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Contos da Idade Media Cap. I

 O sol nasce sorridente sobre as colinas despertando as árvores e flores da floresta magia. Segundo as lendas da cidade outrora a floresta foi lar de ser belos e mágicos que protegiam a cidade dos monstros que habitavam nas montanhas tenebrosas. A sua aparência era mórbida e tinham uma insaciável sede por sangue humano. Ate que o povo mágico da floresta sacrificou as suas vidas para derrotarem os monstros, levando a extinção dos dois povos numa das mais sangrentas batalhas da história. Até aos dias de hoje que as pessoas evitam visitar as montanhas tenebrosas e todos os anos fazem uma grande festa em honra dos seres da floresta.

 Os raios de sol prolongam-se pela floresta, e os mais sortudos podem ver um o mais belo espectáculo que a natureza tem para oferecer, o despertar de todos os seres vivos que ali vivem. Durante a noite todas as flores se fecham, todas as árvores adormecem e todos os animais procuram abrigo e só quando o sol volta a bater em suas portas é que acordam. Criando um verdadeiro momento mágico e deslumbrante.

 Nos princípios da floresta, encontram-se as últimas casas da vila, outrora uma mas áreas mais povoadas de toda a vila agora abriga apenas um dos seus habitantes, o Sr. Forest Beard o último da linhagem de guardiões da floresta. Assumiu o cargo a mais de quarenta anos quando os seus pais morreram e agora com os seus setenta anos em o guarda com todas as suas forças. O presidente já tentou o substituir, mas ele recusa deixar o lugar ser ocupado por alguém fora da sua família, para ele as lendas sobre a vila são verdadeiras enquanto para o presidente são apenas um boa forma de ganhar turista.

 Os tentáculos solares continuam avançar sobre a cidade expulsando a escuridão que lá habitou durante a noite. A vila ocupa uma grande área de terreno, grande o suficiente para ser reconhecida como cidade, mas os seus habitantes sempre se opuseram, sempre foi uma vila e sempre será dizem eles. As casas sãos todas feitas em pedra com telhados cobertos de jardins, outras são feitas de madeira com os telhados escondidos por uma espécie de palha, mas as mais vistosas são aquelas que foram esculpidas dentro de grandes rochas. Apesar da sua aparência medieval elas oferecem todos os confortos que as pessoas podem desejar, uma boa lareira, canalização, até mesmo electricidade.

Depois de alcançarem toda a cidade os tentáculos do sol param na fronteira das montanhas tenebrosas, elas permanecem banhadas pelas trevas. Apenas um dia no ano que o sol as ilumina, a lenda diz que esse foi o dia da grande batalha. Foi assim que os seres mágicos derrotaram os monstros. Quando o sol os alcançou se transformaram em cinzas, mas para isso o povo mágico teve que oferecer todos os seus poderes ao sol. Esse magnífico evento vai ter lugar dentro de uma semana, são esperados milhares de turistas vindos de todos os cantos do mundo.

Agora que Guardian se encontra sobre a protecção do sol as pessoas começam a acordar. A primeira família de casa são os Espantalhos. Os espantalhos são os guardiões da terra, dai o seu nome. Segundo as lendas eles ficavam noite e dia a vigiar as terras cultivadas para garantir que nenhum mal se abatesse sobre elas. Tem um grande orgulho em seu nome, mas agora são principalmente agricultores e deixam os seus campos na guarda de verdadeiros espantalhos, estes de farrapos e paus.

A seguir acordam os Sacos Fundos, para eles tempo é dinheiro e dinheiro é vida. Já foram donos de quase todos os terrenos da vila, mas agora dedicam-se a negócios mais modernos e lucrativos. Apesar de serem uma das famílias mais ricas do país não tem intenções de abandonar a vila.

Os últimos acordarem são os Potes Furados, fazem maravilhas na cozinha, mas são não são grandes amantes do trabalho, apesar disso as suas refeições são sempre pontuais como o relógio da Torre Branca.

Do outro lado da vila moram Cara-de-Pau, família de pescares, os únicos da vila. Todo peixe passa pelas mãos deles. Também são ótimos nadadores, mas evitam ao máximo o contacto com a água, acreditam que ela abriga uma terrível serpente que devora pessoas. Os mais idosos juram a ter visto, mas para os outros é apenas mais uma legenda entre tantas outras que a vila possui.

