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Crime,

  • A Vingança

    A história conta a vida uma menina chamada Emily, que sofre bastante por pessoas entre amigos e familiares, em casa e na escola. Ela sempre foi aquela tímida boazinha, santinha e inocente. Mais até que certo dia ela enjoou disso, de ser sempre a bobinha quietinha que tem medo de dizer não.
       Então..Você está pronto(a) para ouvir essa história ? Garanto que não vai se arrepender !
  • Clow Senderstein o palhaço de Elm Street parte 2: Senhoras e senhores

       Aós o incidente no Garden hotel, varias investigações começaram a ser feitas e vários circos foram proibidos de terem acesso a elm street.
    Pessoas ficaram desesperadas e se trancaram em suas casa. Com temor que nem a mídia poderia deixar de forma sutil, vários cidadãos se comprometeram a ter vigilância uns com os outros. Em estado de medo e alienação pura, os governadores se reuniram na câmara para  discutir sobre a situação e panico causado por Clow Senderstein. No noticiário, Senderstein aparece novamente e fala ao povo:

    - Atenção todos. Nesta noite, haverá um assassinato no apartamento 369 no edifício da rua Enter day 6766. Os próximos ataques serão realizados a prédios e hotéis de luxo. no mês que vem, em casas e condomínios. E lembrem-se do meu aviso: todos os que forem contra mim serão mortos. Assim como ocorreu com os policiais de ontem. 

     Unidades e viaturas começavam a cercar o prédio em quantidade imensa. Ninguém mais podia passar pela rua novamente. Os apartamentos estavam cheios de policiais por dentro e por fora. Helicópteros cercavam os edifícios e condomínios nesta rua. Policiais entraram no apartamento 369 e encontraram a família chacinada no chão e as crianças foram encontradas com um tiro queima-roupa no peito. Foi encontrado no chão também, um bilhete escrito:

    -SENHORAS E SENHORES, PREPAREM-SE PARA UM ESPETÁCULO.

     Quando um dos policiais leu isto em voz alta, o edifício explodiu. Senderstein apareceu no edifício ao lado e disse:

    -Ha ha ha ha ha ha ha, podem se tremer a vontade, pois outros ataques como este irão acontecer. e desapareceu na fumaça.

      Após isso, houve uma explosão de pipoca que se espalhou pelo chão da rua. Mas as pipocas eram apenas bombinhas que expeliam uma fumaça tóxica, e milhares de policiais morreram.
  • Como chegamos a esse ponto?

    Durante meu almoço fui perturbado pelo som da televisão, era o plantão da cubo, a apresentadora, que claramente queria estar almoçando com o seu chefe, anunciava o vazamento de uma doação feita pelo nosso querido presidente. Ele acabara de doar 500 milhões de dólares para a caridade e havia suspeitas de que outros políticos estivessem envolvidos.
    Como a nossa sociedade chegou a esse ponto? Ate ontem tínhamos estradas não sendo construídas, verbas sendo desviadas, viadutos caindo. Só pode ser o nosso fim. Antes que a apresentadora continuassem falando como o muro que separa o México dos EUA, uma das melhores coisas que já fizeram desde o muro de Berlim, seria quebrado saboreie a minha carne que deliciosamente me lembrava dos pacotes da minha mudança e aceitei que o mundo estava acabando.
  • Crime Perfeito

    Perina se levantou e foi até a cozinha, queria transformar toda a sua raiva em uma ideia de vingança, precisava encontrar uma forma de ridicularizar sua inimiga.

    Abriu os armários, seus olhos fixos e atentos a qualquer insinuação, a qualquer sugestão para um crime perfeito.

    “Cozinha é o melhor lugar para se premeditar um crime. Aliás, uma mente criminosa com certeza nasce ou se desenvolve aqui.”

    Pensou ela determinada, enquanto abria as gavetas.

    Um objeto atraiu seu faro, seus olhos fixaram-se nele, pura concentração, nada era mais importante naquele momento, nada que conseguisse quebrar aquela atração. Uma força magnética criou-se ali.

    Pegou-o, caminhou até a sala, sentou-se no sofá e explorou-o primeiro com os olhos e depois com os outros sentidos. Consumiu-o completamente, e depois daquela experiência intensa e voraz, deixou seu corpo cair cansado, deitando-se no sofá.

    Suas mãos sem forças se abriram e soltou a prova do crime, o objeto escorregou pelo sofá e caiu no chão, o conteúdo devorado até o final, sobrava apenas a embalagem daquela deliciosa e intensa experiência.

    Passado o torpor, Perina se sentia péssima, novamente foi dominada por aquela força e impetuosamente comeu toda a barra de chocolate. Daquela forma, jamais conseguiria colocar em ação sua vingança.

    Pra isto precisaria pensar como uma verdadeira criminosa. Saiu atrás de uma ideia assassina e o que conseguiu foi acrescentar mais colesterol à sua coleção devorando aquele tablete inteiro de chocolate.

    Perina era compulsiva, desde pequena, por sorte não tinha tendência a engordar, mas tinha problemas com o espelho e com a autoestima, o que afetava e muito suas relações. Eram sempre superficiais.

    Já havia pensado em procurar um médico, chegara até a marcar. Mas sempre desistia, não era fácil abrir mão daquela liberdade gastronômica.

    Mas agora era diferente, precisava começar a pensar com a cabeça, ou emagrecê-la, sim porque de tanto pensar em comida, achava que sua cabeça já estava gorda.

    Trabalhava atualmente numa loja de utilidade doméstica. Foi lá que conheceu Junia, uma mulher magra, linda, desenvolta... mas uma cobra, que além de colega de serviço era também vizinha, morava três casas depois de Perina.

    Junia era má por natureza, inventava mentiras, colocava amigo contra outro, fazia as maiores armações e saia de boazinha. Com Perina então, ela vivia aprontando.

    E desta vez Junia tinha passado dos limites, aprontou uma que Perina evitava até pensar, falar com os outros sobre aquilo então, de jeito nenhum.

    Ela injetou corante num chocolate que Perina amava e aqueceu – o um pouco. Quando Perina foi comê-lo ele estava todo derretido, e gulosa como era, se lambuzou toda. E o resultado, mesmo depois de lavar ficou com o rosto e as mãos todos manchados, deixando claro pra quem quisesse ver que tinha, como uma criança recém-nascida se sujado inteira para comer.

    As pessoas que já conheciam bem sua compulsividade, chegavam a olhar com dó pra ela, e fingiam não perceber aquela catástrofe.

    Aquilo despertou em Perina o que ela tinha de pior. Iria controlar sua fome para satisfazer seu ideal mais profundo: a vingança.

    Precisava de uma ideia.

    Abaixou e pegou a embalagem de chocolate e foi pra cozinha preparar o jantar. Ali pensando no que fazer... Veio o insight:

    “Lógico, comida envenenada, como não pensei nisto antes, uma comida irresistível e envenenada. A mesma arma da inimiga.”

    Escolheu a receita, planejou tudo. Tinha todos os ingredientes, faltavam apenas os morangos. E ela queria colocar numa travessa floral que tinha na loja que trabalhava, que aliás, ainda estava aberta. Resolveu dar um requinte de crueldade à sua vingança, ligou para Junia e pediu para que ela trouxesse morango frescos e a travessa quando viesse do trabalho. Falsa como era, ela se prontificou imediatamente.

    A quantidade de veneno tinha que ser bem dosada, senão poderia até matar. Decidiu colocar todo o frasco, porque sabia que Junia comeria um pedaço pequeno, assim teria uma baita dor de barriga e mais alguns incômodos. Era uma vingança arriscada, mas valia a pena.

    Lavou toda a louça, pôs o lixo pra fora e sentou no sofá para descansar.

    Mas enquanto descansava pensou melhor e desistiu da vingança, aquilo nada tinha a ver com ela, Junia era do mal, ela não.

    Estava decidida, pela manhã iria jogar a sobremesa fora e depois procurar um médico e começaria um tratamento, tudo aquilo já estava começando a mexer com seu caráter.

    Mas tinha sido bom pensar e executar até ali aquela vingança, era como um desestressante. Agora ia seguir com sua vida.

    Estava tão cansada que dormiu ali mesmo assistindo televisão.

    Perina acordou assustada, tivera um sonho tenso, mas delicioso. No sonho ela levantara e encontrara um pavê embrulhado pra presente em sua geladeira e comera quase todo.

    De tão intenso o sonho, ela se sentia até sem ar. Levantou-se e sentiu o corpo pesado, a cabeça girando, e muita tontura. Com muito esforço, foi pegar um copo de água.

    Abriu a geladeira e lá estava a sobremesa desembrulhada e comida quase toda.

    “Não foi um sonho!”

    Tentou entender, mas seus sentidos foram sumindo e seu corpo pesando até que caiu morta no chão.

    A faxineira chegou mais tarde e chamou a polícia. Encontraram o pavê envenenado e na investigação descobriram que foi Junia quem comprou os morangos e a travessa floral.

    A conclusão da polícia foi a óbvia: Junia fez uma sobremesa envenenada e deu pra Perina.

    Junia chegou algemada á delegacia.

    -Não fui eu, eu juro, ela que me encomendou a travessa e os morangos.

    Mas o delegado, que era gordinho estava enfurecido com tamanha maldade.

    -Você vai pagar pelo mal que fez a esta moça. Tentou um crime perfeito, seu álibi até que é bom, mas vou te alertar.

    -CRIMES PERFEITOS NÃO EXISTEM!

  • Dois. Capítulo cinco de seis

    Capitulo cinco
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       A lua já esta cansada e tende a sair de sena, ou seja, a manhã já está pra surgir. Dois homens levam sacolas cheias de dinheiro em saída da mansão ao qual estão ao chegar ao muro Coutinho insisti:
       -Ainda podemos desistir disto!
       -E desistir de nossos empregos? Zé comentou e ouviu:
       -Este dinheiro é do povo, ou seja, é até também nosso, devemos decidir o que fazer e não seguir ordens sendo estas erradas.
       -O certo e fazer nosso trabalho esquece esta ideia e talvez eles nem mereçam esta fortuna.
       -Nós pegamos a conversa das mulheres pela metade, talvez tenhamos entendido errado.
       Zé parou o que estava fazendo que era mexer a sacola de um a outro lado preparando para jogá-la por sobre o muro e suspirou, refletiu e disse:
       -Vamos pensar, nós fomos contratados para fazer esta entrega, não é questão de eles merecerem ou não, é nosso trabalho, se não o perderemos!
       -Eu sei, mas tudo está me fazendo pensar que o certo seja deixar este dinheiro aqui com estes ex milionários. Olhando para Zé ele viu que não o convenceria e resolveu aceitar: - Tudo bem!
       -Eu preciso de meu emprego, vamos! Zé decidiu pelos dois e jogou o dinheiro por cima do muro. Coutinho subiu no muro e só quando desceu que percebeu que um mendigo os ouvia e estava agarrado ao dinheiro, o muro não era fechado e se via o outro lado, Coutinho voltou a falar:
       -Podemos deixar esta metade do dinheiro aí e esta outra para este necessitado!
    Zé subiu no muro depois de jogar a segunda sacola e disse:
       -Quem foi que inventou de entregar um dinheiro as escondidas e o colocou em sacolas transparentes? E você deixe de falar besteiras e pegue o dinheiro que aquele homem está tentando levar. O mendigo fazia esforço, mas não conseguia correr, até que Coutinho o abordou dizendo que o dinheiro era dele e ouviu:
       -Ouvi vocês discutindo que o dinheiro é do povo! Reclamou, mas Zé com moral o expulsou a gritos.
       O sol se fez belo e Zé e Coutinho entraram no carro e seguiram rumo a cumprir seu dever! Eles não se preocuparam com o mendigo ter visto o dinheiro, pois o que seguiu foi:
       Uma repórter entrevista o mendigo:
       -Recebemos deste homem a noticia de que nesta mansão estão roubando dinheiro que é do povo. Ela coloca o microfone para o mendigo falar:
       -Eu vi dois homens discutirem sobre o dinheiro que levavam em duas sacolas, era muito dinheiro! A repórter o interrompeu falando:
       -O dono desta mansão nos falou e as palavras deles foram que iria colocar a mansão a venda, pois está falido! O mendigo diz ter encontrado sacolas recheadas de dinheiro. O mendigo quis falar mais, porem nada foi audível além de:
       -O dinheiro! Em gritos e a repórter revelou concluindo a reportagem regional:
       -Esta foi a historia de um mendigo!
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    Veja a seguir o capítulo seis (Final).
  • Dois. Capítulo dois de seis

    Capitulo dois
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         Os dois entraram na mansão, o jardim era imenso, com muitas árvores. Até chegar a casa foi um longo caminho, pois entraram se escondendo de planta a planta.
         -Após o crepúsculo rondaremos a casa sem sermos vistos!
         -Concordo que ir agora seria entregar o jogo. Coutinho estava mais com medo que Zé, ou menos seguro. - Porque será que eles roubaram o dinheiro, e como souberam?
        -Só sei que o pegaremos de volta e entregaremos no prazo! O nariz de Zé estava empinado quando proferiu isto.
    Pararam na árvore mais próxima do casarão e por ali ficaram a tagarelar de vez em quando.
         -Aí minha mulher! Coutinho começou a repetir e desta vez isto apoquentou Zé que passou a perceber tal coisa e não parava de repetir até que Zé perguntou:
         -Porque tu tanto pensas em sua mulher?
        -É que se perdermos o emprego minha mulher vai se sentir muito mal, tanto que ela desejou que eu me empregasse e tivéssemos um pingo de sossego. Nós não vamos perder nossos empregos era o que Zé acreditava e o disse.
         A noite caiu os dois desceram da árvore e de fininho rondaram a casa até pararem em uma das janelas onde viam o casal de ladrões e após ouvi-los por um tempo Coutinho soltou estas palavras:
         -O faxineiro é o ladrão!
       -O estranho é ele morar nesta mansão, não acha? Zé referiu a pergunta a Coutinho e foi como se fosse para os ladrões, pois a conversa deles chegou à resposta para este assunto:
         -Finalmente não precisarei trabalhar como um escravo, dês de que perdi o meu emprego milionário trabalhei como um cachorro para não termos de vender esta mansão, tivemos que despedir vários empregados, mas a sorte nos bateu! Disse o ladrão, na conversa que parecia ser para sua mulher, ou seja, eles eram realmente um casal e ex milionários.
       -Isto explica porque não há vigias neste lugar, isto facilita nosso trabalho, temos que encontrar onde eles guardaram o dinheiro! Ficaram a escutá-los por bastante tempo, mas de nada serviu para seus propósitos.
         -Foi como o planejado, e olha que não tivemos muito tempo. A mulher comentou e ouviu:
       -Sim o dinheiro é nosso! Os seguranças rondaram a casa, mas ainda com cuidado, pois poderia sim ter alguém de olho por ali.
       -Sairemos daqui como vimos sem sermos vistos. Zé estava certo, devido este ser seu trabalho, ouviu bem do chefe. Pegariam o dinheiro de volta e o entregariam no prazo. Tinham tempo, conheceram o lugar de cabo a rabo e ainda na noite voltaram à árvore mais próxima do casarão e Zé dizia-se cansado, exausto, tinha que tirar um sono foi vencido pelo cansaço. Coisa que os dois fizeram e logo o sol nasceu. Depois Zé acordou ouvindo o bom dia de Coutinho que também disse apontando para baixo:
         -Olha eles colocaram uma mesa, vão tomar café ao ar livre, vê só que chique eles são!
         -Acordou faz tempo, porque não me acordou?
         -É que cai daqui e a pancada doeu. Coutinho tinha a pouco caído da árvore.
       -Alguém te viu? Zé quis saber assustado e o amigo o confortou dizendo que ninguém o notou. Com o alivio Zé comentou:
         -Bom, daqui podemos ouvi-los e assim podemos descobrir onde esta o dinheiro.
       Os ladrões chegaram, estavam sendo servidos por uma empregada, esta talvez tivesse trabalhando para eles sem receber, seria alguém de confiança Zé pensou e continuou a assistir com muito interesse.
         -Com este dinheiro vamos poder voltar a contratar pessoas e criar um meio de renda, que nos mantenha nas condições ao qual estamos acostumados.
         -E em fim poderemos ter nosso filho, tanto, tanto desejado. A mulher proferiu e ao repetir a palavra que repetiu isto emocionou Coutinho, os dois agora sabiam que aqueles dois agora miseráveis tinham uma historia e uma das boas.
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    Veja a seguir o capítulo três.
  • Dois. Capítulo quatro de seis

    Capitulo quatro
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         Zé e Coutinho desceram da árvore, Coutinho a mexer na coluna com suas dores. Os dois seguiram para a cozinha, onde se depararam com duas mulheres que trabalham no casarão onde estavam os dois ouviram as duas dizerem que não poderiam perder o emprego e isto fez Coutinho voltar a dizer que eles deveriam deixar o dinheiro, esquecer aquela entrega e sendo assim esquecer também seus devidos empregos.
         -Talvez você esteja certo! Por fim Zé estava aceitando que deveriam deixar o dinheiro, os dois comeram o quanto aguentaram, se saciaram depois que as empregadas saíram. Porem quando eles iam se retirando a dona do casarão chegou e os dois seguranças tiveram que se esconder debaixo da mesa, pensaram rápido e foi o que fizeram. A dona reclamou:
         -Cadê minha torta? Tinha um pouco ainda e eu estava louca por ela. Estas empregadas acham que ainda somos ricos, e se aproveitam como antes, não parecem ver que as coisas estão mudando, ainda bem que tudo vai voltar ao normal. Ela suspirou e deixou a cozinha, coisa que tinha alguém esperando ela fazer e os dois saíram dali, porem não voltaram para árvore Zé disse decidido:
         -Vamos deixar o dinheiro para eles e esquecer nossos empregos, vamos para casa! Coutinho deu um sorriso e eles caminhavam para sair foi então que Zé parou:
         -O que ouve, não diga que já mudou de ideia?
         -Sim, eu preciso de meu emprego! Ele respondeu e os dois voltaram à árvore, Coutinho aceitando e entendendo, de vez por vez ele também acredita que o certo é cumprirem o seu dever. Nisto eles viram uma mulher com duas crianças entrarem pelo portão e seguirem em direção ao casarão, onde a dona da casa estava e as duas seguiram para a sombra de uma árvore ao qual tinha dois balanços, Zé e Coutinho de fininho foram de planta a planta para escutá-las e subiram sem serem percebidos no pé em que elas estavam e ouviram a conversa pela metade:
         -Me recebendo em casa, tendo consideração com a família que é pobre, sendo simpática, o que a pobreza não faz com as pessoas? A recém chegada dizia e ouviu:
         -Não é isto irmã você sabe que meu marido não vai com sua cara.
         -Não venha com esta você também quando com dinheiro em mãos não quer saber de mais ninguém além de seu marido.
         -Mudando de assunto, como tens passado? As crianças chegaram correndo e subiram no colo delas e a conversa fluiu até que se despediram por ali. Zé comentou irritado:
         -São ricos e não ajudam os familiares, ao invés disto se distanciam, está decidido vamos pegar o dinheiro e sair logo daqui que a noite venha! Coutinho apenas concordou.
         A lua brilha intensamente e os dois intrusos na mansão vão tentar cumprir seus papeis, porem eles ficam a esperar os donos do casarão ir dormir e isto demora, eles conversam coisa que os dois desta vez não conseguem escutar, os veem assistir filmes juntos, é uma demora.
         Até que o casal segue para o quarto e os seguranças conseguem entrar:
         -Se este é o quarto do casal então logo ao lado só pode ser o do futuro filho! E Zé tem razão ou sorte e se deparam com a fortuna.
         -É o dinheiro! Disse Coutinho contente e os dois agarraram as sacolas, como um abraço forte e comovente e um sorriso radiante. Ouve um barulho, Zé olha e é o ladrão indo a cozinha, os dois esperam que ele volte para o quarto e isto acontece sem que suspeitas sobre o que está acontecendo surjam.
         Os seguranças saem por onde entraram e vão em direção à saída da mansão.
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    rio165 mansion for sale in jardim botanico 17Veja a seguir o capítulo cinco.
  • Dois. Capítulo seis de seis

    Capitulo seis
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         Vocês devem estar se perguntando por que Zé precisa tanto de seu emprego, a resposta é que este conto é baseado em um sonho que eu tive e neste sonho por algum motivo eu precisava de meu emprego não sei por que razão, sendo assim esta a resposta.
         Eles fazem a entrega antes do combinado e curtem o tempo que lhes restou como um bom dia de férias.


