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Aventura

  • O arrepio mais frio do inverno - Capítulo III

      Ela sabia bem que podiam ser os homens de antes, havia visto quatro deles antes de perder Glad, o menino disse que dois morreram para os seregs, mas desejou que todos eles tivessem um fim semelhante. Aquela conversa a deixou tensa e temerosa, queria mudar de assunto o mais rápido possível, olhou para a entrada da caverna.
      - É ali que vamos dormir? – perguntou ela, Kael fez que sim -, não vejo a hora de dormimos agarradinhos lá dentro.
      Ele fez que não abanando levemente o ar com o rosto em total reprovação ao que ela havia dito.
      - Antes – falou ele -, me diga, sem mudar de assunto, o que está fazendo nas Caninas?
      Aquela pergunta ainda caia pesada para Su, da forma que ele as disse, pareceu ser mais velho do que seus poucos dez anos de idade. Sentiu querer agarra-lo aos abraços e toma-lo para si, mas apenas deliciou-se com a ideia.
      - Tudo bem, eu digo. Mas antes terá de me dizer a verdade de como afugentou os felinos.
      O menino encolheu os ombros, mas sua postura tornou-se de completo acordo ao dar de ombro logo após.
      - Primeiro você, depois eu.
      - Direi então – Suilane resfolegou no ar gelado da noite escolhendo as palavras para tentar ser o mais direta possível e então continuou -, eu não sou daqui como seve imaginar. Sou do país chamado Tessalanto, no estado de Verdiati, vivo... vivia, na capital, Luntana – olhou para Kael, este apenas observava sem muita expressão. – Sabe onde fica?
      - Verdiati fica a sudeste da Tessália, fazem fronteira, creio – disse ele calmamente, deu de ombros e continuou -, não sei muito sobre a capital Luntana – mesmo com a pouca claridade da fogueira, podia perceber os olhos penetrantes do menino sobre ela, ele continuou -, você fala bem a língua daqui, seu sotaque é semelhante ao do norte deste país.
      Suilane ficou espantada, o menino nem ao menos gaguejou em pronunciar aqueles nomes e os disse com naturalidade.
      - Sim. Sim e sim, seu espertinho lindo – disse ela sorrindo admirada. – Você é muito inteligente, uma gracinha de menino.
      Um sorriso de satisfação desenhou-se nos belos lábios rosados de Kael, mas logo voltou a seriedade de sempre fitando o vacilar do fogo.
      - Diga mais sobre Luntana – falou ele.
      Su fez que sim, buscou na memoria sua bela cidade e disse então.
      - Luntana é uma cidadezinha bem religiosa, muitas pessoas do país vizinho, Fulgura, iam visita-la. O idioma predominante em Fulgura é o mesmo daqui, sabia?
      - Sim – respondeu adicionando mais lenha na fogueira, realçando a claridade dando uma melhor visão o rosto e dos olhos dele que pularam para os dela. -  Continue – falou Kael.
      - Para atender os clientes da pousada onde eu trabalhava e como depois servi de guia turístico, aprendi o idioma na prática, mas também estudava em casa afim de melhorar. Entende?
      - Sim. Vá em frente.
      - Você inteligente como é, sabe que Ramnúsia invadiu o meu país, tomou Verdiati, está tudo destruído, pessoas que eu conhecia há anos morreram ou desapareceram. Tudo, água, alimentos, tudo, tornou-se escasso. Então eu soube que no Sul, a fronteira gelada para as Montanhas de Caninas eram a saída para aquele sofrimento. Juntei todas as minhas economias e vim para tentar a sorte, eu e uma centena de outras pessoas. Este país, Glaucano, é a terra da oportunidade, eu sei falar o idioma daqui, sabia que seria uma travessia difícil, mas não imaginava que sofreria tanto pelo caminho, quase morrer, quase ser violentada, quase virar caça de gatos gigantes, perder tanta gente.
       Uma lágrima, depois outra e outras mais rolaram, até conter-se, respirou fundo para se acalmar, o peito estava dolorido e na garganta havia um nó. Sentada em um tronco de árvore gelado, a luz e o crepitar do fogo, a calmaria do vento, a atenção do pequeno Kael. Uma mistura de sensações que nunca imaginou sentir. Estava viva e isso a deixava cada vez mais confiante, ou era para estar. Sentia-se fraca e vulnerável, não conseguia ver o que futuro faria com ela no dia seguinte e no outro, de lá a há uma semana ou um mês. Respirou pesadamente, seu hálito morno se condessou no ar frio parecendo vapor.
      - Não precisa continuar – disse o menino, os olhos dele refletiram a luz do fogo. – Melhor será se mudar o assunto.
      Su, limpou a umidade do rosto e forçou-se a sorrir.
      - Tudo bem. Agora é sua vez de contar o seu segredo. Usou algum tipo de apito? – disse ela, Kael fez que não. – Você não atirou realmente, não é? – Ele fez que não novamente. – Você pequeno desse jeito, tem que haver alguma explicação.
      - E há – disse Kael. - O que resultou na fuga dos seregs foi minha kinesis.
      - Você é um kinezista? – Ela sabia que os kinezistas eram cientistas que tinham de se especializar levando anos de prática e estudos para se formar. – Mas você tem apenas dez anos de idade.
      - Não sou um kinezista, eu nasci com a kinesis, é diferente e ao mesmo tempo a mesma coisa.
      Tirou os olhos dela e puxou seu rifle o apoiando nas coxas, manejava bem a longa arma grande demais para o pequenino, os cabelos cobriram parte do rosto e apenas com a luz do fogo iluminando, não dava para decifrar que expressão ele tinha no rosto.
      - Para a religião daqui sou um demônio – disse ele, a fitou e voltou para seu rifle, assoprou um buraco do objeto e talvez pó voou em seu rosto. Fungou e cuspiu.
      - Não fique triste, não é um demônio e sim um anjo.
      - O que, como assim? – falou ele, Su adorava o seu forte sotaque.
      - Você disse que era um demônio, eles são seres malignos. Todos têm medo deles.
      - Está equivocada – disse Kael abanando a cabeça em plena desaprovação -, na religião daqui os demônios são neutros como a natureza, eles são poderosos e mantém o bem e o mal em pé de igualdade. Pessoas nascidas com kinesis eram chamadas de demônio ou enviados dos deuses.
      - Mas é? – Suilane riu -, vou me acostumar com isso um dia. Demônios do bem – riu mais.
      - A kinesis é tão antiga quanto os primórdios da civilização humana. No final descobriu-se que qualquer um podia aprender a kinesis e a mágica foi quebrada.
      Depois de fazer o que estava fazendo, Kael sugeriu irem dormir finalmente. Ele bloqueou a entrada da caverna com uma porta de madeira grossa e dois pedaços de tronco de arvore moldados por ele eram o que mantinha a porta no lugar, uma lamparina a óleo clareava fortemente com sua luz alaranjada de ponta a ponta da caverna. Se alguém ou animal tentasse forçar para entrar, no mínimo teria de fazer uma barulheira possível ser ouvido do outro lado do mundo. Sentir que a entrada estava rigidamente trancada proporcionou a Su, uma noite de sono tranquila como nunca antes.
      No dia seguinte. Suilane acordou de um sono tranquilo. O local onde Kael havia ajeitado para dormirem era bem espaçoso, ele tinha pelo menos cinco cobertores de lã bem grossa e quase a mesma quantidade de cobertores de pele de pelagem castanha e cinza. Desde que pôs o pé em Caninas, não dormira aquecida como naquela noite. O melhor foi dormir abraçada a Kael, que não estava ali naquele momento. Quando saiu da caverna para olhar o céu, o ar frio da manhã lhe abraçou a face. O menino estava preparando o desjejum, ele parecia tenso enquanto ela o observava.
      - Bom dia, Kael.
      O olhar penetrante dele pesou sobre ela como sempre.
      - Da próxima vez que me agarrar durante a noite, controle onde suas mãos tocam.
      - Desculpe – riu Su -, é que minhas mãos estavam geladas e procurei um lugar quente para aquecê-las.
      - Pode não saber, – ele ajeitou uma mecha de cabelo castanho atrás da orelha avermelhada -, mas neste país temos leis de proteção infanto-juvenil, lembre-se disso.
      Ela não pôde se conter em soltar uma gargalhada, Kael estava vermelho e de cara emburrada.
      - Desculpe, vou lembrar.
      Depois de ter feito o desjejum, sentia-se totalmente pronta para pegar estrada acima com Kael, que havia descido para averiguar algumas armadilhas que fizera, caso houvesse logrado alguma coisa logo comeriam alguma carne sem ser a salgada e seca que tinha em demasia em seu acampamento.
      Ele disse que não demoraria e pôde ouvir alguns ruídos ali por perto semelhantes a eco de vozes de alguém gritando ao longe, desceu com cuidado o estreito caminho onde ficava a caverna.
      O dia estava límpido e sem nuvens, um profundo céu azul claro inspirava boa viagem, o sol ainda acariciava o topo de montanhas negras a oeste. Desceu em segurança e aliviada por não se espatifar morro abaixo, onde pisava agora mais parecia uma estrada larga de cascalho e pedras grandes como melões, maçãs e tudo quanto era tamanho, todos alisados como se houvessem sidos polidos, um a um, por mãos rudes. Imaginou que água fluía por ali de tempo em tempo, e com toda razão por ali a neve e gelo derretido fluía até desaguar no rio ao sopé de algumas das Caninas. Continuou a caminhar na direção dos ruídos. Quando chegou finalmente perto o suficiente, espiou por entre algumas pedras altas e pôde ver a forma de três pessoas, Kael e mais distante do outro lado de uma longa poça de água escura, funda o suficiente para engolir os pés até os tornozelos, estavam dois homens esfarrapados. Suilane pôde reconhecer aqueles dois no mesmo momento, sentiu-se encolher por completo e chegou a pensar em correr para longe da li. Mas se acalmou e analisou a situação mais uma vez e viu nas mãos do menino o que parecia ser um coelho cinza escuro abatido.
       Um dos homens era corpulento com dentes faltando-lhe na boca, com os olhos fundos e nitidamente faminto. O outro não estava diferente, nariz achatado que mais parecia uma batata mergulhada em gordura e os olhos também fundos sorrindo de forma hedionda apontando para o animalzinho nas mãos de Kael. O menino atirou o coelho no ar em direção aos dois homens e o bicho caiu bem no meio da longa poça, os dois se entreolharam e correram aos empurrões para pegar o alimento. Quando o homem gordo se agachou para pegar o coelho, o outro o empurrou e antes de cair segurou no braço no narigudo, os dois acabaram estatelando-se na água. Kael que apenas observava tirou a luva de couro escuro da mão direita e a ergueu na altura da cabeça, pôde ver faíscas roxas, azul e violetas dançarem por sua mão, ele agachou sentando-se nos calcanhares e aproximou os dedos da água. De repente ouviu-se um estalo forte seguido de estalidos fracos, mais dois estalos e estalidos. O menino ficou de pé e pôde perceber que os homens estavam caídos na água, sujos de lama negra, um deles deu uma rápida estremecida e ali ficaram. Uma ventania começou de repente, alisando as rochas pontiagudas em um zunido leve e alongado, as folhas de árvores pontiagudas também cantavam em meio a estalos e rangidos de seus troncos castanhos. Kael voltou a vestir a luva e quando deu as costas para os homens, não percebeu Su de imediato, ele fez uma careta como se tivesse derrubado uma tigela de sopa e temia levar uma bronca. Sorriu aproximando-se, ela se esforçou para sorrir, o coração batia forte e as pernas estavam bambas.
     - Você está bem? – Perguntou ele, Su se esforçou para ficar ereta depois de tanto tempo agachada naqueles instantes que pareceram horas. – Seu rosto está da cor da neve. Está a salvo. – disse o menino.
      - Obrigada! – sorriu, respirou fundo e foi até Kael e o abraçou forte. – Meu herói, você é de fato kinezista.
      - Não sou kinezista algum.
      Ele estava escarlate até as orelhas.
      - Mas aquilo que fez foi magnifico – disse ela. Ele deu um de seus raros sorrisos e deu de ombros.
      - Não é para tanto – disse ele com uma olhadela de soslaio na direção dos homens caídos e continuou -, mas acho que exagerei. Eles são os que tentaram viola-la?
      - Sim, ambos. Eram seis, no entanto você viu dois sendo mortos pelos gatos, agora esses dois... faltam mais dois.
      - Se eles não souberem falar o idioma daqui como o desses dois ali na água, sem documentos não durarão nada neste país – ele a perscruto -, no seu caso terá apenas de trocar estas roupas.
      - Fico feliz em saber disso – olhou por cima do ombro de Kael. – Vamos deixá-los desta forma?
      - Esqueci – disse ele como se tivesse lembrado de algo, correu até onde os dois estavam e tirou o coelho da água e retornou balançando o animal para sair um pouco da lama. – Pronto, é o nosso jantar.
      Suh riu, Kael pareceu não entender.
      - Eu me referia aos dois ali atrás. Estão mortos?
      - Talvez. Mas morrerão de fome e frio no final. Deixe-os, daqui a um tempo o d’gelo vai arrasta-los para o rio, ou algum bicho virá comê-los. – Fez um gesto em direção ao norte. – Vamos embora de uma vez.
      Não demorou para estarem prontos para partir. Dividiram a carga de provisões para duas pessoas, Su se sentia feliz ao ponto de querer chorar de emoção a cada passo de distância que tomavam para longe daquelas montanhas. Imaginar que tudo aquilo iria terminar a deixava com tanto ânimo que seus passos eram largos e ágeis, Kael deu-lhe uma bronca por duas vezes que se afastou dele.
      - Está querendo testar minha paciência? – reclamou ele quando ela se afastou demasiadamente pela terceira vez. – Não se esforce.
     Su como sempre achou aquilo tudo uma gracinha, a cara emburrada do menino a fez sentir uma vontade irresistível de abraça-lo e aperta-lo. Mas imaginou que o faria zangar-se ainda mais.


    (Por não ser um texto definitivo e completamente de teste, estou aceitando críticas, sugestões e comentários sobre qualquer dúvida. Obrigado.)
  • O demônio da cachoeira

    Japão. Era Edo, 1605.
     
    OS CASCOS DOS CAVALOS afundavam na areia molhada pelo orvalho da manhã. As árvores floridas exalavam aromas primaveris. O Sol mostrava o seu rosto carmesim por trás das montanhas, com um brilho tímido, mas caloroso. O vento assobiava uma canção e os pássaros acompanhavam a melodia. Os dois ginetes cavalgavam num tropel preguiçoso. Sugizo Uehara ia à frente de Makoto Ohkata.
        O rosto de Makoto aparentava um tanto de desânimo e outro de desapontamento. Das tarefas de um samurai, o que ele mais detestava era o treinamento, seu sempai e também sensei, Sugizo, ficava horrorizado com tanto desrespeito aos ensinamentos do bushido. O código de honra dos samurais estava edificado em sete pilares, são eles: Honra, Lealdade, Coragem, Justiça, Benevolência, Educação, e Sinceridade.
        O samurai com o seu treinamento, não busca apenas fortalecer-se para batalhas, mas buscar com isso a evolução, negar o treino é se negar a evoluir, desrespeitando não um pilar, mas todos eles.
        Embora os samurais fossem disciplinados de maneira rigorosa, alguns como Makoto não compreendiam o papel do guerreiro, este não consistia apenas em matar ou morrer, mas sim trazer outra impressão do mundo. Muitos além da arte do kenjutsu se dedicavam a filosofia, as artes, e a ciência.
        Talvez o jovem ainda carregasse os traumas da Batalha de Sekigahara.
         Foi nessa batalha que Makoto ficou órfão. Sugizo fizera uma promessa ao seu pai, Jinkoto Ohkata, melhor amigo e companheiro de batalhas, ele faria de Makoto um grande samurai. Tarefa que infelizmente o jovem dificultava.
        Quando o mesmo foi chamado por Sugizo a uma viagem, suas birras de adolescentes começaram. Certa vez questionou se aquele garoto realmente era filho de um samurai, nunca poderá provar o seu valor numa verdadeira batalha. Desde 1603, reinava a paz no Japão. Em Sekigahara ele não tinha nem ao menos doze anos, a idade mínima para participar das guerras.
        Mesmo a contragosto, seguiu rumo às estradas do Norte junto a seu sensei.
        Agora essa mesma estrada se bifurcava. E Sugizo esboçou um sorriso. O discípulo passou a bufar mais intensamente.
        — Você faz mais barulho que os cavalos — falou Sugizo irritado.
        — Desculpe! — Ele fez uma pausa forçada. — Sinceramente diga-me Sugizo-sempai, o que fazemos aqui nesse fim de mundo, Edo é tão ruim assim para o senhor? Havia um ótimo kyogen para eu ir hoje à noite com uma bela moça...
        — Você acha que a vida se resume as recompensas não é? — O cavalo de Makoto estacou. — Mas primeiro vem às responsabilidades, você é samurai! — A entonação da palavra foi alta e grave. — E você faz isso parecer bem ruim. A palavra samurai não é pra ser usada levianamente para se exibir para mulheres. Não sabe o significado e esqueceu seus ancestrais, se o seu pai o visse teria vergonha.
        — Não pedi para ser um samurai, não me venha com essa de destino. — Pela primeira vez ele gritava com o mestre. — Eu sei o significado, o samurai é uma títere numa apresentação de ningyô joruri. Os senhores feudais são os hábeis titereiros.
        Dessa vez o cavalo de seu mestre parou. O giro foi suave, mas assombrosamente agressivo. Um arrepio subiu as costas de Makoto como uma aranha. Nem o vento, nem os pássaros, tudo fez silêncio quando a palma de Sugizo estalou no rosto de seu aluno. Sua face estava neutra. Quando ele pôs as mãos nas rédeas, a bochecha do garoto se inundou de lágrimas.
        — Você não é o meu pai! — Metade do rosto dele estava rubro do tapa.
        — É verdade Makoto-kun, não sou o seu pai, mas sou seu sempai e sensei, e mereço o mesmo respeito. — O jovem abaixou a cabeça ao ouvir isso. — Fiz uma promessa ao seu pai, e não importa o quão mimado você seja. Vou cumpri-lá. Tão importante quanto respeitar o bushido para mim, é respeitar uma promessa.
        Sugizo pôs marcha ao seu cavalo. Não chamou o aluno que remoia os pensamentos. Por um momento, de certo inesperado, uma palavra ecoou espantando alguns pássaros na copa de uma árvore frondosa.
        — Desculpe sensei!
        — Nesse passo só chegaremos lá perto do almoço — sorriu Sugizo.
        Para Makoto as desculpas tinham sido aceitas. Bateu nos flancos do seu cavalo e emparelhou com o do samurai. Finalmente adentraram na estrada à esquerda. Agora o terreno mudara, lama e pedregulhos deixavam o terreno mais rústico.
        Cavalgaram por mais um tempo até chegarem a um portal de entrada que exibia “Vila da Prata” a poucos metros de distância.
         Makoto esperava encontrar qualquer coisa menos uma vila de mineradores naquele “fim de mundo”, como se referia a lugares que não tivessem bairros planejados, ruas com dezesseis metros de largura, barraquinhas de comida, teatros e locadoras de livros.
        Sentia saudade de Edo como nunca antes havia sentido.
        — Era aqui nessa vila que eu e seu pai treinávamos debaixo de uma cachoeira — a nostalgia inundou sua voz.
        Makoto não se empolgou com a animação na voz de Sugizo. Não queria nem saber como eles encontraram esse lugar. O que interessava a seu mestre na verdade, não estava nas montanhas de prata, hoje aposentadas de suas funções, mas numa cachoeira com boa queda d’água. Um samurai treinava e se aperfeiçoava durante toda sua vida.
        Sugizo tinha agora 26 anos e já enfrentara muitas batalhas para garantir o xogunato Tokugawa, Seu pai serviu a Michiru Gotoku, e este sempre estivera do lado de Leyasu Tokugawa. Seu pai Sugawara, dizia que só um homem como Leyasu podia trazer paz ao Japão, e afastar a maldita influência estrangeira. Seu pai não viveu para ver isso, nem Sugizo e Makoto acompanhariam os quase 260 anos de ordem civil e unidade nipônica de acordo seus valores e cultura. Mas com os progressos alcançados em apenas dois anos! Já podiam se sentir satisfeito.
        A prata agora ficou no passado. A vida numa cidade é muito tempolábil. Na Era Sengoku, um general chamado Oda Nobunaga aspirava ao xogunato, equipou o seu exército com muitos arcabuzes com a extração da Vila da Prata. Como o local era pouco acessível na época e ficava a alguns quilômetros de Iga e Koga, terras dominadas por ninjas, o xogum Yoshiteru Ashikaga não conheceu o local.
        Um dos generais de Nobunaga, Leyasu, teve acesso a um documento após a morte de Nobunaga. As minas já haviam deixado de produzir, mas a pequena vila continuou a existir, pois além da mineração existia plantação de arroz, havia áreas alagadas favoráveis ao plantio. O lugar mais provável para o estabelecimento do acordo tácito entre ele e o famoso ninja Hattori Hanzo. A vila foi mantida sob proteção de Tokugawa. Afinal, numa guerra, víveres são tão importantes quanto às armas. O nome da vila não mudou. Apenas samurais destacados para proteger o local a conheciam.
        Os comerciantes levavam suas sacas de arroz e tomavam um desvio que dava em Tokaido, a estrada mais importante da época. A mesma estrada pela qual samurai e discípulo vieram.
        Sugizo e Jinkoto foram destacados uma vez, muito a contragosto permanecerem na vila por três meses. Mas com o treinamento na cachoeira, tinha no fim das contas, valido à pena.
        A estrada se abaulava, rodeando um enorme campo de arroz. Um número muito grande de pessoas trabalhava incessantemente. Dispostos do lado direito dela e no fundo, via-se a criação de alguns animais. A esquerda, em primeiro plano ficava a vila propriamente dita. Saindo de trás dela havia uma trilha que serpenteava pelas montanhas.
        O que mais impressionava Makoto não eram os campos de arroz, mas a expressão dos agricultores quando os viam passar em seu trote lento. Por um momento achou que seu rosto ainda continuava vermelho. Muitos paravam o que estavam fazendo e olhavam de esguelha, outro, já ancião, trazia na face um sorriso de esperança, e logo se viu puxado por uma jovem, numa atitude de “não olhe pra eles”.
        — Estão com medo de nós, Sugizo-sempai — falou baixinho.
        — Já percebi.
        Continuaram assim até o meio da vila. As construções eram simples. Todas elas estavam fechadas. Havia uma fogueira de forja e bois atrelados a carroças de capim.
        — O que esta acontecendo aqui?
        — Fique em guarda Makoto-kun, pode ser uma emboscada.
        Ambos desceram dos cavalos. Bateram nos flancos das montarias que tomaram posição a alguns metros a frente, caso fosse necessário fugir, bastava um sinal e eles viriam.
        — Por que uma vila como esta temeria samurais? A não ser que eles não esperassem samurais. Não estamos mais em guerra!
        O desembainhar das katanas fizeram um som de raspagem metálica. A base dos soldados tinha dois andares, largura e comprimento ímpar, comparado com as outras construções. Sugizo por larga experiência sabia que pessoas se escondiam ali. Fosse amigo ou inimigo, ele sairia do edifício de dois andares. Se fossem atacar como esperava que acontecesse, não estavam organizados. Cabeças espreitavam vez ou outra pelas janelas. Pedidos de silêncio e discussões eram ouvidos.
        As portas se abriram e os samurais brandiram suas espadas esperando o inimigo. Makoto se decepcionou, e Sugizo ficou aliviado. Um homem portava uma marreta, e outro uma foice. Um ferreiro e um agricultor. Dezenas de crianças e jovens ficaram atrás com olhares curiosos.
        — Vá com calma Yune-san — disse o homem alto com a marreta nas mãos.
        — Katayama-san, ronins não usam cavalos! — disse  o outro guardando a foice.
        Sugizo verificou que tanto Yune e Katayama pareciam bons homens. Não representavam perigo. Na verdade, eles é que sentiam medo. Ambos tinham bom porte físico, e se não usassem vestimentas tão simples e puídas, poderiam ser até samurais, no mínimo ronins. A vila sabendo da chegada de forasteiros pediu aos dois que cuidassem das crianças. O que eles não previram foi à agitação dos pequenos.
        — Pedimos desculpas, achávamos que eram malfeitores — disseram ambos, fazendo uma exagerada saudação.
        — Não há o que se desculpar. — E Sugizo fez o mesmo, num movimento mais leve. Makoto não entendeu nada. Fez a saudação pela força dos braços de Sugizo. Depois todos se ergueram. — Por que esperavam malfeitores e não samurais? Há bandidos nessa região? Por favor, estou curioso agora.
        Os dois homens se olharam por um tempo. Depois chamaram um garoto com o nariz escorrendo e de peito nu, cochicharam no seu ouvido. Ele saiu em disparada rumo ao campo de arroz. As crianças começaram a sair. Olhavam os dois forasteiros que portavam armas. Sugizo embainhou a sua e lançou um olhar a Makoto para que este fizesse o mesmo. Ele ainda lançou um olhar de dúvida, depois vendo a expressão inflexível de seu sempai, simplesmente depositou sua katana na bainha e esperou algo acontecer.
        Olhou para os céus cheio de nuvens brancas, logo quando o menino voltasse, seriam formalmente apresentados e recepcionados. Comeria um gohan com peixe assado. Os samurais tiveram que esperar pacientemente a chegada dos moradores. Em sua maioria de idosos e mulheres.
        O ancião da vila liderava a marcha. Sugizo o reconheceu, logo quando seu chapéu de palha foi levantado, o homem que sorrira para eles enquanto passavam pela estrada.
        — Os deuses escutaram nossas orações. — O povo atrás dele empunhava suas ferramentas de trabalho com ar de grave autodefesa. — Samurais adentram a Vila da Prata. — Nesse momento todos pararam e fizeram uma saudação em tom respeitoso. Ergueram-se. — Até que enfim Edo mandou samurais para nos ajudar.
        — Ajudar como? — Makoto fez-se de surpreso, Sugizo achou a pergunta ingênua.
        — Falaremos disso. Mas antes, vamos almoçar, devem estar cansados de sua viagem. Comerão na nossa casa. É humilde, mas serão bem recebidos pela minha esposa e a minha filha.
        A mulher saiu de trás do ancião. A mesma jovem que fez com que ele não olhasse para eles. Era bonita, a pele suada, os cabelos embora crespos, tinham certo brilho. O jovem samurai achou-a meiga.
        Quando a jovem olhou para Makoto, ela disparou um sorriso tímido, mas faltavam os dois dentes da frente. O jovem conteve seu espanto por educação, mas se ela sorrisse assim de novo, não aguentaria o riso.
        — Katayama-san, Yune-san, vocês estão dispensados, nós agradecemos.
        — Não a o que agradecer — disse Yune humildemente.
        — Fizemos o que qualquer um faria — completou Katayama.
        O ancião então falou a comunidade. Sua voz rouca se fez ouvir de modo respeitoso. Algumas pessoas cumprimentaram mais de perto os samurais. Depois Sugizo e Makoto se encaminharam para a residência do ancião. A vila foi construída de modo muito simples. Uma longa rua, outra rua encruzilhada ficava bem no meio da vila. Dando-lhe uma configuração cruciforme.
        A porta da frente se abriu. No meio da casa, uma senhora tão idosa quanto o homem que os convidou, abanava o fogo onde um peixe crepitava. O cheiro de arroz cozido se elevou no ar. Retiraram os calçados e entraram. A mulher ao ver as espadas ficou um tanto receosa. Mas por um instante ponderou que se o marido e sua filha acompanhavam os dois homens, é por que não representavam risco.
        Então ela fez uma reverência e continuou os seus afazeres. A filha trouxe uma manta e tigelas rústicas de argila com hashis. Não sem antes varrer o cômodo. Makoto ficou impressionado como pessoas tão humildes eram tão corteses. Veio-lhe um sentimento amargo a boca. Como foi criado com todos os mimos, nunca se importou com nada nem ninguém, a não ser consigo mesmo, sentiu o que podemos chamar de vergonha.
        — Por favor, comam da nossa comida, comam até ficar satisfeitos.
        Grande parte do peixe e do arroz foi dada aos samurais. Makoto olhou sua tigela e comparou sua porção exagerada com a dos anfitriões, havia muito pouco nas suas tigelas. Makoto lançou um olhar para seu sempai, como se dissesse “Não posso comer, estou tirando da boca deles, eles não tem muito!”, ao que o olhar de Sugizo respondia “Iremos comer por esse motivo, eles nos alimentam com o pouco que possuem”. O jovem samurai não pôde aguentar as lágrimas que pingaram no arroz.
        — Esta chorando! O desagradamos em algo jovem samurai? — perguntou à anciã com doçura maternal na voz.
        — Não senhora. É que vocês lembraram a minha família — ele enxugou as lágrimas com as costas das mãos.
        Todos acreditaram, exceto Sugizo que conhecia bem seu discípulo. Pela primeira vez o rapaz despertava para a realidade nua e crua da vida.
        O que ele esperava de verdade é que após o treinamento na vila, Makoto-san ascendesse seu espírito samurai. Mesmo que não viesse a lutar, mas que entendesse as responsabilidades de um homem. Durante todo o almoço não houve nenhuma palavra. Quando as tigelas se esvaziaram, as duas mulheres se ocuparam em lavar os utensílios. E na sala só ficaram os três homens. O ancião se apresentou como Gotei.
        Seu rosto estava ressecado de Sol, a pele flácida e a barriga saliente mostravam como os anos tinham sido pouco generosos com o lavrador. Sua esposa trouxe um pouco de saquê. Uma pequena garrafa, usada apenas em ocasiões muito especiais como a que a família usufruía no momento, afinal a Vila da Prata não era uma rota comercial. Mas antes que Gotei iniciasse ambos se apresentaram.
        — Gostaria de nos apresentar formalmente. Meu nome é Sugizo Uehara, filho de Sugawara Uehara. E este é Makoto Ohkata, filho se Jinkoto Ohkata. Sou seu sensei, e seu pai e eu éramos grandes amigos. Um grande samurai, valoroso na batalha de Sekigahara. Jinkoto e eu estivemos aqui quando Leyasu Tokugawa tomava posição na guerra e treinamos debaixo da cachoeira.
        — Oh! Agora que disse Sugizo-san, lembro de uma época em que dois jovens samurais ficaram várias semanas treinando pros lados da cachoeira. Mas nos últimos quatro meses, ninguém vai lá sem permissão...
        Gotei tinha a voz rouca. Mas seu discurso para alguém analfabeto foi trazido de maneira clara e objetiva.
        — Não sei dizer como foi terrível esses quatro meses. Nem mesmo as guerras tiraram nossa paz, mas agora, não posso mais dizer que aqui é um bom lugar para se viver.
        “Exatamente há quatro meses, um forasteiro vestindo numa capa atravessou nosso campo de arroz sem afundar na lama. Parecia flutuar. Ele apareceu do nada, sem que ninguém o notasse! Então ele disse numa voz que parecia um trovão: ‘Cidadãos da Vila da Prata. Meus maiores e mais sinceros cumprimentos. Venho com uma maravilhosa mensagem, quero instruir-lhes um novo culto ao deus da cachoeira. Na verdade, eis que sou vosso sacerdote. Vinde a mim. Esse é o único e verdadeiro Deus. O DEUS ARASHIRA! ’ Todos olharam com medo e admiração.
        “Alguns duvidaram, estávamos lá a quase uma centena de anos e nunca se viu nada divino na vila. Um homem questionou de modo brincalhão porque subiu as montanhas e não viu deus algum, nem mesmo na cachoeira, que muitos jovens usavam para se banhar. Não posso dizer como o sacerdote foi rápido, mais que a flecha de um arco. Uma lâmina decepou a cabeça do homem que caiu a metros de distância do corpo.
        “Ficamos horrorizados. E ninguém teve mais reação pra nada. O guerreiro caminhou sobre as águas do rio senhores! Então se virou, sua voz trovejou de novo: ‘Vocês honrarão tributos ao vosso Deus. Trarão arroz, peixe, roupas, e tudo mais que ele desejar. Não cometam o ato de questionar-me, nem de desobedecer-me, farão o que eu mandar. Aquele que não cumprir os desígnios de Arashira sofrerá as consequências. Estarão proibidos de saírem da vila. Trabalharão dia e noite para a honra e glória de Arashira’. Com um movimento de seu punho ele fez emergir uma grande parede de água, e depois ele sumiu.
        “Contamos o caso aos soldados, mas eles riram de nós. Ao mostrarmos o corpo eles resolveram ir. Cerca de doze homens com katanas e armaduras foram à cachoeira. Só um voltou muito ferido e louco, só dizia uma palavra...”
         Gotei fez uma longa pausa, como se o que fosse dizer o sufocasse. Talvez a memória do fato ainda estivesse tão viva que se tornou um pesadelo real. Lançou um olhar de agonia a Sugizo que fez um gesto de compreensão, mas o ancião se forçou a dizer.
        — Demônio...
        Samurai e discípulo se entreolharam com uma curiosidade tamanha que não passou despercebida pelo ancião da Vila da Prata.
        — Fizemos tudo que ele nos pediu. — Dessa vez lágrimas brotaram do rosto do homem. — Muitos homens não quiseram obedecer e fugiram, outros lutaram. Mas todos foram mortos.
        — Só este homem apareceu, ele disse o nome?
        — Não, há pelo menos mais dois, um velho e uma mulher. Uma vez por semana um deles desce a vila e faz uma pregação. Posso dizer isso porque as vozes são diferentes. Mas todos falam do mesmo jeito. Parecem mesmo ser sacerdotes. Mas o que eles cultuam não passa de um demônio, sim, um demônio da cachoeira.
        — Mas o que desrespeito ao rosto? — perguntou Makoto.
        — Makoto-san, eu peço desculpas, mas eles usam um longo capuz.
        — E quem leva as oferendas?
        — As mulheres agora, ou um dos jovens, três vezes ao dia.
        — Não acredito que sejam sacerdotes de nenhum novo culto — disse Sugizo reflexivo —, parece mais um grupo de ninjas desertores, ou ronins. Ainda assim a algo que não faz sentido.
        — Mas e quanto seus poderes Sugizo-san, eles são magos poderosos. — Gotei dizia isso com tom respeitoso.
        — São apenas técnicas de ilusionismo. Estou inclinado a acreditar que são ninjas desertores.
        O ancião pareceu assustado com a ideia de ter sido ninjas a invadirem a sua vila.
        — Irei lutar por vocês — disse Sugizo se levantando.
        — Sozinho Sugizo-san, nós não sabemos lutar, mas se sua coragem é tão grande a ponto de desafiá-los, então...
        — Sem querer ofendê-lo Gotei-san, mas não será necessário.
        — Mas e eu Sugizo-san, sou samurai também e...
        — Sim, e como nós estamos apenas em dupla, subirei até a cachoeira e você junto com Yune-san e Katayama-san defenderá a vila. É bom no arco e flecha. Tome posição no edifício da tropa samurai.
         — Mas...
         — Pelo menos uma vez na vida não discuta minhas ordens.
         Um silêncio se abateu de forma sombria. Parecia ao samurai que seria seu último cruzar de espadas. Esse pensamento deu-lhe um calafrio.
        Saíram à rua, os samurais perceberam que as pessoas não tinham ido pra suas respectivas casas. Estavam todos debaixo do Sol, perguntando-se como apenas dois samurais poderiam ajudar a Vila da Prata a se ver livre de três malfeitores como aqueles? Mas seu gesto mostrava uma esperança válida. Então Gotei os reuniu e disse qual o plano de Sugizo. Fariam do mesmo modo como tinham feito de manhã.
        A diferença é que haveria um arqueiro e dois guerreiros em campo aberto, mas sua função principal seria proteger as crianças. Não ficariam todos reunidos no mesmo lugar, Yune e Katayama seriam usados como isca. Caso fosse necessário as mulheres lutariam. Só sairiam das casas quando ele retornasse ou fossem atacados. Todos concordaram com os termos. Antes que Sugizo partisse, virou-se para Makoto e disse:
        — A força do inimigo é desconhecida, mas espero voltar para ensiná-lo o caminho da espada. Ainda treinaremos na cachoeira.
        Mesmo que quisesse falar, Makoto não conseguiria com a voz embargada e fez uma exagerada saudação, que foi imitada por todos os habitantes de Vila da Prata. O samurai montou em seu cavalo e seguiu rumo à clareira que levava até o tal demônio. Por todo caminho sentiu uma sensação de nostalgia, há alguns anos atrás ele e Jinkoto subiam esse mesmo lugar correndo em uma pequena competição.
        Ele ganhou por ser mais rápido, motivo pelo qual voltou da guerra e seu amigo não. A clareira tinha uma boa trilha para cavalgar, embora ficasse um tanto íngreme com o passar do tempo. O terreno só ficava acidentado bem perto das quedas d’águas. Poderia ter vindo correndo, não chegava a ser tão longe quanto se supunha. Mas queria poupar energia para seus adversários.
        Atrelou o cavalo a um tronco já morto, mas rígido. Viu pegadas, algum jovem ou mulher devia ter trazido o almoço dos tais sacerdotes.
        O que ninguém notara era que ali não havia nenhum lugar para um trio tão “chamativo” se esconder. Mas ele sim, sabia onde os tais sacerdotes se encontravam. Talvez um segredo que nem mesmo os rizicultores soubessem. Conhecera aquilo de modo acidental, quando treinava debaixo da cachoeira. Jinkoto o empurrou e ele caiu dentro de uma caverna depois da queda d’água. Ficaram ali por muito tempo, graças a isso, suas visões se aguçaram muito.
        Ele se encaminhou até o centro da água, pois havia várias pedras que serviam de base. Desembainhou sua espada, segurou-a firmemente com as duas mãos. Fechou os olhos e se concentrou. Seu rosto estava sereno. A água em sua volta começou a formar pequenas ondas. Gotas se elevavam e pairavam no ar. Seu quimono começou a agitar. A fita que prendia seu longo cabelo se soltou.
        Com um brado estridente ele desferiu um golpe vertical com sua espada. A cachoeira se dividiu em duas, desde a sua base, até o topo. Seus cabelos ainda se agitavam quando adentrou na escuridão da caverna. Após passar, a cachoeira tornou-se una novamente. Sugizo caminhou na escuridão. Enquanto adentrava, as sombras o envolviam ainda mais.
        Parou no cento da gruta, um verdadeiro útero rochoso. Havia estalagmites, e estalactites que poderiam ser usadas contra ele, caso fosse emboscado. Seu único lume era a espada. Estava desprotegido sem armadura e capacete. Então só podia incitar o inimigo a aparecer.
        — Sacerdotes! — A voz foi ecoando até o fundo da gruta. — Eu sou Sugizo Uehara, filho de...
        — Tai coisa irrelevante guerreiro, és um samurai, nota-se bem — disse uma voz feminina —, mas não há samurai ou ronin, nem mesmo o próprio Hattori Hanzo, a quem chamam de imortal, poderá impedir meu desígnio.
        — Como podem usar as pessoas dessa vila, não permitirei que isso aconteça.
        — Nobre samurai — era a voz trovejante que Gotei-san falou. — Arashira é Deus. Rale sua testa contra o chão e o adore. Morrerá pelas minhas mãos.
        — Nem mesmo a guarda dessa Vila pode me deter, porque tu sozinho conseguiras? — falou uma voz cacarejante de um idoso.
        — Não me curvo perante um deus criminoso.
        O samurai se pôs em guarda. Os três sorriram. Sugizo também esboçou um sorriso.
        O movimento foi tão rápido que apenas um Zimmm da lâmina foi ouvido. A lâmina inimiga passou a poucos centímetros da cabeça de Sugizo. O vulto desapareceu no contra-ataque do samurai. Os ouvidos aguçados de Sugizo não captavam o movimento do sacerdote. Ele parecia flutuar. A luta se tornou um jogo perigoso, só conseguiria desviar quando o golpe estivesse próximo. Novamente Zimmm, dessa vez Sugizo não teve escapatória e o golpe acertou-o.
        Um filete de sangue começou a escorrer no lado direito do seu rosto. Parte do cabelo sofreu um corte, deixando uma visível assimetria. O atacante começou a sorrir. Dessa vez não foi acompanhado pelas outras.
         — Bravo samurai. Sugizo-san, quase cortou a minha cabeça. Nunca houve ninguém que conseguisse chegar tão perto de me ferir, mas sua velocidade supera minha técnica de teletransporte.
        — Teletransporte. — ele não falou com espanto, mas como se saboreasse a palavra. — Pare com seus joguinhos e me enfrente, só eu e você.
        — Hahahahahahaha! — Essa não era nenhuma das outras vozes, o tom era ácido, quase insano. — Como descobriu, como?
        — Pra quem está em trio, você fala em primeira pessoa o tempo todo. Usa o capuz para ocultar sua face, assim ninguém duvidaria que fosse uma única pessoa. O ventriloquismo disfarçava a sua voz, assim ela sairia em diferentes lugares. Quanto aos diferentes timbres, é a mesma técnica gutural dos monges tibetanos.
        Uma nova risada explodiu. Então pequenas tochas começaram a ascender de uma maneira que os olhos de Sugizo não puderam acompanhar.
        Logo todo o ambiente estava iluminado. Um jovem vestido como um ninja apareceu na sua frente. Usava quimono sem manga, aberto até a barriga. Tinha uma manopla de metal em forma de dragão no braço direito. Da boca do dragão saia uma lança de trinta centímetros. De repente sua derme começou a emitir um brilho opaco e rubro, ficando toda vermelha. O nariz se alongou, seus cabelos pratearam. Suas mãos tomaram formas de garras.
        — Um tengu! Deixe-me ver, você é o próprio Arashira não é? — Sugizo não pôde conter o espanto, olhos amarelos com tons esverdeados o encaravam com fascínio e cinismo.
        — Que foi, parece que nunca viu um tengu na vida! Meu plano era criar uma seita e assim ascender ao poder. Devido minha forma de pensar eu fui expulso do poleiro onde eu vivi com tengus idiotas. Demônios como eu não querem mais viver escondidos. Vocês são os inferiores. Mas você — ele apontou para Sugizo com as garras afiadas. — seu samurai enxerido, colocou tudo a perder. Isso não é bom para os negócios.
        Sua risada estrondosa foi ouvida de novo, mas alta até que a água caindo. O samurai tentou controlar seu espanto. Ele não era um onmyou, só conhecia demônios e criaturas mágicas das lendas. Mas homem ou tengu, cairia pela sua katana.
         — Estou impressionado Sugizo, você tem as sete luzes do pai?
        — Quer saber como me desviei dos seus ataques? Foi com minha técnica do Vento Divino, com ela eu posso controlar e manter correntes de ar envoltas de mim, eu criei uma redoma de ar e fui desviando nem que seja centímetros a sua lâmina.
        — Sinto lhe dizer, mas sua técnica não vai funcionar por muito tempo. Aqui as correntes de ar são menores, e o fogo consome o ar.
        — Então terei que terminar isso com um golpe.
        Ambos saltaram para trás. Tomaram posições. O chão começou a tremer, as pedras começaram a se desprender da terra e do teto da gruta. Flutuavam numa dança antigravitacional. Sugizo fechou os olhos e concentrou toda a energia. Ele trouxe todo o ar envolto na sua katana. O tric-trac do rachar de pedra fazia parecer que a energia dos guerreiros era palpável.
         — Vou usar minha técnica mais poderosa! — disse Sugizo excitado.
         — Farei jus a isso — retrucou Arashira.
         Suas veias saltavam do pescoço, as faces contraíam-se em fúria. Precipitaram-se um contra o outro.
         — Redemoinho das Mil Lâminas — gritou o samurai.
         — Investida do Dragão — bradou o tengu.
         Num movimento horizontal da espada, o vento formou um furacão, pegando Arashira de frente. O tengu ficou nas correntes circulares de vento sendo dilacerado por elas. Como se diversas espadas o cortassem. O vento parecia ter vida própria. O tengu ainda caminhou para frente do samurai. Sugizo saiu da posição de ataque e embainhou a sua katana. Arashira ainda sim, tentava com dificuldade dar alguns passos, mas parou de repente.
        — Maldito... seja... Sugizo Uehara.
        Sua pele começou a escorrer linhas de sangue roxo em toda a extensão do tengu. Então se pôs todo o corpo a se disjungir em pequenos cubos de carne sanguinolenta.
        Sugizo saiu da cachoeira. Deixou-se molhar dessa vez. Caminhou sobre as pedras base do meio da cachoeira. Seu quimono estava todo molhado. A cor branca estava salpicada com pingos de sangue. Foi direto ao seu cavalo, teria muitas histórias para contar aos moradores da Vila da Prata e a Makoto-kun.
    Fim
  • O espírito ainda anda

    Um dos maiores super-heróis da cultura pop, sem sombra de dúvida, é O Fantasma. Foi criado pelo quadrinista e dramaturgo norte-americano Leon Harrison Gross, mais conhecido pelo pseudônimo de Lee Faulk, autor também de Mandrake, um famoso mago dos quadrinhos publicado em 1934. Nascido em 28 de abril de 1911, St. Louis, estado do Missouri. O Fantasma seria trazido a vida em fevereiro de 1936.
                O personagem Kit Walker encarnava o legado do Fantasma, o Homem que Não Podia Morrer. Um combatente do crime que passava seu manto para as futuras gerações. Iniciando o combate ao crime desde 1536, no fictício país africano de Bangalla, tendo como devotados aliados os pigmeus Bandar. Embora não tivesse poderes especiais, possuía perícias em armas e técnicas de lutas várias, astúcia ímpar e muita coragem.
                O título fez tanto sucesso que já no ano de 1943 ganhou uma minissérie de 15 episódios nos cinemas. No ano de 1996, O Fantasma ganha outra adaptação para o cinema, tendo Billy Zane no papel de Kit Walker, tendo ainda a participação de Catherine Zeta-Jones e Kirsty Swanson, que há meu ver, é uma das melhores adaptações para o cinema, embora na época teve uma recepção bem morna na crítica.
                O Fantasma apareceu até mesmo no clipe Yellow Submarine dos Beatles. Lee Falk morreu em março de 1999 com 88 anos de idade. A última história do Fantasma foi escrita ainda no hospital, quando o autor ditava o roteiro para sua esposa, Elizabeth Moxley. O icônico herói é reconhecido pela sua máscara negra, seu uniforme roxo e sua cuequinha auri-negra. O Fantasma usava pistolas, tinha o corcel Herói e o seu lobo Capeto.
                A Mythos Editora, uma casa editorial que publica obras incríveis dos quadrinhos como Tex, Zagor, e Conan de Robert E. Howard, volta a publicar O Fantasma. No formato americano, periodicidade mensal e com páginas coloridas. Sem contar com as diversas edições especiais como Crônicas do Fantasma (com 100 págs. em preto e branco, papel especial, com traços inéditos de Moore e McCoy).
                As edições que li são publicadas pela editora sueca Egmont, e foram as de volumes 1 e 2. O vol. 1 traz uma interessante história em dois capítulos. Sandal Singh, CEO das indústrias Singh e presidente de Rhódia. O Fantasma intervém, Sandal seduz o herói encapuzado quando ele está ferido e engravida. Sangue de herói e vilão se une. O atual líder dos piratas Singh, Dogai, tenta raptar a criança e acabar com o governo de Sandal.
                No volume 2, além de conter com história fechadas, possui melhores traços e roteiros. Na primeira história, um senhor idoso decide deixar sua herança para o Espírito-que-Anda, mas sua advogada vive grandes dificuldades. Na segunda, a mais interessante, pois o Fantasma aqui é um coadjuvante, dois irmãos brigam por uma herança: uma fazenda de bananas. Vemos um pouco da comunidade de Bangalla mais a fundo.
                O Fantasma é história pra qualquer época ou idade. São variados traços, períodos históricos abordados e narrativas excepcionais. É inadmissível que você passe a vida sem ler ao menos uma revista d’O Fantasma. A edição é a padrão: papel jornal, 50 págs. e capa mole. Com R$ 12,90 você leva para casa envolventes histórias contendo a vida e a obra de um herói dedicado a justiça.
  • O Ex-defunto

