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Halloween - Somos Ficção? Ou Ficção; é o que Somos?

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Halloween – Um Conto
(Somos Ficção? Ou Ficção; é o que Somos?)


Para dois amigos especiais;
José Bento Renato, e sua querida filha Emília.



      Me contaram uma história que se deu assim: num certo país, num certo estado, incerta cidade; mês de outubro. Mês de “Halloween”, de Dia das Bruxas, para as crianças garantia de festas, brincadeiras e doces, oh! Coisa boa!

Para os lojistas também era bom, mais movimento em suas lojas, significava mais dinheiro no caixa.

Nessa cidade de muitos bairros, havia um bairro não muito grande. E nesse bairro, uma casa amarela. Dentro da casa jantavam felizes, uma família de quatro pessoas. Família unida, com muita alegria, em seus jantares conversavam e sorriam.

      Qualquer assunto era bem-vindo, falavam de tudo, sem preconceito. Cada um deles tinha um ponto de vista, o que ajudava a fluir as conversas tornando-as sempre mais interessantes.

- Hoje eu vou defender os animais! - Falava o pai empolgado no novo tema da discussão – Olhem bem para os cães, companheiros fieis e amigos leais. Fazem companhia quando precisamos, e além disso tudo, protegem os quintais.

- Pai, eu concordo, você tem razão! – Na sequência o filho de treze anos, menino jovem e antenado, gostava de ler e também de estudar – Mas vou defender o nacionalismo. Veja nossa cultura, nossa música, arte! Veja nosso poeta Carlos Drummond de Andrade!

- Gostei dos dois, e concordo também! – A mãe que era uma ecologista ferrenha, amava os rios a fauna e a flora – Eu vou defender a floresta Amazônica! Produz nosso ar, alimento para os índios, não quer nada em troca. Além disso ainda; sofre as queimadas sendo desmatada, está maltratada.

Até Zezé, que era a menor, a filha caçula de apenas um ano, já entrava no bolo pela empolgação. Em cima de um tapete, no chão da cozinha, olhava o aquário apontava e dizia:

- Aga... aga...! – Balançava os braços um sorriso gengiva – Aga... aga...; aga... aga!

      No meio da conversa surgiu um ruído, um barulho estranho vindo da parede, no cabide onde o pai pendurou seus pertences, assim que chegou do trabalho no dia.

Foi verificar a razão da desordem, pegou o casaco e pôs a mão num dos bolsos, tirou de dentro algo brilhante. Era uma pedrinha, uniforme e lisa; de cores intensas violeta lilás, lembrou da menina que viu na rua.

- Eu me esqueci, de contar para vocês – Falou o pai, com a pedrinha na mão, colocou na direção da luz, para enxergar melhor – Uma menininha fantasiada de boneca que tinha um saco de pano vermelho, me deu de presente ali na esquina, quando eu voltava para casa esta tarde.

“Ela falou, que é uma pedra “Ametista”, foi retirada de um vale distante, é um tipo de pedra de intensa magia; invoca a intenção e o mais puro desejo, um sonho infantil como quando criança, transforma as pessoas em bichos e coisas. Em personagens, em animação. Ficam assim, por pelo menos um dia, isso só acontece no Halloween”.

O brilho aumentou clareou toda a casa, depois pipocou; “Ploc” e sumiu.

Todos começaram a sentir algo estranho, girando e girando em torno de si. Iniciou de repente uma transformação.

O corpo do pai se encheu de pelos, no rosto o focinho e as orelhas cresceram, surgiu um rabo e ficou de quatro, correu porta a fora uivando bem alto.

      A mãe na sequência também mudou, sua roupa virou um vestido preto, com mangas compridas largas e soltas, na cabeça um chapéu também preto e comprido, com uma fivela na base e alças redondas. A vassoura também estava mudada, deslizou sobre o piso na direção dela, saíram voando da casa pela janela.

A Zezé encolheu numa mistura engraçada, de peixe e bebê uma mini sereia, se arrastou pelo chão e pulou no aquário. Rodopiava, e girava com os peixinhos na água.

Já com o menino não foi diferente, numa das mãos de repente um cachimbo, na sua cabeça um gorro vermelho, da cor do calção alçado no ombro. Uma perna encolheu ficou só um toquinho. Com apenas uma perna, mas com muito equilíbrio, queria brincar e ficou curioso, pulou pela janela e foi para rua.

Ficou encantado com o que viu lá fora, o bairro estava todo mudado, cheio de personagens de filmes de livros, todos brincando com grande alegria. Viu bruxas voando em suas vassouras, lobisomens e múmias jogando baralho; elfos e fadas correndo na praça, um Charlie Chaplin com um globo gigante, jogava o mundo para alto e aparava no ombro com maestria.

Mais adiante viu dois escritores, olhou bem na hora da transformação. Um transformou-se num porco gordo e grande. Que ficou de pé e saiu andando, com ar de confiança e de integridade. O outro do lado, virou uma pirâmide, depois o deserto, e depois o vento. Seguiu ventando ao lado do porco.

Na esquina da rua viu um grupo estranho, viu a boneca de quem o pai tinha falado. Era uma boneca feita de remendos e tinha os cabelos de fios de lã. Estava ainda com o saco de pano distribuindo as pedrinhas mágicas. Apontava para todos e sorria bastante, e também falava igual tagarela. Tinha ao seu lado mais dois personagens, que também gargalhavam e estavam contentes. Um jacaré fêmea do tamanho de gente, o corpo verde e uma cauda grossa; cabelos loiros com uma franja na testa, até as costas passando do ombro. Ao lado dela com sorriso discreto; um sabugo de milho que também era grande, estava de terno cartola e óculos. No queixo uma barbicha, e com vários livros. O que estava lendo naquele momento era “O Filho Eterno”, de Cristóvão Tezza.

O Menino Saci também sorriu. Ficou alegre e feliz ao ver, que todos os personagens ali reunidos, se divertiam sem brigas, sem guerras. Sem preconceito de raça ou de cor, nem de origem de lá ou de cá. E menos ainda se pobre ou rico, todos brincavam no mesmo lugar.

      Viu ainda passando ao seu lado o porco grande e gordo de pé, com seu amigo que ainda mudava; que virou areia, depois pirâmide, de novo o vento, e depois um pastor; enquanto o porco reunia à sua volta, alguns outros bichos que encontrou por ali:

      - Revolução! Revolução, nosso lema agora... é a Revolução! – Falou o porco, enquanto o amigo do lado, mudava outra vez, não queria parar; virou o deserto, e o vento de novo, e até que enfim, ufa! Depois um bom tempo e de transformações; parou de mudar, transformou-se num mago.

      - Somos uma só coisa no mundo...; todos ligados a mesma energia...; está guardada em nossos corações...; toda a beleza e toda a magia!






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Atualizado em: Qua 15 Mar 2017
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