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  • As aventuras de Guto : O Thiago repórter. parte 2 (final)

    No último episódio,Thiago estava cansado de sua vida chata e resolveu fazer alguma coisa,na mesma hora passava o canal da tv,então Thiago resolveu ser repórter,só que num mistério,mentiu dizendo que Charlie era o ladrão procurado e colocou seu amigo em risco. Veja o que acontece na parte 2.
              Mesmo fazendo muito sucesso na televisão,Thiago estava triste do que fez,e na hora que ele ia contar todo o incidente o diretor o interrompeu:
                    - Bem garoto,você é muito esperto.Que tal...
                    - Não diretor,eu tenho que contar uma coisa,eu..
                    -...Receber a insignia de melhor repórter da história da CDN?
               Thiago não resistiu a essa proposta e teve que aceitá-la e dali em diante,virava o garoto propaganda da CDN e ao chegar,sentia uma sensação feliz e triste e para se acalmar ligou a Tv e recebeu uma notícia bombástica:
          "O ladrão de codinome Charlie e seus aliados vão ao juizado de menores amanhã as 12:00 e será transmitida no Brasil,no Uruguai e na Venezuela,onde o ladrão atacou''
                 O pior,é que seria na horado almoço da escola e Thiago seria forçado a assistir.
             Na hora do almoço,existia na frente de Thiago,uma sensação de amor e ódio.Uns estavam felizes e outros enfezados.E Thiago teve uma decisão: sair correndo para contar toda a verdade no juizado de menores,quando chegou lá,teve prioridade para falar:
            - Eles não são os verdadeiros ladrões,o de verdade é o...DIRETOR!!!
       E de fato era o diretor,e com isso Thiago aprendeu uma lição: Nunca aceite trabalhar com menos de 18!!!
  • CARMOND - CAPÍTULO I

    CAPÍTULO UM

    Foi em meados de junho e o inverno era um dos mais rigorosos já vividos no vilarejo, até aquele ano. Na noite em que o jovem médico chegou à pequena e distante Carmond, além do frio, caía uma chuva torrencial.
    _ Aqui é sempre tão frio assim? Ele perguntou ao simpático motorista que o havia buscado, na estranha estação ferroviária, algumas horas atrás, e agora, o ajudava a retirar suas malas do carro.
    _ Sim, e é bom ir se acostumando, doutor! Lá pro final do mês tende a ficar pior, muito pior. Às vezes chega a nevar.
    Augusto sorriu e pensou tratar-se de uma brincadeira do homem que caminhava apressadamente à sua frente em direção à porta da pensão. A única do local.
    _ Porque está sorrindo, doutor? Acha que estou de brincadeira?
    _ Então é sério? Oh meu Deus! Isso é inacreditável, lá na capital quase nunca faz frio.
    _ Nem mesmo no inverno?
    _ Muito pouco, meu amigo.
    O motorista colocou a última mala na recepção, deserta, e tocou algo parecido com um sino.
    _ Espere só mais uns dias e verás o que é frio, meu doutor. É de trincar os dentes.
    Nesse momento, os dois ouviram passos apressados no chão de madeira que vinham em direção a eles e não demorou a surgir uma senhora baixa e rechonchuda que carregava um castiçal com velas acesas. Só então, Augusto se deu conta que todo o vilarejo estava na escuridão. Estranhou, mas, imaginou que a chuva fosse a responsável pela falta de luz elétrica.
    _ Boa noite, meus senhores!
    _ Boa noite, Xica. Demoramos, mas, chegamos.
    _ Já estava mesmo preocupada, Piu. Essa chuva toda e vocês à deriva nessas estradas perigosas.
    _É, minha amiga! Realmente o trajeto não foi fácil, penso que o doutor nunca tinha enfrentado uma chuva dessas na vida. Mas, ele teve sorte em ter esse velho aqui como motorista. Além disso, ele está estranhando muito o frio aqui da região, não é mesmo, doutor?
    _ Pois não? Augusto perguntou meio perdido, pois ficara observando o casal conversando e imaginando há quanto tempo eles se conheciam. Na maioria das vezes e em lugares pequenos como Carmond, as pessoas se conhecem de uma vida toda.
    O motorista tocou em seu ombro e repetiu parte do diálogo:
    _ Estava a dizer para Xica que o senhor não está acostumado com o frio que faz por essas bandas.
    _ Ah sim! É verdade, dona...?
    _ Francisca, mas eu prefiro que me chamem de Xica.
    _ Como quiser, dona Xica! Pois então, eu realmente não estou acostumado com tanto frio. Lá na capital a temperatura está sempre muito elevada.
    Xica e Piu trocaram um sorriso cheio de cumplicidade, como quem queria dizer: “É bom se preparar” e ela que havia deixado o castiçal sobre o balcão, voltou a pegá-lo e pediu que eles a seguissem.
    _ Não posso me demorar, Xica. Agora que o doutor está entregue, sã e salvo, preciso ir pra casa descansar pro dia de amanhã.
    _ Nada disso, Piu. Você não vai embora sem antes tomar um prato daquela sopa que você adora e que está ali quentinha esperando por vocês.
    Augusto entendeu que não seria necessário a dona da pensão insistir, Piu tomou suas malas nas mãos outra vez e foi seguindo dona Xica através do imenso corredor cheio de portas, até que ela parou diante de uma delas e entregando o castiçal para Augusto, retirou do bolso uma chave.
    _ Este é o seu quarto! É tudo muito simples, mas muito bem cuidado, doutor.
    Mesmo com a pouca claridade, Augusto percebeu que o quarto, apesar de simples, era aconchegante.
    _ Tem tudo o que eu preciso aqui! E sendo assim, não poderia ser melhor, podem acreditar!
    _ Fique tranquila, Xica. O doutor aqui não é cheio de frescuragens como aquele último que esteve no vilarejo. Não é mesmo, doutor Augusto? O motorista perguntou enquanto terminava de colocar as malas alinhadamente num canto do quarto.
    _ Não se preocupem comigo, tenham a certeza que ficarei muito bem acomodado. Só preciso tomar um banho e trocar essa roupa que está um pouco úmida.
    _ Aqui nessa cômoda tem toalhas limpas e passadas, e o banheiro é logo ali no final do corredor. Vou acender algumas velas para ajudá-lo.
    _ Por falar em acender, o que houve com a luz? É por decorrência da chuva?
    _ Não, meu doutor. A chuva não tem nada haver com isso. Todas as noites, após as oito horas, a vila fica na escuridão. Com chuva ou sem chuva.
    _ Como assim? O que há com a eletricidade daqui?
    Piu se posicionou ao lado de Xica na porta do quarto e os dois trocaram um olhar de cumplicidade que deixou ainda mais claro para Augusto o quanto aquele casal se conhecia.
    _ É uma longa história, meu jovem. Por ora, tome o seu banho e venha nos fazer companhia na cozinha. Estaremos te esperando para tomar uma sopa deliciosa, modéstia à parte, eu sempre acerto na sopa. Não é mesmo, Piu?
    _ Tenha a certeza disso, doutor Augusto. Não existe sopa melhor, nem na capital, nem no mundo inteiro.
    Augusto sorriu e os dois deixaram o quarto indo em direção à cozinha. Enquanto o barulho dos passos ia se distanciando, o médico ficou a pensar na questão da luz elétrica e inevitavelmente as histórias que seus amigos haviam lhe contato sobre a vila retornaram à sua memória com força total.
    Não! Pensou ele. Todas aquelas histórias eram bobagens dos meus amigos, que não queriam que eu viesse à Carmond.
    E foi tentando afastar esses pensamentos que Augusto seguiu para o banheiro do final do corredor.
  • Carta de um tímido

    Querido amigo extrovertido,
    Eu adoraria chegar num local e sair fazendo amigos… Só não tenho extroversão para tal.
    Eu não sei quem as pessoas novas são, por isso tenho um pouco de medo de me abrir com elas.  QUEM SABE SE VOCÊ NÃO É UM LOUCO PSICOPATA QUERENDO SABER MINHA ROTINA PRA ME MATAR, JOGAR MEU CORPO NUM RIO E DEPOIS... ok, talvez eu tenha exagerado um pouco.
    NÃO ME MANDE IR ATÉ ALI E PERGUNTAR ALGO PARA AQUELE DESCONHECIDO. Eu agradeço se VOCÊ, EXTROVERTIDO, puder fazer isso pra mim.
    Se você quer saber se a pessoa que está te olhando gosta de você, vá até ela e pergunte.
    Se eu quiser saber se a pessoa aue está me olhando gosta de mim, vá até ela e pergunte.
    Não faça jogos, não espere que eu vá até você perguntar se você quer ser meu amigo. Eu quero muito ser se amigo, mas eu preciso que você venha até mim e me pergunte para que eu só precise responder que sim.
    No fim, se você ficar irritado e quiser me abandonar, pergunte antes se aquela pessoa sentada ali não pode esperar o ônibus comigo… Por favor.
    Atenciosamente, seu amigo tímido.
  • Crime Perfeito

    Perina se levantou e foi até a cozinha, queria transformar toda a sua raiva em uma ideia de vingança, precisava encontrar uma forma de ridicularizar sua inimiga.

    Abriu os armários, seus olhos fixos e atentos a qualquer insinuação, a qualquer sugestão para um crime perfeito.

    “Cozinha é o melhor lugar para se premeditar um crime. Aliás, uma mente criminosa com certeza nasce ou se desenvolve aqui.”

    Pensou ela determinada, enquanto abria as gavetas.

    Um objeto atraiu seu faro, seus olhos fixaram-se nele, pura concentração, nada era mais importante naquele momento, nada que conseguisse quebrar aquela atração. Uma força magnética criou-se ali.

    Pegou-o, caminhou até a sala, sentou-se no sofá e explorou-o primeiro com os olhos e depois com os outros sentidos. Consumiu-o completamente, e depois daquela experiência intensa e voraz, deixou seu corpo cair cansado, deitando-se no sofá.

    Suas mãos sem forças se abriram e soltou a prova do crime, o objeto escorregou pelo sofá e caiu no chão, o conteúdo devorado até o final, sobrava apenas a embalagem daquela deliciosa e intensa experiência.

    Passado o torpor, Perina se sentia péssima, novamente foi dominada por aquela força e impetuosamente comeu toda a barra de chocolate. Daquela forma, jamais conseguiria colocar em ação sua vingança.

    Pra isto precisaria pensar como uma verdadeira criminosa. Saiu atrás de uma ideia assassina e o que conseguiu foi acrescentar mais colesterol à sua coleção devorando aquele tablete inteiro de chocolate.

    Perina era compulsiva, desde pequena, por sorte não tinha tendência a engordar, mas tinha problemas com o espelho e com a autoestima, o que afetava e muito suas relações. Eram sempre superficiais.

    Já havia pensado em procurar um médico, chegara até a marcar. Mas sempre desistia, não era fácil abrir mão daquela liberdade gastronômica.

    Mas agora era diferente, precisava começar a pensar com a cabeça, ou emagrecê-la, sim porque de tanto pensar em comida, achava que sua cabeça já estava gorda.

    Trabalhava atualmente numa loja de utilidade doméstica. Foi lá que conheceu Junia, uma mulher magra, linda, desenvolta... mas uma cobra, que além de colega de serviço era também vizinha, morava três casas depois de Perina.

    Junia era má por natureza, inventava mentiras, colocava amigo contra outro, fazia as maiores armações e saia de boazinha. Com Perina então, ela vivia aprontando.

    E desta vez Junia tinha passado dos limites, aprontou uma que Perina evitava até pensar, falar com os outros sobre aquilo então, de jeito nenhum.

    Ela injetou corante num chocolate que Perina amava e aqueceu – o um pouco. Quando Perina foi comê-lo ele estava todo derretido, e gulosa como era, se lambuzou toda. E o resultado, mesmo depois de lavar ficou com o rosto e as mãos todos manchados, deixando claro pra quem quisesse ver que tinha, como uma criança recém-nascida se sujado inteira para comer.

    As pessoas que já conheciam bem sua compulsividade, chegavam a olhar com dó pra ela, e fingiam não perceber aquela catástrofe.

    Aquilo despertou em Perina o que ela tinha de pior. Iria controlar sua fome para satisfazer seu ideal mais profundo: a vingança.

    Precisava de uma ideia.

    Abaixou e pegou a embalagem de chocolate e foi pra cozinha preparar o jantar. Ali pensando no que fazer... Veio o insight:

    “Lógico, comida envenenada, como não pensei nisto antes, uma comida irresistível e envenenada. A mesma arma da inimiga.”

    Escolheu a receita, planejou tudo. Tinha todos os ingredientes, faltavam apenas os morangos. E ela queria colocar numa travessa floral que tinha na loja que trabalhava, que aliás, ainda estava aberta. Resolveu dar um requinte de crueldade à sua vingança, ligou para Junia e pediu para que ela trouxesse morango frescos e a travessa quando viesse do trabalho. Falsa como era, ela se prontificou imediatamente.

    A quantidade de veneno tinha que ser bem dosada, senão poderia até matar. Decidiu colocar todo o frasco, porque sabia que Junia comeria um pedaço pequeno, assim teria uma baita dor de barriga e mais alguns incômodos. Era uma vingança arriscada, mas valia a pena.

    Lavou toda a louça, pôs o lixo pra fora e sentou no sofá para descansar.

    Mas enquanto descansava pensou melhor e desistiu da vingança, aquilo nada tinha a ver com ela, Junia era do mal, ela não.

    Estava decidida, pela manhã iria jogar a sobremesa fora e depois procurar um médico e começaria um tratamento, tudo aquilo já estava começando a mexer com seu caráter.

    Mas tinha sido bom pensar e executar até ali aquela vingança, era como um desestressante. Agora ia seguir com sua vida.

    Estava tão cansada que dormiu ali mesmo assistindo televisão.

    Perina acordou assustada, tivera um sonho tenso, mas delicioso. No sonho ela levantara e encontrara um pavê embrulhado pra presente em sua geladeira e comera quase todo.

    De tão intenso o sonho, ela se sentia até sem ar. Levantou-se e sentiu o corpo pesado, a cabeça girando, e muita tontura. Com muito esforço, foi pegar um copo de água.

    Abriu a geladeira e lá estava a sobremesa desembrulhada e comida quase toda.

    “Não foi um sonho!”

    Tentou entender, mas seus sentidos foram sumindo e seu corpo pesando até que caiu morta no chão.

    A faxineira chegou mais tarde e chamou a polícia. Encontraram o pavê envenenado e na investigação descobriram que foi Junia quem comprou os morangos e a travessa floral.

    A conclusão da polícia foi a óbvia: Junia fez uma sobremesa envenenada e deu pra Perina.

    Junia chegou algemada á delegacia.

    -Não fui eu, eu juro, ela que me encomendou a travessa e os morangos.

    Mas o delegado, que era gordinho estava enfurecido com tamanha maldade.

    -Você vai pagar pelo mal que fez a esta moça. Tentou um crime perfeito, seu álibi até que é bom, mas vou te alertar.

    -CRIMES PERFEITOS NÃO EXISTEM!