    Nas férias de verão, resolvi sair do inferno que era a trivialidade de uma vida pacata ao extremo. Nunca fui afim de viajar, de curtir com os amigos, de se embriagar ou coisa do tipo. Sempre fui fiel aos preceitos morais que minha mãe me deu. Segui piamente, durante décadas, os ideais familiares, os conselhos. Entretanto, nesse verão, resolvi sair da prisão cultural. Uma loucura extrema, talvez sobrenatural, abraçou-me de repente, e me forçou a quebrar as restrições coercitivas que me impedia sair da constância dos meus dias. Da forma como essa mudança inusitada me possuiu, fez-me sentir profundamente invadido. Talvez um demônio me possuiu, pensava. Eu me sentia leve, feliz e ao mesmo tempo, receoso. Durante a fase de preparação do cronograma de viagens, uma bipolaridade me tangia frequentemente, e assim fazia com que eu me sentisse: ora um caçador, ora uma caça. Contudo, meu lado obscuro venceu nas minhas decisões. 
    Passei em torno de dois meses, planejando, replanejando, desfazendo e refazendo meus planos para estas inexplicáveis férias que viriam. A fastidiosa carga horária de nove horas de trabalho me deixava exausto para planejar algo. Entretanto, como já mencionei, algo muito surreal me pungiu nesse momento. Toda noite, nesses últimos meses para as tão esperadas férias, empenhei-me distendendo meu descanso noturno à procura de promoções na internet e, metodicamente, planejando a viagem. Às vezes, pensava que estava ficando louco, mas acabei cedendo com a perspectiva de uma mudança, por mais radical que fosse, iria, assim achava, desopilar minhas tensões e seria, decerto, algo inédito. 
    No dia da viagem, peguei a minha cachorrinha, Dolly, e a levei até a casa do meu tio. Sem nenhuma preocupação pendente, encaminhei extaticamente até o aeroporto principal. Era uma euforia incontrolável e, lá no fundo, sentia que a minha normalidade estava acorrentada. 
    Desembarquei às oito horas da manhã (horário local) no Aeroporto Internacional de Dodoma, na Tanzânia. Esse foi o destino que o meu lado misterioso me guiou. Quando fui ao centro da cidade Dodoma, tive a sensação de que já estive naquele lugar antes — senti na prática o que na teoria eu refusava: a ideia do déjà-vu. Desdenhei essa abstração e volvi-me a apreciar as belezas da cidade. Tive um choque de percepção. Pensava que na África tudo era miséria, pobreza e selva. Achei extremamente fascinante a cultura e a peculiaridade daquela cidade. Monumentos, arranha-céus, construções opulentas desmitificavam os meus equivocados preconceitos. No entanto, o meu objetivo estava longe de ser a vida urbana. Queria inflexivelmente desbravar a temível Savana africana. Na verdade, a minha parte oculta que queria. 
    Após dois dias desfrutando das belezas urbanas, o grupo de turistas no qual eu me incluía, decidiu ir visitar a savana Serengueti, ao norte da Tanzânia. Eu estava bastante empolgado com o passeio silvestre. Os prados estéreis, os arbustos espargidos, e, acima de tudo, os temíveis animais africanos. 
    Durante a viagem dentro de uma gaiola ambulante, avistamos cenas indescritíveis; sentimos algo que só o ambiente pode nos proporcionar —O ar da liberdade. Paramos um pouco para apreciar uma manada de elefantes que cruzavam a estrada. Perpendicularmente à estrada, no lado esquerdo da nossa direção, avistamos uma cena inusitada, um grupo de leões estava espreguiçando-se no chão sem demonstrar nenhuma agressividade. Os turistas não paravam de registrar cada passo dos felinos. 
    Enquanto os leões distraíam a atenção dos turistas, eu observava ao longe, no lado direito, uma cena curiosa. Vi um homem, um rinoceronte, e depois, um tiro. Fiquei profundamente abatido. Não fui eu quem fora abatido, mas sentia-se partido. O monstro retraiu a atenções dos outros. E ficamos átonos diante tamanha brutalidade. Ele retirava rapidamente o chifre do morto, e ameaçou com a arma a todos nós. Então, o guia acelerou, sem delongas, à vante. Ao passo que o carro ia, eu olhava, amargurado e consternado, o verdugo se retirando às pressas. E a nossa expedição fora arruinada naquele momento. Perdi a essência de aventureiro. 
    Logo considerei que estava precisando de algo para retirar aquela cena horrenda da minha consciência. É difícil descrever minhas sensações naquele momento. Quando eu tentava se distrair, os pensamentos me assaltava inesperadamente. Via que não poderia viver a essência de férias tranquila, caso não fizesse o mínimo possível. Daí em diante, já não era minha consciência que me controlava. Estava com um ódio aliado a uma psicose incessante de querer destruir aqueles miseráveis que roubam o que não lhes pertence. 
    Voltei a inibir meus temores quando conheci, inesperavelmente, uma jovem nativa de vinte e três anos, em um restaurante na cidade Dodoma. Ela estava almoçando sozinha, em uma mesa de frente a que eu estava. Dardejei um olhar curioso a ela, e como se houvesse uma conexão intuitiva, ela equiparou seu olhar ao meu. Discretamente, disfarcei o meu vislumbre e, voltei a saborear a minha refeição. Ela lançava-me um olhar distinto e tentador, que me fazia sentir arrepios. Um momento depois estávamos face a face, eu e aquela elegante garota. Um inevitável sorriso de simpatia nos tangenciou. Acresce que, quando sorria, resolvi atirar um aceno cortês, e desastradamente, acabei derrubando o copo de suco da minha mesa, e fiquei profundamente envergonhado. O garçom cuidou do desastre e eu resolvi ir até a mesa daquela mocinha. 
    —Olá, tudo bem? 
    O sorriso foi a sua resposta. 
    Logo me dei conta de que não ela falava português, e me vi como um idiota. Minha situação estava pior que antes. Estava pressionado a dizer alguma coisa e a luz dos meus problemas veio com a respostava dela: 
    —Eu falo inglês! 
    Senti um alívio tremendo ao entender o que ela dissera. Pensei nas conclusões imediatas a que chegara com a sua voz e não pude evitar um riso de entendimento e de vergonha. 
    —Perdoe-me pela minha apresentação nada cortes 
    —Sem problemas. Ela sorria pendulando a cabeça de baixo para cima. 
    —Me chamo Marcos. 
    —Meu nome é Telissa 
    —Encantado em conhecê-la 
    —O prazer é recíproco! 
    Após essa cômica introdução, ela me convidou para sentar. Passamos horas conversando, por ora meio enrolado na fala, contudo, o entendimento foi concedido a ambos. Foi realmente deleitoso conversar com aquela simpática garota; passaram-se em torno de duas horas nessa conversação. Despedi-me dela, e ela disse que vinha com frequência almoçar naquele restaurante. 
    Por ora, minhas angustias estavam soterrada nas excitações, nas memórias reconfortantes daquela inexplicável conversa. Assim, conforme o dia ia se desfazendo, a minha empolgação para o almoço seguinte só aumentava. 
    No dia seguinte, passeei pela cidade, fui ao museu local, e olhava constantemente o relógio fitando não perder o horário do almoço. Seriam umas deis e meia da manhã e eu ainda estava no museu. O grupo de turistas ficavam fascinados com as esculturas, relíquias, entretanto, eu estava achando aquilo tudo entediante, antiquado e fastidioso. Quando o ponteiro tangenciou o marco doze, saí discretamente do museu e encaminhei até um táxi que me levou até o restaurante. 
    Lá dentro, olhei perscrutando as mesas e as pessoas a procura de Telissa, e não a encontrei. Era umas doze e meia quando resolvi reservar uma mesa. Pensei que ela já tinha ido embora, e assim, fiquei chateado em não encontrá-la. Cada mordiscada que dava na coxa de rã não sentia sabor algum, almoçava simplesmente para suprir minhas necessidades fisiológicas. Terminei de almoçar, e quando ia me levantando para sair, uma mão afaga meu pescoço. Senti-me leve e profundamente confortado com aquela mão; imaginava aquela simpática garota me acariciando. E, impensavelmente, tornei o meu pescoço para deslumbrá-la, e, infelizmente, tive uma quebra de expectativa: não era Telissa, era uma velho que estava se apoiando em mim para passar. Saí de lá aborrecido, olhando para o chão e pensando nela. 
    O dia se encerrou sem aplausos. Não foi um dia abençoado, foi um dia tão ruim quantos os outros que já tive. À noite, senti-me como um filhote deserdado, sem arrimo, com a dura sorte do destino. Dormi cedo naquela noite, estava totalmente desmotivado para qualquer atividade de lazer. 
    A essa altura eu já começava a pensar que ela talvez não gostasse de mim nenhum pouco. Deixei isso de lado e tentei aproveitar as férias. No almoço seguinte, caminhei até o restaurante, desdenhoso a qualquer distração, sentei-me cabisbaixo, ordenei um frago grelhado com batatas, e um suco de uva. Estava apreciando a comida, evitando que os pensamentos me usurpassem o momento. 
    —Marcos? 
    Uma voz me chama, e eu tento guiar a minha audição até o local exato. Diante de duas mesas atrás de onde estava, se encontrava a garota misteriosa. Meu coração acelerou, e senti uma tensão momentânea me pungindo. Era ela! Ela estava me chamando para compartilhar a companhia no almoço. Senti-me muito bem com sua presença e além mais, ela conversava com uma leveza que parecia que eu estava delirando. Nós conversamos várias horas, eu decidi convidá-la para passear —até porque meus dias ali estavam se acabando— e suavemente ela confirmou a minha proposta com um sorriso divino. Não sei se diria que me apaixonei por ela, mas, certamente, senti algo que há muito tempo não sentia. Ela demonstrava tanta simpatia que não cogitei o seu verdadeiro caráter. 
    Fomos até um parque há duas milhas do centro, ficamos ali apreciando os pássaro que desatavam a cantar; conversávamos como se já nos conhecêssemos há anos. 
    Durante os dias precedentes, a frequência de encontros só aumentava. Eu e Telissa fomos a parques, cinemas, shopping center, outros lugares urbanos. Toda essa reviravolta mudara intensamente o rumo bucólico que antes prognosticava. 
    Em uma manhã tão ensolarada quanto as outras, Telissa me encontra no Café-Renoir (ao lado do restaurante mencionado), e ao avistá-la, senti uma alegria imensurável. 
    —Bom dia, Marcos. Assim ela me chamava com um sotaque tão peculiar que até pensei que era um apelido carinhoso.. 
    — Bom dia, Telissa. Como foi a noite? 
    —Foi mais ou menos. Respondeu ela, como se estivesse incomodada com algo. 
    —Por que? interroguei-a com ar de espanto. Nunca a via desmotivada, triste como nessa ocasião. Ela optou pelo silêncio, e assim, eu a respeitei. Convidei-a para tomar café e, após insistir um pouco, ela cedeu. Conversamos algumas trivialidade, e aos poucos via o seu semblante voltando ao que era de costume. Fomos passear pelo parque, e depois de algumas voltas em torno, sentamos em um banco defronte a um pequeno lago, bem pequeno mesmo, talvez diria uma poça d’água se não fosse a presença de plantas aquáticas. Eu olhei nos seus olhos e ela retribuiu o ato. Seus olhos brilhavam bastante, e seus cabelos moreno avoaçavam com a sintonia do vento. Ela carinhosamente apalpou o meu rosto e desferiu-me um impiedoso e inexplicável ósculo. Seus lábios tangenciaram os meus, e o silêncio nos pensamentos caracterizou aquele momento irracional, em que os hormônios transladavam loucamente por nossos corpos. Não ingeri álcool mas me senti embriagado após aqueles beijo e carícias. Convidei-a até meus aposentos e ela não mediu esforços. Tive a melhor noite de todas, no entanto iria se arrepender amargamente por ter conhecido aquela mulher. 
    No dia seguinte, acordei ao seu lado, eu estava revigorado. Nunca me senti tão bem como naquele momento. Ela acordou com um carisma fascinante. Até cheguei a pensar, se ela estivesse fingindo, deveria ser uma grande atris, entretanto, o que importava para mim é que eu estava vivendo um momento deleitoso e, tudo aquilo, era, sem dúvidas, as melhores férias. Conversamos nos aposentos naquela manhã, almoçamos juntos —Ficamos o dia inteiro juntos. Foram momentos inescurecíveis e inexplicáveis. Aquela meiga e cálida garota me sucumbia qualquer tormenta. Era um anjo! 
    Faltava quatro dias apenas para o fim das férias. Eu evitava imaginar minhas férias acabando e ter que retornar para a monótona e exaustiva rotina. Nesse dia, pela manhã, Telissa me encontrou no Café-Renoir, após tomar lanchar, ela me convidou a ir visitar a sua casa. Eu fiquei surpreso por sua proposta e aceitei sem cogitar. Não foi tão longe, cheguei lá em torno de duas horas de táxi em uma área interiorana. Eu estava empolgado, com pensamentos ludibriosos me eivando e toda imaginação fértil no momento. No momento, não me perguntei como ela vinha para a cidade ou o que ela fazia lá. De fato, o desejo por prazer me fez agir sem pensar, ou há quem ressalve o lado obscuro que me fez ir até onde fui. Andamos em torno de dez minutos após descer do táxi, por uma trilha estreita, até chegar ao destino. Achei surpreso o lugar em que ela vivia. Mato ao redor, uma casa velha e, sobretudo, mistério. Como uma mocinha tão elegante poderia viver naquele lugar. Por um momento pensei que iria morrer, que talvez ela estivesse me levando para alguém me assassinar. Quando eu cheguei lá, um grande surpresa. 
    Carcaças de animais penduradas em estacas, provavelmente para secar. Eu me perguntava o porquê dela me levar para ali. Ainda com a ilusão de prazer, caminhei junto dela até a casa. Pensei, que nem todo mundo tem a sorte de viver com dignidade. 
    Ao entrar na casa, eu tive uma grande surpresa: uma arma, um alvo, e eu era alvo. Aí meus pensamentos explodiram; meu desejo latente foi convertido em terror iminente. Estava perplexo, e, cruamente, com a ideia de que iria morrer logo. O mesmo homem que outrora ceifou a vida daquele pobre animal na savana, estava prestes a ceifar a minha também. Fiquei mudo, sem palavras, nem expressões visíveis. Eu já estava imaginando a dor pura e efêmera de uma bala que logo transmutaria a minha vida ao esquecimento eterno. Cada milésimo de segundo pensado, era eternamente avassalador; eu estava me sentindo um defunto, uma presa coagida sem chances de fuga. Depois da minha pálida expressão, o homem despojou um sorriso maléfico. Era a hora da morte! exclamei mentalmente. 
    Depois de tantos pensamentos cruéis, Telissa toca em minha mão, e ao inflexivelmente afasto-a com um empurrão. Estava com profundo ódio dela. Como pude cair na tentação dela, pensava. O homem falou umas coisas que não entendi. Talvez tenha dito um Adeus ou coisa do tipo, e eu já estava lacrimejando quando, eu ouço um tiro. Morri! 
    Uma bala passa de raspão no meu ombro esquerdo, e eu fico sem entender. Não foi ele quem atirou em mim, fora outra pessoa (ou monstro) que atirou. Não sabia o que fazer. Abaixei-me, e engatinhei até atrás de uma poltrona rasgada, ao lado da porta. O homem começou disparar contra um outro que não consegui ver. O sangue estava brotando sem parar do meu ombro, era excruciante. Quando fui pegar um pano para conter o sangramento, eu me deparo com Telissa caída no chão. Não acreditei no que via, ela fora atingida no peito e estava agonizando. Puxei ela para perto de mim. E fiquei sem entender nada. Interroguei-a, ainda com remorso: 
    —Por que? Por que? 
    —Eu te... E ela apagou. 
    Não consegui entender as últimas palavras dela. Fiquei na dúvida se ela queria dizer que me ama ou que me odeia. Vislumbrei rapidamente o local, avistei algumas presas, chifres, no quarto e não me atentei mais aos detalhes. Corri escrupulosamente pelo cômodo até uma janela fechada, que logo foi quebrada com uma bala. O barulho ensurdecedor de fuzis, estava me deixando desorientado, entretanto, consegui me erguer e pulei da janela que dava de cara a um matagal. Corri desembestado, sem olhar para trás; me cortei todo, contudo, a dor não foi mais forte que a minha ânsia por viver. Quanto mais eu odiava a vida, mais temia a morte. Sob tal ótica, estava eu correndo sem parar, até que consegui chegar a estrada. De tão desorientado que estava, não sabia para que lado ir. Só sabia que teria de correr o máximo que puder. Resolvi intuitivamente, escolhendo a esquerda, e assim, marchei a passos larguíssimos ao desconhecido. 
    Enquanto eu avançava, fazia uma parada de vez em quando para conter o fôlego. O céu já estava prenunciando o crepúsculo e ainda não tinha chegado a lugar algum. Procurei à minha volta algum indício de residência ou de qualquer tipo de ajuda. E não obtive sucesso. A lua já estava imperando no céu, e eu estava ao relento, imundo, dilacerado, temeroso, sozinho e sobretudo, perdido. Eu resolvi repousar em uma árvore frondosa, temendo os animais ou algum monstro humano. 
    No dia seguinte, saí da árvore cansado e se coçando, meu estado de virgília não me concedeu uma noite de sono. E a coceira infame foi devido aos mosquitos noturnos. Achei uma árvore encantadora, próximo onde repousara, com supostos melões suspensos. Não resisti a tentação de comê-los; estava faminto. Comi dois melões e foi o suficiente para evacuar dezoito vezes durante a viagem. A diarreia estava me matando aos poucos. Desidratado e faminto, e ainda, correndo um grande risco de virar uma presa, lá estava eu, passando as minhas férias. 
    Segui a estrada a passos lentíssimos, quase se arrastando. Estava sentindo minha consciência se apagando. Achei uma poça d’água e cogitei em não beber. Tentei me hidratar, limpar minhas feridas e repousar um pouco. Ao lado, de onde eu repousava encontrei amoras silvestres, e por um tempo, cogitei em não comer. Não queria me desidratar mais, entretanto, a tentação da fome acabou me fazendo comer. Comi o máximo que pude, e por sorte, elas não me fizeram mal. Até que me ajudaram em conter o tenesmo. 
    Passei esse dia repousando em uma árvore, queria reter energias extras caso precisasse de uma fuga imediata. Comi toda a amora que encontrei. Não matava a fome, mas aliviava o incômodo da barriga vazia. À noite, consegui ter um sono ainda ruim, mas que me fez acordar um pouco melhor. 
    No dia seguinte, uma outra surpresa se verticalizou, agindo como um empecilho: uma manada de elefante descansava a baixo de onde eu estava. Receoso em descer em virtude dos casos de brutalidade desses animais, fiquei cautelosamente aguardando e com uma grande virgília, pois, eles poderiam derrubar a árvore se se sentirem ameaçados, e ainda, um pensamento atentador me fazia a todo tempo querer fugir: e se os caçadores de marfim viessem aqui matá-los, provavelmente iriam me matar também. Em meio a tantos pensamentos usurpadores, meu lado obscuro me concedeu a destreza de ficar escondido nas folhagens e aguardar. 
    Passaram-se horas, até que, ao meio dia, por aí, os brutamontes foram embora. Quando desci, estiquei minhas pernas, que estavam levemente dormentes, e o estalo foi a resposta para o alívio. Achei um escorpião enquanto estava comendo amoras, e, tendo em vista os programas de aventura na TV, achei coerente comê-lo, tirando primeiramente, o rabo. Ao colocá-lo na boca, suas pinças prenderam na minha língua que logo começou a arder, e tentei mastigá-lo, no entanto, um gosto essencialmente amargo me fez cuspi-lo. Nunca experimentei tamanho dissabor. Fui retornar a caminhada, e dessa vez não corria apenas para salvar minha vida, mas também para salvar a minha passagem de volta, pois só me restava um dia até o embarque. 
    Durante esse dia, eu andava em uma marcha rápida fitando poupar energia. Sempre que eu encontrava uma poça d’água não receava mais a sujeira, bebia como um animal. Durante o final da tarde, quando a penumbra já era visível, eu encontrei uma aldeia com poucas casas, mas que transpiravam um pouco de esperança. Não quis chegar durante a noite pedindo ajuda para não correr um risco de ser levado como inimigo ou quem sabe como caça. Preferi esperar em uma árvore com uns duzentos metros de distância. Na árvore eu avistava o fogo, que cintilava com a sintonia do vento. E dava para escutar as vozes dos aldeões. 
    O sol matinal envolveu-me quebrando o meu sono, que dessa vez foi o melhor desde que estava em fuga. Acordei animado para pedir ajuda. Afastando-me da árvore e olhando para frente, eu vi uma camionete chegando, e exclamei pensando: até que fim! ajuda! Pensava que iria obter comida, e ajuda para voltar, mas me enganei feio; eram traficantes de marfim que chegaram para descarregar e armazenar naquelas casas. Fiquei realmente abatido, pois, no dia seguinte teria de estar no aeroporto. 
    Retornei, a caminhada e evitei entrar em contato com os anfitriões, até porque eu era estrangeiro ali, e não iria entender o idioma local. Caminhei bastante desconsolado; não estava mais com aquela ânsia por viver; sentia-me um defunto. Sem perspectivas a não ser perecer. Meus passos já não estavam com a empolgação de antes e eu já começava a sentir dores que por ora me impossibilitava de caminhar incessantemente. Só um milagre para me tirar daquela aventura fadado à seleção natural. 
    Resolvi voltar a seguir a trilha da estrada de terra, e dessa vez, seguir até onde meu corpo me possibilitar. Enquanto via o caminho ficando exaustivo, doloroso, meus pensamentos estavam voltados para uma simples pergunta, mas com uma resposta temível: irei morrer? 
    Durante muito tempo devo ter ficado semi-desacordado. Não me recordo nada além de caminhar à diante, como um guerreiro que não teme mais a morte e busca o último triunfo: confrontar com a morte. Disseram-me que fui deixado na frente do hospital de Dodoma e que uma camionete me trouxera. Quem me trouxe não parou para questionamentos, simplesmente vazou como se nada tivesse acontecido. 
    No dia da viagem eu estava acamado, e ainda sob os cuidados médicos. Estava com uma infecção intestinal, desidratação, contusões, hematomas, e   inflamações em diversas escoriações que colecionei durante a fuga. Por fim consegui adiar a minha viagem alegando atestado médico. 
    Hoje completou exatos quatro anos desde que fui à Tanzânia. Recordo-me fascinado daquela inusitada vivência. Tenho várias dúvidas. Será que Telissa realmente me amava? Será que ela sobreviveu? Será que homem armado não queria me matar de verdade? Será que Telissa queria me mostrar algo? Será que foram os criminosos que me salvaram? E por que fizeram isso? Muitas dúvidas que guardo para mim, e sei que nunca irei saber ao certo. O mistério do meu lado obscuro ainda não foi desvendado; fui à vários médicos e não obtive outro veredito senão: Psicótico...
  • O Guardião da Floresta

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      - Aitniê. - Disse em voz alta o indígena que guiava o barco, quando avistou a primeira luz do sol tocar o céu. Causou um reboliço no pequeno convés atrás de si.
      - É o quê? - João se pos de pé num pulo desejeitado. Pos uma mão no cabo dum revólver na cintura e a outra agarrou a borda do barco. Olhava para todos os lados, nitidamente assustado.
      - Significa 'Bom dia'. - O índio respondeu achando graça. Todo os tripulantes acordaram com a sua saudação.
      - Vai se foder índio. - João disse cuspindo na'gua.
      - O nome dele é Ubiratan! - Zé 'Tinhoso' o corrigiu com sua voz rouca. Sua expressão anulava qualquer objeção que o outro tivesse. Era o líder do bando.

      João era o novato, no total eram cinco malfeitores navegando rio acima em busca de algumas madeiras para o 'contato'. Zé esticou os ossos e foi até a ponte ter com o 'capitão'. Todos já estavam de pé.


       - Onde estamos? 
      - Sei lá. - Ubiratan respondeu sorrindo, sacudindo os ombros. Antes de qualquer reação, apontou para um mapa estirado no painel. - Por aqui. - Seu dedo estava perto da área marcada pelo Contato.
      - Logo logo tá nas vista! - Zé disse virando as costas. - Saruê, Pequeno… prepara as ferramentas. João, fica de oio nas margens. Vou prepara um trago pra nois.
    O, graças a Deus! - Saruê disse erguendo as mãos indo para o seu afazer.

     Uma conversa fiada tomou conta do barco rapidamente, depois que Zé abriu uma garrafa de cachaça e o copo foi de mão em mão, uma dose pra cada. Duas para o chefe, como de costume. João era o único que cumpria as ordens, seus olhos saltavam de uma margem para outra sem descanso, participava minimamente da conversa. O barco de pesca seguia num ritmo constante e tedioso, Ubiratan gostava de falar para espantar o sono e matar o tempo. 

      - Fala aí "Biratan", diga o significado de seu nome, diga. - Pequeno pediu apontando para o João. 
    Lança Dura! - Ubiratan disse e todos riram.
    Essa desgraça faz sucesso com as quenga, acredita? - Saruê olhava para João. - Nois conta isso nas Birosca já vem umas treis pra confirmar. - Gargalhou.
    Bora ajeitar essas serras, seus carniça! - Zé disse em meio às histórias. 

      O sol estava a meia altura quando Ubiratan avistou as copas coloridas das árvores. 


      - Oh lá Zé!
     - Bora ganha um dinheiro! - Respondeu animado pegando uma Serra elétrica pra si.

      Dez minutos depois o barco foi amarrado na margem. Ubiratan desembarcou rapidamente e entrou no mato a esquerda, carregava um pedaço de corda e um saco de fumo nas mãos.


      - João, fica de zóio no barco até ouvi a serra canta, beleza?
      - Po'deixa chefe! - Estava se afeiçoado ao grupo.
    Bora cambada! - Zé foi seguido pelos demais, todos carregavam uma Serra e facões. 

       Alguns passos depois, sumiram na mata fechada. O índio reapareceu andando de costas, desenrolando a corda com cuidado no chão cortando-a.


      - Que isso? - João perguntou curioso.
      - É pro Demônio da Floresta. - Ubiratan respondeu sério. -  Por onde eles foram?
      - Curupira? - João explodiu numa gargalhada - Puta que pariu - Ele não conseguia parar de rir, mesmo com o índio o encarando sério. - Foram por ali. - apontou em meio uma torção causada pelo riso exagerado. Ubiratan sumiu no rastro dos demais.

       Algum tempo depois o barulho da serra se fez mata adentro, era hora de agir. João ainda sorria, tirou o excesso de lágrimas dos olhos e deu mais uma olhada nos arredores antes de iniciar a caminhada. No segundo passo, viu a ponta da corda deixada por Ubiratan e resolveu segui-la. Dez passos a frente achou um punhado de corda enrolada, escondendo um pacote de fumo lacrado. Deu um riso largo e pegou a prenda olhando em volta, desconfiado. Sorriu mais uma vez e foi até às serras. 

      O serviço foi mais rápido do que Zé esperava, havia apenas duas dúzias de jacarandás na área, "árvores da flor roxa", como disse o Contato.  O bando preparou os troncos em formatos iguais e os arrastaram para a margem, Zé estava mal-humorado. Ubiratan, desconfortável.

      Como calculado, no final da tarde o barco estava descendo o rio puxando as madeiras encomendadas. Ubiratan guiava para a segunda marcação do mapa.

      - Esse contato seu é fraquinho, hein Zé. - disse entediado. 

     Zé estava olhando a margem com uma perna apoiada na borda e o pensamento distante.

      - Um punhadinho desse vai dá nada pra nois. - Saruê endossou 
      - Eta Febre do rato! Confia em mim mais não é? Oxem! - Zé se voltou para eles. - Esse Cabra é peixe grande. Disse que se nois levasse esses tronco pra ele, ele ia arrumar um serviço grande pra nois!
      - Ma rapais, e tu vai fica no preju é? Alugar barco, as serras, o óleo, tu tá se arrombano pra trabaia é? - Pequeno indagou.
      - Fecha essa boca, desgraça! O cara que tá bancano tudo, seu porra. Da minha parte é só a mão de obra podi de voceis! - Zé se satisfez com a expressão de admiração dos demais. - E o miseravi ainda vai dá 100 conto por cada tora! - Concluiu rindo de seu trunfo. 
      - Tu é o Cabra da peste memo hein. Rapais, que negoso doido é esse!? - Pequeno estava admirado, igual aos demais.

     Cada um disse alguma coisa sobre a sorte de ter pego um contato desse tipo e começaram a imaginar e discutir sobre qual seria o trabalho futuro, prometido. 

       Zé estava preocupado antes, quando estavam na margem preparando as toras, achou que era uma armadilha da polícia ambiental e/ou do IBAMA, o trabalho era o melhor que ele já pegou nessa vida de malfeitor. Na verdade iria receber R$ 200  por cada tronco e agora que seu bando acreditou no R$ 100, seu lucro seria maior ainda. Quando o barco entrou no "canal esquecido" Tinhoso relaxou de vez. Ali sabia que estava seguro, aquelas águas eram esquecidas pelas autoridades. 

      No início da noite avistaram o porto clandestino, exatamente onde o cliente marcou no mapa. Zé desceu sozinho, um capataz bem vestido o recebeu e mandou um qualquer seu contar os troncos e levou Zé num canto. Dez minutos depois todos estavam montados em seus cavalos com os bolsos cheios, em direção a Birosca mais próxima dali.

    Zé ainda repetia as palavras do homem em sua cabeça, "Meu patrão mandou dizer pra encontrar ele no mesmo lugar, daqui seis dias".

    Não se aguentava de empolgação. O bando chegou a galope numa cidadezinha precária. Uma avenida bem iluminada, tomada de comércios fechados e no final uma Birosca acesa com mesas para fora e clientes beberrões. 

       O bando chegou barulhento, tomou duas mesas e animou o lugar que já estava pronto para encerrar o dia mas, diante da disposição dos recém chegados, foi obrigado a estender o horário. Antes de mergulhar na cana e fumo, Zé Tinhoso passou o olho no bar e nos clientes, não queria ser importunado por gatunos. Não viu nada além de molengas chorões, então mergulhou de cabeça junto com seus homens na 'mardita'. Mais tarde, algumas 'Damas da noite' se juntaram ao bando e a coisa animou de vez. 

       No alto da madrugada os rapazes foram levados para os quartos cada um acompanhado por uma dama. Cada um tomou um quarto. Depois de satisfazerem seus clientes as senhoras saiam de cena, deixando-os sozinhos, dormindo. 

    Os quartos ficavam no andar superior, lado a lado, dividos por uma parede de taipa. Ubiratan não estava bem, fingiu dormir para dispensar sua senhora e sozinho, não conseguia dormir de jeito nenhum, um desconforto o tomou. Ouviu a porta de seu vizinho abrindo e fechando e o som de passos curtos e risadinhas, escada abaixo. Um minuto depois ouvi a porta se abrir de novo mas, não os passos, aprumou os ouvidos e teve certeza que seu vizinho estava se engasgando. Se levantou num pulo e correu até ele. A má iluminação impedia de ver quem era.


      - Oxe cabra tá morrendo aí é? - Disse se aproximando da cama e virando o homem de lado. - Que porra é essa? - perguntou quando sentiu um líquido quente saindo de seu colega. - Socorro! - Gritou quando sentiu o cheiro de sangue.

     Ouviu um grunhido no outro quarto.

      - Que diabo é isso? - A voz de Zé se fez no corredor. 
    Vem cá Zé olha isso…
    Crendeuspa… - A voz de Zé começou e deu lugar a um grito sufocado. 

    Ubiratan saiu do quarto correndo e viu com a luz da lua que entrava na única janela do corredor, seu chefe ajoelhado segurando a garganta que se desmanchava por entre seus dedos. 

      - Sai daqui demonio! - João gritou do último quarto. Alguma coisa o jogou no chão.

    Ubiratan estava desnorteado, gritou por socorro novamente enquanto corria até o quarto de João. Viu a silhueta de uma criatura pequena sobre seu colega cochichando alguma coisa em seu ouvido. Era tarde demais

    Essa era a única certeza que o índio tinha.

    Caiu de joelhos diante da porta  aberta enquanto explicava que deixou uma prenda, suplicava por perdão. O som da garganta de João se torcendo até quebrar fez um calafrio desesperado percorrer seu corpo. A criatura o encarou das sombras, em um segundo se pos diante dele, era pequena cabelo espetado e vermelho como fogo aceso, tinha um riso malicioso de dentes pontudos e amarelados a pele esverdeada usava apenas uma tanga de couro. Os pés virados para trás. Ubiratan tremia descontroladamente.

      - Aiacaqui... ai-có [ Cortamos só algumas árvores]  - Ubiratan conseguiu dizer com muito esforço
      - Aiacaqui aiacá [ Cortei só algumas cabeças] - O Curupira respondeu com uma voz sombria, fria como gelo, enquanto passava suas garras debaixo do queixo do infeliz e ria com seu sangue jogando.

      

  • o inicio do meio

     
    — ACORDA ERIC — gritou Priscila, a tonalidade de sua voz variava à medida que o vento remexia seus finos fios dourados.
    — Pri… — falei um pouco sonolento, acordei assustado, ou melhor abri os olhos, uma parte de mim, continuava em sono profundo enquanto a outra lutava para levantar da cama.
    — você acabou de assassinar uma pizza, tenha modos — falou rindo, olhei de relance para o chão e avistei meu pé sujo de molho de tomate, o movimento brusco que fiz para me erguer da cama rendeu-me uma leve tontura e a perca de uma apetitosa refeição.
    — pensei que você só chegaria amanhã — exclamei, ela vestia um apertado vestido longo, estampado nas cores verde e amarelo, que dançava junto ao vento.
    Os raios quentes do sol entravam pela janela semiaberta do quarto clareado todo o lado esquerdo, por sorte a minha cama ficava no lado direito e a luz não conseguia me atingir, porem Priscila não teve a mesma sorte, seus olhos lagrimejavam enquanto suas mãos se posicionavam em frente ao rosto na tentativa de se proteger dos raios, ainda sim a radiação era alta demais e continuava incomodando.
    — o universo mudou os planos e nos enviou uma frente fria, acho que ele queria que eu sentisse esse cheiro horrível que você está emitindo — o odor deveria está mesmo horrível, mofo e comida estragada nunca foram uma boa combinação de perfumes, apesar disso seu rosto esbanjava felicidade afinal quanto mais rápido ela chegasse mais tempo permaneceria.
    — pelo menos você não pisou no seu café da manhã — falei em tom melancólico.
    — te espero lá embaixo — disse com uma cara de repulsa ao olhar de relance para a pizza, estava em bom estado, teria dado uma bela refeição se não estivesse azeda e com marca de pé — a propósito, não fui a única que teve que chegar mais cedo — não foi a única, todos chegaram mais cedo talvez?
    — ok — disse enquanto me levantava totalmente da cama, em pé finalmente, mereço um prêmio e se poder escolher mais duas horas de sono, por favor.
    Reuni todas as forças que pude e tomei um banho, com atenção especial para os restos de pizza que se espalhavam pelo meu corpo, a água estava fria, uma boa notícia já que lá fora estava um calor de 35 graus.
    A noite tinha sido longa, quando terminei o ensino médio não tinha noção do que escolheria para fazer pelo resto da vida, então minha mãe, que não me queria em casa, tranquilo e relaxado, me colocou em um curso de multitarefas, artesanato, música, arte contemporânea, poesia, palestras chatas sobre direitos constitucionais, primeiros socorros e tantos outros que me causa exaustão só de lembra, como um aluno preguiçoso que sempre fui acumulei alguns trabalhos dissertativos e passei a noite inteira tentando finalizá-los, foi mais difícil escrever sobre o início dos direitos civis no Brasil do que domar o sono, mas como um bom aluno preguiçoso que sou fiz uma parte e deixei o resto para depois.
    Quando julguei que estava com uma aparência aceitável, baseada em minha política de pegar uma camiseta e uma bermuda qualquer, desci as escadas e me direcionei até a cozinha.
    Minha mãe estava em frente a pia lavando a louça da noite passada, tinha arranjado um namorado novo, Victor, ele era alguns anos mais novo que ela e a algumas semanas suas visitas ficavam cada vez mais frequentes.
    — a bela adormecida acordou de seu sono profundo — disse minha mãe.
    Sempre bem vestida e maquiada, Victor fazia bem a ela e o fato de conhece-lo me dizia que não era apenas uma paixãozinha passageira. Meu pai havia morrido a mais de 10 anos, estava passando da hora dela arruma um parceiro, não era igual, mas deixa ela feliz e isso era a única coisa que importava.
    — bom dia, mamãe — disse.
    Demorei um pouco para notar a presença do pai de Priscila, Eduardo, ele morava na casa ao lado e trabalhava com a minha mãe, os dois eram professores na escola de ensino infantil da cidade e logo ficaram amigos, fazendo com que Priscila e eu nos conhecêssemos desde sempre.
    Minha mãe tinha comentado que eles estavam planejando um evento para o próximo final de semana, algo envolvendo brincadeiras e jogos para crianças no centro recreativo. Parecia que um furacão de glitter tinha passado pela sala, confetes, colas, tesouras, tecidos, fantoches e cartazes brilhantes se espalhavam por toda a sua extensão, sentado sobre uma cartolina amarela Eduardo riscava moldes de letras.
    — bom dia senhor Eduardo
    — bom dia Eric
    — como estão os preparativos? — perguntei sem dá a mínima e temendo um pedido de ajuda.
    — quero fazer um tur na cidade e você será meu guia, me mostre o que mudou e por favor não me diga que derrubaram nossa árvore. – disse Priscila arqueando as sobrancelhas.
    Um tur? foi alguns meses e não alguns anos… ahhh… ela estava me salvando da enrascada que minha educação ia me colocar.
    — muito pelo contrário fizeram um parque ao redor dela, mas derrubaram nossa cabana aparentemente ela era muito perigosa para as crianças
    Antes da Priscila se mudar e ir para a universidade, nós fizemos um “pequeno” protesto com alguns amigos, passamos até no jornal do estado. A prefeitura estava planejando derrubar um cajueiro de trinta metros de altura com mais de vinte e cinco anos que ficava no centro da cidade, essa espécie de planta alcançam por volta de vinte metros de altura em territórios propícios, era uma raridade biológica e também tinha um valor sentimental, brincávamos nela quando éramos crianças e nossos pais construíram uma pequena cabana debaixo da árvore, era nosso porto seguro e uma recordação deles. Nossos pais sofreram um acidente de carro quando tínhamos sete anos, meu pai e a mãe dela acabaram ficando gravemente feridos, meu pai morreu alguns dias depois e a mãe dela ficou em coma por alguns anos até sofre uma parada respiratória. A manifestação gerou um pouco de polémica na época, algumas pessoas ficaram bravas com a nossa insubordinação, foram quatro dias em cima da árvore, levamos nossa própria comida que acabou impressionantemente rápido, mas felizmente as pessoas sentiram pena da gente e começaram a nos levar comida e água, nunca pensei que comeria tão bem, porém o mundo não é justo e foram quatro noites péssimas de sono misturadas com dores nas costas e pernas devido à má postura e a falta de circulação. Só saímos de lá até o prefeito anunciar que independente do projeto a árvore continuaria em pé, sinto pena do engenheiro que teve que começar o projeto do zero novamente.
    — vamos — berrou Priscila ao driblar uma torre de papelão.
    Era sábado à tarde, duas e meia para ser exato, o sol queimava levemente minha pele, o ar era tomado pelo sabor salgado da maresia, sem os engarrafamentos frequentes da semana as pessoas aproveitavam para pegar um bronze e tirar o estressa do trabalho e das aulas, crianças correndo por toda parte com seus pais implorando para que passassem protetor, a maioria desistia e se rendia a uma cerveja gelada acompanhada por espetos de queijo e camarão, vendedores ambulantes e artesãos usufruindo dos finais de semana e dos feriados para faturar melhor, percorriam toda a praia oferecendo seus petiscos, sorvetes, pinturas e bugigangas, mesmo andando pelo calçadão apenas admirando a paisagem ninguém se livrava de ficar molhado, sujo de areia e bronzeado.
    — ei — uma voz gritou, longe e alto.
    Nós direcionamos ao som automaticamente, um garoto loiro com sorriso florescente, sim, realmente florescente, dentes antes brancos e agora verdes, Gustavo, nosso colega de classe, ele sempre estava sorrindo e com olhos vermelhos, o mais divertido e o menos responsável, eu o via às vezes, mas com o trabalho de meio período e as aulas nossos encontros se tornavam cada dia mais escassos e ficamos gradualmente distantes.
    — quanto tempo, loirinha — disse Gustavo — oi Eric, tão branco os fantasmas ficariam com inveja — dei um sorriso sem graça, ele tinha em mãos alguns quadros e uma maleta, imagino que com pinceis e tintas.
    — como vai aspirante a Monet, está vendendo aqui também? — perguntou Priscila, ele tinha esse apelido pelo amor de matar aula para desenhar, seus desenhos eram cheios de cor e alegria, sempre ilustravam o pôr do sol, ele dizia que como o sol é ardente e necessário, e nós não sobreviveríamos um dia sem ele.
    — pintando, desenhando e vivendo a vuda digna de um deus, não, busco fontes de inspiração, quem sabe uma nova musa — respondeu Gustavo, outro detalhe importante sobre meu amigo, ele é um ímã para relacionamentos passageiros.
    — excêntrico e convencido como sempre — disse Priscila.
    — seu cabelo ficou estranhamente bonito — comentou Gustavo.
    Não havia percebido que seu cabelo tinha mudado, ele era na altura do ombro e tinha uma franjinha ridícula, agora estava um pouco mais abaixo dos seios, suas pontas mostravam resquícios de tinta preta desbotada, que não combinava com seus fios loiros.
    — o Eric ficou um chato depois que você foi embora, só quer saber de trabalho e provas não sai daquele quarto por nada — disse Gustavo, enfatizando mais ainda o meu belo rosto pálido.
    — não um chato, talvez um pouco menos fácil de conquista — falei na tentativa de justifica minha falta de atenção e reclusão.
    — que seja, quando vamos nos reunir a Manu e a Agui chegam na cidade segunda pela manhã, podíamos ir ao parque contempla nossas novas vidas ao redor da nossa árvore — sugeriu Gustavo.
    Se Manuela e Agui chegavam segundo, nos três estamos aqui, então antes Priscila estava se referindo a Pedro.
    — Acho uma ótima ideia — pronunciou Priscila animada.
    — não sei… é começo de semana, tenho que trabalhar — falei.
    — eu convenço ele, pizza e vodca? — perguntou ela, qualquer oportunidade que envolvesse álcool a deixava extremamente feliz, nunca entendi o apreço que ela tinha pela embriaguez, se era apenas para se divertir ou se era para fugir de algo.
    — essa é minha garota, quando elas chegarem eu mando mensagem, até mais — falou Gustavo se despedindo, voltando toda sua atenção para um banco próximo a um jogo de vôlei feminino, sei muito bem o que ela ia desenhar.
    Andamos por toda a cidade, mercados, lojas, lanchonetes até visitamos a nossa antiga escola, ela continuava exatamente igual, as paredes estavam pichadas, tinha nossos nomes em uma delas, sabíamos que era errado, mas foi bem divertido na época, deviam passar pelo menos uma mão de tinta naquele lugar. As lembranças dos três anos que estudamos ali invadiram a minha mente, as risadas, as brincadeiras e as discussões que não foram poucas.
    — que ir ao parque? — perguntei
    — não, só segunda, mas vamos na sorveteria ou você preferir ir comer comida de verdade? — pergunto Priscila.
    Já se passava das quatro da tarde, o calor já estava ameno e a brisa ficava cada vez mais fria, andei mais naquela tarde do que nos últimos seis meses. Comer alguma coisa substancial faria mal a minha anemia, o restaurante mais próximo parecia a melhor opção, para a minha sorte servia pratos feitos, ótimo para quem não sabe o que quer comer, os ingredientes são escolhidos pelo dono do restaurante não pelo cliente, então poderia ser a comida mais horrorosa ou a mais original, ou horrorosa e original, fiz meu pedido e rezei por uma comida tragável.
    — você se lembra de quando a gente fazia trabalhos na praia de madrugada — disse ela, trabalhos que envolviam beijos com desconhecidos e vinhos baratos, a adolescência e seus erros — sinto falta de estar aqui com todos vocês, até das suas aulas chatas sobre computadores em momentos inconvenientes eu sinto falta e sinceramente eu nunca entendia nada
    — estava tentando deixa vocês mais intelectuais, até que as vezes funcionava
    — não aguento mais um minuto de intelectualismo, precisava urgentemente de férias
    — como é a faculdade de mato? — ela me encarou com olhos serrados, parece que para os biólogos chamarem as árvores de mato ofende tanto quanto chamar as rochas de pedras.
    — eu gosto, ninguém me julga por não comer carne, respeitam os animais e a natureza, é meu habitat natural, não me imagino fazendo outra coisa, a não ser provadora oficial de tequila — rimos com as recordações bobas do tempo de escola, pescas que acabaram mal, discussões com os professores, essa é inteiramente culpa da Agui e até das mentiras inocentes que me salvaram das advertências, não tem coisa pior do que levar papeis para sua mãe assinar e acabar levando um sermão de duas horas.
    Minha comida chegou, não sei se era a fome, mas estava tudo delicioso, ótimo para a primeira refeição do dia, tirando o fato de ser a primeira refeição do dia, preciso imediatamente mudar meus hábitos alimentares e fazer algum exercício físico.
    — como vamos mostra pra eles que o tempo nos deixou mais gatos e mais inteligentes se você está tão branco que se olha de repente confunde com uma vela — ela disse rindo, mas com semblante sério, será que eu estava com uma aparência tão débil assim — como você vai conquista a Agui desse jeito? — minhas bochechas ficaram rosadas mostrando o quão pálido e envergonhado fiquei.
    Águi foi uma paixão platônica de ensino médio estendida até os dias de hoje, minha timidez sempre me manteve distante das pessoas, no entanto, naquela manhã fria e chuvosa de junho ela sentou ao meu lado e conversou comigo durante uma aula inteira de português que sinceramente me parecia perda de tempo, tínhamos corretores ortográficos e não me imagina no futuro sendo um grande escritor. A conversa foi sobre contos assustadores e suas artimanhas para enganar o leitor, apesar de minhas respostas terem sido rasas e desinteressantes ela continuou me incluindo na conversa como ouvinte até o professor solicitar que ela parasse de atrapalhar a aula e saísse da sala.
    — está começando a escurecer, vamos embora tenho que chegar antes do meu pai inventar de cozinhar – disse Priscila abraçando o corpo para se proteger do vento frio.
    — Miau, vamos.

     

  • O livro dos escritores olimpianos

    É quase impossível não se admirar com a mitologia grega. Como esses mitos compõem grande parte da história do Ocidente, acabamos de um modo ou outro inteirado sobre eles. No cinema, na literatura, nos jogos eletrônicos, heróis e criaturas sobrenaturais continuam a viver grande aventuras. Muitas vezes, esses mitos são reconstruídos, mostrando diferentes nuances sobre as mesmas lendas.
                Confesso que me interessei mais por mitologia grega depois de assistir a Cavaleiros do Zodíaco na Band. Mitologia grega e astrologia eram o mote do anime. Depois de entrar em contato com essa série, passei a ler a Ilíada, a Odisseia e tantos outros livros que tratam de mitologia e história das religiões. Quanto mais aprendia, mais queria me aprofundar sobre o tema.
                Outra grande obra que aborda a mitologia grega de modo fascinante é a série de games God of War. Protagonizado pelo deus Kratos, depois de perder família e prestígio, ele decide se vingar dos deuses numa escalada de morte sem precedentes. Na literatura, temos a série Pierce Jackson e os olimpianos, de Rick Riordan, chegando ao cinema com boas adaptações. Encantou o público e tornou a mitologia grega ainda mais incrível.
                Nessa mesma esteira, a Editora Cartola se propõe a reviver o fascínio de mitos e narrar contos em novas perspectivas, dando-lhes um caráter moderno. A antologia Olimpo, deuses, heróis e monstros reuniu contos de 34 autores, mais um conto do editor Rodrigo Barros, com histórias que ora se passavam na Grécia Antiga, ora no período contemporâneo. Uma ótima seleção.
                São trinta e nove contos, divididos em mais de 190 págs. Esses contos apresentam ser mais sintéticos do que o da antologia anterior, O Encontro dos Mundos Fantásticos, mas, geram muita discussão, pois as temáticas foram muito bem exploradas pelos contistas. Como é uma antologia muito longa, com muitos contos, farei do mesmo modo que das vezes anteriores, vou analisar os dois melhores contos e os dois que menos gostei.
                Lembro sempre que essas escolhas são subjetivas, não são uma verdade universal. Ao ler, você leitor, você leitora, terá uma visão mais apurada e poderá concordar ou discordar da minha opinião. Isso é sempre bem-vindo em minha cabeça, assim poderemos desenvolver uma discussão literária. Eu sempre recomendo a leitura, mas só você deve decidir se ela deve ser realizada ou não. Partamos para a análise.
                Dos contos que que eu mais gostei, seria impossível não tratar de Amor sem sentido de Vitor Macário. Esse conto apresenta uma história de amor trágico, e o modo cruel como os deuses gregos podiam tratar os humanos. Digo isso não só pela impiedade de Zeus, mas pela maneira como Afrodite tratou seu amado, mero objeto. Não acho que ser imortal e insensível é uma boa, entendedores entenderão.
                O segundo conto na ordem de preferência merece destaque por duas razões: conseguiu unir dois personagens marginalizados e fazer um ótimo debate sobre exclusão e preconceito. O garoto e o minotauro é uma daquelas obras que se apresentam despretensiosas no início e depois, vapt! Te fazem questionar coisas profundas, que as vezes, por se apresentarem dolorosas, acabam sendo negadas.
                O conto que eu publiquei nessa antologia foi A desolação de Argônios. Argônios era o príncipe de Ástiras, uma ilha mediterrânica. Ele era um dos argonautas que viajava com Jasão em busca do Velocino de Ouro. Mas devido aos grandes desafios da aventura, retorna a sua terra natal para assegurar o trono. Entretanto, em Ástiras, ele descobre que seu reino se tornou uma tirania. A trama daí para a frente ganha tons dramáticos.
                Dos contos que eu menos gostei, eu diria que Espectros da morte de William Eugenio. É ruim por soar uma leitura cacofônica. Não entendi quem era e quem fazia o que na trama. Fora que para mitologia grega, começar o conto falando de espadachins chineses viajando no tempo soou disfuncional na trama. Não sei se com mais páginas a coisa ia melhorar. É uma leitura confusa. Como não entendi o objetivo, não gostei.
                A vingança da pequena princesa, de João Solano, começa como uma grande aventura tipo RPG, mas que no fim se mostra uma obra de humor pouco frutífera. No começo eu até gostei da história, a protagonista é uma princesa que sofre de nanismo e é afastada da linha sucessória, e, por uma série de coincidências, se torna amiga de monstros que querem acabar com os deuses do Olimpo. Ótima premissa, má execução. Até agora não entendi como o paradoxo poderia prejudicar o Olimpo.
                O livro é organizado pela antologista de carteirinha Janaina Storfe. O livro apresenta ótimos contos, principalmente na metade final do livro. A capa é incrível, Hércules puxando o Cérebros pela coleira é impagável! Rodo merece parabéns pela capa. O livro tem orelhas, miolo em Pólen 80 gm2 e capa cartão 250 gm2 com laminação fosca. A diagramação e a sangria das páginas são muito confortáveis de ler. Acesse e adquira:
    https://loja.cartolaeditora.com.br/olimpo
  • O Machado Sangrento

    Prólogo
    Naquela noite de inverno, o velho Popé estava sentado na soleira de sua cabana, fumando cachimbo e olhando as estrelas. A tempos que seu povo tinha conquistado o direito de povoar um pequeno pedaço de sua própria terra como bem entendesse, então os indígenas tinham desistido de se mover pelo território de forma “desordenada” em busca de caça e fixado residências mais consistentes. Seus pensamentos voavam com a velocidade da grande águia, absorto por essas questões de justiça quando um rumor o faz se voltar. Um grupo de crianças, todas por volta de seus oito a dez anos, vinha correndo em sua direção e gritando seu nome. Resignado, o velho homem suspira, apaga seu cachimbo e se prepara para ter seu descanso e seus pensamentos interrompidos. Popé então se prepara para acolher os pequenos da melhor maneira possível. Por mais depressa que as coisas estivessem mudando, algumas o homem branco não podia alterar e essa era uma delas. Os pequenos índios ainda corriam aos mais velhos em busca de sabedoria. E ele era o mais velho ali, o xamã da tribo. Era natural que os mais jovens o procurassem. Isso o faz mover brevemente a boca, tornando seus velhos e secos lábios no que um dia já fora, a sombra de um sorriso...
    - Popé, Popé – gritou-lhe já do portão de sua cabana o primeiro dos garotos – Por favor, queremos que nos conte uma história...
    - Calma, pequeninos, calma... primeiro, sentem-se aqui, aos meus pés e se acomodem... Isso, muito bem, meus jovens – a voz calma e antiga do xamã parecia ter efeito quase que hipnótico sobre os pequenos. Aquela agitação própria da infância praticamente tinha desaparecido e todos agora seguiam as instruções do velho – Agora, me digam, que história gostariam que eu lhes contasse?
    Um dos pequenos vinha com os olhos inchados e vermelhos, sinal de que havia chorado muito. Era um dos maiores meninos ali e o Popé já tinha visto algumas proezas de força e destreza do rapaz. Teria sido um grande guerreiro, se os tempos fossem outros. O velho olha para o garoto, mas nada diz. Sabia o quanto jovens meninos podem ser orgulhosos. Quem se manifesta é um pequeno menino ao lado deste um pouco envergonhado, mas muito resoluto da história que queria ouvir:
    - Queremos que nos conte sobre o Machado Vermelho, Popé...
    - Ah! -  Fez o velho – E por que querem ouvir isso, pequenos?
    - Queremos saber como trazê-lo aqui, Popé – Disse finalmente o garoto que havia chorado – Os brancos pegaram minha mãe. Fizeram... coisas com ela. Me fizeram assistir tudo, me bateram e foram embora rindo. Ouvi minha mãe dizer soluçando que se o Machado Vermelho estivesse aqui eles seriam punidos. Quero que sejam punidos, Popé. O Xerife não vai fazer nada e nós não podemos ir a cidade cobrar isso dele. Por favor, xamã, conte-nos como chamar o Machado Vermelho...
    O velho homem baixa a cabeça. Tinha ouvido falar desses casos de estupro das índias, mas como morava um pouco afastado do restante da aldeia esperava que fossem apenas boatos. Infelizmente, não era o caso. O mínimo que podia fazer por aquela criança agora era lhe conceder um pouco de esperança. Se não em justiça, na vingança que a lenda do Machado Vermelho representava. O velho então, limpou a garganta, reacendeu seu cachimbo e fitou novamente as estrelas, numa pausa que ao mesmo tempo aumentava a impaciência dos meninos e lhes tirava o folego ante a antecipação da história. Enquanto soltava uma última baforada que cobria de fumaça suas longas tranças cinzentas, o velho olha para os meninos e eles notam que, em seu rosto vincado de rugas, os olhos brilhavam tão vivos quanto os deles.
    Finalmente, quando a tensão da espera era quase palpável, a voz rouca de Popé corta do silêncio da noite:
    - Muito bem. Vou lhes contar sobre o que aconteceu aqui a mais de 80 anos. Meu pai estava para ser enforcado pelos brancos então sei como se sente, meu jovem. Minha velha mãe contou essa história assim, como conto a vocês agora...
  • O Mesmo Ritmo

    Uma parte de mim diz que "não"
    Que não é a hora certa
    Para se envolver, se entregar

    A outra parte diz que podemos ir
    Em busca do que nos espera
    E não devemos deixar no ar...