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         Fim.


         Este é o final deste conto. Você que acompanhou, leu todo, deixe seu comentário. Espero que tenham gostado da leitura, abraço, até o próximo texto. Podem me adicionar como amigo e continuar lendo meus escritos.
  • Dois. Capítulo um de seis

    Capitulo um
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         Tudo começa com um policial chefe dando ordens a dois seguranças, estes teriam que entregar duas imensas sacolas com dinheiro em determinado lugar, e dizia ele:
         -Ninguém pode saber deste carregamento, só quem sabe somos eu, meu chefe, vocês dois e o futuro receptor, caso alguém saiba ou este dinheiro não for entregue em três dias vocês serão demitidos!
         Os dois deram o positivo, tudo ocorreria bem. Saíram e os dois conversavam:
         -Vamos entregar este dinheiro logo hoje, assim teremos os próximos dias como férias!
         -Muito bom, mas não acha que deveríamos ter planos para entregar com segurança?
         -Ninguém sabe, vai ser rápido e fácil, garanto! Eles seguiram para seus carros, um disse que seguiria o outro fazendo a escolta.
         O caminho era longo de certo tinha seus pontos mais perigosos, onde se alguém quisesse roubá-los por ali tentariam. De dentro de seu carro Zé seguia o carro de Coutinho onde estava o dinheiro. O primeiro susto, um carro quebrado no caminho, parecia suspeito. Nisso Zé ultrapassou o amigo e parou o carro fingindo ir ajudar a quem estava a concertar o carro. Nada mais suspeito e ele seguiu após ver Coutinho acelerar ao passar. Depois desse susto eles relaxaram porem na hora errada.
         Um carro fechou Coutinho e deste desceu um homem e uma mulher com os rostos cobertos por talhos de panos. Coutinho foi rendido e pegaram sua arma, jogaram as chaves do carro longe e o homem com esforço colocou as sacolas no carro enquanto a mulher mantinha Coutinho em sua mira.
         -Maravilha! Disse o homem quando, pois os olhos no dinheiro e com este já em seu carro, a mulher entrou e os dois partiram estrada acima.
         Zé apenas ficou de olho, pois nada podia fazer realmente eles deveriam ter armado um plano de entrega. Mas não valia nada chorar o leite derramado. Aproximou-se de Coutinho e fez sinal para que o tal entrasse.
         -Porque você não fez nada, não atirou?
         -Esqueceu que ninguém pode saber deste dinheiro, que escândalo seria um tiroteio, nem tudo está perdido, eles não sabiam que eu te seguia e sendo assim basta não perdê-los de vista! E acelerou seguindo os bandidos. Curva vai curva vem e o dinheiro se afastava e seus empregos com ele, porem bastava acelerar e lá estavam os olhos nos bandidos.
        -Aí minha mulher! Repetia Coutinho por toda perseguição, Zé não dava atenção. Logo o carro diminuiu a velocidade e entrou numa mansão.
         -Nossa que casarão! Disse Coutinho ao ver a mansão. Eles viram o carro sumir no jardim da entrada. Estacionaram e deram de certo que pulariam o muro.
         -Vamos! Disse Zé e Coutinho reclamou das dores nas costas porem eles dois pularam o grande muro, coisa que foi fácil de fazer e não viram seguranças por nenhum lado:
         -Temos que chegar a casa! Zé logo observou os vastos e muitos pés de sabe-se lá o que estes que daria para eles subirem e não serem percebidos. Foram de uma a uma árvore, subiam e desciam, avistaram o carro e os ladrões entrarem na casa. Deram um tempo na árvore:
         -Vamos observar e agir na hora certa!
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         Veja a seguir o capitulo dois."
  • Dois. Sinopse

    Sinopse
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     Dois seguranças são selecionados para fazer uma entrega sigilosa de uma grande quantia em dinheiro. Eles são roubados e agora terão que recuperar o dinheiro e assim fazer a entrega no prazo devido e sem que ninguém fique sabendo sobre o dinheiro além dos envolvidos.
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     Este conto já está completo no meu perfil, basta clicar no meu perfil e ler os seis capítulos completos.
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     Espero que gostem, boa leitura.
  • FUI TESTEMUNHA DE UMA CHACINA

    Lembro claramente daqueles olhos a me encarar, brilhantes e azuis como o céu, frios de fazer tremer a alma. A última coisa que pensei foi: “Essa será minha última respiração”. Não aconteceu comigo como vejo os outros dizerem, que a vida passa como um filme na hora da morte, não, comigo foi um medo e uma ansiedade sem fim, podia ver refletido nos olhos dos outros dois o mesmo medo, antes daquele barulho ensurdecedor e depois a morte.
         Não sei o que foi pior testemunhar, se o medo antecipado ou a própria morte refletida em seus olhos sem vida.
         Ele era o rapaz mais bonito da minha rua, sempre via as moças suspirarem e falarem dele, mas nunca dei a devida atenção ao que diziam. Chamavam de “boy”, sempre bem vestido e educado, cumprimentava a todos com cortesia de uma pessoa simpática. Sua casa tinha muros altos, não se via como era por dentro. Muito discreto e sua família era do mesmo jeito, eram tão artificiais quanto ele, eu tinha a impressão que apenas representavam, era intuição.
         Como sempre trabalhava não percebia nada de estranho naquelas pessoas, até aquele dia. Jesus como foi ruim!
        Saí do trabalho tarde demais naquele dia, corri quanto pude para chegar a tempo na escola, mas não consegui, o portão estava fechado e não me deixaram entrar. “Merda, atrasada novamente”, pensei. Resolvi ir andando para casa, estava cansada e pensativa e por isso me distraí, logo estranhei o silêncio da rua, não era comum aquilo na periferia, algo não ia bem. Fiquei tensa e todos os meus instintos em alerta. Foi aí que aconteceu.
         Os três meninos vieram correndo em minha direção, os três com armas na mão. Vi o desespero deles e soube naquele instante que eles fugiam da morte. Conhecia os meninos desde sempre, vendiam na  esquina e viviam do corre.
         Naquele momento não consegui reagir, não sentia minhas pernas era como se elas estivessem enraizadas ao chão. Queria correr, mas estava pesada demais. Segundos de decisões, não quero morrer preciso reagir, era a voz em minha cabeça. Olhei para o lado e busquei uma saída, vi um beco que tinha um escadão deserto e meio destruído, com muito esforço subi para me esconder, nesse beco havia uma casa em construção, assim que a vi soltei os livros e entrei. Corri até os fundos e me abaixei no cantinho, eu tremia, tremia muito. Não demorou e logo ouvi tiros, passos apressados e gritos, não queria ver nem ouvir nada, mas meu corpo não obedecia minha mente e tive que assistir a tudo.
        Dois dos meninos já desarmados e sangrando entraram na construção, um chorava e o outro veio andando de costas até esbarrar em mim, esse menino virou e me olhou, pude ver sua alma gritando através de seus olhos, secos e desesperados diziam para mim que iríamos morrer. Ouvi o tiro e ele olhando para mim caiu, continuou me encarando derrotado, a morte o levou.
        De muito longe ouvi uma voz que falava zangado, aos poucos virei minha cabeça para aquele som que dizia: “Ah, não acredito. Veja o que você fez seu verme, sujou todo o rosto da menina”.
         Quando olhei naquela direção veio o reconhecimento, vi os olhos azuis do rapaz mais lindo da rua, ele se abaixou perto de mim e me pediu desculpas. Pensei: ele vai me matar agora. De repente um barulho me chamou a atenção, o outro menino que chorava agora estava descalço e se arrastava sangrando, porém ele apontava uma arma para mim, não entendi mais nada, por que eu?
         O rapaz bonito levantou-se e olhou para o menino ensanguentado, disse: “Larga a arma seu lixo, sabe que vou te matar”. Em resposta o menino me olhou raivoso, senti o ódio em suas palavras: “Essa cadela assistiu a tudo e nem pra gritar presta”, depois o tiro, depois o líquido quente descer no meu rosto, depois o frio. Quando olhei para o rapaz bonito, ele estava em cima do menino caído, ouvi um tiro, dois, três, perdi a conta quando tudo apagou. Mergulhada na escuridão ouvi uma voz distante que dizia para que eu não morresse, “morre não mocinha, você tem que estudar e sair daqui”....daí mais nada, acabou.
         Quando acordei estava no hospital, pois é não morri. Nem eu mesma acredito. Não sabia o que estava fazendo ali, aos poucos comecei a recordar, o medo de tudo voltando, parecia que tinha tido um pesadelo, não poderia ter sido real, era macabro demais. Porém ao perceber que havia policiais em meu quarto, caí na real, aconteceu sim, comecei um choro compulsivo. Eles me disseram para ficar calma, haviam me encontrado caída com meus livros naquela casa em construção, juntamente com três mortos, um na entrada e dois no mesmo cômodo que eu. Tinham recebido uma ligação anônima informando um tiroteio com uma moça sobrevivente. De imediato queriam saber o que eu lembrava, mas eu estava em choque. Os médicos avisaram que eu não tinha condições naquele momento de falar.
        O medo cresceu ao me dar conta que eu era a principal testemunha de um crime, uma pessoa marcada para morrer. Por que não morri? Era algo que eu me perguntava todos os dias, nunca entendi essa maldita sorte. Levei um tiro na cabeça e não morri, ele passou de raspão, não afetou em nada, sobrevivi.
        Quando voltei para casa minha tia disse que todos os dias, aparecia um rapaz muito educado perguntando por mim. O medo voltou rapidamente e fiquei pálida. Lembrei-me daqueles olhos azuis que me encararam na hora da minha morte. Não saí de casa, fiquei isolada de tudo, repetia sempre que não me lembrava de nada, a polícia insistia, foi pior que morrer.
         Logo começaram a ligar em casa, ameaçavam, queriam saber quem matou os meninos do corre, não era a polícia, era o crime que queria cobrar vingança. Eu estava sendo pressionada de todos os lados, não suportava mais.
        Passando os dias fui tentando me acalmar, não tinha o que fazer, já estava feito. Certo dia minha tia conversando comigo, pediu que eu fosse aquela casa em construção, tentar recordar, não queria, mas de tanta pressão fui. Quando vi já estava dentro daquela casa, fui ficando sem ar, minhas pernas ficaram moles e veio o medo, medo que congela. Senti cansaço, queria correr dali, mas não pude. Ouvia vozes falando comigo, me perguntando coisas, não falava, só ouvia e olhava aquele lugar muda, foi quando ao me virar para sair o vi. Em pé no canto usando uniforme e capuz, estavam àqueles olhos azuis, não eram outros olhos, reconheci o gelo, e um aviso mudo, não gritei apenas caí numa escuridão.
         Como um fantasma ele me seguia, podia sentir sua presença em qualquer local que eu estivesse, aparecia do nada e eu sempre fugia, eu sabia que uma palavra errada e eu morreria. Não havia nada que eu pudesse fazer, ele tinha um uniforme.
         Tentei recomeçar minha vida, voltei à escola, mas nada estava igual, perdi o interesse e não conseguia me concentrar em nada, na hora da saída foi o mais difícil, o medo me consumia. Depois de uma semana decidi que não iria mais estudar, precisava fugir daquilo tudo, estava sufocada demais. Num impulso fui até a esquina comprar com os meninos. Estava lá ansiosa e apreensiva, nunca pensei em fazer nada disso, mas o medo, a angústia e o desespero faz a gente agir como louco.
         De repente parou um carro, alguns uniformes saíram de lá, gelei quando reconheci quem estava ali, o assassino. Os meninos da esquina correram, eu não pude, não tive chance. Ele me pegou pelo braço com mais dois, me colocaram dentro daquele carro, eu tremia sem parar, só pensava que agora não tinha jeito, eu ia morrer. Porém com o medo da morte também veio à libertação, porque assim como tinha medo de  morrer também passei a desejar a morte e assim me libertar daquilo que vivia, dizia a mim mesma: “não vou mais ter que esperar, agora acabou”.
        Não, não, não morri.
         Depois de ouvir por duas horas vozes e vozes, fui colocada em um ônibus para algum lugar, com a sentença de sumir e viver, fui embora com uma caixa de segredos e motivos.
         Nunca mais voltei.
  • Manchado - Ep.01

    O suor escorre por sua cara,
    O coração, como sempre, dispara.
    A mão procura a arma.
    Já não existe mais calma,
    Apenas um corpo sem alma.

    Lucas tinha aquele velho canivete desde pivete,
    O cabo de madeira rústica,
    A lâmina que brilhava mais que a lua,
    Cortava de maneira única,
    Era mais leve que uma luva.
    Sua única arma de luta.

    A cada corte ele lembrava do passado,
    Como foi isolado, assustado,
    Zoado e espancado.
    Agora as vozes falavam do seu lado:
    Isso não é mais um pecado.

    Nada mais importava.
    Embalado o corpo já estava.
    O sangue no canivete secava.
    O vento pela janela soprava.
    E Lucas lembrava, 
    O quanto aquela garota ele amava.

    Agora tudo estava limpo.
    Guardou o canivete em seu casaco cor de vinho,
    Já tinha enterrado o corpo.
    Voltava para o papel de mocinho,
    Quando ouviu o barulho do vizinho.

    O medo tomou conta,
    O suor encharcou toda sua roupa.
    Não sabia o que fazer.
    Começou a tremer,
    E o vizinho na porta bater.
  • Não foi culpa minha?

    Eu já estava naquela empresa a muitos anos quando aquele sujeito começou a trabalhar lá...
    Lembro que não gostei dele desde o primeiro minuto que o vi. Aquele sorriso cínico, aquele cabelo lambido e o terno impecável nunca me convenceram...
    Mas o cara era filho do dono da empresa, pior que isto, era o filho caçula mimado do dono da empresa,  então,  muito a contra gosto, Eu e os outros funcionários tivemos que engolir seco quando o dono nos disse que ele seria o novo gerente.
    Apesar de ser o caçula ele não era jovem, o pai dele, apesar da idade avançada, tinha bem mais disposição que ele para tocar os negócios. Estava na cara que ali ele era uma mera figura decorativa, encostado...
    Soube que depois de vários divórcios e outros tantos negócios falidos, A mãe dele convenceu o marido que o seu anjinho merecia uma chance.. 
    Logo no começo ele mostrou quem era...
    Não tinha postura de gerente, de líder.. .
    Se reunia nas rodinhas com os outros funcionários, contando piadas maliciosas e fazendo comentários obscenos sobre as mulheres da empresa. Dava nojo...
    Assediava descaradamente as funcionárias, em especial as mais novas. 
    As que reclamavam, eram convencidas financeiramente pelo pai dele a não prestarem queixa.
    Comigo ele não mexia, não era louco o suficiente para isso. Na primeira brincadeira idiota que ele tentou fazer comigo já tratei de colocá-lo no lugar. Todo mundo achou que ele ia me mandar embora, talvez até tenha tentado e o pai dele  não deixou, sei lá. Só sei que depois disso ele mal me dizia bom dia.
    Para mim era melhor, não gostava dele mesmo, o que importava para mim era fazer o meu trabalho com a mesma excelência que sempre fiz ao longo dos anos.
    Me irritava profundamente com as coisas que eu via ele fazer com as outras meninas, Mas tentava ignorar, afinal não era da minha conta. 
    Até que um dia aquela menina entrou na empresa, ela era muito jovem , olhos claros, cabelos escuros até o ombro. Ela me lembrava tanto a minha irmã mais nova...
    Minha irmãzinha, raspinha de tacho de minha mãe que eu ajudei a criar, que foi embora tão cedo...
    A semelhança entre elas era tanta que minha mãe levou um susto quando a viu, depois chorou por 3 dias seguidos...
    Fui incumbida de treinar a novata, o que acabou nos aproximando.
    Cada dia ela parecia mais minha irmã, minha filha, então foi crescendo em mim um desejo de proteção,  como se os céus me dessem uma segunda chance, já que não havia conseguido proteger a minha irmã. 
    Aquele gerente imundo, olhava para a menina com olhar de predador...
    Era questão de tempo até que ele fizesse algo...
    Meu instinto materno aflorou com força total, principalmente quando ela disse que havia perdido os pais muito cedo, primeiro a mãe, um ano depois o pai. 
    Contei a ela sobre todas as coisas que sabia sobre aquele imbecil, pedi a ela que tomasse cuidado. Ela apenas sorria e dizia brincando "pode deixar mamãe".
    Nós trabalhávamos uma ao lado da outra, nossas mesas, assim como a de todos os funcionários, eram separadas por divisórias brancas tipo "Meia parede" deste modo, bastava se levantar para ver qualquer um dos colegas. 
    Ela fazia todos os dias a mesma coisa, me olhava por cima da divisória, cortava um pedaço da maçã com uma faquinha de Serra cor de rosa que ela trazia e me oferecia. Eu nunca aceitei, não gosto de maçã, mas mesmo assim ela oferecia todos os dias e depois ria por não lembrar que eu não gostava.
    No mezanino ficava a sala da gerência, de onde ele observava a todos, ou melhor, a todas, em especial a menina nova.
    Quando ele soube que ela era minha amiga, minha protegida, parece que seu interesse por ela aumentou e junto com isso o meu ódio por ele.
    Lembrei da minha irmã...
    Seu telefonema desesperado pedindo socorro, o barulho da porta sendo arrombada...
    Minha saída desenfreada até em casa...
    A polícia no local me impedindo de entrar...
    Minha mãe desmaiada sendo socorrida na ambulância...
    O saco preto...
    O vazio...
    O sangue...
    O silêncio...
    Quando voltei das minhas tortuosas lembranças vi o predador à espreita olhando minha filha, minha irmã, minha amiga, minha colega de trabalho, de forma maliciosa...
    Eu precisava fazer alguma coisa, antes que algo pior acontecesse. Tinha que pensar....
    Eu contei a ela sobre minhas preocupações, Ela disse ser bobagem, que ele nunca ia passar a barreira das cantadas idiotas na hora do cafezinho...
    Eu não acreditava nisso...
    Subestimar o inimigo era um erro que eu não cometeria novamente...
    Um dia ela me disse, "preciso deste emprego, por favor não faça nada, não quero que se prejudique tbm".
    Não me convenceu, meninas jovens e ingênuas como ela, que precisavam do emprego, eram as vítimas preferidas daquele infeliz.
    Comecei a planejar o que eu faria, pensei em veneno no café,  cortar os freios do carro...
    Sim, na minha cabeça a única solução seria mata-lo...
    Não falei para ninguém os meus planos, nem para Ela, assim seria mais fácil levar isto  adiante sem ninguém me atrapalhar. 
    Enquanto isso não acontecia, procurava ao máximo deixá-la longe daquele monstro.
    Ela se divertia e dizia que eu era uma mãezona mesmo, que a mãe dela nunca tinha sido assim.
    Ela sabia a história da minha irmã...e entendia.
    Naquele dia porém, eu não fui trabalhar pela manhã, minha mãe não havia passado bem durante a noite e então eu resolvi leva-lá ao médico. 
    Fiquei preocupada... Comigo longe, O terreno estava livre para o predador agir...
    E para ajudar na minha paranoia, não conseguia falar com ninguém da empresa. 
    Depois da certeza que minha mãe ficaria bem,  a deixei em casa e corri para o trabalho.
    Quando cheguei comecei a reviver meu pior pesadelo...
    Faixas amarelas cercavam toda a empresa, policiais não deixavam ninguém passar...
    Ouvi alguém falando em assassinato....
    Eu gelei...fiquei tonta...
    De repente me veio a imagem da minha irmã...
    Neste momento eu vi novamente o saco preto,   os coletes do IML...
    Quando eles passaram perto de mim, pude perceber através de uma pequena abertura do saco, a ponta do Cabo de uma faça cor de rosa...
    Meu coração quase parou...
    Corri, empurrei todo mundo e abri o saco preto,     tinha certeza que veria minha irmã mais nova morta...
    Antes de um policial me tirar dali, pude ver quem estava no saco...
    O gerente, ainda com os olhos abertos, pálido, sujo de sangue e com a pequena faca rosa enfiada na garganta....
    Respirei aliviada para logo depois entrar em pânico novamente!
    Onde está a dona da faca rosa ?
    Teria morrido também? 
    Mas então eu a vi, ainda em choque, tremendo,   suja de sangue, Sentada na viatura da polícia .
    Tentei me aproximar mas não deixaram...
    Quando ela me viu começou a gritar dizendo "Por favor me ajude, não foi culpa minha..."
    Parecia que eu estava ouvindo minha irmã no Telefone, seu  desespero...
    Procurei alguém conhecido que pudesse me dar alguma explicação...
    Encontrei uma das minhas colegas de trabalho, ela me contou...
    Já era perto das 10 horas quando a menina apareceu por cima da divisória e ofereceu um pedaço de maçã, quando a colega aceitou,
    Ela cortou um pedaço com sua faca rosa e então perguntou a minha colega se sabia o que tinha acontecido comigo, porque eu não tinha vindo...
    A colega disse que não sabia...
    Foi quando as duas olharam para o mezanino e viram o gerente olhando fixamente para baixo.
    Visivelmente  incomodada, a menina então falou para a colega que iria comer a maçã no refeitório...
    Assim que ela saiu, O gerente desceu e foi até o refeitório também.
    Antes que a minha colega pudesse pensar qualquer coisa ela ouviu os gritos....
    Primeiro o dela, logo depois o dele...
    Quando todos correram para o refeitório a cena que viram foi assustadora...
    Muito sangue...
    A menina encolhida em um canto chorando, o gerente caído com a faca rosa no pescoço, dava seu último suspiro...
    Ela só falava, "não foi culpa minha, ele tentou me agarrar, fiquei com medo, me defendi, não foi culpa minha, não foi culpa minha..."
    Alguém chamou a polícia...
    Fiquei olhando assustada, não parecia possível  que ela tenha feito aquilo...
    Mas então me lembrei de quem era a Vítima...
    Era possível sim...
    Ele era nojento, eu mesma tinha planejado matá-lo, qualquer uma das meninas que ele assediou poderia ter feito aquilo...
    Eu sabia que ela seria massacrada na delegacia...
    O pai da "vítima" era rico e influente. 
    Mas por incrível que pareça, todos os colegas se uniram em favor da menina e o pai da vítima,  pouco se movimentou contra, já  a mãe...
    Esta fez de tudo para manter a menina presa...
    Contratou um grande advogado para acompanhar o processo.
    Fizemos uma vaquinha...
    Todos os funcionários colaboram, mesmo assim não conseguimos o suficiente para contratar um bom advogado para livrar a menina.
    Um dia, uma das meninas que foi assediada pelo falecido gerente me procurou, me entregou uma grande quantia em dinheiro que disse ter recebido para não prestar queixa...
    Nunca teve coragem de denunciar e nem de gastar o dinheiro...
    Ela contou que alguns dias antes o gerente a procurou em sua casa, tentou invadir, disse que ela tinha sido comprada e agora pertencia a ele, mais outras coisas horríveis...
    Contou que ela começou a gritar e um vizinho meio doido saiu armado para ver o que estava acontecendo e então o cretino fugiu...
    Ela saiu de casa, ficou na casa de uma amiga, trancada em um quarto, com medo, sem coragem de por o pé para fora até o dia que ouviu que ele havia morrido...
    Ela me entregou o dinheiro e disse que não via melhor maneira de gasta-lo,
    Me disse que se a quantia não fosse suficiente para tirar a menina da cadeia,
    Ela venderia seu carro, sua casa, porque para ela a liberdade que ela sentia naquele momento não tinha preço...
    Mas o dinheiro foi suficiente para contratar o melhor escritório de advocacia criminal, em pouco tempo ela estava fora...
    Mais algum tempo e o processo seria arquivado pois foi comprovado a legítima defesa...
    A mãe do falecido gerente esperneou até a última instância...
    Alegava que o crime foi premeditado, porque a arma do crime era da menina, Que ela deveria ter planejado isto a muito tempo, que seu filhinho caiu numa armadilha...
    Tudo em vão...
    Todos sabiam e testemunharam sobre quem era o gerente e quem era a menina...
    Sobre o comportamento de um e de outro  e principalmente sobre a faca...
    Todos sabiam que ela levava a faca porque comia uma maçã toda a manhã.
    Todos viam ela cortando a fruta e oferecendo  aos colegas...
    Quando o processo foi definitivamente resolvido, Ela me disse que ia embora, minha mãe ficou muito triste, eu fiquei triste...
    Ela tinha ficado na minha casa durante este tempo, Era como ter minha irmã de volta...
    Apesar disso entendi suas razões...
    Aquela cidade, as lembranças...
    Quando fui leva-la ao aeroporto, ela me abraçou e me disse que eu era a única pessoa que merecia conhece-la de verdade...
    Não entendi muito bem o que ela quis dizer com aquilo, até que voltei para casa...
    Recebi uma encomenda mandada por ela na porta de casa, uma caixa...
    O entregador disse que uma moça havia aparecido na empresa de entregas a alguns dias e determinado que a encomenda fosse mantida no freezer e que fosse entregue somente a mim, em mãos, naquele dia e naquela hora...
    Eu entrei em casa, sentei no sofá e fiquei olhando para a caixa, pensando o que poderia ter dentro...
    Quando abri fiquei espantada....
    Dentro havia alguns recortes de jornais, fotos do falecido gerente e várias e várias maçãs congeladas, todas faltando apenas um pedaço....
    Por cima de tudo um pequeno bilhete, reconheci a letra dela....
    Nele dizia: SOU ALÉRGICA A MAÇÃS...
  • Nosso Amor - PARTE 1 - A Garota Perfeita