Não esquecendo os Lobos, família de pastores que vive isolada da vila com os seus rebanhos. Também eles são alvos de lendas. Segundo esta o sétimo filho deveria ser morto a nascença pois sobre a lua cheia se transformaria numa terrível criatura. Facto esse que não os impediu ter terem dez filhos e todos eles se encontram vivos apesar de certas pessoas aconselharem o contrário.

O dia na vila começa com as oito badaladas do relógio da torre branca. Apesar do seu nome, a sua cor dominante é Dourado. Fica situada no centro geográfico da vila, eleva-se para o céu certa de cinquenta metros. Possui mais de dez andardes sendo o restante escadas em forma de caracol que sobem até ao relógio que se encontra no topo. A sua estrutura é redonda e em madeira. Foi esculpida dentro de uma árvore ancestral agora extinta. Árvores douradas capazes de crescer mais do que as outras mas o que a torna tão especial é o seu diâmetro de quarenta metros quadrados. Factor crucial para a construção da torre. Por fora foi trabalhada em prata com ilustrações que contam as várias lendas da vila. Apesar de ninguém saber ao certo quanto anos a torre têm, é tão antiga quanto as suas lendas. Mas sabe-se que o belo relógio com rubis e safiras foi oferecido por um Rei dos anões que certo dia passou pela vila e ficou mais do que agradecido pela sua hospitalidade. Apesar de toda a beleza já mencionada existe algo ainda mais belo na torre, é a sua copa de ramos, que florescem todas as primaveras e dão frutos todos os Verões. A árvore continua vida depois daquele tempo todo.

 No primeiro andar encontra-se escritório do presidente, no segundo e terceiro o banco da cidade, propriedade dos Sacos Fundos e os restantes andarem servem de estalagem propriedade dos Diurnos para os turistas e visitantes que passam pela cidade.

O presidente prepara os últimos arranjos para as festividades que se aproximam, os Espantalhos já se encontram nos campos, até os Potes Furados se encontram a trabalhar no pequeno-almoço, que será servido as dez horas em ponto. Todo corre como um dia normal em Guardian.

No fim da vila e princípio da floresta Magia encontra-se Forest Beard a se preparar para a sua caminhada matinal. A sua aparência é um quanto desleixada. O seu cabelo é comprido e grisado, cai sobre as suas costas sem pentear o mesmo acontece com a sua longa barba que esconde todo o seu rosto deixando apenas visível os seus olhos cheio de vida, verdes como a floresta que se encontra diante de si. As suas roupas são um tanto incomuns, um longo manto cinzento acompanhado de um chapéu enorme da mesma cor fazendo lembrar um mago, até possui o bastão que no seu caso é um bocado de um ganho de árvore que o ajuda a andar de um lado para o outro.

Começa o seu passeio como sempre conversando com as árvores, sempre curioso por saber as ultimas novidades.

- Bom dia minha jovem companheira quais são as novidades que tem guardadas para mim hoje?

- Sim, Tens razão as noites estão a ficar mais longas, mas não há nada a temer, apenas é o inverno a se aproximar.

- Isso é impossível o mal foi expulso desta terras a milhares de anos, quem te anda a contar estas barbaridades?

- Eu já te avisei que não devias comer tantos cogumelos. Os seres mágicos também já se extinguiram a milhares de anos.

- Pronto, Prontos não é preciso ficares zangada. Conta-me mais sobre esses seres mágicos que viste.

- Tem a certeza que eram mesmo como me estas a dizer? Não quero-te insultar, mas a tua visão está pior do que a minha.

- Claro que acredito em ti. Mas mais ninguém vai acreditar em nos!

- Podias ter dito mais cedo isso. Diz-me lá para que lado eles foram.

- Eu vou ver se os encontro, enquanto isso tu fica aqui e larga esse cogumelo, já te disse para parares de os comer.

Forest Beard continuo-a a sua viagem em seguindo as direcções que a árvore lhe deu. Apesar de ter a certeza que eles não passavam de uma ilusão provocada por excesso de cogumelos. Ele já conhece a árvore, sabe que se não lhe ter a razão vai ficar zangada com ele durante anos e ele já estava a caminhar, só tem que fazer um pequeno desvio. Quanto mais anda, mais densa a floresta se torna, como se quisesse impedir a sua passagem. Até que alguns metros mais a frente se repara com um rio o impede de o continuar a sua viagem.