    Passei o dia todo pensando no que te dizer
    É duvidoso o "sim", é doloroso o "não"
    Escolhi o que preciso, o que agora posso ter
    Vai no mesmo ritmo do meu coração

    Me olhe nos próximos dias, nos próximos meses, nos próximos anos
    Da mesma forma que me olhou agora, quando eu disse que te amo

    Me guarde, nos seus pensamentos
    Me envolva em seus dias, me mostre saídas
    Sei que a nossa história, já estava escrita
  • O mistério de Saint Thereza

    Perto da “grande” igreja no centro da cidade podia-se ouvir uma bela música ao som de suaves teclas de piano. A canção se ouvia da casa de Margot, a viúva de cabelos louros, olhos verdes, uma das mulheres mais lindas que o jovem Victor conhecia. Ela era a melhor musicista da cidade, uma mentora para ele, talvez até mesmo uma amiga, apesar da diferença evidente de idade ente eles. O jovem amava música e frequentemente visitava a viúva para ouvi-la tocar, recentemente o jovem teve coragem para tentar aprender algumas melodias no velho piano de cordas desafinadas. Entre conversas, poesias, risadas e chá a casa era iluminada com um ar de felicidade.
    Margot era uma mulher respeitada conhecida por toda a cidade desde os quinze anos como a grande musicista da igreja central. Havia até mesmo tocado na orquestra sinfônica na capital da república, descendo as colinas nebulosas em direção ao litoral.
    Dentro da moradia o jovem Victor encontrava-se tocando, ou melhor, tentando tocar “As Quatro Estações” de Vivaldi. Enquanto o jovem apanhava das notas Margot sentava ao seu lado, tomando um suava chá de camomila e o observando atentamente para orientá-lo.
    Chegando na última linha da partitura o jovem estudante termina feliz por não ter cometido erro de nota durante a longa música, apesar de ter errado o tempo da música três vezes.
    Ao término, o jovem recebeu uma salva de palmas entusiasmadas da sua mestra de música.
    —Meus parabéns Victor, você progrediu muito nesses últimos meses.
    —Obrigado senhora Margot.
    Ela olhou para a janela e viu o sol iniciando a se por.
    —Bem, já são quase cinco horas meu rapaz, estamos tendo dias frios e escuros então é bom que você vá para casa antes que escureça.
    Victor concordou, pegou sua mochila e despediu-se da mulher que o acompanhou até a porta. Após deixar a pequena casa da viúva o jovem foi caminhando pelas ruas pequenas e vazias em direção de sua casa. Ele via aos poucos o sol se pôr e o frio se impor naquele vilarejo entre as colinas.
    Victor ouviu um barulho vindo de uma lata de lixo que tremia, o garoto assustado resolveu passar pela calçada oposta da lata do lixo. Foi quando a trepidou mais e mais, o metal fazia um som ensurdecedor, com a melodia de metal se intensificando lata virou, tombou com violência no chão, a tampa rolou pela rua de paralelepípedos. De dentro da escuridão dois olhos amarelos surgiram um grito desesperado foi ouvido quando um rato saiu correndo por sua vida enquanto um gato de boca espumante logo atrás o perseguia.
    A perseguição foi rápida pois o gato logo conseguiu capturar e devorar o rato. Foi brutal, violento e sangrento. O gato preto olhou para o rapaz, seus olhos amarelos e assustadores o fizeram tremer.
    O gato rosnou para ele e mostrou as garras, parecia que ia atacar, Victor não sabia o que fazer apenas apertou sua mochila, o gato avançou, mas após três passos foi então que um latido foi ouvido. O gato assustado correu enquanto um vira-latas aparecia imponente na rua, era um híbrido de pastor alemão com lobo.
    —Pêssego! —Disse o menino reconhecendo o vira-latas.
    O cachorro parou de latir e reconheceu o menino, abanando o rabo feliz. Victor tirou da mochila que carregava algumas frutas que o cachorro amava comer. O próprio nome “pêssego” foi dado por Victor porque quando ele conheceu o cachorro ele estava roubando pêssegos do mercado da cidade. Foi a primeira vez que ele viu um cachorro preferir frutas.
    O cachorro comeu feliz as frutas.
    —Eu tenho um lanche especial para você! —Disse Victor tirando da mochila um pedaço de frango embrulhando em papel. Era um resto do almoço que ele guardou.
    O cachorro pulou feliz e abocanhou a carne no ar. Satisfeito e alegre o cachorro pediu carinho do menino. Os dois brincaram um pouco quando Victor percebeu que estava quase escuro. Então rapidamente ele se despediu do amigo canino e correu para casa.
    Após dois quarteirões ele avistou a pequena choupana de madeira e palha, na periferia da cidade, uma construção sólida, mas visivelmente pouco favorecida.
    Chegando em casa ele encontrou correndo, sua mãe estava fazendo o jantar, a senhora era muito parecia com o filho, cabelos pretos, olhos castanhos, as poucas distinções era a altura, a idade e o fato dela ser uma mulher.
    —Boa noite mãe. Benção. — O jovem cumprimentou.
    —Boa noite querido. Pode pegar alguns temperos na horta filho? —Disse a mãe cortando cenouras.
    —Claro mãe. —Disse ele colocando a mochila na cadeira.
    Victor foi até a horta na parte de trás da casa, pegou manjericão, alecrim e pimentas. Após encher a cesta ele caminhou de volta para a cozinha quando percebeu que a mãe estava fazendo muita comida. Ele então curioso resolveu indagar sobre a situação.
    —Vai ter alguma festa hoje?
    —Você esqueceu que sua irmã virá para casa hoje?
    Um estalo bateu na cabeça de Victor, sua irmã voltaria para casa hoje, para o feriado prolongado da semana santa. Ela estudava no Instituto Federal na cidade vizinha mais de cem quilômetros de distância, por conta disso ela morava em uma república feminina. Victor ficou animado com a ideia de revê-la.
    —Vá tomar um banho filho. —Disse a mãe sentindo cheiro de cachorro, ela sabia que era Pêssego, aquele vira-latas sempre vinha e matava alguns ratos de pradaria que atacavam as alfaces.
    O sorriso de Victor murchou, ele sabia que não tinha água quente nesse horário devido ao racionamento de luz. A maravilha moderna de energia, quase tão recente quanto água encanada e esgoto interno.
    Resmungando ele foi desanimado tomar seu banho frio.
    ------------------------------------------Horas mais tarde-------------------------------------- -
    Já era quase oito horas da noite quando o ônibus interestadual passou na avenida principal. Victor observou pela janela três pessoas descerem da condução. Caminhavam pela rua deserta carregando mochilas. Finas gotas de chuva ameaçavam cair naquela noite, apenas mais uma noite fria nas colinas.
    Até que as pessoas chegaram até a porta da frente que foi aberta pela mãe.
    Victor desceu as escadas para encontrar sua irmã e outras duas meninas, provavelmente suas colegas de quarto.
    —Victor! —A jovem gritou. Sua irmã Verônica, de cabelos pretos como os dele e olhos azuis, gritou feliz abraçando o irmãozinho. Ela tinha a cor dos olhos de sua avó.
    Ele a abraçou de volta sem dizer nada. O clima era de festa.
    —Essas são minhas amigas Lucy e Anna. —Disse a irmã feliz em apresentar as amigas.
    As duas pareciam adolescentes normais, Lucy era ruiva de olhos castanhos e Anna era um pouco parecida com Victor. Elas ficariam uma semana aqui porque a faculdade fechava durante este período na páscoa.
    Eles foram jantar, a mãe havia feito um ótimo banquete. Verônica e a mãe conversavam de forma despretensiosa enquanto Lucy puxava conversa com ele.
    —Então Victor, em que ano você está? —Disse a jovem.
    —Eu estou no primeiro ano do ensino médio. —Disse o rapaz.
    —Jura? Achei que você fosse mais jovem. —Disse a jovem curiosa.
    —Eu tenho quatorze anos, pulei algumas séries na infância. —Disse mais uma vez o rapaz com certa humildade.
    A garota ficou impressionada chamando-o de inteligente. A conversa foi boa até chegar as dez horas. Victor foi para seu quarto e as meninas dividiriam o quarto de Verônica. A mãe fechou tudo e foi par seu quarto.
    ----------------------------------------------Meia noite----------------------------------- -
    Victor acordou ouvindo um barulho do lado de fora, estava chovendo muito, as janelas do quarto batiam violentamente enquanto o vento uivava. O jovem sonolento caminhou até a janela e a fechou, cansando e com sede ele desceu lentamente até a cozinha quando abriu a geladeira rudimentar e pegou uma caixa de leite. Bebendo calmamente a medida que observava a chuva cair.
    Um raio rasgou o céu e a janela da cozinha abriu sem motivo. Victor se assustou com o barulho, mas rapidamente foi fechá-la, quando se aproximou da janela e a fechou o rapaz percebeu um vulto do lado de fora na chuva.
    “Deve ser aquele guaxinim roubando os temperos novamente! ” —Victor ficou irritado porque ele nunca conseguia pegar o ladrãozinho de hortaliças, nem mesmo Pêssego conseguiu pega-lo. Victor pegou um porrete para assustá-lo e saiu na chuva pelos fundos da casa.
    —Você voltou seu ladrãozinho! — Ele se aproximou do vulto comendo, mas percebeu que não era um guaxinim era uma pessoa abaixada com sangue. Ele ficou preocupado, será que era alguém machucado?
    —Você está bem? —Victor ia se aproximando e tocar na pessoa quando viu o sangue no chão não era da pessoa e sim de guaxinim que ela estava comendo…
    A pessoa ou coisa olhou para ele. Victor sentiu seu sangue gelar com aqueles olhos amarelados e dentes afiados. A criatura se levantou com se não tivesse ossos.
    Victor ficou travado ele por algum motivo não conseguia se mexer, apenas caiu para trás ficando imundo de lama, por conta da chuva, lama e escuridão o jovem não conseguia ver a criatura, apenas percebera que a pessoa estava descalça.
    O indivíduo se aproximava dele, dentes e unhas grandes um olhar homicida, Victor sentia a lama envolvê-lo, ela cheirava a sangue e podridão. A criatura abre a boca e o som faz os ouvidos do garoto sangrarem.
    —Vos terminus est incipiam. Vos moriar. Et mortuus es.
    —O que? —Victor fala baixinho tremendo de medo, a criatura estica a mão, mas antes da criatura tocá-lo Victor ouve-se um barulho vindo de fora do seu campo de visão. De uma moita próxima ouve-se um latido forte, sai um cachorro negro latindo ele voa no braço da criatura que grita de dor balançando o braço. O animal recusa-se a largar, mordendo com toda força, mas a criatura usa a outra mão e enfia as garras no pobre animal.
    O cachorro com a dor larga a mordida e é jogado para longe acertando a cerca com força e se ferindo no processo.
    —Pêssego!
    Victor reconhece o cachorro enquanto a criatura desaparece como se fosse flutuando na escuridão da chuva. O cachorro machucado uivava de dor, o sangue se mistura com a lama do chão.
    O jovem estava machucado também, mas se levantou e foi até o cão que já tinha ficado inconsciente, ele pegou o cachorro em seus braços e caminhou mancando para dentro de casa rezando a oração do pai nosso o mais forte que podia em sua mente, mas sentia que olhos vermelhos o observavam.
    Foi a primeira noite sombria na pequena cidade de Santa Thereza, mas o pobre jovem não sabia quantas mais seu futuro reservava.
    Fim (Por Hora)
  • O Projeto BNA

    Prólogo
    Eu me lembro do primeiro floco de neve que vi cair do céu. Embora muitos não acreditassem em mim quando eu garantia me lembrar de uma coisa que acontecera quando eu ainda era tão pequeno. Eu podia ter uma visão clara daquele momento como se ele tivesse acabado de ocorrer.
    Eu tinha apenas cinco anos, vivia em Brighton, Inglaterra. A cidade em que meu pai havia nascido e crescido. Antes dele, o pai dele e o pai do pai dele também. Meu pai amava tanto aquele lugar que eu também passei a amá-lo. Tanto que não me importei em ter o nome da cidade como sobrenome.
    “Aonde quer que você vá, sempre haverá um pedaço desta cidade com você, Finn Brighton”. Ele me dizia.
    Eu me lembro de tudo o que meu pai dizia, da mesma forma que me lembro do primeiro floco de neve que vi cair do céu. Ele havia sido a pessoa mais importante para mim em toda minha pequena vida em Brighton. Quando eu dizia que ele era a melhor pessoa que eu conhecia ele sempre retrucava dizendo: “Você não diria isso se sua mãe estivesse aqui” e logo em seguida uma nuvem de tristeza cobria seus olhos e os deixava vermelhos.
    Ele havia perdido minha mãe quando eu ainda tinha dez meses de vida. Ele dizia que se eu a conhecesse a teria como heroína ao invés de tê-lo como herói. Ela era a mulher mais forte que ele havia conhecido e a mais bela.
    Mas eu tinha certeza de que quando minha mãe teve que partir ela o fez sem medo, pois sabia que ele seria o melhor pai que um filho poderia ter.
    E ele foi... por seis curtos anos.
    Me lembro da primeira pessoa que vi morrer.
    Me lembro da primeira pessoa que tive que matar.
  • O último portal II Justice

    O Último Portal II:
    Justice































    POR: Carry Manson

    Nota da Autora: TODA TEM SEXTA NOVOS CAPÍTULOS.



    Prólogo

    Vivemos numa Nova Era de paz e harmonia

    diante da bandeira verde e azul de nosso país.

    Por muitos anos, lutamos pela liberdade, sem

    entender o quê isto significava. Mas quando

    a tivemos em nossas mãos, muitos a viram

    com os olhos do arco-íris, que foi a cor que a

    mídia pintou, enquanto outros mantiveram a

    mente cheia de conhecimento, e por total

    consequência a razão. Enquanto os jovens

    em sua maioria, e os adultos fingindo serem

    jovens pulavam, enchiam a cara, e se

    drogavam. Os sensatos, observam o caos,

    e não fechavam os olhos para todas as

    iniquidades cometidas. Felizmente chegou

    o momento em que uma luz brilhou. Ela veio

    em forma de escuridão, todos disseram que

    era coisa das obras ocultas, quando nem

    sequer percebiam, que a sociedade

    atual, era o palco destas

    forças.

    Há algum tempo atrás eu jamais lutaria

    a favor de um ditador, mas agora entendo

    porquês todos alemães adoraram a Hitler.

    Ele veio para salvá-los, da desolação que

    se aproximava, não era uma luta contra

    os judeus, haviam judeus no seu exército,

    mas sim uma luta para salvar o mundo,

    que claramente falhou, pois hoje

    Eles o dominaram.

    Ele era um radical, mas o povo precisava

    de um radical, alguém que fizesse algo por

    eles, e não para si próprio, um louco, cuja

    loucura, aceitando ou não, trouxe muito

    desenvolvimento para a sociedade.

    As mortes foram horríveis sim, inocentes

    morreram é claro, mas nenhuma guerra é

    ganha sem dor e sofrimento, nenhuma

    glória chega antes de sermos

    testados.

    Não podemos mais fechar os olhos para

    o certo, ou o errado. A justiça tem que ser

    feita, para que menos inocentes sofram

    , em nome dos falsos revolucionários,

    pois revolução mesmo, é aquela

    que é benéfica ao individuo,

    e os outros.

    Infelizmente nem todo mundo vê assim,

    e por isso em breve iremos lutar uns contra

    os outros, porquê os filhos das cores, não

    são capazes de ver o planeta, com os

    olhos dos filhos do sol nascente.













    Capítulo 1- O brilho no céu, visto pelos poucos.




    “Depois do ocorrido na floresta, nosso grupo se

    separou. Natasha seguiu com os Filhos das cores, 

    abandonando também ao seu par. Alexandra se

    casou com um humano, e apenas Victória 

    ficou ao meu lado.” Isabelle escreve em seu 

    diário, e sorri para o marido, que ao contrário do

    que se imagina, não está mais dentro de

    Dantas, mas segue com o demônio

    Leviroth, com quem outra vez trouxe ao

    mundo, a pequena Isandra, que antes era

    só um fantasma. Hoje a criança não se

    recorda do quanto já ajudou seus pais,

    mas tem constantes sonhos a respeito

    disso. “Nós trouxemos os demônios

    a Terra naquele dia? Será que eram os

    nossos pais? Ou libertamos o mal?” Belle

    morde a tampa da caneta. Infelizmente

    nem tudo são flores, após abrirem os

    últimos portais, Leviroth destruiu o

    corpo de Dantas, por conta da

    sua energia, e por isso teve de ir para

    o corpo de um amor secreto da Calligari.

    Um garoto por quem nutriu uma paixão

    muito forte, antes do metido a perfeito

    interferir. Seu nome era Bener De La

    Cruz. Um rapaz moreno, magro, de olhos

    castanhos, e pele amarelada, que um dia

    entregou a sua alma a filha do demônio,

    por ter alimentado uma paixão por

    ela, desde que tinha 15 anos. Que aliás

    tinha sido o corpo original do príncipe, mas

    como Isa não percebeu, ele foi obrigado a

    mudar, até ela finalmente o amar.

    Na hora da transferência, a energia do

    par de Isa se tornou tão densa, que o corpo

    o rejeitou de imediato, gerando uma triste

    consequência, Leviroth perdeu da memória

    , ao retornar para a casca vazia, e Isa se

    sentiu solitária sem ele, achando que

    o tinha perdido. Separados ambos ficaram

    sofrendo, Leviroth tentou cometer suicídio,

    e a bela feiticeira se jogou nos prazeres do

    mundo, viciando-se em certas manias

    humanas, que terminaram por

    destruí-la. Ao se reencontrarem, a chama

    ardente se reascendeu de imediato, só que

    o amor, outra vez veio com o tempo, e por

    isso eles tiveram problemas para enfim

    se adaptarem. Após algum tempo Isabelle

    reencontrou Victória, que como os outros foi

    para um caminho diferente, e esta veio lhe dizer a 

     triste notícia. Belliath, também tinha partido naquela

     noite, que elas batizaram como o banquete diabólico, e 

    isso lhe deixou muito triste e abatida. Ao ouvir as lamentações 

    a amiga, a jovem lhe abraça forte, e conta-lhe que passara 

    pelo mesmo, só que teve um desfecho feliz, assim elas 

    passaram a trabalhar nas buscas pelo

     outro príncipe.

    _Olha Belle. Este aqui poderia ser o

    Belliath não acha?

    _Não, não tem a energia forte dele.

    _E este? É sedutor como ele...

    _De fato, mas tem a personalidade?

    _Isa o quê foi?

    Victória larga as fotos estiradas na mesa,

    e se volta para a amiga que se mostra bem

    pensativa, a respeito de algo. Esta para de

    pensar, e olha de forma alheia, como se

    tivesse saído de uma alucinação.

    _Não é nada Vic. São apenas sonhos

    que tem se mostrado curiosos.

    _Como assim? O quê tem sonhado?

    _Lembra que sumiu por uns anos?

    _Eu tinha perdido o meu amado,

    não comece a me julgar!

    _Não estou. É que desde aquela noite

    no bosque, tenho tido sonhos que

    não me deixam dormir.

    _Que tipo de sonhos? E com quem?

    _Um demônio, e é como se Dantas

    fosse ele.

    _Mas tinha um demônio no Dantas.

    O Leviroth seu atual marido.

    _Sim...Porém parece que tinha algo

    mais, dentro daquele mauricinho

    idiota.

    Isabelle respira fundo, e recorda-se do

    último contato que tivera com o namorado

    , e baixa a cabeça. “Você o colocou dentro de

    mim! Sua vadia maluca!” “Ele escolheu

    seu corpo! Eu não tive culpa!” “Ele só

    me escolheu, por sua causa!”. “Eu espero que

    você morra!” Gritou ao ver sua pele se dilacerando,

    no meio da mata, até que se foi. Deixando-a para o

    todo sempre, e então o demônio veio em forma

    de espírito, tentando se agarrar a ela, mas 

    desapareceu diante de seus olhos.

    _Isabelle. Estou falando com você.

    _Oi Vic. Me perdoa, estava lembrando

    dos últimos momentos, em que o

    Dantas foi ele mesmo.

    _Por quê?

    _Porquê ele desejou minha morte.

    _E daí?

    _E se ele foi pro Inferno, e fez um

    contrato para garantir isso?

    _Com o quê tem sonhado?!

    _Com o Anticristo, e ele vem para

    me buscar, todas as vezes...

    _Como um monstro, pronto para

    te arrastar para o outro lado?

    _Como um noivo no dia do seu

    casamento, e eu sou a noiva,

    não uma espectadora.

    Responde recordando-se dos sonhos

    que tem com uma criatura humanoide,

    de olhos verdes, cabelos negros e bem

    longos, de pele pálida, que está sempre

    sério, mas nunca perde a oportunidade

    de está ao seu lado, como o seu par, e

    antes que a converse se prolongue,

    alguém liga a TV do bar, e chama

    a atenção das belas.

    _Caos no novo governo. Isto é o quê

    vemos neste momento! As minorias

    se revoltaram, e pedem pela volta

    dos velhos ministérios!

    _Isto é uma luta pelos direitos

    humanos! Este ditador tem que

    ser derrubado! Senão mais

    gente vai morrer!

    _Jovens e adultos, invadem o

    congresso, para brigar pelos direitos

    dos presos, que estão sendo usados

    , para experimentos científicos.

    _Eles são humanos como eu e você!

    Comem, bebem, sentem frio e medo!

    Precisam de cuidados! Não desta

    opressão maldita!

    _A confusão gera um conflito entre

    militantes da bandeira vermelha, e

    os militares, que tem carta branca

    , para puni-los, caso haja algum

    sinal de violência física.

    _Isso, isso é resultado do fascismo,

    que Vocês seus desumanos, deram o

    apoio! Olhem pra esta foto! Olhem

    pra este homem! Isso parece

    certo pra vocês?!

    Uma mulher grita diante da câmera,

    e mostra a imagem de um sujeito bem

    magro, recebendo agulhadas nas veias,

    num estado deplorável. Ao ver aquilo,

    Isabelle revira os olhos. “Luan Alves

    de Andrade, o cara que estuprou

    7 bebês. Merece até pior que

    isso.” Se recorda da prisão

    do meliante.

    _Depois de tudo o quê ele fez

    com aquelas crianças, este castigo

    é até mediano. Se eu estivesse no

    projeto, o torturaria por total

    prazer.

    _Com certeza. Um ser destes

    nem merece ser chamado

    de humano.

    _É, mas ainda sim, estes cegos

    se reúnem diante do Congresso

    para lutar pelos direitos dele.

    _Sim Belle, a humanidade está

    mesmo perdida.

    _De fato.

    As duas se levantam, pagam a conta

    com código digitais, e vão embora, sem

    perceber que estavam sendo vigiadas por

    um homem de terno e chapéu branco, e

    este sorri, e pega as digitais dos copos

    , sem que o vejam fazê-lo, pois é um

    aparentemente profissional na área.

    “Isabelle S Calligari Marry De La Cruz.”

    É o quê aparece na tela do seu celular,

    junto da imagem da bela, parecendo a

    pior das anarquistas. “Victória Silverius

    S Haster.” É o segundo nome a vim,

    junto da imagem da bela no seu

    estado normal.

    “Elas são perfeitas para o caso.” Ele

    pensa, ao analisar o perfil das duas. Isa

    se mostra um gênio revoltado, enquanto

    que Vic mostra habilidades notáveis em

    trabalhos manuais, e muito carisma.

    “Isabelle é realmente a filha dele.”

    Conclui, desligando a tela.

    A noite...Isabelle digita uma extensa

    pesquisa no notebook, e do nada a sua

    tela escurece, preocupada, ela se cobre

    , e se afasta do aparelho. Dados com

    código são  descriptografados, e

    ela recebe uma mensagem.

    _1508? O quê isto significa?

    _Siga o Coelho Alice.

    _Eu não. É arriscado demais.

    _Você quer respostas sobre o seu

    sonho comigo, e eu posso te dá

    , mas precisa confiar em

    mim.

    _Usando robôs é fácil mesmo

    roubar informações.

    _Eu sei seu nome, e sei onde

    nasceu.

    _Basta ir no Facebook.

    _Eu sei que está roendo a

    fronha com medo.

    _Estudou meu perfil psicológico.

    _Eu sei de coisas que fez no

    sonho, e não teve coragem de

    contar a Victória, por sentir

    vergonha.

    _Algo mais?

    _Sei de tudo o quê já fez.

    _Por exemplo?

    _Suas orgias lésbicas com 6

    anos de idade.

    _Ok. Você venceu. O quê

    quer?

    _Siga o coelho e saberá.

    A tela volta ao normal, e então chega

    um convite para um baile de gala, para uma

    pessoa, em seu e-mail. “Leviroth não me

    perdoaria, mas preciso saber o quê me

    atormenta.” Morde os lábios, ao

    olhar para trás.

    Tomada pela curiosidade, respira fundo,

    e responde para o destinatário. “Agradeço

    a oportunidade, mas estou inclinada a ter

    que recusá-lo.” Envia, e recebe uma outra

    mensagem. “Doce Alice, precisa encontrar

    o Chapeleiro, o quanto antes. Não pode

    recusar.” A dama olha para os lados, e por

    fim escreve outra conclusão. “Tenho medo

    do Tempo. Ele pode não entender.”, E por

    fim recebe a última mensagem. “Farei

    um convite duplo, mas preciso vê-la

    para o chá.” Desta vez a antiga rebelde não

    recua. “Mostre-me o caminho para o Chá.”

    Enfim diz, e as mensagens se apagam

    Restando um convite para o

    casal.

    Com Victória acontece a mesma coisa,

    porém o roteiro é outro. “Sei que deseja

    encontrar alguém que não é deste mundo.”

    Diz a sua frase. “Não ignore este aviso, nós

    podemos te ajudar a encontrar Belliath.”

    Ao ver o nome de seu amado, o seu

    coração salta pela boca.

    _Como sabem de Belliath?!

    _Sabemos tudo sobre você.

    Senhorita Haster.

    _Quem são vocês afinal?!

    _Se queres saber, o caminho para

    a floresta deve seguir, Branca

    de Neve.

    _Não são os caçadores, não é?

    _Somos os mineradores, e

    podemos encontrar ao seu

    príncipe.

    _Os Anões?!

    Victória gargalha diante do computador,

    e leva um pequeno choque na ponta do seu

    dedo, que a faz chacoalhar a mão devido a

    dorzinha nele provocada. “Ai que anões

    irritados.” Pensa, colocando

    o indicador na boca.

    _Não se trata de uma brincadeira.

    _O quê podem me provar sobre

    o meu príncipe?

    _Que Ele a perdeu para anjos

    furiosos, e está entre os

    nossos agora.

    _O quê?!

    _Vá para a floresta, e o verá.

    A tela escurece, e Victória recebe um

    individual, para a mesma festa que Belle

    e Ben foram chamados. Só que enquanto

    no convite de uma está impresso o coelho, 

    no da outra é uma maçã mordida só de 

    um lado.




































































































    Capítulo 2- O baile misterioso




    No dia seguinte... Victória e Isabelle se

    arrumam para a festividade, sem saber que

    elas vão se encontrar no mesmo lugar. “ A

    fantasia certa para cada convidado.” Diz os

    bilhetes, em cima das estranhas caixas

    grandes, cor de ovo, que recebem. “Espero

    vê-la hoje, mesmo acompanhada do Tempo

    , senhorita Alice. Ass: Chapeleiro” É o quê

    o bilhete somente de Isabelle diz. “Logo a

    princesa irá receber o seu beijo, mas o feliz

    para sempre dependerá dela. Ass: Dunga”

    É o bilhete de Victória. Ambas pegam as suas 

    fantasias, e observam, que mesmo as

    respectivas personagens, não precisem de

    máscaras, elas precisaram usar. Ben chega

    do trabalho, e encontra a caixa enviada a

    ele, e pega a sua fantasia de Tempo, que

    vem com um aviso. “Olá senhor tempo,

    pode ter pensado que enlouqueci, mas eu

    preciso encontrar a Alice para o chá.” Diz

    o papel que ele esmaga revirando

    os olhos.

    _A gente já não teve problemas demais?

    _Por favor Leviroth. Eu preciso ir neste

    lugar, há respostas que você não pode

    me dá, não com essa memória.

    _Está bem. Mas se o Chapeleiro tentar

    ficar com você, ele vai conhecer o punho

    do Tempo.

    _Que bonitinho da sua parte, ainda ter

    ciúmes, depois de anos de casados.

    _Eu não lutei com aquele mauricinho

    Idiota, para ficar sem você depois.

    _Disso cê lembra né!

    _E de como você se sentia nos meus

    braços também.

    _Se controla bonitão. Não quero dá

    o Odin para a Isandra tão cedo.

    Diz Isabelle fazendo menção ao nome

    do próximo filho, que terá com o príncipe

    do Caos, e ele a puxa para si, beijando-a

    com intensidade, e deixando-a úmida

    entre as pernas, ao ponto de ficar

    corada.

    _Continuo tendo jeito para a coisa.

    _Continua sendo meio idiota.

    _O idiota que te ama.

    _O idiota com quem me casei.

    _E que vai amar por mais uma

    eternidade.

    _Pode ter certeza que sim.

    O beija, e ele a carrega, pronto para

    lhe tirar as roupas. Mas quando abre a

    sua camisa, e vai em direção aos seios

    dela, Isandra entra na sala, cortando o

    clima quente entre os dois. Sem jeito,

    eles sorriem, e a bela ajeita o cabelo

    para ir pegar a menina.

    _Depois desta festa odiosa...

    _Quando Isandra dormir...

    _Vou te mostrar os prazeres do Sol.

    _Vou ser uma com você como a

    Lua.

    _Agora vai lá com a nossa

    filha. Gostosa!

    Ele diz vendo-a de costas, e lhe dá

    um tapa na bunda, com o olhar safado,

    deixando-a vermelha de vergonha, ao ir

    até a menininha de 5 anos, que corre até

    os braços da mãe, com os olhos brilhando

    de alegria. Ao ver o sorriso da esposa, ele

    se sente realizado, por tudo o quê eles

    viveram, ter acabado tão bem.

    “Eu preciso encontrar a Alice para o

    chá.” Lhe vem a mente, transformando a

    sua face aliviada, em grande mau humor.

    “Como se não bastasse ter que ficar no

    corpo daquele moleque. Agora isso.”

    Pensa com raiva, temendo o quê

    está por vir.

    Sua memória pode ser sido afetada,

    mas não a mente de estrategista natural, e

    esta lhe diz que esta festa não vai terminar

    nem um pouco bem. Porém devido as atuais 

    circunstâncias, ele não pode dizer não a

    sua amada.

    A noite...Eles chegam ao local, é um

    museu antigo, e há muitos homens e

    mulheres bem de vida. Leviroth põe a

    máscara depois de entrar, e Isabelle

    o faz logo em seguida, grudando no

    marido com medo do quê vai ter

    encontrar ali. Infelizmente, assim que

    entram, há pelo menos 5 Alices dentro

    do salão, e quando o demônio se afasta

    para pegar as bebidas, a bela desaparece

    em meio as outras, e é puxada para o

    centro do lugar, onde dança com

    o Chapeleiro.

    _Olá Alice. Fico feliz que veio

    para a festa do Chá.

    _Quem é você? E o quê quer

    exatamente?

    _Você já me conhece dos seus

    sonhos querida.

    _Esta é a pior cantada de todos

    os tempos. Senhor Chapeleiro.

    _Estou falando sério.

    Pega em suas costas, e então aproxima

    sua boca do ouvido da bela, que fica por

    procurar pelo seu par, ignorando o ser

    misterioso, que se irrita, e a aperta

    colando-a em seu peito.

    _Meu reinado se aproxima.

    E a prostituta deve caminhar

    ao meu lado.

    _Que coisa romântica de se

    dizer no primeiro encontro...

    _Você pensa que casou-se com o

    príncipe. Mas também já foi a

    mulher de um Rei.

    _Anticristo?

    _Nesta noite sou só o Chapeleiro.

    Tira a máscara para a dama, e esta que

    já não conseguia respirar, perde o ar por o

    ver ali diante dela, segurando-a nos seus

    braços. Ele era idêntico ao sonho, só

    que neste momento está a sorrir,

    com bastante confiança.

    _Silêncio. Não grite.

    _Por quê está aqui?!

    _Porquê é chegada a hora de

    assumir o poderio do mundo.

    _E o quê isto tem a ver

    Comigo?!

    _Você é a mulher de vermelho,

    e deve ficar comigo.

    _Eu já pertenço a outro ser.

    _Será que é verdade?

    _É claro que é, eu vi a minha vida

    passada com ele!

    _Mas a viu por completo? Acha mesmo

    que alguém como você só teve um

    amor?

    _E o quê sabe sobre mim?!

    _Sei que ajudou a me libertar.

    É a última coisa que diz, dando-lhe um

    beijo rápido, e se misturando a multidão ao

    ver que Leviroth tinha percebido, que a sua

    Alice, tinha uma pulseira negra envolta do

    pulso, que a diferenciava das outras, e

    estava vindo resgatá-la.

    _Vamos sair daqui agora.

    _Está tudo bem meu amor?

    _Ele me beijou!

    _O Chapeleiro?!

    _O Anticristo!

    Berra claramente traumatizada com

    tal encontro, e abraça o marido, sentindo-se

    mole, como se fosse desmaiar de tanto

    nervosismo. Do outro lado do salão, que está

     decorado com árvores semelhante a floresta.

    Victória dança nos braços de um belo príncipe

     com máscara, que fica em  silêncio, até que 

    ele a beija, e esta sente tanto fervor, que 

    não há como negar,

    é Belliath ali.

    _Eu senti a sua falta minha princesa.

    _O beijo foi ótimo, mas como posso

    ter certeza que você é você?

    _Pergunte algo que só nós dois

    sabemos.

    _Como foi a nossa primeira vez?

    _Comigo sendo romântico, ao contrário

    do Roger.

    _Algo mais?

    _Você me expulsou do corpo dele,

    e voltei a ser grosso, mas mesmo

    assim nos envolvemos naquela

    noite.

    _Belliath!

    _O corpo do Roger não suportou.

    Tive mudar, antes que a insanidade

    dele me afetasse.

    _Tudo bem. Contanto que eu

    esteja com você.

    _Sim meu amor...

    Ele a abraça e olha para o outro lado, no

    qual O chapeleiro passa fazendo o sinal de

    que é hora de ir. Ao vê-lo, pede-lhe mais

    tempo, mas o líder nega, e o príncipe

    beija a sua amada com furor, deixando-a

    sem fôlego por alguns segundos, então

    segura em sua face, e olha em seus

    olhos.

    _Eu preciso ir agora.

    _Para onde?

    _Não posso dizer no momento.

    Mas tenha certeza de uma coisa,

    eu vou te achar de novo.

    _Me promete?

    _Sim, fique com isso, é algo

    que tenho esperado muito tempo

    para te dá outra vez.

    _Isso é?

    _Sim, quando eu puder voltar,

    nós iremos nos casar. Diga

    a Isabelle, que mandei um

    “Oi.”

    _Isabelle está aqui?

    _Sim, Ele queria muito vê-la

    , mas não podia se expor.

    _Quem?

    _O Anticristo.

    Responde deixando a amada com o anel de

    noivado, e parte com o Chapeleiro. Isabelle tira

    a máscara, e sai do salão de festas, e já se senta no sofá 

    onde os bêbados deitam, e fica no colo do marido, que lhe

     faz um carinho na cabeça, acalmando-a, pois apesar da

    forma atraente do tal ser, ela está em estado de

     choque.

    _Belle!

    _Vic!

    _Como veio parar aqui?!

    _Recebi um convite.

    _Eita quanta grosseria.

    _Desculpe, eu vim por respostas

    , e acabei por me deparar com

    o meu pesadelo vivo. E

    você?

    _Vim encontrar Belliath, que

    está junto do seu pesadelo

    vivo.

    _Olá Victória, eu também

    estou aqui.

    Diz o demônio erguendo a mão, como

    um aluno na hora da chamada. E é quando

    a bela nota que há mais alguém junto de sua

    amiga, e fica constrangida por ter ignorado

    o coitado sem querer.

    _Oi Leviroth. Desculpe, estava

    tão doida para encontrar a Belle,

    que nem te vi.

    _Depois dizem que não tem um

    “relacionamento lésbico”.

    _Para com isso Levi. Como foi

    reencontrar o Belliath?

    _Foi lindo e perfeito. Do jeito com

    o qual sonhei Belle. Olha só!

    _Nossa trabalhar pro Anticristo

    compensa hein?! Mor será que

    ele me arranja um emprego?

    _Nem pensar. Se você faltar um

    dia, em vez de descontar no salário,

    ele fala que tá no contrato chamar

    a sua esposa para um jantar!

    _Se for como os sonhos que ela

    me contou, é melhor ficarem bem

    longe dele. Ele quer tanto ela,

    quanto você já quis.

    _Já quis? Eu continuo louco

    por essa mulher! E juro que ainda

    quero arrebentar esse cara, por ter

    beijado ela. Aliás cadê ele hein?

    _Se aquieta bravão. Ele correu assim

    que te viu. Não deve mais nem sequer

    está por aqui. O quê significa que: É

    hora de beber!

    _Opa!

    Victória fica no bar admirando a aliança

    que seu amado lhe deu, com tanta alegria

    que nem nota outros rapazes. Já Isabelle

    bebe sem parar, querendo perder a sua

    consciência, para esquecer que tudo o

    quê temia, tinha vindo a tona.

    _Mais um por favor.

    _Já chega Camelinho. Eu vou no

    banheiro, e vamos para casa

    certo?

    _Está bem. Vou chamar, a Vic.

    A bela se prepara para se levantar, só

    que seu corpo está pesado. O efeito da bebida

    é tão forte, que vê tudo rodando, vários Chapeleiros

     caminham pelo salão, e ela não sabe se está alucinando, 

    até que um deles, a ajuda a ficar de pé,  lhe entrega uma carta. 

    Ela rapidamente a abre, percebendo que deve ler antes do marido

    voltar. “Você seguiu o Coelho, e esta é a sua recompensa. Te vejo lá

    , junto da Branca de Neve.” É tudo o quê diz no papel, e dentro do 

    envelope acha um pendrive, que tem esculpido nele a estranha 

    numeração...“1508.” Olha para o drive, e o guarda no bolso. Victória 

    vem ao seu encontro, depois de sair do trem do amor, e a moça 

    logo lhe mostra a carta, e o tal aparelho que veio junto. Ao 

    ver aquilo, a jovem fica estática, e curiosa para entender

     qual é a relação de Belle com o Anticristo.

    _Belle...Você é um imã para demônios!

    _Há há engraçadinha. Deve ter algo muito

    errado comigo isso sim.

    _O quê ele queria com você esta noite?

    _Eu não sei. Acho que me traumatizar.

    _Com um beijo?

    _Qual é. Foi só um selinho. Mas o fato

    de vim da boca dele, é que me assustou.

    _Não foi como quando Leviroth...

    _Não! Eu tenho medo dele!

    _Então não gostou nem um pouco?

    _Eu sou casada. Com o amor da

    minha vida. É claro que não.

    _Eu não entendo Belle. Você e

    Leviroth são almas gêmeas, por quê

    surgiu mais alguém nessa história?

    _Boa pergunta. Ele diz que foi porquê

    Eu fui mulher dele.

    _Mas toda a sua vida passada foi

    Revelada, com a chegada de

    Leviroth.

    _Foi o quê eu pensei, só que ele

    garante que há mais para

    saber.

    _Então no pendrive...

    _Deve ter mais pistas sobre quem eu

    já fui.

    Conclui observando o marido se

    aproximar, então esconde o pendrive e a carta.

    Eles vão para dentro de um Uber, e ali longe dos

    olhos curiosos, a jovem pega o tal papel e

    mostra para o conjugue.

    _Ele não queria que soubesse.

    _Que horas recebeu isso?

    _Foi ainda pouco. Antes de partimos.

    _Ele está te atraindo para alguma

    armadilha.

    _Eu sei, por isso estou te contando.

    _Devia cortar relações com

    esse cara.

    O motorista os observa pelo retrovisor,

    e aumenta a velocidade em que está indo,

    mudando o percurso do caminho de volta

    para casa. Notando a estranha situação, a

    moça olha para o marido, e os dois se

    jogam em cima do motorista.

    _O quê está fazendo?! Pra onde está

    nos levando?!

    _Responda para ela, ou vai acabar

    morto.

    _Por favor não façam nada comigo!

    Ele me obrigou! É a única forma

    de sair! De sair!

    _Você está trabalhando para

    O Anticristo?!

    _Responda ou quebro o seu pescoço!

    _Não! É para O Chapeleiro! Ele quer

    vê-la de novo senhorita Alice da

    pulseira negra!

    _Droga!

    Grita ao sentir o impacto do carro colidindo

    com outro. Leviroth é jogado contra o painel,

    e ela se bate no banco, ficando com

    uma linha de sangue na testa. O Chapeleiro

    entra na parte do passageiro, e pega a moça em

    seus braços, olhando para o rival, que se mostra

    desesperado, por não poder fazer nada, já que sem 

    memória, não sabia como ativar os seus poderes 

    caóticos. Isabelle acorda, sendo carregada pelo

    estranho, e sente o cabelo negro dele,

    caindo sob o seu rosto.

    _O quê, você, quer comigo?

    _Apenas a sua lealdade. Deixei bem

    claro que não devia contar a ele, só

    quê fez, e a consequência foi essa

    querida Alice.

    _Está dizendo que isso, isso é um

    Jogo?!

    _E o quê não é? Tudo se trata de

    ganhar uma recompensa por algo. Até

    um bebê sorri apenas, porquê sabe

    que vai receber um agrado.

    _Eu não sei, qual é, o, seu problema,

    mas juro, vou, te arrebentar!

    Grita usando o seu dom, para jogar um

    poste em cima dele, só que ele sorri, ergue

    a mão, e estala o dedo destruindo-o em mil

    pedaços. Ela entra em pânico, e para de

    reagir, fazendo-o sentir o doce gosto da

    vitória, obtida através do medo.

    _Esqueceu quem tem mais força?

    _Como eu, poderia saber? Nunca

    te vi, na minha vida!

    _Não adianta fingir. Eu provoquei

    aqueles sonhos.

    _Eu não sou, a prostituta.

    _Como pode ter tanta certeza?

    _Como você pode?!

    _Porquê fui eu quem te devolveu

    para este mundo Luciféria.

    “Como ele pode saber que este é o meu

    outro nome?!” Ofega, aterrorizada pelas

    coisas que o sujeito tem conhecimento a

    seu respeito. “É ele. Não há mais nem

    uma dúvida.” Termina, enquanto

    entram em outro carro.

    _Pode respirar. Não vou te fazer nada.

    Pelos sonhos já deveria saber.

    _Eu não estou destinada a você!

    _De fato antes não estava. Mas na

    hora que alterei o seu destino,

    passou a ser.

    _Por quê eu?! Com tanta mulher no

    mundo, muito mais bonita. Por quê

    tem que ser eu?!

    _Porquê foi você Isabelle, quem

    Eu escolhi, e não há anjo ou demônio

    que possa impedir, o quê agora nós

    somos um para o outro.

    _O pesadelo e uma bruxa que

    quer fugir dele?!

    _Um só espírito. Uma só carne.

    Uma única...

    _Eu sou a Alma Gêmea de Leviroth!

    Lúcifer nos revelou isso!

    Esbraveja, horrorizada pela palavra que

    ia sair da boca do poderoso homem. “Isso

    não pode ser verdade. Não pode! Eu amo

    Leviroth! Como nunca amei ninguém

    antes!” Suas mãos tremem sem

    parar.

    _Não é mais. Agora é a minha.

    _E a Minha opinião sobre isso?

    Eu não te dei permissão de

    se tornar meu par!

    _Não deu nesta na vida. Mas na

    outra foi apaixonada por mim, de

    tal forma, que governou o Egito

    ao meu lado.

    _Eu sempre fui do Leviroth.

    _Defina sempre. Porquê até onde

    Eu sei, nós passamos um bom

    tempo juntos.

    _Escuta aqui. Ôh falso messias do

    caralho. Eu já fui encantada por um

    demônio, e ele usou a sua mesma

    jogada. Por isso não vou cair...

    O belo se debruça em cima dela, e a

    beija, segurando-a com firmeza. Desta

    vez ela luta para se livrar dele, não por

    não resistir, mas sim porquê só é

    capaz de pensar em Leviroth,

    neste momento.

    Não é como da outra vez, em que o

    toque do demônio, a fazia ir as nuvens, e

    se sentia culpada por desejá-lo. Ela sente

    total desespero, desgosto, e desprazer

    em tal atitude, por isso o morde bem

    forte, ao ponto de sangrar, só que

    isto o faz rir.

    _Aposto que ele nunca calou sua

    boquinha desta forma.

    _Eu sou casada! Com o amor da minha

    Vida e existência! Encoste em mim de

    novo, e eu vou...

    _Vai o quê?! Me morder como uma

    gatinha assustada que é?!

    _O quê eu fiz para merecer isso?!

    _Me soltou para o universo.

    _Eu nem me lembro disso!

    _Não lembra porquê faz muito

    tempo, mas desde daquele dia eu

    soube que era perfeita, e que a deusa

    mãe a tinha feito para mim...

    Se recorda da menina ruivinha, que foi até

    o Tártaro, e o libertou para o cosmos. “Você

    sabe que posso destruir o universo?”

    “Sim, sei, e eu quero que faça isso, é uma

    forma de me agradecer.” Ele a vê lhe dando as

    costas, então seus olhos ficam fixos na miniatura

    da Rainha da terra do não retorno. “Um dia ela será

    a minha rainha.” pensa ao escapar, virando-se para 

    trás, só para ter certeza de que vai ver a criança

     maldosa outra vez, mas esta já tinha

    desaparecido.

    _Eu me apaixonei por você naquele dia.

    _Pelo que me disse eu era uma criança

    , uma criança bem estúpida por

    sinal.

    _Sim era. Mas aguardei ansiosamente

    , até que crescesse, só que quando fui

    lhe buscar, o seu coração já tinha

    sido tomado por Ele.

    _Não foi tomado. Eu o dei para ele.

    _Foi tomado sim. De mim. Eu deveria

    ter sido o seu par, não aquele idiota

    do príncipe.

    O ódio e a mágoa nos olhos do belo

    estranho, são bem visíveis, e dão fortes

    calafrios na jovem mulher, que não se

    sente nada a vontade, na presença

    da ilustre figura.

    _Se isso é verdade, por quê Lúcifer

    nunca o mencionou!? Ou te vi na

    hora que despertei?!

    _Lúcifer apoia sua união com Leviroth,

    e por culpa pelo o quê um dia sentiu por

    mim, você apagou nossas memórias.

    _História bonita! Mas eu sempre fico

    com Leviroth, por quê insiste!? É

    óbvio que a deusa mãe não

    me fez pra ti!

    _Porquê Eu quero você. Tanto que

    roubei as tábuas do destino, que a tal

    deusa destinada a mim, um dia pegou

    do deus aquático, e lá escrevi que é

    para sermos um só.

    _Você é louco.

    Ele se prepara para responder, porém antes

    que o faça, é atingido por um dardo na nuca, e

    desmaia. Preocupada com quem possa ser, ela

    empurra o corpo dele, se rasteja para fora do

    carro, pronta para correr, antes que a

    peguem também.Ele se prepara para responder, porém antes

    que o faça, é atingido por um dardo na nuca, e

    desmaia. Preocupada com quem possa ser, ela

    empurra o corpo dele, se rasteja para fora do

    carro, pronta para correr, antes que a

    peguem também.













    Capitulo 3- Mais mistérios no ar.




    A moça passa por trás do carro, e aumenta a velocidade 

    de seus passos, correndo para longe do veículo, antes que

    seja atingida como o homem que a sequestrou. Os seus

    cabelos esvoaçam ao vento, é evidente que há medo

    em seu olhar, ela precisa sair dali, pois como 

    nas outras vidas, os inimigos são 

    perigosos.

    _Isabelle S Calligari De La Cruz.

    _Como sabe o meu nome?

    _Não há tempo para responder.

    Venha comigo.

    _Socorro!

    Um ser alado levanta voo, pegando-a em

    seus braços, e este a coloca dentro de um carro

    em movimento, através do teto solar, e entra logo

    em seguida. A morena olha para os lados, e vê que

    o marido, está recebendo os cuidados médicos

    logo a frente, e se não estão tentando-a

    lhe separar dele, inimigos não

    devem ser.

    _Para onde estamos indo?

    _Logo irá saber senhorita Calligari.

    _Por quê estão nos ajudando?

    Quem são vocês?

    _São respostas que logo irá obter.

    Mas antes há outras pessoas

    a serem encontradas...

    Responde-lhe o anjo, com um sorriso, e lhe

    aplica um sonífero no pescoço, que a faz desmaiar

    em seu ombro. Não permitindo-a vê-lo, e talvez o

    reconhecer de algum lugar. O carro segue a

    viagem, e entra num túnel, no qual

    desaparece. Olhos se movem, ainda fechados, e se 

    abrem em sincronia, outra vez As 4 fases da Lua está

    reunida, porém uma integrante não está presente, e 

    esta é Natasha, que neste momento lidera as atuais

    tropas da bandeira vermelha, por ter sido uma

    dos convertidos em Filhos das cores.

    _Onde estamos?! Belle?! Victória?!

    _Alexandra?! (Dizem em uníssono)

    _O quê aconteceu para virmos 

    parar aqui?! Horácio?!

    _Alexandra? Está tudo bem meu

    amor?!

    _Isabelle...Isabelle não vá com ele...

    Leviroth parece ter pesadelos, e a sua

    amada, pula do sofá negro, correndo para 

    acordá-lo, e antes que haja mais confusão, 

    o agente que salvou a Senhora De La 

    Cruz, caminha no meio da sala.

    Ele é pálido como a lua, tem olhos azuis,

    e cabelos negros curtos. Apesar da roupa de 

    agente de elite, este não se mostra muito 

    formal, e se escora na beira mesa, 

    atraindo a atenção deles.

    _Olá para todos.

    _Isso daqui não é um dos jogos

    mortais não é?!

    _Alexandra isso não tem sentido!

    _Garotas...

    _Ué é Belle, os caras não nos deixaram

    ver como se chega aqui. Preciso saber

    se estamos em perigo.

    _E você acha que eles nos diriam?

    _Ninguém está em perigo aqui.

    Não ainda pelo menos.

    _Viu como foi bom perguntar?!

    _Seria melhor não saber.

    _Vocês foram convocados, porquê

    precisamos da sua ajuda.

    O agente revira os olhos, e os rapazes ficam

    analisando aquilo friamente. Tentando saber a

    onde isso dará. Sabendo que as palavras não

    serão o suficiente, o rapaz liga a TV LCD atrás 

    dele, e mostra as imagens do fatídico dia

    do banquete diabólico.

    _Não! Algo deu errado! 

    _Leviroth! Leviroth! 

    _Sua vadia! Espero que morra!

    _Victória ele quer o controle 

    de volta! Não vai dá!

    _Belliath! Não!

    _Samalast! 

    _Alexandra!

    _Não confie neles Natasha!

    _Meu amor!

    Vários corpos ficam atirados ao piso sem as

    suas órbitas, como se tivessem queimado por

    dentro. As 4 bruxas olham para os cadáveres,

    e ficam em estado de pânico, sem saber o

    quê fazer. Forças obscuras saem de dentro do

    tal portal, dando gargalhadas, por enfim ficarem

    livres de suas prisões. Elas giram entorno das

    feiticeiras, até por fim irem para cima

    delas, fazendo-as berrar em

    desespero.

    _Sim nós sabemos o quê fizeram.

    _Éramos jovens, não sabíamos que o 

    resultado seria este! 

    _Só queríamos ver nossos pais!

    _Eu só queria saber se real!

    _Sim, sabemos disso. Se acalmem.

    _Eu não matei o Dantas.

    _Eu não mandei o Roger pro

    hospício.

    _Eu não destruí o meu namorado.

    _Não exagerem. Nisso são culpadas.

    Diz o moreno, e Isabelle fica irritada com

    a atitude fria dele. Por isso se levanta e vai

    ao seu encontro, pronta para bater nele

    se preciso, afinal de contas tinha sido

    um idiota, e merecia uma bela

    correção.

    _Como você ousa dizer isso?!

    Não vê o estado em que elas

    estão?!

    _Pensassem nisso antes de querer

    brincarem de Deus. Luciféria!

    _Como sabe o meu nome real?!

    _Não importa. Me perdoe eu

    fiquei nervoso.

    _Como sabe disso?!

    _Ele sabe porquê é um arcanjo

    Izzy.

    Diz Leviroth os separando, antes que ele

    se matem ali mesmo. Porém quando vê o

    rosto do agente de perto, de imediato o

    reconhece, e isto o faz ficar catatônico,

    e implorar com o olhar, para que não

     diga nada para Isabelle.

    _Um Arcanjo?!

    _É. Um dos que te levou para o céu.

    _Isso mesmo. Eu quem te assassinei

    na outra vida, para impedir que

    abrisse outro portal.

    _Agora que não confio mesmo em

    você! Pior que os Filhos das Cores 

    é a tua raça!

    _Calma Izzy.

    _É a mesma que a sua. Então cuidado

    na hora julgar. Eu abri minhas asas e voei

    contigo, pensou que fosse o quê?

    _Eu sou diferente! Eu sei lá um

    mutante?!

    _Já chega vocês dois.

    O marido a leva de volta para o sofá, e

    olha para trás, o ser alado agradece com

    gestos, e o demônio olha com indiferença,

    sentando-se junto da esposa, que ao se

    ajeitar, o encara com raiva latente.

    _Não estou aqui para achar um

    culpado, e sim uma solução.

    _Como se Lúcifer ou Satã fossem 

    nos permitir, ajudar anjos imundos 

    como você.

    _Eu permito, e aliás sou um só.

    Diz um homem tão louro, que parece ter

    sido coberto pela luz mais radiante do mundo.

    Ao vê-lo Isabelle cai para trás, e Victória fica

    de queixo caído. Junto dele vem Belial, e

    o deus sumério Enki, agora batizado

    como Leviatã.

    _Papai?

    _Eu e Victória somos irmãs?!

    _Não entendo por quê estão tão 

    surpresas. Já os viram antes.

    _Venham cá, dá um abraço minhas

    princesas queridas.

    Lúcifer abre os braços,  tornando-se agora 

    um belo moreno de olhos vermelhos, e com o

    par de chifres exposto, e Victória corre para

    abraçá-lo. Isabelle fica congelada ali, sem

    se mover, e por isso o pai vai ao 

    seu encontro.

    _Ainda bravinha e ciumenta não é

    Luciféria?

    _Só estou assustada. Foi me dito que

    um dia herdaria o seu reino, e a 

    Vic o reino de Satã.

    _ E ambiciosa, como o pai...

    Confundiram as suas mentes minha

    Princesinha. Ninguém vai herdar reino

    algum, porquê sou eterno.

    _Que animador...

    _Mas você e Victória, tem os seus

    próprios, que foram feitos com muito

    carinho pela sua amada mãe Lilith.

    _Então ? 

    _Vocês não são só princesas do

    Caos. São rainhas de reinos

    distintos.

    _Interesseira!

    O agente tosse, chamando a atenção de

    Isabelle, e o imperador do Caos, ri daquilo

    notando o raio que está saindo dos olhos de

    ambos, que estão se fulminando sem parar,

    como se houvesse alguma história, por

    trás de tanto ódio mútuo.

    _Algumas coisas nunca mudam...

    _Não, não diz...

    _Não diz o quê? Estrupício de asas?

