person_outline



search

adolescente

  • [Poema] LEMBRAR

    Todas as vezes que ouvir “Os Outros”
    ou até mesmo “Onde Anda Você”.

    Todas as vezes que alguém pronunciar aquela frase
    ou quando outro alguém me fitar daquela forma.

    Todas as vezes receber um largo sorriso malicioso como o teu
    ou quando outros lábios tocarem os meus.

    Todas as vezes que sentir aquela mesma euforia
    ou quando me deparar com aquela cena.

    Todas as vezes que me tocarem da sua forma
    ou quando tocar aquela a sua canção.

    Todas as vezes que atravessar aquela esquina
    ou descansar no banco marfim daquela praça.

    Todas as vezes que acariciarem a minha nuca
    ou quando me ver no envolto de um longo abraço apertado.

    Todas as vezes que ouvir um timbre próximo ao seu
    ou quando sem mais nem menos me ver diante de ti.

    Todas as vezes que ler aquele poema…

    Todas as vezes que ouvir “Vento no Litoral”…

    Todas as vezes que chegar aquela estação…

    Todas as vezes que uma brisa invadir a janela do meu quarto numa madrugada de verão…

    Todas as vezes que numa quente madrugada contemplar o mar…

    Todas as vezes que um olhar fixo e profundo fizer o meu corpo arrepiar…

    Todas as vezes que a brisa deixar em mim o cheiro de mar…

    Sempre que lembrar daquele verão.
    Vou lembrar de momentos simples com você.

    E vou amar você, novamente, da mesmíssima forma,
    nem que seja por míseros instantes.

    Sei que sorrir ao lembrar de como os dias daquele verão foram ainda mais quentes com você.

    E, nesses instantes, apenas nesse momento, desejarei intensamente reviver tudo.

    Depois?

    Provavelmente os meus olhos ficarão acinzentados e serenos, quem sabe, até mesmo trêmulos…

    quando me der conta de que o seu amor não mais me pertence e nem o meu a você.


    Janaina Couto ©
    [Publicado — 2019]

    @janacoutoj

  • [Roteiros] CIGARROS

    — Quanto tempo. Está me procurando... O que houve? O que quer?

    — Com tédio. Estou querendo ir na praça. Aquele lugar sempre remete você, sei lá. Vou ir.

    — Deve estar um deserto.

    — Não me importo. Eu gosto da calmaria.

    — Vai, chama alguém… Ou vai sozinho mesmo, pensar na vida. É gostoso.

    — Está ocupada?

    — São 23h40 e eu estou no busão… vou descer a serra… encontrar um pessoal e passar o feriado na praia.

    — Espero que seja quente.

    — Eu também, mas como essa madrugada pelo jeito vai ser gélida, já não tenho tanta esperança.

    — Eu queria era um maço de cigarro. Mas não posso gastar.

    — Vícios. Não há o que se fazer, a vontade vai te corroer até tragar.

    — Fuma há quanto tempo? 2 anos?

    — Menos.

    — Hum. Quantos maços por dia?

    — Não fumo todos os dias. Mas quando fumo mesmo, uns 4. Às vezes mais.

    — 4 maços? Cacete.

    — Não, 4 cigarros.

    — Ah, menos mal. Eu acho. Meu pai fuma 3 maços por dia.

    — Já não há uma parte do pulmão que salve.

    — Acho um absurdo.

    — Eu fumo com meu pai. Sempre quando vamos trocar um papo de vida, estamos fumando juntos.

    — Eu sou asmática. O cheiro do cigarro me enoja e dá pigarro.

    — Fresquinha.

    — Não, sensata. Jamais gastaria grana com o que me destrói.

    — Pode ser.

    — Conselho: Nunca pare de fumar por alguém. As pessoas te abandonam, o câncer não.

    — Essa frase não fez sentido

    — Era para ser um humor pesado. Não é pra ter sentido.

    — Ah tá, entendi.

    — Fuma qual cigarro?

    — Lucky Strike. Mas, com o tempo, me acostumei e passei a achar fraco. Passei a fumar Marlboro e não me satisfazia. Agora, Hollywood está suprindo as necessidades.

    — Marlboro fraco??

    — Sim, acredite.

    — E o Ministér? Já fumou?

    — Não.

    — Sempre achei o Marlboro forte. Insuportável.

    — O cheiro?

    — A gente precisa conhecer o inimigo

    — Você sempre odiou o cheiro, não vai dizer que começou a fumar…

    — O cheiro, sim, é insuportável. E nāo, eu nāo fumo.

    — Então não entendi.

    — Eu nāo consumo o que me destrói. Okay? Apenas.

    — Ingere açúcar?

    — Infelizmente, sim. Mas, quando possível, evito. Nesse sentido, me destruo. Pouco a pouco. Lentamente. Mas, eu dou a ele esse poder. Ainda assim, estou no controle.

    — Ninguém está. Então, é a mesma coisa.

    — Não. Pois, os cigarros que fumam perto de mim, me degradam sem o meu querer. Inalo. Me faz mal e eu não posso evitar. É exterior ao meu querer. É bem diferente. Agora, se eu quiser fumar, okay… a escolha foi minha. Eu dando o poder a coisa que me faz mal. Eu e minha vontade. Eu decidindo por mim. Ainda assim, no controle, alteridade…. até se tornar um vício. Aí fode. Mas, coisa que de uma forma ou outra, foi fruto das minhas ações.

    — Às vezes a gente faz coisas para suprir necessidades que nós mesmos fazemos ser necessárias, mesmo sabendo que tal coisa nos faz mal. Bebida, cigarro, entre outras coisas. É o que eu acho.

    — Sim. Vício. Você descreveu o que acarreta. É muito metafísico isso. Concorda?

    — Com o que disse? Sim.

    — Vício. Dá para fazer uma puta comparação ou intersecção com as pessoas.

    — E ao que disse lá em cima sobre câncer. Cigarro causa sim câncer, mas não como dizem.

    — Muita coisa causa câncer.

    — Sim, mas demora muito, em alguns pode ser em algumas dezenas de tragas, mas em outros pode nunca nem acontecer.

    — Sim. Como quem nunca tragou pode desenvolver.

    — Sim.

    — Porém, é evidente que quem é fumante está mais propenso. Seja ele passivo ou ativo.

    — Uma série de coisas que ingerimos, assim como vários temperos, causa câncer. E ninguém liga pra isso.

    — Cara, agrotóxico. Uma centena de coisas.

    — Eu não ligo pra nada disso, tô foda-se. E não quero me importar ou me preocupar.

    — Você diz estar “foda-se” para uma série de coisas. A questão é: Até onde isso é verdade? Já se questionou se diz isso a si mesmo apenas na tentativa de se auto convencer? Dizendo alto e em bom tom?

    — Nunca me perguntei. Mas não acho que seja.

    — Hum. É, pode ser. Ou simplesmente nunca se questionou.

    — A questão é que mesmo sabendo que é errado. A gente costuma, eu costumo, me apegar aos vícios e eles me controlam. Passo a agir por eles a ponto de fazer qualquer coisa para suprir meu desejo.

    — As vezes a gente deseja o que destrói e isso é duro de aceitar e lidar.

    — Concordo.

    — Isso explica muito sobre nós.

    — Eu sei… Eu sou a merda do cigarro não é?

    — Sim. E eu tô tentando parar de fumar.

    — E hoje um alguém te encarou e acendeu a porra de um cigarro na sua frente.

    — Exatamente. Justamente enquanto estou lidando com a abstinência.

    — A merda da abstinência.

    — Ela é sufocante porque os segundos correm e só o desejo com mais veracidade.

    — Ainda que cada trago seja intenso, pouco a pouco tudo se desfecha em cinzas.

    — Você sabe, você vê.

    — Não importa o quanto eu queira…

    — Eu sou nocivo.

    — Não pode continuar a me dar o poder de destruir você.

    — Eu dei o poder e luto para tomar ele. Já havia se tornado um vício.

    — Tenho sede do seu trago.

    — Dizer isso não me ajuda.

    — Desejo você para cacete a ponto de ser egoísta, te querer só para mim. É forte a ponto de te fazer mal. Eu sou a merda de um nocivo. E você tem a porra de um vício. Me desculpa.

    — Eu queimo em intensidade e incendeio ao queimar o cigarro.

    — E é nesse momento em que me tem nas mãos. E eu me desfaço. Momento que sou teu. Momento que você, pelo prazer, me dá o poder.

    — Eu detesto você por tudo isso. E detesto ainda mais a mim.

    — Tudo poderia ser suave. Mas, como você falou, o controle só existe enquanto não há o vício.

    — Sim.

    — São pequenos esforços diários...

    — Eu sei. E hoje, eu não vou tomar minha dose de você.

    — (…).


    Janaina Couto ©
    [Publicado — 2019]

    @janacoutoj

  • [Roteiros] ETERNO

    […]

    Estive refletindo todo esse portfólio. O nosso amor. Sabe no que tanto andei pensando? Que a gente deveria casar. E ter uma família, cachorro. Temos uma conexão surreal, gostamos muito um do outro. Não há desculpas ou o que se questionar. Já sei que a resposta é um sim, não precisa responder. Agora só falta marcar o dia… Pode ser hoje mesmo, ao anoitecer, no Recanto, assim que eu sair do trabalho. Fechou então, marcado.

    Vamos mesmo casar hoje, viu? Uma cerimônia a dois, simples e singela, vamos eternizar cada segundo entre o luar e o alvorecer.

    Está será a noite mais incrível dos nossos dias.

    Olha, juro para o Universo que não estou brincando. Você diz que eu sou louco, mas ainda não sabe o quanto. Te amo, meu Jacarandá.

    […]

    Está falando sério? Adorei o seu falar cheio de convicção. Convicto quanto a mim. Exatamente assim, não há que se ter dúvidas.

    Eu trocaria a eternidade por esta noite, como em “Relicário — Nando Reis”. Caso com você quando e onde quiser.

    Assim que te vi, topei uma vida com você e todos os frenesis que há de vir. Estamos entrelaçados. Ligados por todo o sempre.

    O destino me mostrou isso ainda no principio. Te contei, cedo, nas entrelinhas e você não se deu conta.

    Lembra quando nos conhecemos? A primeira vez que nos encontramos?

    Recordo fervorosamente cada detalhe. A primeira vez que senti o seu toque, o teu cheiro, o teu olhar… A primeira vez que ouvi o teu timbre. O nosso abraço sob a densa chuva.

    As águas de março fechavam o verão e naquele dia eu tomei o banho de chuva mais gostoso da minha vida. Sobretudo, me vi no envolto corporal que estranhamente me arrepiou dos pés à cabeça.

    Somente quando diante do seu olhar eu compreendi tudo. Se tratava daquilo… a chuva.

    Quando do nosso primeiro beijo, a chuva também estava lá. Marcando o principio do relicário imenso desse amor.

    Em algum lugar no tempo ouvi dizer, e acredito com veemência, que as coisas que se iniciam com a chuva são eternas. Nos transformam. Mudam a nós mesmos radicalmente. É um sinal de que estamos alinhados ao nosso destino. São instantes atemporal.

    Sabe, tenho essa sensação… de que o “eu e você”, de algum modo, sempre esteve escrito. Não sei explicar, só sinto.

    […]

    Mulher, você é fantástica. Confesso, tive receio de que julgasse bobo, precipitado e mal desse ouvidos. As estações correm e nós permanecermos a agir como no principio. Não há que se esperar nada se tratando de nós dois. Não passamos vontade. Não importa como, quando ou onde. Gosto disso na gente.

    […]

    Óbvio que foi inesperado. Sem mais nem menos, de um instante a outro. Aliás, diante de tudo isso aqui, inequívoco que eu seria incapaz de dizer um “não”.

    Se trata de você, meu bem. O homem que tem nas mãos o meu choro de mulher, que tem o meu ver, o meu olhar e o que quiser.

    Eu toparia casar com você até mesmo se a proposta for fazendo juras de mindinho. O casamento, ao meu ver, não é institucional e sim simbólico.

    […]

    Você tem um potencial para me dizer coisas tão lindas que eu fico perdido sem saber o que responder. Como se nada do que eu dissesse fosse capaz de expressar tudo o que eu sinto.

    […]

    Não precisa me dizer nada. O seu olhar, o seu toque, me diz o Universo e o mundo. A sua linguagem do amor é diferente da minha. Eu não preciso de palavras de afirmação para reconhecer o que você sente.

    Você não precisa usar comparações, canções ou palavras bonitas para me fazer sentir amada. Basta palavras sinceras. Apenas.

    Gosto dessas nossas conversas. São lindas. Parece até mesmo que estamos seguindo uma espécie de roteiro, escrito por um alucinado que idealiza o amor.

    […]

    Eu jamais havia imaginado estar vivendo isso aqui. Esse “agora”, com você. Quando te conheci, não imaginei que seria a mulher com quem dividiria a minha vida. Na realidade, sempre te achei tão dona de si que parecia loucura cogitar qualquer envolvimento contigo. Você é um Universo de qualidades.

    Não sei o que em mim tanto te cativa.

    […]

    Sinto em dizer que não sei te responder. É um mistério. Eu mesma me questiono isso. O que faz você, ser você. Há algo, sei que há. Algo imenso.

    Posso apontar a dedo cada detalhe seu, pinta, marca, riso, jeitos e andados. É um conglomerado de coisas que te faz único. Fico imersa nos seus detalhes.

    Não precisa de muito. É justamente por ser tratar de você.

    Não sei explicar, desde o início, ainda que você e qualquer outro alguém agisssem exatamente da mesmíssima forma, eu sempre fui atingida ao máximo por você.

    O sorriso que enaltece o meu dia. O colo que eu deito e descanso. O olhar que despertar o meu lado devasso.

    Não percebe? Eu amo você. Você. Todo o conjunto do seu eu, cada partezinha.

    […]

    O que eu sinto por ti é desmedido a ponto de ser misterioso. Até mesmo mais que o céu, o luar e as estrelas. Eu sei exatamente o que torna você, você. Cada uma das coisas que me faz transbordar.

    […]

    Sabia que sou fascinada nessa coisa? Planetas, estrelas, anéis… Gostei dessa comparação com os astros. Pode ter certeza que irá encontrá-la em algum dos meus textos. Eles são cheios de você.

    […]

    Então, escolhi a noite certa. Um evento celestial para marcar mais um epílogo. A noite de glória para Vênus, seu ápice. Iremos contemplar o extremo de seu brilho sobrecarregar as Plêiades, da constelação de Touro.

    Aliás, por falar em astros, recorda a primeira música que cantei para ti? “Mecânica Celeste Aplicada — Yoñlu”. Tudo quanto a nós está repleto de pequenas coincidências. Sempre estamos diante da “sincronicidade” que você tanto fala.

    […]

    Espero não estar sonhando, delirando ou em devaneios. Você sempre me surpreende e cada vez de uma forma mais esplêndida. Se eu pudesse, nos fazia eternos.

    […]

    Vamos estagnar o tempo. Eu te farei eterna, em mim. Exatamente como em “As Coisas Tão Mais Lindas — Nando Reis”. Dias, semanas, meses, anos décadas e séculos, milênios vão passar e viveremos por todo o sempre, eternamente, no templo que construímos um no outro.

    […]

    Me sinto grata por você ser o alvo de toda a minha doação e entrega. É um prazer ser você a ter nas mãos o meu sentir e cada fresta do meu corpo. Eu amo a forma como me tem, como me toca (em sentido amplo).

    […]

    O prazer é mútuo. Sei o quanto adora ser chamada de “Vênus”. Mas, você não se dá conta que ser uma deusa, se tratando de ti, ainda é pouco. Você é um Universo inteiro. Aliás, o mais lindo que poderia existir. Tanta força, beleza e intensidade em uma única mulher. Você é expansão.

    […]

    Obrigada, meu bem.

    […]

    Eu quem sou grato. Terei a honra de casar com você. Aliás, venho matutando isso há dias consideráveis. Te comprei um vestido bem antes disso, por de imediato memorar você.

    Fica tranquila, não é branco e muito menos “de casamento”. Sei o que pensa a respeito. Sabe, Ele é do tecido e com os tipos de detalhes que você gosta. Quanto a cor, estampa e tudo mais, não sei dizer. Ele é a linha tênue entre o luar e o alvorecer.

    […]

    Perfeito.

    […]

    Sabe, adoro isso na gente… como nos tratamos. O imenso respeito. A cautela, cuidado e zelo um com o outro. O nosso amor puro. Nesta noite, vamos materializar não apenas simbolicamente. Te fiz algo. Também te escrevi outra música. Bom, seria surpresa, mas eu fico nervoso nesses instantes.

    […]

    Tenho certeza que irei amar.

    Está aí mais uma coincidência. Finalmente finalizei aquele capitulo. Eu escrevi todo o nosso enredo. Cada texto é pautado em um momento. São escritos repleto de frases, cores e falas dos nossos dias. Pormenorizei os nosso detalhes. Espero que goste da minha dedicatória, o primeiro exemplar será seu. Bom, seria surpresa, mas não me contive.

    […]

    Nas ultimas semanas, reconheci o seu jeito e andando diferente. A mudança do seu semblante. Acredito que se tratava disso. Eu tenho convicção que irei me desmanchar com cada palavra.

    […]

    Se trata não somente, mas também disso…

    […]

    Olha, a semana corria e muitos momentos pensei em “arrancar” algo de você, mas não tentei. Você pode ser boa em muitas coisas, mas não sabe disfarçar. Dissimular não é uma característica sua. Eu sinto que tem algo mais.

    […]

    Confesso que já fui melhor nisso. Te mostrei cada uma das minhas versões. No inicio de tudo isso, sobretudo, naquele 29 de fevereiro, eu te era um enigma. Hoje, me conhece tão profundamente que facilmente me decifra.

    […]

    Dona do meu pensamento, cogito algo. Aliás, que eu desejo fervorosamente que seja. Me diz, por favor, que não estou equivocado. Fala de boca cheia e com todas as letras que o nosso vinculo eterno já foi materializado.

    […]

    Se trata disso. Carrego o nosso vínculo eterno em meu ventre.

    Janaina Couto ©
    [Publicado — 2020]

    @janacoutoj

  • A aluna e o professor

    Foi tudo muito rápido, mas foi o suficiente para deixar marcas, que naquele momento achei que não fosse superar e nem esquecer. Bobagem. Hoje, dificilmente lembro do seu nome. Maldito seja o dia que o conheci. Ele não era nada alto, apenas divergia alguns centímetros da minha estatura. Não era nada atraente (beleza era algo a ser discutido), porém era muito intimidador. Eu tinha 16 e ele... enfim. A troca de olhares era constante, contato e a conversa não passava de um simples "Bom-dia!" e um sorriso. Nem me lembro de como nos aproximamos tão de repente e de como nos afastamos. Apenas uma coisa me apetece... estou bem melhor sem ele. Para nos conhecermos melhor, ele se aproveitou da minha fragilidade e necessidade de um amigo que me confortasse. Usou das poucas artimanhas que ainda tinha e seu charme exótico, me pergunto como pude me deixar levar pela sua lábia instigante, intimidadora... muito intimidadora. Ninguém podia desconfiar desse seu outro lado, que tentei (eu juro) desvencilhar. Seu jeito discreto, não se comparava ao homem cara de pau que ele era fora da sala de aula. Nem os meus fetiches mais bobos se resumiam em paixão e sexo com o meu professor. Fetiche clichê ao extremo, não acha? E olha que eu adoro clichês. A paixão não se enquadrava nos meus planos, aliás, conhecê-lo foi uma contingência. Um erro. Ah, se eu tivesse dado ouvidos à uma colega que outrora me disse que me entregar seria um ultraje! Desculpe, minha querida amiga. Eu precisava beijá-lo. Sentir seu gosto vir de encontro ao meu. Porém, a decepção e a repulsa vieram antes do famigerado beijo. Costumo dizer que há males que vêm para o bem. Talvez, fosse realmente necessário eu me afundar nessa tão "doce e amarga" fantasia para que eu desse lugar para o melhor dos amores... o amor próprio.
  • A Balada

    Yoko não estava tão acostumada a esse tipo de badalação. Chegou em casa tonta, nauseada e muitos passos além daquela linha que separa a felicidade da ressaca. Suas amigas a deixaram na porta e partiram rindo com o taxista que se divertia com as bobagens ditas no banco traseiro.

    Em casa, Yoko se esforçou para manter o silêncio. Não queria acordar ninguém. Mesmo sendo maior de idade, achava que pegava muito mal ser flagrada nessa condição pelos próprios pais. Devagar ela tirou a roupa com cheiro de festa e deitou em sua cama. Parecia que estava em uma jangada sobre o mar revolto. Tudo girava, subia e descia.

    Embalada pelo movimento começou a lembrar da noite. Nada tinha dado certo para ela. Mas o que tinha dado errado mesmo? Luzes piscantes, música alta e um daqueles drinks coloridos na mão, não tinha como ser diferente. Em pouco tempo um rapaz se aproximou e sorriu. Mesmo não tendo ouvido o que ele disse foi possível entendê-lo perfeitamente. Yoko simplesmente virou as costas e continuou a balançar.

    Era um rapaz interessante. Bonito com certeza. Foi com prazer que ela percebeu que ele ainda rondava. Mas ela tinha lido numa dessas revistas que o certo era nunca ceder antes da quarta investida e nunca deixar passar da sexta. Era uma janela estreita, mas ela era esperta.

    Com um copo cheio enfeitando cada mão o garoto tentou outra vez. Muito cedo. Yoko aceitou a bebida, mas só ofereceu um olhar lânguido e um sorriso reticente. Com movimentos tímidos e até fora de ritmo ele tentou se encaixar na dança. Mas ela estava elétrica, seria impossível acompanhá-la.

    Ao sair do banheiro, Yoko foi surpreendida. O rapaz estava à sua espera. Como era um canto mais calmo, ali ela poderia ouvi-lo. Em poucas palavras ele conseguiu proferir um elogio, manifestar suas intenções e derreter o coração da menina. Mas ainda era cedo. "Nunca antes da quarta investida", era o que passava em sua cabeça. A razão dava todos os motivos: Valorize-se. Instigue-o. Domine a situação. A situação… E logo ela se desvencilhou com certa empáfia. Sabia que estava no "papo" e que era uma questão de mais alguns minutos.

    Yoko sentou-se em uma mesa afastada da pista. Sozinha. Pediu mais um drink e esperou o próximo ato. Esperou a quarta investida. Esperou o momento que esperava desde início da noite. E só esperou. Cansou de esperar e voltou à pista, só para perceber que tinha esperado demais. Viu, com o coração batendo fora de ritmo, que o rapaz se atracava com outra garota em uma dança sensual. Viu, finalmente, um beijo. Viu que não era ela quem beijava e nem dançava e percebeu o quão estúpido era o garoto. O garoto?

    Não era feita para baladas. A fórmula parecia não dar certo naquele ambiente. O garoto devia ser muito inexperiente, pois faltou muito pouco. Bastava chegar mais uma vez. Só mais uma vezinha. 

    Yoko queria ir embora. Mas esperou suas amigas. Não dançou mais. Nunca mais.
  • A Náusea

    A
        Mais uma vez, ele errou a maldita questão de Física. Olhou para a tela do celular e viu que horas eram. Espantou-se, pois não havia percebido que já havia passado a tarde inteira.
      “Mais uma tarde estudando Física para o vestibular.”
        Irritado, Fernando tentou encontrar o erro da questão. Por dez minutos, ele passou os olhos pela folha, procurando, minuciosamente, o erro. Não encontrou e deu um soco na perna, tentando achar um meio de ficar menos frustrado.
        Fernando esfregou o rosto com as mãos, bufando. E, por algum motivo, depois de amassar a cara, ele encarou a mão direita. Pensou que estava suja, por isso, resolveu levantar-se da cadeira e foi ao banheiro para lavá-la.
        Botou a mão direita debaixo de um feixe de água e com a esquerda, esfregou, tentando tirar a sujeira. Como se fosse um robô que tivesse sido posto num corpo humano há pouco tempo, Fernando encarou a sua mão direita.
       “ A minha mão tem essa cor mesmo?”
         Ultimamente, as únicas coisas que a mão de Fernando encostava eram o lápis, a caneta, a borracha, o marca-texto e a folha da apostila. Qual foi a ultima vez que, juntamente com a esquerda, a direita guiou o guidão da bicicleta? Ou que passou a folha de um livro que não tinha nada relacionado com vestibular? Ou que tocou uma bola de vôlei, seu esporte favorito? Fernando mal podia lembrar da ultima vez que a mão direita segurou um copo de refrigerante (ele negaria até a morte que já segurou um copo de cerveja!) numa festa.
        E falando em festa, quando foi a ultima vez que Fernando dançou? Quando foi a ultima vez que ele tentou ficar com uma menina e ouviu um não como resposta? Pior ainda, quando foi a ultima vez que ele teve tempo para conversar com os amigos?
       Olhando para a sua mão direita, apoiada na pia de mármore do banheiro do cursinho, Fernando sentiu falta. Falta daquele grupo de amigos. Ele não conseguia negar, sentia falta daqueles idiotas. Sentia falta de falar de garotas, e suas bundas e peitos. Era engraçado o quão eles divergiam. Para Fernando e Carlos, Fulana era mais bonita, enquanto Igor e Iago achavam que Cicrana ou Beltrana eram muito mais bonita. Sentia falta de passar parte da noite jogando videogame, ouvindo zoeiras e comendo guloseimas, biscoitos. Sentia falta, também, daquela filosofia de grupo. Sim, quando estavam em grupo, nenhum deles era burro. Todos eram capazes de terem idéias fantásticas sobre os mais variados assuntos. Mas o que ele mais sentia falta era daquilo que ele nunca teve. Ele sentia falta de segurar uma mão mais macia do que a dele, uma mão feminina que o acalmasse.
     Porém, por mais que tivesse voltado para sua cabine, onde estavam sua apostila, estojos, livros e o caderno, Fernando estava com a sua mente em outro lugar. Não importava-se mais com o valor da aceleração centrípeta, muito menos para o valor de atrito. “Foda-se isso tudo!” pensava. A grande incógnita da questão era porque ele sentia falta disso tudo?
       Abismado e em procura de respostas, Fernando pegou o celular e foi procurar alguém para recorrer. Seus amigos estavam em aula, num outro cursinho. Sua prima estava trabalhando num estagio. Sua melhor amiga estava de castigo. Por um milésimo de segundo, ele pensou em mandar uma mensagem para sua mãe, perguntando qual a razão daquilo tudo. Chegou a digitar a pergunta, entretanto, ele já sabia a resposta da mãe.
      — Você abdicou dessas coisas para passar no vestibular! – Diria sua mãe, com um tom de obviedade na voz, como se a pergunta fosse tola demais para ser proferida.
      —  Mas, mãe, por quê?
      — Porque, enquanto você perde tempo com seus amigos, ou perde tempo procurando uma namorada, ou perder tempo caçando qualquer motivo para não estudar, alguém estará estudando e pegará sua vaga. E, então, você perderá mais um semestre da sua vida, tentando entrar na universidade.
      A conversa imaginada dava náuseas no Fernando.
      Fernando, diante do argumento imaginado da sua mãe, tentou concentrar-se, usando como motivação uma pessoa queria a mesma vaga de Medicina que ele queria.
       Por vinte minutos, Fernando lutou. Seus olhos liam, linha por linha, a questão. Segurado pela mão direita, o lápis corria junto, tentando acompanhar o ritmo do olhar do adolescente. Mas, mais uma vez, a mente do Fernando não estava naquela questão.
      “Por que devo abdicar do meu lazer, só para passar no vestibular?”
       Mais uma vez, a voz imaginada de sua mãe voltou, com um tom irritado, respondendo a nova obvia pergunta dele:
      — É pelo seu futuro, meu filho. Você tem que estudar para ter uma boa vida. Acredite, na faculdade, isso não vai acontecer.
       Ele já havia ouvido esse argumento. E por mais tentador que fosse, ele não conseguia acreditar nas palavras da mãe. Ele via o esforço da sua irmã, que também havia feito em Medicina. Fernando perdeu as contas de quantas vezes Sofia estudou, virando a madrugada, por causa de uma prova. Ele não esqueceu as dez horas diárias que a irmã gastou para passar no vestibular. Um ano de luta que, no final, rendeu para ela uma vaga no curso.
       Talvez fosse fácil acreditar que, se ele passasse dez horas, todos os dias, estudando, ele passaria no vestibular, assim como a Sofia. O problema era que, ao contrario da irmã, Fernando nunca foi esforçado como ela. Ao contrario dela, que podia passar horas sentada, estudando Física, ou Matemática, ou Química, ele não conseguia. Ele, contrastando com Sofia, nunca foi um dos melhores alunos da sala. Nem tirava acima de oito em todas as matérias. Para falar a verdade, desde que conheceu o Ensino Médio, cada vez mais era difícil manter as notas das Exatas acima da media. Ele ia muito bem, obrigado, em todas as matérias, menos, Física, Matemática e Química.
        Cansado de olhar para aquela apostila, Fernando catou suas coisas, enfiou tudo na mochila e saiu do curso. Foi até o ponto de ônibus e pegou um ônibus para o shopping mais perto. Mandou uma mensagem para a mãe avisando que jantaria um hambúrguer.
       Fernando andou sem rumo no shopping, pensando. Esbarrou algumas vezes em algumas pessoas, que resmungaram e não aceitaram o pedido de desculpas dele.  Resolveu passar na livraria, a fim de procurar algum Best-seller.
       Encontrou um livro que despertou seu interesse, porém, uma garota roubou o foco do garoto. Era Marcela, a menina mais inteligente que Fernando conheceu/ estudou com. Ela estava irreconhecível. Sem maquiagem, os olhos, verdes, estavam fundos, cercados por olheiras. Chegava a estar pálida.
      Assustado, Fernando aproximou-se dela. Sem pensar muito, disse:
    — Como vai você, Marcela?
    — Bem, e você, Fernando? — A garota respondeu tristonha.
       Fernando preocupou-se com ela. Ela era sempre alegre. Agora estava tão para baixo. Por isso, perguntou o que aconteceu com ela. A resposta de Marcela fez o adolescente ficar cheio de náuseas.
    — Eu sofri um colapso nervoso há um mês, causado pelo estresse. O meu psiquiatra me proibiu de fazer o vestibular. De acordo com ele, eu tenho que estabilizar a minha saúde mental.
       Saúde mental? Estresse? Uma adolescente de dezessete anos com problemas de adultos? Isso não é normal.
    — O que aconteceu, Marcela?
     — Vestibular.
       Algo acendeu no Fernando. “Isto está errado!”, pensava. Como, em sã consciência, alguém podia ser levado àquele estado? Só para garantir seu futuro?
       Fernando queria saber o que estava errado. O que mudou, nele? Será que, somente ele estava enxergando o erro? Como jovens de dezessete anos tem que ser levados a estudarem tantas coisas? Por que jovens tem que fazer o tal do ”vestibular”? Para garantir o que não se pode garantir?  
      Fernando, como um autômato, despediu-se da garota e saiu da loja. Mais uma vez, ele estava sem rumo. Sua cabeça estava perdida em uma imaginação. Uma vida hipotética. Fernando viu sua vida, como em um trailer de filme.
      Passou em Medicina e a carga de estudo só aumentou. Em algum ponto do curso, ele começou a namorar e, não era como gracioso como ele se lembrava. Tinha que dividir seu tempo entre amigos, namorada, família e estudo. Tudo aquilo era exaustivo, mas ele se convencera de que no final, as coisas dariam certo.
      Eventualmente, ele terminou com a namorada. Fez um esforço tremendo para não deixar as notas caírem. Ele começou, dentro do curso de Medicina, a viver uma espécie de vida de medico. Entravam e saiam pacientes. Poucos recursos pioravam a situação, fazendo com que o estresse aumentasse.
      Ele formou-se e, as coisas não melhoraram. Agora tem a residência. Tempo? Ele teve pouco, mas era jovem, tinha vinte e sete anos. E, como esperado, a residência apenas dificultou a vida dele.
       Enquanto ele assistia ao filme da vida, de alguma forma, Fernando já havia comido algum lanche e estava voltando para casa. Preferiu pausar o filme e começou a refletir. Estava irritado, não podia negar. E aquela náusea que não passava.
       Ele compreendeu o problema. Fernando estava irritado com o vestibular. Pois, somente o vestibular, e outras coisas ruins, podiam fazer um jovem ver o seu futuro com tamanho pessimismo.
       O vestibular é uma desgraça, disse Fernando em alto bom som, enquanto voltava para casa, a pé. Ele sentia-se cansado. Sua mochila, pesando muito mais psicologicamente do que fisicamente, e sua náusea não ajudavam. Ele andava lentamente, sentindo tudo aquilo em cada passo.
      — O vestibular é uma desgraça. Não foi feito para humanos. Qual o sentido de fazer um adolescente ter conhecimento de mais de dez matérias, ensinadas em três anos. São cento e oitenta questões malignas, que fazem você duvidar de você mesmo. Você estuda para uma prova por um ano. Se você passar, um ano salvo. Não passou, um ano perdido.
       Quanto mais pensava que o vestibular estava errado, mais enjoado ficou. A náusea foi crescendo. Eis que seu corpo, contra a sua vontade, arqueou. Sua boca abriu, dando passagem para a sua janta e lanche da tarde. A fraqueza abraçou-o, e ele pensou:
       — Parece que eu tenho muito tempo para me divertir. Eu sei disso, mas porque eu não acredito? Por que eu tenho a sensação que, a partir de agora, eu serei fraco deste jeito para sempre?
       Ligou para o pai e pediu para ele buscá-lo e, segundos depois, seu corpo pediu arrego, e Fernando desmaiou. 
     “O cansaço físico, mesmo que suportado forçosamente, não prejudica o corpo, enquanto o conhecimento imposto à força não pode permanecer na alma por muito tempo.”
                                                                                    -- Platão
  • Adolescente

    Todo adolescente enfrenta algum problema interno que só ele entende
    Não contamos aos adultos porque eles culpariam os celulares
    Ou se mostrariam indiferentes
    Não contamos aos nossos amigos porque apesar de serem os mais prováveis de nos entenderem, temos medo de sermos julgados
    Ou considerado fracos
    Não contamos aos pais, talvez porque nossa relação não seja tão boa a ponto de compartilharmos segredos assim
    Ou porque sabemos que eles já possuem problemas demais para se preocuparem e não queremos sobrecarrega-los com um possível draminha adolescente
    Mas nem sempre é só um drama
    E somos de certa forma hipócritas ao desprezarmos esse "problema"
    Dizemos que não é nada
    Vai passar
    É só uma fase
    Nada demais...
    E por um tempo, por mínimo que seja, esse sentimento some
    E por isso pensamos que está tudo bem
    Na verdade todos ao nosso redor pensam que está tudo bem
    Afinal, não compartilhamos nossa dor
    Como eles poderiam suspeitar de algo?!
    Mas então, sem aviso prévio, tudo desmorona
    E não entendemos o porque
    Deveríamos estar felizes, não deveríamos?!
    E novamente mentimos para nós mesmos
    "Está tudo bem"
    Mas não está...
    E a partir daí entramos em um círculo vicioso
    Composto por sorrisos forçados durante o dia
    E lágrimas durante a noite
    E na manhã seguinte voltamos a encenar e sorrir, como se nada tivesse acontecido
    Como se não tivéssemos nos desgastado de chorar noite passada
    Porém, isso cansa
    Não poder conversar com ninguém sobre o que sentimos nos mata aos poucos
    Não poder compartilhar a dor sentida é insuportável
    Nos tornamos escravos
    Escravos da nossa dor
    Escravos dos sorrisos forçados...
    E, para nós, já é tarde demais para falar com alguém
    E, infelizmente, muitos de nós, sem enxergarem outra saída, optam pela morte
    Para tentar acabar com a dor
    Mal sabe eles as consequências de tal ato...
    Pois ao fazerem isso, se esquecem que deixam para trás uma família que os amava
    E que vão ficar se culpando
    Porque sentem que falharam
    "Quem sabe se eu tivesse me esforçado um pouco mais..."
    "Se eu tivesse percebido..."
    Esses vão ser os pensamentos que os assombrarão...
    Ao tirar a sua vida, o jovem pode até acabar com sua dor
    Mas destrói a vida de todos ao seu redor
    Aqueles que o amavam
    E que passarão a vida pensando no "E se..."
    Mas, aqui entre nós, porque decidimos guardar esse sentimento para nós, mesmo?!
    Será que o medo de sermos julgados tem que sobrepujar todo o sofrimento que enfrentamos por mantermos isso em segredo?!
    Somos humanos, estamos propensos a errar
    É normal
    Ninguém é super-homem
    Compartilhar nossos medos, decepções e agonias
    Não faz de nós fracos
    Pelo contrário
    Esse é o caminho que nos leva ao fortalecimento!
  • Alma Perdida

    Ela era uma prostituta. Mas não era uma prostituta qualquer, nela havia algo especial. Cercada de tristeza e dor, seu corpo possuía tons curiosos.
    Carmen, filha de João e Maria, cresceu ouvindo que o mundo era vazio, um lugar sem esperança. Quando criança, tentava de todas as formas agradar os pais que trabalhavam dia e noite para poder colocar o pão na mesa, chegavam cansados e só verificavam se Carmen estava viva, não prestando atenção acima da mesa: ‘’Papai,Mamãe. Eu não sei muito sobre vocês, contudo isso é uma das consequências da vida que fomos destinados a ter, porém amo vocês do mesmo jeito que qualquer outra filha amaria.”
    Aos 16 anos, os pais de Carmen morreram e a adolescente foi morar com o único parente que tinha, seu tio. Era uma casa fria, sem cor. Todas as noites, ela chorava baixinho, no canto do quarto, implorando para sentir alguma coisa: felicidade, tristeza, raiva... Algo que mostrasse que ela ainda estava viva e não somente sobrevivendo. Seu tio, uma pessoa amarga, chegava bêbado em casa todos os dias e, naquela noite, ele escutou um murmúrio vindo do quarto. Alguém chorava. Uma alma perdida pedindo socorro. ‘’Eu vou te dar um motivo para sentir algo.’’, disse, puxando a cinta e espancando a jovem Carmen.
    E naquela madrugada, ela de fato sentiu algo: repulsa. De si mesma. Olhava para os hematomas e as lágrimas não faziam seu caminho pela bochecha mais, era uma dor mais profunda. Julgou que a melhor forma de acabar com aquilo era fugir e assim fez, saindo sem rumo. Vagou pelas ruas, somente o tempo conseguiria cura-lá.
    Passaram- se anos, Carmen se encontrava no banheiro do posto, enquanto passava o batom tão vermelho quanto seu próprio sangue, um sorriso falho no canto dos lábios. No relógio marcava 00:00, deu um passo para o lado de fora, sentindo o vento frio contra sua pele pálida. Mais uma noite de trabalho.
    Uma mulher diferente de todas as outras, parada no ponto, vendendo aquilo que sempre desejou ter, o puro amor.
  • Amor de amigo

    Cara tu é muito chata sabia? Mas de todas as coisas possíveis para se pensar era você que vinha a minha cabeça as 6 horas dá manhã para mandar acordar mesmo sabendo que já estaria acordada ou que não acordaria com minhas mensagens , até mesmo me deparar com mensagens suas logo cedo para me acordar , puxar assuntos mega aleatórios para deixar sem respostas, brincar com ela, também né meu bebê , ela vivi ruimzinha e eu não consigo cuidar dela pois sempre estou longe, fico enchendo d mensagens e as vezes até ligo para abusar um pouco mais, me desculpa por não estar contigo quando você precisava , sério eu me arrependo muito disso e sei que não tem como concertar mas estou aqui agora para que isso nunca aconteça de novo.
      Ela fica sem assunto muito rápido e eu acabo ficando bravo porque seria a mesma coisa que conversar com um programa de computador, por gostar tanto dela acabei criando muitas expectativas que foram uma a uma sendo descartadas. Fica mentiras para não me dar atenção e isso me incomodar muito e você sabe disso, como por exemplo : se você fica online no whatsapp é porque tem condições de responder aquele Oi q mandei assim que acordei, dar um aviso prévio que não conseguira responder porque está fazendo ocupada, antes mesmo de começar a fazer e parar de responder e depois avisar. Eu iniciei o ano pensando em comprar um computador novo, estudar, trocar emprego o quanto antes,já te falei isso. Acabo não fazendo isso, porque chego em casa e tem alguém esperando para me ligar com uma vozinha chata que eu gosto muito e mesmo depois quando ela desliga, fico lá porque já perdi a cabeça pra estudar só quero mais ficar lá esperando para dizer que a AMO e que não acredito que ela me ama e nem sei quando vou acreditar.
      Sempre acabo ficando bravo mas é porque eu me importo de mais, quero você comigo 24 horas por dia e ainda acho pouco, você fica reclamando que não possui amigos , mesmo possuindo alguns que são importantes para você , mas eu também não possuía ninguém nessa idade. Na escola estamos junto outros dias não os via mais, o Rick vinha aqui em casa as vezes e me acordava pra jogar no notebook, tipo umas 8 horas dá manhã e eu falava onde estava o notebook e a senha então voltava a dormir. A tarde minha mãe enchia nós de tarefas da casa, como limpar o pátio e aqui ele é muito grande . Depois de já algum tempo fiz algumas amizades e montamos um grupinho todo pessoal com uma mesma mentalidade​, os exclusos que não interagiam muito, saíamos as vezes mas só para comer e era isso. Viu se eu consegui porque você não​ consegue? você tem tudo e o que lhe falta sei que conseguira com o tempo.
      É eu não te amo tudo isso , porque se eu amasse isso não seria nada, o tanto que te amo não pode ser demostrado só com isso, uma hora talvez te mostro , e nunca vou deixar de ficar bravo contigo, porque se eu deixar não vou mais me importar com você , e não quero isso. Lembra que falei em te deixar de castigo algumas semanas? Então porque acha que estou aqui me contrariando?
      Você realmente conseguiu me irritar muito para ter te bloqueado, e mesmo assim continua sendo trouxa comigo, é tentei ser legal, só que para tudo existe um limite. Te perguntei oque você queria comigo e não recebi uma resposta como de costume, assim como suas promessas que nunca cumpre. Já havia entendido o recado antes só não queria acreditar, levei isso longe de mais então deixo o resto ser como você quiser.
  • Antecedente da cicatrização

