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  • Face A Face

    Hoje, fazem exatamente dois anos que nos reencontramos, dois anos! Não sei se você se lembra disso, creio que não. Foi nesse dia em que você me perguntou se eu estava casado e a minha resposta foi não. Você ainda quis saber se eu tinha namorada e, novamente, a minha resposta foi não. Então, você disse: “Não entendo, você um cara tão bonito e charmoso!”. Aquilo me surpreendeu. Não que eu me considere feio, nada disso. Lembro-me que, naqueles tempos, você fazia questão de enaltecer a minha inteligência, na medida em que critica o meu comportamento agressivo. Nem me darei ao trabalho de refrescar a sua memória, porque sei que você se lembra disso.
    Após você ter me dito isso, sabe o que pensei? Beleza e inteligência são duas virtudes que nunca caminham juntas. Minto, caminham sim: nos contos de fadas. Na vida real, um homem detentor dessas qualidades ou é gay ou um psicopata. Não ou eu quem estou levantando essa tese, mas sim as pesquisas que são feitas, diariamente. E o que você acha disso? Refiro-me à minha pessoa, acha que sou bicha ou psicopata?  A primeira hipótese pode ser descartada, tenho certeza de que não sou homossexual, porque gosto, e muito de mulher e você bem sabe disso. 
    E o que você acha da segunda hipótese? Nunca, até então, tirei a vida de ninguém, contudo sempre há uma primeira vez, não acha?    Você, naqueles tempos, fazia as vezes de minha advogada e, ao mesmo tempo, promotora. Você, melhor do que ninguém, me compreendia. Como disse, você sabia dos meus defeitos e qualidades e nunca perdia a oportunidade de apontá-los. Isso não ocorria diariamente, mas sim a toda hora. Fosse a sós, na frente de todo mundo e até sem a minha presença, você sempre falava desse meu comportamento dúbio. Quero acreditar que você tenha sido a primeira pessoa, naquele momento, a saber quem realmente eu era e, atualmente, sou.
    Sumi do mapa e depois de algum tempo, surjo, sem mais nem menos, na sua frente como um fantasma. Você acha mesmo que aquele nosso reencontro foi por acaso? Tenho certeza absoluta de que no momento em que você me viu não tenha pensado: “Meu Deus, é ele!”. Qualquer pessoa, daquela época, teria feito essa pergunta, inclusive você.

     Você, por um acaso, não entrou em contato com o pessoal, daquele tempo, e não o avisou de que eu tinha voltado?   Nunca passou pela sua cabeça de que eu estivesse seguindo os seus passos, conforme, até hoje, venho fazendo? Não me decepcione, por favor. 
  • "MEU QUERIDO JUNQ".

    “MEU QUERIDO JUNQ”.

     
    (Brito Santos) / Novembro/2016



    Revisão: Luísa Aranha

    Contato: (causoseprosas.com.br)



    Capa: Arte & Criação: Wilson Brito

    Contato: (facebook.com/wilson.brito93)



    Autores Novos e Veteranos. Divulgue sua obra aqui. Contato: Vânia Livros



    Agradecimentos Especiais:

    “Sociedade Secreta dos Escritores Vivos”: Bruno Vieira, Sandro Moreira, Bruno Cardoso.

     

    “Curso de Escrita Criativa”: Tiago Novaes.

    Contato: (escritacriativa.net.br)

     

     

    Para elas, as mulheres: As duas principais mulheres com quem tive a honra, e o privilégio de conviver. Mesmo por pouco tempo, foi um pouco que virou muito, levando-se em conta a qualidade do tempo vivido.

    “Mãe, e Irmã” – “Lú..., você quer umbu?”

     

    Mais mulheres: (Professoras) do Curso de Jovens e Adultos da Escola Fundação Florestan Fernandes em Diadema/SP.

    Especialmente para “Fátima” (História); e “Ana Paula” (Português/Inglês). Espero reencontrá-las um dia.

     

     

     

     

     

     

    MEU QUERIDO JUNQ


     

    “As mulheres podem tornar-se facilmente amigas de um homem mas, para manter essa amizade, torna-se indispensável o concurso de uma pequena antipatia física”.

    (Friedrich Nietzsche )

     

    Manoel Junqueira, este era o seu nome. Para seu amor, era “Junq” (apelido carinhoso pois todo casal apaixonado tem essa mania não é mesmo? Ou é “tinho”, ou “vida”.  Alguns, são verdadeiras bombonieres. “Meu pão de mel”, “vem cá docinho de leite”.  Coisas grudentas, desse tipo.

    Estavam juntos há alguns anos. O relacionamento ia bem, cogitavam casar-se. Ter filhos? Quem sabe... mesmo que para isso, fosse necessário adotar. Uma união estável, quem poderia impedir? Namorado antigo? Jamais. Justiça? Também não.

    Com o problema na embaixada resolvido, comprou uma linda mansão em Atibaia. Tinha posses para isso, vida plena, vida boa.

    O escritório de contabilidade funcionava a todo vapor, clientes aos montes. Pensava em expandir, contratar mais funcionários. Pois é. Parece mentira, mas às vezes acontece. A felicidade aparece, vem e fica.

    Estavam bem nos negócios, bem no relacionamento, bem com os amigos. Coisa rara na vida de qualquer um, chegava a dar medo.

    O médico psiquiatra, Flávio Gikovate, escreveu sobre o assunto em um dos seus artigos: “... as pessoas, ao se apaixonarem, passam a viver em estado de alarme; muitas vezes em pânico, como se algo de terrível estivesse para lhes acontecer”.

    Sinceramente? Junq... dava de ombros para isso. Não que ele não respeitasse a opinião do médico, longe disso. Preferia olhar sempre, o lado mais otimista da vida, ver o copo “quase cheio”. Se era assim, com o copo quase cheio, quem dirá, com ele “passado à régua”.

    Como vida é ciranda, coisa viva que vagueia, chamava o Chico para cantar: “Roda mundo, roda gigante, rodamoinho roda pião, o mundo girou num instante, a roda do meu coração”.

     

    Uma mudança sutil ocorreu depois do feriado. Juntos mais uma vez, como gostavam de fazer, os três amigos fiéis, Carmen Lúcia, Manoel Junqueira e Albano Matoso, passaram um dos finais de semana mais divertidos da vida, como se o futuro adivinho e precavido, os premiasse pelo sofrimento vindouro.

    Contrapeso e equilíbrio na balança da mulher que segura a espada.

    Se conheciam desde os tempos de colégio, todos os homens naquela época desejavam Carmem Lúcia, também, com aquele corpão. Quando tinha apenas quinze anos, a menina já parecia uma “toura”. “Toura” de touro mesmo! Como se fosse esse o feminino.

    Botava umas roupas “Meu amigo”! Aqueles vestidinhos que vem o demônio no tecido, quando a mulher anda, é uma festa ali atrás, todo homem quer entrar mesmo sem ser convidado. Junq, um pouco tímido e sutil, ficava enciumado algumas vezes.

    Já Albano, macho alfa, arranca toco pega tudo e estraçalha, brincava com ela dizendo:

    “Ah..., se eu fosse mulher! Iria me vingar..., ô; se iria. O que eu faria? Sairia na rua com uma roupa bem provocante, sabe? Tipo essa que você está usando aí. E então, quando aparecessem candidatos, eu iria dar que só, dar sem dó. Dar pra caralho, deixar todos eles moles.

    E tem mais... quem não desse no couro, ia colocar na lista. A lista dos broxantes. Para aprender a se garantir”.

    Carmem Lúcia ria. Dizia que todo homem era igual, todo homem pensava desse jeito. Bons encontros, bons tempos aqueles.

    No recente final de semana, relembraram bons momentos: suas bagunças e curtições de adolescentes, inventaram e criaram novidades. Beberam, comeram, jogaram. Quase uma perfeição. Quase! Dois dos três agora noivos, pelo sim ou pelo não, justa e posta divisão.

    No meio da brincadeira, quando estavam disputando uma partida de “Just Dance”, Junq percebeu que Albano, estava a todo momento perto demais de Carmem Lúcia. Conversando mais que o de costume. De início, achou normal. Afinal de contas, a amizade dos três era antiga.

    “Será que eles já haviam tido um caso antes? E ele, Junq nunca ficara sabendo? Não, não, não... tira isso da cabeça rapaz, isso é só viagem, apenas viagem. É apenas o excesso de rum, com limão gelo e soda. ”

    E foi assim que Junq, começou a desconfiar dos dois. Pouco a pouco. Os atrasos para os compromissos que não aconteciam antes, uma viagem aqui outra li. As ligações em horas estranhas, sempre com descrições ou pelos cantos.

    “Quem era? ” “Hã? Nada não... apenas um amigo do trabalho”. A coisa intensificou, ou um copo esvaziou. Ou quem sabe, transbordou. Chegou uma hora, em que ficou insustentável.

    A semana decisiva na vida do trio seria aquela. Junq, depois do ocorrido na festa andava muito desconfiado, fez o que não costumava fazer. Uma das coisas que odiava nas pessoas, esgueirou-se por entre os móveis, e, durante uma das ligações, ficou ouvindo atrás da parede.

    “Sábado? Está bem. No mesmo lugar de sempre? Na mesma hora de sempre”. No fim a frase que terminou por selar seu destino massacrou seu coração. “Um beijo”! Aquela frase... duas palavras... nunca tinham soado tão dolorosas para ele como desta vez.

    Já havia ouvido tantas e tantas vezes, amigos cumprimentarem-se assim, é normal. Mas não ali, não entre ele dois, ele tinha certeza. Intuição, coisas do coração, de quem ama e está apaixonado. “Como ela pode? E ele...esse... porco traidor...aquela... puta e vadia”.

    Teve uma ideia: Iria até o encontro acabar com a festa. Surpreenderia os dois, e pronto. Se fosse o caso, desceria o cacete. Afinal de contas, quando o lance é traição, não tem esse negócio de culpa de um, e não culpa do outro.

    Tudo safado e sem vergonha, farinha do mesmo saco para citar o dito mais dito de todos os tempos. Para ter dedo na rosca, precisa dos dois. “Da rosca e do dedo”. Estava decidido.

    Na sexta-feira de manhã, Junq inventou uma viagem de negócios, disse que só retornaria no domingo. Comprou até mesmo a passagem de avião, mostrou e tudo, para dar credibilidade, queria deixar os dois “pombinhos” bem à vontade.

    Assim, sem desconfiar de nada, sem nem imaginar o que estaria esperando por eles. Queria pegar no flagra, ver com os próprios olhos. Todo homem traído merece isso, para limpar sua alma.

    Bons tempos aqueles em que às mulheres tinham a dignidade como principal característica. O que aconteceu com as mulheres meu Bom Deus? A culpa foi dela. Sempre dela. Ele sabia, dizia isso para os amigos quando conversavam sobre o assunto.

    “A tal: ‘Revolução Feminina’. A culpa sempre foi da ‘Chiquinha Gonzaga'. Maldita Chiquinha Gonzaga, ela e seu piano infeliz. Foi ali que começaram os ‘pancadões’ da vida. Que hoje dominam as grandes metrópoles, e muitas vezes varam as noites das periferias do Rio de Janeiro e de São Paulo, impedindo todo e qualquer um, de ter uma mínima noite de sono. Imaginou a sua canção mais famosa, uma marchinha de carnaval: ‘Ô abre alas... que eu quero passar...’, tocado com som ao fundo do “Beatbox” puxado pelo DJ. Aquele ‘tchu-tchu-tchu’ horrível e repetitivo feito com a boca, os lábios abrindo e fechando rapidamente, batendo um contra o outro e cuspindo”.

    Durante a noite, Junq de propósito aproximou seu corpo deixando claro sua intenção, para ver se rolava alguma brincadeirinha entre os dois. Porém nada aconteceu. Foi como havia imaginado, o fingimento entrou em cena.

    “Sinto muito, mas hoje não dá, não estou bem”!

    “Não estou muito bem é uma pinoia! ”, pensou Junq. Queria mesmo era guardar todas as forças, todos os seus fluídos, inclusive seu suor, para a traição.

    “Filhos duma puta, miseráveis, como podem”. O sono demorou, criou filmes na cabeça, via os dois em kama sutra, outras vezes cabaret.

    Na manhã do sábado, como tudo já estava preparado de antemão, mesmo tendo dormido mal, acordou cedo, tomou banho e café. Saiu na hora que disse que sairia, para não levantar nenhuma suspeita.

    No beijo de despedida, se manteve frio e calculista, mas não deixou de imaginar aqueles lábios noutro corpo e sua língua noutra carne. Sentiu-se enojado. Cortaria à fria faca, fino fio em franco corte.

    Pegou o carro, o peso do pé no acelerador, a arrancada seguida do barulho dos pneus riscando o chão. Sua marca, sua urina, dirigiu até um ponto, em que pudesse fazer a perseguição sem ser visto, à distância.

    Nem precisou esperar muito, provavelmente o tesão dos dois estava à flor da pele, “Malditos! Se fosse mesmo viajar, mal teria saído. Não dariam o tempo, nem de tomar o avião”.

    Seguiu o carro tranquilo, com toda descrição. Tomando o cuidado de deixar alguns outros veículos entre eles, até chegar no local designado. Quando o perseguido estacionou, fez o mesmo.

    Foi aí então que viu, sem querer crer, sem querer ver. Uma flechada, uma agulhada, uma pancada, uma explosão.

    Sua desconfiança, suas dúvidas que até então ainda se achavam penduradas no corcovado, segurando em fracas raízes e cipós, caiu de repente.

    Uma queda no vazio, uma queda no escuro. Queda funda e sem volta, buraco largo escuro negro. Tudo estava acabado, o destino dos três, selado para sempre.

    Só lhe restava uma coisa a fazer, esperou que entrassem na casa, não era um motel. Escolheram uma casa tradicional, um sobrado simples, numa rua de pouco movimento. 

    Assim era melhor, mais fácil invadir sem portão um muro baixo.

    Caminhou até a entrada, na frente os dois carros estacionados. Um atrás do outro, bem coladinhos. Dando um recado claro, do que estaria acontecendo.

    Conferiu a pistola. As aulas de tiro finalmente pagariam seu valor. Para abrir a porta, usaria dois clips, isso era fácil. Praticava de vez em quando até por brincadeira.

    Assim que entrou, conforme caminhava ficava tudo evidente. As peças de roupas formando o caminho e a indicação da transa, primeiro as formais, depois as informais...

    E por fim, as íntimas. Alguns sussurros, dois gemidos, um pouco baixo ainda lento, dava até um certo tesão, mas o ódio era maior.

    O ódio pegou o tesão pelo pescoço, empurrou contra a parede, e com adaga pontiaguda perfurou seu coração, olhou fundo nos seus olhos, sem nenhuma piedade, olhar frio, olhar medonho, um olhar sem emoção.

    Subiu as escadas devagar, no andar de cima a porta do quarto estava entreaberta. A respiração ofegante, o cheiro dela, do creme dela, do perfume dela, do corpo dela. Ela em cima dele, cavalgando. O frenesi e a vontade. 

    Vasta a fome um do outro, dava até uma certa inveja. Os dois, com os olhos fechados, nem perceberam quando ele entrou. Ficou alguns segundos observando, realmente era linda.

    Peitos grandes, rígidos, coxas grossas, bunda avantajada, sacudindo as carnes conforme o corpo se movia para frente e para trás. Gemidos, mais fortes, mais alto. Não permitiria que gozassem! Arma apontada nas mãos trêmulas.

    Não estavam firmes o suficiente, mas era perto e não tinha como errar.

    Disparos! Um... dois... nela, por trás. Três... quatro... nele, no peito. Cinco... seis... na cabeça dela. Sete... oito... na cabeça dele. Pronto.

    Sentou na beira da cama onde um ato sexual acontecia ainda a pouco. O cheiro do sexo agora, misturado ia sendo substituído aos poucos, pelo da pólvora. Latidos vindos da janela. Um funeral a caminho, o final que todos os traidores mereciam e merecem.

    Olhou na mesinha ao lado, um papel rabiscado. Não... na verdade uma carta. No envelope “Meu Junq”, com um coração, circulando o nome. Dentro, estava impresso:

    Para Manoel Junqueira

     

    “Meu Querido Junq”,

     

    O maior amor que tive em minha vida, por muito, muito tempo.

