
    Lá ela encontrou um velhinho que sorria ao conversar com o seu cavalo. Era um cavalo pequeno e marrom, ele e o seu dono pareciam amigos de longa data já que o cavalo parecia ser bem velho também.
    Ele não parecia notar a menina ali, ela não estava falando nada então não o culpava por isso.
    A garota acorda de seus devaneios quando seu cavalo relincha, parecendo relutar ao penteado à pelagem acobreada pela primeira vez desde que chegaram.
    - Calma garoto... – disse Ayla tentando, relutantemente encostar no cavalo, que após um pequeno movimento brusco do mesmo desistiu.
    Ao decorrer da situação que o velhinho pareceu notá-la ali.
    - Não, não, não. – diz ele exigente.
    Ayla se vira de súbito.
    - Não é assim que você se comunica com um cavalo.
    - Então como é?
    - Você não pode sentir medo dele, não me diga que está com medo do alegre?
    - Um pouco talvez.
    - Não tenha. Venha cá. – disse ele a conduzindo para frente do cavalo. – agora faça contato visual.
    A garota obedeceu, sentia uma conexão com o cavalo e agora estava menos relutante.
    - Bom. Bom. Bom. – elogiou o velhinho, claramente feliz por ter ensinado algo.
    Após segundos disso, ele diz:
    - Agora você pode tentar tocá-lo, se ele relutar um pouco, não se preocupe. Se relutar muito, comece do zero. Até mais e que Deus esteja convosco!
    - Certo. – ela não sabia muito bem o que responder, jamais havia sido abordada daquela forma, então repetiu o que o velhinho havia lhe dito:
    - Até mais e Deus esteja convosco! – diz ela sincera enquanto o velhinho se retira.
    Desvia o olhar do velhinho, para se dirigir ao cavalo, este ainda a olhava atentamente. Ora, talvez conseguir uma conexão com este seria mais fácil do que pensara. Ou era o que a menina achava, já que ao colocar a mão em seu chanfro, o cavalo bufou.
    “Sem medo”, mentalizou a garota. Ela insistiu, sem hesitação e logo o seu futuro amigo cedeu.
    - Bom Alegre! Logo logo seremos eu e você, correndo por esses campos. –diz Ayla com uma felicidade genuína.
    A garota mentalizou a sensação, com o vento batendo em seu rosto e a sensação de liberdade se reafirmando. Mal podia esperar para quando chegasse a hora, iria se esforçar para que acontecesse o quanto antes.
    - Está na hora de te soltar, mas não pense que não iremos nos esbarrar por aí! – O cavalo relincha, como se dando uma resposta. Talvez tenha sido “claro, mas volte com umas maçãs da próxima vez.”. Ao pensar isso e se ver sorrindo, Ayla chegou à conclusão de que havia perdido a sanidade, ou recuperado seu bem-estar. Tudo da melhor maneira possível.
    Após abrir as portas do estábulo, deixando Alegre sair. Ela tira de seu bolso a lista de Alegria. A próxima tarefa era na cozinha.

    Capítulo 5- Conhecendo os moradores da casa
    Havia terminado as tarefas com o Alegre um pouco mais cedo. O que deixaria um tempo para a garota se limpar antes de começar os afazeres na cozinha. Com certeza o chefe se zangaria se a mesma fosse lá do jeito em que estava agora.
    Ela volta para o interior do casarão e se dirige para o banheiro para se limpar da melhor maneira possível. Ao sair se deparou com a senhora que ela havia encontrado pela manhã, Ayla a avistou e sorriu para a mesma. A senhora prontamente disse:
    - Olá minha querida! Vejo que é um rostinho novo por aqui. – diz cumprimentando sorridente.
    - Oi! Vi os botões hoje, são mesmo lindos.
    - Ora! Você nem precisou de mim para alarmá-la sobre a existência deles. Eu falo deles para todos, e é bom ver alguém que também os aprecia.
    Ayla só fica olhando para a senhora sem entender muito, bem após fazer um balanço sutil com a cabeça e se despedir. A senhora havia sim alarmado Ayla sobre os botões e agora ela agia como se nunca a houvesse visto. Talvez apenas tivesse uma memória fraca. Mas esse pensamento não cessou a preocupação de Ayla, esta iria se informar melhor depois. Talvez conseguisse algo na cozinha.
    Ao chegar lá teve pouca conversa e muito trabalho, não foi necessário perguntar, foi ela chegar na cozinha que um peixe foi dado à ela, seu trabalho era limpá-lo e fatiá-lo. Enquanto o fazia recebia várias broncas do chefe. Ele era bem exigente. Após terminado o processo uma garota que também estava na cozinha a chamou para conversar.
    - Oi. – se lembrou prontamente da garota após apenas suas palavras serem ditas, era uma das irmãs estrangeiras. – não se ofenda, o chefe pode ser rigoroso, mas você vai aprender rápido. –Ayla não estava realmente ofendida, o chefe em comparação às antigas pessoas de sua vida era um doce.
    - Está tudo bem. Obrigada. Não é com ele que me preocupo. – diz aproveitando a oportunidade para perguntar sobre a senhora. – está tudo bem com a senhora dos brotos?
    O olhar da garota se entristeceu.
    - Ela tem uma doença que a faz esquecer das coisas. Mas Deus está com ela e eu sei que ela está feliz e vai continuar assim e é tudo o que importa. Nós temos fé e sempre estaremos aqui por ela.
    Ayla se entristeceu junto, mas sabia que a senhora ficaria bem de algum jeito.
    A outra garota se recompôs, respirou fundo e deu um sorriso fraco.
    - Você é a Ayla, certo? – pergunta mudando de assunto.
    - Sim.
    - A Nature estava ansiosa com a nova aprendiz, ficou bem triste que você não foi para as plantações hoje.
    - Eu também estava empolgada com as plantações, mas um senhor no celeiro me cedeu o trabalho dele para eu conseguir passar mais tempo com um cavalo, o Alegre.
    - Ah sim! O Alegre é um cavalo muito bom, um dos mais brincalhões, mas dos mais difíceis de cuidar, ele costuma gostar de correr por aí!
    Ayla apenas respondeu com um sorriso.
    - De qualquer forma eu acho melhor eu ir me explicar com a Nature. Apesar de que provavelmente o homem no celeiro já deve ter avisado algo para ela, se ela estava me esperando e ele apareceu no meu lugar, talvez ela nem tenha percebido, de qualquer maneira acho melhor fazer isso por mim mesma, sabe?
    - Ok. Eu acho que ela está no jardim, pelo menos foi por lá que eu a vi pela última vez.
    - Obrigada... Qual seu nome?
    - Sou Martha. Se houver qualquer dificuldade, saiba que sou uma ótima ouvinte e se tiver problemas com suas tarefas ou com o local em si que eu também posso te ajudar!
    - Certo. Obrigada de novo Martha! – disse se despedindo.
    Ayla achava que cada vez mais a energia do local atingia e que como uma ótima consequência estava se tornando como aquelas pessoas eram.
    Caminha em direção ao jardim à procura de Nature.
    A garota carregava com muita dificuldade um balde de terra, era a única lá presente, então muito provavelmente era Nature, Ayla desconfiava que esse era o seu “novo nome” apesar da garota aparentar ser bem nova.
    - Nature? – Ayla pergunta.
    A garota levantar o olhar e estreita os olhos:
    - Ora, ora vejamos que é alguém que eu nunca vi na minha vida. Você é a Ayla, certo?
    - Sim. Eu queria me desculpar por não aparecer, mas eu tenho uma boa desculpa.
    - Um minuto, eu só tenho que tentar levar esse balde de terra, que ninguém, veio me ajudar a levar. – diz ela olhando para trás com uma careta.
     O garoto que estava um pouco mais atrás cuidando de umas Begônias, prontamente se levanta e vem correndo desengonçadamente para ajudar Nature.
    - Agora não precisa mais, mais eu aprecio a força de vontade.
    Ele apenas a ajudou a colocar o balde no chão.
    - Oi Ayla! Eu tinha planejado uma super apresentação das flores e da natureza e hoje você aprenderia os bens da natureza do seu primeiro dia de tarefas, mas tudo bem. E eu aprecio você ter vindo aqui no seu tempo livre para vir se desculpar. Mas já que você está aqui e não compareceu às plantações hoje, nada mais justo do que uma forcinha aqui no jardim, certo?
    - Hm... – Ayla fez uma careta de leve forçada. – claro! – respondeu com um sorriso. Sua próxima tarefa ainda seria daqui um tempo e ficar lá seria adorável. O cheiro de rosas se espalhava pelo local, um misto de diversos tipos, que formavam uma aroma maravilhoso. Reforçando toda a magnitude do local.
    Nature sorriu, satisfeita com a nova ajudante e aprendiz. Ela apontou para o balde de terra.
    - Aqui tem terra fresca. Esse tipo de flor. – disse ela apontando para outro lugar. – não é aconselhável regá-la, então em vez disso, colocamos lama em volta dela.
    Ayla só balança a cabeça, esperando sua próxima tarefa.
    - Hora de sujar as mãos!
    Cada um dos três lá presentes pegou uma pouco de lama fresca gelada, Ayla apenas copiava o que os outros dois faziam.
    O trabalho já estava quase terminado quando Ayla perguntou a hora para se direcionar até a o casarão para se encontrar com Alegria. Esta dissera que ensinaria a coisa mais importante que Ayla poderia aprender o que havia deixado a garota curiosa e pensativa. “O que é a coisa mais importante que alguém pode se aprender”? Por ora, a garota desistiu de pensar sobre isso, já nada que fosse suficientemente convincente à vinha a cabeça.
    Quando Nature lhe informa que já são quase 12:00. Ayla diz que precisa ir, e que havia apreciado muito o tempo em que havia cuidado das plantas.
    Chega na parte cimentada do casarão e lava os pés e as mãos antes de entrar pela cozinha, para não sujar a casa sem querer e tomar uma bronca enorme do chefe.
    Ayla espera Dona Alegria na sala por alguns minutos, não conseguindo conter a curiosidade. Logo ela chega e diz:
    - Ayla. Hoje você vai aprender algo muito importante. A dádiva da oração. – diz Alegria sem rodeios.
    Ayla, nunca soubera como orar, nunca fora ensinada e sentia que Dona Alegria sabia disso, era uma honra aprender e Ayla não via a hora.
    - Venha comigo. Vamos sair para um passeio!
    Caminharam pela entrada dos fundos a fora, a brisa quente do meio dia as atingiu em cheio, junto com cheiro da vegetação, o céu estava lindo, extremamente azul e com o sol radiante acima de suas cabeças.
    Dona Alegria pergunta:
    - O que você vê?
    Ayla estranha a pergunta.
    - Como assim?
    - O que você vê? – Dona Alegria repete a pergunta com uma voz firme.
    - Hum... – diz Ayla ganhando tempo para pensar e olhar em volta. Avistou duas pessoas felizes sentada na grama, rindo uma para outra, avistou a senhora dos brotos, olhando para eles alegremente e aquilo lhe aqueceu o coração, lhe deixando extremamente feliz, com os mínimos detalhes lhe mostrando que cada coisa importava sim. Sem contar com toda aquela beleza natural que habitava no local.
    Ayla contou tudo o que viu e pensou para Dona Alegria.
    - Eu gosto do modo que vê as coisas, menina. Venha.
    Ayla continua caminhando até que se abaixa em uma pequena flor.
    - O que acha disso?
    - É muito bonita.
    - Cresceu aqui no meio do campo. Como você acha que cresceu?
    Para Ayla Dona Alegria estava meio estranha cheia de perguntas que deixavam a garota confusa.
    - Da maneira usual como plantas crescem?
    - Sim. Mas como?
    - Me desculpe, mas não prestava tanta atenção assim nas aulas de biologia.
    - Elas absorvem a água e os nutrientes pelas raízes vão do caule às folhas, ficam com os nutrientes que precisam e o resto da água liberam pelas folhas. É um processo muito mais longo que isso e eu ficaria meses tentando te explicar tudo. Mas o que eu quero dizer é que é na natureza, tudo é muito certo. Quem você acha que fez tudo isso?
    - Deus. – responde a menina. Sabia que era.
    - Sim. Falar com Deus, é algo muito importante, escutá-lo também. É um dom, porém que pode ser aprendido.  É o motivo de eu ter lhe trazido aqui, vou ensiná-la, se você quiser é claro. Para isso você precisará abrir muito sua mente, e principalmente, o coração.
    Ayla balança a cabeça em afirmação, queria sim, seria uma honra.
    - Bom, em algumas noites especiais nós nos reunimos do lado de fora para fazermos orações. Lá nós oferecemos agradecimentos, superações e metas. Gostamos de ouvir os recém-chegados, alguns são muitos sábios, porém ainda precisam de uma ajudinha para conseguir com que essa sabedoria floresça. Gostaria que já pensasse nessas três coisas. Pode vir falar comigo, se não chegar a uma decisão, mas pense bem.
    - Ok. E o que mais faremos nesse lugar? – pergunta Ayla empolgada com toda nova informação.
    - Bom, isso você vai descobrir lá. Ainda precisa aprender a como orar à noite ou nas horas oportunas. É simples, abra o seu coração, escute lá dentro. O que você precisa melhorar, o que você precisa pedir, para viver melhor, de maneira mais altruísta, com mais paz, menos rancor. Seus incômodos, agradecimentos, tudo. Converse com Deus, com ao anjos, santos. Temos o anjo Gabriel, Miguel. Com os santos temos Paulo, Pedro, Maria. Você pode conseguir mais informações com todos daqui e com certeza você vai conseguir mais informações com sigo mesma.
    Dona Alegria mostrou algumas orações, mais utilizadas para Ayla como um complemento e depois, ao som do sino a convidou para irem jantar.
    Ao chegar à mesa, Ayla reconhece a oração, é a mesma que Dona Alegria havia acabado de ensiná-la. Ainda não sabia como rezá-la inteira, mas completava com algumas palavras timidamente.
    E então, após soltarem as mãos a refeição começou.
    Ayla pegou a primeira colher para se servir, colocou a sopa no prato, com o cheiro maravilhoso daquele alimento abençoado lhe preenchendo as narinas. “Obrigada Senhor, pelo alimento bom e honesto”.  Não era sempre que comia aquele tipo de sopa antes e comer sem se sentir culpada era algo muito bom.
    O sabor estava igualmente extraordinário, já havia passado um tempo naquela cozinha e sabia o quanto a comida era feita com amor e esforço.
    Alguém a oferecia um copo d´água enquanto Ayla bebia a sopa. Não sabia ainda muito bem reconhecer todos, ainda iria.
    - Obrigada...como eu te chamo? – pergunta Ayla, na esperança de uma nova amizade.
    - De nada, eu sou o Rick e você é a Arla, não é? – perguntou o garotinho ruivo com um sorriso largo.
    - Na verdade é... – Ayla foi interrompida por uma risadinha inocente.
    - Eu sei que é Ayla, Marine já me corrigiu muito essa manhã enquanto estávamos falando de você.
    - Ah é? E o que estavam falando de mim? – perguntou garota forçando um olhar assustador de brincadeira.
    - A gente só estava comentado que era legal chegar gente nova! É verdade! – afirmou o garotinho fazendo um maior número de afirmações com a cabeça do que se era realmente necessário.
    - Eu sei, só estou brincando. Então quem é a Marine?
    - Ela não está aqui. – disse o garoto com uma cara suspeita e prendendo o riso.
    - Então aonde ela está? – perguntou Ayla, estreitando os olhos.
    O garoto espremeu os lábios e fez um zíper, como quem não se conta as coisas. Ayla abriu o zíper imaginário.
    - Eu até posso te contar mas Marine ficaria brava.
    - Ok. Então você é um amigo fiel.
    - Sim... olha me desculpe, mas a Marine ficaria muito brava comigo se eu te contasse que ela escorregou na lam... – o garotinho cobriu a boca na hora e encarou Ayla com os olhos arregalados.
    - Ops. – diz Ayla. – mas está tudo bem, o segredo de Marine está a salvo comigo.
    - É sério? – perguntou ele suplicante.
    - Sim. – disse Ayla fechando a boca com um zíper. O garoto imitou o gesto e abriu um sorriso imenso.
    - Nossa a Marine ficaria tão brava se descobrisse que eu te contei que ela... – Ayla o interrompeu com um “shh”.
    O ele cobriu a boca de novo e bateu na testa.
    - Acho que é melhor você evitar tocar assunto, se quiser que o segredo se mantenha a salvo.
    - Acho melhor eu ficar quieto o tempo todo! – diz ele como se acabasse de ter uma ideia genial.
    - Eu não acho que seja a melhor decisão.
    - É. Eu também não. Seria muito chato.
    - Seria. E assim, você não poderia me contar todas as traquinagens e aventuras que você e a Marine passam por.
    Ele deu um risinho.
    - Isso tudo é confidencial.
    Ayla riu junto. Sabia o quanto seria não confidencial. Gostava da sensação de estar conhecendo melhor as pessoas do ambiente e se apegando a cada uma delas. As faces já iam ficando mais reconhecíveis e as coisas iam se apascentando.
    Ayla termina sua refeição. Já satisfeita, ela espera os outros terminarem de comer e se junta à eles em uma oração comunitária em agradecimento por todo o alimento recebido.
    Havia sido uma ceia muito satisfatória e feliz para todos. Devido a intensa atividade diária, Ayla já estava muito cansada e esperava ansiosamente na fila do banheiro para depois adormecer. Sua vez logo chega e ela toma seu banho o mais rápido possível para quem passou o dia cuidando de cavalos e mexendo com plantações.
    Ayla se dirige para o quarto após o banho e ao chegar lá, se pergunta aonde deve colocar os seus utensílios de banho. Avista uma garota arrumando sua cama e resolve questioná-la sobre isso.
    - Oi. – diz um pouco hesitante. – você saberia me dizer aonde eu poderia colocar a minha toalha e o resto destes utensílios de banho?
    - Bom, eu não a encarregada pelos novatos, então você deveria perguntar a outra pessoa. – diz um tanto quanto grosseira.
    Ao ver a situação, Nature logo se apressa para vir ajudar e dar um sermão na outra garota.
    - Letice, você sabe que não é assim que tratamos as pessoas aqui e que esse seu comportamento é totalmente contrário à tudo que viemos lhe ensinando.
    Letice abaixou os olhos como se envergonhada.
    Nature pigarreou.
    - Me desculpe, pela maneira com que te tratei. – disse ela olhando para Ayla e dando um sorriso amarelo, parecia estar envergonhada pelo comportamento.
    Nature sorriu para ela e fez um sinal afirmativo com a cabeça, como se aprovando a sua atitude, ela abriu uma gaveta e chegou algumas coisas para o lado para que Ayla pudesse colocar seus utensílios de banho.
    Enquanto ela arrumava a sua cama Nature convida a todos para mais uma oração comunitária, esta oração a garota ainda não conhecia, então se manteve em silêncio escutando atentamente às palavras e buscando interpretar e absorver o que estava sendo dito.
    Ao terminar, todos se dão boa noite e dirigem para suas respectivas camas. Ayla, apesar do sono, repensa todo o seu dia, os inúmeros acontecimentos abençoados e pessoas incríveis que havia conhecido. Ela sorri verdadeiramente, agradece por tudo e pede para que fique bastante tempo com eles e que um dia esteja tão envolta em paz como eles, pediu por sabedoria nas decisões e que o mal jamais chegasse a ela. Apesar desse último pedido acontecer, ela não imaginava que aconteceria tão cedo, mas já não estava mais tão aterrorizada com a mãe encontrar-lhe, se sentia protegida. Realizou a oração ensinada, em sua maneira, já que de algumas palavras Ayla, não se recordava e após o feito, dormiu em paz.
    Não sonhou com nada, o dia cansativo lhe ocasionara um sono pesado que lhe fora interrompido com o soar de um sino. Era o café da manhã.

