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  • Eu era Eu

    Sempre sentir que usava uma fantasia , uma mascara , porque a sociedade teria medo sendo eu
    É com ele eu era eu , era  como uma criança no Halloween  com a fantasia de monstro a diferença  é que não era uma fantasia , eu era o monstro , ele libertava a minha parte mais obscura , soltava os meus demônios e eu adorava isso , pela primeira vez conseguir me sentir completa .
    Libertou meus desejos mais sádicos e masoquistas , me sentia o lado mais ruim do mundo.
    Isso deveria ser ruim certo?
    Mas pra mim nunca foi , sempre foi a sensação mais avassaladora possível , eu o anjo e ele o demônio .
    No final era certo o destino , fez seu papel de demônio e me destruiu por inteira .
  • "MARCAS DE UMA SAUDADE"

    Tanto tempo já passou
    e eu não consigo te esquecer
    ainda vivo na saudade
    e restos da felicidade
    que você nem quis saber

    o nosso mundo, os nossos sonhos
    o teu sorriso,o teu perfume
    tantas juras esquecidas
    nossas vidas divididas
    o meu cíúme o teu amor

    estou morrendo de saudade
    você se quer lembra de mim 
    vou sofrendo feito louco
    e a saudade pouco a pouco
    vai matar você em mim.
  • "MEU QUERIDO JUNQ".

    “MEU QUERIDO JUNQ”.

     
    (Brito Santos) / Novembro/2016



    Revisão: Luísa Aranha

    Contato: (causoseprosas.com.br)



    Capa: Arte & Criação: Wilson Brito

    Contato: (facebook.com/wilson.brito93)



    Autores Novos e Veteranos. Divulgue sua obra aqui. Contato: Vânia Livros



    Agradecimentos Especiais:

    “Sociedade Secreta dos Escritores Vivos”: Bruno Vieira, Sandro Moreira, Bruno Cardoso.

     

    “Curso de Escrita Criativa”: Tiago Novaes.

    Contato: (escritacriativa.net.br)

     

     

    Para elas, as mulheres: As duas principais mulheres com quem tive a honra, e o privilégio de conviver. Mesmo por pouco tempo, foi um pouco que virou muito, levando-se em conta a qualidade do tempo vivido.

    “Mãe, e Irmã” – “Lú..., você quer umbu?”

     

    Mais mulheres: (Professoras) do Curso de Jovens e Adultos da Escola Fundação Florestan Fernandes em Diadema/SP.

    Especialmente para “Fátima” (História); e “Ana Paula” (Português/Inglês). Espero reencontrá-las um dia.

     

     

     

     

     

     

    MEU QUERIDO JUNQ


     

    “As mulheres podem tornar-se facilmente amigas de um homem mas, para manter essa amizade, torna-se indispensável o concurso de uma pequena antipatia física”.

    (Friedrich Nietzsche )

     

    Manoel Junqueira, este era o seu nome. Para seu amor, era “Junq” (apelido carinhoso pois todo casal apaixonado tem essa mania não é mesmo? Ou é “tinho”, ou “vida”.  Alguns, são verdadeiras bombonieres. “Meu pão de mel”, “vem cá docinho de leite”.  Coisas grudentas, desse tipo.

    Estavam juntos há alguns anos. O relacionamento ia bem, cogitavam casar-se. Ter filhos? Quem sabe... mesmo que para isso, fosse necessário adotar. Uma união estável, quem poderia impedir? Namorado antigo? Jamais. Justiça? Também não.

    Com o problema na embaixada resolvido, comprou uma linda mansão em Atibaia. Tinha posses para isso, vida plena, vida boa.

    O escritório de contabilidade funcionava a todo vapor, clientes aos montes. Pensava em expandir, contratar mais funcionários. Pois é. Parece mentira, mas às vezes acontece. A felicidade aparece, vem e fica.

    Estavam bem nos negócios, bem no relacionamento, bem com os amigos. Coisa rara na vida de qualquer um, chegava a dar medo.

    O médico psiquiatra, Flávio Gikovate, escreveu sobre o assunto em um dos seus artigos: “... as pessoas, ao se apaixonarem, passam a viver em estado de alarme; muitas vezes em pânico, como se algo de terrível estivesse para lhes acontecer”.

    Sinceramente? Junq... dava de ombros para isso. Não que ele não respeitasse a opinião do médico, longe disso. Preferia olhar sempre, o lado mais otimista da vida, ver o copo “quase cheio”. Se era assim, com o copo quase cheio, quem dirá, com ele “passado à régua”.

    Como vida é ciranda, coisa viva que vagueia, chamava o Chico para cantar: “Roda mundo, roda gigante, rodamoinho roda pião, o mundo girou num instante, a roda do meu coração”.

     

    Uma mudança sutil ocorreu depois do feriado. Juntos mais uma vez, como gostavam de fazer, os três amigos fiéis, Carmen Lúcia, Manoel Junqueira e Albano Matoso, passaram um dos finais de semana mais divertidos da vida, como se o futuro adivinho e precavido, os premiasse pelo sofrimento vindouro.

    Contrapeso e equilíbrio na balança da mulher que segura a espada.

    Se conheciam desde os tempos de colégio, todos os homens naquela época desejavam Carmem Lúcia, também, com aquele corpão. Quando tinha apenas quinze anos, a menina já parecia uma “toura”. “Toura” de touro mesmo! Como se fosse esse o feminino.

    Botava umas roupas “Meu amigo”! Aqueles vestidinhos que vem o demônio no tecido, quando a mulher anda, é uma festa ali atrás, todo homem quer entrar mesmo sem ser convidado. Junq, um pouco tímido e sutil, ficava enciumado algumas vezes.

    Já Albano, macho alfa, arranca toco pega tudo e estraçalha, brincava com ela dizendo:

    “Ah..., se eu fosse mulher! Iria me vingar..., ô; se iria. O que eu faria? Sairia na rua com uma roupa bem provocante, sabe? Tipo essa que você está usando aí. E então, quando aparecessem candidatos, eu iria dar que só, dar sem dó. Dar pra caralho, deixar todos eles moles.

    E tem mais... quem não desse no couro, ia colocar na lista. A lista dos broxantes. Para aprender a se garantir”.

    Carmem Lúcia ria. Dizia que todo homem era igual, todo homem pensava desse jeito. Bons encontros, bons tempos aqueles.

    No recente final de semana, relembraram bons momentos: suas bagunças e curtições de adolescentes, inventaram e criaram novidades. Beberam, comeram, jogaram. Quase uma perfeição. Quase! Dois dos três agora noivos, pelo sim ou pelo não, justa e posta divisão.

    No meio da brincadeira, quando estavam disputando uma partida de “Just Dance”, Junq percebeu que Albano, estava a todo momento perto demais de Carmem Lúcia. Conversando mais que o de costume. De início, achou normal. Afinal de contas, a amizade dos três era antiga.

    “Será que eles já haviam tido um caso antes? E ele, Junq nunca ficara sabendo? Não, não, não... tira isso da cabeça rapaz, isso é só viagem, apenas viagem. É apenas o excesso de rum, com limão gelo e soda. ”

    E foi assim que Junq, começou a desconfiar dos dois. Pouco a pouco. Os atrasos para os compromissos que não aconteciam antes, uma viagem aqui outra li. As ligações em horas estranhas, sempre com descrições ou pelos cantos.

    “Quem era? ” “Hã? Nada não... apenas um amigo do trabalho”. A coisa intensificou, ou um copo esvaziou. Ou quem sabe, transbordou. Chegou uma hora, em que ficou insustentável.

    A semana decisiva na vida do trio seria aquela. Junq, depois do ocorrido na festa andava muito desconfiado, fez o que não costumava fazer. Uma das coisas que odiava nas pessoas, esgueirou-se por entre os móveis, e, durante uma das ligações, ficou ouvindo atrás da parede.

    “Sábado? Está bem. No mesmo lugar de sempre? Na mesma hora de sempre”. No fim a frase que terminou por selar seu destino massacrou seu coração. “Um beijo”! Aquela frase... duas palavras... nunca tinham soado tão dolorosas para ele como desta vez.

    Já havia ouvido tantas e tantas vezes, amigos cumprimentarem-se assim, é normal. Mas não ali, não entre ele dois, ele tinha certeza. Intuição, coisas do coração, de quem ama e está apaixonado. “Como ela pode? E ele...esse... porco traidor...aquela... puta e vadia”.

    Teve uma ideia: Iria até o encontro acabar com a festa. Surpreenderia os dois, e pronto. Se fosse o caso, desceria o cacete. Afinal de contas, quando o lance é traição, não tem esse negócio de culpa de um, e não culpa do outro.

    Tudo safado e sem vergonha, farinha do mesmo saco para citar o dito mais dito de todos os tempos. Para ter dedo na rosca, precisa dos dois. “Da rosca e do dedo”. Estava decidido.

    Na sexta-feira de manhã, Junq inventou uma viagem de negócios, disse que só retornaria no domingo. Comprou até mesmo a passagem de avião, mostrou e tudo, para dar credibilidade, queria deixar os dois “pombinhos” bem à vontade.

    Assim, sem desconfiar de nada, sem nem imaginar o que estaria esperando por eles. Queria pegar no flagra, ver com os próprios olhos. Todo homem traído merece isso, para limpar sua alma.

    Bons tempos aqueles em que às mulheres tinham a dignidade como principal característica. O que aconteceu com as mulheres meu Bom Deus? A culpa foi dela. Sempre dela. Ele sabia, dizia isso para os amigos quando conversavam sobre o assunto.

    “A tal: ‘Revolução Feminina’. A culpa sempre foi da ‘Chiquinha Gonzaga'. Maldita Chiquinha Gonzaga, ela e seu piano infeliz. Foi ali que começaram os ‘pancadões’ da vida. Que hoje dominam as grandes metrópoles, e muitas vezes varam as noites das periferias do Rio de Janeiro e de São Paulo, impedindo todo e qualquer um, de ter uma mínima noite de sono. Imaginou a sua canção mais famosa, uma marchinha de carnaval: ‘Ô abre alas... que eu quero passar...’, tocado com som ao fundo do “Beatbox” puxado pelo DJ. Aquele ‘tchu-tchu-tchu’ horrível e repetitivo feito com a boca, os lábios abrindo e fechando rapidamente, batendo um contra o outro e cuspindo”.

    Durante a noite, Junq de propósito aproximou seu corpo deixando claro sua intenção, para ver se rolava alguma brincadeirinha entre os dois. Porém nada aconteceu. Foi como havia imaginado, o fingimento entrou em cena.

    “Sinto muito, mas hoje não dá, não estou bem”!

    “Não estou muito bem é uma pinoia! ”, pensou Junq. Queria mesmo era guardar todas as forças, todos os seus fluídos, inclusive seu suor, para a traição.

    “Filhos duma puta, miseráveis, como podem”. O sono demorou, criou filmes na cabeça, via os dois em kama sutra, outras vezes cabaret.

    Na manhã do sábado, como tudo já estava preparado de antemão, mesmo tendo dormido mal, acordou cedo, tomou banho e café. Saiu na hora que disse que sairia, para não levantar nenhuma suspeita.

    No beijo de despedida, se manteve frio e calculista, mas não deixou de imaginar aqueles lábios noutro corpo e sua língua noutra carne. Sentiu-se enojado. Cortaria à fria faca, fino fio em franco corte.

    Pegou o carro, o peso do pé no acelerador, a arrancada seguida do barulho dos pneus riscando o chão. Sua marca, sua urina, dirigiu até um ponto, em que pudesse fazer a perseguição sem ser visto, à distância.

    Nem precisou esperar muito, provavelmente o tesão dos dois estava à flor da pele, “Malditos! Se fosse mesmo viajar, mal teria saído. Não dariam o tempo, nem de tomar o avião”.

    Seguiu o carro tranquilo, com toda descrição. Tomando o cuidado de deixar alguns outros veículos entre eles, até chegar no local designado. Quando o perseguido estacionou, fez o mesmo.

    Foi aí então que viu, sem querer crer, sem querer ver. Uma flechada, uma agulhada, uma pancada, uma explosão.

    Sua desconfiança, suas dúvidas que até então ainda se achavam penduradas no corcovado, segurando em fracas raízes e cipós, caiu de repente.

    Uma queda no vazio, uma queda no escuro. Queda funda e sem volta, buraco largo escuro negro. Tudo estava acabado, o destino dos três, selado para sempre.

    Só lhe restava uma coisa a fazer, esperou que entrassem na casa, não era um motel. Escolheram uma casa tradicional, um sobrado simples, numa rua de pouco movimento. 

    Assim era melhor, mais fácil invadir sem portão um muro baixo.

    Caminhou até a entrada, na frente os dois carros estacionados. Um atrás do outro, bem coladinhos. Dando um recado claro, do que estaria acontecendo.

    Conferiu a pistola. As aulas de tiro finalmente pagariam seu valor. Para abrir a porta, usaria dois clips, isso era fácil. Praticava de vez em quando até por brincadeira.

    Assim que entrou, conforme caminhava ficava tudo evidente. As peças de roupas formando o caminho e a indicação da transa, primeiro as formais, depois as informais...

    E por fim, as íntimas. Alguns sussurros, dois gemidos, um pouco baixo ainda lento, dava até um certo tesão, mas o ódio era maior.

