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Quatro Histórias

Anoitecia, enquanto caminhava avenida à fora, no vai e vem frenético dos carros, Juliano pensava nas mil declarações que gostaria de fazer a Suzana. Amigos desde infância, aquele encontro a dois para um jantar íntimo era a oportunidade certa para declarar todo o sentimento que guardava desde pequerrucho. Elaborou mil vezes o mesmo discurso, repetindo para si todas as palavras decoradas meticulosamente. Ao chegar no encontro, comeram, dançaram e relembraram todos os momentos felizes que a primeira infância podia proporcionar. Ao fim da noite, ela embarcou num taxi e ele partiu em direção ao metrô. Ambos com a sensação de que ficara algo por esclarecer, mais uma vez todo o discurso que havia ensaiado minguou como a lua que timidamente sorria no céu e o acompanhava no caminho de volta.
 Em outro canto da cidade, Clarisse já não tinha mais lágrimas para chorar o fim de seu romance com Caetano. Pegou o celular pela milésima vez, e observando todas as fotos e vídeos do casal, reviveu momentos mágicos, viajou à primeira vez em que se viram naquele quiosque de praia no fim do verão. Cantou baixinho a música preferida deles, e chorou mais um rio de lágrimas que ele, boêmio da noite não viu. Correu em meio a praça cheia de pessoas que aproveitavam a noite amena daquele rigoroso outono. Horas depois foi encontrada entre ratos e sacos de lixo num beco escuro qualquer depois de tentar falar com seu amado e mais uma vez ser jogada para escanteio. Voltou para casa amparada por estranhos, tomou um longo banho, vestiu uma de suas camisolas preferidas e tomou tranquilizantes o bastante para adormecer um búfalo. Morreu, sem dores e sem ressentimentos, partiu deixando-se levar pelo sentimento que ainda insistia em queimar dentro de si.
Enquanto nossos personagens pereciam de tristeza e melancolia, a noite de Claudio tinha tudo para ser especial. Naquele dia estava completando três meses de relacionamento com Maria e estava tão apaixonado que decidiu pedir sua mão em noivado. Escolheu um bom restaurante, mesa estratégica com vista para lua minguante que sorria no céu, vinhos e até combinou com o garçom a deixa para fazer o pedido. Tudo estava perfeito e pronto, apenas esperando que a mulher de seus sonhos pudesse dizer “sim”.
Maria chegou vestindo um conjunto florido que realçava suas curvas de mulher e usando uma maquiagem básica, mas que deixava seus lábios atraentes e que combinavam com as unhas pintadas de vermelho escarlate. Radiante, foi conduzida para mesa onde Claudio usando um impecável blazer azul com jeans e camisa branca à aguardava. Tomaram champagne, saborearam o melhor da culinária francesa até que no clímax da festa o que era alegria se tornou tristeza. Ao pedir Maria em noivado, Claudio levou um sonoro “não”. Humilhando-se aos seus pés, pediu que reconsiderasse sua oferta, porém a moça fora taxativa em sua resposta. Saiu mais poderosa do que entrou, sob os olhares atentos e curiosos de todos à sua volta. Desolado, e agora sozinho Claudio pediu uma dose de uísque e continuou ali bebendo até que o restaurante ficasse completamente vazio.
Alheio a todos os acontecimentos e concentrado apenas em contar as estrelas que brilhavam como faróis, Rodrigo ouvia com atenção o silêncio da noite no interior. Grilos, corujas e pirilampos eram as principais atrações do vasto campo que fazia com que os olhos daquele moreno se perdessem. Voltou-se para si, organizando suas ideias e ajeitando o corpo sobre a rede. Entre um balanço e outro, viu o coração bater acelerado quando Rita avisara que estava chegando. Correu e trocou a camiseta puída por uma nova e parou em frente ao espelho para ver se não estava feio. Ao constatar o quão bonito era dirigiu-se para frente da casa onde morava sozinho esperando a mulher por quem morria de amores. Pouco antes de meia hora lá estava ela, cabelos presos por duas marias chiquinhas, olhar sedento de desejo e um vestido que seria facilmente arrancado por ele. Começaram por ali mesmo, bocas entrelaçadas, pernas nas pernas e mãos deslizando pelos corpos embrasados de desejo e vontade de se possuírem. As estrelas ao ver o movimento dos corpos se amando brilhavam mais iluminando todo o céu de Mato Adentro, transformando o horizonte em uma pintura jamais vista. Cansados de tanto amar, deitaram nus na rede e se acariciaram até que o sono chegasse, mas antes disso amaram-se mais uma vez fazendo com uma chuva de estrelas cadentes acontecesse.
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Atualizado em: Qua 22 Mar 2017
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