person_outline



search

adolescente

  • A Náusea

    A
        Mais uma vez, ele errou a maldita questão de Física. Olhou para a tela do celular e viu que horas eram. Espantou-se, pois não havia percebido que já havia passado a tarde inteira.
      “Mais uma tarde estudando Física para o vestibular.”
        Irritado, Fernando tentou encontrar o erro da questão. Por dez minutos, ele passou os olhos pela folha, procurando, minuciosamente, o erro. Não encontrou e deu um soco na perna, tentando achar um meio de ficar menos frustrado.
        Fernando esfregou o rosto com as mãos, bufando. E, por algum motivo, depois de amassar a cara, ele encarou a mão direita. Pensou que estava suja, por isso, resolveu levantar-se da cadeira e foi ao banheiro para lavá-la.
        Botou a mão direita debaixo de um feixe de água e com a esquerda, esfregou, tentando tirar a sujeira. Como se fosse um robô que tivesse sido posto num corpo humano há pouco tempo, Fernando encarou a sua mão direita.
       “ A minha mão tem essa cor mesmo?”
         Ultimamente, as únicas coisas que a mão de Fernando encostava eram o lápis, a caneta, a borracha, o marca-texto e a folha da apostila. Qual foi a ultima vez que, juntamente com a esquerda, a direita guiou o guidão da bicicleta? Ou que passou a folha de um livro que não tinha nada relacionado com vestibular? Ou que tocou uma bola de vôlei, seu esporte favorito? Fernando mal podia lembrar da ultima vez que a mão direita segurou um copo de refrigerante (ele negaria até a morte que já segurou um copo de cerveja!) numa festa.
        E falando em festa, quando foi a ultima vez que Fernando dançou? Quando foi a ultima vez que ele tentou ficar com uma menina e ouviu um não como resposta? Pior ainda, quando foi a ultima vez que ele teve tempo para conversar com os amigos?
       Olhando para a sua mão direita, apoiada na pia de mármore do banheiro do cursinho, Fernando sentiu falta. Falta daquele grupo de amigos. Ele não conseguia negar, sentia falta daqueles idiotas. Sentia falta de falar de garotas, e suas bundas e peitos. Era engraçado o quão eles divergiam. Para Fernando e Carlos, Fulana era mais bonita, enquanto Igor e Iago achavam que Cicrana ou Beltrana eram muito mais bonita. Sentia falta de passar parte da noite jogando videogame, ouvindo zoeiras e comendo guloseimas, biscoitos. Sentia falta, também, daquela filosofia de grupo. Sim, quando estavam em grupo, nenhum deles era burro. Todos eram capazes de terem idéias fantásticas sobre os mais variados assuntos. Mas o que ele mais sentia falta era daquilo que ele nunca teve. Ele sentia falta de segurar uma mão mais macia do que a dele, uma mão feminina que o acalmasse.
     Porém, por mais que tivesse voltado para sua cabine, onde estavam sua apostila, estojos, livros e o caderno, Fernando estava com a sua mente em outro lugar. Não importava-se mais com o valor da aceleração centrípeta, muito menos para o valor de atrito. “Foda-se isso tudo!” pensava. A grande incógnita da questão era porque ele sentia falta disso tudo?
       Abismado e em procura de respostas, Fernando pegou o celular e foi procurar alguém para recorrer. Seus amigos estavam em aula, num outro cursinho. Sua prima estava trabalhando num estagio. Sua melhor amiga estava de castigo. Por um milésimo de segundo, ele pensou em mandar uma mensagem para sua mãe, perguntando qual a razão daquilo tudo. Chegou a digitar a pergunta, entretanto, ele já sabia a resposta da mãe.
      — Você abdicou dessas coisas para passar no vestibular! – Diria sua mãe, com um tom de obviedade na voz, como se a pergunta fosse tola demais para ser proferida.
      —  Mas, mãe, por quê?
      — Porque, enquanto você perde tempo com seus amigos, ou perde tempo procurando uma namorada, ou perder tempo caçando qualquer motivo para não estudar, alguém estará estudando e pegará sua vaga. E, então, você perderá mais um semestre da sua vida, tentando entrar na universidade.
      A conversa imaginada dava náuseas no Fernando.
      Fernando, diante do argumento imaginado da sua mãe, tentou concentrar-se, usando como motivação uma pessoa queria a mesma vaga de Medicina que ele queria.
       Por vinte minutos, Fernando lutou. Seus olhos liam, linha por linha, a questão. Segurado pela mão direita, o lápis corria junto, tentando acompanhar o ritmo do olhar do adolescente. Mas, mais uma vez, a mente do Fernando não estava naquela questão.
      “Por que devo abdicar do meu lazer, só para passar no vestibular?”
       Mais uma vez, a voz imaginada de sua mãe voltou, com um tom irritado, respondendo a nova obvia pergunta dele:
      — É pelo seu futuro, meu filho. Você tem que estudar para ter uma boa vida. Acredite, na faculdade, isso não vai acontecer.
       Ele já havia ouvido esse argumento. E por mais tentador que fosse, ele não conseguia acreditar nas palavras da mãe. Ele via o esforço da sua irmã, que também havia feito em Medicina. Fernando perdeu as contas de quantas vezes Sofia estudou, virando a madrugada, por causa de uma prova. Ele não esqueceu as dez horas diárias que a irmã gastou para passar no vestibular. Um ano de luta que, no final, rendeu para ela uma vaga no curso.
       Talvez fosse fácil acreditar que, se ele passasse dez horas, todos os dias, estudando, ele passaria no vestibular, assim como a Sofia. O problema era que, ao contrario da irmã, Fernando nunca foi esforçado como ela. Ao contrario dela, que podia passar horas sentada, estudando Física, ou Matemática, ou Química, ele não conseguia. Ele, contrastando com Sofia, nunca foi um dos melhores alunos da sala. Nem tirava acima de oito em todas as matérias. Para falar a verdade, desde que conheceu o Ensino Médio, cada vez mais era difícil manter as notas das Exatas acima da media. Ele ia muito bem, obrigado, em todas as matérias, menos, Física, Matemática e Química.
        Cansado de olhar para aquela apostila, Fernando catou suas coisas, enfiou tudo na mochila e saiu do curso. Foi até o ponto de ônibus e pegou um ônibus para o shopping mais perto. Mandou uma mensagem para a mãe avisando que jantaria um hambúrguer.
       Fernando andou sem rumo no shopping, pensando. Esbarrou algumas vezes em algumas pessoas, que resmungaram e não aceitaram o pedido de desculpas dele.  Resolveu passar na livraria, a fim de procurar algum Best-seller.
       Encontrou um livro que despertou seu interesse, porém, uma garota roubou o foco do garoto. Era Marcela, a menina mais inteligente que Fernando conheceu/ estudou com. Ela estava irreconhecível. Sem maquiagem, os olhos, verdes, estavam fundos, cercados por olheiras. Chegava a estar pálida.
      Assustado, Fernando aproximou-se dela. Sem pensar muito, disse:
    — Como vai você, Marcela?
    — Bem, e você, Fernando? — A garota respondeu tristonha.
       Fernando preocupou-se com ela. Ela era sempre alegre. Agora estava tão para baixo. Por isso, perguntou o que aconteceu com ela. A resposta de Marcela fez o adolescente ficar cheio de náuseas.
    — Eu sofri um colapso nervoso há um mês, causado pelo estresse. O meu psiquiatra me proibiu de fazer o vestibular. De acordo com ele, eu tenho que estabilizar a minha saúde mental.
       Saúde mental? Estresse? Uma adolescente de dezessete anos com problemas de adultos? Isso não é normal.
    — O que aconteceu, Marcela?
     — Vestibular.
       Algo acendeu no Fernando. “Isto está errado!”, pensava. Como, em sã consciência, alguém podia ser levado àquele estado? Só para garantir seu futuro?
       Fernando queria saber o que estava errado. O que mudou, nele? Será que, somente ele estava enxergando o erro? Como jovens de dezessete anos tem que ser levados a estudarem tantas coisas? Por que jovens tem que fazer o tal do ”vestibular”? Para garantir o que não se pode garantir?  
      Fernando, como um autômato, despediu-se da garota e saiu da loja. Mais uma vez, ele estava sem rumo. Sua cabeça estava perdida em uma imaginação. Uma vida hipotética. Fernando viu sua vida, como em um trailer de filme.
      Passou em Medicina e a carga de estudo só aumentou. Em algum ponto do curso, ele começou a namorar e, não era como gracioso como ele se lembrava. Tinha que dividir seu tempo entre amigos, namorada, família e estudo. Tudo aquilo era exaustivo, mas ele se convencera de que no final, as coisas dariam certo.
      Eventualmente, ele terminou com a namorada. Fez um esforço tremendo para não deixar as notas caírem. Ele começou, dentro do curso de Medicina, a viver uma espécie de vida de medico. Entravam e saiam pacientes. Poucos recursos pioravam a situação, fazendo com que o estresse aumentasse.
      Ele formou-se e, as coisas não melhoraram. Agora tem a residência. Tempo? Ele teve pouco, mas era jovem, tinha vinte e sete anos. E, como esperado, a residência apenas dificultou a vida dele.
       Enquanto ele assistia ao filme da vida, de alguma forma, Fernando já havia comido algum lanche e estava voltando para casa. Preferiu pausar o filme e começou a refletir. Estava irritado, não podia negar. E aquela náusea que não passava.
       Ele compreendeu o problema. Fernando estava irritado com o vestibular. Pois, somente o vestibular, e outras coisas ruins, podiam fazer um jovem ver o seu futuro com tamanho pessimismo.
       O vestibular é uma desgraça, disse Fernando em alto bom som, enquanto voltava para casa, a pé. Ele sentia-se cansado. Sua mochila, pesando muito mais psicologicamente do que fisicamente, e sua náusea não ajudavam. Ele andava lentamente, sentindo tudo aquilo em cada passo.
      — O vestibular é uma desgraça. Não foi feito para humanos. Qual o sentido de fazer um adolescente ter conhecimento de mais de dez matérias, ensinadas em três anos. São cento e oitenta questões malignas, que fazem você duvidar de você mesmo. Você estuda para uma prova por um ano. Se você passar, um ano salvo. Não passou, um ano perdido.
       Quanto mais pensava que o vestibular estava errado, mais enjoado ficou. A náusea foi crescendo. Eis que seu corpo, contra a sua vontade, arqueou. Sua boca abriu, dando passagem para a sua janta e lanche da tarde. A fraqueza abraçou-o, e ele pensou:
       — Parece que eu tenho muito tempo para me divertir. Eu sei disso, mas porque eu não acredito? Por que eu tenho a sensação que, a partir de agora, eu serei fraco deste jeito para sempre?
       Ligou para o pai e pediu para ele buscá-lo e, segundos depois, seu corpo pediu arrego, e Fernando desmaiou. 
     “O cansaço físico, mesmo que suportado forçosamente, não prejudica o corpo, enquanto o conhecimento imposto à força não pode permanecer na alma por muito tempo.”
                                                                                    -- Platão
  • Alma Perdida

    Ela era uma prostituta. Mas não era uma prostituta qualquer, nela havia algo especial. Cercada de tristeza e dor, seu corpo possuía tons curiosos.
    Carmen, filha de João e Maria, cresceu ouvindo que o mundo era vazio, um lugar sem esperança. Quando criança, tentava de todas as formas agradar os pais que trabalhavam dia e noite para poder colocar o pão na mesa, chegavam cansados e só verificavam se Carmen estava viva, não prestando atenção acima da mesa: ‘’Papai,Mamãe. Eu não sei muito sobre vocês, contudo isso é uma das consequências da vida que fomos destinados a ter, porém amo vocês do mesmo jeito que qualquer outra filha amaria.”
    Aos 16 anos, os pais de Carmen morreram e a adolescente foi morar com o único parente que tinha, seu tio. Era uma casa fria, sem cor. Todas as noites, ela chorava baixinho, no canto do quarto, implorando para sentir alguma coisa: felicidade, tristeza, raiva... Algo que mostrasse que ela ainda estava viva e não somente sobrevivendo. Seu tio, uma pessoa amarga, chegava bêbado em casa todos os dias e, naquela noite, ele escutou um murmúrio vindo do quarto. Alguém chorava. Uma alma perdida pedindo socorro. ‘’Eu vou te dar um motivo para sentir algo.’’, disse, puxando a cinta e espancando a jovem Carmen.
    E naquela madrugada, ela de fato sentiu algo: repulsa. De si mesma. Olhava para os hematomas e as lágrimas não faziam seu caminho pela bochecha mais, era uma dor mais profunda. Julgou que a melhor forma de acabar com aquilo era fugir e assim fez, saindo sem rumo. Vagou pelas ruas, somente o tempo conseguiria cura-lá.
    Passaram- se anos, Carmen se encontrava no banheiro do posto, enquanto passava o batom tão vermelho quanto seu próprio sangue, um sorriso falho no canto dos lábios. No relógio marcava 00:00, deu um passo para o lado de fora, sentindo o vento frio contra sua pele pálida. Mais uma noite de trabalho.
    Uma mulher diferente de todas as outras, parada no ponto, vendendo aquilo que sempre desejou ter, o puro amor.
  • Amor de amigo

    Cara tu é muito chata sabia? Mas de todas as coisas possíveis para se pensar era você que vinha a minha cabeça as 6 horas dá manhã para mandar acordar mesmo sabendo que já estaria acordada ou que não acordaria com minhas mensagens , até mesmo me deparar com mensagens suas logo cedo para me acordar , puxar assuntos mega aleatórios para deixar sem respostas, brincar com ela, também né meu bebê , ela vivi ruimzinha e eu não consigo cuidar dela pois sempre estou longe, fico enchendo d mensagens e as vezes até ligo para abusar um pouco mais, me desculpa por não estar contigo quando você precisava , sério eu me arrependo muito disso e sei que não tem como concertar mas estou aqui agora para que isso nunca aconteça de novo.
      Ela fica sem assunto muito rápido e eu acabo ficando bravo porque seria a mesma coisa que conversar com um programa de computador, por gostar tanto dela acabei criando muitas expectativas que foram uma a uma sendo descartadas. Fica mentiras para não me dar atenção e isso me incomodar muito e você sabe disso, como por exemplo : se você fica online no whatsapp é porque tem condições de responder aquele Oi q mandei assim que acordei, dar um aviso prévio que não conseguira responder porque está fazendo ocupada, antes mesmo de começar a fazer e parar de responder e depois avisar. Eu iniciei o ano pensando em comprar um computador novo, estudar, trocar emprego o quanto antes,já te falei isso. Acabo não fazendo isso, porque chego em casa e tem alguém esperando para me ligar com uma vozinha chata que eu gosto muito e mesmo depois quando ela desliga, fico lá porque já perdi a cabeça pra estudar só quero mais ficar lá esperando para dizer que a AMO e que não acredito que ela me ama e nem sei quando vou acreditar.
      Sempre acabo ficando bravo mas é porque eu me importo de mais, quero você comigo 24 horas por dia e ainda acho pouco, você fica reclamando que não possui amigos , mesmo possuindo alguns que são importantes para você , mas eu também não possuía ninguém nessa idade. Na escola estamos junto outros dias não os via mais, o Rick vinha aqui em casa as vezes e me acordava pra jogar no notebook, tipo umas 8 horas dá manhã e eu falava onde estava o notebook e a senha então voltava a dormir. A tarde minha mãe enchia nós de tarefas da casa, como limpar o pátio e aqui ele é muito grande . Depois de já algum tempo fiz algumas amizades e montamos um grupinho todo pessoal com uma mesma mentalidade​, os exclusos que não interagiam muito, saíamos as vezes mas só para comer e era isso. Viu se eu consegui porque você não​ consegue? você tem tudo e o que lhe falta sei que conseguira com o tempo.
      É eu não te amo tudo isso , porque se eu amasse isso não seria nada, o tanto que te amo não pode ser demostrado só com isso, uma hora talvez te mostro , e nunca vou deixar de ficar bravo contigo, porque se eu deixar não vou mais me importar com você , e não quero isso. Lembra que falei em te deixar de castigo algumas semanas? Então porque acha que estou aqui me contrariando?
      Você realmente conseguiu me irritar muito para ter te bloqueado, e mesmo assim continua sendo trouxa comigo, é tentei ser legal, só que para tudo existe um limite. Te perguntei oque você queria comigo e não recebi uma resposta como de costume, assim como suas promessas que nunca cumpre. Já havia entendido o recado antes só não queria acreditar, levei isso longe de mais então deixo o resto ser como você quiser.
  • Antecedente da cicatrização