    Capítulo 6- O segundo dia.
    Ayla desperta atordoada, mas logo reconhece o ambiente onde está e se acalma, estranha o fato de ninguém acordá-la antes, mas logo apressa em se levantar e ir logo para o banheiro, para não se atrasar para o café.
    Ela toma o café da manhã e enquanto faz isso, checa suas atividades diárias e vê que são nas plantações com Nature, Ayla achou legal, já que, no dia anterior a outra garota parecera triste por Ayla não ter comparecido. Nature parecia uma guia dos novatos adolescentes e claramente se mostrava deveras empolgada em ensiná-los sobre as plantas
    Após o término do café, Ayla checa mais uma vez a lista de tarefas e vai caminhando para a parte de trás da casa, desde que teria um tempo de descanso. Mas, no caminho para lá, é interrompida por Nature.
    - Ayla.
    Esta, dirige o olhar para trás e acena.
    - Não está esquecendo de nada?
    - Se você está perguntando, então sim? – perguntou Ayla, ainda incerta.
    - Sim, você está. Ainda não arrumou a sua cama.
    - Certo, me desculpe, eu me esqueci na pressa para tomar o café.
    Nature deu um risinho.
    - O que foi? – Ayla pergunta com a confusão estampada na face.
     - Você é difícil de acordar! – diz Nature animada, segurando um sorriso. – é sério, você não acordava por nada, achei que fosse perder o café e a minha apresentação não aconteceria mais, acharia que seria um sinal que não era para acontecer e não insistiria, então que bom que acordou e saiba que manter o casarão organizado é tarefa de todos, então todas as manhãs, organizar o banheiro após o banho e arrumar as camas é uma tarefa necessária e que não está na lista.
    - Sim capitã. – diz Ayla fazendo posição de sentido.
    - Olha só, ela é toda engraçadinha.
    - Acho que estou me acostumando demais.
    - Certo, então chega de corpo mole, daqui a pouco a gente vai ficar com a natureza, segure a emoção.
    Ayla vai para o quarto e arruma a cama, lá no quarto as pessoas conversam animadas, percebe que tem muito pouca intimidade com elas, o que era natural, já que seu primeiro dia oficial lá, havia sido o anterior.
    Alguns tinham laços fortes, como a Nature na noite passada com a outra garota, um laço materno se mostrou estabelecido, a autoridade Nature em relação a Letice. Ayla se achou um pouco desamparada e avistou Alexa sozinha também, perto de sua cama, era incrível o que aquela experiência podia fazer, o semblante de Alexa era diferente, mas feliz, mais aberto, ela não estava sorrindo o tempo inteiro ou algo do tipo, é apenas algo que é notado, perceptível com um pouco atenção.
    - Oi Alexa.
    - Ayla. – cumprimentou ela com um sorriso.
    - E aí, o que vai fazer hoje?
    - Bom, Alegria tá pegando meio leve comigo, ela disse que estava manhã eu vou ficar apenas na cozinha, mas parece que eu tenho jeito para a coisa.
    - O chefe está bem com alguém fixo na cozinha?
    - Ele diz que gosta de ter mais gente experiente lá.
    - Uau, parabéns por já ter encontrado seu hobby, - diz Ayla contente pela amiga, algo que Ayla já considerava Alexa.
    - E você, tá fazendo o que?
    - Hoje é o dia da apresentação de Nature.
    - Ah sim... acho melhor eu não contar nada.
    - Sim, tenho quase certeza de que ela não vai querer que qualquer surpresa seja estragada.
    - É com certeza.
    As duas ficam em silêncio por alguns segundos antes de Alexa dizer que precisa ir para a cozinha.
    Ayla se volta para o plano original de ir para o lado de trás da casa após o café, para tomar um pouco de sol, observar a vista, este tipo de coisa.
    Chegando lá ela se senta na grama fresca, o sol já nasceu, o céu está maravilhoso e uma brisa fresca passa por ela.
    Enquanto assisti o local e tudo que há de vivo naquele ambiente, avista a senhora dos brotos, e resolve se aproximar.
    - Oi!
    - Oi menina, venha cá, você precisa ver os meus brotos. – diz a senhora conduzindo Ayla até os tão falados brotos.
    - Olhe! – diz a senhora abrindo os braços maravilhada ao mostra-los.
    - Realmente são lindos.
    - Você sabe, na minha época de menina eu plantava muito e sempre gostei muito da natureza, eu tinha um jardim, ele era bem pequeno, mas eu sempre fiz questão de que houvessem brotos de camélias nele. Quando vim para cá, eu pedi um espaço para a Alegria e ela me concedeu e agora posso ter minhas lindas flores, aqui, neste lar.
    - Isso é ótimo! Suas flores vão deixar todo o ambiente ainda mais lindo e alegre.
    - Você acha? – perguntou ela contente.
    - Acho. Foi muito bom ver a senhora. Como eu te chamo?
    - Eu gosto do meu nome e optei por não mudá-lo, me chamo Clara.
    - É um nome muito bonito, sou a Ayla. – diz estendendo a mão.
    A senhora aperta a mão de Ayla e sorri para ela.
    - É muito bom ver novos rostinhos por aqui. Significa que mais gente está em busca da salvação! – exclama Clara, unindo as mãos em sinal de oração.
    - E é muito bom estar aqui. De qualquer forma eu preciso encontrar Nature agora, para realizar uma tarefa.
    - Nature? – ela pensa um pouco. – não me recordo muito bem.
    Esta afirmação fez Ayla pensar na doença de Dona Clara, a deixando um pouco triste. De qualquer forma precisaria ir.
    - Tchau senhora Clara. Até mais!
    - Até mais, minha filha. – Ayla suspeitava de que ela não se lembrava de seu nome.
    Ayla vai até o lugar aonde sua primeira tarefa seria realizada. A tarefa de fertilizar as plantações ainda não havia sido completa no dia anterior, então eles basicamente fariam a mesma coisa, para a felicidade de Nature.
    Ayla caminha até o local, admirando todo o verde que encontrava pelo caminho, toda aquela beleza era estonteante.
    Quando chega no pomar, não avista Nature.
    Então apenas se senta embaixo de uma árvore por alguns minutos. Ela fica lá distraída observando tudo e imaginando o que faria no dia. Quando avista Nature chegando e quando ela vê Ayla, ela congela e arregala os olhos.
    - Se levante. – ela diz quase sussurrando em desespero. – com cuidado.
    Ayla obedece achando que provavelmente teria uma cobra venenosa atrás dela que após qualquer movimento brusco iria picá-la e a garota morreria envenenada.
    - Você sentou em cima dos pés de hortelã!
    Ayla olha para trás.
    - Me desculpe...
    Nature corre em direção à eles.
    - Alguns foram amassados, mas outros estão bem. Você é um perigo aqui. Só vem aqui comigo, se eu ainda não tiver chegado por favor distância mínima de 10 metros.
    Nature balança a cabeça para os lados com a mão na testa.
    Ayla se sentia culpada, mas para ela aquilo lá sem dúvida alguma era mato, então ela com certeza culpava sua ignorância. Resolveu nem comentar a sua confusão de hortelã com mato para Nature.
    - Você ainda tem muito a aprender. Hoje, iríamos ter uma conversa profunda, mas primeiro, eu preciso de mostrar o básico para você não sair pisando.
    Ai.
    - Certo.
    Após uma breve apresentação- das plantas e do que era mato e do que não era, Nature e Ayla foram pegar os baldes de fertilizantes, deixaram eles próximos ao pomar e Nature disse que precisaria ir buscar algumas plantas na floresta, levando Ayla com ela.

    Capítulo 7- Nature explica a natureza
    Chegando lá seu rosto se iluminou, ela já parecia não estar mais brava com Ayla por conta das hortelãs.
    - Aqui é onde tem a natureza viva, que nasce desenfreada, aonde o homem não tem tanto “lugar”. É um mistério, é como o coração de algum lugar. Vamos! – diz ela entrando mais a fundo na floresta.
    Inspirada Nature começa:
     - Cultivar o apreço pela natureza é aprofundar a nossa própria vida espiritual, aproximarmo-nos mais da criação, ver a nossa própria responsabilidade moral por ela, segundo a forma como tratamos cada hastezinha de erva. Viver em harmonia com a natureza significa estarmos nós próprios mais vivos. - ela faz uma pausa e suspira. - A nossa sincronia com a natureza é demonstrada pelo efeito emocional que essa exerce sobre nós. Quando está escuro, podemos tornar-nos mais taciturnos. Quando a neblina paira sobre as montanhas que nos cercam, quando o nevoeiro nos envolve, também nós nos tornamos mais reflexivos. Quando o sol aquece as pedras, cada nervo cobra vida dentro de nós. Cada mudança da natureza é esta a nos chamar a entrar mais a fundo nos ritmos da vida. É vendo-nos como parte da natureza, e não exteriores a ela, que sincronizamos a alma com os ensinamentos da natureza.
    Não podemos controlar a natureza, é ela que nos controla. O único problema é que um mundo moderno e laborioso leva várias gerações a compreendê-lo. Quando destruímos a natureza sem ter em conta as consequências daquilo que estamos fazendo ao futuro, a natureza tem sempre a última palavra. Basta olhar para aquilo que estamos a fazer à Terra, para saber que mudanças precisamos de introduzir na nossa própria vida, se quisermos ser verdadeiros buscadores de Deus.
    Caminhando através da natureza, vamos de mãos dadas com Deus, que lhe deu a vida. A única questão é: dar-lhe-emos vida ou morte? (RETIRADO DO CENTRO LOYOLA)
    Era claramente uma pergunta retórica, mas Ayla gritava vida em seu interior.
    A garota se sentia mais sábia após ouvir Nature, apesar da pouca idade ela sabia muito, sobre o que realmente importa como a fé, espiritualidade e a conexão com a natureza.
    Ela recolheu o que era necessário e mais alguns fertilizantes foliares líquidos, como Nature os chamava
    Elas voltaram para os pomares e começaram a fertilizar as plantas, Nature explicava cada coisa que auxiliaria as plantas a crescerem e se mostrava totalmente contra qualquer fertilizante artificial.
    O trabalho foi longo e um pouco cansativo, mas deveras purificante.
    Quando terminaram Ayla percebeu o quanto era desatenta com os bens da natureza e o quanto precisaria de se elevar neste quesito.
    Ayla se despediu de Nature:
    - Tchau! Me desculpe pelas hortelãs, agora eu consigo ver com mais clareza porque eu com certeza cometi um erro terrível ao sentar nelas, e eu estou muito arrependida, agora pelo fato de você ter me ajudado a suprimir esta ignorância passada, eu posso me locomover de maneira mais segura.
    - Se for ironia, eu não achei graça, mas se for para valer, eu te admiro, de coração.
    - Eu também te admiro, e só cheguei nesse tipo de conclusão por sua ajuda. – Ayla diz abrindo os braços.
    Nature entende e elas se abraçam; aparentemente uma nova amiga e uma professora.
    Ayla já estava atrasada para a próxima tarefa, o que já era de se esperar. Sua tarefa era limpar os celeiros. Ao chegar lá ela encontra os celeiros vazios e fica um pouco perdida, de fato encontra alguns utensílios de limpeza próxima a entrada, então começa o serviço da maneira que pode, puxando os fenos soltos para um saco de lixo, quando o saco estava quase cheio, aparece um senhor na porta.
    - Você nunca fez isto, não é?
    A garota balança a cabeça, a resposta era óbvia.
    - Primeiro que você não deve pegar os fenos do chão. Pode deixar eles aonde estavam, o saco de lixo é para outros fins.
    Ayla já conseguia imaginar que outros.
    - Temos luvas de qualquer modo.
    - Ok.
    - As paredes também estão um pouco sujas, devido a minha idade eu estou isento de fazer trabalhos mais pesados, mais sempre gosto aparecer para ajudar, detesto ficar parado e sei que ainda consigo. – ele disse jogando uma pano para as costas enquanto pega um esfregão para ajudar Ayla.
    - Obrigada o senhor é muito gentil.
    - Que nada! Preciso exercitar as pernas.
    O trabalho acabou por terminar bem mais rápido devido a ajuda deste senhor. Ele parecia saber bastante sobre, o celeiro e o curral em si, quando contei que estava com Nature mais cedo, ele comentou que gostava muito da garota e que ela havia o ajudado a plantar muitas coisas importantes para ele.
    Apesar da agilidade com que o trabalho foi efetuado, não sobrou muito tempo para Ayla perambular por aí, a apresentação de Nature havia demorado. A próxima tarefa era nas lavadeiras, no caminho de lá se recordou das frutas que havia apanhado no pomar e colocado nos bolsos. Quando chegou lá, estavam Letice e um outro garoto, o da janela no primeiro dia. Ayla estava comendo amoras pertos das roupas.
    E Letice se fortificou em mantê-la longe delas, enquanto comia as frutas, acabou não comendo todas e enquanto recebia as instruções de como lavar as roupas de maneira econômica e eficiente, reparou que Letice estava um pouco hesitante.
    Enquanto eles lavavam Letice chamou Ayla.
    - Oi?
    - É...me desculpe por ter me comportado de maneira grosseira com você naquele dia, não estava tendo um dia bom, por conta de coisas fora da daqui. E eu descontei em você, o que não foi nem um pouco justo.
    - Ok, eu consigo ver que você realmente se arrependeu.
    - Eu recebi uma carta da minha mãe, ela queria que eu voltasse para minha cidade natal, eu estava estressada, se eu voltasse não poderia mais passar tempo aqui. E eu não quero ter que escolher entre ficar com minha mãe e este local, mas eu tenho e eu escolhi aqui por ora. Talvez um dia, eu volte para morar com ela, mas por enquanto, ficar aqui é essencial para mim.
    Ayla somente fez um sinal de afirmação com a cabeça, não sabia realmente o que dizer, era bom que a garota confiasse nela a ponto de expor sua vida assim.
    - Eu estava estressada, ainda estou um pouco, recebi uma carta de minha mãe, ela está me convidando para ir para minha cidade natal, mas isto inclui desistir deste local, não sei o que fazer.
    - Tenho certeza que uma hora, você saberá exatamente o que fazer. Não se sinta tão pressionada, fazer o que te faz feliz não é ser egoísta se for uma coisa boa. – esse conselho veio do coração de Ayla, por que ela mesma teve que chegar a essa conclusão para poder sair de sua antiga vida.
    - Achei que você merecia uma explicação depois de ter sido tratada tão mal. E Obrigada.
    Elas continuaram o trabalho em silêncio com um ar ainda mais leve pairando no local.
    Eles terminaram serviço a tempo do sino do almoço tocar, com eles se direcionado juntos para comer. Se sentou novamente ao lado de Rick, desta vez ao lado dele estava Marine.
    - Oi Rick!
    - Oi Ayla! – disse ele sorrindo com os dentes sujos de alguma coisa.
    - Estava comendo antes do almoço?
    - A Alexa fez uma torta e deixou a gente pegar um pedaço. – comentou Marine.
    - É. Ela é muito legal.
    Ayla sorriu para eles, haviam sido abençoados por encontrarem este lugar tão cedo em suas vidas e rezaria para que ninguém os tirasse dele.
    As pessoas foram chegando e quando Alegria se certificou que todas estavam reunidas, a oração se iniciou.
    Logo após o término dela, a ceia começou, todos estavam felizes passando colheres e sucos para todos os lados. Ayla fez sua prece silenciosa antes de comer “obrigada senhor, por esta comida e principalmente por toda esta oportunidade, eu estou muito feliz, o tanto que posso apenas descrever pelo estado de espírito. É uma constância, sinto minha consciência mais limpa, junto com a pureza”.
    Então começou a se alimentar. No final da refeição pensou em dividir as frutas que havia pegado, deu um pouco para Marine e Rick e outras para quem passava perto dela.
    A garotinha escocesa pediu uma amora, portanto as frutas tinham acabado e Ayla queria que ela tivesse a oportunidade de comer as frutas, assim como os outros. Estavam deliciosas e frescas, e Ayla decidiu que nesse tempo de descanso pós almoço, ela iria na floresta buscar mais frutas para ela.
    Ayla achou que se lembrava do caminho e que não iria precisar da ajuda de Nature, pelo menos foi o que ela pensou.
    Ao adentrar mais na floresta começou a achar os lugares desconhecidos e quando notou estava perdida, não conseguiu achar a árvore frutífera e nem a saída da floresta. Uma hora se cansou, se sentou ao recosto de uma árvore e olhou para cima, para o céu, tudo que enxergava era ele, as trepadeira e a copa das árvores. Se subisse em uma delas, talvez encontrasse a saída, portanto havia andado demais, não tinha energia para isso e as árvores altas não davam para escalar, as outras que davam eram baixas e provavelmente não facilitariam a visão, basicamente seria um desperdício de energia. A garota não sabia exatamente quanto tempo havia se passado naquela floresta, sabia que os minutos demoravam mais, por que ela os contava silenciosamente e após voltas e mais voltas, começou a rezar. Pediu ajuda para sair da floresta, encontrar seu caminho de volta, alguns minutos depois, escutou Nature gritando:
    - Ayla! Cadê você?
    - Nature?
    Ela pigarreou.
    - O que você estava fazendo pensando que poderia adentrar a floresta sozinha?
    - Achei que sabia o caminho até a árvore de amoras, mas acabei me perdendo.
    - Se não fosse a Bianca, você passaria a noite aqui. Vamos!
    Ayla seguiu Nature, mas antes de saírem da floresta ela pediu:
    - Sem querer abusar da sua boa vontade, mas você poderia me levar até a árvore de amoras? Elas estavam tão fresquinhas, fiquei mal da garotinha escocesa não poder comê-las.
    - É por aqui! – disse Nature.
    Ayla a seguiu novamente e quando chegou lá encheu os bolsos com amoras, apenas para aproveitar, já que o tempo perdido havia sido muito. Demoraria muito mais nas tarefas, e se conseguisse realiza-las.
    Foi correndo para a casa principal, mas não conseguiu encontrar a garotinha, cujo nome não se lembrava muito bem. De qualquer forma, iria ficar devendo as frutas e as entregaria mais tarde, agora teria que correr para terminar seus afazeres a tempo do jantar.
    Correu para os cochos dos cavalos para abastecê-los, pobres cavalos, deviam estar com fome. Quando já estava com uma porção de feno jogado na costas, viu que os cochos já estavam cheios, foi quando um velhinho apareceu alguns metros atrás dela com um cavalo ao seu lado.
    - Tarde demais! Esses jovens...
    Era o mesmo senhor do dia anterior, aquele que havia a ajudado com Alegre.
    - Eu cheguei aqui para escovar os cavalos e eu percebo que nem alimentados eles tinham sido. Qual é sua desculpa?
    - Eu me perdi na floresta.
    - Típico...
    Ayla sabia que não tinha tempo o suficiente, mas mesmo assim se ofereceu para fazer a tarefa do senhor, de qualquer forma, ele havia feito a dela.
    - Olha, me desculpe, mas eu posso escovar o resto dos cavalos.
    - Que espertinha! Faltaram dois apenas. Mas vá!
    Ela viu os dois cavalos no fim do celeiro e foi até eles. Um deles era um tanto quanto arisco.
    Ela foi para trás de súbito e ficou se perguntando o que iria fazer. Talvez pudesse agradá-lo com feno. Ao tentar alimentar o cavalo, lembrou-se dos ensinamentos do velhinho. Contato visual, tentar tocá-lo, sem medo.
    Ayla repetiu essa sequência na mente até criar coragem para tomar uma atitude. Estendeu o feno até o cavalo depois de encará-lo por um tempo. Já não sentia mais tanto medo dele, mas quando o feno estava muito próximo ele bufou e espantou o alimento com a cabeça. O cavalo não era como Alegre, mas ela lembrou do outro passo: “Se ele relutar muito recomece”.
    Tentou novamente, não tinha coragem para tentar tocá-lo, então foi com o feno, de novo, não adiantou. Fez um sinal de proteção que Dona Alegria havia a ensinado “sinal da Cruz” e tentou tocá-lo desta vez, ganhando confiança, desta vez ele cedeu. A garota sorriu.
    O velhinho apareceu.
    - Bom trabalho! Você se lembrou das minhas instruções. Eu fiquei por perto, eu te subestimei, não achei que você fosse chegar perto do Ventania tão rápido. De qualquer jeito ainda é loucura você tentar escová-lo, eu estava apenas tentando te ensinar uma lição.
    - Ok. Eu não estou muito afim de arriscar tentar tocá-lo de novo e definitivamente aprendi a lição.
    - Então vá lá para sua próxima tarefa!
    Ayla saiu do celeiro, quando foi checar sua lista percebeu que não havia nenhuma por enquanto era um tempo livre, a garota havia aprendido a apreciar estes, mas neste em específico não tinha nada em mente, sentava no gramado todas as vezes, dessa vez gostaria de fazer algo diferente, só não sabia o que.
    Ao andar pelo espaço se lembrou do que Dona Alegria disse: que Ayla teria que pensar em um agradecimento, uma meta, um superação.
    Ayla pensou em sua vida nos últimos anos e em todas as situações ruins em que tinha passado e em como tudo estava tão bom agora, essa curta reflexão a ajudou a chegar em uma resposta: O agradecimento foi pelo Senhor tê-la guiado até esse lugar; a meta é continuar nele, fazendo o bem e melhorando como pessoa; a superação é dos traumas da vida antiga e a mudança total de alguns hábitos egoístas.
    Nesse meio tempo de pensamento, Ayla resolveu ir procurar algo para fazer, começar a tarefa mais cedo, desta vez, para variar.
    A lista constava a limpeza da casa a qual ela se dirigiu para. Ao chegar na casa, escuta o som do sino sendo tocado. Estranha a situação, já que, achava que o sino era tocado apenas na hora das refeições. O que não era o caso do momento. Segundos após o sino ter sido tocado viu a garotinha escocesa correndo junto com Marine e Rick, apesar de todas as vezes que a Ayla a viu a garota estar correndo, resolveu segui-la, imaginando sem algo relativo ao sino ter tocado. Realmente era. Havia um número grande de pessoas reunidas do lado de fora. Entre elas Nature que conversava com alguém, Ayla se esgueira em meio às pessoas para chegar até ela para tentar entender o que estava acontecendo.