    THEO
    Memories fade
    Like looking through a fogged mirror
    Decisions to decisions are made and not bought
    But I thought this wouldn't hurt a lot
    I guess not"(*)
    - "Kids", MGMT
      Acordei assim que meu detestável celular começou a fazer barulho. Eu gemi, peguei o objeto e desativei o modo “despertador”, me sentei e espreguicei-me, controlando a vontade quase irresistível de voltar a dormir.
      Eu levantei e andei lentamente – muito lentamente - até o banheiro, fechando a  porta em seguida. Me livrei da bermuda que vestia e tomei um banho quente. Depois de desligar o chuveiro, me sequei e enrolei a toalha em volta da cintura.
      Fui para meu quarto – mais lento ainda -  e vesti minha calça jeans desbotada e rasgada, meu uniforme e calcei meus tênis sujos e gastos, peguei minha mochila, tomei meu café da manhã, meus remédios e meu pai me levou para a escola de carro.
      Cumprimentei todos os meus amigos quando cheguei, eu podia ser considerado um menino “bem conhecido”, estudava aqui desde o 1° ano do Ensino Fundamental, já tinha dado tempo de conhecer muita gente que veio e ficou ou já se foi.
      Fui direto para a arquibancada, onde meu melhor amigo já me esperava. Subi até o último degrau, fizemos nosso aperto de mão particular e me sentei ao seu lado.
      ─  Como foi o final de semana, meu querido Theodoro? ─  Pedro perguntou, já recebendo um soco meu, odiava que me chamassem pelo nome (meus pais tinham um certo fascínio por nomes ridículos).
      O inverno havia acabado de chegar, e aquela manhã de segunda-feira estava insuportavelmente fria. O tom do céu projetava um tipo estranho de melancolia por todo aquele lugar.
      ─  Normal ─  respondi, jogando a mochila para o lado ─  Saí no sábado, mas fiquei o dia inteiro em casa ontem.
      ─  Que saco.  ─  disse meu amigo, começando a mudar de assunto.
      Mas eu não prestava mais atenção nele. Estava olhando para a garota que acabara de chegar. Joanna. A menina perfeita, de jeito meigo, risos contagiantes e muito bela. Era assim que eu a via. Claro que sabia que era impossível alguém ser completamente perfeito, eu tinha em mente que ela possuía defeitos. E, ainda assim, sabia que estava perdidamente apaixonado por ela.
      Eu a observava de longe há alguns meses, sempre prestando atenção em cada pequena coisa que ela fazia. Notava que ela não usava roupas de manga curta – mesmo no verão – e que chorava dentro do armário de bugigangas que ninguém mais usava na Quadrinha Abandonada da escola. Sabia o caminho que ela pegava para ir para casa – era o mais longo, sempre ia pelo caminho ao contrário (somos vizinhos).
      ─  Ei, você ouviu? ─  olhei para Pedro que chamava minha atenção ─  Você ouviu o que eu disse?
      ─  Não. O que é? ─  perguntei.
      ─  Eu fiquei com a Kayla. No final de semana.
      ─  Ah ─  suspirei e voltei a olhar para Joanna ─  Que legal.
      ─  Você não está nem aí!
      ─  É, não estou mesmo.
      Meu amigo bufou e se deitou, apoiando a cabeça em sua mochila. Depois de alguns segundos começou a tagarelar sobre outro assunto. Eu ainda não queria prestar atenção.
      Joanna estava sentada, abraçando os joelhos e olhando para o nada, enquanto as amigas estavam à poucos centímetros dela, rindo e conversando sobre coisas divertidas. Mas ela, não. Parecia estar isolada do resto do mundo. Eu queria saber o por quê.
      ─ Theo! ─  Pedro gritou no meu ouvido.
      ─  O que é, porra?! ─  gritei de volta.
      ─  A despedida de solteiro vai ser em dois meses.
      ─  Que despedida de solteiro?
      ─  A do meu primo.
      ─  Que primo?
      ─  Cara, te mandei o convite faz duas semanas!
      ─  Mas ainda faltam dois meses!
      ─  É pra confirmar presença, seu idiota. E você precisa ir.
      ─  Onde vai ser? ─  perguntei, não ligando muito para a resposta.
      ─  Na Casa dei Ciliegi ─  respondeu, orgulhoso.
      Meu coração quase parou – literalmente.
      A Casa dei Ciliegi era a casa noturna mais cara do país, além de ser um lugar muito misterioso, apenas os homens podiam entrar. As normas do lugar eram mais esquisitas ainda: seu celular era confiscado, para ter certeza de que você não tirou nenhuma foto quando estava lá dentro (pois é, que tipo de casa noturna faz isso?), eles também não davam muitos detalhes do interior do lugar. E era por isso que os homens iam, por curiosidade.
      ─  Tá falando sério? ─  perguntei, quase sem acreditar.
      ─  Pois é, querido amigo. Vamos adentrar o paraíso das mulheres nuas por uma noite.
      O sino tocou, anunciando que todos os alunos deveriam ir para suas salas. Eu peguei a mochila, esperei Pedro se levantar e fomos para nossa sala.
      Enquanto as aulas ocorriam diante de mim, ficava pensando que aquela segunda-feira era a mais tediosa de toda a minha vida. Assim como pensava todos os dias.
      Não conseguir trocar nem ao menos uma palavra com Joanna me deixava deprimido. Eu desejava falar com ela todos os dias, por horas, aproveitar cada minuto e segundos da presença dela. Por isso, dentro da sala de aula, gostava de pensar em cada detalhe de seu rosto: os olhos grandes – um pouco puxados no final -, a boca carnuda, levemente rosada e mal desenhada, seus cabelos castanhos – ondulados e volumosos -, o nariz um pouco largo, as bochechas cheias, sobrancelhas profundamente negras – igual aos cílios enormes e bem curvados -, os olhos castanhos claríssimos que ficavam laranjas quando o Sol os encontravam e a pele branca como as nuvens.
      Eu achava ela a criatura mais linda que já vira. Queria tocá-la, abraça-la e beijá-la até sua respiração cessar.
      Quando o último sino, anunciando a hora da saída, tocou, não vi Joanna em lugar algum. E isso se estendeu por um mês inteiro.

      UM MÊS DEPOIS
      Durante um mês as pessoas não sentiram falta da presença dela. Quando eu perguntava à alguém da sala do segundo ano sobre Joanna, ninguém ao menos se importava em me dar uma resposta séria. As tão queridas amigas não sabiam onde ela estava, e nem queriam saber.
      Tudo aquilo era muito estranho e triste.
      Cheguei em casa ao meio-dia e logo me sentei para almoçar. Enquanto comíamos, minha irmã mais nova – Améllie – contava como fora seu dia na escola, e meu irmão mais velho – Dexter (pra ficar menos ridículo, a gente chama ele de Dex) – reclamava da desgastante rotina da faculdade. E eu apenas comia em silêncio.
      ─  Como foi seu dia, querido? ─  perguntou minha mãe.
      ─  Entediante. ─  respondi.
      ─  Você sempre diz isso. ─  riu, sem humor.
      ─  Porque é entediante todos os dias.
      Assim que o jantar terminou, eu e Dex lavamos a louça e limpamos a cozinha, enquanto Améllie gritava de dois em dois minutos que já estava na hora de ir para cama. Ela sempre fazia isso para que eu a levasse para seu quarto e lesse um livro infantil para que ela conseguisse dormir.
      ─  Vamos, Li ─  virei-me e ela se jogou nos meus braços ─  Qual livro você quer dessa vez?
      ─ O Senhor dos Anéis: As Duas Torres!
      Digamos que eu estava refinando o gosto dela pela leitura.
     


      ─  Está com algum problema na escola? ─  minha mãe perguntou baixinho, assim que entrou no meu quarto e se sentou ao meu lado na cama.
      Ela começou a fazer carinho nos meus cabelos.
      ─  Na verdade, não ─  eu respondi.
      ─  Então, por que está agindo estranho ultimamente? Já faz mais de um mês que está estranho.
      Eu vi a preocupação e o medo nos olhos dela e me senti muito culpado. Um dos grandes amores da minha vida era a minha mãe. Deixá-la preocupada era quase um castigo.
      ─  Mãe, eu estou bem ─  insisti. ─  Só estou cansado da escola.
      Alguns minutos, depois de forçar ela a acreditar que eu realmente estava bem, ela saiu, deixando-me sozinho para ler um livro que estava começando a gostar. Mas, mesmo que o enredo fosse o mais interessante, não conseguia pensar em mais nada além da garota que costumava observar todos os dias. Sentia falta dela.



      NO DIA SEGUINTE
      Quando acordei na manhã de terça-feira decidi não ir à escola e voltei a dormir. Dez minutos depois, minha mãe entrou no quarto para me acordar. Eu acabei repetindo minha rotina diária mais uma vez. O que me fez pensar no quanto a vida era maçante e patética.
      Cheguei na escola cumprimentando os mesmos amigos do dia anterior, fui para a arquibancada com o mesmo melhor amigo do dia anterior e conversamos sobre o mesmo assunto do dia anterior. A única diferença era que eu, dessa vez, respondia.
      Estava tão interagido que quase mal percebi a presença nova e interessante ao meu lado. Quase. Ela, agora, tinha cabelos no tom de vermelho vivo. Olhei para as mãos da garota, o moletom, o par de calça surrado e rasgado, a curva de seus lábios carnudos... e mal desenhados.
      "Joanna."
      O sinal, para que todos fossem para suas salas, tocou. Então peguei minha mochila, deixei Pedro para trás e desci da arquibancada, seguindo os passos de uma Joanna quase irreconhecível.
      Em meio ao amontoado de pessoas, acabei a perdendo de vista. Suspirei e segui em direção às escadas. Subi o primeiro andar e, logo quando me virei em direção ao próximo lance de escadas, esbarrei com a menina na qual estava perseguindo. Joanna e sua bolsa caíram no chão, espalhando cadernos, livros e – eu vi, claramente -  um conjunto bem ousado de lingerie vermelha, quase do mesmo tom que o cabelo novo, com lantejoulas brilhantes.
      Eu olhei para os olhos dela – enquanto ela fazia o mesmo, ninguém em volta assistia, e eu notei que os olhos da minha querida estavam vermelhos e inchados. Ela me olhava como se estivesse pedindo ajuda, mas, antes que eu pudesse dizer qualquer coisa, juntou e guardou suas coisas ferozmente, ajoelhada no chão. Quando se levantou, eu disse:
      ─  Me desculpe.
      Ela virou-se de costas e seguiu escadas a cima para sua sala como se não tivesse escutado ou nada tivesse acontecido.
      Abaixo dela, parado, um Theodoro Albuquerque estava atordoado com o que havia acabado de ver.
      "Por que alguém traria um conjunto de lingerie vermelha para a escola?"
      E percebi que havia mais coisas das quais não sabia sobre a menina do que imaginava.
      Eu tentei prestar atenção na aula de Matemática, mas achava aquilo uma perda de tempo. Depois veio a aula de Filosofia, que era mais fácil de entender.  Quando o sino, anunciando o intervalo, tocou, saí quase que correndo para fora da sala. Queria ver Joanna.
      Fui direto para o pátio e a procurei por todos os lados. Não a vi em lugar algum. E estava preocupado, muito preocupado. Procurei-a por cada cantinho do pátio, perguntei às amigas dela – que não deram a mínima. Até que me dei conta de que não havia procurado no lugar certo.
      "O armário da Quadrinha Abandonada."
      Corri para dentro do prédio da escola, desci as escadas subterrâneas e abri o portão que sustentava uma placa com o aviso “NÃO ENTRE”. Fui até o armário e o abri devagar.
      Mas não havia ninguém ali dentro.


      UMA HORA E CINQUENTA E CINCO MINUTOS DEPOIS
      A chuva caía com muita força e rapidez, o que dificultava muito minha volta para casa. Apenas trinta segundos haviam se passado, mas eu já estava completamente encharcado, e insistia em andar lentamente. Estava perdido em pensamentos.
      Perguntava a mim mesmo se teria que aguentar mais um mês sem olhar para o rosto de Joanna, o que teria acontecido com ela, onde ela estaria e o que estaria fazendo.
      Todas essas perguntas foram respondidas no mesmo instante em que decidi olhar para frente.
      Ali, encostada no muro branco do pequeno mercado, uma garota de cabelos vermelhos – abraçando as próprias pernas e com a cabeça apoiada nos joelhos – chorava tão desesperadamente que, mesmo com os trovões, era quase impossível não ouvir o sofrimento misturado com as lágrimas.


