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  • A Colecionável

    Ela estava voltando da faculdade. Infelizmente tinha que andar aqueles duzentos metros à pé, no escuro, para chegar em casa. Sentiu um toque suave no ombro direito e antes que pudesse virar, uma mão enluvada pressionou um pano úmido e fétido sobre seu nariz. Por alguns instantes ela tentou lutar, mas uma letargia avassaladora tomou conta. Sentiu ser colocada em um pequeno espaço acarpetado, e uma porta de metal sendo fechada com violência. E então, foi só escuridão.

    Acordou tempos depois sobre uma cama macia e cheirosa. Parecia que tinha dormido por séculos, mas ainda sentia o corpo cansado e dolorido. Bastante confusa levantou-se e observou o lugar. Onde estava? Um quarto amplo, cuidadosamente decorado com papel de parede rosa, móveis de qualidade, tudo novinho. Uma estante com centenas de livros, escrivaninha para desenho, frigobar, um bar cheio de garrafas de suas bebidas favoritas e finalmente um closet enorme com mais roupas e sapatos do que ela jamais sonhou em ter. Estava deslumbrada com tudo, mas não pôde deixar de lembrar que havia sido sequestrada.

    Em sua exploração pelo quarto recheado de surpresas ela nem reparou na porta. Foi só quando a euforia arrefeceu que ela pensou que talvez não fosse uma prisioneira. Experimentou a maçaneta e surpresa: a porta abriu. Do outro lado havia um pequeno cômodo, com uma mesa de centro e mais nada. Na outra extremidade outra porta, e essa sim estava trancada. A moça experimentou um sentimento estranho, pois concluiu que estava, de fato, encarcerada. Sobre a mesa ela notou um envelope do qual tirou uma carta que dizia o seguinte: "Minha princesa. Meu grande amor. Sinto como se nos conhecêssemos desde o princípio dos tempos. Vivo e respiro a cada segundo por você. Tenho a esperança de que se sentirá em casa no quarto que preparei especialmente para você com todo o carinho do mundo! Tudo que quiser será seu, basta escrever e deixar o pedido sobre a mesa nesta sala. Com amor... seu admirador secreto".

    Estava sob o domínio de um louco que a conhecia nos mínimos detalhes, sabia de seus desejos e podia até antecipar suas necessidades. Os dias se passaram, as semanas e depois os meses. Ela já não sabia quanto tempo estava ali, mas sabia com absoluta certeza de que seu captor a amava mais do que podia compreender, pois tudo ali realmente satisfazia suas mais profundas vontades. Nunca em sua humilde vida ela poderia ter tais roupas, nunca poderia comprar os perfumes e jamais comeria iguarias tão deliciosas enquanto estivesse por si só. Mas mesmo assim, ela não passava de uma prisioneira.

    Ao longo dos anos ela aceitou o conforto, aceitou que tinha tudo que poderia querer e por isso não precisava querer o que não tinha. A vida se encaixou, não da forma que ela tinha planejado, mas se encaixou. Cabia a ela agradecer e continuar existindo, linda, plena e boazinha para que a vida que tinha conquistado pudesse continuar a ser do jeitinho  que sempre sonharam para ela.
  • A escolha por trás da escolha

    O que nos faz optar a escolher?
    Com este incomodo persistente
    Coloquei um objetivo em minha mente
    Se por acaso me perder, espero que possa entender

    Quando um 'sim' é pronunciado, ele tem um significado
    É comum gostar do 'sim' e desprezar o 'não'
    Este 'sim' pode ser entendido como contrário do 'não'? Em vão!
    Este 'não', é uma forma de se interpretar o 'sim', um ponto relativo.
    Uma opção curiosa de não assumir um 'sim' proativo

    Isto lhe faz pensar em seguir divergências por sua própria escolha
    O segredo disto então, é entender que por trás de todo 'sim' foi elaborado um 'não'
    Nenhum ponto é certo ou errado. Mas sim, dependente de determinação ou ilusão
    Emerge de ti, escolher sair ou ficar nesta bolha.

    O que é uma tradição, se não uma brincadeira de 'sim' e 'não'
    Negar a si mesmo é deixar de pensar na própria escolha de vida
    E aceitar, sem contextualizar, é criar uma certeza de acabar com dúvida!
    Procurar entender problemas origina mais problemas, isto nos mantém em evolução

    Adotar uma escolha seguir, fará uma consequência há de surgir
    A dicotomia agora está entre o sucesso e a falha
    A falha ralha de maneira devastadora, traz o teu coração a partir
    Digo que isto não é fim, e tu deves agir

    Deixei a depressão me ferir, cicatrizes vieram a abrir
    Um antigo incômodo me atingiu, a tristeza
    Ela, sábia e coesa, não agiu com avareza
    Com sua companhia me ajudou com certeza
    Não é como antes, agora é uma amiga, em vagir

    Sua escolha é importante para ti, e para todos a sua volta
    Ódio não precisa de motivo, mas de motivação
    Falhas podem ser uma forma de redenção
    Tenha o 'sim' na resiliência e o 'não' escolhendo sempre o 'sim'. Dê a si mesmo a escolha de reviravolta

  • Abril

    Como posso começar a falar de você?
    Somos desconhecidos, que um dia, se conheciam ao ponto de saber o que o outro sentia
    Nosso presente não é mais nosso, agora tudo se tornou individual e banal aos seus olhos
    Eu ainda espero uma ligação com você dizendo que ouviu aquela música e lembrou de quando dançamos na chuva.

    No fundo eu sei que isso não vai acontecer...
    Eu te liguei e você mudou o número, eu mandei mensagem e você foi agosto. 
    Na realidade eu espero superar as marcas dos tapas que tuas palavras me davam, da tua alma amarga que me fazia chorar de culpa! 

    Como podemos nos descrever?
    Eramos perfeitos ao olhar de uma tela, mas nos nossos quartos eramos outono 
    "Como alguém pode querer alguém como você", eu ouvia isso da tua boca
    Você falava o quanto eu errava com você para seus amigos?
    Você ria do meu ser junto com ela? Deitados em um campo olhando o sol partir.

    Assim como o sol, você partiu mas eu vivi um apocalipse
    Havia apenas um céu sem lua ou estrelas, nuvens escuras choravam e gritavam seu nome
    Mas você nunca quis ouvir a sereneta que o meu céu fez para você.

    Dizer o que nao se pode ouvir se tornou meu hobbie
    Eu queria poder te massacrar, mas eu sei que isso não seria o suficiente
    Você se acaba aos poucos, mesmo estando no topo da cadeia.

    Poderia se dizer que você transformou o verão em primaveira
    Mas isso seria o mesmo que dizer que você tornou o belo em perfeito
    Na verdade você fez tudo virar abril.
  • Amor contido é amor perdido

    Bruno é daquele tipo de homem que prefere guardar seus sentimentos do que expor. Ele já teve muitas decepções, e fortes, durante o começo de sua juventude. E agora, com quase 25 anos, deu mais uma chance para o amor, mas infelizmente aconteceu algo que o deixou com mais descrenças com seus sentimentos.
    Aos 17 anos, ele se apaixonará por uma garota. Ele tinha sentimentos muito fortes e inexplicáveis. Ele só sabia que ultrapassava as barreiras da amizade e ele, involuntariamente, demonstrará isso a Rafaela, que era a moça mais bonita e mais inteligente de sua turma. Esta última caracteristica era a que mais chamava atenção de Bruno. Ele apreciava estar com pessoas interessantes e com conteúdo.
    Ambos passavam horas e horas conversando. Às vezes só, outros momentos em rodas com amigos, às vezes na escolas, nas aulas, na quadra da escola, numa praça perto da escola... eles viviam juntos. O que Bruno sentia por Rafaela era mais que amizade. Mas ele não sabia se ter aqueles sentimentos era certo. Ele preferia se omitir e não contar nada. Guardava para si esse sentimento. Bruno não sabia, mas o sentimento era recíproco.
    Para Rafaela, se pudesse escolher um lugar, uma hora, um dia ou a pessoa, ela só queria escolher a pessoa que pudesse estar a seu lado, e seria Bruno. Ela se sentia bem com ele. Sempre procurava estar ao lado dele. E, nos raros momentos que Bruno procurava disfarçar seus sentimentos, era a vez de Rafaela o procurar. E lá estavam mais uma vez, juntos. Sorrindo! Trocando olhares profundos. Ambos com medo de progredir para um romance. O motivo? Medo, talvez. Medo de ser desprezado.
    Aconteceu que um dia, aquele que seria o último dia de Rafaela em Teresina. Dali ela iria para São Paulo, onde seus pais escolheram para morar. As próximas horas foram as mais intensas que é impossível descrever aqui. Eles somente não se largaram por nenhum momento. Cada segundo era necessário para sentirem a presença um do outro. E foi nesse momento que Bruno precisa falar.
    "Rafaela, tem uma coisa dentro de mim que, desde que te conheci, diz pra mim não te soltar nunca. Cada despedida era triste, mas com a certeza de que no outro dia iria te reencontrar. E era isso que me animava para sempre estar vindo pra escola. Só para estar perto de você. É uma coisa que não consigo explicar. Não sei o porquê, mas me sinto muito bem do teu lado. É como se eu não existisse e que eu desejo somente te fazer se sentir bem". Tinha muita coisa na cabeça de Bruno, mas que ele não sabia como materializar em palavras.
    "Eu também te amo, Bruno!", respondeu Rafaela já com lágrimas nos olhos. Ela abraçou ele o mais forte que poderia. Os dois não queriam que aquele momento acabasse. Se Bruno pudesse por um instante ter o poder de congelar o tempo, aquele seria o momento. O garoto tentou segurar as lágrimas, mas não conseguiu. Em sua cabeça já estava consciente: aquele era o último momento dos dois juntos. Depois daquele momento, eles nunca mais se viram pessoalmente. Ele a reconheceu 8 anos depois, mas infelizmente não foi em bom momento.
    Continua....
    Os nomes dos personagens são fictícios, ou não. Pode ter acontecido comigo, ou quase assim!
  • Aquela história pt.1

    “Eu lembro até hoje o dia em que te conheci, você era tudo aquilo que eu sempre disse que eu não queria na minha vida, era o oposto de tudo o que eu acreditava: era a felicidade, o amor, a alegria de viver, tinha um sorriso diferente, mas admito que era um lindo sorriso. Pois é, agora percebo que quando te vi, meus sentimentos já estavam confusos em  relação a você. Me lembro que você estava vestida com uma saia de tulê, como alguma menina de 6 anos que voltava do Ballet, usava uma blusinha curta com renda que definia perfeitamente sua cintura, nunca te perguntei o verdadeiro motivo de estar assim aquele horário, mas você usava um salto preto e me lembro que tinha cílios enormes.
    Você chorava quieta no seu canto e lia um livro, mas na mesma medida em que chorava você estava lá, rindo , sorrindo, sorrindo com todo o amor que você tinha no coração , sorrindo discretamente é claro. 
    Que eu me lembre, entrei no outback para comprar um café, precisava curar a ressaca da noite que havia passado. Era umas 4:00 da manhã e não tinha ninguém lá dentro, bom eu achava isso, até chegar perto do caixa e ver os sofás vermelhos que tinham por lá. 
    Quando olhei para eles, te vi.
    Nunca imaginei que daria nisso, te vi chorando, lendo, sorrindo, ouvindo música, NOSSA! Você era realmente confusa. Perguntei ao caixa se eles vendiam café, claro que ele riu de mim, então olhei novamente pra você e te vi com um copo de café. Perguntei a ele como você poderia estar tomando café se ali não vendia, então ele riu de mim novamente e me pediu para olhar de novo, foi aí que reparei em tudo que havia em você, o cabelo médio todo enrolado, a pele morena, o olho pequeno ( com marcas de choro recente) , as bochechas grandes e rosadas, a unha vermelha, a sua roupa de 6 anos quase elegante, mesmo sendo meio infantil, que eu achei estranhamente linda, e claro, reparei no seu livro e principalmente no seu copo de café. Era um MC café. E assim todas as dúvidas começaram: estávamos no meio da estrada, não tinha como ter um MC café por ali. Enfim, eu PRECISAVA de café àquelas horas, precisava me livrar daquela dor de cabeça, e havia somente aquele comércio perto da minha nova casa (Que tipo de pessoa resolve morar perto de uma estrada? pois é) , não tinha como eu voltar pro meu apê naquele estado e fui na sorte falar com você. Deixei o caixa falando sozinho, CARINHA CHATO, e fui até os sofás vermelhos. Cheguei bem perto, e quase sem coragem, tive um impulso e consegui ser educado, te pedi licença e me sentei. Você olhou pra mim de baixo pra cima, aqueles cílios fizeram um desenho no ar. Te vi assustada, mas logo relaxou, você disse que eu podia me sentar, abriu um sorriso despreocupado, me disse oi e perguntou se eu estava bem. Lembro-me que esqueci o que eu tava fazendo ali, só fiquei sem chão com tanta simpatia, me vi ali, esperando mais um sorriso, e tentando entender o que havia acontecido com ela, por que ela estava de salto àquelas horas no outback?Por que ela chorava? por que ela havia sorrido pra mim sem nunca ter me visto? Nesse dia eu me encantei pelo oposto de mim, pela pessoa mais feliz que já passará pela minha vida. Assim, com apenas um "Oi". 
    PS: Posso dizer que descobri muitas coisas no momento em que te vi pela primeira vez, apenas um pouquinho sobre você”{Camila Rodrigues, Autores.com.br}
  • Aquela história pt.2

    “Por que ela estava de salto àquelas horas no outback? Por que ela chorava? por que ela havia sorrido pra mim sem nunca ter me visto? “ Essas eram as questões que rondavam minha cabeça, não tinha idéia de quais seriam as respostas. Conversamos por quase uma hora, mas apesar de toda a malandragem que usei para tentar conquistá-la (sim, tentar), não tive a coragem de perguntar. Soube apenas uma dessas respostas.
    Sabe qual foi o motivo para ela sorrir pra mim sem me conhecer? Simplesmente por que ela decidiu sorrir para a vida, claro que eu não era nenhum sinônimo de vida, não era feliz há muito tempo, estava cheirando a cigarro (coisa que ela deixou bem claro quando me sentei à mesa), estava com uma cara de ressaca horrível e roupas que não deviam ser usadas nem para dormir, mas para ela, sorrir para a vida significava ser feliz a todo custo, ou pelo menos tentar.
    Nesse tempo que conversamos, ela me contou coisas sobre ela, que admito, demorei pra acreditar. Ela tinha uma enorme vontade de sumir, se emocionava por um super-herói e muitas vezes era a famosa “ovelha negra da família”. Era doce, animadinha, falava muitoooo, mas enquanto ela me revelava essas coisas, continuava a chorar discretamente.
    Ela dizia ser romântica, mas também dizia coisas que eram o contrário disso, parecia tentar passar uma imagem de desapegada. Posso dizer que ela era uma ótima atriz, pois acreditei nesse discurso durante um bom tempo, mas creio que isso é história pra outro momento.
    Enquanto falava, ela disse que queria comer e me pediu que fosse buscar para ela algumas batatas. Levantei-me e fui. Ao me afastar, comecei a me perguntar o que estava acontecendo comigo, porra, ao olhar pra alguma mina só pensava se ela poderia ser “útil” pra mim, apenas resumo sabe? E com ela não, voltei a ter sentimentos, a cena dela chorando me partia o coração. Quando voltei, ela havia se sentado no meu lugar, dando a entender que eu deveria me sentar ao lado dela, então sentei. Pelo jeito, meu cheiro não era só de cigarro, era de bebidas em geral também, afinal novamente ela foi bem sincera comigo. Assim que cheguei perto, ela falou:
    - “Na próxima noite dessas, me chama, assim ao invés de derrubar tanta Catuaba e vodka na sua roupa, coloca em um copo e me dá”
     (sobre essa frase e a gargalhada que se iniciou após: Me apaixonei. Apenas.)
    Após comer suas batatas, ela me disse que precisava ir embora, essa mina me tratava apenas como um amigo, e mesmo com receio ela confiou em mim. Ela era desconfiada, então creio que me disse apenas o que contaria a qualquer um, mas me senti especial de alguma forma. Ela sabia que falar com um estranho era um risco, eu valia o risco, e bom… ela gostava de riscos.
    Quando se levantou, pude observar com calma aquele corpo, p**a que pariu, ela era linda, e sabia disso, mas não estava nos seus melhores dias de auto-estima. Descobri isso só depois, pois se tem uma coisa que ela não fazia, era demonstrar suas inseguranças. A postura era intacta, aquela postura me abalou, não tive coragem de pedir um telefone ou sequer perguntar seu nome, e por fim esqueci-me da pergunta que me levou até ela “e esse café ai? Veio de onde?”.
    Já em pé, ela segurou meu rosto e me agradeceu pela conversa, eu tirei seu cabelo do rosto, ela entendeu minha intenção. Deu-me um sorriso safado, um beijo no rosto e foi embora.
    No momento em que ela saiu por aquele mundo, vi a delicadeza no seu andar, a atitude, apenas aquela dama me fez sentir uma coisa estranha, uma ansiedade, até um desespero, só sei que precisava vê-la novamente. Logo um vagabundo que nem eu, tava ali esperando uma mina impossível aparecer de novo.
    Assim que ela saiu pela porta, o garçom riu de mim, e disse algo como:
    “Você sabe que essa moreninha é linda demais pra você né? Sorte sua que ela tem muito mau gosto”
    Ele percebeu que eu ia deixá-lo falando sozinho novamente, então me deu um café (que eu não pedi!) e fui pra casa sem entender, pensando na sua fala e de onde ele tinha tirado a salvação da minha dor de cabeça (o café!).
  • As crônicas do Inferno II