    O ódio pegou o tesão pelo pescoço, empurrou contra a parede, e com adaga pontiaguda perfurou seu coração, olhou fundo nos seus olhos, sem nenhuma piedade, olhar frio, olhar medonho, um olhar sem emoção.

    Subiu as escadas devagar, no andar de cima a porta do quarto estava entreaberta. A respiração ofegante, o cheiro dela, do creme dela, do perfume dela, do corpo dela. Ela em cima dele, cavalgando. O frenesi e a vontade. 

    Vasta a fome um do outro, dava até uma certa inveja. Os dois, com os olhos fechados, nem perceberam quando ele entrou. Ficou alguns segundos observando, realmente era linda.

    Peitos grandes, rígidos, coxas grossas, bunda avantajada, sacudindo as carnes conforme o corpo se movia para frente e para trás. Gemidos, mais fortes, mais alto. Não permitiria que gozassem! Arma apontada nas mãos trêmulas.

    Não estavam firmes o suficiente, mas era perto e não tinha como errar.

    Disparos! Um... dois... nela, por trás. Três... quatro... nele, no peito. Cinco... seis... na cabeça dela. Sete... oito... na cabeça dele. Pronto.

    Sentou na beira da cama onde um ato sexual acontecia ainda a pouco. O cheiro do sexo agora, misturado ia sendo substituído aos poucos, pelo da pólvora. Latidos vindos da janela. Um funeral a caminho, o final que todos os traidores mereciam e merecem.

    Olhou na mesinha ao lado, um papel rabiscado. Não... na verdade uma carta. No envelope “Meu Junq”, com um coração, circulando o nome. Dentro, estava impresso:

    Para Manoel Junqueira

     

    “Meu Querido Junq”,

     

    O maior amor que tive em minha vida, por muito, muito tempo.

    Meu amor, não pense que estou mentindo por favor. É a mais pura verdade. Estou indo embora sem nada dizer, porque não tenho coragem ainda. Há algum tempo, venho tentando encontrar forças e coragem para te contar, juro que tentei. Por Deus, tentei diversas vezes. Sempre tive certeza do que queria em minha vida, nunca tive dúvidas sobre nada. Você estava certo sobre muitas coisas, só errou em uma. Em me aceitar. Em me deixar fazer parte da sua vida. Nestes três últimos anos, tenho sabido mais que nunca, o que é viver felicidade. Achei até que não conseguiria sentir algo além. Que o nosso amor era o ápice das alturas. O clímax do clímax. Mas não foi assim.

    Espero que nos perdoe um dia por isso. Éramos amigos. Sim, éramos. Nossa amizade sempre foi verdadeira. Se estiver lendo essa carta é porque agora já não estaremos aí com você. Planejamos fugir, ir para bem longe, para nunca mais voltar e para nunca mais nos vermos. Seria impossível uma vida nova, com você perto. Então decidimos assim. Assim é melhor ou... menos pior. O que os olhos não vêm o coração não sente, isso é um fato.

    De alguém, que te amou com toda a paixão, que cabe em um coração humano.

     

    Albano Matoso de Oliveira.

     

     

    Sua visão foi ofuscada, tanto água, tanto choro, tão molhado estavam os olhos. Caiu devagar e de joelhos, com a carta na mão, o corpo balançando em pêndulo, então gritou rasgando o ar com um alto estrondo:

     - Arghhhhhhhhhhh! Nããããooooo! Não... não... não... – pegou a carta, amassou com os punhos e apertou contra a testa. Ficou assim, alguns segundos.

    Pouco tempo depois ergueu a cabeça, ainda zonzo, respirou.

    Procurou o resto das forças, por fim levantou devagar e pesado. Ouviu o som de conversas lá fora, sirenes ao longe, pela janela.

    Ajeitou um dos corpos na cama, o outro rolou e empurrou para o lado. Como quem se livra do lixo, um saco pesado jogado no cesto.

    Tirou toda a roupa do corpo. Ficou nu e deitou-se com o outro corpo na cama arrumados de um jeito, como um casal.

    Pegou a arma na mesa ao lado. Olhou para o teto, soluçou e chorou:

    – Agora... meu amor... ninguém vai nos separar...

    “Meu amor, minha vida... foi meu tudo, foi meu lar. ”... “Meu Querido Albano”.

    No chão frio ao lado da cama, o corpo de Carmem Lúcia que já foi um dia tão quente como o sol, mas que agora era uma casca vazia e sem vida, branca e sem cor.

    Como sempre tão juntos, quem iria mudar. Não passou mais que um segundo... outro tiro cortou o ar.







    (Brito Santos) 

    caminhantesdasletras.blogspot.com






  • "REFLEXÃO" "harmonizando com o silêncio"

    Quando me harmonizo com o silêncio, com o rosto em prantos eu ouço bem baixinho meu coração contestando a veracidade do destino. Ouço ele dizendo que a maneira que o tempo escolhe para adequar com sua vontade, um sentimento extremamente sensível e verdadeiro, é um tanto dolorosa e amarga, é batalha acima da capacidade que ele possui no momento, nesse momento de reflexão, desejo da paz e da luz divina que conduz o maior e puro amor.

    Eu me deixo ser levado aos sons de DEUS, à sublime melodia da natureza, sentindo um querer natural de emudecer-me e refletir sobre as coisas que eu mais gosto e amo. Fecho meus olhos e deixo minha mente ver por mim, ela vai captando fontes sagradas que são me trazidas apenas pelo meu espírito. 

    Os reflexos coloridos dos jardins naturais resignam um destino para cada planejamento meu, as folhas se balançam, parecendo querer me dizer que também amam a vida e que sou bem vindo ali. Me entrego à energia suprema que neste momento me da confiança e me faz ser bom.

    Neste meu instante de sincronismo com a razão superior, me sinto na falta de merecimento e por um instante me retrocedo, revendo atos incabíveis que quando na fraqueza de espírito, eu cometi. Aborrecido comigo mesmo, suplico num grito emocionado a remissão pro meu único e verdadeiro refúgio,DEUS.

    Percebo que minha súplica foi concedida, uma paz absoluta neste momento se põe e minha alma, no mais profundo do meu ser, me oferecendo ainda mais vontade de viver. Por tudo isso. Viverei, agradecerei e amarei.

    Enviarei um link aos que quizerem ouvir esta reflexão com trilha sonora e narração feitas por mim! Basta me enviar uma mensagem, um recado deixando um e-mail, lhes enviarei com o maior prazer e ficarei grato! Aguardo sua solicitação! Obrigado a todos!
  • ***SERÁ*

    Será que tudo é pra sempre?
    Ou somos nós que acreditamos em algo e fazemos com que isso dure]
    [o tempo necessário para que se torne eterno?

    Será que o amor existe mesmo?
    Ou somos nós que ao gostarmos de alguém, damos tudo para que esta pessoa possa se sentir amada, respeitada a tal ponto que começamos a chamar isso de amor?

    Porque será que quando deixamos alguém magoado não pensamos nas consequencias que isso poderá nos trazer mais tarde, e simplesmente deixamos?

    Porque será que é tão triste, quando tudo aquilo que achavamos que era o certo a se fazer, na verdade era a coisa mais errada!

    Porque que a vida tem que ser cheia de incertezas?

    Porque cada passo que nós damos deve ser terrivelmente articulado, pensado, para mais à frente não darmos de cara com a parede que nós mesmos construímos?

    Às vezes cada um de nós deve parar para pensar se tudo o que estamos passando é um acaso, ou fomos nós que provocamos em um tempo já esquecido!

    "A vida é uma caixinha de surpresas" como muitos dizem. Só que quem coloca as surpresas lá dentro somos  nós mesmos!
  • #0 Cidade Fantasma

    Após uma longa ressaca, Taylor, se vê em uma situação completamente estranha e assustadora. A caminho de seu trabalho, percebe a solidão nas grandes avenidas da grande cidade litorânea de Perth, Austrália. Ao decorrer da história, a garota descobre que após o surto de um vírus, a população ainda saudável foi deslocado para os países mais perto do continente Oceânico. Por conta de seu passado, derrubou deus e mundo atrás de uma cura ao lado dá última pessoa que imaginava estar, seu ex-namorado.

    Será que o ex casal problemático conseguirá salvar o pais ou deixará que todo o mundo se contamine? O destino dos seres humanos estão nas mãos deles e eles não tem muito tempo.
  • #1 Cidade Fantasma

    TAYLOR CARTER P.O.V 

    Minha cabeça latejava.

    Nunca mais iria beber.

    É o que eu sempre falava, e realmente nunca aconteceu.

    O sol brilhava lá fora, já eram quase nove da manhã e eu ainda não havia levantado. Até tentei, mas meu corpo implorava para não ser mexido. Porém, era preciso. Tinha trabalho.

    Um banho não foi o que realmente ajudou, após algumas pilulas consegui ficar de olhos abertos sem sentir minha cabeça latejar. Minhas roupas da noite passada ainda estavam jogadas no chão do banheiro. Chutei o salto enquanto me arrastava até o armário e pegando a blusa branca, como era novata ainda precisava esperar meu uniforme chegar. Este povo demora demais.

    Uma maça foi o suficiente para não vomitar durante o caminho. Mas havia algo de errado. Naquela hora todos os dias as ruas eram lotadas de carros, motos e pessoas ignorantes que não sabiam respeitar as leis de trânsito. Mas agora, estava completamente vazia.

    Meu celular estava no porta luvas, havia deixado ali antes de entrar na boate na noite passada e desde então não o mexi. Haviam algumas ligações da emissora, eu estava completamente ferrada. Seria demitida, com toda certeza.

    Estacionei meu carro em frente a emissora como todos os dias. Quando chegava nunca sobrava vaga por isto, acabava deixando o carro do lado de fora, por sorte nunca tinha sido assaltada, ainda.

    Ao passar pelas enormes porta de vidro não encontrei ninguém pela recepção, muito menos nos grandes corredores, percorri todo o prédio e não havia nenhuma alma. O sinal lá dentro não funcionava, a internet muito menos, e todos os televisores não ligavam. Algo de estranho estava acontecendo.

    Deixei o prédio e fui atrás de alguém, mas a única coisa que encontrava eram animais perdidos nas vazias estradas. O que diabos aconteceu?

    Naquele momento havia dado uma pausa, estava em um supermercado, ele aparentava ter sido arrombado, haviam muitas coisas jogados no chão. Peguei alguns salgadinhos e água. Deitei o banco do carro e liguei o ar no máximo. Estava morta de fome e calor.

    Remexi algumas vezes no radio do carro até conseguir algo.

    " Sydney está servindo como refugio" Com certeza algo aconteceu, pensei.

    Apenas uma rádio funcionava porém estava cortando e apenas ouvia coisas que não conseguia entender direito, era sobre Sydney, o tal refúgio e a população do continente.

    _ Isso que dá ficar de ressaca.- disse para mim mesma._ Não posso mais beber, definitivamente.

    Estava entretida com meu salgadinho até me lembrar de algo. Toda capital continha um transmissor via satélite. Com certeza deve funcionar. A sede estava vazia como já esperado. Alguns papeis estavam jogados no chão e estava na mesma situação do super mercado, foi tudo tão rápido que provavelmente não deu tempo de ninguém pegar absolutamente nada.

    _ Cadê você.- revirava a gaveta da sala principal do prédio._ cadê você......hmn, um cofre.

    Colei meu ouvido na porta do cofre e então usei minha mágica. Senha estupida, pensei. A-P-1729.

    ( Austrália- Perth - 1729 ano de fundamento.)

    Lá estava, um celular via satélite. Nele continha apenas um numero.

    _ Alo?- disse ao ligar._ Tem alguém ai?

    _ Quem está falando?- uma voz grossa me fez dar um pulo, não esperava por isto._ Como conseguiu este telefone?

    _ Sou Megan , foi a única coisa que achei que fosse funcionar e veja só, funcionou. Agora pode me dizer, o que está acontecendo?

    _ Megan , onde você está?-perguntou novamente o homem, ele estava de sacanagem comigo?

    _ Perth, agora pode me explicar o que diabos está acontecendo? Cadê todo mundo?

    _ Um vírus contaminou a maior parte do continente Oceanico.- ele explicou, agora sim._ O que você está fazendo em Perth? Está área foi evacuada a dois dias.

    _ Dois dias?- disse assustada._ Que dia é hoje?

    _ Onze de Abril.- Droga, pensei. Havia dormido por quase dois dias._ Você pode me dizer qual é a sua situação? Você foi infectada?

    _ Acabei de acordar, não sabia o que estava acontecendo. Pelo que percebi, ainda estou bem.

    _ O que aconteceu com você?- uma voz feminina adentrou pelos meus ouvidos.

    _ Quem são vocês?-perguntei estranhando.

    _ Sou a agente 059, serviço secreto dos Estados Unidos da América.

    _ Estados Unidos?

    _ O governo Australiano juntou forças com os Estados Unidos e outros países para tentar descobrir uma cura e tentar conter o surto. Agora que já disse quem somos, diga você quem você é.

    _ Deixa eu adivinhar, investigou meu nome?- Ri._ Vocês não perdem o costume.

    _ Então?

    _ Taylor Carter, você provavelmente já deve ter ouvido meu nome.

    _ Com certeza, só não imaginava que seria você quem iria tentar o primeiro contato.

    _ Sempre sou a primeira.- me gabei. _ Agora pode me dizer para onde devo ir para não me infectar?

    _ Infelizmente não.