    Capítulo 8- Atividade em duplas
    - Por que estamos todos aqui? – pergunta Ayla;.
    Nature dá um risinho, acompanhada do garoto com quem conversava.
    - Essa é a melhor parte. – responde ele. – ninguém sabe.
    - De vez em quando a Alegria e algumas outras pessoas planejam algumas atividades bem legais. A gente aprende muito, sabe? Apesar de serem bem didáticas e divertidas.
    - Deve ser legal.
    - Vai ser. – responde Nature.
    Enquanto as pessoas se reuniam, Dona Alegria conversava com uma senhora que ajudava a organizar aquilo. As pessoas à volta, estavam todas comentando sobre a famosa “reunião”. Ayla estava começando a ficar ansiosa, o que seria?
    Dona Alegria levanta, a mão e o silêncio se faz presente.
    - Boa tarde, amigos!
    Vários cumprimentos são saudados de maneira alegre.
    - Hoje teremos mais uma nova atividade.
    A senhora que a ajudava carregava um cesto, cheio de vendas vermelhas. Elas cochicham alguma coisa entre si e começam a distribuir as vendas, sem dar nenhuma instrução à mais.
    Todos estavam confusos. Primeiro ela pede para formarmos pares. Nature se junta com o garoto ao seu lado e olha para o aglomerado de pessoas um pouco perdida, avista Alexa ao longe, mas esta já tem um par também, avistou uma garota solitária e logo se ofereceu para fazer par com ela, esta aceitou e quando tudo estava nos conformes o jogo começou.
    As pessoas se organizaram em fileiras e dona Alegria soltou os comandos, desta vez um telefone sem fio era distribuído, basicamente, ela iria colocar um prêmio em algum lugar no gramado, alguém da dupla irá se vendar e o outro irá dar instruções para chegar ao prêmio, além disso terão várias pessoas ao redor, então elas terão que ser instruídas a se esquivar também, em resumo um teste de confiança.
    A garota iria das as instruções e Ayla as seguiria. Elas se preparam e quando a largada é dada a atividade começa- Pode ir andando para frente. – diz ela. – esquerda! Esquerda. – pelo desespero da voz dela, a garota iria se esbarrar com alguém.
    Mais e mais instruções eram dadas, e hora ou outra a garota se tombava com alguém, tinha muita gente.
    Enquanto Ayla seguia cegamente o que a outra garota mandava um apito foi soado.
    Alguns sons de risadas e pessoas caindo eram ouvidos ninguém se machucando seriamente, e os mais idosos resolveram não participar, tirando pela senhora dos brotos, que fora colocada mais de lado, para ninguém se esbarrar com ela.
    Enquanto Ayla seguia cegamente o que a outra garota mandava um apito foi soado.
    - Todos podem retirar as vendas agora!
    Ao fazê-lo, alguém tinha os prêmios na mão. Era a senhora dos brotos!
    Como ela havia ido pelos cantos, não estava no meio da bagunça, apesar de parecer o caminho mais longo e mais seguro foi o que o levou à vitória. Todos estavam atônitos.
    Ela parecia muito feliz.
    Dona Alegria pede a palavra
    - Primeiramente eu gostaria de parabenizar aos vencedores, e reforçar a ideia de que todos podem confiar todos aqui. Que nós somos uma comunidade em unidade, com o bem em mente. Hoje as tarefas foram canceladas e neste fim de tarde eu gostaria que todos nos reuníssemos na cozinha para conversarmos enquanto o jantar é preparado.
    As pessoas comemoram e retornam à cozinha.
    A garota que havia feito as tarefas com ela vem se desculpar pelos tombos.
    - Sem problemas! – responde Ayla. – sei que não estava fácil.
    Elas caminham até a cozinha e a outra garota a convida para jogar cartas com seus amigos. Lá ela conhece Tom, Marabella e Cristian. Lá eles conversam sobre o quão inesperado foi o ganho do prêmio.
    - O meio daquele lugar estava uma algazarra, como é que não pensamos em ir pelas bordas?
    - Então! Parecia o lugar mais longo, mas com certeza foi o mais apropriado.
    - Concordo com você amiga.
    Essa palavra lhe chocou, havia acabado de se sentar ali e já era considerada uma amiga para a outra garota, a palavra saiu tão natural e tão sincera que o seu coração aqueceu-se mais um pouco. Não achava que pudesse fazer amigos de forma tão fácil e natural, pelo visto poderia sim, e o fato lhe alegrou muito. Ter amigos de verdade, pessoas com quem poderia passar o tempo, se divertir e realmente ter confiança nas pessoas que a rondam era estupendo.
    O desenvolvimento da noite aconteceu e logo era a hora do jantar.
    Todos se reuniram ao entorno da mesa e começaram com a prece inicial. Ayla já começa a se acostumar e entender o que ela pronunciava. As palavras que eram ditas e o sentimento de amor que florescia junto com elas.
    Acompanhava algumas palavras junto com o coro da prece, outras eram mostradas apenas com o movimento dos lábios. Olhou para o céu, escuro e com a uniformidade das nuvens se destacando, uma brisa fresca adentrava as janelas, se direcionando para as pessoas que lá estavam, com essa brisa, a oração terminou e logo o jantar se iniciou.
    Os aromas que saíam dos recipientes eram péssimos, dessa vez o chefe relaxou. Devido à grande quantidade de pessoas que se reuniu na cozinha muitas que não tinham o hábitos de ajudar na alimentação acabaram ajudando e a comida acabou não saindo como o planejado. De qualquer maneira, o que realmente importava eram as companhias, o ar leve e as risadas amigas. Que aqueciam o coração e curavam todas as mágoas de Mariane.
    Sim Mariane, viveu toda vida como Mariane, cresceu e recebeu seus traumas e suas vivências como Mariane e agora os está desaprendendo como uma nova pessoa, renovada de espírito, mas que ainda não foi apagada, Mariane apesar das vivências e experiências, ainda era ou é uma pessoa boa e se recuperar de tudo que passou não se trata apenas em seguir em frente, mas vasculhar um pouco o passado, mais do que apenas buscar por respostas mas pela superação.
    Esse jantar foi mais calmo para Ayla, ela comeu em silêncio, mergulhada em pensamentos e crises, que apesar de tudo ainda inundavam a mente da garota. Aquele lugar não trazia a doença do esquecimento.
    No final da refeição quando todos já estavam alimentados, Dona Alegria pediu a palavra:
    - Irmãos, hoje teremos a reunião de orações. Hoje será uma noite muito importante já que teremos duas pessoas para apresentarem as metas.
    Com as informações dadas todos começaram se levantar e rumar para o lado de fora, mas, Dona Alegria segurou Ayla e Alexa na cozinha, para discutirem sobre os assuntos combinados.
    Tudo estava nos conformes, logo Dona Alegria e as outras foram também para o quintal.
    Ao chegar lá Dona Alegria inicia com uma oração.
    - Só estamos aqui hoje pela glória e pela graça do Senhor, logo com esse espírito agradecido e de comunidade vamos louvá-lo.
    E se assim se inicia a prece.
    Após o fim desta a palavra é passada para Ayla, com uma a pergunta de dona Alegria:
    - Já chegou à alguma conclusão?
    Ela acena a cabeça, pigarreia e começa:
    - O meu agradecimento é esse lugar, tudo o que tem aqui, é tão puro, tão bom, sinto que posso ser eu mesma. A meta é continuar aqui. Aprender mais e me tornar melhor a cada dia. A minha superação, é da vida que eu levei, de atitudes egoístas, de mágoas.
    Um coro de aplausos é ouvido, e logo chega a vez de Alexa, as respostas são parecidas, apesar do modo de contar e se expressar.
    - Alguém mais deseja pronunciar algo?
    Uma senhora se pronuncia.
    - Eu gostaria de pedir por um amigo doente.
    - Nossas preces serão direcionadas à ele. Mais alguém?
    - Eu gostaria de pedir por todos nós aqui e pela Dona Marquesa, que eu fui visitar semana passada, ela está muito angustiada. – pediu uma outra senhora.
    - Mais alguém? – pergunta Dona Alegria incentivando.
    Ninguém mais diz nada e logo as orações começam a ser rezadas.
    Durante todo o processo Ayla se sentia leve e protegida, forte porém mansa.
    Ao final, todos foram se preparar para dormir. Ayla estava muito feliz e muito agradecida com o dia que teve as novas amizades que floresceram.
    Assim, ela dorme em paz.

    Capítulo 9- O terceiro dia
    Sonha com florestas desertas, mas com um ambiente de calmaria, onde as árvores cintilavam, um laguinho brilhava ao fundo e ela quase podia sentir os aromas da natureza. Acorda com a mente leve e descansada, ao se levantar pede pelo seu dia, para que tudo se suceda bem e se dirige para o lado de fora, nem todos haviam levantando ainda, na verdade poucos haviam. Nunca havia sentido a casa tão silenciosa e calma.
    Aproveita para respirar o ar fresco matinal e assistir o lindo amanhecer. Sonhando acordada, aérea.
    Alguém se aproxima. É Dona Alegria, ela faz um gesto com a cabeça e pronuncia um “Bom dia” silencioso, por ser muito cedo.
    - Bom dia, dona Alegria... – cumprimenta Ayla baixinho. – é lindo, não é?
    - Sim, às vezes eu venho aqui também. Apreciar as grandezas da vida, quando resolvemos as pequenas com a ajuda do Senhor, temos mais proeza em apreciar as grandes.
    - Certo... e o que isso quer dizer?
    - Trabalhe consigo mesma. Faz bem.
    - Eu vou tentar, mas às vezes falta coragem.
    - “Sê forte e corajoso, pois o Senhor está contigo”.
    Seja forte e corajosa, não tem porque temer, você não está sozinha e é tudo passado agora.
    - Obrigada.
    - A qualquer hora. – diz Dona Alegria colocando a mão no ombro de Ayla e dando tapinhas e depois se retirando, deixando a garota à sós perdida em pensamentos em meio ao nascer do sol.
    Conforme as pessoas vão se levantando, ela vai se adaptando à rotina, indo ao banheiro para iniciar o dia, conseguia enxergar em seu semblante no espelho o quão melhor ela parecia, curada na alma.
    Quando o sino toca, desta vez pontualmente, pelo visto as atividades de ontem deixaram o pessoal da cozinha mais animado para acordar cedo, de fato.
    Ao chegar à mesa, aspirou o ar matinal, olhou em volta e sorriu para quem olhava de volta, o amor e cuidado que estavam recebendo lhe deixavam pronta para retorná-lo, apesar de saber que você não deve apenas oferecer seu amor e carinho a quem lhe pode retribuir, mas a todos, afim de que se convertam para o “lado do amor ao próximo”.
    - Vejamos que tem alguém sorridente hoje.
    - Só um pouquinho. – brinca ela.
    Quem lhe disse isso foi o senhor do celeiro e vendo-lhe, lembrou-se do cavalo a quem havia se responsabilizado de dar uma maçã. Ok, talvez não houvesse realmente se responsabilizado disso, porém iria fazê-lo. Após as orações Ayla se prontificou em pegar a maçã, guardando-a nos bolsos.
    - Parece que alguém vai fazer um lanchinho mais tarde. – comentou Rick. – com um sorriso de orelha à orelha.
    - Não é para mim seu bobo!
    Ele levantou o dedo indicador. Como se pedindo para falar ou como se tivesse feito uma descoberta importante.
    - É para mim?
    - Não também. – diz Ayla negando com a cabeça.
    - Então me dá uma dica.
    - Começa com A e não é um humano.
    - Ai... Aoi.... Aci, não sei, para quem é?
    - É para o Alegre.
    - Ah sim. Típico. Aquele cavalo adora maçãs... às vezes eu tenho ciúmes, todo mundo adora alimentá-lo.
    Ayla ri.
    - Bom, ele precisa disso, nós já podemos vir aqui e pegar a maçã por nós mesmos.
    - Hm, é acho que tem razão. – diz um pouco reflexivo, mordendo o pão.
    Ayla avista ao lado de Rick, a garotinha escocesa, nessa manhã percebeu que havia esquecido de lhe dar as amoras, ainda haviam algumas no seu bolso e Ayla prontamente a chamou:
    - Suas amoras!
    Ela sorriu.
    - Você trouxe!
    Marine e Rick pediram também por amoras.
    - Eu já aprendi a minha lição sobre adentrar a floresta sozinha, não acho que vou arriscar me perder novamente, então por favor, vamos dividir.
    A garotinha escocesa, dividiu de bom grado. Eles começam a comer ficando com as bocas roxas.
    No fim do café da manhã, Ayla foi até o celeiro, antes mesmo de suas atividades começarem, queria dar a maçã fresca para Alegre.
    Enquanto ruma ao celeiro, se atenta aos aromas e a brisa matinal, além da vista, apesar do dia ter amanhecido com a promessa de um sol esvoaçante, estava começando a pender para o chuvoso, de qualquer maneira, combinava com o dia.
    Arrastava os pés pela grama úmida e rumava para o celeiro com a promessa da maçã.
    Alegre não estava lá, tipicamente, então teria de procurá-lo.
     Gostou da ideia, rumar por aí, não havia conhecido todos os cantos, ainda mais do lado exterior. A manhã estava agradável e sempre havia muito a se admirar.

    Capítulo 10- Camélias?
    Após uma caminhada extensa chega até as colinas, aonde encontra Alegre pastando ao lado de uma árvore e uma plantação de camélias.
    Ayla riu consigo mesma, duvidava que a senhora dos brotos havia plantado camélias ali, mas se não ela, quem? Será que o vento haveria levado uma semente para lá? Várias perguntas rondavam sua mente, nenhuma com uma resposta definitiva.
    Resolveu não mexer nas camélias, no entanto, foi se aproximando de Alegre, com a intenção de alimentá-lo. Ele nota sua presença e quando ela estende a mão para ele comer a maça, percebe que talvez não tivesse sido uma boa ideia, mas depois o único resultado é sua mão levemente babada, então tudo saiu nos conformes.
    Ele relincha como se pedindo por mais uma maçã. Ayla não tinha, então estende as mãos vazias, como em um pedido de desculpas, Alegre continua olhando para Ayla e esta resolve que seria um ótimo momento para tentar montar em Alegre. Sem ninguém por perto caso algo desse muito errado. De qualquer forma, Ayla tenta encostar no cavalo e ele não reluta, isso seria um bom sinal, não?
    Ela nunca havia montado, logo não fazia ideia de como, se apoiou no cavalo e foi no impulso, enquanto ainda estava arrumando, Alegre correu em disparada, provavelmente sem querer Ayla haveria forçado o pé, ou as mãos.
    A sensação de correr pelas colinas não havia sido muito bem como ela imaginava, os primeiros segundos foram aterrorizantes mas os consecutivos foram ainda melhores do que ela pensou que seriam.
    A sensação da liberdade, com adrenalina e o vento batendo no rosto. Nunca imaginou que pudesse se sentir daquele jeito, era um sentimento novo.
    Ela ria alto enquanto corria e quando Alegre finalmente sossegou e ela desceu, decidiu que havia sido a melhor experiência de sua vida.
    Quando finalmente se recuperou da corrida, lembrou-se que gastado bastante tempo e que ainda haviam as atividades diárias a serem realizadas. Pela primeira vez suas atividades seriam com a limpeza da casa, logo ela teria que lavar a parte da varanda junto com as escadas.
    Havia um garoto passando e ela logo o chamou:
    - Cris! Você sabe aonde ficam os esfregões, bacias?
    - Ficam todos no depósito, eu estou indo para lá. Tenho que fazer a revisão para ver o que está faltando.
    Ele faz um sinal com a mão como se para segui-lo. Ayla vai atrás e logo chega ao depósito.
    Lá haviam várias coisas rurais e de limpeza. Cortadores de grama, fertilizantes até sabões caseiros empacotados.
    Cris ajudou-a com o inventário a achar as bacias, produtos e esfregões, após se despedir e desejar um bom dia, vai para o lado de fora e enche bacia para iniciar o seu serviço.
    Joga a água e começa, já havia feito isso antes, então era uma das poucas tarefas daqui cuja atividade ela estava mais adaptada.
    Demora, porém termina. Dá uma olhada em volta checando o seu trabalho, nisto Rick passa correndo pelas escadas molhadas com os pés todos sujos de lama.
    Marine quase vêm atrás, porém hesita quando olha para o chão enlameado.
    Ayla olha para o estrago aflita e depois para Rick.
    - Ops. – diz ele com as sobrancelhas levantadas.
    Ayla respira fundo. Estava em um lugar para a reconstrução da vida e de atos ruins. Logo disse:
    - Dessa vez passa. Limpe esse pé antes de entrar na casa ou pisar aqui!
    Marine olha brava para Rick e depois diz:
    - Eu tenho experiência com tirar lama, posso ajudar.
    Rick coça a cabeça e concorda.
    - De qualquer jeito fui eu que fiz isso aí.
    Ayla ficou tocada, mesmo tendo sido Rick que enlameou o local, era bom ver como as crianças eram tão bondosas.
    - Certo. Peguem seus respectivos panos e iremos começar; nada de moleza!
    Começaram a limpeza do local, em conserto do que Rick havia feito. Foi um momento muito divertido. Rick começou a tacar água no chão e um pouco em Marine que revidou e assim uma guerrinha de água foi começada que logo incluiu Ayla.
    Eles riam muito, e uma hora, à pedido de Ayla começaram a levar mais a sério, já que precisavam terminar a tarefa para começar a outra.
    Quando terminaram ficaram pedindo para acompanhar Ayla na próxima tarefa. Ayla disse que a próxima tarefa não seria tão divertida quanto esta, mas se eles faziam questão então não seria problema.
    Porém precisa voltar à trás na afirmação já que, percebeu haver confundido à ordem das atividades e pulara a segunda, a segunda seria um reunião com algumas pessoas mais sábias que lá habitavam para tratar de assuntos muito importantes.
    - Pessoal, eu me confundi, na próxima a gente vai junto. Agora não dá para vocês virem.
    Eles choramingaram um pouco, mas logo cederam e foram brincar.
    Ayla seca os pés e adentra a casa. A reunião seria na sala, aonde estavam reunidas várias pessoas, inclusive Nature e a Dona dos brotos.
    A informação que lhe havia sido passada era que lá ela aprenderia mais sobre a bíblia, religiosidade e outro temas cujo ela não conhecia muito.
    Isso a alegrava muito, já que esse conhecimento agora estava tão disponível. A maior parte do tempo esteve, mas não como todo esse entusiasmo, incentivo e entendimento maior de toda essa realidade maravilhosa.
    Ayla cumprimentou a todos, porém foi repreendida por Nature no quesito volume, de acordo com ela era necessário de silêncio e respeito em um momento anterior a conversa que estava para ocorrer.
    As regras lhe foram dadas: primeiramente ela deveria esvaziar sua mente e se focar apenas no que estava sendo dito, sem formar nenhuma opinião verbal sobre o todo, mas apenas o que os princípios interiores guiavam-na.
    Ela fez uma pergunta para a outra moça:
    - Oi. É...eu tenho uma dúvida, e se eu não entender alguma parte? E qual seu nome? – Ayla queria sentir-se mais próximas das pessoas dali, nomes davam uma sensação de proximidade.
    - Você pode pedir para darmos uma pausa e você ler a sua maneira, ou, se preferir, pode pedir para relermos em voz alta, sem problema algum. Sou Maia.
    As bíblias foram entregues, e logo a leitura do salmo se iniciou, foi bem didático, era uma situação em que todos estavam bem focados e confortáveis em serem eles mesmos e encontrarem as respostas em seu interior, a interpretação não seria conversada após, pois talvez ao estar falando o que entendeu para alguém, o emissor possa mudar a verdadeira compreensão e o que realmente entendeu do que estava sendo ouvido e sentido.
    Foi um tempo de muito reflexão e pouca conversa exterior e muito mais um bate-papo interior e mudo ao mesmo tempo, onde os instintos estavam lá, fazendo o seu papel, Ayla acreditava que os instintos que a moviam, pois nesta situação o senhor Deus iria guia-los por meio destes.
    A reunião foi encerrada com uma oração, sorrisos apertos de mão.
     Após essa experiência acolhedora, ela foi fazer um tira-dúvidas com Maia.
    - Maia, um momento! – pediu Ayla antes de retirarem.  – por que devemos esvaziar a nossa mente?
    - Pois assim ouvimos tudo e somos guiados pelo Senhor, com uma menor interferência da nossa mente.
    Ayla ficou genuinamente feliz, após ouvir o que tinha sido dito, porque ao final de tudo, chegara a mesma conclusão.
     A próxima tarefa era no jardim, ao ver o mundo do lado fora, encantou-se mais um vez, mudando o seu modo de enxergar o mundo, um pouquinho.
    Dessa vez Nature não estava lá, seu trabalho era no jardim lateral e não no pomar.
    Ela iria ver o sistema hidráulico do jardim, verificar se as plantas estariam sofrendo com água em abundância ou a falta dela. Na parede havia um banner explicando como a checagem deveria ser feita. Basicamente ela deveria analisar as pétalas.
    Ao se abaixar para ver melhor as pétalas, percebeu que o solo continha muita água, o que com certeza não era comum. No banner havia algumas instruções de como consertar o sistema hidráulico, pelo o que parecia ele precisava ser calibrado constantemente. Então Ayla, após ler atentamente, foi mexer no registro.
    Mesmo tentando calibrá-lo, a água irrigada continuava saindo de maneira abrupta. O que a fez pensar no que poderia estar causando aquilo. Foi quando viu um furo no irrigador.
    Precisava alarmar alguém antes que toda as flores fossem arruinadas!
    Fez um sinal de proteção, ensinado por Dona Alegria “Em Nome do Pai do Filho e do Espírito Santo”, e foi correndo buscar ajuda.
    Estava precisamente à procura de Nature, então ia perguntando à todos com quem se encontrava se eles haviam a visto. Aparentemente ninguém havia. As pessoas davam sugestões, “pode ser que ela esteja nas plantações ou talvez no jardim...” Ayla estava anteriormente no jardim e já houvera ido nas plantações, o que a fazia pensar que Nature estava na floresta. Ayla provavelmente iria apenas piorar a situação caso entrasse na floresta, e sabia disso.
    Enquanto parava um pouco e andava de um lado para o outro pensando no que fazer, o senhor que havia a ajudado com o curral veio falar com ela:
    - Senhorita? Senhorita!
    Ayla levantou o olhar.
    - Sim?
    - Ouvi falar que está procurando por Nature e acho que já sabe que ela está na floresta. Eu sei que não sou a Nature, porém entendo um pouco de plantas...
    - Sério? – perguntou Ayla, suspirando de alívio.
    - Sim, Nature me ensinou algumas coisas sobre plantas, camélias em específico, mas eu das outras em um geral.
    Apesar do desespero, Ayla não conseguiu deixar de pensar nas camélias que havia visto mais cedo. Pensava se elas estariam relacionadas ao velhinho. Não havia tanto tempo para teorizar, as plantinhas corriam perigo.
    Foram apressados em direção ao jardim, quando Ayla sentia que estava indo rápido demais desacelerava, não queria causar danos à saúde do senhor.
    Chegaram às plantações e senhorzinho já disse:
    - O irriga dor está furado!
    O senhor correu até o registro e o desligou, assim a água deixaria de sair.
    - Precisamos trocá-lo, pode deixar que eu faço tudo, só vá até o depósito e pegue a caixa de ferramentas e um cano novo.
    Ayla foi até o depósito e conseguiu os objetos requeridos pelo dono das Camélias, ao pensar nesse nome e rir teve um momento de reflexão. Estaria ele relacionado à Dona dos Brotos? Essa pergunta não seria respondida por Ayla e a mesma não perguntaria nada, talvez ele preferisse discrição.
    Ayla foi ao jardim entregar os apetrechos, o senhorzinho não se encontrava lá, então a garota esperou um pouco para entrega-los diretamente. O tempo de realizar a tarefa de checagem do jardim era baseado no tempo em que a pessoa levaria para calibrar o registro e não aprender tudo, perceber que o irrigador estava quebrado e ir à procura de Nature, logo ela estava atrasada para mais uma tarefa.
    Ao senhorzinho chegar ela lhe entrega o que foi pedido e pega o papel rotineiro, ao ver com quem seria sua próxima tarefa ela se comove, aquilo nem deveria ser chamado de tarefa. Ela deveria passar o tempo com Dona dos Brotos e fazer jogos de memória. Dona Alegria era observadora, provavelmente vira Ayla conversando com ela e decidira que seria uma boa tarefa para a garota.
    Ayla se apressou para chegar até a Dona dos Brotos, ela já deveria estar esperando à alguns minutos.
    - Desculpe! – disse Ayla respirando pela boca de tão cansada de correr até lá.
    - Não se preocupe minha cara. Eu estava observando o céu nesse meio tempo, é sempre bom tirar um tempinho, não é?
    Ayla olha para o céu após a senhora dizer isto. E imediatamente ela concorda, ele estava lindo, sempre fora de apreciar o céu, era uma imensidão de luz sobre tudo o que ela vivia, lhe dava esperanças.
    - O céu é um mar de luz na escuridão. – disse Ayla exteriorizando seu pensamento.
    - Sim, e é um mar de luz na luz também, é o que torna aqui um lugar tão abençoado, os céus.
    - Realmente. - disse lembrando-se que ela deveria auxiliar em exercitar a mente da dona dos brotos.
    Olhou em direção à mesa incerta se deveria convidá-la, de qualquer forma a senhora dos brotos que estava mais adaptada a jogar o jogo da memória e ela que deveria ser a anfitriã.
    Então esperou, a senhora dos brotos suspirou sonhadora olhando para os céus.
    “Talvez ela tenha se esquecido sobre o jogo...” – pensou Ayla. De qualquer forma a garota iria dar tempo para a senhora refletir e sonhar. Depois de um tempo a senhora olhou para a mesa com as cartas.
    - Ah claro! O jogo, sente-se aí.
    Haviam duas almofadas e uma mesa de centro, muito aconchegante.
    Elas começaram a jogar, e era notável que a senhora dos brotos tinha uma dificuldade, mas ainda assim no final do jogo ela estava mais acirrada do que no início, o que já era uma vitória, Ayla deixava ela ganhar algumas vezes, assim elas poderiam jogar mais.
    No meio da segunda rodada Nature aparece na porta.
    - Vocês ainda estão jogando. Ufa! – disse ela suspirando.
    Havia chegado lá do mesmo jeito que Ayla, correndo.
    Ayla estava contente em saber que ela não era a única que chegava correndo para realizar as tarefas.
    Nature pediu permissão para assentar-se e assistir a rodada mais de perto, sempre dando sugestões para a Dona dos Brotos. E ela ganhou novamente o jogo.
    Ela sorriu.
    - Vocês sempre me deixam ganhar!
    - Ah que nada! – disse Nature. – vêm! É hora do passeio com as plantinhas, vou te ajudar a cuidar das camélias da senhora.
    Ayla se despediu de ambas e se assentou. Tinha muita afeição pela senhora dos brotos e não iria querer vê-la adoecida, sabia que a situação não afetaria somente ela mas ao ver o laço de Nature com ela, e talvez o senhor das camélias, viu que muitos ficariam abaladas. Ainda assim, estava contente com o tempo que passaram juntas, sentiu que foi proveitoso e que tanto ela quanto a Dona dos Brotos, saíram de lá mais felizes.
    Ayla foi caminhar, a letra da próxima tarefa havia ficado um pouco borrada e por mais que ela tentasse ler era em vão.
    Achava que estava escrito a palavra depósito no papel, então foi até lá tentar alguma dica para ver o que ela deveria fazer em seguida. Olhou em volta antes de entrar e ainda bem que fez isso, pois só assim percebeu a presença de uma pequena construção sendo realizada. O tijolo estava sendo colocado. Estavam três pessoas lá, parecia que haviam acabado de chegar e estavam arrumando o cimento.

