person_outline



search
  • Pensamentos
  • Postado em

Saudade daquele mar

Deixei-me envolver pela água salgada. Talvez tenha descido fundo, mas não o suficiente. Então, meio raso meio profundo quanto estava, só pude deixar-me envolver pelo verde do mar. Nada à frente, dos lados ou atrás. Nem sequer um palmo. Em minha confusão, perdido sem direção no abraço esverdeado, não prestei atenção o suficiente na luz do sol. Se tivesse esticados as pernas, quem sabe teria sentindo a areia com meus pés. Mas não. Permaneci ali. Sendo embalado pelas águas. Imagino hoje quanto perdi. Caso tivesse lutado, me levantado, ou, até talvez me lançado até o mais profundo fundo, o que teria visto? O medo me impediu de me entregar, ancorou-me e ali me manteve, me fez brigar com o mar. Mar aquele, que quem quer que o amasse se deixaria levar. Agora, em lapsos de melancolia, me recordo das poucas vezes que meus olhos foram a superfície daquela praia. O vermelho do pôr do sol ondulando nas águas, as árvores dançando na brisa como se suas raízes fossem se soltar e participar. As cores da areia, pedras de todos os tons que, com sua aspereza prendiam parte da espuma do mar e se deixavam brilhar como se disputassem com estrelas um lugar.
 Mas eu inspirei o sal da água. Deixei a ardência, o assombro do desconhecido me infectar. E hoje me arrependo, porque pra garota dos cabelos vermelhos que me lembra o mar… Não voltarei mais.
Pin It
Atualizado em: Ter 2 Mai 2017
  • Nenhum comentário encontrado

Autores.com.br
Curitiba - PR
Fone: (41) 3342-5554
WhatsApp whatsapp (41) 99115-5222