    _ Como assim não?-perguntei irritada._ Vocês simplesmente vão me deixar aqui para morrer?

    _ Precisamos de sua ajuda.

    Ótimo, três anos longe das agências e já estão pedindo minha ajuda novamente. Odiava todo esse povo.

    _ Já imaginava.- bufei entrando em meu carro e então fechando todos os vidros ligando o ar novamente._ Para que precisam de mais uma pessoa?

    _ Na realidade, apenas temos um agente nosso nesta região, não podemos arriscar mais uma pessoa.

    _ E querem me usar já que estou aqui, certo?

    _ Sim, então, irá nos ajudar?- Taylor, não fala isso!

    _ Do que precisam? - DROGA.

    _ Encontre nosso agente e ele explicará udo.

    _ Onde ele está? - Perguntei bufando.

    _ Alice Springs.

    _ Ótimo, quase dois dias de viagem.

    _ Nos estamos contando com vocês, são nossas únicas esperanças.

    A ligação foi finalizada.

    Ótimo Taylor, primeiro você flagra seu namorado transando com sua melhor amiga, depois você se embebeda, acorda dois dias depois com uma puta de uma ressaca e descobre que todo o continente onde você vive foi devastado por uma merda de um vírus, agora toda a raça da humanidade está contando com você para fazer sei lá o que com sei lá quem. Tem como piorar? E eu devo calar a boca, antes que realmente piore.

    Antes de começar minha incrível viagem de quase dois dias enchi o tanque, não paguei, para que pagar? Todos se mandaram mesmo. Peguei algumas coisas na conveniência do posto e joguei tudo no banco de trás do meu maravilhoso Mazda3 Hatchback branco. E então, finalmente peguei a estrada e a melhor parte, podia correr o quanto eu quisesse, ninguém me repreenderia ou me impediria de fazer o que eu quiser, até por que, de acordo com os americanos, sou a única esperança.


  • 0 + 0 = 1

    A união física de dois corpos é uma grande ilusão. O imenso espaço interatômico faz com que os dois corpos jamais se toquem. No entanto, os receptores sensíveis do corpo humano são estruturas exímias na captação de qualquer proximidade entre dois componentes mínimos da matéria. 
    A princípio, um beijo. Ah, quantos beijos podem acontecer nesse universo da afeição humana… Um beijo a princípio afetuoso, carregado de amor plácido e etéreo. Ou talvez um beijo descompromissado, sexualmente interessado, livre de quaisquer bagagens emocionais, qualquer intensidade metafísica. 
    Ambos beijos levam a um mesmo fim: o beijo efetivamente intenso. O beijo impregnado de calor, sensualidade, fogo e paixão. O beijo que acende todas as áreas cerebrais ligadas ao puro, irracional e instintivo desejo por outro corpo pulsante, vivo, róseo. 
    Ah, as o beijo não anda só, jamais. É acompanhado ora por mãos na nuca, acariciando os pelos escassos ou agarrando os cabelos grossos com fúria, ora por mãos compulsivas esfregando-se pelo corpo do outro por mero instinto possessivo. 
    Logo após, a urgência da imersão carnal surge. O desejo atinge um nível no qual todos os sensores de racionalidade da estrutura física humana são por ele obscurecidos, por vezes completamente apagados. O ente corpóreo ambulante não mais suporta viver sua única e miserável existência, fadada à solidão e à podridão eterna. Dessa forma, os dois corpos se unem, compartilhando não apenas estruturas carnais, mas as paixões, os sentimentos que insistem em surgir em momentos inoportunos, as metas jamais alcançadas, as frustrações inerentes ao ser que anda sobre este chão, acompanhado de longe por mais e mais seres vazios. 
    Dois vazios somam então, em sua vaga, distante, estúpida efemeridade e insensatez, uma plenitude.
  • A canção que fiz

    cancao de amor e
         Como começar esta canção? Tem que ter o mar, o som do mar num dia claro para o inicio, no meio o barulho de alguém pulando neste.
         Tampei os ouvidos para não escutar tal musica depois de pronta, me trazia solidão. Mas por quê? Se é tão bom e belo o convite do mar as suas águas.
         A música deve falar de amor, de uma mulher a quem se teve amor e este se desfez por algum ato final.
         Não sendo uma novela daquelas que um morre no fim, mas sendo mais ou menos assim, pois a de morrer de amor um dia.
         O refrão tem que ter gritaria, mas uma boa gritaria para os ouvidos, gritos de amor e não de desespero ou medo.
         Tem que sentir alguém lhe apertar o pescoço de tanto amor que tem para te dar e não sabe como fazê-lo.
         Como terminar esta canção? Já o fim... O fim tem que terminarem juntos porque de tanto brigarem acabam se amando e perdoando.
         Esta é a novela musical de muitos amantes e atrizes, esta é a canção que vai tocar lhes o coração.
         Somos amantes do mar, amantes no mar, amantes da paixão que penetra em nossos corações e nos faz sentir.
         Ao terminar esta musica saio pela porta e após dormir acordo me perguntando se a fiz.
         Por fim quebro o violão, para me dar mais inspiração e terminar dizendo assim:
         -Uma canção que me faça esquecer, esquecer-se de ti e recomeçar aqui, da mesma forma que antes começamos e agora esperando um novo fim!
         Então começo uma nova canção, se no caderno, novas paginas rabisco e nelas eu acredito.
         O vento vem para me dizer:
         -Vá me ouvir no mar! E é assim que eu vou compondo. E é assim que sua vida vai se juntando, a mim, ao me ouvir depois da musica pronta a cantar.
         Cantando para vocês a quem nem conheço, mas me faz ter endereço, um caminho longo a seguir cantando e encantando, encantado por tudo a seguir.
         Obrigado por lerem, a canção que eu fiz, desta outra nova fiz e aqui se fez ler para depois você ouvir.
         Oh, querida.
  • A escuridão e a Luz

    Cada canto do meu chalé era uma alma perdida, Uma alma de quem quer nada com a vida ! Mas quem sou eu para dizer umas coisas dessas ! Alias oi ! Eu me chamo Grabriel Di angelo filho do semideus Nico Di angelo que é filho de hades..ou seja hades é o meu vó ! Puff da na mesma ! 

    Sempre fui apaixonado por um filho de Apolo chamado Felipe ! Felipe averls ! Mas ele tem namorada e nunca me repara ! Alias quem repara no neto de Hades ? Ninguem. 

    .......

    Finalmente o toque do recoler...Uma tronbeta que Quiron feiz para Mandar o povo pros seus chalés ! Diz ele que é melhor do que ficar grirando que nem louco mandando o povo ir dormir ! Me lembro desses dias, Confeço que até que me dovertia vendo aquilo ! Mas em fim...vou pro meu chalé quando entro percebo que algo está estranho...A porta do banheiro estava aberta..pingos de aqua podiam ser ouvidos...uma estranha gosma vermelha aparecia nas paredes ! Escuto a porta atrás de mim ser fechada muito forte..as luzes do local de dentro do meu chalé estavam apagando ! Isso deveria ser normal pro chalé de Hades ! Mas...isso nunca aconteceu ! 

    - Quem é está ai ? - digo 

    Do nada escuto uma risada ! 

    Kkkkkkkk - risada de garota 

    - Ta bom ! Clarity pare com essa brincadeira sem graça ! - digo

    Clarity é uma meia-erma minha ela ama me zuar ! Mas depois que falei aquilo ficou um total cilencio..e me senti como se estivesse sendo observado...do nada do lado de fora escuto alguem bater desesperado na porta

    - Grabriel saia da i ! O mais rapido o possivel ! O chalé está amaldiçõado ! - diz a garota do outri lado da porta

    - Clarity ! Dessa veiz eu não caio ! Alias aqui é o chalé de Hades! Oque de mais pode acontecer ! - digo

    Clarity - Não estou a brincar ! Tem mesmo um monstro ae ! Escontre uma saia imediatamente

    E do nada vejo uma sombra muito enorme da minha frente ! A unica coisa que consigui fazer foi gritar

    - AHHHHHHHHH 

    Apago ! 

    Clarity on

    - Gabriel ! Gabriel ? - digo

    Droga ! A porcaria do centauro modificado deve ter o pegado ! E pior ninguem conhese os poderes da quele centauro ! Droga ! Preciso imediatamente avisar Quiron ! 

    .......

    Quiron - Mas como você soube daquilo ? 

    Clarity - Eu estava vindo da lanchonete quando vi um centauro meio humano e meio serpente com chifres indo em direção ao meu chalé ! Nico estava lá ! Infelizmente antes deu chegar a tenpo o maldito centauro ja tinha chegado antes de mim ! E dai tudo que eu podi ouvir foi um grito do Di Angelo ! 

    Quiron - Droga ! Avise ao felipe quem sabe ele pode ajudar ! Clarity farei o meu possivel ok ?

    Clarity - Ok 

    ......

    Agora aqui estou eu, na frente do chalé 7 ! Preste a chamar o felipe o garoto no qual gabriel gosta ! Sim ele me disse isso....safadenho aquele garoto kkkk
    Em fim, Bato na porta e logo em sequida vejo " Anna" a namorada dele (Autora - Anna é filha de afrodite) me olhar com uma cara de que - Oque uma Francis está fazendo aqui- tenho certeza que esse era o pensamento da patricinha

    - Clarity Francis ! Oque faiz aqui ? 

    Clarity - eu que te pergunto ! Mas em fim ! Preciso falar com o teu "Namorado" de quinta ! 

    - ele está dormindo

    Clarity - o acorde ! É importante ! 

    - Nem se os deuses quiserem ! 

    Clarity - o sua puta ! Se você não acordar aquele desgraçado eu vou te meter um soco nessa sua cara de santa que vai fixar até roxo !

    - hm...está bem 

    Era bom saber..que eu botava medo nas pessoas...

    ......

    Felipe - ELE OQUE ? 

    Clarity - Que saco Alvez Jackson ! Ja disse o meu irmão quer dizer meio irmão Sumiu ou não por um sentauro modificado 

    Felipe - Aonde ele está ? 

    Clarity - Parece preucupado ! - digo dando um sorriso, quem sabe Gabriel x felipe existe ! (A/n - eventem um nome pro shipp) 

    Felipe - Esqueça ! Só me fale aonde ele está

    Clarity - a ultima vez foi no nosso chelé de Hades 

    ....
    ..
    Gabriel on

    Ae minha cabeça...sinto como se tivesse levado uma batecada de panquecas na minha cabeça...se bem que panqueca é bom...ok to esquezito...hm..espera esse não é o meu chalé...olho em volta e percebo que estou numa enfermaria ! Mas oque aconteceu ? Eu não me lembro de nada ! É como se eu tivesse esquecido de tudo ! 

    Clarity - Finalmente ! 

    Mas me lembro dela !

    - Cla...oque aconteceu ?

    Clarity - um centauro te atacou e dai o felipe foi lá e te ajudou

    - F-felipe..Quem é esse tal de felipe ? - digo confuso

    Clarity - Gabriel não brinque com isso !

    - Brincar com oque ! - digo

    Clarity - Não pode ! Você está com amnesia ! 

