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amoresdesconhecidos

  • Idílica



    Para que amar tão intensamente
    Se tudo terminas ao final dos dias?
    Deixas um coração que ainda sente
    Os sorrisos e as liras que tu dizias.

    Não vês que vives de medos?
    Que cultivas apenas desgostos?
     De porta em porta, novos rostos
    E, dentro de ti, apenas segredos.

    Por esta maldição, segues sempre a mesma vida.
    Hoje, mais um sorriso roubado
    E outra cama para, recostado,
    Fazer juras e sumir em seguida. 

    Não vês que te perdes nos próprios encantos?
    Pois as lágrimas delas tuas são
    E nem mil camas ou mil rostos
    Preencherão o vazio do teu coração.

    Ah! Se tu percebesses por fim
    Que és covarde por amar.
    Cessa de vez este teu procurar
    E faz tua casa dentro de mim
    O meu corpo, o teu altar.
  • Impulso Vital


    impulso vital

    A Mentira Pronunciada Pelos Lábios De Quem Nunca Teve #NadaAPerder São Conjugadas Pelos Meios Mágicos E Sobrenaturais, A Contradição Dos Interesses Ficam A Reboque Dos Acontecimentos, Kudza- Se As Ideias São Transmissíveis Porque Que Não Somos Todos Geniais? Enquanto O Coletivo Pensa Sem Pensar, Kedson Permanece Solitário Perante O#RaciocínioAbstracto Do Eu Platão, O Idealismo Dos Pacifistas Não Toma Precauções Antes De Encorajar, Porque O Sentido Da Palavra É Uma Grosseira Falsificação, O Estudo Da Queda Dos Corpos Restauram As Velhas Teorias Políticas Já As Tendências Do Inconsciente São UmDisparo Acidental As Raríssimas Histórias De Embalar, Kudza- Ainda Assim… Luto Para Me Desencadear Perante Essas Forças Repressivas O Klan É O Nosso Asilo Nosso Minúsculo Oásis Da Felicidade, Eu Sou A Maça Que Já Passou Pela #CaraDaIdade Mas Não Me Deixo Cair Da Árvore, Porque O Fascínio Da Imagem É Uma Frequente Agressão A Minha Falsa Popularidade, A Tua Correspondência Para O Klan É Necessária, Traz-nos Uma Leitura Funcional E Para De Expor As Faltas De Oportunidades E De Informações, Onde Pensas Que Iras Chegar Com Essa Escrita Irresponsável E Indisciplinada Parece Uma Retardada Decomposição Do #LixoBiológico Adulterado Pelas Rotundas Das Minhas Internas Convulsões. 

    “Perdi O Meu Interesse Na Modernidade E Na Sua Solução Inventiva, #PublicasHumilhaçõesSão Rituais Para A Aniquilação Da Alma, As Primeiras Gerações São Ridicularizadas Porque As Músicas, O Vestuário E O Vocabulário Não Alcançam A Altura Do Tempo, Para Todos Que Lutaram Na #LinhaDaFrente, O Vosso Esforço Não Será Esquecido, Para Quem Hoje Não Voltou Para Casa, O Teu Esforço Não Será Esquecido, Por Mais Sofisticada Que Seja Essa Nova Versão, Kedson- Eu Continuo Ocupado Em Tornar O Velho Sonho Realidade” Os Conselhos Que Eu Mais Oiço São Kudza Desiste, Estás Dificuldades Apenas Provam O Quão“#AlexandreOGrande” Eu Sou… Por Isso Kudza Insiste, Quero Conhecer O Meu Poder E O Meu Lugar Neste Percurso Cheio De Inspeções Medievais Sem Seguro, Somos A Pequena Parcela Da Realidade Que Procura #RomperOSofrimento Que Asfixia A Atmosfera! Contem A Respiração Mental Até Que O Plano Volte A Vida, Se Constantemente Evitamos As Diferentes Dificuldades Que Não Podemos Controlar Então… Quem Controla O Nosso Futuro, Kudza- Ninguém Ira Faze-lo Por Ti… Salva A Tua Própria Vida. 

    Se O Hoje É Uma Batalha. Será Que O Amanhã Representará A Minha Ultima Síntese.

    “Amar É Viver Repetindo O Nosso #RefrãoFavorito, Ser Amado É Procurar Memorizar As Letras Da Mesma Canção” O Amor Vulgar Decorre Imediatamente Depois De Fazer Asneira, O Erro Secular É Tentar Dominar A Sua Natureza Com #MeiosTécnicos Em Que O Detalhe É Revalorizado Pela Face Expressão, Kedson- Gosto!!! De Como Ela Se Apresentou Sem Acréscimos Estranhos Talvez Essa Manifestação Cega Tenha Carreira, A Minha Análise De Todos Os Seus Concretos Gemidos De Prazer Elevou O Grau De Aperfeiçoamento Da Sua Beleza, O Movimento Em Espiral Passou-me De Uma Massa Inerente Passiva E Sem Forma Para Um Ser #ApaixonadamenteInvencível Kudza- Ela Foi Basicamente Um Assalto Direto A Minha Fonte De Tristeza, Tu Serás A Base Da Minha Universal Infinita Vontade, Apenas Ama-me De Volta E Positivamente Viverás, O Ultimo Texto Foi Um S.O.S E Sophia Respondeu, Os #EscalõesSuperiores Elucidam O Perturbante Relativismo Entre A Nossa Identidade, Espero Que As Noções Do Senso Comum Tenham Razão! Da Mesma Maneira Que Sophia Respondeu… Espero Que Também Me Responderás. 

    “Para Todos Os Filhos E Filhas Da #ProdigiosaEvolução, Porque Que Têm O Euro No Lugar Da Consciência!!  A Primeira Iluminação Traz Com Ela A Repetição Da Circulação Do Novo Dia, Vou Aprendendo Coisas Novas, E Sigo Evoluindo E Me Contradizendo, Ontem Fui Ao Cemitério Escavar Sonhos, Muitas Das Pessoas Levam O Seu Dom Para A Terra Porque Têm Medo De Seguir O #InstintoDivino, As Tuas Limitações Não São Minhas, O Que Ganhas Em Desistir De Ti Mesmo, Kedson- Confia Em Ti Mesmo! Kudza É O Tipo De Ser Que Corre De#BraçosAbertos Para Todas As Coisas Desencorajadoras Que Afastam Todos Os Navios Menos O Meu, Tudo Isso Porque Ela Decidiu Mentir, Quase Acreditei Que Poderias Ter Sido A Minha Raqiya, Eu Só Quero Amar-te Uma Única Vez… Pois O Tempo Por #NinguémEspera, O Forjador De Toda A Minha Sorte Esta Prestes A Trazer A Origem Dos Tempos Para A Sua Época Atual“

    Sinto A Falta Das #MinhasSaudades… Kudza- Por Favor Voltem, Sinto A Falta Das Tuas Saudades E Sinto A Falta Das Nossas Saudades, Kedson- Essas Por Favor Não Voltem! O Estado Das Coisas Que Oferecem Vantagens Pretendem Desenvolver E Sustentar A Vontade Providencial Dos Fenómenos Materiais Dos #FalsosÍdolos E As Suas Falsas Mensagens, Ela É O Meu Papel Primordial Mas Encontra-se Perpetuada Pela Eterna Transformação Do Mundo, Se Nada Disso É Real Apenas Beija-me Até Que A Morte Pare De Correr Atrás De Mim E Mude O Seu Rumo, Kedson- Falo Neste Exato Segundo! Vivo Questionado Pela Dor Deste #ConfusoCarrossel Que Não Tem Fim, Apenas Deixa-me Abraçar-te Fortemente Antes Que O “Furação Ana” Te Leve Longe De Mim, O Facto De Estar Perto Dela E Saber Que Não A Poderei Ter Isso Já Me Causam Hematomas No Coração, Só Espero Cair Num Sono Profundo Porque A Viração Do Dia Faz-me Derramar Os Oceanos De Sangue Que Foram Consumidos Pela #AtómicaExplosão, Não Deixes As Pessoas Ensinar-te O Que Pensar, A Necessidade De Evitar O Medo E Procurar O Prazer, Fez-me Mergulhar Tão Fundo Nesta Loucura Que Quando Foi A Superfície Respirar… Kesdon- Esqueci-me De Como O Fazer. 

    Podes Levar O Que Quiseres. Eu… Já Não Preciso De Mim.

     A Importância Prática Do Quadro Eloquente Das Minhas Atitudes Redesenha Todas As Dificuldades Anteriormente Assinaladas, Essas Relações Relacionam-se Com Os Condicionamentos Dos Fenómenos Onde A Tua Forma É Determinada Pelo Conteúdo Das Barras Que Por Ti São Interpretadas, Kudza- Ouve-me… Para De Sofrer, Para De Me Fazer Sofrer, E Para De Nos Fazer Sofrer, Kedson- #ApenasPara… E Diz-me Como Posso Eu Te Entreter “Eu Não procuro Ser Umas Destas Estrelas Caídas Danificadas Pelo Brilho Do Seu Próprio Sucesso” Todos Os Avisos De Recessões São Semanalmente Publicados Pelas Redes Sociais Nem São Compreendidos Nem #CorrectamenteDominados, Espero Que O Decreto Presidencial Normativo Ao Criacionismo Venha A Assinar A Minha Dupla Extradição Porque Este Ano Já Estamos Terminados! O Começo Do Inicial Movimento É Uma Prioridade Fundamental Possuidora De Um Dinamismo Interno, As #VirtudesDormitivas Esticaram-me Sobre As Montanhas Da Minha Zona De Aconchego, Kudza E Kedson Duas Realidades Entre Si Distintas Que Procuram Ainda Revelar As Suas Leis Perante A Resistência Que Apoderou-se Do Paraíso E Transformo-lhe No Planeta Inferno, #SeresImaginários Povoam A Órbita Dos Sonhos Porque A Esfera Tem Infinitamente Mais Ego Do Que Tráfego.

     Esse Pensamento É Encarnado De Um Mecanismo Perfeitamente Regulado, Nós Somos O Reflexo De Um #PlanoDivino Segue Em Frente Pois A Prosperidade Vem Do Virar Da Esquina Mantém O Elemento De Discordância Atentamente Desnivelado, Kudza É O Sujeito Pensante Que Telegrafa Fora Das Dimensões Existentes, As Funções Cerebrais São Comandadas Pelo Laço Neural Elas… Juntamente Interrogam A Esfinge Na Esperança De Converter O Idealismo Numa Abstração De Puros Atos Divergentes, Para Aqueles Que Só Chegam Perto Para Poder Espalhar O Meu Falso Testamento Percebi… Melhor Do Que Entendi! Os Barulhos Que Propelam Em Torno Da Minha Agressividade, Só Me Faz Lembrar De Que Quanto Maior For O Meu Desafio, Maior Será #AMinhaVitória, Kedson- Percebi… Melhor Do Que Entendi! Os Testes Titulados Pela Vergonhosa Palavra Da Ordem, Fazem-me Querer Levar Esses Bandalhos Para O Preparatório, Os Seus Fracos Interesses Apenas Visam A Intensificar A Maldade E A Desordem, A Tua Instância É Precária E Frágil, Similar Ao Resto Da Tua Conceção, Essa Sombra É Um Projeto De Um Espírito Notório, Estou Desligado De Todas #EssasCausas, Animais Que Não Dão A Pata Só Abanam As Caudas, Não Curto Deste Tratos Jamais Terão A Minha Fidelização, Kudza- Percebi… Melhor Do Que Entendi, Não Grites Tão Alto Ainda Corres O Risco De Ter Um Android Prematuro As Tuas Costas Só Estão Quentes Porque A Tua Bunda Está A Pegar Brasa, Kedson- Olha… Mais O Passarinho Inseguro Que Já Não Voa Porque Partiu A Asa, Percebi.. Melhor Do Que Entendi!

    Quando Eu Acordar E Vir A Descobrir Que Deus É Um Cientista… Kudza- Eu Juro Que Acabo Com Aquele Velho.

    Kedson
  • Lindíssima - Cap. 4 Ultimos Capitulos

    Grande Final de Lindíssima no cap. 8

    Continuação... Capitulo de hoje: Quando as máscaras caem.

    Maria Clara vê a seguinte mensagem no celular de Vinicius: ''Oi delicia... Amanhã a noite safado....?''. Ela espera ele chegar da pizzaria para conversarem... Ao chegar ele conversam:
    Maria Clara: Vinicius... Quem é esse número desconhecido no celular?
    Vinicius: Maria Clara... Eu posso explicar...
    Maria Clara: Explicar o que?... Quer dizer que eu só sou teu brinquedo, é isso? Fica transando com uma qualquer por ai...
    Vinicius: Amor... eu não sei que é ela... eu te juro...
    Maria Clara: Já deu... Eu não quero mais...

    Forte, Clara pega sua bolsa e pizza e vai embora... Ao chegar em casa:
    Eva: Oi filha... Veio cedo...
    Maria Clara: Mãe? Ainda acordada?
    Eva: Sim tava vendo filme com a Cléo (empregada)
    Maria Clara: Ata... Vou subir, tomar um banho... E a senhora quer ver outro filme? Eu trouxe uma pizza
    Eva: Tá ta bom eu te espero...
    Naquela noite, eram por volta das 22:00. Rebecca liga para Eva e o celular está no balcão próximo ao que Maria Clara irá passar:
    Maria Clara: Rebecca?
    Rebecca: Deixa eu falar com a mamãe?
    Maria Clara: Tudo bem?
    Rebecca: Deixa eu falar com a mamãe? Por favor?
    Maria Clara: Espera - Maria Clara desce a escada e entrega a Eva: Mãe... A Rebecca... - Diz Maria Clara.
    Clara toma banho e em seguida vai assistir filme com a mãe.

    No dia seguinte...
    Às 10:00 da manhã, Rebecca vai até a casa de Eva. Rebecca leva verduras e uma picanha para ser assado. Maria Clara resolve cortar as verduras para um vinagrete:
    Maria Clara: Deixa comigo mamãe as verduras tá?
    Eva: Ah sim.. tudo bem.
    Rebecca: Mãe.. Sabe naquilo... - Rebecca deixa o seu celular no balcão, que está na frente de Clara. Maria Clara vê uma notificação, de um tal de Vinicius, que dizia: ''Poxa... Eu terminei com a Clara e não dá mais''. Maria Clara fica curiosa para ver a mensagem, pois o celular de Rebecca não possui senha. Ela pede para Cléo, a governanta terminar de cortar as verduras:
    Maria Clara: Cléo pode terminar pra mim?
    Cléo: Ah dona Maria Clara! Com certeza!
    Maria Clara pega o celular e vai para o banheiro e tranca a porta. Ela olha a conversa e descobre que Rebecca é a amante de Vinicius:
    Maria Clara: Cachorra! Vádia! Era você? Rebecca... Ai meu deus...

    Clara para provocar, fala a Rebecca:
    Maria Clara: Um tal de Vincius te mandou mensagem ai...
    Rebecca: O que? isso eh enxirimento sabia? A mãe não te deu educação não?
    Maria Clara: Eu não vi nada... Desculpa...

    Rebecca ao abrir o app de conversas, vê que a mensagem já foi lida. E ela fica com receio de que Clara tenha as visto. Para acabar com Maria Clara aos poucos, Rebecca tem um plano: Já sei... Vou na confeitaria da Maria Clara e deixo salgado os doces dela...'' Para isso Rebecca precisa da chave da loja. Ela acaba pegando a chave que estava no sofá. Ela pega e guarda na sua bolsa. Maria Clara procura as chaves e não as encontra. Rebecca levará as chaves para tirar cópias.

    Continua....
  • Me Espera

    Eu queria ter te dito
    mas estava com o coração doído
    eu me sentia tão bem
    com você aqui ? não sei

    parecia estar perdido
    ou em outro mundo distinto,
    tentando não lembrar
    sem querer outra vez me apaixonar

    não sei se é apenas uma distração
    ou algo mais que tenho em meu coração,
    esse seu olhar tão lindo
    achei que havia esquecido...

    (pré refrão)
    quase me perdi em tantos dias e sinto que não vivi nada sem você,sem você...

    (refrão)
    me espera,
    me deixa te dizer,
    o quanto senti sua falta
    o quanto eu quero você!

     
  • Meu coração e seus estados físicos

    Meu coração era sólido,
    Que não derretia
    E ninguém o invadia,
    Quem tentaria deixar uma rachadura?
    Se nunca deixei ser tocado,
    Quem o abriria?
    Se nele tinha cadeado,
    Mas um dia,
    Não sei bem qual,
    Foi colocado em alta temperatura,
    De onde será que essa chama surgia?
    Só sei que causou em mim uma rachadura,
    Era quase que imperceptível,
    Contudo se tornou fatal.
    Era indiscutível,
    Como aquele calor acabou se tornando meu mal,
    Agora o coração sólido ,
    Não só derretia rapidamente,
    Como era também despedaçado;
    E Aquela chama o invadia intensivamente,
    Correndo a cada parte daquele desválido orgão
    E pouco a pouco...
    Ele despedaça,
    Torna-se em algo raso e líquido,
    E por fim evaporado...
  • Não faz falta

    E daí se ele não te ligar/mandar mensagem amanhã? E daí se ele estiver com outra mesmo depois de ter dito que só queria você? E daí se ele só ficou um curto tempo e depois foi embora sem mais nem menos? Confesso que é fácil falar essas coisas, mas é difícil e doloroso pôr-las em prática. Homem tem em todo canto, e, por mais que pareça, nem todos são iguais. Você merece mais, porque você é mais do que imagina, você terá o melhor. Se o cara te deixou, é para mostrar o quão magnífica você é ao ponto de não ter que ficar com resto – afinal nem cachorro gosta de resto, gosta é de Pedigree. Se amanhã ele se mostrar tudo o que ele não foi, faz o seguinte, faz o mesmo. Dois pesos duas medidas, se não deu, nem dá biscoito, enquanto um vai, está vindo mais dezoito.



















  • Nilfa e mochileiro

     
    Sobre a imensidão do triângulo estelar Mineiro
    O menino, mochileiro, transporta novos amores.
    Carangola, princesinha da mata; zona proibida.

    Quem por ventura ousou desbravar-te?
    Sereia em Minas, como podes?
    Terra ausente de mar....aqui te vejo Ninfa!
    Compreendo “nem faz falta o mar”¹

    Tú cantas às margens do Carangola
    Onde me vejo naufragar agora!
    Como fecunda o amor entre mochileiro e Ninfa?
    Que não seja eu infeliz como Apolo.
    Não se transforme perante mim em Loureiro.

    Carrego-te hoje em meu peito, com afago
    Não permitas, que caiamo-nos sobre Gaia
    Sem antes tê-la em flama, ardor, gozo.
    Pois será pelo apreço e infantil desejo
    Que te espero com arquejo a dar-lhe um beijo.




      Autoria: D`souza Gabriel
     ¹“Nem faz falta o mar” Musica, Minas das violas. Cesar Menotti e Fabiano.
  • O ANJO DO JULGAMENTO

    Prólogo
    A maldade silenciosa.
    Vivo num mundo cruel e sem salvação. Onde monstros se disfarçam de homens, e crianças são tratadas como adultos. Sigo por ruas pavimentadas, pagas com o sangue dos trabalhadores, e a dor dos inocentes. Criminosos crescem como pragas, e andar por qualquer cidade, já não é mais seguro. Ligo minha TV para esquecer que a perversão cresce lá fora, e me deparo com materiais doentios direcionados aos menores. A maior rede social de vídeos do mundo, proíbe minhas denúncias, garantindo que o material não chegue aos adormecidos. Mas minhas palavras não podem ser caladas. Há uma inútil luta na sociedade, para saber qual religião é melhor que a outra, ou se o homem é maior que a mulher, e vice e versa. Enquanto todos dão atenção para assuntos tão triviais, verdadeiros males ocorrem em torno do mundo com um único objetivo: manter a dominância de uma Elite doentia, que tem pervertido a magia, desde que o homem era somente um projeto de uma raça superior. Não me diga que ainda acredita, que os demônios vivem abaixo dos seus pés, e que Deus não é uma inteligência magnânima, que deu origem a isto tudo. Não, não me confunda como uma religiosa fanática, pois estou bem longe de ser. Não, também não me chame de satanista, este é um nome que não cabe a mim. Estou muito além destes rótulos, para ser definida somente por eles, por isso peço que me respeite, e me chame apenas por anjo do julgamento. Já que estou acima do bem e do mal, e apta para determinar a sentença dos seus homens e mulheres. Vim para este mundo, como uma de vocês, nasci de uma barriga humana, embora fique cada vez mais claro, que não sou deste mundo. Cresci como uma criança normal, sem saltos no tempo, ou perseguições de um grupo secreto. Porém sempre carreguei comigo, uma maldade gigantesca, que me levava a manipular, me aproveitar, e torturar os outros. Talvez tenha sido uma menina psicopata, talvez somente acima da média, mas uma coisa é muito clara, esta crueldade frívola nunca me abandonará, e dado as atuais circunstâncias, é melhor que assim seja. Na minha fase adulta, o meu destino ficou cada vez mais claro, quando seres poderosos, entraram em contato comigo através de pensamentos obscuros, e sinais nos céus, que jamais cessariam, até eu aceitar a minha conduta. Em janeiro de 2020, fui seguida por um grupo de frades tradicionais, após ter tido vários pesadelos, com inúmeras mortes causadas pelas minhas mãos. Eu senti medo, pois após tantos anos de terapia, enfim tinha descoberto que sofria de um mal psicológico, que poderia me transformar numa assassina de uma hora para a outra, o quê para mim, era cruel e demoníaco, e eu precisava controlar, senão vidas inocentes iriam pagar pelo meu problema. Eles me chamaram por um nome, que tentei esconder debaixo do tapete, todavia evitar o quê era, não foi o suficiente para me deixarem em paz, e assim tive de seguir com eles. Muito antes de evitar as minhas asas negras, já havia imaginado que um grupo viria até mim, e me levariam a algum lugar sombrio, por isso implorei aos deuses para me protegerem, ou me deixarem escapar. Infelizmente cheguei ao meu destino, e ninguém me salvou. Eles eram assustadores, e tentaram me atacar, mas o meu desejo insaciável por sangue, me levou a ficar viva e ilesa. Manchada de vermelho, me afastei do monte de cadáveres, pronta para me entregar a polícia. Só que dois padres surgiram, e aplaudiram o meu desempenho. “Ela é perfeita.” Concordaram entre si, e fiquei desconfiada, esperando que me dessem uma explicação. Eles pestanejaram, e me vi obrigada a puxar a faca. “Digam quem são, e o quê fazem aqui.” Perguntei sentindo a adrenalina fluir. “Somos os filhos de Jesus. Pertencentes a ordem sagrada de Cristo.” Eles me responderam, e eu gargalhei. Afinal o quê uma ordem de tamanho poder religioso, iria querer com um anjo caído, que negava a própria alcunha? Eles me disseram que precisava ir com eles ao mosteiro de Santa Marta, e que lá receberia explicações mais detalhadas. Naturalmente opinei por não ir, contudo cedi a minha curiosidade, e com eles eu segui. Muitas horas se passaram, até me levarem ao topo de uma montanha rochosa. Outra vez o medo de ser destratada, e sofrer torturas preencheu o meu ser, até que o vi. Era um homem loiro, de cabelos escuros, olhos penetrantes e claros, que intercalavam entre o rio e o mar, muito bonito , que vinha em minha direção. “Minha filha.” Ele disse, e eu não segurei o riso. Até ali tinha noção que de quê havia conhecido o paraíso, porém filha daquela figura bíblica? Era cômico demais. “Preferes desta forma?” Disse ao fazer chifres de bode crescer em sua cabeça, enquanto o corpo mudava. “Não pode ser.” Fiquei catatônica, e acabei por desmaiar em seus braços. Ao acordar ele me explicou tudo, e pude reagir de outra maneira, o abraçando forte, por saber que estava diante do meu verdadeiro pai. Assim me tornei uma dos seus seguidores, e me dediquei a cumprir a minha missão, de destruir os ímpios, e iluminar a terra, com a minha chama sagrada. Pois ele só havia voltado, para que o julgamento se iniciasse, e o mesmo só poderia ser feito com o poder da sua amazona, e filha mais velha, a própria morte, ou seja eu. No início senti culpa pelas vidas que ceifei, no entanto bastou ver a lista dos culpados, para que o arrependimento se transformasse em paz. Não estava tirando aqueles homens e mulheres de suas famílias, e sim devolvendo demônios de volta para o inferno, do qual nunca deveriam ter saído, e seguiria fazendo isso até limpar o planeta, desta maldita escória de covardes.
    Capitulo 1- Verdades
    Inconvenientes
    A MORTE NARRA:
    Um dia eu tive uma amiga, que acreditei que seria para sempre, mas agora era somente outra neblina de inveja e prepotência, que precisava se dissipar. Ela era bonita, e de corpo desejável, mas embora tivesse tais atributos, não era feliz ou satisfeita consigo mesma, por mais que escondesse isso, através de um sorriso tão vazio quanto a sua cabeça sonhadora. Sei que parecem sinais de ódio, todavia posso assegurar-lhes que é somente mágoa. Eu confiei nela, depositando em suas mãos todos os meus sonhos, medos, e anseios, como se fosse a única confidente que tive na vida, e o quê achei que duraria até o Armagedom, hoje era apenas um motivo de dor e tristeza. Ela seguiu uma vida criminosa sem retorno a cidadania de bem. Algo que tentei lhe alertar, que não teria um fim nobre. Já eu me juntei a Ordem secreta, que conhecia as duas faces do demônio, e passei a julgar os meliantes que trucidavam inocentes. Desde sempre estava claro, que éramos o lado diferente da moeda. Só que para a minha surpresa, não fui eu, a servir as trevas, cometendo iniquidades, apesar dos demônios que sempre me acompanharam, nas profundezas da minha mente. “Thamara.” Meu superior me chama, enquanto sigo pelo escritório, olhando os relatórios da empresa, com um par de óculos, que por intervenção divina, não mais necessitava, porém precisava para manter as aparências. “Seu desempenho foi excelente neste mês. Logo se formará com louvor.” Ele me elogia, e o olho sem muito interesse nas finanças. “Que bom. Não vejo a hora de terminar o curso, e voltar a trabalhar em casa.” Deixo escapar, e isso o magoa, já que acha que eu não valorizo seus esforços para me sentir bem ali. Não me importo muito, pois após ter conhecido tantos que usavam a máscara de bons moços, para esconder seus crimes. Gentilezas não mais me atraem. “Tha.” Ouço a voz do meu amado, e sorrio ao ver o belo moreno de terno que vem na minha direção. Ao chegar o abraço com todas as minhas forças, pois ele é a minha luz, neste mundo sombrio. Nós terminamos as simulações de compra e venda de ações, e descemos pela escadaria. Ao entrarmos no carro, nossas feições de alegria mudam, e ele segura a minha mão. “Sei que não será fácil. Mas é preciso.” Diz tentando me dá forças, e eu aceno com a cabeça, me preparando para tempestade que há de vir. Ele estaciona o carro, eu desço com o cabelo amarrado, num coque para trás, luvas, e tudo o quê é necessário para cometer um crime. Estamos numa floresta densa e escura, e o cheiro de morte impregna o ar. “Ela esteve aqui.” Aviso, ao o seguir sem fazer muito barulho. “De fato.” Meu marido pega duas cabeças de recém-nascidos, mortos, que tiveram seus olhos arrancados, e pela quentura do sangue, percebo que o infanticídio foi praticado a poucas horas. “Droga!” Esbravejo furiosa, e nós abandonamos o local do sacrifício. Assim me livro das vestimentas que nos ligam aos assassinos, exatamente como os filhos de Jesus me ensinaram, e seguimos como inocentes. Meu celular toca, e o atendo com grande desgosto.
    _Thamara.
    _Não chegamos a tempo de capturá-la.
    _Eu sei. Sua irmã pode ser uma
    cabeça oca, mas ordem a qual ela
    serve, é cheia de membros
    perigosos.
    _Para uma menina, ela tem me
    causado uma bela dor de cabeça.
    _É porquê tem sentimentos por ela,
    e no fundo se sente culpada pelo
    caminho que tomou.
    _Pai. Eu sou o monstro da família.
    Se tivesse controlado meu ego,
    talvez pudesse salvá-la.
    _Não, não poderia. Ela tinha o livre
    arbítrio, e optou por seguir para
    as trevas.
    _Ela não é tão má. Eu sei, porquê
    na hora das mortes...
    _Thamara. Você desliga as emoções
    , para julgar os que merecem. Ela o faz
    para sorrir, se divertir, e você já viu.
    Não há comparação.
    Meu pai estava certo. Minha irmã, e antiga melhor amiga, agora era um monstro imparável, que não se preocupava com o dia de amanhã, e já tinha cometido mais de 10 assassinatos, em nome da Ordem das Corais. Uma seita religiosa que tem planos malignos para o planeta, e precisa ser detida, pois apesar de seu número ser pequeno, a mesma é responsável por todo o serviço sujo, da ordem piramidal dos Iluminados. Algo terrível, que me trouxe memórias cruéis... “Katherine!” Gritei ao vê-la arrancar a cabeça de uma criança, mas ela me ignorou, tinha se entregado a escuridão, e nada poderia ser feito para regressar. “Ela nunca vai parar.” Conclui retornando aos tempos atuais. Era hora de matá-la, mas não sabia se teria a mesma frieza que desenvolvi ao exterminar os outros.
    A viagem de volta para casa foi longa e silenciosa. Bartolomeu sabia o quanto aquela situação me afetava. Ao chegarmos, notei que os portões da minha luxuosa casa estavam abertos, então coloquei um dos pares de luvas, e amarrei os cabelos. “Thamy.” Meu marido segurou o meu pulso, assim que coloquei o pé para fora, já com a adaga na mão. Meus olhos subiram, e vi a silhueta de minha mãe Lina, brincando com minha filha e cópia Ramona. “Não traga os seus trabalhos para casa. Seu pai jurou que manteria sua identidade protegida, e enviaria os melhores guardas para cuidar do nosso lar. Confie na palavra dele.” Ele me disse, porém não quis ouvir, andava tendo visões de que a casa seria invadida pela Ordem das Corais, e seria arrastada pelos Iluminados para dentro de um abismo, e não podia abaixar a guarda. A noite...Jantamos lasanha, com muito refrigerante, agindo como a família normal que não éramos, para manter a mente de Ramona sã. Um acordo que firmei com Bart, para garantir que a menina tivesse a infância que não tivemos, e somente mais tarde viesse a saber O quê nós somos. A pequena sempre carinhosa, nos deu beijos de boa noite, e foi para o seu quarto, ler seus contos favoritos dos irmãos Grimm. Apesar de sua doçura, ela sempre teve inclinações para assuntos obscuros, pois as histórias contadas para outras crianças, lhe davam sono. Era uma prodígio, e por isso eu ficava cheia de dores de cabeça, quando minha mãe vinha em casa. “Thamy você tem que colocá-la numa escola especializada.” Disse minha mãe, enquanto eu colocava os pratos na lava louça. “Já falamos sobre isso. Nem eu, nem Bartolomeu gostamos da ideia. O mundo não é seguro para uma garota gentil como ela.” Respondi esperando o furacão Lina, derrubar todos os objetos da cozinha, mas a idade a deixou mais calma, e isso me surpreendeu. “Filha você sempre reclamou por não termos explorado o seu potencial quando criança. Nós não fizemos isso, porquê não percebemos, seu pai não percebeu, mas você e Bart veem, não acha justo lhe darem a oportunidade?” Usou o velho argumento irritante, de quê fui um prodígio não reconhecido, por culpa do meu pai terrestre, e isso me chateou muito, contudo respirei fundo, e sentei a mesa, ligando o meu notebook. “Venha aqui.” Chamei-a, e a mulher baixinha e empinada, se juntou a mim, com seus óculos fundos. “Está vendo estas notícias?” Mostrei o novo sistema de pesquisa inteligente, conhecido como SIP-I. O programa que substituiu o Google em 2022, quando a Deep Web, deixou de ser uma rede subterrânea, para se tornar superficial, devido a grande popularidade de materiais distribuídos como inofensivos. Ao contrário do programa do Bill Gates, o SIP-I, era controlado por uma inteligência artificial, criada por um gênio e pai de família, que a desenvolveu exclusivamente para garantir que os filhos, ficassem longe dessas mídias danosas. O Google ainda existe, porém é uma ferramenta usada por criminosos, que agora podem agir a olho nu, graças a intervenção da Elite, para satisfazer seus desejos doentios. A policia, os guardas, os seguranças, os advogados, e todas as ferramentas para se fazer a justiça, não passam de teatros financiados pelo grupo piramidal, para fingir que ainda há um meio de salvar a todos. Sim, o mundo está um completo Caos, e não posso colocar a minha preciosa herdeira do verdadeiro Novo Mundo, nas garras dos monstros do atual. Não tive todo o cuidado de filtrar a sua programação, lhe formar em cursos a distância, para agora entregá-la de mãos beijadas ao sistema deles. “Menina de 10 anos, é estuprada em banheiro unissex por garotos da mesma idade. -Menina desaparece em escola, sem deixar rastros- Menina é agredida ao voltar para casa sozinha- Meninas tendem a sofrer 75% das agressões e abusos no país -Professor é preso por molestar as alunas. Preciso ler mais?!” Disse ao configurar o SIP-I com a minha biometria, para conteúdo adulto no meu computador portátil. “O mundo não é só isso Thamara.” Ela tenta me convencer, e eu acabo rindo, pois praticamente todo mês tenho que matar muitos, por conta da perversão que se expandiu. “Pode até não ser. Mas tudo o quê vejo é esse descontrole, e enquanto Ramona não for capaz de matar, em vez de ser morta, ela fica em casa.” Disse com frieza, e minha genitora se calou. A conversa que tive com a Dona Lina, me deixou bastante apreensiva, e trouxe de volta demônios, que há anos não me perturbavam. “Cuidado em casa.” Disse uma das vozes de minha consciência. “Você não deve confiar em nenhum homem.” Repetiu, e o medo se apoderou de mim. A passos lentos segui pelo corredor do quarto da minha menina, a porta estava entreaberta, e o meu bebê de 10 anos dormia totalmente embrulhado em sua coberta lilás, que por meu intermédio havia se tornado a sua cor favorita, desde que era menor. Entrei no cômodo, e me sentei ao seu lado, fiquei lhe fazendo cafuné, e vi o seu sorriso. “Você é a coisa mais importante do mundo para mim.” Disse-lhe, e ela me abraçou forte. Foi então que ouvi ruídos, e me vi obrigada a me esconder. Como não tinha para onde ir, usei um dos poderes da morte, a invisibilidade. Bart apareceu ali, e sem perceber acabei por deixar a menina descoberta, com o seu pijaminha de short curto. Respirei fundo, se algo ruim fosse acontecer, teria que ser naquele momento, pois meu marido pensava que eu ainda estava a conversar com a sua sogra. Ele a observou sorridente, e a cobriu, dando-lhe um beijo no rosto. “Sua mãe e você, são tudo para mim.” Falou com ternura, e eu não consegui me conter. Meu corpo tremulou entre o intangível e tangível, e acabei por surgir no canto da parede. “Thamara? Mas o quê faz aqui?” Disse já incomodado. “Eu precisava ver se a Ramona estava bem.” Foi o meu primeiro impulso a dizer. “Se era só isso, por quê se escondeu atrás da cortina?” Questionou com o ar de inteligência, sabendo no fundo o quê aquilo significava. “Nem precisa dizer.” Concluiu me deixando para trás, e sai atrás dele, pronta para me explicar.
    _Bart.
    _Thamy. Você lida com o mal o tempo todo.
    Como é que ainda pensa isso de mim?
    _É só que você é todo liberal, e gosta muito
    de mim, sendo que pareço uma menina
    de 14 anos.
    _15. Mas você tem 24, há diferença.
    _Até o dia que envelhecer...
    _Primeiro se envelhecer, sempre será a minha
    mulher. Segundo você não envelhece, é
    parte de ser a morte.
    _Mas se não consigo julgar nem a Katherine,
    que é minha irmã, imagine a você que é
    o amor da minha vida?
    _Eu não sou a Katherine. Tenho prazer de matar
    pela mesma razão que você. Pra limpar o mundo
    dessa escória maldita, que se tornou uma
    epidemia!
    “Tem prazer de matar? Pela mesma razão que ela?” Ouvi uma terceira voz na discussão, e meus olhos se arregalaram, lá estava a minha mãe na porta do quarto da minha filha, que se escondia atrás da sua longa camisola azul. “Ah! Fantástico!” Explodi, e ele lutou para se manter calmo. “Agora todos os meus planos para a Ramona foram por água abaixo. Está feliz?!” Deixei fluir o ódio. “Espera, vai me culpar? Foi você que iniciou a discussão!” Ele rebateu, e embora tivesse razão, preferi negar a culpa, e inspirei “todo o ar do ambiente”, até me tranquilizar, para explicar tudo o quê tinha acontecido, pois embora tivesse o dom de tirar a vida das pessoas, não tinha a capacidade mudar seus rumos. O tempo nunca volta para a morte, isto se dá por uma força maior que a minha, e até mesmo a de meu pai.
    Nos sentamos a mesa, a mesma onde deveriam haver conversas comuns e entediantes, em vez do grande “elefante” que estava entre nós. Ramona ficou a me observar com seus olhinhos negros, que estavam esperando uma explicação, enquanto minha mãe tremia como um rato diante do gato, achando que minha doença, tinha enfim chegado ao estágio final, e agora eu matava sem ter um código de conduta. “Eu poderia mentir para vocês, e acreditem em mim quando digo: Adoraria fazer isso. Mas esconder a verdade, as levariam a pesquisar por conta, e tirarem conclusões mais absurdas que o próprio axioma, por isso vou lhes contar tudo.” Tentei soar culta e fria, mas por dentro temia que não me entendessem, e me jogassem numa casa de apoio emocional e psicológico, um nome bonito para hospício do século XXI. Bart mesmo magoado pela acusação, segurou a minha mão me dando apoio, e apesar de meus demônios o odiarem, por me fazer tão fraca, uma pequena parte de mim, se sentiu segura por tê-lo ali, e assim ambos sorrimos sem vontade, um para o outro. “Lembram-se quando sumi por mais de 6 meses, quando estava perto de fazer 28 anos?” Iniciei o meu relato, com uma pergunta, para adaptá-las ao ambiente do passado. “E que Bart lhes disse que tínhamos tirado um ano de férias longe da Ramona, que tinha se tornado cada vez mais pestinha?” Conclui, e a velha conservada Lina, revirou os olhos, já se recordando do fatídico tempo. “É claro que sim, foi o seu ato mais egoísta em relação a pobrezinha.” Resmungou seca, e isso me fez sorrir com satisfação, pois agora ela se calaria com a verdadeira razão do meu sumiço. “A verdade é que eu tinha sido recrutada por uma antiga Ordem que...” Tentei terminar mas a avó, já veio atropelando a minha narrativa. “Você entrou para os Iluminados?! Depois de tudo o quê me falou sobre eles e sua maldade e...” Desta vez eu atropelei suas palavras. “Não! Eu entrei para a Ordem de Cristo. Na qual os verdadeiros devotos da luz celestial, ou estrela da manhã, são treinados pelo filho de Deus, para limpar o mundo de tamanha crueldade, provocada pela má interpretação das Escrituras Sagradas, que foram corrompidas pelo homem, para atender suas ambições.” Respondi quase automaticamente, e ela ficou emudecida. “Mas você é má. Como o filho de Deus, a aceitaria em seu rebanho?” Inquiriu desapontada com o seu grande ídolo divino. “Eu sou má, porquê preciso ser, e Jesus me escolheu porquê sou a filha dele e Madalena.” Disse com desgosto. Após ter entrado em tantas casas, para matar homens merecedores desta sorte, não gostava de ser associada a maldade diabólica, pregada por palavras vãs, de homens loucos por poder. “Mas você não é filha de Lúcifer?!” Ela ficou ainda mais confusa. “Tive a mesma reação ao descobrir. Mas sim Lúcifer e Jesus são o mesmo ser.” Esclareci, e ela cuspiu a água que tinha começado a beber. “Meu pai cometeu muitos erros mãe. Um deles foi tentado introduzir neste mundo, virtudes para os quais não estava preparado.” Baixei a cabeça, lamentando pelo surgimento da outra face, do príncipe do mundo. “Seu pai é o Alexandre! Esse homem que a induz a matar é um blasfemo!” Gritou como uma fanática, e com o meu dedo indicador apontei minha energia para a planta no meio da sala, que por “mágica" começou a secar, enquanto meus olhos mudavam de castanho para violetas. “Tudo é um, e o um é tudo.” Disse ao abrir a palma, e soprar a vida de volta para a flor, que brotou ainda mais linda e brilhante.
    _Como fez isso? Esse Homem. Esse homem é um alien?!
    _Não, bom é, mas não da forma que está pensando.
    Eu sou o cavaleiro do Apocalipse mãe, eu sou
    a Morte.
    _Mas como isso é possível? Sua gestação foi normal,
    embora houvessem complicações!
    _E você rezou a Nossa Senhora do Perpétuo Socorro,
    para que eu não morresse, e me chamou de seu
    milagre.
    _Minha filha. É um peso tão grande para carregar.
    _Eu sei que é mãe. Sei que posso ficar louca. Mas pela
    primeira vez na vida, tudo realmente faz algum sentido,
    e principalmente, eu não preciso mais ficar de braços
    cruzados, vendo o mundo ruir.
    _Mas você é tão jovem, bonita, e inteligente.
    Ele não pode escolher outra em seu
    lugar?
    _Eu tenho 666 irmãos. Mas nenhum deles tem o
    meu poder mãe.
    _Eu sabia que um dia isso ia acontecer.
    _Não tá planejando me colocar no hospício não é?
    _Não, não minha filha. Apenas espero que saiba
    o quê está fazendo, pois um erro e...
    _Mamãe eu não morro.
    _Mas pode se ferir, e depois de tudo o quê já passou, não
    quero que se machuque ainda mais.
    Ela me abraçou, e Ramona ficou calada, ponderando sobre tudo o quê sabia a respeito de Cristo e Lúcifer. Naquela madrugada tive de falar tudo a minha pequena, de uma forma que ela pudesse entender, e acabamos por adormecer.
    O MISTERIOSO MARIDO NARRA:
    Thamara dormiu junto de nossa filha, e eu fiquei a mesa, arrumando os pratos, cheio de doces que devoramos ao ouvir as palavras da minha esposa. Lina não conseguia dormir, por isso ficou sentada no sofá com o olhar vazio. Embora quisesse transmitir confiança a filha, ainda não tinha aceitado os fatos, e suas mãos tremulantes, alegavam que estava a beira de um surto. Olhei-a por cima dos ombros, e respirei fundo. Se não a ajudasse agora, a Thamy iria sofrer as consequências mais tarde, e não podia deixar isso acontecer. Como quem não quer nada, sentei-me ao seu lado, e ela como que por desespero virou-se para mim, dando-me um baita susto, com seus grandes olhos vermelhos e enrugados, marcados pelo pânico do desconhecido.
    _Bart.
    _Eu mesmo Lina.
    _Thamara não me contou como você foi envolvido
    nessa matança.
    _Ah, é simples. O par da Morte, sempre será
    o Peste.
    _Espera você também acredita que é um dos Cavaleiros
    do Apocalipse?
    _Mas é claro que sim. Fui treinado junto com
    a Thamy.
    _Isso é loucura Bart!
    _Não, não é. Basta parar de ver a Thamy como somente
    sua filha, que verá os sinais entorno dela.
    _Vocês tomaram alguma droga, quando conheceram
    esse guru que acha que é Cristo?!
    _Lina. Se acalma. O tal “guru" salvou sua filha de ficar
    cega.
    _Então é um alien! Um alien maldoso!
    _Lina. Ele é realmente Cristo, sua filha é a Morte, e
    eu sou o Peste. Precisa aceitar isso.
    _Por quê?!
    _Porquê com você como nossa aliada, podemos
    iniciar o quanto antes, os treinos de Ramona para
    esta seguir o destino que lhe foi escrito.
    _E seria?
    _Herdar nossos poderes e manter o mundo
    em equilíbrio.
    A conversa com Lina, não me pareceu muito proveitosa. Era evidente que Thamara tinha puxado a cabeça dura dela. Todavia obtive algum êxito, e por isso pude dormir em paz naquela noite. “Você tem que matá-la.” O sussurro de minha própria voz passou pelos ouvidos. Minha esposa não estava de todo errada, haviam demônios na minha mente, só que ao contrário do quê ela pensava, não representavam perigo algum a nossa filha, não da forma que com veemência me acusava, pelo menos. Meus pensamentos eram mais piedosos, me falavam sobre matar a família inteira, e depois a mim mesmo, não torturá-las com maldade, como fazia com minhas “vítimas”, ou de maneira sexual, como algumas das “vítimas” faziam com terceiros.
    Mergulhado no vazio obscuro dentro de mim, eu os vi. Eram vários de mim, cada um com uma ideia de diferente, e como eu sou o rei deste Inferno mental, caminhei lentamente entre eles, mostrando-lhes a minha força e imponência. O meu eu assustado se recolheu de imediato, ou meu eu raivoso, saltou na minha direção, e por isso o peguei pelo pescoço. “Ela nunca vai te amar! Não é capaz de amar a alguém!” Ele gritou e isso me fez sorrir, ao puxar seu crânio ensanguentado para fora do esqueleto. “Eu que mando aqui, e se não respeita a minha amada deusa, deve morrer como todos os outros.” Esclareci, e o frio e calculista veio até mim. “Ela não é controlável como a Célia. Não é um bom negócio, seguir com aqueles que estão além dos fios de nossa manipulação.” Olhou para mim, e eu lhe acertei com um machado que projetei. Não tinha tempo para ouvir as asneiras, de partes minhas, para as quais somente a Thamara ainda dava vida. “Ele seguiu por aquela direção.” Disse o meu eu viciado em violência, e por isso segui cautelosamente até a escuridão, que crescia da direção em que aquele demônio tinha se enraizado. “Ela te deixou uma vez.” Foram as suas primeiras palavras. “Ela seguiu com Dave, e te ignorou. Só retornou porquê Dave não a ama.” Continuou com seu monólogo de mágoa. “Só há uma razão para odiá-la tanto. Sr. Tristeza.” Brinquei ainda atento ao ataque dele. “É Sr. Melancolia.” Ele gritou enfurecido. “Pra mim parece mais o bebê chorão. Aquele tempo se foi Bart Melancólico.” O alfinetei, e depois recobrei o sentido, se somos o mesmo, não cairia numa provocação barata. “Não para mim. Eu ainda a vejo nos braços do outro, exatamente como ela desenhou.” Respondeu com mais intensidade, e pude chegar até ele, porém ao pisar no topo de uma colina, iluminada pela luz da lua, percebi que aquela voz vinha do meu inconsciente. “Ela nos ama. Me ama, e é só o quê importa.” Disse ao olhar para baixo. “Não é tão simples.” Suas sombras se materializaram, agarrando meus pés como tentáculos, e me arrastando para dentro do breu. Uma vez disse a Thamara que eu tinha entrado em depressão quando me deixou, mas eu menti, ela tinha criado algo muito pior dentro de mim, pois nunca havia amado tanto alguém antes dela, e agora esse mesmo monstro queria me puxar para o fundo, com o intuito de se tornar o 70% de mim, que controlava os meus outros demônios. Isso já tinha acontecido uma vez, e até hoje sofro com consequências do Bart Melancólico, que me levou a trair a minha esposa, mesmo que só emocionalmente, e ela nunca me perdoou. “Ela irá fugir com o primeiro homem bonito que aparecer.” Ele disse tentando me desnortear, mas desde que tinha completado 30 anos, não era o garoto de antes, o emprego e pequenas intervenções de Thamy, tinham me tornado atraente o suficiente, para não me sentir ameaçado, caso surgisse mais um novo rival, na batalha pelo coração da minha companheira. Por isso concentrei raios de luz na minha palma, e cortei os braços da criatura, antes de chegar na ponta do precipício. “Eu não entendo por quê você ainda existe. Eu já superei o passado, então faça o mesmo. Não importa as batalhas que perdemos, e sim que vencemos a guerra, e teremos a Thamara para sempre.” Disse iluminando o meu corpo ao máximo, para ser intocável pelo poder obscuro, do ser que habita as profundezas da minha cabeça. “Dave, Thomy, e outros, não foram os últimos.” Ele me disse, e retornei ao meu estado ativo.
    Já eram 7: 30 da manhã, e Thamara já havia iniciado suas negociações com o Robô da Ibov. “Me atrasei?” Brinquei com o meu sorriso mais sem graça, e ela seguiu com os seus olhos vazios, procurando por algo que nem a mesma sabia. “Está atrasado em 15 minutos, e só não perdeu 140 USD, porquê entrei em seu Login.” Respondeu seca, e isso me preocupou bastante. Se ela soubesse a luta que vivo toda noite, para continuarmos juntos, talvez valorizasse o meu amor, ou não. Conhecendo a senhorita “Não te amo há muito tempo.” Certamente não. “Obrigado meu peixe.” Agradeci citando o nosso apelido próprio, na intenção de alcançar as suas emoções. Só que ela seguiu inerte, me ignorando, e isso fez com quê o pesadelo da noite passada, parecesse bem real. Sentei-me do seu lado, meio desarrumado, tinha apenas escovado os dentes, e lavado o rosto. Sua pequena e delicada mão procurou pela minha, e isso me fez sorrir. “Não Bart Melancólico estava errado. Ela me ama sim.” Pensei tentando esconder o riso de alegria, e sem dizer nada ela se encostou no meu ombro, ainda focada na tela da FT. Era o seu jeito de dizer Eu te amo, sem o uso das palavras, e eu adoro isso, pois depois do carinho silencioso, sempre vem o beijo, e neste sinto toda a sua energia amorosa fluir com bastante gosto.
    A MORTE VOLTA A NARRAR:
    Ainda estava enfurecida pela noite passada, ele me traiu com uma garota mais jovem, de 18 anos, quando tinha 22. O quê quer que eu pense? Que é um homem digno que não se interessa por garotinhas? É difícil. Pois achei que o fato de ser 2 anos mais nova, me dava uma vantagem que as outras não podem ter. Afinal desde nova, sempre sofri muita rejeição dos caras da minha idade, e recebi bastantes pretendentes mais velhos. Assim conclui que meu par teria de ter sempre um ou dois anos acima de mim, do contrário sempre seria sempre um fracasso. Meus planos caíram por terra! Mesmo sendo mais nova, ele procurou por uma ainda mais nova, 4 anos mais nova. O quê me levou a concluir que se tivesse 17, teria um relacionamento com uma menina de 13 anos, algo tão patético, quanto o quê Roger, o lixo que me desvirginou fez. Depois de tal fato, nunca mais o vi com os olhos do encanto, porém ainda sim, mesmo ferida, e quebrada por dentro, não deixei de amá-lo. Só que como ele nunca valorizou os meus esforços, para manter longe os abutres que queriam destruir o nosso relacionamento, sempre que esse rancor crescia dentro de mim, acabava por dizer que não sinto mais nada, pois a verdade é que não queria sentir, mas por alguma razão era o único que não era capaz de deixar de amar totalmente. Talvez fosse o pacto que fizemos, quando ele tinha 18 e eu 16, ou quem sabe somos almas gêmeas. Já não sei mais, pois cansei de fazer inúmeros rituais para nos desamarrar, e continuarmos voltando aos dias de intensa paixão da juventude, e nos amando ainda mais. Como uma maldição sem fim, da qual nunca poderia escapar. Karma também é uma opção, consequência por desafiar a ordem divina. Contudo poderia ter me prendido a um homem cachaceiro, que me bateria, ou não me reconheceria nem mesmo com magia. Porém acabei junto dele, e apesar de ter sido o maior dos idiotas, foi a melhor opção, entretanto se pudesse voltar no tempo, eu teria impedido essa união de todas as formas, e com certeza me espancaria até desmaiar, antes de juntar nossas gotas de sangue, e transformá-las numa só, envolvendo o nome de Lúcifer e Lilith. Talvez fosse melhor ter invocado a própria Afrodite e o seu Adônis endeusado, mas isso é duvidoso, pois muitos no círculo dos magistas alegam que Lilith é Vênus, e se isso é verdade, então Lúcifer seria Áries ou será que era o pobre Efestos? Aquele que foi expulso do Olimpo pela própria mãe, e se tornou um Deus por sua cruel astúcia, ao descobrir as fraquezas daqueles que um dia o humilharam. Tanto faz. Só sei que rezei aos deuses errados, pois mesmo que a minha vítima cedesse, passamos por vários problemas ligados a este bendito ritual diabólico. O amo muito, ele é a minha vida, não vivo sem ele, parece que quem se amarrou fui eu. É duro sentir tal coisa, sendo que nunca tive tal emoção, por nenhum outro homem antes, e pior ainda é gostar dele deste forma, depois de tudo o quê aconteceu. Eu piso, humilho, chuto como se fosse outro psicótico a ser julgado, e na hora de partir o agarro forte, e faço o quê estiver ao meu alcance para não deixá-lo ir. Meus médicos dizem, que é culpa do meu mal, que não o amo de verdade, só gosto de sua submissão, e de torturá-lo friamente. É tudo tão simples para eles, que chega a me dar raiva. Não é que não o ame, pois se assim fosse, não perderia a cabeça só de imaginar ele com outra. “E isso se dá porquê o trata como sua posse, e acredita que ninguém mais pode tocá-lo.” Já até ouço o Doutor Fernand dizer, e reviro os olhos. Oras se não quero que ninguém toque nele, é porquê é importante para mim, e as mãos impuras de terceiros não devem corromper o meu imaculado amado.
    _O quê está pensando Thamy?
    _Nada.
    _Olha lá a mentira patológica gente.
    _Não importa.
    _Ainda é sobre aquele assunto irritante?
    _Em parte sim.
    _Hm.
    _O quê quer para o café?
    _Nada.
    _Isso só funciona comigo. Deixa de graça.
    _Eu realmente estou sem fome.
    _Então vou fazer bolinhos de queijo
    , presunto, salsa, e recheio de
    requeijão.
    _Quero 2.
    _Ótimo. Vou aguardar você terminar
    aqui.
    Sorri da maneira mais cínica, e isso o contagiou. É nessas horas que percebo o quanto me ama. “Eu vou. Mas só porquê me garantiu 140 dólares ainda pouco.” Fez a face de senhor da razão, e eu gargalhei. Está querendo enganar a quem querido? É evidente que expande a quantidade de oxitocina no seu organismo por mim. Tomamos o café-da-manhã, já em clima de harmonia, sorrindo como se por alguns minutos todos os males tivessem ido embora. Uma perfeita relação abusiva, na qual para surpresa de todos, era a mulher que estava pisando de salto alto nos sentimentos do homem. O telefone tocou, e fechei a cara, pois não era Lúcifer que estava me ligando, e sim a minha irmã que tinha se bandeado pro lado dos Iluminados.
    _Luciféria.
    _Pai!
    _Precisa vim a Santa Marta o quanto antes.
    _O quê? Por quê?
    _Sua irmã despertou da lavagem cerebral
    das Corais, e está a beira da morte!
    _Ela... O quê?
    _Venha ao mosteiro, e explicarei tudo.
    _Está bem.
    Ele desligou, e eu olhei para Bart. Nós entramos no carro, e dirigimos até o monte dourado. Katherine estava totalmente desidratada, caída no piso, como se implorasse pelo seu último suspiro. Sem dizer nada, afastei todos os frades, e me ajoelhei diante dela. Concentrando minhas energias na palma, vi ambas se tornarem esferas de luz radiante, e soprei para dentro da sua boca, infelizmente minha irmã não estava só morrendo, e sim tinha sido acometida por um vírus, e somente o sangue do Peste, poderia curá-la. “Vai em frente.” Disse ele estendendo o pulso, e com minha unha de energia, perfurei sua pele rasgando-a, até pingar gotas vermelhas na língua da moça, que pouco a pouco se restabeleceu de sua doença.
    Passadas algumas horas...Caminhei pelo mosteiro, e fumei um cigarro de maconha para me acalmar. Meu pai viu, e sorriu, erguendo a mão, para tirá-lo da minha. Sem questionar o entreguei, e para a minha surpresa, ele o levou aos lábios, e puxou toda a fumaça com gosto. “Parece que o lado Lúcifer segue aí dentro.” Brinquei, e ele olhou para o céu. “Lúcifer nunca irá embora, Magda.” Respondeu com calmaria. “É Luciféria, Luciferiel.” O corrigi. “Luciféria no céu, Magda na Terra, Arádia na Magia, Matheuccia na Religião...São apenas nomes. O quê importa é a sua essência, pequena princesa.” Citou meus “20 nomes", e me fez entender o seu propósito. “De fato. Lúcifer no céu, Jesus Cristo na Terra, Agrippa na Magia e na Religião.” Devolvi na mesma moeda, e ele riu com compaixão. “Então reconheceu minhas palavras, até mesmo através de um homem? A eduquei direito pelo visto.” Olhou para o lado, e ergui os ombros. “Quando falou que o Ar não era um elemento, e sim uma cola que unia os outros 3, como se o mesmo fosse o mais poderoso dos elementos, ficou bem óbvio na verdade.” Completei, e ele seguiu a fumar a erva sagrada, que aos olhos do sistema, era maldita, pois fazia o cérebro trabalhar mais rápido, e se tornar menos passivo ao controle. “Pena que nem todos os meus filhos aprenderam direito a respeito da palavra sagrada.” Olha para a frente, e a silhueta de violão da Coral, surge querendo se aproximar de nós. “As deixarei a sós.” Ele de imediato se retira. “Espera, ela é sua filha. A minha está em casa lendo e aprendendo.” Resmunguei colocando minha mão em seu peito, não o deixando passar. “Mas quando sua mãe criou ódio dos homens, você cuidou dela, como se fosse sua. Queria uma chance de se redimir? É esta.” Me relembrou, e acabei por ficar sem argumentos. Como uma criança, a morena veio até mim, e eu segui com a postura fria de mágoa.
    _Lucy.
    _É Thamara.
    _Pra mim sempre será Lucy, a minha irmãzinha
    mais velha.
    _Irmã mais velha, não venha com diminuitivos
    para despertar meus sentimentos.
    _Como sempre fria como gelo não é?
    _Diria mais fria como a Antártica.
    _Não vai querer saber como te encontrei?
    _Você sempre se fez de lesa, mas é inteligente.
    Não há nada surpreendente em ter chegado
    até aqui.
    _Eu ouvi um elogio da Sra. Crítica?
    _O quê quer aqui Katherine? Já não nos traiu
    o suficiente, ao se misturar as Corais?
    _Isso está além do quê pode compreender
    Thamara Mary.
    _Que você tinha sede de poder, e se meteu
    com as pessoas erradas? Não, é bem
    fácil.
    _Se me ver como a velha Lilá, sim, é só isso.
    Mas entrei na Ordem das Corais, para vigiá-las,
    e te entregar constantes relatórios sobre os
    crimes.
    _É Agarath e disso eu me lembro. Então num fatídico dia, simplesmente me levou para uma armadilha, e por pouco não morri.
    _Eu me apaixonei Lucy, e assim como você
    e Bart, ele era o meu parceiro de outras
    vidas.
    _Outro loiro de olhos claros com o rosto
    de uma estátua grega?
    _Guarde o seu sarcasmo. Ele era moreno,
    de olhos castanhos, e sem um gigante
    porte físico.
    _Deixe-me adivinhar, era o líder das Corais?
    _Não. Era outro subalterno como eu, e quando as
    Corais descobriram que tinha traído elas, juraram
    matá-lo, e me entregar o seu coração numa
    folha.
    _Então por um amor de verão traiu
    alguém de seu próprio sangue.
    Interessante.
    _Ele não era um amor de verão Lucy!
    Estávamos juntos, desde que me infiltrei
    na Ordem das Corais!
    _E já se passou pela sua cabecinha infantil,
    que ele pode ser o vigia delas, para testar
    a sua lealdade queridinha?
    _Já! É claro que já! Você me treinou lembra?
    _Então como ainda pode me trair?
    _Porquê ele era diferente do John. Me ligava,
    Mandava flores, fazia planos comigo, e me
    fazia ver que Bart não era o único homem
    na face da Terra, a amar uma mulher.
    _Não te usava? Não te ignorava? Não
    pisava em você? Não dava sinais claros
    de manipulação, e que não estava
    afim?
    _Não. Havia tanta devoção da parte dele,
    que várias vezes as Corais tentaram o matar,
    somente por me proteger.
    _Então te amava mesmo.
    A conversa prosseguiu, e vi os olhos de Katherine. Apesar dos sinais de um amor realmente recíproco, estava claro que aquela história não tinha tido um final feliz.
    A MEMBRO CORAL NARRA:
    Quando entrei no clube das Corais, que até aquele momento não era uma ordem reconhecida pelo mundo, tinha apenas um objetivo, orgulhar a minha mestra, irmã, e segunda mãe que já tinha conhecido. A tarefa era simples, apenas observar os relatórios através do Whatsapp e repassá-los para a minha superior, que havia praticamente retornado dos mortos. Contudo praticamente da noite para o dia, o Clube das Corais, ganhou destaque, e passou a ser notado por diversos países. Assim em vez do pequeno grupo que só tinha conversas online, agora os membros ganhavam passagens, para se encontrarem pessoalmente. Entrei num lugar com estátuas de Gárgula, cheio das mais diversas artes clássicas e góticas. Quem tivesse conhecido a líder antes, não acreditaria, que Ane Marrie agora era uma das mulheres mais ricas do Brasil. Mas isso tinha um preço, que era caro demais para pagar. “Olá meus filhos. Eu sou a deusa. Lúcifer não virá, mas os homens de Cristo, bateram a nossa porta, e não podemos deixá-los esperando.” Disse Ane, enquanto os 9 membros principais, se aproximavam de seu trono de mármore, uma regalia necessária, oferecida por ninguém menos que os iluminados. “Luz é o quê este mundo precisa, e é a ela que agora serviremos, sem perder a nossa autonomia.” Prosseguiu, sentindo-se a dona do mundo. “Se Lucy assistisse a essa cerimônia, teria revirado os olhos, e cochichado algo sarcástico.” Pensei ao me ajoelhar perante os pés da “deusa Marrie". A festa foi bastante recatada, até o momento em que ela pediu que nos despíssemos. Tremi um pouco, pois só havia eu e mais uma garota, chamada Pauline, e um dos homens veio até mim. Seu nome era Timothy, e o olhar cheio de desejo, me fez ter repulsa, por achar que era um pervertido qualquer. Porém quando segurou minha mão, e a beijou, soube que mesmo sendo um tarado, era um cavalheiro. “Não é bem o lugar para ser educado.” Joguei verde, para ver se era um teatro e ele riu. “Com alguém tão bela quanto você, é sempre hora de ser educado.” Ele me olhou com os seus escuros olhos penetrantes, e sem graça deixei meu riso escapar. Após o evento, em que por nome dos deuses tivemos de copular, Ane Marrie notou uma conexão entre nós, e nos fez um par, segundo ela éramos deuses antigos, que agora tinham reencarnado para clarear a sociedade. Novamente se Lucy ouvisse tal coisa, iria surtar, pois parecia uma cópia malfeita da historia dela e do marido, e se saísse da minha boca, certamente brigaríamos, pois ela iria pensar que a ideia teria sido minha, por conta dessa “mania de poder". Timothy andava pela cidade, sentindo-se o Senhor das Ruas, por conta do título que a “deusa" lhe proporcionou. Eu seguia ignorando isso, minha deusa era outra, e a mesma dizia que eu só me tornaria como ela, no dia em que finalmente despertasse, de maneira tanto física quanto intelectual. Só que o meu parceiro achava mesmo que Ane Marrie, era alguma entidade poderosa, por isso tentava fazer a minha cabeça para ver a sua grandeza, e jamais seguir a renegada filha de Lúcifer, que não fazia parte das Corais, por ser uma egocêntrica, metida, que achava ter mais poder que a “nossa" majestade. “Sempre não é Lucy?” Mas estes embora pareçam ser defeitos, no fim eram suas qualidades, e eu admirava esse desempenho frio e turrão de ser. Percebendo que a glória da Rainha Cobra, não me tocava o coração, ele desistiu de falar de seus feitos, e passou a mudar de assunto. “Obrigado Satã por sinal.” Foi então que vi que Timothy, não era só um ingênuo seguidor da “deusa nada virgem", como Lucy costumava chamar, e pouco a pouco, meus pensamentos sempre focados na minha irmã, foram desaparecendo, e sendo substituídos por todos os segundos e minutos que ficava perto dele. É claro cometíamos muitos crimes hediondos, em nome dos Iluminados, por intermédio da majestosa Marrie. Mas tudo o quê ficava na minha mente, eram os milk-shakes com hambúrguer que comíamos na volta para casa. Os meses se passaram, e a minha aproximação com ele, se tornou cada vez maior. O quê deveria ser somente uma parceria de negócios, logo se tornou um romance, e quando dei por mim estávamos vivendo juntos, no apartamento simples dele, que nós chamávamos de ninho do amor. Mesmo que um filho de Eva morresse em minhas mãos todos os dias, tudo o quê importava, era o calor do seu colo no final da noite, pois nada mais era importante além de nós dois, ou assim pensei.
    Certa noite cheguei em casa, e Timothy não estava lá. Somente o nosso cachorro Vlad, se encontrava no apartamento. Logo o medo de algo ter acontecido invadiu o meu pensamento. Liguei em seu telefone, e o mesmo estava desligado. Estaria ele aprontando sem mim? Questionei. Só que o meu amor, me deixou um pouco mais lúcida, e por isso decidi verificar os meus recados. “Amor. O Vlad tá com saudades.” Foi a primeira mensagem, as 7:30. “Amor hoje vai ter pizza na janta, quer escolher o sabor?” Foi a segunda, na hora do almoço. “Amor trouxe sua pizza favorita, com muito queijo e...” A ligação caiu as 19:45. “Merd...!” Deixei escapar, e fui para a próxima e última mensagem. “Sabemos de sua conexão com a deusa renegada, e se quiser ouvir outra declaração patética do seu amado, vai ter que fazer o seguinte...” Anotei as instruções com a mão trêmula. Sabia que Thamara jamais me perdoaria, pelo que ia fazer. Contudo Timy era o amor da minha vida, e eu não me perdoaria se algo acontecesse a ele. Precisava tomar uma decisão, que mudaria a minha vida sempre, e tinha apenas alguns minutos para cruzar a linha da traição. Foi então que segui o plano delas, e enviei uma falsa localização para a minha irmã, que a enviaria direto para o abate. Ela não havia despertado ainda, mas assim como eu tinha alguém que me amava, ela também tinha, e certamente ele iria resgatá-la, e caso isso falhasse, havia uma força celestial disposta a mudar o tempo, para salvá-la, e sendo assim ela era importante o suficiente para o universo intervir. Ao contrário do Timothy que tinha menos de 2 horas de vida, e poderia desaparecer para sempre, pois era um criminoso, e mesmo sendo um filho do Inferno como eu, ficaria preso ali, por sua afronta a ordem natural, ao seguir as leis erradas. Era o fim da minha parceria com a minha irmã, e por isso não conseguia aguentar as lágrimas, mas mesmo assim, eu segui em frente, e entrei naquele depósito. Timy estava preso dentro de um vidro cheio de água, acorrentado até o pescoço, com panos brancos que estavam vermelhos de sangue. Só haviam 7 minutos de vida agora, e eu precisava encontrar o painel. Corri de um lado para o outro, tentando achá-lo, até que notei os olhos do meu amado, e segui na direção indicada por estes. Quando o líquido já tinha ultrapassado o queixo, eu consegui desligar, e sem pensar duas vezes, entrei no tanque, e usei a chave que me entregaram, após mandar minha irmã para a morte. Ao nos encontrar nos abraçamos mais forte do quê nunca, e nos beijamos ali dentro. Mas após ter comprometido toda a Ordem das Corais, eu mesma paguei o preço. O tanque se fechou, na parte de cima, e a própria Ane Marrie, veio nos executar. Pensei que ia morrer, pois agora não só subia água, e sim um liquido verde, que segundo a mesma estava contaminado, com um vírus que tinha ficado adormecido há 7 mil anos. Eu gritei, e me debati, enquanto Timothy ficou parado. Não entendi a razão, até ver a enorme e gosmenta criatura na sua nuca, que brilhava mais que neon, e que seus olhos estavam vazios. “Este? É um presente da nossa bióloga renegada, que antes de sair me ensinou sobre todos os poderes da ciência... e seus malefícios.” A rainha sorriu, e entrei em desespero. Sem saber o quê fazer, passei a me empurrar na ordem contrária ao apoio do tanque. A queda poderia me machucar, só que era melhor que morrer. Empurrei várias vezes, impulsionando o meu corpo, até que a cúpula caiu no piso e se partiu. Me arrastei entre os cacos, e peguei a mão do meu namorado. Sabendo que não éramos mais bem vindos, sai correndo até a saída mais próxima. Nós dois corremos até a floresta, e quando vi um frade passar por ali, gritei pedindo por ajuda. “Eu sou Úrsula, a outra irmã de Thamara a filha mais velha de Cristo!” Foi tudo o quê pude pronunciar, antes de desmaiar. Se falasse meu nome verdadeiro, eles não nos ajudariam, Thamara tinha deixado isso bem claro, na sua “doce” carta de despedida, por isso fui obrigada a mentir. Mas ainda bem que fiz isso, pois me trouxe até o único lugar, em que Timothy pôde ser curado, para que possamos iniciar uma nova vida, longe dos crimes da Ordem das Corais. Sei que somos dois ímpios, mas se meu pai é mesmo Cristo, ele ensinou os outros a perdoarem, e certamente não negaria uma segunda chance, para uma das suas filhas, e o sobrinho, filho de seu irmão Belial.
    _Então mentiu para chegar aqui?
    _É só o quê ouviu?!
    _Não, foi apenas a parte mais marcante, pois pensei
    que tinha me rastreado de alguma maneira, algo mais
    inteligente, do quê apenas sorte.
    _Foi inteligente, do contrário Timothy teria morrido.
    _E agora espera que a Ordem de Cristo os abracem
    , e ofereçam um banquete pela sua chegada?
    _Queremos somente redenção Thamy.
    _Sem coroas, deuses, ou as velhas regalias que
    foram ofertadas por Marrie, para tentá-los ?
    _É claro que sim.
    _Estão prontos para o trabalho duro,
    que lhes confere alguma nobreza
    entre nós?
    _Se tiver um quarto, comida boa, e bons
    livros.
    _Acha que está no direito de exigir?
    _É o mínimo para um ser humano.
    _Então terá de se dirigir ao pai.
    Ele quem lida com essas
    coisas.
    Thamara era bastante firme em suas palavras, porém era evidente o alívio que sentia no peito, por me ter de volta ao seu comando. Uma vez irmã, sempre irmã, e mesmo com toda a frieza, ficava claro que se importava do contrário, não teria feito o seu marido “O Peste" me dá o sangue da cura.
    A MORTE NARRA:
    A volta da minha irmã mais nova deveria me trazer alegrias, mas por mais feliz que estivesse pela sua volta, não podia me esquecer dos males que tinha causado, e de quê nem Ramona escapou das suas teias diabólicas. Inspirei fundo, e caminhei para longe dela, deixando-a sem respostas. Tudo sempre foi muito fácil para Katherine, então não me admira a sua “cara de pau”, de vim até Santa Marta em busca de perdão. Nosso pai poderia lhe perdoar, afinal ele sempre foi o cara que perdoo as faltas do mundo, mas eu neste sentido, era tão implacável quanto minha mãe Madalena Lilith.
    A noite... Timothy e Katherine ficaram agarrados um ao outro, sorrindo, ao beberem a sopa do nosso chefe e padre João. Quem os visse ali, pensaria que eram almas gêmeas, puras e inocentes, entregues aos desejos da juventude. Fiquei com o cotovelo apoiado na mesa, pousando a mão abaixo do queixo. Os observando com cautela e fúria. Vendo o meu estado, Bart deitou sua cabeça no meu ombro, dando-me beijinhos no pescoço, até me fazer rir, e sussurrou para nos afastarmos de todos. De mãos dadas, nós seguimos até a beira do rio cristalino, e nos sentamos na ponta da terra, deixando a água cobrir os nossos pés. “Não gostei da volta dela.” Ele iniciou, e dei graças aos deuses, por não ser a primeira a dizer. “Ela é minha irmã, mas eu também não estou satisfeita com isso.” Concordei, e ele se deitou no meu colo, deixando a água fria cobrir metade do seu corpo, já que a fenda estava rasa, e “secando”.
    _Por pouco você e Ramona não morreram
    naquele dia. Não é algo fácil de se perdoar.
    _Se Ele não tivesse parado o tempo...
    _E ainda tem essa. Graças a ela o Arcanjo voltou.
    _Ciúmes, bonitinho?
    _Sempre terei ciúmes de você. É o amor da
    minha vida.
    _Você também é o amor da minha...
    _Mas?
    _Você sabe...
    _Está muito magoada comigo, para sentir
    alegria por isso.
    _Olha, não é que é esperto?
    _Engraçadinha.
    _Sou mesmo.
    _Eu te amo Thamy. Sei que falhei feio contigo, como marido,
    mas não vai se passar um dia da minha vida, que não deixarei
    de lutar para ser digno do seu perdão.
    Ele ergueu a face para cima, e pude vê as estrelas se refletirem nos seus olhos. Aquelas íris brilhantes, e a pupila tão dilatada ao olhar para mim, me fizeram entender porquê mesmo depois de tantos anos, sofrendo por ser incapaz de dar uma segunda chance a alguém, ainda seguia ao seu lado, e afastava todos os possíveis pretendentes, tornando-o minha primeira e única opção. “Também te amo Bart. É difícil pra mim perdoar, qualquer pequena falha que seja. Mas por você estou tentando.” Me esforcei para me declarar. Escrever é fácil, porém falar dos meus sentimentos, sempre foi algo complicado, pois é como se eu não fosse capaz de amar, ao ponto de literalmente esquecer de mim, e levar um tiro para proteger alguém que não está dentro desse corpo. Contudo Bart era o único por quem eu realmente me esforçava para ser melhor, e por mais que o Dr. Fernand ou o Dr. Augusto dissessem o contrário, isso para mim, era o mais perto do amor que podia conhecer. Sem que percebesse, meus dedos fizeram carinho em sua cabeça, e meus lábios foram até os seus. Talvez amar, não fosse algo que trouxesse somente felicidade e satisfação, e sim a caminhada longa e tortuosa, na qual os dois enfrentam todas as barreiras para continuarem juntos.
    O PESTE NARRA:
    Outra vez seus impulsos românticos a traíram, era óbvio por causa da sua face corada de vergonha, ao afastar o rosto depois de me beijar, e praticamente criar alguma distância emocional, ao se recostar para trás. Ainda bem que tínhamos voltado a brigar por nosso relacionamento, não queria me lembrar, do dia em que quase perdi a mulher da minha vida, e o fruto desse amor que nunca se apaga. Droga. Estou começando a lembrar outra vez...Já ouço o som do temporal que caia, e a voz dela ao telefone. “Bart por favor me ajude.” Foi tudo o quê ouvi, antes de ligar sua localização, e seguir até o meio da mata escura. A mesma em que há poucos dias, havíamos encontrado sacrifícios infantis, em nome dos “ofídios em forma de humanos”. O sangue estava espalhado por toda parte, - ao contrário do quê fizeram com Marcele, outra membro que abandonou as corais, antes da mesma se transformar numa ordem mundialmente famosa, por suas atrocidades. – Eles queriam mesmo executar a Thamara, sem fazer parecer suicídio. Minha respiração era calma, porém a cada passo que dava, o medo crescia dentro de mim, e os suspiros pouco a pouco se aceleravam. As folhas se quebraram abaixo dos meus pés, mesmo tentando ser sorrateiro, e isso fez meu coração subir até um pouco acima das costelas. Um pouco trêmulo, me aproximei das árvores, para observar o ambiente. Sentindo a força de Gaia fluir pela copa, ganhei energia para enfrentar os monstros que tinham levado a minha amada, e a minha filhinha. Minha áurea obscura cresceu, e por alguns segundos o Bart viciado em violência, tomou 70% do controle do meu corpo, pois estava pronto para me “banquetear” com a carne de certas corais. Meus dedos arranharam o tronco, como se fossem obsidianas, e por um momento senti que meus olhos queimaram, e se tornaram amarelos como ouro, dando-me o poder de ver no escuro. Foi então que a vi, nos braços dele, e minhas íris se tornaram vermelhas como rubi, pois o Bart melancólico quem assumiu. “O quê faz aqui?” Perguntei ao ver o homem de longos e cacheados cabelos negros, que segurava a minha esposa, e ficava ao lado da minha filha, me encarando com seus olhos azuis, que brilhavam de maneira tão inumana quanto os meus. “Se soubesse cuidar dela. Eu não precisaria intervir.” Ele me respondeu, e isso me fez rir de raiva, pois jamais deixava de salvaguardar a minha amada. “O quê aconteceu?” Perguntei lentamente, pronto para matá-lo com todos os requintes da maldade, assim que me entregasse a minha companheira. “As corais vieram atrás dela.” Disse sem parecer se importar, e ela despertou. “Você?” Perguntou para ele, com certa mágoa, e este sem querer sorriu. “Estou fazendo hora extra.” A colocou no piso, e levantou voo. “Ela precisa de proteção. Não importa quem você seja, sabe que somente o Pai tem tal poder.” Disse ao passar por mim. Apesar de ser um engomadinho celestial, ele estava certo, porém conhecendo a mulher que tinha, havia a certeza de quê ela não seria a favor de tal intervenção, por isso só deixei escapar um barulho de lata de refrigerante sendo aberta.
    No caminho de volta para casa...Thamara ficou em completo silêncio, segurando Ramona que tinha dormido em seus braços. Pelo retrovisor pude vê-la. Seu olhar era vazio, tinha marcas de garras nos ombros, o lábio estava roxo, como se tivessem torturado e depois a forcassem a beber veneno. Eu queria saber o quê tinha acontecido, mas ela parecia sem reação. Ao passar pela entrada de casa, ela pulou no meu colo e me abraçou forte. “Ela saiu. Eu preciso ir embora.” Foram as suas palavras. Sem pensar, a segurei contra o meu peito. “Não.” Foi tudo o quê consegui sussurrar, e ela me deu um beijo no rosto, seguido de um beijo na boca, que pareceu sugar as minhas energias. Era como se ela fosse a Hera Venenosa das revistas em quadrinhos, mas seus olhos ficavam violetas e vítreos, quando minha vida era engolida por sua boca roxa. “Eu te amo muito. De verdade. Mas meu ódio pode te machucar, então adeus.” Ela disse e dei o meu último suspiro, caindo desmaiado no piso.
    Os dias se passaram...Minha sogra entrou em desespero, e veio para dentro da nossa casa, me oferecer ajuda para cuidar de Ramona, enquanto eu procurava por minha esposa. Cheguei a voltar a beber e fumar, coisa que só fiz na adolescência após termos terminado por conta dos seus inúmeros pretendentes, e querer vivenciar todos os prazeres da juventude. Ela certamente diria que o fez, pra ficar com o tal Dave, porém anos mais tarde, vim saber que não tinha só o babaca, outros estavam aos seus pés. Não acho isso negativo, porquê eu também era o homem de muitas, após termos nos afastado. Pra mim isso só significava que a separação nos tornou duas criaturas frias e maldosas, que deixaram um rastro de destruição por onde passaram, mas se reencontraram mesmo nas trevas, pois eram perfeitos um para o outro. Infelizmente acho que ela não via assim, e por isso tinha partido de vez. Ela, seu outro Eu sempre saia em momentos de adrenalina. Então isso pra mim, era uma desculpa mais do quê esfarrapada. O sino da porta do bar tocou, e foi tudo muito rápido. Um grupo de mascarados, com uma braçadeira vermelha, jogaram um frasco ovalado no piso, que se partiu e deixou todos doentes.
    No meio daquela névoa verde, eu via mulheres e crianças gritando, ao chorarem lágrimas de sangue, enquanto os homens vomitavam sem parar pelos cantos, e alguns tremiam como se sofressem o efeito colateral de um remédio psiquiátrico. O quê quer que seja, era mortal, mas me sentia normal, por isso caminhei por ali, até chegar a saída, onde encontrei um grupo de homens de túnica branca. “Eis que o filho do nosso senhor enfim aparece entre as sombras, iluminando-as com a sua luz.” Disseram em coro, e ergui uma sobrancelha de incredulidade. “Saudamos-te ó grande cavaleiro iluminado, que deve acompanhar a amazona negra que com a sua mortalha e foice limpará o mundo.” Eles se ajoelharam diante de mim, com itens em suas mãos. “Eu sonhei que muitas pessoas morriam por minhas mãos.” Me recordei, com a voz dela. “Não podia ver o rosto, mas andava a cavalo com um guerreiro de armadura prata, que me levava até os outros dois. Era como se eu fosse a Morte” Foi o segundo lampejo. “E se um dos cavaleiros, não for apenas uma corrupção machista, e a Morte na verdade é uma amazona?” Foi o quê me fez ter certeza que era dela que se tratava. “Onde ela está?!” Peguei um deles pela túnica, e ergui contra a parede, pronto para destrui-lo caso tivesse feito mal a minha amada. “Está em Santa Marta, porém assim como a mesma está treinando, você deverá fazê-lo, para terem controle dos seus poderes, e não serem controlados por eles.” Me respondeu aquele ficava ao lado do outro. “Olha pra minha cara. Vê se eu me importo com isso? Só quero achá-la.” Disse com impetuosidade. “Se quiser ver a minha filha. Terá de ser merecedor dela.” O quarto e último homem impôs, e quando olhei para trás, vi seus olhos brilhantes como uma lâmpada no escuro. “Lúcifer?” Questionei desconfiado. “É apenas um dos meus nomes, meu filho rebelde.” Me respondeu. “Ela está bem? Não estão abortando seus filhos, e lhes dando o feto para comer não é?” Inqueri me recordando das terríveis visões da minha companheira. “Não somos Os Iluminados. Nosso treinamento é mais rigoroso e evolutivo. Ela está aprendendo a controlar o poder da Morte, e não se tornar o próximo grande Demônio, já temos você pra isso.” Respondeu e brincou no final. “Do quê está falando?” Perguntei sem entender a razão de tal acusação. “Então o bloqueio de memória foi um sucesso.” Se aproximou de mim, e pousou a mão no meu ombro direito. “Infelizmente Baal Hadad, não poderá viver para sempre nesta mentira, de quê só Thamara Mary, viveu no Inferno, e tem o meu sangue.” Tais palavras me deixaram um pouco receoso. “É hora de enfrentar o seu grande demônio, e fazer juiz ao fato de ser o príncipe deste mundo.” Ele prosseguiu. “Esse não é o teu título?” Perguntei com certa curiosidade. “Eu sou o novo Deus, meu filho, o título de Diabo é, e sempre será seu.” Ele me respondeu, e meus olhos se engrandeceram. “Isso não seria uma blasfêmia para o Altíssimo?” Notei os aspectos bíblicos dos quais Thamy sempre falava. “Seria, se ele não tivesse concedido esta glória, para se tornar o sucessor do seu bisavô.” Outra vez ele respondeu algo de quê não tinha muito conhecimento, a não ser pelas aulas da minha linda descendente dele.
    _Eu tenho um bisavô?
    _É muito para explicar. Mas sim. Você é parte da terceira
    gerações dos deuses.
    _Então este bisavô é o Caos da mitologia nórdica?
    _Sim, e dele nasceram os primeiros deuses supremos,
    que são os seus avós.
    _É muito para processar...
    _Ficará mais fácil depois que desbloquearmos sua memória.
    _Não.
    _O quê? Por quê?
    _Se sou mesmo o Diabo, não quero machucar Thamara
    ou minha filha, é melhor deixá-lo adormecido.
    _Isso é um excelente sinal. Porém embora tenha machucado
    muitos com a sua frieza e sadismo, tenho certeza que não
    praticou algum mal contra elas.
    As palavras de Lúcifer me acalmaram, e por isso segui com os frades, para receber o devido treinamento de meu poder, e ver a minha amada outra vez. Foram 6 meses de teorias e práticas, sobre o meu porte físico e espiritual. Os cientistas da ordem diziam, que minha saliva era uma fonte de doenças nocivas, que se transformava no quê minha mente desejasse, e que o meu próprio sangue, continha antígenos praticamente sobre-humanos para cada um desses males. Por vários meses fui estudado numa estufa, ás vezes dentro de um tanque, outras numa maca, para definir o limite dos meus poderes, que faziam de mim, uma bomba biológica, com a cura para as mesmas doenças que causava, por isso me chamaram de Peste. Contudo embora fosse parte das minhas habilidades, ter esses vírus vivendo em meu corpo, e os curar, não era todo o meu poder, pois graças aos seres microscópicos, poderia modificar o meu DNA, para me tornar qualquer ser existente na galáxia...Mas não vem ao caso, como dizia...No sexto mês finalmente pude encontrá-la, ela continuava linda e radiante como a lua. Como tanto gostava, estava usando um vestido preto longo e decotado, sendo seguida por homens e mulheres cobertos por capuzes amarelos. Ao contrário dos costumeiros olhos vazios, parecia tão serena quanto na adolescência, e sorria com a confiança, que nós dois acreditávamos que tinha morrido.
    _Bart?
    _Thamara...
    _Como chegou até aqui?
    _Digamos que nossos caminhos se cruzaram.
    Você não é a única filha cósmica.
    _Sério? Eu sabia! Você é meu par eterno!
    _Não, não sou. Sou apenas o deus que ficou
    louco de amores por você, e não te deixou
    viver na solidão.
    Eu segurei em sua face e a beijei com carinho. Ao sentir o seu corpo no meu, meu coração pulsou com muita intensidade. Foi assim que as memórias do passado tomaram conta da minha mente... Eu era somente um garoto loiro, semelhante um viking, quando nos reencontramos. Ela era somente uma menina de cabelos vermelhos, com olhos violetas e vítreos. Nós discutimos no começo, pois a figura baixinha, tinha contas para acertar comigo. Mas como sempre fomos estranhamente um atraído pelo outro, acabou por me contar a verdade. Sentia-se vazia, e nem sempre do nada, nascem as melhores coisas, por isso ela tomou a pior decisão. Com o uso dos seus poderes, ela abriu a porta da minha cela, e me soltou no universo. Então o quê Deus havia decretado como um caso resolvido, voltou para lhe assombrar. Pouco a pouco me infiltrei no paraíso, e fiz com quê os anjos ficassem encolerizados. Os fracos pereceram diante de meu poder, e o caos se fez no cosmos. Para mim, era como uma festa sem fim, com muitos gritos, sangue, e desespero. Mas para ela, era como uma falha grotesca, que precisava ser corrigida antes que descobrissem o quê fez. Eu espalhei entre as multidões, todo o sofrimento possível para me fortalecer, e ela veio com a sua foice, para lhes dá paz mesmo no Inferno, entre os seres materializados. Seu pai tinha sido o anjo que tirava a vida dos vivos. Porém após o seu nascimento, ele foi coroado como príncipe celestial, e outro teve de assumir o seu posto. Muitos dos seus bravos filhos, lutaram para provar que eram dignos de tal glória. Assim eles limparam a galáxia, ceifando todas as almas que pudessem, com suas armas especiais. Contudo foi na única menina, que o poder se manifestou, e por isso esta que recebeu a sorte grande. Ao contrário dos irmãos, ela não matava somente para se provar merecedora da foice de seu pai, mas sim de acordo com o seu código de conduta, no qual os culpados eram friamente punidos, e os justos levados cuidadosamente para o outro lado. Seus irmãos só se focavam em quantidade, ela não, e esta era a virtude secreta do seu pai, quando ele atuava como tal. Eu a admirava, tanto pela sua impetuosidade violenta com os ímpios, quanto pelo cuidado que tinha com os inocentes. Por isso também tomei a pior decisão. Certa vez a Morte, estava a tomar banho no rio sagrado, e eu entrei na água, infectando-a, para lhe tornar inofensiva. Ela lutou com valentia, usou seus poderes para tentar curar a água, mas por algum mistério da natureza, a pobrezinha não tinha forças para vencer a mim, pois eu era a própria doença, era o vírus que carregava outros dentro de mim, era a própria Peste, em forma humanoide. Ela não suportou a enfermidade que lhe provoquei, e caiu em meus braços. Estava fraca, e bastante vulnerável, quase irresistível. Passei a mão por sua face pálida, ela me olhou preocupada, quase dizendo "não" para a minha proximidade, porém mesmo assim a beijei, e a tomei para mim. Por alguns anos, ela desapareceu, e os homens deixaram de respeitar o poder celestial, assim como acreditaram que não havia punição para os seus crimes, pois eu também não atuava. "Vou beber até cair hoje, pois o meu fígado não mais adoce vadia!" Disse um bêbado ao espancar a esposa, que segurava o símbolo dos celestiais. "Deus porquê não me permite morrer, e me deixa sofrer? Não pequei tanto para acabar assim!" Chorou com a boca toda ensanguentada. Ela não era a primeira a perder a fé. Outros estavam em níveis mais avançados, chegando até mesmo a acreditar, que Deus os tinha abandonado a mercê do mal, do qual tinha lhes prometido proteção. Inúmeras criaturas iam as ruas, protestar contra as iniquidades divinas, e haviam os que tentavam assumir o papel, da única juíza consagrada pelos deuses, deste universo. “Então você queria encontrar a paz, depois de tudo o quê me fez?" Um homem num plano de vingança, apontou a arma para a cabeça de outro. "Eu lamento te informar, mas não existe mais morte, e por isso sou livre para estourar a tua cabeça, quantas vezes desejar." Atirou na testa do culpado, várias e várias vezes, com um sorriso cada vez maior, que o tornava pior do quê aquele que ele julgava. Este não era um caso isolado, os assassinatos se expandiam mais do quê as doenças, que costumava espalhar. Para uns era um parque de diversão macabra, e para os que não tinham tal coragem, parecia a visão mais do quê realista do Inferno dos mortais. Cabeças decepadas, gritavam pelas ruas, e os sádicos lhe perfuravam os olhos, e chutavam-nas para a lama, afogando-as sem parar. Pessoas que tinham perdido o corpo na briga para sobreviver, se arrastavam pelos cantos, para tentar se livrar daquela tortura sem fim. As mulheres se uniam em instalações, para cuidarem uma das outras, já que nesta realidade sem final ou consequência, os pervertidos também ganhavam espaço, e se sentiam no poder de abusar das mesmas. Nem mesmo as crianças, conseguiam manter a inocência, e por isso ficavam divididas: Entre aquelas que matavam, e as que corriam. Meu ato egoísta, tinha feito da galáxia, o próprio Tártaro dos Gregos, e o Inferno dos Católicos, pois eu os privei de manter a bondade, e de receber a devida a punição, ao levar a nossa Morte, para o único lugar, no qual somente o seu Eu daquela realidade, tinha a permissão de julgar, e esta era somente como qualquer criatura que habitava aquele Cosmo. Como desde cedo trabalhei para o céu, como o auxiliar do meu pai, o veneno de Deus. Sabia de todos os pontos fracos da Morte, desde a sua jurisdição, até o quê poderia prendê-la para sempre. Acorrentada no fundo do universo, ela brigava para sair, amava o seu trabalho, e não queria ver ninguém lhe substituir. Só que nunca me dirigia a palavra, e evitava até olhar em meus olhos, devia me odiar bastante. Todavia eu não conseguia deixá-la ir, pois só o fato de tê-la por perto, era o suficiente para me sentir bem, e não me importava com quantos sofreriam no processo. "Já não basta o quê fez?" Ela finalmente disse, com seus braços presos ao aço, banhado com a luz do buraco branco, que sintetizei para imitar o poder supremo, do pai do príncipe celestial. "Foi culpa de nossa mãe, e você sabe." Respondi de imediato. "É só o quê sabe dizer. Mas se fosse forte, teria dito não." Ela retrucou. "Você não pode me culpar por aquilo para sempre. Se soubesse lutar, também teria impedido.” Rebati, e ela ficou indignada. “Vai culpar a vítima? É sério?” Sua voz era alegre, mas cheia de raiva. “Eu sou o Peste. O quê esperava? Que eu me arrependesse? Fui treinado para ser impiedoso!” Mostrei a minha ira, e ela voltou ao silêncio. “Ao menos sentiu algo por mim?” Aquele tom me deixou desnorteado, parecia triste, quase magoada. “Você sabe que sim. Haviam dois destinos naquela noite: te possuir, ou te fazer desaparecer para sempre da minha realidade.” Desabafei com tristeza, quase me encolhendo de vergonha. “Eu não podia ficar sem você.” Segurei em sua face, erguendo seu queixo, e olhei no fundo daquela neve, coberta pela luz do rouxinol. “Mas você sempre foi o pior dos filhos. O Forte, O Implacável por ser incapaz de amar.” Argumentou, sem acreditar. “Parece que a única fraqueza da Peste é a própria Morte.” A beijei, e mesmo com as mãos acorrentadas, ela me puxou para a si. Aquela atração mortal e doentia, tomou conta de nós dois, e a boca mais fria que existe, pareceu quente por uns minutos. Com suas pernas salientes e fatais, ela montou em mim e me arranhou, se entregando a enfermidade do amor. Logo arranquei a sua mortalha, e tirei a sua armadura, enquanto ela me despiu as vestes de cavaleiro. Minhas mãos desceram pela sua costa frágil e nua, a sua boca não quis desgrudar, e quando o fez, foi somente para me beijar o corpo inteiro, e voltar ao meio das coxas, onde fez vários movimentos de vai e vem, deixando sua doce saliva escorrer por meu membro. Contudo não a deixei somente me satisfazer. A deitei no piso, segurei seus pulsos, e passei a minha língua por entre os seios delicados, descendo, até chegar no ponto do prazer, do qual bebi todo o júbilo com gosto, até escorrer pelo canto dos lábios, e quando vi que praticamente implorava, para que a completasse, sorri maldosamente. “Você realmente me deseja ?” Beijei-lhe a virilha, e ela corou de vergonha. “Sim.” Respondeu com sua voz doce como chocolate amargo, o meu favorito. “Então peça por mim.” Impus, e ela relutou, até que se deu conta de quê só havia nós dois, como na segunda vez, em que estivemos juntos, e cedeu a sua vontade. “Me possua Peste.” Aquelas palavras me deixaram eletrizado, e por isso entrei dentro dela com ímpeto, arrancando-lhe suspiros tão intensos, que foi capaz de suar. Aquele rosto, aquele sorriso, aquelas bochechas rosadas de prazer, seguido de seus gemidos, me deixaram louco. Por dias repetimos o feito, e creio que a Morte, foi a primeira a desenvolver a Síndrome de Estocolmo, por isso esta doença é vista de maneira tão mórbida. Mas ela não mais se importava, nem sequer ligava para o quê fazia, só com quem fazia. Se ela me amava, eu não sabia, acreditava que estava usando seu charme fatal somente para ganhar a liberdade. Porém no dia que enfim a libertei, esta saiu voando para fora do cativeiro, e se deparou com a luz de uma das luas do planeta em que estávamos. Estava tão feliz, que pensei que nossos momentos de amor doente, ficariam para trás, assim que retornasse, para impor a ordem ao nosso “mundo". “Vamos?” Segurou em meu pulso, e fiquei paralisado. “Quer que eu vá? Eu o Peste, o demônio, o...” Me silenciou com o dedo indicador. “Nem tudo é preto e branco Peste. Você causou sim muito sofrimento, mas graças a ti famílias se mantém unidas, homens mudam a conduta, e mulheres valorizam a felicidade.” Seus olhos eram de uma criatura sã, contudo suas palavras me pareciam insanas. “Se isso é verdade, por quê sempre atrapalhou a minha tarefa? Como se quisesse me corrigir, após ter me libertado?” Questionei incrédulo, e ela sorriu. “Porquê tua execução é tão sombria e implacável, que mesmo as vítimas dos criminosos, se apiedavam destes. Que de acordo com o meu dever, mereciam uma punição ainda mais severa, por toda a eternidade.” Ela explicou. “O meu erro foi te libertar, mas você quem escolheu atender o meu pedido. Portanto é só você que pode corrigir isso. O quê já se passou, não dá para voltar atrás, sem alterar todo o equilíbrio já existente. ” Ela completou, e eu percebi que estava errado, não era uma falha grotesca que tentava controlar. Nós retornamos para a nossa galáxia natal, tudo estava destruído, e muitos imploravam por seu regresso, enquanto me destetavam mais do quê nunca. Pouco a pouco, ela fez o seu trabalho, não haviam muitos para receber o atestado de óbito, por isso eliminou os executores com punhos de ferros e sem piedade, e trouxe enfim o descanso para os que tinham temido, que aqueles dias jamais teriam fim. Nosso pai quis julgá-la, porém eu assumi a responsabilidade por tê-la raptado, e assim a livrei de perder o manto que tanto adorava. Achei que após a confissão, voltaria para a cela, contudo por ter me provado um pouco mais maduro, o pai decidiu me tornar o segundo juiz consagrado, que auxiliaria a Morte em seu trabalho. Tão grande foi a minha alegria, ao ouvir tal coisa, pois em vez de me afastarem dela, nos juntaram como a metade oposta e complementar da mesma moeda. Desde então, as duas criaturas mais perigosas do universo, seguiram de mãos dadas por toda a eternidade, se amando de uma maneira que os mortais não seriam capazes de compreender. Já que onde Morte fosse, a Peste certamente ali estava... “Bart?” Ouvi a voz dela dizer, e outra vez estávamos a beira do rio. Todavia enquanto me perdia em lembranças passadas, já havíamos trocado de lugar, e agora ela tinha se sentado em meu colo, e ficava a olhar para os peixes na água, ao entrelaçar seus dedos aos meus. “Oi...” Falei olhando para as nossas alianças, próximas uma da outra, por causa da união das palmas. “Promete nunca me deixar?” Disse se encolhendo, quase sem voz, e a luz da lua brilhou sob o aço dos anéis. “É claro que sim meu amor. Não importa o quê os astros digam, sempre seremos um do outro.” Beijei sua cabeça, e ela retribuiu beijando as minhas mãos.
  • O Ex-defunto