    (*)Memórias desaparecem 
    Como olhar através de um espelho embaçado 
    Decisões por decisões são feitas e não compradas 
    Mas eu pensei que isso não doeria tanto 
    Eu acho que não 
  • O barqueiro

    Em meio ao extenso renque de árvores cujas copas se entrelaçavam formando um formidável túnel verde e sombrio Sonder Le caminhava rápido deixando rastros de suas rotas botas Hiking pela estrada lamacenta e pedregosa. Seu peito arfava estufando a jaqueta jeans sobre a camiseta branca manchada de sangue seco –“ I want a better world” – estampava a frente em um repugnante sarcasmo sinalado no pano. Como aquela mensagem –“peace”– onde crianças aterrorizadas vestindo camisetas doadas fugiam do front de guerra em meio as bombas imaginando que “Peace” marcada no peito neutralizasse o dedo no gatilho.
    O caminho íngreme desembocava nas margens de um caudaloso rio , uma pequena doca para duas ou três embarcações brotava da areia suja junto a restos de galhos e ramagem secas em direção ao rio, o madeirame da estrutura esverdeado pelos urupês indicava que a umidade estava comprometendo a itaúba cerrada em vigas, sinais da implacável ação do tempo: espíritos da floresta reivindicando a árvore cortada e compondo a manta morta do ecossistema .
    Sonder Le mantinha o semblante sério embora o cansaço o obrigasse a abrir a boca com um sorriso forçado buscando oxigênio, olhou as horas –15h00– no seu Garmin-GPS e ao longe avistou o barqueiro e seu barco - estavam no horário.
    O barco azul naval era vistoso: de madeira de lei, oito metros de comprimento por três de largura com uma suíte modesta mas o ar condicionado e a geladeira compensavam as longas e quentes viagens pela floresta tropical.
    -- Tudo ok? Estendeu a mão e cumprimentou o homem ­­-- Eu sou Sonder, contatei o senhor na semana .
    -- Sim, meu nome é Akeni, como já sabe. --Bem vindo a bordo. O barqueiro aparentava ser bem velho por suas mãos rugosas , trajava uma capa escura impermeável com um capuz que cobria parcialmente seu rosto. As lentes dos óculos escuros se projetavam pela fresta do pano e refletiam o cenário a sua volta. O Mercury 60hp rangeu, turbilhonou as águas escuras e iniciou a jornada- próxima parada trezentos quilómetros rio abaixo.- pensou
    Sonder estranhou estar só na embarcação, mas não perguntou o motivo pois achou que mais à frente os ribeirinhos embarcariam e isso fez com que ele relaxasse.
    --Você quer se encontrar? Resmungou Akeni
    Sonder estranhou a pergunta feita de surpresa. –Foi para mim? Pensou.
    --O pessoal que vai para a aldeia indígena busca o reencontro da própria alma, continuou o barqueiro-- A vida é como dois bosques floridos , um que imaginamos e outro que vivenciamos, a condição essencial para ambos consiste na beleza de seus ramos, podar os ramos daninhos é primordial para ajustarmos satisfatoriamente as duas possibilidades .
    Sonder enxugou o suor da careca lustrosa e continuou boquiaberto, não acreditava no que estava ouvindo e –vindo de um barqueiro- pensou com arrogância.
    Akeni continuou o monólogo, já que o passageiro apenas ouvia -- As pessoas que fazem este percurso buscam uma mudança no propósito pessoal por isso lhe perguntei se você quer se reencontrar.
    Sonder com uma cerveja que pegara do freezer da suíte se encaminhou para a proa, apoiando-se nas cordas sentou na rede protetora de modo que via as aguas turvas passarem rápidas sob seu corpo suspenso.
    -- Acho que quero fazer a experiência da Ayahuasca , o cipó do morto, procurar novas paisagens novos cenários que me remetam a lugares onde o espirito me conte histórias escondidas na minha imaginação, respondeu pensativo bebericando a gelada.
    -- Todos nós temos um sol interno que ilumina a alma e aquece os sonhos, você tem que acreditar apenas em você, meu jovem - reflexionou Akeni girando bruscamente o timão, fazendo o leme se direcionar para a direita desviando o barco de um grande tronco que descia lentamente a correnteza .
    A embarcação estava rápida e a força do impulso fez Sonder Le largar as malhas da rede rolando sobre ela para a esquerda e se chocando violentamente com um gradil de madeira que estava ao redor. Com esse novo direcionamento o impacto fez sua cabeça arrebentar a grade de segurança e cair nas aguas cinzentas.
    Nenhum grito se ouviu, nenhuma gota de sangue marcou a madeira da grade ou os fios de algodão da rede.
    Akeni imediatamente desligou o motor jogou os ferros e fundeou o barco, a correnteza ainda o arrastou por alguns metros até parar por completo, na sequencia retirou a pesada capa e mergulhou. Com braçadas rápidas chegou aproximadamente onde Sonder caíra, respirou fundo prendendo todo o oxigênio possível e imergiu na escuridão das águas. O barqueiro era acostumado em mergulhos de apnéia.
    Sonder Le afundou rápido o ardor insuportável da agua entrando em turbilhão pelas narinas foi passando ele estendeu os braços para tocar em uma espécie de parede translucida , girou o corpo e verificou que essa estrutura o rodeava em todos os lados, era redonda como uma bolha e a todo momento pulsava cores lisérgicas.
    “Pelos padrões conhecidos existe o quente e o frio, o doce e o amargo, pela verdade existe apenas o indivisível e o vazio” Demócrito
    Sonder estava dentro do indivisível, do átomo de seu espírito. Aos poucos as cores foram se matizando para a branca solar, em tudo havia luz e seus olhos estavam em trevas sob o efeito da Luz Solar incidindo diretamente em suas pupilas. A cada piscadela da escuridão surgiam vultos presos a parede da bolha. Do lado de fora, o vazio.
    Aproximou-se desses espectros, pareciam ser pratos de porcelana decorados pendurados na parede de um hall de estar, uma sala que ele reconheceu como a da casa onde morou até pouco tempo. E os pratos, lembranças de tempos antigos vieram pela sua madrasta que herdara da mãe.
    As pinturas na porcelana foram se tornando mais visíveis e as cenas retratadas passaram a ter movimentos como num filme antigo. Sonder não conseguia se expressar, sua boca instintivamente permanecia cerrada , os dentes rangiam e nesse momento ele ouviu o silencio que o envolvia permitindo que o mais profundo alerta de seu espírito chegasse a seus ouvidos. Ele estava só e iniciando uma jornada, a derradeira onde os velhos axiomas do óbvio original de nascer e morrer que a dialética insiste em preposterar com novos epistemes. É como o Ouroboros teorizasse hipóteses sobre o moto-perpétuo.
    A bolha aos poucos estava se rompendo, o vazio estava preenchendo o indivisível e as visões dos pratos passavam rapidamente pelos seus olhos- as cenas movimentadas retratavam aspectos aleatórios porém marcantes de sua vida: seu nascimento, as brincadeiras da infância, a morte de sua mãe, a cobiça que o consumia, a ganância incontrolável, o roubo , a morte e por fim a última figura em movimento, a de sua fuga, ferido no ombro pelo homem que ele assassinara.
    E tudo se tornou vazio, sem vida, seu espírito migrou formando um novo átomo, ainda sem mensagens delineadoras e efêmero na formatação.
    Akeni num pulo surgiu das águas barrentas, arfou forte procurando ar puro e mergulhou mais uma vez e não encontrou o rapaz. Subiu em seu barco, vestiu a capa e cobriu o rosto com o capuz, acionou o Mercury e seguiu rio abaixo. O barco azul naval já rumava longe mas ainda se percebia o nome gravado em negro na sua popa “CARONTE”
  • O Jogo da Morte: Véu Negro (continuação do cp 2 até cp 4)

    vinte minutos se passaram e as outras duas acordaram,ao ver a amiga toda desfigurada e morta,tentaram gritar,mas era inútil,pois suas línguas estavam na minha taça de champanhe,foi uma sensação incrível  quando eu bebi o liquido banhado com duas línguas nojentas,e melhor ainda foi ver a cara das duas vagabundas ao verem  suas línguas que um dia deram muito prazer pelas ruas da cidade,sendo degustadas por um sádico maluco.
    Como não podiam falar,eu mesmo fiz questão de escolher os utensílios que iria usar,para a vadia morena usarei uma furadeira e para loira falsa usarei um serrote,o que vocês acham garotas?,sensações corriam pelo meu corpo ao cortar o corpo de uma e perfurar o corpo da outra,gritos incubados eram sinfonias para os meu ouvidos,e no fim de tudo as três garotas estavam mortas e o véu negro estavam mais satisfeito do que nunca.
    E agora era só esperar,logo a gorda maldita estaria morta e queimando nas profundezas do inferno junto com as três prostitutas.
    O véu negro se aproximou de mim dizendo que alguém teria que ser culpado pela morte da gorda,então eu disse:
    -Que seja qualquer um menos eu.
    Atendendo ao meu pedido,levantou suas vestes negras e foi até o hospital onde a mesma estava internada,possuindo uma das enfermeiras e controlando cada passo que a pobre coitada dava,fez com que ela cravasse uma faca no coração da gorda,que sem reação,acabou morrendo,e graças ao véu negro aquela vadia não estava mais no meu caminho.
    Pela janela a morte saia e a enfermeira voltando a si,viu a paciente morta na sua frente,suas mão cheias de sangue e a faca caída no chão,sem entender nada,ficou paralisada até que os primeiros policiais chegaram e acabaram levando a “Criminosa” para a cadeia.
    Naquele momento eu ria mais alto que uma criança pura prestes a ser consumida pelo horror da humanidade,eu me deliciava com a sena na televisão e ao mesmo tempo eu sentia um pouco de pena da pobre enfermeira que por minha causa,iria passar o resto da vida numa sela suja,enquanto eu o verdadeiro culpado estava livre e acabando com mais vidas ordinárias deste planeta que não me oferecia mais nada a não ser o prazer do sofrimento.
    Desliguei a televisão e fui tomar um banho,ao mesmo tempo peguei  um dos meus bisturis e comecei a me cortar,aquilo foi incrível,eu estava me libertando pouco a pouco dos espíritos sofridos de cada um que assassinei.
    Naquela noite o véu negro me deu um pouco de descanso,as imagens das três garotas gritando de dor não saiam da minha cabeça,e foi ai que eu percebi que em minhas veias corria um sangue sádico para a coisa,pois sem a ajuda do véu negro,matei três pessoas a sangue frio e não me sentia culpado por isso,só fiz o meu trabalho.
    Liguei o radio e estava tocando uma musica que me fez lembrar de minha mãe adotiva,sim fui adotado quando eu tinha apenas cinco anos,nossa que falta minha mãe me faz,não esqueço do seu cheiro,dos almoços de domingo,pena que morreu em cima de uma cama,em um hospital psiquiátrico,deixando-me sua pensão.
    Quando eu tinha nove ,meu pai morreu ,minha mãe ficou meses trancada dentro de casa,um certo dia resolvi convida-la para ir ao parque,que ficava do outro lado da cidade,não sei o que houve pois ela aceitou,ao chegar no local,deixei-a sentada em baixo de uma arvore e fui ate o banheiro publico,ao colocar o primeiro pé dentro do ambiente,me deparei com uma cena perturbadora,um morador de rua abusava brutalmente de uma mulher,não me contive,peguei um pedaço de porcelanato de um vaso quebrado,e bati varias vezes na cabeça daquele imundo,restos de seu inútil cérebro se espalharam pelo banheiro,meu rosto ficou todo sujo de sangue,lambi minha boca,aquilo me excitou,e acendeu em mim o que por muito tempo ficou trancafiado em meu ser.
     O banheiro ficou gelado,parecia que o tempo havia parado,senti um gelo em minha espinha, uma tremedeira dentro de meu corpo e suavemente uma voz começou a falar.
    -Meu nome e véu negro,estou aqui porque senti que você pode me ajudar.
    -te ajudar em que,meu Deus será que estou ficando louco?
    -Depois do que você fez hoje e quando tinha nove anos,Deus não existe mais em você,mas eu posso começar a existir.
    -como assim?
    -podemos fazer um pacto;
    - que tipo de pacto?
    -toda vez que eu lhe pedir você terá que me dar uma alma,mas não é qualquer alma,e sim uma ruim,aquela que não poderá ser salva por aquele que no inferno não dizemos nem o nome,as mortes terão que ser cruéis.
    -mas eu não consigo fazer isso sozinho,o que você viu aqui hoje,foi apenas um momento;
    -isto não foi apenas um momento,você tem sangue para a coisa,sinto isso em sua alma,e não é de hoje que estou de olho em você,só esperei a oportunidade certa para lhe fazer essa proposta.
    -E o que eu ganho com isso?
    -você terá uma vida longa,quando morrer ficara em um lugar diferente,e poderá retornar mais uma vez para este planeta quando houver a oportunidade certa,terá minha ajuda por um tempo até que você consiga realizar todas essas façanhas sozinho,porem se você perder o jogo,este contrato será anulado,o que você me diz?
    -mas eu ainda posso ir para o céu,eu acredito nisto;
    Ele riu alto
    -o céu é para os fracos,você meu caro e muito forte e merece um lugar ao meu lado no reino das trevas.
    -como assim perder o jogo?
    -pense que a vida é um grande tabuleiro e as pessoas que ira matar são peça inúteis,neste jogo,então se você deixar de me entregar apenas uma alma,quando ela eu solicitar,você será considerado um perdedor e por fim terá que ser eliminado.
     Recusei o contrato;
    Tudo ficou meio quieto,comecei a sentir varias dores em meu corpo,algo estranho estava acontecendo,sem eu perceber ele tomou conta de meu corpo,quebrou o espelho do banheiro e com um dos pedaços ,começou a cortar a garganta da mulher,eu sentia suas veias parando de pulsar,confesso que aquela foi uma sensação incrível.
    Parado ao meu lado ele disse:
    -viu,não foi difícil,com o tempo você se acostumaria.
    Olho para trás,vejo minha mãe parada na porta,em estado de choque,o banheiro vertia sangue,e eu o filho que ela sempre amou,no meio de tudo aquilo,e com a arma do crime nas mãos.
    O véu negro se aproximou mais uma vez,senti sua mão fria encostar em meu ombro,e disse:
    -agora, ou você aceita meu acordo,ou farei você matar a sua querida mãe,e claro você passara tortuosos dias em uma sela imunda.
    -mas se eu aceitar,ela ira contar tudo o que viu aqui.
    -não se preocupe eu cuido dela.
    -você não vai mata-la,vai?
    -darei a ela apenas uma doze de loucura;
    -aceita ou não?
    -aceito
    E assim se iniciou o pacto com o véu negro.
    Depois de tantas lembranças de um passado não tão distante,Tive que limpar toda aquela bagunça do apartamento de michel,foi difícil tirar todo aquele sangue do piso branco,mas,depois de algumas horas e de muitos baldes de cloro,eu havia conseguido remover toda a podridão,sai do apartamento,eram mais ou menos nove e meia da manhã,fui ate uma loja na esquina e comprei alguns sacos plásticos resistentes,voltei ate o apartamento,cortei-as em pedaços e coloquei-as nos sacos,juntei tudo em um canto,e esperei anoitecer.
    Tocaram a companhia,olhei pelo olho mágico,um homem de mais ou menos cinquenta e dois anos ,gordo e careca,estava de pé em frente a porta,abri.
    O idiota se apresentou, como um morador do apartamento ao lado,veio reclamar do barulho da  noite passada ,eu com a minha perfeita educação,sorri e pedi desculpas, aleguei que havia dado uma festa pois eu era o novo morador do prédio,e que isso nunca mais ocorreria,o trouxa foi embora acreditando em tudo que eu disse.
    -Como esses seres humanos são Idiotas.
    Meia noite e meia ,era a hora perfeita,desci carregando os sacos,coloquei-os no porta mala e fui até um aterro sanitário,cavei um buraco bem fundo e lá enterrei todos aqueles corpos mutilados,aliviado ,entrei em meu carro e fui até um local mais seguro,estacionei, e fiquei olhando para o local,exatamente as três e meia da madrugada,chegou um caminhão vindo da cidade cheio de lixo,acendi um cigarro, e me delicie ao ver toda aquela pilha de lixo,sendo jogada em cima daquelas vadias.
    Jamais seriam encontradas, do lixo elas vieram e para o lixo retornaram.
    Pronto,agora era a hora de ir para a casa.
    Capitulo 3
    Já se passaram três semanas desde o incidente com a gorda e com as garotas de programa,muitas noites sem dormir e muitos pesadelos com o véu negro,promessas e dividas me atormentavam,deitado em minha cama as horas passavam.
    A fome bateu em meu estomago,eram quase oito e meia da manhã de um domingo,levantei, preparei o café,posso afirmar que ainda eu estava meio tonto com todos aqueles pesadelos, porem,o que mais me interessava naquele momento era o meu café,sem leite e com creme.
    Eu me sentia isolado,pois a mais de três semanas ele não me visitava,ou melhor não me dava uma nova missão,será que ele se esqueceu de mim?ou ele encontrou alguém melhor que eu?essas são respostas meio complicadas e perguntas idiotas para se pensar numa manha de domingo,acendi um cigarro e fui para o quarto,usei o banheiro.
    Deitei novamente em minha cama,mas não conseguia pegar no sono,então,tomei três comprimidos,e simplesmente apaguei.
    Uma nuvem negra,cobriu meu corpo e La no fundo da minha mente eu conseguia ver uma chama azul e vermelha,tentei chegar até ela,foi inútil,de repente,imagens de todas as pessoas que matei vinham em minha direção,todas queimadas, gritando por ajuda. consegui chegar até a chama.
    O calor era intenso,queimava a minha alma ,mas por algum motivo eu sabia que tinha que tocar naquela chama. Ao toca-la tudo se escureceu,eu não enxergava nada.
    Então meu querido véu negro me perguntou se eu estava preparado para saber de algumas  verdades, e com toda a certeza do mundo eu respondi que sim,então tudo começou a desmoronar,era como se todo o ambiente que eu estava se descascasse,luzes e chamas apareciam do nada,ele me estendeu a mão e disse que me levaria para um passeio,perguntei aonde,mas ele permanecia calado.
    1° fomos a um lugar sombrio,onde só se ouvia gritos e choros,(uma das camadas do inferno)a variação de temperatura era muito grande,almas ficavam ali jogadas,umas em cima das outras,o cheiro era insuportável,vermes se misturavam com seus corpos,a cena era perturbadora,mas para mim todos eles mereciam estar ali.
    2°fomos a um grande lamaçal(outra camada do inferno),todos que ali estavam eram pervertidos sexuais,Vivian de sexo,prazer e sofrimento,jogados como porcos no chiqueiro apenas digo,sem comentários.
    3°chegamos (a ultima camada do inferno),lá habitavam todas as almas perturbadas  e aflitas,sedentas de ódio e com sede se vingança,mas com aquele calor elas deviam estar com sede de água(brincadeira),neste momento o véu disse algumas palavra:
    -todos aqueles que desde o nascimento fizeram um pacto comigo e não cumpriram estão pagando sua pena com fogo e tormenta,e aqui também estão todos as almas que você e outros jogadores da morte mandam para mim todos os dias,lindo não?
    -maravilhoso,eu respondi !
    4°depois do inferno ele me levou até um local desértico,lá me mostrou três pessoas,servos leais que durante suas ultimas existências cumpriram os desejos e acordos com a morte e não perderam o jogo,então ficavam ali até chegar a hora de voltar entre nos humanos e trabalhar mais um pouco para o véu negro.
    Ao termino de nosso passeio eu tive a oportunidade de fazer uma única pergunta a ele,então sem pressa pensei em como fazê-la ,dizer tudo o que eu queria em uma única pergunta,mas era impossível enganar a morte.
    Então fiz a seguinte pergunta:
    - o que me resta depois de minha passagem terrena?
    Com um sorriso sarcástico,ela me respondeu:
    -para essa pergunta,você já tem a resposta,mas lembre-se do contrato.
    Com essas ultimas palavras,tudo se paralisou,der repente acordei.Confesso que eu estava meio preocupado,mas eu sabia que naquele momento o meu contrato estava realmente valendo,e que a minha querida morte era uma pequena professora,porem agora era por minha conta,se eu cumprisse o contrato eu iria para um lugar “melhor”,se não eu iria para o inferno,com as almas perdedoras,a escolha era somente minha.
    Capitulo 4
    Levantei e fui tomar um banho,confesso que me cortei um pouco,como eu já estava acostumado não sinto vergonha de contar para vocês,lembro-me que certa vez cortei minha perna e aquilo me deixou muito excitado,mas logo passou.
    Me enxuguei,coloquei uma roupa,quando ia saindo,reparei que a chave do apartamento de Michael ainda estava comigo,peguei-a  e fui ate sua casa,ao chegar La,desci do carro e toquei a campainha, reparei que a porta estava aberta ,entrei.
    -Michael você esta em casa?
    Comecei a Subir as escadas,entrei no primeiro quarto,não vi ninguém,derrepente ouvi um barulho no banheiro ,fui ate La,quando abri a porta Michael estava dentro da banheira cheia de água e com um secador de cabelos ligado em sua mão.
    -michael não faça isso,eu ainda te amo.
    -mas eu não me amo senhor c, até logo.
    Corri para desligar o secador da tomada,mas já erá tarde de mais,Michael morreu de uma forma chocante.
    CONTINUA..........
  • O MENINO DO ORFANATO