    Fim do cap 1
  • A Grande Rocha da Vida

    Quando a Terra Média ainda era dividida entre homens e criaturas, existiam os reinos dos humanos, o território dos gigantes, as cavernas dos elfos, o reino das fadas, o reino das nuvens dos deuses, e o misterioso reino dos pesadelos, habitado pelos demônios.
    Entre eles existia uma rocha mágica que podia curar quem a absorvesse, nem que fosse um pouquinho de seu poder de doenças e feridas, A Grande Rocha da vida. Todas essas nações podiam usar o seu poder, moderadamente, para que não houvesse conflitos ou guerras por posse dela, tanto que cada nação tinha um dia específico da semana para usar o poder da Grande Rocha, a menos que fosse emergência.
    Havia um segredo sobre a Rocha que só os deuses e os demônios tinham em conhecimento, que se alguém absorvesse todo o seu poder, obteria vida eterna e poder ilimitado, o suficiente para derrotar qualquer um, e segundo as Runas dos Tempos dos Profetas, apenas quem tivesse o sangue de demônios ou deuses podia absorver toda a Rocha, mas “lá se sabe se isso é verdade”.
    Um dia os demônios tentaram tomar a Rocha só para eles no objetivo de que Helldron, Rei dos demônios, absorvesse-a e destruísse as outras nações, dominando o mundo, mas falharam porque todos se uniram e os selaram junto ao portal proibido que dava acesso para o Reino dos Pesadelos. Muitos morreram, pois os demônios eram muito poderosos. Quando tudo estava se estabilizando os deuses fizeram um comunicado pacífico, dizendo que iriam pegar a Rocha e leva-la aos céus para que eles decidissem quem usaria ou não o seu poder, mas não aceitaram e obrigaram os deuses a se exilarem nos céus. Os deuses são pacíficos e inteligentes então para manter a ordem eles aceitaram seu exílio, pois sabiam que depois desse comunicado poderia haver desconfiança. E assim terminou o que eles chamaram de “A Guerra Centenária”, pois pode não parecer, mas a guerra contra os demônios durou 200 anos.
    Os demônios não eram muito amigáveis. Eles tinham três corações e viviam 700 anos. As fadas eram fascinantes porque eles voavam sem ao menos ter asas e mantinham um corpo jovem mesmo estando a poucos dias da morte. Vivem 300 anos e quando morrem seus corpos demoram 50 anos para se decompor. Os humanos viviam uma vida normal, sua expectativa de vida era cerca de 90 anos. Os gigantes, bem, eles não eram maus, mas alguns eram brutos demais, outros eram amigáveis, e uns eram travessos, pois pregavam peças nos humanos se fantasiando de demônios e assustando-os dizendo que “nós, os demônios voltamos para tomar a Grande Rocha e destruir todas as nações”, e por isso os gigantes eram mal interpretados por alguns humanos, pois achavam que os gigantes queriam a volta dos demônios... “será que é verdade?”. Os elfos também eram pacíficos, assim como os deuses, mas também eram misteriosos. Pesquisavam segredos do mundo, mas não diziam para os outros. Os deuses não eram como divindades, eram nomeados de deuses por serem muito sábios, tentavam evitar conflitos, procuravam jeitos de beneficiar a todos. Eles não são eternos, mas vivem 300 anos a mais que os demônios. Antes dos deuses serem exilados, alguns se relacionavam com humanos, e a junção dos dois originou uma nova espécie, que rapidamente virou uma nação também, e ficaram conhecidos como druidas. Os druidas têm duas diferenças dos humanos, uma, é que eles nascem com os olhos muito amarelados e brilhantes, e outra é que eles têm um poder de cura parecido com a da Grande Rocha da Vida, só que um druida pode curar apenas feridas, pois envenenamentos, doenças, essas coisas eles não conseguem curar. Havia um, porém no nascimento de um druida, pois alguns nasciam como humanos normais, mas eles não eram mandados para os outros reinos, pois os anciões ensinavam técnicas de cura com ervas e outras coisas que eles encontravam na floresta dos druidas. E também não podem absorver tanto da Grande Rocha. Todos aceitaram o surgimento dos druidas, as fadas se aliaram a eles, e os dois agiram por gerações como “unha e carne”.
    Muitos anos depois da Guerra Centenária, na floresta dos druidas, havia 200 anos que humanos não nasciam, e acharam que tal coisa não iria mais acontecer, até que uma menina nasceu só que ela nasceu com muitas doenças, meio fraca, e por alguma razão, a Grande Rocha não curava suas doenças. Ela sempre admirou a Rocha, mesmo não podendo ajuda-la. Ela cresceu, conheceu um humano por quem se apaixonou, eles casaram-se e um ano depois tiveram a noticia de que ela estava gravida. Numa expedição aos Montes de Gelo, seu marido morreu num acidente. Quando o bebê estava pronto para nascer, numa mesa de parto, ela não tinha forças para fazer com que o bebê saísse, e sentia muita dor. Mesmo estando ciente de que não funcionava, levaram ela até a Rocha, pois era uma emergência, e, por incrível que pareça, a mesma a deu forças para deixa-lo sair. Ela sabia que ia morrer, mas antes de morrer viu que era um menino, e o nomeou como Seikatsu, que do japonês para o português significa “vida”.
    O Avô de Seikatsu não gostava dele, pois dizia ele que Seikatsu matou a própria mãe, então o menino foi criado por todos os druidas. Ele não guardava rancor de seu avô e não se sentia muito triste quando falavam de sua mãe, pois para ele ela era uma heroína por viver tantos anos no estado em que estava, e deixou ele como prova de sua força, e como ela, ele também admirava a grande Rocha.
    Quando completou maior idade decidiu iniciar uma jornada pela Terra Média para conhecer todas as criaturas das outras nações, indo primeiro para o reino mais próximo dos humanos, pois ele queria conhecer a cultura do povo do qual seu pai fazia parte.
    Chegando lá ele se encantou com o jeito dos humanos, seu jeito de comemorar o deixava impressionado. Com o dinheiro que ele havia guardado por anos para quando chegasse sua jornada, ele pretendia comprar várias coisas do reino humano, mas descobriu que no dia seguinte teria um festival que os humanos celebravam para comemorar a vitória contra os demônios na Guerra Centenária, então guardou suas economias para o tão esperado evento. No dia do festival, todos cantavam e dançavam juntos, e o rei propôs irem todos até à Grande Rocha para admirá-la enquanto celebravam, e como ele chegou atrasado não conseguiu comprar nada, então só podia aproveitar a longa caminhada até a Rocha. Chegando lá, todos se espantaram, pois, metade da Rocha tinha sumido, como se alguém tivesse a cortado e levado embora, e seu poder estava enfraquecido, incapaz de curar qualquer um.
    Não demorou muito pra todas as nações ficarem sabendo. Os humanos convocaram uma reunião para saber o que houve, mas o atual estado da Grande Rocha começou a causar discórdia, pois os druidas e as fadas acusaram os humanos de roubar o poder da Rocha por terem sido vistos por perto, e os gigantes não estavam do lado de ninguém, só sabiam que alguém havia roubado a Grande Rocha e que estavam prontos para qualquer batalha para encontrá-la, e os elfos não reagiram de nenhum modo, o que era muito suspeito. Seikatsu não conseguiu engolir o fato de que a Grande Rocha não estava em seu estado normal, e que isso causaria guerra. Usou todas as suas economias para comprar uma espada, e um equipamento básico para sair numa jornada, e dessa vez não era para conhecer seres e lugares novos, e sim para descobrir o que aconteceu com a Grande Rocha. Ele falou com o rei sobre sua jornada, e pediu que alguns homens fossem com ele, mas o rei não pensava em nada além de se preparar o possível começo de outra “Guerra Centenária”, e os únicos que conseguiam ajudar a restaurar a ordem e resolver os conflitos sem violência eram os deuses, mas eles haviam sido exilados, e não estavam mais interessados em deixar seu exílio e intervir na Terra.
    Seikatsu andou por três dias até chegar perto do reino dos gigantes. Chegando lá, viu alguns homens com pedras nas mãos, atirando-as em um buraco bem fundo, onde tinha um gigante com uma cara ameaçadora. Ele espantou aqueles homens com sua espada, chamou ajuda de alguns gigantes, e tiraram aquele brutamonte do buraco. O gigante agradeceu, e perguntou o que trazia um bravo humano até o território dos gigantes. Seikatsu explicou a situação, e o gigante, conhecido como Smasher, jurou que o guiaria até completar seu objetivo de descobrir o que aconteceu com a Grande Rocha da Vida. Eles fizeram uma pesquisa em metade do território dos gigantes, falaram inclusive com o comandante deles, e todos negaram que não sabiam nada sobre o atual estado da Grande Rocha, então eles partiram.
    Dois dias depois, eles chegaram num bosque, onde encontraram um enorme golem de planta, que expeliu um gás roxo que os envenenou e os fez cair de sono.  Quando acordaram, deram de cara com um monte de crianças flutuando, e perceberam que estavam no Reino das fadas.  As fadas explicaram a situação, foi um mal entendido, pois o golem de planta era só um guardião, mas ele não ataca a menos que cheguem perto do Reino das fadas sem avisar com antecedência. Enquanto Smasher estava fazendo a pesquisa sobre o desaparecimento da metade da Rocha, Seikatsu estava explorando aquela linda cidade, e enquanto passava por um recanto com plantações de uvas, ele se deparou com uma linda fada, e os dois ficaram por um longo tempo se encarando, como se nunca tivessem visto algo tão especial na vida. Eles se cumprimentaram, o nome dela era Hana. Ela ouviu falar sobre o que ele estava fazendo, e perguntou se ele gostaria de passar mais um dia pelo reino das fadas. Ele aceitou, e ela mostrou a ele como era a cidade à noite. Perto de um lago, meio embaraçados, explicaram o que sentiram um pelo outro quando se viram, pareciam sincronizados, um só, e no dia seguinte, ela o acompanhou em sua jornada.
    Seikatsu não tinha noção por onde começar a procurar uma passagem para as cavernas dos elfos, mas por sorte, Hana sabia onde era, porque quando mais nova, acompanhava sua mãe em entregas de flores para os elfos, pois por algum motivo eles adoravam comer pétalas de flores. Chegando lá n hesitaram em ir direto falar com a chefia. Os elfos disseram que descobriram que o rei dos demônios conseguiu um jeito de escapar antes de ser selado, e que ele estava habitando um corpo humano, e que foi ele que absorveu a Rocha, só que seu corpo humano era fraco, então só conseguiu absorver metade da Rocha, e a outra metade está fraca, e a mesma podia se destruir a qualquer momento. Seu plano era absorver os demônios do selo do portal proibido, reconstituir seu corpo original e terminar de absorver todo o poder da Grande Rocha da Vida.
    Saindo de lá, eles partiram em direção à Grande Rocha, no objetivo de dizer a todos o que realmente estava acontecendo, e chegando lá se deparou com os druidas caídos no chão próximos à Rocha, e um homem que aparentava estar com más intenções. Eles diziam que era seu pai. Então, o “pai” de Seikatsu começou a se decompor e surgir um demônio enorme de dentro dele, sendo esse Helldron, o Rei dos demônios. Helldron explicou que não houve nenhum acidente, e que Helldron matou e tomou o corpo do pai de Seikatsu, e matou todos os outros que estavam com ele. Smasher tentou um ataque surpresa, mas foi ludibriado, pois Helldron o pegou de surpresa, e o lançou contra a Grande Rocha. Smasher não aguentou tal impacto e teve alguns de seus ossos quebrados, impossibilitando-o de lutar. Os humanos temeram o poder de Helldron, e alguns deles recuaram, mas os gigantes, as fadas e os elfos, ficaram e lutaram bravamente, mas “a que preço?” Muitos foram mortos, Helldron estava invencível. Seikatsu partiu rapidamente para cima dele, e assim, num chute com poder suficiente pra abrir uma cratera, Helldron o lançou até a Rocha, fazendo com que seu corpo a perfurasse, e por alguma razão, ela não estava curando ninguém. Por alguns instantes, todos pensaram que era o fim. Helldron gargalhava comemorando sua vitória, e quando ia se aproximando da Rocha para absorvê-la, uma incrível luz surgiu de dentro dela, sua estrutura começou a se partir em pedaços, e de dentro dela, surgira um corpo emitindo luz, era Seikatsu. Helldron se perguntou o porquê, e como ele absorveu a Rocha, e um velho druida entendeu em fim que, Seikatsu e talvez até sua mãe não tivessem poderes de cura porque haviam herdado poder dos deuses, e na teoria, os deuses tinham mais controle sobre o poder da Rocha do que os demônios. Seikatsu absorveu em um estalar de dedos, toda a energia da Rocha tirada por Helldron, e, num soco estrondeante, reduziu Helldron em poeira. Seikatsu curou a todos, reviveu alguns mortos, despediu-se de Hana e dos druidas, e, emitindo uma incrível luz verde que iluminava toda a Terra Média, transformou-se em um incrível cristal, que se parecia com a Grande Rocha da Vida. Seu corpo virou uma estatua de pedra dentro daquele cristal. Sua Historia foi contada por gerações. Festivais celebrando sua vitória sobre Helldron, e todos o chamavam como, O Menino da Vida.
  • Abc Diário

    Ação, Atenção, Amor fatal
    Bebida, Batida , Beijo Sensual
    C de canção
    Dedos, desejo, dèjá vu
    Eu

    Fé, Fatal, Fêmea
    Grito,Gato,Gosto
    Hoje,  Homem amado
    Incêndio, Intensão, Imortal ilusão

    K- Kafka e baratas
    Lilás, Lição, Luz eterna
    Mar, Mortes, Marte, Mulher metamorfose
    Não
    OH
    Pequi, Parti, Paixão
    Queijo, Quilo, Questão pessoal
    Razão, Rei, Rosa vermelha

    Sabor, Sensual, Sexo
    Tesão
    Universo, Ursa, Urano 
    Vento, Violão, Violetas de Vênus
    X da questão maior
    Y - é um enigma do que é feita a paixão
    Z Zênite, zero e zimbro
    W - 8000000 Watts
  • Acaso - Cap. 7 A entrega

    Entraram e continuaram a rir. Sentaram no sofá.

    _Foi impagável a cara que eles fizeram quando nós nos beijamos. Falou Carol.

    _E que beijo. Concluiu Fernando a olhando nos olhos. Pararam de rir. Estavam tão próximos, seus lábios quase se tocavam. Fernando acariciou lhe a face e Carol se aproximou mais o beijando ternamente. Ao sentir o calor dos lábios dela nos seus, ele não resistiu à inquietação do seu coração que batia aceleradamente como o dela, e antes que ela se afastasse a beijou com intensidade.

    Os dois pareciam enfeitiçados. Beijavam-se e trocavam carícias. Fernando a pegou no colo a levando para o quarto. O fogo da paixão ardia em seus corpos. Ele começou a despi-la e Carol a ele. Seus corpos de tocavam e ele se conheciam. Nenhuma palavra que dissessem seria capaz de evitar aquele momento, seria capaz de evitar que eles fizessem amor. O prazer daquele momento parecia inacabável.

    Seus corações estavam mais calmos após aquele momento mágico. Não trocavam palavras, apenas se beijavam e se acariciavam. Por fim acabaram adormecendo. Pela madrugada Fernando acordou. Tinha a certeza que não havia sonhado. Ele gostava tanto dela.

    _Não foi um sonho, ela está aqui. Disse beijando a pele macia de Carol. _Ela deve gostar de mim como gosto dela senão não teria se entregado a mim da mesma forma que me entreguei a ela. Disse ele que a abraçou e em pouco tempo dormiu novamente.