    Meu amor, não pense que estou mentindo por favor. É a mais pura verdade. Estou indo embora sem nada dizer, porque não tenho coragem ainda. Há algum tempo, venho tentando encontrar forças e coragem para te contar, juro que tentei. Por Deus, tentei diversas vezes. Sempre tive certeza do que queria em minha vida, nunca tive dúvidas sobre nada. Você estava certo sobre muitas coisas, só errou em uma. Em me aceitar. Em me deixar fazer parte da sua vida. Nestes três últimos anos, tenho sabido mais que nunca, o que é viver felicidade. Achei até que não conseguiria sentir algo além. Que o nosso amor era o ápice das alturas. O clímax do clímax. Mas não foi assim.

    Espero que nos perdoe um dia por isso. Éramos amigos. Sim, éramos. Nossa amizade sempre foi verdadeira. Se estiver lendo essa carta é porque agora já não estaremos aí com você. Planejamos fugir, ir para bem longe, para nunca mais voltar e para nunca mais nos vermos. Seria impossível uma vida nova, com você perto. Então decidimos assim. Assim é melhor ou... menos pior. O que os olhos não vêm o coração não sente, isso é um fato.

    De alguém, que te amou com toda a paixão, que cabe em um coração humano.

     

    Albano Matoso de Oliveira.

     

     

    Sua visão foi ofuscada, tanto água, tanto choro, tão molhado estavam os olhos. Caiu devagar e de joelhos, com a carta na mão, o corpo balançando em pêndulo, então gritou rasgando o ar com um alto estrondo:

     - Arghhhhhhhhhhh! Nããããooooo! Não... não... não... – pegou a carta, amassou com os punhos e apertou contra a testa. Ficou assim, alguns segundos.

    Pouco tempo depois ergueu a cabeça, ainda zonzo, respirou.

    Procurou o resto das forças, por fim levantou devagar e pesado. Ouviu o som de conversas lá fora, sirenes ao longe, pela janela.

    Ajeitou um dos corpos na cama, o outro rolou e empurrou para o lado. Como quem se livra do lixo, um saco pesado jogado no cesto.

    Tirou toda a roupa do corpo. Ficou nu e deitou-se com o outro corpo na cama arrumados de um jeito, como um casal.

    Pegou a arma na mesa ao lado. Olhou para o teto, soluçou e chorou:

    – Agora... meu amor... ninguém vai nos separar...

    “Meu amor, minha vida... foi meu tudo, foi meu lar. ”... “Meu Querido Albano”.

    No chão frio ao lado da cama, o corpo de Carmem Lúcia que já foi um dia tão quente como o sol, mas que agora era uma casca vazia e sem vida, branca e sem cor.

    Como sempre tão juntos, quem iria mudar. Não passou mais que um segundo... outro tiro cortou o ar.







    (Brito Santos) 

    caminhantesdasletras.blogspot.com






  • "REFLEXÃO" "harmonizando com o silêncio"

    Quando me harmonizo com o silêncio, com o rosto em prantos eu ouço bem baixinho meu coração contestando a veracidade do destino. Ouço ele dizendo que a maneira que o tempo escolhe para adequar com sua vontade, um sentimento extremamente sensível e verdadeiro, é um tanto dolorosa e amarga, é batalha acima da capacidade que ele possui no momento, nesse momento de reflexão, desejo da paz e da luz divina que conduz o maior e puro amor.

    Eu me deixo ser levado aos sons de DEUS, à sublime melodia da natureza, sentindo um querer natural de emudecer-me e refletir sobre as coisas que eu mais gosto e amo. Fecho meus olhos e deixo minha mente ver por mim, ela vai captando fontes sagradas que são me trazidas apenas pelo meu espírito. 

    Os reflexos coloridos dos jardins naturais resignam um destino para cada planejamento meu, as folhas se balançam, parecendo querer me dizer que também amam a vida e que sou bem vindo ali. Me entrego à energia suprema que neste momento me da confiança e me faz ser bom.

    Neste meu instante de sincronismo com a razão superior, me sinto na falta de merecimento e por um instante me retrocedo, revendo atos incabíveis que quando na fraqueza de espírito, eu cometi. Aborrecido comigo mesmo, suplico num grito emocionado a remissão pro meu único e verdadeiro refúgio,DEUS.

    Percebo que minha súplica foi concedida, uma paz absoluta neste momento se põe e minha alma, no mais profundo do meu ser, me oferecendo ainda mais vontade de viver. Por tudo isso. Viverei, agradecerei e amarei.

    Enviarei um link aos que quizerem ouvir esta reflexão com trilha sonora e narração feitas por mim! Basta me enviar uma mensagem, um recado deixando um e-mail, lhes enviarei com o maior prazer e ficarei grato! Aguardo sua solicitação! Obrigado a todos!
  • A Anti-Musa

    A válvula da panela girava, a cozinha suava vapor de sopa quente. Cheiro de temperos no ar. O sol lá fora mal entrava pelas janelas veladas com cortinas grossas. O resultado era um cômodo abafado e entregue à penumbra. Uma mulher estava sentada à mesa, diante de um rádio antiquado que ressoava um samba triste. No entanto, não parecia estar atenta aos apelos do sambista, tão pouco à panela ao fogo. Na verdade, ela parecia nem estar presente mentalmente. Em uma espécie de despersonalização, seu olhos arregalados encaravam o azulejo encardido das paredes, mas seu espirito poderia muito bem estar vagando pelo plano astral.
                    “Catatonia: Perturbação do comportamento motor. Geralmente envolve uma posição rígida e imóvel que pode durar horas, dias ou semanas. (E...) A história nos conta que, nesses casos, um doente poderia ser enterrado ainda vivo (!), tamanho seu estado de inércia. (...xaus…) Dentre as condições médicas que podem causar o estado catatônico estão:  esquizofrenia; depressão; derrame cerebral; entre outras condições neurológicas e psiquiátricas. (...ta.)”
                    Alguns minutos ou algumas décadas se passaram...
                                                                                                              *****
    ...e então, subitamente, a mulher deu um pulo na cadeira em que estava. O acontecido pareceu ter impressionado a ela própria, piscou rapidamente repetidas vezes e olhou em volta, como para desvendar em que lugar se encontrava. Seus olhos vagavam pela cozinha, viu a janela encoberta; um armário empoeirado, com portas escancaradas; louças usadas, empilhadas sobre uma pia de mármore; seu velho rádio que ainda tocava alguma música qualquer; uma geladeira pequena, azul turquesa e na porta da geladeira estavam imãs em formato de frutas e legumes. Dois desses imãs mantinham presa uma fotografia, quando os olhos da mulher finalmente se encontraram com os olhos desta foto, o olhar se alterou – passou de apático à revoltado.
                    “(Eu sou um monstro!) Transtorno dismórfico corporal, historicamente conhecido pelo termo dismorfofobia. (Minha pele é seca, meu cabelo é crespo, meu nariz é comprido, meus lábios são muito finos...) Trata-se de um transtorno psicológico caracterizado pela preocupação obsessiva com defeitos mínimos ou imaginários na aparência física. (Eu devia ser colocada em uma jaula...)”
                    O surto perdurou por horas ou séculos.
                                                                                                              *****
    A mulher agora estava sorrindo. No chão, uma fotografia despedaçada coberta de cacos de vidro. Na porta da geladeira, uma mesma imagem encontrava-se intacta, presa pelos mesmos dois imãs. A mulher caminhou até o fogão, a panela chiava incansavelmente.
                    “(O trem! Por Deus, vou perder o trem....) Alucinações auditivas, sinal de esquizofrenia. (Tenho que apanhar o trem!)”
                    A mulher, de maneira impulsiva, agarrou a panela fervente, suas mãos arderam no mesmo instante e vacilaram. A panela despencou no fogão aceso.
                    “(Ai... Como está gelado...) Alucinações sinestésicas, sinal de esquizofrenia.”
                    O rádio sobre a mesa iniciou uma canção que pareceu alegrar a mulher. Uma bossa nova lenta a fez arriscar pequenos passos de uma dança confusa. Enquanto dançava, alguém tocou seu ombro.
                    - Oh, Tom! Como é bom te ver.
                    - Me concede a honra desta dança, madame?
                    Agora ela dançava abraçada com seu par.
                    “Alucinações visuais... Um sério sintoma de pessoas esquizofrênicas. (Sabe, algumas informações você deveria guardar para você...) Na verdade, não acho que seja possível. Quando eu penso você pensa. (Transtorno dissociativo de identidade: conhecido popularmente como dupla personalidade) é uma condição mental em que um único indivíduo demonstra características de duas ou mais identidades distintas, (cada uma com sua maneira de perceber e interagir com o meio.)”
                    A música terminou e levou consigo o lapso de felicidade. A canção que iniciou era alegre, porém a mulher não teve vontade de dançar. Ela se atentou a letra, o cantor falava de sua amada, sua musa. Após alguns instantes, a mulher desabou no chão e começou a chorar escandalosamente.
                    “(Eu nunca serei a musa de alguém. Nunca alguém irá se inspirar em mim.) Ao menos não de maneira positiva... Mas quem sabe quando forem falar sobre sociopatia. (Ah, mas é claro! Que agradável tema...) Bom, talvez você possa convencer alguém a escrever algo para você. (E eu lá tenho cara de Annie Wilkes?!) Na verdade... Tem sim.
                    A lamúria pareceu durar uma eternidade.
                                                                                                              *****
    A cozinha ainda suava vapor de sopa quente. O cheiro, porém, não era nem um pouco agradável. O válvula do bujão borbulhava espuma. O sol estava se pondo lá fora, mas a majestosa luz do crepúsculo mal entrava pelas janelas fechadas e veladas com cortinas grossas, impedindo que os malditos vizinhos xeretassem. “Transtorno de personalidade antissocial...” A mulher sabia que era alvo de comentários maliciosos e não demoraria muito para a vizinhança se reunir para atear fogo a sua casa. “Transtorno de personalidade paranoide...” Ela estava sentada à mesa, diante de um rádio antiquado que ressoava um chiado de estática. Um Marlboro ainda não aceso rolava entre seus dentes, ela refletia:
                    “(Não sou musa-inspiradora de ninguém...) Não é musa inspiradora de ninguém... (...Mas depois disso talvez eu seja.) ...Talvez seja. (Minha cabeça dói...) Tontura... (...Mas a dor vai passar.) A voz irá embora... (Tudo terá fim...) Tem certeza? (Você sabe o quanto é difícil danificar uma válvula de gás?) Você sabe que eu sei. (Sei...) Ideação suicida... (Fim.) ...Fim.
                    A mulher acendeu o cigarro e o cantor pensou nela finalmente.
                                                                                                              *****
    [Inspirado na canção A Anti-Musa de Romulo Fróes e Clima.]
  • A arte da barganha...

    Meu pai tinha o velho costume de criar passarinhos. Sei que dizer isto pode ser um sacrilégio, mas naquela época convivia-se com este costume. Até hoje não sei se os tinha porque adorava o fato de ter uma cantoria pela manhã apenas para si, ou se gostava mesmo das barganhas feitas aos montes envolvendo relógios, bicicletas, rádios, revólveres, garruchas e os pobres pássaros presos na gaiola... já que vale o ditado, mais  um preso que voando.
    E como rotineiro hábito saía aos domingos pela manhã para as roças, rever velhos amigos e eleitores, já que sempre foi chegado a política local. Num iluminado domingo de verão, foi até a Serra dos Quintinos em seu fusca amarelo 71, com um amigo do peito, para buscar prosa e também achar algumas coisas para nutrir o seu vício diário da barganha. Adorava  “dar uma manta”, principalmente nos amigos mais chegados. Quando ocorria isto, exibia como um troféu a troca da vaca doente pela novilha prenha, ou novo carro de bois trocado pelo fusca com motor queimando óleo. Não tinha este hábito por maldade, ou para enriquecer às custas dos outros, mas tinha  nisto uma arte, a arte de colocar valor nas coisas... Era realmente um vício, um jogo... tanto que não só dava manta, mas também levava. Tal qual aquele que joga todos os dias, tem o perde e ganha, não sabe parar no melhor momento e na média fica sempre no zero a zero.
    Ia então com  o fusca pela estrada empoeirada, quando viu alguns conhecidos próximo a uma casa à beira do largo, parou com o fusca e começou a prosear sobre o tempo, sem chover à dias, a situação do gado, do capim, das roças de milho e arroz. Havia também um grupo de garotos em frente a casa com suas gaiolas de passarinhos exibindo os bichos de estimação. Eram coleirinhos, canarinhos, bicos de lacre, nada que valesse o interesse de meu pai, que se encantava com pássaros mais nobres, como os melros, azulões e trinca-ferros.  Seu interesse na verdade estava numa espingarda de chumbinho combalida com o tempo que um dos proseadores portava. Foi logo perguntando sobre a espingarda, de onde veio, para onde ia... e nestes rodeios começou a barganha. Trocava por um relógio de bolso Tissot único dono... Não queria trocar, mas estava precisando de uma espingarda igual aquela para deixar no sítio, pois podia precisar pra impor respeito e matar, quem sabe, alguma cobra, pois se não fosse isto, nunca trocaria seu Tissot, que nunca atrasou na vida, bastava coloca-lo no braço todo dia que o sistema automático cumpria o papel de dar corda.
    Quando sentiu que o dono da espingarda estava inclinado no negócio, resolveu por mais um clima na negociação, pegou e foi verificar melhor a  espingarda. Pois só faria negócio se ela não tivesse o cano viciado, que não deslocasse a mira. Pegou a espingarda e deu um tiro em um arbusto próximo, o acertando em cheio. Enquanto recarregava novamente a espingarda, o amigo que veio junto com ele no fusca, deu uma boa gargalhada e soltou o desafio: “acertar aí é fácil, quero ver você acertar naquele canarinho dento daquela gaiola”. Neste instante meu pai olhou para o lado da casa quando viu uma gaiola pendurada com um passarinho dentro, nem titubeou ou mirou, acionou o gatilho em direção ao desafortunado pássaro que cantava  para alegria e orgulho de seu dono em frente aos demais garotos.
    O garoto ainda sem entender o que se passava, correu para a gaiola e não teve dúvidas: começo a chorar dizendo que queria o canarinho dele vivinho de novo dentro da gaiola...
    Meu pai não acreditou... havia acertado no pássaro que estava há uns 50 metros com uma espingarda de chumbinho?
    Chegou então perto do garoto sem ter muito que fazer, olhou para ele e disse de forma enérgica e dura, que prender passarinho era crime ambiental, e que se a polícia florestal o visse com aquele canarinho ia prender os pais dele. O menino então arregalou os olhos assustados e com medo dos desenrolar dos fatos, parou subitamente de chorar... meu pai não teve dúvidas, a velha tática da barganha funcionava novamente, tinha conseguido mudar o valor das coisas em jogo. E continuou sua argumentação, que ele poderia chamar a polícia florestal para resolver o impasse ou então ele poderia dar uma nota de cinquenta por troca do jás canarinho que estava naquela gaiola, e reforçou que faria isto somente se o menino jurasse também que nunca mais prenderia passarinho algum.
    Meu pai voltou então para casa sem cinquenta reais, sem espingarda e sem canarinho, mas com mais uma barganha no currículo.
  • A batalha pela rota do oeste

    A Guerra Civil chegou até onde não havia civilização. Todos os cantos do vasto mundo viviam a luta armada desde a primeira metade do Séc. XXI. Neste contexto não havia alternativa para um homem que não fosse se juntar a Resistência. Então ele podia ter dois caminhos a seguir: soldado propriamente dito, daqueles que pegam em armas e estão prontos a morrer pela vitória, ou contrabandista. Neb era flácido, lento e não sabia usar a Colt 45 que carregava na cintura. Então para ele restou apenas a opção B. Apesar de todo horror da guerra, Neb operava um esquema de tráfico de frutas. O produto não era abundante, mas depois da grande contaminação nuclear das últimas duas décadas do Séc. XXI, a procura também havia caído. Ele mesmo não confiava nelas, preferia as pilulas de proteínas e as gelatinas de carboidratos. Mas elas também não eram abundantes, e vinham do norte, o que dificultava tudo. As frutas vinham do oeste. Ele buscava elas nas montanhas de soldados inimigos que as roubavam da base. Depois vinha por entre as florestas mortas e minadas até uma entrada pelo antigo sistema de esgoto. Neste trajeto ele empurrava uma carroça, mas quando entrava nos canos tinha que carregar caixas. Ele tinha acabado de receber 69 unidades de mamão. Mais treze melancias, 52 berinjelas e duas caixinhas com, raríssimos, 50 morangos. Foram quase dois dias para chegar com tudo no centro nervoso do caos. Como tinha que subornar os heróis da própria Resistência em um certo do ponto do caminho, ele sempre levava primeiro as mais judiadas. Com elas também abastecia o próprio lar e os mais próximos, que não podiam se dar ao luxo de escolher. As melhores iam para os comandantes, que pagavam com o que tiravam dos corpos espalhados pelas ruas ou nas casas abandonadas da cidade.