  • Dois. Capítulo três de seis

    São seis capítulos no total, postarei os seis. Este conto é de 2017. No perfil você poderá encontrar os capítulos.
    Capitulo três
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    O sol nasceu e o horizonte se fez belo, o casal de ladrões caminhou até a mesa e cadeiras colocadas no jardim, parecendo algo rotineiro para eles, conversaram bastante sobre a sombra da grande árvore.
      -O dinheiro está no quarto de nosso futuro filho, só iremos usá-lo daqui a uns dias é mais prudente mesmo já sendo ricos como fomos e agora voltamos ao patamar. A mulher beijou o marido ferozmente, como se nunca tivesse feito aquilo antes que tanto o fez e agora pela felicidade que transbordava. O sorriso do casal era como brilhos que sem que eles soubessem estavam em risco de perderem a luminosidade, eles estavam cientes de que dali para frente era só curtir a volta à vida normal, a riqueza e desfrutarem de seus desejos como a de ter um filho.
      -Que bom, agora sabemos onde o dinheiro está! Sussurrou Zé contente para Coutinho que por algum motivo não sorriu.
      Os ladrões terminaram de tomar o café e voltaram para dentro da casa, Zé e Coutinho já sabiam o que fazer entrar e ir ao quarto da criança, mas Coutinho estava comovido e comentou uma duvida:
       -Deveríamos desistir!
       -Como assim, agora é só esperar anoitecer e pegar a grana!
       -Você não os ouviu? É um sonho deles, ter um filho e dar de tudo o melhor para tal, deveríamos deixar o dinheiro para eles, de uma ou outra maneira eles conquistaram. Você não vê que eles precisam? Os olhos de Coutinho exibiam caridade.
      -Para o lazer deles perderíamos nosso emprego? E sua mulher, o que será dela?
      -Minha mulher é forte, aguenta de tudo, sabe se virar, nós conseguiremos seguir com o que nos for possível. Mas está família está acostumada ao luxo que perderam, me responde, devemos deixar o dinheiro e sairmos daqui?
      -Claro que não, eu preciso de meu emprego! Faremos nosso trabalho, você não acha que apesar de tudo isto é que é o certo? Zé tentou ouvir uma conclusão e Coutinho colocou mais razões ao seu pensamento revelando:
      -Eu não queria dizer, mas você sabe que este dinheiro entregue assim as escondidas certamente é o dinheiro do próprio povo?
      -Eu sei, mas estamos fazendo nosso trabalho seja este dinheiro vindo de onde vier, o certo é entregá-lo a quem o espera.
      Coutinho não insistiu, resolveu ouvir Zé. O aroma do café da manhã dos donos do casarão ficou como loureira. O tempo passou e a fome daqueles que estavam em cima da árvore foi aumentando e eles decidiram:
       -Vamos à cozinha! A fome era tanta que eles arriscariam serem vistos, mas se saciariam. Eles ficaram de olho e os ladrões terminaram o almoço, os empregados pareceram ir descansar era a hora certa de entrarem e enxerem de uma vez a barriga. Porem após alguns passos já na cozinha eles tiveram que se esconder, empregados ainda estavam lá, duas mulheres e os dois seguranças não tiveram como não ouvir a conversa delas, coisa que lhes foi interessante saber.
       -Você sabe que os nossos patrões estão quase falidos, já tiveram que demitir várias pessoas que trabalham aqui. Espero que eles voltem a serem os mesmos ricos de antes e que assim nós não sejamos as próximas, já pensou ficarmos sem emprego? E eles coitados nunca viveram sem o luxo, como se dariam de outra forma? Eu sou uma das que trabalha para eles há muitos anos, talvez eu seja a mais antiga, os vi ricos e não consigo imaginá-los de outra forma.
       -Nem posso imaginar, dei duro para conseguir estar aqui e eles não podem nos deixar de mãos abanando.
       -Os patrões trabalharão duro e vão conseguir nos manter, temos que acreditar que eles podem!
       -Eu quem não posso perder este emprego, tenho um filho para criar! Uma mulher falava para outra e Coutinho se comoveu e seus pensamentos de que deveriam deixar o dinheiro para os donos da mansão voltaram, pois percebeu que não eram só eles que iriam à falência, era uma espécie de peças de domino colocadas em pé em fileiras e estas iriam cair uma a uma.
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    Veja a seguir o capítulo quatro.
  • Em Branco

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    Pegou um copo d’água.
    E saiu andando pela casa enquanto o tomava. Entretanto, derruba parte do líquido no chão mediante seu então agitamento.
    Na escada, depara-se com alguém lá embaixo. Alguém que não reconheceu. Seria por culpa da distância? Distância astuta.
    – Quem é você?
    Então o homem – o desconhecido lá embaixo –, na verdade um senhor, que lia sossegado um jornal com auxílio de óculos, olha a menina um pouco perplexo, sem entender a pergunta, intolerante para brincadeiras.
    – Como quem sou eu?
    – Quem é você? Já disse! – agora o temor afasta-se dela, criando um tom autoritário e exigindo-lhe uma resposta exata.
    – Sou seu tio, oras! – perde a paciência. – Não está me reconhecendo? Será que tá precisando de óculos também? – agora parecia mais compreensivo.
    Desse modo, a garota sai correndo de volta à cozinha (de onde emergiu). Estava aflita, temperada ao desespero.
    Sabia perfeitamente que enxergava muito bem. E que a questão não era essa: também não reconheceu a voz daquele senhor. Seria, mesmo assim, verdade? Era cética demais para lhe acreditar. 
    Então, visando salvar seu pai (com quem vivia) do pior, busca pelo revólver que sabia que ele tinha em casa, onde, certa vez, ainda mais jovem, descobriu “por um acaso” o esconderijo do objeto – que, aliás, por falta de desconfiança, o pai nunca mais o mudara de lugar.
    Mas não havia revólver. Será que o idoso ladrão disfarçado de seu tio já tinha se apoderado dele antes?
    Num repente, se lembra de que o solicitado revólver fora enterrado junto de seu pai.
  • Introdução - Crimes Socias e Matemática Social.

    Preciso falar de duas teorias que me perseguem há anos, MATEMÁTICA SOCIAL E CRIMES SOCIAIS.
    Falar ou escrever qualquer das duas agora seria extenso e logo você leitor desistiria dessa teoria.
    Antes eu preciso falar de mim. Nesse momento encontro-me sem emprego, ainda estudando, sem namorada e aos quarenta anos morando com meus pais, acredito que seja por causa de minha ansiedade, que se resulta em minha falência financeira e o desperdício de tempo que se resulta perder o foco muito rapidamente nas coisas que faço para mim. Mas acredite, quando trabalho para os outros, sempre dou 150%, como isso é possível, não sei, não tenho a menor ideia. Como muitos quarentões, estou ficando para trás e correr aos vinte é muito mais fácil e mais rápido que aos quarenta. Mas logo arranjo algo para fazer e vou dar meus 150% e deixar as minhas coisas de novo no canto do quarto, e se der tudo certo, faço inglês, porque eu sempre quero aprender algo novo. Lei do Ivan nº 01 – Aprender != Dinheiro.
    Talvez agora você diga, Matemática Social?! Isso existe? E você não vai acreditar em mim. Isso me faz lembrar quando eu tinha doze anos de idade, quando eu disse que seria legal ter um telefone móvel para cada pessoa. Os amigos de escola, minha família e conhecidos riam de mim. Hoje você riria de mim também? Ou quando eu disse, em uma aula de datilografia, que seria muito bom se tivesse uma máquina de escrever que as letras apareciam na tela e você poderia corrigir as palavras erradas, sem a necessidade de trocar de folha. Preciso dizer o que meus amigos e familiares diziam de mim?
    A questão é que as ideias vêm, começa a crescer e não tem por ondem sair, e ai as vezes eu escrevo, as vezes eu as mato. Mas as duas ideias do início não são para mim e sim para o todo, seja aqui no Brasil ou em Marte quando alguém morar lá.
    Definir Matemática Social é fácil. Tudo o que você faz, ou deixa de fazer, retornará para a sociedade em que você vive.
    Definir Crimes Sociais é mais fácil ainda. Tudo o que você faz e pode ser considerado crime comum, ou que qualquer pode fazer, você fará de tudo para que esse crime tenha penas ou consequências brandas ou deixem de ser crimes. Por quê? Porque você não quer que você, seu filho ou alguém do seu círculo social seja punido por algum crime que ele tenha cometido.
    Agora eu tenho a tarefa de fazer post explicando essas duas teorias.
    Se Deus existe, vou ter uma conversa com Ele, reclamar de tudo que ele fez de errado comigo.
  • Kidnapped - Sequestrada.

    POV'S Alessa Katherine Kendrick.
        - Se alguém tem algo contra este casamento, fale agora ou cale-se para sempre. - Disse o padre.
       - Amiga é agora! - indagou Courtney que estava sentada ao meu lado. E ao lado dela estavam Hanna e Babi. Éramos as damas de honra, e que honra. Sorri com meu pensamento.
        Olhei do outro lado e em outro banco estavam sentados os meninos que iriam nos ajudar. Meninos que estudaram conosco. Os olhei e pisquei.
       Um deles se levantou e veio até mim. Estendeu sua mão e eu segurei na mesma. Me pus de pé e estalei os dedos, como se fosse um sinal. Logo uma música começou a tocar. Uma música romântica. O que fez todos olharem maravilhados achando que aquilo faria parte do casamento. Meu pai olhou sorrindo achando que aquela era uma surpresa que eu havia preparado para seu grande dia. E realmente era!
       Logo a música ficou mais sensual. Soltei meus cabelos. Agora sim o jogo começou.
       Eu me movimentava conforme a música, subia e descia de costas para Daniel, o garoto que estava dançando comigo. Passei minha perna em volta de seu quadril e o mesmo segurou ela ali, fazendo com que meu vestido subisse mostrando parte de minha bunda. Pude ouvir vários murmúrios o que me fez sorrir.
        - Alessa! - advertiu meu pai.
        - Sim Papai? - o olhei com cara de desentendida.
        - Sente-se imediatamente! - disse mais vermelho que o normal.
        - Garota mimada! - retrucou a vadia petulante do altar.
        - Claro. - disse e realmente me sentei. Mas em cima do colo de Daniel, logo após deita-lo no chão. Comecei a rebolar e Daniel começou a se soltar, não pelo plano, mas sim porque o mesmo estava ficando excitado de verdade.
       Me levantei e fiquei em prontidão, logo as outras garotas se encontravam do meu lado. Ficamos paradas, imóveis, os outros garotos se levantaram e nos rodearam. Agora tocava “Love Me” de Lil Wayne. Os garotos continuavam a nos rodear. Eles colocaram as mãos nas nossas nucas e puxaram os fios amarrados do vestido, fazendo os mesmos caírem ao chão revelando nossas lingeries vermelhas idênticas e totalmente provocante. Caminhamos até os meninos que estavam parados uns do lado dos outros. Nos abaixamos em perfeita sincronia e puxamos as calças dos mesmos revelando as cuecas box idênticas, também na cor vermelha, logo puxamos o smoking e revelou seus peitorais muito bem definidos e com a gravata borboleta no pescoço. Podíamos ouvir vários "Óhh" das senhoras sentadas tapando os olhos de seus maridos. Logo começou a tocar “Side To Side” da Ariana Grande. Começamos a fazer a coreografia com os meninos. Havia as senhorinhas que nos encaravam e não sabiam o que fazer, umas até foram embora passando mal. Pude até ouvir uma delas dizer: “Barbaridade, no meu tempo não existia esse tipo de coisa”.
        Nos deitamos no chão e os meninos se deitaram por cima, se esfregando em nós, invertemos as posições e ficamos por cima, rebolando o mais que conseguíamos ou pensávamos estar sensual, sem parecer um bando de virjonas, tentando ser vadias só para estragar o casamento do pai.
       Com a música logo no final, olhei para o altar e a vadia tentava acudir meu pai que estava muito vermelho, a mesma abanava o rosto dele com um envelope. O padre estava estático.
       Peguei o vinho que eu deixei preparado na taça onde eu estava sentada e caminhei até ela, beberiquei o mesmo e ela já podia imaginar o que eu ia fazer.
        - Se você ousar... - joguei todo o líquido na cara dela, manchando todo seu vestido.
        - Ah... sua... insolente! – reclamou, passando as mãos pelo vestido branco, desesperada.
       A igreja se pôs de pé, comentando minha audácia, alguns jovens na flor da idade, com os hormônios à flor da pele, nos aplaudiam e assobiavam. Já os mais velhos estavam indignados, provavelmente achando que eu era uma filha ingrata e mal criada.
       Ouço o grito da vadia e olho para trás e vejo meu pai caído no chão. Droga! Isso não estava nos planos.
        - Aí, Alessa, fodeu vem! - disse Hanna me puxando para a saída.
       Saímos correndo e descemos as grandes escadas da igreja, todos da rua nos olhavam, por conta de nossas lingeries. Um garoto que estava de bicicleta, deu de cara no poste após prender sua atenção em nós.
        Nós, meninas, corremos para meu carro que era um Audi R8, que acabara de ganhar do meu pai de presente antecipado de aniversário. Iria fazer 18 anos daqui quinze dias e os meninos entraram no Porsche de Daniel logo atrás de nós.
        - Mano, isso não estava nos planos. - Comentou Babi.
        - É o meu pai. Preciso voltar! - disse com lágrimas nos olhos.
        - Aí Kath, deixa de ser dondoca! Ele apenas desmaiou. Se voltarmos agora, vai ferrar para todas nós! Conseguimos o que queríamos, agora é só esperar. O casamento não aconteceu.
        - Está certa! Está certa! Está certa! - dizia tentando confirmar a mim mesma.
        Parei em frente a uma praça.
        Logo quebramos o silêncio constrangedor com nossos risos escandalosos.
         - Meu, vocês viram a cara da vadia quando você jogou o vinho na cara dela?! - dizia Courtney nos fazendo rir ainda mais.
         - Aí, Alessa - chamou Babi -, depois dessa acho que seu pai vai te deserdar. - rimos de novo.
         - A essa altura nem me importo com grana. Sem contar que ele me deixou disponível na minha conta 5 milhões de dólares, mas eu só posso mexer daqui 15 dias quando fizer 18 anos. Além do mais, tem a fortuna da minha mãe que diferente daquela vadia, ela não se escorava em meu pai. É uma mulher independente! - disse orgulhosa.
         - Realmente. A tia é mó fodona. Admiro muito ela. Ainda mais os vestidos que ela faz. - disse Hanna se lembrando do vestido lindo de 15 anos que minha mãe havia dado de presente à ela a três anos atrás.
         Fomos para minha casa e já estávamos vestidas novamente com os sobretudo que havíamos levado de reserva no carro.
         Abri a porta de casa e adentramos a mesma.
        - Mas já estão de volta meninas? - disse minha mãe alegre. Quem olhasse para ela jamais diria que a mesma fora traída e abandonada pelo marido. Minha mãe era uma mulher que eu admirava muito, não demonstrava fraqueza, mas eu sabia que a noite ela chorava por falta de meu pai.
        - Mãe, foi maravilhoso! - sorri largamente pra ela.
        - É tia, fizemos tudo direitinho! - disse a bocão da Babi.
        - O... O que? - disse direcionando seu olhar para mim - Alessa! O que você aprontou? - disse autoritária.
        - Então... Sabe o que é mãe... - disse olhando feio para Babi - Bom...
        - Bom?... - disse me incentivando a continuar.
        - Ah mãe, qual é! Você aceitou esse casamento, mas eu não! E estou em todo meu direito de fazer um show e acabar com tudo. Não é só por você, é por mim, pelo papai e pela família que tínhamos e ele nem se quer levou isso em consideração. Não adianta nada ele depositar milhões de dólares na minha conta, me presentear com um Audi R8, me visitar e me tratar como princesa se no final do dia, ele vai voltar para aquela vadia, vai jantar com ela, se deitar com ela e acordar com ela! Pronto para construir uma família nova e eu vou estar pronta para me considerar órfã de pai se isso acontecer! - disse transbordando raiva.
         - Ah filha... - ela sorriu e me abraçou - puxou meu temperamento. Me conta todos os detalhes, derrubou vinho no vestido dela? Isso não pode faltar em nenhum lugar!
         - Sim mãe, joguei bem na cara dela! Olha como ficamos na igreja... - disse abrindo o sobretudo e revelando a lingerie vermelha. A mesma arregalou os olhos e soltou um gritinho histérico, logo nos puxando para o sofá e nos fazendo contar cada detalhe.
  • MAGIK