    Quando o dia começava a clarear Carol acordou e não abriu os olhos lembrando-se do que havia acontecido na noite anterior. O corpo quente de Fernando a aquecia. Apesar de ter sito algo tão bom ela estava confusa.  

    _Foi tudo tão especial, tão repentino. Eu gosto tanto de você Fernando por isso me entreguei, mas você? Será que gosta de mim. Ela abriu os olhos e se ergueu olhando para ele. _Eu te amo...

    Ela percebeu que ele acordava e se deitou afastada dele, fechou os olhos fingindo dormir.

    Fernando olhou para ela a seu lado e se aproximou fazendo-a estremecer. Ele a beijou carinhosamente na face.

    _Eu te amo tanto que não sei como lhe dizer isto. Ao ouvir esta verdade, Carol teve vontade de rir e de chorar ao mesmo tempo. Fernando se levantou e Carol passou a observa-lo.

    Fernando foi em direção ao banheiro e ela decidiu ir a seu encontro. Ele ligou o chuveiro e hesitou um pouco antes de entrar, parecia esperar por ela. Entrou embaixo da água, deixando-a cair sobre a cabeça. Nesse momento sentiu um beijo quente em sua nuca e as mãos delicadas de Carol tocar seu corpo. Olharam-se docemente e sorriram.

    _Eu também te amo. Declarou Carol.

    A partir de daquele momento começavam uma historia juntos

     

    Entraram e continuaram a rir. Sentaram no sofá.

    _Foi impagável a cara que eles fizeram quando nós nos beijamos. Falou Carol.

    _E que beijo. Concluiu Fernando a olhando nos olhos. Pararam de rir. Estavam tão próximos, seus lábios quase se tocavam. Fernando acariciou lhe a face e Carol se aproximou mais o beijando ternamente. Ao sentir o calor dos lábios dela nos seus, ele não resistiu à inquietação do seu coração que batia aceleradamente como o dela, e antes que ela se afastasse a beijou com intensidade.

    Os dois pareciam enfeitiçados. Beijavam-se e trocavam carícias. Fernando a pegou no colo a levando para o quarto. O fogo da paixão ardia em seus corpos. Ele começou a despi-la e Carol a ele. Seus corpos de tocavam e ele se conheciam. Nenhuma palavra que dissessem seria capaz de evitar aquele momento, seria capaz de evitar que eles fizessem amor. O prazer daquele momento parecia inacabável.

    Seus corações estavam mais calmos após aquele momento mágico. Não trocavam palavras, apenas se beijavam e se acariciavam. Por fim acabaram adormecendo. Pela madrugada Fernando acordou. Tinha a certeza que não havia sonhado. Ele gostava tanto dela.

    _Não foi um sonho, ela está aqui. Disse beijando a pele macia de Carol. _Ela deve gostar de mim como gosto dela senão não teria se entregado a mim da mesma forma que me entreguei a ela. Disse ele que a abraçou e em pouco tempo dormiu novamente.

    Quando o dia começava a clarear Carol acordou e não abriu os olhos lembrando-se do que havia acontecido na noite anterior. O corpo quente de Fernando a aquecia. Apesar de ter sito algo tão bom ela estava confusa.  

    _Foi tudo tão especial, tão repentino. Eu gosto tanto de você Fernando por isso me entreguei, mas você? Será que gosta de mim. Ela abriu os olhos e se ergueu olhando para ele. _Eu te amo...

    Ela percebeu que ele acordava e se deitou afastada dele, fechou os olhos fingindo dormir.

    Fernando olhou para ela a seu lado e se aproximou fazendo-a estremecer. Ele a beijou carinhosamente na face.

    _Eu te amo tanto que não sei como lhe dizer isto. Ao ouvir esta verdade, Carol teve vontade de rir e de chorar ao mesmo tempo. Fernando se levantou e Carol passou a observa-lo.

    Fernando foi em direção ao banheiro e ela decidiu ir a seu encontro. Ele ligou o chuveiro e hesitou um pouco antes de entrar, parecia esperar por ela. Entrou embaixo da água, deixando-a cair sobre a cabeça. Nesse momento sentiu um beijo quente em sua nuca e as mãos delicadas de Carol tocar seu corpo. Olharam-se docemente e sorriram.

    _Eu também te amo. Declarou Carol.

    A partir de daquele momento começavam uma historia juntos

  • Alma Perdida

    Ela era uma prostituta. Mas não era uma prostituta qualquer, nela havia algo especial. Cercada de tristeza e dor, seu corpo possuía tons curiosos.
    Carmen, filha de João e Maria, cresceu ouvindo que o mundo era vazio, um lugar sem esperança. Quando criança, tentava de todas as formas agradar os pais que trabalhavam dia e noite para poder colocar o pão na mesa, chegavam cansados e só verificavam se Carmen estava viva, não prestando atenção acima da mesa: ‘’Papai,Mamãe. Eu não sei muito sobre vocês, contudo isso é uma das consequências da vida que fomos destinados a ter, porém amo vocês do mesmo jeito que qualquer outra filha amaria.”
    Aos 16 anos, os pais de Carmen morreram e a adolescente foi morar com o único parente que tinha, seu tio. Era uma casa fria, sem cor. Todas as noites, ela chorava baixinho, no canto do quarto, implorando para sentir alguma coisa: felicidade, tristeza, raiva... Algo que mostrasse que ela ainda estava viva e não somente sobrevivendo. Seu tio, uma pessoa amarga, chegava bêbado em casa todos os dias e, naquela noite, ele escutou um murmúrio vindo do quarto. Alguém chorava. Uma alma perdida pedindo socorro. ‘’Eu vou te dar um motivo para sentir algo.’’, disse, puxando a cinta e espancando a jovem Carmen.
    E naquela madrugada, ela de fato sentiu algo: repulsa. De si mesma. Olhava para os hematomas e as lágrimas não faziam seu caminho pela bochecha mais, era uma dor mais profunda. Julgou que a melhor forma de acabar com aquilo era fugir e assim fez, saindo sem rumo. Vagou pelas ruas, somente o tempo conseguiria cura-lá.
    Passaram- se anos, Carmen se encontrava no banheiro do posto, enquanto passava o batom tão vermelho quanto seu próprio sangue, um sorriso falho no canto dos lábios. No relógio marcava 00:00, deu um passo para o lado de fora, sentindo o vento frio contra sua pele pálida. Mais uma noite de trabalho.
    Uma mulher diferente de todas as outras, parada no ponto, vendendo aquilo que sempre desejou ter, o puro amor.
  • Amor de amigo

    Cara tu é muito chata sabia? Mas de todas as coisas possíveis para se pensar era você que vinha a minha cabeça as 6 horas dá manhã para mandar acordar mesmo sabendo que já estaria acordada ou que não acordaria com minhas mensagens , até mesmo me deparar com mensagens suas logo cedo para me acordar , puxar assuntos mega aleatórios para deixar sem respostas, brincar com ela, também né meu bebê , ela vivi ruimzinha e eu não consigo cuidar dela pois sempre estou longe, fico enchendo d mensagens e as vezes até ligo para abusar um pouco mais, me desculpa por não estar contigo quando você precisava , sério eu me arrependo muito disso e sei que não tem como concertar mas estou aqui agora para que isso nunca aconteça de novo.
      Ela fica sem assunto muito rápido e eu acabo ficando bravo porque seria a mesma coisa que conversar com um programa de computador, por gostar tanto dela acabei criando muitas expectativas que foram uma a uma sendo descartadas. Fica mentiras para não me dar atenção e isso me incomodar muito e você sabe disso, como por exemplo : se você fica online no whatsapp é porque tem condições de responder aquele Oi q mandei assim que acordei, dar um aviso prévio que não conseguira responder porque está fazendo ocupada, antes mesmo de começar a fazer e parar de responder e depois avisar. Eu iniciei o ano pensando em comprar um computador novo, estudar, trocar emprego o quanto antes,já te falei isso. Acabo não fazendo isso, porque chego em casa e tem alguém esperando para me ligar com uma vozinha chata que eu gosto muito e mesmo depois quando ela desliga, fico lá porque já perdi a cabeça pra estudar só quero mais ficar lá esperando para dizer que a AMO e que não acredito que ela me ama e nem sei quando vou acreditar.
      Sempre acabo ficando bravo mas é porque eu me importo de mais, quero você comigo 24 horas por dia e ainda acho pouco, você fica reclamando que não possui amigos , mesmo possuindo alguns que são importantes para você , mas eu também não possuía ninguém nessa idade. Na escola estamos junto outros dias não os via mais, o Rick vinha aqui em casa as vezes e me acordava pra jogar no notebook, tipo umas 8 horas dá manhã e eu falava onde estava o notebook e a senha então voltava a dormir. A tarde minha mãe enchia nós de tarefas da casa, como limpar o pátio e aqui ele é muito grande . Depois de já algum tempo fiz algumas amizades e montamos um grupinho todo pessoal com uma mesma mentalidade​, os exclusos que não interagiam muito, saíamos as vezes mas só para comer e era isso. Viu se eu consegui porque você não​ consegue? você tem tudo e o que lhe falta sei que conseguira com o tempo.
      É eu não te amo tudo isso , porque se eu amasse isso não seria nada, o tanto que te amo não pode ser demostrado só com isso, uma hora talvez te mostro , e nunca vou deixar de ficar bravo contigo, porque se eu deixar não vou mais me importar com você , e não quero isso. Lembra que falei em te deixar de castigo algumas semanas? Então porque acha que estou aqui me contrariando?
      Você realmente conseguiu me irritar muito para ter te bloqueado, e mesmo assim continua sendo trouxa comigo, é tentei ser legal, só que para tudo existe um limite. Te perguntei oque você queria comigo e não recebi uma resposta como de costume, assim como suas promessas que nunca cumpre. Já havia entendido o recado antes só não queria acreditar, levei isso longe de mais então deixo o resto ser como você quiser.
  • Amores de estações

    Olhar para os números que marcam o passar dos meses sempre lhe trazia um sorriso travesso aos lábios. Ela conta as estações pelos amores que encontra no caminho. Ou quase amores. Nada banal, ela não aceita banalidades. Ama gestos simples desde que não sejam simplicidades.

    Cada passar dos dias é uma promessa de uma nova chance. Quem sabe vai ser dessa vez?, sussurra o destino em seu ouvido. Nunca é, mas ele adora tentá-la. Ela se encanta fácil, encontra vários deliciosos desvios pelo caminho. Nada forte o suficiente para prendê-la. Infelizmente?

    A magia das estações parece um constante recomeço. Colorido, novo, diferente. Ela quer sempre um pouco mais. Quem é preto e branco sabe dar valor a uma pincelada de cor. Procura um romance em cada passar de páginas do calendário que sempre leva consigo. Procura uma história diferente para cada verão de seu ano. Por que não? Um amor de verão em todas as estações.

    No verão conheceu um daqueles machões, aquele que já conheceu todo tipo de mulher e faz questão de continuar conhecendo. Ele era garanhão, quente, intimidante, conquistador. No outono conheceu um daqueles proibidos, sua história favorita na sua estação favorita. Ele era tudo o que ela não esperava no momento que mais precisava. Misterioso, lindo, apaixonante, inexplicável. Finito. No inverno conheceu o mais charmoso de todos. Resolvido, de tirar o fôlego, sorriso perfeito e jeitão de menino. E, assim como as flores voltam a desabrochar na primavera, um brilho de esperança voltou a se acender. Ela conheceu um daqueles gentis, engraçados, com aquele olhar tenro e carinhoso. Para mostrar que talvez existisse esperança, afinal.

    Mas, assim como um pássaro sempre sabe para onde migrar, ela sabe voltar para seu caminho. É a única coisa que sabe com certeza. Seu caminho meio incerto, meio tortuoso, meio cinza, meio ela. Seu caminho.

    Define as estações pelos romances que quer viver, pelos sorrisos que lhe conquistam, pelas palavras que brincam em sua língua quando vê uma nova oportunidade. Ela quer ser feliz.

    As pessoas tentam se encontrar, ela adora tentar se perder. Se perde para esperar que alguém a encontre. Se perde e se procura em cada sorriso torto que parece conter a resposta para aquilo que procura. Para aquilo que ela sequer sabe o que é.

    Enquanto isso, risca os dias, se abana, guarda uma folha, se aquece, colhe as flores. Esperando pelo dia em que irá conhecer alguém que a faça mudar de ideia. Porque, no fundo, tudo o que ela não precisa é ficar sozinha. Porque ela não quer ficar. Alguém que lhe mostre que sua própria companhia não é a melhor de todas, afinal. Alguém que a faça se sentir como se não estivesse melhor solitária. Alguém que não apareça de forma diferente em cada mudança de ares.

