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Heranças de Sangue - Capítulo II

As coisas ainda não faziam muito sentido para Ve e Davi. Mesmo com a vida que levavam, o ocorrido daquela manha era uma completa loucura e se não fosse pelo fato que nenhum deles queria correr o risco de desagradar aquele tipo de maluco, não estariam parados na frente daquela mansão escondida no meio do Parque da Cantareira.

Depois que foram deixados sozinhos novamente, os dois percorreram o loft verificando se o lugar estava seguro e reforçando as entradas para não serem pegos de surpresa outra vez. De uma forma ou de outra, aquela não era mais uma casa segura e precisavam sair de lá assim que possível, afinal se aqueles estranhos tinham conseguido encontrar e pegar os dois desprevenidos, alguém pior poderia. Recolheram suas coisas, arrumando as malas com a eficiência e rapidez que só quem não passa mais que dois meses na mesma casa é capaz, enquanto discutiam como seria o tal jogo. Apesar de tudo o tal Lobão parecia realmente não querer nenhum mal a eles, ao menos era o que Ve sentira durante a conversa e ele dificilmente se enganava em suasleituras, mas não iriam completamente desprevenidos para um lugar desconhecido, ainda mais depois que viram que o endereço deixado por ele era no meio de uma reserva florestal.

- Que tipo de louco mora no meio de uma reserva florestal? Ele deve ter uma cabaninha de madeira e palha, estilo os três porquinhos pra ninguém ver a “toca” dele quando sobrevoam a área, neh? – Davi tentava disfarçar parecendo descontraído, mas era nítido seu sentimento de culpa por ter caído no sono sem perceber e deixado ambos naquela situação.

- Não sei, cara... Ele parece bem esquisito, mas se tudo que ele falou é verdade, imagino que ele saiba o que ta fazendo. Alem do mais, ia ser legal apssar um tempinho em contato com a natureza, talvez a gente possa montar uma casa segura no meio de uma reserva também, já que pelo visto nossos esconderijos na cidade tão fáceis de encontrar... – Ve dizia enquanto carregava a traseira da montana com as ultimas malas deles antes de partirem pra outra das casas que usavam como esconderijo e quartel general. – Sera que ele me indica o corretor que conseguiu o terreno lá?

Rindo, os dois entraram no carro ajeitando a guitarra de Davi atrás do banco do motorista e verificaram o porta luvas atrás de algo que pudesse ser útil. Já tinha formulado um plano e ambos concordaram que era melhor Ve ir sozinho para o tal jogo, afinal a conversa toda do Lobão avia sido com ele e Davi não jogava bem, enquanto o amigo ficaria esperando por ele nas redondezas caso algo desse errado. Partiram em direção ao endereço indicado, masmal saíram da garagem e deram de frente com o tal Velho do encontro mais cedo parado em frente a garagem do prédio e bloqueando a passagem do carro.

- Tira a mão dessa arma antes que eu arranque ela do seu braço, punk. – Ele disse calmamente enquanto se aproximava do vidro do carro com a bengala sobre o ombro, adivinhando de alguma maneira que Davi havia acabado de tocar em uma pistola que escondia num compartimento secreto ao lado da embreagem. – Vim aqui pra ajudar vocês.

- Relaxa, cara... O Lobão deixou o endereço e tudo mais certinho pra gente. – Ve se esticou por cima do banco do motorista mostrando o pedaço de papel com as informações sobre o jogo enquanto encobria com o corpo Davi voltando a arma para o esconderijo, perplexo do velho ter adivinhado o exato momento em que ele a havia pego.

O senhor deu um sorriso de canto de boca ignorando o papel e olhando diretamente para Ve, como um pai que acha graça no filho que pensa saber das coisas, o que deixou os dois jovens sem graça e irritados ao mesmo tempo.

