person_outline



search
  • Romance
  • Postado em

Meu querido Manequim(cap4)

Não se sinta perdido! LEIA os capítulos anteriores! Tenha ótima leitura!

Era manhã de sábado nublado quando Emily despertou ao ouvir um barulho vindo dos pés da cama, no roupeiro. Era Thomas. Nem mesmo ele esperara que aquela gaveta fosse correr tão de pressa e bater fazendo um barulho seco. A verdade é que, também, não teria reparado que Emily havia acordado se não tivesse ouvido o chamado preguiçoso a suas costas. “Tomy”. Parado com um par de sapatos em mãos, ele permaneceu aos pés da cama e a fitou sem dizer nada. Normalmente teria se aproximado para afaga-la em seus braços, mas dessa vez, sem sair de onde estava, deixou que ela continuasse o que estava dizendo.

— O que você ta fazendo? – disse sonolenta.

— Só pegando umas coisas. – ele respondeu erguendo e mostrando os sapatos. — Desculpa! Não queria te acordar agora.

— Não, tudo bem! Mas aconteceu alguma coisa? Onde você estava? –perguntou em seguida. — Liguei pra você noite passada, deixei mensagem e nada de você me responder! Fiquei preocupada. – concluiu.

— Eu to bem! – falou seco antes de catar mais algum outro item e seguir dizendo. — Já que... Você acordou, podemos conversar na sala? – parou por um segundo e depois deixando o quarto.

— Tomy! – chamou novamente, mas pareceu que não fora ouvida. — Saco! – resmungou jogando-se novamente no travesseiro ao percebe que ele provavelmente estava emburrado.

 Ainda de pijama, Emily, o encontrou na sala, escorado sobre o encosto do sofá.

— O que você tem, hein?! – aproximou-se dele. — Acordou com o pé esquerdo, foi?!

Imóvel, com os olhos fixo nela ele disse calmamente.

— To indo embora!

Em um primeiro instante Emily achou graça e até riu achando que fosse algum tipo de brincadeira, mas depois de alguns segundos percebeu que Thomas manteve o semblante sério. Só então, ela avistou as malas postas perto da saída do apartamento.

— Você ta falando sério?! – agora falou petrificada. — Embora pra onde? – sem entender direito o que estava acontecendo.

— Por enquanto já acertei com ela e vou ficar na casa da minha irmã por um tempo até eu achar um outro lugar... – explicava.

— Mas por que isso?! – intrometeu-se. — Você bebeu noite passada, foi isso?

— Não, Emy! To bem sóbrio! E ta cada dia mais clara a situação...

— Mas do que você ta falando?! – ela parou por um segundo. — Foi por causa daquela noite, é isso? – colocou com um tom mais sério achando que havia encontrado o motivo. — Vai embora só por que não fizemos sexo? Mas me faça o favor, né Thomas!

O outro respirou fundo rindo-se.

— Então, pra você esse é o motivo? – pausa. — Você não consegue nem mais enxergar o que ta acontecendo, né?

— Então me explica! – estendeu as mãos indignada.

— É a nossa vida, Emy! A gente já teve essa conversa mais de mil vezes e você nunca fez questão de encarar que não ta dando certo, caramba! – respondeu em um tom mais áspero. — Um de nós dois tem que reconhece isso! – colocou.

— Mas reconhecer o que?! – questionou o outro. — Que você surtou de uma hora pra outra?

— É exatamente disso que eu acabei de falar! – agora falava com os braços abertos. — Você não enxerga mais a gente. O nosso relacionamento não existe mais! Ta desgastado! Você só vive pra aquela loja. – esclareceu.

— Claro! Só podia ser por isso. – respondeu não demostrando estar surpresa por estarem novamente discutindo aquele assunto. —Você também vive naquela floricultura e eu não reclamo. – defendeu-se.

— Mas coloquei você... O nosso noivado em segundo plano? – ele defendeu-se jogando contra.

Emily buscou fôlego.

— E o que você quer? – pausa. — Que eu largue tudo o que eu consegui até agora por nada?

— Nada! – Thomas repetiu incrédulo. — Acontece que esse NADA é o nosso noivado, nossa vida! E você não dá mais a mínima pra ela. – despejou desgostoso.

— Como não dou a mínima, Tomy? – sem acreditar no que ele acabara de lhe dizer. — Você enlouqueceu?! Só pode ser isso! – embravecida.

Thomas largou um sorriso desgostoso.

— Sim. Tanto que a prova da minha loucura ta lá no quarto. – apontou para o cômodo. — Ao lado da cabeceira, já faz dois dias. – completou.

Emily não entendeu a que ele se referia. Sem dizer mais nada, Thomas deixou a sala e seguiu para a saída, em direção as malas.

— Agente precisa disso. – comentou sobre a decisão que tomara. Parou por um instante até voltar a falar. — Não to levando tudo – avisou abrindo a passagem. — Mas... Assim que eu me resolver eu volto pra buscar o resto!

— Então faz como você quiser! – Emily respondeu com o olhar baixo e agora escorada ao marco da grande porta que ligava a sala e a cozinha.

Thomas, com um gesto sutil, concordou com a face e então fechou a porta e foi embora depois de se despedir.

Emily, buscando recompor-se, esfregou as mãos sobre o rosto e buscou as horas no relógio pendurado na parede. Viu que acordara bem mais cedo do que o normal. Chorosa, foi até o quarto. E como Thomas havia dito, encontrou ao lado da cabeceira um pequeno cartão vermelho. Quando o abriu, leu uma mensagem amorosa com dizeres de bom dia. Sem conter as lágrimas, entregou-se a cama.
Pin It
Atualizado em: Sáb 19 Ago 2017
  • Nenhum comentário encontrado

Curtir no Facebook

Autores.com.br
Curitiba - PR
Fone: (41) 3342-5554
WhatsApp whatsapp (41) 99115-5222