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Provações de um Elfo

Mesmo universo, mas espécies diferentes e características desiguais. Uns manipulam elementos da natureza, outros objetos ou até mesmo pessoas, mas outros apenas a escuridão. As ideologias se divergem entre si, formando assim uma guerra entre povos. Mas, num belo dia de primavera, um garoto chamado Leonard nasceu. Mal ele e o mundo em que vive sabia que um dia este garoto daria um fim a este confronto.
Leonard, um garoto que agora tem 10 anos, alto, cabelos brancos, curtos e lisos, olhos claros, da cor do céu, orelhas um pouco pontiagudas… um elfo. Mas não um elfo comum como aqueles que vemos em histórias e filmes de fantasia que atiram flechas com seus arcos exuberantes, mas sim um manipulador de elementos naturais. Conseguem facilmente controlar esses elementos, pois vivem em harmonia com a natureza.
Existem diferentes tribos em seu mundo, existem os elfos, como Leonard, existem os anões, seres baixinhos, astutos e bem assustadores para sua altura, existem os “liffens”, que são criaturas com pequenas asas, não conseguem voar, mas conseguem planar de grandes altitudes até o chão, orcs, que são seres carrancudos, grandes e fortes, mas nem um pouco inteligente, costumam guardar portas de casas de pessoas mais ricas ou, até mesmo, castelos de pessoas importantes, como era o caso do imperador de Kartan, cidade onde morava.
Leonard não tem irmãos, mora com sua mãe, que também controla elementos naturais e é uma eximia professora de manipulação, em uma cidade rica, Kartan, com boas pessoas, sua maioria elfos e anões e outras não muito agradáveis. O rapaz estuda na melhor escola da região e lá ele tem vários amigos, mas dois deles são seus melhores companheiros, Kirling, um anão não tão baixo como a maioria de sua espécie, cabelos castanhos, olhos escuros e barba, mas bastante bonito, e uma amiga, Katerine, uma elfa inteligentíssima, com cabelos semiloiros e olhos castanhos claro.
O pai de Leonard, Zern, está na liderança do exército batalhando contra seres que vieram das províncias do norte, chamados “trubbiens”. Os “trubbiens” são especialistas no controle de seres vivos, como manipulação de seres celestiais (seres fortes que vivem em abundância nas províncias do norte, mais especificamente na floresta mais escura e sombria que pode se encontrar em seu mundo. Por serem espécimes grandes e robustas, conseguem sobreviver ao clima e obstáculos dessa tal floresta conhecida como Escuris). Vários homens desta espécie são pessoas boas, que vivem em harmonia com outras espécies, mas não por opção e sim por terem ideologias diferentes das de seu imperador, Arizoff.
Um garoto inteligente, mas também levado. Utiliza de sua esperteza e genialidade não apenas para pregar peças em pessoas que não gostava, mas também para aprender outras formas de manipulações e magia. Leonard, todos os dias após a janta, vai para seu quarto, alimenta seu bichinho de estimação, um “zentere”, denominado como Áscon (criatura única, com asas e uma longa cauda, é um animal dourado com pelugem brilhante, nunca se viu uma espécie igual aquela). Ele havia achado este animal num bosque perto de sua casa, estava caminhando, voltando da escola, quando percebeu um barulho entre as moitas, com medo, mas decidido, foi até lá e tirou um ovo que estava rachando, pegou o animalzinho indefeso que saiu dentre as cascas e cuidou dele.
Após isso, ele arranca um livro de sua estante da mais bela madeira dos vales, uma madeira clara com riscos vislumbrantes. Tal livro é pesado, devia ter por volta de milênios de anos. Na capa dizia: Manipulações Especiais, era restrito em muitos lugares pelo mundo por ter segredos obscuros tanto sobre controle de seres vivos, que era ilegal, exceto nas províncias do norte, quanto sobre como manipular a água e outros elementos. Leonard, o lia escondido todos os dias, tentando aprender mais sobre sua arte preferida: invisibilidade.