    Capítulo 11- O templo
    Se aproximou para ver melhor o que estava acontecendo.
    - Oi! – cumprimentou uma jovem. – como vai?
    - Oi. Eu vou bem, obrigada por perguntar. E você?
    - Estou bem animada para começarmos a botar a mão na massa! – disse ela esfregando as mãos.
    Ayla riu.
    - E o que estão construindo?
    - Um templo, como uma capela.
    Certo.
    - Por que estão fazendo um templo?
    - Hm... explicações não são muito comigo, mas acho que é importante ter um ou vários em um lugar. Aqui a gente já tem na casa, mas a gente achou melhor ter um mais reservado, caso as pessoas quiserem ter mais privacidade na hora de orar.
    - Você é a garota nova? – perguntou um menino. Ayla achava que era um dos que estavam na janela no dia de sua chegada.
    - Sou sim.
    - Então coloque as luvas que temos um longo trabalho!
    Ayla havia entendido sua tarefa agora.
    Eles disseram que ela deveria segurar o balde de cimento e entregar os tijolos, enquanto o outro senhor iria colocando eles na construção.
    O trabalho foi se desenrolando. Enquanto ela conversava e conhecia melhor as pessoas dali.
    - Então... o senhor está aqui a quanto tempo?
    - Ah... eu nem conto mais. Moro aqui desde que minha mulher faleceu. Ela era muito religiosa então eu senti que quando vim para cá estaria ficando mais próximo dela.
    - Entendi.
    - Mas o tempo foi passando e eu percebi que aqui é muito mais do que ficar perto dela. E me ajudou em meus tempos de tristeza, acho que se eu não tivesse sido guiado até aqui eu já estaria morto uma hora dessas.
    Uau, isso era profundo. Via que a vida das pessoas ali não era tão fácil fora daquele lugar, que ela não era a única.
    - Que bom que encontrou, por que se não eu não teria encontrado alguém para me ajudar a socializar com o Alegre. – disse rindo, em uma tentativa de tirar ele daquela tristeza que ela sentia que havia influenciado em colocá-lo.
    Ela conseguiu arrancar um sorriso fraco dele. Era algo bom.
    - E você? – perguntou falando com o outro ajudante.
    - Eu cheguei faz alguns meses na verdade. – admitiu ele. – meus avós tem uma chácara aqui perto, eu acabei encontrando este lugar e eles me deixaram ficar.
    Essa a história mais simples que havia escutado até agora. Era simples mas verdadeiramente boa, gostava da ideia que alguém haveria chegado aqui em momentos pacíficos da vida.
    - E você? – perguntou a outra garota.
    - Eu fugi de casa e achei aqui. – ela não tinha uma “casa” realmente, elas se mudavam constantemente, mas se pudesse considerar o último lugar que morara como casa, o que nunca foi, porém resolveu seguir o termo popular.
    - Por que fugiu?
    - Eu não tinha uma casa realmente, eu e minha mãe nos mudávamos constantemente, mas se pudesse considerar o último lugar que morei como casa, o que nunca foi, então eu fugi de “casa”. Eu fugi porque ela não era uma pessoa que eu queria viver por perto.
    Eles não perguntaram mais nada, nem entraram em detalhes.
    - Sabe... – disse o homem que ela estava servindo de ajudante um tempo depois. – eu demorei um tempo até conseguir falar da minha mulher. É bem corajoso da sua parte abrir sua vida assim tão cedo.
    - Hum... Obrigada, eu acho.
    Eles continuaram o trabalho dessa vez com assuntos mais leves como o tempo ou a refeição mais deliciosa que eles já haviam comido ali.
    Trabalharam duro na construção o tempo da tarefa era mais prolongado do que os outros, mas as paredes foram terminadas. Ayla achou que já haviam terminado mas, aparentemente ainda havia o teto para ser colocado.
    Ayla ajudou a carregar os andaimes a estrutura do teto foi começada, apenas o molde do teto foi feito. Mas já era bastante progresso para um dia.
    No final todos estavam muito cansados porém felizes de terem sido parte da construção do templo.
    Todos bateram as mãos no final. Dona Alegria colocou tomar banho como a próxima tarefa e a garota riu. Realmente estava muito suada e provavelmente fedendo.
    Pegou suas roupas e ficou esperando na fila do banheiro, quem estava na sua frente era a garota que estava na construção. Percebeu que elas não haviam conversado tanto, sabia seu apelido, era Mei, talvez fosse seu nome, quem sabe. Ela tinha um aspecto de quem era forte, osso duro de roer.
    Ela puxou assunto com Ayla:
    - E aí? Já está acostumando com a rotina daqui?
    - Estou, na verdade eu gosto. Cansa, mas faz bem. – concluiu Ayla.
    - Concordo, não sou muito de ficar de corpo mole também não.
    Ayla achava que gostava, antigamente. Mas isso não era verdade. Depois que testou uma rotina do campo percebeu que era mais a praia dela.
    - É verdade. Até o sono é melhor, a gente desmonta.
    O assunto acabou logo, não tinham tanto do que falar e ambas estavam tão cansadas que não estavam nem dispostas à isso.
    O garoto que estava no banho logo saiu, Mei em uma gentileza ofereceu para Ayla ir na frente, porém ela negou.
    Logo chegou a vez de Ayla e quando ela estava penteando o cabelo no quarto após sair do banho o sino do almoço tocou, ela penteou o resto do cabelo rapidamente e foi para a mesa.
    Eles se reuniram e agradeceram pela comida, rezaram e pediram.
    Ayla sentiu os aromas, eles teriam uma sopa de abacate. Ela achou um tanto quanto assustador no início, mas depois que provou ficou estupefata, era de longe um dos melhores alimentos de que a garota já havia provado.
    Reparou que Rick a olhava.
    - O que foi Rick?
    - Não sei como teve coragem de provar isso de primeira. A não que já tivesse provado antes.
    - Não eu não tinha. Mas eu confio na comida daqui.
    - Foi preciso de muito convencimento para me fazer provar, mas depois que eu provei nunca mais deixei de comer. Me arrependo até hoje pelas datas que deixei passar sem comer a deliciosa sopa de abacate do tio.
    - Que tio?
    A garota que estava ao lado de Ayla riu.
    - É a forma como eles chamam o Anastácio.
    Ayla estava perdida.
    - Quem é Anastácio?
    - Quem fez a comida.
    É claro, o chefe!
    Sentia que precisava parar de criar apelidos para as pessoas em sua mente e começar a chamar elas por seus verdadeiros nomes.
    Mas chamar elas à sua própria maneira parecia melhor é assim que conseguia entende-las melhor, se sentir mais próxima.
    - Bom, para mim o nome dele é Chefe. – concluiu.
    - Muitos não sabem o verdadeiro nome dele, eu só quis dizer isso para te manter informada.
    Ayla pensou um pouco e chegou à conclusão de que havia sido um tanto rude, como se não se importasse ou não quisesse souber o nome dele. Talvez estivesse pensando demais, de qualquer forma de desculpou:
    - Desculpe, eu queria saber sim o nome dele. É que gosto de pensar nas pessoas com um nome que signifique algo delas e tenha um significado para mim. Mas saber o nome real delas é importante também.
    - Tudo bem. –disse a garota.
    - E aí? Qual seu nome para mim? – perguntou Rick.
    - Hm... – pensou Ayla. – eu não tenho um nome para você, seu nome já está fixo na minha mente, tem que ser algo natural.
    Rick fez cara emburrada:
    - Não gostei da sua resposta e quero um apelido!
    - Seu apelido vai ser birrento então.
    - Não! Não! Não! Não gostei. – disse fazendo jus ao nome.
    Alguém que via a cena riu, Rick aparentemente não percebeu que estava dando razão ao nome tão cedo, e quando notou ficou vermelho.
    - Tudo bem. Pode me chamar de Rick.
    Ayla riu, talvez uma hora um apelido fluísse para ele.
    Já havia terminado a sopa à um tempo e só estava na mesa conversando descontraída, quando percebeu que a maioria estava se retirando, pensou que teria um tempo de sossego, porém, viu que ela faria parte da turma que lavaria a louça.
    Ajudou a recolher os pratos e foi lavar, era legal ver que haviam muitos trabalhos coletivos. Ayla limpava os pratos por cima, jogando os restos de comida no lixo ou só entregando, quando os pratos estavam mais limpos. A outra garota ao seu lado molhava e ensaboava a louça e o outro garoto, que por acaso era Cris, enxaguava. A coletividade, além de deixar a tarefa de lavar louças muito mais legal, unia as pessoas.
    Logo, logo a tarefa foi terminada.

    Capítulo 12- Pedidos de desculpas
    E o chefe veio falar com ela.
    - Oi chefe!
    - Oi, você não queria saber o meu nome. Por quê?
    - Eu queria sim chefe, eu me expressei mal.
    Ele fez uma expressão triste.
    - Sabe... queria me desculpar, você é uma das primeiras que vou direcionar o meu pedido de desculpas. Acho que sou muito grosseiro e exigente às vezes. Na maior parte do tempo. – corrigiu ele. – Eu preciso melhorar nestes aspectos.
    - Pedido de desculpas aceito! – disse Ayla abrindo os braços.
    Eles se abraçaram e assim se desenrolou o primeiro pedido de desculpas do chefe; que foi passando entre as pessoas para se desculpar, até com Alexa que ele havia anteriormente elogiado.
    - Me perdoe por mais cedo, quando gritei com você. –Ayla escutou.
    Cada dia vivendo e aprendendo, se redimindo e se humilhando se for preciso. Se é notado que alguém está errando, esse alguém, quando tendo percebido seu erro, é bom que vá se mostrar arrependido a quem seu erro prejudicou. O chefe estava aplicando este conceito.
    Ayla caminhou contente até o outro lado do cômodo, próximo à janela, só sentindo o aroma das anêmonas e a leve brisa da tarde.
    De acordo com dona Alegria, as pessoas de idade que quisessem iriam após um descanso pós-almoço, ir até o jardim para alguma atividades relacionadas à jardinagem.
    Ayla achava tudo isso muito legal para eles, visto que era bom para eles, respirar perto das plantas e viver a vida da maneira em que ela deve ser vivida junto com Deus, com as plantas os animais e seres puros.
    Erámos uma comunidade, lá haviam pessoas com laços familiares, laços fortíssimos que era além daquele que o nascimento proporciona, mas uma laço de irmandade, estabelecido pelo amor à Deus. Como a garotinha escocesa e Martha. E Silva e Compaixão. Entre outros.
    As relações que não eram familiares também eram fortes, todos ali pareciam muito unidos e realmente eram. Ayla podia dizer, havia passado pouco tempo lá, mas sentia que apesar do tempo ter passado rápido, ela havia aprendido tanto e vivido tanto, que parecia muito mais do que realmente havia sido. Ainda sentia que tinha muito a saber e a aprender, mas já conseguia se sentir inclusa naquilo tudo.
    Ainda feliz e reflexiva com sua nova realidade, só é despertada de seus pensamentos quando a sua amiga pedreira, mais conhecida como Mei, a alarmou sobre a atividade que seria realizada mais tarde. Eles teriam um círculo de conversas. Foi ideia de Aparecido, um senhor que trabalhava nas fábricas antes de vir para aqui. Ele dizia que sempre formava círculo de conversas antes com seus amigos da fábrica e que isso sempre os ajudava a sentir melhor.
    Ayla estava animada como sempre, apesar de um pouco insegura. Desabafar era sempre bom ainda mais em um lugar como aquele e com pessoas que ela se sentia segura.
    Após receber esta informação Ayla decide checar sua lista de atividades. Percebe que terá uma avaliação com Dona Alegria, não tinha muitos detalhes, além do local em que Ayla deveria encontrá-la.
    Teria bastante tempo livre, havia estado bem cansada então não era algo ruim.
    Viu Alexa trabalhando na cozinha.
    - E aí? – cumprimentou Ayla, se aproximando.
    - Ayla! Quanto tempo parece.
    - Pois é. Faz só um tempinho, mas parece tanto!
    - Sim, acho que é por conta da realidade que eu estava vivendo quanto falei contigo.
    - Comigo também é algo assim. Acho que já podemos rir das intrigas.
    Ela deu uma risada.
    - Claro. E o que você me conta das atividades? Pegando pesado?
    - Acho que sim, mas agora teria uma pausa, Dona alegria quer me avaliar.
    - Ah... ela já fez isso comigo, é quase como um teste de escolaridade, as crianças são ensinadas alguns básicos, como escrever e tal, e quem se encarrega são os mais velhos, mas talvez estejam querendo mais professores.
    - É, pode ser. E você o que está fazendo?
    - Uma torta de limão.
    - Hm... não vou me esquecer, quero meu pedaços mais tarde.
    - Espertinha, é só para depois do jantar.
    - Entendo, porém choro.
    Ela riu.
    Elas ficaram alguns segundos em silêncio sem Ayla conseguir arranjar nada para falar, então foi para a sala fazer nada, provavelmente iria só refletir e descansar, talvez tirasse um cochilo afinal de contas, não seria muito difícil.
    Acabou realmente cochilando na sala. Não sabia quanto tempo havia se passado ao certo.
    Ao olhar envolta percebeu que a sala estava cercada por crianças, que estavam sendo ensinadas por uma senhorinha, ela apresentava várias dinâmicas para as crianças, com quebra-cabeças para elas irem montando as palavras e coisas do tipo, as crianças se divertiam e dava pra ver que a professora também. Ayla estava impressionada, e sentiu vontade de fazer parte daquilo, afinal de contas era alfabetizada e achava estar propensa a ensinar as crianças.
    A alegria era facilmente notada, as crianças andavam de um lado para o outro tentando encontrar as letras que formariam as palavras, transformar tudo aquilo em uma brincadeira era a melhor parte, tudo ficava muitíssimo mais animado.
    Ayla só assistia, a senhora que via o interesse de Ayla a convida para ajudar.
    Ayla se junta à ela, dando dicas para as crianças hora ou outra. Ela olha em volta procurando Rick ou Marine, porém não os encontra. Mais afastada ela vê uma garotinha e logo ela a reconhece, ela olha para as letras triste, era a garotinha escocesa ela tinha mais dificuldade em formar as palavras.
    Ayla a vê.
    - Oi. – cumprimenta Ayla.
    Ela olha para Ayla mas não diz nada.
    - Está tudo bem. Eu posso te dar uma mãozinha?
    Ela afirma com a cabeça e Ayla começa a ajudar.
    Ao final da explicação e quase no final da aula era consegue formar uma palavra completa e sem erros, elas batem as mãos e comemoram.
    A professora vai falar com Ayla e pergunta:
    - Quem é você minha jovem?
    - Sou Ayla, vivo aqui faz pouco tempo.
    - Ayla, se quiser se tornar minha ajudante na turma das crianças sinta-se bem-vinda. A aula foi ótima e você conseguiu colocar um sorriso no rostinho daquela menina, o que importa muito.
    Ayla sorriu.
    - Eu quero sim! Estou indo falar sobre isso com a Dona Alegria.
    - Eu acho que você deveria.
    - Já estou indo. Até!
    - Até mias!
    Após a despedida Ayla correu até o lado de fora, porém depois de ler a lista de atividades se deu conta que seria no mesmo lugar que antes ela estava, ou seja, seria na sala. Porém, no meio do caminho Ayla encontra-se com Dona Alegria. Ayla estava tão animada que já contou a experiência com as crianças para a mesma.
    - Que bom! – respondeu Dona Alegria. – então você aceita ensinar?
    - Sim, sim e sim.
    - Muito legal o seu entusiasmo. Vamos lá fazer o teste, assim podemos ver em que te classe colocaremos.
    Elas vão até a sala, e Dona Alegria começa o teste com perguntas sobre escolaridade.
    Ayla se saiu até que bem, porém haviam algumas matérias que o conhecimento dela era muito pouco, coisas que ela não aprendia na escola. Como história verdadeira, na escola comum contemporânea, estuda-se muito guerras e rebeliões, aqui não, violência não é um enfoque, então as matérias são dadas diferentemente e Nature insistira para que houvesse aulas relacionadas a natureza.
    Mas a parte da alfabetização Ayla poderia fazer sem problemas, logo ela contou que teria preferência por ensinar as crianças e mencionou que gostaria de ser a ajudante da senhora, que havia dado aulas posteriormente.
    Dona Alegria achou tudo uma maravilha. A final de contas era ótimo que houvesse tanto entusiasmo em se ensinar, por que com a paixão, o conhecimento pode ser passado mais fluidamente, não só o conhecimento, mas quando a pessoa realmente gosta do que faz o resultado mostra.
    Dona Alegria disse que Ayla começaria as aulas na semana seguinte.
    A garota concordou. E Dona Alegria a deixou, ainda com a informação que deixaria os papéis do que ela deveria ensinar para as crianças para continuar da parte que a professora anterior havia parado, já que além de ajudar a outra professora daria algumas aulas ela mesma.
    Ao ir para a cozinha tomar um copo de água encontra com a outra irmã escocesa.
    Resolve contar a notícia, apesar de não terem tanto intimidade Ayla sentia a necessidade de contar a novidade para alguém.
    - Oi Vou virar professora! – disse do nada.
    A garota sorriu.
    - Parabéns pela conquista!
    - Obrigada! Estou tão feliz, sabe?
     - Imagino. – ela disse.
    Ayla sorri e se vira para ir embora irradiando felicidade.
    - Até mais!
    Ela checa suas tarefas e se lembra do que Mei havia dito, sobre o grupo de conversas.
    Respira fundo e toma coragem, se convencendo a ir, não seria tão ruim afinal.
    Não dissera a hora especificamente, mas imaginava que já deveria estar indo para o ponto de encontro, já que eles não iriam fazer isso tão tarde, já que teria que dar tempo para todos tomarem banho antes do jantar.

    Capítulo 12- Reunião
    Ayla foi até o local combinado. Haviam algumas pessoas lá, porém poucas.
    Eles a cumprimentam e ela acena de volta.
    Fica lá por algum tempo, até que o moço que havia proposto isso aparece e se apresenta.
    - Olá a todos! Eu sou o Aparecido.
    - Oi!
    - Oi!
    - Boa tarde!
    - Vamos esperar o pessoal chegar para nós começarmos.
    E assim ocorreu.
    Aos poucos foram todos chegando, inclusive Mei.
    Começamos com uma oração e depois tudo se desenrolou. História de vida e até algumas lágrimas, mas também coisas leves e felizes como conquistas. Até que chega a vez de Ayla, ou a hora que ela pensa ser propícia.
    - Eu também tive uma vida difícil antes de chegar aqui, cheia de fiascos e problemas, eu não me expunha para o mundo da forma que eu realmente era. Que eu realmente sou, tinha que fazer coisas terríveis sobre ordem de minha mãe. Ela era uma ladra ou pior. Não vou vir aqui falar mal dela, mas sim para me abrir, não consigo entrar em detalhes sobre muita coisa. Mas é isso. Eu fugi e aqui estou. – Ayla fez uma pausa e respirou fundo.
    A maioria aplaudiu e elogiou a exposição e confiança.
    - E aliás – complementou Ayla. – vou me tornar professora. – disse sorrindo fraco.
    Não queria ficar triste e arruinar o seu dia por relembrar o passado, então fez de tudo para focar nas outras histórias. Até Mei falou um pouco.
    E a tarde se desenrolou assim. Todos nos despedimos com mais uma oração e apertos de mão.
    Todos foram tomar banho e logo em seguida teria o jantar.
    Como sempre ela se sentou ao lado de Rick, já estava virando rotina. Ela aproveitou para perguntar por que não havia visto eles na aula de cedo.
    - Por que eu não encontrei os bonitos na aula de hoje à tarde?
    - Você está participando das aulas?
    - Eu estou ensinando.
    - Ah... Não está não, tenho certeza que eu vi a Dona Claire hoje,
    - Dona Claire? – Ayla estava incerta se era esse o nome da moça, ou se ela realmente houvera perguntado.
    - É a nossa professora, estamos aprendendo várias coisas legais, não é Marine?
    Marine só afirma com a cabeça.
    - Você deve ter dado aula para a turma dos menores.
    Fazia todo o sentido.
    - É pode ser.
    Ela havia se assentado com antecedência, pela primeira vez desde que havia ido para lá não estava fazendo as coisas correndo.
    Assistiu às pessoas colocando a mesa e se ofereceu para ajudar, e ela acabou ajuda a colocar a sobremesa na geladeira o pote que carregava a sobremesa era feito com alguma pedra muito pesada e Ayla custou à carregá-lo até a geladeira.
    Mas ao final acabou dando tudo certo.
    Logo todos se assentaram e começaram a orar, Ayla fez às suas preces agradecendo pela comida mais uma vez.
    O jantar foi alegre como sempre. O dia hoje foi menos cansativo para Ayla, mas ainda foi ótimo e mesmo sem estar com a cabeça cheia de coisas manteve sua sanidade e conseguiu evoluir muito espiritualmente.
    Ao dar a última garfada e se despedir de todos à mesa resolveu ir para o jardim à noite, nunca havia realmente parado para admirar o local à noite, à brisa fria a fez voltar para pegar um casaco, e Ayla viu na volta os cadernos e instruções sobre a nova atividade que Ayla dirigiria, a de ensinar.
    Alegre ela guardou os cadernos, eles poderiam esperar, agora era admirar o céu.
    Ela foi até o lado de fora, o ar noturno tinha um cheiro diferente, o cheiro da natureza de sobressaía, pensava que talvez fossem os sentidos que se aguçavam, não sabia ao certo.
    Era tudo tão aconchegante, até a luz que emanava do poste, deixava o lugar com um ar tão humilde.
    Ayla estava extremamente grata pelo dia que havia tido, mal sabia como começar.
    “Obrigada Senhor Meu Deus...”
    Ela respirou fundo, sentindo a felicidade, a emoção e acolhimento como nunca. Não se sentia sozinha, apesar de estar.
    “Por tudo, pelos amigos que fiz hoje, por ter me dado a coragem necessária para tirar o peso que eu tinha sobre as costas.”
    “Por ter me guiado até aqui, pela maravilhosa adaptação.”
    “Pelas lições de vida.”
    “Por me fazer notar a garotinha escocesa que precisava de ajuda.”
    “E pela dádiva de poder ensinar à essas crianças!”.
    Ayla estava emocionada com tudo que havia se passado e sentiu lágrimas saindo de seus olhos, lágrimas de felicidade é claro, não acreditava que sua vida havia se tornado tudo aquilo.
    - Obrigada... – sussurrou ela entre soluços.
    Ficou lá mais um pouco antes de voltar para o quarto e adormecer.
    Sonha com alguma coisa que não consegue se recordar bem no dia seguinte, mas relembrou da sensação do vento no rosto do dia anterior, acorda com o barulho do quarto e das pessoas levantando.

