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auto biográfico

  • ANELO, minutas de um desventurado

    PRÓLOGO
         Lembro-me de um gosto semelhante ao cheiro associado à ferrugem, de não poder levantar meu braço ao lado da porta do motorista e sentir um formigamento muito bem vindo em minha perna após notar estar com algo atravessado pela parte interior de minha coxa esquerda e prender-se firmemente ao meu banco. Algo, um ferro desmembrado do outro veículo talvez, também pressionava o pé desta mesma perna em sentido contrário e talvez fosse essa a causa da sensação anestésica.
         Ewan McGregor bradava a plenos pulmões que Satine o perdoasse pelo equívoco dele à seus olhos serem verdes ou azuis. Eu já estava tão acostumado com aquela adaptação de Moulin Rouge que a versão da canção Your Song, original de Elton John, me parecia esta ser a original. E além de ser um dos musicais favoritas de Elena, a cada vez que a música tocara no carro ou em qualquer que fosse o lugar que estivéssemos, sempre me deparava com a mesma imagem de mio amore...como era gratificante admirá-la em seus momentos de fantasia. Era como se a personagem a quem era dedicada a música fosse ela, e seu rosto se enchia de um sentimento de realização e ruborizava suas maçãs do rosto perfeitamente desenhadas deixando a face mais amável como uma criança não sabendo lidar com um elogio. Tão logo, os dois amantes dançariam sobre um elefante escarlate aplumado metodicamente para uma noite ao gosto não de um poeta que ama e venera a simplicidade do amor genuíno, mas sim um marajá não tão hostil, porém metódico. Coisa que nem de longe o desafortunado Christian poderia vir a ser. Mas tão apaixonado –me questionava entre um desagradável zumbido crescente e luzes que bruxuleavam à minha frente. –, como  poderia ele esquecer a cor dos adorados olhos de sua bella? De um azul tão reluzente quão eram, em sua lembrança, as águas eloquentes de Calábria. O mesmo azul do vestido que Elena vestira esta mesma manhã.
        –Elena... –tentei em vão gritar, mas minha voz não poderia ser comparada a um mero sussurro. –Dio, cosa è sucesso...? Lena... – eu ainda podia ouvir os versos cantados enquanto o mundo se desdobrava  e esticava tão rápido e sem avisos enquanto eu dava ordem aos fatos, “Um carro na contramão...eram dois? Acho que capotamos...Elena. Elena, desliga il radio.”. Enquanto recuperava parte da consciência já estava sendo tirado do emaranhado de ferro e peças do painel do carro, e tal era a confusão de formas avulsas e amassados que seria difícil dizer que um dia fora parte efetiva de um Pajero.
        Mais tarde, no hospital, enquanto um zumbido abafado tomara o lugar da melodia em minha cabeça, alguém me dizia que eu estava bem, que tudo iria ficar bem e eu não precisava me preocupar pois as coisas iam bem. Eu tentei por vezes abrir os olhos mas parecia que pesavam boas toneladas. Eu precisava saber como Elena estava. Só assim justificaria o pleonasmo irritante quando nem tudo estava realmente bem. 
         Dois dias depois eu já andava sem auxílio de alguém ou de corrimãos, mas eu ainda me sentia completamente apoiado por olhos melancólicos e cheios de incredulidade. Ora, quem sequer consideraria o destino preparar na calada da noite uma emboscada vil e calculista, onde uma jovem á flor da idade seria massageada com os gélidos dedos da morte por um evento coadjuvante?
         Aos vinte e nove anos de idade, Elena já morrera duas vezes. A primeira tinha cerca de dois anos àquele dia, quando o corpo já não aguentara mais medicação e seu coração decidiu não mais trabalhar em sua função apenas de viver por quimioterapia, ela teve de ser submetida à ressuscitação, e pela grazia di Santa Catarina teve sua breve segunda chance. Mas não posso reclamar quanto a nossa vida. Apesar de um breve casamento, foram, como de costume dizem por aqui no Brasil: anos dourados.
         Nos conhecemos no verão seguinte a mudança dela para Carpi; estávamos eu e meu velho pai, il signor Montanari, pescando como de costume em Lago di Garda que ficara a duas horas e meia de casa, aproximadamente. Nos feriados e dias comuns que meu pai se declarava de folga do trabalho, arrumávamos a mala de nossa antiga caminhonete, eu gazeteava uma ou duas aulas no colégio e partíamos bem cedo para o lago em busca de um boníssimo e ensolarado dia com o tão italiano prazer de não fazer “nada”.
         Tínhamos uma floricultura. Era o nosso orgulho, pois aquela pequena loja pouco maior que a nossa cozinha na época, pertenceu a um sonho quase imaculado de minha mãe. E quando finalmente conseguiu guardar dinheiro de produtos em conserva que era de costume fazer-se em casa, juntou com as economias de seu marido, meu pai, e materializaram o negócio. Mas não foram apenas flores no início. Parecia algo pouco, mas precisava de investimento não só monetário como também físico, contínuo. E como ainda não tínhamos dinheiro para pagar funcionários que fizessem parte do trabalho, pelo menos o pesado, meu pai resolveu largar o emprego no banco no centro da cidade e trabalhar no negócio da família.
         E bem...por sorte, talvez, deu muitíssimo certo. Depois de muito trabalho duro e abdicação, expandimos o sonho de mamãe e contratamos pessoas para ajudar. Simultaneamente abrimos outras duas lojas; uma ao sul de Carpi e outra no centro. Papai tomava conta de gastos e toda a parte burocrática que demanda um comércio razoavelmente grande, enquanto mamãe transitava entre as lojas e tomava nota de como vinha sendo o tipo de atendimento, a qualidade de nossas flores, procurava novos fornecedores e mais tarde até trabalhar com entrega. Que foi onde eu entrei efetivamente. Logo tirei minha carta e virei o mais novo entregador da Allma d’Orcia, nossa floricultura.
         Meus pais sempre foram um ícone de respeito e companheirismo para mim. Em meus 47 anos, nunca vi na vida, casal tão apaixonado e ativo de todas as formas que a idade lhes permite. Claro que as vezes haviam pequenas discussões, como quando meu pai inventava de sair de madrugada para pegar um bom pico em Garda. Dio santo! Era um verdadeiro caos em casa. Enquanto eu ficava no meio de meus pais sem poder argumentar qualquer que fosse meu ponto de vista, e sempre acabava indo com meu pai também, logo, era inútil remediar a discussão.
         Papai sempre fora um homem bom, um pouco impulsivo talvez, mas um signor direito. Nós passávamos no armazém perto de casa, que além de vender compotas de doces excepcionais, tinha uma variedade boa de artigos para pesca. E o dono era um velho amigo de meu pai, o que fazia de nossa passada lá antes das pescarias, quase obrigatória. Comprávamos alguns tipos de isca e um vinho barato para meu pai. Eu separava alguns refrigerantes e mini conservas caseiras de damasco e ameixa que eram o ponto alto das nossas pescarias, para mim ao menos. Ah, e vez ou outra inventava jogos que desafiavam a mim mesmo contra o humor de il signor Alessio, amigo de papai, dono da loja. O homem era parrudo como um touro, e tinha traços marcantes como a linha do maxilar intimidador. Eu sendo um adolescente na época, esperava um dia ter a barba tão densa como a dele, mas não compreendia como alguém de feições tão brutas era tão extrovertido e sempre de excelente humor. Até uma notícia do falecimento de um bom amigo ou a criminalidade crescente da região eu desconfiara não fazer grandes mudanças em seu humor. Sua voz era quase que cantada; rouca e firme, porém contagiante a ponto de fazer você gostar de falar até sobre as antigas histórias de rinchas entre as contradas ao norte.
         A cada dia de pescaria, eram coisa de três minutos de carro até o armazém. Três preciosos minutos que me lançava os desafios como: “se hoje finalmente estiver de pá virada ou com um ar não tão caloroso como de custume, eu conto a papai sobre minhas notas vermelhas. Do contrário, se o velho estiver como de fato sempre está, eu espero o conselho chama-lo para uma reunião”.
         Era de se esperar que um rapaz de dezesseis ou dezessete anos lançasse ao destino tais desafios bobos, e de fato eu me divertira.
         Não me lembro ao certo se havia acontecido algo, mas naquele mês recebi algumas ligações de mamãe pedindo para que eu arrumasse um tempo e fosse vê-los. Dissera que meu pai não estava em um tempo muito bom da cabeça, então numa quinta-feira –quando o movimento no trabalho era normalmente baixo.–pedi folga a meu chefe e saí três horas mais cedo e fui até a casa nova de meus pais no centro, e propor uma pescaria de última hora naquela mesma tarde. Eu trabalhava com um antigo professor do meu curso de gastronomia num badalado ristorante lá mesmo onde crescera desde que nasci. Era um lugar muito movimentado pelos jovens, mas com um requinte indiscutível. Passei em minha antiga casa, onde morava sozinho agora, tomei uma ducha e troquei minhas roupas por algo mais confortável. Deixei meu carro em casa, afinal, meu pai não sairia para pescar num carro menos vazado que nossa antiga caminhonete, e peguei um táxi. Quase chegando no centro, comecei a refletir sobre quanto tempo não fazíamos isso. As nossas pescarias estavam cada vez mais perdidas; eu trabalhava demais e meu pai já não era mais um signor a todo gás. Mas ainda assim, quando eu conseguia me dar folga, era meu primeiro plano. E nesta tarde, quase noite, passamos no costumeiro armazém e no balcão um menino ruivo com seus quinze anos, ainda perdia a guerra brutalmente para a acne.
         –Mais alguma coisa signor? –por mais que fosse estranho ser chamado assim, não me atentei com as palavras do rapaz. Estava tentando identificar o sujeito com quem meu pai papeava.
         Já estávamos com tudo o que precisávamos e enquanto eu pagava nossas compras, ainda não reconhecera o senhor com quem meu pai conversava todo o tempo praticamente desde que entramos na loja. Ele estivera sentado num banco no fim do corredor à esquerda da entrada de funcionários, lendo um jornal que eu reconhecera por ter visto cedo na banca em frente ao meu trabalho, dizendo que o preço de um vinho que meu pai não gostava muito iria despencar contra o mais barato que ela tanto gosta e bem, logo estaria mais caro.
        –Que amargura não toleramos por boa economia? – comentou meu velho pai, com o senhor. Ele quase sempre teve essa compulsão por economizar o que desse e como pudesse, não que sua condição financeira o fizesse necessário, mas por que é um verdadeiro “mão de vaca”, como dizem aqui. Repelindo este pensamento, voltei a concentrar minha atenção ao senhor que conversava tão descontraidamente com papai. Já havia pego as sacolas e fui na direção deles. Ainda tínhamos uma boa estrada pela frente e nunca gostei de dirigir durante a noite.
         –Oh,– a arquejou com uma surpresa triunfante o velho Alessio. – buonasera! Se non è il nostro piccolo coniglio! – me saudou. Uma onda nostálgica percorreu meu corpo de forma sutil quando o apelido foi dito. Eu o ganhara num dia engraçado, visto de hoje! Em uma das feiras artesanais anuais no centro de Carpi, eu deveria ter uns 12 anos. Meu pai havia me presenteado com uma bicicleta azul marinho com sino e cesto adaptável. Foi uma conquista para mim, e dores de cabeça para meu pai.
         Naquela tarde, colocando mais uma coisa na lista de vergonhas que o fiz passar, estava descendo o beco que desembocava na rua onde acontecia a festividade quando um maldito cachorro saiu ladrando de dentro da varanda com cerca viva da senhora que morava em uma das casas do meio. Meu susto foi tão grande que eu ao invés de reduzir a marcha da bicicletta e pedalar na direção da outra rua vazia, me embolei ao descer dela e a soltei pelo chão no largo lá em baixo, antes de me enfiar por entre as barracas e o aglomerado de gente participando de todas as formas oferecidas da feira.
         Eu tenho uma cicatriz na parte esquerda de minha testa, perto do olho, deste mesmo dia. Enquanto eu corria e me contorcia pra passar por toda aquela gente, estava tão assustado que nem passou pela minha cabeça olhar pra trás e ver onde o cachorro estava. Se eu o tivesse feito, veria que ele já não me seguia a certo tempo, mas em compensação, muitos amigos e conhecidos de papai me viram correr feito louco sem aparentemente nenhum motivo. Foi então que cheguei na piazza onde expunham animais para a venda e tantos cestos de palha com variados tamanhos, que cheguei a pensar momentaneamente se conseguiria me enroscar ali. Agora, você acreditaria se eu lhe dissesse que o bendito cachorro estava ali à minha espera?
         Se alguém me contasse eu sem dúvidas não levaria fé. Mas lá estava ele. Bem, eu não sei se era o mesmo cachorro na verdade, mas na hora eu nem pensei. O meu susto que já era quase palpável conseguiu ficar sete vezes mais intenso! Então eu corri pro outro lado dando meia volta, quando bati com a cabeça em alguma coisa que pendia de uma daquelas barracas. A esposa de il signor Alessio me diz que era um vaso com plantas de uma varanda onde ao lado posicionaram estrategicamente uma barraca para que não acontecesse algo do tipo, mas, como estava tomando muito cuidado e tendo muita atenção com o mundo a minha volta –para não dizer o contrário.–, fiz justamente o que foi calculado com tanta cautela para não acontecer.
         Levei uns pontos, ganhei um sorvete acho que de pêssego, se não me falha a memória. Daqueles feito em casa pela senhora esposa do senhor Alessio, e felizmente não tornei a ver aquele cão fantasma que ninguém, além de mim, viu me perseguir incessantemente aquele dia.
         Bem, você já soltou um coelho de sua gaiola e tentou pegá-lo? Molto bene, il signor Alessio desde então só me chamara assim. Coelho, il coniglio. Mas Santa Catarina!!! O tempo não faz bem à algumas pessoas, de fato. O homem estava tão mais velho do que me lembrava que tive a impressão de abrir a boca num pequeno o quando finalmente o reconheci.
         E quanto a pescaria com papai, me lembro de quase sempre sentarmos naquela mesma ponta plana para jogar as linhas, mas esse dia havia um outro grupo por lá, e junto a eles estava ela. Ao esplendor de seus vinte e poucos anos, deduzi, num macaquinho amarelão e uma camisa de gola alta que eu me lembrara dos antigos casacos de mamãe, aqueles que davam a impressão de sufocar. Além de serem horrorosos e espalhafatosos demais para meu gosto. Mas foi quando uma de suas amigas disse ter visto um tubarão que me despertou a atenção. Ao que todos riam, Elena olhava com atenção a água revolta, na esperança de ver o tal “maior peixe que já vira”, que a amiga alertara a todos. Bem, não precisa ser muito esperto pra saber que não há tubarões ali, mas se o objetivo fosse ter algum motivo para urrar e por a vigor toda a bebida quente que eles vinham ingerido só naquela tarde, tinha tido sucesso a menina de cabelos quase branco de tão loiros que falara sobre o peixe.
         Lena viu o peixe e deu um urro de felicidade enquanto vinha correndo em nossa direção; pedira aos berros se poderia pegar o monstro pra eles, e bem...não era o maior que já pegara ali, mas dava pra dar uma de pescador sênior e me gabar um pouco. Infelizmente não fui tão bem quanto o previsto. O peixe era forte como um cavalo! Puxava cada vez mais forte e enquanto eu dava linha pra enganá-lo, era ele quem me fazia de bobo. Meu pai tomou a vara de minhas mãos e logo jogou o tal monstro pra fora d’água com uma facilidade que só me fez envergonhar. Caramba que pescada! O grupo de Elena inteiro ficou extasiado; quiseram tirar fotos atrás de mais fotos enquanto Elena se acabava de rir, e meu velho seguia no mesmo sentido. Mas ele ria era de mim.
        “Isso sim é uma gargalhada.”, não parava de pensar vendo jeito hilário e persuasivo pra onde ela levara a cena. Os cabelos acobreados presos em uma trança que não ia até as pontas dos fios emolduravam seu rosto. Tinha a pele e os olhos muito, muito claros e seus lábios salientes contrastavam com um rosado sutil no rosto tão bem enquadrado ao seu sorriso –che bella! –, que me deixou praticamente hipnotizado.
         –Eu também quero uma!!! Calma aí –disse aos berros, me tirando do transe e deixando por segundos, de lado, a cena cômica que vira a pouco, comigo sendo seu protagonista. Enquanto corria mais uma vez em minha direção, disse ofegante –vem cá pescador. Só chega esse troço bem pra lá...não trouxe nenhuma outra roupa e estamos longe de casa. Ah, qual é? Me dê um sorrisão!
         Essa foto é uma das lembranças mais queridas que eu tenho de casa. Casa, em todos os sentidos.
          Por mais que eu não gostasse de início, ela ficara colada por meses na geladeira do apartamento dela sem eu saber, claro. Só quando finalmente nos encontramos, por acaso no Lorenz ristorante, onde eu trabalhara bons 6 anos, e conversamos sobre algo que não fosse peixe e roupas mal cheirosas finalmente trocamos e-mail e depois telefones. E você pode imaginar o meu susto ao chegar na cozinha de até então uma no máximo amiga e deparar com aquela bendita fotografia em sua geladeira, em meio a tantos outros papéis, mas só algumas poucas fotos. Eu estava com um ar de assustado, mas sorria, o que deixou a foto como uma daquelas que tiram do alto da primeira descida de uma montanha-russa de grandes parques, e quando você vai conferir se ficou boa sua cara está tão constrangedoramente contorcida que você sai fingindo ter adorado mas recusa por “educação”.
         Esta mesma fotografia hoje está aninhada em minha geladeira. Uma péssima mania que adquiri, diga-se de passagem. Já perdi as contas de quantas geladeiras trocamos por esses anos, não por problemas técnicos, mas pela estética. Junto a ela pendem uma fotografia de meu pai, eu e meu tio na última feira de artesanato que fui em casa e umas fotografias avulsas minhas e de Elena, ainda quando morávamos na Itália, pouco antes de descobrirmos o seu câncer.
  • ATRAVÉS DOS OLHOS DO TEMPO

