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Esse texto não é sobre nós.

Eu poderia escrever sobre como adoro o pôr do sol, o cheiro da chuva, as árvores, ou até mesmo sobre coisas tolas como a roupa da moça que eu vi na rua e que era engraçada.
Eu poderia escrever sobre mim, meus gostos, manias e inúmeros defeitos. Há tantas coisas para serem escritas, palavras que poderiam ser ditas. Eu sei.
Não me culpem por escrever sobre amores falidos, saudade e sentimentos tão fortes que chegam a doer. Me reencontrar, me redescobrir, é o que faz sentido para mim e, para isso, tenho escrito sobre momentos que vivi e onde procuro, incessantemente, descobrir onde foi que me perdi.
Sempre respiro fundo antes e após escrever algum texto, não sabe como me dói cada palavra, cada lembrança. É difícil se deixar transparecer, deixar que as pessoas saibam quem você é verdadeiramente, mas, é importante permitir que as pessoas entendam porque e como você chegou até aqui, sobre como a caminhada do outro também é difícil e o quão necessário é ter empatia.
Todos nós já passamos por inúmeros amores, não importa o tempo que eles tenham durado. Todos nós já sentimos o frio na barriga, a ansiedade, a saudade, a vontade de estar perto, a decepção, a traição, a tristeza e a felicidade que se propor a estar com alguém pode causar. Eu nem estou falando de um tipo de relacionamento específico, seja na opção sexual ou na forma como se relacionavam, mas sim, de amar e ser amado. Ou de amar sozinho. Ou de ter medo de amar.
Estou falando daquela vontade que todos temos, embora queiramos sempre calá-la, de entrega. De mergulhar no escuro e gostar da sensação da queda. E as vezes a queda compensa, porque percebemos que não "pulamos" sozinhos. Ah, se você já sentiu isso que estou falando, eu não preciso te apresentar o amor. O relacionamento pode ter acabado, tudo bem, temos que entender que o eterno é relativo; mas você viveu um belo romance.
Se você pulou e percebeu, ao sentir o baque do chão duro, que estava só, eu sinto muito. Pode parecer estranho o que vou dizer, mas você também sentiu o amor. Sei que doeu, sei que foi horrível a sensação de chegar no fundo e ver que não tinha ninguém lá por você. A gente imagina a outra pessoa, lá em cima, olhando pra gente, lá embaixo, e rindo. Queremos gritar: "ei, seu/sua covarde, me deixou pular sozinho/a!". Mas não se esqueça, o outro também sente, também tem medo. Sei que você tem mil e um argumentos para usar comigo, dizendo que a pessoa disse que pularia ou que, você nem estava tão a fim de pular mas a pessoa te induziu.
Olha, eu também tenho os mesmos argumentos, eu também gritei: COVARDE, mas, no final, eu entendi que não adianta. As vezes o outro pulou um dia e também sentiu a dor do impacto. E sofreu. Só. E teve medo de voltar de novo para o fundo (só quem esteve sabe como é difícil sair). E, se ainda sim, você não quiser se livrar da mágoa, do medo e principalmente, dar dor que viveu/vive por conta da queda, a única coisa que eu posso te assegurar como alguém que já pulou tantas vezes e caiu tantas quanto, é que passa. Vai machucar? Lógico. Mas, olhe para as cicatrizes como lembretes, não da mágoa, mas de que as vezes é bom pensar melhor antes de pular.
E se você me perguntar onde exatamente eu estou agora, eu te direi que no fundo. Só? só. Mas tudo bem, eu já aprendi o caminho da saída e prometi a mim mesma que no próximo salto eu levo um paraquedas.
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Atualizado em: Sáb 5 Ago 2017
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