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“O CELESTIAL SOMBRIO E GELADO VÉU QUE ESTAVA À COBRIR-ME AQUELA MADRUGADA...”

─ Pareceu-me que aquela madrugada obscura e fria, jamais findar-se-ia...
─ ...De repente! Fui tomado como que de assalto, por incontáveis e recônditas emoções intrínsecas no ermo e desconhecido campo metafísico do meu eu interior, eu confesso-vos de antemão que: eu tentei abster-me daqueles sentimentos, que amiúde vezes dava-se sobre mim com ímpeto e ferrenha investidura...
Já era 02:34 da madrugada, quando a “cidade já estava à tosquenejar”, o vento sul que soprava juntamente com uma sensação térmica de -17º graus, assemelhava-se a Minnesota uma das muitas cidades Norte Americanas em tempo de inverno com maior índice de queda de temperatura; o profundo silêncio que reinava era algo espantoso tendo em vista que: tanto o horário quanto a baixíssima temperatura, não desconcentrava aquela “pobre e miserável alma” perdida em seus vagos e efêmeros pensamentos...
─ Já faziam alguns dias que eu não houvera saído daquela fétida e inóspita viela do bairro “Mococa Pinoca” entre a Wall Street e a Denver, para qualquer outro lugar alhures, haja vista que eu estava à redarguir e à questionar comigo mesmo, correlativo às questões peculiares da supremacia do objeto intelectual promissor sociocultural acessível, em oposição à centralização monopolizada individual exclusiva e exacerbada do saber, que era algo que imperava naquela época, sendo este limitado e acessível apenas a uma pequena porcentagem de pessoas com um poder aquisitivo respeitável. Pois bem...lembra-me perfeitamente que fazia muitíssimo frio naquela cidade em que eu morava, era eu apenas, mais um dos vários “restolhos” espalhados pelas várias partes “baixas” daquela grande cidade, ainda na época em que vivia eu nas sarjetas oferecidas pela vida na rua, abaixo! muito abaixo! da linha da pobreza.
─ Quando de repente! Novamente veio-me sobre à mente aqueles pensamentos e inquietações...
─ Ei! Você! O que tá fazendo ai neste canto escuro? Se num ta vendo o frio que está fazendo pra você ficar ai parado não? Andando! Andando! Vamos!
─ Naquela madrugada, um guarda civil repeliu-me duma forma um tanto que deselegante e desagradável donde eu estava à meditar, creio eu que isso viera a ocorrer, pelo mero fato de minha barba está muito maior do que costumeiramente eu a deixava e também meus cabelos estavam bem longos e embaraçados, sujo e exalando um mau cheiro eu encontrava-me naqueles dias, por já há muito, não saber o que era uma boa “ducha”; ao passo que dirigi-me dali para outro lugar mais ameno, e quando cheguei ao dito cujo lugar, eu parei! e por uma pequena fração de tempo fiquei ali parado e atônito...
─ Já fazia algum tempo que eu não escrevia sobre uma pessoa de uma personalidade tão perspicaz, quanto a personalidade desse mendigo de rua que já há algum tempo eu estivera ali à observa-lo naquela viela de esquina.
─ Naquele mês de Março eu estava bem preocupado e aflito com meu novo artigo para a coluna do jornal, que eu precisaria escrever à mando do meu chefe o Sr. Montevidel, para a coluna das “10 personalidades mais destacadas do país”, recordo-me perfeitamente que o Sr. Montevidel conjurou dizendo:
─ Fillipes! Se tu não trazer-me este mês “algo de bom” para que eu publique no “In The First Time News” pode ter certeza! eu juro que acabo com sua carreira de jornalista!
─ Lembra-me ainda que: quando ele dissera isto, eu simplesmente disse à ele:
─ Sim Sr. Montevidel, prometo que este mês trarei um artigo que irá “abalar com as estruturas” e com toda certeza irá ser um recorde de vendas, fica tranquilo ok!
­─ Após uns 5 longos e infindáveis minutos de perplexidade e meditação, logo ao chegar na esquina mais próxima donde eu estivera outrora e fora expulso pelo guarda civil, eu vi um pequeno pedaço de papel extraviado e um pouco sujo jogado ao chão, e achava-se escrito no pequeno pedaço de papel a seguinte frase:
“Para construir-se um mundo melhor, é necessário continuarmos de mãos dadas em prol do desenvolvimento sociocultural e principalmente elaborar projetos que viabilize a cultura e estudo à todos”.