    As crônicas do Inferno
    Épocas sombrias 
     
    O início do fim
    Pecado, esta é a palavra que define
    o tamanho do erro, que Luciféria veio a
    cometer. No começo a consciência lhe
    abandonou, mas quando voltou a
    tê-la, era tarde demais.
    Milhares tinham perecido em suas
    finas e pálidas mãos. O sangue tinha
    tingido o vestido branco de vermelho,
    uma criança aterrorizada estava em
    seus braços, só que ela não sentia
    sua dor, ou qualquer outra
    coisa.
    “Parabéns” Congratulou Bael, vindo
    por trás dela, e atirando o cadáver para
    longe, como se não fosse humano. Em
    seu dedo havia o sangue da vítima,
    que ele levou aos lábios, saboreando
    aquele néctar da vida. “Eram todos
    monstros, que mereciam morrer.”
    Ela lhe respondeu, sem emoção
    nas palavras.
    “Sim minha querida.” Ele disse de
    má vontade, percebendo que a jovem
    não estava ciente do seu crime. “Há mais deles para destruir?” Ficou
    parada, com o olhar vazio.
    “Não, já é o bastante. Beba isso, 
    para perder a sede da guerra.” Disse
    lhe dando o cálice, e fazendo-a beber
    o vinho, que estava infectado com
    uma poção alucinante.
    Ela o bebeu, e ficou leve como 
    o vento. Ele a pegou nos braços, e 
    a levou para o seu palácio pirâmide, 
    onde a deitou numa cama. “Não se
    preocupe, estamos só eu e você
    Lucy” Disse tirando-lhe as
    roupas.
    Na visão da dama, estava num 
    paraíso junto do seu amado marido Azazel, sob o sofá confortável, onde
    praticavam seus atos de paixão. Na
    realidade, ela estava nos braços
    do maligno, que estava louco
    por ideias cruéis.
    Ela parecia uma garotinha, que
    tinha chegado a adolescência apenas
    no tempo, mas não no corpo, e isto o
    fazia querer possuí-la, tomá-la para
    si. Pois de certa forma, o fazia lembrar
    dos tempos em que a filha não tinha
    se desenvolvido, e de quando a
    violou.
    Pobre Eke, além das incessantes negativas de Miguel, tinha um passado
    sombrio, e extremamente assustador.
    Os olhos negros como a noite, já
    foram doces, mas devido ao pânico, a
    cor foi se perdendo com o tempo, e
    ela se transformou em quem
    é hoje.
    “O quê está fazendo?!” Disse a própria,
    tirando-o de sua doentia nostalgia. “Só me divertindo, minha pequena” Ele lhe
    respondeu, adentrando o corpo da
    princesa, que embora parecesse
    intocável, nem um pouco o
    era.
    “Mamãe não gostará disso.” Lhe
    criticou, e o demônio deu os ombros,
    prosseguindo com o abuso, ao ponto
    de suar. “Sabe que de todas as vadias,
    essa é a única...” O olhar frio dele é
    uma resposta ao seu apelo, só
    que ela não desiste.
    “É a única, que jamais quis que
    tocasse.” Protesta em voz solene, e
    ele ergue a sobrancelha. “Eu também
    não queria que deixasse o lar, para ir
    atrás de um certo arcanjo. Mas não
    temos sempre o queremos Eke.”
    Retrucou, fazendo-a deixar
    ele só com a vítima.
    “Eke?” A dama sussurrou, e o mundo
    perfeito, falhou como uma ilusão. “Não
    , eu disse Ele” Tentou desconversar, só
    que a jovem o viu, e isso a trouxe 
    para a realidade.
    “Bael?!” Ela esbravejou, tentando 
    se soltar dos braços dele. “Não haja
    como se não quisesse, sou tão lindo
    quanto seu pai.” Ele se imprensou, forçando-se contra ela.
    “É! É como se estivesse nos braços
    dele! É nojento! Por favor para!” Ela
    implorou, mas em vez de ceder, ele
    apenas seguiu, lhe tapando a
    boca, enquanto ela tenta
    gritar.
    “Podia ser prazeroso, para nós dois.
    Mas você tinha que acordar. Lamento
    por isso, só que não vou parar.” Ele
    diz, sentindo que o corpo dela
    está secando.
    Lágrimas escorrem molhando sua mão.
    Ela tenta dizer “O quê fiz desta vez?” Só
    que o demônio, pressiona sua palma,
    fazendo-a entrar em desespero.
    Os olhos dele encontram os dela, ele
    vê o pânico instalado em sua face, que
    estava ficando vermelha, de tanto chorar.
    Por falsa misericórdia, se aproxima
    do seu ouvido, e sussurra palavras que
    lhe devolvem para o mundo dos seus
    sonhos, e a faz ceder com mais
    facilidade.
    Após terminar, ele se afasta, deixando-a
    desmaiada entre os lençóis brancos. “Eu sinto que tem algo errado aqui.” Ela diz
    dentro do seu Éden mental, enquanto
    fica jogada nas almofadas do
    sofá.
    “De todas as mulheres do mundo, tinha
    que escolher a filha de Cerridwen!?” Diz a deusa Hécate, seguindo o novo deus,
    para os seus aposentos reais, e este
    a ignora.
    “O quê há de errado nisso? Não foi
    Você que escolheu o marido dela como
    seu par ideal?” Questiona friamente, e
    a deixa de queixo caído. “Ela vai ser
    expulsa daqui.” Avisa a esposa,
    e ele para.
    “Ela fica.” Diz em tom imperativo. 
    “Não, nós já temos uma filha de Lúcifer no nosso exército.” Responde opondo-se
    a ordem estabelecida. “Não uma que atenda ao meu desejo. Ela fica.”
    Rebate, deixando-a.
    “Desejo?” A deusa grita invadindo 
    o local. “Você sabe o quanto gosto de
    garotinhas.” Retruca com o sorriso
    cruel. “Lilá é a mais jovem.” Lhe
    contradiz de imediato.
    “Lilá é desenvolvida, como a carne
    manchada pelo pecado. Já Luciféria
    parece tão pura, quanto intocada.”
    Esclarece, e a deusa gargalha 
    com escárnio.
    “Luciféria, não é uma santa. Conheceu 
    os pecados do corpo, mais cedo que Lilá 
    , e nem precisei induzi-la.” Diz em tom de zombaria. “Além do mais, já esteve
    nos braços de Miguel, e Azazel. Ela
    Não É pura.” Prossegue com a
    afirmação.
    “Não? Bem isso a torna perfeita para
    os meus planos. Agora saia, preciso do meu descanso.” Diz fazendo menção 
    para retirar-se. 
    “E Hécate.” A chama antes de passar
    pela porta. “O quê?” Ela pergunta com
    má vontade. “Não ouse tocar nela. Só
    Eu tenho este direito.” Mostra seu
    poder na casa, e isso a 
    enfurece.
    “Mamãe!” Eke grita correndo a bela
    morena. “Sim.” Responde ainda de mal 
    humor. “Você conversou com Ele? Ele vai tirar ela daqui?” Pergunta frenética
    pela resposta. “Não, é mais fácil nos
    tirar, e ficar com ela.” Fala com
    desgosto.
    “Mas por quê?!” A menina fica chateada. “Porquê ele se encantou por
    aquele corpinho de Lilith.” Diz sentindo o ódio crescer dentro de si. “Só que
    como ele não se importa...” Lhe
    vem a ideia.
    “Não vejo mal algum em seguirmos
    em frente também.” Diz caminhando com um sorriso na face. “Chega de ficar
    esperando por Harmonia. Vamos fazer
    do meu jeito. Venha comigo.” Segura
    a mão da menina, e as duas vão
    para fora do palácio.
    A princesa segue desconfiada, 
    olhando para os sorrisos robóticos de seus pais, que sempre parecem felizes. Sem que lhes vejam, ela vai até o penhasco.
    Percebendo que há algo errado, o
    Demônio acorda, e voa rapidamente
    para dentro do quarto. A jovem salta
    para a escuridão, e ele a pega nos
    braços, impedindo-a de bater
    a cabeça.
    Seus olhos estão vazios, outra vez
    a ilusão está falhando, até que volta 
    ao normal, e percebe que está nos
    braços de Bael. “Eu sabia!” Ela
    grita, tentando se livrar 
    dele.
    “De novo?! Não cansa de sofrer?!”
    Ele se mostra frustrado por seu poder
    mental, não ser tão eficaz com ela. “É 
    , e eu não vou cair na sua miragem 
    diabólica outra vez!” Diz ela com
    fúria.
    “Pior para você. Porquê eu não vou
    deixar de me satisfazer!” Responde e a bela fica horrorizada. “Por quê eu?! Eu não queria vim para o seu lado, não
    conspirei com você, então por
    quê?!” Grita mostrando-se
    assustada.
    “Porquê é perfeita.” Responde-lhe, 
    soltando-a, para diminuir o trauma. 
    “Eu sou o quê?” Inquire sem acreditar em tais palavras. “É perfeita.” Ele volta a responder, e com o olhar confuso, a bela pergunta “Por quê?”. “Luciféria,
    desde que a tive nos braços, muito
    tempo se passou...” Ele inicia.
    “Quer dizer quando Miguel permitiu
    que me violasse por vingança?” Ela lhe
    questiona. “Sim” Ele ri. “E seu corpo é o
    mesmo. Seios pequenos, baixinha, pele delicada, é quase uma criança.” Ele
    confessa, tocando-lhe a face.
    “ É uma criança eterna, que nem mesmo a encarnação pode mudar.” Ele
    prossegue, fazendo-a saltar para trás. “O meu corpo, é essa a maldita razão, para me fazer prisioneira?!” Berra, e
    ele a agarra, fazendo-a se sentar
    diante de si.
    “Antes era apenas o seu poder, só
    que ao ver-te desnuda, não pude me conter.” Continua a falar. 
    “Há um fio de sanidade restante? 
    Você me quer porquê pareço uma criança!” Ela berra ainda amedrontada, com as respostas que vem recebendo. “É, mas pelo que sei, já é uma mulher feita, por isso não é crime.”  Ele a
    segura pela cintura.
    “Me devolva para aquele mundo 
    de fantasia, porquê sua insanidade não tem limites!” Diz tirando as mãos dele
    do seu corpo. “Como quiser, assim 
    será menos doloroso.” Ele brinca,
    e se prepara para dar o 
    comando.
    “O quê? O quê vai fazer comigo?!”
    Pergunta-lhe em pânico. “Quando você
    está com Azazel, e realizam atos carnais
    . Bem, não é Azazel que está lá.” Joga
    a isca, e os olhos dela crescem de
    medo.
    “E até onde sei, estava agressivo 
    na medida certa, pois foi o quê você me disse.” Completa, deixando-a vermelha de vergonha. “Achei que era apenas o
    impulso...” Tenta se explicar. “Não
    contarei a ninguém.” Ele volta
    a tirar sarro.
    “Você é doente! Louco!” Finalmente
    o xinga, e ele apenas ri em silêncio. “Só
    é ruim, porquê você quer que seja. Pare
    de lutar, e verá que isso não vai te ferir
    , e será até gostoso, para nós dois.” Tenta manipulá-la, e ela outra 
    vez se afasta.
    “Foi assim que seduziu a Eke?” Ela
    lhe pergunta, tentando fugir daquela conversa pavorosa. “Nem tentei, só fiz 
    o quê Hécate permitiu.” Diz ele lhe
    agarrando outra vez.
    “Por favor não.” Ela suplica, ao vê-lo
    tão próximo do seu pescoço. “Está na sorte princesa infernal. Eu nunca faço
    nada para seduzir minhas vítimas.”
    Responde, e então lhe morde a
    nuca.
    “Nem preciso. Elas se entregam para
    mim, quando finjo ser seu pai.” Diz lhe
    arranhando nas costas. “Eu nunca fui
    apaixonada por  meu pai.” Responde com certa tremedeira, sentindo
    calafrios.
    “Vai ficar depois de mim.” Ele a 
    encosta no topo da parede, e sua
    mão desce até o meio das suas
    pernas. “Certo!” A jovem da
    realeza o para.
    “Me manda pro paraíso, e me faz
    esquecer o aqui e agora. Seja o meu Azazel.” Ela diz tremendo como um
    cachorro com frio. “Não, desta vez
    serei apenas Bael.” Ele diz com
    o sorriso diabólico, e a
    beija.
    Naturalmente a moça resiste, 
    ao menos no começo. “Viu como não
    é ruim, quando você permite?” Ele
    ergue os dedos umedecidos. “Eu não
    estou...” Tenta responder, e ele volta
    a lhe calar, com outro beijo roubado.
    “Se parar de resistir de vez, gostará
    da experiência.” Sussurra em seu
    ouvido.
    “Por favor pare.” Diz ela com
    a voz fraca, aterrorizada por ver-se
    dividida entre seguir, ou manter-se fiel
    aos seus princípios. “Chega, eu não
    quero!” Grita quase se entregando
    a ele, e o atira para longe, caindo
    no piso, onde se fere com a
    madeira.
    “Estou tentando ser bonzinho. 
    Porém você não facilita, sou obrigado 
    a isso...” Diz ele se levantando num vulto, e então enfia na boca dela,
    um liquido esverdeado.
    “O quê é isso?!” Ela urra, e ele não
    se dá o trabalho de responder. “Engula”
    Manda, e ela se nega. “Engula e eu digo .” Diz revirando os olhos. “Eu não confio em você.” É a última coisa que diz, antes dele deixá-la quase 
    cair.
    “Isso é uma toxina que criei. Se não
    quiser saber os efeitos, siga as regras, e ficará bem.” Responde enfim, e a bela sente o calor subir pelo corpo, junto
    de uma dor insuportável.
    “O quê fez comigo?!” Diz entredentes,
    travando na hora de andar. “Apenas lhe dei algo para acumular a libido, se não a esvaziar, o incômodo será maior”
    Ele ri da sua desgraça.
    “Não pode está falando sério!” Diz olhando-o com incredulidade. “Posso e
    estou. Então...Vem para a cama?” Lhe
    questiona, deitando-se entre os 
    travesseiros.
    É claro que apesar da atitude bem
    monstruosa, Bael é atraente, os cabelos loiros como sol, a pele pálida como a lua, e os olhos azul escuro, que ficam
    vermelhos com a adrenalina, são o
    destaque da sua beleza jovial, e
    máscula.
    Porém Luciféria não se importa com
    a forma física do inimigo, e sim com o quê ele faz em seus cultos atrozes, e
    os crimes que cometeu com ela, e
    a sua prima Eke.
    Por isso, embora a primeira vista
    Bael seja um humanoide bonito, ela
    não o vê desta forma, e sim com os
    olhos da vítima, que deseja matar
    , ou fugir do seu agressor.
    “Eu nunca ficaria com você.” Ela
    fica defensiva. “Já ficou, e até gostou.”
    Diz ele olhando para as unhas com total indiferença. “Eu pensei que era Azazel!”
    Grita em desespero. “Então Azazel é
    portador de uma bela espada.” Ele
    zomba, fazendo menção ao “seu
    tamanho.” 
    “Você é baixo!” Diz ela com lágrimas
    , descendo pela face, pois suas partes doem intensamente. “Mais alto que
    Você, e outras deusas.” Ele segue
    brincando, e ela salta em
    cima dele.
    “Me dominando?! Quanto ousadia.
    Nenhuma teve tal coragem.” Diz ele ao
    vê-la montada em seu corpo. “Você é um babaca!” Esbraveja, dando-lhe
    vários socos no peito.
    “Sim eu sou.” A calmaria em sua voz
    , a deixa transtornada. “Idiota!” Grita
    tentando enforcá-lo. “Quem sabe se o
    fizer mais forte...” Ele continua sem se
    importar com a reação dela. “Eu te 
    odeio!” Protesta, e ele a pega 
    nos braços.
    “Eu sei que sim, mas posso tirar a sua
    dor, basta ceder.” Olha em seus olhos, e ela sente calafrios. “Só tende a piorar, e não precisa ter vergonha, finja que está no mundo perfeito.” Diz ele preparando
    seu instrumento, para aliviar a enorme
    tensão que a atormenta.
    “Me manda de volta pra lá.” Pede-lhe
    , preocupada com a realidade. “Não, eu já disse hoje será a minha vez. Chega de Bael, o Lúcifer, Bael, Miguel, ou Bael ,
    Azazel. Serei eu.” Diz ele recordando
    as humilhantes fantasias que 
    satisfez.
    “Por quê?” Lhe questiona amedrontada,
    e ele se prepara para ser um com ela. “É algo que não posso responder.” Diz ele 
    , olhando para o membro, e a dama,
    que mesmo com muita dor 
    ainda nega.
    “Seu corpo precisa liberar o prazer
    Lucy, não vai gostar da dor que vem se
    não o fizer.” É a sua última tentativa. “
    Está bem. Mas saiba que eu mesma,
    sem poção de luxúria, jamais o
    faria!” Finalmente cede.
    Ele a deita cuidadosamente entre 
    os lençóis, e abre-lhe as pernas, que
    estão encharcadas, pois seu corpo já
    estava liberando o júbilo sexual. Ele
    sorri, e entra em seu corpo, fazendo-a
    suar, notando que o medo ainda não
    a deixou, ele entrelaça seus dedos
    aos dela.
    “Há apenas um segredo Luciféria.”
    Diz ele já realizando o objetivo final,
    e os olhos dela engradecem, temerosos
    pelo que a aguardava. “Para, liberar a
    libido, é preciso, que, se, sinta, no
    mínimo, atraída, por, quem, o
    faz!” Diz estocando-lhe.
    “Então agora tenho certeza.” Diz ao
    entoca-se na caverna dela. “Você vai sim se entregar para mim. Sem poção
    alguma.” Conclui, deixando-a num
    carretel de confusão.
    “Isso, não, é verdade!” Ela responde
    ao ser chacoalhada, pelos movimentos
    dele. “Sim, é.” Os lábios dele vão até o
    seu pescoço, e ele morde no ponto
    certo, para esquentá-la.
    “Você pode, não ter, atração por seu
    pai, como Lilá. Mas certamente há algo
    em mim, que te seduz.” Ele prossegue,
    falando em seu ouvido, e deixando-a
    arrepiada pela revelação.
    “Você me envenenou!” Tenta se 
    defender, e no calor do momento ele
    a beija, colando-a ao seu corpo. Outra
    vez ela luta para não retribuir, mas
    acaba o fazendo, pois reduz 
    muito mais a dor.
    Após várias horas, entregando-se 
    aos desejos do demônio, ela finalmente se vê livre do veneno, e adormece nos
    braços dele, que por alguma razão
    não a deixa desta vez.
    “A poção foi apenas uma desculpa.
    A dor passaria com o passar do tempo,
    mas você cedeu a mim, e isso é só o
    começo, pois logo te farei a minha rainha.” Diz ele dando-lhe um
    beijo na testa.
    Eke observa tudo pela fenda da porta,
    e fica furiosa, pois nem com ela, ele era
     tão carinhoso, não mais ao menos, e
    por isso passa a tramar a ruína
    da princesa.
    Vida longa a Rainha
    O tempo foi passando, e a vida seguiu. De alguma forma Miguel
    aceitou seu destino com Eke, e
    Azazel se juntou a Asmodeus,
    numa caçada por ninfas.
    Lilith, Lúcifer, e Yaweh, aos poucos foram restaurando a ordem, e em vez das costumeiras brigas, eles
    enfim agiram como família.
    Lilá também encontrou a 
    felicidade, com a irmã distante 
    do lar, pois embora fossem boas
    amigas. A mais nova da família
    de Lúcifer, detestava o fato da
    irmã se destacar em tantos
    ramos mágicos, dos quais
    os pais tinham total
    orgulho.
    Sem saberem de toda a sujeira
    , que a doce e amável Lilá tinha feito
    com a irmã. Todos achavam que ela
    os tinha traído, e que agora era a
    nova conquista de Bael, por isso
    ninguém foi resgatá-la.
    Luciféria foi a única que não teve
    um final feliz, pois o seu mais novo pretendente, não lhe deixava de
    forma alguma, seguir com 
    outro par.
    “Talvez deva ceder a Ele.” Diz 
    a sua tia, lhe penteando os cachos,
    e esta se vira assustada. “ Eu sei o
    quê fazem nos fundos.” Prossegue
    com o olhar indiferente. “Não é
    que eu queira!” Ela se defende.
    “Será mesmo? O veneno que te
    obriga a tomar...” A morena inicia.
    “Só pode ser curado, por alguém que eu tenha atração.” Completa, ao ver
    que o cacho continua a perder a
    sua forma.
    “Não, só causa dor mesmo. Se para
    quando está com ele, é porquê ele te atrai, e é provável até que goste dele.” Responde terminando
    de ajeitá-la.
    “Eu não sou a Lilá. Não cairei em
    seus jogos de manipulação.” Lhe dá
    um aviso, e a deusa ri. “Não é jogo,
    como deusa da manipulação, você
    devia saber.” Diz deixando-a a 
    sós, com os seus pensamentos.
    “Não, eu não me sinto nem sequer
    bem com Ele.” Diz para si mesma, e o próprio monstro entra no quarto. “O
    quê houve?” Pergunta com o seu
    sorriso mais inocente.
    “Nada. É só que Hécate me alertou
    sobre o veneno.” Responde saindo de
    perto dele. “ Ah que bom, levou mais
    tempo do quê eu esperava.” A sua
    alegria, a deixa apreensiva.
    “Você tem se aproveitado do meu
    pouco entendimento, para fazer o quê bem entende comigo!” Grita,
    e ele lhe faz diminuir o tom, com
    um gesto.
    “Não é nada ruim. Se não sentisse
    nada, continuaria a doer. Eu sei que 
    sente algo Lucy, sua forma lhe trai.”
    Ele brinca de aparecer, em dois
    lados das colunas da cama.
    “Eu não sinto!” Exclama com toda
    a sua energia. “Então se eu quisesse
    te beijar agora, você não iria me
    retribuir?” Pergunta com 
    olhos insidiosos.
    “Claro que!...” Ele a beija antes que
    termine, e cria uma pausa, para ver a onde aquilo chegará. Para a surpresa
    dela, seu sistema nervoso lhe trai, e
    retribui ao gesto dele.
    “Como eu disse sente algo por 
    mim.” Ele se gaba, e com raiva ela 
    lhe morde a língua. “Ataque de amor 
    não dói Lucy.” Ele se afasta, com
    a boca ensanguentada.
    “O quê eu fiz para acabar aqui?”
    Se questiona, e o arcanjo entra no 
    quarto, sem que Eke o veja. “Cedeu a
    ele. Aceitou o presente de Harmonia, ao qual falei que não deveria.” Diz
    claramente enciumado.
    “O quê vê nestes demônios?” Ele
    inquire, fazendo-a gargalhar. “Está
    com ciúmes? Não fui eu que casou
    , e assumiu um compromisso.”
    Retruca, e quem ri é 
    ele.
    “Você só queria saber de Azazel,
    e depois casou-se com o cara que traiu nossos pais. Agora quer vim
    reclamar?! Faça-me rir.” Ele joga
    na cara dela, tudo o quê vem
    fazendo.
    “Eu fui obrigada, idiota!” Diz
    entredentes, e ele ergue a sua sobrancelha descrente. “Não é
    o quê parece, pelos sons que
    vem do quarto do casal.”
    Diz com sarcasmo. 
    “Sons do quarto?! E você e a
    Eke queridinho?! Chame o meu 
    nome, chame o meu nome!” Ela
    começa a contar os segredos, e
    ele percebe também o seu
    ciúme.
    “Como se você e o Matusalém,
    fossem diferentes! Por favor venha
    me possuir, não vou suportar mais!”
    A raiva preenche os olhos dele, que
    ficam vermelhos, ao ponto de 
    lagrimar.
    A princesa podia lhe contar a
    verdade, mas como ele estava com
    a sua maior rival, preferiu ficar em
    silêncio, fazendo-o sofrer com as
    próprias ideias.
    “De todos os homens do céu e o
    inferno, tinha que escolher ele?” É
    o quê diz em tom de tristeza. “O quê
    escolho, ou deixo de escolher, só diz
    respeito a mim.” Responde fria, e
    sem se importar com o choro
    do anjo.
    “Você é realmente uma meretriz!”
    Berra batendo a porta, e a deixando
    sozinha, com sua cabeça. “E você é o mesmo idiota de sempre. Com tantas no mundo, casou-se logo com quem
    quis me destruir.” Lágrimas caem
    no tapete, e a expressão vazia
    volta a ter vida.
    A noite... Luciféria adormece em 
    sua cama de penas, temendo que o marido venha tomá-la durante o sono. Só que nada acontece,
    e ela estranha.
    Ruídos bem familiares, vem do
    último quarto, e ela resolve ver do
    quê se trata. É Lilá que está em seus
    braços, pedindo por mais e mais, e
    a poção está cheia no canto da
    cama, provando que aquilo
    é vontade dela.
    Bael olha nos olhos da esposa,
    sentindo-se revigorado com aquele
    ato, tão impuro. Ele imagina que a
    fará surtar, mas a dama apenas
    sorri, fechando a porta.
    O quê faz perder o seu gosto 
    por aquilo, e correr atrás dela de imediato. “Tão rápido?” Pergunta,
    claramente alegre, com o quê o
    seu companheiro fez.
    “Você não está chateada?” Ele
    questiona, elucidando o seu mal humor. “Sou a 3° das suas esposas.
    Já vi coisa pior.” Rebate, ainda com a face radiante de felicidade. “Só que eu deixei as outras duas, por você.” Esclarece, e a faz sorrir mais.
    “Diga isso para minha irmãzinha.”
    Responde enfim seca, e ele percebe que a machucou. “Lucy.” Tenta tocar
    o seu ombro. “Eu estou bem. Graças
    a você, tive certeza do porquê não
    cedi.” Retruca, com a mesma
    face animada.
    “O quê?” Pergunta-lhe preocupado
    com tal resposta. “Eu quase assumi, que talvez gostasse um pouco de você. Mas me fez lembrar do quanto
    é idiota, então obrigado.” Responde
    deixando-o de queixo caído, pois
    não esperava por esta.
    “Lucy!” Ele berra, batendo na porta
    do quarto dela. “Divirta-se com a sua nova esposa!” Sua voz ecoa por entre a madeira. “Lucy!” Continua a gritar,
    e ela deita, criando fones de pura
    energia, que o silenciam.
    No dia seguinte...Todos os familiares
    se sentam a mesa para o café da manhã, e os olhares gélidos da jovem intrigam a maioria, que desconhece
    os eventos da noite passada.
    “Problemas no paraíso?” Eke brinca,
    e Miguel fica atento para saber sobre as novidades. “Esse lugar sempre foi o inferno.” A jovem responde-lhe com o sorriso mais cínico.
    “Lucy definitivamente não está bem,
    quando sorri demais, sei que há algo errado.” O arcanjo repara no comportamento da moça, que segue como se tivesse achado o tesouro,
    sem o mapa.
    “Logo teremos outra rainha.” Ela
    olha para a irmã, que fica assustada
    com tal afirmação, pois esta sentada ao lado do seu amado Gabriel. “Não
    , não teremos.” Bael a contradiz,
    para proteger a menina.
    “Não precisa esconder querido, 
    uma rainha a mais não faz diferença,
    ou será que faz?” A dama segue cada vez mais ácida, e notando o intuito 
    dela, o rei se levanta, e a puxa
    para longe.
    “Não ouse seguir adiante. Gabriel
    não me perdoará.” Ele olha nos olhos
    dela, que continuam cômicos. “Ah é?
    Devia ter pensado nisso, antes de por
    dentro do meu lar, aquela que foi
    responsável por me destruir!”
    Grita, e a caçula teme 
    pelo futuro.
    Notando a onde a conversa dará,
    Ela se levanta da mesa, e pede para o par ir junto. “Não ouse se afastar!”
    A jovem rainha ordena, e a menor
    fica congelada, esperando pela
    tempestade.
    “Eu estou cansada das suas afrontas,
    e do fato de que nunca recebe o devido castigo!” Diz entredentes, e esta lhe pede com o olhar, que não
    faça nada. Só que a mais velha,
    não lhe dá a mínima.
    “Luciféria Lilith II!” O marido tenta
    lhe impedir, enquanto o arcanjo fica a analisar os fatos, sabendo que há
    algum segredo obscuro, que Lilá
    e Bael, não querem que 
    saiba.
    “Lilá será a 4° esposa de Bael!
    Porquê os encontrei na cama, como
    marido e mulher ontem!” Grita para
    todos na mesa, e Eke e Hécate ficam
    de queixo caído, com a atitude da
    garota.
    “Lilá, isso é verdade?!” Gabriel lhe
    pergunta entredentes, e ela tenta lhe
    negar. “É claro que é verdade! Deixe
    de ser tão bobo!” A filha da rainha
    do inferno, faz juiz ao seu sangue
    quente.
    “Silêncio Luciféria, eu quero ver 
    até onde vão as mentiras dela.” Ele
    olha fixo para a amada, que acaba por desmanchar-se em lágrimas, 
    e tenta abraça-lo, mas ele se
    afasta.
    “É só o quê eu precisava saber.
    Eu mudei, é o quê sempre diz, mas
    Já foram tantas traições que perdi as contas!” Ele revela. “Cansei disto Lilá, eu não sou um brinquedo, e não
    quero mais ser usado como um.” Ele
    se afasta, fazendo-a se virar contra
    a irmã, que a encara com total
    indiferença.
    “Desgraçada! Como pode?! Todos
    sabem que nem mesmo gosta de Bael!” Lilá fica histérica, e a moça
    segue calada, observando até onde vão as acusações. “Afinal ontem mesmo, o marido de Eke saiu do
    seu quarto!” Grita tentando
    causar alarde.
    “Nós não fizemos nada, a não ser
    discutir, deixe de ser idiota.” Ela lhe responde com serenidade. “Você e o amor da sua vida, num quarto, e nada aconteceu?!” Ataca-lhe com mais acidez. 
    “Azazel é!...” Tenta gritar como se
    o quê a irmã fala, fosse a confissão de um crime. “ Você não engana a ninguém! Eu vejo como olha para
    o arcanjo!” Berra mais alto ainda,
    e os olhos do anjo e a deusa se
    encontram.
    Ele se mostra confuso com tais
    revelações, e ela apenas nega em silêncio, enquanto os olhos lhe
    entregam. “Cale-se!” A rainha
    urra estridente, e Lilá nota
    o ponto fraco.
    “Você nunca quis um homem como nosso pai. Mas ainda sim veio e ficou
    no meu lugar!” Protesta, e a outra fica incrédula. “Não mesmo! Ao contrário de você, que dormiu com o
    próprio, eu só queria seguir o meu caminho!” Berra com força, e 
    derruba o vinho.
    “É Lilá, advinha?! O mundo não gira entorno da sua vontade! Até porquê a Harmonia me fez uma deusa, e não a você! Vai ver por isso rasteja de cama em cama, tentando ser adorada!” A bela toca na sua ferida, e a menor perde a cabeça, tentando lhe
    atingir com a faca.
    “Já chega!” Bael a impede de ferir
    Luciféria, e esta deixa a mesa, para ir pro seu quarto. “Eu vou...” O arcanjo
    se dispõe a ajudá-la. “Você fica.” Bael o olha com fúria, e vai atrás da rainha, que permanece trancada.
    “Lucy...” A chama, e ela não lhe responde. “Lucy, o quê foi tudo isso?”
    Tenta descobrir o quê se passa, só que como não obtém resposta,
    usa seu poder para invadir. 
    “Isso não foi por você.” Dá uma luz
    a ele, que o faz rir. “Nem um pouco?”
    Pergunta, e ela o olha com raiva. “Eu só me cansei da sua frieza.” Tenta
    se explicar.
    “O quê faz ou deixa de fazer não 
    me interessa. Com quem faz é o quê
    importa.” Retruca, e ele lhe abraça
    na beira da cama. “Me perdoe. Eu
    prometo que não tocarei outra
    além de ti.” Pede perdão, e
    ela se solta.
    “Só me terá outra vez com o seu
    veneno. Do contrário, nem chegue
    perto de mim.” Deixa-o surpreso. “É
    um sinal de ciúme?” Pergunta com
    alegre desconfiança. “Deixe de
    ser babaca.” Retruca.
    “Lucy, Lucy...Parece se importar com
    as minhas aventuras.” Ele volta a por os braços envolta dela. “Sou possesiva, e desde pequena, tenho lutado com Lilá, para não mexer no quê é meu!” Responde ainda com
    desprezo.
    “Eu sei. Por isso escolhi ela.” Ele ri
    da explicação. “Você só a afasta do quê é importante. O reino de Tiamat,
    seus dragões, Azazel, Miguel, e pelo
    visto Eu.” Beija-lhe o pescoço.
    “Você me fez rainha do mundo, é
    isso que te faz importante. Não sinto nada por ti.” O trata de forma gélida.
    “Não? O ciúme, o fato de ceder, eu
    acho que a resposta é outra.” Ele
    continua a abraçá-la.
    “Lilá, por quê fez isso com a Lucy?
    Já se esqueceu das broncas que ela
    aguentou, só para você ver Gabriel?”
    Miguel pergunta para a mocinha, que o olha com indiferença.
    “Fique quieto.” Ordena, e o arcanjo
    se cala.  “Ele sempre corre atrás dela 
    depois que erra?” Pergunta para Eke
    e Hécate. “Não só quando erra. Ele
    é estúpido, quando se trata dela”
    Responde a deusa das 
    3 faces.
    “Até nos excluiu como esposas, só
    para dá o mundo a Ela. O quê não foi
    tão ruim, pois ganhei meu amado só
    pra mim!” Eke responde abraçando
    o braço do esposo, enquanto este
    sorri sem jeito.
    “Ele segue encantado por Ela, e 
    não sabemos se a ama, ou é o Caos do seu poder, atraído pela Harmonia
    dela. Só temos certeza que não a
    deixa.” Responde a deusa, ainda
    confusa com a atitude do 
    ex.
    “Era para ter sido Eu...” Lilá sente-se
    triste. “Então por quê não foi?” o anjo pergunta furioso. “Porquê eu estava ocupada com Caim, enquanto
    Bael invadia o Inferno.” Mostra-se
    envergonhada.
    “Uma noite de prazer que lhe custou
    Caro.” Hécate ri do seu sofrimento, e lhe dá um cálice cheio de vinho. “Beba vai se sentir melhor.” Estende
    o copo, e esta aceita de imediato.
    “Sempre é sobre Luciféria. Será 
    que ela nunca vai esquecer da nossa infância, e me deixar brilhar?!” É o quê pergunta. “O fato de ser sempre
    a doce e amável Lilá, pesou muito
    para a Luciféria demoníaca e
    bravinha” Miguel ri.
    “É? E ela acha que foi um sonho?
    Nossa mãe tentou me afogar, depois fui jogada no reino de Krasladanshit! Como nada!” Berra, em desespero.
    “Enquanto sua mãe chorava pelos
    cantos, se perguntando porquê não a
    amava, e se isolando dos outros filhos.” Retruca, brincando com
    os vegetais.
    “Ah e eu tinha culpa? Queria ser 
    uma dama sedutora, que tem aos homens na palma da mão, não uma neandertal lutadora!” Rebate, e ele
    ergue a sobrancelha. “Engraçado,
    porquê sua irmã só queria ser
    como Ela.” Revida.
    Notando a superproteção do 
    marido, a jovem de cabelos negros,
    o observa com atenção. “Parece que as neandertais, levam todos os homens das damas.” Eke responde,
    e Lilá sorri, porquê Miguel não poderá mais falar. “A onde irá?” Ele
    lhe pergunta. “Perdi a fome.” A bela
    resmunga, e ao vê os olhos de Hécate, Ele vai atrás.
    “Já disse sem o veneno, não poderá
    me tocar outra vez.” Ele ouve a voz da sua amada, e nota algo errado.
    “Você sabe que posso.” Diz a voz
    de Bael, e os gritos de Lucy se
    fazem presente.
    “Solte-a!” O arcanjo invade o 
    local, e pega o marido com as calças
    arriadas, enquanto a garota corre 
    dele, com lágrimas pela face, só
    que ao chegar nele, o olha
    com raiva.
    Quando está prestes a repousar
    em seus braços, fecha os punhos, e
    se afasta, indo para o mais longe que
    consegue. “O quê faz aqui?!” Ele grita. “O quê ela quis dizer?”
    O questiona sem 
    medo.
    “O quê ela quis dizer com veneno?!”
    Pergunta completamente furioso por causa do silêncio. “Escute aqui anjo,
    a sua mulher é outra!” O demônio
    o pega pelo queixo, e o joga na
    parede.
    “Sabe porquê me casei com ela,
    não se faça de idiota.” Tenta dizer
    , e ele sorri com maldade. “Então se
    casou com minha filha, só por causa
    de Luciféria.” Diz em voz alta, como
    quem conclui algo com sagacidade.
    “É claro que foi.” O alado
    confessa.
    “É bom saber disso.” Eke diz com
    voz de tristeza, e o diabo ri do nível
    de inocência do anjo. “Agora Eke o
    expulsará daqui, e não me causará
    problemas.” Esclarece, e o anjo
    nega em silêncio, sentindo
    a derrota.
    Uma jovem de cabelos negros, e
    olhos violetas esbranquiçados, está 
    a chorar na beira do lago. “Nahemah ”Ouve o chamado familiar, e olha para o anjo. “Eu te abraçaria, se isso não fosse por sua culpa.” Responde
    , ainda sentada na areia, com o
    seu vestido vermelho.
    “Eu não fiz nada desta vez.” Ele
    se senta junto dela, sem aproximar
    demais. “Bael só quis tomar posse de mim, porquê conheceu meu corpo na sua vingança.” Revela, olhando para
    a água, cujas as ondas se movem
    rapidamente.
    “Mas a culpa não é só minha. 
    Eu te disse para não aceitar aquele poder.” Se defende. “Quer mesmo
    Discutir?” O olha incrédula, e faz
    as ondas subirem. “Não.” Segura
    a sua mão, descendo-a, e lhe
    acalmando.
    “O quê é esse veneno de Bael?”
    Enfim investiga. “É uma poção que
    ele me dá, para acumular a libido, e
    causar dor, até que eu ceda aos seus desejos.” Confessa com vergonha 
    de si mesma. “Nossa, isso é...”
    Ele inicia.
    “Engenhoso?” Responde de má
    vontade. “Doentio.” Ele completa.
    “Que seja.” Ela olha para o lado, se
    sentindo frustrada. “O quê Lilá falou
    na mesa, sobre ser o amor da sua
    vida...?” Ele inquire, e a bela
    fica corada.
    “Eu não posso responder. Você 
    é o marido de Eke.” Ela desvia do assunto. “Você é o meu. E só estive 
    com Eke, porquê sabia que Bael é
    um doente.” Ele assume, e a
    faz o olhar surpresa.
    “Só que ao vê-los juntos, acreditei
    que realmente gostava dele, e por isso não tomei partido. Eu não sabia
    o quanto sofria.” Prossegue com a
    sua jura, e coloca seus braços,
    envolta dela, que está de
    costas para ele.
    Seus olhos pedem para abraça-la,
    e os dela permitem. Ele lhe traz para
    o seu colo, e a coloca de frente para a água. “Lembro de quando ficava
    assim com você no paraíso.”
    Diz dando-lhe um beijo
    no rosto.
    “Quando não tinha coragem de 
    assumir que me amava?” Diz com
    sarcasmo. “É, mas não deixava o seu
    irmão se aproximar de forma alguma .” Rebate encostando-a no seu ombro.
    “Isso é errado.” Diz ela ao notar 
    as intenções dele, preocupada com o quê vai acontecer. “Você me fez amar essa frase.” Ele se inclina, e a
    beija. O rosto dela fica vermelho, e
    se sente surpresa com a ousadia. “ É
    como a nossa primeira vez.” Ele a deita. “Eu tenho que te contar...” Ela
    tenta ser sincera. “Quieta. Eu sei o quê quer confessar, mas o quê importa é que te amei como 
    mulher.” Ele beija o seu pescoço, e
    ela continua a se sentir culpada, mas
    o toque dele é tão suave e doce, que
    não consegue resistir ao seu
    carinho. Bael era muito bruto, e cheio de si, e sem o veneno, ela não 
    o cederia tão facilmente, pois seu corpo ficaria seco, sem a devida preliminar. Só que com o arcanjo, se
    sentia bem, e como Azazel lhe deixou de vez, e nem fez nada, finalmente deu uma chance ao quê poderia vir
    a acontecer. “ Se Bael ou Eke...” Ela tenta dizer, e ele a silencia com o indicador. “Esqueça-os, e seja minha outra vez, uma última vez.” Diz com o tom de pedinte, e ela afirma 
    calada. Ele a abraça forte, e a beija
    , tirando-lhe o vestido vermelho, e ela desabotoa a sua camisa. Ambos
    querem ir adiante, os beijos se tornam mais calorosos, ele vai se despedindo. Não há medo nela, não há desespero, há apenas o desejo de 
    entregar-se a paixão. Seus corpos 
    se tornam um, e a sensação daquela energia, os preenche com satisfação, como um prazer inigualável. É este
    o poder do amor, que torna o perigo
    em ação, e o repulsivo em aceitável.
    A dança dos corpos em movimento,
    nem tão sutil, nem bruto, os faz se
    manter ali por muito tempo, até
    ambos derramarem suas 
    libidos. “Eu não me sentia assim 
    há anos.” Diz ele deitando-a em seu peito. “É, nem eu. Você ainda tem a sua forma única de me enlouquecer.” 
    Reconhece ajeitando-se no colo
    dele. “Melhor que Azazel?” Questiona com maldade. “Ele já foi
    um dos senhores da luxúria, então não começa.” O repreende e ele ri, “Está bem”. “Estão satisfeitos? Eke e Bael ficarão felizes em saber a
    notícia.” Hécate corre para contar
    ao pai e a filha, e o arcanjo se prepara para impedi-la. “Não. Saia
    daqui e sobreviva, eu converso com
    eles.” Lucy agarra-lhe o ombro.
    “Eu não posso te deixar aqui.” Ele
    se opõe ao plano, temendo o quê Bael fará com ela. “Pode e vai. 
    Tenho a chama de Harmonia, vou sobreviver.” Responde-lhe o empurrando.  “Eu vou te tirar 
    daqui, te prometo.” Ele diz se preparando para voar. “Não.” Os olhos dela engrandecem, e suas mãos tentam agarrar as dele. “Eu não vou te deixar sofrer mais.” Ele diz e então corre ganhando velocidade, e ergue as suas asas sem olhar para trás. “Miguel” Ela grita desesperada, pois sabe que ninguém o ajudará, já que todos pensam que é traidora, e isto o colocará em 
    risco. “Miguel!!!” Vocifera, e o pai e