    Como quando a orelha inflama porque o brinco estava um pouco sujo; ou quando colamos o curativo adesivo que fixa na pele de modo a puxar todos os pelos na hora de sair.
    Mesmo sabendo que no fim iria doer, provoquei. Botei o brinco pra inflamar, colei o curativo pra fazer doer. Queria viver aquilo, nem se fosse por míseros segundos, minutos, horas, dias. Nem sei mais quanto tempo passei imersa naquela banheira de espumas.
    Corria cada vez mais só pra vê-la. Queria era socorro, socorro da própria situação. Socorro de mim mesma. Mas por mais rápido que eu o fizesse, não a alcançava. Dormia sem conseguir descansar. Não sabia como evitar, como não sentir. Era, humanamente, impossível fechar o peito para aquela que, outrora, me visitava com flores e com pele macia a me acariciar.
    Deitada sobre seu peito sentia que a perdia. Procurava sua mão. Meus dedos se entrelaçavam nos dela, mas os dela no meu. Ficava ali parada até o momento em que escorria pelo meu corpo. Indo embora sem dizer adeus.
    Enquanto eu souber que a ferida não será fechada por completo, vou levando. Empurrando com o resto de forças que sobrara do restante da minha alma, que jorrava água escura, afim de fugir do precipício que eu mesma criara.
  • As crônicas do Inferno II