Passados 10 anos, o garoto agora com 20, se inscreveu para participar do exército de Kartan, junto com seus melhores amigos, Kirling e Katerine. Fizeram o teste e, com sucesso, entraram para ajudar seus companheiros a deterem os trubbiens. Leonard, que vinha aprendendo sobre invisibilidade, teve grande sucesso em sua primeira batalha para a tomada da ponte Cerpenter, que passava por cima do maior rio que já vira. Seu pai estava comandando uma equipe diferente dá de seu filho. Infelizmente não conseguiu ficar invisível, mas com treinamento e disciplina, é certeza que um dia será capaz de tal ato.
Numa manhã, que até o momento era feliz, uma tragédia acontece, o pai de Leonard, o grandioso Zern, acaba morto pelo imperador e líder do exército trubbiniano. Cheio de ódio e desejo por vingança, o jovem rapaz atravessa a ponte sozinho e se esconde em meio as árvores de uma densa floresta. Após horas procurando um acampamento inimigo, ele finalmente avista uma luz fraca. Era um acampamento de tropas inimigas. Cerca de 10 trubbiens guardavam sua entrada, Leonard, que não conseguira utilizar sua invisibilidade da última vez, tentou novamente, se infiltrou entre os guardas e chamou a atenção de um deles. Tal guarda foi imobilizado por Leonard, que, rapidamente agiu, pegando suas vestes e voltou ao posto do soldado trubbiniano como se nada tivesse acontecido, fingindo ser um deles. Após um tempo, os soldados foram convocados para uma reunião de emergência no castelo de seu líder, Arizoff, um ser grande, musculoso empunhando uma espada enorme, parecia ser jovem, mas ninguém sabe da sua verdadeira idade. Os trubbiens estavam sendo atacados a oeste pelas tropas élficas e anões. Todos os soldados foram ordenados para irem até o local. Leonard estava em uma enrascada, como seria capaz de lutar contra seu próprio povo? Qual seria o plano do elfo para destruir a vida do líder trubbiniano e vingar seu pai?
Usando sua engenhosa cabeça, o elfo conseguiu dar uma enrolada nos outros soldados do exército inimigo, dizendo que estava indo acordar outras tropas para ajudar na batalha. Ao chegar no acampamento, se deparou com seus companheiros destruindo-o e matando os soldados na surdina. Chegaram a Leonard e o renderam, pedindo informação sobre o amigo desaparecido. Leonard, então, pediu calma e tirou o elmo trubbiniano da cabeça. Explicou a situação e como poderiam chegar até o castelo do imperador inimigo. Era uma passagem subterrânea primitiva, tinha 1,80 metro de altura e se estendia por mais de 10 quilômetros. Ao chegarem no alçapão do castelo, eles ouviram vozes, e pisadas fortes, e descobriram que, na verdade, seu pai não estava morto, mas sim preso na mais alta cela da mais alta torre do castelo. Leonard encarava a situação tranquilamente, pois tinha a capacidade de se tornar invisível, mas seus companheiros de equipe não estavam tão calmos quanto soldados treinados deveriam estar.
Montaram um plano, e elegeram como líder da equipe, o mais esperto entre eles, que, obviamente, era Leonard. Ficaram esperando por mais um tempo, parados, quando ouviram o imperador comentar algo sobre “conversar a sós com o prisioneiro”, pensaram todos na mesma hora: “nos aproveitamos que estarão sozinhos e então o atacamos por trás e acabamos com essa história”.
Saíram do alçapão, não havia se quer um movimento por perto, então, começaram a andar separadamente em pequenos grupos para encontrar Zern, pai de Leonard. Combinaram um chamado, um assovio estranho que nunca tinham ouvido antes na vida, mas o rapaz já, todos os dias na verdade, pois havia tal animal em sua casa. Usaram o barulho que Áscon fazia para informar os companheiros que encontraram o que estavam procurando.
Muito tempo depois, cansados de tanto procurar, acharam, finalmente encontraram Zern, mas com uma companhia não muito legal, Arizoff estava em sua cela, mal cabia la dentro, ou de tão pequena que era a cela ou de tão grande que era o trubbien. A pior notícia não era a presença de Arizoff, mas sim que eles não estavam sozinhos, 2 soldados guardavam a cela, mais 4 nas principais entradas dos corredores e outros 2 fazendo rondas para prevenirem invasões. Leonard, que guardara o segredo de que podia ficar invisível, finalmente agiu, explicou aos companheiros de equipe sobre sua invisibilidade, mas não como a adquiriu. Usou seu poder, estava agora imperceptível a olho nu, apenas esperando um soldado vacilar para chamar a atenção dos outros e acabar com essa raça nojenta que prendera seu pai.