    a filha traídos, surgem ao horizonte, fazendo-a ficar calada. “Ele te deixou?” Diz Bael se aproximando, e pegando-a pelo pulso. “Aproveitou-se da sua ingenuidade, e se foi como na adolescência?” Cutuca a ferida, e
    acha que tem êxito, pois a mudez da atual esposa, o deixa satisfeito. Mal
    sabe ele, que aquele silêncio, provém do medo eminente, do arcanjo ser estraçalhado nas terras sombrias. “Ele não ama ninguém mesmo. Mas isto não te eximi da culpa!” Eke concorda, e acerta o tapa no rosto da sua rival. “A única razão para apoiar, esse relacionamento, era que tinha Miguel para mim! Agora que não o tenho, não deixarei você levar o meu pai também!” Diz a sua enteada, com saliva escorrendo pela boca, como um cão raivoso. “Acalme-se, minha pequena, Eu não
    irei a lugar algum com Ela. E esta meretriz que não sairá daqui!” Ele abraça a jovem, e pega a amante do
    seu genro, pelo queixo. “Eu te amei Lucy, fui bom para você, fiz tudo por ti, mas agora vou te mostrar porquê as pessoas me chamam de Novo
    Deus!” Proclama, jogando-a contra a
    parede, com tanto pulso, que esta cai e não se levanta. “Vai conhecer a razão de me chamarem de Sol Negro!” Urra lhe mordendo o pescoço, e cravando seus dentes na veia dela. “Você vai odiar viver ao meu lado. Mas a morte nunca irá te tocar!” Declara olhando nos olhos
    da bela, e esta desmaia. 
    Ao longe o arcanjo Miguel voa de
    volta para o lar, e tenta passar pela  barreira para  o paraíso, só que não
    consegue, pois a partir daquele momento, é um caído.
    Ele força a sua entrada , pois sabe
    o quê Bael fará com Luciféria, e com
    isso os raios o atingem, deixando-o
    a beira da morte. “Somente os anjos
    podem entrar no paraíso.” Diz um
    alado loiro, de cabelos longos,
    bronzeado, e forte.
    “Salatiel ?”  O arcanjo o reconhece,
    e se levanta da areia, regenerando o
    ferimento naturalmente. “O quê faz
    aqui?” Pergunta cumprimentando o
    irmão. “O Pai me enviou, estava
    preocupado.” Responde sem a costumeira doçura.
    “O quê aconteceu?” O arcanjo 
    volta a questionar. E o outro anjo
    o olha com seriedade, como se os
    atos que cometera fossem de todo errado , e então lhe conta o quê
    aconteceu até ali.
    O conto da rivalidade entre irmãs.
    Depois do casamento da filha do
    Inferno, os Deuses dos respectivos planos primordiais, entraram em
    consenso, e extinguiram os seus
    mundos do planeta.
    Assim Céu e Inferno, passaram a
    pertencer a uma dimensão, através
    da qual, só podiam entrar os seres
    semelhantes a energia dos 
    reinos.
    Desta forma se você era inteiramente ligado as regras de
    Yaweh, ia para cima, mas se era
    menos ortodoxo, e conectado a
    Lúcifer, descia para o meio 
    da dimensão.
    Havia um reino ao qual o Inferno
    protegia, que ninguém, seja anjo ou
    demônio devia entrar, e este ficava no subsolo, contendo as criaturas que podiam destruir todas as
    vidas.
    Como tudo isto só foi possível 
    porquê Azazel descobriu, após a sua
    morte. Este manteve as terras que tinha conquistado, e que faziam
    uma ponte com o Inferno,
    ficando a margem
    deste.
    Neste tempo Gabriel abandonou
    o pai, para se juntar a Bael, pois não
    suportou as regras celestiais, e por
    motivos obscuros, não era bem
    vindo no Inferno.
    Lilá percebeu que sua conquista
    não teve tanto sucesso, já que Lilith
    manteve as chaves do mundos dos
    dragões, para quando Luciféria
    “Recuperasse o juízo”.
    Por isso foi atrás de Hécate, que 
    apesar do pouco apreço pela menina
    , notou nela a oportunidade de tirar a outra sobrinha do trono, já que 
    trazer Miguel para a casa, não
    teve efeito.
    Lilá tinha um passado sombrio,
    ainda pior que o da irmã, que pode
    ter influenciado no seu destino, pois a princesa mudou, desde que soube da gravidez de sua mãe, e sonhou 
    que era uma menina, que viria a roubar o lugar.
    Torceu com todas as suas forças, 
    para que sua avó não a desgraçasse, só que Harmonia a ignorou. Então na
    hora do parto, esta fugiu para o céu,
    onde se encontrou com o seu pior
    pesadelo.
    “Fique quieta.” Disse-lhe o belo
    homem de olhos cinzentos, ao entrar
    em seu corpo, enquanto estavam a sós. Só que Luciféria não teve medo,
    apenas agiu com extrema frieza, e
    por pouco ele não foi até o
    fim.
    Graças a Miguel, que estava ali 
    procurando materiais, e Azazel que
    estava procurando pela irmã. Ambos
    desejaram espancar o prisioneiro, no
    entanto a princesa, disse que ele 
    não fez nada grave, e este só
    voltou para a cela.
    “Você está bem mesmo?” Azazel
    lhe perguntou, tentando ver algum sinal de machucado. “Sim, só não quero andar sozinha por aqui de
    novo.” Disse com calma, esta
    era a sua forma, de demonstrar
    desconforto com a situação.
    “Por quê veio até aqui?!” Miguel
    a interrogou em desespero, temendo
    que algo pior pudesse acontecer. “É
    o quê acontece com filhos que não
    tem pais.” Responde olhando 
    para o carro.
    Os olhos cinzas do molestador, encontram os da pequena. Não há
    só medo, há também fúria, e isto 
    o deixa surpreso, e ao mesmo
    tempo encantado.
    Ela não esqueceria daquele dia,
    mas também não deixaria que os
    não envolvidos soubessem. O bebê
    nasceu, e teve a ousadia de vim com
    os olhos violetas. Por esta razão a deusa infernal lhe batizou de
    Lilá.
    “Os olhos dela são como os seus.”
    Disse Lilith com o sorriso, e a bela só
    revirou os olhos. Como no seu sonho,
    a vida dela mudou, com a chegada da sua irmã.
    Seus pais que praticamente viviam
    por ela, passaram a viver pelo novo
    membro, e assim Lucy foi esquecida.
    O quê a fez pensar se devia voltar 
    a rever, aquele psicopata.
    E foi assim que cometeu o seu 
    primeiro ato atroz. Quando todos
    festejavam o aniversário de Lilá, ela foi até a masmorra, e usou o seu poder, para libertá-lo.
    “Vai se arrepender. Por quê está fazendo isso?” Ele lhe perguntou, quando viu que foi uma criança a abrir a porta. “Sei que é a arma secreta de Deus, e que pode
    destruir tudo.” Respondeu com o
    olhar mais frio do mundo.
    “Eu tenho capacidade para matar
    a todos sabia? É um erro.” Ele tentou
    lhe alertar. “É o quê quero que faça.
    É o quê me deve, por me tocar.”
    O convenceu, e este 
    fugiu.
    Miguel viu tudo, e a pegou pelo
    pulso. “O quê acabou de fazer?!” Ele
    disse espantado. “Ele te obrigou?!” É o quê perguntou. “Eu fiz porquê quis,
    entre perder tudo, e vê se destruir,
    prefiro a destruição.” Respondeu
    , deixando-o atônito.
    “O quê está havendo?!” Questionou
    , vendo como poderia ajudá-la. “Não é nada.” Ela desviou. “Eu sou um dos
    seus amigos, me diga.” Insistiu. “Eu
    perdi tudo Miguel. Desde que Ela
    chegou.” Confessou. “Estou muito
    cansada de perder.” Declarou 
    com fogo no olhar.
    “Luciféria. Ter irmãos não é fácil
    mesmo, olha só como é comigo e o
    Gabriel. Ele apronta, e eu é que sou
    culpado. Por outro lado Salatiel 
    me ajuda nos estudos, então ter um irmão não é tão ruim. Repense o 
    quê está fazendo!” Tenta lhe dá uma lição, para que reflita. “Lilá não tem nem 2 anos. Você não sabe como será a relação de vocês.” Ele
    se esforça para fazê-la mudar de
    opinião. “Eu sei sim. Sonho com isso todas as noites. Ela vai se sentar num trono, que deveria ser meu.” Rebate.
    “Há muito mais que um trono Lucy.
    Se ela tiver esse, deixe, pois você
    terá outras chances.” Diz 
    com seriedade.
    “Eu sei que não. Mamãe e Harmonia,
    a traidora, darão tudo a ela, e eu vou
    ser esquecida de novo.” A raiva nela
    o assusta. “Lucy, sua mãe te ama, ela
    não faria isso com você.” Ele tenta
    lhe trazer para a luz. “E outra destruindo tudo, acha que vão te amar de novo?” Inquire. “Eles nem
    estarão vivos para isso.” Diz com a voz sombria. “Se estiverem, vão se
    importar mais com ela, pois você não
    está agindo como quem quer amor,
    e sim ódio.” A repreende. “Ela é
    ruim, vem para tirar tudo de mim, você não entende! Ela vai levar os meus pais, meus irmãos, e até os
    meus dragões.” Chora, e ele a abraça. “Lucy, se ela é tão ruim, seus pais verão, e caso ela tire tudo de ti, saiba que sempre terá a mim.” Esclarece, e ela retribui o abraço, o
    apertando forte. “Só não mate todo
    mundo por medo do futuro, certo?”
    Pede, e ela acena que sim. “E como
    vão capturar Bael?” Pergunta ao
    voltar a si. “Verei o quê posso
    fazer.” A tranquiliza.
    “Sempre que se sentir sozinha 
    pode vim para o laboratório comigo. Sou um pouco frio, mas prometo que te dou atenção.” Ele brinca, e lhe 
    dá um beijo no rosto.
    Naquela época, ele não tinha 
    sentimentos ardentes por ela, mas
    se preocupava, e desejava o seu bem
    , por isso estava disposto a fazer o
    necessário, para que fosse feliz,
    e extinguisse a escuridão
    de si.
    Infelizmente as sombras já haviam
    brotado, e ela não pararia, até o dia
    em que algo trágico aconteceu. Lilá
    cresceu, e em vez de querer o amor
    da mãe, ficou focada em ser a
    nova Hécate.
    Algo que irritou muito a Lilith, que
    se desdobrava para ser amada pela 
    menina, ao ponto de só notar Lucy, quando esta fazia as travessuras 
    para ser notada, ou ao chorar
     pela rejeição.
    Por isso esta perdeu a cabeça, e
    tentou afogar a menina, que agora
    tinha o olho azul marinho, e era mais
    pálida que a neve. O choro de Lucy
    invadia a mente. “Mamãe por quê não me ama mais?” É o quê ouvia, ao pressionar os dedos contra a
    garganta da menor.
    O alvoroço dos irmãos era grande,
    para resgatar a caçula, mas algo era
    ainda maior. O olhar frívolo e cruel da mais velha, que torcia para a
    mãe assassiná-la.
    Lilá olhava direto para irmã, lhe
    pedindo socorro, enquanto a água
    entrava pelos orifícios, e esta não
    movia um dedo, para lhe ajudar,
    algo que a assustou muito.
    Porém ao ver o próprio reflexo 
    sorridente na água, Luciféria saiu
    correndo, preocupada com o nível
    a que seu ciúme havia chegado,
    e no quê estava se tornando.
    Ela se afastou de tudo, de todos,
    e ficou chorando no meio da mata, 
    com medo de si mesma, e do quê
    era capaz. Foi quando subiu na
    árvore, e atirou-se no 
    piso.
    Azazel viu a sua queda, e correu
    para ajudá-la. “Você está bem?” Ele
    lhe perguntou, limpando o seu joelho ferido. “Promete que não vai me deixar!” Ela se atirou no peito dele,
    entre lágrimas, que não paravam
    de transbordar. “Eu prometo” Disse
    sem entender, e a carregou de volta
    para o castelo, onde recebeu a noticia, de que a irmã não
    ficaria mais lá.
    Lilá estava apavorada, com os 
    atos da mãe, e a atitude grotesca
    da irmã, por isso implorou para ir
    embora com o seu tio Krishna,
    que a aceitou em seu 
    reino.
    Ao contrário do quê possa imaginar,
    Lucy sentiu alívio por sua irmã partir, não por motivos egoístas, e sim por
    quê poderia terminar o quê a
    rainha começou.
    Luciféria e Lilá cresceram longe 
    uma da outra, e com tudo o quê 
    aconteceu, Lilith aprendeu que
    devia amar todos os filhos, de
    forma igual.
    Porém Luciféria não a perdoo,
    já que seu ato lhe trouxe muitas
    ruínas. Em vez de ficar muito tempo
    no castelo, preferia viver nas matas,
    com Azazel, ou no laboratório com
    Miguel, já que ambos faziam o
    possível para ajudá-la.
    “Bravinha.” Lúcifer chamou-lhe a
    atenção antes de sair. “Sim pai.” Lhe
    respondeu, voltando para o salão, e
    este saiu do trono para caminhar
    com ela.
    “Eu vi como reagiu a quase morte
    de sua irmã.” É direto, e a coloca no
    seu colo, como um bebê.” Só vi este
    olhar, em minhas batalhas, quando
    matava inocentes para o seu avô.”
    Assume, deixando-a surpresa, pois não achava que justo o seu pai 
    lhe entenderia.
    “É muito jovem para sentir tal 
    ódio. Assim como eu era na sua idade.” Disse carregando-a e lhe
    colocando na cadeira da frente.
    “Mas meu pai não era amoroso, 
    e eu nunca tinha visto minha mãe, então tinha motivos. E você?
    O quê te deixou assim?” Tenta
    saber, para lhe auxiliar, sem
    julgamentos.
    “Lilá.” Responde com vergonha,
    baixando a cabeça. “Luciféria. Só o
    seu ciúme, não lhe levaria a sorri por alguém morrer.” Ele diz em represália. “Não importa. Você não
    entende, nunca precisou dividir a sua mãe com ninguém.” Rebate, ficando
    defensiva. “Pode me contar tudo,
    minha garotinha, não vou apontar o
    dedo.” Diz percebendo que há algo
    errado. “Esqueça isso pai. Eu já esqueci.” Responde tentando mudar o assunto. “O quê fizeram com você?” Ele questiona desconfiado. “Eu fui torturada. Com 5 anos, só
    que isso não vem ao caso, fiz da dor a minha força, não virei vítima do
    acaso. Então deixe o passado no
    seu lugar!” Esbraveja. “Quem lhe
    torturou?” Inquire lentamente. “Oras
    quem sempre quis a infelicidade da mãe?” Diz e da os ombros, indo até
    a área morta, onde ficava o lugar
    em que o arcanjo trabalhava. “O quê
    vamos aprender hoje, querido professor?” Diz se esgueirando para cima dele, e este se afasta. “Lucy.”
    Diz em tom de ordem, fazendo-a
    parar. “Eu só queria me divertir.” Diz claramente entediada. “O quê houve?” Pergunta girando a chave
    de um transporte móvel. “Meu pai, acho que querendo trazer Lilá de volta, me fez me lembrar de quando Hécate me raptou.” Diz sentando-se a mesa, sem se importar com as pernas. “Modos.” Ele a julga, e esta se recompõe. “Foi horrível. Tudo o quê ela me fez passar, e nem sei o porquê , talvez seja um castigo premeditado de Harmonia.” Concluiu, e ele deixou o quê fazia para atendê-la. “Lucy.” Chama-lhe a atenção. “Eu já fechei a perna!” Se defende. “Não é isso, mas agradeço, sabe que é pecado provocar um anjo.” Agradece, e se
    senta ao lado dela, para não olhar para as suas coxas. “Você não foi a única a odiar a chegada de um bebê.” Revela, e esta o olha atenta.
    “Eu te odiei no nascimento, porquê
    era a prova de uma falha do meu
    pai.” Prossegue confessando. “Tá
    mas é um sagrado, deve ter sabido
    lidar com isso.” Se desliga da conversa. “Sou sagrado agora, antes era um moleque burro, que te deu para a pior bruxa negra do universo.”
    Responde, e isso a faz ficar em choque. “Miguel. Eu estava andando
    pela floresta. Não foi...” Tenta fazer
    ele falar o quê acha ser verdade. “Eu
    queria que te matassem, para que ninguém soubesse da vergonha do meu pai.” Ele segue falando, e segura a mão dela. “Ela me acorrentou, me deixou sem comer
    e beber. Eu tive de urinar no canto
    que estava presa. Fui tratada como
    um animal!” Grita com ele, e este
    lhe abraça forte. “Por favor me perdoa.” Diz entre lágrimas, coisa que ela jamais vira antes. “Eu amo
    você, não há um dia que a culpa não me consuma.” Assume, apertando-a
    , e esta fica triste. “Houve um tempo
    , que você era tudo para mim, mas
    hoje, todo o meu amor morreu.”
    Diz derramando uma lágrima
    solitária, e se solta.
    “Lucy, eu errei! Como você! Mas
    me recuperei! Também pode!” Ele berra, já que ela o toca de maneira profunda. “Eu não quero me tornar
    tão patética.” Diz na porta, e o
    deixa para trás.
    A jovem chora , encostada na copa
    de uma árvore, e ao ouvir os sons do seu sofrimento, Azazel se aproxima.
    “Lucy.” Diz vendo-a cabisbaixa. “O
    quê houve?” Pergunta. “O Miguel,
    o Miguel...” Soluça sem parar,
    e o anjo vai até o pivô.
    Sem dizer uma palavra, acerta-lhe
    um soco na face, o tirando do meio do seu projeto, e este se mostra espantado. “Ela me chama de patético, e eu que apanho?” Diz quase indignado. “O quê fez com Ela?” O jovem pergunta entredentes. “Não fiz nada.” Responde revirando os olhos. “Lucy não estaria chorando na floresta por sua causa, se não fosse algo!” Rebate, e o arcanjo sente o peso da consciência. “Quer a verdade?” Ele pergunta com ironia.
    “Você...” Diz com o tom sombrio. “Eu sou um idiota. Devia ter ficado calado sobre ter lhe entregado para Hécate.” Se responsabiliza, e volta aos afazeres. “Você contou a ela?” Ele investiga, e o outro acena que
    sim, ainda em silêncio. Sabendo que Lucy, era totalmente louca de amores por ele, Azazel conclui o quanto isso a machucou, e a leva para caçar, e se divertir para se
    esquecer da dor. Um talento que Miguel não tinha, era fazer ela se sentir bem mesmo nos piores momentos, e por isso o irmão mais velho dela, fez questão de lhe dar apoio para melhorar.
    Naquele dia a triste verdade, não
    lhe assombrou, pois ele a distraiu com piadas, pegadinhas, e a fez ir
    até o topo do céu com Graham, e
    Anahan, a sua draconesa de
    estimação.
    Infelizmente a noite veio, e com
    ela as lembranças também. “Azazel”
    Lhe chamou antes de sair do quarto.
    “Eu não consigo dormir sozinha, por
    favor fique comigo.” Pediu, e este
    voltou, e deitou-se atrás dela
    lhe abraçando.
    “Como quando éramos crianças,
    e eu temia matar a Lilá.” Disse com
    um sorriso tristonho. “É, e eu dizia
    que enquanto estivesse nos meus braços, não machucaria ninguém, nem a si mesma.” Ele relembra, e
    ela fecha os olhos. “O melhor
    abraço do mundo” Diz ao
    adormecer.
    Seu sonho é uma lembrança, 
    de quando ambos eram crianças,
    ela tinha 7 e ele 9. Estavam a beira
    do rio cristalino, sentados na ponte,
    sob a vigilância do arcanjo, que 
    teve de sair por minutos.
    “Você já beijou alguém antes?” Lhe pergunta. “É claro. Me tornei um dos soldados cedo, e você sabe.” Disse ao olhar para o fundo da água. “Já fez o
    algo mais?” Se mostra curiosa. “Sim
    , mesmo que Deus não permita. A onde quer chegar?” Questiona, já conhecendo as táticas da irmã. “Eu
    quero que me beije.” Diz diretamente. “Não prefere aquele almofadinha?” Fala a contragosto. “Ele é velho para mim, e eu conheço a sua fama.” Brinca, e o menino ri. “As ninfas deviam se calar.” Se vira para ela. “ Tem certeza disso?” Pergunta, e ela fecha
    os olhos. “Está bem.” Os seus lábios
    se encostam nos dela. “É um beijo
    de verdade.” Ela sorri e ele também,
    logo suas bocas se abrem, e um 
    morde o outro. Ao ver aquele beijo
    tão intenso Miguel surta, e berra com os irmãos. “Luciféria! Azazel!
    Não deviam fazer isso!” Os julga.
    “Lúcifer saberá disso!” Ameaça, e
    Os dois ficam com medo de mãos
    dadas, como um casal de cupidos.
    Infelizmente para o código de Miguel, o pai deles acha isso bem
    normal, e aprova o sentimento dos dois. “Oras deixe de ser tão certinho.
    Está com raiva por quê nunca beijou ninguém.” O portador da luz mostra
    que está despreocupado. “É piada não é? Já estive com várias ninfas!” o anjo se defende. “É, mas só elas lhe beijaram, você nunca as beijou.”
    Disse-lhe bebendo vinho, e ao ouvir
    aquelas palavras, Lucy desejou ter a honra de ser a primeira, a receber o
    beijo imaculado dele. Cartas, e mais cartas são escritas para o arcanjo, o
    fogo as queima, e a voz dele lhe
    confessando tudo, fica a 
    atormentá-la. “O homem que amo,
    é o quê quase me matou. Eu preciso o esquecer!” Pensou ao acordar nos braços do seu irmão, e por algum
    tempo, voltou o seus dias, e o
    coração para Azazel. Ao vê-la sempre ao lado do irmão mais velho, Miguel teve o gosto do ciúme. Era duro não
    ter aquele sorriso, as perturbações,
    e a sua companhia. Já estava apaixonado, por isso corria atrás dela, e pedia para lhe perdoar, só que ela o ignorava. Por isso, quando  viu outra menina apaixonada por ele, tentou ser como um príncipe para
    esta. Não queria causar algum desconforto na sua amada, porém quando passou a cuidar de Eke, Luciféria o odiou ao ponto de nem lhe olhar na cara. “Vá ficar com a sua nova ajudante.” Disse tentando pegar um livro de magia, no alto da estante. “Ela não entra no laboratório.” Esclarece. “Isso não
    é do meu interesse.” Diz com o nariz empinado, e acaba escorregando da escada, mas ele a pega. “Não é o quê parece.” Diz sorrindo, e ela sai do colo dele.  “Tanto faz. Hoje Lilá volta para casa, não tenho mais paciência, para problemas.” Diz indo embora.
    Lilá voltou da casa do tio diferente,
    para uma criança de  8 anos, muito mais parecia uma de 12, e em vez de usar pequenos vestidinhos, vestia-se como adulta, algo que traumatizou
    a mãe de imediato, pois achava 
    que só na adolescência a
    veria assim.
    Ela cumprimentou a todos com
    graça e doçura, como se fosse outra
    criatura. Mas não tardou para ouvir
    os boatos, de que esta andava a
    animar as noites dos irmãos,
    que ficaram divididos.
    Os mais velhos Azazel e Asmodeus,
    ficaram ao lado de Luciféria, e os outros, Caim e Mammon, se juntaram a Lilá. O clima de guerra
    era constante, por isso Lucy seguiu
    distanciando-se de seu lar, sempre
    ao lado do seu irmão. Lilá percebia
    que a incomodava, e por isso tomou
    as rédeas da situação. “Eu sei que
    você ama minha irmã.” Disse com
    maldade para o arcanjo. “Isso é um
    assunto de adultos.” Retrucou com
    frieza. “E desde quando a Lucy é
    adulta?” Brincou, e ele lhe olhou
    com desprezo. “Eu posso fazer ela
    voltar a te ver.” Propõe. “E por quê faria isso? Não a odeia e a quer 
    infeliz pelo passado?” Perguntou já
    desconfiado. “Não, éramos menores,
    agora quero que tudo fique bem.” Diz com certa destreza. “O quê me
    sugere? Já pedi perdão, enviei o livro
    sobre o mundo proibido, que ela tanto ama, me humilhei, o quê falta?” Conta. “Deixa comigo.” O convence, e inicia seu plano. 
    Como quem não quer nada, faz 
    com que Luciféria vá parar no meio de uma floresta negra, sozinha e sem algo para se defender, e prossegue da mesma forma com o soldado, o enviando ao encontro dela.
    “Ah claro! Tinha que ser o psicopata!” Diz ela ao vê-lo chegar,
    Enquanto quase arranca os cabelos,
    Tentando retornar para onde acha
    seguro. “Eu não fiz nada. Foi a Lilá.” Responde. “Eu odeio minha irmã,
    mas não sou idiota.” Rebate. “É a
    verdade. Ela queria que a gente se reconciliasse.” Ele se senta sob a
    pedra, e a bela gargalha. “Lilá? A
    minha irmã mais nova? Por quê? Você é muito fácil de enganar.” Diz
    com sarcasmo, e este balança a sua
    cabeça em negação sorrindo. “Sou um arcanjo. Treinado. Ela falou a
    verdade.” Diz com arrogância. “Oh.
    Então se ela me quer com você, é mais uma razão para eu não querer.”
    Retruca, e este se levanta. Os passos
    dele são rápidos, e em segundos a
    encosta no tronco da árvore. “Eu fui
    um idiota, quantas vezes preciso ter que repetir, para que me perdoe?” Diz olhando nos olhos dela. “ Você me enviou para a morte!” Grita. “É,
    mas também fui lá para consertar o erro, e te devolver para a sua família.” Deixa em pratos limpos. “E isso faz de você um herói?!” Pergunta de forma irônica. “Não, mas mostra a minha consciência.” Ele vira o rosto, envergonhado consigo mesmo. “Eu amo você.” Ele diz e os olhos dela crescem devido a pausa, porquê aquilo lhe faz pensar que chegou o dia que passou a lhe
    retribuir. “Foi um erro, mas por favor pare de basear nossa amizade nisso.” 
    E a expectativa cai por terra. “Tudo
    bem. Me desculpa, por dizer que era patético.” Sorri sem jeito, e ele se
    afasta. “Sem problemas. Agora me diga, por quê achava que Lilá queria
    que ficássemos juntos?” Questiona
    sem entender, na mente dele Luciféria era carinhosa e provocativa 
    com todos os amigos, por isso achava que as declarações eram só
    parte do seu jogo, e não que sentia
    realmente algo. Depois deste dia,
    eles voltaram a se falar, e Luciféria ficou em débito com a menor, que
    fez questão de cobrar, lhe fazendo
    levá-la para sair, e pedir para o
    anjo levar Gabriel.
    Após a irmã lhe ajudar, e passarem
    horas juntas, Luciféria percebeu que Lilá não era insuportável, e que em vez de ser sua inimiga, podia se
    tornar o contrário. Para a surpresa
    de todos, as irmãs passaram a ficar grudadas como chiclete e sapato, e
    ao vê-las sorrindo, Lilith se sentiu
    feliz, por não ter ameaçado o laço
    fraterno delas, com o seu amor
    mal dividido. Luciféria acreditava
    que estava tudo bem, e para compensar sua atitude no passado,
    fazia tudo o quê Lilá queria, mimando-a mais que a própria 
    mãe. Azazel detestava isso, 
    porquê ao ver os encontros duplos, tinha certeza de uma coisa: Lilá não os apoiaria, e fazia tudo por Luciféria e Miguel, só para ver o menino Gabriel. Por isso este veio a alertar
    a irmã, que encantada pelo apoio da caçula, não o ouviu. Porém ele não era o único a notar tal coisa, o
    arcanjo também viu. “Lucy. Lilá só
    nos quer juntos, porquê assim pode ficar junto de Gabriel. Não se engane
    , ela é realmente má, como Hécate.”
    Miguel lhe disse. “Isso não é verdade.
    Minha irmã me ama, e deseja que eu seja feliz.” Rebateu com raiva. “Lucy
    , tome cuidado.” Continuou a avisar.
    “Eu te mostrarei o contrário.” Diz
    com a certeza de que ele está se equivocando. Então usando as suas
    táticas de manipulação, faz com que
    Gabriel beije Eke, sem saber que Lilá estava vendo, provocando uma bela
    briga entre o casalzinho, para ver
    até onde a pequena vai. Não tarda
    para que esta se afaste da mais velha, e volte as antigas provocações, por não ter mais nem uma valia manter o contato com 
    ela. Isso decepciona Luciféria de tal
    forma, que esta chega a chorar. “O quê achou? Que basta pedir desculpa
    por tentar me matar, e seremos as
    siamesas?! Cresça!” Disse-lhe em seu momento de raiva. “Eu descobri um
    segredo de Gabriel, depois de seduzir o Miguel, e o fiz beijar Eke. Ele não te traiu porquê quis.” Diz com frieza, e
    a deixa para trás. Há conflito dentro
    da jovem, pois parte dela odeia a sua irmã, mas a outra parte, a ama e se
    sente triste, por perder uma amiga
    tão boa. Assim as irmãs crescem nesta relação de amor e ódio, que 
    na mente de Luciféria acaba sendo só de amor, quando Lilá chega a adolescência, porém para a sua tristeza, vem a descobrir mais tarde,
    que sua melhor amiga, continua a
    odiá-la, e isto a machuca muito.
    “Como se sente agora?” Lilá 
    pergunta para a irmã, que está amordaçada. A mesma revira os
    olhos, e esta tira o tecido da 
    sua boca.
    “Obrigada” Agradece com o
    sorriso irônico. “Estou muito bem.”
    Mente descaradamente. “Mas e
    você? Já preparou o vestido de
    noiva?” Questiona-lhe com
    alegria raivosa.
    “Sim, será vermelho, como no
    seu pesadelo. Bael se casará comigo,
    e sentarei no trono ao lado dele” A
    mais nova provoca, e a outra se
    debate, tentando atacá-la.
    “Finalmente ganhou uma. Afinal
    os portões de Tiamat, só podem ser
    abertos por mim, e Harmonia me fez
    a deusa” Rebate, tentando conter
    a ira, por conta da derrota.
    “Ah pare! Harmonia só te fez deusa
    , porquê Eu não estava lá!” Berra, e a irmã ri. “Ou o Destino preferiu assim, e não era mesmo para ser você. Pode
    ser a nova rainha de Bael, mas nunca
    será eu querida, lamento.” Diz com
    o tom provocativo.
    “Não quero ser você. Nunca quis.
    Só queria o meu espaço. Mas como
    sempre, quando tinha a menor chance de brilhar, vinha a Luciféria
    bravinha, e me ofuscava com sua
    luz radiante!” Retruca, mostrando
    o seu descontentamento.
    “Você só queria roubar o meu
     lugar! Não se faça de sonsa!” Grita
    de volta. “Por quê acha isso? Porquê 
    nasci com a cor dos seus malditos olhos? Por quê quis ser adorada? Ou
    pior por quê só queria que minha 
    irmã me amasse?!” Lilá perde a cabeça, e põe pra fora tudo o
    quê a machuca. “Não tente me manipular, eu te ensinei isso!” A rainha deposta se mostra furiosa.
    “É! Como me ensinou a me vestir direito! A criar uma conexão com as aves! A estudar! E todo o resto! Eu nunca invejei você Lucy! Mas sempre teve tanta insegurança, que nem percebeu que eu te admirava!” Solta todas as mágoas, fazendo a prisioneira ficar em silêncio. “Eu queria sim ser como você, mas era antes, Hécate tinha me ferido muito, e você era o meu exemplo feminino, já que nossa mãe não acreditava que eu tinha mudado.” Senta do lado da irmã, como uma criança. “Só que você, só soube me machucar, me testar, e se afastar. Você não queria ser minha amiga, e sim que eu fosse a sua inimiga, e por isso me tornei
    o quê temia.” Diz entre lágrimas. “Isso não é verdade, pois se for...” Diz para a mocinha. “Eu só me tornei sua inimiga, porquê me fez assim?!” Mostra a conclusão. “Não! Você era ruim! Eu via! Não pode ter sido minha culpa!” A jovem rainha chora,
    negando a realidade dos fatos. “Eu
    podia ser diferente. Já parou para pensar, se não te mostraram o futuro, só para que mudasse?” Ela
    se mostra arrependida. “Que diferença faz? Você seguiu mesmo pra escuridão, e agora está indo para o meu lugar. Como na visão que a velha me mostrou” A nobre se mostra triste. “E importa Lucy? Por acaso gosta de reinar com Ele? Quer mesmo esse lugar?” Pergunta-lhe com incredulidade. “Não.” Ela responde com voz fraca. “Luciféria, 
    Luciféria Lilith II. Não me diga que...”
    Lilá percebe o desconforto da irmã. “Não, Lucy, Não. Miguel e Azazel são
    uma coisa, ele é horrível! Um monstro!” Esbraveja espantada. “Não pode sentir algo por Ele!” Termina, e a consanguínea fica em silêncio. “Lucy. Não.” A caçula, fica em choque. “Ele deixou as outras, 
    e me fez a rainha” Assume. “E mesmo sendo um idiota, tem até cuidado bem de mim.” Prossegue com o relato. “Ele não é nada disso...” Tenta acordá-la, e o próprio entra no lugar. “Pensei que tentaria atormentá-la, e não colocá-la contra mim.” Diz com o sorriso maléfico, e
    estala os dedos, para que venham lhe prender. “Não! Lucy! Lucy! Ele é um monstro!” A irmã tenta dizer, ao ser amarrada. “Ele abusou de mim!” Grita ao passar pela porta, e isto deixa a rainha catatônica. “Eu fiz o mesmo com Eke. Qual a novidade?” Diz o demônio, colocando uma mecha do seu cabelo atrás da orelha. “Você abusou da minha irmã?” Pergunta incisiva. “Sim, mas não como com você, com ela fui até o fim.” Responde sorridente. “Quantos anos. Quantos anos ela tinha?!” A dama inquire com vigor. “A idade de
    Eke. Por quê? Foi você que me libertou lembra? E me pediu para destruir tudo! Só quis me divertir um pouco!” Diz como se o seu ato fosse normal. “Você a atacou!” Berra com
    ódio. “Sim, e agora farei dela a minha rainha.” Rebate com frieza.
    As mãos dela se soltam, e acertam-lhe um tapa. “Já chega.” Diz angustiada. “Está com ciúme? Depois de se entregar para o arcanjo!?” Diz o novo deus ao limpar o sangue do lábio. “Ciúme eu sentia antes. Por você dormir com a minha irmã jovem e adulta. O quê sinto por você é nojo!” Grita, e ele se
    surpreende. “Lucy.” Diz implorativo. “Não toque em mim!” Se livra da mão dele. “Você me amava?” Ele a pergunta, percebendo a revelação no seu discurso de raiva. “Não! Não sei
    ! Só não te detestava!” A rainha continua a negar o quê sente. “Eu não sabia...” O arrependimento é claro em suas palavras. “Depois de tanto se gabar por me seduzir?! Eu não sou idiota!” Urra. “Lucy.” Ele fica como um bichinho assustado. “Você é um monstro!” Vocifera , o empurrando. “Lucy.” O olhar dela,
    é preenchido pelo rancor, e o violeta enegrece, até ficar como um tubarão, preste a devorar a sua presa. “O quê você...” Ele teme que ela tenha descoberto o tamanho de seu poder. Sem dizer uma palavra,
    ela o puxa pela gola da camisa, e o beija com ferocidade. Algo que o surpreende, mas não tarda para perceber, que não há sentimentos naquilo, e tenta se soltar, só que ela segura o seu pulso, e tenta tomar o
    Caos dele a força, sugando a sua
    energia. Como um machista, tenta mostra superioridade, porém para
    o seu azar, o poder dela cresce pelo ódio, e seu amor pela irmã. Logo os olhos dos dois ficam brancos, e ela mergulha na mente dele. Há uma linda garota de olhos vermelhos como o sangue, parece ter entre 13 ou 14 anos, e então um homem que muito se parece com ela, vem e a toma nos braços, diante toda a família, e a sua prima. Ele tira as suas roupinhas, a toca sem pudor, a penetra como uma cadela no cio. Contudo não se engane, não é Eke
    a vítima, e sim o próprio Bael que
    a rainha colocou na pele da filha, que após este ato horrendo atraiu a sua irmã, para ser iniciada na magia 
    como ela. Ao contrário da rebenta, que depois sentiu prazer no ato. Ele fica com medo, aterrorizado, e implora que lhe salvem, pois aquela sensação é horrível. Seus olhos lagrimam, e então Eke acerta a cabeça da madrasta com a madeira. “Deixe-o em paz!” Grita em pânico,
    atirando a jovem para longe. Esta cai atordoada pelo golpe, e o demônio
    volta para a realidade. Ao vê-la caída na parede, ele arremessa a própria filha, e pega a esposa pelos cabelos, arrancando-lhe o vestido. “Desgraçada!” Diz ele furioso, com
    os olhos cheios de sangue, de tanto exasperar. “Vai pagar pela afronta!” Brada entrando no corpo mole dela, fazendo movimentos tão violentos, que seu membro fica coberto de linhas rubras. “Me larga!” A jovem grita, e ele pressiona seu pulso, até o osso rachar, causando-lhe uma dor insuportável. “Você não é maior que Eu! Nem mais forte!” Grita como se estivesse em desespero para oprimi-la, e a coloca de cara na parede, 
    pressionando sua face no concreto,
    ao balançar-se para dentro dela. O
    tempo parece lento, a dor é incessante, o poder de Harmonia,
    em seu corpo, é sufocado pela escuridão presente em Bael. “Para!”
    A filha do Inferno grita, passando
    por ele como um vulto, e isto o distrai. Ela não suporta a ardência
    em seus músculos feridos, e desmaia no piso. “Eu te odeio.” São as suas
    últimas palavras, antes de fechar
    os olhos. “O quê está olhando?!
    Amarrem-na com cordas mágicas!”
    Ordena, ao ver os olhos grandes de
    Hécate, e esta aprisiona a sobrinha, com a corda encantada, enquanto
    Eke prende-lhe os pés. O novo deus,
    sai do local, extremamente exaltado,
    e resolve descontar tudo em Lilá. Com a mais nova segue um padrão diferente, lhe perfura a língua com o prego, e a penetra com uma camada cheia de espinho, ferindo-a muito
    mais. “É tudo sua culpa! Sabia?!” Ele grita, segurando-a de costas, e lhe
    enfiando o membro. “Ela me amava!
    Ficaria comigo! Se não viesse para
    Reclamar a coroa de rainha!” O rubro fica denso, a mocinha chora sem parar. “Você...Você é o culpado
    não eu.” É tudo o quê ela diz quando
    ele pausa, o quê o faz retomar a tortura, e castigá-la muito mais. No dia seguinte...Luciféria e Lilá estão presas em lados opostos, Eke prepara as vestes da quarta rainha, e Bael segue irritado, temendo que a terceira esposa, volte a atormentá-lo. A cerimônia de coroação de Lilá, não é nada honrosa, ele a leva para o altar, sendo puxada por uma coleira como um animal, fazendo-a inclusive andar como quadrúpede,
    mesmo sem forças. Os servos olham horrorizados para tamanha crueldade, e ele justifica como um ato de correção a má conduta, sem se importar com o medo presente
    nos homens. A coroa é posta na cabeça de Lilá, e o sangue escorre
    por sua face amedrontada. “Bem vinda, nova rainha. Não era isso o quê queria?” Diz ele com sarcasmo, e a dama vira-se lentamente para o encarar. “Teria sido assim quando pôs a coroa na cabeça de Luciféria?”
    Se questionava. Contudo a resposta
    era não, ninguém sabe a razão, mas o novo Senhor da Terra, fez para a sua sobrinha o casamento mais belo ,e com todos os gastos que se possa imaginar. A terceira esposa, lhe era tão importante, que tirou o título das outras para que fosse a única a dividir o trono real. Algo que trouxe
    tanta infelicidade a mãe e a filha, que estas armaram para que Lilá viesse reclamar a coroa, que desde pequena Hécate tinha lhe prometido,
    se fizesse tudo o quê ordenava. Um
    homem de negros cabelos longos e olhos claros, sente uma dor tremenda, ao ver Lilá praticamente nua, sofrendo tamanha humilhação. É Caim, um dos irmãos mais novos de Luciféria, e mais velho que a caçula. Ele não suporta, e abandona o local, a notícia de que Bael tinha uma quarta rainha, logo se espalha, e isto chama a atenção de Miguel. “Precisamos chamar as tropas celestiais!” Diz para o seu irmão mais novo. “Luciféria escolheu o próprio destino, nós não podemos fazer nada.” Diz Salatiel, é claro que queria prestar ajuda, mas sabia que Yaweh não aprovaria. “E o quê faço?! Fico de braços cruzados, vendo a mulher que amo sofrer?!” Diz indignado. “É claro que não. Disse que Nós não podemos ajudá-la. Mas há alguém que pode.” Responde com um sorriso, encontrando uma saída para o irmão, que não mais podia ir para o paraíso. “Quem?!” Quase ulula, de tanta esperança. “Se Bael tem uma quarta rainha, Luciféria não deve está bem.” Diz Asmodeus olhando para Azazel, enquanto este termina a bebida, rodeado por duas mulheres.
    “Ela escolheu casar com ele. Devia saber que logo deixaria de ser a única.” Responde evidentemente sob o efeito da droga infernal. “Não se preocupa?” O irmão e amigo pergunta. “Ele fez um belo casamento, lhe deu o mundo, e atende a todas as vontades dela. Um coração partido deve compensar o poder.” Rebate mostrando-se frustrado. “E se ela foi forçada a isso?” Uma voz familiar diz, e o forasteiro o encara. “Você?! Você não é bem vindo em meu reino!” O demônio meio bode grita. “É? Mas como pode ver, agora posso entrar no Inferno.” Esclarece. “Então vá para lá.” Diz o sátiro rabugento. “Já tentei, mas Lilith e Lúcifer se recusam a ajudar a filha.” Rebate. “É lógico, o quê vier a acontecer com Luciféria, é consequência da própria escolha.” Se mostra indiferente. “Como disse antes, Lucy não teve uma escolha.” O anjo diz como se o outro fosse idiota.
    “Lucy se casou com Bael. E no casamento existe o termo de “sim” e “não”, e ela disse “sim”, então que tal desistir dela também? Há muitas ninfas renegadas aqui. Sei que se casou com Eke, mas claramente não é a sua mulher que ama, então junte-se a nós e divirta-se” Volta a beber, e sorri para as moças. “ Lucy