    Nas férias de verão, resolvi sair do inferno que era a trivialidade de uma vida pacata ao extremo. Nunca fui afim de viajar, de curtir com os amigos, de se embriagar ou coisa do tipo. Sempre fui fiel aos preceitos morais que minha mãe me deu. Segui piamente, durante décadas, os ideais familiares, os conselhos. Entretanto, nesse verão, resolvi sair da prisão cultural. Uma loucura extrema, talvez sobrenatural, abraçou-me de repente, e me forçou a quebrar as restrições coercitivas que me impedia sair da constância dos meus dias. Da forma como essa mudança inusitada me possuiu, fez-me sentir profundamente invadido. Talvez um demônio me possuiu, pensava. Eu me sentia leve, feliz e ao mesmo tempo, receoso. Durante a fase de preparação do cronograma de viagens, uma bipolaridade me tangia frequentemente, e assim fazia com que eu me sentisse: ora um caçador, ora uma caça. Contudo, meu lado obscuro venceu nas minhas decisões. 
    Passei em torno de dois meses, planejando, replanejando, desfazendo e refazendo meus planos para estas inexplicáveis férias que viriam. A fastidiosa carga horária de nove horas de trabalho me deixava exausto para planejar algo. Entretanto, como já mencionei, algo muito surreal me pungiu nesse momento. Toda noite, nesses últimos meses para as tão esperadas férias, empenhei-me distendendo meu descanso noturno à procura de promoções na internet e, metodicamente, planejando a viagem. Às vezes, pensava que estava ficando louco, mas acabei cedendo com a perspectiva de uma mudança, por mais radical que fosse, iria, assim achava, desopilar minhas tensões e seria, decerto, algo inédito. 
    No dia da viagem, peguei a minha cachorrinha, Dolly, e a levei até a casa do meu tio. Sem nenhuma preocupação pendente, encaminhei extaticamente até o aeroporto principal. Era uma euforia incontrolável e, lá no fundo, sentia que a minha normalidade estava acorrentada. 
    Desembarquei às oito horas da manhã (horário local) no Aeroporto Internacional de Dodoma, na Tanzânia. Esse foi o destino que o meu lado misterioso me guiou. Quando fui ao centro da cidade Dodoma, tive a sensação de que já estive naquele lugar antes — senti na prática o que na teoria eu refusava: a ideia do déjà-vu. Desdenhei essa abstração e volvi-me a apreciar as belezas da cidade. Tive um choque de percepção. Pensava que na África tudo era miséria, pobreza e selva. Achei extremamente fascinante a cultura e a peculiaridade daquela cidade. Monumentos, arranha-céus, construções opulentas desmitificavam os meus equivocados preconceitos. No entanto, o meu objetivo estava longe de ser a vida urbana. Queria inflexivelmente desbravar a temível Savana africana. Na verdade, a minha parte oculta que queria. 
    Após dois dias desfrutando das belezas urbanas, o grupo de turistas no qual eu me incluía, decidiu ir visitar a savana Serengueti, ao norte da Tanzânia. Eu estava bastante empolgado com o passeio silvestre. Os prados estéreis, os arbustos espargidos, e, acima de tudo, os temíveis animais africanos. 
    Durante a viagem dentro de uma gaiola ambulante, avistamos cenas indescritíveis; sentimos algo que só o ambiente pode nos proporcionar —O ar da liberdade. Paramos um pouco para apreciar uma manada de elefantes que cruzavam a estrada. Perpendicularmente à estrada, no lado esquerdo da nossa direção, avistamos uma cena inusitada, um grupo de leões estava espreguiçando-se no chão sem demonstrar nenhuma agressividade. Os turistas não paravam de registrar cada passo dos felinos. 
    Enquanto os leões distraíam a atenção dos turistas, eu observava ao longe, no lado direito, uma cena curiosa. Vi um homem, um rinoceronte, e depois, um tiro. Fiquei profundamente abatido. Não fui eu quem fora abatido, mas sentia-se partido. O monstro retraiu a atenções dos outros. E ficamos átonos diante tamanha brutalidade. Ele retirava rapidamente o chifre do morto, e ameaçou com a arma a todos nós. Então, o guia acelerou, sem delongas, à vante. Ao passo que o carro ia, eu olhava, amargurado e consternado, o verdugo se retirando às pressas. E a nossa expedição fora arruinada naquele momento. Perdi a essência de aventureiro. 
    Logo considerei que estava precisando de algo para retirar aquela cena horrenda da minha consciência. É difícil descrever minhas sensações naquele momento. Quando eu tentava se distrair, os pensamentos me assaltava inesperadamente. Via que não poderia viver a essência de férias tranquila, caso não fizesse o mínimo possível. Daí em diante, já não era minha consciência que me controlava. Estava com um ódio aliado a uma psicose incessante de querer destruir aqueles miseráveis que roubam o que não lhes pertence. 
    Voltei a inibir meus temores quando conheci, inesperavelmente, uma jovem nativa de vinte e três anos, em um restaurante na cidade Dodoma. Ela estava almoçando sozinha, em uma mesa de frente a que eu estava. Dardejei um olhar curioso a ela, e como se houvesse uma conexão intuitiva, ela equiparou seu olhar ao meu. Discretamente, disfarcei o meu vislumbre e, voltei a saborear a minha refeição. Ela lançava-me um olhar distinto e tentador, que me fazia sentir arrepios. Um momento depois estávamos face a face, eu e aquela elegante garota. Um inevitável sorriso de simpatia nos tangenciou. Acresce que, quando sorria, resolvi atirar um aceno cortês, e desastradamente, acabei derrubando o copo de suco da minha mesa, e fiquei profundamente envergonhado. O garçom cuidou do desastre e eu resolvi ir até a mesa daquela mocinha. 
    —Olá, tudo bem? 
    O sorriso foi a sua resposta. 
    Logo me dei conta de que não ela falava português, e me vi como um idiota. Minha situação estava pior que antes. Estava pressionado a dizer alguma coisa e a luz dos meus problemas veio com a respostava dela: 
    —Eu falo inglês! 
    Senti um alívio tremendo ao entender o que ela dissera. Pensei nas conclusões imediatas a que chegara com a sua voz e não pude evitar um riso de entendimento e de vergonha. 
    —Perdoe-me pela minha apresentação nada cortes 
    —Sem problemas. Ela sorria pendulando a cabeça de baixo para cima. 
    —Me chamo Marcos. 
    —Meu nome é Telissa 
    —Encantado em conhecê-la 
    —O prazer é recíproco! 
    Após essa cômica introdução, ela me convidou para sentar. Passamos horas conversando, por ora meio enrolado na fala, contudo, o entendimento foi concedido a ambos. Foi realmente deleitoso conversar com aquela simpática garota; passaram-se em torno de duas horas nessa conversação. Despedi-me dela, e ela disse que vinha com frequência almoçar naquele restaurante. 
    Por ora, minhas angustias estavam soterrada nas excitações, nas memórias reconfortantes daquela inexplicável conversa. Assim, conforme o dia ia se desfazendo, a minha empolgação para o almoço seguinte só aumentava. 
    No dia seguinte, passeei pela cidade, fui ao museu local, e olhava constantemente o relógio fitando não perder o horário do almoço. Seriam umas deis e meia da manhã e eu ainda estava no museu. O grupo de turistas ficavam fascinados com as esculturas, relíquias, entretanto, eu estava achando aquilo tudo entediante, antiquado e fastidioso. Quando o ponteiro tangenciou o marco doze, saí discretamente do museu e encaminhei até um táxi que me levou até o restaurante. 
    Lá dentro, olhei perscrutando as mesas e as pessoas a procura de Telissa, e não a encontrei. Era umas doze e meia quando resolvi reservar uma mesa. Pensei que ela já tinha ido embora, e assim, fiquei chateado em não encontrá-la. Cada mordiscada que dava na coxa de rã não sentia sabor algum, almoçava simplesmente para suprir minhas necessidades fisiológicas. Terminei de almoçar, e quando ia me levantando para sair, uma mão afaga meu pescoço. Senti-me leve e profundamente confortado com aquela mão; imaginava aquela simpática garota me acariciando. E, impensavelmente, tornei o meu pescoço para deslumbrá-la, e, infelizmente, tive uma quebra de expectativa: não era Telissa, era uma velho que estava se apoiando em mim para passar. Saí de lá aborrecido, olhando para o chão e pensando nela. 
    O dia se encerrou sem aplausos. Não foi um dia abençoado, foi um dia tão ruim quantos os outros que já tive. À noite, senti-me como um filhote deserdado, sem arrimo, com a dura sorte do destino. Dormi cedo naquela noite, estava totalmente desmotivado para qualquer atividade de lazer. 
    A essa altura eu já começava a pensar que ela talvez não gostasse de mim nenhum pouco. Deixei isso de lado e tentei aproveitar as férias. No almoço seguinte, caminhei até o restaurante, desdenhoso a qualquer distração, sentei-me cabisbaixo, ordenei um frago grelhado com batatas, e um suco de uva. Estava apreciando a comida, evitando que os pensamentos me usurpassem o momento. 
    —Marcos? 
    Uma voz me chama, e eu tento guiar a minha audição até o local exato. Diante de duas mesas atrás de onde estava, se encontrava a garota misteriosa. Meu coração acelerou, e senti uma tensão momentânea me pungindo. Era ela! Ela estava me chamando para compartilhar a companhia no almoço. Senti-me muito bem com sua presença e além mais, ela conversava com uma leveza que parecia que eu estava delirando. Nós conversamos várias horas, eu decidi convidá-la para passear —até porque meus dias ali estavam se acabando— e suavemente ela confirmou a minha proposta com um sorriso divino. Não sei se diria que me apaixonei por ela, mas, certamente, senti algo que há muito tempo não sentia. Ela demonstrava tanta simpatia que não cogitei o seu verdadeiro caráter. 
    Fomos até um parque há duas milhas do centro, ficamos ali apreciando os pássaro que desatavam a cantar; conversávamos como se já nos conhecêssemos há anos. 
    Durante os dias precedentes, a frequência de encontros só aumentava. Eu e Telissa fomos a parques, cinemas, shopping center, outros lugares urbanos. Toda essa reviravolta mudara intensamente o rumo bucólico que antes prognosticava. 
    Em uma manhã tão ensolarada quanto as outras, Telissa me encontra no Café-Renoir (ao lado do restaurante mencionado), e ao avistá-la, senti uma alegria imensurável. 
    —Bom dia, Marcos. Assim ela me chamava com um sotaque tão peculiar que até pensei que era um apelido carinhoso.. 
    — Bom dia, Telissa. Como foi a noite? 
    —Foi mais ou menos. Respondeu ela, como se estivesse incomodada com algo. 
    —Por que? interroguei-a com ar de espanto. Nunca a via desmotivada, triste como nessa ocasião. Ela optou pelo silêncio, e assim, eu a respeitei. Convidei-a para tomar café e, após insistir um pouco, ela cedeu. Conversamos algumas trivialidade, e aos poucos via o seu semblante voltando ao que era de costume. Fomos passear pelo parque, e depois de algumas voltas em torno, sentamos em um banco defronte a um pequeno lago, bem pequeno mesmo, talvez diria uma poça d’água se não fosse a presença de plantas aquáticas. Eu olhei nos seus olhos e ela retribuiu o ato. Seus olhos brilhavam bastante, e seus cabelos moreno avoaçavam com a sintonia do vento. Ela carinhosamente apalpou o meu rosto e desferiu-me um impiedoso e inexplicável ósculo. Seus lábios tangenciaram os meus, e o silêncio nos pensamentos caracterizou aquele momento irracional, em que os hormônios transladavam loucamente por nossos corpos. Não ingeri álcool mas me senti embriagado após aqueles beijo e carícias. Convidei-a até meus aposentos e ela não mediu esforços. Tive a melhor noite de todas, no entanto iria se arrepender amargamente por ter conhecido aquela mulher. 
    No dia seguinte, acordei ao seu lado, eu estava revigorado. Nunca me senti tão bem como naquele momento. Ela acordou com um carisma fascinante. Até cheguei a pensar, se ela estivesse fingindo, deveria ser uma grande atris, entretanto, o que importava para mim é que eu estava vivendo um momento deleitoso e, tudo aquilo, era, sem dúvidas, as melhores férias. Conversamos nos aposentos naquela manhã, almoçamos juntos —Ficamos o dia inteiro juntos. Foram momentos inescurecíveis e inexplicáveis. Aquela meiga e cálida garota me sucumbia qualquer tormenta. Era um anjo! 
    Faltava quatro dias apenas para o fim das férias. Eu evitava imaginar minhas férias acabando e ter que retornar para a monótona e exaustiva rotina. Nesse dia, pela manhã, Telissa me encontrou no Café-Renoir, após tomar lanchar, ela me convidou a ir visitar a sua casa. Eu fiquei surpreso por sua proposta e aceitei sem cogitar. Não foi tão longe, cheguei lá em torno de duas horas de táxi em uma área interiorana. Eu estava empolgado, com pensamentos ludibriosos me eivando e toda imaginação fértil no momento. No momento, não me perguntei como ela vinha para a cidade ou o que ela fazia lá. De fato, o desejo por prazer me fez agir sem pensar, ou há quem ressalve o lado obscuro que me fez ir até onde fui. Andamos em torno de dez minutos após descer do táxi, por uma trilha estreita, até chegar ao destino. Achei surpreso o lugar em que ela vivia. Mato ao redor, uma casa velha e, sobretudo, mistério. Como uma mocinha tão elegante poderia viver naquele lugar. Por um momento pensei que iria morrer, que talvez ela estivesse me levando para alguém me assassinar. Quando eu cheguei lá, um grande surpresa. 
    Carcaças de animais penduradas em estacas, provavelmente para secar. Eu me perguntava o porquê dela me levar para ali. Ainda com a ilusão de prazer, caminhei junto dela até a casa. Pensei, que nem todo mundo tem a sorte de viver com dignidade. 
    Ao entrar na casa, eu tive uma grande surpresa: uma arma, um alvo, e eu era alvo. Aí meus pensamentos explodiram; meu desejo latente foi convertido em terror iminente. Estava perplexo, e, cruamente, com a ideia de que iria morrer logo. O mesmo homem que outrora ceifou a vida daquele pobre animal na savana, estava prestes a ceifar a minha também. Fiquei mudo, sem palavras, nem expressões visíveis. Eu já estava imaginando a dor pura e efêmera de uma bala que logo transmutaria a minha vida ao esquecimento eterno. Cada milésimo de segundo pensado, era eternamente avassalador; eu estava me sentindo um defunto, uma presa coagida sem chances de fuga. Depois da minha pálida expressão, o homem despojou um sorriso maléfico. Era a hora da morte! exclamei mentalmente. 
    Depois de tantos pensamentos cruéis, Telissa toca em minha mão, e ao inflexivelmente afasto-a com um empurrão. Estava com profundo ódio dela. Como pude cair na tentação dela, pensava. O homem falou umas coisas que não entendi. Talvez tenha dito um Adeus ou coisa do tipo, e eu já estava lacrimejando quando, eu ouço um tiro. Morri! 
    Uma bala passa de raspão no meu ombro esquerdo, e eu fico sem entender. Não foi ele quem atirou em mim, fora outra pessoa (ou monstro) que atirou. Não sabia o que fazer. Abaixei-me, e engatinhei até atrás de uma poltrona rasgada, ao lado da porta. O homem começou disparar contra um outro que não consegui ver. O sangue estava brotando sem parar do meu ombro, era excruciante. Quando fui pegar um pano para conter o sangramento, eu me deparo com Telissa caída no chão. Não acreditei no que via, ela fora atingida no peito e estava agonizando. Puxei ela para perto de mim. E fiquei sem entender nada. Interroguei-a, ainda com remorso: 
    —Por que? Por que? 
    —Eu te... E ela apagou. 
    Não consegui entender as últimas palavras dela. Fiquei na dúvida se ela queria dizer que me ama ou que me odeia. Vislumbrei rapidamente o local, avistei algumas presas, chifres, no quarto e não me atentei mais aos detalhes. Corri escrupulosamente pelo cômodo até uma janela fechada, que logo foi quebrada com uma bala. O barulho ensurdecedor de fuzis, estava me deixando desorientado, entretanto, consegui me erguer e pulei da janela que dava de cara a um matagal. Corri desembestado, sem olhar para trás; me cortei todo, contudo, a dor não foi mais forte que a minha ânsia por viver. Quanto mais eu odiava a vida, mais temia a morte. Sob tal ótica, estava eu correndo sem parar, até que consegui chegar a estrada. De tão desorientado que estava, não sabia para que lado ir. Só sabia que teria de correr o máximo que puder. Resolvi intuitivamente, escolhendo a esquerda, e assim, marchei a passos larguíssimos ao desconhecido. 
    Enquanto eu avançava, fazia uma parada de vez em quando para conter o fôlego. O céu já estava prenunciando o crepúsculo e ainda não tinha chegado a lugar algum. Procurei à minha volta algum indício de residência ou de qualquer tipo de ajuda. E não obtive sucesso. A lua já estava imperando no céu, e eu estava ao relento, imundo, dilacerado, temeroso, sozinho e sobretudo, perdido. Eu resolvi repousar em uma árvore frondosa, temendo os animais ou algum monstro humano. 
    No dia seguinte, saí da árvore cansado e se coçando, meu estado de virgília não me concedeu uma noite de sono. E a coceira infame foi devido aos mosquitos noturnos. Achei uma árvore encantadora, próximo onde repousara, com supostos melões suspensos. Não resisti a tentação de comê-los; estava faminto. Comi dois melões e foi o suficiente para evacuar dezoito vezes durante a viagem. A diarreia estava me matando aos poucos. Desidratado e faminto, e ainda, correndo um grande risco de virar uma presa, lá estava eu, passando as minhas férias. 
    Segui a estrada a passos lentíssimos, quase se arrastando. Estava sentindo minha consciência se apagando. Achei uma poça d’água e cogitei em não beber. Tentei me hidratar, limpar minhas feridas e repousar um pouco. Ao lado, de onde eu repousava encontrei amoras silvestres, e por um tempo, cogitei em não comer. Não queria me desidratar mais, entretanto, a tentação da fome acabou me fazendo comer. Comi o máximo que pude, e por sorte, elas não me fizeram mal. Até que me ajudaram em conter o tenesmo. 
    Passei esse dia repousando em uma árvore, queria reter energias extras caso precisasse de uma fuga imediata. Comi toda a amora que encontrei. Não matava a fome, mas aliviava o incômodo da barriga vazia. À noite, consegui ter um sono ainda ruim, mas que me fez acordar um pouco melhor. 
    No dia seguinte, uma outra surpresa se verticalizou, agindo como um empecilho: uma manada de elefante descansava a baixo de onde eu estava. Receoso em descer em virtude dos casos de brutalidade desses animais, fiquei cautelosamente aguardando e com uma grande virgília, pois, eles poderiam derrubar a árvore se se sentirem ameaçados, e ainda, um pensamento atentador me fazia a todo tempo querer fugir: e se os caçadores de marfim viessem aqui matá-los, provavelmente iriam me matar também. Em meio a tantos pensamentos usurpadores, meu lado obscuro me concedeu a destreza de ficar escondido nas folhagens e aguardar. 
    Passaram-se horas, até que, ao meio dia, por aí, os brutamontes foram embora. Quando desci, estiquei minhas pernas, que estavam levemente dormentes, e o estalo foi a resposta para o alívio. Achei um escorpião enquanto estava comendo amoras, e, tendo em vista os programas de aventura na TV, achei coerente comê-lo, tirando primeiramente, o rabo. Ao colocá-lo na boca, suas pinças prenderam na minha língua que logo começou a arder, e tentei mastigá-lo, no entanto, um gosto essencialmente amargo me fez cuspi-lo. Nunca experimentei tamanho dissabor. Fui retornar a caminhada, e dessa vez não corria apenas para salvar minha vida, mas também para salvar a minha passagem de volta, pois só me restava um dia até o embarque. 
    Durante esse dia, eu andava em uma marcha rápida fitando poupar energia. Sempre que eu encontrava uma poça d’água não receava mais a sujeira, bebia como um animal. Durante o final da tarde, quando a penumbra já era visível, eu encontrei uma aldeia com poucas casas, mas que transpiravam um pouco de esperança. Não quis chegar durante a noite pedindo ajuda para não correr um risco de ser levado como inimigo ou quem sabe como caça. Preferi esperar em uma árvore com uns duzentos metros de distância. Na árvore eu avistava o fogo, que cintilava com a sintonia do vento. E dava para escutar as vozes dos aldeões. 
    O sol matinal envolveu-me quebrando o meu sono, que dessa vez foi o melhor desde que estava em fuga. Acordei animado para pedir ajuda. Afastando-me da árvore e olhando para frente, eu vi uma camionete chegando, e exclamei pensando: até que fim! ajuda! Pensava que iria obter comida, e ajuda para voltar, mas me enganei feio; eram traficantes de marfim que chegaram para descarregar e armazenar naquelas casas. Fiquei realmente abatido, pois, no dia seguinte teria de estar no aeroporto. 
    Retornei, a caminhada e evitei entrar em contato com os anfitriões, até porque eu era estrangeiro ali, e não iria entender o idioma local. Caminhei bastante desconsolado; não estava mais com aquela ânsia por viver; sentia-me um defunto. Sem perspectivas a não ser perecer. Meus passos já não estavam com a empolgação de antes e eu já começava a sentir dores que por ora me impossibilitava de caminhar incessantemente. Só um milagre para me tirar daquela aventura fadado à seleção natural. 
    Resolvi voltar a seguir a trilha da estrada de terra, e dessa vez, seguir até onde meu corpo me possibilitar. Enquanto via o caminho ficando exaustivo, doloroso, meus pensamentos estavam voltados para uma simples pergunta, mas com uma resposta temível: irei morrer? 
    Durante muito tempo devo ter ficado semi-desacordado. Não me recordo nada além de caminhar à diante, como um guerreiro que não teme mais a morte e busca o último triunfo: confrontar com a morte. Disseram-me que fui deixado na frente do hospital de Dodoma e que uma camionete me trouxera. Quem me trouxe não parou para questionamentos, simplesmente vazou como se nada tivesse acontecido. 
    No dia da viagem eu estava acamado, e ainda sob os cuidados médicos. Estava com uma infecção intestinal, desidratação, contusões, hematomas, e   inflamações em diversas escoriações que colecionei durante a fuga. Por fim consegui adiar a minha viagem alegando atestado médico. 
    Hoje completou exatos quatro anos desde que fui à Tanzânia. Recordo-me fascinado daquela inusitada vivência. Tenho várias dúvidas. Será que Telissa realmente me amava? Será que ela sobreviveu? Será que homem armado não queria me matar de verdade? Será que Telissa queria me mostrar algo? Será que foram os criminosos que me salvaram? E por que fizeram isso? Muitas dúvidas que guardo para mim, e sei que nunca irei saber ao certo. O mistério do meu lado obscuro ainda não foi desvendado; fui à vários médicos e não obtive outro veredito senão: Psicótico...
  • O último portal II Justice

    O Último Portal II:
    Justice































    POR: Carry Manson

    Nota da Autora: TODA TEM SEXTA NOVOS CAPÍTULOS.



    Prólogo

    Vivemos numa Nova Era de paz e harmonia

    diante da bandeira verde e azul de nosso país.

    Por muitos anos, lutamos pela liberdade, sem

    entender o quê isto significava. Mas quando

    a tivemos em nossas mãos, muitos a viram

    com os olhos do arco-íris, que foi a cor que a

    mídia pintou, enquanto outros mantiveram a

    mente cheia de conhecimento, e por total

    consequência a razão. Enquanto os jovens

    em sua maioria, e os adultos fingindo serem

    jovens pulavam, enchiam a cara, e se

    drogavam. Os sensatos, observam o caos,

    e não fechavam os olhos para todas as

    iniquidades cometidas. Felizmente chegou

    o momento em que uma luz brilhou. Ela veio

    em forma de escuridão, todos disseram que

    era coisa das obras ocultas, quando nem

    sequer percebiam, que a sociedade

    atual, era o palco destas

    forças.

    Há algum tempo atrás eu jamais lutaria

    a favor de um ditador, mas agora entendo

    porquês todos alemães adoraram a Hitler.

    Ele veio para salvá-los, da desolação que

    se aproximava, não era uma luta contra

    os judeus, haviam judeus no seu exército,

    mas sim uma luta para salvar o mundo,

    que claramente falhou, pois hoje

    Eles o dominaram.

    Ele era um radical, mas o povo precisava

    de um radical, alguém que fizesse algo por

    eles, e não para si próprio, um louco, cuja

    loucura, aceitando ou não, trouxe muito

    desenvolvimento para a sociedade.

    As mortes foram horríveis sim, inocentes

    morreram é claro, mas nenhuma guerra é

    ganha sem dor e sofrimento, nenhuma

    glória chega antes de sermos

    testados.

    Não podemos mais fechar os olhos para

    o certo, ou o errado. A justiça tem que ser

    feita, para que menos inocentes sofram

    , em nome dos falsos revolucionários,

    pois revolução mesmo, é aquela

    que é benéfica ao individuo,

    e os outros.

    Infelizmente nem todo mundo vê assim,

    e por isso em breve iremos lutar uns contra

    os outros, porquê os filhos das cores, não

    são capazes de ver o planeta, com os

    olhos dos filhos do sol nascente.













    Capítulo 1- O brilho no céu, visto pelos poucos.




    “Depois do ocorrido na floresta, nosso grupo se

    separou. Natasha seguiu com os Filhos das cores, 

    abandonando também ao seu par. Alexandra se

    casou com um humano, e apenas Victória 

    ficou ao meu lado.” Isabelle escreve em seu 

    diário, e sorri para o marido, que ao contrário do

    que se imagina, não está mais dentro de

    Dantas, mas segue com o demônio

    Leviroth, com quem outra vez trouxe ao

    mundo, a pequena Isandra, que antes era

    só um fantasma. Hoje a criança não se

    recorda do quanto já ajudou seus pais,

    mas tem constantes sonhos a respeito

    disso. “Nós trouxemos os demônios

    a Terra naquele dia? Será que eram os

    nossos pais? Ou libertamos o mal?” Belle

    morde a tampa da caneta. Infelizmente

    nem tudo são flores, após abrirem os

    últimos portais, Leviroth destruiu o

    corpo de Dantas, por conta da

    sua energia, e por isso teve de ir para

    o corpo de um amor secreto da Calligari.

    Um garoto por quem nutriu uma paixão

    muito forte, antes do metido a perfeito

    interferir. Seu nome era Bener De La

    Cruz. Um rapaz moreno, magro, de olhos

    castanhos, e pele amarelada, que um dia

    entregou a sua alma a filha do demônio,

    por ter alimentado uma paixão por

    ela, desde que tinha 15 anos. Que aliás

    tinha sido o corpo original do príncipe, mas

    como Isa não percebeu, ele foi obrigado a

    mudar, até ela finalmente o amar.

    Na hora da transferência, a energia do

    par de Isa se tornou tão densa, que o corpo

    o rejeitou de imediato, gerando uma triste

    consequência, Leviroth perdeu da memória

    , ao retornar para a casca vazia, e Isa se

    sentiu solitária sem ele, achando que

    o tinha perdido. Separados ambos ficaram

    sofrendo, Leviroth tentou cometer suicídio,

    e a bela feiticeira se jogou nos prazeres do

    mundo, viciando-se em certas manias

    humanas, que terminaram por

    destruí-la. Ao se reencontrarem, a chama

    ardente se reascendeu de imediato, só que

    o amor, outra vez veio com o tempo, e por

    isso eles tiveram problemas para enfim

    se adaptarem. Após algum tempo Isabelle

    reencontrou Victória, que como os outros foi

    para um caminho diferente, e esta veio lhe dizer a 

     triste notícia. Belliath, também tinha partido naquela

     noite, que elas batizaram como o banquete diabólico, e 

    isso lhe deixou muito triste e abatida. Ao ouvir as lamentações 

    a amiga, a jovem lhe abraça forte, e conta-lhe que passara 

    pelo mesmo, só que teve um desfecho feliz, assim elas 

    passaram a trabalhar nas buscas pelo

     outro príncipe.

    _Olha Belle. Este aqui poderia ser o

    Belliath não acha?

    _Não, não tem a energia forte dele.

    _E este? É sedutor como ele...

    _De fato, mas tem a personalidade?

    _Isa o quê foi?

    Victória larga as fotos estiradas na mesa,

    e se volta para a amiga que se mostra bem

    pensativa, a respeito de algo. Esta para de

    pensar, e olha de forma alheia, como se

    tivesse saído de uma alucinação.

    _Não é nada Vic. São apenas sonhos

    que tem se mostrado curiosos.

    _Como assim? O quê tem sonhado?

    _Lembra que sumiu por uns anos?

    _Eu tinha perdido o meu amado,

    não comece a me julgar!

    _Não estou. É que desde aquela noite

    no bosque, tenho tido sonhos que

    não me deixam dormir.

    _Que tipo de sonhos? E com quem?

    _Um demônio, e é como se Dantas

    fosse ele.

    _Mas tinha um demônio no Dantas.

    O Leviroth seu atual marido.

    _Sim...Porém parece que tinha algo

    mais, dentro daquele mauricinho

    idiota.

    Isabelle respira fundo, e recorda-se do

    último contato que tivera com o namorado

    , e baixa a cabeça. “Você o colocou dentro de

    mim! Sua vadia maluca!” “Ele escolheu

    seu corpo! Eu não tive culpa!” “Ele só

    me escolheu, por sua causa!”. “Eu espero que

    você morra!” Gritou ao ver sua pele se dilacerando,

    no meio da mata, até que se foi. Deixando-a para o

    todo sempre, e então o demônio veio em forma

    de espírito, tentando se agarrar a ela, mas 

    desapareceu diante de seus olhos.

    _Isabelle. Estou falando com você.

    _Oi Vic. Me perdoa, estava lembrando

    dos últimos momentos, em que o

    Dantas foi ele mesmo.

    _Por quê?

    _Porquê ele desejou minha morte.

    _E daí?

    _E se ele foi pro Inferno, e fez um

    contrato para garantir isso?

    _Com o quê tem sonhado?!

    _Com o Anticristo, e ele vem para

    me buscar, todas as vezes...

    _Como um monstro, pronto para

    te arrastar para o outro lado?

    _Como um noivo no dia do seu

    casamento, e eu sou a noiva,

    não uma espectadora.

    Responde recordando-se dos sonhos

    que tem com uma criatura humanoide,

    de olhos verdes, cabelos negros e bem

    longos, de pele pálida, que está sempre

    sério, mas nunca perde a oportunidade

    de está ao seu lado, como o seu par, e

    antes que a converse se prolongue,

    alguém liga a TV do bar, e chama

    a atenção das belas.

    _Caos no novo governo. Isto é o quê

    vemos neste momento! As minorias

    se revoltaram, e pedem pela volta

    dos velhos ministérios!

    _Isto é uma luta pelos direitos

    humanos! Este ditador tem que

    ser derrubado! Senão mais

    gente vai morrer!

    _Jovens e adultos, invadem o

    congresso, para brigar pelos direitos

    dos presos, que estão sendo usados

    , para experimentos científicos.

    _Eles são humanos como eu e você!

    Comem, bebem, sentem frio e medo!

    Precisam de cuidados! Não desta

    opressão maldita!

    _A confusão gera um conflito entre

    militantes da bandeira vermelha, e

    os militares, que tem carta branca

    , para puni-los, caso haja algum

    sinal de violência física.

    _Isso, isso é resultado do fascismo,

    que Vocês seus desumanos, deram o

    apoio! Olhem pra esta foto! Olhem

    pra este homem! Isso parece

    certo pra vocês?!

    Uma mulher grita diante da câmera,

    e mostra a imagem de um sujeito bem

    magro, recebendo agulhadas nas veias,

    num estado deplorável. Ao ver aquilo,

    Isabelle revira os olhos. “Luan Alves

    de Andrade, o cara que estuprou

    7 bebês. Merece até pior que

    isso.” Se recorda da prisão

    do meliante.

    _Depois de tudo o quê ele fez

    com aquelas crianças, este castigo

    é até mediano. Se eu estivesse no

    projeto, o torturaria por total

    prazer.

    _Com certeza. Um ser destes

    nem merece ser chamado

    de humano.

    _É, mas ainda sim, estes cegos

    se reúnem diante do Congresso

    para lutar pelos direitos dele.

    _Sim Belle, a humanidade está

    mesmo perdida.

    _De fato.

    As duas se levantam, pagam a conta

    com código digitais, e vão embora, sem

    perceber que estavam sendo vigiadas por

    um homem de terno e chapéu branco, e

    este sorri, e pega as digitais dos copos

    , sem que o vejam fazê-lo, pois é um

    aparentemente profissional na área.

    “Isabelle S Calligari Marry De La Cruz.”

    É o quê aparece na tela do seu celular,

    junto da imagem da bela, parecendo a

    pior das anarquistas. “Victória Silverius

    S Haster.” É o segundo nome a vim,

    junto da imagem da bela no seu

    estado normal.

    “Elas são perfeitas para o caso.” Ele

    pensa, ao analisar o perfil das duas. Isa

    se mostra um gênio revoltado, enquanto

    que Vic mostra habilidades notáveis em

    trabalhos manuais, e muito carisma.

    “Isabelle é realmente a filha dele.”

    Conclui, desligando a tela.

    A noite...Isabelle digita uma extensa

    pesquisa no notebook, e do nada a sua

    tela escurece, preocupada, ela se cobre

    , e se afasta do aparelho. Dados com

    código são  descriptografados, e

    ela recebe uma mensagem.

    _1508? O quê isto significa?

    _Siga o Coelho Alice.

    _Eu não. É arriscado demais.

    _Você quer respostas sobre o seu

    sonho comigo, e eu posso te dá

    , mas precisa confiar em

    mim.

    _Usando robôs é fácil mesmo

    roubar informações.

    _Eu sei seu nome, e sei onde

    nasceu.

    _Basta ir no Facebook.

    _Eu sei que está roendo a

    fronha com medo.

    _Estudou meu perfil psicológico.

    _Eu sei de coisas que fez no

    sonho, e não teve coragem de

    contar a Victória, por sentir

    vergonha.

    _Algo mais?

    _Sei de tudo o quê já fez.

    _Por exemplo?

    _Suas orgias lésbicas com 6

    anos de idade.

    _Ok. Você venceu. O quê

    quer?

    _Siga o coelho e saberá.

    A tela volta ao normal, e então chega

    um convite para um baile de gala, para uma

    pessoa, em seu e-mail. “Leviroth não me

    perdoaria, mas preciso saber o quê me

    atormenta.” Morde os lábios, ao

    olhar para trás.

    Tomada pela curiosidade, respira fundo,

    e responde para o destinatário. “Agradeço

    a oportunidade, mas estou inclinada a ter

    que recusá-lo.” Envia, e recebe uma outra

    mensagem. “Doce Alice, precisa encontrar

    o Chapeleiro, o quanto antes. Não pode

    recusar.” A dama olha para os lados, e por

    fim escreve outra conclusão. “Tenho medo

    do Tempo. Ele pode não entender.”, E por

    fim recebe a última mensagem. “Farei

    um convite duplo, mas preciso vê-la

    para o chá.” Desta vez a antiga rebelde não

    recua. “Mostre-me o caminho para o Chá.”

    Enfim diz, e as mensagens se apagam

    Restando um convite para o

    casal.

    Com Victória acontece a mesma coisa,

    porém o roteiro é outro. “Sei que deseja

    encontrar alguém que não é deste mundo.”

    Diz a sua frase. “Não ignore este aviso, nós

    podemos te ajudar a encontrar Belliath.”

    Ao ver o nome de seu amado, o seu

    coração salta pela boca.

    _Como sabem de Belliath?!

    _Sabemos tudo sobre você.

    Senhorita Haster.

    _Quem são vocês afinal?!

    _Se queres saber, o caminho para

    a floresta deve seguir, Branca

    de Neve.

    _Não são os caçadores, não é?

    _Somos os mineradores, e

    podemos encontrar ao seu

    príncipe.

    _Os Anões?!

    Victória gargalha diante do computador,

    e leva um pequeno choque na ponta do seu

    dedo, que a faz chacoalhar a mão devido a

    dorzinha nele provocada. “Ai que anões

    irritados.” Pensa, colocando

    o indicador na boca.

    _Não se trata de uma brincadeira.

    _O quê podem me provar sobre

    o meu príncipe?

    _Que Ele a perdeu para anjos

    furiosos, e está entre os

    nossos agora.

    _O quê?!

    _Vá para a floresta, e o verá.

    A tela escurece, e Victória recebe um

    individual, para a mesma festa que Belle

    e Ben foram chamados. Só que enquanto

    no convite de uma está impresso o coelho, 

    no da outra é uma maçã mordida só de 

    um lado.




































































































    Capítulo 2- O baile misterioso




    No dia seguinte... Victória e Isabelle se

    arrumam para a festividade, sem saber que

    elas vão se encontrar no mesmo lugar. “ A

    fantasia certa para cada convidado.” Diz os

    bilhetes, em cima das estranhas caixas

    grandes, cor de ovo, que recebem. “Espero

    vê-la hoje, mesmo acompanhada do Tempo

    , senhorita Alice. Ass: Chapeleiro” É o quê

    o bilhete somente de Isabelle diz. “Logo a

    princesa irá receber o seu beijo, mas o feliz

    para sempre dependerá dela. Ass: Dunga”

    É o bilhete de Victória. Ambas pegam as suas 

    fantasias, e observam, que mesmo as

    respectivas personagens, não precisem de

    máscaras, elas precisaram usar. Ben chega

    do trabalho, e encontra a caixa enviada a

    ele, e pega a sua fantasia de Tempo, que

    vem com um aviso. “Olá senhor tempo,

    pode ter pensado que enlouqueci, mas eu

    preciso encontrar a Alice para o chá.” Diz

    o papel que ele esmaga revirando

    os olhos.

    _A gente já não teve problemas demais?

    _Por favor Leviroth. Eu preciso ir neste

    lugar, há respostas que você não pode

    me dá, não com essa memória.

    _Está bem. Mas se o Chapeleiro tentar

    ficar com você, ele vai conhecer o punho

    do Tempo.

    _Que bonitinho da sua parte, ainda ter

    ciúmes, depois de anos de casados.

    _Eu não lutei com aquele mauricinho

    Idiota, para ficar sem você depois.

    _Disso cê lembra né!

    _E de como você se sentia nos meus

    braços também.

    _Se controla bonitão. Não quero dá

    o Odin para a Isandra tão cedo.

    Diz Isabelle fazendo menção ao nome

    do próximo filho, que terá com o príncipe

    do Caos, e ele a puxa para si, beijando-a

    com intensidade, e deixando-a úmida

    entre as pernas, ao ponto de ficar

    corada.

    _Continuo tendo jeito para a coisa.

    _Continua sendo meio idiota.

    _O idiota que te ama.

    _O idiota com quem me casei.

    _E que vai amar por mais uma

    eternidade.

    _Pode ter certeza que sim.

    O beija, e ele a carrega, pronto para

    lhe tirar as roupas. Mas quando abre a

    sua camisa, e vai em direção aos seios

    dela, Isandra entra na sala, cortando o

    clima quente entre os dois. Sem jeito,

    eles sorriem, e a bela ajeita o cabelo

    para ir pegar a menina.

    _Depois desta festa odiosa...

    _Quando Isandra dormir...

    _Vou te mostrar os prazeres do Sol.

    _Vou ser uma com você como a

    Lua.

    _Agora vai lá com a nossa

    filha. Gostosa!

    Ele diz vendo-a de costas, e lhe dá

    um tapa na bunda, com o olhar safado,

    deixando-a vermelha de vergonha, ao ir

    até a menininha de 5 anos, que corre até

    os braços da mãe, com os olhos brilhando

    de alegria. Ao ver o sorriso da esposa, ele

    se sente realizado, por tudo o quê eles

    viveram, ter acabado tão bem.

    “Eu preciso encontrar a Alice para o

    chá.” Lhe vem a mente, transformando a

    sua face aliviada, em grande mau humor.

    “Como se não bastasse ter que ficar no

    corpo daquele moleque. Agora isso.”

    Pensa com raiva, temendo o quê

    está por vir.

    Sua memória pode ser sido afetada,

    mas não a mente de estrategista natural, e

    esta lhe diz que esta festa não vai terminar

    nem um pouco bem. Porém devido as atuais 

    circunstâncias, ele não pode dizer não a

    sua amada.

    A noite...Eles chegam ao local, é um

    museu antigo, e há muitos homens e

    mulheres bem de vida. Leviroth põe a

    máscara depois de entrar, e Isabelle

    o faz logo em seguida, grudando no

    marido com medo do quê vai ter

    encontrar ali. Infelizmente, assim que

    entram, há pelo menos 5 Alices dentro

    do salão, e quando o demônio se afasta

    para pegar as bebidas, a bela desaparece

    em meio as outras, e é puxada para o

    centro do lugar, onde dança com

    o Chapeleiro.

    _Olá Alice. Fico feliz que veio

    para a festa do Chá.

    _Quem é você? E o quê quer

    exatamente?

    _Você já me conhece dos seus

    sonhos querida.

    _Esta é a pior cantada de todos

    os tempos. Senhor Chapeleiro.

    _Estou falando sério.

    Pega em suas costas, e então aproxima

    sua boca do ouvido da bela, que fica por

    procurar pelo seu par, ignorando o ser

    misterioso, que se irrita, e a aperta

    colando-a em seu peito.

    _Meu reinado se aproxima.

    E a prostituta deve caminhar

    ao meu lado.

    _Que coisa romântica de se

    dizer no primeiro encontro...

    _Você pensa que casou-se com o

    príncipe. Mas também já foi a

    mulher de um Rei.

    _Anticristo?

    _Nesta noite sou só o Chapeleiro.

    Tira a máscara para a dama, e esta que

    já não conseguia respirar, perde o ar por o

    ver ali diante dela, segurando-a nos seus

    braços. Ele era idêntico ao sonho, só

    que neste momento está a sorrir,

    com bastante confiança.

    _Silêncio. Não grite.

    _Por quê está aqui?!

    _Porquê é chegada a hora de

    assumir o poderio do mundo.

    _E o quê isto tem a ver

    Comigo?!

    _Você é a mulher de vermelho,

    e deve ficar comigo.

    _Eu já pertenço a outro ser.

    _Será que é verdade?

    _É claro que é, eu vi a minha vida

    passada com ele!

    _Mas a viu por completo? Acha mesmo

    que alguém como você só teve um

    amor?

    _E o quê sabe sobre mim?!

    _Sei que ajudou a me libertar.

    É a última coisa que diz, dando-lhe um

    beijo rápido, e se misturando a multidão ao

    ver que Leviroth tinha percebido, que a sua

    Alice, tinha uma pulseira negra envolta do

    pulso, que a diferenciava das outras, e

    estava vindo resgatá-la.