    Neb estava esperando um cliente num porão de uma construção destruída na Rua 10. Ele chegava pelo esgoto e saia pela porta da frente. Uns quarteirões a frente conseguia outro acesso subterrâneo num prédio bombardeado. “Estamos vencendo, a guerra vai acabar.” O soldado de compras do Coronel reproduzia o discurso típico do Exército Armado Local. “Ela já acabou, mas ninguém percebeu.” “Você pode ajudar a fazer todos perceberem. O Coronel quer que eu te leve até ele.” “Que? Não posso, tenho outros compromissos. Talvez em outro momento.” “Se você não for ele não te paga, e eu levo tudo e não volto mais.” “Meus compromisso acabam de ser cancelados. Vamos passear.” Os dois atravessaram os escombros de algumas casas até chegar num buraco. Mas quatro jovens aguardavam a chegada das frutas e do fruteiro. Dali para frente Neb foi sendo arrastado com os olhos vendados e as mãos amarradas.

    Quando chegaram a um lugar quente e úmido uma porta se fechou e Neb pensou estar sozinho. Na hora que tirou a venda viu um cara parado na sua frente. “Precisamos das suas rotas no oeste.” Aquele rosto não parecia desconhecido para Neb, mas o tom imperativo de voz era novo. Ele ajudou Neb a libertar as mãos. “Não sei do que você esta falando.” “Vamos receber um grande carregamento de armas e monição e uma rota mais desconhecida garantiria a chegada de tudo ao combate.” Ele se parecia muito com o patriarca de uma família que seu avô ajudava muito tempo atrás. Mas eles tinham morrido ou sido capturados, não necessariamente nessa ordem. “Eu trabalho com frutas, não com armas.” “Você trabalha para quem te paga, e eu vou pagar.” Neb tinha mais de 25 anos, o que já o colocava num seleto grupo de sobreviventes. Uma enorme fatia do bolo não passava dos 23, e quem chegasse aos 40 teria atingido o ápice do improvável. Tanto tempo no mercado tinha lhe dado a reputação de barato e suspeito, além de pacifico e otário. “O carregamento chega daqui três dias. Por razões de segurança você não vai poder sair daqui até que tudo se conclua.” “E para minha segurança vou acompanhar tudo só até o ponto de encontro com o fornecedor, então você me dá meu dinheiro e nos separamos.”

    Três dias depois Neb, o Coronel e mais dois soldados cruzavam as florestas mortas rumo as montanhas. Neb não se sentia bem na posição de guia. “Você sabe por quê esta rota funciona há tanto tempo? Porque só eu a uso.” “Vou tentar ser discreto.” Alguma coisa no tom de voz dele não deixava Neb a vontade. “Você não é o único na Resistência a gostar de maçã. Tenho clientes em todos os níveis”. O Coronel olhou com desdém. “Há muito tempo atrás, quando ainda existiam os Abrigos da Resistência para as mulheres, velhos e crianças, um homem me disse para sempre desconfiar de quem diz lutar pela liberdade.” Neb jogou o anzol na água, mas o Coronel não queria papo. Foi um dos soldados que mordeu a isca. “Nunca ninguém dizia nada que prestava nestes esconderijos para covardes.” A ideia de morrer atravessou seus pensamentos deixando rastros de cautela. “Meu pai dizia que é melhor ser um covarde e sobreviver para contar a história.” “Ninguém vai sobreviver.” As palavras do coronel soaram como um sentença de morte para Neb.

    Enquanto eles cruzavam as montanhas o traficante de frutas formulava um plano para fugir antes de chegar ao ponto final da caminhada. Para ganhar algum tempo, e preservar um possível refúgio, ele evitou o caminho pelo pântano. Quando eles chegaram a planície avistaram um espelho brilhando no horizonte como sinal de contato. Neb sentiu que era o momento de agir. Diminuiu o passo até estar mais ou menos dois metros atrás do pequeno bando. No momento em que o primeiro soldado olhou para trás ele, tentando ser rápido como o bote de um escorpião, sacou a Colt do bolso direito e começou a atirar. Como que por milagre cada um dos três disparos atingiu um alvo, que caíram aos gritos de traidor e atirando suas metralhadoras para o alto. O Coronel ainda conseguiu acertar Neb na perna, mas sua bala foi mais certeira se alojando no pulmão esquerdo dele. Antes de morrer ele revelou que não havia Resistência, e que era ele e sua família que haviam entregado a localização do antigo Abrigo da Resistência para as mulheres, velhos e crianças. Neb fugiu chorando para se esconder no pântano.
  • A casa de trás

    Estrada para a Praia da Solidão, onde os pais do Gabi têm uma casa de veraneio. É a minha primeira viagem com meu novo namorado e, pelo que dizem, a tal “casa de praia” está mais para “palácio real de verão”. Sim, o cara é de família rica, mas antes que me julguem uma interesseira ou algo assim, eu explico: nós mantivemos uma amizade virtual por mais de um ano, antes de nos conhecermos pessoalmente. Fui saber que a família dele era abastada só depois do nosso segundo encontro, afinal ele não é daquele tipo que gosta de ostentar. É rico, porém simples, porque sempre teve grana. Minha mãe diz que ostentação é coisa de “novo rico” e, nesse caso, ela tem razão.
    Então aqui estamos nós, dentro do carro, em direção à praia, onde meus novos sogros estão nos esperando para me conhecer. Como é de meu costume em longas viagens, no meio do caminho eu apaguei. Só acordei com o Gabi me chamando, dizendo que tínhamos chegado e reclamando de ter virado alguma coisa na mochila dele.
    Os pais do Gabi já estavam aguardando nossa chegada e, assim que descemos do carro, eles vieram nos cumprimentar:
    - Você então é a famosa Lisa, hein? Estávamos ansiosos para te conhecer. Eu sou Cecília, a mãe do Gabi, mas pode me chamar de Ceci.
    - E eu sou o Antônio, o pai dele. É um prazer conhecer você, querida!
    - O prazer é todo meu, e agradeço pelo convite.
    Dados os cumprimentos formais, fomos em direção a casa. Realmente, era incrível: à beira-mar, dois andares, janelas de vidro enormes, varanda maior ainda, com uma rede bem convidativa. A suíte dos meus sogros tem uma sacada com vista linda para o horizonte.
    Como se trata de um balneário afastado da cidade, a Praia da Solidão é um lugar tranquilo e vazio, fazendo jus ao nome. Contei apenas quatro casas ao redor: a que estávamos e mais três, duas a leste e uma a oeste; mas sei que existe outra, localizada no terreno de trás da casa deles, cujos proprietários são amigos da família. Parece que ninguém aparece por ali há dois anos, com exceção de um caseiro que vai a cada quinze dias. Depois da morte da Rafaela, filha caçula dos donos da casa, os parentes não colocaram mais os pés por lá. A pobre menina morreu afogada aos oito anos, naquela praia. Uma tragédia total, que desestabilizou a família toda.
    Eu e Gabi largamos nossas coisas e fomos dar uma volta antes da hora do almoço. Ele queria me mostrar a parte de trás da casa, onde fica a piscina e o pergolado. Deitamos nas espreguiçadeiras e deixamos a energia do sol tomar conta do momento. Era um lindo dia de primavera e estávamos muito felizes por aquele fim de semana juntos. De olhos fechados e mãos dadas, ficamos curtindo aquela brisa maravilhosa e o cheiro de maresia que invadia o ambiente. Foi quando escutamos um barulho e, agora de olhos abertos, percebemos uma movimentação na casa de trás.
    - Deve ser o Chico, o caseiro.
    - Não é não Gabi, parece uma mulher, está até com uniforme de empregada doméstica, olha...
    E era mesmo uma mulher. O Gabi a reconheceu: era a Rose, empregada da família dos vizinhos da casa abandonada. Ele levantou para cumprimenta-la, aproximando-se do muro que dividia as duas residências e, ao chamar por Rose, ela olhou rapidamente para nós e disse:
    - Se afastem. Pelo bem de vocês.
    O Gabi achou a reação da mulher muito estranha, afinal ele me contou que ela sempre foi um amor de pessoa, simpática e prestativa, mas, enfim, todo mundo tem seus dias difíceis, né? Logo nos esquecemos da situação, pois já estava na hora do almoço e voltamos para casa. Só lembramos um tempo depois, na conversa do fim da tarde, quando contamos para a Ceci sobre o ocorrido e ela, surpresa, respondeu:
    - Que estranho, porque ninguém está lá. Eu achei que, depois da morte da Rafinha, a Rose havia até se demitido. Era ela quem estava cuidando da menina quando tudo aconteceu e, pelo que os vizinhos me contaram, a coitada da empregada se culpou muito.
    A noite chegou. Depois de um lindo passeio pela praia, eu e Gabi decidimos ir novamente para as espreguiçadeiras. Era nosso primeiro momento realmente a sós desde a nossa chegada, visto que o passeio de antes do almoço foi curto... E um tanto quanto perturbador. Deitamos juntinhos em uma espreguiçadeira e começamos a nos beijar. Foi quando uma luz muito forte nos atingiu, tipo um holofote, vindo da casa de trás.
    - Mas então tem alguém ali! Disse o Gabi.
    - Não vai lá não, pois pelo jeito, nós não somos bem-vindos! Respondi.
    Não adiantou eu advertir. Terminei de falar e ele já estava pulando o muro. Fiquei preocupada e segui em sua direção. Ao invadir a casa vizinha, algo muito estranho aconteceu: o pátio da casa - que conseguíamos ver um bom pedaço da sacada do nosso quarto – parece que havia mudado: era mais estreito, de pedra cinza claro e levava a uma escadaria que, ao topo, tinha uma casinha pequena, tipo uma guarita, com uma cruz no telhado. Se não estivéssemos em uma casa de praia, até poderia definir aquilo como um jazigo, ou algo do tipo.
    Decidimos subir as escadas, pois, se algo incomum acontecia por ali, Rose podia estar correndo perigo. O estranho é que, quanto mais subíamos, mais longe da chegada parecia que estávamos. A escuridão tomava conta do local, depois que aquela luz forte se apagou, e contávamos somente com as luzes dos nossos celulares. Confesso que a partir desse momento, comecei a me assustar.
    Um pouco antes de chegarmos ao topo da escada, aquela luz misteriosa acendeu e apagou novamente, olhamos para trás e vimos Rose à distância, no pátio da misteriosa casa, olhando em nossa direção, séria e... Molhada? Sim, era o que parecia. Rose estava encharcada.
    - Quer descer? Perguntou Gabi.
    - Não, agora vamos até o fim. Respondi.
    Ao seguirmos para o fim da subida, percebemos um vulto na janelinha da casa-jazigo. Subimos os últimos lances mais rapidamente e foi nesse momento que escutamos uma voz de criança chorando, dizendo:
    - Foi ela, Rose me matou!
    Mesmo assustados – e ambos ouvindo aquele estranho apelo infantil – forçamos a porta da casinha, para verificar o que tinha ali. Estava emperrada, porém, juntos, fizemos força e conseguimos abrir.
    Se lá fora estava escuro, a escuridão era ainda maior no interior da casinha. O estranho é que, do lado de fora, conseguíamos ver pela janelinha onde o vulto apareceu. Agora no interior, parecia que não tinha mais janelas. Novamente, a voz falou:
    - Ela me matou.
    - Ela me afogou.
    - A minha hora chegou.
    - Agora é a hora de vocês.
    Assustados, nos direcionamos à porta para sair dali. A porta também havia sumido. Com a luz do celular, procuramos desesperadamente a saída. A voz ficou mais alta, porém menos infantil.
    - Ela me matou.
    - Ela me afogou.
    - A minha hora chegou.
    - Agora é a hora de vocês.
    Mesmo tateando todos os locais, não encontrávamos a saída.
    - Ela me matou.
    - Ela me afogou.
    - A minha hora chegou.
    - Agora é a hora de vocês.
    Sem sinal para ligar ou avisar alguém pelo celular, começamos a gritar por socorro. O pavor tomou conta de mim.
    - Socorro, alguém nos ajuda!
    - Não adianta gritar, desgraçados, vocês são meus agora!
    - SOCORROOOOOOOOO...
    - Acorda gata, chegamos! Essa é a casa de praia dos meus pais!
    - Gabi, GABI! Ah, meu Deus, eu tive um sonho tão horroroso...
    - Ah não, minha loção pós-barba virou toda dentro da mochila, olha!
    - Eh, Gabi...
    - Espera aí, amor, olha aqui, sujou até meu notebook!
    - Você então é a famosa Lisa, hein? Estávamos ansiosos para te conhecer. Eu sou...
    - Cecília, mas eu posso chamar a senhora de Ceci. E o senhor é o Antônio, não é?
    - É... Isso mesmo querida, mas...
    Olhei em volta, e a casa era a mesma do meu pesadelo: à beira-mar, dois andares, janelas grandes, varanda enorme, rede e a sacada da suíte com vista linda para o horizonte.
    - Gabi, amor, precisamos ir embora. AGORA!
    FIM
  • A conta

    Eu estou morrendo. Sei que todo mundo está, mas eu tenho enfisema pulmonar. Não consigo mais fumar e minha vida é um inferno por causa disso. Tenho que passar o dia na cama, ligado à respiradores e monitores, morrendo. Nunca me importei muito com como seriam esses tempos, mas sabia que eles iam chegar. Você desenvolve uma certa consciência depois de passar 30 anos fumando dois maços de cigarro por dia. Sabia o que ia acontecer. Assim como quando aceitei ser governador, sabia no que estava me envolvendo. Quando disputei minha primeira eleição para vereador era porque eu queria me envolver. Não é só fazer política ou filantropia, é um estilo de vida. Tem haver com manter tudo como esta: bom para todo mundo. Nem de longe imaginei que as coisas poderiam se desenvolver desta forma. O que você tem que entender é que sempre fiz o que achei que era certo para manter o nosso estilo de vida. Eu tenho esposa, filhos, netas. Sempre achei que quando este dia chegasse seria o fim de um outro começo. Sei que isso não me absolve dos meus pecados, mas eu estou morrendo de enfisema pulmonar. E todo mundo que esta morrendo merece alguma compaixão. Porque todo mundo fez alguma coisa de bom para alguém um dia no vida, e quando se esta numa cama, ligado à respiradores e monitores, morrendo, é isso que tem que ser lembrado.

    Quando vi a Fernanda pela primeira vez ela estava começando o estágio na Assembleia Legislativa. Era uma jovem estudante de direito, linda. Os longos, e encaracolados, cabelos morenos, o olhar penetrante, as coxas grossas. O conjunto da obra era hipnotizador. Ninguém conseguia resistir aos seus encantos. Admito que quando convidei ela para assumir um cargo em meu gabinete eu já tinha tudo planejado. Sempre fui daqueles que não faz nada sem ter pensado em tudo. Ela não era a primeira, nem eu. Todo mundo faz assim. Acontece. Eu tenho esposa, filhos, netas. Quando ela aceitou o cargo ela sabia o que estava fazendo. Porque o cargo também incluía um apartamento no centro, com cartão de crédito e carro na garagem. Então, se você aceita tudo isso, você sabe que seu trabalho não será exatamente no escritório. E durante dois anos tudo foi uma maravilha. Nós nos víamos de duas a três vezes por semana. A vida pública exige que algumas coisas sejam realmente privadas. Eu não ia no apartamento dela para não ser visto. Nunca éramos vistos juntos. Se você usa uma aliança no dedo anelar esquerdo, e ocupa um cargo público, você não quer que as pessoas te vejam fazendo o que elas fazem. Elas votam em você exatamente porque elas acham que você não faz como elas fazem. Elas votam em você para poderem continuar fazendo o que elas acham que só elas fazem. Se todo mundo soubesse o que todo mundo fez e faz, o que seria desse mundo? E agora, que estou numa cama, ligado à respiradores e monitores, morrendo, agora isso vai ser importante?