    não ama Bael!” O anjo esbraveja, com tanto ímpeto, que o demônio fica desconfiado. “Como tem tanta certeza?” Questiona insidioso, e ao ver que ele tinha abandonado as súcubos, o irmão se põe entre
    eles. “ Eu dormi com ela.” Confessa, em voz baixa, e o irmão da princesa perde a cabeça, indo para cima do
    alado, acertando-lhe golpes certeiros no queixo e na boca. “E veio aqui para quê?! Se gabar da conquista?!”
    Berra, ao deixar o anjo no piso, lhe atingindo com murros violentos.  “Não. Bael vai matar a Lucy por isso.” Sussurra, limpando o sangue nos lábios, com a costa da mão. “Você é o amante da mulher dele, resolva.” Diz saindo de cima do rival.
    “O quê aconteceu com você? ” O inimigo inquire, assombrado pela forma como o demônio está agindo, e este o ignora. “Antes me machucaria, e correria para resgatá-la. Agora só a despreza, como um covarde!” Se levanta, e ajeita as roupas. “Só cansei de correr atrás, e
    ela escolher os idiotas que a machucam!” Revela em protesto a acusação. “O quê? Azazel ela passou 100 anos perto de mim, e não quis
    sequer trair a sua memória!” Fica desesperado. “Depois de te beijar no meu enterro, e antes de casar com aquele monstro. Conta outra!” Volta a atacar. “Eu a beijei todas as vezes!
    A única que ela o fez, foi só me usando para descarregar energia!” 
    Assume a responsabilidade. “Não foi
    o quê Eke e Lilá me contaram!” Ele
    bebe o cálice do forte liquido. “Ah por favor! Elas odeiam a Lucy! Não te diriam a verdade!” O arcanjo revira os olhos. “Eu sou o culpado. Não ela.
    Tal como você foi no dia do meu noivado.” O relembra. “E vim te implorar que a ajude, porquê todo o tempo que perdemos, significam mais sofrimento para ela!” Tenta
    mais uma vez. “Lucy não vai querer a minha ajuda.” Recobra a razão, e se sente um babaca. “Ela não te esqueceu.” Admite com dor na garganta. “Como sabe?” Ele lhe pergunta. “Me certifiquei” Responde, e se lembra que a amada, considera o demônio como o senhor da luxúria.
    “Por favor, você é a única chance que ela tem.” Pede-lhe mais uma vez, e o rei considera a ideia. “Posso ir com vocês?” Diz o jovem futuro primeiro assassino da história. “Por quê?” O arcanjo o olha com desgosto. “Lilá também precisa de ajuda, e o meu exército de vampiros pode lhes ser útil.” Responde, e os quatro irmãos que estavam no bar da antiguidade, seguem parao resgate das princesas. “Lilá, nunca será somente sua Cam.” Azazel o adverte. “É, ela já esteve com todo o inferno praticamente. É melhor desistir” Miguel concorda. “Desculpa, mas estou ouvindo isso do anjo que foi traído no dia do casamento, e do demônio cujo o luto foi desrespeitado?” O mais jovem provoca, e os dois se calam. “Sei que amam Luciféria, mas ela também não é um exemplo de mulher certa.”
    Atira na face dos rivais, e eles reagem. Miguel sorri forçadamente, e Azazel finge não ter ouvido. “Está bem. Vamos salvá-las.” O rei tenta desviar do assunto, e monta no seu cavalo negro. “Azazel.” O alado o chama a sós, e este fica confuso. “Por favor, entregue isto a ela quando encontrá-la.” Pede com educação. “Por quê não entrega você? Logo a veremos.” O demônio recusa. “Por quê é provável que eu não volte.” Mostra  receio. “O quê?” O jovem rei fica surpreso. “Você o enfrentou no passado, e ela sofreu com a sua perda. Tem que ficar
    vivo desta vez.” Diz com um sorriso sem vontade, e move as rédeas do seu equino branco. “Não morra
    bastardo!” Grita seguindo outro
    caminho, e guiando os exércitos de
    Azazel e Caim, junto de Asmodeus, 
    que se mostrou pronto para o
    auxiliar. O demônio guarda a garrafa com uma carta dentro da cela, e segue o plano com Caim. “Pronto para resgatá-las?” O sátiro pergunta, pensando na amada ruiva. “Estou sempre pronto.” Responde o vampiro, e os cavalos cavalgam rapidamente, atirando-os contra
    o ar, enquanto estes se transformam em lobos negros enormes.
    Miguel vê que Asmodeus está se pondo em perigo, e olha para este com curiosidade. “Por quê veio?”
    lhe questiona. “Luciféria e Lilá são
    importantes para mim.” Responde,
    seguindo ao lado do arcanjo. “Bem
    mais que importantes, já que está
    colocando sua vida em risco por
    elas.” Brinca, e este apenas se faz de desentendido. De fato tinha algo
    errado, e só o tempo iria 
    mostrar.
    O assassinato e o luto
    Dois cavaleiros, mudam suas formas, 
    o primeiro para a de uma serpente, e o segundo para um morcego, e eles vasculham o lar do novo Deus. O morcego, sobrevoa até a área mais alta, enquanto a cobra passa por debaixo da porta. Ao achar o cativeiro, a cobra toma a forma de um homem encapuzado, que desamarra a jovem terceira rainha, e a pega nos braços. “Você voltou para me salvar.” Ela sorri, ao ser carregada, para fora da sala, e a culpa o consome, por vê-la num estado tão crítico. Os lábios estão secos, o rosto marcado pelo cimento, as roupas rasgadas, e esta nem consegue andar. O palácio piramidal está vazio, e não é
    por acaso, pois a família Belzebu teve de se retirar, deixando alguns soldados para vigiar as princesas, enquanto seguiam para Memphis,
    onde havia um estranho ataque
    de sátiros e vampiros. “Não temos
    tempo para agradecimentos.” A voz de Miguel a acalma, e ela o abraça, embora o sinta diferente. O outro cavaleiro, desce dos aposentos carregando a quarta rainha, que está desacordada. “Lilá!” Se desespera, e
    tenta caminhar até a irmã, mas quase cai, e o alado a segura. “Ela ficará bem, agora precisamos sair daqui. Tenho de te entregar para o Azazel.” Diz ele, voltando-a carregá-la, e esta fica confusa. Azazel? Mas ele esteve no seu casamento, e viu quando disse sim ao demônio, porquê teria reconsiderado? É algo que não parava de se perguntar. Ele
    monta no cavalo, e a põe em seus braços. Eles se encaminham para
    o deserto, e ao ver a amada tão fraca, Caim morde o próprio pulso, e enche seus lábios com o sangue. O quê a faz acordar assustada. “Caim?!” Diz em pânico. “Onde estamos?! Cadê a Lucy?!” São as primeiras perguntas dela, e o vampiro aponta para o lado. Ao ver Lucy, ela sorri surpresa, e ambas olham uma para a outra acenando.
    Sem dizer nada o arcanjo e o homem  morcego, mudam a rota, e então vão para onde se encontra o portal para o Inferno. “O quê? Não, e Azazel? Ele vai morrer! Eu não vou suportar isso de novo!” Lucy se debate, tentando sair do equino, para ir resgatar o seu irmão mais velho. É quando se vê ao longe a silhueta de Asmodeus, e logo atrás dele, há outro ser, o quê lhe dá esperança. O novo deus da luxúria, passa por entre eles, e adentra as terras proibidas. “Vamos. Venha logo.” A jovem suplica, torcendo para que Azazel chegue o quanto antes.  Tão grande é a sua surpresa, ao ver que quem vem no cavalo branco é Miguel, e não Azazel, e se sentindo confusa, ela teme que esteja em outra ilusão de Bael, e se esforça para se machucar, e voltar ao mundo real. Infelizmente o arcanjo não vem sozinho, em seus braços se encontra Eke, e isto lhe parte o coração. Ao ver a sua amada, o arcanjo, beija a esposa, deixando-a de queixo caído, e notando que aquilo é uma tentativa de fazê-la ir para o outro lado, Bael lhe desfere um corte no peito, com uma espada encantada pela deusa Hécate, e o puxa para trás. “Não!” Grita ao vê-lo ensanguentado. “Agora Azazel! Agora!” Grita olhando para ela, enquanto pede para o irmão arrastá-la para dentro do portal. “Não! Miguel!” Ruge tentando se soltar, sendo carregada para dentro, enquanto o demônio volta a sua forma original. Mas não tem forças, e é levada para o reino de Azazel, enquanto Miguel é deixado para trás para morrer. “Por quê fez isso?!” Grita com o sátiro, com lágrimas em seu rosto. “Porquê ele me instruiu.” Responde um pouco abalado. “Ah tah, e desde quando você e Miguel são amigos?! Queria matá-lo! Só esperou a oportunidade!” O acusa pela morte do seu amado amante, e ele ri com desgosto. “Agora sei porquê me incumbiu tal tarefa.”  Diz ainda com o sorriso no rosto. “Do quê está rindo?! Ele tá morto!” Urra chorando sem parar. “Ele me pediu para te entregar isso. Se realmente nos tornamos aliados, ele deve ter
    dito a verdade.” Entrega-lhe a garrafa com o pergaminho, e esta a pega, abrindo-a rapidamente. Vendo o estado da irmã, Lilá se junta a ela na leitura, e a abraça. “Se está lendo isso, é porquê não sou tão forte quanto pensava, e pereci nas mãos de Bael. Sei que fui um idiota, mas acredite em mim quando digo que te amo, e que o seu bem é tudo o quê importa. Não quero que chore sem parar, prefiro que se lembre apenas dos nossos momentos felizes, e não se esqueça que assim como voltou, também poderei fazê-lo. Mas por favor, não volte para Bael, é melhor que siga com Azazel, pois apesar do jeito dele, sei que te ama, e pode lhe fazer feliz, talvez até mais do quê fui capaz. Se o culpa pelo meu fim, te peço que reconsidere, pois fizemos um acordo, e eu pedi para que ele
    ficasse vivo. Sabia que o amava, e não suportaria perdê-lo uma segunda  vez. Ele sempre foi o seu ombro amigo, e aquele com quem pode contar, seria mais difícil, do quê perder um belo anjo, que por muito tempo, ignorou os sentimentos te fazendo sofrer. Eu sei que me ama, e eu te amo também, por isso por mim, perdoa a tua alma gêmea, e siga o seu destino, mesmo que nunca me esqueça, pois não sei por quanto tempo ficarei no mundo de Harmonia, e preciso ter certeza
    de que ficará bem. Para sempre seu, Miguel” A princesa leu aquelas palavras, e colocou o colar dourado com a pedra rubra incrustrada. Não tinha nenhuma magia poderosa no colar, mas foi um presente, o único que Cerridwen lhe deu na vida, e por isso Luciféria sabia do quanto lhe era importante. “Lucy.” Lilá chamou a atenção da jovem, e esta segurou no colar, e secou as lágrimas. “É Nahemah agora” Lhe respondeu com orgulho do nome, e a menor sorriu .com ela. “Aza.” Diz ao entrar no jardim do castelo avistando o demônio, olhando para as flores 
    com tristeza. “Sim.” Atendeu ao
    chamado, e a princesa correu para 
    o seu encontro. “Precisa ler isso.”
    Entrega-lhe a carta, e ao ver a
    mancha das lágrimas, e o nome
    Miguel, este de imediato recusa.
    “Ele foi um oponente valoroso.”
    Assume com o sorriso triste. “Não quer mesmo saber?” A jovem o
    questiona. “Eu já tenho uma ideia 
    do quê seja. Mas me perdoa, não
    estou pronto para nos unirmos
    outra vez.” Esclarece, e a bela fica de queixo caído, também não queria ir em frente, mas ouvir da boca dele,
    foi doloroso. “O tempo realmente muda a gente.” Diz após procurar as palavras certas. “Você escolheu Bael
    em vez de mim...” Inicia para  dá uma explicação. “Esse é o problema? Não ter te escolhido?” Pergunta com certa chateação. “Não. Até o arcanjo era melhor que ele.” O ser revela, deixando-a surpresa. “Azazel.” Ela tenta segurar em seu ombro, e ele segura sua mão. “Em breve iremos dizer que somos noivos. Mas é para que fique aqui, eu não te amo mais
    Luciféria.” Confessa, e parte lhe deixando mais triste. Tal revelação não a abala, mas faz com que se sinta ainda pior. Aquele que achou que a amaria acima de tudo, não sente mais nada, e o quê um dia foi 
    o seu querido par estava morto, o único que lhe restou foi o marido,
    mas deste só queria distancia. 
    A jovem rainha do mundo, e princesa renegada do inferno, seguiu sua vida ao lado do rei. Como o acordo firmado entre eles, noivaram perante todo o reino, com sorrisos e beijos, mas nos aposentos reais, a verdade é que mal eram amigos. Ele não a destratava, porém não era gentil ou carinhoso, e o problema era muito evidente. Ao saber que Lucy voltou para o Inferno, e decidiu noivar-se a Azazel, Lilith se encheu de alegria, e foi visitá-los, e ao descobrir que as coisas não iam bem, sugeriu que o “casal” fosse para o reino de Asmodeus, aproveitar a liberdade e os prazeres daquela terra. Eles foram, por insistência da rainha, que ansiava vê-los juntos, no entanto não tinham a menor vontade de ficarem juntos. Por isso ao chegar lá, o rei se juntou aos amigos Gadreel e Asmodeus, e foi para a taverna mais próxima, deixando a noiva para trás, junto da irmã, que insistiu para ir junto, e de Caim que precisava de férias. “Não acredito que ele esqueceu.” Diz a jovem outra vez ruiva e cacheada, olhando para os decretos que o rei deveria revisar. “Vou entregar a ele.” Sai do local, e procura onde este estaria se divertindo. “ Sei que viemos para descansar, mas precisa administrar melhor o seu reino!” Diz imponente, ao encontrar os irmãos
    sentados a mesa, bebendo. “Querida
    . Por quê não se senta conosco?” Lhe pergunta, desconfortável, sem se dar o trabalho de fingir. “Porquê não sou uma adolescente, sem preocupa...” Ela inicia o seu discurso, e então olha para a cabana a frente, de onde saem os seus pais, e uma bela loira de olhos claros, completamente 
    nua. “Mamãe, papai!? O quê fazem aqui?!” Diz aterrorizada com as possibilidades. “Viemos nos divertir. Como todo mundo.” Diz a imperatriz infernal. “Que tipo de diversão ?” Questiona-lhe, assombrada pela caucasiana. “Oras não haja como se tivesse 7 anos Luciféria!” A rainha nota o incômodo da princesa. “Aqui é uma terra livre de preconceitos minha criança.” Lúcifer concorda com a esposa, e a primogênita, sente falta de ar. “Deixe de ser tão neta de Yaweh, e vá se divertir menina.” A mãe brinca, dando-lhe a ordem, e o pai pega os novos decretos. “Eu posso cuidar disso.” Tenta lhe dá alguma segurança. “Mas...” Luta para seguir com o plano inicial. “Já são 700 anos de noivado, e nada de se casarem. Precisam se soltar!” Diz Lilith, e Azazel e Luciféria riem com nervosismo. Olhando um para o outro, e ao ver que estavam distantes, a bela se senta no colo do seu suposto par. “Como sua rainha,
    ordeno que aproveitem as férias!” A bela grita, e ela e Lúcifer partem com Evangeline, a bela loira de antes. Ao ver que foram embora, a princesa se levanta, e decide fazer o mesmo. Só que para o seu azar, ela percebe que a porta foi bloqueada, e toda vez que tenta sair, é obrigada a voltar. “Sente aí Lucy. Não somos piores que os seus dragões.” Asmodeus a convida, e esta de má vontade, se junta a eles. “O quê estão fazendo?” Pergunta olhando para o tabuleiro gritante. “Jogando o culpado.” Azazel esclarece, notando que o amigo está olhando demais para a falsa noiva, por quem ainda nutre amor verdadeiro. “Este não é aquele jogo proibido no reino dos nossos pais?” Ela pergunta, segurando os pequenos humanos, que imploram para viver. “Sim, mas aqui é Asmoath, a terra quase sem lei. Só
    não violamos a consciência de quem se aventura a vim até nós.” Responde o dono do lugar. “Quer jogar conosco?” Azazel pergunta, 
    eles não se falam direito, porém ele continua a cuidar dela, e tenta lhe fazer bem. “Não tenho outra escolha.” A bela pega a bebida, e vira rapidamente, derramando gotas em seu peito, algo que atrai a atenção do ser que representa a luxúria. O grande soldado olha para o amigo, o repreendendo, e este para de imediato. A dama nem percebe, que está sendo o centro das atenções ali,
    e eles iniciam o jogo. O culpado, é um dos 7 jogos proibidos no Inferno,
    já que este envolve tortura e mutilação, para diversão, e não a necessidade. Fundamenta-se na máxima, de que o assassino sempre se faz de inocente, e ganha o jogo
    quem descobrir qual deles é a
    raiz do mal. Lucy olha para uma mulher, que está implorando pela vida, e se compadece, acreditando 
    que é inocente. Por isso a defende
    dos fantasmas que a perseguem, só
    que no final, descobre que é uma dos culpados, e assassinou pelo menos 20 crianças, em nome do seu senhor Belzebu, e resolve assassiná-la, com um golpe no pescoço. O mais interessante deste jogo, é que cada um dos culpados, realmente cometeu tais crimes, e são miniaturas dos originais, que se encontram no reino de Belial, onde são cruelmente julgados. “Só um golpe no pescoço Lucy?! Você é muito ruim neste jogo!” Asmodeus a provoca, e ela o ignora, pois achava mesmo que a Sra. Hah, era uma mulher que tentava salvar as crianças, e com isso se enganou feio.
    “Vou te mostrar como se faz!” Prossegue com a irritação. Asmodeus
    olha para a sua miniatura, e então sorri com pervesidade. É um homem de poder, que tinha abusado de várias garotas, e que agora se sentia um deus, ou no mínimo um dos seus favoritos. Para torturá-lo, ele o faz perder o poder, em seguida que veja os rostos das moças mortas em toda parte, e por fim ás traz do além túmulo, para persegui-lo por toda a eternidade, sem descanso, e para garantir que estas irão matá-lo todos os dias, faz o tempo ir e voltar, sempre para o mesmo momento, até que este perca a sanidade, e fique chorando como o condenado que 
    é. “Só isso?” A bela resolve entrar no jogo do demônio. “Consegue fazer melhor? Ou vai assassinar o próximo com o chifre de unicórnio?” Ele continua a chateá-la, e esta fica bem pensativa. Sua miniatura é Haruka , uma mulher de 33 anos, que tem levado várias mulheres da magia ao suicídio, por adorar Yaweh acima de tudo, e nunca ter sentido o toque 
    de um homem. Mas antes de morrer, esta estava arrependida e acreditava ter salvação. Desta vez Luciféria nem analisa a criatura, só pelo que vê no holograma sobre a vida dela já a detesta. “É hora da brincadeira.”
    Diz com o sorriso maldoso. Presumindo que por seguir o céu, a euroasiática Haruka, é apaixonada por tudo o quê tem, e por se sentir superior por ser pura, a princesa do inferno a leva para uma festa. Esta vai sem questionar, pois é neste ambiente, que encontra suas vítimas. O garçom lhe oferece a bebida, que está contaminada com o aditivo de Bael, e a pura e perfeita Haruka, se atira em cima de vários homens, mas todos a rejeitam, porquê sua pureza , ali é motivo de vergonha.  Cansada e com dor, esta se depara com várias criaturas horrendas, fortes e musculosas, que ficam envolta dela, e lhe arrancam as roupas. Como se não bastasse deixar de ser virgem, da forma mais humilhante, estes ainda tem espinhos em seu corpo, e toda vez que entram em todos os orifícios possíveis, ela se esgoela em
    pânico, sentindo-se cortada por dentro. “Esta indo bem.” Asmodeus percebe certa maldade crescendo na irmã mais velha. “Quieto.” Lucy se concentra, e eleva o sofrimento de Haruka. Quando esta volta para casa, toda suja, com as roupas destruídas, e o corpo ferido, sua família em vez de recebê-la, a manda para a rua, onde ela volta a se encontrar com os seus agressores sobrenaturais. Com medo deles, resolve se refugiar numa igreja, mas como foi tocada pelos demônios, o próprio Deus lhe diz que a repudia. Ela chora sem parar, sentindo-se tão mal quantas as moças que matou. Porquê ela tinha de ser tão cruel? Se perguntava. Aquelas meninas não mereciam tal fim, o mesmo que levaria, por ter mandado que os seus amigos, abusassem delas uma a uma, para validar a sua fé doentia, ou então se matassem, para “diminuir o nível de vermes no mundo”, como a própria dizia. Sem saber o quê fazer, ou o quê está de fato acontecendo, já que os demônios hora vem, hora não, esta se interna junto com outras mulheres, num local o qual os curandeiros ficam tão assustados, que a cegam para que os demônios a deixem em paz, infelizmente para ela, isto só aumenta a diversão deles, já que com tudo escuro, ela sequer
    consegue se defender. Desesperada por um fim, esta tenta pegar qualquer coisa para se ferir, porém
    toda vez que acha algo que pode lhe matar, isto desaparece de suas mãos, e a sua vida é imortalizada, para que sofra, até o demônio, ou neste caso a anjo dizer chega. “Nossa Lucy! Parabéns!” Azazel fica realmente surpreso com o jogo da bela. “Realmente melhorou admito.” Asmodeus fica fascinado pela escuridão, e ela sorri, subindo na cadeira. “Quem vai matar alguém com o chifre de unicórnio agora?!” Brada erguendo o copo, e quase cai, devido a tontura. Mas o rei de Asmoath a pega em seus braços, e tanto Azazel quanto Gadreel ficam sem entender o quê ele quer com a menina. “Eu vou pedir água curativa.” Diz sem jeito, e vai até a tábua onde se debruça. “Luciféria.” Asmodeus surge logo atrás dela, e esta quase cospe a água. “Olá.” Diz sentindo-se incomodada. “Me beija.” Diz ele tentando dispersar o seu feromônio
    de demônio, mas não parece surtir efeito nela. “Não obrigada.” Pega o copo e se retira. Ele agarra seu pulso, e vendo isto o ferreiro do inferno, sai do lugar para ir salvá-la. “É só um beijo, não estou pedindo nada demais, a não ser que queira.” Ele tenta manipulá-la, e a bela ri. “Asmodeus. Eu não quero. Desculpa mas não vou ser mais uma que...” o
    belo demônio de olhos verdes, a puxa, e lhe rouba um beijo. Esta fica sem reação, pois há 700 anos não sentia alguém lhe beijar com tanto desejo, e isto a pega de surpresa. “Foi ruim?” Ele pergunta, querendo ir para o segundo, e ela sai correndo, tentando se afastar dele, só que este não desiste e vai atrás. “Você não vai a lugar algum.” Azazel o para. “Você teve 700 anos, e disse que a esqueceu, então sim eu vou me divertir.” O garoto rebate, e passa pelo irmão. Azazel fica exasperado, mas Gadreel o segura, não era de hoje que o irmão mais novo, estava cercando Lucy, porém esta era a primeira vez que tinha
    tomado tal atitude. “Você teve 700 anos amigo.” O impede de atacar
    o outro. “Você não vai escapar outra vez.” O belo demônio diz, ao
    segurar seus pulsos, atrás das
    costas, não deixando-a sair. “As.
    Não faça isso.” Diz em tom de
    pedido. “Do quê tem medo? Todas saíram satisfeitas.” Se exibe como
    o garoto jovial e imaturo que é.
    “Eu sou sua irmã.” Esclarece para que fique claro. “Lilá também era, e dormiu com todos.”  O símbolo da luxúria fala. “Todos?” A dama fica desconfiada. “Menos Azazel, por conta do código de vocês.” Revira os olhos. “Eu não sou a Lilá. Prazer Luciféria Lilith II, ou Nahemah para os mais íntimos.” Diz de forma sarcástica, e isto o enlouquece. “Foi um beijo ruim? Azazel finge está com você, e o seu arcanjo ainda não reencarnou, por quê não se dá uma chance de fazer algo novo?” É provocativo, e a beldade ruiva ri. “Desiste.” Olha nos olhos dele, e este a beija outra vez. Para que a solte, ela finge ceder a ele, e o beija de volta, no entanto quando a solta, suas mãos vão para a nuca, e o ponto certo das costas,
    o quê realmente lhe desperta o
    desejo. Por mais que sinta que está entregando a vitória ao inimigo, acaba se deixando levar, e outra vez 
    se sente mulher na árvore onde deu
    o primeiro beijo com Azazel, e ainda
    se deitou com o arcanjo. Após a
    estranha noite, a dama se veste e o deixa sozinho abaixo da árvore. Sente vergonha de si mesma, conhece o irmão, e sabe que irá se vangloriar pelo acontecido, por isso retorna para o castelo, e se esconde no quarto. “Lucy o quê houve?” Lilá corre atrás da mais velha, e esta a
    evita. “Por favor abre a porta.” A menor implora, e esta a destranca. “Eu preciso ir embora de Asmoath”
    Diz arrumando as malas. “O quê fez?” Questiona desconfiada. “Eu
    fui a última conquista que faltava para Asmodeus.” Responde com
    dor na garganta. “Como isso aconteceu?” Inquire a pequena,
    surpresa com tal descoberta. A primogênita luciferiana, lhe explica tudo, e pega as malas. Só que quando está para sair, o seu noivo postiço entra nos aposentos, e pede que a caçula se retire. “Asmodeus?
    Não podia escolher outro?” Pergunta indignado com o fato. “Você é meu noivo, por um contrato, mas não me ama mais lembra? Não tem o direito de reclamar.” Rebate, pegando seus
    pertences. “Eu estava chateado, você tinha se casado com o demônio mais que cruel do universo.” Ele retruca sem acreditar. “Está preocupado com a sua reputação 
    Alteza?” Pergunta com ironia. “Eu não me importo com isso.” Se mostra apreensivo. “Então?” Ajeita as últimas coisas. “Ele é meu melhor amigo, mas vai destruir você.” É o
    quê diz preocupado. “Eu não o amo
    Aza. Só simplesmente aconteceu.”
    Explica, e passa pela porta. O rei cruza os braços, e a deixa ir. Azazel
    não estava errado, depois daquele dia, o amigo contou a todos os reinos
    , que conseguiu esquentar o corpo
    gélido, da rainha da neve. A fofoca se
    espalhou tão rápido quanto um vírus, e logo Luciféria virou motivo de zombaria, principalmente para as
    nobres, de quem antes ela mesma
    tirava sarro, por cederem ao
    garoto desejo. Nem nas terras 
    do noivo, era deixada em paz, já que nelas os habitantes lhes julgavam, por trair o senhor mais generoso e bondoso que já conheceram. Por isso
    a ruiva, um dia perdeu a cabeça, e resolveu partir. “Lucy!” Ouviu a voz familiar, e colocou o pé para fora das terras infernais. “O quê quer?” Lhe olhou com ódio.  “Por quê está indo embora?” Perguntou como se fosse inocente. “Você ainda tem a audácia de me perguntar As?!” Vira-se para
    o jovem. “São só fofocas Lucy!” Ele
    tenta dizer como se o fato não tivesse importância. “Que graças ao
    que fizemos, tenho certeza que são
    reais.” Segue para a saída, e ele
    segura seu pulso. “Eu tenho muito
    mais paz, sendo a outra esposa de Bael.” Caminha para o horizonte.
    “Não, não volta para lá. Ele te feriu,
    te humilhou, está maluca?!” Ele a puxa para os seus braços, e a abraça por trás. “Me solta. Aquilo foi um erro, e não vou repetir!” Se livra dele. “Fica Lucy. Por favor, não vai
    se arrepender.” Diz ele quase choroso, e esta retorna desconfiada.
    “Não acredito nisso, mas tudo bem.”
    O portal se fecha, e ele segura a
    sua mão.
    O noivado que não vingou 
    Após impedi-la de partir, o ser mais cobiçado do inferno, segurou sua mão,
    e caminhou com ela, depois foi a vila central que liga todos os reinos, e
    gritou para todos que era a sua namorada, e ninguém devia tocar nela,
    a não ser que antes falasse com a mesma, e lhe pedisse permissão. Aquilo
    a deixou emudecida, e quando todos
    partiram, esta o puxou para o
    canto. “Namorada?” Sussurrou com
    certo desgosto. “Prefere ficar no seu relacionamento de mentira?” Questionou, abrindo os braços, como
    quem não entendeu nada, e a deixou
    falando sozinha. “Não pode está falando sério As!” O seguiu, enquanto este caminhava a passos rápidos. “Por
    quê não?” Asmodeus gira para  
    lhe responder, e a pega em seus braços como se estivesse dançando. “Você nunca namorou ninguém na vida!” ela berra, e ele a faz cair, mantendo-a em
    seus braços. “Nunca encontrei alguém
    que valesse tanto a pena.” Sorri e a
    beija, voltando a mantê-la em
    pé. “Espera quer mesmo me assumir?”
    Não acredita na possibilidade. “Sim, só
    fiz da sua vida um inferno, porquê disse ao Azazel que não me amava.” Confessa. “Eu achei que só queria uma noite, completar a sua lista.” Cruza os braços, ainda duvidando. “Eu te deixei por último Lucy, porquê você é especial para mim, e não achei que seria capaz.” Diz com certa vergonha. “Mas foi, o quê me faz mais uma.” Rebate. “Não, você
    é a minha irmã mais velha Lucy. Sempre
    gostei de ti, te admirei, jamais faria tal coisa contigo, com Lilá sim, mas você
    não.” Quase se declara. “Há quanto tempo planeja isso?” Fica desconfiada.
    “Desde que me beijou naquele desafio.”
    Ri, e ela se recorda do dia. “Eu tinha 9,
    e você 7. Tá brincando comigo?!” Fica
    sem jeito. “Nunca tentei nada, porquê
    seu coração estava ocupado com o
    arcanjo, e o melhor amigo.” Se senta 
    na fonte. “As. Você e eu não daríamos
    certo.” Se junta a ele. “Jamais saberá
    , se não tentar.” Segura a mão dela.
    “Luciféria Lilith II, você aceita namorar
    comigo?” Pede-lhe como um cavalheiro.
    “Por favor?” Implora com olhos doces.
    “Eu aceito, mas não acho que dará
    certo.” Ele sorri.
    De fato Luciféria estava certa. Asmodeus era um viciado em sexo, e
    mesmo namorando com ela, tinha as
    outras. O quê a tornava muito menos
    interessada, em permanecer ao seu
    lado. “Como anda a vida ao lado
    de Asmodeus?” Diz Azazel
    sorridente, chegando a sacada na
    qual a bela se encontra. “Tirando o fato
    de que ele está em mais camas, que um doente, bem.” Lucy bebe uma bebida
    forte, e faz cara feia. “Não deve ser
    fácil, sofrer mais traições que eu
    e Miguel.” Ri da situação.
    “Não é traição, se ele me conta, e 
    permito.” Diz com um incomodo em
    sua garganta, bufando de raiva. “Eu detestaria se você estivesse comigo e outros.” Ele se aproxima dela, com segundas intenções. “Não lembro
    de permitir isso.” Diz o par da
    jovem. “Também não lembro de 
    ter permitido, que ficasse com a minha noiva.” Diz com desgosto. “Você mesmo
    disse que só eram noivos para ela ter um lar.” Rebate. Os melhores amigos, estão a se estranhar, desde que a união
    deles foi concretizada. “Também disse
    que não me amava.” Ela completa, se
    colocando do lado do parceiro. “Viu?”
    Ele sorri para ela. “Mas eu amava. Do
    contrário, por quê cuidaria de ti, depois
    de ter ido com Bael?!” Os surpreende.
    “É tarde. Lucy me escolheu, aceite 
    isso, não pode vencer todas.” O ser
    o expulsa. “Está bem. Você cuide bem
    dela, e Lucy te vejo depois!” Ameaça
    o amigo, e acena para a sua eterna
    amada. Infelizmente a visita faz 
    o efeito esperado. Luciféria já não
    suportava mais encontrar o namorado
    ,com marcas de batom e cheiro de 3 ou
    4 perfumes diferentes, e por isso teve
    que conversar com ele, mas acabou
    em discussão. “Lucy eu preciso disso!”
    Ele berrou. “Eu não pedi pra namorar
    com você! Sabia muito bem onde tinha
    colocado o seu pé!” Grita. “Nós temos
    um acordo! Por quê não dorme com
    os mais belos que escolhi para 
    ti?!”Propõe com fúria.  “ Por quê eu
    só quero você idiota!” Confessa com as
    lágrimas descendo pelo rosto, e então
    tenta correr, só que ele a agarra, e
    a joga na cama. “Você realmente não
    está feliz com isso?” Pergunta como se
    estivesse temeroso. “ Eu amo você As,
    já estamos juntos há  500 anos, não tem
    como não sentir nada.” Confessa, e
    lhe diz o quê sente pela primeira
    vez. “Você nunca...” Ele fica sem palavras. “Eu tenho ciúme, finjo que
    não, mas me incomoda, que não seja
    só meu.” Diz olhando para o lado. “
    Se não está feliz...” Ele respira
    fundo, e ela acha que vão terminar.
    “Eu vou me controlar, e serei somente
    seu.” Diz dando-lhe um beijo, e esta
    o beija de volta. Como o esperado,
    nenhuma súcubo, ou incubo acredita
    nas palavras do novo senhor da luxúria,
    e todos tentam dificultar a sua decisão,
    mas o sentimento dele por Luciféria, é
    tão grande, que ele guarda todo o
    seu desejo para a parceira. As noites deles se tornam ardentes, e eles
    passam a fazer coisas que antes não eram capazes. O sentimento um 
    pelo outro só cresce, porém o fato de Azazel não desistir, torna o namoro complicado, pois o antigo par ainda
    desperta o amor dela, como na época
    em que Miguel a castigou friamente.
    “Não podemos mais nos ver. Não
    como amigos.” Diz para ele. “ Mas não
    fazemos nada, a não ser conversar!” ele fica indignado. “Eu vejo como olha para mim, e As me fez noiva dele, não vou
    trair outro noivo com você!” 
    Reponta. “Nem se me olhar nos olhos?”
    Ele se aproxima, e vai caminhando, até
    encostá-la na parede. “Ou se recordar do dia que te fiz mulher?” Aproxima 
    seus lábios dos dela. “Não.” Diz como
    uma menina com medo. “Você ainda
    sente arrepios com meus avanços,
    não creio que me esqueceu.” Fica
    cada vez mais perto, e esta corre para
    longe. “Pare!” Grita, e Asmodeus a ouve. Ao ver a atitude do amigo, prefere
    observar, em vez de se manifestar. “Você me ama Luciféria. Só está agindo
    assim, para me castigar!” Ele a segue. “
    Não se trata disso! Aquele menino fez
    loucuras por mim! Me amou como
    nem você ou Miguel foram capazes!
    Não seria justo com Ele!” Ulula com
    certo pesar. “Ah não! Não começa!”
    Continua a ir atrás dela. “Ele fez sim
    sacrifícios por você! Mas não foi o
    único!” Ataca, e ela prossegue com
    a fuga. “O anjo foi um falso Deus, para
    Bael não te matar, e nós dois morremos
    por você!” Inicia, e ela o menospreza.
    Eles eram soldados, a morte não era
    dura para estes. “Eu te deixei casar com Miguel, e depois com Bael, enquanto sofria em silêncio!” Confessa, e isto lhe chama a atenção. “Não entrei naquele
    quarto, para agradar meu pai, e sim para tentar te impedir de ir adiante,
    porquê não queria te perder para
    sempre!” Completa. “Só que após ver
    as consequências, de não ter te deixado ir, preferi que casasse com Bael, porquê
    queria que fosse feliz, mesmo que não
    estivesse do meu lado.” Confidencia.
    “Ele é perverso.” Mostra rigidez. 
    “Sim é. Porém preparou um casamento com tantos requintes, que achei que te amava, e te faria feliz.” Por mais que lhe doesse, ele a deixou seguir adiante com o demônio. “Ele te fez a rainha dele, excluindo as outras. Não achei que
    te faria mal.” Admite, sentindo farpas
    nas cordas vocais. “Só que Lucy não 
    aguento mais te deixar partir! Eu te amo, sempre amei! Por favor desfaz
    esse noivado, e fica comigo de verdade
    desta vez!” Implora entre lágrimas, e
    a bela acaba chorando muito, e o
    abraçando forte. Achava que ele tinha
    a esquecido, ido a diante sem ela, só que agora tinha certeza de que ele
    a amava, mesmo tentando esconder,
    e não podia voltar atrás, não depois
    de tudo que Asmodeus tinha feito,
    para que ficassem juntos. Ao ver o
    sofrimento dos dois, o demônio da luxúria, deixa o lugar com o olhar
    cheio de trevas. Na noite anterior
    ao dia do casamento, ele olha para
    a ruiva dormindo ao seu lado, e sente
    que quer passar toda a eternidade com ela, e é por este sentimento que toma
    as rédeas da situação. “Que bom que
    veio.” Diz desgostoso. “O quê quer?”
    Azazel se mostra frustrado. “Queria
    me casar. Mas parece que a minha bela 
    futura mulher, já escolheu o próximo
    marido.” Respinga, atraindo a sua atenção. “Veio apenas se vangloriar.”
    Os olhos vão para o céu, e este quase
    se retira. “Não sou eu.” Esclarece, e o rival ergue a sobrancelha. “Se a ama
    tanto, por quê não se juntou a ela ao voltar?” Pergunta pronto para brigar.
    “Porquê eu estava furioso. Ela tinha
    dito sim a Bael, e isso acabou comigo.”
    Alumina, e o outro ri. No dia do grande
    casamento, todos se preparam para o
    dia em que finalmente Luciféria, não
    irá se juntar a um traidor. Harmonia
    está com o olhar de satisfação, e a filha
    Lilith parece animada e alegre. Lilá não
    parece tão feliz, mas se arruma para
    ir com Caim. “Tem certeza disso?”
    Uma voz disse. “Sim.” Outra
    respondeu. A noiva se arruma para ir
    até o altar, Asmodeus lhe disse para ser mais bela do quê nunca, pois a união iria entrar para a história, por esta
    razão ela compra o vestido 
    dos sonhos.
    Quando se casou com Bael, colocou
    o vestido vermelho sensual, igual as outras esposas. Só que embora o
    escarlate lhe caísse bem, o seu
    sonho nunca foi casar com
    esta cor.
    Desta vez queria usar o preto, que
    representava as trevas presentes em
    seu ser, e o seu buquê sim seria de
    rosas tão vermelhas quanto o
    sangue.
    Não colocaria o véu, pois com o
    seu par, não precisava fingir pureza,
    no lugar disso punha o espartilho, para acentuar o decote, junto de uma longa saia bufante, com detalhes violetas, e luvas da mesma coloração.
    O cabelo seria preso como o de 
    julieta, com cachos caindo na frente 
    da face. Ela estaria linda, sem ser obrigada, a vestir-se da maneira
    que o noivo quisesse.
    Lucy entra no templo, respirando
    fundo, não havia esquecido de como
    se sentiu nos braços de Azazel, mas ia cumprir sua promessa, porquê As era
    um par excelente. Contudo seus olhos
    se enchem de lágrimas, e o sorriso
    se alarga, ao ver o noivo.
    Asmodeus se aproxima dela, de terno
    e gravata vermelha. “Pronta?” Ele lhe dá o braço, e ela aceita ir com ele. “O
    quê está fazendo?” Lhe questiona.
    “Vi uma cena que me comoveu, sobre
    um casal que quase arruinei.” Confessa,
    lhe levando para o altar. “Vocês se
    amam, eu não quero ser o culpado por
    sua infelicidade. Por isso fiz esta
    surpresa.” Diz entregando-a
    para Azazel, que está todo de preto,
    também de terno, mas com a gravata
    cinza metálico. “Faça ela feliz irmão.”
    Se despede com um sorriso de
    júbilo. Ela sorri com encanto para o
    futuro marido, e Harmonia da inicio a
    cerimônia. “Em nome das cordas do
    destino que nos ligam, eu te aceito
    como meu marido/esposa” Dizem
    em conjunto, e um anel em forma
    de energia, surge envolta dos
    seus dedos, cujas as veias se ligam
    direto aos seus corações. “E com a
    minha sagrada benção, eu os declaro
    marido e mulher” Diz a Grande Mãe
    de todos os seres, e o casal dá um
    beijo com fervor.
    Fim...?
    Epilogo 
    A insatisfação do Diabo
    Minha esposa se casou com outro, e fez votos além da morte e a vida, como nunca foi capaz comigo. Ela está outra vez nos braços daquele moleque, que lhe levou para o reino de Nahemoth, no qual a fez sua rainha. Não consigo dormir, nem seguir adiante com a minha segunda esposa, quando sei que a terceira, agora geme nos braços de outro. Sinto meu coração explodir, ao
    imaginar outros lábios tocando os seus,
    meus nervos ficam a flor da pele, ao pensar no quê ele faz com ela todas
    as noites. Luciféria...Nahemah tem que
    pagar pelo seu terrível crime, de agora possuir dois maridos. Sei o quanto o inferno é importante para ela, e por isso que trarei todo aquele povo, para ser
    julgado pelos meus executores. Não a deixarei sorrir ou ser feliz, se não estiver junto de mim. Tomarei tudo o quê lhe é
    importante, até ela voltar a ser minha,
    e somente minha outra vez!
  • CAÇADOR DE PIPAS