- Esse endereço é só do ponto da reserva onde você deve entrar pra chegar mais fácil na toca, guri... Ele pediu pra eu te encontrar nesse lugar e te mostrar a trilha, mas não é isso que quis dizer quando falei que vim ajudar vocês. Por isso to aqui, não lá. – abaixando a bengala apoiado com as duas mãos sobre ela e olhando praticamente sem expressão para os dois, continuou – Imagino que o carro esteja carregado pra se mudarem pra próxima casa assim que o jogo acabar? Ótimo, mas se fosse vocês esqueceria a casa na represa e o apartamento em Cotia, sinto muito, mas ele conhece esses endereços. Você, punk. – Ele disse erguendo a bengala e apontando com ela a centímetros do rosto de Davi tão rápido que mal viram seus movimentos – Quando deixar o garoto no endereço corre pra seja lá onde pretendem ir, descarrega o carro e volta pro mesmo lugar. Tem um pedaço de mata larga o bastante pra entrar com um jipe, te mostro quando chegarmos. Se enfia naquele buraco ate não poder mais, vira o carro e espera lá. – recolhendo a bengala se apoiou sobre a janela aberta do carro e se dirigiu a Ve então – Guri, espero sinceramente que você seja tão bom quanto eu imagino. Arruma direito essa faca no seu coturno e... Essa corrente no seu pescoço é de prata?

Atônitos com tudo aquilo e a presença que aquele velho impunha despejando tanto conhecimento sobre os planos deles e aquelas estranhas ordens, os dois simplesmente continuavam olhando para ele com as bocas entreabertas e sem saber o que fazer ou falar direito. Em câmera lenta Ve levou a mão ate a corrente larga que carregava em seu pescoço e confirmou com a cabeça.

- Sim, por que...

- Bom. – O velho cortou antes que ele completasse a pergunta. Sua expressão ligeiramente satisfeita sem que os dois entendessem o porquê. – Agora vão, eu vou logo atrás e encontro vocês no endereço que o “Lobinho” te passou.

Depois de quase vinte minutos em silencio absoluto desde que finalmente saíram em direção ao endereço, Davi foi quem quebrou o silencio.

- Ta legal. O que foi isso?!

- Cara... Eu... – Ve continuava com cara de bobo segurando a corrente em seu pescoço sem realmente dar atenção ao caminho pelo qual o amigo guiava o carro. – Eu não tenho a menor ideia. Mas ele ta falando a verdade. Mais do que isso, eu confio nele sem saber o porquê.

Sem tirar o olho do caminho Davi acendeu um cigarro, agora serio. Depois de uma longa tragada, continuou a conversa.

- OK. Você nunca errou quanto a acreditar ou confiar em alguém, então a gente vai fazer o que ele disse. Só vamos adaptar alguns detalhes, mas deixa isso comigo.

Ve respondeu com um pequeno sorriso pro nada no exato momento em que uma figura solitária aparecia parada a margem da Estrada Santa Inês em um trecho onde não havia nada além de mata pros dois lados. Parcialmente escondido no meio das arvores, de forma a ficar fora da pista sem acostamento, estava o Velho encostado sobre uma harley davidson antiga que fazia um incrível contraste com o terno inteiro branco e bem cortado do homem. Estacionaram na sua frente e desceram do carro.

- Muito lentos. Espero que seja mais rápido pra voltar, punk.

Os amigos trocaram um rápido olhar antes de responder.

- Como foi que você passou por nós...

- Tanto faz. A entrada pro carro que te falei é 300m a frente, nós vamos entrar aqui mesmo. Venha.

Sem esperar qualquer confirmação ou sinal de entendimento o homem foi se metendo no meio da mata, largando pra trás a moto e abrindo espaço com sua bengala como se fosse um facão, o que forçou Ve a se apressar atrás dele dando um aceno rápido para Davi antes de perder seu estranho guia.

Apesar da nítida idade o Velho se movia com uma velocidade e desenvoltura incrível através daquela “trilha” que aparentemente só ele era capaz de encontrar, o que fez com que o jovem corresse atrás dele se guiando apenas pelo distante ponto branco que era seu chapéu durante cerca de dez minutos ate finalmente alcançá-lo.

- Obrigado por esperar. – Reclamou com o folego entre cortado agora que podia acompanha-lo de perto.

-Você é jovem, pare de reclamar.

- Afinal de contas do que se trata tudo isso?

- Pensei que fosse obvio... – o velho comentou com uma sobrancelha levantada sem parar de andar um segundo – ele está interessado em trabalhar com você. Isso é como um jantar de negócios.

- Mas o que exatamente ele quer comigo? Pelo visto vocês sabem o bastante sobre mim pra saber que eu não trafico nem faço nada do tipo, só curto minha vida por ai.