    _Não é Miguel?

    _Ela vai me matar agora.

    _Miguel? Arcanjo Miguel?!

    _Isso mesmo querida.

    A bela de imediato se afasta, e Victória e Alexandra vão 

    atrás dela. Miguel e Lúcifer discutem um com o outro. “Não 

    tínhamos combinado que ela não saberia?!” “E te dá a chance 

    de desgraçar a vida dela de novo?” “Eu nem queria voltar a me

    envolver com aquela maluca! Estou trabalhando aqui contra

    a minha vontade!” “Não pareceu isso Nergal.” “Dá pra parar

    de entregar meus nomes de bandeja?” “Então pare com a

    sua procura, por motivos pra discutir com Ereshkigal, 

    foi assim que começou da outra vez.”

    _Belle está tudo bem?

    _Parece que cê tava certa...

    _Eu tô bem Vic, e concordo Alex.

    _Vai conseguir fazer a sua missão com ele?

    _Ele não parece muito interessado em voltar,

    então pode ficar fria.

    _É, eu vou ficar calma. Não é nada demais.

    Olha para o agente que continua a brigar com o irmão,

    que segue gargalhando, zombando das desculpas do pobre

    , que se mostra incomodado com as alegações. Seu olhar de

    medo, se cruza com os da jovem, e ambos ficam parados,

    totalmente desconsertados. O Anticristo não tinha lhe dito 

    mentiras, ela realmente teve outros pares, e o arcanjo era um 

    deles, mas como o seu amor por Leviroth era maior, ela fingia

    que não existiam. Ele passa a mão no cabelo cortado, e por

    fim respira fundo, indo ao seu encontro. Ao chegar as

    amigas o observam como leoas prontas para

    avançar.

    _Me perdoe. Eu só fiquei irritado por

    falar mal dos anjos.

    _Tudo bem.

    _O quê aconteceu no passado, fica enterrado lá.

    _Concordo plenamente com você.

    _Podemos trabalhar juntos?

    _Certamente.

    Apertam as mãos como adultos maduros, e ele se 

    distancia, recompondo-se, após engolir a verdade seca,

    que lhe dói a garganta. “Fica no passado.” Olha para ela

    e Leviroth juntos, sorrindo um para o outro. “Enterrado

    lá.” Fecha os olhos com tristeza, e se esforça para 

    fingir que está tudo bem.  

     Olha para ela

    e Leviroth juntos, sorrindo um para o outro. “Enterrado

    lá.” Fecha os olhos com tristeza, e se esforça para 

    fingir que está tudo bem.

    _Todos reunidos. Agora podemos seguir adiante.

    O agente começa a descrever por quê cada um foi

    convocado ali. Contando toda a história que veio dá 

    origem, a esta estranha união entre iluminação e 

    trevas, com o auxílio de slides. “É dito na bíblia 

    que após a queda dele, escuridão e luz não devem 

    se misturar. Mas dado as tristes circunstâncias em que

     tanto anjos quanto os demônios, estavam a mercê da 

    extinção não tivemos outra escolha, senão nos

     juntarmos.” Inicia, com

    o olhar fixo no nada, e mostra imagens da luta

    entre o céu e o inferno. “Eles queriam paz, e nós

    a guerra porém ambos utilizamos os mesmos meios 

    para isso, e foi assim que o libertamos.” Mostra a 

    imagem do Chapeleiro para todos, e a filha de 

    Lúcifer sente um incômodo. “Todo o nosso ódio e

    mágoa, nos deixou tão cegos, que nem percebemos

    quando ele se apossou de nossos mundos, e quando

    voltamos a razão, era tarde demais.” Mostra o paraíso

    devastado, e o inferno dominado. “Por muitos séculos

    vagamos sem um lar, até acharmos este planeta no

    qual nos estabelecemos.” Mostra a chegada dos 

    Anunnakis e os reptilianos, e como eles se

    desenvolveram. “Haviam alguns conflitos vez ou 

    outra, pois somos como água e óleo. Mas nós criamos

    uma bela comunidade, tanto para anjos, quanto para

    os demônios.” Aponta para o Egito, e demonstra os

    deuses, mas não há bons ou maus, apenas os

    iluminados, e os obscuros. “Infelizmente ele nos

    encontrou. Meu povo foi escravizado outra vez, e os

    demônios se curvaram para ele, para sobreviver. Só

    restou um punhado de anjos e demônios, seguros

    do Pacto de Harmonia.” Ele mostra os seres de

    amaduras vermelhas, se curvando para o 

    ser. “Ele é aparentemente só um garoto, mas não

    se enganem, seu poder era tão grande, que o próprio

    pai, tentou devorá-lo, para o impedir de reinar.” As

    cenas agora se passam na Grécia antiga. O garoto

    é um homem agora, que domina as terras sombrias

    , e o Olimpo. Sim ele é Zeus e Hades, mas em 

    períodos diferentes. Pois o verdadeiro Zeus é o

    próprio Lúcifer, renascido após ter sido preso pelo

    próprio filho, quando era o Titã Prometheus. “Você

    será jogado na Terra do não retorno.” Diz-lhe o titã. 

    “Eu voltarei, e tomarei o trono de ti outra vez Zeus.”

    Declara o inimigo. “Dizem que Perséfone é assim.

    Mas esta foi uma forma que propagamos para 

    garantir a segurança dela.” Ele olha para

    o anjo das bruxas.

    “Só que a sua verdadeira forma é essa.” Surge o

    retrato da deusa, e as bruxas se viram para Isabelle

    , que fica transtornada com aquilo. “É idêntica a ti.”

    Diz Victória fascinada com isso. “Tem até as suas

    Tetas.” Alexandra brinca, e a jovem se cobre

    com os braços. “Ao contrário do quê os humanos

    dizem, Koré não era uma virgem, e tão pouco estava

    livre naqueles tempos, tinha um relacionamento 

    com Thanatos, sob a alcunha de Macária, e com ele teve um 

    bebê. Algo que enfureceu  bastante o

    deus dos infernos gregos, e por isso 

    ele a tomou para si.” O rapto da deusa, é mostrado

    em obras de artes, que não condizem com a sua forma

    verdadeira. “Os humanos inventaram também que a deusa

    Afrodite, era um equivalente de Inanna, a deusa mesopotâmica

    , e que esta tinha descido ao Inferno, apenas para rever o seu

    amante Adônis.” Imagens de Afrodite e Adônis surgem na

    tela. “Mas como devem saber, assim como a descida dela, a

    sua identidade também é uma mentira. Esta é a antiga forma

    dela.” A imagem da deusa é idêntica a Victória. “Isso explica

    porquê sempre acreditou no amor, mais que todos.” Diz

    Isabelle. “Ou porquê teve tantos namorados.” A outra

    bruxa brinca. “Afrodite não nasceu da espuma do mar, esta

    é uma metáfora, que esconde o seu outro nome Despina. A

    deusa renegada.” Segue contando a história sem muito

    interesse. “Ao contrário do quê a humanidade prega, ela não

    foi deixada para trás, porquê Deméter era má, ou por ser fruto

    de um abuso. Mas sim porquê Despina compactuou com os

    titãs, na guerra, para roubar o trono de Perséfone, a sua

    irmã mais velha.” Victória se sente triste, mas Isabelle segura

    sua mão, dando-lhe apoio. O quê ocorreu naqueles tempos, é

    para ser esquecido, pois hoje em dia são melhores amigas. “

    E foi assim que garantiu que Perséfone fosse levada

    ao Inferno.” Prossegue. “Despina teve orgulho de seu ato

    cruel, até sofrer as consequências. Deméter ficou desolada pela

    perda da filha, e por esta razão esqueceu dos outros filhos, não

    se importando com nenhum deles, exatamente como quando

    a caçula nasceu.” Ao ouvir aquilo Isabelle fica de queixo

    caído, pois nas suas visões em que tinha uma irmã

    , esta parecia ser muito mais amada. “Hera não queria deixar

    que Deméter fizesse um acordo para devolverem a filha. Afinal

    de contas, ela era o pilar de Despina neste plano, pois tudo o

    quê desejava, era fazer a sua rival sofrer, por tira-lhe o

    amor de Zeus.” Ao verem a história, as irmãs se entreolham,

    e lembram das vezes que viam sobre Ninlil e Inanna, que

    desde o principio queria o amor de Enlil, mas como este era 

    da irmã, ela ficou furiosa. “Me perdoa Belle.” Victória se

    sente incomodada, e chora, abraçando a sua 

    irmã. “Esta tudo bem. Nos preparamos para este dia Vic, ou

    esqueceu de como foi que nos conhecemos?” A dama ri, e a 

    moça fica sem jeito. “Despina se arrependeu, e foi até

    Hades, desfazer o acordo, mas o deus tinha se apaixonado 

    pela deusa, e não a queria deixar ir, pois temia que nunca

    mais voltasse.” Isabelle sente uma dor na garganta. “Triste

    pela derrota, a deusa renegada caminhou sem rumo, até cair no

    mar, e se encontrar com outra divindade, que estava morrendo em

     meio a tantas guerras e desavenças.” Surge a primeira Afrodite 

    celestial, sentindo-se fraca. “Me perdoe. Eu não sabia que meu ódio 

    poderia causar tantas desgraças.” Implora o perdão da deusa, esta sorri 

    e toca em seu rosto, puxando-a para perto. “Este é o meu fim Despina.

    Por tua causa, Eu o Amor estou morrendo, e é por isso que precisa

    consertar o teu erro.” Disse-lhe a deusa a beira da morte.

    “Como? Se tudo o quê consigo fazer é congelar e destruir o quê a

    minha mãe cria.” Chorou a menina de cabelos brancos e rosto jovem.

    “Através do amor minha querida. Através do amor.” Disse-lhe com

    as mãos em sua face, e a beijou calorosamente, preenchendo o

    frio em seu coração, com tanto calor, que seus cabelos

    mudaram de neve para vermelhos como as

    rosas. A luz brilhou, e por fim ela saiu das espumas renascida, a

    velha Despina, amargurada e louca por destruição tinha morrido, e

    dado espaço para a segunda Afrodite, que faria o quê estivesse ao

    seu alcance, para salvar a sua irmã do marido. “Despina não foi a

    única a receber o beijo de uma deusa, que lhe deu novos poderes.

    Koré também tinha passado por este processo, e por isso sua irmã

    se sentiu tão mal.” O anjo explica, e Isabelle fica

    a se questionar.

    _Perdão mas está errado. Eu vi o meu passado.

    Eu era a invejosa, não Despina.

    _Até onde exatamente você viu? Na infância sim,

    teve suas razões para detestar a sua irmã, pelo tipo

    de carinho que Deméter dava a ela. Mas depois que

    ficou mais velha, e recebeu a graça de Nyx, sua

    mãe teve muito orgulho de você.

    _Sim, mas Despina era mais amada e 

    querida.

    _Não, quem te disse isso?

    _Uma bruxa chamada Ariadna.

    _Ela mentiu para você. Sempre foi muito amada

    por seus pais, por ser a primeira filha deles, e mesmo

    achando que não, eles te deram tudo o quê podiam

    , para te fazer feliz. Só que o fato de dividirem 

    este amor com Despina, que te deixou

    tão chateada.

    _Mas Ariadna...

    _Claramente não é de confiança.

    Responde e prossegue ignorando os outros apelos. “Eu disse que

    nós duas fomos bem amadas.” Resmungou Victória com alegria, por

    saber que não deixou sua amiga sofrer. “Para chegar no lar

    do deus do submundo. Afrodite foi até a deusa Tétis, e pediu-lhe

    para levá-la ao fundo do mar. Para assim chegar as águas,

    que passaram pelo Tártaro.” Contou a história, e como já era de

    se esperar, Tétis tinha traços idênticos aos de Alexandra, que fez logo

    um sinal, para que as irmãs se calassem. “Em várias culturas, estas 3 deusas

    foram muito conhecidas, e como ambas tiveram domínio do submundo, logo

    formaram a egrégora de Hécate, que deu origem ao surgimento de uma

    nova deusa na mente humana.” Eis que aparece a imagem da deusa

    de três cabeças. “Afrodite, representava a jovem. Tétis a mulher,

    e Perséfone a anciã, por herdar o poder de uma titã.” Mostra a estátua,

    e aponta para o símbolo lunar na cabeça da deusa. “Esta imagem das três

    fases da lua, foi muito presente nas culturas, e suas histórias se repetiram,

    fazendo-as serem conhecidas por outros nomes. Por isso é muito comum

    , encontrar deusas equivalentes.” Diz  apontando

    para as deusas semelhantes, de outras culturas, e Isabelle ergue

    a mão, o fazendo revirar os olhos, por temer que isso

    gere uma nova discussão.

    _Sim Isabelle pode falar...

    _O meu equivalente nórdico é a Hel. O quê não coincide

    em nada com a Perséfone.

    _Não coincide com o quê os humanos sabem, mas você

    é como uma segunda Nyx, portanto faz sim sentido.

    _Se diz...

    Ele sorri forçadamente e prossegue com as explicações. Sabendo 

    agora dos seus reais poderes, que vão além dos 4 elementos, as jovens 

    são conduzidas para fora da sala, e levadas até o ginásio, onde uma das

    belas tem uma surpresa devastadora. “Você é minha agora.” Se recorda

    Victória, ao ver um belo homem de cabelos longos e negros, pálido, e

    de olhos azuis escuros, que está com o olhar vazio de um

    assassino mortal.

    _Com licença, mas o quê ele faz aqui?

    _Ah, perdão Victória. mas devido

    ao seu poder como Despina, você deu

    origem aos seres vampíricos, e por isso

    Gabriel, irá te ajudar a manipular os

    seus dons.

    _Nunca odiei tanto o fato de ser vampira.

    _Vai dá tudo certo. Você e Bóreas se

    separaram, já faz alguns séculos.

    Ele segura em seu ombro, e a empurra para os braços do irmão, lhe

    deixando, numa bela saia justa. Alexandra, e Horácio são chamados pelo

    anjo Salatiel, e ao ver este a jovem da moda caveira, cospe a água que usou

    para se acalmar, por encontrar o aparentemente ex ali. Vendo-a ali, o loiro

    de olhos verdes, sorri e acena sem más intenções, mas esta não retribui e

    sai correndo até Isabelle. “Eu não sei quem vai te ajudar. Mas você não

    me deixar sozinha com aqueles dois.” Aponta para os alados, e

    Belle arregala os olhos, puxando-a para o canto, onde

    conversam baixo.

    _Pelo visto não sou a única “ferrada” aqui.

    _Para de brincar Belle. Sabe como me sinto como

    sobre isso.

    _A gente teve tempo para se preparar, mas fomos

    ingênuas. Agora é respirar fundo, e trabalhar

    com eles.

    _Como você está sobre Miguel?

    _Bem ué. Eu temi a toa, ele me quer tanto

    , quanto eu quero peixe.

    _Detesta mais que a própria vida?

    _Exatamente.

    Ri e o arcanjo ouve aquilo com desgosto. “Sem querer

    interromper esta conversa, mas é hora de ir.” Ele chama

    a bela, e a pega pelo pulso, afastando-a da amiga. “Eu sou

    adulta.” Diz de má vontade. “Então haja como tal, e não

    se atrase para a sua aula.” Ele a arrasta, e ela se solta.

    “Eu não vou. A minha amiga precisa de mim.” Ela

    volta para Victória, que está pálida.

    _Ela vai ficar com o Gabriel. Você sabe o quê

    eles vão fazer, e não vão se matar.

    _Ela está noiva de Belliath!

    _Ah é? É costume da família dormir com outro

    no noivado. Vamos embora.

    _Não tínhamos parado de brigar?!

    _Tínhamos. Até você fofocar com a sua 

    amiga, que me odeia mais que a comida

    que detesta. Sendo que eu só te salvei

    , daquele maluco.

    _E não é verdade?! 

    _Só porquê eu disse que te acho maluca.

    Não quer dizer que te detesto.

    _E o quê quer dizer então?!

    _Que você é louca oras. Agora larga ela,

    seu marido e eu iremos te treinar.

    O anjo a afasta outra vez, e Victória fica com os

    olhos arregalados, sentindo Gabriel vindo por trás

    dela. “Vamos treinar. Preciso te ensinar a arte da

    caça.” Sussurra em seu ouvido, segurando em

    seu pulso, e inspirando a pele do seu 

    fino pescoço.

    _Eu sou noiva de Belliath.

    _Sua irmã era noiva do meu irmão.

    _Corta essa, eu sei que é filho de Bael.

    _Não sou. Bael foi um tio amável que me

    reconheceu, até se tornar Deus, e agir

    como tal.

    _E eu devia ter pena?

    _Não. Mas devia se lembrar, que nem

    sempre conseguiu resistir a mim.

    Responde dando-lhe um beijo no pescoço, que

    a deixa arrepiada. Mas para disfarçar, ela o segue e

    pega a luva de garras. Isabelle caminha ao lado do tal

    arcanjo, e entra na sala de tiro. Leviroth está acertando

    até os menores alvos com exatidão, e para não ficar

    para trás, Miguel pega uma arma, e também 

    atira, como se os dois competissem.

    _Preste atenção Isabelle.

    _Fique em silêncio e calma.

    _E se não conseguir... Apenas pense

    em algo que odeia.

    _Verdade. Imagine o prazer de atirar na

    cabeça deste ser.

    _Mire na garganta para acertar o alvo.

    Os dois atiram na mesma direção e acertam. A dama

    fica de queixo caído, e se afasta pelos raios produzidos 

    pela tensão deles. Mas Leviroth a pega por trás, e lhe

    dá uma arma para treinar. “É a sua vez amor.” Ele

    diz e lhe ajuda a mirar. Ao ver a bela, sendo

    guiada, o agente se incomoda.

    _Eu preciso tomar um ar.

    _Eu cuido das aulas.

    _Por mim tudo bem.

    _Até mais.

    O agente acena de má vontade, e sai do local, não

    querendo mais ver aquilo. Leviroth ri e abraça a esposa,

    dando-lhe um beijo caloroso. “Alguém se chateou.” Ri da

    dor do rival. “Se chateou? E você não perdeu a chance

    de piorar as coisas.” Ela brinca, e ele volta a lhe

    pegar pela cintura, encostando-a na

    parede.

    _É evidente que ele quer lembrar os

     velhos tempos.

    _Não quer nada. A gente se detesta.

    _Vai por mim, sou um espécime masculino.

    Ele não te olha com desprezo.

    _Acho que você está paranoico.

    _Não estou. Você pode não ter se preparado

    para este momento, mas eu sim.

    _Foi em vão. As chances de eu ficar com Miguel

    , são iguais a gostar de peixe.

    _Você já comeu peixe 3 vezes Izzy.

    _Comer, não significa gostar.

    _Mas que quis experimentar. Eu sei que disse

    que te deixaria ir, só que não vou fazer isso

    sem lutar, ok?

    _Você não precisa. Já me tem há mais de 9

    anos.

    Diz beijando-o com fervor. Tomado pelo medo de

    perdê-la, ele a carrega, segurando-a com força, e com

    vontade. Seus lábios vão para o pescoço dela, passando

    a língua com todo o desejo de sua licantropia, e lhe

    descendo as garras pela costa, por dentro do

    seu vestido já aberto.

    _Podem nos ver...

    _E isso importa? São adultos. Vão ignorar.

    _Você é um louco.

    _E você ama isso em mim.

    Ele abre as calças, e a deixa de joelhos. “Prove que

    é minha.” Coloca-lhe no piso, e ela se ajoelha. O órgão

    está rígido, apontando para o céu, e a bela o abocanha

    com as mãos para trás, enquanto ele lhe acaricia o

    topo da cabeça. Há tanta sede nela, que sua

    boca transborda saliva.

    _Você é minha?

    _Sim.

    _Somente minha?

    _Sim.

    _Então mostre-me o quanto me ama.

    Ela faz movimentos com a língua, saboreando seu

    membro, como um picolé encontrado no deserto. No

    entanto quando se cansa, o morde, e arranha o seu

    peito, erguendo-se como uma deusa soberana,

    sob um daemon. Algo que o faz sorrir, pois

    é sua hora de amá-la.

    _Ah Tempo cruel. Gosta do sabor de sua

    doce Alice?

    _Adoro!

    _Quanta sede. Parece está me devorando...

    _E você não quer ser devorada pelo

    Tempo?

    _Não! Eu quero devorá-lo!

    O empurra, e então monta sob o seu corpo, como

    uma amazona, e escorre liquido do meio das sua pernas,

    envolta do falo dele. O agente resolve voltar, e se depara

    com a cena. Ao ver os olhos de prazer intenso da moça,

    ele de imediato desaparece. O demônio não está

    errado, há interesses obscuros no anjo.

    _Devemos terminar... logo...Tempo.

    _Não, enquanto você não provar o seu desejo.

    _O quê deseja de mim?

    _Que se entregue, e esqueça onde estamos.

    Ele a abraça, e a coloca deitada no piso. Mergulhando

    seus dentes nos seios dela, e a fazendo delirar de loucura

    amorosa. Ao ponto de gemer tão alto, que sofre uma

    represália. Seu amado puxa-lhe o cabelo na nuca,

    e lhe cala com um beijo.

    _Ah!

    _É esse rosto que gosto de vê...

    _Ah! Eu vou! 

    _Sim querida, me pinte com sua 

    tinta deliciosa...

    _Ah! 

    Ela o beija, sentindo seu corpo trêmulo, e suas palmas

    afundam no peito, enquanto ele a prende em cima, com

    um sorriso maldoso, não a deixando escapar, até não ter

    mais gotas peroladas. Os olhos dela se apertam, é uma

    energia muito grande, até que não suporta, e os

    dois se derretem no fogo do amor.

    _Eu preciso tomar uma pílula. 

    _Eles devem ter por aqui.

    _E se não tiverem?

    _Odin vai nascer...

    _Vai me prender de novo com um filho?

    _Funcionou da outra vez, por quê

    não?

    _Você é um idiota.

    _Mas você não vive sem mim.

    Ele se deita e ela se recosta em seu peito adormecendo.

    Mais tarde... os efeitos da paixão foram tão fortes, que o ser

    das trevas continua adormecido. Contudo o medo de Isabelle

    de engravidar uma segunda vez, a faz se levantar, e dá uma

    volta pelo corredor, onde por coincidência se encontra

    Miguel, que está sentado na parede, e nota o seu 

    medo.

    _Precisando de uma pílula do dia seguinte?

    _O quê? Como sabe?!

    _Eu voltei a sala... e vi tudo.

    _Ah sim... Não tem nada demais a 

    gente é casado, é o quê pessoas casadas 

    fazem oras. Elas transam!

    _É, eu sei. Sei também que praticam

    isso há mais tempo, que a sua 

    união.

    _Por quê minha vida pessoal te

    interessa tanto? 

    _Não interessa só não pude deixar

    de refletir a respeito.

    Ele se levanta, e entrega a cartela a ela. Seus olhos

    azuis estão frios, magoados por alguma razão. Na sua

    mente, se passam pensamentos dos quais pode vim a se

    arrepender, se colocar em prática. “Como ela ainda mexe

    tanto comigo?” Pensa ainda parado ali, imerso em sua

    cabeça. “Ele está cada vez mais estranho.” Ela

    o olha, e se afasta.

    Sem dizer nada, sua mão agarra o pulso dela, não

    a deixando ir. Ele fica cabisbaixo, sabe que o quê quer

    que esteja planejando, pode ser um risco gigante dado

    ao fato, de que Leviroth, Lúcifer, Enki, Belial, e todos

    os deuses que não aprovaram esta união, podem

    puni-lo a sangue frio.

    _Eu preciso ir.

    _Não precisa. É noite, todos estão dormindo.

    _Você está me assustando...

    _Eu não sou o Anticristo. Não tentarei nada.

    Apenas fique.

    _O quê há com você? Horas diz que me odeia,

    minutos depois parece que...

    _Eu ainda te amo? 

    Aquelas palavras a quebram em mil pedaços. Numa

    explosão tão impactante, que ela fica sem palavras. Ele

    da um passo a frente, ela dá dois para trás, e acaba “no

    muro”. Suas mãos tremem sem parar, Leviroth está

    certo, ele não a olha com desprezo, e quer

    reviver os anos dourados.

    _Você me odeia lembra? Não quer se envolver

    com uma maluca, não tem a intenção de

    cometer esse erro de novo.

    _Eu disse aquilo para me proteger. Mas ainda

    sim, te deitei em meu ombro antes de 

    chagarmos aqui.

    _Não tem nada demais...

    _Eu te quis perto de mim.

    _Você, tá confuso, não sente nada por

    mim, não mais. Você mesmo disse “o

    passado fica enterrado lá.”

    Diz ela e ele segura em sua face, e tudo acontece rápido 

    demais, para que consiga impedir. Seus lábios estão ligados

    aos dele, seus olhos se fecham por um breve segundo, mas

    ela luta para ficar acordada. Não se entregando aos seus

    impulsos românticos, e ficando petrificada diante dele.

    O quê o leva a entender que só um dos lados

    sente algo, e não é ela.

    _Me desculpa.

    _Tá tudo bem...

    _Eu só me deixei levar pelo ciúme...

    _Não diga nada. 

    _O quê?

    _É melhor se convencer que não sente nada

    , absolutamente nada por mim.

    _Eu não posso. Não dá mais.

    _Você teve o seu tempo, e não veio. Me deixou

    cartas, mas nunca se aproximou.

    _Como você...

    _Eu te amei naquele tempo, de verdade.

    Mas você não sentiu o suficiente para

    lutar por nós.

    _Você corria risco de vida!

    _Eu queria me arriscar!

    Grita tão alto que sua voz ecoa pelo local, e ela

    mesmo se cala. Lágrimas escorrem pela sua face, e

    tudo vem a tona. Ele esteve presente nesta vida, só

    que era como um admirador secreto, um vampiro

    a espreita, que por mais que se comunicasse,

    nunca podia se aproximar.

    _Eu esperei incansavelmente por você.

    _Eu não podia... Isso ia te matar.

    _Eu nunca me importei em morrer e você

    sabe.

    _Mas Isabelle eu não queria te perder de novo,

    como quando se atirou para fora do paraíso

    , e se matou.

    _Você sabia quem eu era...

    _Sempre soube. Tive uma minha memória intacta

    sobre o passado. 

    _Então por quê não lutou pra ficar comigo?!

    Lhe bate no peito, e ele segura seu pulso, abraçando-a

    forte em seguida. “Fora o risco. Você tinha que fazer a sua

    escolha sozinha. Te mandar cartas foi uma trapaça.” Ele diz

    em seu ouvido, e uma lágrima cai no piso. “Era lindo ler 

    que seria minha até depois da morte. Mas eu não

    podia te condenar a mim outra vez.” A

    aperta.

    _Minha vida, assim como a sua, não foi um

    mar de rosas. Também tive uma mãe louca,

    só que a minha matou todas as minhas

    namoradas.

    _Forma bonita de preservar o amor...

    Com muitas namoradas.

    _Você não era uma humana estúpida,

    tinha valor para mim, e merecia ser feliz

    , longe de todo este...este inferno.

    _Eu teria enfrentado as chamas com

    Você.

    _Teria acabado morta, por não ter despertado.

    _Então me deixou ir...

    _Sim. Mas não totalmente...Sempre te protegi

    de longe, mesmo quando pensou está só.

    _Isso não é verdade...

    _Acha que aquele bandido que te abordou

    pegou fogo por acidente?

    _Mas quem me protege desta forma é o diabo.

    _Lamento te informar...mas ele não é o

    único.

    O belo se lembra do tempo que tinha os cabelos longos

    até o ombro, e a vigiava, quando não fingia ser humano. A

    salvando de malfeitores, que poderiam chegar ao lugar no

    qual se encontrava. Algumas vezes não resistia, e entrava 

    em seu quarto, no escuro, e ficava vendo-a dormir. Mas 

    tudo isso parou, quando Bener entrou na vida dela, pois

    o anjo tinha consciência, de que o demônio também 

    poderia protegê-la, por isso partiu. Ela respira fundo

    , e o afasta, deixando-o sem jeito.

    _Obrigada pela ajuda.

    _Mas?

    _O quê aconteceu, não 

    vai se repetir.

    _E ?

    _Você vai contar ao meu 

    marido, mesmo sabendo 

    das consequências.

    _Estou ciente.

    _Não precisa. Eu vi tudo.

    Leviroth aparece na porta do lugar,

    com os braços cruzados. A bela corre

    para o marido, e este fica parado. Os

    olhos dela imploram pelo abraço

    dele, e este a envolve contra o

    peito, encarando o 

    outro.

    _Eu já sabia que isso aconteceria.

    _Você me odeia?

    _Não a culpe Leviroth.

    _Como eu disse, vi tudo Miguel.

    Você a cercou, e ela não cedeu.

    _Não mesmo.

    _Se estão resolvidos. Não tenho

    mais o quê fazer aqui.

    _Vai descansar Izzy. Tá tudo bem.

    Ele a conduz para a sala, e a deixa lá, com um sorriso. 

    Mas ao se virar, a sua raiva cresce tanto, que os seus olhos

    ficam negros por completo, e ele flutua em alta velocidade

    , e pegando o rival pela gola da camisa. O erguendo no

    topo da parede, com completa fúria.

    _Fique longe dela.

    _Depois da rejeição, não tinha

    a intenção de fazer algo 

    mais.

    _Estou falando sério "filinho de

    papai"! 

    _O principe renegado está 

    de volta?

    _Ele nunca saiu. 

    _Eu não vou tentar mais nada

    com a sua esposa. 

    _Ótimo.

    O demônio o coloca no piso. Se sentindo mais calmo, 

    ao ponto dos olhos negros, voltarem ao estado normal.

     "Mas eu não vou ficar longe dela." O agente da um

    escorão no rival, e passa por ele.

     

     

     

     

     

    Capitulo 4- O demônio, o anjo

    e a simbiose.

    .

     

    Leviroth respira fundo, e caminha pelo local, até 

    encontrar o templo do deus Enki, que está sentado em

    um trono, acima das águas. Ao ver o rapaz, o deus o

    chama, e este se curva perante a ele.

    _Levante-se garoto. Tu és um

    nobre.

    _Sou um nobre apenas porquê

    me destes a graça, meu 

    Senhor.

    _Isto não é verdade meu jovem.

    _Não é?

    _É hora de saberes a verdade,

    então observe a tua resposta.

    O deus ergue as águas, e cobre o  príncipe com elas. 

    Ele viaja até o seu passado, e se depara com três bebês.

     "Eis o nascimento da luz, das trevas, e do equilíbrio." Diz a 

    voz de Enki. O primeiro bebê brilha mais que o sol, já o segundo 

    enegrece como o cosmo, e o terceiro, ao contrário dos outros, é 

    escuro com a luz em seu interior. "Tem se falado muito da trindade

    feminina, mas há também a trindade masculina, e aliás esta foi a

     primeira a existir." Prossegue com aquela narração. "O pai é a

     existência, e os gêmeos são vida e morte." Conta, e

    surge Samael, segurando dois bebês, junto de Lilith."Antes do 

    nascimento da escolhida, e se tornar Lúcifer, Samael teve dois filhos 

    inicialmente. Um nasceu de sua sede de sangue, o outro surgiu de sua

     justiça." Gêmeos enfrentam um ao outro na barriga. "A luz forte do

    primeiro filho, obrigou Samael a lhe esconder do mundo, para não o 

    queimar. Enquanto a escuridão se  fez viva." Os irmãos se separam. "A 

    primeira filha de Samael  nasceu. A escuridão não se conteve e tomou-a 

    para si, e com ela, a princesa angelical se juntou." A jovem ruiva abraça

    ao demônio de olhos vermelhos. "A menina ao  contrário dos seus 

    irmãos, não herdou nem luz, nem as sombras, mas sim o controle 

    de ambos." Diz o deus com a sua sabedoria, e surge a bela 

    dançando com o amado acima da terra, enquanto o 

    gêmeo de 

    poder solar, olha para ela. "Os três bebês que viu, são os primeiros filhos 

    sagrados." Agora eles estão mais velhos, cada um 

    reinando de uma forma. O gêmeo solar, lidera um império de fogo. O gêmeo 

    negro, lidera a escuridão, e a jovem deusa fica entre ambos, usando forças de luz 

    e trevas. "É dito que Lúcifer reina no inferno. Isso é uma mentira. Ele está acima disso, e reina nos céus como o senhor do ar, da vida, e da criação." Prossegue. "Ele separou

    Anu e Namu, mas criou tudo isto, e seus filhos ficaram responsáveis pela 

    governança de suas terras."  Diz o deus. "Após os mais velhos, seguirem seus 

    rumos, os mais jovens vieram a se preparar, para serem deuses." Os outros deuses surgem, e cada um tem um dom diferente. "Luciféria treinou os deuses que cuidavam das forças da natureza. Bael cuidou dos seres das profundezas. E você, jovem príncipe Azazel, ensinou os seres das sombras." Ao ouvir o nome Leviroth, respira e se 

    afoga.  O quê obriga o deus, a tirá-lo das águas. 

    _Eu sou Leviroth. O príncipe 

    renegado. O rebelde.

    _Não. Você é Azazel o príncipe

    do caos, e grande mago das 

    sombras.

    _Eu sou filho de Deus e Asherah.

    _Não. Você é filho de Enlil e

    Ninlil. Como seus irmãos.

    _Eu sempre servi a Odin e Gaya.

    _Sua mãe é Nyx e seu pai Eros.

    _Mas Luciféria é filha de Zeus e

    Deméter. Outras faces de seus 

    pais, depois de Hades e Hera 

    prendê-los. 

    _Eu sou o filho de Odin. Não do amor.

    Ali por trás da porta, Isabelle ouve a discussão, e vai

    até os aposentos do pai. No qual o encontra sentado no

    seu trono, e se curva perante a ele. “Minha princesa erga-te,

    e jamais se curve a outro nobre, que não seja você mesma.”

    Diz o deus supremo, e a jovem moça, fica de pé indo 

    até ele, que já tem todas as respostas na

    ponta da língua.

    _Quer saber quem é o Anticristo,e o quê ele 

    e você tiveram. Se Enki mentiu ou não para o

    demônio Leviroth. E porquê o chama por

    Azazel.

    _Sim...Primeiro acreditei que ele era meu

    tio. Depois conclui que era meu irmão.

    _Descobriu o certo minha querida.

    _E por quê sonho que sou mulher dele, se

    sou casada com Leviroth?

    _Porquê a luz busca a escuridão...

    _Então ele devia ter um relacionamento

    gay com Leviroth, ou incestuoso com

    minha mãe.

    _Você não sabe mesmo, qual é o seu

    papel nisso tudo não é?

    _Sou a “messias negra”, nascida para

    guiar o teu povo.

    Isabelle revira os olhos, pois desde o episódio da 

    floresta, deixou de acreditar no seu destino grandioso,

    e Lúcifer ri disso, pois nota na filha, a mesma forma com

    a qual a esposa demonstra desgosto. Elas são parecidas,

    até quando a menina deseja se desvencilhar de tudo, pois

    encontrar a si mesmo no escuro, é o mesmo que achar 

    os demônios insaciáveis de Lilith, que ficam a 

    espreita no fundo da mente.

    _E você sabe o quê significa?

    _Que tenho que liderar suas tropas. Sendo que

    só consigo falar com meus amigos?

    _Não tem a ver com o povo Lucy. Tem a ver com 

    você.

    _Eu não tenho poderes como Afrodite e Tétis.

    Controlo ervas e escrevo o futuro.

    _Sua mãe lhe deu o maior dom dela. O dom

    da noite minha querida, com o qual você fez

    de seus irmãos, deuses abissais.

    _E o quê é esse “dom da noite”?

    _É o dom que dá vida as coisas, e que mantém

    o universo em equilíbrio.

    Isabelle se mostra confusa, e o deus se levanta,

    para lhe ajudar a entender melhor do quê se trata.

    A bela recua temendo o quê está por vir, mas o pai

    a segura, e lhe guia até a câmara, onde mostra os

    velhos tesouros da família luciferiana, e o seu

    diário.

    _E o quê isso tem a ver com o Anticristo?

    _Abra o livro da sabedoria, que seu tio Enki

    fez para mim, e saberá.

    _Acha que estou pronta? 

    _Teve 13 anos para se preparar minha

    querida. Vá em frente.

    _Você vai me proteger?

    _Sempre.

    As mãos dela pousam no livro, e com cuidado ela

    o abre. As folhas se passam rapidamente, até que por

    fim viram vultos, e a bela desmaia nos braços do seu 

    pai, deixando seu corpo para trás, até chegar no inicio

    da civilização da Terra. Luciféria está sentada no 

    lado de uma rocha, com lágrimas em sua

    face.

    _Por quê chora criança?

    _Porquê perdi meus pais para sempre.

    _Eles morreram?

    _Não...Mas Ela nasceu.

    _Ela?

    _Minha irmã...

    _Irmãos são complicados. Por isso quis

    matar os meus.

    _Eu entendo.

    Sem saber de quem se tratava. Ela desenvolveu uma

    amizade com o sol do subsolo, e este também sentiu-se

    ligado a moça, ao ponto de fazer crescer uma flor para 

    sentir seu toque. Ela o via como um amigo, um cão de 

    guarda, para quem podia contar todos os seus 

    segredos.

    _Será que brilho tanto quanto o sol?

    _Consegue ver aí dentro?

    _Sim... mas não estou brilhando no momento.

    _Então como está vendo?

    _Joguei minhas chamas nas velas.

    _Entendo.

    _Tudo bem com você criança?

    _Para de me chamar assim. É só a minha irmã...

    Eu só queria matá-la. Mas não quero acabar

    como você Sr. Rá.

    _É, é melhor tomar cuidado. O escuro pode

    não ser agradável.

    A advertiu. Luciféria tinha tanta estima pelo amigo,

    que a entendia como ninguém mais, que passou a ler

    os arquivos de Miguel, para encontrar uma brecha que

    o libertasse, e o devolvesse para este mundo. Sim, ela

    usou o anjo, para conseguir ajudar o ser que vivia

    nas profundezas, e assim o tirou daquele

    lugar sombrio.

    _Você?

    _Você? É a garotinha...

    _Que você molestou.

    _Luciféria me perdoa...Eu não sabia...

    _Você vai voltar pra jaula!

    Tenta empurrá-lo, mas ele segura sua mão, e a olha nos

    olhos, com suas íris cor de sangue. Ele realmente se sente

    culpado, por ter a tocado indevidamente, mas ela só quer

    mandá-lo de volta para a prisão. Miguel presencia este

    momento, e corre para ajudá-la, assim ambos o

    colocam de volta na caverna. Mas ele percebe que foi a

    princesa que o libertou, e fica chateado. Ela se justifica por

    ele ter lhe entregado a Inanna, que queria matá-la quando

    era um bebê, só que o arcanjo continua magoado. 

    “Luciféria?” Pergunta a voz do submundo.

    _Eu nunca mais quero falar com você!

    _Eu sempre te avisei que era um monstro.

    _Não achava que era o Meu monstro!

    _Se acalme. Não há motivos para gritos.

    _Você me tocou, e abusou de outras!

    _Eu lhes dei a escolha.

    _Engraçado, eu não tive esta escolha.

    _Isso porquê Inanna te odiava.

    Ao ouvir a última frase, ela o deixa falando sozinho,

    e tenta retomar a sua vida como se nunca tivesse lhe

    conhecido. Miguel segue ignorando-a. Céu e Terra não

    devem se misturar mesmo, desde que Enlil ficou entre 

    eles. O arcanjo e novo brigadeiro das tropas do deus 

    Anu, e não o esconde o desgosto, pois realmente

    tinha um sentimento forte pela primogênita 

    de Lúcifer. 

    _Vai me ignorar para sempre?

    _Só por quê me usou para libertar o Diabo?

    Não imagina.

    _Me perdoa. Eu não sabia de quem se

    tratava.

    _Só há um prisioneiro terrível no universo.

    _Como eu ia saber que era ele?

    _Eu não estou nem aí para o quê acha Luciféria.

    Só me importa o fato de ter me traído, para

    ficar com ele.

    _Trair? Nós somos amigos!

    _Correção éramos amigos. Até mais.

    O arcanjo a deixa, e ela olha para o seu irmão mais

    velho, que também não aprova a sua atitude. Ao chegar

    no castelo, Luciféria vê os pais brincando com a irmã, e

    sorrindo, e ela sente muita raiva daquilo, pois os pais

    estavam tão focados em cuidar de Aggarath, que

    nem perceberam o risco no qual ela se meteu.

    “Ninguém me ama. Eu estou sozinha. Sendo esquecida.

    Perdendo o quê me importa.” Se senta encostada de costas

    para a parede, e coloca as mãos na cabeça, como se algo no

    seu interior, quisesse se libertar, e ela não pudesse deixar. 

    Só que como ninguém a vê ela perde o controle, e

    retorna até a floresta proibida.

    Seus pés caminham pela terra molhada. Os olhos violetas

    ficam vazios. O vento bate em seu cabelo que está a mudar de

    cor, deixando de ser vermelho, para virar roxo escuro. A pele

    alva, empalidece até ficar cor de papel. Ela desenha os

    símbolos na rocha, e invoca a destruição.

    _Luciféria?

    _Você precisa me compensar pelo ocorrido.

    _Por quê me libertou de vez? Sabia que posso 

    destruir o universo?

    _Sim, eu sei, e eu quero que faça isso, é a uma

    forma de me agradecer por te libertar.

    _Eles vão te matar, se descobrirem. 

    _Eu não quero viver Sr. Rá.

    A gigantesca e bela criatura, fica assustada com as fortes

    palavras proferidas pelos lábios da criança de 13 anos, e antes

    de fazer alguma coisa para tirá-la dali, ela desaparece, e deita

    na sua cama com os pés sujos. Na manhã seguinte...Há muito

    alvoroço a respeito da fuga de Bael, e ela fica transtornada

    com o fato de se encontrar tão suja. “Não resistiu ao

    amor que tinha por ele não é?” Diz Miguel

    sentado no canto da janela.

    _Do quê você está falando?!

    _Só uma criatura se compadeceu pela solidão

    do demônio. Não há duvidas de que tem culpa

    no cartório.

    _Eu não fiz nada Miguel. 

    _E estes pés sujos?

    _Eu não me lembro. Só estava muito triste,

    Irritada, e fui dormi.

    _Não foi você?! 

    _Não. 

    _Não está mentindo para proteger o seu amado?

    _O quê? Eu não o amo! E sim, não há porquê

    mentir pra você.

    Luciféria cresceu, sem saber do seu lado negro, 

    e por sorte e ajuda do ser do outro mundo, ninguém 

    nunca soube do seu segredo, até aquele dia. Ela agora

    tinha 16 anos, muita coisa tinha acontecido. Azazel e

    ela haviam se envolvido, pouco antes de se casar

    com Miguel, algo que o deixou furioso, ao

    ponto de castigá-la.

    _Não faça nada comigo por favor...

    _Você gosta da escuridão não é? Pois

    vai conhecê-la!

    _Por favor não faça isso!

    _Divirta-se demônio.

    Disse deixando-a trancada na cela do demônio, e

    este estava tão insano de raiva, que não se conteve, e

    tirou-lhe as roupas ali mesmo. “Socorro!” Ela berrou por

    não saber quem estava no escuro. Suas mãos passaram

    pela janela da porta, e só ouviu-se o impacto do seu

    corpo sendo violado friamente. Até que ele viu

    seu rosto na luz, e ficou em pânico.

    _Luciféria?

    _Bael?

    _Eu não sabia...

    _Você...Continua...Sendo um monstro.

    Ela desmaiou em seus braços, e ele derramou 

    lágrimas sob seus pequenos seios. Miguel chegou a 

    este ponto, pois desde pequenos Luciféria e Azazel eram 

    quase inseparáveis. Um cuidava do outro, e  se protegiam

    do resto mundo, por isso mesmo quando ela nutriu uma

    forte paixão por Miguel, o príncipe rebelde sempre foi

    um empecilho. Desta forma, para livrar-se do rival,

    o arcanjo com a ajuda de Inanna, adulterou o 

    DNA dele, e o fez crer ser filho de Anu.

    _Azazel por favor fica.

    _Este não é o meu lugar Lucy.

    _É claro que é. Meu pai te ama como

    se fosse filho dele. Te dará um reino

    também!

    _Eu não quero viver de caridade mais.

    Adeus Lucy.

    Disse dando-lhe um beijo de despedida. “O quê?”

    Olhos confusos o encararam. “Não deixe o idiota do 

    noivo saber.” Riu se preparando para ir. “Por favor 

    fica” Agarrou-lhe o braço. “Me perdoa mas não

    posso.”  Beijou-a na testa, e foi embora.

    A tristeza por não ser filho de Samael, o deixou tão

    devastado, que ele deixou o palácio do pai, para viver

    com o verdadeiro, abandonando sua irmã e melhor

    amiga, e fazendo-a se sentir tão só, que esta

    encontrou refúgio nos braços do

    Diabo.

    “Ela sempre encontra um demônio! Um maldito

    demônio para amar!” Pensava Miguel entorpecido pelo 

    ódio, passando a mão pelos longos cabelos. Após algumas

    horas, ele volta a cela, e tira suas roupas para que

    Luciféria pense que foi ele, e não Bael, pois se

    descobrirem que Anu o protege, todos

    se voltarão contra o supremo.

    Mas esta não é a pior parte de tudo...A irmã de

    Luciféria com seus poderes de criar ilusão, fez a mãe

    crer que esta tinha copulado com o próprio pai, quando

    a culpada pelo crime era a acusadora. Ela foi expulsa

    de Irkala, e mandada de volta a Dilmun, onde

    sofreu grandes humilhações.

    A raiva de Miguel a perseguiu, por todos os cantos,

    até virar uma prisioneira, e quase sofrer abusos na mão

    dos deuses menores. Azazel a reconheceu de imediato

    , e por isso correu até cela, para impedir que o ato

    chegasse ao objetivo. Ao ouvir a voz do grande

    general, todos se curvaram para ele, e este

    foi até a cruz.

    O rosto dela estava vermelho de tanto chorar,

    os cabelos mais escuros que o normal, e ao contrário

    dos cachos, tinham alisado, e caiam sem parar. Ao 

    vê-la naquele estado, ele segurou em sua face

    , quase que em desespero.

    _Quem foi o responsável por isso?

    _Oras Senhor. O brigadeiro Mikael nos deu

    carta branca para fazermos o quê quisermos

    com ela.

    _E alguém fez?

    _Eu fiz. Penetrei o corpo dela com os dedos,

    até fazê-la gritar.

    Disse um deus grande e robusto. Ao ouvir aquilo 

    o jovem sorriu, e o jogou contra a parede, o retalhando

    com a sua adaga, com tanta cólera, que só parou após

    deixá-lo em pedaços. Vendo aquilo, os deuses se

    cobriram, e saíram correndo assustados, por

    temor as suas vidas

    _Você está a salvo agora.

    _Obrigada.

    _Que confusão aprontou para vim parar aqui?

    _De todas as vezes que fui culpada, esta é

    a única que não sou. Nossa mãe me

    expulsou de casa.

    _O quê? Por quê?

    _Ela jura que eu dormi com meu pai.

    Mas eu não fiz isso.

    _Não mesmo?

    _Está desconfiando de mim?

    _É que você nutria sentimentos pelo meu

    Irmão mal, então...

    _Eu estava sendo estuprada na hora.

    Por isso não tem lógica.

    _E quem fez isso com você?!

    _Miguel.

    Ouvindo o famoso nome, e ele a tira da cruz, e a 

    carrega para o canto, onde lhe deita, e a deixa para

    dormir, enquanto sai a caça do rival. “Vigie a cela 13.”

    Ordena para o soldado, e este se recusa. “É melhor

    fazer o quê digo. Pois sou seu superior.” O pega

    pela gola da camisa, e seus olhos ficam

    negros como carvão.

    O gêmeo mal procura pela moça, em forma de 

    luz, e quando a encontra se materializa. Seus dedos

    tiram o cabelo da face dela, e ao vê-la tão maltratada,

    o pouco de sentimento que lhe resta, o faz ter ódio

    do céu, e todas as espécies que a machucaram,

    por isso ele inicia sua vingança.

    Isabelle não suporta todas as visões dolorosas

    do seu passado, e volta a si mesma, acordando no

    sofá dourado de seu pai, que está lhe aguardando

    com um relógio, e uma bandeja com comidas

    apetitosas.

    _Sem refrigerante?

    _Precisa se alimentar melhor e sabe disso.

    O refrigerante é uma arma pra matar

    as células dos mortais.

    _E os pesticidas nas frutas, são tão

    diferentes disso né?

    _Apenas coma. Mandei preparar especialmente

    para você, achei que voltaria faminta da sua

    jornada. Então como foi?

    Pergunta empurrando a bandejinha para ela, e

    esta rejeita. Ele revira os olhos, estala os dedos, e

    lhe dá o refrigerante. Assim ela pega o murffy de 

    morango com chantilly, e o devora numa 

    bocada só.

    _Azazel me ama...

    _Sim.

    _O Anticristo também...

    _De fato. 

    _Mas Miguel é um babaca que merece morrer.

    _Não está tão longe da verdade, mas porquê

    Miguel está entre seus pares?

    _É que aquele idiota me beijou.

    _Ah ele te beijou? Interessante.

    “Esse garoto tá morto. Não vou deixar desgraçar a

    vida da minha filha de novo, ao ponto dela se jogar na

    água, e se perfurar com a matadora de deuses.” Pensa

    sorrindo e ignorando metade do quê a moça diz, pois

    já sabe de que respostas se tratam. Mas ela está

    tão entusiasmada, que não se cala.

    _Eu cheguei a ficar com o anticristo?

    _Sim... Depois que o prendemos outra vez 

    no subsolo, ele a roubou para si.

    _Então o rapto...os meus pesadelos...

    _São reais.

    _Sim, mas por quê me chamavam de virgem?

    _Porquê o cristianismo perverteu o sentido

    da palavra Koré. Devia significar apenas

    jovem e não virgem.

    _Ah sim.

    Ao ouvir aquilo ela fica feliz, e quase salta de alegria,

    pois o tema virgindade, pesava-lhe demais a consciência,

    e saber que o nome foi corrompido, lhe trouxe paz de

    espírito. “Maldita seja a igreja católica, e sua mania

    de demonizar tudo.” Conclui, mas logo a alegria

    vai embora, e dá espaço para a 

    tristeza.

    _ Por quê você e a mamãe me esqueceram?

    _Nunca a esquecemos.

    _Nem viram, quando eu estava falando com

    Bael.

    _Na verdade vimos. Mas acreditávamos que com

    o seu dom poderia equilibrá-lo.

    _Então eu posso curar o ódio dele?

    _Sim, se atravessar a escuridão, e lhe puxar

    para a superfície.

    _Ou seja me envolvendo com ele...

     

    _Me envolvendo com ele... 

    _Sim, mas é uma escolha sua , caso opte por seguir o caminho atual, também pode matá-lo. Isso é o quê poder de Nyx representa para você. _Ele é seu filho...como eu e  Aggarath. 

    _Ele deixou de ser meu filho,  quando cometeu todos aqueles  crimes abomináveis. Ao ouvir a dureza na voz do pai, Isabelle salta para trás, pois pelo  quê o anticristo disse, ela já esteve do seu lado, e deve ter sido renegada da mesma forma, por caminhar com as trevas verdadeiras do universo. Por isso se preocupa, e tenta ficar calada, mas não consegue. 

    _Eu já andei com ele. 

    _Não teve culpa de amá-lo. 

    Com você ele foi bom. 

    _Epa eu nunca o amei. _Será mesmo? Quase destruiu o mundo quando o prendemos. _Eu não me lembro disso... 

    _Você se esforçou para apagar , nas duas vezes. Mas ele não vai deixar assim, então venha e veja... 

    Lúcifer mostra os retratos dos deuses traidores, e na maioria deles , a deusa meio lunar e solar caminha com o sol. Ela julga os inimigos dele, e ele destrói os que a ferem. Para a infelicidade da moça, dá para  notar a ligação entre eles. 

    _Esta... 

    _Sim é você. 

    _Por quantos séculos estive  

    com ele? 

    _Uns 500 anos. No começo ele a  raptou, depois você voltou por vontade própria. _Ele me raptou e eu retornei?! _Sim. Até se casou com ele, como não fez nem com Azazel, nem com Miguel. 

    _Foi forçado né?!  

    _Ele fingiu ser Azazel na verdade, mas depois você descobriu, e não lhe pediu o divórcio. _Eu sei... Já tinha visto isso. Só queria que não fosse real. _É bem real, e você tem que decidir se vai ajudá-lo ou matá-lo. Aquelas palavras ficam na mente  da moça por vários dias. "ajudar ou matar." Fica a refletir, sem saber que partido deve tomar. Afinal era do próprio Diabo que se tratava, porém  apesar dos pesares, ele tinha sido bom pra ela em  alguns momentos, e isto tornava seu julgamento  turvo. 

    Certo dia ele a chama para sair, e ela aceita,  para tirar a dúvida da sua cabeça. Preocupada em ser raptada, pede para irem a um lugar público, e eles ficam sentados na beira de uma escada, em frente a um  museu todo branco. Ao contrário da outra vez, ele não  está mascarado, e está vestido como no helloween,  enquanto ela está mal vestida, lembrando os  nerds da antigas. Não querendo atraí-lo. 