    _Vamos sair daqui agora.

    _Está tudo bem meu amor?

    _Ele me beijou!

    _O Chapeleiro?!

    _O Anticristo!

    Berra claramente traumatizada com

    tal encontro, e abraça o marido, sentindo-se

    mole, como se fosse desmaiar de tanto

    nervosismo. Do outro lado do salão, que está

     decorado com árvores semelhante a floresta.

    Victória dança nos braços de um belo príncipe

     com máscara, que fica em  silêncio, até que 

    ele a beija, e esta sente tanto fervor, que 

    não há como negar,

    é Belliath ali.

    _Eu senti a sua falta minha princesa.

    _O beijo foi ótimo, mas como posso

    ter certeza que você é você?

    _Pergunte algo que só nós dois

    sabemos.

    _Como foi a nossa primeira vez?

    _Comigo sendo romântico, ao contrário

    do Roger.

    _Algo mais?

    _Você me expulsou do corpo dele,

    e voltei a ser grosso, mas mesmo

    assim nos envolvemos naquela

    noite.

    _Belliath!

    _O corpo do Roger não suportou.

    Tive mudar, antes que a insanidade

    dele me afetasse.

    _Tudo bem. Contanto que eu

    esteja com você.

    _Sim meu amor...

    Ele a abraça e olha para o outro lado, no

    qual O chapeleiro passa fazendo o sinal de

    que é hora de ir. Ao vê-lo, pede-lhe mais

    tempo, mas o líder nega, e o príncipe

    beija a sua amada com furor, deixando-a

    sem fôlego por alguns segundos, então

    segura em sua face, e olha em seus

    olhos.

    _Eu preciso ir agora.

    _Para onde?

    _Não posso dizer no momento.

    Mas tenha certeza de uma coisa,

    eu vou te achar de novo.

    _Me promete?

    _Sim, fique com isso, é algo

    que tenho esperado muito tempo

    para te dá outra vez.

    _Isso é?

    _Sim, quando eu puder voltar,

    nós iremos nos casar. Diga

    a Isabelle, que mandei um

    “Oi.”

    _Isabelle está aqui?

    _Sim, Ele queria muito vê-la

    , mas não podia se expor.

    _Quem?

    _O Anticristo.

    Responde deixando a amada com o anel de

    noivado, e parte com o Chapeleiro. Isabelle tira

    a máscara, e sai do salão de festas, e já se senta no sofá 

    onde os bêbados deitam, e fica no colo do marido, que lhe

     faz um carinho na cabeça, acalmando-a, pois apesar da

    forma atraente do tal ser, ela está em estado de

     choque.

    _Belle!

    _Vic!

    _Como veio parar aqui?!

    _Recebi um convite.

    _Eita quanta grosseria.

    _Desculpe, eu vim por respostas

    , e acabei por me deparar com

    o meu pesadelo vivo. E

    você?

    _Vim encontrar Belliath, que

    está junto do seu pesadelo

    vivo.

    _Olá Victória, eu também

    estou aqui.

    Diz o demônio erguendo a mão, como

    um aluno na hora da chamada. E é quando

    a bela nota que há mais alguém junto de sua

    amiga, e fica constrangida por ter ignorado

    o coitado sem querer.

    _Oi Leviroth. Desculpe, estava

    tão doida para encontrar a Belle,

    que nem te vi.

    _Depois dizem que não tem um

    “relacionamento lésbico”.

    _Para com isso Levi. Como foi

    reencontrar o Belliath?

    _Foi lindo e perfeito. Do jeito com

    o qual sonhei Belle. Olha só!

    _Nossa trabalhar pro Anticristo

    compensa hein?! Mor será que

    ele me arranja um emprego?

    _Nem pensar. Se você faltar um

    dia, em vez de descontar no salário,

    ele fala que tá no contrato chamar

    a sua esposa para um jantar!

    _Se for como os sonhos que ela

    me contou, é melhor ficarem bem

    longe dele. Ele quer tanto ela,

    quanto você já quis.

    _Já quis? Eu continuo louco

    por essa mulher! E juro que ainda

    quero arrebentar esse cara, por ter

    beijado ela. Aliás cadê ele hein?

    _Se aquieta bravão. Ele correu assim

    que te viu. Não deve mais nem sequer

    está por aqui. O quê significa que: É

    hora de beber!

    _Opa!

    Victória fica no bar admirando a aliança

    que seu amado lhe deu, com tanta alegria

    que nem nota outros rapazes. Já Isabelle

    bebe sem parar, querendo perder a sua

    consciência, para esquecer que tudo o

    quê temia, tinha vindo a tona.

    _Mais um por favor.

    _Já chega Camelinho. Eu vou no

    banheiro, e vamos para casa

    certo?

    _Está bem. Vou chamar, a Vic.

    A bela se prepara para se levantar, só

    que seu corpo está pesado. O efeito da bebida

    é tão forte, que vê tudo rodando, vários Chapeleiros

     caminham pelo salão, e ela não sabe se está alucinando, 

    até que um deles, a ajuda a ficar de pé,  lhe entrega uma carta. 

    Ela rapidamente a abre, percebendo que deve ler antes do marido

    voltar. “Você seguiu o Coelho, e esta é a sua recompensa. Te vejo lá

    , junto da Branca de Neve.” É tudo o quê diz no papel, e dentro do 

    envelope acha um pendrive, que tem esculpido nele a estranha 

    numeração...“1508.” Olha para o drive, e o guarda no bolso. Victória 

    vem ao seu encontro, depois de sair do trem do amor, e a moça 

    logo lhe mostra a carta, e o tal aparelho que veio junto. Ao 

    ver aquilo, a jovem fica estática, e curiosa para entender

     qual é a relação de Belle com o Anticristo.

    _Belle...Você é um imã para demônios!

    _Há há engraçadinha. Deve ter algo muito

    errado comigo isso sim.

    _O quê ele queria com você esta noite?

    _Eu não sei. Acho que me traumatizar.

    _Com um beijo?

    _Qual é. Foi só um selinho. Mas o fato

    de vim da boca dele, é que me assustou.

    _Não foi como quando Leviroth...

    _Não! Eu tenho medo dele!

    _Então não gostou nem um pouco?

    _Eu sou casada. Com o amor da

    minha vida. É claro que não.

    _Eu não entendo Belle. Você e

    Leviroth são almas gêmeas, por quê

    surgiu mais alguém nessa história?

    _Boa pergunta. Ele diz que foi porquê

    Eu fui mulher dele.

    _Mas toda a sua vida passada foi

    Revelada, com a chegada de

    Leviroth.

    _Foi o quê eu pensei, só que ele

    garante que há mais para

    saber.

    _Então no pendrive...

    _Deve ter mais pistas sobre quem eu

    já fui.

    Conclui observando o marido se

    aproximar, então esconde o pendrive e a carta.

    Eles vão para dentro de um Uber, e ali longe dos

    olhos curiosos, a jovem pega o tal papel e

    mostra para o conjugue.

    _Ele não queria que soubesse.

    _Que horas recebeu isso?

    _Foi ainda pouco. Antes de partimos.

    _Ele está te atraindo para alguma

    armadilha.

    _Eu sei, por isso estou te contando.

    _Devia cortar relações com

    esse cara.

    O motorista os observa pelo retrovisor,

    e aumenta a velocidade em que está indo,

    mudando o percurso do caminho de volta

    para casa. Notando a estranha situação, a

    moça olha para o marido, e os dois se

    jogam em cima do motorista.

    _O quê está fazendo?! Pra onde está

    nos levando?!

    _Responda para ela, ou vai acabar

    morto.

    _Por favor não façam nada comigo!

    Ele me obrigou! É a única forma

    de sair! De sair!

    _Você está trabalhando para

    O Anticristo?!

    _Responda ou quebro o seu pescoço!

    _Não! É para O Chapeleiro! Ele quer

    vê-la de novo senhorita Alice da

    pulseira negra!

    _Droga!

    Grita ao sentir o impacto do carro colidindo

    com outro. Leviroth é jogado contra o painel,

    e ela se bate no banco, ficando com

    uma linha de sangue na testa. O Chapeleiro

    entra na parte do passageiro, e pega a moça em

    seus braços, olhando para o rival, que se mostra

    desesperado, por não poder fazer nada, já que sem 

    memória, não sabia como ativar os seus poderes 

    caóticos. Isabelle acorda, sendo carregada pelo

    estranho, e sente o cabelo negro dele,

    caindo sob o seu rosto.

    _O quê, você, quer comigo?

    _Apenas a sua lealdade. Deixei bem

    claro que não devia contar a ele, só

    quê fez, e a consequência foi essa

    querida Alice.

    _Está dizendo que isso, isso é um

    Jogo?!

    _E o quê não é? Tudo se trata de

    ganhar uma recompensa por algo. Até

    um bebê sorri apenas, porquê sabe

    que vai receber um agrado.

    _Eu não sei, qual é, o, seu problema,

    mas juro, vou, te arrebentar!

    Grita usando o seu dom, para jogar um

    poste em cima dele, só que ele sorri, ergue

    a mão, e estala o dedo destruindo-o em mil

    pedaços. Ela entra em pânico, e para de

    reagir, fazendo-o sentir o doce gosto da

    vitória, obtida através do medo.

    _Esqueceu quem tem mais força?

    _Como eu, poderia saber? Nunca

    te vi, na minha vida!

    _Não adianta fingir. Eu provoquei

    aqueles sonhos.

    _Eu não sou, a prostituta.

    _Como pode ter tanta certeza?

    _Como você pode?!

    _Porquê fui eu quem te devolveu

    para este mundo Luciféria.

    “Como ele pode saber que este é o meu

    outro nome?!” Ofega, aterrorizada pelas

    coisas que o sujeito tem conhecimento a

    seu respeito. “É ele. Não há mais nem

    uma dúvida.” Termina, enquanto

    entram em outro carro.

    _Pode respirar. Não vou te fazer nada.

    Pelos sonhos já deveria saber.

    _Eu não estou destinada a você!

    _De fato antes não estava. Mas na

    hora que alterei o seu destino,

    passou a ser.

    _Por quê eu?! Com tanta mulher no

    mundo, muito mais bonita. Por quê

    tem que ser eu?!

    _Porquê foi você Isabelle, quem

    Eu escolhi, e não há anjo ou demônio

    que possa impedir, o quê agora nós

    somos um para o outro.

    _O pesadelo e uma bruxa que

    quer fugir dele?!

    _Um só espírito. Uma só carne.

    Uma única...

    _Eu sou a Alma Gêmea de Leviroth!

    Lúcifer nos revelou isso!

    Esbraveja, horrorizada pela palavra que

    ia sair da boca do poderoso homem. “Isso

    não pode ser verdade. Não pode! Eu amo

    Leviroth! Como nunca amei ninguém

    antes!” Suas mãos tremem sem

    parar.

    _Não é mais. Agora é a minha.

    _E a Minha opinião sobre isso?

    Eu não te dei permissão de

    se tornar meu par!

    _Não deu nesta na vida. Mas na

    outra foi apaixonada por mim, de

    tal forma, que governou o Egito

    ao meu lado.

    _Eu sempre fui do Leviroth.

    _Defina sempre. Porquê até onde

    Eu sei, nós passamos um bom

    tempo juntos.

    _Escuta aqui. Ôh falso messias do

    caralho. Eu já fui encantada por um

    demônio, e ele usou a sua mesma

    jogada. Por isso não vou cair...

    O belo se debruça em cima dela, e a

    beija, segurando-a com firmeza. Desta

    vez ela luta para se livrar dele, não por

    não resistir, mas sim porquê só é

    capaz de pensar em Leviroth,

    neste momento.

    Não é como da outra vez, em que o

    toque do demônio, a fazia ir as nuvens, e

    se sentia culpada por desejá-lo. Ela sente

    total desespero, desgosto, e desprazer

    em tal atitude, por isso o morde bem

    forte, ao ponto de sangrar, só que

    isto o faz rir.

    _Aposto que ele nunca calou sua

    boquinha desta forma.

    _Eu sou casada! Com o amor da minha

    Vida e existência! Encoste em mim de

    novo, e eu vou...

    _Vai o quê?! Me morder como uma

    gatinha assustada que é?!

    _O quê eu fiz para merecer isso?!

    _Me soltou para o universo.

    _Eu nem me lembro disso!

    _Não lembra porquê faz muito

    tempo, mas desde daquele dia eu

    soube que era perfeita, e que a deusa

    mãe a tinha feito para mim...

    Se recorda da menina ruivinha, que foi até

    o Tártaro, e o libertou para o cosmos. “Você

    sabe que posso destruir o universo?”

    “Sim, sei, e eu quero que faça isso, é uma

    forma de me agradecer.” Ele a vê lhe dando as

    costas, então seus olhos ficam fixos na miniatura

    da Rainha da terra do não retorno. “Um dia ela será

    a minha rainha.” pensa ao escapar, virando-se para 

    trás, só para ter certeza de que vai ver a criança

     maldosa outra vez, mas esta já tinha

    desaparecido.

    _Eu me apaixonei por você naquele dia.

    _Pelo que me disse eu era uma criança

    , uma criança bem estúpida por

    sinal.

    _Sim era. Mas aguardei ansiosamente

    , até que crescesse, só que quando fui

    lhe buscar, o seu coração já tinha

    sido tomado por Ele.

    _Não foi tomado. Eu o dei para ele.

    _Foi tomado sim. De mim. Eu deveria

    ter sido o seu par, não aquele idiota

    do príncipe.

    O ódio e a mágoa nos olhos do belo

    estranho, são bem visíveis, e dão fortes

    calafrios na jovem mulher, que não se

    sente nada a vontade, na presença

    da ilustre figura.

    _Se isso é verdade, por quê Lúcifer

    nunca o mencionou!? Ou te vi na

    hora que despertei?!

    _Lúcifer apoia sua união com Leviroth,

    e por culpa pelo o quê um dia sentiu por

    mim, você apagou nossas memórias.

    _História bonita! Mas eu sempre fico

    com Leviroth, por quê insiste!? É

    óbvio que a deusa mãe não

    me fez pra ti!

    _Porquê Eu quero você. Tanto que

    roubei as tábuas do destino, que a tal

    deusa destinada a mim, um dia pegou

    do deus aquático, e lá escrevi que é

    para sermos um só.

    _Você é louco.

    Ele se prepara para responder, porém antes

    que o faça, é atingido por um dardo na nuca, e

    desmaia. Preocupada com quem possa ser, ela

    empurra o corpo dele, se rasteja para fora do

    carro, pronta para correr, antes que a

    peguem também.Ele se prepara para responder, porém antes

    que o faça, é atingido por um dardo na nuca, e

    desmaia. Preocupada com quem possa ser, ela

    empurra o corpo dele, se rasteja para fora do

    carro, pronta para correr, antes que a

    peguem também.













    Capitulo 3- Mais mistérios no ar.




    A moça passa por trás do carro, e aumenta a velocidade 

    de seus passos, correndo para longe do veículo, antes que

    seja atingida como o homem que a sequestrou. Os seus

    cabelos esvoaçam ao vento, é evidente que há medo

    em seu olhar, ela precisa sair dali, pois como 

    nas outras vidas, os inimigos são 

    perigosos.

    _Isabelle S Calligari De La Cruz.

    _Como sabe o meu nome?

    _Não há tempo para responder.

    Venha comigo.

    _Socorro!

    Um ser alado levanta voo, pegando-a em

    seus braços, e este a coloca dentro de um carro

    em movimento, através do teto solar, e entra logo

    em seguida. A morena olha para os lados, e vê que

    o marido, está recebendo os cuidados médicos

    logo a frente, e se não estão tentando-a

    lhe separar dele, inimigos não

    devem ser.

    _Para onde estamos indo?

    _Logo irá saber senhorita Calligari.

    _Por quê estão nos ajudando?

    Quem são vocês?

    _São respostas que logo irá obter.

    Mas antes há outras pessoas

    a serem encontradas...

    Responde-lhe o anjo, com um sorriso, e lhe

    aplica um sonífero no pescoço, que a faz desmaiar

    em seu ombro. Não permitindo-a vê-lo, e talvez o

    reconhecer de algum lugar. O carro segue a

    viagem, e entra num túnel, no qual

    desaparece. Olhos se movem, ainda fechados, e se 

    abrem em sincronia, outra vez As 4 fases da Lua está

    reunida, porém uma integrante não está presente, e 

    esta é Natasha, que neste momento lidera as atuais

    tropas da bandeira vermelha, por ter sido uma

    dos convertidos em Filhos das cores.

    _Onde estamos?! Belle?! Victória?!

    _Alexandra?! (Dizem em uníssono)

    _O quê aconteceu para virmos 

    parar aqui?! Horácio?!

    _Alexandra? Está tudo bem meu

    amor?!

    _Isabelle...Isabelle não vá com ele...

    Leviroth parece ter pesadelos, e a sua

    amada, pula do sofá negro, correndo para 

    acordá-lo, e antes que haja mais confusão, 

    o agente que salvou a Senhora De La 

    Cruz, caminha no meio da sala.

    Ele é pálido como a lua, tem olhos azuis,

    e cabelos negros curtos. Apesar da roupa de 

    agente de elite, este não se mostra muito 

    formal, e se escora na beira mesa, 

    atraindo a atenção deles.

    _Olá para todos.

    _Isso daqui não é um dos jogos

    mortais não é?!

    _Alexandra isso não tem sentido!

    _Garotas...

    _Ué é Belle, os caras não nos deixaram

    ver como se chega aqui. Preciso saber

    se estamos em perigo.

    _E você acha que eles nos diriam?

    _Ninguém está em perigo aqui.

    Não ainda pelo menos.

    _Viu como foi bom perguntar?!

    _Seria melhor não saber.

    _Vocês foram convocados, porquê

    precisamos da sua ajuda.

    O agente revira os olhos, e os rapazes ficam

    analisando aquilo friamente. Tentando saber a

    onde isso dará. Sabendo que as palavras não

    serão o suficiente, o rapaz liga a TV LCD atrás 

    dele, e mostra as imagens do fatídico dia

    do banquete diabólico.

    _Não! Algo deu errado! 

    _Leviroth! Leviroth! 

    _Sua vadia! Espero que morra!

    _Victória ele quer o controle 

    de volta! Não vai dá!

    _Belliath! Não!

    _Samalast! 

    _Alexandra!

    _Não confie neles Natasha!

    _Meu amor!

    Vários corpos ficam atirados ao piso sem as

    suas órbitas, como se tivessem queimado por

    dentro. As 4 bruxas olham para os cadáveres,

    e ficam em estado de pânico, sem saber o

    quê fazer. Forças obscuras saem de dentro do

    tal portal, dando gargalhadas, por enfim ficarem

    livres de suas prisões. Elas giram entorno das

    feiticeiras, até por fim irem para cima

    delas, fazendo-as berrar em

    desespero.

    _Sim nós sabemos o quê fizeram.

    _Éramos jovens, não sabíamos que o 

    resultado seria este! 

    _Só queríamos ver nossos pais!

    _Eu só queria saber se real!

    _Sim, sabemos disso. Se acalmem.

    _Eu não matei o Dantas.

    _Eu não mandei o Roger pro

    hospício.

    _Eu não destruí o meu namorado.

    _Não exagerem. Nisso são culpadas.

    Diz o moreno, e Isabelle fica irritada com

    a atitude fria dele. Por isso se levanta e vai

    ao seu encontro, pronta para bater nele

    se preciso, afinal de contas tinha sido

    um idiota, e merecia uma bela

    correção.

    _Como você ousa dizer isso?!

    Não vê o estado em que elas

    estão?!

    _Pensassem nisso antes de querer

    brincarem de Deus. Luciféria!

    _Como sabe o meu nome real?!

    _Não importa. Me perdoe eu

    fiquei nervoso.

    _Como sabe disso?!

    _Ele sabe porquê é um arcanjo

    Izzy.

    Diz Leviroth os separando, antes que ele

    se matem ali mesmo. Porém quando vê o

    rosto do agente de perto, de imediato o

    reconhece, e isto o faz ficar catatônico,

    e implorar com o olhar, para que não

     diga nada para Isabelle.

    _Um Arcanjo?!

    _É. Um dos que te levou para o céu.

    _Isso mesmo. Eu quem te assassinei

    na outra vida, para impedir que

    abrisse outro portal.

    _Agora que não confio mesmo em

    você! Pior que os Filhos das Cores 

    é a tua raça!

    _Calma Izzy.

    _É a mesma que a sua. Então cuidado

    na hora julgar. Eu abri minhas asas e voei

    contigo, pensou que fosse o quê?

    _Eu sou diferente! Eu sei lá um

    mutante?!

    _Já chega vocês dois.

    O marido a leva de volta para o sofá, e

    olha para trás, o ser alado agradece com

    gestos, e o demônio olha com indiferença,

    sentando-se junto da esposa, que ao se

    ajeitar, o encara com raiva latente.

    _Não estou aqui para achar um

    culpado, e sim uma solução.

    _Como se Lúcifer ou Satã fossem 

    nos permitir, ajudar anjos imundos 

    como você.

    _Eu permito, e aliás sou um só.

    Diz um homem tão louro, que parece ter

    sido coberto pela luz mais radiante do mundo.

    Ao vê-lo Isabelle cai para trás, e Victória fica

    de queixo caído. Junto dele vem Belial, e

    o deus sumério Enki, agora batizado

    como Leviatã.

    _Papai?

    _Eu e Victória somos irmãs?!

    _Não entendo por quê estão tão 

    surpresas. Já os viram antes.

    _Venham cá, dá um abraço minhas

    princesas queridas.

    Lúcifer abre os braços,  tornando-se agora 

    um belo moreno de olhos vermelhos, e com o

    par de chifres exposto, e Victória corre para

    abraçá-lo. Isabelle fica congelada ali, sem

    se mover, e por isso o pai vai ao 

    seu encontro.

    _Ainda bravinha e ciumenta não é

    Luciféria?

    _Só estou assustada. Foi me dito que

    um dia herdaria o seu reino, e a 

    Vic o reino de Satã.

    _ E ambiciosa, como o pai...

    Confundiram as suas mentes minha

    Princesinha. Ninguém vai herdar reino

    algum, porquê sou eterno.

    _Que animador...

    _Mas você e Victória, tem os seus

    próprios, que foram feitos com muito

    carinho pela sua amada mãe Lilith.

    _Então ? 

    _Vocês não são só princesas do

    Caos. São rainhas de reinos

    distintos.

    _Interesseira!

    O agente tosse, chamando a atenção de

    Isabelle, e o imperador do Caos, ri daquilo

    notando o raio que está saindo dos olhos de

    ambos, que estão se fulminando sem parar,

    como se houvesse alguma história, por

    trás de tanto ódio mútuo.

    _Algumas coisas nunca mudam...

    _Não, não diz...

    _Não diz o quê? Estrupício de asas?

    _Não é Miguel?

    _Ela vai me matar agora.

    _Miguel? Arcanjo Miguel?!

    _Isso mesmo querida.

    A bela de imediato se afasta, e Victória e Alexandra vão 

    atrás dela. Miguel e Lúcifer discutem um com o outro. “Não 

    tínhamos combinado que ela não saberia?!” “E te dá a chance 

    de desgraçar a vida dela de novo?” “Eu nem queria voltar a me

    envolver com aquela maluca! Estou trabalhando aqui contra

    a minha vontade!” “Não pareceu isso Nergal.” “Dá pra parar

    de entregar meus nomes de bandeja?” “Então pare com a

    sua procura, por motivos pra discutir com Ereshkigal, 

    foi assim que começou da outra vez.”

    _Belle está tudo bem?

    _Parece que cê tava certa...

    _Eu tô bem Vic, e concordo Alex.

    _Vai conseguir fazer a sua missão com ele?

    _Ele não parece muito interessado em voltar,

    então pode ficar fria.

    _É, eu vou ficar calma. Não é nada demais.

    Olha para o agente que continua a brigar com o irmão,

    que segue gargalhando, zombando das desculpas do pobre

    , que se mostra incomodado com as alegações. Seu olhar de

    medo, se cruza com os da jovem, e ambos ficam parados,

    totalmente desconsertados. O Anticristo não tinha lhe dito 

    mentiras, ela realmente teve outros pares, e o arcanjo era um 

    deles, mas como o seu amor por Leviroth era maior, ela fingia

    que não existiam. Ele passa a mão no cabelo cortado, e por

    fim respira fundo, indo ao seu encontro. Ao chegar as

    amigas o observam como leoas prontas para

    avançar.

    _Me perdoe. Eu só fiquei irritado por

    falar mal dos anjos.

    _Tudo bem.

    _O quê aconteceu no passado, fica enterrado lá.

    _Concordo plenamente com você.

    _Podemos trabalhar juntos?

    _Certamente.

    Apertam as mãos como adultos maduros, e ele se 

    distancia, recompondo-se, após engolir a verdade seca,

    que lhe dói a garganta. “Fica no passado.” Olha para ela

    e Leviroth juntos, sorrindo um para o outro. “Enterrado

    lá.” Fecha os olhos com tristeza, e se esforça para 

    fingir que está tudo bem.  

     Olha para ela

    e Leviroth juntos, sorrindo um para o outro. “Enterrado

    lá.” Fecha os olhos com tristeza, e se esforça para 

    fingir que está tudo bem.

    _Todos reunidos. Agora podemos seguir adiante.

    O agente começa a descrever por quê cada um foi

    convocado ali. Contando toda a história que veio dá 

    origem, a esta estranha união entre iluminação e 

    trevas, com o auxílio de slides. “É dito na bíblia 

    que após a queda dele, escuridão e luz não devem 

    se misturar. Mas dado as tristes circunstâncias em que

     tanto anjos quanto os demônios, estavam a mercê da 

    extinção não tivemos outra escolha, senão nos

     juntarmos.” Inicia, com

    o olhar fixo no nada, e mostra imagens da luta

    entre o céu e o inferno. “Eles queriam paz, e nós

    a guerra porém ambos utilizamos os mesmos meios 

    para isso, e foi assim que o libertamos.” Mostra a 

    imagem do Chapeleiro para todos, e a filha de 

    Lúcifer sente um incômodo. “Todo o nosso ódio e

    mágoa, nos deixou tão cegos, que nem percebemos

    quando ele se apossou de nossos mundos, e quando

    voltamos a razão, era tarde demais.” Mostra o paraíso

    devastado, e o inferno dominado. “Por muitos séculos

    vagamos sem um lar, até acharmos este planeta no

    qual nos estabelecemos.” Mostra a chegada dos 

    Anunnakis e os reptilianos, e como eles se

    desenvolveram. “Haviam alguns conflitos vez ou 

    outra, pois somos como água e óleo. Mas nós criamos

    uma bela comunidade, tanto para anjos, quanto para

    os demônios.” Aponta para o Egito, e demonstra os

    deuses, mas não há bons ou maus, apenas os

    iluminados, e os obscuros. “Infelizmente ele nos

    encontrou. Meu povo foi escravizado outra vez, e os

    demônios se curvaram para ele, para sobreviver. Só

    restou um punhado de anjos e demônios, seguros

    do Pacto de Harmonia.” Ele mostra os seres de

    amaduras vermelhas, se curvando para o 

    ser. “Ele é aparentemente só um garoto, mas não

    se enganem, seu poder era tão grande, que o próprio

    pai, tentou devorá-lo, para o impedir de reinar.” As

    cenas agora se passam na Grécia antiga. O garoto

    é um homem agora, que domina as terras sombrias

    , e o Olimpo. Sim ele é Zeus e Hades, mas em 

    períodos diferentes. Pois o verdadeiro Zeus é o

    próprio Lúcifer, renascido após ter sido preso pelo

    próprio filho, quando era o Titã Prometheus. “Você

    será jogado na Terra do não retorno.” Diz-lhe o titã. 

    “Eu voltarei, e tomarei o trono de ti outra vez Zeus.”

    Declara o inimigo. “Dizem que Perséfone é assim.

    Mas esta foi uma forma que propagamos para 

    garantir a segurança dela.” Ele olha para

    o anjo das bruxas.

    “Só que a sua verdadeira forma é essa.” Surge o

    retrato da deusa, e as bruxas se viram para Isabelle

    , que fica transtornada com aquilo. “É idêntica a ti.”

    Diz Victória fascinada com isso. “Tem até as suas

    Tetas.” Alexandra brinca, e a jovem se cobre

    com os braços. “Ao contrário do quê os humanos

    dizem, Koré não era uma virgem, e tão pouco estava

    livre naqueles tempos, tinha um relacionamento 

    com Thanatos, sob a alcunha de Macária, e com ele teve um 

    bebê. Algo que enfureceu  bastante o

    deus dos infernos gregos, e por isso 

    ele a tomou para si.” O rapto da deusa, é mostrado

    em obras de artes, que não condizem com a sua forma

    verdadeira. “Os humanos inventaram também que a deusa

    Afrodite, era um equivalente de Inanna, a deusa mesopotâmica

    , e que esta tinha descido ao Inferno, apenas para rever o seu

    amante Adônis.” Imagens de Afrodite e Adônis surgem na

    tela. “Mas como devem saber, assim como a descida dela, a

    sua identidade também é uma mentira. Esta é a antiga forma

    dela.” A imagem da deusa é idêntica a Victória. “Isso explica

    porquê sempre acreditou no amor, mais que todos.” Diz

    Isabelle. “Ou porquê teve tantos namorados.” A outra

    bruxa brinca. “Afrodite não nasceu da espuma do mar, esta

    é uma metáfora, que esconde o seu outro nome Despina. A

    deusa renegada.” Segue contando a história sem muito

    interesse. “Ao contrário do quê a humanidade prega, ela não

    foi deixada para trás, porquê Deméter era má, ou por ser fruto

    de um abuso. Mas sim porquê Despina compactuou com os

    titãs, na guerra, para roubar o trono de Perséfone, a sua

    irmã mais velha.” Victória se sente triste, mas Isabelle segura

    sua mão, dando-lhe apoio. O quê ocorreu naqueles tempos, é

    para ser esquecido, pois hoje em dia são melhores amigas. “

    E foi assim que garantiu que Perséfone fosse levada

    ao Inferno.” Prossegue. “Despina teve orgulho de seu ato

    cruel, até sofrer as consequências. Deméter ficou desolada pela

    perda da filha, e por esta razão esqueceu dos outros filhos, não

    se importando com nenhum deles, exatamente como quando

    a caçula nasceu.” Ao ouvir aquilo Isabelle fica de queixo

    caído, pois nas suas visões em que tinha uma irmã

    , esta parecia ser muito mais amada. “Hera não queria deixar

    que Deméter fizesse um acordo para devolverem a filha. Afinal

    de contas, ela era o pilar de Despina neste plano, pois tudo o

    quê desejava, era fazer a sua rival sofrer, por tira-lhe o

    amor de Zeus.” Ao verem a história, as irmãs se entreolham,

    e lembram das vezes que viam sobre Ninlil e Inanna, que

    desde o principio queria o amor de Enlil, mas como este era 

    da irmã, ela ficou furiosa. “Me perdoa Belle.” Victória se

    sente incomodada, e chora, abraçando a sua 

    irmã. “Esta tudo bem. Nos preparamos para este dia Vic, ou

    esqueceu de como foi que nos conhecemos?” A dama ri, e a 

    moça fica sem jeito. “Despina se arrependeu, e foi até

    Hades, desfazer o acordo, mas o deus tinha se apaixonado 

    pela deusa, e não a queria deixar ir, pois temia que nunca

    mais voltasse.” Isabelle sente uma dor na garganta. “Triste

    pela derrota, a deusa renegada caminhou sem rumo, até cair no

    mar, e se encontrar com outra divindade, que estava morrendo em

     meio a tantas guerras e desavenças.” Surge a primeira Afrodite 

    celestial, sentindo-se fraca. “Me perdoe. Eu não sabia que meu ódio 

    poderia causar tantas desgraças.” Implora o perdão da deusa, esta sorri 

    e toca em seu rosto, puxando-a para perto. “Este é o meu fim Despina.

    Por tua causa, Eu o Amor estou morrendo, e é por isso que precisa

    consertar o teu erro.” Disse-lhe a deusa a beira da morte.

    “Como? Se tudo o quê consigo fazer é congelar e destruir o quê a

    minha mãe cria.” Chorou a menina de cabelos brancos e rosto jovem.

    “Através do amor minha querida. Através do amor.” Disse-lhe com

    as mãos em sua face, e a beijou calorosamente, preenchendo o

    frio em seu coração, com tanto calor, que seus cabelos

    mudaram de neve para vermelhos como as

    rosas. A luz brilhou, e por fim ela saiu das espumas renascida, a

    velha Despina, amargurada e louca por destruição tinha morrido, e

    dado espaço para a segunda Afrodite, que faria o quê estivesse ao

    seu alcance, para salvar a sua irmã do marido. “Despina não foi a

    única a receber o beijo de uma deusa, que lhe deu novos poderes.

    Koré também tinha passado por este processo, e por isso sua irmã

    se sentiu tão mal.” O anjo explica, e Isabelle fica

    a se questionar.

    _Perdão mas está errado. Eu vi o meu passado.

    Eu era a invejosa, não Despina.

    _Até onde exatamente você viu? Na infância sim,

    teve suas razões para detestar a sua irmã, pelo tipo

    de carinho que Deméter dava a ela. Mas depois que

    ficou mais velha, e recebeu a graça de Nyx, sua

    mãe teve muito orgulho de você.

    _Sim, mas Despina era mais amada e 

    querida.

    _Não, quem te disse isso?

    _Uma bruxa chamada Ariadna.

    _Ela mentiu para você. Sempre foi muito amada

    por seus pais, por ser a primeira filha deles, e mesmo

    achando que não, eles te deram tudo o quê podiam

    , para te fazer feliz. Só que o fato de dividirem 

    este amor com Despina, que te deixou

    tão chateada.

    _Mas Ariadna...

    _Claramente não é de confiança.

    Responde e prossegue ignorando os outros apelos. “Eu disse que

    nós duas fomos bem amadas.” Resmungou Victória com alegria, por

    saber que não deixou sua amiga sofrer. “Para chegar no lar

    do deus do submundo. Afrodite foi até a deusa Tétis, e pediu-lhe

    para levá-la ao fundo do mar. Para assim chegar as águas,

    que passaram pelo Tártaro.” Contou a história, e como já era de

    se esperar, Tétis tinha traços idênticos aos de Alexandra, que fez logo

    um sinal, para que as irmãs se calassem. “Em várias culturas, estas 3 deusas

    foram muito conhecidas, e como ambas tiveram domínio do submundo, logo

    formaram a egrégora de Hécate, que deu origem ao surgimento de uma

    nova deusa na mente humana.” Eis que aparece a imagem da deusa

    de três cabeças. “Afrodite, representava a jovem. Tétis a mulher,

    e Perséfone a anciã, por herdar o poder de uma titã.” Mostra a estátua,

    e aponta para o símbolo lunar na cabeça da deusa. “Esta imagem das três

    fases da lua, foi muito presente nas culturas, e suas histórias se repetiram,

    fazendo-as serem conhecidas por outros nomes. Por isso é muito comum

    , encontrar deusas equivalentes.” Diz  apontando

    para as deusas semelhantes, de outras culturas, e Isabelle ergue

    a mão, o fazendo revirar os olhos, por temer que isso

    gere uma nova discussão.

    _Sim Isabelle pode falar...

    _O meu equivalente nórdico é a Hel. O quê não coincide

    em nada com a Perséfone.

    _Não coincide com o quê os humanos sabem, mas você

    é como uma segunda Nyx, portanto faz sim sentido.

    _Se diz...

    Ele sorri forçadamente e prossegue com as explicações. Sabendo 

    agora dos seus reais poderes, que vão além dos 4 elementos, as jovens 

    são conduzidas para fora da sala, e levadas até o ginásio, onde uma das

    belas tem uma surpresa devastadora. “Você é minha agora.” Se recorda

    Victória, ao ver um belo homem de cabelos longos e negros, pálido, e

    de olhos azuis escuros, que está com o olhar vazio de um

    assassino mortal.

    _Com licença, mas o quê ele faz aqui?

    _Ah, perdão Victória. mas devido

    ao seu poder como Despina, você deu

    origem aos seres vampíricos, e por isso

    Gabriel, irá te ajudar a manipular os

    seus dons.

    _Nunca odiei tanto o fato de ser vampira.

    _Vai dá tudo certo. Você e Bóreas se

    separaram, já faz alguns séculos.

    Ele segura em seu ombro, e a empurra para os braços do irmão, lhe

    deixando, numa bela saia justa. Alexandra, e Horácio são chamados pelo

    anjo Salatiel, e ao ver este a jovem da moda caveira, cospe a água que usou

    para se acalmar, por encontrar o aparentemente ex ali. Vendo-a ali, o loiro

    de olhos verdes, sorri e acena sem más intenções, mas esta não retribui e

    sai correndo até Isabelle. “Eu não sei quem vai te ajudar. Mas você não

    me deixar sozinha com aqueles dois.” Aponta para os alados, e

    Belle arregala os olhos, puxando-a para o canto, onde

    conversam baixo.

    _Pelo visto não sou a única “ferrada” aqui.

    _Para de brincar Belle. Sabe como me sinto como

    sobre isso.

    _A gente teve tempo para se preparar, mas fomos

    ingênuas. Agora é respirar fundo, e trabalhar

    com eles.

    _Como você está sobre Miguel?

    _Bem ué. Eu temi a toa, ele me quer tanto

    , quanto eu quero peixe.

    _Detesta mais que a própria vida?

    _Exatamente.

    Ri e o arcanjo ouve aquilo com desgosto. “Sem querer

    interromper esta conversa, mas é hora de ir.” Ele chama

    a bela, e a pega pelo pulso, afastando-a da amiga. “Eu sou

    adulta.” Diz de má vontade. “Então haja como tal, e não

    se atrase para a sua aula.” Ele a arrasta, e ela se solta.

    “Eu não vou. A minha amiga precisa de mim.” Ela

    volta para Victória, que está pálida.

    _Ela vai ficar com o Gabriel. Você sabe o quê

    eles vão fazer, e não vão se matar.

    _Ela está noiva de Belliath!

    _Ah é? É costume da família dormir com outro

    no noivado. Vamos embora.

    _Não tínhamos parado de brigar?!

    _Tínhamos. Até você fofocar com a sua 

    amiga, que me odeia mais que a comida

    que detesta. Sendo que eu só te salvei

    , daquele maluco.

    _E não é verdade?! 

    _Só porquê eu disse que te acho maluca.

    Não quer dizer que te detesto.

    _E o quê quer dizer então?!

    _Que você é louca oras. Agora larga ela,

    seu marido e eu iremos te treinar.

    O anjo a afasta outra vez, e Victória fica com os

    olhos arregalados, sentindo Gabriel vindo por trás

    dela. “Vamos treinar. Preciso te ensinar a arte da

    caça.” Sussurra em seu ouvido, segurando em

    seu pulso, e inspirando a pele do seu 

    fino pescoço.

    _Eu sou noiva de Belliath.

    _Sua irmã era noiva do meu irmão.

    _Corta essa, eu sei que é filho de Bael.

    _Não sou. Bael foi um tio amável que me

    reconheceu, até se tornar Deus, e agir

    como tal.

    _E eu devia ter pena?

    _Não. Mas devia se lembrar, que nem

    sempre conseguiu resistir a mim.

    Responde dando-lhe um beijo no pescoço, que

    a deixa arrepiada. Mas para disfarçar, ela o segue e

    pega a luva de garras. Isabelle caminha ao lado do tal

    arcanjo, e entra na sala de tiro. Leviroth está acertando

    até os menores alvos com exatidão, e para não ficar

    para trás, Miguel pega uma arma, e também 

    atira, como se os dois competissem.

    _Preste atenção Isabelle.

    _Fique em silêncio e calma.

    _E se não conseguir... Apenas pense

    em algo que odeia.

    _Verdade. Imagine o prazer de atirar na

    cabeça deste ser.

    _Mire na garganta para acertar o alvo.

    Os dois atiram na mesma direção e acertam. A dama

    fica de queixo caído, e se afasta pelos raios produzidos 

    pela tensão deles. Mas Leviroth a pega por trás, e lhe

    dá uma arma para treinar. “É a sua vez amor.” Ele

    diz e lhe ajuda a mirar. Ao ver a bela, sendo

    guiada, o agente se incomoda.

    _Eu preciso tomar um ar.

    _Eu cuido das aulas.

    _Por mim tudo bem.

    _Até mais.

    O agente acena de má vontade, e sai do local, não

    querendo mais ver aquilo. Leviroth ri e abraça a esposa,

    dando-lhe um beijo caloroso. “Alguém se chateou.” Ri da

    dor do rival. “Se chateou? E você não perdeu a chance

    de piorar as coisas.” Ela brinca, e ele volta a lhe

    pegar pela cintura, encostando-a na

    parede.

    _É evidente que ele quer lembrar os

     velhos tempos.

    _Não quer nada. A gente se detesta.

    _Vai por mim, sou um espécime masculino.

    Ele não te olha com desprezo.

    _Acho que você está paranoico.

    _Não estou. Você pode não ter se preparado

    para este momento, mas eu sim.

    _Foi em vão. As chances de eu ficar com Miguel

    , são iguais a gostar de peixe.

    _Você já comeu peixe 3 vezes Izzy.

    _Comer, não significa gostar.

    _Mas que quis experimentar. Eu sei que disse

    que te deixaria ir, só que não vou fazer isso

    sem lutar, ok?

    _Você não precisa. Já me tem há mais de 9

    anos.

    Diz beijando-o com fervor. Tomado pelo medo de

    perdê-la, ele a carrega, segurando-a com força, e com

    vontade. Seus lábios vão para o pescoço dela, passando

    a língua com todo o desejo de sua licantropia, e lhe

    descendo as garras pela costa, por dentro do

    seu vestido já aberto.

    _Podem nos ver...

    _E isso importa? São adultos. Vão ignorar.

    _Você é um louco.

    _E você ama isso em mim.

    Ele abre as calças, e a deixa de joelhos. “Prove que

    é minha.” Coloca-lhe no piso, e ela se ajoelha. O órgão

    está rígido, apontando para o céu, e a bela o abocanha

    com as mãos para trás, enquanto ele lhe acaricia o

    topo da cabeça. Há tanta sede nela, que sua

    boca transborda saliva.

    _Você é minha?

    _Sim.

    _Somente minha?

    _Sim.

    _Então mostre-me o quanto me ama.

    Ela faz movimentos com a língua, saboreando seu

    membro, como um picolé encontrado no deserto. No

    entanto quando se cansa, o morde, e arranha o seu

    peito, erguendo-se como uma deusa soberana,

    sob um daemon. Algo que o faz sorrir, pois

    é sua hora de amá-la.

    _Ah Tempo cruel. Gosta do sabor de sua

    doce Alice?

    _Adoro!

    _Quanta sede. Parece está me devorando...

    _E você não quer ser devorada pelo

    Tempo?

    _Não! Eu quero devorá-lo!

    O empurra, e então monta sob o seu corpo, como

    uma amazona, e escorre liquido do meio das sua pernas,

    envolta do falo dele. O agente resolve voltar, e se depara

    com a cena. Ao ver os olhos de prazer intenso da moça,

    ele de imediato desaparece. O demônio não está

    errado, há interesses obscuros no anjo.

    _Devemos terminar... logo...Tempo.

    _Não, enquanto você não provar o seu desejo.

    _O quê deseja de mim?

    _Que se entregue, e esqueça onde estamos.

    Ele a abraça, e a coloca deitada no piso. Mergulhando

    seus dentes nos seios dela, e a fazendo delirar de loucura

    amorosa. Ao ponto de gemer tão alto, que sofre uma

    represália. Seu amado puxa-lhe o cabelo na nuca,

    e lhe cala com um beijo.

    _Ah!

    _É esse rosto que gosto de vê...

    _Ah! Eu vou! 

    _Sim querida, me pinte com sua 

    tinta deliciosa...

    _Ah! 

    Ela o beija, sentindo seu corpo trêmulo, e suas palmas

    afundam no peito, enquanto ele a prende em cima, com

    um sorriso maldoso, não a deixando escapar, até não ter

    mais gotas peroladas. Os olhos dela se apertam, é uma

    energia muito grande, até que não suporta, e os

    dois se derretem no fogo do amor.

    _Eu preciso tomar uma pílula. 

    _Eles devem ter por aqui.

    _E se não tiverem?

    _Odin vai nascer...

    _Vai me prender de novo com um filho?

    _Funcionou da outra vez, por quê

    não?

    _Você é um idiota.

    _Mas você não vive sem mim.

    Ele se deita e ela se recosta em seu peito adormecendo.

    Mais tarde... os efeitos da paixão foram tão fortes, que o ser

    das trevas continua adormecido. Contudo o medo de Isabelle

    de engravidar uma segunda vez, a faz se levantar, e dá uma

    volta pelo corredor, onde por coincidência se encontra

    Miguel, que está sentado na parede, e nota o seu 

    medo.

    _Precisando de uma pílula do dia seguinte?

    _O quê? Como sabe?!

    _Eu voltei a sala... e vi tudo.

    _Ah sim... Não tem nada demais a 

    gente é casado, é o quê pessoas casadas 

    fazem oras. Elas transam!

    _É, eu sei. Sei também que praticam

    isso há mais tempo, que a sua 

    união.

    _Por quê minha vida pessoal te

    interessa tanto? 

    _Não interessa só não pude deixar

    de refletir a respeito.

    Ele se levanta, e entrega a cartela a ela. Seus olhos

    azuis estão frios, magoados por alguma razão. Na sua

    mente, se passam pensamentos dos quais pode vim a se

    arrepender, se colocar em prática. “Como ela ainda mexe

    tanto comigo?” Pensa ainda parado ali, imerso em sua

    cabeça. “Ele está cada vez mais estranho.” Ela

    o olha, e se afasta.

    Sem dizer nada, sua mão agarra o pulso dela, não

    a deixando ir. Ele fica cabisbaixo, sabe que o quê quer

    que esteja planejando, pode ser um risco gigante dado

    ao fato, de que Leviroth, Lúcifer, Enki, Belial, e todos

    os deuses que não aprovaram esta união, podem

    puni-lo a sangue frio.

    _Eu preciso ir.

    _Não precisa. É noite, todos estão dormindo.

    _Você está me assustando...

    _Eu não sou o Anticristo. Não tentarei nada.

    Apenas fique.

    _O quê há com você? Horas diz que me odeia,

    minutos depois parece que...

    _Eu ainda te amo? 

    Aquelas palavras a quebram em mil pedaços. Numa

    explosão tão impactante, que ela fica sem palavras. Ele

    da um passo a frente, ela dá dois para trás, e acaba “no

    muro”. Suas mãos tremem sem parar, Leviroth está

    certo, ele não a olha com desprezo, e quer

    reviver os anos dourados.

    _Você me odeia lembra? Não quer se envolver

    com uma maluca, não tem a intenção de

    cometer esse erro de novo.

    _Eu disse aquilo para me proteger. Mas ainda

    sim, te deitei em meu ombro antes de 

    chagarmos aqui.

    _Não tem nada demais...

    _Eu te quis perto de mim.

    _Você, tá confuso, não sente nada por

    mim, não mais. Você mesmo disse “o

    passado fica enterrado lá.”

    Diz ela e ele segura em sua face, e tudo acontece rápido 

    demais, para que consiga impedir. Seus lábios estão ligados

    aos dele, seus olhos se fecham por um breve segundo, mas

    ela luta para ficar acordada. Não se entregando aos seus

    impulsos românticos, e ficando petrificada diante dele.

    O quê o leva a entender que só um dos lados

    sente algo, e não é ela.

    _Me desculpa.

    _Tá tudo bem...

    _Eu só me deixei levar pelo ciúme...

    _Não diga nada. 

    _O quê?

    _É melhor se convencer que não sente nada

    , absolutamente nada por mim.

    _Eu não posso. Não dá mais.

    _Você teve o seu tempo, e não veio. Me deixou

    cartas, mas nunca se aproximou.

    _Como você...

    _Eu te amei naquele tempo, de verdade.

    Mas você não sentiu o suficiente para

    lutar por nós.

    _Você corria risco de vida!

    _Eu queria me arriscar!

    Grita tão alto que sua voz ecoa pelo local, e ela

    mesmo se cala. Lágrimas escorrem pela sua face, e

    tudo vem a tona. Ele esteve presente nesta vida, só

    que era como um admirador secreto, um vampiro

    a espreita, que por mais que se comunicasse,

    nunca podia se aproximar.

    _Eu esperei incansavelmente por você.

    _Eu não podia... Isso ia te matar.

    _Eu nunca me importei em morrer e você

    sabe.

    _Mas Isabelle eu não queria te perder de novo,

    como quando se atirou para fora do paraíso

    , e se matou.

    _Você sabia quem eu era...

    _Sempre soube. Tive uma minha memória intacta

    sobre o passado. 

    _Então por quê não lutou pra ficar comigo?!

    Lhe bate no peito, e ele segura seu pulso, abraçando-a

    forte em seguida. “Fora o risco. Você tinha que fazer a sua

    escolha sozinha. Te mandar cartas foi uma trapaça.” Ele diz

    em seu ouvido, e uma lágrima cai no piso. “Era lindo ler 

    que seria minha até depois da morte. Mas eu não

    podia te condenar a mim outra vez.” A

    aperta.

    _Minha vida, assim como a sua, não foi um

    mar de rosas. Também tive uma mãe louca,

    só que a minha matou todas as minhas

    namoradas.

    _Forma bonita de preservar o amor...

    Com muitas namoradas.

    _Você não era uma humana estúpida,

    tinha valor para mim, e merecia ser feliz

    , longe de todo este...este inferno.

    _Eu teria enfrentado as chamas com

    Você.

    _Teria acabado morta, por não ter despertado.

    _Então me deixou ir...

    _Sim. Mas não totalmente...Sempre te protegi

    de longe, mesmo quando pensou está só.

    _Isso não é verdade...

    _Acha que aquele bandido que te abordou

    pegou fogo por acidente?

    _Mas quem me protege desta forma é o diabo.

    _Lamento te informar...mas ele não é o

    único.

    O belo se lembra do tempo que tinha os cabelos longos

    até o ombro, e a vigiava, quando não fingia ser humano. A

    salvando de malfeitores, que poderiam chegar ao lugar no

    qual se encontrava. Algumas vezes não resistia, e entrava 

    em seu quarto, no escuro, e ficava vendo-a dormir. Mas 

    tudo isso parou, quando Bener entrou na vida dela, pois

    o anjo tinha consciência, de que o demônio também 

    poderia protegê-la, por isso partiu. Ela respira fundo

    , e o afasta, deixando-o sem jeito.

    _Obrigada pela ajuda.

    _Mas?

    _O quê aconteceu, não 

    vai se repetir.

    _E ?

    _Você vai contar ao meu 

    marido, mesmo sabendo 

    das consequências.

    _Estou ciente.

    _Não precisa. Eu vi tudo.

    Leviroth aparece na porta do lugar,

    com os braços cruzados. A bela corre

    para o marido, e este fica parado. Os

    olhos dela imploram pelo abraço

    dele, e este a envolve contra o

    peito, encarando o 

    outro.

    _Eu já sabia que isso aconteceria.

    _Você me odeia?

    _Não a culpe Leviroth.

    _Como eu disse, vi tudo Miguel.

    Você a cercou, e ela não cedeu.

    _Não mesmo.

    _Se estão resolvidos. Não tenho

    mais o quê fazer aqui.

    _Vai descansar Izzy. Tá tudo bem.

    Ele a conduz para a sala, e a deixa lá, com um sorriso. 

    Mas ao se virar, a sua raiva cresce tanto, que os seus olhos

    ficam negros por completo, e ele flutua em alta velocidade

    , e pegando o rival pela gola da camisa. O erguendo no

    topo da parede, com completa fúria.

    _Fique longe dela.

    _Depois da rejeição, não tinha

    a intenção de fazer algo 

    mais.

    _Estou falando sério "filinho de

    papai"! 

    _O principe renegado está 

    de volta?

    _Ele nunca saiu. 

    _Eu não vou tentar mais nada

    com a sua esposa. 

    _Ótimo.

    O demônio o coloca no piso. Se sentindo mais calmo, 

    ao ponto dos olhos negros, voltarem ao estado normal.

     "Mas eu não vou ficar longe dela." O agente da um

    escorão no rival, e passa por ele.

     

     

     

     

     

    Capitulo 4- O demônio, o anjo

    e a simbiose.

    .

     

    Leviroth respira fundo, e caminha pelo local, até 

    encontrar o templo do deus Enki, que está sentado em

    um trono, acima das águas. Ao ver o rapaz, o deus o

    chama, e este se curva perante a ele.

    _Levante-se garoto. Tu és um

    nobre.

    _Sou um nobre apenas porquê

    me destes a graça, meu 

    Senhor.

    _Isto não é verdade meu jovem.

    _Não é?

    _É hora de saberes a verdade,

    então observe a tua resposta.

    O deus ergue as águas, e cobre o  príncipe com elas. 

    Ele viaja até o seu passado, e se depara com três bebês.

     "Eis o nascimento da luz, das trevas, e do equilíbrio." Diz a 

    voz de Enki. O primeiro bebê brilha mais que o sol, já o segundo 

    enegrece como o cosmo, e o terceiro, ao contrário dos outros, é 

    escuro com a luz em seu interior. "Tem se falado muito da trindade

    feminina, mas há também a trindade masculina, e aliás esta foi a

     primeira a existir." Prossegue com aquela narração. "O pai é a

     existência, e os gêmeos são vida e morte." Conta, e

    surge Samael, segurando dois bebês, junto de Lilith."Antes do 

    nascimento da escolhida, e se tornar Lúcifer, Samael teve dois filhos 

    inicialmente. Um nasceu de sua sede de sangue, o outro surgiu de sua

     justiça." Gêmeos enfrentam um ao outro na barriga. "A luz forte do

    primeiro filho, obrigou Samael a lhe esconder do mundo, para não o 

    queimar. Enquanto a escuridão se  fez viva." Os irmãos se separam. "A 

    primeira filha de Samael  nasceu. A escuridão não se conteve e tomou-a 

    para si, e com ela, a princesa angelical se juntou." A jovem ruiva abraça

    ao demônio de olhos vermelhos. "A menina ao  contrário dos seus 

    irmãos, não herdou nem luz, nem as sombras, mas sim o controle 

    de ambos." Diz o deus com a sua sabedoria, e surge a bela 

    dançando com o amado acima da terra, enquanto o 

    gêmeo de 

    poder solar, olha para ela. "Os três bebês que viu, são os primeiros filhos 

    sagrados." Agora eles estão mais velhos, cada um 

    reinando de uma forma. O gêmeo solar, lidera um império de fogo. O gêmeo 

    negro, lidera a escuridão, e a jovem deusa fica entre ambos, usando forças de luz 

    e trevas. "É dito que Lúcifer reina no inferno. Isso é uma mentira. Ele está acima disso, e reina nos céus como o senhor do ar, da vida, e da criação." Prossegue. "Ele separou

    Anu e Namu, mas criou tudo isto, e seus filhos ficaram responsáveis pela 

    governança de suas terras."  Diz o deus. "Após os mais velhos, seguirem seus 

    rumos, os mais jovens vieram a se preparar, para serem deuses." Os outros deuses surgem, e cada um tem um dom diferente. "Luciféria treinou os deuses que cuidavam das forças da natureza. Bael cuidou dos seres das profundezas. E você, jovem príncipe Azazel, ensinou os seres das sombras." Ao ouvir o nome Leviroth, respira e se 

    afoga.  O quê obriga o deus, a tirá-lo das águas. 

    _Eu sou Leviroth. O príncipe 

    renegado. O rebelde.

    _Não. Você é Azazel o príncipe

    do caos, e grande mago das 

    sombras.

    _Eu sou filho de Deus e Asherah.

    _Não. Você é filho de Enlil e

    Ninlil. Como seus irmãos.

    _Eu sempre servi a Odin e Gaya.

    _Sua mãe é Nyx e seu pai Eros.

    _Mas Luciféria é filha de Zeus e

    Deméter. Outras faces de seus 

    pais, depois de Hades e Hera 

    prendê-los. 

    _Eu sou o filho de Odin. Não do amor.

    Ali por trás da porta, Isabelle ouve a discussão, e vai

    até os aposentos do pai. No qual o encontra sentado no

    seu trono, e se curva perante a ele. “Minha princesa erga-te,

    e jamais se curve a outro nobre, que não seja você mesma.”

    Diz o deus supremo, e a jovem moça, fica de pé indo 

    até ele, que já tem todas as respostas na

    ponta da língua.

    _Quer saber quem é o Anticristo,e o quê ele 

    e você tiveram. Se Enki mentiu ou não para o

    demônio Leviroth. E porquê o chama por

    Azazel.

    _Sim...Primeiro acreditei que ele era meu

    tio. Depois conclui que era meu irmão.

    _Descobriu o certo minha querida.

    _E por quê sonho que sou mulher dele, se

    sou casada com Leviroth?

    _Porquê a luz busca a escuridão...

    _Então ele devia ter um relacionamento

    gay com Leviroth, ou incestuoso com

    minha mãe.

    _Você não sabe mesmo, qual é o seu

    papel nisso tudo não é?

    _Sou a “messias negra”, nascida para

    guiar o teu povo.

    Isabelle revira os olhos, pois desde o episódio da 

    floresta, deixou de acreditar no seu destino grandioso,

    e Lúcifer ri disso, pois nota na filha, a mesma forma com

    a qual a esposa demonstra desgosto. Elas são parecidas,

    até quando a menina deseja se desvencilhar de tudo, pois

    encontrar a si mesmo no escuro, é o mesmo que achar 

    os demônios insaciáveis de Lilith, que ficam a 

    espreita no fundo da mente.

    _E você sabe o quê significa?

    _Que tenho que liderar suas tropas. Sendo que

    só consigo falar com meus amigos?

    _Não tem a ver com o povo Lucy. Tem a ver com 

    você.

    _Eu não tenho poderes como Afrodite e Tétis.

    Controlo ervas e escrevo o futuro.

    _Sua mãe lhe deu o maior dom dela. O dom

    da noite minha querida, com o qual você fez

    de seus irmãos, deuses abissais.

    _E o quê é esse “dom da noite”?

    _É o dom que dá vida as coisas, e que mantém

    o universo em equilíbrio.

    Isabelle se mostra confusa, e o deus se levanta,

    para lhe ajudar a entender melhor do quê se trata.

    A bela recua temendo o quê está por vir, mas o pai

    a segura, e lhe guia até a câmara, onde mostra os

    velhos tesouros da família luciferiana, e o seu

    diário.

    _E o quê isso tem a ver com o Anticristo?

    _Abra o livro da sabedoria, que seu tio Enki

    fez para mim, e saberá.

    _Acha que estou pronta? 

    _Teve 13 anos para se preparar minha

    querida. Vá em frente.

    _Você vai me proteger?

    _Sempre.

    As mãos dela pousam no livro, e com cuidado ela

    o abre. As folhas se passam rapidamente, até que por

    fim viram vultos, e a bela desmaia nos braços do seu 

    pai, deixando seu corpo para trás, até chegar no inicio

    da civilização da Terra. Luciféria está sentada no 

    lado de uma rocha, com lágrimas em sua

    face.

    _Por quê chora criança?

    _Porquê perdi meus pais para sempre.

    _Eles morreram?

    _Não...Mas Ela nasceu.

    _Ela?

    _Minha irmã...

    _Irmãos são complicados. Por isso quis

    matar os meus.

    _Eu entendo.

    Sem saber de quem se tratava. Ela desenvolveu uma

    amizade com o sol do subsolo, e este também sentiu-se

    ligado a moça, ao ponto de fazer crescer uma flor para 

    sentir seu toque. Ela o via como um amigo, um cão de 

    guarda, para quem podia contar todos os seus 

    segredos.

    _Será que brilho tanto quanto o sol?

    _Consegue ver aí dentro?

    _Sim... mas não estou brilhando no momento.

    _Então como está vendo?

    _Joguei minhas chamas nas velas.

    _Entendo.

    _Tudo bem com você criança?

    _Para de me chamar assim. É só a minha irmã...

    Eu só queria matá-la. Mas não quero acabar

    como você Sr. Rá.

    _É, é melhor tomar cuidado. O escuro pode

    não ser agradável.

    A advertiu. Luciféria tinha tanta estima pelo amigo,

    que a entendia como ninguém mais, que passou a ler

    os arquivos de Miguel, para encontrar uma brecha que

    o libertasse, e o devolvesse para este mundo. Sim, ela

    usou o anjo, para conseguir ajudar o ser que vivia

    nas profundezas, e assim o tirou daquele

    lugar sombrio.

    _Você?

    _Você? É a garotinha...

    _Que você molestou.

    _Luciféria me perdoa...Eu não sabia...

    _Você vai voltar pra jaula!

    Tenta empurrá-lo, mas ele segura sua mão, e a olha nos

    olhos, com suas íris cor de sangue. Ele realmente se sente

    culpado, por ter a tocado indevidamente, mas ela só quer

    mandá-lo de volta para a prisão. Miguel presencia este

    momento, e corre para ajudá-la, assim ambos o

    colocam de volta na caverna. Mas ele percebe que foi a

    princesa que o libertou, e fica chateado. Ela se justifica por

    ele ter lhe entregado a Inanna, que queria matá-la quando

    era um bebê, só que o arcanjo continua magoado. 

    “Luciféria?” Pergunta a voz do submundo.

    _Eu nunca mais quero falar com você!

    _Eu sempre te avisei que era um monstro.

    _Não achava que era o Meu monstro!

    _Se acalme. Não há motivos para gritos.

    _Você me tocou, e abusou de outras!

    _Eu lhes dei a escolha.

    _Engraçado, eu não tive esta escolha.

    _Isso porquê Inanna te odiava.

    Ao ouvir a última frase, ela o deixa falando sozinho,

    e tenta retomar a sua vida como se nunca tivesse lhe

    conhecido. Miguel segue ignorando-a. Céu e Terra não

    devem se misturar mesmo, desde que Enlil ficou entre 

    eles. O arcanjo e novo brigadeiro das tropas do deus 

    Anu, e não o esconde o desgosto, pois realmente

    tinha um sentimento forte pela primogênita 

    de Lúcifer. 

    _Vai me ignorar para sempre?

    _Só por quê me usou para libertar o Diabo?

    Não imagina.

    _Me perdoa. Eu não sabia de quem se

    tratava.

    _Só há um prisioneiro terrível no universo.

    _Como eu ia saber que era ele?

    _Eu não estou nem aí para o quê acha Luciféria.

    Só me importa o fato de ter me traído, para

    ficar com ele.

    _Trair? Nós somos amigos!

    _Correção éramos amigos. Até mais.

    O arcanjo a deixa, e ela olha para o seu irmão mais

    velho, que também não aprova a sua atitude. Ao chegar

    no castelo, Luciféria vê os pais brincando com a irmã, e

    sorrindo, e ela sente muita raiva daquilo, pois os pais

    estavam tão focados em cuidar de Aggarath, que

    nem perceberam o risco no qual ela se meteu.

    “Ninguém me ama. Eu estou sozinha. Sendo esquecida.

    Perdendo o quê me importa.” Se senta encostada de costas

    para a parede, e coloca as mãos na cabeça, como se algo no

    seu interior, quisesse se libertar, e ela não pudesse deixar. 

    Só que como ninguém a vê ela perde o controle, e

    retorna até a floresta proibida.

    Seus pés caminham pela terra molhada. Os olhos violetas

    ficam vazios. O vento bate em seu cabelo que está a mudar de

    cor, deixando de ser vermelho, para virar roxo escuro. A pele

    alva, empalidece até ficar cor de papel. Ela desenha os

    símbolos na rocha, e invoca a destruição.

    _Luciféria?

    _Você precisa me compensar pelo ocorrido.

    _Por quê me libertou de vez? Sabia que posso 

    destruir o universo?

    _Sim, eu sei, e eu quero que faça isso, é a uma

    forma de me agradecer por te libertar.

    _Eles vão te matar, se descobrirem. 

    _Eu não quero viver Sr. Rá.

    A gigantesca e bela criatura, fica assustada com as fortes

    palavras proferidas pelos lábios da criança de 13 anos, e antes

    de fazer alguma coisa para tirá-la dali, ela desaparece, e deita

    na sua cama com os pés sujos. Na manhã seguinte...Há muito

    alvoroço a respeito da fuga de Bael, e ela fica transtornada

    com o fato de se encontrar tão suja. “Não resistiu ao

    amor que tinha por ele não é?” Diz Miguel

    sentado no canto da janela.

    _Do quê você está falando?!

    _Só uma criatura se compadeceu pela solidão

    do demônio. Não há duvidas de que tem culpa

    no cartório.

    _Eu não fiz nada Miguel. 

    _E estes pés sujos?

    _Eu não me lembro. Só estava muito triste,

    Irritada, e fui dormi.

    _Não foi você?! 

    _Não. 

    _Não está mentindo para proteger o seu amado?

    _O quê? Eu não o amo! E sim, não há porquê

    mentir pra você.

    Luciféria cresceu, sem saber do seu lado negro, 

    e por sorte e ajuda do ser do outro mundo, ninguém 

    nunca soube do seu segredo, até aquele dia. Ela agora

    tinha 16 anos, muita coisa tinha acontecido. Azazel e

    ela haviam se envolvido, pouco antes de se casar

    com Miguel, algo que o deixou furioso, ao

    ponto de castigá-la.

    _Não faça nada comigo por favor...

    _Você gosta da escuridão não é? Pois

    vai conhecê-la!

    _Por favor não faça isso!

    _Divirta-se demônio.

    Disse deixando-a trancada na cela do demônio, e

    este estava tão insano de raiva, que não se conteve, e

    tirou-lhe as roupas ali mesmo. “Socorro!” Ela berrou por

    não saber quem estava no escuro. Suas mãos passaram

    pela janela da porta, e só ouviu-se o impacto do seu

    corpo sendo violado friamente. Até que ele viu

    seu rosto na luz, e ficou em pânico.

    _Luciféria?

    _Bael?

    _Eu não sabia...

    _Você...Continua...Sendo um monstro.

    Ela desmaiou em seus braços, e ele derramou 

    lágrimas sob seus pequenos seios. Miguel chegou a 

    este ponto, pois desde pequenos Luciféria e Azazel eram 

    quase inseparáveis. Um cuidava do outro, e  se protegiam

    do resto mundo, por isso mesmo quando ela nutriu uma

    forte paixão por Miguel, o príncipe rebelde sempre foi

    um empecilho. Desta forma, para livrar-se do rival,

    o arcanjo com a ajuda de Inanna, adulterou o 

    DNA dele, e o fez crer ser filho de Anu.

    _Azazel por favor fica.

    _Este não é o meu lugar Lucy.

    _É claro que é. Meu pai te ama como

    se fosse filho dele. Te dará um reino

    também!

    _Eu não quero viver de caridade mais.

    Adeus Lucy.

    Disse dando-lhe um beijo de despedida. “O quê?”

    Olhos confusos o encararam. “Não deixe o idiota do 

    noivo saber.” Riu se preparando para ir. “Por favor 

    fica” Agarrou-lhe o braço. “Me perdoa mas não

    posso.”  Beijou-a na testa, e foi embora.

    A tristeza por não ser filho de Samael, o deixou tão

    devastado, que ele deixou o palácio do pai, para viver

    com o verdadeiro, abandonando sua irmã e melhor

    amiga, e fazendo-a se sentir tão só, que esta

    encontrou refúgio nos braços do

    Diabo.

    “Ela sempre encontra um demônio! Um maldito

    demônio para amar!” Pensava Miguel entorpecido pelo 

    ódio, passando a mão pelos longos cabelos. Após algumas

    horas, ele volta a cela, e tira suas roupas para que

    Luciféria pense que foi ele, e não Bael, pois se

    descobrirem que Anu o protege, todos

    se voltarão contra o supremo.

    Mas esta não é a pior parte de tudo...A irmã de

    Luciféria com seus poderes de criar ilusão, fez a mãe

    crer que esta tinha copulado com o próprio pai, quando

    a culpada pelo crime era a acusadora. Ela foi expulsa

    de Irkala, e mandada de volta a Dilmun, onde

    sofreu grandes humilhações.

    A raiva de Miguel a perseguiu, por todos os cantos,

    até virar uma prisioneira, e quase sofrer abusos na mão

    dos deuses menores. Azazel a reconheceu de imediato

    , e por isso correu até cela, para impedir que o ato

    chegasse ao objetivo. Ao ouvir a voz do grande

    general, todos se curvaram para ele, e este

    foi até a cruz.

    O rosto dela estava vermelho de tanto chorar,

    os cabelos mais escuros que o normal, e ao contrário

    dos cachos, tinham alisado, e caiam sem parar. Ao 

    vê-la naquele estado, ele segurou em sua face

    , quase que em desespero.

    _Quem foi o responsável por isso?

    _Oras Senhor. O brigadeiro Mikael nos deu

    carta branca para fazermos o quê quisermos

    com ela.

    _E alguém fez?

    _Eu fiz. Penetrei o corpo dela com os dedos,

    até fazê-la gritar.

    Disse um deus grande e robusto. Ao ouvir aquilo 

    o jovem sorriu, e o jogou contra a parede, o retalhando

    com a sua adaga, com tanta cólera, que só parou após

    deixá-lo em pedaços. Vendo aquilo, os deuses se

    cobriram, e saíram correndo assustados, por

    temor as suas vidas

    _Você está a salvo agora.

    _Obrigada.

    _Que confusão aprontou para vim parar aqui?

    _De todas as vezes que fui culpada, esta é

    a única que não sou. Nossa mãe me

    expulsou de casa.

    _O quê? Por quê?

    _Ela jura que eu dormi com meu pai.

    Mas eu não fiz isso.

    _Não mesmo?

    _Está desconfiando de mim?

    _É que você nutria sentimentos pelo meu

    Irmão mal, então...

    _Eu estava sendo estuprada na hora.

    Por isso não tem lógica.

    _E quem fez isso com você?!

    _Miguel.

    Ouvindo o famoso nome, e ele a tira da cruz, e a 

    carrega para o canto, onde lhe deita, e a deixa para

    dormir, enquanto sai a caça do rival. “Vigie a cela 13.”

    Ordena para o soldado, e este se recusa. “É melhor

    fazer o quê digo. Pois sou seu superior.” O pega

    pela gola da camisa, e seus olhos ficam

    negros como carvão.

    O gêmeo mal procura pela moça, em forma de 

    luz, e quando a encontra se materializa. Seus dedos

    tiram o cabelo da face dela, e ao vê-la tão maltratada,

    o pouco de sentimento que lhe resta, o faz ter ódio

    do céu, e todas as espécies que a machucaram,

    por isso ele inicia sua vingança.