    Sentei... Mais um dia de ônibus, encostei-me ao banco, fiz dele minha cama. Estava ensolarado, só por fora, por dentro, assim, onde o monstro cardíaco habita havia nada mais que uma tempestade borbulhante de caos. Doía... cada veia sendo altamente destruída. Veio o faltar insano de fôlego, suspirei, antes de abrir os olhos em um reflexo joguei a mão para o canto como se pudesse expulsar todo o pesadelo; vazio. Quase derrubei o livro de um caçador de pipas. Lá estava ele, um rapaz descabelado, conciso, mal olhou para o lado, meu pedido de desculpas foi absorvido pelo oco de um gesto simples que dizia “ok”. Lá estava... A dor ainda me acompanhava. E, as páginas? Por que não estavam me enrolando em um abraço? Suspirei as fagulhas da linha, a vidraça temperada da linha. A pipa cortando entre a esperança e o desespero. Um amor de dois segundos, entre uma face rubra e um gesto oco. “Fica mais”, pensei, quando o jovem que estava em pé foi sentar na primeira cadeira vazia. “Fica mais”, quase sussurrei. Como se tivesse escutado esbarrou em mim. “Isso... fica mais”, o pensamento repetia. Pegou no meu braço, era outro gesto, menos oco, era seu pedido de desculpas. Um toque de dois segundos. Sentou. As pipas iam circulando uma na outra, cortando... cortando. As veias pulsando. A dor ainda persistia. Quatro paradas depois, o rapaz pegou o livro e a mochila, olhou em despedida, um olhar de dois segundos, outro gesto menos oco, um adeus. Foi-se com as pipas, uma ainda persistia dando voltas sem rumo pela cabeça do moço. E, as páginas? Por que não me abraçaram? A tinta empalha. Aquele amor durou: um rosto rubro, um gesto oco, dois menos ocos, um adeus, algumas pipas destroçadas, um vazio inconstante e um sussurro: “Fica mais”.
  • Café, Rotina e um Pouco de Horror

    Essa sempre foi minha rotina no final da tarde: chegava do trabalho muito cansada, sem coragem até mesmo para usar as chaves e abrir a porta, deixar o café esquentar na cafeteira, enquanto jogava minhas roupas por todo lado da casa e procurava por algum filme na Netflix.
    Filmes de terror nunca me assustaram, mas ver pessoas tomando sustos e entrar em desespero me garantia boas gargalhadas antes de cair no sono. Hoje algo diferente e assustador aconteceu.
    Assim que cheguei e seguia rigidamente minha rotina, na cozinha aconteceu algo que para mim não passava de um acidente doméstico causado por algum descuido. Afinal, é comum que uma pessoa cansada coloque sua cafeteira na beirada da mesa de cozinha e ele caia com o chacoalhar da água fervendo. Pois bem, a cafeteira caiu, tomei um susto, mas ignorei e nem mesmo levantei para limpar o chão, apenas voltei para a TV, mas quando olhei, ela estava na página do YouTube e na caixa de pesquisa, tinha palavras como: demônio, rituais e suicídios. O que me deixou confusa foi o fato de que eu não lembro de abrir o YouTube. Enquanto tentava lembrar em que momento eu havia entrado naquela aba, algo ainda mais estranho aconteceu. Senti um frio na minha nuca, na verdade era como se alguém estivesse soprando em linha reta nas minhas costas, assustada, imediatamente virei sem saber o que procurar, pois estava sozinha e neste mesmo instante sentir um dedo subir por minhas pernas, a parti dos joelhos, em direção a minha virilha.
    Aquilo já era demais, eu tentei não acreditar, queria não acreditar. Corri em direção as minhas roupas espalhadas pela casa e tentei vesti-las o mais rápido possível. Ainda sem terminar de me vestir, com a intenção de sair, dei alguns passos até a poltrona onde deixei o controle da TV e o peguei, mas quando pressionei o botão de desligar, a TV nem mesmo piscava. Aproximei-me para desliga-la manualmente e ainda assim ela permanecia ligada, mas a angustia tomou total controle quando puxei o cabo de energia e ela não desligou, aquilo fez meu mundo desmoronar, não era possível.
    O frio aumentou e eu já podia sentir meus dentes tremer, e não sabia se era de frio ou medo. Olhei ao meu redor e tudo que passava por minha cabeça eram as palavras; suicídio e demônio. Corri até a porta, não queria passar nem mesmo mais um segundo ali dentro, mas antes de sair fui desligar a luz, a luz também não desligava, mesmo clicando várias vezes com muita raiva e isso pareceu dar mais força para tudo aquilo, pois o controle foi arremessado na parede, espalhando-se em alguns pedaços no chão. Senti minha pele umedecer em lágrimas, estava entrando em pânico. Pânico ainda não é suficiente para descrever o meu estado emocional naquele momento e foi por consequência que decidi fazer a única coisa que podia me tirar daquele pesadelo. Peguei garfo todo metálico e fui até a primeira tomada de energia e empurrei-o, eu esperava que fosse instantâneo, nada aconteceu, achei que estivesse fazendo errado e continuei tentando, mas quando percebi que nada aconteceria, eu dei um grito estridente e chorei ainda mais. Ajoelhada e sem esperanças coloquei as mãos nos ouvidos para não ouvir as batidas das gavetas de talheres que havia acabado de começar junto com uma almofada que foi arremessada em direção a janela, não pensei duas vezes quando a segui e pulei para fora da janela.
    Tudo ficou escuro por alguns segundos, seguido por um clarão. Eu estava acordada. Estava confusa. Peguei o controle da TV onde passava o vídeo de um homem com máscara de coelho e parecia contar uma história sobre demônios, quase me distraí, mas quando finalmente pressionei o botão, rapidamente ela desligou. Fui até a cozinha e a cafeteira estava inteira em cima da mesa e o café nem estava fervendo ainda. Mas eu continuava com muito frio!
  • Cartas ao Remetente

    Basta ler,
    quando o carteiro por um engano destinado ao acaso vier lhe entregar, basta ler.
    Eu simplesmente não consigo parar de pensar como ela deve ser. Suas palavras são mais do que letras que ferem páginas, são mais que desenhos e sentidos, são mais do que tudo mais para mim.
    É assim, só assim que sossego meu ser. É como alma em pedra é loucura por saber, mesmo não vendo seu gosto e não sentindo o desenho de seus lábios eu desejo cada vez mais o doce do seu corpo ao entrelaçar o meu não querer.
    Fato consumado, “acho que quero mais que você”. Ando pelas avenidas tentando entender como suas cartas chegam, como posso saber, parecem voar acariciando o vento e o maldito perdido nesse gelo ardente e com o ar no ouvido suas letras vendo.
    Tudo tão belo, em um erro certo fizemos nós a partir de você. Sonho em tê-la sempre ao meu lado e creio que vejo algo errado. Não nos conhecem como reflexos de nossas vivencias, aliás espelhos mentem.
    Por isso escrevo:

    “Hoje pensei que tinha escutado a sua voz,
     mas isso é algo impossível,
    pois palavras não emitem sons físicos,
     porém acho que esse nosso amor de desconhecidos
     já se tornou possível!
    Ontem, quando me deitei, lembrei da última carta que me enviou.
    Você dizia que estava à procura de seu namorado,
    contudo ele não queria ser encontrado.
    E quem não quer ser encontrado não há procura que se localize.
    Sei que é culpa minha,
    pois aquela minha carta anterior
    passou dos limites,
    perdoe-me,
    mas eu não ligo!
    Já te disse(escrevi) milhares de vezes,
    que nós somos os não conhecidos
    mais distantes que se pode amar.
    Você se lembra da nossa primeira carta?
    Eu a guardo na minha caixa negra,
    pois coisas em constante claridão morrem,
    porém o obscuro é lembrado e compreendido.

    Saudades,

    de nunca ter te conhecido.

    Mateus.

    Eu odeio muito…”


  • Como evitar?

    De sua voz, vim a me drogar
    Como evitar?
    Seus abraços vieram a me viciar
    Como evitar?
    Que vontade de seu perfume respirar
    Como evitar?
    Como quero te encontrar…
    Como evitar?
    Que desejo de contigo ficar
    Como evitar?
    Uma apreciação em te acariciar
    Como evitar?
    Todas as noites, contigo sonhar
    Como evitar?
    Dar meu ombro quando tu chorar
    Como evitar?
    Uma ânsia de te beijar
    Como evitar?
    Os dias para seu aniversário contar
    E mais ansioso que você esperar
    Como evitar?
    Se foi por ti que meu sentimento veio a aflorar
    Como evitar?
    Se foi tu que meu coração escolheu amar
    Afinal, como posso evitar?
  • Descoberta