    O que você tem que entender é que jamais imaginei que aquilo ia terminar como terminou. Eu tenho esposa, filhos, netas. Não teria feito o que fiz se não julgasse que havia extrema necessidade. Era muita coisa que estava em jogo. Todos os meus grandes feitos não podem ser ignorados por um incidente. Eu também construí escolas, creches, hospitais. Toda uma história não pode ser questionada por causa de uma estagiária num momento de devaneio. Não é porque estou numa cama, ligado à respiradores e monitores, morrendo, que estou contando tudo isso. É porque a imprensa vai fazer um escarcéu, vai supervalorizar tudo. Eu tenho esposa, filhos, netas. Não vão respeitar elas e elas não merecem isso. Não estou aqui pedindo absolvição, é só que vejam que fiz o que fiz porque precisava manter outras coisas, que eram boas para todos. Pode não ter sido a melhor escolha, mas era a única que eu tinha. Quando ela apareceu grávida, na casa da minha família, vociferando que eu era um monstro, ela mesmo não deu valor a tudo isso. Em tudo que eu representava, em tudo que eu era. Ela não me deu opções. A questão não é quem é a vítima, é como se reage as coisas. Ninguém é santo. O mundo é muito maior que uma pessoa só, e exitem os seus problemas e os do mundo, e perto dos do mundo, o seu sempre vai ser pequeno. Uma coisa que pode parecer pequena para você, pode ser grande para o mundo. Não era só a minha honra que ia ser atingida, era a honra de todo mundo.

    Quero deixar claro que antes de matar ela asfixiada, e incinerar o corpo numa pilha de pneus, tentei todos os outros meios ao meu alcance para evitar que as coisas terminassem dessa forma lastimável. Não foi fácil fazer o que fiz. Eu não queria. Eu chorei, pedi, implorei. Mas ela tinha vídeos, fotos, conversas. Eu poderia ter dado tudo que ela jamais imaginou ter. Hoje ela poderia estar vivendo bem em qualquer lugar que quisesse. Tentei garantir, com todas as palavras possíveis, que ela e a criança jamais passariam nenhum tipo de necessidade. Muito ao contrário, viveriam sem nunca terem que se preocupar com dinheiro. Teriam até direito a herança. Eu reconheceria o filho quando deixasse a vida pública. Mas ela queria causar um escândalo. Queria usar uma criança para acabar com tudo. O que ela queria era ver tudo que eu tinha construído destruído. Eu fiz o que qualquer um no meu lugar faria. Eu tive que matar ela asfixiada, e incinerar o corpo numa pilha de pneus, para garantir que tudo continuasse como estava, porque estava bom para todo mundo. Eu tenho esposa, filhos, netas, e estou numa cama, ligado à respiradores e monitores, morrendo.
  • A cusparada

    O fato abominável deu-se aproximadamente às três e quarenta de cinco da tarde, numa quarta-feira. Uma instituição de ensino tão distinta como era a Escola Municipal Casimiro de Abreu, no Mendanha, Rio de Janeiro, viu sua honra ameaçada quando, após o recreio, um aluno traquinas cuspiu num degrau da escadaria, enquanto subia para a sala de aula, no segundo andar. Eu tinha, então, onze anos, e, até hoje, aquele dia não me sai da lembrança, pois, nessa idade, fatos escabrosos assim criam marcas indeléveis na nossa mente.
    Passaram-se alguns minutos desde que nos assentamos em nossas carteiras, e o professor não apareceu. Esperamos por mais um bom tempo, e nada. De repente, desponta sala adentro, não o professor, mas o diretor da escola. Estacou-se, sério e mudo, diante da turma.
    - Alguém cuspiu na escadaria - disse ele, fazendo uma varredura com um olhar rasante por sobre as cabeças dos alunos.
    O silêncio era total nesse momento e, se não exagero, paramos também de respirar.
    - Vamos! Estou esperando! Qual foi o engraçadinho?
    A classe permaneceu tão interativa quanto um exército de cera.
    - Já sabemos que foi alguém desta sala. Não adianta esconder! - o diretor começou a andar de um extremo ao outro da sala a passos largos, as mãos às costas, e eu me lembrei de uma figura de Hitler que tinha visto há poucos dias numa Enciclopédia Juvenil.
    Era a penúltima aula do dia, e ficamos até o final desta sem olhar para outro lugar senão para o ir e vir do diretor. Tocou a sirene para iniciar-se a última aula. Atravessamos estoicamente mais cinquenta minutos, e o culpado manteve-se no firme propósito de não abrir o bico. Depois dos tediosos minutos de mutismo e indiferença de nossa parte, ouvimos a sirene soar pela última vez. Que alívio!
    - Ninguém sai! - vociferou o diretor, estendendo os braços, com as palmas postas à frente, frustrando, desse modo, o levantar precipitado das trinta e quatro nádegas que se desprendiam das cadeiras. - Sentados! Onde pensam que vão? Todos comigo para a minha sala lá embaixo, e já!
    A agonia continuou na sala do diretor. Ele assentado em sua cadeira majestosa, as unhas vergadas a capirotar no tampo oco de madeira da mesa, sem falar um “a”, e, nós, mumificados.
    - É muito simples pôr um fim a este martírio. Basta que o culpado apareça - apelou o diretor, a certo ponto da tortura, em que ele próprio parecia não mais aguentar.
    Passou-se o tempo equivalente a mais um período de aula quando, finalmente, assistimos à cena constrangedora de um menino levantar-se e confessar:
    - Foi eu... senhor diretor...
    E, assim, foi o fim do holocausto.
    “Esse cara tá morto”, pensei. E deve ter sido esse o pensamento de todos ali.
    Sem permitir que saíssemos ainda, o diretor chamou o réu confesso à sua mesa e o advertiu de uma forma surpreendente:
    - Cuspir na escadaria é contra as normas da casa. Você sabe disso, não sabe?
    O menino estava com a cabeça mergulhada entre as clavículas e a voz bloqueada na garganta.
    - Sabe ou não sabe?
    - Sim... eu... sim, senhor diretor.
    - Você cometeu um erro, certo? Reconhece, diante da turma, que cometeu um erro? Diga que reconhece!
    - Sim... eu reconheço, senhor diretor.
    - Pois bem, filho. Espero que nunca mais repita esse ato deplorável. Não quer passar por essa vergonha de novo, quer?
    O menino meneou a cabeça negativamente.
    - Aprenda: Daqui em diante você observará melhor sua conduta na escola. E é muito feio não assumir quando se comete um erro. Errar é natural do ser humano, mas não assumi-lo é covardia, é desonroso. E veja que prejuízo pode causar: se você tivesse se levantado e assumido a culpa na primeira vez que perguntei, todos os seus colegas já estariam em casa há muito tempo. Nunca mais faça isso de novo, nunca mais! Agora, podem sair.
    Anos se passaram e, não mais como aluno, mas como professor, e não mais no Rio de Janeiro, mas em Espera Feliz, Minas Gerais, entrava eu na sala dos professores do colégio em que lecionava, e deparei-me com uma professora, colega de trabalho, que acabava de chegar esbaforida, tensa, com uma cara vermelha de quem comeu meia dúzia de acarajés quentes. Perguntei-lhe o que havia acontecido, e ela me respondeu com os olhos arregalados de espanto:
    - Meu Deus do céu... aconteceu uma coisa absurda comigo agorinha mesmo na sala de aula onde eu estava. Sabe o Michael Jackson, aquele garoto de dezoito anos do 3º 2? Pois então, abaixei-me um pouco sobre a carteira dele para lhe chamar a atenção por ter xingado o colega ao lado de “filho da puta”, e ele cuspiu na minha cara! Você acredita que ele teve essa petulância?
    A professora, aviltada até os ossos, não conseguiu entrar naquela sala novamente naquele dia, tomou um Rivotril, passou o caso à Direção da escola e foi embora de ônibus, pois não estava em condição de dirigir. E o que fez a diretora? Aplicou um corretivo no cuspidor? Enquadrou-o no Artigo 331 do Código Penal, que prevê punição para quem ofende, humilha ou espezinha funcionário público no exercício da função? Chamou o meliante para uma lição de moral, assim como fizera o saudoso diretor da Casimiro de Abreu, nos idos de 1981? Dera-se pelo menos ao trabalho de conversar qualquer coisa com o rapaz, qualquer coisa mesmo: uma miudeza de duas ou três palavras de protesto, só para não deixar que ficasse tão evidente a verdade de que ela estava pouco se lixando para o caso? Não. Em vez disso, a professora recebeu uma intimação judicial 20 dias depois, para comparecer ao Fórum 30 dias depois, sendo condenada a três meses de prestação de serviços comunitários por 180 dias depois, e, porque o juiz julgou como bem grave a denúncia que Michael Jackson apresentou contra a professora, dizendo que ela havia sido preconceituosa e o constrangera muito ao dizer que a saliva dele era suja - ora, onde já se viu, só porque ele era “preto”? -, teve seu diploma cassado 181 dias depois
  • A era da reprodutibilidade técnica avançada

    Mirela, Mari, Evandro e Neto estavam ensaiando há semanas. O roteiro era da Mari e do Evandro, e nunca estava fechado. Eles não aceitavam começar a gravar enquanto tudo não estivesse completamente finalizado. Equipe de produção, pós-produção, técnica, tudo definido. Não basta só ter uma super-câmera “D qualquer coisa”, para gravar em HD a beleza de uma pombo cagando em cima de um careca engravatado na Berrini. Tem que ter o som das asas do pombo, tem que ter o barulho da bosta se espatifando na careca lustrosa, dividido em quadros sincronizados com um som angustiante e em ângulos jamais imaginados por Hitchcock. Tem que ter brilho, luz, câmera, ação!
    - Vamos fazer um piloto.
    - E quem vai editar?
    - Eu e a Renatinha.
    - Onde? No Movie Maker? Não…
    - Ela tá com um canal no You Tube….tudo bem, é sobre moda…..mas são legais, e ela tem mais de mil visualizações em um vídeo já….
    - Para com isso…..ela que seja feliz, mas a gente quer fazer uma coisa diferente………..
    - Ela disse que topa, é só pôr o nome dela nos créditos…….e ela divulgaria no canal dela também………..a gente faz, se não ficar bom a gente não sobe na net…….
    - Tudo bem, mas ainda temos o problema do microfone…...só com o da câmera não dá……
    - Para de colocar dificuldade em tudo……...é só um curta de menos de cinco minutos!........você dois estão achando o que?.........que….que….sei lá……..aqui não é o NetFlix!
    - Calma……
    - Um monte de gente grava com uma câmera pior que a nossa, sem microfone, edita no Movie Maker, ou nem edita, e faz umas coisas muito legais……..faz quase um mês que a gente esta ensaiando, já temos o figurino, a maquiagem, tudo…….vamos fazer!
    - Tudo bem, a gente faz um piloto no próximo ensaio.
    Cena 1
    Resumo - Dois caras estão numa mesa de bar no meio da noite. O número um é um taxista (Mari) e o número dois (Evandro) é um jornaleiro. Eles estão tomando suco e comendo um pedaço de bolo enquanto conversam. A balconista (Mirela) fica no fundo mascando um chiclete e fumando um cigarro vendo TV.
    {Som de copos tilintando, pessoas conversando, barulho de televisão e carros passando de fundo.}
    [Câmera em plano médio com os dois sentados na mesa em primeiro plano e a garçonete em segundo plano aparecendo no fundo.]
    (Taxista) - “Sei que não temos muita intimidade, mas eu precisava conversar com alguém…….é que…..sei lá……ultimamente eu tenho visto tanta coisa……..me faz pensar…...que…...sei lá………...essa cidade…..”
    (Jornaleiro) - “Acho que estou entendendo o que você quer dizer……...um tipo de depressão……..todo mundo é feliz menos eu…….algo assim………”
    (Taxista) - “Não sei……..acho que as pesso…”
    (Jornaleiro) - “O que você precisa é se divertir cara………..pega umas minas fáceis, toma um porre, faz uma merdas……..aqui é a democracia……...curte, se diverte……”
    (Taxista) - “Estas foi uma das maiores merdas que eu já ouvi….”
    CORTA! CORTA!
    - Esta ficando bom……….Mirela, eu preciso que você masque esse chiclete como a Sally Sanders na cena do parque de diversões naquele filme com o John Travolta……você esta no fundo, desfocada, tem que ser bem performático para sair bem………..Mari, seja mais deprimida e menos malandro……..você esta bem Evandro, mas não olha para Mari quando você responde, fala meio de boca cheia, olhando para a direção do barulho da televisão……..você não esta se importando muito com o que ele esta falando……..falem mais alto que não temos mic aqui……...vamos continuar da onde parou……..
    Cena 1…...continuação…...ação…….
    (Jornaleiro) - “É isso que os homens fazem…….”
    (Taxista) - “Esse é o problema……...não aguento mais essa sujeira, essa merda de lugar…….essas vagabundas na rua não percebem que são parasitas?........”
    (Jornaleiro) - “Você vive num país livre cara…...se você gosta de homem procure um e seja feliz……..
    (Taxista) - “Cala essa boca seu animal…..não sei porque estou perdendo meu tempo com você……..”
    Fim da Cena 1
    - Talvez tenha ficado legal galera…...vamos arrumar tudo para a próxima……...
    Cena 2
    Resumo - O taxista (Mari) esta na sala da casa de um vendedor de armas (Mirela). Ele tira uma mala debaixo de uma abertura escondida atrás do sofá e os dois começam a negociar.
    [Câmera em plano geral, pegando toda a sala e mostrando toda movimentação dos personagens.]
    {Sons de crianças brincando no quintal do vizinho e adultos gritando.}
    (Vendedor de armas) - “Eu tenho tudo que você precisa…...armas, munição, coletes a prova de bala……..”
    (Taxista) - “Eu quero uma Magnum 44 com seis balas……”
    (Vendedor de armas) - “Esta aqui esta belezinha……..robusta, pesada…….1,3kg de pura destruição…….o que ela acertar ela derruba……..”
    (Taxista) - “Quanto é?”
    (Vendedor de armas) - “Um barão e meio…….”
    (Taxista) - “Com as balas?”
    (Vendedor de armas) - “A primeira é sempre na faixa…….o que você esta pensando em fazer com isso……….”
    (Taxista) - “Nada demais……..aqui esta o dinheiro…….”
    (Vendedor de armas) - “O Tito disse que você era taxista……..que só queria se proteger……..se seus amigos também quiserem posso vender para eles também……...mas nada de falar por telefone, a gente combina e você traz eles aqui……e se alguém me perguntar você nunca me viu……..e é isso que vou falar se alguém perguntar de você……..”
    (Taxista) - “Entendi, eu sei como funciona…….”
    Fim da cena 2
    - Não sei isso esta dando certo. Nessa cena a câmera ficou muito longe de vocês……...acho que não esta legal o som……..
    - Roda aí na câmera mesmo pra gente ver como ficou………
    [Filme rodando]
    - O som esta horrível……..parece que é um banheiro…….
    - Vamos terminar de gravar……..a Renatinha vai melhorar o som no computador e colocar os efeito……..eu estou achando ótimo……..vou arrumar tudo para a próxima cena………..
    Cena 3
    Resumo - O taxista (Mari) esta sentado numa cadeira na cozinha escrevendo um bilhete. A arma esta do lado do papel na mesa.
    [Câmera em plano americano mostrando o taxista escrevendo o bilhete e a arma. Ele acaba de escrever, coloca a caneta do lado do papel, pega a arma e da um tiro na própria cabeça. A cabeça cai do lado do papel, sangrando, e a câmera vai fechando até focalizar o papel em detalhe.]
    {Nenhum som, só o barulho do taxista escrevendo o do tiro.}
    (Recado do bilhete) - “Eu não sou viado”
    Fim da cena 3
    - Adorei!
    - Acho que ficou uma merda.
  • A fé. A triste história de um vampiro Cap. 10 de 14