    As dores guardadas no peito de um menino podem ser libertador para outros meninos, porque você passa entender que apesar de todas as dificuldades que um menino pobre possa passar, existem dores que nunca vão acabar independente de qualquer classe social. Esses relatos precisam ser contados como forma de denúncia.
           Uma família de classe média vivia em um dos melhores bairros da cidade de São Paulo, o pai era um homem exemplar para todos que o conheciam, a mãe uma mulher do lar dedicada, esse era o quadro perfeito para todos da vizinhança. O filho Heitor de  seis anos sempre bem vestido com roupas caras e com todos os brinquedos que uma criança possa desejar, porém sempre muito triste. Outras crianças tentavam brincar com ele, mas Heitor sempre muito recluso, com olhar cansado e distante.
             Certa vez uma vizinha perguntou a sua mãe se ele não tinha algum problema, pois era muito tímido.
             ─ Não querida, ele não tem nada sempre foi muito tímido não é Heitor?
             ─ Sim mamãe. Estou bem.
             Por algum motivo àquela vizinha não acreditou, o olhar do menino era um pedido de socorro, mas era algo que não era da sua conta. Como mãe apenas se preocupou com a criança, mas se ele falou que estava bem, então tudo certo.
             Uma noite ela percebeu que o menino chorava muito, ouvia de sua casa, levantou-se e foi até a janela. Não enxergou nada, voltou a deitar pensativa. No dia seguinte logo que viu a mãe do menino perguntou:
             ─ Oi Márcia tudo bom?
             ─ Olá querida, estou ótima.
             ─ Ouvi O Heitor chorar ontem de madrugada, ele está doente?
             ─ Não, não, às vezes tem pesadelo e chora alto.
             A mãe do menino falou bruscamente e foi saindo sem nem dar tchau. A vizinha ficou mais pensativa e desconfiada.
             Heitor já não aguentava mais aquilo, sabia que não era certo. A mãe sempre falava para ele ficar quieto porque o papai só fazia aquilo porque o amava. Mas não era certo. Heitor sabia que não, mesmo no seu mundo de criança onde se enxerga os adultos como poderosos, ele sabia que aquilo era covardia. Naquela noite ele chorou alto, pensou naquela senhora boa que o olhou preocupada, chorou para que alguém parasse com aquilo. Ele sabia que tinha que amar o papai e a mamãe, mas só pensava que seria maravilhoso se eles morressem. Daí tudo aquilo acabava.
            No dia seguinte Heitor não pôde ir à escola, não dava para levantar, seu corpinho miúdo estava dolorido e ele não chorava, só olhava para um brinquedinho de carrossel no chão com o palhaço a sorrir. Sentiu raiva daquele palhaço que parecia rir dele, pensou naquele momento que não gostava mais de palhaços.
            Os dias foram passando e passando e nada mais aconteceu. Heitor estava indo para a escola com sua mãe, o carro parou no farol e ele viu três meninos maiores pouca coisa que ele, os meninos vendiam bala e pediam moedas para comprar comida, Heitor sentiu inveja deles. Que bom seria só sentir fome.
            Passaram-se meses desde aquele dia, a boa vizinha mudou, Heitor ficou triste, não a via mais na rua. Estava brincando na sala, sua mãe estava no sofá com aquele pó que ele odiava, ela dizia que era pra ficar calma, mas ele sabia que quando ela cheirava aquilo ficava malvada. Logo o pai chegou nervoso, Heitor correu para seu quarto e ficou sentado na cama olhando para porta a espera, escutou as risadas e ouviu sua mãe chamar, não respondeu.
             Seu pai gritou seu nome e ele congelou, começou a suar, sabia o que viria depois. A porta abriu e sua mãe, já meio nua entrou totalmente descontrolada, era o pó, estava dominada. Pegou Heitor pelo braço e começou a arrastá-lo, ele tentou resistir e a implorar.
              ─ Por favor, mamãe não faz isso não. Não quero mamãe.
              ─ Cala sua boca menino, você é uma vergonha, se chorar vai ser pior – ela deu um tapa em seu rosto, ele caiu e começou a chorar. Seu pai ouvindo os gritos, foi até ali, no corredor entre os dois quartos, Heitor só teve tempo de levantar o rosto e ver seu pai sorrindo, quis correr, a mãe o segurou e tirou sua roupinha e ali mesmo o pai o violentou, Heitor não gritou, mas resistiu o quanto teve forças. Sua mãe assistia  a tudo e dizia com naturalidade:
            ─ Cuidado querido, não deixe marcas.
            A casa da vizinha estava à venda, Heitor sempre pensou que ela pudesse ser a pessoa que iria lhe ajudar, ficou mais triste, agora ele tinha sete anos, era maior e queria fugir daquela casa, mas sabia que se fugisse o trariam de novo e seria pior.
             No seu aniversário levou uma surra daquelas, o pai bebeu muito e fumando aquele cigarro de folhas ficou louco, chamou Heitor várias vezes, mas ele não foi. Quando seu pai o encontrou foi pior as brincadeiras, ele queimava o Heitor com a ponta do cigarro, como o Heitor não chorava ele repetia.
             ─ Menino fraco, chora mulherzinha – não vendo reação do menino ficou zangado, quando se levantou o cigarro caiu em cima de suas pernas nuas e o queimou nas coxas, ele ficou pulando como um macaco de circo, Heitor riu. Ele deu um soco na boca do menino, Heitor desmaiou.
            Quando ele acordou a mãe estava gritando com o pai, ele ficou feliz, agora ela ia defendê-lo, mas logo voltou a ficar triste ao ouvir suas palavras.
            ─ Você marcou o braço dele Carlos, agora vão ficar fazendo perguntas, quero só ver se descobrirem, temos que dar um jeito nele.
            ─ Cala boca Márcia, ninguém vai descobrir nada não, é só dizer que ele está doente, diz na escola que ele está com catapora, ninguém vai estranhar as marcas, sabe aquele amigo meu médico? – falou rindo debochado – vou pedir uns atestados pra ele.
            ─ Meu amor você é um gênio – ela abraçou o marido rindo e olhando para Heitor.
    O menino conhecia aquele olhar, ela era doente, gostava de assistir o que o pai fazia com o filho e se satisfazia com isso, ele sentiu tanto nojo daquela mulher que sem saber o porquê começou a gritar, gritar e gritar, como se sua vida dependesse disso.
           ─ Sua puta descarada, seu monstro, vou matar vocês, o diabo tem de existir pra levar vocês – repetia tudo o que o pai dizia em seu ouvido quando estava em cima dele.
            Os pais surpresos  começaram a gritar, a mãe estava em vias de matá-lo, pegou uma cinta e passou em seu pescoço, o menino esperneava, o pai disse que ia lhe dar uma lição. Com a mãe o segurando e o sufocando o pai baixou suas calças e foi pra cima do menino, mas Heitor se recusou a ceder, mordeu sua mãe e correu para cozinha, pegou a faca. Seu pai veio com ódio e gritou para mulher.
            ─ Márcia, te avisei que esse menino é filho do demônio, vem ver o que o filho da puta quer fazer – e riu de Heitor, aquele sorriso bestial, na hora o menino lembrou do brinquedinho, aquele palhaço. E sentiu muita raiva. Correu como um louco pra cima do pai.
            Mas que defesa uma criança de sete anos tem contra dois adultos monstros? Conseguiram pegar o menino, bateram muito nele e como se não bastasse a surra o pai o estuprou várias vezes naquele dia. Heitor chegou à conclusão que odiava aniversários.
    Seu corpinho nu ficou ali na cozinha, o deixaram como um monte de lixo, suas perninhas roxas e o sangue a escorrer no chão. Ele desejou a morte e pensou que ela tinha chegado a lhe buscar quando a campainha tocou.
            Como um anjo a vizinha que havia mudado, apareceu. Com ela trazia o conselho tutelar, pois a professora da sua filha, que também era professora do Heitor, havia lhe contado sobre o texto que leu do menino, no texto ele queria matar os pais, também comentou que estava preocupada porque Heitor vinha faltando muito à escola. A vizinha, junto com a professora denunciou os pais do menino, pedindo para que o conselho tutelar fosse até aquela casa, comentou que quando morava perto ouvia o menino chorar algumas noites e que ali havia sinais de abusos.
            Heitor foi levado, seus pais presos em flagrante por abuso de menor, tráfico e contrabando. Ninguém quis acolher o menino, os familiares diziam que Heitor seria uma criança problemática, então ele foi deixado em um orfanato. 
            Hoje Heitor tem dezessete anos, falta pouco pra ser maior de idade, é um menino estudioso e quer prestar vestibular na área de ciências sociais. Numa entrevista de trabalho quando a atendente perguntou seu endereço e ele passou do orfanato, ela o olhou e disse:
             ─ Nossa que triste viver em um orfanato – ele a olhou sorrindo e respondeu feliz.
            ─ Não é triste não moça, foi o dia mais feliz da minha vida.
  • O piloto de fuga

    Marcos treinara todos os dias com o carro de seu irmão para conseguir tirar a bendita carteira de habilitação, ele não via a hora de poder dirigir seu possante livremente por aí.
    Um mês antes de completar dezoito anos ele se matriculou na auto-escola, e assim que ele tivesse dezoito anos ele começava imediatamente as aulas teóricas, a malditas filhas da puta aulas teóricas, porque ele precisaria saber de leis de trânsito, se ninguém cumpria, e ele não seria o primeiro.
    Foi dado a largada, Marcos entra na sala e já dispara a primeira pergunta, quando seria a prova, e quando o instrutor disse que após o término das aulas, os alunos teriam que agendar a prova teórica e isso foi a morte para Marcos.
    Priscila era uma moça que não queria saber de carros por serem carros, mas depois de ver uma matéria na TV uma boutique-móvel, um furgão que vende roupas em diversos pontos, ela lutou cada dia para conseguir primeiro tirar sua carteira de habilitação para carro e depois para poder dirigir o furgão. A legislação brasileira determina que veículos cujo documento tenha mais de 12 passageiros, incluindo o motorista, apenas condutores de CNH 'D' possam dirigir.
    E Priscila sabia disso. Mas o mais difícil não foi “conquistar” a sua CNH, mas sim sua boutique-móvel, e aos vinte e seis anos e depois de conquistar uma clientela fiel já havia pago sua primeira boutique-móvel.
    Marcos assim que recebeu sua CNH 'B' provisória, depois de muito choro resolveu levar sua 'amiga-gata' para a praia de Ubatuba, e sem dar ouvidos ao seu padrasto, entrou no carro numa sexta-feira e partiu para a casa da 'amiga-gata'.
    Priscila estava noiva de Jorge, que lutava para ser médico e nem Jorge e nem Priscila podia ser dar ao luxo de ir para a praia numa sexta-feira.
    Priscila tinha uma rede de amigos e um destes amigos conseguiu um evento no sábado para que jovem empresária pudesse expor suas roupas e sua boutique-móvel. Para chegar cedo, ela resolveu ir na sexta-feira a tarde porque assim ela poderia dormir em um hotel e descansar para trabalhar o final de semana,
    Jorge queria ir, mas tinha provas, tcc e o diabo pra fazer para a faculdade, e eles só serviria na outra semana.
    A “amiga-gata” de Marcos já veio “preparada para o abate”, uma minúscula saia e um top, e ela sabia que o Marcos ia dar em cima dela. E ela queria.
    Assim que ela entrou no carro, Marcos deslizou a mão sobre a coxa dela.
    Ela sorriu pegando no…
    E foram para a praia.
    No caminho a “amiga-gata” resolveu esquentar as coisas, tirando o top, a calcinha e brincando com o amigo escondido de Marcos e Marcos o nosso piloto de fuga queria chegar mais cedo na praia.
    O problema de Marcos era que …
    Algumas pessoas não entendem que existe dois tipos de pessoas, as espertas e as trouxas.
    O mundo é dos espertos.
    Os espertos sabem o que é se divertir.
    Os espertos sabem quando as minas estão a fim e se fazem de difícil.
    Os espertos (moças) se fazem de difícil para não parecerem fácil.
    Os espertos vivem uma vez só.
    Os espertos sempre ganham.
    E só os espertos sabem dirigir e transar.
    E Marcos era da turma dos espertos.
    E todos os outros carros eram os trouxas.
    E o que, que os trouxas fazem quando não facilitam a vida dos espertos?
    Atrapalham.
    E cada tiozinho que empacava na frente de Marcos.
    Em um momento ele com o farol alto, dando seta para a esquerda e quase colando no fdp da frente e o tiozinho não dava passagem, f….da que tinha seis caminhões a direita, a obrigação da p..ra do tiozinho era correr mais e sair da frente de Marcos.
    Mas o tiozinho na perua weekend é daqueles que tenta seguir a velocidade da via, e ele atrapalha todo mundo, porque TODO MUNDO não anda na velocidade da via.
    E ai o Marcos ficou p da vida com tiozinho e com razão e assim que o tiozinho deu passagem Marcos agradeceu mostrando o dedo do meio.
    E assim foi Marcos viajando, mas um outro esperto, querendo passar por Marcos o atiçou e os dois começaram a brincar de pega-pega.
    Lá na frente estava Priscila e sua boutique-móvel a 80 km/h, um pouco a menos que a velocidade da via que era permitido para veículos de transporte, seja de passageiro ou de carga. E ela ia atrás de um caminhão-baú que desenvolvia um pouco mais que sua velocidade. No rádio ela ouvia uma música calma e sua visão difusa, observava tudo ao redor.
    Ao se aproximar de uma praça de pedágio, ela que tinha um cartão de pagamento automático, seguiu todas as regras estabelecidas naquela praça e assim que saiu, voltou a desenvolver uma velocidade maior, assim que viu uma placa de velocidade.
    Sim, ela era uma trouxa.
    Marcos não tinha colocado ainda a p..ra do cartão de pagamento automático e foi obrigado por aqueles ladrões a parar e pagar o pedágio e depois que saiu pisou firme pois estava atrasado para '‘traçar’' a 'amiga-gata' e as sobremesas.
    Priscila viu que um caminhão bitrem ia a sua frente e ela com sua visão difusa viu que ela poderia tranqüilamente colocar-se a esquerda atravessar os bitrem e foi o que ela fez.
    Logo quando ela começou a ultrapassar o bitrem, um carro se aproximou de forma segura e correta dela, também querendo ultrapassar o bitrem, todos estavam em uma reta e não havia curvas
    Nisso chegou o nosso herói Marcos. Quando ele viu que havia um furgão impedindo que um carro pudesse ultrapassar a p..ra do caminhão, ele, o nosso herói, com seu instinto de piloto de fuga, resolveu cortar pelo acostamento, justamente feito para ele, e seguir '‘podando’' a p..ra do caminhão, o que ele e nem Priscila sabia e que à frente do bitrem ia um outro bi-trem e com isso demoraria um pouco mais a ultrapassagem de Priscila e é claro que Marcos se adiantou e com fim do acostamento e uma brecha entre o primeiro e o segundo bitrem Marcos saltou em frente a Priscila, mas o que ele não sabia é que aquela brecha era ocupada por um carro, que a trouxa da Priscila permitiu que entrasse na sua frente, conclusão, Marcos freou bruscamente batendo na lateral do caminhão bi-trem, rodando no pequeno espaço que tinha, fazendo com que Priscila se enfia o furgão no meio do carro dele e por sorte, o carro que via atrás com sua margem de segurança evitou um acidente maior.
    A “amiga-gata” que nessa hora estava massageando o membro peniano do no herói foi jogada para fora do carro, na contramão, sendo esmagada por um ônibus que via no outro sentido.
    Marcos que estava com cinto teve o lado direito prensado pelo furgão e Priscila foi prensada, já que ela não tinha o motor para lhe proteger.
    Marcos foi levado para um hospital de qualidade e pouco mais de seis meses voltou a andar e não respondeu por nada.
    Enquanto Priscila estava numa cova e seu noivo lutava em uma luta perdida para conseguir colocar Marcos na cadeia.
    Perguntando a Marcos se ele tinha culpa, ele disse: “O mundo é dos espertos”.
    MAS EU GOSTO DE FINAIS FELIZES.
    O noivo de Priscila resolveu ir com ela, e por isso ela saiu duas horas depois, o noivo poderia fazer o trabalho na van, que tinha tomada para seu notebook e por azar, Marcos fez a mesma coisas só que dessa vez foi na frente de um carro-forte, daqueles mais antigos, cheio de aço puro. Além de ser arrastado por mais de duzentos metros, Marcos morreu de morte instantânea e sozinho, porque a sua “amiga-gata” não era daquelas que aceitavam ser 'prontas para abate'.
    Questionado o motorista do carro-forte, porque ele não freou ao ver o carro de Marcos a sua frente, ele disse: “Se eu freio, todos o que vinham atrás iria se machucar, e um caminhão deste precisa de, pelo menos, duzentos metros para parar.”
  • O Segredo de Lyon Parte - 1