    Quando era mais nova, os adultos sempre falavam que eu nunca havia tido problemas de verdade, que eu só os entenderia quando alcançasse a sua idade, Mas na verdade, eu percebi algo: os mais velhos nos apresentam esse quadro fictício porque ouviram de seus antecessores e acataram sem se dar conta de que o reproduziam sem estudar suas próprias vidas.  
             Você vai passar anos da sua existência desconsiderando suas experiências, verdadeiras décadas esperando chegar aquele dito momento em que você poderá se considerar adulto suficiente para pronunciar aquelas mesmas palavras, a hora em que seus antecessores te darão parabéns por ter problemas de verdade. Por conseguinte, ninguém consegue ver as consequências de tudo isso. Temos, então, um problema, pois depois de tanto tempo esperando para gritar seus problemas de verdade para o mundo, você não percebe que não é uma experiência específica que te introduzirá no mundo real, você já está nele e nem sequer percebeu suas cicatrizes ao longo do caminho, simplesmente porque ouviu a vida toda que eles não eram problemas de verdade, “de adulto”, e que trazê-los à superfície seria besteira.
              Eu tenho então outra notícia pra te dar, o quadro nunca vai se inverter e os que vieram antes de você não pararão no tempo para dizer “está vendo, isso sim é um problema sério, agora você entende.” Os mais velhos só ficarão mais velhos, e eles sempre te enxergarão como alguém alheio aos problemas de verdade, quando na verdade o que eles deveriam dizer é que nunca entenderíamos os problemas deles. Perseguimos algo inalcançável, porque nunca nos sentiremos dignos das cicatrizes que estão em nós.
               Eu já acreditei nessas palavras um dia. Elas foram ditas pela minha mãe, minhas tias, minha avó... Então passei uns bons 10 anos esperando o ponto de ruptura em que finalmente eu entenderia o que elas queriam dizer, mas ele nunca aconteceu.  Pelo menos não da forma que eu imaginava. Foi algo mais gradual, como o envelhecimento físico, que você só se dar conta, pra valer, quando olha uma foto de anos atrás e percebe o quanto mudou.  É quando você olha pra trás e lembra aquele momento na sua infância, quando sua melhor amiga fez uma “brincadeirinha” te chamando de gorda na frente de todo mundo e você só queria chorar, mas te disseram que era bobagem chorar por isso. Aquela “brincadeira” te fez sofrer por não estar no padrão por boa parte da sua vida, mesmo que estivesse bem aos olhos dos outros; Ou na sua pré-adolescência, quando você decidiu que beijar na boca te faria ser legal,só porque todos faziam, por isso seria idiota se não fizesse, e consequentemente, levou um não do garoto “pop”, o qual era apaixonada, acarretando uma total quebra de autoestima. Ou ainda, quando você se dá conta de que foi abusada por alguém em quem confiava e isso te transformou em uma pessoa chata, fechada, autocrítica, desconfiada e com algo escuro dentro da alma, pois não conseguia perdoar.  Podemos lembrar também das suas trivialidades, quando você tirou seu primeiro zero em uma prova e ninguém viu como te afetou; Quando se dedicou tanto a uma matéria só pra mostrar que podia, mas não deu certo. E em todos esses pequenos casos você não era permitido se queixar, pois havia pessoas com problemas mais sérios no mundo.
                 Às vezes estar no limbo é a melhor coisa para alguém, pois a inércia faz a queda de um alfinete pareça um raio. Péssima comparação, eu sei.  A questão, é que nessa espera pelo crescimento abordado pelos mais velhos, ignoramos total e completamente os pequenos pontos de ruptura durante a vida. Mas um dia acontece. É apenas uma percepção, mas está lá, e é tão real quanto essas marcas invisíveis em suas mãos.  Você começa a se lembrar do sentimento de ver seu avô preferido morrer e percebe que ele nunca verá você se casar ou ter filhos.  Recorda-se das vezes em que deixou alguém te magoar e fingiu que estava tudo bem, ou ainda quando você magoou pessoas por aí e nem sabe disso... Ou sabe, e deseja desesperadamente voltar atrás.  Aquela sensação de facas no estômago quando alguém , o qual você achava que conhecia, reage de uma forma covarde com outra pessoa bem na sua frente, e tudo o que você sente é vontade de gritar.  A confirmação vem, e continua até que as barreiras levantadas anos atrás por seus antecessores são derrubadas, a descrença dos “experientes” te impediu de mostrar a todos que sim, você entende. E eles, na nossa idade, também entendiam, mas se esqueceram disso.
                  Pessoas irão dizer que é necessário ter a experiência delas para se receber o direito a queixa. No entanto, vivemos momentos decisivos desde que fomos gerados. Há os grandes momentos, ou apenas simples palavras, mas todos são construtores de caráter. Não deixem que te digam que nunca passou pelo bastante, pois aqui entre nós, eles não sabem nem 10%. Não estou dando garantia de que todos são iguais e que vão passar pelos mesmos problemas, porque ainda haverá mais. Algo bom, algo ruim, tudo é uma soma de momentos que deixarão cicatrizes, e essas sim, são a prova da compreensão. Não são seus anos de vida, mas quantos momentos você superou durante esse período. E se eu aprendi algo, é que os adultos não estão sempre certos. Basta olhar para você, que está lendo esse texto. Você é adulto, sempre acertas? Então não é válido ter a frustrante impressão de que um senhor de 50 anos estará.
                  Tenho 21 anos, e como disse, cansei de ouvir pessoas dizendo que eu não estava pronta o suficiente para compreender certas coisas. Eles podem até estar certos, em parte: eu nunca vou saber como é viver os problemas deles, mas eles também nunca saberão como é passar pelo o que eu passei.  Muitos jovens são jovens apenas na identidade, porque dentro de cada um deles existe uma barreira que já foi rompida. Chegamos então a uma de muitas conclusões: a medida de experiências de vida não deveria ser baseada em números, mas em quantas vezes seu coração sangrou.
                    A vida, eu percebi, é linda sim. Não como poesia, mas como uma terra árida que precisa ser tratada diariamente para render frutos. Não importa quanto você já vivenciou, você verá ainda mais. E sim, eu me dou o direito de escrever isso. Mas o principal ponto de ruptura será aquele quando você verá que o único jeito de transformar todas as suas experiências em algo bom para si mesmo e para outros, é encontrar o amor. Não um amor, O amor. Ele te mostra o seu valor, te da uma nova autoestima, e segura a sua mão nas horas escuras, quando a confusão é tudo o que existe dentro de você.  Aceitar o que você viveu sem desmoronar, só é possível olhando naqueles lindo olhos e segurando as suas mãos firmes, que nunca te deixarão cair. O amor sempre te amará de volta!
             Posso não ter todas as respostas, mas sei o caminho.
  • Beijo