- Este rio não pertence aqui. Ordeno que me deixes passar.

Mas as suas ordens são negadas o rio não se move.

- Eu sou o guardião da Floresta Magica último da minha linhagem, eu te ordeno que te voltes para o teu lugar.

Nada acontece, então ele assobia e algo começa a fazer bolhas dentro de agua, em poucos segundos surge o que parece ser uma serpente com cerca de vinte metros.

- Quem te deu ordem para passares por aqui? Ordeno que me deixes passar.

- Desculpa meu querido amigo, mas não o posso fazer.

- Não podes ou não queres?

- Não posso, os seres mágicos foram bem claros nas suas ordens. Não posso deixar passar ninguém, nem mesmo o guardião da floresta.

- Também andas-te a comer cogumelos? Que conversa é essa dos seres Mágicos, eles estão extintos!

- Desculpa meu amigo, mas não te posso deixar passar.

Forest Beard não tem outra solução se não voltar para trás contar as novidades a sua amiga árvore.

- Eu acredito que algo de muito estranho se passa aqui. Mas se eles são mesmo os seres mágicos há uma grande possibilidade que os monstros voltaram também com eles. E se assim for vou ter que avisar o povo da vila. É possível que fique durante alguns dias sem te visitar, e por favor se voltares a ver os seres mágicos diz-lhe que o guardião da floresta anda a sua procura.

Enquanto isso na vila os Potes Furados começam a servir o pequeno-almoço para toda a vila. Num pequeno-almoço completo não pode faltar sumo dourado espremido dos frutos da torre branca, ovos fritos, chouriço assado, bolo de mel com cobertura de cacau, biscoitos de cereais. O tema de conversa é o casamento da filha mais nova dos Saco Fundos com o filho dos Cara-de-Pau.

Emília filha dos Saco Fundos era a mulher mais desejada de toda a vila, para além de pertencer a família mais rica era a mais bela de todas. Os seus olhos azuis eram como dois pequenos Oceanos onde uma pessoa se perdia só de olhar para eles, os seus lábios vermelhos como as cerejas doces, são a maior fonte de desejo que se pode encontrar em toda a terra e o seu rosto limpo como as montanhas no inverno com um pequeno toque de encarnado fazendo o seu sorriso mais belo que a própria torre branca. Os seus cabelos longos e trançados da cor de ouro descem pelas suas costas cobertas pelos seus belos vestidos que contornam em perfeição as curvas do seu corpo, terminando com um decote não simples, mas encantado. Todos os seus vestidos são tricotados em seda azul ou verde, as suas duas cores preferidas.

Do outro lado temos Sam filho do meio dos Cara-de-Pau. Sam não possui uma grande beleza, o seu rosto não se destaca no meio de uma multidão, os seus olhos são verdes escuros como do das águas do rio, o seu cabelo é curto e castanho e as suas roupas são as típicas de qualquer outro pescador. Umas botas altas já gastadas, umas calças cheias de buracos e uma simples camisola. Apesar disso o seu coração é puro e cheio de boas intenções, e para Emília isso é o suficiente.

- Como tamanha perfeição se pode casar com um Cara-de-Pau!

- E sejamos sinceros, ele nem sequer é o melhor da família.

- Nunca confiei neles, passam demasiado tempo naqueles barcos, aposto que visitarão o povo para lá do rio e vendaram as suas almas em troca deste casamento.

- Não sejas ridículo sabes bem que é proibido visitar o povo para lá do rio. E se querem saber essa conversa toda é inveja. Pois todos aqui presentes homens e mulheres desejam Emília e agora não a podem ter.

Diz uma voz que se esconde entre as sombras.

- E quem és tu para falar assim? Se és tão valente sai das sombras e mostra-te.

- Se for o mesmo para ti prefiro não o fazer.

- Bem me parecia que não. Volta mas é para o teu canto que esta conversa não é contigo.

A conversa é interrompida pelo anúncio do relógio, dez e meia hora de voltar aos seus trabalhos.