    Não me canso de olhar no espelho, estou diferente, já não sou mais o bebê do meu pai, vou estudar em outro Estado, tenho que cuidar de mim mesma de agora em diante, mas também tenho que encarar uma festa de despedida lá em baixo. Passo a mão pelo meu cabelo de qualquer jeito e coloco a jaqueta que meu pai me presenteou.
    −Sophia! Sophia! Vem! Você não vai descer? − diz Lya uma vizinha de longa data, é estranho nós nunca nos falamos até o falecimento da Sarah. Eu tenho muita saudade da Sarah, foi ela que ajudou meu pai na minha criação, ela era a melhor amiga da minha mãe e se tornou uma mãe para mim.
    −Sim, Lya já estou pronta, só estava terminando de fazer as malas, a final não sei quando irei voltar. −falo com um pouco de tristeza, pois sei que meu pai, meu querido pai vai sentir minha falta e eu a dele, mas eu já tomei a decisão e está acabado, a Califórnia será meu novo lar. A cada degrau que desço da escada vejo mais e mais gente, nossa toda a vizinhança, não tem como não ficar envergonhada com a situação, dirijo-me ao meu pai, que me recebe com um beijo e um olhar terno.
    −Você é a melhor parte de mim Sophia. − as lágrimas ameaçam cair dos seus olhos e de repente eu percebo que é porque nesses dezoito anos de vida eu nunca saí de perto dele, fui a filha perfeita! Só estudava e o ajudava na oficina de mecânica quando podia, nada de festas ou rapazes.
    −E você é meu herói John Riley. − nunca vou esquecer esse olhar que carrega sentimentos tão opostos, ele abriu mão de muita coisa para me ver crescer, agora eu vou ter que continuar sem ele, e isso é doloroso para ambos, atravessando meus pensamentos as pessoas gritam: discurso!discurso!
    −É... bem..... Agradeço a presença de todos, sei que vocês torceram por mim, e.... está conquista é nossa! − a última frase é cheia de entusiasmo, então, Palmas enchem o recinto, e prefiro dizer mais palavras.
    −Obrigada, mas não poderia deixar de agradecer ao meu pai, e as minhas duas mães que estão no céu agora. − uma longa pausa fica no ambiente, engulo e sigo com as palavras. −Não vou decepcionar à esperança que eles depositaram em mim, Obrigada. − palmas e gritos de encorajamento faz-me sorrir abertamente.
    − Olá Sophia. − diz Andrew um amigo da família, ele trabalha com meu pai na oficina, é alto e bastante forte.
    −Oi Andrew, não sabia que você estaria aqui. − estendo a mão para cumprimentá-lo e ele me puxa para perto e abraça-me, fico sem jeito a final ele sempre demonstrou muito interesse por mim.
    −Então é verdade que você vai sair do Arizona? − sua voz tem som de decepção. −Phoenix é o melhor lugar para se viver. − acrescenta.
    −Vou para universidade de Stanford na Califórnia, eu sempre disse que um dia iria estudar lá, lembra? Quero ser uma advogada e lá terei boas chances. − essa conversa não me agrada, olho para os lados para ver se alguém me tira deste lugar.
    −Lembro, mas você poderia estudar aqui, então por que vai para lá? Prefere ficar longe do seu pai e de mim? − ele se altera um pouco e não gosto desse interrogatório e nem das palavras que ele proferiu.
    − Não prefiro ficar longe do meu pai, eu prefiro estudar em Stanford, é meu sonho, meu pai não é egoísta a tal ponto, ele até preferia Harvard, mas a escolha é minha. − eu solto o ar lá de dentro dos meus pulmões e a minha raiva é perceptível.
    −Sophia! Tenho algo para lhe entregar. − diz Lya com empolgação, e dou graças à Deus por ela ter me tirado de perto daquele psicótico. − Lya pega uma mala que estava em um armário.− Foi a Sarah que deixou para você, na verdade ela me deixou o dinheiro e eu comprei tudo que está aí, espero que goste. −seu sorriso está de orelha a orelha. Abro o zíper rapidamente e a mala está repleta de roupas novas etiquetadas, e um tênis bem moderno.
    −Fico agradecida Lya. − disparo rapidamente.
    − Ah, antes que eu esqueça, ela deixou essa quantia para ajudar na nova vida, são mil dólares. − ela estende a mão para que eu possa pegar um envelope branco lacrado com uma espécie de borracha vermelha.
    −Ela era uma mãe para mim. Quando ela deixou essas coisas? − indago surpresa, nunca imaginei que a Sarah tivesse deixado algo para mim.
    − Um mês antes de falecer. Ela acreditava na sua conquista, dizia que você seria uma grande advogada, e eu acho que estava certa, boa sorte Sophia. − nos abraçamos em despedida.
    −Vem, precisamos ir princesa, ou perderá o ônibus.− meu pai fala, percebo que ele está mais animado agora.
    −Estou indo!  − digo segurando a minha mochila preta nas costas e usando um boné roxo dos Lakers.
    −Não está esquecendo nada? −meu pai diz abrindo as duas mãos em dúvida. olho ao redor e lembro da mala, subo para buscá-la no meu quarto, e dou a última olhadinha lá dentro, vou sentir saudades daqui. −Filha o táxi chegou. Está aqui também vai? −meu pai segura a mala que a pouco tempo eu também desconhecia.
    −Sim pai, presente da Sarah. − no caminho até a rodoviária fico olhando pela janela do táxi sentada ao lado do meu pai, ele é um pai maravilhoso, mesmo sem dinheiro e experiência, ele sempre quis me dar o melhor, sempre esteve presente e eu nunca vou esquecer disso.
    −Pronto! Ver se me liga quando chegar lá, você já é crescida, mas eu ainda me preocupo e te amo querida.
    −Vou ligar sim pai, se cuida por favor. −meu coração está apertado, eu tiro o envelope da mochila e entrego quinhentos dólares para ele.
    −Não filha. −ele recusa, mas coloco no bolso do seu casaco e ele sorrir. −Deus te abençoe e a virgem te proteja.
    −Obrigada pela benção pai.
    −O ônibus já vai partir, eu te amo filha.
    −Também amo você pai. –meu coração aperta.
           _________________________
    Enfim Pallo Alto, ainda é muito cedo aqui, foi uma viajem longa , mais de sete horas e três paradas ao todo, estou cansada, mas empolgada, retiro a mala do ônibus e coloco a mochila nas costas, fico admirando o local, nem imagino que vou para Stanford, a felicidade está visivelmente estampada no meu rosto, está em forma de sorriso, rapidamente sinto um empurrão e alguém puxa a minha mochila, é um rapaz de casaco verde, ele é violento e rápido, saiu correndo e eu fiquei no chão, percebo que não tem muita gente por perto, droga! Meus quinhentos dólares estavam naquela mochila, eu me levanto atordoada e percebo que a mala ainda está aqui, essa foi as minhas boas-vindas ao estilo Califórnia.
    − Isso não pode piorar! −falo em voz alta, e para a minha surpresa começa a chover, tento me abrigar da chuva e um casal que está em um carro azul aparece.
    −Nós vimos o que aconteceu. Você quer carona? −pergunta o homem se contorcendo no banco do carro para me olhar melhor.
    − Quero. − não tenho outra alternativa estou em outro Estado, em uma cidade completamente desconhecida e sem dinheiro. Abro a porta do veículo e entrego o endereço para a mulher no banco do carona que sorrir docemente, eles parecem um casal feliz.
    −Aqui é perigoso. −diz a mulher me arrastando dos meus pensamentos. −De onde você é? Não parece ser daqui.
    − Sou de Phoenix, vim para estudar. −enfatizo.
    −Ah, parabéns pela conquista, é difícil encontrar jovens dispostos a largar todo o conforto de casa para estudar.
    −Obrigada.− falo com orgulho de mim mesma.
    −Chegamos!! Está entregue moça, este é o endereço que está no papel, aqui não é um lugar ruim, você só começou com o pé esquerdo. − o homem diz para que eu não desanime.
    −ok, muito obrigada pela carona. − salto instantaneamente do carro, o prédio do endereço não é muito bonito, parece ser uma construção velha, mas talvez eu deva seguir o conselho daquele generoso homem, preciso trocar o pé esquerdo pelo direito e enfrentar o meu futuro que começa hoje, nesse presente. Número 203, procuro já no interior do prédio, passa por mim uma senhora com um saco de compras ela me olha tão estranho, deve ser porque estou molhada da cabeça aos pés, preciso de um banho e de algumas horas de sono. Pronto! Achei! Toc.. Toc.. Bato na porta e uma jovem loira atende, ela é magra e tem olhos claros, ela me olha do mesmo jeito que a senhora do corredor.
    −Sophia Riley. − estendo a mão e ofereço um sorriso para a moça. Ela continua a me olhar e vira de costas andando para a sala do apartamento.
    −Eu falei com o seu pai, vou logo dizendo para você, ele pagou muito pouco, talvez você tenha que me pagar por fora também. −ela está com um sorriso aparentemente malvado em seus lábios.−Ah, sou Rebeca Morgan e não gosto que me incomodem.
    O apartamento não é muito grande, sala, cozinha, dois quartos e um banheiro, não é muito limpo, as roupas estão jogadas por todo o lugar, parece que não aspiram o pó há dias, a pia da cozinha está cheia de louça suja.
    −Venha! Vou mostrar seu quarto, na verdade eu guardo minha roupas e sapatos nesse quarto, muito cuidado para não tropeçar nas minhas roupas, elas são caríssimas.
    Eu não tenho palavras para descrever a bagunça do quarto, tudo está jogado fora do lugar, acho que eu tenho dois pés esquerdos, não posso falar isso para o meu pai, ele ficaria muito preocupado, eu já sou adulta o suficiente para resolver isso só.
    −Rebeca, meu pai pagou o que você pediu, não vou lhe dar nem mais um dólar por isso, enquanto ao quarto tudo bem que coloque suas coisas lá, não preciso de muito espaço para viver. −todas as frases soam forte e seguras, ela fica sem palavras, respira fundo e diz:
    −Tudo bem, mas a limpeza da casa fica com você, vou trabalhar agora, ah e não pense que vai encontrar um lugar melhor que esse. − ela solta um beijo no ar e sai irradiando felicidade.
    Aspirar, lavar, secar, dobrar, empilhar, guardar, ufa! Terminei de organizar o apartamento, estou muito cansada, preciso de um banho e de uma boa refeição. No armário da cozinha tem apenas macarrão instantâneo, queria algo melhor, mas o macarrão vai servir por hoje. Todo o dinheiro que eu tinha estava naquela bolsa que o ladrão levou mais cedo, eu não sei o que vou fazer, tenho apenas algumas poucas notas no meu bolso, não posso pedir mais nada ao meu pai, e nem ao menos dizer o que aconteceu, pela primeira vez na vida eu me sinto sozinha, sem ter alguém para contar as novidades ou para dizer como minha colega de quarto parece cruel. A mala que a Sarah deixou é bastante pesada, o zíper é grande, contorno em volta da mala e a abro, tem várias roupas lá dentro, tem algumas fotos, um tênis vermelho ele é muito moderno e tem um cartão rosa que diz: minha menina eu sempre acreditei em você, essa é a hora de você começar a acreditar também. XO.  A saudade bateu muito forte, a Sarah seria a pessoa perfeita para conversar agora, ela me diria para ter calma e confiar no amanhã, eu aposto. Preciso dormir, amanhã tenho que ir para a universidade logo cedo, espero que amanhã seja um dia melhor que hoje e que a Califórnia me traga coisas boas.
    Notas Finais
    Arizona: é um Estado dos EUA, sua capital é a cidade de Phoenix. 
    Califórnia: é um Estado dos EUA, sua capital é a cidade de Los Angeles, a cidade de Pallo Alto fica nesse Estado, a universidade de Stanford é situada lá.
  • O Sobrevivente

    Shia caminhava, olhar perdido nas paredes da estação, procurava desenhos nos tijolos com pintura descascada . Quando viu o símbolo estampado no batente de uma das portas, abaixou rapidamente o olhar e como num despertar matutino , os sons , luzes e cheiros foram lhe sobressaltando terrivelmente.
    Quantas pessoas!!!!!! Ao seu redor.
    De um lado as paredes do outro os vagões, muitos deles; parecia um túnel , acima o céu cinzento da neblina. Estava frio; ele esfregou as mãos e colocou no bolso do roto casaquinho.
    A fumaça e o ranger infernal de uma locomotiva monstro pouco distante encobria parcialmente os gritos que vinham dos vagões. Shia ergueu o rosto e viu os olhos que o espiavam pelas frestas, aflitos de um terror inexplicável.
    O vapor quente soprou seu peito… a estrela amarela.
    De repente : “SCHNELL , SCHNELL ” rápido, rápido , o soldado de negro berrou lhe empurrando.
    Seus pais já haviam embarcado, ele nunca mais os viu, estava só com seus temores jogado junto a centenas de vidas com histórias perdidas para sempre. Ouviu o apito rompendo o ar , o ferro das rodas sobre o ferro dos trilhos, o ar sibilante saindo dos freios e a composição começou a andar como uma cobra rasgando a neblina até desaparecer…
    ***
    Hoje, sobrevivente e marcado, a alegria de Shia são os sorrisos dos filhos e netos.
    Ele conseguiu em outro chão tão distante que o acolheu com generosidade e dignidade fazer a vida com a mesma ênfase.
    As terríveis recordações sempre estarão presentes e nesta época mais acentuadas; ele folheia as páginas de sua vida revivendo as perdas de suas vivencias, como num jornal lido demoradamente em um banco, cujas páginas estão em branco…
    Tristes dias de sua tenra idade que os homens perderam o vinculo da dignidade e os princípios da humanidade. Quantos morreram …? Milhões…!
    Infâmia, hipocrisia e preconceito , a humanidade continua errante.
  • Psychotic