    Isabelle não suporta todas as visões dolorosas

    do seu passado, e volta a si mesma, acordando no

    sofá dourado de seu pai, que está lhe aguardando

    com um relógio, e uma bandeja com comidas

    apetitosas.

    _Sem refrigerante?

    _Precisa se alimentar melhor e sabe disso.

    O refrigerante é uma arma pra matar

    as células dos mortais.

    _E os pesticidas nas frutas, são tão

    diferentes disso né?

    _Apenas coma. Mandei preparar especialmente

    para você, achei que voltaria faminta da sua

    jornada. Então como foi?

    Pergunta empurrando a bandejinha para ela, e

    esta rejeita. Ele revira os olhos, estala os dedos, e

    lhe dá o refrigerante. Assim ela pega o murffy de 

    morango com chantilly, e o devora numa 

    bocada só.

    _Azazel me ama...

    _Sim.

    _O Anticristo também...

    _De fato. 

    _Mas Miguel é um babaca que merece morrer.

    _Não está tão longe da verdade, mas porquê

    Miguel está entre seus pares?

    _É que aquele idiota me beijou.

    _Ah ele te beijou? Interessante.

    “Esse garoto tá morto. Não vou deixar desgraçar a

    vida da minha filha de novo, ao ponto dela se jogar na

    água, e se perfurar com a matadora de deuses.” Pensa

    sorrindo e ignorando metade do quê a moça diz, pois

    já sabe de que respostas se tratam. Mas ela está

    tão entusiasmada, que não se cala.

    _Eu cheguei a ficar com o anticristo?

    _Sim... Depois que o prendemos outra vez 

    no subsolo, ele a roubou para si.

    _Então o rapto...os meus pesadelos...

    _São reais.

    _Sim, mas por quê me chamavam de virgem?

    _Porquê o cristianismo perverteu o sentido

    da palavra Koré. Devia significar apenas

    jovem e não virgem.

    _Ah sim.

    Ao ouvir aquilo ela fica feliz, e quase salta de alegria,

    pois o tema virgindade, pesava-lhe demais a consciência,

    e saber que o nome foi corrompido, lhe trouxe paz de

    espírito. “Maldita seja a igreja católica, e sua mania

    de demonizar tudo.” Conclui, mas logo a alegria

    vai embora, e dá espaço para a 

    tristeza.

    _ Por quê você e a mamãe me esqueceram?

    _Nunca a esquecemos.

    _Nem viram, quando eu estava falando com

    Bael.

    _Na verdade vimos. Mas acreditávamos que com

    o seu dom poderia equilibrá-lo.

    _Então eu posso curar o ódio dele?

    _Sim, se atravessar a escuridão, e lhe puxar

    para a superfície.

    _Ou seja me envolvendo com ele...

     

    _Me envolvendo com ele... 

    _Sim, mas é uma escolha sua , caso opte por seguir o caminho atual, também pode matá-lo. Isso é o quê poder de Nyx representa para você. _Ele é seu filho...como eu e  Aggarath. 

    _Ele deixou de ser meu filho,  quando cometeu todos aqueles  crimes abomináveis. Ao ouvir a dureza na voz do pai, Isabelle salta para trás, pois pelo  quê o anticristo disse, ela já esteve do seu lado, e deve ter sido renegada da mesma forma, por caminhar com as trevas verdadeiras do universo. Por isso se preocupa, e tenta ficar calada, mas não consegue. 

    _Eu já andei com ele. 

    _Não teve culpa de amá-lo. 

    Com você ele foi bom. 

    _Epa eu nunca o amei. _Será mesmo? Quase destruiu o mundo quando o prendemos. _Eu não me lembro disso... 

    _Você se esforçou para apagar , nas duas vezes. Mas ele não vai deixar assim, então venha e veja... 

    Lúcifer mostra os retratos dos deuses traidores, e na maioria deles , a deusa meio lunar e solar caminha com o sol. Ela julga os inimigos dele, e ele destrói os que a ferem. Para a infelicidade da moça, dá para  notar a ligação entre eles. 

    _Esta... 

    _Sim é você. 

    _Por quantos séculos estive  

    com ele? 

    _Uns 500 anos. No começo ele a  raptou, depois você voltou por vontade própria. _Ele me raptou e eu retornei?! _Sim. Até se casou com ele, como não fez nem com Azazel, nem com Miguel. 

    _Foi forçado né?!  

    _Ele fingiu ser Azazel na verdade, mas depois você descobriu, e não lhe pediu o divórcio. _Eu sei... Já tinha visto isso. Só queria que não fosse real. _É bem real, e você tem que decidir se vai ajudá-lo ou matá-lo. Aquelas palavras ficam na mente  da moça por vários dias. "ajudar ou matar." Fica a refletir, sem saber que partido deve tomar. Afinal era do próprio Diabo que se tratava, porém  apesar dos pesares, ele tinha sido bom pra ela em  alguns momentos, e isto tornava seu julgamento  turvo. 

    Certo dia ele a chama para sair, e ela aceita,  para tirar a dúvida da sua cabeça. Preocupada em ser raptada, pede para irem a um lugar público, e eles ficam sentados na beira de uma escada, em frente a um  museu todo branco. Ao contrário da outra vez, ele não  está mascarado, e está vestido como no helloween,  enquanto ela está mal vestida, lembrando os  nerds da antigas. Não querendo atraí-lo. 

    _Sem máscaras desta vez? 

    _Sem marido?  

    _Ele me deu permissão para vim. _Você sendo submissa? Esse cara tem que me dá o manual! 

    _Vamos nos engalfinhar ou conversar? 

    _Certo. O quê quer saber de mim? 

    _Foi você que me chamou para sair. 

    Achei que você tinha perguntas. _Eu li o escreveu no seu site...Apenas quis ser gentil. 

    Responde bebendo um copo de refrigerante, e  ela olha para o lado, ele oferece a bebida, mas a dama recusa, e por isso ele avança na sua direção,  deixando-a do seu lado. "O quê ele está fazendo?" se afasta dali, mas o copo fica onde ele quer. 

    _Certo. Como perguntar isso? 

    _Sim, você me amou. 

    _Não era o quê ia perguntar. 

    _Mas é o quê quero esclarecer. 

    _Não seja um idiota.  

    _Está certo. Pergunte. 

    Ele passa o braço envolta dela e pega a bebida. Seus olhos frios cruzam os dela, e esta sente o rosto esquentar de vergonha. Por isso se afasta um pouco mais, e ele segura seu pulso, imobilizando-a com gentileza. 

    _Fica calma. Não vou fazer nada. 

    _Foi o quê disse da outra vez... 

    _Nada que Você não queira. Mas enfim veio pra falar de relacionamento, ou quer um esclarecimento útil? 

    _Então relacionamento não é útil?  

    Tanto faz. Como isso aconteceu? 

    _Não, quando quem eu queria não me quer. Foi bem simples você teve síndrome de Estocolmo, e ficou comigo. 

    Responde de forma seca e ela se levanta para ir embora. Outra vez ele respira fundo, e agarra no seu braço, impedindo-a de seguir em frente. Ela volta , e se senta a alguns centímetros de distância. “Isso não vai acabar bem.” Olha para o lado, sentindo arrependimento, e pega o celular. _Eu sei que está aqui para saber se deve me matar ou não.  

    _Mas eu não escrevi isso no site. 

    _Não sou burro, e você sempre foi previsível. Banca a rainha do mal, mas no fundo tem uma gota de piedade. 

    _Esta é a Victória, não eu. _Se veio até mim, o próprio ato contradiz suas palavras. Você sabe que te torturei, que te machuquei, e destruí o teu psicológico. Mas mesmo assim veio me dá uma chance de me redimir. 

    _Não vim para isso. 

    _Não minta para si mesma. Foi usando a justiça a teu favor, que não se tornou tão abominável, mesmo exterminando 75% da humanidade. 

    _Não me lembre disso... 

    _Tem medo? 

    _Não vem ao caso. 

    Ela sente as mãos dele em sua face, e recua. Ele sorri, e se levanta, outra vez bloqueando as chances dela escapar. Preocupada com estes avanços sutis, ela clica na tela para ligar para Victória, mas ele toma o seu aparelho. 

    _Confie em mim. Se quer a verdade. 

    _Por quê me escolheu? 

    _Eu não escolhi, aconteceu, e não fui capaz de deixar pra lá. 

    _Eu cometi atos de crueldade ao seu lado? _Não, embora me dissesse que sentia prazer em torturar alguns pecadores. _Por quê não me deixou ir se não tenho nada a ver com você? 

    _Você se engana. Somos bem parecidos,  mas eu abracei a escuridão, e você ficou com medo dela. 

    _Então fiquei no lado da luz? 

    _Não, você habitou o purgatório. Nem luz , nem escuridão. Tinha desprezo 

    pela primeira, e temia a segunda. Então ficou num lugar próprio. 

    Ela inspira fundo, e ele ri, erguendo a mão. “Segure-a, e saberei que tenho uma chance.” É o quê ele pensa. Ao sentir calafrios, ela evita-o, e  os dois voltam para a escada, onde se sentam. “ Droga. Mas não vou desistir, ela vai ceder. É o destino que escrevi, e a própria deusa mãe abençoou.” Ele revira os  olhos. 

    _Então isso é O equilíbrio... _Não, esta é a sua personalidade. O  equilíbrio é teu dom. _Razão pela qual busca por mim... _Não. Eu te procuro por outro  motivo... 

    Já cansado das escapadas da moça, ele olha em  seus olhos, e a beija de surpresa. Naturalmente as mãos dela sofrem espasmos, e ela o evita, porém por uns segundos seus dedos agarram os dele, não lhe permitindo se afastar. Ele a solta, para ver sua reação, e ela fica com a cara de choro. Os olhos dela ficam vazios, e seu braço se movimenta estapeá-lo, mas este segura sua mão, com tanta facilidade, que é como se tivesse lido seus pensamentos, por isso eles se encaram. 

    _9 mil anos, e ainda reage do mesmo jeito. 

    _9 mil anos? Está de brincadeira?!  _Não. Praticamente toda a sua vida na Terra, foi ao meu lado, até um dos seus amantes  vim te resgatar. 

    _Amantes?! 

    _Azazel e Miguel.  

    _Eles vieram bem antes de você. _Mas foi pra mim que disse “sim” no fim  das contas. E o tapa no rosto, era o primeiro sinal de que acabaria nos meus braços. 

    _Não. Não pode ser. Eu detestei! _Eu senti seus dedos, e eles prendiam os meus. Você queria continuar mas sua consciência, amargou o sabor deste doce prazer. 

    _Não, não queria. Eu levei meses pra te esquecer, e você não vai apagar meu desenvolvimento. 

    _Me esquecer? 

    O interesse dele se intensifica, e ela tenta correr, contudo ele a agarra, fazendo-a ficar contra o seu  peito, para que as mulheres ao redor não vejam o assédio, e criem algum alvoroço, que possa lhe prejudicar de alguma forma. 

    _Fica calma. 

    _Me solta. 

    _Eu vou, e também devolverei o celular. 

    _Mas em troca quer o quê!? Outro beijo!? _Que me responda... Você se lembrou de mim? 

    _Com tantos sonhos foi impossível não lembrar.  

    _Você acreditou me amar em algum momento? 

    _Não importa. 

    _Quer ser livre ou não? 

    _Sim... 

    _Sim quer ou sim me amou? _Sim para o segundo. Mas já matei esse sentimento, agora pode me deixar ir? 

    _Tudo bem.  

    Ele a solta, e entrega o aparelho. Ela de imediato lhe dá as costas, e sai bufando de raiva. “Mesmo que diga não, eu sei que ainda sente algo por mim, e não é desprezo.” Ele se recorda do beijo, e de ter aberto um pouco o olho, ao sentir que os dedos dela ficaram a pressionar os seus. Não havia ódio no ato, no  lugar disso estava uma paixão, que ele poderia usar contra ela. 

    Capitulo 5- O alvorecer do futuro  

    5 meses depois... Isabelle está mudada, não mais passa tanto tempo tempo dentro de casa, ou com os amigos. Caminha por várias ruas e lugares, com uma lata de cerveja na mão, passando por maus bocados vez ou outra, por sua aparência de 16, permanecer mesmo nos seus 25. Sem dizer nada a ninguém foi ao salão, e alisou e repicou o cabelo, algo que seria benéfico, se não fosse pelo o quê veio depois, pintou as unhas de preto, passou a usar batom escuro e se manter em silêncio. Algo que preocupou a todos, menos uma pessoa, que já havia visto esta reação em outras vidas, e não estava nada surpreso. 

    _Está com sérios problemas não é? 

    _Não começa Leviroth. Só me deixa em paz. _O quê aconteceu que te deixou assim desta vez? 

    _Nada. Só voltei a ser mesma Isabelle obscura de antes oras. 

    _A Isabelle de antes era como a lua, obscura mas com brilho, tudo o quê vejo é uma estrela morta. 

    _Volta pra casa. Eu não quero falar com ninguém. 

    _Eu volto mas você vem comigo. 

    Ele a carrega no ombro, e a leva como um cadáver abatido, ela   o olha com indiferença, e fuma um cigarro de menta, bebendo logo  depois. No entanto antes de saírem do viaduto, outro ser também não  muito preocupado surge, trajando roupas bem chamativas. Ao vê-lo  Leviroth, a coloca no piso, porém fica na sua frente, impedindo-o  de chegar tão perto dela. 

    _Velhos hábitos nunca mudam, não é irmão? 

    _O quê você quer? Não vê o estrago que causou? 

    _Vocês dois parem, não quero falar com ninguém. _Eu não fiz nada desta vez. Mas temo trazer más noticias, e acho melhor que ouçam. _Diga e se retire, se não quiser relembrar como foi preso naquela rocha mística. 

    _Já chega, eu não vou ficar aqui. 

    _Fique. Se forem para casa, podem morrer. 

    _O quê? A minha filha está lá! 

    _Não, não tá, quando vi que veio atrás de mim , sem ela, pedi a Victória que a levasse para a minha mãe. 

    _E eu coloquei demônios envolta da moradia, para matar qualquer ser que tente atravessar a barreira. 

    _Por quê faria isso? 

    _É óbvio que é pela Isabelle. 

    Ao ver a onde a discussão daria, a bela os deixa discutindo, sobre “quem é o macho alfa”, e passa entre eles. No entanto ao  chegar perto da rua, sente duas mãos diferentes em seus pulsos,  que a fazem ficar. O espectro deles é muito forte, tanto que a jovem sente tontura ao receber o impacto da  suas energias. 

    _Porquê deveríamos confiar em você? 

    É o filho traidor. 

    _Não se faça de herói Azazel. Esteve ao meu  lado, quando iniciei uma nova gerência dos  mundos. 

    _Gerência dos mundos? É assim que chama o seu golpe de estado? 

    _É até perceber, que meu próprio irmão, queria matar a deusa bebê, que viria a ser minha esposa. 

    _Eu não sabia que também me apaixonaria por ela. 

    _Olha isso não melhora as coisas. 

    _Não melhora mesmo. 

    _São um só espírito mesmo não é? Naquela época , eu só conhecia um amor, o da minha mãe. 

    _Espera dizem que somos gêmeos, está dizendo que... 

    _Não mesmo. 

    _Nós somos filhos de Inanna e Gulgalana. _Mas me disseram que eu era filho de Nyx, ou seja Lilith, como Luciféria e Aggarath. _Inanna é a mãe de vocês? Lúcifer traiu Lilith? _Não. Lilith é a metade de Lúcifer, ele não faria isso com a minha mãe! _Sim. Ele a traiu, mas Lilith nunca soube, por isso ele a fez crer que estava grávida, e quando nascemos, nos roubou de Inanna , e nos deu para ela. 

    _Por quê? 

    _É, posso pensar em mil razões, mas qual delas? 

    _Inanna iria nos devorar. 

    Imagens do passado inundam a mente do anticristo, e este respira fundo, nem sempre fora um pequeno mal, porém ao descobrir que não era filho de Lilith, entendeu que Azazel era,  e por isso ela o tratava melhor, assim se juntou a sua mãe, e tramou as ruínas do atual império em que se vivia. Infelizmente foi só na adolescência, quase na fase adulta que veio descobrir que Azazel também era filho dela, e que ela o fez entender de outra maneira, para que seus planos se realizassem. Lilith não tratava um melhor que o outro, apenas reconhecia as suas qualidades, e ele não era capaz de ver as  suas. Após saber das artimanhas da sua mãe e amante, ele tentou desfazer todo o erro, mas só piorou ainda mais a situação, pois a verdade, destruiu a rainha do Inferno de tal  maneira, que esta enviou o próprio marido para a morte, e este criou um ódio profundo do próprio filho. Todos o julgaram, pelos atos que cometera antes, e desta forma ele enlouqueceu.  

    _Eu deveria ter sido o sol e meu irmão aqui a lua. 

    _Você deveria ter sido luz e eu escuridão. 

    _Então eu nasci para realinhara-los?  

    _De certa forma sim, você desperta coisas boas em  mim, e sombras profundas nele. 

    _Eu inverto a ordem... não a equilibro. _É, e o escuro cresce ainda mais, quando lembro que você quer a minha esposa. 

    _Ela não é a sua esposa. Nasceu para luz e para as trevas, portanto pertence a nós dois. _Sem querer ser estraga prazeres, mas sou monogâmica, e não poligâmica. E não pertenço a ninguém só a mim mesma, o máximo que podem ter de mim é meu coração, mas eu sou eu. 

    _Pensei que era dele. 

    _Eu também pensei, agora estou na  dúvida. 

    A dama revira os olhos e outra vez lhes dá as costas, mas sem fazer alarde, ergue o celular, e se afasta um pouco deles, para tentar conversar com alguém, que não participa desta profecia, ou loucura toda. Os irmãos se entreolham, e se debruçam sob o parapeito do viaduto. 

    _Então qual é a má notícia? 

    _Temos uma mãe ciumenta, que quer que a filha de Lilith morra. 

    _Se afaste de Isabelle, e ela a deixa em paz. Pois não vai representar alguma ameaça. 

    _Não é tão simples. Inanna sabe que enquanto 

    Lucy existir, meus sentimentos serão dela, e por

    isso quer aniquilá-la. 

    _Por quê a quer tanto? É pela profecia de ela ser o equilíbrio? 

    _Não. Quando você e meu pai me jogaram na masmorra dos condenados,  Luciféria foi a única que veio falar comigo... 

    _Porquê não sabia quem você era. 

    _É, mas você bem sabe, que depois ela ficou comigo , por nossa similaridade. 

    _É, tal como eu e ela temos. Mas pelas armações de Miguel, acabei por abandoná-la, e isso te deu certa liberdade de se aproximar não é? 

    _Ou foi o destino que quis que nos conhecêssemos. _Oras Bael não seja tão tolo. Sabe tão bem  quanto eu que nós fazemos o próprio destino. 

    _Não vou discutir. Luciféria, Isabelle, te escolheu. Mas eu a escolhi, e é meu dever protegê-la de nossa mãe. 

    _Está bem, mas tente reviver os velhos tempos  com ela outra vez, e serei o único filho de  gêmeos. 

    Olha de canto para o irmão e este ri, enquanto a bela  liga para alguém do seu celular. Na tela surge o número que termina em 12, mas ela não consegue completar a ligação, e vozes começam a ecoar na linha, como se fossem indistinguíveis. Ela desliga o aparelho assustada , e caminha até os irmãos. Tudo começa a se iluminar a sua volta, fazendo-a ficar em desespero. Seus gritos não tem som, o Anticristo olha para trás, e se transforma em pó ao vento. Leviroth agarra seus pulsos , e ela segura em seu braço, tudo se destrói envolta deles , e a pobre cai no vazio, mergulhando numa escuridão profunda, na qual desaparece. O despertador toca, são 06:03, a jovem se levanta da cama, e corre para tomar seu banho. Está evidentemente atrasada. “Vamos Izzy vai se atrasar!” Grita Benner, e ela desce as escadas , já arrumada para sair. Ele sorri, e os dois entram no carro, seguindo viagem para o quê parece ser os seus empregos. 

    _Tive aquele sonho outra vez. 

    _O do Anticristo? 

    _Sim. Eu não suporto isso, é sempre o mesmo enredo e patético, onde sou o centro de alguma coisa importante, quando na verdade não sou. _Izzy. Eu sou o príncipe do Caos, e seu marido, nós já vimos Lúcifer, e ele te chamou de filha, como pode pensar ainda que não é especial? Você o libertou sabia? 

    _Não sem ajuda. Sozinha, ele teria continuado  preso, e o aconteceu depois disso? Ah é, ele me abandonou, e se fez ser notado pelo mundo! _Izzy. Lúcifer sabe o quê faz. Se ele ficasse do seu lado, certamente você iria sofrer as consequências de carregar o sangue dele, por isso se afastou. 

    _Pois eu preferia “sofrer as consequências”.  Do quê continuar sendo ninguém. _Mas você é alguém. É a rainha do primeiro reino do Caos. 

    _É? Mas quem sabe disso? Aliás quem teme , ou quer fazer pacto com Luciféria? 

    _Os vampiros Italianos?  

    _Não começa. 

    _Ué foi você que perguntou. 

    _Aff. Tá certo. Até mais, chegamos na escola. Ela desce do carro furiosa, e ele ri, observando-a partir, com sua saia longa, salto alto e blazer, como  se fosse a um enterro. “Essa é a minha mulher.” É o quê pensa apaixonado, e então dá a partida. Ela entra na sala, e todos param de fazer suas atividades, para se sentarem no seus lugares. A aula do dia, é sobre como o elo perdido foi desconsiderado, e que apesar dos estudos antigos mostrarem o homem como semelhante ao macaco, este era na verdade uma junção de todas as espécies de mamíferos, répteis, aves, e anfíbios. 

    _Então o Dr. Thomas John percebeu a discrepância na antiga pesquisa, e concluiu que a espécie humana é parente de todos os vertebrados, e não apenas o macaco, como se acreditava antes. _Professora Isabelle. Por quê defendiam tanto que o maior parentesco do homem era com o macaco? 

    _Devia prestar mais atenção na aula senhorita 

    Lina. Como disse Antes, por conta dos velhos estudos , que indicavam que 99.1% do DNA humano era igual ao dos primatas, concluía-se que o parente mais próximo do homem era este. _Professora Isabelle, então a teoria do  elo perdido na verdade é um erro? _Sim, Bill. Esse erro dos cientistas de acreditar que tinha apenas um elo, é uma piada. Já que agora foi comprovado, que o elo não existe, mas a conexão entre as espécies sim. _Professora essa descoberta do Dr. John , não abre ainda mais espaço para se defender a existência do elo? 

    _Sim e não Luíza. Pois a nova teoria de parentesco múltiplo, liga o homem aos vertebrados, mas não unifica todas as espécies. Bom já é 12:00, tenham um bom descanso, a palestra foi longa, e não mandarei dever de casa. 

    A bela termina a aula, e ajeita algo no computador, com um sorriso tristonho. Os alunos se despedem, e vão embora para os seus lares, porém quando a bela chega no corredor, se depara com um grupo de adolescentes de preto, que estão desenhando um pentagrama rubro no piso, e por isso para de caminhar, e observa o feito dos alunos. 

    _O quê estão fazendo senhoritas? 

    _Nada que seja da sua conta santarrona! _É, vai entrar no seu carrinho estúpido, e nos deixe em paz falou?! _Um pentagrama... Querem invocar algo eu presumo. 

    _E se quisermos? Seu Deus falso, não vai poder impedir! 

    _É, aceita que dói menos titia! 

    _O quê acham que são? Filhas do Inferno , que podem atormentar os outros por prazer? 

    _Não que seja do seu interesse, mas é o quê somos. Nós ouvimos o chamado do senhor das trevas! E iremos obedecer cada ordem do libertador! 

    _É nós vmos devastar, esse centro de ensino , para que o apocalipse se inicie aqui. _Vão para casa. Saiam disso. Satã não é senhor de ninguém, na verdade é um idiota , tão mesquinho e mentiroso, quanto o Pai. 

    _O quê você ousou dizer?! Satã irá cortar tua língua! 

    _Tá querendo morrer veia?! 

    _Vocês são uma piada.  

    A professora ri, e vai embora deixando as garotas góticas  para trás. “Essa vagabunda da Isabelle tem que pagar!” Pensa  a líder do grupo, e lhe lança um feitiço quebra ossos, porém ao receber aquela energia tão tenebrosa, a dama abre suas asas , e o poder da bruxa se torna inofensivo. Ao ver aquilo as jovens se apavoram, pois percebem que a educadora , é na verdade um anjo.  

    _Deixem-na em paz!  

    _Aaaah! 

    _Olá... 

    _Ela pode destruir suas almas se quiser. 

    _Sa-Satã... 

    _Pai. 

    _Olá minha garotinha favorita. 

    _Satã é seu pai?! Mas você é um anjo! 

    _Perguntem a Lilith, foi ela que me gerou. 

    _Isso é verdade. 

    _Você é filha de Lúcifer e Lilith?! _Não. Sou filha de Bruna, a bruxa mestiça que deveria reinar ao lado de Satã, segundo uma série tosca de televisão. 

    _As aparências realmente enganam não é? O rei do inferno, se transforma em uma pilha de pó, e rapidamente volta a sua forma humana, que é idêntica a do ator do programa de TV.  As meninas se escondem atrás da líder, e esta faz sinal para que se afastem, e se curva  aos pés do belo homem, que acha graça do fato,  e segura no ombro da professora. 

    _Você está aqui em busca da próxima Bruna, como A madame escuridão? 

    _Em primeiro lugar, eu detesto Bruna. Em segundo jamais procuraria pela próxima bruxa poderosa, pois depois de Lilith eu sou a única. 

    _Pode parecer arrogante mas é verdade, ela é a primeira da minha linhagem com Lilith, e portanto carrega mais genes divinos que os demais. 

    _Mas você odeia magia, só se foca em ciência e fatos concretos. Isso não tem lógica! 

    _Tenho minhas razões, não é papai? 

    _Ela me odeia porquê quis protegê-la, e dei fama e poderes as suas irmãs.  

    _E o quê isso tem a ver?  

    _Tem a ver que graças a esse idiota, eu não alcancei o meu status de Deusa, e por isso sofro humilhações nas mãos de humanos estúpidos feito vocês. 

    _Desculpe. 

    _É por ser tão simpática, que ainda não tem tantos  seguidores minha bravinha. 

    _Desculpa, mas sorrisos falsos não são pra mim. Olha com indiferença, enquanto os olhos vão para o teto, com certo desprezo, e ela cruza os braços. Ele ri e a abraça forte, ela fica com os braços colados ao corpo, evitando aquele gesto de carinho, o quê deixa as garotas horrorizadas, pois dariam suas almas para serem filhas. 

    _Igual a mãe quando sente raiva. São as únicas mulheres, que tem tanto poder sobre mim. _Não é o quê soube. Afinal sua filha com Inanna , tem o prazer de jogar isso na minha cara, enquanto está lá no topo por sua voz de sereia. 

    _Sexo e amor é diferente. Eu tenho responsabilidade por Victória, pois ela e o seu marido são frutos do meu deslize. Mas eu amo você e sua mãe. 

    _É um deslize antes e depois do meu nascimento. Tem certeza que nos ama mesmo? Eu duvido. _Está bem, não estou aqui para discutir o quê é o certo ou errado.  Vim para te ajudar, mas já vi que pode se virar sozinha. 

    _É o quê acontece, quando o próprio pai nos abandona no mundo! A gente tem que saber se cuidar! E aliás eu votei na família Messiânica pra presidente! 

    _Grande coisa eu fiz o mesmo nos E.U.A! 

    Ele berra, e ela vai embora fazendo o sinal do cotoco , ignorando todo o tumulto. Ao ver aquela discussão, as meninas notam que mesmo no Inferno há conflitos, como  na vida humana, e correm para abraçar o papai renegado, mas este faz um sinal para que não se aproximem, pois se sente muito triste pela rejeição da sua primeira e única filha com Lilith. 

    _Ela é uma grata senhor. 

    _Não, não é. Aquela menina sofreu demais por minha culpa, ela tem razões para me odiar. _Como pode defendê-la depois de tamanha recusa? 

    _Ela é filha do meu grande amor, e este amor se 

    estende até a minha menininha. 

    _Deixe-a ir senhor. Ela é apenas uma, enquanto nós somos muitas, e daríamos tudo para sermos suas filhas. 

    _Eu não preciso de mais filhas.  Preciso é de menos, e se querem tão desesperadamente o meu apreço , devem começar por ela. 

    _Mas senhor! 

    _Sem mais. Se querem ter alguma importância no inferno, devem fazer a minha princesinha se sentir como tal. 

    No dia seguinte... Isabelle está no computador, preparando o material para a aula do antigo DNA lixo, que agora é conhecido como DNA Ouro, pois graças a esta brilhante descoberta, que o Doutor John fez uma revisão da antiga pesquisa, que mostrava os humanos como parente mais próximos dos primatas, e isto seria útil para a futura prova. Uma das meninas do dia anterior, a olha sem jeito, e entra na sala. 

    _Veio trazer algum recado das suas amiguinhas adoradoras de Satã? 

    _Não. Eu vim pedir uma trégua, e que me ajude pois se as outras descobrirem, elas me matam. 

    _Por quê eu deveria te ajudar? 

    _Eu não levantei a voz para a senhora, ao contrário das minhas amigas. 

    _Mas também não teve coragem para ficar ao meu lado, então repito por quê deveria te ajudar? _Eu posso te tornar uma deusa, por quê acredito em 

    Você. Depois de ontem encontrei o seu site Senhora Noturna, e percebi que você não é só a filha de Lúcifer. 

    _O quê quer dizer com isso? 

    _Você é a Arádia. A nossa messias sagrada, que veio para proteger o povo da escuridão, e nos guiar junto do Anticristo. 

    _Ah meu outro segredinho foi descoberto. O quê acha que ganhará com isso? Fama, sucesso, poder? Não sei se notou mas sou só uma professora do segundo grau. 

    _Nada. Apenas poderei ajudar a minha mãe, a subir no trono que sempre lhe pertenceu. 

    _Do quê está falando?! A minha única filha é Isandra! _Não segundo essa marca. Eu sou filha de Arádia e o Arcanjo Miguel, portanto pertenço a  

    você. 

    _Como posso saber que isso não é um jogo de manipulação , para saberem as minhas vulnerabilidades? 

    _Porquê ela não está mentindo Luciféria. 

    Diz um homem de cabelos longos entrando no lugar, e a dama se afasta, empurrando o computador com as unhas pintadas de preto, totalmente atordoada pela figura. Sim era o próprio anjo que estava ali diante dela, confirmando a história da menina, e para ter certeza, este abre as asas, e seus olhos mel se tornam azuis, enquanto os dela ficam violetas, iguais aos de um dragão. 

    _Eu soube que tive filhos de Belzebu, mas de você? _Foi há muito tempo, quando desisti do céu para que pudéssemos ficar juntos. Infelizmente você morreu no parto, e Bael apagou sua memória para não te perder pra mim. 

    _E quem é a mãe dela desta vez? Posso saber? _Ela não tem uma mãe específica, foi feita no  laboratório, com os genes e a essência de  nossa filha Laura. 

    _Espera eu só posso produzir meninas? 

    _Sim, mas houve uma vez que gerou um garoto, só que  ele seguiu seus passos e virou bissexual. _Faz sentido. Desculpe Laura, eu não me recordo mesmo, mas isso não significa que vou te abandonar certo? Agora se me derem licença, eu preciso ir  para a minha vida humana. 

    Ela tenta sair daquele local, mas o arcanjo segura no seu braço, e lhe diz algo no ouvido. Ao ouvir tais palavras, ela engole aquilo com desgosto, e lhes dá as costas. “Qual o tipo de vadia que eu fui na outra vida? Já é o 5 filho que me aparece.” Pensa entrando no carro, e então dirige para a casa. 

    Ao contrário do quê se possa imaginar, a professora não mora numa casa qualquer, mas sim numa enorme  mansão, com detalhes antigos, e não é o seu salário que arca com isso, mas sim os seus investimentos em ações da bolsa. Ao vê-la a pequena Isandra corre para lhe abraçar, e as duas entram na casa. 

    Benner está sentado na frente do computador, verificando os lucros da família Calligari de La Cruz, mas ao vê a esposa e a filha larga tudo, e vai lhes dá atenção. Os três entram numa sala escura, onde tem um sofá marrom bem confortável, com uma gigantesca tela de plasma, e todos os tipos de eletrônicos , de realidade virtual, que se possa imaginar. Cada um coloca o seu capacete, e então os três vão para outra realidade, que se passa no tempo medieval, mas tem muitos detalhes bem futuristas, na qual Isabelle é um anjo, Benner um arqueiro demoníaco, e a filha uma curandeira. 

    _Lá vem o dragão! 

    _Se abaixa Isa! 

    _Você também Izzy! 

    _Socorro! 

    _Isaaa! 

    _Izzy!  

    _Mãe! 

    _Deixem comigo! Grito de Tiamat! 

    _Flecha da Fênix! 

    _Cura mágica! 

    Ondas devastadoras saem dos lábios de Isabelle, e ela flutua no ar. Uma fênix gigante em forma de fogo, cobre o gigantesco dragão, e este gargalha sem parar, enquanto o escudo protege a família. O dragão se transforma em um homem de longos cabelos pretos, e olhos vermelhos, que quebra a cúpula de energia, e sequestra a avatar ruiva. 

    _Mamãe! 

    _Isabelle! 

    _Benner! Isandra! 

    A dama grita e então todos retornam para a mansão, menos Isabelle, que é puxada para a França.  Onde acorda nos braços de um homem semelhante ao avatar, mas de olhos castanhos quase vermelhos, em vez de brilhantes cor de rubi. Ao ver que não voltou para casa, ela tira o capacete em estado de choque , e se afasta da estranha figura loira e vitoriana, pegando a primeira faca que aparece para se defender. 

    _Quem é você?! E o quê quer comigo?! _Sou um velho amigo, que tem te acompanhado  a vida toda. 

    _Você se ferrou. Miguel apareceu ainda pouco. 

    _Não sou Miguel. Sou Bael. 

    _Bael não é meu amigo, e você não é Belzebu. 

    _Garota eu te transferi do seu país para o meu , enquanto estava jogando. Literalmente distorci a realidade ao meu bel prazer. Tem certeza de que não sou? 

    _Tem uma possibilidade de 75%. _Sempre cabeça dura.  Quer que te prove de  outra forma? 

    Os dedos com unhas grandes seguram o rosto da bela dama, enquanto ele sorri pronto para beijá-la, mas ela se afasta dando um passo para trás, com o olhar de nojo. Ele revira os olhos bem irritado, e a pega pelo pulso, levando-a a força para o sofá, onde a joga de mal jeito, fazendo-a fechar as pernas com rigidez, por temer que ele veja o quê tem por baixo da sua saia longa. 

    _Acabou o romance? Que rápido! 

    _Você é uma idiota. 

    _Me trouxe da América do Sul, só para me xingar? 

    Eu devo ser muito importante mesmo pra você! 

    _Você é, e sabe disso. Não se faça de tonta. _Certo. Eu estaria horrorizada, se não tivesse sido quase abduzida por você há 4 anos. Pode falar então por quê me sequestrou dessa vez? 

    _Estava com saudades. 

    _O idiota agora é você pelo visto. 

    _Eu não pude resistir. Você e sua família devem ir para o subsolo, daqui há 3 horas  se quiserem viver. 

    _Por quê? 

    _Tenho planos para iniciar a fundação do Novo Mundo. Por isso estou te avisando. 

    _E a minha casa? Eu levei 3 anos para conseguir a mansão!  

    _Ah para de choramingar. Eu te arrumo 3, em apenas 4 minutos. 

    _É se me tornar a Senhora Zebu. 

    _Não, isso vai ser em breve, mas não vem ao caso. Apenas arrume as suas coisas, e vá para o local indicado. Quando sair de lá, tudo estará  normal. 

    _Eu nunca vou me casar com você! _Disse isso da outra vez, mas aceitou de bom grado, minha querida Ishtar. 

    _Me mande logo para casa, e nunca mais me chame por esse nome maldito, dado em homenagem a sua primeira esposa. 

    Diz dando as costas para o homem, que segura em seu ombro, e lhe dá um aparelho com as coordenadas  do local para onde ir. Ela pega o tablet, e ele lhe dá um  abraço forte, como se quisesse evitar o seu sofrimento, porém ela não retribui, age da mesma forma que fez com o pai, e ele se obrigado a apelar, e a beija  

    no rosto, perto da boca. 

    _Se controle. Tudo o quê aconteceu foi há  mais de mil anos. 

    _Pra mim foi ontem. Há alguém mais que queira proteger, e alertar? Meus homens podem cuidar disso. 

    _Deixa que eu mesma aviso. Quanto tempo ficaremos lá?  

    _Até a fumaça se dissipar.  

    _Fumaça? 

    _Para o novo mundo existir, o velho precisa ser destruído. Em breve saberá mais detalhes. 

    _Eu tive muitas visões...Não é o quê... _É exatamente isso, e enquanto o seu poder  não for desbloqueado, é melhor que esteja em  segurança, junto dos seus amados. 

    _Não vai me separar deles vai?  _Não, mas quero que coopere e nos ajude a  libertar o seu poder. 

    _Por quê? 

    _No novo mundo, o homem vai caçar as bestas, e só eu não vou poder proteger a todos. _A velha história do Anticristo e a Messias negra. _É, mas não iremos nos casar, a não ser que queira. 

    _Pode ter certeza que não quero.  _Então assim será, mas te garanto que não vou desistir, não programei todo o mundo , para ficar sem a princesa no final. 

    _Me manda pra casa! 

    Ela grita com raiva, e ele a manda de volta para a mansão. O corpo dela se materializa, e a bela retorna para o lar. Tudo está escuro, e Isandra e Benner foram atrás dela. Sem pensar duas vezes, pega o telefone, e liga para eles. Infelizmente não há sinal, por isso ela pega o punhal na gaveta,  e vai atrás deles. 

    Há um céu cinza, com névoa por toda parte. Em vez de usar os sapatos altos, ela está com uma bota de plataforma baixa, e uma bolsa preta com a alça envolta do corpo, na qual guardou a lâmina. Ela sai da moradia, olhando para os lados em total desespero, preocupada que não os ache a tempo. 

    _Bael? 

    _Oi. Precisa de ajuda? 

    _Sim, essa sua manobra idiota, custou a minha família! 

    _O quê? Como assim? 

    _Eles desapareceram! Se isso foi alguma armação sua, eu juro que vou libertar meu poder pra te matar! _Se acalma princesa mimada. Eu vou localizá-los, e os mandar para o bunker em segurança. 

    _Eu não confio em você! 

    _Vai precisar. Desça e aguarde a minha ligação. 

    _O estranho é que seu número funciona. Bael! _É criado para ser um número de emergência,  por isso funciona. Agora desça. 

    _Eu... 

    _Eles estarão lá acredite em mim. Até mais. 

    _Bael! 

    _O quê é? 

    _Vou escrever uma lista de 10 pessoas que quero proteger. 

    _Ainda bem que não é amada pelo mundo, senão não iria me deixar destruído. Vou salvar todos. 

    Ele desliga, e ela fica preocupada, em vez de obedecer, pega o carro, e vai para a cidade. Ao perceber que ela não o ouviu, o anticristo se enfurece, e toma controle do veículo prendendo-a contra o banco, com o cinto de segurança, que agora é feito  de nano filamentos  automatizados, e por isso podem ser manipulados por hackers. 

    _Não pode ir pra cidade sua maluca! 

    _Você não vai me impedir de salvá-los. 

    _Eu já disse que vou te ajudar! 

    _Eu já disse que não confio em você! _Ah finalmente! Pronto! Eles estão há 10 km de você! E ainda tem 2 horas para achá-los! Se acalma! 

    _Avise-os. Eu vou até lá! 

    _Eu vou te guiar.  

    _Avise-os! 

    A voz do rádio para de responder, e ele lhe devolve o poder de dá a partida. A professora dirige até o local indicado, e não  acha ninguém ali, por isso pega o seu celular e volta a ligar para os seus familiares. Novamente não há sinal, e por isso ela bate violentamente contra o painel, com tanta raiva que parte do  seu poder desperta, e ela quebra o motor. “Porra!” Grita furiosamente, e se agarra ao volante entre lágrimas. 

    _Luciféria? 

    _O quê quer?! Me mandou pro meio do nada! 

    _Levante o rosto... 

    _Leviroth!  

    Ela abraça o marido, e olha para o lado procurando pela filha, mas ele explica que a menina está dormindo dentro do carro, pois desmaiou após caminhar por horas, procurando a mãe. Ao ouvir isso, a dama se sente culpada, e se lembra de Laura, que deve está em casa sem saber o quê está para acontecer. 

    _Bael? 

    _Sim.  

    _Por favor avise Laura Miller e Nicolas Miller. 

    _A sua aluna e o pai? Por quê? _Ela é uma das minhas futuras aprendizes, e aquela que já demonstrou lealdade, ela merece isso. 

    _Tudo bem mais sua lista de 10 pessoas com conexões, fecha aqui ok? Não sou Jesus para  salvar todos. 

    _Na verdade é sim. 

    _É mas o “todos” a que me referia eram os meus escolhidos, o resto são pecadores. 

    _Agora a bíblia faz sentido. 

    Brinca e o demônio ri desligando o aparelho. Ao notar algo errado, o príncipe do Caos quebra o rádio, e entra no veículo. Sentando-se com ela, no seu colo. Ele lhe dá uma  mordida no pescoço, tentando arrancar a toda a verdade  dela, mas a mulher percebe, e ri da tentativa. 

    _Está bem eu conto demônio chato. 

    _Então não perdi o jeito. 

    _Laura é minha filha. Minha filha da época em que era Arádia e Miguel caiu. 

    _E Nicolas é  Miguel. 

    _Sim, ele tem cuidado sozinho da Laura, e ela é uma boa garota mas tem andado com más companhias. 

    _Já se apegou a garota. 

    _Sim. Promete que não vai armar pra ela morrer? 

    _É claro. Elisa foi uma lição. 

    _Se algo der errado, eu mesma a destruo. 

    _Está bem. 

    Ele a abraça, e os dois mudam de carro. Ao entrar no Saveiro prateado do marido, ela encontra a filha dormindo, enrolada na sua jaqueta, e sorri, fazendo carinho na cabeça do seu par. Eles seguem até uma estação abandonada, na qual encontram outras famílias sobrenaturais, que aguardam  pelo metrô. Laura e Nicolas, estão no canto, junto das  amigas da filha de Isabelle, e isto não lhe agrada nem um pouco. 

    _Fiquem aqui. 

    _É a Laura Miller? 

    _Sim. 

    _Izzy. Faltam 23 minutos para o trem chegar. 

    _Eu resolvo isso em 2! 

    Diz caminhando em direção a adolescente e as amigas, e para diante delas, olhando para Laura com bastante fúria. Ao vê-la entre o sobreviventes a menina arregala os olhos, e cospe o sorvete que o pai comprou. Sem dizer uma palavra, a garota vai até a professora, e as duas se afastam. 

    _Eu quis te proteger. Não essas inúteis. _Elas são minhas amigas Isabelle, não podia deixá-las morrer. 

    _Aliás cadê a rainha boca suja de vocês? 

    _Essa daí eu posso deixar pra trás. _Está dando um golpe de estado? É isso que Nicolas tem te ensinado? 

    _Mãe eu preciso assumir o meu lugar. 

    _Se é um lugar roubado. Não é para ser seu. _Você teria feito a mesma coisa no meu lugar. 

    _Não, eu teria deixado Todas para trás, ou escolhido quem fosse leal a mim. Essas garotas não gostam de você Laura! Elas só gostam de permanecerem vivas! _E o quê quer que eu faça?! Deixar que todos me odeiem como você?! _É melhor ser odiada por idiotas, do quê ser amada por eles por 2 minutos, e morrer com uma faca cravada nas costas. _Ninguém nunca vai te matar, porquê não tem uma pessoa te seguindo. _Escute aqui pirralha. A única razão para sobreviver a este Armagedom, é porquê o Anticristo me escolheu. Então dobre a língua ao falar comigo. 

    Diz furiosa, e se afasta da garota, indo para a sua outra família, que a recebe de braços abertos, e sorrindo. Laura estava iludida, sobre o quê ter poder, e se chateia muito , ao ver que a irmã, é muito mais parecida com Arádia , do quê ela, por isso engole sua raiva, e volta para as amigas. 

    Isabelle se senta ao lado de Benner, e carrega Isandra no seu colo, enquanto revisa os nomes das 10 pessoas que ela escolheu para sobreviver. Os primeiros 4 nomes são os mais conhecidos. Não é porquê ela e as amigas perderam o total contato, que ela não iria lhes querer bem. Infelizmente o nome de Natasha é riscado, pois esta se recusa a “Viver em paz, em cima de um castelo, que é sustentado pelo sangue de negros e homossexuais.” Ao ler isso a bela ri com compaixão. 

    Natasha tinha sido tão cegada pela mídia, que nem era capaz de perceber, que não havia mais distinção entre os ricos e os pobres, mas sim entre os seres paranormais, e os humanos. Nada era mais azul ou branco, e sim um perfeito e profundo negro, que unificava as espécies mais fortes. 

    O trem chega e as portas se abrem. No tablet de Isabelle se encontra a recomendação de que siga no segundo trem com a sua família. No entanto por manipulação da própria, Laura deve mandar as amigas no primeiro, e pegar o  próximo. Sem sequer se despedirem da menina , as bruxas entram no transporte. 

    É quando Laura percebe que não tem mesmo amigas, pois estas seguiram o caminho, abandonando-a para trás, por acharem que há mais chances se entrarem no primeiro trem. Ao ver isso Nicolas abraça a menina, que chora sem parar, implorando para que fiquem com ela, mas as garotas só prezam por sua sobrevivência. 

    O segundo trem chega, e por ironia do destino, ou mesmo manipulação do anticristo, Isabelle, Benner, e Isandra, dividem o dormitório com a família Miller, que fica feliz e triste por se juntarem aos De La Cruz. Nicolas e Benner se encaram de imediato, e Isandra e Laura também, o quê faz Isabelle se sentir desconfortável, ao ponto de se sentar no meio deles. 

    _Isa diga olá para Laura, ela é sua irmã. Sim Benner. Nicolas é Miguel. Sim Miguel , Benner é o Rei Leviroth. _Olá “irmã.” _Olá “irmãzinha”! 

    _É um “prazer” Nicolas. 

    _Digo o mesmo Benner. 

    _Por favor não briguem.  

    _Não tenho porquê mamãe.  

    _Eu menos ainda mãe. 

    _Posso conviver com isso. 

    _Eu também. 

    _Alguém me trás muita cerveja! 

    _Eu quero 1! 

    _Eu quero 3! _Isandra Sônia Calligari De La Cruz, Você não tem idade para beber. 

    _Nem você Laura Irina Miller! 

    _Pelo menos concordaram em algo. 


    Capitulo 6 – O Ataque 

    O vagão para por um momento, ao chegar diante de um túnel. A família De La Cruz e os Miller acordam de seus sonos leves. Um grupo de serviçais de branco e mascarados, entra nos quartos, com bandejas, nas  quais se encontram máscaras de aves, para impedir a entrada do ar. A maioria delas é de corvo, mas há uma de coruja, que traz um bilhete específico para Isabelle. “Os líderes devem ser distintos dos sobreviventes. Você entrou no transporte vip do Inferno, aproveite a sua estadia.” Ao ler tais palavras, ela engole seco, e coloca a sua proteção estilizada. Curiosa para saber o quê está havendo, a bela cutuca um dos serventes. 

    _Qualquer um pode colocar essa máscara? _Não senhorita. O senhor Bael disse que a coruja é especificamente para você. 

    _Por quê precisamos das máscaras? 

    _Logo entraremos no Novo Mundo. Mas para este Nascer, o velho deve deixar de existir. 

    _Será uma bomba de gás? _Sim. Queremos destruir os impuros, não o planeta. 

    _Está bem. O quê ele faz? 

    _Logo verá em primeira mão. 

    A mulher sorri, colocando a máscara de pombo negro, e se retira. Após todos se vestirem adequadamente, um alarme é ressoado, e  se abre uma porta no escuro. Dentro de cada corredor, desce uma tela de plasma, que transmite o quê está ocorrendo no mundo  afora. O caos se espalha por cada continente, muitos se escondem nos bunkers, e bem ao lados dos trilhos, é possível presenciar toda a confusão. O gás é inspirado pelos cidadãos, que foram pegos  desprevenidos, e estes morrem em questão de segundos , vomitando sangue. O metrô do novo mundo para. Os que estavam conspirando contra o sistema, surgem em grande escala, e tentam abrir as portas. Há uma mãe segurando um bebê recém-nascido nos braços, que não para de chorar, com a sua pequena máscara de gato azul. Ao vê-la Isabelle, corre para lhe ajudar, só que antes que chegue a porta, surge uma mulher leoa. “Uma cobaia de Thomas John?” Nicolas conclui, ao olhar para a marca de um T e um J entrelaçado nas costas da criatura, que está a devorar os órgãos saindo do peito da mãe, com a boca toda suja de vermelho, enquanto o bebê mole se rasteja pelo piso, tentando sobreviver, machucado por suas garras. “Ele vai morrer!” Isabelle grita ao ver a criança. Notando o olhar de Nicolas e de Benner, ela percebe que ninguém está disposto a ajudar, por isso escapa pelo meio da  multidão, e abre as portas deixando o gás venenoso entrar. A bela coruja corre até o bebê, e a mulher leoa sente o seu cheiro. “Isabelle!” O outro ser com fantasia de coruja, fica apavorado pela situação, só que por medidas de segurança, o esquadrão dos brancos, fecham as portas. “Eu sou o chefe de vocês! Não podem deixá-la para morrer!” Discute com a equipe das aves noturnas, e enquanto isso Benner e Nicolas tentam sair para salvar a jovem mulher. “Eu, eu vou te proteger.” Ela diz com lágrimas, pegando o pobre bebezinho, que não para de chorar. Os seus berros são detestáveis,  só que naquele momento, tudo o quê quer é salvá-lo. A barriguinha dele, está coberta pelo fluxo escarlate, que não para de sair. “Não, não, não”  Ela abraça o menininho, segurando sua cabecinha chorona, ao correr da leoa humana. Porém esta pousa na sua frente, e atira a cabeça da mãe, ao seu lado. Fazendo-a ficar rígida de medo. 

    _Me dá a sobremesa. 

    _É uma criança! Não pode fazer isso! 

    _Ele iria crescer e destruir o novo mundo! 

    _O quê? 

    _O olho de Deus nos mostrou o futuro. 

    _O futuro não é inalterável. 

    _A única chance do mundo prosperar é se ele morrer. 

    _Então o mundo vai ser destruído. 

    Por quê eu não vou entregá-lo! 

    Ela grita, e a fera vai para cima dela. Ao ouvir o rugido, Benner, Bael,  e Nicolas, olham para a direção da moça, e ficam em pânico, pois há  uma falha na contenção, e sua roupa é rasgada, fazendo-a absorver   a névoa venenosa. Ela grita, e gotas vermelhas mancham o piso de  azulejo branco. Pouco a pouco, sente o veneno fazer o efeito, e se torna difícil respirar, só que ainda sim não larga o  nenê. 

    _Já chega Esfinge! 

    _Mas senhor ela está com o bebê! _Não importa! Encoste um dedo  nela, e eu juro que te mato! 

    _Sim senhor. 

    Esfinge se retira do local, e o anticristo vai até a moça, que segura o menininho contra o peito, cuspindo sangue sem parar. Ele a pega em seus braços, e passa a mão em seus cabelos, vendo-a empalidecer cada vez mais. “Isabelle que bobagem foi fazer?!” Pensa ao olhar para os seus braços, que seguram o garotinho, que também está prestes a morrer. “ 

    Isso foi idiota! É apenas um mortal!”  Mostra o olhar desaprovador 

    , então a bela agarra em sua gola com a mão livre, e o olha 

    implorativa. 

    _Salva o meu bebê. 

    _O quê? Surtou? A mãe dele é outra! 

    _A mãe dele sou Eu agora. _Isabelle não! Você vai ter que ficar pra trás se o quiser! 

    _Odin. Odin é o nome dele! 

    _Você está morrendo! 

    _Salva o meu bebê! 

    Ela berra em desespero antes de desmaiar no seu colo. Notando que não há como convencê-la de abandonar o garotinho, ele descobre o rosto, e morde o seu pulso, sugando o próprio sangue, para guardar na bochecha. Os lábios não param de pingar, e por isso ele transmite a cura da morte para ela com o  seu beijo fervoroso, que não é retribuído. Os olhos se abrem, mas não são  cor de mel, e sim violetas azulados, semelhantes aos de um dragão. Ela percebe  que foi salva por ele, e lhe bate para que ajude a criança também, obrigando-o a alimentar o bebê, como se fosse um passarinho. O olhinho da criança se abre, e a bela sorri, estranhando aquela reação o anticristo fica  desconfiado.  

    _Por quê fez isso? 

    _Eu não suportei ver um bebê morrer. _Para o novo mundo existir sacrifícios serão feitos, precisa se acostumar. Não vai poder salvar todas as crianças do mundo. 

    _Eu sei. Mas quem puder salvar com toda certeza eu irei. 

    _E o quê vai fazer com isso? 

    _É um menininho. 

    _Tanto faz. Não pode entrar no bunker com ele. 

    _Então eu vou ficar aqui. 

    _Ah não. Eu não te avisei como proteger os seus amados, para você ficar no velho mundo. 

    _Então terá de aceitar a mim e o  bebê. 

    Benner e Nicolas se aproximam com as meninas, que ficam assustadas pela forma como mãe segura o bebezinho. É claro que ninguém aprova a decisão da moça, mas como Bael tem autoridade sob o conselho, ela entra no transporte, e é levada para o novo mundo. Todos ficam descontentes pela conexão que ela teve com o recém-nascido, e por isso quando esta dorme ao lado do bebê  e as suas filhas, estes se reúnem fora do vagão, e discutem sobre o quê  está havendo. 

    _O quê foi aquilo lá fora? 

    _Acho que tenho uma ideia. 

    _Também acho. 

    _Desembuchem. Ela é a mulher mais complexa do mundo, não deu para ler todos os seus arquivos. 

    _Isabelle sempre quis ter um menino. _Mas de acordo com os avanços científicos , ela só pode produzir meninas. _Então ao ver o menino que perdeu a mãe, ela não perdeu a oportunidade... _Sim. Ela o chamou de Odin não foi? Odin é o nome que daria para o  nosso filho. 

    _Ela deve pensar que é coisa do destino. Ninguém vai separá-la desse menino. _É mas segundo o olho divino ele é  o homem que vai destruir o meu império. 

    _Não vejo mal nisso. 

    _E eu menos. 

    _Típicos dos homens que não fazem a diferença. 

    No dia seguinte... Isabelle cuida da criança que adotou, com a ajuda da  equipe de cientistas do anticristo. Em vez de se opor a criação de Odin, o belo e ardiloso homem de negócios, se aproxima da bela e o novo filho, e tenta manipulá-los. “Leviroth não quer ser o pai dele, não é? Eu assumo  a responsabilidade.” Ele se oferece para dar seu sobrenome ao novo membro da família de Isabelle, e ela nega com educação, pois  ao que parece Leviroth aceitou o nenê. 

    _Ele tem o meu DNA. Eu o salvei da morte. 

    Mereço ser o pai dele. 

    _Bael. Benner já aceitou. 

    _Mas fui eu que salvei vocês. 

    Não é justo. 

    _Qual é o seu interesse no Odin? 

    _Ele vai destruir o meu império Isabelle. Mas acredito que se for o pai dele, posso mudar isso.  

    _Vai manipular ele? 

    _Se eu for um bom pai, não haverá razões para odiar o quê construí _Na boa Bael. Cê surtou. 

    _Me dá ao menos uma chance. 

    _Não. Ele será um De La Cruz. 

    Não um Baltazar. 

    Benner chega a estufa onde a esposa brinca com o bebê, e se depara com ela e o anticristo conversando de maneira bem íntima. Seus olhos ficam vazios, e este se recorda de quando ela estava para morrer, e ele a tomou nos braços, acariciando o seu rosto, e lhe dando sangue com um beijo. É claro que ela não retribuiu, porém na mente do príncipe do Caos, este ato de heroísmo poderá custar tudo o quê ele batalhou para manter, o seu casamento. Simulando uma tosse, ele dá passos longos para perto da amada, e o bebê, e a beija com carinho, mas  quando os lábios se desgrudam, encara o rival. _Eu pensei que era contra a adoção do menino Odin. _Ele carrega o nome do único Deus acima de mim,  e ao qual eu respeito. Além disso veio para te destruir, é o suficiente pra mim. 

    _Não precisa disso. O pai de Odin é o Benner, não há discussão. 

    _Não me obrigue a isso. 

    _Obrigar a quê ? 

    _O quê está escondendo? 

    _Esse menino é meu filho com aquela mulher. 

    _Você é o pai biológico do Odin?! 

    _Sim, e ela é a mãe biológica dele. _Opa. O quê aconteceu naquela abdução  há 4 anos?! Eu não me lembro de muita coisa.  Só de um lugar branco como um laboratório  alien, e está muito drogada. 

    _Nós colhemos seu material genético. 

    Foi assim que Nicolas reviveu Laura, e eu criei esse bebê. Só que ao perceber o quê ele faria, dei a ordem para impedir a continuação da gravidez. 

    _Vocês realmente abduziram minha mulher, para fazer experiências bizarras?! 

    _O quê você fez? 

    _Não foram tão bizarras. Ela tem o sangue e a essência de Lúcifer, era perfeita para o meu herdeiro. 

    Eu mandei matar a barriga de aluguel, e ela fugiu , descobriu que sou o anticristo, e se juntou aos conspiradores. 

    _Não há escrúpulos pra você mesmo. 

    _Você tentou assassinar meu único menino? 

    _Isabelle você tem vários filhos mundo a fora. 

    Odin é um de milhares. 

    _Eu ia ver a morte de um ser que é DNA do 

    meu DNA. O único menino que pude ter, e você ia  tirá-lo de mim! Nunca mais se aproxime da gente! 

    Grita furiosa, pegando o bebê no seu colo, que não para de chorar, e sai da estranha instalação. Bael bufa de raiva, e Benner o encara com indiferença. Fica claro que logo vão discutir, mas mesmo assim o belo loiro, respira fundo, e abre espaço para que se sentem a mesa, e conversem de forma civilizada. O marido se acomoda, e junta as mãos com um sorriso de fúria, enquanto o senhor  do novo mundo, apenas aguarda o quê está por vir. _O quê queria com esses herdeiros sintéticos? 

    _Um exército de seres fiéis a mim e a minha rainha. 

    _Ela é a Minha Rainha.  

    _Não por muito tempo. No outro mundo você é alguma coisa. Aqui eu sou, e não sei se lembra mas a sua amada ama tudo o quê se refere a minha cultura diabólica. 

    _Ela ama tudo o quê se refere ao Pai dela. _Ou será que é ao seu verdadeiro marido? Nunca houve um divórcio adequado, esqueceu? 

    _Luciféria morreu Bael. Esta é Isabelle. 

    Elas não são a mesma pessoa. 

    _Então terei que te roubar Isabelle também. 

    Porquê ela tem o espírito da minha Lucy. _Depois de tentar matar o Odin, ela nunca vai  te querer. Não importa quantas vezes venha a salvá-la. 

    _Ah qual é. Eu fiz coisas bem piores na outra vida, e ela ainda sim casou comigo, e tivemos a Memphis  , da maneira tradicional. 

    _Que ela foi obrigada a matar, porquê tentou eliminar Elisa e Marisa.   

    _Mas ainda sim a tivemos. 

    O loiro ri com malícia, e o demônio se controla para não acerta-lhe um golpe. Horas mais tarde...A jovem mulher olha para o bebê, e este ri para ela. As filhas não se sentem felizes com tanto apego, e reviram os olhos. Isandra e Laura partem pelos corredores, e vão até Nicolas que está sentado no refeitório,  falando seriamente com Leviroth, que demonstra desagrado, porém  não para com ele, e sim com a ousadia do seu rival. 

    _Não queremos ter um irmãozinho! 

    _É verdade papai. Já me basta a Laura! 

    _Hey!  

    _Desculpa Laura. Você é legal, mas não é aquele moleque remelento, que nem tem o nosso sangue. 

    _Isso é verdade. Que amor é esse?! 

    _Acalmem-se as duas. 

    Nicolas respira fundo, e os pais puxam as cadeiras para as garotas, que se sentam com alguma dificuldade. Os pais se entreolham, com a certeza de que as duas crianças mimadas tem tendências psicopatas, e podem fazer como a filha de Bael. Por isso tomam as rédeas da situação, e tentam evitar o quê pode acontecer, para que Isabelle não tenha que se voltar contra  as meninas. _Odin é irmão de vocês _O quê?! 

    _Como assim?! Isabelle pulou a cerca?! 

    _Laura! 

    _Não, ela não pulou a cerca. Pelo que o idiota do meu irmão explicou, foi criado por manipulação genética. 

    _Em laboratório? 

    _Como eu? 

    _Ao que parece sim. Não consegui destruir todas as amostras de DNA de Isabelle pelo visto. 

    _Então foi assim que conseguiu o material genético dela? 

    _Foi? Papai achava que era de maneira tradicional. _Eu também achei, até papai me contar que  sai de uma barriga de aluguel, de um clone dela. 

    _Nunca pensei isso. Isabelle não pularia a cerca uma segunda vez Isandra. 

    _É? Pelo ciúme que sentiu da mamãe, duvido viu? _Senhor De La Cruz posso assegurar, nasci  em uma instalação de pesquisa genética. 

    _Podemos nos focar em questões mais importantes? 

    Isabelle e Bael tem um filho. Isso não é assustador? o quê ele ganha com isso? 

    _Uma ligação eterna com Isabelle. Está convicto de que ela pode voltar a mesma Lucy, que largou todos os que amou, para ser sua rainha. 

    _Minha mãe já teve um caso com ele? 

    _Arádia e o Novo Senhor do Inferno? 

    _Sim. Houve uma época, que ela sentiu um ódio extremo do pai e a mãe, de mim e Leviroth, e se juntou a ele. _Não só isso. Destruiu milhares de povos, julgando-os a favor do seu então marido. 

    _Como Ishtar. 

    _Ela também é Ishtar? 

    _É um lado sombrio da vida da mãe de vocês. Só que tudo começou por causa de um  

    Bebê. 

    _E agora está se repetindo... 

    A dama coloca o bebê para dormir, e sente uma forte pontada na cabeça, que a faz se debater contra o vidro da janela.  Um vulto negro surge e a carrega, embora  se pareça muito com Bael, não é ele que vem acudi-la, mas sim o seu pai, que a deita na cama, e a cobre notando a sua palidez. “O quê ele fez contigo?” Passa a mão na cabeça da filha, que está ardendo em febre, e suas veias brilham um forte  tom de roxo florescente. Fazendo-o entender o quê houve. Furioso este sai do  quarto, e vai atrás do anticristo, pronto para corrigir o seu filho rebelde, da mesma forma que o seu pai fez com ele, quando descobriu que ele lhe roubou, o seu bem mais precioso, a sua rainha. No caminho, este se depara com Victória e o neto Dave Haster. Ao vê-lo a mulher com roupas de caveira, corre para o abraçar, e este o retribui relutante. 

    _O quê foi pai? 

    _Isabelle foi infectada com a essência de Caesta. 

    _E o quê isso significa? 

    _Significa que seu irmão Bael, está tentando matar Isabelle, para reviver Ishtar  outra vez. 

    _Mas Isabelle é Ishtar  não ? 

    _Sim, e não. Ishtar é uma das 3 personalidades da sua irmã. A  1-Luciféria Lilith II, o anjo justo. A  2-Nahemah Hela, a deusa do julgamento. E por fim a 3 é Babalon Ishtar. 

    _Isabelle é Babalon?!  

    _E também é Koré. 

    _Mas Babalon é a prostituta e Koré a virgem! 

    _São estágios da vida da sua irmã. Ela foi Koré, a meninas dos olhos de Bael, e se tornou Babalon, a mulher dele. _Isabelle e Bael são realmente casados?! _Não exatamente. Ela como Babalon Ishtar é a mulher dele, mas como Isabelle é mulher de Azazel. 

    _Então Bael quer exterminar as outras duas versões dela, para só uma existir? _Sim. Babalon surgiu de todo o ódio que sua irmã sentiu por cada sofrimento, ela é o lado mais negro que existe nela. 

    _Então o quê ocorre se ela virar Babalon? _Ela se torna a Messias Negra das verdadeiras trevas. 

    _E  isso quer dizer? 

    _Que não há um futuro livre para as próximas 

    gerações. 

    Ele respira fundo, e Victória fica catatônica. Isabelle  gira de um lado para o outro, sentindo-se desconfortável. Corpos estão espalhados por toda parte, queimando em brasas ardentes. Sua mão segura uma espada e um estandarte, como se fosse uma amazona egípcia. Seus pés caminham pelo chão, cobertos de sangue. O medo lhe preenche o âmago. Que criatura grotesca teria feito tamanha chacina no antigo Egito? Sua respiração se torna ofegante, o coração palpita rapidamente,  e logo esta começa a correr pela areia. Há risadas em uníssono, e isto a deixa desconfiada. “Inanna.” Pensa com certeza e raiva em seu olhar, dando  passos longos em direção as vozes. Uma mulher, com o corpo pouco coberto, vestida de branco, está sentada no colo do Deus do local, com um cálice dourado em suas mãos.  Ao vê-la sorridente e maléfica, larga suas armas, em estado de  pânico. Os lábios da mulher misteriosa, beijam os lábios profanos do Deus iniquo. A mão do homem pálido, e de olhos vermelhos, agarra os seus cabelos  ruivos, e eles se encaram como dois dragões prestes a acasalar. As suas unhas negras  arranham carinhosamente a coxa dela, enquanto as mechas dos longos cabelos lisos, caem sob suas pernas, fazendo-a corar e abrir seus olhos violetas. Ao assistir a cena, a bela, fica de queixo caído. “Por favor não faça isso!” Grita em sua mente, ao tapar o rosto com os dedos abertos, e os olhos arregalados. Por não  conseguir suportar ver a cena, já que a mulher de cabelos 

    de fogo é ela mesma, em outra vida. Aterrorizada, pela visão que acabara de  ter, dá passos errados e escorrega para trás. Ao vê-la os demônios sorriem, e vão ao seu encontro, avançando em seu corpo, e beijando-a dos pés a cabeça, até Babalon desaparecer ao entrar no seu corpo, fazendo-a se sentir muito atraída, pelo novo Senhor do Céu e do Inferno. 

    _Você vai ceder a mim. Sempre cede. Basta sofrer o suficiente. 

    _Aquela, vadia, ali, não, sou, eu! 

    _,É uma parte sua. Uma parte que sempre desejou  toda a minha escuridão e iniquidade. 

    _Para! 

    _Você ama o Inferno, porquê ama a mim. 

    _Não! Eu! Não! Te amo! 

    _Ama sim. Pare de fingir o contrário. 

    _Não...Não... 

    Ela sente os dedos dele em suas costas, logo está com a roupa da Deusa Escarlate, e a sua coroa. “Eu não sinto atração, eu não sinto atração, eu não sinto atração!” É o  quê repete na sua mente, tão concentrada em não sentir, que é pega desprevenida no escuro, e ele a beija com ferocidade. De inicio ela não retribui, mas seu corpo reage contra a sua vontade, fazendo-a sentir algum prazer ao ser dominada, pela poderosa criatura. A língua dele entra em sua boca, por vários minutos, deixando-a sem ar, enquanto eles giram no meio do nada, como fantasmas se tornando um só ser 

    , de duas cores, a luz violeta, que se torna levemente rubra e a ausência de cores, o Ayin. “Eu Não...” Tenta o impedir de chegar, só que não resiste, e acaba em  seus braços, emanando a luz completamente em cor de rubi. 

    _Socorro! 

    _Filha? 

    _Mana? 

    _Me tirem daqui! Me tirem daqui! 

    _O quê aconteceu Isabelle?! 

    _Ela teve um pesadelo com o anticristo. 

    Certeza. 

    _Eu, e ele... A gente... Ai minha nossa Eu não acredito no quê vi! 

    Ela se ajoelha ao lado da cama, e o pequeno Odin acorda assustado, em estado de desespero. Ela treme se aproximando do bercinho, está em choque, sem acreditar no quê aconteceu, e no quê sentiu. O pai e a irmã tentam lhe acalmar, mas nada funciona, seu corpo não para de vibrar. É como se estivesse na Antártida, usando somente um biquíni. Lúcifer abraça a filha mais velha, impedindo-a de carregar o seu neto, pois na situação em  que encontra, pode derrubá-lo. Victória pega o bebê draconiano, e fica a niná-lo, junto do filho que luta para distrair o seu primo. A bela  volta a empalidecer, e sua pressão desce a tal ponto, que esta perde a consciência, nos braços do anjo das virtudes. Percebendo a gravidade do caso, a irmã mais nova, passa a mão no cabelo, e se ajeita ao lado da consanguínea fazendo-lhe carinhosos cafunés. 

    _É muito para Isabelle suportar. 

    _Sim. Sua irmã foi a que mais sofreu de vocês. 

    _Como que ela acabou nos braços dele?! Todo mundo sabe que ela é do Azazel! 

    _Ela e ele tem um destino, criado por Caesta , a grande deusa matrona. 

    _Mas você disse uma vez que ela e Azazel nasceram um para o outro! 

    _Sim, e é verdade. Só que ela foi castigada, por fazer Miguel se apaixonar, e destruir o seu destino com a outra sobrinha. 

    _Eke?  

    _Sim. Por se meter com uma das favoritas, ela a fez cair nos braços do demônio. Ficando assim dividida pelos gêmeos primários. _E o quê ela pode fazer pra mudar isso? _Somente controlar o quê sente pelo seu carrasco. 

    _Isso é horrível. Por quê Caesta é tão ruim? _Não há uma resposta. Mas Caesta odeia a sua irmã, tanto quanto a sua tia Lilith. Então creio que a motivação vem daí. 