    Capítulo 1
    Estava eu a procurar uma camisa no guarda-roupas do meu quarto, quando me dei de cara com um objeto um tanto rústico para o restante das pessoas que procurava há séculos — talvez fosse exagero meu —, meu cordão com uma pedra ônix fazia quase parte de mim, e estava aflito com medo de especular a possibilidade de tê-lo perdido para sempre, mas finalmente o encontrei. Passava das oito horas da manhã e já estava bem atrasado para a aula em minha escola. Certamente não desejaria levar mais uma advertência em menos de uma semana por falta de pontualidade nas aulas do senhor Janet.
    Janet era meu professor de literatura e era caçoado dos demais estudantes pelo simples fato de seu nome ser dito feminino, mas justificara isso, pois seu pai assistia muitos filmes quando mais novo, lia bastante e se deparara com um série de livros cuja a protagonista era uma mulher chamada Janet e se encantara pela mesma, prometendo a si mesmo que homenagearia a mulher colocando seu nome em seu primeiro filho, fosse homem ou mulher. Deu no que deu.
    Mais tarde, pelo meio da aula de literatura me veio na cabeça algo que havia esquecido de fazer - eu realmente estava tenso naqueles dias e necessitava de férias, caso o contrário precisaria de remédio controlado, a não ser que eu quisesse enlouquecer — Sei que tinha prometido algo a meu amigo Ferdinando e era algo de suma importância para o mesmo, mas nem com todo o esforço do universo eu conseguira me lembrar. Peguei-me em divagações quando fui chamado atenção pelo meu professor, que pedira pronto para me ferrar que eu me dirigisse para frente da turma e fizesse uma breve síntese do próximo livro que íamos ler com base em suas palavras — mas eu não havia escutado nada — sem alternativa acabei por afastar a carteira e segui como seu terrível plano de me ferrar — estava realmente paranoico, pois aquele era meu professor e minha aula preferida — quando cheguei à frente daquela turma que por incrível que pareça estava posta com toda a atenção deles ligados em mim, olhei com um impulso para o relógio de ponteiros pregado na parede e suspirei de alívio imperceptivelmente. A sirene tocou, salvo pelo gongo pedi desculpas ao senhor Janet e ele não aceitou assim tão facilmente, me deu um livro que até então nem sabia o título para que lesse em uma semana e apresentasse um resumo na frente da turma sem consultá-lo. Fui pego de surpresa, pois apesar de amar ler, eu certamente perderia toda a sanidade que restava em meu ser se me compromissasse com mais alguma coisa nesse final de semestre, porém não tinha opção. Era isso ou zero, e a nossa amizade não tinha o menor peso dessa vez.
    — Senhor Janet! O senhor quer me enlouquecer de vez?! Acha que não tenho o que fazer?! Acha realmente que só tenho as suas coisas pra dar conta?! Perdoe-me a grosseria, mas suas aulas não são as únicas nessa escola! — Bombardeei-o de forma impaciente e impulsiva.
    — Meu jovem, já se acalmou? — Perguntou rindo — Olhe só, eu entendo pelo que está passando…
    — Não parece! — Exclamei interrompendo-o.
    — Sei que está sobrecarregado, e com isso nem reparou no livro que lhe entreguei. Creio-me que será mais uma diversão do que um trabalho — falou ele virando o livro em minha mão deixando à mostra a capa que me saltou aos olhos.
    — Não estou acreditando que é sussurro?! É meu sonho lê-lo desde quando saiu o prólogo! — Falei animadamente erguendo o livro contra o sol que saía pela janela em uma ação ridícula que só reafirmava a demência que as várias tarefas inacabadas da minha vida estavam me causando. Dei de ombros para a minha própria loucura e agradeci a meu professor por me proporcionar a realização dessa leitura.
    — Sei que você queria ler esta série e estava sem dinheiro para comprá-la, então, como sei que é um bom aluno, resolvi adicioná-la em minha ementa das obras literárias de contos fictícios para que você tivesse essa oportunidade. Mas me prometa que vai agradecer ficando mais atento em minhas aulas — falou Janet de forma preocupada e singela em minha direção.
    — Está bem professor, me perdoe… Talvez esse livro me faça bem, ou me enlouqueça de vez — pensei — Bom começo de tarde ao senhor e até próxima aula — Janet assentiu com a cabeça e vi que a conversa havia terminado, então saí em direção ao corredor e só aí me lembrei de que Ferdinando não tinha vindo à aula, com esse relance levei à mão a testa e lembrei-me do favor que tinha que fazer ao meu amigo. Teria eu que dizer ao professor de literatura que o mesmo tinha ido ao hospital visitar seu tio que tinha sido atacado por homens há umas cinco noites e tinha sido agredido friamente, fazendo com que ele fosse levado para a UTI no centro da cidade as pressas. Enquanto andava pelo corredor me lamentando da minha falta de memória, passei em frente ao meu armário e resolvi pegar meu guarda-chuva, pois sei que o tempo incomumente esfriara e certamente choveria. Aproveitei e juntei os livros que estavam amontoados no meu armário e coloquei-os dentro da mochila preta com amarelo que eu ganhara de aniversário de dezessete anos — eu ainda era considerado um bebezão para toda minha família — fechei o zíper que prendeu em uma página de um dos meus livros, rasgando-a, e desejei amaldiçoar toda a família do zíper até a sua quinta geração, mas lembrei-me que não passava de um zíper. Abri novamente a mochila e soltei um suspiro profundo de alívio ao observar que era um livro de matemática e não um dos livros de literatura —não gosto de matemática, apesar de me dar superbem na disciplina — fechei novamente a bolsa e me dirigi até a saída central da escola.
    Meu colégio era enorme, e apesar de ser um prédio que foi construído em meados do século XIX, era bem conservado, por todos, e o Estado tinha um apreço maior ainda por ele, pois no passado o mesmo fora casa de um imperador que veio de Portugal se apossar dessas terras — que já tinha donos —,mas na verdade o que eu sei sobre esse tal imperador português é que ele não passava de um homem que foi destituído de seu cargo e se obrigou a fugir para o mais distante de Portugal para não ser morto pelos homens que lhe haviam usurpado o poder na época, e sinceramente não sei o porquê, mas essa história me perturbava. Minha escola se encontrava no coração da cidade próximo a um bairro rico que era conhecido por ser boêmio e esse tipo de coisa. Ela tinha seu nome em alto relevo na fachada escrito com letras maiúsculas IMPERADOR MIRIEL I de forma imponente como se quisesse exaltar a figura de tal homem. Era um palácio enorme com várias salas construídas com materiais da época, com incríveis quatro andares e um terraço logo acima, no qual se realiza palestras de extrema importância para a instituição, com uma paisagem lindíssima, que dava uma visão privilegiada para toda a cidade. O colégio ainda não tinha sido reformado e corria o risco de ser tombado como patrimônio histórico e cultural estadual — não conheço nada sobre essas ações, mas tinha em minha cabeça que se isso acontecesse eu precisaria mudar de escola, e apesar de tudo não queria que isso chegasse a acontecer. Gostava daquele espaço.
    Eram quase duas da tarde quando recebi várias mensagens de Ferdinando no WhatsApp, enquanto eu estava deitado pronto para abrir meu livro novo. A priori tomei um susto, mas me recuperei de forma imediata e desbloqueei meu Samsung preto desbotado que pedia outro. Observei as mensagens, na qual meu amigo me convidava para ir dormir em sua casa a noite, pois seus pais iam visitar seu tio Nathanel no hospital e não voltariam antes do meio dia da manhã seguinte. Ferdinando era filho único, mas odiava ficar sozinho, mas mesmo assim seus pais saíam muito, principalmente a trabalho. Posso dizer que sua família não era rica, mas passava longe de ser pobre. Classe média alta. Fui até a cozinha onde se encontrava meu pai e meu irmão mais novo de 16 anos e pedi a ele permissão para dormir na casa de Ferdinando e expliquei a situação, e ele assentiu positivamente com a cabeça.
    — E mamãe, será se ela deixa eu ir dormir na casa dele? — Perguntei a meu pai de forma preocupada.
    — Não se preocupe Arthur, eu converso com ela, certamente não implicará com isso, ela nunca se importou em você dormir fora, principalmente se for na casa de Ferdinando — Falou meu pai, me tranquilizando. Vi que meu irmão só observava nosso diálogo atentamente e percebi que queria que eu o convidasse para ir comigo, assim o fiz.
    — Felipe, deseja ir comigo? — Perguntei de maneira convidativa, olhando em seus olhos.
    — Ah, não se preocupe meu irmão, já tenho planos para essa noite. Já pedi até papai e mamãe, e eles já deixaram. Vou a minha primeira festa com meus amigos e estou ansioso por mais tarde. Ia até lhe chamar para ir comigo, mas vejo que já têm planos também — Respondeu ele animadamente.
    —Sendo assim, divirta-se! — Desejei a Felipe, saindo da cozinha em direção à sala onde estava meu celular para responder Ferdinando.
    Felipe é um menino animado, negro de pele clara igual a mim. Uns cinco centímetros mais altos que eu, consegue me humilhar parecendo mais velho. Um rapaz bondoso e superprotetor. Aparenta ser ingênuo, mas só aparenta. Tem mais iniciativa do que eu. Ele certamente me supera em tudo, mas não sinto inveja. Não sou de se jogar fora.
    Respondi Ferdinando, e combinamos que eu chegaria a sua casa às sete horas da noite. Bom, era melhor eu me apressar, pois só faltava uma hora e eu demorava muito. Meu pai sempre me dizia em tom descontraído que eu quando fosse me casar, atrasaria mais que minha noiva. Mas quem disse que eu queria ter uma noiva?! Fui até meu quarto, peguei minha toalha cinza e entrei no banheiro. Tirei minha roupa, e a pendurei no vidro do box. Depois de uns dez minutos me enxuguei e corri até o quarto para trocar de roupa. Abri a gaveta, peguei uma cueca boxer branca e uma camisa preta, um short branco e joguei em cima da cama. Lembrei-me que precisava levar outras roupas, já que ia dormir fora. Peguei minha mochila na parte superior do meu guarda-roupa cinza e tirei cadernos e canetas de dentro dela. Joguei-a em cima da cama, e então peguei uma blusa azul marinho e um short preto, e uma cueca do mesmo modelo de cor vermelha, então fiz o mesmo. Olhei para o relógio e decidi rapidamente qual das duas opções de peça eu escolheria para ir vestido. Optei pelas últimas que havia colocado sobre a cama, então as outras roupas prensei entre os livros dentro da mochila. Dei mais uma vistoriada e tirei os livros didáticos, deixando só os literários.
    — Agora sim, mais espaço! — Sussurrei comigo mesmo. Fechei definitivamente a bolsa, destranquei o quarto e sai correndo pela casa. Parei em frente a mesa de centro da sala e peguei minha carteira que havia esquecido lá em cima. Peguei o celular e avisei que estava saindo de casa para Ferdinando. Ele me respondeu e disse que eu telefonasse quando chegasse perto do portão do seu condomínio. Apesar de eu já ter ido à casa de Ferdinando inúmeras vezes, o porteiro insistia em não me conhecer, então tinha que realizar todo um ritual que eu já estava cansado para que o mesmo liberasse minha passagem.
    Saí correndo da minha casa que ficava perto do centro de Colina em direção à parada de ônibus mais próxima. Dei sinal para o único que me levava o mais próximo da casa de Ferdinando. Paguei minha passagem ao cobrador e passei a catraca que fez um barulho estridente que fez com que todos do ônibus focassem os olhares em mim. Fiquei constrangido, mas logo me coloquei de costas para todos me apoiando em uma barra de ferro suspensa de forma horizontal para os passageiros que não tiveram a sorte de conseguir cadeira. Desloquei minha mochila das costas para minha barriga, e então fiquei em pé, esperando que eu chegasse logo ao meu destino. Ao passar das duas primeiras paradas várias pessoas que estavam em pé desceram na Avenida 3, na quarta parada duas moças que estavam sentadas nos bancos a minha frente se levantaram e deram sinal para descer do coletivo. Aproveitei e me sentei. Três segundos depois ouvi a catraca estalar como a vez que eu passei, mas não olhei para trás. Um homem que aparentava ter uns 22 anos, negro de pele clara, com músculos definidos — mas não denunciava a prática de academia —, cabelos negros e olhos castanho-claros, vestindo uma camisa de manga longa de cor acinzentada e short branco e chinelo branco, pediu licença de forma fria, porém educada para sentar ao meu lado. Afastei-me para o banco próximo a janela e ele sentou-se próximo a mim. Encaramo-nos por dois segundos, mas eu desviei o olhar, pois me senti acuado com tal situação. Olhei para fora da janela, observando aquela multidão de carros em fileiras. Já passara das sete da noite e só estávamos um pouco mais a frente da metade do caminho.
    Desfoquei minha vista dos carros e desloquei-a até o outro lado da avenida. Olhando para o vazio, eu via o tempo passar. Quase hipnotizado pela escuridão que ali estava no outro lado da pista. Saí do transe quando senti um leve toque em meu ombro que o apertou, eriçando os pelos do meu corpo — talvez pelo susto. Olhei rapidamente para o lado de onde vinha o aperto e vi que era o rapaz de camisa cinza que havia me tocado. Percebendo a minha reação ele me acalmou.
    — Acalme-se rapaz, eu só preciso saber a hora — Falou o garoto rindo da minha reação de forma descontraída, tentando me tranquilizar. Os cantos de sua boca se levantaram, mas sua reação não era muito convidativa. Aqueles olhos me fitavam de tal maneira que chegava a me perder em meus pensamentos. Os círculos cor de mel me prenderam facilmente como em um labirinto no qual eu não saberia o caminho de volta. Talvez eu só estivesse de paranoia mais uma vez. Fiquei olhando para ele imóvel, quando recebi um estalo com os dedos diante dos meus olhos, me fazendo cair na real.
    — Oh, me desculpe, desculpe mesmo. São sete e vinte — Falei olhando para meu celular. Ele sorriu como forma de agradecimento, e por um momento lhe vi observando-me de cima a baixo. Fiquei muito assustado com aquilo, mas contive minha reação. Guardei meu celular no bolso e voltei meu olhar para a janela novamente.
    — Você não sai muito à noite, não é? Parece muito espantado com toda essa situação simples do cotidiano das metrópoles — Fiquei surpreso com o comentário. Um rapaz desconhecido estava querendo bater papo comigo? Estava com um pé atrás com a ocasião que se desenvolvera, mas coloquei em minha cabeça que só era mais uma paranoia que minha mente atarefada criara no meu cérebro. Afinal, não tem problema algum em eu conversar com um cara, ou quem quer que fosse em um ônibus a noite. Tinha muita gente, e eu não era mais criança. Aquela história de não falar com estranhos talvez já estivesse vencida quando completei 15 anos de idade. E outra, dali a conversa não passaria. Eu desceria na minha parada, ele na dele, e não nos veríamos mais. Simples. Só uma simples conversa.
    — Bem… Não é que eu não saia a noite — eu raramente saía — é que estava perdido em meus pensamentos, refletindo sobre as várias tarefas de conclusão de semestre que tenho que fazer e outras coisas que me afligem no momento. É.… e também porque a droga desse ônibus está demorando muito chegar à minha parada — Respondi ao rapaz, tentando explicar a minha situação.
    — Hum… Sei bem como é. Onde você vai descer? — Perguntou ele a mim, com a voz baixa. Hesitei em responder, mas não queria parecer grosseiro.
    — Vou ao bairro Limoeiro, para a casa de um amigo — Respondi certo de que ia me arrepender.
    — Que ótimo então. Também estou indo para lá. Desceremos na última parada da Avenida 3, poderíamos ir juntos até lá. Teremos mais tempo para conversar — Gelei imediatamente, e queria me matar pelo fato de que diria eu avisei para mim mesmo, mas esbocei um sorriso falso como quem estivesse gostado da ideia. A verdade é que tinha muito medo. Medo não do garoto em específico, mas medo de qualquer pessoa que pudesse me atacar. Agredir-me pelo simples fato de ser quem sou. No caso, todo mundo. Na escola, as pessoas me conheciam como o moleque covarde, e muitos caras me metiam medo. Geralmente, eles são bem maiores que eu, o que intensificava a minha insegurança. Mas resolvi me acalmar, mesmo estando à mercê de um estranho, eu tinha uma vantagem. Ele não me conhecia.
    Caminhávamos pela rua que dava acesso ao Limoeiro, por baixo de um viaduto que era decorado por pichações ilegíveis. Estava extremamente escuro. Apenas andávamos vacilantes à luz de alguns postes com lâmpadas incandescentes. Algumas pessoas nos acompanhavam, pois haviam descido do mesmo ônibus. Apenas desconhecidos, mas mesmo assim me sentia seguro, pelo fato de ter um número relevante de pessoas. Acalmei-me. Estava de demência novamente. Era só mais um amigo que eu pudera fazer. Fica sossegado, pensei.
    Chegamos à parada a qual eu deveria pegar outro ônibus em direção à casa de meu amigo. Já era quase oito da noite e estava extremamente atrasado, como sempre, impontual. Não trocara mais nenhuma palavra com o rapaz que eu acabara de conhecer, e nem ao menos sabia seu nome. Foi tudo estranho. Aleatório, mas não me importei mais. Meu ônibus chegava próximo e me despedi do carinha que continuava ao meu lado, me olhando, mas sem nenhuma expressão no rosto.
    — Esse é o meu ônibus, tenho que ir. Prazer em conhecê-lo! — Comentei apontando para o coletivo que se aproximava enquanto estendia a outra mão para cumprimentá-lo em despedida. Ele sorriu, mas não apertou minha mão. Reagi surpreso, mas dei sinal e subi. Sem entender nada que se passou dentro do coletivo que pegara perto de minha casa até agora, passei a catraca e sentei-me na primeira fileira. Olhei para a janela e o rapaz já não estava mais na parada. Me arrepiei, mas logo justifiquei o fato de seu sumiço instantâneo. Talvez tivesse ido comprar algo, ou atravessado a avenida. Desviei o olhar e esperei até que chegasse ao condomínio de Ferdinando.
  • Dias acinzentados

    Hoje o dia está frio e sinto a necessidade do teu calor capaz de aquecer minha pele e colorir a angústia dos dias acinzentados. Sei que por muito tempo andei procurando as sombras, hoje desejo-te aqui para proporcionar um afago de luz. É irônico pensar na tua insistência durante todo verão e ver como me abandonaste nas últimas semanas. Lembro-me que ao abrir os olhos adentrava pelo meu quarto, alertando que era hora de despertar, tua vivacidade trazia ânimo sem que notasse. A...h como era bom, meus cabelos, meus olhos ganhavam um brilho tão especial, mas como eu nem percebia procurava sempre afastar-me de ti, o outro lado da rua sempre era a melhor opção.. E agora que não me visita durante as manhãs, vejo o quanto és essencial para minha existência, garanto-lhe que quando voltar para o meu lar, te observarei cautelosamente. Hoje sei o quanto de felicidade me proporcionaste nos últimos meses, arrependo-me por não ter recitado todas essas palavras antes, espero que entenda. É que o ser humano, apesar da face de anjo é muito tolo, não agarra seus amigos, seus amores, sua alegria, seus sonhos, sua fé até que os percam completamente. Para finalizar, sinto saudades de todos nossos momentos, da tua presença desde o ventre da minha mãe, aguardo ansiosamente o verão para que preencha de luz a vida daquela que anseia o fim do inverno para contemplar a dádiva que é tê-lo diariamente, meu querido raiozinho de sol. <3
  • Eu VS Coração: desabafo.

    O que eu sinto...
    O que eu quero...
    O que eu posso ter...
    O que eu posso fazer...
    As vezes ser esse tipo de pessoa, que sente demais, é tão cansativo que chega a machucar...
    Todas essas coisas em conflito vão me partindo ao meio e no final não resta quase nada de mim...
    Quase nada de bom...
    Só o vazio...
    O descolorido...
    Só a certeza de q nada vai ser do jeito q eu gostaria...
    E isso machuca,
    Dilacera,
    Mata...
    O coração parece criança birrenta que não aceita levar não...
    E na birra dele, quem acaba sofrendo sou eu...
    Quem cai no abismo sou eu,
    Quem chora sou eu,
    Quem sufoca,
    Quem grita em silêncio,
    Quem se desespera e tenta reagir de alguma forma, mesmo sem saber como...
    Tudo isso sou eu...
    Lutando contra esse coração dentro de mim...
    Coração mimado,
    Coração sonhador,
    Coração que chega até a ser inocente em seus sentimentos...
    Que não entende que seu jeito de sentir é único...
    Que ninguém  vai entender e agir como ele... Sentir como ele...
    Coração bobo...
    Coração traidor...
    Mas um dia a gente se acerta e as coisas melhoram... 
    Um dia ele aprende a se amar em primeiro lugar... 
    Me amar em primeiro lugar...
    Calma coração, 
    Um dia a gente vai ser feliz!
  • Fez Sentido

    Sabe que te quero, meu bem
    E que te espero, vou muito mais além
    Na imensidão do horizonte posso te ouvir
    As batidas do seu coração até já palpitam em mim
    O brilho no seu olhar fez eu te amar
    E com um gesto tão singelo me conquistou
     
    Ohh o amor
    Fez despertar um sentimento tão sincero de te amar
     
    Cada pensamento transcorre esse seu jeito
    Te dei a mão
    Seu sorriso até já sei ler
    Todo esse carinho me fez perceber
    Que cada segundo te amando muito amor eu também ganhei
    E você também me ama eu sei
     
    Minha vida só fez sentido, eu não posso mais esconder, é real o que eu sinto
    Por você
     
    Gestos provam que te quero
    Te dei a mão
     
  • Fractal

    images
    Uma nova explosão de energia surge na borda exterior do universo, iluminando-o com cores brilhantes de vermelho, azul e amarelo. Eu observo a criação de uma nova galáxia da escotilha recém-consertada da minha nave enquanto começo mais um turno de reparos no tecido do espaço-tempo. “Uma xícara de café quentinho é a melhor maneira de começar mais um dia solitário nas fronteiras do espaço conhecido”, é o que dizia meu pai.
    Meu trabalho não é dos melhores, costurar tecido de realidade é um serviço tão aquém do que eu realmente gostaria de fazer, que era explorar as zonas externas, mas é o que sobrou para um dos cinco últimos fractais do universo desde que a praga alcançou minha civilização. Penso que não deveria estar aqui porque não sou o mais inteligente dos fractais... minhas notas na academia eram péssimas e de longe eu teria que me ocupar de uma função importante para os milhares de seres que ocupam o espaço.
    Pi! Pi! Pi!
    O bip do alerta de segurança apita, imagino que ainda preciso verificar as condições do tecido residual que se soltou quando um ser interdimensional tentou rasgá-lo ontem. Que droga! Essas criaturas tiram minha paz. Digito o velho código e...! O computador de bordo liga fazendo uma varredura completa do espaço criando um mapa holográfico que indica pontos probabilísticos de um incidente ou outro. Um deles faz a cor do mapa ficar vermelha, é a localização da zona morta da borda interna, um espaço de confinamento para o planeta Fractal, meu lar.
    Imagino que Solafta deveria estar responsável por esse setor. Será que somos apenas quatro agora? Não é possível, ela é uma das veteranas que restaram da colônia de Júpiter no quadrante da Via Láctea. Bem, de qualquer forma só poderei ficar em paz com o alerta se verificar a causa dele.
    – Computador, ligar propulsores para hipersalto, seguir coordenadas da nave de Solafta. Destino: planeta Fractal!
    Minha nave range com a propulsão dos motores de matéria escura. Parece que a carcaça da velha Gideon não vai aguentar muitos saltos pelas realidades. Por isso é melhor reduzir os ciclos para 109. Dessa forma não correrei o risco da minha nave se desintegrar na reentrada da realidade. O computador de abordo anuncia com sua voz mecânica que o salto está pronto e aguardando pelo meu comando.
    – Hipersalto liberado!
    A nave se desloca a 300 mil quilômetros por segundo antes de perfurar o tecido da realidade. Na dimensão de passagem, há apenas um borrão de cores, estou viajando entre as eras espaciais. O rangido da estrutura aumenta consideravelmente. O salto durará 45 segundos, tempo suficiente para que alguns parasitas de matéria corram atrás da nave. Computador, ligue o campo de energia. Eu não quero que nosso combustível acabe no meio da viagem. Os parasitas são um perigo para qualquer viajante do espaço. As esguias criaturas deslizam pelos propulsores, e com aquelas ventosas eles consomem toda matéria que serve de combustível. Quando pequeno, meu pai ficou preso na dimensão de passagem porque sua nave foi infestada de parasitas.
    Perigo! Perigo!
    – O que houve computador?
    Choque iminente! Perigo! Perigo!
    Como esqueci disso, eu não liguei o simulador de colisões hoje. Que droga! Qual a chance de impacto, computador?
    85% - 90% - 95% - 100%!
    Boom!
    O borrão da dimensão de passagem dá lugar a uma infinidade de pedaços de metal retorcido e fios.
    – Computador, qual a situação?
    Realizando varredura... pós-choque!
    Computador inútil, isso eu sei. Abro a escotilha da janela da sala de navegação. Lá fora há uma nave partida ao meio. Centenas de seus pedaços flutuam pelo espaço. Não há planeta próximo, sequer há sinal de galáxia. Como é possível que haja outra raça que viagem entre as bordas? Seria Solafta? Computador, faça uma varredura.
    Procurando forma de vida... confirmado!
    O alerta da Gideon soa outra vez. O velho pi, pi irritante. Qual o diagnóstico, computador?
    Forma de vida baseada em caborno...
    Respiração celular...
    Risco iminente de vida.
    Não acredito que pus a vida de alguém em risco. Computador, envie a direção para meu traje de costura.
    A interface holográfica mostra uma ampulheta girando com a seguinte mensagem abaixo:
    Enviando dados...
    10% - 20 % - 30% - 40% - 50% - 60% - 70% - 80% - 90% - 100%
    Upload completo.
    Saio da sala de navegação e corro para o compartimento de exploração. Passo por um corredor interminável de tubos de resfriamento. A Gideon é uma nave industrial, não é nada confortável morar nela. Entro no vestiário com os trajes pendurados. Coloco primeiro o capacete inteligente, verifico se todas as conexões com a Gideon estão funcionando. Tudo certo. Coloco o resto do traje, um tipo de tecido sintético escuro. Minha roupa foi desenhada para suportar o frio das bordas do espaço. Estou pronto. Sigo para a saída. Abrir escotilha, computador.
    A nave range e algumas luzes piscam, será que houve baixa de combustível? Dou um salto e... pronto. Estou flutuando no espaço. Olho no visor do capacete a trajetória até achar a forma de vida. A coisa está atrás de uma pilha flutuante de destroços. Vou me aproximando e desvencilhando de obstáculos. Sinto que estou suando por causa disso, o que irei encontrar, afinal? Quando me desconcentro um pouco, um pedaço de carcaça vem em minha direção. Sinto o metal bater nas minhas costas. Sou empurrado com o impacto.
    Meu traje avisa que estou fora da rota. Uso minhas mãos para girar em torno do objeto que me acertou e volto a flutuar tranquilamente. O visor do capacete mostra que estou a 50 m – 45 m – 30 m – 25 m – 20 m – 15 m – 10 m – 5 m – 1 m – cheguei.
    Um corpo humanoide flutua preso a uma poltrona ejetada da nave destruída. Aproximo-me e solto seu cinto. A cadeira daquele astronauta segue flutuando pelo espaço. Amarro seu corpo em volta do meu e retorno para minha nave pedindo para que o computador prepare a sala médica. O retorno é relativamente tranquilo, consigo reduzir minha atenção dos destroços. A escotilha da Gideon se abre lentamente, posso vê-la.
    O capacete redondo e o traje branco não são conhecidos do meu catálogo de raças exploradoras. Sem perda de tempo eu sigo para a sala médica. Os equipamentos de suporte à vida estão ligados conforme minha ordem ao computador. Ponho o corpo sobre a mesa, preciso remover seu traje. Retiro o capacete do visitante. Não é possível! Fico assustado com o que vejo: uma humana de cabelos castanhos desmaiada. Pego minha lanterna médica e abro um dos seus olhos. Sua posição revirada indica inconsciência por trauma físico.
    Pi! Pi! Pi!
    – Droga! O que foi, computador? Essa joça não responde nada direito.
    Pi! Pi! Pi! Alerta, alerta.
    Informe o ocorrido, computador. Sem resposta, preciso voltar à sala de navegação. Deixo a humana na sala médica e volto correndo para a sala de navegação. As luzes da nave passam de brancas para vermelhas. A voz mecânica do computador avisa que a Gideon entrará em modo de segurança. O que poderia estar acontecendo?
    Chego na sala de navegação e começo a digitar comandos no painel de controle. O computador abre sua interface holográfica, o pi, pi do alerta de segurança é ensurdecedor àquela altura. A escotilha da janela vai abrindo lentamente. Dou de cara com algo estarrecedor, lá fora, o tecido do espaço-tempo está se desfazendo como papel em chamas. É possível ver galáxias sendo puxadas pelo vácuo do exterior. Computador, qual o diagnóstico?
    Rasgo do tecido do espaço-tempo irreversível.
    Impossível! Eu saí apenas por alguns instantes. Sento em minha cadeira que por anos testemunhou meu trabalho ininterrupto e curvado apoio minha cabeça sobre minhas mãos para pensar.
    O computador de bordo avisa com sua chata voz mecânica: alerta de intruso! Alerta de intruso!
    Dou um salto da cadeira e observo a humana passando pela porta, ela chega perto de mim e em sua língua primitiva, diz:
    – Desculpe-me pelo o que aconteceu.
    Relaxo os ombros e a convido para perto de mim. Ela caminha lentamente enquanto a Gideon dá solavancos. Nos viramos para a janela e, amedrontados pelo o que estamos vendo, choramos silenciosamente juntos pela morte do espaço.
  • Futuramente Apaixonada

    Oi meu amor, bom dia. Você acordou tão lindo, vem cá me dar um beijo, você não sabe a imensa felicidade que reside em mim por estar do seu lado. Sabe por quanto tempo te esperei? tempo suficiente para te criar e recriar milhões de vezes, te criei em meus pensamentos mais internos para ninguém ousar de roubar de mim, tempo suficiente para passar noites me perguntando aonde você estava e quais seriam suas manias mais bizarras, quem diria… Hoje estamos provavelmente em um domingo meio chuvoso, enquanto o edredom nos envolve e eu teimando por algo que me disse e você rindo do tom da minha voz mostrando minha mudança de humor. Me encanta saber que conseguiu enfrentar meus dramas e meus conflitos, você escolheu ficar mesmo quando te mostrei nitidamente a confusão que eu sou, escolheu me abrigar quando te apresentei as minhas inseguranças, aceitou e amou minhas manias mais estranhas. Você é diferente, enquanto eu te afastava, você me aproximava ainda mais, eu tentei te poupar de tudo que iria vir, sou muito mais complexa do que você imagina, o sorriso que você tanto elogia esconde muito mais coisa. E hoje só tenho que te agradecer por insistir e permanecer, me perdoa pela impulsividade e pelos erros futuros que virão junto, busca ter compreensão. Eu não sei se já te disse, porém o seu sorriso me traz uma calmaria indescritível e a junção de nossas risadas deveria tocar na rádio, pois é um dos sons mais perfeitos que eu tive prazer de ouvir, então ria comigo das coisas mais bobas. Eu sou apaixonada pela liberdade e com você não precisei abrir mão dela, então seja maluco tanto quanto eu, aceite as maiores loucuras que eu te oferecer, mas me põe juízo quando meus pés saírem do chão, me elogia quando eu faço algo que gosto, espero sempre te proporcionar orgulho e fazendo ao máximo pra te agradar, vamos fazer programas diferentes e renovar a nossa rotina a cada semana para que elas não existam, vamos beber para esquecer os problemas… Vamos nos beijar adoidados e perder roupas pela casa, me faz ter sede de você a cada olhar que trocamos, me faz arrepiar com seus toques e me faz sua a noite toda, aonde a gente troque energia, transborde de amor, que a gente se perca no prazer e no fim te ouvir sussurrar com sua voz rouca um “eu te amo”, para que eu ainda sinta que sou sua menininha. Depois que te conheci os outros se ofuscaram, fazendo com que eu só tenha olhos para você, você mudou muita coisa em mim, me tornando uma mulher melhor. Obrigada por ter paciência e aumentar minha auto estima a cada vez que vou reclamar de algo pra você, pelas crises de ciumes que não brigou comigo, me explicou olhando nos meus olhos e transparecendo verdade falando que parou de procurar em todas o que só eu tinha. Você não deixa meu espírito juvenil morrer nunca, fazendo que você seja eterno refugio para os meus medos. Obrigada por ser do jeitinho que você é, eu esperei e esperaria mais mil anos por você.

    Com carinho,

    Para o meu futuro namorado. 
  • Idílica



    Para que amar tão intensamente
    Se tudo terminas ao final dos dias?
    Deixas um coração que ainda sente
    Os sorrisos e as liras que tu dizias.

    Não vês que vives de medos?
    Que cultivas apenas desgostos?
     De porta em porta, novos rostos
    E, dentro de ti, apenas segredos.

    Por esta maldição, segues sempre a mesma vida.
    Hoje, mais um sorriso roubado
    E outra cama para, recostado,
    Fazer juras e sumir em seguida. 

    Não vês que te perdes nos próprios encantos?
    Pois as lágrimas delas tuas são
    E nem mil camas ou mil rostos
    Preencherão o vazio do teu coração.

    Ah! Se tu percebesses por fim
    Que és covarde por amar.
    Cessa de vez este teu procurar
    E faz tua casa dentro de mim
    O meu corpo, o teu altar.
  • Impulso Vital


    impulso vital

    A Mentira Pronunciada Pelos Lábios De Quem Nunca Teve #NadaAPerder São Conjugadas Pelos Meios Mágicos E Sobrenaturais, A Contradição Dos Interesses Ficam A Reboque Dos Acontecimentos, Kudza- Se As Ideias São Transmissíveis Porque Que Não Somos Todos Geniais? Enquanto O Coletivo Pensa Sem Pensar, Kedson Permanece Solitário Perante O#RaciocínioAbstracto Do Eu Platão, O Idealismo Dos Pacifistas Não Toma Precauções Antes De Encorajar, Porque O Sentido Da Palavra É Uma Grosseira Falsificação, O Estudo Da Queda Dos Corpos Restauram As Velhas Teorias Políticas Já As Tendências Do Inconsciente São UmDisparo Acidental As Raríssimas Histórias De Embalar, Kudza- Ainda Assim… Luto Para Me Desencadear Perante Essas Forças Repressivas O Klan É O Nosso Asilo Nosso Minúsculo Oásis Da Felicidade, Eu Sou A Maça Que Já Passou Pela #CaraDaIdade Mas Não Me Deixo Cair Da Árvore, Porque O Fascínio Da Imagem É Uma Frequente Agressão A Minha Falsa Popularidade, A Tua Correspondência Para O Klan É Necessária, Traz-nos Uma Leitura Funcional E Para De Expor As Faltas De Oportunidades E De Informações, Onde Pensas Que Iras Chegar Com Essa Escrita Irresponsável E Indisciplinada Parece Uma Retardada Decomposição Do #LixoBiológico Adulterado Pelas Rotundas Das Minhas Internas Convulsões. 

    “Perdi O Meu Interesse Na Modernidade E Na Sua Solução Inventiva, #PublicasHumilhaçõesSão Rituais Para A Aniquilação Da Alma, As Primeiras Gerações São Ridicularizadas Porque As Músicas, O Vestuário E O Vocabulário Não Alcançam A Altura Do Tempo, Para Todos Que Lutaram Na #LinhaDaFrente, O Vosso Esforço Não Será Esquecido, Para Quem Hoje Não Voltou Para Casa, O Teu Esforço Não Será Esquecido, Por Mais Sofisticada Que Seja Essa Nova Versão, Kedson- Eu Continuo Ocupado Em Tornar O Velho Sonho Realidade” Os Conselhos Que Eu Mais Oiço São Kudza Desiste, Estás Dificuldades Apenas Provam O Quão“#AlexandreOGrande” Eu Sou… Por Isso Kudza Insiste, Quero Conhecer O Meu Poder E O Meu Lugar Neste Percurso Cheio De Inspeções Medievais Sem Seguro, Somos A Pequena Parcela Da Realidade Que Procura #RomperOSofrimento Que Asfixia A Atmosfera! Contem A Respiração Mental Até Que O Plano Volte A Vida, Se Constantemente Evitamos As Diferentes Dificuldades Que Não Podemos Controlar Então… Quem Controla O Nosso Futuro, Kudza- Ninguém Ira Faze-lo Por Ti… Salva A Tua Própria Vida. 

    Se O Hoje É Uma Batalha. Será Que O Amanhã Representará A Minha Ultima Síntese.

    “Amar É Viver Repetindo O Nosso #RefrãoFavorito, Ser Amado É Procurar Memorizar As Letras Da Mesma Canção” O Amor Vulgar Decorre Imediatamente Depois De Fazer Asneira, O Erro Secular É Tentar Dominar A Sua Natureza Com #MeiosTécnicos Em Que O Detalhe É Revalorizado Pela Face Expressão, Kedson- Gosto!!! De Como Ela Se Apresentou Sem Acréscimos Estranhos Talvez Essa Manifestação Cega Tenha Carreira, A Minha Análise De Todos Os Seus Concretos Gemidos De Prazer Elevou O Grau De Aperfeiçoamento Da Sua Beleza, O Movimento Em Espiral Passou-me De Uma Massa Inerente Passiva E Sem Forma Para Um Ser #ApaixonadamenteInvencível Kudza- Ela Foi Basicamente Um Assalto Direto A Minha Fonte De Tristeza, Tu Serás A Base Da Minha Universal Infinita Vontade, Apenas Ama-me De Volta E Positivamente Viverás, O Ultimo Texto Foi Um S.O.S E Sophia Respondeu, Os #EscalõesSuperiores Elucidam O Perturbante Relativismo Entre A Nossa Identidade, Espero Que As Noções Do Senso Comum Tenham Razão! Da Mesma Maneira Que Sophia Respondeu… Espero Que Também Me Responderás. 

    “Para Todos Os Filhos E Filhas Da #ProdigiosaEvolução, Porque Que Têm O Euro No Lugar Da Consciência!!  A Primeira Iluminação Traz Com Ela A Repetição Da Circulação Do Novo Dia, Vou Aprendendo Coisas Novas, E Sigo Evoluindo E Me Contradizendo, Ontem Fui Ao Cemitério Escavar Sonhos, Muitas Das Pessoas Levam O Seu Dom Para A Terra Porque Têm Medo De Seguir O #InstintoDivino, As Tuas Limitações Não São Minhas, O Que Ganhas Em Desistir De Ti Mesmo, Kedson- Confia Em Ti Mesmo! Kudza É O Tipo De Ser Que Corre De#BraçosAbertos Para Todas As Coisas Desencorajadoras Que Afastam Todos Os Navios Menos O Meu, Tudo Isso Porque Ela Decidiu Mentir, Quase Acreditei Que Poderias Ter Sido A Minha Raqiya, Eu Só Quero Amar-te Uma Única Vez… Pois O Tempo Por #NinguémEspera, O Forjador De Toda A Minha Sorte Esta Prestes A Trazer A Origem Dos Tempos Para A Sua Época Atual“

    Sinto A Falta Das #MinhasSaudades… Kudza- Por Favor Voltem, Sinto A Falta Das Tuas Saudades E Sinto A Falta Das Nossas Saudades, Kedson- Essas Por Favor Não Voltem! O Estado Das Coisas Que Oferecem Vantagens Pretendem Desenvolver E Sustentar A Vontade Providencial Dos Fenómenos Materiais Dos #FalsosÍdolos E As Suas Falsas Mensagens, Ela É O Meu Papel Primordial Mas Encontra-se Perpetuada Pela Eterna Transformação Do Mundo, Se Nada Disso É Real Apenas Beija-me Até Que A Morte Pare De Correr Atrás De Mim E Mude O Seu Rumo, Kedson- Falo Neste Exato Segundo! Vivo Questionado Pela Dor Deste #ConfusoCarrossel Que Não Tem Fim, Apenas Deixa-me Abraçar-te Fortemente Antes Que O “Furação Ana” Te Leve Longe De Mim, O Facto De Estar Perto Dela E Saber Que Não A Poderei Ter Isso Já Me Causam Hematomas No Coração, Só Espero Cair Num Sono Profundo Porque A Viração Do Dia Faz-me Derramar Os Oceanos De Sangue Que Foram Consumidos Pela #AtómicaExplosão, Não Deixes As Pessoas Ensinar-te O Que Pensar, A Necessidade De Evitar O Medo E Procurar O Prazer, Fez-me Mergulhar Tão Fundo Nesta Loucura Que Quando Foi A Superfície Respirar… Kesdon- Esqueci-me De Como O Fazer. 

    Podes Levar O Que Quiseres. Eu… Já Não Preciso De Mim.

     A Importância Prática Do Quadro Eloquente Das Minhas Atitudes Redesenha Todas As Dificuldades Anteriormente Assinaladas, Essas Relações Relacionam-se Com Os Condicionamentos Dos Fenómenos Onde A Tua Forma É Determinada Pelo Conteúdo Das Barras Que Por Ti São Interpretadas, Kudza- Ouve-me… Para De Sofrer, Para De Me Fazer Sofrer, E Para De Nos Fazer Sofrer, Kedson- #ApenasPara… E Diz-me Como Posso Eu Te Entreter “Eu Não procuro Ser Umas Destas Estrelas Caídas Danificadas Pelo Brilho Do Seu Próprio Sucesso” Todos Os Avisos De Recessões São Semanalmente Publicados Pelas Redes Sociais Nem São Compreendidos Nem #CorrectamenteDominados, Espero Que O Decreto Presidencial Normativo Ao Criacionismo Venha A Assinar A Minha Dupla Extradição Porque Este Ano Já Estamos Terminados! O Começo Do Inicial Movimento É Uma Prioridade Fundamental Possuidora De Um Dinamismo Interno, As #VirtudesDormitivas Esticaram-me Sobre As Montanhas Da Minha Zona De Aconchego, Kudza E Kedson Duas Realidades Entre Si Distintas Que Procuram Ainda Revelar As Suas Leis Perante A Resistência Que Apoderou-se Do Paraíso E Transformo-lhe No Planeta Inferno, #SeresImaginários Povoam A Órbita Dos Sonhos Porque A Esfera Tem Infinitamente Mais Ego Do Que Tráfego.

     Esse Pensamento É Encarnado De Um Mecanismo Perfeitamente Regulado, Nós Somos O Reflexo De Um #PlanoDivino Segue Em Frente Pois A Prosperidade Vem Do Virar Da Esquina Mantém O Elemento De Discordância Atentamente Desnivelado, Kudza É O Sujeito Pensante Que Telegrafa Fora Das Dimensões Existentes, As Funções Cerebrais São Comandadas Pelo Laço Neural Elas… Juntamente Interrogam A Esfinge Na Esperança De Converter O Idealismo Numa Abstração De Puros Atos Divergentes, Para Aqueles Que Só Chegam Perto Para Poder Espalhar O Meu Falso Testamento Percebi… Melhor Do Que Entendi! Os Barulhos Que Propelam Em Torno Da Minha Agressividade, Só Me Faz Lembrar De Que Quanto Maior For O Meu Desafio, Maior Será #AMinhaVitória, Kedson- Percebi… Melhor Do Que Entendi! Os Testes Titulados Pela Vergonhosa Palavra Da Ordem, Fazem-me Querer Levar Esses Bandalhos Para O Preparatório, Os Seus Fracos Interesses Apenas Visam A Intensificar A Maldade E A Desordem, A Tua Instância É Precária E Frágil, Similar Ao Resto Da Tua Conceção, Essa Sombra É Um Projeto De Um Espírito Notório, Estou Desligado De Todas #EssasCausas, Animais Que Não Dão A Pata Só Abanam As Caudas, Não Curto Deste Tratos Jamais Terão A Minha Fidelização, Kudza- Percebi… Melhor Do Que Entendi, Não Grites Tão Alto Ainda Corres O Risco De Ter Um Android Prematuro As Tuas Costas Só Estão Quentes Porque A Tua Bunda Está A Pegar Brasa, Kedson- Olha… Mais O Passarinho Inseguro Que Já Não Voa Porque Partiu A Asa, Percebi.. Melhor Do Que Entendi!

    Quando Eu Acordar E Vir A Descobrir Que Deus É Um Cientista… Kudza- Eu Juro Que Acabo Com Aquele Velho.

    Kedson
  • Lindíssima - Cap. 4 Ultimos Capitulos

    Grande Final de Lindíssima no cap. 8

    Continuação... Capitulo de hoje: Quando as máscaras caem.