    Como quando a orelha inflama porque o brinco estava um pouco sujo; ou quando colamos o curativo adesivo que fixa na pele de modo a puxar todos os pelos na hora de sair.
    Mesmo sabendo que no fim iria doer, provoquei. Botei o brinco pra inflamar, colei o curativo pra fazer doer. Queria viver aquilo, nem se fosse por míseros segundos, minutos, horas, dias. Nem sei mais quanto tempo passei imersa naquela banheira de espumas.
    Corria cada vez mais só pra vê-la. Queria era socorro, socorro da própria situação. Socorro de mim mesma. Mas por mais rápido que eu o fizesse, não a alcançava. Dormia sem conseguir descansar. Não sabia como evitar, como não sentir. Era, humanamente, impossível fechar o peito para aquela que, outrora, me visitava com flores e com pele macia a me acariciar.
    Deitada sobre seu peito sentia que a perdia. Procurava sua mão. Meus dedos se entrelaçavam nos dela, mas os dela no meu. Ficava ali parada até o momento em que escorria pelo meu corpo. Indo embora sem dizer adeus.
    Enquanto eu souber que a ferida não será fechada por completo, vou levando. Empurrando com o resto de forças que sobrara do restante da minha alma, que jorrava água escura, afim de fugir do precipício que eu mesma criara.
  • Autoconfiança

    Ela e a autoconfiança tinham problemas entre si. Na verdade, problemas eram poucos. Bruna sentia que sua confiança a traia nos momentos mais inoportunos. Ela já havia perdido a conta de quantas vezes isso aconteceu. O que preocupava ela era quando seria a próxima traição. Chegava a ser irritante, para ela, o quão dependente Bruna era da autoconfiança.
       Eu sei um pouco de autoconfiança. Não julgo ser especialista nisto, mas tenho conhecimento suficiente para escrever algumas linhas de prosa.
        A autoconfiança é importante para as pessoas. Ela pode, facilmente, levar-nos a fazer atos que ultrapassem nossos limites. Mas, como a mesma facilidade, pode atrapalhar nossas atividades mais simples. Talvez, por saber a importância dela, a autoconfiança nos trai por puro prazer.
        Quando a autoconfiança te traí é horrível. Geralmente, você nem desconfia do que vai acontecer. Vamos para a exemplificação.
         Imagine que você acordou num bom dia. O céu está limpo, o clima, agradável. Por mais ordinário e normal tenha sido seu café da manhã, você está animadíssimo.  Você vai escovar os dentes e, no espelho de seu banheiro, você nota o quão bonito está.
        - A primeira coisa que eu vou fazer é tirar uma foto. – Você diz, animado.
           Você tira um monte de selfies e resolve mostrar para sua mãe. Ela cumpre bem sua função, dizendo que estava bonito e pedindo para que você mandasse. Seu ego inflama e você está super feliz por isso.
        Depois de uma ida ao clube, você, finalmente, dá um pouco de atenção aos seus amigos. Sabe aquele amigo que você julga ser importante, mas sempre fala alguma besteira? Pois é, mais uma vez ele falou:
        - Eu acho que você está muito grosso e anti-social recentemente. Talvez você esteja depressivo. Tente mudar.
        Para uma pessoa que tem a autoconfiança lá embaixo, isso é horrível, revoltante, dolorido. Veja, qualquer pessoa pode acabar com a auto-estima de alguém. E isso é uma das maiores maldades que você pode fazer com esta pessoa, pois, ela vai se sentir mal, impotente, acuada. Este sentimento de fraqueza, uma vez desperto nela, vai crescendo e vai piorando.
        A autoconfiança é igual a uma égua de raça. Uma linda égua com pelagem preta. Ela é tão negra que quando o sol bate nele, os pelos equinos brilham, resplandecentes. Uma égua forte, veloz e, totalmente rebelde. Um desafio para aqueles que a montam.
        No inicio da montaria, essa égua é calma. A principio, ela não quer te derrubar. Ela começa bem devagar e, com o tempo, ela vai aumentando a velocidade. Automaticamente, sua insegurança vai embora e você vai sentindo-se bem com a égua. De repente, você e a sua autoconfiança são amigas. Esse é o ponto critico, pois, a partir daqui, podemos ver quem é autoconfiante ou não. 
        A égua começa a tentar te derrubar. É difícil manter-se em cima dela. Ela pula, roda, corre e para de repente. Ela só para se ver você no chão ou quando sentir-se cansada. Até aí, alguns caem enquanto outros continuam em cima da égua.
        Se você foi derrubado, você fica desanimado e perguntando-se:
        - Por que eu não consegui?
        Os outros conseguiram e você não.
        Entretanto, você não desiste. Tenta de novo e de novo e, mais uma vez. Você continua caindo. E, certamente, alguma vez, vem seu namorado ou seu amigo, ou sua mãe ou qualquer outra pessoa importante e diz/ faz algo que tira o seu foco da égua e você caí.
       Até os seus amigos, às vezes sem querer, outras vezes intencionalmente, te derrubam da égua.
       Mas lembre-se, a autoconfiança vai te trair. Ela não precisa ninguém dizendo coisas para te atrapalhar. E, com certeza, não importa quão bom montador você é, um dia, você vai se sentir acuado e impotente.
        Talvez, o melhor remédio contra a rebeldia da autoconfiança sejam aqueles que você julga ser importantes para você. Vamos voltar à Bruna.
        Um dia, Bruna e alguns colegas, entre eles, alguns amigos, foram para uma festa. Muitas pessoas dançavam, outras ficavam e poucos conversavam. Na roda de amigos, o melhor amigo de Bruna e uma garota dançavam e, tentavam, convencê-la a juntar-se com eles. A autoconfiança de nossa personagem mais uma vez a traiu e ela ficou envergonhada, tímida.
       - Eu não vou dançar. E se rirem de mim? - Bruna disse. Talvez ela tivesse ficado vermelha, mas por causa da luz da boate,  não dava para dizer.
       - Ninguém vai rir de você. – Respondeu o melhor amigo.
       - É, ninguém está se importando se você dança bem ou não. – Respondeu a amiga, que se chamava Maria.
        Se Bruna tivesse ido a esta festa sem os dois (talvez ela não fosse se esses dois não tivessem ido), ela não teria dançado, impedida pela timidez e falta de autoconfiança.
        Demorou um pouco, mas, enfim, Bruna dançou com os amigos. Aos poucos, ela começou a dançar, soltando-se. Dançou até não poder mais, até seus pés doerem e pedirem arrego. Ela estava feliz no final da festa e, ela não havia notado ainda, mas Bruna havia montado a égua. Elas andavam juntas, como se fossem melhores amigas.
  • Beco do Adeus

    Com os olhos fechados e calo nesse mundo de ódio e amor aos poucos meus olhos escorem gotas que caiem no chão, que me lembra de tudo que fiz e cada vez me deixa mais confuso já não sei oque fazer perdido em delírio de pensamento pessimistas que me levaram esse lugar escoro chamado de beco. Jogado no chão a chorar parece apenas um conto de um livro de ficção momento que o protagonista é derrota ou perde alguém que ama bem minha historia é diferente estou aqui, pois nunca ter nada, perde sempre, ser zero a esquerda, não consegui ser o protagonista da minha própria vida é engraçado dizer nesse momento poderia ser aqueles que as pessoas percebem que ficarem chorando não vai mudar nada, mas já passei por isso, mas não mudou nada sabe antes que m julgue como um cara que não quer lutar pelos seus sonhos entenda que  nem todos desistem por não ter coragem de lutar uns só estão cansados de perder sabe é fácil falar levante a cabeça e siga em frente quando  você não  perdeu mais vezes que pode contar. Caralho isso esta  muito desmotivador até pra min mas vou te mandar real irmão você  provável que seja alguém  melhor que eu já que estou morto nesse momento que esta lendo isso, mas mesmo tendo uma vida de bosta tive momentos  bons, olha tive um amor ela era linda mas tive que deixar ela parti ter uma vida melhor, amigos verdadeiros,  muitas coisas boas só que tudo oque realmente tentava  fazer de útil não dava certo desde de criança então hoje eu parto para um outro começo. Adeus caro leitor.
  • Cachoeira 3

    Na cachoeira um olha outro girar na água
    Como ele faz isto é a pergunta

    A sim que para, vão o perguntar
    É estratégia minha resposta

    Um tenta e bebe água nada de girar
    A persistência traria resultados

    Mas a sabedoria leva outro
    A saltar e dar um voleio para fora d’água

    Nossa que legal
    Parecia futebol aquático ou um golfinho

    Outro o viu saltar lá do alto
    Sim podemos variar

    Sim temos acasos e casos em nossas vidas
    Criamos e recriamos

    Então sabemos, sabemos que podemos
    -E iremos!

    cruz machado cachoeira
    Veja mais no meu perfil e caso você clique na pagina 2 e voltar para 1 ao invez de abrir a 2, é só clicar de novo que abrirá as paginas seguintes, já aconteceu isto por isto estou esplicando a vocês leitores, abraço.
  • Cansei

    Eu já vou avisando antes de tudo que o conteúdo do texto não vai além de um desabafo, por mais que este seja algo clichê não é de algum assunto clichê.
      Bom, a minha vida sempre foi ótima... Cof Cof... Não, vamos começar direito: desde sempre vivi no caos, eram os meus pais brigando ali, minha avó aqui, tios e tias de um lado, etc e tal; Ao começar 2° ano (sim, eu disse segundo, pulei o primeiro) era a mais baixinha, gordinha e até nerd da sala e infelizmente isso gerou uma grade bagunça na minha cabeça pois dali pra frente eu teria diversos apelidos tipo jacaré, Mônica, entre outros. aquilo não me afetava, "batia" em quem me chamava assim, só que ao crescer eu meio que entendi qual o sentido das palavras dirigidas a mim, do 6° ano pra frente além da família péssima ainda havia d lidar com a baixa estima que morava dentro de mim, apenas me corroendo, dentro e escondida.
      Nesse mesmo ano mudei de colégio, meus pais tinham problemas financeiros, estavam separados e precisavam me trocar de escola, foi uma ótima mudança, já que conheci muitas pessoas novas e amigos, mas havia um problema: ainda não consequia lidar com os xingamentos que antes não me afetavam. Chorava todods os dias nas aulas e ninguém ligava, virou rotina, até que lá pro 8° ano me mudaram de escola novamente...
      Não sabiam de nada, porém conseguiram uma bolsa de estudos pra mim em uma boa escola, como eu era até uma boa aluna foi fácil. Neste novo colégio ganhei um apelido comum que vai de acordo com a aparência de uma cantora e sua semelhança com a minha, até aí tudo bem né? NÃO, no meio tempo 6 à 8 série estava presa num inferno, foram seis ou sete tentativas de suicídio da minha querida e amada mãe (com tom de irônia por favor), não só era muito difícil de conviver com a pessoa como ainda é, mas vou deixar isso de fora um pouquinho. Voltando no período anterior brigávamos todo dia; Na escola era um pouco melhor, de pouco em pouco fui me adaptando com os novos professores e colegas, com problemas emocionais a única coisa que sabia era chingar. Me arrependo muito de não ter sido mais calma e pacífica essa epóca.
      Aqui estou eu, no 9 ano, acordando todo dia sem nem animo pra viver. Se há uma coisa que me anima é nada; o dia todo, todo dia, fazendo a mesma coisa e me culpando por machucar todos que passam por mim (isso acontece mesmo); Será que no fundo eu tenho mesmo boa intenção ou é tudo manipulação? Me conheço bem e disso eu tenho certeza, entretando não consigo me entender. É de mais querer ficar sozinha um tempo? é de mais querer espaço? ou pior, é de mais pensar em mim de vez em quando? Porque depois de tudo (o que está aqui de forma super resumida) eu cansei de me importar com os outros e o que eles esperam de mim, cansei de matar pra tirar 80% nas provas e ficar insatisfeita com 79%, não sei se é errado ou se estou sozinha nessa, só sei que cansei.
  • Desabafo

    Recentemente baixei um aplicativo para ajudar na ansiedade. Minha ansiedade não é tão forte a ponto de se manifestar fisicamente de forma muito evidente (exceto por uma pequena mania automutiladora e insônia antes de algum evento importante), mas mesmo assim incomoda. Esse aplicativo disse que escrever pode ajudar a organizar os pensamentos, por isso estou escrevendo isso. Quando era criança sempre tentei ter diários, mas nunca consegui escrever todos os dias. Sempre fui assim, não sou muito boa em começar e terminar coisas. Geralmente começo e digo que um dia termino. Acaba que eu tenho pelo menos cinco livros que comecei a escrever e não acabei, além de um livro de poesias em que só falta terminar os desenhos (que sou eu quem faço, por isso faz um ano que está atrasado). Tem várias outras coisas que comecei e não terminei, mas não vêm ao caso.
    Ultimamente parece que o mundo está tentando me cobrar uma resposta acerca de uma coisa. Eu gosto de cantar e tocar violão. Um sonho que eu tinha quando criança era ser cantora igual a Avril Lavigne. Já participei de festivais, tentei fazer uma banda e a minha tentativa mais recente foi uma dupla com meu namorado. Dos três festivais que participei, ganhei um (acredito que ganhei por falta de concorrência, embora tentem me dizer o contrário), a banda não deu muito certo também. Eu quis dar um tempo para a nossa dupla faz quase um ano. Fizemos só uma apresentação, que foi uma participação no show de um amigo. Acho que as pessoas gostaram. Mesmo assim, tenho problemas para enxergar que somos bons nisso. Meu namorado disse que é coisa da minha cabeça, porque às vezes eu acho que está muito ruim e ele diz que isso fica maior do que parece pra mim. Gosto de tocar e cantar com ele, embora eu fique meio ranzinza quando ensaiamos, e dependendo do lugar que ensaiamos eu começo a ficar incomodada. Se for um lugar onde passa muita gente, eu começo a achar que as pessoas não estão gostando ou estão rindo da gente, aí eu começo a ficar triste. Parece que o mundo quer saber de mim se eu vou ou não continuar nisso. Apesar do meu medo, eu adoraria cantar pras pessoas e saber que elas gostam do que eu faço. Só que minha cabeça não para de me dizer o contrário.
    Eu faço faculdade de manhã e vou pra lá de van, porque meu pai não pode me levar e é mais tranquilo. Além de mim, tem um pessoal que está no ensino médio que também vai comigo. Eles são legais na maioria, mas tem tido um problema essa semana que me incomodou, mas acho melhor não falar disso. Acho que vou ficar irritada. Só queria dizer que está me incomodando e estou desanimada de ir nessa van. 
    Meus pais também estão me deixando meio maluca. Eu sei que se você que está lendo tiver mais ou menos minha idade, vai concordar com isso, e que se não, vai dizer que é uma fase. Eles não me deixam maluca porque não gosto deles. Pelo contrário. Eles me deixam assim porque eu gosto muito deles, então eu fico em dúvida se devo fazer o que eu quero ou o que eles querem. Sei que eles querem o melhor pra mim, mas porque eu iria querer o contrário? Acho que nesse ponto vejo o mundo mais simplificado do que eles. Pais sempre pensam no pior que poderia acontecer, enquanto nós pensamos nas coisas boas. Eu tenho quase 18 anos e tenho medo de continuar com essa dúvida. Principalmente meu namorado, porque o que está nos atrapalhando um pouco é o fato de eles não quererem que eu namore agora (ou até minha formatura (ou até eu ter 30 anos)) e ele está muito incomodado com isso. Tudo isso me deixa muito chateada. Não gosto de ter que escolher entre meus pais e meu namorado. Não deve ser tão difícil assim ter os dois. Acho que as coisas estão se complicando além do necessário.
    Agora que já acabei de incomodar você que está lendo, pode continuar a ler outros textos. Eu precisava desabafar e foi bom contar com você para ler. Desculpe se essa leitura não te agregou conhecimento útil ou diversão. Mesmo assim, obrigada por ler.
  • Dia de chuva

    Tudo começou com um belo dia pós chuva. À vi em uma travessa daquela pequena cidade.
    A princípio não havia reparado em seu elegante cachecol estampado com flores, e sua blusa lisa caque que destacava sua esbelta cintura, e sua calça jeans escura, e suas botas marrom, sem salto. Não sou de reparar nas pessoas, mas não pude deixar de reparar em seus cabelos castanho escuro, levemente andulado nas pontas, e aqueles chamativos par de olhos mel esverdiados, que até poderia dizer que eram âmbar, e um sorriso, lindíssimo, com dentes tão brancos como as nuvens, e reluzentes como as estrelas. Mas o que realmente me chamou a atenção, foi o motivo de seu sorriso, um pequeno pássaro verde, pousado em uma árvore próxima. Ela apontava, e sorria, mostrando-o para quem andava com ela.
    E isso me fez pensar: Como coisas simples podem fazer a alegria de alguém?
    Aquele pássaro pousado naquela árvore, nada de mais, fez a moça sorrir.
    E aquela simples ação da linda moça, me fez sorrir o resto do meu dia.
  • Dominante