Conseguiu, derrotou os 8 guerreiros inimigos e, finalmente, podia ter sua vingança, mas usou a cabeça e raciocinou: “para que matá-lo, sendo que ele não matou meu pai? Não faz sentido algum tirar a vida deste ser horrendo, seria um presente para ele. Melhor seria se eu o capturasse e levasse à prisão das prisões, Luvar, a maior e melhor prisão élfica que existe, lá ele terá o que merece”. Então, sem chamar sua equipe, lá foi Leonard, invisível atrás do grande, literalmente, imperador trubbiniano. O elfo chegou à cela de seu pai e enfrentou um dos mais assustadores seres que já vira em toda sua vida.
Uma luta que ninguém nunca tinha visto antes, como se fosse um mestre contra um aprendiz, mas ambos tinham vantagens. Ao ficar invisível, Leonard escapava da manipulação mental de Arizoff, pois este não o via. Por ser grande, era mais fácil de ser atacado pelo elfo, mas era tão forte que as tentativas do jovem de machucá-lo mal faziam efeito. Se, por algum descuido, o garoto sofresse um golpe do imperador trubbiniano podia ter certeza que seria o fim de sua vida. Durante esta batalha, muito frenética por sinal, não é possível ver quem estava ganhando. Era possível ver pedras e rajadas de vento saindo das mãos do elfo e golpes vindos da gigantesca espada de Arizoff rasgando o ar e quebrando rochas com tanta facilidade que poderia se comparar com um cortar de papel. Após 10 minutos de intensa luta e ameaças algo aconteceu, o jovem elfo foi pego pelo líder trubbiniano pelo pescoço, poderia tê-lo matado naquele instante, mas com um gesto de honra não o matou na frente do pai, mas o mandou para uma cela, não era uma cela comum, nem se quer em um lugar comum, era uma cela especial, 3 portas do mais duro material conhecido naquele mundo (5 vezes mais duros que o diamante) com cadeados do tamanho do próprio prisioneiro, tornavam o lugar uma jaula impenetrável para quem não tinha a posse das chaves.
Sem saber do que estava acontecendo, Kirling e Katerine se separarão dos companheiros de equipe e fora procurar o amigo. Encontraram a cela de Zern, mas não havia nem vestígios de Arizoff ou de Leonard. Entraram e perguntaram ao pai do jovem elfo o que havia acontecido, ele, cabisbaixo, respondeu com um tom sério e com um toque de tristeza falou o que tinha acontecido e explicou que o trubben havia levado seu filho para outro castelo do outro lado do mundo para a mais protegida cela que fora construída naquele mundo.
Cerca de 10 horas após o acontecido, Leonard levanta na cela sem entender o que havia acontecido, com uma dor enorme no pescoço, nas constas e um calombo na cabeça. Ficou sentado, sem conseguir pensar em nada, quando ouviu vozes muito baixas vindas de trás, se levantou e foi em direção ao barulho. Gritou perguntando o que estava acontecendo e onde se encontrava, mas não obteve resposta de imediato, gritou novamente o mais alto de pôde e ouviu um barulho de portas se abrindo e engrenagens girando, se afastou alguns passos para trás e então Arizoff entrou em sua cela com um aspecto de vitória.
– Ora, ora, ora. Um elfo, filho de Zern, tentou enfrentar o maior dos maiores líderes trubbiniano!? Bem ousado garoto. Pena que o que aconteceu não foi nenhuma surpresa para mim.
– Onde estou? O que está acontecendo? E o que fez com meu pai?
– Bem, você está em um castelo nas províncias do sul, na mais bem construída e protegida cela trubbiniana.
Houve um silêncio após a resposta, quando este foi quebrado pelo elfo:
– Acho que te fiz outras pergunta! – disse o elfo com rispidez – O que você fez com meu pai?
– Como ousa falar assim comigo, moleque?
– Responda minha pergunta que eu respondo a sua.
– Seu pai está no meu castelo, preso também, foi sentenciado à morte, mas ainda não executamos ele. Quer ver seu papai morrer?
– E você quer alguns óculos 3D para ver sua morte com efeitos?