    As crônicas do Inferno
    Épocas sombrias 
     
    O início do fim
    Pecado, esta é a palavra que define
    o tamanho do erro, que Luciféria veio a
    cometer. No começo a consciência lhe
    abandonou, mas quando voltou a
    tê-la, era tarde demais.
    Milhares tinham perecido em suas
    finas e pálidas mãos. O sangue tinha
    tingido o vestido branco de vermelho,
    uma criança aterrorizada estava em
    seus braços, só que ela não sentia
    sua dor, ou qualquer outra
    coisa.
    “Parabéns” Congratulou Bael, vindo
    por trás dela, e atirando o cadáver para
    longe, como se não fosse humano. Em
    seu dedo havia o sangue da vítima,
    que ele levou aos lábios, saboreando
    aquele néctar da vida. “Eram todos
    monstros, que mereciam morrer.”
    Ela lhe respondeu, sem emoção
    nas palavras.
    “Sim minha querida.” Ele disse de
    má vontade, percebendo que a jovem
    não estava ciente do seu crime. “Há mais deles para destruir?” Ficou
    parada, com o olhar vazio.
    “Não, já é o bastante. Beba isso, 
    para perder a sede da guerra.” Disse
    lhe dando o cálice, e fazendo-a beber
    o vinho, que estava infectado com
    uma poção alucinante.
    Ela o bebeu, e ficou leve como 
    o vento. Ele a pegou nos braços, e 
    a levou para o seu palácio pirâmide, 
    onde a deitou numa cama. “Não se
    preocupe, estamos só eu e você
    Lucy” Disse tirando-lhe as
    roupas.
    Na visão da dama, estava num 
    paraíso junto do seu amado marido Azazel, sob o sofá confortável, onde
    praticavam seus atos de paixão. Na
    realidade, ela estava nos braços
    do maligno, que estava louco
    por ideias cruéis.
    Ela parecia uma garotinha, que
    tinha chegado a adolescência apenas
    no tempo, mas não no corpo, e isto o
    fazia querer possuí-la, tomá-la para
    si. Pois de certa forma, o fazia lembrar
    dos tempos em que a filha não tinha
    se desenvolvido, e de quando a
    violou.
    Pobre Eke, além das incessantes negativas de Miguel, tinha um passado
    sombrio, e extremamente assustador.
    Os olhos negros como a noite, já
    foram doces, mas devido ao pânico, a
    cor foi se perdendo com o tempo, e
    ela se transformou em quem
    é hoje.
    “O quê está fazendo?!” Disse a própria,
    tirando-o de sua doentia nostalgia. “Só me divertindo, minha pequena” Ele lhe
    respondeu, adentrando o corpo da
    princesa, que embora parecesse
    intocável, nem um pouco o
    era.
    “Mamãe não gostará disso.” Lhe
    criticou, e o demônio deu os ombros,
    prosseguindo com o abuso, ao ponto
    de suar. “Sabe que de todas as vadias,
    essa é a única...” O olhar frio dele é
    uma resposta ao seu apelo, só
    que ela não desiste.
    “É a única, que jamais quis que
    tocasse.” Protesta em voz solene, e
    ele ergue a sobrancelha. “Eu também
    não queria que deixasse o lar, para ir
    atrás de um certo arcanjo. Mas não
    temos sempre o queremos Eke.”
    Retrucou, fazendo-a deixar
    ele só com a vítima.
    “Eke?” A dama sussurrou, e o mundo
    perfeito, falhou como uma ilusão. “Não
    , eu disse Ele” Tentou desconversar, só
    que a jovem o viu, e isso a trouxe 
    para a realidade.
    “Bael?!” Ela esbravejou, tentando 
    se soltar dos braços dele. “Não haja
    como se não quisesse, sou tão lindo
    quanto seu pai.” Ele se imprensou, forçando-se contra ela.
    “É! É como se estivesse nos braços
    dele! É nojento! Por favor para!” Ela
    implorou, mas em vez de ceder, ele
    apenas seguiu, lhe tapando a
    boca, enquanto ela tenta
    gritar.
    “Podia ser prazeroso, para nós dois.
    Mas você tinha que acordar. Lamento
    por isso, só que não vou parar.” Ele
    diz, sentindo que o corpo dela
    está secando.
    Lágrimas escorrem molhando sua mão.
    Ela tenta dizer “O quê fiz desta vez?” Só
    que o demônio, pressiona sua palma,
    fazendo-a entrar em desespero.
    Os olhos dele encontram os dela, ele
    vê o pânico instalado em sua face, que
    estava ficando vermelha, de tanto chorar.
    Por falsa misericórdia, se aproxima
    do seu ouvido, e sussurra palavras que
    lhe devolvem para o mundo dos seus
    sonhos, e a faz ceder com mais
    facilidade.
    Após terminar, ele se afasta, deixando-a
    desmaiada entre os lençóis brancos. “Eu sinto que tem algo errado aqui.” Ela diz
    dentro do seu Éden mental, enquanto
    fica jogada nas almofadas do
    sofá.
    “De todas as mulheres do mundo, tinha
    que escolher a filha de Cerridwen!?” Diz a deusa Hécate, seguindo o novo deus,
    para os seus aposentos reais, e este
    a ignora.
    “O quê há de errado nisso? Não foi
    Você que escolheu o marido dela como
    seu par ideal?” Questiona friamente, e
    a deixa de queixo caído. “Ela vai ser
    expulsa daqui.” Avisa a esposa,
    e ele para.
    “Ela fica.” Diz em tom imperativo. 
    “Não, nós já temos uma filha de Lúcifer no nosso exército.” Responde opondo-se
    a ordem estabelecida. “Não uma que atenda ao meu desejo. Ela fica.”
    Rebate, deixando-a.
    “Desejo?” A deusa grita invadindo 
    o local. “Você sabe o quanto gosto de
    garotinhas.” Retruca com o sorriso
    cruel. “Lilá é a mais jovem.” Lhe
    contradiz de imediato.
    “Lilá é desenvolvida, como a carne
    manchada pelo pecado. Já Luciféria
    parece tão pura, quanto intocada.”
    Esclarece, e a deusa gargalha 
    com escárnio.
    “Luciféria, não é uma santa. Conheceu 
    os pecados do corpo, mais cedo que Lilá 
    , e nem precisei induzi-la.” Diz em tom de zombaria. “Além do mais, já esteve
    nos braços de Miguel, e Azazel. Ela
    Não É pura.” Prossegue com a
    afirmação.
    “Não? Bem isso a torna perfeita para
    os meus planos. Agora saia, preciso do meu descanso.” Diz fazendo menção 
    para retirar-se. 
    “E Hécate.” A chama antes de passar
    pela porta. “O quê?” Ela pergunta com
    má vontade. “Não ouse tocar nela. Só
    Eu tenho este direito.” Mostra seu
    poder na casa, e isso a 
    enfurece.
    “Mamãe!” Eke grita correndo a bela
    morena. “Sim.” Responde ainda de mal 
    humor. “Você conversou com Ele? Ele vai tirar ela daqui?” Pergunta frenética
    pela resposta. “Não, é mais fácil nos
    tirar, e ficar com ela.” Fala com
    desgosto.
    “Mas por quê?!” A menina fica chateada. “Porquê ele se encantou por
    aquele corpinho de Lilith.” Diz sentindo o ódio crescer dentro de si. “Só que
    como ele não se importa...” Lhe
    vem a ideia.
    “Não vejo mal algum em seguirmos
    em frente também.” Diz caminhando com um sorriso na face. “Chega de ficar
    esperando por Harmonia. Vamos fazer
    do meu jeito. Venha comigo.” Segura
    a mão da menina, e as duas vão
    para fora do palácio.
    A princesa segue desconfiada, 
    olhando para os sorrisos robóticos de seus pais, que sempre parecem felizes. Sem que lhes vejam, ela vai até o penhasco.
    Percebendo que há algo errado, o
    Demônio acorda, e voa rapidamente
    para dentro do quarto. A jovem salta
    para a escuridão, e ele a pega nos
    braços, impedindo-a de bater
    a cabeça.
    Seus olhos estão vazios, outra vez
    a ilusão está falhando, até que volta 
    ao normal, e percebe que está nos
    braços de Bael. “Eu sabia!” Ela
    grita, tentando se livrar 
    dele.
    “De novo?! Não cansa de sofrer?!”
    Ele se mostra frustrado por seu poder
    mental, não ser tão eficaz com ela. “É 
    , e eu não vou cair na sua miragem 
    diabólica outra vez!” Diz ela com
    fúria.
    “Pior para você. Porquê eu não vou
    deixar de me satisfazer!” Responde e a bela fica horrorizada. “Por quê eu?! Eu não queria vim para o seu lado, não
    conspirei com você, então por
    quê?!” Grita mostrando-se
    assustada.
    “Porquê é perfeita.” Responde-lhe, 
    soltando-a, para diminuir o trauma. 
    “Eu sou o quê?” Inquire sem acreditar em tais palavras. “É perfeita.” Ele volta a responder, e com o olhar confuso, a bela pergunta “Por quê?”. “Luciféria,
    desde que a tive nos braços, muito
    tempo se passou...” Ele inicia.
    “Quer dizer quando Miguel permitiu
    que me violasse por vingança?” Ela lhe
    questiona. “Sim” Ele ri. “E seu corpo é o
    mesmo. Seios pequenos, baixinha, pele delicada, é quase uma criança.” Ele
    confessa, tocando-lhe a face.
    “ É uma criança eterna, que nem mesmo a encarnação pode mudar.” Ele
    prossegue, fazendo-a saltar para trás. “O meu corpo, é essa a maldita razão, para me fazer prisioneira?!” Berra, e
    ele a agarra, fazendo-a se sentar
    diante de si.
    “Antes era apenas o seu poder, só
    que ao ver-te desnuda, não pude me conter.” Continua a falar. 
    “Há um fio de sanidade restante? 
    Você me quer porquê pareço uma criança!” Ela berra ainda amedrontada, com as respostas que vem recebendo. “É, mas pelo que sei, já é uma mulher feita, por isso não é crime.”  Ele a
    segura pela cintura.
    “Me devolva para aquele mundo 
    de fantasia, porquê sua insanidade não tem limites!” Diz tirando as mãos dele
    do seu corpo. “Como quiser, assim 
    será menos doloroso.” Ele brinca,
    e se prepara para dar o 
    comando.
    “O quê? O quê vai fazer comigo?!”
    Pergunta-lhe em pânico. “Quando você
    está com Azazel, e realizam atos carnais
    . Bem, não é Azazel que está lá.” Joga
    a isca, e os olhos dela crescem de
    medo.
    “E até onde sei, estava agressivo 
    na medida certa, pois foi o quê você me disse.” Completa, deixando-a vermelha de vergonha. “Achei que era apenas o
    impulso...” Tenta se explicar. “Não
    contarei a ninguém.” Ele volta
    a tirar sarro.
    “Você é doente! Louco!” Finalmente
    o xinga, e ele apenas ri em silêncio. “Só
    é ruim, porquê você quer que seja. Pare
    de lutar, e verá que isso não vai te ferir
    , e será até gostoso, para nós dois.” Tenta manipulá-la, e ela outra 
    vez se afasta.
    “Foi assim que seduziu a Eke?” Ela
    lhe pergunta, tentando fugir daquela conversa pavorosa. “Nem tentei, só fiz 
    o quê Hécate permitiu.” Diz ele lhe
    agarrando outra vez.
    “Por favor não.” Ela suplica, ao vê-lo
    tão próximo do seu pescoço. “Está na sorte princesa infernal. Eu nunca faço
    nada para seduzir minhas vítimas.”
    Responde, e então lhe morde a
    nuca.
    “Nem preciso. Elas se entregam para
    mim, quando finjo ser seu pai.” Diz lhe
    arranhando nas costas. “Eu nunca fui
    apaixonada por  meu pai.” Responde com certa tremedeira, sentindo
    calafrios.
    “Vai ficar depois de mim.” Ele a 
    encosta no topo da parede, e sua
    mão desce até o meio das suas
    pernas. “Certo!” A jovem da
    realeza o para.
    “Me manda pro paraíso, e me faz
    esquecer o aqui e agora. Seja o meu Azazel.” Ela diz tremendo como um
    cachorro com frio. “Não, desta vez
    serei apenas Bael.” Ele diz com
    o sorriso diabólico, e a
    beija.
    Naturalmente a moça resiste, 
    ao menos no começo. “Viu como não
    é ruim, quando você permite?” Ele
    ergue os dedos umedecidos. “Eu não
    estou...” Tenta responder, e ele volta
    a lhe calar, com outro beijo roubado.
    “Se parar de resistir de vez, gostará
    da experiência.” Sussurra em seu
    ouvido.
    “Por favor pare.” Diz ela com
    a voz fraca, aterrorizada por ver-se
    dividida entre seguir, ou manter-se fiel
    aos seus princípios. “Chega, eu não
    quero!” Grita quase se entregando
    a ele, e o atira para longe, caindo
    no piso, onde se fere com a
    madeira.
    “Estou tentando ser bonzinho. 
    Porém você não facilita, sou obrigado 
    a isso...” Diz ele se levantando num vulto, e então enfia na boca dela,
    um liquido esverdeado.
    “O quê é isso?!” Ela urra, e ele não
    se dá o trabalho de responder. “Engula”
    Manda, e ela se nega. “Engula e eu digo .” Diz revirando os olhos. “Eu não confio em você.” É a última coisa que diz, antes dele deixá-la quase 
    cair.
    “Isso é uma toxina que criei. Se não
    quiser saber os efeitos, siga as regras, e ficará bem.” Responde enfim, e a bela sente o calor subir pelo corpo, junto
    de uma dor insuportável.
    “O quê fez comigo?!” Diz entredentes,
    travando na hora de andar. “Apenas lhe dei algo para acumular a libido, se não a esvaziar, o incômodo será maior”
    Ele ri da sua desgraça.
    “Não pode está falando sério!” Diz olhando-o com incredulidade. “Posso e
    estou. Então...Vem para a cama?” Lhe
    questiona, deitando-se entre os 
    travesseiros.
    É claro que apesar da atitude bem
    monstruosa, Bael é atraente, os cabelos loiros como sol, a pele pálida como a lua, e os olhos azul escuro, que ficam
    vermelhos com a adrenalina, são o
    destaque da sua beleza jovial, e
    máscula.
    Porém Luciféria não se importa com
    a forma física do inimigo, e sim com o quê ele faz em seus cultos atrozes, e
    os crimes que cometeu com ela, e
    a sua prima Eke.
    Por isso, embora a primeira vista
    Bael seja um humanoide bonito, ela
    não o vê desta forma, e sim com os
    olhos da vítima, que deseja matar
    , ou fugir do seu agressor.
    “Eu nunca ficaria com você.” Ela
    fica defensiva. “Já ficou, e até gostou.”
    Diz ele olhando para as unhas com total indiferença. “Eu pensei que era Azazel!”
    Grita em desespero. “Então Azazel é
    portador de uma bela espada.” Ele
    zomba, fazendo menção ao “seu
    tamanho.” 
    “Você é baixo!” Diz ela com lágrimas
    , descendo pela face, pois suas partes doem intensamente. “Mais alto que
    Você, e outras deusas.” Ele segue
    brincando, e ela salta em
    cima dele.
    “Me dominando?! Quanto ousadia.
    Nenhuma teve tal coragem.” Diz ele ao
    vê-la montada em seu corpo. “Você é um babaca!” Esbraveja, dando-lhe
    vários socos no peito.
    “Sim eu sou.” A calmaria em sua voz
    , a deixa transtornada. “Idiota!” Grita
    tentando enforcá-lo. “Quem sabe se o
    fizer mais forte...” Ele continua sem se
    importar com a reação dela. “Eu te 
    odeio!” Protesta, e ele a pega 
    nos braços.
    “Eu sei que sim, mas posso tirar a sua
    dor, basta ceder.” Olha em seus olhos, e ela sente calafrios. “Só tende a piorar, e não precisa ter vergonha, finja que está no mundo perfeito.” Diz ele preparando
    seu instrumento, para aliviar a enorme
    tensão que a atormenta.
    “Me manda de volta pra lá.” Pede-lhe
    , preocupada com a realidade. “Não, eu já disse hoje será a minha vez. Chega de Bael, o Lúcifer, Bael, Miguel, ou Bael ,
    Azazel. Serei eu.” Diz ele recordando
    as humilhantes fantasias que 
    satisfez.
    “Por quê?” Lhe questiona amedrontada,
    e ele se prepara para ser um com ela. “É algo que não posso responder.” Diz ele 
    , olhando para o membro, e a dama,
    que mesmo com muita dor 
    ainda nega.
    “Seu corpo precisa liberar o prazer
    Lucy, não vai gostar da dor que vem se
    não o fizer.” É a sua última tentativa. “
    Está bem. Mas saiba que eu mesma,
    sem poção de luxúria, jamais o
    faria!” Finalmente cede.
    Ele a deita cuidadosamente entre 
    os lençóis, e abre-lhe as pernas, que
    estão encharcadas, pois seu corpo já
    estava liberando o júbilo sexual. Ele
    sorri, e entra em seu corpo, fazendo-a
    suar, notando que o medo ainda não
    a deixou, ele entrelaça seus dedos
    aos dela.
    “Há apenas um segredo Luciféria.”
    Diz ele já realizando o objetivo final,
    e os olhos dela engradecem, temerosos
    pelo que a aguardava. “Para, liberar a
    libido, é preciso, que, se, sinta, no
    mínimo, atraída, por, quem, o
    faz!” Diz estocando-lhe.
    “Então agora tenho certeza.” Diz ao
    entoca-se na caverna dela. “Você vai sim se entregar para mim. Sem poção
    alguma.” Conclui, deixando-a num
    carretel de confusão.
    “Isso, não, é verdade!” Ela responde
    ao ser chacoalhada, pelos movimentos
    dele. “Sim, é.” Os lábios dele vão até o
    seu pescoço, e ele morde no ponto
    certo, para esquentá-la.
    “Você pode, não ter, atração por seu
    pai, como Lilá. Mas certamente há algo
    em mim, que te seduz.” Ele prossegue,
    falando em seu ouvido, e deixando-a
    arrepiada pela revelação.
    “Você me envenenou!” Tenta se 
    defender, e no calor do momento ele
    a beija, colando-a ao seu corpo. Outra
    vez ela luta para não retribuir, mas
    acaba o fazendo, pois reduz 
    muito mais a dor.
    Após várias horas, entregando-se 
    aos desejos do demônio, ela finalmente se vê livre do veneno, e adormece nos
    braços dele, que por alguma razão
    não a deixa desta vez.
    “A poção foi apenas uma desculpa.
    A dor passaria com o passar do tempo,
    mas você cedeu a mim, e isso é só o
    começo, pois logo te farei a minha rainha.” Diz ele dando-lhe um
    beijo na testa.
    Eke observa tudo pela fenda da porta,
    e fica furiosa, pois nem com ela, ele era
     tão carinhoso, não mais ao menos, e
    por isso passa a tramar a ruína
    da princesa.
    Vida longa a Rainha
    O tempo foi passando, e a vida seguiu. De alguma forma Miguel
    aceitou seu destino com Eke, e
    Azazel se juntou a Asmodeus,
    numa caçada por ninfas.
    Lilith, Lúcifer, e Yaweh, aos poucos foram restaurando a ordem, e em vez das costumeiras brigas, eles
    enfim agiram como família.
    Lilá também encontrou a 
    felicidade, com a irmã distante 
    do lar, pois embora fossem boas
    amigas. A mais nova da família
    de Lúcifer, detestava o fato da
    irmã se destacar em tantos
    ramos mágicos, dos quais
    os pais tinham total
    orgulho.
    Sem saberem de toda a sujeira
    , que a doce e amável Lilá tinha feito
    com a irmã. Todos achavam que ela
    os tinha traído, e que agora era a
    nova conquista de Bael, por isso
    ninguém foi resgatá-la.
    Luciféria foi a única que não teve
    um final feliz, pois o seu mais novo pretendente, não lhe deixava de
    forma alguma, seguir com 
    outro par.
    “Talvez deva ceder a Ele.” Diz 
    a sua tia, lhe penteando os cachos,
    e esta se vira assustada. “ Eu sei o
    quê fazem nos fundos.” Prossegue
    com o olhar indiferente. “Não é
    que eu queira!” Ela se defende.
    “Será mesmo? O veneno que te
    obriga a tomar...” A morena inicia.
    “Só pode ser curado, por alguém que eu tenha atração.” Completa, ao ver
    que o cacho continua a perder a
    sua forma.
    “Não, só causa dor mesmo. Se para
    quando está com ele, é porquê ele te atrai, e é provável até que goste dele.” Responde terminando
    de ajeitá-la.
    “Eu não sou a Lilá. Não cairei em
    seus jogos de manipulação.” Lhe dá
    um aviso, e a deusa ri. “Não é jogo,
    como deusa da manipulação, você
    devia saber.” Diz deixando-a a 
    sós, com os seus pensamentos.
    “Não, eu não me sinto nem sequer
    bem com Ele.” Diz para si mesma, e o próprio monstro entra no quarto. “O
    quê houve?” Pergunta com o seu
    sorriso mais inocente.
    “Nada. É só que Hécate me alertou
    sobre o veneno.” Responde saindo de
    perto dele. “ Ah que bom, levou mais
    tempo do quê eu esperava.” A sua
    alegria, a deixa apreensiva.
    “Você tem se aproveitado do meu
    pouco entendimento, para fazer o quê bem entende comigo!” Grita,
    e ele lhe faz diminuir o tom, com
    um gesto.
    “Não é nada ruim. Se não sentisse
    nada, continuaria a doer. Eu sei que 
    sente algo Lucy, sua forma lhe trai.”
    Ele brinca de aparecer, em dois
    lados das colunas da cama.
    “Eu não sinto!” Exclama com toda
    a sua energia. “Então se eu quisesse
    te beijar agora, você não iria me
    retribuir?” Pergunta com 
    olhos insidiosos.
    “Claro que!...” Ele a beija antes que
    termine, e cria uma pausa, para ver a onde aquilo chegará. Para a surpresa
    dela, seu sistema nervoso lhe trai, e
    retribui ao gesto dele.
    “Como eu disse sente algo por 
    mim.” Ele se gaba, e com raiva ela 
    lhe morde a língua. “Ataque de amor 
    não dói Lucy.” Ele se afasta, com
    a boca ensanguentada.
    “O quê eu fiz para acabar aqui?”
    Se questiona, e o arcanjo entra no 
    quarto, sem que Eke o veja. “Cedeu a
    ele. Aceitou o presente de Harmonia, ao qual falei que não deveria.” Diz
    claramente enciumado.
    “O quê vê nestes demônios?” Ele
    inquire, fazendo-a gargalhar. “Está
    com ciúmes? Não fui eu que casou
    , e assumiu um compromisso.”
    Retruca, e quem ri é 
    ele.
    “Você só queria saber de Azazel,
    e depois casou-se com o cara que traiu nossos pais. Agora quer vim
    reclamar?! Faça-me rir.” Ele joga
    na cara dela, tudo o quê vem
    fazendo.
    “Eu fui obrigada, idiota!” Diz
    entredentes, e ele ergue a sua sobrancelha descrente. “Não é
    o quê parece, pelos sons que
    vem do quarto do casal.”
    Diz com sarcasmo. 
    “Sons do quarto?! E você e a
    Eke queridinho?! Chame o meu 
    nome, chame o meu nome!” Ela
    começa a contar os segredos, e
    ele percebe também o seu
    ciúme.
    “Como se você e o Matusalém,
    fossem diferentes! Por favor venha
    me possuir, não vou suportar mais!”
    A raiva preenche os olhos dele, que
    ficam vermelhos, ao ponto de 
    lagrimar.
    A princesa podia lhe contar a
    verdade, mas como ele estava com
    a sua maior rival, preferiu ficar em
    silêncio, fazendo-o sofrer com as
    próprias ideias.
    “De todos os homens do céu e o
    inferno, tinha que escolher ele?” É
    o quê diz em tom de tristeza. “O quê
    escolho, ou deixo de escolher, só diz
    respeito a mim.” Responde fria, e
    sem se importar com o choro
    do anjo.
    “Você é realmente uma meretriz!”
    Berra batendo a porta, e a deixando
    sozinha, com sua cabeça. “E você é o mesmo idiota de sempre. Com tantas no mundo, casou-se logo com quem
    quis me destruir.” Lágrimas caem
    no tapete, e a expressão vazia
    volta a ter vida.
    A noite... Luciféria adormece em 
    sua cama de penas, temendo que o marido venha tomá-la durante o sono. Só que nada acontece,
    e ela estranha.
    Ruídos bem familiares, vem do
    último quarto, e ela resolve ver do
    quê se trata. É Lilá que está em seus
    braços, pedindo por mais e mais, e
    a poção está cheia no canto da
    cama, provando que aquilo
    é vontade dela.
    Bael olha nos olhos da esposa,
    sentindo-se revigorado com aquele
    ato, tão impuro. Ele imagina que a
    fará surtar, mas a dama apenas
    sorri, fechando a porta.
    O quê faz perder o seu gosto 
    por aquilo, e correr atrás dela de imediato. “Tão rápido?” Pergunta,
    claramente alegre, com o quê o
    seu companheiro fez.
    “Você não está chateada?” Ele
    questiona, elucidando o seu mal humor. “Sou a 3° das suas esposas.
    Já vi coisa pior.” Rebate, ainda com a face radiante de felicidade. “Só que eu deixei as outras duas, por você.” Esclarece, e a faz sorrir mais.
    “Diga isso para minha irmãzinha.”
    Responde enfim seca, e ele percebe que a machucou. “Lucy.” Tenta tocar
    o seu ombro. “Eu estou bem. Graças
    a você, tive certeza do porquê não
    cedi.” Retruca, com a mesma
    face animada.
    “O quê?” Pergunta-lhe preocupado
    com tal resposta. “Eu quase assumi, que talvez gostasse um pouco de você. Mas me fez lembrar do quanto
    é idiota, então obrigado.” Responde
    deixando-o de queixo caído, pois
    não esperava por esta.
    “Lucy!” Ele berra, batendo na porta
    do quarto dela. “Divirta-se com a sua nova esposa!” Sua voz ecoa por entre a madeira. “Lucy!” Continua a gritar,
    e ela deita, criando fones de pura
    energia, que o silenciam.
    No dia seguinte...Todos os familiares
    se sentam a mesa para o café da manhã, e os olhares gélidos da jovem intrigam a maioria, que desconhece
    os eventos da noite passada.
    “Problemas no paraíso?” Eke brinca,
    e Miguel fica atento para saber sobre as novidades. “Esse lugar sempre foi o inferno.” A jovem responde-lhe com o sorriso mais cínico.
    “Lucy definitivamente não está bem,
    quando sorri demais, sei que há algo errado.” O arcanjo repara no comportamento da moça, que segue como se tivesse achado o tesouro,
    sem o mapa.
    “Logo teremos outra rainha.” Ela
    olha para a irmã, que fica assustada
    com tal afirmação, pois esta sentada ao lado do seu amado Gabriel. “Não
    , não teremos.” Bael a contradiz,
    para proteger a menina.
    “Não precisa esconder querido, 
    uma rainha a mais não faz diferença,
    ou será que faz?” A dama segue cada vez mais ácida, e notando o intuito 
    dela, o rei se levanta, e a puxa
    para longe.
    “Não ouse seguir adiante. Gabriel
    não me perdoará.” Ele olha nos olhos
    dela, que continuam cômicos. “Ah é?
    Devia ter pensado nisso, antes de por
    dentro do meu lar, aquela que foi
    responsável por me destruir!”
    Grita, e a caçula teme 
    pelo futuro.
    Notando a onde a conversa dará,
    Ela se levanta da mesa, e pede para o par ir junto. “Não ouse se afastar!”
    A jovem rainha ordena, e a menor
    fica congelada, esperando pela
    tempestade.
    “Eu estou cansada das suas afrontas,
    e do fato de que nunca recebe o devido castigo!” Diz entredentes, e esta lhe pede com o olhar, que não
    faça nada. Só que a mais velha,
    não lhe dá a mínima.
    “Luciféria Lilith II!” O marido tenta
    lhe impedir, enquanto o arcanjo fica a analisar os fatos, sabendo que há
    algum segredo obscuro, que Lilá
    e Bael, não querem que 
    saiba.
    “Lilá será a 4° esposa de Bael!
    Porquê os encontrei na cama, como
    marido e mulher ontem!” Grita para
    todos na mesa, e Eke e Hécate ficam
    de queixo caído, com a atitude da
    garota.
    “Lilá, isso é verdade?!” Gabriel lhe
    pergunta entredentes, e ela tenta lhe
    negar. “É claro que é verdade! Deixe
    de ser tão bobo!” A filha da rainha
    do inferno, faz juiz ao seu sangue
    quente.
    “Silêncio Luciféria, eu quero ver 
    até onde vão as mentiras dela.” Ele
    olha fixo para a amada, que acaba por desmanchar-se em lágrimas, 
    e tenta abraça-lo, mas ele se
    afasta.
    “É só o quê eu precisava saber.
    Eu mudei, é o quê sempre diz, mas
    Já foram tantas traições que perdi as contas!” Ele revela. “Cansei disto Lilá, eu não sou um brinquedo, e não
    quero mais ser usado como um.” Ele
    se afasta, fazendo-a se virar contra
    a irmã, que a encara com total
    indiferença.
    “Desgraçada! Como pode?! Todos
    sabem que nem mesmo gosta de Bael!” Lilá fica histérica, e a moça
    segue calada, observando até onde vão as acusações. “Afinal ontem mesmo, o marido de Eke saiu do
    seu quarto!” Grita tentando
    causar alarde.
    “Nós não fizemos nada, a não ser
    discutir, deixe de ser idiota.” Ela lhe responde com serenidade. “Você e o amor da sua vida, num quarto, e nada aconteceu?!” Ataca-lhe com mais acidez. 
    “Azazel é!...” Tenta gritar como se
    o quê a irmã fala, fosse a confissão de um crime. “ Você não engana a ninguém! Eu vejo como olha para
    o arcanjo!” Berra mais alto ainda,
    e os olhos do anjo e a deusa se
    encontram.
    Ele se mostra confuso com tais
    revelações, e ela apenas nega em silêncio, enquanto os olhos lhe
    entregam. “Cale-se!” A rainha
    urra estridente, e Lilá nota
    o ponto fraco.
    “Você nunca quis um homem como nosso pai. Mas ainda sim veio e ficou
    no meu lugar!” Protesta, e a outra fica incrédula. “Não mesmo! Ao contrário de você, que dormiu com o
    próprio, eu só queria seguir o meu caminho!” Berra com força, e 
    derruba o vinho.
    “É Lilá, advinha?! O mundo não gira entorno da sua vontade! Até porquê a Harmonia me fez uma deusa, e não a você! Vai ver por isso rasteja de cama em cama, tentando ser adorada!” A bela toca na sua ferida, e a menor perde a cabeça, tentando lhe
    atingir com a faca.
    “Já chega!” Bael a impede de ferir
    Luciféria, e esta deixa a mesa, para ir pro seu quarto. “Eu vou...” O arcanjo
    se dispõe a ajudá-la. “Você fica.” Bael o olha com fúria, e vai atrás da rainha, que permanece trancada.
    “Lucy...” A chama, e ela não lhe responde. “Lucy, o quê foi tudo isso?”
    Tenta descobrir o quê se passa, só que como não obtém resposta,
    usa seu poder para invadir. 
    “Isso não foi por você.” Dá uma luz
    a ele, que o faz rir. “Nem um pouco?”
    Pergunta, e ela o olha com raiva. “Eu só me cansei da sua frieza.” Tenta
    se explicar.
    “O quê faz ou deixa de fazer não 
    me interessa. Com quem faz é o quê
    importa.” Retruca, e ele lhe abraça
    na beira da cama. “Me perdoe. Eu
    prometo que não tocarei outra
    além de ti.” Pede perdão, e
    ela se solta.
    “Só me terá outra vez com o seu
    veneno. Do contrário, nem chegue
    perto de mim.” Deixa-o surpreso. “É
    um sinal de ciúme?” Pergunta com
    alegre desconfiança. “Deixe de
    ser babaca.” Retruca.
    “Lucy, Lucy...Parece se importar com
    as minhas aventuras.” Ele volta a por os braços envolta dela. “Sou possesiva, e desde pequena, tenho lutado com Lilá, para não mexer no quê é meu!” Responde ainda com
    desprezo.
    “Eu sei. Por isso escolhi ela.” Ele ri
    da explicação. “Você só a afasta do quê é importante. O reino de Tiamat,
    seus dragões, Azazel, Miguel, e pelo
    visto Eu.” Beija-lhe o pescoço.
    “Você me fez rainha do mundo, é
    isso que te faz importante. Não sinto nada por ti.” O trata de forma gélida.
    “Não? O ciúme, o fato de ceder, eu
    acho que a resposta é outra.” Ele
    continua a abraçá-la.
    “Lilá, por quê fez isso com a Lucy?
    Já se esqueceu das broncas que ela
    aguentou, só para você ver Gabriel?”
    Miguel pergunta para a mocinha, que o olha com indiferença.
    “Fique quieto.” Ordena, e o arcanjo
    se cala.  “Ele sempre corre atrás dela 
    depois que erra?” Pergunta para Eke
    e Hécate. “Não só quando erra. Ele
    é estúpido, quando se trata dela”
    Responde a deusa das 
    3 faces.
    “Até nos excluiu como esposas, só
    para dá o mundo a Ela. O quê não foi
    tão ruim, pois ganhei meu amado só
    pra mim!” Eke responde abraçando
    o braço do esposo, enquanto este
    sorri sem jeito.
    “Ele segue encantado por Ela, e 
    não sabemos se a ama, ou é o Caos do seu poder, atraído pela Harmonia
    dela. Só temos certeza que não a
    deixa.” Responde a deusa, ainda
    confusa com a atitude do 
    ex.
    “Era para ter sido Eu...” Lilá sente-se
    triste. “Então por quê não foi?” o anjo pergunta furioso. “Porquê eu estava ocupada com Caim, enquanto
    Bael invadia o Inferno.” Mostra-se
    envergonhada.
    “Uma noite de prazer que lhe custou
    Caro.” Hécate ri do seu sofrimento, e lhe dá um cálice cheio de vinho. “Beba vai se sentir melhor.” Estende
    o copo, e esta aceita de imediato.
    “Sempre é sobre Luciféria. Será 
    que ela nunca vai esquecer da nossa infância, e me deixar brilhar?!” É o quê pergunta. “O fato de ser sempre
    a doce e amável Lilá, pesou muito
    para a Luciféria demoníaca e
    bravinha” Miguel ri.
    “É? E ela acha que foi um sonho?
    Nossa mãe tentou me afogar, depois fui jogada no reino de Krasladanshit! Como nada!” Berra, em desespero.
    “Enquanto sua mãe chorava pelos
    cantos, se perguntando porquê não a
    amava, e se isolando dos outros filhos.” Retruca, brincando com
    os vegetais.
    “Ah e eu tinha culpa? Queria ser 
    uma dama sedutora, que tem aos homens na palma da mão, não uma neandertal lutadora!” Rebate, e ele
    ergue a sobrancelha. “Engraçado,
    porquê sua irmã só queria ser
    como Ela.” Revida.
    Notando a superproteção do 
    marido, a jovem de cabelos negros,
    o observa com atenção. “Parece que as neandertais, levam todos os homens das damas.” Eke responde,
    e Lilá sorri, porquê Miguel não poderá mais falar. “A onde irá?” Ele
    lhe pergunta. “Perdi a fome.” A bela
    resmunga, e ao vê os olhos de Hécate, Ele vai atrás.
    “Já disse sem o veneno, não poderá
    me tocar outra vez.” Ele ouve a voz da sua amada, e nota algo errado.
    “Você sabe que posso.” Diz a voz
    de Bael, e os gritos de Lucy se
    fazem presente.
    “Solte-a!” O arcanjo invade o 
    local, e pega o marido com as calças
    arriadas, enquanto a garota corre 
    dele, com lágrimas pela face, só
    que ao chegar nele, o olha
    com raiva.
    Quando está prestes a repousar
    em seus braços, fecha os punhos, e
    se afasta, indo para o mais longe que
    consegue. “O quê faz aqui?!” Ele grita. “O quê ela quis dizer?”
    O questiona sem 
    medo.
    “O quê ela quis dizer com veneno?!”
    Pergunta completamente furioso por causa do silêncio. “Escute aqui anjo,
    a sua mulher é outra!” O demônio
    o pega pelo queixo, e o joga na
    parede.
    “Sabe porquê me casei com ela,
    não se faça de idiota.” Tenta dizer
    , e ele sorri com maldade. “Então se
    casou com minha filha, só por causa
    de Luciféria.” Diz em voz alta, como
    quem conclui algo com sagacidade.
    “É claro que foi.” O alado
    confessa.
    “É bom saber disso.” Eke diz com
    voz de tristeza, e o diabo ri do nível
    de inocência do anjo. “Agora Eke o
    expulsará daqui, e não me causará
    problemas.” Esclarece, e o anjo
    nega em silêncio, sentindo
    a derrota.
    Uma jovem de cabelos negros, e
    olhos violetas esbranquiçados, está 
    a chorar na beira do lago. “Nahemah ”Ouve o chamado familiar, e olha para o anjo. “Eu te abraçaria, se isso não fosse por sua culpa.” Responde
    , ainda sentada na areia, com o
    seu vestido vermelho.
    “Eu não fiz nada desta vez.” Ele
    se senta junto dela, sem aproximar
    demais. “Bael só quis tomar posse de mim, porquê conheceu meu corpo na sua vingança.” Revela, olhando para
    a água, cujas as ondas se movem
    rapidamente.
    “Mas a culpa não é só minha. 
    Eu te disse para não aceitar aquele poder.” Se defende. “Quer mesmo
    Discutir?” O olha incrédula, e faz
    as ondas subirem. “Não.” Segura
    a sua mão, descendo-a, e lhe
    acalmando.
    “O quê é esse veneno de Bael?”
    Enfim investiga. “É uma poção que
    ele me dá, para acumular a libido, e
    causar dor, até que eu ceda aos seus desejos.” Confessa com vergonha 
    de si mesma. “Nossa, isso é...”
    Ele inicia.
    “Engenhoso?” Responde de má
    vontade. “Doentio.” Ele completa.
    “Que seja.” Ela olha para o lado, se
    sentindo frustrada. “O quê Lilá falou
    na mesa, sobre ser o amor da sua
    vida...?” Ele inquire, e a bela
    fica corada.
    “Eu não posso responder. Você 
    é o marido de Eke.” Ela desvia do assunto. “Você é o meu. E só estive 
    com Eke, porquê sabia que Bael é
    um doente.” Ele assume, e a
    faz o olhar surpresa.
    “Só que ao vê-los juntos, acreditei
    que realmente gostava dele, e por isso não tomei partido. Eu não sabia
    o quanto sofria.” Prossegue com a
    sua jura, e coloca seus braços,
    envolta dela, que está de
    costas para ele.
    Seus olhos pedem para abraça-la,
    e os dela permitem. Ele lhe traz para
    o seu colo, e a coloca de frente para a água. “Lembro de quando ficava
    assim com você no paraíso.”
    Diz dando-lhe um beijo
    no rosto.
    “Quando não tinha coragem de 
    assumir que me amava?” Diz com
    sarcasmo. “É, mas não deixava o seu
    irmão se aproximar de forma alguma .” Rebate encostando-a no seu ombro.
    “Isso é errado.” Diz ela ao notar 
    as intenções dele, preocupada com o quê vai acontecer. “Você me fez amar essa frase.” Ele se inclina, e a
    beija. O rosto dela fica vermelho, e
    se sente surpresa com a ousadia. “ É
    como a nossa primeira vez.” Ele a deita. “Eu tenho que te contar...” Ela
    tenta ser sincera. “Quieta. Eu sei o quê quer confessar, mas o quê importa é que te amei como 
    mulher.” Ele beija o seu pescoço, e
    ela continua a se sentir culpada, mas
    o toque dele é tão suave e doce, que
    não consegue resistir ao seu
    carinho. Bael era muito bruto, e cheio de si, e sem o veneno, ela não 
    o cederia tão facilmente, pois seu corpo ficaria seco, sem a devida preliminar. Só que com o arcanjo, se
    sentia bem, e como Azazel lhe deixou de vez, e nem fez nada, finalmente deu uma chance ao quê poderia vir
    a acontecer. “ Se Bael ou Eke...” Ela tenta dizer, e ele a silencia com o indicador. “Esqueça-os, e seja minha outra vez, uma última vez.” Diz com o tom de pedinte, e ela afirma 
    calada. Ele a abraça forte, e a beija
    , tirando-lhe o vestido vermelho, e ela desabotoa a sua camisa. Ambos
    querem ir adiante, os beijos se tornam mais calorosos, ele vai se despedindo. Não há medo nela, não há desespero, há apenas o desejo de 
    entregar-se a paixão. Seus corpos 
    se tornam um, e a sensação daquela energia, os preenche com satisfação, como um prazer inigualável. É este
    o poder do amor, que torna o perigo
    em ação, e o repulsivo em aceitável.
    A dança dos corpos em movimento,
    nem tão sutil, nem bruto, os faz se
    manter ali por muito tempo, até
    ambos derramarem suas 
    libidos. “Eu não me sentia assim 
    há anos.” Diz ele deitando-a em seu peito. “É, nem eu. Você ainda tem a sua forma única de me enlouquecer.” 
    Reconhece ajeitando-se no colo
    dele. “Melhor que Azazel?” Questiona com maldade. “Ele já foi
    um dos senhores da luxúria, então não começa.” O repreende e ele ri, “Está bem”. “Estão satisfeitos? Eke e Bael ficarão felizes em saber a
    notícia.” Hécate corre para contar
    ao pai e a filha, e o arcanjo se prepara para impedi-la. “Não. Saia
    daqui e sobreviva, eu converso com
    eles.” Lucy agarra-lhe o ombro.
    “Eu não posso te deixar aqui.” Ele
    se opõe ao plano, temendo o quê Bael fará com ela. “Pode e vai. 
    Tenho a chama de Harmonia, vou sobreviver.” Responde-lhe o empurrando.  “Eu vou te tirar 
    daqui, te prometo.” Ele diz se preparando para voar. “Não.” Os olhos dela engrandecem, e suas mãos tentam agarrar as dele. “Eu não vou te deixar sofrer mais.” Ele diz e então corre ganhando velocidade, e ergue as suas asas sem olhar para trás. “Miguel” Ela grita desesperada, pois sabe que ninguém o ajudará, já que todos pensam que é traidora, e isto o colocará em 
    risco. “Miguel!!!” Vocifera, e o pai e
    a filha traídos, surgem ao horizonte, fazendo-a ficar calada. “Ele te deixou?” Diz Bael se aproximando, e pegando-a pelo pulso. “Aproveitou-se da sua ingenuidade, e se foi como na adolescência?” Cutuca a ferida, e
    acha que tem êxito, pois a mudez da atual esposa, o deixa satisfeito. Mal
    sabe ele, que aquele silêncio, provém do medo eminente, do arcanjo ser estraçalhado nas terras sombrias. “Ele não ama ninguém mesmo. Mas isto não te eximi da culpa!” Eke concorda, e acerta o tapa no rosto da sua rival. “A única razão para apoiar, esse relacionamento, era que tinha Miguel para mim! Agora que não o tenho, não deixarei você levar o meu pai também!” Diz a sua enteada, com saliva escorrendo pela boca, como um cão raivoso. “Acalme-se, minha pequena, Eu não
    irei a lugar algum com Ela. E esta meretriz que não sairá daqui!” Ele abraça a jovem, e pega a amante do
    seu genro, pelo queixo. “Eu te amei Lucy, fui bom para você, fiz tudo por ti, mas agora vou te mostrar porquê as pessoas me chamam de Novo
    Deus!” Proclama, jogando-a contra a
    parede, com tanto pulso, que esta cai e não se levanta. “Vai conhecer a razão de me chamarem de Sol Negro!” Urra lhe mordendo o pescoço, e cravando seus dentes na veia dela. “Você vai odiar viver ao meu lado. Mas a morte nunca irá te tocar!” Declara olhando nos olhos
    da bela, e esta desmaia. 
    Ao longe o arcanjo Miguel voa de
    volta para o lar, e tenta passar pela  barreira para  o paraíso, só que não
    consegue, pois a partir daquele momento, é um caído.
    Ele força a sua entrada , pois sabe
    o quê Bael fará com Luciféria, e com
    isso os raios o atingem, deixando-o
    a beira da morte. “Somente os anjos
    podem entrar no paraíso.” Diz um
    alado loiro, de cabelos longos,
    bronzeado, e forte.
    “Salatiel ?”  O arcanjo o reconhece,
    e se levanta da areia, regenerando o
    ferimento naturalmente. “O quê faz
    aqui?” Pergunta cumprimentando o
    irmão. “O Pai me enviou, estava
    preocupado.” Responde sem a costumeira doçura.
    “O quê aconteceu?” O arcanjo 
    volta a questionar. E o outro anjo
    o olha com seriedade, como se os
    atos que cometera fossem de todo errado , e então lhe conta o quê
    aconteceu até ali.
    O conto da rivalidade entre irmãs.
    Depois do casamento da filha do
    Inferno, os Deuses dos respectivos planos primordiais, entraram em
    consenso, e extinguiram os seus
    mundos do planeta.
    Assim Céu e Inferno, passaram a
    pertencer a uma dimensão, através
    da qual, só podiam entrar os seres
    semelhantes a energia dos 
    reinos.
    Desta forma se você era inteiramente ligado as regras de
    Yaweh, ia para cima, mas se era
    menos ortodoxo, e conectado a
    Lúcifer, descia para o meio 
    da dimensão.
    Havia um reino ao qual o Inferno
    protegia, que ninguém, seja anjo ou
    demônio devia entrar, e este ficava no subsolo, contendo as criaturas que podiam destruir todas as
    vidas.
    Como tudo isto só foi possível 
    porquê Azazel descobriu, após a sua
    morte. Este manteve as terras que tinha conquistado, e que faziam
    uma ponte com o Inferno,
    ficando a margem
    deste.
    Neste tempo Gabriel abandonou
    o pai, para se juntar a Bael, pois não
    suportou as regras celestiais, e por
    motivos obscuros, não era bem
    vindo no Inferno.
    Lilá percebeu que sua conquista
    não teve tanto sucesso, já que Lilith
    manteve as chaves do mundos dos
    dragões, para quando Luciféria
    “Recuperasse o juízo”.
    Por isso foi atrás de Hécate, que 
    apesar do pouco apreço pela menina
    , notou nela a oportunidade de tirar a outra sobrinha do trono, já que 
    trazer Miguel para a casa, não
    teve efeito.
    Lilá tinha um passado sombrio,
    ainda pior que o da irmã, que pode
    ter influenciado no seu destino, pois a princesa mudou, desde que soube da gravidez de sua mãe, e sonhou 
    que era uma menina, que viria a roubar o lugar.
    Torceu com todas as suas forças, 
    para que sua avó não a desgraçasse, só que Harmonia a ignorou. Então na
    hora do parto, esta fugiu para o céu,
    onde se encontrou com o seu pior
    pesadelo.
    “Fique quieta.” Disse-lhe o belo
    homem de olhos cinzentos, ao entrar
    em seu corpo, enquanto estavam a sós. Só que Luciféria não teve medo,
    apenas agiu com extrema frieza, e
    por pouco ele não foi até o
    fim.
    Graças a Miguel, que estava ali 
    procurando materiais, e Azazel que
    estava procurando pela irmã. Ambos
    desejaram espancar o prisioneiro, no
    entanto a princesa, disse que ele 
    não fez nada grave, e este só
    voltou para a cela.
    “Você está bem mesmo?” Azazel
    lhe perguntou, tentando ver algum sinal de machucado. “Sim, só não quero andar sozinha por aqui de
    novo.” Disse com calma, esta
    era a sua forma, de demonstrar
    desconforto com a situação.
    “Por quê veio até aqui?!” Miguel
    a interrogou em desespero, temendo
    que algo pior pudesse acontecer. “É
    o quê acontece com filhos que não
    tem pais.” Responde olhando 
    para o carro.
    Os olhos cinzas do molestador, encontram os da pequena. Não há
    só medo, há também fúria, e isto 
    o deixa surpreso, e ao mesmo
    tempo encantado.
    Ela não esqueceria daquele dia,
    mas também não deixaria que os
    não envolvidos soubessem. O bebê
    nasceu, e teve a ousadia de vim com
    os olhos violetas. Por esta razão a deusa infernal lhe batizou de
    Lilá.
    “Os olhos dela são como os seus.”
    Disse Lilith com o sorriso, e a bela só
    revirou os olhos. Como no seu sonho,
    a vida dela mudou, com a chegada da sua irmã.
    Seus pais que praticamente viviam
    por ela, passaram a viver pelo novo
    membro, e assim Lucy foi esquecida.
    O quê a fez pensar se devia voltar 
    a rever, aquele psicopata.
    E foi assim que cometeu o seu 
    primeiro ato atroz. Quando todos
    festejavam o aniversário de Lilá, ela foi até a masmorra, e usou o seu poder, para libertá-lo.
    “Vai se arrepender. Por quê está fazendo isso?” Ele lhe perguntou, quando viu que foi uma criança a abrir a porta. “Sei que é a arma secreta de Deus, e que pode
    destruir tudo.” Respondeu com o
    olhar mais frio do mundo.
    “Eu tenho capacidade para matar
    a todos sabia? É um erro.” Ele tentou
    lhe alertar. “É o quê quero que faça.
    É o quê me deve, por me tocar.”
    O convenceu, e este 
    fugiu.
    Miguel viu tudo, e a pegou pelo
    pulso. “O quê acabou de fazer?!” Ele
    disse espantado. “Ele te obrigou?!” É o quê perguntou. “Eu fiz porquê quis,
    entre perder tudo, e vê se destruir,
    prefiro a destruição.” Respondeu
    , deixando-o atônito.
    “O quê está havendo?!” Questionou
    , vendo como poderia ajudá-la. “Não é nada.” Ela desviou. “Eu sou um dos
    seus amigos, me diga.” Insistiu. “Eu
    perdi tudo Miguel. Desde que Ela
    chegou.” Confessou. “Estou muito
    cansada de perder.” Declarou 
    com fogo no olhar.
    “Luciféria. Ter irmãos não é fácil
    mesmo, olha só como é comigo e o
    Gabriel. Ele apronta, e eu é que sou
    culpado. Por outro lado Salatiel 
    me ajuda nos estudos, então ter um irmão não é tão ruim. Repense o 
    quê está fazendo!” Tenta lhe dá uma lição, para que reflita. “Lilá não tem nem 2 anos. Você não sabe como será a relação de vocês.” Ele
    se esforça para fazê-la mudar de
    opinião. “Eu sei sim. Sonho com isso todas as noites. Ela vai se sentar num trono, que deveria ser meu.” Rebate.
    “Há muito mais que um trono Lucy.
    Se ela tiver esse, deixe, pois você
    terá outras chances.” Diz 
    com seriedade.
    “Eu sei que não. Mamãe e Harmonia,
    a traidora, darão tudo a ela, e eu vou
    ser esquecida de novo.” A raiva nela
    o assusta. “Lucy, sua mãe te ama, ela
    não faria isso com você.” Ele tenta
    lhe trazer para a luz. “E outra destruindo tudo, acha que vão te amar de novo?” Inquire. “Eles nem
    estarão vivos para isso.” Diz com a voz sombria. “Se estiverem, vão se
    importar mais com ela, pois você não
    está agindo como quem quer amor,
    e sim ódio.” A repreende. “Ela é
    ruim, vem para tirar tudo de mim, você não entende! Ela vai levar os meus pais, meus irmãos, e até os
    meus dragões.” Chora, e ele a abraça. “Lucy, se ela é tão ruim, seus pais verão, e caso ela tire tudo de ti, saiba que sempre terá a mim.” Esclarece, e ela retribui o abraço, o
    apertando forte. “Só não mate todo
    mundo por medo do futuro, certo?”
    Pede, e ela acena que sim. “E como
    vão capturar Bael?” Pergunta ao
    voltar a si. “Verei o quê posso
    fazer.” A tranquiliza.
    “Sempre que se sentir sozinha 
    pode vim para o laboratório comigo. Sou um pouco frio, mas prometo que te dou atenção.” Ele brinca, e lhe 
    dá um beijo no rosto.
    Naquela época, ele não tinha 
    sentimentos ardentes por ela, mas
    se preocupava, e desejava o seu bem
    , por isso estava disposto a fazer o
    necessário, para que fosse feliz,
    e extinguisse a escuridão
    de si.
    Infelizmente as sombras já haviam
    brotado, e ela não pararia, até o dia
    em que algo trágico aconteceu. Lilá
    cresceu, e em vez de querer o amor
    da mãe, ficou focada em ser a
    nova Hécate.
    Algo que irritou muito a Lilith, que
    se desdobrava para ser amada pela 
    menina, ao ponto de só notar Lucy, quando esta fazia as travessuras 
    para ser notada, ou ao chorar
     pela rejeição.
    Por isso esta perdeu a cabeça, e
    tentou afogar a menina, que agora
    tinha o olho azul marinho, e era mais
    pálida que a neve. O choro de Lucy
    invadia a mente. “Mamãe por quê não me ama mais?” É o quê ouvia, ao pressionar os dedos contra a
    garganta da menor.
    O alvoroço dos irmãos era grande,
    para resgatar a caçula, mas algo era
    ainda maior. O olhar frívolo e cruel da mais velha, que torcia para a
    mãe assassiná-la.
    Lilá olhava direto para irmã, lhe
    pedindo socorro, enquanto a água
    entrava pelos orifícios, e esta não
    movia um dedo, para lhe ajudar,
    algo que a assustou muito.
    Porém ao ver o próprio reflexo 
    sorridente na água, Luciféria saiu
    correndo, preocupada com o nível
    a que seu ciúme havia chegado,
    e no quê estava se tornando.
    Ela se afastou de tudo, de todos,
    e ficou chorando no meio da mata, 
    com medo de si mesma, e do quê
    era capaz. Foi quando subiu na
    árvore, e atirou-se no 
    piso.
    Azazel viu a sua queda, e correu
    para ajudá-la. “Você está bem?” Ele
    lhe perguntou, limpando o seu joelho ferido. “Promete que não vai me deixar!” Ela se atirou no peito dele,
    entre lágrimas, que não paravam
    de transbordar. “Eu prometo” Disse
    sem entender, e a carregou de volta
    para o castelo, onde recebeu a noticia, de que a irmã não
    ficaria mais lá.
    Lilá estava apavorada, com os 
    atos da mãe, e a atitude grotesca
    da irmã, por isso implorou para ir
    embora com o seu tio Krishna,
    que a aceitou em seu 
    reino.
    Ao contrário do quê possa imaginar,
    Lucy sentiu alívio por sua irmã partir, não por motivos egoístas, e sim por
    quê poderia terminar o quê a
    rainha começou.
    Luciféria e Lilá cresceram longe 
    uma da outra, e com tudo o quê 
    aconteceu, Lilith aprendeu que
    devia amar todos os filhos, de
    forma igual.
    Porém Luciféria não a perdoo,
    já que seu ato lhe trouxe muitas
    ruínas. Em vez de ficar muito tempo
    no castelo, preferia viver nas matas,
    com Azazel, ou no laboratório com
    Miguel, já que ambos faziam o
    possível para ajudá-la.
    “Bravinha.” Lúcifer chamou-lhe a
    atenção antes de sair. “Sim pai.” Lhe
    respondeu, voltando para o salão, e
    este saiu do trono para caminhar
    com ela.
    “Eu vi como reagiu a quase morte
    de sua irmã.” É direto, e a coloca no
    seu colo, como um bebê.” Só vi este
    olhar, em minhas batalhas, quando
    matava inocentes para o seu avô.”
    Assume, deixando-a surpresa, pois não achava que justo o seu pai 
    lhe entenderia.
    “É muito jovem para sentir tal 
    ódio. Assim como eu era na sua idade.” Disse carregando-a e lhe
    colocando na cadeira da frente.
    “Mas meu pai não era amoroso, 
    e eu nunca tinha visto minha mãe, então tinha motivos. E você?
    O quê te deixou assim?” Tenta
    saber, para lhe auxiliar, sem
    julgamentos.
    “Lilá.” Responde com vergonha,
    baixando a cabeça. “Luciféria. Só o
    seu ciúme, não lhe levaria a sorri por alguém morrer.” Ele diz em represália. “Não importa. Você não
    entende, nunca precisou dividir a sua mãe com ninguém.” Rebate, ficando
    defensiva. “Pode me contar tudo,
    minha garotinha, não vou apontar o
    dedo.” Diz percebendo que há algo
    errado. “Esqueça isso pai. Eu já esqueci.” Responde tentando mudar o assunto. “O quê fizeram com você?” Ele questiona desconfiado. “Eu fui torturada. Com 5 anos, só
    que isso não vem ao caso, fiz da dor a minha força, não virei vítima do
    acaso. Então deixe o passado no
    seu lugar!” Esbraveja. “Quem lhe
    torturou?” Inquire lentamente. “Oras
    quem sempre quis a infelicidade da mãe?” Diz e da os ombros, indo até
    a área morta, onde ficava o lugar
    em que o arcanjo trabalhava. “O quê
    vamos aprender hoje, querido professor?” Diz se esgueirando para cima dele, e este se afasta. “Lucy.”
    Diz em tom de ordem, fazendo-a
    parar. “Eu só queria me divertir.” Diz claramente entediada. “O quê houve?” Pergunta girando a chave
    de um transporte móvel. “Meu pai, acho que querendo trazer Lilá de volta, me fez me lembrar de quando Hécate me raptou.” Diz sentando-se a mesa, sem se importar com as pernas. “Modos.” Ele a julga, e esta se recompõe. “Foi horrível. Tudo o quê ela me fez passar, e nem sei o porquê , talvez seja um castigo premeditado de Harmonia.” Concluiu, e ele deixou o quê fazia para atendê-la. “Lucy.” Chama-lhe a atenção. “Eu já fechei a perna!” Se defende. “Não é isso, mas agradeço, sabe que é pecado provocar um anjo.” Agradece, e se
    senta ao lado dela, para não olhar para as suas coxas. “Você não foi a única a odiar a chegada de um bebê.” Revela, e esta o olha atenta.
    “Eu te odiei no nascimento, porquê
    era a prova de uma falha do meu
    pai.” Prossegue confessando. “Tá
    mas é um sagrado, deve ter sabido
    lidar com isso.” Se desliga da conversa. “Sou sagrado agora, antes era um moleque burro, que te deu para a pior bruxa negra do universo.”
    Responde, e isso a faz ficar em choque. “Miguel. Eu estava andando
    pela floresta. Não foi...” Tenta fazer
    ele falar o quê acha ser verdade. “Eu
    queria que te matassem, para que ninguém soubesse da vergonha do meu pai.” Ele segue falando, e segura a mão dela. “Ela me acorrentou, me deixou sem comer
    e beber. Eu tive de urinar no canto
    que estava presa. Fui tratada como
    um animal!” Grita com ele, e este
    lhe abraça forte. “Por favor me perdoa.” Diz entre lágrimas, coisa que ela jamais vira antes. “Eu amo
    você, não há um dia que a culpa não me consuma.” Assume, apertando-a
    , e esta fica triste. “Houve um tempo
    , que você era tudo para mim, mas
    hoje, todo o meu amor morreu.”
    Diz derramando uma lágrima
    solitária, e se solta.
    “Lucy, eu errei! Como você! Mas
    me recuperei! Também pode!” Ele berra, já que ela o toca de maneira profunda. “Eu não quero me tornar
    tão patética.” Diz na porta, e o
    deixa para trás.
    A jovem chora , encostada na copa
    de uma árvore, e ao ouvir os sons do seu sofrimento, Azazel se aproxima.
    “Lucy.” Diz vendo-a cabisbaixa. “O
    quê houve?” Pergunta. “O Miguel,
    o Miguel...” Soluça sem parar,
    e o anjo vai até o pivô.
    Sem dizer uma palavra, acerta-lhe
    um soco na face, o tirando do meio do seu projeto, e este se mostra espantado. “Ela me chama de patético, e eu que apanho?” Diz quase indignado. “O quê fez com Ela?” O jovem pergunta entredentes. “Não fiz nada.” Responde revirando os olhos. “Lucy não estaria chorando na floresta por sua causa, se não fosse algo!” Rebate, e o arcanjo sente o peso da consciência. “Quer a verdade?” Ele pergunta com ironia.
    “Você...” Diz com o tom sombrio. “Eu sou um idiota. Devia ter ficado calado sobre ter lhe entregado para Hécate.” Se responsabiliza, e volta aos afazeres. “Você contou a ela?” Ele investiga, e o outro acena que
    sim, ainda em silêncio. Sabendo que Lucy, era totalmente louca de amores por ele, Azazel conclui o quanto isso a machucou, e a leva para caçar, e se divertir para se
    esquecer da dor. Um talento que Miguel não tinha, era fazer ela se sentir bem mesmo nos piores momentos, e por isso o irmão mais velho dela, fez questão de lhe dar apoio para melhorar.
    Naquele dia a triste verdade, não
    lhe assombrou, pois ele a distraiu com piadas, pegadinhas, e a fez ir
    até o topo do céu com Graham, e
    Anahan, a sua draconesa de
    estimação.
    Infelizmente a noite veio, e com
    ela as lembranças também. “Azazel”
    Lhe chamou antes de sair do quarto.
    “Eu não consigo dormir sozinha, por
    favor fique comigo.” Pediu, e este
    voltou, e deitou-se atrás dela
    lhe abraçando.
    “Como quando éramos crianças,
    e eu temia matar a Lilá.” Disse com
    um sorriso tristonho. “É, e eu dizia
    que enquanto estivesse nos meus braços, não machucaria ninguém, nem a si mesma.” Ele relembra, e
    ela fecha os olhos. “O melhor
    abraço do mundo” Diz ao
    adormecer.
    Seu sonho é uma lembrança, 
    de quando ambos eram crianças,
    ela tinha 7 e ele 9. Estavam a beira
    do rio cristalino, sentados na ponte,
    sob a vigilância do arcanjo, que 
    teve de sair por minutos.
    “Você já beijou alguém antes?” Lhe pergunta. “É claro. Me tornei um dos soldados cedo, e você sabe.” Disse ao olhar para o fundo da água. “Já fez o
    algo mais?” Se mostra curiosa. “Sim
    , mesmo que Deus não permita. A onde quer chegar?” Questiona, já conhecendo as táticas da irmã. “Eu
    quero que me beije.” Diz diretamente. “Não prefere aquele almofadinha?” Fala a contragosto. “Ele é velho para mim, e eu conheço a sua fama.” Brinca, e o menino ri. “As ninfas deviam se calar.” Se vira para ela. “ Tem certeza disso?” Pergunta, e ela fecha
    os olhos. “Está bem.” Os seus lábios
    se encostam nos dela. “É um beijo
    de verdade.” Ela sorri e ele também,
    logo suas bocas se abrem, e um 
    morde o outro. Ao ver aquele beijo
    tão intenso Miguel surta, e berra com os irmãos. “Luciféria! Azazel!
    Não deviam fazer isso!” Os julga.
    “Lúcifer saberá disso!” Ameaça, e
    Os dois ficam com medo de mãos
    dadas, como um casal de cupidos.
    Infelizmente para o código de Miguel, o pai deles acha isso bem
    normal, e aprova o sentimento dos dois. “Oras deixe de ser tão certinho.
    Está com raiva por quê nunca beijou ninguém.” O portador da luz mostra
    que está despreocupado. “É piada não é? Já estive com várias ninfas!” o anjo se defende. “É, mas só elas lhe beijaram, você nunca as beijou.”
    Disse-lhe bebendo vinho, e ao ouvir
    aquelas palavras, Lucy desejou ter a honra de ser a primeira, a receber o
    beijo imaculado dele. Cartas, e mais cartas são escritas para o arcanjo, o
    fogo as queima, e a voz dele lhe
    confessando tudo, fica a 
    atormentá-la. “O homem que amo,
    é o quê quase me matou. Eu preciso o esquecer!” Pensou ao acordar nos braços do seu irmão, e por algum
    tempo, voltou o seus dias, e o
    coração para Azazel. Ao vê-la sempre ao lado do irmão mais velho, Miguel teve o gosto do ciúme. Era duro não
    ter aquele sorriso, as perturbações,
    e a sua companhia. Já estava apaixonado, por isso corria atrás dela, e pedia para lhe perdoar, só que ela o ignorava. Por isso, quando  viu outra menina apaixonada por ele, tentou ser como um príncipe para
    esta. Não queria causar algum desconforto na sua amada, porém quando passou a cuidar de Eke, Luciféria o odiou ao ponto de nem lhe olhar na cara. “Vá ficar com a sua nova ajudante.” Disse tentando pegar um livro de magia, no alto da estante. “Ela não entra no laboratório.” Esclarece. “Isso não
    é do meu interesse.” Diz com o nariz empinado, e acaba escorregando da escada, mas ele a pega. “Não é o quê parece.” Diz sorrindo, e ela sai do colo dele.  “Tanto faz. Hoje Lilá volta para casa, não tenho mais paciência, para problemas.” Diz indo embora.
    Lilá voltou da casa do tio diferente,
    para uma criança de  8 anos, muito mais parecia uma de 12, e em vez de usar pequenos vestidinhos, vestia-se como adulta, algo que traumatizou
    a mãe de imediato, pois achava 
    que só na adolescência a
    veria assim.
    Ela cumprimentou a todos com
    graça e doçura, como se fosse outra
    criatura. Mas não tardou para ouvir
    os boatos, de que esta andava a
    animar as noites dos irmãos,
    que ficaram divididos.
    Os mais velhos Azazel e Asmodeus,
    ficaram ao lado de Luciféria, e os outros, Caim e Mammon, se juntaram a Lilá. O clima de guerra
    era constante, por isso Lucy seguiu
    distanciando-se de seu lar, sempre
    ao lado do seu irmão. Lilá percebia
    que a incomodava, e por isso tomou
    as rédeas da situação. “Eu sei que
    você ama minha irmã.” Disse com
    maldade para o arcanjo. “Isso é um
    assunto de adultos.” Retrucou com
    frieza. “E desde quando a Lucy é
    adulta?” Brincou, e ele lhe olhou
    com desprezo. “Eu posso fazer ela
    voltar a te ver.” Propõe. “E por quê faria isso? Não a odeia e a quer 
    infeliz pelo passado?” Perguntou já
    desconfiado. “Não, éramos menores,
    agora quero que tudo fique bem.” Diz com certa destreza. “O quê me
    sugere? Já pedi perdão, enviei o livro
    sobre o mundo proibido, que ela tanto ama, me humilhei, o quê falta?” Conta. “Deixa comigo.” O convence, e inicia seu plano. 
    Como quem não quer nada, faz 
    com que Luciféria vá parar no meio de uma floresta negra, sozinha e sem algo para se defender, e prossegue da mesma forma com o soldado, o enviando ao encontro dela.
    “Ah claro! Tinha que ser o psicopata!” Diz ela ao vê-lo chegar,
    Enquanto quase arranca os cabelos,
    Tentando retornar para onde acha
    seguro. “Eu não fiz nada. Foi a Lilá.” Responde. “Eu odeio minha irmã,
    mas não sou idiota.” Rebate. “É a
    verdade. Ela queria que a gente se reconciliasse.” Ele se senta sob a
    pedra, e a bela gargalha. “Lilá? A
    minha irmã mais nova? Por quê? Você é muito fácil de enganar.” Diz
    com sarcasmo, e este balança a sua
    cabeça em negação sorrindo. “Sou um arcanjo. Treinado. Ela falou a
    verdade.” Diz com arrogância. “Oh.
    Então se ela me quer com você, é mais uma razão para eu não querer.”
    Retruca, e este se levanta. Os passos
    dele são rápidos, e em segundos a
    encosta no tronco da árvore. “Eu fui
    um idiota, quantas vezes preciso ter que repetir, para que me perdoe?” Diz olhando nos olhos dela. “ Você me enviou para a morte!” Grita. “É,
    mas também fui lá para consertar o erro, e te devolver para a sua família.” Deixa em pratos limpos. “E isso faz de você um herói?!” Pergunta de forma irônica. “Não, mas mostra a minha consciência.” Ele vira o rosto, envergonhado consigo mesmo. “Eu amo você.” Ele diz e os olhos dela crescem devido a pausa, porquê aquilo lhe faz pensar que chegou o dia que passou a lhe
    retribuir. “Foi um erro, mas por favor pare de basear nossa amizade nisso.” 
    E a expectativa cai por terra. “Tudo
    bem. Me desculpa, por dizer que era patético.” Sorri sem jeito, e ele se
    afasta. “Sem problemas. Agora me diga, por quê achava que Lilá queria
    que ficássemos juntos?” Questiona
    sem entender, na mente dele Luciféria era carinhosa e provocativa 
    com todos os amigos, por isso achava que as declarações eram só
    parte do seu jogo, e não que sentia
    realmente algo. Depois deste dia,
    eles voltaram a se falar, e Luciféria ficou em débito com a menor, que
    fez questão de cobrar, lhe fazendo
    levá-la para sair, e pedir para o
    anjo levar Gabriel.
    Após a irmã lhe ajudar, e passarem
    horas juntas, Luciféria percebeu que Lilá não era insuportável, e que em vez de ser sua inimiga, podia se
    tornar o contrário. Para a surpresa
    de todos, as irmãs passaram a ficar grudadas como chiclete e sapato, e
    ao vê-las sorrindo, Lilith se sentiu
    feliz, por não ter ameaçado o laço
    fraterno delas, com o seu amor
    mal dividido. Luciféria acreditava
    que estava tudo bem, e para compensar sua atitude no passado,
    fazia tudo o quê Lilá queria, mimando-a mais que a própria 
    mãe. Azazel detestava isso, 
    porquê ao ver os encontros duplos, tinha certeza de uma coisa: Lilá não os apoiaria, e fazia tudo por Luciféria e Miguel, só para ver o menino Gabriel. Por isso este veio a alertar
    a irmã, que encantada pelo apoio da caçula, não o ouviu. Porém ele não era o único a notar tal coisa, o
    arcanjo também viu. “Lucy. Lilá só
    nos quer juntos, porquê assim pode ficar junto de Gabriel. Não se engane
    , ela é realmente má, como Hécate.”
    Miguel lhe disse. “Isso não é verdade.
    Minha irmã me ama, e deseja que eu seja feliz.” Rebateu com raiva. “Lucy
    , tome cuidado.” Continuou a avisar.
    “Eu te mostrarei o contrário.” Diz
    com a certeza de que ele está se equivocando. Então usando as suas
    táticas de manipulação, faz com que
    Gabriel beije Eke, sem saber que Lilá estava vendo, provocando uma bela
    briga entre o casalzinho, para ver
    até onde a pequena vai. Não tarda
    para que esta se afaste da mais velha, e volte as antigas provocações, por não ter mais nem uma valia manter o contato com 
    ela. Isso decepciona Luciféria de tal
    forma, que esta chega a chorar. “O quê achou? Que basta pedir desculpa
    por tentar me matar, e seremos as
    siamesas?! Cresça!” Disse-lhe em seu momento de raiva. “Eu descobri um
    segredo de Gabriel, depois de seduzir o Miguel, e o fiz beijar Eke. Ele não te traiu porquê quis.” Diz com frieza, e
    a deixa para trás. Há conflito dentro
    da jovem, pois parte dela odeia a sua irmã, mas a outra parte, a ama e se
    sente triste, por perder uma amiga
    tão boa. Assim as irmãs crescem nesta relação de amor e ódio, que 
    na mente de Luciféria acaba sendo só de amor, quando Lilá chega a adolescência, porém para a sua tristeza, vem a descobrir mais tarde,
    que sua melhor amiga, continua a
    odiá-la, e isto a machuca muito.
    “Como se sente agora?” Lilá 
    pergunta para a irmã, que está amordaçada. A mesma revira os
    olhos, e esta tira o tecido da 
    sua boca.
    “Obrigada” Agradece com o
    sorriso irônico. “Estou muito bem.”
    Mente descaradamente. “Mas e
    você? Já preparou o vestido de
    noiva?” Questiona-lhe com
    alegria raivosa.
    “Sim, será vermelho, como no
    seu pesadelo. Bael se casará comigo,
    e sentarei no trono ao lado dele” A
    mais nova provoca, e a outra se
    debate, tentando atacá-la.
    “Finalmente ganhou uma. Afinal
    os portões de Tiamat, só podem ser
    abertos por mim, e Harmonia me fez
    a deusa” Rebate, tentando conter
    a ira, por conta da derrota.
    “Ah pare! Harmonia só te fez deusa
    , porquê Eu não estava lá!” Berra, e a irmã ri. “Ou o Destino preferiu assim, e não era mesmo para ser você. Pode
    ser a nova rainha de Bael, mas nunca
    será eu querida, lamento.” Diz com
    o tom provocativo.
    “Não quero ser você. Nunca quis.
    Só queria o meu espaço. Mas como
    sempre, quando tinha a menor chance de brilhar, vinha a Luciféria
    bravinha, e me ofuscava com sua
    luz radiante!” Retruca, mostrando
    o seu descontentamento.
    “Você só queria roubar o meu
     lugar! Não se faça de sonsa!” Grita
    de volta. “Por quê acha isso? Porquê 
    nasci com a cor dos seus malditos olhos? Por quê quis ser adorada? Ou
    pior por quê só queria que minha 
    irmã me amasse?!” Lilá perde a cabeça, e põe pra fora tudo o
    quê a machuca. “Não tente me manipular, eu te ensinei isso!” A rainha deposta se mostra furiosa.
    “É! Como me ensinou a me vestir direito! A criar uma conexão com as aves! A estudar! E todo o resto! Eu nunca invejei você Lucy! Mas sempre teve tanta insegurança, que nem percebeu que eu te admirava!” Solta todas as mágoas, fazendo a prisioneira ficar em silêncio. “Eu queria sim ser como você, mas era antes, Hécate tinha me ferido muito, e você era o meu exemplo feminino, já que nossa mãe não acreditava que eu tinha mudado.” Senta do lado da irmã, como uma criança. “Só que você, só soube me machucar, me testar, e se afastar. Você não queria ser minha amiga, e sim que eu fosse a sua inimiga, e por isso me tornei
    o quê temia.” Diz entre lágrimas. “Isso não é verdade, pois se for...” Diz para a mocinha. “Eu só me tornei sua inimiga, porquê me fez assim?!” Mostra a conclusão. “Não! Você era ruim! Eu via! Não pode ter sido minha culpa!” A jovem rainha chora,
    negando a realidade dos fatos. “Eu
    podia ser diferente. Já parou para pensar, se não te mostraram o futuro, só para que mudasse?” Ela
    se mostra arrependida. “Que diferença faz? Você seguiu mesmo pra escuridão, e agora está indo para o meu lugar. Como na visão que a velha me mostrou” A nobre se mostra triste. “E importa Lucy? Por acaso gosta de reinar com Ele? Quer mesmo esse lugar?” Pergunta-lhe com incredulidade. “Não.” Ela responde com voz fraca. “Luciféria, 
    Luciféria Lilith II. Não me diga que...”
    Lilá percebe o desconforto da irmã. “Não, Lucy, Não. Miguel e Azazel são
    uma coisa, ele é horrível! Um monstro!” Esbraveja espantada. “Não pode sentir algo por Ele!” Termina, e a consanguínea fica em silêncio. “Lucy. Não.” A caçula, fica em choque. “Ele deixou as outras, 
    e me fez a rainha” Assume. “E mesmo sendo um idiota, tem até cuidado bem de mim.” Prossegue com o relato. “Ele não é nada disso...” Tenta acordá-la, e o próprio entra no lugar. “Pensei que tentaria atormentá-la, e não colocá-la contra mim.” Diz com o sorriso maléfico, e
    estala os dedos, para que venham lhe prender. “Não! Lucy! Lucy! Ele é um monstro!” A irmã tenta dizer, ao ser amarrada. “Ele abusou de mim!” Grita ao passar pela porta, e isto deixa a rainha catatônica. “Eu fiz o mesmo com Eke. Qual a novidade?” Diz o demônio, colocando uma mecha do seu cabelo atrás da orelha. “Você abusou da minha irmã?” Pergunta incisiva. “Sim, mas não como com você, com ela fui até o fim.” Responde sorridente. “Quantos anos. Quantos anos ela tinha?!” A dama inquire com vigor. “A idade de
    Eke. Por quê? Foi você que me libertou lembra? E me pediu para destruir tudo! Só quis me divertir um pouco!” Diz como se o seu ato fosse normal. “Você a atacou!” Berra com
    ódio. “Sim, e agora farei dela a minha rainha.” Rebate com frieza.
    As mãos dela se soltam, e acertam-lhe um tapa. “Já chega.” Diz angustiada. “Está com ciúme? Depois de se entregar para o arcanjo!?” Diz o novo deus ao limpar o sangue do lábio. “Ciúme eu sentia antes. Por você dormir com a minha irmã jovem e adulta. O quê sinto por você é nojo!” Grita, e ele se
    surpreende. “Lucy.” Diz implorativo. “Não toque em mim!” Se livra da mão dele. “Você me amava?” Ele a pergunta, percebendo a revelação no seu discurso de raiva. “Não! Não sei
    ! Só não te detestava!” A rainha continua a negar o quê sente. “Eu não sabia...” O arrependimento é claro em suas palavras. “Depois de tanto se gabar por me seduzir?! Eu não sou idiota!” Urra. “Lucy.” Ele fica como um bichinho assustado. “Você é um monstro!” Vocifera , o empurrando. “Lucy.” O olhar dela,
    é preenchido pelo rancor, e o violeta enegrece, até ficar como um tubarão, preste a devorar a sua presa. “O quê você...” Ele teme que ela tenha descoberto o tamanho de seu poder. Sem dizer uma palavra,
    ela o puxa pela gola da camisa, e o beija com ferocidade. Algo que o surpreende, mas não tarda para perceber, que não há sentimentos naquilo, e tenta se soltar, só que ela segura o seu pulso, e tenta tomar o
    Caos dele a força, sugando a sua
    energia. Como um machista, tenta mostra superioridade, porém para
    o seu azar, o poder dela cresce pelo ódio, e seu amor pela irmã. Logo os olhos dos dois ficam brancos, e ela mergulha na mente dele. Há uma linda garota de olhos vermelhos como o sangue, parece ter entre 13 ou 14 anos, e então um homem que muito se parece com ela, vem e a toma nos braços, diante toda a família, e a sua prima. Ele tira as suas roupinhas, a toca sem pudor, a penetra como uma cadela no cio. Contudo não se engane, não é Eke
    a vítima, e sim o próprio Bael que
    a rainha colocou na pele da filha, que após este ato horrendo atraiu a sua irmã, para ser iniciada na magia 
    como ela. Ao contrário da rebenta, que depois sentiu prazer no ato. Ele fica com medo, aterrorizado, e implora que lhe salvem, pois aquela sensação é horrível. Seus olhos lagrimam, e então Eke acerta a cabeça da madrasta com a madeira. “Deixe-o em paz!” Grita em pânico,
    atirando a jovem para longe. Esta cai atordoada pelo golpe, e o demônio
    volta para a realidade. Ao vê-la caída na parede, ele arremessa a própria filha, e pega a esposa pelos cabelos, arrancando-lhe o vestido. “Desgraçada!” Diz ele furioso, com
    os olhos cheios de sangue, de tanto exasperar. “Vai pagar pela afronta!” Brada entrando no corpo mole dela, fazendo movimentos tão violentos, que seu membro fica coberto de linhas rubras. “Me larga!” A jovem grita, e ele pressiona seu pulso, até o osso rachar, causando-lhe uma dor insuportável. “Você não é maior que Eu! Nem mais forte!” Grita como se estivesse em desespero para oprimi-la, e a coloca de cara na parede, 
    pressionando sua face no concreto,
    ao balançar-se para dentro dela. O
    tempo parece lento, a dor é incessante, o poder de Harmonia,
    em seu corpo, é sufocado pela escuridão presente em Bael. “Para!”
    A filha do Inferno grita, passando
    por ele como um vulto, e isto o distrai. Ela não suporta a ardência
    em seus músculos feridos, e desmaia no piso. “Eu te odeio.” São as suas
    últimas palavras, antes de fechar
    os olhos. “O quê está olhando?!
    Amarrem-na com cordas mágicas!”
    Ordena, ao ver os olhos grandes de
    Hécate, e esta aprisiona a sobrinha, com a corda encantada, enquanto
    Eke prende-lhe os pés. O novo deus,
    sai do local, extremamente exaltado,
    e resolve descontar tudo em Lilá. Com a mais nova segue um padrão diferente, lhe perfura a língua com o prego, e a penetra com uma camada cheia de espinho, ferindo-a muito
    mais. “É tudo sua culpa! Sabia?!” Ele grita, segurando-a de costas, e lhe
    enfiando o membro. “Ela me amava!
    Ficaria comigo! Se não viesse para
    Reclamar a coroa de rainha!” O rubro fica denso, a mocinha chora sem parar. “Você...Você é o culpado
    não eu.” É tudo o quê ela diz quando
    ele pausa, o quê o faz retomar a tortura, e castigá-la muito mais. No dia seguinte...Luciféria e Lilá estão presas em lados opostos, Eke prepara as vestes da quarta rainha, e Bael segue irritado, temendo que a terceira esposa, volte a atormentá-lo. A cerimônia de coroação de Lilá, não é nada honrosa, ele a leva para o altar, sendo puxada por uma coleira como um animal, fazendo-a inclusive andar como quadrúpede,
    mesmo sem forças. Os servos olham horrorizados para tamanha crueldade, e ele justifica como um ato de correção a má conduta, sem se importar com o medo presente
    nos homens. A coroa é posta na cabeça de Lilá, e o sangue escorre
    por sua face amedrontada. “Bem vinda, nova rainha. Não era isso o quê queria?” Diz ele com sarcasmo, e a dama vira-se lentamente para o encarar. “Teria sido assim quando pôs a coroa na cabeça de Luciféria?”
    Se questionava. Contudo a resposta
    era não, ninguém sabe a razão, mas o novo Senhor da Terra, fez para a sua sobrinha o casamento mais belo ,e com todos os gastos que se possa imaginar. A terceira esposa, lhe era tão importante, que tirou o título das outras para que fosse a única a dividir o trono real. Algo que trouxe
    tanta infelicidade a mãe e a filha, que estas armaram para que Lilá viesse reclamar a coroa, que desde pequena Hécate tinha lhe prometido,
    se fizesse tudo o quê ordenava. Um
    homem de negros cabelos longos e olhos claros, sente uma dor tremenda, ao ver Lilá praticamente nua, sofrendo tamanha humilhação. É Caim, um dos irmãos mais novos de Luciféria, e mais velho que a caçula. Ele não suporta, e abandona o local, a notícia de que Bael tinha uma quarta rainha, logo se espalha, e isto chama a atenção de Miguel. “Precisamos chamar as tropas celestiais!” Diz para o seu irmão mais novo. “Luciféria escolheu o próprio destino, nós não podemos fazer nada.” Diz Salatiel, é claro que queria prestar ajuda, mas sabia que Yaweh não aprovaria. “E o quê faço?! Fico de braços cruzados, vendo a mulher que amo sofrer?!” Diz indignado. “É claro que não. Disse que Nós não podemos ajudá-la. Mas há alguém que pode.” Responde com um sorriso, encontrando uma saída para o irmão, que não mais podia ir para o paraíso. “Quem?!” Quase ulula, de tanta esperança. “Se Bael tem uma quarta rainha, Luciféria não deve está bem.” Diz Asmodeus olhando para Azazel, enquanto este termina a bebida, rodeado por duas mulheres.
    “Ela escolheu casar com ele. Devia saber que logo deixaria de ser a única.” Responde evidentemente sob o efeito da droga infernal. “Não se preocupa?” O irmão e amigo pergunta. “Ele fez um belo casamento, lhe deu o mundo, e atende a todas as vontades dela. Um coração partido deve compensar o poder.” Rebate mostrando-se frustrado. “E se ela foi forçada a isso?” Uma voz familiar diz, e o forasteiro o encara. “Você?! Você não é bem vindo em meu reino!” O demônio meio bode grita. “É? Mas como pode ver, agora posso entrar no Inferno.” Esclarece. “Então vá para lá.” Diz o sátiro rabugento. “Já tentei, mas Lilith e Lúcifer se recusam a ajudar a filha.” Rebate. “É lógico, o quê vier a acontecer com Luciféria, é consequência da própria escolha.” Se mostra indiferente. “Como disse antes, Lucy não teve uma escolha.” O anjo diz como se o outro fosse idiota.
    “Lucy se casou com Bael. E no casamento existe o termo de “sim” e “não”, e ela disse “sim”, então que tal desistir dela também? Há muitas ninfas renegadas aqui. Sei que se casou com Eke, mas claramente não é a sua mulher que ama, então junte-se a nós e divirta-se” Volta a beber, e sorri para as moças. “ Lucy
    não ama Bael!” O anjo esbraveja, com tanto ímpeto, que o demônio fica desconfiado. “Como tem tanta certeza?” Questiona insidioso, e ao ver que ele tinha abandonado as súcubos, o irmão se põe entre
    eles. “ Eu dormi com ela.” Confessa, em voz baixa, e o irmão da princesa perde a cabeça, indo para cima do
    alado, acertando-lhe golpes certeiros no queixo e na boca. “E veio aqui para quê?! Se gabar da conquista?!”
    Berra, ao deixar o anjo no piso, lhe atingindo com murros violentos.  “Não. Bael vai matar a Lucy por isso.” Sussurra, limpando o sangue nos lábios, com a costa da mão. “Você é o amante da mulher dele, resolva.” Diz saindo de cima do rival.
    “O quê aconteceu com você? ” O inimigo inquire, assombrado pela forma como o demônio está agindo, e este o ignora. “Antes me machucaria, e correria para resgatá-la. Agora só a despreza, como um covarde!” Se levanta, e ajeita as roupas. “Só cansei de correr atrás, e
    ela escolher os idiotas que a machucam!” Revela em protesto a acusação. “O quê? Azazel ela passou 100 anos perto de mim, e não quis
    sequer trair a sua memória!” Fica desesperado. “Depois de te beijar no meu enterro, e antes de casar com aquele monstro. Conta outra!” Volta a atacar. “Eu a beijei todas as vezes!
    A única que ela o fez, foi só me usando para descarregar energia!” 
    Assume a responsabilidade. “Não foi
    o quê Eke e Lilá me contaram!” Ele
    bebe o cálice do forte liquido. “Ah por favor! Elas odeiam a Lucy! Não te diriam a verdade!” O arcanjo revira os olhos. “Eu sou o culpado. Não ela.
    Tal como você foi no dia do meu noivado.” O relembra. “E vim te implorar que a ajude, porquê todo o tempo que perdemos, significam mais sofrimento para ela!” Tenta
    mais uma vez. “Lucy não vai querer a minha ajuda.” Recobra a razão, e se sente um babaca. “Ela não te esqueceu.” Admite com dor na garganta. “Como sabe?” Ele lhe pergunta. “Me certifiquei” Responde, e se lembra que a amada, considera o demônio como o senhor da luxúria.
    “Por favor, você é a única chance que ela tem.” Pede-lhe mais uma vez, e o rei considera a ideia. “Posso ir com vocês?” Diz o jovem futuro primeiro assassino da história. “Por quê?” O arcanjo o olha com desgosto. “Lilá também precisa de ajuda, e o meu exército de vampiros pode lhes ser útil.” Responde, e os quatro irmãos que estavam no bar da antiguidade, seguem parao resgate das princesas. “Lilá, nunca será somente sua Cam.” Azazel o adverte. “É, ela já esteve com todo o inferno praticamente. É melhor desistir” Miguel concorda. “Desculpa, mas estou ouvindo isso do anjo que foi traído no dia do casamento, e do demônio cujo o luto foi desrespeitado?” O mais jovem provoca, e os dois se calam. “Sei que amam Luciféria, mas ela também não é um exemplo de mulher certa.”
    Atira na face dos rivais, e eles reagem. Miguel sorri forçadamente, e Azazel finge não ter ouvido. “Está bem. Vamos salvá-las.” O rei tenta desviar do assunto, e monta no seu cavalo negro. “Azazel.” O alado o chama a sós, e este fica confuso. “Por favor, entregue isto a ela quando encontrá-la.” Pede com educação. “Por quê não entrega você? Logo a veremos.” O demônio recusa. “Por quê é provável que eu não volte.” Mostra  receio. “O quê?” O jovem rei fica surpreso. “Você o enfrentou no passado, e ela sofreu com a sua perda. Tem que ficar
    vivo desta vez.” Diz com um sorriso sem vontade, e move as rédeas do seu equino branco. “Não morra
    bastardo!” Grita seguindo outro
    caminho, e guiando os exércitos de
    Azazel e Caim, junto de Asmodeus, 
    que se mostrou pronto para o
    auxiliar. O demônio guarda a garrafa com uma carta dentro da cela, e segue o plano com Caim. “Pronto para resgatá-las?” O sátiro pergunta, pensando na amada ruiva. “Estou sempre pronto.” Responde o vampiro, e os cavalos cavalgam rapidamente, atirando-os contra
    o ar, enquanto estes se transformam em lobos negros enormes.
    Miguel vê que Asmodeus está se pondo em perigo, e olha para este com curiosidade. “Por quê veio?”
    lhe questiona. “Luciféria e Lilá são
    importantes para mim.” Responde,
    seguindo ao lado do arcanjo. “Bem
    mais que importantes, já que está
    colocando sua vida em risco por
    elas.” Brinca, e este apenas se faz de desentendido. De fato tinha algo
    errado, e só o tempo iria 
    mostrar.
    O assassinato e o luto
    Dois cavaleiros, mudam suas formas, 
    o primeiro para a de uma serpente, e o segundo para um morcego, e eles vasculham o lar do novo Deus. O morcego, sobrevoa até a área mais alta, enquanto a cobra passa por debaixo da porta. Ao achar o cativeiro, a cobra toma a forma de um homem encapuzado, que desamarra a jovem terceira rainha, e a pega nos braços. “Você voltou para me salvar.” Ela sorri, ao ser carregada, para fora da sala, e a culpa o consome, por vê-la num estado tão crítico. Os lábios estão secos, o rosto marcado pelo cimento, as roupas rasgadas, e esta nem consegue andar. O palácio piramidal está vazio, e não é
    por acaso, pois a família Belzebu teve de se retirar, deixando alguns soldados para vigiar as princesas, enquanto seguiam para Memphis,
    onde havia um estranho ataque
    de sátiros e vampiros. “Não temos
    tempo para agradecimentos.” A voz de Miguel a acalma, e ela o abraça, embora o sinta diferente. O outro cavaleiro, desce dos aposentos carregando a quarta rainha, que está desacordada. “Lilá!” Se desespera, e
    tenta caminhar até a irmã, mas quase cai, e o alado a segura. “Ela ficará bem, agora precisamos sair daqui. Tenho de te entregar para o Azazel.” Diz ele, voltando-a carregá-la, e esta fica confusa. Azazel? Mas ele esteve no seu casamento, e viu quando disse sim ao demônio, porquê teria reconsiderado? É algo que não parava de se perguntar. Ele
    monta no cavalo, e a põe em seus braços. Eles se encaminham para
    o deserto, e ao ver a amada tão fraca, Caim morde o próprio pulso, e enche seus lábios com o sangue. O quê a faz acordar assustada. “Caim?!” Diz em pânico. “Onde estamos?! Cadê a Lucy?!” São as primeiras perguntas dela, e o vampiro aponta para o lado. Ao ver Lucy, ela sorri surpresa, e ambas olham uma para a outra acenando.
    Sem dizer nada o arcanjo e o homem  morcego, mudam a rota, e então vão para onde se encontra o portal para o Inferno. “O quê? Não, e Azazel? Ele vai morrer! Eu não vou suportar isso de novo!” Lucy se debate, tentando sair do equino, para ir resgatar o seu irmão mais velho. É quando se vê ao longe a silhueta de Asmodeus, e logo atrás dele, há outro ser, o quê lhe dá esperança. O novo deus da luxúria, passa por entre eles, e adentra as terras proibidas. “Vamos. Venha logo.” A jovem suplica, torcendo para que Azazel chegue o quanto antes.  Tão grande é a sua surpresa, ao ver que quem vem no cavalo branco é Miguel, e não Azazel, e se sentindo confusa, ela teme que esteja em outra ilusão de Bael, e se esforça para se machucar, e voltar ao mundo real. Infelizmente o arcanjo não vem sozinho, em seus braços se encontra Eke, e isto lhe parte o coração. Ao ver a sua amada, o arcanjo, beija a esposa, deixando-a de queixo caído, e notando que aquilo é uma tentativa de fazê-la ir para o outro lado, Bael lhe desfere um corte no peito, com uma espada encantada pela deusa Hécate, e o puxa para trás. “Não!” Grita ao vê-lo ensanguentado. “Agora Azazel! Agora!” Grita olhando para ela, enquanto pede para o irmão arrastá-la para dentro do portal. “Não! Miguel!” Ruge tentando se soltar, sendo carregada para dentro, enquanto o demônio volta a sua forma original. Mas não tem forças, e é levada para o reino de Azazel, enquanto Miguel é deixado para trás para morrer. “Por quê fez isso?!” Grita com o sátiro, com lágrimas em seu rosto. “Porquê ele me instruiu.” Responde um pouco abalado. “Ah tah, e desde quando você e Miguel são amigos?! Queria matá-lo! Só esperou a oportunidade!” O acusa pela morte do seu amado amante, e ele ri com desgosto. “Agora sei porquê me incumbiu tal tarefa.”  Diz ainda com o sorriso no rosto. “Do quê está rindo?! Ele tá morto!” Urra chorando sem parar. “Ele me pediu para te entregar isso. Se realmente nos tornamos aliados, ele deve ter
    dito a verdade.” Entrega-lhe a garrafa com o pergaminho, e esta a pega, abrindo-a rapidamente. Vendo o estado da irmã, Lilá se junta a ela na leitura, e a abraça. “Se está lendo isso, é porquê não sou tão forte quanto pensava, e pereci nas mãos de Bael. Sei que fui um idiota, mas acredite em mim quando digo que te amo, e que o seu bem é tudo o quê importa. Não quero que chore sem parar, prefiro que se lembre apenas dos nossos momentos felizes, e não se esqueça que assim como voltou, também poderei fazê-lo. Mas por favor, não volte para Bael, é melhor que siga com Azazel, pois apesar do jeito dele, sei que te ama, e pode lhe fazer feliz, talvez até mais do quê fui capaz. Se o culpa pelo meu fim, te peço que reconsidere, pois fizemos um acordo, e eu pedi para que ele
    ficasse vivo. Sabia que o amava, e não suportaria perdê-lo uma segunda  vez. Ele sempre foi o seu ombro amigo, e aquele com quem pode contar, seria mais difícil, do quê perder um belo anjo, que por muito tempo, ignorou os sentimentos te fazendo sofrer. Eu sei que me ama, e eu te amo também, por isso por mim, perdoa a tua alma gêmea, e siga o seu destino, mesmo que nunca me esqueça, pois não sei por quanto tempo ficarei no mundo de Harmonia, e preciso ter certeza
    de que ficará bem. Para sempre seu, Miguel” A princesa leu aquelas palavras, e colocou o colar dourado com a pedra rubra incrustrada. Não tinha nenhuma magia poderosa no colar, mas foi um presente, o único que Cerridwen lhe deu na vida, e por isso Luciféria sabia do quanto lhe era importante. “Lucy.” Lilá chamou a atenção da jovem, e esta segurou no colar, e secou as lágrimas. “É Nahemah agora” Lhe respondeu com orgulho do nome, e a menor sorriu .com ela. “Aza.” Diz ao entrar no jardim do castelo avistando o demônio, olhando para as flores 
    com tristeza. “Sim.” Atendeu ao
    chamado, e a princesa correu para 
    o seu encontro. “Precisa ler isso.”
    Entrega-lhe a carta, e ao ver a
    mancha das lágrimas, e o nome
    Miguel, este de imediato recusa.
    “Ele foi um oponente valoroso.”
    Assume com o sorriso triste. “Não quer mesmo saber?” A jovem o
    questiona. “Eu já tenho uma ideia 
    do quê seja. Mas me perdoa, não
    estou pronto para nos unirmos
    outra vez.” Esclarece, e a bela fica de queixo caído, também não queria ir em frente, mas ouvir da boca dele,
    foi doloroso. “O tempo realmente muda a gente.” Diz após procurar as palavras certas. “Você escolheu Bael
    em vez de mim...” Inicia para  dá uma explicação. “Esse é o problema? Não ter te escolhido?” Pergunta com certa chateação. “Não. Até o arcanjo era melhor que ele.” O ser revela, deixando-a surpresa. “Azazel.” Ela tenta segurar em seu ombro, e ele segura sua mão. “Em breve iremos dizer que somos noivos. Mas é para que fique aqui, eu não te amo mais
    Luciféria.” Confessa, e parte lhe deixando mais triste. Tal revelação não a abala, mas faz com que se sinta ainda pior. Aquele que achou que a amaria acima de tudo, não sente mais nada, e o quê um dia foi 
    o seu querido par estava morto, o único que lhe restou foi o marido,
    mas deste só queria distancia. 
    A jovem rainha do mundo, e princesa renegada do inferno, seguiu sua vida ao lado do rei. Como o acordo firmado entre eles, noivaram perante todo o reino, com sorrisos e beijos, mas nos aposentos reais, a verdade é que mal eram amigos. Ele não a destratava, porém não era gentil ou carinhoso, e o problema era muito evidente. Ao saber que Lucy voltou para o Inferno, e decidiu noivar-se a Azazel, Lilith se encheu de alegria, e foi visitá-los, e ao descobrir que as coisas não iam bem, sugeriu que o “casal” fosse para o reino de Asmodeus, aproveitar a liberdade e os prazeres daquela terra. Eles foram, por insistência da rainha, que ansiava vê-los juntos, no entanto não tinham a menor vontade de ficarem juntos. Por isso ao chegar lá, o rei se juntou aos amigos Gadreel e Asmodeus, e foi para a taverna mais próxima, deixando a noiva para trás, junto da irmã, que insistiu para ir junto, e de Caim que precisava de férias. “Não acredito que ele esqueceu.” Diz a jovem outra vez ruiva e cacheada, olhando para os decretos que o rei deveria revisar. “Vou entregar a ele.” Sai do local, e procura onde este estaria se divertindo. “ Sei que viemos para descansar, mas precisa administrar melhor o seu reino!” Diz imponente, ao encontrar os irmãos
    sentados a mesa, bebendo. “Querida
    . Por quê não se senta conosco?” Lhe pergunta, desconfortável, sem se dar o trabalho de fingir. “Porquê não sou uma adolescente, sem preocupa...” Ela inicia o seu discurso, e então olha para a cabana a frente, de onde saem os seus pais, e uma bela loira de olhos claros, completamente 
    nua. “Mamãe, papai!? O quê fazem aqui?!” Diz aterrorizada com as possibilidades. “Viemos nos divertir. Como todo mundo.” Diz a imperatriz infernal. “Que tipo de diversão ?” Questiona-lhe, assombrada pela caucasiana. “Oras não haja como se tivesse 7 anos Luciféria!” A rainha nota o incômodo da princesa. “Aqui é uma terra livre de preconceitos minha criança.” Lúcifer concorda com a esposa, e a primogênita, sente falta de ar. “Deixe de ser tão neta de Yaweh, e vá se divertir menina.” A mãe brinca, dando-lhe a ordem, e o pai pega os novos decretos. “Eu posso cuidar disso.” Tenta lhe dá alguma segurança. “Mas...” Luta para seguir com o plano inicial. “Já são 700 anos de noivado, e nada de se casarem. Precisam se soltar!” Diz Lilith, e Azazel e Luciféria riem com nervosismo. Olhando um para o outro, e ao ver que estavam distantes, a bela se senta no colo do seu suposto par. “Como sua rainha,
    ordeno que aproveitem as férias!” A bela grita, e ela e Lúcifer partem com Evangeline, a bela loira de antes. Ao ver que foram embora, a princesa se levanta, e decide fazer o mesmo. Só que para o seu azar, ela percebe que a porta foi bloqueada, e toda vez que tenta sair, é obrigada a voltar. “Sente aí Lucy. Não somos piores que os seus dragões.” Asmodeus a convida, e esta de má vontade, se junta a eles. “O quê estão fazendo?” Pergunta olhando para o tabuleiro gritante. “Jogando o culpado.” Azazel esclarece, notando que o amigo está olhando demais para a falsa noiva, por quem ainda nutre amor verdadeiro. “Este não é aquele jogo proibido no reino dos nossos pais?” Ela pergunta, segurando os pequenos humanos, que imploram para viver. “Sim, mas aqui é Asmoath, a terra quase sem lei. Só
    não violamos a consciência de quem se aventura a vim até nós.” Responde o dono do lugar. “Quer jogar conosco?” Azazel pergunta, 
    eles não se falam direito, porém ele continua a cuidar dela, e tenta lhe fazer bem. “Não tenho outra escolha.” A bela pega a bebida, e vira rapidamente, derramando gotas em seu peito, algo que atrai a atenção do ser que representa a luxúria. O grande soldado olha para o amigo, o repreendendo, e este para de imediato. A dama nem percebe, que está sendo o centro das atenções ali,
    e eles iniciam o jogo. O culpado, é um dos 7 jogos proibidos no Inferno,
    já que este envolve tortura e mutilação, para diversão, e não a necessidade. Fundamenta-se na máxima, de que o assassino sempre se faz de inocente, e ganha o jogo
    quem descobrir qual deles é a
    raiz do mal. Lucy olha para uma mulher, que está implorando pela vida, e se compadece, acreditando 
    que é inocente. Por isso a defende
    dos fantasmas que a perseguem, só
    que no final, descobre que é uma dos culpados, e assassinou pelo menos 20 crianças, em nome do seu senhor Belzebu, e resolve assassiná-la, com um golpe no pescoço. O mais interessante deste jogo, é que cada um dos culpados, realmente cometeu tais crimes, e são miniaturas dos originais, que se encontram no reino de Belial, onde são cruelmente julgados. “Só um golpe no pescoço Lucy?! Você é muito ruim neste jogo!” Asmodeus a provoca, e ela o ignora, pois achava mesmo que a Sra. Hah, era uma mulher que tentava salvar as crianças, e com isso se enganou feio.
    “Vou te mostrar como se faz!” Prossegue com a irritação. Asmodeus
    olha para a sua miniatura, e então sorri com pervesidade. É um homem de poder, que tinha abusado de várias garotas, e que agora se sentia um deus, ou no mínimo um dos seus favoritos. Para torturá-lo, ele o faz perder o poder, em seguida que veja os rostos das moças mortas em toda parte, e por fim ás traz do além túmulo, para persegui-lo por toda a eternidade, sem descanso, e para garantir que estas irão matá-lo todos os dias, faz o tempo ir e voltar, sempre para o mesmo momento, até que este perca a sanidade, e fique chorando como o condenado que 
    é. “Só isso?” A bela resolve entrar no jogo do demônio. “Consegue fazer melhor? Ou vai assassinar o próximo com o chifre de unicórnio?” Ele continua a chateá-la, e esta fica bem pensativa. Sua miniatura é Haruka , uma mulher de 33 anos, que tem levado várias mulheres da magia ao suicídio, por adorar Yaweh acima de tudo, e nunca ter sentido o toque 
    de um homem. Mas antes de morrer, esta estava arrependida e acreditava ter salvação. Desta vez Luciféria nem analisa a criatura, só pelo que vê no holograma sobre a vida dela já a detesta. “É hora da brincadeira.”
    Diz com o sorriso maldoso. Presumindo que por seguir o céu, a euroasiática Haruka, é apaixonada por tudo o quê tem, e por se sentir superior por ser pura, a princesa do inferno a leva para uma festa. Esta vai sem questionar, pois é neste ambiente, que encontra suas vítimas. O garçom lhe oferece a bebida, que está contaminada com o aditivo de Bael, e a pura e perfeita Haruka, se atira em cima de vários homens, mas todos a rejeitam, porquê sua pureza , ali é motivo de vergonha.  Cansada e com dor, esta se depara com várias criaturas horrendas, fortes e musculosas, que ficam envolta dela, e lhe arrancam as roupas. Como se não bastasse deixar de ser virgem, da forma mais humilhante, estes ainda tem espinhos em seu corpo, e toda vez que entram em todos os orifícios possíveis, ela se esgoela em
    pânico, sentindo-se cortada por dentro. “Esta indo bem.” Asmodeus percebe certa maldade crescendo na irmã mais velha. “Quieto.” Lucy se concentra, e eleva o sofrimento de Haruka. Quando esta volta para casa, toda suja, com as roupas destruídas, e o corpo ferido, sua família em vez de recebê-la, a manda para a rua, onde ela volta a se encontrar com os seus agressores sobrenaturais. Com medo deles, resolve se refugiar numa igreja, mas como foi tocada pelos demônios, o próprio Deus lhe diz que a repudia. Ela chora sem parar, sentindo-se tão mal quantas as moças que matou. Porquê ela tinha de ser tão cruel? Se perguntava. Aquelas meninas não mereciam tal fim, o mesmo que levaria, por ter mandado que os seus amigos, abusassem delas uma a uma, para validar a sua fé doentia, ou então se matassem, para “diminuir o nível de vermes no mundo”, como a própria dizia. Sem saber o quê fazer, ou o quê está de fato acontecendo, já que os demônios hora vem, hora não, esta se interna junto com outras mulheres, num local o qual os curandeiros ficam tão assustados, que a cegam para que os demônios a deixem em paz, infelizmente para ela, isto só aumenta a diversão deles, já que com tudo escuro, ela sequer
    consegue se defender. Desesperada por um fim, esta tenta pegar qualquer coisa para se ferir, porém
    toda vez que acha algo que pode lhe matar, isto desaparece de suas mãos, e a sua vida é imortalizada, para que sofra, até o demônio, ou neste caso a anjo dizer chega. “Nossa Lucy! Parabéns!” Azazel fica realmente surpreso com o jogo da bela. “Realmente melhorou admito.” Asmodeus fica fascinado pela escuridão, e ela sorri, subindo na cadeira. “Quem vai matar alguém com o chifre de unicórnio agora?!” Brada erguendo o copo, e quase cai, devido a tontura. Mas o rei de Asmoath a pega em seus braços, e tanto Azazel quanto Gadreel ficam sem entender o quê ele quer com a menina. “Eu vou pedir água curativa.” Diz sem jeito, e vai até a tábua onde se debruça. “Luciféria.” Asmodeus surge logo atrás dela, e esta quase cospe a água. “Olá.” Diz sentindo-se incomodada. “Me beija.” Diz ele tentando dispersar o seu feromônio
    de demônio, mas não parece surtir efeito nela. “Não obrigada.” Pega o copo e se retira. Ele agarra seu pulso, e vendo isto o ferreiro do inferno, sai do lugar para ir salvá-la. “É só um beijo, não estou pedindo nada demais, a não ser que queira.” Ele tenta manipulá-la, e a bela ri. “Asmodeus. Eu não quero. Desculpa mas não vou ser mais uma que...” o
    belo demônio de olhos verdes, a puxa, e lhe rouba um beijo. Esta fica sem reação, pois há 700 anos não sentia alguém lhe beijar com tanto desejo, e isto a pega de surpresa. “Foi ruim?” Ele pergunta, querendo ir para o segundo, e ela sai correndo, tentando se afastar dele, só que este não desiste e vai atrás. “Você não vai a lugar algum.” Azazel o para. “Você teve 700 anos, e disse que a esqueceu, então sim eu vou me divertir.” O garoto rebate, e passa pelo irmão. Azazel fica exasperado, mas Gadreel o segura, não era de hoje que o irmão mais novo, estava cercando Lucy, porém esta era a primeira vez que tinha
    tomado tal atitude. “Você teve 700 anos amigo.” O impede de atacar
    o outro. “Você não vai escapar outra vez.” O belo demônio diz, ao
    segurar seus pulsos, atrás das
    costas, não deixando-a sair. “As.
    Não faça isso.” Diz em tom de
    pedido. “Do quê tem medo? Todas saíram satisfeitas.” Se exibe como
    o garoto jovial e imaturo que é.
    “Eu sou sua irmã.” Esclarece para que fique claro. “Lilá também era, e dormiu com todos.”  O símbolo da luxúria fala. “Todos?” A dama fica desconfiada. “Menos Azazel, por conta do código de vocês.” Revira os olhos. “Eu não sou a Lilá. Prazer Luciféria Lilith II, ou Nahemah para os mais íntimos.” Diz de forma sarcástica, e isto o enlouquece. “Foi um beijo ruim? Azazel finge está com você, e o seu arcanjo ainda não reencarnou, por quê não se dá uma chance de fazer algo novo?” É provocativo, e a beldade ruiva ri. “Desiste.” Olha nos olhos dele, e este a beija outra vez. Para que a solte, ela finge ceder a ele, e o beija de volta, no entanto quando a solta, suas mãos vão para a nuca, e o ponto certo das costas,
    o quê realmente lhe desperta o
    desejo. Por mais que sinta que está entregando a vitória ao inimigo, acaba se deixando levar, e outra vez 
    se sente mulher na árvore onde deu
    o primeiro beijo com Azazel, e ainda
    se deitou com o arcanjo. Após a
    estranha noite, a dama se veste e o deixa sozinho abaixo da árvore. Sente vergonha de si mesma, conhece o irmão, e sabe que irá se vangloriar pelo acontecido, por isso retorna para o castelo, e se esconde no quarto. “Lucy o quê houve?” Lilá corre atrás da mais velha, e esta a
    evita. “Por favor abre a porta.” A menor implora, e esta a destranca. “Eu preciso ir embora de Asmoath”
    Diz arrumando as malas. “O quê fez?” Questiona desconfiada. “Eu
    fui a última conquista que faltava para Asmodeus.” Responde com
    dor na garganta. “Como isso aconteceu?” Inquire a pequena,
    surpresa com tal descoberta. A primogênita luciferiana, lhe explica tudo, e pega as malas. Só que quando está para sair, o seu noivo postiço entra nos aposentos, e pede que a caçula se retire. “Asmodeus?
    Não podia escolher outro?” Pergunta indignado com o fato. “Você é meu noivo, por um contrato, mas não me ama mais lembra? Não tem o direito de reclamar.” Rebate, pegando seus
    pertences. “Eu estava chateado, você tinha se casado com o demônio mais que cruel do universo.” Ele retruca sem acreditar. “Está preocupado com a sua reputação 
    Alteza?” Pergunta com ironia. “Eu não me importo com isso.” Se mostra apreensivo. “Então?” Ajeita as últimas coisas. “Ele é meu melhor amigo, mas vai destruir você.” É o
    quê diz preocupado. “Eu não o amo
    Aza. Só simplesmente aconteceu.”
    Explica, e passa pela porta. O rei cruza os braços, e a deixa ir. Azazel
    não estava errado, depois daquele dia, o amigo contou a todos os reinos
    , que conseguiu esquentar o corpo
    gélido, da rainha da neve. A fofoca se
    espalhou tão rápido quanto um vírus, e logo Luciféria virou motivo de zombaria, principalmente para as
    nobres, de quem antes ela mesma
    tirava sarro, por cederem ao
    garoto desejo. Nem nas terras 
    do noivo, era deixada em paz, já que nelas os habitantes lhes julgavam, por trair o senhor mais generoso e bondoso que já conheceram. Por isso
    a ruiva, um dia perdeu a cabeça, e resolveu partir. “Lucy!” Ouviu a voz familiar, e colocou o pé para fora das terras infernais. “O quê quer?” Lhe olhou com ódio.  “Por quê está indo embora?” Perguntou como se fosse inocente. “Você ainda tem a audácia de me perguntar As?!” Vira-se para
    o jovem. “São só fofocas Lucy!” Ele
    tenta dizer como se o fato não tivesse importância. “Que graças ao
    que fizemos, tenho certeza que são
    reais.” Segue para a saída, e ele
    segura seu pulso. “Eu tenho muito
    mais paz, sendo a outra esposa de Bael.” Caminha para o horizonte.
    “Não, não volta para lá. Ele te feriu,
    te humilhou, está maluca?!” Ele a puxa para os seus braços, e a abraça por trás. “Me solta. Aquilo foi um erro, e não vou repetir!” Se livra dele. “Fica Lucy. Por favor, não vai
    se arrepender.” Diz ele quase choroso, e esta retorna desconfiada.
    “Não acredito nisso, mas tudo bem.”
    O portal se fecha, e ele segura a
    sua mão.
    O noivado que não vingou 
    Após impedi-la de partir, o ser mais cobiçado do inferno, segurou sua mão,
    e caminhou com ela, depois foi a vila central que liga todos os reinos, e
    gritou para todos que era a sua namorada, e ninguém devia tocar nela,
    a não ser que antes falasse com a mesma, e lhe pedisse permissão. Aquilo
    a deixou emudecida, e quando todos
    partiram, esta o puxou para o
    canto. “Namorada?” Sussurrou com
    certo desgosto. “Prefere ficar no seu relacionamento de mentira?” Questionou, abrindo os braços, como
    quem não entendeu nada, e a deixou
    falando sozinha. “Não pode está falando sério As!” O seguiu, enquanto este caminhava a passos rápidos. “Por
    quê não?” Asmodeus gira para  
    lhe responder, e a pega em seus braços como se estivesse dançando. “Você nunca namorou ninguém na vida!” ela berra, e ele a faz cair, mantendo-a em
    seus braços. “Nunca encontrei alguém
    que valesse tanto a pena.” Sorri e a
    beija, voltando a mantê-la em
    pé. “Espera quer mesmo me assumir?”
    Não acredita na possibilidade. “Sim, só
    fiz da sua vida um inferno, porquê disse ao Azazel que não me amava.” Confessa. “Eu achei que só queria uma noite, completar a sua lista.” Cruza os braços, ainda duvidando. “Eu te deixei por último Lucy, porquê você é especial para mim, e não achei que seria capaz.” Diz com certa vergonha. “Mas foi, o quê me faz mais uma.” Rebate. “Não, você
    é a minha irmã mais velha Lucy. Sempre
    gostei de ti, te admirei, jamais faria tal coisa contigo, com Lilá sim, mas você
    não.” Quase se declara. “Há quanto tempo planeja isso?” Fica desconfiada.
    “Desde que me beijou naquele desafio.”
    Ri, e ela se recorda do dia. “Eu tinha 9,
    e você 7. Tá brincando comigo?!” Fica
    sem jeito. “Nunca tentei nada, porquê
    seu coração estava ocupado com o
    arcanjo, e o melhor amigo.” Se senta 
    na fonte. “As. Você e eu não daríamos
    certo.” Se junta a ele. “Jamais saberá
    , se não tentar.” Segura a mão dela.
    “Luciféria Lilith II, você aceita namorar
    comigo?” Pede-lhe como um cavalheiro.
    “Por favor?” Implora com olhos doces.
    “Eu aceito, mas não acho que dará
    certo.” Ele sorri.
    De fato Luciféria estava certa. Asmodeus era um viciado em sexo, e
    mesmo namorando com ela, tinha as
    outras. O quê a tornava muito menos
    interessada, em permanecer ao seu
    lado. “Como anda a vida ao lado
    de Asmodeus?” Diz Azazel
    sorridente, chegando a sacada na
    qual a bela se encontra. “Tirando o fato
    de que ele está em mais camas, que um doente, bem.” Lucy bebe uma bebida
    forte, e faz cara feia. “Não deve ser
    fácil, sofrer mais traições que eu
    e Miguel.” Ri da situação.
    “Não é traição, se ele me conta, e 
    permito.” Diz com um incomodo em
    sua garganta, bufando de raiva. “Eu detestaria se você estivesse comigo e outros.” Ele se aproxima dela, com segundas intenções. “Não lembro
    de permitir isso.” Diz o par da
    jovem. “Também não lembro de 
    ter permitido, que ficasse com a minha noiva.” Diz com desgosto. “Você mesmo
    disse que só eram noivos para ela ter um lar.” Rebate. Os melhores amigos, estão a se estranhar, desde que a união
    deles foi concretizada. “Também disse
    que não me amava.” Ela completa, se
    colocando do lado do parceiro. “Viu?”
    Ele sorri para ela. “Mas eu amava. Do
    contrário, por quê cuidaria de ti, depois
    de ter ido com Bael?!” Os surpreende.
    “É tarde. Lucy me escolheu, aceite 
    isso, não pode vencer todas.” O ser
    o expulsa. “Está bem. Você cuide bem
    dela, e Lucy te vejo depois!” Ameaça
    o amigo, e acena para a sua eterna
    amada. Infelizmente a visita faz 
    o efeito esperado. Luciféria já não
    suportava mais encontrar o namorado
    ,com marcas de batom e cheiro de 3 ou
    4 perfumes diferentes, e por isso teve
    que conversar com ele, mas acabou
    em discussão. “Lucy eu preciso disso!”
    Ele berrou. “Eu não pedi pra namorar
    com você! Sabia muito bem onde tinha
    colocado o seu pé!” Grita. “Nós temos
    um acordo! Por quê não dorme com
    os mais belos que escolhi para 
    ti?!”Propõe com fúria.  “ Por quê eu
    só quero você idiota!” Confessa com as
    lágrimas descendo pelo rosto, e então
    tenta correr, só que ele a agarra, e
    a joga na cama. “Você realmente não
    está feliz com isso?” Pergunta como se
    estivesse temeroso. “ Eu amo você As,
    já estamos juntos há  500 anos, não tem
    como não sentir nada.” Confessa, e
    lhe diz o quê sente pela primeira
    vez. “Você nunca...” Ele fica sem palavras. “Eu tenho ciúme, finjo que
    não, mas me incomoda, que não seja
    só meu.” Diz olhando para o lado. “
    Se não está feliz...” Ele respira
    fundo, e ela acha que vão terminar.
    “Eu vou me controlar, e serei somente
    seu.” Diz dando-lhe um beijo, e esta
    o beija de volta. Como o esperado,
    nenhuma súcubo, ou incubo acredita
    nas palavras do novo senhor da luxúria,
    e todos tentam dificultar a sua decisão,
    mas o sentimento dele por Luciféria, é
    tão grande, que ele guarda todo o
    seu desejo para a parceira. As noites deles se tornam ardentes, e eles
    passam a fazer coisas que antes não eram capazes. O sentimento um 
    pelo outro só cresce, porém o fato de Azazel não desistir, torna o namoro complicado, pois o antigo par ainda
    desperta o amor dela, como na época
    em que Miguel a castigou friamente.
    “Não podemos mais nos ver. Não
    como amigos.” Diz para ele. “ Mas não
    fazemos nada, a não ser conversar!” ele fica indignado. “Eu vejo como olha para mim, e As me fez noiva dele, não vou
    trair outro noivo com você!” 
    Reponta. “Nem se me olhar nos olhos?”
    Ele se aproxima, e vai caminhando, até
    encostá-la na parede. “Ou se recordar do dia que te fiz mulher?” Aproxima 
    seus lábios dos dela. “Não.” Diz como
    uma menina com medo. “Você ainda
    sente arrepios com meus avanços,
    não creio que me esqueceu.” Fica
    cada vez mais perto, e esta corre para
    longe. “Pare!” Grita, e Asmodeus a ouve. Ao ver a atitude do amigo, prefere
    observar, em vez de se manifestar. “Você me ama Luciféria. Só está agindo
    assim, para me castigar!” Ele a segue. “
    Não se trata disso! Aquele menino fez
    loucuras por mim! Me amou como
    nem você ou Miguel foram capazes!
    Não seria justo com Ele!” Ulula com
    certo pesar. “Ah não! Não começa!”
    Continua a ir atrás dela. “Ele fez sim
    sacrifícios por você! Mas não foi o
    único!” Ataca, e ela prossegue com
    a fuga. “O anjo foi um falso Deus, para
    Bael não te matar, e nós dois morremos
    por você!” Inicia, e ela o menospreza.
    Eles eram soldados, a morte não era
    dura para estes. “Eu te deixei casar com Miguel, e depois com Bael, enquanto sofria em silêncio!” Confessa, e isto lhe chama a atenção. “Não entrei naquele
    quarto, para agradar meu pai, e sim para tentar te impedir de ir adiante,
    porquê não queria te perder para
    sempre!” Completa. “Só que após ver
    as consequências, de não ter te deixado ir, preferi que casasse com Bael, porquê
    queria que fosse feliz, mesmo que não
    estivesse do meu lado.” Confidencia.
    “Ele é perverso.” Mostra rigidez. 
    “Sim é. Porém preparou um casamento com tantos requintes, que achei que te amava, e te faria feliz.” Por mais que lhe doesse, ele a deixou seguir adiante com o demônio. “Ele te fez a rainha dele, excluindo as outras. Não achei que
    te faria mal.” Admite, sentindo farpas
    nas cordas vocais. “Só que Lucy não 
    aguento mais te deixar partir! Eu te amo, sempre amei! Por favor desfaz
    esse noivado, e fica comigo de verdade
    desta vez!” Implora entre lágrimas, e
    a bela acaba chorando muito, e o
    abraçando forte. Achava que ele tinha
    a esquecido, ido a diante sem ela, só que agora tinha certeza de que ele
    a amava, mesmo tentando esconder,
    e não podia voltar atrás, não depois
    de tudo que Asmodeus tinha feito,
    para que ficassem juntos. Ao ver o
    sofrimento dos dois, o demônio da luxúria, deixa o lugar com o olhar
    cheio de trevas. Na noite anterior
    ao dia do casamento, ele olha para
    a ruiva dormindo ao seu lado, e sente
    que quer passar toda a eternidade com ela, e é por este sentimento que toma
    as rédeas da situação. “Que bom que
    veio.” Diz desgostoso. “O quê quer?”
    Azazel se mostra frustrado. “Queria
    me casar. Mas parece que a minha bela 
    futura mulher, já escolheu o próximo
    marido.” Respinga, atraindo a sua atenção. “Veio apenas se vangloriar.”
    Os olhos vão para o céu, e este quase
    se retira. “Não sou eu.” Esclarece, e o rival ergue a sobrancelha. “Se a ama
    tanto, por quê não se juntou a ela ao voltar?” Pergunta pronto para brigar.
    “Porquê eu estava furioso. Ela tinha
    dito sim a Bael, e isso acabou comigo.”
    Alumina, e o outro ri. No dia do grande
    casamento, todos se preparam para o
    dia em que finalmente Luciféria, não
    irá se juntar a um traidor. Harmonia
    está com o olhar de satisfação, e a filha
    Lilith parece animada e alegre. Lilá não
    parece tão feliz, mas se arruma para
    ir com Caim. “Tem certeza disso?”
    Uma voz disse. “Sim.” Outra
    respondeu. A noiva se arruma para ir
    até o altar, Asmodeus lhe disse para ser mais bela do quê nunca, pois a união iria entrar para a história, por esta
    razão ela compra o vestido 
    dos sonhos.
    Quando se casou com Bael, colocou
    o vestido vermelho sensual, igual as outras esposas. Só que embora o
    escarlate lhe caísse bem, o seu
    sonho nunca foi casar com
    esta cor.
    Desta vez queria usar o preto, que
    representava as trevas presentes em
    seu ser, e o seu buquê sim seria de
    rosas tão vermelhas quanto o
    sangue.
    Não colocaria o véu, pois com o
    seu par, não precisava fingir pureza,
    no lugar disso punha o espartilho, para acentuar o decote, junto de uma longa saia bufante, com detalhes violetas, e luvas da mesma coloração.
    O cabelo seria preso como o de 
    julieta, com cachos caindo na frente 
    da face. Ela estaria linda, sem ser obrigada, a vestir-se da maneira
    que o noivo quisesse.
    Lucy entra no templo, respirando
    fundo, não havia esquecido de como
    se sentiu nos braços de Azazel, mas ia cumprir sua promessa, porquê As era
    um par excelente. Contudo seus olhos
    se enchem de lágrimas, e o sorriso
    se alarga, ao ver o noivo.
    Asmodeus se aproxima dela, de terno
    e gravata vermelha. “Pronta?” Ele lhe dá o braço, e ela aceita ir com ele. “O
    quê está fazendo?” Lhe questiona.
    “Vi uma cena que me comoveu, sobre
    um casal que quase arruinei.” Confessa,
    lhe levando para o altar. “Vocês se
    amam, eu não quero ser o culpado por
    sua infelicidade. Por isso fiz esta
    surpresa.” Diz entregando-a
    para Azazel, que está todo de preto,
    também de terno, mas com a gravata
    cinza metálico. “Faça ela feliz irmão.”
    Se despede com um sorriso de
    júbilo. Ela sorri com encanto para o
    futuro marido, e Harmonia da inicio a
    cerimônia. “Em nome das cordas do
    destino que nos ligam, eu te aceito
    como meu marido/esposa” Dizem
    em conjunto, e um anel em forma
    de energia, surge envolta dos
    seus dedos, cujas as veias se ligam
    direto aos seus corações. “E com a
    minha sagrada benção, eu os declaro
    marido e mulher” Diz a Grande Mãe
    de todos os seres, e o casal dá um
    beijo com fervor.
    Fim...?
    Epilogo 
    A insatisfação do Diabo
    Minha esposa se casou com outro, e fez votos além da morte e a vida, como nunca foi capaz comigo. Ela está outra vez nos braços daquele moleque, que lhe levou para o reino de Nahemoth, no qual a fez sua rainha. Não consigo dormir, nem seguir adiante com a minha segunda esposa, quando sei que a terceira, agora geme nos braços de outro. Sinto meu coração explodir, ao
    imaginar outros lábios tocando os seus,
    meus nervos ficam a flor da pele, ao pensar no quê ele faz com ela todas
    as noites. Luciféria...Nahemah tem que
    pagar pelo seu terrível crime, de agora possuir dois maridos. Sei o quanto o inferno é importante para ela, e por isso que trarei todo aquele povo, para ser
    julgado pelos meus executores. Não a deixarei sorrir ou ser feliz, se não estiver junto de mim. Tomarei tudo o quê lhe é
    importante, até ela voltar a ser minha,
    e somente minha outra vez!
  • Autoconfiança