    Eu odeio mudanças,mas eu acho que eu já me acostumei com elas. Eu tenho apenas dezesseis anos e já me mudei mais de quinze vezes. O motivo das mudanças? Bullying. Durante todos os anos que estive na escola eu sofri bullying por causa da minha aparência. Eles me chamavam de feia,gorda,entre outros diversos insultos. Apesar de todos os insultos eu nunca me achei feia ou gorda,na verdade,eu acho que os insultos serviam para eles se sentirem superiores,não necessariamente,sendo verdade tudo o que eles diziam.
    Minha viagem dessa vez vai ser para Londres a capital da Inglaterra. Entrar em um avião e ir para um lugar distante,no começo era algo emocionante,mas agora depois de isso ter se repetido num ciclo infinito é cansativo e perdeu completamente a emoção.
    Entrei com meus pais no avião e os mesmos ficavam me dizendo que a minha situação ia melhorar e que eu ia fazer alguns amigos,porém eu não acredito muito nas palavras deles. Seria uma viagem longa,demora cerca de onze horas,eu nem sei porque estou reclamando eu já viajei durante trinta horas aproximadamente quando me mudei para o Japão.
    Assim que me sentei na poltrona do avião senti um peso saindo das minhas costas,então é um adeus ao Brasil e um olá a Inglaterra. Coloquei meus fones no meu ouvido e liguei a música no aleátorio,a música que começou a tocar Dope-BTS,é minha música favorita do meu grupo sul-coreano preferido. Bem,que a viajem comece. Eu apaguei alguns minutos depois que o avião decolou.
    Acordei com minha mãe me chamando,ela estava dizendo:
    —Filha ,já estamos na Inglaterra,acorda!
    Admito,minha mãe estava mais animada que eu.
    Descemos do avião e meus pais foram pegar as malas. Respirei fundo o ar frio da Inglaterra. Agradeci mentalmente por estar usando uma blusa preto e um suéter branco que me esquentavam parcialmente,eu estar usando calças jeans não ajudava com o frio que batia em minhas pernas,mas eu aguentava.
    Meus pais voltaram com as malas e meu pai com sua mão livre bagunçou de forma carinhosa meus cabelos castanhos. Eu não era mais uma criança,mas eles adoravam me tratar como tal. 
    —Bem,vamos para nossa nova casa?
    Perguntou minha mãe olhando profundamente em meus olhos verdes.
    Assenti com a cabeça e sorri levemente. Hora de começar com a minha nova vida.
    Meus pais chamaram um táxi para nos levar até a nossa nova casa. Eu imagino como ela seria. Minha mãe me disse que tinha que ser uma surpresa,então estou curiosa para saber como ela se parece.
    Eu tinha pesquisado um pouco sobre Londres e na minha cabeça talvez não seja um lugar tão ruim. O clima é temperado oceânico. Até onde eu me lembro esse é um tipo de clima que ocorre em regiões afastadas das grandes massas continentais e nas margens ocidentais situadas nas latitudes médias e altas. Nas regiões com clima oceânico as chuvas são abundantes e bem distribuídas ao longo de todo o ano, sendo o verão bastante fresco e úmido. Hoje especialmente está bem frio,fazendo exatamente 2°C.
    Enquanto estamos dentro do táxi um silêncio constrangedor se prega entre nós. Esse táxi está me sufocando aos poucos e um turbilhão de pensamentos estão se passando em minha cabeça. Eu estou preocupada com minha nova escola. Pode ocorrer coisas muito ruins,mas ao mesmo tempo coisas boas e não saber nada disso me preocupa.
    Meu pai colocou a mão em meu ombro e deu um leve sorriso.
    -Hey princesa,não precisa se preocupar,tá?
    Concordei de leve com a cabeça. Meu pai ama me chamar de apelidos como: princesa,bonequinha,entre outros apelidos carinhosos.
    Depois de cerca de cinco minutos o táxi parou e fez a cobrança da corrida. Eu desci do táxi e olhei para a casa a qual iriamos morar. É uma casa de dois andares branca,a moldura das janelas estão pintadas em um tom azul-bebê. A porta é feita de madeira de carvalho aparentemente velha. Eu amei ela por fora,mesmo a casa parecendo ter muitos anos ela parece simplesmente perfeita.
    Ajudei meus pais a pegarem as malas e entrei dentro da casa. Ela já está mobiliada. A sala de estar tem um sofá de três lugares que parece ter 288 cm de largura e 85 cm de altura,na frente do sofá uma mesa de centro de vidro e logo em frente uma televisão de tela plana. Tem algumas prateleiras com livros na parede da direita,são livros de poesia,fantasia,psicologia e até mesmo livros de romance.
    Um pouco mais a frente tem uma porta branca a qual eu deduzo levar a cozinha e então mais perto de mim tem a escada que leva ao segundo andar.
    -Mãe,pai! Vou arrumar minhas coisas no meu quarto.
    Eu os disse e peguei as malas as quais contiam as minhas roupas e alguns itens pessoas como: notebook,celular,despertador,entre outras coisas.
    Subi os degraus calmamente e analisei os lugares pelos quais eu passava. Espera,qual é meu quarto?
    Larguei as malas no chão e desci para perguntar a minha mãe qual era o meu quarto.
    -Oh mãe! Qual é o meu quarto e qual é o de vocês?
    Perguntei assim que cheguei perto o suficiente para ela ouvir.
    -Você pode escolher qual preferir,querida.
    Ela respondeu sem olhar para mim.
    Voltei a subir as escadas e escolhi o quarto que é a terceira porta a direita no corredor. Ele é bem mais simples. Tem uma cama de solteiro com lençois brancos no centro do quarto encostada na parede,uma mesa de estudos na frente de uma janela no canto direito,algumas prateleiras vazias,um criado-mudo ao lado da cama e um pequeno armário ao lado da cama.
    Coloquei minhas malas em cima da cama e suspirei - tem muitas coisas para arrumar,mas vamos lá. Abri minha mala a qual tem minhas roupas e abri o armário. Separei organizadamente as roupas dentro do armário mesmo sabendo que depois de uma semana estaria uma completa desordem.
    Coloquei a mala vazia embaixo da minha cama e fechei o armário. Abri a mala com meus itens pessoais. Coloquei meu notebook em cima da mesa de estudos e meu celular ao lado. Peguei meus livros e os coloquei nas prateleiras e para terminar coloquei meu despertador em cima do criado-mudo e coloquei a mala vazia junto com a outra embaixo da cama.
    Amanhã é meu primeiro dia na escola. Tem que dar tudo certo. A escola daria o material necessário,eu só precisaria ter o básico que seria cadernos e um estojo com lábis,borracha,canetas,essas coisas.
    Me joguei na cama e adormeci do jeito que estava mesmo.
    Acordei com o som irritante do meu despertador. Desliguei o mesmo e vi que eram 7:00. Tenho meia hora ainda. Me levantei e procurei no meu armário uma roupa para ir a escola,no fim acabei escolhendo uma calça jeans,uma camiseta de manga longa preta e um tênis vermelho.
    Fui ao banheiro e fiz minha higiene matinal. Penteei meu cabelo e me olhei no espelho antes de suspirar.
    -Bem,Katherine,é agora ou nunca.
    Murmurei para mim mesma.
    Peguei minha mochila de cor azul e coloquei no meu ombro antes de descer rapidamente as escadas.
    -Tchau mãe. Tchau pai.
    Gritei já abrindo a porta para sair.
    Respirei fundo e apressei o passo para a escola. Demorou cerca de cinco minutos para eu chegar lá. Ela era enorme e pintada de tons de cinza com branco.
    Logo que pisei dentro da escola uma garota ruiva com olhos azuis veio até mim e perguntou de forma animada:
    -Você é a novata,né? Eu me chamo Anne.
    Sorri levemente para a garota.
    -Eu sou Katherine e sim eu sou a novata.
    Ela sorrio abertamente e me puxou dizendo que ia me levar para pegar meus livros e o meu horário.
    Chegamos a uma sala com três mesas em cada uma sentava uma mulher diferente. Logo uma das mulheres a qual tinha os cabelos loiros presos em um coque e olhos castanhos olhou para mim e disse:
    -Você é a garota nova,Katherine não é?
    Assenti e ela colocou cinco livros em cima da mesa junto com uma folha a qual mostrava as aulas que eu teria durante a semana.
    Peguei os livros e o horário e Anne disse que meu armário era o número 56. Anne me levou até onde era o armário e eu coloquei meus livros dentro. Minha primeira aula seria inglês.
    -Hey Katherine! Aqui na escola tem um grupo de garotos ao qual você não deve se aproximar.
    Anne me disse parecendo receosa.
    Dei de ombros e perguntei onde era a sala a qual eu teria inglês. Ela estava me guiando até o segundo andar só que antes de chegarmos na sala ela me puxou para trás de um pilar e me disse:
    -São aqueles sete garotos ali.
    Ela apontou para um grupo de garotos bem bonitos e que eu diria que seriam os populares da escola.
    -Está vendo aquele garoto de óculos de sol e cabelos escuros?
    Ela perguntou e eu assenti.
    -Ele é o mais perigoso! Não se aproxime dele.
    Ela disse de forma desesperada me fazendo questionar o por que disso. Ele não poderia ser tão ruim assim...ou poderia?
    Ela me levou até a sala A-3 e me disse:
    -Boa sorte!
    Eu não sei dizer se foi um aviso ou um desejo positivo.
    Eu entrei na sala e sentei na última carteira da segunda fileira e esperei os alunos entrarem.
    Cerca de dez minutos depois o sinal tocou e os alunos entraram inclusive aquele garoto que Anne me mandou ficar longe. Ele se sentou na carteira ao meu lado,retirou os óculos de sol e me olhou. Eu jurei por um segundo ter visto os olhos dele mudarem do castanho para o violeta atual,mas eu acho que foi minha imaginação.
    -Olá,eu sou Edson. Você é a novata,né?
    Ele se apresentou e me perguntou. A voz dele é tão calma e melodiosa.
    -Sim,eu sou. Eu me chamo Katherine.
    Respondi simples e ele sorrio abertamente antes de voltar sua atenção para o professor que havia acabado de entrar na sala.
    O professor que entrou na sala tem cabelos loiros e olhos negros. Ele parece ter no máximo vinte e três anos.
    -Bom dia alunos! Eu sou o novo professor de inglês,meu nome é Taeyang. Nós temos uma nova aluna hoje. Katherine gostaria de se apresentar para nós?
    Ele me perguntou educadamente. A voz do professor é calma e baixa e ele parece descendente de coreano.
    Me levantei e fui na frente da turma,estou com muita vergonha,já posso sentir minhas bochechas esquentando.
    -Eu me chamo Katherine,tenho 16 anos e vim do Brasil para cá por problemas na minha antiga escola. Espero me dar bem com todos.
    Voltei a sentar no meu lugar e suspirei. O professor sorrio levemente e disse:
    -Muito bem,Katherine. Espero que todos a tratem muito bem.
    Assim ele começou a dar a aula normalmente.
    Assim que o sinal bateu todos os alunos saíram rapidamente e eu esperei todos saírem. Peguei meu material e estava prestes a sair da sala quando eu sinto uma mão no meu ombro. Quando olhei para trás eu vi o professor de inglês,Taeyang.
    -Katherine,sei que no começo vai ser difícil de se encaixar,mas caso precise de algo,por favor,fale com a diretora ou com algum dos professores.
    Ele disse gentilmente.
    -Ok,obrigada senhor Taeyang.
    Ele soltou meu ombro e eu fui acordar às coisas no meu armário.
    No caminho encontro Anne e resolvo comentar com ela sobre Edson.
    -Anne! Sabe o garoto que você mandou eu manter distância?
    Ela me olhou e concordou.
    -Me diga,os olhos dele mudam de cor ou algo assim?
    Ela se assustou por um segundo,mas logo depois me puxou para um canto e disse:
    -Olha,Katherine. Os olhos dele mudam de cor se ele sente uma forte emoção. Vermelho é raiva. Preto é ódio. Azul é tristeza. Esse é o básico.
    Estou surpresa. Como alguém pode ter olhos que mudam de cor? E o que significa o violeta?
    O sinal bateu e eu não pude perguntar nenhuma dessas coisas. O dia seguiu normalmente.
    Estou saindo da escola,agora é 12:30,eu chegaria na minha casa em dez ou cinco minutos. Quando eu ia começar a caminhar para casa sinto uma mão me puxando de volta.
    -Bem,olá Katherine.
    A pessoa que me puxou sussurrou no meu ouvido. Essa voz...Edson?
    Me virei e vi Edson com um sorriso no rosto e os óculos de sol novamente. Hoje está nublado por que ele tá usando isso?
    -Olá...O que você gostaria?
    Perguntei em dúvida e com receio.
    -Nada,só te levar até sua humilde residência.
    Ele respondeu sem rodeios.
    -Mas...
    Tentei argumentar do porque ele não deveria me levar,porém ele fez uma clássica cara de cachorro sem dono.
    -Tudo bem,venha.
    Suspirei em derrota e ele sorrio colocando o braço envolta dos meus ombros.
    Nós caminhamos em silêncio até minha casa e quando chegamos na frente eu disse:
    -Bem,é aqui. Até amanhã.
    Ele me deu um beijo na bochecha e disse:
    -Até amanhã.
    Ele se virou e foi embora calmamente.
    Entrei rapidamente dentro de casa com o coração acelerado. O que acabou de acontecer?
    Subi as escadas e joguei minha mochila em um canto qualquer. Me deitei na minha cama e suspirei. O que significa o violeta dos olhos dele? E por que ele é perigoso?
    Foi com esses pensamentos que adormeci pelo cansaço.
    Acordei no outro dia e vi que eram 7:15. Eu tenho apenas 15 minutos para me arrumar!!!
    Coloquei uma roupa qualquer no meu armário. Uma blusa branca,calça jeans e um tênis preto. Fui ao banheiro,penteei meu cabelo e escovei meus dentes rapidamente.
    Desci as escadas correndo,peguei uma maça já que não havia comido nada desde ontem e saí de casa.
    Cheguei na escola faltando 5 minutos para bater o sinal. Já tinha comido minha maçã e agora era só me apresar para a aula. Corri rapidamente para dentro da escola e acabei esbarrando em alguém fazendo vários livros e papeladas caírem no chão. Eu esbarrei no senhor Taeyang!!!
    -Eu sinto muito,senhor Taeyang!
    Pedi rapidamente desculpas enquanto o ajudava a juntar os livros e as folhas.
    -Tudo bem,eu que não vi para onde ia.
    Juntamos todos papéis e livros e os entreguei para ele.
    -Obrigado Katherine. Qualquer dia retribuo o favor.
    Ele sorrio antes ir embora.
    Agora que percebi que o senhor Taeyang tem uma pele muito pálida. Ele realmente parece ser o mais bonito e mais novo entre os professores da escola.
    O resto dia escolar ocorreu sem problemas e eu sequer vi Edson ou Anne hoje.
    Quando fui sair da escola o senhor Taeyang me chamou.
    -Sabe,hoje mais cedo,você me ajudou quem sabe eu possa pelo menos te levar até sua casa. Tudo bem pra você?
    Bem,eu acho que não fará mal. Concordei e o senhor Taeyang me levou até o carro dele,é uma BMW. Esse professor ganha bem pra caralho.
    Sentei-me no banco do passageiro e fui o indicando onde ficava minha casa. Quando chegamos eu me despedi dele e agradeci pela carona.
    -Não precisa agradecer.
    Ele sorrio docemente.
    Disse tchau ao professor e entrei dentro de casa. Que aura estranha tem aquele professor ou talvez seja só o jeito dele mesmo.
    Assim que entrei percebi que a casa estava completamente vazia.
    -Acho que eles apenas saíram - disse para mim mesma dando de ombros - Mas por que eles sairiam sem me avisar?
    Não tive muito tempo para pensar sobre isso,pois o meu celular começou a tocar. Assim que o atendi ouvi a voz de Anne,me dizendo:
    -Katherine,o garoto que eu te mandei manter distância,existe mais uma coisa que preciso de te contar sobre ele.
    -Ok,mas como conseguiu o meu número?
    Perguntei meio desconfiada.
    -Os olhos dele quando estão com raiva ficam vermelhos,se ele não se acalmar vão para um branco gelo e daí segundo o que alguns dizem a pessoa morre com o coração congelado.
    Ela disse ignorando a minha pergunta.
    -Ta,conta outra,vai.
    Respondi dando risada,por que,fala sério,matar a pessoa com um olhar? Que piada.
    -É sério. Ele namorou uma garota uma vez,ela se chamava Emy,ela era minha melhor amiga. Um dia ele se irritou com ela e ele a matou. Até hoje as pessoas tem medo dele.
    Ela disse em total desespero.
    -Ok,eu tomarei cuidado,tchau.
    Suspirei desligando. Ela deve estar enlouquecendo.
    Sentei no sofá da sala e  coloquei um filme de terror para assistir. No meio do filme,acabei ouvindo a campainha da minha casa tocar. Pausei o filme fui ver quem era. Abri a porta e vi o senhor Taeyang parado lá com um grande sorriso no rosto.
    -Posso ajudar em alguma coisa?
    Perguntei desconfiada. Por que diabos ele veio até minha casa?
    -Sim,eu gostaria de saber se seus pais estão em casa,pois eu quero falar com eles.
    Ele respondeu sem desmanchar aquele sorriso. Que sorriso doce.
    -Sinto muito,mas eles não estão.
    Disse já pronta para fechar a porta.
    -Bem,amanhã me diga se eles estarão,pois eu realmente preciso falar com eles.
    Ele disse e virou as costas,já indo embora.
    Fechei a porta. Esse professor é louco ou coisa do gênero? 
    Assim que me virei a campainha tocou novamente.
    -Grrr. Esse povo não tem mais o que fazer?
    Abri a porta e vi Edson lá.
    -Olha,eu acho que eu realmente não tenho mais o que fazer.
    Ele disse dando uma risada.
    -Bem,não foi isso que eu quis dizer. Enfim,o que você quer?
    Perguntei sem enrolar muito.
    -Eu gostaria de passar um tempo com você.
    Respondeu ele já entrando na minha casa e sentando no meu sofá.
    -Que palhaçada.
    Murmurei e fechei a porta.
    Me sentei ao lado dele no sofá e o mesmo descansou a cabeça no meu colo. Os olhos dele estavam em violeta e eu ainda não sei exatamente o que violeta significa.
    -Você é linda!
    Edson disse e acariciou meu rosto. 
    -E..eu?! N..não..
    Tentei bolar uma frase com sentido,mas eu estava corada e envergonhada de mais.
    -Você é fofa.
    Ele beijou minha bochecha e voltou a deitar a cabeça em meu colo.
    Acabamos colocando um filme para vermos e eu adormeci na metade do filme.
    Acordei no outro dia com um bilhete do meu lado. No bilhete dizia:
    "Hey pequena. Saí da sua casa e decidi te deixar dormindo. 
    Vê se não se atrasa.
                                                                            -EDSON"
     Bem,ele já saiu. Olhei no relógio e vi que eram 7:00. Subi as escadas e pesquisei qual era a temperatura de hoje no meu celular. Está fazendo 17°C. Entrei no meu quarto e abri a porta do armário,resolvi colocar um short,uma blusa branca e um tênis branco.
    Saí de casa correndo e cheguei na escola dentro de 3 minutos. Não estava afim de bater papo,então fui direto no meu armário e peguei meu livro para a primeira aula,a aula de inglês. Subi direto para a minha sala. Coloquei meu material na minha classe e então ouvi a porta sala abrir.  Me virei e vi o senhor Taeyang entrando.
    -Oh Katherine,é com você mesmo que eu queria falar. Venha aqui. 
    Me aproximei dele de forma receosa. Quando cheguei perto o suficiente o senhor Taeyang me prensou na parede.
    -S..senhor Taeyang,o que está fazendo?
    Perguntei com medo.
    Ele não me respondeu. Quando ia dizer outra coisa,ele me beijou. Eu tentei o empurrar,mas ele era mais forte que eu. A mão dele foi até minha coxa e então eu me desesperei. Foi então que a porta da sala se abriu com um estrondo. O professor Taeyang se afastou rapidamente e eu vi Edson entrar na sala com seus olhos vermelhos,ele está com raiva. Ele não falou nada,apenas pegou minha mão e me arrastou para nossos lugares não tirando o olhar do senhor Taeyang.
    Edson estava com seus olhos vermelhos,vermelho significa raiva. Ele se irritou desse jeito por minha causa? Por que?
    O sinal bateu e os alunos começaram a entrar na sala,eu comecei a notar os diversos traços dos alunos e então eu vi que alguns tinham traços asiáticos,outros europeus,portugueses,enfim todos tinham traços completamente diferentes.
    O professor começou a dar a aula normalmente. Eu não estava realmente prestando atenção,na verdade,eu estava perdida em pensamentos imaginando o por que do professor ter feito aquilo. 
    O sinal bateu para o próximo período,todos saíram correndo e eu fui a última como sempre,pois odeio sair no meio de muitas pessoas. Fui até meu armário e peguei meus matérias para a minha próxima aula: Artes.
    Cheguei na sala com cinco minutos de atraso e todo mundo me olhou no mesmo instante que abri a porta.
    -D..desculpe a demora. - Pedi desculpas meio envergonhada por todos os olhares estarem pousados em mim.
    -Entre,mas que não se repita. - Disse o professor de Artes com certa indiferença.
    O professor tem cabelos castanhos e olhos também castanhos,ele parece ter uns vinte e cinco anos. 
    -Por favor se sente ao lado do Hiroshi.
    O professor gesticulou para um garoto que sentado na quarta carteira ao lado da janela. O garoto tem cabelos negros e olhos escuros,ele me parece descendente de coreano. O garoto chamado Hiroshi parecia estar em outro mundo,completamente perdido em seus pensamentos. 
    Assenti e me sentei na carteira ao lado da dele. Ele pulou levemente na cadeira quando percebeu-me sentando na carteira ao lado da dele. Seus olhos se voltaram para mim e vi suas bochechas ficarem levemente vermelhas,então ele rapidamente desviou o olhar para o professor. 
    -Hoje alunos,vocês terão que conversar com o colega do seu lado,conhece-lo,saber da personalidade dele e então na próxima aula,fazer um desenho representando. - O professor disse arrumando algumas folhas. - E  a propósito me chamo Fuyuki. 
    Os alunos começaram a se juntar com as pessoas que estavam sentadas aos seus lados. Olhei para o lado e vi Hiroshi meio envergonhado,eu sorri para o quão fofo ele parecia. 
    -Hey! - chamei sentando ao lado dele - Eu sou Katherine. Hiroshi,né?
    Ele sorrio timidamente e assentiu sem olhar diretamente em meus olhos.
    -Bem,Hiroshi,qual seu hobby? - perguntei tentando faze-lo falar alguma coisa.
    -H..hobby?! Desenhar e v..você? - ele respondeu meio gaguejando.
    -O meu é desenhar e escrever. - sorri levemente e apoiei meu cotovelo na mesa logo apoiando meu queixo sobre minha mão. 
    Um silêncio se pregou entre nós até que ele perguntou:
    - Gosta de algum esporte? - ele não estava mais com o rosto vermelha,mas ainda não olhava em meus olhos.
    - Eu particularmente gosto de basquete e quanto a você Hiroshi?
    - Eu gosto de futebol. - ele sorrio e coçou a nuca envergonhado.
    Nós nos entreolhamos e então falamos em uníssono:
    - Qual seu herói favorito? - rimos levemente por termos falado ao mesmo tempo.
    - Homem de ferro. - falamos novamente em uníssono.
    Nos olhamos e quando processamos o que havíamos dito. Nós começamos a rir por estarmos realmente falando ao mesmo tempo. 
    A turma ficou em silêncio e nos olhou como se fossemos loucos,afinal estávamos nos falando à dez minutos,talvez menos e mesmo assim estávamos nos divertindo.
    - Você gosta de alguma frase em especial? - perguntei depois de parar de rir.
    - "Viver sem paixão é como estar morto." - ele disse sem delongas. - e quanto a você? - perguntou sorrindo. Ele parece um coelho,quando ele sorri seus dentes parecem com os de um coelho.
    - "É patético desistir de algo sem nem mesmo ter tentado" - respondi depois de pensar um pouco.
    - O que você não gosta? - foi minha vez de perguntar e o olhei sorrindo levemente. 
    -  Lugares onde há muito barulho. - ele disse bagunçando levemente seus próprios cabelos. - E você?
    - Eu também não gosto de  lugares onde há muito barulho.
    Sorrimos um pra o outro e então o sinal bateu e nos levantamos pegando nosso materiais.
    Todos saíram conversando e gritando e eu como sempre esperei todos saírem,mas para a minha surpresa Hiroshi esperava todos saírem ao meu lado. 
    Quando eles sairão eu saí da sala sendo seguida por Hiroshi. Guardei meus materiais no armário e então senti alguém tocando no meu ombro timidamente.
    -K..katherine... - ouvi a voz suave de Hiroshi.
    -Oi Hiroshi,o que foi? - cumprimentei-o e perguntei me virando para ele.
    -Eu queria saber se gostaria de andar de skate comigo quando a aula acabar. - ele disse coçando a nuca com vergonha.
    -Claro,mas eu realmente não sei andar de skate. -ri baixo e olhei para o lado para não olhar diretamente para ele.
    -Tudo bem,eu te ensino. - ele sorrio e bagunçou meus cabelos carinhosamente.
    -Ok,obrigada. Até coelho. - eu disse acenando para ele.
    -Espera aí,coelho?! - ele perguntou confuso me olhando surpreso.
    Fingi que não o ouvi e fui para a aula de Educação Física.
    As próximas aulas passaram rapidamente e eu mal esperava para o sinal bater e eu poder sair com Hiroshi. Observei o relógio que fica em cima do quadro contando os segundos que faltava para a aula de química acabar.
    - cinco,quatro,três,dois,um! - pensei animadamente.
    O sinal bateu e eu fui a primeira a pegar meu material e sair.
    Guardei meu material no armário e fui para frente da escola esperar Hiroshi. 
    Alguns minutos depois Hiroshi chegou.
    -Hey Katherine. - ele disse ofegante. - demorei? - perguntou apoiando suas mãos nos seus joelhos ainda ofegante. 
    -Não,nem um pouco. - sorri levemente. - Vamos? - perguntei quando ele se recuperou da corrida que deu para chegar a frente da escola.
    -Claro,vem. - ele disse tomando a dianteira. 
    Ele me levou até a casa dele,por fora é linda. A casa por fora é em diversos tons de bege e branco,as molduras das janelas tem um marrom escuro como cor e a porta é feita de madeira de eucalipto aparentemente nova.
    Quando entramos eu vi vários retratos de família pendurados nas paredes brancas na casa. Ele me levou até a sala de estar e me sentou em um sofá preto e pediu para que eu esperasse que ele voltaria logo. 
    Eu comecei a olhar ao redor e a casa parece bem organizada. A sala de estar é bem bonita e arrumada,o sofá ao qual eu estou sentada fica no centro do cômodo,na frente tem uma mesa de centro feita de vidro com um livro chamado: "Caixa de Pássaros" em cima dela,uma televisão de tela plana mais a frente. 
    -Voltei. - ouvi Hiroshi descendo as escadas chegando perto de mim com dois skates - vem!
    Eu me levantei e saímos juntos,esperei ele trancar a porta e começamos a ir em direção a um parque que fica a alguns minutos da casa dele.
    Eu e Hiroshi andamos calmamente conversando e rindo. 
    -É aqui! -disse animadamente quando avistamos o parque.
    O parque é lindo, porém está bem vazio. O parque tem alguns bancos espalhados de forma aleatória e algumas árvores perto desses bancos. As poucas pessoas que andam ao redor dele agora são idosos ou já ultrapassaram os vinte e cinco anos. A tecnologia fez muitas pessoas pararem de sair de casa e aproveitar lugares como esse.
    -Bem, Katherine eu vou lhe ensinar do melhor jeito possível! -disse Hiroshi sorrindo de orelha a orelha. 
    -Ok. Então, vamos lá. -puxei levemente ele pelo braço levando o mesmo a corar levemente. Hiroshi é tão tímido.
    Hiroshi me explicou com toda a paciência como eu deveria andar e que possivelmente nas primeiras vezes eu iria cair,mas que é absolutamente normal.
    -Certo Katherine. Não é tão difícil,apenas tente se manter de pé sem cair pelo amor de Deus. - Hiroshi pediu com medo de que eu caísse eu me machucasse feio.
    -Claro!
    Essa é a minha primeira vez e acho que não dará muito certo, mas eu vou tentar ser confiante. Eu tentei e o resultado foi eu caindo mais de seis vezes no chão.
    -Tudo bem, chega por hoje. -Hiroshi me ajudou a levantar e anunciou que era melhor pararmos- Vamos tentar mais amanhã,ok? - Ele disse olhando esperançoso em meus olhos.
    -Sim. Até mais, Hiro! - Acenei para ele e saí andando meio dolorida.
    -Ei! Não quer que eu te leve? Pode ser perigoso, já são 17:49. - Ele disse com preocupação evidente em sua voz.
    Neguei com a cabeça e segui meu caminho.
    A rua começou a ficar mais escura por ser o final da tarde, mas eu vou chegar logo em casa, portanto, não faz diferença. A rua agora está começando a me dar medo, mas se eu passar por esse beco a minha casa é na esquina. Tomei uma respiração profunda e adentrei o beco calmamente,logo sendo prensada na parede e tendo minha mãos seguradas à cima da minha cabeça. Tentei enxergar melhor o rosto do homem e era Taeyang, meu professor de inglês! 
    -Veja o que eu achei, uma bela garotinha. - ele disse em um tom provocativo e pervertido que me fez sentir nojo! O cheiro de álcool pode ser sentido a quilômetros.
    Tentei chutar suas partes baixas, mas foi uma tentativa falha já que o mesmo me impediu rapidamente. Eu entrei em desespero, comecei a chorar. Ele começou a dar leves beijos em meu pescoço enquanto eu lutava para me soltar dele. Foi quando o peso do corpo dele pareceu jogado para longe e eu caí de joelhos aliviada. Bem, meu alívio durou pouco, pois eu vi sangue, muito sangue e o corpo do senhor Taeyang jogado entre os sacos de lixo que se encontram no beco.
    -Hey garota! Você tá bem? - ouvi uma voz masculina perguntando. É uma voz diferente das do senhor Taeyang e do Edson. Essa voz parece indiferente e de alguém com preguiça.
    -S-sim, eu acho que sim. Obrigada! - me levantei e encarei o garoto que se encontra a minha direita. Ele tem cabelos negros, olhos escuros e uma pele pálida, branca como açúcar. 
    Ele tem uma bola de basquete embaixo do braço e um olhar de tédio em seu rosto.
    Me caiu a ficha que Taeyang está morto e que esse garoto é o assassino. Arregalo meus olhos e o garoto ri levemente.
    -O que foi? Ele iria abusar de você e agora se importa se ele está morto ou vivo? Tsc, fala sério garota! - ele disse como se estivesse desacreditando. 
    -I-isso é crime! É errado. - tentei dizer firmemente, mas falhei, pois acabei gaguejando.
    -Tá bom, tanto faz. - ele chegou perto de mim e me pegou pelo braço me puxando levemente.
    -Me solta! - eu pedi com raiva, afinal quem esse garoto pensa que é?
    -Eu me chamo Yuki e você? - ele perguntou me ignorando completamente.
    -O que te interessa? -respondi grossa. 
    -Não devia falar assim com quem acabou de te salvar e também não é como se eu não fosse descobrir depois.
    Quando eu vi estamos na frente da minha casa. Ele me soltou e sorriu abertamente antes de dizer:
    -Até qualquer dia, Katherine.
    Ele saiu andando e eu abri a porta da minha casa logo fechando e trancando a mesma. Esse cara é louco! E como ele descobriu meu nome? Adivinhação? Chute? 
    Essas perguntas não saem da minha cabeça.
    Subi para o segundo andar e entrei no banheiro ainda meio atordoada. Tirei minhas roupas e liguei o chuveiro. Entrei embaixo do chuveiro deixando a água quente levar todas as minhas preocupações embora e relaxar meus músculos. 
    A pergunta que não quer calar é: Quem era aquele garoto?
  • É errado te amar?

