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O demônio sem cor

CAPITULO I: A NOVA ESCOLA.

 

Oi meu nome é Julho e eu estou a caminho da nova cidade onde vou morar chamada Nova Acácia, se acreditam em tudo que lê em panfletos de turismo, a cidade é realmente magnífica, cheia de casas grandes todas da mesma cor cinza.

Meu primeiro dia na nova escola foi o mais louco que já tive, nunca tinha visto uma tão padronizada quanto essa, ela era da mesma cor das casas, com uniformes da mesma cor, os alunos usavam até os tênis iguais. Foi então que eu vi uma garota à única que se vestia diferente, tênis amarelo, cabelo rosa e Preto, olhos verdes assustadores e uma tatuagem que dizia:

Face me is find death

Eu fiquei olhando para ela por alguns minutos quando uma mulher de cabelos pretos presos, óculos e vestindo uma roupa formal, veio até mim e disse:

- mocinho você esta encrencado, vamos já para a diretoria.

Eu não estava entendendo o porquê até olha para baixo, meu tênis era azul.

Chegando a diretoria sentei em uma ante-sala junto a outros que também quebravam as regras

A sala possuía alguns bancos, uma planta, um quadro de paisagens e cortinas cinza.

Olhei para o lado e lá estava a garota rebelde.

- oi. Disse eu.

- oi. Eu disse novamente - você não sabe falar?

Seus olhos verdes pereciam escurecer sua mão direita apertava firme o banco

Em resposta, meu corpo parecia tremer como se estivesse na frente de um lobo com sua alcatéia me cercando.

Ela respirou profundamente e disse:

- claro que sei. - O que pensa que eu sou um animal selvagem?

- só nas atitudes e olhares.

Quando terminei de falar percebi que tinha cavado minha cova

Meu braço sangrava, ela usou as unhas? Pensei comigo

Não, não era isso, era uma lamina de um canivete.

- sua doida. Eu disse. - por que fez isso?

- idiota.

Disse ela saindo correndo porta a fora

Parecia mais uma tempestade que uma garota, eu sabia que deveria me afastar dela para não arranjar problemas, ainda assim tenho a sensação que não será tão fácil.

No outro dia eu fui à escola e lá estava ela na frente do portão em cima do muro

Meu plano era fingir não tê-la visto e passar pelo portão.

Isso que iria fazer quando

- oi disse ela

Eu pensei em fugir e talvez tivesse sido a melhor escolha

Porem minha curiosidade sempre falou mais auto que a razão.

- oi disse eu - porque esta falando comigo agora.

- porque, porque, porque ela disse - você e suas perguntas.

-são perguntas sem respostas. Eu disse

- meu nome é Maria Elizabeth e o seu?Disse ela com um sorriso.

- meu nome é Julho.

- julho, já ouviu falar da lenda local?Disse ela com um entusiasmo estranho.

- não, eu acho que ainda não.

- bom é não é só uma lenda é uma lenda e profecia eu vou te contar em detalhes

Na terra das flores a um demônio sem cor

Um raptor devorador

Que não gosta de cor

Colorido não deve usar para sua raiva não instigar

Pois se das cores proibidas usar, ele vai te mastigar.

Para tudo a um fim para o demônio também

Um forasteiro ao chegar e da luta dos dois reinara o bem.

 

 

 CAPITULO II: BISBILHOTANDO PELA CIDADE.

 

No dia seguinte depois de Maria ter se apresentado, ela passou a me perseguir e a querer estar junto a mim sempre que podia chegando a se oferecer para ser meu par durante algum tempo até que eu compre os livros.

É claro que o motivo dela estar fazendo isso não era se tornar minha amiga e sim por acreditar em uma profecia boba, de uma historia louca.

Entrei dentro da sala de aula, me sentei ao lado dela esperando que ela tivesse esquecido toda essa loucura e retornasse a loucura original chamada adolescência.

Porem o que aconteceu foi exatamente o oposto, Ela me analisava com seus olhos verdes furiosos como se tentasse achar alguma anomalia, qualquer coisa que sustentasse a sua teoria.

- droga você parece normal. Disse ela.

- quem bom. Disse eu tentando imaginar o que ela esperava encontrar.

- bom nada, assim isso nunca vai acabar. Diz ela aborrecida.

- isso o que? Pergunto.

Ela responde: - você não entendeu ainda, a cidade toda tem medo do Demônio sem cor, por que acha que a cidade toda é cinza.

- para manter o padrão.Falei já esperando seus olhos tempestuosos e uma reação impulsiva. Porem tudo que ouvi dela foi:

- idiota.

Ela ficou horas sem falar uma única palavra, com os braços cruzados.