    _Sem máscaras desta vez? 

    _Sem marido?  

    _Ele me deu permissão para vim. _Você sendo submissa? Esse cara tem que me dá o manual! 

    _Vamos nos engalfinhar ou conversar? 

    _Certo. O quê quer saber de mim? 

    _Foi você que me chamou para sair. 

    Achei que você tinha perguntas. _Eu li o escreveu no seu site...Apenas quis ser gentil. 

    Responde bebendo um copo de refrigerante, e  ela olha para o lado, ele oferece a bebida, mas a dama recusa, e por isso ele avança na sua direção,  deixando-a do seu lado. "O quê ele está fazendo?" se afasta dali, mas o copo fica onde ele quer. 

    _Certo. Como perguntar isso? 

    _Sim, você me amou. 

    _Não era o quê ia perguntar. 

    _Mas é o quê quero esclarecer. 

    _Não seja um idiota.  

    _Está certo. Pergunte. 

    Ele passa o braço envolta dela e pega a bebida. Seus olhos frios cruzam os dela, e esta sente o rosto esquentar de vergonha. Por isso se afasta um pouco mais, e ele segura seu pulso, imobilizando-a com gentileza. 

    _Fica calma. Não vou fazer nada. 

    _Foi o quê disse da outra vez... 

    _Nada que Você não queira. Mas enfim veio pra falar de relacionamento, ou quer um esclarecimento útil? 

    _Então relacionamento não é útil?  

    Tanto faz. Como isso aconteceu? 

    _Não, quando quem eu queria não me quer. Foi bem simples você teve síndrome de Estocolmo, e ficou comigo. 

    Responde de forma seca e ela se levanta para ir embora. Outra vez ele respira fundo, e agarra no seu braço, impedindo-a de seguir em frente. Ela volta , e se senta a alguns centímetros de distância. “Isso não vai acabar bem.” Olha para o lado, sentindo arrependimento, e pega o celular. _Eu sei que está aqui para saber se deve me matar ou não.  

    _Mas eu não escrevi isso no site. 

    _Não sou burro, e você sempre foi previsível. Banca a rainha do mal, mas no fundo tem uma gota de piedade. 

    _Esta é a Victória, não eu. _Se veio até mim, o próprio ato contradiz suas palavras. Você sabe que te torturei, que te machuquei, e destruí o teu psicológico. Mas mesmo assim veio me dá uma chance de me redimir. 

    _Não vim para isso. 

    _Não minta para si mesma. Foi usando a justiça a teu favor, que não se tornou tão abominável, mesmo exterminando 75% da humanidade. 

    _Não me lembre disso... 

    _Tem medo? 

    _Não vem ao caso. 

    Ela sente as mãos dele em sua face, e recua. Ele sorri, e se levanta, outra vez bloqueando as chances dela escapar. Preocupada com estes avanços sutis, ela clica na tela para ligar para Victória, mas ele toma o seu aparelho. 

    _Confie em mim. Se quer a verdade. 

    _Por quê me escolheu? 

    _Eu não escolhi, aconteceu, e não fui capaz de deixar pra lá. 

    _Eu cometi atos de crueldade ao seu lado? _Não, embora me dissesse que sentia prazer em torturar alguns pecadores. _Por quê não me deixou ir se não tenho nada a ver com você? 

    _Você se engana. Somos bem parecidos,  mas eu abracei a escuridão, e você ficou com medo dela. 

    _Então fiquei no lado da luz? 

    _Não, você habitou o purgatório. Nem luz , nem escuridão. Tinha desprezo 

    pela primeira, e temia a segunda. Então ficou num lugar próprio. 

    Ela inspira fundo, e ele ri, erguendo a mão. “Segure-a, e saberei que tenho uma chance.” É o quê ele pensa. Ao sentir calafrios, ela evita-o, e  os dois voltam para a escada, onde se sentam. “ Droga. Mas não vou desistir, ela vai ceder. É o destino que escrevi, e a própria deusa mãe abençoou.” Ele revira os  olhos. 

    _Então isso é O equilíbrio... _Não, esta é a sua personalidade. O  equilíbrio é teu dom. _Razão pela qual busca por mim... _Não. Eu te procuro por outro  motivo... 

    Já cansado das escapadas da moça, ele olha em  seus olhos, e a beija de surpresa. Naturalmente as mãos dela sofrem espasmos, e ela o evita, porém por uns segundos seus dedos agarram os dele, não lhe permitindo se afastar. Ele a solta, para ver sua reação, e ela fica com a cara de choro. Os olhos dela ficam vazios, e seu braço se movimenta estapeá-lo, mas este segura sua mão, com tanta facilidade, que é como se tivesse lido seus pensamentos, por isso eles se encaram. 

    _9 mil anos, e ainda reage do mesmo jeito. 

    _9 mil anos? Está de brincadeira?!  _Não. Praticamente toda a sua vida na Terra, foi ao meu lado, até um dos seus amantes  vim te resgatar. 

    _Amantes?! 

    _Azazel e Miguel.  

    _Eles vieram bem antes de você. _Mas foi pra mim que disse “sim” no fim  das contas. E o tapa no rosto, era o primeiro sinal de que acabaria nos meus braços. 

    _Não. Não pode ser. Eu detestei! _Eu senti seus dedos, e eles prendiam os meus. Você queria continuar mas sua consciência, amargou o sabor deste doce prazer. 

    _Não, não queria. Eu levei meses pra te esquecer, e você não vai apagar meu desenvolvimento. 

    _Me esquecer? 

    O interesse dele se intensifica, e ela tenta correr, contudo ele a agarra, fazendo-a ficar contra o seu  peito, para que as mulheres ao redor não vejam o assédio, e criem algum alvoroço, que possa lhe prejudicar de alguma forma. 

    _Fica calma. 

    _Me solta. 

    _Eu vou, e também devolverei o celular. 

    _Mas em troca quer o quê!? Outro beijo!? _Que me responda... Você se lembrou de mim? 

    _Com tantos sonhos foi impossível não lembrar.  

    _Você acreditou me amar em algum momento? 

    _Não importa. 

    _Quer ser livre ou não? 

    _Sim... 

    _Sim quer ou sim me amou? _Sim para o segundo. Mas já matei esse sentimento, agora pode me deixar ir? 

    _Tudo bem.  

    Ele a solta, e entrega o aparelho. Ela de imediato lhe dá as costas, e sai bufando de raiva. “Mesmo que diga não, eu sei que ainda sente algo por mim, e não é desprezo.” Ele se recorda do beijo, e de ter aberto um pouco o olho, ao sentir que os dedos dela ficaram a pressionar os seus. Não havia ódio no ato, no  lugar disso estava uma paixão, que ele poderia usar contra ela. 

    Capitulo 5- O alvorecer do futuro  

    5 meses depois... Isabelle está mudada, não mais passa tanto tempo tempo dentro de casa, ou com os amigos. Caminha por várias ruas e lugares, com uma lata de cerveja na mão, passando por maus bocados vez ou outra, por sua aparência de 16, permanecer mesmo nos seus 25. Sem dizer nada a ninguém foi ao salão, e alisou e repicou o cabelo, algo que seria benéfico, se não fosse pelo o quê veio depois, pintou as unhas de preto, passou a usar batom escuro e se manter em silêncio. Algo que preocupou a todos, menos uma pessoa, que já havia visto esta reação em outras vidas, e não estava nada surpreso. 

    _Está com sérios problemas não é? 

    _Não começa Leviroth. Só me deixa em paz. _O quê aconteceu que te deixou assim desta vez? 

    _Nada. Só voltei a ser mesma Isabelle obscura de antes oras. 

    _A Isabelle de antes era como a lua, obscura mas com brilho, tudo o quê vejo é uma estrela morta. 

    _Volta pra casa. Eu não quero falar com ninguém. 

    _Eu volto mas você vem comigo. 

    Ele a carrega no ombro, e a leva como um cadáver abatido, ela   o olha com indiferença, e fuma um cigarro de menta, bebendo logo  depois. No entanto antes de saírem do viaduto, outro ser também não  muito preocupado surge, trajando roupas bem chamativas. Ao vê-lo  Leviroth, a coloca no piso, porém fica na sua frente, impedindo-o  de chegar tão perto dela. 

    _Velhos hábitos nunca mudam, não é irmão? 

    _O quê você quer? Não vê o estrago que causou? 

    _Vocês dois parem, não quero falar com ninguém. _Eu não fiz nada desta vez. Mas temo trazer más noticias, e acho melhor que ouçam. _Diga e se retire, se não quiser relembrar como foi preso naquela rocha mística. 

    _Já chega, eu não vou ficar aqui. 

    _Fique. Se forem para casa, podem morrer. 

    _O quê? A minha filha está lá! 

    _Não, não tá, quando vi que veio atrás de mim , sem ela, pedi a Victória que a levasse para a minha mãe. 

    _E eu coloquei demônios envolta da moradia, para matar qualquer ser que tente atravessar a barreira. 

    _Por quê faria isso? 

    _É óbvio que é pela Isabelle. 

    Ao ver a onde a discussão daria, a bela os deixa discutindo, sobre “quem é o macho alfa”, e passa entre eles. No entanto ao  chegar perto da rua, sente duas mãos diferentes em seus pulsos,  que a fazem ficar. O espectro deles é muito forte, tanto que a jovem sente tontura ao receber o impacto da  suas energias. 

    _Porquê deveríamos confiar em você? 

    É o filho traidor. 

    _Não se faça de herói Azazel. Esteve ao meu  lado, quando iniciei uma nova gerência dos  mundos. 

    _Gerência dos mundos? É assim que chama o seu golpe de estado? 

    _É até perceber, que meu próprio irmão, queria matar a deusa bebê, que viria a ser minha esposa. 

    _Eu não sabia que também me apaixonaria por ela. 

    _Olha isso não melhora as coisas. 

    _Não melhora mesmo. 

    _São um só espírito mesmo não é? Naquela época , eu só conhecia um amor, o da minha mãe. 

    _Espera dizem que somos gêmeos, está dizendo que... 

    _Não mesmo. 

    _Nós somos filhos de Inanna e Gulgalana. _Mas me disseram que eu era filho de Nyx, ou seja Lilith, como Luciféria e Aggarath. _Inanna é a mãe de vocês? Lúcifer traiu Lilith? _Não. Lilith é a metade de Lúcifer, ele não faria isso com a minha mãe! _Sim. Ele a traiu, mas Lilith nunca soube, por isso ele a fez crer que estava grávida, e quando nascemos, nos roubou de Inanna , e nos deu para ela. 

    _Por quê? 

    _É, posso pensar em mil razões, mas qual delas? 

    _Inanna iria nos devorar. 

    Imagens do passado inundam a mente do anticristo, e este respira fundo, nem sempre fora um pequeno mal, porém ao descobrir que não era filho de Lilith, entendeu que Azazel era,  e por isso ela o tratava melhor, assim se juntou a sua mãe, e tramou as ruínas do atual império em que se vivia. Infelizmente foi só na adolescência, quase na fase adulta que veio descobrir que Azazel também era filho dela, e que ela o fez entender de outra maneira, para que seus planos se realizassem. Lilith não tratava um melhor que o outro, apenas reconhecia as suas qualidades, e ele não era capaz de ver as  suas. Após saber das artimanhas da sua mãe e amante, ele tentou desfazer todo o erro, mas só piorou ainda mais a situação, pois a verdade, destruiu a rainha do Inferno de tal  maneira, que esta enviou o próprio marido para a morte, e este criou um ódio profundo do próprio filho. Todos o julgaram, pelos atos que cometera antes, e desta forma ele enlouqueceu.  

    _Eu deveria ter sido o sol e meu irmão aqui a lua. 

    _Você deveria ter sido luz e eu escuridão. 

    _Então eu nasci para realinhara-los?  

    _De certa forma sim, você desperta coisas boas em  mim, e sombras profundas nele. 

    _Eu inverto a ordem... não a equilibro. _É, e o escuro cresce ainda mais, quando lembro que você quer a minha esposa. 

    _Ela não é a sua esposa. Nasceu para luz e para as trevas, portanto pertence a nós dois. _Sem querer ser estraga prazeres, mas sou monogâmica, e não poligâmica. E não pertenço a ninguém só a mim mesma, o máximo que podem ter de mim é meu coração, mas eu sou eu. 

    _Pensei que era dele. 

    _Eu também pensei, agora estou na  dúvida. 

    A dama revira os olhos e outra vez lhes dá as costas, mas sem fazer alarde, ergue o celular, e se afasta um pouco deles, para tentar conversar com alguém, que não participa desta profecia, ou loucura toda. Os irmãos se entreolham, e se debruçam sob o parapeito do viaduto. 

    _Então qual é a má notícia? 

    _Temos uma mãe ciumenta, que quer que a filha de Lilith morra. 

    _Se afaste de Isabelle, e ela a deixa em paz. Pois não vai representar alguma ameaça. 

    _Não é tão simples. Inanna sabe que enquanto 

    Lucy existir, meus sentimentos serão dela, e por

    isso quer aniquilá-la. 

    _Por quê a quer tanto? É pela profecia de ela ser o equilíbrio? 

    _Não. Quando você e meu pai me jogaram na masmorra dos condenados,  Luciféria foi a única que veio falar comigo... 

    _Porquê não sabia quem você era. 

    _É, mas você bem sabe, que depois ela ficou comigo , por nossa similaridade. 

    _É, tal como eu e ela temos. Mas pelas armações de Miguel, acabei por abandoná-la, e isso te deu certa liberdade de se aproximar não é? 

    _Ou foi o destino que quis que nos conhecêssemos. _Oras Bael não seja tão tolo. Sabe tão bem  quanto eu que nós fazemos o próprio destino. 

    _Não vou discutir. Luciféria, Isabelle, te escolheu. Mas eu a escolhi, e é meu dever protegê-la de nossa mãe. 

    _Está bem, mas tente reviver os velhos tempos  com ela outra vez, e serei o único filho de  gêmeos. 

    Olha de canto para o irmão e este ri, enquanto a bela  liga para alguém do seu celular. Na tela surge o número que termina em 12, mas ela não consegue completar a ligação, e vozes começam a ecoar na linha, como se fossem indistinguíveis. Ela desliga o aparelho assustada , e caminha até os irmãos. Tudo começa a se iluminar a sua volta, fazendo-a ficar em desespero. Seus gritos não tem som, o Anticristo olha para trás, e se transforma em pó ao vento. Leviroth agarra seus pulsos , e ela segura em seu braço, tudo se destrói envolta deles , e a pobre cai no vazio, mergulhando numa escuridão profunda, na qual desaparece. O despertador toca, são 06:03, a jovem se levanta da cama, e corre para tomar seu banho. Está evidentemente atrasada. “Vamos Izzy vai se atrasar!” Grita Benner, e ela desce as escadas , já arrumada para sair. Ele sorri, e os dois entram no carro, seguindo viagem para o quê parece ser os seus empregos. 

    _Tive aquele sonho outra vez. 

    _O do Anticristo? 

    _Sim. Eu não suporto isso, é sempre o mesmo enredo e patético, onde sou o centro de alguma coisa importante, quando na verdade não sou. _Izzy. Eu sou o príncipe do Caos, e seu marido, nós já vimos Lúcifer, e ele te chamou de filha, como pode pensar ainda que não é especial? Você o libertou sabia? 

    _Não sem ajuda. Sozinha, ele teria continuado  preso, e o aconteceu depois disso? Ah é, ele me abandonou, e se fez ser notado pelo mundo! _Izzy. Lúcifer sabe o quê faz. Se ele ficasse do seu lado, certamente você iria sofrer as consequências de carregar o sangue dele, por isso se afastou. 

    _Pois eu preferia “sofrer as consequências”.  Do quê continuar sendo ninguém. _Mas você é alguém. É a rainha do primeiro reino do Caos. 

    _É? Mas quem sabe disso? Aliás quem teme , ou quer fazer pacto com Luciféria? 

    _Os vampiros Italianos?  

    _Não começa. 

    _Ué foi você que perguntou. 

    _Aff. Tá certo. Até mais, chegamos na escola. Ela desce do carro furiosa, e ele ri, observando-a partir, com sua saia longa, salto alto e blazer, como  se fosse a um enterro. “Essa é a minha mulher.” É o quê pensa apaixonado, e então dá a partida. Ela entra na sala, e todos param de fazer suas atividades, para se sentarem no seus lugares. A aula do dia, é sobre como o elo perdido foi desconsiderado, e que apesar dos estudos antigos mostrarem o homem como semelhante ao macaco, este era na verdade uma junção de todas as espécies de mamíferos, répteis, aves, e anfíbios. 

    _Então o Dr. Thomas John percebeu a discrepância na antiga pesquisa, e concluiu que a espécie humana é parente de todos os vertebrados, e não apenas o macaco, como se acreditava antes. _Professora Isabelle. Por quê defendiam tanto que o maior parentesco do homem era com o macaco? 

    _Devia prestar mais atenção na aula senhorita 

    Lina. Como disse Antes, por conta dos velhos estudos , que indicavam que 99.1% do DNA humano era igual ao dos primatas, concluía-se que o parente mais próximo do homem era este. _Professora Isabelle, então a teoria do  elo perdido na verdade é um erro? _Sim, Bill. Esse erro dos cientistas de acreditar que tinha apenas um elo, é uma piada. Já que agora foi comprovado, que o elo não existe, mas a conexão entre as espécies sim. _Professora essa descoberta do Dr. John , não abre ainda mais espaço para se defender a existência do elo? 

    _Sim e não Luíza. Pois a nova teoria de parentesco múltiplo, liga o homem aos vertebrados, mas não unifica todas as espécies. Bom já é 12:00, tenham um bom descanso, a palestra foi longa, e não mandarei dever de casa. 

    A bela termina a aula, e ajeita algo no computador, com um sorriso tristonho. Os alunos se despedem, e vão embora para os seus lares, porém quando a bela chega no corredor, se depara com um grupo de adolescentes de preto, que estão desenhando um pentagrama rubro no piso, e por isso para de caminhar, e observa o feito dos alunos. 

    _O quê estão fazendo senhoritas? 

    _Nada que seja da sua conta santarrona! _É, vai entrar no seu carrinho estúpido, e nos deixe em paz falou?! _Um pentagrama... Querem invocar algo eu presumo. 

    _E se quisermos? Seu Deus falso, não vai poder impedir! 

    _É, aceita que dói menos titia! 

    _O quê acham que são? Filhas do Inferno , que podem atormentar os outros por prazer? 

    _Não que seja do seu interesse, mas é o quê somos. Nós ouvimos o chamado do senhor das trevas! E iremos obedecer cada ordem do libertador! 

    _É nós vmos devastar, esse centro de ensino , para que o apocalipse se inicie aqui. _Vão para casa. Saiam disso. Satã não é senhor de ninguém, na verdade é um idiota , tão mesquinho e mentiroso, quanto o Pai. 

    _O quê você ousou dizer?! Satã irá cortar tua língua! 

    _Tá querendo morrer veia?! 

    _Vocês são uma piada.  

    A professora ri, e vai embora deixando as garotas góticas  para trás. “Essa vagabunda da Isabelle tem que pagar!” Pensa  a líder do grupo, e lhe lança um feitiço quebra ossos, porém ao receber aquela energia tão tenebrosa, a dama abre suas asas , e o poder da bruxa se torna inofensivo. Ao ver aquilo as jovens se apavoram, pois percebem que a educadora , é na verdade um anjo.  

    _Deixem-na em paz!  

    _Aaaah! 

    _Olá... 

    _Ela pode destruir suas almas se quiser. 

    _Sa-Satã... 

    _Pai. 

    _Olá minha garotinha favorita. 

    _Satã é seu pai?! Mas você é um anjo! 

    _Perguntem a Lilith, foi ela que me gerou. 

    _Isso é verdade. 

    _Você é filha de Lúcifer e Lilith?! _Não. Sou filha de Bruna, a bruxa mestiça que deveria reinar ao lado de Satã, segundo uma série tosca de televisão. 

    _As aparências realmente enganam não é? O rei do inferno, se transforma em uma pilha de pó, e rapidamente volta a sua forma humana, que é idêntica a do ator do programa de TV.  As meninas se escondem atrás da líder, e esta faz sinal para que se afastem, e se curva  aos pés do belo homem, que acha graça do fato,  e segura no ombro da professora. 

    _Você está aqui em busca da próxima Bruna, como A madame escuridão? 

    _Em primeiro lugar, eu detesto Bruna. Em segundo jamais procuraria pela próxima bruxa poderosa, pois depois de Lilith eu sou a única. 

    _Pode parecer arrogante mas é verdade, ela é a primeira da minha linhagem com Lilith, e portanto carrega mais genes divinos que os demais. 

    _Mas você odeia magia, só se foca em ciência e fatos concretos. Isso não tem lógica! 

    _Tenho minhas razões, não é papai? 

    _Ela me odeia porquê quis protegê-la, e dei fama e poderes as suas irmãs.  

    _E o quê isso tem a ver?  

    _Tem a ver que graças a esse idiota, eu não alcancei o meu status de Deusa, e por isso sofro humilhações nas mãos de humanos estúpidos feito vocês. 

    _Desculpe. 

    _É por ser tão simpática, que ainda não tem tantos  seguidores minha bravinha. 

    _Desculpa, mas sorrisos falsos não são pra mim. Olha com indiferença, enquanto os olhos vão para o teto, com certo desprezo, e ela cruza os braços. Ele ri e a abraça forte, ela fica com os braços colados ao corpo, evitando aquele gesto de carinho, o quê deixa as garotas horrorizadas, pois dariam suas almas para serem filhas. 

    _Igual a mãe quando sente raiva. São as únicas mulheres, que tem tanto poder sobre mim. _Não é o quê soube. Afinal sua filha com Inanna , tem o prazer de jogar isso na minha cara, enquanto está lá no topo por sua voz de sereia. 

    _Sexo e amor é diferente. Eu tenho responsabilidade por Victória, pois ela e o seu marido são frutos do meu deslize. Mas eu amo você e sua mãe. 

    _É um deslize antes e depois do meu nascimento. Tem certeza que nos ama mesmo? Eu duvido. _Está bem, não estou aqui para discutir o quê é o certo ou errado.  Vim para te ajudar, mas já vi que pode se virar sozinha. 

    _É o quê acontece, quando o próprio pai nos abandona no mundo! A gente tem que saber se cuidar! E aliás eu votei na família Messiânica pra presidente! 

    _Grande coisa eu fiz o mesmo nos E.U.A! 

    Ele berra, e ela vai embora fazendo o sinal do cotoco , ignorando todo o tumulto. Ao ver aquela discussão, as meninas notam que mesmo no Inferno há conflitos, como  na vida humana, e correm para abraçar o papai renegado, mas este faz um sinal para que não se aproximem, pois se sente muito triste pela rejeição da sua primeira e única filha com Lilith. 

    _Ela é uma grata senhor. 

    _Não, não é. Aquela menina sofreu demais por minha culpa, ela tem razões para me odiar. _Como pode defendê-la depois de tamanha recusa? 

    _Ela é filha do meu grande amor, e este amor se 

    estende até a minha menininha. 

    _Deixe-a ir senhor. Ela é apenas uma, enquanto nós somos muitas, e daríamos tudo para sermos suas filhas. 

    _Eu não preciso de mais filhas.  Preciso é de menos, e se querem tão desesperadamente o meu apreço , devem começar por ela. 

    _Mas senhor! 

    _Sem mais. Se querem ter alguma importância no inferno, devem fazer a minha princesinha se sentir como tal. 

    No dia seguinte... Isabelle está no computador, preparando o material para a aula do antigo DNA lixo, que agora é conhecido como DNA Ouro, pois graças a esta brilhante descoberta, que o Doutor John fez uma revisão da antiga pesquisa, que mostrava os humanos como parente mais próximos dos primatas, e isto seria útil para a futura prova. Uma das meninas do dia anterior, a olha sem jeito, e entra na sala. 

    _Veio trazer algum recado das suas amiguinhas adoradoras de Satã? 

    _Não. Eu vim pedir uma trégua, e que me ajude pois se as outras descobrirem, elas me matam. 

    _Por quê eu deveria te ajudar? 

    _Eu não levantei a voz para a senhora, ao contrário das minhas amigas. 

    _Mas também não teve coragem para ficar ao meu lado, então repito por quê deveria te ajudar? _Eu posso te tornar uma deusa, por quê acredito em 

    Você. Depois de ontem encontrei o seu site Senhora Noturna, e percebi que você não é só a filha de Lúcifer. 

    _O quê quer dizer com isso? 

    _Você é a Arádia. A nossa messias sagrada, que veio para proteger o povo da escuridão, e nos guiar junto do Anticristo. 

    _Ah meu outro segredinho foi descoberto. O quê acha que ganhará com isso? Fama, sucesso, poder? Não sei se notou mas sou só uma professora do segundo grau. 

    _Nada. Apenas poderei ajudar a minha mãe, a subir no trono que sempre lhe pertenceu. 

    _Do quê está falando?! A minha única filha é Isandra! _Não segundo essa marca. Eu sou filha de Arádia e o Arcanjo Miguel, portanto pertenço a  

    você. 

    _Como posso saber que isso não é um jogo de manipulação , para saberem as minhas vulnerabilidades? 

    _Porquê ela não está mentindo Luciféria. 

    Diz um homem de cabelos longos entrando no lugar, e a dama se afasta, empurrando o computador com as unhas pintadas de preto, totalmente atordoada pela figura. Sim era o próprio anjo que estava ali diante dela, confirmando a história da menina, e para ter certeza, este abre as asas, e seus olhos mel se tornam azuis, enquanto os dela ficam violetas, iguais aos de um dragão. 

    _Eu soube que tive filhos de Belzebu, mas de você? _Foi há muito tempo, quando desisti do céu para que pudéssemos ficar juntos. Infelizmente você morreu no parto, e Bael apagou sua memória para não te perder pra mim. 

    _E quem é a mãe dela desta vez? Posso saber? _Ela não tem uma mãe específica, foi feita no  laboratório, com os genes e a essência de  nossa filha Laura. 

    _Espera eu só posso produzir meninas? 

    _Sim, mas houve uma vez que gerou um garoto, só que  ele seguiu seus passos e virou bissexual. _Faz sentido. Desculpe Laura, eu não me recordo mesmo, mas isso não significa que vou te abandonar certo? Agora se me derem licença, eu preciso ir  para a minha vida humana. 

    Ela tenta sair daquele local, mas o arcanjo segura no seu braço, e lhe diz algo no ouvido. Ao ouvir tais palavras, ela engole aquilo com desgosto, e lhes dá as costas. “Qual o tipo de vadia que eu fui na outra vida? Já é o 5 filho que me aparece.” Pensa entrando no carro, e então dirige para a casa. 

    Ao contrário do quê se possa imaginar, a professora não mora numa casa qualquer, mas sim numa enorme  mansão, com detalhes antigos, e não é o seu salário que arca com isso, mas sim os seus investimentos em ações da bolsa. Ao vê-la a pequena Isandra corre para lhe abraçar, e as duas entram na casa. 

    Benner está sentado na frente do computador, verificando os lucros da família Calligari de La Cruz, mas ao vê a esposa e a filha larga tudo, e vai lhes dá atenção. Os três entram numa sala escura, onde tem um sofá marrom bem confortável, com uma gigantesca tela de plasma, e todos os tipos de eletrônicos , de realidade virtual, que se possa imaginar. Cada um coloca o seu capacete, e então os três vão para outra realidade, que se passa no tempo medieval, mas tem muitos detalhes bem futuristas, na qual Isabelle é um anjo, Benner um arqueiro demoníaco, e a filha uma curandeira. 

    _Lá vem o dragão! 

    _Se abaixa Isa! 

    _Você também Izzy! 

    _Socorro! 

    _Isaaa! 

    _Izzy!  

    _Mãe! 

    _Deixem comigo! Grito de Tiamat! 

    _Flecha da Fênix! 

    _Cura mágica! 

    Ondas devastadoras saem dos lábios de Isabelle, e ela flutua no ar. Uma fênix gigante em forma de fogo, cobre o gigantesco dragão, e este gargalha sem parar, enquanto o escudo protege a família. O dragão se transforma em um homem de longos cabelos pretos, e olhos vermelhos, que quebra a cúpula de energia, e sequestra a avatar ruiva. 

    _Mamãe! 

    _Isabelle! 

    _Benner! Isandra! 

    A dama grita e então todos retornam para a mansão, menos Isabelle, que é puxada para a França.  Onde acorda nos braços de um homem semelhante ao avatar, mas de olhos castanhos quase vermelhos, em vez de brilhantes cor de rubi. Ao ver que não voltou para casa, ela tira o capacete em estado de choque , e se afasta da estranha figura loira e vitoriana, pegando a primeira faca que aparece para se defender. 

    _Quem é você?! E o quê quer comigo?! _Sou um velho amigo, que tem te acompanhado  a vida toda. 

    _Você se ferrou. Miguel apareceu ainda pouco. 

    _Não sou Miguel. Sou Bael. 

    _Bael não é meu amigo, e você não é Belzebu. 

    _Garota eu te transferi do seu país para o meu , enquanto estava jogando. Literalmente distorci a realidade ao meu bel prazer. Tem certeza de que não sou? 

    _Tem uma possibilidade de 75%. _Sempre cabeça dura.  Quer que te prove de  outra forma? 

    Os dedos com unhas grandes seguram o rosto da bela dama, enquanto ele sorri pronto para beijá-la, mas ela se afasta dando um passo para trás, com o olhar de nojo. Ele revira os olhos bem irritado, e a pega pelo pulso, levando-a a força para o sofá, onde a joga de mal jeito, fazendo-a fechar as pernas com rigidez, por temer que ele veja o quê tem por baixo da sua saia longa. 

    _Acabou o romance? Que rápido! 

    _Você é uma idiota. 

    _Me trouxe da América do Sul, só para me xingar? 

    Eu devo ser muito importante mesmo pra você! 

    _Você é, e sabe disso. Não se faça de tonta. _Certo. Eu estaria horrorizada, se não tivesse sido quase abduzida por você há 4 anos. Pode falar então por quê me sequestrou dessa vez? 

    _Estava com saudades. 

    _O idiota agora é você pelo visto. 

    _Eu não pude resistir. Você e sua família devem ir para o subsolo, daqui há 3 horas  se quiserem viver. 

    _Por quê? 

    _Tenho planos para iniciar a fundação do Novo Mundo. Por isso estou te avisando. 

    _E a minha casa? Eu levei 3 anos para conseguir a mansão!  

    _Ah para de choramingar. Eu te arrumo 3, em apenas 4 minutos. 

    _É se me tornar a Senhora Zebu. 

    _Não, isso vai ser em breve, mas não vem ao caso. Apenas arrume as suas coisas, e vá para o local indicado. Quando sair de lá, tudo estará  normal. 

    _Eu nunca vou me casar com você! _Disse isso da outra vez, mas aceitou de bom grado, minha querida Ishtar. 

    _Me mande logo para casa, e nunca mais me chame por esse nome maldito, dado em homenagem a sua primeira esposa. 

    Diz dando as costas para o homem, que segura em seu ombro, e lhe dá um aparelho com as coordenadas  do local para onde ir. Ela pega o tablet, e ele lhe dá um  abraço forte, como se quisesse evitar o seu sofrimento, porém ela não retribui, age da mesma forma que fez com o pai, e ele se obrigado a apelar, e a beija  

    no rosto, perto da boca. 

    _Se controle. Tudo o quê aconteceu foi há  mais de mil anos. 

    _Pra mim foi ontem. Há alguém mais que queira proteger, e alertar? Meus homens podem cuidar disso. 

    _Deixa que eu mesma aviso. Quanto tempo ficaremos lá?  

    _Até a fumaça se dissipar.  

    _Fumaça? 

    _Para o novo mundo existir, o velho precisa ser destruído. Em breve saberá mais detalhes. 

    _Eu tive muitas visões...Não é o quê... _É exatamente isso, e enquanto o seu poder  não for desbloqueado, é melhor que esteja em  segurança, junto dos seus amados. 

    _Não vai me separar deles vai?  _Não, mas quero que coopere e nos ajude a  libertar o seu poder. 

    _Por quê? 

    _No novo mundo, o homem vai caçar as bestas, e só eu não vou poder proteger a todos. _A velha história do Anticristo e a Messias negra. _É, mas não iremos nos casar, a não ser que queira. 

    _Pode ter certeza que não quero.  _Então assim será, mas te garanto que não vou desistir, não programei todo o mundo , para ficar sem a princesa no final. 

    _Me manda pra casa! 

    Ela grita com raiva, e ele a manda de volta para a mansão. O corpo dela se materializa, e a bela retorna para o lar. Tudo está escuro, e Isandra e Benner foram atrás dela. Sem pensar duas vezes, pega o telefone, e liga para eles. Infelizmente não há sinal, por isso ela pega o punhal na gaveta,  e vai atrás deles. 

    Há um céu cinza, com névoa por toda parte. Em vez de usar os sapatos altos, ela está com uma bota de plataforma baixa, e uma bolsa preta com a alça envolta do corpo, na qual guardou a lâmina. Ela sai da moradia, olhando para os lados em total desespero, preocupada que não os ache a tempo. 

    _Bael? 

    _Oi. Precisa de ajuda? 

    _Sim, essa sua manobra idiota, custou a minha família! 

    _O quê? Como assim? 

    _Eles desapareceram! Se isso foi alguma armação sua, eu juro que vou libertar meu poder pra te matar! _Se acalma princesa mimada. Eu vou localizá-los, e os mandar para o bunker em segurança. 

    _Eu não confio em você! 

    _Vai precisar. Desça e aguarde a minha ligação. 

    _O estranho é que seu número funciona. Bael! _É criado para ser um número de emergência,  por isso funciona. Agora desça. 

    _Eu... 

    _Eles estarão lá acredite em mim. Até mais. 

    _Bael! 

    _O quê é? 

    _Vou escrever uma lista de 10 pessoas que quero proteger. 

    _Ainda bem que não é amada pelo mundo, senão não iria me deixar destruído. Vou salvar todos. 

    Ele desliga, e ela fica preocupada, em vez de obedecer, pega o carro, e vai para a cidade. Ao perceber que ela não o ouviu, o anticristo se enfurece, e toma controle do veículo prendendo-a contra o banco, com o cinto de segurança, que agora é feito  de nano filamentos  automatizados, e por isso podem ser manipulados por hackers. 

    _Não pode ir pra cidade sua maluca! 

    _Você não vai me impedir de salvá-los. 

    _Eu já disse que vou te ajudar! 

    _Eu já disse que não confio em você! _Ah finalmente! Pronto! Eles estão há 10 km de você! E ainda tem 2 horas para achá-los! Se acalma! 

    _Avise-os. Eu vou até lá! 

    _Eu vou te guiar.  

    _Avise-os! 

    A voz do rádio para de responder, e ele lhe devolve o poder de dá a partida. A professora dirige até o local indicado, e não  acha ninguém ali, por isso pega o seu celular e volta a ligar para os seus familiares. Novamente não há sinal, e por isso ela bate violentamente contra o painel, com tanta raiva que parte do  seu poder desperta, e ela quebra o motor. “Porra!” Grita furiosamente, e se agarra ao volante entre lágrimas. 

    _Luciféria? 

    _O quê quer?! Me mandou pro meio do nada! 

    _Levante o rosto... 

    _Leviroth!  

    Ela abraça o marido, e olha para o lado procurando pela filha, mas ele explica que a menina está dormindo dentro do carro, pois desmaiou após caminhar por horas, procurando a mãe. Ao ouvir isso, a dama se sente culpada, e se lembra de Laura, que deve está em casa sem saber o quê está para acontecer. 

    _Bael? 

    _Sim.  

    _Por favor avise Laura Miller e Nicolas Miller. 

    _A sua aluna e o pai? Por quê? _Ela é uma das minhas futuras aprendizes, e aquela que já demonstrou lealdade, ela merece isso. 

    _Tudo bem mais sua lista de 10 pessoas com conexões, fecha aqui ok? Não sou Jesus para  salvar todos. 

    _Na verdade é sim. 

    _É mas o “todos” a que me referia eram os meus escolhidos, o resto são pecadores. 

    _Agora a bíblia faz sentido. 

    Brinca e o demônio ri desligando o aparelho. Ao notar algo errado, o príncipe do Caos quebra o rádio, e entra no veículo. Sentando-se com ela, no seu colo. Ele lhe dá uma  mordida no pescoço, tentando arrancar a toda a verdade  dela, mas a mulher percebe, e ri da tentativa. 

    _Está bem eu conto demônio chato. 

    _Então não perdi o jeito. 

    _Laura é minha filha. Minha filha da época em que era Arádia e Miguel caiu. 

    _E Nicolas é  Miguel. 

    _Sim, ele tem cuidado sozinho da Laura, e ela é uma boa garota mas tem andado com más companhias. 

    _Já se apegou a garota. 

    _Sim. Promete que não vai armar pra ela morrer? 

    _É claro. Elisa foi uma lição. 

    _Se algo der errado, eu mesma a destruo. 

    _Está bem. 

    Ele a abraça, e os dois mudam de carro. Ao entrar no Saveiro prateado do marido, ela encontra a filha dormindo, enrolada na sua jaqueta, e sorri, fazendo carinho na cabeça do seu par. Eles seguem até uma estação abandonada, na qual encontram outras famílias sobrenaturais, que aguardam  pelo metrô. Laura e Nicolas, estão no canto, junto das  amigas da filha de Isabelle, e isto não lhe agrada nem um pouco. 

    _Fiquem aqui. 

    _É a Laura Miller? 

    _Sim. 

    _Izzy. Faltam 23 minutos para o trem chegar. 

    _Eu resolvo isso em 2! 

    Diz caminhando em direção a adolescente e as amigas, e para diante delas, olhando para Laura com bastante fúria. Ao vê-la entre o sobreviventes a menina arregala os olhos, e cospe o sorvete que o pai comprou. Sem dizer uma palavra, a garota vai até a professora, e as duas se afastam. 

    _Eu quis te proteger. Não essas inúteis. _Elas são minhas amigas Isabelle, não podia deixá-las morrer. 

    _Aliás cadê a rainha boca suja de vocês? 

    _Essa daí eu posso deixar pra trás. _Está dando um golpe de estado? É isso que Nicolas tem te ensinado? 

    _Mãe eu preciso assumir o meu lugar. 

    _Se é um lugar roubado. Não é para ser seu. _Você teria feito a mesma coisa no meu lugar. 

    _Não, eu teria deixado Todas para trás, ou escolhido quem fosse leal a mim. Essas garotas não gostam de você Laura! Elas só gostam de permanecerem vivas! _E o quê quer que eu faça?! Deixar que todos me odeiem como você?! _É melhor ser odiada por idiotas, do quê ser amada por eles por 2 minutos, e morrer com uma faca cravada nas costas. _Ninguém nunca vai te matar, porquê não tem uma pessoa te seguindo. _Escute aqui pirralha. A única razão para sobreviver a este Armagedom, é porquê o Anticristo me escolheu. Então dobre a língua ao falar comigo. 

    Diz furiosa, e se afasta da garota, indo para a sua outra família, que a recebe de braços abertos, e sorrindo. Laura estava iludida, sobre o quê ter poder, e se chateia muito , ao ver que a irmã, é muito mais parecida com Arádia , do quê ela, por isso engole sua raiva, e volta para as amigas. 

    Isabelle se senta ao lado de Benner, e carrega Isandra no seu colo, enquanto revisa os nomes das 10 pessoas que ela escolheu para sobreviver. Os primeiros 4 nomes são os mais conhecidos. Não é porquê ela e as amigas perderam o total contato, que ela não iria lhes querer bem. Infelizmente o nome de Natasha é riscado, pois esta se recusa a “Viver em paz, em cima de um castelo, que é sustentado pelo sangue de negros e homossexuais.” Ao ler isso a bela ri com compaixão. 

    Natasha tinha sido tão cegada pela mídia, que nem era capaz de perceber, que não havia mais distinção entre os ricos e os pobres, mas sim entre os seres paranormais, e os humanos. Nada era mais azul ou branco, e sim um perfeito e profundo negro, que unificava as espécies mais fortes. 

    O trem chega e as portas se abrem. No tablet de Isabelle se encontra a recomendação de que siga no segundo trem com a sua família. No entanto por manipulação da própria, Laura deve mandar as amigas no primeiro, e pegar o  próximo. Sem sequer se despedirem da menina , as bruxas entram no transporte. 

    É quando Laura percebe que não tem mesmo amigas, pois estas seguiram o caminho, abandonando-a para trás, por acharem que há mais chances se entrarem no primeiro trem. Ao ver isso Nicolas abraça a menina, que chora sem parar, implorando para que fiquem com ela, mas as garotas só prezam por sua sobrevivência. 

    O segundo trem chega, e por ironia do destino, ou mesmo manipulação do anticristo, Isabelle, Benner, e Isandra, dividem o dormitório com a família Miller, que fica feliz e triste por se juntarem aos De La Cruz. Nicolas e Benner se encaram de imediato, e Isandra e Laura também, o quê faz Isabelle se sentir desconfortável, ao ponto de se sentar no meio deles. 

    _Isa diga olá para Laura, ela é sua irmã. Sim Benner. Nicolas é Miguel. Sim Miguel , Benner é o Rei Leviroth. _Olá “irmã.” _Olá “irmãzinha”! 

    _É um “prazer” Nicolas. 

    _Digo o mesmo Benner. 

    _Por favor não briguem.  

    _Não tenho porquê mamãe.  

    _Eu menos ainda mãe. 

    _Posso conviver com isso. 

    _Eu também. 

    _Alguém me trás muita cerveja! 

    _Eu quero 1! 

    _Eu quero 3! _Isandra Sônia Calligari De La Cruz, Você não tem idade para beber. 

    _Nem você Laura Irina Miller! 

    _Pelo menos concordaram em algo. 


    Capitulo 6 – O Ataque 

    O vagão para por um momento, ao chegar diante de um túnel. A família De La Cruz e os Miller acordam de seus sonos leves. Um grupo de serviçais de branco e mascarados, entra nos quartos, com bandejas, nas  quais se encontram máscaras de aves, para impedir a entrada do ar. A maioria delas é de corvo, mas há uma de coruja, que traz um bilhete específico para Isabelle. “Os líderes devem ser distintos dos sobreviventes. Você entrou no transporte vip do Inferno, aproveite a sua estadia.” Ao ler tais palavras, ela engole seco, e coloca a sua proteção estilizada. Curiosa para saber o quê está havendo, a bela cutuca um dos serventes. 

    _Qualquer um pode colocar essa máscara? _Não senhorita. O senhor Bael disse que a coruja é especificamente para você. 

    _Por quê precisamos das máscaras? 

    _Logo entraremos no Novo Mundo. Mas para este Nascer, o velho deve deixar de existir. 

    _Será uma bomba de gás? _Sim. Queremos destruir os impuros, não o planeta. 

    _Está bem. O quê ele faz? 

    _Logo verá em primeira mão. 

    A mulher sorri, colocando a máscara de pombo negro, e se retira. Após todos se vestirem adequadamente, um alarme é ressoado, e  se abre uma porta no escuro. Dentro de cada corredor, desce uma tela de plasma, que transmite o quê está ocorrendo no mundo  afora. O caos se espalha por cada continente, muitos se escondem nos bunkers, e bem ao lados dos trilhos, é possível presenciar toda a confusão. O gás é inspirado pelos cidadãos, que foram pegos  desprevenidos, e estes morrem em questão de segundos , vomitando sangue. O metrô do novo mundo para. Os que estavam conspirando contra o sistema, surgem em grande escala, e tentam abrir as portas. Há uma mãe segurando um bebê recém-nascido nos braços, que não para de chorar, com a sua pequena máscara de gato azul. Ao vê-la Isabelle, corre para lhe ajudar, só que antes que chegue a porta, surge uma mulher leoa. “Uma cobaia de Thomas John?” Nicolas conclui, ao olhar para a marca de um T e um J entrelaçado nas costas da criatura, que está a devorar os órgãos saindo do peito da mãe, com a boca toda suja de vermelho, enquanto o bebê mole se rasteja pelo piso, tentando sobreviver, machucado por suas garras. “Ele vai morrer!” Isabelle grita ao ver a criança. Notando o olhar de Nicolas e de Benner, ela percebe que ninguém está disposto a ajudar, por isso escapa pelo meio da  multidão, e abre as portas deixando o gás venenoso entrar. A bela coruja corre até o bebê, e a mulher leoa sente o seu cheiro. “Isabelle!” O outro ser com fantasia de coruja, fica apavorado pela situação, só que por medidas de segurança, o esquadrão dos brancos, fecham as portas. “Eu sou o chefe de vocês! Não podem deixá-la para morrer!” Discute com a equipe das aves noturnas, e enquanto isso Benner e Nicolas tentam sair para salvar a jovem mulher. “Eu, eu vou te proteger.” Ela diz com lágrimas, pegando o pobre bebezinho, que não para de chorar. Os seus berros são detestáveis,  só que naquele momento, tudo o quê quer é salvá-lo. A barriguinha dele, está coberta pelo fluxo escarlate, que não para de sair. “Não, não, não”  Ela abraça o menininho, segurando sua cabecinha chorona, ao correr da leoa humana. Porém esta pousa na sua frente, e atira a cabeça da mãe, ao seu lado. Fazendo-a ficar rígida de medo. 

    _Me dá a sobremesa. 

    _É uma criança! Não pode fazer isso! 

    _Ele iria crescer e destruir o novo mundo! 

    _O quê? 

    _O olho de Deus nos mostrou o futuro. 

    _O futuro não é inalterável. 

    _A única chance do mundo prosperar é se ele morrer. 

    _Então o mundo vai ser destruído. 

    Por quê eu não vou entregá-lo! 

    Ela grita, e a fera vai para cima dela. Ao ouvir o rugido, Benner, Bael,  e Nicolas, olham para a direção da moça, e ficam em pânico, pois há  uma falha na contenção, e sua roupa é rasgada, fazendo-a absorver   a névoa venenosa. Ela grita, e gotas vermelhas mancham o piso de  azulejo branco. Pouco a pouco, sente o veneno fazer o efeito, e se torna difícil respirar, só que ainda sim não larga o  nenê. 

    _Já chega Esfinge! 

    _Mas senhor ela está com o bebê! _Não importa! Encoste um dedo  nela, e eu juro que te mato! 

    _Sim senhor. 

    Esfinge se retira do local, e o anticristo vai até a moça, que segura o menininho contra o peito, cuspindo sangue sem parar. Ele a pega em seus braços, e passa a mão em seus cabelos, vendo-a empalidecer cada vez mais. “Isabelle que bobagem foi fazer?!” Pensa ao olhar para os seus braços, que seguram o garotinho, que também está prestes a morrer. “ 

    Isso foi idiota! É apenas um mortal!”  Mostra o olhar desaprovador 

    , então a bela agarra em sua gola com a mão livre, e o olha 

    implorativa. 

    _Salva o meu bebê. 

    _O quê? Surtou? A mãe dele é outra! 

    _A mãe dele sou Eu agora. _Isabelle não! Você vai ter que ficar pra trás se o quiser! 

    _Odin. Odin é o nome dele! 

    _Você está morrendo! 

    _Salva o meu bebê! 

    Ela berra em desespero antes de desmaiar no seu colo. Notando que não há como convencê-la de abandonar o garotinho, ele descobre o rosto, e morde o seu pulso, sugando o próprio sangue, para guardar na bochecha. Os lábios não param de pingar, e por isso ele transmite a cura da morte para ela com o  seu beijo fervoroso, que não é retribuído. Os olhos se abrem, mas não são  cor de mel, e sim violetas azulados, semelhantes aos de um dragão. Ela percebe  que foi salva por ele, e lhe bate para que ajude a criança também, obrigando-o a alimentar o bebê, como se fosse um passarinho. O olhinho da criança se abre, e a bela sorri, estranhando aquela reação o anticristo fica  desconfiado.  

    _Por quê fez isso? 

    _Eu não suportei ver um bebê morrer. _Para o novo mundo existir sacrifícios serão feitos, precisa se acostumar. Não vai poder salvar todas as crianças do mundo. 

    _Eu sei. Mas quem puder salvar com toda certeza eu irei. 

    _E o quê vai fazer com isso? 

    _É um menininho. 

    _Tanto faz. Não pode entrar no bunker com ele. 

    _Então eu vou ficar aqui. 

    _Ah não. Eu não te avisei como proteger os seus amados, para você ficar no velho mundo. 

    _Então terá de aceitar a mim e o  bebê. 

    Benner e Nicolas se aproximam com as meninas, que ficam assustadas pela forma como mãe segura o bebezinho. É claro que ninguém aprova a decisão da moça, mas como Bael tem autoridade sob o conselho, ela entra no transporte, e é levada para o novo mundo. Todos ficam descontentes pela conexão que ela teve com o recém-nascido, e por isso quando esta dorme ao lado do bebê  e as suas filhas, estes se reúnem fora do vagão, e discutem sobre o quê  está havendo. 

    _O quê foi aquilo lá fora? 

    _Acho que tenho uma ideia. 

    _Também acho. 

    _Desembuchem. Ela é a mulher mais complexa do mundo, não deu para ler todos os seus arquivos. 

    _Isabelle sempre quis ter um menino. _Mas de acordo com os avanços científicos , ela só pode produzir meninas. _Então ao ver o menino que perdeu a mãe, ela não perdeu a oportunidade... _Sim. Ela o chamou de Odin não foi? Odin é o nome que daria para o  nosso filho. 

    _Ela deve pensar que é coisa do destino. Ninguém vai separá-la desse menino. _É mas segundo o olho divino ele é  o homem que vai destruir o meu império. 

    _Não vejo mal nisso. 

    _E eu menos. 

    _Típicos dos homens que não fazem a diferença. 

    No dia seguinte... Isabelle cuida da criança que adotou, com a ajuda da  equipe de cientistas do anticristo. Em vez de se opor a criação de Odin, o belo e ardiloso homem de negócios, se aproxima da bela e o novo filho, e tenta manipulá-los. “Leviroth não quer ser o pai dele, não é? Eu assumo  a responsabilidade.” Ele se oferece para dar seu sobrenome ao novo membro da família de Isabelle, e ela nega com educação, pois  ao que parece Leviroth aceitou o nenê. 

    _Ele tem o meu DNA. Eu o salvei da morte. 

    Mereço ser o pai dele. 

    _Bael. Benner já aceitou. 

    _Mas fui eu que salvei vocês. 

    Não é justo. 

    _Qual é o seu interesse no Odin? 

    _Ele vai destruir o meu império Isabelle. Mas acredito que se for o pai dele, posso mudar isso.  

    _Vai manipular ele? 

    _Se eu for um bom pai, não haverá razões para odiar o quê construí _Na boa Bael. Cê surtou. 

    _Me dá ao menos uma chance. 

    _Não. Ele será um De La Cruz. 

    Não um Baltazar. 

    Benner chega a estufa onde a esposa brinca com o bebê, e se depara com ela e o anticristo conversando de maneira bem íntima. Seus olhos ficam vazios, e este se recorda de quando ela estava para morrer, e ele a tomou nos braços, acariciando o seu rosto, e lhe dando sangue com um beijo. É claro que ela não retribuiu, porém na mente do príncipe do Caos, este ato de heroísmo poderá custar tudo o quê ele batalhou para manter, o seu casamento. Simulando uma tosse, ele dá passos longos para perto da amada, e o bebê, e a beija com carinho, mas  quando os lábios se desgrudam, encara o rival. _Eu pensei que era contra a adoção do menino Odin. _Ele carrega o nome do único Deus acima de mim,  e ao qual eu respeito. Além disso veio para te destruir, é o suficiente pra mim. 

    _Não precisa disso. O pai de Odin é o Benner, não há discussão. 

    _Não me obrigue a isso. 

    _Obrigar a quê ? 

    _O quê está escondendo? 

    _Esse menino é meu filho com aquela mulher. 

    _Você é o pai biológico do Odin?! 

    _Sim, e ela é a mãe biológica dele. _Opa. O quê aconteceu naquela abdução  há 4 anos?! Eu não me lembro de muita coisa.  Só de um lugar branco como um laboratório  alien, e está muito drogada. 

    _Nós colhemos seu material genético. 

    Foi assim que Nicolas reviveu Laura, e eu criei esse bebê. Só que ao perceber o quê ele faria, dei a ordem para impedir a continuação da gravidez. 

    _Vocês realmente abduziram minha mulher, para fazer experiências bizarras?! 

    _O quê você fez? 

    _Não foram tão bizarras. Ela tem o sangue e a essência de Lúcifer, era perfeita para o meu herdeiro. 

    Eu mandei matar a barriga de aluguel, e ela fugiu , descobriu que sou o anticristo, e se juntou aos conspiradores. 

    _Não há escrúpulos pra você mesmo. 

    _Você tentou assassinar meu único menino? 

    _Isabelle você tem vários filhos mundo a fora. 

    Odin é um de milhares. 

    _Eu ia ver a morte de um ser que é DNA do 

    meu DNA. O único menino que pude ter, e você ia  tirá-lo de mim! Nunca mais se aproxime da gente! 