─ Eu quase que tive um “treco” ao terminar a leitura cuidadosa daquele papel, tendo em vista a atual situação que encontra-se a sociedade em que vivemos, o total menosprezo pelas pessoas de baixo poder aquisitivo, dificuldade de acessibilidade às melhores universidades para os alunos de baixa renda, total descaso por parte dos governos nas áreas da saúde, dentre tantos outros problemas sociais que afetam sem dúvida alguma de forma direta ou indireta a nossa sociedade.
─ todavia eu acabei por achar um cantinho ao chão gelado, frio e sujo daquela viela onde deitei um pouco, afim de esquentar-me; talvez fora do alcance das fortes rajadas de vento que assolavam meu corpo como se fossem severas chibatadas em um escravo negro antes de entrar em vigor a lei áurea, eu pudesse aquentar-me um pouco; haja vista que, as únicas coisas em espécime que cobria-me aquela fria e escura madrugada silenciosa, que mais parecia o interior de um porão de casas velhas largadas às traças e ao tempo, era 2 singelas e maltrapilhas roupas de frio rasgadas apenas; evidentemente, é claro que, sem levar em consideração o "exuberante véu celestial tecido e embotado por miríades...e miríades...e miríades de belíssimas e pequenas estrelinhas", que estava à cobrir-me aquela fria madrugada de domingo...
Eu jamais poderia conceber em minha imaginação, o quanto aquele mendigo chamado de John Stuartt Knoxx Bakker, filho de um Historiador e uma faxineira, era tão brilhante o quanto era, no que diz respeito às problemáticas socioculturais, entrementes os seios da sociedade em que vivemos, em detrimento das dificuldades de inserção de pessoas de classe baixa ao ensino superior por exemplo; sem dúvida eu jamais poderia imaginar isto, se eu não tivesse por mais uma vez passado, como me era peculiar, passar por aquelas regiões, especificamente naquela madrugada fria onde já eram quase 03:00 horas da manhã, e convidado John para tomar um chocolate quente comigo; passamos uns 30 minutos percorrendo a cidade com meu carro e o que não me foge da memória é exatamente aquela expressão no semblante de John de felicidade e expressiva gratidão à mim por haver feito uma benfeitoria à ele, mesmo que sendo está uma pequena porção de atenção para a pessoa dele e conseguintemente tê-lo tirado daquele lugar frio e o conduzido para um local mais aconchegante e acolhedor.
Durante longas e produtivas 3 horas em que estivera eu e John à conversar na lanchonete do Billi perto do meu apartamento, eu confesso-vos que foi o chocolate mais longo de minha vida, contudo falamos sobre vários assuntos desde religião e sociedade, até mesmo como John foi parar naquela situação tão precária e desumana em que ele encontrava-se.
─ Sr. Fillipes?
─ Sim John.
─ O Sr. ama a sua profissão correto?
─ Com certeza John, eu amo o que faço e busco à guisa de um exemplar profissional atingir todos os meu objetivos e metas.
─ Isto é muito bom Sr. Fillipes, tendo em vista que hoje em dia há muitos profissionais, porém em contrapartida há poucos amantes da profissão a qual se têm exercido e existe uma grandiosíssima diferença entre ambos os termos supracitados, na minha opinião eu diria que existe um colossal abismo divisório entre ambas as coisas, o "ser um profissional" e o "ser um amante da profissão exercida".
A longa conversa que tive com John e sua inacreditável história, conferiu-me o privilégio de ser o detentor do topo da coluna daquele mês sobre as “10 personalidades mais destacadas do país”, o Sr. Montevidel promoveu-me a editor chefe da sua seção no Jornal, juntamente com ele e seu ex “braço direito” Túlio Mendes, eu digo “ex” por que o meu artigo ficou tão impecável que à partir daquele dia eu passei a ser o “braço direito” do Homem; quanto ao John nunca mais o encontrei, eu até passei àquelas vielas por que John sempre andava e encontrava-se ali, porém não o vi mais.
─ Logo após as longas 3 horas de conversa que tive com o Sr. Fillipes naquela madrugada tão fria quanto estava, eu dirigi-me à 1ª casa de recuperação de alcoólicos anônimos mais próxima que tinha, naquela viela que eu morava e internei-me lá e durante 2 longos anos de tratamentos eu sai das ruas arrumei um emprego e novamente voltei a ter uma vida normal como qualquer outra pessoa da sociedade; casei-me com Melissa Diana Assur, tivemos 1 casal de filhos: Bianca Soares Knoxx Bakker e Bruno Knoxx Bakker e por fim minha vida mudou de uma forma indizível e inexplicável ao cabo de 10 anos.
Fim.
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Atualizado em: Qui 16 Fev 2017
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