- Garoto... Ele já explicou tudo isso. Você chamou atenção dele, é isso. Ele quer demonstrar sua gratidão com alguns presentinhos e te indicar algumas pessoas que talvez sejam alvos tão interessantes pra você quanto pra ele.

Um sorriso estranho estampava seu rosto, mas era difícil avaliar se aquilo se tratava de divertimento, provocação ou algo que ele estava deixando de falar, uma vez que ele se mantinha sempre meio passo à frente. Ainda assim aquele instinto natural que nunca deixou Ve na mão dizia que aquilo não era verdade, ou pelo menos não completamente.

- Ele disse que você encontrou. E você parece saber de mais sobre mim e meu amigo. Mais de um mês de olho na gente, ele disse? – Seu tom era contido, algo próximo a curiosidade indiferente, como se estivessem batendo papo em uma mesa de bar durante o jogo.

O velho riu de verdade pela primeira vez. Uma risada prazerosa, como se estivesse orgulhoso de uma conquista de seu neto.

- Boa memória, garoto... boa memória... Você ta certo. Eu sou uma espécie de... Detetive, vamos dizer assim. As pessoas me chamam quando querem encontrar algo ou alguém e o Lobão me pediu pra encontrar quem quer que fosse que estava brincando com o Mendonça daquele jeito, foi assim que eu te encontrei. E antes que você continue com esse monte de perguntas, dei aquelas dicas pra você e seu amigo por que to curioso com os dois, vocês parecem ter potencial... Bem, chegamos.

Ele parou e segurou com a bengala alguns galhos no meio do caminho, abrindo passagem para Ve, que parou de boca aberta observando a “toca” de lobão.

A frente deles o terreno descia em uma depressão de cinco metros, com escadas naturais escavadas na terra, acabando em um vale circular que abrigava a casa mais estranha que ele havia visto em toda sua vida. Ou melhor, mansão. A casa de pedra devia ter pelo menos quinhentos metros quadrados, com largas janelas de madeira que pareciam não pertencer aquela construção de mármore sujo completamente encoberta por um surpreendente jardim suspenso com arvores grandes o bastante para misturar a mansão com o resto da floresta e raízes que corriam pelo teto e pilares da casa, mas ainda assim não parecia velha ou mal cuidada, apenas parte da paisagem natural. A sua esquerda uma piscina da largura da casa se estendia sem bordas, parecendo um pequeno lago a distância e a sua direita um espaço aberto parecia ter um padrão desenhado na grama bem cortada.

- Ah.... ah... aquilo é um heliporto?

- O Lobão tem muitos negócios.

- De onde diabos ele tirou essa mansão?! Isso sempre esteve aqui? Caralho! Eu preciso beber alguma coisa. Achava que conhecia todo bandido rico do estado, pra dizer o mínimo...

- Você não ia querer dar um golpe nesse cara, garoto. – Ele riu enquanto guiava o caminho pelos degraus de terra. – E acredite em mim, tem muita gentemesmoque você não conhece. O Lobão tem dinheiro correndo por todo lado, mas sabe deixar o nome dele fora das ruas.

- Auuuuuuuuuuuu! Auauauauuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuu! Você conseguiu chegar, guri! O Velho não ficou te enchendo o saco, não? – Lobão vinha de encontra a eles, com um grande sorriso no rosto e as mãos levantadas em sinal de boas-vindas. Atrás dele cinco garotas formavam sua comitiva e eram as únicas pessoas a vista por toda a casa.

Ve não reconheceu Ana entre elas, talvez seu “estagio” nos negócios dos pais já tivesse acabado pelo dia. O grupo era bem variado, formado com uma japonesa, uma indígena, uma loira dos cabelos cacheados e duas morenas, cada uma com um estilo nitidamente diferente da outra, mas todas incontestavelmente lindas. O primeiro pensamento dele ao ver o grupo era que aquele devia ser o arem pessoal de Lobão, mas o olhar serio por trás dos sorrisos em seus rostos bem desenhados e a forma como ficavam ao redor do traficante em uma meia lua entregava que aquelas eram sua equipe de segurança, sua guarda pessoal. Escolha bem interessante, tinha que admitir.

Ao chegarem perto o bastante Velho fez sinal para que ele parasse ainda a três passos de distância deles e Lobão fez um sinal com ambas as mãos indicando os dois.