  • Nosso Amor - PARTE 1 - A Garota Perfeita

    THEO
    Memories fade
    Like looking through a fogged mirror
    Decisions to decisions are made and not bought
    But I thought this wouldn't hurt a lot
    I guess not"(*)
    - "Kids", MGMT
      Acordei assim que meu detestável celular começou a fazer barulho. Eu gemi, peguei o objeto e desativei o modo “despertador”, me sentei e espreguicei-me, controlando a vontade quase irresistível de voltar a dormir.
      Eu levantei e andei lentamente – muito lentamente - até o banheiro, fechando a  porta em seguida. Me livrei da bermuda que vestia e tomei um banho quente. Depois de desligar o chuveiro, me sequei e enrolei a toalha em volta da cintura.
      Fui para meu quarto – mais lento ainda -  e vesti minha calça jeans desbotada e rasgada, meu uniforme e calcei meus tênis sujos e gastos, peguei minha mochila, tomei meu café da manhã, meus remédios e meu pai me levou para a escola de carro.
      Cumprimentei todos os meus amigos quando cheguei, eu podia ser considerado um menino “bem conhecido”, estudava aqui desde o 1° ano do Ensino Fundamental, já tinha dado tempo de conhecer muita gente que veio e ficou ou já se foi.
      Fui direto para a arquibancada, onde meu melhor amigo já me esperava. Subi até o último degrau, fizemos nosso aperto de mão particular e me sentei ao seu lado.
      ─  Como foi o final de semana, meu querido Theodoro? ─  Pedro perguntou, já recebendo um soco meu, odiava que me chamassem pelo nome (meus pais tinham um certo fascínio por nomes ridículos).
      O inverno havia acabado de chegar, e aquela manhã de segunda-feira estava insuportavelmente fria. O tom do céu projetava um tipo estranho de melancolia por todo aquele lugar.
      ─  Normal ─  respondi, jogando a mochila para o lado ─  Saí no sábado, mas fiquei o dia inteiro em casa ontem.
      ─  Que saco.  ─  disse meu amigo, começando a mudar de assunto.
      Mas eu não prestava mais atenção nele. Estava olhando para a garota que acabara de chegar. Joanna. A menina perfeita, de jeito meigo, risos contagiantes e muito bela. Era assim que eu a via. Claro que sabia que era impossível alguém ser completamente perfeito, eu tinha em mente que ela possuía defeitos. E, ainda assim, sabia que estava perdidamente apaixonado por ela.
      Eu a observava de longe há alguns meses, sempre prestando atenção em cada pequena coisa que ela fazia. Notava que ela não usava roupas de manga curta – mesmo no verão – e que chorava dentro do armário de bugigangas que ninguém mais usava na Quadrinha Abandonada da escola. Sabia o caminho que ela pegava para ir para casa – era o mais longo, sempre ia pelo caminho ao contrário (somos vizinhos).
      ─  Ei, você ouviu? ─  olhei para Pedro que chamava minha atenção ─  Você ouviu o que eu disse?
      ─  Não. O que é? ─  perguntei.
      ─  Eu fiquei com a Kayla. No final de semana.
      ─  Ah ─  suspirei e voltei a olhar para Joanna ─  Que legal.
      ─  Você não está nem aí!
      ─  É, não estou mesmo.
      Meu amigo bufou e se deitou, apoiando a cabeça em sua mochila. Depois de alguns segundos começou a tagarelar sobre outro assunto. Eu ainda não queria prestar atenção.
      Joanna estava sentada, abraçando os joelhos e olhando para o nada, enquanto as amigas estavam à poucos centímetros dela, rindo e conversando sobre coisas divertidas. Mas ela, não. Parecia estar isolada do resto do mundo. Eu queria saber o por quê.
      ─ Theo! ─  Pedro gritou no meu ouvido.
      ─  O que é, porra?! ─  gritei de volta.
      ─  A despedida de solteiro vai ser em dois meses.
      ─  Que despedida de solteiro?
      ─  A do meu primo.
      ─  Que primo?
      ─  Cara, te mandei o convite faz duas semanas!
      ─  Mas ainda faltam dois meses!
      ─  É pra confirmar presença, seu idiota. E você precisa ir.
      ─  Onde vai ser? ─  perguntei, não ligando muito para a resposta.
      ─  Na Casa dei Ciliegi ─  respondeu, orgulhoso.
      Meu coração quase parou – literalmente.
      A Casa dei Ciliegi era a casa noturna mais cara do país, além de ser um lugar muito misterioso, apenas os homens podiam entrar. As normas do lugar eram mais esquisitas ainda: seu celular era confiscado, para ter certeza de que você não tirou nenhuma foto quando estava lá dentro (pois é, que tipo de casa noturna faz isso?), eles também não davam muitos detalhes do interior do lugar. E era por isso que os homens iam, por curiosidade.
      ─  Tá falando sério? ─  perguntei, quase sem acreditar.
      ─  Pois é, querido amigo. Vamos adentrar o paraíso das mulheres nuas por uma noite.
      O sino tocou, anunciando que todos os alunos deveriam ir para suas salas. Eu peguei a mochila, esperei Pedro se levantar e fomos para nossa sala.
      Enquanto as aulas ocorriam diante de mim, ficava pensando que aquela segunda-feira era a mais tediosa de toda a minha vida. Assim como pensava todos os dias.
      Não conseguir trocar nem ao menos uma palavra com Joanna me deixava deprimido. Eu desejava falar com ela todos os dias, por horas, aproveitar cada minuto e segundos da presença dela. Por isso, dentro da sala de aula, gostava de pensar em cada detalhe de seu rosto: os olhos grandes – um pouco puxados no final -, a boca carnuda, levemente rosada e mal desenhada, seus cabelos castanhos – ondulados e volumosos -, o nariz um pouco largo, as bochechas cheias, sobrancelhas profundamente negras – igual aos cílios enormes e bem curvados -, os olhos castanhos claríssimos que ficavam laranjas quando o Sol os encontravam e a pele branca como as nuvens.
      Eu achava ela a criatura mais linda que já vira. Queria tocá-la, abraça-la e beijá-la até sua respiração cessar.
      Quando o último sino, anunciando a hora da saída, tocou, não vi Joanna em lugar algum. E isso se estendeu por um mês inteiro.

      UM MÊS DEPOIS
      Durante um mês as pessoas não sentiram falta da presença dela. Quando eu perguntava à alguém da sala do segundo ano sobre Joanna, ninguém ao menos se importava em me dar uma resposta séria. As tão queridas amigas não sabiam onde ela estava, e nem queriam saber.
      Tudo aquilo era muito estranho e triste.
      Cheguei em casa ao meio-dia e logo me sentei para almoçar. Enquanto comíamos, minha irmã mais nova – Améllie – contava como fora seu dia na escola, e meu irmão mais velho – Dexter (pra ficar menos ridículo, a gente chama ele de Dex) – reclamava da desgastante rotina da faculdade. E eu apenas comia em silêncio.
      ─  Como foi seu dia, querido? ─  perguntou minha mãe.
      ─  Entediante. ─  respondi.
      ─  Você sempre diz isso. ─  riu, sem humor.
      ─  Porque é entediante todos os dias.
      Assim que o jantar terminou, eu e Dex lavamos a louça e limpamos a cozinha, enquanto Améllie gritava de dois em dois minutos que já estava na hora de ir para cama. Ela sempre fazia isso para que eu a levasse para seu quarto e lesse um livro infantil para que ela conseguisse dormir.
      ─  Vamos, Li ─  virei-me e ela se jogou nos meus braços ─  Qual livro você quer dessa vez?
      ─ O Senhor dos Anéis: As Duas Torres!
      Digamos que eu estava refinando o gosto dela pela leitura.
     


      ─  Está com algum problema na escola? ─  minha mãe perguntou baixinho, assim que entrou no meu quarto e se sentou ao meu lado na cama.
      Ela começou a fazer carinho nos meus cabelos.
      ─  Na verdade, não ─  eu respondi.
      ─  Então, por que está agindo estranho ultimamente? Já faz mais de um mês que está estranho.
      Eu vi a preocupação e o medo nos olhos dela e me senti muito culpado. Um dos grandes amores da minha vida era a minha mãe. Deixá-la preocupada era quase um castigo.
      ─  Mãe, eu estou bem ─  insisti. ─  Só estou cansado da escola.
      Alguns minutos, depois de forçar ela a acreditar que eu realmente estava bem, ela saiu, deixando-me sozinho para ler um livro que estava começando a gostar. Mas, mesmo que o enredo fosse o mais interessante, não conseguia pensar em mais nada além da garota que costumava observar todos os dias. Sentia falta dela.



      NO DIA SEGUINTE
      Quando acordei na manhã de terça-feira decidi não ir à escola e voltei a dormir. Dez minutos depois, minha mãe entrou no quarto para me acordar. Eu acabei repetindo minha rotina diária mais uma vez. O que me fez pensar no quanto a vida era maçante e patética.
      Cheguei na escola cumprimentando os mesmos amigos do dia anterior, fui para a arquibancada com o mesmo melhor amigo do dia anterior e conversamos sobre o mesmo assunto do dia anterior. A única diferença era que eu, dessa vez, respondia.
      Estava tão interagido que quase mal percebi a presença nova e interessante ao meu lado. Quase. Ela, agora, tinha cabelos no tom de vermelho vivo. Olhei para as mãos da garota, o moletom, o par de calça surrado e rasgado, a curva de seus lábios carnudos... e mal desenhados.
      "Joanna."
      O sinal, para que todos fossem para suas salas, tocou. Então peguei minha mochila, deixei Pedro para trás e desci da arquibancada, seguindo os passos de uma Joanna quase irreconhecível.
      Em meio ao amontoado de pessoas, acabei a perdendo de vista. Suspirei e segui em direção às escadas. Subi o primeiro andar e, logo quando me virei em direção ao próximo lance de escadas, esbarrei com a menina na qual estava perseguindo. Joanna e sua bolsa caíram no chão, espalhando cadernos, livros e – eu vi, claramente -  um conjunto bem ousado de lingerie vermelha, quase do mesmo tom que o cabelo novo, com lantejoulas brilhantes.
      Eu olhei para os olhos dela – enquanto ela fazia o mesmo, ninguém em volta assistia, e eu notei que os olhos da minha querida estavam vermelhos e inchados. Ela me olhava como se estivesse pedindo ajuda, mas, antes que eu pudesse dizer qualquer coisa, juntou e guardou suas coisas ferozmente, ajoelhada no chão. Quando se levantou, eu disse:
      ─  Me desculpe.
      Ela virou-se de costas e seguiu escadas a cima para sua sala como se não tivesse escutado ou nada tivesse acontecido.
      Abaixo dela, parado, um Theodoro Albuquerque estava atordoado com o que havia acabado de ver.
      "Por que alguém traria um conjunto de lingerie vermelha para a escola?"
      E percebi que havia mais coisas das quais não sabia sobre a menina do que imaginava.
      Eu tentei prestar atenção na aula de Matemática, mas achava aquilo uma perda de tempo. Depois veio a aula de Filosofia, que era mais fácil de entender.  Quando o sino, anunciando o intervalo, tocou, saí quase que correndo para fora da sala. Queria ver Joanna.
      Fui direto para o pátio e a procurei por todos os lados. Não a vi em lugar algum. E estava preocupado, muito preocupado. Procurei-a por cada cantinho do pátio, perguntei às amigas dela – que não deram a mínima. Até que me dei conta de que não havia procurado no lugar certo.
      "O armário da Quadrinha Abandonada."
      Corri para dentro do prédio da escola, desci as escadas subterrâneas e abri o portão que sustentava uma placa com o aviso “NÃO ENTRE”. Fui até o armário e o abri devagar.
      Mas não havia ninguém ali dentro.


      UMA HORA E CINQUENTA E CINCO MINUTOS DEPOIS
      A chuva caía com muita força e rapidez, o que dificultava muito minha volta para casa. Apenas trinta segundos haviam se passado, mas eu já estava completamente encharcado, e insistia em andar lentamente. Estava perdido em pensamentos.
      Perguntava a mim mesmo se teria que aguentar mais um mês sem olhar para o rosto de Joanna, o que teria acontecido com ela, onde ela estaria e o que estaria fazendo.
      Todas essas perguntas foram respondidas no mesmo instante em que decidi olhar para frente.
      Ali, encostada no muro branco do pequeno mercado, uma garota de cabelos vermelhos – abraçando as próprias pernas e com a cabeça apoiada nos joelhos – chorava tão desesperadamente que, mesmo com os trovões, era quase impossível não ouvir o sofrimento misturado com as lágrimas.


    (*)Memórias desaparecem 
    Como olhar através de um espelho embaçado 
    Decisões por decisões são feitas e não compradas 
    Mas eu pensei que isso não doeria tanto 
    Eu acho que não 
  • O jovem destemido