    Grita furiosa, pegando o bebê no seu colo, que não para de chorar, e sai da estranha instalação. Bael bufa de raiva, e Benner o encara com indiferença. Fica claro que logo vão discutir, mas mesmo assim o belo loiro, respira fundo, e abre espaço para que se sentem a mesa, e conversem de forma civilizada. O marido se acomoda, e junta as mãos com um sorriso de fúria, enquanto o senhor  do novo mundo, apenas aguarda o quê está por vir. _O quê queria com esses herdeiros sintéticos? 

    _Um exército de seres fiéis a mim e a minha rainha. 

    _Ela é a Minha Rainha.  

    _Não por muito tempo. No outro mundo você é alguma coisa. Aqui eu sou, e não sei se lembra mas a sua amada ama tudo o quê se refere a minha cultura diabólica. 

    _Ela ama tudo o quê se refere ao Pai dela. _Ou será que é ao seu verdadeiro marido? Nunca houve um divórcio adequado, esqueceu? 

    _Luciféria morreu Bael. Esta é Isabelle. 

    Elas não são a mesma pessoa. 

    _Então terei que te roubar Isabelle também. 

    Porquê ela tem o espírito da minha Lucy. _Depois de tentar matar o Odin, ela nunca vai  te querer. Não importa quantas vezes venha a salvá-la. 

    _Ah qual é. Eu fiz coisas bem piores na outra vida, e ela ainda sim casou comigo, e tivemos a Memphis  , da maneira tradicional. 

    _Que ela foi obrigada a matar, porquê tentou eliminar Elisa e Marisa.   

    _Mas ainda sim a tivemos. 

    O loiro ri com malícia, e o demônio se controla para não acerta-lhe um golpe. Horas mais tarde...A jovem mulher olha para o bebê, e este ri para ela. As filhas não se sentem felizes com tanto apego, e reviram os olhos. Isandra e Laura partem pelos corredores, e vão até Nicolas que está sentado no refeitório,  falando seriamente com Leviroth, que demonstra desagrado, porém  não para com ele, e sim com a ousadia do seu rival. 

    _Não queremos ter um irmãozinho! 

    _É verdade papai. Já me basta a Laura! 

    _Hey!  

    _Desculpa Laura. Você é legal, mas não é aquele moleque remelento, que nem tem o nosso sangue. 

    _Isso é verdade. Que amor é esse?! 

    _Acalmem-se as duas. 

    Nicolas respira fundo, e os pais puxam as cadeiras para as garotas, que se sentam com alguma dificuldade. Os pais se entreolham, com a certeza de que as duas crianças mimadas tem tendências psicopatas, e podem fazer como a filha de Bael. Por isso tomam as rédeas da situação, e tentam evitar o quê pode acontecer, para que Isabelle não tenha que se voltar contra  as meninas. _Odin é irmão de vocês _O quê?! 

    _Como assim?! Isabelle pulou a cerca?! 

    _Laura! 

    _Não, ela não pulou a cerca. Pelo que o idiota do meu irmão explicou, foi criado por manipulação genética. 

    _Em laboratório? 

    _Como eu? 

    _Ao que parece sim. Não consegui destruir todas as amostras de DNA de Isabelle pelo visto. 

    _Então foi assim que conseguiu o material genético dela? 

    _Foi? Papai achava que era de maneira tradicional. _Eu também achei, até papai me contar que  sai de uma barriga de aluguel, de um clone dela. 

    _Nunca pensei isso. Isabelle não pularia a cerca uma segunda vez Isandra. 

    _É? Pelo ciúme que sentiu da mamãe, duvido viu? _Senhor De La Cruz posso assegurar, nasci  em uma instalação de pesquisa genética. 

    _Podemos nos focar em questões mais importantes? 

    Isabelle e Bael tem um filho. Isso não é assustador? o quê ele ganha com isso? 

    _Uma ligação eterna com Isabelle. Está convicto de que ela pode voltar a mesma Lucy, que largou todos os que amou, para ser sua rainha. 

    _Minha mãe já teve um caso com ele? 

    _Arádia e o Novo Senhor do Inferno? 

    _Sim. Houve uma época, que ela sentiu um ódio extremo do pai e a mãe, de mim e Leviroth, e se juntou a ele. _Não só isso. Destruiu milhares de povos, julgando-os a favor do seu então marido. 

    _Como Ishtar. 

    _Ela também é Ishtar? 

    _É um lado sombrio da vida da mãe de vocês. Só que tudo começou por causa de um  

    Bebê. 

    _E agora está se repetindo... 

    A dama coloca o bebê para dormir, e sente uma forte pontada na cabeça, que a faz se debater contra o vidro da janela.  Um vulto negro surge e a carrega, embora  se pareça muito com Bael, não é ele que vem acudi-la, mas sim o seu pai, que a deita na cama, e a cobre notando a sua palidez. “O quê ele fez contigo?” Passa a mão na cabeça da filha, que está ardendo em febre, e suas veias brilham um forte  tom de roxo florescente. Fazendo-o entender o quê houve. Furioso este sai do  quarto, e vai atrás do anticristo, pronto para corrigir o seu filho rebelde, da mesma forma que o seu pai fez com ele, quando descobriu que ele lhe roubou, o seu bem mais precioso, a sua rainha. No caminho, este se depara com Victória e o neto Dave Haster. Ao vê-lo a mulher com roupas de caveira, corre para o abraçar, e este o retribui relutante. 

    _O quê foi pai? 

    _Isabelle foi infectada com a essência de Caesta. 

    _E o quê isso significa? 

    _Significa que seu irmão Bael, está tentando matar Isabelle, para reviver Ishtar  outra vez. 

    _Mas Isabelle é Ishtar  não ? 

    _Sim, e não. Ishtar é uma das 3 personalidades da sua irmã. A  1-Luciféria Lilith II, o anjo justo. A  2-Nahemah Hela, a deusa do julgamento. E por fim a 3 é Babalon Ishtar. 

    _Isabelle é Babalon?!  

    _E também é Koré. 

    _Mas Babalon é a prostituta e Koré a virgem! 

    _São estágios da vida da sua irmã. Ela foi Koré, a meninas dos olhos de Bael, e se tornou Babalon, a mulher dele. _Isabelle e Bael são realmente casados?! _Não exatamente. Ela como Babalon Ishtar é a mulher dele, mas como Isabelle é mulher de Azazel. 

    _Então Bael quer exterminar as outras duas versões dela, para só uma existir? _Sim. Babalon surgiu de todo o ódio que sua irmã sentiu por cada sofrimento, ela é o lado mais negro que existe nela. 

    _Então o quê ocorre se ela virar Babalon? _Ela se torna a Messias Negra das verdadeiras trevas. 

    _E  isso quer dizer? 

    _Que não há um futuro livre para as próximas 

    gerações. 

    Ele respira fundo, e Victória fica catatônica. Isabelle  gira de um lado para o outro, sentindo-se desconfortável. Corpos estão espalhados por toda parte, queimando em brasas ardentes. Sua mão segura uma espada e um estandarte, como se fosse uma amazona egípcia. Seus pés caminham pelo chão, cobertos de sangue. O medo lhe preenche o âmago. Que criatura grotesca teria feito tamanha chacina no antigo Egito? Sua respiração se torna ofegante, o coração palpita rapidamente,  e logo esta começa a correr pela areia. Há risadas em uníssono, e isto a deixa desconfiada. “Inanna.” Pensa com certeza e raiva em seu olhar, dando  passos longos em direção as vozes. Uma mulher, com o corpo pouco coberto, vestida de branco, está sentada no colo do Deus do local, com um cálice dourado em suas mãos.  Ao vê-la sorridente e maléfica, larga suas armas, em estado de  pânico. Os lábios da mulher misteriosa, beijam os lábios profanos do Deus iniquo. A mão do homem pálido, e de olhos vermelhos, agarra os seus cabelos  ruivos, e eles se encaram como dois dragões prestes a acasalar. As suas unhas negras  arranham carinhosamente a coxa dela, enquanto as mechas dos longos cabelos lisos, caem sob suas pernas, fazendo-a corar e abrir seus olhos violetas. Ao assistir a cena, a bela, fica de queixo caído. “Por favor não faça isso!” Grita em sua mente, ao tapar o rosto com os dedos abertos, e os olhos arregalados. Por não  conseguir suportar ver a cena, já que a mulher de cabelos 

    de fogo é ela mesma, em outra vida. Aterrorizada, pela visão que acabara de  ter, dá passos errados e escorrega para trás. Ao vê-la os demônios sorriem, e vão ao seu encontro, avançando em seu corpo, e beijando-a dos pés a cabeça, até Babalon desaparecer ao entrar no seu corpo, fazendo-a se sentir muito atraída, pelo novo Senhor do Céu e do Inferno. 

    _Você vai ceder a mim. Sempre cede. Basta sofrer o suficiente. 

    _Aquela, vadia, ali, não, sou, eu! 

    _,É uma parte sua. Uma parte que sempre desejou  toda a minha escuridão e iniquidade. 

    _Para! 

    _Você ama o Inferno, porquê ama a mim. 

    _Não! Eu! Não! Te amo! 

    _Ama sim. Pare de fingir o contrário. 

    _Não...Não... 

    Ela sente os dedos dele em suas costas, logo está com a roupa da Deusa Escarlate, e a sua coroa. “Eu não sinto atração, eu não sinto atração, eu não sinto atração!” É o  quê repete na sua mente, tão concentrada em não sentir, que é pega desprevenida no escuro, e ele a beija com ferocidade. De inicio ela não retribui, mas seu corpo reage contra a sua vontade, fazendo-a sentir algum prazer ao ser dominada, pela poderosa criatura. A língua dele entra em sua boca, por vários minutos, deixando-a sem ar, enquanto eles giram no meio do nada, como fantasmas se tornando um só ser 

    , de duas cores, a luz violeta, que se torna levemente rubra e a ausência de cores, o Ayin. “Eu Não...” Tenta o impedir de chegar, só que não resiste, e acaba em  seus braços, emanando a luz completamente em cor de rubi. 

    _Socorro! 

    _Filha? 

    _Mana? 

    _Me tirem daqui! Me tirem daqui! 

    _O quê aconteceu Isabelle?! 

    _Ela teve um pesadelo com o anticristo. 

    Certeza. 

    _Eu, e ele... A gente... Ai minha nossa Eu não acredito no quê vi! 

    Ela se ajoelha ao lado da cama, e o pequeno Odin acorda assustado, em estado de desespero. Ela treme se aproximando do bercinho, está em choque, sem acreditar no quê aconteceu, e no quê sentiu. O pai e a irmã tentam lhe acalmar, mas nada funciona, seu corpo não para de vibrar. É como se estivesse na Antártida, usando somente um biquíni. Lúcifer abraça a filha mais velha, impedindo-a de carregar o seu neto, pois na situação em  que encontra, pode derrubá-lo. Victória pega o bebê draconiano, e fica a niná-lo, junto do filho que luta para distrair o seu primo. A bela  volta a empalidecer, e sua pressão desce a tal ponto, que esta perde a consciência, nos braços do anjo das virtudes. Percebendo a gravidade do caso, a irmã mais nova, passa a mão no cabelo, e se ajeita ao lado da consanguínea fazendo-lhe carinhosos cafunés. 

    _É muito para Isabelle suportar. 

    _Sim. Sua irmã foi a que mais sofreu de vocês. 

    _Como que ela acabou nos braços dele?! Todo mundo sabe que ela é do Azazel! 

    _Ela e ele tem um destino, criado por Caesta , a grande deusa matrona. 

    _Mas você disse uma vez que ela e Azazel nasceram um para o outro! 

    _Sim, e é verdade. Só que ela foi castigada, por fazer Miguel se apaixonar, e destruir o seu destino com a outra sobrinha. 

    _Eke?  

    _Sim. Por se meter com uma das favoritas, ela a fez cair nos braços do demônio. Ficando assim dividida pelos gêmeos primários. _E o quê ela pode fazer pra mudar isso? _Somente controlar o quê sente pelo seu carrasco. 

    _Isso é horrível. Por quê Caesta é tão ruim? _Não há uma resposta. Mas Caesta odeia a sua irmã, tanto quanto a sua tia Lilith. Então creio que a motivação vem daí. 

    Lúcifer segura o netinho, e este gargalha no seu colo, sentindo-se muito confortável.  Ao vê-lo ele franze o cenho, e se recorda de quando segurou os gêmeos Bael e Azazel em seu colo. Azazel era uma criaturinha coberta por uma mortalha de energia escura, com um sinuoso brilho em seu peito. Já Bael era um bebê que brilhava tanto quanto o sol, mas em seu olhar havia a mesma fúria, do pai, quando ainda recebia o nome de Samael, e isto o preocupou. Os meninos, cresceram aos cuidados de Lilith, que em sua sabedoria sobre gestação, logo viu o futuro devastador daquele que pensou ser seu filho. Um calafrio percorreu-lhe a espinha, ao se lembrar de como Lúcifer era antes, e por isso o temeu por quase toda a sua vida. Bael cresceu se sentindo odiado pela mãe, e quando Luciféria nasceu, ele tentou matá-la afogada. Se a rainha do Inferno não chega a tempo, ele teria conseguido. É claro que a princesa não morreria de fato, mas esta seria enviada para o reino de Caesta, onde sofreria com o seu julgamento rígido e cruel, mesmo sem saber pensar. Lilith teve ódio dele, e por isso ela o enviou para uma floresta, na qual suas criaturas o puxaram para o subsolo do Éden Negro, e o manteve lá. Como no sonho de Isabelle, ela  foi até o lugar proibido, e teve com o terrível demônio, uma espécie de amor platônico, no qual ele a quis como sua futura rainha do submundo, e ela o quis como um amigo, com quem dividia suas aflições sobre a família, Miguel ou Azazel. Isso o devastou, e foi assim que ele acabou nos braços da sua verdadeira mãe, Inanna, que o educou para tomar posse do  céu de Ninlil, e o Inferno de Ereshkigal, que basicamente são a face da mesma deusa. Caesta os favoreceu, Bael tomou posse do mundo de Anu, e Chaos o marido e o oposto complementar dela, não gostou nada da afronta, e por isso lhe mostrou o poder da desordem. Enquanto céu e inferno lutavam entre si, o novo Deus, inventava meios para se aproximar outra vez de Luciféria. Só que ao vê-la nos braços do odiado gêmeo, ele mesmo a empurrou para a Terra, onde ela sofreu  

    até se matar. O quê só o pai sabe, é que quando ela se foi, ele saiu do trono, e entrou na água, sujando-se com o sangue da bela, enquanto via que poderia salvá-la. Só que nada conseguiu, e esta agora na adolescência, foi mandada para o reino de Caesta. A deusa anciã, recebeu sua essência, e quis destrinchá-la, mas ele atravessou o reino fatal para os deuses, só  para lhe trazer de volta. “Caesta. Você disse que quer que ela sofra. Ela sofre ao meu lado. Devolva-me a minha boneca.” O mentiroso profissional piscou diante da gigante, que gargalhou como louca, com as suas duas vozes entrelaçadas, entre a roca e a fina, como a de Akasha, em A Rainha dos condenados. O novo Deus, se curvou para a velha Tiamat, sem saber que decisão tomar. 

    _Está apaixonado pelo anjo maldito! 

    _Não, não estou mais. Eu só quero feri-la. _Não me engana Bael Lúcios  _Eu sou o carrasco dela.  

    _Não é mais. Designarei outro para esse 

    serviço. 

    Ao ouvir a ordem, o demônio ri sem acreditar, e então pega a deusa pelo pescoço, e a parte ao meio, banhando-se no sangue da draconesa, com seu olhar frio e sem vida. “Ninguém me diz o quê fazer. Nem mesmo você minha  querida avó.” Ele diz ao olhar para a cabeça dela, então olha para o coração desta, e o pega. A bela filha de Lúcifer, aparece presa em um cristal verde,  num sono profundo, que o jovem deus quebra com seu punho, só que nem assim ela desperta, e por isso ele rasga o seu peito, e coloca o miocárdio da deusa no lugar do seu. 

    _Bael o quê está fazendo?! Ela não é digna! 

    _Eu a escolhi. Quer você queira ou não. _Ela não vai suportar! É filha de um demônio e meu coração de carne é puro!  

    _Ah é? Esqueci de lhe contar  Luciféria não é filha de uma demônia. Mas sim da deusa que foi violentada. 

    _Ela é filha de Ninlil?!  

    _Você entende rápido.  

    _Então isso foi uma armadilha?! 

    _Achou mesmo que depois de tudo o quê fizeram Comigo, eu seria fiel a vocês?! Ah vovó isso foi uma tolice. 

    _Você vai morrer! 

    A Deusa Berra se materializando, mas os olhos de Luciféria se abrem, tão  verdes quanto esmeraldas, e esta surge diante da gigante, segurando o seu punho violento, com relativa facilidade. Ao ver que a menina agora, tem uma parte importante do seu poder, ela voa para longe, e decide criar um exército para deter Bael e a amada.  Aos poucos ela recobra a consciência, porém não se recorda de nada da outra vida, por isso o novo deus agarra a oportunidade, e se aproxima dela, fingindo o seu par. É claro que ela reconhece, e se afasta , só que quando recua, ele avança, como uma serpente, e lhe dá o bote, fazendo-a não resistir, e até retribuir aos seus desejos. 

    “E depois dele a manipular e mentir, ainda sim ela se tornou sua rainha, e nos traiu.” É o quê reflete o imperador do Inferno nos dias atuais, olhando para a filha no colo da irmã, com certo receio. Por isso coloca o pequeno  Odin para dormir, e volta para o caminho anterior. Contudo ao chegar na porta ouve uma voz familiar, e por isso para. 

    _Papai? A onde está indo? 

    _Vou resolver alguns problemas querida. 

    _Não o enfrente. Ele está poderoso demais. _Ele nunca foi mais poderoso do quê eu. 

    _Como pode ter tanta certeza?  

    _Eu ainda estou aqui. 

    O coroa charmoso pisca, e vai embora. Bael fica sentado diante da mesa,  fazendo anúncios em nome do seu pai, em relação ao Apocalipse, como se este patrocinasse suas atrocidades, em prol do novo mundo. No entanto ao terminar o seu discurso raso, o próprio deus da justiça aplaude com ironia, entrando no local, com o seu sorriso mais confiante, que faz o diabo ficar em choque, por acreditar que este vai desmascará-lo, mas por total educação, o pai espera a reunião acabar, para poder  repreendê-lo. 

    _Lúcifer. 

    _Olá filhinho. Está prestes a dominar o mundo, e ainda sim precisa do meu nome para ter algum sucesso? 

    _O quê quer?! 

    _Que fique longe de Isabelle. A menina não é a sua Ishtar, e eu não quero vê a reencarnação da minha filha  morrer. 

    _Você pode tentar enganar a Aggarath, o Azazel, o Miguel, e as crianças. Mas Eu sei que é a minha Luciféria. 

    _Em primeiro lugar Luciféria é o par de Azazel. Em segundo ela não tem mais a mesma personalidade. A Luciféria que conhecemos não existe mais. 

    _Então nunca a conheceram de verdade. Porquê Isabelle é exatamente a mesma Luciféria da qual me lembro. 

    _Você não vai machucá-la outra vez. 

    _Você e eu sabemos que eu nunca a machuquei de fato. O único que mais se feriu com a nossa união foi Você. 

    _Você fez com ela se odiasse, e enlouquecesse! 

    Não venha me dizer que não a machucou! 

    Lúcifer perde a cabeça, e agarra o filho pelo colarinho, o jogando contra a parede. O loiro ri da afronta, como se aquilo não o ferisse, e o quê o pai estava dizendo fosse somente ladainha. Todavia basta sentir a pressão da flamejante luz gloriosa do deus renegado, para se controlar, e deixar de agir feito um idiota. Infelizmente o momento de juízo  não dura, e este volta a defensiva agressiva. 

    _Ela surtou apenas porquê não se aceitou. 

    _Ela não é assim. Não é uma...! 

    _Uma o quê? 

    _Uma aberração como você! 

    _Desculpe informar reencarnação de Chronos. Mas a sua doce Perséfone, não é tão pura quanto você acredita.  

    _Eu nunca disse que ela era pura. Não seja idiota. 

    Ela apenas não é monstruosa como você. 

    _Ah ela é. E toda vez que desceu ao meu reino,  

    provou da minha escuridão e quis mais. 

    _Você a obrigou! 

    _No começo sim... Mas depois ela voltou ao Tártaro, pelo prazer que somente as trevas podem proporcionar. 

    _Está bem. Já vi que discuti não vai levar a  nada. Só fica esperto. Porquê Eu estou por  perto, e não te deixarei tirá-la de nós. _Interessante é um desafio? Porquê se for Eu já ganhei. Ela te odeia, pois se deu conta do péssimo pai que é. 

    Ele diz com um sorriso cruel, e o deus que domina o Tártaro, lhe acerta um soco no rosto, com a mão tão quente, que se ele não desvia, em vez de receber um arranhado no canto dos lábios, teria tido a face queimada. A raiva consome o progenitor, e este sente seu punho tremer, o deus do novo mundo, se enfurece pela humilhação, e urra para que saia imediatamente da sua  presença. 

    “Eu já pretendia tomar Isabelle para sempre, mas agora isso não é mais uma pretensão, e sim uma certeza.” Os olhos dele ficam sombrios, e o anjo caído, caminha pelo vagão, suando frio. Ao verem Lúcifer, Azazel e Nicolas correm para cumprimentá-lo, e saber o quê houve de tão grave, para que tenha se deslocado da Boulevard, para os trilhos do  trem da perdição. 

    _Olá irmão. 

    _Oi pai. 

    _Olá garotos. 

    _O quê aconteceu? Está trêmulo! 

    _Tem a ver com a Izzy? 

    _Apenas tive uma conversa com meu filhinho rebelde. 

    _Parece mais que discutiu. 

    _E espancou. 

    _Ah isso? É porquê ele não quer deixar a minha filha em paz, e me chamou de péssimo pai. 

    _É um soco e tanto. 

    _O quê ele ainda quer com Isabelle?! 

    _Tê-la de volta. 

    _Mas mesmo depois de muito tempo? 

    _Eu vou matar ele antes de conseguir uma segunda vez! 

    Azazel se prepara para ir atrás do irmão, mas Lúcifer o impede, e então avista a sua sobrinha Alexandra, e tem um plano, que resolve colocar em prática. Como quem não quer nada, se aproxima da moça, e tenta convencê-la a lhe ajudar, mas como a menina tem o sangue das deusas, percebe logo que é uma jogada, e o       faz confessar a verdade. Ele se envergonha, só que ainda sim, a bela bruxa resolve ajudá-lo, por ver o seu desespero, ao pensar que vai perder  

    a filha do seu grande amor outra vez. 

    _Então Isabelle realmente teve um relacionamento com  O Anticristo? 

    _Sim. 

    _E há ainda alguma chance de quê ela caia nos abraços dele? _Infelizmente há. Ele percebeu que a fonte do amor, vem do  seu ódio pelo resto do Universo, e por isso desgraçou a vida dela. 

    _Se ela souber que ele fez isso, certamente ficará longe dele. 

    _Não. Isabelle é louca como Luciféria, pode acabar se apaixonando, só por saber que ele gastou metade da vida, focado em obtê-la. 

    _E ele realmente gastou?! 

    _Ele não está vigiando-a de agora Alexandra. 

    _Ele é um psicopata! Isso é ruim... 

    _Eu sei... Isabelle tal como Luciféria abraçou As trevas com que a humanidade me vestiu. 

    Isabelle acorda no colo da irmã e se assusta, pois jamais imaginou que Victória  seria capaz de perdoá-la, após a sua coroação de rainha do pop no Madison Square Garden. Na qual a melhor amiga e irmã, se enfureceu pelo grande sucesso que seu pai proporcionou a mais nova, enquanto a manteve longe dos holofotes, porquê segundo ele Victória era mais digna, por ter o amado cegamente. Foi a gota d’água para Isabelle, que fez até o mais virtuoso dos seres ficar em silêncio, quando disse “É muito fácil ser fiel aos sentimentos por 3 anos de espera. Ela não ficou, por mais da metade da vida, esperando todos os dias que aparecesse, e chorou achando que tinha enlouquecido, quando nada aconteceu. Mas se isso a torna mais digna, então a partir de hoje corto meus laços com você e o satanismo, não importa  se tenho o teu sangue, Eu não sou mais tua filha.” Mal sabia ela, que o pai não fez aquilo por duvidar da sua nobreza, afinal nunca foi fã de adoração, e sim do amor  que poucos tinham por ele. O pobre imperador foi obrigado a agir dessa forma, renegando-a, ou Inanna, teria cortado-lhe a garganta, assim que fugiu da Dimensão prisional, junto com os demônios que enganaram as princesas e os príncipes do Caos. 

    _Então recebeu o meu pedido de desculpas. 

    _Sim, e eu aceitei. Você é minha irmã, sempre vai ser. _Posso até ser Vick. Mas te salvei por compaixão, e não pelo babaca do nosso pai. 

    _Devia pegar menos pesado com ele Izzy. 

    _Primeiro só Azazel me chama de Izzy. Segundo Você lembra o quê aconteceu no Madison. Ele me chamou lá para ser humilhada e rebaixada a serva! 

    _Primeiro Tô nem aí. É Izzy e ponto. Segundo já parou para se perguntar por quê ele fez isso? 

    _Porquê não o amei o suficiente e era indigna. 

    Ele mesmo disse. 

    Ela revira os olhos, e a dama lhe entrega o celular, na página oficial do site do pai.  “Leia a carta, Ao fruto do meu grande amor 19/08/2020.” Ela respira fundo apontando o dedo para onde a bela deve clicar. Isabelle se mostra relutante, mas Victória lhe dá, Insistindo para que o faça. “Ao contrário do quê ele disse a mídia, não foi um single barato, para iniciar sua carreira com chave de ouro. “ Diz, então isso desperta a curiosidade da bruxa mais velha do convém.  “Ao fruto do meu grande amor. Me perdoe por te abandonar naquela noite de horror. Você não entenderia, então te deixei ir. Se eu te coroasse como sonhava, não haveria como fugir. Sua mãe é a minha rainha, mas você sempre será minha garotinha. Me perdoe por  ser tão cruel. Mas havia algo terrível por baixo do véu. Seu sorriso, sua esperança. Sempre estarão em minha lembrança. Não podia permitir aquela matança. O relógio se move lentamente. Fazendo com que eu me lamente. Contudo não posso voltar atrás. Os monstros te devorariam no Alcatraz. Então tenho que seguir de coração partido. Sem poder está contigo.” Ao ler a parte “Seu sorriso, sua esperança” Ela fecha o cenho, e se esforça para terminar. Ao ver o seu incômodo,  Victória percebe que há algo errado, e pega o telefone de volta, pronta para abrir o inquérito. 

    _Não basta ter conseguido o topo que sonhei?! 

    Tem que jogar na cara o quanto ele te ama?! 

    _O quê?! Não Izzy. Não é pra mim! 

    _É claro que é, eu quase nunca sorrio ou tenho esperanças! 

    _Mas já teve! E nosso pai se recorda disso! Por favor Izzy! 

    Inanna não é o grande amor do nosso pai! Sua mãe É! 

    _Se isso é verdade, por quê ele pulou a cerca tantas vezes com ela?! 

    _Porquê ela o enfeitiçou! 

    Grita como se revelasse um segredo cruel e obscuro, e Isabelle recobra o fio  da sanidade. Olhando para ela em estado de choque, as duas que estavam em pé,  se sentam na cama, e a mulher com roupas moda caveira começa a chorar sem parar, o quê desperta um pouco de compaixão na irmã que a abraça, lhe acolhendo, e confortando-a, enquanto tenta secar as suas 

    lágrimas. Só que Victória, fica inconsolável, praticamente a beira de um surto, como se a sua vida de pop star, não fosse o paraíso que a professora acreditava  que era. Então pouco a pouco, ela se recompõe, passando a luva na sua face, para limpar o lápis borrado dos cílios inferiores. 

    _O quê tem demais nisso? Todo mundo sabe que Inanna é uma vadia. _Tem que Eu nasci de uma noite de prazer Isabelle. Não de amor , como você! 

    _Mas você disse que Inanna e ele se amavam. 

    _Eu menti. Estava furiosa por como me tratou. A minha vida é uma mentira! Eu sou uma deusa do amor, que literalmente nasceu do testículo do mar! 

    _Todos nós nascemos de um testículo Victória. 

    _Você não entende. Eu sou só o esperma que evoluiu, e Inanna usou para prender o nosso pai, e quando não tive serventia , ela me jogou fora! 

    _Minha nossa Vick. Mas Lilith te acolheu como filha lembra? _É mas eu sempre soube que ela não me amaria como amou a você. Esse tipo de conexão, só se tem através do sangue.  

    _Então por isso fez aquelas coisas terríveis comigo? _Sim. Eu me arrependi depois. Mas era tarde demais, tinha finalmente cumprido com a vontade Inanna, e você já era pura escuridão como eu e Bael. 

    _Se você é tão má assim. Por quê está confessando? _Porquê você é minha irmã! E eu te amo. Lilith me aceitou na casa dela, mas foi você que me criou, não fui justa contigo. 

    _Tudo bem. 

    _Não, não tá. Inanna continua a te odiar, e foi por isso que nosso pai agiu daquela forma. Se ele não te tirasse do caminho dela, ela ia te matar diante todos. 

    _Ela o quê?! 

    _Ela ia te matar. Por isso pai cedeu a entrada na fama pra mim. Como sou filha dela, ela iria adorar me ver ali, no seu lugar. 

    _Então ela desgraçou minha ida ao topo?! 

    _Sim. Mana me perdoa mesmo, sério. 

    _Bom pelo menos me contou. 

    Responde abraçando a irmã, reatando os laços de uma amizade que tinha sido destruída, há 9 anos. Então elas olham para o vazio, como se houvessem outros pecados escondidos. Enquanto isso... Bael sorri, com o seu mais perverso olhar, e o trem finalmente chega a velha cidade  subterrânea, na qual, se estabilizará o novo mundo. 

    Capitulo 7 – A cidade dourada 

    As portas do transporte se abrem, e todos descem outra vez mascarados. Porém o anticristo passa por todos, e é o primeiro a tirar a sua proteção, os deixando de queixo caído. “O homem em sua enorme ignorância, sempre acreditou que está no topo era o quê mais importava. Mas hoje meus queridos, estamos provando o valor das terras do subterrâneo.” O anfitrião abre os braços, com suas caras roupas amarelas, mostrando o paraíso que os aguarda. “Os humanos nunca entenderam, que o quê está acima, é o que está abaixo.” O loiro imita a estátua de Baphomet. “Que a sua morada , pode ser tanto o céu, quanto a terra.” Prossegue, e então olha para a única coruja entre as outras aves, com forte fixação. “Que o amor e o ódio provém da mesma energia.” Segue encurralando a jovem mãe. “E que podem ser convertidos. Portanto aquele que odeia hoje, pode ser a quem venha amar no dia de amanhã.”  Sorri com malevolência, e a bela recua. Percebendo o desconforto da amada, Leviroth resolve acolhê-la, e está o abraça forte, mas seu olhar continua preso a figura do rei do novo, que continua a sorrir confiante. O novo mundo dos escolhidos, é diferente do quê muitos se acostumaram, principalmente os que enriqueceram por obra de Bael. Há uma enorme fonte de água potável no meio da cidade, que é cheia de prédios dourados, que possuem várias tecnologias, as quais a comunidade tem acesso para resolver as suas causas, não importa se são significativas ou fúteis. Um 

    verdadeiro Éden. Ao entrarem no local, cada família é colocada numa casa, de acordo com a quantidade de membros, e dentro desta encontram roupas, comidas, e alguns brinquedos para se distraírem. Só que depois de ser raptada, Isabelle evita o capacete de realidade virtual, e prefere usar o aparelho, no qual reproduz livros. Já Os Miller optam por passar horas, enfrentando um ao outro num jogo de corrida de carro. Victória e Dave ficam num jogo de música, enquanto o par dela assiste TV, e Alexandra , e sua família escolhem vê um filme de terror de possessão.  “Amo Lovecraft.” A mãe de Isandra diz com um sorriso, cruzando as pernas, e balançando o berço de Odin, para mantê-lo dormindo. 

    _Isabelle encontrei seu pai ontem. 

    _O meu pai?! Aquele desgraçado que me renegou?! 

    _Não, o seu outro pai, com compartilha a essência única. _Ah o outro desgraçado que me renegou. O quê tem ele? 

    _Ele falou que o Anticristo está focado em ti. _É, eu sei, o fato de Odin ter o nosso DNA, me deixou bem desconfiada. Mas não acho que sou o Foco dele. 

    _Você é. Ele deixou claro para mim também. 

    _Eu não entendo o porquê de tudo isso. 

    Sou só uma professora de biologia. 

    _Eu entendo. Ele acha que você é Luciféria. 

    _E eu sou. Só que o quê isso tem a ver? _Não, não é. Tem o sangue e a essência, parte da forma, mas não é ela. 

    _Então eu não sou a princesa mesmo? 

    _É claro que é Izzy. Mas vocês tem personalidades diferentes, e não é só isso... 

    O marido respira fundo, lutando contra o seu ciúme, que quer o dominar, como um dono domina o seu animal. As imagens da sua amada ruiva nos braços de Bael, lhe vem a mente, e os seus dentes rangem sem parar, enquanto ele treme de raiva. A dama fecha o livro, e o coloca na cadeira branca. Suas mãos tocam o rosto do  amado, que retorna para a realidade, e a encara tomado pelo medo,  e a tristeza. 

    _O quê está havendo meu amor? 

    _Você lembra que sempre me disse que tinha um ser obscuro  dentro de ti, que você mantinha enjaulado no fundo da sua mente.  Porquê se saísse iria ferir os que ama? Sem dó ou piedade,  exatamente como a deusa descrita por Crowley? 

    _Sim é claro. Por quê? 

    _Você é mais que Koré, é Babalon também. _Aquela criatura arrogante e cheia de si?! Impossível. Eu sofro de depressão por ter Pouco amor próprio. 

    _É uma longa história. Mas em resumo você e Bael estiveram juntos, sim exatamente como desconfiava. Por isso teve os pesadelos em que se envolvia com o Anticristo. 

    _Por quê não me confirmou antes? 

    _Estávamos em crise, e eu achei que iria preferir a ele. 

    _Leviroth está inseguro? 

    _É claro que estou. Tudo o quê gosta, é baseado nele. 

    _Isso não é verdade. 

    _Você mesma disse uma vez. Há diferenças entre Lúcifer e o Diabo, e eu amo mais o Diabo do quê a Lúcifer. 

    _Você leu minhas mensagens para Victória?! _Eu sempre leio. Não tem por quê ficar surpresa, fez  a mesma coisa comigo. 

    _É, eu fiz. Só me preocupo que não confie em mim. 

    _Eu confio. Só que temia que ele fosse te procurar. 

    As mãos dele continuam a tremer, e a bela as segura. No começo ele se mostra relutante, mas ela é firme no ato. É difícil ver o demônio chorar, só que está claro  que aquilo o assusta, e que as lágrimas querem sair. Por isso ela o abraça forte, e este acaba se deixando retribuir, apertando-a forte contra o seu peito,  como se aquilo pudesse impedir a sua separação. 

    _Eu estou aqui B. 

    _É, mas por quanto tempo? 

    _Eu sempre vou está aqui. 

    _E se um dia sentir algo por ele outra vez? 

    _Eu arranco meu coração, e faço uma lavagem cerebral , para ficar somente amando você. 

    _Não. Isso não. 

    _Eu te amo muito. Não precisa se preocupar certo? 

    _Eu também te amo muito. 

    Eles olham um para o outro, e então como duas serpentes, inclinam a cabeça para frente, encostando os seus lábios um no outro. Como se quisessem algo mais, então os seus olhares transmitem mensagens, e eles se beijam fervorosamente. O demônio a  pega em seus braços, carregando-a para o quarto, no momento que suas línguas se enrolam uma na outra. A mão máscula tranca a porta, a dama tira sua roupa, e ele também. Como uma fera, ele fica por cima dela, mordendo seu pescoço com ferocidade, enquanto seus dedos agarram as costas femininas. Arrancando-lhe fortes gemidos, sem sequer começarem. Porém quando as coisas vão esquentando, os olhos da bela se tornam reptilianos, e esta sente muito desejo por sangue. Percebendo que há algo errado, o marido para com os estímulos, e com a unha arranha o pescoço, permitindo-a beber da sua vida. 

    _Não. Eu posso não ter controle. 

    _Eu sou um demônio. Me curo rápido. 

    _Tem certeza disso? 

    _Tenho. Pode se alimentar de mim, assim não precisará ir atrás do meu irmão. 

    Ele diz e a sua companheira, o ataca, sugando sua energia com tanta sede, que  parecia está no deserto. Ele sorri, contudo percebe que ela não vai parar, e a afasta. Os olhos deles se encontram, nos dela há fome, e no dele receio. Por isso esta salta pela janela, e o deixa para trás. Os seus sentidos ficam apurados, ela segue o cheiro  de sangue, vendo as cores da aura de cada um, enquanto tudo vibra ao seu redor. Um rapaz se encaminha para um dos becos do local, e ela o segue, com as mãos para trás expondo as suas garras. Bael percebe que está fora de controle , e vai ao seu encontro. O jovem tenta gritar, só que ela arrancou a sua língua fora, e está prestes a devorá-lo. Vendo aquela cena, ele sorri com crueldade, e estala o dedo, reconstruindo a língua do garoto, que está aterrorizado. 

    _Você pode falar outra vez. 

    _Ela, ela me perseguiu. 

    _Eu sei. Mas se não quiser voltar a ficar mudo, não conte a ninguém o quê viu. 

    _Está bem. Eu, eu só quero ir pra casa. 

    _O caminho é livre. 

    Isabelle respira fundo no canto, tremendo, como se estivesse doente. Seus olhos mudam de cor, e alternam entre draconianos e normais. Os dentes se tornam afiados , e os caninos pontudos. O loiro se aproxima lentamente, e ela se afasta, mas está fraca, e ele sabe disso. A unha do seu dedo indicador cresce como uma lâmina, e ele faz o mesmo que Leviroth, porém em vez de arranhar o pescoço, ele fura o lábio inferior, e a segura contra a parede, deixando o liquido pingar na sua blusa branca. 

    _Eu não vou. 

    _Vai morrer de fome assim. 

    _Eu já bebi o sangue de Leviroth. 

    _Ele é um Demônio mas não é um Deus. Não tem sangue  suficiente para alimentar uma Deusa. 

    _O quê você quer? Eu não sou Babalon! 

    _Quem te falou isso? 

    O anticristo fica desconfiado da afirmação, e ela vira o rosto para o lado, evitando olhar para as gotas vermelhas. Só que ele passa o dedo no ferimento, e coloca entre os seus dentes, fazendo-a chorar, por ter que lutar contra o seu desejo. “Eu vou matar todos no seu reino.” O ameaça, e ele ri do seu desespero. “Será julgada, e morta, pois não há necessidade de matar alguém por alimento, quando eu sou uma fonte  inesgotável.” Ele responde em voz baixa, aproximando-se  dela. 

    _Eu não tenho medo da morte esqueceu? 

    _Deveria ter, pois se perder a consciência posso te fazer minha. 

    _Você não...Necrofilia sério?! 

    _Hahaha, Embora a ideia me agrade bastante, não é isso que quero dizer.  

    _Então? 

    _Eu vou lavar a sua mente, para que me ame. Mais ainda. 

    _Eu não te amo. 

    _Será que não mesmo? Sempre soube quem era o Diabo, e quem era Lúcifer, mas seguiu me cultuando. 

    _Eu não achava que você era real. Acreditava que era só uma ideia da minha mente perturbada. 

    _É? Mas eu sou, e sim eu te quero. 

    _Eu não sou mais uma das suas mil garotas. Aliás eu não acredito nas suas palavras, pois como o seu nome diz, é “O caluniador”. 

    Ela lhe dá as costas, e ele ri. De repente a pega nos braços, e segura seu pulso contra a parede, respirando pela boca, perto da boca dela, enquanto esta absorve o aroma do sangue, lutando para não beber da nascente em seu corpo. Gargalhadas histéricas se fazem presentes, e a sombra do demônio da dimensão do caos se desfaz, e refaz diante do seu inimigo, o afastando da sua amada. Ao receber o golpe de Leviroth, o ser de amarelo fica surpreso, só que não desiste, e voltar a ficar de pé, pronto para lutar, no entanto o marido joga a mão para trás, e exibe a lâmina do seu punhal, como se estivesse pronto para matá-lo, algo que é cômico para o rival. 

    _Acha mesmo que pode me matar? Eu sou Deus! 

    _Não, nunca pensei nisso. Mas sei que posso te ferir bastante. _Será que pode? Só conseguiu alguma coisa, porquê eu estava inerte no olhar da sua mulher. 

    _Eu sempre fui melhor na batalha do quê você irmão, por isso não precisei roubar o poder de nosso avô, para ser um Deus. 

    _Você é apenas um demônio, um demônio bastardo! 

    _Somos gêmeos,idiota. Se eu sou bastardo, você também é. 

    _Eu sou o ser supremo do universo. O alfa e o ômega. 

    O principio e o fim. O nada e o tudo. 

    _Nascido da prostituta de Lúcifer. Tal como eu. 

    _Você quer desaparecer para sempre? 

    _Isso só seria possível se não fosse um fracassado. 

    Então tenta filhinho de Inanna, tenta. 

    O demônio ri, com crueldade, e o diabo perde a cabeça, e vai para cima dele. 

    “O seu problema Bael, é achar que uma chama roubada te faz digno! Você é só Lixo!” Ele provoca, acertando golpes violentos no seu irmão mais novo, e tirando sangue deste com facilidade. “Você queria oferecer o seu sangue pra ela !? Que tal eu ajudar um pouco?!” O demônio corta o pescoço do diabo, e inclina a sua cabeça, em cima da bela, que estava sentada no piso assistindo  a luta. “Ele é uma fonte inesgotável amor. Pode beber.” A dama olha para o marido assustada. “Beba. Sei que está com sede.” Ele olha para o outro lado, e a moça salta para o pescoço do anticristo, lambendo cada gota rubra que sai do seu corte, enquanto este se debate sem parar, mas não consegue escapar do seu ataque faminto. “Eu era conhecido como o clone de Lúcifer. Mas não  era por um senso de justiça distorcido...” Ergue o queixo dele, fazendo-o olhar para cima. “Mas sim porquê tal como Samael. Eu ceifei muitas almas, sem dó , ou piedade, e antes de matar as torturei por dias.” Ele diz no ouvido do inimigo, enquanto a esposa se alimenta. “Nunca se esqueça disso,  ou volte a cercar a minha amada.” Diz entredentes. “Você tirou a Luciféria de mim uma vez, porém não deixarei que tire também a Isabelle.” Ele percebe que a dama se saciou, e o arremessa contra a parede. Percebendo que está em desvantagem, o diabo olha para a dama, e o seu irmão, e desaparece , deixando um rastro de fumaça negra. Benner está bufando de  raiva, contudo abraça a sua companheira. “Eu disse uma vez que te deixaria ir se quisesse ser feliz com outro, mas a verdade é que não posso Isabelle. Não quero, te deixar partir.” Ele confessa, e a jovem o beija com a boca toda suja de vermelho. Ele não resiste, e retribui ao beijo com fervor, carregando-a em seus braços. A adrenalina que percorre o seu corpo, lhe faz  tirar a blusa rapidamente. Então se faz ser colocada no piso, para abrir-lhe a calça, e encher sua boca com o membro pulsante dele, que está rígido e duro. 

    Ele não consegue aguentar, e solta gemidos, ao sentir a saliva dela escorrendo por seu símbolo fálico. Toda aquela situação de guerra e morte, os deixa bem excitados. Por isso escorre o liquido de prazer, no meio das pernas dela, e cai no chão. Notando o quanto está molhada, ele a levanta, e a joga na parede, pronto para penetrá-la. Ela respira ofegante, e então o sente entrando no seu corpo encharcado, tornando-se um só com ela. A boca dele vai até o seu pescoço, fazendo-a revirar os olhos de prazer, enquanto ele aperta  o seu seio, e a agarra pela cintura. A sua costa dói por conta dos tijolos, só que em vez de parar, ela o arranha nas costas, e morde a sua jugular, afundando sua unha na pele dele, ao ponto de sangrar. Só que ele gosta da dor, e retribui lhe pegando pelo pescoço com força, sorrindo com maldade, ao ter noção do seu poder. Logo a vira de costas, e esta se empina. Ele entra em seu corpo outra vez, segurando as suas mãos na parede. Outra vez a boca dele vai para o seu pescoço, só que a pega pelo cabelo e lhe morde na nuca, deixando-a bastante excitada com tanta violência. As mãos dele pegam os seus seios, e seus dedos se entrelaçam aos dela. Eles gemem, gemem sem parar. Outra vez ela vira para ele, só que em vez dela descer 

    , ele quem o faz. De joelhos como um escravo, ele bebe do seu leite feminino , beijando-a entre as pernas, como se estivesse fazendo isso com a sua boca. É impossível não sentir prazer, por isso mais e mais quantidades do liquido cor de pérola, chegam a sua língua, enquanto as bochechas dela ficam  coradas, pela falta de pudor. Notando que ela está mole de tanto gozar, ele ri, e sinaliza negativamente, com o dedo indicador, e volta a prensá-la na parede, mergulhando seu membro no buraco carnoso, com vontade, até que não suporta mais segurar o prazer, e jorra seu liquido branco contra o solo. Regorjeando-se de satisfação. _Eu devia tentar matar o Bael mais vezes. _Você sabe que sempre amei os psicóticos  com tendências assassinas. 

    _É, por isso se casou comigo. 

    _E continuarei para resto da vida. 

    _Eu te amo Izzy. 

    _Também te amo B. 

    Os dois se abraçam, e então colocam as suas roupas de volta. Nem os mais de 9  anos de casados, havia apagado o fogo da sua relação. Eles dão as mãos, e caminham risonhos como dois adolescentes pelo centro. Ao vê-los Victória deixa Dave com o marido, e vai até o casal, curiosa para saber, porquê Isabelle estava com a boca toda suja do liquido vital. A bela identifica o olhar observador da amiga, e se afasta de 

    Benner. As duas caminham para uma maloca abandonada, e se sentam na mesa que está no meio do local. Victória capta que algo aconteceu, por conta dos lábios vermelhos, e as machas na blusa branca de Isabelle, e por isso inicia a conversa apontando para os seus seios. 

    _Você matou alguém? 

    _Não. Mas foi por pouco. 

    _Você machucou alguém?! 

    _Sim, só que Bael ajudou a pessoa a se curar. 

    _Mas você saiu toda feliz com o Benner. 

    Então Bael não conseguiu nada. 

    _Sim. Só que também foi por bem pouco. 

    _Pode me contar tudo. 

    _Bael me fez uma bebedora de sangue... 

    Isabelle começa a narrar os fatos para Victória, que fica de queixo caído  porquê o seu sonho era se tornar vampira, e quem tinha se tornado era a sua  amiga. Já o sonho de Isabelle era ser famosa, mas quem se tornou foi ela. “Que  mundo injusto” Ela sorri com tristeza, e a professora lhe olha desconfiada. “Vic? 

    Tem algo errado?” segura as suas mãos, e a dama sorri com tristeza. “Não, Está tudo bem.” Tenta mentir, só que não consegue, e por isso a mulher volta a lhe questionar. “Está tudo bem?” Insiste, e a bela se segura para não sorrir, e negar os fatos outra vez. 

    _Você percebeu. 

    _É. Você ficou triste do nada. 

    _É que Isabelle, este era o meu sonho lembra? _Sim mana, mas também era o meu ser famosa, e ter muitos seguidores. Só quem conseguiu foi você. 

    _É. Isso é tão injusto quanto você disse que seria uma vez. 

    _Você está com raiva de mim? 

    _Não Isabelle. Estou triste. Por quê não conseguimos realizar os nossos sonhos? 

    _Porquê nossos destinos eram esses. Mas Vic nem sabemos se sou uma vampira, é provável que eu seja outra coisa. Ser uma criatura da noite, atrapalharia aos planos de Bael. 

    _Não, quando todos vivem na cidade subterrânea. 

    _Tenho que concordar. Porém te prometo uma coisa, se eu for uma vampira mesmo vou te transformar também. 

    _Por quê faria isso? Eu sou uma estrela, e nunca te puxei para o palco. _Porquê ser vampira, já foi um dos meus sonhos, e creio que no novo mundo, eu realizarei os outros. 

    _Você merece irmã. Apesar de dizer que tem trevas profundas, sempre foi uma pessoa maravilhosa. 

    _É, ser boa, sempre foi a minha maior fraqueza. 

    _Pra mim não. Esta é a sua qualidade, boa na medida certa. 

    Ao longe o diabo quebra todos os seus objetos dentro do escritório, entregando-se aos seus instintos mais primitivos. “Maldito seja!” Berra destruindo tudo ao seu redor, recordando-se de que ficou a segundos de ter o quê ele queria. “Por muito pouco ela não foi minha!” Brada socando a mesa de pedra negra, e volta a razão. “Por muito  pouco...” Se acalma, e começa a alegrar-se. “Eu só preciso criar uma situação, e ela será minha.” Seus olhos se tornam obsessivos. “Um beijo. Isso vai confundir o seu coração.” Conclui confiante da aposta. “Um beijo, e ela voltará a ser a minha Babalon.” Ele prossegue, e então ajeita os fios do seu rabo de cavalo desgrenhado, amarrando-o outra vez. “Uma festa em homenagem a Dionísio deve funcionar.” Termina, bebendo Whisky da boca do copo quebrado. Com o olhar fixo  no seu grande  objetivo Recuperar Luciféria. 

    A noite... Todos são convocados ao baile do anticristo, sob pena de perderem suas  moradias, caso não o prestigiem por uma hora. Outra vez Isabelle recebe a máscara de coruja, e ela e Leviroth se entreolham com a certeza de quem veio aquele presente, por isso trocam a fantasia, e vão para a festividade. Ao chegar lá, eles se separam por alguns minutos, para que o demônio vá comprar bebidas, mas a fila no bar é enorme, e demora mais que o esperado. Um homem de máscara 

    negra, a puxa para dançar, e pela ousadia ela o  reconhece. 

    _Achou que eu não ia te reconhecer? 

    _Você quer levar outra surra?  _Não me importo em apanhar mil vezes, se tiver a chance de ficar na sua companhia. 

    _Eu tenho mais o quê fazer. Licença. 

    _Do quê tem medo? 

    _Medo? Eu não tenho medo. 

    Tenho pavor. Agora... 

    _É só um beijo Isabelle Caligari. Nada que não queira vai acontecer. 

    _Vê isso? Significa que sou casada. 

    _Isso é só um circulo envolta do seu dedo. Eu ergui estátuas gigantescas, para te mostrar ao mundo. 

    _Esse é o seu problema. Acha que exagerando, pode conseguir alguma coisa. 

    _Eu sempre consegui, ou nunca sentiu falta de  

    ter todos os seus caprichos realizados? _Eu senti. Mas o Leviroth me ensinou, que são as pequenas coisas que fazem o amor. _É uma pena, pois eu adorava te exaltar, e te fazer ser reconhecida. 

    Ele aproxima os lábios dos seus, e os olhos dela crescem por baixo da máscara. Lentamente nega com a cabeça, tentando escapar da sua investida. O dedo dele segura o seu queixo, e a mão a segura por trás. “Cadê o seu príncipe sombrio para te socorrer?” Ele brinca apertando-a, e aproximando-a do seu peito. Os braços da pobre se esticam, e ela fecha os olhos com medo do quê vai acontecer. “Não  resista.” Ele tira as suas mãos do ombro, e a deixa bem perto dele. “Não faça isso.” Os lábios imploram. “Quietinha. Nós dois sabemos.” A unha dele cresce. “Que se o seu marido não interrompesse...” Corta o meio dos lábios inferiores. “Você teria me beijado...” Diminui ainda mais a distância da boca, e ela sente  a sua respiração. “E gostado.” Completa, beijando-a. É claro que ela não quer lhe  dá o gosto da vitória, mas o sabor do sangue, altera os seus sentidos, e faz sugá-lo como um animal faminto. Ele ri, e se aproveita da situação, para colocar a sua língua cheia do liquido vital, para trabalhar. Outra vez é difícil resistir, há uma luta no começo, que termina em retribuição. Porém Victória vê a cena, e corre para separá-los. Fazendo algum esforço, ela os afasta. 

    _Fica longe da minha irmã! 

    _Eu até vou ficar. Mas garanto que Ela não vai querer isso. 

    _Vai embora Bael. 

    _Viu? Ela mandou!  

    _É assim? Depois de praticamente arrancar  o meu ar, com o seu beijo cheio de volúpia? 

    _Eu vou te matar! 

    _Saia. Antes que Leviroth volte. _Está bem. Aguardo a sua ligação para uma parte 2 desse momento. 

    _Só nos seus sonhos! 

    _... 

    _Lá também.  

    Ele gargalha indo embora todo vitorioso. Victória pede para que saiam, e ela envia uma mensagem ao marido, avisando que estarão num local mais tranquilo. Ao ver a SMS, ele sorri encantado, mas sua paz vai embora, ao ver quem chegou exibindo os dentes com felicidade. “Eu quero uma dose do seu melhor Whisky. E uma rodada de bebida para todos!” Berra, e os alcóolatras comemoram. Vendo o irmão  no canto, ele se aproxima cheio de arrogância, e este revira os olhos. 