    Definitivamente beijar não era o forte dela, descobri isto no primeiro toque em sua macia língua, estava tão ansiosa por isto quanto eu, mas como de praxi mantinha a solidez confiante a qual ela sempre cultivou no dia a dia, sua grosseria foi posta de lado para que ela aproveitasse um improvável e caótico momento. O beijo por sí só era péssimo em um ritmo inconstante sem aquele encaixe mandibular que se vê no cinema hollywoodiano, era uma orquestra sem timbre ou ritmo, que se construía na desordem atemporal, não lembro quanto tempo toquei seus lábios ou por quanto tempo tentei harmonizar aquela complicação que impunha sobre meus sentimentos, pela primeira vez na vida presenciei o dualismo presente no cérebro humano.
    O nariz dela era comprido e esguio, o que tornava o processo extremamente inconstante quando comparado ao de costume com minha namorada, a qual este momento deveria estar agonizando de saudades do seu amado e fiel namorado, este que julgava o beijo e a aparência de sua mais fiel concorrente, de perto, quase dentro.
  • Carta para a pessoa que me tornei

    Não moça, não escreve pra ele. Não manda mensagem. Ele não quer te ouvir. Não quer saber da sua dor. Não mais.Guarda tuas lágrimas, conversa com teu caderno. Conversa com você mesma. Dê a ele o tratamento que ele te dá. Se importe menos. Demonstre menos. Tente não pensar.
    Se reame, se redescubra. Se não consegue ser feliz agora, ao menos mantenha a cabeça erguida. Você é maior que isso. Não espere tanto de quem não tem nada para dar. Guarde seu amor, transforme-o em uma coisa bonita, não dolorosa. O que você sente é lindo, não se culpe por sentir. A culpa não é sua se ele não sabe receber.
    Moça, eu sei o que você sente. Eu sei como dói. Reencontre seu equilíbrio, redescubra como é viver só para você.
    Viva por você. Deixe de apenas de existir. Viva, moça, viva. Ninguém vale tuas lágrimas, nada deveria molhar teu sorriso, que é lindo.
    Moça, guarda o passado, guarda o que é bom, mas não deixa de viver. por agora acabou. Por agora você perdeu seu lar. Mas também perdeu suas amarras. Aproveita.
    Moça, quem te ama vai estar ao seu lado. Sem evasivas, sem confusões.
    Se ame mais, moça. Esse é todo o amor que você precisa.
  • Código de Obras

