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As Sombras da Luz - Cap.1

1

Acho que minha consciência dormiu novamente. Quando voltei a mim, a dor havia passado, e o Sol continuava a me aquecer.

Quando abro os olhos, uma criatura está de cara-a-cara comigo e levo um susto. Bem, não posso dizer exatamente uma criatura, tinha forma humana, mas tinha asas, como um anjo. Ela flutuava bem acima de minha cabeça. Era uma menina pequena, muito pequena por sinal, do tamanho de um... Ah, que seja! De algo bem pequeno. Cabelos loiros, presos uma parte em cada lado da cabeça. Tinha os olhos arregalados, acho que de animação ou surpresa. Ou, talvez, eles fossem assim mesmo. Não sei. Tinha um sorriso aberto, como se tivesse acabado de ganhar um presente.

-Olá, olá, olá! Como esta se sentindo?

-Bem. Eu acho. – sua animação ainda era um choque, minha mente ainda estava processando tudo o que via. Eu estava deitada numa cama com lençóis brancos. Num quarto com a parede branca. Móveis brancos. A opção mais razoável era estarmos em um hospital.

Num canto da quarto em que estávamos, sentado num sofá, havia um garoto, também com asas, mas exatamente o oposto da menina. Ele era alto. Tão incrivelmente alto, que mesmo sentado, suas costas estavam curvas para não bater a cabeça na parede. Ele olhava para o chão pensativo, com os cabelos pretos, quase azuis caindo em seu rosto.

A pequena menina viu para onde eu olhava.

-Ah, sim, sim. Esqueci-me de nos apresentarmos. Eu sou Priela, e este grandão aqui é Will – vai até ele, voando, e dá uma tapinha em suas costas. Will olha para mim e levanta os cantos da boca. Um pequeno sorriso, mas que contrariou toda a imagem que eu tinha feito dele há menos de dez segundos.

Eu olho para os dois, um depois o outro, e não vejo nada em comum entre eles. Priela é tão alegre,e um Will parecia um tanto, melancólico.

-E então, não vai se apresentar? – pergunta Priela

-É... Sim... – somente naquele instante percebo que não sei nada sobre mim. Meu nome, de onde vim, todo o meu passado. – Quer dizer, acho que não posso... não me lembro de nada.

-Ah, tudo bem, isso não é tão incomum. Depois de uns dias, normalmente todos os que chegam aqui na mesma situação que você, recuperam a memória. Acho que eu e Will pegamos um dos priores casos. Você se lembra do Arghor, Will? – dirigindo-se a ele

-Sim, foi realmente muito ruim.

-Só de me lembrar já fico cansada.

-Se me permitem o que aconteceu com esse tal Arthur?

-Arghor. Bom, quando ele chegou aqui ele não só esqueceu todo o seu passado, como esqueceu a falar, ler e escrever. E parecia que não entendia o que falávamos. Basicamente esqueceu todo tipo de forma de comunicação. Tivemos de ensiná-lo desde o inicio, como se fosse uma criança na fase de aprendizagem. Nesses casos, a memória não é tão fácil de recuperar. – Ela faz uma pequena pausa antes de recomeçar a falar – Acho que já podemos levá-la até Abele. Consegue se levantar?

Boa pergunta. Parece que estou deitada há milênios. Tiro os lençóis de cima de mim. Levanto meu tronco vagarosamente, e me apoio com meus braços. Coloco minhas pernas para fora da cama e me apoio neles. Até aí, tudo bem. Comecei a andar e apesar de cambalear um pouco, até chegar a porta do quarto já havia pego o jeito da coisa.

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Atualizado em: Sex 12 Abr 2013
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