    Maria Clara vê a seguinte mensagem no celular de Vinicius: ''Oi delicia... Amanhã a noite safado....?''. Ela espera ele chegar da pizzaria para conversarem... Ao chegar ele conversam:
    Maria Clara: Vinicius... Quem é esse número desconhecido no celular?
    Vinicius: Maria Clara... Eu posso explicar...
    Maria Clara: Explicar o que?... Quer dizer que eu só sou teu brinquedo, é isso? Fica transando com uma qualquer por ai...
    Vinicius: Amor... eu não sei que é ela... eu te juro...
    Maria Clara: Já deu... Eu não quero mais...

    Forte, Clara pega sua bolsa e pizza e vai embora... Ao chegar em casa:
    Eva: Oi filha... Veio cedo...
    Maria Clara: Mãe? Ainda acordada?
    Eva: Sim tava vendo filme com a Cléo (empregada)
    Maria Clara: Ata... Vou subir, tomar um banho... E a senhora quer ver outro filme? Eu trouxe uma pizza
    Eva: Tá ta bom eu te espero...
    Naquela noite, eram por volta das 22:00. Rebecca liga para Eva e o celular está no balcão próximo ao que Maria Clara irá passar:
    Maria Clara: Rebecca?
    Rebecca: Deixa eu falar com a mamãe?
    Maria Clara: Tudo bem?
    Rebecca: Deixa eu falar com a mamãe? Por favor?
    Maria Clara: Espera - Maria Clara desce a escada e entrega a Eva: Mãe... A Rebecca... - Diz Maria Clara.
    Clara toma banho e em seguida vai assistir filme com a mãe.

    No dia seguinte...
    Às 10:00 da manhã, Rebecca vai até a casa de Eva. Rebecca leva verduras e uma picanha para ser assado. Maria Clara resolve cortar as verduras para um vinagrete:
    Maria Clara: Deixa comigo mamãe as verduras tá?
    Eva: Ah sim.. tudo bem.
    Rebecca: Mãe.. Sabe naquilo... - Rebecca deixa o seu celular no balcão, que está na frente de Clara. Maria Clara vê uma notificação, de um tal de Vinicius, que dizia: ''Poxa... Eu terminei com a Clara e não dá mais''. Maria Clara fica curiosa para ver a mensagem, pois o celular de Rebecca não possui senha. Ela pede para Cléo, a governanta terminar de cortar as verduras:
    Maria Clara: Cléo pode terminar pra mim?
    Cléo: Ah dona Maria Clara! Com certeza!
    Maria Clara pega o celular e vai para o banheiro e tranca a porta. Ela olha a conversa e descobre que Rebecca é a amante de Vinicius:
    Maria Clara: Cachorra! Vádia! Era você? Rebecca... Ai meu deus...

    Clara para provocar, fala a Rebecca:
    Maria Clara: Um tal de Vincius te mandou mensagem ai...
    Rebecca: O que? isso eh enxirimento sabia? A mãe não te deu educação não?
    Maria Clara: Eu não vi nada... Desculpa...

    Rebecca ao abrir o app de conversas, vê que a mensagem já foi lida. E ela fica com receio de que Clara tenha as visto. Para acabar com Maria Clara aos poucos, Rebecca tem um plano: Já sei... Vou na confeitaria da Maria Clara e deixo salgado os doces dela...'' Para isso Rebecca precisa da chave da loja. Ela acaba pegando a chave que estava no sofá. Ela pega e guarda na sua bolsa. Maria Clara procura as chaves e não as encontra. Rebecca levará as chaves para tirar cópias.

    Continua....
  • Me Espera

    Eu queria ter te dito
    mas estava com o coração doído
    eu me sentia tão bem
    com você aqui ? não sei

    parecia estar perdido
    ou em outro mundo distinto,
    tentando não lembrar
    sem querer outra vez me apaixonar

    não sei se é apenas uma distração
    ou algo mais que tenho em meu coração,
    esse seu olhar tão lindo
    achei que havia esquecido...

    (pré refrão)
    quase me perdi em tantos dias e sinto que não vivi nada sem você,sem você...

    (refrão)
    me espera,
    me deixa te dizer,
    o quanto senti sua falta
    o quanto eu quero você!

     
  • Não faz falta

    E daí se ele não te ligar/mandar mensagem amanhã? E daí se ele estiver com outra mesmo depois de ter dito que só queria você? E daí se ele só ficou um curto tempo e depois foi embora sem mais nem menos? Confesso que é fácil falar essas coisas, mas é difícil e doloroso pôr-las em prática. Homem tem em todo canto, e, por mais que pareça, nem todos são iguais. Você merece mais, porque você é mais do que imagina, você terá o melhor. Se o cara te deixou, é para mostrar o quão magnífica você é ao ponto de não ter que ficar com resto – afinal nem cachorro gosta de resto, gosta é de Pedigree. Se amanhã ele se mostrar tudo o que ele não foi, faz o seguinte, faz o mesmo. Dois pesos duas medidas, se não deu, nem dá biscoito, enquanto um vai, está vindo mais dezoito.



















  • Naufrágio

     Não consigo "ficar" com alguém só por desejo carnal efêmero. Sou intensa demais. Adentrar no teu jogo, certamente seria empolgante e me proporcionaria muito êxtase, por ser você a jogar comigo. Porém, em contrapartida, tenho receio e medo só em cogitar o depois.

    Além desse detalhe importantíssimo, ao decorrer desses 4 meses, aferí características intrínsecas tuas quais muito me cativam, arrisco-me até a dizer que a ti conheço. E gosto pra caramba desse cara. Em virtude da construção de uma amizade suave e, inicialmente, sem mais pretensões, tenho zelo por ti. Recordo com euforia as memórias de cada dia, fala, olhar, toque, canção. Claro, já ansiei por muito mais.

     Estamos engajados numa confusão. Nenhum de nós sabe como agir. Sentimos exagerar, passar dos limites ou até mesmo errar diversas vezes. O pior é que errar jamais fora tão gostoso. Ao menos, alego com firmeza desprezar “meios termos” por não saber lidar. Tu, por vez, apesar de sentir-se assim, é fascinado por esse jogo e quer me fazer jogar. Porém, não há regras, como pretende me ensinar, se até você perde-se em si mesmo?

     Momento acaricia meu rosto e beija minha testa, agradecendo-me por ser sua amiga; outrora, me abraça e desenha com o indicador círculos suaves em meu corpo, enquanto sussurra ao meu ouvido admirar tanto quem sou a ponto de sentir imenso tesão. Me arrepio. As coisas não iniciaram assim, os deslizes e desejos surgiram com a convivência, o tempo (ao menos para mim). Não como se ambos possuíssem pseudônimos, pelo olhar reconhecia-se o homem e a mulher devassa que sempre existiu e fazia parte de um único “eu”. Mesmo, constatando aquilo como inadequado, eu não resistia. Somente quando os toques, olhares e falas ultrapassavam a minha tênue linha imaginária entre a afeição e a volúpia, instantaneamente era preenchida por lucidez. Sempre fui eu quem cessou todos estes instantes, na iminência de algo que evidentemente mudaria intimamente, para mim, o nosso elo.

     Se dependesse de ti, isso jamais ocorreria. Nunca um momento seria postergado ou ocluso. Como já apontei, a inconstância te seduzia. Justamente o que te fazia insistir a mim para prosseguir. Parecia um ritual, segundos após me ouvir dizer “não costumo agir assim com amigos” dava-se por vencido. Então roçava os lábios por meu pescoço e posteriormente me fitava já com o polegar pressionando os meus lábios e sibilava “eu quero, mas não posso nem mesmo beijar você. prometi".

     Antes de toda esta loucura, rebuliço, começar, lembro com detalhes o que me disse “posso te falar uma coisa? independente do que você vai dizer, pensar ou julgar, eu preciso contar. não parei de pensar em ti essa semana, desde o dia em que nos beijamos sob o seu guarda-chuva. isso é um problema?”. É notório, adorei a sua nobreza e não só por isso; mas, também porque o acontecido não saia da minha mente, respondi “desde que o intuito de seu contato comigo não seja em face apenas dessa forma de desejo ou gana, não há problema algum”. Eu estava disposta a deixar as coisas acontecerem, mas jamais ficar empacada no meio-termo e, por via, nos condicionando a um alvoroço sentimental polido pelo conflito de interesses.

     Não obstante no início eu enfatizei, deixei claro inúmeras vezes, o quão despreza sentir-se cobiçada apenas por características físicas quais já nasceram comigo como é o caso da beleza; e não também por atribuições quais adquiri, como força, inteligência ou coragem. Claro, digo tangente ao como quero ser desejada por aquele com quem tenho um envolvimento ou relacionamento “amoroso”. Tenho fervor por quem me têm como tentação por inteira, corpo e alma. É óbvio, gosto e sinto-me muito bem ao saber que veem beleza em mim e por isso ser considerada uma mulher atraente ou, quem sabe, sexy. No entanto, venero ainda mais ser considerada sensual em razão do conjunto de todo o meu eu; corpo, essência e modo de ser. Afinal, conversavamos diariamente, nunca diálogos monótonos, já passamos madrugadas expondo nosso modo de ver, pensar e valorizar as coisas, refletindo sobre os mais diversos e complexos assuntos, este já esteve por diversas ocasiões em pauta e você demonstrou sincronia comigo a respeito.

     Há uma outra questão qual não posso deixar de mencionar. Incoerentemente, no "meio termo" você gosta de ser profundo, ou melhor, quente de um jeito exagerado que me deixa com o pé atrás. É vantajoso, para você. Não sei qual palavra utilizar, “quente” transparece intensidade, mas, ao que me refiro, está longe disso. Na realidade, soa para mim como se você tirasse proveito libertino. Confesso. É gostoso saber que sou desejada por alguém cujo também tenho interesse em suas diversas facetas. No entanto, em primeiro lugar, você sabe que ainda não tive esse tipo de envoltura por uma intrínseca questão de seguridade e confiança, ou seja, tanto quanto ao parceiro como na relação existente. Desta forma, a sua insistência comigo especificamente neste quesito está me dando nos nervos, por questões óbvias e razões infinitas. Além de tudo, em segundo lugar, mas não menos importante, o seu desejo por mim se não for meramente físico é expressivamente nele pautado; o fato de se resumir à isso me broxa toda. Me faz perder o interesse, decepcionante. Apesar de já ter me dito "desejo na sua pessoa também, não só fisicamente. é um conjunto que fez surgir interesse em mim" e eu confiar na sua fala, tuas ações demonstram o contrário, fico dividida. Não sou hipócrita e compreendo que nem sempre foi assim, porém, agora é o que vigora, já que não perde uma oportunidade para adentrar no assunto. Se sinto-me inibida até mesmo para beijar-te implicada nesse “chove e não molha”, como pode achar que algo assim aconteceria? Fico surpresa com seu pensamento mirabolante, inusitado.

     Ao que parecia, nós possuíamos mais sincronia do que realmente tínhamos. Me vi precisando escolher se permitia o desenrolar e transformação do nosso vínculo ou se insistia na amizade. Pois, como eu poderia insistir em algo que não fosse da vontade ou sequer fruto do consenso de ambos? Eu precisava ouvir “qual era a sua” ao invés de realizar deduções em meio a uma centena de prognósticos. Justo no dia em que havia decidido explicar a minha necessidade em definir o que estava acontecendo e meus desafios com o “meio termo”, a fim de destrinchar qual era sua intenção com a manutenção desse inconstante manejo, infelizmente, não tive chance de viabilizar essa conversa. Não precisei. Inesperadamente, no momento mais impensável, antes mesmo que eu precisasse perguntar, tomou uma decisão.

     Você não pareceu referir-se apenas a pegação. Encerrava tudo. Ruptura. Cada vinco em seu rosto me dizia. Mas, ainda assim, eu precisava ouvir literalmente para ter certeza. Soava tão absurdo. Não conseguiu sustentar o olhar enquanto cuspia cada palavra confirmando. Fiquei boquiaberta, esperando pacientemente o instante em que tornaria a me encarar, já que permanecia de queixo erguido e olhar fixo no breu numa tentativa ridícula de me anular do seu campo de visão. 30 segundos se passaram.

     Uma torrente de emoções preenchiam meu corpo. Primeiro, fúria. Não conseguia acreditar que você seria capaz de desprezar, acima de tudo, a nossa amizade daquela forma, como se nada significasse para ti. Observando as linhas retilíneas do seu maxilar demarcado e anguloso, quase que ferozmente puxei o seu rosto para mim, forçando-o prestar atenção no que iria dizer, meus pulmões inflaram e eu estava prestes a gritar na sua cara "Mas que tipo de decisão idiota é essa?". Frustrante. Não consegui.

     Segunda, decepção. Sua expressão estava endurecida, como de quem fala com convicção. Decidido. Ao fitar fixamente teus olhos castanhos, minha garganta fechou. Minha fala foi entrecortada. Falei, mas não expeli o que pretendia, a mensagem presa. Sufocava. Num sussurro questionei "está falando sério?" e tu consentiu. Soltei seu rosto. Ficamos em silêncio enquanto eu imaginava ser sua hora de fala, aguardava uma explicação ou desabafo, um mísero porquê que fosse. Não requisitava uma justificativa plausível, desejava sinceridade. Queria saber o que te embasou a decidir, independente do meu julgamento sobre. Então, finalmente você cessou o silêncio torturante, "vamos embora".

     Terceira, conformismo. Mil e um pensamentos vinham à tona, apesar de realmente ter sido pega de surpresa por seu posicionamento, não demorei em aceitar. Se é o que você quer, assim será. Não irei implorar nada. A escolha foi sua, óbvio que irei respeitá-la. Jamais abandonarei a reciprocidade, se você não quer ficar, prefiro que vá. Não me agrada ter alguém comigo por dó em face de acreditar que sinto carência ou necessito de atenção. Se para ti a nossa amizade é indiferente, para mim esse negócio não vale a pena mesmo.

     Quarta, incredulidade. Enquanto me acompanhava a caminho de casa, o silêncio fez-se ainda mais presente. O ocorrido repetia-se inúmeras vezes em minha mente, buscava futilmente concluir qual havia sido o estopim. Qual detalhe estava deixando passar? Não fazia sentido algum querer me ver e de uma hora para outra, na mesma noite, mudar de postura radicalmente. Por que pôr um fim à nossa amizade? Claro, evidentemente eu chegaria a uma conclusão. E cheguei. Ah! Não faz ideia do quão ansiei estar enganada. Reconheci que o ritual havia sido quebrado, dessa vez não sibilara a mesma frase. Ao contrário, cansado das coisas não acontecerem da sua forma, jogou sua última carta. Descarregou sua frustração em cima de mim, como se ficar nesse meio fio fosse uma tortura única e exclusivamente sua. Não foi por falta de aviso, lhe disse que comigo isso não seria viável. Se ao proferir tais palavras o seu intuito foi me fazer ceder ao que havia me pedido, “deixa rolar”, acreditando que eu iria simplesmente descartar as razões que me inibiam, por temer o fim do nosso vínculo, qual sabia que eu muito valorizava, agiu como babaca.

     Ainda a caminho de casa, lhe disse que estava tudo bem e iria sozinha dali em diante. Sua despedida seca soo como partida, também não esperava nada mais que isso. Caminhei lentamente pelas ruas tranquilas até em casa, aspirando a quarta-feira de noite quente. Olhando cada traço a minha volta, minha mente vagava na memória dos últimos meses, dessa vez, eu via de longe, não mais narrador personagem e sim o próprio leitor. A fim de aferir se o ocorrido fazia jus ao meu desapontamento; se valia a pena a dor ou se aquela estação merecia a minha indignação concomitante com a tentativa de salvá-la. Infelizmente, ou felizmente, constatei coisas quais diminuíram grotescamente as chances dessa última hipótese. Se tivesse prestado atenção, há tempo já teria te exposto e esperado por mudança. Naquela madrugada eu chorei por não ter percebido tudo isso antes. Explorando algumas atitudes minhas, sequer me reconheci. Extrapolei de um modo que não gostei. No dia seguinte, me senti mal a ponto de parecer torpe. Óbvio, decidi por deixar as coisas como estavam, por concluir como o ideal e melhor para mim.

     Fui tão racional que não sofri com a ideia. A minha semana exalava calmaria e eu me sentia livre. Apesar de apreciar a tarde de domingo azul, sua madrugada foi tempestade e desde então choveram três semanas. Havia prometido a mim mesma que não “sumiria”, a quimera de cortar vínculo com alguém de tal modo a evitar e cessar até mesmo o mínimo diálogo possível ao invés de ajudar a superar o ocorrido, posterga. Fato, da minha parte, tempo e distância seria a melhor escolha. Fui empática, mas sinto falta do sol. Você persiste em ficar e não sabe de que forma. Teus sinais me confundem da cabeça aos pés, como canta Djavan. Estou cansada de te ver mudar falas e vontades de um instante ao outro.

     Agora, quando já pressentia águas passadas, você volta e sugere algo que, se não fosse aquela quarta-feira, eu provavelmente aceitaria. No entanto, eu tive um tempo considerável de chuva para repensar o que eu estava antes apta a acolher.

     Isso não vai para frente. Eu queimo em intensidade. Desta forma, quero dizer que, caso a nossa relação sofra a metamorfose que você propôs, apesar dela ser extremamente tentadora e atraente, não posso acatá-la. Pois, é indubitável que eu levaria, veria e sentiria tudo de uma maneira; enquanto você, de outra essencialmente distinta, nada intensa como a minha. Não me é interessante ficar só de pegação, meus "envolvimentos amorosos" nunca resumiram-se apenas a isso e não é agora que será. Esbarrariamos na reciprocidade. Não posso enganar a mim mesma, me conheço o suficiente para escancarar a alta probabilidade de me fascinar. Creio que compreende o significado. Gostar demais, eu já gosto.

     Por empatia a mim, por me colocar em primeiro lugar, mesmo que essa ruptura doa agora, não irei me submeter à uma certeira desilusão amorosa. Apesar de, francamente, saber lidar, é uma tortura emocional e psicológica longa e árdua qual não pretendo encarar novamente, justamente você (sem saber) me ajudou a enfrentar uma. Sim, infelizmente, ruptura, já que tu aparenta tratar como "historinha e frescura" por não compreender as minhas razões, agindo quase com desdém comigo.

     Tu exala incerteza e curte "meios termos". Comigo esse manejo não funciona. Como eu já disse, se é pra ser dessa forma, eu prefiro manter nossa amizade. Sem esse lance de pegação. E não ouse falar novamente em "amizade colorida", me corrói, já que não consigo me doar pela metade. Logo, engajada num "meio termo" algo me inibe e não ajo como gostaria. Não me é interessante ser o "quase" alguma coisa. Tenho esse tipo de envolvimento por quem tenho intrínseco interesse em conhecer realmente. Prezo e sou atraída pela reciprocidade. Não gosto de coisas rasas. Se é isso o que você me oferece, agradeço; mas, recuso.

     Aquilo que popularmente tratamos como "ficar" com alguém, não me refiro ao contato único e súbito que temos na balada numa madrugada qualquer e sim a algo relativamente duradouro em detrimento desse primeiro, ou seja, aquele processo imediatista de conhecimento, paquera e conquista do outro; levo de uma maneira qual tu não parece compreender, e se caso compreende, não te é nem um pouco atraente.

     Justamente por pressupor isso que havia resolvido pôr as cartas na mesa (não aconteceu), antes mesmo de ti fazer tal proposta, pois, ainda que optassemos pelo desenrolar da metamorfose, em razão de nossa explicita divergência quanto a égide de vivenciar e significar essa espécie de ligação, requisito seria acordarmos como prosseguir, não seria do seu jeito e nem do meio, seria do nosso jeito. Porém, ao que tudo indica, haveria um colapso e jamais uma fusão.

     Quando estou saindo com alguém, ou melhor, “ficando”, tenho peculiar interesse em conhecer e vivenciar o outro intensamente. Sem receio, medo ou temor de me enfeitiçar. Deslumbre. Logo, sou aquela pessoa quem convida para ir ao teatro, exposição, galeria, festival, biblioteca e até mesmo a um Café; detesto rotina. Desejo um contato suave, sincero, puro; sem cobranças. Espero que a “nossa coisa” agregue muito a cada um de nós, que nos permita transcender como ser, proporcionando-nos um ao outro além de curtição, gozo, aventura. Independente de tratar-se de dias, meses ou estações, que seja intenso enquanto perdure. Marque, que não seja raso.

     Vai muito além de pegação, busco conexão. Uma troca de experiências, conhecimento, gostos. Impossibilitando assim, epílogos catastróficos, jamais sinalado por frases cortantes, como “perda de tempo”. Pois, mesmo que, talvez um dia não possuamos mais esse elo e até já não tivermos saudade um do outro, com as lembranças sentiremos saudades dos momentos, duas pessoas que não mais se conhecem (somos uma constante mudança) com afáveis memórias de uma história num passado comum.

     E não tem nada haver com uma amizade colorida. Acima de tudo, há sim e baseia-se numa verdadeira relação de amizade, mas não apenas. Não estou falando inerentemente de relacionamento sério, mas sobre ter seriedade nas decisões pensando de forma empática no melhor para consigo e com o outro. É em prol daquilo "eu tenho a minha coisa, você tem a sua; e quando nos encontramos é muito bom". Eu gosto. No entanto, tu vê como "compromisso"; já eu, como "entrega".

     Em virtude do meu jeito de viver essa forma de relação, sequer cogito ouvir um "perdi tempo contigo" ou "você me iludiu", haja vista que jamais usarei alguém apenas para suprir meus prazeres momentâneos ignorando as emoções e, quem sabe, até sentimentos alheios e os meus. Não me arrependo de um instante sequer dessa nossa relação indefinida e, confesso, ouvir-te dizer que "perdeu tempo" comigo me decepcionou. Nem mesmo soube como lhe responder, ouvi sua frase ecoar em face ao meu silêncio. Não por escolha minha, naquela altura do campeonato, esse teu sussurro manso foi como se me desse cianeto enquanto eu imaginava experimentar um vinho branco, suas reais intenções camufladas. Fiquei sem fala. Nunca me viu apenas como amiga? Nem mesmo no início?

     Não obstante, curiosamente, sinto e vejo que sou eu quem vai até você. Não como se apenas eu te procurasse, como denota-se ao olhar alheio; mas, digo pelo fato de que a maioria das vezes que me chama para jogar conversa fora, eu vou. Porém, não há recíproca. Nos encontramos quando diz querer me ver e que está com saudades, afinal, difícil é eu não estar disposta a te encontrar. Logo, por que não iria?

     Além do mais, assim como eu, tu gosta da simplicidade. Curte caminhar pelo bairro de madrugada, ouvir música abraçado no banco da praça, conversar na calçada. Sairmos uma única vez, planejavamos ir ao teatro e acabamos tomando sorvete na Avenida Paulista. No entanto, não sei o porquê, mas as poucas vezes que te convidei para sair, não rolou e acabei por me divertir com outras pessoas. Por um tempo insisti em te fazer primeira e melhor opção, como sei que já fui a sua. Mas, quando você não se esquivou do meu convite, me disse "não sei", outrora chegou a ignorar mudando descaradamente o assunto. Não foram uma ou duas vezes. Cansei.

     Ainda mais curioso é que sempre sai com seus demais amigos e adora compartilhar cada minuto virtualmente. Confesso, não me atrai nem um pouco a ideia de escancarar a vida dessa forma, não uso às redes sociais com esse intuito. Não me é nem um pouco importante tu expor aos outros que somos alguma coisa, é um lance nosso, uma troca entre a gente. Por outro lado, fazia imensa questão em sair contigo. Estranho né? Um amigo praticamente suplicar algo assim. Ansiava conhecer lugares junto a ti, a fantasia de ter memórias em comum para recordar quando a esses tornassemos me encantava. Acho tão gostoso. Uma pena o verbo estar no passado, “fazia”. Não costumo implorar, decidi por não mais convidar; mas, ainda assim; esperava por um convite seu. Até hoje, não aconteceu. Já não espero.

     No entanto, nada soou mais cortante do que sua súbita fala de que, para ti, as minhas ideias me deixam menos atraente. Não foi especificamente o que dissestes, mas o momento em conjunto com ao que você se referiu. Apesar da sua tentativa de romantizar a frase ”você é muito chata com algumas coisas. coisas que não tem necessidade de pensar e agir da forma que você faz. isso acaba tirando o brilho que eu tenho nos olhos quando olho pra você", foi perceptível o intuito de adocicar a mensagem amarga. Impossível mensurar o quão me senti mal; mais difícil ainda é indicar com propriedade o que senti, indecifrável. Passei a noite revendo cada fala e atitude minha para contigo, martirizando-me. Fiquei imersa em devaneios. Acreditando que exagero em algumas coisas, que meus valores e crenças me fazem pensar demais antes de agir e, por isso, me impedem de vivenciar e aproveitar algumas situações, cogitei rever todos os meus conceitos e mudar radicalmente quem sou hoje.

     Mas, mudar por quê? Tenho horror a ideia de mudar simplesmente para agradar o outro e acabar me tornando quem deseja que eu seja, uma versão pirata de mim mesma. Jamais irei me sujeitar a algo assim, vendo-me cada vez mais distante de quem realmente sou, cada vez menos parecida comigo. Como aquela frase da Clarice “sou sempre eu mesma, mas com certeza não serei a mesma pra sempre”, tenho que mudar quando eu perceber sentido na mudança, quando for da minha vontade e não quando apontarem o dedo na minha cara alegando que o meu eu se faz cada vez menos cativante. Porém, de modo algum abandono o fato de que, em virtude desse meu jeito peculiar de ver, pensar e conceituar as coisas, acabo por cobrar demais dos outros; claro, preciso mudar isso com urgência, aliás, agradeço pelo alerta. Somos uma constante metamorfose, estamos, felizmente, sujeitos à mudança espontânea. 
     
     Creio que isso não deveria ser causador de conflitos, ao menos, não nesse nível. Trata-se de uma questão de lidar com as pessoas, elas têm pontos de vista e veem as coisas de forma distintas. Somos diferentes. Talvez uma coisa que é super importante e valorosa para ti, para mim já tanto faz. Nem por isso irei alegar que a sua pessoa se torna menos cativante ou atraente, ao meu ver, por causa do seu jeito de enfrentar e enxergar as coisas; chegando a encarar com desdém e ridicularizar seus ideais e ideias; pois, é a sua forma de lidar com a situação e eu respeito, apesar de não entendê-la. Independente de eu não pensar da sua maneira, irei tentar compreender, mesmo que ainda assim não aceite ou concorde, é nesse manejo. Adoraria que desde as nossas minimas às titânicas divergências rendessem longas conversas, risadas e reflexões, jamais embates. Com certeza uma bate-papo assim poderia gerar ótimos frutos, como, por exemplo, vontade de mudança. É para que possamos conviver sem acabar por abandonar os nossos pensamentos ou aos poucos moldarmos o outro ao nosso gosto, mesmo que inconscientemente. 

     Eu gosto de quem você é e realmente estava curtindo mesmo o que acontecia. Concordo contigo quando disse que não deveria tumultuar e simplesmente deixar as coisas acontecerem. Além disso, conforme já expomos, nenhum de nós cogita algo mais sério agora, aliás, ainda neste estágio, sequer faz sentido. Mas, deixarmos as coisas acontecerem até onde?

     Não o único, mas o principal motivo de concluir que isto não vale a pena, pois me renderá decepção, consiste na sua afirmação "eu não quero algo sério. só vou ter algo sério mesmo quando eu amar alguém. gostar, eu gosto de você. Mas, o nosso 'ficar' não significa algo a mais que desejo". Mediante tudo que expus, como posso mergulhar nesta? Ter esse tipo de envolvimento com um cara que sequer cogita a ideia de ter um laço mais forte comigo. Poxa, as coisas são tão inconstantes e voláteis, tu alega com convicção que não quer desde já, é bem diferente de não querer agora. Não curto criar expectativas e idealizar projeções, mas, não descarto qualquer hipótese, em meio ao emaranhado de fatores alheios a nós, é um tiro no escuro fazer convicções quanto ao futuro. Devemos vê-lo como uma ponta solta. Um leque de possibilidades.

     Sabe o que parece? Que tu acredita veementemente naquela ideia da conhecida frase "se é pra ser, será" e atrela aos astros, destino ou ao universo a íntegra responsabilidade para a união das pessoas. Chega a ser cômico, já que tu zombava a mim por acreditar no destino e em "sincronicidade". No entanto, até mesmo eu tenho ciência de que independente de tudo, somos nós seu idiota que escolhemos ficar juntos. O universo jamais irá impor algo assim, uma vez que isso depende também da nossa vontade. Ele pode viabilizar; mas a decisão é unipessoal, já que está condicionada ao nosso querer. Para alguém que aparentemente leva tal frase como um mantra, se contradiz ao alegar com seriedade (não somente uma vez) que não quer, nem imagina e trata como "improvável" uma relação mais intensa e intrínseca comigo. Um perfeito contraste com a minha maneira.

     Sua contradição é torturante. Acredito que já chegou numa proporção que não dá mais pra "ficar". Pois, não foram um ou dois conhecidos que me questionaram sobre o que rolava entre a gente; sequer sei como surgiu mas já nos viram até como namorados, provavelmente por estarmos vez ou outra juntos. Além do mais, até minha família já pôs isso em xeque. 

     Em hipótese alguma me importo com o que as pessoas com as quais não detenho vínculo afetivo falem ou pensem ao meu respeito. Juro. No entanto, quando os rumores sobre "estarmos juntos" começaram mencionei contigo e me disseste para não dar atenção e caso tornassem a questionar-me a respeito, deveria afirmar e dizer "e daí?". Logo, o assunto se espalhava entre nossos colegas, que ainda insistiam em me interrogar, e eu já não sentia mais necessidade de comentar com você. Pois, diferente do que me pediu, eu simplesmente negava; vez ou outra ignorava (nossa relação que, agora, se moldava não detinha sequer traços de definição).

     Porém, quando foi a sua vez, quando alguém do seu círculo de amigos perguntou se estava numa relação de compromisso e citou o meu nome como possível companheira, imediatamente descartou o pensamento anterior. O fato de você me interrogar para aferir se eu estava “falando algo por aí”, mostrou que você se importa. Ao cogitar que eu teria dito ou criado uma relação que não existia, deixou isso ainda mais saliente. A primeira coisa que me veio à mente foi “mas que tipo de pergunta idiota é essa?”. Por qual razão, motivo ou circunstância eu faria algo do tipo? Poxa, não tenho mais 12 anos. Não exitei, não fico calada, tu sabes que quando algo não me agrada falo imediatamente e espero compreensão e empatia para que não se repita. Desta forma, no mesmo instante lhe disse como me senti e enfatizei que detesto a ideia de estar com alguém que deseja tudo as escondidas. Como posso conviver com alguém que sente receio e atribui importância às conclusões precipitadas de terceiros a nosso respeito? Espero que esse seu temor não tenha nada a ver com a minha pessoa, pelo meu eu, por quem sou. Aliás, se pesarosamente for, não faz ideia do tamanho do meu repúdio. Me faz ter ânsia de vômito só em pensar algo tão esdrúxulo.

     Incrível como você consegue ser antagônico! Não apenas em noites frias e quentes, mas até mesmo sob a chuva, instante não só caminha de mãos dadas comigo, como também abraça e beija-me, na frente de todos e quando eu alegava timidez, ao perceber olhares curiosos, tu me dizia “jamais me importaria de me verem com você. aliás, deveria fazer o mesmo”; num outro triz, retrata o oposto. Apesar de se esquivar das minhas escusas, alegando não ser por causa da minha pessoa o seu aborrecimento com o episódio, isso não importa, não muda os fatos. Por uma questão lógica, é óbvio, se você se incomoda, é claro que irei me incomodar. Além do mais, entre nós, seria devaneio aspirar o meu jeito de “ficar” ou uma trégua, posto que seus pareceres e cobiças revelam-se flutuantes. Ambíguos. Inconstantes.

     Você não sabe o que quer, desde aquele rompante, até então, demonstrou instante arrependimento da decisão, depois querer manter a amizade, posteriormente ansiar a metamorfose e logo em seguida voltou atrás elencando a manutenção do “meio termo”; é uma tortura. Além do mais, não pode simplesmente hora "estar afim" e outrora não, acreditando e esperando que vou adentrar nessa de sempre estar à sua disposição e me submeter à um naufrágio. Quando você me chama, eu vou; mas, quando eu te chamo, você não vem. Faz-me sentir alguém que apenas convém, quem intima quando está entediado ou não há nada melhor para fazer, ou seja, o conhecido "tanto faz". Não gosto. Não me cativa.

     Não sou hipócrita a ponto de descartar os motivos que você expôs (depois que muito insisti) que embasaram o seu primeiro posicionamento, me fez pensar que o que eu te dei foi muito pouco ou quase nada, como canta Nando Reis. É justamente o contrário, compreendi totalmente e te expliquei sobre não saber lidar com "meios termos". E foi o que te levou a propor definirmos a situação, mas, se é pra mudar e eu me sentir dessa maneira, não vale a pena.

     Me abri e tentei ser o mais clara possível sobre o meu modo de levar esse tipo de envolvimento, com o intuito de te fazer também perceber que vemos e lidamos de forma discrepante, principalmente ao reconhecer que estavas fazendo confusão ao não entender as razões pelas quais da sua maneira para mim esse "lance" não seria possível. Afinal, pretendia com isso o surgimento de um pacto, pautado na conciliação. Não foi novidade isso partir de mim, era de se esperar, prezo pelo diálogo sincero, não lêmos mentes.

     Pena que após fazê-lo, tu apenas disse "entendi", nem mais, nem menos. Posteriormente, ousou tornar no assunto e fazer breves comentários discordando de alguns pontos sem profundas explicações. Fui paciente e respondi às suas contestações e sou grata por ter me ouvido, realmente disposto a compreender. Porém, chegou um instante em que me senti tola, era evidente a minha intenção com aquela conversa. Mas, era evidente também que tu não estava disposto a ceder, seria do seu jeito ou não seria nada.

     Deduzi à medida que ficava silente perante as minhas perguntas; embora me ouvisse, pouco falava; ao indicar as divergências entre as nossas maneiras e os motivos pelos quais sua proposta como cláusula pétrea para mim não fluiria (explicitei as possíveis consequências), fez-me pergunta sobre outro mérito, desviando sutilmente o assunto; ao apontar como me senti perante algumas falas e atitudes suas (sujeitando-me à alegações precipitadas), disse somente uma vez "não quis transparecer isso" e não fez objeções quanto às demais. Sim, me senti tola, como se fosse a única a desejar viabilizar a definição do nosso tipo de relação.

     Nas últimas semanas, tivemos a mesma conversa inúmeras vezes, até mesmo após diálogos curtos, me deparava retomando o mesmo assunto todos os momentos que você interrogava uma fala ou atitude minha, apontando que estou agindo diferente. Inacreditável você portar-se como se nada tivesse acontecido, pior, permanecendo com as mesmas falhas que me deixam cada vez menos seduzida pela proposta que me fez. Não sei como teve coragem, mas, ainda ousou em cobrar reciprocidade de mim, no seu lugar, eu teria vergonha. Incrível você não perceber que minhas ações são reflexos das suas, precisando da minha indicação de um por um dos fatos que embasaram minhas conclusões e meu novo modo de agir. Sou espelho. Francamente, é exaustivo precisar te lembrar de tudo que já expus. É cansativo e detesto ser repetitiva. Além do mais, tenho a sensação de que falo em vão, já que ao responder sua acusação, creio que por não ter o que dizer e, por via, concordar com o meu parecer, responde "okay". Tivemos uma série de conversas que não nos levaram a nada, tudo permanece conturbado.

     Em virtude não só disso, mas também de tudo que apontei antes e principalmente por constatar que não chegaremos à concórdia, já não faz sentido prolongar. Aliás, confesso, acaba por ser uma pressão torturante em cima de mim. O que eu quero? Não, mas o que devo fazer e lhe peço é para continuarmos com nossa amizade numa boa. just it. Não é a primeira vez que te peço isso, sinceramente, ensejo que dessa vez respeite e não finja que nada falei ou decidi. Torço para que entenda. Francamente, não sei se estou pondo uma espécie de ponto final em algo que nem sei se começou. Infelizmente, nem tudo que envolve outro alguém pode ser do nosso jeito, ambos precisam estar dispostos a ceder e não apenas um; soa terrivelmente como manipulação ou submissão, me estremece.

     Delírio? Jamais. Ainda assim, seja lá o que for que eu esteja fazendo, agora, faço com imenso pesar. Juro que almejava algo integralmente diferente, ansiava imensuravelmente mais. Não é porque tu tomou decisões e agiu de modo que me desagradaram que passo a te odiar ou repudiar; mas, por outro lado, não sou ingênua ou otária a ponto de ignorar ou esquecer que pisou na bola comigo me proporcionando dias de inquietação emocional e psicológica. Justamente por tal, faço questão que tome conhecimento disso e não tenho ressentimento algum em frisar este fato caso torne ao assunto. Aliás, também sei que vez ou outra tomei atitudes que te chatearam, apesar de você preferir ficar silente na maioria das vezes. Sinta-se a vontade para desabafar comigo a respeito, podem haver coisas das quais não me dei conta e não pude me desculpar ou explicar, assim como muito do que escancarei aqui pode sequer ter sido alvo de sua percepção. 

     Vale ressaltar, expus parte da minha percepção sobre a nossa crônica. Exibi, latentemente, meramente os fatores que me chatearam e embasaram minha escolha. Sei que muitas vezes minhas falas podem parecer incompreensíveis. Não sei como me salvar do caos em minha mente. Esta foi a minha versão da verdade, como captei a realidade. Qual é a sua? Não sou a dona da razão, ninguém é. Não descarto a possibilidade de estar equivocada quanto uma minúcia ou outra. Adoraria um retorno seu. Não sinta-se obrigado, a nada. No entanto, é certo, mesmo que eu não queira, levarei o silêncio como anuência às minhas conclusões e decisões.

    Ps. Me desculpa por sempre me prolongar, sei que é um porre. Não consigo evitar.

  • Nilfa e mochileiro

     
    Sobre a imensidão do triângulo estelar Mineiro
    O menino, mochileiro, transporta novos amores.
    Carangola, princesinha da mata; zona proibida.

    Quem por ventura ousou desbravar-te?
    Sereia em Minas, como podes?
    Terra ausente de mar....aqui te vejo Ninfa!
    Compreendo “nem faz falta o mar”¹

    Tú cantas às margens do Carangola
    Onde me vejo naufragar agora!
    Como fecunda o amor entre mochileiro e Ninfa?
    Que não seja eu infeliz como Apolo.
    Não se transforme perante mim em Loureiro.

    Carrego-te hoje em meu peito, com afago
    Não permitas, que caiamo-nos sobre Gaia
    Sem antes tê-la em flama, ardor, gozo.
    Pois será pelo apreço e infantil desejo
    Que te espero com arquejo a dar-lhe um beijo.