    Capitulo dez

         Ergue-se uma mão, saindo de um tumulo no cemitério da cidade grande. Já passou do meio dia, o sol já está no alto e um corpo consegue sair da cova. Segundos atrás:
         -Está escuro, estou cega? Uma batida: - Me falta ar! Outra batida: - Estou presa! E começa a bater desesperadamente.
         -O ar me veio quando consegui erguer a mão. Uma mulher sai coberta de areia, sentiu uma breve dor na cabeça que a fez voltar a si, em suas memorias. Olhou seu nome na taba e ao ver o anel o pegou e o colocou: - Mãe!
         -Carlais, filha?! Outra mulher olhava-a incrédula.
         -Sou eu!
         -Mas Cachie disse que para salvar sua alma do mal atirou em seu peito!
         -Ele não acertou meu coração!
         -Você é um monstro agora, terá que sair dessa cidade! E Carlais pensou depois falou:
         -Se Cachie não acertou meu coração o fez de proposito, para que eu vivesse! Será que por gostar dela, amá-la?
         -O que pretende fazer agora?
         -Preciso encontrá-lo!
         -Mas ele a deixou ao te enterrar aqui!
         -Agora nós dois somos monstros e podemos fugir juntos, continuar juntos!
         -Pra sempre? A mãe se perguntou e disse: - Precisa ir antes que te cassem! Orientando-a e completou após Carlais a dar ouvido: - Boa sorte em sua vida de monstro! Carlais correu rapidíssimo. Sentiu-se como se sentisse agora o que seu namorado sentiu, o que ele passou, as decisões que tomou, entendia em parte o que aconteceu com seus sentimentos, sua vontade e obrigação de partir, para proteger-se e a quem amava. Era uma nova vida e ela acreditava que poderiam viver juntos em paz em algum lugar:
         -Eu tenho fé!
         Na casa de Cachie, uma mãe chorava ao arrumar a cama do filho que teve que partir e partiu seu coração ao se tornar um vampiro. Candelária saiu e fechou a porta do quarto de Cachie, mantinha todas as coisas dele nos devidos lugares, não pela esperança de ele voltar, mas para lembrar como ele deixou e teve que sair de sua vida. Saiu levando uma caixa que pretendia deixar no tumulo ao qual deveria estar seu filho e a namorada, pois ficou sabendo pela mãe de Carlais que Cachie havia a enterrado em sua cova. E de certa forma para Candelária os dois estavam realmente enterrados ali.
         O pai de Cachie estava em casa e ligou o aparelho de som como de costume deixava o som nas alturas:
         -Baixa este som! Candelária gritou, a vida deles seguia, foi nessa hora que Carlais saltou quebrando a janela e entrando, invadindo o quarto não sendo discreta, mas sem ninguém perceber da mesma forma.
         Começou a pegar as roupas de seu namorado, jogá-las na cama e depois começou a cheirá-las:
         -Preciso de seu cheiro, sentir seu cheiro, sei que vou te encontrar! Estava desesperada: - Tenho que encontrá-lo! Será que ele fez o que fez sabendo que eles se veriam outra vez? Enquanto ele tinha o objetivo de ir a outra dimensão onde todos são felizes, ela tinha a intenção de encontrá-lo, a todo custo e serem felizes juntos.
         Candelária ouviu um barulho vindo do quarto, após ela mesma baixar o som e o ouvinte não se importar, foi ver o que era e deu de cara com Carlais:
         -Você, não está morta?!
         -É Cachie fez por mim o que Carlos fez por ele!
         -É o que parece, agora que te vejo vivinha, o que está fazendo, procurando algo? Ela disse um nome:
         -Cachie!
         -Nessa bagunça? Ele não está aqui, partiu com Carlos!
         -O cheiro dele, é o que preciso! Sendo mulher loba o encontrará fácil.
         -Não vá agora, tenho uma coisa pra você! Candelária pegou a caixa e disse que era para Carlais que perguntou curiosa:
         -O que é isto?
         -Abra! Ela abriu e tirou de dentro um lindo colar: - É o presente que meu filho ia te dar antes de morrer, ele me mostrou e agora pouco o encontrei e ia levá-lo ao tumulo de vocês já que foram enterrados juntos. E estando Carlais ali ela resolveu entregar: - Deixe que eu coloque em você!  Ela coloca e ouve:
         -Obrigada, agora tenho que ir!
         -Sim, encontre meu filho e sejam felizes se possível.
         -É possível, será! Afirmou Carlais antes de sair por onde entrou deixando também um adeus.

    Veja em seguida o capitulo onze.
  • A fé. A triste história de um vampiro Cap. 11 de 14

    Capitulo onze
         Ao anoitecer saíram no caminho e chegaram a uma casa:
      -Deve ser aqui que o vampiro que procuramos mora. Disse um deles. É uma casa velha com alguns vidros de suas janelas quebrados, talvez por pedras que foram atiradas ali.
      -Ou ele passou por aqui, ou está aqui, vamos entrar!
         -Olá! Disse outro.
         -Parece não ter ninguém. Cachie falou antes de gritar: - Alguém aí? Será que encontraram o que procuram?
         -Será que tem magia a protegendo? Carlos como um bom caçador de monstros perguntou. - Parece abandonada, talvez ele só tenha passado aqui para pegar algo. E completou: - Vamos entrar!
         A porta esta trancada e foram ver as janelas que também estão.
         Os três ouviram um som que um deles provocou:
         -Tá maluco, arrombou a porta. Carlos se assustou por isto disse o que disse e Cachie que abriu a porta com um chute perguntou:
         -Você queria ficar fora?
         Quando entraram morcegos saíram da árvore ao lado da casa fazendo barulho e a fada disse que estava com medo e mesmo assim entrou seguindo os dois. Cachie apertou o interruptor da luz e este fez acender foram velas em vários pontos da casa a iluminando.
         -Que espaçosa. Carlos notou.
         -Ele não está aqui, mas vamos pegar um de seus livros de magia, com ele, por ele usar magias dele eu posso usar a minha para encontrá-lo e dessa vez irmos direto a ele!
         -Bom, vamos fazer isto deve estar no quarto! Cachie entrou e cassou um livro ao encontrar voltou e ao voltar se deparou com Carlos e Moná rendidos por dois vampiros e um homem que aparentava ser caçador, este o surpreendeu e o bateu na cabeça com um pedaço de madeira, mesmo assim ele pensou em reagir, mas logo ouviu:
         -Se renda e não ferimos seus amigos! E logo estavam os três presos amarrados sentados em três cadeiras juntos, Carlos ao lado de Moná e Cachie de costas para Moná.
         -Já dissemos que estamos à procura do mesmo que vocês, o vampiro!
         -Jefrei! Um dos vampiros o especificou e disse: - Se vocês não são especiais para ele então não precisamos de vocês pra nada.
         -Somos sim, sou sobrinho dele! Carlos se apressou a dizer, mentindo e ouviu:
         -Um sobrinho humano, interessante. Carlos se sentiu melhor ao ouvir as ultimas palavras, sinal de que sua mentira funcionou.
         -O que querem com ele? Outro vampiro perguntou e a fada desta vez respondeu:
         -Magias!
         -E vocês? Cachie perguntou com um ar de raiva.
         -Ficamos sabendo que ele levará pessoas a outra dimensão e estamos preparados para forçá-lo a sermos estas pessoas. Explicou o caçador agressor.
         -Vamos procurar por pistas dele, vasculhem a casa! O caçador ordenou e ouviu de um dos vampiros:
         -Podem ir, um de nós tem que ficar aqui vigiando estes três antes de resolvermos apagá-los. O vampiro se expressou e os outros foram cada um para um lado. Ao ouvir isto Carlos disse:
         -Mate a nós dois, mas deixe-o ir. Se referindo a Cachie e concluindo: - Ele é um de vocês! Isto fez apenas os que saíram rirem.
         -Não o deem ouvidos! Cachie disse e estava preocupado, pois se eles descobrissem que Moná é fada a matariam na hora, sem pestanejar.
         O vampiro pegou o livro que Cachie tinha pegado e se distraiu o folheando e os três prisioneiros conversaram:
         -Vira fada, assim você se solta e nos salva! Carlos tinha esta ideia quebrada por sua remetente:
         -Não posso, eles me matam, não consigo lutar contra eles. E jogou a ideia a Cachie:
         -Vai você Cachie vira morcego e se livrando das cordas o ataque!
         -Mas eu não sei como fazer isto!
         -Eu te ajudo por instinto você sabe e com minha ajuda, um toque de magia vou te fazer ter êxito! Dá-me a mão! Eles afastaram as cadeiras e deram as mãos de costas. - Por ser magia sua transformação quando você voltar voltará com suas roupas. A fada explicou pintando um climinha. Após um brilho em suas mãos Cachie de um piscar virou morcego e ficou a bater as asas voando sobre as cadeiras.
    vetor do bastão do vampiro 1232195-Conseguiu! O vampiro o olhou e disse:
         -Como não imaginei isto? Mas disse ter a solução, pegou uma estaca. Cachie desvirou morcego para enfrentá-lo. - Você é um morcego morto! Disse o vampiro e a fada perguntou:
         -Vai matá-lo com o que?
         -Com esta estaca, logico. E ao olhar para mão viu que estava segurando uma flor. A jogou aos pés de Cachie e disse:
         -Vai ao mano a mano! Cachie pegou a flor e ouviu: - Vai me matar com uma flor?
         -Sei muito bem como matar um vampiro! Então Cachie esclareceu: - É uma estaca! Avançou e o acertou no coração, o vampiro caiu morto.
         -Porque ele pensou ser a estava uma flor? A fada explicou dizendo que fez magia e mexeu com a mente dele o confundindo.
         -Vamos sair daqui antes que os outros cheguem! Cachie os desamarrou e antes de irem Moná pegou um detalhe o livro e saíram. Os outros inimigos voltaram e viram o amigo morto depois saíram dizendo que eles pagariam.
         Um detalhe Cachie viu no céu ao sair, era lua cheia. Esta brilhava no céu e na casa onde estavam o corpo do vampiro estava lá e foi puxado e arrastado por algo que o devorou.
    Veja em seguida o capitulo doze.
  • A fé. A triste história de um vampiro Cap. 12 de 14

    Capitulo doze
         Na tarde seguinte está acontecendo o julgamento de Javá. Muitas pessoas estão presentes e se ouviu e ouviu:
         -Ele é culpado!
         -Ele passa informações aos inimigos!
         -Planejou e liderou o ataque que matou a família Tomasson. Um irmão do casal morto da família Tomasson esta presente e o julga culpado e está ali para ter a resposta, o veredito certo, assim não o julgaria errado, como pode estar a pensar.
         -Se uniu a vampiros! Javá questionou esta afirmação dizendo que sempre viu os vampiros como igualmente vê os humanos e isto não vinha ao caso. Nesta hora a mãe de Cachie pensou se esta errada ao imaginar a partir da transformação do filho que ele estava morto e em paz, ao invés de vivo e procurando a paz.
         Testemunhas, defesa, acusação. Candelária falou:
         -Ele tinha planos de me matar! E continuou: - Meu filho descobriu isto antes de morrer! Alguém gritou:
         -O filho dela virou vampiro eu os vi de papo na praça da igreja. Então foi perguntado:
         -Esta afirmação é verídica? Candelária fez uma pausa alimentando o silencio depois respondeu:
         -Não, meu filho está morto e enterrado! E após ouvir discórdia de Javá ela se levantou bateu na mesa e gritou: - Você pretendia me matar e vai ser preso por isto!
         Javá foi investigado e então o juiz disse às palavras que todos esperavam:
         -Javá é culpado! Batendo o martelinho e se assombrou quando viu uma arma nas mãos do homem da família dos Tomasson e ouviu:
         -É isto que eu esperava saber para te matar de uma vez! E atirou acertando o peito, o coração do inimigo. Após ser pego pelos guardas ele disse: - É bala de prata caso você seja o lobisomem que está aterrorizando pela cidade e morrerá mesmo assim!
         Candelária ficou assustada com o que ocorreu, mas saiu feliz por agora estar livre da ameaça de morte que corria contra ela. Perguntou-se como num lugar tão seguro um Tomasson conseguiu entrar com uma arma e imaginou que alguém dali ajudou. Em breve teriam um novo julgamento.
         Uma nuvem cobria a lua que não estava cheia.
         -É uma igreja! Moná disse e eles entraram:
         -É, mas não tem imagens e nenhuma cruz. Cachie se sentia desconfortável, mas conseguiu entrar:
         -Jefrei!
         -Como sabe meu nome? Não importa eu estava os esperando! Ele esta no altar e uma mulher se aproximou surpreendendo a uns ali presentes:
         -Carlais! Carlos disse e a fada assemelhou, juntando o que sabia:
         -Então esta é Carlais a que deveria estar morta.
         -Ela me mostrou uma foto no celular e eu contei os planos que tenho para você que é o namorado dela. Cachie os olhava atento.
         -Você vai me levar?! Ela meio que afirmou e continuou: - Você só pode levar a mim!
         -Não posso estou em divida com ela! E apontou para Moná que disse:
         -Euzinha querida! Jefrei se surpreendeu e disse:
         -Vejo que tem um confronto de pensamentos e duvidas, saiba que os outros que também convidei chegarão às proximidades das 12 horas, pois o portal será aberto às 12 em ponto, no bater deste grande relógio. E só então os que haviam chegado notaram o grande relógio que além de mostrar logicamente as horas era a única coisa que enfeitava a igreja. Jefrei concluiu: - Esteja pronto! E detalhou: - Os dois que irão!
         Carlais o olhou com olhos tristes, eles se olharam e Cachie disse com firmeza:
         -Moná quem vai comigo! Baixou a cabeça e quando levantou viu: - Você está usando o colar! Carlais se aproximou:
         -É sua mãe me deu dizendo que você me daria! Ele o tocou e perguntou:
         -Como chegou até aqui?
         -Não importa o que importa agora e você desistir de levar a ela. Ele não se explicou:
         -Não dá, já fiz minha escolha! Carlais gritou para Moná:
         -Você não vai! Mostrou os dentes:
         -Você é uma fera fique calma! Maná disse e se afastou com medo.
         Jefrei quis saber:
         -Uma fera?
         -Ela é uma mulher loba.
         -Sorte dessa aí que não é lua cheia. Disse se referindo a Moná colocando uma pitada de humor.
         -Você fez como eu fiz por você, por ela! Disse Carlos chegando a uma conclusão e com medo, pois isto poderia significar perdê-lo mesmo sem o portal.
         Cachie tinha três opções, mas já tinha sua escolha e apesar disto se sentia confuso. O que cada uma dessas pessoas significava para ele? Deveria pensar em algum critério e só depois escolher? Sua escolha estaria errada? Um vampiro ao sentir por muito tempo uma fada por perto ele começa a se atrair por ela, por isto quando resolveram matá-las eles fazem o mais rápido possível, para não cair em seus encantos que podem ser fatais.
         Moná está feliz e Carlais e Carlos estão tristes por terem que dar adeus a Cachie.
    Veja em seguida o capitulo treze.
  • A fé. A triste história de um vampiro Cap. 13 de 14

