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Quem se importa?

Meu celular vibra. Não é importante, talvez deixei alguma atualização pendente. Afinal, quem liga? Estou deitado na cama, numa crise infernal de insônia. Quem liga? Mas, o que mais me perturba é minha habilidade de me autoflagelar à noite. Incrível, as lembranças boas conto nos dedos. As ruins, demoro a noite recordando. Quem liga?
- Eu ligo. – disse, palidamente ela.
- Você está morta. Não tem mais o que sentir.
Mas, do alto, sua cabeça espetada na lança insistia em falar.
- Você me matou. Eu senti muito com isso.
Estava escuro na sala, mas a cabeça dela era fácil de ser identificada, mesmo com todos aqueles fios bagunçados cobrindo seu rosto.
Agora o celular toca. Uma ligação de presídio ou da operadora. Claro que não seria alguém me procurando. Ninguém se importa. Sou inútil. Minha única companhia é essa fria faça úmida de sangue que esfrego em meu rosto.
- Me reajunte. – disse outra cabeça no chão.
- Como unir laços que já foram rompidos? – disse para os pedaços dos corpos espalhados pelo quarto – Afinal, fui eu mesmo que os rompi... eu só a queria de volta...
A porta bate. Salteadores, talvez. Alguém batendo por engano. Ou você acha mesmo que alguém me procura... Não, não. Bobagem.
Agora a ouço arrombando-a. E gritos. Mas não vieram por mim. Vieram por eles. Oras, quem viria por mim? Kkk ninguém sequer se incomodaria. Por quê eu não faço um favor para o mundo e tiro minha vida? Não, não. Vejo que querem me poupar desse trabalho. Pelo menos isso fazem por mim. Estão gritando comigo agora. Me espancando. Me furando, como furei os amigos deles. Ah, pelo menos isso eles fazem por mim.
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Atualizado em: Seg 8 Ago 2016
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