    7:45 A.M
    Ethan se sobressaltou quando o despertador tocou, ele não estava mais dormindo, mas só de pensar no que lhe esperava dava preguiça de levantar. O quarto estava escuro apesar de já ser manhã, talvez o fato do tempo lá fora estar horrivelmente nublado tivesse alguma parcela de culpa, o garoto suspirou exasperado já se lembrando do que lhe aguardava. Naquela manhã nublada e fria seria seu primeiro dia em um novo colégio, mais um para a sua longa coleção de colégios ridiculamente caros, com pessoas idiotas e esnobes que pensavam que eram melhores que as outras por terem tido a sorte de nascer em uma família rica e isso — na opinião de Ethan — não era motivo pra se gabar, afinal qual era a grande coisa de poder dizer que vinha de uma família rica? Do que adiantava ter tanto dinheiro, mas não ver a cara de seu pai por um mês inteiro por causa do trabalho dele? Ou mesmo poder comprar tudo o que quiser e não ter a quem dar? Quando se é rico assim, não se pode sequer confiar nas pessoas, o que resulta em uma triste e solitária vida e aquilo era algo que Ethan não queria para si. Ele se forçou a sair da cama que era grande demais para apenas uma pessoa e jogou os lençóis de lado se sentindo exausto, arrastou-se até o banheiro e se encarou no espelho, mas imediatamente se arrependeu de tê-lo feito na verdade tinha se arrependido de ter feito o que fez na noite passada. Apenas para fazer raiva ao seu pai que nunca estava em casa, mas quando chegava queria mandar nele saiu passando a noite quase toda fora, havia chegado há apenas três horas atrás e dormindo mais ou menos uma hora e meia, seus cabelos estavam uma bagunça, sua roupa extremamente amassada, com marcas de batom e cheiro de perfume caro que as garotas tinham deixado nele. Pôs as mãos no rosto e massageou as pálpebras doídas com a ponta dos dedos suspirando ainda mais exasperado que antes, parecia que recentemente tudo o que ele fazia era suspirar não importava o quão bom tinha sido a sua diversão, logo após ele continuava se sentindo... Vazio!
    Depois de ter certeza de que não tinha mais jeito Ethan se despiu e ligou o chuveiro; não usou a banheira, pois se o fizesse não sairia dali tão cedo e acabaria perdendo o dia de aula. A água quentinha lhe escorria dos cabelos aos ombros e em seguida para todo o corpo, aquilo lhe acordou um pouco e depois de apenas alguns poucos minutos em baixo da água teve que sair, fechou os olhos e ergueu a cabeça passando uma toalha por seus quadris, estava mais magro, sentia seus ossos pélvicos mais salientes que antes! Realmente queria evitar encontrar com seus pais quando estivesse saindo, o que era pouco provável, já que seu pai estava trabalhando em casa aquele mês e sua mãe tinha acabado seu manuscrito há apenas alguns dias.
    Ethan pegou a primeira roupa que achou e vestiu, não estava com disposição e nem via motivos para se preocupar com a aparência e ele não se interessava muito por moda, mas a roupa até que lhe caiu bem na medida do possível. Estava apenas de calça jeans preta, blusa branca de algodão com um pano grosso — já que ali era como o freezer do mundo — um casaco preto para se proteger melhor daquele frio ridículo que fazia uma bota marrom e mochila, arrumou os cabelos ou pelo menos tentou deixá-los meio normais já que eles achavam que tinham sua própria vida e continuavam saindo e voando pra onde queriam, então desceu as largas escadas que davam para a sala de visitas e de jantar com cautela para, infelizmente, ver que seus pais já estavam tomando café da manhã na sala de jantar.
    Ele ainda não tinha se acostumado àquele local, só fazia uma semana que haviam se mudado e era tudo muito novo, não que a casa não fosse tão extravagante como a antiga, mas o ambiente era diferente. As paredes da sala de jantar eram de um tom de bege bem claro tornando o local arejado, a mesa era feita de mármore negro contrastando com o chão que era de porcelanato também claro combinando com as paredes, em cima desta havia um jarro com um belo arranjo de flores que Ethan desconhecia o nome, as dez cadeiras ao redor da mesa eram de madeira talhada e com acentos e costas acolchoados, o teto era alto apesar de a casa ter dois andares e de lá pendia um lustre enorme com pequenas peças em formato de diamantes que cintilavam quando a luz batia refletindo o arco-íris. Na parede mais próxima a mesa havia um quadro gigantesco da ceia de Jesus com seus discípulos, na outra mais afastada tinha um móvel baixo, como uma arca que servia de apoio para um grande espelho que ia quase até o teto, havia uma prateleira com as taças de sua mãe, as quais ela havia ganhado de presente em seu casamento. Ethan respirou fundo tentando juntar coragem e força de vontade para tentar pelo menos ter um diálogo decente com seu pai, um que não acabasse nele saindo furioso enquanto o outro lhe chamava de inútil.
    Entrou no cômodo indiferente, como se não houvesse aprontado nada na noite passada e também como se seu pai não existisse ali. 
    — Bom dia mamãe — se aproximou lhe dando um beijo na bochecha — Acho que estou meio em cima da hora, então estou indo... Até sexta! — um fato bom sobre o novo colégio era que havia dormitórios e os alunos podiam optar por passar o período de aulas lá e voltar para casa apenas no final da semana, Ethan estava mais do que grato por isso e muito ansioso para sair logo daquela casa.
    — Ethan — ele congelou no lugar e girou sobre seus calcanhares roboticamente para olhar para seu pai que estava com a mesma expressão entediada de sempre — espere aí, eu te deixarei.
    — Hã... Não precisa, mas valeu mesmo! — ele aproveitou para fazer uma careta já que seu pai estava ocupado demais olhando para o celular.
    — Eu não estou perguntando, estou avisando, agora se sente e coma.
    — Por quê? — Ethan piscou algumas vezes encarando o pai sem realmente entender o porquê daquilo — Porque perder seu tempo me levando? E não me venha dizer que é por você está preocupado comigo, pois eu sei que não é!
    — Nada em especial — seu pai falou finalmente desgrudando os olhos da tela do aparelho e lhe encarando — apenas preciso falar com a diretora Solar, explicar  o motivo de você estar se matriculando tão tarde, no meio do ano letivo.
    — Eu posso falar com ela sozinho... Não precisa gastar seu precioso tempo comigo! — Ethan falou aquilo fazendo com que, sem querer saísse com mais veneno do que o esperado, seu pai levantou da cadeira e estreitou os olhos fazendo sua boca secar.
    — Eu já decidi... Eu vou com você e ponto final, goste você ou não... Não é como se eu quisesse ir também, então quanto mais rápido formos, mais rápido isso acaba para nós dois, hum?! Não insista em dificultar minha vida!
    — Edmund... Isso é jeito de falar com seu filho? — sua mãe encarava seu pai com um olhar severo, mas ele apenas a ignorou.
    — Bom... — Ethan sabia que não devia começar uma briga com seu pai porque sempre sairia perdendo, mas seu orgulho não lhe deixava engolir as palavras do outro — Dificultar sua vida é a única coisa que tem de legal para fazer na “minha” vida monótona e rotineira. Dificultar a sua vida é a melhor coisa que eu tenho pra fazer e cá entre nós, se a sua vida fosse perfeita em casa também enquanto todo o resto funciona perfeitamente não seria justo com as pessoas que vivem de forma infeliz, certo?! Só estou tentando manter o equilíbrio...
    — Chega os dois, comam comportadamente em silêncio ou saiam!
    Ethan abriu a boca para falar, mas ao olhar para a expressão facial de sua mãe sabia que a tinha magoado então resolveu parar por ali, mesmo sabendo que não era justo resolveu não falar mais nada, afinal não ia adiantar muita coisa, talvez só servisse pra deixar seu pai mais irritado ainda. Eles seguiram pra o tráfego sem terminar o café, o clima estava realmente tenso no carro, sua mãe tinha permanecido em casa e estavam apenas os dois juntos, o que nunca acabava bem, seu pai só estava fazendo aquilo para puni-lo, Ethan sabia disso e também sabia exatamente o que ele queria dizer com "conversar"... Ia “explicar” a diretora o quanto ele podia ferrar com a vida dela e com a escola caso alguma coisa acontecesse e vazasse fazendo a mídia se envolver. Ia ser uma conversa mais ou menos assim: "Olha aqui, se esse garoto aprontar alguma coisa e aparecer qualquer que seja o comentário na mídia... Eu acabo com vocês". 
    Da ultima vez que a mídia se envolveu ele tinha que admitir que as coisas ficaram feias pra sua família por um tempo, mas afinal como ele ia saber que o simples fato de acender um cigarro na escola ia se transformar em uma notícia como aquela?
    "O adolescente, mais conhecido como Ethan Fitzgerald — filho do milionário Edmund Fitzgerald e da renomada escritora de best-sellers conhecidos em todo o mundo, Dakota Fitzgerald — foi pego em flagrante usando drogas ilícitas na escola, o garoto descrito pelos colegas como problemático já foi pego praticando coisas semelhantes em suas escolas anteriores, escolas as quais o mesmo foi expulso. Brigas, vandalismo, posse de drogas e instrumentos que poderiam ser usados como armas são apenas algumas das acusações em seu longo histórico de feitos vândalos. Apesar de tais fatos nunca terem sido confirmados o simples fato de terem surgidos não servem como prova de tais atos? Porém as perguntas que não querem calar são: Será que o garoto é um viciado? Porque seus pais nunca mencionaram que seu único filho sofria de transtornos psicológicos...?" 
    E assim ele ficou conhecido como um lunático violento e viciado em drogas que envergonhava o nome da família, por isso seu pai perdeu muitos contratos com grandes empresas sócias e muito de seu crédito e fama, por esse motivo tinham se mudado para uma nova cidade onde seu pai tinha conseguido bons sócios para fechar negócios.
    Ethan estava tão perdido em pensamentos que nem se deu conta que seu pai estava dirigindo em uma estrada de terra com grama morta dos lados, a estrada parecia infinita; ele não lembrava ao certo quando tinham adentrado ela e não conseguia ver seu fim. A paisagem era quase mórbida com a grama amarelada dos lados e o céu cinza acima deles. Depois de mais alguns longos minutos com o carro sacudindo pela estrada maltrapilha ele finalmente avistou uma enorme construção ao longe; quando seu pai lhe dissera que era grande ele não imaginou aquilo tudo... O colégio parecia mais como o campus de uma faculdade. 
    Ao chegarem seu pai entrou em um grande estacionamento de piso lustroso e lâmpadas no teto até onde ele conseguia ver, o que particularmente achou um tanto sem nexo, afinal era só um estacionamento.
    Quando finalmente estacionaram ele saiu do carro o mais rápido possível, já era humilhante o suficiente ter ido até ali com seu pai de imagem perfeita, não era preciso que soubessem que ele era seu filho também, não queria má fama assim que chegasse, então começou a caminhar rapidamente sem ter certeza de para onde estava indo, apenas seguiu a claridade natural que vinha de um grande portão nos fundos da construção. 
    — Ethan, onde você está indo? — perguntou seu pai erguendo uma sobrancelha perfeitamente delineada.
    — Para a minha aula, não é óbvio?
    — Seria falta de educação eu ir falar com a Sra. Solar e não levá-lo comigo para se conhecerem! — disse ele com um sorrisinho que Ethan havia aprendido a odiar e temer — Você irá até lá comigo.
    — Porque eu preciso fazer isso? — ele suspirou exaspero pela terceira vez em apenas uma manhã, estava começando a se alterar — Você está fazendo isso como uma forma de punição?
    — Punição? Porque eu faria isso? Não consigo te entender Ethan.
    — Por causa da notícia e... Pela noite passada, talvez?
    — Nós não vamos falar sobre isso aqui, conversaremos uma outra hora... Mas não pense que sairá impune disso. — Os olhos de seu pai faiscaram ameaçadoramente. 
    — Então me deixa ir para a minha sala vai, ninguém precisa saber que você é meu pai, nós dois saímos ganhando, você mesmo disse que não queria fazer isso!
    — Já chega Ethan, você vai lá comigo e ponto.
    — Porque você sempre faz isso? É só para me ver assim, alterado? Você gosta tanto de abrir ainda mais o espaço gigantesco que existe entre nós?!
    — Você não consegue pensar que eu faço alguma coisa por você, porque eu sou seu pai e me preocupo com a sua vida? Mesmo assim quem aparentemente gosta de aumentar mais ainda o espaço entre nós é você fazendo de tudo para me envergonhar e sujar meu nome.
    — Sempre a mesma coisa, só se preocupa com seu nome... Desculpe, mas não acho que você saiba o que é amar, respeitar ou se preocupar com mais alguém que não seja você mesmo...
    — Ótimo, agora que você entendeu a sua situação podemos seguir...
    — O quê? — Ethan não estava acreditando naquilo.
    —Você vem sozinho ou quer que eu vá até aí e lhe carregue até a sala da diretora Ethan? 
    Seu pai que tinha lhe passado alguns metros — ele havia parado no lugar perplexo — parou e o olhou com aquele sorriso que sequer chegava a mexer em seus gelados olhos, aquele sorriso que Ethan conhecia tão bem, porque era exatamente igual ao seu. Se ele tinha achado humilhante ir até o colégio, imagina ter que entrar sendo carregado por seu pai... Ele odiava aquele fato, mas infelizmente eles se pareciam bastante um com o outro, claro que não do jeito que gostaria que fosse! Se pudesse escolher alguma coisa dele, talvez escolhesse a altura e os músculos.
    Seu pai era o tipo de todo mundo, o tipo "bonito e rico de morrer". Era bastante alto com 1,92 de altura, pele pálida, olhos azuis céu e tinha os cabelos que era a principal atração; cabelos ruivos com tons variados do vinho ao laranja, cortados curtos e muito bem arrumados para não ficar nem um único fio fora do lugar. Os fios escuros se misturavam com os mais claros e quando ele andava parecia às chamas de uma vela dançando de acordo com o vento, era hipnotizante olhar para seu pai com seus olhos gelados e seus cabelos quentes, seu sorriso frio e indiferente que mostrava dentes brancos e alinhados contrastando com um cavanhaque perfeitamente feito e nem uma única imperfeição na pele, com um terno caro e bem alinhado e postura perfeita era intimidador olhá-lo, as pessoas queriam ser ele ou queriam ser dele, na sua frente Ethan parecia um experimento que não havia dado certo. Ao invés da altura ou dos músculos, ele herdara apenas os pontos fracos do pai, pelo menos nele eram pontos fracos!
    Era uma versão meio destrambelhada do outro... Enquanto seu pai era alto e com a postura perfeita, Ethan era baixo para a média da sua idade, apenas 1,70 de altura e não se importava muito com a postura ou com as roupas, tinha o cabelo ruivo também, mas ele o pintava e por isso era bem mais escuro que o de seu pai e bem maior também, enquanto o de seu pai era cortado curto com apenas um pequeno topete o seu era comprido chegando quase até os ombros; os tons dos cabelos do seu pai eram mais para vermelho e laranja, enquanto o seu ficava mais para o vinho e o castanho por conta da tinta, só dava para notar que era vermelho se estivesse no sol ou em um lugar bem iluminado que desse para ver o reflexo dos fios, mas com a mudança e tudo o que havia acontecido à tinta estava saindo e ele não tinha tornado a pintar o que era estranho já que a raiz era mais clara que as pontas. Seus dentes também eram muito brancos e alinhados, o que o deixava com raiva, a pele também era tão pálida quanto à de seu pai, mas não tão imaculada. Ele tinha vários machucados antigos e cicatrizes de brigas passadas, mas também parecia muito com sua mãe, a estatura baixa e magra, por exemplo, a aparência frágil e élfica quase feminina de características pequenas, rosto pontudo, nariz arrebitado que passava certo ar de superioridade e olhos cinza tempestade. 
    Ethan sempre sofrera com o fato de ter a aparência frágil demais, ele lembrava que em seu último colégio fora perseguido até o último dia de aula, os malditos não o deixavam em paz por causa de sua aparência e sempre batiam nas mesmas teclas perguntando se ele tinha mesmo alguma coisa entre as pernas ao invés de um espaço vazio como as meninas... No seu último ano de fundamental os quatro garotos de sempre o cercaram e o arrastaram para um local afastado da escola, o líder do grupo disse que não acreditava que ele era um garoto, insinuou que ele era uma lésbica, isso o deixou espumando de raiva e ele bem que tentou lutar, mas as coisas começaram a dar erradas e tomar um curso diferente o fazendo sentir medo de uma briga pela primeira vez. O garoto que parecia comandar o grupinho de vândalos começou a lhe tocar em lugares estranhos e constrangedores enquanto sussurrava coisas sujas ao seu ouvido como se ele fosse uma garota de fato, Ethan teve que lutar muito e depois de ser molestado por todos quatro e por ter resistido ter sido espancado quase até desmaiar finalmente conseguira fugir, não sabia como, mas tinha conseguido voltar ao colégio e pegar seu carro voltando para casa em choque e completamente detonado... Seu nariz estava quebrado, as costelas machucadas, cortes na cabeça e rosto, sem seus tênis ou a sua blusa da farda. 
    Quando entrou em casa e sua mãe lhe viu, veio correndo ao seu encontro perguntando o que tinha lhe acontecido, seu pai chegou perguntando o que era todo aquele barulho com um ar carrancudo e ao lhe encarar sua expressão se transformou de raiva para nojo. 
    — Olha só o que aconteceu com seu filho Edmund, isso não pode continuar...
    Mas a única coisa que ele fez foi olhar para seu filho, os olhos tão gelados quanto o gelo puro, bufou em desprezo e disse simplesmente:
    — Se você não é homem suficiente para ficar e brigar ou para se defender pegue pelo menos o que restou da sua dignidade, se é que tem alguma, e vá a um hospital sozinho, sem precisar vir chorando para a sua mãe... — ele virou para sua mãe e continuou — Satisfeita Dakota? Olha só o que você fez! Criou um covarde, um garoto que não serve para nada, o que ele fará quando você não estiver mais aqui?
    Dizendo isso ele se virou e voltou ao seu escritório. Sua mãe chamou o médico da família que arrumou seu nariz e enfaixou suas costelas, Ethan não chorou na frente de seu pai ou dela, muito menos de seus agressores, mas no silêncio do seu quarto enquanto tirava as ataduras para tomar um banho, sentiu a garganta apertar. Enquanto tomava banho e a água tocava seu rosto, ele sentiu as lágrimas descerem calmamente mornas se misturando a água, ele sentou-se no chão sozinho no silêncio e então chorou não que ele se orgulhasse de demonstrar tamanha fraqueza, mas não conseguia segurar, ficou observando seu sangue misturar-se a água e escorrer pelo ralo pelo que pareceram horas, quando finalmente saiu do banho e vestiu seu pijama, deitou na cama e abraçou o travesseiro, momentos mais tarde sua mãe bateu na porta e entrou sentando-se ao seu lado, botou um travesseiro no colo e ele deitou-se em suas pernas, ela disse que lhe contaria uma de suas historias, exatamente como quando ele era criança, ela lhe acariciava os cabelos enquanto suas lágrimas caiam mornas molhando o travesseiro, ela começou e Ethan fechou os olhos ouvindo aquela voz calma e meiga de que era como bálsamo para sua alma, a história dizia o seguinte: 
    "Há muito tempo atrás existiu uma pequena aldeia a qual era lar de um garotinho, esse garoto era o mais menosprezado de todos por não ter altura ou porte físico, todos riam e zombavam dele pelas costas até mesmo seu pai lhe desprezava por causa de sua aparência pequena e magra, o pobre garotinho todos os dias chorava no silêncio da noite, mas o que seus colegas não sabiam era que ele vinha de uma linhagem muita, muito antiga e rara. Uma família que tinha poderes sobrenaturais, essa família era um clã, que por acaso era o clã que protegia a aldeia, mas quando o garotinho falou para seus amigos eles zombaram ainda mais dele. Porém, um dia inimigos invadiram a cidade e o garotinho magro o qual todos riam, se transformou em um enorme dragão negro com olhos amarelos que paralisavam quem ousasse olhar, com asas tão grandes e fortes que jogava os inimigos do outro lado do mar, com um poder de fogo tão grande que com um único jato queimou todos os navios, os reduzindo a cinzas. Depois disso todos queriam ser amigos do garoto e ele viveu o resto de seus dias feliz, mas antes ele aprendeu que... Mesmo coisas pequenas podem se tornar grandiosas".
    Ethan no outro dia foi até o centro da cidade e fez uma tatuagem, para lhe lembrar daquele dia, ele gravou aquele dragão da estória de sua mãe na sua pele, porque ele sabia que era como aquele garoto... Aparentemente frágil e covarde para as pessoas, mas por dentro tão forte quanto um dragão. 
    ***
    Quando Ethan finalmente voltou ao presente percebeu que já estavam caminhando em um corredor apinhado de alunos curiosos que sorriam ou faziam cara feia e cochichavam entre si, até que finalmente chegaram a porta onde se podia ler "diretoria" e entraram. A mulher que veio ao encontro deles era alta, por volta de seus trinta e poucos anos, com olhos e cabelos negros, seu cabelo estava preso em um perfeito rabo-de-cavalo alto e bem apertado, tinha cílios grandes e cheios e um estranho brilho nos olhos o que os faziam parecer estar sempre arregalados, usava um terninho cinza, sapatos pretos de salto e um batom excessivamente vermelho... Ela lembrava a Ethan uma vilã ou uma bruxa má dos contos de fadas só um pouco mais moderna, mas com as mesmas características marcantes que eram 1) as unhas, os lábios, 2) os olhos e 3) as sobrancelhas, que eram muito arqueadas. Ela estendeu uma mão pálida, com dedos longos e com grandes e pontudas unhas vermelhas assim como os lábios.
    — Olá Sr. Fitzgerald, é um prazer receber você e seu... Filho aqui. — ela o olhou de cima a baixo com desprezo nítido o suficiente para lhe fazer ficar desconcertado.
    — Sim, igualmente... Então gostaria de lhe explicar a situação...!
    Seu pai conversou com a diretora por bastante tempo e Ethan ficou observando-o flertar com ela, quando ela disse que estava faltando alguns documentos para a conclusão da matrícula ou quando tentou insinuar que Ethan não era qualificado para estudar na escola ou mesmo que já estavam na metade do ano letivo, já haviam passado até mesmo das férias de verão, ele sorriu e falou em como os olhos dela eram admiráveis e ela finalmente cedeu e no final ainda pediu-lhe seu número, vê se pode? Depois de esperar por pelo menos meia hora, Ethan começou a se distrair, ele lembrou que enquanto caminhava pelo corredor algo no meio daquela multidão de rostos tinha chamado sua atenção, não foi bem uma coisa que ele soubesse definir, pois estava muito perdido nos próprios pensamentos para ter prestado atenção, foi apenas uma impressão, como se a parte de seu subconsciente que estava funcionando tivesse prestado atenção por ele, era só uma vaga lembrança que começava a ficar nítida agora, a lembrança de um par de olhos cor de mel lhe seguindo tão intensamente que chegou a tirar-lhe o fôlego.
    ~ C O N T I N U A ~
  • Enredo de Occulta