    Alguém que seja todas as estações em uma só. 
  • ANELO, minutas de um desventurado

    PRÓLOGO
         Lembro-me de um gosto semelhante ao cheiro associado à ferrugem, de não poder levantar meu braço ao lado da porta do motorista e sentir um formigamento muito bem vindo em minha perna após notar estar com algo atravessado pela parte interior de minha coxa esquerda e prender-se firmemente ao meu banco. Algo, um ferro desmembrado do outro veículo talvez, também pressionava o pé desta mesma perna em sentido contrário e talvez fosse essa a causa da sensação anestésica.
         Ewan McGregor bradava a plenos pulmões que Satine o perdoasse pelo equívoco dele à seus olhos serem verdes ou azuis. Eu já estava tão acostumado com aquela adaptação de Moulin Rouge que a versão da canção Your Song, original de Elton John, me parecia esta ser a original. E além de ser um dos musicais favoritas de Elena, a cada vez que a música tocara no carro ou em qualquer que fosse o lugar que estivéssemos, sempre me deparava com a mesma imagem de mio amore...como era gratificante admirá-la em seus momentos de fantasia. Era como se a personagem a quem era dedicada a música fosse ela, e seu rosto se enchia de um sentimento de realização e ruborizava suas maçãs do rosto perfeitamente desenhadas deixando a face mais amável como uma criança não sabendo lidar com um elogio. Tão logo, os dois amantes dançariam sobre um elefante escarlate aplumado metodicamente para uma noite ao gosto não de um poeta que ama e venera a simplicidade do amor genuíno, mas sim um marajá não tão hostil, porém metódico. Coisa que nem de longe o desafortunado Christian poderia vir a ser. Mas tão apaixonado –me questionava entre um desagradável zumbido crescente e luzes que bruxuleavam à minha frente. –, como  poderia ele esquecer a cor dos adorados olhos de sua bella? De um azul tão reluzente quão eram, em sua lembrança, as águas eloquentes de Calábria. O mesmo azul do vestido que Elena vestira esta mesma manhã.
        –Elena... –tentei em vão gritar, mas minha voz não poderia ser comparada a um mero sussurro. –Dio, cosa è sucesso...? Lena... – eu ainda podia ouvir os versos cantados enquanto o mundo se desdobrava  e esticava tão rápido e sem avisos enquanto eu dava ordem aos fatos, “Um carro na contramão...eram dois? Acho que capotamos...Elena. Elena, desliga il radio.”. Enquanto recuperava parte da consciência já estava sendo tirado do emaranhado de ferro e peças do painel do carro, e tal era a confusão de formas avulsas e amassados que seria difícil dizer que um dia fora parte efetiva de um Pajero.
        Mais tarde, no hospital, enquanto um zumbido abafado tomara o lugar da melodia em minha cabeça, alguém me dizia que eu estava bem, que tudo iria ficar bem e eu não precisava me preocupar pois as coisas iam bem. Eu tentei por vezes abrir os olhos mas parecia que pesavam boas toneladas. Eu precisava saber como Elena estava. Só assim justificaria o pleonasmo irritante quando nem tudo estava realmente bem. 
         Dois dias depois eu já andava sem auxílio de alguém ou de corrimãos, mas eu ainda me sentia completamente apoiado por olhos melancólicos e cheios de incredulidade. Ora, quem sequer consideraria o destino preparar na calada da noite uma emboscada vil e calculista, onde uma jovem á flor da idade seria massageada com os gélidos dedos da morte por um evento coadjuvante?
         Aos vinte e nove anos de idade, Elena já morrera duas vezes. A primeira tinha cerca de dois anos àquele dia, quando o corpo já não aguentara mais medicação e seu coração decidiu não mais trabalhar em sua função apenas de viver por quimioterapia, ela teve de ser submetida à ressuscitação, e pela grazia di Santa Catarina teve sua breve segunda chance. Mas não posso reclamar quanto a nossa vida. Apesar de um breve casamento, foram, como de costume dizem por aqui no Brasil: anos dourados.
         Nos conhecemos no verão seguinte a mudança dela para Carpi; estávamos eu e meu velho pai, il signor Montanari, pescando como de costume em Lago di Garda que ficara a duas horas e meia de casa, aproximadamente. Nos feriados e dias comuns que meu pai se declarava de folga do trabalho, arrumávamos a mala de nossa antiga caminhonete, eu gazeteava uma ou duas aulas no colégio e partíamos bem cedo para o lago em busca de um boníssimo e ensolarado dia com o tão italiano prazer de não fazer “nada”.
         Tínhamos uma floricultura. Era o nosso orgulho, pois aquela pequena loja pouco maior que a nossa cozinha na época, pertenceu a um sonho quase imaculado de minha mãe. E quando finalmente conseguiu guardar dinheiro de produtos em conserva que era de costume fazer-se em casa, juntou com as economias de seu marido, meu pai, e materializaram o negócio. Mas não foram apenas flores no início. Parecia algo pouco, mas precisava de investimento não só monetário como também físico, contínuo. E como ainda não tínhamos dinheiro para pagar funcionários que fizessem parte do trabalho, pelo menos o pesado, meu pai resolveu largar o emprego no banco no centro da cidade e trabalhar no negócio da família.
         E bem...por sorte, talvez, deu muitíssimo certo. Depois de muito trabalho duro e abdicação, expandimos o sonho de mamãe e contratamos pessoas para ajudar. Simultaneamente abrimos outras duas lojas; uma ao sul de Carpi e outra no centro. Papai tomava conta de gastos e toda a parte burocrática que demanda um comércio razoavelmente grande, enquanto mamãe transitava entre as lojas e tomava nota de como vinha sendo o tipo de atendimento, a qualidade de nossas flores, procurava novos fornecedores e mais tarde até trabalhar com entrega. Que foi onde eu entrei efetivamente. Logo tirei minha carta e virei o mais novo entregador da Allma d’Orcia, nossa floricultura.
         Meus pais sempre foram um ícone de respeito e companheirismo para mim. Em meus 47 anos, nunca vi na vida, casal tão apaixonado e ativo de todas as formas que a idade lhes permite. Claro que as vezes haviam pequenas discussões, como quando meu pai inventava de sair de madrugada para pegar um bom pico em Garda. Dio santo! Era um verdadeiro caos em casa. Enquanto eu ficava no meio de meus pais sem poder argumentar qualquer que fosse meu ponto de vista, e sempre acabava indo com meu pai também, logo, era inútil remediar a discussão.
         Papai sempre fora um homem bom, um pouco impulsivo talvez, mas um signor direito. Nós passávamos no armazém perto de casa, que além de vender compotas de doces excepcionais, tinha uma variedade boa de artigos para pesca. E o dono era um velho amigo de meu pai, o que fazia de nossa passada lá antes das pescarias, quase obrigatória. Comprávamos alguns tipos de isca e um vinho barato para meu pai. Eu separava alguns refrigerantes e mini conservas caseiras de damasco e ameixa que eram o ponto alto das nossas pescarias, para mim ao menos. Ah, e vez ou outra inventava jogos que desafiavam a mim mesmo contra o humor de il signor Alessio, amigo de papai, dono da loja. O homem era parrudo como um touro, e tinha traços marcantes como a linha do maxilar intimidador. Eu sendo um adolescente na época, esperava um dia ter a barba tão densa como a dele, mas não compreendia como alguém de feições tão brutas era tão extrovertido e sempre de excelente humor. Até uma notícia do falecimento de um bom amigo ou a criminalidade crescente da região eu desconfiara não fazer grandes mudanças em seu humor. Sua voz era quase que cantada; rouca e firme, porém contagiante a ponto de fazer você gostar de falar até sobre as antigas histórias de rinchas entre as contradas ao norte.
         A cada dia de pescaria, eram coisa de três minutos de carro até o armazém. Três preciosos minutos que me lançava os desafios como: “se hoje finalmente estiver de pá virada ou com um ar não tão caloroso como de custume, eu conto a papai sobre minhas notas vermelhas. Do contrário, se o velho estiver como de fato sempre está, eu espero o conselho chama-lo para uma reunião”.
         Era de se esperar que um rapaz de dezesseis ou dezessete anos lançasse ao destino tais desafios bobos, e de fato eu me divertira.
         Não me lembro ao certo se havia acontecido algo, mas naquele mês recebi algumas ligações de mamãe pedindo para que eu arrumasse um tempo e fosse vê-los. Dissera que meu pai não estava em um tempo muito bom da cabeça, então numa quinta-feira –quando o movimento no trabalho era normalmente baixo.–pedi folga a meu chefe e saí três horas mais cedo e fui até a casa nova de meus pais no centro, e propor uma pescaria de última hora naquela mesma tarde. Eu trabalhava com um antigo professor do meu curso de gastronomia num badalado ristorante lá mesmo onde crescera desde que nasci. Era um lugar muito movimentado pelos jovens, mas com um requinte indiscutível. Passei em minha antiga casa, onde morava sozinho agora, tomei uma ducha e troquei minhas roupas por algo mais confortável. Deixei meu carro em casa, afinal, meu pai não sairia para pescar num carro menos vazado que nossa antiga caminhonete, e peguei um táxi. Quase chegando no centro, comecei a refletir sobre quanto tempo não fazíamos isso. As nossas pescarias estavam cada vez mais perdidas; eu trabalhava demais e meu pai já não era mais um signor a todo gás. Mas ainda assim, quando eu conseguia me dar folga, era meu primeiro plano. E nesta tarde, quase noite, passamos no costumeiro armazém e no balcão um menino ruivo com seus quinze anos, ainda perdia a guerra brutalmente para a acne.
         –Mais alguma coisa signor? –por mais que fosse estranho ser chamado assim, não me atentei com as palavras do rapaz. Estava tentando identificar o sujeito com quem meu pai papeava.
         Já estávamos com tudo o que precisávamos e enquanto eu pagava nossas compras, ainda não reconhecera o senhor com quem meu pai conversava todo o tempo praticamente desde que entramos na loja. Ele estivera sentado num banco no fim do corredor à esquerda da entrada de funcionários, lendo um jornal que eu reconhecera por ter visto cedo na banca em frente ao meu trabalho, dizendo que o preço de um vinho que meu pai não gostava muito iria despencar contra o mais barato que ela tanto gosta e bem, logo estaria mais caro.
        –Que amargura não toleramos por boa economia? – comentou meu velho pai, com o senhor. Ele quase sempre teve essa compulsão por economizar o que desse e como pudesse, não que sua condição financeira o fizesse necessário, mas por que é um verdadeiro “mão de vaca”, como dizem aqui. Repelindo este pensamento, voltei a concentrar minha atenção ao senhor que conversava tão descontraidamente com papai. Já havia pego as sacolas e fui na direção deles. Ainda tínhamos uma boa estrada pela frente e nunca gostei de dirigir durante a noite.
         –Oh,– a arquejou com uma surpresa triunfante o velho Alessio. – buonasera! Se non è il nostro piccolo coniglio! – me saudou. Uma onda nostálgica percorreu meu corpo de forma sutil quando o apelido foi dito. Eu o ganhara num dia engraçado, visto de hoje! Em uma das feiras artesanais anuais no centro de Carpi, eu deveria ter uns 12 anos. Meu pai havia me presenteado com uma bicicleta azul marinho com sino e cesto adaptável. Foi uma conquista para mim, e dores de cabeça para meu pai.
         Naquela tarde, colocando mais uma coisa na lista de vergonhas que o fiz passar, estava descendo o beco que desembocava na rua onde acontecia a festividade quando um maldito cachorro saiu ladrando de dentro da varanda com cerca viva da senhora que morava em uma das casas do meio. Meu susto foi tão grande que eu ao invés de reduzir a marcha da bicicletta e pedalar na direção da outra rua vazia, me embolei ao descer dela e a soltei pelo chão no largo lá em baixo, antes de me enfiar por entre as barracas e o aglomerado de gente participando de todas as formas oferecidas da feira.
         Eu tenho uma cicatriz na parte esquerda de minha testa, perto do olho, deste mesmo dia. Enquanto eu corria e me contorcia pra passar por toda aquela gente, estava tão assustado que nem passou pela minha cabeça olhar pra trás e ver onde o cachorro estava. Se eu o tivesse feito, veria que ele já não me seguia a certo tempo, mas em compensação, muitos amigos e conhecidos de papai me viram correr feito louco sem aparentemente nenhum motivo. Foi então que cheguei na piazza onde expunham animais para a venda e tantos cestos de palha com variados tamanhos, que cheguei a pensar momentaneamente se conseguiria me enroscar ali. Agora, você acreditaria se eu lhe dissesse que o bendito cachorro estava ali à minha espera?
         Se alguém me contasse eu sem dúvidas não levaria fé. Mas lá estava ele. Bem, eu não sei se era o mesmo cachorro na verdade, mas na hora eu nem pensei. O meu susto que já era quase palpável conseguiu ficar sete vezes mais intenso! Então eu corri pro outro lado dando meia volta, quando bati com a cabeça em alguma coisa que pendia de uma daquelas barracas. A esposa de il signor Alessio me diz que era um vaso com plantas de uma varanda onde ao lado posicionaram estrategicamente uma barraca para que não acontecesse algo do tipo, mas, como estava tomando muito cuidado e tendo muita atenção com o mundo a minha volta –para não dizer o contrário.–, fiz justamente o que foi calculado com tanta cautela para não acontecer.
         Levei uns pontos, ganhei um sorvete acho que de pêssego, se não me falha a memória. Daqueles feito em casa pela senhora esposa do senhor Alessio, e felizmente não tornei a ver aquele cão fantasma que ninguém, além de mim, viu me perseguir incessantemente aquele dia.
         Bem, você já soltou um coelho de sua gaiola e tentou pegá-lo? Molto bene, il signor Alessio desde então só me chamara assim. Coelho, il coniglio. Mas Santa Catarina!!! O tempo não faz bem à algumas pessoas, de fato. O homem estava tão mais velho do que me lembrava que tive a impressão de abrir a boca num pequeno o quando finalmente o reconheci.
         E quanto a pescaria com papai, me lembro de quase sempre sentarmos naquela mesma ponta plana para jogar as linhas, mas esse dia havia um outro grupo por lá, e junto a eles estava ela. Ao esplendor de seus vinte e poucos anos, deduzi, num macaquinho amarelão e uma camisa de gola alta que eu me lembrara dos antigos casacos de mamãe, aqueles que davam a impressão de sufocar. Além de serem horrorosos e espalhafatosos demais para meu gosto. Mas foi quando uma de suas amigas disse ter visto um tubarão que me despertou a atenção. Ao que todos riam, Elena olhava com atenção a água revolta, na esperança de ver o tal “maior peixe que já vira”, que a amiga alertara a todos. Bem, não precisa ser muito esperto pra saber que não há tubarões ali, mas se o objetivo fosse ter algum motivo para urrar e por a vigor toda a bebida quente que eles vinham ingerido só naquela tarde, tinha tido sucesso a menina de cabelos quase branco de tão loiros que falara sobre o peixe.
         Lena viu o peixe e deu um urro de felicidade enquanto vinha correndo em nossa direção; pedira aos berros se poderia pegar o monstro pra eles, e bem...não era o maior que já pegara ali, mas dava pra dar uma de pescador sênior e me gabar um pouco. Infelizmente não fui tão bem quanto o previsto. O peixe era forte como um cavalo! Puxava cada vez mais forte e enquanto eu dava linha pra enganá-lo, era ele quem me fazia de bobo. Meu pai tomou a vara de minhas mãos e logo jogou o tal monstro pra fora d’água com uma facilidade que só me fez envergonhar. Caramba que pescada! O grupo de Elena inteiro ficou extasiado; quiseram tirar fotos atrás de mais fotos enquanto Elena se acabava de rir, e meu velho seguia no mesmo sentido. Mas ele ria era de mim.
        “Isso sim é uma gargalhada.”, não parava de pensar vendo jeito hilário e persuasivo pra onde ela levara a cena. Os cabelos acobreados presos em uma trança que não ia até as pontas dos fios emolduravam seu rosto. Tinha a pele e os olhos muito, muito claros e seus lábios salientes contrastavam com um rosado sutil no rosto tão bem enquadrado ao seu sorriso –che bella! –, que me deixou praticamente hipnotizado.
         –Eu também quero uma!!! Calma aí –disse aos berros, me tirando do transe e deixando por segundos, de lado, a cena cômica que vira a pouco, comigo sendo seu protagonista. Enquanto corria mais uma vez em minha direção, disse ofegante –vem cá pescador. Só chega esse troço bem pra lá...não trouxe nenhuma outra roupa e estamos longe de casa. Ah, qual é? Me dê um sorrisão!
         Essa foto é uma das lembranças mais queridas que eu tenho de casa. Casa, em todos os sentidos.
          Por mais que eu não gostasse de início, ela ficara colada por meses na geladeira do apartamento dela sem eu saber, claro. Só quando finalmente nos encontramos, por acaso no Lorenz ristorante, onde eu trabalhara bons 6 anos, e conversamos sobre algo que não fosse peixe e roupas mal cheirosas finalmente trocamos e-mail e depois telefones. E você pode imaginar o meu susto ao chegar na cozinha de até então uma no máximo amiga e deparar com aquela bendita fotografia em sua geladeira, em meio a tantos outros papéis, mas só algumas poucas fotos. Eu estava com um ar de assustado, mas sorria, o que deixou a foto como uma daquelas que tiram do alto da primeira descida de uma montanha-russa de grandes parques, e quando você vai conferir se ficou boa sua cara está tão constrangedoramente contorcida que você sai fingindo ter adorado mas recusa por “educação”.
         Esta mesma fotografia hoje está aninhada em minha geladeira. Uma péssima mania que adquiri, diga-se de passagem. Já perdi as contas de quantas geladeiras trocamos por esses anos, não por problemas técnicos, mas pela estética. Junto a ela pendem uma fotografia de meu pai, eu e meu tio na última feira de artesanato que fui em casa e umas fotografias avulsas minhas e de Elena, ainda quando morávamos na Itália, pouco antes de descobrirmos o seu câncer.
  • Antecedente da cicatrização