    Capítulo 01
    Bam!
    Levantou os olhos cansados, já não aguentando mais ficar naquele lugar. Seus braços estavam cruzados em cima da mesa, e sua expressão já deduzia tudo que queria dizer. Apesar de o homem ter lhe dado as costas, sabia qual seria seu destino dali pra frente...
    – "Plantão". – leu a palavras em vermelho apenas para confirmar. – Ah, não... – choramingou após rolar os olhos.
    Voltou pousar a cabeça em seus braços, começando produzir o som idêntico de um choro, porém não estava chorando. Só queria tirar três horas para descansar, ela também precisava dormir ninguém era de ferro!
    Mas mais um turno noturno, sendo este o seu terceiro. Até quando teria que aguentar? Melhor nem pensar, pois seu corpo não iria aguentar por muito tempo, suas energias estavam esgotadas, e sem querer ser indelicada, mas Amber não aguentaria mais uma noite acordada, nem mesmo se tomasse anfetaminas para manter os olhos abertos!
    – Amber? Tudo bem? – a médica mais velha, adentrou a sala privada dos médicos com uma caixa de objetos em mãos. – Amber...? – chamou novamente, colocando a caixa em cima da mesa, e se aproximando da mulher, que até então não fazia um movimento. – Amber? – a cutucou devagar, e então percebeu que ela tinha os olhos fechados e uma expressão maltratada. – Pobre bichinho, está exausto! – afastou os cabelos de Amber, passando acariciar sua face adormecida.
    O nome dela era Wendy Smith, ou, mais conhecida como a Vovó Wendy do hospital Joseph Louise Morgan. Ela tinha lá seus setenta e oito anos bem vividos, e sua própria aparência denunciava sua idade. Tinha olhos verdes, sobrancelhas finas, cabelos curtos e brancos com alguns – despercebidos – fios pretos. E o sorriso que estampava, quase sempre, em seus lábios tinha o dom de cativar qualquer iniciante na área hospitalar.
    Todos a consideravam a "vovó", por ser a única médica mais velha que aguentou segurar todas as pontas. Sua vida se baseou em controlar os enfermeiros, porém sua responsabilidade dobrou, assim que ganhou os médicos em sua lista.
    Sempre tinha o dever de estudar o paciente, antes de entregá-lo nas mãos de um dos médicos. Essa era sua função. Não acreditava que, estudar a pessoa antes de deixá-la nas mãos de um profissional capacitado, fosse necessário, pois dentro daquele hospital era onde se localizava os melhores médicos do país. Nenhum possuía ficha marcada, todos – sem exceção – executavam muito bem seus trabalhos.
    Wendy tinha um enorme significado, ela era a mãe de todos ali dentro. Sua doçura conseguia cativar a todos, até mesmo um médico orgulhoso e mal-educado, do qual ela conseguia transformar em um profissional respeitoso.
    – Vovó Wendy? – a porta da sala se abriu devagar. – Preciso tirar uma dúvida com a senhora. – ele começou, segurando a nova ficha que recebera do chefe.
    – Alex, Amber trabalhou a noite toda, ontem? – Wendy quis saber, fazendo carinho nas costas da jovem.
    – Ela substituiu o turno da Katy, não se lembra? – respondeu como se fosse óbvio.
    – Katy Hill não voltou pelo visto. – concluiu vendo Alex assentir. – Pobrezinha, ela tem que descansar um pouco. – pronunciou afastando uma mecha de cabelo do rosto de Amber. – Dr. King, não pode levá-la até a ala privada? – questionou encarando o homem docemente.
    – Vovó... – levantou os ombros. – Já estamos na ala privada. – disse como se ela não soubesse.
    – Não digo aqui Alex, me refiro às camas que o hospital disponibiliza para vocês, médicos. – explicou.
    – O chefe não irá... "Encrespar"? – fez aspas com os dedos, deixando sua pasta de documentos em cima da mesa.
    – Irei explicar a situação para ele. – respondeu, visualizando Alex se dirigir para o lado direito de Amber. – Agora, por favor, querido, leve a Dr. Anderson para um descanso, sim? – pediu.
    – Não saia daqui vovó, eu preciso falar com a senhora depois. – avisou antes de pegar o corpo adormecido de Amber, cuidadosamente.
    – Cuidado. – pediu observando Alex caminhar com o corpo da garota nos braços.
    Seus olhos o acompanharam até este empurrar a porta, que daria acesso ao cômodo das camas, com o pé. Assim que a figura de Alex desapareceu, passou prender seus glóbulos fuscos, em tom esverdeado, no documento que antes estavam nas mãos do rapaz.
    Seus dedos enrugados, que tinham envolvimento com a fina camada de pele com manchinhas, abriram o documento, encontrando com algumas fotografias presas por um clips de papel. Com sutileza, as separou, observando os rostos inocentes das crianças. Os lenços amarrados em suas cabeças, já deduziam que todas lutavam contra o câncer.
    O hospital tinha uma área reservada, especialmente para se dedicar as crianças com câncer. E dentro dela, se poderiam encontrar de todos os tipos de sorrisos, ninguém ali demonstrava tristeza!
    O câncer era um assunto bastante delicado para se tratar, e o melhor jeito de lidar com isso era através das visitas públicas, onde pessoas dedicavam um tempo precioso de suas vidas, para fazer almas inocentes rirem.
    – Pelo visto, já descobriu meu assunto com a senhora, vovó Wendy?! – Alex voltou, fechando a porta por onde acabara de sair, com sutileza.
    – Amber acordou? – não, ela não ignorou as palavras de King.
    – Apenas tomou um leve susto quando as costas tocaram o colchão. – respondeu já observando Wendy passar as fotografias. – Ele vai vir hoje! – disse de repente, recebendo os olhos surpresos da vovó.
    – Como sabe? – perguntou abaixando as mãos com as fotos.
    – Ele sempre visita o hospital, nas segundas. – deu de ombros puxando uma cadeira. – Acho gentil da parte dele, tirar algumas horas da rotina, para passar com as crianças. – revelou começando brincar com o elástico da pasta.
    – Ele é um padre, Alex, o que você esperava? – o rapaz rolou os olhos.
    – Nem todo padre, é verdadeiramente um padre! – deixou fluir, cruzando os braços em cima da mesa, deixando um sorriso brincalhão estampar em seus lábios.
    Wendy encarou aquele sorriso com receio. Não gostava quando Alex King, ria após exclamar uma possível suspeita. Odiava ficar em cima da corda. Tudo que Alex mais sabia fazer era imaginar hipóteses e expô-las para o público, como se elas realmente fossem reais, ou fossem se tornar realidade. E isso deixava a vovó cada vez mais incomodada, ele como médico, não deveria viver no mundo da lua!
    – O que quer dizer com isso Alex? – disparou.
    – Eu? Nada, é claro! – foi cínico.
    Alex riu, deixando seu corpo cair para trás. Com os pés apoiados no chão, deixou a cadeira ficar sobre duas das pernas. Levou as mãos para trás da cabeça, e continuou encarando Wendy, concluindo que ela estava louca para mandá-lo para fora dali!
    – Alex, ele é um padre! – exclamou com o tom de voz um pouco alterado, tentando colocar alguma coisa verdadeira naquela mente fértil.
    – E daí que ele é um padre? – o tom de voz desinteressado, estava deixando Wendy irritada. – Ser padre, não significa servir apenas ao Senhor; assim como todo ser humano, um padre está sujeito aos pecados, sendo eles dos mais fáceis de controlar, até os mais difíceis... Ah, quer que eu cite algum pecado tentador? – expôs sua magnífica carreira de dentes brancos.
    – Guarde seus pecados "tentadores", somente para si! – rebateu. – O monsenhor, Bruce Rodriguez, se entregou completamente à igreja. É um dos melhores padres da região, como ousa falar essas coisas dele? – Alex negou com a cabeça, parecendo arrasado.
    – Nunca devemos confiar nas pessoas. O monsenhor pode ser considerado uma pessoa religiosa, respeitosa, pura, porém nós, nunca saberemos o que ele faz quando está fora da área sagrada! – respondeu apertando os olhos conforme pronunciava. – Mas... – se levantou arrumando as fotografias dentro de sua pasta com o documento. – Meu tempo que é sagrado, e têm várias crianças me esperando! – declarou seguindo caminho a porta.
    Wendy rolou os olhos, no fundo, ter demitido Alex King quando o chefe lhe deu a chance, teria sido uma ótima escolha. Mas sentiu pena dele na época, afinal, em sua cabeça, uma pessoa não merecia perder o emprego por deixar um bisturi cair em uma hora de desespero.
    Mas Alex passou dos limites. Falar do Pe. Bruce Rodriguez daquela maneira e com aquele tom de voz cínico, foi demais! A vovó era capaz de esperar tudo vindo dele, menos aquilo... Onde estava o consentimento por ter ganhado uma segunda chance dentro do Joseph Louise Morgan? Que tipo de monstro King se tornou?
    Vovó Wendy não tinha as respostas, porém não tinha tempo para elaborá-las, havia uma paciente preste passar por uma cirurgia no fígado, do qual ela precisava estar presente. Mas se Alex achou que tinha escapado dos questionamentos, estava muito enganado, pois eles sequer começaram!
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    A dobradiça rangeu por um fio de ruído, mas as crianças não mostraram importância com a falta de óleo. Assim que a porta foi empurrada, Amber adentrou a enorme sala, recebendo os olhinhos brilhantes em cima de si. Sorriu, podendo ver duas das meninas correrem em sua direção.
    – Amber! – uma delas emitiu, abraçando a mulher pela cintura.
    – Amber, estava com tanta saudade! – a outra que tinha um lenço branco na cabeça, também a abraçou.
    – Também estava Carly! – sorriu, se abaixando para ficar da altura das meninas. – O que vocês, estão fazendo hoje? – perguntou mantendo seu sorriso.
    – Estamos brincando de casinha. – Carly respondeu.
    – Está na hora do banho, quer brincar junto com a gente, Amber? – a outra ofereceu.
    – Talvez mais tarde Lola. – respondeu, deixando seus olhos caírem sobre as figuras de Alex e Wendy. – Agora vão meninas! – incentivou, e as duas logo correram em direção do tapete, onde estava a casinha de bonecas.
    Sem mais delongas, caminhou em direção da vovó Wendy, que parecia estar dando uma belíssima bronca em Alex. Ótimo, o que ele tinha aprontado daquela vez? Mente fechada e complicada, só poderia resultar em confusão!
    Rolou os olhos assim que viu Alex com os olhos de um predador. O rapaz tinha as mãos na cintura e sua língua umedecida seus lábios, enquanto a vovó lhe ditava palavras que pareciam não agradar muito sua autoestima.
    – O que aconteceu? – foi direto ao ponto.
    – Alex está acusando o Pe. Bruce, de não ser realmente um padre! – Wendy respondeu e Alex riu.
    – Eu não acusei ninguém! – repreendeu tentando segurar o riso. – Eu só falei como uma hipótese. A vovó que está o considerando um infiel à igreja! – Amber mostrou-se confusa.
    – Eu nunca disse que ele era um infiel à igreja, você que citou os pecados "tentadores"! – vovó se defendeu, apontando o dedo no peito de Alex enquanto falava.
    – Alex! – Amber emitiu ficando surpresa com as palavras da vovó.
    – O que? – o ouviu pronunciar. – Sexo não é pecado! Todo e qualquer ser humano necessita. Sentir um pouquinho que seja de prazer, não mata ninguém! – Anderson rolou os olhos, enquanto Wendy cobriu o rosto com as mãos, sentindo vergonha.
    – Você ouviu o que acabou de dizer? – levantou uma sobrancelha. – Está falando de sexo. Um padre, a partir do momento que decide ser padre, nunca se entrega aos pecados tentadores do mundo! – pronunciou firme de si. – Somos todos seres humanos, capazes de cometer erros, e o Pe. Bruce não é diferente de nós. Mas ele possui um ofício, o dever de servir a Deus... Então pare de tentar ver coisas, onde não há! – seu tom de voz firme, talvez intimidasse Alex.
    Mas ele riu, estava debochando de todas as palavras de Amber.
    – Amber, por favor, até parece que nunca transou na vida. – continuou rindo, fazendo a mulher engolir em seco.
    Sexo era um assunto bastante delicado...
    – Isso não vem ao caso, Alex! – rebateu com a voz um pouco alterada.
    – Vem sim! – provocou seguindo com passos lentos, até estar cara a cara com ela. – Diga, não é gostoso sentir o prazer vivo em suas entranhas? Ouvir sua própria melodia; sentir suas pernas bambas com cada round; o suor desenhando por sua pele... É capaz de negar que não gosta? – direcionou o olhar convencido para o olhar, já irritado, de Amber.
    – Eu disse... Que isso, não vem ao caso Alex King! – rosnou entre os dentes.
    – Parem já, vocês dois! – vovó interviu, os separando a partir do momento que ficou no meio deles.
    Alex tentou avançar com seus passos, mas a vovó o impediu, fazendo-o recuar com o olhar raivoso. Amber o encarava profundamente, com série de dúvidas... Bruce não merecia ser visto daquela maneira, de modo algum ele faltou com respeito à igreja, então não havia motivos para Alex julgá-lo.
    Sinceramente, Alex King tinha uma mente que precisava passar por um tratamento!
    – Eu só estava tentando ser amigável em conversar sobre sexo com você, Amber Anderson. – sorriu sarcasticamente.
    – Eu não preciso que ninguém... – Amber ia se defender, mas a porta escolheu justo aquele momento para se abrir. – Acho que seu amigo chegou Alex! – provocou fazendo o rapaz rolar os olhos.
    Wendy abriu um sorriso largo, e se dirigiu em direção do novo indivíduo, deixando Alex e Amber livres para se atacarem.
    A mulher, por outro lado, ignorou a presença de King, não queria ter que trocar palavras com ele, homem desprezível que só pensava em sexo!
    Amber Anderson não gostava de conversar sobre sexo. Sentia-se envergonhada. Era virgem aos vinte e três anos, não que nunca ter transado fosse uma vergonha, mas se sentia desconfortável por conversar sobre tesão sexual com alguém experiente, como Alex.
    – Bruce te adora Amber, não quer ir lá conversar com ele? – ouviu a voz de Alex, e tudo que fez foi ignorá-lo. – Não quer trocar umas palavrinhas? – provocou novamente, e ela apenas rolou os olhos. – Vai me ignorar mesmo Amber?! – entrou na frente dela com as sobrancelhas arcadas.
    – Nunca mais fale sobre sexo comigo! – deixou claro.
    – E, por acaso, isso é algum crime? Você já transou Amber, então não é constrangimento algum falar sobre isso! – se explicou, e visualizou a mulher abaixar a cabeça.
    – Alex entenda... – envergonhada olhou para os lados para se certificar de que ninguém mais, além dele, ouviria. – Eu sou virgem. – falou baixo apenas para ele ouvir.
    – Wow... Amber eu... – ficou sem jeito. – Eu não sabia, pensei que você e Jackson já...
    – Não, eu não deixei. Nunca me senti segura, por isso ele terminou. – explicou.
    – Entendo... Mas se quiser, a gente pode resolver isso! – indicou o banheiro com o queixo.
    – Estúpido! – riu acertando um tapa contra o ombro dele.
    Alex não escondia, e era preciso apenas estudar o seu sorriso para ver que ele sentia uma atração por Amber. Eram amigos desde que ela entrara para o hospital, e sempre, desde o primeiro dia, sentiu uma atração muito forte por ela.
    Ele queria fazer parte de um pedaço da vida da mulher, porém isso tinha se tornado algo difícil. Toda vez que tentava conversar sobre relacionamento, tentava ser o mais delicado possível, mas Amber sempre mudava de assunto quando ele questionava sobre intimidade.
    Agora entedia. Ela era virgem!
    – Você já se masturbou, alguma vez, Anderson? – questionou de repente.
    – Eu, hã... – travou, mas foi salva.
    – Amber! Amber! – duas meninas começaram a gritar correndo na direção da garota.
    – Fale meninas. – foi simpática e Alex observou seu sorriso tão lindo...
    – O Pe. Bruce quer falar com você. – Zoe respondeu segurando a mão da mulher.
    – Ele disse que vai nos ensinar como fazer uma torta de maçã, mas você tem que ir junto! – já lhe puxava a outra mão.
    – Parece interessante a ideia, Carly! – sorriu, deixando-se guiar pelas duas meninas.
    Alex mordera os lábios, onde estava com a cabeça? No mundo da lua só podia ser!
    Era bem óbvio, pela cara de vergonha de Amber em revelar que era virgem que ela nunca tinha se masturbado. Mas homens, oh, criaturas burras, sempre estragam tudo!
    Alex King buscava ter uma chance com Amber, certo? Pois bem, acabou com todas as suas chances possíveis!
    Passou acompanhar os movimentos de Anderson, vendo-a abraçar o Pe. Bruce com um sorriso largo nos lábios. Aquilo o fez revirar os olhos. Será que ele era o único com pensamentos diferentes sobre aquele padre? Não era possível que ninguém acreditava nele, não necessariamente precisavam concordar, então pelo menos respeitar suas teorias já era o suficiente, mas ninguém, certamente NINGUÉM tinha capacidade para fazer isso!
    Até mesmo a vovó Wendy, que julgava sendo como uma mãe ficou contra si, isso sem comentar de Amber...
    – Eu vou vomitar! – exclamou rolando os olhos, saindo em direção da saída da sala, com certeza, papéis ou arquivos eram muito mais interessantes que ficar ali observando Amber sorrindo abertamente para o padre.
    Sabe o quanto ele daria para receber um sorriso daqueles? Melhor nem dizer...
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    A mão arrumou uma mecha de cabelo atrás da orelha, era ela simplesmente linda demais! A mulher mais bonita de todo o hospital Joseph Louise Morgan!
    Afastou o cigarro dos lábios, soltando a fumaça para o alto, a cor branca começou desenhar um lado obscuro do puro desejo e atração. Os traços da fumaça desapareceram com a força do vento, porém esse era o menor dos problemas.
    Amber Anderson, era a sua garota, a escolhida para viver anos ao seu lado. Afastando novamente o cigarro dos lábios, jogou-o no chão, fazendo questão de pisar em cima, ninguém poderia saber que ele fumava.
    Precisava manter sua imagem no hospital.
    Pela última vez, espiou a imagem de Amber agora conversando com Wendy, e um sorriso acabou dominando seus lábios, ela era realmente a melhor mulher que já encontrara!
    E antes que dois médicos pudessem sair do estabelecimento, se dirigiu rapidamente em direção de seu automóvel. Adentrara o lado do motorista começando checar seus pertences, que estavam dentro da caixa em cima do banco do passageiro, e assim que conferiu cada detalhe, fechou a caixa com a tampa. Ele não iria precisar mais daquilo, somente no dia seguinte, agora seu rumo seria outra residência...
    Girando a chave da ignição, pisou fundo no acelerador, cantando os pneus. A imagem de Amber estava gravada em sua mente, mas agora não poderia contar mais com ela, sua próxima parada exigia um talento que ele escondia nas próprias mãos!
    Dentro do hospital, Amber caminhava pelo corredor, segurando sua prancheta de pacientes em mãos. A noite finalmente caiu e cobriu todo o céu de San Rosie, e o hospital nunca ficou tão escuro e frio igual naquela noite.
    A mulher esfregava as mãos nos braços na tentativa de espantar o frio, mas era tudo inevitável. Seus pelos continuavam se arrepiando lhe alertando que aquele seria um dos seus piores plantões!
    – Amber! – parou imediatamente os passos, virando na direção da voz.
    – Como está sendo sua noite, Jacob, belíssima? – tentou colocar sarcasmo na voz, o que foi um fracasso.
    – Deve está sendo o mesmo que a sua. – respondeu dando de ombros, acompanhando Amber que seguia para o balcão na recepção.
    – Que coincidência, não? O chefe do hospital pegando plantão, como qualquer outro médico, chega até soar engraçado! – caçoou rindo.
    – Amber pare de agir como uma criança no jardim de infância! – exigiu, e ela fingiu não ouvir, estava ocupada demais assinando alguns documentos. – Nem parece que é médica e sim, uma faxineira que só resmunga! – comparou e logo Anderson se virou, ficando cara a cara com Jacob.
    – Se eu pareço uma faxineira, por que me contratou para servir o seu hospital? – disparou firme.
    – Amber... Eu ter deixado dois plantão na sua mão, já são provas o suficiente do que você significa para mim. – respondeu, e a mulher negou com a cabeça e um sorriso cínico.
    – Foram duas noites, Jacob! – rebateu seguindo novamente para o corredor.
    – Me deixa falar Amber! – emitiu, começando segui-la.
    – Eu não tenho nada do que falar com você! – emitiu continuando com seus passos.
    Jacob percebendo que nada iria adiantar para parar Amber resolveu aumentar a velocidade de suas pernas. Conseguiu, com muito esforço, entrar na frente dela, e a mulher em contradição somente parou e rolou os olhos impaciente.
    – O que você quer Jacob? – deu-se por vencida.
    – Você está livre do plantão de hoje. – resolveu despejar tudo na primeira oportunidade que tivesse.
    – Por q... Não, cadê o documento onde consta minha demissão? – esperou que ele retirasse alguma folha do jaleco e lhe entregasse, o que não aconteceu, ao contrário ele riu.
    – Acha mesmo que vou demiti-la só porque a dispensei do plantão? – riu mais uma vez, e Amber suspirou em raiva. – Não se preocupe Amber, enquanto eu estiver no cargo de chefe, você nunca será demitida. – deixou claro antes de seguir para a recepção, de onde antes estavam.
    Rolou os olhos mais uma vez. Jacob Write com trinta e dois anos conseguia mesmo ser surpreendente. De repente joga um plantão nas mãos de Amber e logo depois decidi retirá-la do plantão?! Que tipo de chefe era aquele?
    Enquanto tentava refletir sobre a mudança de plantão observava, na mesma posição, à figura morena de Jacob conferindo algumas pastas. A secretária ria de alguma idiotice que com certeza saiu pelos lábios de Write.
    Era incrível como todas as mulheres tinham uma queda pelo chefe!
    Claro, com seus cabelos castanhos, corpo esculpido – nada muito exagerado – sorriso colgate e olhos azuis, malditos olhos azuis, ele só poderia ter sido um erro genético!
    Jacob Write tinha apenas trinta e dois anos, como era possível ter aquela aparência? Tudo bem que os olhos azuis lhe dava o charme natural, mas com sua idade, o certo seria estar casado, com filhos e aparência velha, mas Jacob era totalmente o oposto de tudo, começando por estar solteiro.
    Homens do século XXI.
    Amber balançou a cabeça de um lado para o outro, retornando para sua caminhada pelo corredor. Já que não teria mais que ficar responsável pelo plantão, o que mais poderia fazer? Só lhe restava ir dormir, pois se voltasse para casa teria que encarar a figura de Alex e vovó. O que de fato não estava com determinação para encarar...
  • Psychotic