- Vanessa, Mari. – a índia e uma das morenas se destacaram do grupo e foram ate os dois – Vejam se nossos amigos tem algum presentinho pra mim.

A índia, que Ve concluiu se tratar de Vanessa, se aproximou e o revistou calmamente, passando as mãos por seu corpo de forma quase sensual e sem pressa nenhuma, enquanto a outra garota fazia o mesmo no velho ao seu lado. Com um movimento cadenciado como em um passo de dança ela desceu por sua cintura e subiu de volta com a face de seu coturno em uma mão e fazendo sinal de não com a outra enquanto rebolava sorrindo ate o chefe para entregar a faca.

- Uma faca, guri? – o traficante olhou para ele por um segundo enquanto tomava a faca em suas mãos, mas logo em seguida abriu um sorriso amigável – Bem, se você tivesse vindo realmente sem nada eu consideraria uma ofensa. Hau hau. Bom gosto pra laminas, depois te mostro a sala de armas da toca, acho que vai gostar.

- Bela casa. Prometi pro Davi que ia perguntar se você pode indicar seu corretor de imóveis, sua toca é bem mais difícil de achar do que a nossa foi pra você. – Ve brincou, tentando corresponder o jeito amigável do outro e assumir algum controle sobre a situação.

- Ah guri, eu realmente gosto do seu senso de humor! – a risada de cachorro dele persistiu pelo tempo que ele levou para percorrer a distância entre eles e passar um braço pelo obre de Ve e o outro pelo ombro do velho. – Vamos àquele jogo que falamos mais cedo, sim? O que achou das minhas meninas? Lindas, não é?!

A garota oriental com mini shorts e camisa amarrada de forma a deixar a barriga inteira descoberta se aproximou tomando a faca das mãos dele e o grupo se dirigiu em direção a casa, mas não para a porta principal., sim uma pequena escada mais para o canto, que levava a uma ampla sala com baixa iluminação. A sala possuía um bar que ia de uma ponta a outra, uma mesa de poker bem no centro, uma antiga jukebox no canto, um jogo de dardos ao lado da escada e alguns sofás e poltronas antigas recostadas em todas suas paredes livres.

- O que é isso Lobão? Nada de sapatos sujos dentro da casa? – Ve brincou enquanto tomava um lugar junto com os dois homens e largava o maço de cigarros e o zippo sobre a mesa.

- ah, casa antiga, fria... Deixa quem ta dormindo em paz e vamos aproveitar isso aqui, é meu lugar favorito na casa toda, de qualquer forma. O que você bebe?

- Só uma cerveja. – Respondeu dando de ombros – Não vou arriscar você levar todo meu suado dinheirinho embora só por que fiquei bêbado.

- Garoto esperto. Velho?

- Dois dedos de agua de prata, com bastante gelo.

O sorriso na cara de Lobão sumiu na mesma hora e todas as garotas, ajeitadas nas poltronas e sofás, pareceram prender a respiração por um momento, sem que Ve entendesse o porquê, ou o que diabos seria uma agua de prata. Imaginava ser conhecedor de bebidas, mas desde que conhecera aqueles dois de manhã as surpresas sobre sua ignorância não paravam de aparecer. Lobão fez um sinal com a mão e a loira de salto alto e vestido rodado veio com uma garrafa de Heineken, um copo de um liquido transparente cheio de gelo, que ela colocou com todo cuidado do mundo em frente ao velho e um copo grande de um liquido vermelho escuro e grosso para o anfitrião, que tomou um grande gole e lambeu os beiços antes de voltar com sua risada de cachorro e sorriso amigável, como se não houvesse acontecido nada.

- Ok, Velho, vamos jogar como nos velhos tempos e ver se o garoto é tão bom quanto parece! – disse enquanto embaralhava e distribuía as cartas.

Ve notou que o senhor não encostou em seu copo em momento nenhum e acendeu um cigarro para se distrair do momento estranho que acabara de ocorrer. Com as fichas já repartidas sobre a mesa o jogo teve início enquanto o traficante só então anunciava que seria um jogo de cem mil, o que o surpreendeu pelo valor, mas não deixou transparecer, simplesmente abrindo um sorriso confiante que era o grande segredo dos seus anos de golpista.