    Como quando a orelha inflama porque o brinco estava um pouco sujo; ou quando colamos o curativo adesivo que fixa na pele de modo a puxar todos os pelos na hora de sair.
    Mesmo sabendo que no fim iria doer, provoquei. Botei o brinco pra inflamar, colei o curativo pra fazer doer. Queria viver aquilo, nem se fosse por míseros segundos, minutos, horas, dias. Nem sei mais quanto tempo passei imersa naquela banheira de espumas.
    Corria cada vez mais só pra vê-la. Queria era socorro, socorro da própria situação. Socorro de mim mesma. Mas por mais rápido que eu o fizesse, não a alcançava. Dormia sem conseguir descansar. Não sabia como evitar, como não sentir. Era, humanamente, impossível fechar o peito para aquela que, outrora, me visitava com flores e com pele macia a me acariciar.
    Deitada sobre seu peito sentia que a perdia. Procurava sua mão. Meus dedos se entrelaçavam nos dela, mas os dela no meu. Ficava ali parada até o momento em que escorria pelo meu corpo. Indo embora sem dizer adeus.
    Enquanto eu souber que a ferida não será fechada por completo, vou levando. Empurrando com o resto de forças que sobrara do restante da minha alma, que jorrava água escura, afim de fugir do precipício que eu mesma criara.
  • Apenas um sonho

    Descobri meu refúgio em você
    Vivemos o melhor que a vida tem,juntos
    Contra todos,vencemos
    Mas,onde você foi?

    Sinto que não posso te encontrar
    E a solidão aumenta a cada segundo
    Lembro de cada sorriso seu
    Não pode ter ido embora

    Foi tudo apenas um sonho?
    Não posso acreditar
    Foi tudo apenas um sonho?
    Não posso acreditar

    Nosso amor não se perdeu
    Quero cada segundo da minha vida com você
    Só te encontro nos retratos
    A sua espera a toda hora

    Minha vida virou uma escuridão
    Talvez ainda exista no meu sonhos os seus sorrisos
    Não posso ter te perdido

    Foi tudo apenas um sonho?
    Não posso acreditar
    Foi tudo apenas um sonho?
    Não posso acreditar
  • Aquela história pt.1

    “Eu lembro até hoje o dia em que te conheci, você era tudo aquilo que eu sempre disse que eu não queria na minha vida, era o oposto de tudo o que eu acreditava: era a felicidade, o amor, a alegria de viver, tinha um sorriso diferente, mas admito que era um lindo sorriso. Pois é, agora percebo que quando te vi, meus sentimentos já estavam confusos em  relação a você. Me lembro que você estava vestida com uma saia de tulê, como alguma menina de 6 anos que voltava do Ballet, usava uma blusinha curta com renda que definia perfeitamente sua cintura, nunca te perguntei o verdadeiro motivo de estar assim aquele horário, mas você usava um salto preto e me lembro que tinha cílios enormes.
    Você chorava quieta no seu canto e lia um livro, mas na mesma medida em que chorava você estava lá, rindo , sorrindo, sorrindo com todo o amor que você tinha no coração , sorrindo discretamente é claro. 
    Que eu me lembre, entrei no outback para comprar um café, precisava curar a ressaca da noite que havia passado. Era umas 4:00 da manhã e não tinha ninguém lá dentro, bom eu achava isso, até chegar perto do caixa e ver os sofás vermelhos que tinham por lá. 
    Quando olhei para eles, te vi.
    Nunca imaginei que daria nisso, te vi chorando, lendo, sorrindo, ouvindo música, NOSSA! Você era realmente confusa. Perguntei ao caixa se eles vendiam café, claro que ele riu de mim, então olhei novamente pra você e te vi com um copo de café. Perguntei a ele como você poderia estar tomando café se ali não vendia, então ele riu de mim novamente e me pediu para olhar de novo, foi aí que reparei em tudo que havia em você, o cabelo médio todo enrolado, a pele morena, o olho pequeno ( com marcas de choro recente) , as bochechas grandes e rosadas, a unha vermelha, a sua roupa de 6 anos quase elegante, mesmo sendo meio infantil, que eu achei estranhamente linda, e claro, reparei no seu livro e principalmente no seu copo de café. Era um MC café. E assim todas as dúvidas começaram: estávamos no meio da estrada, não tinha como ter um MC café por ali. Enfim, eu PRECISAVA de café àquelas horas, precisava me livrar daquela dor de cabeça, e havia somente aquele comércio perto da minha nova casa (Que tipo de pessoa resolve morar perto de uma estrada? pois é) , não tinha como eu voltar pro meu apê naquele estado e fui na sorte falar com você. Deixei o caixa falando sozinho, CARINHA CHATO, e fui até os sofás vermelhos. Cheguei bem perto, e quase sem coragem, tive um impulso e consegui ser educado, te pedi licença e me sentei. Você olhou pra mim de baixo pra cima, aqueles cílios fizeram um desenho no ar. Te vi assustada, mas logo relaxou, você disse que eu podia me sentar, abriu um sorriso despreocupado, me disse oi e perguntou se eu estava bem. Lembro-me que esqueci o que eu tava fazendo ali, só fiquei sem chão com tanta simpatia, me vi ali, esperando mais um sorriso, e tentando entender o que havia acontecido com ela, por que ela estava de salto àquelas horas no outback?Por que ela chorava? por que ela havia sorrido pra mim sem nunca ter me visto? Nesse dia eu me encantei pelo oposto de mim, pela pessoa mais feliz que já passará pela minha vida. Assim, com apenas um "Oi". 
    PS: Posso dizer que descobri muitas coisas no momento em que te vi pela primeira vez, apenas um pouquinho sobre você”{Camila Rodrigues, Autores.com.br}
  • Aquela que não sabe amar

    Como você se sente em um relacionamento?Amar é normal certo? Então por que? Por que não me sinto confortável em uma vida onde devo corresponder a outra pessoa? desde muito cedo pude perceber que sou meio estranha, pequenos detalhes que se transformam em grandes coisas, não gosto de que algo ou alguém pareça importar pra mim, não gosto da sensação que isso me causa, não gosto de parecer que mudei por outra pessoa, não gosto de como outras pessoas olham e falam sobre isso, não gosto de ter outras pessoas interferindo em minha vida, não aguento não poder fazer o que quero por compromisso social, do mal estar que isso dá, da vontade de que acabe logo, do desejo de que nem comece; as horas de prazer são boas, mas estão se tornando cada vez mais pesadas, o sentimento de não corresponder a expectativas,  a decepção; O sentimento da liberdade é saboroso, mas não sei se vale a pena; Odeio a insistência, odeio não ser ouvida, também não gosto da minha personalidade e do meu jeito de falar, mas isso são outros detalhes, me amo e me odeio, antíteses de um ser. A culpa também vem incluída, o sentimento que não passa; A imagem do casal é interessante, gosto de imaginar o que os outros pensam enquanto por mim passam, superioridade, narcisismo, tenho todos também, leonina, como dizem... Procuro alguns motivos pra fugir, é difícil desgostar de alguém querido, ele é bem assim, fácil de se gostar, estranho não? Quero chorar, não por motivo, isso nunca precisei, esse sentimento estranho que nunca saiu nem me incomodei em expulsar já é residente, ele sempre deixa um lembrete de tempos em tempos; Não consigo dizer Eu te amo, também não gosto de escuta-lo, isso cria algo muito forte pra mim, muito profundo que me incomoda, não sei se é correspondido, mas já disse, o disse mas sinto que por obrigação, parecia uma boa hora pra se dizer, sabe, será que por este texto a culpa, minha residente mais assídua também aparecerá? aparecerá pra tentar amenizar as coisas que penso sentir com coisas que me fará pensar? Talvez seja por que ele é uma boa pessoa, uma pessoa de verdade, talvez não queira imaginar que isso tudo não seja tão bom pra mim quanto é pra ele, que eu não o ame tanto como ele me ama... Colocando em palavras parece idiotice, em meu ver o amor é um sentimento muito abstrato, talvez por que nunca o senti com tanta força que doesse, talvez assim eu descubra como é, talvez um dia eu aprenda a amar. 
  • Caçador de Lendas

    Natal-RN/Brasil.
    Um garoto de nome Harley,estava na escola,e foi desafiado.
    -Eu duvido que você a chame!
    -Pode ser mas...
    -Vai amarelar é?
    -NÃO!
    -então,as dezesseis horas hoje você vai.