    _Olá irmãozinho. 

    _E aí. 

    _Sabe por quê estou tão feliz? 

    _Por coisas boas, não deve ser. 

    _É. Mas o quê não é bom pra você, é ótimo  pra mim. 

    _Eu sei. 

    _Sabe? 

    _Quem você acha que avisou a Victória? _Então também deve saber que sua mulherzinha, estava pegando fogo em meus braços. 

    _Porquê você se cortou? Engraçado. Nunca precisei jogar tão baixo para seduzi-la. Sabe por quê? Porquê sou um homem de verdade , sei como encantar uma mulher. Fica na paz “irmãozinho”. 

    Ele sai aparentemente por cima, contudo basta sair da frente dos olhares curiosos, para deixar a máscara cair, está triste, e até magoado. “Não vou tomar outra decisão estúpida, deve ter havido uma razão. Ela pode realmente só ter tido abstinência de sangue.” Pensa ao caminhar pelo local, evitando as piscadas, das biscates que 

    aparecem no caminho. As damas pousam seus braços no apoio, e olham para o fundo abismo. Como se estivessem em silêncio a horas, respiram profundamente. Isabelle está trêmula, e envergonhada pelo aconteceu, e a irmã está receosa, como se já tivesse visto este filme antes, e não quisesse reiniciar a fita. “Bel. Eu não vou te julgar só quero te advertir, essa história não tem um 

    final feliz. Ele não é diferente de Gabriel.” Inicia, e ela fica calada,  procurando uma resposta. 

    _Eu não sinto nada por Bael. 

    _Depois daquele beijo cheio de volúpia?! Tá zoando! _Tá. Foi uma atração momentânea pelo sangue dele. 

    _Só o sangue? Porquê parecia que a sua língua estava na goela dele. 

    _Já chega Vic. Nem eu sei o quê aconteceu certo?! Também queria entender! 

    _Você não saboreou o momento? 

    _Meu deus não! Talvez... um pouco! 

    _Você tá confusa Isabelle! Igual a mim. 

    Quando beijei o Gabriel! 

    _É! Mas a diferença é que não quero casar e ter filhos com ele! Eu sou casada Vic! Isso nunca deveria ter acontecido! 

    _Você tem que evitar o Bael tá? 

    Depois do beijo as coisas só pioram. _Tudo bem, eu não pretendo ficar perto dele. 

    Garante, mas no dia seguinte, enquanto todos estão dormindo em seus quartos. 

    Ela envia uma mensagem para ele, e este deixa claro que só lhe dará uma resposta , se for vê-lo, em um jardim distante da cidade. Algo que ela se reluta a fazer, até ele jurar por escrito, que não fará nada com ela. Preocupada pelo quê possa acontecer entre eles, ela escreve uma carta, porém quando a deixa na mesa,  o seu marido acorda, e percebe algo errado. Por isso pega o seu celular, e olha a conversa que ela está tendo com o seu irmão. “É sério isso Isabelle? Esta bem na cara que ele quer bem mais que um beijo.” Ele diz empurrando o aparelho. “Eu preciso entender Leviroth.” Ela se arruma para sair. “A última vez que ficou dividida, 

    houveram graves consequências. Só não esqueça disso.” Ele lhe 

    dá as costas, e a bela sai. Ao chegar no local, ela fica em pânico, pois a estátua de anjo, e a iluminação é semelhante aos seus sonhos com o anticristo, e todos eles tinham algum contexto romântico. Ela respira fundo, está vazio. “Talvez ele só esteja me testando, e...” Ele chega, com o cabelo desgrenhado, e um sorriso totalmente sem vergonha. “A noite deve ser sido boa.” Brinca com desgosto. “Tenho uma reputação a zelar.” Ele rebate, e se sentam perto um do outro na fonte. 

    _Vamos ser bem diretos ok? 

    _Eu sempre sou Isabelle. 

    _Isso tem que parar. Eu sou casada e respeito  muito o meu marido. 

    _Engraçado. Quando era eu o marido, você não tinha piedade de mim. 

    _Eu não te amava, e você me traiu antes, ou se já se esqueceu das doces noites  com Aggarath? 

    _Não, não esqueci, mas isso só aconteceu por  culpa do seu desprezo. 

    _Hahaha' Essa é boa. Você é o  cafajeste, e eu que levo a culpa? 

    _Tem razão. É idiota. Já aconteceu, mas não muda o fato de que esteve casada comigo. _É, quando descobri fiquei me perguntando como pude ser tão idiota. 

    _Já chega. Assim você vai acabar tirando a roupa, e eu não vou resistir. 

    _Eu vou é te esganar. Não está me escutando? 

    Eu não quero isso. O passado morreu certo?! 

    _Estou, só não quero ouvir.  

    _Foi uma total perda de tempo. Até mais. 

    Ela se levanta para ir embora, só que ele segura o seu pulso,  e fica de pé diante dela, sem o comum semblante zombeteiro. O quê a deixa bem preocupada, pois o quê quer que venha a dizer, é algo sério. “Eu não quero ouvir porquê também estou confuso.” Diz em forma de confissão, apertando o seu braço para não deixá-la se mover. Seus olhos denotam tristeza, e por alguma razão, isso lhe desperta um pouco de compaixão, e ela resolve esperar por sua explicação. Eles  retornam para a fonte, e ele passa a mão nos cabelos, cobrindo a sua face. 

    _Eu sei que sou um babaca. “Imperador dos  Babacas” pra você. 

    _Victória te disse isso?! 

    _Eu te vigio Isabelle. Sei o quê fala de mim. _E quer se vingar fazendo eu me apaixonar, só porquê disse que não seria uma das mil, que acreditam nos seus falsos “eu te amos"? 

    _Não. Eu não me importo com o quê diz. _Então porquê tudo isso? Eu briguei com Leviroth pra está aqui. Preciso saber. 

    _De verdade? Eu só sinto a falta da minha Amada. 

    _É. Eu não sou aquela prostituta fria! _Esse é apenas um rótulo, que você recebeu por ser uma criatura livre de amarras. 

    _Bael. Eu sei que quer me matar, para trazer ela de volta, mas não é justo comigo. Eu não sou mais 

    Luciféria, nem Babalon, Hell, ou qualquer outra Deusa. Sou apenas Isabelle, mas eu sinto, e isso me assusta. 

    _Eu não tenho a intenção de te matar. Se fosse como  diz, já teria morrido. Sinto algo por ti, sendo Babalon  ou Isabelle.  

    _Não pode. Terá que viver com isso. 

    Nem tudo pode ser seu. 

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

  • O Velho e a Ponte

    Diversas coisas podem despertar lembranças de sentimentos que nunca mais existirão da mesma forma e, com o passar do tempo, essas coisas só aumentam de tamanho. Todas essas lembranças ativadas por lugares, objetos ou qualquer outra coisa podem ser chamadas de fantasmas já que tem a possibilidade de produzir a saudades ou a repulsa.
    A maior parte dos fantasmas do Velho estavam presos a uma antiga ponte que ligava dois parques de ilhas diferentes. O rio que passava por debaixo dela não era muito grande, mas a correnteza podia ficar muito forte dependendo da quantidade de chuva. Quando era criança, costumava brincar no rio, mas isso era antes de descobrir e se importar com o quão poluído ele era. Após isso, sempre brincava no parque e aos dezesseis anos passou a correr cotidianamente lá. Mesmo com as suas visitas se tornando cada vez mais raras com o aumento da idade, aquela ponte sempre o marcou. Inicialmente, era a fonte das aventuras das suas brincadeiras de infância. Já nos momentos de corrida, essa era a parte mais difícil devido a subida. Também foi lá onde viu e sentiu as coisas mais maravilhosas como diversos pores do sol e o seu primeiro beijo. Entretanto, também já viu coisas horríveis lá.
    Nos dias de hoje, no auge dos seus setenta anos, não consegue mais ir com muita frequência tanto no parque como na ponte. O velho vai no máximo uma vez por semana para que as dores não atinjam as suas articulações com maior intensidade. Mesmo assim, vai tão lentamente que não é sempre que consegue atingir a ponte. As dores são uma lembrança constante de que a juventude não lhe pertence mais, rivalizando com as dores da saudade que as lembranças dessa época trazem. A cada nova dor que descobria sabia que esses tempos estavam cada vez mais distantes e que o fim de tudo cada vez mais perto.
    No final de uma tarde de outono, o que em sua cidade significava tempo nublado e ventos frios, decidiu que iria até a ponte. Era uma vontade repentina e arrebatadora, impossível de não ser cumprida. O velho não sabia se seria uma coisa boa ou não ir lá, se traria uma bela lembrança que o faria sorrir ou um horrível demônio que o faria chorar, mas tinha que arriscar.
    No longo caminho até a ponte, ele tentava se lembrar de tudo de bom que havia acontecido naquele lugar. Em sua cabeça vinha a cena de um velho tocando saxofone em um pôr do sol. Essa foi uma das poucas vezes que parou a sua corrida por tanto tempo naquela ponte e foi só para ver um homem tirando notas musicais de seus pulmões. Até hoje não conseguiu entender o que viu naquela cena e talvez por isso a chamava de poética.
    É claro que essa não era a única cena que vinha em sua cabeça. Havia também a imagem de diversas mulheres que havia beijado naquela ponte e em diferentes partes do dia, épocas do ano e climas. Apesar disso, dentre todas elas, tinha uma que sempre ocupava a sua mente e eliminava a imagem de todas as outras. O velho tinha sido casado com essa mulher, e ela já tinha morrido há doze anos. Lembrava-se de andar abraçado com ela nos dias frios e, nos dias quentes, de comprarem grandes potes de sorvete que não duravam mais do que duas horas. Certo dia, quando já era muito tarde e não havia quase ninguém no parque, parou de repente no meio da ponte. Ela não estava entendendo nada quando ele pegou a mão direita dela, começou a cantarolar uma valsa de maneira um pouco desafinada e perguntou se ela daria a honra de dançar com ele. Nenhum dos dois sabia dançar aquele tipo de música, então só ficaram dando passos de um lado para o outro. Mesmo assim, esse foi um dos momentos mais marcantes da sua vida e que, se pudesse, o reviveria em um loop eterno. Sempre quando lembrava desse momento, sorria e chorava ao mesmo tempo. Chorava pela saudade que isso causava e sorria por poder se lembrar.
    Entretanto, ele sabia que aquelas lembranças não eram geradas pela ponte. Ele lembrava daquilo tudo porque queria lembrar, mas nem sempre a ponte se apresentava para ele com clemência. De certo modo, logo quando acordou já sabia que os pensamentos gerados por ela não seriam tão bons. Afinal, ameaçava chover e isso nunca é um bom sinal. Ao se deparar com início da ponte, parou. A sua mão tremia mais do que o normal e os seus joelhos ameaçavam parar de sustentá-lo. Os seus olhos vidrados começaram a se lembrar de coisas que há muito tempo conseguiu esquecer. Estava correndo de manhã bem cedo antes que o parque lotasse quando uma moto passou tão rápido à sua direita que só conseguiu perceber que ela era azul. Ele sabia que isso não era permitido, mas, pela velocidade, sabia que ela já estaria fora do parque antes que pudessem fazer alguma coisa. No momento em que escutou um miado esganiçado, se arrependeu de não ter tentado impedir o motoqueiro ou ao menos o xingado. O velho ainda jovem correu o mais veloz que pôde, mas ao ver o gato já sabia que não conseguiria fazer nada por ele. A moto havia passado por cima da metade de trás do gato e nem sequer parou para tentar ajudá-lo. O sangramento era intenso e um corte profundo na barriga jogou metade do intestino para fora. A respiração do gato já estava pesada, os olhos verdes não tinham mais brilho e não era possível distinguir nem mais a cor do pelo dele em meio a tanto sangue. O jovem sabia que só havia uma coisa que poderia fazer já que não tinha como pedir ou levá-lo até a ajuda, então procurou a pedra mais pesada que havia a sua volta, a levantou e, com lágrimas nos olhos desejando que um milagre acontecesse, a abaixou com toda a força possível na cabeça do gato. Ainda em choque e sem acreditar no que teve que fazer, pegou o corpo do gato morto nos braços, o abraçou e o jogou no rio, achando que aquele fim seria mais digno do que ser deixado no meio da ponte. Mesmo acreditando que o que tinha feito foi para livrar o gato de um sofrimento que poderia durar horas, sabia desde o início que aquele seria um fantasma que nunca o deixaria em paz.
    O velho, agora de volta a sua desalentadora realidade, tomou coragem em meio as suas lágrimas para continuar a caminhar. Com passos lentos e medo de ser pego de surpresa novamente por alguma lembrança indesejada, chegou a exata metade da ponte. Como ele sabia disso? Através de seu amigo Henrique. Em uma noite parecida com a que estava hoje, também tinha decidido caminhar no parque. Colocou o seu casaco e caminhou até chegar a ponte. Lá estava o seu amigo Henrique sentado na mureta da ponte com o seu cabelo curto, barba bem aparada e vestindo o seu terno azul-marinho. Em um primeiro momento, o velho de meia idade não viu nada de errado com o amigo, mas logo percebeu que ele estava chorando. Ainda tentando entender o que estava acontecendo, o cumprimentou e perguntou se ele estava bem. Henrique o encarou e o velho percebeu pelo brilho dos seus olhos que o seu velho amigo havia se perdido dentro da própria mente. A resposta de Henrique foi a simplicidade da falta de sentido: “Sabe onde estou? Na metade exata da ponte. Uma perna para um lado e a outra do outro. Fiz um trabalho no ensino fundamental que era simplesmente medir essa ponte, então marquei essa pedra com uma faca para saber a metade exata. Sem sentido, não? Talvez seja por isso que, nesse momento da vida, resolvi colocar um sentido nisso tudo.”. Antes que o velho pudesse responder qualquer coisa, Henrique deixou o corpo mole e permitiu que a gravidade fizesse o seu trabalho. Tanto o velho da lembrança como o velho da atualidade correram para a borda da ponte e ficaram encarando um rio extremamente violento por causa das chuvas dessa época do ano.
    Não conseguiu entender o porquê de ele fazer o que fez. O velho simplesmente não tinha a resposta, não sabendo como poderia ter ajudado e feito as coisas serem diferentes. Ele só sabia que não fez nada para ajudar e isso o corroía tão profundamente como se algo extremamente ácido estivesse sendo jogado no seu peito. Não havia nada que pudesse fazer para aliviar a dor. E é claro que não ajudou ter que dar a notícia para os familiares e ter que responder dezenas de perguntas para afastar as suspeitas dos policiais e daqueles para quem dera a notícia. “Você foi o último a vê-lo, então ele deve ter te dado o motivo”. Mas o Velho não sabia de nada e nem poderia saber. Foi somente com o passar de meses que conseguiu amenizar as lembranças desse fato e a lentamente começar a esquecer.
    Agora lá estava ele no auge dos seus setenta anos e décadas depois do acontecido encarando o mesmo rio. Foi nessa hora, no exato momento em que diversas lágrimas começaram a rolar dos seus olhos, que tudo a sua volta ficou preto. Sentia todo o medo, a raiva, a desconfiança, a dor e a pressão que sentiu durante meses em um único momento. O ódio predominava. Tinha ódio por não ter feito nada para evitar. Tinha ódio por ter deixado que todos desconfiassem dele. E tinha ódio principalmente porque, se tivesse a oportunidade de fazer alguma coisa, não saberia o que fazer. Tudo isso causava dor. Essa era impossível de sanar e não havia como externalizá-la. Nem mesmo através de lágrimas ela saiu, ficando lá dentro se alimentando do crescente remorso.
    Agora estava com essa dor na escuridão, o seu inferno particular. Não havia nem fogo como num inferno tradicional já que uma fonte de luz seria muita bondade. No seu inferno não podia enxergar nada, não havia odores, nada para ouvir e nenhuma coisa para comer ou encostar. Sem sentidos para usar como ponto de fuga, apenas a dor para sentir. Sendo torturado de forma lenta e eterna por aquilo que fez em vida, sem escapatória alguma. Sozinho com a sua mente e sem a necessidade de demônios, ele mesmo fazia o trabalho de forma eficaz. A dor que o Velho fazia o Velho sentir o forçava a querer morrer para que pudesse ir para o inferno tradicional. Assim, talvez conseguisse parar de pensar.
    Contrariando os seus desejos, lentamente a escuridão foi se afastando e o Velho começou a ver a iluminação das lâmpadas fluorescentes do parque. Só então percebeu que as suas velhas pernas não foram capazes de sustentar tanta dor e que estava sentado de maneira desajeitada no chão. Ficou ali um bom tempo até recuperar minimamente a sua força emocional. Os seus olhos ficaram marejados todo esse momento como se tivesse uma lágrima presa que se recusasse a descer.
    Depois de umas duas horas, se levantou e começou a voltar lentamente para a sua casa. Os olhos do Velho o acusavam e dava para saber que os seus pensamentos estavam distantes. Mesmo assim, ele sabia que nem ele e nem ninguém poderia amenizar o que ele estava sentindo. O máximo que poderia fazer no momento era aproveitar a noite fria, dormir e esperar um dia seguinte melhor. Assim, o tempo poderia fazer o seu trabalho e amenizar as suas longínquas dores.
  • Once upon a time...

    Você acredita em magia? contos de fadas? ou simplesmente poder ir a qualquer lugar do mundo através de portais abertos por feijões mágicos? Se a sua resposta foi sim para algumas dessas perguntas, fique até o final, pois eu tenho uma super recomendação para você. 
    Provavelmente a sua infância foi repleta de livros contendo as mãos belas histórias dos contos de fadas como por exemplo, Branca de Neve, Bela Adormecida, João e o pé de feijão, entre outros clássicos e se eu te dissesse que em uma única série da ABC (American Broadcasting company) é possível encontrar todas essas histórias juntas, em um só lugar e o mais legal todas essas histórias tem seus caminhos unidos por causa de uma maldição, curtiu essa ideia? Então se liga só nesse resumão... 
    Once upon a time (Era uma vez), é uma série norte americana que conta as histórias clássicas dos contos de fadas de uma maneira um tanto quanto diferente e é mais ou menos assim que aconteceu... Presos em uma pequena cidade do Maine chamada storybrook os personagens que nós mais gostamos de viram perdidos e com seus finais feliz roubados por causa de uma terrível maldição lançada pela rainha má e para que eles tenham seu final feliz de volta, eles contam com a ajuda de uma salvadora que vinte e oito anos após a maldição ser lançada ela viria e quebraria a mesma, e a salvadora é ninguém mais ninguém menos que a própria filha da Branca de Neve que ao descobrir os planos de sua perversa madrasta se uniu com outros personagens em busca de uma saída para proteger sua filha para que ela cumprisse sua missão.
    OUAT, não só conta com os clássicos contos, como também tem fortes referências da mitologia fraga em seus episódios.
     A série foi produzida com um elenco de peso sendo eles Lana Parrilla, Jenifer Morrison, Ginifer Goodwin Joshua Dallas e muitos outros, assim como eu visite este mundo incrível, viage entre reinos assistindo aos episódios de once upon a time, pegue a sua pipoca e entre nesse mundo de magia e aventuras.
  • oo

    iu
  • Os Artefatos Místicos de Argurus

    Diz a lenda que Karcillyus, o Deus Supremo do Apocalipse, enviou a Terra, 4 artefatos poderosos e muitos perigosas em cada um dos 4 cantos do globo. E os seus predestinados, os quem iriam se apossar de tais objetos místicos seriam beneficiados e amaldiçoados. Os objetos mudavam as pessoas, as tornavam fanáticas, poderosas e doentes por mais poder, aceitando passar por oque seja ou quem seja pra conquistar tal poder. São eles:
     
    × O Amuleto de Kamandukã (Nigéria) - Lillu Durai Kamandukã (ganês e nigeriana)
     
    × O Anel de Shitan (China) - Hiroziki Shitan (chinês)
     
    × A Espada de Bartolomeu (Rússia) - Bartolomeu Kiezhev (russo e portuguesa)
     
    × O Livro de Pedragon (EUA) - Harry Van Pedragon (inglês e holandesa)


    Lillu Durai Kamandukã nasceu com refugiados de um grupo nômade que circulava pelo Norte da África, tinham grupos em Chade, Níger e Camarões, o próximo destino dos Mefféticos era a Nigéria. O exército estava sendo preparado, todas as tentativas de invasão a Nigéria tinham sido em vão, só mortes e perseguições, então os líderes dos Meffés criavam estratégias e formas de conquistar alguma parte da Nigéria e quem mais se destacava entre os soldados era um jovem de sangue ganês e camaronês, Lillu Kamandukã. Era mais forte, mais resistente, mais ágil e mais inteligente que os demais da tribo, diferente do restante não possuía marcas, tatuagens ou piercings como o restante, apenas carrega com si um amuleto que de acordo com o mesmo, foi um presente de seus pais, antes da morte de ambos após uma tentativa frustrada de invasão à Nigéria. O amuleto continha uma pedra preta no meio, envolta em prata, grifado os dizeres em africâner: "Hoeveel gevegte het soveel verlies vergoed, maar slegs die dood sal vir u vrede bring" (Quantas batalhas compensaram tantas perdas, mas só a morte te trará paz).
     
    O exército dos Meffés junto ao soldado Kamandukã começou sua invasão a Nigéria, destruindo e matando tudo e todos pela frente, saqueando e raptando todo tipo de pessoa. Ocupando área em área, o exército começou a conquistar territórios e causar medo no restante da Nigéria que confrontava os radicais. Os líderes de Meffés reconheciam a bravura, a força e a coragem de Kamandukã e foi subindo sua patente, como braço direito dos líderes principais: o chefe da tribo e o chefe de exército.
     
    Com Kamandukã liderando o exército de Meffés foi avassalador dominou toda Nigéria, e o jovem menino aos 21 anos, se tornava o líder do exército que finalmente depois de décadas conquistou a Nigéria.
     
    Nove anos depois, os kamandukanos formaram sua civilização, a base de escravos nigerianos e sua mão de obra. Porém entre os nigerianos e nigerianas feitos de escravo, a teceadora dos líderes chamou a atenção do chefe de exército Kamandukã (ele era agora o único pois o outro havia falecido).
     
    Não demorou muito para que Kamandukã e a teceadora se envolvessem amorosamente e a garota engravidar do lider.
     
    Kamandukã apaixonado se declarou para ela e eles se casaram.
     
    Lila e Kamandukã tiveram seu filho. Nove anos depois Kamandukã se tornaria oficialmente líder geral de sua tribo, o mais importante de todos, porém para alguns radicais Kamandukã não seria considerado digno de tal posto, pois seu relacionamento com Lila (uma nigeriana) ia contra as regras e os princípios dos Meffés. Dois anos após ganhar o título, ao anoitecer cerca de 7 radicais mefféticos invadiram a casa de Kamandukã, decapitaram seu filho e sua esposa e estrangularam o líder com seu próprio amuleto.
     
    O Amuleto desapareceu nunca foi encontrado nem com os radicais mefféticos, nem com o corpo de Kamandukã
  • Os degraus até o Olimpo

    O mercado editorial tratou durante muito tempo os livros de fantasia como um nicho. Isso mudou quando alguns escritores e escritoras aficionados pelo gênero se dedicaram a autopublicar obras. A partir daí revistas especializadas, selos e novos criadores e criaturas passaram a preencher as estantes das livrarias e dos leitores. Dentre esses novos autores, se encontra Rubens José de Lima.
                Nascido em 1995, em Agudos do Sul, Paraná, Rubens Lima já inicia com uma saga. Misturando referências da cultura pop e mitologia grega, Taico e a guerra dos deuses está em sua 2.ª edição, o que demonstra uma aceitação do livro pelo público e confiança dos editores. A responsável pela publicação foi a editora paulista Livrus. A revisão foi feita pelo próprio autor, o que explica alguns erros.
                Me identifiquei com o autor em seu sonho de ser um escritor reconhecido e as suas inspirações para a escrita do tomo. Como um iniciante, sua escrita é permeada de erros que irão evanescer em futuras produções, mas que aqui aparecem de modo mais explícito. Parece ter sido a sua primeira publicação profissional, ao menos, não encontrei outros títulos do autor disponíveis para comprar.
                O escritor é ousado em suas escolhas narrativas, mas nem sempre felizes. As homenagens e paródias que Rubens Lima se propõe a fazer acabam provocando uma anemia narrativa. Às vezes, tive a impressão de que lia uma light novel que foi adaptada em romance. Pensei em qual mídia se encaixaria melhor uma narrativa tão dinâmica, pensei em mangá, o que ele veio a se tornar no traço de Jayson Santos.
                O livro começa narrando a história de um jovem helênico chamado Ico (alguém pegou a referência?). Estamos em plena Guerra do Peloponeso, travada entre as cidades-estados de Atenas e Esparta ocorrido entre 431–404 a. C. O protagonista e sua família acabam sendo atingidos em cheio pelos conflitos. Ico sobrevive e jura se vingar dos assassinos de seus pais.
                Uma trama de vingança? Apesar do cenário histórico e do capítulo de apresentação, Ico é um falso protagonista. A história não irá se desenvolver para contar sobre a trajetória dele e de sua busca por justiça. Foi algo tão inesperado que acabei ejetado da leitura! Após me recuperar do nocaute, continuei. Ao escapar dos militares, uma estranha figura de um mago esquelético transforma Ico em Taico.
                Depois da transformação, o novo protagonista acaba se envolvendo numa guerra entre deuses e criaturas mágicas. Julgo que se o autor quisesse usar o artifício de um falso protagonista, deveria ter criado um novo protagonista mais carismático e um enredo com trama mais robusta. O clichê pode ser seguro, mas entrega pouco. Dirso e seu subenredo são mais atrativos que Taico e a guerra.
                Algumas coisas me incomodaram muito na trama. A superficialidade do fundo histórico da obra, isso quem fala é um graduando em História. Os anacronismos imperam, por exemplo, não existiam índios na Grécia Antiga, não mesmo. Faltou uma boa noção de geografia também, da Grécia ao Extremo-Oriente é muito chão e mar, e como os gregos sabiam da existência dessa região?
                Não senti uma boa ambientação, principalmente nos nomes dos personagens, no livro há gregos com nomes ingleses. A trama se desenvolve célere, foca na ação e deixa as relações entre os personagens em terceiro plano. Subtramas se criam e ficam sem desfecho. Algumas coisas careceram de contextualização, e o que não tem contexto acaba por ser mal interpretado.
                Do começo ao fim do livro, são apresentados personagens ao leitor. Sem personalidades ou carisma, preenchem as páginas. Se envolvem em lutas perigosas de maneira reativa. Penso que menos poderia ter sido mais. Já ficou difícil de acompanhar a mudança brusca logo no início do livro, precisaria de mais desenvolvimento de Taico para acompanhar tudo.
                Apesar das críticas, considero que o autor tem muito potencial. Só precisa lapidar a sua escrita, e melhor escolher as suas ferramentas narrativas para não a tornar confusa. É o primeiro livro do Rubens Lima, primeiro de uma série. Isso de modo algum compensa os seus erros, a obra tem que ter coesão para quem lê, independente de quantos livros terá a saga de Taico e seus amigos.
                Mesmo óbvias, as referências da cultura pop lhe caem bem. As raças e habilidades criadas pelo autor demonstram a sua criatividade latente. Parece haver muito mistério e cenário a ser explorado na série de livros. É uma obra que tem lá a sua magia, diverte de maneira despropositada. Não é uma história que se leve muito a sério, esse é um dos seus méritos. Sua serialização em mangá veio a calhar.
                O livro possui 344 páginas, possui uma capa pouco inspirada, mas tem orelhas com fotografia e biografia do autor. Boa impressão e encadernação, miolo em papel pólen, 80 g/m2. O espaçamento e diagramação das páginas é confortável de ler, dá para abrir o livro todo sem quebrar a lombada quadrada. É uma obra para quem tem fôlego e leitura pouco exigente.
                Para adquirir a sua edição, acesse:
    http://estudioarmon.iluria.com/pd-7d4f69-taico-e-a-guerra-dos-deuses-vol-1.html?ct=233ff4&p=1&s=1
                Para acompanhar os lançamentos:
    https://www.instagram.com/estudioarmon/?hl=pt-br
  • os filhos da guerra

    Prologo
    Essa minha história, relata de forma fantasiosa e digamos que criativa pois e a minha passagem de vida de quando criança para adolescente ,onde eu ainda não tinha uma mente formada o suficiente para ter uma análise crítica sobre os assuntos que irei apresentar a seguir, por isso eu irei escrever (recontar) essa história com uma coerência maior, e levando em consideração pequenas coisas que eu estou passando hoje em dia, lhe entregando uma historia que não e a original( muito desconexa) nem uma falsa (sem a veracidade por traz das ações e atitudes) mais sim uma historia que e agradável em comparação a primeira “imaginada” , tendo apenas de mudança alguns sentimentos que amadureceram dentro de min.
    Eu passei por algumas coisas que me marcaram de forma negativa, talvez nem tão negativas quantos algumas pessoas, mais que para min aqueles sentimentos que eu passei ficam me chicoteando para que eu lembre de algo... e o fato de ter ocorrido durante minha infância/adolescência essas marcas são bem presentes na minha personalidade, porem eu não apresento elas em sociedade, eu seria internado em um hospício caso fizesse
    # me desculpe o grau de brutalidade de algumas cenas e a insanidade de um desajustado mental
    Iniciado-2018
    Finalizada-
    00
    eu me lembro disso..... foi a muito tempo atrás, quando era a época de guerra e amadurecimento.
    Mais todos amadureceram antes de min, porem eles sempre dependeram da minha pessoa para tudo.
    eu hoje me lembro de como era bom viver essa vida.
    Eu tive bons amigos, um bom irmão e brincadeiras divertidas.
    Tudo passa, tudo se guarda, e tudo se perde.
    Minha vida foi “completa”..... já vivi mais que todos que conheci.
    O tempo foi passando e fui perdendo meus amigos... e o único que me restou foi meu irmão....
    Quando perdi ele, perdi a minha ultima esperança de vida, e a única coisa que me consolou foi minha querida e doce alma.
    Que me alegrava todo dia, me dizendo; você não me perdeu ainda/ nuca vou sair de perto de você/ sou sua amiga / etc...
    E quando eu chorava ela me acolhia, em seu leito, me abraçando e conversando comigo da forma que eu precisava
    Ela foi quem me ajudou a realizar meu sonho....... e ela foi meu único amor
    Mais quer saber como eu cheguei até o fundo do posso? E também como fiquei apaixonado por !minha! alma? Se quiser eu lhe conto....
    Foi mais ou menos assim:
    01
      eu não sei muito bem mais meu nome de nascença:01101011.01100101.01100011.01100100 eu acho ele meio estranho mais todos me chamam de kecd em vez desses números mais eu prefiro assim já que nunca conheci meus pais para saber o porquê desse nome, bom pelo menos me chamam assim desde que a guerra começou a muito tempo é eu fui para o exército, mesmo com 8 anos eu já tinha presença nos treinos físicos e claro provas acadêmicas porem eu não tinha diferenciação dos adultos e isso me dava muita desvantagem e desgaste físico principalmente, mais foi aos 12 anos que tudo ficou diferente e com isso todos os soldados que eu conhecia e que eu dividia quarto saíram do quartel.
    Bom um tempo depois deles terem saído do quartel em torno de 30 dias e 6 horas uma bando de crianças assustadas chegaram no exército em caminhões de transporte e foi ai que comecei minha aventura conhecendo meu melhor amigo logo mais
       Na hora que descerão dos caminhões, um a um , logo após a distribuição de fardas e roupas um veterano apareceu diante deles e gritou
    -SENTIDO, todos formem uma fileira
      Ele se virou para min e disse:
    -venha cá você também, kecd
      Eu fui alegre pensando que seria uma brincadeira em conjunto feita pelo veterano, mais não.... Todos se agruparam em uma linha horizontal, um do lado do outro e alguns com as pernas bambas e outros quase chorando
    -todos vocês aqui presentem agora são homens, então tratem de parar de chorar, a partir de hoje vocês tem 7 messes para treinar e se tornarem homens, e para isso devem receber números de acordo com o ultimo BATALHAO
      Uma mulher de meia idade passou em frente as crianças de forma incrédula e disse com um tom de voz alto e seco
    -o seu batalhão e o 6º treinado aqui nesse quartel e por isso e o batalhão 600
      O veterano chamou um subordinado que tinha um prancheta em mãos e a entregou a moça que lia os nomes de cada um com um número junto, bom eu pensei se somos o “batalhão 600” e so tem 100 crianças só vai até 700.....
    -.... kecd 665, sans 666, otavio 667, jony 668....
      E meu numero era 665, uffa quase que não ouvi por estar imerso nos meus pensamentos, mais agora esse menino do meu lado pegou um numero meio estranho, bom eu acho, mais por demais ela terminou de falar os nomes com os números e o sargento disse de forma intimidante, não que ele sempre fale assim mais....
    -AGORA QUE AS MARIQUINHAS SABEM SEU NUMERO, NUMEROS INPARES VEM COMIGO E PARIES VAO COM A CINTIA -ele apontava para a moça
      Bom ainda com medo as crianças não obedeceram, mais o veterano se virou e disse
    -SE VOCES NÃO VIREM EU VOU DEIXAR TODAS SEM COMIDA E AGUA POR UM  MÊS E....
      A mulher o puxou pelo braço e disse algo no seu ouvido, e ele disse outra frase agora já com um tom de voz baixo e desanimado
    _acompanhem ela até suas camas
      A moça disse
    -tenham crianças eu não mordo, podem vir - ela tinha dado um piscada de olho para min como quem diz: vem na frente
      Eu fui pois já a conhecia a algum tempo porem pouco conversávamos, eu fui na frente e logo mais de forma bem lenta os outros foram me seguindo e quando mal me via estava no hangar de onde os soldados foram mandados, tomara que eu vá para onde eles foram gostaria de revê-los, bom algum dia ,a noite chegou tão rápido que nem percebi, os meninos e meninas estavam apavorados mais assim como um animal selvagem que foi recentemente domado a primeira coisa que ele tiveram certeza foi que naquela cama, eles dormiriam e descansariam.....
    Mais foi naquela noite, foi naquela noite eu tive uma visão , era branco e eu sentia um arrepio na espinha enquanto um emaranhado de números foi invadindo minha cabeça....
    01110011 01100001 01101110 01100111 01110101 01100101 00100000 01110011 01100001
    02
      Oi meu nome e §§§§§§§§§ mais me chamam de sans pois e a abreviação do meu nome e antes dessa guerra começar eu tinha uma família linda pais jovens e atenciosos mais a guerra.... ela me desgraçou e me fudeu literalmente, primeiro meu pai foi convocado para servir na guerra que foi quando eu tinha 9 anos e ele foi durante 8 meses e durante esses que ele estava lá sempre mandava cartas ou sinais de vida uma vez por semana ou mais, porem ele parou de repente de dar sinais de vida fazendo minha mãe ficar aflita e ir ate os quarteis...... esse e o problema os homens de verdade já tinham morrido ou estavam na guerra e só tinha vagabundos, psicopatas, as verdadeiras escorias da humanidade, quando chegamos lá os homens que estavam lá falaram algo para mamãe e a puxaram para um sala e ela segurou minha mão me levando para dentro e lá eles a estupraram e quando eu soltei um grito eles me tamparam a boca, e além de estrupo fizeram pedofilia, depois daquela “coisa”que me ocorreu eu fui para um orfanato, e la prefiro nem imaginar oque aconteceu com mamãe, mais aos 13 anos ela “morreu“, mais eu sei que ela foi assassinada de alguma forma por aqueles vagabundos.......
      Na noite do dia que fui recrutado pelo exército eu fiquei em um quartel cheio de homens sem nenhuma mulher no e quando eu percebi já estava de noite e todos quase dormindo porem eu tinha ficado acordado ainda no leito da cama porem deitado, eu fiquei alerta enquanto ouvia uns murmúrios dizendo
    -olha ali o demônio......
    -ele pegou o número 666.......
    -olha a cara dele.... ahahhah.....
      Na hora eu me levantei enfurecido, e fui devagar ate o grupinho de 3 meninos que estavam em rodinha sentados olhando para min e foi ai que disse bem alto e claro
    -querem dizer isso na minha cara?
      O maior e mais gordinho se levantou, se mostrando maior que eu e mais “forte”, mais eu não ligava e ele disse de novo só que bem devagar dessa vez
    - você e um monstrinho, 666, saia da minha frente ago.....
      Antes dele terminar eu dei um soco na cara dele bem no queixo, isso fez com que ele se desequilibrasse e eu dei uma rasteira levantando uma perna dele e aproveitando o movimento eu dei várias bicudas na cara dele até com que ele caísse no chão e no chão eu botei meus joelhos no peito dele e fiquei golpeando seu rosto enquanto ele gritava por ajuda, e eu gritava a seguinte frase com tom irônico:
    - SEGURA O MONSTRINHO, SEGURA O MONSTRINHO, SEGURA O MONSTRINHO....
      Foi ai que um outro moleque me deu uma bica na cara me jogando no chão, o outro me chutou a boca do estomago bem forte, essa doeu para um caralho, mais eu só sentia raiva e nem ligava para a dor me levantei e disse enfurecido
    - vocês estão morto seus filhos  da p.....
      Tinha dado uma fincada na minha barriga não me deixando terminar a frase e na mesma hora um cuspi sangue, cuspi na cara de um dos moleques e já encaixei um puta soco na barriga dele             eu acho que foi forte demais pois escutei algo quebrando e o menino caindo no chão, o ultimo que faltava foi para traz em um ato de fuga, mais eu dei um pulo e o agarrei jogando o moleque no chão e ele batendo a cabeça em uma cabeceira de cama que era de ferro maciço  fazendo um barulho muito alto fazendo com que quase na hora entrasse um soldado que veio correndo em minha direção  gritando
    -que merda e essa? Explique-se
      Assim que ele olhou para min e para os três meninos caídos ele disse assustado
    - você quebrou os três!! Impressionante você vai ser muit.....
      Antes de terminar a frase ele olhou  para o rosto desfigurado do gordinho, um outro gemendo de dor e se debatendo e o menino que eu estava em cima dele sem respirar e eu com minhas mãos manchadas de sangue, ele gritou por ajuda e alguns médicos apareceram juntos de outro guardas, e enquanto eu só saia dali com um roxo na cara e bastante dor nas mãos os meninos saíram: 1º com um rosto inchado sem alguns dentes, 2º com uma hemorragia interna junto de costelas quebradas , 3º saiu em um saco preto.
      Depois daquilo eu fui para a minha salinha, A SOLITARIA e me falaram
    -durante seu tempo aqui ,você vai passar nesse lugar sua noites e tardes
      E la eu fiquei por um longo tempo, e bom apesar de ser um lugar solitário ele me deu tempo de malhar e treinar meu psicológico, e me fazendo ler pouco durante aqueles messes que nunca pareciam passar.
    Ate eu escrever na parede, em uma antiga língua morta uma frase que mãe falava sempre que estava sozinha, isso me reconfortou por tudo.....
    03
    Kecd- a disciplina pode te tirar de qualquer problema….
      No dia seguinte, quando eu acordei, ainda nenhum dos meus companheiros ali tinha levantado mais não demorou muito para que o capitão chegasse gritando
    - acordem seus preguiçosos temos muito pela frente
      Eles foram levantando bem divagar, mais eu já estava de pé com farda e em posição olhando fixamente para o capitão, e quando todos saímos do quartel havia dois batalhões de 50 soldados de forma bem óbvia pois ontem tínhamos nos divididos em 2 grupos e sidos organizados por numeração, mais bom parece que depois de algum tempo que ficamos parados até uma escolta de 2 soldados que levavam um menino até os grupos de crianças enfileiradas, um dos soldados parou do lado do capitão e ele disse algo no ouvido dele e quase de forma imediata o capitão disse
    -666, você fica do meu lado.... Aqui venha logo – ele apontava para seu lado esquerdo
      Que estranho isso, porque ele foi destacado logo assim de cara, mais mesmo assim eu acho que foi um ‘destacamento’ e sim alguma punição e eu tenho quase certeza que foi pois seus punhos estavam inchados e ele passava a mão de leves nas costas, além do fato dele não ter ficado no mesmo quartel que os outros, bom tirando tudo isso o dia mal tinha começado e já fomos introduzidos a aulas de disparo com armas longas e curtas e também aprendendo o básico de manuseio de explosivos, quando a parte da manhã acabou e finalmente a tarde começou recebemos exercícios físicos desumanos e foi uma coisa de tamanha proporção que nem mesmo os instrutores queriam nos ver fazendo aquilo....mais no final do dia deu tudo certo e todos fomos felizes para a cama....
      Você acha mesmo que fomos dormir? E ainda por cima com tudo dando certo? Meu deus, aquela noite foi a pior da minha vida inteira
      No momento que fomos deitar o sinal de alerta tocou e no mesmo momento muitos disparos gritos e bombas ecoaram por todos os lugares e o único som que ouvíamos era de explosões ensurdecedoras que estouravam em todos os lugares, mais todos que não tinham quebrados ou ferido de forma bem feia seus corpos no treinamento físico antes feito fugiram o mais rápido do quartel , eu já não tive tanta sorte eu não era um desses que correram para longe, pois minhas pernas estavam pulsando de dor de tal forma que eu não conseguia ficar sentado na minha cama me obrigando a ficar deitado, e foi no momento que a luta começava e todos os que podiam fugiam, e os que conseguiram se arrastar se arrastavam, menino entrou correndo na minha direção e disse gritado para min com uma voz caótica de quem estava lutando lá fora
    - sua arma!!! Me de sua arma!! AGORA
    - 666! ME AJUDA POR FAVOR CARA...- eu lamentei
      Quando eu falei isso eu acidentalmente apontei para onde tinha colocado minha arma, ele olhou para ela e olhou para min e disse
    - obrigado, pode morrer em paz ai, cadáver
      Naquela hora ele a pegou e saiu correndo, eu fiquei sem reação por alguns instantes, o medo me preencheu e mesmo com algumas pessoas próximas a min eu me sentia só, sozinho e com muito medo... e foi ali que eu disse
    -porque eu? eu sempre fiz tudo certo, nunca desobedeci nunca machuquei ninguém, porque eu ?
      Naquela hora eu estava quase chorando, e minha cabeça estava muito pesada, eu não aguentava aquela pressão, e não aguentei comecei a chorar desesperadamente até não aguentar mais.... e foi nessa hora de desespero que eu comecei a enxergar, eu vi a solução para meu problema, era tão óbvio.....
  • Os Salvadores

    No planeta Centaury, um nosgardiano se encontra com Tury, o líder de uma raça extraterrestre conhecida como Centaurys, os dois firmam um acordo, em troca da recuperação do cubo mágico uma poderosa fonte de energia de potencial desconhecido, Tury promete ao nosgardiano um exército com o qual ele pode subjugar a Terra para governa-la.
    Os Salvadores #1
    Titã que está com seu povo em Nosgard descobre que um grupo de Alienígenas Centaurys estão indo para a Terra. Na Cidade do México, Gata Negra encontra Lobanil.            Lea diz que está com medo de voltar para Pidorama pois todos a conhecem e a rejeitaram e a perseguiram por ela ser um monstro.                                           
    Gata Negra diz que seu verdadeiro nome é Paggy e promete que não vai deixar ninguém machuca-la.          Lobanil aceita ir com Paggy e diz que seu nome é Lea, em seguida as duas partem para Pindorama, Wilson conversa com sua assistente a Agente B sobre anomalias que estão ocorrendo no mundo todo, mares estão subindo, vulcões entrando em erupção entre outras coisas, Vigilante de Ferro que estava testando um projeto de inteligência artificial, e Capitão Pindorama estão no prédio da AIP, eles tem uma breve discussão pois Chris acha John muito arrogante e John acha Chris ético de mais, os dois são interrompidos quando uma nave aparece no céu, alienígenas saem da nave e com armas avançadas começam a atacar as pessoas, John e Chris vão lutar contra os alienígenas que tem armas poderosas e atacam e danificam o traje de John, os dois heróis estão com dificuldades quando de repente, Titã aparece e com uma rajada de raios mata vários alienígenas e faz outros fugirem.                                             
    Capitão Pindorama o agradece se apresenta e pergunta quem ele é e de onde vem, Titã se apresenta e diz que veio de Nosgard uma grande cidade invisível no sistema solar. John e Chris ficam confusos e Chris diz que se Titã está com intensão de ajudar ele é bem vindo.                           
    Titã fala que esses alienígenas são os Centaurys e que por onde eles passam destroem tudo e que esse foi apenas o primeiro grupo deles, os mais fracos que vem na frente para fazerem o reconhecimento do planeta, Vigilante de Ferro diz que se esses eram os mais fracos imagina os mais fortes, Capitão Pindorama responde dizendo que não importa o quanto eles sejam fortes, Os Salvadores estão lá para salvar a Terra de toda ameaça, de repente eles escutam um ruído estranho, era um alienígena ferido, no prédio da AIP Nick Wilson liga para Gavião Negro e diz que chegou a hora dos Salvadores se reunirem, Gata Negra e Lobanil chegam e Nick explica o que está acontecendo, Capitão Pindorama entra em contato com Nick e diz que eles encontraram um Centaury vivo e Nick pede para leva-lo para o prédio da AIP, Capitão Pindorama e Vigilante de Ferro pedem para Titã ajuda-los a combater os alienígenas e ele aceita, Jonh diz que vai ver como Pamela está e dar uma olhada em seu traje e que depois irá encontra-los na AIP, Titã e Capitão Pindorama vão para a Agência levando o alienígena ferido preso, mais tarde Gavião Negro chega na AIP, e tenta interrogar o alienígena que não diz nada, Gavião Negro acha que é perca de tempo pois o alienígena não fala o idioma deles, mas de repente o alienígena começa a rir e diz que os terráqueos se acham poderosos com suas tecnologias arcaica e que eles não tem ideia do que os Centaurys farão com os humanos quando o ataque começar, em seguida o alienígena morre devido aos ferimentos, todos ficam perplexos e Gavião Negro diz, como que ele fala nosso idioma. Titã aparece e diz que existe um tradutor universal que traduz os idiomas falados em muitos planetas no universo. Gavião acha isso interessante e pergunta para Titã se ele usa um desses para se comunicar com eles, Titã responde que como todos os Nosgardianos ele aprendeu desde pequeno vários idiomas falados em outros planetas, inclusive todos os idiomas falados na Terra, mas que ele usa o tradutor universal caso encontre um idioma que ele não conhece, Chris diz que tudo isso é interessante mas eles devem focar na missão. Os Salvadores se preparam para a batalha, John está na sua cobertura no Edifício Evans em São Paulo tentando arrumar sua armadura, mas vê que está muito danificada, Pamela chega e diz que a nova armadura está pronta, mais John tem dúvidas pois não fez muitos testes nela ainda, mais que deve arriscar. Logo, uma nave Centaury chega em São Paulo em cima do prédio da AIP e Nick acredita que eles vieram atrás do alienígena preso e reforça a segurança da AIP, vários alienígenas atacam a cidade destruindo tudo, Capitão Pindorama, Titã, Lobanil, Gata Negra e Gavião Negro tentam impedir e uma grande batalha dos heróis contra os Centaurys acontece no centro da cidade, Chris vai salvar uma garota, mas é atacado por um alienígena, escombros de um prédio cai do alto e Chris percebe que os escombros cairão em cima da garota, Chris se desespera pois não vai chegar a tempo pra salvar a garota, de repente Vigilante de Ferro aparece com seu novo traje que tem armas a lasers e um sistema de Inteligência Artificial acoplada a qual John chama de Sam e salva a garota, Chris mata o alienígena e Os Salvadores estão reunidos pela primeira vez, Chris com sua força sobre-humana, John com sua nova e mais potente armadura, Titã usa o poder de seu anel e a espada de Saturno, Gata Negra e Gavião Negro usam suas habilidades de luta e as avançadas armas da AIP, enquanto que Lobanil destroça os alienígenas, eles conseguem derrotar boa parte dos alienígenas, só que mais alienígenas chegam e fica cada vez mais difícil derrota-los, Os Salvadores ficam sem saber o que fazer, então Titã diz que a única maneira de derrotar os Centaurys será invadir a Nave mãe e explodi-la, e com isso os Centaurys serão todos mortos pois eles estão conectados a nave mãe, Vigilante de Ferro pergunta o porque de Titã não dizer isso antes, Titã responde que quem entrar na nave mãe e destrui-la pode morrer na explosão e ele não queria arriscar isso sem antes tentar derrotar os alienígenas em terra, Capitão Pindorama diz então que ele quem vai entrar na nave, mas Titã diz que ele quem deve ir, pois ele pode voar e usará o poder do anel para explodir a nave, Titã então voa em direção a nave enquanto os outros guerreiros vão combatendo os alienígenas em terra, Titã chega na nave e consegue entrar nela, mais é atacado por uma pessoa misteriosa, Titã olha para ver quem o atacou e descobre ser Jápeto seu irmão que fugiu de Nasgard a muito tempo atrás.                          Titã pergunta a Jápeto o que ele quer na Terra. Jápeto diz que fez um acordo com os Centaurys e explica que os ajudará a invadir a Terra e pegar as pedras mágicas e depois ficará pra governar a Terra.                                     
    Titã então pergunta para seu irmão que ele ainda está com essa ideia ridícula de governar a Terra. E Jápeto diz que a Terra é dele por direito. Titã então responde que era para seu irmão proteger a Terra não destruí-la e pede para ele se reder, mais Jápeto ataca Titã e os dois lutam, Titã é muito mais forte, mas Jápeto mas ele usa sua magia e consegue fugir da nave indo pro prédio da AIP onde está o cubo mágico, Titã destrói a nave Centaury e os alienígenas caem mortos, ele então avisa os Salvadores do plano de Jápeto e pede pra eles protegerem o prédio da AIP e impedir que Jápeto pegue o cubo mágico, Jápeto chega ao prédio da AIP antes dos Salvadores e mata alguns agentes ele vai até uma sala onde está o cubo mágico, mas Nick Wilson aparece e tenta impedi-lo, Jápeto o ataca e fere Wilson, Jápeto pergunta a ele sobre o cubo mágico e Wilson ri dizendo então é isso que vocês querem? Jápeto sente a energia do cubo próximo e diz para Wilson que não precisa dele pra achar o cubo, quando Jápeto está prestes a matar Nick, Lobanil aparece e da uma grande surra em Jápeto que fica ferido no chão sem conseguir se mexer, os outros heróis chegam no local, Titã também aparece e diz que conseguiu explodir a nave, ele prende Jápeto com algemas de Nasgard, Capitão Pindorama pergunta para Wilson sobre o cubo magico e Wilson diz que ele está  com a AIP a muito tempo e que eles nunca souberam ao certo como usa-lo, mas não sabia que seres de outro mundo estavam interessado nele, Titã revela que dentro do cubo mágico existe uma pedra mágica e diz que ha outra pedra na terra e que não é bom que haja duas pedras mágicas na Terra pois pode chamar a atenção de outros alienígenas malignos, Titã então sugere que ele leve o cubo mágico para Nasgard pois ela estará mais segura lá, Wilson concorda e diz que a outra pedra também está com a AIP, mas em outra cidade. Titã leva o cubo mágico e Jápeto preso para Nasgard e o mundo é salvo pelos Salvadores.
    Escrito por Mi Rodrigues
    Em algum lugar do universo Tury conversa com alguém sentado em um trono e diz que Jápeto falhou na Terra pois existem guerreiros poderosos lá.
    Os Salvadores retornarão em Breve...
    Personagens
    John Evans - Vigilante de Ferro
    Rick Thomson - Capitão Pindorama
    Titã – Príncipe de Nosgard
    Lea Haik – Lobanil
    Paggy Kuliak - Gata Negra 
    Jeremy Marston – Gavião Negro
    Jápeto – príncipe de Nasgard, irmão de Titã
    Tury – lider dos Centaurys
    Nick Wilson – Diretor da AIP
    Agente B – Assistente de Nick Wilson
    Nick Wilson está com Agente B, ela pergunta se foi uma boa ideia entregar o cubo mágico para Titã e Nick diz que sim pois Titã é um Salvador agora, Agente B olha para os destroços e diz que eles podem estudar a tecnologia alienígena para evoluir a tecnologia da Terra, Wilson responde dizendo que agora eles podem até desenvolver tecnologia de viagens espaciais graças a nave dos Centaurys que ficou na Terra.
    Em breve
    Vigilante de Ferro #3 – julho
    Titã: O Mundo De Hene – agosto
    Capitão Pindorama: E O Androide de Kim – setembro
    Os Defensores da Galáxia #1 – outubro

     

  • Oxente, tá aí um mangá que eu queria ler!