    Eu estava naquele lugar novamente, em uma sala sem portas e nem janelas, somente um espelho que refletia um pouco de mim, mas muito pouco, andei ate ele como sempre e me olho, olho para os meus pés e uma coisa escura estava subindo neles, tento tirar meus pés de la, mas eles estavam presos,começo a puxar mais forte e a entrar em panico ela não queria soltar, a sombra estava subindo mais, minha cintura já estava totalmente tapada, não via nada abaixo dela, cada vez que eu tentava fazer força para eu sair, mais meu corpo ficava preso e mais ela subia, meus braços já estavam tapados, a sombra para no meu pescoço mais foi só na parte da frente do meu corpo, atras ela continuava,meu cabelo que já era preto foi tapado pela escuridão, quando eu olhava para o espelho só tinha como ver meu rosto, olho para o espelho novamente e em vez do meu reflexo, estava a silhueta de uma mulher, a silhueta literalmente brilhava, ela estende a mão para mim, tento segurá-la dela mas a sombra estava mantendo meus braços presos,a mão dela vai saindo do espelho e quase encostando no lugar onde era para estar meu braço e a sombra sai daquela parte mostrando meu braço novamente, ela me puxou e a sombra foi cada vez saindo do meu corpo, eu estava ficando aliviado por não estar mais com aquela coisa, quando eu atravesso o espelho no outro lado estava aquela silhueta da mulher que brilha, mas do lado dela estava uma silhueta negra de um homem, os dois estendem a mão para mim e eu........