    Capítulo 12- Quarto dia
    Ao voltar do banheiro encontra um quarto menos barulhento do que estava antes e uma garota respirando com dificuldade, enquanto a outra tentava acalmá-la.
    - Está tudo bem! Você está a salvo agora. Confie nas minhas palavras, tenha fé no Senhor nosso Deus, nada irá te abalar!
    Ayla não conseguiu deixar de se lembrar do primeiro dia lá, acordara aos gritos também.
    Resolveu ir lá falar com a garota.
    - Não deixe sua insegurança te atrapalhar na vida, não deixe o medo de guiar, o medo de fazer o que é certo, se você quer superar algo precisa enfrentar, parar te temer e também deixar rolar, se enfoque em outras coisas, é abrace as atividades. Confie.
    - Eu tento, mas tem situações que são difíceis enfrentar. Às vezes me sinto imponente.
    - Para quem acredita em Deus sempre tem forças, ele sempre estará ao teu lado lhe guiando, te mostrando os caminhos certos, você só não pode ficar estagnada. – não sabia exatamente quando havia se tornado tão boa nisso, mas era uma benção.
    - Obrigada... – diz ela. – acho que eu precisava dessa dose de lição de vida antes de iniciar meu dia. – afirma em nenhum pingo de ironia.
    - É para isso que eu estou aqui – ela olha para a outra garota e corrige – nós estamos, certo?
    Elas se abraçam e a garota que estava aflita vai para o banheiro para iniciar seu dia e as outras duas vão para a mesa do café da manhã.
    Eles vão comendo como o usual, ela acaba conhecendo melhor essa outra menina, Ayla já a havia visto conversando com Letice e Marabella uma vez, ela era muito legal e responsável, pelas coisas que dizia e por uma história que contou, aparentava cuidar muito dos amigos.
    Antes do café da manhã se encerrar, o moço que havia lhe ajudado na limpeza do curral e no conserto da irrigação pediu um tempo à todos.
    Ele voltou com um buquê de camélias. E na hora Ayla já se tocou, a plantação dela!
    A Dona dos brotos entrou em choque.  Ele os entregou diretamente à ela.
     - Onde você conseguiu estas? Não me diga que meu brotos já se abriram?
    - Não, eu tive uma ajudinha para plantar estas em um lugar, posso lhe levar até lá, se me permite.
    Ela parecia encantada. Ayla estava muito feliz pelos dois, eles mereciam ser felizes, todos merecerem aliás.
    Sabia que ele era um velhinho muito bom, que a ajudou nas mais diversas situações e que Dona Clara era uma verdadeira Dama.
    Estavam todos conversando sobre o episódio quando Ayla se lembrou que deveria dar uma olhada nos materiais que Dona Alegria havia deixado para a garota. Deu uma olhada no cronograma de aulas e nos assuntos falados, queria bolar uma aula legal e didática, como aquela que assistiu e posteriormente pode ajudar.
    Começou a rabiscar e planejar a aula, teve uma ideia que julgou muito legal.
    Após vários minutos no quarto resolveu, que iria começar a sua tarefa diária no curral. Aonde ela encontra ninguém mais ninguém menos do que Alegre.
    - Bom dia garoto!
    Ela conversou um pouco com Alegre alegremente.
    E colocou comida nos cochos, Alegre foi se alimentar do feno recém colocado, pelo visto era bom para os cavalos um feno matinal.
    Gostaria de sentir a liberdade e vento em seu rosto mais uma vez, porém agora teria que ver com a professora que hora seriam duas aulas, não gostaria de fazer isto mais tarde, já que correria o risco de perder a aula e ainda precisaria de falar com Dona Alegria para ela encontrar substitutos para suas atividades diárias, visto que ela estaria ajudando nas aulas.
    Não sabia exatamente onde procurar. Pensou em procurar dentro da casa, o lugar onde parecia mais sensato.
    Deu uma volta e a acabou encontrando-a na sala, ela conversava com um outro grupo de pessoas, não parecia ser uma reunião marcada, ou algo assim, do mesmo jeito Ayla ficou um pouco envergonhada de interromper, porém, aquele era um momento propício já que não sabia que outra hora teria para falar com ela e depois ainda falar com dona Alegria, não sempre que a garota tinha tempos livres.
    Ela bateu sutilmente na soleira da porta e uma outra senhora a notou.
    - Desculpe incomodar, mas a senhora teria um tempo para conversar comigo? Sobre as aulas.
    - Claro, claro! Um momento pessoal.
    - Oi! – cumprimenta Ayla. – eu queria muito saber o horário das suas aulas, vou querer ser uma ajudante.
    - Que ótimo que você aceitou! Vai ser ótimo, sei que as crianças vão gostar muito!
    Ao dizer isto começou a dizer à Ayla os horários das aulas, alguma delas teriam projetos e brincadeiras que ajudariam as crianças a aprender.
    - Caso tenha alguma ideia para ensinarmos as crianças melhor e fazermos com que elas aprendam de maneira divertida é só me encontrar que veremos isto!
    - Vou ver se consigo pensar em algo. Muito obrigada Dona... Qual seu nome mesmo?
    - Acho que não cheguei a me apresentar. – diz ela pensativa. – sou Maristela.
    - Certinho então, dona Maristela!
    - Até mais... Ih! Agora me perdi! Esqueci o seu.
    - Sou Ayla.
    - Isso. Me perdoe, até mais.
    - Até!
    Ayla depois de um tempo resolve procurar Dona Alegria, porém hesita um pouco, já que ela poderia estar em qualquer lugar, ao descansar em uma parede e esperar alguém que tenha cara de quem sabe onde ela está, Ayla pega o papelzinho onde está a sua rotina e percebe que a próxima atividade será uma meditação bíblica. Ayla acreditava que Dona Alegria poderia estar em uma atividade destas. Era como encontrar o velhinho do curral, no próprio curral, era propício, porém nem sempre ocorria. Por este motivo ao ver uma garota passando não deixou de perguntar de ela sabia onde estava Dona Alegria.
    - Com licença! – ela avista outra garota mais atrás e resolve incluí-la na pergunta. - Mas vocês sabem onde está a Dona Alegria?
    Uma para por um momento e parece refletir, já a outra é mais rápida e diz que a encontrou nas plantações.
    - No pomar ou no jardim? – se fosse no jardim compensaria Ayla ir procurar Dona Alegria. No entanto, se fosse no pomar, isto seria um problema. Apesar do tutorial de Nature, a garota não se sentia tão segura em visitar o local, talvez cometesse um estrago nas plantinhas e não gostaria que isto acontecesse.
    - Nas plantações, no pomar. – afirma a outra. – quando dizemos plantações é sempre o pomar e o jardim é jardim mesmo. – termina explicando.
    - Ah certo! Obrigada pela informação. Bom dia meninas!
    - Bom dia para você também! Como está sendo a adaptação? – perguntou a primeira garota
    - Está sendo boa. Com certeza, em apenas pouco dias consegui sentir um crescimento pessoal surpreendente, como se eu fosse muito mais sábia e mais madura, sabe?
    - A maioria se sente assim, muito mais feliz, amado sabe? E verdadeiramente acolhido, com amigos, vistos como iguais perante aos olhos do senhor e querem apenas o bem um do outro. – ela para e sorri. – olhe só para nós!
    Ayla ri junto.
    - Então, quem diria!
    - É só eu chegar aqui que eu já fico assim também, toda reflexiva. Isto é bom, com esses resultados que chegamos, podemos melhorar maneira de agir, claro que relacionando o nosso meio de pensar com os ensinamentos divinos, que devemos nos mantermos cientes antes de chegar à qualquer conclusão.
    - É uma boa maneira de pensar, às vezes não pensar tanto também é bom, botar a mão na massa um pouco. Ou até pensar em meio aos exercícios, nos ajuda a pensar com maior fluidez. É por isso que a rotina daqui é tão boa.
    - Claro, é necessário tem um balanceamento, às vezes as conclusões vão chegando na nossa mente nos momentos de sossego, depois de um dia pesado são as melhores.
    - Concordo, vem acontecendo muito isso comigo também! Legal ver que algumas experiências acontecem com várias pessoas.
    - Sim!
    - Sentar no gramado após um longo dia, ou em um momento oportuno é muito bom, não? Com todo esse lugar abençoado, com essa natureza viva e todo o ambiente em si.
    - Também gosto muito de sentar no gramado de vez em quando, já teve oportunidade de ver o pôr-do-sol de lá? É surpreendente.
    - Não de admirar muito, acho que não tive uma pausa muito longa neste horário ainda. E se tive não pensei em fazer isto ainda.
    - Você provavelmente está com pressa para encontrar Dona Alegria, ainda mais os recém chegados, com essa nova adaptação da rotina. Já vou indo!
    Dona Alegria. Por um momento Ayla havia se esquecido que deveria encontrá-la para falar sobre as aulas. Agora nem adiantaria ir até lá, e talvez tenha sido melhor assim, conheceu uma moça que gosta de refletir, assim como a garota, teriam muito papo ainda.
    - Até mais!
    Ayla precisaria ir até o jardim, o encontro seria lá, talvez Dona Alegria fosse e chegasse mais cedo assim, elas poderiam conversar.
    Ayla foi até lá e já viu que realmente Dona Alegria estava lá, com um grupo outras senhoras, aparentemente o grupo que viria para ouvir viria depois. Elas discutiam o que seria dito.
    Dona Alegria ao ver Ayla já diz:
    - Olá Ayla! Como vai?
    - Vou bem e você, D. Alegria?
    - Bem também, vejo que chegou mais cedo. – diz ela rindo um pouco. – acho que não podemos detalhar tanto a explicação para quem vai ouvi-la.
    - Certo, eu vou dar uma voltinha pelos campos. Mas antes eu gostaria de falar algo com você.
    - Sou toda ouvidos.
    - Eu conversei com a Dona Maristela e ela me convidou para eu ser ajudante dela. E eu gostaria de perguntar se tem como de eu ajuda-la nesta semana, só que assim você precisaria se ajustar meus horários.
    - Ah claro. Você pode deixar sua rotina comigo e passar os horários mais tarde depois da meditação, tudo bem?
    - Sim, sim.
    Ayla foi andar um pouco, todo aquele papo sobre o gramado a deixou com vontade de ir lá. Ficou tentando memorizar a rotina diária, já que o papel ficaria um tempo com a Dona Alegria.
    Não pode deixar de apreciar o momento. Deixou o papel de lado e agradeceu à Deus pelo momento. Ao som ofuscante do vento ela disse em voz alta:
    - Amém!
    Não soube quanto tempo se passou exatamente, ficou aérea por um tempo. Até que Ayla se lembra de que deve ir à meditação, foi uma sensação estranha mas ela percebeu que o que acabara de acontecer foi uma meditação. E ela ficou feliz, desta vez faria com várias pessoas em volta e com um texto bíblico, ao menos imaginava. Mas gostaria de passar por esta experiência novamente, então foi contente até o local, desta vez chegando pontualmente.
    Ela se sentou na roda. Enquanto todos se cumprimentavam, uma maneira de relaxar para conseguir meditar é ao menos conhecer um pouco as pessoas ao seu redor. Trocar um sorriso, um abraço, um aperto de mão, faz a diferença não se mostrar indiferente ao outro e mais confortável também.
    Lá na roda uma moça começa explicando tudo o que deveria ser feito, basicamente sentar confortavelmente e esvaziar a mente. O jardim era um lugar que ajudava, com cheiro de flores de toda a terra.
    A meditação começa e surpreendentemente não aera apenas ouvir, mas ela os mandou pegar um bocado de terra e segurar na mão. Ainda com a terra em mão os participantes são instruídos a dar as mãos. Ayla estava achando tudo um pouco estranho, mas de uma boa maneira.
    Após o feitio e alguns minutos de silêncio, Nature, que parecia ser quem iria guiar esta meditação, inica:
    - Quero que você se concentrem nas mãos de vocês e na terra presente nela, a terra, é um bem que nos foi dado desde a criação, nela se encontra vida. Ela nos une, a natureza nos une. Pois no princípio Deus criou os céus e a terra. Então disse Deus: "Cubra-se a terra de vegetação: plantas que deem sementes e árvores cujos frutos produzam sementes de acordo com as suas espécies". E assim foi. A terra fez brotar a vegetação: plantas que dão sementes de acordo com as suas espécies, e árvores cujos frutos produzem sementes de acordo com as suas espécies. E Deus viu que ficou bom. De modo geral a terra nos conecta com Deus e isto está no tudo na bíblia.
    - Agora foquem na Terra, sintam-na. Respirem o ar fresco aqui de fora e repensem as palavras agora a pouco ditas.
    Ela repetiu a passagem mais algumas vezes e os deixou pensando nelas.
    Foi um bom tempo, uma hora lhes foi instruído soltar as mãos e posteriormente uni-las e m sinal de oração. Fecharam o círculo agradecendo à Deus pela meditação em si e pelos outros momentos. Pediram por fé, força, saúde e coragem, para então todos se despedirem e Ayla ir falar com Dona Alegria sobre as aulas que a garota daria.
  • Unlearn

    Prolongo
    -Ei espere! Não vá... eu... preciso....falar com... você!
    Por que estou correndo? Por que eu me sinto tão exausta? Por que estou usando um vestido tão pesado? Por que estou usando vestido? E o mais importante, para quem estou gritando? Por mais que eu tente não consigo me lembrar, só sei que tenho que falar com uma pessoa, sei que essa pessoa pode me ajudar, só não sei por que eu preciso de ajuda. Uma coisa aqui é certa, eu não deveria está correndo com esses saltos de sete cm, não deveria nem esta usando salto!
    -Por favor, eu imploro... não vá, ai.
    Que ótimo, sabia que isso ia acontecer, meu salto quebrou e eu cai de cara no chão. Sinto um gosto estranho na boca, um gosto... diferente, um gosto...bom! Olho para o chão, pensando ver cimento, mas o que vejo é algo vermelho e pegajoso que cobre todo o chão. Sangue, e não é meu. “Por que gostei do gosto de sangue?”. Relutante eu me levanto e sigo a trilha de sangue, quando chego ao final do corredor e viro a direita vejo que o sangue acaba em uma porta enorme. Nunca estive nesse lugar, nem sei se é uma casa ou um castelo, mas sei que não sou permitida entrar naquele cômodo, ninguém é. Ao me aproximar ouso vozes, masculinas gritando e objetos sendo lançados no chão. Paro em frente da porta indecisa, devo ou não devo entrar? Melhor não. Quando me viro para ir embora a porta se abre brevemente me dando um vislumbre do que se passa ali dentro. Vejo duas sombras indistintas, uma na frente da outra, uma é magra e alta, a outra é menor e mais musculosa. Elas parecem ao mesmo tempo familiares e ao mesmo tempo irreconhecíveis. Uma das sombras a magra se meche na direção da porta, mas para ao ouvir a outra dizer:
    -Se não acredita em mim, veja com os seus próprios olhos!- Gritou a sombra musculosa com uma voz grave e surreal.
    A sombra na frente da porta se virou bruscamente, caminha na direção da outra e a empurra com força no chão. O barulho que o corpo fez quando caiu no chão foi tão alto, que jurei que a figura musculosa tinha se quebrado em pedaços. Porem, ela se levanta e vejo olhos, olhos vermelhos sangue, brilharem na direção da sombra a sua frente. Digo que são sombras por que não sei se são humanos ou animais enormes! A sombra mais magra vai até a outra, pega ela pelo pescoço e a ergue do chão, coloca o rosto perto do ouvido da figura que se contorce para escapar do aperto em sua garganta e diz ferozmente:
    -Nunca vou acreditar em você!
    A voz dele é bem mais grave e animalesca, é tão assustadora que eu me assusto e dou um passo para trás, sem me lembrar do salto quebrado e caio no chão. Prendo a respiração, as duas figuras olham para a porta, ambas com os olhos vermelhos e brilhantes. A figura musculosa se liberta das mãos da outra e vem até a porta. Fico congelada, sei que não deveria estar aqui, que não deveria estar vendo e nem ouvindo aquilo. Quando a sombra se aproxima da porta a outra a empurra novamente e ambas caem no chão. Recuperando os sentidos eu me livro dos saltos altos e levanto rápido, tão rápido que quando eu vou ver já estou quase no final do corredor por onde eu vim. “Como é possível?” Olho para trás, (grande erro) o que vejo é um monstro enorme correndo atrás de mim. Tento corre mais rápido, por algum motivo sei que consigo correr mais rápido que a criatura, só que o meu vestido é pesado demais. Ainda correndo eu rasgo o vestido ao meio, com um só puxam e ele rasga ao meio, revelando roupas de baixo que eu nunca sonhei em usar! Roupas parecidas com a daqueles filmes de época. Deixando o espanto das minhas roupas intimas de lado eu corro mais rápido. Minhas pernas parecem que saem do chão. Dobro uma esquina e olho para trás novamente, não vejo mais o monstro. Olho melhor em volta e vejo como a decoração do lugar é muito antiga, como nos castelos medievais do século XV ou XVI, com tochas e quadros antigos. Paro de correr quando eu vejo uma porta, entro no cômodo e fecho. Estou em um tipo de galeria, pois aqui a muitos quadros, olho cada um atentamente, sinto que reconheço cada um, mas não me lembro deles. Suas imagens são aterrorizantes, mostram castelos pegando fogo, pessoas lutando, monstros nas florestas e cidades nas nuvens! Porém nenhum desses me assustou mais do que o maior quadro da sala. Sua moldura é toda de ouro e cheia de pequenos diamantes, em cima da moldura está escrito família real. A pintura parece normal no inicio, com príncipes, mas meus olhos param quando vejo uma princesa no meio deles, uma princesa mais do que familiar. Cambaleio para trás e prendo a respiração quando percebo quem ela é. Sou eu! “Eu estou na foto, melhor na pintura!” Os mesmos cabelos crespos curtos, a mesma pele negra clara, os mesmos olhos esverdeados anormais, a única diferença é que pareço com uma rainha! Coberta de joias dos pés a cabeça, com um vestido dourado que parece de ouro, com uma tiara de diamantes enormes na minha cabeça e sentada em uma cadeira que parece um trono. Ao meu lado tem três homens, mas não consigo enxergar totalmente seus rostos. Um deles é alto, moreno com a pele branca e está atrás de mim, outro é mais baixo, musculoso com cabelos ruivos e pele bronzeada e está ajoelhado na minha frente, o último é alto, louro, com a pele mais pálida que eu já vira e está ao meu lado direito, só que este está com um braço em meus ombros. Na moldura abaixo está escrito princesa e príncipes do reino sul. Olho novamente para a pintura. Estou sorrindo, enquanto os homens estão sérios. A única coisa que reconheço além de mim na pintura é o colar de rubi que está em meu pescoço em forma de gota. Coloco a mão em cima da pintura do colar e a outra em cima do colar em meu pescoço, por alguma razão uma lagrima se derrama em meu rosto, só que quando ela cai no chão, não é cristalina como as outras, ela é vermelha, como sangue! Enquanto olho para a lagrima de sangue no chão, outra gota cai e mais outra e mais outra, porem não estou mais chorando. Com cuidado olho para cima, sabendo o que vou ver. Quando meus olhos chegam ao teto eles se deparam com olhos vermelhos brilhantes. O monstro está pendurado no teto de cabeça para baixo! Quando penso em recomeçar a correr o monstro pula e cai em cima de mim. Caio pela milésima vez no chão, bato com a cabeça fortemente no piso e sinto algo molhado nela. Não é meu sangue, mas o sangue que corre pela boca do monstro. Olho sem medo para ele, o que acho mais estranho que o bicho em cima de mim. Ele me encara de boca aberta, mostrando os dentes de dez centímetros que se aproxima do meu rosto. Olhando para ele assim tão de perto consigo distingui-lo melhor. Ele é todo branco, têm aproximadamente 2 metros e 50 centímetros, o que faz os meus 1,90 parecerem 1 metro e meio, ele é magro muito magro, aparece até os seus ossos, mas olhando melhor ele só tem ossos! Ele é um esqueleto ambulante. Seus olhos não têm pupilas, sua boca não para de derramar sangue, suas garras são enormes e me prendem no chão, seu nariz são dois buracos no meio do rosto, sua forma é semelhante à de um homem, só que quando o vi correndo ele caminhava usando as mãos, como um gorila. Ele me encara enquanto eu percorro seu corpo todo com os olhos, penso “me devora logo!”, mas meu corpo fica calmo, relaxado, ao invés de rígido e tenso.  Quando abro a boca para falar ele coloca uma das mãos em minha boca e eu fecho os olhos, em seguida a coisa mais estranha do mundo acontece. Ele passa uma das garras da mão livre em meu corpo. Eu gemo de prazer quando ele passa a mão ossuda pelo meu seio direito, quando abro os olhos novamente percebo que seu rosto mudou, ganhou carne, agora seu rosto está em carne viva e suas mãos também. Continuo olhando, seu rosto muda novamente, começa a ganhar pele  e está parecendo mais com um rosto humano. Então suas mãos também mudam, todo o seu corpo muda e ele se transforma completamente. Seu corpo é divino! Muito longe do que parecia antes, embora sua pele ainda seja branca como papel, mas por mais que eu tente não consigo ver seu rosto, apenas seus lábios, carnudos e rosados. Sua mão vai para meu rosto, olho para ela e depois para ele, percebo que ele está completamente nu! Ele tira a mão da minha boca e passa ela em meu rosto. Então com um só movimento de braço ele me levanta do chão, me deixando de joelhos junto com ele. Ele me olha atentamente, cada parte do meu corpo enquanto passa as mãos em meus cabelos. De repente ouso um barulho enorme vindo do lado de fora da galeria, imediatamente tento me livrar dos braços daquele homem lindo, mas ele aperta mais os braços em torno de mim. Sei o que provocou aquele barulho, melhor quem o provocou. Tento me libertar novamente, mas isso faz com que ele aperte ainda mais o braço. Olho para ele, ainda sem conseguir ver seu rosto e digo:
    -Você sabe que ele não vai gostar de nos ver assim.
    Ele me olha, estudando a minha expressão e dá um lindo sorriso:
    -Estou falando sério!- Digo
    Ele me aperta ainda mais, e começa a beijar o meu pescoço:
    -Ah, Bruno para!- Rosno para ele.
    No momento em que estou pensando em como sei seu nome eu escuto um rugido e alguém dizer:
    -LARGA ELA AGORA!
    Olho para a porta (outro erro) e vejo outro monstro, só que esse é diferente, ele é mais baixo, e mais musculoso, ele só pode ser a outra sombra que vi na sala. Ele é todo preto, tem pelos por toda parte do corpo, seu nariz também são dois buracos, seus dentes são menores do que o do outro, porém mais afiados. Sua postura corporal e seu corpo se assemelham ao de um lobisomem. Ele olha para nós, então vê que estamos ambos nus (pelo menos é assim que me sinto), com raiva ele se aproxima e volta a dizer:
    -SOLTA ELA AGORA, OU VOU MULTILAR VOCÊ!
    Desesperada, tento mais uma vez me soltar, mas Bruno me aperta tão forte que não consigo respirar. Então olhando para o monstro na nossa frente, ele sorri diabolicamente, se volta para mim e me beija. Posso dizer firmemente que foi o melhor beijo da minha vida, seus lábios abrem caminho fácil mente em minha boca, sua língua é quente e ágil, como se sempre me beija-se assim e seu gosto é de chocolate com sangue. Uma delicia! O monstro ruge de ódio e parte para cima de nós dois. Bruno me solta e me empurra para a parede, depois pula e se transforma em pleno ar. Ele cai em cima do outro monstro e assim começam a lutar. Sinto algo estranho dentro de mim, não é medo, desespero, agonia, mas sim raiva. Não sei por que logo raiva, mas estou com muita, muita raiva dos dois monstros na minha frente. “Eles não tem esse direito!” rujo em minha mente. Levanto-me encarando o massacre na minha frente, algo mais começa a acontecer no meu corpo, ele começa a formigar, depois a queimar como se estivesse pegando fogo por dentro. Partes especificas começam a doer em minhas costas, como se a pele fosse arrebentar a qualquer momento. Reconheço essa dor, ela me tranquiliza de algum modo. Ela cresce mais e mais, e quando penso que vou explodir ouso mais um rugido. Diferente dos outros rugidos esse é o que mais me assusta. “Não ele não pode me ver aqui, e dessa maneira!” saio do cômodo e olho para um lado e para o outro ainda mais desesperada, não vejo ninguém. Um dos monstros empurra o outro para fora e a briga continua no corredor onde estou. “Ele vai enlouquecer, vai querer matar os dois!”, não sei por que me preocupo com esses dois monstros que ainda não pararam de brigar. A briga é sanguinolenta, me dói ver os golpes dados por cada um. O monstro branco arranha o rosto do monstro preto, que por sua vez morde o pescoço ossudo do outro monstro. Outro rugido “tenho que ir embora agora!”, quando me viro para sair correndo me deparo com outro monstro, mas diferente dos outros dois esse me dá medo, tanto medo que caiu desajeitada no chão. O monstro é duas vezes maior que os ostros, e mil vezes mais assustador. Ele tem quatro garras que saem de suas costas, cada uma com uma boca sangrenta, seus dentes são enormes, os caninos são de20 centímetros e os demais 10 centímetros, suas garras das mãos são afiadas e curvadas como ganchos, sua pele é cinza sem pelos, sua postura corporal é como a de um lobisomem também, mas ele usa suas garras das costas para se movimentar, tudo isso é amedrontador, só que o pior são seus olhos, os dos outros dois monstros são vermelhos sangue, o dele não é diferente, mas os dele saem sangue! Parece que ele está chorando. Além de seus olhos, sua boca, suas mãos, suas garras estão todas cobertas de sangue. Ele me encara por um longo tempo. Encosto-me a parede e cubro meu corpo seminu, então ele numa velocidade incrível, empurra com força os outros dois monstros que voam longe inconscientes, penso em ir até eles, mas por medo fico parada. O monstro cinza se volta para mim novamente. Eu o encaro, ele me encara também. Ficamos assim por um longo tempo, então ele dá um passo em minha direção e eu desvio o olhar e me encolho mais contra a parede. Ele percebe e fica furioso, então ele me pega pelo pescoço e me força a ficar de pé. Sem conseguir respirar ele me força a encara-lo, ele me levanta até meus olhos estarem ao nível dos seus. Fico suspensa no ar, á 4 metros do chão, é um milagre eu não ter morrido! Suas garras arranham o meu pescoço e suas garras das costas com suas bocas horríveis parecem me farejar. Sei o que está fazendo, está vendo se estou com o cheiro dos outros dois, está verificando se eu estava agarrada com um deles. Bem eu estava, porém contra a minha vontade. Ele sente o cheiro do monstro branco e rosna para mim. Então ele aperta mais suas mãos em meu pescoço, me deixando roxa por não conseguir respirar. Entro em desespero, e aquele calor volta a percorrer o meu corpo. Começo a me contorcer para me livra de suas garras, não adianta. “Ele vai me matar!” é o que penso, “Vai me matar por que acha que eu estava na cama com Bruno”, mais uma vez a raiva me toma conta, só que dessa vez com mais violência, meus olhos começam a coçar e a arder, minhas mãos, meus pés, mês braços, minhas pernas, tudo começa a arder. “Não vou morrer desse jeito, não por algo que não fiz!” berro em minha mente. O monstro coloca as duas mãos em meu pescoço e aperta bem e me empurra mais e mais contra a parede. Minha visão começa a ficar embasada, meus sentidos vão se enfraquecendo, o calor aumenta, vejo tudo branco, minha garganta está coberta de sangue e furos feitos pelas garras do monstro. O calor aumenta mais... mais... e mais... e então... eu acordo.
  • Viajante I