Então Arizoff fez um movimento de ataque com sua poderosa espada, mas foi interrompido por um guarda, que cochichou algo em seu ouvido que o fez bufar e gritar e raiva, virou as costas e saiu da cela, antes de fechá-la olhou para o garoto com um olhar misterioso, que não fez sentido para ele.
Preocupado com seu pai, Leonard estava desesperado para encontrar um jeito de escapar daquele lugar, quando percebeu uma rachadura na parede. Aquela cela fora construída em cima de uma entrada de uma antiga passagem secreta que dava para uma floresta, para fora do castelo, mas o elfo não estava se importando aonde a passar daria, só queria dar o fora do lugar e salvar seu pai da morte.
Passou horas e horas cavando para tirar a terra que tampava a entrada da passagem, mas finalmente conseguiu abrir um buraco e passou por ele, escapando da melhor prisão trubbiniana, pensou ele com um tom sarcástico.
A passagem era ainda pior da que havia usado anteriormente. Para poder passar teria que andar ajoelhado, pois tinha apenas 1,50 metro de altura. Andou o que parecia dias sem parar, com o mesmo pensamento em sua cabeça: “não podem matar meu pai”, “vou matar todos antes que matem meu pai”, e então chegou a uma escada, não estava enxergando direito, pois não havia iluminação, mas elfos têm uma visão aprimorada, que os permite enxergar no escuro, não detalhadamente, mas conseguia ver a silhueta de objetos a sua frente. Subiu as escadas, eram no total 56 degraus, sem mudar se quer de direção, quando de repente bateu a cabeça num no teto, demorou um pouco para perceber que era um alçapão, pois não avisa maçaneta, mas, depois de horas dentro do túnel estreito da passagem, ele finalmente conseguiu sair do castelo. Estava de dia, os sóis brilhando no céu, um dia muito bonito, se não fosse a preocupação do garoto.
Sem saber que rumo tomar para encontrar o castelo onde estava aprisionado seu pai, saiu andando sem rumo, por sorte, na direção correta. Estava, agora, no topo de uma colina que lhe permitia enxergar o castelo no qual estava preso. E continuou andando, mal ele sabia que estava muito longe de onde estava seu pai, quase do outro lado do mundo.
Andava, corria, prestando atenção em tudo que acontecia em sua volta, mas estava tudo tão calmo que, para um soldado experiente, chegava a ser algo estranho. Leonard não comia faz 2 dias, com esperanças de encontrar um vilarejo e um ser de boa alma e coração para lhe dar um pouco de comida e água. Cerca de alguns metros de distância dele havia algo grande, parecia uma torre, esperançoso, saiu correndo e foi em direção à possível torre. Chegando mais perto viu que não era uma torre, nem de perto era uma construção artificial, era uma árvore gigantesca, era chamada de Fructisc. Pelo nome já é possível perceber que produzia frutos, mas não eram frutos de apenas uma espécie como as árvores que vemos por aí, esta originava mais de cem tipos diferentes de frutas, a maioria Leonard conhecia, mas outras nunca tinha ouvido falar. Comeu, bebeu os sucos dos alimentos da árvore e prosseguiu em sua jornada.
A noite se aproximava, parecia que o dia tinha passado em minutos. Estava em dúvida em escolher, ou se continuava a andar, para não perder tempo, ou se buscava um abrigo para ficar durante a noite para restaurar as energias. De repente escutou o quebrar de um graveto, olhou para o lado e viu um vulto grande e assustador, com medo do animal, ou do que aquela coisa seja, pegou uma pedra para se prevenir, estava assustado, olhando para todos os lados para tentar ver o que era, aflito, ouviu novamente o barulho, desta vez tinha certeza de onde vinha, se virou, pois o barulho havia vindo de suas costas, olhou bem e se surpreendeu, era uma criatura enorme, com 2 metros de comprimento e cerca de 1,5 de altura, tinha asas, 4 metros de envergadura e uma longa calda, pelugem dourada avermelhada e brilhante, no início não reconheceu o que era, ou melhor, quem era, mas percebeu que era um zentere, seu zentere, Áscon, que, depois de anos longe de casa, havia crescido muito. Leonard se surpreendeu, abraçou o animal, mas ainda estava com uma dúvida, ia perguntar ao animal, mas exitou, pois sabia que não seria respondido. Áscon fez um sinal ao elfo para subir em suas costas, o rapaz subiu e voou, nunca imaginara que um dia ele voaria em cima de seu animalzinho de estimação, que antes cabia numa gaiola e que agora nem em sua casa conseguia entrar.