    Este documento tem o objetivo de orientar, regrar e colaborar com as obras do condomínio desde o momento da sua proposição até a sua conclusão.
    O presente documento, Código de Obras pode tonar-se parte integrante do Regimento Interno do Condomínio ou ainda ser aprovado simplesmente como Roteiro de Orientação.
    Capitulo I – DA PROPOSITURA
    Art. 1º. A proposição de uma obra se inicia na necessidade ou anseio de um ou mais moradores, do conselho ou ainda do síndico. Para que seja proposta em pauta de assembleia deve ser analisada pelo síndico e, preferencialmente, em conjunto com o conselho.
    § único – Havendo omissão de quaisquer das partes, ¼ dos condôminos poderão convocar e propor a pauta conforme convenção e regimento do condomínio.
    Art. 2º. A convocação de uma assembléia que pretende propor uma obra no condomínio deve ser realizada com pelo menos 15(quinze) dias de antecedência, a fim de proporcionar aos moradores, tempo suficiente para, previamente, dirimir sua necessidade, finalidade e custos, seja com o síndico, com o conselho, com os vizinhos e/ou ainda, com possíveis fornecedores.
    Art. 3º. O item de pauta da Assembléia, que pretende propor uma obra, deve ser claro e descrever objetivamente, mas sem deixar dúvidas, a pretendida obra. Deve ainda conter uma estimativa do seu custo e o prazo que deverá levar, mesmo que de forma empírica.
    Art. 4º. A pauta da Assembléia deverá exibir o quorum necessário à aprovação da obra, conforme seu tipo, necessidade e finalidade.
    Art. 5º. Sempre que possível, deve ser proposto a aprovação de um ante-projeto para a pretendida obra de modo a municiar os moradores com informações mais próximas da realidade.
    Capitulo II – DA APROVAÇÃO
    Art. 6º. O presidente da Assembléia deverá explanar o tipo de obra, o que leva a sua necessidade e sua finalidade. Apresentar tudo o que for possível, como esboço, croquis, ante-projeto, projeto, visualização virtual da obra acabada e principalmente os custos.
    Art. 7º. A aprovação deverá refletir, necessariamente, no texto da ATA:
                 I.      Nome do Projeto
              II.      Necessidade e Finalidade
           III.      Custo total – ao menos estimado
           IV.      Limite mínimo de retenção dos pagamentos para quitação ao término da obra
              V.      Limite máximo para aditivo (em percentual)
           VI.      Origem dos recursos
        VII.      Necessidade de ART / RRT
     VIII.      Necessidade de Consultor / Engenheiro / Arquiteto
           IX.      Necessidade de Comissão de Obras
              X.      Necessidade de Comissão de Decoração/Harmonia
           XI.      Envolvimento do Síndico e suas atribuições perante a obra
    § único – Sendo estabelecido um limite para aditivo, qualquer indício de que esse limite venha a ser extrapolado, uma nova assembléia deverá ser convocada sob os moldes previstos na convenção/regimento para aprovar nova verba sob pena de possível contestação dos gastos.
    Art. 8º. Na mesma assembléia que aprovar a Obra, deverá ser definido e posto em ATA:
                 I.      seu grau de complexidade
              II.      qual o prazo máximo para sua execução
           III.      quem ficará como responsável pela sua execução
           IV.      quem ficará responsável pelo acompanhamento / fiscalização da obra
              V.      quem ficará responsável pelos pagamentos / fluxo de caixa
           VI.      onde ficarão os recursos financeiros da obra (conta/banco/etc)
    Art. 9º. Graus de Complexidade – a definição do grau de complexidade da obra ajudará aos responsáveis pela obra, a definir o nível de exigência de todos os envolvidos, comissões, conselho, empreiteiros, engenheiros, arquitetos, fornecedores e do síndico. Para orientar a assembléia a definir a complexidade poderão ser utilizados os seguintes parâmetros:
    Baixa complexidade – obra com menos de 10 dias que envolverá apenas um fornecedor, o qual fornecerá mão-de-obra e material em forma de empreitada global.
    Média complexidade – obra que levará mais de 10 dias e menos de 30 dias, envolverá até três fornecedores e deverá, preferencialmente, contar com um responsável diferente do síndico.
    Alta complexidade – obra que levará mais de 30 dias, envolverá muitos fornecedores, e deverá necessariamente, contar com uma comissão de obras e um ou mais engenheiro(s)/arquiteto(s) para responsável técnico por projeto / execução / fiscalização com as respectivas emissões de Responsabilidade Técnica do seu órgão de classe.
    Art. 10º. – Responsável pela Obra – a entidade responsável pela obra será definida em assembleia, levará em conta o nível de complexidade e será exercida por/pelo:
                 I.      Síndico – o qual acumulará todas as responsabilidades elencadas no Art. 8º.
              II.      Comissão de Obras – a qual acumulará todas as responsabilidades elencadas no Art. 8º.
           III.      Engenheiro / Arquiteto – o qual assumirá as responsabilidades pelas quais for contratado.
    Art. 11º. – Comissão Obras – havendo necessidade, aprovar em assembléia, com ao menos 3(três) moradores residentes, sendo um deles considerado/eleito o presidente da comissão, a qual assumirá o papel de Responsável pela Obra.
    Art. 12º. – Responsável da Obra – deverá ter as seguintes atribuições:
                 I.      Verificar a necessidade de:
    a.       Ante-projeto – levantamento realizado por profissional graduado em atividade‑fim da obra para balizar a assembleia de suas deliberações.
    b.      Memorial Descritivo – documento com informações qualitativas necessárias ao projetista de modo a caracterizar o projeto.
    c.       Projeto – arte e/ou desenho detalhado da obra com escala, medidas, legenda.
    d.      Projeto Executivo – documento em forma de redação, informando: quantitativos e qualitativo, planejamento, modo de aplicação, preparo, manuseio, conserto, descarte, etc, de peças, insumos, materiais e ferramentas necessárias à execução da obra.
    e.       Cronograma físico / financeiro da obra – planilha com o calendário da obra em conjunto com o fluxo de caixa e seus pré-requisitos
              II.      Identificar no mercado, fornecedores que possam executar a obra, principalmente colhendo depoimentos e indicações de clientes e profissionais do ramo.
           III.      Realizar os orçamentos necessários à conclusão das obras, levando em consideração somente mão-de-obra, somente material e empreitada global com materiais e mão-de-obra.
           IV.      Os orçamentos com desvio padrão elevador (±15%) devem ser revistos e até desclassificados indicando forte indício de orçamento fora da realidade. Nestes casos ou o fornecedor errou no orçamento ou não sabe o que está orçando.
              V.      Verificar nos órgãos competentes as atribuições, qualificações, portifólio e as negativas de débitos nas 3 (três) esferas (municipal, estadual e federal).
           VI.      Verificar nos Fóruns da região metropolitana problemas passados.
        VII.      Solicitar minuta de contrato para análise de advogado e/ou da comissão e/ou conselho e/ou síndico e/ou Assembléia geral.
     VIII.      Deliberar a assinatura pelo síndico do(s) contrato(s).
           IX.      Analisar os casos omissos do processo e deliberar a convocação de assembléia.
              X.      Analisar e assinar termo de término da obra elaborado pelo responsável da obra, ou ainda se for definido um, responsável pelo relatório / diário de obras / fiscalização. Havendo comissão de obras, a comissão assinará o(s) contrato(s) como anuentes perante o condomínio.
           XI.      Deliberar o encerramento da obra, seja pelo seu término, seja pela infração das normas do presente documento, propondo retenção, pagamento, ou ainda assembléia para dirimir.
    Art. 12º. Comissão Decoração/Harmonia – havendo necessidade, aprovar em assembléia, com ao menos 3(três) integrantes, sendo um deles considerado/eleito o presidente da comissão, ou pessoa externa convidada/contratada para este fim, a qual deverá ter as seguintes atribuições:
                 I.      Analisar a harmonia decorativa dos itens do projeto.
              II.      Especificar, detalhar e descrever para o responsável pela obra os itens escolhidos.
           III.      Acompanhar os orçamentos, compras e a aplicação dos itens de decoração.
    Capitulo III – DA EXECUÇÃO DAS OBRAS
    Art. 13º. – O Responsável pela Obra, deverá acompanhar a execução da obra, preferencialmente através do principal fornecedor de mão-de-obra ou engenheiro de fiscalização se contratado.
    § 1º. – Sempre que possível optar pelo sistema de empreitada global incluindo os materiais, insumos e ferramentas necessários à execução dos serviços.
    § 2º. – Caso a obra não seja de empreitada global, antes do início das obras, realizar, todos os levantamentos quantitativos e qualitativos, orçamentos, levantar os prazos de entrega dos fornecedores, elaborar o cronograma físico e financeiro das compras, das mão-de-obras, das retiradas, dos descartes, dos consertos, etc, elaborar seqüência/ordem de execução e todo o planejamento necessário ao andamento da obra.
    § 3º. – Os contratos deverão conter necessariamente clausulas com:
                 I.      Qualificação do fornecedor, CPF/CNPJ/IE/IM
              II.      Objeto do contrato
           III.      Valor total
           IV.      Prazo de execução/entrega/fornecimento
              V.      Forma de pagamento atrelado ao Cronograma físico / financeiro
           VI.      Retenção de pagamentos estabelecidos na aprovação da obra
        VII.      Penalidades
     VIII.      Garantias / Termo de Garantia
           IX.      Quitação / Termo de Quitação
              X.      Responsável pelos pagamentos de alvarás, licenças, taxas, atestados, ART/RRT, etc.
           XI.      Responsável pela atualização dos projetos ao fim da obra pelo efetivamente realizado.
        XII.      Descarte, quando aplicável.
    Art. 14º. – Aditivo da Obra – quando houver necessidade de ampliar os gastos da obra em função de obstáculos encontrados, em valor superior ao limite percentual aprovado na assembléia que aprovou a obra, esta deverá ser suspensa/interrompida e uma nova assembléia deverá ser convocada para dirimir a continuidade da obra, nova origem de recursos e novo prazo de execução.
    Art. 15º. – Alvarás / ART / RRT / Licenças / Atestados / Outros – todos os documentos exigidos pela legislação, órgãos de fiscalização, CAU, CREA, Prefeitura, Fatma, Floram, etc, devem ser anexados ao relatório previsto no artigo “Relatório”.
    Capitulo IV – DA CONCLUSÃO / ENCERRAMENTO DA OBRA
    Art. 16º. – Relatórios – Durante e ao término da obra, dependendo da complexidade definida, um diário de obras e/ou relatório sobre a obra deverá ser elaborado pelo responsável da obra e/ou profissional contratado para este fim.
    Art. 17º. – Havendo diferenças entre o projetado e o executado, os projetos e croquis originais devem ser alterados para retratarem efetivamente o que foi realizado na obra.
    Art. 18º. – Termo de Garantia – no contrato deverá conter em anexo a previsão do termo de garantia, o qual deverá ser lavrado ao final da obra, com a assinatura dos responsáveis envolvidos.
    Art. 19º. – Termo de Quitação – no contrato deverá conter em anexo a previsão do termo de quitação, o qual deverá ser lavrado ao final dos pagamentos, com a assinatura dos responsáveis envolvidos.
    Art. 20º. – Prestação de Contas – a prestação de contas da obra deverá ser realizada em AGE pelo responsável da obra, informando o fluxo de caixa entre a origem do recurso aprovado e o realizado, nos mesmos moldes exigidos pela convenção e regimento para a prestação de contas mensal do condomínio.
    § único – Preferencialmente a prestação de contas será submetida previamente ao Conselho Fiscal, para análise e emissão de parecer, o qual deverá ser entregue ao presidente da mesa da AGE de aprovação das contas da obra.
    Capitulo V – DO ARQUIVAMENTO
    Art. 21º. – Após a AGE de aprovação das contas e encerramento da obra, todos os projetos, croquis, relatórios, diários, anexos, licenças, atestados, ART, RRT, comprovantes, resumo da prestação de contas, etc, devem ser arquivados por 5 anos ou pelo prazo de garantia da obra.
  • ELES PISCARAM PARA MIM

    Naquela quarta-feira ao sair da aula fui pensando como nos tornamos transparentes, ao pegar o ônibus sempre dou bom dia, boa tarde e boa noite, são hábitos meus de enxergar as pessoas que estão a minha volta. Porém com a correria do dia a dia percebi que estou perdendo essa característica, fiquei me analisando dentro do ônibus.
             Assim como os outros eu me isolava a ponto de ter medo de olhar no rosto das pessoas, ligando o fone de ouvindo criava um mundo só meu, os outros apenas eram rostos sem formas em movimento. Isso não é bom, somos seres humanos que a cada dia estamos perdendo nossas relações pessoais, viramos pessoas robóticas. Com isso em mente, saí do ônibus e entrei no metrô, comprei uma pipoca e fui observando as pessoas que transitavam ali. Assistindo suas ações e movimentos como a um filme, ninguém olhava para ninguém, então me sentia a vontade de observá-las. Estavam todos ocupados com sua pressa de chegar a algum lugar.
             Três deles me chamavam atenção, uma mulher com o salto muito alto, uma bolsa verde e cabelo vermelho, sua sobrancelha era alta, pensei que por serem altas dava a impressão que ela estava sempre admirada com algo. Um rapaz também foi um dos que observei, era alto e vestia calça jeans e camiseta, vinha com seu fone ouvindo alguma coisa alegre, pois balançava muito a cabeça. Pensei em cachorrinhos, uns que vendem para enfeite de carro, que não param de mexer a cabeça. Também outra moça me chamou atenção, olhava para frente sem nada a enxergar, pareceu-me triste e cansada. Tentei imaginar de onde vinham essas pessoas e para onde iriam, com certeza enfrentavam em suas vidas problemas e tinham alegrias.
            Foi aí que ouvi atrás de mim uma conversa, não conseguia entender a língua, sim eram estrangeiros. O que mais me interessou foi reconhecer sem olhar que era uma língua africana. Naquele dia havia visto um  filme sobre a África na faculdade, achei incrível reconhecer a língua.
             Sendo uma boa curiosa e alguém totalmente sem noção, fiquei vendo e ouvindo a conversa, comendo minha pipoca e assistindo a um bom papo, é lógico que não entendia absolutamente nada, estava deslumbrada, pois a África é um dos assuntos que muito me interessa. Subi todas as escadas da estação Pinheiros prestando muita atenção na bate papo dos dois rapazes, não queria perder nada, cheguei até a andar rápido para alcançá-los.
            E como diz o ditado que a curiosidade matou o gato, no meu caso foi o maior mico da minha vida, quando chegou o trem entrei e vi que os dois rapazes voltaram e entraram no mesmo vagão que eu, sentaram de frente para mim. Eu, que ainda não havia percebido nada continue a olhar para eles. Quando me dei conta eles não conversavam para si, mas sim comigo, não, não pode ser. Baixei a cabeça, olhei para os lados, tentei disfarçar e voltei a olhá-los, uma piscada de um, uma piscada do outro, meu Deus eles estão falando comigo e agora. Eles continuaram conversando e me olhando, peguei meu celular e fiquei concentrada como se minha vida dependesse disso, não quero olhar, não quero olhar, oh curiosidade meu Deus. Não resisti, levantei a cabeça e aí um deles me mandou um beijo e outro uma piscada e falou alguma coisa para mim. As pessoas começaram a perceber, ai Jesus que vergonha, estava a ponto de soltar uma gargalhada, não rindo deles, mas de mim por criar tamanha paródia.
            Na verdade pude entender, que assim como eu, eles estavam atentos às pessoas a sua volta, devem ter percebido meu interesse desde o início, acredito que até pensaram que eu entendia tudo, que por isso conversavam olhando para mim. Quando comecei a ficar envergonhada e surpresa, dependendo que emoções passaram em meu rosto, foi aí que começou o pisca-pisca. Foi tenso, porque depois de umas dez piscadas e uns vinte beijos voados, não resisti e caí na gargalhada e eles também.
            Nesse caso, os rapazes não tiveram a impressão que eu os estava achando exóticos, mas que eu os estava “paquerando”, mas se fosse outro tipo de situação eu talvez tivesse me complicado. Fui curiosa demais e aprendi algo disso, ao observar alguém seja discreto, pois você pode estar sendo observada também.
  • Enfermagem do futuro- Análise de um graduando.