O sinal tocou, saímos pelo portão ainda em silencio.

Só mesmo eu para deixar brava a única pessoa que fala comigo nesta cidade, foi o que pensei.

Continuamos caminhando, passamos pela praça e depois em frente à prefeitura, Maria para por algum motivo.

- o que foi Maria? Pergunto.

Ela puxa meu braço, nos escondemos e ela diz:

- fique quieto e escute.

Como eu já tinha dito eu deveria ter ficado longe dela, agora eu estava bisbilhotando uma reunião privada entre os fundadores da cidade e o prefeito.

Eu já estava para ir embora quando o prefeito disse algo que me fez ficar ele disse:

- senhores fiquem calmos eu darei um jeito de afastar nossos visitantes.

Mais ao fundo uma senhora diz:

- faça, e faça rápido.Se ele souber, na certa haverá retaliação como a ultima vez.

O prefeito arruma a gravata e diz:

- Você não precisa me recordar velha bruxa, eu me lembro de todos órfãos Que morreram por nossa cidade, do fogo, gritos e sangue.

Meu coração começa a palpitar forte, coloco a mão no peito e percebo minha respiração acelerada fazendo os pulmões esvaziar e encher rápido como se não tivesse ar o suficiente na atmosfera tensa do lugar.

Eu penso. Sangue? Fogo? Órfãos? O que a de errado com essa cidade maldita?

Dei um passo para traz e CRACH, um galho que causara um ruído significativo dando a nossa localização a todos dentro da sala, Maria com presa me diz:

- vamos sair rápido.

- boa idéia. Falo, já correndo em direção a ponte da cidade.

Chegando à ponte, diminuímos a velocidade e fingimos estar conversando calmamente.

- segura minha mão rápido. Maria estendia a mão para mim.

- por quê? Eu disse, confesso estava muito nervoso eu não era exatamente o garoto popular do qual as garotas gostavam.

- sem perguntas, apenas faça. Ela falou. Enquanto seus olhos verdes escureciam a ponto de me assustar.

- esta bem. Dei minha mão.

Continuamos caminhando até que ninguém mais pudesse nós ver, Maria o mais rápido que pode soltou minha mão, o que também me deixou mais calmo por um segundo. Segundo este que não duraria, ela estava na minha frente com seus olhos verdes beirando ao preto, sua mão fechada, como se segurasse toda sua raiva dentro dela.

- seu imbecil, se ele nos vise estaríamos acabados. Maria diz

- espera. Eu disse confrontando-a.

 – a culpa não foi minha, foi sua. Você me levou até lá.

Algo surpreendente aconteceu depois disso.

- desculpa. Maria diz abaixando a cabeça,seus olhos verdes agora claros e cintilantes como se estivesse perto de chorar.

Isso fez eu me sentir um idiota, ela também estava com medo apesar de não aparentar. 

 

CAPITULO III: UMA LONGA HISTORIA DE DORMIR.

 

Cheguei a casa depois de levar Maria até a dela, entrei no meu quarto, tranquei a porta e fui dormir, devo dizer que foi a pior coisa que fiz, comecei a sonhar.

Era uma caverna, estava escuro, eu estava apavorado, havia algo lá, era uma criatura grande e um garoto de olhos negros profundos quase como se desejasse engolir toda a luz.

O garoto estava prestes a ser atacado, ele recuava um passo de cada vez.

A fera rugia e se aproximava cada vez mais, logo estava tão perto que quase tocava o garoto.

Meu primeiro pensamento era em tentar ajudá-lo, mas eu estava em um sonho e não poderia fazer nada mesmo que eu quisesse.

Eu acordei na cama, a coberta revirada, o travesseiro em diagonal, suor e euforia no escuro do quarto, eu olhava para os lados com se verificasse o escuro a procura de monstros.

Quando estava quase cochilando pude ver o sol atravessando a janela, já era dia e eu seria obrigado a levantar.

Com o maior esforço do mundo me levantei, caminhei até a cozinha, abri a geladeira e peguei leite e geléia de morango, que é a minha favorita, sentei a mesa tomei uma xícara gigantesca de café e comi pão com geléia.

Depois já arrumado, fui ao meu quarto coloquei minha mochila nas costas e caminhei até a saída e antes que eu chegasse ao portão, lá estava ela, Maria esperando, já impaciente e batendo o pé pergunta:

- por que demorou.

- Não demorei. – o que faz aqui? Perguntei.

- visitando um amigo. – e isso é jeito de tratar uma garota? Disse ela esperando que me desculpasse.

- garota? – onde?  Ah você.

Ela me deu as costas e saiu simplesmente e isso era novo, em geral ela teria pegado seu canivete e me arrancado o braço sem pestanejar, agora porem ela parece mais calma, mais sorridente.