    Capitulo treze

         Cachie fez a pergunta mais obvia do momento:
         -Onde está o grande feiticeiro?
         -Aqui! Disse Jefrei apontando para o livro que esta no altar.
         -Ele é um livro? Moná se impressionou.
         -Olá! Disse o livro.
         Jefrei deu detalhes:
         -Ele se tornou um livro para que não fizesse magias para seu próprio feito. Apenas aqueles que leem tem seu poder, eu o tendo pude criar o portal juntando a magia dele e a minha, nossas sabedorias vão nos levar a uma dimensão de paz e prosperidade.
         -E a nós você também quis dizer! Disse um intruso e Cachie os identificou:
         -Vocês de novo. Dessa vez o caçador estava acompanhado de sete vampiros:
         -Dessa vez você não tem saída. E apontou para eles, e parou em Carlais dizendo: - Você primeiro, venha aqui! Cachie disse:
         -Não! E entrou na frente de Carlais, onde um dos vampiros se aproximou e deu um golpe em sua barriga.
         -Mudei de ideia, você! Apontou para Carlos e Cachie disse se intrometendo outra vez:
         -Não! E levou outro golpe no estomago, dessa vez foi o caçador que se aproximou e o golpeou. A fada fez algo sem pensar, ou pensando em proteger Cachie, ela acabou se entregando ao lançar uma magia que jogou o caçador longe se chocando contra parede.
         -É uma fada! Todos a olharam, dois vampiros jogaram uma faca contra ela, uma Carlais a pegou e a outra Cachie foi segurado pelo vampiro que estava próximo e Moná tentou desviar-se, mas a faca a atingiu e ela caiu. Carlos apenas gritou:
         -Cuidado! Mas foi tarde demais.
         Cachie tomou a frente do vampiro que dessa vez o deixou passar e ele tomou Moná aos braços e dizia repetidamente:
         -Não! E também: - Você tem que ir comigo!
         -Obrigado por ter tido fé em mim! Ela disse em suas ultimas palavras.
         -Como vamos vencer sete vampiros? Carlos perguntou e Carlais se adiantou dizendo:
         -São seis! E enfiou uma estaca no peito do que estava próximo a eles e este morreu e os outros mostraram os dentes.
         -Ataquem, mate-os! Disse o caçador e Jefrei se pronunciou:
         -Cachie e Carlos venham comigo para aquele quarto, menos você Carlais! Deu tempo de eles se trancarem e Carlais ficou cercada.
         -Agora! Disse o livro que estava em sintonia mental com Jefrei.
         -O que você pretende fazer, ela vai morrer, vamos ajudá-la! Cachie disse querendo sair e sendo segurado por Jefrei que executaria um plano:
         -Ela não vai morrer, nenhum deles tem uma bala de prata.
         -Mas não é lua cheia, como humana ela morrerá fácil.
         -Saiam! Gritou o caçador batendo na porta e o livro brilhou.
         As batidas na porta pararam e Cachie olhou pela brecha na porta enquanto Carlos perguntava o que está acontecendo.
         -É uma bola saindo do livro! Disse Cachie e viu Jefrei concentrado e concluiu: - Jefrei e o livro estão fazendo uma magia, estão criando uma lua cheia!
         Uma grande bola surgiu brilhando, depois ficou igual à lua sobre o altar. Então Carlais se transformou e eles ouviram vários gritos, pancadas, e Cachie via pouco pela brecha e notou após instantes que era Carlais quem batia na porta. Neste momento o livro disse:
         -É hora de parar! E a lua sumiu as batidas na porta pararam e Jefrei caiu nos braços de Carlos que o segurou perguntando:
         -Você está bem?
         -Sim! Ele respondeu e se recompôs.
         Cachie abriu a porta e viu todos os vampiros e o caçador mortos, ensanguentados. Carlais está no centro da igreja deitada cobrindo os seios com o braço e mão. Cachie pegou um pano que estava debaixo do livro e a cobriu com ele perguntando:
         -Você está bem?
         -Sim estou, fui eu quem fez isto com eles?
         -Sim! Cachie respondeu.
         -Está dando a hora! Disse Jefrei e eles olharam o relógio.
         Os outros chamados chegaram, eram um casal e mais duas mulheres.
         -Todos estão prontos, agora que você não tem mais Moná para ir contigo, quem você vai levar? Jefrei perguntou, mas esta foi a pergunta de Carlais e Carlos que o olharam.
         -Me leve, você não atingiu meu coração com a bala de prata porque me ama! Carlais tentou o convencer e Carlos se aproximou e pegando no ombro dele disse:
         -Me leve! E Cachie decidiu:
         -Carlos quem me deu esta vida é a oportunidade de vivermos juntos eu o escolho! E o beijou na boca, coisa que surpreendeu a todos e que Carlos tanto esperava, ansiava.
         O relógio bateu às 12 horas, zero hora e o portal se abriu. Com aquela demonstração foi uma despedida não teve palavras, os que deveriam entrar no portal entraram e em seguida o portal se fechou.
         Carlais chorou por uns instantes e coberta se dirigiu a saída da igreja que é a porta da frente.

    Veja em seguida o capitulo quatorze (Final).
  • A fé. A triste história de um vampiro Cap. 14 de 14 (Final)

    Capirulo quatorze (Final)

         Em pé na porta da igreja esta uma pessoa, um homem que se aproxima e Carlais o identifica:
         -Padre! Então ele diz:
         -Venha minha filha. Disse como um pai, para todos seus fieis e concluiu: - Vou te ensinar a ser uma boa mulher lobo! Então Carlais caiu nas mãos do homem a quem antes estava caçando e com ele aprenderia, teria um caminho, novo.
         Uma velha, senhora, lia para sua neta e fechou o livro:
         -Esta foi minha história com seu vô!
         -Meu avô era mal? Perguntou a neta que ouviu em seguida:
         -Ele não abandonou sua mãe, apenas ele não sabia, nem eu sabia que estava gravida na época. Porque achou que ele era mal?
         -Ele a deixou com um filho na barriga e saiu para uma outra felicidade.
         -Ele era um homem bom!
         -Então não era mal?! A garotinha quis saber de novo e a senhora respondeu:
         -Não! Olhou para as estrelas lá fora e sorriu.
         -Mãe foi feliz sem um pai, eu tenho um pai!
         -Você tem sim! A velha senhora disse a abraçou e a fez um pouco de cocegas e depois respondeu: - Sim, acredito que ela é feliz, tem um bom marido. Mas teve a ausência do pai e isto não a impediu de crescer e ser uma boa mulher.
         -Mãe é filha de um vampiro com uma mulher loba?
         Carlais maio que desabafava para sua querida neta e teve que explicar:
         -Não, seu avô não era vampiro quando eu engravidei e nem eu era uma mulher loba.
         -Já sei por isto minha mãe é normal!
         -É os efeitos do ferimento que o lobisomem me fez não chegou a atingir a ela e ela nasceu como humana, igual a você! Carlais disse dessa vez cobrindo a neta para que ela dormisse bem. Foi então que viu que ela estava com o colar que Cachie a deu e disse para que ela tirasse para não a incomodar no sono. E a ajudou a tirar. O olhou bem, trazendo lhe lembranças e o guardou num portas joias que esta sobre a escrivaninha. Lembrou-se dos pais de Cachie, da mãe que a deu a joia em nome do filho. Lembrou que eles morreram numa casa em chamas, ninguém soube o que provocou o incêndio. Também se lembrou de sua mãe que morreu de morte natural. Já seu pai ela só o conheceu em fotos, morreu quando ela ainda era bebê, morreu caçando como um grande caçador da época, ela tinha esta descendência.
         Quando saiu de seus pensamentos olhou para neta que já dormiu, a cobriu direito e ela a olhou sorrindo, estava fingindo que tinha dormido e perguntou outra pergunta:
         -Você pensa em vovô?
         -Sim, talvez se ele soubesse que eu estava gravida teria me escolhido. Deu uma pausa e concluiu: - Espero que ele tenha aproveitado a felicidade.
         Dessa vez a neta dormiu mesmo e ela a cobriu direito, depois foi fechar a janela. Sentiu o vento e disse para si:
         -Cheguei até a ter fé que um dia ele voltaria para nós! E fechou a janela, olhou para o dedo ao fechar, esta usando o anel que é de família e o tirou e colocou na portas joias da neta, depois foi até a porta deu uma nova olhada para neta, apagou a luz e por fim soltou o trinco da porta a deixando parcialmente aberta.
         Lá fora, a passos de distancia sobre uma casa vizinha estava um homem, com sua super audição escutou tudo e a viu apagar a luz e sair e disse:
         -Eu vivi feliz com Carlos até ele morrer a dois anos e fiquei na solidão, então resolvi voltar! Ele morreu primeiro!
         A lua brilhava, mas não era cheia, as nuvens estavam espeças.  Após voltar ele a procurou por um tempo e a encontrou. No telhado da casa ninguém o notou. A brisa trazida pelo veto fazia um singelo friozinho da noite. As estrelas estavam se mostrando, com seu brilho encantador.
         Cachie respirou fundo:
         -Eu tenho uma filha e uma neta!
         Olhos abertos e os fechou deixando cair lágrimas.

    Este foi o fim deste conto, deixe seu comentário.
  • A fé. A triste história de um vampiro Cap. 2 de 14

    Capitulo dois

         -Nós estamos investigando o padre que acreditávamos que era um lobisomem.
         -Sim, lembro. Ela hesitou, mas continuou:
         -Fomos à igreja em noite de lua cheia, pessoas corriam do lugar.
         -A igreja do centro? Católica?
         -Você não lembra? Ele disse que não, isto significava que ela poderia mentir. As duas trocaram olhares. Carlais é o nome da namorada dele, ela dizia com os olhos:
         -Minta. E a mãe dele entendia.
         -Chegamos à igreja e o padre não estava lá, tinha saído quebrando uma das janelas. Parou e continuou: - Encontramos você morto lá. E pensou: - Não posso continuar. Ele notou nisso um ar de mentira:
         -Como assim, caçamos lobisomens e eu me tornei um vampiro? Tem algo errado, fale a verdade!
         Ela se levantou e quando ia contar a verdade Carlais se levantou e disse:
         -Você não pode contar a verdade a ele! A mãe dele questionou com um “mas” e ele se irritou:
         -Porque não?
         Ela se levantou e o abraçou, beijando-o no rosto, ele a puxou quando ela chegou em sua boca:
         -Eu te amo! Ela disse e ele perguntou:
         -Porque esta demonstração de afeto?
         A mãe dele disse com objetivo de contar a verdade:
         -Na igreja fomos atacados por um vampiro! Carlais tomou a frente do assunto:
         -Pare!
         -Não podemos esconder a verdade.
         -Um vampiro!? Cachie disse para elas e para si e Carlais concluiu:
         -Se vamos contar a verdade então Carlos deve estar presente, pois só ele pode nos explicar esta situação.
         -Mas porque ele? Então ela disse sem pestanejar:
         -Foi ele quem te matou! Ele ficou surpreso, pois os dois eram grandes amigos, a amizade deles estava acima de tudo e a mãe dele o defendeu:
         -Não, mas você está certa, só ele poderá te dizer a verdade. Ela o olhou pela primeira vez como ele é agora, como um vampiro e ele notou nos olhos dela uma pitada de ódio, a família odiava vampiros e outros monstros, só não as fadas, mas até as bruxas sim. E não eram só eles, a cidade é um lugar onde não aceitam monstros. Então ele percebeu que está em perigo de vida, morto, mas com perigo de morte.
         -Vou ligar para ele! Carlais disse, mas ele quis decidir dizendo, sobrepondo as palavras dela:
         -Não, vamos nos encontrar daqui a duas horas, nós três na casa de Carlos.
         -Por quê? Lá pode ter magias protegendo a casa. Carlais disse e ele explicou-se:
         -Não tem, vampiros não são alvo de bloqueios mágicos e eu conheço Carlos muito bem! A mãe dele questionou:
         -São 10 minutos até a casa dele, porque você quer 2 horas? E ele disse antes de se levantar e sair:
         -Tenho que me alimentar para não machucá-los. As duas sentiram um alivio no peito, sentiram que ele ainda se preocupava com elas, ele parecia o mesmo, e Cachie ouviu antes de sair pela janela:
         - Porque decidimos o que decidimos, foi errado! E porque deu errado? Era Carlais se lamentando de algo que ele não entendeu.
         O pensamento delas estava se alterando, estaria elas pensando errado sobre vampiros? Os monstros também amavam? Elas estavam em debate com a maneira que viviam, a caçar monstros. Toda a cidade estaria errada? E a mãe dele que se chama Candelária se perguntou:
         -O que será de meu filho agora? Significando que ela o adorava como ele a adorava, ainda adora as duas, foi o que pareceu.
         Ele ficou a pensar em cima de uma casa, ao lado de uma antena:
         -A quem eu vou matar? Alimentar-me-ei de que vida? Isso era novo para ele, e ele não queria matar humanos, a quem acreditava ser a raça perfeita.
         Caminhou e saltou por sobre as casas sem ser notado e viu o hospital e disse para si mesmo:
         -Sangue! Entrou para roubar bolsas de sangue e conseguiu, derrubou portas e disfarçado de medico andou por entre humanos e quebrou cadeados para pegar bolsas de sangue nos armários. Ninguém o notou e ao sair e beber do sangue em uma das praças da cidade ele pensou:
         -Já matei um homem, agora roubei sangue, mas até quando vou consegui ficar sem matar? O sangue que roubou logo foi bebido e ele definiu:
         -Logo terei que matar novamente para sobreviver!



    Veja em seguida o capitulo três.
  • A fé. A triste história de um vampiro Cap. 3 de 14

    Capitulo três
         Cachie estava a olhar a lua deitado num dos bancos da praça, então um homem se aproximou e disse:
         -Você fez um estrago no hospital, mas se sente melhor agora?
         -Quem é você, como sabe disto? Achei ter feito sem ninguém notar.
         -Acalme-se eu também sou um vampiro! Ele mostra as presas.
         -O que quer de mim? Perguntou curioso:
         -Você é novo e não irá sobreviver muito tempo nesta cidade revoltada contra nós dentuços. Cachie se assusta, pois sabe que o que ele disse é verdade:
         -Está me oferecendo ajuda? Como você consegue viver aqui? O homem revela:
         -Ofereço mais que ajuda, um grupo de vampiros está com um mago super poderoso e estes vampiros vão para uma dimensão onde o mal não existe, todos vivem juntos e bem e estou te oferecendo um lugar comigo.
         -Por quê? O que irá querer em troca?
         -Nada, estou sozinho a anos e tenho que levar alguém e este alguém pode levar alguém, seja que monstro ou humano for, é isto, te escolhendo, como sou um líder te dou o direito de levar alguém, mas não pode ser de sua família. Ele questiona:
         -Por quê?
         -Porque são as regras que nós os lideres criamos!
         Surgem dois humanos caçadores de monstros e o cara diz:
         -Estes estão na minha cola, fuja! Eu te encontrarei depois de alguma maneira te farei a seguinte pergunta: Você vem comigo?
         O homem joga um dos caçadores contra um balanço. Cachie corre, mas um homem aparece e ele ergue alho contra Cachie que se afasta, mas tem uma ideia, arranca o banco do chão e joga contra o caçador que cai e ele consegue fugir.
         Ele para sobre uma casa e é surpreendido por alguém que bate na cabeça dele e ele cai do alto da casa. Lá em baixo outro homem o rende e prende suas mãos e pés:
         -Você vem conosco!
         -O que querem comigo?
         -Você vai saber! Ele é levado a um seleiro e lá dois homens conversam com ele:
         -Morrerá queimado ao amanhecer!
         -Eu sou como vocês, não se lembram de mim, você é um do grupo ligado a minha família eu te vi numa das reuniões! O cara finge não saber e apenas conclui:
         -Esta conversa não passa de um aviso e já foi dado! Eles saem, antes de amanhecer ele é amarrado sobre o teto de uma casa.
         Cachie se esforça e consegue se soltar caindo dentro da casa ao quebrar o telhado, os caçadores só depois veriam que ele conseguiu fugir. Ele vai se refugiar no deposito do cemitério, esperando anoitecer para rever sua família. Nessa espera ele vê Carlos ir deixar flores em seu tumulo.
         Um homem chega perto do tumulo e sorri ao ver que está tudo bagunçado, repara que algo saiu dali, este é Carlos e ele ouve seu nome e quando olha vê Cachie no deposito e pergunta ao chegar perto:
         -Posso entrar ou você vai me matar? Cachie se surpreende e pergunta:
         -Como sabe que posso te matar, falou com mãe e Carlais?
         -Não é que vi teu tumulo destruído. Ele tenta se explicar e Cachie apenas não liga pro que ele diz e pergunta:
         -O que você tem haver com tudo isto que está me acontecendo?
         -Sua família não te contou?
         -Não, disseram que deveríamos estar eu você, Carlais e mãe, juntos para que eu vinhesse a ter respostas
         Cachie ataca sem querer o amigo, que diz:
         -Me mate, mas saiba antes que eu te amo! Cachie o larga e diz:
         -Fuja! Ele consegue sair, Cachie sai para seguir e matar o amigo, mas é queimado pelo sol e recua. O amigo sabendo que está seguro volta e diz:
         -Você tem que sair dessa cidade já que não é mais um de nós. E conclui: - Revelarei tudo, nos encontre na praça da igreja às 8 horas e não se preocupe não entraremos na igreja e escolho lá por os caçadores acreditarem que nenhum vampiro goste de lá. Ele sai correndo com pretensão de chamar as mulheres da vida de Cachie e informá-las, coisa que a família dele não fez para com Carlos, elas marcaram na casa dele e Cachie nem sabe se realmente foram, mas acredita que ficaram o esperando fora e como ele não apareceu ficaram se perguntando o que tinha acontecido e voltaram pra casa sem falar com Carlos.
    Veja em seguida o capitulo quatro.
  • A fé. A triste história de um vampiro Cap. 4 de 14