    “ O que de bom fizer para si mesmo faça também a outros. O quanto puder e como puder, pois será recompensado. Tenha certeza, o bem que se entrega ao próximo é da mesma forma devolvido - Caridade”

    O sol de certo já espreitava atrás dos morros fingindo que ainda demoraria a aparecer, naquelas terras malditas era de se esperar que até o sol fosse traiçoeiro. Mesmo estando escuro como noite o vultur não conseguia dormir. Ele nunca dormia de verdade antes da batalha e já estava há anos naquela vida, mas algumas coisas não mudam. Primeiro tinha própria antecipação e a sensação de perigo, depois tinha, bom, tinha todo resto do acampamento ordens, gritos, peidos, cheiros piores, água ruim, comida ruim e pessoas. Ninguém gostava daquela vida, apenas se acostumavam com a vida de soldado, sobrevivendo, aprendendo a lidar com as coisas de maneira prática e só. No meio das tropas era onde se aprendia a obedecer sem hesitar e, se ainda não souber, também se aprendia a prevaricar sem hesitar. No meio das tropas era onde as palavras ordem e disciplina eram marteladas na cabeça dos soldados todos os dias e, talvez por esse motivo, era admirável o caos produzido por aqueles mesmos soldados quando livres de supervisão.

    Capturado como escravo quando menino o vultur foi criado no trabalho pesado das forjas em uma das inúmeras províncias do império. Tendo convivido com a presença constante dos soldados e sem a chance de se tornar um aprendiz ferreiro, ele não viu melhor escolha senão se juntar ao exército, ao menos lá ele poderia receber algum pagamento se tivesse sorte e não morresse logo na primeira batalha. Ele teve sorte, não morreu nas primeiras batalhas e nas seguintes mesmo tendo chegado bem perto da morte, não sofreu ferimentos graves enquanto lutava nas linhas de frente da infantaria. Com tempo, com esforço e com muita puxação de saco ele foi designado para um regimento melhor onde ele aprendeu todos os truques e artimanhas dos veteranos, incluindo como conviver com tudo de ruim e aproveitar os raros momentos bons. Comer quando tiver chance e descansar quando tiver chance porque nunca se sabe quando vai ter outra chance, ele aprendeu que podia antes de mesmo de formar sua primeira barba. Realmente já fazia anos naquela vida, ele já deveria saber valorizar melhor um descanso, mas naquela noite ele simplesmente não conseguia relaxar, não naquelas terras malditas.

    O maior de todos os problemas era o vento, concluía o vultur sentado e tomando a água com gosto de lama. Era o vento do levante ele ouvia alguns dizerem, o vento que nascia naquelas terras para depois correr o resto do mundo, o vento que criava rios flutuantes no cinturão de planícies nas terras de Escalônia, o mesmo que criava as colunas de cristais de gelo nas cadeias de montanhas do norte onde ele nasceu e outras histórias inventadas para aquela droga de vento. Nada daquilo importava, o vultur não dava meio cobre para a origem daquele vento maldito, o que importava era sua amaldiçoada persistência, sem aviso e sem atraso os vendavais vinham um após outro, trazendo com eles as nuvens de poeira. Por conta de toda aquela poeira desde que as tropas firmaram acampamento naquelas terras dos infernos ele não cochilou mais que uns minutos e a abstinência de sono estava deixando ele absolutamente furioso.

    A falta de descanso incomodava muito mais do que se manter equipado e armado para batalha no caso de um ataque surpresa do inimigo. Claro que o equipamento incomodava, mas usar a armadura também dava uma sensação de força que ninguém podia entender antes de experimentar. Mesmo ali sentado como estava ele se sentia uma rocha enrijecendo seus músculos apenas pelo prazer de forçar o interior da armadura imutável. Aquelas placas de metal polido eram como uma parede entre o mundo e ele, a armadura do Ossifragus dada a ele quando ingressou no regimento vulturi, de início foi estranho usá-la, desajeitado, um tanto sufocante até, aquelas presilhas apertadas, os vãos do corpo onde iam os enchimentos. Estranho de fato, mas logo que o vultur se acostumou ele começou a se sentir mais forte, mais alto e, claro, mais importante que qualquer outro soldado a sua volta. De certo que nem tudo podia ser alegria, após algumas horas de uso e aquela armadura se tornava uma fonte de tortura com o agravo de toda aquela poeira. Era enlouquecedor estava em toda parte, poeira acumulando em suas juntas misturando ao seu suor, infiltrando suas malhas, tornando-as ainda mais desconfortáveis, entrando pelas frestas em seu pescoço e causando assaduras. Naquelas terras malditas em que o vento cantava com voz de choro ele podia sentir até o gosto da poeira entre as frestas dos seus dentes. E quando aquele gosto o irritava demais o vultur tentava respirar apenas pelo nariz, como resultado, sujeira se acumulava, secava e o obrigava a remover suas luvas para limpar o nariz com as unhas o que também vergava sua mente à beira da loucura, mas pelo menos não estava chovendo.

    O que ele precisava era sair daquele lugar, decidido ele se levantou do barril onde estava sentado e se pôs a caminhar para fora da tenda. Mesmo já acostumado com o aperto da vida de caserna ele esbarrava em quase tudo pela frente. Culpa daqueles conscritos de última hora, malditos preguiçosos e mal treinados. A palavra certa era caos, atravessar o interior das barracas era navegar o intestino de um leviatã. Mantimentos, armamentos, roupas, até animais, além dos humanos claro, tudo estava espalhado pelo chão formando um pequeno labirinto. Vez ou outra algo caia no movimento das tendas que deveriam ter sido esticadas firmes, mas estavam mais para velas de navio, balançando ao sopro do vento e ameaçando levar consigo suas amarras, ordem e disciplina? Não nesse exército. Enquanto ele caminhava entre soldados deitados, fingindo dormir, ou agrupados em rodas de jogos de azar, a sombra do vultur era projetada pelas lamparinas causando distúrbios, mas ninguém se manifestava diretamente contra ele. Ao sons raspantes da sua armadura os olhares pelos quais ele passava iam um a um baixando para o chão e atrás dele começava a habitual troca de sussurros;

    _ Um vultur, é um dos vulturi…

    Diziam em tom baixo.

    _ Ossifragus, é o maldito quebra-ossos…

    Sussurravam outros mais honestos, mas todos logo se calavam, pois sabiam que era arriscado falar de um vultur, na verdade era muito pior que isso. Próximo à saída da longa barraca um soldado chamou sua atenção, pelas roupas era um novato, deveria ser um ou dois anos mais novo que o próprio Ossifragus, alheio a hora da madrugada, aquele novato escrevia sem pausa e quase sem respirar, ao notar o olhar passageiro sobre si se explicou.

    _ Nunca se sabe senhor, essas podem ser minhas últimas palavras para minha esposa.

    Um pensamento perfeitamente compreensível para qualquer soldado, ainda mais um recém recrutado, mas o vultur não respondeu. Passando pelo novato que era seu último obstáculo ele finalmente deixou a barraca e respirou o ar externo com cuidado contrariando o sopro do vento.

    _ Jamais escrevi para minha esposa... Fraia… Quais foram mesmo minhas últimas palavras?

    Sussurrou para si enquanto se acostumava com o solo seco daquele lugar. O Ossifragus se lembrava muito bem que suas últimas palavras foram como enfiar uma faca no coração de um corpo já agonizante e ele sabia melhor que ninguém como fazer isso. Talvez Fraia já estivesse acostumada, afinal o vultur jamais havia tratado sua esposa como algo além de uma peça funcional, um degrau para ascensão, um objeto.

    _ Fraia... Seria melhor que você jamais tivesse me conhecido, mas como tantos outros você não teve essa sorte.

    Disse o Ossifragus para o vento e para a madrugada enquanto caminhava entre as tendas procurando um local mais alto. Sua esposa se chamava Fraia der Vuris, nascida na região central do Império onde dizem que o sol é azul e o céu é amarelo, ele mesmo não sabia muito, odiava aquele povo, odiava ter que falar aquela língua. O que ele sabia bem era que apenas aos cidadãos legítimos era permitido residir em Ofiúria, a capital do Império, mesmo ele tendo atingido um alto posto ainda era um ex-escravo, portanto não era bom o bastante para conviver com as malditas cobras imperiais. Não era e jamais seria. Fraia também não tinha nada de especial, não tinha qualquer sangue nobre ou coisa do tipo, ela morava às margens da capital e sob constante açoite da pobreza, ainda assim foi um incomparável presente. Após alguns feitos em batalha e uma boa propaganda ela lhe foi dada como esposa, aliás a cerimônia contratual acompanhou sua convocação ao regimento vulturi, sua nomeação como Ossifragus e sua certificação como aspirante a cidadão do Império. Aquele era seu grande plano na época, conquistar um lugar como cidadão para quando se afastasse das guerras, então formar uma família com Fraia significava direito a um sobrenome, a comércio e todas as garantias do estado como, por exemplo, poder acumular riquezas, pois mesmo sendo de origem pobre Fraia era uma cidadã de puro sangue ofiúro.

    Ossifragus der Vuris, certamente seria um bom nome aos olhos dos ofiúros, mesmo que para ele não soasse grande coisa, assim como seu plano também não tinha de especial. Era algo bem comum aliás, depois que um soldado de carreira tinha a sorte de ser promovido e perdia parte do medo de que cada próxima batalha seria sua última ele naturalmente começava a pensar no futuro, em se casar e ter filhos. Dizem que a própria sorte é uma mulher e como tal ela é atraída para quem não a merece, ele foi promovido, eles se casaram, um ano após o seu casamento comercial sua esposa Fraia deu à luz e sua sorte acabou.

    _ Estava me preparando para marchar quando duas parideiras correram me dar a notícia.

    Disse o Ossifragus apoiado contra uma árvore seca, ele olhava as fogueiras dos acampamentos ao longe como brasas aguardando para reacender. Em sua memória ele ouvia, - é uma linda menina senhor - eram cobras parideiras dizendo, elas forçavam sorrisos trêmulos na tentativa de esconder o medoda reação que ele poderia ter. A reação dele foi passar pelos quartos sem olhar para Fraia nem para a criança em seu peito.

    _ Isso é o que posso esperar de uma cobra. Dá-me um filho homem na próxima vez ou te devolvo ao ninho de serpentes de onde você veio.

    Fraia não era bonita, claro nenhuma ofiúra seria bonita aos olhos dele, afinal eram todas caras de cobras, mas para os padrões sociais do Império Fraia seria no mínimo apresentável. Ela tinha pele de escamas foscas e levemente esverdeadas, um tanto longe do ideal branco polido ou do aceitável cinza, mas em compensação e superando a maioria das ofiúras, Fraia tinha penas na cabeça e longas até com manchas brancas, o que significava uma boa linhagem ancestral, ou assim lhe foi dito. As inúmeras etnias dos ofiúros era algo que ele não entendia muito bem e nem se importava, sendo raças completamente diferentes já estava de bom tamanho que pudessem procriar. Procriar, aliás era essencial para o seu plano, se por um lado seu filho não seria um montanhês como ele, pois todos os filhos de ofiúros nasciam com aparência de cobra, por outro seu herdeiro seria imediatamente reconhecido pelo Império e como pai de um legítimo cidadão o Ossifragus ascenderia ao mesmo nível, era o plano. Então mesmo que gerar um filho com cara de serpente não fosse uma ideia agradável seria um sacrifício rentável, se fosse um filho homem, pois mulheres só tinham seus direitos garantidos dentro da sociedade ofiúra depois de se casarem e essa longa espera certamente não estava nos seus planos.

    _ Um filho homem, nem para isso ela serviu...

    Repetia ele tanto em voz alta quanto na memória de quanto deixava sua antiga casa. Sim, aquelas foram suas últimas palavras a Fraia. E no seu retornou da batalha no Cáucaso, vitorioso e bêbedo em vanglória a província onde eles moravam, como tantas outras, havia sido devastada. A chamada praga do silêncio, uma doença dos infernos que infectava sem distinção e comia a carne das vitimas tornando-nas em cadáveres mesmo antes da morte. Desde que ele se lembra ouvia falar de uma doença ou outra que surgia sem explicação e afligia um grande número de pessoas especialmente os ofiúros. Especialmente quando não exclusivamente, para uma raça tão antiga e tão egocêntrica era de se admirar a fragilidade dos ofiúros em relação a doenças. Fosse como fosse ele deixou para sempre aquela vila assombrada, juntou-se permanentemente ao exército e assim a primeira de todas as pragas se tornou sua nova casa.

    _ A praga da guerra, a praga do silêncio, todos belos nomes para mortes horríveis e suponho que, como na guerra, Fraia e Luria foram enterradas juntas, às pressas, com todos os outros numa cova comunitária, ou talvez queimadas.

    Ao certo ele jamais soube, nem sequer visitou seus túmulos simbólicos. Reorganizar e seguir em frente ele dizia a si mesmo, afinal não havia lugar para sentimentalismo no coração de um vultur, se convencendo facilmente com as platitudes marciais, sem saber se temia mais o fato de não se importar com a morte de sua esposa e filha ou de sentir tanta raiva por Fraia ter morrido e assim frustrado seus planos.

    _ Talvez reveja vocês num dos círculos do inferno, mesmo não sabendo se vê-las será um tormento maior para vocês ou para mim.

    Navegando pelos pensamentos ácidos o Ossifragus se perdia no horizonte e quando percebeu que estava amaldiçoando o soldado na tenda que provocou nele aquelas memórias notou também a mudança sutil nos céus. A noite parecia finalmente ir embora, mas aquelas luzes não eram do sol, não cores tão pesadas de vermelho sangrento tingindo a barriga das nuvens, não, aquele era o reflexo das fogueiras no acampamento inimigo.

    _ Tantos assim?

    O vultur sorriu levemente pela antecipação.

    _ Não fosse o terror da guerra, jamais poderia ver algo tão bonito. Nuvens sangrando pela destruição que virá, e talvez, talvez seja hoje…

    Completando o pensamento com seu desejo secreto o Ossifragus viu uma rara abertura nas nuvens e nela uma estrela solitária. A estrela era de puro, intenso brilho azul e muito maior que qualquer outra que ele já tivesse visto. Como se tivesse esperando pela atenção total do vultur a estrela solitária brilhou com ainda mais força e então se moveu lentamente para o leste até a abertura nas nuvens desaparecer por completo.

    _ Então, os deuses também vieram assistir? Ah! Não devem ter nada melhor para fazer.

    Na chegada das primeiras horas da manhã o ar estava preenchido pelo maravilhoso som da comoção das tropas se colocando em formação, ordens, gritos, madeiras, metais, instrumentos, comandos sendo repetidos, animais e mais gritos. Como uma pausa inicial de parola o vento havia dado um bom tempo de trégua e pouca poeira restava no ar, então a calmaria era capitalizada pelas tropas, mas da mesma forma que o exército ofiúro não faria acordos de paz com inimigo, os vendavais também não tardariam a voltar. Como era de seu costume o Ossifragus já estava equipado em condição de combate e tomado seu lugar entre as formações ainda incompletas. Mesmo com a viseira levantada o elmo abafava seu rosto, o inocmodo já era real, todas as suas armas estavam devidamente acopladas e pesando em lugares diferentes, ele verificou tudo uma vez mais antes de montar seu cavalo. Era um grande animal de guerra e bem treinado até, o cavalo não tinha nome e nem merecia. Cavalos não eram como os frenatus, aqueles répteis gigantes eram máquinas de combate, mas assim como tantos outros o Ossifragus tinha de contentar com um cavalo, aliás o cavalo deveria se sentir honrado por carregá-lo e agradecido também por que a seu pedido toda a parafernália inútil foi tirada dos arreios, afinal a pobre montaria já teria que sofrer demais com tanto peso. Teria e iria carregar sem escolha, pois o Ossifragus não abria mão de nenhum equipamento de batalha, incluindo o largo escudo preso em suas costas por um gancho, desde que passou a usá-lo nenhum inimigo viu aquele escudo e sobreviveu.

    Sem mais tempo para revisão ele firmou os pés nos estrivos, antecipou os primeiros toques das trombetas e as batidas compassadas dos tambores, as tropas estavam em marcha. O Ossifragus conduziu sua montaria despreocupado, afinal aqueles eram apenas os ajustes iniciais, as fileiras ainda estavam sendo postadas distantes umas das outras. Enquanto ainda estavam próximos dele os soldados anônimos da infantaria riam arrotavam, peidavam, escarravam e declaravam suas sabedorias.

    _ Onde está o inimigo?

    _Por que nós é que temos que subir o morro? Não seria muito melhor deixar os bastardos se cansarem vindo até aqui?