    Querem que eu continue?Comentem se sim ou o que pode melhorar
  • ESCURIDÃO

    Solidão é a palavra que define meu atual estado: Tristeza, mas não aquela de chorar, eu não choro, não choro mais, e isso foi algo que decidi e consegui cumprir, contudo as lágrimas serem ou não derramadas não me vem ao acaso, não sou de sair, prefiro passar o tempo no meu quarto, perdendo horas e horas na internet, sei muita coisa, porque leio muita coisa e desde sempre até onde me lembro, claro, acredito que coisas que não deveriam existir nesse mundo, existem: Dêmonios, fantasmas, lobisomens, bruxas, e mais tudo que pode ser imaginado.
    Sempre tive medo do escuro, digo, quando eu era criança, mais precisamente não medo do escuro, mas o que nele habitava, morria de medo de dormir sozinho, separado do conforto e proteção dos meus pais, mesmo estando no mesmo quarto o medo me vinha e eu mau dormia a noite, ficava de cobertor erguido à cima da cabeça, pois sabia eu que se olhasse para o escuro veria o que evitava toda noite ver.
    Palhaços gigantes com enormes bocas e dentes afiados para me devorar, esqueletos usando becas voando pelo teto em vassouras e rindo, umas das coisas que mais me pertubou foi a mulher, enquando estava deitado na minha cama ao lado da dos meus pais, juro por Deus e por tudo, eu vi a coberta se levantar, uma vermelha e comprida que adorava, e assim que foi esguida do meu corpo ignorando o fato de eu estar segurando-a uma mulher deitou ao meu lado na cama e nos tapou, sempre que contava essa história eu ficava serio, foi real eu sabia que tinha sido, mas o que mais me espantava era o fato de que minha irmã tinha morrido quando era um bebê, eu ainda não era vivo, caso estivesse viva hoje seria ela uma mulher já feita.
    Mais uma noite veio e eu ansiava pela aurora e o calor do dia, pois se tinha algo que eu sempre dizia era: O mau não age na luz, seja o que for que dominava a escuridão na luz eles não poderiam me fazer mau, ainda no escuro, vislumbrei um lobo, sim, um lobo enorme e com olhos cinzentos que brilhavam, gelei, só o coração batendo enquanto meus olhos acompanhavam os seus lentos movimentos, e o suor começa a aparecer pela minha testa, ele andou e parou perto da lateral da minha cama, olhou-me nos olhos, sorriu, e sumiu, como fumo, e eu continuava a olhar e olhar, sentia os ombros tensos e o pescoço rigido, odiava aquela situação e não via a hora de crescer, pois quando se cresce as fantasias morrem.
    Nessa época meus pais levantavam cedo para ir trabalhar, como eu dormia na maioria das vezes com eles, ficava na cama até de dia e depois ia para casa da minha prima enquanto eles não retornavam, estava de férias no cólegio, não lembro a série, o fundamental  foi o período mais odiado por mim, e isso faço questão de não recordar, dos imbecis dos colegas, a implicancia, e o fato de estar sempre sozinho seja nas aulas ou no intervalo. Como ia dizendo eu esperava o dia adentrar para ir à casa da prima, ainda de madrugada, estava escuro, senti algo cutucar minha coxa, eu medroso já cerrei com força os olhos, tinha essa mania, achava que faria o indesejado desaparecer, nunca deu certo, descobri o rosto um pouco para espiar e me deparei com uma coisa sem rosto e de pela azul escura em cima de mim, nao gritei, nunca gritei(quem iria ouvir) apenas cobri rapidamente o rosto enquanto sussurava por favor, por favor, não sei quanto tempo havia se passado, quando olhei novamente a coisa tinha sumido, reparei pelas gretas da telha e vi luz, nunca me senti tão aliviado.
    Com o passar do tempo que fui crescendo, mudei para o quarto que fora construido para ser meu, no começo não queria, por causa do escuro, nunca disse a ninguém que tinha medo do “escuro”, mas a palavra de meu pai era lei, e eu obedecia, noite após noite e depois de um longo tempo nunca mais vi as coisas na escuridão, eu deitava e ficava encarando o canto entre as paredes, procurando um lobo ou esqueleto, mas nunca mais os vi, pensar nisso me fez me sentir sozinho, e eu fiquei confuso, detestava aquelas coisas bizarras que vinham toda noite me atormentar, só agora percebi que tinha me apegado à elas, eram monstros, mas estavam comigo e só partiam quando a luz ordenava.
    O que tenho hoje são sonhos, loucos e divertidos, sonhos de todos os tipos, as vezes os odeio, porque acordo e percebo que não passou de um simples e bobo sonho, mas eu me sentia tão bem que aquilo era mais real do que a realidade, aproveito ao máximo, até os pesados, pois um dia esses sonhos iram acabar, irei dormir de noite e acorda na manhã e saberei nesse dia que mais um amigo se foi, eram três, os monstros se foram sem eu nem notar a sua ausencia, sonhos ainda tenho, só temo o dia em que acabar e o terceiro e eterno amigo, que me aompanha para tudo conter lugar e sei, esse eu sei que nunca vai me abondonar a menos que eu faça primeiro. A solidão, pois não importa a ocasião eu sempre estou triste.
  • Eu Juro Que Não Sabia...

    Aquela festa estava destinada a ser inesquecível. Joe já havia bebido muito mais do que pretendia, ficando em um estado totalmente eufórico e imprevisível. Ela dançava no meio da pista como se não houvesse amanhã, remexendo de uma maneira chamativa e sedutora. De repente, ela sentiu uma mão agarrando seu pulso e a puxando para um local escuro e desolado do resto da festa. Era Josh, seu ex-namorado, que claramente não tinha suportado o término. Mas, como estava incrivelmente bêbada, Joanne não se importou com o fato de que tinha prometido à si mesma que não teria mais nenhum tipo de relação com o garoto e deu-lhe um beijo caloroso e equivocado, o deixando extremamente exitado.
         Depois de alguns minutos repletos de satisfação, Josh começou a empurrar a garota pelo quadril até o banheiro masculino, aonde os dois se trancaram em uma cabine e começaram a tirar a roupa um do outro. Porém, havia um detalhe. O garoto posicionou sem celular em um ângulo certeiro próximo a descarga do vaso sanitário que estava logo atrás do "casal". Assim, a câmera do telefone captou momentos que de maneira alguma deviam ser gravados na memória do um celular de um adolescente. Joe estava tão chapada que nem suspeitou de nada e apenas se deixou levar pelos seus instintos que buscavam o ápice do prazer. Mal sabia ela que aquelas gravações iriam gerar um tremendo rebuliço...
         No dia seguinte, Joanne acordou com uma dor de cabeça nefasta. A ressaca estava batendo de um jeito inacreditável. Ela então decidiu que não iria à aula e tentaria sossegar um pouco. Ela foi até a cozinha e tomou um bom café da manhã, depois se deitou no sofá da sala e abriu o seu computador. Seu Facebook estava repleto de notificações. Ao vasculhar um pouco a rede social, Joanne arregalou os olhos e começou a chorar. Todos estavam compartilhando um link que levava até o vídeo gravado por Josh. Joe tratou de pegar seu telefone e ligou imediatamente para o garoto. Felizmente, Estava na hora do intervalo, então o garoto pôde atender mesmo estando na escola.
         - Alô?- O espertinho não parecia nem um pouco preocupado.
         - Seu desgraçado!! Você me filmou fodendo com você sem nem me avisar e ainda espalhou o vídeo para todo mundo ver?!
         - Hey, puta, nem vem com essa que você SABIA que eu estava gravando. 
         - Ai, vai se foder!! É claro que eu não sabia...
         Josh simplesmente desligou na sua cara.
         Joanne ficou arrasada, se trancou no quarto e se pôs a chorar novamente. Se ela ficasse muito tempo ser ir à escola ela sabia que seus pais iriam suspeitar de algo. A pobre garota estava simplesmente perdida...
         Na semana que se seguiu, Joanne percebeu que já estava na hora de comparecer às aulas. Enquanto andava pelos corredores da escola, pôde perceber que todos os olhares se voltavam para ela. Todos riam, xingavam e cochichavam. Quando a aula de fato começou, inúmeros bilhetinhos ofensivos voavam em direção à carteira da jovem. Joe tentou ignorá-los, mas em certo ponto ela simplesmente desabou em lágrimas e pediu à professora para ir ao banheiro. Ela se trancou em uma cabine e esperou até a hora do intervalo. Porém, quando o sinal bateu e Joanne estava prestes à deixar a cabine... Dois garotos adentraram o banheiro feminino silenciosamente e esperaram até que Joe se mostrasse. No mesmo instante que a jovem se dirigiu à fileira de pias para se olhar no espelho, os dois encrenqueiros saltaram em sua direção e a pressionaram contra a parede.
        - Vamos fazer outro vídeo, vagabunda? - Um dos meninos disse tirando o celular do bolço.
        Joanne começou a gritar, porém o garoto mais forte e alto tapou a sua boca e deixou que o outro menino desabotoasse as calças.
       O que se seguiu fora uma cena horrível e extremamente revoltante. Após alguns minutos, os dois deixaram o banheiro correndo em meio a risadas eufóricas enquanto Joe simplesmente se encolheu em um canto, abraçou os joelhos e começou a chorar. Por que aquilo estava acontecendo justamente com ela?!
        Quando chegou em casa, a garota sentiu uma vontade incontrolável de contar aos pais o que havia acontecido, mas... devido à uma sensação horrível que misturava vergonha e medo, a adolescente desistiu e foi direto para a cama, aonde chorou como se o mundo estivesse prestes a acabar, ou... como se já estivesse em ruínas.
        Alguns dias depois, na hora do almoço, um bando de garotas se aproximou de Joanne e começou a xinga-la sem piedade alguma.
        - Ora, ora, ora, se não é a puta do momento... - Uma loira desprezível tratou de comentar.
        - Hahahah, ainda por cima, fica chorando no meio da aula para se fazer de coitada! - Uma outra acrescentou.
        - Me deixem em paz, por favor... - Joanne implorou.
        - Ou o quê?! - A loirinha retrucou.
        Joe respirou fundo e fechou os punhos... Mas não foi capaz de segurar seus instintos. Ela se levantou rapidamente do banco aonde estava sentada e se pôs a puxar os cabelos de uma das garotas ali presentes. A mesma começou a gritar, e logo surgiram pessoas de todos os lados para separar as duas. 
        Mais tarde, Joanne e o grupinho de garotas foram encaminhadas à diretoria e os pais de Joe foram chamados.
        - Por que você atacou a Srta. Manchester, Joanne? - O diretor balofo e mal-cheiroso tratou de perguntar.
        - Porque ela me irritou.
        - E posso saber o que ela fez para te deixar tão irritada?
        Foi aí que Joanne ficou sem palavras... Ela não podia contar o porquê.
        A garota acabou levando uma advertência para casa, aonde a mesma teve que ouvir inúmeros sermões dos pais sem nem ao menos poder se defender... Foi aí que ela teve uma ideia para acabar com tudo aquilo. De madrugada, Joanne se entupiu com os remédios da mãe que havia adquirido sorrateiramente e com uma faca da cozinha, ela simplesmente cortou os pulsos, escrevendo com sangue nas paredes da sala a seguinte mensagem: "Eu não sabia que ele estava gravando. Eu juro que não sabia...". E assim faleceu Joanne Valentine, mais conhecida como Joe. Uma garota forte, porém que não resistiu à mágoa e a humilhação supremas. Vamos acabar com o Bullying, para que a próxima Joanne Valentine possa ser salva... Obrigado pela compreensão.
  • Marciano Inocente - Obrigado música

    "A música é o melhor remédio para a minha alma
    Sinto um amor tão profundo, uma alegria que me acalma
    Ela me entende e me consola
    É minha companhia perfeita em toda ocasião
    Ao tocar, cantar e dançar sou levado pela emoção
    E esqueço todas as tristezas desse mundo
    Obrigado música por tocar em mim tão profundo
    Agora eu sei que com você eu tenho talento
    Quero estar contigo em todos os momentos"
  • Marcos, Linda e Eu