    A enfermagem atua na sociedade desde outrora. A história da enfermagem é exacerbada e rica em aspectos genuínos, contudo, os avanços no cenário e amparo dos direitos desses profissionais, no Brasil, ocorrem de forma vagarosa. Vale ressaltar que, os cuidados ofertados pela equipe de enfermagem são de extrema relevância para o processo de prevenção, promoção e reabilitação de saúde.
    O cenário atual da enfermagem vem sendo considerado saturado, com um grau elevado de profissionais formados, entretanto, desempregados. Segundo uma pesquisa Perfil da Enfermagem, realizada pelo Cofen em parceria com a Fiocruz, foi observado com base nos dados obtidos, indícios de saturação no mercado, com desemprego aberto e achatamento salarial. Logo, nos questionamos a respeito dos fatores que contribuem para esse processo e muito facilmente percebemos que há relação com o fato de haver uma demanda na busca pelos cursos, em todos os níveis e também em decorrência da oferta desses cursos por instituições sem uma estrutura necessária para a formação de profissionais qualificados.
    Em reflexo da má formação acadêmica desses profissionais, temos uma desvalorização da enfermagem em sua complexidade. É importante dizer que, além de uma formação com base cientifica e técnica, se promova atividades com o objetivo de ativar o altruísmo e empatia dos discentes em enfermagem, além de incentivar a participação e relação entre os estudantes, para que assim consigam se relacionar de forma mais dinâmica, sendo preparados para o mercado da enfermagem, onde se faz necessário a atuação de profissionais com uma bagagem de conhecimento técnico- cientifico e humanizado.  
    Uma medida visa reverter todo o processo que foi citado anteriormente. É o projeto de lei 4930/2016, apresentado pelo deputado Lúcio Vieira Lima (PMDB- BA) em apoio do Cofen. A PL propõe a criação de um exame obrigatório de suficiência em enfermagem. Logo, os futuros profissionais de enfermagem deverão passar por uma avaliação e será necessário obter um escore mínimo para atuar na área. Sendo assim, haveria uma filtração de profissionais qualificados e uma melhora significativa na assistência prestada pela equipe de enfermagem.
    Mesmo diante do cenário complexo, mantenho a esperança de que no futuro viveremos numa realidade divergente e que ela se apresente de forma positiva. A realidade da área que escolhemos para seguir ,o que lemos e ouvimos, faz com que façamos uma reflexão e infelizmente, alguns optam por não seguir, eu espero que essa não seja a sua realidade. Eu irei seguir firme e com foco, pois, o caminho não me assusta, tenho medo de não caminhar.
    Enquanto medidas não são adotadas, recomendo que façamos nossa parte. Que a sala de aula não seja o único lugar para filtrar informações, navegue pelo mar do conhecimento e humanização, não se permita ser um individuo autômato, mas, autônomo. Seja a enfermagem que desejas para o mundo.
  • Ensaio auto analítico sobre Id e não Poder – ou “Nietzsche, Freud e Sócrates entram em um bar...”

    As ideias vêm, vão e voltam; mas a impotência é a mesma. A vitória do Superego sobre o Superman. Quanto esforço é necessário para tornar-te quem tu és? Como saber se é o isso ou o ego falando? As ideias vêm e vão – isso é mais forte do que eu! Mas se penso, não falo, não faço, logo não existo, desisto... E se insisto, me vejo perdido entre a Vontade (de Potência) e a inabilidade que me estapeia a cara.
              A resposta: Conformismo ou esforço? Trabalho ou inércia? Negativo, Reativo, Passivo ou Ativo; de que adianta, se o pé não encontra chão onde pousar? Esforço compensa ignorância? O que vale mais: a intenção ou a atenção? Ser dedicado não significa ser hábil, tão pouco hábil significa ser sábio. (Ouço uma voz: “Eis que te apanho, niilista!”). As artimanhas da linguagem – velha embusteira! Me convêm, me confortam, me iludem a ponto de não querer mais ser o que tendo à me tonar; o que já sou agora, basta. O jogo de palavras, pois, é a expressão linguística da razão inadequada.
              Detesto admitir que me entreguei... E apelei covardemente à retórica, o botão vermelho dos fracos. O Escravo transvestido de Senhor. Sou um anão na terra de gigantes, escalando seus membros montanhosos, fincando minhas garras em migalhas de Poder. Finalmente, no cume do colosso, a vista é melancólica; pois evidentemente nunca a conquistarei. A não ser que... Me atrevo? E se esta vista, que tanto seduz, não fosse a real? O segredo para ser o rei do mundo, é moldá-lo – por exemplo – do tamanho ideal para um anão e inconveniente para um gigante. Quanto mais gênios, menos gênios – o extraordinário ordinário. A verborragia é mascara, não aquela que cobre a cara, mas a cada momento fala – sem palavras...
              Não me tente – exclamo ao superego – com esses valores superiores fantasmagóricos. O fato é que estou fraco, mas não sou escravo de ninguém (isto vale para você, Ego corrompido). A afirmação virá. Sim! Triunfante. Não obstante, não me resta apenas ambicionar esperançoso. É na guerra que se encontra a paz – existe o poder de curar mesmo no ferimento... AMOR FATI.
  • Ensaio sobre a terapia na escrita introspectiva

    "Minha escrita é análoga ao espasmo dos membros ao despertar de um sonho intenso, é o ato de segurar um cigarro fantasma entre os dedos – sequela de um vício passado. Escrevo como quem diz 'eu amo você' pela enésima vez, como quem se desculpa ao pisar no rabo do cachorro acidentalmente. Escrevo, não por que preciso, apenas faço sem julgar. Escrevo por impulso.
              Palavras e palavras e palavras perdidas entre a rota de colisão da criatividade com a autocrítica, findadas pela revisão algoz. Letras assombrando minhas noites insones, dando fruto a ideias desconexas fadadas a serem palavras não lidas ou lixo eletrônico. Textos abandonados, vítimas da procrastinação e intervenção de outros textos, que se misturam formando uma grande avalanche de conceitos mal explorados, inacabados e esquecidos. Minha escrita é análoga à um ciclo vicioso, meus hábitos são hábitos de um viciado.
              Escrevo até atingir o narciso orgasmo literário contido em cada ponto final e, não obstante, não me orgulho disto. Meu sonho é algum dia escrever algo à alguém, pois, apesar de todos os esforços, no fundo todas a palavras são minhas e para mim. Literatura é atividade solitária e a comunicação por meio dela é uma mentira. Tudo escrito vem de dentro para dentro, numa espécie de introspectiva metalinguística.
              Contudo, é inevitável o dilema do escritor. Figura que vaga num deserto de vaidade em busca de olhos em sua direção, de mentes engajadas em suas opiniões. O leitor é um pequeno, porém imprescindível, intermediário entre aquele que escreve e o que é escrito. Apenas com a leitura por parte de terceiros é possível concretizar a satisfação que a escrita promove. Em outras palavras: a escrita é o diálogo entre o escritor e seu texto e o leitor é como um psicanalista silencioso – ele se acomoda num canto e aguarda até o escritor encontrar um modo de se encontrar dentro das próprias palavras.
              Escrevo como quem faz terapia. A ilusão de estar sendo ajudado é proveitosa para o doutor e cogente para mim. Escrevo para me salvar. Escrevo por escrever..."
  • Muito Além da Razão

    Na escuridão profunda muito além da razão,

    Olho para o fim do túnel onde as luzes estão distantes parecendo luzes negras...

    Tateio no paredão procurando um corrimão...

    A vida tem sido difícil na escuridão da vida, tenho vivido como em um campo de batalha nos últimos momentos sentindo a derradeira hora.

    Aquele levante que vem do Sul só me traz o cheiro daquelas paixões desvairadas,

    Esta sensação me traz um vazio incontrolável,

    Esse longo inverno só me vai trazer a lembrança daquele velho amor,

    A saudade é uma muralha de lagrimas desabando sobre nós,

    O amor é um sentimento sombrio que não precisa de nossas falsas aparências de pessoas felizes, mas também não irá restar muito além destes dias escuros de minha alma medieval...

    São dias sombrios e visões cinzentas de dias repetidos de onde não se pode se libertar,

    É como se nunca acordasse, sempre em direção do Sul que é uma longa descida,

    Uma alma medieval existencialista,

    Tudo isso são só sequelas...

    Sequelas de uma queda sentimental, as 08h34min PM, como se fosse um filme ou algo de um livro escrito em poucas páginas, um livro de quatrocentas páginas!

    Talvez sejas não sei!

    Vejo letras fosforescentes na escuridão que dizem sobre um manifesto dos fascistas da década de quarenta, algo linear ao ódio entre os homens!

    Percebo que já não estou na idade média, nome dado levianamente pelos renascentistas, estou longe disso tudo, talvez o que eu escreva possa se classificar como neo-romantismo! Talvez...