Mais tarde na casa dos Cara-de- Pau, o jovem Sam encontra-se sentado na lareira acompanhado pelo seu melhor amigo Zor que pertence a família mais antiga da vila, os Encanteirais. Cada ancestral tem um dom diferente, o de Zor é espírito de guerreiro. Durante o tempo de guerra existiam muitos espíritos guerreiros que como o nome indica eram excelentes em batalha, tendo como arma de predilecta o arco. O mais curioso sobre eles é que as lendas contam que eles só nascem em tempo de guerra e pouco duram depois de a guerra ter acabado com excepção do jovem Zor. Fisicamente é elegante com longos cabelos pretos como a noite, olhos da mesma cor e um rosto de provocar inveja a mais bela estrela. É mais ágil do que os outros e mais rápido. Mas sente-se perdido no mundo, não sabe onde pertence por isso passa a maior parte do tempo perto do rio ajudando os Cara-de-Pau. É um excelente pescador, apesar do seu método de pesca ser um pouco ortodoxo.

- Hoje na taberna dos Potes Furados estavam a falar de ti e do teu casamento com Emília.

- Coisas boas, espero eu.

Respondeu Sam com um sorriso.

- Estavam a dizer que vendes-te a tua alma ao povo para lá do rio para que ela se apaixonasse por ti. Eu tentei-te defender, mas tive que permanecer nas sombras. Se descobrissem que era eu só ia piorar as coisas para o teu lado.

- Eu sei Zor, e agradeço-te por isso. És um bom amigo, isso é uma coisa rara nestes dias. Mas não te preocupes com eles, tem que conversar de alguma coisa. A minha família sempre foi vista como inferior. Mas isso não me importa, eu encontrei amor verdadeiro e amor verdadeiro vence todos os obstáculos.

- Gosto do teu otimismo. Por falar nisso tenho um presente de casamento para ti.

- Serio? O que é?

Zor tira da sua algibeira, um pendente com uma pequena pedra esmeralda.

- Esta é a pedra da Victoria é uma relíquia dos tempos antigos. Pelo que consegui descobrir quem a possuir controla a besta de nove cabeças.

Sam ri-se cheio de curiosidade pergunta.

- Besta de nove cabeças?

- Pelo que os meus avós me contaram era uma terrível besta invocada pelo povo para lá do rio durante a batalha contra os monstros da montanha nebulosa.

A curiosidade aumenta, pois tais contos são desconhecidos para ele.

- Mas o povo para lá do rio é são espécie de nossos inimigos?

- Sim mas nem sempre foi assim, durante muitos anos foram aliados do povo mágico, mas depois de terem vencido a guerra revoltaram-se contra nos, porque nos culpavam pela morte do povo mágico.

- Alguma vez viste o povo para lá do rio?

- Claro que não, sabes bem que é proibido e perigoso.

A noite abata-se agora sobre Guardian e com ela o regressar dos seus habitantes para a taberna onde em breve será servido o jantar. Mas nem todos se encontram livres do seus trabalhos, o presidente ainda se encontra no seu escritório a conversar com Forest Beard que insiste que toda a vila corre perigo.

- Por favor senhor presidente, algo de muito errado se passa na floresta mágica os seus habitantes falam do regresso do Povo Magico, e eles estão de volta o mais provável é que os monstros voltaram também.

- Sr. Forest Beard com todo o devido respeito mas Seres Mágicos e monstros são apenas lendas.

- Consegue então o senhor me explicar por que motivo se encontra entre nos, um Espírito Guerreiro?

- Mais uma vez lendas. O rapaz não é nenhum Espírito Guerreiro, apenas é um bocado esquisito como o resto da sua família. E agora se me da licença eu vou-me retirar e sugiro que você faça o mesmo.        

 - Eu vou, mas quando o senhor vir bater a minha porta já será tarde de mais senhor presidente e acredite que você vira bater a minha porta.

- Todo o que você quiser Sr. Forest Beard, mas agora não que estou atrasado para o jantar. Guarde as suas histórias para a semana, para os turistas.

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Atualizado em: Qua 11 Dez 2013

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  • Olá Princesa,Vou Publicar seu texto no meu blog, se quiser te coloco como autora e você publica sempre,se chama Scandinavo's e de textos medievais e conteúdo medieval em geral. Abraço.

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