    _ Algum general já deve ter vendido esta batalha de qualquer forma…

    _ Droga preciso urinar, sério dessa vez preciso mesmo…

    Após outros toques das trombetas e da ausência dos tambores todo o exército parou o passo no meio caminho do morro. O Ossifragus observou retornarem os últimos batedores que atravessavam as tropas com urgência para se reportarem aos três generais na retaguarda. Mesmo sabendo que as tropas inimigas estariam logo após o morro, era um tanto perturbador não ver antecipadamente aqueles que logo deveria matar. Sem alternativa ele esperava pela deliberação dos generais, poderia levar minutos ou horas dependendo do que os batedores encontraram e do plano de ataque, provavelmente levaria horas e não teria nenhuma diferença no assim dito plano de ataque. Só restava aguardar, mesmo tendo um alto posto o vultur obviamente não dava ordens nem tinha homens sobre sua responsabilidade durante a batalha. Quando em formação de combate todos obedeciam a unidade de comando do trimagis, os três generais, apenas após as batalhas os líderes dos regimentos assumiam comando de suas frações. Confirmando suas expectativas o Ossifragus ouviu as trombetas soarem longas comandando atenção, à seguir ergueram-se três enormes bandeiras douradas riscando os ares no centro e nas pontas da retaguarda, ordenando que o exército aguardasse em prontidão, mas qualquer soldado experiente sabia que quando a ordem de avanço finalmente viesse, seria no pior momento quando todos estivem com seus pés e costas no limite da dor.

    _ Então não é um engano vamos mesmo brincar de quem ataca primeiro às cegas... Malditos trimagis...

    Toda aquela campanha já havia sido um grande desastre na opinião do Ossifragus, desde que puseram os pés naquelas terras malditas perderam quase a metade da infantaria de vanguarda e da cavalaria regular. Apenas a maldita tropa de elite imperial, obviamente composta apenas de ofiúros, não havia sofrido baixas relevantes, malditas cobras protegidas. Para que três generais estrategistas se tudo que faziam era marchar e atacar frontalmente todas as resistências? Sem plano e sem pensar no melhor uso para as forças, especialmente na linha de frente, era um desperdício de recursos. E afinal que lucro poderia haver naquelas terras secas? O Ossifragus viu vilarejos, colônias, uma ou outra fortificação, todas simples e todas defendidas por povos humildes de pequena expressão econômica e quase nenhuma lavoura. Então não era por comida, não era por riqueza e não era por política, aliás por cada uma das localidades que passava o exército tinha de deixar soldados e comandantes para controlar a população e defender as linhas de suprimentos já que tudo que o exército precisava tinha de vir do Império porque aqueles povos conquistados não tinham nada. Não era de se admirar que o exército vencesse todas as batalhas naquela longa marcha para o leste, mas vitórias precisavam ter um significado, senão eram apenas um desperdício de homens e recursos, mas o que ele sabia? Ele não era comandante.

    _ Dizem que precisa um tipo especial de pessoa para comandar exércitos numa guerra…

    Sem dúvida era verdade, afinal nem todos poderem ser déspotas, hipócritas e egocêntricos malditos. A história do mundo estava cheia deles, grandes generais, gênios da batalha, mestres na arte da guerra, aliás por que as grandes histórias eram sempre sobre comandantes ou míseros soldados? Sempre nos extremos ou eram homens com muito poder e muitos inimigos para vencer, ou era sobre pobres desconhecidos que salvavam todo um reino após uma série de acontecimentos improváveis. Por que não contar histórias de pessoas como ele? Pessoas no meio, que cumpriam seu papel corretamente, na eterna luta de ocupar um lugar decente no mundo, pensando bem, quem se importaria com uma história como a dele? Quando ele mesmo não se importava.

    _ Por que ainda luto então?

    A resposta era um desejo que ele mantinha escondido, talvez até de si mesmo e, talvez, com sorte, esse desejo iria se encontrar com ele do outro lado do morro. Com o olhar elevado para linha limite ele imaginava que depois daquela elevação de rochas peladas o sol já havia nascido por completo, seria uma vantagem para inimigo tê-los contra a luz, mas as nuvens escuras ainda estavam no céu e além disso o Ossifragus sabia que haveria algo mais, aquela calmaria tão longa nos ventos não era normal. Fosse como fosse todos estavam em seus lugares, à frente da formação retangular e quase no topo do morro estava a infantaria. Os escravos vinham na verdadeira ponta da lança, armados com uma infinidade de equipamentos aleatórios e inferiores, pelo menos a maioria tinha escudos. Os soldados de carreira imediatamente atrás eram distribuídos nas tradicionais linhas de escudos largos e lanças longas. Exceto pelos equipamentos não havia grande diferenças entre eles, todos haviam sido recrutados dos povos conquistados de todos cantos. Aqueles pobres não lutavam de verdade pelo império, em seus corações cada um deles tinha suas próprias causas, uns pelo diminuto pagamento, uns por medo ou obrigação, outros pela chance de matar e devolver parte da violência que sofreram, outros até por comida e em todos os casos deserção era punida com a morte, então mesmo com convicções diferentes todos lutavam até o fim. Talvez até houvesse uns sonhadores como ele foi no início, pobres desesperados lutando pelo sonho de um dia se destacarem o suficiente para se tornarem cidadãos legítimos do Império Ofiúro. E por que não? Era um sonho plausível e razoavelmente comum até, mas naqueles dias em que cada nova batalha parecia mais difícil que a anterior, era de se apostar que boa parte dos que tiveram escolha estivesse pensando que talvez fosse melhor terem permanecido como pobres coitados nas províncias, ou mais ainda, talvez seus olhos já estivessem abertos para a grande verdade, que eles sempre seriam escravos.

    Atrás das primeiras e um tanto desorganizadas fileiras de escravos e soldados de carreira, vinha a cavalaria regular, composta dos mesmos tipos de soldados, mas com mais tempo de serviço e merecedores de uma certa deferência, eles usavam escudos médios, lanças mais curtas e de melhor qualidade, além delas podiam escolher suas armas secundárias, normalmente espadas. Uma boa distância atrás da cavalaria regular vinham as tropas da elite imperial onde então claras diferenças se davam. A elite imperial era composta exclusivamente de ofiúros de sangue puro, mesmo por que apenas aqueles malditos com sangue de serpente eram capazes de montar os famosos répteis frenatus. E os frenatus eram as melhores montarias de batalha que poderiam existir. Eram animais vorazes tão ou mais altos que cavalos, tinham longas caudas e atacavam tanto com garras quanto com mordidas. Nas poucas vezes que o Ossifragus viu um dos cavaleiros imperiais cair e deixar seu frenatu vivo a fera lutou sozinha até o fim da batalha parando seus ataques apenas quando um outro ofiúro retornou para buscá-la. Além do mais se os boatos que ele ouvia estivessem corretos os répteis de montaria eram treinados para emitir sons que avisavam seus cavaleiros de algum perigo iminente, isso por si só já seria impressionante, mas aqueles frenatus assim como os ofiúros também podiam ver no escuro, sentir calor e interpretar as vibrações no solo. Talvez tudo aquilo fossem lendas criadas para inflar o ego dos ofiúros, mas era fato que as tropas da elite imperial poderiam dominar o campo de batalha apenas pelo terror que os frenatus provocavam. Infelizmente para o inimigo ou para todos eles aquelas não eram as maiores ameaças. Nos flancos de toda a formação estavam outras das aberrações que davam terror e fama ao exército dos ofiúros, eram os homens-dragão, os chamados dracuris.

    Aqueles sim mereciam ser chamados de dragões, os dracuris chegavam a ter a altura de duas casas, com formas de serpente dotadas de braços e pernas, as vezes asas. Criaturas que nasceram homens ofiúros, mas que por seu sangue tentado se tornavam em bestas gigantescas e uma vez que começavam a se transformar o processo não tinha cura. Os dracuris eram raros e tão temidos quanto desejados. Pelo que o Ossifragus aprendeu a origem dos dracuris começou junto com a história daquele povo. Todo o povo ofiúro era resultado de uma antiga magia, prova disso eram os homens-dragões. Nos dias mais recentes os líderes ofiúros, que viviam na capital graças ao lucro gerado pela máquina da guerra, passaram a compensar generosamente as famílias de onde surgiam os dracuris e enviá-los para o exército, onde poderiam matar sua sede de destruição de modo lucrativo. Os dracuris então se tornaram figuras de comércio e troca entre a nobreza ofiúra, mas ali na ponta da lança, no campo de batalha as criaturas gigantes que não sabiam distinguir aliados de inimigos não eram desejadas por ninguém e até aquele momento as tropas contavam com vinte e um deles marcando os limites da formação, perto dos dracuris ficavam apenas uns bravos que se consideravam treinadores, mas estavam mais para servos. Além de toda a tropa concentrada no bloco central em algum lugar deveria haver mais dois esquadrões de infantaria reserva, mas ninguém além dos três generais e dos mensageiros saberia o local exato. Perto da retaguarda numa linha entre a cavalaria e os arqueiros estavam o regimento vulturi. Todo o regimento contava com apenas seis cavaleiros, dispostos em ordem, mas com tanto espaço entre eles que não podiam se comunicar verbalmente e de fato nem precisariam. Sua missão era simples e clara, ao regimento vulturi e aos arqueiros cabia a missão mais revoltante, matar a todos. Além de matar todo e qualquer inimigo que pudessem, eles deveriam matar todo aliado que não fosse capaz de permanecer em pé no campo de batalha, o exército ofiúro não cuidava dos seus feridos que não tivessem chance de retornar imediatamente a batalha.

    Fosse como fosse eram seis os vulturi atuais, conforme a tradição ofiúra todos abandonaram seus antigos nomes para honrar os títulos recebidos. Liderados por Cinerous o sábio que era também o mais velho e o único de puro sangue ofiúro. Depois dele vinham os irmãos Neophron o eviscerador e Necrosyrtes o sombrio, ambos de meio-sangue com a aparencia das cobras mas felizmente sem a mesma arrogância, ambos se orgulhavam de maestria em todas as armas conhecidas no Império. O quarto era Fulvus o bravo, descendente de uma rara e reclusa raça de gigantes do norte ele usava um martelo de guerra, Fulvus era coberto por pêlos castanhos, suas feições eram associáveis às de um bovino e inclusive com chifres. Ninguém sabia muito sobre ele, o próprio Fulvus era incapaz de falar ou pensar normalmente, boatos diziam que algo havia sido feito com a mente dele e o resultado era obediência, mas total incapacidade de interação. Tenuirostris o veloz, era o quinto e de fato o mais ágil sua arma favorita era um arco longo e laminado, ele tinha pele escura como a noite e longos cabelos brancos com inusitado brilho púrpura, oriundo de um povo arborícola já dizimado pelo Império. Se mal olhado Tenuirostris parecia uma mulher, alto e esguio como era, mas mulheres não eram permitidas entre as tropas, mesmo as escravas eram rapidamente transportadas para não causar distúrbios entre os homens, o que não os impediam de procurar prostitutas ou cometer estupros sempre que podiam. Fechando o grupo atual estava o próprio Ossifragus o quebra-ossos, o mais jovem no regimento ele não se achava especial, mas admitia que tinha um talento natural para lutas, não exatamente guerra e batalhas de campo, mas lutar contra alguém realmente melhorava seu dia, mesmo que sempre sobrasse pouco para ele. Cada vulturi era treinado ao máximo de suas aptidões e equipado com o melhor do que o Império poderia oferecer em armas e armaduras. Os vulturi eram a exceção depois da elite imperial, de certa forma eles eram uma elite, uma elite de covardes que ficavam para trás e matavam quem já não tinha forças para viver. Talvez só não fossem tão covardes quanto os gloriosos trimagis sangue de cobra que cochichavam embaixo dos estandartes.

    _ Então me tornei um guerreiro imperial, invejado por muitos, odiado por quase todos e compreendido por nenhum…

    Murmurava o Ossifragus já antecipando que a farsa da guerra estaria para começar. Confirmando suas suspeitas uma grande sombra se ergueu nos céus chamando sua atenção para o alto do morro, então sons viearam, eram sons de batalha, uns pareciam gritos de guerra, outros mais estranhos pareciam estrondos e rangidos. Logo flechas começaram a cair terminando suas parábolas contra a infantaria.

    _ Está claro que o inimigo avançou então por que não dão as malditas ordens...

    O Ossifragus olhou para trás buscando os estandartes vermelhos que liberariam o ataque, mas a nuvem de poeira passando por eles não permitia ver a retaguarda. Quando a cortina de poeira dissipou brevemente ele viu que os arqueiros atrás dos vulturi já estavam em condição de disparo, um comando sonoro soou e flechas aliadas voaram para o outro lado do morro. No intervalo dos lançamentos do inimigo o exército ofiúro cobria o céus três vezes com suas levas, entre elas Tenuirostris lançava seis ou sete vezes, impossível dizer se encontravam algum alvo, mas demonstrava superioridade técnica.

    _ Começou cedo senhor veloz, mas para que atirar às cegas? Para que apressar o inevitável?

    Instantes depois ele pensou ter ouvidos trombetas e virou-se encontrando o que esperava, estandartes vermelhos se agitavam na retaguarda. Com o eco das ordens de carga sendo repetidas as tropas iniciaram avanço morro acima, e assim como a cavalaria os vulturi também iniciaram sua marcha seguindo num passo um tanto mais lento com os arqueiros logo atrás. O lado hostil do morro mostrava outra de suas suspeitas, muros de tempestade de poeira, ele baixou sua viseira, mas antes de desviar olhar pensou ter visto que as forças imperiais empurravam o inimigo, então a tempestade chegou cobrindo tudo e a marcha se tornou uma descida cega. Já de início ele ouviu um estouro e prevendo um ataque Ossifragus balançou o máximo que pode de seu corpo para o lado, quase caindo da cela, e então ele caiu. Na verdade o mundo pareceu tê-lo derrubado e depois caído sobre ele, quando percebeu que era o peso do seu cavalo morto esmagando sua perna o Ossifragus forçou sua saída por debaixo tendo a presença de espírito de recuperar seu escudo caído e fixar o braço esquerdo nas amarras internas. E foi bom que o fez, um impacto contra o escudo foi o único aviso que teve do ataque inimigo. Na curta distância a visão ainda era boa, então quando o segundo golpe veio o Ossifragus girou firmando seus pés e deixando o inimigo passar um pouco para o lado direito, depois circulando seu machado pelo ar ele acertou atrás da cabeça do inimigo, um corpo alto e magro caiu inerte ao chão. Noutro instante ele viu mais a frente um inimigo que passava correndo e tropeçou empalando a si mesmo com sua arma.

    _ Ah! Um bom começo, e se não me engano esse foi o terceiro desde o início da campanha, mais dois e farei Cinerous pagar-me a aposta e se depender desses camponeses idiotas não passará de hoje…

    Rindo da cena, mas amaldiçoando a tempestade de poeira que não lhe permitia ver mais muito mais que uns passos à frente o Ossifragus lembrava das suas primeiras cargas de batalha. Naquela época ele também temia tropeçar e morrer mesmo antes de chegar ao alvo. Na verdade bem cedo na sua carreira ele aprendeu que não importava quantos anos de treinamento se tinha, no calor da batalha o que importava era a capacidade de acertar um bom golpe antes que o inimigo fizesse o mesmo, em algum momento todo soldado descobria o mesmo. Por que quando se está a beira do abismo da morte, todo o treinamento desaparece e aí tanto faz a técnica desde que o inimigo caia primeiro, tanto faz a teoria que se tente aplicar na guerra, a sorte decide os fatos.

    _ Sorte é a grande mestra da batalha.

    Ninguém era infalível, mesmo o mais experiente guerreiro poderia simplesmente tropeçar, cair sobre sua arma e se empalar como aquele pobre camponês. A Sorte assim decidia de todos a hora da morte e ninguém viveria um instante a mais que o permitido pela deusa da fortuna. Terminando sua decida cega outros dois inimigos ele derrubou antes de encontrar o primeiro aliado caído, na escuridão dos ventos ele assistia o soldado de carreira tentar levantar-se, ele assistia por pura curiosidade.

    _ Será que ele consegue se levantar sem usar as pernas?

    Não havia esperança para o aliado caído, o rapaz tinha sofrido golpes pesados demais em ambas as pernas, e o que lhe restava delas jamais sustentaria qualquer coisa novamente. De fato não havia esperança, estava claro mesmo no semblante do rapaz quando ele olhou diretamente para cima e viu o Ossifragus. Raiva? De certo o jovem desejava viver um pouco mais e talvez até conseguisse, se fosse tratado imediatamente, após horas de dedicação muita médica ele poderia sim sobreviver, claro, como um inválido. Viveria como um inútil, dependendo da boa vontade de outros para o resto de sua vida.

    _ Poderia, mas...

    Disse o Ossifragus antes de golpear o jovem aliado. Acertou-lhe abaixo da cabeça com seu machado, nem limpo nem doloroso, mas uma morte rápida.

    _ Não nesse exército...

    Respirou fundo erguendo-se e já recomposto o Ossifragus buscava se concentrar no chão e nos sons, mas a tempestade de poeira já havia tirado seu centro, fosse como fosse ele pensava estar marchando na direção correta. Sem seu cavalo o avanço pelo campo era uma caminhada lenta intercalada com raras corridas laterais curtas para interceptar um alvo ou outro. De fato tudo era lento e previsível ao ponto do tédio, em seu caminho encontrava poucos inimigos em pé e ainda com capacidade de luta, na maioria dos casos dois ou três golpes trocados era o máximo que levava. Em ainda mais raras ocasiões o Ossifragus enfrentava grupos, mas mesmo em maior número o inimigo não tinha vantagem. Eram inexperientes, estavam cansados, desorganizados, mas corajosos sem dúvida. Mais e mais ele derrotava, mais e mais feroz o inimigo parecia, talvez estivesse errado, mas diversas vezes pareciam vir diretamente para cima dele. Talvez atraídos pela armadura e iludidos com a possibilidade de derrotar um cavaleiro de armas, sem saber se tratar de um vultur. Não importava, pois todos sem exceção terminavam mortos. Numa das breves folgas dos vendavais ele pensou ver Tenuirostris ao longe usando suas adagas em extraordinária velocidade.

    _ Pobres almas, imagino que morreram sem saber o que os atingiu.

    Não faria diferença de qualquer forma. Ninguém sobreviveria a passagem das tropas imperiais por aquelas terras.

    _ Essas terras malditas, nem mesmo tenho prazer no embate, logo estarão todos moribundos e não haverá mais qualquer desafio.

    Já não havia qualquer desafio, mesmo que o número de inimigos que penetrava as linhas fosse cada vez maior, eles estavam exaustos, tanto que para a maioria restava apenas a misericórdia do último golpe. Ele não sabia quanto tempo já havia se passado, mas o chão já exibia um extenso tapete de corpos. Pelo caminho havia até alguns ofiúros, mas com eles o Ossifragus não precisava se preocupar, já que os imperiais incapacitados da elite quase sempre tiravam suas vidas em ataques suicidas ou cortando suas próprias gargantas patrioticamente. Fosse como fosse nem todos os corpos do tapete estariam completamente mortos, então o Ossifragus decidiu se por à sua verdadeira missão, ele pendurou o machado junto ao cinturão e dentre as várias armas que carregava sacou das costas a sua hasta. A hasta era uma lança curta com lâmina grossa que penetrava facilmente, mas por efeito das suas guardas não ficava presa no corpo adversário. Então uma canção mais fúnebre tomou lugar, ele já não corria pelo campo, mas andava pela escuridão alternando direções procurando os moribundos aos quais presenteava com um golpe através dos olhos.

    Num dos momentos em que o vento abriu as escuras cortinas de poeira o Ossifragus percebeu algo de muito estranho. Na sua frente faltava a familiar estrutura horizontal e nas laterais faltavam as colunas gigantes.

    _ Será possível que marchei em círculos? Ou para trás?

    Não, bem atrás dele estava o morro e talvez até algo que poderia ser o seu cavalo, estranho mesmo, mais ainda eram todos aqueles buracos no chão. Havia crateras por toda parte, ainda em dúvida ele seguiu enquanto outras hipóteses mais absurdas lhe surgiam.

    _ Será que a infantaria sucumbiu? E quanto a cavalaria? As forças reservas? E os malditos dracuris? Tem alguém aí...

    Gritou o Ossifragus, pois desconfiava que ninguém o ouviria. Gritou, pois viu as cortinas se fechando, e no meio do uivo do vento ele viu que o mundo escurecia de novo. O Ossifragus marchou então, não tinha outra escolha, tentava guiar sua direção pelos sons entre o choro do vento, mas os sons que ele mais ouvia eram outros, eram sons espantosos que vinham de brilhos esparsos como trovões caindo ao chão. De súbito ele se sentiu sozinho, abandonado no campo de batalha e a mercê dos inimigos que poderiam cercá-lo a qualquer momento e…

    _ E isso seria glorioso…

    Sorriu para si mesmo reanimado, anos atrás no seu caminho ele já havia aceitado seu destino, aceitado que um dia sem qualquer diferença de outro sua morte chegaria, de fato tinha aceitado tão bem que passou a desejar secretamente. Após seus gritos inconsequentes anteriores ele havia inalado uma boa quantidade de terra, tentando limpar sua garganta o Ossifragus tossiu e sentiu parte das gotículas retornarem ao seu rosto após baterem contra a viseira do elmo. Quando o ataque de tosse parou ele já havia encontado a paz. Mesmo na tempestade ele se fez calmo, sacou a pele rígida na sua cintura e bebeu toda a água, que era pouca de qualquer forma. Cada vez mais decidido ele baixou sua viseira, rasgou a capa fixada em suas costas, fazendo dela uma bolsa para depositar todo o seu equipamento num local que levianamente pensava poder encontrar ao fim de tudo, mas que de fato não se importava em perder, pois sabia que no fim daquele caminho não haveria volta. Abriu mão de seu escudo pesado, da lança, do machado e das adagas, abriu mão de todas as suas armas exceto uma.

    Caminhando então ele empunhava uma única arma insubstituível, a única arma da qual jamais se desfizera, pois era um achado, tão antiga que uma leve camada escura cobria várias partes inclusive das lâminas que ele polia diariamente. A maça de batalha era o único equipamento que ele tinha adquirido por si mesmo, muito longe daquelas terras e era também a única arma na qual ele confiava, pois sabia que jamais seria quebrada e jamais perderia o corte. Apertou então o cabo até sentir dor, ele iria morrer segurando aquela maça e teriam de cortar seus dedos para arrancá-la de suas mãos. Retornando então à canção da morte o Ossifragus marchou nas trevas, cada corpo que surgia em sua visão recebia golpes de sua maça de batalha e nenhum resistia. Quando as grossas lâminas não ceifavam de imediato ao atingir um membro ou parte, o próprio peso da maça causava fraturas tão graves que os corpos caíam como sacos vazios e acima os deuses começavam a rasgar os céus em raiva. Sem se importar, golpe após golpe o Ossifragus se perdia nas trevas, suas vítimas se faziam borrões antes de cairem. O progresso se dava muito mais rápidoe e ele estava no pico de suas capacidades, ainda assim sentia que algo não estava certo.

    _ Esses sons, esses brilhos...