    Essa foi a primeira vez que presenciei o momento em que alguém se apaixona, droga porquê que é eu que estou ficando com vergonha. Foi durante o intervalo, pedi ao Marcos para ir comigo na cantina, o tempo estava seco e ventoso, as folhas caidas iam de um lado pro outro como se estivessem dançando, nem se via sinal dos raios solares, ele estava ocultado pelo cinza que tomou conta do céu, adoro quando chegamos nessa época do ano, é perfeito para tudo, correr, ficar em casa ou sair para se divertir com os amigos. Meu amigo, Marcos estava sentado em sua cadeira, quando eu fui em sua direção, ele me observou chegar pelo cantos dos olhos, sorri, ele já sabia o que era.
         - Vem comigo Marcos.
         - Não
         - Por que não?
         - Não quero!
         - Vem! disse enquanto o sacudia levemente pelo ombro.
         - Não! disse ele indo para trás e para frente.
         - Vem comigo!. De tanto insistir ele acabou cedendo, ele sempre cede, enquanto caminhavamos para a cantina eu o vi olhar para uma garota loira que estava sozinha sentada no refeitório, compramos dois pastéis assados; deu seis reais, barato, pensei, no trajeto de volta ele olhou de novo para ela. - Vamos sentar ai, falou o Marcos enquanto apontava com o lanche para a loira, dei um sorrisinho e o acompanhei, pedi licença à garota, pois o Marcos já estava se sentando, ela estava fazendo algo no caderno, parecia português, desviei logo o olhar antes que perdesse a fome, português não é o meu forte. Marcos se sentou de frente para ela e toda vez que mordia o lanche dava uma olhadinha nela, achei engraçado o jeito que ele fazia isso. Mesmo sentada dava para perceber que ela era bem alta. Opa! ela percebeu, sorri, e agora amigo? estava me divertindo com aquela cena, ela o estava fitando e ele estava paralisado com seu olhar, pensei na medusa da mitologia grega, sou bom em história.
         - Tem um negócio aqui, disse ela apontando para o canto da boca.
         - Obrigado, disse Marcos limpando o rosto com as costas da mão, você sempre senta sozinha? perguntou.
         Oh! então você jogou os dados em, vamos ver como terminará esse jogo, a intenção dele estava escrito na testa e acho que ela percebeu já que estava sorrindo para ele, eu observava tudo de camarote enquanto comia o meu pastel.
         - Sim, é bom para estudar, os meninos da minha turma são barulhentos, toda vez que pego o caderno eles começam a implicar, pegam ele de cima da mesa, fecham ou ficam querendo rabiscar, são uns babacas.
         Ela disse babacas mas estava claro que não era verdade, mais claro que os olhos dela, eram um lindo par da península de maraú, ela estava se divertindo enqunto dizia essas coisas, são bons amigos, pensei.
         - Gosta de português? perguntou o Marcos, deve ter reparado também.
         - Amo! exclamou com êxtase, é tudo incrível, as diversas palavras que existe e seus significados, a origem da língua e como sofreu mudanças ao decorrer dos anos para ser o que é hoje. Já sei falar, pensei entediado enquanto ela falava, o Marcos por outro lado estava prestando atenção em tudo como se estivesse enfeitiçado e realmente estava, era o amor. Engoli o último pedaço do pastel, olhei ao arredor e vi que o local estava vazio, - droga a aula já começou, falei dando um pulo do banco. Eles olharam para mim e depois para o refeitório. - Caramba! disse o Marcos. - Ai meus deus! gritou a menina. - Temos que ir e logo falei puxando a manga da camisa do Marcos, que assentiu para mim.
         Enquanto corriamos ele se virou e gritou para a loira. - Qual é o seu nome?
         - Linda! gritou devolta, ela corria na outra direção. Linda até no nome, deu sorte em amigão, pensei.
         - Eu sou o marcos, Linda!
         - Marcos!
         - É, disse sorrindo, até amanhã.
         - Até, gritou Linda curvando para as escadas. 
         - Rápido cara, falei pro Marcos, mas acho que ele não me ouviu, balancei a cabeça rindo, que cara de besta que você ta fazendo, comentei.
         - Sério?
         - Sério.
  • O aborto

    Luciana tinha 14 anos e desconfiava que estava grávida.

    Começou a suspeitar de algo errado depois de dois meses sem menstruar, e de sua vó estranhar os enjôos e perguntar sobre sua virgindade. As pesquisas no Google indicavam que as chances de estar esperando um filho eram grandes. Alguns sites anunciavam a notícia de forma mais feliz, outros de maneira mais temerosa. Mas foi um teste de farmácia, no banheiro da escola com a Ana, que deu 93,7% de certeza.

    Quando escutou da Paula, um tempo atrás, que agora que ela menstruava podia engravidar, Luciana entendeu que agora podia transar. Por algum motivo também concluiu que só ia engravidar se transasse quando estivesse menstruada, e ela jamais tinha transado menstruada. Um professor de ciências, numa aula de educação sexual, tinha dito uma vez que a camisinha evitava a gravidez, mas ela nunca tinha entendido porque. Que o sexo podia gerar uma gravidez nunca foi um segredo, mas como ele levava a gravidez era outra coisa.

    Ela só tinha metido com dois meninos. Seu primo mais velho e seu namorado, uma semana antes. Como quase tudo que ela sabia sobre gravidez vinha de blogs escritos com técnicas de SEO, e conversas no banheiro feminino, concluiu que namorado deveria ser o pai. Com um filho ele não ia mais querer namorar com ela. Sua mãe nunca mais a deixaria sair de casa. Sua vida estava acabada.

    Então decidiu que ia fazer o aborto e que ninguém nunca ia poder saber de nada, só suas melhores amigas Ana e Natália.
    As três juntas voltaram para a internet para saber como era um aborto.

    Descartaram rapidamente as clínicas que apareceram na primeira página da busca. Luciana era menor de idade e nunca tinha imaginado ter tanto dinheiro. Então descobriram que existia uma remédio que provocava o aborto. Depois que ele não era vendido nas farmácias. Em seguida que podiam comprar num grupo do Facebook. Por fim também não teriam como conseguir o dinheiro.

    Num segundo momento viram que chás e algumas comidas também provocavam aborto. Mas elas não tinham como fazer o chá, na casa de qualquer uma delas alguém poderia ver. Parecia difícil de conseguir a tal Artemísia-losna e ia ter que tomar durante dias. Depois ia vir muito sangramento. Luciana não conseguiria esconder. Descartaram também.

    Na busca desesperada por uma solução imediata chegaram até um site com “dicas do sertão”. Viram que muito antigamente mulheres abortavam enfiando uma agulha de crochê na buceta até expelir o bebê.

    Luciana ignorou as advertências do site para que não recorresse aquele método e desatou a chorar. Estava claro para ela que esta era a forma mais fácil de resolver o problema.

    Foram pesquisar mais afundo sobre como proceder. Leram que deveriam cutucar o útero com a ponta da agulha ate sentir que ele tinha sido danificado. Viram um vídeo de uma mulher satirizando a situação e imaginaram os movimentos. Tudo parecia fazer muito sentido para elas.

    Ana e Natália se mostravam fiéis a amiga. Ajudariam em tudo e choravam copiosamente junto com Luciana. Ela imaginava que ia sair de dentro dela pedaços da criança enquanto ela fazia xixi. Achava que ia doer muito. Estava com muito medo, mas tinha certeza que estava fazendo o que tinha que fazer.

    Como se todo mundo já soubesse o que fazer combinaram que Luciana roubaria duas agulhas de crochês de sua avó. Seguindo uma recomendação satírica do vídeo utilizariam óleo de cozinha como lubrificante. Natalia ia pegar na geladeira antes de sair. Todas se encontrariam na casa de Ana e iriam em uma construção abandonada que ficava no mesmo quarteirão. Foi ela também que lembrou de pegar uma toalha.

    As três entraram pelo cercado de madeira quebrado e foram até um quarto no piso de cima. Ninguém falava muito e, agora, ninguém sabia muito o que fazer num quarto escuro. Luciana pegou um pano velho que achou e estendeu na frente da janela, que era por onde entrava a luz. Ela sentou com as costas meio apoiada na parede, abaixou a calça, tirou a calcinha, abriu as pernas e esticou a mão com a agulha de crochê na direção de Natália.

    Chorando desesperadamente Natália disse que não tinha coragem. Ana tremia tanto e estava tão nervosa que não conseguia falar.

    Um pouco trêmula Luciana passou óleo na agulha de crochê e começou a enfiar na buceta. Ela sentiu a ponta da agulha chegar até o limite do colo do útero. Alguma coisa parecia se remoer dentro do seu estômago e ela apenas deslisava o pedaço pontudo de plástico de um lado para o outro.

    Natália estava com as mãos cobrindo a boca e o nariz, soluçando e espalhando desespero com o olhar. Ana estava de costas, sentada e encolhida no chão chorando baixinho. Luciana olhou para cima, respirou fundo e começou a estocar a agulha de crochê com força no meio das pernas. Uma, duas, três e ela largou o objeto e começou a rolar no chão, gemendo desesperadamente, em posição fetal e com as mãos na barriga.

    Segundos depois o sangue começou a se espalhar pelo pano sujo que Luciana tinha esticado no chão. Num impulso assustado Natália se levantou e saiu correndo. Ana tirou forças do fundo da alma para sentar ao lado da amiga e segurar sua mão. Luciana chorava, tremia e se contorcia sentindo coisas meio sólidas e gosmentas saírem do meio de suas pernas.

    Os minutos que se seguiam eram angustiantes. Nenhuma das duas sabia o que fazer ou o que falar. O fluxo de excrementos foi diminuindo, mas Luciana sentia que a dor ia ficando cada vez mais aguda.

    Ambas sabiam que tinham que voltar para casa antes que suas ausências fossem questionadas. Luciana começou a se limpar um pouco com a toalha que Ana lhe ofereceu, mas tinha muito sangue. Quando tentou se levantar percebeu que não conseguia firmar as pernas, e precisou se apoiar em Ana para ir até uma torneira nos fundos para se lavar.

    Fazendo um esforço descomunal Luciana chegou em casa e conseguiu tomar um banho. Ela achava normal que continuasse a escorrer um pouco de sangue de um furo de agulha. Colocou dois absorventes e uma toalha de rosto no meio das pernas para evitar o risco de alguma coisa vazar. Pegou no armário do banheiro um paracetamol e tomou para a dor. Depois se trancou no quarto escuro e fingiu que estava dormindo para não ter que falar com seus pais, e para tentar esquecer a dor. Antes de dormir pensou que tanta dor não era normal, e que poderia morrer. Se não morresse faria outro teste de farmácia para saber se o aborto deu certo.
  • O Diário de Melissa

    "- Eu me chamo Melissa, tenho 20 anos e não faço a menor ideia do que escrever em um Diário. Ganhei você no meu aniversário e, infelizmente, acabei te jogando no fundo da gaveta pelos últimos dois anos. Quando algumas coisas ruins começaram a acontecer na minha vida, acabei não entendendo bem o que fazer e, ao ir à um psicólogo, ele me aconselhou: escreva.

    Eu não poderia começar a escrever sobre outras coisas sem antes avivar o meu passado. Sabe, Diário, sinto-me culpada por muitas coisas e, entre elas, culpada por falhar e por não saber me impôr nos momentos certos. Mas, o que fazer?

    Há alguns anos atrás, tive meu futuro decidido. Meus pais me colocaram em uma escola particular, depois seguiram para me pôr em uma faculdade e cá estou, no meu último ano. Por quê não me impus? Quanto tempo eu perdi fazendo o que não queria? Quanto tempo eu teria investido se eu já soubesse o que fazer? Eu me sinto perdida, diário. Não estou feliz com o que faço, logo, não me sinto disposta o suficiente pra continuar. O que está acontecendo? Tudo tão confuso.

    Lembro-me de alguma vez na vida ter tido sonhos como querer ser uma Cozinheira Chef e ter meu próprio restaurante, ou trabalhar o meu corpo suficiente para ser uma modelo. Mas, logo que isso passa pela minha cabeça, hoje, só consigo pensar que o meu tempo não volta atrás e está cheio de arrependimento. Que tipo de pessoa eu vou me tornar, desse jeito?

    Mas, as escolhas de meus pais não foram tão ruins. Guiaram-me pelo caminho certo, levaram-me à igreja, foram gentis - embora ausentes - e principalmente estiveram lá para me ajudar. Sei que deveria retribuí-los, mas isso é uma coisa que não consigo engolir. Diário, não sei se amo tanto assim meus pais. Como humanos, cometeram muitos erros e, entre eles, o erro principal que me assombra até hoje é o fato de que cortaram minhas asas. Eu não pude voar, minha imaginação não pôde sobreviver e, hoje, estou a te escrever.

    Perto do fim de meu curso, não penso em "deixar pra lá". Penso em ganhar com isso. Mas, já não sonho mais e já não possuo objetivos. A vida parece fácil e ao mesmo tempo incompleta. Mas, esse é só um dos primeiros capítulos da minha vida, vai passar. Ainda assim, sou grata. Grata por ter sido repreendida, mas ingrata por não saber como voar, por não conseguir imaginar e ser incapaz de sonhar.

    Sabe, Diário, meus pais não souberam lidar comigo e eu os entendo. Nunca fui do tipo calma e gentil. Mas sim hiperativa e solitária. Eu nunca tive ninguém ao meu lado. Encontrei amigos dos quais hoje arrependo-me de ter me envolvido e acabei carregando cicatrizes até hoje. Não considerava amizades femininas, uma vez que sempre acabavam falando mal de mim pelas minhas costas ou me abandonavam sempre que descobriam algo desagradável em minha personalidade.

    A maioria de meus amigos eram homens e, eles me entendiam, mas, preocupavam meus pais. Meus pais sempre foram do tipo machistas o que, de certo modo, acabou me detonando à longo prazo. Diziam coisas desagradáveis e justificavam que a religião me proibia de envolvimento acima do necessário com qualquer tipo de homem enquanto que colocavam meus irmãos, por serem homens, acima do patamar e sem regras. Aquilo me enojava.

    Sempre fui restringida de tudo e todos. Meus irmãos eram livres para fazer o que bem entendessem. Sempre odiei essa regra. Hoje, acho que a restrição excessiva acabou comigo mais do que me ajudou. Ela fazia com que eu me sentisse um pássaro preso em uma gaiola, com uma vontade voraz de libertação. Fugi e escapei das regras várias vezes e, sempre que saía, mesmo que não fizesse nada, ao voltar eu era julgada.

    Mas, sabe diário, acredito que os melhores momentos da minha vida vieram com aquelas fugas. Eu fugia, sentava em algum lugar perto da praia e ali ficava o dia inteiro, respirando ar puro, sentindo o gosto de uma falsa liberdade. O horário de recolher me entristecia como nada faria: era hora de voltar pra cela e enfrentar o castigo que fosse.

    Mas, acho que não foi só isso. Meus pais tinham aquele péssimo hábito de não me reconhecer, o que perdura até os dias de hoje. Dentre os três irmãos, ainda que eu obtivesse mais êxito em alguma área, o crédito sempre era deles de alguma forma. Porém, acredito que não seria o que sou hoje sem todas essas vivências. Eu cresci.

    Sei que cresci quando, hoje, olho para os meus pais, com os mesmos velhos hábitos amargurantes e já não sinto nada. Sei que já não sou tão imatura a partir do momento em que não imagino mais uma cela todas vezes que chego em casa. Sei que não sou uma má pessoa no momento em que eu decidi perdoá-los por essas pequenas coisas e seguir em frente.

    Eu nasci ali, cresci ali. Não tem como dizer que, acima de tudo, não os amo. Acho que, todas as famílias possuem seus problemas, mesmo que pareçam tão perfeitas no exterior. Sei, hoje, que todas as pessoas possuem seu jeito único de amar, mesmo que em silêncio. E, eu os amo em silêncio, porque as palavras simplesmente não conseguem encontrar um jeito de sair.

    Acabei notando que, eles também, me amam em silêncio. Não conseguem dizer, por algum motivo. Mas, acabam demonstrando através de pequenas coisas, pequenos cuidados. Obrigada por tudo, pai e mãe. E obrigada à você também diário. Cheguei em uma conclusão: está tudo bem, eu estou bem."