    Com pouco mais de mil habitantes, a cidade de Vila Velha era um refúgio dos grandes centros urbanos, e os únicos acontecimentos que agitavam a população do local eram nascimentos, casamentos e mortes, está última, sobretudo, quando se tratavam da Casa Mal-Assombrada que situava-se na cidade. Em mais de 150 anos de existência, a casa de dois andares, feita de madeira e com uma pintura há tempos desgastada fazia o mais corajoso dos homens suar frio ao se aproximar dela. E não é para menos: em todos esses anos, três famílias viveram no lugar e, segundo relatos, não sobreviveram para contar história.
    A primeira família, que construiu a casa, não vivera lá por mais de uma quinzena. Conta-se que, no meio da noite, gritos vindos da casa podiam ser ouvidos em todos os cantos de Vila Velha, e quando um grupo de pessoas decidiu entrar e ver o que estava acontecendo, os barulhos pararam de súbito e nada nem ninguém foi visto no local, incluindo a mobília. Não demorou muito para que o terreno fosse vendido, e uma nova família lá se instalasse. Naquele tempo a casa já tinha virado motivo de pânico para os mais supersticiosos, o que não afastou algumas pessoas nela interessadas. A segunda família, de sobrenome Turner, viveu lá por mais tempo. Foram aproximadamente cinco anos de uma estabilidade financeira razoável, porém um desequilíbrio emocional gigantesco por parte de marido e mulher. Brigas constantes um dia desencadearam algo muito maior: após vários dias sem nenhum movimento na casa e de um cheiro horrível exalar de lá, uma equipe policial acompanhada de alguns moradores entrou no local e presenciou uma cena um tanto quanto repulsiva: um corpo caído no chão com uma faca cravada no peito e outro corpo pendurado apenas pelo pescoço em uma corda presa ao lustre. Sem um exame preciso, era difícil discriminar homem de mulher.
    Depois desses dois acontecimentos, a casa caiu definitivamente no imaginário popular. Pessoa alguma chegava perto dela, que agora recebia o nome de Casa Mal-Assombrada de Vila Velha. Ninguém precisou ratificar nada, o nome simplesmente pegou. Por muito tempo, nenhum comprador interessado no imóvel apareceu, visto que ele teria supostamente matado seus dois últimos proprietários.
    Pois eis que surge então uma pessoa interessada na casa dita mal-assombrada, após exatos 50 anos. William Rayn era um jovem de apenas 20 aniversários, de baixa estatura, com os cabelos morenos até os ombros que deixava fluir toda sua juventude através de seu sorriso. Chegou à pequena cidade ainda de manhã, e pela primeira vez Vila Velha inteira parava para presenciar algo que não era um nascimento, um casamento ou uma morte. Dirigiu-se até a casa a pé, com uma multidão atrás dele. O padeiro parou de fazer pão; o barbeiro deixou um cliente à espera; os farmacêuticos e demais comerciantes fecharam seus estabelecimentos; todos largaram seus afazeres e foram imediatamente ver o novo dono da residência mais conhecida da região abraçar sua morte.
    William achou tudo aquilo engraçado, pois como uma simples casa poderia causar tanto medo nas mentes supersticiosas do povo do campo? O soar das suas botas ao andar davam a ele ainda mais confiança, e simplesmente deixou aquilo fruir: seu momento de fama estava lhe fazendo muito bem. Ao chegar em frente a casa e começar a subir os degraus da varanda, a multidão parou. Em sintonia, todo o barulho que os passos de meia cidade atrás dele faziam parou. William então virou-se para a multidão como se fosse uma celebridade e disse, tão alto para todo mundo ouvir:
    - Meu nome é William Rayn, e estou aqui para descriminar este lugar. Não haverá mais mortes, e vocês verão que não passou de pura coincidência. – Deu meia volta, tirou a chave da pesada porta de carvalho do bolso, a pôs na fechadura, girou e entrou.
    O odor do lugar não era o melhor que William já sentira. Além disso, o pó tomou conta da mobília que ali estava e a iluminação era muito precária. Ao subir as escadas, pegou um passarinho em flagrante entrando num buraco no teto, e pensou no mesmo instante que precisaria retificar aquilo o mais rápido possível. Largou sua única mala no maior quarto que achou e deitou-se na cama. Ficou ali por um tempo, pensando nas coisas que havia deixado para trás e como deveria ser dali para frente. William percebeu que a janela do seu quarto dava para um grande quintal atrás da casa, com uma grama incrivelmente verde e viva. Desceu as escadas e se certificou de que teria que fazer compras na vila, comida, aparelhos, roupas, tudo.
    O jovem rapaz saiu de sua nova casa e a multidão já estava dispersa. Tudo tinha voltado ao normal na cidadela. William então pôs-se a caminhar, lenta e tranquilamente, visitando mercados, farmácias, lojas de utensílios e de vestuário. Voltou para casa quando o sol já havia se posto, fazendo o mesmo trajeto de horas atrás. Subiu os degraus, parou na varanda em frente a porta, virou-se para a rua e, desta vez, com seu sorriso no rosto, deu um profundo suspiro de alegria. Observou as estrelas e as luzes das casas a sua frente e ouviu o cantar de alguns pássaros, provavelmente aqueles que estavam fazendo do sótão da casa seu lar. Virou-se para a porta e fez os mesmos movimentos, tirou a chave do bolso, a pôs na fechadura, girou e entrou.
    Willian ficou a maior parte da noite na cozinha, já que aquela noite faria uma macarronada ao molho branco com os mantimentos que comprou. Faria, se alguns acontecimentos estranhos não tivessem o deixado um pouco assustado. Ao primeiro sinal de fogo no antigo fogão à lenha da casa, uma rajada de vento fez com que a janela se abrisse e a brasa apagasse, além de um grande barulho de madeira contra madeira que a janela fez ao se chocar com a parede. Willian tentou algumas vezes mais acender o fogo, sem sucesso, pois todos os fósforos de dentro da caixa estavam literal e assustadoramente quebrados ao meio, o que dificultava seu manuseio. Por fim, desistiu e se convenceu a comer alguns produtos já prontos que comprou. Sua janta se limitou a bolachas de milho, frutas da venda da esquina de sua rua e alguns pedaços de pão dormido do mercado mais frequentado da cidade.
                Não passava das dez horas da noite quando Willian subiu ao seu quarto, com sua vela na mão, disposto a ler antes de dormir. Uma variedade imensa de livros existia no quarto principal, em uma estante dos antigos donos, e pensara que em até uma semana compraria uma estante nova para colocar todos eles. Curiosamente, estava apenas começando um livro que reunia os clássicos contos de Edgar Allan Poe, um dos mais incríveis escritores de terror de todos os tempos. Bem apropriado, Willian logo pensou.
                O primeiro conto era nada mais nada menos do que “O Corvo”, clássico absoluto do escritor. Não leu mais do que duas estrofes e, de repente, uma nova rajada de vento fez com que a chama da sua vela dançasse e quase se extinguisse e com que a janela batesse com um grande estrondo. Deu um pulo da cama, e com um ar sério e angustiado dirigiu-se até a janela, olhando para a noite. A lua era cheia e não havia nuvem no céu, e a Vila toda parecia ter morrido, pois luz alguma emanava de lugar algum. Isso deixou Willian ainda mais aterrorizado. Fechou a janela com rapidez e retomou seu lugar a cama, agora puxando o fino lençol para perto do peito.
                Retomou a leitura após alguns instantes de reflexão, dizendo a si mesmo que eram apenas coincidências e que nada teria de temer. Mas, logo que leu a primeira palavra, a rajada de vento se repete e a janela bate com ainda mais força. Dessa vez a chama não resiste, e a vela deixa Willian na completa escuridão, apenas com a luz da lua para iluminar seu quarto. De repente, ele percebe que um vulto negro entra pela janela recém aberta e pousa em cima do pé de sua cama. Willian não pensou duas vezes: atirou o livro ao chão e colocou-se por inteiro embaixo do lençol, deixando apenas a cabeça para fora.
                A figura negra ficou lá, imóvel, com os olhos brilhando em direção a Willian, que, nervoso, tremia incontrolavelmente. No momento de desespero, começou a pensar em todas as mortes que ocorreram na casa ao longo dos anos, na ave que estava parada dentro do seu quarto e no livro de contos de Edgar Allan Poe, tudo ao mesmo tempo em que tremia e guinchava de angústia. Foi no momento em que Willian controlou sua respiração e decidiu levantar e espantar a ave que, num rangido de madeira longo e contínuo a porta do seu quarto se abriu.
                A sombra de um homem alto apareceu diante da porta, e Willian corou de imediato. Nisso o corvo que continuava imóvel soltou o primeiro grunhido, e o homem avançou. Um, dois, três, quatro, cinco passos até chegar ao pé da cama e parar do lado da ave. Willian, aquela altura, já tinha encolhido o máximo que conseguia junto à cabeceira da cama e lágrimas já escorriam de seu rosto. Estava com medo, com muito medo. Ele sabia que             o homem o observava, junto com o corvo, mesmo não enxergando nada mais do que borrões brancos no meio da escuridão.
                Foi então que o homem levantou sua mão direita e, com uma incrível delicadeza, acariciou o animal que estava ao seu lado. Nesse momento seu olhar se desviou de Willian e focou no animal. O jovem não sabia o que fazer, nem o que pensar. Nada. Só conseguia ficar ali, paralisado pelo medo, com os olhos fixos na figura que estava parada a sua frente. Em um súbito momento de coragem, tentou exprimir alguma palavra, mas o que saiu de sua boca foi apenas um gemido, o suficiente para o homem a sua frente virar a cabeça em sua direção e afastar a mão do animal. Willian sabia que ele o observava. O mais novo dono da Casa Mal-Assombrada de Vila Velha estava tomado pelo medo, que se intensificou ainda mais quando o homem começou a andar em sua direção. Bastaram três passos para que ele ficasse perto suficiente de Willian e escutar o palpitar do seu coração que, naquele momento, quase saia pela boca.
                O homem pôs sua mão gelada como a neve no queixo do pobre rapaz e o levantou, fazendo-o ir de encontro com o dele, que ficava cada vez mais próximo, mais próximo, mais próximo até que, para seu alívio, Willian acordou. Acordou suado, com o livro de Allan Poe aberto em seu peito e com a janela e a porta devidamente fechados. Mesmo sendo um sonho, Willian não perdeu tempo: pegou suas roupas, livros e alguns de seus objetos, pôs tudo dentro da mala e saiu o mais rápido que pode de dentro da casa. Correu ainda de pijama até o fim da rua, onde havia a venda em que comprara comida no dia anterior, e pediu por um telefone ao comerciante que já estava encerrando mais um dia de trabalho. Willian chamou um táxi da cidade grande mais próxima, que chegaria em torno de vinte minutos. Vila Velha não tinha pontos de táxi, era pequena demais para isso, disse-lhe o comerciante. Durante todo o tempo de espera, não disse uma palavra, mas ficou em frente da venda, pois queria alguém por perto.  O táxi demorou um pouco menos do que o planejado, e Willian entrou tão rápido que nem se despediu do comerciante que o ajudara pouco tempo antes. Falou ao motorista que queria ir à rodoviária mais próxima. O mesmo consentiu com um aceno e acelerou. Não demorou muito para que o carro saísse da pequena cidade de Vila Velha e entrasse numa estrada de chão em péssimo estado. Mesmo assim, Willian não reparou nos solavancos que o carro dava e muito menos nas perguntas que o motorista fazia para tentar puxar assunto. Ele estava com a cabeça no sonho da noite anterior, querendo saber o que aquilo significava, o que havia acontecido e quem era aquele homem. Willian ainda sentia medo e sabia que o homem, de qualquer maneira, ainda o observava.
  • Psychotic