    Ela e a autoconfiança tinham problemas entre si. Na verdade, problemas eram poucos. Bruna sentia que sua confiança a traia nos momentos mais inoportunos. Ela já havia perdido a conta de quantas vezes isso aconteceu. O que preocupava ela era quando seria a próxima traição. Chegava a ser irritante, para ela, o quão dependente Bruna era da autoconfiança.
       Eu sei um pouco de autoconfiança. Não julgo ser especialista nisto, mas tenho conhecimento suficiente para escrever algumas linhas de prosa.
        A autoconfiança é importante para as pessoas. Ela pode, facilmente, levar-nos a fazer atos que ultrapassem nossos limites. Mas, como a mesma facilidade, pode atrapalhar nossas atividades mais simples. Talvez, por saber a importância dela, a autoconfiança nos trai por puro prazer.
        Quando a autoconfiança te traí é horrível. Geralmente, você nem desconfia do que vai acontecer. Vamos para a exemplificação.
         Imagine que você acordou num bom dia. O céu está limpo, o clima, agradável. Por mais ordinário e normal tenha sido seu café da manhã, você está animadíssimo.  Você vai escovar os dentes e, no espelho de seu banheiro, você nota o quão bonito está.
        - A primeira coisa que eu vou fazer é tirar uma foto. – Você diz, animado.
           Você tira um monte de selfies e resolve mostrar para sua mãe. Ela cumpre bem sua função, dizendo que estava bonito e pedindo para que você mandasse. Seu ego inflama e você está super feliz por isso.
        Depois de uma ida ao clube, você, finalmente, dá um pouco de atenção aos seus amigos. Sabe aquele amigo que você julga ser importante, mas sempre fala alguma besteira? Pois é, mais uma vez ele falou:
        - Eu acho que você está muito grosso e anti-social recentemente. Talvez você esteja depressivo. Tente mudar.
        Para uma pessoa que tem a autoconfiança lá embaixo, isso é horrível, revoltante, dolorido. Veja, qualquer pessoa pode acabar com a auto-estima de alguém. E isso é uma das maiores maldades que você pode fazer com esta pessoa, pois, ela vai se sentir mal, impotente, acuada. Este sentimento de fraqueza, uma vez desperto nela, vai crescendo e vai piorando.
        A autoconfiança é igual a uma égua de raça. Uma linda égua com pelagem preta. Ela é tão negra que quando o sol bate nele, os pelos equinos brilham, resplandecentes. Uma égua forte, veloz e, totalmente rebelde. Um desafio para aqueles que a montam.
        No inicio da montaria, essa égua é calma. A principio, ela não quer te derrubar. Ela começa bem devagar e, com o tempo, ela vai aumentando a velocidade. Automaticamente, sua insegurança vai embora e você vai sentindo-se bem com a égua. De repente, você e a sua autoconfiança são amigas. Esse é o ponto critico, pois, a partir daqui, podemos ver quem é autoconfiante ou não. 
        A égua começa a tentar te derrubar. É difícil manter-se em cima dela. Ela pula, roda, corre e para de repente. Ela só para se ver você no chão ou quando sentir-se cansada. Até aí, alguns caem enquanto outros continuam em cima da égua.
        Se você foi derrubado, você fica desanimado e perguntando-se:
        - Por que eu não consegui?
        Os outros conseguiram e você não.
        Entretanto, você não desiste. Tenta de novo e de novo e, mais uma vez. Você continua caindo. E, certamente, alguma vez, vem seu namorado ou seu amigo, ou sua mãe ou qualquer outra pessoa importante e diz/ faz algo que tira o seu foco da égua e você caí.
       Até os seus amigos, às vezes sem querer, outras vezes intencionalmente, te derrubam da égua.
       Mas lembre-se, a autoconfiança vai te trair. Ela não precisa ninguém dizendo coisas para te atrapalhar. E, com certeza, não importa quão bom montador você é, um dia, você vai se sentir acuado e impotente.
        Talvez, o melhor remédio contra a rebeldia da autoconfiança sejam aqueles que você julga ser importantes para você. Vamos voltar à Bruna.
        Um dia, Bruna e alguns colegas, entre eles, alguns amigos, foram para uma festa. Muitas pessoas dançavam, outras ficavam e poucos conversavam. Na roda de amigos, o melhor amigo de Bruna e uma garota dançavam e, tentavam, convencê-la a juntar-se com eles. A autoconfiança de nossa personagem mais uma vez a traiu e ela ficou envergonhada, tímida.
       - Eu não vou dançar. E se rirem de mim? - Bruna disse. Talvez ela tivesse ficado vermelha, mas por causa da luz da boate,  não dava para dizer.
       - Ninguém vai rir de você. – Respondeu o melhor amigo.
       - É, ninguém está se importando se você dança bem ou não. – Respondeu a amiga, que se chamava Maria.
        Se Bruna tivesse ido a esta festa sem os dois (talvez ela não fosse se esses dois não tivessem ido), ela não teria dançado, impedida pela timidez e falta de autoconfiança.
        Demorou um pouco, mas, enfim, Bruna dançou com os amigos. Aos poucos, ela começou a dançar, soltando-se. Dançou até não poder mais, até seus pés doerem e pedirem arrego. Ela estava feliz no final da festa e, ela não havia notado ainda, mas Bruna havia montado a égua. Elas andavam juntas, como se fossem melhores amigas.
  • Beco do Adeus