    Lúcifer segura o netinho, e este gargalha no seu colo, sentindo-se muito confortável.  Ao vê-lo ele franze o cenho, e se recorda de quando segurou os gêmeos Bael e Azazel em seu colo. Azazel era uma criaturinha coberta por uma mortalha de energia escura, com um sinuoso brilho em seu peito. Já Bael era um bebê que brilhava tanto quanto o sol, mas em seu olhar havia a mesma fúria, do pai, quando ainda recebia o nome de Samael, e isto o preocupou. Os meninos, cresceram aos cuidados de Lilith, que em sua sabedoria sobre gestação, logo viu o futuro devastador daquele que pensou ser seu filho. Um calafrio percorreu-lhe a espinha, ao se lembrar de como Lúcifer era antes, e por isso o temeu por quase toda a sua vida. Bael cresceu se sentindo odiado pela mãe, e quando Luciféria nasceu, ele tentou matá-la afogada. Se a rainha do Inferno não chega a tempo, ele teria conseguido. É claro que a princesa não morreria de fato, mas esta seria enviada para o reino de Caesta, onde sofreria com o seu julgamento rígido e cruel, mesmo sem saber pensar. Lilith teve ódio dele, e por isso ela o enviou para uma floresta, na qual suas criaturas o puxaram para o subsolo do Éden Negro, e o manteve lá. Como no sonho de Isabelle, ela  foi até o lugar proibido, e teve com o terrível demônio, uma espécie de amor platônico, no qual ele a quis como sua futura rainha do submundo, e ela o quis como um amigo, com quem dividia suas aflições sobre a família, Miguel ou Azazel. Isso o devastou, e foi assim que ele acabou nos braços da sua verdadeira mãe, Inanna, que o educou para tomar posse do  céu de Ninlil, e o Inferno de Ereshkigal, que basicamente são a face da mesma deusa. Caesta os favoreceu, Bael tomou posse do mundo de Anu, e Chaos o marido e o oposto complementar dela, não gostou nada da afronta, e por isso lhe mostrou o poder da desordem. Enquanto céu e inferno lutavam entre si, o novo Deus, inventava meios para se aproximar outra vez de Luciféria. Só que ao vê-la nos braços do odiado gêmeo, ele mesmo a empurrou para a Terra, onde ela sofreu  

    até se matar. O quê só o pai sabe, é que quando ela se foi, ele saiu do trono, e entrou na água, sujando-se com o sangue da bela, enquanto via que poderia salvá-la. Só que nada conseguiu, e esta agora na adolescência, foi mandada para o reino de Caesta. A deusa anciã, recebeu sua essência, e quis destrinchá-la, mas ele atravessou o reino fatal para os deuses, só  para lhe trazer de volta. “Caesta. Você disse que quer que ela sofra. Ela sofre ao meu lado. Devolva-me a minha boneca.” O mentiroso profissional piscou diante da gigante, que gargalhou como louca, com as suas duas vozes entrelaçadas, entre a roca e a fina, como a de Akasha, em A Rainha dos condenados. O novo Deus, se curvou para a velha Tiamat, sem saber que decisão tomar. 

    _Está apaixonado pelo anjo maldito! 

    _Não, não estou mais. Eu só quero feri-la. _Não me engana Bael Lúcios  _Eu sou o carrasco dela.  

    _Não é mais. Designarei outro para esse 

    serviço. 

    Ao ouvir a ordem, o demônio ri sem acreditar, e então pega a deusa pelo pescoço, e a parte ao meio, banhando-se no sangue da draconesa, com seu olhar frio e sem vida. “Ninguém me diz o quê fazer. Nem mesmo você minha  querida avó.” Ele diz ao olhar para a cabeça dela, então olha para o coração desta, e o pega. A bela filha de Lúcifer, aparece presa em um cristal verde,  num sono profundo, que o jovem deus quebra com seu punho, só que nem assim ela desperta, e por isso ele rasga o seu peito, e coloca o miocárdio da deusa no lugar do seu. 

    _Bael o quê está fazendo?! Ela não é digna! 

    _Eu a escolhi. Quer você queira ou não. _Ela não vai suportar! É filha de um demônio e meu coração de carne é puro!  

    _Ah é? Esqueci de lhe contar  Luciféria não é filha de uma demônia. Mas sim da deusa que foi violentada. 

    _Ela é filha de Ninlil?!  

    _Você entende rápido.  

    _Então isso foi uma armadilha?! 

    _Achou mesmo que depois de tudo o quê fizeram Comigo, eu seria fiel a vocês?! Ah vovó isso foi uma tolice. 

    _Você vai morrer! 

    A Deusa Berra se materializando, mas os olhos de Luciféria se abrem, tão  verdes quanto esmeraldas, e esta surge diante da gigante, segurando o seu punho violento, com relativa facilidade. Ao ver que a menina agora, tem uma parte importante do seu poder, ela voa para longe, e decide criar um exército para deter Bael e a amada.  Aos poucos ela recobra a consciência, porém não se recorda de nada da outra vida, por isso o novo deus agarra a oportunidade, e se aproxima dela, fingindo o seu par. É claro que ela reconhece, e se afasta , só que quando recua, ele avança, como uma serpente, e lhe dá o bote, fazendo-a não resistir, e até retribuir aos seus desejos. 

    “E depois dele a manipular e mentir, ainda sim ela se tornou sua rainha, e nos traiu.” É o quê reflete o imperador do Inferno nos dias atuais, olhando para a filha no colo da irmã, com certo receio. Por isso coloca o pequeno  Odin para dormir, e volta para o caminho anterior. Contudo ao chegar na porta ouve uma voz familiar, e por isso para. 

    _Papai? A onde está indo? 

    _Vou resolver alguns problemas querida. 

    _Não o enfrente. Ele está poderoso demais. _Ele nunca foi mais poderoso do quê eu. 

    _Como pode ter tanta certeza?  

    _Eu ainda estou aqui. 

    O coroa charmoso pisca, e vai embora. Bael fica sentado diante da mesa,  fazendo anúncios em nome do seu pai, em relação ao Apocalipse, como se este patrocinasse suas atrocidades, em prol do novo mundo. No entanto ao terminar o seu discurso raso, o próprio deus da justiça aplaude com ironia, entrando no local, com o seu sorriso mais confiante, que faz o diabo ficar em choque, por acreditar que este vai desmascará-lo, mas por total educação, o pai espera a reunião acabar, para poder  repreendê-lo. 

    _Lúcifer. 

    _Olá filhinho. Está prestes a dominar o mundo, e ainda sim precisa do meu nome para ter algum sucesso? 

    _O quê quer?! 

    _Que fique longe de Isabelle. A menina não é a sua Ishtar, e eu não quero vê a reencarnação da minha filha  morrer. 

    _Você pode tentar enganar a Aggarath, o Azazel, o Miguel, e as crianças. Mas Eu sei que é a minha Luciféria. 

    _Em primeiro lugar Luciféria é o par de Azazel. Em segundo ela não tem mais a mesma personalidade. A Luciféria que conhecemos não existe mais. 

    _Então nunca a conheceram de verdade. Porquê Isabelle é exatamente a mesma Luciféria da qual me lembro. 

    _Você não vai machucá-la outra vez. 

    _Você e eu sabemos que eu nunca a machuquei de fato. O único que mais se feriu com a nossa união foi Você. 

    _Você fez com ela se odiasse, e enlouquecesse! 

    Não venha me dizer que não a machucou! 

    Lúcifer perde a cabeça, e agarra o filho pelo colarinho, o jogando contra a parede. O loiro ri da afronta, como se aquilo não o ferisse, e o quê o pai estava dizendo fosse somente ladainha. Todavia basta sentir a pressão da flamejante luz gloriosa do deus renegado, para se controlar, e deixar de agir feito um idiota. Infelizmente o momento de juízo  não dura, e este volta a defensiva agressiva. 

    _Ela surtou apenas porquê não se aceitou. 

    _Ela não é assim. Não é uma...! 

    _Uma o quê? 

    _Uma aberração como você! 

    _Desculpe informar reencarnação de Chronos. Mas a sua doce Perséfone, não é tão pura quanto você acredita.  

    _Eu nunca disse que ela era pura. Não seja idiota. 

    Ela apenas não é monstruosa como você. 

    _Ah ela é. E toda vez que desceu ao meu reino,  

    provou da minha escuridão e quis mais. 

    _Você a obrigou! 

    _No começo sim... Mas depois ela voltou ao Tártaro, pelo prazer que somente as trevas podem proporcionar. 

    _Está bem. Já vi que discuti não vai levar a  nada. Só fica esperto. Porquê Eu estou por  perto, e não te deixarei tirá-la de nós. _Interessante é um desafio? Porquê se for Eu já ganhei. Ela te odeia, pois se deu conta do péssimo pai que é. 

    Ele diz com um sorriso cruel, e o deus que domina o Tártaro, lhe acerta um soco no rosto, com a mão tão quente, que se ele não desvia, em vez de receber um arranhado no canto dos lábios, teria tido a face queimada. A raiva consome o progenitor, e este sente seu punho tremer, o deus do novo mundo, se enfurece pela humilhação, e urra para que saia imediatamente da sua  presença. 

    “Eu já pretendia tomar Isabelle para sempre, mas agora isso não é mais uma pretensão, e sim uma certeza.” Os olhos dele ficam sombrios, e o anjo caído, caminha pelo vagão, suando frio. Ao verem Lúcifer, Azazel e Nicolas correm para cumprimentá-lo, e saber o quê houve de tão grave, para que tenha se deslocado da Boulevard, para os trilhos do  trem da perdição. 

    _Olá irmão. 

    _Oi pai. 

    _Olá garotos. 

    _O quê aconteceu? Está trêmulo! 

    _Tem a ver com a Izzy? 

    _Apenas tive uma conversa com meu filhinho rebelde. 

    _Parece mais que discutiu. 

    _E espancou. 

    _Ah isso? É porquê ele não quer deixar a minha filha em paz, e me chamou de péssimo pai. 

    _É um soco e tanto. 

    _O quê ele ainda quer com Isabelle?! 

    _Tê-la de volta. 

    _Mas mesmo depois de muito tempo? 

    _Eu vou matar ele antes de conseguir uma segunda vez! 

    Azazel se prepara para ir atrás do irmão, mas Lúcifer o impede, e então avista a sua sobrinha Alexandra, e tem um plano, que resolve colocar em prática. Como quem não quer nada, se aproxima da moça, e tenta convencê-la a lhe ajudar, mas como a menina tem o sangue das deusas, percebe logo que é uma jogada, e o       faz confessar a verdade. Ele se envergonha, só que ainda sim, a bela bruxa resolve ajudá-lo, por ver o seu desespero, ao pensar que vai perder  

    a filha do seu grande amor outra vez. 

    _Então Isabelle realmente teve um relacionamento com  O Anticristo? 

    _Sim. 

    _E há ainda alguma chance de quê ela caia nos abraços dele? _Infelizmente há. Ele percebeu que a fonte do amor, vem do  seu ódio pelo resto do Universo, e por isso desgraçou a vida dela. 

    _Se ela souber que ele fez isso, certamente ficará longe dele. 

    _Não. Isabelle é louca como Luciféria, pode acabar se apaixonando, só por saber que ele gastou metade da vida, focado em obtê-la. 

    _E ele realmente gastou?! 

    _Ele não está vigiando-a de agora Alexandra. 

    _Ele é um psicopata! Isso é ruim... 

    _Eu sei... Isabelle tal como Luciféria abraçou As trevas com que a humanidade me vestiu. 

    Isabelle acorda no colo da irmã e se assusta, pois jamais imaginou que Victória  seria capaz de perdoá-la, após a sua coroação de rainha do pop no Madison Square Garden. Na qual a melhor amiga e irmã, se enfureceu pelo grande sucesso que seu pai proporcionou a mais nova, enquanto a manteve longe dos holofotes, porquê segundo ele Victória era mais digna, por ter o amado cegamente. Foi a gota d’água para Isabelle, que fez até o mais virtuoso dos seres ficar em silêncio, quando disse “É muito fácil ser fiel aos sentimentos por 3 anos de espera. Ela não ficou, por mais da metade da vida, esperando todos os dias que aparecesse, e chorou achando que tinha enlouquecido, quando nada aconteceu. Mas se isso a torna mais digna, então a partir de hoje corto meus laços com você e o satanismo, não importa  se tenho o teu sangue, Eu não sou mais tua filha.” Mal sabia ela, que o pai não fez aquilo por duvidar da sua nobreza, afinal nunca foi fã de adoração, e sim do amor  que poucos tinham por ele. O pobre imperador foi obrigado a agir dessa forma, renegando-a, ou Inanna, teria cortado-lhe a garganta, assim que fugiu da Dimensão prisional, junto com os demônios que enganaram as princesas e os príncipes do Caos. 

    _Então recebeu o meu pedido de desculpas. 

    _Sim, e eu aceitei. Você é minha irmã, sempre vai ser. _Posso até ser Vick. Mas te salvei por compaixão, e não pelo babaca do nosso pai. 

    _Devia pegar menos pesado com ele Izzy. 

    _Primeiro só Azazel me chama de Izzy. Segundo Você lembra o quê aconteceu no Madison. Ele me chamou lá para ser humilhada e rebaixada a serva! 

    _Primeiro Tô nem aí. É Izzy e ponto. Segundo já parou para se perguntar por quê ele fez isso? 

    _Porquê não o amei o suficiente e era indigna. 

    Ele mesmo disse. 

    Ela revira os olhos, e a dama lhe entrega o celular, na página oficial do site do pai.  “Leia a carta, Ao fruto do meu grande amor 19/08/2020.” Ela respira fundo apontando o dedo para onde a bela deve clicar. Isabelle se mostra relutante, mas Victória lhe dá, Insistindo para que o faça. “Ao contrário do quê ele disse a mídia, não foi um single barato, para iniciar sua carreira com chave de ouro. “ Diz, então isso desperta a curiosidade da bruxa mais velha do convém.  “Ao fruto do meu grande amor. Me perdoe por te abandonar naquela noite de horror. Você não entenderia, então te deixei ir. Se eu te coroasse como sonhava, não haveria como fugir. Sua mãe é a minha rainha, mas você sempre será minha garotinha. Me perdoe por  ser tão cruel. Mas havia algo terrível por baixo do véu. Seu sorriso, sua esperança. Sempre estarão em minha lembrança. Não podia permitir aquela matança. O relógio se move lentamente. Fazendo com que eu me lamente. Contudo não posso voltar atrás. Os monstros te devorariam no Alcatraz. Então tenho que seguir de coração partido. Sem poder está contigo.” Ao ler a parte “Seu sorriso, sua esperança” Ela fecha o cenho, e se esforça para terminar. Ao ver o seu incômodo,  Victória percebe que há algo errado, e pega o telefone de volta, pronta para abrir o inquérito. 

    _Não basta ter conseguido o topo que sonhei?! 

    Tem que jogar na cara o quanto ele te ama?! 

    _O quê?! Não Izzy. Não é pra mim! 

    _É claro que é, eu quase nunca sorrio ou tenho esperanças! 

    _Mas já teve! E nosso pai se recorda disso! Por favor Izzy! 

    Inanna não é o grande amor do nosso pai! Sua mãe É! 

    _Se isso é verdade, por quê ele pulou a cerca tantas vezes com ela?! 

    _Porquê ela o enfeitiçou! 

    Grita como se revelasse um segredo cruel e obscuro, e Isabelle recobra o fio  da sanidade. Olhando para ela em estado de choque, as duas que estavam em pé,  se sentam na cama, e a mulher com roupas moda caveira começa a chorar sem parar, o quê desperta um pouco de compaixão na irmã que a abraça, lhe acolhendo, e confortando-a, enquanto tenta secar as suas 

    lágrimas. Só que Victória, fica inconsolável, praticamente a beira de um surto, como se a sua vida de pop star, não fosse o paraíso que a professora acreditava  que era. Então pouco a pouco, ela se recompõe, passando a luva na sua face, para limpar o lápis borrado dos cílios inferiores. 

    _O quê tem demais nisso? Todo mundo sabe que Inanna é uma vadia. _Tem que Eu nasci de uma noite de prazer Isabelle. Não de amor , como você! 

    _Mas você disse que Inanna e ele se amavam. 

    _Eu menti. Estava furiosa por como me tratou. A minha vida é uma mentira! Eu sou uma deusa do amor, que literalmente nasceu do testículo do mar! 

    _Todos nós nascemos de um testículo Victória. 

    _Você não entende. Eu sou só o esperma que evoluiu, e Inanna usou para prender o nosso pai, e quando não tive serventia , ela me jogou fora! 

    _Minha nossa Vick. Mas Lilith te acolheu como filha lembra? _É mas eu sempre soube que ela não me amaria como amou a você. Esse tipo de conexão, só se tem através do sangue.  

    _Então por isso fez aquelas coisas terríveis comigo? _Sim. Eu me arrependi depois. Mas era tarde demais, tinha finalmente cumprido com a vontade Inanna, e você já era pura escuridão como eu e Bael. 

    _Se você é tão má assim. Por quê está confessando? _Porquê você é minha irmã! E eu te amo. Lilith me aceitou na casa dela, mas foi você que me criou, não fui justa contigo. 

    _Tudo bem. 

    _Não, não tá. Inanna continua a te odiar, e foi por isso que nosso pai agiu daquela forma. Se ele não te tirasse do caminho dela, ela ia te matar diante todos. 

    _Ela o quê?! 

    _Ela ia te matar. Por isso pai cedeu a entrada na fama pra mim. Como sou filha dela, ela iria adorar me ver ali, no seu lugar. 

    _Então ela desgraçou minha ida ao topo?! 

    _Sim. Mana me perdoa mesmo, sério. 

    _Bom pelo menos me contou. 

    Responde abraçando a irmã, reatando os laços de uma amizade que tinha sido destruída, há 9 anos. Então elas olham para o vazio, como se houvessem outros pecados escondidos. Enquanto isso... Bael sorri, com o seu mais perverso olhar, e o trem finalmente chega a velha cidade  subterrânea, na qual, se estabilizará o novo mundo. 

    Capitulo 7 – A cidade dourada 

    As portas do transporte se abrem, e todos descem outra vez mascarados. Porém o anticristo passa por todos, e é o primeiro a tirar a sua proteção, os deixando de queixo caído. “O homem em sua enorme ignorância, sempre acreditou que está no topo era o quê mais importava. Mas hoje meus queridos, estamos provando o valor das terras do subterrâneo.” O anfitrião abre os braços, com suas caras roupas amarelas, mostrando o paraíso que os aguarda. “Os humanos nunca entenderam, que o quê está acima, é o que está abaixo.” O loiro imita a estátua de Baphomet. “Que a sua morada , pode ser tanto o céu, quanto a terra.” Prossegue, e então olha para a única coruja entre as outras aves, com forte fixação. “Que o amor e o ódio provém da mesma energia.” Segue encurralando a jovem mãe. “E que podem ser convertidos. Portanto aquele que odeia hoje, pode ser a quem venha amar no dia de amanhã.”  Sorri com malevolência, e a bela recua. Percebendo o desconforto da amada, Leviroth resolve acolhê-la, e está o abraça forte, mas seu olhar continua preso a figura do rei do novo, que continua a sorrir confiante. O novo mundo dos escolhidos, é diferente do quê muitos se acostumaram, principalmente os que enriqueceram por obra de Bael. Há uma enorme fonte de água potável no meio da cidade, que é cheia de prédios dourados, que possuem várias tecnologias, as quais a comunidade tem acesso para resolver as suas causas, não importa se são significativas ou fúteis. Um 

    verdadeiro Éden. Ao entrarem no local, cada família é colocada numa casa, de acordo com a quantidade de membros, e dentro desta encontram roupas, comidas, e alguns brinquedos para se distraírem. Só que depois de ser raptada, Isabelle evita o capacete de realidade virtual, e prefere usar o aparelho, no qual reproduz livros. Já Os Miller optam por passar horas, enfrentando um ao outro num jogo de corrida de carro. Victória e Dave ficam num jogo de música, enquanto o par dela assiste TV, e Alexandra , e sua família escolhem vê um filme de terror de possessão.  “Amo Lovecraft.” A mãe de Isandra diz com um sorriso, cruzando as pernas, e balançando o berço de Odin, para mantê-lo dormindo. 

    _Isabelle encontrei seu pai ontem. 

    _O meu pai?! Aquele desgraçado que me renegou?! 

    _Não, o seu outro pai, com compartilha a essência única. _Ah o outro desgraçado que me renegou. O quê tem ele? 

    _Ele falou que o Anticristo está focado em ti. _É, eu sei, o fato de Odin ter o nosso DNA, me deixou bem desconfiada. Mas não acho que sou o Foco dele. 

    _Você é. Ele deixou claro para mim também. 

    _Eu não entendo o porquê de tudo isso. 

    Sou só uma professora de biologia. 

    _Eu entendo. Ele acha que você é Luciféria. 

    _E eu sou. Só que o quê isso tem a ver? _Não, não é. Tem o sangue e a essência, parte da forma, mas não é ela. 

    _Então eu não sou a princesa mesmo? 

    _É claro que é Izzy. Mas vocês tem personalidades diferentes, e não é só isso... 

    O marido respira fundo, lutando contra o seu ciúme, que quer o dominar, como um dono domina o seu animal. As imagens da sua amada ruiva nos braços de Bael, lhe vem a mente, e os seus dentes rangem sem parar, enquanto ele treme de raiva. A dama fecha o livro, e o coloca na cadeira branca. Suas mãos tocam o rosto do  amado, que retorna para a realidade, e a encara tomado pelo medo,  e a tristeza. 

    _O quê está havendo meu amor? 

    _Você lembra que sempre me disse que tinha um ser obscuro  dentro de ti, que você mantinha enjaulado no fundo da sua mente.  Porquê se saísse iria ferir os que ama? Sem dó ou piedade,  exatamente como a deusa descrita por Crowley? 

    _Sim é claro. Por quê? 

    _Você é mais que Koré, é Babalon também. _Aquela criatura arrogante e cheia de si?! Impossível. Eu sofro de depressão por ter Pouco amor próprio. 

    _É uma longa história. Mas em resumo você e Bael estiveram juntos, sim exatamente como desconfiava. Por isso teve os pesadelos em que se envolvia com o Anticristo. 

    _Por quê não me confirmou antes? 

    _Estávamos em crise, e eu achei que iria preferir a ele. 

    _Leviroth está inseguro? 

    _É claro que estou. Tudo o quê gosta, é baseado nele. 

    _Isso não é verdade. 

    _Você mesma disse uma vez. Há diferenças entre Lúcifer e o Diabo, e eu amo mais o Diabo do quê a Lúcifer. 

    _Você leu minhas mensagens para Victória?! _Eu sempre leio. Não tem por quê ficar surpresa, fez  a mesma coisa comigo. 

    _É, eu fiz. Só me preocupo que não confie em mim. 

    _Eu confio. Só que temia que ele fosse te procurar. 

    As mãos dele continuam a tremer, e a bela as segura. No começo ele se mostra relutante, mas ela é firme no ato. É difícil ver o demônio chorar, só que está claro  que aquilo o assusta, e que as lágrimas querem sair. Por isso ela o abraça forte, e este acaba se deixando retribuir, apertando-a forte contra o seu peito,  como se aquilo pudesse impedir a sua separação. 

    _Eu estou aqui B. 

    _É, mas por quanto tempo? 

    _Eu sempre vou está aqui. 

    _E se um dia sentir algo por ele outra vez? 

    _Eu arranco meu coração, e faço uma lavagem cerebral , para ficar somente amando você. 

    _Não. Isso não. 

    _Eu te amo muito. Não precisa se preocupar certo? 

    _Eu também te amo muito. 

    Eles olham um para o outro, e então como duas serpentes, inclinam a cabeça para frente, encostando os seus lábios um no outro. Como se quisessem algo mais, então os seus olhares transmitem mensagens, e eles se beijam fervorosamente. O demônio a  pega em seus braços, carregando-a para o quarto, no momento que suas línguas se enrolam uma na outra. A mão máscula tranca a porta, a dama tira sua roupa, e ele também. Como uma fera, ele fica por cima dela, mordendo seu pescoço com ferocidade, enquanto seus dedos agarram as costas femininas. Arrancando-lhe fortes gemidos, sem sequer começarem. Porém quando as coisas vão esquentando, os olhos da bela se tornam reptilianos, e esta sente muito desejo por sangue. Percebendo que há algo errado, o marido para com os estímulos, e com a unha arranha o pescoço, permitindo-a beber da sua vida. 

    _Não. Eu posso não ter controle. 

    _Eu sou um demônio. Me curo rápido. 

    _Tem certeza disso? 

    _Tenho. Pode se alimentar de mim, assim não precisará ir atrás do meu irmão. 

    Ele diz e a sua companheira, o ataca, sugando sua energia com tanta sede, que  parecia está no deserto. Ele sorri, contudo percebe que ela não vai parar, e a afasta. Os olhos deles se encontram, nos dela há fome, e no dele receio. Por isso esta salta pela janela, e o deixa para trás. Os seus sentidos ficam apurados, ela segue o cheiro  de sangue, vendo as cores da aura de cada um, enquanto tudo vibra ao seu redor. Um rapaz se encaminha para um dos becos do local, e ela o segue, com as mãos para trás expondo as suas garras. Bael percebe que está fora de controle , e vai ao seu encontro. O jovem tenta gritar, só que ela arrancou a sua língua fora, e está prestes a devorá-lo. Vendo aquela cena, ele sorri com crueldade, e estala o dedo, reconstruindo a língua do garoto, que está aterrorizado. 

    _Você pode falar outra vez. 

    _Ela, ela me perseguiu. 

    _Eu sei. Mas se não quiser voltar a ficar mudo, não conte a ninguém o quê viu. 

    _Está bem. Eu, eu só quero ir pra casa. 

    _O caminho é livre. 

    Isabelle respira fundo no canto, tremendo, como se estivesse doente. Seus olhos mudam de cor, e alternam entre draconianos e normais. Os dentes se tornam afiados , e os caninos pontudos. O loiro se aproxima lentamente, e ela se afasta, mas está fraca, e ele sabe disso. A unha do seu dedo indicador cresce como uma lâmina, e ele faz o mesmo que Leviroth, porém em vez de arranhar o pescoço, ele fura o lábio inferior, e a segura contra a parede, deixando o liquido pingar na sua blusa branca. 

    _Eu não vou. 

    _Vai morrer de fome assim. 

    _Eu já bebi o sangue de Leviroth. 

    _Ele é um Demônio mas não é um Deus. Não tem sangue  suficiente para alimentar uma Deusa. 

    _O quê você quer? Eu não sou Babalon! 

    _Quem te falou isso? 

    O anticristo fica desconfiado da afirmação, e ela vira o rosto para o lado, evitando olhar para as gotas vermelhas. Só que ele passa o dedo no ferimento, e coloca entre os seus dentes, fazendo-a chorar, por ter que lutar contra o seu desejo. “Eu vou matar todos no seu reino.” O ameaça, e ele ri do seu desespero. “Será julgada, e morta, pois não há necessidade de matar alguém por alimento, quando eu sou uma fonte  inesgotável.” Ele responde em voz baixa, aproximando-se  dela. 

    _Eu não tenho medo da morte esqueceu? 

    _Deveria ter, pois se perder a consciência posso te fazer minha. 

    _Você não...Necrofilia sério?! 

    _Hahaha, Embora a ideia me agrade bastante, não é isso que quero dizer.  

    _Então? 

    _Eu vou lavar a sua mente, para que me ame. Mais ainda. 

    _Eu não te amo. 

    _Será que não mesmo? Sempre soube quem era o Diabo, e quem era Lúcifer, mas seguiu me cultuando. 

    _Eu não achava que você era real. Acreditava que era só uma ideia da minha mente perturbada. 

    _É? Mas eu sou, e sim eu te quero. 

    _Eu não sou mais uma das suas mil garotas. Aliás eu não acredito nas suas palavras, pois como o seu nome diz, é “O caluniador”. 

    Ela lhe dá as costas, e ele ri. De repente a pega nos braços, e segura seu pulso contra a parede, respirando pela boca, perto da boca dela, enquanto esta absorve o aroma do sangue, lutando para não beber da nascente em seu corpo. Gargalhadas histéricas se fazem presentes, e a sombra do demônio da dimensão do caos se desfaz, e refaz diante do seu inimigo, o afastando da sua amada. Ao receber o golpe de Leviroth, o ser de amarelo fica surpreso, só que não desiste, e voltar a ficar de pé, pronto para lutar, no entanto o marido joga a mão para trás, e exibe a lâmina do seu punhal, como se estivesse pronto para matá-lo, algo que é cômico para o rival. 

    _Acha mesmo que pode me matar? Eu sou Deus! 

    _Não, nunca pensei nisso. Mas sei que posso te ferir bastante. _Será que pode? Só conseguiu alguma coisa, porquê eu estava inerte no olhar da sua mulher. 

    _Eu sempre fui melhor na batalha do quê você irmão, por isso não precisei roubar o poder de nosso avô, para ser um Deus. 

    _Você é apenas um demônio, um demônio bastardo! 

    _Somos gêmeos,idiota. Se eu sou bastardo, você também é. 

    _Eu sou o ser supremo do universo. O alfa e o ômega. 

    O principio e o fim. O nada e o tudo. 

    _Nascido da prostituta de Lúcifer. Tal como eu. 

    _Você quer desaparecer para sempre? 

    _Isso só seria possível se não fosse um fracassado. 

    Então tenta filhinho de Inanna, tenta. 

    O demônio ri, com crueldade, e o diabo perde a cabeça, e vai para cima dele. 

    “O seu problema Bael, é achar que uma chama roubada te faz digno! Você é só Lixo!” Ele provoca, acertando golpes violentos no seu irmão mais novo, e tirando sangue deste com facilidade. “Você queria oferecer o seu sangue pra ela !? Que tal eu ajudar um pouco?!” O demônio corta o pescoço do diabo, e inclina a sua cabeça, em cima da bela, que estava sentada no piso assistindo  a luta. “Ele é uma fonte inesgotável amor. Pode beber.” A dama olha para o marido assustada. “Beba. Sei que está com sede.” Ele olha para o outro lado, e a moça salta para o pescoço do anticristo, lambendo cada gota rubra que sai do seu corte, enquanto este se debate sem parar, mas não consegue escapar do seu ataque faminto. “Eu era conhecido como o clone de Lúcifer. Mas não  era por um senso de justiça distorcido...” Ergue o queixo dele, fazendo-o olhar para cima. “Mas sim porquê tal como Samael. Eu ceifei muitas almas, sem dó , ou piedade, e antes de matar as torturei por dias.” Ele diz no ouvido do inimigo, enquanto a esposa se alimenta. “Nunca se esqueça disso,  ou volte a cercar a minha amada.” Diz entredentes. “Você tirou a Luciféria de mim uma vez, porém não deixarei que tire também a Isabelle.” Ele percebe que a dama se saciou, e o arremessa contra a parede. Percebendo que está em desvantagem, o diabo olha para a dama, e o seu irmão, e desaparece , deixando um rastro de fumaça negra. Benner está bufando de  raiva, contudo abraça a sua companheira. “Eu disse uma vez que te deixaria ir se quisesse ser feliz com outro, mas a verdade é que não posso Isabelle. Não quero, te deixar partir.” Ele confessa, e a jovem o beija com a boca toda suja de vermelho. Ele não resiste, e retribui ao beijo com fervor, carregando-a em seus braços. A adrenalina que percorre o seu corpo, lhe faz  tirar a blusa rapidamente. Então se faz ser colocada no piso, para abrir-lhe a calça, e encher sua boca com o membro pulsante dele, que está rígido e duro. 

    Ele não consegue aguentar, e solta gemidos, ao sentir a saliva dela escorrendo por seu símbolo fálico. Toda aquela situação de guerra e morte, os deixa bem excitados. Por isso escorre o liquido de prazer, no meio das pernas dela, e cai no chão. Notando o quanto está molhada, ele a levanta, e a joga na parede, pronto para penetrá-la. Ela respira ofegante, e então o sente entrando no seu corpo encharcado, tornando-se um só com ela. A boca dele vai até o seu pescoço, fazendo-a revirar os olhos de prazer, enquanto ele aperta  o seu seio, e a agarra pela cintura. A sua costa dói por conta dos tijolos, só que em vez de parar, ela o arranha nas costas, e morde a sua jugular, afundando sua unha na pele dele, ao ponto de sangrar. Só que ele gosta da dor, e retribui lhe pegando pelo pescoço com força, sorrindo com maldade, ao ter noção do seu poder. Logo a vira de costas, e esta se empina. Ele entra em seu corpo outra vez, segurando as suas mãos na parede. Outra vez a boca dele vai para o seu pescoço, só que a pega pelo cabelo e lhe morde na nuca, deixando-a bastante excitada com tanta violência. As mãos dele pegam os seus seios, e seus dedos se entrelaçam aos dela. Eles gemem, gemem sem parar. Outra vez ela vira para ele, só que em vez dela descer 

    , ele quem o faz. De joelhos como um escravo, ele bebe do seu leite feminino , beijando-a entre as pernas, como se estivesse fazendo isso com a sua boca. É impossível não sentir prazer, por isso mais e mais quantidades do liquido cor de pérola, chegam a sua língua, enquanto as bochechas dela ficam  coradas, pela falta de pudor. Notando que ela está mole de tanto gozar, ele ri, e sinaliza negativamente, com o dedo indicador, e volta a prensá-la na parede, mergulhando seu membro no buraco carnoso, com vontade, até que não suporta mais segurar o prazer, e jorra seu liquido branco contra o solo. Regorjeando-se de satisfação. _Eu devia tentar matar o Bael mais vezes. _Você sabe que sempre amei os psicóticos  com tendências assassinas. 

    _É, por isso se casou comigo. 

    _E continuarei para resto da vida. 

    _Eu te amo Izzy. 

    _Também te amo B. 

    Os dois se abraçam, e então colocam as suas roupas de volta. Nem os mais de 9  anos de casados, havia apagado o fogo da sua relação. Eles dão as mãos, e caminham risonhos como dois adolescentes pelo centro. Ao vê-los Victória deixa Dave com o marido, e vai até o casal, curiosa para saber, porquê Isabelle estava com a boca toda suja do liquido vital. A bela identifica o olhar observador da amiga, e se afasta de 

    Benner. As duas caminham para uma maloca abandonada, e se sentam na mesa que está no meio do local. Victória capta que algo aconteceu, por conta dos lábios vermelhos, e as machas na blusa branca de Isabelle, e por isso inicia a conversa apontando para os seus seios. 

    _Você matou alguém? 

    _Não. Mas foi por pouco. 

    _Você machucou alguém?! 

    _Sim, só que Bael ajudou a pessoa a se curar. 

    _Mas você saiu toda feliz com o Benner. 

    Então Bael não conseguiu nada. 

    _Sim. Só que também foi por bem pouco. 

    _Pode me contar tudo. 

    _Bael me fez uma bebedora de sangue... 

    Isabelle começa a narrar os fatos para Victória, que fica de queixo caído  porquê o seu sonho era se tornar vampira, e quem tinha se tornado era a sua  amiga. Já o sonho de Isabelle era ser famosa, mas quem se tornou foi ela. “Que  mundo injusto” Ela sorri com tristeza, e a professora lhe olha desconfiada. “Vic? 

    Tem algo errado?” segura as suas mãos, e a dama sorri com tristeza. “Não, Está tudo bem.” Tenta mentir, só que não consegue, e por isso a mulher volta a lhe questionar. “Está tudo bem?” Insiste, e a bela se segura para não sorrir, e negar os fatos outra vez. 

    _Você percebeu. 

    _É. Você ficou triste do nada. 

    _É que Isabelle, este era o meu sonho lembra? _Sim mana, mas também era o meu ser famosa, e ter muitos seguidores. Só quem conseguiu foi você. 

    _É. Isso é tão injusto quanto você disse que seria uma vez. 

    _Você está com raiva de mim? 

    _Não Isabelle. Estou triste. Por quê não conseguimos realizar os nossos sonhos? 

    _Porquê nossos destinos eram esses. Mas Vic nem sabemos se sou uma vampira, é provável que eu seja outra coisa. Ser uma criatura da noite, atrapalharia aos planos de Bael. 

    _Não, quando todos vivem na cidade subterrânea. 

    _Tenho que concordar. Porém te prometo uma coisa, se eu for uma vampira mesmo vou te transformar também. 

    _Por quê faria isso? Eu sou uma estrela, e nunca te puxei para o palco. _Porquê ser vampira, já foi um dos meus sonhos, e creio que no novo mundo, eu realizarei os outros. 

    _Você merece irmã. Apesar de dizer que tem trevas profundas, sempre foi uma pessoa maravilhosa. 

    _É, ser boa, sempre foi a minha maior fraqueza. 

    _Pra mim não. Esta é a sua qualidade, boa na medida certa. 

    Ao longe o diabo quebra todos os seus objetos dentro do escritório, entregando-se aos seus instintos mais primitivos. “Maldito seja!” Berra destruindo tudo ao seu redor, recordando-se de que ficou a segundos de ter o quê ele queria. “Por muito pouco ela não foi minha!” Brada socando a mesa de pedra negra, e volta a razão. “Por muito  pouco...” Se acalma, e começa a alegrar-se. “Eu só preciso criar uma situação, e ela será minha.” Seus olhos se tornam obsessivos. “Um beijo. Isso vai confundir o seu coração.” Conclui confiante da aposta. “Um beijo, e ela voltará a ser a minha Babalon.” Ele prossegue, e então ajeita os fios do seu rabo de cavalo desgrenhado, amarrando-o outra vez. “Uma festa em homenagem a Dionísio deve funcionar.” Termina, bebendo Whisky da boca do copo quebrado. Com o olhar fixo  no seu grande  objetivo Recuperar Luciféria. 

    A noite... Todos são convocados ao baile do anticristo, sob pena de perderem suas  moradias, caso não o prestigiem por uma hora. Outra vez Isabelle recebe a máscara de coruja, e ela e Leviroth se entreolham com a certeza de quem veio aquele presente, por isso trocam a fantasia, e vão para a festividade. Ao chegar lá, eles se separam por alguns minutos, para que o demônio vá comprar bebidas, mas a fila no bar é enorme, e demora mais que o esperado. Um homem de máscara 

    negra, a puxa para dançar, e pela ousadia ela o  reconhece. 

    _Achou que eu não ia te reconhecer? 

    _Você quer levar outra surra?  _Não me importo em apanhar mil vezes, se tiver a chance de ficar na sua companhia. 

    _Eu tenho mais o quê fazer. Licença. 

    _Do quê tem medo? 

    _Medo? Eu não tenho medo. 

    Tenho pavor. Agora... 

    _É só um beijo Isabelle Caligari. Nada que não queira vai acontecer. 

    _Vê isso? Significa que sou casada. 

    _Isso é só um circulo envolta do seu dedo. Eu ergui estátuas gigantescas, para te mostrar ao mundo. 

    _Esse é o seu problema. Acha que exagerando, pode conseguir alguma coisa. 

    _Eu sempre consegui, ou nunca sentiu falta de  

    ter todos os seus caprichos realizados? _Eu senti. Mas o Leviroth me ensinou, que são as pequenas coisas que fazem o amor. _É uma pena, pois eu adorava te exaltar, e te fazer ser reconhecida. 

    Ele aproxima os lábios dos seus, e os olhos dela crescem por baixo da máscara. Lentamente nega com a cabeça, tentando escapar da sua investida. O dedo dele segura o seu queixo, e a mão a segura por trás. “Cadê o seu príncipe sombrio para te socorrer?” Ele brinca apertando-a, e aproximando-a do seu peito. Os braços da pobre se esticam, e ela fecha os olhos com medo do quê vai acontecer. “Não  resista.” Ele tira as suas mãos do ombro, e a deixa bem perto dele. “Não faça isso.” Os lábios imploram. “Quietinha. Nós dois sabemos.” A unha dele cresce. “Que se o seu marido não interrompesse...” Corta o meio dos lábios inferiores. “Você teria me beijado...” Diminui ainda mais a distância da boca, e ela sente  a sua respiração. “E gostado.” Completa, beijando-a. É claro que ela não quer lhe  dá o gosto da vitória, mas o sabor do sangue, altera os seus sentidos, e faz sugá-lo como um animal faminto. Ele ri, e se aproveita da situação, para colocar a sua língua cheia do liquido vital, para trabalhar. Outra vez é difícil resistir, há uma luta no começo, que termina em retribuição. Porém Victória vê a cena, e corre para separá-los. Fazendo algum esforço, ela os afasta. 

    _Fica longe da minha irmã! 

    _Eu até vou ficar. Mas garanto que Ela não vai querer isso. 

    _Vai embora Bael. 

    _Viu? Ela mandou!  

    _É assim? Depois de praticamente arrancar  o meu ar, com o seu beijo cheio de volúpia? 

    _Eu vou te matar! 

    _Saia. Antes que Leviroth volte. _Está bem. Aguardo a sua ligação para uma parte 2 desse momento. 

    _Só nos seus sonhos! 

    _... 

    _Lá também.  

    Ele gargalha indo embora todo vitorioso. Victória pede para que saiam, e ela envia uma mensagem ao marido, avisando que estarão num local mais tranquilo. Ao ver a SMS, ele sorri encantado, mas sua paz vai embora, ao ver quem chegou exibindo os dentes com felicidade. “Eu quero uma dose do seu melhor Whisky. E uma rodada de bebida para todos!” Berra, e os alcóolatras comemoram. Vendo o irmão  no canto, ele se aproxima cheio de arrogância, e este revira os olhos. 

    _Olá irmãozinho. 

    _E aí. 

    _Sabe por quê estou tão feliz? 

    _Por coisas boas, não deve ser. 

    _É. Mas o quê não é bom pra você, é ótimo  pra mim. 

    _Eu sei. 

    _Sabe? 

    _Quem você acha que avisou a Victória? _Então também deve saber que sua mulherzinha, estava pegando fogo em meus braços. 

    _Porquê você se cortou? Engraçado. Nunca precisei jogar tão baixo para seduzi-la. Sabe por quê? Porquê sou um homem de verdade , sei como encantar uma mulher. Fica na paz “irmãozinho”. 

    Ele sai aparentemente por cima, contudo basta sair da frente dos olhares curiosos, para deixar a máscara cair, está triste, e até magoado. “Não vou tomar outra decisão estúpida, deve ter havido uma razão. Ela pode realmente só ter tido abstinência de sangue.” Pensa ao caminhar pelo local, evitando as piscadas, das biscates que 

    aparecem no caminho. As damas pousam seus braços no apoio, e olham para o fundo abismo. Como se estivessem em silêncio a horas, respiram profundamente. Isabelle está trêmula, e envergonhada pelo aconteceu, e a irmã está receosa, como se já tivesse visto este filme antes, e não quisesse reiniciar a fita. “Bel. Eu não vou te julgar só quero te advertir, essa história não tem um 

    final feliz. Ele não é diferente de Gabriel.” Inicia, e ela fica calada,  procurando uma resposta. 

    _Eu não sinto nada por Bael. 

    _Depois daquele beijo cheio de volúpia?! Tá zoando! _Tá. Foi uma atração momentânea pelo sangue dele. 

    _Só o sangue? Porquê parecia que a sua língua estava na goela dele. 

    _Já chega Vic. Nem eu sei o quê aconteceu certo?! Também queria entender! 

    _Você não saboreou o momento? 

    _Meu deus não! Talvez... um pouco! 

    _Você tá confusa Isabelle! Igual a mim. 

    Quando beijei o Gabriel! 

    _É! Mas a diferença é que não quero casar e ter filhos com ele! Eu sou casada Vic! Isso nunca deveria ter acontecido! 

    _Você tem que evitar o Bael tá? 

    Depois do beijo as coisas só pioram. _Tudo bem, eu não pretendo ficar perto dele. 

    Garante, mas no dia seguinte, enquanto todos estão dormindo em seus quartos. 

    Ela envia uma mensagem para ele, e este deixa claro que só lhe dará uma resposta , se for vê-lo, em um jardim distante da cidade. Algo que ela se reluta a fazer, até ele jurar por escrito, que não fará nada com ela. Preocupada pelo quê possa acontecer entre eles, ela escreve uma carta, porém quando a deixa na mesa,  o seu marido acorda, e percebe algo errado. Por isso pega o seu celular, e olha a conversa que ela está tendo com o seu irmão. “É sério isso Isabelle? Esta bem na cara que ele quer bem mais que um beijo.” Ele diz empurrando o aparelho. “Eu preciso entender Leviroth.” Ela se arruma para sair. “A última vez que ficou dividida, 

    houveram graves consequências. Só não esqueça disso.” Ele lhe 

    dá as costas, e a bela sai. Ao chegar no local, ela fica em pânico, pois a estátua de anjo, e a iluminação é semelhante aos seus sonhos com o anticristo, e todos eles tinham algum contexto romântico. Ela respira fundo, está vazio. “Talvez ele só esteja me testando, e...” Ele chega, com o cabelo desgrenhado, e um sorriso totalmente sem vergonha. “A noite deve ser sido boa.” Brinca com desgosto. “Tenho uma reputação a zelar.” Ele rebate, e se sentam perto um do outro na fonte. 

    _Vamos ser bem diretos ok? 

    _Eu sempre sou Isabelle. 

    _Isso tem que parar. Eu sou casada e respeito  muito o meu marido. 

    _Engraçado. Quando era eu o marido, você não tinha piedade de mim. 

    _Eu não te amava, e você me traiu antes, ou se já se esqueceu das doces noites  com Aggarath? 

    _Não, não esqueci, mas isso só aconteceu por  culpa do seu desprezo. 

    _Hahaha' Essa é boa. Você é o  cafajeste, e eu que levo a culpa? 

    _Tem razão. É idiota. Já aconteceu, mas não muda o fato de que esteve casada comigo. _É, quando descobri fiquei me perguntando como pude ser tão idiota. 

    _Já chega. Assim você vai acabar tirando a roupa, e eu não vou resistir. 

    _Eu vou é te esganar. Não está me escutando? 

    Eu não quero isso. O passado morreu certo?! 

    _Estou, só não quero ouvir.  

    _Foi uma total perda de tempo. Até mais. 

    Ela se levanta para ir embora, só que ele segura o seu pulso,  e fica de pé diante dela, sem o comum semblante zombeteiro. O quê a deixa bem preocupada, pois o quê quer que venha a dizer, é algo sério. “Eu não quero ouvir porquê também estou confuso.” Diz em forma de confissão, apertando o seu braço para não deixá-la se mover. Seus olhos denotam tristeza, e por alguma razão, isso lhe desperta um pouco de compaixão, e ela resolve esperar por sua explicação. Eles  retornam para a fonte, e ele passa a mão nos cabelos, cobrindo a sua face. 

    _Eu sei que sou um babaca. “Imperador dos  Babacas” pra você. 

    _Victória te disse isso?! 

    _Eu te vigio Isabelle. Sei o quê fala de mim. _E quer se vingar fazendo eu me apaixonar, só porquê disse que não seria uma das mil, que acreditam nos seus falsos “eu te amos"? 

    _Não. Eu não me importo com o quê diz. _Então porquê tudo isso? Eu briguei com Leviroth pra está aqui. Preciso saber. 

    _De verdade? Eu só sinto a falta da minha Amada. 

    _É. Eu não sou aquela prostituta fria! _Esse é apenas um rótulo, que você recebeu por ser uma criatura livre de amarras. 

    _Bael. Eu sei que quer me matar, para trazer ela de volta, mas não é justo comigo. Eu não sou mais 

    Luciféria, nem Babalon, Hell, ou qualquer outra Deusa. Sou apenas Isabelle, mas eu sinto, e isso me assusta. 

    _Eu não tenho a intenção de te matar. Se fosse como  diz, já teria morrido. Sinto algo por ti, sendo Babalon  ou Isabelle.  

    _Não pode. Terá que viver com isso. 

    Nem tudo pode ser seu. 

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

  • Paixão metropolitana momentânea

    Eram dias difíceis, andava meio desanimado.
    Hoje, não era uma exceção, desviava os olhares das pessoas, na rua, enquanto caminhava em direção à estação de trem, estava indo trabalhar.
    O trem chegou, eu torcendo para que ele estivesse vazio, não estava. Bem, lá vamos nós, afundar a cara no livro e esperar chegar ao destino. Comecei a ler o livro, passou uma, duas, três estações.
    O trem chegou à quarta estação, entrou uma garota, interessante, muito bonita. Tinha olhos escuros, lábios grossos, pele morena, cabelos escuros, escorridos. Usava óculos, também carregava um livro em suas mãos. Coisa rara de se ver, todos carregavam celulares em suas mãos.
    Não conseguia disfarçar, estava encantado pela garota do trem, havia algo diferente nela.
    Apaixonei-me mais ainda quando olhei seu sorriso, ela havia lido algo no livro que havia arrancado aquele belo sorriso.
    Tentei ver o que ela estava lendo, não consegui. Quando volvei os meus olhos em direção a ela, ela estava me olhando, sorrindo.
    Fiquei com vergonha, sem graça, mas pelo menos ela havia sorrido para mim, havia uma chance.
    Ela continuou olhando e sorrindo, abriu a boca, lentamente, para dizer algo a mim.
    Fiquei parado, olhando, sorrindo para ela, esperando para ver o que ela iria dizer.
    Talvez fosse comentar do livro que estava lendo, ou tenha visto o meu e resolveu puxar assunto sobre ele, ou iria dizer que me amava, sei lá.
    - Moço, ela disse!
    - Sim, respondi com um sorriso.
    - Tem um pedaço de pão na sua barba, uma casca.
     Oh meu deus! Oh! Que vergonha!! (pensei)
     - Costumo sempre guardar um pedaço pra mais tarde, caso sinta fome, mas obrigado por avisar, disse a ela.
    Tirei o pedaço de pão, realmente, era um pedaço grande, dava mesmo pra matar a fome. Ela sorriu, de novo, aquele sorriso apaixonante.
    - Te amo, eu disse.
    - O que você disse?! Perguntou
    - Prazer, Carlos.
    - Ah sim, rs. Prazer, Bruna.
    - Bruna, lindo nome. Lindos olhos e lindo sorriso, também. Disse.
    - Ah, obrigada.
    Aqueles segundos em silencio pareciam mais uma eternidade.
    -Júlia, aceita tomar um drink?
    - É Bruna, ela disse.
    - Desculpe, Bruna, estou nervoso.
    - Tudo bem
    -Então aceita tomar um drink?
    - Disse que tudo bem pelo fato de você ter errado meu nome.
    - Então nada de drink?
    -Meu deus, o que há com você, ela disse, sorrindo.
    -É que eu estou apaixonado por você
    Ela deu um sorriso tímido, mexeu nos cabelos, olhou bem no meu olho, pegou na minha mão e disse:
    - Olha, agora não posso, estou indo para a faculdade, vou descer na próxima estação, anote meu telefone.
    Meu telefone estava sem bateria, peguei uma caneta com ela e anotei seu telefone em meu livro.
    - Posso te ligar a partir de que horas? Disse a ela.
    -Saio da faculdade às 22h40min, pode me ligar a partir deste horário.
    Ok, Brenda, ops, Bruna. Sorriu novamente, o trem havia chegado a sua estação.
    - Vou aguardar sua ligação, hein?
    - Claro, vou te ligar hoje, amanhã, todos os dias.
    Fiquei o resto da viajem imaginando aquela mulher, suas mãos tocando as minhas, seu sorriso, seus olhos, seus beijos. Mal via a hora de encontra- lá.
    Desci do trem, havia chegado à estação. Dei uma passada no banheiro, depois, saí em direção às catracas. Já estava na porta do serviço, quando notei algo estranho.
    O LIVRO!!! PUTA QUE PARIU!!
    Esqueci o no banheiro, apoiei ele na pia para lavar as mãos.
    Voltei correndo até a estação, pulei a catraca.
    Chegando ao banheiro, o livro não estava lá.
    Adeus, Bruna, adeus.
  • PAIXÃO NA BOSSA

    Recusa ser feliz
    Por que tanto olha o mar?
    Faz sentido para amantes
    Para um, é só um mar.

    O passado tão presente
    Dele é tão refém
    Condenaras-te à tristeza
    Não só tu, a mim também.

    Carga fatigosa
    Descompassa o coração
    Joga a todos para longe
    Desesperado empurrão.

    Quando estiveres pronta
    No presente arriscar
    Larga ao chão todo esse peso
    E vem pra cama me amar.
  • Rápido demais — Crônicas do Parque

    Já fazia cinco solitários anos em que se encontrava separado e divorciado. Se mantinha firme em sua promessa de não mais se envolver e se entregar a um relacionamento amoroso. Afinal, sofrera bastante quando se separou da sua amada e louca esposa norte-americana (USA), que de repente enlouquecera quando ele achava estar tudo indo bem.

    Lembrara-se quando, por causa da separação, se ergueu de uma depressão que quase o matou de fome. Em que ao final do quinto dia sem comer, desmaiara caindo da cadeira em que estava sentado solitário trancado no escuro do seu apartamento. Em um instante se viu envolto em uma luz alvamente branca, flutuando em um corredor que o erguera para cima. Aquilo o atraia como dando um basta a sua vida terrena de sofrimentos. Porém, de repente, olhara para baixo vendo o seu corpo caído ao chão desgraçadamente. E disse para si mesmo:

    _ Não! Não é minha hora, tenho que voltar.

    E, novamente, lá estava ele, desgraçadamente em seu corpo caído ao chão. Juntou forças e foi se arrastando até a cozinha. Ao chegar, viu um pedaço de baguete duro sobre a mesa, e se esforçando apoiando penosamente os seus braços na cadeira, ergueu-se para pegá-lo. Já com o pão duro na mão, rastejou até o filtro de água potável, em que enchera um copo. E ali caído ao solo com as costas recostadas nas gavetas do armário da pia, comeu vagarosamente o tosco pedaço de pão duro, junto a goladas de água.

    Quando sentiu que já tinha forças para se levantar, ergueu-se pausadamente segurando com suas mãos as gavetas da pia, como se estivesse escalando o monte Everest. E, apoiou-se sobre seus pês. Foi até o banheiro, e tomou uma longa ducha quente. Ao final, viu que carecera de um choque térmico, e virou a torneira fazendo com que água esfriasse, tomando uma outra ducha fria. E bocejava, estremecia e ofegava.

    Vestiu-se, entrou em seu carro e pegou seu smartphone o ligando depois de uma semana, e vira múltiplas notificações de mensagens e ligações em sua tela. Ignorou-as, indo diretamente ao Google Maps para procurar um bom restaurante italiano mais próximo, pois desejara comer uma pasta com frutos do mar. Depois dessa recaída em que quase lhe valera a vida, prometeu para si mesmo viver como um monge eunuco, distante das perigosas mulheres.

    Assim, estava ele vivendo feliz, sem dar satisfação a ninguém para onde ia e o que fazia. Procurava ocupar ao máximo o seu tempo fazendo classes de yoga, teatro e aprendendo a tocar flauta e piano. Evitava ler, ver e ouvir romances, series e filmes, músicas e histórias de relações amorosas. Em que baixara o Google Keep, um moderno e super aplicativo de tarefas, para seu smartphone. Onde ao final de cada dia, dedicava meia hora da sua atarefada vida para fazer a programação do próximo dia, não dando oportunidades para surpresas. Fechando assim as portas para novos imprevistos que o poderia levar a um novo relacionamento, ao conhecer uma interessante pessoa em um lugar desconhecido, fora da sua agenda digital de compromissos fictícios.

    Portanto, acordava, se levantava e ia correr por uma hora todas as manhãs antes de ir para o seu entediante trabalho de programador, em uma dessas grandes corporações Hi-Tech Israelense.

    Em uma dessas manhãs em que corria no parque de Kfar Saba, viu a sua frente uma jovem que tropeçara na pista de exercícios, e machucara um dos joelhos. Por um instante decidiu ignorar aquele acidente, ultrapassando-a. Porém, por um ataque de consciência deu meia volta, indo ao encontro da jovem que se encontrava sentada no chão chorando.

    Ao chegar até ela, agachou-se e disse ainda ofegando pelo esforço do seu exercício:

    _ Você está bem?

    _ Claro que não! Você não vê?

    _ Desculpe! Só estou tentando ajudar. Venha, vou te levantar.

    _ Ai! Ai! Ai! _ resmungou a moça não podendo se apoiar em uma das pernas.

    Então, ele a carregou em seus braços a levando para grama, pondo-a debaixo de uma Tamareira que fazia uma refrescante sombra. E a perguntou:

    _ Você mora por aqui por perto?

    _ Moro em Rosh Haayin.

    _ Não está tão longe. _ falou ele enquanto estava lavando o ferimento do joelho da jovem moça, com a água de sua garrafa.

    _ Você está de carro? Será que pode me levar até minha casa.

    Ele hesitou ao responder de imediato, e olhou para o seu smartwatch que se encontrava no pulso direito, sabendo que se a ajudasse, chegaria tarde no trabalho. E, olhando para aquela jovem e linda moça de olhos verdes molhados de lágrimas, não resistindo ao seu apelo, disse:

    _ Sim, eu te levo para casa.

    Ela sorriu, e de súbito o beijou no rosto como forma de reverencia. E aquele beijo repentino ascendeu um chama nele que há muito tempo se encontrava apagada. E temeu, ignorando aquele beijo ao levantar a moça nas suas costas, apoiando-a como se fosse uma mochila. Ao passo em que ele caminhava com a pesada moça sobre as costas, ela ia tagarelando:

    _ Nem ao menos nos apresentamos, e aqui estamos como namorados em que você me leva de macaquinho. Como é o destino, ultimamente só estou conhecendo novas pessoas através do Facebook, e agora te conheço assim, em um acidente, e já temos um contato físico como pessoas que se conhecem a muito tempo. Acho que só os acidentes são capazes disso. O que acha? Eu ainda não sei o seu nome. Como você se chama?

    _ Em primeiro lugar não somos amigos, nem muito menos namorados. Em segundo você está muito pesada, e não estou conseguindo me concentrar com essa sua tagarelice. Me chamo Nimirod.

    _ Desculpa Nimi, eu só estava querendo te distrair por causa do meu peso e seu esforço. Me chamo Einat. Prometo que não falo mais. Naim meod (Prazer em conhecê-lo)!

    Juntos chegaram ao estacionamento, e ele a colocou no banco da frente do seu carro. Ela ainda se encontrava calada pela dura que recebera dele, e, ele se encontrava sério, meio puto em chegar atrasado para o trabalho.

    Então, ela resolveu quebrar o gelo que existia entre os dois, perguntando-o:

    _ Você corre no parque de Kfar Saba todos os dias?

    _ Sim. _ respondeu ele secamente.

    _ Você mora em Kfar Saba?

    _ Não. _ deu outra resposta seca.

    _ Onde mora?

    _ Próximo. _ disse isso não querendo responde-la.

    _ Sim. Não. Próximo. Você fala hebraico? _ disse ela o provocando.

    _ Você é da polícia? Não pode se calar um pouco, apenas por um momento. Não gosto de ser interrogado, e por sua causa estou me atrasando para o trabalho.

    Ao ver essa resposta arrogante, mais uma vez os olhos da jovem se encheram de lágrimas, e ela pediu para descer ali em qualquer lugar, já que estava incomodando.

    Diante disso, arrependido ele disse:

    _ Desculpe-me Einat. Apenas fiquei irritado por me atrasar para ir ao trabalho hoje, tenho muitas tarefas e meu chefe está já há uma semana no meu pé para que eu termine. Vou te levar para casa e tentar responder suas perguntas, ok.

    A jovem enxugou suas lágrimas, deu um grande sorriso, e perguntou:

    _ Quantos anos você tem?

    _ Trinta e sete. E você?

    _ Vinte e três.

    _ Você é nova. Fez o exército?

    _ Sim. Terminei faz um ano.

    _ E não viajou?

    _ Acabei de chegar da Índia, estive lá por dez meses.

    _ E como foi?

    _ Louco. Já foi a Índia?

    _ Sim.

    _ E como foi?

    _ Louco.

    _ Então, não preciso lhe dizer nada _ disse ela sorrindo.

    Ele sorriu em resposta, e a perguntou já chegando em Rosh Haayin:

    _ Em que direção fica sua casa aqui.

    _ Eu não sei direito lhe instruir, pois sou nova aqui, mas posso ver no Waze. _ disse ela pegando o seu smartphone, e abrindo o aplicativo GPS digitando o nome da rua.

    _ Você é daqui? _ perguntou ele, enquanto ela ainda digitava.

    _ Não. Sou de Tel Aviv. Vim morar aqui por causa do emprego de ajudante de enfermeira veterinária, pois quero estudar veterinária no futuro. Amo animais, principalmente gatos.

    _ Eu odeio gatos. São egoístas e interesseiros.

    _ Assim como nós. _ disse ela.

    _ Prefiro os cachorros. São amáveis e amigos. _ disse ele ignorando o que ela disse.

    _ Já eu, não sou muito afeiçoada a eles. São dependentes de mais e bagunceiros.

    _ Assim como nós, quando crianças. _ disse ele.

    Ambos se olharam e sorriram como se concordassem um com o outro, e a voz robótica do aplicativo falou dizendo que se encontravam no local de chegada.

    _ É aqui, nesse prédio. _ disse ela apontando, e continuou_ Quer entrar para tomar um café? Afinal, você já está atrasado mesmo.

    _ Não, obrigado! Não quero me atrasar mais ainda.

    _ Só que tem um probleminha! Esqueceu que não posso andar, e no meu prédio não tem elevador, e vivo no terraço no quarto andar. _ disse ela sorrindo.

    _ Ok! Te levo até lá, mas não tenho tempo para o café.

    Ela sorriu. Ele saiu do carro, foi até a porta do assento lateral, a carregou em seus braços, e ela disse:

    _ Agora parece que acabamos de nos casar, e você me leva para lua de mel.

    Ele a encarou com seriedade não gostando nada do que ela disse, e a colocou em suas costas indo em direção ao prédio a sua frente. Chegando a porta, ele se virou de lado para que ela pudesse digitar o código chave de cinco dígitos para abrir, fazendo um barulho entediante afirmando que já estava destrancada. Ele empurrou a porta de vidro com o pé, e enquanto adentrava ela ajudou com uma das mãos, sendo que a outra estava envolvendo o busto e pescoço dele.

    E seguiram subindo a escada. A cada andar ele parava um pouco para pegar um fôlego e descansar. E ela resolveu dessa vez ficar em silêncio, pois ele não estava nada gostando daquela situação. Então, chegaram a porta do apartamento dela. E ela disse:

    _ Não vai nem ao menos entrar para um copo d’água e descansar um pouco.

    E, ofegante ele disse:

    _ Não. Melhor não. Estou muito atrasado, tenho que ir.

    _ Vai me deixar aqui na porta para que eu me arraste até a cama? _ perguntou ela com uma dengosa voz.

    _ Acho melhor você já aprender a se virar sozinha com essa situação. Depois você vai me pedir para te levar para o banheiro, e te dar banho e depois fazer comida.

    _ Eu bem que poderia comer você. _ disse ela, e continuou_ Brincadeirinha. _ disse isso, querendo desfazer o que disse.

    _ É por isso que não quero entrar. É disso que eu tenho medo. Vocês jovens são rápidos demais. Bye! _ disse ele descendo as escadas.

    _ Hei, espera aí! Você não me disse onde mora. _ disse ela gritando.

    _ Moro em Kfar Saba. _ respondeu ele já de baixo.

    _ Me dá o número do seu telefone. _ ela gritou de cima.

    _ Rápido demais, já disse! E se eu for casado…

    _ Você é casado? _ Ela gritou o mais alto que pode.

    _Não! Mas, enquanto o meu número de telefone, vai ter que descobrir por si só.

    _ Isso já é bom! _ gritou ela, e já não houve mais respostas. _ “Ele se foi” _ pensou ela entrando no seu apartamento.

    Ele entrou no carro e dirigiu rapidamente para o local de trabalho, fazendo consideráveis esforços para esquecer aquilo tudo, repetindo um milhão de vezes em sua mente _ “Isso nunca existiu” _ tentando assim ignorar os fatos, que já fora fisgado pelas garras do destino.

    Ela estava maravilhada com ele, achava ele bonito e responsável, o tipo certo para uma mulher se casar. Ela era tão jovem, mas já pensava em um bom partido. Estava meia que traumatizada pelo motivo de suas duas irmãs mais velhas não conseguirem ter relacionamentos por serem gordas, não suprindo as exigências dos homens israelenses, numa sociedade que admira e fortalece a indústria da moda e cosméticos. Sendo que sua irmã mais velha de trinta e oito anos, fizera bebês em um laboratório de banco de espermas, tendo assim filhos gêmeos. E sua segunda irmã de trinta e quatro, já estava pensando em fazer a mesma coisa. Ela não era assim tão gordinha, mas geneticamente tinha formas arredondadas, e isso a preocupava. Passava muito tempo na frente do espelho, e se achava gorda e feia.

    Porém, não era bem assim, suas amigas a invejavam pela sua cintura bem definida, seu bumbum farto e arredondado, seus seios medianos e seu rosto de anjo com olhos verdes e cabelos loiros cor de mel. Um belo corpo de violoncelo, unida a um belo rosto e altura de um metro e setenta e cinco invejável. Não era gorda de jeito e maneira, era dessas mulheres mutantes de forma gigantesca.

    O despertador do smartphone tocou as cinco horas da manhã, como de costume ele se levantou indo diretamente ao banheiro, lavara o rosto e escovara os dentes apressadamente. Vestiu-se com sua roupa e assessórios de correr, colocou seus fones de ouvidos bluetooth, e pendurou o seu smartphone por uma capa detentora em seu braço esquerdo, começando o seu exercício matinal ao som do piano de Richard Clayderman. Pelo esforço que fizera para esquecer do evento inconveniente do dia anterior, já não se lembrara com emoção daquela moça linda e alta de olhos verdes, sua mente se voltara a sua rotina diária de solteirão feliz.

    Mas para o seu desgosto, lá estava a jovem linda moça correndo em sua direção pela contramão com o joelho enfaixado. Ao passo em que se aproximava dela, ele pensava em ignorá-la. Dizendo em seus pensamentos: “Puta-merda! O que ela quer de mim. Droga! Porque logo hoje fui me esquecer de colocar meus óculos escuros”.

    Ao se aproximarem, param ainda correndo e trocaram sorrisos, e ela disse:

    _ Olá como está?

    _ Bem. Vejo que seu joelho já está bom.

    _ Quase. Mas não resistir ter que parar com os meus exercícios matinais.

    _ Entendo. Bom! Não quero me atrasar mais um dia para o trabalho. Bye!

    _ Bye! Lehitraot (Até mais ver)!

    E, continuaram os seus percursos, entretanto, enquanto se distanciavam ela disse em alta voz:

    _ Ainda quero o número do seu telefone.

    _ Ainda vai ter que descobrir. _ disse ele não olhando para trás.

    E, isso se repetia dia após dia, semana após semana.

    Até em que um belo dia de Yom Rishon (domingo) ensolarado, em que ele estava a correr como de costume no parque de Kfar Sabah, não a viu durante todo o percurso. E, pensou: “Ela não veio correr hoje. O que será que aconteceu. Não importa! Bom para mim”. E, Yom Sheni (segunda-feira) a mesma coisa. E, Yom Shilishi (terça-feira), Yom Revyi (quarta-feira), Yom Hamishi (quinta-feira), Yom Shishi (sexta-feira) a mesma ausência.

    Yom Shabat (sábado), ele despertara já sem o apito do seu despertador. Continuou ainda deitado em sua confortável cama elétrica com colchões de astronauta, e não conseguia pensar em outra coisa, senão, nela. E vislumbrara em seus pensamentos o sorriso contagiante que enfeitava seu belo e limpo rosto redondo. Sua meiga voz de menina mimada. E seu gigante corpo perfeito. A ausência dela o fisgara, como as coloridas iscas artificiais dos profissionais esportistas pescadores. Aconteceu o que ele mais temia, se viu apaixonado, e sabia que esse sentimento era o mesmo que estar enfermo. Mas, agora, o que fazer, pensou. Ir procurá-la. Não! Isso era se entregar a loucura novamente. E se lastimou pelo fato de não ter dado o número do seu telefone a ela.

    Levantou-se da cama, foi ao banheiro, levantou a tampa da latrina e fez xixi. Deu descarga, e foi ao lavatório. Se olhou no espelho, e pela primeira vez viu um fio de cabelo branco em sua cabeça e dois em sua barba. Meu deus! Pensou. Abriu a gaveta procurando uma tesoura, e achando-a, rapidamente com cuidado fora até a raiz dos seus intrusos cabelos brancos para expulsá-los.

    _ Estou ficando velho. _ disse em alta voz para si mesmo.

    Teve medo por um instante de pânico de envelhecer sozinho. E pensou nela. Rapidamente entrara na banheira, ligara a ducha tomando um banho. Pegou a tolha, se enxugou apressadamente, passara um creme facial no rosto e se perfumara. Correu até o quarto, se vestindo elegantemente com roupas de verão. Uma curta bermuda branca, uma camiseta verde e uma sandália de couro esportiva. E, pensou em convidá-la para ir à praia em Herzliya.

    Ao chegar no prédio em que ela morava, correu em direção a porta, e não se lembrando o número do seu apartamento, não sabia em que botão devia apertar para chama-la pelo interfone. Esperou um pouco, e teve a oportunidade quando um casal estava para sair, aproveitou essa oportunidade em que a porta fora aberta, adentrando-a. E subiu as escadas em direção ao terraço no quarto andar. Lá chegando, parou e fez um pequeno exercício de respiração para aliviar a tensão. E, antes de bater à porta hesitou, não sabendo bem o que dizer a ela. E quando fora bater, a porta se abriu. Sendo, que ambos se assustaram. E ela disse:

    _ Você aqui! Eu já estava prestes a sair.

    _ Pois é, resolvi ainda que tarde aceitar seu convite para tomar um café. Mas, vejo que tens compromisso.

    _ Eu estava indo à praia.

    _ Uau! Foi isso mesmo que vim fazer aqui, te convidar para ir à praia.

    _ Ainda quer entrar e tomar um café antes?

    _ Seria um prazer!

    Ele entrou, e viu que ela morava em um pequeno apartamento de solteiro de apenas um quarto, com uma pequena cozinha e banheiro acoplados. Mas, que continha uma enorme varanda no terraço com muitas flores, plantas, um cagado, um papagaio branco, uma iguana e três gatos. O apartamento era pequeno, mas estava muito bem organizado com uma cama de casal ao meio, a cozinha no estilo americano a frente, o banheiro ao lado e uma grande mesa com impressora e computador, improvisando um escritório de trabalho. Do outro lado havia também uma porta e uma larga janela que dava para varanda. O ambiente estava bem iluminado e confortável, havia odores de incenso, e um toque alegre maravilhosamente feminino. Muito distante do seu escuro apartamento, triste e sem graça. E, enquanto ela aprontava o café, ele disse ao se sentar a cama:

    _ Bonito e aconchegante aqui.