    Capítulo 01
    Bam!
    Levantou os olhos cansados, já não aguentando mais ficar naquele lugar. Seus braços estavam cruzados em cima da mesa, e sua expressão já deduzia tudo que queria dizer. Apesar de o homem ter lhe dado as costas, sabia qual seria seu destino dali pra frente...
    – "Plantão". – leu a palavras em vermelho apenas para confirmar. – Ah, não... – choramingou após rolar os olhos.
    Voltou pousar a cabeça em seus braços, começando produzir o som idêntico de um choro, porém não estava chorando. Só queria tirar três horas para descansar, ela também precisava dormir ninguém era de ferro!
    Mas mais um turno noturno, sendo este o seu terceiro. Até quando teria que aguentar? Melhor nem pensar, pois seu corpo não iria aguentar por muito tempo, suas energias estavam esgotadas, e sem querer ser indelicada, mas Amber não aguentaria mais uma noite acordada, nem mesmo se tomasse anfetaminas para manter os olhos abertos!
    – Amber? Tudo bem? – a médica mais velha, adentrou a sala privada dos médicos com uma caixa de objetos em mãos. – Amber...? – chamou novamente, colocando a caixa em cima da mesa, e se aproximando da mulher, que até então não fazia um movimento. – Amber? – a cutucou devagar, e então percebeu que ela tinha os olhos fechados e uma expressão maltratada. – Pobre bichinho, está exausto! – afastou os cabelos de Amber, passando acariciar sua face adormecida.
    O nome dela era Wendy Smith, ou, mais conhecida como a Vovó Wendy do hospital Joseph Louise Morgan. Ela tinha lá seus setenta e oito anos bem vividos, e sua própria aparência denunciava sua idade. Tinha olhos verdes, sobrancelhas finas, cabelos curtos e brancos com alguns – despercebidos – fios pretos. E o sorriso que estampava, quase sempre, em seus lábios tinha o dom de cativar qualquer iniciante na área hospitalar.
    Todos a consideravam a "vovó", por ser a única médica mais velha que aguentou segurar todas as pontas. Sua vida se baseou em controlar os enfermeiros, porém sua responsabilidade dobrou, assim que ganhou os médicos em sua lista.
    Sempre tinha o dever de estudar o paciente, antes de entregá-lo nas mãos de um dos médicos. Essa era sua função. Não acreditava que, estudar a pessoa antes de deixá-la nas mãos de um profissional capacitado, fosse necessário, pois dentro daquele hospital era onde se localizava os melhores médicos do país. Nenhum possuía ficha marcada, todos – sem exceção – executavam muito bem seus trabalhos.
    Wendy tinha um enorme significado, ela era a mãe de todos ali dentro. Sua doçura conseguia cativar a todos, até mesmo um médico orgulhoso e mal-educado, do qual ela conseguia transformar em um profissional respeitoso.
    – Vovó Wendy? – a porta da sala se abriu devagar. – Preciso tirar uma dúvida com a senhora. – ele começou, segurando a nova ficha que recebera do chefe.
    – Alex, Amber trabalhou a noite toda, ontem? – Wendy quis saber, fazendo carinho nas costas da jovem.
    – Ela substituiu o turno da Katy, não se lembra? – respondeu como se fosse óbvio.
    – Katy Hill não voltou pelo visto. – concluiu vendo Alex assentir. – Pobrezinha, ela tem que descansar um pouco. – pronunciou afastando uma mecha de cabelo do rosto de Amber. – Dr. King, não pode levá-la até a ala privada? – questionou encarando o homem docemente.
    – Vovó... – levantou os ombros. – Já estamos na ala privada. – disse como se ela não soubesse.
    – Não digo aqui Alex, me refiro às camas que o hospital disponibiliza para vocês, médicos. – explicou.
    – O chefe não irá... "Encrespar"? – fez aspas com os dedos, deixando sua pasta de documentos em cima da mesa.
    – Irei explicar a situação para ele. – respondeu, visualizando Alex se dirigir para o lado direito de Amber. – Agora, por favor, querido, leve a Dr. Anderson para um descanso, sim? – pediu.
    – Não saia daqui vovó, eu preciso falar com a senhora depois. – avisou antes de pegar o corpo adormecido de Amber, cuidadosamente.
    – Cuidado. – pediu observando Alex caminhar com o corpo da garota nos braços.
    Seus olhos o acompanharam até este empurrar a porta, que daria acesso ao cômodo das camas, com o pé. Assim que a figura de Alex desapareceu, passou prender seus glóbulos fuscos, em tom esverdeado, no documento que antes estavam nas mãos do rapaz.
    Seus dedos enrugados, que tinham envolvimento com a fina camada de pele com manchinhas, abriram o documento, encontrando com algumas fotografias presas por um clips de papel. Com sutileza, as separou, observando os rostos inocentes das crianças. Os lenços amarrados em suas cabeças, já deduziam que todas lutavam contra o câncer.
    O hospital tinha uma área reservada, especialmente para se dedicar as crianças com câncer. E dentro dela, se poderiam encontrar de todos os tipos de sorrisos, ninguém ali demonstrava tristeza!
    O câncer era um assunto bastante delicado para se tratar, e o melhor jeito de lidar com isso era através das visitas públicas, onde pessoas dedicavam um tempo precioso de suas vidas, para fazer almas inocentes rirem.
    – Pelo visto, já descobriu meu assunto com a senhora, vovó Wendy?! – Alex voltou, fechando a porta por onde acabara de sair, com sutileza.
    – Amber acordou? – não, ela não ignorou as palavras de King.
    – Apenas tomou um leve susto quando as costas tocaram o colchão. – respondeu já observando Wendy passar as fotografias. – Ele vai vir hoje! – disse de repente, recebendo os olhos surpresos da vovó.
    – Como sabe? – perguntou abaixando as mãos com as fotos.
    – Ele sempre visita o hospital, nas segundas. – deu de ombros puxando uma cadeira. – Acho gentil da parte dele, tirar algumas horas da rotina, para passar com as crianças. – revelou começando brincar com o elástico da pasta.
    – Ele é um padre, Alex, o que você esperava? – o rapaz rolou os olhos.
    – Nem todo padre, é verdadeiramente um padre! – deixou fluir, cruzando os braços em cima da mesa, deixando um sorriso brincalhão estampar em seus lábios.
    Wendy encarou aquele sorriso com receio. Não gostava quando Alex King, ria após exclamar uma possível suspeita. Odiava ficar em cima da corda. Tudo que Alex mais sabia fazer era imaginar hipóteses e expô-las para o público, como se elas realmente fossem reais, ou fossem se tornar realidade. E isso deixava a vovó cada vez mais incomodada, ele como médico, não deveria viver no mundo da lua!
    – O que quer dizer com isso Alex? – disparou.
    – Eu? Nada, é claro! – foi cínico.
    Alex riu, deixando seu corpo cair para trás. Com os pés apoiados no chão, deixou a cadeira ficar sobre duas das pernas. Levou as mãos para trás da cabeça, e continuou encarando Wendy, concluindo que ela estava louca para mandá-lo para fora dali!
    – Alex, ele é um padre! – exclamou com o tom de voz um pouco alterado, tentando colocar alguma coisa verdadeira naquela mente fértil.
    – E daí que ele é um padre? – o tom de voz desinteressado, estava deixando Wendy irritada. – Ser padre, não significa servir apenas ao Senhor; assim como todo ser humano, um padre está sujeito aos pecados, sendo eles dos mais fáceis de controlar, até os mais difíceis... Ah, quer que eu cite algum pecado tentador? – expôs sua magnífica carreira de dentes brancos.
    – Guarde seus pecados "tentadores", somente para si! – rebateu. – O monsenhor, Bruce Rodriguez, se entregou completamente à igreja. É um dos melhores padres da região, como ousa falar essas coisas dele? – Alex negou com a cabeça, parecendo arrasado.
    – Nunca devemos confiar nas pessoas. O monsenhor pode ser considerado uma pessoa religiosa, respeitosa, pura, porém nós, nunca saberemos o que ele faz quando está fora da área sagrada! – respondeu apertando os olhos conforme pronunciava. – Mas... – se levantou arrumando as fotografias dentro de sua pasta com o documento. – Meu tempo que é sagrado, e têm várias crianças me esperando! – declarou seguindo caminho a porta.
    Wendy rolou os olhos, no fundo, ter demitido Alex King quando o chefe lhe deu a chance, teria sido uma ótima escolha. Mas sentiu pena dele na época, afinal, em sua cabeça, uma pessoa não merecia perder o emprego por deixar um bisturi cair em uma hora de desespero.
    Mas Alex passou dos limites. Falar do Pe. Bruce Rodriguez daquela maneira e com aquele tom de voz cínico, foi demais! A vovó era capaz de esperar tudo vindo dele, menos aquilo... Onde estava o consentimento por ter ganhado uma segunda chance dentro do Joseph Louise Morgan? Que tipo de monstro King se tornou?
    Vovó Wendy não tinha as respostas, porém não tinha tempo para elaborá-las, havia uma paciente preste passar por uma cirurgia no fígado, do qual ela precisava estar presente. Mas se Alex achou que tinha escapado dos questionamentos, estava muito enganado, pois eles sequer começaram!
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    A dobradiça rangeu por um fio de ruído, mas as crianças não mostraram importância com a falta de óleo. Assim que a porta foi empurrada, Amber adentrou a enorme sala, recebendo os olhinhos brilhantes em cima de si. Sorriu, podendo ver duas das meninas correrem em sua direção.
    – Amber! – uma delas emitiu, abraçando a mulher pela cintura.
    – Amber, estava com tanta saudade! – a outra que tinha um lenço branco na cabeça, também a abraçou.
    – Também estava Carly! – sorriu, se abaixando para ficar da altura das meninas. – O que vocês, estão fazendo hoje? – perguntou mantendo seu sorriso.
    – Estamos brincando de casinha. – Carly respondeu.
    – Está na hora do banho, quer brincar junto com a gente, Amber? – a outra ofereceu.
    – Talvez mais tarde Lola. – respondeu, deixando seus olhos caírem sobre as figuras de Alex e Wendy. – Agora vão meninas! – incentivou, e as duas logo correram em direção do tapete, onde estava a casinha de bonecas.
    Sem mais delongas, caminhou em direção da vovó Wendy, que parecia estar dando uma belíssima bronca em Alex. Ótimo, o que ele tinha aprontado daquela vez? Mente fechada e complicada, só poderia resultar em confusão!
    Rolou os olhos assim que viu Alex com os olhos de um predador. O rapaz tinha as mãos na cintura e sua língua umedecida seus lábios, enquanto a vovó lhe ditava palavras que pareciam não agradar muito sua autoestima.
    – O que aconteceu? – foi direto ao ponto.
    – Alex está acusando o Pe. Bruce, de não ser realmente um padre! – Wendy respondeu e Alex riu.
    – Eu não acusei ninguém! – repreendeu tentando segurar o riso. – Eu só falei como uma hipótese. A vovó que está o considerando um infiel à igreja! – Amber mostrou-se confusa.
    – Eu nunca disse que ele era um infiel à igreja, você que citou os pecados "tentadores"! – vovó se defendeu, apontando o dedo no peito de Alex enquanto falava.
    – Alex! – Amber emitiu ficando surpresa com as palavras da vovó.
    – O que? – o ouviu pronunciar. – Sexo não é pecado! Todo e qualquer ser humano necessita. Sentir um pouquinho que seja de prazer, não mata ninguém! – Anderson rolou os olhos, enquanto Wendy cobriu o rosto com as mãos, sentindo vergonha.
    – Você ouviu o que acabou de dizer? – levantou uma sobrancelha. – Está falando de sexo. Um padre, a partir do momento que decide ser padre, nunca se entrega aos pecados tentadores do mundo! – pronunciou firme de si. – Somos todos seres humanos, capazes de cometer erros, e o Pe. Bruce não é diferente de nós. Mas ele possui um ofício, o dever de servir a Deus... Então pare de tentar ver coisas, onde não há! – seu tom de voz firme, talvez intimidasse Alex.
    Mas ele riu, estava debochando de todas as palavras de Amber.
    – Amber, por favor, até parece que nunca transou na vida. – continuou rindo, fazendo a mulher engolir em seco.
    Sexo era um assunto bastante delicado...
    – Isso não vem ao caso, Alex! – rebateu com a voz um pouco alterada.
    – Vem sim! – provocou seguindo com passos lentos, até estar cara a cara com ela. – Diga, não é gostoso sentir o prazer vivo em suas entranhas? Ouvir sua própria melodia; sentir suas pernas bambas com cada round; o suor desenhando por sua pele... É capaz de negar que não gosta? – direcionou o olhar convencido para o olhar, já irritado, de Amber.
    – Eu disse... Que isso, não vem ao caso Alex King! – rosnou entre os dentes.
    – Parem já, vocês dois! – vovó interviu, os separando a partir do momento que ficou no meio deles.
    Alex tentou avançar com seus passos, mas a vovó o impediu, fazendo-o recuar com o olhar raivoso. Amber o encarava profundamente, com série de dúvidas... Bruce não merecia ser visto daquela maneira, de modo algum ele faltou com respeito à igreja, então não havia motivos para Alex julgá-lo.
    Sinceramente, Alex King tinha uma mente que precisava passar por um tratamento!
    – Eu só estava tentando ser amigável em conversar sobre sexo com você, Amber Anderson. – sorriu sarcasticamente.
    – Eu não preciso que ninguém... – Amber ia se defender, mas a porta escolheu justo aquele momento para se abrir. – Acho que seu amigo chegou Alex! – provocou fazendo o rapaz rolar os olhos.
    Wendy abriu um sorriso largo, e se dirigiu em direção do novo indivíduo, deixando Alex e Amber livres para se atacarem.
    A mulher, por outro lado, ignorou a presença de King, não queria ter que trocar palavras com ele, homem desprezível que só pensava em sexo!
    Amber Anderson não gostava de conversar sobre sexo. Sentia-se envergonhada. Era virgem aos vinte e três anos, não que nunca ter transado fosse uma vergonha, mas se sentia desconfortável por conversar sobre tesão sexual com alguém experiente, como Alex.
    – Bruce te adora Amber, não quer ir lá conversar com ele? – ouviu a voz de Alex, e tudo que fez foi ignorá-lo. – Não quer trocar umas palavrinhas? – provocou novamente, e ela apenas rolou os olhos. – Vai me ignorar mesmo Amber?! – entrou na frente dela com as sobrancelhas arcadas.
    – Nunca mais fale sobre sexo comigo! – deixou claro.
    – E, por acaso, isso é algum crime? Você já transou Amber, então não é constrangimento algum falar sobre isso! – se explicou, e visualizou a mulher abaixar a cabeça.
    – Alex entenda... – envergonhada olhou para os lados para se certificar de que ninguém mais, além dele, ouviria. – Eu sou virgem. – falou baixo apenas para ele ouvir.
    – Wow... Amber eu... – ficou sem jeito. – Eu não sabia, pensei que você e Jackson já...
    – Não, eu não deixei. Nunca me senti segura, por isso ele terminou. – explicou.
    – Entendo... Mas se quiser, a gente pode resolver isso! – indicou o banheiro com o queixo.
    – Estúpido! – riu acertando um tapa contra o ombro dele.
    Alex não escondia, e era preciso apenas estudar o seu sorriso para ver que ele sentia uma atração por Amber. Eram amigos desde que ela entrara para o hospital, e sempre, desde o primeiro dia, sentiu uma atração muito forte por ela.
    Ele queria fazer parte de um pedaço da vida da mulher, porém isso tinha se tornado algo difícil. Toda vez que tentava conversar sobre relacionamento, tentava ser o mais delicado possível, mas Amber sempre mudava de assunto quando ele questionava sobre intimidade.
    Agora entedia. Ela era virgem!
    – Você já se masturbou, alguma vez, Anderson? – questionou de repente.
    – Eu, hã... – travou, mas foi salva.
    – Amber! Amber! – duas meninas começaram a gritar correndo na direção da garota.
    – Fale meninas. – foi simpática e Alex observou seu sorriso tão lindo...
    – O Pe. Bruce quer falar com você. – Zoe respondeu segurando a mão da mulher.
    – Ele disse que vai nos ensinar como fazer uma torta de maçã, mas você tem que ir junto! – já lhe puxava a outra mão.
    – Parece interessante a ideia, Carly! – sorriu, deixando-se guiar pelas duas meninas.
    Alex mordera os lábios, onde estava com a cabeça? No mundo da lua só podia ser!
    Era bem óbvio, pela cara de vergonha de Amber em revelar que era virgem que ela nunca tinha se masturbado. Mas homens, oh, criaturas burras, sempre estragam tudo!
    Alex King buscava ter uma chance com Amber, certo? Pois bem, acabou com todas as suas chances possíveis!
    Passou acompanhar os movimentos de Anderson, vendo-a abraçar o Pe. Bruce com um sorriso largo nos lábios. Aquilo o fez revirar os olhos. Será que ele era o único com pensamentos diferentes sobre aquele padre? Não era possível que ninguém acreditava nele, não necessariamente precisavam concordar, então pelo menos respeitar suas teorias já era o suficiente, mas ninguém, certamente NINGUÉM tinha capacidade para fazer isso!
    Até mesmo a vovó Wendy, que julgava sendo como uma mãe ficou contra si, isso sem comentar de Amber...
    – Eu vou vomitar! – exclamou rolando os olhos, saindo em direção da saída da sala, com certeza, papéis ou arquivos eram muito mais interessantes que ficar ali observando Amber sorrindo abertamente para o padre.
    Sabe o quanto ele daria para receber um sorriso daqueles? Melhor nem dizer...
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    A mão arrumou uma mecha de cabelo atrás da orelha, era ela simplesmente linda demais! A mulher mais bonita de todo o hospital Joseph Louise Morgan!
    Afastou o cigarro dos lábios, soltando a fumaça para o alto, a cor branca começou desenhar um lado obscuro do puro desejo e atração. Os traços da fumaça desapareceram com a força do vento, porém esse era o menor dos problemas.
    Amber Anderson, era a sua garota, a escolhida para viver anos ao seu lado. Afastando novamente o cigarro dos lábios, jogou-o no chão, fazendo questão de pisar em cima, ninguém poderia saber que ele fumava.
    Precisava manter sua imagem no hospital.
    Pela última vez, espiou a imagem de Amber agora conversando com Wendy, e um sorriso acabou dominando seus lábios, ela era realmente a melhor mulher que já encontrara!
    E antes que dois médicos pudessem sair do estabelecimento, se dirigiu rapidamente em direção de seu automóvel. Adentrara o lado do motorista começando checar seus pertences, que estavam dentro da caixa em cima do banco do passageiro, e assim que conferiu cada detalhe, fechou a caixa com a tampa. Ele não iria precisar mais daquilo, somente no dia seguinte, agora seu rumo seria outra residência...
    Girando a chave da ignição, pisou fundo no acelerador, cantando os pneus. A imagem de Amber estava gravada em sua mente, mas agora não poderia contar mais com ela, sua próxima parada exigia um talento que ele escondia nas próprias mãos!
    Dentro do hospital, Amber caminhava pelo corredor, segurando sua prancheta de pacientes em mãos. A noite finalmente caiu e cobriu todo o céu de San Rosie, e o hospital nunca ficou tão escuro e frio igual naquela noite.
    A mulher esfregava as mãos nos braços na tentativa de espantar o frio, mas era tudo inevitável. Seus pelos continuavam se arrepiando lhe alertando que aquele seria um dos seus piores plantões!
    – Amber! – parou imediatamente os passos, virando na direção da voz.
    – Como está sendo sua noite, Jacob, belíssima? – tentou colocar sarcasmo na voz, o que foi um fracasso.
    – Deve está sendo o mesmo que a sua. – respondeu dando de ombros, acompanhando Amber que seguia para o balcão na recepção.
    – Que coincidência, não? O chefe do hospital pegando plantão, como qualquer outro médico, chega até soar engraçado! – caçoou rindo.
    – Amber pare de agir como uma criança no jardim de infância! – exigiu, e ela fingiu não ouvir, estava ocupada demais assinando alguns documentos. – Nem parece que é médica e sim, uma faxineira que só resmunga! – comparou e logo Anderson se virou, ficando cara a cara com Jacob.
    – Se eu pareço uma faxineira, por que me contratou para servir o seu hospital? – disparou firme.
    – Amber... Eu ter deixado dois plantão na sua mão, já são provas o suficiente do que você significa para mim. – respondeu, e a mulher negou com a cabeça e um sorriso cínico.
    – Foram duas noites, Jacob! – rebateu seguindo novamente para o corredor.
    – Me deixa falar Amber! – emitiu, começando segui-la.
    – Eu não tenho nada do que falar com você! – emitiu continuando com seus passos.
    Jacob percebendo que nada iria adiantar para parar Amber resolveu aumentar a velocidade de suas pernas. Conseguiu, com muito esforço, entrar na frente dela, e a mulher em contradição somente parou e rolou os olhos impaciente.
    – O que você quer Jacob? – deu-se por vencida.
    – Você está livre do plantão de hoje. – resolveu despejar tudo na primeira oportunidade que tivesse.
    – Por q... Não, cadê o documento onde consta minha demissão? – esperou que ele retirasse alguma folha do jaleco e lhe entregasse, o que não aconteceu, ao contrário ele riu.
    – Acha mesmo que vou demiti-la só porque a dispensei do plantão? – riu mais uma vez, e Amber suspirou em raiva. – Não se preocupe Amber, enquanto eu estiver no cargo de chefe, você nunca será demitida. – deixou claro antes de seguir para a recepção, de onde antes estavam.
    Rolou os olhos mais uma vez. Jacob Write com trinta e dois anos conseguia mesmo ser surpreendente. De repente joga um plantão nas mãos de Amber e logo depois decidi retirá-la do plantão?! Que tipo de chefe era aquele?
    Enquanto tentava refletir sobre a mudança de plantão observava, na mesma posição, à figura morena de Jacob conferindo algumas pastas. A secretária ria de alguma idiotice que com certeza saiu pelos lábios de Write.
    Era incrível como todas as mulheres tinham uma queda pelo chefe!
    Claro, com seus cabelos castanhos, corpo esculpido – nada muito exagerado – sorriso colgate e olhos azuis, malditos olhos azuis, ele só poderia ter sido um erro genético!
    Jacob Write tinha apenas trinta e dois anos, como era possível ter aquela aparência? Tudo bem que os olhos azuis lhe dava o charme natural, mas com sua idade, o certo seria estar casado, com filhos e aparência velha, mas Jacob era totalmente o oposto de tudo, começando por estar solteiro.
    Homens do século XXI.
    Amber balançou a cabeça de um lado para o outro, retornando para sua caminhada pelo corredor. Já que não teria mais que ficar responsável pelo plantão, o que mais poderia fazer? Só lhe restava ir dormir, pois se voltasse para casa teria que encarar a figura de Alex e vovó. O que de fato não estava com determinação para encarar...
  • Psychotic