Eu corri para alcançá-la e caminhamos juntos.

Maria puxa conversa.

- você quer ir ao fliperama comigo depois da aula?

- quero. Disse eu surpreso por haver um fliperama em uma cidade como essa e mais ainda por ela me convidar.

- eu posso te fazer uma pergunta Maria? – porque você fez essa tatuagem? Fico pensando o que ela vai responder.

- Uma cicatriz, eu fiz para escondê-la.

Seus olhos pareciam vagos, como se realmente não quisesse relembrar do que aconteceu.

- Maria, você não nasceu aqui na cidade. - Estou certo?

- não. Eu não nasci aqui.

Seus brilhavam, uma lagrima corria por suas bochechas e rapidamente secada por sua mão para não demonstrar fraqueza.

- era de você, que eles falavam na prefeitura quando disseram da ultima vez. Você era a forasteira, o que aconteceu? Perguntei mesmo sabendo que poderia chateá-la.

- não sei. Disse ela – eu não me lembro do que aconteceu.

- entendo. Disse eu afinal se fosse só metade do que escutei na prefeitura, já seria assustador o suficiente para eu querer bloquear qualquer lembrança também.

- mas se você quer saber, venha comigo. Disse ela.

- aonde vamos? Eu disse sendo puxado pelo braço. – e a aula?

- perguntas, perguntas. Disse ela em tom de deboche. – fique quieto e vamos logo.

Chegamos à frente a uma velha casa, era grande, de madeira já meio podre.

Maria sobe os degraus, vai até a porta, bate e diz:

- Andréia, abra a porta, sou eu Maria.

A porta se abre e nela aparece uma garota de olhos cinza, cabelo ruivo, algumas sardas, ela abraça Maria e em seguida pergunta:

- o que esse garoto faz aqui?

- ele é meu amigo. Disse Maria – você ainda pode ver?

- posso. Disse a garota ruiva. – mas você pode ter uma decepção.

- não importa, apenas faça.

Maria perecia seria.

- entrem. Disse a garota ruiva.

Subimos a escada e fomos até o quarto dela, era um lugar meio gótico, com caveiras, pentagramas, velas e um tapete felpudo que cobria todo o chão do quarto.

- você é uma bruxa.  Perguntei.

- vidente. Disse a garota ruiva.

- você vai ver meu futuro? Disse com muita incerteza.

- vou. Ela falou com tanta confiança que quase acreditei.

- e então, como vai ser?  - fazemos um pentagrama no chão, velas e cartas?

- não. Disse a garota ruiva. – apenas sente-se ai e me de as mãos.

Eu me sentei e dei as mãos a ela, ela fechou os olhos por um tempo. Quando se abriram eles não eram mais cinza, eram brancos sem pupila.

- nossa. Disse eu surpreso. – o que é isso.

Ninguém me respondeu, Maria estava de braços cruzados, encostada na parede só observando e a garota ruiva de olhos agora brancos começou a falar.

Fará para ti um pacto com o demônio residente

Fugir, matar ou morrer é sua escolha

Rasgara a carne obscura de seu inimigo com um presente

O que é maligno exorcizará.

Os olhos da garota ruiva voltaram a sua cor original e eu perguntei:

- o que foi isso? – essa coisa de pacto, esse olhos.

- uma profecia. Maria responde.

- profecia?

Maria diz:

- diga a ele seu nome completo Andréia.

- meu nome é Andréia Michele de Nostradama.

- Nostradama? Pergunto eu.

- ela tem o sangue de Nostradamus. Disse Maria.

- isso é loucura. Não existe esta historia de videntes. Eu disse tentando acalmar meu coração palpitante.

- não deveriam existir demônios também. Disse Maria.

Maria estava certa nada disso deveria existir.

 

CAPITULO IV: TOCHAS X CORRENTES.

 

Saímos da casa da garota ruiva.

Não. Deixe-me corrigir saímos da casa de Andréia, fomos para a prefeitura novamente, esperávamos encontrar algo novo que nos levasse a entender o que acontecia nesta cidade.

Escondemo-nos no mesmo lugar e do lado de dentro, o prefeito conversava com um dos fundadores.

- eu já me decidi. Disse o prefeito. – vamos acabar com nosso problema de vez, chame o conselho dos fundadores, esta noite agimos.

- Droga.  Disse eu.

Eu estava prestes a ser caçado e como qualquer animal sendo caçado, sentia me acuado.

- vamos. Disse Maria. – vou te esconder na minha casa.

- espera o que eu vou dizer para os meus pais.

- que você vai dormir na minha casa. Maria responde.

- claro e depois o que digo a eles? Falei ironizando. – que nos vamos fugir e nos casar?