    Capítulo 01
    Bam!
    Levantou os olhos cansados, já não aguentando mais ficar naquele lugar. Seus braços estavam cruzados em cima da mesa, e sua expressão já deduzia tudo que queria dizer. Apesar de o homem ter lhe dado as costas, sabia qual seria seu destino dali pra frente...
    – "Plantão". – leu a palavras em vermelho apenas para confirmar. – Ah, não... – choramingou após rolar os olhos.
    Voltou pousar a cabeça em seus braços, começando produzir o som idêntico de um choro, porém não estava chorando. Só queria tirar três horas para descansar, ela também precisava dormir ninguém era de ferro!
    Mas mais um turno noturno, sendo este o seu terceiro. Até quando teria que aguentar? Melhor nem pensar, pois seu corpo não iria aguentar por muito tempo, suas energias estavam esgotadas, e sem querer ser indelicada, mas Amber não aguentaria mais uma noite acordada, nem mesmo se tomasse anfetaminas para manter os olhos abertos!
    – Amber? Tudo bem? – a médica mais velha, adentrou a sala privada dos médicos com uma caixa de objetos em mãos. – Amber...? – chamou novamente, colocando a caixa em cima da mesa, e se aproximando da mulher, que até então não fazia um movimento. – Amber? – a cutucou devagar, e então percebeu que ela tinha os olhos fechados e uma expressão maltratada. – Pobre bichinho, está exausto! – afastou os cabelos de Amber, passando acariciar sua face adormecida.
    O nome dela era Wendy Smith, ou, mais conhecida como a Vovó Wendy do hospital Joseph Louise Morgan. Ela tinha lá seus setenta e oito anos bem vividos, e sua própria aparência denunciava sua idade. Tinha olhos verdes, sobrancelhas finas, cabelos curtos e brancos com alguns – despercebidos – fios pretos. E o sorriso que estampava, quase sempre, em seus lábios tinha o dom de cativar qualquer iniciante na área hospitalar.
    Todos a consideravam a "vovó", por ser a única médica mais velha que aguentou segurar todas as pontas. Sua vida se baseou em controlar os enfermeiros, porém sua responsabilidade dobrou, assim que ganhou os médicos em sua lista.
    Sempre tinha o dever de estudar o paciente, antes de entregá-lo nas mãos de um dos médicos. Essa era sua função. Não acreditava que, estudar a pessoa antes de deixá-la nas mãos de um profissional capacitado, fosse necessário, pois dentro daquele hospital era onde se localizava os melhores médicos do país. Nenhum possuía ficha marcada, todos – sem exceção – executavam muito bem seus trabalhos.
    Wendy tinha um enorme significado, ela era a mãe de todos ali dentro. Sua doçura conseguia cativar a todos, até mesmo um médico orgulhoso e mal-educado, do qual ela conseguia transformar em um profissional respeitoso.
    – Vovó Wendy? – a porta da sala se abriu devagar. – Preciso tirar uma dúvida com a senhora. – ele começou, segurando a nova ficha que recebera do chefe.
    – Alex, Amber trabalhou a noite toda, ontem? – Wendy quis saber, fazendo carinho nas costas da jovem.
    – Ela substituiu o turno da Katy, não se lembra? – respondeu como se fosse óbvio.
    – Katy Hill não voltou pelo visto. – concluiu vendo Alex assentir. – Pobrezinha, ela tem que descansar um pouco. – pronunciou afastando uma mecha de cabelo do rosto de Amber. – Dr. King, não pode levá-la até a ala privada? – questionou encarando o homem docemente.
    – Vovó... – levantou os ombros. – Já estamos na ala privada. – disse como se ela não soubesse.
    – Não digo aqui Alex, me refiro às camas que o hospital disponibiliza para vocês, médicos. – explicou.
    – O chefe não irá... "Encrespar"? – fez aspas com os dedos, deixando sua pasta de documentos em cima da mesa.
    – Irei explicar a situação para ele. – respondeu, visualizando Alex se dirigir para o lado direito de Amber. – Agora, por favor, querido, leve a Dr. Anderson para um descanso, sim? – pediu.
    – Não saia daqui vovó, eu preciso falar com a senhora depois. – avisou antes de pegar o corpo adormecido de Amber, cuidadosamente.
    – Cuidado. – pediu observando Alex caminhar com o corpo da garota nos braços.
    Seus olhos o acompanharam até este empurrar a porta, que daria acesso ao cômodo das camas, com o pé. Assim que a figura de Alex desapareceu, passou prender seus glóbulos fuscos, em tom esverdeado, no documento que antes estavam nas mãos do rapaz.
    Seus dedos enrugados, que tinham envolvimento com a fina camada de pele com manchinhas, abriram o documento, encontrando com algumas fotografias presas por um clips de papel. Com sutileza, as separou, observando os rostos inocentes das crianças. Os lenços amarrados em suas cabeças, já deduziam que todas lutavam contra o câncer.
    O hospital tinha uma área reservada, especialmente para se dedicar as crianças com câncer. E dentro dela, se poderiam encontrar de todos os tipos de sorrisos, ninguém ali demonstrava tristeza!
    O câncer era um assunto bastante delicado para se tratar, e o melhor jeito de lidar com isso era através das visitas públicas, onde pessoas dedicavam um tempo precioso de suas vidas, para fazer almas inocentes rirem.
    – Pelo visto, já descobriu meu assunto com a senhora, vovó Wendy?! – Alex voltou, fechando a porta por onde acabara de sair, com sutileza.
    – Amber acordou? – não, ela não ignorou as palavras de King.
    – Apenas tomou um leve susto quando as costas tocaram o colchão. – respondeu já observando Wendy passar as fotografias. – Ele vai vir hoje! – disse de repente, recebendo os olhos surpresos da vovó.
    – Como sabe? – perguntou abaixando as mãos com as fotos.
    – Ele sempre visita o hospital, nas segundas. – deu de ombros puxando uma cadeira. – Acho gentil da parte dele, tirar algumas horas da rotina, para passar com as crianças. – revelou começando brincar com o elástico da pasta.
    – Ele é um padre, Alex, o que você esperava? – o rapaz rolou os olhos.
    – Nem todo padre, é verdadeiramente um padre! – deixou fluir, cruzando os braços em cima da mesa, deixando um sorriso brincalhão estampar em seus lábios.
    Wendy encarou aquele sorriso com receio. Não gostava quando Alex King, ria após exclamar uma possível suspeita. Odiava ficar em cima da corda. Tudo que Alex mais sabia fazer era imaginar hipóteses e expô-las para o público, como se elas realmente fossem reais, ou fossem se tornar realidade. E isso deixava a vovó cada vez mais incomodada, ele como médico, não deveria viver no mundo da lua!
    – O que quer dizer com isso Alex? – disparou.
    – Eu? Nada, é claro! – foi cínico.
    Alex riu, deixando seu corpo cair para trás. Com os pés apoiados no chão, deixou a cadeira ficar sobre duas das pernas. Levou as mãos para trás da cabeça, e continuou encarando Wendy, concluindo que ela estava louca para mandá-lo para fora dali!
    – Alex, ele é um padre! – exclamou com o tom de voz um pouco alterado, tentando colocar alguma coisa verdadeira naquela mente fértil.
    – E daí que ele é um padre? – o tom de voz desinteressado, estava deixando Wendy irritada. – Ser padre, não significa servir apenas ao Senhor; assim como todo ser humano, um padre está sujeito aos pecados, sendo eles dos mais fáceis de controlar, até os mais difíceis... Ah, quer que eu cite algum pecado tentador? – expôs sua magnífica carreira de dentes brancos.
    – Guarde seus pecados "tentadores", somente para si! – rebateu. – O monsenhor, Bruce Rodriguez, se entregou completamente à igreja. É um dos melhores padres da região, como ousa falar essas coisas dele? – Alex negou com a cabeça, parecendo arrasado.
    – Nunca devemos confiar nas pessoas. O monsenhor pode ser considerado uma pessoa religiosa, respeitosa, pura, porém nós, nunca saberemos o que ele faz quando está fora da área sagrada! – respondeu apertando os olhos conforme pronunciava. – Mas... – se levantou arrumando as fotografias dentro de sua pasta com o documento. – Meu tempo que é sagrado, e têm várias crianças me esperando! – declarou seguindo caminho a porta.
    Wendy rolou os olhos, no fundo, ter demitido Alex King quando o chefe lhe deu a chance, teria sido uma ótima escolha. Mas sentiu pena dele na época, afinal, em sua cabeça, uma pessoa não merecia perder o emprego por deixar um bisturi cair em uma hora de desespero.
    Mas Alex passou dos limites. Falar do Pe. Bruce Rodriguez daquela maneira e com aquele tom de voz cínico, foi demais! A vovó era capaz de esperar tudo vindo dele, menos aquilo... Onde estava o consentimento por ter ganhado uma segunda chance dentro do Joseph Louise Morgan? Que tipo de monstro King se tornou?
    Vovó Wendy não tinha as respostas, porém não tinha tempo para elaborá-las, havia uma paciente preste passar por uma cirurgia no fígado, do qual ela precisava estar presente. Mas se Alex achou que tinha escapado dos questionamentos, estava muito enganado, pois eles sequer começaram!
    ⓟⓢⓨⓒⓗⓞⓣⓘⓒ
    A dobradiça rangeu por um fio de ruído, mas as crianças não mostraram importância com a falta de óleo. Assim que a porta foi empurrada, Amber adentrou a enorme sala, recebendo os olhinhos brilhantes em cima de si. Sorriu, podendo ver duas das meninas correrem em sua direção.
    – Amber! – uma delas emitiu, abraçando a mulher pela cintura.
    – Amber, estava com tanta saudade! – a outra que tinha um lenço branco na cabeça, também a abraçou.
    – Também estava Carly! – sorriu, se abaixando para ficar da altura das meninas. – O que vocês, estão fazendo hoje? – perguntou mantendo seu sorriso.
    – Estamos brincando de casinha. – Carly respondeu.
    – Está na hora do banho, quer brincar junto com a gente, Amber? – a outra ofereceu.
    – Talvez mais tarde Lola. – respondeu, deixando seus olhos caírem sobre as figuras de Alex e Wendy. – Agora vão meninas! – incentivou, e as duas logo correram em direção do tapete, onde estava a casinha de bonecas.
    Sem mais delongas, caminhou em direção da vovó Wendy, que parecia estar dando uma belíssima bronca em Alex. Ótimo, o que ele tinha aprontado daquela vez? Mente fechada e complicada, só poderia resultar em confusão!
    Rolou os olhos assim que viu Alex com os olhos de um predador. O rapaz tinha as mãos na cintura e sua língua umedecida seus lábios, enquanto a vovó lhe ditava palavras que pareciam não agradar muito sua autoestima.
    – O que aconteceu? – foi direto ao ponto.
    – Alex está acusando o Pe. Bruce, de não ser realmente um padre! – Wendy respondeu e Alex riu.
    – Eu não acusei ninguém! – repreendeu tentando segurar o riso. – Eu só falei como uma hipótese. A vovó que está o considerando um infiel à igreja! – Amber mostrou-se confusa.
    – Eu nunca disse que ele era um infiel à igreja, você que citou os pecados "tentadores"! – vovó se defendeu, apontando o dedo no peito de Alex enquanto falava.
    – Alex! – Amber emitiu ficando surpresa com as palavras da vovó.
    – O que? – o ouviu pronunciar. – Sexo não é pecado! Todo e qualquer ser humano necessita. Sentir um pouquinho que seja de prazer, não mata ninguém! – Anderson rolou os olhos, enquanto Wendy cobriu o rosto com as mãos, sentindo vergonha.
    – Você ouviu o que acabou de dizer? – levantou uma sobrancelha. – Está falando de sexo. Um padre, a partir do momento que decide ser padre, nunca se entrega aos pecados tentadores do mundo! – pronunciou firme de si. – Somos todos seres humanos, capazes de cometer erros, e o Pe. Bruce não é diferente de nós. Mas ele possui um ofício, o dever de servir a Deus... Então pare de tentar ver coisas, onde não há! – seu tom de voz firme, talvez intimidasse Alex.
    Mas ele riu, estava debochando de todas as palavras de Amber.
    – Amber, por favor, até parece que nunca transou na vida. – continuou rindo, fazendo a mulher engolir em seco.
    Sexo era um assunto bastante delicado...
    – Isso não vem ao caso, Alex! – rebateu com a voz um pouco alterada.
    – Vem sim! – provocou seguindo com passos lentos, até estar cara a cara com ela. – Diga, não é gostoso sentir o prazer vivo em suas entranhas? Ouvir sua própria melodia; sentir suas pernas bambas com cada round; o suor desenhando por sua pele... É capaz de negar que não gosta? – direcionou o olhar convencido para o olhar, já irritado, de Amber.
    – Eu disse... Que isso, não vem ao caso Alex King! – rosnou entre os dentes.
    – Parem já, vocês dois! – vovó interviu, os separando a partir do momento que ficou no meio deles.
    Alex tentou avançar com seus passos, mas a vovó o impediu, fazendo-o recuar com o olhar raivoso. Amber o encarava profundamente, com série de dúvidas... Bruce não merecia ser visto daquela maneira, de modo algum ele faltou com respeito à igreja, então não havia motivos para Alex julgá-lo.
    Sinceramente, Alex King tinha uma mente que precisava passar por um tratamento!
    – Eu só estava tentando ser amigável em conversar sobre sexo com você, Amber Anderson. – sorriu sarcasticamente.
    – Eu não preciso que ninguém... – Amber ia se defender, mas a porta escolheu justo aquele momento para se abrir. – Acho que seu amigo chegou Alex! – provocou fazendo o rapaz rolar os olhos.
    Wendy abriu um sorriso largo, e se dirigiu em direção do novo indivíduo, deixando Alex e Amber livres para se atacarem.
    A mulher, por outro lado, ignorou a presença de King, não queria ter que trocar palavras com ele, homem desprezível que só pensava em sexo!
    Amber Anderson não gostava de conversar sobre sexo. Sentia-se envergonhada. Era virgem aos vinte e três anos, não que nunca ter transado fosse uma vergonha, mas se sentia desconfortável por conversar sobre tesão sexual com alguém experiente, como Alex.
    – Bruce te adora Amber, não quer ir lá conversar com ele? – ouviu a voz de Alex, e tudo que fez foi ignorá-lo. – Não quer trocar umas palavrinhas? – provocou novamente, e ela apenas rolou os olhos. – Vai me ignorar mesmo Amber?! – entrou na frente dela com as sobrancelhas arcadas.
    – Nunca mais fale sobre sexo comigo! – deixou claro.
    – E, por acaso, isso é algum crime? Você já transou Amber, então não é constrangimento algum falar sobre isso! – se explicou, e visualizou a mulher abaixar a cabeça.
    – Alex entenda... – envergonhada olhou para os lados para se certificar de que ninguém mais, além dele, ouviria. – Eu sou virgem. – falou baixo apenas para ele ouvir.
    – Wow... Amber eu... – ficou sem jeito. – Eu não sabia, pensei que você e Jackson já...
    – Não, eu não deixei. Nunca me senti segura, por isso ele terminou. – explicou.
    – Entendo... Mas se quiser, a gente pode resolver isso! – indicou o banheiro com o queixo.
    – Estúpido! – riu acertando um tapa contra o ombro dele.
    Alex não escondia, e era preciso apenas estudar o seu sorriso para ver que ele sentia uma atração por Amber. Eram amigos desde que ela entrara para o hospital, e sempre, desde o primeiro dia, sentiu uma atração muito forte por ela.
    Ele queria fazer parte de um pedaço da vida da mulher, porém isso tinha se tornado algo difícil. Toda vez que tentava conversar sobre relacionamento, tentava ser o mais delicado possível, mas Amber sempre mudava de assunto quando ele questionava sobre intimidade.
    Agora entedia. Ela era virgem!
    – Você já se masturbou, alguma vez, Anderson? – questionou de repente.
    – Eu, hã... – travou, mas foi salva.
    – Amber! Amber! – duas meninas começaram a gritar correndo na direção da garota.
    – Fale meninas. – foi simpática e Alex observou seu sorriso tão lindo...
    – O Pe. Bruce quer falar com você. – Zoe respondeu segurando a mão da mulher.
    – Ele disse que vai nos ensinar como fazer uma torta de maçã, mas você tem que ir junto! – já lhe puxava a outra mão.
    – Parece interessante a ideia, Carly! – sorriu, deixando-se guiar pelas duas meninas.
    Alex mordera os lábios, onde estava com a cabeça? No mundo da lua só podia ser!
    Era bem óbvio, pela cara de vergonha de Amber em revelar que era virgem que ela nunca tinha se masturbado. Mas homens, oh, criaturas burras, sempre estragam tudo!
    Alex King buscava ter uma chance com Amber, certo? Pois bem, acabou com todas as suas chances possíveis!
    Passou acompanhar os movimentos de Anderson, vendo-a abraçar o Pe. Bruce com um sorriso largo nos lábios. Aquilo o fez revirar os olhos. Será que ele era o único com pensamentos diferentes sobre aquele padre? Não era possível que ninguém acreditava nele, não necessariamente precisavam concordar, então pelo menos respeitar suas teorias já era o suficiente, mas ninguém, certamente NINGUÉM tinha capacidade para fazer isso!
    Até mesmo a vovó Wendy, que julgava sendo como uma mãe ficou contra si, isso sem comentar de Amber...
    – Eu vou vomitar! – exclamou rolando os olhos, saindo em direção da saída da sala, com certeza, papéis ou arquivos eram muito mais interessantes que ficar ali observando Amber sorrindo abertamente para o padre.
    Sabe o quanto ele daria para receber um sorriso daqueles? Melhor nem dizer...
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    A mão arrumou uma mecha de cabelo atrás da orelha, era ela simplesmente linda demais! A mulher mais bonita de todo o hospital Joseph Louise Morgan!
    Afastou o cigarro dos lábios, soltando a fumaça para o alto, a cor branca começou desenhar um lado obscuro do puro desejo e atração. Os traços da fumaça desapareceram com a força do vento, porém esse era o menor dos problemas.
    Amber Anderson, era a sua garota, a escolhida para viver anos ao seu lado. Afastando novamente o cigarro dos lábios, jogou-o no chão, fazendo questão de pisar em cima, ninguém poderia saber que ele fumava.
    Precisava manter sua imagem no hospital.
    Pela última vez, espiou a imagem de Amber agora conversando com Wendy, e um sorriso acabou dominando seus lábios, ela era realmente a melhor mulher que já encontrara!
    E antes que dois médicos pudessem sair do estabelecimento, se dirigiu rapidamente em direção de seu automóvel. Adentrara o lado do motorista começando checar seus pertences, que estavam dentro da caixa em cima do banco do passageiro, e assim que conferiu cada detalhe, fechou a caixa com a tampa. Ele não iria precisar mais daquilo, somente no dia seguinte, agora seu rumo seria outra residência...
    Girando a chave da ignição, pisou fundo no acelerador, cantando os pneus. A imagem de Amber estava gravada em sua mente, mas agora não poderia contar mais com ela, sua próxima parada exigia um talento que ele escondia nas próprias mãos!
    Dentro do hospital, Amber caminhava pelo corredor, segurando sua prancheta de pacientes em mãos. A noite finalmente caiu e cobriu todo o céu de San Rosie, e o hospital nunca ficou tão escuro e frio igual naquela noite.
    A mulher esfregava as mãos nos braços na tentativa de espantar o frio, mas era tudo inevitável. Seus pelos continuavam se arrepiando lhe alertando que aquele seria um dos seus piores plantões!
    – Amber! – parou imediatamente os passos, virando na direção da voz.
    – Como está sendo sua noite, Jacob, belíssima? – tentou colocar sarcasmo na voz, o que foi um fracasso.
    – Deve está sendo o mesmo que a sua. – respondeu dando de ombros, acompanhando Amber que seguia para o balcão na recepção.
    – Que coincidência, não? O chefe do hospital pegando plantão, como qualquer outro médico, chega até soar engraçado! – caçoou rindo.
    – Amber pare de agir como uma criança no jardim de infância! – exigiu, e ela fingiu não ouvir, estava ocupada demais assinando alguns documentos. – Nem parece que é médica e sim, uma faxineira que só resmunga! – comparou e logo Anderson se virou, ficando cara a cara com Jacob.
    – Se eu pareço uma faxineira, por que me contratou para servir o seu hospital? – disparou firme.
    – Amber... Eu ter deixado dois plantão na sua mão, já são provas o suficiente do que você significa para mim. – respondeu, e a mulher negou com a cabeça e um sorriso cínico.
    – Foram duas noites, Jacob! – rebateu seguindo novamente para o corredor.
    – Me deixa falar Amber! – emitiu, começando segui-la.
    – Eu não tenho nada do que falar com você! – emitiu continuando com seus passos.
    Jacob percebendo que nada iria adiantar para parar Amber resolveu aumentar a velocidade de suas pernas. Conseguiu, com muito esforço, entrar na frente dela, e a mulher em contradição somente parou e rolou os olhos impaciente.
    – O que você quer Jacob? – deu-se por vencida.
    – Você está livre do plantão de hoje. – resolveu despejar tudo na primeira oportunidade que tivesse.
    – Por q... Não, cadê o documento onde consta minha demissão? – esperou que ele retirasse alguma folha do jaleco e lhe entregasse, o que não aconteceu, ao contrário ele riu.
    – Acha mesmo que vou demiti-la só porque a dispensei do plantão? – riu mais uma vez, e Amber suspirou em raiva. – Não se preocupe Amber, enquanto eu estiver no cargo de chefe, você nunca será demitida. – deixou claro antes de seguir para a recepção, de onde antes estavam.
    Rolou os olhos mais uma vez. Jacob Write com trinta e dois anos conseguia mesmo ser surpreendente. De repente joga um plantão nas mãos de Amber e logo depois decidi retirá-la do plantão?! Que tipo de chefe era aquele?
    Enquanto tentava refletir sobre a mudança de plantão observava, na mesma posição, à figura morena de Jacob conferindo algumas pastas. A secretária ria de alguma idiotice que com certeza saiu pelos lábios de Write.
    Era incrível como todas as mulheres tinham uma queda pelo chefe!
    Claro, com seus cabelos castanhos, corpo esculpido – nada muito exagerado – sorriso colgate e olhos azuis, malditos olhos azuis, ele só poderia ter sido um erro genético!
    Jacob Write tinha apenas trinta e dois anos, como era possível ter aquela aparência? Tudo bem que os olhos azuis lhe dava o charme natural, mas com sua idade, o certo seria estar casado, com filhos e aparência velha, mas Jacob era totalmente o oposto de tudo, começando por estar solteiro.
    Homens do século XXI.
    Amber balançou a cabeça de um lado para o outro, retornando para sua caminhada pelo corredor. Já que não teria mais que ficar responsável pelo plantão, o que mais poderia fazer? Só lhe restava ir dormir, pois se voltasse para casa teria que encarar a figura de Alex e vovó. O que de fato não estava com determinação para encarar...
  • Simplesmente mais humanos, Por favor!

    É inquietante o masoquismo ao qual nosso pais e nosso mundo caminha.
    O nível de não lucidez que pairá sobre esta nação é abominável
    O ritual animalesco praticado nestes últimos momentos, demostra tamanha degeneração que a mente desumana esta.
    Como Sócrates disse " Sábio é aquele que conhece o limite da própria ignorância"
    O homem passou a desconhecer seu próprio limite. Construindo-se em cima de egos e mais egos.

    É perceptível o fato que nossa liberdade foi absurdamente obstruída, graças a mentecaptos que se envolvem nesta sociedade.
    Não falo apenas de trinta homens, mas de centenas de milhares de ladrões, assassinos, pedófilos e mal caráter.
    Que encapuzados de fantasias de alegria e boa vida se escondem em meio ao bom cidadão.
    Sorriem, enquanto matam com suas mãos, estas já manchadas de muito sangue.

    Os poucos que ainda dentro de si carregam as tochas da humanidade, revoltam-se.
    Sentem-se acuados, perante tamanha degeneração que somos submetidos todos os dias.
    Na mente destas pessoas o conceito de bom homem foi simplesmente desinstalado.
    E como maquinas programadas para matar efetuam sua tarefa com tamanha perfeição.
    E os afetados por suas ações são os que aqui ainda estão.
    Tecnicamente enquanto houver humanidade, estes seres desprezíveis estarão por tentar elimina-la.

    Mas, nossos corações manchados por dores e por esperança jamais desistiram de um mundo justo.
    Jamais abaixaram suas cabeças para marginais, delinquentes sejam quantos forem mil,dois mil, pois somos muitos.
    Muitos contra os ladrões, muitos contra os pedófilos, muitos contra os estupradores.
    Somos muitos contra os tabus que a sociedade passada emprega. Somos uma nova geração.
    Que hoje abraça os ideias de um novo mundo mais belo se possível.   

    Peço a todos para unirem-se por um principio, por uma razão, por um sentido.
    Peço a todos para serem humanos, para serem livres, para serem felizes, sem medo.
    A justiça dos muitos, sobre cairá sobre os poucos e assim construiremos um mundo melhor para nossos filhos e os filhos deles.
    Juntos pelo amor, pois este é o que falta, juntos para o amor, o amor pelo ser humano. O real humano.
  • Sinopse Princess Magic - The Adventure

    Prévia da Capa

    SINOPSE:
    -Por que eu tinha que me apaixonar por ela? -Pensa Simon,ao ver Mirella beijando Brain... 

    Mirella Miller,uma garota simpática e humilde,tem os cabelos loiros e lindos olhos azuis,ela é a melhor amiga de Simon desde pequena. Ela e sua irmã,Miranda,eram muito próximas a ele,os três vivam juntos,um ajudando o outro. Mas com o passar dos anos,Mirella teve muitos problemas e não aguentava mais viver daquele jeito,então resolveu fugir. Foi para uma floresta,bem longe de todos,mas acabou encontrando um novo amigo,seu nome era Brain Carter. Ele a ajudou,e os dois começaram a se aproximar... 
    Miranda e Simon precisavam encontrá-la e trazê-la de volta,mas ela não aceitou. Agora,eles irão ficar por lá,mas por quanto tempo? Ninguém sabe ao certo. 
    Simon e Brain,não se deram muito bem,e o triângulo amoroso se formou entre eles,e agora,Mirella está em dúvida. Quem é o seu verdadeiro amor? Simon ou Brain? 

    -Ela só te vê como um amigo,não percebe? -Provoca Brain. 

    -Eu não acredito em você! 

    -Continue negando,mas o coração dela pertence a outro...
  • Ultra-violência

    Não é simples amar.
    Você me bateu
    Senti o ímpeto jorrar
    O sangue escorreu

    Sua violência me consumia
    Dançamos sobre cacos de vidro
    Posso esutar as bombas em seu peito,
    A fumaça do cigarro entre os beijos.

    Você sabe como amar uma mulher:
    Me acorrentou ao seu coração,
    De roxo me pintava

    Todas noites eram brigas,
    Seu sorriso cínico sibalava
    "Eu te amo"

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