    Capitulo quatro
        Cachie vai atrás de se alimentar quando anoitece, vai atrás dos caçadores, assim matará a quem não gosta para ele esta era uma boa escolha. Ao chegar os ouve:
        -Quem era aquele vampiro que diz ter te conhecido?
        -Era o filho de Candelária, aquela que não tem a mínima ideia de que nós caçadores estamos traindo o clã por estas lindas pedras preciosas.
        Ele derruba as pedras após segurá-las com a mão, deixa cair sobre uma caixa. Ele então continua ouvindo e vê que eles têm o plano de matar a sua mãe.
        Cachie ataca os três caçadores que estavam desprevenidos, mata dois e rende o outro a quem tem interesse de arrancar informações:
        -Quem está no comando? Ele não diz e Cachie insiste: - Vou beber seu sangue e atirar seu corpo na praça!
        -Não me transforme em um de você, por favor, não! Cachie percebeu que ele era como ele a ultima coisa que queria, desejava era virar um monstro, um de seus alvos.
        Após insistir um pouco mais ele disse:
        -É Javá quem tem tudo planejado! E diz mais, após Cachie tirar lhe sangue da mão com seus dentes: -Ele planeja tudo a ser executado no sábado! Faltavam dois dias e Cachie não o perdoou dizendo:
         -Sou um vampiro agora, agora sou um pecador! E mordeu o pescoço do traidor dos caçadores, se alimentou dos três assim não iria tentar ferir os queridos a quem veria logo. –Tenho que contar a minha mãe para ela ficar alerta e entregar Javá que é um bom e inspirador caçador de monstros da região, o próprio Cachie tirava sua inspiração do que ouvia dele.
         Não era noite de lua cheia, o padre suspeito de ser um lobisomem dava a sua missa normalmente. A praça estava movimentada pelos fieis entre eles três pessoas em especifico a quem Cachie se dirigiu ao chegar.
         A água no enfeite da praça era jogada para cima por bombas de água e enfeitavam o lugar.
         -Bom, estamos todos aqui, antes de vocês falarem eu quero falar! Ele recebeu um abraço choroso da mãe depois da namorada e por fim o amigo se aproximou, o olhou nos olhos e quando eles apertaram as mãos ele o puxou para si e Cachie aceitou seu abraço que foi prolongado até ele se afastar.
         Ele começou:
         -Mãe descobri que tem traidores no nosso grupo, ex grupo, você entendeu, e este você não vai acreditar, ninguém vai, será uma tarefa difícil para você, mas você tem que convencer a todos, pois ele tem planos de te matar!
         -Você está falando de quem filho?
      -Javá! Todos os três o olharam incrédulos: - Eu matei aquele caçador que nos ajudou no fim do ano passado e a dois amigos dele e foi por ele que descobri os planos de Javá!
         -É inacreditável, mas acredito em suas palavras!
         -Tenha cuidado, não sabemos quem ou quantos estão envolvidos nessa traição.
         -Terei cuidado e seu pai vem amanhã, ou seja, estarei protegida e entregarei Javá aos nossos superiores.
         Um garoto passou e falou para a mãe dele que estava a seu lado:
         -Mãe olha ele tem aparência de um morto! Ele virou o rosto e a namorada dele disse para mulher sorrindo:
         -É maquiagem!
       -É filho aqui próximo à igreja seria o ultimo lugar onde um vampiro se divertiria ou passaria seu tempo! O garoto olhou nos olhos de Cachie que dessa vez o encarou com a cara feia e o menino saiu com medo enquanto a mãe dele saiu sorrindo.
       -Agora que estamos todos que devem estar presentes aqui é hora de começar a me contarem o que tanto quero saber, porque acordei debaixo da terra e como um vampiro?
       -Antes de tudo você tem que acreditar em nossos sentimentos, nós o amamos! Disse a namorada.
       -Eu tive fé! Disse Carlos que perguntou após: - Quem irá contar?
       -Eu falo! Respondeu a mãe dele.
       -Porque tanta cerimônia para dizerem o que pode ser simples, eu fui atacado e me transformei!? A namorada disse:
       -Foi isto! E a mãe a desmentiu:
       -Não foi bem assim. E ela tocou o rosto de Cachie ao iniciar a história.
    Veja em seguida o capitulo cinco.
  • A fé. A triste história de um vampiro Cap. 5 de 14

    Capitulo cinco

         -Estávamos atrás do padre e ele fugiu, mas fomos atacados por um vampiro que conseguiu entrar na igreja, estava fraco, podíamos e íamos vencer, mas ele estava acompanhado, humanos nos renderam e disseram que era para nós vermos que todos são iguais. E a namorada prosseguiu:
         -E o vampiro lhe mordeu com a intenção de torná-lo vampiro, o mordeu na nossa frente.
         A memoria veio aos poucos:
         -Lembro que gritei me matem!
         -Nos perdoe, e foi isso que fizemos! E elas olharam para Carlos e concluiu:
         -Achávamos que tínhamos feito. Carlos continuou a história:
         -Eles nos deram a estaca para decidirmos se o mataríamos ou teríamos que deixar você se tornar vampiro.
         -Seu pai foi o primeiro a dizer, mate-o! Carlos pegou a estaca e disse que faria isto! Deram uma pausa e seguiram:
         -Nenhum de nós hesitou.
         -Talvez eles tenham nos amaldiçoado por termos matado tantos monstros. A mãe tentou explicar.
         -Sim, vocês deveriam ter me matado, mas o que ouve?
         -Eu tive fé, eu tenho fé! Disse Carlos.
         -Porque você não o matou? A namorada perguntou e ele respondeu em fim:
         -Eu tenho fé e estou certo, você continua sendo você, mesmo morto!
         -Não, ele é um monstro agora! A namorada disse.
         -Vocês decidiram me matar ao eu ser vampiro!
         -Sim filho, foi pro seu bem! A rejeição estava no olhar das duas e Carlos concluiu:
         -Eu fingir ter acertado seu coração com a estaca!
         -Você não acertou meu coração, por isto estou aqui!
         -Eu te amo! Carlos disse e a mãe dele irritada também comentou:
         -Nós o amamos! Cachie ficou sem saber o que pensar:
         -Se fosse por nós você tomaria a mesma decisão! A namorada disse e gritou para Carlos: - Porque você fez isto?
         -Eu já respondi! Cachie e Carlos trocaram olhares. –Eu vou para outra cidade com você, farei tudo por você! Disse Carlos e Cachie ficou calado depois disse:
         -Agora eu vejo que apesar de pecadores, vampiros também tem uma vida.
         -Pecadores por matarem humanos! A mãe dele declarou.
         Eles repensavam sobre sua maneira de vida, na real eles também matavam porem acreditavam que eram monstros e não passavam disso. Tudo era muito para eles, principalmente para Cachie que teria que viver como um de seus antigos inimigos, o que seria deles agora? Aliados? E elas não sabiam o que fazer só, queriam ser perdoadas, mas criticavam Carlos do fundo do peito, chegando a desejar que ele morresse por ter feito o que fez.
         -O que você vai fazer? A mãe perguntou e ele disse que não sabia.
         -Já disse que vou com você, pois eu decidi por todos ao escolher que te deixaria se transformar. E incluiu: - Já disse que fiz por amor.
         -Eu não sei o que dizer. A namorada disse tentando explicar que ainda o amava ou amava o morto que deveria estar debaixo da terra.
         Finalmente ele falou:
         -Vou e volto amanhã neste mesmo horário para me despedir de vocês todos e sairei sem rumo certo, é o que farei!
         -Nós podemos escondê-lo! A mãe tentou, mas ele concluiu as palavras dela:
         -Até quando? Ele disse até amanhã e antes de sair ouviu de sua mãe:
         -Amanhã seu pai estará aqui para se despedir!
         Carlais se aproximou de Carlos e o deu uma tapa na cara e disse:
         -Isto é o que acho de seu amor por meu namorado! Carlos apenas tocou seu rosto machucado, não reagiu, nem teve impulso de devolver de alguma forma.  Carlos estava triste por Cachie não demostrar alguma reação a seu amor, talvez pensasse que este seria muito para ele pensar, já que tinha problemas maiores, ou ele apenas tinha para com ele o que sempre tiveram uma grande amizade.
         -Tenho que reencontrar o vampiro que disse que existe outra dimensão, talvez nesta eu possa ser feliz. Ele já não estava preocupado com a mãe, estava tão perdido que já não se lembrava de que aquela que o queria morto poderia ser morta. Será que o amor ainda existia nestes quatro? Talvez enfraquecido.

    Veja em seguida o capitulo seis.
  • A fé. A triste história de um vampiro Cap. 6 de 14

    Capitulo seis
         Cachie ouve uma voz que parece vim de sua própria mente:
         -Eu vi o vampiro lhe oferecer um lugar bom para nós monstros.
         -Quem é você? Apareça!
         -Ainda não, pode ser perigoso!
         -Não vou te machucar!
         -Como pode garantir? Ele cansado desiste de uma possível insistência e vai ao ponto: - O que quer?
         -Quero ser a pessoa escolhida por você!
         -O que terei em troca? A voz é feminina e ela foi direta:
         -Eu te levarei ao vampiro certo!
         -Você sabe onde ele esta?!
         -Não, mas juntos o encontraremos em breve!
         -Como juntos se você nem aparece?!
         -Tenha fé! Ela disse e ele se lembrou das palavras de Carlos.
         -Vou pensar se precisarei da sua ajuda!
         -Diga sim, eu não voltarei aqui, estou de passagem, por favor.
         -Apareça!
         -Você sabe, deve saber que os vampiros estão matando fadas por nós ajudarmos humanos.
         -Eu odeio vampiros! Após segundos em silencio começa a chover ela surge de um brilho com um guarda chuva rosa e fica ao lado dele se protegendo e a ele da chuva.
         -Olá está é minha forma humana.
         -Você é linda, como dizem que todas as fadas são!
         -Como dizem?
         -Primeira vez que vejo uma e em fotos quando vocês apareciam só surgem brilhos, não dá pra ver que são tão belas.
         -Vai querer minha ajuda? Vamos ser uma equipe jamais vista.
         -Sim, perdi tudo que tinha ao virar vampiro e você por ser fada já merece meu respeito, pois fui por muito tempo humano, mais que vampiro.
         -Por eu ser fada?
         -Gostei de você logo de cara, vamos sim juntos a este paraíso que o vampiro me ofereceu.
         -Ah que bom! Comemorou a fada sorrindo.
         -Me encontre sobre o edifício verde ao lado da praça da igreja às 9 horas. E dali dará inicio uma jornada ele disse.
         -Sim, claro! A fada falou antes de se transformar em fadinha e sair brilhando, voando com suas asas.
         Cachie tinha tido uma revira volta em sua vida, perderá tudo creia, mas aos poucos foi vendo que estava construindo algo novo. Viverá como algo que odiava, já agora odiava o que era também, ao ver que os caçadores planejavam matar sua mãe.
         A fadinha saiu pensando que ele deveria ter um pouquinho mais de fé. Ela tinha fé e fugia de vampiros que estavam contra humanos, haviam destes que se revoltaram contra fadas.
         Cachie ficou na chuva perdido em seus pensamentos até o sol nascer e ele se esconder. Ficou em uma casa, de desconhecidos, percebeu, viu que os moradores não estavam, ficou lá. Na hora do almoço estes chegaram. Um garoto subiu para o quarto que ficava na primeira porta acima e deu de cara com Cachie:
        -Você, o que faz aqui, homem vampiro?
        -Você, logo uma criança. Cachie se deteve até que o menino gritou:
        -Mãe, pai! Eles logo subiram e o homem da família perguntou com ar de agressividade:
        -O que quer conosco, como entrou aqui? Cachie mostrou os dentes sem querer e a mulher disse mantendo a calma ao filho:
        -Querido vá para casa de seus avós e só volte amanhã, diga a eles que nós tivemos que sair, mas não volte hoje aqui, nem com eles nem com ninguém! O pai apressou-se:
        -Corra! Ele obedeceu.
        -Eu não quero matar vocês só preciso me controlar! Cachie não se controlou e matou o homem, já a mulher ele se controlou, estava aprendendo e tinha melhorado, mas se ela saísse iria chamar os caçadores, então para sua proteção, pois não podia sair ele se alimentou do sangue dela, já não precisava mais de sangue e poderia ao anoitecer ver sua família.
         Após um belo crepúsculo Cachie ainda matou uma pessoa, e sabia que estes incidentes todos só trariam caçadores e ele tinha que sair da cidade o mais breve possível. Às 8 horas a igreja estava cheia de fieis, a praça pouco movimentada, já que todos estavam dentro da igreja, mas tinham dois detalhes: Primeiro o padre era outro e segundo era dia de lua cheia.
    Veja em seguida o capitulo sete.
  • A fé. A triste história de um vampiro Cap. 7 de 14

    Capitulo sete
         A lua cheia pintava no céu. Uma brisa era trazida pelo vento. As pessoas pareciam felizes, mas havia três que não, pois se despediriam de alguém especial neste dia. Um terceiro infeliz chegou.
         -Porque as armas? Todos se olharam assustados e a mãe dele explicou:
         -Ainda estamos caçando o padre, ninguém ainda acredita que ele é lobisomem, mas nós vamos provar quando matá-lo! Cachie os avaliou com os olhos. Carlais com uma arma que certamente está carregada com balas de prata. A mãe largou a espada e olhou o seu marido desesperada, ele tinha tirado uma estaca da jaqueta e foi atacá-lo e para proteger o filho ela fez o que pode, gritou o alertando, então Cachie conseguiu se afastar se não fosse ela, ele teria sido morto, mas o pai dele não desistiu e continuou o ataque gritando:
         -Você é um monstro! A mãe caiu sobre o marido e o segurava ouvindo: - Ele é um monstro, agora, temos que matá-lo!
         -Pai!? Cachie o olhou incrédulo. - Sou eu! Disse com a voz mansa. Carlais que também estava chocada prestou atenção em outra coisa e anunciou:
         -Ouviram isto? Todos prestaram atenção e nada:
         -É o vento agitando os galhos. Carlos tentou explicar, pois tinha uma mata que pegava um dos lados da praça. Primeiramente um vulto apareceu em frente a eles, em meio a eles, só depois perceberam ser um lobisomem.
         Carlais mirou e atirou, mas errou o tiro e o monstro primeiramente golpeou a mão que ela erguia com a arma a jogando longe e em seguida ela assustada o olhou e ouviu alguém dizer:
         -Façam alguma coisa! Não reparou quem foi, mas ouviu em seguida de Cachie:
         -Vocês sabem que eu odeio vampiros e tenho medo de lobisomens, não posso fazer nada, não consigo me mexer. E terminou com um grito: - Carlais!
         O lobisomem deu um golpe na barriga dela que a cortou em quatro unhas, listras que sangraram e o povo saíram da igreja e o pai de Cachie tirou o isqueiro e acendeu uma das tochas que Carlos levava como proteção e espantou o lobisomem que logo saiu pela mata adentro.
         -Se afastem! Dizia o pai esquecendo-se de Cachie e este estava a dizer repetidamente:
         -Não! Assustado Carlos disse:
         -Vocês sabem o que vai acontecer com ela! Foi um lobisomem líder e ela irá se tornar um deles, um monstro. Carlais estava desmaiada nos braços de seu namorado ao chão que a segurava. Neste momento Cachie não se importou com o sangue, Carlais era mais importante. Ficou com as mãos cheias de sangue.
         -Eu decidi, vou com você para outra cidade, que o aceite. Carlos disse o que pensou por horas antes em dizer a Cachie que chorava. Candelária ainda em frente ao marido para proteger o filho apoiou a decisão de Carlos e completou:
         -É o certo filho, vá com ele!
         -Eu posso te machucar! Cachie estava preocupado com o que poderia fazer e Carlos disse aguentar as consequências que ele disse que ele mesmo criou ao decidir não acertar seu coração.
         -Eu imploro me deixe estar ao seu lado! Cachie deixou lagrimas caírem de seus olhos e disse:
         -Está certo! Todos da família ficaram aliviados e Carlos também. Mas agora tinham que decidir se deixavam Carlais virar uma mulher loba ou matá-la. Cachie disse: - Se ela decidiu me matar, eu acredito que o que ela queira para si, é o mesmo que desejou a mim!
         -Nós decidimos que você está certo! Disse a mãe dele que o viu se levantar. Cachie caminhou até a arma com balas de prata que Carlais deixou ao chão, à pega e diz:
         -Eu faço isto! E gritou: - Vão embora todos!
         As pessoas saíram uma a uma e o pai dele ainda meio que rendido pela esposa disse:
         -Boa sorte em sua vida de monstro! A mãe correu. Beijou o filho e disse:
         -Denunciei o Javá como traidor, ele será levado a julgamento, será investigado e julgado, eu e os investigadores seremos a acusação. E completou com: - Adeus filho! E quando ficaram apenas Cachie, Carlos e Carlais, Cachie apontou a arma ao peito de sua namorada, respirou fundo e após um adeus, atirou!
    Veja em seguida o capitulo oito.
  • A fé. A triste história de um vampiro Cap. 8 de 14