    Mas a faceta da realidade do século 21 seja o depressivo excessivo, ou o romantismo cômico...

    O amor perdeu sua identidade em tempos idos e tempos vindouros, e a cada dia a inspiração acaba de forma triste e decadente, e nas palavras de um doente nos mostra que o amor é coisa de demente!

    Um poeta ou um escritor, talvez um filósofo sem idéias e sem pensamentos, como alguém que almeja a razão possa amar, possa querer sentir algo tão abstrato...

     
     
  • O Menino Abandonado



    menino abandonado 

     
     
    Para C. A.,
    e seu osso formado por três ou quatro vértebras situado na extremidade inferior da coluna vertebral.
    (Aguardando você "Querida Amiga". Que sua recuperação seja rápida e plena!).



    Eu o deixei. Deixei sozinho e sem ninguém, abandonado, esquecido. Deixei sem prestar atenção no onde, não olhei para trás. Talvez uma vala, um buraco qualquer. Na verdade, quando o deixei, não sabia o mal que estava fazendo, que estava cometendo um crime.
    Segui assim, culpado e condenado por mim mesmo. Réu e ao mesmo tempo meu próprio juiz, sem advogado de defesa. A cada lembrança do que havia feito, arrancava um pedaço de mim, como se me mordesse. Um vampiro faminto que suga o próprio sangue.

    Conforme caminhava pela vida, tentando fazer dela algo normal, cada vez mais me convencia de que sem ele seria impossível. Até que, em certo ponto, caí na real.

    E se já estivesse morto? Tanto tempo passou! Como voltar para buscá-lo? Onde estaria agora?
    No lugar que era dele dentro de mim, pelo vazio deixado, alguém entrou, se instalou, se apossou. Entrou sem perguntar, uma invasão. Não foi alguém, mas, algo. Algo escuro e sem corpo, algo frio e sem vida. Assim, pude ver com maior clareza a falta que faz um pedaço de nós, uma parte importante de si, quando deixada esquecida, abandonada.
    Primeiro perdi as forças, a vontade, o ímpeto. Perdi as pernas, as mãos, os braços. Perdi as mãos que não eram minhas, perdi os amigos. Perdi o juízo, perdi a cabeça.

    Só me restou a esperança de quem sabe um dia, reencontrá-lo e me refazer.
    Na minha busca, perambulei pelos lugares menos habitados, passei por vales, subi montanhas, caí, despenquei. Levantei, continuei caminhando. Quando senti que estava no fim, no limite das minhas forças que já não tinha. Quando estava desistindo, quando já tinha desistido e decidido me entregar, procurando um lugar, onde encostar e morrer. 
    Numa noite escura e chuvosa, me arrastando pelo chão em lama e lodo, meus últimos metros de vida na direção de um poço, eis que vi! Lá no fundo, num cantinho, enrolado em si mesmo, encolhido, cabeça entre as pernas, joelhos dobrados, costas na parede úmida e gelada do poço. Com algumas folhas no cabelo e nos ombros, com frio, com sede, com fome, não me viu.

    Meu pedaço.

    Estiquei o braço, o corpo inteiro o mais que pude. Minhas costelas, meus ossos todos estalaram, peguei-o. Trouxe de volta pra mim. Envolvi seu corpo pequeno maltratado, por mim e pelo tempo, pelo clima. Um aperto forte, sincero e verdadeiro.
    Enquanto chorava em soluços, suas lágrimas barrentas misturavam-se com a água da chuva que escorria dos seus cabelos pretos face abaixo. Prometi nunca mais abandoná-lo. Voltamos pra casa. Voltei pra casa completo. Voltei, com a minha parte que faltava.

    Voltar nem sempre é fácil. Enfrentar todo o caminho de volta, o caminho que foi feito na busca até ali. Mesmo sabendo por onde vim, por onde passei, não é fácil. Não existem atalhos.
    No caminho de volta, dei-lhe afeto, dei carinho, atenção. Todo amor que havia e que cabia em meu coração, eu dei.
    Ele sorriu, me perdoou e acendeu meu céu.

    Hoje, com minhas pernas, braços e mãos de volta, tento e luto para trilhar um caminho melhor, para nunca mais esquecer. Mas sei que não é fácil pra ninguém. Hoje sei mais do que nunca, da importância de todos em nossas vidas. Sei da importância dos amigos, dos parentes e familiares. Do parceiro, da parceira.

    Mas sem dúvida nenhuma, a pessoa mais importante na minha vida, é aquele garotinho. Aquele garotinho que um dia abandonei e deixei sozinho à própria sorte. Aquele menino pequenino e frágil, que nada mais é, que meu amor-próprio. Minha garra, minha coragem, o mais de mim. Minha força, minha fé, minha autoestima.
    Eu sou ele; ele, eu. 






  • Os sonhos de um anjo Ano Negro

    “Pesadelos constantes, podem representar
    o perigo a vista. Estamos no Ano Negro, e agora
    qualquer um está em perigo, pois a cada esquina
    há um inimigo, e não importa por qual lado
    lute.Eles sempre te perseguem”




    Carry Manson




    Introdução




    Este foi o pior ano da minha vida, pois tive perdas e mais perdas,
    era como um ciclo interminável, que eu não conseguia parar. Quando
    pensava que, tudo daria certo, a situação só piorava cada vez mais, e por
    isso cheguei a vivenciar momentos de depressão.Mas não guardo essas
    lembranças com mágoa, pois foi depois da tempestade, que o arco-
    íris se manifestou no céu, e assim pude ver a mais linda das
    paisagens.

    Como foi um ano bastante rígido e tortuoso, fui obrigada a crescer
    mesmo não desejando isso. Graças á esses terremotos, que transformaram
    o meu mundo em ruínas, eu agora entendo coisas, que antes era incapaz
    de aceitar, e por isso é justo separar um arquivo, apenas para falar
    dos sonhos, que tive naquele tempo.




    Alguns significados ainda estão em aberto, outros me parecem bastante
    claros. Sem mais delongas...Entrego em suas mãos, o meu diário dos
    sonhos.










    O Primeiro Sonho...(Antes de 14 de agosto)






    Não sei se daqui á um tempo, me
    lembrarei de todos os meus sonhos.Mas
    sei que devo relatá-los. -Luciféria.




    11/08/2013

    Era um prédio abandonado, onde haviam vários gatos, de
    diferentes cores, que corriam para longe de mim. Em seguida,
    eu estava na cozinha, que fica no quintal de minha avó, tomando
    um filhote de gato da sua mãe, que ficava enfurecida, e me
    perseguia junto de outros felinos, até eu afundar o pé
    na lama, e cai na chuva.

    Agora estava em uma casa, de altos e baixos, feita de madeira,
    e tinha que descer mais não queria, por causa do gato, que estava
    deitado em meu ombro, e a quem chamava de “meu filho”.Tudo
    escureceu...

    Dessa vez estávamos em um pátio de madeira, eu colocava o
    filhote no assoalho.Ele então se transformava, em uma esfera de
    luz, da qual saia um menino, que era semelhante a mim, e queria
    ir para a chuva, mas eu não permitia, e ele escapava dos meus
    braços.

    Minha avó aparecia no pátio, e me mandava desligar a fiação
    elétrica.Assim eu partia em direção a entrada da fábrica, onde se
    localizavam os controles centrais.

    Ao entrar na sala, eu estava ao lado de um empregado da família,
    chamado Agenor, que abria uma passagem para nos levar até a alavanca
    principal.Ao passarmos pela porta, o subordinado sem dizer nada, abria
    uma porta, que dava em uma casa na ponte.Animado, ele conversava
    com a dona do casebre, enquanto eu apenas observa em
    silêncio.

    Depois de alguns minutos...Um raio atingia o piso, e um Deus, com

    uma armadura pesada de prata, com tecido vermelho.De longos cabelos louros,
    olhos azuis, e pele clara surgia, perguntando a mulher onde estava a filha da água,
    pois ele deveria eliminá-la, antes de caçar a filha da Luz.Desesperada, eu corria para
    a sala da alavanca principal, e Agenor segurava em meus ombros, mandando-me

    fugir.

    Para que pudesse ganhar algum tempo, pois tinha sido escolhido a

    dedo para me proteger.

    Antes de correr me apresentava como Luciféria, rainha do Caos, e a filha da Luz
    e das Trevas.Ele sorria com compaixão, e dizia já saber disso, desde o momento em
    que me viu, partindo em direção ao grande senhor, sabendo que poderia em suas
    mãos, mas o que importava, é que tinha cumprido a sua tarefa.
    Fui até um quarto abandonado, onde me reunia com alguns amigos, há algum
    tempo. Lá encontrei um rapaz, de corte reto, pele branca e olhos azuis, vestido de

    luto, como um agente especial soviético.(Com quem a propósito já sonhei uma
    vez, no início desse ano. Como o namorado, que a minha família não desejava
    para mim, e que se denominava Samael em homenagem ao “Veneno
    de Deus”)
    Juntos saíamos para lutar, e no caminho eu discutia com ele, pois estava
    apaixonada, e uma amiga minha dizia que o destino dele estava ligado ao dela,
    e não ao meu. Como ele era o único que estava comigo, me sentia insegura, e
    infelizmente ele confirmava o que ela dizia, não podíamos ficar juntos
    pois eu pertencia a Asmodeus.
    No fim do sonho, me via em uma montanha ao ar livre, lutando com
    um príncipe de aspecto arrogante que dizia “Eu só não te jogo daqui de
    cima” porquê me pertence.




























    Os sonhos de 14 de agosto em diante...

    14/08/2013




    Tudo começa em um hospital abandonado, onde está ocorrendo uma
    série de assassinatos. Meus pés surgem correndo no piso, eu estou fugindo
    do serial killer, que se parece com o John do filme Jogos mortais, e ele está
    com uma seringa em sua mão direita.
    Eu escapo para fora do prédio, e descubro que o mesmo é parte de uma
    fábrica abandonada, que fora construída no lugar da casa, da minha vizinha
    de frente.

    Desesperada eu corro para o quintal, e pulo o muro, caio no solo árido da
    casa ao lado, de onde saio correndo para a rua. Amedrontada, procuro por ajuda,
    mas o malfeitor, me pega pelo pescoço, dando-me uma estocada na vagina, que
    me faz jorrar sangue, mas eu não sinto nenhuma dor, e começo a
    desparecer.




    15/08/2013




    Sonhei que acordava no quarto de minha avó, e ia até o espelho no
    banheiro, onde encontrava uma marca de mordida violenta em meu
    lábio inferior, que não parava de sangrar.




