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Infortúnio e Solidão

"Os olhos pesavam. Pesavam mais que as pernas, que os braços, que a própria culpa. Ele carregava um desejo incontrolável de adormecer ou morrer. Mas que diferença isso faria? Não estava interessado em respirar. Tudo lhe causava cansaço, sono, suor. Sempre fora assim. Naqueles imprestáveis anos de sobrevivência.

Os dedos demoravam a se mexer. A boca fechada já havia parado de conversar. Os pés acabaram desistindo de caminhar.  Em seu peso “morto” e abandonado, o cérebro permanecia livre, navegando em seus delírios. Isso não o aborrecia. Não o irritava. Não o entediava. Quando não estava disposto, ele fechava os olhos e viajava em seu mundo de solidão.

Estava acostumado com o silêncio, com a calma, com a falta de não ter o que fazer. Não sentia-se diferente, nem que iria fazer a diferença. Ele apenas vivia, por que precisava respirar, mesmo que seu corpo estivesse exausto de tanta hipocrisia que via". 

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Atualizado em: Qua 21 Ago 2013
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