    Capitulo oito

         Um brilho às 9 horas sobre um edifício verde significava que certa pessoa esperava Cachie. Mas não foram as nove em ponto que ele chegou a fada teve paciência e coragem para continuar ali tendo fé ao acreditar que tudo daria certo.
         -Desculpe a demora, é que fui enterrar uma pessoa muito querida!
         -Enterrar?! A fada se assustou, ele explicou e contou com a ajuda dela para irem avisar a família de Carlais. Tinham a enterrado no mesmo tumulo de Cachie e avisariam a família para ir fazer orações a sua querida.
         Ao chegarem, já disseram ter uma noticia ruim. A mãe de Carlais os recebeu primeiramente a Carlos e a fada que se apresentou primeiramente a eles quando estava no alto do edifício verde e agora a mulher que os recebia se identificando como Moná.
         Antes a fada tinha enviado uma magiazinha em uma carta que dizia que a filha dela tinha morrido e após a fada ver que a destinatária leu e chorou Cachie resolveu que deveriam fazer isto pessoalmente.
         E quando a mãe de Carlais viu Cachie entrar seguindo atrás dos outros dois ela se assustou:
         -Todos nós fomos ao seu enterro. Chateado Cachie disse:
         -É eu me tornei vampiro! O que ninguém queria.
         Com pressa deram a triste noticia a mãe de Carlais que chorou junto a Cachie que disse:
         -Não fui capaz de protegê-la.
         Tinham planos de seguir em frente. Já era 1 da manhã quando chegaram a praça onde em fim Carlos perguntou:
         -O que uma fada faz ao lado de um vampiro?
         -Vamos ao paraíso. A fada resumiu o que foi explicado por Cachie:
         -Um vampiro me ofereceu um lugar de paz para viver e posso levar alguém, me desculpe por não ter pensado em você, pois imaginei que nossa relação de amigos tinha acabado como acredito que minha relação com minha família acabou.
         -Você vai levá-la!?
         -Sim, ou seja, sua intenção de viver comigo, estar comigo se fará apenas até encontrarmos este vampiro a quem vamos atrás a partir de agora!
         Cachie virou-se para fada e perguntou:
         -O que viemos fazer aqui? Moná esclareceu:
         -Posso sentir a presença do vampiro que procuramos aqui e vamos seguir seu rastro, sua sombra. Com magia parecia que tudo estava acontecendo naquele momento, o vampiro matou seus inimigos, eles viram entre brilhos e seguiu: - Por ali! Disse Moná e uma fina estrada de flores, rosas brilhantes se formaram por onde o vampiro foi. O caminho estava feito e eles o seguiram.
         -Será que vamos sobreviver a esta aventura? Cachie se perguntava e Carlos estava triste por não poder ir com Cachie ao possível paraíso. Mas percebia que ele estava certo, tinha perdido tudo e encontrado uma linda fada para curar suas dores e encontrar assim um novo caminho, literalmente cheio de flores e magias.
         -Tenho fé que você viverá bem, meu querido! Falou para si mesmo se referindo ao amigo.
         -Estou com minhas malas prontas! Maná disse e as fez aparecer.
         -Vamos ter que levá-las? Carlos criticou e ouviu:
         -Não, minha magia as leva comigo! Sorriu para os dois e correu para caminhar sobre as flores, num caminho que só eles podiam ver.
         Maná está feliz, finalmente estava no caminho de paz e de certo seria feliz a partir de então, sem se preocupar em ser morta por um vampiro qualquer em uma situação qualquer. E se sentia protegida ao lado de Cachie, que apesar de ser um vampiro, era bom para ela.
         Os três seguiam num caminho onde dois seriam felizes, será que Carlos estava realmente contente com isto? A felicidade do amigo amado acima de tudo? Os desejos? Para onde ele voltaria, após esta aventura? Será que encontrariam o destino que procuravam? Será que ele terá um bom destino após cumprir essa razão de encontrar um vampiro?
         No caminho Cachie o explicou as intenções do vampiro, o que ele tinha, e o super feiticeiro que os levariam ao lugar de paz. Disse que o feiticeiro disse encontrá-lo futuramente, mas com a ajuda da fada a razão dele era não esperar e encontrá-lo rápido de uma vez.
         -Vamos, temos que ir antes que o sol nasça. Disse a fada.
    Veja em seguida o capitulo nove.
  • A fé. A triste história de um vampiro Cap. 9 de 14

    Capitulo nove
        O sol nasce no horizonte, umas sete pessoas de preto quase cercam um tumulo. No horizonte as nuvens em frente aos raios solares são belas. Lá em baixo uma solidão.
        -Filha! A mãe de Carlais fala baixinho. Ela se abaixa coloca uma flor sobre a areia e troca o nome de Cachie para o da filha, sobrepondo-o com uma taboa.
        Já fazia um tempinho que estavam ali e ela falou e falou para a filha, entre as palavras estas:
        -Cachie não conseguiu te defender e eu nem estava quando tudo aconteceu, mas nada poderia ter feito, ou talvez morrer em seu lugar. Ela via Cachie como um ótimo genro, o achava divertido, a filha tinha escolhido um companheiro maravilhoso. Mas agora que ele é vampiro se perguntou se a filha conseguiria viver sem ele. Chorosa ela saiu para junto aos outros que se encaminhavam para saída. Antes colocou o anel que tanto a filha gostava ao lado da flor, era uma herança de família.
        O vento girava um cata-vento e o sol o iluminava já forte, das 12 horas. Cachie e Carlos estavam com os rostos próximos eles seguravam as mãos um do outro e falavam:
        -Tenho fé que vamos conseguir, mas me leve com você! Carlos pediu e ouviu:
        -Mas e a fada?
        -Esqueça ela! Cachie pensou um pouco e respondeu:
        -Não posso, já fiz a promessa de irmos juntos, eu e ela, como o vampiro disse e mais ninguém.
         Não se soube qual dos dois soltou a mão primeiro e eles se largaram.
         -Tudo bem por aqui? Maná quis saber e Cachie respondeu prolongada mente:
         -Sim, meu apetite, minha fome não é mais a mesma de quando acordei, eu acho que só preciso matar três pessoas ao mês, hoje estou me sentindo satisfeito ainda.
         -Se isto mudar esteja longe de nós! A fada sorriu ao dizer.
         -Só por precaução você deveria comer algum dos animais daqui, não precisa matar ninguém. Carlos disse. Eles estão num celeiro de uma fazenda com tudo fechado e escuro como Cachie agora gosta e estavam cercados por alguns cavalos.
         -Então está certo, vou ver que gosto tem sangue de cavalo! Nenhum deles sorriu e Carlos disse por ele e a fada:
         -Vou dar uma voltinha, já volto você vem Moná?
         -Sim, não quero ver isto, a sena que a de seguir.
         Caminhando ao lado do riacho Carlos tenta convencer Moná a esquecer do trato que fez com Cachie: - Porque você não desiste?
         -De que?
         -Dessa ideia de ir para outra dimensão.
         -Porque eu desistiria? Carlos não soube o que falar e falou a primeira coisa que lhe veio à mente:
         -Pode ser perigoso viajar num portal.
         -Não pense que só porque você está apaixonado por Cachie que eu devo ou vou esquecer o que consegui que ele me oferecesse. A fada virou fadinha e saiu ouvindo os gritos de Carlos:
         -Eu quem mereço! Volte aqui ainda não terminamos nossa conversa. Ele não sabia se se irritou por ela não desistir ou porque ouviu dela a verdade. Cachie tinha matado mais de um cavalo, após o primeiro não teve como resistir. A fada entrou brilhando e do brilho se fez na forma humana e eles conversaram:
         -Será que o vampiro estava com o super feiticeiro, prontos para irmos para outra dimensão?
         -Espero que sim, ou que não demore. E ela mudou de assunto:
         -O que acha de Carlos?
         -Como assim? Nós somos grandes amigos, há muito tempo.
         -Você gosta dele?
         -Gostar? Moná percebeu que não queria ouvir a resposta, tinha medo de ele levá-lo no lugar dela e mudou o assunto outra vez: - A moça que morreu era sua namorada? Porque decidiu matá-la?
         -Não quero falar sobre isto! Ele desta vez disse: - Você não tem medo de o vampiro que está me oferecendo esta vaga seja como muitos e assim sendo contra fadas, já pensou nesta opção?
         -Tem este risco, mas eu tenho fé, tudo vai dar certo!
         Carlos entrou meio que apavorado.  -Chegaram pessoas e entraram na casa!
         -Se acalme eles não vão vim até aqui! Cachie tentou acalmá-lo e a fada:
         -Tenho fé que não! Eu fico de vigia, daqui a pouco você faz este papel. Disse apontando para fada que apontou para Cachie sorrindo e ele para ela dizendo:
         -Tá você pode ser a ultima. O perigo rondava apenas Cachie que não teria para onde fugir, estava praticamente ali preso, por falta de opção e necessidade. Tinham que ficar ali até o sol se pôr e torcer para ninguém ir até lá, assim evitando confrontos e mortes. Mas Cachie estava calmo e fechou os olhos para dar um cochilo e dos olhos fechados de um dormindo para os olhos abertos de uma que acordou!
    Veja em seguida o capitulo dez.
  • A fé. A triste história de um vampiro Cap.1 de 14

    Como não consegui colocar este conto todo de uma vez, então resolvi colocar capitulo por capitulo, sendo 14 no total.
    Este conto já está postado por completo no meu perfil, os 14 capítulos.

    Capitulo um

         Ergue-se uma mão, saindo de um tumulo no cemitério da cidade grande. São quase amanhecer e um corpo consegue sair do tumulo e areia que o cobria. Segundos atrás:
         -Está tudo escuro, estou cego? Uma batida: - Estou sem folego! Outra batida: - Estou num lugar fechado! E começa a bater desesperadamente.
         -Não sei se eu tinha folego, mas o ar me veio depois que consegui erguer a mão. Um homem sai coberto de areia, cambaleando ele cai sentado.
         -Quando eu me ergui, minha memoria voltou, ou parte dela, eu fiquei tonto. Olha-se no espelho que tem pregado ao lado do possível seu nome na escritura do tumulo.
         -Não me vejo. Olhou para o lado: - Reside aqui, Cachie, 2016, este sou eu!
         O sol nasce Cachie olha para o horizonte e sente sua mão queimar: - Que droga, o sol está me queimando! Tem um deposito ao lado ele desesperado tenta abrir, sua pele queimando
         -Tá fechado! Ele segura o cadeado e o puxa, em seguida de novo, desta vez o cadeado quebra e ele abre o portão e entra, após abrir a porta, que não estava trancada.
         Tinha uma janela aberta e ele a fecha senta e com as mãos na cabeça reflete: - Estas coisas só acontecem com vampiros, até onde sei, não sou um, me tornei? E conclui:
         -Claro que sim!
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         O submundo se uniu ao mundo real, a ficção se fez real, depois de tempos sendo oculta, ou seja, seres mágicos se misturaram com a realidade natural.
         -Faz 100 anos que está inclusão ocorreu, será que ainda estou em 2016? Acredito que sim, pois a mutação, a transformação de um mordido se faz em horas.
         Um confronto mundial fez as pessoas veem humanos e submundanos de uma mesma forma. Ainda existem confrontos, mas a luta foi ganha por aqueles que veem todos os seres com igualdade.
         Dá a hora de trabalho e um funcionário do cemitério surge, vê o cadeado quebrado, estranha, entra e vê Cachie ali:
         -O que você está fazendo aqui? Cachie nem o ouve e pula em seu pescoço.
         -O que estou fazendo? Estou sem controle.
         Um corpo no chão e as horas passando, quando anoitece Cachie vai para sua casa entra pela janela em seu quarto:
         -Está tudo no mesmo lugar. Pegou um relógio digital e olhou a data, 2016.
         -Cachie!? Diz uma mulher ao entrar:
         -O que você está fazendo aqui? Cachie pergunta e a mulher com aparente olhar de surpresa responde:
         -Sua mãe me disse para pegar o que eu quiser.
         -Já que eu estou morto! Num é?!
         Ela gaguejou um “é” e correu para cozinha Cachie foi atrás e se depararam com a mãe dele, que diz com medo e surpresa no olhar:
         -Querido você está vivo. Cachie responde:
         -Não, só posso sair à noite e você sabe o que é isto! Ela pergunta:
         -Você se lembra de tudo que aconteceu?
         -Não, vou sentar e lhes ouvir!
         -Podemos te abraçar? Diz à mulher que na verdade é a namorada dele e continua: - Sabe que somos, éramos namorados?!
         -Não pode, não sei se condigo me controlar, então sejam rápidas na história que vão contar! Ela se senta ainda abalada ao vê-lo e a namorada também, todos se sentam ao redor da mesa de cozinha.
         -Maldito Carlos. Ela pensa e Cachie consegue ler sua mente de alguma forma e pergunta:
         -O que o Carlos tem haver com está história? Ela se surpreende:
         -Como? Ele diz:
         -Não importa, comece a contar, e cheguem onde eu me tornei num ser que nós sabemos que nós odiamos, ou estou errado? A namorada dele pensa, mas sem ele ouví-la:
         -Não podemos contar tudo, Será que ela vai abrir a boca e acabar falando demais?
         Eles são uma família de humanos caçadores de monstros, era para isto que Cachie se lembra de que se esforçava a ser o melhor. Já havia caçado bruxas e lobisomens, ele não se lembra de ter caçado vampiros, mas era de seu gosto um dia matar um. Parece que a magia se voltou contra o feiticeiro:
         -Vamos comece!
         A mãe dele começou a falar, iniciando o resumo que o levaria a uma resposta.

    Veja em seguida o capitulo dois.
  • A fé. A triste história de um vampiro Sinopse

    Vampiros ultimamente estão acompanhados ou sendo gays. Esta é uma história que trás este tema. Um caçador que odeia vampiros. O que será dele ao se tornar um? Acordar como num pesadelo, onde tem que descobrir o que realmente aconteceu que fez seu mundo virar de cabeça para baixo.
         Perder tudo? Encontrar um caminho a seguir!
         Cachie é um caçador, eficiente, prestativo, mas num certo dia acorda como um daqueles ao qual tanto se acostumou a matar. Ódio será que sua percepção, seus sentimentos para com vampiros irá mudar ao se tornar um? Como tudo pode acontecer assim tão rápido?
         Até que ponto uma amizade pode chegar a se tornar algo mais? Mais que bons amigos ou amigas?
         Em um mundo onde o submundo, as magias se tornaram realidade. Vampiros, lobisomens, fadas tudo veio a se misturar. Humanos e vampiros juntos e separados.
         Onde a fé dos que lhe rodeiam pode chegar a influenciar sua vida?
         Porque ter fé? A fé move montanhas, já diziam alguns.
         Cachie acorda no escuro fechado, começa a tentar sair desta escuridão e sai, percebendo ao ver que está em um tumulo, o seu certamente e que não dormiu, não esteve morto por muito tempo, foram horas. Agora ele tem que se proteger do sol, este queima sua pele. Conclui que se tornou um vampiro, se pergunta como e não lhe vem na memoria. Então se esconde até escurecer, só então sai atrás de resposta. Revê sua namorada e sua mãe ao ir para casa. Elas dizem que o amigo Carlos tem que estar presente para a verdade ser contada então quando todos que devem estar presentes estiverem ele saberá o que aconteceu.
         É a vida de um vampiro que ele tem para viver agora e terá que aprender a ser assim verdadeiramente o que era para ele um monstro.
         Veja a aventura de Cachie, a triste história de um vampiro! Espero que vocês gostem. Um abraço, a todos boa leitura!

         Este conto já está postado completo, basta clicar no meu perfil, depois no capítulo desejado para ler, são 14 no total.

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