Deixando a cerveja praticamente de lado o jovem gastou as duas primeiras horas de jogo deixando suas fichas serem ganhas fácil, mas moderadamente pelos dois adversários, focando em estuda-los calmamente e ganhando “por pura sorte” uma rodada ou outra que o impedia de perder a partida. Os dois eram ótimos jogadores, mas seu estilo de jogo não diferia muito do que Ve aprendera sobre o estilo de vida deles. O Velho era contido e não falava quase nada, apostando baixo algumas vezes só para irritar o oponente e constantemente fazendo apostas muito altas, quer tivesse cartas, quer não. O que tornava difícil de lê-lo mesmo para alguém com as habilidades do golpista. Já Lobão falava o tempo todo, contando piadas e gritando para suas meninas sobre suas cartas, mesmo que nenhuma delas parecesse interessadas, por vezes alardeando a verdade abertamente, por vezes mentindo descaradamente. Ele bebia um copo atrás do outro daquela bebida estranha e mantinha um habito nervoso de brincar com as fichas, o que Ve percebeu ser um habito treinado, pois ele o mantinha religiosamente quer fosse blefar, dizer a verdade ou simplesmente pedir mais um copo para a loira, que ele descobriu se chamar Flavi. Mas ele ficava nitidamente distraído toda vez que o Velho tocava no copo, embora nunca chegasse a tomar um único gole, e mesmo que o motivo disso não fosse compreensível para o rapaz, era nítido que ele fazia aquilo propositalmente para forçar o oponente a errar.

Após finalmente terminar sua cerveja que já estava quente, ele concluiu que havia estudado os adversários o bastante e começou a jogar de verdade, a princípio ganhando pequenos valores dos dois, o que arrancava risadas latidas de Lobão em incentivo as vitoriosas migalhas que ele finalmente conseguia e sorrisos discretos do Velho, que apenas acenava e lhe empurrava as fichas sempre que ganhava. Enfim uma jogada com apostas altas correu ate a última carta e Ve forçou uma desistência dos dois adversários apostando todas suas fichas, o que deixou o traficante levemente irritado a princípio, e o fez encerrar todas as brincadeiras e risadas quando o golpista escolheu revelar suas cartas e mostrar para os dois que não possuía jogo nenhum.

Após isso, com um bolo de fichas maior que o dos dois oponentes, as vitorias vinham fáceis e ele notou que o Velho facilitava algumas rodadas para ele, como se quisesse provocar Lobão, mostrando como garoto ganhava cada vez mais fácil. Com o maço de cigarros já quase acabando e o relógio na parede denunciando as cinco horas passadas em jogo, o senhor de terno branco entregou suas últimas fichas à mesa e lobão iniciou uma gargalhada enquanto declarava a vitória certa e apostava todas suas fichas. Ve já se preparava para entregar as cartas e fugir, devido a sua mão fraca e a mesa favorável para que o traficante realmente tivesse algo que o fizesse vencer, mas ao segurar o olhar um segundo a mais no oponente uma certeza absoluta de que ele estava blefando o tomou e ele aceitou a aposta. Com um ar zangado Lobão mostrou suas cartas, assumindo uma mão muito fraca e Ve se sentiu obrigado a rir prazerosamente enquanto mostrava suas cartas também fracas, mas vitoriosas e se esticava sobre a mesa para recolher as fichas em sinal de vitória.

- É, parece que eu continuo mesmo com sorte, Lobão... – Dizer aquela simples frase despertou um sinal de alerta incompreendido em sua mente, misturado com uma irritante sensação dedeja vú.

- Vai se foder, seu merdinha! Ta achando que pode roubar o Lobão?! Cê ta morto, filho da puta! – Lobão gritava com os olhos avermelhadas de raiva e Ve se encolheu instintivamente em sua cadeira enquanto o via socar a mesa com tanta raiva que trincou de ponta a ponta.

O jovem ouviu o som de tecido rasgando e estranhos rosnados para logo em seguida sentir uma inesperada figura peluda se chocar contra ele, seguida por outras mais e no instante que sentiu a dor de uma mordida sobre o ombro e o sangue quente sobre o peito, apagou com um vislumbre do Velho se jogando em sua direção e a voz de Lobão gritando ao fundo:

- Você não disse nada sobre o sangue dele! VOCÊ NÃO DISSE QUE ELE ERA TOCADO!

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Atualizado em: Seg 23 Set 2013
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