    _ Foi isso que você perdeu antes. Muito lento você, Sr. Lesma.

    _ E você, apressada demais, Sra. Papa Léguas.

    _ Viu!

    _ Viu o quê?

    _ Agora já estamos nos comportando como um casal rotineiro, discutindo por besteiras.

    _ Rápida demais menina! _ Ele a alertou, e continuo _ Nem começamos ainda a namorar, e você fala em casamento. Mas me diga, porque não foi ao parque correr essa semana.

    _ Funcionou!

    _ Funcionou o quê? _ perguntou ele sem nada entender.

    _ Não está vendo. _ disse ela sorrindo.

    _ Como sou idiota! Bye! _ disse ele indo revoltado em direção a porta.

    _ Bye! _ disse ela tranquilamente sem olhar para traz, enquanto ainda preparava o café.

    Rapidamente ele saiu, e descendo as escadas às pressas, parou no meio, colocou a mão na cabeça, e dizia para si em voz alta:

    _ Como sou idiota! Hahhhh!

    Continuou a descer, e ao chegar a porta. Hesitou em abri-la. E se viu completamente apaixonado e envolvido a ela. Tão rápido, mais rápido do que a velocidade dos pensamentos era a velocidade dos sentimentos. Sua cabeça lhe dizia: “Saia imediatamente dessa arapuca, e esqueça essa garota que só vai atrapalhar a sua vida”. E o coração rebatia, dizendo: “Volte imediatamente, peça desculpas e diga que gosta dela”.

    O coração foi mais forte, assim deu meia volta e subiu as escadas. E lá estava ela a porta, com duas xícaras na mão, uma de café e outra de chá de folhas de Luiza Limão do seu pequeno canteiro de ervas. Ele subiu a passos lentos em sua direção. E pediu desculpas, e ela abrindo os braços com as mãos ocupadas com as xícaras cheias, disse:

    _ Só desculpo se me der um beijo.

    Ele se aproximou o mais perto possível, encostando barriga a barriga, e sentiu o calor atraente do corpo dela o chamando. Olho a olho se olhavam, e o olhar dela ficou meio vesgo, tornando-a mais linda e atraente, ainda mais do que já era. Suas respirações estavam ofegantes, e seus corações pulsavam tão alto, que faziam os líquidos das xícaras que estavam nas mãos dela ondularem pelas laterais, respigando todo o chão. E por um instante se cheiravam, enquanto seus narizes se tocavam. Rapidamente ele se afastou, pegando a xícara de café da mão dela, e disse:

    _ Rápido demais menina. Rápido demais…

    Ela sorriu, e ambos caminharam até a varanda. Assim, se sentaram um a frente do outro em uma pequena mesa de ferro, com a plataforma de cimento com mosaicos feitos de pedaços de azulejo que ela mesma confeccionara. E, apenas se olhavam por longos minutos sem nada dizer, enquanto saboreavam o gosto do café e chá, e os gatos se enroscavam em seus pés.

    Então, ele rompera o silêncio dizendo:

    _ Vamos devagar, Ok! Assim será melhor e mais prazeroso. Não quero ter uma relação de palito de fósforo.

    _ Como assim, palito de fósforo? _ indagou ela.

    _ Você tem uma caixa de fósforos? _ perguntou.

    Ela sem nada dizer, adentrou a casa para apanhar. E trazendo, foi vagarosamente por detrás dele o abraçando em tons provocativos, enquanto estendia com uma das mãos a caixa de palitos de fósforos a frente dos seus olhos. Ele pegou a caixa, ela voltou ao seu assento, e ele disse:

    _ Tome essa caixa, pegue um fósforo e ascenda.

    E, assim como foi dito, ela fez. E ele disse:

    _ Está vendo! O fósforo ascendeu ligeiro se inflamando rapidamente, e da mesma forma ligeiro se apagou. O mesmo acontecerá com nós se formos tão depressa nisso. Tudo não passará de uma inflamante paixão. Devemos começar como uma pequena fogueira de acampamento. Catar folhas e palhas secas, colocar gravetos em cima, depois paus grossos e duros, e acende-la com muita atenção cuidadosamente, e ir alimentando-a com esse combustível de matéria orgânica dura aos poucos, para que permaneça acesa, e venha nos aquecer por toda noite, até a vinda do sol.

    _ Mas, essa sua fogueira só poderá ser acesa com um palito de fósforo, não é? _ questionou a moça a sua frente com ironia.

    Nisso, ele se irritou novamente. E ela rapidamente disse:

    _ Brincadeirinha, Sr. Nervosinho. _ e sorriu como uma esperta menina, que ganhou a aposta.

    _ Ok! Nada de telefones, SMS, Telegram, WhatsApp, Facebook, Skype e todas essas parafernálias da internet. Usaremos cartas. E só nos encontraremos no local especificado por elas. Faremos a moda antiga, antes da tecnologia. _ rebateu ele, irritado por se sentir derrotado.

    _ E se as cartas não chegarem? Você sabe como são os correios aqui em Israel.

    _ Vamos usar então uma empresa de correios privada, a Deutsche Post DHL. Não se preocupe, eu cobrirei todos os custos.

    _ Está bem, Sr. A Moda Antiga _ disse ela ironicamente concordando.

    Assim, terminaram com o café e chá, e foram para praia em Herzliya. Lá, conversaram bastante abrindo o livro de suas vidas um para o outro, e o tempo em que passaram juntos foram mágicos para os dois.

    Ele a levou de volta para o apartamento dela em Rosh Haayin. E, ao se despedir saindo do carro, enquanto ainda caminhavam até a porta do prédio, ela o surpreendeu com um beijo apaixonante em sua boca, em que ele nem ao menos teve chance de resistir, apenas pela altura dela, teve que ficar suspenso nas pontas dos pés. Então, ela percebendo o seu desconforto, o puxou ainda o beijando descendo para rua, enquanto ele ainda ficava sobre o paralelepípedo da calçada, dessa forma ele ficou mais alto e ela mais baixa. Esse beijo em que se abraçaram amorosamente, durou por quase dois minutos. Ao terminar ela disse se despedindo:

    _ Isso foi apenas o fósforo que acendeu a fogueira no nosso acampamento.

    E assim, ele e ela, Nimi e Einat se encontravam esporadicamente através de cartas que indicavam locais estratégicos como um jogo de RPG. Ela o escrevia cartas amorosas, as desenhando com lápis de cor, ou aquarela, e fazia também colagens de flores e folhas do seu jardim suspenso. Ele a enviava cartas com bombons e flores, sempre ditando os lugares de encontro como o mestre do jogo. Até que um dia, ela recebeu uma encomenda vinda em um carro forte de alta segurança, tendo que dar várias assinaturas nos protocolos de papeis para recebe-la. Parecia-lhe algo extremamente de muito valor financeiro, para vim com aqueles seguranças todos bem armados, com pistolas e escopetas Glock. Era uma caixa grande que envolvia outras pequenas caixas, como degraus de escada de caixas sobre caixas. E, ao chegar à última e pequena caixa preta. Encontrou um pequeno papel vermelho, dobrado em quatro partes. E ao abri-lo, viu um número de telefone escrito em tinta negra: 0529516651. De imediato foi a sua bolsa procurando o seu smartphone, e ao acha-lo ligou imediatamente. E ao dizer alô, ouviu uma voz que emocionado perguntava:

    _ Quer se casar comigo?

    _ Rápido demais seu moço. Nem ao menos ficamos noivos e você já pensa em casamento.

    Então, ele ao ouvir essa resposta, desligou de imediato o telefone.

    E, ela se desesperou dizendo para si: “Droga! Eu brinco demais com ele, e ele sempre me leva a sério. Apenas só repeti as suas palavras. Droga!”.

    Todavia, enquanto ela tentava ligar para ele novamente, desesperada para lhe dizer: “Sim! Era isso que eu mais desejava desde quando nos conhecemos”. Ela ouviu um toc, toc em sua porta. E abrindo-a, lá estava ele de joelhos com uma caixa de anéis na mão dizendo:

    _ Case-se comigo agora, mesmo que seja rápido demais! É que não precisamos mais da fogueira no nosso acampamento. Pois o sol raiou, e já é dia.
  • Saudades que se manifestam profanas

    A noite aqui muitas vezes cai sôfrega e se estende nessa minha nova realidade, me reviro na cama refletindo o quanto é cruel você não saber como me sinto, olho para os lados e observo os reflexos lunares que adentram silenciosos pela janela e refletem nas paredes ao redor, únicas testemunhas das noites em que palavras chulas ecoavam destemidas em meio aos gemidos trêmulos.
    Abro os braços sobre a cama buscando partes de você e meu corpo se ondula sobre os lençóis que meses atrás estariam carregados de suor. Fecho olhos e te imagino passando pela porta usando apenas a minha camisa larga, me direcionando o antigo olhar safado e em seguida o sorriso que eu bem conheço. Sozinha, mordisco os lábios e me pego ofegante quando meu pensamento te toca, sinto minhas mãos deslizando em meu corpo como se clamassem em refazer os caminhos que antes eram percorridos pelas suas. De olhos fechados consigo sentir o aroma quente de sua respiração em meu ouvido e posso ouvir sua voz entrecortada dizendo o quanto te enlouqueço.
    Cravo uma das mãos em meio aos meus cabelos puxando-os loucamente e procuro a força ideal que antes tu usaras, enquanto a outra segura fortemente o travesseiro que agora se encontra sobre mim. Sinto como se as partes restadas de você percorressem ágeis em minhas veias.
    Abro os olhos e me pego sôfrega, ofegante e a pele brilha em um suor já visível. Sinto o nervo rígido e pulsante, como se nesse momento competisse com o coração, difícil é saber quem dos dois almeja mais o seu corpo.
    As mãos percorrem inconscientemente e adentram minhas roupas, enquanto uma toca meus seios a outra encontra o sexo encharcado, replico os movimentos antes feitos por seus dedos e nesse momento sem escrúpulos ou pudores, fecho os olhos e pronuncio seu nome em uma voz que soa emergente e descompassada. Os movimentos se multiplicam e me levam a um êxtase a muito tempo guardado.
    Me deixo trêmula sobre a cama, agora úmida, abro e fecho os olhos enquanto a respiração se normaliza. Nesse momento, meus instintos mais despudorados esperam que onde estiver, você receba ao menos uma carta de tesão ou sinta o mínimo da excitação que as lembranças de sua antiga presença ainda me trazem.
    Que maldade meu amor, que maldade foi a sua em aparecer sorrateira, e por meses me proporcionar as melhores noites, os melhores gozos e deixar que eu me entregasse das formas mais profanas para enfim partir e levar consigo os meus desejos mais intensos e obscuros.
    Que maldade a sua.
  • Será que é ele o verdadeiro culpado da minha frieza?

    Estou tão bem na minha zona de conforto, que acabo não deixando espaço para sentir algo novamente por seu ninguém. Porque nos seres humanos temos a mania de idealizar no próximo os erros e defeitos do anterior? Talvez o problema não esteja no novo ou no anterior, talvez o problema esteja na gente mesmo, sei que muitos nesse momento, ao ler ou ouvir alguém ler isso, vai dizer que eu sou louca, porém, prefiro se chamada de louca do quer de hipócrita ou medrosa. Às vezes, o medo de se machucar novamente é tão enorme, que criamos uma fortaleze mais enorme ainda ao nosso redor, e acabamos criando ou encontrando algumas desculpas, só para não seguir a fundo naquilo que poderia se tornar um sentimento tão lindo, puro, sincero e com bastante respeito.
    Mas, somos tão burros as vezes, que dizemos que o  motivo do nosso isolamento ou frieza, foi culpa do relacionamento ou quase relacionamento anterior, e esquecemos na possibilidade desse culpado ser nós mesmo. Como por exemplo, ao ser não capaz de admitir os nossos erros, ou até admitimos, porem, não nos desculpamos. E em outros casos, acabamos criando expectativas demais no próximo ao ponto de fugir muito da nossa realidade, cobramos explicações até para coisas desnecessárias, não admitimos nosso real sentimento, defeitos, muitas vezes não se desculpamos pelo o ato que foi feito, visto ou falando, acabamos deixando o nosso ego falar mais alto do que o próprio sentimento. Então pare de procurar justificar ou culpar alguém para o seu isolamento, pois, se o isolamento é seu, como que outra pessoa pode ser culpada? A vida é sua, você é que tem o controle nas mãos, para se permitir ser feliz e decidir se vai tentar outra vez. Só não deixe o medo falar mais alto, não se deixe ser intimida tão fácil assim, vá à luta, pois um dia sua vitória vai chegar.  
  • Sessão Curuja

          





    sessão curuja


          Passeio, viagem. Era uma modesta noite. Setembro de 2017, na cidade de Ouro Preto. Chegávamos de viagem, para conhecer a suntuosa cidadela com suas fortificações coloniais. Era plácida; sobrados, lampiões, treliça nas janelas que mantiam o oculto. Ar de mistério! O que se passava por detrás dos patrimônios de pedra e cal? Na verdade é uma incógnita que por mim não será revelada. Apreciava como estrangeiro, que só percebe o quão formosa era a cidadela.
     
           Alojamo-nos em uma dessas construções velhas, eu e mais um grupo de amigos, dividíamos o mesmo quarto. A velha casa contava com inúmeros quartos, banheiros, oratório e uma singela sala de conversação. A última foi apreciada até o último instante pelo grupo.

           Bebidas, cigarros e uma bela vista - Parecia que a igreja brotava da mata em um ponto alto da cidade. Uma amostra de quão é soberana a igreja sobre os pecados dos homens? Não sei. Falava-se de disputas de irmandades - E como pareciam ser religiosas essas irmandades. Havia inúmeras igrejas e talvez nem houvesse lugar para o pecado.
          
           Já passava das onze da noite, o silêncio tomou conta da casa. Já não era permitido ruídos ou sons de conversação. Aproximava-me da porta. Foi então que no silêncio da noite em meio a escuridão, veio ao meu encontro, uma mulher... uma mocinha! Não era bela, nem feia, aparentava vinte e dois anos, magrela, pele clara! Sorriso? Havia, de forma simpática. Entrelaçava os dedos... passava as mãos no cabelo... Reconheci-lhe as feições, era a garota da recepção, com quem horas antes tive uma prosa.
          - O que está fazendo aqui?  Não quer se divertir? Todo o grupo de pessoas com quem chegou, acabara de sair!
    Respondi-lhe:
          - Estava pensando na vida! Reconheço que a cidade dispõe de muitos artifícios, que garantam diversão. Inclusive frequentei a Igreja do Pilar horas antes.
          - Ahh entendo, também és devoto de fé e não frequenta bares! Mas temos outras coisas! Lanchonetes e pessoas novas a conhecer! Ou jaz comprometido com outros amores?
         
           Modesta foi a pergunta, desassossegado eram meus pensamentos, já estava longe de casa... longe dos amores. Não lhe pude ao menos responder, tornaram a chamá-la na recepção. Mas antes de partir, aconselhou a assistir TV, para que o sono chegasse.
         - Se quiser ligar o televisor, pode assim fazer, mas já são horas, não permita que o som perturbe os demais hóspedes.
          
           Dizendo isso, sumiu na escuridão do corredor, pisando levemente sobre o assoalho. Restava-nos ali eu, televisor, um velho candeeiro e um livro que contava a história de um caboclo negro, Chico Rei. Que era diariamente lembrado pela memória dos cidadãos locais. Entre os passos curtos dentro da sala optei por me acomodar, sentei-me e liguei a tv.
            
           Colocando o volume quase no mudo, dava pra escutar até melhor o tic-tac do pendulo de madeira suspenso no fundo da sala. Trocava olhares entre tv, as obras nas paredes, que pela luz fraca do abajur se tornavam ainda mais fúnebres junto a chuva que caía do lado de fora.

           Passeava entre esses meios. Já estava assonorentado, olho aberto... outro mais fechado... entre uma soneca e outra, notei que não estava sozinho... uma cabocla mestiça. Assustei-me, de modo que despertara a vê-la melhor. Olhos escuros, cabelos negros... cacheados. Era formosa! A mim não dirigiu uma só palavra, mas contentava-me em tê-la como companhia. Comecei a ter com ela pensamentos. Frenesi. Ela sorria e se movia. Meu sono ali acabara. Apesar de não oralizar, nos entendíamos apenas pela maneira de olhar. Foram-se tempos e tempos. Sua maneira de se mover, o balançar daquela corpo moreno e sereno me cativava e à medida em que me tocava, ainda mais jorrava.
     
           Ahh... e assim foi. E, eis que então, entre o corredor escuro do casarão, ressurge a mocinha que por fim, me mandou desligar a televisão!
  • Sinopse Princess Magic - The Adventure

    Prévia da Capa

    SINOPSE:
    -Por que eu tinha que me apaixonar por ela? -Pensa Simon,ao ver Mirella beijando Brain... 

    Mirella Miller,uma garota simpática e humilde,tem os cabelos loiros e lindos olhos azuis,ela é a melhor amiga de Simon desde pequena. Ela e sua irmã,Miranda,eram muito próximas a ele,os três vivam juntos,um ajudando o outro. Mas com o passar dos anos,Mirella teve muitos problemas e não aguentava mais viver daquele jeito,então resolveu fugir. Foi para uma floresta,bem longe de todos,mas acabou encontrando um novo amigo,seu nome era Brain Carter. Ele a ajudou,e os dois começaram a se aproximar... 
    Miranda e Simon precisavam encontrá-la e trazê-la de volta,mas ela não aceitou. Agora,eles irão ficar por lá,mas por quanto tempo? Ninguém sabe ao certo. 
    Simon e Brain,não se deram muito bem,e o triângulo amoroso se formou entre eles,e agora,Mirella está em dúvida. Quem é o seu verdadeiro amor? Simon ou Brain? 

    -Ela só te vê como um amigo,não percebe? -Provoca Brain. 

    -Eu não acredito em você! 

    -Continue negando,mas o coração dela pertence a outro...
  • Soneto da Incompreensão

    Imensurável ardor no peito
    Incompreendido sentimento de dor,
    onde estás, pra onde vás?
    Me deixastes sozinho sedento de amor. 

    Incompreendida angústia, onde está?
    No meu peito arde teu veneno
    Incompreendido, me vejo ao extremo
    Indo ao encontro do prazer, ei buscar!

    Retomo a mil pensamentos
    No crespúsculo arde a vontade, hesito!
    Do prazer passo ao escrito. 

    Segue a incompreensão; angústia, medo. 
    Medo, dor! Sentado escrevo
    Fugindo do prazer, sortindo amor.
  • The Angel In Earth

    Lux Burnns
    Sumário
     Prólogo............................ 3
     Capítulo 1- 1995............... 4
     Capítulo 2- 2006...............12
     Capítulo 3- 2011...............23
     Capítulo 4- 2013...............44
     Capítulo 5- 2015...............55
     Capítulo 6- 2018...............72
     Referências......................88
    Prólogo
    Escrevo livros desde os 11 anos, foi uma alternativa, quando vi que meus desenhos tinham os próprios traços, e jamais mudariam. Fui autora de muitos projetos não reconhecidos, que podem ser encontrados em meio a vasta internet, para quem quiser ver, como foi que a minha escrita mudou de redundante para encantadora. — Não é presunção, se há uma gama de leitores que concordam. 
    Minhas obras sempre foram voltadas, para o quê seria no futuro, ou as aventuras mágicas, de uma mente, muito, muito perturbada. Então definitivamente, não é fácil iniciar um projeto, que retrate quem eu sou, sem o uso de alegorias, e extremos ao retratar sobre fatos que me assombram, ou aconteceram.
    A jornada não será simples, pois meus problemas não se resumem somente a eventos comuns. Já me encontrei com o sobrenatural várias vezes, e sei que há mistérios, que fazem a insanidade se tornar um refúgio, diante da realidade nefasta. – Vi coisas que preferia esquecer, e que me fazem cogitar a ideia de juntar a banca ateísta.
    Como se isso não fosse o suficiente, tive minha saúde mental degradada com o decorrer do tempo, e isto me levou a conhecer o pior que existe da natureza humana. – Já teve medo de entrar no hospício? Eu sim. Não por achar que viraria minha casa, mas por acreditar que seria aprisionada ali, por causa dos meus pensamentos, e a ausência de sentimentos em determinados momentos.
    Tentei escrever o Sobre Mim, narrando somente os fatos, sem fazer uma análise profunda e detalhada de minhas ações, e acabou por ser concluído como um ensaio suicida, nem um pouco convincente. – Eu estava a beira de um surto, e o livro serve ao menos para o estudo psicológico, ou a expressão mais pura da loucura de uma mulher.
    Espero que esta tentativa seja diferente, ( darei o meu melhor para que seja). Então busque pela sua bota mais resistente, e a capa mais quente, pois a caminhada será longa, e ela começará agora.
    Capitulo 1- 1995
    Meus pais eram o típico exemplo, da história de amor, mais estranha do mundo. Minha mãe era um pouco namoradeira, e meu pai aparentemente um stalker, pois ficava lhe esperando voltar dos encontros, e a vigiava através da casa da vizinha dela. – Se isso não é perseguir, então não imagino nem um outro sinônimo para substituir a palavra.
    Minha mãe, talvez por ter sido criada de forma conservadora, não viu em seus atos nada de absurdo, por isso se apaixonou pelo jovem que vivia de cara amarrada e pouco ria, e que estava sempre na sua porta.
    Anos mais tarde, eles me geraram dentro de um carro, ouvindo a música Black da banda de rock Pearl Jeam, que basicamente fala de um amor dependente, que um homem tem por uma mulher, que não acreditava que poderia tê-la para sempre.
    Um romance com claros sinais de quê não era para acontecer, não poderia resultar em boas coisas, por isso, creio eu que minha mãe sofreu de rubéola na gravidez. – Isto ou o fato de ter abortado a sua primeira criança antes, por uma motivação bem adolescente, que quase custou a sua vida.
    O médico foi bem sincero para a minha mãe, disse que o melhor a ser feito era abortar, antes dela se colocar num risco maior. Contudo devido ao pecado anterior, e o peso que isso lhe trouxe, ela seguiu com a gravidez, e usou a sua fé para me proteger. Foi até a igreja Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, e lhe fez uma promessa. – Por causa disso, hoje carrego o odioso nome da Santa, que volta no Apocalipse, como a Prostituta Montada na Besta. (Leia sobre A Virgem Maria na perspectiva de Aleister Crowley.)
    Nasci no dia 15/02/1995, exatamente ás 10:51 da manhã, em Macapá- Ap. Mas minha mãe deu entrada no hospital, a noite, depois de ter tido um ataque de ciúmes, que a fez cair da escada, e assim foi as pressas para a maternidade, com medo de acabar me perdendo. – Nascida do desamor, com uma trindade de quinzes presente na data do aniversário, isto não é pura coincidência. 
    Meu nome humano é Thaís, em homenagem ao falecido tio Thales, que parecia o gêmeo do meu pai, apesar de ser um ano mais novo. – Por anos só soube que ele morreu, aos 17 anos, num acidente de moto, após se meter, com o quê meu pai chamou de “magia dos mortos” (Necromancia?) Porém quando fiz 19 anos, o irmão vivo me contou que Thales não apenas se foi, ele apareceu para o irmão estranho e sempre recluso, e lhe disse “Vou embora porquê esse lugar é pequeno demais para mim”. O quê era intrigante, pois eles eram ricos na época, e tinham um ótimo apartamento em São Paulo – Sp. (O curioso é que se Thales não tivesse morrido, eu não teria nascido.)
    A maldição começou desde cedo. Quando recém nascida – contam meus pais – que vivia no hospital, e o pior é que de alguma forma me lembro, do meu pezinho engessado, dentro de um quarto verde, com algumas lajotas. Como se não bastasse, toda noite era visitada, por uma poderosa entidade, que de acordo com minha mãe, era capaz de acionar o meu andajá eletrônico de madrugada. – O evento se repetiu tanto, que meu pai chegou a literalmente queimar o objeto, por medo do quê tinha por trás dele.
    Infelizmente o problema não estava no andajá, e sim em mim. Meus cabelos negros e lisos caíram, sendo substituídos por cachos marrons acobreados. – Diz minha mãe, que foi culpa do óleo Johnson, mas acho improvável, pois se fosse, minha pele pálida como papel, teria continuado da mesma forma. – É claro que a genética pode explicar isso, mas o fato em si, é comum entre as “crianças mágicas” (Leia Ciências Ocultas da Iavisa, para maior compreensão.)
    Minha infância não foi formada somente por doces e caramelos. Embora hajam memórias açucaradas, também existem as amargas que gostaria de esquecer, não pelo mal que me foi causado, e sim pelo quê me tornei por tal intervenção.
    Aos 5 anos fui molestada por meu avô, que me levava para o fundo do quintal, onde tinha um galinheiro, e quando me colocava para andar por lá, também enfiava seus dedos em minhas partes. – É horrível ter dons, que te fazem lembrar de tudo. – E mais tarde, aos 7 anos – por total negligência do meu pai, que me esquecia até 13 horas na escola – O meu professor de balé, o Junior, fez o mesmo. Só que numa sala cheia de crianças, focadas na TV, enquanto sussurrava em meu ouvido “Pense numa coisa bem boa.” 
    No primeiro momento achei que não tinha me afetado, mas hoje em dia percebo que sim. – Aos 2 anos, costumava matar pintinhos os sufocando, sob o pretexto de quê os colocava para dormir, e aos 8 desenvolvi desprezo pela cor rosa, que era exatamente a mesma que usava nas aulas de dança, por uma obrigação imposta por meus pais. – Que queriam me forçar a ser uma criança normal, o quê particularmente era impossível.
    Eu tinha sentido na pele, literalmente, o quanto o mundo é doentio, e como não quis contar a ninguém. – Para não perder as minhas regalias, dadas pelo meu avô, em troca do perdão por sua atrocidade. – Segurei aquele segredo comigo, e fui me tornando cada vez mais sombria.
    Para meus pais e coleguinhas era uma menina boa. Sozinha, me tornava outra pessoa. – Alguém que não merece nem ser citada. – Pois seus pecados são tão profundos, que até um padre cético, acreditaria se tratar de possessão infantil, ou algo ainda mais nefasto. – Vivia envolvida em clubes secretos da escola, me masturbando com meninas da minha idade – Isso com 6 anos, e até hoje me pergunto com quem foi o meu primeiro beijo, mas creio que quem o conseguiu, foi a minha coleguinha Vivi. –  Gostava de desenhar, só que no lugar de coelhinhos, flores e corações, minhas obras amadoras, expressavam a morte, sob o esquartejamento, e uma enorme poça de sangue. – Who’s bad? ( Michael Jackson – Bad – 1987.)  – Com 10 anos, acertei uma pedra na cabeça da minha vizinha, porquê ela fez amizade com outra menina, e me deixou de lado. – Eu mirei, vi se não tinha ninguém na rua, e puxei o elástico do estilingue. A cabeça da menina sangrou, e lembro-me do quanto fui falsa, ao ponto de pedir-lhe desculpas sem me importar.
    Ainda no mesmo ano, como era muito solitária, acabei por cair numa armadilha cruel. – Lembre-se que para os meus coleguinhas, eu era um anjinho. – Uma menina me chamou para ir dormir na sua casa, e como da outra vez – quando todos foram – Não me deixaram ficar, fiz de tudo para ir. Inclusive negociei ir com a menina, no lugar de alugar fitas de N64 na Top Game – Era muito manipuladora, desde pequena. A mãe da menina fez um drama, (ou para mim parecia assim, devido a boa vida que levava) sobre não ter dinheiro para nada mais que o necessário. Eu naturalmente entendi, mas a própria filha não, e assim esta se envolveu no roubo, e me puxou junto, enquanto fugia do guarda. Entramos no banheiro, e ela me implorou para assumir a culpa. – Naquela hora queria ter sido má, e dito surtou é? Mas não foi o quê houve – Sai do lugar, tomando a responsabilidade para mim, o supermercado estava cheio, todos me olhavam com repulsa, por andar mal vestida, e não acreditaram, quando disse que voltaria para pagar. – Apesar de ser da classe média alta, me vestia como mendiga, e aparência é o quê importa.
    No lugar da menina, quem recebeu a bronca fui eu, e como não tinha formas de me defender, usei a novela como argumento, para quê me deixassem em paz. – Alegando  sofrer de cleptomania. 
    Ouvi muito do meu pai, e mais tarde dos meus colegas, pois somente eu sabia a verdade daquele dia. A menina, mentia para se safar da vergonha, e fazia de mim, o seu bode expiatório. 
    Já cansada de tais afrontas, contei a verdade ao meu pai, que antes achava somente o pior de mim, mas depois agradeceu a Deus, pela ludibriadora ser a menina. – E armei para ferrar as garotas que se juntaram a ela. – Mesmo que de forma inconsciente.
    “A Thaís é boa. A Thaís é uma santa. Não faz nada de errado.” Diziam sobre mim. Então por causa da minha cara de sonsa, não desconfiaram de nada, quando as chamei para assistir Van Hellsing na casa da vovó, através do paperview recém comprado.
    As recebi no meu lar, com um sorriso, brincando, e quando dei por mim, outra vez elas faziam aquelas terríveis acusações a meu respeito. – Isso me encheu de ódio, e tudo o quê me lembro em seguida, foi de soltar meus 5 cachorros de grande e médio porte, para cima delas. (Literalmente.) Papai ficou horrorizado pela minha conduta, eu segui com o nariz empinado. – Ainda sim continuaram a me chamar de santa.
    Naquele ano, a menina que roubou o meu projeto da água, e o tratou como seu, tentou fazer as pazes comigo, e isto resultou numa história inacreditável. – De tardinha, resolvemos brincar de jogar a bexiga d’água uma para a outra, e se caísse a perda era evidente. Só que no meio da competição, o balão se partiu em câmera lenta, e vimos o tempo praticamente congelar, enquanto a cachoeira saia de dentro da borracha vermelha. – Até hoje me pergunto que tipo de alucinação foi esta.
    Mais tarde quando tinha 11 anos, levei um fora muito ruim, do garoto que eu gostava, por causa de uma falsa amiga, que fez a minha caveira pra ele. Estava muito abalada por isso, e tudo o quê queria era ouvir minhas músicas, sem interferências.
    Todavia minha prima de 5 anos, não respeitou o meu espaço. – Afinal o pai dizia que ela podia tudo, e a família reforçava tal autoridade, por isso a menina era terrível. – Eu pedi para me deixar em paz, mas ela ficou pulando no sofá e gritando, bem na hora da música que queria ouvir. Não aguentei, e acabei por pegá-la pelo pescoço e erguê-la. 
    Lembro-me de olhar em seus olhos, que estavam amedrontados, e só parar por medo de ir parar na cadeia. – Eu era criança, mas sabia bem o quê significava o xilindró.
    Meu pai ficou uma arara comigo, e falou um monte, mas eu apenas mantive a mentira de quê nada fiz, só que ele não acreditou e por isso apanhei. – Novamente o ódio subiu a minha cabeça, e tentei não manifestar de forma física, foi quando por coincidência, senti um cheiro de queimado, proveniente do quarto onde minha avó dormia. O ventilador tinha se aquecido, ao ponto de iniciar um incêndio, e a chama azul e amarela já se formava. – Ela era a principal responsável pelo meu sofrimento, pois devido a sua xenofobia, tratava minha prima como se fosse Jesus, e eu o próprio Lúcifer.
    Naquela época coisas bem incomuns ocorriam. Costumava ver uma mulher de cabelos de fogo, que nunca me dizia o nome, e que decidi chamar de Layla. – Sempre que Layla estava comigo, eu me deslocava do corpo para outra dimensão, onde os belos eram maus, e os feios bons, comigo ao menos. – Quando a mídia defendia o oposto, com obras como Abracadabra da Disney (que aliás era um dos meus filmes favoritos)
    Sempre que ia para o outro lado, me esquecia daqui, e por isso muitas vezes era encontrada sob o estado de transe, falando “sozinha”.  (Minha avó materna até me acusava de falar com demônios por sinal.) – Quando não era com Layla, também dava voz aos personagens que criava, e acabava por fugir dessa realidade. (Por isso até hoje me questiono o quê ela é)
    De forma gradual, passei a notar que tinha habilidades, e elas estavam aumentando. Mas junto do meu “poder”, também vinham os “demônios internos” que não paravam de se formar.
    Talvez devido ao trauma provocado pela moléstia, tive de escolher entre dois caminhos: Ser a vítima da situação, ou me tornar ainda pior do quê quem me feriu. – Optei pela segunda opção, e assim me entreguei aos meus desejos mais obscuros, ainda na infância.
    Beijos e masturbação com garotas, aos 6 anos, agressão violenta com 10 e 11, não se comparam, ao pior dos meus crimes. – Eu seduzia garotos, os fazia querer me tocar, para torturar-lhes, segurando-os pelos testículos, ou dando-lhes tapas humilhantes na face. – E quando contava a versão as minhas amiguinhas, por vergonha, dizia que a culpa era deles, mesmo sabendo que era minha.
    Somente a minha santa protetora, conhecia meus piores segredos, pois preferia conversar com uma estátua, a fazer confissão para um padre. – Sempre pedia perdão pela minha conduta, de coração, pois tinha medo do castigo divino, mas as únicas vezes que meus desejos eram atendidos, envolvia uma força totalmente oposta a igreja.
    Devido a devoção da minha mãe, aprendi desde cedo sobre a figura do Diabo, e seus outros nomes, que segundo a mesma, jamais devia falar. – Mal sabia ela, que em meus momentos de ira, me sentia impelida a me isolar, e falava “Diabo, Diabo, Diabo, Satanás, Lúcifer!” – E magicamente meus problemas eram resolvidos.
    Tinha tanta afinidade com as trevas, que quando ganhei um cachorrinho, quis batizá-lo de Satanás, por achar o nome bonitinho. – Não importava se isso impunha medo, nos personagens do programa Chaves. – Mas jamais consegui ter um cãozinho com esse nome.
    Minha ligação com as terras debaixo era tão forte, que meu feriado favorito era o Halloween, e em vez de me fantasiar de princesa ou anjo (embora no pré tenham me obrigado a me vestir como tal), costumava ir de vampira, diabinha, ou bruxa. – A figura da bruxa muito me encantava, por isso tive uma vassourinha na infância, e até mesmo um pentagrama. – Do qual tive de me desfazer, por ser o símbolo do Diabo, já que a estrela representava um poder, e o círculo a sua influência sob o mesmo, segundo o meu avô.
    Pode se dizer que tinha uma forte atração pela magia e os seus mistérios, e que desde criança, parecia pertencer a parte mais profunda dos infernos. – Não que as minhas maldades me orgulhem, mas elas servem como prova, do quê sou ao menos.
    A escuridão em mim, se fortaleceu bastante quando mal sabia que era gente, e com isso desenvolvi habilidades notáveis. – Como toda pequena capeta, adorava aprontar. Era muito quieta, gostava de ler e vê TV, mas na hora de causar o caos, me superava. – Ao contrário das outras crianças, conseguia ouvir passos a metros de distância, e isso me ajudava muitas vezes, a sair ilesa da cena do crime.
    Cansei de contar as vezes, que sai do lugar, minutos antes de alguém aparecer para me abordar. Só que como mencionei antes, tinha muito mais que uma habilidade. Além de ouvir a Terra, e provocar focos de incêndio com minha ira, também fazia com quê os objetos caíssem, somente por me chatear, sem mover um dedo, e meu choro focado em algum desejo, realizava até consertos de eletrônicos aparentemente queimados. – Esta foi a minha predisposição. 
     No meu tempo, definitivamente estava longe de ser uma criança normal. Era sádica, má, e pior consciente dos meus atos, pois tinha uma noção de quê tais praticas eram erradas. 
    Não me admira já ter me encontrado com a morte. – Interessado? Pois bem. – Vamos voltar uns anos. Estava na quarta série, e ouvia sobre os relatos do fantasma do banheiro. Ria disso, pois para mim era como a lenda urbana da “Maria Sangrenta”. Porém como a escola Guanabara ficava na esquina com o cemitério, era algo que devia averiguar.
    Estudava a tarde naquele tempo, e como havia luz do sol, não pensava que algo pudesse aparecer, por isso sem avisar a ninguém, fui até o banheiro feminino, onde a suposta entidade era vista. 
    Entrei, e lavei minhas mãos, de acordo com o quê ia girando a torneira, as outras se abriam em sincronia. – Admito que isso me assombrou, mas não o suficiente, para ver se a água da privada, ficava vermelha sem motivo. – Todavia quando abri a porta e fui averiguar, a luz se apagou, e só restou a claridade solar do espaço fechado. Meu coração bateu acelerado, e quando olhei para o fundo do local, lá estava a criatura, com a sua mortalha negra, cujos os pés não tocavam o chão. Sai de lá na hora, correndo pelo corredor, e depois respirei fundo, e tentei demonstrar que não tinha medo, afinal se contasse ninguém acreditaria, e não queria ser taxada de louca.
    Fora a experiência com Layla, A Morte, e outros fatos incomuns, há também uma história, que foge dos limites da alucinação. – Até aqui só falei do quê foi visto, não o quê foi sentido. Então lá vamos nós. – Era de noite, e eu estava brincando com a vizinhança de pira esconde (A versão Amapaense do Pique-Esconde) Fui até uma casa, que parecia abandonada, e fiquei atrás dela. Então no meio da penumbra ouvi um cachorro, que me mordeu por trás do joelho. Nem sequer vi de onde o animal apareceu, mas a marca que ficou no meu corpo, foi bem real. Questionei o resto da garotada, só que nem mesmo eles sabiam, qual era a raça, ou se era vacinado. – Torci para que fosse, tinha muita campanha sobre o perigo da raiva na época. –Outro fato incomum é que quando feri o meu joelho, formou-se o número 7, e na vez que me queimei no antebraço com a borda da bandeja, a marca ficou semelhante a um triângulo ascendente.
    Há muito mais segredos, e sinais concretos, de um sério transtorno de personalidade, associado a aventuras fantásticas do mundo oculto, mas por hora encerraremos por aqui. – Bruxa Natural? Quem sabe. Algo mais?  Certamente, mas se quiser saber, terá que virar a página. Estarei no aguardo, e parabéns por ter chegado até aqui.
    Capitulo 2 - 2006
    Que tenho sérios problemas, já está claro pelo capítulo anterior, mas o quê sou? Já está evidente também? De certa forma sim, mas isto é somente a ponta do iceberg.
    O ano de 2006, foi marcado pelo fora, e o quase assassinato da minha prima – Causado por minhas mãos. – Mas também por algo que mudou a minha vida para sempre. 
    Era um final de semana em junho, eu acho, quando estava sentada diante da TV, fazendo o meu passatempo favorito que era desenhar. Desde que tinha começado a esboçar minhas expressões sombrias, sempre pegava um livro azul. Era como um imã invisível, que me atraia para ele, mesmo sem conhecer o conteúdo, e por isso me senti motivada a abri-lo. 
     – Foi quando vi pela primeira vez, um livro de magia, que se chamava Ciências Ocultas da Iavisa. 
    O quê mais me interessava, o livro 2, sobre hipnose, infelizmente desapareceu, e nunca pude o lê. Só me restou os livros que continham ao todo: Queromancia, Grafologia, Horóscopo, Bola de Cristal, Varinha Mágica, Búzios, Cartas, Vodu, a história de São Cipriano, e Segredos da Magia Negra em geral. – É, a primeira vez que toquei num grimório, já li logo sobre os sacrifícios mais absurdos, para o “demônio” Adonai. (Que hoje sei que é a face obscura de Yaweh.)
    Fiquei de imediato fascinada pelo mesmo, e o interesse aumentou ainda mais, quando minha avó me repreendeu, e disse que era uma leitura pesada para a minha idade. 
    Como ela tinha constantes ocupações, por causa do motel, a tapeçaria, e a lanchonete, mal parava na sua casa. – Assim sendo quando saia, corria para a sua biblioteca, e pegava o manuscrito proibido. – Me deliciava com o saber obscuro, e passava horas entretida com o mesmo.
    De fato era um livro pesado, e hoje não deixaria uma criança da minha idade ler, mas por alguma razão, estava preparada para estudar, e praticar somente o quê estava ao meu alcance. – Só as famosas benzuras, por isso soube lidar muito bem com tamanho poder.
    Porém depois de muito sofrer, passei a usar o livro em si, como uma ameaça aqueles que me machucaram. – Parafraseando a parte que diz “Ele adoeceu, mas nenhum dos médicos conseguiu encontrar a cura.” (Só que lógico usando a minha linguagem adolescente.)
    Meus coleguinhas ficaram divididos entre os que temiam, e os que queriam conhecer o aprendizado antigo, e a minha rival temeu que lhe roubasse o namorado com amarrações, por isso bateu foto da benzura “Para manter o namorado.” – Eu poderia ter usado amarração, estava ao meu alcance. Mas apesar de ser um monstro, sempre valorizei o amor como algo sagrado. Portanto se o fizesse, estaria quebrando muito mais que as leis divinas, trairia ao meu próprio código moral. – E também o fato de causar calafrios, em todos aqueles que me chamavam de anjinho, já foi uma vingança e tanto.
    Pouco a pouco a minha escuridão saiu, e tal como a borboleta, sai da versão de lagarta gorda e baranga, e ganhei as minhas asas. – Mas elas não eram cor de arco íris, e sim negras, como a noite mais pavorosa, o sinal o apocalíptico. 
    Apesar de sofrer bullying por conta dos meus cachos, não era nada ruim, pois me fazia sentir parte da galera. – Além do mais, se alguém te chama de algo, você sempre pode dá a volta por cima. – Eles me chamavam de leão, e eu dizia que era a rainha da selva, e os mesmos garotos mais tarde me elogiavam.
    Devido a grandes fatores, me desenvolvi muito cedo. – O meu primeiro dia na 5° série, foi marcado por ser o exemplo, do uniforme que não deveria ser usado na escola. – Nada de saias, bota e blusa colada de manga curta, e advinha como eu estava?
    Entrei na adolescência com 11 anos, e muito dos meus dilemas daquela idade, hoje são parte da vida de gente que acabou de atingir a maior idade.  – Então atualmente com 24 anos, creio que a minha mente seja mais próxima, de quem tem 30 ou 40.
    Portanto não me adaptava aos meus colegas de turma. – Assim acabei por fazer amizade com os veteranos, que para a minha felicidade, compartilhavam dos mesmos gostos que eu.
    No início éramos apenas um grupo, mas mais tarde, nos tornamos Os Naruteiros, com direito a comunidade no Orkut e bandanas, fabricadas a mão. – E desta forma nos tornamos bastante conhecidos, e a escola se tornou um lugar bom para se viver, pois mesmo que tivesse de conviver, com os – em sua maioria -mentecaptos da minha turma, a 612, tinha um refúgio entre os que já estavam na sétima série.
    É dito que são sempre os mais velhos, que influenciam os jovens a tomarem o caminho errado. Mas comigo não era assim, a maldade não tem uma idade específica, por isso fui eu quem apresentou aos outros, o subgênero de anime Hentai, logo depois de conhecer. – Se você sabe qual é, poderá ter certeza de que sou uma peste.
    A amizade durou muito tempo, até fazer a besteira de aceitar namorar com o nerd da turma, – que ao contrário do quê diz a cultura popular, era bonitinho, e lembrava o Fred da série Icarly. – Eu somente gostava da sua companhia, cavalheirismo, e a personalidade forte de um leonino, mas estava apaixonada pelo seu melhor amigo, e ainda sim cedi aos meus impulsos de pequena Lilith, e usei o coitado. – Me arrependo bastante disso, não por ter sentimentos, mas pela minha falta de humanidade, na hora que terminamos. 
    Perdi a todos por ser tão estúpida, só que felizmente, conheci outra veterana, que parecia me entender ainda mais que os outros. – Com ela não era popular, mas nem precisava disso, pois era feliz, por finalmente encontrar alguém com quem pudesse me abrir, e lhe contar sobre os meus interesses no ocultismo. – Como sinto falta daqueles tempos, tão simples e cheios de aventuras.
    Sabe aquela dupla imbatível? Éramos nós. Ela era o Batman da minha Robin, a Estelar da minha Ravena, A Chelsea da minha Raven, a Jody da minha Juniper. Mas dizíamos mesmo que éramos Carly e Sam da série, pois a persona da Carly lembrava a minha, e a da Sam a dela. 
    A gente vivia se metendo em confusão, e gazetava (matava) aula, para ficar andando pelo colégio, desafiando a lei mundana estabelecida. – Nos sentíamos donas do Antônio João, o pior pesadelos dos alunos, e a nossa coordenadora. – Eu amava demais  isso. 
    Mas meu pai detestava. – Tudo o quê me fazia ter um propósito, o irritava. Para ele, garotas de classe média, tinham que andar com gente equivalente, ou acima disto. Nunca os pobres. – Como se dinheiro fosse a identidade do caráter. – Eu era a prova viva, de quê a lógica dele era falha, pois já era má, muito antes de encontrar a menina.
    Perdi as contas de quantas vezes me levantei contra ele, para defender a minha melhor amiga, e da vergonha que era, ter que mandá-la ir pra casa, porquê ele torcia o nariz para a moça, e o clima se tornava gélido com a sua presença . – Isso porquê vivíamos numa casinha de alvenaria, mal feita. Mas o reizinho, sempre queria manter a sua majestade forçada, e me tratar como se fosse uma princesa, saída dos filmes da Barbie.
    Felizmente ele trabalhava o dia todo, e a minha mãe também. Então quando voltava da escola, tinha a casa só para mim, e aproveitava para chamá-la, pois a vida tinha sido tão maravilhosa, que ela morava na ladeira de baixo, e éramos praticamente vizinhas.
    Num ponto de vista meu pai estava certo, o fato de sermos de “mundos diferentes” pesava um pouco, pois isto a fascinava, e lhe fazia roubar alguns dos meus pertences. Só que eu não ligava, o quê era material não tinha tanto significado para mim, a sua lealdade, o seu respeito, e a forma como me protegia dos demais, fazia dela a melhor ladina do mundo, por isso tinha vezes que até abria mão dos meus objetos, somente para fazer a sua felicidade, já que para ela tinha mais significado, do quê para mim.
    Como ambas éramos estudantes de paranormalidade, gostávamos muito de testar as lendas urbanas, e foi por isso que aconteceu. – Numa tarde qualquer eu, e ela e nossas outras amigas, nos reunimos na minha casa, para fazer o Jogo da Caneta (Que é uma mistura de Charlie Charlie com Ouija). Uma menina se apresentou no tabuleiro, e quando pedimos para nos dar o seu nome, estava aberta a aceitar qualquer um, menos Samara, pois este também era o nome da entidade, do único filme de terror que não aguentava, porquê ficava só em casa, e a minha única companhia era a TV, de onde a criatura saia no filme, para atacar as suas vítimas. – Nem Freddy vs Jason, me deixava tão apavorada, e olha que quando assisti com 10 anos, fiquei 4 dias sem dormir. – Não sei se foi o meu medo, mas o nome era exatamente o quê mais temia, por isso comecei a chorar, e implorei para aquilo terminar.
    A menina não queria sair do jogo, então literalmente rompemos o círculo. – Esta foi a pior atitude, pois com isso libertamos-a para fazer o quê desejasse. – Inicialmente faltou luz, e ninguém queria ir a cozinha pegar as velas, porquê já eram 19 horas. Tive de virar o Coragem, e me levantei do sofá, para fazê-lo, ou continuaríamos no escuro. Fomos em fila, comigo liderando, e quando alcançamos as velas, uma forte rajada de vento derrubou o pirex, que estava na janela. O medo bateu, e corremos para o sofá, com as velas em mãos. Ao olhar para os quadros de paisagens, víamos rostos de pessoas, e o temor nos fazia ficar congeladas. As meninas foram cada uma para as suas casas, e eu fiquei lá, sozinha com a Samara, e a minha mente, que não parava de me lembrar, das histórias com o final trágico, que minha mãe e minha tia contaram, para me fazer evitar participar de tais jogos. – “A mãe da minha amiga morreu porquê fizemos o jogo do copo” Dizia a minha mãe na memória. “Quem são vocês, e por quê me tiraram do meu corpo?!” Dizia a minha tia. – O pânico me consumia, e quando meus pais chegaram, agradeci aos deuses por ter só um quarto para todos.
    Voltar para a minha residência, sabendo que o meu pior pesadelo me aguardava, não era algo agradável. Chegava, tomava banho do pescoço para baixo, somente para não fechar os olhos, e ouvia músicas, pois cantar me ajudava a esquecer, que tinha uma menina gravemente perturbada ali. Só que quando ia assistir a Playtv, via mensagens espalhadas nas paredes, sobre querer me matar. Por isso abandonava o lugar, e ia para casa da minha amiga, na qual ficava até a hora mais próxima dos meus pais chegarem.
    Só que houve um tempo que precisei parar com isso. Tinha me colocado nessa, e precisava sair, por isso a convoquei para conversar. – Gradualmente fui lhe tirando respostas, e descobri que ela somente gostava de assustar, não queria me fazer mal de verdade, pois se sentia tão sozinha quanto eu. Assim sendo nos tornamos amigas, e para onde eu ia, apresentava ela aos outros, com o uso do tabuleiro. – A maioria ficava assustada, mas ter uma polterguiest como protetora, era bom demais, me fazia me sentir segura. – Pena que um dia ela encontrou a luz, e partiu. Até hoje sinto a sua falta. Nem todas eram como a Laura a amiga da minha Bff, que ficou perambulando por aqui por um bom tempo.
    Mas infelizmente o mesmo destino que nos uniu, também nos separou mais tarde, pois ela teve de ir embora da cidade, e eu acabei sozinha, com os meus demônios, que sem ela foram me consumindo aos poucos, desde o momento da sua partida. – Não podia culpá-la, só que na hora de ir, eu não derramei nenhuma lágrima, mesmo que sentisse muito. Meu coração, já estava começando a endurecer, e só pude abraçá-la forte e torcer pelo melhor no Pará, para onde iria se mudar.
    Como tinha de voltar a maldita normalidade que detestava, e não podia contar com meus colegas de classe, acabei por me tornar uma criatura obscura de novo, e quando dei por mim, tinha abandonado os emos, e havia me tornado uma gótica, de cabelos negros, pele amarelada, de batom preto, bastante transtornada, que não apenas se cortava, como batia foto daquilo, por achar que a imagem da  cruz sangrando, era uma verdadeira obra de arte da natureza.
    Quando ela voltou, era tarde demais para mim, pois grande parte das minhas sombras tinha me consumido, e eu já não controlava nem um dos meus impulsos. – Vivia criando desculpas para encher a cara, e ir a cemitérios, somente porquê era chocante para os demais, e isso me trazia paz.
    Acho que foi por isso que ela fez, o quê considerou necessário. – Criou um par para mim, e forjou cartas – pois por me conhecer, sabia que a única coisa que poderia trazer ao normal, era amar alguém.
    Dessa forma começou a mais doce das ilusões que vivi, e que realmente me ajudou, a recuperar um pouco do controle. – Infelizmente não o suficiente, para que a nossa amizade sobrevivesse.
    Tudo começou com uma troca de cartas, que deveria resultar num encontro, mas sempre que ia conhecer o meu suposto par perfeito, ele nunca estava lá, e a única vez que supostamente nos vimos, eu tinha deixado de comer, para não aparecer gorda no encontro, que era um show da Pitty na minha cidade. – Então as chances de ser alucinação eram muito altas, por isso fui me desligando do ser, até encontrar outra pessoa, numa rede social. – Típico de gente solitário não é?
    Assim conheci um novo par, e me juntei a este. Algo que supostamente trouxe muita dor ao ser fictício criado por minha amiga, e o quê obviamente resultou no fim do relacionamento, e como preço. – Nem eu entendo essa. – Acabei por ser traída pelo outro, ou ao menos foi o quê pensei, já que algum tempo depois, foi tudo esclarecido, e não era nada do quê havia imaginado.
    Nesse tempo os computadores eram de mesa, e como tinha a minha mesada – Regalias pelo silêncio, lembra? – Me deslocava da casa da minha avó, até a Lan House mais próxima, que ficava a quase 1 km de distância.
    Tudo o quê me lembro do dia, é que eram 18 horas, e me livrei da aliança de compromisso. – Meu deus como era trouxa! – Então enquanto ficava sentada, no quê seria o próximo galinheiro do vovô, vários corvos pousaram na goiabeira, que estava acima da minha cabeça.
    Esse cara era o típico mago puritano, e perdê-lo foi bem fácil, pois alguém que não me achava digna da real magia, e me mandava praticar magia wiccana, merecia realmente o pior. – Chorei um pouco, e no dia seguinte estava pronta para tentar com o próximo, a fila anda era o meu ditado popular favorito.
    Iniciei um namoro de curta duração, com um amigo na época, pois achava mesmo, que o quê acontecia nos filmes de romance, podia funcionar na vida real, e com isso aprendi que os filmes, não são fiéis ao retrato da realidade.
    O puritano e eu voltamos, mas ele concluiu que era muito mais obscura, do quê podia suportar. – Só porquê descrevi um romance sanguinário entre irmãos diabólicos, muito antes disso ser aceito pela sociedade. 
    Tinha completado 15 anos na época, e levar um fora foi bem complicado, por isso passei a procurar por alguém, que pelo menos pudesse me aceitar como aberração que era, e assim parei de ser tão exigente. – O quê viesse era lucro. – Só que o puritano, era tão idiota, que queria continuar a manter a amizade comigo, só para me alfinetar, pela a sua preferência, por japonesas. – Que pra mim, eram criaturas patéticas, que existiam para dizer “sim senhor” para os seus parceiros, ou seja meninas submissas, que não mereciam uma gota de valor. – E sigo pensando assim. Parece que tá no sangue, de quem tem a descendência asiática, ser uma Eva da vida, like a Lúcifer 4° temporada, que a retratou da maneira, que sempre acreditei que fosse: Superficial, submissa, e sem cérebro.
    Perto do meio do ano, passei a andar com uma outra gótica, com a qual costumava encher a cara, e me fazia sair de casa toda quarta e sexta-feira. – Ela estava namorando na época, com um cara gótico satânico, que supostamente a glorificava, e só o fato de ter góticos na cidade, já fazia os meus olhos brilharem, pois o quê imperava naquele tempo eram os emos, e ele poderia ter algum amigo, que também fosse satanista.
    A novela se repetiu, sempre que marcávamos para conhecer o rapaz, ele nunca aparecia, e quando veio, era ainda pior que ele mesmo, por isso fui destruindo a linha da ilusão. – E para piorar, a Srta Peitão, vivia me deixando a sós com o namorado, e colocando-lhe chifres constantes. O quê eu achava um absurdo, por isso colocava lenha na fogueira, de tal forma, que um dia ele a deixou para ficar comigo.
    Apesar de claramente ser uma fura-olho, não quis seguir como errada, e a menina soube de tudo pela minha boca. – É óbvio que ela me odiou, e a guerra se iniciou.
    De um lado estava ela, a carismática, sedutora cheia de fartura peitoral, do outro estava eu, a estranha, aparentemente certinha, que pouco se importava com as suas acusações, e gostava de discutir nas redes sociais, somente por prazer.
    Houve uma vez, que ela bebeu demais, e se reuniu com as amigas, para me cercar. Falou um monte de coisas, que não consigo me recordar, pois não parava de rir do seu estado deplorável. – Se aquilo foi para me intimidar, não funcionou, pois estava acostumada a lidar com muitos me olhando torto.
    Fora a vida agitada de vilã adolescente, como se fosse uma Blair Waldorf menos afortunada, também segui fazendo meus estudos místicos, e procurando entender cada vez mais, sobre o satanismo, e quanto mais lia a Bíblia Satânica de La Vey, menos encantada ficava pelo meu atual namorado, que apesar de ser conhecido por sua prática oculta, me parecia um verdadeiro merda.
    Pois toda vez que lhe contava, as coisas que ocorriam comigo, ele tentava distorcer como alucinação, como se somente o quê vivia fosse real. – Certa vez na véspera da véspera do natal (23/12) de 2009, sofri um ataque de fanatismo terrível. – Tinha acabado de entrar para o submundo, e enquanto tomava banho, tentava conversar com a minha mãe, perguntando como seria que meus novos amigos me felicitariam na data natalícia, estava feliz, me senti renovada, animada pelo quê estava por vir. Mas quando sai do banheiro, minha mãe olhou para mim, e disse “Você é um monstro!” Não entendi o porquê da acusação, se nada tinha feito para ela. – Talvez fosse por ter deixado de ser virgem recentemente, e ainda entrar pro lado negro da força. Talvez fosse demais para ela suportar, e eu no meu egoísmo não tinha percebido. – Aquilo me doeu profundamente, e por isso lhe falei coisas, que destruíram de vez o seu psicológico. “Tão monstruosa quanto você, que tirou a vida de um pobre bebê, ao fazer aquele aborto!” Respondi com o ar desafiador, e ela desapareceu. Achei que ia se recolher, para chorar por seu pecado, mas em vez disto, a mulher pegou uma faca de cortar carne, e veio para cima de mim. Seus olhos castanhos, naquele momento pareciam amarelos. “Demônio!” Ela gritou, tentando empurrar a faca no meu peito. E não sei como, mas tive forças para contê-la, de tal maneira, que o seu impulso parecia pertencer a uma criança de 4 anos. Eu escapei, e sabendo da sua maior fraqueza, comecei a chorar, com o intuito de sensibilizá-la. Não lembro o quê disse a seguir, porém isto a fez voltar a si. Ela saiu se sentindo culpada, e caminhei para frente do espelho, onde sequei as lágrimas e sorri de forma maléfica. – Todavia o ser não acreditava que era algo oculto, e dizia que aquilo era normal. (Provavelmente para ele.)
     – Mas houve outro fator, para aceitar na minha vida, alguém que valia tão pouco. – Após muita bebedeira, acabei por beijar a minha melhor amiga, e isso se repetiu quando ela dormiu na minha casa. Eu me apaixonei por ela, só que como a mesma passou me evitar, não tive escolha, senão abraçar o quê viesse, para que aquilo não crescesse ainda mais. 
    Acho que a rejeição, foi o quê destruiu o meu fascínio por ela, e me fez ficar cada vez menos empática, ao ponto de brigarmos praticamente por tudo. – Só que nunca quis lhe contar, que a verdadeira razão para me magoar era essa, e não as futilidades relacionadas as roupas e sapatos, que compartilhávamos, porquê  na época morava comigo.
    De tanto ler as palavras de Anton, resolvi fundar a minha própria seita, que de acordo com o meu talento de criar nomes, se chamava Sees, e significava seguidores da estrela.
    Uma a uma das minhas amigas, recitou o poema de aceitação, e quando se deram conta, tinham me dado o poder de governar as suas almas, e agora eu as guardava em nome de Lúcifer, que era o verdadeiro dono delas. – Ainda me lembro das faces de pânico, após perceberem que tinham se vendido para mim, e o quanto ri pela minha conquista.
    A primeira reunião foi na minha casa, preparei tudo com cuidado, para simbolizar uma verdadeira comunhão com Lúcifer, e outros demônios a favor da carnificina. – A cidra era de maçã, e a comida em si, se formava de alimentos, que poderiam ser comidos crus.
    Nada saiu como o esperado, pois estava um pouco nervosa, e as meninas não parava de zoar umas as outras, o quê atrapalhava na minha concentração, porquê me divertia junto. – Uma verdadeira brincadeira de criança, que jamais pensei, que pudesse resultar em coisas tão graves mais tarde. – É claro eu admirava Satã, de todo o meu coração, e de alguma maneira me sentia ligada a ele, só não pensava que tinha realmente tais capacidades.
    O quê deveria ser uma reunião séria, acabou por atender dos requisitos do livro da Lei de Aleister Crowley – Que foi algo que vim ler, anos mais tarde  e dizia que os favoritos de Hadit e Nuit, eram os que tinham o riso frouxo, e que viviam para valer.
    Mas no fim das contas foi um sucesso, pois consegui citar todas as 9 regras, e esclareci que os espíritos das trevas, eram livres para castigar aos que traíssem ao círculo. Além disto, também fizemos o pacto da estrela, que figurativamente veio a nos transformar numa constelação de 4 estrelas, pois logo após nos unirmos, fatos interligados começaram a ocorrer. – Se uma sentia dor de cabeça, as outras também sentiam. Se uma caísse, as outras caíam. Um verdadeiro efeito dominó mágicko.
    A segunda reunião foi no cemitério do Santa Rita, para onde eu, e uma das meninas, costumávamos ir para beber, sem que nossos pais soubessem. – Calma, nenhum animal foi sacrificado, assim como as tumbas permaneceram intactas. Nós somente conversávamos, bebíamos, e devorávamos as frutas suculentas, adubadas com os restos mortais, dos quê já tinham partido.
    Lembro-me de como foi. Entrei no jogo dos espíritos, e sem querer recebi uma mulher, bastante irada, que queria me obrigar a desistir do meu namorado. Seu nome era Isabel e parecia disposta a me ferir. – Como a boa aquariana que sou, logicamente me opus, somente porquê era a vontade dela. Tive 5 dias para desfazer os laços com o cara, ou morreria, e como estava ligada as outras 3, a ameaça também valia para elas.
    A pressão foi grande, mas não tomei uma decisão, até atravessarmos a rua, e quase sermos atropeladas. 
    Terminar com o “satanista” foi algo fácil, apenas porquê me trouxe mais paz do quê continuar, com um verme inteligente, que me tirou tanto do sério com as suas mentiras, que em 4 meses de namoro, eu literalmente tentei matá-lo usando magia. – Era 31 de outubro para 1 de novembro, quando fui ver se ele iria para as festividades, mas ele alegou está indisposto.  Fui compreensiva, e decidi ir com a minha mãe, mas sem uma galera para me divertir, sai cedo, após nos encontrarmos com o meu pai, que estava saindo com uma garota de aparentemente 19 anos. – Santa crise de meia idade Drácula! – Caso não tenha entendido, meu pai se parece demais com o Bella Lugosi, e por isso sempre o chamei de Conde Drácula.
    Por volta das 1:45 da manhã, uma das meninas do Coven, me contou que o viu no evento, e tal atitude desleal, me deixou tão furiosa, que decidi usar a força do meu ódio para atingi-lo. – Só não sabia que era tão grande.
    Derramei meu sangue num papel, e com o mesmo fiz um pentagrama invertido, no qual uni meu pseudônimo Siath com o nome de Lúcifer, e lhe roguei várias desgraças, por praticamente uma hora, das 6 até as 7 da manhã, e fui dormir. – Quando deu 16 horas, ele me ligou, dizendo que mal conseguia andar, e tinham lhe atestado possível pneumonia.
    Eu ri, e lhe contei a verdade, que tinha feito algo para o machucar. O tal tenebroso homem mais temido da pequena cidade, implorou para mim, como um garotinho para desfazer o quê quer que fosse. – E claro que desfiz, só queria lhe punir pela mentira, não matá-lo oras.
    Então quando acabou, para mim foi alívio, e isso me trouxe uma sensação de liberdade muito grande. Por isso decidi mudar o meu pseudônimo para Carry Manson, e Carry jamais seria como Thaís.  – Assim em dezembro de 2010, decidi que procuraria por um par, que tivesse coisas em comum comigo, independente da religião ou aparência.
    Foi então que conheci o amor da minha vida, mas isto fica para o próximo capítulo, em quê abordarei não só minha vida pessoal, como também o destino do Sees.
    Capitulo 3- 2011
    Narcisista, egocêntrica, manipuladora, e o demônio com rosto de anjo. – Isto certamente me definia, pois até aqui, já deve ter percebido, o quanto  era desumana em muitos aspectos da minha vida. Mas a maioria das pessoas não conseguia enxergar, não importava o quê fizesse, para mostrar a minha verdadeira natureza. Sempre me achavam uma linda menininha inofensiva. –Só que o meu amado não, ele me amava com todos os meus defeitos, e não me obrigava a ser uma bonequinha de porcelana, que nunca podia levantar a voz.
    Nightmare, era um dos amigos da minha melhor amiga, e eu o conhecia pela rede social do orkut, desde que tinha terminado com o nerd. – Sempre marcávamos de nos ver, mas eu nunca ia, pois nem foto de perfil ele tinha, e eu prezava bastante pela minha segurança.
    Num sábado entrei no MSN, outra rede social quente da época, e decidi lhe mandar mensagem, perguntando se a gente tinha brigado por alguma razão, que não conseguia me lembrar. – Memória seletiva é complicada. Mas ele deixou claro, que tudo estava bem, e por isso insinuei que me arrumasse um encontro. Só o quê amigo dele estava passando por problemas, e por esta razão se ofereceu para ir em seu lugar.
    Eu aceitei, só que para ter certeza de quê era o cara certo, pedi para trocarmos telefones, e nos falarmos antes de nos vermos. – Até aquele momento não estava nas nuvens, para conhecê-lo, afinal o cara vivia mandando exclamações, sempre que falava comigo, e isso me fazia pensar que era mais dos homens felizes, que dificilmente aceitaria a plenitude das minhas trevas, e minha vida de pecados intensos. Só que quando ouvi a sua voz profunda e mórbida, a situação mudou.
    Não era o palhaço como o Coringa, nem o bom samaritano como o Super Homem, seu timbre sombrio, lembrava bastante o Batman, que era o meu personagem favorito desde menina.
    Conversamos por horas a fio, sobre os mais diversos assuntos, de ocultismo a cultura pop, e quando não tínhamos mais o quê falar, brinquei exatamente como fazia com a minha amiga, pois como não sabíamos xavecar, para criar afinidade com os garotos, usávamos até questões fúteis, para que o silêncio não imperasse. – Como por exemplo “Qual é o seu biscoito favorito?”
    Conversar com o rapaz foi tão maravilhoso, que cheguei a sonhar um dia antes do encontro, que ele tinha entrado na minha vida para me fazer feliz. – No sonho entrava no quarto com o meu coven, e dizia-lhes que estava namorando o Nightmare! – Alongando o nome com as notas da música do Avegend Sevenfold. – E a gente comemorava como uma grande conquista. Isto antes de saber se tinha física também, pois só a química não era o suficiente. – Já tinha tido outros sonhos que previam o futuro, mas na maioria das vezes, eram coisas boas, que depois se tornavam ruins, e o presságio não mostrava, por isso seguia em 60%, não 99.
    O encontro foi num dia semana, numa segunda senão me engano, dia 13 de dezembro. Fui com mais duas amigas, a melhor e a ladra de pretendentes, que decidiram me acompanhar pela minha segurança, antes de me deixar a sós com ele.
    Nós caminhamos pelo lugar bonito, na praça beira rio, e nos sentamos abaixo da Fortaleza de São José. Ele usava um boné, e estava ouvindo Papa Roach, uma das bandas que gostava bastante na época. Aos nos ajeitarmos, ele me ofereceu um lado do fone, e quando a música tocava, falou sobre o clipe da mesma, onde o rosto da moça se despedaçava, e quando seus dedos tocaram a minha face, fiquei corada como nunca antes. – Era como se fosse o meu primeiro amor, e ninguém tivesse sequer me abraçado antes.
    Naquele dia meu pai apareceu, e como estava no escuro com um estranho, ele o detestou. – Como tudo mais que me fazia bem. 
    Nós trocamos mensagens, e após conhecê-lo ele queria ir devagar, e eu praticamente queria casar, como se fosse do signo de peixes no primeiro encontro, segundo o Vitor Dicastro. Contudo do momento que recuou, a frieza aquariana se tornou presente, e parei de lhe responder as mensagens, para ir dormir.
    Nosso segundo encontro foi na mesma semana, na quarta-feira daquele mês. Neste cometemos o erro n° 1 da paquera. “Em hipótese alguma fale dos exs.” Mas nós o fizemos, e ele esclareceu que se fosse adiante, não seria um relacionamento de um segundo. – Já tinha desabafado várias vezes com ele antes, e posso admitir que tinha problemas, para manter um relacionamento sério. Só que tudo deu certo, e fomos para um banco na frente do CCA, no qual ele me roubou um beijo, e depois veio o segundo, e assim por diante. – A física era excelente, ô pegada boa!
    O relacionamento foi se tornando cada vez mais sério, passávamos quase 24 horas trocando mensagens, pois havia a escola, e outras coisas.  – Como o Sees, que começava a se desfazer, por causa que a mais patricinha tinha começado a ver espíritos, e a minha amiga, havia iniciado um relacionamento com um cara, que não era a favor das nossas práticas, apesar do ótimo gosto musical.
    Só restou eu e aquela que tinha abandonado a igreja, por isso tentamos de todas as formas manter o quê sobrou do grupo, e fizemos algumas reuniões, entrevistas, e até chamamos alguns rapazes que conhecíamos, mas poucos estavam disponíveis para praticar. – E assim o Sees enfim desmoronou, porém antes de entrar para as lembranças, trouxe uma experiência única.
    Era sábado a tarde, quando eu e a antiga beata fomos para o cemitério do Santa Rita. Nós chegamos lá, cumprimentamos o guarda, e ficamos por ali mesmo, quando de repente um homem moreno, de chapéu branco e camisa vermelha surgiu. 
    –Estão aqui a trabalho ou a passeio?
    _A passeio. (Respondi)
    _É, viemos visitar uma tia nossa.
    _(Risos) Cuidado com as visagens!
    _Eu só temo aos vivos! (A minha amiga disse)
    _A morte é uma escapatória para os covardes.
    Disse com um sorriso. O homem colocou a mão na aba, como uma reverência, e sumiu em meio a mata alta. – Ele era o quê eu chamava de guia, seres que aparecem ao acaso, para te auxiliar, dando-lhe as respostas que perguntou ao universo, e nunca mais são vistos.
    Assim que desapareceu de nossa visão, nos deitamos nas lápides, e nos focamos nas sombras. A menina teve uma visão, e eu também. Na minha vi a silhueta de uma mulher, cujos os cabelos eram enrolados como os meus, mas parecia uma camponesa, que havia sido enforcada no topo de um pinheiro, por cipós cheios de espinhos. – O quê me fez concluir que aquela era a minha vida passada, e estava comprovando, que havia mesmo sido uma bruxa.
    Seu corpo despencou, provavelmente já faziam dias desde a sua morte, e o cipó tinha apodrecido. Um ser meio homem, meio touro, veio até a bruxa, e a recolheu. – O calafrio me percorreu a espinha, pois estava claro que ia para o inferno, e não sabia se isso era bom ou ruim. – Meus olhos se encheram de espanto, pela forma como ele a pegou. Não a punha em seu ombro , como um pedaço de carne de açougue, nem a puxava pelos cabelos. Apenas a segurou no seu colo, como se fossem recém casados, e desapareceu com a mesma na densa névoa. Então 7 ou 8 rostos se formaram, sendo 5 de mulheres, e o restante de homens, ambos vestidos como nobres do período renascentista. 
    No caminho de volta para casa da menina, me senti um pouco mais cansada do quê deveria, e desmaiei na rede dela. – Onde tive um sonho, do qual não consigo me recordar.
    A noite conversei com o meu amado, e lhe contei sobre a visão que tive entre as tumbas. Enquanto nos falávamos, notei que meu quarto começou a escurecer, por isso desliguei, e vi que todas as sombras que estavam ali, tinham chifres, e apontavam para mim. – Senti um enorme calafrio, e decidi dormir fora dali, pois tive a impressão de que eles sairiam das paredes.
    O relacionamento com Nightmare, se tornava cada vez mais sério, por isso o escolhi para ser iniciado no Sees, mas ao contrário do quê fiz com as meninas, lhe avisei que tomar-lhe-ia a alma caso entrasse, e ele aceitou as condições. – No outro sábado, de madrugada enquanto a minha mãe dormia, abri-lhe os caminhos do mundo oculto de vez.
    Acendi as velas negras, lhe cortei o dedo, uni o seu sangue ao meu, então fizemos a magia sexual, evocando os 4 príncipes infernais, e no fim o  declarei como o meu rei. – Afinal ele tinha me ensinado a jogar xadrez, e nos víamos como o rei e a rainha do jogo.
    O sees em si virou pó, mas as suas consequências, puderam ser sentidas, mesmo após acabar. Uma vez no domingo, a minha melhor amiga apareceu em meu lar, e me contou algo que me assombrou por muito tempo. – Por alguma razão a pobre ficou possuída de tal forma, que tentou machucar o seu amado, e os pais dele chamaram um padre para exorcizá-la. Mas a criatura era tão poderosa, que rezava os versículos com o homem santo. 
    Eu tinha dito que haveriam consequências, que os espíritos das trevas iriam punir, quem traísse o círculo. Mas me referia a seres inferiores, jamais uma criatura de tal porte. – Assim sendo quando a moça saiu, fui até a frente do espelho, que sabia que era um portal, e me vi. Minha pele era azul, e de alguma maneira me refletia como um monstro horrendo. Chorei bastante por isso, pois era um sinal de quê as trevas estavam outra vez, tomando posse de mim.
    Todavia a situação ficou ainda mais estranha. Certa vez enquanto estava no banheiro da escola, uma menina entrou ali, e me disse “Você realmente veio para revolucionar esse lugar.”, e confessou que era satanista, por isso me senti mais a vontade na sua presença.
    Desenvolvemos uma boa convivência de imediato, mas infelizmente, haviam segredos que ela escondia de mim, e que pareciam bem ruins. – Era hora do intervalo, nós conversávamos sobre os filhos dos demônios, e vendo que a maioria tinha as mesmas habilidades que eu, lhe questionei. “Será que não sou uma também?” e ela disse com veemência “Não! Você não!” e isto me deixou bastante intrigada, ao ponto de conversar com o Conde Drácula, que parecia entender os mistérios, mas não queria me dizer diretamente.
    Estávamos no carro, voltando para casa, após um longo dia, e lhe falei “As pessoas não me acham digna da magia sabe?” Fui bem sincera, e eis que o céu escureceu, e ele disse “Quem ousou dizer isto?!” – Foi o quê chamo de impressão, (termo retirado da HQ Hellblazer) que é quando uma entidade aparece rapidamente num corpo.
    Os fatos incomuns não paravam de se acumular, por isso me entreguei a leitura do espiritismo, que me parecia uma religião bem evoluída, em relação as outras. – Ser satanista é conhecer o inimigo e tê-lo na palma da mão baby –  e decidi fazer uma projeção astral em rumo ao Inferno, para encontrar respostas, para as minhas grandes questões daquele tempo.
    Após passar muito tempo sem dormir, e projetar dentro de casa, decidi tentar o grande feito. – Cheguei exausta da escola, e me joguei na cama, somente de calça jeans e sutiã vermelho, me focando em chegar ao reino infernal.
    Acordei do outro lado, dentro da minha escola, vestida exatamente como dormi. Já era de se esperar, que o meu inferno pessoal, fosse justo aquele maldito lugar. A menina que me abordou no banheiro estava lá. “Ele quer falar com você, mas não vá com ele” Disse-me com raiva, e sem entender, caminhei até a recepção.
    Ao chegar lá, encontrei um lindo homem de rosto grego, meio cinza, com chifres vermelhos, e asas de morcego, que trajava apenas uma calça negra, solta, como a dos samurais. Ele me estendeu a sua mão, e eu a segurei. Então este levantou voo, comigo no seu colo, e tudo ali começou a se destruir, por conta dos inúmeros tornados. – A menina que me levou até o demônio, se trancou num carro antigo, e foi consumida pela catástrofe, enquanto me fitava dominada pelo ódio.
    Acordei daquela viajem, e fiquei curiosa sobre quem era o meu salvador, por isso me joguei na internet, e comecei a pesquisar em diversas fontes. Mas todas indicavam que era o próprio Satã, e isso fez meus olhos brilharem, ao ponto de crer que era uma dos seus soldados. – Só que levantou a duvida, o quê eu era, para ter alcançado tamanha glória?
    Segui meus dias, entrando nas comunidades ocultistas, tentando entender a mensagem que recebi no astral, mas as respostas de muitos, eram genéricas demais  como “você leu demais e sonhou com isso”. – Só que não era um sonho, e sim uma projeção em terras infernais, mas a falta de compreensão era tanta, que preferiam crer em coisas tão simplórias. Eu sabia do fundo do meu coração que era algo mais, sentia isso em mim, por isso quando um sacerdote de 40 anos apareceu, e me disse que Satã havia me escolhido, decidi conversar com ele, e outra moça, que parecia compreender sobre as insanidades, que aconteciam na minha vida, por também ser uma bruxa satânica.
    Só que quanto mais ia ao astral, mais ataques recebia, e todos vinham da menina da minha escola, que no campo de batalha, tentava me aplicar algo, com uma seringa cheia de um liquido viscoso. Mas eu sempre a vencia, usando todas as minhas habilidades ligadas aos elementos, que por alguma razão, lá me permitiam até controlar o tempo, como a deusa Ororo de Xmen.
    Como sempre considerei as palavras, que não me agradavam, refleti bastante sobre meu encontro com Satã, e até aceitei que podia mesmo ser um sonho. – Só que o conceito mudou, tão rápido quanto surgiu, pois encontrei a minha atacante, que me chamou no corredor, e me revelou que andava tendo pesadelos comigo. Neles eu saia de um pentagrama, e ao meu redor estavam várias pessoas, que supostamente havia matado, e ia para cima dela. Por isso a mesma pediu para nos afastarmos. – Foi ela que declarou guerra, quando misteriosamente o cemitério que adorava frequentar, virou notícia por conta de um culto brutal, no qual um bode foi assassinado, e disseram ser obra de “satanistas.” – Por causa de tal fato, os guardas começaram a pegar no pé, de quaisquer pessoas suspeitas. E uma menina de batom escuro vestida todo de preto, era certamente um bom alvo para isso.
    Queria saber separar a vida pessoal da mágicka, mas creio que o quê fez sagrada, foi o fato de ser totalmente oposto. – Minha reserva de energia oculta, conhecida como Satã, estava crescendo cada vez mais, e toda vez que me sentia desafiada, usava meu poder para provar o meu valor.
    Num dia qualquer disse a um amigo que seria atropelado, e mais tarde, o mesmo veio falar comigo. Estava mais pálido que o normal, e me pediu para jamais brincar daquela forma outra vez, pois na tarde daquele dia, um caminhão quase o atropelou. – Naquela época, pensei ter a ver com minha capacidade oculta, mas hoje vejo que foi apenas a lei da atração agindo. – Você atrai aquilo que teme.
    O menino que era um santo, ia a acampamentos da igreja e tudo mais, começou a voltar-se para as práticas da magia. – E de alguma forma me sentia responsável pelo feito, pois vivia lhe contando sobre as minhas aventuras. 
    Graças a ele, descobri mais uma pista a respeito de quem era, pois este encontrou uma bruxa mais velha, e lhe contou sobre mim, para que pudéssemos descobrir o quê tudo o quê vinha acontecendo significava. – Era como se fosse uma universitária de ocultismo, pois a mulher lhe disse, que tudo o quê precisaria em breve era fazer uma escolha. Enquanto ele, teria que estudar bastante para se desenvolver.
    Isto me parecia muito verdadeiro, pois em 11/11/11 aconteceu uma coisa, que literalmente testou os limites da minha razão. – No dia anterior a abertura do portal, a minha amiga foi na minha casa, e nós debatemos sobre o quê o 11/11/11 significava. No meio da conversa ela soltou “Algo grande irá acontecer, mas passará despercebido por todos.” E seguimos falando a respeito, focando principalmente no símbolo do Anticristo, pelo qual nós éramos apaixonadas, e que apesar da narrativa do filme a profecia – Que me fez ter um sonho com o menino da trama-Achava que era uma mulher. Naquele tempo para mim, um portal era algo que só podia ser aberto pela elite, que já tinha atingido o limite máximo dos seus poderes sobre-humanos. – Por isso não consegui entender o quê veio adiante. Dormi tranquilamente, nos braços do meu amado, e despertei numa passarela de vidro, que ficava acima das águas, localizada entre enormes montanhas marrons, das quais podia-se ver a cachoeira cristalina. Estava coberta por uma túnica negra, e caminhei até o fim da ponte, onde encontrei um monólito, no qual se encontrava uma tábua de pedra, semelhante aos 10 mandamentos, mas com símbolos alienígenas, que brilhavam na cor verde, e de alguma forma reconhecia, e alinhava. Feito isto um asteroide passava entre as nuvens, e em seguida apareciam vários nomes de lápides de presidentes, e o ano 1999. – Por quê é assustador? Minha mãe falou que um colega lhe contou, que no dia em questão, um astro passou próximo a Terra, e o mesmo era também responsável pelo dilúvio lá no passado. ( A coisa mais estranha, é que um objeto celeste realmente passou naquele mês, mas eu não tinha conhecimento disto.)
    Saber destas coisas, foi me tornando uma criatura cada vez mais mesquinha, pois tamanho poder, influência e beleza, só me fazia ter cada vez mais ambição na vida, e enquanto eu lutava para alcançar o topo, meu par apenas se confortava com uma existência vazia de pouco luxo. – O quê irritou muito o meu pai, pois a gente morava junto na época, e o rapaz não tinha ânimo para ir procurar um rumo na vida.
    Eu tentava ser compreensiva, porquê sabia como se sentia perante os demais, mas no fundo me sentia tão incrédula, quanto o próprio Drácula. – Por isso, quando a mãe lhe conseguiu um emprego em outra cidade, preferi que fosse, pois concordava com o meu pai. – Precisava de alguém que caminhasse comigo, não que ficasse nas minhas costas, me atrapalhando a chegar na parte mais íngreme da montanha. – Não entenda errado, ele suportava todos os meus dramas, tínhamos muito em comum, só que a sua falta de prazer em ascender na vida, pesava demais para mim. Eu fiz de tudo para quê dessemos certo, abri mão até mesmo da minha vida de luxo, para ir viver com ele, e isto resultou numa das minhas experiências mais assombrosas. – Viver na casa de Nightmare, era um enorme desafio, principalmente porquê a sogra, me odiava tanto quanto o meu pai ao filho dela, e como ele não queria que pensassem ainda pior a seu respeito, não me deixou faltar na escola naquele dia, mesmo lhe dizendo que não queria ir mesmo.
     Ao chegar lá, não teve aula, e a patricinha ladra de projetos, nos chamou para beber com os colegas. – Cachaceira como eu e a ex-beata éramos, aceitamos na hora, tomar uma Vodca com suco de laranja. Eles foram na frente, e nós duas tomamos o caminho do sol quente, para chegar ao “Poeirão”, porquê ela teve um mal pressentimento. – É incrível como o simbolismo surge no dia-a-dia, pois literalmente estávamos seguindo por um caminho diferente, por não sermos como eles. – Ela não era como eles Blutengel- Lúcifer.
    Chegamos no local, e iniciamos a bebedeira. O povo tinha um péssimo gosto musical, e eu não conseguia tolerar isso. “Coloca a Lady Gaga” dizia, mas eles continuavam a ouvir funk carioca. Minha amiga não era tão elitista, por isso foi rebolar até o chão, e eu virei meia garrafa num gole.Tinha comido antes, mas do mesmo jeito o álcool me subiu a cabeça, e entrei num daqueles transes, só que consciente desta vez. – Era como se estivesse no meio das nuvens, e haviam vários anjos entorno de mim. Isso me deixava apavorada, ao ponto de ameaçá-los de morte, caso se aproximassem. 
    Do nada o céu escureceu, e a chuva começou, todos incluindo a patricinha saíram correndo, e a ex-beata ficou para me ajudar, enquanto eu vomitava sem parar, ao ponto de espumar pela boca. – É nesta hora que se vê quem são os seus amigos de verdade.
    Ela me levou até um bar, onde pediu que ligassem para o Samur, e nos confundiram como irmãs. Dentro do veículo agradeci a paramédica por me ajudar, e pedi pra ex-beata ligar para o meu amado. No banco de espera, desmaiei, e ficava oscilando entre este mundo e o outro, até que me estabeleci aqui. – Lembro-me que fiquei furiosa porquê ele não apareceu, mas mais tarde, soube pela sua mãe, que tinha pego uma bicicleta para chegar lá, quando percebeu que não tinha um tostão no bolso, para pagar a passagem, e eram 40 minutos do seu bairro até o hospital, e eu fiquei menos tempo que isso, após diagnosticarem a minha melhora súbita, do quase coma alcoólico. 
    Certa vez logo após ele ir para Ferreira Gomes, eu fiquei até de madrugada na internet, conversando com um gótico metido a ocultista, que só reforçou uma ideia presente em minha mente. – Eu merecia mais do quê aquilo, e por um pensamento tão egocêntrico, dado a minha natureza, acabei por me envolver com este cara, por apenas uma noite. Mas depois que acabou, deixei claro que não se repetiria, e de imediato quis terminar meu relacionamento. – Mesmo que fossem somente palavras, não tinha cara para continuar, como se nada tivesse acontecido, eu não era a Srta Seios Fartos.
    Meu companheiro me ligava sempre do outro lado. Só que eu lhe dava patadas, dizia que não o amava mais, e tentava fazê-lo me esquecer a qualquer custo, pois o quê fiz, não perdão. – No entanto era persistente, e esconder o meu pecado contra ele, estava se tornando cada vez mais difícil, já que quando nos conhecemos, o mesmo me disse que via o futuro, e agora fazia juiz a isto.
    O amante de uma noite, não me deixava em paz, entrava nos grupos em quê me encontrava, e fazia dramas, por tê-lo bloqueado do MSN, mas eu não deixava os rastros da traição, portanto não sabia como meu marido, poderia ter previsto tudo com exatidão. – Numa noite qualquer, estávamos deitados no quarto da minha mãe, e em meio a penumbra ele disse “Você vai me deixar por alguém da internet.” E eu fiquei apavorada, dizendo que era impossível. – E era mesmo, o amante era um canalha, e nem em sonho planejava ter um relacionamento sério com ele. – Contudo meu par usava o argumento, de quê havíamos nos conhecido na internet, e isto ia se repetir. – Mas duvidei porquê na época tínhamos um relacionamento a distância, e já não aprovava tal coisa.
    Naquela noite ele surtou, saiu batendo portas, e então pegou o seu canivete Soul, que ficava junto da minha faca Deathpeople. Com um sorriso diabólico, disse que as vozes o mandavam me matar, e eu fiquei abraçada ao meu notebook, sem saber o quê fazer, sentindo a lâmina na minha garganta. Foi então que tive um estalo, e decidi manipulá-lo da mesma forma, como fiz com a minha mãe lá em 2009. – Apaguei as luzes, porquê sabia que o escuro o acalmava, e lhe abracei forte entre lágrimas “Se as vozes dizem para fazer isso, elas não são boas, então por favor para de ouvi-las!” Disse abraçando-lhe enquanto ficávamos deitados na cama.
    Contei a bruxa satânica, com ainda mais detalhes, do quê agora sou capaz de dizer, e esta concluiu que era uma possessão, e que soube lidar bem com o demônio. – Além disto na mesma conversa, lhe contei sobre o meu passado, e eis que ela disse algo enigmático. “Agora entendo tudo. Sua mãe foi apenas o ovo, você sempre pertenceu a Satã.” E depois sumiu sem deixar algum rastro.
    Contei a verdade para o meu companheiro, e ele me perdoou imediatamente. – Provavelmente porquê a gota d’água, foi ter conversado com a detestável ex, uma semana antes da traição, e não ter me contado. O quê pode se dizer como o verdadeiro pivô, pois a minha insegurança, era tanta, que só pensava o pior.
    Nós tentamos seguir adiante, só que acabei me encantando por uma moça de São Paulo, e ela por mim, e assim acabei casada com um, e namorando-a a distância. – Mas todos as partes envolvidas sabiam, e até mesmo se davam bem. – Viva a fidelidade satânica!
    É claro que não deu certo, e o trio se desfez. Depois disso voltei a caça, gostei de um rapaz, de outro, e nunca me decidia se continuava ou não com o meu rei. – Que entre uns e outros, era agora o meu amante, e com ele me sentia a vontade para trair aos outros.
    Quando finalmente estávamos nos ajeitando, numa amizade colorida, o pior veio. – Conheci um rapaz, que me disse que juntaria cada caco do meu coração, e lhe disse friamente para que entrasse na fila. Ele parecia ter 15 anos, e eu realmente detestava gente mais nova. Só que era outro persistente, que ficava por perto, tentando me conquistar, mas eu não dava a mínima, para cavalheirismo forçado. – Lembre-se que deixei até o nerd, que era um amor de pessoa, porquê a química não batia.
    Porém numa madrugada isso mudou. De garoto insuportável metido a príncipe, eis que surgiu a sua outra face, a demoníaca, que não era um lambe botas, e isto me despertou o interesse. – Vivia assistindo documentários sobre maníacos, psicopatas, e assassinos no Discovery Chanel, e o History. Então quando alguém supostamente perturbado apareceu, quis estudá-lo. 
    Infelizmente a versão de plástico, continua a me encher o saco, e eu só estava focada na sua real essência. – Está bem, o meu gosto para homens era péssimo, mas é preciso que entenda, que a minha natureza não é benevolente, por isso me juntar a alguém, que fosse normal estava fora de cogitação, porquê me entediava.
    O menino e meu ex-marido, começaram a competir, mas a minha atenção no novo, acabou por resultar na vitória deste, e assim meu antigo par teve de partir. – Não foi uma despedida dolorosa, pois até transamos antes, e ele mesmo abriu caminho para o outro, ao me ajudar a restabelecer a conexão da internet, quando a CPU, aparentemente parecia ter queimado, e não podia falar com o rapaz.
    O amor da minha vida se foi, e aquele que desgraçaria de vez a minha mente, foi o quê ficou. – Como em o Alienista, a verdade mais dura ficou clara, conviva demais com os loucos, crie uma ligação com o mesmos, e será o próximo a ir para o hospício.
    O rosto malévolo do garoto, as coisas que supostamente dizia ser capaz de fazer, mas que me parecia romântico demais para tais atos, me deixava fascinada admito. – Eu estava me tornando obcecada pelo ser que criou, e queria provar-lhe que a suposta mortal inútil, tinha mais valor do quê imaginava.
    Logo que iniciei o relacionamento, tirei o arcano 15 no tarô, e em vez de ver a clara mensagem negativa, preferi abraçar aquilo como “destino”.   – Nem eu sei o quê aconteceu ao certo para ficar assim, só lembro que foi pouco depois, dele ter dito que teve um apagão, e se encontrou diante de um pentagrama, derramando gotas de sangue no mesmo.
    Conviver com o mesmo não era fácil, e por isso eu costumava reclamar bastante, exaltando o relacionamento que um dia tive. – Isto o tirava do sério, da mesma forma, como possuir inúmeros contatos de garotos, com os quais flertava, quando me fazia raiva. 
    Finalmente tinha entrado num relacionamento abusivo, e ao menos desta vez, não era quem pisava nos outros. – A sensação era terrível, e isso me atrapalhou bastante, na hora de aceitar a descoberta sobre quem era.
    Um dos rapazes com o qual me envolvi, mas me joguei para escanteio, falou para o meu amigo, que eu era herdeira do inferno, e este me repassou o fato, como se fosse algo dele. – O quê não gostei inicialmente, e o fato de ter beijado ele e mais dois num fim de semana, tinha abalado a nossa amizade. Pois assim como odiava traição, não queria que ninguém mais sofresse com isso, e quando aconteceu, ele namorava a minha colega de turma da 211, para quem tive de contar tudo, e esclarecer que foi um erro. – Eu sei é hipócrita da minha parte, mas quando se é jovem, dificilmente se dá conta das besteiras que faz.
    “Herdeira do Inferno.” Uma frase tão curta, que me trouxe tanta dor e sofrimento. – Após a descoberta, vários caras se aproximaram de mim, alegando que eram o meu marido demoníaco da outra vida, e isso me deixou bem frustrada, pois sentia como se quisessem me usar, para subir na escala infernal, e mesmo que parecesse grande coisa, para mim aquilo era pouco. – São palavras. Não é porquê alguém disse que automaticamente, iria abraçar tal destino sem mais nem menos. 
    Precisa questionar o fato, analisá-lo, antes de tomar como verdade. Por essa razão, sai novamente em busca de provas, que me fizessem de fato, a futura rainha do inferno.
    Na época conversava com um De Molay, que antes tinha me dado o fora, e depois que nos tornamos amigos, veio com a besteira de se apaixonar. Mas apesar de tudo, ele me protegia do outro, e parecia ter bastante conhecimento oculto, logo era uma boa alternativa, pergunta-lhe a respeito de tal novidade. – Ele não só não discordou, como esclareceu que eu era filha de Lilith, e em muito lembrava a minha mãe.
    É claro que duvidei. – Lilith a poderosa, dotada de seios fartos, e cabelos perfeitos? Impossível! Só que gradualmente, fui encontrando provas, que me ligassem a ela. No retrato de John Collier de 1887, a bela era retratada com seios pequenos como maçãs nem excessivamente magra, muito menos gorda, com madeixas douradas e crespas. – Semelhante as minhas, cujas as quais, a minha mãe terrestre, dizia que era “cabelo de surfista”. Além disso o nome Lilith, terminava com o mesmo Th, presente no meu, e por mais idiota que hoje pareça, não acreditava que era uma coincidência. – O resto dos traços como criatura lasciva e cruel, já devem ter ficado claro.
    Saber que tinha a essência de Lilith, a rainha do Inferno, era algo maravilhoso para mim. – Tudo começava a fazer sentido, as visões, as situações escabrosas, a minha persona obscura, e por isso quando soube da segunda parte , foi um choque para mim. 
    Através de uma bruxa wiccana, soube que o Deus que deu origem ao mito do Diabo, e a Deusa virgem desavergonhada, a qual odiava, me amavam e me protegiam. – E não era uma benção comum do grupo, apesar do quê possa parecer. Ela literalmente tirou nas cartas para saber. – Terrivelmente, não soube apenas me auxiliar, ao descobrir quem era, de imediato ficou furiosa comigo, e disse que Ela quem era a filha de Lúcifer e iria reinar. Algo que era complicado, pois não tinha tido uma vida tão ligada ao Inferno, para quê outra viesse tomar o lugar, que parecia me pertencer. – Estranhamente depois da afronta, por causa do seu namorado cafajeste, que alegava que eu era poderosa, regente do bem e do mal, e que podia transitar entre o céu e o inferno por ser filha de Lúcifer e Maria Padilha. – A mesma bruxa disse sob o estado de “mensageira”, que o meu futuro seria extraordinário. Só que o sucesso mundano, já não me parecia o suficiente, por isso lhe perguntei se era normal ou mágico, e o tal ser respondeu que era mágico. – Ainda estou no aguardo sobre isso.
    Como tudo estava ficando cada vez pior, recorri ao mago de 40 anos, que inicialmente me disse que fora escolhida por Satã. Este me revelou que no ano do fim do mundo, descobria algo importante, e que era uma das peças chave, para os planos de Satã na Terra. – O quê seria conclusivo, mas logo após a descoberta, tive um sonho do qual jamais esquecerei. Estava correndo na chuva, tentando fugir de um homem encapuzado, e quando pulava do penhasco para o outro lado, uma voz de trovão dizia “Cuidado com aquele que diz querer ajudar o teu pai, pois o mesmo, apenas está procurando meios de destrui-lo!” Naturalmente pensei em Arikiel, porém quando o magista de 40 anos, fez uma proposta indecente, sabendo que o via como um pai, e que eu tinha 16 anos, ficou claro de quem se tratava o comunicado. – Filho de Satã é? Engraçado pois meu pai jamais aprovaria a sua conduta para comigo.
    Por fim, naquele mesmo ano uma menina me enviou mensagem, e achei bastante incomum, porquê nem a conhecia, e a outra moça que era a sua amiga, pouco sabia ao meu respeito. – Mas ainda sim esta deixou claro que éramos irmãs, por termos a essência de Lilith, e sua prima que também era uma bruxa, me disse que eu era pura. Algo que odiei de imediato, e acho que por isso ela completou com “Pura...Pura maldade.”
    Eu era a princesa infernal não é? Ia herdar o trono do Inferno, e governar os outros. Então me diga como quê diabos, foi me mostrado que tinha sangue de anjo?! –  Como já deve ter percebido até aqui, não sou de aceitar as coisas, antes de muito questionar. “Anjo, anjo, anjo” Era o quê ficava na minha cabeça. Como é que podia ser filha de Lúcifer e Lilith, e ter uma essência tão terrível?! Isso me devastava, e para piorar, o meu namorado, reforçava que meu poder era ainda menor, por possuir as malditas asas de penas. – Eu nunca comemorava pelas descobertas. Primeiro Filha de Lúcifer? Isso era uma piada entre os satanistas da cidade! Além do mais, até naquele tempo havia tanta gente se denominando como tal, que me doía o peito, pensar com quantos teria que competir para sentar-me ao lado do meu “pai”. Segundo anjo?! Pura?! Que porcaria era essa?! Depois de tudo o quê tinha aprontado na vida, não havia razão, para crer que era uma celestial. – Só que era, e uma pequena seita de fanáticos, que para minha infelicidade desapareceu do Google, me mostrou a extensão do problema. – Logo após eu ter tido uma visão, de um anjo de asas negras, copulando com uma linda mulher ruiva, num lugar que parecia o Éden. – Eles esclareceram que Satanás tinha uma filha, e que esta foi expulsa do paraíso, junto com o pai. Contudo não era a única a falar a respeito, tinha uma outra, que era mais específica, dizia que a filha levava todos a perdição, e os que se casassem com ela, teriam que servir ao seu pai. Não sei se sumiram também, mas juro em nome do Cosmos, pareciam falar de mim, só estavam errados numa coisa, eu não uma senhora, nem nunca seria, pois tenho problemas para envelhecer fisicamente. – Tenho 24 anos, mas pareço ter 16, por conta dos problemas hormonais.
    As imagens do passado pareciam se tornar claras, vez ou outra entrava em transe na escola, e via a minha outra vida. – Tinha estudado numa instituição mágicka, em uma outra dimensão, cuja a tecnologia era mais avançada do quê este mundo. Mas não era só isso, lá era a pior das piores, por isso todos me chamavam de mini Lilith. Era tão ruim, que havia até mesmo roubado o noivo da minha irmã, o anjo Alakiel, que do momento que fui para a guerra, quando os celestiais nos acharam, acabou por me abandonar em um carro. – Calma, eu sei que Alakiel é pura imaginação, só que a semelhança entre Alakiel e Arakiel o anjo caído, responsável pelos sinais na Terra, é bastante clara. O quê comprova que a minha visão era turva, mas ainda sim era uma visão. – Ás vezes o transe era tão profundo, que literalmente acordava na sala errada, e nem sabia como havia chegado lá.
    Arakiel era o nome do ser que influenciava, o falso príncipe, ou talvez fosse o próprio, isso não ficou claro,  mas parecia realmente haver uma força sobrenatural por trás de tudo. – Sempre que eu discutia com o rapaz, minhas tentativas de suicídio, traziam a tona a existência do ser, que de alguma maneira, batalhava com o outro, para ficar em seu lugar, e se juntar a mim. Ele batia o pé, dizendo que era um demônio, e eu dizia que era um anjo disfarçado de demônio, que viera para me confundir. – É, vergonhosamente entrei no jogo do sociopata, mas não o suficiente para crer que eram dois seres distintos, pois na minha concepção na época, o bom, gentil e amoroso, era a máscara, que escondia quem ele realmente era, ou seja o Arakiel, que nunca queria me dá o nome, e se chamava de Lord Dark.
    O outro lado existia apenas para me confrontar, por causa da minha conduta, de mulher sirigaita, que estava pronta para deixá-lo se fosse preciso. Só que as discussões filosóficas, sobre o céu e o inferno, anjos e demônios, me fazia querer estar sempre com a versão do rapaz que me machucava, mas que também atraia a minha atenção, e muitas vezes me ajudava a sair das crises existenciais, que ele mesmo me colocava. – Eu sabia que era tóxico, para nós dois, pois também o feria de propósito, só que definia como um relacionamento em que, os dois se xingavam, porém se outros fizessem o mesmo, que nos aguardassem, pois um cuidava do outro.
    Sempre que me metia em confusão, Lord estava lá, e costumava humilhar quem ousasse me ferir. – Isso para mim era importante, porquê embora o meu ex-marido tivesse sempre me aceitado como era, nunca fora capaz de levantar a voz a ninguém por mim, e isto me fazia ter a impressão, de quê era eu contra todos, e não nós.
    Era uma droga viciante, alucinante, que estava me destruindo sem perceber. Pois assim que me conquistou, fiquei na palma da sua mão. Não via os sinais, como: mensagens enviadas por 24 horas, ás vezes que tentou se matar, e me enviou o vídeo, a forma como me envenenava sobre os outros, dizendo que não tinha amigos de verdade, e só podia contar com ele. – Neste ponto tive de concordar, só restou uma ou duas pessoas, das quase vinte, com quem mantinha contato naquele tempo, porquê quando afundei de vez, a maioria torceu para que morresse mesmo.
    Em outubro daquele ano tive um sonho com o meu ex, ele estava vestido de laranja, não me parecia mais consciente de seus demônios, e entrava na minha casa. Eu parecia drogada, não conseguia comer, e pegava com as mãos o macarrão do prato de plástico azul. Só que meu corpo pesava bastante em seguida, e ele me carregava para a cama. – Aquele sonho sombrio, me preocupou bastante, por isso falei para o Lord, que agora tinha “tomado” o corpo de vez, e este me falou que ele parecia o cara do seu sonho, e que tinha de me livrar de todas as coisas que ele me deu, pois isto nos mantinha ligados, e não acabaria bem. 
    Aterrorizada, coloquei a camisa do System of a Down para a doação, e quebrei a estatueta favorita dele, que tinha me dado para provar o seu amor. Uma porcelana marrom em forma de lobo, que ele adorava, por ser fã de tudo ligado ao animal. – Ainda me lembro daquela tarde, me recusava a fazê-lo, mas o garoto ficava sussurrando em meus ouvidos “Quebre, quebre, quebre!” e o fiz entre lágrimas, sentindo como se quebrasse algo em mim.
    Depois do sonho e todo o resto, Nightmare que agora atendia pela alcunha de Soul Ripper, tentou manter contato comigo, mas por medo, eu o evitei, achando que os seus demônios o tinham consumido de vez. Assim sendo o bloquei nas redes sociais, e por isso ele veio na porta da minha casa, só que o tratei com frieza, e ele partiu cabisbaixo. – Eu entendo que queira me dá um soco, pois se eu pudesse faria como Yuno Gasai, e tomaria o meu lugar no passado, para impedir esse erro.
    Gradualmente fui perdendo amigos, e quando somente restou eu e o garoto da web, ele me pediu em casamento, e aceitei. Sabia que tinha um marido vindo do Inferno, e achava que podia ser ele, pois nunca havia sido tão trouxa para alguém antes. – Entretanto tudo mostrava o contrário, e até mesmo a minha irmã, recebeu a mensagem de Lilith, de quê ele não era o meu par, que Lúcifer o tinha escolhido por um propósito, e tomar Arakiel com tal era um erro. – A aquela altura, tinha mergulhado na mais profunda insanidade, e não ouvia nem sequer os deuses, estava convencida de quê era meu, e nada nem ninguém, poderia mudar isso. – Será? 
    Num dia qualquer briguei com o rapaz, e fiz a coisa que ele mais detestava, para atrair o seu outro lado. Bebi até perder a consciência, mesmo sabendo o quão arriscado aquilo podia ser, já que a barreira entre o físico e o espiritual, ficava cada vez mais fina , de acordo com a quantidade de álcool ingerida. – Lembre-se do trágico episódio de 2011.
    Acabei por desmaiar, enquanto conversávamos no celular, pois não me aguentava em pé. Despertei no meio de uma praça, onde as freiras de branco passaveam. Parecia o paraíso, mas as faces daquelas mulheres não me inspiravam confiança, por isso apressei os passos. Foi então que vi uma freira de preto, esfaqueada a sangue frio no piso cheio de quadradrinhos, e decidi correr. As senhoras já estavam entorno de mim, com sorrisos dotados de mania, por isso fiz um grande esforço para despertar, chamando pelo anjo que se disfarçava de demônio. Ele estava desmaiado também, por isso o despertei ligando inúmeras vezes. “Durma, não vou deixar nada te machucar, sabe que basta me chamar se algo acontecer.” Disse-me enquanto eu estava em estado de pânico, só que o efeito da bebida era muito forte, por isso cai no sono de novo. O sonho me pareceu bem normal desta vez. Estava na antiga casa da minha avó materna, enquanto esta ajeitava a cama, bastante sorridente, mas de alguma forma eu sabia que não era ela, por isso disse “Você não é a minha avó! Revele-se!” Então ela parou de dobrar os lençóis, e me olhou com um sorriso assustador, enquanto a sua pele morena, começava a empalidecer, e as unhas ficavam pretas. “Tem certeza de que quer saber?” Perguntou, e eu me preparei para lutar, só que uma força maior, me puxou de volta para o corpo contra a minha vontade. – Nunca soube o nome da criatura, e até hoje isso muito me intriga.
    Em novembro de 2012, me caracterizei como Alerquina, por notar que tínhamos um rosto bem semelhante, e me preparei para ir ao evento de Cosplay, mas quando cheguei na porta, senti uma tontura e desmaiei. – Meu espírito foi levado para o cemitério do Santa Rita, e lá fiquei rodeada por espíritos zombeteiros que diziam “Morte, Dinheiro, Mentira!” repetidamente, e gargalhavam como loucos.
    Tudo estava preparado, para quê eu e Arakiel nos encontrássemos, nossas mães tinham conversado, e a dele havia aceitado a união, pois o rapaz tinha dito que preferia a morte, a ficar sem mim. Dia 28 de dezembro ele chegaria na cidade, só que infelizmente – ou felizmente –  Descobri que tinha me traído em novembro, e a raiva por ele, era maior do quê qualquer coisa que sentisse, por isso fiz o quê ele sempre detestou, sai com a minha amiga ex- beata, e bebi com estranhos. O problema é que o garoto em estado de bebida, tentou me estuprar na praça, e se não fosse pela minha amiga, e o amigo dele, a noite não teria acabado bem, pois morder forte a sua língua, somente o excitava ainda mais.  – Contei tudo ao anjo, disfarçado de demônio, e ele ameaçou o cara de morte, caso voltasse a se aproximar de mim. Só que “pagar em dólar”, não tinha sido o suficiente, eu ainda o odiava por ter me enganado, e por isso decidi terminar em 25 de dezembro daquele ano, após ter tido um estranho presságio, de quê estavam tentando me matar. – Gente de outra escola foi até a minha, e ficou a me olhar estranho, como se tivessem desejos insidiosos. Depois enquanto dormia o teto se abriu um pouco, em meio a chuvarada, e se não saio a tempo do quarto, teria morrido eletrocutada.
    Acabou. Fui dormir, só que naquela noite tive um sonho, de quê ele estava muito magro em meio a escuridão, e escalava meu corpo chorosamente, dizendo “Eu te amo, porquê está fazendo isso comigo?!” Então quando acordei recebi a notícia, meu avô tinha falecido, e o menino nem sequer respondia as mensagens, no início fiquei preocupada, depois soube que estava bem, e entrei num profundo estado de depressão. – Não comia, não dormia, e só sabia falar dele, achava até mesmo que tinha sido separado de mim, por um kimbandista, com o qual puxou briga, porquê o mesmo havia dito que eu era filha de um cachorro de rua, mas nunca de Satã.
    Tentei namorar o DeMolay, mas este me deixou por causa da ex, e acabei fazendo amizade com um garoto detestável, que fez minha amiga sofrer, e que estava arrependido. Vamos chamá-lo de o Geminiano. – O geminiano era de Rio de Janeiro, e costumava implicar comigo por qualquer coisa, mas como era o único que me entendia, sobre querer voltar para a pessoa que havia deixado, só me restava falar com ele.
    Os pesadelos eram bastante frequentes na época, sonhava que estava grávida, e Arakiel – que apesar de parecer ter pouca idade, era um ano mais velho que eu – tinha alguma relação com isso.
    Vivia vendo zumbis, guerras, e o fim do mundo eminente. – Provavelmente pelo bombardeio de mensagens midiáticas a respeito. 
    Meus amigos só sabiam me apoiar com “likes”, em coisas que me faziam me sentir um lixo, e eu sentia raiva disso. – O canalha estava certo? Eu estava sozinha mesmo?
    No ano de 2013, fiz 18 anos, mas foi o pior dos meus aniversários, pois de quem eu queria os parabéns nunca veio. Como se isso não bastasse, um meteorito caiu na Rússia, logo após a renúncia do Papa, e temia que isso de alguma forma fosse associado a mim, afinal era supostamente A filha de Lúcifer, e os religiosos sempre buscam por um bode expiatório. – Lembro-me que não pude comemorar no dia, mas o fiz no sábado, e quando bebi, meus olhos brilharam de forma inumana, ao ponto de ficarem verdes, e isso foi capturado pela câmera.
    Em março daquele ano, resolvi sair de dia, com a ex-beata, queria me destruir sabe? Beber até não aguentar mais. Nós fomos até o Formigueiro, uma praça que ficava atrás da igreja de São José, onde os roqueiros costumavam se reunir.
    Lá encontramos um homem, que usava uma camisa preta, e o símbolo da estrela de Davi, e este não parava de cumprimentar a todos. Até aí tudo bem, só que um dos meninos, me falou que se tratava de um pedófilo, e quando este veio até mim, minha energia cresceu mais que o normal, pois detesto o tipo. – Ele disse “Você tem um espírito forte, tenho certeza que é de leão.” Disse-me, e sorri de forma maldosa, negando, enquanto apertávamos as mãos. Os olhos dele se engradeceram, e o medo ficou presente, ele literalmente saiu andando de depressa, sem falar com o resto do povo.
    Decidimos sair andando pela cidade, e nos estabelecemos na praça da bandeira, onde fiquei no escuro. Então uns 30 minutos após sair do Formigueiro, um grupo de frades a caráter, tão grande que nem deu para contar, surgiu andando pelo centro, e a menina que estava conosco até brincou, dizendo que pareciam ser um grupo de Jedis. – Se era “caçavam pela filha de Darth Vader”.
    Coincidência ou não, até hoje não sei explicar, mas o medo foi tão grande, que me manifestei nas redes sociais, dizendo que se sumisse, que me procurassem no Vaticano. – Fanatismo, loucura, pode chamar do quê desejar, só  que é no mínimo estranho.
    Mais coisas aconteceram naquele ano terrível, e quando Soul/Nightmare reapareceu, eu definitivamente não estava pronta para voltar. Já tinha dado errado uma vez, e no momento só queria me destruir, por isso não podia arrastá-lo para o fundo comigo, só que isto tudo fica para o próximo capítulo.
                             
