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COISAS DE DEUS!

coisas de deus autores com

R. B. Santos - Novembro -2016



Revisão: Luísa Aranha



Agradecimentos Especiais:

"Sociedade Secreta dos Escritores Vivos": Larissa Ribeiro, Bruno Vieira e Bruno Cardoso.




"COISAS DE DEUS"



"Para elas, as mulheres": As duas principais mulheres que tive presentes em minha vida, que mesmo por pouco tempo. Fizeram do pouco, um luxo eterno.

Mãe, e Irmã: "Lú..., você quer umbu?"



Seu Jerônimo, um senhor aposentado, com idade superior aos sessenta anos, era um homem evangélico e como bom crente, frequentava a igreja regularmente. Andava sempre com sua bíblia e não perdia a oportunidade de pregar a palavra de Deus. Ele e sua esposa tomavam conta do neto. Foi deixado pela única filha do casal, quando este ainda era pequeno. E ela, a filha, viajou para tentar a vida na cidade grande.


Depois de alguns anos, a mãe do garoto faleceu, antes mesmo de ter a chance de vir buscá-lo. Então, como não tinha outro jeito, ficou aos cuidados dos avós. Foi criado como filho. Com toda atenção, amor e carinho. Seu nome era Peter, mas para Jerônimo, era Pite. Não deixavam faltar nada para o garoto.

Não se sabia por qual motivo, conforme ele foi crescendo, foi mudando de personalidade. Tornou-se rebelde e muito respondão. Brigava com os amigos na escola e falava muito palavrão. Bem que o avô se esforçava para endireitá-lo. Levava à igreja, lia passagens da bíblia, mas não tinha jeito. Na presença dos pais avós, até que ele maneirava, por respeito. Mas de quando em quando, Jerônimo recebia uma reclamação. Ou era de algum vizinho ou então de um professor.

Para ilustrar e tentar mostrar ao menino a importância de Deus e toda sua influência nas coisas belas e maravilhosas do mundo, Seu Jerônimo sempre que tinha a chance usava como exemplo a natureza e dizia:

- Veja Pite, os pássaros, que lindos! Coisa de Deus, filho! – E olhando para o garotinho, pedia para responder: "Coisas de Deus! Amém".

Fazia isso sempre que tinha oportunidade. Acreditava que quem sabe assim, de repente, poderia surgir uma pequena luz na cabeça suja do neto.

E assim era, nos momentos oportunos:

- Pite, olhe. As nuvens no céu! Coisa de Deus, meu filho! – E o menino franzia um pouco a testa, demonstrando que não concordava muito, mas para não desapontar o avô, seguia o padrão:

- Coisas de Deus vô! Amém!

Se estivessem a passeio pela cidade, e passassem por um lago, o avô não esquecia:

- A água, Pite! Veja... o lago, as águas dos rios... das chuvas! Coisa de Deus! – e o menino:

- Coisas de Deus vô! Coisas de Deus! Amém!

Num certo dia o avô trabalhava no motor da velha camionete em frente á garagem da casa. Capô levantado, muito concentrado, enfiado com quase metade do corpo dentro do carro. O neto, agora já com aproximadamente nove anos, brincava no chão com seus carrinhos a poucos metros dali. O menino muito atento notou que saía da casa ao lado, a vizinha dona Cecília. Uma jovem viúva, apenas trinta anos. Era uma mulher muito bonita de rosto e de corpo também. Seguia na calçada e passava em frente á casa dos dois. Deu uma ventania de uma hora para outra. O vestido da moça, que era desses tecidos leve de algodão, fino e nada comprido, subiu quase até a altura dos seios, e deixou a mostra suas coxas e seu bumbum, este, partido ao meio por uma calcinha rosa minúscula.

O garotinho viu tudo estupefato, e não perdeu a chance. Olhou na direção do o avô, que ainda estava concentrado no motor, e gritou:

- Vovô! A rosa vovô! A rosa! ... Coisa de Deus, não é vovô? – o avô surpreso, parou um pouco o trabalho e com um sorriso farto na direção do menino completou:

- Sim Pite! Isso mesmo meu filho! "Rosa",... flores. Coisa de Deus! Amém! –

Dona Cecília, que havia se recomposto e já ia longe, nada percebeu. E nem o avô que voltou pro motor satisfeito – "Não é que o miudinho tem jeito?!"







 
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Atualizado em: Qui 23 Fev 2017
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