    16/09/2013




    Dessa vez, sonhei que uma família rica me acolhia, em uma casa,
    como se eu fosse um membro deles. Em seguida apareci uma residência
    toda de vidro, discutindo com Liar, por alguma causa que desconheço.

    Depois o dia ficou nublado e chuvoso, havia uma reunião, em um
    prédio todo esverdeado de amplas janelas de vidro, onde eu aparecia
    no terraço, rodeada pelos exs, dos quais fugia, indo até a borda para
    me atirar, na intenção de me matar, mas eles me impediam.





    Era tudo uma ilusão, o prédio e a reunião eram reais, e embora meus
    exs estivessem ali, eles não procuravam por mim, mas eu procurava por
    algo, que não sabia o que era, e Liar não estava ali.




    17/08/2013




    Sonhei que estava na sessão de terror, de uma locadora muito bem
    estruturada, e não achava o filme, que estava procurando, então eu ia
    para a minha casa.Ao chegar me recostava no sofá e mudava de canal

    várias vezes, pois só haviam bandas, do estilo emo tocando, até que
    decidia deixar em um, que tocava o refrão “I can't save me and
    take you”
    Surgia então em uma cozinha escura, bastante ampla, e bem-feita,
    toda de prata com uma espécie de marfim negro, onde encontrava
    uma mulher, com quem lutava, usando as panelas e os talheres
    como armas, para me defender.

  • Pássaros

    Uma das coisas que mais gosto é de escrever sem ter um tema pré-definido. Tudo passa a fluir naturalmente, como uma folha que é carregada pelo vento ou cai no curso de um rio. Aqui estamos, no ar ou na água. Resta saber o que será carregado.
    Há muitas coisas para serem faladas. Não sei sobre qual delas vou falar agora. Poderia ser sobre a morte. Não, acho que não. Vida? Minha vida? Talvez sobre outra vida. O legal de escrever é poder imaginar como seria a vida de outro ser, outra pessoa. Em algum lugar por aí deve haver... um pássaro. Um pássaro bem bonito, de penas azuis que brilham com a luz do sol. Será que ele tem filhotes? Acho que ele já teve muitos, mas agora está voando sozinho. Seus filhotes são agora crescidos e podem se virar sozinhos.
    Esse pássaro tem uma linda voz. Ele canta de uma forma tão majestosa que até seus predadores ficam maravilhados. Sim, ele tem predadores. Muito ferozes, como águias e gaviões. Mas ele consegue driblar todos porque é mais rápido. No entanto, já imagino o dia em que ele não será tão rápido, em que não cantará tão lindamente como agora. Será que ele vai morrer no ninho? Ou no campo de batalha da vida? Pássaros cometem suicídio?
    De qualquer forma, seria mágico acompanhar os detalhes da vida desse pássaro azul. A propósito, eu amo azul, é minha cor preferida. Azul do céu, azul do mar (que por acaso é reflexo do céu). Não estou tão inspirada hoje como outros dias. Estou ouvindo Sia. Amo a voz dela. Ela é como um pássaro, mas um pássaro branco. Um pássaro grande e gracioso. Como um cisne, talvez.
    Eu? Não sei que pássaro eu seria. Talvez algum pequeno e medroso. Não teria cores tão bonitas, não cantaria tão bem. Desculpe se te assusto com minha visão pessimista de mim mesma. Não foi a intenção. Talvez eu pudesse ser um pássaro azul. Ou preto. Como o Blackbird dos Beatles. Eu sei que eu gostaria de voar. Pássaros não tem medo de cair como eu. Eu poderia confiar nas minhas asas. Seria maravilhoso. Um dia ainda vou voar como os pássaros. Por enquanto, vou voar como uma folha carregada pelo vento. Ou cair num rio. Nunca se sabe.
  • Pássaros I

    O gosto amargo do café quando toca minha língua,
    provoca-me a escrever de assuntos que no dia a dia desconheço.
    Não sinto mais a felicidade ou prazer em uma foda,
    isso não me torna mais feliz como era de costume,
    tornei-me: velho, solido e só...
    pausa  pra buscar mais café para a língua inquieta.
    Como cheguei a ser o que sou hoje? Não sentir mais prazer em algo carnal é comum?
    - sou filosofo de fim de filme, apenas frases de efeito e nada mais.
    Não é culpa do mundo, nem de (mon parents) é apenas o tempo. Nem minha poesia falha me salva.
    Só por opção, ou por descontentamento?
    É tão perverso viajar nessa maquina do tempo,
    poderia eu ter ido ao teatro por divertimento,
    ver velhos amigo, mas não, sou sólido.
    Escutei canto de pássaros esses dias, dois belos pássaros,
    são livres, são gotas d’agua, são simples,
    fornecem alegria a vidas alheias, mas (moi).. Sou outro.
    Magnifica maquina do tempo, clara, intensa, transparente,
    nem esse prazer me trás, tendo eu lido Platão, Dante e Freud,
    lido Pessoa, Balzac, Drummond, Moraes, Baudelaire e tantos outros
    [poetas que o mundo vivo não suporta mais.
    Eu escrevo a poesia morta, cada letra dessa caligrafia é por sua vez,
    [um ultimo suspiro de uma poesia que não existe mais.
    Um sopro a cada frase e a maquina apita..
    Puxo pra trás e continuo,
    Ao lembrar do famoso (Naked Lunch), ó meu inglês medíocre.
    A Olivette que hoje se tornou amiga, estática comigo, passado,
    Presente e futuro...
  • Poço

    Há pouco mais de 9 anos Deus me deu o maior presente que alguém pode receber. Ter segurado em meus braços uma vida, proveniente de mim mesmo, me trouxe uma sensação incrível, amor incondicional, responsabilidade e felicidade, que se propagam todos os dias desde então... a cada sorriso, cada atividade aprendida, cada palavra... Junto disso, porém, nasceu em mim, em virtude do contexto (explicado adiante), um corrosivo sentimento de culpa e falha constante.
    Ser pai durante a faculdade não é fácil. Apesar do infinito apoio de todos que me cercavam e que realmente importavam, o fardo a se carregar é grande. A sensação de não poder errar, não perder tempo, é sufocante... mas foi ela que me inspirou a sempre seguir em frente, a buscar o diploma, o trabalho, nem que isso me custasse 18 horas de trabalho por dia, incontáveis finais de semana, e o mais doloroso, a participação direta na rotina e desenvolvimento da pessoa mais importante da minha vida, a minha filha.
    Meu objetivo era claro durante a faculdade: me formar, conseguir um emprego com estabilidade... assim poderia estar com minha filha, amparar minha família, poder dar todas as oportunidades para ela, assim como meus pais fizeram comigo e meu irmão, por meio de muito sacrifício (sempre admirado por mim, meus pais são minha inspiração). Enfim, com muito estudo consegui realizar esse sonho, mas ele não veio barato. O custo disso era ficar ainda mais afastado da minha filha, e com isso cresceram muitas coisas além de saudade...
    Esses seis anos passaram rápido, voando, e o que pude absorver deles não foi nada animador... minha carreira estagnada... nem em meus piores pesadelos de recém-formado eu poderia me imaginar acorrentado a burocracias e decisões confusas de um sistema gestor antiquado, somado a minha ineficiência em achar uma solução, o que me fizeram ponderar a respeito da carreira por mim escolhida, desde cedo, e sempre tida como um sonho. A decepção profissional se soma, e se embola, com a situação pessoal, a qual me deparo todos os dias, da hora em que acordo até a hora que vou dormir... O sentimento de estar longe de quem amo é insuportável, e supera qualquer dor física. Pensar que privo minha filha da companhia de um pai, e que outras pessoas (avo, mãe) tem de fazer esse papel, enquanto estou aqui, estagnado, parado, é ruim demais... Conversar com ela todos os dias, seja por telefone ou chamadas de vídeo, é como jogar um copo d’agua em um incêndio... Por mais que fiquemos horas no telefone, e que eu deseje sempre saber, minusciosamente, como foi o dia e etc, não é o ideal, não substitui o afeto do toque, do olhar, do carinho. E ela sabe disso, ela está aprendendo isso, da pior maneira possível... O que corta o coração é ver que, mesmo ausente, eu faço falta... o que implode o coração é ouvir ela me pedir para ficar perto dela, é ouvir seus soluços e notar suas lágrimas escorrendo, por vezes sem poder enxuga-las... Essa tortura é comum, esse nó na garganta é diário. Esse monstro do fracasso, tanto como pai quanto como profissional, me engole com cada vez mais frequência. Não são poucas as tentativas de superar, seja por meio de altas doses de cursos, estudos, seja por meio de esporte, que é efetivo, pelo menos durante a prática.
    Mas, sinto que estou caindo... odeio admitir, mas não aguento mais. O fardo é muito grande, a cruz é muito pesada, ou talvez eu que esteja mais fraco. Peço ajuda constante a Deus, pois creio que só Ele possa me ajudar. Já fui aconselhado a procurar psicólogos, mas não acredito nisso... nada contra esse profissional, mas não creio que alguém, que está sendo pago, vá me falar algo que irá me fazer mudar de idéia quanto a mim mesmo, ou quanto ao que faço ou deixo de fazer. Rogo a Deus que me faça enxergar a resposta, peço a Ele que me ilumine, que me de fé suficiente. Preciso de um caminho, uma luz, preciso saber que estou trilhando o rumo correto, preciso de um empurrão, de um “seu otário, é isso aí!... você não é tão ruim quanto acha que é... você poderia fazer isso!”.
    Minha vida passou de um final feliz de conto de fadas para um grande poço num piscar de olhos... não vi a hora que caí, só me dei conta quando estava embaixo, e sei que não estou olhando para o céu , mas sim com a cara na lama... eu preciso de ajuda para abrir os olhos, eu preciso de força para ficar de pé, eu preciso de coragem para começar a subir.
  • Renascerei.