    Apos as aulas de português,história, matemática,artes e educação física,se passou exatamente 2 horas.
    -vai lá prima e faz o que te falei.
    -certo.
    Ela entrou,fez coisas que não posso citar.
    Apareceu uma menina loira,de cabelos que tampam o seu rosto,vestido branco com um perfume inexplicável. A prima:
    Gritou BEM alto.
    Chutaram a porta e se deparam com a lenda urbana na escola estadual.
    -E-Essa loura dá...
    -Calafrios!
    Harley,um jovem espadachim,saca a espada para combater tal demônio.
    Conseguiu dar um belo murro na cara, que fez sangrar sangue preto. Apavorante era! Ela (Loira),levanta seu cabelo que encobre os olhos e parte do nariz. O que veram,foi uma menina sem orbita nos olhos,preto,negro.
  • Cada Caso é um caso

    Esse aconteceu há alguns anos. Era o dia 26 de setembro de 2005. Minha vida nunca mais foi à mesma a parti daquela data. Naquela manhã, Levantei-me da cama, tomei café e fui pra varanda, como sempre fazia. Sentei-me naquele maravilhoso banco de madeira, e pus-me a admirar as maravilhas da natureza em volta da minha casa, uma delas em particular me tirava o fôlego. 
    Era a chegada de mais uma primavera. A alegria e o verde novamente eram reinstalados, depois de uma era cinzenta e fria. As coisas estavam exatamente como planejadas, eu estava feliz. Minha casa havia passado por uma reforma, sabe aquela sensação boa de casa nova? Pois é! Era exatamente o que eu estava sentido. Fredie meu esposo, seguiu copiosamente meus caprichos; nossa residência ficou espetacular.
    Eu estava num bairro maravilhoso, conhecia boa parte da vizinhança, infelizmente há alguns anos, minha vizinha preferida se mudara dali, deixando assim, sua bela casa para a locação. Foram anos bem difíceis pra mim, entretanto, superados. A mansão continuava com uma placa de Aluga-se, até aquela data.
    Assim que os Bulganos deixaram a mansão, Fredie descobriu uma passagem no jardim que dava acesso a casa deles. Sabíamos quando o caseiro se ausentava do local, inclusive, horas, minutos e segundos. Eu era fissurada pela mansão, aquele jardim incrível me convidava, e todas as manhãs, e às vezes à tardinha estávamos lá, como dois jovens recém-casados, apaixonados, apesar dos anos que já estávamos juntos.
    Havia algo extraordinário naquela manhã; namorávamos, riamos como em nenhum outro dia, parecia uma despedida. De repente, ouço um barulho: é um caminhão. Parece que finalmente a casa ganharia novos hóspedes, para minha completa tristeza. Rapidamente nos vestimos e saímos imediatamente do local, infelizmente, aquele desconhecido, estava exatamente na passagem que Fredie havia descoberto, e agora? Encostamo-nos ao muro, e esperamos serenamente até QUE...
  • CARMOND - CAPÍTULO I

    CAPÍTULO UM

    Foi em meados de junho e o inverno era um dos mais rigorosos já vividos no vilarejo, até aquele ano. Na noite em que o jovem médico chegou à pequena e distante Carmond, além do frio, caía uma chuva torrencial.
    _ Aqui é sempre tão frio assim? Ele perguntou ao simpático motorista que o havia buscado, na estranha estação ferroviária, algumas horas atrás, e agora, o ajudava a retirar suas malas do carro.
    _ Sim, e é bom ir se acostumando, doutor! Lá pro final do mês tende a ficar pior, muito pior. Às vezes chega a nevar.
    Augusto sorriu e pensou tratar-se de uma brincadeira do homem que caminhava apressadamente à sua frente em direção à porta da pensão. A única do local.
    _ Porque está sorrindo, doutor? Acha que estou de brincadeira?
    _ Então é sério? Oh meu Deus! Isso é inacreditável, lá na capital quase nunca faz frio.
    _ Nem mesmo no inverno?
    _ Muito pouco, meu amigo.
    O motorista colocou a última mala na recepção, deserta, e tocou algo parecido com um sino.
    _ Espere só mais uns dias e verás o que é frio, meu doutor. É de trincar os dentes.
    Nesse momento, os dois ouviram passos apressados no chão de madeira que vinham em direção a eles e não demorou a surgir uma senhora baixa e rechonchuda que carregava um castiçal com velas acesas. Só então, Augusto se deu conta que todo o vilarejo estava na escuridão. Estranhou, mas, imaginou que a chuva fosse a responsável pela falta de luz elétrica.
    _ Boa noite, meus senhores!
    _ Boa noite, Xica. Demoramos, mas, chegamos.
    _ Já estava mesmo preocupada, Piu. Essa chuva toda e vocês à deriva nessas estradas perigosas.
    _É, minha amiga! Realmente o trajeto não foi fácil, penso que o doutor nunca tinha enfrentado uma chuva dessas na vida. Mas, ele teve sorte em ter esse velho aqui como motorista. Além disso, ele está estranhando muito o frio aqui da região, não é mesmo, doutor?
    _ Pois não? Augusto perguntou meio perdido, pois ficara observando o casal conversando e imaginando há quanto tempo eles se conheciam. Na maioria das vezes e em lugares pequenos como Carmond, as pessoas se conhecem de uma vida toda.
    O motorista tocou em seu ombro e repetiu parte do diálogo:
    _ Estava a dizer para Xica que o senhor não está acostumado com o frio que faz por essas bandas.
    _ Ah sim! É verdade, dona...?
    _ Francisca, mas eu prefiro que me chamem de Xica.
    _ Como quiser, dona Xica! Pois então, eu realmente não estou acostumado com tanto frio. Lá na capital a temperatura está sempre muito elevada.
    Xica e Piu trocaram um sorriso cheio de cumplicidade, como quem queria dizer: “É bom se preparar” e ela que havia deixado o castiçal sobre o balcão, voltou a pegá-lo e pediu que eles a seguissem.
    _ Não posso me demorar, Xica. Agora que o doutor está entregue, sã e salvo, preciso ir pra casa descansar pro dia de amanhã.
    _ Nada disso, Piu. Você não vai embora sem antes tomar um prato daquela sopa que você adora e que está ali quentinha esperando por vocês.
    Augusto entendeu que não seria necessário a dona da pensão insistir, Piu tomou suas malas nas mãos outra vez e foi seguindo dona Xica através do imenso corredor cheio de portas, até que ela parou diante de uma delas e entregando o castiçal para Augusto, retirou do bolso uma chave.
    _ Este é o seu quarto! É tudo muito simples, mas muito bem cuidado, doutor.
    Mesmo com a pouca claridade, Augusto percebeu que o quarto, apesar de simples, era aconchegante.
    _ Tem tudo o que eu preciso aqui! E sendo assim, não poderia ser melhor, podem acreditar!
    _ Fique tranquila, Xica. O doutor aqui não é cheio de frescuragens como aquele último que esteve no vilarejo. Não é mesmo, doutor Augusto? O motorista perguntou enquanto terminava de colocar as malas alinhadamente num canto do quarto.
    _ Não se preocupem comigo, tenham a certeza que ficarei muito bem acomodado. Só preciso tomar um banho e trocar essa roupa que está um pouco úmida.
    _ Aqui nessa cômoda tem toalhas limpas e passadas, e o banheiro é logo ali no final do corredor. Vou acender algumas velas para ajudá-lo.
    _ Por falar em acender, o que houve com a luz? É por decorrência da chuva?
    _ Não, meu doutor. A chuva não tem nada haver com isso. Todas as noites, após as oito horas, a vila fica na escuridão. Com chuva ou sem chuva.
    _ Como assim? O que há com a eletricidade daqui?
    Piu se posicionou ao lado de Xica na porta do quarto e os dois trocaram um olhar de cumplicidade que deixou ainda mais claro para Augusto o quanto aquele casal se conhecia.
    _ É uma longa história, meu jovem. Por ora, tome o seu banho e venha nos fazer companhia na cozinha. Estaremos te esperando para tomar uma sopa deliciosa, modéstia à parte, eu sempre acerto na sopa. Não é mesmo, Piu?
    _ Tenha a certeza disso, doutor Augusto. Não existe sopa melhor, nem na capital, nem no mundo inteiro.
    Augusto sorriu e os dois deixaram o quarto indo em direção à cozinha. Enquanto o barulho dos passos ia se distanciando, o médico ficou a pensar na questão da luz elétrica e inevitavelmente as histórias que seus amigos haviam lhe contato sobre a vila retornaram à sua memória com força total.
    Não! Pensou ele. Todas aquelas histórias eram bobagens dos meus amigos, que não queriam que eu viesse à Carmond.
    E foi tentando afastar esses pensamentos que Augusto seguiu para o banheiro do final do corredor.
  • CARMOND - CAPÍTULO II

    O convite para ir à Carmond chegou um ano após Augusto ter retornado da Europa, onde havia se formando em medicina. E talvez tenha sido isso a causa de seus amigos colocarem tantos empecilhos na sua decisão de aceitar a proposta. Na certa, queriam aproveitar mais a convivência, uma vez que haviam passado tanto tempo distantes.
    _ Você não pode está falando sério que aceitou ir para aquele fim de mundo. Só pode ser uma brincadeira e, convenhamos, de muito mau gosto. O Silva falou enquanto eles dividiam uma cerveja num bar qualquer no centro da cidade.
    _ Porque todo esse espanto, Silva? Serão só alguns meses. É só o tempo do velho ficar bom ou...
    O Silva acabava de virar o último gole do copo e enquanto falava, voltou a enchê-lo.
    _ Você sabe muito bem da fama daquele vilarejo, Augusto. As histórias que chegam de lá são horripilantes.
    _ Como assim? Eu não sei do que está falando?
    _ Não se faça de desentendido, meu amigo. Sabes tão bem quanto eu que pouquíssimas pessoas viajam para aquele lugar e é ainda menor o número que retorna de lá.
    Nesse momento, Augusto não conseguiu conter o riso e isso pareceu deixar o Silva um pouco irritado.
    _ Vais rindo, doutor Augusto, depois não adiantará dizer que não o avisei. Como já diz o bom e velho ditado: Quem avisa amigo é.
    _ Não podemos acreditar em tudo que essa gente diz, meu amigo. Essas histórias são tão verdadeiras quanto o coelho da páscoa ou o papai Noel.
    _ Bom, eu como acredito que tudo é possível nesse mundão de meu Deus, se estivesse no seu lugar, não iria.
    No instante em que Augusto iria dar continuidade à conversa, os dois foram surpreendidos com a chegada de César e Rafael, ambos, amigos de longa data.
    _ Que maravilhosa coincidência! Veja que sortudos que somos! Quatro amigos se encontrando casualmente para tomarem cerveja e jogar conversa fora.
    O Silva, ouvindo as palavras de César, foi logo adiantando:
    _ É bom aproveitar mesmo este momento. Pode ser um dos últimos que passamos assim: os quatro juntos.
    _ Não entendi, alguém aqui irá morrer?
    _ Não leve a sério as palavras do Silva, meus caros. Ele já bebeu um pouco além da conta.
    Todos já estavam acomodados ao redor da mesa e o garçom, com uma competência invejável, servia cerveja aos recém chegados.
    _ Não estou bêbedo coisa nenhuma, rapazes. A verdade é que nosso amigo doutor acabou de fazer uma das maiores burradas da sua vida.
    _ Não seja exagerado, Silva. Desse jeito eles irão achar que eu engravidei alguma daquelas donzelas que visitam meu consultório semanalmente.
    Enquanto César e Rafael sorriam curiosos, Silva continuou com uma expressão de desaprovação e retomou a conversa:
    _ Antes fosse isso. Um filho com uma daquelas donzelas seria muito melhor que se enterrar naquele maldito vilarejo.
    A última palavra proferida por Silva ficou vagando no ar entre os quatro rapazes por um breve instante, enquanto os dois últimos a chegarem encaravam Augusto, espantados.
    _ Vilarejo? Isso quer dizer...
    Antes que completasse a pergunta, Silva adiantou-se:
    _ Isso mesmo: VI-LA-RE-JO, disse pausadamente, enfatizando cada sílaba. _ Augusto acaba de aceitar a proposta de ir para Carmond, tratar de um velho, que segundo informações, já deveria ter partido dessa pra melhor há muito tempo.
    César e Augusto, que até então estavam acreditando que tudo não passava dos dramas habituais do Silva, agora pareciam estar totalmente de acordo com ele.
    _ Sou obrigado a concordar com o Silva. Você só pode estar louco para aceitar ir para aquele lugar. Um vilarejo que fica a não sei quantos mil quilômetros, que só passa trem a cada quinze dias... Não! Você só pode estar de brincadeira.
    _ Calma, meus caros! Vocês estão fazendo confusão num mísero copo d’água, ou melhor, de cerveja. Sorriu e continuou. _ É verdade sim que eu irei até Carmond tratar da saúde de um velho que está a padecer. Ponto. É só isso. É o tempo de ir, tratar do enfermo e estarei de volta ao meu consultório, as minhas fiéis pacientes e aos meus amigos medrosos e queridos.
    Os três ainda continuaram questionando e listando o quanto ele perderia se afastando da cidade naquele momento. César apressou em dizer que ele mal havia aberto as portas do consultório que o pai, com tanto zelo, havia o dado de presente assim que Augusto retornou da Europa.
    Rafael alertou que as donzelas procurariam outros consultórios, e aí quando ele retornasse, se retornasse, não teria mais pacientes lindas e calientes implorando para serem consultadas.
    E por fim, o Silva, que já não encontrava mais argumentos, continuou insistindo na história de que o vilarejo era mal assombrado e que quem viajava até lá, dificilmente retornava.
    Porém, mesmo com todos esses argumentos, Augusto não se deixou persuadir, e dois dias após aquele encontro no bar, despedia-se dos amigos e da família, e embarcava no trem com destino à longínqua e misteriosa Carmond.
    Passadas algumas horas do embarque, uma chuva torrencial começara a cair, e quando o trem parou num lugar qualquer da estrada deixando Augusto, sozinho, esperando pelo motorista que lhe fora prometido na carta, o jovem médico começou a refletir se os amigos não estavam, de fato, com razão.

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