      Autoria: D`souza Gabriel
     ¹“Nem faz falta o mar” Musica, Minas das violas. Cesar Menotti e Fabiano.
  • O ANJO DO JULGAMENTO

    Prólogo
    A maldade silenciosa.
    Vivo num mundo cruel e sem salvação. Onde monstros se disfarçam de homens, e crianças são tratadas como adultos. Sigo por ruas pavimentadas, pagas com o sangue dos trabalhadores, e a dor dos inocentes. Criminosos crescem como pragas, e andar por qualquer cidade, já não é mais seguro. Ligo minha TV para esquecer que a perversão cresce lá fora, e me deparo com materiais doentios direcionados aos menores. A maior rede social de vídeos do mundo, proíbe minhas denúncias, garantindo que o material não chegue aos adormecidos. Mas minhas palavras não podem ser caladas. Há uma inútil luta na sociedade, para saber qual religião é melhor que a outra, ou se o homem é maior que a mulher, e vice e versa. Enquanto todos dão atenção para assuntos tão triviais, verdadeiros males ocorrem em torno do mundo com um único objetivo: manter a dominância de uma Elite doentia, que tem pervertido a magia, desde que o homem era somente um projeto de uma raça superior. Não me diga que ainda acredita, que os demônios vivem abaixo dos seus pés, e que Deus não é uma inteligência magnânima, que deu origem a isto tudo. Não, não me confunda como uma religiosa fanática, pois estou bem longe de ser. Não, também não me chame de satanista, este é um nome que não cabe a mim. Estou muito além destes rótulos, para ser definida somente por eles, por isso peço que me respeite, e me chame apenas por anjo do julgamento. Já que estou acima do bem e do mal, e apta para determinar a sentença dos seus homens e mulheres. Vim para este mundo, como uma de vocês, nasci de uma barriga humana, embora fique cada vez mais claro, que não sou deste mundo. Cresci como uma criança normal, sem saltos no tempo, ou perseguições de um grupo secreto. Porém sempre carreguei comigo, uma maldade gigantesca, que me levava a manipular, me aproveitar, e torturar os outros. Talvez tenha sido uma menina psicopata, talvez somente acima da média, mas uma coisa é muito clara, esta crueldade frívola nunca me abandonará, e dado as atuais circunstâncias, é melhor que assim seja. Na minha fase adulta, o meu destino ficou cada vez mais claro, quando seres poderosos, entraram em contato comigo através de pensamentos obscuros, e sinais nos céus, que jamais cessariam, até eu aceitar a minha conduta. Em janeiro de 2020, fui seguida por um grupo de frades tradicionais, após ter tido vários pesadelos, com inúmeras mortes causadas pelas minhas mãos. Eu senti medo, pois após tantos anos de terapia, enfim tinha descoberto que sofria de um mal psicológico, que poderia me transformar numa assassina de uma hora para a outra, o quê para mim, era cruel e demoníaco, e eu precisava controlar, senão vidas inocentes iriam pagar pelo meu problema. Eles me chamaram por um nome, que tentei esconder debaixo do tapete, todavia evitar o quê era, não foi o suficiente para me deixarem em paz, e assim tive de seguir com eles. Muito antes de evitar as minhas asas negras, já havia imaginado que um grupo viria até mim, e me levariam a algum lugar sombrio, por isso implorei aos deuses para me protegerem, ou me deixarem escapar. Infelizmente cheguei ao meu destino, e ninguém me salvou. Eles eram assustadores, e tentaram me atacar, mas o meu desejo insaciável por sangue, me levou a ficar viva e ilesa. Manchada de vermelho, me afastei do monte de cadáveres, pronta para me entregar a polícia. Só que dois padres surgiram, e aplaudiram o meu desempenho. “Ela é perfeita.” Concordaram entre si, e fiquei desconfiada, esperando que me dessem uma explicação. Eles pestanejaram, e me vi obrigada a puxar a faca. “Digam quem são, e o quê fazem aqui.” Perguntei sentindo a adrenalina fluir. “Somos os filhos de Jesus. Pertencentes a ordem sagrada de Cristo.” Eles me responderam, e eu gargalhei. Afinal o quê uma ordem de tamanho poder religioso, iria querer com um anjo caído, que negava a própria alcunha? Eles me disseram que precisava ir com eles ao mosteiro de Santa Marta, e que lá receberia explicações mais detalhadas. Naturalmente opinei por não ir, contudo cedi a minha curiosidade, e com eles eu segui. Muitas horas se passaram, até me levarem ao topo de uma montanha rochosa. Outra vez o medo de ser destratada, e sofrer torturas preencheu o meu ser, até que o vi. Era um homem loiro, de cabelos escuros, olhos penetrantes e claros, que intercalavam entre o rio e o mar, muito bonito , que vinha em minha direção. “Minha filha.” Ele disse, e eu não segurei o riso. Até ali tinha noção que de quê havia conhecido o paraíso, porém filha daquela figura bíblica? Era cômico demais. “Preferes desta forma?” Disse ao fazer chifres de bode crescer em sua cabeça, enquanto o corpo mudava. “Não pode ser.” Fiquei catatônica, e acabei por desmaiar em seus braços. Ao acordar ele me explicou tudo, e pude reagir de outra maneira, o abraçando forte, por saber que estava diante do meu verdadeiro pai. Assim me tornei uma dos seus seguidores, e me dediquei a cumprir a minha missão, de destruir os ímpios, e iluminar a terra, com a minha chama sagrada. Pois ele só havia voltado, para que o julgamento se iniciasse, e o mesmo só poderia ser feito com o poder da sua amazona, e filha mais velha, a própria morte, ou seja eu. No início senti culpa pelas vidas que ceifei, no entanto bastou ver a lista dos culpados, para que o arrependimento se transformasse em paz. Não estava tirando aqueles homens e mulheres de suas famílias, e sim devolvendo demônios de volta para o inferno, do qual nunca deveriam ter saído, e seguiria fazendo isso até limpar o planeta, desta maldita escória de covardes.
    Capitulo 1- Verdades
    Inconvenientes
    A MORTE NARRA:
    Um dia eu tive uma amiga, que acreditei que seria para sempre, mas agora era somente outra neblina de inveja e prepotência, que precisava se dissipar. Ela era bonita, e de corpo desejável, mas embora tivesse tais atributos, não era feliz ou satisfeita consigo mesma, por mais que escondesse isso, através de um sorriso tão vazio quanto a sua cabeça sonhadora. Sei que parecem sinais de ódio, todavia posso assegurar-lhes que é somente mágoa. Eu confiei nela, depositando em suas mãos todos os meus sonhos, medos, e anseios, como se fosse a única confidente que tive na vida, e o quê achei que duraria até o Armagedom, hoje era apenas um motivo de dor e tristeza. Ela seguiu uma vida criminosa sem retorno a cidadania de bem. Algo que tentei lhe alertar, que não teria um fim nobre. Já eu me juntei a Ordem secreta, que conhecia as duas faces do demônio, e passei a julgar os meliantes que trucidavam inocentes. Desde sempre estava claro, que éramos o lado diferente da moeda. Só que para a minha surpresa, não fui eu, a servir as trevas, cometendo iniquidades, apesar dos demônios que sempre me acompanharam, nas profundezas da minha mente. “Thamara.” Meu superior me chama, enquanto sigo pelo escritório, olhando os relatórios da empresa, com um par de óculos, que por intervenção divina, não mais necessitava, porém precisava para manter as aparências. “Seu desempenho foi excelente neste mês. Logo se formará com louvor.” Ele me elogia, e o olho sem muito interesse nas finanças. “Que bom. Não vejo a hora de terminar o curso, e voltar a trabalhar em casa.” Deixo escapar, e isso o magoa, já que acha que eu não valorizo seus esforços para me sentir bem ali. Não me importo muito, pois após ter conhecido tantos que usavam a máscara de bons moços, para esconder seus crimes. Gentilezas não mais me atraem. “Tha.” Ouço a voz do meu amado, e sorrio ao ver o belo moreno de terno que vem na minha direção. Ao chegar o abraço com todas as minhas forças, pois ele é a minha luz, neste mundo sombrio. Nós terminamos as simulações de compra e venda de ações, e descemos pela escadaria. Ao entrarmos no carro, nossas feições de alegria mudam, e ele segura a minha mão. “Sei que não será fácil. Mas é preciso.” Diz tentando me dá forças, e eu aceno com a cabeça, me preparando para tempestade que há de vir. Ele estaciona o carro, eu desço com o cabelo amarrado, num coque para trás, luvas, e tudo o quê é necessário para cometer um crime. Estamos numa floresta densa e escura, e o cheiro de morte impregna o ar. “Ela esteve aqui.” Aviso, ao o seguir sem fazer muito barulho. “De fato.” Meu marido pega duas cabeças de recém-nascidos, mortos, que tiveram seus olhos arrancados, e pela quentura do sangue, percebo que o infanticídio foi praticado a poucas horas. “Droga!” Esbravejo furiosa, e nós abandonamos o local do sacrifício. Assim me livro das vestimentas que nos ligam aos assassinos, exatamente como os filhos de Jesus me ensinaram, e seguimos como inocentes. Meu celular toca, e o atendo com grande desgosto.
    _Thamara.
    _Não chegamos a tempo de capturá-la.
    _Eu sei. Sua irmã pode ser uma
    cabeça oca, mas ordem a qual ela
    serve, é cheia de membros
    perigosos.
    _Para uma menina, ela tem me
    causado uma bela dor de cabeça.
    _É porquê tem sentimentos por ela,
    e no fundo se sente culpada pelo
    caminho que tomou.
    _Pai. Eu sou o monstro da família.
    Se tivesse controlado meu ego,
    talvez pudesse salvá-la.
    _Não, não poderia. Ela tinha o livre
    arbítrio, e optou por seguir para
    as trevas.
    _Ela não é tão má. Eu sei, porquê
    na hora das mortes...
    _Thamara. Você desliga as emoções
    , para julgar os que merecem. Ela o faz
    para sorrir, se divertir, e você já viu.
    Não há comparação.
    Meu pai estava certo. Minha irmã, e antiga melhor amiga, agora era um monstro imparável, que não se preocupava com o dia de amanhã, e já tinha cometido mais de 10 assassinatos, em nome da Ordem das Corais. Uma seita religiosa que tem planos malignos para o planeta, e precisa ser detida, pois apesar de seu número ser pequeno, a mesma é responsável por todo o serviço sujo, da ordem piramidal dos Iluminados. Algo terrível, que me trouxe memórias cruéis... “Katherine!” Gritei ao vê-la arrancar a cabeça de uma criança, mas ela me ignorou, tinha se entregado a escuridão, e nada poderia ser feito para regressar. “Ela nunca vai parar.” Conclui retornando aos tempos atuais. Era hora de matá-la, mas não sabia se teria a mesma frieza que desenvolvi ao exterminar os outros.
    A viagem de volta para casa foi longa e silenciosa. Bartolomeu sabia o quanto aquela situação me afetava. Ao chegarmos, notei que os portões da minha luxuosa casa estavam abertos, então coloquei um dos pares de luvas, e amarrei os cabelos. “Thamy.” Meu marido segurou o meu pulso, assim que coloquei o pé para fora, já com a adaga na mão. Meus olhos subiram, e vi a silhueta de minha mãe Lina, brincando com minha filha e cópia Ramona. “Não traga os seus trabalhos para casa. Seu pai jurou que manteria sua identidade protegida, e enviaria os melhores guardas para cuidar do nosso lar. Confie na palavra dele.” Ele me disse, porém não quis ouvir, andava tendo visões de que a casa seria invadida pela Ordem das Corais, e seria arrastada pelos Iluminados para dentro de um abismo, e não podia abaixar a guarda. A noite...Jantamos lasanha, com muito refrigerante, agindo como a família normal que não éramos, para manter a mente de Ramona sã. Um acordo que firmei com Bart, para garantir que a menina tivesse a infância que não tivemos, e somente mais tarde viesse a saber O quê nós somos. A pequena sempre carinhosa, nos deu beijos de boa noite, e foi para o seu quarto, ler seus contos favoritos dos irmãos Grimm. Apesar de sua doçura, ela sempre teve inclinações para assuntos obscuros, pois as histórias contadas para outras crianças, lhe davam sono. Era uma prodígio, e por isso eu ficava cheia de dores de cabeça, quando minha mãe vinha em casa. “Thamy você tem que colocá-la numa escola especializada.” Disse minha mãe, enquanto eu colocava os pratos na lava louça. “Já falamos sobre isso. Nem eu, nem Bartolomeu gostamos da ideia. O mundo não é seguro para uma garota gentil como ela.” Respondi esperando o furacão Lina, derrubar todos os objetos da cozinha, mas a idade a deixou mais calma, e isso me surpreendeu. “Filha você sempre reclamou por não termos explorado o seu potencial quando criança. Nós não fizemos isso, porquê não percebemos, seu pai não percebeu, mas você e Bart veem, não acha justo lhe darem a oportunidade?” Usou o velho argumento irritante, de quê fui um prodígio não reconhecido, por culpa do meu pai terrestre, e isso me chateou muito, contudo respirei fundo, e sentei a mesa, ligando o meu notebook. “Venha aqui.” Chamei-a, e a mulher baixinha e empinada, se juntou a mim, com seus óculos fundos. “Está vendo estas notícias?” Mostrei o novo sistema de pesquisa inteligente, conhecido como SIP-I. O programa que substituiu o Google em 2022, quando a Deep Web, deixou de ser uma rede subterrânea, para se tornar superficial, devido a grande popularidade de materiais distribuídos como inofensivos. Ao contrário do programa do Bill Gates, o SIP-I, era controlado por uma inteligência artificial, criada por um gênio e pai de família, que a desenvolveu exclusivamente para garantir que os filhos, ficassem longe dessas mídias danosas. O Google ainda existe, porém é uma ferramenta usada por criminosos, que agora podem agir a olho nu, graças a intervenção da Elite, para satisfazer seus desejos doentios. A policia, os guardas, os seguranças, os advogados, e todas as ferramentas para se fazer a justiça, não passam de teatros financiados pelo grupo piramidal, para fingir que ainda há um meio de salvar a todos. Sim, o mundo está um completo Caos, e não posso colocar a minha preciosa herdeira do verdadeiro Novo Mundo, nas garras dos monstros do atual. Não tive todo o cuidado de filtrar a sua programação, lhe formar em cursos a distância, para agora entregá-la de mãos beijadas ao sistema deles. “Menina de 10 anos, é estuprada em banheiro unissex por garotos da mesma idade. -Menina desaparece em escola, sem deixar rastros- Menina é agredida ao voltar para casa sozinha- Meninas tendem a sofrer 75% das agressões e abusos no país -Professor é preso por molestar as alunas. Preciso ler mais?!” Disse ao configurar o SIP-I com a minha biometria, para conteúdo adulto no meu computador portátil. “O mundo não é só isso Thamara.” Ela tenta me convencer, e eu acabo rindo, pois praticamente todo mês tenho que matar muitos, por conta da perversão que se expandiu. “Pode até não ser. Mas tudo o quê vejo é esse descontrole, e enquanto Ramona não for capaz de matar, em vez de ser morta, ela fica em casa.” Disse com frieza, e minha genitora se calou. A conversa que tive com a Dona Lina, me deixou bastante apreensiva, e trouxe de volta demônios, que há anos não me perturbavam. “Cuidado em casa.” Disse uma das vozes de minha consciência. “Você não deve confiar em nenhum homem.” Repetiu, e o medo se apoderou de mim. A passos lentos segui pelo corredor do quarto da minha menina, a porta estava entreaberta, e o meu bebê de 10 anos dormia totalmente embrulhado em sua coberta lilás, que por meu intermédio havia se tornado a sua cor favorita, desde que era menor. Entrei no cômodo, e me sentei ao seu lado, fiquei lhe fazendo cafuné, e vi o seu sorriso. “Você é a coisa mais importante do mundo para mim.” Disse-lhe, e ela me abraçou forte. Foi então que ouvi ruídos, e me vi obrigada a me esconder. Como não tinha para onde ir, usei um dos poderes da morte, a invisibilidade. Bart apareceu ali, e sem perceber acabei por deixar a menina descoberta, com o seu pijaminha de short curto. Respirei fundo, se algo ruim fosse acontecer, teria que ser naquele momento, pois meu marido pensava que eu ainda estava a conversar com a sua sogra. Ele a observou sorridente, e a cobriu, dando-lhe um beijo no rosto. “Sua mãe e você, são tudo para mim.” Falou com ternura, e eu não consegui me conter. Meu corpo tremulou entre o intangível e tangível, e acabei por surgir no canto da parede. “Thamara? Mas o quê faz aqui?” Disse já incomodado. “Eu precisava ver se a Ramona estava bem.” Foi o meu primeiro impulso a dizer. “Se era só isso, por quê se escondeu atrás da cortina?” Questionou com o ar de inteligência, sabendo no fundo o quê aquilo significava. “Nem precisa dizer.” Concluiu me deixando para trás, e sai atrás dele, pronta para me explicar.
    _Bart.
    _Thamy. Você lida com o mal o tempo todo.
    Como é que ainda pensa isso de mim?
    _É só que você é todo liberal, e gosta muito
    de mim, sendo que pareço uma menina
    de 14 anos.
    _15. Mas você tem 24, há diferença.
    _Até o dia que envelhecer...
    _Primeiro se envelhecer, sempre será a minha
    mulher. Segundo você não envelhece, é
    parte de ser a morte.
    _Mas se não consigo julgar nem a Katherine,
    que é minha irmã, imagine a você que é
    o amor da minha vida?
    _Eu não sou a Katherine. Tenho prazer de matar
    pela mesma razão que você. Pra limpar o mundo
    dessa escória maldita, que se tornou uma
    epidemia!
    “Tem prazer de matar? Pela mesma razão que ela?” Ouvi uma terceira voz na discussão, e meus olhos se arregalaram, lá estava a minha mãe na porta do quarto da minha filha, que se escondia atrás da sua longa camisola azul. “Ah! Fantástico!” Explodi, e ele lutou para se manter calmo. “Agora todos os meus planos para a Ramona foram por água abaixo. Está feliz?!” Deixei fluir o ódio. “Espera, vai me culpar? Foi você que iniciou a discussão!” Ele rebateu, e embora tivesse razão, preferi negar a culpa, e inspirei “todo o ar do ambiente”, até me tranquilizar, para explicar tudo o quê tinha acontecido, pois embora tivesse o dom de tirar a vida das pessoas, não tinha a capacidade mudar seus rumos. O tempo nunca volta para a morte, isto se dá por uma força maior que a minha, e até mesmo a de meu pai.
    Nos sentamos a mesa, a mesma onde deveriam haver conversas comuns e entediantes, em vez do grande “elefante” que estava entre nós. Ramona ficou a me observar com seus olhinhos negros, que estavam esperando uma explicação, enquanto minha mãe tremia como um rato diante do gato, achando que minha doença, tinha enfim chegado ao estágio final, e agora eu matava sem ter um código de conduta. “Eu poderia mentir para vocês, e acreditem em mim quando digo: Adoraria fazer isso. Mas esconder a verdade, as levariam a pesquisar por conta, e tirarem conclusões mais absurdas que o próprio axioma, por isso vou lhes contar tudo.” Tentei soar culta e fria, mas por dentro temia que não me entendessem, e me jogassem numa casa de apoio emocional e psicológico, um nome bonito para hospício do século XXI. Bart mesmo magoado pela acusação, segurou a minha mão me dando apoio, e apesar de meus demônios o odiarem, por me fazer tão fraca, uma pequena parte de mim, se sentiu segura por tê-lo ali, e assim ambos sorrimos sem vontade, um para o outro. “Lembram-se quando sumi por mais de 6 meses, quando estava perto de fazer 28 anos?” Iniciei o meu relato, com uma pergunta, para adaptá-las ao ambiente do passado. “E que Bart lhes disse que tínhamos tirado um ano de férias longe da Ramona, que tinha se tornado cada vez mais pestinha?” Conclui, e a velha conservada Lina, revirou os olhos, já se recordando do fatídico tempo. “É claro que sim, foi o seu ato mais egoísta em relação a pobrezinha.” Resmungou seca, e isso me fez sorrir com satisfação, pois agora ela se calaria com a verdadeira razão do meu sumiço. “A verdade é que eu tinha sido recrutada por uma antiga Ordem que...” Tentei terminar mas a avó, já veio atropelando a minha narrativa. “Você entrou para os Iluminados?! Depois de tudo o quê me falou sobre eles e sua maldade e...” Desta vez eu atropelei suas palavras. “Não! Eu entrei para a Ordem de Cristo. Na qual os verdadeiros devotos da luz celestial, ou estrela da manhã, são treinados pelo filho de Deus, para limpar o mundo de tamanha crueldade, provocada pela má interpretação das Escrituras Sagradas, que foram corrompidas pelo homem, para atender suas ambições.” Respondi quase automaticamente, e ela ficou emudecida. “Mas você é má. Como o filho de Deus, a aceitaria em seu rebanho?” Inquiriu desapontada com o seu grande ídolo divino. “Eu sou má, porquê preciso ser, e Jesus me escolheu porquê sou a filha dele e Madalena.” Disse com desgosto. Após ter entrado em tantas casas, para matar homens merecedores desta sorte, não gostava de ser associada a maldade diabólica, pregada por palavras vãs, de homens loucos por poder. “Mas você não é filha de Lúcifer?!” Ela ficou ainda mais confusa. “Tive a mesma reação ao descobrir. Mas sim Lúcifer e Jesus são o mesmo ser.” Esclareci, e ela cuspiu a água que tinha começado a beber. “Meu pai cometeu muitos erros mãe. Um deles foi tentado introduzir neste mundo, virtudes para os quais não estava preparado.” Baixei a cabeça, lamentando pelo surgimento da outra face, do príncipe do mundo. “Seu pai é o Alexandre! Esse homem que a induz a matar é um blasfemo!” Gritou como uma fanática, e com o meu dedo indicador apontei minha energia para a planta no meio da sala, que por “mágica" começou a secar, enquanto meus olhos mudavam de castanho para violetas. “Tudo é um, e o um é tudo.” Disse ao abrir a palma, e soprar a vida de volta para a flor, que brotou ainda mais linda e brilhante.
    _Como fez isso? Esse Homem. Esse homem é um alien?!
    _Não, bom é, mas não da forma que está pensando.
    Eu sou o cavaleiro do Apocalipse mãe, eu sou
    a Morte.
    _Mas como isso é possível? Sua gestação foi normal,
    embora houvessem complicações!
    _E você rezou a Nossa Senhora do Perpétuo Socorro,
    para que eu não morresse, e me chamou de seu
    milagre.
    _Minha filha. É um peso tão grande para carregar.
    _Eu sei que é mãe. Sei que posso ficar louca. Mas pela
    primeira vez na vida, tudo realmente faz algum sentido,
    e principalmente, eu não preciso mais ficar de braços
    cruzados, vendo o mundo ruir.
    _Mas você é tão jovem, bonita, e inteligente.
    Ele não pode escolher outra em seu
    lugar?
    _Eu tenho 666 irmãos. Mas nenhum deles tem o
    meu poder mãe.
    _Eu sabia que um dia isso ia acontecer.
    _Não tá planejando me colocar no hospício não é?
    _Não, não minha filha. Apenas espero que saiba
    o quê está fazendo, pois um erro e...
    _Mamãe eu não morro.
    _Mas pode se ferir, e depois de tudo o quê já passou, não
    quero que se machuque ainda mais.
    Ela me abraçou, e Ramona ficou calada, ponderando sobre tudo o quê sabia a respeito de Cristo e Lúcifer. Naquela madrugada tive de falar tudo a minha pequena, de uma forma que ela pudesse entender, e acabamos por adormecer.
    O MISTERIOSO MARIDO NARRA:
    Thamara dormiu junto de nossa filha, e eu fiquei a mesa, arrumando os pratos, cheio de doces que devoramos ao ouvir as palavras da minha esposa. Lina não conseguia dormir, por isso ficou sentada no sofá com o olhar vazio. Embora quisesse transmitir confiança a filha, ainda não tinha aceitado os fatos, e suas mãos tremulantes, alegavam que estava a beira de um surto. Olhei-a por cima dos ombros, e respirei fundo. Se não a ajudasse agora, a Thamy iria sofrer as consequências mais tarde, e não podia deixar isso acontecer. Como quem não quer nada, sentei-me ao seu lado, e ela como que por desespero virou-se para mim, dando-me um baita susto, com seus grandes olhos vermelhos e enrugados, marcados pelo pânico do desconhecido.
    _Bart.
    _Eu mesmo Lina.
    _Thamara não me contou como você foi envolvido
    nessa matança.
    _Ah, é simples. O par da Morte, sempre será
    o Peste.
    _Espera você também acredita que é um dos Cavaleiros
    do Apocalipse?
    _Mas é claro que sim. Fui treinado junto com
    a Thamy.
    _Isso é loucura Bart!
    _Não, não é. Basta parar de ver a Thamy como somente
    sua filha, que verá os sinais entorno dela.
    _Vocês tomaram alguma droga, quando conheceram
    esse guru que acha que é Cristo?!
    _Lina. Se acalma. O tal “guru" salvou sua filha de ficar
    cega.
    _Então é um alien! Um alien maldoso!
    _Lina. Ele é realmente Cristo, sua filha é a Morte, e
    eu sou o Peste. Precisa aceitar isso.
    _Por quê?!
    _Porquê com você como nossa aliada, podemos
    iniciar o quanto antes, os treinos de Ramona para
    esta seguir o destino que lhe foi escrito.
    _E seria?
    _Herdar nossos poderes e manter o mundo
    em equilíbrio.
    A conversa com Lina, não me pareceu muito proveitosa. Era evidente que Thamara tinha puxado a cabeça dura dela. Todavia obtive algum êxito, e por isso pude dormir em paz naquela noite. “Você tem que matá-la.” O sussurro de minha própria voz passou pelos ouvidos. Minha esposa não estava de todo errada, haviam demônios na minha mente, só que ao contrário do quê ela pensava, não representavam perigo algum a nossa filha, não da forma que com veemência me acusava, pelo menos. Meus pensamentos eram mais piedosos, me falavam sobre matar a família inteira, e depois a mim mesmo, não torturá-las com maldade, como fazia com minhas “vítimas”, ou de maneira sexual, como algumas das “vítimas” faziam com terceiros.
    Mergulhado no vazio obscuro dentro de mim, eu os vi. Eram vários de mim, cada um com uma ideia de diferente, e como eu sou o rei deste Inferno mental, caminhei lentamente entre eles, mostrando-lhes a minha força e imponência. O meu eu assustado se recolheu de imediato, ou meu eu raivoso, saltou na minha direção, e por isso o peguei pelo pescoço. “Ela nunca vai te amar! Não é capaz de amar a alguém!” Ele gritou e isso me fez sorrir, ao puxar seu crânio ensanguentado para fora do esqueleto. “Eu que mando aqui, e se não respeita a minha amada deusa, deve morrer como todos os outros.” Esclareci, e o frio e calculista veio até mim. “Ela não é controlável como a Célia. Não é um bom negócio, seguir com aqueles que estão além dos fios de nossa manipulação.” Olhou para mim, e eu lhe acertei com um machado que projetei. Não tinha tempo para ouvir as asneiras, de partes minhas, para as quais somente a Thamara ainda dava vida. “Ele seguiu por aquela direção.” Disse o meu eu viciado em violência, e por isso segui cautelosamente até a escuridão, que crescia da direção em que aquele demônio tinha se enraizado. “Ela te deixou uma vez.” Foram as suas primeiras palavras. “Ela seguiu com Dave, e te ignorou. Só retornou porquê Dave não a ama.” Continuou com seu monólogo de mágoa. “Só há uma razão para odiá-la tanto. Sr. Tristeza.” Brinquei ainda atento ao ataque dele. “É Sr. Melancolia.” Ele gritou enfurecido. “Pra mim parece mais o bebê chorão. Aquele tempo se foi Bart Melancólico.” O alfinetei, e depois recobrei o sentido, se somos o mesmo, não cairia numa provocação barata. “Não para mim. Eu ainda a vejo nos braços do outro, exatamente como ela desenhou.” Respondeu com mais intensidade, e pude chegar até ele, porém ao pisar no topo de uma colina, iluminada pela luz da lua, percebi que aquela voz vinha do meu inconsciente. “Ela nos ama. Me ama, e é só o quê importa.” Disse ao olhar para baixo. “Não é tão simples.” Suas sombras se materializaram, agarrando meus pés como tentáculos, e me arrastando para dentro do breu. Uma vez disse a Thamara que eu tinha entrado em depressão quando me deixou, mas eu menti, ela tinha criado algo muito pior dentro de mim, pois nunca havia amado tanto alguém antes dela, e agora esse mesmo monstro queria me puxar para o fundo, com o intuito de se tornar o 70% de mim, que controlava os meus outros demônios. Isso já tinha acontecido uma vez, e até hoje sofro com consequências do Bart Melancólico, que me levou a trair a minha esposa, mesmo que só emocionalmente, e ela nunca me perdoou. “Ela irá fugir com o primeiro homem bonito que aparecer.” Ele disse tentando me desnortear, mas desde que tinha completado 30 anos, não era o garoto de antes, o emprego e pequenas intervenções de Thamy, tinham me tornado atraente o suficiente, para não me sentir ameaçado, caso surgisse mais um novo rival, na batalha pelo coração da minha companheira. Por isso concentrei raios de luz na minha palma, e cortei os braços da criatura, antes de chegar na ponta do precipício. “Eu não entendo por quê você ainda existe. Eu já superei o passado, então faça o mesmo. Não importa as batalhas que perdemos, e sim que vencemos a guerra, e teremos a Thamara para sempre.” Disse iluminando o meu corpo ao máximo, para ser intocável pelo poder obscuro, do ser que habita as profundezas da minha cabeça. “Dave, Thomy, e outros, não foram os últimos.” Ele me disse, e retornei ao meu estado ativo.
    Já eram 7: 30 da manhã, e Thamara já havia iniciado suas negociações com o Robô da Ibov. “Me atrasei?” Brinquei com o meu sorriso mais sem graça, e ela seguiu com os seus olhos vazios, procurando por algo que nem a mesma sabia. “Está atrasado em 15 minutos, e só não perdeu 140 USD, porquê entrei em seu Login.” Respondeu seca, e isso me preocupou bastante. Se ela soubesse a luta que vivo toda noite, para continuarmos juntos, talvez valorizasse o meu amor, ou não. Conhecendo a senhorita “Não te amo há muito tempo.” Certamente não. “Obrigado meu peixe.” Agradeci citando o nosso apelido próprio, na intenção de alcançar as suas emoções. Só que ela seguiu inerte, me ignorando, e isso fez com quê o pesadelo da noite passada, parecesse bem real. Sentei-me do seu lado, meio desarrumado, tinha apenas escovado os dentes, e lavado o rosto. Sua pequena e delicada mão procurou pela minha, e isso me fez sorrir. “Não Bart Melancólico estava errado. Ela me ama sim.” Pensei tentando esconder o riso de alegria, e sem dizer nada ela se encostou no meu ombro, ainda focada na tela da FT. Era o seu jeito de dizer Eu te amo, sem o uso das palavras, e eu adoro isso, pois depois do carinho silencioso, sempre vem o beijo, e neste sinto toda a sua energia amorosa fluir com bastante gosto.
    A MORTE VOLTA A NARRAR:
    Ainda estava enfurecida pela noite passada, ele me traiu com uma garota mais jovem, de 18 anos, quando tinha 22. O quê quer que eu pense? Que é um homem digno que não se interessa por garotinhas? É difícil. Pois achei que o fato de ser 2 anos mais nova, me dava uma vantagem que as outras não podem ter. Afinal desde nova, sempre sofri muita rejeição dos caras da minha idade, e recebi bastantes pretendentes mais velhos. Assim conclui que meu par teria de ter sempre um ou dois anos acima de mim, do contrário sempre seria sempre um fracasso. Meus planos caíram por terra! Mesmo sendo mais nova, ele procurou por uma ainda mais nova, 4 anos mais nova. O quê me levou a concluir que se tivesse 17, teria um relacionamento com uma menina de 13 anos, algo tão patético, quanto o quê Roger, o lixo que me desvirginou fez. Depois de tal fato, nunca mais o vi com os olhos do encanto, porém ainda sim, mesmo ferida, e quebrada por dentro, não deixei de amá-lo. Só que como ele nunca valorizou os meus esforços, para manter longe os abutres que queriam destruir o nosso relacionamento, sempre que esse rancor crescia dentro de mim, acabava por dizer que não sinto mais nada, pois a verdade é que não queria sentir, mas por alguma razão era o único que não era capaz de deixar de amar totalmente. Talvez fosse o pacto que fizemos, quando ele tinha 18 e eu 16, ou quem sabe somos almas gêmeas. Já não sei mais, pois cansei de fazer inúmeros rituais para nos desamarrar, e continuarmos voltando aos dias de intensa paixão da juventude, e nos amando ainda mais. Como uma maldição sem fim, da qual nunca poderia escapar. Karma também é uma opção, consequência por desafiar a ordem divina. Contudo poderia ter me prendido a um homem cachaceiro, que me bateria, ou não me reconheceria nem mesmo com magia. Porém acabei junto dele, e apesar de ter sido o maior dos idiotas, foi a melhor opção, entretanto se pudesse voltar no tempo, eu teria impedido essa união de todas as formas, e com certeza me espancaria até desmaiar, antes de juntar nossas gotas de sangue, e transformá-las numa só, envolvendo o nome de Lúcifer e Lilith. Talvez fosse melhor ter invocado a própria Afrodite e o seu Adônis endeusado, mas isso é duvidoso, pois muitos no círculo dos magistas alegam que Lilith é Vênus, e se isso é verdade, então Lúcifer seria Áries ou será que era o pobre Efestos? Aquele que foi expulso do Olimpo pela própria mãe, e se tornou um Deus por sua cruel astúcia, ao descobrir as fraquezas daqueles que um dia o humilharam. Tanto faz. Só sei que rezei aos deuses errados, pois mesmo que a minha vítima cedesse, passamos por vários problemas ligados a este bendito ritual diabólico. O amo muito, ele é a minha vida, não vivo sem ele, parece que quem se amarrou fui eu. É duro sentir tal coisa, sendo que nunca tive tal emoção, por nenhum outro homem antes, e pior ainda é gostar dele deste forma, depois de tudo o quê aconteceu. Eu piso, humilho, chuto como se fosse outro psicótico a ser julgado, e na hora de partir o agarro forte, e faço o quê estiver ao meu alcance para não deixá-lo ir. Meus médicos dizem, que é culpa do meu mal, que não o amo de verdade, só gosto de sua submissão, e de torturá-lo friamente. É tudo tão simples para eles, que chega a me dar raiva. Não é que não o ame, pois se assim fosse, não perderia a cabeça só de imaginar ele com outra. “E isso se dá porquê o trata como sua posse, e acredita que ninguém mais pode tocá-lo.” Já até ouço o Doutor Fernand dizer, e reviro os olhos. Oras se não quero que ninguém toque nele, é porquê é importante para mim, e as mãos impuras de terceiros não devem corromper o meu imaculado amado.
    _O quê está pensando Thamy?
    _Nada.
    _Olha lá a mentira patológica gente.
    _Não importa.
    _Ainda é sobre aquele assunto irritante?
    _Em parte sim.
    _Hm.
    _O quê quer para o café?
    _Nada.
    _Isso só funciona comigo. Deixa de graça.
    _Eu realmente estou sem fome.
    _Então vou fazer bolinhos de queijo
    , presunto, salsa, e recheio de
    requeijão.
    _Quero 2.
    _Ótimo. Vou aguardar você terminar
    aqui.
    Sorri da maneira mais cínica, e isso o contagiou. É nessas horas que percebo o quanto me ama. “Eu vou. Mas só porquê me garantiu 140 dólares ainda pouco.” Fez a face de senhor da razão, e eu gargalhei. Está querendo enganar a quem querido? É evidente que expande a quantidade de oxitocina no seu organismo por mim. Tomamos o café-da-manhã, já em clima de harmonia, sorrindo como se por alguns minutos todos os males tivessem ido embora. Uma perfeita relação abusiva, na qual para surpresa de todos, era a mulher que estava pisando de salto alto nos sentimentos do homem. O telefone tocou, e fechei a cara, pois não era Lúcifer que estava me ligando, e sim a minha irmã que tinha se bandeado pro lado dos Iluminados.
    _Luciféria.
    _Pai!
    _Precisa vim a Santa Marta o quanto antes.
    _O quê? Por quê?
    _Sua irmã despertou da lavagem cerebral
    das Corais, e está a beira da morte!
    _Ela... O quê?
    _Venha ao mosteiro, e explicarei tudo.
    _Está bem.
    Ele desligou, e eu olhei para Bart. Nós entramos no carro, e dirigimos até o monte dourado. Katherine estava totalmente desidratada, caída no piso, como se implorasse pelo seu último suspiro. Sem dizer nada, afastei todos os frades, e me ajoelhei diante dela. Concentrando minhas energias na palma, vi ambas se tornarem esferas de luz radiante, e soprei para dentro da sua boca, infelizmente minha irmã não estava só morrendo, e sim tinha sido acometida por um vírus, e somente o sangue do Peste, poderia curá-la. “Vai em frente.” Disse ele estendendo o pulso, e com minha unha de energia, perfurei sua pele rasgando-a, até pingar gotas vermelhas na língua da moça, que pouco a pouco se restabeleceu de sua doença.
    Passadas algumas horas...Caminhei pelo mosteiro, e fumei um cigarro de maconha para me acalmar. Meu pai viu, e sorriu, erguendo a mão, para tirá-lo da minha. Sem questionar o entreguei, e para a minha surpresa, ele o levou aos lábios, e puxou toda a fumaça com gosto. “Parece que o lado Lúcifer segue aí dentro.” Brinquei, e ele olhou para o céu. “Lúcifer nunca irá embora, Magda.” Respondeu com calmaria. “É Luciféria, Luciferiel.” O corrigi. “Luciféria no céu, Magda na Terra, Arádia na Magia, Matheuccia na Religião...São apenas nomes. O quê importa é a sua essência, pequena princesa.” Citou meus “20 nomes", e me fez entender o seu propósito. “De fato. Lúcifer no céu, Jesus Cristo na Terra, Agrippa na Magia e na Religião.” Devolvi na mesma moeda, e ele riu com compaixão. “Então reconheceu minhas palavras, até mesmo através de um homem? A eduquei direito pelo visto.” Olhou para o lado, e ergui os ombros. “Quando falou que o Ar não era um elemento, e sim uma cola que unia os outros 3, como se o mesmo fosse o mais poderoso dos elementos, ficou bem óbvio na verdade.” Completei, e ele seguiu a fumar a erva sagrada, que aos olhos do sistema, era maldita, pois fazia o cérebro trabalhar mais rápido, e se tornar menos passivo ao controle. “Pena que nem todos os meus filhos aprenderam direito a respeito da palavra sagrada.” Olha para a frente, e a silhueta de violão da Coral, surge querendo se aproximar de nós. “As deixarei a sós.” Ele de imediato se retira. “Espera, ela é sua filha. A minha está em casa lendo e aprendendo.” Resmunguei colocando minha mão em seu peito, não o deixando passar. “Mas quando sua mãe criou ódio dos homens, você cuidou dela, como se fosse sua. Queria uma chance de se redimir? É esta.” Me relembrou, e acabei por ficar sem argumentos. Como uma criança, a morena veio até mim, e eu segui com a postura fria de mágoa.
    _Lucy.
    _É Thamara.
    _Pra mim sempre será Lucy, a minha irmãzinha
    mais velha.
    _Irmã mais velha, não venha com diminuitivos
    para despertar meus sentimentos.
    _Como sempre fria como gelo não é?
    _Diria mais fria como a Antártica.
    _Não vai querer saber como te encontrei?
    _Você sempre se fez de lesa, mas é inteligente.
    Não há nada surpreendente em ter chegado
    até aqui.
    _Eu ouvi um elogio da Sra. Crítica?
    _O quê quer aqui Katherine? Já não nos traiu
    o suficiente, ao se misturar as Corais?
    _Isso está além do quê pode compreender
    Thamara Mary.
    _Que você tinha sede de poder, e se meteu
    com as pessoas erradas? Não, é bem
    fácil.
    _Se me ver como a velha Lilá, sim, é só isso.
    Mas entrei na Ordem das Corais, para vigiá-las,
    e te entregar constantes relatórios sobre os
    crimes.
    _É Agarath e disso eu me lembro. Então num fatídico dia, simplesmente me levou para uma armadilha, e por pouco não morri.
    _Eu me apaixonei Lucy, e assim como você
    e Bart, ele era o meu parceiro de outras
    vidas.
    _Outro loiro de olhos claros com o rosto
    de uma estátua grega?
    _Guarde o seu sarcasmo. Ele era moreno,
    de olhos castanhos, e sem um gigante
    porte físico.
    _Deixe-me adivinhar, era o líder das Corais?
    _Não. Era outro subalterno como eu, e quando as
    Corais descobriram que tinha traído elas, juraram
    matá-lo, e me entregar o seu coração numa
    folha.
    _Então por um amor de verão traiu
    alguém de seu próprio sangue.
    Interessante.
    _Ele não era um amor de verão Lucy!
    Estávamos juntos, desde que me infiltrei
    na Ordem das Corais!
    _E já se passou pela sua cabecinha infantil,
    que ele pode ser o vigia delas, para testar
    a sua lealdade queridinha?
    _Já! É claro que já! Você me treinou lembra?
    _Então como ainda pode me trair?
    _Porquê ele era diferente do John. Me ligava,
    Mandava flores, fazia planos comigo, e me
    fazia ver que Bart não era o único homem
    na face da Terra, a amar uma mulher.
    _Não te usava? Não te ignorava? Não
    pisava em você? Não dava sinais claros
    de manipulação, e que não estava
    afim?
    _Não. Havia tanta devoção da parte dele,
    que várias vezes as Corais tentaram o matar,
    somente por me proteger.
    _Então te amava mesmo.
    A conversa prosseguiu, e vi os olhos de Katherine. Apesar dos sinais de um amor realmente recíproco, estava claro que aquela história não tinha tido um final feliz.
    A MEMBRO CORAL NARRA:
    Quando entrei no clube das Corais, que até aquele momento não era uma ordem reconhecida pelo mundo, tinha apenas um objetivo, orgulhar a minha mestra, irmã, e segunda mãe que já tinha conhecido. A tarefa era simples, apenas observar os relatórios através do Whatsapp e repassá-los para a minha superior, que havia praticamente retornado dos mortos. Contudo praticamente da noite para o dia, o Clube das Corais, ganhou destaque, e passou a ser notado por diversos países. Assim em vez do pequeno grupo que só tinha conversas online, agora os membros ganhavam passagens, para se encontrarem pessoalmente. Entrei num lugar com estátuas de Gárgula, cheio das mais diversas artes clássicas e góticas. Quem tivesse conhecido a líder antes, não acreditaria, que Ane Marrie agora era uma das mulheres mais ricas do Brasil. Mas isso tinha um preço, que era caro demais para pagar. “Olá meus filhos. Eu sou a deusa. Lúcifer não virá, mas os homens de Cristo, bateram a nossa porta, e não podemos deixá-los esperando.” Disse Ane, enquanto os 9 membros principais, se aproximavam de seu trono de mármore, uma regalia necessária, oferecida por ninguém menos que os iluminados. “Luz é o quê este mundo precisa, e é a ela que agora serviremos, sem perder a nossa autonomia.” Prosseguiu, sentindo-se a dona do mundo. “Se Lucy assistisse a essa cerimônia, teria revirado os olhos, e cochichado algo sarcástico.” Pensei ao me ajoelhar perante os pés da “deusa Marrie". A festa foi bastante recatada, até o momento em que ela pediu que nos despíssemos. Tremi um pouco, pois só havia eu e mais uma garota, chamada Pauline, e um dos homens veio até mim. Seu nome era Timothy, e o olhar cheio de desejo, me fez ter repulsa, por achar que era um pervertido qualquer. Porém quando segurou minha mão, e a beijou, soube que mesmo sendo um tarado, era um cavalheiro. “Não é bem o lugar para ser educado.” Joguei verde, para ver se era um teatro e ele riu. “Com alguém tão bela quanto você, é sempre hora de ser educado.” Ele me olhou com os seus escuros olhos penetrantes, e sem graça deixei meu riso escapar. Após o evento, em que por nome dos deuses tivemos de copular, Ane Marrie notou uma conexão entre nós, e nos fez um par, segundo ela éramos deuses antigos, que agora tinham reencarnado para clarear a sociedade. Novamente se Lucy ouvisse tal coisa, iria surtar, pois parecia uma cópia malfeita da historia dela e do marido, e se saísse da minha boca, certamente brigaríamos, pois ela iria pensar que a ideia teria sido minha, por conta dessa “mania de poder". Timothy andava pela cidade, sentindo-se o Senhor das Ruas, por conta do título que a “deusa" lhe proporcionou. Eu seguia ignorando isso, minha deusa era outra, e a mesma dizia que eu só me tornaria como ela, no dia em que finalmente despertasse, de maneira tanto física quanto intelectual. Só que o meu parceiro achava mesmo que Ane Marrie, era alguma entidade poderosa, por isso tentava fazer a minha cabeça para ver a sua grandeza, e jamais seguir a renegada filha de Lúcifer, que não fazia parte das Corais, por ser uma egocêntrica, metida, que achava ter mais poder que a “nossa" majestade. “Sempre não é Lucy?” Mas estes embora pareçam ser defeitos, no fim eram suas qualidades, e eu admirava esse desempenho frio e turrão de ser. Percebendo que a glória da Rainha Cobra, não me tocava o coração, ele desistiu de falar de seus feitos, e passou a mudar de assunto. “Obrigado Satã por sinal.” Foi então que vi que Timothy, não era só um ingênuo seguidor da “deusa nada virgem", como Lucy costumava chamar, e pouco a pouco, meus pensamentos sempre focados na minha irmã, foram desaparecendo, e sendo substituídos por todos os segundos e minutos que ficava perto dele. É claro cometíamos muitos crimes hediondos, em nome dos Iluminados, por intermédio da majestosa Marrie. Mas tudo o quê ficava na minha mente, eram os milk-shakes com hambúrguer que comíamos na volta para casa. Os meses se passaram, e a minha aproximação com ele, se tornou cada vez maior. O quê deveria ser somente uma parceria de negócios, logo se tornou um romance, e quando dei por mim estávamos vivendo juntos, no apartamento simples dele, que nós chamávamos de ninho do amor. Mesmo que um filho de Eva morresse em minhas mãos todos os dias, tudo o quê importava, era o calor do seu colo no final da noite, pois nada mais era importante além de nós dois, ou assim pensei.
    Certa noite cheguei em casa, e Timothy não estava lá. Somente o nosso cachorro Vlad, se encontrava no apartamento. Logo o medo de algo ter acontecido invadiu o meu pensamento. Liguei em seu telefone, e o mesmo estava desligado. Estaria ele aprontando sem mim? Questionei. Só que o meu amor, me deixou um pouco mais lúcida, e por isso decidi verificar os meus recados. “Amor. O Vlad tá com saudades.” Foi a primeira mensagem, as 7:30. “Amor hoje vai ter pizza na janta, quer escolher o sabor?” Foi a segunda, na hora do almoço. “Amor trouxe sua pizza favorita, com muito queijo e...” A ligação caiu as 19:45. “Merd...!” Deixei escapar, e fui para a próxima e última mensagem. “Sabemos de sua conexão com a deusa renegada, e se quiser ouvir outra declaração patética do seu amado, vai ter que fazer o seguinte...” Anotei as instruções com a mão trêmula. Sabia que Thamara jamais me perdoaria, pelo que ia fazer. Contudo Timy era o amor da minha vida, e eu não me perdoaria se algo acontecesse a ele. Precisava tomar uma decisão, que mudaria a minha vida sempre, e tinha apenas alguns minutos para cruzar a linha da traição. Foi então que segui o plano delas, e enviei uma falsa localização para a minha irmã, que a enviaria direto para o abate. Ela não havia despertado ainda, mas assim como eu tinha alguém que me amava, ela também tinha, e certamente ele iria resgatá-la, e caso isso falhasse, havia uma força celestial disposta a mudar o tempo, para salvá-la, e sendo assim ela era importante o suficiente para o universo intervir. Ao contrário do Timothy que tinha menos de 2 horas de vida, e poderia desaparecer para sempre, pois era um criminoso, e mesmo sendo um filho do Inferno como eu, ficaria preso ali, por sua afronta a ordem natural, ao seguir as leis erradas. Era o fim da minha parceria com a minha irmã, e por isso não conseguia aguentar as lágrimas, mas mesmo assim, eu segui em frente, e entrei naquele depósito. Timy estava preso dentro de um vidro cheio de água, acorrentado até o pescoço, com panos brancos que estavam vermelhos de sangue. Só haviam 7 minutos de vida agora, e eu precisava encontrar o painel. Corri de um lado para o outro, tentando achá-lo, até que notei os olhos do meu amado, e segui na direção indicada por estes. Quando o líquido já tinha ultrapassado o queixo, eu consegui desligar, e sem pensar duas vezes, entrei no tanque, e usei a chave que me entregaram, após mandar minha irmã para a morte. Ao nos encontrar nos abraçamos mais forte do quê nunca, e nos beijamos ali dentro. Mas após ter comprometido toda a Ordem das Corais, eu mesma paguei o preço. O tanque se fechou, na parte de cima, e a própria Ane Marrie, veio nos executar. Pensei que ia morrer, pois agora não só subia água, e sim um liquido verde, que segundo a mesma estava contaminado, com um vírus que tinha ficado adormecido há 7 mil anos. Eu gritei, e me debati, enquanto Timothy ficou parado. Não entendi a razão, até ver a enorme e gosmenta criatura na sua nuca, que brilhava mais que neon, e que seus olhos estavam vazios. “Este? É um presente da nossa bióloga renegada, que antes de sair me ensinou sobre todos os poderes da ciência... e seus malefícios.” A rainha sorriu, e entrei em desespero. Sem saber o quê fazer, passei a me empurrar na ordem contrária ao apoio do tanque. A queda poderia me machucar, só que era melhor que morrer. Empurrei várias vezes, impulsionando o meu corpo, até que a cúpula caiu no piso e se partiu. Me arrastei entre os cacos, e peguei a mão do meu namorado. Sabendo que não éramos mais bem vindos, sai correndo até a saída mais próxima. Nós dois corremos até a floresta, e quando vi um frade passar por ali, gritei pedindo por ajuda. “Eu sou Úrsula, a outra irmã de Thamara a filha mais velha de Cristo!” Foi tudo o quê pude pronunciar, antes de desmaiar. Se falasse meu nome verdadeiro, eles não nos ajudariam, Thamara tinha deixado isso bem claro, na sua “doce” carta de despedida, por isso fui obrigada a mentir. Mas ainda bem que fiz isso, pois me trouxe até o único lugar, em que Timothy pôde ser curado, para que possamos iniciar uma nova vida, longe dos crimes da Ordem das Corais. Sei que somos dois ímpios, mas se meu pai é mesmo Cristo, ele ensinou os outros a perdoarem, e certamente não negaria uma segunda chance, para uma das suas filhas, e o sobrinho, filho de seu irmão Belial.
    _Então mentiu para chegar aqui?
    _É só o quê ouviu?!
    _Não, foi apenas a parte mais marcante, pois pensei
    que tinha me rastreado de alguma maneira, algo mais
    inteligente, do quê apenas sorte.
    _Foi inteligente, do contrário Timothy teria morrido.
    _E agora espera que a Ordem de Cristo os abracem
    , e ofereçam um banquete pela sua chegada?
    _Queremos somente redenção Thamy.
    _Sem coroas, deuses, ou as velhas regalias que
    foram ofertadas por Marrie, para tentá-los ?
    _É claro que sim.
    _Estão prontos para o trabalho duro,
    que lhes confere alguma nobreza
    entre nós?
    _Se tiver um quarto, comida boa, e bons
    livros.
    _Acha que está no direito de exigir?
    _É o mínimo para um ser humano.
    _Então terá de se dirigir ao pai.
    Ele quem lida com essas
    coisas.
    Thamara era bastante firme em suas palavras, porém era evidente o alívio que sentia no peito, por me ter de volta ao seu comando. Uma vez irmã, sempre irmã, e mesmo com toda a frieza, ficava claro que se importava do contrário, não teria feito o seu marido “O Peste" me dá o sangue da cura.
    A MORTE NARRA:
    A volta da minha irmã mais nova deveria me trazer alegrias, mas por mais feliz que estivesse pela sua volta, não podia me esquecer dos males que tinha causado, e de quê nem Ramona escapou das suas teias diabólicas. Inspirei fundo, e caminhei para longe dela, deixando-a sem respostas. Tudo sempre foi muito fácil para Katherine, então não me admira a sua “cara de pau”, de vim até Santa Marta em busca de perdão. Nosso pai poderia lhe perdoar, afinal ele sempre foi o cara que perdoo as faltas do mundo, mas eu neste sentido, era tão implacável quanto minha mãe Madalena Lilith.
    A noite... Timothy e Katherine ficaram agarrados um ao outro, sorrindo, ao beberem a sopa do nosso chefe e padre João. Quem os visse ali, pensaria que eram almas gêmeas, puras e inocentes, entregues aos desejos da juventude. Fiquei com o cotovelo apoiado na mesa, pousando a mão abaixo do queixo. Os observando com cautela e fúria. Vendo o meu estado, Bart deitou sua cabeça no meu ombro, dando-me beijinhos no pescoço, até me fazer rir, e sussurrou para nos afastarmos de todos. De mãos dadas, nós seguimos até a beira do rio cristalino, e nos sentamos na ponta da terra, deixando a água cobrir os nossos pés. “Não gostei da volta dela.” Ele iniciou, e dei graças aos deuses, por não ser a primeira a dizer. “Ela é minha irmã, mas eu também não estou satisfeita com isso.” Concordei, e ele se deitou no meu colo, deixando a água fria cobrir metade do seu corpo, já que a fenda estava rasa, e “secando”.
    _Por pouco você e Ramona não morreram
    naquele dia. Não é algo fácil de se perdoar.
    _Se Ele não tivesse parado o tempo...
    _E ainda tem essa. Graças a ela o Arcanjo voltou.
    _Ciúmes, bonitinho?
    _Sempre terei ciúmes de você. É o amor da
    minha vida.
    _Você também é o amor da minha...
    _Mas?
    _Você sabe...
    _Está muito magoada comigo, para sentir
    alegria por isso.
    _Olha, não é que é esperto?
    _Engraçadinha.
    _Sou mesmo.
    _Eu te amo Thamy. Sei que falhei feio contigo, como marido,
    mas não vai se passar um dia da minha vida, que não deixarei
    de lutar para ser digno do seu perdão.
    Ele ergueu a face para cima, e pude vê as estrelas se refletirem nos seus olhos. Aquelas íris brilhantes, e a pupila tão dilatada ao olhar para mim, me fizeram entender porquê mesmo depois de tantos anos, sofrendo por ser incapaz de dar uma segunda chance a alguém, ainda seguia ao seu lado, e afastava todos os possíveis pretendentes, tornando-o minha primeira e única opção. “Também te amo Bart. É difícil pra mim perdoar, qualquer pequena falha que seja. Mas por você estou tentando.” Me esforcei para me declarar. Escrever é fácil, porém falar dos meus sentimentos, sempre foi algo complicado, pois é como se eu não fosse capaz de amar, ao ponto de literalmente esquecer de mim, e levar um tiro para proteger alguém que não está dentro desse corpo. Contudo Bart era o único por quem eu realmente me esforçava para ser melhor, e por mais que o Dr. Fernand ou o Dr. Augusto dissessem o contrário, isso para mim, era o mais perto do amor que podia conhecer. Sem que percebesse, meus dedos fizeram carinho em sua cabeça, e meus lábios foram até os seus. Talvez amar, não fosse algo que trouxesse somente felicidade e satisfação, e sim a caminhada longa e tortuosa, na qual os dois enfrentam todas as barreiras para continuarem juntos.
    O PESTE NARRA:
    Outra vez seus impulsos românticos a traíram, era óbvio por causa da sua face corada de vergonha, ao afastar o rosto depois de me beijar, e praticamente criar alguma distância emocional, ao se recostar para trás. Ainda bem que tínhamos voltado a brigar por nosso relacionamento, não queria me lembrar, do dia em que quase perdi a mulher da minha vida, e o fruto desse amor que nunca se apaga. Droga. Estou começando a lembrar outra vez...Já ouço o som do temporal que caia, e a voz dela ao telefone. “Bart por favor me ajude.” Foi tudo o quê ouvi, antes de ligar sua localização, e seguir até o meio da mata escura. A mesma em que há poucos dias, havíamos encontrado sacrifícios infantis, em nome dos “ofídios em forma de humanos”. O sangue estava espalhado por toda parte, - ao contrário do quê fizeram com Marcele, outra membro que abandonou as corais, antes da mesma se transformar numa ordem mundialmente famosa, por suas atrocidades. – Eles queriam mesmo executar a Thamara, sem fazer parecer suicídio. Minha respiração era calma, porém a cada passo que dava, o medo crescia dentro de mim, e os suspiros pouco a pouco se aceleravam. As folhas se quebraram abaixo dos meus pés, mesmo tentando ser sorrateiro, e isso fez meu coração subir até um pouco acima das costelas. Um pouco trêmulo, me aproximei das árvores, para observar o ambiente. Sentindo a força de Gaia fluir pela copa, ganhei energia para enfrentar os monstros que tinham levado a minha amada, e a minha filhinha. Minha áurea obscura cresceu, e por alguns segundos o Bart viciado em violência, tomou 70% do controle do meu corpo, pois estava pronto para me “banquetear” com a carne de certas corais. Meus dedos arranharam o tronco, como se fossem obsidianas, e por um momento senti que meus olhos queimaram, e se tornaram amarelos como ouro, dando-me o poder de ver no escuro. Foi então que a vi, nos braços dele, e minhas íris se tornaram vermelhas como rubi, pois o Bart melancólico quem assumiu. “O quê faz aqui?” Perguntei ao ver o homem de longos e cacheados cabelos negros, que segurava a minha esposa, e ficava ao lado da minha filha, me encarando com seus olhos azuis, que brilhavam de maneira tão inumana quanto os meus. “Se soubesse cuidar dela. Eu não precisaria intervir.” Ele me respondeu, e isso me fez rir de raiva, pois jamais deixava de salvaguardar a minha amada. “O quê aconteceu?” Perguntei lentamente, pronto para matá-lo com todos os requintes da maldade, assim que me entregasse a minha companheira. “As corais vieram atrás dela.” Disse sem parecer se importar, e ela despertou. “Você?” Perguntou para ele, com certa mágoa, e este sem querer sorriu. “Estou fazendo hora extra.” A colocou no piso, e levantou voo. “Ela precisa de proteção. Não importa quem você seja, sabe que somente o Pai tem tal poder.” Disse ao passar por mim. Apesar de ser um engomadinho celestial, ele estava certo, porém conhecendo a mulher que tinha, havia a certeza de quê ela não seria a favor de tal intervenção, por isso só deixei escapar um barulho de lata de refrigerante sendo aberta.
    No caminho de volta para casa...Thamara ficou em completo silêncio, segurando Ramona que tinha dormido em seus braços. Pelo retrovisor pude vê-la. Seu olhar era vazio, tinha marcas de garras nos ombros, o lábio estava roxo, como se tivessem torturado e depois a forcassem a beber veneno. Eu queria saber o quê tinha acontecido, mas ela parecia sem reação. Ao passar pela entrada de casa, ela pulou no meu colo e me abraçou forte. “Ela saiu. Eu preciso ir embora.” Foram as suas palavras. Sem pensar, a segurei contra o meu peito. “Não.” Foi tudo o quê consegui sussurrar, e ela me deu um beijo no rosto, seguido de um beijo na boca, que pareceu sugar as minhas energias. Era como se ela fosse a Hera Venenosa das revistas em quadrinhos, mas seus olhos ficavam violetas e vítreos, quando minha vida era engolida por sua boca roxa. “Eu te amo muito. De verdade. Mas meu ódio pode te machucar, então adeus.” Ela disse e dei o meu último suspiro, caindo desmaiado no piso.
    Os dias se passaram...Minha sogra entrou em desespero, e veio para dentro da nossa casa, me oferecer ajuda para cuidar de Ramona, enquanto eu procurava por minha esposa. Cheguei a voltar a beber e fumar, coisa que só fiz na adolescência após termos terminado por conta dos seus inúmeros pretendentes, e querer vivenciar todos os prazeres da juventude. Ela certamente diria que o fez, pra ficar com o tal Dave, porém anos mais tarde, vim saber que não tinha só o babaca, outros estavam aos seus pés. Não acho isso negativo, porquê eu também era o homem de muitas, após termos nos afastado. Pra mim isso só significava que a separação nos tornou duas criaturas frias e maldosas, que deixaram um rastro de destruição por onde passaram, mas se reencontraram mesmo nas trevas, pois eram perfeitos um para o outro. Infelizmente acho que ela não via assim, e por isso tinha partido de vez. Ela, seu outro Eu sempre saia em momentos de adrenalina. Então isso pra mim, era uma desculpa mais do quê esfarrapada. O sino da porta do bar tocou, e foi tudo muito rápido. Um grupo de mascarados, com uma braçadeira vermelha, jogaram um frasco ovalado no piso, que se partiu e deixou todos doentes.
    No meio daquela névoa verde, eu via mulheres e crianças gritando, ao chorarem lágrimas de sangue, enquanto os homens vomitavam sem parar pelos cantos, e alguns tremiam como se sofressem o efeito colateral de um remédio psiquiátrico. O quê quer que seja, era mortal, mas me sentia normal, por isso caminhei por ali, até chegar a saída, onde encontrei um grupo de homens de túnica branca. “Eis que o filho do nosso senhor enfim aparece entre as sombras, iluminando-as com a sua luz.” Disseram em coro, e ergui uma sobrancelha de incredulidade. “Saudamos-te ó grande cavaleiro iluminado, que deve acompanhar a amazona negra que com a sua mortalha e foice limpará o mundo.” Eles se ajoelharam diante de mim, com itens em suas mãos. “Eu sonhei que muitas pessoas morriam por minhas mãos.” Me recordei, com a voz dela. “Não podia ver o rosto, mas andava a cavalo com um guerreiro de armadura prata, que me levava até os outros dois. Era como se eu fosse a Morte” Foi o segundo lampejo. “E se um dos cavaleiros, não for apenas uma corrupção machista, e a Morte na verdade é uma amazona?” Foi o quê me fez ter certeza que era dela que se tratava. “Onde ela está?!” Peguei um deles pela túnica, e ergui contra a parede, pronto para destrui-lo caso tivesse feito mal a minha amada. “Está em Santa Marta, porém assim como a mesma está treinando, você deverá fazê-lo, para terem controle dos seus poderes, e não serem controlados por eles.” Me respondeu aquele ficava ao lado do outro. “Olha pra minha cara. Vê se eu me importo com isso? Só quero achá-la.” Disse com impetuosidade. “Se quiser ver a minha filha. Terá de ser merecedor dela.” O quarto e último homem impôs, e quando olhei para trás, vi seus olhos brilhantes como uma lâmpada no escuro. “Lúcifer?” Questionei desconfiado. “É apenas um dos meus nomes, meu filho rebelde.” Me respondeu. “Ela está bem? Não estão abortando seus filhos, e lhes dando o feto para comer não é?” Inqueri me recordando das terríveis visões da minha companheira. “Não somos Os Iluminados. Nosso treinamento é mais rigoroso e evolutivo. Ela está aprendendo a controlar o poder da Morte, e não se tornar o próximo grande Demônio, já temos você pra isso.” Respondeu e brincou no final. “Do quê está falando?” Perguntei sem entender a razão de tal acusação. “Então o bloqueio de memória foi um sucesso.” Se aproximou de mim, e pousou a mão no meu ombro direito. “Infelizmente Baal Hadad, não poderá viver para sempre nesta mentira, de quê só Thamara Mary, viveu no Inferno, e tem o meu sangue.” Tais palavras me deixaram um pouco receoso. “É hora de enfrentar o seu grande demônio, e fazer juiz ao fato de ser o príncipe deste mundo.” Ele prosseguiu. “Esse não é o teu título?” Perguntei com certa curiosidade. “Eu sou o novo Deus, meu filho, o título de Diabo é, e sempre será seu.” Ele me respondeu, e meus olhos se engrandeceram. “Isso não seria uma blasfêmia para o Altíssimo?” Notei os aspectos bíblicos dos quais Thamy sempre falava. “Seria, se ele não tivesse concedido esta glória, para se tornar o sucessor do seu bisavô.” Outra vez ele respondeu algo de quê não tinha muito conhecimento, a não ser pelas aulas da minha linda descendente dele.
    _Eu tenho um bisavô?
    _É muito para explicar. Mas sim. Você é parte da terceira
    gerações dos deuses.
    _Então este bisavô é o Caos da mitologia nórdica?
    _Sim, e dele nasceram os primeiros deuses supremos,
    que são os seus avós.
    _É muito para processar...
    _Ficará mais fácil depois que desbloquearmos sua memória.
    _Não.
    _O quê? Por quê?
    _Se sou mesmo o Diabo, não quero machucar Thamara
    ou minha filha, é melhor deixá-lo adormecido.
    _Isso é um excelente sinal. Porém embora tenha machucado
    muitos com a sua frieza e sadismo, tenho certeza que não
    praticou algum mal contra elas.
    As palavras de Lúcifer me acalmaram, e por isso segui com os frades, para receber o devido treinamento de meu poder, e ver a minha amada outra vez. Foram 6 meses de teorias e práticas, sobre o meu porte físico e espiritual. Os cientistas da ordem diziam, que minha saliva era uma fonte de doenças nocivas, que se transformava no quê minha mente desejasse, e que o meu próprio sangue, continha antígenos praticamente sobre-humanos para cada um desses males. Por vários meses fui estudado numa estufa, ás vezes dentro de um tanque, outras numa maca, para definir o limite dos meus poderes, que faziam de mim, uma bomba biológica, com a cura para as mesmas doenças que causava, por isso me chamaram de Peste. Contudo embora fosse parte das minhas habilidades, ter esses vírus vivendo em meu corpo, e os curar, não era todo o meu poder, pois graças aos seres microscópicos, poderia modificar o meu DNA, para me tornar qualquer ser existente na galáxia...Mas não vem ao caso, como dizia...No sexto mês finalmente pude encontrá-la, ela continuava linda e radiante como a lua. Como tanto gostava, estava usando um vestido preto longo e decotado, sendo seguida por homens e mulheres cobertos por capuzes amarelos. Ao contrário dos costumeiros olhos vazios, parecia tão serena quanto na adolescência, e sorria com a confiança, que nós dois acreditávamos que tinha morrido.
    _Bart?
    _Thamara...
    _Como chegou até aqui?
    _Digamos que nossos caminhos se cruzaram.
    Você não é a única filha cósmica.
    _Sério? Eu sabia! Você é meu par eterno!
    _Não, não sou. Sou apenas o deus que ficou
    louco de amores por você, e não te deixou
    viver na solidão.
    Eu segurei em sua face e a beijei com carinho. Ao sentir o seu corpo no meu, meu coração pulsou com muita intensidade. Foi assim que as memórias do passado tomaram conta da minha mente... Eu era somente um garoto loiro, semelhante um viking, quando nos reencontramos. Ela era somente uma menina de cabelos vermelhos, com olhos violetas e vítreos. Nós discutimos no começo, pois a figura baixinha, tinha contas para acertar comigo. Mas como sempre fomos estranhamente um atraído pelo outro, acabou por me contar a verdade. Sentia-se vazia, e nem sempre do nada, nascem as melhores coisas, por isso ela tomou a pior decisão. Com o uso dos seus poderes, ela abriu a porta da minha cela, e me soltou no universo. Então o quê Deus havia decretado como um caso resolvido, voltou para lhe assombrar. Pouco a pouco me infiltrei no paraíso, e fiz com quê os anjos ficassem encolerizados. Os fracos pereceram diante de meu poder, e o caos se fez no cosmos. Para mim, era como uma festa sem fim, com muitos gritos, sangue, e desespero. Mas para ela, era como uma falha grotesca, que precisava ser corrigida antes que descobrissem o quê fez. Eu espalhei entre as multidões, todo o sofrimento possível para me fortalecer, e ela veio com a sua foice, para lhes dá paz mesmo no Inferno, entre os seres materializados. Seu pai tinha sido o anjo que tirava a vida dos vivos. Porém após o seu nascimento, ele foi coroado como príncipe celestial, e outro teve de assumir o seu posto. Muitos dos seus bravos filhos, lutaram para provar que eram dignos de tal glória. Assim eles limparam a galáxia, ceifando todas as almas que pudessem, com suas armas especiais. Contudo foi na única menina, que o poder se manifestou, e por isso esta que recebeu a sorte grande. Ao contrário dos irmãos, ela não matava somente para se provar merecedora da foice de seu pai, mas sim de acordo com o seu código de conduta, no qual os culpados eram friamente punidos, e os justos levados cuidadosamente para o outro lado. Seus irmãos só se focavam em quantidade, ela não, e esta era a virtude secreta do seu pai, quando ele atuava como tal. Eu a admirava, tanto pela sua impetuosidade violenta com os ímpios, quanto pelo cuidado que tinha com os inocentes. Por isso também tomei a pior decisão. Certa vez a Morte, estava a tomar banho no rio sagrado, e eu entrei na água, infectando-a, para lhe tornar inofensiva. Ela lutou com valentia, usou seus poderes para tentar curar a água, mas por algum mistério da natureza, a pobrezinha não tinha forças para vencer a mim, pois eu era a própria doença, era o vírus que carregava outros dentro de mim, era a própria Peste, em forma humanoide. Ela não suportou a enfermidade que lhe provoquei, e caiu em meus braços. Estava fraca, e bastante vulnerável, quase irresistível. Passei a mão por sua face pálida, ela me olhou preocupada, quase dizendo "não" para a minha proximidade, porém mesmo assim a beijei, e a tomei para mim. Por alguns anos, ela desapareceu, e os homens deixaram de respeitar o poder celestial, assim como acreditaram que não havia punição para os seus crimes, pois eu também não atuava. "Vou beber até cair hoje, pois o meu fígado não mais adoce vadia!" Disse um bêbado ao espancar a esposa, que segurava o símbolo dos celestiais. "Deus porquê não me permite morrer, e me deixa sofrer? Não pequei tanto para acabar assim!" Chorou com a boca toda ensanguentada. Ela não era a primeira a perder a fé. Outros estavam em níveis mais avançados, chegando até mesmo a acreditar, que Deus os tinha abandonado a mercê do mal, do qual tinha lhes prometido proteção. Inúmeras criaturas iam as ruas, protestar contra as iniquidades divinas, e haviam os que tentavam assumir o papel, da única juíza consagrada pelos deuses, deste universo. “Então você queria encontrar a paz, depois de tudo o quê me fez?" Um homem num plano de vingança, apontou a arma para a cabeça de outro. "Eu lamento te informar, mas não existe mais morte, e por isso sou livre para estourar a tua cabeça, quantas vezes desejar." Atirou na testa do culpado, várias e várias vezes, com um sorriso cada vez maior, que o tornava pior do quê aquele que ele julgava. Este não era um caso isolado, os assassinatos se expandiam mais do quê as doenças, que costumava espalhar. Para uns era um parque de diversão macabra, e para os que não tinham tal coragem, parecia a visão mais do quê realista do Inferno dos mortais. Cabeças decepadas, gritavam pelas ruas, e os sádicos lhe perfuravam os olhos, e chutavam-nas para a lama, afogando-as sem parar. Pessoas que tinham perdido o corpo na briga para sobreviver, se arrastavam pelos cantos, para tentar se livrar daquela tortura sem fim. As mulheres se uniam em instalações, para cuidarem uma das outras, já que nesta realidade sem final ou consequência, os pervertidos também ganhavam espaço, e se sentiam no poder de abusar das mesmas. Nem mesmo as crianças, conseguiam manter a inocência, e por isso ficavam divididas: Entre aquelas que matavam, e as que corriam. Meu ato egoísta, tinha feito da galáxia, o próprio Tártaro dos Gregos, e o Inferno dos Católicos, pois eu os privei de manter a bondade, e de receber a devida a punição, ao levar a nossa Morte, para o único lugar, no qual somente o seu Eu daquela realidade, tinha a permissão de julgar, e esta era somente como qualquer criatura que habitava aquele Cosmo. Como desde cedo trabalhei para o céu, como o auxiliar do meu pai, o veneno de Deus. Sabia de todos os pontos fracos da Morte, desde a sua jurisdição, até o quê poderia prendê-la para sempre. Acorrentada no fundo do universo, ela brigava para sair, amava o seu trabalho, e não queria ver ninguém lhe substituir. Só que nunca me dirigia a palavra, e evitava até olhar em meus olhos, devia me odiar bastante. Todavia eu não conseguia deixá-la ir, pois só o fato de tê-la por perto, era o suficiente para me sentir bem, e não me importava com quantos sofreriam no processo. "Já não basta o quê fez?" Ela finalmente disse, com seus braços presos ao aço, banhado com a luz do buraco branco, que sintetizei para imitar o poder supremo, do pai do príncipe celestial. "Foi culpa de nossa mãe, e você sabe." Respondi de imediato. "É só o quê sabe dizer. Mas se fosse forte, teria dito não." Ela retrucou. "Você não pode me culpar por aquilo para sempre. Se soubesse lutar, também teria impedido.” Rebati, e ela ficou indignada. “Vai culpar a vítima? É sério?” Sua voz era alegre, mas cheia de raiva. “Eu sou o Peste. O quê esperava? Que eu me arrependesse? Fui treinado para ser impiedoso!” Mostrei a minha ira, e ela voltou ao silêncio. “Ao menos sentiu algo por mim?” Aquele tom me deixou desnorteado, parecia triste, quase magoada. “Você sabe que sim. Haviam dois destinos naquela noite: te possuir, ou te fazer desaparecer para sempre da minha realidade.” Desabafei com tristeza, quase me encolhendo de vergonha. “Eu não podia ficar sem você.” Segurei em sua face, erguendo seu queixo, e olhei no fundo daquela neve, coberta pela luz do rouxinol. “Mas você sempre foi o pior dos filhos. O Forte, O Implacável por ser incapaz de amar.” Argumentou, sem acreditar. “Parece que a única fraqueza da Peste é a própria Morte.” A beijei, e mesmo com as mãos acorrentadas, ela me puxou para a si. Aquela atração mortal e doentia, tomou conta de nós dois, e a boca mais fria que existe, pareceu quente por uns minutos. Com suas pernas salientes e fatais, ela montou em mim e me arranhou, se entregando a enfermidade do amor. Logo arranquei a sua mortalha, e tirei a sua armadura, enquanto ela me despiu as vestes de cavaleiro. Minhas mãos desceram pela sua costa frágil e nua, a sua boca não quis desgrudar, e quando o fez, foi somente para me beijar o corpo inteiro, e voltar ao meio das coxas, onde fez vários movimentos de vai e vem, deixando sua doce saliva escorrer por meu membro. Contudo não a deixei somente me satisfazer. A deitei no piso, segurei seus pulsos, e passei a minha língua por entre os seios delicados, descendo, até chegar no ponto do prazer, do qual bebi todo o júbilo com gosto, até escorrer pelo canto dos lábios, e quando vi que praticamente implorava, para que a completasse, sorri maldosamente. “Você realmente me deseja ?” Beijei-lhe a virilha, e ela corou de vergonha. “Sim.” Respondeu com sua voz doce como chocolate amargo, o meu favorito. “Então peça por mim.” Impus, e ela relutou, até que se deu conta de quê só havia nós dois, como na segunda vez, em que estivemos juntos, e cedeu a sua vontade. “Me possua Peste.” Aquelas palavras me deixaram eletrizado, e por isso entrei dentro dela com ímpeto, arrancando-lhe suspiros tão intensos, que foi capaz de suar. Aquele rosto, aquele sorriso, aquelas bochechas rosadas de prazer, seguido de seus gemidos, me deixaram louco. Por dias repetimos o feito, e creio que a Morte, foi a primeira a desenvolver a Síndrome de Estocolmo, por isso esta doença é vista de maneira tão mórbida. Mas ela não mais se importava, nem sequer ligava para o quê fazia, só com quem fazia. Se ela me amava, eu não sabia, acreditava que estava usando seu charme fatal somente para ganhar a liberdade. Porém no dia que enfim a libertei, esta saiu voando para fora do cativeiro, e se deparou com a luz de uma das luas do planeta em que estávamos. Estava tão feliz, que pensei que nossos momentos de amor doente, ficariam para trás, assim que retornasse, para impor a ordem ao nosso “mundo". “Vamos?” Segurou em meu pulso, e fiquei paralisado. “Quer que eu vá? Eu o Peste, o demônio, o...” Me silenciou com o dedo indicador. “Nem tudo é preto e branco Peste. Você causou sim muito sofrimento, mas graças a ti famílias se mantém unidas, homens mudam a conduta, e mulheres valorizam a felicidade.” Seus olhos eram de uma criatura sã, contudo suas palavras me pareciam insanas. “Se isso é verdade, por quê sempre atrapalhou a minha tarefa? Como se quisesse me corrigir, após ter me libertado?” Questionei incrédulo, e ela sorriu. “Porquê tua execução é tão sombria e implacável, que mesmo as vítimas dos criminosos, se apiedavam destes. Que de acordo com o meu dever, mereciam uma punição ainda mais severa, por toda a eternidade.” Ela explicou. “O meu erro foi te libertar, mas você quem escolheu atender o meu pedido. Portanto é só você que pode corrigir isso. O quê já se passou, não dá para voltar atrás, sem alterar todo o equilíbrio já existente. ” Ela completou, e eu percebi que estava errado, não era uma falha grotesca que tentava controlar. Nós retornamos para a nossa galáxia natal, tudo estava destruído, e muitos imploravam por seu regresso, enquanto me destetavam mais do quê nunca. Pouco a pouco, ela fez o seu trabalho, não haviam muitos para receber o atestado de óbito, por isso eliminou os executores com punhos de ferros e sem piedade, e trouxe enfim o descanso para os que tinham temido, que aqueles dias jamais teriam fim. Nosso pai quis julgá-la, porém eu assumi a responsabilidade por tê-la raptado, e assim a livrei de perder o manto que tanto adorava. Achei que após a confissão, voltaria para a cela, contudo por ter me provado um pouco mais maduro, o pai decidiu me tornar o segundo juiz consagrado, que auxiliaria a Morte em seu trabalho. Tão grande foi a minha alegria, ao ouvir tal coisa, pois em vez de me afastarem dela, nos juntaram como a metade oposta e complementar da mesma moeda. Desde então, as duas criaturas mais perigosas do universo, seguiram de mãos dadas por toda a eternidade, se amando de uma maneira que os mortais não seriam capazes de compreender. Já que onde Morte fosse, a Peste certamente ali estava... “Bart?” Ouvi a voz dela dizer, e outra vez estávamos a beira do rio. Todavia enquanto me perdia em lembranças passadas, já havíamos trocado de lugar, e agora ela tinha se sentado em meu colo, e ficava a olhar para os peixes na água, ao entrelaçar seus dedos aos meus. “Oi...” Falei olhando para as nossas alianças, próximas uma da outra, por causa da união das palmas. “Promete nunca me deixar?” Disse se encolhendo, quase sem voz, e a luz da lua brilhou sob o aço dos anéis. “É claro que sim meu amor. Não importa o quê os astros digam, sempre seremos um do outro.” Beijei sua cabeça, e ela retribuiu beijando as minhas mãos.

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