    Capítulo 01
    Bam!
    Levantou os olhos cansados, já não aguentando mais ficar naquele lugar. Seus braços estavam cruzados em cima da mesa, e sua expressão já deduzia tudo que queria dizer. Apesar de o homem ter lhe dado as costas, sabia qual seria seu destino dali pra frente...
    – "Plantão". – leu a palavras em vermelho apenas para confirmar. – Ah, não... – choramingou após rolar os olhos.
    Voltou pousar a cabeça em seus braços, começando produzir o som idêntico de um choro, porém não estava chorando. Só queria tirar três horas para descansar, ela também precisava dormir ninguém era de ferro!
    Mas mais um turno noturno, sendo este o seu terceiro. Até quando teria que aguentar? Melhor nem pensar, pois seu corpo não iria aguentar por muito tempo, suas energias estavam esgotadas, e sem querer ser indelicada, mas Amber não aguentaria mais uma noite acordada, nem mesmo se tomasse anfetaminas para manter os olhos abertos!
    – Amber? Tudo bem? – a médica mais velha, adentrou a sala privada dos médicos com uma caixa de objetos em mãos. – Amber...? – chamou novamente, colocando a caixa em cima da mesa, e se aproximando da mulher, que até então não fazia um movimento. – Amber? – a cutucou devagar, e então percebeu que ela tinha os olhos fechados e uma expressão maltratada. – Pobre bichinho, está exausto! – afastou os cabelos de Amber, passando acariciar sua face adormecida.
    O nome dela era Wendy Smith, ou, mais conhecida como a Vovó Wendy do hospital Joseph Louise Morgan. Ela tinha lá seus setenta e oito anos bem vividos, e sua própria aparência denunciava sua idade. Tinha olhos verdes, sobrancelhas finas, cabelos curtos e brancos com alguns – despercebidos – fios pretos. E o sorriso que estampava, quase sempre, em seus lábios tinha o dom de cativar qualquer iniciante na área hospitalar.
    Todos a consideravam a "vovó", por ser a única médica mais velha que aguentou segurar todas as pontas. Sua vida se baseou em controlar os enfermeiros, porém sua responsabilidade dobrou, assim que ganhou os médicos em sua lista.
    Sempre tinha o dever de estudar o paciente, antes de entregá-lo nas mãos de um dos médicos. Essa era sua função. Não acreditava que, estudar a pessoa antes de deixá-la nas mãos de um profissional capacitado, fosse necessário, pois dentro daquele hospital era onde se localizava os melhores médicos do país. Nenhum possuía ficha marcada, todos – sem exceção – executavam muito bem seus trabalhos.
    Wendy tinha um enorme significado, ela era a mãe de todos ali dentro. Sua doçura conseguia cativar a todos, até mesmo um médico orgulhoso e mal-educado, do qual ela conseguia transformar em um profissional respeitoso.
    – Vovó Wendy? – a porta da sala se abriu devagar. – Preciso tirar uma dúvida com a senhora. – ele começou, segurando a nova ficha que recebera do chefe.
    – Alex, Amber trabalhou a noite toda, ontem? – Wendy quis saber, fazendo carinho nas costas da jovem.
    – Ela substituiu o turno da Katy, não se lembra? – respondeu como se fosse óbvio.
    – Katy Hill não voltou pelo visto. – concluiu vendo Alex assentir. – Pobrezinha, ela tem que descansar um pouco. – pronunciou afastando uma mecha de cabelo do rosto de Amber. – Dr. King, não pode levá-la até a ala privada? – questionou encarando o homem docemente.
    – Vovó... – levantou os ombros. – Já estamos na ala privada. – disse como se ela não soubesse.
    – Não digo aqui Alex, me refiro às camas que o hospital disponibiliza para vocês, médicos. – explicou.
    – O chefe não irá... "Encrespar"? – fez aspas com os dedos, deixando sua pasta de documentos em cima da mesa.
    – Irei explicar a situação para ele. – respondeu, visualizando Alex se dirigir para o lado direito de Amber. – Agora, por favor, querido, leve a Dr. Anderson para um descanso, sim? – pediu.
    – Não saia daqui vovó, eu preciso falar com a senhora depois. – avisou antes de pegar o corpo adormecido de Amber, cuidadosamente.
    – Cuidado. – pediu observando Alex caminhar com o corpo da garota nos braços.
    Seus olhos o acompanharam até este empurrar a porta, que daria acesso ao cômodo das camas, com o pé. Assim que a figura de Alex desapareceu, passou prender seus glóbulos fuscos, em tom esverdeado, no documento que antes estavam nas mãos do rapaz.
    Seus dedos enrugados, que tinham envolvimento com a fina camada de pele com manchinhas, abriram o documento, encontrando com algumas fotografias presas por um clips de papel. Com sutileza, as separou, observando os rostos inocentes das crianças. Os lenços amarrados em suas cabeças, já deduziam que todas lutavam contra o câncer.
    O hospital tinha uma área reservada, especialmente para se dedicar as crianças com câncer. E dentro dela, se poderiam encontrar de todos os tipos de sorrisos, ninguém ali demonstrava tristeza!
    O câncer era um assunto bastante delicado para se tratar, e o melhor jeito de lidar com isso era através das visitas públicas, onde pessoas dedicavam um tempo precioso de suas vidas, para fazer almas inocentes rirem.
    – Pelo visto, já descobriu meu assunto com a senhora, vovó Wendy?! – Alex voltou, fechando a porta por onde acabara de sair, com sutileza.
    – Amber acordou? – não, ela não ignorou as palavras de King.
    – Apenas tomou um leve susto quando as costas tocaram o colchão. – respondeu já observando Wendy passar as fotografias. – Ele vai vir hoje! – disse de repente, recebendo os olhos surpresos da vovó.
    – Como sabe? – perguntou abaixando as mãos com as fotos.
    – Ele sempre visita o hospital, nas segundas. – deu de ombros puxando uma cadeira. – Acho gentil da parte dele, tirar algumas horas da rotina, para passar com as crianças. – revelou começando brincar com o elástico da pasta.
    – Ele é um padre, Alex, o que você esperava? – o rapaz rolou os olhos.
    – Nem todo padre, é verdadeiramente um padre! – deixou fluir, cruzando os braços em cima da mesa, deixando um sorriso brincalhão estampar em seus lábios.
    Wendy encarou aquele sorriso com receio. Não gostava quando Alex King, ria após exclamar uma possível suspeita. Odiava ficar em cima da corda. Tudo que Alex mais sabia fazer era imaginar hipóteses e expô-las para o público, como se elas realmente fossem reais, ou fossem se tornar realidade. E isso deixava a vovó cada vez mais incomodada, ele como médico, não deveria viver no mundo da lua!
    – O que quer dizer com isso Alex? – disparou.
    – Eu? Nada, é claro! – foi cínico.
    Alex riu, deixando seu corpo cair para trás. Com os pés apoiados no chão, deixou a cadeira ficar sobre duas das pernas. Levou as mãos para trás da cabeça, e continuou encarando Wendy, concluindo que ela estava louca para mandá-lo para fora dali!
    – Alex, ele é um padre! – exclamou com o tom de voz um pouco alterado, tentando colocar alguma coisa verdadeira naquela mente fértil.
    – E daí que ele é um padre? – o tom de voz desinteressado, estava deixando Wendy irritada. – Ser padre, não significa servir apenas ao Senhor; assim como todo ser humano, um padre está sujeito aos pecados, sendo eles dos mais fáceis de controlar, até os mais difíceis... Ah, quer que eu cite algum pecado tentador? – expôs sua magnífica carreira de dentes brancos.
    – Guarde seus pecados "tentadores", somente para si! – rebateu. – O monsenhor, Bruce Rodriguez, se entregou completamente à igreja. É um dos melhores padres da região, como ousa falar essas coisas dele? – Alex negou com a cabeça, parecendo arrasado.
    – Nunca devemos confiar nas pessoas. O monsenhor pode ser considerado uma pessoa religiosa, respeitosa, pura, porém nós, nunca saberemos o que ele faz quando está fora da área sagrada! – respondeu apertando os olhos conforme pronunciava. – Mas... – se levantou arrumando as fotografias dentro de sua pasta com o documento. – Meu tempo que é sagrado, e têm várias crianças me esperando! – declarou seguindo caminho a porta.
    Wendy rolou os olhos, no fundo, ter demitido Alex King quando o chefe lhe deu a chance, teria sido uma ótima escolha. Mas sentiu pena dele na época, afinal, em sua cabeça, uma pessoa não merecia perder o emprego por deixar um bisturi cair em uma hora de desespero.
    Mas Alex passou dos limites. Falar do Pe. Bruce Rodriguez daquela maneira e com aquele tom de voz cínico, foi demais! A vovó era capaz de esperar tudo vindo dele, menos aquilo... Onde estava o consentimento por ter ganhado uma segunda chance dentro do Joseph Louise Morgan? Que tipo de monstro King se tornou?
    Vovó Wendy não tinha as respostas, porém não tinha tempo para elaborá-las, havia uma paciente preste passar por uma cirurgia no fígado, do qual ela precisava estar presente. Mas se Alex achou que tinha escapado dos questionamentos, estava muito enganado, pois eles sequer começaram!
    ⓟⓢⓨⓒⓗⓞⓣⓘⓒ
    A dobradiça rangeu por um fio de ruído, mas as crianças não mostraram importância com a falta de óleo. Assim que a porta foi empurrada, Amber adentrou a enorme sala, recebendo os olhinhos brilhantes em cima de si. Sorriu, podendo ver duas das meninas correrem em sua direção.
    – Amber! – uma delas emitiu, abraçando a mulher pela cintura.
    – Amber, estava com tanta saudade! – a outra que tinha um lenço branco na cabeça, também a abraçou.
    – Também estava Carly! – sorriu, se abaixando para ficar da altura das meninas. – O que vocês, estão fazendo hoje? – perguntou mantendo seu sorriso.
    – Estamos brincando de casinha. – Carly respondeu.
    – Está na hora do banho, quer brincar junto com a gente, Amber? – a outra ofereceu.
    – Talvez mais tarde Lola. – respondeu, deixando seus olhos caírem sobre as figuras de Alex e Wendy. – Agora vão meninas! – incentivou, e as duas logo correram em direção do tapete, onde estava a casinha de bonecas.
    Sem mais delongas, caminhou em direção da vovó Wendy, que parecia estar dando uma belíssima bronca em Alex. Ótimo, o que ele tinha aprontado daquela vez? Mente fechada e complicada, só poderia resultar em confusão!
    Rolou os olhos assim que viu Alex com os olhos de um predador. O rapaz tinha as mãos na cintura e sua língua umedecida seus lábios, enquanto a vovó lhe ditava palavras que pareciam não agradar muito sua autoestima.
    – O que aconteceu? – foi direto ao ponto.
    – Alex está acusando o Pe. Bruce, de não ser realmente um padre! – Wendy respondeu e Alex riu.
    – Eu não acusei ninguém! – repreendeu tentando segurar o riso. – Eu só falei como uma hipótese. A vovó que está o considerando um infiel à igreja! – Amber mostrou-se confusa.
    – Eu nunca disse que ele era um infiel à igreja, você que citou os pecados "tentadores"! – vovó se defendeu, apontando o dedo no peito de Alex enquanto falava.
    – Alex! – Amber emitiu ficando surpresa com as palavras da vovó.
    – O que? – o ouviu pronunciar. – Sexo não é pecado! Todo e qualquer ser humano necessita. Sentir um pouquinho que seja de prazer, não mata ninguém! – Anderson rolou os olhos, enquanto Wendy cobriu o rosto com as mãos, sentindo vergonha.
    – Você ouviu o que acabou de dizer? – levantou uma sobrancelha. – Está falando de sexo. Um padre, a partir do momento que decide ser padre, nunca se entrega aos pecados tentadores do mundo! – pronunciou firme de si. – Somos todos seres humanos, capazes de cometer erros, e o Pe. Bruce não é diferente de nós. Mas ele possui um ofício, o dever de servir a Deus... Então pare de tentar ver coisas, onde não há! – seu tom de voz firme, talvez intimidasse Alex.
    Mas ele riu, estava debochando de todas as palavras de Amber.
    – Amber, por favor, até parece que nunca transou na vida. – continuou rindo, fazendo a mulher engolir em seco.
    Sexo era um assunto bastante delicado...
    – Isso não vem ao caso, Alex! – rebateu com a voz um pouco alterada.
    – Vem sim! – provocou seguindo com passos lentos, até estar cara a cara com ela. – Diga, não é gostoso sentir o prazer vivo em suas entranhas? Ouvir sua própria melodia; sentir suas pernas bambas com cada round; o suor desenhando por sua pele... É capaz de negar que não gosta? – direcionou o olhar convencido para o olhar, já irritado, de Amber.
    – Eu disse... Que isso, não vem ao caso Alex King! – rosnou entre os dentes.
    – Parem já, vocês dois! – vovó interviu, os separando a partir do momento que ficou no meio deles.
    Alex tentou avançar com seus passos, mas a vovó o impediu, fazendo-o recuar com o olhar raivoso. Amber o encarava profundamente, com série de dúvidas... Bruce não merecia ser visto daquela maneira, de modo algum ele faltou com respeito à igreja, então não havia motivos para Alex julgá-lo.
    Sinceramente, Alex King tinha uma mente que precisava passar por um tratamento!
    – Eu só estava tentando ser amigável em conversar sobre sexo com você, Amber Anderson. – sorriu sarcasticamente.
    – Eu não preciso que ninguém... – Amber ia se defender, mas a porta escolheu justo aquele momento para se abrir. – Acho que seu amigo chegou Alex! – provocou fazendo o rapaz rolar os olhos.
    Wendy abriu um sorriso largo, e se dirigiu em direção do novo indivíduo, deixando Alex e Amber livres para se atacarem.
    A mulher, por outro lado, ignorou a presença de King, não queria ter que trocar palavras com ele, homem desprezível que só pensava em sexo!
    Amber Anderson não gostava de conversar sobre sexo. Sentia-se envergonhada. Era virgem aos vinte e três anos, não que nunca ter transado fosse uma vergonha, mas se sentia desconfortável por conversar sobre tesão sexual com alguém experiente, como Alex.
    – Bruce te adora Amber, não quer ir lá conversar com ele? – ouviu a voz de Alex, e tudo que fez foi ignorá-lo. – Não quer trocar umas palavrinhas? – provocou novamente, e ela apenas rolou os olhos. – Vai me ignorar mesmo Amber?! – entrou na frente dela com as sobrancelhas arcadas.
    – Nunca mais fale sobre sexo comigo! – deixou claro.
    – E, por acaso, isso é algum crime? Você já transou Amber, então não é constrangimento algum falar sobre isso! – se explicou, e visualizou a mulher abaixar a cabeça.
    – Alex entenda... – envergonhada olhou para os lados para se certificar de que ninguém mais, além dele, ouviria. – Eu sou virgem. – falou baixo apenas para ele ouvir.
    – Wow... Amber eu... – ficou sem jeito. – Eu não sabia, pensei que você e Jackson já...
    – Não, eu não deixei. Nunca me senti segura, por isso ele terminou. – explicou.
    – Entendo... Mas se quiser, a gente pode resolver isso! – indicou o banheiro com o queixo.
    – Estúpido! – riu acertando um tapa contra o ombro dele.
    Alex não escondia, e era preciso apenas estudar o seu sorriso para ver que ele sentia uma atração por Amber. Eram amigos desde que ela entrara para o hospital, e sempre, desde o primeiro dia, sentiu uma atração muito forte por ela.
    Ele queria fazer parte de um pedaço da vida da mulher, porém isso tinha se tornado algo difícil. Toda vez que tentava conversar sobre relacionamento, tentava ser o mais delicado possível, mas Amber sempre mudava de assunto quando ele questionava sobre intimidade.
    Agora entedia. Ela era virgem!
    – Você já se masturbou, alguma vez, Anderson? – questionou de repente.
    – Eu, hã... – travou, mas foi salva.
    – Amber! Amber! – duas meninas começaram a gritar correndo na direção da garota.
    – Fale meninas. – foi simpática e Alex observou seu sorriso tão lindo...
    – O Pe. Bruce quer falar com você. – Zoe respondeu segurando a mão da mulher.
    – Ele disse que vai nos ensinar como fazer uma torta de maçã, mas você tem que ir junto! – já lhe puxava a outra mão.
    – Parece interessante a ideia, Carly! – sorriu, deixando-se guiar pelas duas meninas.
    Alex mordera os lábios, onde estava com a cabeça? No mundo da lua só podia ser!
    Era bem óbvio, pela cara de vergonha de Amber em revelar que era virgem que ela nunca tinha se masturbado. Mas homens, oh, criaturas burras, sempre estragam tudo!
    Alex King buscava ter uma chance com Amber, certo? Pois bem, acabou com todas as suas chances possíveis!
    Passou acompanhar os movimentos de Anderson, vendo-a abraçar o Pe. Bruce com um sorriso largo nos lábios. Aquilo o fez revirar os olhos. Será que ele era o único com pensamentos diferentes sobre aquele padre? Não era possível que ninguém acreditava nele, não necessariamente precisavam concordar, então pelo menos respeitar suas teorias já era o suficiente, mas ninguém, certamente NINGUÉM tinha capacidade para fazer isso!
    Até mesmo a vovó Wendy, que julgava sendo como uma mãe ficou contra si, isso sem comentar de Amber...
    – Eu vou vomitar! – exclamou rolando os olhos, saindo em direção da saída da sala, com certeza, papéis ou arquivos eram muito mais interessantes que ficar ali observando Amber sorrindo abertamente para o padre.
    Sabe o quanto ele daria para receber um sorriso daqueles? Melhor nem dizer...
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    A mão arrumou uma mecha de cabelo atrás da orelha, era ela simplesmente linda demais! A mulher mais bonita de todo o hospital Joseph Louise Morgan!
    Afastou o cigarro dos lábios, soltando a fumaça para o alto, a cor branca começou desenhar um lado obscuro do puro desejo e atração. Os traços da fumaça desapareceram com a força do vento, porém esse era o menor dos problemas.
    Amber Anderson, era a sua garota, a escolhida para viver anos ao seu lado. Afastando novamente o cigarro dos lábios, jogou-o no chão, fazendo questão de pisar em cima, ninguém poderia saber que ele fumava.
    Precisava manter sua imagem no hospital.
    Pela última vez, espiou a imagem de Amber agora conversando com Wendy, e um sorriso acabou dominando seus lábios, ela era realmente a melhor mulher que já encontrara!
    E antes que dois médicos pudessem sair do estabelecimento, se dirigiu rapidamente em direção de seu automóvel. Adentrara o lado do motorista começando checar seus pertences, que estavam dentro da caixa em cima do banco do passageiro, e assim que conferiu cada detalhe, fechou a caixa com a tampa. Ele não iria precisar mais daquilo, somente no dia seguinte, agora seu rumo seria outra residência...
    Girando a chave da ignição, pisou fundo no acelerador, cantando os pneus. A imagem de Amber estava gravada em sua mente, mas agora não poderia contar mais com ela, sua próxima parada exigia um talento que ele escondia nas próprias mãos!
    Dentro do hospital, Amber caminhava pelo corredor, segurando sua prancheta de pacientes em mãos. A noite finalmente caiu e cobriu todo o céu de San Rosie, e o hospital nunca ficou tão escuro e frio igual naquela noite.
    A mulher esfregava as mãos nos braços na tentativa de espantar o frio, mas era tudo inevitável. Seus pelos continuavam se arrepiando lhe alertando que aquele seria um dos seus piores plantões!
    – Amber! – parou imediatamente os passos, virando na direção da voz.
    – Como está sendo sua noite, Jacob, belíssima? – tentou colocar sarcasmo na voz, o que foi um fracasso.
    – Deve está sendo o mesmo que a sua. – respondeu dando de ombros, acompanhando Amber que seguia para o balcão na recepção.
    – Que coincidência, não? O chefe do hospital pegando plantão, como qualquer outro médico, chega até soar engraçado! – caçoou rindo.
    – Amber pare de agir como uma criança no jardim de infância! – exigiu, e ela fingiu não ouvir, estava ocupada demais assinando alguns documentos. – Nem parece que é médica e sim, uma faxineira que só resmunga! – comparou e logo Anderson se virou, ficando cara a cara com Jacob.
    – Se eu pareço uma faxineira, por que me contratou para servir o seu hospital? – disparou firme.
    – Amber... Eu ter deixado dois plantão na sua mão, já são provas o suficiente do que você significa para mim. – respondeu, e a mulher negou com a cabeça e um sorriso cínico.
    – Foram duas noites, Jacob! – rebateu seguindo novamente para o corredor.
    – Me deixa falar Amber! – emitiu, começando segui-la.
    – Eu não tenho nada do que falar com você! – emitiu continuando com seus passos.
    Jacob percebendo que nada iria adiantar para parar Amber resolveu aumentar a velocidade de suas pernas. Conseguiu, com muito esforço, entrar na frente dela, e a mulher em contradição somente parou e rolou os olhos impaciente.
    – O que você quer Jacob? – deu-se por vencida.
    – Você está livre do plantão de hoje. – resolveu despejar tudo na primeira oportunidade que tivesse.
    – Por q... Não, cadê o documento onde consta minha demissão? – esperou que ele retirasse alguma folha do jaleco e lhe entregasse, o que não aconteceu, ao contrário ele riu.
    – Acha mesmo que vou demiti-la só porque a dispensei do plantão? – riu mais uma vez, e Amber suspirou em raiva. – Não se preocupe Amber, enquanto eu estiver no cargo de chefe, você nunca será demitida. – deixou claro antes de seguir para a recepção, de onde antes estavam.
    Rolou os olhos mais uma vez. Jacob Write com trinta e dois anos conseguia mesmo ser surpreendente. De repente joga um plantão nas mãos de Amber e logo depois decidi retirá-la do plantão?! Que tipo de chefe era aquele?
    Enquanto tentava refletir sobre a mudança de plantão observava, na mesma posição, à figura morena de Jacob conferindo algumas pastas. A secretária ria de alguma idiotice que com certeza saiu pelos lábios de Write.
    Era incrível como todas as mulheres tinham uma queda pelo chefe!
    Claro, com seus cabelos castanhos, corpo esculpido – nada muito exagerado – sorriso colgate e olhos azuis, malditos olhos azuis, ele só poderia ter sido um erro genético!
    Jacob Write tinha apenas trinta e dois anos, como era possível ter aquela aparência? Tudo bem que os olhos azuis lhe dava o charme natural, mas com sua idade, o certo seria estar casado, com filhos e aparência velha, mas Jacob era totalmente o oposto de tudo, começando por estar solteiro.
    Homens do século XXI.
    Amber balançou a cabeça de um lado para o outro, retornando para sua caminhada pelo corredor. Já que não teria mais que ficar responsável pelo plantão, o que mais poderia fazer? Só lhe restava ir dormir, pois se voltasse para casa teria que encarar a figura de Alex e vovó. O que de fato não estava com determinação para encarar...
  • Sinopse Princess Magic - The Adventure