    Com os olhos fechados e calo nesse mundo de ódio e amor aos poucos meus olhos escorem gotas que caiem no chão, que me lembra de tudo que fiz e cada vez me deixa mais confuso já não sei oque fazer perdido em delírio de pensamento pessimistas que me levaram esse lugar escoro chamado de beco. Jogado no chão a chorar parece apenas um conto de um livro de ficção momento que o protagonista é derrota ou perde alguém que ama bem minha historia é diferente estou aqui, pois nunca ter nada, perde sempre, ser zero a esquerda, não consegui ser o protagonista da minha própria vida é engraçado dizer nesse momento poderia ser aqueles que as pessoas percebem que ficarem chorando não vai mudar nada, mas já passei por isso, mas não mudou nada sabe antes que m julgue como um cara que não quer lutar pelos seus sonhos entenda que  nem todos desistem por não ter coragem de lutar uns só estão cansados de perder sabe é fácil falar levante a cabeça e siga em frente quando  você não  perdeu mais vezes que pode contar. Caralho isso esta  muito desmotivador até pra min mas vou te mandar real irmão você  provável que seja alguém  melhor que eu já que estou morto nesse momento que esta lendo isso, mas mesmo tendo uma vida de bosta tive momentos  bons, olha tive um amor ela era linda mas tive que deixar ela parti ter uma vida melhor, amigos verdadeiros,  muitas coisas boas só que tudo oque realmente tentava  fazer de útil não dava certo desde de criança então hoje eu parto para um outro começo. Adeus caro leitor.
  • Caçadora

    Já haviam se passado dois dias desde que os sequestros começaram, as delegacias da região estavam lotadas de policiais e informantes, todos desesperados por uma única pista. Nos hospitais seguranças cercavam os berçários, pais nunca deixavam um enfermeiro ficar a sós com seus filhos. Dois dias, quarenta crianças, todas tiradas dos braços das mães em sete diferentes hospitais da cidade.
    Sofia tentara rastrear os sequestradores a partir de câmeras de segurança, mas não conseguiu nada além do que a policia tinha, os bebes eram pegos por enfermeiros que trabalhavam nos hospitais, eles aparentavam estar fazendo seu trabalho de rotina, contudo, nunca chegavam ao destino, desapareciam dentro de um carro junto com a criança, tudo pego pelas câmeras.
    No primeiro dia dez roubos dentro de uma hora, dois recém-nascidos e oito que já estavam a mais de um dia no berçário, quando chamaram a policia já haviam desaparecido, essa primeira onda ocorreu somente em um hospital, os outros trintas seguiram o mesmo padrão no dia seguinte, menos de uma hora e em seis hospitais diferentes. As câmeras de trânsito não conseguiam acompanhar os criminosos, haviam poucas e cobriam somente uma parte pequena das ruas.
    A cidade inteira estava em pânico, a mídia não saia de cima da polícia, os gerentes dos hospitais estavam ocupados demais tendo que atender advogados que ameaçam processos milionários, Sofia sabia que quanto mais alvoroço acontecesse, mais as pessoas deixariam passar os detalhes, então estava na hora dela agir.
    Após assistir as câmeras diversas vezes, juntou os seguintes padrões, o comportamento dos enfermeiros até recolherem as crianças eram normais, nenhum dos quarenta apresentara qualquer sinal de nervosismo, nenhum teve qualquer contato estranho ou incomum entre eles, ou seja, sequestrador com sequestrador, assim como agiram de forma completamente confortável quando saíram do hospital e entraram no carro, o mais provável era que o quer que tenha motivado os roubos tenha acontecido entre os segundos em que as câmeras não pegavam eles, se tornava difícil notar qualquer interação com outros possíveis cumplices nesses momentos, ninguém estranho, tudo em perfeita ordem, parecia completamente inútil.
    O único detalhe que juntava todos os membros como cumplices era que em cada roubo o carro do sequestrador pertencia a outro sequestrador, todos segundo os familiares sem qualquer ligação. Os carros foram encontrados, estavam separados em diversos bairros da cidade, sem GPS, sem os donos, sem pistas.
    No primeiro dia vinte minutos após chamarem a policia as BRs que levavam para fora da cidade estavam fechadas, no segundo dia elas foram reforçadas, a guarda nacional ajudava a cercar a cidade, ninguém passava sem ser visto, pelo menos era isso que eles queriam acreditar, o mais provável era que as crianças ainda estivessem na cidade, a questão era acha-las.
    Sofia pensou em qual seria o próximo passo da polícia, estavam prontos para invadir todo e qualquer lugar que pudesse abrigar quarenta recém-nascidos, quanto tempo demorariam para conseguir a permissão? Algumas horas?! Ninguém conseguiria esconder-se por tanto tempo com esse número de reféns, os planos eram outros, talvez aquelas crianças não tivessem algumas horas.
    Eram quatro horas da manhã, Sofia decidiu que não valia a pena correr atrás de todos os quarenta suspeitos, escolheu um, Carlos Mendonça, quarenta e dois anos, residia no hospital a mais de uma década, casado e com três filhos, um homem normal, pai amoroso e ótimo jogador de cartas segunda a esposa. A casa do suspeito ficava próximo a casa de uma das vítimas, podia ser coincidência ou ele podia estar de olho na gravida a muito tempo.
    A menina esgueirou-se pelo jardim da casa, sempre de olho para que ninguém a visse, escalou até o segundo andar onde sabia por informações recolhidas de conversas com “vizinhas informantes” (fofoqueiras) que ficava o quarto do suspeito e sua esposa. A janela estava fechada, mas era de vidro e por ela podia-se ver uma mulher de idade já avançada deitada na cama em um sono profundo, um sono que conseguira a muito custo, isso era o que indicava os frascos de soníferos ao lado da cama. Outro motivo pelo qual Sofia escolhera aquela família em especial era por que fora uma das primeiras entrevistadas, metade dos familiares de suspeitos ainda estavam na delegacia e a garota preferia fazer seu trabalho longe da polícia.
    Todos na vizinhança dormiam, tão calmos e ao mesmo tempo tão desesperados, Sofia desceu para o jardim, encontrou a porta dos fundos e com um grampo abriu a fechadura como se fosse um jogo de criança.
    Andou pela casa sorrateiramente, procurou pelos filhos, mas eles não estavam, deviam ter sido mandados para os cuidados de algum parente para evitar que comtemplassem a tristeza da mãe, era uma coisa boa, não seria interrompida. Subiu as escadas, fechou as cortinas do quarto, vestiu uma mascara completamente branca que só possuía buracos para os olhos e foi em direção a cama.
    - Cristina! – sussurrou bem perto do ouvido da mulher, mas não surgiu efeito.
    - Cristina! – voltou a repetir, agora mais alto dando um empurrão na dorminhoca.
    A mulher resmungou um pouco, virou-se de frente para a menina e quando abriu os olhos, entrou em desespero, tentou gritar, mas uma mão tapava sua boca. Seu próximo instinto foi pular para fora da cama, novamente frustrada, desta vez devido a faca de caça que repousava em seu pescoço.
    - Não quero ter de usar meios violentos. – disse Sofia – mas não hesitarei um segundo se me obrigar a fazê-lo, estamos entendidos?
    A mulher com os olhos arregalados e cheios de medo acenou com a cabeça de forma afirmativa. Sofia retirou a mão que tapava a boca da vítima, mas manteve a faca,
    sentou-se na cama confortavelmente enquanto era observada pelo olhar amedrontado de Cristina.
    - É... é dinheiro? – perguntou a mulher gaguejando – Te... te... tem no... co... co... cofre, a senha é 2...2... 4...
    - Isso não é um assalto!
    A mulher permaneceu um momento em silencio, então pediu se poderia sentar, Sofia permitiu, contudo, sem remover a faca do pescoço da vítima.
    - É meu marido? – perguntou a mulher com os olhos cheios de lágrimas. – Você é uma parente?
    - Não Cristina, sou só alguém querendo fazer a coisa certa.
    - Com uma faca?
    - Com os meios que a justiça despreza, mas necessita.
    As lágrimas começaram a escorrer pelo rosto da mulher. – Eu não tenho nada a ver com isso, meu marido também não, é um grande engano, ele é uma boa pessoa.
    - Ele sequestrou um bebe e desapareceu, não é a definição correta de boa pessoa.
    - Você não entende, ele não pode ter feito isso, ele é um homem carinhoso, um pai de família gentil, nunca esquece meu aniversário, continua dizendo que me ama todos os dias mesmo depois de vinte anos de casamento.
    - Parece perfeito demais não acha?!
    - Por que está aqui? Tem alguma pista dele, tem dele algo a mais que os outros? Não conheço todos os envolvidos, mas tenho certeza que assim como meu Carlinhos eles são vítimas de alguém que os manipulou.
    - Acha mesmo que ele é inocente?
    - Eu conheço meu marido!
    - Então consegue imaginar alguma oferta que o teria feito repensar seu estilo de vida? Dinheiro, algum favor especial talvez?
    - Dinheiro? Eu sei que ele é só um enfermeiro, mas dinheiro nunca foi um problema, ele herdou uma fortuna de seus pais, poderia ter pego tudo e ido embora, em vez disso dedica todo dia cada centavo dele para dar a mim e a nossos filhos a vida mais alegre que poderíamos desejar.
    - E onde está sua alegria agora?
    A mulher caiu em prantos e Sofia não demonstrou qualquer sinal de pena diante da cena, assim como sua mão não afrouxou no pescoço da refém.
    - Temos um problema aqui! – disse a menina – Tudo indica que seu marido faz parte de algum grupo de lunáticos que resolveu sequestrar quarenta crianças de uma vez só em um período de dois dias, sabe o quanto isso é insano? Não faz o menor sentido! Sabe, eu gostaria que ele não fosse culpado, acredite em mim, assim eu pouparia uma bala na hora de matar os responsáveis, o problema é que preciso de uma outra teoria que o livre dessa, você tem alguma?
    - Ah...ah... Não sei... ah... Talvez alguém parecido com ele, talvez... eu não sei... – a mulher voltou a chorar, tentou controlar quando sentiu o fio da navalha apertar mais contra seu pescoço.
    - Vamos lá Cristina, eu não tenho muito tempo.
    - EU NÃO SEI! Bolar uma teoria não deveria ser o seu trabalho?
    - Estou sem ideias, preciso de uma segunda opinião, que tipo de grupo é lunático a esse ponto?
    - Tráfico sexual, trabalho infantil, órgãos, EU NÃO SEI!
    - Sabe qual é o problema com esses grupos Cristina?
    - Eu... eu... eles... não fazem escândalo?!
    - Exatamente! Você não está se esforçando para livrar seu marido dessa Cristina.
    - ELE É INOCENTE! Porque não acredita em mim?! Eu não sei de nada, ele era um bom homem, meu deus ele até doava dinheiro para igreja todo mês.
    Sofia suspirou desapontada, retirou a faca da garganta da vitima e a guardou no sapato, as duas permaneceram em silencio por um momento, até que a menina notou algo no que havia ouvido.
    - Vocês são religiosos? – perguntou ela a mulher.
    - Não exatamente! A religião vem de família, mas as doações são nossa única ligação com esse tipo de culto atualmente e é só porque a igreja faz obras de caridade ou algo assim...
    - Está me dizendo que não sabe exatamente para que a igreja usava o dinheiro?
    - Era o... era... meu marido... que... cuidava disso... você... você acha que...
    - Um homem perfeito?! Talvez você esteja certa e não seja nada, mas só por precaução vou checar para onde o dinheiro ia, tem pelo menos o nome da igreja?
    Alguns quilômetros longe dali, dentro de uma cafeteria vinte e quatro horas, Sofia procurava em um dos computadores do estabelecimento, tentando encontrar informações sobre o Centro de fé e contemplação do senhor Jesus Cristo. Era uma comunidade bem grande, muitas propagandas sobre obras de caridade, embora as igrejas deste culto fossem templos pequenos e espalhados em vários pontos da cidade, todos os anúncios traziam consigo a imagem do patrono da religião, o padre
    Deo Missusa, latim, se fosse escrito Missus a Deo significava enviado de deus, Sofia entendia um pouco de latim e essa podia ser novamente só uma coincidência, mas aquele parecia ser um nome inventado, do tipo que artistas usam para parecerem mais chamativos.
    “O que Deus diria disso?!” pensou ela.
    Após alguns minutos de pesquisa encontrou um numero de telefone, sabia que não ajudaria muito, mas resolveu tentar um contato com o próprio “Enviado de Deus”, através da linha de ajuda a viciados. Saiu da cafeteria, encontrou um lugar sossegado e então telefonou, foi quase que imediatamente atendida por uma mulher.
    - Centro de fé e contemplação do senhor Jesus Cristo, que a benção do senhor esteja com você, com quem estou falando?
    Sofia enrugou um pouco a voz para parecer rouca – Meu... Meu nome é Karine, eu... eu preciso de ajuda... eu quero me matar.
    Houve uma comoção do outro lado da linha, outra pessoa assumiu o telefone, desta vez um homem, afinal, a linha era para viciados, não suicidadas. – Boa noite Karine, meu nome é Jeferson, estou aqui para te ajudar, preciso que continue na linha ok? O senhor nosso deus tem um proposito para você, sua vida tem um valor inestimável...
    Sofia resolveu criar um pouco mais de drama – Onde está a mulher? Eu estava falando com uma mulher? – ameaçou um choro – Porque todo mundo me passa para outra pessoa?
    - Karine, eu preciso que se acalme ok?! A irmã Maria está aqui comigo, ela não saiu, eu pedi para assumir o telefone, já lidei com isso antes querida, tem algo que deseje em seu coração?
    - Deo!
    - Como?
    - O padre Deo está ai?
    - Sinto muito querida, o padre encontrasse em seus aposentos, mas Deus fala através de todos nós, pode falar conosco e estará falando com Deus.
    - Por favor! – Sofia fingiu que estava chorando, parecia bem convincente, era uma ótima atriz – eu estava... estava vindo para cá, pronta a pular, pronta a tirar minha vida, então eu vi, eu vi um cartaz, era o padre Deo, é um sinal, meus pais sempre foram religiosos, eu nunca liguei para essas coisas, por favor, eu preciso falar com o padre, ou então não tem porque eu continuar nessa ligação.
    A resposta foi rápida – Tudo bem Karine, eu preciso que prometa continuar na linha, não faça nada precipitado, vamos tentar entrar em contato com o padre, mas enquanto isso, porque você não nos dá sua localização?! talvez o padre possa te encontrar pessoalmente.
    - NÃO! Vocês estão mentindo, vão chamar a polícia, vão me mandar de volta para aquela maldita clínica, EU QUERO FALAR COM DEO OU VOU PULAR!
    - Calma Karine, estamos ligando para o padre agora mesmo...
    A ligação se estendeu por alguns minutos com Jeferson incentivando o tempo todo para que a vitima se acalmasse e tivesse paciência, Sofia por sua vez mostrava cada vez mais sinais de impaciência para que agilizassem as coisas, por fim a ligação foi passada para o “Santo Deo”.
    - Que a benção do senhor esteja com você, o que há em seu coração querida? – perguntou o padre.
    Era hora de decidir bem o que dizer, Sofia queria saber se a igreja tinha algo a ver com os sequestros, pensou em alguns dos sequestradores. – Meu nome é Karine... meu pai era Gregório Castro...
    Sofia não disse mais nada, esperou uma reação.
    - Um dos sequestradores?! – disse o padre.
    “E o peixe morde a isca” pensou a menina, mesmo que tivesse visto todas as notícias seria difícil decorar todos os quarenta nomes, muitos dos jornais nem se deram ao trabalho de citar todos os envolvidos, de novo, poderia ser coincidência, mas a garota chegara até ali com algo extremamente banal como contribuições para caridade, não tinha porque não ir a diante.
    - Ele falava muito da igreja – Sofia continuava com a voz de choro – você o conhecia?
    - Deus conhece todos os seus servos minha querida, mas eu sou só um mortal, não tive a honra de conhece-lo, tenho certeza que era um bom homem...
    - Então porque ele...
    - O diabo as vezes tem vitórias que não conseguimos entender, mas Deus sabe a hora de agir, se seu pai era um bom servo, tenho certeza que Deus perdoara seus pecados.
    - E os seus, padre?
    - Meus?!... meus pecados? Somos todos iguais aos olhos de Deus.
    - Ele sempre doava dinheiro para igreja! – disse Sofia atirando no escuro.
    - Ele era um doador fiel da caridade sim, e Deus ajuda quem ajuda os desfavorecidos.
    Uma ligação, havia uma ligação entre dois suspeitos, ambos doavam para igreja, como sempre sem provas, mas as coincidências continuavam a aparecer.
    - O que está pensando em fazer querida? – continuou a falar o padre – É por isso que está pensando em cometer o pecado do suicídio, por causa dos pecados de seu pai?
    - Como posso viver com isso padre? Minha amiga pensa do mesmo jeito, a mãe dela também fez isso, era uma boa mulher – mais uma tentativa, Sofia pensou em outro
    nome entre os sequestradores - Julia Tália Santos, sempre doava para sua caridade – esperava outra mordida, mas as coisas mudaram a partir daí.
    - Quem é você? – perguntou o padre de forma fria.
    Nesse instante Sofia entendeu que fora descoberta, estava ligando pontos demais, pedindo informações demais, e o líder de um culto só podia ser burro até determinado ponto ou não seria o líder.
    - Onde estão eles? – perguntou a menina.
    - Os sequestradores? Porque eu deveria saber disso?
    - Porque eles trabalham para você, porque sua maldita igreja sequestrou quarenta crianças e posso apostar que não faz parte de um programa de caridade.
    - Dominus tem um grande plano para elas, você é uma criatura sem fé, não entenderia.
    - A policia está ouvindo essa conversa!
    - Não está não! – disse o padre com confiança – essa é uma linha privada, já tenho sua localização e alguém de olho em você, é só uma adolescente metendo o nariz onde não é chamada...
    Sofia desligou o telefone e olhou em volta tentando encontrar os olhos do padre em algum lugar, não havia ninguém, estava sozinha, a rua era silenciosa e ao longe os primeiros raios de sol nasciam, ela suspirou aliviada e ao mesmo tempo sentindo o coração pular para fora do peito.
    Agora que já sabia que a igreja realmente tinha algo a ver com isso ela tinha que encontrar um modo de chegar até eles, estariam em um grande culto ou algo assim, devia haver muita gente envolvida, não que fossem fazer isso em um lugar público, mas devia ter um jeito de chegar a eles.
    Sofia entrou novamente na cafeteria, era a única cliente ali, pensou em pedir algo, passara muito tempo sem comer nada, foi até o balcão e enquanto avaliava as opções notou vários cartões de visita, taxis, livrarias, grupos de ajuda, e lá estava ele, a imagem de Deo “Faça parte da nossa comunidade!” dizia o cartão.
    - Vai pedir? – disse o garoto atrás do balcão assustando Sofia que estava focada nos cartões.
    - Não! – respondeu ela rápido – desculpa, quero dizer, estou escolhendo ainda.
    O garoto sorriu e de forma graciosa fez uma reverencia, Sofia riu e voltou os olhos para o cardápio. Ao fundo ouviu o telefone tocar, o garoto atendeu imediatamente, deixando a menina sozinha com as opções.
    Seria um dia puxado, ela precisava de energia, começara a pensar que se metera com algo muito grande, afinal, estava sozinha, passou os olhos pelo hambúrguer e pela
    torrada, pensou em pedir talvez um pastel, estranhamente estava com vontade de comer pastel.
    - Karine? – perguntou o atendente.
    Sofia ergueu os olhos a tempo de ver um teaser ser disparado contra seu peito, ela tombou no chão com 50 mil volts passando pelo seu corpo, tremia freneticamente, já tinha feito treinamento com armas de choque, não era algo fácil de suportar, conseguiu com muita força arrancar os ganchos que lhe transmitiam a corrente, mas ficou no chão convulsionando. O menino ficou lá, com um olhar catatônico, observando sua presa, após alguns segundos pegou a faca que era usada para cortar os bolos e deu a volta no balcão indo em direção a sua vítima.
    Sofia ainda tremia, mas levar tantos choques nos treinamentos devia valer alguma coisa, pois ela conseguiu se levantar, cambaleou para longe do atacante, mal conseguia se manter de pé, sua única opção era tentar aguentar até que seu corpo tivesse condições de lutar.
    O menino se aproximou rapidamente enfiando a faca no braço de Sofia, ela gritou de dor e voltou a tombar ao chão, desta vez levando uma serie de mesas e cadeiras junto, a faca não entrara muito fundo, acabou caindo durante a confusão. O atendente pulou em cima da pobre garota desferindo diversos socos em um ritmo frenético, a cada golpe a consciência de Sofia ia esvaziando, “como pudera ser tão descuidada?” pensou ela “Não notara um agressor tão próximo, tanto treino, tanto esforço para acabar assim?! Não! ainda não estava acabado”.
    Um movimento rápido entre um dos socos, uma cabeçada, as cabeças se chocaram forte o suficiente para empurrar o garoto para trás. Sofia encontrava-se exausta, afastara o inimigo, mas por quanto tempo? Não tinha mais forças para lutar, para sua surpresa, não precisaria mais lutar.
    O garoto começara a resmungar de dor, perguntando o que diabos tinha acontecido, ficaram ali por alguns minutos, os dois, Sofia em um estado bem pior que o garoto, até que o seu ex-inimigo veio ao seu socorro, ajudou a levanta-la, correu pegar o kit de primeiros socorros quando viu o estado do corte em seu braço e enquanto limpava o ferimento a garota aproveitou para perguntar algo que já imaginava.
    - Você tem alguma ligação com Deo?
    - O cara da igreja? Não!
    - Como conhece a igreja? – perguntou apontando para os cartões de visita.
    - Fiz uma doação! Para um programa de viciados e... a mais ou menos um mês atrás me convidaram para uma comemoração para doadores, era um tipo de palestra, dormi a sessão inteira, me deram os cartões na saída.
    - Soldados russos! – disse Sofia, agora entendia o que havia acontecido, como todas aquelas pessoas tinha sido convencidas a fazer o que fizeram.
    O garoto olhou em volta, somente agora parou para tentar entender o que havia acontecido, o teaser para ladrões estava em cima do balcão, acabara de ser usado, uma faca ensanguentada estava caída no chão, sentiu-se horrorizado, havia feito aquilo com a menina.
    - Não se preocupe, não vou contar para ninguém – disse Sofia – desde que não conte que estive aqui.
    O garoto tinha muitas perguntas, mas foi convencido a deixar que a garota fosse embora sem responder nada, e com o aviso para que não atendesse o telefone.
    Soldados russos, fora isso que aconteceu, os doadores que compareceram a reunião de comemoração foram hipnotizados para serem como soldados russos, ativados com algum sinal, prontos para executar qualquer ordem que lhes fossem dada, seriam necessários apenas alguns segundos para ativar as marionetes durante os sequestros, poderia ser qualquer um a fazê-lo, bastava algum sinal pré-programado. A reunião havia acontecido segundo o garoto no subsolo da decima terceira cede da igreja, todos dormiram na reunião, motivo pelo qual não falavam dela por ai, talvez estivesse erada, mas tinha a impressão que seria lá que o quer que estivesse acontecendo seria realizado.
    Oito horas da manhã Sofia já se encontrava livre de quase todas as dores, sangramento estancado, ferida limpa, estava na hora da caçada. A garota finalmente se vestia para um combate, botas de couro, uma malha que absorvia impactos, duas facas na cintura, duas facas nas botas, cobrira tudo com um sobretudo preto, e a ultima peça era um rife de caça com dardos tranquilizantes que guardou dentro de um case de violão junto com sua máscara, na rua pareceria uma menina comum, quem a via mal sabia que estava indo em direção a uma guerra.
    Passou algumas vezes por frente de televisões que anunciavam a invasão da polícia em vários pontos da cidade, a guarda nacional estava ajudando, vários vídeos eram gravados a partir de câmeras de celular, o perímetro das invasões era sempre evacuado, podiam estar lidando com terroristas, não encontrariam nada e demorariam muito tempo para fazer isso.
    Demorou uns quarenta minutos até chegar a igreja, não havia ninguém ali, não na parte de cima pelo menos, Sofia levou um tempo para achar a entrada do subsolo, lá em baixo parou na escada, ficou abaixada observando a sala, era um lugar imenso, bem maior que o andar anterior, a porta lacrava a sala e impedia que qualquer som saísse de lá.
    Os fieis podiam ainda não estar ali, mas os sequestradores estavam, todos desacordados amarados em cadeiras, vendados e amordaçados. Sofia não conseguia ver os recém-nascidos, mas agora tinha certeza que aquele era o lugar certo. Em um canto do salão arrumando o que parecia ser um palco estavam dois homens grandes vestidos de branco com sinais de cruzes invertidas desenhados em seus trajes, a garota não podia ser burra e enfrentar os dois em uma luta corpo a corpo, seria esperto
    guardar os dardos do rifle para quando estivesse em real perigo, por hora faria tudo com calma, para começar colocou a mascara branca, não podia ser reconhecida.
    Tentando ser a mais silenciosa possível esgueirou-se pelo canto do salão, aproveitando que os dois grandões estavam distraídos em uma discussão calorosa sobre a posição de uma das peças de madeira. Quando conseguiu alcançar o fim do salão, entrou em baixo do palco e de lá engatinhou até que estivesse ao alcance dos calcanhares dos dois, com um movimento rápido puxou as facas da cintura e cortou os tendões acima dos calcanhares, imediatamente os dois homens tombaram de bruços no chão, Sofia saiu do esconderijo e apertou a faca contra a garganta dos monstros de branco, os dois ficaram paralisados com as laminas ameaçando acabar com suas vidas.
    - Onde estão os bebês? – perguntou ela.
    O grandão do lado direito resmungou – Sua vadia, não vamos falar nada, Dominus vai cuidar de você, estará morta assim que Deo chegar.
    A lâminas foram pressionadas com mais força e uma linha de sangue escorreu pelo pescoço.
    - Estão com os fies! – disse o do lado esquerdo em desespero – a gente só banca o segurança, por favor, não me mata.
    - CALADO IDIOTA! – gritou o outro.
    Sofia retirou a faca do pescoço do da direita e com o cabo lhe deu uma coronhada que o fez perder a consciência, enfim, voltou a atenção para o da esquerda. – Continue a falar.
    - Eles separam os bebes, não dava pra manter todos em um só lugar, vai ser hoje ao meio dia, era para ser a noite, mas tiveram que adiantar, todos reunidos... são sacrifícios... para Dominus, nunca foi feito antes, é o maior ritual, eles realmente esperam invocar esse tal Deus hoje...
    - Porque não se livraram dos sequestradores ainda?
    - Eles vão assumir a culpa!
    - Fui atacada fora daqui por alguém hipnotizado, quantos mais há?
    - Não sei, não cuido disso!
    A faca foi apertada mais fundo na carne gorda do pescoço. – Eu não sei, eu juro, sei que são bastante, tem até uns policiais, todos que doaram, e as pessoas doam bastante para essa igreja.
    - Então é provável que se eu ligar para policia vão saber que estou aqui e as crianças somem?
    - Bem provável!
    Sofia fez igual a antes e apagou o grandão com uma coronhada. Amarrou os dois, amordaçou-os e empurrou para de baixo do palco, onde não seriam vistos. Suas opções eram limitadas, precisava derrubar Deo antes de chamar a polícia, procurou pelo lugar coisas que talvez pudessem ser uteis, tomou cuidado o tempo todo, mas felizmente ninguém apareceu, por fim onze horas a portaa da escada se abriram e pessoas começaram a entrar, a menina estava escondida em cima de uma das vigas de ferro do teto junto com as lâmpadas, as luzes estavam viradas para o outro lado de forma que não dava par ver que havia alguém ali, o rifle estava pronto, Deo estaria no palco e seria o primeiro a cair.
    Os minutos iam passando e cada vez mais pessoas chegavam, alguns sem nada, outras com os bebes no colo. Todas as crianças foram colocadas no centro da sala junto com os sequestradores, aparentemente ter o sangue dos recém-nascidos nas roupas dos sequestradores fazia parte do plano.
    Deo foi o último a aparecer, cumprimentava a todos como se não estivessem para sacrificar quarenta crianças em um ritual macabro e insano.
    - Louvado seja Dominus! – disse ele ao se posicionar em seu lugar no palco, todos os fies repetiram em coro, devia ter umas setenta pessoas ali.
    Sofia pegou o celular, pronta a mandar sua localização para a polícia, assim que começasse a atirar ninguém mais poderia impedi-la, bastava um click e a ajuda estaria a caminho, infelizmente um estrondo forte assustou a todos e tomou atenção da garota. Um dos grandões que estava em baixo do palco havia acordado e se debatia feito um peixe fora da água.
    Os fieis se amonturam para tirá-los de lá enquanto outros procuravam ao redor da sala quem fora o responsável por aquilo. Deo parecia furioso, olhava para todos os lados imaginando quem ousaria se intrometer em um dia tão especial, eis que ele viu algo, viu o cano do rifle, viu a tempo de desviar do primeiro disparo, um alvoroço se estabeleceu, todos procuraram um lugar para se esconder e os bebes começaram a chorar em um coro que poderia derrubar um gigante, a confusão só aumentou, as pessoas corriam de um lado para o outro derrubando as cadeiras com os reféns que acordavam desesperados tentando se soltar.
    Sofia apertou o botão de enviar da mensagem e começou a disparar seguidamente os dardos contra Deo que corria de proteção em proteção fugindo dos disparos.
    - ELA ESTÁ NO TETO SEUS IDIOTAS! – gritou ele para seus fiéis.
    Alguém virou um foco de luz para posição da garota, agora todos podiam vê-la, estava exposta, os fieis que já haviam se acalmado começaram a atirar nela coisas que encontravam pelo chão, para sorte da garota todos eram péssimos de mira.
    Dois dos fieis decidiram escalar as paredes para poderem alcançar a posição da atiradora, nesse momento Sofia teve que mudar o seu alvo, derrubar os dois foi fácil, o
    problema é que outros decidiram fazer o mesmo e os dardos estavam acabando, sem falar que Deo ainda estava de pé.
    No centro do salão alguns dos sequestradores soltaram-se das amarras e pareciam estar cientes de sua situação porque não esperaram nem mesmo um segundo para sair dando porrada nos verdadeiros vilões. Deo gritava frases que deveriam ativar a hipnose, mas não funcionava muito, pois assim que alguém recebia um golpe na cabeça voltava ao normal.
    A briga ficava cada vez mais intensa, os sequestradores estavam bem mais irados, contudo estavam em menor número, havia alguns que nem se quer haviam sido desamarrados ainda, sem falar que tinham que sempre levar a briga para longe de onde estavam os bebes, quase ninguém mais se lembrava da menina que começara a confusão, o que fora muita sorte, já que os dardos haviam acabado.
    Deo por sua vez ainda se lembrava daquela pequena criatura, irado com o fracasso do seu plano e notando que sua saída de emergência fora trancada, pôs-se a escalar a parede para derrubar a criança. Ele subia rápido motivado pela raiva, nem esperou estar próximo ao alvo, se atirou agarrando a perna da menina derrubando os dois de cima da viga.
    Sofia ficou pendurada pelas mãos na barra de ferro, Deo estava logo abaixo pendurado em sua perna, era um lugar alto, se caíssem poderiam quebrar muitos ossos ou até mesmo morrer. O padre era bem mais pesado do que aparentava, fazendo com que a garota tivesse que aplicar muita força para não soltas as mãos.
    - O QUE PENSA QUE ESTÁ FAZENDO PIRALHA?! – gritou o padre.
    - ACABANDO COM UM GRUPO DOENTE DE LUNÁTICOS!
    A garota tentava chutar freneticamente o peso em suas pernas, mas a coisa abaixo dela parecia fortemente motivada a manter-se presa.
    Vendo uma oportunidade única Deo sacou uma das facas que ficavam na bota da menina e cravou em sua perna extraindo um grito de dor da pobre atiradora. Deo retirou a faca e quando estava pronto para mais uma facada a garota soltou a viga, os dois despencaram, o impacto com o chão foi forte, Deo pode ouvir suas costelas quebrando na queda, seus pulmões foram perfurados, sangue jorrou de sua boca, Sofia por sua vez teve a queda amortecida pelo cadáver do padre junto da malha revestida que estava usando, uma ou duas costelas se partiram, ela estava fraca, mancando, mas conseguiu se por de pé encarrando horrorizada o pedaço de carne abaixo dela.
    Os fieis que ainda restavam se desesperaram ao ver a queda do líder, alguns foram nocauteados durante a distração, alguns tentaram correr para fora da igreja, mas os policiais já cercavam o perímetro. Os reféns finalmente controlaram a situação, as crianças continuavam a chorar e depois de tanta baderna ia ser difícil fazer eles pararem.
    Sofia sabia que não poderia estar ali quando a polícia chegasse, teria muita coisa para explicar, sem falar que acabara de provocar a morte de um homem, cambaleou para trás do palco, havia uma porta de fuga que Deo provavelmente teria usado se ela não tivesse trancado antes dele chegar. Antes de sair um dos reféns chamou sua atenção.
    - Quem é você? – perguntou ele perplexo com a salvadora mascarada.
    - Pode me chamar de caçadora! – respondeu Sofia antes de correr para fora da igreja e desaparecer.
  • Caçadores de emoções... e aventuras

              O Estúdio Armon está se firmando como um dos maiores expoentes do mangá nacional. Sem desconsiderar iniciativas anteriores, e outros quadrinistas independentes, a Revista Action Hiken acabou reunindo uma Geração de Ouro dos mangás brasileiros no século XXI. Digo isso não por preciosismo, mas pelo fato do grupo não apenas publicar de modo impendente, mas manter uma frequência e aumentar sua qualidade e quantidade.
              Um desses mangakás a ganhar uma vaga na publicação é o Israel Guedes. O autor publicava o mangá T-Hunters em um aplicativo online de webcomics, mas quando passou a publicar na Action Hiken n. 43, junho de 2019, aumentou em muito a visibilidade do seu título. Foi uma decisão acertada do autor, e da antologia, que teria mais uma ótima série. O Israel é bem experiente e demonstra ter uma grande maturidade profissional.
              Após a morte de seus pais, Hanako “Hana” Hanajima acaba fugindo de casa para se salvar. O assassino matou seus pais a sangue frio. Não restou nada a jovem, de apenas 10 anos. Em contrapartida, temos o protagonista o Ken’ichi “Ken” Akamatsu. Esse jovem de apenas catorze anos está atrasado para o funeral da sua irmã mais velha. Ambos tinham uma boa relação, mas também um conflito de personalidades, pois, ela era alguém muito altruísta, já o Ken é um pessimista.
              Antes de chegar ao funeral, acidentalmente, acaba em meio a uma luta entre um Treasure Hunter (T-Hunter) e um caçador de recompensas. O T-Hunter o salva, e o caçador foge após ser ajudado por uma misteriosa companheira. A partir desse momento, uma série de acontecimentos irá unir os destinos de Ken e Hana. O personagem irá descobrir uma guerra entre poderosas organizações secretas, magias e cidades misteriosas.
              A primeira coisa que me chamou atenção nesse mangá: o traço. Olhando pela capa, você acha que vai ler algo meio shoujo, mas o autor não poupa em violência gráfica. Nada de autocensura aqui, até me impressionei com a veracidade da violência. O desenho tem boas referências, os traços são grossos, pesados, mas ainda assim dinâmicos. Me lembra mangás mais adultos.
              A página tem muitos quadros, o autor apela para closes e planos detalhes. O traço é seinen, a diagramação é shoujo, o mangá é shonen. Eu achei uma escolha acertada. Em paisagens, ou melhor, ambientes externos, o desenho é pouco detalhado, passando as informações necessárias. Os personagens se destacam muito em relação ao cenário. Já os personagens, sempre são detalhados em cabelos, roupas e adereços. Cada um tem seu próprio visual. O Israel faz bom uso das retículas, agregando em contrastes.
              O volume 1 possui cinco capítulos. Os dois primeiros oferecem alguma ação, os outros três, os quais o mangaká chama erroneamente de “capítulos de transição”, buscam apresentar protagonistas, o mundo e suas possibilidades. Sendo assim, o correto seria dizer que ainda estamos num volume introdutório. Teríamos transição se estivéssemos perto de uma segunda saga ou arco narrativo, o que não se configura.
              Como de praxe em muitos mangás shonen, a idade dos personagens parece destoar do físico deles, sobre o Ken e o Chiru, você até entende, mas o Satoshi só tem oito anos, parece bem mais. A personalidade do Satoshi também parece muito adulta para um personagem de oito anos, achei pouco factível. Já no que diz respeito a Hana, eu gostei do tratamento dispensado. Inclusive, ela tem um ótimo potencial narrativo.
              O autor tem boas referências no CLAMP e Hiroyuki Takei, não só em desenho, mas também no roteiro. Optou por conduzir a trama inicial através de conflitos internos e interpessoais. Uma ação minimalista. O artista empregou muito bem a personalidade de cada um em suas expressões faciais, gestos e modo de falar. A obra possui diversas críticas sociais impregnadas, basta uma leitura cuidadosa e você a verá.
              Entretanto, minha crítica é que depois do capítulo 2, apesar de já termos um conflito anunciado, não senti uma sensação de perigo tão iminente. Parecia que o núcleo principal fazia turismo. É uma série que vai investir em mistério e aventura, conflitos psicológicos e de personalidade, mas esperava que as situações dos capítulos 1 e 2 oferecessem um pouco mais de desconforto aos protagonistas no restante do volume.
              O Israel Guedes fez um ótimo mangá. Se passa totalmente num universo ficcional alternativo, muito semelhante ao atual Japão, talvez para receber uma melhor aceitação do público. Bem poderia acontecer em qualquer lugar através de sua dinâmica e mitologia. Muita coisa a ser abordada. O autor em experiência em desenhar e narrar, é professor na escola Japan Sunset, possui um canal no YouTube chamado Canal do Izu.
              Ele é bem crítico de obras japonesas e faz um estudo de desenho e narrativa deles, mas também é autocrítico e otimista, duas qualidades que admiro muito em qualquer artista. O mangá possui mais de 180 págs., orelhas, galeria de fanarts, making of do desenvolvimento. Veio com marca página exclusivo.
  • Cachoeira 3

    Na cachoeira um olha outro girar na água
    Como ele faz isto é a pergunta

    A sim que para, vão o perguntar
    É estratégia minha resposta

    Um tenta e bebe água nada de girar
    A persistência traria resultados

    Mas a sabedoria leva outro
    A saltar e dar um voleio para fora d’água

    Nossa que legal
    Parecia futebol aquático ou um golfinho

    Outro o viu saltar lá do alto
    Sim podemos variar

    Sim temos acasos e casos em nossas vidas
    Criamos e recriamos

    Então sabemos, sabemos que podemos
    -E iremos!

    cruz machado cachoeira
    Veja mais no meu perfil e caso você clique na pagina 2 e voltar para 1 ao invez de abrir a 2, é só clicar de novo que abrirá as paginas seguintes, já aconteceu isto por isto estou esplicando a vocês leitores, abraço.
  • Caia sete, levante oito vezes!