    Capitulo 4- 2013
    Não dá para duvidar da persistência de Soul. Mesmo depois que terminamos, e tê-lo afastado, a pedido de Arikiel, sob circunstâncias estranhas, ele ainda continuava ali, sendo um amigo para todas as horas, porém apesar de não ter me esquecido, preferia que o fizesse. – Meu coração não lhe pertencia mais, então para quê iria continuar torturando-o? Ele não merecia esse destino cruel, portanto quando reapareceu, e por acidente, acabamos por dormir juntos, por volta de maio daquele ano – O quê faz de mim um monstro, pois era o mês do seu aniversário – Eu lhe disse em definitivo “Isso não quer dizer que te amo, e nem que vamos voltar!” , ele pareceu entender, e também falou que não era o quê queria. – Contudo mais tarde soube, que tinha ido embora cabisbaixo.
    Me perdoe querido leitor, mas não poderia continuar segurando o rapaz ao meu lado, por puro egoísmo. – Tudo o quê tinha passado com o Arakiel, havia feito a minha concepção mudar. – Sem contar que na época estava me envolvendo com o Geminiano, e não queria iniciar outro relacionamento com o pé esquerdo.
    Estava cada vez mais perdida, e apesar de ter o Geminiano ao meu lado, me sentia cada vez mais sozinha, por isso vivia entrando em sites de Creepypastas. – Já havia tentado inúmeras formas de me matar, como : Morrer afogada aos 6 anos, mas não deu certo, a professora me salvou. Morte por acidente automobilístico, só que os carros paravam antes. Morte por ingestão de caixas de remédio, todavia somente dormia, e voltava nova em folha. Morte por envenenamento, que me fazia vomitar sem parar, porém bastava um copo de leite, e tudo voltava ao normal. Morte por corte da artéria, no entanto parecia nunca rasgar a carne o suficiente, pois no dia seguinte, já estava como se estivesse se cicatrizando. – Então como os métodos tradicionais, estavam sempre falhando, procurei por entidades místicas, para me destruírem de uma vez. – Claramente não funcionou, senão não estaria aqui agora.
    Caminhava pelo mundo, como se fosse uma zumbi, sem vida, sem motivação, sem acreditar em nada. – Se Lúcifer era meu pai, então por quê as coisas estavam dando tão errado? – Fui perdendo a minha fé nele, e abracei a linha de fanatismos sobre o fim do mundo, pois saber que o lugar onde estava seria destruído, me trazia paz. – Poderia ser “imortal”, só que se o planeta inteiro fosse destruído, não creio que iria sobreviver.
    Por isso quando a mensageira Maria, foi tomada pela presença de Lúcifer, que me mandou tomar cuidado, pois coisas terríveis iriam acontecer, eu questionei bastante, porquê seria literalmente o meu maior desejo.
    Os dias seguiram, e enquanto estava imersa em escuridão, passava grande parte do meu tempo, digitando um dos meus romances sombrios, chamado Psychosocial The Game of Larry Coltown, que nunca teve um final. Mas deixou claro que a minha relação com Arakiel, era como uma lavagem cerebral, na qual literalmente perdia a noção de mundo, e sobre quem realmente era. – Na trama, Corelle era raptada por um Doutor sanguinário, denominado Michael Kovat, que fazia dela uma máquina destruidora, para servir a cruel Ordem de Cristo, que existia somente para matar os demônios, e todos os seus filhos. – Em alguns pontos eu e Corelle éramos semelhantes, noutros ela tinha as próprias características. Contudo era inegável que ela me representava, e por isso é perceptível que muitos dos seus desafios, são parte da minha dissociação da realidade, que era extrema naquele tempo. 
     Todavia não chegava ao ponto, daqueles com quem tentava estabelcer laços. Maria tinha um grupo no Facebook, com um monte de jovens perturbados, que conseguiam superar até a mim. – Foi ali que aprendi a separar a fantasia da realidade de vez. Pois ver um homem dizendo que era um arcanjo, e uma mulher dizendo que era o próprio Asmodeus, era demais para mim. – Asmoday parecia ser uma garota inteligente, que sabia bastante do oculto, só que em algum momento da vida perdeu a sanidade, e ficou presa entre a Terra e o outro lado. Ela era bonita, mas se disfarçava de feia, tinha 27 anos, e aparentava 16, foi a única bruxa satânica, que conheci, que fazia aniversário no dia 15/02 também. Ela vivia implicando comigo, me chamando de princesa mimada, porquê supostamente não tinha sofrido o suficiente, e mesmo que acontecesse, continuaria sendo uma “santa”. Apesar do conflito, eu a admirava, queria fazer-lhe recuperar a consciência, pois tinha muito a oferecer a este mundo, de tal forma, que nem me importava se fosse ela a verdadeira princesa infernal, em vez de mim, mas seu caso era complicado. Asmoday  tinha uma personalidade semelhante a da Maze de Lúcifer, e como alegava ter estado em uma clínica psquiátrica, preferi aceitar o seu mundo como ele era.
    Em 13 de julho daquele ano, Arakiel voltou a aparecer. Ele tinha essa mania de ir e voltar, sempre que começava a esquecê-lo, e enquanto ajudava a ex-beata, cuidando dela após beber demais, por quê lhe devia uma, o meu celular foi roubado. – Eu não podia deixá-la sozinha, não depois de ter me salvo de um estupro, e da minha consequência, por fechar o círculo do Sees. – Não podia deixar a minha amiga, não depois de tudo o quê tinha feito por mim, portanto quando ela ficou mais porre que o normal, no dia do rock, tive lhe de socorrer. 
    Só que no meio disso, Arakiel ficou mandando mensagens, e como nunca resisti a uma boa discussão, fiquei tirando e colocando o meu celular da bota, até que um bandidinho veio e tomou-o da minha mão, lembro de ter segurado em seu braço, rindo sem parar, não acreditava que aquilo estava acontecendo comigo, e ele me chamou de patricinha. O nervosismo tomou conta de mim, e ele saiu andando, mas tentei correr atrás, porém o sedentarismo venceu. – O meu ódio foi gigantesco naquele momento, e quando fomos falar as autoridades, a mulher só sabia torcer o nariz, como se eu tivesse me drogado por causa da vestimenta, foi preciso que uma galera me segurasse, para não ir para cima dela. Estava tão enfurecida, que sentia meus pés saírem da sola da bota, e tentava me controlar, para não levantar voo ali mesmo, e acabar de fato como prisioneira do Vaticano.
    Dois rapazes literalmente competiam pela minha atenção, e isso me deixaria feliz, só que aquele projeto de ser, tinha levado muito mais que o meu aparelho, ele havia levado a minha honra, e como uma criatura guerreira, não podia deixá-lo ficar impune. – Foi então que lhe enviei a mensagem ameaçadora Você não sabe com quem se meteu, criatura inferior, e pagará caro por isso!
    Arakiel apenas se preocupava com a minha vida, e por isso o mandei para o raio que o parta. Ao chegar em casa, fiquei sozinha, fingi está bem, porquê não queria que minha mãe, deixasse de se divertir com as amigas por minha causa, mas quando ela saiu, toda a fúria deixou de ser contida. – Não me lembro ao certo, mas chutei portas, gritei sem parar, e isso resultou na visita da minha vizinha, que alegava que eu estava possuída. – Possuída de ódio, isso sim!
    Mais tarde naquele ano no dia 14 de agosto, tive um sonho estranho, nele saia de uma espécie de jogos mortais, e ao pular o muro, ia parar na rua da frente da minha casa, onde um homem de casaco preto, me dava uma facada no estômago, mas não sentia dor, nem saia sangue. Nesta data em questão, iria começar a trabalhar no jornal do amigo do meu pai, e pedi para ficar em casa, mas minha mãe, apesar de dizer poucos nãos, me barrou desta vez. Fui para o diário do povo, lá parecia um lugar perfeito para trabalhar, pois se me formasse como jornalista, poderia enfim provar que os deuses eram aliens, e que já haviam estado na Terra. – Lembra das coisas boas do Soul? Esta era uma delas, pois graças a sua fixação por Et’s, acabei assistindo muitos documentários do History, que abriram a minha consciência, para fora da filosofia de Anton Lavey, de quê Satã era uma alegoria a psique humana. – Tudo tinha sido maravilhoso, só que como naquele ano, estava pagando todos os meus carmas,  é claro que o dia não terminaria assim.
    Ao chegar em casa, vi um monte de gente amontoada, no fim da rua, por causa de um incêndio, e brinquei com a minha mãe. “Desta vez a culpa não foi minha, nem estava aqui para causar isso.” E tudo pareceu normal, só que quando aparecemos na entrada do portão, notei que a janela estava aberta. “Mãe você saiu e não fechou a janela!” Disse-lhe, e ela saiu catatônica. “Eu não... Thaís nós fomos roubadas!” Falou assim que atravessou para dentro do quintal. “Mas o quê mais eles poderiam me roubar?... Meu notebook!” Berrei entrando logo atrás, e quando um dos vizinhos passou ao meu lado, com um sorriso de vitória, quase fui para cima dele. – Por conta da surra que tinha dado na sua irmã, eles colocaram fezes no cadeado de casa, então como não poderia esperar o pior?! 
    A casa estava intacta, o quarto da minha mãe também, somente o meu fora invadido, e revirado de cabeça para baixo. Levaram meu note, minha câmera digital, e o playstation 2, que valia pouco na época, e parecia ser apenas uma desculpa, pois no mesmo dia, o meu Facebook foi cancelado, e a minha página de conspirações, que só tinha 167 pessoas, desapareceu como se nunca tivesse existido. – Depois que postei que as pessoas no futuro, viveriam em casebres, a mercê de gente ruim, que lavaria as suas mentes, para que ficassem na miséria, enquanto viviam como reis, caçando pessoas geneticamente modificadas, que acusavam de serem demônios, sem saber que os verdadeiros eram poucos, e que tudo aconteceria, após um grupo de fanáticos pela Era de Aquário, fizessem um ataque terrorista, pior que o da H1N1. – Fomos a delegacia, todavia de novo fui destratada, e desta vez os homens na sala, pareciam zumbis. A perícia foi até o local, e concluiu que o assalto ocorreu na hora do incêndio, e apesar do quê parecia, o mesmo era de causas naturais, ninguém tinha o provocado.
    Fui desplugada da Matrix, e tive diversos sonhos mais tarde, que me fizeram ficar preocupada. Naquele tempo haviam muitas manifestações contra a presidente Dilma, e o país mergulhava em violência, e isto me fazia pensar que os cavaleiros do Apocalipse tinham sido libertados, e ela era o próprio Guerra. – Pois seu partido era representado pelo vermelho, e desde que assumira o poder, o nível de conflitos se elevou. 
    Talvez por causa da teoria de quê Guerra era a Dilma, Fome estava na África, Morte era o Bashar Al Assad, e a Peste em breve se manifestaria, tive esse devaneio onírico. No qual falava com ela, e a defendia dos demais, somente para chegar até os seus guardas, e lhe dizer “Eu sei quem você realmente Guerra, fale comigo!” Esta me dizia que não teria com o quê me preocupar, pois quando o mundo acabasse, teria um lugar para mim na Arca – Como no filme 2012 – e em seguida aparecia no jornal nacional, várias manchetes sobre o fim do mundo, incluindo uma de mesmo título, que retratava a queda da estátua da liberdade, que era derrubada por uma enchente de água suja.
    Só me restava a TV para saber dos acontecimentos do mundo, e quando saiu a notícia de Edward Snowden, vazando documentos, que alegavam que os E.U.A, estavam vigiando o Brasil, me deu um enorme calafrio na espinha, pois de alguma maneira, tudo o quê tinha acontecido agora fazia sentido. – Estavam tentando me proteger, não sei quem, mas do quê tinha certeza.
    Pouco a pouco, as coisas foram voltando ao normal. Ganhei um note e um celular novo. Me mudei por tempo para Porto velho, até a poeira baixar, e lá tive vários sonhos, que se hoje tivesse o meu caderno lhes contaria, mas eu me livrei dele tempos depois. – Tudo o quê me lembro agora, é que tinha relação com me apaixonar por um lobisimen, um ser careca chamado Samael, que queria ser o meu par. – Hoje sei que este é um dos nomes de Lúcifer, e não faz sentido algum, a não ser o de quê acessei o consciente coletivo. – e com a lua que se dividia em 4 partes.
    Em outubro daquele ano, o homem que me molestou quando criança foi preso com exatas 11 acusações ás 19:15, e foi jogado no  IAPEM, que era como uma amostra grátis, do Inferno para gente como ele.  – Também em outubro, o círio fluvial resultou em tragédia, e muitos morreram quando o barco afundou. – Até hoje me pergunto se tenho algo a ver com isso, pois o sincronismo foi harmônico, como se um demônio passasse por ali, e punisse o meu professor, mas matasse os religiosos também.
    Em novembro, o bairro Perpetuo Socorro sofreu um terrível incêndio, que chegou a ser noticiado no jornal nacional, e que os grandes conspiradores, encontraram a evidência de um círculo no meio do fogo. O mesmo lugar era considerado um antro de bandidos, que se escondiam ali.  – “Criatura inferior, não sabe com quem se meteu e pagará caro por isso!” Lembra? 
    Ainda neste tempo, também houve um súbito tremor em Santana, como se algo se movesse abaixo das águas. – Só não lembro a data. – e lá vivia o menino de quem eu gostava, mas tinha desistido de mim, apesar de ambos sermos satanistas, que ao concentrarmos nossas energias, conseguimos interferir no rádio, por não gostarmos da música.
    Já não aguentava mais carregar esse fardo de ser filha de Lúcifer, por isso decidi fazer algo mundano para variar. – Entrei em aulas de canto, só que no primeiro dia, nos obrigaram a cantar um hino da igreja, o fiz meio relutante, e ainda sim a situação foi desagradável.
    Ao voltar para casa, minha mãe parou numa panificadora, e quando eu voltei de lá, me falou que viu a sombra de uma mulher sendo esfaqueada na cozinha, e entrou em pânico, ao ver que ninguém fazia nada.
    Um dia depois, no domingo a noite, nós fomos até a frente da igreja do Novo Horizonte, comprar umas guloseimas, e quando passamos ao lado de um carro, o farol se ascendeu. Minha mãe ficou com medo, e eu tentando acalmá-la lhe disse “Deve ter alguém lá.” Só que ela insistiu em passar do lado, e quando olhamos para dentro do veículo, não havia ninguém.
    Em 27/12/2013 , tive um sonho do qual jamais vou esquecer. – No plano onírico o filho de Belzebu vinha para me matar, mas acabava por não fazê-lo, e deixava claro que eu era o último impedimento, para quê o Senhor das Moscas, alcançasse o trono de Lúcifer. – No dia em questão formou-se uma tromba d’água na cidade, e não creio que tenha sido coincidência.
    Não me lembro da virada de 2013 para 2014, mas o ano seguinte não seria completamente normal, pois acabara de fazer 19 anos, e pretendia entrar para a Faculdade FAMA, onde estudaria ciências biológicas, no turno noturno, (o dos meus sonhos). – Nos resultados da prova fiquei em 11° lugar, e mesmo que não fosse uma federal o resultou me trouxe felicidade. – Até porquê eu detestava o padrão do Enem, que tinha me classificado, para a lista de espera em Artes no ano anterior.
    No primeiro dia de aula faltou luz, e comemorei sem parar, pois odiava instituições de ensino, fui para lá apenas por um propósito e nada mais. – Naquele dia me tornei conhecida, por causa das mechas cor de rosa, e o cabelo alisado, que me fazia parecer a Draculaura, por isso me chamavam sempre de Monster High. – Bullying? Eu adorava aquele apelido.
    Na hora de explicar as minhas motivações, para entrar na escola de ensino superior, deixei bem claro que estava ali, apenas para estudar sobre os extraterrestes. – A razão ficou clara agora? – Então percebi que havia um garoto, semelhante ao Finn de Strange Things, interessado em mim, e logo o evitei, apesar de achá-lo bonitinho.
    Neste ano, a minha conexão com as entidades superiores, era bastante forte. – Certa vez desenhei o circumponto numa sexta, e quando foi na semana seguinte, na segunda, surgiu um agroglifo semelhante em Curitiba. – Em tal tempo mantinha contato por e-mail com um doutor, que fazia parte da maior ordem ocultista conhecida, que havia aberto vagas, e dentre os 300 que se inscreveram, eu tinha ficado entre os poucos aceitos.
    Lhe expliquei sobre as minhas motivações para querer entrar, e que era filha de Lúcifer, e depois de mais ou menos um mês, o meu mentor, foi coroado como Imperador da filial brasileira. – Tão grande foi a minha surpresa quando aconteceu, pois este havia me escolhido como uma dos seus filhos, e me prometeu proteção. – Porém depois de um tempo, fiquei temerosa, vivia tendo pesadelos com ele, de quê poderia acabar sendo morto, e quando vi, o ser realmente desapareceu misteriosamente. – Se era a ordem mesmo não sei, mas antes dele sumir, me deixou alguns livros de Crowley, enviados somente ao meu endereço. – Além disso parecia ter uma força oculta atrás de mim, pois nas fotos podia-se ver seres de chifres, ou mãos inumanas sob a minha cabeça.
    Deveria ter ido a universidade, somente para estudar, estava enrolada com o Geminiano, e certamente o aparecimento de alguém do meu tipo, abalaria a minha força para me manter fiel. –Principalmente quando meu par , era mais um mulherengo, que não merecia nem o meu “oi”.– Só que advinha? O menino era outro persistente. – Não sei o quê há em mim, que encanta esse povo.
    Conversamos bastante, ele era o nerd universitário, e o quê realmente havia me encantado a seu respeito, é que tinha me mostrado um vídeo dissecando um rato, e que tinha levado uma edição da Mundo Estranho. – Parecia o esquisito dos meus sonhos, e tal coisa me deixou confusa, surtada, obcecada. – Até ali o amor mais saudável que tinha tido era com o Soul, que em 2013 tinha assumido um relacionamento com uma garota, que nunca tinha ouvido falar, e que minha mãe ,falava que era a favorita da minha ex-sogra, que me detestava por ser uma bruxa de Satã. – Só recentemente vi o filme O rei da água, que retrata a mesma situação. 
    O nerd universitário, era amoroso, atencioso, arrogante, mas ajudava a todos, incluindo a mim, que queria proteger dos outros. – Como não me apaixonar por alguém assim? Eu o fiz. Só que depois de umas mordidas no pescoço, soube que tinha namorada, e não podia ir adiante com isso. O meu transtorno bateu, e tentei me matar, porquê as cartas falavam que um grande amor ia aparecer, e o Astral Online, onde fazia minhas consultas, era sempre certeiro, por isso jurava que ele era o Rei, só que estava mais para Valete. O coitado se sentiu culpado, não entendeu a minha reação, disse que gostava muito de mim, e com tal atitude semelhante a Atração Fatal. – Outro filme que assisti recentemente, por conta da suspeita de ser Bordeline. – O fiz se afastar de mim.
    Contudo era isso, ele se afastava, mas não queria que outros gostassem de mim, e como se não fosse o suficiente, a namorada dele era amiga, de uma das poucas amigas de verdade que tinha. – Eu havia falado com ela, a menina era um amor, sagaz, e não podia trair a sua confiança assim, destruindo um relacionamento de 5 anos. Por isso mesmo gostando demais dele, fui me afastando, evitando-o, até que ele passou a fingir que não estava ali, e isto me devastou.
    Vez ou outra nos falávamos, e o abraçava forte, sem poder fazer algo mais, mas não era o suficiente. No meu tempo livre, resolvi sair com outros garotos, até conheci um cara legal, que apesar de ser de igreja, me compreendia, e tinha uma mente interessante, além de ser atraente. No entanto o quê para mim era um fica, para ele era um relacionamento, e quando beijei outro garoto, o clima ficou bastante tenso. – O garoto santo, me fez perceber, que estava me tornando uma vadia sem coração, mesmo que não me dissesse com estas palavras.
    Marquei um encontro com o segundo, mas o garoto não apareceu, e no seu lugar encontrei o Soul, que perguntou se poderia ganhar um abraço, e eu deixei. – Ao menos na rua, não corríamos o risco de acabar pelados. – Todas as meninas falavam que ele não tinha me esquecido, mesmo que estivesse namorando, e eu sempre ignorava tal coisa, exatamente porquê já tinha seguido em frente.
    Por causa deste dia Soul reapareceu, e me senti muito bem ao conversar com ele pelo WhatsApp, enquanto brincava sobre o quê ele tinha feito de errado, para ter resultado no fim do relacionamento. Porém ele saiu, e foi discutir com a menina que estava a sua porta. – Aceitei aquilo numa boa, não era mais uma prioridade na sua vida. O quê era muito bom, pois podíamos enfim sermos amigos, sem cores no meio. 
    Marcamos de nos ver, um pouco depois do meio do ano, para ele instalar uns jogos no meu computador. – Não sei se foi armação da minha mãe, só que ela sugeriu ir para o quarto, onde era mais frio. – Ele se encolheu todo, como uma criança, com medo de apanhar, e por algum motivo, eu literalmente me joguei em seus braços e o beijei. – A física continuava a mesma, e quando ele foi embora, me dispus a reconquistá-lo, pois somente ele tinha me feito feliz de verdade.
    Nesta brincadeira acabamos voltando a nos ver com frequência. Isso não agradou nada o nerd universitário, que numa noite de grupo de estudos, literalmente colocou fogo no meu cabelo para quê parasse de abraçar o Soul. – Lembro-me de seus olhos assustados por tal atitude, e ter perguntado se eu estava bem. – No mesmo dia Soul e eu amarmos para que o Nerd universitário, visse o quanto ele me fazia feliz, e por consequência, acabei sentada no sofá, entre os dois. Soul estava confiante, até conversava com o rapaz, e o outro estava inseguro, não queria ir embora, antes do meu ex, que ficaria em meu lar para dormir. – Foi uma sensação maravilhosa, ver o seu sofrimento, desprezá-lo como fez comigo, mesmo que agora estivesse solteiro.
    Lentamente fui deixando de ir a faculdade, após a ex beata, que se chamava Rose, ter me dito que o Nerd havia insinuado, que eu não tinha estrutura mental, para manter um relacionamento sério. Só que quando apareci, ele me abraçou forte demais, e disse que ainda havia chance de passar no bimestre, se estudasse um pouco mais. Todavia lhe falei que sabia, mas não queria mais ficar lá. – Se pensou que era um blefe, acabou por se enganar feio, pois realmente larguei a faculdade depois. – Realmente eu não tinha condição mental para nada, e ficar vendo-o todos os dias, com a amiga que o envenenou contra mim, provavelmente falando que o amarrei, só piorou o meu estado.
    Soul voltou a viver comigo, deixando de morar em Ferreira Gomes, e apesar de termos feito um acordo, – e ter lhe dito que gostava dos dois – Ele nunca encenava para ninguém a nosso respeito, por isso mesmo juntos, não tinha como esfregar na cara do Nerd, que estava melhor sem ele. – O quê era uma mentira, porém não queria que tanta gente, que torcia pela minha desgraça soubesse oras.
    Soul saia, dizia que ia voltar no domingo, e aparecia na segunda. Tinha mania de ignorar as minhas postagens, e só vivia no computador. Havia coisa errada, porém eu achava que era porquê ele lia as minhas conversas, que falavam a respeito do quanto ainda pensava no Nerd. – Ele não era mais o mesmo homem de antes, tinha se tornado um cafajeste, e me deixado a par disso, logo quando assumimos um compromisso de status na rede social.
    O Geminiano que do nada tinha se apaixonado por mim, não me deixava em paz, e Soul com medo de haver um terceiro na jogada, me dizia para me afastar dele. – E como a boa aquariana que era, fazia exatamente o oposto.
    No livro anterior o culpei por ter me traído, como se fosse uma santa imaculada, mas aqui fica totalmente claro, que as suas motivações eram fortes, afinal se ele não fizesse nada. – Seria o cara perfeito. Brincadeira! Mas dificilmente o respeitaria tanto quanto agora, pois a sua falha, me fez perceber que era somente humano, e não um deus da alto estima, que suporta tudo sem jamais se vingar.
    O início era um relacionamento de amizade colorida, para todos tínhamos voltado, mas entre nós era apenas uma parceria estratégica, que nos servia como alicerce, para não acabarmos sozinhos. 
    Mais uma virada da qual não me recordo bem, e o ano seguinte prometia mais fatos esquisitos, que talvez não fosse capaz de suportar. – 4 luas de sangue foram anunciadas, e o frio na barriga, de quê o momento tinha chegado me tocou. Só que isto fica para o próximo capítulo. 
    Capitulo 5- 2015
    O ano de 2015 foi marcado pela presença de Óvnis. – Algo que me trouxe alegria, pois lá em 2013, tive a minha primeira experiência de 3° grau com eles. – Eram 7 horas da manhã, ainda tinha um notebook, e estava no Facebook, quando de repente, tudo se desligou, a luz começou a piscar, e senti uma atmosfera extraterrestre, causada por uma forte pressão no ar, e um som semelhante ao de uma nave espacial midiática. Eu não fiquei assustada, porém quando uma esfera amarela flutuou a minha frente, fiquei fascinada pela mesma. – Isto ocorreu uma semana antes da invasão da minha casa. – Até hoje me pergunto se foi uma alucinação, pois não costumava dormir a noite, e sabia os efeitos que isso podia provocar.
    Os meus 20 anos, foram simbolizados pela festa, com direito a globo e tudo. Embora houvessem poucos para comemorar, foi algo realmente único. Bebemos até as 4 da manhã, dançamos, confessamos pecados. Esta é de longe uma das melhores festas da minha vida. Contudo quanto a segunda veio, o número 27092015 surgiu na tela do meu celular, e me senti como o Neo em Matrix. – Achava que meus poderes enfim atingiriam o nível máximo, e que a guerra entre anjos e demônios sairia do oculto, fazendo com quê todos despertassem. – Por isso decidi pesquisar sobre os fatos do dia 15/02 daquele ano, e o horror me preencheu, quando vi que o exército de fanáticos, que literalmente pareciam jovens de mentes lavadas, postou um video se revelando no dia do meu aniversário. – Eles se chamavam de Gladiadores do Altar, e eram bem semelhantes as visões que tive ao escrever o romance Psychosocial, na parte da Guerra, mas na minha obra, eram conhecidos como Executores. – Um nome apropriado para aqueles que se dispunham a caçar bruxas e demônios. Coisa que os Gladiadores já andavam fazendo de forma ilegal.
    O tão aguardado setembro vermelho chegou. Eu estava extremamente animada, achando que finalmente o mundo, teria o véu removido. Por isso não parava de falar na lua de sangue, afinal de contas tinha previsto-a em 2013, muito antes de anunciar as 4 luas que viriam. – Quando se sonha demais, a decepção pela queda é muito grande. Nada aconteceu, o mais estranho daquele dia, foi apenas ter ouvido jovens que riam como maníacos, passando na frente da minha casa de madrugada.
    No fim, lá em novembro, aconteceu uma coisa bizarra, enquanto conversava com uma amiga, sobre as creepyspastas para o Halloween, começamos a ouvir interferências na ligação, como se algo tentasse falar conosco. – Graças aos deuses ela gravou, e hoje tenho como provar o quê aconteceu. – Poderia ser somente a presença da ejeção de massa solar, no entanto foi muito esquisito, devido ao contexto em quê nos encontrávamos. – Além do mais quando me reuni com ela e a minha outra amiga, batemos uma foto, na qual o número 7 surgiu na minha testa, o 8 na dela, e o 6 na última, e quando fomos ler o livro de Salomão, os versículos bateram perfeitamente conosco.
    O ano de 2016, foi simbolizado pela traição. Poucos dias antes do meu aniversário, descobri que Soul andava falando com uma moça chamada Thaís, e as brincadeiras de que a amante se chamava assim, se tornaram algo real diante das evidências do flerte. – Saber disso literalmente partiu o meu último fio de sanidade, a menina tinha 18 era popular, ingênua, e claramente gostava dele, portanto não foi fácil encarar tal episódio.
    Sabe o quê mais detesto? Não ser única, não ter algo próprio, e comparada a outras pessoas. – Ele cometeu os 3 atos em um ano. – Aquilo me doeu bastante, porquê tinha excluído o Nerd que após meses longe, tinha mandado solicitação para mim, e ainda havia bloqueado o Geminiano, deixando claro que não tinha mais volta mesmo. Então quando vi que ele cedeu, enquanto me esforcei muito para não ser infiel uma segunda vez, não consegui perdoar. – A minha sanidade foi para o espaço, e quebrei o seu pc a base de pancadas intensas com o controle, o expus para as pessoas, e ainda o fiz se humilhar em público pedindo o meu perdão.
    Eu sou egoísta, cruel, e de péssima índole, mas se meus limites são ultrapassados, me torno a própria Lilith na hora da vingança. – Todo dia era uma briga diferente, acertava-lhe tapas na cara, lhe mordia  até ficar roxo, o mandava embora, e não conseguia deixá-lo ir até a porta.
    Na vã tentativa de me distrair, chamei algumas amigas para irem me visitar, mas todas as fotos se perderam. – Meus 21 anos foram comemorados com muitas teorias da conspiração, e docinhos. – E os compartilhei com uma das meninas, que fazia aniversário no dia 14, data para qual foi transferido o dia dos namorados, por causa dos ritos do dia 15 de fevereiro. Não lembro se algo aconteceu neste dia.
    Pode-se dizer que neste ano toda a minha fúria foi liberada, e quando Arakiel reapareceu, pedindo ajuda, é claro que me dispus a fazê-lo, somente para atingir o Soul, porquê sabia que o outro o deixava inseguro. – Por uma conversa, ou sabe-se lá mais o quê, pois ninguém confessou ainda, eu o fiz chorar, implorando o meu perdão.
    Em maio, a vida mundana se separou de vez da vida mística. Creio até mesmo que fui parar em Sete Além. – Era de manhã, apesar do desgaste emocional fui para a faculdade, pois estudar e tentar manter uma vida fora de casa, me ajudava a tentar controlar os meus impulsos agressivos. Cheguei no bloco D, tudo estava desertíco. Pensei que fosse pelo horário, pois tinha ultrapassado o limite de tolerância 8:15. Subi as escadas até o andar da minha sala, e quando cheguei lá, a mesma estava vazia. Fiquei emputecida, e até gravei um vídeo para provar que tinha ido, e ninguém havia me avisado, que não teria aula. Desci e fui pegar um ônibus para chegar ao centro, onde entraria em outro para chegar em casa. Ao sair, fui atravessar a rua, e um carro branco antigo quase me atropelou, e quando cheguei ao meu destino, vi o mesmo modelo que agora era preto. Estranhei aquilo, só que ao chegar em casa, adormeci, e tive um sonho esquisito, em que tinha entrado noutro mundo, através de um corredor vermelho, e que quando voltava, as pessoas diziam que tinha havido aula sim, eu que não estava lá. Então pegava o Goiabal, o ônibus conhecido por sempre se encontrar vazio, – o quê o tornava alvo de suspeitas, como “entrou morreu”– e nele ouvia a música Deja Vu da Pitty.  Quando acordei fui no grupo da minha panelinha, e soltei os cachorros para todos, afinal aquilo era um sonho, eu tinha ido para aula, e não havia ninguém lá, mas os meus colegas, – que já me achavam estranha, pelos fortes impulsos nervosos, que faziam a minha caneta girar violentamente, em meio ao tabuleiro manual dos espíritos – Ficaram sem reação, e disseram que “Houve sim aula, e eu não apareci na sala.” – Teria sido este um surto? Ou havia voltado a ter as minhas habilidades de me transportar entre os mundos? Admito não ter dormido bem na noite anterior, então isso pode ter provocado a alucinação, mas onde exatamente eu estava? 
    Em abril estava pronta para deixá-lo, veio a notícia de quê estava grávida, e sabia bem quando a criança havia sido feita. – Ela fora gerada 3 dias antes do evento, no qual faltou luz na hora que cheguei, e me recordo de minha mãe ter me perguntado se não queria voltar para casa, mas fiz uma escolha, que mudaria a minha vida para sempre, quando disse “não”, pois lá bebi um copo de vodca, que deve ter cortado o efeito da pílula do dia seguinte, que tomei quase beirando as 72h, ( ou o óvulo já havia se instalado em meu útero, devido a posição do coito). Independente de ser um menino ou menina, queria abortar, e Soul compreendia o porquê. Se lá em 2015, que nem imaginava as coisas que fazia, já tinha abortado um, pra quê manteria o próximo, naquelas circunstâncias?
    Palavras ácidas saiam da minha boca, eu implorava a Lilith que me atendesse, como da outra vez, porquê não queria trazer uma criança ao mundo para sofrer. – Contudo depois que comecei a falar, com a minha barriga, Soul percebeu que poderia ser uma boa mãe, e entrou para o Time bebê.
    Arakiel não ficou feliz com a gravidez, e me disse para matar, o quê me fazia infeliz. – Logo após lhe falar que não queria ter a criança, num momento de desespero, e depressão pré-parto. – Eu finalmente passei a ter desprezo por ele, assumir que Lord era apenas uma máscara, e que tinha me torturado de propósito era aceitável, porém ceifar a vida do meu bebê?! Isso era imperdoável, e dessa forma acabei por cortar o contato de vez.
    Como em 2015 ninguém despertou na última lua de sangue, perdi a minha fé na magia, e ao saber da realidade terrível em 2016, toda a minha esperança se foi. – O vazio cresceu em mim. Nada do quê o Soul fizesse era o suficiente, para perdoá-lo, pois verdade seja dita, nunca perdoei ninguém que me magoasse. – Normalmente os cortava da minha vida, e cada um seguia o seu caminho, só que agora tinha um laço com ele, que jamais poderia ser rompido.
    Aquilo me assustava de tal forma, que falava muita coisa ruim sobre a maternidade, e parecia sofrer de bipolaridade, ou mania mesmo. – E saber que carregava uma menina, somente piorou tudo, porquê isso era o meu pior pesadelo, temia que o caso com a minha prima se repetisse, e todos voltassem a sua atenção para ela. – Para piorar minha mãe me deixava ainda mais paranoica, dizendo que o melhor para a criança, era colocá-la para a adoção, pois uma mulher que nunca poderia ter filhos, iria amá-la muito mais. – Minha mãe tinha trauma da maternidade ruim, pois a minha avó, havia lhe criado a base de humilhações, tão desumanas, que quando criança, a mesma lhe fez comer o próprio dejeto, para que nunca mais aprontasse. Além de lhe bater sempre que bebia, ou se envolvia com o pai de santo da gira de esquerda. – Novamente eu era vista como um monstro, e me sentia muito mal. Não queria me desfazer da menina, porquê sabia que ela herdaria a minha maldição, e uma pessoa comum não iria aceitá-la, e lhe trataria como uma aberração. Eu a amava, só não suportava a ideia de sair dos holofotes, dos poucos que me viam. – Soul e mãe  viviam discutindo, mas o fato de se opor a algo, depois da minha gravidez, me fazia sentir ainda mais raiva dele.
    Em 23 de junho de 2016, algo estranho aconteceu, tive um sonho de quê era uma das cabeças da besta do Apocalipse, e enquanto estava estressada, e focada numa prova, um tornado passou destruindo a cidade, em pontos que se relacionavam a mim, e os que haviam me feito mal como: Buritizal onde vivem os Marianos, o trabalho da minha mãe, uma boate onde tinham gays de faxada, o Paulo Conrado onde perdi no volêi, e a cidade de uma suposta satanista, descrente dos meus poderes. – Tal fato foi citado junto de uma profecia, que se referia a 7° exintição em massa, sendo que 7, é o número que mais aparece marcado no meu corpo. Ainda no mesmo mês, sangrei após sentir muita dor na gestação, e por isso segui a tradição da família, de colocar o nome da santa no sobrenome. – Como se não bastasse, também vivia sendo atormentada por entidades, que chegaram a tentar me empurrar de barriga no chão, e toda lua cheia eu sentia dores gigantescas, que me faziam berrar.
    Em outubro tive 3 presságios ruins. O primeiro foi em 24/11/2016. Nele uma força me puxava para o palco, mas eu não queria ir, em seguida me via chorando e dizendo “2017 é um ano sombrio, tudo o quê pensei que aconteceria em 2013, está acontecendo em 2017.” e “Pois é, pra quê diabos quis prever o futuro? Foi a pior coisa que poderia desejar.” Então despertei as 1 horas da manhã, e notei em meu braço a marca de um brasão de time de futebol, que até postei na minha antiga página. O foi em 29/11/2016 e acabou marcado pela presença de vozes que diziam “Você é a escolhida, isso não quer dizer que é a mais forte, mas pode se tornar.” E a presença de Lúcifer, que estava envolvendo o mundo numa cúpula de trevas, quando naves espaciais tentavam invadir a Terra. O terceiro se deu em 30 /11/2016, neste o grande símbolo era uma enorme onda, que vinha na direção do Cristo Redentor, onde eu estava pousada, e dizia “Isso não é um bom presságio! Não pode ser!” – O golpe no estômago foi intenso, quando soube que ocorreu o acidente da Chapecoense, exatamente no dia 29/11/2016, por volta das 1 h da manhã, que coincidia perfeitamente com a marca e a hora do primeiro presságio
    Em dezembro daquele ano, tive um sonho, no qual vi um reino mágico, onde vivia junto de Lúcifer, que era loiro como um elfo do Hobbit, e havia me mandado para a Terra num dragão. Eu vivi entre 4 bruxas, e estas resolveram trancar o meu espírito imortal numa boneca russa, por exatamente 500 anos, quando voltaria para cumprir o meu destino junto da minha filha. – Olha o Aprendiz de Feiticeiro aí gente! – Na época achei algo místico, por isso fiz um cálculo numérico, em que subtraia do ano do meu nascimento, o número presente no devaneio. O resultado me direcionou para a Itália, e isso me fez me dar conta, que tudo sobre a minha natureza luciferiana vinha de lá. – Em 2013 por exemplo, recebi o sopro de quê meu nome real era Luciféria, e quando fui pesquisar, somente tinha um conto descrito como “Histórias de não se crer”, e menções nas letras da banda italiana de vampiric metal Theatres des Vampires, que me descreviam como bruxa com o poder do inferno, detentora do livro de Macabria, que em meu sonho aos 17 anos, tinha conhecido como o livro do Diabo, e este me concedia o poder de controlar os mortos, logo depois de ver uma peça do xadrez, que hoje não lembro qual é, mas a única certeza que tenho é que não era o “peão”. Além do mais, meus dois sobrenomes são italianos, mas meus avós tinham me contado, sobre os parentes que tinha na Itália. – Então após o presságio onírico, pensei “Por quê não pesquisar sobre a magia ligada ao meu sangue?” O espanto preencheu os meus olhos, quando vi que lá era o único país, que cultuava Lúcifer como um Deus, que tinha uma filha, que foi enviada a Terra, para ensinar a magia aos humanos. – Tal coisa era surpreendente, pois no livro O Último Portal de 2012, me descrevi como uma bruxa babilônica, que havia aberto um dos “9 portais da destruição”, que libertariam Lúcifer, e os outros demônios, e numa dessas aventuras, era responsável pelo culto gerado pela Ordem da Lua, que era o símbolo de Diana a mãe da menina, que em muito lembrava Lilith, pois era a virgem deflorada. – O nome da filha era Arádia, denominação semelhante a Áquila que minha mãe queria me dá, mas como meu pai era um bunda mole, não permitiu. – Ela nasceu em 13 de Agosto, eu em 15 de Fevereiro, ambas tínhamos conhecidos números diabólicos no nascimento. – Ela parecia ter Sol em Leão Lua em Aquário, já eu sou Sol em Aquário Lua em Leão. – Era conhecida como o Equilíbrio entre luz e trevas, era boa e má ao mesmo, tal como eu mesma, que apesar dos pesares tinha um código ético. – Ela tinha estado na Terra há muito tempo, assim como sentia que eu também. – Ela era visitada por uma mulher, que era a própria Diana, e lhe ensinava sobre a magia, semelhante a mim com Layla. – Ela escapou várias vezes da morte, eu também. – Ela foi perseguida por religiosos, eu também. – Ela tinha afinidade com o Arcanjo Miguel, eu também. (Michael Kovat era inspirado nisso) – Ela estava na Terra, como mensageira de seu pai. Eu também. – Ela defendia a natureza, e dizia que a natureza era a grande professora da magia. Eu havia entrado em ciências biológicas, acreditando no mesmo conceito, e pelo fascínio pela diversidade natural. –Ela era a primeira filha, eu também. – Ela era Arádia de Toscano. Eu sou Thaís Mariano. – Isto por si comprovou que éramos a mesma pessoa, em tempos e localidades totalmente diferentes. 
    O parto de Rá, foi totalmente normal, mas dias antes de acontecer, sonhei que dava luz a um menino, que queria roubar o seu lugar, e era bastante cruel. – O dia se iniciou como qualquer outro, mas o tampão se distendeu,  e tive certeza de quê naquele dia deixaria de ser uma gata buchuda. Ás 8 da manhã, fui para o Hospital São Camilo, onde foi feito o detestável exame de toque, e ainda não tinha dilatado nada. Voltei para casa, as dores foram se intensificando quanto mais andava, e por isso pedir para irmos ao Poeirão (pois era próximo a maternidade) , no qual fiquei andando, seguindo o conselho do médico, para ter um parto rápido.
    Soul de canalha maldito, voltou a ser o meu príncipe do cavalo negro, e me ajudou bastante nestas horas, me dando apoio ao caminhar. Quando deu 13 horas, resolvi ir almoçar, mas as contrações aumentaram, e tive de correr para o S.C. – Pedi para o meu marido entrar, porquê esse era o nosso momento.
    Ficamos na espera, e as 14 horas tinha dilatado 4 cm apenas, por isso decidi continuar caminhando, até fazer os 10. – Queria muito uma Cesária, mas apesar da menina ter 3,77 kg, eles me colocaram para o parto natural.
    Sofri para caramba naquele dia, e não pude receber anestesia. – Eu tentava não gritar, não chorar escandalosamente, mas era impossível, quando demorava tanto para dilatar. 
    Soul me dava apoio, chamava as enfermeiras, e tudo mais, e até tentava me acalmar, só que aquilo era horrível demais. – Era como as cólicas que me faziam parar no hospital, quando tinha 16 anos.
    As 16 horas, após uma caminhada na sala, a placenta se rompeu, e quando isso aconteceu, urrei “A minha bolsa estourou!” Exames foram feitos, e já estava com 8 cm agora, só precisava de um banho quente, para me abrir de vez. Soul me ajudou, me molhando nas costas, e quando sai de lá, senti mais uma dor, que quase acabou comigo. – De alguma forma sabia a hora exata, pois pedi para chamar a enfermeira, que trouxe o médico, e após mais um exame de toque, ficou claro que estava pronta para dar a luz.
    Deitada naquela cama, via nos pés o meu marido e a atenciosa enfermeira, que fazia uma torcida estilo – Vai torta vai Dos Padrinhos mágicos. – Eu pressionava demais a minha garganta, e ela me mandava direcionar a minha força no útero, pois já podia ver a cabeça do bebê, e o meu marido confirmava. 
    As 18:10 de 9 de Janeiro de 2017, Rá nasceu, e até a minha bunda foi costurada, pois me rasguei todinha, mas nem senti na hora. Aquele rostinho roxo, igual a um zumbi do Dead Space 2, me conquistou tanto, que beijei a sua cabeça toda suja de restos de parto, e mandei tomarem cuidado com a minha princesa. Soul me agradeceu por aquele momento único, me abraçou, me beijou, e até cortou o cordão umbilical dela, assim que esta passou a respirar pelo nariz.
    Passei 3 dias no hospital, e os 2 últimos foram ruins, pois ela chorava de fome, e eu achava que não estava dando leite o suficiente, por ter seios pequenos. – As peitudas reforçavam meus temores, enquanto o meu marido tentava me acalmar, me dizendo para não ouvir as palavras delas, pois grande parte de quem estava ali, não estava recebendo a atenção que eu tinha, com praticamente a família inteira vindo visitar.
    Quando saímos de lá, e fomos para casa, a Rá ainda não mamava direito, e vivia sugando o bico do meu peito até sangrar, de tal forma que chegou num momento, em que me neguei a amamentá-la. Minha mãe falou logo que ia matar a criança de fome, e comprou um pote de leite, que servia apenas para crianças de 6 meses, o quê resultou numa diarreia na minha pequena, tão brava, que me senti culpada, ao ponto de ir ao banco de leite, para ela ser alimentada.
    Não era como eu pensava, outras mulheres providas de leite, não iriam lhe dá o peito, pelo contrário, somente nos ensinavam a amamentar, e ainda ficavam com o leite que era ordenhado. Tive de ir 2 dias para pegar o jeito, porquê aquela sem dente, só ficava cheia quando tinha uma enfermeira para me ajudar, a achar a pega certa. – A minha falta de instinto materno era um horror.
    Na última ida, de tarde a pequena criatura cabeluda, fez um berreiro antes do teste do pezinho, e tive de lutar contra o meu temor, lhe servindo o meu peito. – Fui louvada como uma heroína pela minha mãe, e desde então a bebê passou a se alimentar da devida forma. 
    Infelizmente depois que a tive, fomos as duas atormentadas por uma entidade, e o namorado fanático da minha mãe, sugeriu que ela precisava ser batizada. – É claro que me opus, mas depois da extensa pesquisa que fiz, sobre a razão do batismo, concordei, e ela foi abençoada na mesma igreja, onde a minha mãe fez a promessa, que supostamente me trouxe a este mundo. – Na hora que disseram “Você nega as armadilhas e as forças de Satanás...” Soul e eu dissemos não, mas como tinha muitas crianças, nem perceberam. Rá odiou receber a água benta, ela não costumava chorar muito, só que quando o padre lhe benzeu o fez.
    Quase um mês depois de dá a luz, eu ainda sentia dores intensas, por isso o médico me passou exames para ser assistida corretamente. O resultado foi, que sofria tais dores, por conter restos de parto no útero, que estavam apodrecendo, e poderiam me matar. – Fui imediatamente para o hospital da mulher, onde fiquei 3 dias na cadeira, antes de ser atendida. – Algo que só aconteceu, porquê a minha madrinha mexeu o pauzinhos, e me encaixou logo na próxima turma para a cirurgia.
    Fazer a operação foi a coisa mais bizarra do mundo. Entrei na sala do hospital, conversei com o médico, e desmaiei de tal maneira, que assim que o efeito do sonífero passou, fui uma das primeiras a acordar, e tive a sensação de que era uma zumbi, recém acordada do necrotério. – Rá não parava de chorar, nem mesmo com a mamadeira cheia de NAN, e quando cheguei, ela se ajeitou no meu colo, agarrou o meu peito, e adormeceu comigo. – Quase não saio de lá, antes do meu aniversário de 22 anos, pois desta vez fiquei internada por mais dias. 
    Ter um bebê em casa não é fácil, principalmente quando pensamentos sádicos se passam pela sua cabeça, por quase ter matado a sua prima antes. – Com medo de machucar o meu bebê, como via a maioria das mulheres mal-amadas fazer, decidi ir buscar um tratamento psiquiátrico adequado. Só que o quê achei que seria uma enxurrada de preconceitos, acabou por me deixar muito feliz, porquê apesar dos insultos do Nerd, minha inteligência era acima da média, e isto foi testado pelos especialistas, que notaram também alguns traços de manipulação. – Eu lhes contei tudo de ruim que fiz, e conseguia me lembrar, além das visões de céu e inferno, mas não deu nada demais, somente que sofria de depressão profunda. – Todavia quando meu marido e minha mãe ficaram a sós, lhes contaram que precisava de um tratamento psicoterápico urgente, ou desenvolveria um mal patológico, devido aos prováveis apagões.
    Fui para a terapia por meses, conversar com a Anelise, uma psicóloga excelente, que notou que grande parte dos meus relacionamentos eram destrutivos, e que isso precisava ser corrigido, tinha que ficar com quem me amasse, e o Soul por mais bizarro que possa parecer, realmente era o cara, que deveria me ajudar. – Houve uma vez que tentei usá-la para o analisar, e saber se tinha me traído,  mas ela era tão excepcional, que descobriu tudo, e desarmou a minha bomba. 
    Naquele ano recebi um ataque, após ter tido um sonho esquisito com o arcanjo Gabriel me caçando, e me chamando de filha de Satanás. – Exatamente como em 2013, quando o vi como meu inimigo pela primeira vez. Acordei acorrentada, num lugar semelhante ao cenário do Jogos Mortais I. Me soltei imediatamente, e corri para o portal que estava aberto, em direção ao Parque do Forte. Procurei por uma moto, e subi na mesma, dirigi tentando escapar de um homem moreno. Ele me perseguiu pelo centro, numa viajem frenética sob duas rodas, que resultou num acidente, em quê fui atirada contra a quina de uma escada de ferro, que fez a minha cabeça se partir ao meio. Eu morri, pela primeira vez em sonho, só que meu corpo virou energia, e a mesma se massificou, fazendo-me voltar. As roupas estavam rasgadas, mas a pele intacta, então sai caminhando meio abatida, pelas escadas do Teatro das Bacabeiras, e lhe disse “Você até tentar. Mas nunca conseguirá me destruir Gabriel!” – Despertei do segundo ataque, e a música Man in the box não saia da minha cabeça, por isso voltei a ouvir Alice in Chains. Tudo parecia comum, quando do nada comecei a vomitar a noite, depois senti uma dor infernal na costela inteira, e sem saber como parar, pedi pra minha mãe me levar ao pronto socorro, e quando sai do carro vi a data, que era 27/03/2017 então disse “Hoje é dia 27 algo importante vai acontecer”. – A UPA estava fechada, e tive de ir no posto, no qual coloquei tudo para fora, e recebi 3 injeções, para aliviar a dor. – Achava que era consequência do anticoncepcional, por isso não liguei, só que era ruim demais. Após receber o remédio, dormi, e quando deu 3 horas da manhã do outro dia, a dor voltou com tudo. Até liguei para ambulância, só que eles não vieram, e fiquei por conta. Soul então sugeriu colocar a toalha morna no meu tórax. Entretanto para realmente cessar o meu sofrimento, precisei colocar o ferro no nível ardente, de tal maneira que minha barriga ficou vermelha, quando coloquei o bendito tecido. – Então algum tempo depois, saiu a notícia de quê o menino do Acre, tinha misteriosamente desaparecido. A coincidência foi tanta, que Soul não me permitia ficar a par do caso, porquê tinha receio do rapaz ser minha alma gêmea. – Calma, ele não era, o máximo que poderia ser era outro Índigo, por isso havia uma conexão.
    Naquele ano precisei fechar de vez a história da traição, pois as palavras da minha mãe, ressoavam na minha mente “A gente transmite para os filhos, o quê sentimos por nossos parceiros.” – E eu ainda me sentia muito magoada por causa do Soul.
    Fui atrás de cada uma das envolvidas, saber até onde a história ido, pois sem um desfecho final, não conseguia seguir em frente. – A amante com quem traiu a japonesa do Paraguai, era gentil, só que não tinha ouvido falar de mim. A japonesa virgem e ignorante, e a minha xará era tranquila. – A questão é que não conseguia perdoar, depois de tudo o quê vivemos, quase ninguém sabia ao meu respeito, somente se lembravam da maldita virgem, e isso me doía bastante, pois significava que falava a respeito dela, e quem dera que fosse mal, mas eram coisas como “Preciso mudar por ela.” e outros romantismos insuportáveis da TV. A xará também não sabia de nada, somente que ele ia parar de fazer certas brincadeiras, porquê estava começando a gostar de uma garota, e que nunca tinha o visto gostar tanto de alguém assim, o amigo dizia que fui a garota com quem ele passou um tempo. O melhor amigo era o único que dizia que nunca o tinha visto tão feliz, quanto como quando Soul estava ao meu lado. Por ironia da vida, o melhor amigo que me detestava no passado, por conta da minha conduta like a Yuno Gasai de Mirai Nikki. Mas foi o primeiro a me estender a mão, quando surtei entre os outros, e hoje me sinto ainda mais culpada pelo acidente do círio fluvial, porquê a mãe dele se foi ali.
    Além do mais, Soul sempre falava comigo, e tinha guardado a minha música “Suicida” em vez dos vídeos eróticos, e enquanto ele falava palavras vazias sobre a outra, por mim realmente mudou. – Para ser sincera, até atualmente ainda sigo com dúvidas sobre o quê aconteceu, só que verdade seja dita ele suportou muita coisa, antes de aprontar para mim. Lógico que o ideal era não ter havido nada, mas isso só seria possível, se partíssemos do principio de  quê sou perfeita, o quê sabemos que não sou.
    As crises alternavam bastante, está com ele não me fazia bem, por isso decidi que o melhor era nos separarmos, e ele ir morar com a Rá, junto da sua mãe em Goiânia- GO. – A notícia chegou como uma explosão nos ouvidos do Drácula, que falou um monte de coisas para mim, mas as piores foram “Não importa o quê você quer da vida, mas estamos falando da Minha Neta!” “Você é mente fraca mesmo!” “Depressão é frescura!”  Não consegui me aguentar, ele mandou o Soul calar a boca, e eu ordenei que saísse da minha casa. – “Essa casa só é tua por quê eu te dei!” ele disse. “Não me importo, deu por quê quis agora vai criar a tua filha favorita e me deixa em paz!” Gritei estridente, e no mesmo dia, decidi que ia para Goiânia também, e não ficaria mais nem um minuto naquela cidadezinha, na qual poderia dar de cara com ele.
    Soul foi na frente, e assim percebeu logo o tipo de cobra, que era o namorado da minha mãe, pois o cara queria praticamente tomar a guarda de Rá, para ele e a minha mãe. – A nova guerra se iniciou, por quê ela me colocava depois do moleque, que se chamava Ren, e tinha o mesmo jeito do Arakiel, só que a diferença, é que não fingia ter dupla personalidade.
    Quando Soul estava em Goiânia, decidi deixá-lo, após ter chegado ao ponto de tomar minha caixa de comprimidos de cloridrato de sertralina. – Senti apenas a minha mão formigar, e quando cheguei ao hospital, completamente normal, os médicos brincaram a respeito da minha resistência. “A gente devia chamá-la para beber conosco. Tomou uma caixa inteira, e ainda nem desmaiou!” A consulta foi feita, nos deslocamos do interior para a cidade a toa, pois outra vez não conseguia morrer.
    A minha despedida foi muito boa, reencontrei uma velha amiga, e o meu amigo que quase morreu para um caminhão. – Eu realmente senti alegria por poder me despedir deles, pois eram pessoas maravilhosas, que não colocariam “medos” na minha cabeça.  
    Deveria ter chegado solteira a Goiânia, mas a verdade é que com todos os meus transtornos, não conseguia ficar longe do Soul. Não importava quem aparacesse agora, por isso quando cheguei em Goiás, prometi a mim mesma, que faria de novo o quê estivesse ao meu alcance, para sermos felizes.
    A presença de Ren, fortaleceu muito a minha união com o Soul, pois juntos tínhamos o propósito de proteger a nossa filha daquele moleque insolente, que não só não queria nada da vida, como também era um verdadeiro fifi, cheio de leva e traz, algo que me dava nos nervos, pois estava ajeitando a minha situação com a sogra, e ele criava atritos, sempre que eu brigava com o Soul, dizendo que a mulher o mandava me deixar, que eu não o amava, que era melhor ir atrás de outra. – O quê provavelmente foi dito, para ele encontrar a virgenzinha odiosa, que na visão da mãe de Soul, supostamente o salvou de cometer suicídio por minha causa. É? Mas ela fez ele arranjar emprego? Terminar os estudos? Virar um homem em vez de um cafajeste? Não fez.
    Goiânia era o lugar perfeito para recomeçar, mas a teoria de quê o problema não era o ambiente, e sim eu, se fortalecia bastante. – Queria mesmo esquecer, fazer fotos maravilhosas, e esfregar na cara da menina, o homão da porra que ela perdeu, mas bater fotos românticas, me dava calafrios, porquê tudo me lembrava, a foto dos dois que tinha estado no perfil, coisa que ele nunca fizera por mim, e que o Dr. Arthur meu psiquiatra, entendeu como uma paixão que foi muito mais forte do quê por mim, algo que me fez surtar ali mesmo, pois não queria ser mulherzinha de amorzinho, preferia ser a vadia destruidora de corações, do quê mais uma trouxa que cedeu ao amor. – Algo que me levou a procurar pela “puritana inquisidora” para lhe dizer umas verdades. Infelizmente não tinha forças para aguentar a briga, por isso ler a mensagem de que ela se dava bem com a minha sogra, e que esta “sempre seria a sua mocinha” Não foi algo fácil de tolerar.
    As crises voltaram com intensidade, e por isso comecei a usar meus poderes contra mim. – Nesta altura tinha me dado conta, de quê tudo o quê escrevia se tornava real, por isso passei a descrever a minha morte, em um dos meus projetos, e então no dia seguinte um homem armado, passou na rua de casa, e por pouco não morri. – Tudo se realiza menos a minha morte, como se jamais fosse descansar em paz. Dádiva? Ou Maldição? 
    Certa vez, após discutir com a virgiranha, fugi de casa, queria me matar, mas acabei no Capes, pedindo ajuda, porquê a vontade de me destruir, e destruir os outros não passava. – A puritana era como uma pessoa tóxica, mentirosa, e sem escrúpulos, que me fazia parecer um anjo de tão má que era.
    Lá contei as psicólogas, sobre ser filha de Lúcifer, e encarar isso como um problema, que precisava ser resolvido, pois como alguém como eu, poderia acreditar em tal coisa? Mas elas me aconselharam a não abandonar a minha crença, e que cada um seguia, a filosofia que lhe cabia melhor. – E vendo o quanto tentava ser racional , mesmo quando minha consciência estava prestes a se dissolver, disseram que deveria continuar a escrever o livro da minha história de vida, pois  quando lhes contava sobre os fatos, não sabiam se era alucinação, ou se algo sobrenatural havia mesmo acontecido, já que parecia-lhes inteligente demais, para aceitar algo, que não pudesse ser legítimo. – Impressionado? Brincadeira!
    Como se não bastassem os problemas mundanos, ainda haviam inimigos do passado, que voltavam como amigos. – Certo dia fiz uma projeção forçada, e me deparei com uma enorme cobra negra, de cabeça triangular, que se rastejava por cima do guarda-roupa, até chegar a borda do colchão, onde se ajeitava para saltar de boca aberta para cima de mim. Acordei trêmula, mesmo que a esta altura, já não conseguisse ser assustada por qualquer coisa.– Minha protetora era um polterguist lembra? – No mesmo dia, a mensageira Maria enviou mensagem, e bem devido ao fato de quê ela trabalhava com o Kimbandista, que me fez muito mal, apenas porquê fui fria com ele, havia cortado laços com a mesma. Todavia quando o comunicado de quê meu antigo mentor – O mesmo do qual a voz de trovão me afastou – andava matando todos os antigos membros da seita, e que Asmoday e Solomon haviam partido por sua intervenção, tive de ouvir, e aceitar uma trégua por sobrevivência. 
    O centro-oeste é considerado por alguns conspiradores, como o berço da sétima raça, e em Goiânia, há uma estátua representando 3 das 7. – E isto foi uma enorme surpresa para mim, pois me mudei para GO, por puro intuito, de ficar o mais longe que pudesse do Drácula. A quem jamais perdoarei. – Ao acaso acabei por ficar numa das cidades, onde há o maior número de avistamento de Óvnis.