    Prévia da Capa

    SINOPSE:
    -Por que eu tinha que me apaixonar por ela? -Pensa Simon,ao ver Mirella beijando Brain... 

    Mirella Miller,uma garota simpática e humilde,tem os cabelos loiros e lindos olhos azuis,ela é a melhor amiga de Simon desde pequena. Ela e sua irmã,Miranda,eram muito próximas a ele,os três vivam juntos,um ajudando o outro. Mas com o passar dos anos,Mirella teve muitos problemas e não aguentava mais viver daquele jeito,então resolveu fugir. Foi para uma floresta,bem longe de todos,mas acabou encontrando um novo amigo,seu nome era Brain Carter. Ele a ajudou,e os dois começaram a se aproximar... 
    Miranda e Simon precisavam encontrá-la e trazê-la de volta,mas ela não aceitou. Agora,eles irão ficar por lá,mas por quanto tempo? Ninguém sabe ao certo. 
    Simon e Brain,não se deram muito bem,e o triângulo amoroso se formou entre eles,e agora,Mirella está em dúvida. Quem é o seu verdadeiro amor? Simon ou Brain? 

    -Ela só te vê como um amigo,não percebe? -Provoca Brain. 

    -Eu não acredito em você! 

    -Continue negando,mas o coração dela pertence a outro...
  • Vindicta

    [...]
    - Senhor... Lady Vane está... O que diabos aconteceu aqui?
    - Ele não pode suportar a dor... Tirou a própria vida.
        Houve um tempo em que éramos conhecidos como a suprema dinastia, mas agora, sou último dela. Nós Venuanos éramos fortes, poderosos. Qualidades que toda boa família sonhava em ter. Até que... Todos, salvo eu, foram assassinados. Há muita coisa para ser contada, então... Comecemos de onde tem de começar, do começo! Sóis e luas atrás, nós Venuanos vivíamos no reino de Miac, uma terra peculiar diria eu, coisas estranhas e brutais aconteciam, todos sem explicações. Falando em coisas estranhas me recordo de uma história, talvez não queiram saber, não é muito importante? Curiosos? Se aquietem! Tudo beeem! Dir-vos-eis de que se trata. Repito novamente, não é importante, apenas é a história de como toda minha família foi assassinada... Espere! Sim, isso é importante, como pude confundir-me? Certo, vamos lá. Residíamos em um palácio demasiado grande, com um jardim que se estendia além do horizonte, havia árvores de palmeiras gigantes, a grama variava entre um verde fraco quase sem cor e terra marrom, um tom claro semelhante ao verde dos olhos Venuanos. O céu de Miac, o reino usurpado dos Venuanos, o céu que, reluzia uma luz deveras calorosa e revigorante, dia após dia, noite após noite. Havia uma paz no reino, uma paz que durara décadas desde a grande revolução, assim chamada pelo meu pai que, era ainda jovem quando seu pai tomara para si o reino. Anteriormente havia os Garianos, um povo rude e asqueroso. Tipicamente brutal. Há um ditado em minha famíl... Havia um ditado em minha família que dizia “Um Gariano a menos equivale a uma erva daninha em um campo”. Durante muito tempo acreditei nisso, mamãe contava histórias que meu pai a contou e que o seu pai lhe contara quando ainda criança. Dizia que eles possuíam pares de chifres, unhas enormes que dilaceravam a carne igual dentes de leão corta a carne de sua presa. Essa ideia perturbadora me assombrava todas as noites, da minha infância até a quase juventude. Certo dia quando ainda brincava com os cavalinhos de madeira que mamãe tanto zelava, não pude conter-me com uma curiosidade. Tinha à frente do reino, além das muralhas, uma floresta, mamãe mesmo contava em suas histórias que lá viviam eles, os Garianos, dizia-me para não ir para lá, pois eles iriam cozinhar-me em um caldeirão. Ria-se em seguida dizendo “Ah, mas quem iria comer você? Só tem ossos” De fato... Só havia ossos... Retornando a história... Não pude conter-me, a meia-noite, quando a guarda-da-muralha estava distraída com as belas damas que tomavam ar fresco nas suas graças, sai pelo portão grandioso de madeira, Porem quanto mais grandiosos, mais falha terá. Havia uma estreita abertura, na qual pelo meu físico consegui atravessar sem o menor esforço, em questões de minutos já me encontrava meio caminho andado, olhava para trás com euforia enquanto dava curtos e rápidos passos, quando me aproximei das gigantescas árvores, um súbito arrepio na espinha me deu. Foi como se os fantasmas da infância voltassem em massa nos meus pensamentos. As histórias de mamãe pareciam cada vez mais verdadeiras ao passo que me aproximava daquelas altas e expeçam árvores, a visão entre elas era mínima, seria como mergulhar na escuridão. Parei mais rápido do que consegui correr. Observei aquele lugar totalmente opaco, virei-me para o reino, não havia alarme algum “O filho do rei sumiu e ninguém vem atrás? Isso é vergonha” Era meu pensamento. Talvez por que ensejava que alguém interrompesse aquela loucura, eu era demasiado inocente, um tanto tolo, porém inocente. Não havia uma alma mais pura que a minha. Dei mais algumas olhadas, todavia parecia que a floresta me puxava, algo nela me atraia. Algo inexplicável. Simplesmente adentrei-a, por segundos formulei as horrendas imagens que mamãe me contava, sentia que minha carne seria retirada de meus finos ossinhos, que iria arder em água quente para ser devorado... Engolia o ar seco que se enrolava em minha garganta. Eu sentia o suor frio escorrer-me o rosto e as mãos estremeciam. O que tinha eu de arma? “Poxa, esqueci a espada de madeira, como poderei lutar?” Alguns passos na escuridão e avistei uma luz densa verde. Aproximei-me receoso, estava certo que teria meu fim, entretanto para minha surpresa eram apenas sapos, sapos luminosos que pareciam dançar sincronicamente, semelhante à valsa das deusas Henota e Jenida. Os bichinhos eram verdes e peculiares, brilhavam como as estrelas. Achei-me em uma situação que já não conseguia pensar em nada, apenas direcionava-me minhas com as mãos àquela dança anfíbia. Quando toquei suas costas, senti algo puxar-me pelo ombro, uma mão áspera, no momento me lembrei de mamãe... Os Gerianos iriam comer-me... “Estás endoidecendo? Estás encrencado moleque, muito encrencado!” Disse Harlor, rei de Miac, também meu pai. Chegando ao palácio iniciou-se uma discussão... “Esse garoto está para deixar-me louco Vane, louco! Já não bastam as peripécias, as... As... As balbúrdias” “Não fale isso, ele é nosso filho, nosso garoto, és apenas curioso!” “Curioso? Esse garoto é um travesso, não sei o que me deu para não enfiar-lhe uma lamina no peito... Ora essa, agora quer ir para a floresta? Vai-te, ao menos não preciso quebrar a cabeça com um pirralho grotesco” Eu ouvia quieto, sabia que tinha feito por merecer, mas era inevitável que uma ponta de rancor e ódio crescia em mim naquele momento. Em seguida chegou meus irmãos, Goer e Hans, ambos jovens de uma beleza extraordinária e intelecto excepcional, porém franzinos e nada aptos para guerra. Apesar de terem uma personalidade deplorável, eu os admirava, queria ser como eles. “Logo repensava em meus sonhos quando me diziam à mesa do jantar: “És um monstrinho V, tens uma testa grande, caso fosse marrom, diria que estava à frente dos portões” E riam-se. Logo mamãe os interrompia dizendo: “Calem-se, deixem seu irmão em paz, não veem que ele será o cavaleiro do Midhy”? Olhava-me piscando, em uma espécie de símbolo afetuoso maternal. Papai, no entanto retrucava “Estás a delirar querida, não passa de um travesso magricela” Eu ria, mas no fundo, durante noites ficava a pensar “Sou um monstro? Por que não tive a sorte da beleza ou da sabedoria? O que fiz eu para merecer isso?”... Continuando, entraram no recinto meus irmãos, mal sabiam da história e já me atacaram com palavras de fúria, muitas apenas por diversão “Eu não falei? Mate-o papai, apenas nos traz problemas, quer chamar a atenção, mate-o, queime-o!”- Disse Goer. Já o outro era mais dócil “Queimar? Estás maluco Goer?...” Por um momento abri um ligeiro sorriso... “Queimar deixaria o reino empestado com seu futum, melhor seria envenena-lo!” Meu mundo caiu por completo, me senti uma escória, apenas retirei-me, achando inocentemente que se importariam, mas apenas olharam-me com um olhar de nojo, de repúdio! Estava decidido que ali não era meu lugar, por algum motivo desconhecido me odiavam. Não suportava mais. Subi rapidamente para meu quarto, chegando lá, quando estava arrumando alguns utensílios em minha pequena trouxa, senti minha mão formigar, como se estivesse queimando por dentro, um sebo verde e luminoso havia nela. Mamãe entrou no quarto em seguida, com um olhar de dó que me fazia sentir um leve ódio. Perguntava com ao menos uma lágrimas  nos olhos o que estava a  fazer, eu dizia com uma falsa serenidade que estava a partir. Não demorando muito tempo arrumei-me, recebi o seu beijo quente na testa. Vane... A única pessoa que me amara por compaixão.  Sai... nem mesmo um até logo recebi... Não sabia onde iria, estava apenas com a alma ausente, por não nem mesmo saber quem era eu... Andei... E andei para a escuridão.
    Depois de muito tempo retornei à Midhy. A juventude já se mostrava em minha face, os olhos já não conservavam o verde puro, deu-se o lugar a um negro fosco. Juntamente de mim estava um amigo, um verdadeiro amigo. Era um tanto misterioso, andava sempre com uma longa capa carmesim, seu rosto ofuscava-se na escura penumbra do capuz, sua voz se misturava a grunhidos muitas vezes impossíveis de entender. Não falávamos muito, não agora... Conhecemo-nos em uma taverna, dizia que estava a caminho de Miac, tinha contas pendentes, contas antigas... Quando chegamos aos portões nos separamos. No momento que sumiu de minha vista um dos soldados me abordaram “Quem és tu?” Ergui minha cabeça de modo que os não tão longos cabelos revelaram minha face, apesar da juventude, reconheceram-me. Era um milagre... “O filho desaparecido do rei retornou!” Todos aclamavam. À porta do palácio fui recebido por nada mais nada menos que a ilustre realeza. Respectivamente: Goer, Hans, Vane e Harlor. “Meu filho! Quanto tempo!” Disse Harlor, calorosamente abraçando-me, “De fato, pai”- Respondi-o, retribuindo o abraço pouco menos caloroso. Em seguida vieram Hans e Goer, abraçaram-me também e disseram uma ou duas palavra como: “Sentimos saudades monstrinho... quer dizer... irmãozinho” - Dando gargalhadas sempre. Por último veio Vane, ela que, na infância deu-me todo o falso, mas caridoso afeto que nunca tive. Abracei-a do mesmo modo que me abraçara quando criança. Entramos, chamaram às criadas. As mesmas mostraram-me os aposentos, como eu não conhecesse... Depois de um longo e angustioso banho desci já à noite ao baile. Iria ocorrer uma grande comemoração em minha homenagem. Talvez a maior... Três leitões e meia dúzia de galinhas foram sacrificados para a ceia. Após o jantar, que por sinal comi pouco, fomos ao salão principal. Via os corpos cintilantes movimentando-se, Harlor no trono observa-me ininterruptamente, levantou-se e veio andando até mim. Juntamente Goer, Hans e mamãe sempre atrás. Andei também em sua direção, o calor aumentava ao passo que me aproximava da mesa, havia algumas sobremesas, queijos e etc. Quando Harlor cogitou em falar-me algo consolador, logo o interrompi “Não precisa explicar papai, eu sei... Eu lhe perdoo” - Inquieto, porém disfarçando deu-me uma risada e saiu. Quando Harlor deu as costas agarrei uma lâmina que estava à mesa e desferi em sua direção... Sim, um homem encapuzado tentou matar Harlor, salvei-o, o mesmo ficou perplexo, imóvel por um tempo. Retirei a lâmina ensanguentada que caíra no chão derramando o líquido vermelho escuro e viscoso ao redor do cadáver. Depois de um tempo a guarda, que não por sinal não era tão guarda assim, chegou. Reviraram o corpo e logo identificaram de quem se tratava o suposto assassino. Era um homem que há pouco tempo chegara ao reino, usava capa carmesim e seu rosto era grotesco. Sim... Sem dúvida nenhuma era um Gariano, o último que ninguém sabia da existência. Disseram também que estava ali para cobrar uma divida, Porém acharam que se tratava de dinheiro... Harlor ainda assustado olhou-me, com um olhar diferente, um olhar de confiança, como se tivesse renascido para ele... Todos também me encaravam, Goer e Hans que murmuravam coisas como: “Assassino, mentiroso, quis se aproveitar para tomar o trono”. Eram uns invejosos... Dias depois fui proclamado como braço direito do rei. Como Goer e Hans ocupavam esse posto anteriormente, viraram contadores.