                Qual o limite entre autor e obra? Muitas vezes, não vemos determinismo entre “criador” e “criatura”, mas um estranha e até mesmo simpática inter-relação. Masashi Kishimoto com Naruto, representa sua fase inicial de carreira, alguém rejeitado, mas com um grande potencial que só queria se divertir com o que mais gostava. Samurai 8 – Hachimaruden mostra um autor consciente, porém debilitado pelas barreiras autoimpostas, mas que ainda assim se direciona a um sonho.
                As diferenças não param por aí. Naruto é uma fantasia urbana com doses de guerras épicas, que ao longo do tempo desbanca para a alta fantasia. Samurai 8 – Hachimaruden é uma mistura de histórias de samurai, cyberpunk e space opera numa deliciosa excêntrica mistura que só os mangakás sabem fazer. Mas porque comparar? Para que julgar o novo usando as medidas do velho? Vejamos o que esse samurai pode fazer!
                Aconselho a todos a lerem o capítulo zero. Nele teremos a dose de mistério e empatia pelo protagonista. O jovem Hachimaru é uma criança ciborgue que vive conectado a uma unidade de suporte vital, uma grande máquina que impede sua morte. O garoto tem condição debilitada devido as alergias e uso de próteses no lugar do braço e da perna esquerda. Sem contar a sua aicmofobia, medo de objetos perfurantes.
                Suas únicas companhias são um cachorro robótico chamado Hyatarou e seu pai, um inventor e seu “enfermeiro particular”. Logo no capítulo zero, nós temos vários elementos que poderão ajudar o leitor a se decidir se lerá ou não o novo mangá. Mas recomendo que o leitor não seja precipitado, e avance para o capítulo 1. É nessas 72 páginas, algumas delas coloridas, que veremos todo o potencial a série.
                Não espere aqui encontrar protagonistas cheios de energia ou poderosos logo de cara, o desenvolvimento do personagem se dá de modo lento e gradual. Com nuances, camadas de shonen intercaladas com drama e ficção científica. Para Hachimaru, se livrar de suas fraquezas é tão relevante quanto poder ter uma vida normal, mas o seu maior sonho é se tornar um samurai, aqueles que estão acima dos guerreiros.
                No capítulo um, o protagonista aprofunda sua condição degradante ao leitor. Quase pessimista. Chegamos a sentir as limitações de Hachimaru na pele, e como se refugia na tecnologia. É um dos poucos mangás com inserção de pessoas com necessidade especiais que já vi na vida. Sua relação com seu pai é conflituosa, e ele será o estopim da evolução de Hachimaru, claro que de modo inconsciente.
                Um encontro inesperado com um gato robótico chamado Daruma, que já foi humano, revelará os potenciais latentes do pequeno Hachimaru. O antagonista da obra, não direi “vilão” ainda, não tem nome, embora tenha marcado grande presença num primeiro capítulo tanto com sua personalidade e poder de luta. Sua inserção na trama foi eficaz e preparou terreno para muita coisa.
                Samurai 8 – Hachimaruden tem roteiros de Masashi Kishimoto e desenhos de Akira Ohkubo. O traço de Akira difere do traço mais realista e sóbrio de Naruto Shippuden e do traço mais arredondado de Mikio Ikemoto de Boruto – Naruto Next Generation. Seu desenho é limpo e plástico. Confesso que o designer das tecnologias pode causar estranheza, tem algo biotecnológico envolvido, é simples, mas funcional.
                O autor prometeu uns dez volumes da obra. Bem sabemos que promessa de mangaká não se deve levar em conta, principalmente os famosos e os que trabalham na Shonen Jump. Esses dez volumes podem virar mais de 50 exemplares fácil. Vocês acham que para salvar a galáxia atrás de sete chaves é vai levar quanto tempo? Espero que tempo suficiente para Masashi Kishimoto desenvolver uma história sem os vícios de seu mangá antecessor e possamos ver a evolução da bela arte de Akira Ohkubo.
  • Cansei

    Eu já vou avisando antes de tudo que o conteúdo do texto não vai além de um desabafo, por mais que este seja algo clichê não é de algum assunto clichê.
      Bom, a minha vida sempre foi ótima... Cof Cof... Não, vamos começar direito: desde sempre vivi no caos, eram os meus pais brigando ali, minha avó aqui, tios e tias de um lado, etc e tal; Ao começar 2° ano (sim, eu disse segundo, pulei o primeiro) era a mais baixinha, gordinha e até nerd da sala e infelizmente isso gerou uma grade bagunça na minha cabeça pois dali pra frente eu teria diversos apelidos tipo jacaré, Mônica, entre outros. aquilo não me afetava, "batia" em quem me chamava assim, só que ao crescer eu meio que entendi qual o sentido das palavras dirigidas a mim, do 6° ano pra frente além da família péssima ainda havia d lidar com a baixa estima que morava dentro de mim, apenas me corroendo, dentro e escondida.
      Nesse mesmo ano mudei de colégio, meus pais tinham problemas financeiros, estavam separados e precisavam me trocar de escola, foi uma ótima mudança, já que conheci muitas pessoas novas e amigos, mas havia um problema: ainda não consequia lidar com os xingamentos que antes não me afetavam. Chorava todods os dias nas aulas e ninguém ligava, virou rotina, até que lá pro 8° ano me mudaram de escola novamente...
      Não sabiam de nada, porém conseguiram uma bolsa de estudos pra mim em uma boa escola, como eu era até uma boa aluna foi fácil. Neste novo colégio ganhei um apelido comum que vai de acordo com a aparência de uma cantora e sua semelhança com a minha, até aí tudo bem né? NÃO, no meio tempo 6 à 8 série estava presa num inferno, foram seis ou sete tentativas de suicídio da minha querida e amada mãe (com tom de irônia por favor), não só era muito difícil de conviver com a pessoa como ainda é, mas vou deixar isso de fora um pouquinho. Voltando no período anterior brigávamos todo dia; Na escola era um pouco melhor, de pouco em pouco fui me adaptando com os novos professores e colegas, com problemas emocionais a única coisa que sabia era chingar. Me arrependo muito de não ter sido mais calma e pacífica essa epóca.
      Aqui estou eu, no 9 ano, acordando todo dia sem nem animo pra viver. Se há uma coisa que me anima é nada; o dia todo, todo dia, fazendo a mesma coisa e me culpando por machucar todos que passam por mim (isso acontece mesmo); Será que no fundo eu tenho mesmo boa intenção ou é tudo manipulação? Me conheço bem e disso eu tenho certeza, entretando não consigo me entender. É de mais querer ficar sozinha um tempo? é de mais querer espaço? ou pior, é de mais pensar em mim de vez em quando? Porque depois de tudo (o que está aqui de forma super resumida) eu cansei de me importar com os outros e o que eles esperam de mim, cansei de matar pra tirar 80% nas provas e ficar insatisfeita com 79%, não sei se é errado ou se estou sozinha nessa, só sei que cansei.
  • Carta ao passado

    Se eu pudesse voltar para quando eu tinha 15 anos e me entregar uma carta, nesta carta estaria escrito o seguinte: “Oi, está carta foi escrita por você, só que do futuro. Eu quero te dizer algumas coisas que no momento parecem impossíveis e insustentáveis, mas lá na frente vai fazer todo sentido. Quero começar te dizendo para desapegar mais das pessoas, elas vão te abandonar quando você mais precisar. Você tem muitas pessoas tóxicas do teu lado, cuidado! Cative bons amigos, se divirta e saia da sua bolha social, mas não se esqueça que você é seu melhor amigo. O mais importante, saia de perto dos religiosos, busque mais a Deus no seu interior e pare de se preocupar com o exterior... falando em exterior, você é muito lindo, sei que você se compara com outras pessoas e por isso se acha tão inferior, feio e tem essa autoestima tão baixa... não perde teu tempo querendo agradar uma pessoa que não te quer, você se basta.  Foca nos teus estudos, sei que é difícil... essa escola... as pessoas... as cobranças... as incertezas... o medo... o futuro... e você nem sabe o que quer fazer da vida. Você pode ocupar suas horas vagas com livros eles são a melhor companhia.  Sei que você prefere sumir, e sei também que você não se sente pertencente a nenhum lugar, esse vazio que você sente é normal, você de fato está sozinho, sei o quanto é difícil, mas você vai crescer muito. Você precisa se conhecer para ser feliz. Você precisa saber quem é você para ter paz. Daqui alguns anos você vai conhecer pessoas incríveis que vai te ajudar muito, essas pessoas serão diferente das que você tem hoje ao seu lado. São pessoas que vão te amar independentemente de quem você é de verdade. Sua família é seu maior tesouro, você não é de demonstrar sentimentos... e isso não vai mudar com o passar dos anos, mas você vai melhorar um pouco kkkkk. Fica tranquilo, as coisas vão se encaixar direitinho. Por fim, quero te dizer que a vida não é fácil, mas você vai conseguir... Se ame mais, se perdoe, e se entregue.”
    Apesar dos pesares, foi toda a dor que me causaram que me fizeram ser quem sou hoje. E eu sou eternamente grato. Agradeço a Deus por me ajudar sempre, pois sem ele... eu já teria desistido de viver. Ele tem sido meu ombro amigo.
  • Desabafo

    Recentemente baixei um aplicativo para ajudar na ansiedade. Minha ansiedade não é tão forte a ponto de se manifestar fisicamente de forma muito evidente (exceto por uma pequena mania automutiladora e insônia antes de algum evento importante), mas mesmo assim incomoda. Esse aplicativo disse que escrever pode ajudar a organizar os pensamentos, por isso estou escrevendo isso. Quando era criança sempre tentei ter diários, mas nunca consegui escrever todos os dias. Sempre fui assim, não sou muito boa em começar e terminar coisas. Geralmente começo e digo que um dia termino. Acaba que eu tenho pelo menos cinco livros que comecei a escrever e não acabei, além de um livro de poesias em que só falta terminar os desenhos (que sou eu quem faço, por isso faz um ano que está atrasado). Tem várias outras coisas que comecei e não terminei, mas não vêm ao caso.
    Ultimamente parece que o mundo está tentando me cobrar uma resposta acerca de uma coisa. Eu gosto de cantar e tocar violão. Um sonho que eu tinha quando criança era ser cantora igual a Avril Lavigne. Já participei de festivais, tentei fazer uma banda e a minha tentativa mais recente foi uma dupla com meu namorado. Dos três festivais que participei, ganhei um (acredito que ganhei por falta de concorrência, embora tentem me dizer o contrário), a banda não deu muito certo também. Eu quis dar um tempo para a nossa dupla faz quase um ano. Fizemos só uma apresentação, que foi uma participação no show de um amigo. Acho que as pessoas gostaram. Mesmo assim, tenho problemas para enxergar que somos bons nisso. Meu namorado disse que é coisa da minha cabeça, porque às vezes eu acho que está muito ruim e ele diz que isso fica maior do que parece pra mim. Gosto de tocar e cantar com ele, embora eu fique meio ranzinza quando ensaiamos, e dependendo do lugar que ensaiamos eu começo a ficar incomodada. Se for um lugar onde passa muita gente, eu começo a achar que as pessoas não estão gostando ou estão rindo da gente, aí eu começo a ficar triste. Parece que o mundo quer saber de mim se eu vou ou não continuar nisso. Apesar do meu medo, eu adoraria cantar pras pessoas e saber que elas gostam do que eu faço. Só que minha cabeça não para de me dizer o contrário.
    Eu faço faculdade de manhã e vou pra lá de van, porque meu pai não pode me levar e é mais tranquilo. Além de mim, tem um pessoal que está no ensino médio que também vai comigo. Eles são legais na maioria, mas tem tido um problema essa semana que me incomodou, mas acho melhor não falar disso. Acho que vou ficar irritada. Só queria dizer que está me incomodando e estou desanimada de ir nessa van. 
    Meus pais também estão me deixando meio maluca. Eu sei que se você que está lendo tiver mais ou menos minha idade, vai concordar com isso, e que se não, vai dizer que é uma fase. Eles não me deixam maluca porque não gosto deles. Pelo contrário. Eles me deixam assim porque eu gosto muito deles, então eu fico em dúvida se devo fazer o que eu quero ou o que eles querem. Sei que eles querem o melhor pra mim, mas porque eu iria querer o contrário? Acho que nesse ponto vejo o mundo mais simplificado do que eles. Pais sempre pensam no pior que poderia acontecer, enquanto nós pensamos nas coisas boas. Eu tenho quase 18 anos e tenho medo de continuar com essa dúvida. Principalmente meu namorado, porque o que está nos atrapalhando um pouco é o fato de eles não quererem que eu namore agora (ou até minha formatura (ou até eu ter 30 anos)) e ele está muito incomodado com isso. Tudo isso me deixa muito chateada. Não gosto de ter que escolher entre meus pais e meu namorado. Não deve ser tão difícil assim ter os dois. Acho que as coisas estão se complicando além do necessário.
    Agora que já acabei de incomodar você que está lendo, pode continuar a ler outros textos. Eu precisava desabafar e foi bom contar com você para ler. Desculpe se essa leitura não te agregou conhecimento útil ou diversão. Mesmo assim, obrigada por ler.
  • Dia de chuva

    Tudo começou com um belo dia pós chuva. À vi em uma travessa daquela pequena cidade.
    A princípio não havia reparado em seu elegante cachecol estampado com flores, e sua blusa lisa caque que destacava sua esbelta cintura, e sua calça jeans escura, e suas botas marrom, sem salto. Não sou de reparar nas pessoas, mas não pude deixar de reparar em seus cabelos castanho escuro, levemente andulado nas pontas, e aqueles chamativos par de olhos mel esverdiados, que até poderia dizer que eram âmbar, e um sorriso, lindíssimo, com dentes tão brancos como as nuvens, e reluzentes como as estrelas. Mas o que realmente me chamou a atenção, foi o motivo de seu sorriso, um pequeno pássaro verde, pousado em uma árvore próxima. Ela apontava, e sorria, mostrando-o para quem andava com ela.
    E isso me fez pensar: Como coisas simples podem fazer a alegria de alguém?
    Aquele pássaro pousado naquela árvore, nada de mais, fez a moça sorrir.
    E aquela simples ação da linda moça, me fez sorrir o resto do meu dia.
  • Diário de um feiticeiro

         Oi, meu  nome é Ryan Lewis e tenho 15 anos. Hoje é o dia 26 de outubro de 1985, falta apenas 5 dia para meu aniversário. Hoje 26 de outubro acordei com o pé esquerdo, escovei os dentes e lavei a cara com a força do ódio e fui pra escola.
         Quando cheguei na escola veio meu amigo Henry para nós falar sobre a nossa série favorita de terror. A gente passou  os quatros períodos da aula conversando sobre teorias malucas do que aconteceria com a alma da personagem Lilian. Enquanto nós passamos os quatros períodos da aula conversando eu fiquei olhando para Sabrina Spellman que é uma garota bonita, inteligente e misteriosa. Não vou negar que sinto um sentimento por ela mas ela nem sabe q eu existo hahaha. Eu dou risada mas na verdade é um tanto triste. E essa foi a minha manhã.
         Depois dessa manhã chata mas legal ao mesmo tempo no colégio Dorcas, fui para minha casa e almoçei com minha tia Ilda e meu tio Ben. Você deve estar se perguntando dos meus pais, vou deixar bem claro que eles não estão mortos, eles somente desapareceram quando eu nasci. Deixa eu explicar melhor isso, quando eu nasci eles me entregaram para os meus tios e foram embora e disseram q voltariam um dia. Faz 15 anos e eles não voltaram, mas eu me acostumei com minha tia Ilda e meu tio Ben. 
         Depois do almoço, fui as duas horas da tarde para a floresta Salvatore para fazer o que eu mais gosto que é observar a natureza e tirar fotos mas algo estranho aconteceu lá. Eu vi a Sabrina realizando algo que parecia um ritual, me aproximei perto dela sem ela ver, fiquei olhando tudo aquilo acontecer. Aquele ritual era para trazer de volta o seu gato morto que tinha sido atropelado, foi naquele momento que descobri que bruxas existiam e que andavam entre nós.
         Mas eu não fiquei assustado pois eu senti que era igual a ela, era como se algo fluísse dentro de mim, então sem medo me aproximei dela e ela tentou fugir com o gato já vivo correndo atrás dela, então eu gritei :
          - Espera, eu acho q sou que nem você, sinto algo fluindo em mim.
         Então ela parou e se virou para trás e o gato também, então ela me perguntou a minha idade e eu respondi 15 anos. Ela me perguntou quantos dias ou meses faltava para o meu aniversário, então respondi 5 dias. Ela me perguntou se estava tendo sonhos com algo relacionado a magia, ela parecia saber de tudo, ela até descreveu um sonho bem direitinho, era um sonho onde eu pegava um livro e realizava um ritual de invocação. Ela me explicou que eu me tornaria um bruxo ou melhor dizendo um feiticeiro. Fiquei um pouco espantado mas nem tanto pois sabia que eu não era normal que nem outros, as vezes sentia uma energia percorrendo meu corpo. Parece q eu realmente iria descobrir meus poderes no dia 31 de outubro que é o dia do meu aniversário de 16 anos segundo Sabrina. Ela explicou q descobriu seus poderes dia 28 de julho que foi seu aniversário de 16 anos mas Sabrina ao contrário de mim já sabia disso e foi orientada desde pequena.
         Sabrina se aproximou perto de mim e disse que não era para eu ter medo pois ela me ajudaria a cada passo que eu desse, isso me fez me sentir melhor, ela falou que eu adquiria conhecimento em uma escola para feiticeiros e feiticeiras indo todos os sábados. Ela me explicou que a escola ficava debaixo da ponte sul da nossa cidade. Eu fiquei falando pra ela: 
         -Como assim? Debaixo da ponte? 
         Mas aí ela me explicou melhor e disse que debaixo da ponte havia um pentagrama que se você for um feiticeiro de verdade e recitar as palavras cremonali doudali soulanali a parede quebraria e abriria um portal para a escola. Eu fiquei feliz pois sábado é o dia que irei virar feiticeiro e já poderei ir na escola de magia no mesmo dia.
         Então depois dessa tarde maluca descobrindo coisas incríveis, eu fui para casa e meu amigo Henry esta me esperando na frente da minha casa, ele parecia querer contar algo. Então me aproximei dele e ele me contou que na outra floresta da cidade que é uma floresta mais obscura da que eu estava, tinha uma criatura peluda, com dentes enormes e garras muito afiadas coberto de sangue de um cervo que essa criatura matou.
         Então eu disse:
       -  O que você estava fazendo lá, e que horas você viu isso?
         Ele me disse que viu as 22:45 de hoje, a esse horário eu ainda estava com a Sabrina na outra floresta que é muito linda, diferente dessa que Henry estava. Mas ele não me disse o que estava fazendo lá, então eu falei:
        - Mas você não me disse o que estava fazendo lá.
         Henry disse que estava atrás de uma nova espécie de passarinho mas não fazia sentido ele estar naquele horário, então perguntei:
        - Mas por que você estava nessa?
         Henry falou que o pássaro possuía hábitos noturnos, mas estava tão difícil de acreditar nele, parecia que estava me escondendo alguma coisa. Mas então por que ele me contaria dessa criatura? Minha mente estava tão confusa com tudo isso.
         Então falei para ele:
       - Henry você esta mentindo, você pode confiar em mim e contar a verdade.
         Então Henry me olhou e contou tudo dizendo:
        - Meu vô contava que uma criatura morava naquela floresta a muito tempo e ele já tentou caçar essa criatura mas não obteve sucesso. Então eu resolvi ver se era verdade as história dele e era.
         Depois de ouvir Henry falar isso, eu fiquei meio que assustado, eu estava pensando em contar para Henry sobre mim já que ele contou a verdade para mim, mas eu não queria colocar ele em perigo, talvez isso da criatura já fosse coisa demais para ele. Então falei para ele:
         - Henry eu acho que essa criatura não é nada mais ou nada menos que um lobisomem, que tal a gente continuar a comentar amanhã pois agora já são 23:00 horas da noite e sinto que nós dois levaremos broncas hahaha.
         Henry concordou comigo, ele me deu tchau e foi para casa e eu entrei na minha casa, quando entrei já estava minha tia Ilda e meu tio Ben sentado em um cadeira e eles estavam furiosos por eu ter chegado as 23:00 da noite, o horário máximo que eu poderia chegar em casa era as 20:00.
         Eu expliquei que estava com uma colega minha na floresta, só que isso não pegou muito bem. Eles acharam que eu estava transando ou algo assim, mas aí eu meio que falei a "verdade", falei que Sabrina estava me ensinando algumas coisas. Você pode achar que não mas eles acreditaram pois eles tinham grande confiança em  mim.
         Então depois da conversa com eles, eu tomei um suco de laranja muito gostoso com duas torradas de presunto e queijo, depois disso fui escovar meus dentes com a pasta de dente que eu amo e fui dormir. Posso ter começado o dia meio mal humorado mas acabei ele com tanta felicidade. 
         Depois de dormir acordei animado, querendo ir para escola e tentar me aproximar mais de Sabrina. Cheguei na escola encontrei Henry e fomos para sala de aula antes do sinal bater e já colocamos a data no nossos caderno que é dia 27/10 (terça-feira). Depois que colocamos a data resolvermos comentar mais sobre o lobisomem, ele me disse:
        - Era enorme, antes que você me pergunte se ele me viu já digo que não pois eu estava muito bem escondido, estava escondido atrás de duas árvores gigantes e elas tinham um cheiro muito forte, então seria difícil dele me farejar.
         Então eu lhe perguntei:
        - Essa de você estar escondido atrás de árvores com cheiro forte foi planejado?
         Henry riu, mexeu a cabeça fazendo sinal de negativo e respondeu:
        - Com certeza não, eu dei sorte de esta no lugar certo na hora certa.
         Então bateu o sinal para aula começar e Sabrina entrou na sala e fez um  gesto me dando oi, então eu fiz o mesmo com um sorriso. Depois que bate para o segundo período nós temos a merenda, notei q as duas amigas de Sabrina tinham faltado a aula, uma estava doente e a outra viajando para Nova York pois seu pai morava lá e ele estava muito doente, o coitado estava com câncer. Então já que Sabrina estava sozinha na merenda falei pra Henry que ia sentar com ela e pedi para ele deixar nós sós, Henry não gostou muito mas ele aceitou numa boa. Quando sentei com ela falei:
        - Eae Sabrina tudo bom? Posso sentar?
         Ela respondeu:
        - Estou bem, você já esta sentado, desculpa não quis ser grossa, me conte, esta animado? Esta bem com tudo isso?
         Então com um sorriso eu falei:
        - Não foi grossa não, só um pouquinho hahaha, sim estou super animado com tudo isso e por incrível que pareça estou bem com toda essa novidade, vai ser uma aventura para mim e será melhor ainda se você estiver nela.
         Sabrina ficou um pouco vermelha, me deu um sorriso e disse: 
        - Será um prazer estar nela.
         Então o nosso tempo na cantina acabou e voltamos para a sala, quando voltei lembrei que a gente nem comeu nada e meu estômago começou a roncar. Henry notou que eu estava com fome então me deu um pão com doce que havia pegado na merenda. Quando fui comer escondido (pois é proibido comer na sala de aula) lembrei que Sabrina não comeu nada, então parti o pão e dei o maior pedaço para ela sem a chatinha da professora Laiane ver. Sabrina me agradeceu e depois que acabou o segundo período fomos para o recreio, Henry foi conosco mas todo o recreio eu e Sabrina não falamos uma palavra sobre o assunto de feiticeiro, ficamos apenas falando sobre os professores, séries, filmes etc. Foi bom saber que a Sabrina também gostava de filme de terror. 
         Depois do recreio tivemos aula de história que me deu até sono mas depois veio a aula de ciências. E na aula de ciência foi dado um trabalho onde teríamos que tirar fotos de animais em umas das floresta da cidade, poderíamos escolher a floresta Salvatore ou a floresta Negra que era onde Henry teria avistado o lobisomem. O trabalho foi divido em duplas que foram sorteadas. A professora Nancy sorteou o papel com meu nome e falou:
        - Ryan ficará com...
         Aí ela sorteou outro papel com outro nome de uma pessoa e disse:
        - Sabrina 
         Aí olhei para Sabrina e sorri para ela e ela retribuiu com outro sorriso. Ela me deu um bilhete no final da aula que dizia:
        - Ryan me encontre as 14:00 horas na floresta Salvatore para nós realizar o trabalho, e para conseguirmos um familiar pra você, quando chegar eu lhe explico o que é familiar.
         Peguei o bilhete e coloquei no bolso e fui para casa conversando com Henry, ele me disse que havia ficado sem dupla, então eu lhe disse:
        - Henry nem pense em entrar na floresta Negra pra tirar foto daquela criatura, acredito que o mundo não esta pronto pra descobrir que lobisomens existem.
         Henry me olhou, concordou com um gesto positivo com a cabeça. Então Henry entrou ma casa dele que é do lado da minha e eu entrei na minha. Comi a galinha deliciosa que minha tinha Ilda tinha preparado de almoço, junto com um arroz branco e o meu suco favorito que é o de laranja. Depois de ter comido fui dormir um pouco até as 13:30 para depois ir na Sabrina, quando dormi eu tive um sonho, onde eu falava com um corvo e ele me respondia, o nome dele era Estorcas
         Então me acordei as 13:30 e fui para a floresta Salvatore encontrar a Sabrina, eu cheguei bem no horário combinado, nenhum minuto antes e nem depois mas ela não tinha chegado ainda, então resolvi sentar no banco para esperar ela. Não demorou 5 minutos pra ela chegar, quando chegou entramos pra dentro da floresta, eu estava com a câmera e ela com uma mochila que eu não sabia o que havia dentro.
         Olhei pra ela e disse:
        - Então, você tinha ficado de me explicar o que era um familiar. Então me diga o que é.
         Sabrina me olhou e falou:
        - Familiar é um animal que conversa com você e só você entende ele, ele entende as outras pessoas mas as outras pessoas não o entendem. Então você pode escolher que tipo de animal você quer e pode dar um nome pra ele.
         Eu na hora falei que queria um corvo e que seu nome seria Estorcas, Sabrina me olhou e disse:
        - Um corvo, sério? O meu familiar é aquele gato que você viu eu ressuscitando usando necromancia, antes que me pergunte o que é necromancia, já digo que é uma magia que lida com mortos e é bem complicada.
         Então eu olhei pra ela e falei:
        - Eu quero um corvo pois eu tive um sonho que eu estava falando com um corvo chamado Estorcas.
         Ela me olhou e disse:
        - Ei, você foi escolhido por ele, ele veio a você através do sonho. Eu acho que tenho tudo em minha mochila para evocalo.
         Então ela tirou um giz branco da mochila e fez um pentagrama no chão com a letra "E" no meio da estrela, no pentagrama tinha outros desenhos que simbolizavam evocação e outros meio referente a familiares. Ela me deu um livro de capa dura com um pentagrama na capa e embaixo dizia: "Livro Básico de Evocações."
         Ela me falou para abrir na página 27, onde falava de evocação de familiares, aí eu li as palavras:
        - Evocate familiare prontact pra me serviare.
         Depois que eu falei essas palavras, começou a sair uma fumaça preta do livro que foi para o pentagrama e no meio daquela fumaça saiu um corvo e ele me disse:
        - Eu não sou seu escravo mas o ajudarei em sua jornada e não ache que serei presso a você, eu serei livre pra voar para onde eu quiser. Eu serei seu amigo, seu conselheiro e até parceiro para inúmeras coisas mas jamais seu escravo.
         Eu falei pra ele:
        - Sim, serás meu amigo mas não escravo. Poderá voar pra onde quiser a hora que quiser. Será um prazer trabalhar com você.
         Depois disso, Sabrina e eu fomos procurar algum animal legal para tirar uma foto enquanto Estorcas sobrevoava a área para garantir se estava tudo bem. Depois de procurar e procurar um animal para tirar foto, finalmente achamos uma borboleta azul muito bonita. Então quando nos aproximamos o bastante dela para tirar uma foto ela vôo para longe. Aí eu olhei pra Sabrina e perguntei:
        - Tem como a gente evocar um animal só para a gente tirar uma foto e depois fazer ele ir de volta do lugar que saiu?
         Sabrina respondeu:
        - Sim mas tive uma ideia melhor, antes de eu contar me fale se você sabe desenhar bem.
         Eu respondi que sim aí ela contou que tem um feitiço que a gente faz um desenho meio que criar vida por uns dez segundos aí depois ele some. Então desenhei uma linda borboleta azul, idêntica aquela que a gente tinham visto. Ela pegou o meu caderno e outro livro de feitiços que dizia: Feitiços Básicos Volume 01.
         Ela abriu o livro na página 77 que tinha o feitiço chamado Ilusione desenhare, então ela ela recitou as palavras que dizia:
         - Criare el ilusuine del deserro poro trempo cutiro.
         Depois que ela disse essas palavras estranha o meu desenho da borboleta sumiu da folha e estava na minha frente a borboleta que eu tinha desenhado. Então rapidamente peguei a câmera e tirei uma foto perfeita, depois que tirei a foto eu fui tocar na borboleta mas aí o tempo acabou e ela voltou para a folha de papel do meu caderno.
         
         Sabrina olhou pra mim e me deu uma risadinha, nós dois estávamos parados lá sem mais nada pra fazer, então convidei ela pra dar uma caminhada pela floresta. Enquanto nós caminhava notei que Estorcas estava nos acompanhando pelo ar. Sabrina e eu estávamos conversando sobre feitiços e poções super legais enquanto nós caminhava. Mas aí eu pedi pra ela parar e fechar os olhos porque eu tinha uma surpresa. Ela fechou os olhou e falou:
        - To curiosa!
         Eu me aproximei dela e a beijei, enquanto nós nos beijava, as flores  começaram a voar em nosso redor, foi literalmente mágico o nosso beijo. Quando eu tinha finalizado o beijo ela me falou:
        - Foi uma das melhores surpresas que eu poderia receber.
         Quando eu fui pedir ela em namoro ela me interrompeu e falou:
        - Quer namorar comigo?
         Na hora eu disse sim, abracei ela como se não fosse soltar mais, depois do abraço, eu a beijei de novo e as flores em nosso redor fizeram um formato de coração. Falei pra ela:
        - Já são 16:00 horas, achou que vou pra casa, se tu for também posso lhe acompanhar até um pedaço?
         Ela disse que sim, então fomos conversando até sua casa sobre o quão incrível seria daqui pra frente. Quando chegamos na porta da casa dela eu a beijei e dei tchau. Eu estava super feliz, cheguei em casa cantando, minha tinha Ilda perguntou:
        - Qual o motivo de tanta felicidade Ryan?
         Aí eu lhe disse:
        - Ela me ama tia, a Sabrina me ama, tia eu gosto tanto dela.
         Tia Ilda ficou feliz por mim, o tio Ben estava trabalhando, ele trabalha de manhã das 06:00 horas até 11:00 horas da manhã. Depois que ele almoça ele volta a trabalha das 13:00 até 18:00. De manhã quando eu acordo para escola ele já esta no trabalho, depois quando chego da escola ele já ta quase saindo, a gente fica mais juntos pela noite. Tinha Ilda eu vejo quase sempre pois ela não trabalha. Não via a hora de contar pro tio Ben da Sabrina. Não faltava muito pra ele chegar pois já era 17: 37. 
         Fui para meu quarto para assistir The Horror que é uma série de terror que eu e o Henry assistimos, fiquei impressionado com o que fizeram. Fizeram um pacto com satã para a alma de Lilian voltar para o corpo, depois disso fiquei pensando se com a magia poderia fazer coisas assim. Acabei de assistir a série as 18:30, depois disso fui cumprimentar meu tio que havia chegado a meia hora atrás, depois que cumprimentei ele, eu disse:
        - Tio você nem acredita, tem uma garota da escola chamada Sabrina Spellman, a gente ta namorando.
         Ele me olhou com uma cara muito séria e falou:
        - Você falou Spellman?
         Minha tia que estava com uma xícara de chá, acabou derrubando no chão de espanto, então eu falei:
        - Tia esta tudo bem?
         Minha tia estava muito apavorada, eles sabiam de alguma coisa e estavam me escondendo. Então eu falei:
        - O que vocês sabem sobre o sobrenome Spellman?
         Meu tio me disse com uma voz rígida que a família Spellman são bruxos e perguntou se eu sabia algo sobre magia. Então eu lhe respondi:
        - Sim, eu sei e sou um feiticeiro. 
         Ao mesmo tempo minha tia e meu tio falaram:
        - Meu Deus, como você sabe disso?
         Expliquei que descobri através de Sabrina e eles ficaram furiosos e mandaram eu me afastar dela e até disseram que eu não iria a escola de magia. Eles sabiam de tudo isso e me esconderam a vida inteira, eu fiquei com tanto ódio que subi a escada e me tranquei em meu quarto. Quando estava no meu quarto eu abri a janela e em questão de segundos o Estorcas entrou e viu que eu estava furioso e me disse:
        - O que aconteceu? Por que está furioso?
         Então eu lhe respondi:
        - Estorcas o meu tio e minha tia sabiam de tudo e me esconderam a vida inteira, aposto que eles também sabem de meus pais.
         Estorcas falou pra mim que eu deveria perguntar sobre meus pais e sobre tudo que eu tinha direito de saber. Então baixei a escada quase chorando e fui falar com eles que estavam na sala, quando eu cheguei disse:
        - Eu mereço saber a verdade sobre meus pais.
         Eles me contaram que os meu pais queriam que eu tivesse uma vida normal, pois seria muito perigoso para mim, ou talvez para outras pessoas pois eu sou um feiticeiro híbrido. Então pedi para eles me explicarem melhor essa história de feiticeiro híbrido, então minha tia disse:
        - Vou começar a contar para você como surgiu os feiticeiros, existem dois tipos que são os do "bem" e os do "mal". Os do "bem" surgiram com uma cruza de um anjo com uma humana, em vez de estarmos chamando eles de feiticeiro do "bem", usamos o termo feiticeiros angelicais. Os feiticeiros do "mal" surgiram de uma cruza de um demônio com uma humana e para eles usamos o termo feiticeiros demoníacos. Aí o primeiro feiticeiro angelical criou as poções, os feitiços, livros e etc. O primeiro feiticeiro demoníaco criou rituais, livros mais obscuros, necromancia e etc. 
         Então eu perguntei:
        - O feiticeiro angelical pegou uma mulher que teve filho aí os filhos tiveram outros filhos até chegarem na gente?
         Então meu tio Ben respondeu:
        - Isso mesmo, mas eu e sua tia não somos que nem você, a sua mãe é irmã da sua tia por parte de mãe, já de pai não. Sua mãe Natasha era uma feiticeira demoníaca mas não era do mal, ela se casou com Edward que era um feiticeiro angelical e eles geraram você que é uma nova espécie.
        - Mas por que eles foram embora tio?
         Tio Ben falou que era para o meu bem que eles foram embora, se a sociedade dos feiticeiros angelicais e demoníacos vissem eles juntos, talvez matariam eles pois é proibido a união dos feiticeiros demoníacos com os feiticeiros angelicais. Então eu lhe perguntei:
        - Eles estão vivos? E estão seguros?
         Tio Ben respondeu:
        - Sim, estão seguros pois são muito espertos e eles combinavam seus poderes e faziam coisas incríveis, acredito que eles estão em algum lugar muito longe, onde os feiticeiros não podem alcançar eles. Acredito que um dia talvez eles voltem.
         Perguntei pra eles se eu poderia ir na escola de magia e eles disseram que é muito perigoso mas depois de muita conversa eles deixaram com uma condição. Que era que eu não poderia falar que era um feiticeiro híbrido, só falaria que era um feiticeiro angelical. Concordei com essas condições e falei:
        - Tem uma escola para os feiticeiros demoníacos?
         Tio Ben respondeu:
        - Sim mas esta escola você não vai participar pois ela não é muito recomendável por causa de seus métodos de ensino. 
         Concordei com o que ele disse e perguntei para minha tinha Ilda:
        - Tia você falou que os feiticeiros demoníacos criaram os rituais e a necromancia certo? Os feiticeiros angelicais podem realizar rituais e fazer coisa com a necromancia?
         Tia Ilda respondeu:
        - Sim, eles podem mas tem coisas que só a magia demoníaca faz e coisas que só a angelical faz. 
         Fiquei curioso com o ritual que Sabrina fez e a necromancia que ela usou para trazer seu gato de volta. Então perguntei:
        - Tia, feiticeiros angelicais podem usar a necromancia para trazer um familiar de volta a vida e pode realizar ritual de invocação de familiar?
         Ela me respondeu que isso são coisa "simples" para feiticeiros seja ele angelical ou demoníaco. Que são meio que nível básico mas já trazer pessoas a vida é bem mais complicado e evocar demônios também já é mais difícil também. A evocação de demônios são mais os feiticeiros demoníaco que conseguem fazer, foi o que disse tia Ilda.
         Chamei Estorcas para eu apresentar ele a minha tia e meu tio. Quando tia Ilda viu ele ficou feliz por ser um corvo pois a de sua irmã que é minha mãe também tinha um corvo de familiar. Finalmente depois de toda a conversa e a apresentação de Estorcas fomos jantar, comemos de janta o que tinha sobrado no almoço pois já eram 21:27 horas. Depois que comi fui escovar os dentes e peguei no sótão uma gaiola para o Estorcas mas ele não quis por causa que ele se sente preso. Aí eu falei pra ele:
        - É só para você dormir, nem vou fechar ela.
         Estorcas então aceitou a gaiola só para dormir, ele falou para mim que amanhã teria que comprar alguma ração de pássaro pois ele precisava comer. Então eu lhe disse:
         - Ok, mas agora boa noite pois tenho que dormir.
         E esse foi meu dia super maluco, cheio de descobertas e segredos revelados. Quando estava dormindo tive um sonho, nesse sonho eu tinha 7 anos e estava no balanço e tinha um homem me balançando e lembro dele dizer:
        - Ryan um dia voltaremos, desculpa por tudo.
         