    - Capítulo 1: Meus pais
  • O MENINO DA ESQUINA

         Não sei seu nome, não sei sua idade, não sei onde mora, só se que o amo. Todos os dias o vejo passar na esquina de bicicleta com os cabelos ao vento e com um sorriso encantador. Ele tinha um sinal no rosto diferente, porém, muito atraente.
         Um dia, vi-o na praça, sentei no mesmo banco, mas não puxei assunto. Então por uns 10 minutos o silêncio reinava naquele lugar até que ele me olhou de um jeito simpático e ao mesmo tempo vergonhoso e disse-me "oi". Como era a primeira vez que ouvia sua voz doce e leve, respondi sem falta de tempo e eufórica, quase gritando um "oi" sem conseguir disfarçar a alegria. 
        A partir daquele dia, nossos olhares e conversas foram intensas, assuntos intermináveis e encontros fáceis. Passaram- se anos e a única coisa que eu enxergava era a beleza dos seus olhos, e o quanto sua presença era importante. Até que um dia, aquele menino se foi para bem longe sem deixar pistas assim, partindo o meu coração.
  • Onde eu queria estar

    Onde eu Queria estar
     1 .Redescobrindo-Me:
    Quando foi a ultima vez que olhei para o relógio?
    Não sei. Talvez já tenha se passado 5 minutos e a resposta ainda não chegou, Porque será que os seres humanos não respondem rápido as mensagens de texto. Se ainda estivéssemos no século passado, aonde mandávamos cartas eu ate entenderia, mas hoje eu realmente...
    Enquanto a resposta não vem, fico parado olhando para o teto e imaginando as mil e uma maneiras de amar, e chego à conclusão de que eu não sei o que é isso.
    Uma vez em uma viagem pela índia com minha família adotiva, um guru me disse que, “Antes de amar alguém temos que aprender a nos amar e só assim descobriremos o poder da criação”. Confesso que não entendi nada, e acho que ainda não entendo. Adormeço;
    Quando acordo pego meu celular e vejo que a cinto mensagens recebidas, mas nenhuma de quem eu realmente esperava. Porem uma me chamou a atenção chantelle minha melhor amiga de infância, resolveu dar uma festinha em sua casa, já era por volta das oito horas então teria que colocar qualquer roupa, e sair correndo, ou melhor, dizendo dirigindo o carro velho da mamãe que ficou abandonado na garagem.
    Fui adotado aos sete anos e depois disso minha vida passou a ser fácil. Minha mãe adotiva Teresa se formou em direito na universidade de Harvard, fez pós, mestrado, doutorado e logo depois virou juíza. Eduard meu pai, se formou em gastronomia e hoje é dono de uma  das redes mais cobiçadas de restaurantes de nova Iorque o  “la Tosti”.
    Vivi boa parte de minha infância em neshville, sempre fui rodeado de amigos, posso dizer que a popularidade era o meu forte,talvez eu tenha sido precipitado em ter me inscrito no grupo de teatro do colégio, isso me rendeu muitos apelidos maliciosos, porem se não fosse essa atitude hoje eu não estaria cursando artes cênicas em nova Iorque.
    Chego à casa de chantelle e noto que deixei meu celular no bolso da outra calça, fico inquieto, mas resolvo esquecer a tecnologia por um tempo. (Na realidade fiquei com preguiça de voltar até em casa para pega-lo).
    É muito bom rever seus amigos depois de quase um ano, tudo bem que chatelle foi me visitar no ultimo feriado em nova Iorque, mas não é a mesma coisa quando estão todos novamente reunidos.
    Chantelle me recebe com um beijo no rosto e uma taça de vinho, ela mais do que ninguém sabe que amo vinho.
    -Parece que faz anos que não o vejo meu amigo
    -Pare de drama telle, só faz um mês;
    -Não sou eu que faço artes cênicas aqui. Não é meu caro?
    -elementar minha cara;
    Nós rimos
    - Vamos ,kith e Susane estão nos esperando na piscina;
    -claro, mas antes preciso ir ao banheiro.
    -você sabe o caminho,te espero lá fora;
    Subo as escadas, vou até o banheiro e ouço a campainha tocar, penso ser Josh o namorado de chantelle, lavo as mãos.
    Quando chego à área da piscina dou de cara com kirty,me assusto e derrubo a taça de vinho no chão,kith corre para me ajudar,me abaixo para juntar os cacos e acabo me cortando.
    Realmente fiquei sem reação,pois quando vi já estava novamente trancado no banheiro.
    Ouço alguém bater na porta ,e torço para não ser kirty;
    -James abra a porta é o kith
    -Só um segundo;
    Abro a porta,kith entra com uma maleta de curativos;
    -vim te ajudar,o que foi aquilo? Quando vi você estava correndo para as escadas,ninguém entendeu nada.
    -kith você sabe que eu e kirty já tivemos um caso na época de colégio;
    -sim,mas eu achei que você tinha superado isso.
    -Superei, mas acho que não estou pronto para ter uma conversa franca com ele, pois desde que eu o abandonei para seguir o meu sonho, nunca mais nos falamos;
    -Eu sei meu amigo, mas uma hora ou outra vocês terão que conversar e porque não agora?
    Ele termina meu curativo,quando respondo;
    -Porque não mando nos meus sentimentos, tudo é muito confuso e não sei como reagir.
    -Apenas deixe acontecer meu amigo. Vamos descer?
    -Vá na frente, desço logo atrás.
    -Promete James?
    -Prometo;
    Ele sai e encosta a porta, sento na banheira abaixo a cabeça, vejo a porta abrir bem lentamente e levanto a cabeça dizendo:
    - Eu não disse que já ia descer kith?
    -não é o kith que esta aqui.
    -kirty, o que faz aqui?
    -vim ver como você esta e ter ao menos a oportunidade de dizer um olá;
    Fico meio sem jeito, mas tenho que conversar com ele:
    -Estou bem obrigado por perguntar kirty ,me desculpe ter saído correndo, tenho medo de sangue então, ou eu corria ou desmaiava. Não queria pagar esse mico na frente de todos. Mas acho que acabei pagando um mico maior ainda.
    -Relaxa, você esta entre amigos James, o máximo que poderia acontecer era chantelle ter gravado e postado no facebook.
    Dei um sorriso de canto;
    -vamos descer kirty, acho que todos estão nos esperando e não queremos que pensem besteira não é mesmo?
    -O que poderiam pensar? Que estamos dando uns amassos aqui em cima? Não seria uma má ideia, sinto falta dos seus beijos.
    -kirty,não temos mais nada um com o outro,hoje te vejo apenas como um amigo.
    -Mas é sempre de uma amizade que surgem grandes relacionamentos. Não é mesmo James ?
    -sim, mas este não é o nosso caso kirty.
    Saio do banheiro, desço as escadas e quando estou abrindo a porta da frente chantelle me chama:
    -James, aonde vai?
    -Não estou muito bem,acho que foi o vinho, preciso ir para casa.
    -Mas esta cedo ainda, fique mais um pouco, vamos fazer o jogo da morte súbita.
    - Não estou  bem para isso,Adeus Telle;
    Bato a porta e enquanto me dirijo para o carro, olho para trás e vejo que kirty me olha da varanda,me sinto desconfortável. Entro no carro, giro a chave mas não funciona, então descido voltar para a casa de meus pais caminhando.
  • Pense bem

    Oi, não sei como começar, por que nunca pensei em contar toda minha vida para alguém assim, vou começar pelos dias atuais. Eu sou uma menina que não tem amigos, meu pai não esta nem ai pra mim (e eu moro com ele, apenas eu e ele), minha mãe faleceu quando eu tinha 11 anos, não converso com meu irmão tem mais ou menos dois anos, mas todo mundo acha que tô bem porque faço questão que ninguem saiba dos meus problemas, já cortei meus pulsos, mas parei.
    Agora vamos para quando eu era menor , já sofri muito bullying, no terceiro ano do ensino fundamental eu sofria bullying por ser muito feia e gorda (atualmente emagreci e estou gostosa ) , mas mesmo assim ainda tem pessoas que faziam isso comigo que chegam e falam que sou muito feia mas perto da pessoa eu fico tipo "ok,tudo bem" mas quando chego em casa choro muito,ano retrasado eu estava em uma sala que eu conversava com apenas duas pessoas, os meninos faziam bullying comigo e as meninas riam. Nas aulas ficava com medo de falar e alguém fazer um comentário negativo , eu era excluida LITERALMENTE.
    Ai graças a Deus eu repiti de ano, fiquei super feliz muito mesmo, mas com medo também porque vai que o pessoal da minha casa iria ser pior do que da minha ex sala. Ai no primeiro dia de aula, eu conversei com todo mundo, me senti muito feliz, nunca teria imaginado que teria pessoas que conversariam comigo, porque sempre tinha sido excluida da sala, ai do nada eu virei a representante de turma da minha atual sala, cara que sensação maravilhosa.
    Mas tudo na vida tem seus prós e contras, os contras são que a minha vida ano passado não estava exatamente do jeito que eu queria, eu não tinha amigos sabe? Na verdade eu tinha, mas eram falsos,então nem os considerava "AMIGOS". Acho essa palavra "AMIGOS" muito forte, cara acho que nunca tive uma amizade verdadeira, ano passado não tive esse ano também não tenho, acho que nunca vou ter. Amizade pra mim é alguém que fecha 10/10 sabe? que esta sempre ali, nos momentos dificeis, nos facéis, nos de alegria, nos de tristeza. Aff queria muito uma amizade assim.
    Até ano passado não me apegava a ninguém, apenas iludia, cara mas hoje, as pessoas falam um "Oiii" com coração, eu já fico apaixonda, se eu ficar com a pessoa então fudeu, fudeu muito, porque vou ficar ILUDIDISSÍMA, como já estou (risos), porque fiquei com menino ai o G........, e já estou apaixonadissíma nele, mas acho que ele está me iludindo e tipo fiquei com ele duas vezes, mas estou tentando esquecer ele, tipo ele não me chamou, então também não irei chamar, vou conhecer outra pessoa, focar em outra pessoa, porque não quero alguém que me iluda. Mas acho que isso de começar a me apegar, é meio uma vingaça do destino (risos) por eu ter iludido muitos meninos já (risos). Mas já aprendi a lisão, DESTINO, JÁ PODE PARAR DE FAZER ISSO COMIGO EM ( risos)
  • Pequenina Flor

    Amor não é algo do qual pode-se trocar, mudar o tempo todo de opinião, mudar os batimentos do coração. existe apenas um, um tipo de batimento correto, apenas um, um sorriso, uma mudança de voz e de humor.
    Não adianta dizer que quer achar o amor verdadeiro e ficar trocando de pessoa. Deve esperar, deus irá mostrar o caminho do fio vermelho.
    O Vale e a Pequena Porta
    Por muito tempo a pequenina flor derramou suas lágrimas. Perdeu-se dentro de sua mente, não importava o mundo lá fora pois ela nunca poderia sair do jardim.
    Seu coração já não batia, seus olhos já não eram brilhantes, seu sorriso era negado por si mesma, tudo estava muito longe, a felicidade estava longe...
    O jardim era extenso, sem a chave ela não poderia sair do local, já não tinha esperanças. O medo invadia seu coração
    "será que um dia poderei ir ao mundo dos humanos?" Tudo que seu pensamento desejava e perguntava, tudo poderia ser uma maldição de deus contra seu nascimento?
    A pequenina realmente estava destinada a ficar sozinha? 
       O dia era lindo para o Vale, mas não aos olhos dela, humanos sempre quisera passar pela pequena porta que interligava ao Vale. O muro extenso e de grande altura não permitia a entrada. Sempre observava as cerejeiras florescendo, o cheiro de lavanda correndo junto ao ar lhe lembrava o perfume doce dos amantes que lá passavam.  
    "Ah, como queria encontrar alguém. (risos) Eu não posso morrer aqui sozinha, não é?" Conversava com as flores ao seu redor, mas espere! Ela não era uma flor? Não. Hana, seu nome, significa Flor. Sua pele branca igual algodão, seus cabelos negros igual carvão, seus lábios rosados igual ás pétalas da enorme cerejeira do Vale. Que beleza ela tem!
       *knock* Batia alguém á pequena porta. Às pressas foi bisbilhotar para saber novamente o que humanos queriam. Porém pequenina nunca dizia nada. Afinal não podia, criaturas mágicas de sua espécie são como animais, falam, porém os donos não entendem. 
  • Poder de Conquista (Não julga o livro pela capa) Parte I

    Eu tinha apenas 16 anos, quando mudamos de bairro, era novo e nem tinha amigos, todos eram desconhecidos para mim mas aos poucos fui conquistando a confiança e em menos de uma semana já tinha alguns amigos, por vezes a saudade de estar com as pessoas que eu já conhecia a um bom tempo matava-me por dentro, mas fui-me acostumando e superando isso. Foi no dia de sol quando eu vi ela pela primeira vez uma morena de cabelos negros com um corpo de viola, com seus lábios carnudo de cor rosa, olhos castanho aparentava ter uns 22 anos, eu logo pensei "meu Deus dar-me força para mim consegui surfar nesse tsunami "

    Eu - Wí (amigo) quem é ela?
    Ele - Ela também é nova nessas bandas (zona ou área), tal como você ainda esta em adaptação
    Ela - Ela é muito boa (gostosa)
    Ele - Yá (sim) nigga, mas você sabe que ela é "muita areia para a tua praia"
    Eu - Yá sei, mas não vamos "julgar o livro pela capa"
    Ele - É verdade, mostra-lhe que "leão é leão dentro ou fora da selva"
    Eu - Assim esta melhor
    Ele - Não maia (força).

    Levantei de onde eu estava e fui ao encontro dela, a minha barriga estava a dar muitas volta, na verdade estava a doer, quanto mais próximo eu estava menos coragem eu tinha para seguir enfrente mas não pensava em desistir, quase a me aproximar dela a porta da sua casa abriu, vejo uma outra pessoa a sair.
    Essa, eu conheço!

    Ela - Oi Cláudio tudo bem?
    Eu - Oi, tudo e contigo?
    Ela - Estou bem, mas melhor ainda agora que ti vi.
    Eu - Ok, isso é bom!? (eu pensei meu Deus eu quero a outra essa não).
    Ela - Claro que é bom, onde é que vais?

    Antes de eu responder senti uma mão no meu ombro, e respondeu não é dá sua conta, vamos embora Cláudio, ele me puxa e nós começamos a caminhar

    Eu - Valeu wí
    Ele - Não tem maka (problema) somos amigos para nós ajudarmos.
    Voltamos a sentar.

    Ele - Wei nigga, você sabe que na amizade a divisão tem sempre sentido "o teu problema é o meu então a gente divide"
    Eu - Yá sei
    Ele - agora é a tua vez de espera aqui, vou-te dar uma força.

    Ele levantou e foi em direção da garota que eu queria conhecer, eu já sabia o que ele iria fazer, era o tal dito empoteco (ele vai dizer alguma coisa boa que vai fazer ela vir ter comigo) depois de um tempo ele voltou, esta feito, estou a sair depois volto ou ligo, para você me contar como foi a conversa.
    Depois de algum tempo ela veio ter comigo

    Ela - Oi tudo bem Cláudio? O teu amigo disse-me que você quer conhecer-me
    Eu - Sim claro, sentasse por favor
    Ela - Obrigada
    Eu - De nada, você já sabe o meu nome, podes dizer qual é o seu?
    Ela - Meu nome é Jéssica.

    Conversa sai, conversa entra, mudamos de temas e voltamos no mesmo tema, ficamos a conversar por horas era como se já nos conhecemos há muito tempo, até chegar no meu objectivo mas a resposta foi desastrosa.
  • Poder de Conquista (Não julga o livro pela capa) Parte II

    Ela - Eu tenho 20 anos, você é muito criança pra mim
    Eu - Criança! Eu ainda vou-te mostrar que "idade é apenas número e que maturidade não esta na idade mas na experiência".
    Era de noite e eu estava em casa quando o telefone tocou.
    Eu - Alô,
    Ele - Yá wí como é que foi?
    Eu - Normal, já que ela chamou-me de criança mas estou no activo.
    Ele - Ok, este fim-de-semana irei a minha tia
    Eu - Ta fixe brother, aproveita as gatas e boa viagem
    Ele - Ok, valeu.
    No segundo dia de noite o telefone tocou e eu atendi.
    Eu - Alô
    Ela - Oi tudo bem? Hoje não saíste a rua?
    Eu - Estava ocupado com a organização e arrumação da casa
    Ela - E agora pode sair? Vamos a uma cantina
    Eu - Ok, espera um pouco estou a sair.
    Fomos andando devagar e a conversar quando chegamos ao local, ela comprou o que queria e depois estávamos a voltar, eu senti alguma coisa diferente por parte dela parecia estar interessada ou com vergonha de mim a minha desconfia confirmou-se quando ela pediu para voltarmos de uma outra rua que tinha pouca iluminação, quando entramos na rua dei por conta que também estava isolada, eu pensei "depois dela ter-me chamado de criança ela nunca vai me falar que quer alguma coisa, ela esta com vergonha ou com medo de ser rejeitada? Vou ter que tentar alguma coisa".
    Seguro na mão dela e puxo-a para uma parede com pouca iluminação, ela fica de costa na parede o meu corpo estava próximo do dela, como sou mais alto agachei-me para poder beija-la para a minha surpresa, ela correspondeu, mas ficou admirada e sem perceber como é que então pouco tempo a minha mão já estava dentro da sua calcinha e o meu dedo médio estava dentro da sua xana. Ela afastou um pouco os seus seios do meu corpo e a sua boca da minha mas quando ela tentou falar, eu puxei ela de volta enquanto a minha língua passava pelos seus lábios, tirei a minha mão do seu pescoço e coloquei em seus seios, ela enrolou os seus braços no meu pescoço e eu mordi os seus lábios, quando deslizei a minha boca para o seu pescoço ela conseguiu falar em um gemido enquanto eu mordia o seu pescoço.
    Ela - espera Cláudio
    Eu não liguei e apenas continuei, voltei a beijar a sua boca depois de um tempo, eu senti algo a molhar a minha mão e percebe que ela tinha tido um orgasmo “Quanto tempo ela estava sem fazer sexo?”, eu sabia que tinha que controlar-me mas não consegui e comecei a rir. Ela empurrou-me e disse: você é um parvo. E saio correndo, fui atrás dela, demorou apenas alguns segundos para alcança-la e fazê-la parar de corre.

Autores.com.br
Curitiba - PR
Fone: (41) 3342-5554
WhatsApp whatsapp (41) 99115-5222