Voaram durante toda a noite, disse ao animal onde queria ir e partiram em uma viagem muitíssimo longa, mas, como Áscon viajou muito para encontrar seu dono e este não comia havia, agora, 4 dias, decidiram encontrar frutos para se alimentarem. O zentere sobrevoou uma floresta, não muito densa, e analisou as árvores para ver se encontrava uma que produzia frutos. Finalmente acharam, eram duas árvores, não muito grandes, do tamanho de um elfo normal, produziam um alimento grande, amarelo-esverdeado, não tinham sementes, mas seu gosto era divino, não sabiam seu nome, mas apanharam vários para se alimentarem de noite.
A ave voava a uma velocidade impressionante, Leonard mal via as coisas a sua volta, não podia ficar de olhos abertos por causa do vento e de pequenos insetos que poderiam machucá-lo. Exaustos após viajarem quilômetros e quilômetros desde seu ponto de encontro, pararam numa clareira e lá montaram uma fogueira e passaram o resto do dia lá. A noite chegou, o elfo deitado debaixo das asas do zentere, estava pensativo, e se seu pai estivesse morto naquele momento? E se o exército de Kartan tivesse perdido a guerra? E se seus melhores amigos, Kirling e Katerine, tivessem sido capturados ou coisa assim? Mas, algo o distraiu, ouvia passos perto deles, se levantou, apagou a fogueira e se escondeu junto com Áscon, mesmo gigante, o animal conseguiu entrar entre um amontado de árvores que havia perto da clareira onde estavam. Leonard, atento a cada movimento, viu que era 2 guardas trubbenianos, tentou ouvir o que estavam falando, não entendeu muito bem o que diziam, mas escutou 3 palavras chaves: Leonard, seu nome, fugitivo e encontrar. Tremendo, olhou para o enorme animal e este devolveu o olhar ao dono, ambos pularam do meio das árvores e atacaram os dois solados inimigos. Os desmaiaram, tiraram suas roupas para se protegerem do frio e/ou usarem como lenha para uma futura fogueira, quebrou o meio de comunicação deles, que era uma espécie de pulseira, um tipo de binóculo, bastante básico, e saíram de lá o mais rápido possível.
Leonard analisava a situação, se tinham dois trubbens por lá, sua base estaria por perto, e sim, ele estava certo, montou em Áscon, que alçou voo poucos metros acima do solo, pegou o binóculo que havia furtado dos guardas e olhou, com um pouco de dificuldade pela falta de luz. Viu uma fortaleza enorme a cerca de 10 quilômetros de onde estavam, continuou olhando, viu o rio, no qual venceram a batalha, uma enorme de fila de solados estavam rodeando o castelo, provavelmente a procura do elfo fugitivo. Traçou um plano inteligente, contou ao zentere o que fariam e o animal fez um sinal positivo com a cabeça.
Antes do dia clarear estavam de pé, organizando e retomando o plano para não ocorrer erros. Então foram pelo lateral em direção ao castelo.
– Áscon, vou ficar invisível agora e me infiltrar dentre eles, e você faz sua parte do plano, okay?
O zentere concordou com um movimento rápido de asas, e um segundo depois não era mais possível ver o elfo. O plano era bem simples, mas difícil de ser executado, enquanto o animal distraia os soldados, Leonard entrava no castelo, invisível, e procurava por seu pai.
Passaram-se alguns minutos e lá foi o animal, não sabia muito bem como chamaria a atenção dos guardas, mas, rapidamente, traçou um plano: destruiria as paredes das torres do castelo, seguindo o plano do elfo a risca.