         Aquele homem aparentava ser meu pai e esse sonho não parecia um sonho, estava mais para uma lembrança perdida. Quando acordei fiquei pensando nesse sonho enquanto escovava meus dentes. Fui olhar que horas eram, eram 7:34, faltava 16 minutos para bater o sinal da escola. Então em seis minutos coloquei minha roupa, arrumei meu cabelo encaracolado, peguei a mochila e saí correndo para a escola. Eu demoro mais ou menos vinte minutos pra chegar na escola mas hoje consegui chegar em dez por causa que eu corri muito rápido. Cheguei bem na hora que tinha batido, entrei na sala e me sentei atrás da Sabrina e do lado do Henry, perguntei de que animal Henry tirou a foto, então ele me mostrou uma linda foto de uma coruja rara.
         A nossa aula de ciências seria no segundo período. Enquanto isso nós tinha aula de português com o professor Guilherme, ele tinha cara de personagem de novela mexicana. As aulas do Guilherme eram bem legais pois ele era super engraçado contando piadas mas apesar das piadas que ele nos contava, ele nos ensinava muito bem o conteúdo e suas provas eram difíceis um pouco mas não eram nenhum bicho de sete cabeças. Depois da aula bem produtiva do professor Guilherme, tivemos a aula que eu estava tanto esperando que era a de ciências para eu entregar a foto da borboleta que eu e Sabrina havíamos tirado. Nossa foto ganhou nota 100 e a do Henry 90 pois a foto dele estava um pouco borrada mas estava boa. A professora nos deu outro trabalho que era pesquisar sobre o animal que a gente tinha tirado  a foto. 
         Então a merendeira nos chamou para comermos, me sentei com Sabrina e sua amiga que tinha voltado de Nova York, a outra ainda estava doente. Perguntei para a amiga de Sabrina que se chama Nathalia se seu pai estava bem e ela me respondeu:
        - Sim, graças a Sabrina que fez uma poção de cura que funcionou.
         Depois que ela disse isso, olhei para Sabrina e falei:
        - Você contou para ela sobre tudo?
         Então Sabrina respondeu:
        - Ela é que nem a gente, uma feiticeira angelical.
        Então  eu lhe disse:
        - Há, tá! Você contou sobre nós estarmos namorando?
         Sabrina fez um sinal positivo com a cabeça enquanto mastigava uma maçã. Nathalia de brinquedo nos pergunta:
        - Eae, quando vai ser o casamento?
         Eu e Sabrina damos uma risadinha e falamos que nós não sabia, mas que pretendemos nos casar um dia. Perguntei a Sabrina se exite casamento bruxo ou algo assim, ela me respondeu:
        - Mais ou menos, a gente pode assinar um livro pra mostrar que estamos compromissados ou algo assim.
         Depois da merenda voltamos para aula de ciência, quando chegou seu fim chegou o recreio e depois do recreio tivemos aula de educação física, eu e Henry notemos que uma garota que havia entrado na escola um mês e meio atrás se movia muito rápido, ela só faltava correr em quatro patas para deixar na cara que era uma lobisomem. Seu nome era Jéssica Freitas, falei para Henry se aproxima dela pra ver se ele descobria algo. Ele se aproximou dela e disse:
        - Oi tudo bem? Você gostaria de comer um lanche um dia comigo?
        Eu falei para Henry se aproximar dela, não para marcar um encontro com ela. Eu não acreditei quando ela disse que gostaria de comer um lanche com o Henry. Então Henry falou para ela:
        - Pode ser hoje de tarde as duas horas na lanchonete do Jimmy?
         Jéssica fez sim com a cabeça, então deixei os dois as sós e fui falar com a Sabrina e sua amiga, contei toda a história para as duas do lobisomem e convidei Sabrina para nós irmos no mesmo lugar que Henry só para investigar melhor ela. Sabrina aceitou com uma condição, a condição era que eu comprasse  lanches para a gente, por sorte eu tinha 35 reais guardados em casa para nós comprarmos os lanches. 
         Depois da aula de física tivemos aula de geografia, falamos sobre mapas, relembremos alguns conceitos, depois disso fomos para casa eu e Henry, Sabrina foi com sua amiga que mora na frente de sua casa. 
         Depois que cheguei em casa comi o delicioso estrogonofe que minha tia tinha feito e fui para meu quarto, quando cheguei no meu quarto joguei a ração pássaro que havia comprado em cima da cama e falei:
        - Toma aí sua ração Estorcas, hoje eu e Sabrina sairemos para uma lanchonete para investigar a Jéssica que estará com o Henry.
         Então Estorcas me perguntou porque eu investigaria a Jéssica, então eu lhe expliquei a história do lobisomem. Já eram 13:20, então fui me arrumar para o "encontro", coloquei minha melhor calça e um camiseta preta, por cima da camiseta coloquei um sobretudo preto pois estava fazendo muito frio naquela tarde. Depois de ter me arrumado coloquei a ração num pote para Estorcas e lhe deixei um pote com água também.
         Quando cheguei na lanchonete do Jimmy, Henry já estava com Jéssica conversando, mas Sabrina não havia chegado ainda, escolhi uma mesa longe deles e me sentei para esperar Sabrina. Alguns minutos depois, chegou Sabrina com seu cabelo loiro solto, e com um lindo casaco cumprido e vermelho. Ela sentou na mesa que eu estava e me disse:
        - Ta parecendo um detetive com esse sobretudo mas um detive muito gato.
         Eu sorri e disse:
        - Você esta linda com esse casaco vermelho, acho que vermelho combina com você.
         O garçom chegou na gente então pedi dois xis salada de 12 reais e um refrigerante de dois litros de 5 reais. Enquanto preparam os xis, eu e Sabrina conversamos sobre os livros de magia que ela iria conseguir para mim. Enquanto conversamos deu pra ver Henry sorrindo e conversando com Jéssica sobre a escola, edução física, professores favoritos e dentre outras coisas. Depois que eles comeram, saíram andando pela praça conversando enquanto eu e Sabrina estava terminando de comer o lanche e tomar o refri. Sabrina acabou não comendo todo o lanche e nem eu também pois tinha comido bastante no almoço então a gente deu para um mendigo junto com um pouco de refri que tinha sobrado.
         Eu e Sabrina estávamos seguindo Henry e Jéssica, depois deles andarem um pouco, eles sentaram num banco e se beijaram, olhei para a Sabrina e disse:
        - Já no primeiro encontro hahaha
         Nos dois demos risada e ela falou:
        - Era o que eu queria fazer com você a primeira vez que a gente começou a conversar.
         Olhei para ela e a beijei e falei:
        - Bora sentar num banco também.
         Ela falou bora, então sentamos num banco, peguei um ferro que estava no chão e escrevi no banco: S+R. Depois disso olhei para trás de nós, e vi uma barraquinha que vendia coisas de pelúcia, então falei para Sabrina:
        - Espere aí, já volto
         Cheguei na barraca e comprei um ursinho com os 6 reais que havia me sobrado. O ursinho assegurava um coração que dizia te amo, levei o ursinho pra ela e falei:
        - Toma uma lembrancinha desse dia que era pra ser uma investigação mas virou um encontro incrível, eu te amo Sabrina Spellman.
         Ela me olhou sorrindo e falou:
        - Eu também te amo Ryan Lewis
         Então a beijei, quando fomos olhar para o Henry, vimos que ele já tinha ido embora com Jéssica. Então eu levei Sabrina para casa dela, dei um beijo de despedida e fui para minha casa. Quando fui para casa, Henry estava na frente da minha casa com mordidas no pescoço. Olhei pra ele e falei:
        - O que aconteceu, foi a Jéssica?
         Ele me respondeu:
        - Não foi ela, foi um homem que saiu da floresta Negra mas eu não estava nela estava só cruzando enquanto voltava para casa, esse homem esta encapuzado e seus olhos eram vermelhos.
         Olhei para ele com uma expressão séria e falei:
        - Já não bastava lobisomens, agora vampiros e provavelmente você vai virar um vampiro se não acharmos uma cura ou algo assim.
         Henry me perguntou como iriamos achar uma cura, então lhe respondi:
        - Henry eu sou um feiticeiro híbrido, posso ter acesso as magias do mal e as do bem.
         Henry não tinha entendido nenhuma palavra do que eu tinha dito, então acabei contando e explicando tudo para ele e ele entendeu.
         Falei para Henry:
        - Vai para casa, amanhã a gente fala com a Sabrina e ela poderá ajudar a gente.
         Então Henry foi para casa e eu para minha, quando cheguei na minha casa, minha tia perguntou:
        - Como foi o encontro?
         Então eu olhei com uma cara de dúvida e disse:
        - Como sabe que foi um encontro?
         Tia Ilda me olhou rindo e falou:
        - Eu não nasci ontem, você estava muito arrumado, perfumado e você esta com uma marca de batom na boca.
         Então eu ri e lhe perguntei:
        - Que horas são tia?
        -São 18:20 - respondeu tinha Ilda
       
         Então depois dela falar o horário, olhei para ela e perguntei:
        - E o tio Ben, onde ele está?
        - No mercado, fazendo umas compras - disse Tia Ilda
         Olhei para ela com cara de preocupado e falei:
        - Ele foi direto do emprego de carro?
         Tia Ilda disse que sim, eu estava muito preocupado depois de tudo isso que descobri sobre vampiros, lobisomens, feiticeiros e etc. 
         Subi para meu quarto, coloquei mais ração para o Estorcas e lhe disse:
        - Tio Ben não voltou ainda, você não acha isso estranho Estorcas?
        - Acho isso um pouco estranho, que tal você fazer um feitiço de localização para ver se esta tudo bem. - disse Estorcas um pouco preocupado.
        Então perguntei se ele sabia esse feitiço, ele me disse que é o básico que um familiar deve saber para ajudar seus mestres. Então Estorcas disse:
        - Para fazer este feitiço é preciso daquele mapa da cidade que esta guardado em cima de seu roupeiro, precisaremos de um cabelo do tio Ben e uma faca.
         
        Reuni todos os itens, coloquei o mapa em cima da minha cama, o cabelo branco do tio Ben que peguei do travesseiro dele deixei em cima do mapa junto com a faca. Então perguntei para o Estorcas o que preciso fazer agora e ele respondeu:
        - Agora você corta sua mão , passa o cabelo no sangue e faça cair um pingo no mapa e esse pingo irá mostra onde esta o Tio Ben, mas não esqueça de recitar as palavras encontrare pasato sumito Ben Lewis depois que derramar a gota de sangue no mapa.
         Então peguei a faca fiz um corte na minha mão e passei o cabelo de tio Ben no sangue, logo em seguida fiz cair um pingo de sangue no cabelo e recitei as palavras encontrare pasato sumito Ben Lewis. A gota de sangue andou até a floresta Negra no mapa, olhei para Estorcas e falei;
        - Não é possível, o que ele estaria fazendo aí essa hora? Tia Ilda disse que ele estava no mercado fazendo compras.
         Já eram 18: 45 e ele não havia chegado ainda, peguei meu casaco escuro e saí correndo junto ao Estorcas que me acompanhava voando pelos céus mas antes é claro que avisei tia Ilda que tinha ido na casa do Henry para ela não ficar preocupada. No caminho para floresta Negra eu vi que Henry estava na casa de Jéssica mas mesmo assim não parei de ir até a floresta. 
         Quando cheguei já era tarde, tio Ben estava morto e pendurado numa árvore, nessa árvore estava escrito: fique longe das escolas de magia ou mais gente irá morrer. Comecei a chorar de joelhos no chão enquanto Estorcas falava que sentia muito.
        Voltei para casa, quando cheguei nela eram 19:20. Abracei tia Ilda e comecei a chorar de novo, disse a ela:
        - Eu sinto muito, não deveria me envolver com magia. Se eu ir para alguma escola de magia eles iram matar mais gente que eu amo tia.
         Tia notou que era o tio Ben que havia morrido ou melhor falando, seu marido que ela amava e estava a casada a mais de 20 anos. Ela me olhou e falou:
        - Meu filho, você vai para escola de magia e vai apreender o feitiço mais forte para matar esse desgraçado.
         - Mas e você tia? E se ele fazer mal a você?
         - Eu não quero saber, prometa pra mim que vai matar ele Ryan, por favor prometa pra mim.
        - Eu prometo tia - respondi eu com uma expressão que eu não sei explicar, fazendo a maior promessa que já fiz na minha vida.
         Então fomos jantar, para não deixar tia Ilda sozinha, eu peguei meu colchão e coloquei do lado de sua cama.
  • Diário de um Feiticeiro: Parte 01

         Oi, meu  nome é Ryan Lewis e tenho 15 anos. Hoje é o dia 26 de outubro de 1985, falta apenas 5 dia para meu aniversário. Hoje 26 de outubro acordei com o pé esquerdo, escovei os dentes e lavei a cara com a força do ódio e fui pra escola.
         Quando cheguei na escola veio meu amigo Henry para nós falar sobre a nossa série favorita de terror. A gente passou  os quatros períodos da aula conversando sobre teorias malucas do que aconteceria com a alma da personagem Lilian. Enquanto nós passamos os quatros períodos da aula conversando eu fiquei olhando para Sabrina Spellman que é uma garota bonita, inteligente e misteriosa. Não vou negar que sinto um sentimento por ela mas ela nem sabe q eu existo hahaha. Eu dou risada mas na verdade é um tanto triste. E essa foi a minha manhã.
         Depois dessa manhã chata mas legal ao mesmo tempo no colégio Dorcas, fui para minha casa e almoçei com minha tia Ilda e meu tio Ben. Você deve estar se perguntando dos meus pais, vou deixar bem claro que eles não estão mortos, eles somente desapareceram quando eu nasci. Deixa eu explicar melhor isso, quando eu nasci eles me entregaram para os meus tios e foram embora e disseram q voltariam um dia. Faz 15 anos e eles não voltaram, mas eu me acostumei com minha tia Ilda e meu tio Ben. 
         Depois do almoço, fui as duas horas da tarde para a floresta Salvatore para fazer o que eu mais gosto que é observar a natureza e tirar fotos mas algo estranho aconteceu lá. Eu vi a Sabrina realizando algo que parecia um ritual, me aproximei perto dela sem ela ver, fiquei olhando tudo aquilo acontecer. Aquele ritual era para trazer de volta o seu gato morto que tinha sido atropelado, foi naquele momento que descobri que bruxas existiam e que andavam entre nós.
         Mas eu não fiquei assustado pois eu senti que era igual a ela, era como se algo fluísse dentro de mim, então sem medo me aproximei dela e ela tentou fugir com o gato já vivo correndo atrás dela, então eu gritei :
          - Espera, eu acho que eu sou que nem você, sinto algo fluindo em mim.
         Então ela parou e se virou para trás e o gato também, então ela me perguntou a minha idade e eu respondi 15 anos. Ela me perguntou quantos dias ou meses faltava para o meu aniversário, então respondi 5 dias. Ela me perguntou se estava tendo sonhos com algo relacionado a magia, ela parecia saber de tudo, ela até descreveu um sonho bem direitinho, era um sonho onde eu pegava um livro e realizava um ritual de invocação. Ela me explicou que eu me tornaria um bruxo ou melhor dizendo um feiticeiro. Fiquei um pouco espantado mas nem tanto pois sabia que eu não era normal que nem outros, as vezes sentia uma energia percorrendo meu corpo. Parece q eu realmente iria descobrir meus poderes no dia 31 de outubro que é o dia do meu aniversário de 16 anos segundo Sabrina. Ela explicou q descobriu seus poderes dia 28 de julho que foi seu aniversário de 16 anos mas Sabrina ao contrário de mim já sabia disso e foi orientada desde pequena.
         Sabrina se aproximou perto de mim e disse que não era para eu ter medo pois ela me ajudaria a cada passo que eu desse, isso me fez me sentir melhor, ela falou que eu adquiria conhecimento em uma escola para feiticeiros e feiticeiras indo todos os sábados. Ela me explicou que a escola ficava debaixo da ponte sul da nossa cidade. Eu fiquei falando pra ela: 
         -Como assim? Debaixo da ponte? 
         Mas aí ela me explicou melhor e disse que debaixo da ponte havia um pentagrama que se você for um feiticeiro de verdade e recitar as palavras cremonali doudali soulanali a parede quebraria e abriria um portal para a escola. Eu fiquei feliz pois sábado é o dia que irei virar feiticeiro e já poderei ir na escola de magia no mesmo dia.
         Então depois dessa tarde maluca descobrindo coisas incríveis, eu fui para casa e meu amigo Henry esta me esperando na frente da minha casa, ele parecia querer contar algo. Então me aproximei dele e ele me contou que na outra floresta da cidade que é uma floresta mais obscura da que eu estava, tinha uma criatura peluda, com dentes enormes e garras muito afiadas coberto de sangue de um cervo que essa criatura matou.
         Então eu disse:
       -  O que você estava fazendo lá, e que horas você viu isso?
         Ele me disse que viu as 22:45 de hoje, a esse horário eu ainda estava com a Sabrina na outra floresta que é muito linda, diferente dessa que Henry estava. Mas ele não me disse o que estava fazendo lá, então eu falei:
        - Mas você não me disse o que estava fazendo lá.
         Henry disse que estava atrás de uma nova espécie de passarinho mas não fazia sentido ele estar naquele horário, então perguntei:
        - Mas por que você estava nessa?
         Henry falou que o pássaro possuía hábitos noturnos, mas estava tão difícil de acreditar nele, parecia que estava me escondendo alguma coisa. Mas então por que ele me contaria dessa criatura? Minha mente estava tão confusa com tudo isso.
         Então falei para ele:
       - Henry você esta mentindo, você pode confiar em mim e contar a verdade.
         Então Henry me olhou e contou tudo dizendo:
        - Meu vô contava que uma criatura morava naquela floresta a muito tempo e ele já tentou caçar essa criatura mas não obteve sucesso. Então eu resolvi ver se era verdade as história dele e era.
         Depois de ouvir Henry falar isso, eu fiquei meio que assustado, eu estava pensando em contar para Henry sobre mim já que ele contou a verdade para mim, mas eu não queria colocar ele em perigo, talvez isso da criatura já fosse coisa demais para ele. Então falei para ele:
         - Henry eu acho que essa criatura não é nada mais ou nada menos que um lobisomem, que tal a gente continuar a comentar amanhã pois agora já são 23:00 horas da noite e sinto que nós dois levaremos broncas hahaha.
         Henry concordou comigo, ele me deu tchau e foi para casa e eu entrei na minha casa, quando entrei já estava minha tia Ilda e meu tio Ben sentado em um cadeira e eles estavam furiosos por eu ter chegado as 23:00 da noite, o horário máximo que eu poderia chegar em casa era as 20:00.
         Eu expliquei que estava com uma colega minha na floresta, só que isso não pegou muito bem. Eles acharam que eu estava transando ou algo assim, mas aí eu meio que falei a "verdade", falei que Sabrina estava me ensinando algumas coisas. Você pode achar que não mas eles acreditaram pois eles tinham grande confiança em  mim.
         Então depois da conversa com eles, eu tomei um suco de laranja muito gostoso com duas torradas de presunto e queijo, depois disso fui escovar meus dentes com a pasta de dente que eu amo e fui dormir. Posso ter começado o dia meio mal humorado mas acabei ele com tanta felicidade. 
         Depois de dormir acordei animado, querendo ir para escola e tentar me aproximar mais de Sabrina. Cheguei na escola encontrei Henry e fomos para sala de aula antes do sinal bater e já colocamos a data no nossos caderno que é dia 27/10 (terça-feira). Depois que colocamos a data resolvermos comentar mais sobre o lobisomem, ele me disse:
        - Era enorme, antes que você me pergunte se ele me viu já digo que não pois eu estava muito bem escondido, estava escondido atrás de duas árvores gigantes e elas tinham um cheiro muito forte, então seria difícil dele me farejar.
         Então eu lhe perguntei:
        - Essa de você estar escondido atrás de árvores com cheiro forte foi planejado?
         Henry riu, mexeu a cabeça fazendo sinal de negativo e respondeu:
        - Com certeza não, eu dei sorte de esta no lugar certo na hora certa.
         Então bateu o sinal para aula começar e Sabrina entrou na sala e fez um  gesto me dando oi, então eu fiz o mesmo com um sorriso. Depois que bate para o segundo período nós temos a merenda, notei q as duas amigas de Sabrina tinham faltado a aula, uma estava doente e a outra viajando para Nova York pois seu pai morava lá e ele estava muito doente, o coitado estava com câncer. Então já que Sabrina estava sozinha na merenda falei pra Henry que ia sentar com ela e pedi para ele deixar nós sós, Henry não gostou muito mas ele aceitou numa boa. Quando sentei com ela falei:
        - Eae Sabrina tudo bom? Posso sentar?
         Ela respondeu:
        - Estou bem, você já esta sentado, desculpa não quis ser grossa, me conte, esta animado? Esta bem com tudo isso?
         Então com um sorriso eu falei:
        - Não foi grossa não, só um pouquinho hahaha, sim estou super animado com tudo isso e por incrível que pareça estou bem com toda essa novidade, vai ser uma aventura para mim e será melhor ainda se você estiver nela.
         Sabrina ficou um pouco vermelha, me deu um sorriso e disse: 
        - Será um prazer estar nela.
         Então o nosso tempo na cantina acabou e voltamos para a sala, quando voltei lembrei que a gente nem comeu nada e meu estômago começou a roncar. Henry notou que eu estava com fome então me deu um pão com doce que havia pegado na merenda. Quando fui comer escondido (pois é proibido comer na sala de aula) lembrei que Sabrina não comeu nada, então parti o pão e dei o maior pedaço para ela sem a chatinha da professora Laiane ver. Sabrina me agradeceu e depois que acabou o segundo período fomos para o recreio, Henry foi conosco mas todo o recreio eu e Sabrina não falamos uma palavra sobre o assunto de feiticeiro, ficamos apenas falando sobre os professores, séries, filmes etc. Foi bom saber que a Sabrina também gostava de filme de terror. 
         Depois do recreio tivemos aula de história que me deu até sono mas depois veio a aula de ciências. E na aula de ciência foi dado um trabalho onde teríamos que tirar fotos de animais em umas das floresta da cidade, poderíamos escolher a floresta Salvatore ou a floresta Negra que era onde Henry teria avistado o lobisomem. O trabalho foi divido em duplas que foram sorteadas. A professora Nancy sorteou o papel com meu nome e falou:
        - Ryan ficará com...
         Aí ela sorteou outro papel com outro nome de uma pessoa e disse:
        - Sabrina 
         Aí olhei para Sabrina e sorri para ela e ela retribuiu com outro sorriso. Ela me deu um bilhete no final da aula que dizia:
        - Ryan me encontre as 14:00 horas na floresta Salvatore para nós realizar o trabalho, e para conseguirmos um familiar pra você, quando chegar eu lhe explico o que é familiar.
         Peguei o bilhete e coloquei no bolso e fui para casa conversando com Henry, ele me disse que havia ficado sem dupla, então eu lhe disse:
        - Henry nem pense em entrar na floresta Negra pra tirar foto daquela criatura, acredito que o mundo não esta pronto pra descobrir que lobisomens existem.
         Henry me olhou, concordou com um gesto positivo com a cabeça. Então Henry entrou ma casa dele que é do lado da minha e eu entrei na minha. Comi a galinha deliciosa que minha tinha Ilda tinha preparado de almoço, junto com um arroz branco e o meu suco favorito que é o de laranja. Depois de ter comido fui dormir um pouco até as 13:30 para depois ir na Sabrina, quando dormi eu tive um sonho, onde eu falava com um corvo e ele me respondia, o nome dele era Estorcas
         Então me acordei as 13:30 e fui para a floresta Salvatore encontrar a Sabrina, eu cheguei bem no horário combinado, nenhum minuto antes e nem depois mas ela não tinha chegado ainda, então resolvi sentar no banco para esperar ela. Não demorou 5 minutos pra ela chegar, quando chegou entramos pra dentro da floresta, eu estava com a câmera e ela com uma mochila que eu não sabia o que havia dentro.
         Olhei pra ela e disse:
        - Então, você tinha ficado de me explicar o que era um familiar. Então me diga o que é.
         Sabrina me olhou e falou:
        - Familiar é um animal que conversa com você e só você entende ele, ele entende as outras pessoas mas as outras pessoas não o entendem. Então você pode escolher que tipo de animal você quer e pode dar um nome pra ele.
         Eu na hora falei que queria um corvo e que seu nome seria Estorcas, Sabrina me olhou e disse:
        - Um corvo, sério? O meu familiar é aquele gato que você viu eu ressuscitando usando necromancia, antes que me pergunte o que é necromancia, já digo que é uma magia que lida com mortos e é bem complicada.
         Então eu olhei pra ela e falei:
        - Eu quero um corvo pois eu tive um sonho que eu estava falando com um corvo chamado Estorcas.
         Ela me olhou e disse:
        - Ei, você foi escolhido por ele, ele veio a você através do sonho. Eu acho que tenho tudo em minha mochila para evocalo.
         Então ela tirou um giz branco da mochila e fez um pentagrama no chão com a letra "E" no meio da estrela, no pentagrama tinha outros desenhos que simbolizavam evocação e outros meio referente a familiares. Ela me deu um livro de capa dura com um pentagrama na capa e embaixo dizia: "Livro Básico de Evocações."
         Ela me falou para abrir na página 27, onde falava de evocação de familiares, aí eu li as palavras:
        - Evocate familiare prontact pra me serviare.
         Depois que eu falei essas palavras, começou a sair uma fumaça preta do livro que foi para o pentagrama e no meio daquela fumaça saiu um corvo e ele me disse:
        - Eu não sou seu escravo mas o ajudarei em sua jornada e não ache que serei presso a você, eu serei livre pra voar para onde eu quiser. Eu serei seu amigo, seu conselheiro e até parceiro para inúmeras coisas mas jamais seu escravo.
         Eu falei pra ele:
        - Sim, serás meu amigo mas não escravo. Poderá voar pra onde quiser a hora que quiser. Será um prazer trabalhar com você.
         Depois disso, Sabrina e eu fomos procurar algum animal legal para tirar uma foto enquanto Estorcas sobrevoava a área para garantir se estava tudo bem. Depois de procurar e procurar um animal para tirar foto, finalmente achamos uma borboleta azul muito bonita. Então quando nos aproximamos o bastante dela para tirar uma foto ela vôo para longe. Aí eu olhei pra Sabrina e perguntei:
        - Tem como a gente evocar um animal só para a gente tirar uma foto e depois fazer ele ir de volta do lugar que saiu?
         Sabrina respondeu:
        - Sim mas tive uma ideia melhor, antes de eu contar me fale se você sabe desenhar bem.
         Eu respondi que sim aí ela contou que tem um feitiço que a gente faz um desenho meio que criar vida por uns dez segundos aí depois ele some. Então desenhei uma linda borboleta azul, idêntica aquela que a gente tinham visto. Ela pegou o meu caderno e outro livro de feitiços que dizia: Feitiços Básicos Volume 01.
         Ela abriu o livro na página 77 que tinha o feitiço chamado Ilusione desenhare, então ela ela recitou as palavras que dizia:
         - Criare el ilusuine del deserro poro trempo cutiro.
         Depois que ela disse essas palavras estranha o meu desenho da borboleta sumiu da folha e estava na minha frente a borboleta que eu tinha desenhado. Então rapidamente peguei a câmera e tirei uma foto perfeita, depois que tirei a foto eu fui tocar na borboleta mas aí o tempo acabou e ela voltou para a folha de papel do meu caderno.
         
         Sabrina olhou pra mim e me deu uma risadinha, nós dois estávamos parados lá sem mais nada pra fazer, então convidei ela pra dar uma caminhada pela floresta. Enquanto nós caminhava notei que Estorcas estava nos acompanhando pelo ar. Sabrina e eu estávamos conversando sobre feitiços e poções super legais enquanto nós caminhava. Mas aí eu pedi pra ela parar e fechar os olhos porque eu tinha uma surpresa. Ela fechou os olhou e falou:
        - To curiosa!
         Eu me aproximei dela e a beijei, enquanto nós nos beijava, as flores  começaram a voar em nosso redor, foi literalmente mágico o nosso beijo. Quando eu tinha finalizado o beijo ela me falou:
        - Foi uma das melhores surpresas que eu poderia receber.
         Quando eu fui pedir ela em namoro ela me interrompeu e falou:
        - Quer namorar comigo?
         Na hora eu disse sim, abracei ela como se não fosse soltar mais, depois do abraço, eu a beijei de novo e as flores em nosso redor fizeram um formato de coração. Falei pra ela:
        - Já são 16:00 horas, achou que vou pra casa, se tu for também posso lhe acompanhar até um pedaço?
         Ela disse que sim, então fomos conversando até sua casa sobre o quão incrível seria daqui pra frente. Quando chegamos na porta da casa dela eu a beijei e dei tchau. Eu estava super feliz, cheguei em casa cantando, minha tinha Ilda perguntou:
        - Qual o motivo de tanta felicidade Ryan?
         Aí eu lhe disse:
        - Ela me ama tia, a Sabrina me ama, tia eu gosto tanto dela.
         Tia Ilda ficou feliz por mim, o tio Ben estava trabalhando, ele trabalha de manhã das 06:00 horas até 11:00 horas da manhã. Depois que ele almoça ele volta a trabalha das 13:00 até 18:00. De manhã quando eu acordo para escola ele já esta no trabalho, depois quando chego da escola ele já ta quase saindo, a gente fica mais juntos pela noite. Tinha Ilda eu vejo quase sempre pois ela não trabalha. Não via a hora de contar pro tio Ben da Sabrina. Não faltava muito pra ele chegar pois já era 17: 37. 
         Fui para meu quarto para assistir The Horror que é uma série de terror que eu e o Henry assistimos, fiquei impressionado com o que fizeram. Fizeram um pacto com satã para a alma de Lilian voltar para o corpo, depois disso fiquei pensando se com a magia poderia fazer coisas assim. Acabei de assistir a série as 18:30, depois disso fui cumprimentar meu tio que havia chegado a meia hora atrás, depois que cumprimentei ele, eu disse:
        - Tio você nem acredita, tem uma garota da escola chamada Sabrina Spellman, a gente ta namorando.
         Ele me olhou com uma cara muito séria e falou:
        - Você falou Spellman?
         Minha tia que estava com uma xícara de chá, acabou derrubando no chão de espanto, então eu falei:
        - Tia esta tudo bem?
         Minha tia estava muito apavorada, eles sabiam de alguma coisa e estavam me escondendo. Então eu falei:
        - O que vocês sabem sobre o sobrenome Spellman?
         Meu tio me disse com uma voz rígida que a família Spellman são bruxos e perguntou se eu sabia algo sobre magia. Então eu lhe respondi:
        - Sim, eu sei e sou um feiticeiro. 
         Ao mesmo tempo minha tia e meu tio falaram:
        - Meu Deus, como você sabe disso?
         Expliquei que descobri através de Sabrina e eles ficaram furiosos e mandaram eu me afastar dela e até disseram que eu não iria a escola de magia. Eles sabiam de tudo isso e me esconderam a vida inteira, eu fiquei com tanto ódio que subi a escada e me tranquei em meu quarto. Quando estava no meu quarto eu abri a janela e em questão de segundos o Estorcas entrou e viu que eu estava furioso e me disse:
        - O que aconteceu? Por que está furioso?
         Então eu lhe respondi:
        - Estorcas o meu tio e minha tia sabiam de tudo e me esconderam a vida inteira, aposto que eles também sabem de meus pais.
         Estorcas falou pra mim que eu deveria perguntar sobre meus pais e sobre tudo que eu tinha direito de saber. Então baixei a escada quase chorando e fui falar com eles que estavam na sala, quando eu cheguei disse:
        - Eu mereço saber a verdade sobre meus pais.
         Eles me contaram que os meu pais queriam que eu tivesse uma vida normal, pois seria muito perigoso para mim, ou talvez para outras pessoas pois eu sou um feiticeiro híbrido. Então pedi para eles me explicarem melhor essa história de feiticeiro híbrido, então minha tia disse:
        - Vou começar a contar para você como surgiu os feiticeiros, existem dois tipos que são os do "bem" e os do "mal". Os do "bem" surgiram com uma cruza de um anjo com uma humana, em vez de estarmos chamando eles de feiticeiro do "bem", usamos o termo feiticeiros angelicais. Os feiticeiros do "mal" surgiram de uma cruza de um demônio com uma humana e para eles usamos o termo feiticeiros demoníacos. Aí o primeiro feiticeiro angelical criou as poções, os feitiços, livros e etc. O primeiro feiticeiro demoníaco criou rituais, livros mais obscuros, necromancia e etc. 
         Então eu perguntei:
        - O feiticeiro angelical pegou uma mulher que teve filho aí os filhos tiveram outros filhos até chegarem na gente?
         Então meu tio Ben respondeu:
        - Isso mesmo, mas eu e sua tia não somos que nem você, a sua mãe é irmã da sua tia por parte de mãe, já de pai não. Sua mãe Natasha era uma feiticeira demoníaca mas não era do mal, ela se casou com Edward que era um feiticeiro angelical e eles geraram você que é uma nova espécie.
        - Mas por que eles foram embora tio?
         Tio Ben falou que era para o meu bem que eles foram embora, se a sociedade dos feiticeiros angelicais e demoníacos vissem eles juntos, talvez matariam eles pois é proibido a união dos feiticeiros demoníacos com os feiticeiros angelicais. Então eu lhe perguntei:
        - Eles estão vivos? E estão seguros?
         Tio Ben respondeu:
        - Sim, estão seguros pois são muito espertos e eles combinavam seus poderes e faziam coisas incríveis, acredito que eles estão em algum lugar muito longe, onde os feiticeiros não podem alcançar eles. Acredito que um dia talvez eles voltem.
         Perguntei pra eles se eu poderia ir na escola de magia e eles disseram que é muito perigoso mas depois de muita conversa eles deixaram com uma condição. Que era que eu não poderia falar que era um feiticeiro híbrido, só falaria que era um feiticeiro angelical. Concordei com essas condições e falei:
        - Tem uma escola para os feiticeiros demoníacos?
         Tio Ben respondeu:
        - Sim mas esta escola você não vai participar pois ela não é muito recomendável por causa de seus métodos de ensino. 
         Concordei com o que ele disse e perguntei para minha tinha Ilda:
        - Tia você falou que os feiticeiros demoníacos criaram os rituais e a necromancia certo? Os feiticeiros angelicais podem realizar rituais e fazer coisa com a necromancia?
         Tia Ilda respondeu:
        - Sim, eles podem mas tem coisas que só a magia demoníaca faz e coisas que só a angelical faz. 
         Fiquei curioso com o ritual que Sabrina fez e a necromancia que ela usou para trazer seu gato de volta. Então perguntei:
        - Tia, feiticeiros angelicais podem usar a necromancia para trazer um familiar de volta a vida e pode realizar ritual de invocação de familiar?
         Ela me respondeu que isso são coisa "simples" para feiticeiros seja ele angelical ou demoníaco. Que são meio que nível básico mas já trazer pessoas a vida é bem mais complicado e evocar demônios também já é mais difícil também. A evocação de demônios são mais os feiticeiros demoníaco que conseguem fazer, foi o que disse tia Ilda.
         Chamei Estorcas para eu apresentar ele a minha tia e meu tio. Quando tia Ilda viu ele ficou feliz por ser um corvo pois a de sua irmã que é minha mãe também tinha um corvo de familiar. Finalmente depois de toda a conversa e a apresentação de Estorcas fomos jantar, comemos de janta o que tinha sobrado no almoço pois já eram 21:27 horas. Depois que comi fui escovar os dentes e peguei no sótão uma gaiola para o Estorcas mas ele não quis por causa que ele se sente preso. Aí eu falei pra ele:
        - É só para você dormir, nem vou fechar ela.
         Estorcas então aceitou a gaiola só para dormir, ele falou para mim que amanhã teria que comprar alguma ração de pássaro pois ele precisava comer. Então eu lhe disse:
         - Ok, mas agora boa noite pois tenho que dormir.
         E esse foi meu dia super maluco, cheio de descobertas e segredos revelados. Quando estava dormindo tive um sonho, nesse sonho eu tinha 7 anos e estava no balanço e tinha um homem me balançando e lembro dele dizer:
        - Ryan um dia voltaremos, desculpa por tudo.
         
         Aquele homem aparentava ser meu pai e esse sonho não parecia um sonho, estava mais para uma lembrança perdida. Quando acordei fiquei pensando nesse sonho enquanto escovava meus dentes. Fui olhar que horas eram, eram 7:34, faltava 16 minutos para bater o sinal da escola. Então em seis minutos coloquei minha roupa, arrumei meu cabelo encaracolado, peguei a mochila e saí correndo para a escola. Eu demoro mais ou menos vinte minutos pra chegar na escola mas hoje consegui chegar em dez por causa que eu corri muito rápido. Cheguei bem na hora que tinha batido, entrei na sala e me sentei atrás da Sabrina e do lado do Henry, perguntei de que animal Henry tirou a foto, então ele me mostrou uma linda foto de uma coruja rara.
         A nossa aula de ciências seria no segundo período. Enquanto isso nós tinha aula de português com o professor Guilherme, ele tinha cara de personagem de novela mexicana. As aulas do Guilherme eram bem legais pois ele era super engraçado contando piadas mas apesar das piadas que ele nos contava, ele nos ensinava muito bem o conteúdo e suas provas eram difíceis um pouco mas não eram nenhum bicho de sete cabeças. Depois da aula bem produtiva do professor Guilherme, tivemos a aula que eu estava tanto esperando que era a de ciências para eu entregar a foto da borboleta que eu e Sabrina havíamos tirado. Nossa foto ganhou nota 100 e a do Henry 90 pois a foto dele estava um pouco borrada mas estava boa. A professora nos deu outro trabalho que era pesquisar sobre o animal que a gente tinha tirado  a foto. 
         Então a merendeira nos chamou para comermos, me sentei com Sabrina e sua amiga que tinha voltado de Nova York, a outra ainda estava doente. Perguntei para a amiga de Sabrina que se chama Nathalia se seu pai estava bem e ela me respondeu:
        - Sim, graças a Sabrina que fez uma poção de cura que funcionou.
         Depois que ela disse isso, olhei para Sabrina e falei:
        - Você contou para ela sobre tudo?
         Então Sabrina respondeu:
        - Ela é que nem a gente, uma feiticeira angelical.
        Então  eu lhe disse:
        - Há, tá! Você contou sobre nós estarmos namorando?
         Sabrina fez um sinal positivo com a cabeça enquanto mastigava uma maçã. Nathalia de brinquedo nos pergunta:
        - Eae, quando vai ser o casamento?
         Eu e Sabrina damos uma risadinha e falamos que nós não sabia, mas que pretendemos nos casar um dia. Perguntei a Sabrina se exite casamento bruxo ou algo assim, ela me respondeu:
        - Mais ou menos, a gente pode assinar um livro pra mostrar que estamos compromissados ou algo assim.
         Depois da merenda voltamos para aula de ciência, quando chegou seu fim chegou o recreio e depois do recreio tivemos aula de educação física, eu e Henry notemos que uma garota que havia entrado na escola um mês e meio atrás se movia muito rápido, ela só faltava correr em quatro patas para deixar na cara que era uma lobisomem. Seu nome era Jéssica Freitas, falei para Henry se aproxima dela pra ver se ele descobria algo. Ele se aproximou dela e disse:
        - Oi tudo bem? Você gostaria de comer um lanche um dia comigo?
        Eu falei para Henry se aproximar dela, não para marcar um encontro com ela. Eu não acreditei quando ela disse que gostaria de comer um lanche com o Henry. Então Henry falou para ela:
        - Pode ser hoje de tarde as duas horas na lanchonete do Jimmy?
         Jéssica fez sim com a cabeça, então deixei os dois as sós e fui falar com a Sabrina e sua amiga, contei toda a história para as duas do lobisomem e convidei Sabrina para nós irmos no mesmo lugar que Henry só para investigar melhor ela. Sabrina aceitou com uma condição, a condição era que eu comprasse  lanches para a gente, por sorte eu tinha 35 reais guardados em casa para nós comprarmos os lanches. 
         Depois da aula de física tivemos aula de geografia, falamos sobre mapas, relembremos alguns conceitos, depois disso fomos para casa eu e Henry, Sabrina foi com sua amiga que mora na frente de sua casa. 
         Depois que cheguei em casa comi o delicioso estrogonofe que minha tia tinha feito e fui para meu quarto, quando cheguei no meu quarto joguei a ração pássaro que havia comprado em cima da cama e falei:
        - Toma aí sua ração Estorcas, hoje eu e Sabrina sairemos para uma lanchonete para investigar a Jéssica que estará com o Henry.
         Então Estorcas me perguntou porque eu investigaria a Jéssica, então eu lhe expliquei a história do lobisomem. Já eram 13:20, então fui me arrumar para o "encontro", coloquei minha melhor calça e um camiseta preta, por cima da camiseta coloquei um sobretudo preto pois estava fazendo muito frio naquela tarde. Depois de ter me arrumado coloquei a ração num pote para Estorcas e lhe deixei um pote com água também.
         Quando cheguei na lanchonete do Jimmy, Henry já estava com Jéssica conversando, mas Sabrina não havia chegado ainda, escolhi uma mesa longe deles e me sentei para esperar Sabrina. Alguns minutos depois, chegou Sabrina com seu cabelo loiro solto, e com um lindo casaco cumprido e vermelho. Ela sentou na mesa que eu estava e me disse:
        - Ta parecendo um detetive com esse sobretudo mas um detive muito gato.
         Eu sorri e disse:
        - Você esta linda com esse casaco vermelho, acho que vermelho combina com você.
         O garçom chegou na gente então pedi dois xis salada de 12 reais e um refrigerante de dois litros de 5 reais. Enquanto preparam os xis, eu e Sabrina conversamos sobre os livros de magia que ela iria conseguir para mim. Enquanto conversamos deu pra ver Henry sorrindo e conversando com Jéssica sobre a escola, edução física, professores favoritos e dentre outras coisas. Depois que eles comeram, saíram andando pela praça conversando enquanto eu e Sabrina estava terminando de comer o lanche e tomar o refri. Sabrina acabou não comendo todo o lanche e nem eu também pois tinha comido bastante no almoço então a gente deu para um mendigo junto com um pouco de refri que tinha sobrado.
         Eu e Sabrina estávamos seguindo Henry e Jéssica, depois deles andarem um pouco, eles sentaram num banco e se beijaram, olhei para a Sabrina e disse:
        - Já no primeiro encontro hahaha
         Nos dois demos risada e ela falou:
        - Era o que eu queria fazer com você a primeira vez que a gente começou a conversar.
         Olhei para ela e a beijei e falei:
        - Bora sentar num banco também.
         Ela falou bora, então sentamos num banco, peguei um ferro que estava no chão e escrevi no banco: S+R. Depois disso olhei para trás de nós, e vi uma barraquinha que vendia coisas de pelúcia, então falei para Sabrina:
        - Espere aí, já volto
         Cheguei na barraca e comprei um ursinho com os 6 reais que havia me sobrado. O ursinho assegurava um coração que dizia te amo, levei o ursinho pra ela e falei:
        - Toma uma lembrancinha desse dia que era pra ser uma investigação mas virou um encontro incrível, eu te amo Sabrina Spellman.
         Ela me olhou sorrindo e falou:
        - Eu também te amo Ryan Lewis
         Então a beijei, quando fomos olhar para o Henry, vimos que ele já tinha ido embora com Jéssica. Então eu levei Sabrina para casa dela, dei um beijo de despedida e fui para minha casa. Quando fui para casa, Henry estava na frente da minha casa com mordidas no pescoço. Olhei pra ele e falei:
        - O que aconteceu, foi a Jéssica?
         Ele me respondeu:
        - Não foi ela, foi um homem que saiu da floresta Negra mas eu não estava nela estava só cruzando enquanto voltava para casa, esse homem esta encapuzado e seus olhos eram vermelhos.
         Olhei para ele com uma expressão séria e falei:
        - Já não bastava lobisomens, agora vampiros e provavelmente você vai virar um vampiro se não acharmos uma cura ou algo assim.
         Henry me perguntou como iriamos achar uma cura, então lhe respondi:
        - Henry eu sou um feiticeiro híbrido, posso ter acesso as magias do mal e as do bem.
         Henry não tinha entendido nenhuma palavra do que eu tinha dito, então acabei contando e explicando tudo para ele e ele entendeu.
         Falei para Henry:
        - Vai para casa, amanhã a gente fala com a Sabrina e ela poderá ajudar a gente.
         Então Henry foi para casa e eu para minha, quando cheguei na minha casa, minha tia perguntou:
        - Como foi o encontro?
         Então eu olhei com uma cara de dúvida e disse:
        - Como sabe que foi um encontro?
         Tia Ilda me olhou rindo e falou:
        - Eu não nasci ontem, você estava muito arrumado, perfumado e você esta com uma marca de batom na boca.
         Então eu ri e lhe perguntei:
        - Que horas são tia?
        -São 18:20 - respondeu tinha Ilda
       
         Então depois dela falar o horário, olhei para ela e perguntei:
        - E o tio Ben, onde ele está?
        - No mercado, fazendo umas compras - disse Tia Ilda
         Olhei para ela com cara de preocupado e falei:
        - Ele foi direto do emprego de carro?
         Tia Ilda disse que sim, eu estava muito preocupado depois de tudo isso que descobri sobre vampiros, lobisomens, feiticeiros e etc. 
         Subi para meu quarto, coloquei mais ração para o Estorcas e lhe disse:
        - Tio Ben não voltou ainda, você não acha isso estranho Estorcas?
        - Acho isso um pouco estranho, que tal você fazer um feitiço de localização para ver se esta tudo bem. - disse Estorcas um pouco preocupado.
        Então perguntei se ele sabia esse feitiço, ele me disse que é o básico que um familiar deve saber para ajudar seus mestres. Então Estorcas disse:
        - Para fazer este feitiço é preciso daquele mapa da cidade que esta guardado em cima de seu roupeiro, precisaremos de um cabelo do tio Ben e uma faca.
         