    É muito comum o discurso dos mangakás brasileiros sobre nacionalismo, patriotismo e outras coisas mais. Entretanto, não vejo esforço nenhum desses quadrinistas brasileiros incluir ou fazer releituras do nosso folclore; das mitologias indígenas e afrobrasileiras; descentralizar a narrativa no eixo Sul-Sudeste; ou fazer de negros, pardos e indígenas protagonistas de suas obras. O amor a nação fica só na teoria mesmo. Na prática, o que se preza é fazer histórias no Japão feudal, no Japão atual ou em um lugar semelhante, quando não eurocêntrico.
              Cortando esses discursos xaropes pela cepa, Rhenato Guimarães nos traz um verdadeiro mangá nacional. Oxente é aquele tipo de obra que deve ser apreciado pelo simples fato de existir. Não estou apelando ao exotismo, ao contrário, é pelo simples fato de quebrar as narrativas hegemônicas que transformam nossa história e cultura popular em subproduto, periferia do mundo, algo de menor valor, que você deve ler Oxente.
              Meu primeiro contato com o título se deu com um one-shot, publicado de modo independente na plataforma Craftcomicbook — que encerrou suas atividades, infelizmente. O autor ainda usava o pseudônimo Renato Silva. Ali eu já via um grande potencial no quadrinho. Descobrindo que uma série seria publicada na Revista Action Hiken, revista mensal publicada pelo Estúdio Armon, sorri de orelha a orelha.
              Na obra, nós seguimos a jornada de Serafim Ferreira da Silva, ou só Serafim, para os íntimos. Ele é filho do temível Lampião, o mais famoso cangaceiro da nossa história. O protagonista vivia com o seu avô, perto de uma cidade chamada Poço Fundo, em Sergipe, estado que faz fronteira com a Bahia. O assassino era integrante de um bando chamado Olho Negro, e tem interesses escusos nas habilidades sobrenaturais do menino.
              O mangá é um ótimo shonen. Tem ação e aventura na medida certa. Em seis capítulos o autor apresentou a personalidade e plano de fundo do protagonista. Contando com um arco introdutório para incluir os vilões. Tem capítulos inteiros com cenas de luta, com muita trocação e efeitos especiais. Gostei muito do resultado, e os leitores também, pois se tornou um pilar da Action Hiken. O Zuran, companheiro de Serafim, é um alívio cômico, e bom baiano. Espero que o autor não recorra aos estereótipos negativos para produzir humor com esse personagem.
              Houve um trabalho do autor em relação a ambientação e arquitetura, fauna, e a flora também. O mangá ficou muito verossímil, principalmente em suas paisagens áridas, as páginas são porosas, bem iluminadas. O autor teve boas referências para construir seu traço, mas, One Piece e Naruto, por si só, não nos dizem muito da sua estética. O desenho me lembra muito xilogravuras nordestinas, muito conhecida através dos livros de cordéis. A diagramação é dinâmica, e muito coerente.
              O traço do autor é bem caricato, e possui uma ótima mescla, é singular. A linguagem pode assustar em algum momento, são muitas gírias regionais e até alguns xingos, mas não se aperrei, tem notas explicativas e muitos desses xingamentos não é o que aparenta no Nordeste. Linguagem constrói cultura, que cria hábitos e tudo o mais. Manter a diversidade da língua foi assertivo. Dá pra ouvir o sotaque dos personagens, soa bem natural. É um marco nesse nicho. Me reconheço nessa ficção.
              Sua publicação estreou em junho de 2018, na edição n. 32. Até a escrita dessa resenha, o mangá já conta com 11 capítulos. O volume 1 tem mais de 180 páginas. Possui orelhas, contém bastidores da produção, galeria de fanarts e um cordel. A obra foi financiada pelo Catarse, e conta com os nomes de todos os apoiadores da campanha. Ganhou nova segunda tiragem. A obra veio com um marca páginas exclusivo. Se quiser adquirir a obra, acesse o site do Estúdio Armon.


  • Paleontologia mirim

    Segundo o texto do arqueólogo  João Carlos Moreno de Sousa:  "A Paleontologia é uma ciência muito confundida com a arqueologia. É muito comum encontrar alguém que acha que na Arqueologia se estuda os dinossauros, por exemplo. No entanto, a Arqueologia tem o objetivo de estudar a humanidade; já a paleontologia estuda as outras espécies (animais, vegetais, etc). É a Paleontologia que, de fato, estuda os dinossauros. Na verdade, a Paleontologia abrange muito mais do que apenas os dinossauros."
    Tenho que admitir que até este momento, da criação desse texto não sabia desta informação e na dúvida resolvi pesquisar,  pois desde minha infância acreditava que a arqueologia estudava os dinossauros. Enfim.
    Qual criança não gosta de dinossauros? Ou tem medo deles? Sempre gostei desde que me entendo por gente. São incríveis criaturas que me roubavam a imaginação pois minhas bonecas montavam em dinossauros, e muitas vezes me tiravam o sono por causa dos filmes incrivelmente realistas, especialmente Jurassic Park. Confesso que até hoje quando assisto algum dos filmes acabo sonhando, tendo pesadelos pra ser sincera. 
    Nossa sociedade tão avançada cientificamente e tecnologicamente não se pode desacreditar das capacidades criativas dos seres humanos, afinal já pisamos na lua, clonamos seres vivos, manipulamos a matéria, enfim. Segundo o paleontólogo Jack Horner a ideia da criação de um dinossauro há partir da modificação genética de um frango, que é o parente mais próximo dos dinossauros hoje, será realizada daqui á dez anos. Não é impossível, acredito. O termo "dinofrango" ou "frangossauro" deixará de ser fictício. Quando assisti isso já imaginei a ficção se tornando realidade. Jesus! os dinossauros vão conseguir se livrar do controle humano e o planeta vai virar uma realidade sanguinária de instinto e sobrevivência, quantas vezes já sonhei com essa situação, inúmeras. Se as previsões de Horner estiverem certas eu verei isso. Não que eu queira, mas também não queira.
    Essas explicações parecem fugir ao tema do meu título, mas me achei na obrigação e vontade de explicar. Me sinto melhor com isso. O que gostaria de transmitir mesmo é uma das muitas história da minha imaginação quando criança. E essa em especial não me esquecerei, a não ser que alguma doença de memória me afete, não esquecerei mesmo, pois ela revela o quanto a inocência de criança é puramente hilária, e nostálgica.
    Quando criança em torno dos meus seis ou sete anos mais ou menos recordo de acordar pela manhã decidida á encontrar ossos de dinossauros. Procurei nas ferramentas do meu avô equipamentos necessário para essa aventura no nosso quintal paleontológico. Me lembro de separar uma colher de pedreiro e algo que se parecia com um formão. E lá fui, séria e determinada, a  fazer minha escavação. Cavacando aqui, cavacando ali encontrei muitos artefatos da civilização contemporânea; tampinhas de garrafa, parafuso, peças metálicas, arame entre muitos objetos e finalmente encontrei o que estava procurando.
    Corri pra dentro de casa feliz da vida pra mostrar ao meu  avô o meu maior achado. Disse há ele que se tratava do osso do dedinho do T- Rex, e que ainda tinha muito trabalho pela frente pra encontrar o resto da ossada. Meu  avô na época usava bigode, homem sério de sorriso difícil ficava ainda mais sério com aquele bigode. Não vou esquecer a risada quase silenciosa dele por causa do meu ossinho. Ele quase nunca ri daquele jeito, cheguei há ficar admirada e brava também por ele rir, lembro de ter feito um bico bem grande por causa das palavras dele: "Isso é osso de galinha menina". Não contente claro, parti em nova busca encontrando vários ossos de galinha, e nunca encontrei o T-Rex, infelizmente. Não tínhamos cachorro, então não sei até hoje como foram aparecer tantos ossos de galinha enterrados ali.
  • PARA CASA

    Estava zonzo devido ao golpe que recebi na cabeça, me sentia fraco, perdi muito sangue, estudei o terreno em busca da minha espada mas não achei. Vi sua sombra se afastando de mim e se aproximando dela, o monstro era enorme, com uma pelagem escura, garras e dentes afiados, com olhos de ouro derretido, parecia que nada via, mas via, via e sentia, pois assim que me pus de pé com muito esforço ele logo ficou alerta, senti minha cabeça latejar, tenho que fazer alguma coisa, pensei, a criatura se aproximava cada vez mais dela, eu jurei protege-la e ela estava a um passo de ser morta, comecei a correr e lancei uma pedra que peguei no chão em sua direção, a pedra o acertou no dorso, saltei para esmurra-lo, mas ele viu, já estava alerta, me segurou no alto e me arremessou contra o chão com tanta força que senti o ar abandonar meus pulmões, tateei o chão em busca de apoio e por sorte o que achei foi minha espada, estava suja demais para poder ver minha expressão nela, tinha certeza que não estava assustado, não poderia estar a vida dela dependia disso, e mais uma vez me forcei a levantar, a fera já a erguia com as mãos, avancei mais uma vez sobre ele, dessa vez gritando para não tremer, isso só serviu para alerta-lo e lançou ela em cima de mim, assim que abracei o chão vi ele vindo com tudo rolei ela para o lado e ergui a espada a tempo de atravessar seu corpo, era quente e vermelho, um vermelho vivo e cruel jorrou em cima de mim, fitei seus olhos em busca de dor, mas eles não vacilaram, parecia até estar rindo, só então percebi que sua mandíbula tinha se fechado em volta do meu ombro, ignorei a dor e torci com força a espada, ele liberou meu ombro e morreu.
    Estava a caminho de casa, muito ferido e com dor, mas ainda assim feliz, com ela nos braços indo para casa, estava muito cansado e queria deitar e dormir para sempre, mas não podia, tinha que tira-la daqui. Enquanto ia caminhando vi a paisagem ganhar cor e a aurora romper o silencio iluminando o caminho para casa, para nossa casa.
  • Perseguidos Pelo Tempo Capitulo um

    Cansaço, era o sentimento que eu estava sentindo naquela noite, me chamo Kazuhiro sou um estudante de 20 anos, estava tão cansado de jogar a varias noites, sou o tipo de pessoa que joga por horas e horas por dia, mas já que era feriado acabei extrapolando na hora e esqueci até de comer, resolvi sair um pouco de casa, já era cerca de umas duas horas da manhã minha cidade é bem pequena não tinha crime sérios ou assassinatos e sem preocupação peguei meu casaco coloquei meus óculos e sai para comprar um refresco ou algo do tipo, já fazia um tempo que eu não comia algo decente então pensei em ir em uma loja que ficava a algumas quadras de casa para comer comida de verdade, quando cheguei então percebi que estava fechada mas meu estomago estava insistindo tanto que resolvi ir a rua principal da cidade mas, acabei esquecendo que minha cidade não era tão movimentada e que não tinha nenhum restaurante ou qualquer outro lugar para eu comer nesse horário.
    Os únicos lugares abertos eram casas noturnas, bares e mercadinhos pequenos eu não queria comer nesses lugares então achei melhor ir a um mercado e comprar alguma besteira afinal o errado fui eu de sair tão tarde achando que encontraria algum lugar aberto.
    Acabei comprando dois refrigerantes e um salgadinho, peguei minha carteira e paguei as compras, cidade pequena todo mundo se conhece, mas no meu caso poucas me conheciam direto já que eu realmente nunca saia de casa, me mudei da casa de meus pais aos 18 foi mais por birra de que vontade de ser independente comecei a trabalhar meio período em uma oficina de carros usados para pagar a faculdade e me bancar, é claro que meus pais enviavam alguma coisa todo mês para me ajudar, mas sempre era uma quantia muito pequena eu nunca reclamava pois sei que meus pais se esforçam todo dia lá em casa, eles são trabalhadores autônomos meu pai é um artista e minha mãe uma musicista, nenhum dos dois tivera sucesso em seus meios mas sempre tinha comida na mesa e nunca me faltava nada.
    Alguma coisa não estava certa não sei oque, mas a aura do mercado parecia estranha eu sentia uma sensação muito ruim a noite parecia ter esfriado o lugar inteiro o caixa que sempre me cumprimentava ou fazia alguma piada bem chatinha nem chegou a olhar para mim hoje, só continuo fazendo seu trabalho com um sorriso sarcástico muito medonho é claro que fiquei assustado, mas cheguei à conclusão que ele só estava muito cansado do expediente e nem percebeu que era eu, quando estava chegando bem perto da porta automática do mercadinho o caixa se virou para mim me olhou com um sorriso assustador e disse..
    Boa sorte— ele se virou de volta e continuou fazendo seu trabalho como se nada tivesse acontecido
    Eu resolvi ignorar isso e voltar para casa eu já estava cansado e com fome e provavelmente também alucinado caminhei por alguns minutos com o sorriso assustador do caixa na minha cabeça, mas quando me dei conta já estava no portão de casa, fui pegar minhas chaves que estavam na mochila em minhas costas, nunca saio de casa sem meu laptop, apesar de eu ser muito antissocial gosto de manter informado com qualquer assunto devo ter puxado a curiosidade de minha mãe e o esforço de meu pai.
    Acabei derrubando as chaves, elas escorregaram até uns metros e quando me agachei para pega-las elas estava perto de um sapato bem peculiar parecia uma bota feitas à mão estilo aquelas feiras medievais bem antigas.
    Voltei meu olhar para cima era um senhor que na verdade parecia uma caveira de tão velho, estava usando um capuz preto e em seu pescoço avia um colar de uma pedra vermelha que se parecia rubi com umas pedras azuis em volta semelhantes a lápis-lazúli, meu pai usava lápis-lazúli em quase todas as suas obras, ele parecia ser apaixonado pela pedra, pois até mesmo o anel que deu para minha mãe era feito da pedra.
    Me desculpe acabei derrubando minhas chaves— sorria Kazuhiro enquanto pegava as chaves já indo em direção ao portão
    Mas que interessante você, acho que você é mais que o suficiente para eu terminar minha coleção— o senhor abriu um grande sorriso sarcástico exatamente igual ao do caixa
    Ao ver aquele sorriso fiquei em alerta pensava que seria assaltado então tentei abrir o portão o mais rápido possível, mas o pânico e o medo ficaram tão grandes que minhas mãos começaram a tremer, já não conseguia encaixar a chave que me fez derrubar elas novamente, mas já era tarde de mais, o senhor colocou suas mãos no colar que estava em seu pescoço e começou a falar palavras sinistras o seus olhos começaram a ficar vermelhos e a brilhavam feito lâmpadas, o colar que emitia um som tão forte agudo que todos os cachorros da vizinhança começaram a latir, as nuvens da noite calma começaram a fechar e o vento calmo que estava ali há poucos instantes se tornou uma ventania que quase me levou para longe e o frio congelante que fazia até meus ossos tremerem, quando consegui resistir ao medo que estava me consumindo tentei fugir para longe quando se materializou um circulo vermelho e azul do chão brilhando, e quando tentava sair dele parecia que uma barreira me impedia então correntes vieram do chão prendendo minhas mão e pernas e quando o senhor terminou de falar as palavras sinistras uma luz que vinha do circulo foi crescendo me deixando cego e surdo por alguns instantes.
    Ai.. meu.. Deus..! oque foi isso? — piscava sem parar na esperança de recuperar a visão enquanto tentava levantar com o apito em meu ouvido continuando, mas acabei sendo derrubado por uma pessoa que estava correndo ali.
    Minha visão se recuperava pouco a pouco até perceber estar em um beco escuro, chego a ver um pouco do rosto do homem que o derrubou e quando minha visão se recupera e o apito que estava em minha orelha vai desaparecendo pouco a pouco olho para meus pulsos e vejo que ainda estão presos por uma corrente que esta quebrada as correntes pesam como cinco pneus em meus pulsos e pernas provavelmente por eu estar totalmente esgotado.
    É impossível eu consegui arrebentar essas coisas preciso de ajuda— me levantado bambeando para os lados minha visão já tinha se recuperado totalmente meus ouvidos ainda conseguia ouvir um fino apito observo em volta onde estou até me deparo com uma cena horripilante
    Uma garota de cabelos loiros, de pele branca como a neve bem vestida e com olhos azuis que brilhavam iluminando o céu e o beco escuro em que estava, com os pulsos amarrados e a boca presa estava jorrando sangue de seu peito uma faca cravada bem no meio, seus olhos azuis pareciam gritar por socorro enquanto se debatia no chão.
    Quase paralisado e vendo que a garota esta realmente muito ferida arranjo forçar para me movimentar em direção da garota
    ¬oque eu faço? Ai meu deus alguém me ajude! — Eu gritava, mas ao não ser atendido procuro alguma coisa para desamarrar a garota¬, avisto uma faca ensanguentada, eu não tinha raciocinado ainda estava em pânico qualquer idiota saberia que não se deve pegar em uma faca ensanguentada, sem pensar corto as cordas que estavam em seus pulsos e em sua boca.
    Me..ajude..por..favor.. — a garota chorava engasgando com o próprio sangue
    Se acalme eu vou procurar ajuda! — Ao tentar me levantar sou interrompido por um guarda
    Fique parado ai! — o guarda aponta sua lança para mim— aqui o achei venham de pressa!
    Ela precisa de médicos agora! Preciso de ajud-- — levo uma pancada que me faz desmaiar, não sei se deveria ter fugido do local, pois se tivesse correndo talvez tivesse alguma chance penso em mil coisas antes de cair no chão quando simplesmente apago com o rosto do rapaz que me derrubou, cabelos roxos olhos vermelhos e uma enorme cicatriz em seu olho esquerdo, também percebo que lhe falta o dedo mindinho.
    Acordo lentamente e me vejo amarrado os pulsos, bocas e pernas, eu recupero minha audição e quase a perco novamente com os xingamentos insultos e gritos e olhando em volta observo que estou em um salão e que tem varias pessoas a minha volta, pessoas bem vestidas que claramente tem muito dinheiro, estou um pouco tonto pela pancada do guarda e a exaustão de não te dormido ou comido algo há tempos levanto a cabeça para o alto e vejo lustres painéis de cristais caros como uma pilha de ouro, tenho certeza que somente um deles valeria uma fortuna inimaginável.
    Este homem este sendo acusado de assassinato, sequestro e roubo! — Vejo um homem o único sentado a um trono que esta se referindo claramente a mim — ainda por cima a mulher que ele assassinou foi Akiko a filha e nosso querido general!
    Debato-me tentando me soltar para ver se consigo explicar a situação par eles, mas tenho certeza que não adiantaria, pois o publico me vaiava como nunca eu avia visto, sou parado por dois guardas que colocam suas espadas na garganta na mesma hora paro porque sei que com um simples movimento eles me matam na hora.
    Meu povo oque vocês acham que esse homem merece? Ele deixou um buraco permanente na nobre família do general! Ele matou uma da pessoa mais queridas de todo esse reino! — o provável rei diz essas palavras olhando para um espelho que esta ao seu lado e aponta para um homem com sua mulher chorando em seu peito, os olhos do homem pareciam querer me queimar vivo ele parecia estar se segurando para não me matar ali mesmo
    Ele merece a morte! — palavras são ditas do espelho, aquilo parecia um enorme celular, mas não vejo nenhum cabo nem os componentes da maquina.
    Pois eu não acho que este homem merece a morte meus queridos súditos! — Me sinto aliviado que não dura por muito tempo pois pela altura da conversa sei que receberei uma sentença rígida igual diamante.
    Ele merece algo pior que a morte! — os gritos da multidão chegam a ensurdecer meus ouvidos
    Esse homem merece ser escravizado e recebera a todas as manhãs chicoteadas em suas costas até o fim de seus dias neste reino ele nunca recebera a liberdade de sair de sua cela e não terá direito a rodizio no trabalho e comera de três em três dias! — o rei da à sentença para mim e sai da sala acompanhado de uma grande guarda.
    Tento processar todos os acontecimentos e caio em lagrimas de desespero minha cabeça parece querer explodir de tanta pressão, tudo oque eu queria agora era poder deitar em minha cama me esconder de todos e dormir por uma semana, sou arrastado para fora do salão, não conseguia pensar em mais nada varias perguntas ressoavam em minha cabeça deixando atormentado.
    Você chega a ser pior que merda! — Sou jogado em uma cela pelos guardas um deles cospe em mim caio no chão me recusando a levantar e dentro estavam mais cinco “pessoas” nem cheguei a notar a presença deles
    Como eu fui chegar a esse ponto? Onde eu estou? Porque eu estou aqui? Eu deveria ter fugido e deixado àquela moça morrer? Não, ela parecia mais assustada que eu— derramo lagrimas enquanto tento jogar uma pedra na parede, mas fracasso por não conseguir levanta-la.
    Mas olha que surpresa, eu não sabia que jogavam humanos imundos junto a nós, eles se dizem superiores, mas quando somos jogados ao lixo todos nós nos tornamos iguais— direciono meu olhar para trás.
    Olhando em volta me assusto e me arrasto até o canto da cela, eu percebo ali que não estou mais em meu mundo e que provavelmente posso estar correndo um perigo extremamente alto.
    Então você é o motivo da folga de hoje? Você esta bem acabado hein, e olha que você esta ouvindo isso de alguém aprisionado, sou kitsu estou aqui a três meses mas não pretendo ficar muito tempo— um humano com rabo e orelhas de raposa me cumprimenta— se você parar de tremer igual um rato eu te apresento o pessoal aqui
    Recuo um pouco, mas acabo me soltando por causa do rabo balançando atrás dele— M-Me cham-mo Kazuhiro— Kitsu abaixa uma das orelhas e fica com uma cara de duvida como se fosse uma palavra que nunca tinha ouvido.
    Kazuhiro? Nunca ouvi falar de um nome assim provavelmente estrangeiro certo!— aceno com a cabeça e Kitsu se vira— bom vou te apresentar a esse pessoal aqui, o grandão ali é o Hiroíto ele é um ogro do fogo que odeia humanos por isso aquela cara carrancuda, eu soube que ele destruiu uma parte de mercado central então o rei mandou ele pra cá, aquele ali que esta recitando palavras sinistras é o Akuma ele se diz ser um mago das sombras, mas talvez nunca saibamos afinal sua magia foi tirada dele.
    Magia? Eu estou certo que estou longe de casa, mas magia? Eu só posso estar louco ou sonhando, mas se eu raciocinar até que faz um pouco de sentido, mas mesmo assim é uma coisa que se vê em filmes ou jogos nunca que imaginaria isto — penso.
    Aquela que esta dormindo e roncando como um cavalo doente é a Chieko você nunca meche com ela nem fale com ela na verdade só a responda quando ela te perguntar alguma coisa, ela não mencionou muita coisa, mas ela foi acusada de queimar um bosque de fadas que ajudavam na proteção da capital e creia você ou não, mas ela se diz ser uma ex-fada— Kitsu engole seco ao Chieko abrir um dos olhos.
    Porque raios uma ex-fada queima um bosque de fadas? — pergunto
    Não me pergunte coisas que eu não sei— Kitsu aponta para o outro lado da cela— aquele ali é o mais quieto ele disse poucas palavras desde que chegou aqui, mas aparenta ser gente boa eu suponho que ele seja um elfo do vento por causa de seus cabelos brancos e olhos cinzas, mas não é cem por cento de certeza, eu também não sei oque ele fez para estar aqui e nem sei seu nome, e por fim eu que sou um semi-humano raposa eu acabei roubando 100 moedas de ouro de uma nobre, mas oque eu não sabia era que era a irmã do rei, e aqui estou eu.
    Porque tem poucos presos nesta cela? Quando eu vinha pra cá eu vi presos aos montes nas outras celas¬— pergunto me lembrando da caminhada que eu fiz até aqui
    Nas outras celas estão presos que cometeram crimes pequenos crimes que duram de seis meses a cinco anos— Kitsu responde
    Então eu estou entre os mais perigosos do reino? — falo com as mãos na cabeça
    Provavelmente... alias sei que não devo perguntar mas oque foi de tão grave que você fez para estar aqui? Normalmente os guardas são imparciais, mas esses realmente te odeiam— Kitsu aponta para guardas que estavam conversando.
    Bom a historia não é muito longa mais é bem traumática— Kitsu encosta e se abaixa em uma das paredes.
    Bom se não quiser falar sobre isso eu entendo, mas acho que todos aqui já passamos por situações traumáticas não acha? — Kitsu se aproxima ao meu lado.
    conto em detalhes minha historia para Kitsu e digo sobre minha pena e também conto algumas coisas sobre meu mundo e kitsu retribui falando sobre como funciona o básico nesse novo mundo fico fascinado com o tamanho e variedades de culturas que existem aqui tem todo o tipo de coisa que eu poderia sonhar, tenho absoluta certeza que adoraria vir aqui se fosse em outra ocasião, ele me fala como o rei dessas terras é maldoso e vingativo.
    Bom a historia desse mundo é igual a qualquer RPG de fantasia, quase nem acredito que estou vivendo isso— penso.
    Bom então você estava no lugar errado e na hora errada — comenta Chieko levantando a cabeça e invadindo a conversa
    Sim, eu acho que aquele que me mandou para cá planejou isso para eu não arranjar problemas para ele— suspiro — ainda por cima foi a filha de um general do rei, ou seja, mesmo que eu fala-se a verdade provavelmente eu seria preso do mesmo jeito.
    Você foi pego com a arma do crime e estava com correntes em seus pulsos, não precisa ser um gênio para encaixar que você era o culpado, provavelmente acham que você é um louco que fugi-o de uma prisão no exterior e planejou uma vingança contra o general— Comenta Akuma.
    Sim eu sei, provavelmente serei morto aqui por algum guarda sendo chicoteado até a morte— abaixo a cabeça— bom enquanto eu estou vivo é bom saber onde estou não é mesmo? — me forço a sorrir
    Kitsu me ajuda falando oque ele sabe sobre o país em que estamos, e comenta sobre a cultura dos semi-humanos e fala também de sua família e vilarejo, comenta como o rei odeia todos que não tenham sangue humano puro, ele só se esforça para manter as alianças porque não quer nenhuma guerra no momento.
    E para finalizar o temos as dominações que ficam em volta da capital, temos a dominação Élfica a Dominação dos semi-humanos a Dominação das fadas e a Dominação dos anões— Kitsu tenta me explicar fazendo um desenho na terra— então querendo voltar pra sua historia, o senhor que te mandou para cá oque ele disse mesmo?
    Ele falou alguma coisa de eu ser mais que o suficiente para a coleção dele, na verdade estou até agora tentando entender— respondo.
    Então.. ele pode ser um usuário de magia negra, usuários de magia negra normalmente fazem coleções de almas para feitiços extremamente poderosos, não é mesmo Akuma?— Kitsu direciona o olhar para Akuma
    Sim almas em uma grande quantidade podem ser extremante poderosas e capazes de destruir uma cidade inteira— fico assustado com seu tom serio
    Porque ele precisaria vir para o meu mundo pra pegar almas? — pergunto
    Bom além de poder fazer feitiços poderosos almas servem para tele transporte ultrarrápido e também para pulos pra outras dimensões, ele provavelmente estava repondo o estoque para voltar pra cá além de que dependendo da dimensão as almas são mais poderosas que as daqui— Akuma responde.
    Então além de eu ter que fugir daqui vou ter que dar um jeito de ir para outra dimensão? — coloco as mãos na cabeça e encosto a na parede
    Não vai rolar cara— me assusto e olho para Akuma—, pessoas que vem de outra dimensão não podem voltar, quando sua alma em outra dimensão é “pega” você morre na outra dimensão então seu corpo não pode mais criar almas naquele mundo então você vai pra outra dimensão e nunca mais pode voltar para sua dimensão original, pelo menos é oque eu sei
    Eles discutiram por horas e depois de muito tempo o brilho que vinha da pequena fenda cheia de grades já ia sumindo pouco a pouco
    Penso e penso e só consigo imaginar o rosto de meus pais ao souberem que estou morto, minha mãe não leva perdas muito bem quando minha avo morreu ela ficou muito tempo no quarto às vezes nem queria comer a única coisa que a salvou foi meu pai que sempre a consolava e nunca a deixava sozinha não importa a situação, eles se conheceram no colégio meus avos maternos não aprovavam o começo do relacionamento por causa da instabilidade dos dois, mas com o tempo eles se aproximaram tanto que meu pai também ficou bem mexido com a perda de minha avo.
    Kitsu por acaso vocês são forçados a trabalhar aqui? — já estava deitado com a cabeça apoiada em minha blusa.
    Sim, nos fazemos rodízios a cada semana em três lugares, na pedreira, fazenda e na floresta na pedreira é oque o nome diz você vai lá e quebras as pedras e depois carregamos até a capital, nas fazendas que é melhor sem duvida que a pedreira, na época, nos plantamos e em seguida colhemos e carregamos até a capital e a floresta onde normalmente fica com o maior foco no inverno, cortamos lenha e levamos para capital para os nobres não morrerem de frio e para vendas no exterior— Kitsu boceja— e mesmo assim muitos e muitos escravos morrem de frio
    Você disse que trabalham a semana inteira então porque vocês não trabalharam hoje?¬— viro-me para Kitsu
    São raros esses dias, quando isso acontece é quando o rei vai fazer um grande julgamento ou uma festa por causa de alguma celebração ou algo do tipo, ai não podemos trabalhar porque a guarda do rei e dos nobres aumenta e ficam com poucos guardas trabalhando nas obras— Kitsu se vira querendo terminar a conversa
    Entend--— Sou interrompido por Chieko
    Calem a boca! Agente vai ter que acordar cedo amanhã!— Chieko se vira resmungando
    Eu e Kitsu— M-Me desculpe!
    Cochicho— Só mais uma pergunta, por favor?
    Ok fale logo, senão a Chieko vai pular em nossos pescoços — Kitsu se vira pela ultima vez.
    Quando você se apresentou me disse que não ficaria aqui por muito tempo oque queria dizer? Afinal você não tem alguns anos ainda? — eu o encaro fixamente
    Kitsu sussurra— Bom.. não sei se deveria falar para você mas daqui três messes terá o grande banquete de outono, nessa época é quando vem mais mercadores de todas as dominações e nobres de todas as regiões então é a semana que a guarda do castelo esta altíssima mas a guarda dos escravos esta muito baixa, então eu recebi de um dos meus informantes que eles farão uma grande distração o suficiente para eu escapar, agora vá dormir que nos começamos na pedreira amanhã— Kitsu se vira sem a intenção de falar mais, fico pensando em perguntar se poderia me juntar mas só causaria mas problemas para kitsu e a guarda do local não tira os olhos de mim por um segundo então não vejo como sairei sem ser notado.
    Passam-se três semanas desde que eu cheguei aqui, em todos os dias desse período os guardas me levavam todas as manhãs e eu apanhava e levava chicoteadas e em seguida era sempre designado nas pedreiras sem direto a rodizio, o próprio general fez questão que eu não fosse para as outras instalações, com o tempo parei de falar com os outros parceiros de cela e sempre ficava em meu canto às vezes chorando ou só quieto sem fazer nada, pensava sem parar que daria tudo pelo abraço de meus pais ou só pelo simples fato de poder dormir em uma cama quente e fofa.
    Vocês não acham que é um exagero ele apanhar todas as manhãs? A sua pele parece estar em carne viva eu cheguei a ver guardas apostando quanto tempo ele duraria aqui — Kitsu sussurra para os outros na cela
    Eu odeio todos os humanos eles são vils, podem sorrir enquanto matam uma pessoa, mas o jeito que tratam alguém da mesma raça..— Hiroíto observa eu de cabeça baixa— além deque tem gente pior que ele aqui, e não recebem o mesmo tratamento
    Sim, mas não foram todos que foram acusados de matar a filha do general— Akuma comenta.
    Se ele ficar aqui por muito tempo é certeza que ele morrera.. então.. eu estava pensando em tentar tirar ele daqui — Kitsu fala
    Kitsu sem perceber acaba sendo espiado por um dos guardas que é responsável pela guarda dos escravos.
    Acho que o general vai adorar saber dessas informações o ratinho— o guarda sorri para Kitsu e sai em seguida
    Droga agora não tem mais jeito! — Kitsu esmurra a parede— Eu não sei mais oque pode acontecer com ele!
    Passam-se algumas horas, então alguns guardas abrem a cela e me pegam, eu sou levado para uma cela vazia muito menor que a antiga e muito, mas suja que qualquer outra, mas não ligo e me deito e fico no canto da cela sem nenhuma expressão.
    Depois de uma semana na cela suja e agora apanhando duas vezes por dia ja estava quase desistindo eu já estava cogitando pensamentos horríveis em minha cabeça, até que alguns guardas chegam com uma escrava.
    A escrava é jogada na cela e automaticamente vai para um canto escuro da cela sem dizer uma palavra, eu sou um homem então não consigo nem imaginar oque podem fazer com escravas aqui, a guarda tem quase liberdade total para punir de qualquer maneira que eles achem necessária aqui.
    Passam-se alguns dias e nós dois continuamos sem dizer nenhuma palavra até certo dia que a garota percebe que eu não como há dias
    Um guarda se aproxima com a comida do dia e como sempre só entrega a porção da garota— Ele não recebe uma porção? — a garota pergunta
    Esse ai come só de três em três dias— o guarda responde
    Mas se ele não se alimentar ele não vai conseguir trabalhar! — a garota responde
    Isso não me interessa se ele não trabalhar ele morre! — o guarda sai
    A garota fica preocupada e decide se aproximar de mim e estende seu prato— é m-melhor você comer um pouco s-senão vai acabar morrendo
    Olho com um olhar vazio— se eles virem você me dando comida eles cortaram a sua por uma semana, eles não tem piedade com quem me ajuda— eu recuso o prato o afastando com a mão
    Eu insisto! Se você não comer vai acabar morrendo e com essas feridas não vai conseguir carregar nem uma moeda de bronze! — a garota abre um sorriso colocando o prato perto de Kazuhiro
    Bom.. já que não tem mais jeito mesmo— só amoleço por causa do sorriso dela, que se parece muito com o de minha vizinha que se tornou minha parceira de jogos quando eu me mudei para casa nova.
    Mais três semanas se passaram já estava preso a dois messes, minha personalidade já estava totalmente quebrada minhas costas já estavam em carne viva, a única coisa que me motivava naquela altura era a Emi a única que insistia em conversar comigo todos os dias, eu descobri que Emi era metade elfo metade fada e por ser a mistura drástica de duas raças poderosas foi considerada perigosa pelo rei então decidiram que deveria ser mantida como escrava com uma cólera anti-magia.
    Eu descobri que para pegarem ela tiveram que queimar sua vila inteira, seus pais e amigos todos foram mortos e os que conseguiram fugir acabaram sendo caçados até a morte como animais.
    Faltando apenas uma semana para fuga de Kitsu e para festa de outono Emi adoece seus poderes de cura de elfa não fazem nenhum efeito e ela fica cada vez pior, chego a conclusão que não posso ficar mais preso, eu sentia que se não fugisse com Emi nessa semana ela não aguentaria mais.
    Então ajustei e finalizei meu plano que já estava planejando desde que cheguei, mas não tinha certeza se deveria realiza-lo por causa da preocupação que eu tinha em arranjar, mas para meus colegas de cela que certamente não sairiam limpos dessa situação.
    Então chega a festa de outono os guardas já tinham começado a se retirar para o castelo, Emi já estava inconsciente faz mais de uma semana então decido executar o plano naquela noite, Kitsu tinha comentado que os magos afastavam as nuvens pesadas da capital para não dar problemas para realeza e nobres durante a festa então a masmorra dos escravos estava caído em tempestade.
    Fica tarde a tempestade fica cada vez mais forte o barulho do lado fora é ensurdecedor lá em casa nunca avia tempestades assim então cheguei a ficar com um pouco de medo mas engulo seco e começo a executar o plano.
    Guarda! Guarda! Me ajude aqui! — gritava nas grades chamando por ajuda de algum guarda
    Oque esta acontecendo aqui!? — somente um guarda chega
    Esta mulher que foi colocada comigo esta morta! Preciso que alguém tire-a daqui senão começara a feder! — tento manter a atuação o mais forte possível
    Esta bem! Se eu não tirar ela daqui provavelmente seriei rebaixado se os escravos adoecerem — o guarda abre a cela e se aproxima da mulher se abaixando para pega-la
    Em um movimento rápido Kazuhiro pega a faca que fica na cintura dos guardas e tenta o acertar no pescoço, o guarda desvia da faca e saca a espada.
    Sabia que tinha algo errado, você não falava há dias e certeza que não ficaria preocupado um corpo morto, que alias é de uma fada que demora para se decompor!— o guarda tenta atacar Kazuhiro, mas um trovão cai muito perto da grade que faz o guarda tampar os olhos.
    Eu rapidamente apunhalo o guarda no pescoço que não resiste por muito tempo—Espero que tenha gostado de ser apunhalado pelas costas
    Pego a armadura e a visto, pego Emi no colo para leva-la embora até que um grande barulho me assusta, a principio achei que era um trovão, mas guardas começam a gritar e pedirem reforços, eu presumo que era a distração de Kitsu então saio da cela de armadura e com as chaves das celas corro em direção a saída, ao passar pela sua cela antiga e não vejo mais Kitsu nela, mas os outros estão lá ainda, então jogo as chaves e corro rapidamente para saída o mais rápido possível mas ao chegar perto da saída um capitão da guarda me para...
    Para onde esta levando este corpo soldado!? — capitão da guarda suspeitando
    Estou levando para o morro onde jogamos os mortos senhor! — tento disfarçar minha aparência desgastada de um escravo que não come há dias, mas o capitão sabe que tem algo errado.
    Bom então não tem problema se outro a levar certo? Você parece estar desgastado meu jovem é melhor descansar um pouco— engulo seco, mas entrego o corpo de minha amiga para o outro guarda.
    O-Obrigado por se preocupar senhor— para disfarçar continuo andando
    Fico desesperado, mas tive que manter a postura e saio da masmorra onde os escravos ficavam e penso que tudo oque fiz foi em vão talvez não consiga salva-la a tempo eles a levaram na direção oposta para onde eu ia.
    Escondido segui os guardas que estavam levando minha amiga até o morro onde jogavam os mortos e fico observando atrás de uma carroça com feno
    Me impressiona como fadas demoram para se decompor né?— Perguntou um guarda
    Sim, dizem que demoram mais de 500 anos... anda logo com isso temos que ajudar no portão— o outro responde
    O guarda com o corpo joga Emi no morro, e observa escorregar até lá em baixo e então sai com o outro rapidamente para o portão principal para deter a ameaça principal.
    Com os guardas fora do alcance de minha visão eu corro para o morro para tentar avistar Emi e resgata-la o mais rápido possível, consigo ver somente um pouco de seus cabelos brancos enroscados em uma arvora morta, tento ver algum jeito de chegar lá, mas o único lugar que daria tempo estava muito longe e com a chuva e ventos fortes sentia que não teria tempo suficiente.
    Droga! Emi aguenta mais um pouco eu vou dar um jeito de chegar ai!— eu gritava a beira do morro
    Você se esqueceu de que esta fugindo daqui? — Voz familiar
    Me viro assustado com a voz, me vejo encurralado por cinco guardas e o capitão que tinha o parado há instantes, agora com os raios iluminado sua armadura espetacular parecia que ele tinha saído protagonista de um jogo ou historia de isekai.
    Você é inteligente.. a quanto tempo planeja isso hein? Aposto que esta pensando nisso desde que chegou aqui né, Apesar de que tem uma serie de erros né? — Capitão com as mãos em sua espada.
    Eu to perdido! Preciso pensar rápido não posso ficar enrolando a Emi esta em grande risco agora! — penso
    Bom o general disse claramente que não se importa se você morrer hoje ou amanhã— O capitão retira sua espada que na mesma hora fica em chamas vermelhas e que pareciam queimar meus olhos— na minha opinião eu prefiro.. que você morra hoje!
    O capitão estava indo em direção a Kazuhiro, que estava pronto para contra atacar com a faca que roubou do guarda, ele tinha certeza que não tinha chances contra o capitão, mas tinha eu confiar na sua força, até que os dois são interrompidos.
    Caramba! Você só arranja encrenca né? — um rapaz em cima de um celeiro
    Eu direciono o meu olhar para cima e vejo Kitsu empunhado um cajado feito de madeira com uma bola de cristal lisa da cor verde escuro na ponta, kitsu joga uma grande bola de fogo em direção aos guardas que recuam automaticamente para longe.
    Ah seu rato maldito! Quando pegarmos você vai pagar muito caro! — O capitão grita
    Cala boca o da espadinha de fogo! Você só é uma das marionetes do general— Kitsu sorri caçoando e vai para minha frende
    Valeu Kitsu eu estava em apuros aqui— Me sinto aliviado
    Guardas peguem esses escravos! Vivos ou mortos! — o capitão da às ordens e os guardas vão em direção a mim e a kitsu
    Um raio acerta o espaço entre eles imobilizando somente os guardas, Kitsu se assusta e tenta se afastar, mas acaba me empurrando para baixo do morro Kitsu tenta me ajudar, mas sem sucesso, o capitão vê que eu estava caindo e joga sua faca e acerta meu ombro esquerdo.
    Kitsu! — caio
    Enquanto caia penso que tem que diminuir minha velocidade para baixo então finco minha faca na parede e desço.
    Ai ai! Que bom que eu peguei essa faca senão estaria em apuros—olho para cima e vejo bolas de fogo e alguns gritos de Kitsu.
    Olhando em volta vejo que Emi esta ali perto, ando sobre corpos enterrados pela chuva e terra o fedo ali era inimaginável, me aproximava de Emi e cheguei seu pulso para ajuda-la.
    Essa não, o pulso esta fraco preciso seca-la e aquece-la rápido—procuro algum pano toalha ou camiseta velha só para aquece-la
    Eu observo um esqueleto pendurado em um tronco e vejo que esta usando uma capa preta, eu a pego a capa e coloca-a na Emi e então a carrego correndo o mais rápido possível, eu adentro em uma floresta e corro por horas sinto que pego distancia dos guardas até que meu machucado começa a doer, eu penso que tenho que me esconder em um lugar seco e quente para que Emi e eu não morram congelados, então procuro por mais algum tempo e encontro uma caverna que não tinha sinais de predadores então adentro na caverna, era pequena mas com espaço suficiente para nos dois, eu coloco a Emi no chão e saio para procurar lenha, depois de voltar e fazer a fogueira com dificuldade tenho que cuidar de meu ferimento então me encosto na parede e tento lava-lo com um pano molhado, penso na sorte que eu tinha por procurar assuntos diferentes e entre eles algumas táticas de sobrevivência para iniciantes como por exemplo uma fogueira.
    Cara quando foi mesmo que eu cheguei nesse ponto?...Acho que eu estava jogando com uns amigos antes de sair né?... Bom não adianta eu pensar nisso mesmo, acho melhor eu descansar vou caminhar muito amanhã— Eu me viro e fico observando Emi até pegar no sono.
    Não consigo dormir direito tive pesadelos seguidos à noite toda, muita dor e a constante preocupação com a Emi que só piorava durante a noite, eu decido sair um pouco já que estava amanhecendo para procurar frutas sementes ou qualquer coisa comestível.
    Nossa que noite terrível com certeza não foi minha pior noite, mas mesmo assim foi terrível, apesar de que é muito bom acordar sem levar chicoteadas ao amanhecer— me alongo, apago a brasa e vou olhar os arredores da caverna.
    Aquele lugar parecia ser uma rota comercial apesar de ser no meio da floresta, eu não queria ficar muito tempo com receio que os guardas estavam chegando.
    Rasgando um pedaço de minha camisa para levar algumas frutas eu encontro um pequeno riacho que era coberto pelas arvores e arbustos frutíferos aos montes, sem pensar duas vezes e com a barriga vazia há dias eu peguei tudo que encontra pela frente, enchi todo o pano que rasguei, bebo um pouco de agua e uso uma folha grande para dar agua a Emi e vou em direção à caverna para tentar identificar e comer as frutas e nozes.
    Quando estava a cerca de seis metros da caverna escuto um choro, não humano, mas sim animal, o choro vinha de uma arvore oca que estava queimada, deixo as frutas e agua e me aproximo e ao olhar dentro, vejo um filhote de lobo que me assusta e me faz cair para trás.
    Caraca que susto! É um filhote de lobo? Provavelmente a mãe esta por perto melhor sair daqui— digo sussurrando
    Ignoro o filhote e volto para caverna onde como as nozes e frutas que peguei, bebo um pouco d’água e tento dar um pouco pra Emi, descanso um pouco e me preparo para sair, pego Emi coloca-a nas costas e saio em direção contraria que vim, passo pelo filhote que continua a chorar.
    Será que a mãe saiu para caçar? Ela deixaria sua cria sem proteção por tanto tempo? Bom não importa isso não é problema meu — continuo a andar
    Ando por alguns minutos começo a pensar em um bocado de coisas, será que Kitsu conseguiu fugir? O pessoal da cela escapou? Para onde eu devo ir na minha situação? E quem em plena consciência ajudaria um prisioneiro acusado de ter matado à filha de um general? Não sei as leis desse mundo oque kitsu me disse foi o básico do básico e creio que a experiência que tive em jogos e longas leituras não irão se aplicar a um mundo que esta a quase 500 atrasados do meu tempo, ou será que isso terá utilidade? Meu raciocínio é cortado quando escuto urubus grunhido em cima de um cadáver, eu me escondo rapidamente atrás de uma arvore e deixo Emi e vou verificar do que se trata, assustando os urubus que voam para longe vejo que não é um humano era um lobo, eu identifico que é uma fêmea e pela barriga provavelmente teve cria recentemente.
    Então essa é a mãe né, sinto dó do filhote provavelmente não durará muito, morrera de fome ou algum predador faminto— fico com duvida— ,droga não acredito que vou fazer isso.
    Corro de volta para onde o filhote estava e chegando lá ele estava dormindo, o acordo que o faz começar a gritar e tentar me morder, mas o agarro e o tiro para fora, o filhote se acalma pouco a pouco, então o alimenta e dou um pouco d’água, ele estava com a pata machucada então faço um curativo e o coloco no chão.
    Escuta, eu não posso carregar mais peso agora, então você tem duas opções ou você fica aqui e morre sozinho ou me acompanha e tem uma mínima chance de sobreviver— termino de falar e me viro de volta para onde deixo Emi
    Eu volto pego Emi e continua o trajeto, o lobo filhote me segue com dificuldade, mas vai sem reclamar, depois de horas sem parar sigo uma trilha dentro de uma planície, sem proteção das arvores e o sol escaldante começa a ficar com dificuldade em andar e ficando cada vez mais desidratado acabo desmaiando na estrada ouvindo o som de um cavalo chegando cada vez mais perto, tento resistir ao máximo, mas não duro nem um segundo.
    Meio tonto acordo devagar estou deitado em uma cama me levanto rapidamente assustado para ver onde estou, observo e vejo que estou em uma cabana meu ferimento estava enfaixado e minha dor tinha praticamente desaparecido.
    Então você acordou querido! Venha estou quase terminado o almoço— Uma senhora simpática o cumprimenta e sai para o corredor
    Fico com receio e vou pegar minha faca, mas ela não esta por perto olho em volta para ver se tinha algo, mas a senhora grita que me a faz seguir a senhora simpática.
    Enquanto a sigo passo por um corredor bem interessante, o morador parece ser algum aventureiro que coleciona alguns de seus feitos, vejo chifres espadas armaduras e joias sinto que estou em um museu, desço a escada e vou para cozinha da senhora.
    Eu não quero parecer ingrato nem nada, mas estou muito preocupado com a mulher que estava comigo e preciso saber agora onde ela esta, ela esta muito doente e quero estar ao seu lado o tempo todo — começo a ficar um pouco agitado
    Ah claro a moça que estava em estado deplorável! Siga-me a deixamos em outro quarto— a senhora sai da cozinha e eu a sigo— Você deveria cuidar mais de sua esposa se alguém a visse desse jeito você seria linchado na rua.
    E-Esposa!? Você entendeu e-errado ela só é uma a-amiga! — Kazuhiro vira o olhar para outro lado.
    Hahaha! me desculpe então, não se vê homens viajando com mulheres que não sejam suas esposas, servas os escravas, ela esta aqui— a senhora abre uma porta
    Eu adentro no quarto e vejo a Emi, esta deitada em uma cama com uma aparência muito melhor, seus cabelos brancos que antes pareciam marrons de tanta sujeira agora estavam tão limpos que pareciam neve, sua pele branca que estava suja estava perfeitamente limpa e a febre que chegava a me queimar tinha diminuído drasticamente.
    Vou deixar vocês a sós, preciso terminar o cozido então fique aqui— a senhora vai se retirando.
    Muito obrigado— me levanto e olho pela janela— Sabe, eu provavelmente morreria naquele lugar, eu estava praticamente sem esperanças, eu estava quase... bom acho que deveria esquecer essa parte né? Oque estou fazendo é nada mais que um agradecimento, afinal quem me salvou de verdade foi você!
    Fico conversando com Emi que ficou o tempo todo dormido por algumas horas, falando bobagens do meu mundo e outras coisas como comidas e jogos que joguei, falei de meus pais e quase minha vida inteira resumida em alguma horas, me levanto quando sou chamado pela senhora para cozinha.
    Meu querido aposto que esta morrendo de fome não é? Coma a vontade meu marido chegara daqui a pouco, provavelmente ele vai gostar de conversar com você, pois foi ele que resgatou vocês três— a senhora enche uma vasilha generosa de cozido.
    Três? Ah é mesmo eu estava junto com um lobo— me lembro
    Ele esta no deposito atrás da casa caso queira ver como ele esta— a senhora aponta para o deposito pela janela da cozinha
    Irei verificar como ele esta mais tarde— começo comer— oh meu Deus! Faz tanto tempo que não como algo assim!
  • Precauções do COVID-19

    Se cuide do jeito certo
    Se os sintomas surgir
    Se afaste de perto 
    Depois chame um médico

    Mantenha distância do infectado
    Fique o mais possível afastado
    Mantenha-se mascarado
    Faça tudo que logo estará curado

    Se o resultado der negativo
    A proteção deverá continuar
    Se esforce para seguir protegido
    Que logo a vacina chegará
  • Preview: Distante do Céu

    Eles brigavam constantemente. Mas naquele momento, os ânimos estavam bastante exaltados. O rapaz pegou o capacete no sofá da sala e saiu pela porta da frente fazendo estardalhaço. Ela não se deu por vencida, veio atrás dele, gritando como uma louca. O jovem não parecia interessado, subiu na motocicleta e deu ignição, acelerou-a tentando silenciar os gritos da mãe, a mulher já chorava. Ela enfiou a mão no guidom e retirou a chave. O estapeou com força no rosto. Plaft! O som fez um eco seco no ar. O garoto ficou olhando para o horizonte. Ela pôs as mãos no rosto. Se sentiu envergonhada, os vizinhos a tudo assistiam pelas persianas das janelas.
                — Se você se importasse só um pouquinho com seu futuro, não arriscaria a vida numa moto! — bradou ela.
                — Eu não pedi pra nascer caso você não saiba — retrucou ele. — Eu não tenho culpa se eu sofri aborto paternal.
                — Já conversamos sobre isso, seu pai não pôde ficar aqui...
                — Não me importa! — disse ele furioso. — A senhora nunca fala dele, só diz que ele nos abandonou para nos proteger. Que tipo de pai abandona a família pra protegê-la, mãe? A senhora todos os dias dobra o joelho no chão chamando por Deus, aonde é que ele está que não vê o nosso sofrimento?
                — Eu não sei mais o que fazer com você Arthuriel — disse alisando as têmporas. — Você sai com essa moto por aí, sem carteira de habilitação. Pode ser preso!
                Ele continuou com o rosto virado. A mãe tomou o seu rosto nas mãos, o jovem rangia os dentes. Estava furioso.
                — Nós precisamos de dinheiro, né mãe!?
                — Mas não dessa forma garoto? — retrucou ela. — Você é mais importante do que a casa. Saía dessa vida de malocagem e arrume logo um emprego, se tornar alguém decente, quem sabe até estudar, não quero que você se torne alguém como...
                — Como o papai? — perguntou ele com alguma esperança. — Porque a senhora nunca fala dele, hein mãe? Qual o mistério? Porque é que ele abandonou a gente?
                — Eu... snif-snif. — Ela não conteve as lágrimas. Toda vez que tocavam nesse assunto, havia mais briga e choro do que respostas.
                — Quer saber? Tô cansado disso, coroa. Cansado, ouviu!
                A mulher pôs a mão na boca tentando parar a torrente de choro, caminhou apressada em direção à casa. O vizinho da porta da frente meneou a cabeça e disse:
                — Não se sente envergonhado de fazer isso com sua mãe, Arthuriel?
                — Vá se lascar, velho! — respondeu irritado.
                Num movimento rápido, deu partida na moto e avançou deixando a mãe para trás. O garoto olhava a mulher em soluços pelo retrovisor. Os moradores desviaram quando ele passou velozmente. Era tido como o típico garoto problema na vizinhança. Sua mãe o definia muito bem: arrogante, egoísta e individualista. Por sua vez, o rapaz não se importava. Odiava a tudo e a todos. Se não fosse a exceção do amor que nutria àquela mulher, a seu modo, ele já teria dado o fora. Uma estranha sensação de piedade e necessidade de retribuição o prendia àquela casa minúscula num bairro pobre de sua cidade natal.
                Só havia uma coisa que o fazia se sentir bem. Mesmo arriscando a vida, era uma maneira de levantar uma grana e aumentar a dose de adrenalina in natura. Arthuriel unia o útil ao agradável. Todas as noites, ele pegava a moto e ia para a Death Line. Era o mais perigoso racha de motos da região. Ele participava de todas as edições. O adolescente de 17 anos era um famoso corredor...
    Continua
    Se você gostou do que leu, então vai querer ler o resto!
    Distante do Céu é um conto de fantasia e pós-apocalipse onde anjos de demônios lutam pela supremacia da Terra

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