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Meu querido Manequim (cap.3)

   Não se sinta perdido! LEIA os capítulos anteriores! Tenha ótima leitura!

   No dia seguinte, Emily acordou com seu celular despertando. Em um único movimento, conseguira desliga-lo sem qualquer dificuldade. A verdade é que adquirira aquela precisão naturalmente já que, como uma rotina, não conseguia estar em pé antes das oito horas da manhã. Aos poucos foi despertando, mesmo que aquela vontade de ficar um pouco mais na cama fosse violentamente irresistível. Estendeu-se o máximo que pode sobre a cama e percebeu que estava sozinha, mas dessa vez, não era “um sozinha” como das outras vezes. Percebera que estava sozinha desde a noite passada. Chegou a essa conclusão, pois reparara que o lado onde Thomas dormia, daquela vez, não estava amarotado como sempre o encontrava ao acordar. Certamente ele dormrira na sala. Buscou as horas no relógio e só confirmou o que era óbvio, ele  provavelmente já havia partido para o trabalho.

   Depois, na sala, encontrou a mesa nua. Sem toalha estendida e muito menos os guardanapos em seus devidos lugares e a xícara que regradamente a esperava a cada manhã. De fato, não encontrou se quer a xícara de Thomas sobre a pia depois de ser lavada. Foi só então que Emily imaginou saber a razão para aquilo que estava acontecendo. Thomas provavelmente ficara chateado por causa da noite passada. Em seguida, catou seu celular e ligou para ele, mas caiu na caixa de mensagem. Teria tentado novamente, mas achou que, assim como das outras vezes, aquele desentendimento entre eles não se estenderia por muito tempo, que seria deixado para trás como uma coisa boba, sem sentido. Acreditava que não era algo para se preocupar demasiadamente. Deixou o seu apartamento depois de comer algo rápido.

   Emily servia-se um pequeno copo de café quando Renata bateu à porta de sua sala. Com a passagem entre aberta, a outra pôs apenas parte do corpo para dentro do ambiente com o sorriso largo de sempre.

   — Bom dia, minha linda! – começou dizendo antes que adentrasse de uma vez.
   — Bom dia! – Emily respondeu voltando para sua cadeira.
   — As meninas da venda ligaram pra você? – Renata pediu em seguida enquanto segurava algumas folhas grampeadas.
   — Não! Por quê?! Aconteceu alguma coisa? – Emily preocupou-se imediatamente.
   — Sim! – a outra sorridente. — O lote chegou já faz uns minutos. –terminou explicando.
   — O lote?! – a outra empolgou-se instantaneamente. — Achei que fosse chegar só de tarde! – comentou surpresa.
   — Não! – Renata abriu a porta por completo. — Vem, vem! – estendeu a mão e chamou a amiga insistentemente. — To louca pra ver!
   Sem conseguir se que tirar um gole do café, Emily obrigou-se a largar o copo sobre sua mesa e deixar a sala seguindo atrás da outra que parecia tão ansiosa quanto ela mesma. No andar de baixo, chegaram ao local onde algumas caixas estavam colocadas em cantos determinados.
   — Bem... Nada mais justo do que vocês fazer as horas! – Renata deixou que Emily se adiantasse para romper a primeira caixa.
   Aos poucos as peças de roupa foram sendo reveladas.
   — Vai ser um sucesso! – Renata animada. — Olha só isso! – segurando um vestido estendido a sua frente. — Só você mesmo Emy!
   — A variedade que eles têm é gingante. – Emily, dando atenção para uma blusa, referiu-se ao fornecedor. — Escolhi a dedo. Espero que as vendas sejam ótimas! – concluiu.
   — Vais ser! –Renata confiante. — Vai sim! – reafirmou.
   Mais ao canto havia uma caixa diferente. Ele não era tão alta, mas chamou a atenção por ser mais estreita.
   — E aquela? – Renata curiosa. – cabides? – palpite.
   — Não! – Emily foi até a caixa. —  Essa aqui deve ser o brinde! Já tinha até me esquecido! –riu-se.
   — Brinde? – Renata. — Ainda tem brinde?! – surpresa.
   — Pois é. Com um lote desse tamanho eles enviam também um manequim. – explicou. – Com certeza deve ser isso.

   Abriram o pacote e confirmaram o que Emily acabara de dizer. Lá dentro havia um boneco em pedaços. A princípio, não era de se esperar que fosse diferente dos demais manequins que já tinham na loja, mas depois de montado, puderam repara com mais calma os detalhes da figura. O rosto fora especialmente desenhado. Trazia as feições de um rosto humano, mas que fora petrificado com o olhar vago. Seu revestimento siliconado tinha um tom que se assemelhava a um caramelado, mas ao mesmo tempo em que era denso, também parecia misturado com um tipo de cor rosado lhe dando uma aparência mais suave em alguns pontos.
   — Só faltou o cabelo. – Renata comentou fazendo pouco do brinde. — Bonitinho até. – finalizou.
   — Eu adorei! – Emily expôs sua opinião que visivelmente foi apoiada por suas outras colegas. — Bom, meninas! Já podem abusar do nosso gato. – referiu-se ao boneco. — Via ficar lindo na vitrine! – completou indo em direção a escadaria que conduzia para o andar de cima acompanhada por Renata.
            Quando chegou em casa,  Emily logo percebeu o silêncio do lugar. Normalmente a televisão estaria ligada. Deixou as chaves sobre a mesa na cozinha e foi até sala e não encontrou ninguém. Chamou por Thomas imaginando que ele estivesse no quarto. Não tendo resposta, seguiu até o como para ter certeza de que ele não estava por lá. Não estava. Foi até a sacada e viu que era inútil procura-lo, a verdade é que estava sozinha no apartamento. Deu de mão no seu celular e escorou-se no corrimão. Chamou duas, três vezes até cair na caixa de mensagem igual aquela manhã. Esperou por mais alguns minutos até ligar novamente, mas Thomas não atendeu, então resolveu deixar uma mensagem de voz.

   — Thomy, onde você ta? Cheguei em casa e não te encontrei. Não me deixa preocupada. Me liga. Bjo. – voltou para dentro e se desfez do aparelho e seguiu para o banho.
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Atualizado em: Ter 20 Jun 2017
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