    “Em certa manhã caminhando pelo lindo jardim, ouvi vozes por de trás dos grandes pilares. Eram vozes conhecidas... Aproximei-me e estavam lá eles... Conversando escondidos, como se não quisessem ser vistos, ouvi pouco, mas esse pouco me serviu para tirar sérias conclusões... Estão armando contra o senhor, Harlor...”“ O que? Esses desgraçados. Nunca confiei neles... Estás certo do que estás falando filho? Goer e Hans são espertos, não fariam isso...” “Não posso afirma-lhe, pois são seus filhos e eu entendo isso, não quero me precipitar sobre nada, mas me senti no dever de avisar-lhe...” “Estás certo, certíssimo! Obrigado filho. Amo-te” - Estava a me virar quando o disse: “mais uma coisa...” “Sim meu filho?” “Caso nega-se a acreditar, acho que deves ver com seus próprios olhos, assim não viveras com essa duvida em seu coração... Vá atrás da sexta coluna, próximo às grandes fontes ao anoitecer” - “Verei...” - Ambos se despediram com um simples aceno e viraram as costas andando em direções opostas. Ao anoitecer estavam Goer e Hans conversando atrás do sexto pilar perto das grandes fontes. Discutiam inquietos e ansiosos. “Hans, tens certeza que aquela carta que recebera não era golpe? Tens certeza que tinha o nome da pessoa e local de encontro?” Perguntou impaciente Goer. “Cale-te, não sou asno, tenho certeza do que li, dizia certo o local, já o remetente era desconhecido” - Respondeu um tanto nervoso Hans. “Sabe Hans, estava essa noite pensando sobre o assunto de outrora, achas mesmo papai um bom rei?” - “És relativo meu caro, és relativo... Papai é bom, mas apenas no que foi treinado para ser, um brutamonte, um ogro. Não vês suas mãos? São calejadas das batalhas, ainda hoje as conserva... Digo... Como líder de guerra é nato, todavia como do povo não tem aptidão. Por isso necessitava de mentes como as nossas, trabalhando em conjunto. Éramos invencíveis, mas nosso irmãozinho querido tomou-nos o lugar, sabe por que meu caro? Por que nosso pai admira os brutos, homens das cavernas se entendem com os seus. Por isso digo-lhe, temos de retirar aquele monstrinho do cargo...” Após essas últimas palavras, Harlor revelou-se atrás das colunas. Os irmãos não perceberam a presença do pai e se assustaram. Logo disse um deles “P...Pai? Estavas aí? O que ouviste?” -  O não tão velho rei respondeu, com um ar impetuoso “ O que ouvi? O que eu ouvi?! Oras, ouvi o precisava ouvir!”  “Mas... Pai...” “Cale-te! Eu confiava em vocês, como puderam? Depois de tanto tampo... O perigo estava à minha frente e não percebi... Ele estava certo sobre vocês. Traidores!”  Com as últimas palavras todos os camponeses apareceram para ver do que se tratava o furdúncio. Olhavam com um ar de dúvida e conjecturas. Em seguida, rapidamente apareci, estava com um falso ar de questionamento, tentando acalmar Harlor. Ele que estava furioso e Goer e Hans sem entender nada diziam: “O que estás a acontecer meu pai? Traidores? Estás a caducar!” - Com mais ira o rei berrou - “Cale-te, vão morrer, não me importo se são meus filhos, irão morrer!” - Todos se admiraram com a pronúncia, principalmente Vane que chegara mais confusa que seus filhos... “O que está acontecendo aqui?” “Papai está louco” - Respondeu um dos irmãos - “Diz coisas com coisas, fala que somos traidores, que irá executar-nos” Vane voltou-se para Harlor que a olhou nos olhos e disse sério e ofegante: “Seus filhos... Seus filhos são uns covardes traidores, irão queimar!” - Vane logo se aproximou berrando - “Estás maluco? Não podes fazer isso, por qual azo pensas nisso?” “Pelo motivo de estarem conspirando!” - Respondeu o velho, sendo contido pelo caçula “É mentira, estás a blasfemar!” – Vane se virou para os filhos, desesperada e com um pingo de fé “Diga que é mentira, por favor, diga!” “Claro que é mamãe, esse velho está maluco” - Respondeu Goer fitando-o. “Velho? Isso é que pensas? Sou velho, mas ainda sei acender fogueiras!” - Disse o rei, retirando brutalmente Vane do caminho e arrastando pelos braços Goer e Hans até o centro do Jardim, onde haviam antigos troncos usados para incinerar corpos de Garianos na época da tomada do reino. Primeiro ele amarrou Hans com uma corda, que tentou relutar, mas em vão. Apesar de velho, Harlor conservava uma força extraordinária, sem muito esforço amarrou-o. Em seguida foi a vez de Goer que, tentava fugir, porém era também segurado pelos guardas que seguiam ordens do rei. Do mesmo modo foi disposto ao lado do irmão. O Velho rei gritou para todos ouvirem, em um momento de insanidade “Eis aqui dois traidores! Ambos conspiraram e mesmo sendo filhos meus terão o fim que todo traidor merece! A morte!” - No fim de suas palavras, Vane se precipitou em lágrimas aos pés de Harlor, implorando pela vida dos filhos na qual pariu, amamentou e criou com tanto zelo. Ambos estavam amarrados e choravam. Choravam por desespero de perder a vida, choravam em saber que nunca mais teriam os prazeres carnais, choravam, pois viam a mãe se debruçar em lágrimas e choravam por que deixariam o reino nas mãos de um velho louco e um irmão que consideravam mau. Notando suas vidas próximas ao fim, perceberam que a última alternativa seria correr aos meus pés “Irmãozinho, aconselhe papai, eles está ficando fora de si, sentenciar um filho por um crime que não cometera? Isso é hediondo... Por favor, eu lhe imploro, peço perdão por todo mal que lhe causei, sempre o amei... Nós dois o amávamos, por favor, irmão, solte-nos” - Diziam eles, intercalando entre si numa voz rouca e seca. Ouvindo isso abri um ligeiro sorriso e aproximei-me de Harlor. Sussurrei-lhe algumas palavras. Em seguida o rei se pronunciou novamente: “Hans... Você não será queimado... Apenas um serve de exemplo...” o Jovem foi desamarrado e conduzido para o palácio. Em seguida o rei ordenou calmo e sereno - “Queime o outro” - Ouviu-se então por um curto intervalo de tempo os gritos agonizantes de Goer que, queimava dos pés a cabeça em uma labareda diminuía ao tempo que a carne de torrava. Uma cinza espalhou-se ao redor, um silêncio agoniante dominou o local, aos poucos todos foram se retirando. Vane chorou a noite toda, aquela noite tudo ficou sombrio. O céu escureceu-se pela primeira vez em muito tempo, o ar cinzento e fúnebre acentuava a tristeza ali. Estava prestes a chover... Todos estavam em seus respectivos quartos quando o primeiro trovão rasgou o céu acompanhado de longos raios. A água começara a cair... Hans estava em seu quarto na torre lateral, nelas caiam longos cipós que iam até o chão. O horizonte estava escuro e quase não se via nada, nem mesmo a floresta, observava. Deitou-se em sua cama de braços abertos e olhando para o teto, ficou a refletir por um longo tempo... Não parava de pensar nos gritos agonizantes de ser irmão. O céu constantemente clareava em grandiosos relâmpagos, o clarão apenas o fazia relembrar as chamas que tomou o corpo do irmão. Em seguida percebeu uma luz verde aproximando-se dele, não ligou, achou que fosse apenas um reflexo nos musgo causado pelos clarões dos relâmpagos. Estava deveras errado. Quando se deu conta estava cercado de sapos que dançavam em uma sincronia incrível, foi então que notou que os clarões verdes se tratavam dos sapos. Em uma intercalação de luzes claras dos relâmpagos e verdes dos sapos na sinfonia da chuva, os pequenos anfíbios foram tomando o quarto. Apenas flashes de luzes eram vistos por Hans, quando se deu conta já era tarde... Estava sendo “engolido” pelos sapos, que saltavam sempre em sincronia. Apenas ouviram-se seus gritos... Depois um tempo entrou Vane em seu quarto, vira o filho na cama, seu outro filho amado disposto na cama. Com a face sebosa de um verde claro e brilhante que assemelhavam aos seus olhos. Sem ar, ironicamente sem brilho e sem vida...  Era demais para Vane, não aguentaria viver sem quem considerava suas vidas... Acabou por se jogar da torre ao chão, no salto da saudade e desespero de encontrar quem realmente amava...
     O filho caçula chegou ao pai que se encontrava ébrio em seu gracioso trono no grande salão e o disse “Então... Papai... Como se sente? Sem família, sem quem ter para receber ou dar amor...” “Do... Do que está falando?” - Respondeu um pouco confuso por causa da bebida, mas ainda consciente. “Ora, não sabes? Hans morreu envenenado e Lady Vane suicidou-se” - Disse ironizando, caminhando em direção ao velho lentamente. “O que? Estás mentindo... É mentira!” - Respondeu moribundo, soluçando com o álcool “Por que mentiria para o senhor? Jamais faria algo assim a vós...” - Respondeu dando longas gargalhadas que ecoavam pelo salão, ao tempo que a chuva caía constante. “O que estás a falar filho? Eu não entendo” “Ora seu velho! Goer estava certo, estás caducando!” “Olha como fala...” “Olha você, você que mataste minha família... sua dinastia corrupta, hipócrita, Gro... Grotescas!” - Gritou nervoso o jovem. “Família? Eu sou sua família” - Respondeu ainda confuso o velho “ Não percebes não é? Olha bem para esse seu filho, o que vê nele? Não vês a mãe? A minha mãe! Que você estuprou a anos atrás! Quando ainda era jovem...” O Velho fez cara de espanto e ao mesmo tempo de confuso “Diga! Não se lembra? Ao menos tenha a decência de lembrar-te, uma Gariana!” - No mesmo instante o velho levantou-se, tentou caminhar, mas caiu alguns degraus depois. “É, acho que se lembrou... você a violentou e depois de um tempo... Uma criança meio-sangue, nobre e bárbara, nasceu... Eu pai! Agora estou aqui, para pedir-lhe uma explicação... Por que me odiava? Por que me acolheu? Por que matou minha mãe quando ela trouxe-me à sua porta?...” Um silêncio tomou o local, apenas ruídos da chuva ouviam-se. “Responda!” – Berrou o jovem, impaciente. “Vá... Vá pro Inferno, Gariano asqueroso!” “Ah, eu vou sim, mas antes irá você! Encontro-te daqui um tempo velho!” - Foram as últimas palavras do jovem então descoberto Gariano, antes enfiar uma lâmina no peito do seu pai friamente e sem seguida se livrando dela. Passado algum tempo, um guarda adentrou o salão...

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