Pela primeira vez vi Maria corar.

- diga a eles que vai dormir na casa de um amigo.

- mais e quanto aos seus pais, o que vai dizer a eles?

Fiquei pensando o que os pais dela pensariam afinal, uma filha levar um garoto que acabara de conhecer para dormir em casa, é de mais para qualquer pai.

- não se preocupe. Disse Maria – moro sozinha.

- sozinha, mais e seus pais? Perguntei.

- meus pais não estão mais vivos. Eu vivi no orfanato até completar dezesseis anos. Disse Maria parando e engolindo a saliva. - foi quando eu me emancipei e voltei à cidade onde meus pais morreram.

- sinto muito.

Eu realmente não deveria ter perguntado, mas como sempre pus os pés pelas mãos e a fiz lembrar coisas ruins.

- como você sabe que seus pais morreram aqui? Você não disse que não lembrava.

Maria responde:

- as irmãs do orfanato, elas me contaram sobre isso, sobre como meus pais eram.

- agora vamos, temos que chegar lá antes de anoitecer.

Chegamos à casa de Maria, apenas um quarto alugado, ou melhor, um pequeno galpão atrás de uma oficina, bem amplo, com vigas quadradas, pequenas janelas que rodeavam quase todo o quarto, tinha uma cama de casal, um espelho grande, um computador em uma escrivaninha velha e uma estante com alguns livros.

- nossa, que lugar legal. Disse eu.

- obrigado, agora venha aqui e me ajude a colocar essa tranca. Maria disse já levantando o pedaço de madeira que seria colocado na porta.

- esta bem.

Nós levantamos, colocamos no gancho e pronto, estávamos seguros.

Sentei-me a mesa, enquanto Maria cozinhava. O que me deixava com medo do sairia daquelas panelas porem para minha surpresa quando a comida chegou a mesa exalava um cheiro maravilhoso.

Coloquei o garfo em minha boca.

- esta boa. Disse eu surpreso.

- por que todo esse espanto, claro que esta boa. Disse Maria indignada.

Antes que pudéssemos terminar de comer, a porta começa a bater e bater cada vez mais forte, ela estava sendo arrombada, tínhamos que sair.

Maria vai para perto da estante e tira o tapete do chão deixando visível uma passagem.

Entramos nela e ao mesmo tempo eu perguntava:

- você sabia que isso aconteceria um dia?

- você não foi o único para qual Andréia disse o futuro.

Saímos da passagem, estávamos no meio de uma floresta escura o que não era bom sinal.

- vamos logo não fique ai parado. Maria me puxa.

- para onde estamos indo? Qualquer lugar não vale. Eu disse meio assustado.

Ela não respondeu, continuamos correndo até chegarmos a uma construção abandonada e logo atrás estava o conselho com suas tochas na mão, aliais de onde tiraram essas tochas.

E lá estávamos-nos, de um lado uma construção de portas trancadas, do outro tínhamos o conselho pronto para nos queimar vivos.

Maria tira do bolso seu canivete, quase senti vontade de rir nessa hora, como se um canivete pudesse nos salvar, eles se aproximavam, eu já podia sentir o calor das tochas, foi quando um grito foi dado.

- vocês ai deixem esses garotos em paz.

Era um garoto de mascara, com uma corrente girando em sua mão.

- Ou então... Disse o cara de mascara.

- ou então o que? Perguntou o prefeito.

- que bom que perguntou. O cara da mascara falou, levantando a mão.

- vamos rapazes ele quer saber o que.

Logo o conselho estava cercado por pessoas com mascaras.

- sugiro que saiam agora daqui senhor prefeito ou começaremos a ensinar bons modos a você e seus amigos. Disse o cara da mascara.

O conselho recuou porem não desistiram eles voltariam e teríamos que estar prontos.

O cara da mascara se aproxima de nos e diz:

- sabia que uma hora voltaria aqui Maria.

- cala boca Claudio. Disse Maria o empurrando e indo para dentro.

E eu perguntei:

- vocês dois se conhecem?

- pode se disser que sim. Diz Maria.

- se nos conhecemos, esta brincando, quem acha que nos liderava. Disse Claudio.

- você era a líder deles. Eu estava surpreso.

- sim eu era a líder. Fala Maria com um tom de voz firme. – agora me faça um favor Claudio, traga Andréia até aqui.

- sim senhora. Disse Claudio batendo continência.

Maria olha para a garota deitada no sofá e diz:

- Angélica organize os revezamentos dos turnos de vigia.

Maria parecia mais um general falando assim.

Angélica rapidamente se levanta do sofá como se fosse uma ordem indiscutível.

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Atualizado em: Sex 25 Jan 2013
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