    Eu amo você, mas eu me amo mais.
    Amo cada palavra que você disse, aquelas meias verdades banhadas de carência e maldade, que me prendiam cada vez mais ao que você chamava de "nosso amor".
    Fala que ama sussurrando ao meu ouvido, mas fala olhando nos meus olhos? Fala que ama em várias mensagens que me enviou, mas ama quando não estou perto?
    Fala que ama mas, meu bem, você não sabe o que é amor. A boca que me beijou, que me levou a loucura, que me jurou o para sempre, é a mesma que destila ódio sobre mim.
    Você me teve, em cada respiração, em cada sorriso, em cada lágrima, em cada eu.te.amo. Você me teve não porque merecia, mas porque o meu amor era só teu. Você me teve. Mas meu bem, você não sabe amar.
    Fala que me ama, mas meu amor, você se ama? Eu respondo para você: você ama o que tem para si. Você ama o controle emocional que exerce, a dependência afetiva. Você ama me ter, mas não me ama porque, meu bem, você não sabe amar.
    Olha aqui nos meus olhos. Você acha mesmo que vai encontrar esse brilho, essa paz, esse amor verdadeiro que eu tenho por você, esse cuidado por aí? Nas festas, nos bares, nas esquinas? Você não sabe amar, mas sabe que eu sei. Você sabe.
    Hoje, longe de você, eu sofro. Amar é um verbo que fica ótimo completo, recíproco. Mas, meu bem, por que você não sabe amar?
    Hoje, o amor que te florescia é o mesmo que me seca. É o que me fere. Mas serei forte. Pegarei cada gota de amor que meu coração derrama por você e irei me regar. Regar minha mente, para que ela pare de pensar em você. Regar meu corpo, para que ele pare de pedir pelo seu. Regar meus olhos, para que ele não procure seu sorriso no meio da multidão. Hoje, sou pó. Mas eu sei amar. Renascerei.
  • Uma unica Biografia.

    25/03/2017 - Apresentação
    As pessoas acham que a vida de hoje é facíl.
    ELAS ESTÃO ENGANADAS.
    E eu faço parte dessas pessoas que acham isso, mas sempre quando lembro que acho isso, aproveito e lembro tambem que não é facíl.
    Eu vou começar a escrever por motivos de ¨SEMPRE QUIS¨.
    Esse motivo, se chama Sempre Quis, MAS COMO ASSIM? É uma coisa que voce sempre quis ela, mas nunca teve vontade. (não é preguiça, é falta de argumentos), mas agora tenho vários argumentos, e estou pronta pra passar pra vocês.
    Mas primeiro quero me apresentar, aliás, preciso me apresentar porque isso é uma Biografia minha se vocês não sabem.
    Me chamo Carla Emanuele Martins Ramon, tenho 14 anos. Tenho essa idade mas não escrevo bobeiras e sim coisas interessantes e para refletir.
    MAS PRIMEIRO QUERO CONTAR Á VOCÊS O QUE ACONTECEU COMIGO AO LONGO DESSE TEMPO.
    ¨Há 12 anos e meio atrás...Sr. Henriqueta soube do nascimento de Carla atráves de pessoas que trabalhavam no mesmo hospital que ela, e foi visitar a neta que contava com apenas 4 meses de idade¨
    ¨Diz que nessa oportunidade levou leite e fraldas para Carla. Visitou-a mais duas vezes. Na terceira vez não encontrou o casal em casa (meus pais biólogicos). Ápos um mês retornou para uma nova visita e soube que não residiam mais no local. Carlos nunca levou a filha para a família conhecer.¨
    ¨Irmão de Carlos (Fernando) encontrou o ele em uma praça, onde, conforme conforme começaram a conversar. Nesta oportunidade soube que Carla havia sido abrigada...¨
    Fonte: Poder Judicíario
    Mas eu fui para o abrigo? Sim, eu fui.
  • Vários Leões Por Dia

    Hoje acordei com um pensamento, que na verdade, anda me cercando a um tempo, "Como lidar com gente, é difícil", nossa quase que um inferno diário. Mas como Deus é bom também acordei com outros pensamentos mais positivos que esse primeiro. 
    Nada, absolutamente nada é para sempre, se Deus não fez nem a nossa vida infinita, por que faria nossa dor, nossa angustia, nossos medos, nossas raivas, nossos desesperos?! A não claro para os que passam a vida causando tudo isso pra os demais, ai talvez sim mereçam tal castigo. Mas para as pessoas de bem acredito na paz, no paraíso de felicidade e bondade que Deus prepara para cada um. E acho que foi por acreditar nisso que nunca desabei de vez.
    Faz algum tempo que a depressão, o panico, e tudo de ruim vem tentando me abraçar com todas as forças, faz tempo que vejo as forças negativas da vida pairarem sobre mim, sugando minha fé, minhas energias, minha força de vontade, minha alegria, minha paciência, tudo, tirando tudo de mim. Acho interessante que nessa luta diária tenho algumas pessoas junto a mim que muito fazem pensar ainda mais.
    Algumas pessoas vejo que estão ali por estar, não cheiram nem fedem, só estão ali. Não ajudam, mais também não atrapalham, não falam, mais também não se calam. Pessoas que até gosto, não tenho nada contra, mas as vezes caem no conceito, por as vezes parecerem gostar muito de reclamar e nada fazer para algo mudar, pessoas acomodadas talvez, de corpo, pois a linguá nunca de cansa.
    Outras vejo a presença delas em minha vida como se fossem de minha família, cuidam, mimam, se preocupam. Pessoas que julgo serem amigos de verdade, companheiros para qualquer momento, qualquer situação. Pessoas nas quais posso contar sempre, mesmo que seja só para falar besteiras. Me ouvem, me aconselham, brincam comigo, tudo que acho essencial em um relacionamento.
    Mas dai vem os dementadores, monstros que se disfarçam de pessoas para apontar o dedo em seu rosto, para lhe caluniar, lhe prejudicar. Ficam de olho em cada passo seu para que possa perceber qualquer vacilo, para então golpear. Monstros que não tem vergonha na cara, que na frente de alguns, são pessoas maravilhosas, doadoras de palavras bonitas, e de boas atitudes, compreensivas e chegam a ser até carinhosas. Mas longe desses alguns, são bueiros podres e fedorentos, cheios de merda e insetos asquerosos, distribuindo mentiras, e histórias mal contadas, como diz uma amiga "Dissimulando" e "Manipulando" as presas por onde passa.
    A gente se depara com tanta coisa na vida, que as vezes é difícil acreditar que vamos ter força para vencer tudo. Mas não é só de força que vive o homem, precisamos de fé, precisamos de sabedoria, de amor, de paciência. Paciência não para esperar pela justiça do homem, essa é falha e as vezes nem existe. Mas esperar pela justiça de Deus, pois ele sim vê, o que cada ser aqui faz, e quem pratica o mal contra seu irmão, esse sofrerá as consequências e pagará pelos seus atos.
    Não é fácil acordar pela manhã com um sentimento que só te faz querer continuar na cama, pra mim sempre fui de pensar que quem tem que estar na cama é doente, então porque estou ali naquela situação?! Sem vontades, sem folego, sem forças. Talvez esteja doente, mas não uma doença no corpo, que pode ser detectada em uma consulta de emergência. Mas uma doença na alma, nos sentimentos. Eu não entendia, por muito tempo não entendi, o porque do desanimo, da falta de paciência, o porque de ter emagrecido quase 4 kilos.
    Mas depois, com o tempo fui começando a enxergar o que estava acontecendo comigo, estava doente, sim eu estava, pois pessoas saldáveis não choram noites inteiras, não pensam em suicídio, não pensam em sumir, não pensam em só ficar deitadas esperando tudo passar. Pessoas saldáveis se arriscam, enfrentam os problemas, lutam contra o desanimo, e querem viver, querem estar.
    Me toquei que só estava existindo, não era feliz, não fazia meu marido feliz. O sorriso no rosto era um disfarce para evitar perguntas, o coração quase saindo pela boca, na eminencia de um infarto, para alguém que já sofre de ansiedade e tem picos de batimentos, eu saberia bem como é, não seria a primeira vez que iria parar no hospital por problemas cardiorrespiratórios. Me recordo a ultima vez, o que o médico disse: "Você é muito nova para tanto stress, se acalme ou poderá ter uma parada!".
    Depois disso passei tanto tempo me controlando para não surtar, mas de uns tempos pra cá, algo vem me atormentando tanto, é um pouco aqui, outro pouco ali, no fim um bola de neve e construída e você descobre que simplesmente está cansada. Cansada de pessoas reclamando em seu ouvido e não agindo, cansada de gente passando dos limites e te desencorajando a fazer algo, cansada de ser parada na porta das oportunidades, cansada de várias pequenas situações, que no final podem até algumas delas fazer parte da vida, mas não deveriam ser tão persistentes na vida da gente.
    Mas fui tomando decisões e me afastando das preocupações que não eram minhas, de coisas e pessoas que diziam estar comigo mas não estavam. Me afastei das fofocas, das piadinhas, das chatices. Me apeguei em quem eu vi estava realmente ao meu lado. Em quem quando notou que eu precisava me estendeu a mão, quando outros nem se quer notaram.
    Como a vida é uma professora maravilhosa, hoje ando bem mais observadora, ando um pouco mais pisando em ovos. Um amiga diz que não devo endurecer, e acho que não vou, mas a vida já me ensinou muito, endurecer não vou, mas hoje sei que estou numa selva, e a noite gatos dormem nas arvores para não ser atados por outros bichos e esse vacilo eu não farei mais.
    Acho que é quase impossível não misturar vida pessoal com a profissional, pelo simples fato de ser um ser humano, é impossível você se sentir bem, confortável, ao lado de quem já tentou te prejudicar, ou alguém que já lhe deu as costas. Mas a linha do respeito pode permanecer, afinal como diria meu pai e minha mãe, um bom dia, boa tarde e boa noite não mata ninguém, e eu ainda completo que com um sorriso na boca, você ainda deixa o inimigo deprimido. Aquele velho tapa na cara da sociedade.
    Hoje eu decidi sorrir mais, viver minha vida e deixar essa gente pra lá, tentar viver um pouco a parte apesar de estarem bem ali, fazer meu melhor, e viver minha vida. Me incomoda? sim, muito! mas sabe eu sei o que Deus tem pra mim, eu sei que pra ele ter me colocado aqui é porque ele sabia que eu daria conta, e não vou desaponta-lo de forma alguma.
    Não vou ficar mas me expondo sozinha, quando não sou somente eu que penso assim, as pessoas tem medo, tem vergonha, e nada acontece, nada muda, e não posso ir para uma guerra sozinha, então é melhor orar, porque nessa guerra eu sei que não ficarei só. Sei que Deus vai dar sabedoria, discernimento, paciência para cada dia. Sim não pedirei nada mais além disso, pois é somente disso que precisamos. Precisamos saber lidar com as dificuldades, ter discernimento das bombas que nos jogam pois algumas podem nos destruir mas outras podem nos favorecer, paciência para pensar antes de agir, de falar e de julgar. 
    Se a justiça do homem acontecer fico grata e aliviada, porém espero a de Deus pois sei que somente essa vai doer no coração dos dementadores. 

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