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Sweater Weather

Não lembro de nada.
Quase nada...
Lembro dela.
Ontem á noite. Só o que eu preciso lembrar.
Saí do meu quarto de hotel, disposto á gastar quanto precisasse, sem rumo. Bem coisa de filme. Bem desapropriado para pessoas de 23 anos com o mundo nas mãos, alguns diriam, mas creio que todos deveriam fazer isso um dia na vida.
Ou uma noite.
Rumo àquele bar, o último estabelecimento da rua, onde sempre se ouve música boa tocando á noite. Sempre tive curiosidade, e agora iria matá-la.
Entrei.
Sentei em um banco do balcão e pedi um drink, não me importava qual.
Olhei ao redor, afinal, é a primeira coisa que fazem nos filmes ao entrar no bar: encontrar 'aquela tal pessoa super sedutora', e eu precisava de uma 'Bonnie' para ter minha noite de crime.
Claro que ela estava lá.
Bebendo o mesmo que eu, ou me olhando intensamente á horas? Não. Nem havia reparado que eu estava ali, na verdade.
Mas eu reparei. Fui diretamente á ela -meu filme não era um drama-.
Conversamos algumas horas, enquanto nos embebedávamos. Ela achou loucura eu estar tendo uma noite de cinema, na minha própria vida.
"Mas quem não gosta de gente louca?"
"Uma noite não faz mal."
Não foi preciso muito pra convencê-la, e foi isso que eu mais gostei. Dizem que as pessoas gostam de garotas "difíceis", mas minha aventura não seria ela. Seria junto a ela.
Meio bêbados saímos do bar, e caminhamos com os pés na areia pela praia ali perto, em direção à casa dela. Sem essa história de "na sua casa ou na minha?" Nós dois já estávamos lá. Nós dois queríamos, o que deixou tudo mais simples, mais verdadeiro.
Depois dela destrancar a porta, nos olhamos.
Entre beijos, risadas e mordidas tirávamos as blusas um do outro, tocando o pescoço, os braços, as coxas, tudo, sem deixar passar nenhum detalhe. Ela parou, olhou no fundo dos meus olhos, como se esperasse que eu dissesse o que iria acontecer; odeio quando fazem isso, não tem nada que eu realmente queira contar.
Foi embora só com seu sutiã e seu pequeno shorts, e voltou com uma garrafa de vinho. Mesmo um pouco fora de nós, não se pode resistir a um bom vinho assim. Bebemos até o final ao som das gotas da chuva que começava lá fora.
Com as bocas avermelhadas de tanto beber, morder, beijar; com as costas vermelhas de tanto tocar, arranhar, sentir; sem camisas, sem blusas; só nós com os corpos suados, a cabeça nas nuvens, mas os pés bem no chão. Foi assim que meu filme terminou. Clássico, não?
Acordei bem cedo, e -pela primeira vez, ela colaborou com o meu filme- não acordou antes de mim.
Me arrumei e saí da casa, pelo jeito, ela tem sono pesado.
Meu filmes favoritos sempre têm aquela cena pós-créditos, que só os que tem paciência de esperar acabam assistindo.
Não, eu não voltarei naquele bar. Não vou ligar pra ela. Nem viver mais uma noite de filme, nunca mais.
Todas essas, são coisas daquelas para experimentar uma vez pra nunca mais. Para fingir que não existe nada igual àquilo no mundo todo. E ela sabia desse meu pensamento.
Mas eu precisava de uma "cena pós-créditos", mesmo que estivesse em um papel sujo de café que eu derrubei, na pia dela, bem lado do suéter que por acaso, eu esqueci lá.
"Está muito frio para você aqui e agora. Então não deixe de colocar suas duas mãos nos bolsos do meu suéter, ao sair de cena.
B."
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Atualizado em: Qui 20 Jul 2017
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