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#1 Cidade Fantasma

TAYLOR CARTER P.O.V 

Minha cabeça latejava.

Nunca mais iria beber.

É o que eu sempre falava, e realmente nunca aconteceu.

O sol brilhava lá fora, já eram quase nove da manhã e eu ainda não havia levantado. Até tentei, mas meu corpo implorava para não ser mexido. Porém, era preciso. Tinha trabalho.

Um banho não foi o que realmente ajudou, após algumas pilulas consegui ficar de olhos abertos sem sentir minha cabeça latejar. Minhas roupas da noite passada ainda estavam jogadas no chão do banheiro. Chutei o salto enquanto me arrastava até o armário e pegando a blusa branca, como era novata ainda precisava esperar meu uniforme chegar. Este povo demora demais.

Uma maça foi o suficiente para não vomitar durante o caminho. Mas havia algo de errado. Naquela hora todos os dias as ruas eram lotadas de carros, motos e pessoas ignorantes que não sabiam respeitar as leis de trânsito. Mas agora, estava completamente vazia.

Meu celular estava no porta luvas, havia deixado ali antes de entrar na boate na noite passada e desde então não o mexi. Haviam algumas ligações da emissora, eu estava completamente ferrada. Seria demitida, com toda certeza.

Estacionei meu carro em frente a emissora como todos os dias. Quando chegava nunca sobrava vaga por isto, acabava deixando o carro do lado de fora, por sorte nunca tinha sido assaltada, ainda.

Ao passar pelas enormes porta de vidro não encontrei ninguém pela recepção, muito menos nos grandes corredores, percorri todo o prédio e não havia nenhuma alma. O sinal lá dentro não funcionava, a internet muito menos, e todos os televisores não ligavam. Algo de estranho estava acontecendo.

Deixei o prédio e fui atrás de alguém, mas a única coisa que encontrava eram animais perdidos nas vazias estradas. O que diabos aconteceu?

Naquele momento havia dado uma pausa, estava em um supermercado, ele aparentava ter sido arrombado, haviam muitas coisas jogados no chão. Peguei alguns salgadinhos e água. Deitei o banco do carro e liguei o ar no máximo. Estava morta de fome e calor.

Remexi algumas vezes no radio do carro até conseguir algo.

" Sydney está servindo como refugio" Com certeza algo aconteceu, pensei.

Apenas uma rádio funcionava porém estava cortando e apenas ouvia coisas que não conseguia entender direito, era sobre Sydney, o tal refúgio e a população do continente.

_ Isso que dá ficar de ressaca.- disse para mim mesma._ Não posso mais beber, definitivamente.

Estava entretida com meu salgadinho até me lembrar de algo. Toda capital continha um transmissor via satélite. Com certeza deve funcionar. A sede estava vazia como já esperado. Alguns papeis estavam jogados no chão e estava na mesma situação do super mercado, foi tudo tão rápido que provavelmente não deu tempo de ninguém pegar absolutamente nada.

_ Cadê você.- revirava a gaveta da sala principal do prédio._ cadê você......hmn, um cofre.

Colei meu ouvido na porta do cofre e então usei minha mágica. Senha estupida, pensei. A-P-1729.

( Austrália- Perth - 1729 ano de fundamento.)

Lá estava, um celular via satélite. Nele continha apenas um numero.

_ Alo?- disse ao ligar._ Tem alguém ai?

_ Quem está falando?- uma voz grossa me fez dar um pulo, não esperava por isto._ Como conseguiu este telefone?

_ Sou Megan , foi a única coisa que achei que fosse funcionar e veja só, funcionou. Agora pode me dizer, o que está acontecendo?

_ Megan , onde você está?-perguntou novamente o homem, ele estava de sacanagem comigo?

_ Perth, agora pode me explicar o que diabos está acontecendo? Cadê todo mundo?

_ Um vírus contaminou a maior parte do continente Oceanico.- ele explicou, agora sim._ O que você está fazendo em Perth? Está área foi evacuada a dois dias.

_ Dois dias?- disse assustada._ Que dia é hoje?

_ Onze de Abril.- Droga, pensei. Havia dormido por quase dois dias._ Você pode me dizer qual é a sua situação? Você foi infectada?

_ Acabei de acordar, não sabia o que estava acontecendo. Pelo que percebi, ainda estou bem.

_ O que aconteceu com você?- uma voz feminina adentrou pelos meus ouvidos.

_ Quem são vocês?-perguntei estranhando.

_ Sou a agente 059, serviço secreto dos Estados Unidos da América.

_ Estados Unidos?

_ O governo Australiano juntou forças com os Estados Unidos e outros países para tentar descobrir uma cura e tentar conter o surto. Agora que já disse quem somos, diga você quem você é.

_ Deixa eu adivinhar, investigou meu nome?- Ri._ Vocês não perdem o costume.

_ Então?

_ Taylor Carter, você provavelmente já deve ter ouvido meu nome.

_ Com certeza, só não imaginava que seria você quem iria tentar o primeiro contato.

_ Sempre sou a primeira.- me gabei. _ Agora pode me dizer para onde devo ir para não me infectar?

_ Infelizmente não.

_ Como assim não?-perguntei irritada._ Vocês simplesmente vão me deixar aqui para morrer?

_ Precisamos de sua ajuda.

Ótimo, três anos longe das agências e já estão pedindo minha ajuda novamente. Odiava todo esse povo.

_ Já imaginava.- bufei entrando em meu carro e então fechando todos os vidros ligando o ar novamente._ Para que precisam de mais uma pessoa?

_ Na realidade, apenas temos um agente nosso nesta região, não podemos arriscar mais uma pessoa.

_ E querem me usar já que estou aqui, certo?

_ Sim, então, irá nos ajudar?- Taylor, não fala isso!

_ Do que precisam? - DROGA.

_ Encontre nosso agente e ele explicará udo.

_ Onde ele está? - Perguntei bufando.

_ Alice Springs.

_ Ótimo, quase dois dias de viagem.

_ Nos estamos contando com vocês, são nossas únicas esperanças.

A ligação foi finalizada.

Ótimo Taylor, primeiro você flagra seu namorado transando com sua melhor amiga, depois você se embebeda, acorda dois dias depois com uma puta de uma ressaca e descobre que todo o continente onde você vive foi devastado por uma merda de um vírus, agora toda a raça da humanidade está contando com você para fazer sei lá o que com sei lá quem. Tem como piorar? E eu devo calar a boca, antes que realmente piore.

Antes de começar minha incrível viagem de quase dois dias enchi o tanque, não paguei, para que pagar? Todos se mandaram mesmo. Peguei algumas coisas na conveniência do posto e joguei tudo no banco de trás do meu maravilhoso Mazda3 Hatchback branco. E então, finalmente peguei a estrada e a melhor parte, podia correr o quanto eu quisesse, ninguém me repreenderia ou me impediria de fazer o que eu quiser, até por que, de acordo com os americanos, sou a única esperança.


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Atualizado em: Sáb 20 Fev 2016

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