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Aquele nós.

Aquele bosque sempre terá o seu sorriso, o sorriso de quando nos conhecemos.
Aquela saída do meu trabalho, em frente ao bosque, sempre terá a ansiedade dos minutos que esperávamos para que nos víssemos.
Aquela praça central em frente o ponto de ônibus sempre terá as nossas caminhadas, e como elas me faziam feliz.
Aquele cinema no centro da cidade, com a entrada barata, onde crescemos indo ver filmes (sem nem ao menos sonhar com a existência um do outro) e que, resolvemos que seria nosso lugar, sempre terá a gente sentado e eu chorando no final do filme, porque você sabe, eu sempre choro.
Aquele banco no ponto de ônibus sempre terá a imagem de você sentado, me esperando, e os nossos sorrisos quando nos víamos.
Aquele lugarzinho vazio do ônibus sempre terá um casal se abraçando, igual fazíamos.
Aquele caminho que faço do meu trabalho até minha casa sempre terá as nossas mãos entrelaçadas, e as histórias que contamos no trajeto.
Aquela entrada do meu prédio sempre terá a ansiedade misturada com felicidade, poderíamos ficar sozinhos e quietos, finalmente.
Aquele elevador com espelho sempre terá a nossa imagem gravada, as caretas e abraços das fotos que nunca tiramos.
Aquele apartamento sempre terá nossos abraços, as comidas que cozinhamos juntos (sendo que eu sempre cozinhei mais, embora você se gabasse dos seus dons culinários) e, principalmente, o alívio de ser só "a gente".
Aquele quarto sempre terá os filmes que vimos, e os que não vimos, deitados juntos. Terá também nossos abraços, nossos olhos nos olhos, nossos carinhos, nossos beijos, sua mão na minha e em mim. Não terá as tardes e manhãs que me deixou dormir porque você não consegue ficar quieto um segundo e tudo bem, era ótimo ficar acordada com você.
Aquela água quente do chuveiro caindo, sempre lembrará você e eu sei que você se lembra do porquê.
Aquela hora que você tinha que ir embora sempre será o motivo do meu riso e do meu choro. Atrás daquela porta, onde enrolávamos por minutos a sua partida e onde, geralmente, trocávamos as palavras mais sinceras um com o outro. Onde você me pediu para confiar. Onde, você, tanta vezes me abraçou e disse que já estava com saudade.
Onde, você, há 1 mês atrás, disse adeus. E nos olhamos. E choramos, sabendo que aquele bosque, a saída do meu trabalho, a praça central, o cinema do centro da cidade, o lugarzinho vazio no ônibus, o caminho que eu faço do meu trabalho até minha casa, a entrada do meu prédio, o elevador com espelho, o apartamento, o meu quarto, aquela água quente e, aquele corredor atrás da porta, nunca mais nos veriam juntos.
Aquela menina doce, sonhadora e que você sempre disse que se preocupava demais com os outros continua aqui. Você se foi, mas os lugares onde você esteve comigo ainda fazem parte da minha rotina e, principalmente, das minhas lembranças.
Eu ainda estou aqui.
Aquelas promessas que você me fez também.
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Atualizado em: Ter 1 Ago 2017

Pessoas nesta conversa

  • Olá, Celine! É um prazer conhece-la.
    Seu texto me emocionou.
    Me fez voltar no tempo, recordar coisas importantes do meu passado.
    Não vou mentir, me fez lembrar momentos bons, e também, outros ruins.
    O doce, e o amargo; que são partes de nós.
    Engraçado como podemos nos encontrar nas histórias contadas por outros, não?

    Li todos os seus outros textos publicados aqui também. Espero que continue escrevendo. :)

    Abraços.
    R. B. Santos.

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  • Não sabe o quanto me fez feliz ler o seu comentário.
    As pessoas, as cidades, os lugares e a forma de amar são sempre diferentes mas, a sutileza e o doce e amargo, que o senhor mesmo citou, são os mesmos sempre!
    Muito obrigada pelo carinho, são textos que escrevo com sentimentos reais. Continuarei a escrever.

    Atenciosamente e com carinho,
    Celine Alves.

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