        Reuni todos os itens, coloquei o mapa em cima da minha cama, o cabelo branco do tio Ben que peguei do travesseiro dele deixei em cima do mapa junto com a faca. Então perguntei para o Estorcas o que preciso fazer agora e ele respondeu:
        - Agora você corta sua mão , passa o cabelo no sangue e faça cair um pingo no mapa e esse pingo irá mostra onde esta o Tio Ben, mas não esqueça de recitar as palavras encontrare pasato sumito Ben Lewis depois que derramar a gota de sangue no mapa.
         Então peguei a faca fiz um corte na minha mão e passei o cabelo de tio Ben no sangue, logo em seguida fiz cair um pingo de sangue no cabelo e recitei as palavras encontrare pasato sumito Ben Lewis. A gota de sangue andou até a floresta Negra no mapa, olhei para Estorcas e falei;
        - Não é possível, o que ele estaria fazendo aí essa hora? Tia Ilda disse que ele estava no mercado fazendo compras.
         Já eram 18: 45 e ele não havia chegado ainda, peguei meu casaco escuro e saí correndo junto ao Estorcas que me acompanhava voando pelos céus mas antes é claro que avisei tia Ilda que tinha ido na casa do Henry para ela não ficar preocupada. No caminho para floresta Negra eu vi que Henry estava na casa de Jéssica mas mesmo assim não parei de ir até a floresta. 
         Quando cheguei já era tarde, tio Ben estava morto e pendurado numa árvore, nessa árvore estava escrito: fique longe das escolas de magia ou mais gente irá morrer. Comecei a chorar de joelhos no chão enquanto Estorcas falava que sentia muito.
        Voltei para casa, quando cheguei nela eram 19:20. Abracei tia Ilda e comecei a chorar de novo, disse a ela:
        - Eu sinto muito, não deveria me envolver com magia. Se eu ir para alguma escola de magia eles iram matar mais gente que eu amo tia.
         Tia notou que era o tio Ben que havia morrido ou melhor falando, seu marido que ela amava e estava a casada a mais de 20 anos. Ela me olhou e falou:
        - Meu filho, você vai para escola de magia e vai apreender o feitiço mais forte para matar esse desgraçado.
         - Mas e você tia? E se ele fazer mal a você?
         - Eu não quero saber, prometa pra mim que vai matar ele Ryan, por favor prometa pra mim.
        - Eu prometo tia - respondi eu com uma expressão que eu não sei explicar, fazendo a maior promessa que já fiz na minha vida.
         Então fomos jantar, para não deixar tia Ilda sozinha, eu peguei meu colchão e coloquei do lado de sua cama. 
  • Dominante

    Eu odeio mudanças,mas eu acho que eu já me acostumei com elas. Eu tenho apenas dezesseis anos e já me mudei mais de quinze vezes. O motivo das mudanças? Bullying. Durante todos os anos que estive na escola eu sofri bullying por causa da minha aparência. Eles me chamavam de feia,gorda,entre outros diversos insultos. Apesar de todos os insultos eu nunca me achei feia ou gorda,na verdade,eu acho que os insultos serviam para eles se sentirem superiores,não necessariamente,sendo verdade tudo o que eles diziam.
    Minha viagem dessa vez vai ser para Londres a capital da Inglaterra. Entrar em um avião e ir para um lugar distante,no começo era algo emocionante,mas agora depois de isso ter se repetido num ciclo infinito é cansativo e perdeu completamente a emoção.
    Entrei com meus pais no avião e os mesmos ficavam me dizendo que a minha situação ia melhorar e que eu ia fazer alguns amigos,porém eu não acredito muito nas palavras deles. Seria uma viagem longa,demora cerca de onze horas,eu nem sei porque estou reclamando eu já viajei durante trinta horas aproximadamente quando me mudei para o Japão.
    Assim que me sentei na poltrona do avião senti um peso saindo das minhas costas,então é um adeus ao Brasil e um olá a Inglaterra. Coloquei meus fones no meu ouvido e liguei a música no aleátorio,a música que começou a tocar Dope-BTS,é minha música favorita do meu grupo sul-coreano preferido. Bem,que a viajem comece. Eu apaguei alguns minutos depois que o avião decolou.
    Acordei com minha mãe me chamando,ela estava dizendo:
    —Filha ,já estamos na Inglaterra,acorda!
    Admito,minha mãe estava mais animada que eu.
    Descemos do avião e meus pais foram pegar as malas. Respirei fundo o ar frio da Inglaterra. Agradeci mentalmente por estar usando uma blusa preto e um suéter branco que me esquentavam parcialmente,eu estar usando calças jeans não ajudava com o frio que batia em minhas pernas,mas eu aguentava.
    Meus pais voltaram com as malas e meu pai com sua mão livre bagunçou de forma carinhosa meus cabelos castanhos. Eu não era mais uma criança,mas eles adoravam me tratar como tal. 
    —Bem,vamos para nossa nova casa?
    Perguntou minha mãe olhando profundamente em meus olhos verdes.
    Assenti com a cabeça e sorri levemente. Hora de começar com a minha nova vida.
    Meus pais chamaram um táxi para nos levar até a nossa nova casa. Eu imagino como ela seria. Minha mãe me disse que tinha que ser uma surpresa,então estou curiosa para saber como ela se parece.
    Eu tinha pesquisado um pouco sobre Londres e na minha cabeça talvez não seja um lugar tão ruim. O clima é temperado oceânico. Até onde eu me lembro esse é um tipo de clima que ocorre em regiões afastadas das grandes massas continentais e nas margens ocidentais situadas nas latitudes médias e altas. Nas regiões com clima oceânico as chuvas são abundantes e bem distribuídas ao longo de todo o ano, sendo o verão bastante fresco e úmido. Hoje especialmente está bem frio,fazendo exatamente 2°C.
    Enquanto estamos dentro do táxi um silêncio constrangedor se prega entre nós. Esse táxi está me sufocando aos poucos e um turbilhão de pensamentos estão se passando em minha cabeça. Eu estou preocupada com minha nova escola. Pode ocorrer coisas muito ruins,mas ao mesmo tempo coisas boas e não saber nada disso me preocupa.
    Meu pai colocou a mão em meu ombro e deu um leve sorriso.
    -Hey princesa,não precisa se preocupar,tá?
    Concordei de leve com a cabeça. Meu pai ama me chamar de apelidos como: princesa,bonequinha,entre outros apelidos carinhosos.
    Depois de cerca de cinco minutos o táxi parou e fez a cobrança da corrida. Eu desci do táxi e olhei para a casa a qual iriamos morar. É uma casa de dois andares branca,a moldura das janelas estão pintadas em um tom azul-bebê. A porta é feita de madeira de carvalho aparentemente velha. Eu amei ela por fora,mesmo a casa parecendo ter muitos anos ela parece simplesmente perfeita.
    Ajudei meus pais a pegarem as malas e entrei dentro da casa. Ela já está mobiliada. A sala de estar tem um sofá de três lugares que parece ter 288 cm de largura e 85 cm de altura,na frente do sofá uma mesa de centro de vidro e logo em frente uma televisão de tela plana. Tem algumas prateleiras com livros na parede da direita,são livros de poesia,fantasia,psicologia e até mesmo livros de romance.
    Um pouco mais a frente tem uma porta branca a qual eu deduzo levar a cozinha e então mais perto de mim tem a escada que leva ao segundo andar.
    -Mãe,pai! Vou arrumar minhas coisas no meu quarto.
    Eu os disse e peguei as malas as quais contiam as minhas roupas e alguns itens pessoas como: notebook,celular,despertador,entre outras coisas.
    Subi os degraus calmamente e analisei os lugares pelos quais eu passava. Espera,qual é meu quarto?
    Larguei as malas no chão e desci para perguntar a minha mãe qual era o meu quarto.
    -Oh mãe! Qual é o meu quarto e qual é o de vocês?
    Perguntei assim que cheguei perto o suficiente para ela ouvir.
    -Você pode escolher qual preferir,querida.
    Ela respondeu sem olhar para mim.
    Voltei a subir as escadas e escolhi o quarto que é a terceira porta a direita no corredor. Ele é bem mais simples. Tem uma cama de solteiro com lençois brancos no centro do quarto encostada na parede,uma mesa de estudos na frente de uma janela no canto direito,algumas prateleiras vazias,um criado-mudo ao lado da cama e um pequeno armário ao lado da cama.
    Coloquei minhas malas em cima da cama e suspirei - tem muitas coisas para arrumar,mas vamos lá. Abri minha mala a qual tem minhas roupas e abri o armário. Separei organizadamente as roupas dentro do armário mesmo sabendo que depois de uma semana estaria uma completa desordem.
    Coloquei a mala vazia embaixo da minha cama e fechei o armário. Abri a mala com meus itens pessoais. Coloquei meu notebook em cima da mesa de estudos e meu celular ao lado. Peguei meus livros e os coloquei nas prateleiras e para terminar coloquei meu despertador em cima do criado-mudo e coloquei a mala vazia junto com a outra embaixo da cama.
    Amanhã é meu primeiro dia na escola. Tem que dar tudo certo. A escola daria o material necessário,eu só precisaria ter o básico que seria cadernos e um estojo com lábis,borracha,canetas,essas coisas.
    Me joguei na cama e adormeci do jeito que estava mesmo.
    Acordei com o som irritante do meu despertador. Desliguei o mesmo e vi que eram 7:00. Tenho meia hora ainda. Me levantei e procurei no meu armário uma roupa para ir a escola,no fim acabei escolhendo uma calça jeans,uma camiseta de manga longa preta e um tênis vermelho.
    Fui ao banheiro e fiz minha higiene matinal. Penteei meu cabelo e me olhei no espelho antes de suspirar.
    -Bem,Katherine,é agora ou nunca.
    Murmurei para mim mesma.
    Peguei minha mochila de cor azul e coloquei no meu ombro antes de descer rapidamente as escadas.
    -Tchau mãe. Tchau pai.
    Gritei já abrindo a porta para sair.
    Respirei fundo e apressei o passo para a escola. Demorou cerca de cinco minutos para eu chegar lá. Ela era enorme e pintada de tons de cinza com branco.
    Logo que pisei dentro da escola uma garota ruiva com olhos azuis veio até mim e perguntou de forma animada:
    -Você é a novata,né? Eu me chamo Anne.
    Sorri levemente para a garota.
    -Eu sou Katherine e sim eu sou a novata.
    Ela sorrio abertamente e me puxou dizendo que ia me levar para pegar meus livros e o meu horário.
    Chegamos a uma sala com três mesas em cada uma sentava uma mulher diferente. Logo uma das mulheres a qual tinha os cabelos loiros presos em um coque e olhos castanhos olhou para mim e disse:
    -Você é a garota nova,Katherine não é?
    Assenti e ela colocou cinco livros em cima da mesa junto com uma folha a qual mostrava as aulas que eu teria durante a semana.
    Peguei os livros e o horário e Anne disse que meu armário era o número 56. Anne me levou até onde era o armário e eu coloquei meus livros dentro. Minha primeira aula seria inglês.
    -Hey Katherine! Aqui na escola tem um grupo de garotos ao qual você não deve se aproximar.
    Anne me disse parecendo receosa.
    Dei de ombros e perguntei onde era a sala a qual eu teria inglês. Ela estava me guiando até o segundo andar só que antes de chegarmos na sala ela me puxou para trás de um pilar e me disse:
    -São aqueles sete garotos ali.
    Ela apontou para um grupo de garotos bem bonitos e que eu diria que seriam os populares da escola.
    -Está vendo aquele garoto de óculos de sol e cabelos escuros?
    Ela perguntou e eu assenti.
    -Ele é o mais perigoso! Não se aproxime dele.
    Ela disse de forma desesperada me fazendo questionar o por que disso. Ele não poderia ser tão ruim assim...ou poderia?
    Ela me levou até a sala A-3 e me disse:
    -Boa sorte!
    Eu não sei dizer se foi um aviso ou um desejo positivo.
    Eu entrei na sala e sentei na última carteira da segunda fileira e esperei os alunos entrarem.
    Cerca de dez minutos depois o sinal tocou e os alunos entraram inclusive aquele garoto que Anne me mandou ficar longe. Ele se sentou na carteira ao meu lado,retirou os óculos de sol e me olhou. Eu jurei por um segundo ter visto os olhos dele mudarem do castanho para o violeta atual,mas eu acho que foi minha imaginação.
    -Olá,eu sou Edson. Você é a novata,né?
    Ele se apresentou e me perguntou. A voz dele é tão calma e melodiosa.
    -Sim,eu sou. Eu me chamo Katherine.
    Respondi simples e ele sorrio abertamente antes de voltar sua atenção para o professor que havia acabado de entrar na sala.
    O professor que entrou na sala tem cabelos loiros e olhos negros. Ele parece ter no máximo vinte e três anos.
    -Bom dia alunos! Eu sou o novo professor de inglês,meu nome é Taeyang. Nós temos uma nova aluna hoje. Katherine gostaria de se apresentar para nós?
    Ele me perguntou educadamente. A voz do professor é calma e baixa e ele parece descendente de coreano.
    Me levantei e fui na frente da turma,estou com muita vergonha,já posso sentir minhas bochechas esquentando.
    -Eu me chamo Katherine,tenho 16 anos e vim do Brasil para cá por problemas na minha antiga escola. Espero me dar bem com todos.
    Voltei a sentar no meu lugar e suspirei. O professor sorrio levemente e disse:
    -Muito bem,Katherine. Espero que todos a tratem muito bem.
    Assim ele começou a dar a aula normalmente.
    Assim que o sinal bateu todos os alunos saíram rapidamente e eu esperei todos saírem. Peguei meu material e estava prestes a sair da sala quando eu sinto uma mão no meu ombro. Quando olhei para trás eu vi o professor de inglês,Taeyang.
    -Katherine,sei que no começo vai ser difícil de se encaixar,mas caso precise de algo,por favor,fale com a diretora ou com algum dos professores.
    Ele disse gentilmente.
    -Ok,obrigada senhor Taeyang.
    Ele soltou meu ombro e eu fui acordar às coisas no meu armário.
    No caminho encontro Anne e resolvo comentar com ela sobre Edson.
    -Anne! Sabe o garoto que você mandou eu manter distância?
    Ela me olhou e concordou.
    -Me diga,os olhos dele mudam de cor ou algo assim?
    Ela se assustou por um segundo,mas logo depois me puxou para um canto e disse:
    -Olha,Katherine. Os olhos dele mudam de cor se ele sente uma forte emoção. Vermelho é raiva. Preto é ódio. Azul é tristeza. Esse é o básico.
    Estou surpresa. Como alguém pode ter olhos que mudam de cor? E o que significa o violeta?
    O sinal bateu e eu não pude perguntar nenhuma dessas coisas. O dia seguiu normalmente.
    Estou saindo da escola,agora é 12:30,eu chegaria na minha casa em dez ou cinco minutos. Quando eu ia começar a caminhar para casa sinto uma mão me puxando de volta.
    -Bem,olá Katherine.
    A pessoa que me puxou sussurrou no meu ouvido. Essa voz...Edson?
    Me virei e vi Edson com um sorriso no rosto e os óculos de sol novamente. Hoje está nublado por que ele tá usando isso?
    -Olá...O que você gostaria?
    Perguntei em dúvida e com receio.
    -Nada,só te levar até sua humilde residência.
    Ele respondeu sem rodeios.
    -Mas...
    Tentei argumentar do porque ele não deveria me levar,porém ele fez uma clássica cara de cachorro sem dono.
    -Tudo bem,venha.
    Suspirei em derrota e ele sorrio colocando o braço envolta dos meus ombros.
    Nós caminhamos em silêncio até minha casa e quando chegamos na frente eu disse:
    -Bem,é aqui. Até amanhã.
    Ele me deu um beijo na bochecha e disse:
    -Até amanhã.
    Ele se virou e foi embora calmamente.
    Entrei rapidamente dentro de casa com o coração acelerado. O que acabou de acontecer?
    Subi as escadas e joguei minha mochila em um canto qualquer. Me deitei na minha cama e suspirei. O que significa o violeta dos olhos dele? E por que ele é perigoso?
    Foi com esses pensamentos que adormeci pelo cansaço.
    Acordei no outro dia e vi que eram 7:15. Eu tenho apenas 15 minutos para me arrumar!!!
    Coloquei uma roupa qualquer no meu armário. Uma blusa branca,calça jeans e um tênis preto. Fui ao banheiro,penteei meu cabelo e escovei meus dentes rapidamente.
    Desci as escadas correndo,peguei uma maça já que não havia comido nada desde ontem e saí de casa.
    Cheguei na escola faltando 5 minutos para bater o sinal. Já tinha comido minha maçã e agora era só me apresar para a aula. Corri rapidamente para dentro da escola e acabei esbarrando em alguém fazendo vários livros e papeladas caírem no chão. Eu esbarrei no senhor Taeyang!!!
    -Eu sinto muito,senhor Taeyang!
    Pedi rapidamente desculpas enquanto o ajudava a juntar os livros e as folhas.
    -Tudo bem,eu que não vi para onde ia.
    Juntamos todos papéis e livros e os entreguei para ele.
    -Obrigado Katherine. Qualquer dia retribuo o favor.
    Ele sorrio antes ir embora.
    Agora que percebi que o senhor Taeyang tem uma pele muito pálida. Ele realmente parece ser o mais bonito e mais novo entre os professores da escola.
    O resto dia escolar ocorreu sem problemas e eu sequer vi Edson ou Anne hoje.
    Quando fui sair da escola o senhor Taeyang me chamou.
    -Sabe,hoje mais cedo,você me ajudou quem sabe eu possa pelo menos te levar até sua casa. Tudo bem pra você?
    Bem,eu acho que não fará mal. Concordei e o senhor Taeyang me levou até o carro dele,é uma BMW. Esse professor ganha bem pra caralho.
    Sentei-me no banco do passageiro e fui o indicando onde ficava minha casa. Quando chegamos eu me despedi dele e agradeci pela carona.
    -Não precisa agradecer.
    Ele sorrio docemente.
    Disse tchau ao professor e entrei dentro de casa. Que aura estranha tem aquele professor ou talvez seja só o jeito dele mesmo.
    Assim que entrei percebi que a casa estava completamente vazia.
    -Acho que eles apenas saíram - disse para mim mesma dando de ombros - Mas por que eles sairiam sem me avisar?
    Não tive muito tempo para pensar sobre isso,pois o meu celular começou a tocar. Assim que o atendi ouvi a voz de Anne,me dizendo:
    -Katherine,o garoto que eu te mandei manter distância,existe mais uma coisa que preciso de te contar sobre ele.
    -Ok,mas como conseguiu o meu número?
    Perguntei meio desconfiada.
    -Os olhos dele quando estão com raiva ficam vermelhos,se ele não se acalmar vão para um branco gelo e daí segundo o que alguns dizem a pessoa morre com o coração congelado.
    Ela disse ignorando a minha pergunta.
    -Ta,conta outra,vai.
    Respondi dando risada,por que,fala sério,matar a pessoa com um olhar? Que piada.
    -É sério. Ele namorou uma garota uma vez,ela se chamava Emy,ela era minha melhor amiga. Um dia ele se irritou com ela e ele a matou. Até hoje as pessoas tem medo dele.
    Ela disse em total desespero.
    -Ok,eu tomarei cuidado,tchau.
    Suspirei desligando. Ela deve estar enlouquecendo.
    Sentei no sofá da sala e  coloquei um filme de terror para assistir. No meio do filme,acabei ouvindo a campainha da minha casa tocar. Pausei o filme fui ver quem era. Abri a porta e vi o senhor Taeyang parado lá com um grande sorriso no rosto.
    -Posso ajudar em alguma coisa?
    Perguntei desconfiada. Por que diabos ele veio até minha casa?
    -Sim,eu gostaria de saber se seus pais estão em casa,pois eu quero falar com eles.
    Ele respondeu sem desmanchar aquele sorriso. Que sorriso doce.
    -Sinto muito,mas eles não estão.
    Disse já pronta para fechar a porta.
    -Bem,amanhã me diga se eles estarão,pois eu realmente preciso falar com eles.
    Ele disse e virou as costas,já indo embora.
    Fechei a porta. Esse professor é louco ou coisa do gênero? 
    Assim que me virei a campainha tocou novamente.
    -Grrr. Esse povo não tem mais o que fazer?
    Abri a porta e vi Edson lá.
    -Olha,eu acho que eu realmente não tenho mais o que fazer.
    Ele disse dando uma risada.
    -Bem,não foi isso que eu quis dizer. Enfim,o que você quer?
    Perguntei sem enrolar muito.
    -Eu gostaria de passar um tempo com você.
    Respondeu ele já entrando na minha casa e sentando no meu sofá.
    -Que palhaçada.
    Murmurei e fechei a porta.
    Me sentei ao lado dele no sofá e o mesmo descansou a cabeça no meu colo. Os olhos dele estavam em violeta e eu ainda não sei exatamente o que violeta significa.
    -Você é linda!
    Edson disse e acariciou meu rosto. 
    -E..eu?! N..não..
    Tentei bolar uma frase com sentido,mas eu estava corada e envergonhada de mais.
    -Você é fofa.
    Ele beijou minha bochecha e voltou a deitar a cabeça em meu colo.
    Acabamos colocando um filme para vermos e eu adormeci na metade do filme.
    Acordei no outro dia com um bilhete do meu lado. No bilhete dizia:
    "Hey pequena. Saí da sua casa e decidi te deixar dormindo. 
    Vê se não se atrasa.
                                                                            -EDSON"
     Bem,ele já saiu. Olhei no relógio e vi que eram 7:00. Subi as escadas e pesquisei qual era a temperatura de hoje no meu celular. Está fazendo 17°C. Entrei no meu quarto e abri a porta do armário,resolvi colocar um short,uma blusa branca e um tênis branco.
    Saí de casa correndo e cheguei na escola dentro de 3 minutos. Não estava afim de bater papo,então fui direto no meu armário e peguei meu livro para a primeira aula,a aula de inglês. Subi direto para a minha sala. Coloquei meu material na minha classe e então ouvi a porta sala abrir.  Me virei e vi o senhor Taeyang entrando.
    -Oh Katherine,é com você mesmo que eu queria falar. Venha aqui. 
    Me aproximei dele de forma receosa. Quando cheguei perto o suficiente o senhor Taeyang me prensou na parede.
    -S..senhor Taeyang,o que está fazendo?
    Perguntei com medo.
    Ele não me respondeu. Quando ia dizer outra coisa,ele me beijou. Eu tentei o empurrar,mas ele era mais forte que eu. A mão dele foi até minha coxa e então eu me desesperei. Foi então que a porta da sala se abriu com um estrondo. O professor Taeyang se afastou rapidamente e eu vi Edson entrar na sala com seus olhos vermelhos,ele está com raiva. Ele não falou nada,apenas pegou minha mão e me arrastou para nossos lugares não tirando o olhar do senhor Taeyang.
    Edson estava com seus olhos vermelhos,vermelho significa raiva. Ele se irritou desse jeito por minha causa? Por que?
    O sinal bateu e os alunos começaram a entrar na sala,eu comecei a notar os diversos traços dos alunos e então eu vi que alguns tinham traços asiáticos,outros europeus,portugueses,enfim todos tinham traços completamente diferentes.
    O professor começou a dar a aula normalmente. Eu não estava realmente prestando atenção,na verdade,eu estava perdida em pensamentos imaginando o por que do professor ter feito aquilo. 
    O sinal bateu para o próximo período,todos saíram correndo e eu fui a última como sempre,pois odeio sair no meio de muitas pessoas. Fui até meu armário e peguei meus matérias para a minha próxima aula: Artes.
    Cheguei na sala com cinco minutos de atraso e todo mundo me olhou no mesmo instante que abri a porta.
    -D..desculpe a demora. - Pedi desculpas meio envergonhada por todos os olhares estarem pousados em mim.
    -Entre,mas que não se repita. - Disse o professor de Artes com certa indiferença.
    O professor tem cabelos castanhos e olhos também castanhos,ele parece ter uns vinte e cinco anos. 
    -Por favor se sente ao lado do Hiroshi.
    O professor gesticulou para um garoto que sentado na quarta carteira ao lado da janela. O garoto tem cabelos negros e olhos escuros,ele me parece descendente de coreano. O garoto chamado Hiroshi parecia estar em outro mundo,completamente perdido em seus pensamentos. 
    Assenti e me sentei na carteira ao lado da dele. Ele pulou levemente na cadeira quando percebeu-me sentando na carteira ao lado da dele. Seus olhos se voltaram para mim e vi suas bochechas ficarem levemente vermelhas,então ele rapidamente desviou o olhar para o professor. 
    -Hoje alunos,vocês terão que conversar com o colega do seu lado,conhece-lo,saber da personalidade dele e então na próxima aula,fazer um desenho representando. - O professor disse arrumando algumas folhas. - E  a propósito me chamo Fuyuki. 
    Os alunos começaram a se juntar com as pessoas que estavam sentadas aos seus lados. Olhei para o lado e vi Hiroshi meio envergonhado,eu sorri para o quão fofo ele parecia. 
    -Hey! - chamei sentando ao lado dele - Eu sou Katherine. Hiroshi,né?
    Ele sorrio timidamente e assentiu sem olhar diretamente em meus olhos.
    -Bem,Hiroshi,qual seu hobby? - perguntei tentando faze-lo falar alguma coisa.
    -H..hobby?! Desenhar e v..você? - ele respondeu meio gaguejando.
    -O meu é desenhar e escrever. - sorri levemente e apoiei meu cotovelo na mesa logo apoiando meu queixo sobre minha mão. 
    Um silêncio se pregou entre nós até que ele perguntou:
    - Gosta de algum esporte? - ele não estava mais com o rosto vermelha,mas ainda não olhava em meus olhos.
    - Eu particularmente gosto de basquete e quanto a você Hiroshi?
    - Eu gosto de futebol. - ele sorrio e coçou a nuca envergonhado.
    Nós nos entreolhamos e então falamos em uníssono:
    - Qual seu herói favorito? - rimos levemente por termos falado ao mesmo tempo.
    - Homem de ferro. - falamos novamente em uníssono.
    Nos olhamos e quando processamos o que havíamos dito. Nós começamos a rir por estarmos realmente falando ao mesmo tempo. 
    A turma ficou em silêncio e nos olhou como se fossemos loucos,afinal estávamos nos falando à dez minutos,talvez menos e mesmo assim estávamos nos divertindo.
    - Você gosta de alguma frase em especial? - perguntei depois de parar de rir.
    - "Viver sem paixão é como estar morto." - ele disse sem delongas. - e quanto a você? - perguntou sorrindo. Ele parece um coelho,quando ele sorri seus dentes parecem com os de um coelho.
    - "É patético desistir de algo sem nem mesmo ter tentado" - respondi depois de pensar um pouco.
    - O que você não gosta? - foi minha vez de perguntar e o olhei sorrindo levemente. 
    -  Lugares onde há muito barulho. - ele disse bagunçando levemente seus próprios cabelos. - E você?
    - Eu também não gosto de  lugares onde há muito barulho.
    Sorrimos um pra o outro e então o sinal bateu e nos levantamos pegando nosso materiais.
    Todos saíram conversando e gritando e eu como sempre esperei todos saírem,mas para a minha surpresa Hiroshi esperava todos saírem ao meu lado. 
    Quando eles sairão eu saí da sala sendo seguida por Hiroshi. Guardei meus materiais no armário e então senti alguém tocando no meu ombro timidamente.
    -K..katherine... - ouvi a voz suave de Hiroshi.
    -Oi Hiroshi,o que foi? - cumprimentei-o e perguntei me virando para ele.
    -Eu queria saber se gostaria de andar de skate comigo quando a aula acabar. - ele disse coçando a nuca com vergonha.
    -Claro,mas eu realmente não sei andar de skate. -ri baixo e olhei para o lado para não olhar diretamente para ele.
    -Tudo bem,eu te ensino. - ele sorrio e bagunçou meus cabelos carinhosamente.
    -Ok,obrigada. Até coelho. - eu disse acenando para ele.
    -Espera aí,coelho?! - ele perguntou confuso me olhando surpreso.
    Fingi que não o ouvi e fui para a aula de Educação Física.
    As próximas aulas passaram rapidamente e eu mal esperava para o sinal bater e eu poder sair com Hiroshi. Observei o relógio que fica em cima do quadro contando os segundos que faltava para a aula de química acabar.
    - cinco,quatro,três,dois,um! - pensei animadamente.
    O sinal bateu e eu fui a primeira a pegar meu material e sair.
    Guardei meu material no armário e fui para frente da escola esperar Hiroshi. 
    Alguns minutos depois Hiroshi chegou.
    -Hey Katherine. - ele disse ofegante. - demorei? - perguntou apoiando suas mãos nos seus joelhos ainda ofegante. 
    -Não,nem um pouco. - sorri levemente. - Vamos? - perguntei quando ele se recuperou da corrida que deu para chegar a frente da escola.
    -Claro,vem. - ele disse tomando a dianteira. 
    Ele me levou até a casa dele,por fora é linda. A casa por fora é em diversos tons de bege e branco,as molduras das janelas tem um marrom escuro como cor e a porta é feita de madeira de eucalipto aparentemente nova.
    Quando entramos eu vi vários retratos de família pendurados nas paredes brancas na casa. Ele me levou até a sala de estar e me sentou em um sofá preto e pediu para que eu esperasse que ele voltaria logo. 
    Eu comecei a olhar ao redor e a casa parece bem organizada. A sala de estar é bem bonita e arrumada,o sofá ao qual eu estou sentada fica no centro do cômodo,na frente tem uma mesa de centro feita de vidro com um livro chamado: "Caixa de Pássaros" em cima dela,uma televisão de tela plana mais a frente. 
    -Voltei. - ouvi Hiroshi descendo as escadas chegando perto de mim com dois skates - vem!
    Eu me levantei e saímos juntos,esperei ele trancar a porta e começamos a ir em direção a um parque que fica a alguns minutos da casa dele.
    Eu e Hiroshi andamos calmamente conversando e rindo. 
    -É aqui! -disse animadamente quando avistamos o parque.
    O parque é lindo, porém está bem vazio. O parque tem alguns bancos espalhados de forma aleatória e algumas árvores perto desses bancos. As poucas pessoas que andam ao redor dele agora são idosos ou já ultrapassaram os vinte e cinco anos. A tecnologia fez muitas pessoas pararem de sair de casa e aproveitar lugares como esse.
    -Bem, Katherine eu vou lhe ensinar do melhor jeito possível! -disse Hiroshi sorrindo de orelha a orelha. 
    -Ok. Então, vamos lá. -puxei levemente ele pelo braço levando o mesmo a corar levemente. Hiroshi é tão tímido.
    Hiroshi me explicou com toda a paciência como eu deveria andar e que possivelmente nas primeiras vezes eu iria cair,mas que é absolutamente normal.
    -Certo Katherine. Não é tão difícil,apenas tente se manter de pé sem cair pelo amor de Deus. - Hiroshi pediu com medo de que eu caísse eu me machucasse feio.
    -Claro!
    Essa é a minha primeira vez e acho que não dará muito certo, mas eu vou tentar ser confiante. Eu tentei e o resultado foi eu caindo mais de seis vezes no chão.
    -Tudo bem, chega por hoje. -Hiroshi me ajudou a levantar e anunciou que era melhor pararmos- Vamos tentar mais amanhã,ok? - Ele disse olhando esperançoso em meus olhos.
    -Sim. Até mais, Hiro! - Acenei para ele e saí andando meio dolorida.
    -Ei! Não quer que eu te leve? Pode ser perigoso, já são 17:49. - Ele disse com preocupação evidente em sua voz.
    Neguei com a cabeça e segui meu caminho.
    A rua começou a ficar mais escura por ser o final da tarde, mas eu vou chegar logo em casa, portanto, não faz diferença. A rua agora está começando a me dar medo, mas se eu passar por esse beco a minha casa é na esquina. Tomei uma respiração profunda e adentrei o beco calmamente,logo sendo prensada na parede e tendo minha mãos seguradas à cima da minha cabeça. Tentei enxergar melhor o rosto do homem e era Taeyang, meu professor de inglês! 
    -Veja o que eu achei, uma bela garotinha. - ele disse em um tom provocativo e pervertido que me fez sentir nojo! O cheiro de álcool pode ser sentido a quilômetros.
    Tentei chutar suas partes baixas, mas foi uma tentativa falha já que o mesmo me impediu rapidamente. Eu entrei em desespero, comecei a chorar. Ele começou a dar leves beijos em meu pescoço enquanto eu lutava para me soltar dele. Foi quando o peso do corpo dele pareceu jogado para longe e eu caí de joelhos aliviada. Bem, meu alívio durou pouco, pois eu vi sangue, muito sangue e o corpo do senhor Taeyang jogado entre os sacos de lixo que se encontram no beco.
    -Hey garota! Você tá bem? - ouvi uma voz masculina perguntando. É uma voz diferente das do senhor Taeyang e do Edson. Essa voz parece indiferente e de alguém com preguiça.
    -S-sim, eu acho que sim. Obrigada! - me levantei e encarei o garoto que se encontra a minha direita. Ele tem cabelos negros, olhos escuros e uma pele pálida, branca como açúcar. 
    Ele tem uma bola de basquete embaixo do braço e um olhar de tédio em seu rosto.
    Me caiu a ficha que Taeyang está morto e que esse garoto é o assassino. Arregalo meus olhos e o garoto ri levemente.
    -O que foi? Ele iria abusar de você e agora se importa se ele está morto ou vivo? Tsc, fala sério garota! - ele disse como se estivesse desacreditando. 
    -I-isso é crime! É errado. - tentei dizer firmemente, mas falhei, pois acabei gaguejando.
    -Tá bom, tanto faz. - ele chegou perto de mim e me pegou pelo braço me puxando levemente.
    -Me solta! - eu pedi com raiva, afinal quem esse garoto pensa que é?
    -Eu me chamo Yuki e você? - ele perguntou me ignorando completamente.
    -O que te interessa? -respondi grossa. 
    -Não devia falar assim com quem acabou de te salvar e também não é como se eu não fosse descobrir depois.
    Quando eu vi estamos na frente da minha casa. Ele me soltou e sorriu abertamente antes de dizer:
    -Até qualquer dia, Katherine.
    Ele saiu andando e eu abri a porta da minha casa logo fechando e trancando a mesma. Esse cara é louco! E como ele descobriu meu nome? Adivinhação? Chute? 
    Essas perguntas não saem da minha cabeça.
    Subi para o segundo andar e entrei no banheiro ainda meio atordoada. Tirei minhas roupas e liguei o chuveiro. Entrei embaixo do chuveiro deixando a água quente levar todas as minhas preocupações embora e relaxar meus músculos. 
    A pergunta que não quer calar é: Quem era aquele garoto?
  • Duas asas pra te proteger

    A internet deu vez e voz a diversos artistas independentes. Possibilitou a todos eles divulgarem suas obras e distribui-las a um público que só tende a crescer. Dentre essa vertente de cultura de massa nos meios digitais estão os webtoons. Além de estarem disponíveis em plataformas digitais, esses quadrinhos acabaram por desenvolver um estilo narrativo próprio, mais objetivo e com diagramação diferenciada.
              Quando o mangaká alagoinhense Antonio Alan me indicou a obra Guardiões possuem asas, webtoon roteirizado e ilustrado por ele, tive oportunidade de acompanhar uma história divertida e cheia de potencial. O autor utilizou a temática da angeologia, algo que ele já tinha usado em seu primeiro título, o mangá Knights of God: Sacred Armors, um B-shonen inspirado em Cavaleiros do Zodíaco. Foi usado como TCC!
              A história foca em Darlan, um homem de 30 anos que sente um amor platônico pela sua amiga Sueli. Depois comemorarem seu aniversário, ela o convida a sua residência para maratonar séries. Infelizmente, depois de voltar para casa, o protagonista acaba sendo assassinado pela coisa mais assustadora atualmente em nossa sociedade: dois malucos de moto num beco tarde da noite.
              Resultado: Darlan toma um tirambaço nas caixas dos peitos e vai pro beleléu. Depois de acordar, ele descobre estar numa dimensão espiritual. Não mais como um humano, ou alma penada. Darlan é o mais novo anjo aprendiz, de nível 500. Mas não pense que isso é algo positivo, pois a hierarquia de poder é decrescente. Depois de uma leve introdução, o novo anjo irá descobrir seus poderes e limitações.
              Como eu já conheço o autor, considero esse trabalho cheio de potencial. Humor na medida certa. Personagens cativantes e com personalidade. Provavelmente o autor irá optar por seguir uma linha mais b-shonen com anjos e demônios, mas talvez esses embates não sejam tão diretos. Pode haver uma batalha de influência também. É difícil dizer muito, o autor ainda só publicou dois capítulos e um prólogo.
              A colorização, personagens com outras etnias e identidades sexuais são um ponto importante. O que me incomodou, não a ponto de me fazer largar a leitura, foram alguns erros de revisão. Do ponto de vista do roteiro, acho que o excesso de explicação e as reações do protagonista. Não achei a reação do Darlan crível. A arte precisa melhorar na proporção e torção, além de perspectivas. Se isso impede a leitura e a diversão: não! Se você não ler essa obra, só você tem a perder.

Autores.com.br
Curitiba - PR

webmaster@number1.com.br

whatsapp  WhatsApp  (41) 99115-5222