Mas algo que eles não esperavam aconteceu, armados, os soldados atacaram o zentere, Leonard viu o que aconteceu da janela da escadaria da mais alta torre, onde se encontrava Zern. Gritou e começou a chorar, o animalzinho que fora seu por toda a vida estava agora morto no gramado ao redor do castelo, lançou um último olhar ao elfo e, incrivelmente, piscou um olho para seu dono e então fechou-os. O elfo, com uma fúria e ódio, mas, ao mesmo tempo, abalado, continuou sua missão. Encontrou 3 guardas na entrada principal do corredor, matou os sem dó nem piedade, e então avistou seu pai, que, novamente estava na companhia de Arizoff. Sem medo agora, o elfo chegou atrás da gigantesca criatura trubbiniana e o cutucou.
– Ha ha ha, olha quem está aqui, veio se despedir do seu pai? Hoje ele será executado e, pelo visto, você também.
– Na verdade não. É melhor você começar a rezar que apenas um morrerá aqui hoje, além de… Se prepare.
– Vamos ver se realmente aprendeu a lut…
Leonard nem o deixou terminar de falar, lançou pedras enormes em cima do imperador, que mais parecia um monstro do que um trubben, se bem que os trubbens são monstros. Devolveu o golpe com um soco forte, mas o elfo desviou, então aí veio o que Arizoff não esperava, o garoto começou a flutuar, seus olhos se tornaram prateados e, a sua volta, surgiram ventos que poderia carregar toneladas, e então lançou-os contra a criatura que estava lutando contra. O trubben voou metros, quebrando paredes da torre e desestabilizando-a e caiu desmaiado no chão. O elfo andou, lentamente, em direção a Arizoff, este abriu os olhos com dificuldade. Leonard o olhou profundamente e disse as seguintes palavras:
– Hora de seu fim… monstrengo.
Ia matá-lo, quando, de repente, seu pai gritou:
– PARE! Meu filho, não é isso que você quer, ele nã…
– Você não sabe o que eu quero – disse ele com frieza.
– Tem razão, não sei o que você quer, mas o elfo que criei toda minha vida não mataria nem seu pior inimigo.
– Ele quase te matou pai, ele quase me matou, ELES MATARAM ÁSCON!
– Mas não estou morto e nem você. Sinto muito pelo seu animalzinho filho, mas não é assim que as coisas funcionam. Você decide se quer ser o herói ou o vilão da história.
Os olhos de Leonard voltaram a ser azuis como sempre foram, mas deferiu um soco, com toda a sua força, na cabeça de Arizoff, que desmaiou.
Resgatou seu pai, missão concluída. Estavam na porta do castelo, quando lembraram que ainda estavam em guerra. Eram os dois contra centenas de soldados trubbinianos, se olharam e disseram junto um para o outro:
– É hora do show!
Leonard se transformou novamente, criou rajadas de ventos como antes e as lançou contra muitos guardas inimigos, derrubando-os no chão. Zern, lutava como nunca tinha lutado antes, deferia socos e lançava todos os tipos de elementos naturais que estavam a sua disposição, aniquilando os soldados trubbinianos e assim acabando com esta guerra, que perpetuava entre esses dois povos durante séculos.
Leonard foi correndo em direção a Áscon, estava chorando e abraçou o pescoço do animal, quando, inesperadamente, o corpo do zentere se desintegrou, virando nada mais nada menos que cinzas. O rapaz sem entender nada, olhou para o pai, que sorria:
– Pai, o que está acontecendo? Por que está sorrindo?
– Filho, parabéns, você tem o animal mais inteligente que já vi em toda a minha vida. Mesmo muitos nunca tendo ouvido falar em zenteres eu sei o que eles são. Zenteres são seres divinos, eles nunca morrem filho, sempre renascem de suas cinzas. E antes de te encontrar, ele veio até mim, me encontrou aqui e eu me comuniquei, me assustei quando o vi, se tornou uma ave belíssima e crescei bastante.
– Mas, como ele soube que…
Antes de terminar de falar, o elfo viu o pequeno animal que encontrara dentro de um ovo cerca de trinta anos atrás, lembranças felizes vieram a sua cabeça, pegou o filhotinho de zentere e o abraçou. Áscon deu um pio, baixo e desafinado. Leonard começou a chorar, mas dessa vez de alegria.
– Por isso ele sabia onde me encontrar. Você o contou tudo.
– Exato filho.
– Mas pai, uma boa pergunta por sinal, como voltaremos para casa?
– É filho… esta é realmente uma bela pergunta.
Os dois deram rizadas e foram andando para casa.
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Atualizado em: Qua 2 Ago 2017
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