    O relacionamento abusivo em quê minha mãe vivia, estava se tornando vergonhoso e insuportável, e a situação somente piorou, depois que invoquei demônios no seu quarto, para quê caçassem o Ren, porquê eu já tinha colocado até uma faca no pescoço do infeliz, e minha protetora, continuava a ser humilhada por ele. – O problema é que por causa dele, ela me fazia mal, dizendo que tudo o quê acontecia de ruim na sua vida, era obra do demônio, e vivia colocando hino de igreja para a minha filha. Algo que me irritava muito, pois detesto fanatismos, e sei que a música tem o poder de alterar a consciência, e literalmente lavar uma mente despreparada. – Todo dia ela esfregava Deus na minha cara, e apesar de não ter muito a reclamar dele, porquê me deu um sinal sobre o Apocalipse em 2013, estava voltando a odiá-lo.
    Meus demônios se vingaram de ambos, e por causa disso, a minha mãe surtou de vez, ao ponto de ouvir vozes, fazer papelões, alegando que tinha levado chifre, e eu não a aguentava mais, porquê era óbvio que estava alucinando, e pior ainda que o meu título de Louca da família, agora era totalmente seu. – Eu já tinha surtado, me tornado violenta, mas neste ponto em quê literalmente saia realidade, e não tinha controle jamais.

    Sempre ouvia gritos e mais gritos, e aquilo me envergonhava. Por isso quando ela quis mudar de casa, aceitei de imediato, porquê queria mesmo aqueles shows acabassem. – Era ridículo demais, vê-la chorando aos 4 ventos, por um cara que tinha dito, que preferia que a mãe tivesse lhe abortado. Ela tinha apanhado. Tinha sido humilhada, e ficava “lambendo as botas do cara” A onde estava seu amor próprio?! O quê tinha ocorrido com a mulher que me criou? A gerente, a promotora de vendas, a diretora do DAF, a que trabalhava na SEMA? Agora tinha sido reduzida a uma mulher qualquer, incapaz de se livrar de um relacionamento bosta, e por isso foi perdendo o meu respeito. – Eu a amava, mas apesar do episódio com Arakiel, jamais tinha baixado a minha cabeça, permitindo que um homem me pisasse daquela forma.

    Capitulo 6- 2018
    Em 2018 fiz 23 anos, e como presente, ganhei mais uma seita que afundou, por conta do descaso dos participantes. – Seu nome era Ludac e significava Luz do Amanhacer Cósmico. A ideia a príncipio era minha e de Maria, com quem fui desenvolvendo alguns laços, tentando me opor a minha natureza vingativa e cruel.
    O propósito era reunir todos os filhos cósmicos, que se encontravam perdidos, e precisavam encontrar a iluminação, antes que fizessem parte do exército do anticristo brasileiro. – O meu antigo mentor, que criou um enorme grupo de fanáticos e covardes, que temem os demônios, e abraçaram o satanismo, somente para fugir de suas vidas miseráveis. – Acho que exagerei.
    É claro que falhou, pois o homem tem o aporte de verdadeiros demônios, que precisam do fanatismo para sobreviver. – Por quê são ainda mais inferiores do quê a gente, e precisam da adoração cega, para sentirem-se deuses.
    O grupo era composto por mim, Maria, Lua Negra, Felipe, e a Pleiadiana. Maria usava Felipe, para me atingir, pois pouco antes do seu aparecimento, havia lhe dito que logo me encontraria, com um velho amigo dos meus pesadelos, que era um arcanjo. – Não, não era Gabriel, mas sim o outro de quem já falei.
    Ela sabia que a presença do arcanjo me afetava, por conta de um sombrio passado da outra vida, em que tinha sido torturada pelo mesmo. Por isso sugeria que era um arcanjo, só não o quê iria surgir. – Por ter ciência de quê odeio não ter razão. Mas pelo contexto das conversas, lhe entregava pistas do meu passado. Já que o sujeito supostamente escrevia poemas, sobre uma pequena Lilith, sendo esta a minha fama no inferno, e que a mensageira sabia. – Eles jogavam com a minha sanidade, e me faziam sofrer.
    Porém com a ajuda de Lua Negra – um rapaz que notei ser nobre de imediato, por ser o único com o qual podia debater, sem descer o nível a humilhações. – Acabei por conhecer uma moça, que chamarei de vampira, apenas por ser o seu nick no WhatsApp.
    De imediato reconheci a minha irmã doutro tempo, que lá se fazia de boa, mas era extremamente ruim, como sou nesta vida, só que sem escrúpulos mesmo. – No meu lugar entre matar ou não minha prima, ela teria ido adiante, mesmo que isso lhe fizesse parar no Inferno como criminosa.
    Quis manter distância dela, pois Maria dizia que a mesma me machucaria. – Não acreditei, por conta das suas armações, mas ainda sim, devo admitir que não estava errada. Ficar perto da garota, me deixava doente, ao ponto que a crueldade, que lutei para manter sempre presa, começava a sair, e eu sentia prazer nisso.
    vampira no ínicio parecia mesmo ser uma boa pessoa, e para ser sincera, seria bom se assim continuasse. Porém depois que ela se tornou namorada de Felipe, que apesar de mal falar comigo, vivia perguntando a meu respeito, ela se tornou uma outra mulher. – Todo tempo ela mencionava o quanto o namorado era “lindo”, e esta parecia ser a sua única qualidade, pois de resto nada tinha. 
    Como eu já havia namorado alguns garotos fora da esfera virtual, beleza não me parecia muita coisa. –Sou casada com um cara semelhante ao Pen Badgley, então não tenho do quê reclamar. – Só que ainda sou uma ex patinho feio, e ver tanta superficialidade, me dava nos nervos. –Posso não está com o tal “deus grego” mas o quê importa para mim, é que meu marido me ama, me aceita, e me ajuda a ser uma pessoa melhor.
    Agora jogavam com nós duas. Onde já se viu um cara ignorar uma mensagem de morreria por você, para atender o choro de outra? Foi exatamente o quê aconteceu, quando tive o presságio terrível, de quê o menino Felipe, iria se tornar a casca de Belzebu, se tatuasse o sol negro em seu corpo. – Afinal tinha umas contas para acertar com o deus, desde 2013, e não queria que fosse ali.
    Ao tocarmos no nome da criatura, comecei a receber manifestações fortes da sua presença. Em casa as brigas entre a minha mãe e o Ren só pioravam,  apesar deste está longe. Chegou num ponto que tivemos de mudar de casa, porquê a minha progenitora jurava que tinham câmeras, e caixas de som por todo canto. – Ela tinha surtado, e eu não conseguia fazê-la voltar a realidade.
    Na casa verde, as coisas deveriam melhorar, mas só pioravam. Minha mãe não conseguia nem mesmo ficar sozinha no quarto, que ficava de frente para o meu. – A presença de Belzebu tinha crescido na minha vida, e o ouvia como uma terceira voz, ou extra consciência.
    Não era como o caso da minha mãe, que ouvia vozes xingando-a através de aparelhos mecânicos. tinha a impressão de quê estivesse dentro de mim, como uma terceira personalidade se manifestando.
    Bael dizia coisas como ser a sua 4° esposa, que o mito de Samael como o próprio escuro, era uma farsa. Ele era o diabo, e as 4 esposas eram dele. – É claro que eu duvidava. Mas a filha plediana, que me odiava por ser alvo de interesse de Michael, o amava, e vampira achava que estava incluída na jogada, por conta do seu par.
    Certa vez num domingo ouvi Bael dizer “Felipe não mantém contato contigo porquê não quer ser mal interpretado.” E então mais tarde, vampira me enviou um print do seu par, no qual o mesmo dizia “Eu não posso manter contato com ela, ela é casada, e isso não é certo”. – Meus olhos se engrandeceram com isso, pois eu não tinha acesso a tal informação, e ainda sim, havia acertado em cheio.
    Bael era real? Ou somente uma forte alucinação, de uma bruxa que era filha de Lúcifer? Isto era o quê me preocupava dia após dia, mas quando ele disse que em breve apareceria, e nunca chegou, tive certeza que estava enlouquecendo. – Se fosse verdade teríamos nos visto não é? Porém nunca aconteceu.
    Já teve a impressão de quê o Inferno, está dentro da sua própria cabeça? Era assim que me sentia ao embarcar na fé da vampira, de quê os nossos piores medos iriam se manifestar. – Os medos dela eu não sei, mas os meus se concretizaram.
    Naquele ano foi lançado o filme Luciferina. Que me parecia bastante familiar. O filme contava sobre a história de uma freira, que após perder a mãe, embarcava numa aventura, para saber porquê a mesma havia se matado. Spoiler: Natalia (a freira) tinha um poder sobrenatural, que a deixava cega por segundos, e assim a mesma enxergava a luz ou escuridão nas pessoas. – Após as inúmeras tentativas de suicídio, as consequências vieram. Comecei a perder a visão, e por isso em 2016 resolvi me consultar. Só que no dia em questão, logo após sair do consultório ás 7 da manhã, a rua estava deserta, e um homem meio bêbado me abordou. Eu estava com muito medo, por conta das notícias que havia lido sobre estupros. – Como pareço uma garotinha adolescente, sempre sou um alvo perfeito para eles. – Ele estava começando a se aproximar, quando olhou através de mim, e ficou frustrado. Olhei para a mesma direção, e tinha um homem parado ao lado do lixo. Ele era musculoso, com dreads amarrados num rabo de cavalo, vestido de camisa verde e calça preta, como se fosse um guerreiro africano. O moreno ficou parado ali, como se esperasse o bêbado se retirar, e como resultado o mesmo seguiu o seu rumo. Quando me virei outra vez, o sujeito havia sumido, como se tivesse aparecido somente para me ajudar. Por isso decidi caminhar para onde houvesse movimento, e quando encontrei uma mulher da vida, me agarrei a ela, pois apesar de sua profissão sentia nela tanta segurança, quanto quando o moço de verde apareceu. – Essa capacidade de ver quem é bom ou ruim, condiz muito comigo. 
    A freira supostamente era virgem, mas tinham cenas quentes, em quê ela se masturbava, exatamente como eu fazia, antes de me entregar a um homem. Além do mais, apesar de não ser intocada, nunca ultrapassei o limite de 4 homens, e até hoje não sou casada por cerimônia. ‐Sempre algo dá errado, quando estou prestes a virar a mulher do Soul, então não sou pertecente a um homem.
    O namorado da sua irmã, é um idiota, e isto fica claro depois que eles fazem o ritual na ilha de Índios, onde a mesma tem diversas visões infernais. – Macapá- Ap é uma ilha de índios também, embora possua uma civilização, e você sabe das visões que tive lá.
    O par dela é o Abel, um rapaz magro de cabelos enrolados, que é conhecido entre os amigos por ser o esquisito como ela, já que tem apagões. Ambos são virgens, e é o destino deles se unir. – Soul em muitos aspectos se compara ao mesmo, principalmente pela falta de memória, já que tem inclusive tendência a Alzheimer. Os virgens na magia, são aqueles que não são casados, e que nunca praticaram a magia sexual. – Ele foi o único com quem pratiquei este ato em específico.
    Abel tinha problemas para lembrar, porquê era a verdadeira casca do diabo, que queria gerar uma criança mágicka com a freira, usando a sua alma gêmea para seduzi-la. – Medo. É só o quê tenho a dizer.
    É descoberto que a mãe de Natalia, foi escolhida por uma seita satânica, para dar a luz a filha de Lúcifer, mas a mulher mesmo sabendo do destino sombrio, pede ajuda as freiras para proteger a criança. – Alegoria ao aborto que minha mãe se recusou a fazer, e o pedido que fez a santa?
    No fim a única forma de exorcizar o demônio, era literalmente copulando com o mesmo, e o quê deveria ser um abuso, acaba por se tornar erótico, e desta forma Natália salva alma de Abel, mas ele morre, e o filme termina com ela grávida de outra criança mágicka, indo a igreja para protegê-la. – Nem preciso dizer nada.
    A príncipio quis passar a bola para vampira, afinal ela é a virgem de hímen, mas o próprio contexto do filme retrata, que é a virgem sob a ótica do ocultismo, e não a cristã. Sendo assim embora decretem a virgindade santificada, é santificada de acordo com o olhar de Crowley, não de Constantino. – Luciferina é o nome satânico da freira, e ela diz que o significado é “A portadora da luz”.  Sendo o meu Luciféria, “A luz que parte”. – Fim dos Spoilers.
    vampira se identificou de imediato, porém ela olhou apenas para o meio das suas pernas, e só isto não era o suficiente para preencher os requisitos. – Um filme assim, tão estranhamente ligado as minhas particularidades, me deixou preocupada, principalmente porquê foi lançado no dia 15 de março. – Seria um sinal de quê a extra consciência falava sério? Nem eu sabia.
    O ano seguiu-se de maneira comum, mas o entusiasmo de vmpira pela suposta aparição do seu grande amor, me fazia ficar em alerta para o Senhor das Moscas. – Houve uma vez que me senti vigiada, pois enquanto fazia amor com o meu marido, ouvi o barulho de um carro, que só saiu da porta, depois que paramos.
    Se tinha segurado as pontas até ali, certamente agora perderia o fio da meada. – Lembranças de sonhos com o anticristo se tornavam frequentes, sempre que tentava ver alguma fraqueza do demônio. – Aos 14 anos tive o sonho com o menino da profecia. Aos 21 havia sonhado que nos encontraríamos diante de um anjo, ele agora estava mais velho, mas mesmo assim se tornava o meu par. – E é lógico que tinha ignorado tais coisas, pois onde já se viu? Eu sou a mulher do Soul, mesmo sem cerimônia. É a ele que meu coração pertence.
    Tentei seguir ignorando sequer a possibilidade, mas a situação somente se tornou mais evidente. – Não importava o quê fizesse, a sua chegada era cada vez mais fácil de provar.
    Num dia qualquer uma barata avançou na minha direção, mas quando ergui a palma em defesa, ela abaixou as asas. – Isso seria totalmente natural, se não fosse pela presença das moscas, que seguiam a minha mãe, não importava o quanto mantivesse a sua assepsia intacta.
    Fingi que não era nada, usei veneno para afastar os insetos, nada melhor do quê boa e velha ciência não é? – Não quando se trata do paranormal. – Certa vez o ralo entupiu, e a água começou a transbordar acima do piso alto. Para resolver o problema, Soul abriu o buraco, com a ajuda de um ferro, e várias baratas ficaram a flutuar entre as ondas.
    Ignorei mais uma vez, embora estivesse em alerta agora, e algo ainda maior aconteceu. A mente da minha mãe se degradou de vez. A sua insanidade era tanta, que todos os dias alegava ver Óvnis, mas depois de ler um estudo, que relacionava a aparição dos mesmos, como resultado de um intenso abuso emocional, eu acabei deixando de acreditar nela. – Todavia houve um fato que mudou a minha perspectiva. 
    Eram 7 horas da manhã, minha mãe estava se entretendo com a Rá, quando de repente me chamou. Sai do quarto com preguiça para as suas teorias malucas, e achei que ela tinha gritado, apenas porquê estava passando uma matéria sobre aliens na TV. Mas quando cheguei a tela estava congelada, e era como se alguma vida inteligente, interagisse através dos sons do aparelho. – Eu gravei a última parte, só que não foi o suficiente, por isso torci para que retornassem em breve.
    Levou algum tempo para o fato se repetir, mas quando ocorreu gravei. – Eram 3 horas da manhã, quando Rá se encaminhou até a tela da TV, de onde saiam vozes distorcidas como a intro da Iron Man do Black Sabbath. – Depois de tudo o quê passei, não era qualquer coisa que me assustava, por isso assim que notei tal presença, fui logo filmar.
    No final daquele ano, vários pássaros pousaram na árvore ao lado da minha casa, e começaram a grasnar sem parar. – Realmente não há nada certo? É tudo normal, ou ao menos é para mim, devido a cada desafio que já enfrentei.
    As perturbações não pararam, nem mesmo quando minha mãe se mudou. A luz da cozinha onde mais conversava com a extra consciência – por quê a água funcionava como um portal entre os mundos – entrou em curto, e os demônios começaram a fazer uma rave em casa. – Sendo que me recusei a ir para uma, por causa de um mal pressentimento, que tive assim que os novos vizinhos chegaram, e não fui a única, Soul falou para evitar contar as minhas experiências em voz alta, pois também estava se convencendo, de quê eu era o alvo de Belzebu. Meus maus pressentimentos, não eram por acaso, pois alguns dias depois, acordei de madrugada, e quando foi de manhã, soube que o comércio que ficava a frente da nossa casa, foi roubado após ser arrombado. “Eu sacrifiquei uma família para salvar a sua.” A voz disse. Então fiquei sem reação, era como se tivesse sendo protegida pelo mal, e embora me garantisse a sobrevivência, não me sentia bem com isso.
    Somente eu e vampira sabíamos que Bael agora era o meu protetor, mas ainda sim Maria apareceu amedrontada, porquê do nada sofreu a paralisia do sono, e viu o próprio diante dela, totalmente dominado pelo ódio. – Seria pelo quanto ela me artomentou antes?
    Tinha a impressão de quê não era qualquer uma para Bael. Portanto não iria me deixar em paz tão facilmente, e tive de me precaver. – Se o garoto Felipe, iria ser a sua nova casca, não podia falar com o mesmo, por isso o bloquiei, e pensei que seria o suficiente. Mas um vigarista que queria saber sobre o quê eu escrevia apareceu. – Ele era estranho, dizia ter sido amigo de um maçom, e quê conhecia sobre Goétia e os Druídas, em seguida me enviou um pdf de Cipriano, mesmo que eu tenha deixado claro, que Cipriano para mim é um covarde, fanático, e farsante. O homem se aproximou de minha mãe, e no fim depois levar o seu dinheiro, soubemos que o mesmo estava sob ameaça de morte, e era totalmente insano, ao ponto de repetir as palavras do meu avô “Eu vou para o Inferno para comandar.” Algo que me fiz rir, pois Lúcifer é o meu pai, e nunca deixou uma pessoa que tenha me feito mal, passar impune. – E quando não é ele, é o Belzebu, então me pareceu cômico.
    A entrada do ano de 2019 foi diferente, em 21 de janeiro houve uma lua de sangue, que caiu no eixo Aquário (sol) e Leão (lua) como no meu mapa, e perto do meu aniversário de 24 anos. – Sendo que vez ou outra algo grandioso (e catastrófico) ocorre neste dia. – Minha filha teve de ser levada ao hospital, porquê a dias não evacuava, mesmo com as frutas que lhe dávamos para facilitar.
    Sai as pressas, e deixei uma mensagem para a vampira, não me lembro qual, mas me recordo da resposta que tive. – A menina estava convencida, de que era a escolhida do Anticristo, que teriam um filho, e entraria para a história. – Não preciso falar da minha reação não é? Alegria por ela ser alvo dele, mas raiva por quê quem sempre quis entrar para a história era eu, e pelo amor dos deuses do abismo, se chegou até aqui, é porquê acredita no meu destino também. É inegável que tenho um significado único dentro desta sociedade.
    15 de fevereiro estava se aproximando outra vez, e como vampira parecia disposta a roubar o meu lugar, tive o prazer de reunir 10 fatos associados a data, e por quê isto me tornava a perfeita filha de Babalom.
    Em 10° lugar – A atriz que fazia a Huntress, a minha primeira personagem favorita da série Arrow, dividia o aniversário comigo.
    Em 9° lugar – O Eniac o pai dos computadores modernos, foi revelado neste dia, e trouxe uma Nova era computacional.
    Em 8° lugar – A intérprete de Gabrielle em Xena, que deu a luz a Hope, com um ser das trevas, também era minha xará de data de nascimento.
    Em 7° lugar – Outra referência a DC comics, O César Romero, o primeiro Coringa da TV fazia aniversário neste dia.
    Em 6° lugar – O primeiro esboço do genoma humano, foi publicado pela revista Nature.
    Em 5° lugar – A primeira nebulosa a ser vista, e batizada de “olho de gato” foi descoberta neste dia em 1786, e ficava localizada na Constelação de Draco. – Fato interessante em 2013, encontrei uma das minhas irmãs, e como os demônios a amavam ao ponto de me ignorar,  larguei o satanismo, para me dedicar a magia draconiana, por ter uma enorme afinidade com dragões, desde os 9 anos. – Quando sonhava que sobrevoava uma cidade em ruínas, montada num dragão ocidental, branco azulado, que se chamava Graham. – Por quê acreditava que somente eles me aceitariam.
    Em 4° lugar – Galileu Galilei nasceu neste dia, e ele foi responsável por inúmeras descobertas, além de ter sido tratado como herege, por defender a teoria heliocêntrica.
    Em 3° lugar – Matt Groening o criador dos Simpsons e Futurama, é do dia 15. – O gênio incompreendido, hoje é visto como um dos grandes profetas da atualidade, pois a sua série mais conhecida, previu diversos acontecimentos.
    Em 2° lugar – O meteorito que caiu na Rússia, logo após a renúncia do papa. – Aos meus 18 anos.
    Em 1° lugar– A Lupercália, evento dedicado ao deus Lupercus, que é tido como uma faces do Deus Lúcifer na Itália, e a fundação de Roma por Rômulo e Remo. O evento funciona como o Dia dos Namorados pagão, mas deixou de ser divulgado há muito tempo, por quê a igreja tentando sufocar a tradição, criou o dia de São Valetim, que é comemorado no dia 14, para quê o 15 passe em branco. – É nestas horas que o desprezo pela igreja cresce.
    Algumas coisas são bobas, outras tem enorme significado para mim, e ao analisar tais fatos, tenho a forte impressão de quê a data foi propositalmente escolhida. – Afinal de contas 15 é o arcano do Diabo original.
    Tudo isso deveria me animar, mas quanto mais o dia se aproximava, menos feliz eu ficava. Mais um ano estava ficando mais velha, e Lúcifer não tinha aparecido, quase ninguém sabia quem era, então como este tão falado destino poderia me pertencer? A tristeza invadia o peito, talvez a resposta fosse esta, todo o meu sofrimento, e vida paranormal por nada mais, que ter entrado no caminho mais denso, ou ainda não estava pronta, para ser reconhecida. Será que agora é a hora? Em breve saberemos.
    Duas séries seriam lançadas em 15/02, e elas eram do meu gênero favorito super heróis, e apesar de parecer um presente, não sentia ânimo para assistir. Só que um comunicado, mudou a minha perspectiva, Lua Negra disse “Assista-as. Se é exatamente do jeito que gosta, pode ser que tenha uma mensagem para ti lá.” Então me preparei para fazê-lo, mas no dia mesmo, fui tirada de casa, para ir no Escape Room, onde tive de resolver um crime satânico junto de Soul, mas nós falhamos e rimos sem parar na hora de “morrer”. – Foi um dos melhores dias da minha vida. Eu sei sou estranha, mas você já deveria saber.
    A série lançada pela Netflix se chamava The Umbrella Academy, e pertencia a editora Dark Horse, a premissa era simples: Mulheres deram a luz a 7 bebês, mas antes do dia começar elas não estavam grávidas. As crianças cresceram, mas apenas 6 delas desenvolveram dons, e se tornaram super-heróis. O foco da trama? Era o Apocalipse, e eles precisavam impedir.
    Spoiler: A série tratava a número 7, como uma inútil violinista, que tinha de viver tomando remédios, para não comprometer a sua saúde mental. Seus 6 irmãos eram deuses, por onde iam tinham reconhecimento, e ela sempre era jogada no canto, sendo lembrada apenas por escrever um livro, sobre como era a vida deles, por trás das câmeras. – 7 é o número que estava na minha testa, no meu joelho, eu era a 7, a mensagem era esta, eu era a única criança, que jamais atingiria aos palcos, como Asmodeus, Mammon, Belzebu, Caim, Azazel, e alguma irmã qualquer. Pois todas nascem com um forte apelo sexual, e poucas herdam o cérebro como eu – Continuo sendo ácida.
    Assisti até o fim somente por causa do número 5, o homem preso no corpo de um menino, e Klaus o rapaz que tinha poder de falar com os mortos, mas temia as suas habilidades de tal forma, que preferia se drogar para não ver os fantasmas. – A destruição mundial era obra de um grupo seleto, que queria proteger um rapaz, que apesar de nascer no dia dos heróis, não tinha poder algum, mas era um sociopata de mão cheia, bastante interessado na número 7. – Claro para ser a vítima dele pensei.
    Mas no fim, foi mostrado que 7 era a mais poderosa dos irmãos, e o pai não a deixou desenvolver seus dons, porquê temia que a mesma matasse os outros. O tratamento desumano que ela recebeu do homem, a deixou transtornada, ao ponto de desenvolver uma extra consciência maléfica, dominada pelo ódio, que lhe disse as mesmas coisas, que costumava dizer em momentos de raiva, sobre jamais ir para o palco. – É isso. Nesta peça de teatro, eu sou aquela que nunca sai de trás das cortinas. – Coincidência? Quem sabe.
    Fim dos spoilers. 
    A outra série se chama Doom Patrol, e é da DC comics. A premissa é bem diferente, não se trata de heróis, mas fracassados, que foram escondidos do mundo, porquê o Cliff não achava que os aceitariam. Sua estética é abstrata e dadaísta, o quê a torna revolucionária em relação as outras obras da DC. 
    Mas não assisti de imediato, apenas esses dias, depois de fatos estranhos que aconteceram comigo. – Novidade não é? – Sei que ao ler a minha história, irá comparar com uma série conhecida, por isso embora o livro “Sobre mim” seja uma vergonha nacional, deixarei disponível, apenas para quê tenha certeza de quê é um relato legítimo. – Aquele final me deixou assustada, pois parecia condizer com o meu destino, porém não com o Senhor das trevas, e sim Das Moscas. Por isso num sábado tive de fazer um ritual para Tiamat, para saber o significado disto. – Me senti nua diante do mundo, como se algo estivesse contando 70% da minha história, através da famosa personagem. Não foi uma sensação agradável, só me vi assim quando fizeram Luciferina.  – Tiamat me enviou um presságio onírico, no qual eu tinha um marido monstruoso, que tentava me afastar do Soul. – Pelos deuses! De novo essa história? – Mais tarde ainda no mesmo sonho, aparecia um crítico de arte, vestido de terno, para o qual queria vender um cd chamado 1574, que havia sido feito em 1574. Eu tinha vários cds originais em mãos, e somente um falso. Mas o quê me chamava a atenção era o 1574, ao qual o crítico não me permitia vender, pois na visão deste era algo valioso, que me faria falta no futuro. Acordei e enviei o sonho para uma amiga bruxa, e quando foi de tarde Notredame apareceu queimada nas notícias, era o dia 15, do mês 4, e talvez o 7 no sonho, tivesse alguma ligação comigo. (Afinal o 7 estava sempre presente.) No dia 17 tive um outro presságio, nele estava numa festa de luxo, onde recebia uma proposta indecente, que recusava, e uma mulher invejosa, me chamava de gorda. Até aí tudo bem, mas quando sai do local, o alarme soou alto, então avisaram que os animais tinham fugido do zoológico. As portas de aço se fecharam, senti como se estivesse na série Zoo. Eu me bati contra as mesmas, e então alguém soltou cachorros raivosos na minha direção, mas um vigilante me salvou, e acordei dentro da sua cabine, enquanto ele dizia em desespero “Escreva! Escreva! E eles vão parar!” então me deu uma caneta, e uma caixa para apoiar o papel, onde iniciei a escrita com “A”. – Conclui após muito analisar, que os animais no zoológico, eram demônios saindo do inferno, mas não sei quem era o meu salvador. Ao apresentar o sonho para um novo amigo, – Que estuda magia desde os 10 anos, e para o qual somente revelei a meu respeito, porquê as cartas disseram “Comunica-te com aquele que fala com a divindade.” – Ele chegou ao mesmo resultado, muito antes de lhe mostrar a minha conclusão.
    Certo dia estava online, comentando que não tenho medo dos demônios, afinal já tive o desprazer de conhecer os piores, e estou claramente sendo cogitada para algo. Foi então que uma mulher veio e disse: “Você é como eu, é uma escolhida.” Achei aquilo incomum, por isso resolvi conversar com a mesma. Foi uma total perda de tempo, embora seja médium, é ainda mais louca do quê transpareci nestas páginas. Falou-me coisas como “Sou a filha de Lúcifer e Lilith, meu irmão é Mammon,  sou Asherah a deusa perdida, e Bael é o meu marido.” Tentei lhe explicar a impossibilidade de assim ser, mas ao mesmo tempo me questionei também, estaria eu inerte na loucura como ela? Preciso voltar a terapia! Ela me chamava de a irmã mais nova, filha de Maria Padilha, não um demônio como a própria. Mas esta me parecia a sua realidade, não a minha. Em algum ponto da vida, ela teria acabado por libertar muitos demônios, e os mesmos agora dominavam o seu corpo. Era como se andasse com uma legião, pois a sua fala era desconexa, fanática, e imprecisa. – Isso é um roteiro de filme de terror Nammu? É como se eu fosse o rapaz de Dagon tentando viver a vida de 0 e 1, e o deus antigo me atraísse para a sua cidade. A mulher diz que é rica, mas pelo grau da sua insanidade, fica difícil saber se é de fato ou é mais uma alucinação. 
    Como se não fosse o suficiente, uma bruxa me alertou para tomar cuidado, com qualquer feiticeira que oferecesse dinheiro em troca de dinheiro. Então quando fiz uma evocação a Marbas, o demônio leonino, que tem me dado uma força quando piso no Inferno, e é responsável pela revelação de segredos ocultos. Descobri que meu nickname “Carry” era semelhante a “Carreau”, a potestade que “endurece o coração dos homens”, e fui atrás de uma bruxa que parecia humilde. 
    Ao contrário da outra “princesa”, ou – como chamarei a partir daqui – Legião. Esta não era perturbada, e quando lhe mandei a mensagem, explicando que era filha de Lúcifer e Lilith, mas não me opunha a religiões, e sim aos líderes ambiciosos. Ela me falou logo “Você está assustada por causa de visitantes em sua casa.” e eu enviei sobre “Carreau” ela falou para chamar-lhe no Whatsapp, pois era a escolhida para isso.
    Conversamos, e ela disse que Luciféria não é real, é tudo manipulação de Carreau, que toda a minha vida foi uma mentira, mas sou uma bruxa poderosa por conseguir libertá-lo. No início propôs viajar a minha cidade, mas não tinha dinheiro para tal, por isso ofertou entregar a conta, para lhe enviar o dinheiro da passagem. Depois conversamos mais, e ela falou coisas esquisitas, como a forma de um anjo de asas rosas, é a minha verdadeira, e que para me livrar de Carreau, teria de invocar a Mikael, e agiu dizendo “é eu sei que sabe bem quem é”. Então ela abriu um portal, e supostamente tirou Carreau, mas seu celular caiu mais tarde, e ela precisava de 30 reais na conta, para fazer um banimento completo, não era grande coisa, mas eu realmente só tinha 10 reais. Ela parou de responder, ficou bem, e minha filha voltou a surtar, tinha lhe pedido para libertar o ser, pois convivi 9 anos com ele, saberia lidar. Então quando disse que ele voltou, ela me bloquiou sem mais nem menos. – O quê mais tem acontecido é fazerem isso. Falar, criar amizade, e sumirem.
    Por sorte havia seguido os meus instintos, e preparado um ritual, para me livrar de Carreau. – Eram 3 horas da manhã, não havia sinal da lua minguante no céu, e eu estava com um portal aberto, sob o uso do mesmo símbolo que o trouxe, enquanto ouvia a música Sitra Ahra da banda Therion, porquê queria mesmo me conectar com o outro lado. Comecei a meditar chamando Lilith, então quando a senti ali, chamei o demônio para fora de mim, e o peguei pelo pescoço, enquanto usava a minha linguagem Lovlicos. – Com a qual fiz um símbolo a esquerda, e no dia seguinte apareceu a direita. – Meditei para transferi-lo para o portal de Apsu, e chegou num momento, que nem sequer consegui ouvir a melodia, era somente eu e ele. Senti uma verdadeira onda de energia brigar em mim, tentava levantar a cabeça, mas ele não deixava, e quando consegui, e senti meu corpo mais leve, fechei o portal. Achei que 7 minutos tinham se passado, mas na verdade foram 47. Por 40 minutos estive do Outro lado, e não sabia se tinha o vencido, até que olhei para o céu, e a lua tinha deixado de ser encoberta pelas nuvens. – A noite voltou a brilhar – Titans Go.
    Esses tempos enfim assisti Doom Patrol. No início pensei que a mensagem para mim, se relacionava a Crazy Jane, pois a mesma tem 64 personalidades, e o meu último relatório psiquiatrico, resultou em transtorno de personalidade com instabilidade emocional, podendo ser boderline ou impulsiva. Spoiler: Jane não é a personalidade matriz, assim como a minha atual persona, mais justa e sensível, também não é a minha original.
    Mas de acordo com que a série segue, há uma mensagem sobre o Anticristo, que é um garoto depressivo, por ter que destruir o mundo, e é socorrido pela Rita Farr, uma mulher cuja a habilidade, lhe transforma num monstro, apesar de não envelhecer. – Esta mensagem não ficou clara, mas o fato do menino ser chamado de “o livro nunca lido” me deu um frio no estômago. Fim dos Spoilers.
    Recentemente tentei entrar numa audição de talentos do Projeto Passarela, e consegui passar, mesmo sem o treinamento exemplar de teatro. – O número final da minha inscrição chamou-me a atenção, pois terminava em 777, um número significafivo para Crowley.
    Lá também soube que tinha de falar inglês se quisesse o sucesso mundial, algo que me deixou intrigada, pois desde o ínicio do ano tenho estudado a lingua, porquê a extra consciência me prometeu, que o meu tão sonhado sucesso víria, após aprender exatamente essa expressão. – Eu sei que é a lingua universal, mas quando ouvi a voz, ainda nem sabia da iniciativa. Além do mais fui até lá, apenas para realizar sonhos mundanos, de enfim ter algo que será visto por todos, e entrará para a história seja como heroína ou vilã.
    Há algum tempo passei a desenvolver um livro de magia para iniciantes, e estou muito feliz com a obra. Vai servir para os filhos dos cosmos, que realmente tiveram experiências paranormais, e quê precisam de um manual, para não libertarem seres perigosos neste mundo. – Entendeu a referência?
    Lá estou me focando apenas no aprendizado dos demais, e de forma bem superficial, retratei um pouco das minhas experiências como filha de Lúcifer e Lilith.  – Apenas porquê o contexto era adequado.
    Mas estes dias vi uma sequência de números inesquecível. Fui deixar Soul no laboratório, e quando olhei para o ônibus a minha frente, tinha o número “20290”. 02 – Fevereiro 90 – Década que nasci. Tudo bem é uma linda coincidência, por isso segui meu rumo. Um ônibus passou ao meu lado, com o número “011” na placa, e devido a um rapaz que chamarei de Art, soube recentemente que 11/11, é o portal dos “Humanos angelicais”.  – Obrigado força oculta, por me lembrar das minhas asas de penas. Tudo bem, mas em seguida vi uma placa com o fim 33. – 33, o grau mais elevado da maçonaria, o numero sagrado. – Legal ué. A próxima placa era 5888, e este é um mistério, contudo no livro descrevo que é preciso haver a repetição de presságios, para se iniciar uma investigação sobre os sinais. Então próximo de casa, apareceu um carro de placa 93, próximo a um lava rápido de carros, com o número 1515 pintado na parede. – 93,93,93, 15, o meu número. – Coincidência? Espero que sim.
    Esses dias estava terminando o relato de 2017, e tentei não mencionar a ex de Soul, mas só de lembrar das coisas que ela dizia, era impossível não sentir a minha real natureza sair, por isso tentei me controlar. Mas toda a raiva que contive, foi para o ambiente. Enquanto a minha mãe cozinhava, o fogo se alastrou na boca do fogão, e por pouco não iniciou um incêndio. Então quando cheguei para almoçar, ela falou para mim, que tenho de mandar o meu Pai lá parar de perturbá-la, pois o espírito imundo que lhe castiga, é o meu protetor. – Quase deixei o prato cair de minhas mãos, e fiquei catatônica. Não é de Lúcifer que ela estava falando, mas sim de Bael.
    O quê isto significa? Nem eu sei, e para ser sincera, prefiro continuar sem entender, pois as possibilidades, são todas negativas. – Eu entrei em alguma realidade alternativa de Terror? Aqui ainda é Sete Além? Não sei. 

    Mas sei de uma coisa, se a mente humana é poderosa, imagine a mente de um anjo? Por isso vou continuar seguindo a minha vida, como se nada estivesse acontecendo. – Tudo o quê vi é real ou Eli estava certa? O quê é a realidade? Apenas o quê pode ser tocado? Ou o quê é sentido através de outras percepções? O concreto é verdadeiro? Ou é apenas um aglomerado de energia densa, que limita o olhar sobre o mundo? Você me verá nos palcos, e ficará surpreso por conta da minha história? Ou morrerei como oculta? Em breve saberemos, e teremos todas as respostas. Se a minha realidade caótica, é apenas um filme, a única coisa que posso afirmar, é que está perto do próximo ato, e nas últimas cenas, terei certeza do quê tudo isto se trata. Se viver para contar história, terei o prazer de lhes escrever um segundo livro, se não, obrigado por terem lido até aqui, e por me guardarem em seus inconscientes, mantendo a minha lembrança viva. Até a próxima, Lux Burnns.
  • Transporte dos meus sentimentos

    Lembrei das vezes em que eu andava pelas ruas
    das vezes que o ônibus era meu parente próximo
    Meu bom incentivador do nada artístico que sou 
    Cada estação, um sentimento ia embora
    Ou vinha, não me lembro
    Lembrei como éramos intensos nos discursos
    Ele me levava, ou o lavava
    Sorrimos tanto
    Ainda do lado da janela, pude sentir o ar da liberdade
    Foi lindo, mesmo não me lembrado ao certo
    Sinto falta. 
  • Um tempo

    Houve um tempo em que as flores perfumavam meu quarto, e o sol invadia minhas retinas, cada vez que você abria as cortinas e eme trazia uma xícara de café. Tempo este, em que eu acordava na madrugada e corria até seu quarto em busca de abrigo, pois as trovoadas trazidas pela tempetade me assustavam.
    Você me abraçava, segurava minha mão e dizia que estava tudo seguro. Me deixava dormir em seu quarto, com o calor do seu corpo junto ao meu. Sempre contando histórias... Sempre me mantendo em baixo das suas cobertas... Seus pés gélidos, sempre tocando os meus.
    Passaram-se dias em que a faculdade nos cansava, e simplesmente ficávamos em casa. Um pote de sorvete, pijamas e filmes extremamente entediantes (Na maioria das vezes, aqueles de terror da década de noventa... Mas você fechava os olhos a cada susto).
    Algumas vezes, nossos finais de semana eram compostos por comida chinesa e vídeo games. A casa se tornava uma zona de guerra e, depois de evitar visitas por conta da bagunça, arrumávamos tudo no último minuto. Duas crianças, escorregando no piso cheio de sabão... Esquecemos que as quedas nessas brincadeiras ás vezes são mortais.
    Houve um tempo bom... Mas aí você à trouxe. 
    Nas fugidas da faculdade, me via sozinha no sofá, enquanto você à beijava em uma festa. A bagunça na casa já não existia, pois nossas maratonas no vídeo game, se tornaram (para você), finais de semana na casa dos parentes dela. Eram apenas a casa vazia, um silêncio ensurdecedor e eu.
    O sol já não invadia minhas retinas. E o café havia se tornado frio e amargo. Quando estava com medo das trovoadas, me escondia em minhas próprias cobertas, enquanto você à abraçava, segurava sua mão e falava que ela estava segura. O calor do seu corpo, junto ao dela... Seu coração entregue à ela, enquanto o meu já não batia. As mãos delas com flores e, para as minhas, restaram apenas os espinhos.
  • Valeu muito a pena.

    Eu sei que te perdi, e sei que o maior responsável por também fui eu.
    Mas eu aprendi tanta coisa nesse meio tempo, tantas virtudes.
    Hoje observo melhor, não sou tão maduro assim para me envolver em algo sério.
    Não me arrependo de nada, apenas de não ter aprendido ainda mais contigo.
    A vida é assim, talvez não houvesse outro caminho a não ser este.
    Tudo o que passamos estará aqui em meu peito, guardado com muito zelo.
    Obrigado por compartilhar comigo durante esse meio tempo, todo seu amor.
  • Vida ó bela vida

    Vida ó bela vida
    Nutrida de grandes momentos, no Alto do viver
    Afoga-nos nas alegrias e tristezas que podemos ver
    Tão bela e cansativa, ao mesmo tempo, a deriva a perpetuar
    Ó bela vida que mesmo sem querer pode magoar
    Tão confusa e intensa de se estar
    Mais tem toques de poesias para amar
    Árdua força do querer, estar e sofrer
    Entender que a vida é para se viver
    E muitas vezes, não entender 
    Viver no amor e na paixão
    Na tristeza e solidão, estar sozinho é
    Um ato de compreensão
  • Você, não

           O dia era 11/03/2019, acabei de ler o primeiro texto que escrevi sobre o nosso amor, no caso sobre o meu amor! Já se passaram quatro meses desde da nossa decisão e nesse pouco tempo eu me dediquei a minha pessoa e eu comecei a fazer coisas que eu nunca imaginei que faria. Eu estou feliz, muito feliz...sem você. 
           Sabia que eu não sinto mais aquele sentimento puro e gostoso por você? Eu não sinto falta quando você não fala comigo e eu até inicie umas séries novas, dá pra acreditar? E nessas series eu percebi o quão precisamos pensar em nós mesmos e deixar o mundo um pouco de lado, a nossa felicidade depende só de nós mesmos. Você, não! Eu não sinto absolutamente mais nada. 

     

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