    Algo grande caiu em velocidade absurda, ele sentiu o chão debaixo de seus pés tremer ao ponto de desequilibra-lo e seus sentidos o abandonaram. Espantado com um agarrão em suas pernas ele chutou em reflexo livrando-se, mas sendo projetado para frente por suas próprias forças. Tudo tinha o mesmo tom escuro de cinza, tudo girava e se retorcia, nenhum outro som havia além de um perturbador zumbido, mas ele não se renderia ainda. O Ossifragus forçou os sentidos ao seu centro novamente, e então viu algo que reluzia no chão em meio aos destroços, aqueles contornos eram fáceis de reconhecer.

    _ Um vultur morto? Impossível...

    Mesmo com a poeira negra se misturando ao sangue que corria sobre a armadura reluzente aquela figura era inconfundível, o tamanho grande demais, os chifres adornando a fronte, era Fulvus e estava morto, esmagado como um inseto.

    _ Estão nos derrotando…

    Uma impossibilidade bem diante de seus olhos, um dos soldados mais fortes do Império morto por algum truque ou magia sem nenhuma causa aparentemente, sem baixa do outro lado ou resposta dos aliados, o que significava que o inimigo não apenas tinha chances de vencer, mas naquela estranha luta às cegas eles estavam vencendo. E de fato o Ossifragus notava como era difícil encontrar um aliado vivo, nem se lembrava do último, mas o inimigos chegavam em grupos para atacá-lo. Vindo de vários lados eram inexperientes e mal equipados, pequenos em estatura e sem nenhum conhecimento de combate, apenas se jogando contra ele.

    _ Morrendo sem saber nada da vida…

    Pensava o Ossifragus, cortando a barriga de um quando num adulto teria acertado as pernas.

    _ Tão jovens…

    Pensava ele ao empalar outro inimigo com o topo pontudo de sua maça de batalha, o rosto que observou a arma atravessar seu pequeno corpo virou-se para cima e encarou seu executor com lágrimas nos grandes olhos.

    _ São... Crianças?

    O Ossifragus afastou-se do pequeno corpo, sentindo enjoo, sentindo suas pernas tremerem dentro da armadura ele caiu de joelhos pronto a vomitar, levantou a mão tentando retirar seu elmo, mas antes que pudesse alcançar o fecho algo como um laço o agarrou seu braço, seu pescoço também foi laçado e sua cabeça puxada para trás, por fim outro laço tomou seu braço esquerdo. As cordas eram fortes demais, por mais que ele forçasse suas pernas não conseguia vencer a resistências das cordas para se manter equilibrado, nem cortá-las com seus braços estirados, sentindo o esgotamento lhe abater ele soltou a maça de batalha. De dentro da escuridão ao som dos uivos do vento vinham mãos rápidas e retiravam partes e mais partes de sua armadura, ele já começava a entender o significado quando algo frio penetrou suas costas.

    _ Sorte é a grande mestra da batalha…

    Ao acordar não havia mais poeira. No lugar dos morros secos ele viu campos que eram na verdade muito bonitos, aliás todo aquele vale era majestoso em seus contrastes de cores, de luzes e sombras. Havia beleza nas pedras cinzentas e nas faixas de gramas tão verde terminando num grande lago que centralizava o vale. Perfeito se não estivesse chovendo.

    _ Tinha que estar chovendo?

    Ele gritou…

    _ Claro que sim, significa que estou mesmo morto não é?

    Como ele odiava a chuva, tanto que quase sentia saudade da poeira e da escuridão. Fosse como fosse ele já estava molhado e, sem muito mais que fazer desceu pelos campos e pouco antes de chegar ao lago ele baixou seus calções, escorou-se numa das grandes rochas e urinou.

    _ Mortos não mijam…

    Disse ele olhando através das gotas caindo das nuvens escuras, mas antes que pudesse concluir suas teorias duas figuras surgiram sobre o lago e passaram a caminhar na sua direção.

    _ Caminhando sobre as águas hein? Isso mata minha dúvida, definitivamente estou morto…

    Sem qualquer preocupação e notando que tinha algum tempo, ele terminou com as necessidades da natureza e demonstrando ainda menos pressa colocou seus pés descalços dentro das águas do lago. Sentindo as pedras geladas contra as solas dos seus pés e a água que batia contra seus joelhos ele se pôs a lavar a sujeira que chuva não tinha tirado. Esfregou então seu rosto, seus braços, seu peito e como estava nu da cintura para cima notou que não havia sangue nem feridas. Mais ou menos satisfeito se sentou molhando seu traseiro na beira do lago e com as mãos descansando sobre os joelhos ele esperou. Instantes depois as duas figuras estavam perto o bastante, um era um monstro quadrúpede, negro e gigantesco a outra era uma mulher vestida de branco e cuja altura era a metade do monstro.

    _ O famoso Ossifrágio devorador de ossos, um dos grandes vultures, ou abutres, ou carniceiros como me parece mais justo dizer, vejamos como está agora? Sem asas e sem garras, onde está sua raiva passarinho? Onde está sua raiva para ajudá-lo a lidar com a culpa e o remorso?

    Disse a mulher descansando sua mão contra a besta que imóvel o encarava ameaçadoramente.

    _ E a quem devo responder?

    Disse engolindo seco e puxando seus cabelos molhados para trás ele notou pela primeira vez os olhos daquela mulher. Ela era bonita até, ao menos parecia humana e não uma cobra, era clara e de cabelos escuros, o desconcertante estava nos olhos. Os olhos daquela mulher eram brancos brilhantes como se feitos de neve, aliás ele tinha certeza que se pudesse tocá-los seriam frios como gelo.

    _ Não apenas a quem, mas como deve me responder. Não te ensinaram que nessas ocasiões é comum se manter de joelhos em reverência? Com a testa junto ao chão e não apenas a bunda…

    Disse a deusa em tom sério.

    _ Não, não sabia disso, acredite ou não, não morri muitas vezes antes dessa.

    Respondeu ele rapidamente, e rapidamente concluindo que já estava forçando os limites de sua sorte, mas já estava morto então…

    _ Seu nome?

    Ele perguntou.

    _ Conhece os velhos dizeres? Tenho muitos nomes, Aletea, Veritat, Oneira e tantos outros mais…

    Respondeu ela um tanto mais serena e por um instante ele ponderou, mas apenas por um instante, afinal desrespeito estava em sua natureza.

    _ Aletea a mais inútil das deusas, conheço sim, e você? Conhece os outros velhos dizeres? Como eram mesmo? Antiga senhora? Ah! Sim, isso mesmo. Antiga senhora por que mora aqui entre florestas ancestrais deixando as cidades dos homens para trás?

    Enquanto assumia um ar de desprezo ele também se dava conta de que a chuva não molhava as figura no lago, nem mesmo a superfície do lago se alterava com o cair das gotas. Era mesmo de se esperar que apenas ele tivesse de sofrer com a maldita chuva. A deusa com seu semblante ainda mais inabalável respondeu logo completando o antigo ditado.

    _ No início apenas nos de mais idade as mentiras se encontravam, mas agora elas se por toda sociedade humana espalharam… Conheço bem essas lendas e apesar de insinuarem que abandonei a humanidade essas canções em minha homenagem não são ao meu desagrado, mas pode dizer o mesmo carniceiro? Afinal algumas canções foram cantadas sobre seus feitos, tem algum orgulho delas?

    _ Talvez, mas não vamos mentir aqui está bem. Você não apenas abandonou os homens, mas foi a primeira entre todos os deuses a abandonar a humanidade, sente algum orgulho disso senhora da luz?

    _ Toda boa mãe sabe a hora de deixar seus filhos seguirem sozinhos e viver em liberdade e também como toda boa mãe sempre me mantenho à espera daqueles que precisarem voltar para o lar…

    _ Já devia esperar uma resposta pronta. Então já sei como...

    Disse ele abrindos os braços como se apresentando sua postura relaxada e logo recostando com as mãos para trás, largo peito a mostra.

    _ Já sei a quem... Falta o porquê. Então me diga, oh deusa da verdade, por que devo continuar respondendo a você, já não sabe de tudo?

    _ Todos temos objetivos, meu…

    _ Ah! Não me fale!

    Interrompeu ele bruscamente e já produzindo um sorriso idiótico no rosto…

    _ Já sei, essa é uma daquelas histórias… Você sabe aquelas histórias em que deusas carentes procuram homens fortes e bonitos em busca de... Satisfação? E talvez... Filhos? Mas se é o caso por que trouxe o monstro?

    A deusa observou o sorriso canalha brotando no rosto molhado dele e ainda sem demonstrar qualquer emoção ela mudou o tom de suas palavras que se fizeram como lâminas de gelo.

    _ Não é uma dessas histórias, você não é tão homem e certamente não é forte o bastante para mim, por isso trouxe meu companheiro…

    Disse a deusa acariciando o monstro que rosnou para ele.

    _ Então carniceiro, para sanar sua dúvida, se a necessidade me abater acredite que já tenho quem me auxilie e não deixa a desejar.

    Com sorriso desfeito, mas ainda sem qualquer respeito ele retomou.

    _ Outra ótima resposta o que me deixa sem escolha senão perguntar qual o vosso objetivo? Oh vasta deusa gélida.

    Dando ênfase na palavra vasta, ele procurava por reações que demonstrasse que a deusa compreendeu a piada quando ela respondeu direto ao ponto.

    _ Transformar um monstro num guardião, uma praga destrutiva numa força protetora.

    _ Certo…

    Respondeu ele imediatamente, mas logo mergulhando em seus próprios pensamentos deixou o bom humor de lado.

    _ Agora tenho certeza de que não é uma daquelas histórias…

    Disse ele exasperando, a deusa se manteve em silêncio e algo na visão dele pareceu ofuscá-la, como se a qualquer momento ela fosse desaparecer, mas então reacertou-se e ele continuou.

    _ O que acha que vou fazer? Lutar em seu nome? Em vez de escravo de um imperador de um lugar distante me tornar escravo de uma deusa de um lugar distante?

    _ Não há distâncias entre mim e o seu coração…

    Disse a deusa ainda mais fria e novamente sua imagem ameaçou desaparecer.

    _ Não sou herói, por que você não escolheu alguém melhor, alguém…

    _ Tem coragem de me perguntar guerreiro? Você que matou todos os bons…

    A deusa respondeu parecendo estar mais distante.

    _ Não posso dizer que sinto muito, afinal não sou uma boa pessoa e nunca vou ser…

    _ Decida-se, aceita lutar em meu nome ou prefere morrer? Responda-me Guerreiro?

    Mesmo perguntando com firmeza tanto a voz quanto a imagem da deusa estavam fracas demais para ele distinguir, e outros sons se misturavam como palavras de uma língua que ele não entendia.

    _ Que tal o montanhês? Está aí guerreiro? Guerreiro? Responda…

    O que ele viu de repente era incrível e irritante ao mesmo tempo. Um homem que estava em cima dele tinha a pele em tom de um magnífico e pálido azul, suas roupas ricas em tecidos, túnicas e peles sobre uma armadura prateada. Aquela era a parte incrível, a irritante era que o homem estava estapeando o rosto dele enquanto falava em diversas linguas.

    _ Estou aqui, sim…

    Ele respondeu, ou pensou ter respondido, por que sua voz soava tão fraca?

    _ Ah é o montanhês então! Que bom que ainda se conta entre os vivos rapaz.

    Disse o homem de pele azul sorrindo e se afastando um pouco, talvez para dar-lhe mais ar que respirar, não fazia diferença, ele conseguia respirar muito bem, o problema era o mundo que ficava retorcendo aos olhos dele.

    _ O lago? E a chuva?

    _ Nessas terras não há águas guerreiro e as chuvas não dão muitas graças aqui também. Sabe onde está? Sabe seu nome?

    _ Sei sim... E a batalha já terminou?

    Disse ele buscando firmar sua voz mesmo com a garganta tão seca e lembrando de tomar o cuidado para nao revelar de que lado ele esteve na batalha.

    _ Nesta terra também não tem muitas batalhas, afinal é um deserto pode ver...

    _ Mas você é um soldado…

    Disse ele tentando se levantar e apontando para a armadura do homem de pele azul.

    _ Fui um dia, um dia que também já ficou muito longe no passado. Hoje não empunho mais a espada e vivo uma vida muito diferente, por sinal hoje chamam-me Logos.

    _ Bom para você.

    Ignorando os maus modos o homem de pele azul continuou a lhe questionar sobre uma infinidade de fatos, já o guerreiro focava sua visão para o ponto, o exato ponto que estava antes e como através de um véu ondulante ele pode ver e ouvir por um instante mais a deusa que acariciava o monstro e desaparecia no ar.

    _ Cuide bem dele Azuro…

    _ EPI _

    Num pouso entre os caminhos os dois estavam sentados olhando as estradas de terra.

    _ Então Logos, você é um mestre ou educador de algum tipo não é?

    _ Sou um professor, sim e fico abismado com a capacidade de adivinhação da maioria das pessoas com quem desenvolvo um diálogo.

    _ É que, tem um certo ar sobre você.

    _ Imagino que tenha mesmo, mas temo que não seja dos melhores já que as pessoas tendem a se tornar mais sérias quanto estão próximas a mim.

    Ele não respondeu e o professor continuou.

    _ Isso é claro somado a minha inabilidade natural de conversar corriqueiramente ou fazer piadas simples o que torna o humor espontâneo muito mais difícil.

    _ Certo então, professor Logos, diga-me é realmente possível que uma praga destrutiva se torne uma força protetora?

    _ Sim, de fato é, ainda mais quando se está no caminho certo jovem Eickthor, afinal é sempre tempo de mudança e toda mudança pode ser para melhor, filosoficamente falando...

    _ Certo, mas como uma pessoa pode saber se está no caminho certo?

    _ Ora, existem vários métodos, tudo depende do campo em questão e do objeto de estudo, por exemplo a jornada pessoal de cada um. Vejamos, diria que no seu caso uma boa maneira seria se fazer uma pergunta simples. Pense, se este fosse o exato momento de sua morte, estaria contente com sua jornada até aqui? Em outras palavras…

    _ Ah! Não me fale! Já sei! Essa é uma daquelas histórias...

  • Vigilante de Ferro 2

    Na Rússia, a mídia cobre uma notícia sobre Vigilante de Ferro, Aleksei Dokuchaev, cujo pai Ivan Dokuchaev acabou de morrer, vê isso e começa a construir um Reator Enérgico em miniatura semelhante ao de Chris Evans, dois anos após se tornar Vigilante de Ferro, Evans se tornou uma super estrela e usa seu traje de Vigilante de Ferro para meios pacíficos, resistindo a pressão do governo para entregar sua tecnologia, ele inaugura a Evans Expo na cidade de São Paulo uma exposição tecnologica, cansado das falsas amizades que o rodeia e querendo se dedicar exclusivamente a vida de super-herói John nomeia sua assistente pessoal e agora namorada Pamela Brown, CEO das Indústrias Evans, e contrata Luana Rushman, para substituí-la como sua assistente pessoal, John vai até a festa de ano novo organizado pelas Indústrias Evans, onde ele é atacado por Dokuchaev que usa chicotes eletrificados e se nomeia como Chicote Elétrico, John veste sua armadura  derrota Dokuchaev, mas seu traje fica gravemente danificado, Dokuchaev explica que sua intenção era provar ao mundo que o Vigilante de Ferro não é invencível, Dokuchaev é preso, no dia seguite John está em sua cobertura no Edifício Evans ele recebe a visita de seu amigo Coronel Willian Tahan, Willian diz que tem um mandato pra levar a armadura de John pois o governo acha perigoso que ele fique com a armadura, John diz que a armadura foi danificada mas Willian diz que o exército pode conserta-la, John diz que a armadura é inútil sem o reator enérgico, mas Willian diz que o exército ficou com o reator enérgico construído por Dokuchaev e usará ele, eles se perguntam como Dokuchaev construiu aquele reator, depois de conversarem um pouco, Willian diz que precisa ir e John pede para que ele não deixe que a armadura caia em mãos erradas, Willian diz que não deixará e vai embora, John vai até um quarto secreto onde revela uma nova armadura mais moderna que a anterior, a prisão onde Dokuchaev está é atacada e ele é levado por algumas pessoas, Dokuchaev é dado como morto no ataque, Dokuchaev é levado para um lugar secreto chegando lá um empresário rival de John, Victor Walter se apresenta para Dokuchaev e lhe pede para construir um novo reator enérgico para carregar seus robôs e lhe dará tudo o que ele precisar para isso e depois mate John e Dokuchaev será bem recompensado, Dokuchaev diz que só quer uma coisa, ver John Evans morto, Victor diz que também quer isso e depois que seus robôs estiverem prontos ele os venderá para o exército criar um exército de robos, Nick Wilsom diretor da AIP, vai até John, que diz que, não está interessado no grupinho dele, Nick revela que "Rushman" é na verdade a Agente B da AIP, que estava disfarçada para ver se John era de confiança, Nick revela que Joe Evans pai de John foi um dos fundadores da AIP Nick explica que o pai de Dokuchaev inventou conjuntamente com Joe uma bateria antecessora do reator enérgico, mas quando Ivan tentou usar a bateria e o projeto de androides de Joe para fins próprios Joe o demitiu da AIP, Nick dá a John um material antigo de seu pai, que é um projeto para criar uma inteligência artificial, Dokuchaev termina o reator mas ao invés de usar o reator apenas para dar energia aos robôs ele usa também para energizar um chicote que ele criou, Na Exposição das Indústrias Evans um evento do governo apresenta o Águia de Ferro um novo soldado do exército criado a partir da primeira armadura de John Evans, ela é controlada por Cel. Willian, a Águia foi o animal escolhido por ser símbolo de pindorama, Chicote Elétrico  aparece na exposição e começa a atacar, John veste sua nova armadura e luta contra ele, Chicote Elétrico trás alguns robôs que ele controla e Águia de Ferro luta contra eles, Chicote Elétrico está mais poderoso e Vigilante de Ferro tem dificuldades na luta, Águia de Ferro derrota os robôs e vai ajudar John, só que mais robôs aparecem, por fim Vigilante de Ferro derrota Dokuchaev, e ajuda Águia de Ferro a derrotar os robôs restante, Dokuchaev é preso pelos agentes da AIP, Victor Walter está dando entrevista dizendo que tudo é culpa de John, mas Pamela aparece com a polícia que prende Victor por ajudar Dokuchaev a fugir da prisão e outros crimes de lavagem de dinheiro, John e Willian chegam e diz que já desconfiava que John tinha outra armadura, John pergunta como eles restauraram a armadura William diz pra ele nunca duvidar do exército de Pindorama.

    Alguns dias depois John e Willian conversam sobre Águia de Ferro e John diz que preparou algo para armadura de Willian um novo reator enérgico bem mais potente.
     
    Vigilante de Ferro retornará em, Os Salvadores 
     
    Personagens
    John Evans - Vigilante de Ferro
    Pamela Brown – Assistente e namorada de John
    Aleksei Dokuchaev - Chicote de Ferro
    Victor Walter – Dono da Walter Technology
    Cel. Willian Tahan – Águia de Ferro 
    Nick Wilsom – Diretor da AIP
    Luana Rushman (Agente B) – Agente da AIP
    Próxima história
    Os Salvadores - junho

     

  • Zumbi, mais que ação, um ideal

    Antes de tratar do quadrinho que eu li, o Zumbi em ação do Fernando Gomes, é necessário que eu faça uma pequena introdução. Zumbi dos Palmares é o personagem histórico mais comentado do país ultimamente. Não digo isso apenas por estarmos no Novembro Negro — utilizado pela publicidade a exaustão —, mas sim pelos debates históricos acerca desse homem.
              Para os pensadores... quero dizer, pseudointelectuais da extrema-direita, Zumbi, o mesmo que libertava negros da escravidão, possuía ele próprio escravos!? Nada disso tem o mínimo de fundamento historiográfico. Nenhuma fonte até hoje fez esse tipo de comprovação. Se houve negros e pardos que possuíram escravos, ou Estados africanos que se serviram do escravismo, isso não deve ser usado para legitimar o racismo atual.
              As ilações e especulações esvaziadas de historicidade, ou melhor, contexto histórico, distanciam esse homem negro do seu tempo e do espaço. Mas porque tornar logo Zumbi o vilão do regime escravocrata? Simples, para produzir misologia, pulverizar ignorância, legitimar o racismo produzindo a falsa ideia de que aquele que libertou seus iguais era um oportunista.        
              Quando li o mangá do Fernando Gomes, assim o chamo devido sua estrutura narrativa, vi a oportunidade das pessoas se interessarem um pouco por essa história tão maculada por ideologias vãs. O quadrinho toma algumas liberdades poéticas, algo plausível, visto que o autor produziu uma ficção com elementos históricos, e não apresentou uma tese de Doutorado em História do Brasil Colônia.
              Em Zumbi em ação, o nosso protagonista nasce em 1655 no Quilombo de Palmares, atual Alagoas. O filho de Dona Sabina cresceu um garoto levado, e ainda criança, acabou sendo capturado por um soldado após Zumbi jogar frutas nele. Há meio caminho ele acaba sendo resgatado por um tal Capitão Francisco. Se tornando seu tutor, o militar o leva para uma igreja em Porto Calvo, sendo batizado e educado lá.
              Depois de anos treinando esgrima com Francisco, Zumbi, agora bem mais velho, se junta ao seu mestre Capitão Francisco e luta contra bandoleiros pelas vilas e arraiais. Depois disso a história segue um ritmo mais rápido. Nos parece que o autor queria lançar algum panorama da vida desse herói nacional. A obra em one-shot se desenvolve como um longo flashback pelas mais de 30 páginas.
              A obra colorida ressaltou os grupos étnicos-raciais em conflito, bem como os mestiços. O desenho tem cara influência de mangá, mais pela sua estrutura narrativa do que pelos traços. De maneira resumida, a história traça a ascensão e queda de Zumbi como líder do Quilombo de Palmares. E mais que o traço em desenvolvimento, o que mais me incomodou foi o papel que Zumbi adquiriu na obra.
              Zumbi, embora protagonista, é um personagem mais passivo. Não estou cobrando fidelidade histórica do autor, talvez ele meso não tenha se aprofundado muito na história desse líder negro, mas, o Capitão Francisco como “sensei” de Zumbi ficou pouco crível e acabou atrelando a luta do personagem principal a motivações banais, infundadas até. Não achei crível. Não foi tão estimulante quanto sua luta pela liberdade.
              Ao longo da história o foco muda, mas o quadrinho é tão curto que isso acaba despercebido. O autor lançou outras obras, e Zumbi e Palmares são revisitados mais uma vez. O designer dos personagens é bacana, e mesmo adultos, nos remetem ao shonen de lutas. As lutas, mesmo não sendo o foco, são mal coreografadas e não dão o impacto necessário.
              Apesar dos impasses da obra, se você gostaria de ver Zumbi dos Palmares numa roupagem moderna e fantástica, adquira o seu exemplar. Talvez o maior destaque dessa obra seja despertar a curiosidade do leitor para acompanhar a trajetória desse homem que tanto contribuiu para a liberdade de homens e mulheres negras oprimidos pelo regime escravocrata português e brasileiro.

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